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Numero do processo: 10675.002639/2006-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA
INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. ART. 33 DO DECRETO
70.235/72. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário é o recurso cabível contra a decisão de Primeira
Instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sendo
de 30 (trinta) dias o prazo para a sua interposição, contados do dia seguinte
da data da notificação do contribuinte, assinalada no Aviso de Recebimento
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3403-001.333
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
tomar conhecimento do recurso por intempestivo.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. ART. 33 DO DECRETO 70.235/72. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário é o recurso cabível contra a decisão de Primeira Instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a sua interposição, contados do dia seguinte da data da notificação do contribuinte, assinalada no Aviso de Recebimento Recurso não conhecido.
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PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. ART. 33 DO DECRETO 70.235/72. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário é o recurso cabível contra a decisão de Primeira Instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a sua interposição, contados do dia seguinte da data da notificação do contribuinte, assinalada no Aviso de Recebimento Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 04) por meio do qual se promoveu a aplicação da multa de ofício isolada, com fundamento no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 A motivação constante do Auto de Infração descreve que “O contribuinte efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada, conforme, 41, processo administrativo fiscal número 10675.000410/200594, cuja cópia está em anexo vinculado a este processo, sendolhe, portanto, imputável as multas isoladas previstas na legislação descrita no ENQUADRAMENTO LEGAL” (fl. 5). O contribuinte apresentou impugnação (fls. 11/12), alegando o seguinte: Nossa empresa sempre manteve os pagamentos do SIMPLES, criteriosamente em dia, mas na competência 11/2004, antes de efetuar o pagamento fomos procurados por um Sr. chamado JOSE MARIA DOS SANTOS, que nos falou que representava uma empresa, e que a mesma teria tido êxito em um processo impetrado contra a Secretaria da Receita Federal, na qual teria recebido u credito a ser compensado com pagamentos futuros, e que o mesmo credito poderia ser transferido para outras empresa.. Nesta negociação pelo fato da empresa lar precisando adiantar tais valores, transferiria o credito do SIMPLES competência 11/2004 para nossa empresa e em t oca pagaria em valores monetários com um certo desconto. Nossa empresa desconfiada de tal fato as tentada pela oportunidade de um retorno financeiro, diante das dificuldades por que passa a empresa tentamos fazer tal operação, mas antes procuramos a agencia da receita Federal de Patos de Minas, para verificar a veracidade das informações prestadas pelo Sr. JOSE MARIA DOS SANTOS, contudo pelos documentos apresentados, fomos informados que tal procedimento não era realizado em Patos de Minas, MG, mas somente na delegacia fiscal de Uberlândia, MG. O Sr. Jose Maria dos Santos, nos pediu uma copia do DARF SIMPLES mês 11/2004, para que pudesse ser levando em Uberlândia para averiguação do fatos, os procurando apenas um mês depois dizendo que estava tudo certo, que a compensação já teria sido feita, foi quando procuramos novamente a Agencia da Receita Federal de Patos de Minas para a devida confirmação do fato onde fomos informados que ainda não teria sido feita tal compensação. A partir desta data não mais tivemos contato com o Sr. Jose Maria dos Santos, ou com qualquer outra pessoa detentora de credito com a Secretaria da Receita Federal, diante disto sabíamos que o debito estaria em aberto e que teríamos que pagalo, porem como o SIMPLES e um tributo que não pode ser parcelado ficamos no aguardo para levantar o valor e efetuar o pagamento. No dia 15/09/2006 com a edição da P 303, foi autorizado o parcelamento deste imposto no qual fizemos a opção e começamos o pagamento. No dia 29/09/2006 nossa empresa foi notificada pelo pedido de compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo, sendo o processo administrativo fiscal de numero, 10675.000410/200594, pedido de compensação no valor de R$ 18.036,17(dezoito mil e trinta e seis reais e dezessete centavos), referente ao SIMPLES competência 11/2004, que não tínhamos conhecimento de sua entrega. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10675.002639/200644 Acórdão n.º 3403001.333 S3C4T3 Fl. 90 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG (DRJ), por meio do Acórdão nº 0922.254, de 4 de fevereiro de 2009 (fls. 31/33 ou 41/43), manteve o auto de infração, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2004 MULTA ISOLADA. Em caso de compensação indevida de valores em declaração prestada à SRF, deve ser aplicada a penalidade prevista na legislação regente. Lançamento Procedente O voto do relator do acórdão resumiu da seguinte forma seu entendimento: A impugnante contesta o lançamento negando a autoria da apresentação da DCOMP, sendo vítima de golpe e que, em momento algum foi beneficiada por tal fato. Conclui, em decorrência disso, que não há documentos por ela a serem apresentados. Ora, cabe á requerente provar a veracidade dos fatos e alegações trazidas aos autos em sua peça de defesa. A simples palavra negando a prática de determinados eventos não tem o condão de ilidir a ocorrência de um fato concreto, devidamente instrumentalizado por meio do processo n" 10675.002639/200644. A multa isolada aplicada é a prevista na legislação de regência, e somente pode ser cancelada mediante a apresentação, por parte da impugnante, de provas inequívocas de que a mesma não teve nada a ver com a apresentação da referida DCOMP. Diante do exposto, julgo por considerar procedente o auto de infração de fls. 04/06. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 199/205), no qual reitera os fundamentos da impugnação É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado pelo contribuinte depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias para sua interposição. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Por força de disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o início do prazo começa da “ciência da decisão”, ou seja, da notificação válida do contribuinte. Neste caso, a notificação foi promovida por meio do envio de carta com aviso de recebimento, de modo que aconteceu na data indicada no Aviso de Recebimento, começandose a contar o prazo no dia seguinte. O contribuinte foi notificado em 11/03/2009 (fl. 35) e apenas protocolou seu recurso no dia 14/04/2009 (fl. 36), ou seja, depois de esgotado o prazo para a interposição do recurso (cujo dies ad quem foi 10/04/2009). Não se pode, portanto, tomar conhecimento do recurso voluntário do contribuinte. Ivan Allegretti Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004030/2005-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de Apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A
DO REGIMENTO
INTERNO DO CARF.
Nos termos do artigo 62A
do Regimento Interno do CARF, as decisões
definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior
Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos
artigos 543B
e 543C
da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de
Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos
recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na
sistemática do artigo 543C
do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo
decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento
de ofício) contase
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do
CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê
o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o
mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO
DA SÚMULA CARF Nº 2.
O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é
de competência exclusiva do Poder Judiciário, não podendo ser objeto de
pronunciado pelo CARF.
Ademais, o dispositivo legal que o Contribuinte alega padecer por vício de
inconstitucionalidade, qual seja o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, nos termos da
redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 9.732/98, foi revogada pelo artigo 44 da
Lei nº 12.101/99.
ENTIDADES BENEFICENTES. INCIDÊNCIA. RECEITAS DE
ATIVIDADES NÃO PRÓPRIAS.
As entidades beneficentes de assistência social estão isentas da Cofins apenas
em relação às receitas decorrentes de atividades próprias, nos termos do que
dispõe a Lei 9.718 de 1998.
Numero da decisão: 3202-000.394
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a
preliminar de decadência; no mérito, pelo voto de qualidade, negouse
provimento ao recurso
voluntário, vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Octavio Carneiro
Silva Corrêa e Rodrigo Cardozo Miranda. Designado como Redator o Conselheiro Luís
Eduardo Garrossino Barbieri.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de Apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário, não podendo ser objeto de pronunciado pelo CARF. Ademais, o dispositivo legal que o Contribuinte alega padecer por vício de inconstitucionalidade, qual seja o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, nos termos da redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 9.732/98, foi revogada pelo artigo 44 da Lei nº 12.101/99. ENTIDADES BENEFICENTES. INCIDÊNCIA. RECEITAS DE ATIVIDADES NÃO PRÓPRIAS. As entidades beneficentes de assistência social estão isentas da Cofins apenas em relação às receitas decorrentes de atividades próprias, nos termos do que dispõe a Lei 9.718 de 1998.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência; no mérito, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Octavio Carneiro Silva Corrêa e Rodrigo Cardozo Miranda. Designado como Redator o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri.
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APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário, não podendo ser objeto de pronunciado pelo CARF. Ademais, o dispositivo legal que o Contribuinte alega padecer por vício de inconstitucionalidade, qual seja o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 428 2 redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 9.732/98, foi revogada pelo artigo 44 da Lei nº 12.101/99. ENTIDADES BENEFICENTES. INCIDÊNCIA. RECEITAS DE ATIVIDADES NÃO PRÓPRIAS. As entidades beneficentes de assistência social estão isentas da Cofins apenas em relação às receitas decorrentes de atividades próprias, nos termos do que dispõe a Lei 9.718 de 1998. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência; no mérito, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Octavio Carneiro Silva Corrêa e Rodrigo Cardozo Miranda. Designado como Redator o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (“DRJ/Campinas”), como constante às fls. 369/375 que negou provimento à Impugnação da Recorrente, havendo por bem manter o lançamento consubstanciado no Auto de Infração e Imposição de Multa ora guerreado: Relatório Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, formalizada no auto de infração de fls. 04/20. O feito, referente a fatos geradores ocorridos nos anos de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 429 3 2000 a 2004, constituiu crédito tributário no total de R$ 919.137,82, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 429/432, a autoridade inicialmente qualifica a entidade autuada informando que: (...) 2 A fiscalizada é sociedade civil beneficente, de assistência social na área da saúde, com ênfase ao atendimento a pacientes do SUS (...) reconhecida de utilidade pública federal (...), de utilidade pública estadual (...), e de utilidade pública municipal (...). 3 Entregou regularmente as Declarações de Informações Econômico – Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos exercícios financeiros de 2001 a 2005, anoscalendário 2000 a 2004 (...), sendo imune do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica (IRPJ) e, por extensão ( parágrafo 1° do artigo 15 da Lei n° 9.532, de 1997) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e contribui para o Programa de Integração Social (PIS) sobre a folha de salários. Depois de detalhar o desenvolvimento da fiscalização, a autoridade autuante aponta a irregularidade apurada: (...) 7 Da análise das contas representativas de receitas da entidade, através dos livros Razões Analíticos, verificamos que parte das receitas não pertence à atividade própria da mesma, conforme o rol do quadro abaixo: Conta Descrição 410300014046 Receitas de aluguéis 410300024047 Rendas de juros e títulos 410300044049 Rendas diversas patrimoniais rodoviária 410500014055 Rendas eventuais diversas 410500034057 Descontos ativos 8 Sobre estas receitas, pela sua natureza, deveria ter sido recolhida a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), por não estarem albergadas pelo manto da isenção, que alcança tão somente as receitas das atividades próprias da fiscalizada, conforme legislação de regência. Oportuno lembrar neste tópico que foi feita uma triagem na conta (410500014055 — rendas eventuais diversas), para dela extrair tão somente as receitas que não pertencem às atividades próprias da fiscalizada. 9 A propósito do tema, a Secretaria da Receita Federal, no Manual de Perguntas e Respostas do Anocalendário de 2004, assim se pronunciou na pergunta n°853: 853 – Relativamente à isenção da COFINS para as entidades elencadas no art. 13 da MP n° 2.15835, de 2001, qual a abrangência das receitas relativas às 'atividades próprias' a que se refere o art. 14, X, do mesmo diploma legal? Entendemse como atividades próprias aquelas que não ultrapassam a órbita dos objetivos sociais das respectivas entidades. Estas normalmente alcançam as receitas auferidas que são típicas das entidades sem fins lucrativos, tais como: doações, contribuições, inclusive a sindical e a assistencial, mensalidades e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 430 4 anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção daquelas entidades e à execução de seus objetivos estatutários. A isenção não alcança as receitas que não são próprias de atividades de natureza econômicofinanceira ou empresarial. Por isso, não estão isentas da COFINS, por exemplo, as receitas auferidas com exploração de estacionamento de veículos; aluguel de imóveis; sorteio e exploração do jogo de bingo; comissões sobre prêmios de seguros; prestação de serviços e/ou venda de mercadoria, mesmo que exclusivamente para associados; aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, piscinas, campos esportivos, dependências e instalações; venda de ingressos para eventos promovidos pelas entidades; e receitas financeiras. (Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; MP n° 2.15835, de 2001, arts. 13, e 14, X; e PN CST n° 5, de 1992). 10 Como se observa, as receitas elencadas no item 7 retro, não estão abrangidas pela isenção. Por isso será procedido o lançamento "ex officio" para exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COF1NS) [...] É o Relatório. A decisão de fls. 369/375, proferida pela DRJ/Campinas, foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATIVIDADES PRÓPRIAS. Após a edição da Lei n° 9.718, de 1998, a COFINS incide sobre as receitas não decorrentes das atividades próprias das entidades beneficentes de assistência social. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da DRJ/Campinas, a qual decidiu por manter o crédito tributário lançado pela autoridade fiscal, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário de fls. 392/414, objetivando reformar a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 431 5 a. Preliminarmente, tanto a autoridade fiscal que procedeu ao lançamento do crédito tributário ora guerreado, quanto a DRJ/Campinas reconheceram, expressamente, que a Recorrente é entidade que goza de imunidade tributária; b. No que tange ao mérito, a Recorrente reitera sua imunidade, na medida em que se trata de entidade voltada à assistência social, nos exatos termos dos artigos 6º, 203 e 204 da Constituição Federal de 1988 (“CF/88”); c. Nos termos do art. 195, §7° da Constituição Federal, a entidade está sob o abrigo da imunidade tributária em relação à COFINS; nesse contexto, lei ordinária ou medida provisória não poderiam regular o gozo da imunidade; do conflito entre a Constituição Federal e a lei ordinária ou medida provisória, a primeira sempre deverá prevalecer, devendo ser julgado improcedente o auto de infração; d. Na linha de entendimento do Supremo Tribunal Federal (“STF”), quando do julgamento do RE n° 146.1339/SP, ficou pacificado que as contribuições sociais, como é o caso da COFINS, tem natureza tributária havendo, de tal sorte, a extensão da imunidade tributária constitucionalmente concedida às instituições de assistência social a estas exações tributárias; e. O STF, em caráter liminar, suspendeu a eficácia do inciso III, do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei n° 9.732/98, sob o entendimento de que a entidade beneficente é conceito que abrange, além de instituições de assistência social, entidades de saúde e educação para fins de beneficentes; f. A Recorrente é entidade imune, nos termos do artigo 195, parágrafo 7º, da CF/88, na medida em que cumpre todos os requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional (“CTN”) para ser reconhecida como entidade imune às contribuições sociais da COFINS; g. A Recorrente já possui decisão judicial favorável reconhecendo que é entidade imune, nos termos do artigo 195, parágrafo 7º da CF/88, conforme decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 96.06.0772282; h. A imunidade é outorga constitucional, devendo ser aplicada como determina a CF/88, não podendo ser condicionada de forma restritiva, conforme entendimento da DRJ/Campinas, que embora tenha reconhecido a Recorrente como entidade imune, negou sua aplicação para as receitas advindas de outras atividades; i. Os valores de COFINS lançados referentes ao período entre janeiro de 2000 até julho de 2000 já teriam sido extintos pela decadência, na medida em que se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, devendose observar o prazo previsto no parágrafo 4º, do artigo 150, do CTN, ou seja, 5 (cinco) anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 432 6 Voto Vencido Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Decadência No tocante ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “Recursos Repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 433 7 imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 434 8 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como no caso em questão não ocorreu o pagamento, o entendimento a ser adotado é o do inciso I do artigo 173 do CTN, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do primeiro dia do exercício subseqüente àquele no qual poderia ter havido o lançamento. Concluise, portanto, que não houve a decadência alegada pela Recorrente. Inconstitucionalidade de Lei No que tange a alegação de inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, nos termos da redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 9.732/98 (que trata dos requisitos de isenção para as entidades beneficentes de assistência social), enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário e, conseqüentemente, não é extirpada do sistema jurídico pátrio, tem presunção de validade, presunção esta vinculante a administração pública, que não tem competência para analisar a constitucionalidade da norma. Este entendimento também já foi pacificado no CARF por meio da súmula n º 2, abaixo transcrito. “Súmula 2 do CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, o dispositivo legal que a Recorrente alega padecer por vício de inconstitucionalidade foi revogada pelo artigo 44 da Lei nº 12.101/99. Imunidade. Receitas Relativas às Atividades Próprias. No que tange as alegações concernentes à imunidade da Recorrente, é mister destacar que a 3ª Turma da CSRF, no acórdão 930301.521 (processo nº 19515.002921/200639), com relatoria do conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, assim decidiu acerca da matéria: Com efeito, a principal questão suscitada pela Fazenda Nacional referese à incidência da COFINS sobre as receitas decorrentes de atividades próprias da entidade, conforme preceito do art. 14 da MP n.º 2.15835/2001. No entendimento da Fazenda Nacional, deve ser aplicado à espécie o disposto na IN SRF nº 247/2002, a qual explicitou, em seu art. 47, § 2º, que as receitas referentes às atividades próprias da entidade beneficente de assistência social Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 435 9 são “somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais”. Ocorre que uma instrução normativa, norma complementar, prevista no artigo 100, inciso I, do CTN, não tem o condão de limitar isenção concedida por lei em sentido estrito, tampouco a imunidade prevista em dispositivo constitucional. É evidente que a expressão “receitas próprias”, contida na MP n.º 2.158 35/2001, não se refere apenas àquelas receitas enumeradas na Instrução Normativa acima mencionada. Para melhor compreensão da controvérsia, fazse mister destacar os dispositivos aplicáveis à espécie da MP n.º 2.15835/2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) omissis X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 436 10 Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. Notese que no caso das Entidades Beneficentes de Assistência Social, como é o caso da contribuinte em tela (artigo 13, III), o artigo 17, acima transcrito, preceitua que o gozo da isenção da COFINS só é permitido se cumpridos os requisitos estabelecidos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, o que, no caso vertente, está cabalmente comprovado nos autos – não há discussão quanto a este ponto. A expressão filantrópica, utilizada no inciso IV do artigo 13, diz respeito à necessidade de a entidade prestar serviços gratuitos a quem deles necessitar. Nada impede, todavia, a cobrança de determinado valor daqueles que podem pagar pelos serviços, isto é, daqueles que não se enquadram no conceito de hipossuficientes. Daí não ser razoável limitar as receitas próprias de entidades de assistência social somente aos recebimentos de caráter não contraprestacionais (mensalidades, contribuições e doações), na forma da IN SRF nº 247/2002. Tal limitação, conforme asseverado pelo Ilustre Conselheiro redator do voto vencedor do v. aresto ora recorrido, “é aplicável às outras entidades discriminadas nos incisos I, II e V em diante do art. 13 da MP n.º 2.15835/2001, mas não aos incisos III e IV”. De se destacar, ainda, o seguinte excerto do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro redator, verbis: É que as outras entidades que não as de assistência social, enumeradas no referido art. 13, possuem objetos específicos, a limitar as suas receitas próprias. Assim, as receitas próprias dos templos (inc. I) são somente os dízimos e doações diversas; dos partidos políticos (inc. II), as contribuições permitidas por lei; dos sindicatos, federações e confederações (inc. V), a contribuição sindical fixada em assembléia e a prevista em lei (conforme o art. 8°, IV, da Constituição Federal), além de outros recebimentos previstos em estatutos tudo; dos serviços sociais autônomos, conhecidos por Sistema "S", bem como dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas (incS.: VI e VII), as mensalidades e contribuições previstas em lei; das fundações de direito privado instituídas ou mantidas pelo Poder Público (inc. VIII), bem como das fundações de direito público, os valores dos repasses orçamentários, além de contribuições e doações autorizadas em estatuto; dos condomínios (inc IX), as mensalidades dos condôminos; e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e das Organizações Estaduais de Cooperativas (inc. X), as contribuições dos seus associados, além de outras receitas próprias. Quanto às entidades de assistência social (incs.. III e IV do art. 13 da MP n° 21.5835/2001), se suas receitas próprias são todas condizentes com o seu objeto social, nada obriga sejam tributadas as receitas Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 437 11 oriundas da prestação de serviços. O importante, para que a isenção (ou imunidade) desonere também as receitas contraprestacionais, é que, primeiro, sejam atendidos os requisitos do art. 55: da Lei n° 8.212/91, e segundo, que os serviços prestados se relacionem direta ou indiretamente com o objeto social da entidade. Por conseguinte, considerando que a entidade aqui tratada cumpriu todos os requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/91, o que, aliás, foi concluído inclusive por diligência determinada pela Câmara ora recorrida, o recurso especial da Fazenda Nacional não merece guarida. Cabe ressaltar, no entanto, a despeito do que foi acima expendido, que o principal fundamento para afastamento da exigência está no § 7º do artigo 195 da Constituição Federal, qual seja, a própria previsão de imunidade, que impede a exigência de contribuição social das entidades beneficentes de assistência social. Referido dispositivo tem o seguinte teor: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. É certo que o dispositivo constitucional, na esteira do entendimento da jurisprudência e da doutrina consolidada, trata de imunidade, e não de isenção. Outrossim, também não há dúvida de que referido dispositivo, quando aponta as exigências estabelecidas em lei, o faz remetendo a lei complementar, que no caso é o artigo 14 do CTN. Sendo assim, e aplicando o dispositivo constitucional à presente controvérsia, indubitável que a exação contida no auto de infração não merece prosperar. (grifos nossos) Por outro lado, dúvidas inexistem em relação à imunidade da Recorrente, conforme se depreende do próprio relatório fiscal (fls. 22): 2 A fiscalizada é sociedade civil beneficente, de assistência social na área da saúde, com ênfase ao atendimento a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) reconhecida de utilidade pública federal pelo Decreto rt° 46.140, de 04 de junho de 1959, de utilidade pública estadual pela Lei n° 165, de 29 de outubro de 1973 e de utilidade pública municipal através da Lei n° 1.622, de 19 de outubro de 1956. 3 Entregou regularmente as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos exercícios financeiros de 2001 a 2005, anoscalendário 2000 a 2004, processadas respectivamente sob os n`'s 0132881, 0116705, 0066540, 0072519 (AC 2000 a 2003), sendo imune do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica (IRPJ) e, por extensão (§ 1° do artigo 15 da Lei n° 9.532, de 1997) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e, contribui para o Programa de Integração Social (PIS) sobre a folha de salários. (grifos nossos) Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 438 12 Sendo, portanto, incontroverso o status de imune da Recorrente pelo cumprimento dos requisitos legais previstos no § 7º do artigo 195 da Constituição Federal (já que expressamente reconhecido no relatório fiscal), não há como se exigir a COFINS, pois, como muito apontado pelo Desembargador Federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região Carlos Muta, o referido dispositivo constitucional não dispôs que a lei poderia definir sua extensão, de modo a incluir ou excluir as receitas de atividades próprias ou impróprias, diretas ou indiretas, ou o que mais seja de equivalente a isso, mas, pelo contrário, apenas outorgou, de forma expressa e limitada, ao legislador a competência para fixar as condições, os requisitos ou, enfim, como literalmente indicado, as exigências para o seu gozo, e nada mais (AI 2006.03.00.0953519). Ante o exposto, rejeito a preliminar de decadência e, no mérito, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Gilberto de Castro Moreira Junior Voto Vencedor O ilustre Conselheiro Relator, nos termos do voto vencido acima exarado, entendeu que a imunidade prevista no § 7º do artigo 195 da Constituição Federal impede a exigência de contribuição social das entidades beneficentes de assistência social, independentemente da natureza da receita auferida (receitas próprias ou não próprias). Nesta matéria, por voto de qualidade, a Turma decidiu, por negar provimento ao recurso, sendo este ConselheiroRedator designado para fazer o voto vencedor. Quanto à decadência, a Turma por unanimidade rejeitou as argumentações da Recorrente. O nosso ponto de discordância referese, portanto, exclusivamente à possibilidade da incidência da contribuição social sobre as “receitas não próprias”. O § 7º do artigo 195 da Constituição Federal dispõe que “são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. (destaquese que houve uma imprecisão na redação deste dispositivo: não se trata de “isenção”, mas sim de “imunidade”, por decorrer do texto constitucional). Muito bem. A Constituição Federal concedeu “isenção” (imunidade) às entidades beneficentes, desde que atendam às exigências estabelecidas em lei. Neste diapasão, a Lei n° 9.718, de 1998, bem como a Medida Provisória n° 2.158, de 2001 (uma das reedições da Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999), prescreveram que as entidades estariam “isentas” apenas em relação às receitas de suas atividades próprias, verbis: Medida Provisória n°2.158, de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 439 13 III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. No mesmo sentido, o Decreto n° 4.524, de 2002, que regulamentou a tributação do PIS e da Cofins: Art. 9º. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001, art. 13): (...) III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; (...) Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9° deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7°, e Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): 1 não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) Por fim, a Instrução Normativa n° 247, de 21 de novembro de 2002, com o finalidade de explicitar o que seriam “atividades próprias”, nos termos do artigo 100, I, do CTN, assim dispôs: Instrução Normativa n°247, de 2002: Art. 9° São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: (..) III — instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei ri 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10830.004030/200599 Acórdão n.º 3202000.394 S3C2T2 Fl. 440 14 IV — instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n2 9.532, de 1997; (...) Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I — não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II — são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Em decorrência dos dispositivos acima citados, depreendese que a “isenção” da Cofins para as entidades beneficentes abrangem tão somente as receitas relativas às suas atividades próprias. Desta feita, no meu entender, mesmo considerando que a entidade foi reconhecida como de utilidade pública federal, estadual e municipal (como informa a autoridade fiscal autuante em seu Relatório – fl. 22), deve haver a incidência da Cofins sobre as receitas não decorrentes de suas atividades próprias, por força dos dispositivos normativos acima transcritos. No caso concreto, foram consideradas como “receitas não próprias” as seguintes receitas: receitas de aluguéis, rendas de juros e títulos, rendas diversas patrimoniais rodoviária, rendas eventuais diversas e descontos ativos, conforme demonstrado pela fiscalização às folhas 23 e 25 a 29. No tocante às “rendas eventuais diversas”, o AuditorFiscal informou que foi feita uma triagem para extrair tãosomente as receitas que não pertencem às atividades próprias da fiscalizada. (fl. 23). Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 14DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por GILBERTO DE C ASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005469/2001-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. ARTIGO 62-A. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Consoante
posicionamento definitivo do e. STJ (Resp 993.164, Relator Ministro Luiz Fux) é cabível a inclusão do valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas na base de cálculo do benefício instituído pela Lei 9.363/96. Entendimento de aplicação obrigatória no CARF por força do art. 62-A do seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 9303-001.615
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos dos relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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Numero do processo: 13971.000640/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006
NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO DO INTEIRO TEOR DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
Em observância aos princípios da ampla defesa e do contraditório, os responsáveis solidários do crédito tributário lançado, in casu, com base na constatação de Grupo Econômico, devem ser intimados do inteiro teor da autuação fiscal e seus respectivos anexos de maneira oferecer condições ao insurgimento pleno de referidos contribuintes, sob pena de preterição do direito de defesa. A mera intimação dos responsáveis solidários a partir de
simples Termo de Sujeição Passiva ou mesmo Ofício, somente informando da atribuição da responsabilidade solidária, não se presta a demonstrar a observância de aludidos princípios/garantias constitucionais.
É nula a decisão de primeira instância que, em evidente preterição do direito de defesa, é proferida sem a devida intimação dos contribuintes responsáveis solidários da integralidade dos documentos de constituição do crédito
tributário, oportunizando-lhes a interposição de impugnação.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Processo Anulado. de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que rejeitavam a preliminar.
Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Numero da decisão: 2401-001.970
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a
nulidade da decisão de primeira instância. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que rejeitavam a preliminar.
Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO DO INTEIRO TEOR DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Em observância aos princípios da ampla defesa e do contraditório, os responsáveis solidários do crédito tributário lançado, in casu, com base na constatação de Grupo Econômico, devem ser intimados do inteiro teor da autuação fiscal e seus respectivos anexos de maneira oferecer condições ao insurgimento pleno de referidos contribuintes, sob pena de preterição do direito de defesa. A mera intimação dos responsáveis solidários a partir de simples Termo de Sujeição Passiva ou mesmo Ofício, somente informando da atribuição da responsabilidade solidária, não se presta a demonstrar a observância de aludidos princípios/garantias constitucionais. É nula a decisão de primeira instância que, em evidente preterição do direito de defesa, é proferida sem a devida intimação dos contribuintes responsáveis solidários da integralidade dos documentos de constituição do crédito tributário, oportunizandolhes a interposição de impugnação. Decisão de Primeira Instância Anulada. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que rejeitavam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 386 3 Relatório A autuação Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.121.4688, lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A penalidade aplicada importou no valor de R$ 667.493,02 (seiscentos e setenta e sete mil e quatrocentos e noventa e três reais e setenta e dois centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 60/64, a empresa deixou de incluir na GFIP os valores pagos a título de: a) verba denominada “Indenização” paga ao segurado empregado JORGE LUIZ KOPROWSKI; b) “Indenização Aposentadoria”, rubrica relativa ao pagamento de um salário nominal a funcionário aposentado quando do seu desligamento; c) verba destinada ao pagamento de gratificação dos funcionários que fazem parte dos bombeiros voluntários da empresa; d) verba denominada “Gratificação” paga em 03/2004, no estabelecimento matriz, em parcela única, na rescisão do segurado empregado ALCIDES SCHWANK; e) verba denominada “Indenização Clausula 29”, relativa a pagamentos em caso de rescisão aos segurados empregados com mais de 05, 10 e 15 anos de serviço na empresa, previsto em convenção coletiva; f) verba denominada “Aviso Prévio Idade 45 anos”, a qual consistia em pagamento de um salário nominal aos empregados desligados com idade superior a 45 anos, conforme Convenção Coletiva firmada com o Sindicato de Blumenau, cláusula 09; g) remuneração de contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada, registrada na escrita contábil da empresa, nas contas "5530 SERVIÇO TERCEIROS PF e "3790 SERVIÇO TERCEIROS PF"; h) custeio, por parte da autuada, de gastos pessoais do sócioadministrador, Sr. RICARDO GUEDES LOWNDES e da Sra. CORNÉLIA CONRAD LOWNDES, representante legal da empresa Conrad Empreendimentos e Participações S/A, de CNPJ 01.528.583/000190, que por sua vez é sócia majoritária da autuada. Os referidos valores encontramse registrados na escrita contábil, contas 4877 e 3582, ambas de descrição "VIAGENS E ESTADAS”; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 No seu relato a Auditoria fez considerações adicionais para justificar o porquê de ter considerado as rubricas acima mencionadas como integrantes do saláriode contribuição. Na sequência, relatase que, com esteio no contrato social e alterações, além de análise da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, constatouse a existência de grupo econômico integrado pela autuada e pelas seguintes empresas: a) CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S/A, CNPJ 01.528.583/0001 90. É empresa controladora, que detém 98,01% das cotas da autuada; b) HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA., CNPJ 02.179.93810001 46. Empresa controlada pela Haco Etiquetas Ltda., que detém 99% do capital; c) HACO FIOS LTDA., CNPJ 04.740.731/000124. Empresa controlada pela autuada, a qual possui 99,32% das cotas. Assim, essas empresas teriam responsabilidade solidárias com a autuada pela quitação do crédito previdenciária consubstanciada na penalidade aplicada no presente AI. As impugnações Cientificada da lavratura em 28/02/2008, fl. 01, a empresa apresentou defesa, fls. 97/124, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) o fato como foi narrado pelo Fisco prejudica o seu direito de defesa, uma vez que não é possível se saber exatamente quais as competências em que houve infração, detectandose inclusive divergências entre os períodos constantes do relatório e os apresentados no anexo “B”. Esse fato é causa de nulidade da lavratura; b) no tocante a existência da suposta responsabilidade solidária apontada, o Fisco sequer indicou o dispositivo legal que daria embasamento a essa conclusão, mais uma vez prejudicando o direito de defesa da recorrente; c) ocorreu decadência para a multa correspondente às competências anteriores a fevereiro de 2003; d) a NFLD n.º 37.121.4700, correlata ao presente AI, é improcedente, posto que os pagamentos considerados fatos geradores presentes naquele lançamento não apresentavam natureza remuneratória, sendo pagos especialmente como indenizações e ressarcimento de despesas aos funcionários e aos representantes legais, o que exclui a possibilidade de que fossem tributados pelas contribuições exigidas; e) as remunerações não declaradas em GFIP que não constam na referida NFLD foram regularmente declaradas, conforme se comprova mediante os documentos acostados; f) valores indenizatórios pagos uma única vez quando do desligamento do empregado não podem ser tratado como base de cálculo das contribuições, mais ainda, nos casos em que os pagamentos eram efetuados para dar cumprimento ao disposto em convenção coletiva de trabalho; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 387 5 g) o perfil da empresa, que tem em sua carteira muitos clientes nas várias regiões do país, e até em outros países, aliado a necessidade de constante atualização tecnológica, exige que seus empregados e representantes legais empreendam constantes viagens. As despesas correspondentes, por serem suportadas pela empresa, jamais poderiam ser consideradas salário ou prólabore indireto; h) assim, resta comprovada a total insubsistência da NFLD n.º 37.121.4700; i) deve ser reconhecida a inconstitucionalidade da Lei n.º 8.212/1991 na parte que prevê a incidência de contribuição sobre parcelas que não possuem caráter remuneratório; j) afastadas as contribuições lançadas na NFLD, os fatos geradores remanescentes foram corretamente declarados, assim, deve cancelada ou pelo menos reduzida a multa aplicada; k) é necessário, também, que a multa seja reduzida, adequandoa ao valor base aplicável na data de cada "infração", e ao valor máximo, levandose em consideração o número de segurados da impugnante relacionados à suposta infração nos respectivos meses de competência; l) a multa é inconstitucional, dado o seu caráter confiscatório; m) requer a relevação para as competências em que a infração foi corrigida, mesmo que parcialmente. Foram acostadas GFIP comprovando a declaração de parte dos fatos geradores apontados pelo Fisco. Também apresentou defesa a empresa HACO FIOS LTDA na peça de fls. 144/203, na qual articulou que: a) é nulo o procedimento, posto que as lavraturas não lhe foram enviadas, mas apenas lhe foi remetido um ofício dando conta da existência da responsabilidade solidária, fato que fere o seu direito de defesa; b) não foi citada no ofício a base legal que pudesse dar sustentação à suposta existência de grupo econômico nem sua responsabilização, na qualidade de devedor solidário, pelo pagamento da multa; c) não se verifica na espécie qualquer hipótese de redirecionamento da dívida contra possíveis responsáveis tributários, tendo o Fisco criado verdadeira inversão da ordem de cobrança do débito fiscal; d) a mera participação societária não autoriza que se conclua automaticamente pela existência de grupo econômico, haja vista que as empresas e seus sócios/acionistas possuem personalidades jurídicas próprias que não se confundem; e) a jurisprudência do STJ somente reconhece a responsabilização por tributos devidos nos casos em que o sócio pratica atos de gestão, o que não é o caso dos autos; f) que se aproveite como alegações suas, os argumentos lançados na defesa da empresa originalmente autuada, que visam a desconstituição do AI. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Compareceram ao processo para se defender também as empresas CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A , fls. 218/225 e HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA, fls. 238/245, ambas apresentando os mesmos argumentos que a empresa HACO FIOS LTDA. A autuada compareceu ao processo posteriormente, fls. 260/261 para solicitar que, caso se entenda procedente a autuação, que se aplique a multa prevista na legislação mais benéfica, in casu o art. 32A, II, da Lei n.º 8.212/1991. A decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) decidiu, fls. 292/301, manter parcialmente a multa aplicada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 Auto de Infração n° 37.121.4688, de 28/02/2008 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de oficio decorrente do descumprimento de obrigação acessória é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. É devida a autuação por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelas obrigações decorrentes da Lei n° 8.212/91. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou ilegalidade de atos normativos federais é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, motivo pelo qual descabe o julgamento destes argumentos na esfera administrativa. PENALIDADES. RETROATIVIDADE DE LEI NOVA MAIS BENÉFICA. São aplicáveis, às multas dos lançamentos de oficio, as disposições da nova legislação, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando mais benéficas ao contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 388 7 A DRJ afastou a alegação de vício formal por entender que a lavratura apresentou a descrição da infração e o dispositivo legal infringido, além de mencionar a fundamentação legal utilizada para fixação da multa e os critérios utilizados para a sua gradação. Afirmase que os fatos geradores omitidos e os períodos a que correspondem foram especificados pelo Fisco, de modo a possibilitar o pleno exercício do direito de defesa das empresas. Também não se acatou a tese de nulidade do procedimento, sob o argumento de que as normas aplicáveis não dispunham acerca da necessidade de se encaminhar aos devedores solidários cópias das lavraturas fiscais, sendo obrigatória apenas a ciência dos débitos pelos quais estavam sendo responsabilizados, desde que tivessem a possibilidade de ter vista dos processos fiscais administrativos. O órgão recorrido entendeu o fato de não ter sido mencionada no Relatório Fiscal, bem como no ofício enviado às supostas devedoras solidárias, a fundamentação legal relativa à responsabilidade solidária, não seria causa de nulidade do procedimento. Afastouse também o argumento de inexistência de grupo econômico, pelo entendimento de que o Fisco haveria demonstrado que as empresas estavam interligadas por controle acionário e não por mera participação societária, constituindose em grupo econômico de direito. Nesse sentido, conclui a DRJ, seria inquestionável o vínculo de solidariedade para com o cumprimento das obrigações previdenciárias, independentemente da ocorrência de atos de gestão por parte das empresas interligadas. Afirmou o órgão a quo, que embora as empresas devam ser individualmente consideradas para fins do cumprimento das obrigações acessórias, existe a responsabilidade solidária quanto ao pagamento da penalidade pecuniária aplicada em decorrência de infração à legislação tributária. Aplicandose, para a contagem do prazo decadencial, o inciso I do art. 173 do CTN, declarouse a decadência da multa correspondente ao período de 05/2000 a 11/2002. No mérito, considerouse como não impugnadas, por não terem sido tratadas na defesa, as conclusões do Fisco acerca da incidência de contribuições sobre a gratificação semestral paga aos segurados que faziam parte do grupo de bombeiros voluntários da empresa, sobre a gratificação paga ao segurado ALCIDES SCHWANKE e sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais. No tocante às parcelas pagas quando do desligamento do empregado da empresa, a DRJ considerouas passíveis de tributação, uma vez que se constituíram em ganho para o trabalhador e decorrentes do contrato de trabalho. Invocando sua própria decisão no bojo do processo relativo à NFLD n.º 37.121.4700, o órgão de primeira instância declarou que a verba denominada “despesa de viagem” deveria ser tributada, uma vez que os valores que o Fisco reconheceu como custos da pessoa jurídica já haviam sido afastados da apuração. Por outro lado, afirma, que parte dessas despesas (cerca de 30%) foram efetuadas em benefícios dos sócios e seus familiares, devendo ser consideradas como prólabore indireto. Nesse sentido, seriam tais verbas de declaração obrigatória na GFIP. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Não foram apreciadas as alegações de inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência Social (incidência e multa confiscatória), sob a justificativa de que o processo administrativo fiscal não é o foro apropriado para análise de conformidade de lei vigente com a Carta Magna. O cálculo da multa com base no número total de segurados da empresa e não apenas levando em conta os segurados cuja remuneração não fora declarada foi procedimento do Fisco considerado correto pela DRJ. O mesmo entendimento foi dado para o fixação do teto da multa, previsto no revogado § 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, para o qual foi adotado o “valor mínimo” vigente na data da autuação. A alegada inexistência de dolo ou máfé, como circunstância afastar a penalidade, não foi levada em consideração, sob a justificativa de que o art. 136 do CTN não prevê a análise de elementos subjetivos para definição de infração à legislação tributária. Tendose em conta a alteração no cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória – MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.457/2009, a DRJ efetuou o comparativo entre o valor calculado pelo Fisco e aquele fixado com base na novel legislação, prevalecendo o mais benéfico à empresa. Para as ocorrências em que houve lançamento da obrigação principal (NFLD n.º 37.121.4700) a multa foi calculada com fundamento no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991. Quando se verificou apenas a falta de declaração de fatos geradores, a penalidade foi fixada com base no art. 32A, II, da mesma Lei, observandose o limite mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais) por competência. Constatando a correção integral da falta somente para as competências 12/2003, 08/2005 e 05/2006, de acordo com os documentos juntados, bem como para a competência 13/2006, já atenuada pela auditoriafiscal, o órgão a quo relevou integralmente a multa para estas ocorrências. Foram indeferidos os pedidos para a reunião e julgamento conjunto de todos os autos lavrados na mesma ação fiscal, bem como para a juntada de novas provas. Os recursos A autuada interpôs recurso voluntário, fls. 310/337, no qual, após breve síntese dos fatos processuais, manifestou a pretensão de ver a decisão da DRJ reformada, sob as alegações de que: a) o acórdão recorrido é nulo por ter contrariado à legislação de regência ao indeferir o pedido para julgamento conjunto dos processos oriundos da mesma ação fiscal; b) é causa de nulidade da decisão, o fato da DRJ ter deixado de apreciar alegações defensórias, quais sejam: i) da exigência de contribuições previdenciárias sobre verbas não remuneratórias; e ii) da multa aplicada; c) o voto condutor do acórdão asseverou que a empresa deixou de comprovar que as viagens realizadas foram em benefício da empresa, concluindo que as despesas de viagem deveriam sofrer a incidência de contribuições, no entanto, em franca contradição indeferiu o pedido para que a recorrente pudesse apresentar outras provas. Tal fato é um claro obstáculo ao seu direito de defesa, o que torna nula a decisão; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 389 9 d) ocorreu vício formal no lançamento pela falta de clareza na exposição da conduta infracional, uma vez que há contradição entre o teor do relatório fiscal e de seu anexo “B”, no que diz respeito às competências lançadas; e) a solidariedade entre as empresas arroladas pelo Fisco não deve prevalecer. Primeiro porque não foi citada no Relatório Fiscal a base legal que daria suporte a tal conclusão, não se admitindo que a decisão de primeira instância supra essa lacuna; segundo porque a mera existência de participação societária não autoriza automaticamente que se infira haver grupo econômico; f) demais disso, a mera existência de grupo econômico não poderia ocasionar a responsabilidade tributária, conforme jurisprudência do STJ colacionada; g) por ser tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias deve ser aferido pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN, devendo serem afastadas por caducidade as competências até 02/2003; h) é clara a insubsistência da NFLD n.º 37.121.4700, uma vez que na mesma se exigem contribuições sobre verbas não remuneratórias, quais sejam: indenizações e despesas de viagem. Assim, não há de se querer que as mesmas tivessem sido declaradas na GFIP; i) o limite para aplicação da penalidade deve levar em conta o número de segurados cuja remuneração não foi declarada e não o total de segurados a serviço da empresa; j) para as competências em que houve correção parcial da falta, a penalidade deve ser relevada na mesma proporção, conforme dispões o § 1.º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999 e o § 5.º do art. 656 da Instrução Normativa – IN SRP n.º 03/2005; k) para as competências 12/2002 e 01/2003, a aplicação da multa mínima de R$ 500,00 (§ 3.º do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991) não deve prevalecer uma vez que não foram indicados os fatos geradores supostamente omitidos nessas competências; l) há erro no cálculo da penalidade para as competências em que aplicou a multa mínima, uma vez o total deveria ser R$ 1.000,0 (um mil reais) e o valor apresentado é de R$ 19.588,88 (dezenove mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos); m) também é inadmissível que para um mesmo AI se aplique a penalidade com esteio em dois dispositivos legais distintos, o art. 32A e o 35A da Lei n.º 8.212/1991; n) a multa aplicada é inconstitucional em razão de seu caráter confiscatório; Ao final, requereu: a) que se declare nulo o acórdão recorrido em razão do indeferimento do pedido de reunião dos processos para julgamento conjunto e o do cerceamento ao seu direito de defesa; b) que se cancele o AI pela inexistência da infração e a NFLD correlata pela não incidência de contribuições sobre as verbas ali consideradas; c) o integral cancelamento do AI em razão dos vícios formais apontados; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 d) o afastamento da responsabilidade solidária das empresas arroladas, por falta de suporte jurídico; e) a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas nas GFIP retificadoras; f) exclusão da multa em razão da decadência para as competências até 02/2003 e em razão da nulidade do AI para as competências 12/2002 e 01/2003; g) revisão do valor da multa em decorrência dos motivos expostos. A empresa HACO FIOS também recorreu, fls. 340/352, para alegar que: a) é nulo o acórdão em razão da falta de reunião dos processos decorrentes da mesma ação fiscal para julgamento conjunto e do indeferimento do pedido para juntada de novas provas; b) é nulo o procedimento em razão de não lhe ter sido enviadas as peças do AI; c) é nulo o AI pela falta de citação do dispositivo legal que fundamentasse a ocorrência de solidariedade; d) a mera existência de participação societária não é suficiente para que se conclua pela existência de grupo econômico, tampouco existência de responsabilidade solidária entre as empresas; e) não pode ser responsabilizada por conduta que não praticou, haja vista a responsabilidade penal ser pessoal do agente; f) oferta as mesmas razões de mérito apresentadas no recurso da empresa diretamente autuada. Também interpuseram recurso as empresas CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, fls.355/367, e HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA fls. 368/380, apresentando as mesmas alegações da empresa HACO FIOS LTDA. É relatório. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 390 11 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Preliminares Em sede de preliminares as empresa suscitam a nulidade do procedimento, a nulidade da autuação, a nulidade do acórdão da DRJ, a inexistência de solidariedade e a decadência. Passemos a analisar cada uma delas. a) Nulidade do Procedimento Alegase que o fato das empresas solidárias não terem recebido as peças que compõem o AI seria causa de nulidade do procedimento. O envio de ofício dando conta dos débitos em que haveria a responsabilidade solidária, sustentase, não supriria a falha apontada. Não consigo enxergar o alegado prejuízo ao direito de defesa das empresas o fato de não ter sido enviadas as mesmas cópias das lavraturas fiscais sobre as quais recaiu a responsabilidade solidária. Ao darlhes conhecimento da existência dos créditos tributários e facultarlhes a prerrogativa de se defenderem, inclusive disponibilizandolhes vista dos autos, a Administração Tributária escancarou a possibilidade para que as devedoras pudessem exercer o seu direito de defesa com amplitude. E esse direito foi exercitado sem obstáculos como se pode ver das peças de defesa apresentadas e apreciadas pelo órgão de primeira instância. A DRJ fez questão inclusive de indicar os fundamentos que autorizam o procedimento adotado. Não custa repetir que a IN SRP n.º 03/2005 trazia previsão legal nesse sentido, no seu art. 749, verbis: Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1.º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Essa norma, ressaltese, aplicável apenas para os casos de empresas integrantes de grupo econômico, justificase no fato de que se as empresas estão sob o mesmo controle, não haveria necessidade de remeter as peças do processo a cada uma delas. Pensar de outra forma seria militar em desfavor dos princípios da economia processual e da eficiência da Administração Pública. Vejase que as empresas responsabilizadas por solidariedade não deixaram de ter ciência dos processos de débito, tampouco colocouse qualquer barreira para o exercido do direito de defesa das mesmas. Concluo que essa preliminar não deve ser acatada. b) Nulidade da lavratura Como causas de nulidade da própria lavratura os recursos apresentam a falta de citação no Relatório Fiscal, bem como no ofício enviado as devedoras solidárias, de norma que fundamentasse a ocorrência da solidariedade, bem como, o possível cerceamento ao direito de defesa por falta de clareza quanto aos períodos de ocorrência da infração. Para demonstrar a ocorrência da responsabilidade solidária, a Auditoria no Relatório Fiscal indicou ter constatado pela análise do contrato social e alterações e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, que a autuada integrava grupo econômico, cujo controle acionário pertencia a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, o qual também era formado pelas empresas HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA e HACO FIOS LTDA. Diante da suposta constatação da existência de grupo econômico, as demais empresas foram cientificadas da existência dos débitos e da sua condição de devedoras solidárias em função de integrarem juntamente com a autuada um grupo econômico de direito. Ao meu ver, todos os elementos necessários para que as empresas tivessem pleno conhecimento da sua responsabilidade para com os créditos tributários foram apresentados pela Fazenda, não cabendo a alegação de prejuízo ao direito de defesa das mesmas pela mera ausência de citação de dispositivo legal que prevê a solidária vinculação pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Em adição a isso, digase que inexiste na legislação aplicável a previsão de remessa de relatório fiscal para caracterização de grupo econômico, nos casos em que o controle é visualizado pela própria composição societária das empresas. A demonstração da interligação entre as empresas tornase essencial apenas para os casos em que se verifica a existência de grupos empresariais, cuja vinculação não aparece formalmente, mas é encontrada nos fatos narrados pelo Fisco. Não posso divergir da DRJ quando afirma que em processo administrativo fiscal o contribuinte se defende dos fatos e circunstâncias apresentados pela Fiscalização e não da definição jurídica invocada. Na espécie, os contribuintes, malgrado aleguem prejuízo a sua defesa, trouxeram em suas peças de impugnação argumentos que me permitem concluir que os mesmos estavam plenamente cientes da circunstância que deu causa a sua vinculação ao crédito tributário na condição de devedores solidários. Portanto, não encontrando qualquer prejuízo ao direito de defesa dos sujeitos passivos, deixo de acatar a preliminar de nulidade pela falta de capitulação legal relativa à solidariedade. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 391 13 A outra mácula atribuída à autuação diz respeito a falta de clareza do relato fiscal quanto aos períodos de ocorrência da infração. Afirma a empresa autuada que, enquanto o ANEXO B indica ter havido infração relativamente a conta contábil 3790 nas competências 10 e 11/2002, 02/2004 a 04/2004 e 07/2004, o item 4.7 do Relatório Fiscal não menciona tais períodos. Sobre essa questão tenho a afirmar que a Autoridade Fiscal descreveu a infração, mencionou o dispositivo legal infringido e acostou planilhas onde demonstra para cada período a as remunerações que deixaram de ser informadas na GFIP. A falha que o sujeito passivo aponta nada mais é de que mero erro material consistente na divergência entre o período indicado no relato fiscal e as competências constantes nas planilhas acostadas, mas especificamente no ANEXO B. A ocorrência dessa falha em hipótese alguma pode inquinar de nulidade a lavratura. Notase que o item 4 do Relatório Fiscal tem a função de descrever a parcela que foi omitida da guia informativa e as circunstâncias em que foi paga, de modo a justificar a consideração da mesma como salário de contribuição. Ao fazer essa menção, a Auditoria achou por bem indicar o período de pagamento da verba. As planilhas acostadas servem para especificar quantitativamente a parcela paga, indicandose ainda a data do pagamento, a conta contábil de onde foi extraído, o histórico da operação e o beneficiário. Verificase assim que o contribuinte teve todo o conhecimento dos fatos geradores apontados pelo Fisco nos seus aspectos qualitativos e quantitativos, com o que foi possível impugnar a autuação sem obstáculos. A divergência porventura existente entre o período constante no Relatório e as competências demonstradas no ANEXO B deve ser considerado como mero erro de digitação, que sequer merece ser saneado, uma vez que não trouxe qualquer prejuízo ao administrado. Caso o sujeito passivo viesse a demonstrar que constava das planilhas acostadas alguma parcela não mencionada no Relatório Fiscal, ou que os valores ali apresentados estavam em dissonância com a documentação exibida, seria caso de se retificar o valor divergente ou expurgálo do AI, jamais declarar a nulidade da autuação. O feito sob análise é espécie de processo administrativo, o qual na seara federal é regulado pela Lei n.° 9.784/1999, a qual, em seu art. 55, prescreve: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Vêse que o dispositivo transcrito condiciona o saneamento do processo a inexistência de lesão ao interesse público e prejuízo ao administrado, do que se depreende, a contrário senso, que não há nulidade quando o interesse público é preservado e do ato não advém prejuízo a terceiros. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 O Decreto n° 70.235/1972, que é a norma mestra do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, hoje também aplicado às contribuições previdenciárias, acerca das nulidades dispõe: Art. 59. São nulos: 1 os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Assim, com vistas a apreciar o argumento de nulidade do procedimento fiscal em razão de mero erro de digitação no Relatório Fiscal, devese indagar se: a) o interesse público foi arranhado; b) o fato trouxe prejuízo ao sujeito passivo; c) houve preterição do direito de defesa da recorrente. Estou convencido de que a falha apontada não representou mínimo prejuízo ao sujeito passivo, posto que, conforme já afirmei, os elementos postos a sua disposição no Relatório Fiscal, bem como nos seus anexos lhe possibilitaram o exercício do direito de defesa com amplitude. Nesse sentido, não tenho dúvida que o interesse público foi preservado, bem como as garantias processuais do administrado, não havendo razão para que se anule o lançamento por esse motivo. c) Nulidade do acórdão recorrido Sustentam as recorrentes que três causas estariam a reclamar a nulidade do acórdão da DRJ: a) a falta de atendimento ao pedido para reunião dos processos lavrados na mesma ação fiscal para julgamento conjunto; b) o indeferimento do pedido para juntada de novos documentos; e c) o não enfrentamento de questões aventadas nas impugnações. Invocam as recorrentes o § 1.º do art. 9.º do Decreto n.º 70.235/1972 para suscitar a nulidade do acórdão, que indeferiu o pedido para julgamento conjunto do presente AI com outros lançamentos oriundos da mesma ação fiscal. Vejamos o dispositivo em questão: Art. 9.º (...) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Verificase de plano que o argumento não resiste a uma mera interpretação gramatical da norma. Sem dúvida, os termos ali constantes estão a indicar que os lançamentos podem ser objeto de um único processo. O verbo poder nesse contexto está a significar que a Fl. 14DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 392 15 Administração Tributária tem a faculdade de, quando o conjunto probatório for idêntico, reunir os vários processos decorrentes de uma mesma fiscalização. Não se podendo concluir que a norma estabelece uma obrigatoriedade para esse procedimento. Assim, o pedido para julgamento conjunto dos processos, apesar de desejável em algumas situações, não é obrigatório, constituindose apenas numa possibilidade a ser considerada pela Fazenda. Para o AI sob cuidado, é inquestionável a conexão com a NFLD n.º 37.021.4700, a qual, segundo os autos, teve julgamento de primeira instância prévio ao presente AI. Inclusive algumas conclusões obtidas no julgamento da NFLD foram aproveitados na análise dos argumentos constates nas defesas apresentadas contra o AI. Vale frisar que a decisão de primeira instância sobre o destino da NFLD foi pela sua procedência parcial, reconhecendose a decadência de parte do crédito. A empresa desistiu do recurso contra essa decisão, para incluir o seu montante em parcelamento. Não se vislumbra assim a nulidade do acórdão recorrido em razão da negativa ao pedido para julgamento conjunto dos diversos lançamentos. A juntada de provas documentais no processo administrativo fiscal é regulamentada pelo art. 16, § 4.º do Decreto n.º 70.235/1972, verbis: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Na espécie, verificase que, embora as empresas aleguem que a DRJ cerceou o seu direito de defesa ao indeferir o seu requerimento para a juntada de novas provas, em nenhum momento apresentou os documentos que entende serem relevantes para solução da demanda. O Fisco já havia apontado que suas conclusões acerca da incidência de contribuições sobre parte dos pagamentos contabilizadas como despesas de viagem se deram com base na documentação exibida pela empresa. Na defesa, momento próprio para a juntada de documentos, as empresas, embora argumentassem que tais gastos eram em benefício da pessoa jurídica, nenhuma prova acostaram para fazer valer as suas teses. O órgão a quo considerou procedente a autuação quanto a essa verba, sob o argumento de que as empresas não comprovaram que se tratava de custos para a pessoa jurídica. Isso me permite concluir que a DRJ agiu com acerto, haja vista que o ônus probatório recai sobre quem alega. Ora se as empresas, visando desconstituir o lançamento, alegaram determinado fato, caberia as mesmas apresentar os elementos de prova que pudessem Fl. 15DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 dar guarida a suas ponderações. No entanto, observo que nem durante a ação fiscal, nem na impugnação e nem agora no recurso, a autuada e as devedoras solidárias carrearam ao processo qualquer elemento de prova. Demais disso, as hipóteses previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972 não se fazem presentes nos autos, de modo que precluiu o direito das empresas de juntarem novos documentos após a impugnação. Afasto, por essas razões, a alegação da ocorrência de cerceamento ao direito de defesa das empresas pela negativa ao seus pedidos para a juntada de novos documentos após a impugnação. Não posso concordar com as recorrentes quando afirmam que a DRJ deixou de apreciar argumentos defensórios. Isso não é verdade. O mérito da questão foi exaustivamente apreciado, onde se destacam as ponderações do órgão de primeira instância acerca da incidência de contribuições que a autuada entendia serem insusceptíveis de tributação, como é o caso das chamadas “indenizações” e dos valores pagos a título de despesas de viagem. Ressalto, inclusive, que no decisum original, lançouse mão até de trechos do voto condutor do acórdão que declarou parcialmente procedente a NFLD n.º 37.121.4700, correlata ao presente AI. Apenas as alegações de inconstitucionalidade de lei não foram objeto de análise pela DRJ, uma vez que tal julgamento não cabe aos órgãos judicantes do contencioso administrativo fiscal. Nesse sentido, cai por terra mais essa alegação de nulidade do acórdão guerreado. d) Responsabilidade solidária Assim dispõe o art. 30, IX, da Lei n. 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Diante dessa conclusão, o primeiro passo para se verificar a existência da solidariedade no caso concreto é se concluir acerca da existência de grupo econômico entre as empresas arroladas. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 393 17 Inspirada no § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT1, a IN SRP n.º 03/2005, vigente na data da autuação, tratava da questão nos seguintes termos: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Na espécie dúvida não há de que a empresa CONRAD EMPREENDIMENTOS era a controladora do grupo, haja vista deter 98,01% das cotas da autuada, que por sua vez, era detentora de 99% e 99,32% das empresas HACO ETIQUETAS DO NORTESTE e HACO FIOS, respectivamente. Nesse sentido é inquestionável a existência de grupo econômico, sendo as empresas integrantes, portanto, solidariamente responsáveis pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Sobre essa mesma matéria, uma outra questão posta à análise é se essa solidariedade pode se estender ao cumprimento das obrigações acessórias. Estou certo de que não. De fato, somente o sujeito passivo direto, ou seja, o contribuinte que promove a ocorrência dos fatos geradores pode ser autuado pela descumprimento dos deveres instrumentais instituídos em benefício da arrecadação e fiscalização dos tributos. Todavia, nos termos do § 3.º do art. 113 do CTN2, uma vez descumprida a obrigação acessória, nasce para o Fisco o direito de aplicar sanção legalmente prevista, que faz surgir à obrigação principal de pagar a penalidade pecuniária aplicada. Pelo pagamento dessa multa é que recai a responsabilidade para a autuada e também para as empresas integrantes do grupo econômico da qual a contribuinte faz parte, em razão da existência de solidariedade entre as mesmas pelo cumprimento das obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social. No inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 a expressão “pelas obrigações decorrentes desta lei” diz respeito ao pagamento do tributo, bem como das multas, sejam elas de caráter moratório ou punitivo. Assim, independentemente de ter dado causa a conduta infracional, as empresas integrantes de grupo econômico, por estarem submetidas a controle único, representando interesses comuns, devem também responder pelas multas decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. e) Decadência 1 § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. 2 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.(...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 A decadência do direito do fisco de lançar a multa já foi reconhecida pela DRJ. É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 28/02/2008, já não poderia mais ser lançada a multa relativa às infrações ocorridas no período de 05/2000 a 11/2002. Assim, não há reparos a se fazer na decisão guerreada quanto a esse aspecto. Mérito Quanto ao mérito, o inconformismo da empresa autuada se prende a questionar a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas que denominou “indenizações” e “despesas de viagem”, entendendo que não sendo as mesmas passíveis de tributação não poderia ser exigida a declaração das mesmas em GFIP, devendo também ser cancelada a NFLD correlata. Também são suscitadas no mérito questões atinentes à aplicação da penalidade. Questionase a constitucionalidade da multa; o procedimento adotado pelo Fisco para a fixação da mesma e a possibilidade de relevação parcial da penalidade. a) Cancelamento da NFLD n.º 37.121.7400 Na análise desse ponto do recurso é curial que fazermos um breve resumo acerca do andamento processual da referida notificação. Lavrada no bojo da mesma ação fiscal que o presente AI, os fatos geradores contemplados na NFLD não foram declarados em GFIP, por esse motivo todos eles foram objeto da lavratura que ora se julga. Ressaltese que, como bem afirmou a empresa autuada, as contribuições que não foram incluídas na NFLD foram declaradas pelo contribuinte conforme guias declaratórias acostadas. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 394 19 A referida NFLD foi julgada parcialmente procedente, tendo o órgão de primeira instância afastado em razão da decadência as competências de 05/2000 a 01/2003, por aplicação da regra inserta no § 4.º do art. 150 do CTN. A empresa chegou a apresentar recurso voluntário contra essa decisão, todavia, desistiu expressamente do mesmo para incluir o crédito no parcelamento instituído pela Lei n.º 11.941/2009 (informações extraídas do sistema de movimentação de processos do Ministério da Fazenda COMPROT). Diante dessas considerações, entendo que há incompatibilidade entre as condutas da empresa de confessar o débito relativo a obrigação principal e para os mesmos fatos geradores apresentar impugnação no processo decorrente do descumprimento da obrigação acessórias de declarálos na GFIP. Nos termos do Código de Processo Civil – CPC, art. 5033, ocorre preclusão lógica quando a prática de um ato processual extingue a possibilidade de efetuar um outro com ele incompatível. É exatamente essa situação que exsurge dos autos. Ao confessar o débito constante na NFLD, o sujeito passivo reconheceu a procedência dos valores ali lançados e, por conseguinte, a incidência de contribuições sobre as verbas que denominou “indenizações” e “despesas de viagem”, pelo que não há de se admitir que em outro processo o mesmo queira continuar discutindo a ocorrência de fatos geradores por ele já confessados. Diante dessas considerações, não devo acatar o pedido de cancelamento da NFLD n.º 37.121.7400, nem também as alegações de improcedência do AI quanto aos fatos geradores confessados no bojo do processo relativo a citada notificação, quais sejam: “indenizações” e “despesas de viagem”. b) Aplicação da multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago a colação súmula do CARF, a qual versa acerca da impossibilidade de conhecimento na seara administrativa de questão atinente à inconstitucionalidade de ato normativo: 3 Art. 503. A parte, que aceitar expressa ou tacitamente a sentença ou a decisão, não poderá recorrer. Parágrafo único. Considerase aceitação tácita a prática, sem reserva alguma, de um ato incompatível com a vontade de recorrer. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação da multa. Outra questão que devemos considerar nesse momento é a aplicação da multa nos termos da legislação vigente na data da autuação. Entendo que os argumentos apresentados pela autuada de que o Fisco incorreu em equívocos na fixação da penalidade não devem ser considerados. São dois os seus argumentos todos acerca da fixação do limite previsto no § 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, o qual serve de teto para a aplicação da multa prevista no § 5.º do mesmo artigo, os quais transcrevemos: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Pois bem, alega o sujeito passivo que o número de segurados para aplicação da tabela acima deve levar em conta apenas o número de segurados cuja remuneração deixou de ser declarada e não a totalidade dos segurados a serviço da empresa. 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 20DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 395 21 Para mim, essa não é a melhor exegese da norma. Observe que o quadro do § 4.º transcrito servia para fixar o valor da multa quando da não apresentação da GFIP e também o limite na aplicação da multa para a infração prevista no § 5.º. Como na utilização do quadro visando à fixação da multa para os casos de falta de entrega da GFIP não faz sentido se falar em segurados envolvidos na infração, haja vista que nenhum deles foi declarado, não há de se querer que na utilização do mesmo dispositivo para o cálculo do limite da multa pela omissão de fatos geradores se tome apenas o número de segurados cuja remuneração não foi declarada. No que diz respeito à quantificação do valor mínimo, advoga a autuada que esse deve ser aquele vigente na data a ocorrência da infração e não o da data da autuação. O deslinde desse ponto do recurso não merece maiores divagações, posto que o próprio legislador se encarregou de esclarecer essa questão. Vejase o prescrevia o § 8.º do mesmo artigo: § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Assim, por contestar expressa disposição de lei não merece acolhimento essa tese recursal. A partir da agora peço vênia para utilizar algumas linhas para comentar a forma de aplicação da multa para a infração sob enfoque após as alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009 na Lei n.º 8.212/1991. É cediço que essa alteração legislativa promoveu uma substancial mudança no cálculo das penalidades pelo descumprimento das obrigações decorrentes da declaração em GFIP. As penalidades, que variavam em função do tipo de infração cometido (falta de entrega, omissão de fatos geradores, erro em campos não relacionados aos fatos geradores, desconformidade das informações com as orientações do manual de preenchimento, falta de declaração do valor retido na prestação de serviço por cessão de mãodeobra), passaram a ser capituladas em apenas dois dispositivos, os incisos I e II do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Fl. 21DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 Por outro lado, na sistemática anterior, aplicavase a multa pelo descumprimento da obrigação de pagar o tributo cumulativamente com a multa decorrente de falhas na declaração da GFIP, fosse a falta de entrega da guia ou o seu preenchimento incorreto. Com a introdução do art. 35A na Lei n.º 8.212/1991, havendo descumprimento de obrigação acessória relacionada a GFIP e falta de pagamento do tributo a multa passou a ser unificada, conforme disposto no art. 35A, que agora transcrevo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O dispositivo da Lei n.º 9.430/1996 está assim redigido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Diante da nova configuração legislativa, o órgão de primeira instância promoveu o cálculo da multa considerando as atuais disposições e comparou com a multa originalmente calculada pelo Fisco, adotando a multa mais benéfica, em homenagem previsão constante na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. Há um complicador, no entanto, para se aplicar a atual legislação. É que no presente AI há fatos geradores não declarados que deram ensejo à lançamento da contribuição devida e há fatos geradores que, embora não declarados, tiveram as contribuições decorrentes recolhidas antes ou durante a ação fiscal, não provocando lançamento de ofício. E mais, para as competências 12/2002 e 01/2003, as contribuições lançadas na NFLD foram consideradas decadentes. Dadas essas circunstâncias, o órgão de primeira instância teve que adotar uma conjugação do art. 32A com o art. 35A para efetuar o novo cálculo da multa. Sobre a metodologia utilizada tecerei alguns comentários. Inicialmente foram expurgadas do AI as competências consideradas decadentes no próprio auto (art. 173, I, do CTN) e aquelas para as quais houve a correção integral da falta, que foram objeto de relevação da penalidade. Depois os fatos geradores foram segregados em razão de terem sido ou não objeto de lançamento de ofício. Para os fatos geradores não contemplados na NFLD ou consideradas decadentes nesta (art. 150, § 4.º do CTN) adotouse para o cálculo da penalidade o art. 32A, observandose o limite mínimo de 500,00 (quinhentos reais) por competência. Para os fatos geradores que deram ensejo a lançamento de ofício foi aplicada a regra prevista no art. 35A, correspondente a 75% da contribuição não declarada, abatendose a multa de mora presente na NFLD. Ao final foram somadas as multas calculadas conforme os dois critérios, chegandose ao valor da penalidade mantido na decisão de primeira instância. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 396 23 Diante do exposto, por considerar que o órgão de primeira instância fixou o valor da penalidade em consonância com o que dispõe a legislação, tendo adotado as cautelas necessárias para que o contribuinte fosse favorecido com aplicação da penalidade mais benéfica, afasto a alegação recursal de que houve erro no cálculo da multa. Acerca da relevação da penalidade na proporção da correção da falta, confesso que alterei meu posicionamento a esse respeito. Em julgamento realizado nessa Turma no dia 16/03/2011, fui vencido nessa questão, o que me levou a uma melhor reflexão sobre o tema tendo evoluído para o entendimento firmado no citado julgamento pela maioria da Turma. Nesse sentido, para justificar meu atual posicionamento, favorável a relevação da multa de forma parcial, mesmo para as ocorrências em que inexistiu a correção integral da falta, peço licença para transcrever o voto vencedor naquela ocasião da lavra do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire (Acórdão n.º 240101.693): Ouso divergir do ilustre relator na sua seguinte afirmação: “Alinhome aos que entendem que a concessão do benefício da relevação da penalidade por descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, hoje fora do nosso ordenamento, pressupunha a integral correção de cada ocorrência.” Anteriormente, até o advento da IN SRP nº 23/2007, a legislação previa a possibilidade de relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados (art. 656, § 6º da IN SRP nº 3/2005): Art. 656. (...) (...) §6° Na hipótese do inciso III do caput do art. 647, a entrega pelo autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, exceto: (REVOGADO PELA IN SRP nº 23/2007) I os fatos geradores não relacionados no Relatório Fiscal; II a diferença entre o valor total relativo à contribuição não declarada e o limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. Ocorre que esta alteração, decorrente da revogação do aludido dispositivo normativo, não decorreu de alteração legal e sim de interpretação. Há de se salientar que regra de hermenêutica do art. 112 do CTN preconiza que deva se dar a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte, no que diz respeito a lei tributária que defina infrações, nas situações em que menciona, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; Fl. 23DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve aterse à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' (§ 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição Federal. Com efeito, nos termos do art. 96 do CTN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTN), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado ' ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) , demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto, as obrigações tributárias acessórias, incluídas as possibilidades de atenuação ou relevação de multa, não podem ser criadas ou extintas via de atos normativas da Administração Tributária. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para relevar a multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados em GFIP. É como voto. Diante dessas considerações, a multa para as competências em que houve correção parcial da falta deve ser relevada na proporção das contribuições previdenciárias declaradas na GFIP. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 397 25 Conclusão A par das considerações acima, voto pelo conhecimento do recurso, por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo provimento parcial do mesmo de modo que seja relevada a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 25DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 Voto Vencedor Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, a propósito da necessidade da cientificação/intimação de todos responsáveis solidários do grupo econômico do inteiro teor da Autuação Fiscal, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, como passaremos a demonstrar. Com efeito, afora os substanciosos fundamentos jurídicos do voto encimado, há nos autos vício processual sanável, ocorrido no decorrer do PAF, o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, com o fito de se restabelecer a garantia do devido processo legal. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, especialmente do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 60/64, no decorrer da ação fiscal desenvolvida na notificada, entendeu a fiscalização pela existência de grupo econômico formado entre as empresas HACO FIOS LTDA.; CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A; HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA.; todas controladas/vinculadas pela HACO ETIQUETAS LTDA. Diante de aludida constatação, a partir da ação fiscal desenvolvida na HACO ETIQUETAS LTDA. com a consequente constituição de créditos previdenciários, as demais empresas integrantes do grupo econômico foram chamadas a responderem por tais débitos, em face da responsabilidade solidária insculpida no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, recebendo, respectivamente, os Ofícios de fls. 191/192, 215/216 e 235/236. Referidos Ofícios informavam (davam notícia) tão somente da lavratura das autuações fiscais, com atribuição da responsabilidade solidária a todas empresas integrantes do grupo econômico, possibilitando a interposição de defesa administrativa no prazo legal, ressaltando, ainda, que os documentos que instruem os lançamentos foram entregues à devedora principal (HACO ETIQUETAS LTDA.), sendo assegurado, porém, às solidárias vista do processo administrativo fiscal, nos termos do artigo 749, parágrafo segundo da IN/SRP n° 03/2005. Por sua vez, desde a apresentação das impugnações, as empresas admitidas como solidárias pretendem seja decretada a nulidade formal do feito, a pretexto da inexistência de intimação dos termos da Autuação, em total preterição do direito de defesa, tendolhe sido encaminhado exclusivamente os Ofícios supramencionados lavrados pela autoridade lançadora. Em outras palavras, sustentam não terem conhecimento dos fatos geradores supostamente ocorridos, a matéria tributável, a base de cálculo, as alíquotas aplicadas, os fundamentos da caracterização do grupo econômico, etc, razão pela qual se limitaram a suscitar a nulidade do lançamento, reiterando as demais alegações de mérito arguidas pela devedora principal. Ao analisar as defesas inaugurais das contribuintes, a autoridade julgadora de primeira instância, além de rechaçar todos os argumentos aduzidos, formou sua convicção pela inexistência na nulidade pretendida pelas solidárias, em razão da ausência de intimação do Fl. 26DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 398 27 inteiro teor da autuação, utilizando como fundamento à sua empreitada o artigo 749 da IN n° 03/2005, c/c artigo 46 da Lei n° 9.784/1999, os quais possibilitam a vista dos autos e, bem assim, cópias reprográficas, o que afastaria qualquer violação do direito de defesa e contraditório das empresas, entendimento encampado pelo nobre Conselheiro Relator. Ocorre que, a conduta levada a efeito pelo agente lançador, corroborada pelo julgador de primeira instância e ilustre Relator do processo, ao deixar de intimar todas as empresas responsáveis solidárias da integralidade dos termos do lançamento, malfere o princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CF, in verbis: “Art. 5º. [...] LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” A corroborar este entendimento a Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28, assim preceitua: “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimações os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Na mesma linha de raciocínio, para não deixar dúvidas quanto à nulidade da decisão de primeira instância, o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, estabelece o seguinte: Art. 59. São nulos: [...] II – os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa;” (grifamos) Por sua vez, a doutrina pátria não discrepa deste entendimento, senão vejamos: “ 1.2. Princípio do contraditório e da ampla defesa Como vimos, os direitos à ampla defesa e ao contraditório são manifestações do princípio do devido processo legal previsto no artigo 5o da CF. O princípio do contraditório tem íntima ligação com o da igualdade das partes e se traduz de duas Fl. 27DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência da ação e de todos os atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe foram desfavoráveis, ou seja, os litigantes têm direito de deduzir pretensões e defesas, realizarem provas que requereram para demonstrar a existência do direito, em suma, direito de serem ouvidos paritariamente no processo em todos os seus termos. (NEDER, Marcos Vinícius / LÓPEZ, Maria Teresa Martinez – Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – São Paulo: Dialética, 2002 – pág. 40) (grifamos) Igualmente, a jurisprudência administrativa é mansa e pacífica nesse sentido, conforme faz certo o julgado do então Conselho de Contribuintes, com sua ementa abaixo transcrita: “PAF – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Descumprimento do princípio da cientificação. E garantida ao sujeito passivo a ciência de todos os passos processuais. Atividades administrativas de interesse jurídico dos administrados devem ser formalmente comunicadas, a fim de assegurar o contraditório e o devido processo legal. Procedimentos de fiscalização ou julgamento não comunicados não são eficazes.” (8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Processo n° 13808.002654/98, Sessão de 17/10/2002) Com mais especificidade, em relação à necessidade da intimação dos responsáveis solidários do inteiro teor dos atos constitutivos do lançamento fiscal, a jurisprudência administrativa oferece proteção ao pleito das contribuintes, senão vejamos: “[...] Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 31/01/1999 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS INOCORRÊNCIA NULIDADE. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 dias para apresentar defesa. Para que todos os solidários possam exercer o direito de defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. Com o objetivo de preservar o sigilo fiscal dos sujeitos passivos não é possível o encaminhamento de notificação que contenha lançamentos de contribuições de diversos prestadores num mesmo documento. Processo Anulado.” (6a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes – Processo n° 12045.000329/200718, Acórdão n° 20601.693 – Sessão de 03/12/2008 – Relatora: Ana Maria Bandeira) “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS INOCORRÊNCIA NULIDADE. Em respeito ao contraditório e à ampla defesa, cópia do documento de Fl. 28DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 399 29 constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. Com o objetivo de preservar o sigilo fiscal, não é possível o encaminhamento de notificação que contenha lançamentos de contribuições de diversos prestadores em um mesmo documento. Processo Anulado.” (6a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes – Processo n° 37172.001398/200552, Acórdão n° 20601.361 – Sessão de 07/10/2008 – Relatora: Bernadete de Oliveira Barros) Inobstante as decisões encimadas contemplarem a responsabilidade solidária na construção civil, traduzem muito bem a essência deste instituto, reafirmando a necessidade de cientificação de todos os responsáveis solidários da integralidade dos documentos de constituição do crédito tributário. Na hipótese vertente, com mais razão aludida providência deve ser observada, objetivando conceder a todas responsáveis conhecimento das razões de fato e de direito que levaram o Fisco a efetuar o lançamento, sobretudo no que diz respeito à atribuição da responsabilidade solidária pelo crédito da devedora principal, a partir da constatação do Grupo Econômico. Imperioso ressaltar que o simples fato de cientificar/intimar as empresas solidárias com base em meros Ofícios, sem conquanto demonstrar as razões do lançamento e da própria atribuição da responsabilidade solidária pelo crédito, não tem o condão de suprir a necessidade da publicidade do ato administrativo do lançamento para as interessadas. Tal exigência, em verdade, tem complemento no próprio dever de fundamentação expressa do ato administrativo, de maneira a conferir a possibilidade de AMPLA defesa dos contribuintes. Melhor elucidando, in casu, a observância ao princípio da ampla defesa e contraditório se materializa juntamente com o dever de fundamentação do ato administrativo, porquanto somente de forma conjunta oferecem condições ao AMPLO insurgimento do (s) autuado (s). E, os responsáveis solidários só reunirão condições à apresentação de suas defesas, com a conjugação dos dois princípios supramencionados, se tiverem ciência integral das razões do lançamento fiscal. Neste sentido, aliás, valiosos são os ensinamentos de Alberto Xavier, em sua obra “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro” (3a Edição – Rio de Janeiro: Forense, 2005., pag. 178), de onde pedimos vênia para transcrever o seguinte excerto, in verbis: “[...] Um pressuposto do direito de ampla defesa, do princípio do contraditório e do direito de acesso ao poder Judiciário consiste no dever de fundamentação expressa dos atos administrativos que afetem direitos ou interesses legítimos dos particulares. Com efeito, só a externação das razões de fato e de direito que conduziram a autoridade à prática de certo ato permitem ao cidadão compreender a decisão e livremente optar entre aceitá la ou impugnála administrativa ou jurisdicionalmente. Também só com essa externação será possível ao órgão julgador controlar a validade do ato impugnado. [...]” Fl. 29DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 Ora, possibilitar vistas aos autos e extração de cópias por si só, com arrimo em uma mera Instrução Normativa, não oferece qualquer condição de defesa às contribuintes, mormente quando se exige o direito de AMPLA defesa e contraditório, amparados pela Constituição Federal. Aliás, percebese um verdadeiro contrassenso na conduta do Fisco. De um lado, quando lavrado lançamento por responsabilidade solidária, nos termos do artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91, a responsável solidária e, bem assim, a devedora principal recebem o inteiro teor da notificação/autuação para se defender. De outro, na hipótese de atribuição de responsabilidade solidária com base em Grupo Econômico, deixa de cientificar as empresas interessadas da integralidade das autuações. Admitindose o entendimento da fiscalização nestes autos, tornase, igualmente, desnecessária a cientificação das empresas solidárias das decisões tomadas no decorrer do processo administrativo, bastando enviar Ofício dando conta do resultado da decisão sem anexala, possibilitando interpor recursos pertinentes, ter vistas aos autos e extrair cópias. No entanto, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito administrativo tributário, não é essa a conduta adotada por ocasião da intimação das decisões do PAF, oportunidade em que a autoridade fazendária cientifica todas as contribuintes, possibilitando a interposição de recursos cabíveis. Assim, a mesma conduta utilizada nos casos das decisões administrativas deve ser observada quando da lavratura do auto de infração/notificação fiscal. A rigor, nesta última hipótese, com mais razão a contribuinte responsável solidária deverá ter conhecimento da imputação que lhe esta sendo procedida, uma vez que seu insurgimento administrativo inicial vinculará e limitará o exame da demanda administrativa, com esteio, inclusive, na preclusão processual. Em outras palavras, não se pode exigir que o contribuinte solidário se defenda de algo que não tem pleno conhecimento, o que impossibilitaria a própria aplicação da preclusão processual. Ou seja, desde o término da ação fiscal, com a lavratura do auto de infração/notificação fiscal, devem todos os contribuintes interessados, in casu, as empresas integrantes do Grupo Econômico, ter conhecimento das razões e fundamentos da fiscalização para a realização do lançamento. Somente assim, se aperfeiçoará a exigência fiscal. Na esteira desse entendimento, ou não se atribui responsabilidade solidária ou se assim o for, que se faça de conformidade com as regras constitucionais e legais que contemplam a matéria, oferecendo conhecimento a todas as responsáveis solidárias da integralidade da autuação, de maneira a oportunizar a apresentação de suas defesas com a amplitude que se exige. Partindo dessa premissa, merece acolhimento o inconformismo das recorrentes, somente com a ressalva de que a nulidade a ser declarada não é do lançamento, mas, sim, do Acórdão recorrido, o qual fora exarado em total preterição do direito de defesa e contraditório de tais empresas, devendo o presente processo ser remetido à origem para intimar as contribuintes solidárias do inteiro teor da autuação, enviando cópia integral de seus anexos, oportunizando apresentação de defesas, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância na boa e devida forma. Por todo o exposto, estando a Decisão recorrida em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE Fl. 30DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 240101.970 S2C4T1 Fl. 400 31 CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/08 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE , Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 37172.002529/2005-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se a contribuições de segurados, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a servidores não efetivos ocupantes de cargos em comissão declarados em lei como de livre nomeação e exoneração (Recrutamento Amplo), servidores designados para o exercício de Função Pública nos termos do art. 10.°,da Lei N. ° 10.254 de 20/07/1990 (Designados) e servidores cujo emprego público tenham sido transformados em Função Pública nos termos do art. 40 da Lei N.° 10.254 de 20/07/1990.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes
sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando-se,
entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros.
Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo.
A regra do art. 150, § 4º, do CTN trata-se de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN.
Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 08/01/2004, as contribuições com fatos geradores ocorridos entre as competências 01/93 e 12/98 encontravam-se
fulminados pela decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.689
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições de segurados, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a servidores não efetivos ocupantes de cargos em comissão declarados em lei como de livre nomeação e exoneração (Recrutamento Amplo), servidores designados para o exercício de Função Pública nos termos do art. 10.°,da Lei N. ° 10.254 de 20/07/1990 (Designados) e servidores cujo emprego público tenham sido transformados em Função Pública nos termos do art. 40 da Lei N.° 10.254 de 20/07/1990. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 08/01/2004, as contribuições com fatos geradores ocorridos entre as competências 01/93 e 12/98 encontravamse fulminados pela decadência. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Junior. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 206 01.717, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 04/12/2008 (fls. 213/224), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade e recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 228/236). O acórdão recorrido, por maioria de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas. Segue abaixo sua ementa: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO CTN. I Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.” A recorrente explica que o acórdão recorrido reconheceu a decadência parcial do direito da União de constituir crédito tributário referente a Contribuições Previdenciárias. Nesse ponto, alega que o entendimento esposado no voto vencedor violou o parágrafo único do art. 173 do CTN e divergiu de acórdãos proferidos por outras câmaras em casos idênticos. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37172.002529/200519 Acórdão n.º 920201.689 CSRFT2 Fl. 2 3 Pondera que a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal é medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, dela devendose contar o prazo decadencial de cinco anos. Considera que como a fiscalização notificou o contribuinte de atos preparatórios indispensáveis ao lançamento em 2003, deveria ter sido aplicado à espécie o disposto no parágrafo único do art. 173 do CTN. Afirma que o acórdão recorrido diverge do paradigma que apresenta, o Acórdão 20216.819, cuja ementa será reproduzida abaixo: “NORMAS TRII3UTÁRIAS. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO. As presunções iuris tantum, ou relativas, admitem que a parte contrária demonstre a inveracidade daquilo que lhe está sendo imputado. Inexistindo dilação probatória contra os fatos atribuídos ao sujeito passivo e logrando o Fisco provar sua efetiva ocorrência, deixam de ser Presunções para se tornarem provas constituídas da prática do ilícito. DECADÊNCIA. O parágrafo único do art. 173 do CTN estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese, definitivamente, com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Argumenta que a decisão colacionada é inequívoca no sentido de que, tendo sido a ação fiscal instaurada antes de decorridos os 5 anos previstos no art. 173, I do CTN, não há que se falar em operação da decadência. Noutro sentido, o acórdão recorrido, não obstante as ponderações do conselheiro vencido, entendeu que somente interrompe o prazo decadencial a efetiva cientificação do lançamento ao contribuinte. Desse modo, conclui que como o contribuinte foi notificado de medida preparatória indispensável à constituição do crédito em 2003, não há como se considerar decaído o direito do Fisco de lançar o credito tributário concernente aos tributos objeto de cobrança, atinentes às competências de 12/1997 em diante. Ao final, requer o provimento dos recursos especiais interpostos. Nos termos do Despacho n.º 2400272 (fls. 237/240), foi dado seguimento aos dois pedidos em análise. O contribuinte tomou ciência do r. despacho em 23/11/2009 (AR, fl. 244) e apresentou contrarazões em 09/12/2009 (protocolo, fl. 245), portanto fora do prazo regimental. Eis o breve relatório. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 262DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37172.002529/200519 Acórdão n.º 920201.689 CSRFT2 Fl. 3 5 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições de segurados, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a servidores não efetivos ocupantes de cargos em comissão declarados em lei como de livre nomeação e exoneração (Recrutamento Amplo), servidores designados para o exercício de Função Pública nos termos do art. 10.°,da Lei N. ° 10.254 de 20/07/1990 (Designados) e servidores cujo emprego público tenham sido transformados em Função Pública nos termos do art. 40 da Lei N.° 10.254 de 20/07/1990. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Fl. 263DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 08/01/2004, as contribuições com fatos geradores ocorridos entre as competências 01/93 e 12/98 encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 264DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10821.000505/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos
serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.339
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$12.500,00.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tornase definitiva a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Fl. 67DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 Relatório Em desfavor de MARIA LIGIA FARIA RIBEIRO foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 5, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 5.095,32 (cinco mil e noventa e cinco reais e trinta e dois centavos), que, com juros de mora calculados até 29.08.2008 e multa proporcional perfaz um valor total exigido de R$ 11.198,49 (onze mil cento e noventa e oito reais e quarenta e nove centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 5) a Fiscalização informa ter apurado 1. Dedução indevida a título de despesas médicas realizadas junto aos profissionais abaixo descritos: a) IRACILDA RODRIGUES ARAUJO SOUZA (CPF 101.696.90822): Valor declarado: R$ 4.000,00. Valor glosado: R$ 3.200,00. b) KATIA REGINA MIYOSHI (CPF 019.974.31939): Valor glosado: R$ 10.000,00. 3. INTERMÉDICA SISTEMA DE SAÚDE (CNPJ 44.649.812/000138): Valor glosado: R$ 4.130,64. 2. Dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, no valor de R$1.272.00. 3. Omissão de rendimentos do trabalho, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 107,15. Em 8 de setembro de 2008, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 e 2), na qual requer o cancelamento da alteração no valor da restituição, alegando, em síntese, que: 1) Os recibos comprobatórios das despesas médicas foram apresentados tempestivamente e são idôneos; 2) Com a indicação do CPF ou CNPJ, a Receita Federal tem acesso ao endereço atualizado do emitente do recibo, que, por isso, deve ser validado apesar da falta de endereço e da falta de indicação do beneficiário, haja vista que, se o recibo está na posse do contribuinte, é óbvio que este efetuou o pagamento. 3) As despesas com plano de saúde do seu pai são pagas por ela, já que o pai é aposentado e isento; ainda que conste como sócio de empresa inativa, esse fato não muda a sua relação de dependência da filha. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 15922.000472/200801 Acórdão n.º 210101.349 S2C1T1 Fl. 64 3 A 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2, mediante o Acórdão n.º 1743.379, de 11 de agosto de 2010, julgou a Impugnação improcedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados documentos comprobatórios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Tributase o rendimento recebido de Pessoa Jurídica, omitido na declaração de ajuste anual. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. GLOSA. Indevida a dedução como dependente de filho que apresenta declaração de ajuste anual em separado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 6 de outubro de 2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 9 de novembro de 2010. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é intempestivo e não pode ser conhecido. A contribuinte tomou ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 em 6 de outubro de 2010, conforme comprova o carimbo de entrega dos Correios no Aviso de Recebimento – AR às fls. 23. Compulsandose os autos, verificase que a contribuinte protocolizou Recurso Voluntário na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí no dia 9 de novembro de 2010, conforme atesta o funcionário da referida unidade (fls. 26). O Recurso Voluntário pode ser interposto pelo contribuinte no prazo de trinta dias contados da ciência da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Fl. 69DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, iniciouse a contagem do prazo em 7 de outubro de 2010, quintafeira, dia seguinte ao da ciência da Decisão de primeira instância (6 de outubro de 2010). Tendo em vista que não consta ter havido expediente anormal nas repartições federais em Jundiaí na data, a contagem dos trinta dias iniciou em 7 de outubro de 2010 e encerrouse em 5 de novembro de 2010, uma sextafeira, também dia de expediente normal. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos, razão pela qual, decorrendo o lapso temporal previsto em lei sem que ocorra a interposição do Recurso Voluntário, extinguese, tal como sucedeu na hipótese, o direito do interessado de deduzilo. Impõese, portanto, a conclusão de que a decisão a quo tornouse definitiva, nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, verbis: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...].” Constatada a sua intempestividade, o Recurso Voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço, deixando, destarte, de analisar o mérito. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 70DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
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Numero do processo: 10280.000757/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Anos-calendário: 1996, 1997, 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO
LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Rejeita-se preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN.
A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, quando não restar comprovado no período em questão o pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Tendo a ciência do auto de infração sido realizada em 29 de abril de 2003, cabível a decadência para os fatos geradores acontecidos até 30 de setembro de 1997.
IRPJ. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS
CONTÁBEIS E FISCAIS.
A falta de apresentação pela fiscalizada de livros contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não se modifica pela posterior apresentação de livros e documentos cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE
DOLO. Incabível a qualificação da multa de ofício quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A constatação de que os novos sócios que ingressaram na empresa eram de baixo poder aquisitivo e a não localização da pessoa jurídica no seu novo endereço são indícios de fraude, que não justificam a aplicação da multa
exacerbada.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente.
Preliminar de decadência parcialmente acolhida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1202-000.588
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
desqualificar a multa de ofício e reduzir seu percentual a 75% e rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Por maioria de votos, acolher parcialmente a
preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores acontecidos até 30/09/1997, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que acolhia a decadência apenas para o ano de 1996. Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o conselheiro Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2047; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 411 1 410 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.000757/200317 Recurso nº 140.321 Voluntário Acórdão nº 1202000.588 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2011 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente AMERICAN COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anoscalendário: 1996, 1997, 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, quando não restar comprovado no período em questão o pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Tendo a ciência do auto de infração sido realizada em 29 de abril de 2003, cabível a decadência para os fatos geradores acontecidos até 30 de setembro de 1997. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. A falta de apresentação pela fiscalizada de livros contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não se modifica pela posterior apresentação de livros e documentos cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 412 2 Incabível a qualificação da multa de ofício quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A constatação de que os novos sócios que ingressaram na empresa eram de baixo poder aquisitivo e a não localização da pessoa jurídica no seu novo endereço são indícios de fraude, que não justificam a aplicação da multa exacerbada. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de decadência parcialmente acolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em desqualificar a multa de ofício e reduzir seu percentual a 75% e rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Por maioria de votos, acolher parcialmente a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores acontecidos até 30/09/1997, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que acolhia a decadência apenas para o ano de 1996. Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o conselheiro Geraldo Valentim Neto. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Retorna o recurso a julgamento nesta E. Turma após cumprimento da diligência determinada na sessão de 27 de abril de 2006, por meio da Resolução nº 10800.315. A diligência teve como objetivo a constatação da data da retificação da DIPJ dos anos fiscalizados, se antes ou após o início da ação fiscal. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 413 3 Para tornar mais compreensíveis as matérias em julgamento, a seguir reproduzo o relatório e voto apresentado naquela oportunidade: “Contra a empresa American – Comércio Importação e Exportação Ltda., foram lavrados autos de infração do IRPJ, fls. 088/098, e CSL, fls. 099/108, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade nos anoscalendário de 1996 a 1998, descrita às fls. 089/090 e no Relatório de Fiscalização de fls. 073/087: ‘Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Edital afixado nas dependências franqueadas ao público, desta Delegacia, deixou de apresentá los. Valor apurado tendo como base as notas fiscais de vendas para o comércio exterior, emitidas pelo contribuinte, conforme detalhamento no relatório de fiscalização.’ Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolizada em 16 de maio de 2003, em cujo arrazoado de fls. 116/128, alega, em apertada síntese, o seguinte: Em preliminar, a nulidade dos autos de infração por cerceamento ao direito de defesa e a decadência dos lançamentos: 1 consta na conclusão do Relatório de Fiscalização que a firma transferiuse para endereço inexistente (Trav. Apinajés 1803 Belém Pa). A mudança de endereço ocorreu efetivamente em 22/06/98; 2 foram anexados ao processo dois documentos (Doc. nº 01 e 02) expedidos em 1999 pela Cosampa Companhia de Saneamento do Pará para cobrança de fornecimento de água para o endereço à Travessa Apinajés nº 1803. Esses documentos comprovam a existência do endereço para o qual se transferiu a empresa Brasil Espeso Com. Importação e Exportação Ltda, atualmente American Com. Importação e Exportação Ltda.; 3 com relação ao endereço dos sócios Manoel Mendonça Dias e Maria de Fátima Miranda Lopes à Travessa Padre Eutíquio, nº 2.658, em Belém, informado a JUCEPA em junho e julho de 1998, que a autoridade fiscal não encontrou, e que possivelmente seria o local onde funciona o EMAÚS, informamos o seguinte: Esse número é localizado entre as travessas Conceição e São Miguel. É comum numa rua cumprida como é o caso da Rua Padre Eutíquio, que corta a cidade de Belém rio a rio, possuir numeração que ora desce e ora sobe. É provável também a existência de mais de um número no mesmo local; 4 não se pode exigir que os endereços dos sócios ora referidos sejam no terreno da EMAÚS (cujo número provavelmente é outro). Contudo os sócios tiveram o cuidado de fornecer o telefone da Sra Lúcia Helena Gomes, com residência fixa, para serem localizados na hipótese de mudança de endereço; Fl. 413DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 414 4 5 a atividade da empresa é exclusivamente exportadora, só que a partir de meados de 1998 não está operando, isto é, não há compras nem vendas. A empresa encontrase em processo de extinção desde 1998 nas repartições competentes. Isto não quer dizer que se trate de firma inexistente. As certidões fornecidas por órgãos públicos comprovam sua existência. 6 em setembro de 2000 a firma foi extinta na JUCEPA, sendo que a solicitação de baixa perante a Secretaria de Estado da Fazenda ocorreu em 07 de agosto de 1998; 7 não se pode admitir o arbitramento (baseado em mapas demonstrativos de exportação que a Receita Federal possui), quando a autoridade fiscal após contato com a Sra. Lúcia Helena Gomes veio, através dela, a conhecer os fatos reais por ela relatados. Ao invés de notificação para ciência de auto de infração lavrado após esse contato, deveria, sim, expedir notificação, por via postal, para solicitar livros e documentos fiscais a fim de apurar tributo, se devido. Por que a fiscalização não intimou o Sr. Espedito Souza a apresentar livros ou documentos fiscais? Isso caracteriza cerceamento do direito de defesa; 8 durante a visita do agente fiscal a Sra. Lúcia Helena Gomes, foram mostrados documentos contábeis e fiscais da empresa, porém, o mesmo, após breve exame, concluiu que não iria fiscalizar porque já estava sem tempo, e disse para aguardarem o auto de infração pelos Correios; 9 a autoridade fiscal informa que o endereço da firma à Travessa Apinajés 1803 não existe, assim como os dos sócios à Travessa Padre Eutíquio 2658, mas que telefonou para o endereço dos sócios Maria de Fátima Miranda Lopes e Manoel Dias e foi atendido em 04/09/02 pela Sra. Lúcia Helena que disse desconhecer os sócios ora referidos. No entanto, em 31/03/2003, esteve no endereço da Sra. Lúcia Helena Gomes e dela recebeu os livros e documentos contábeis e fiscais para a fiscalização; 10 considerando o prazo máximo de validade da ação fiscal, a intimação feita em 10/05/2003 não terá validade porque o prazo máximo para realização da ação fiscal e intimação do contribuinte expirouse em 27/04/2003, conforme Mandado de Procedimento Fiscal nº 02.1.01.002002001383 código 40514736 datado de 02/04/2002, iniciado em 02/09/2002, com diversas prorrogações até o prazo máximo de 27 de abril de 2003, não havendo outras prorrogações; 11 considerando que o prazo da ação fiscal expirou em 27/04/2003, não tem validade a intimação feita por edital em 10/05/2003, porque é posterior à data da validade da ação fiscal, sendo ela inexistente. 12 a contagem do prazo decadencial de cinco anos se inicia com a ocorrência do fato gerador (nos lançamento por homologação) e vai até a notificação do lançamento. Assim, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 415 5 considerando que a notificação ocorreu ao Sr. Espedito Souza em 16/04/2003, por via postal, os fatos geradores por ventura ocorridos há mais de 5 anos anteriores a esta data foram atingidos pela decadência; No Mérito: 1 para facilitar o trabalho de extinção, a empresa mudou os sócios, que são pessoas consideradas da família e de fácil contato caso houvesse necessidade de apresentação. Não houve a intenção julgada como se referiu o autuante, haja vista que a empresa paralisou suas atividades comerciais antes da mudança dos sócios e deu início imediato no seu cancelamento, iniciando pela dispensa, sem justa causa, no Ministério do Trabalho, depois INSS, e paralelamente na JUCEPA e Secretaria da Fazenda Estadual, conforme se observa em datas documentais em anexo e até a presente data nada foi constatado que desabonasse o bom andamento deste encerramento de atividades; 2 o IRPJ e CSLL apurados não incidiram sobre o resultado do Balanço dos anos fiscalizados e sim baseado diretamente sobre os valores constantes nas Notas Fiscais oriundas das exportações. Para se chegar a um resultado correto fazse necessária a análise de todos os dados contábeis. Anexa aos autos fotocópias dos seguintes livros: Entrada e Saída de mercadorias, Apuração do ICMS e notas fiscais de entrada e saídas referentes aos anos sob fiscalização; 3 Não procede o lançamento do tributo por arbitramento pelos seguintes argumentos: a) não houve recusa de apresentação de livros e documentos fiscais como já dito, a Sra. Lúcia Helena Gomes pediu ao fiscal que fiscalizasse os livros e documentos fiscais, mas a autoridade fiscal optou pela lavratura do Auto de Infração, pelo decurso do seu prazo para concluir a ação fiscal; b) no lançamento tributário deve prevalecer o princípio da verdade real. Os livros e documentos fiscais da firma achamse à disposição da fiscalização no endereço à Av. 16 de Novembro nº 03, Largo Redondo, nesta cidade de Belém Pará. c) qualquer lançamento por arbitramento deve ser revisto, a pedido do interessado, o que se requer nos presentes autos o exame dos livros e documentos fiscais da empresa postos à disposição da fiscalização. d) se existem escrituração e documentação lastreadora dos lançamentos, não procede o arbitramento do lucro. e) não houve falta de apresentação de documentos. Se a autoridade fiscal afirma que não encontrou a firma nem os sócios, como pode ter havido recusa? Em 13 de novembro de 2003 foi prolatado o Acórdão nº 1.744, da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém, fls. 155/165, que considerou procedente em parte o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: ‘ARBITRAMENTO DO LUCRO A legislação de regência autoriza o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica deixa de apresentar à autoridade tributária os livros obrigatórios e Fl. 415DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 416 6 documentos de sua escrituração, impossibilitando verificar a exatidão do lucro presumido ou real. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA Inexistindo recolhimento do IRPJ ou verificandose a existência de fraude fiscal, o prazo decadencial regese pelas disposições do artigo 173 do CTN, iniciandose sua contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetivado. Considerando que o sujeito passivo foi notificado do lançamento em abril de 2003, ocorreu a decadência em relação ao ano calendário de 1996. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Verificado que a ação fiscal observou os requisitos do art. 142 da Lei nº 5.172/66 (CTN), e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não se configura na peça processual nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 nesse diploma legal. MULTA AGRAVADA Constatado no curso da fiscalização a existência de simulação tendente a subtrair responsabilidade dos sócios de fato quanto aos tributos devidos, procede o agravamento da penalidade imposta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. CSLL Aplicase, no que couber, a tributação dita reflexa o que foi decidido em relação à exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito entre elas. Excetuase da aplicação o prazo decadencial que, no caso da contribuição social, é de 10 anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado. Lançamento Procedente em Parte’ Cientificada em 10 de dezembro de 2003, AR de fls. 175, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolizado em 09 de janeiro de 2004, em cujo arrazoado de fls. 174/196 repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória, agregando, ainda, que: 1 não ficou comprovado o evidente intuito de fraude que justificasse a qualificação da multa para o percentual de 150%; 2 em 11 de setembro de 2002 foram apresentadas à Secretaria da Receita Federal, via Internet, declarações retificadoras do Imposto de Renda Pessoa Jurídica referentes aos anosbase de 1996, 1997 e 1998, onde estão indicadas as receitas auferidas pela empresa nos anos fiscalizados; 3 a retificação da declaração do IRPJ aconteceu antes do início da ação fiscal, devendo o Fisco ter conhecimento das receitas declaradas, não ocorrendo a falta de informação das receitas como consta do Relatório de Fiscalização; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 417 7 4 não existem elementos inexatos, pois a retificação da Declaração do IRPJ é precedente porque ocorreu antes do início da fiscalização; 5 não houve omissão de operação de qualquer natureza em documento ou livro, pois a autoridade fiscal embora tenha examinado os livros não apurou irregularidade nos mesmos; 6 não há subtração na responsabilidade do sócio de fato pois na época da transferência não havia imposto devido, não havia auto de infração ou débito na dívida ativa; 7 não pode ser aceita a presunção com o objetivo de agravar a penalidade, tendo por base a afirmação de que a mudança dos sócios para fins de encerramento de atividades nas diversas repartições competentes não tenha sido para facilitar o trabalho do contador; 8 as normas do cancelamento perante a Receita Federal exigem que se arquive primeiro o Distrato Social, para depois ingressar com o pedido de cancelamento no CNPJ. É o Relatório. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. À vista do contido no processo, constatase que a contribuinte, cientificada do Acórdão de Primeira Instância, apresentou seu recurso arrolando bens, fls. 199, entendendo a autoridade local, pelo despacho de fls. 230, restar cumprido o que determina o § 2º, do art. 33, do Decreto nº 70.235/72, na nova redação dada pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19/07/02. Em suas razões, a recorrente afirma terem sido apresentadas em 11 de setembro de 2002 declarações de rendimentos retificadoras referentes aos anoscalendário de 1996 a 1998, fls. 140/142, as quais não teriam sido levadas em conta na ação fiscal iniciada em 04 de dezembro de 2002. Os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso, haja vista ser necessária a confirmação do alegado pela empresa, pois um dos motivos para a qualificação da multa de 150% foi a apresentação das DIPJs originais dos períodos fiscalizados com todos os campos zerados. Assim, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência, com o retorno do processo à repartição de origem, para seja emitido parecer conclusivo a respeito da afirmação da recorrente de que teria apresentado DIPJs retificadoras antes do início da fiscalização, juntando aos autos, se for o caso, cópias integrais das referidas declarações de rendimentos retificadoras. Após a conclusão da diligência, deve ser cientificado o recorrente a respeito do seu resultado, abrindose prazo para sua manifestação.” Fl. 417DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 418 8 Sobreveio o Termo de Diligência Fiscal da encarregada da diligência, acostado aos autos às fls. 396/398, concluindo o seguinte: “A origem da questão remonta a lavratura do Auto de Infração ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido referente aos anoscalendário de 1996; 1997 e 1998 lavrado contra o contribuinte acima identificado. 0 contribuinte impugna o lançamento, que julgado em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPa, através do Acórdão n° 1744 de 13/11/2003, fls 155 a 165 do processo retro citado, acata parcialmente a preliminar de decadência, relativo ao anocalendário de 1996 para o Imposto de Renda, e considera procedente os demais itens do lançamento. Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuinte, que transforma o Julgamento em Diligência. Estamos anexando ao processo fiscal as Declarações de Imposto de Renda Retificadoras, entregue pelo contribuinte em 11/09/2002, referentes aos anoscalendário 1996; 1997 e 1998. Curiosamente, em 07/01/2004, data do recurso voluntário ao 1° Conselho de Contribuinte, é entregue à RFB novas Declarações Retificadoras dos mesmos anoscalendário, que também estão sendo anexadas. O Sujeito Passivo foi legalmente cientificado do inicio da Ação Fiscal em 20/12/2002, na forma do inciso III do art. 23 do Decreto 70.235/72 alterado pelo art. 67 da Lei 9.532/97, através do Edital n° 057/2002 de 29/11/2002, afixado de 04/12/2002 a 24/12/2002 no quadro de avisos da Sede do Ministério da Fazenda em BelémPa (fls 007). Cabe ressaltar que em 04/09/2002, uma semana antes da entrega das Declarações Retificadoras, o Auditor Fiscal responsável pela fiscalização manteve contato telefônico com a Sra. Lúcia Helena (representante da empresa) na tentativa de iniciar os procedimentos fiscais, este fato está registrado no Relatório de Fiscalização (fls 73 a 87), como também é citado na impugnação as fls 121 e 122. O Auto de Infração teve Multa Qualificada de 150% sobre os tributos lançados não só pelo fato do contribuinte omitir a totalidade de suas receitas operacionais ao entregar as Declarações de Imposto de Renda anoscalendário 1996 e 1997 em branco e ao deixar de entregar a Declaração de 1998; como também por alterar sua Razão Social, transferir a totalidade das cotas do Capital Social para pessoas notoriamente incapacitadas financeiramente para aquisição do empreendimento, e transferir o domicilio fiscal da empresa para um endereço inexistente conforme consta no Relatório Fiscal (fls 84 e 85). O Arbitramento do Lucro apurado no Auto de Infração foi motivado pela falta de apresentação dos Livros e Documentos de sua escrituração, conforme folha de continuação do Auto de Infração (fis 89) e nada tem haver com os elementos inseridos na Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 419 9 Declaração de Imposto de Renda, como quer fazer crer o contribuinte. O contribuinte apresentou Declarações Retificadoras para os anoscalendário sob análise em duas ocasiões. Primeiramente em 11/09/2002, após o efetivo inicio, porém antes da ciência legal do procedimento fiscal; e posteriormente, em 07/01/2004, mesma data do Recurso Voluntário ao 1° Conselho de Contribuintes. Referidas declarações apresentam inconsistência de lançamentos e discrepância de valores tanto entre fichas de uma mesma declaração, quanto entre as próprias declarações, chegando a verdadeiros "absurdos contábeis", como no caso da 2ª retificadora do anocalendário de 1996, que apresenta Custo das Mercadorias Revendida negativo. Encerramos esta Diligência concluindo que o contribuinte realmente apresentou Declarações de Imposto de Renda Retificadoras referentes aos anoscalendário 1996; 1997 e 1998 em 11/09/2002, após o efetivo inicio, porém antes da ciência legal do procedimento fiscal; entretanto, como exposto, referidas Declarações Retificadora não descaracterizam os motivos para a qualificação da multa de oficio em 150%.” É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho, Relator As matérias em litígio, constante do recurso voluntário, dizem respeito à decadência do direito de a Fazenda Nacional realizar o lançamento nos anoscalendário de 1996 a 1998, à imposição da multa qualificada no percentual de 150%, o cerceamento ao direito de defesa na intimação para apresentar livros e documentos contábeis e fiscais e o arbitramento do lucro tributável. Em relação à preliminar de decadência, é necessário primeiramente que seja julgada a imposição da multa qualificada de 150%, pela ocorrência de dolo, fraude ou simulação, porque o termo inicial para contagem do prazo decadencial nesses casos é deslocado para o artigo 173 do CTN. O autuante justifica a imposição da multa qualificada com os fundamentos a seguir, descritos no Relatório de Fiscalização de fls. 073/87: “7) Descrição dos Fatos Caracterizadores do Ilícito: A pessoa jurídica fiscalizada incorreu em infração à legislação Tributária pelos motivos descritos a seguir: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 420 10 7.1 Entregou as declarações do Imposto de Renda, dos anos calendário de 1996 e 1997, totalmente em branco nos campos destinados as informações financeiras, como também deixou de entregar a declaração do Imposto de Renda do ano calendário de 1998, omitindo, dessa forma, a totalidade das operações realizadas nesses anos calendários e os tributos incidentes sobre as mesmas. 7.2 Os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, ESPEDITO SOUZA (único sóciogerente) e MARTA DE ARAUJO SOUZA, transferem a totalidade de suas cotas de capital para MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, pessoas que conforme consta no Cadastro de Pessoa Física, entregaram Declaração de Isentos do Imposto de Renda, evidenciando serem pessoas de baixa renda. 7.3 A sociedade, no mês da saída dos sócios ESPEDITO SOUZA e MARTA DE ARAUJO SOUZA, porém ainda na gestão do sócio gerente ESPEDITO SOUZA, transferem a sede da empresa para a Travessa Apinajés, nº 1803, em Belém/PA, endereço que constatamos ser inexistente conforme Termo lavrado em 08/09/2002. 7.4 Após a saída dos antigos sócios, a sociedade altera a razão social de BRASIL ESPESO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, para AMERICAN COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. 7.5 No Enquadramento de Microempresa, arquivado na JUCEPA está informado o endereço dos sócios MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, como sendo na Tv. Padre Eutiquio, nº 2658, nesta cidade de Belém, porém ficou constatado que o referido número não existe no aludido logradouro, no local onde poderia receber este número está instalada há anos o Movimento de EMAUS, tradicional organização beneficente. Assim, ao omitir a totalidade de suas receitas operacionais nas declarações do Imposto de Renda dos anos calendários de 1996 e 1997, ao deixar de entregar a Declaração do Imposto de Renda do ano calendário de 1998 e, ao alterar a sua razão social, o contribuinte tentou escapar do lançamento dos tributos e da sua cobrança. Transferindo a totalidade das cotas do capital social para pessoas notoriamente incapacitadas financeiramente para adquirir o empreendimento e ao transferir o domicilio fiscal da empresa para um endereço inexistente, os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias tentaram esquivarse da responsabilidade do pagamento das referidas obrigações. Dessa forma sujeitouse à incidência da multa qualificada sobre os créditos tributários apurados, prevista no inciso II, Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 421 11 do artigo 44, da Lei n° 9.430/90, como também ficou caracterizado, em tese, como Crime Contra a Ordem Tributária, previsto nos art. 10 e 2° da Lei 8.173/90.” Pela análise dos autos, vejo que não ficou caracteriza a situação de conduta dolosa praticada pela empresa, que motivasse a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. O fato informado pela fiscalização teve por base o pressuposto de que a empresa teria apresentado a DIPJ dos anos de 1996 e 1997 com campos zerados e deixado de entregar a DIPJ do ano de 1998. Além disso, teria sido a empresa repassada fraudulentamente a novos sócios sem capacidade financeira e que estes transferiram a sede da pessoa jurídica para local inexistente, o que, por si só, não sustenta a aplicação da multa exacerbada. Com efeito, restou comprovado na diligência que a autuada retificou antes do início da fiscalização a DIRPJs apresentadas com os campos zerados, fato que a meu ver infirmaria a situação de dolo, regularizando sua situação fiscal. A mudança do controle da empresa para sócios com pouca capacidade financeira e o novo endereço do domicílio fiscal não localizado, são indícios de fraude que estaria sendo perpetrada contra o Fisco, não sua comprovação. Quando muito poderia ser uma tentativa de fraude à execução fiscal, à cobrança do tributo pelo órgão competente, não restando configurada a intenção dolosa do contribuinte em deixar de levar ao conhecimento do Fisco a ocorrência do fato gerador do tributo. A imposição da multa qualificada de 150% depende de procedimento adotado pela fiscalização que identifique e comprove a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O ônus da prova, quando da imposição de penalidades pela constatação de dolo, fraude ou simulação cabe a quem alega, à Fazenda Pública, o que não restou configurado no auto de infração. Paulo Celso B. Bonilha, em seu livro Da Prova no Processo Administrativo Tributário, pág. 76, 2ª Edição, Editora Dialética, afirma ao tratar de ônus da prova: “Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda fundase na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores supõemse presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda o ônus de comprovar a sua existência. Esse é o teor da conclusão de Tesauro, que extrai da relação substancial a regra processual da carga da prova, “in verbis”: “No processo tributário, a prova deve resultar do fato em que é fundamentado o provimento (nos limites, obviamente, nos quais o recorrente contestou tal ou quais fatos); se o fato não resulta provado, o provimento é infundado e, portanto, deve ser anulado: essa regra substancial, da qual descende a regra processual do ônus da prova a cargo da Fazenda.” Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 422 12 As infrações tributárias podem ser classificadas conforme a participação subjetiva do agente, sendo definidas como subjetivas ou objetivas. As infrações subjetivas são aquelas em que para ficar caracterizado o que exige a lei deve ser provado que o autor do ilícito tenha agido com dolo ou culpa. Paulo de Barros Carvalho, em seu livro Curso de Direito Tributário, 14ª edição, às pág. 510/511, conclui o seguinte quanto ao ônus da prova no caso de constatação de dolo fraude ou simulação: “O discrimine entre infrações objetivas e subjetivas abre espaço a larga aplicação prática. Tratandose da primeira, o único recurso de que dispõe o suposto autor do ilícito, para defender se, é concentrar razões que demonstrem a inexistência material do fato acoimado de antijurídico, descaracterizandoo em qualquer de seus elementos constituintes. Cabelhe a prova, com todas as dificuldades que lhe são inerentes. Agora, no setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo do fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, com toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, como nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma produziu. Os embaraços dessa comprovação, que nem sempre é fácil, transmudamse para a atividade fiscalizadora da Administração, que terá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator atingir seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente. As dificuldades a que nos reportamos, sejam as experimentadas pelo sujeito passivo, no caso de impugnar pretensões punitivas por ilícitos de natureza objetiva, sejam aquelas outras que os funcionários da fiscalização tributária enfrentam para certificar a infração subjetiva, nem sempre são adequadamente suplantadas. Nos autos de infração, o agente limitase a circunscrever os caracteres fácticos, fazendo breve alusão ao cunho doloso ou culposo da conduta do administrado. Isto não basta. Há de provar, de maneira inequívoca, o elemento subjetivo que integra o fato típico, com a mesma evidência com que demonstra a integração material da ocorrência fáctica. É justamente por tais argumentos que as presunções não devem ter admissibilidade no que tange às infrações subjetivas. O dolo e a culpa não se presumem, provamse.”(grifo nosso) Portanto, no caso de dolo, fraude ou simulação, a imputação de penalidades pelo Fisco necessita que estas ocorrências sejam provadas, independentemente da apuração da infração fiscal, sendo incabível como meio de prova para a imposição da multa qualificada a utilização de presunções, índices e ficções. No presente caso, deve ser desqualificada a multa de ofício exigida, por não provado o dolo específico, e reduzido o seu percentual de 150% para 75%. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 423 13 Quanto à decadência do direito de a Fazenda Nacional efetivar a exigência, afastada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tenho assentado o entendimento de que o IRPJ inserese entre os tributos cuja modalidade de lançamento é definida pelo CTN no art. 150, vale dizer, lançamento por homologação, onde se leva em consideração a data da ocorrência do fato gerador do tributo. Já há algum tempo, por conveniência da administração tributária, por facilitar os procedimentos arrecadatórios e pelo ingresso mais célere dos recursos, a quase totalidade dos tributos passou a submeterse àquele regime de constituição do crédito tributário conhecido como “lançamento por homologação”. Destarte, nos tributos cuja exigência assim se opera, ocorrido o fato jurídico tributário descrito hipoteticamente na Lei, independentemente de manifestação prévia da administração tributária, deve o próprio sujeito passivo determinar o quantum debeatur do tributo e providenciar seu pagamento. A autoridade tributária fica com o direito de verificar, a posteriori, a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo em relação a cada fato gerador, sem que, previamente, qualquer informação lhe tenha sido prestada. A definição do regime de lançamento ao qual se submete o tributo é indispensável para determinar qual regra relativa à decadência será aplicada em cada caso. Em se tratando de lançamento por declaração, para a contagem do prazo quinquenal de decadência, impõese a observância do estatuído no art. 173, I, do CTN, verbis: “O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (Omissis).” A regra prefalada, relativa aos tributos lançados por homologação, é afastada, aplicandose, nesse caso, o disposto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN: “Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a fazenda pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Como se percebe, o termo inicial da contagem do quinquênio decadencial passa a ser o momento da ocorrência de cada fato gerador que venha a ensejar o nascimento da obrigação tributária. Em defesa dessa tese, à qual nos alinhamos, trazemos à colação a sempre lúcida lição de Paulo de Barros Carvalho: “Prevê o Código o prazo de cinco anos para que se dê a caducidade do direito da fazenda de constituir o crédito Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 424 14 tributário pelo lançamento. Nada obstante, fixa termos iniciais que dilatam por período maior o aludido prazo, uma vez que são posteriores ao acontecimento do fato jurídico tributário. O exposto já nos permite uma inferência: é incorreto mencionar prazo qüinqüenal de decadência, a não ser nos casos em que o lançamento não é da essência do tributo hipóteses de lançamento por homologação em que o marco inicial de contagem é a data do fato jurídico tributário.” (Curso de Direito Tributário Saraiva 10ª edição p. 314). Do mesmo mestre, em reforço à idéia por nós esposada de tratarse o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de tributo lançado por homologação, pedimos vênia para transcrever: “... O IPI, o ICMS, o IR (atualmente, nos três regimes jurídica, física e fonte) são tributos cujo lançamento é feito por homologação.” ( Op. Cit. p. 284). Os mesmos fundamentos são aplicáveis à Contribuição Social sobre o Lucro. Após a edição da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.”, e do Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, deixo de considerar como sendo de dez anos o prazo decadencial para as contribuições sociais, como determinava o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, aplicando, por conseguinte, o lapso temporal de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. Tenho me posicionado em diversos julgados neste Conselho no sentido de que a existência de pagamento do tributo no período não é condição necessária para enquadramento no artigo 150 do CTN, que determina como termo inicial para a contagem do prazo decadencial a ocorrência do fato gerador, pois desde esse momento dispõe o sujeito ativo da relação jurídica tributária o direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. Todavia, com base em julgados repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), assentou entendimento de que para enquadramento no regime decadencial previsto no artigo 150 do CTN ser condição sine qua non restar provado o pagamento antecipado do tributo no período sob análise decadencial. Com a edição da Portaria MF nº 586/2010, de 21/12/2010, foi alterado o regimento interno do CARF, sendo introduzido o artigo 62A no RI/CARF, determinando que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (RI/CARF, art. 62A). Assim, no caso em voga, deve ser observado quanto ao termo inicial da decadência o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, de que o prazo decadencial de cinco anos, nos casos em que o contribuinte não efetua pagamento antecipado de tributo sujeito ao chamado lançamento por Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 425 15 homologação, deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. In Verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 426 16 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973.733/SC (2007/01769940), STJ, Primeira Seção, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 12/08/2009, DJe 18/09/2009, RDTAPET vol. 24 p. 184). Ressalvando meu entendimento contrário, seguindo a determinação do art. 62A do RICARF, acato o posicionamento de que para enquadramento no artigo 150 do CTN ser necessária a comprovação nos autos do recolhimento antecipado do tributo pela recorrente nos períodos questionados. Da análise dos autos, não ficou comprovado o recolhimento do IRPJ e da CSLL nos períodos autuados, 1996, 1997 e 1998, devendo, portanto, a regra decadencial ser aquela constante do artigo 173 do CTN, sendo o dies a quo para contagem do prazo qüinqüenal o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Em que pese a DRJ de origem, para efeito da contagem do prazo decadencial, ter considerado a opção da empresa na sua DIPJ pela apuração do tributo anual (Lucro Real), entendo que o período a ser levado em conta no presente caso é a apuração trimestral, constante do lançamento fiscal por arbitramento. Ao arbitrar o lucro da pessoa jurídica o Fisco desconsiderou totalmente a opção realizada pelo Lucro Real, inclusive o seu período de apuração anual. Assim sendo, nessa condição, tenho como ocorrida a decadência em relação a todas as exigências cujos fatos geradores aconteceram até 30 de setembro de 1997, pois o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01 de outubro de 1997 e o primeiro dia do exercício seguinte seria 01 de janeiro de 1998, estando a ciência do auto de infração pela contribuinte datada de 29 de abril de 2003, edital de fls. 114, mais de cinco anos, portanto. Já para o quarto trimestre do ano de 1997, 31/12/97, o lançamento poderia ser realizado em 01/01/98 e o primeiro dia do exercício seguinte seria o dia 01/01/99, vencendo os cinco anos em 01/01/2004, não estando decadentes as exigências quanto a esse período e os seguintes exigidos nos autos de infração do IRPJ e CSLL. Quanto à alegação de irregularidades na notificação das intimações para a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, não tem razão a recorrente visto que a Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 427 17 fiscalização tomou todos os procedimentos previstos no Decreto nº 70.235/72 para a exigência dos elementos necessários à auditoriafiscal: citação pessoal, via Correios e, por fim, sendo infrutíferas tais opções, edital afixado em repartição local da Receita Federal do Brasil. As tentativas de notificação das intimações, pessoalmente e via Correios, foram direcionadas para o endereço do domicílio fiscal que a pessoa jurídica e os sócios responsáveis mantinham junto à Receita Federal do Brasil, conforme Relatório de Fiscalização de fls. 73/76. Cabia à autuada atualizar seu cadastro junto à repartição competente da Receita Federal do Brasil até a homologação da extinção da pessoa jurídica. Não era tarefa atinente à fiscalização proceder à investigação para localizar a empresa e seus sócios além das tentativas realizadas, descritas no Relatório de Fiscalização e no Termo de Constatação Fiscal, estando correta a intimação por edital para a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, não havendo o cerceamento ao direito de defesa. Incabível, também, a preliminar de nulidade do auto de infração, argüida tendo como base irregularidades na execução do Mandado de Procedimento Fiscal. Este Conselho já analisou a questão de irregularidades no MPF no Acórdão 10807.708, se manifestando no sentido de que tais incorreções não têm o condão de causar a nulidade do auto de infração. O posicionamento está firmemente fundamentado na Declaração de Voto do ilustre Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias, da qual extraio o seguinte excerto: “Acompanhei o Senhor Relator tanto na questão preliminar quanto no mérito do recurso voluntário. Permitome, no entanto, aditar algumas considerações acerca da alegada nulidade do auto de infração, em razão de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, apontados pelo sujeito passivo. É sabido que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte. Objetiva o Mandado de Procedimento Fiscal assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais e que o agente fiscal indicado recebeu ordem da Administração Tributária para executar a ação fiscal. Nesse sentido, o Senhor Secretário da Receita Federal baixou a Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, disciplinando a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições por ela administrados. Eis as principais diretrizes estabelecidas: 1.do MPF será dada ciência ao sujeito passivo, por ocasião do início do procedimento fiscal; 2. o MPF será emitido, caso a caso, pelas seguintes autoridades: a) CoordenadorGeral de Fiscalização; b) CoordenadorGeral Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 428 18 de Administração Aduaneira; c) Superintendente da Receita Federal; d) Delegado da Receita Federal etc; 3. do MPF conterão: a) a numeração de identificação e controle, composta de dezessete dígitos; b) os dados identificadores do sujeito passivo; c) a natureza do procedimento fiscal a ser executado; d) o prazo para a realização do procedimento fiscal; e) o nome e a matrícula do AFRF responsável pela execução do mandado etc; 4. o MPF indicará, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência), podendo ser fixado o período de apuração correspondente etc; 5. o MPF (para fiscalização) terá prazo máximo de validade de 120 (cento e vinte) dias, podendo ser prorrogado pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, mediante emissão de MPF Complementar; 6. o MPF se extingue pela conclusão do procedimento fiscal ou pelo decurso do prazo, sendo que, nessa segunda hipótese, na emissão de novo MPF não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do MPF extinto. Alegou a recorrente que a fiscalização levada a efeito pela Receita Federal deixou de observar as normas emanadas da referida portaria, uma vez que: 1.do Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF emitido em 26/07/00, com validade até 23/11/00, somente tomou ciência em 08/08/00; 2. do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar – MPFC emitido em 22/11/00, com validade até 22/03/01, somente tomou ciência em 29/11/00; 3. do MPFC emitido em 23/03/01, com validade até 21/07/01, somente tomou ciência em 09/04/01; e 4. do MPFC emitido em 19/07/01, com validade até 18/08/01, somente tomou ciência em 20/07/01. Sustenta o sujeito passivo que “admitir a continuidade do trabalho fiscalizatório, sem que seja, de imediato, dada ciência ao contribuinte, é o mesmo que aceitar a fiscalização por Agentes Fiscais sem a ordem específica, o que é vedado pela Portaria nº 1.265/99, em seu art. 2º”. Não tem razão a recorrente. Como já salientado, o Mandado de Procedimento Fiscal criado pelo aludido ato administrativo visa primordialmente informar ao contribuinte que o procedimento fiscal que estiver sendo executado por auditorfiscal é de conhecimento da Administração Tributária e por ela foi autorizado. A ciência tardia das prorrogações dos mandados de procedimento de fiscalização não trouxe qualquer insegurança para o contribuinte fiscalizado, bastando se observar a cronologia das prorrogações para se concluir que os trabalhos de fiscalização tinham o consentimento da Senhora Delegada da Receita Federal em Santo André (SP). Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 429 19 E mais: ainda que os MPFC somente tivessem sido emitidos após extinto o MPFF, por decurso de prazo, não haveria que se falar em vício ou nulidade, uma vez que a emissão do MPFC supre a finalidade do referido ato administrativo, qual seja, a de que o agente fiscal seja autorizado a prosseguir os trabalhos de fiscalização já iniciados. A prevalecer o entendimento do sujeito passivo, aí sim, teríamos que admitir que eventual inobservância de uma norma infra legal (Portaria SRF nº 1265/99) teria o condão de gerar nulidades no procedimento, assim entendido o caminho para consecução do ato do lançamento, a chamada fase meramente fiscalizatória. Ocorre que é matéria reservada à lei o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, assim entendido tanto a fase do procedimento (preparatório do ato do lançamento), quanto a fase do processo (iniciada com a impugnação do lançamento). No âmbito federal, é o Decreto nº 70.235/72, lei em sentido material, que regula a matéria, dispondo inclusive de capítulo próprio relativo ao tema das nulidades. Estabelece o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 as duas hipóteses de nulidades passíveis de serem declaradas pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No âmbito do procedimento, em princípio, é válido todo e qualquer ato praticado por AuditorFiscal da Receita Federal, em exercício nas Divisões de Fiscalização e integrante de Equipe de Fiscalização, não havendo que se falar em pessoa incompetente. Nesse sentido, reafirma a recente Medida Provisória nº 46/2002 a competência privativa do AuditorFiscal da Receita Federal para executar procedimentos de fiscalização, bem assim, constituir, mediante lançamento, crédito tributário em favor da União (art. 6º, I, “a” e “c”). Assim, na hipótese de MPFF ou MPFC tardiamente cientificado ao contribuinte, que seja do conhecimento do Delegado da Receita Federal ou do Chefe de Divisão de Fiscalização, e que essas autoridades administrativas não tenham sequer suscitado eventual incompetência do agente fiscal, revelase absolutamente despropositado, data venia, o entendimento, de julgador de primeiro ou de segundo grau, que vier a acolher tese no sentido da incompetência do AFRF, uma vez que própria Administração Tributária, por meio de autoridade administrativa, teria ratificado essa competência. Nos presentes autos, frisese também, não há que se cogitar de eventual preterição do direito de defesa do contribuinte, seja Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 430 20 porque por ele não suscitada, seja porque a referida ciência tardia do MPFF ou dos MPFC não lhe acarretou qualquer insegurança quanto à validade da fiscalização que lhe foi imposta. Qualquer outra interpretação da comentada portaria, que não seja a teleológica, pode gerar graves prejuízos para o Erário Público e ir de encontro aos princípios constitucionais do interesse público e da justiça fiscal, além de ferir o princípio de direito de que a nulidade, salvo se absoluta, não deve ser declarada se a parte interessada não demonstrar a existência de prejuízo, uma vez que esse é da essência daquela. Por fim, ressalto que compete exclusivamente à autoridade administrativa verificar eventual inobservância de norma de controle administrativo e promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, nos termos da Lei nº 8.212, de 11 de dezembro de 1990.” Pelo exposto, não se sustenta a alegação de nulidade do auto de infração motivada por vícios na execução do Mandado de Procedimento Fiscal, causando a invalidade da intimação via edital, porque é pacífica a jurisprudência desse Conselho no sentido de que o MPF é mero instrumento de controle da administração tributária. Irretocáveis os fundamentos da decisão de primeira instância quanto ao arbitramento do lucro pela falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, uma vez que a empresa ao ser tributada pelo regime do Lucro Real deveria para apresentar os resultados do período manter escrituração contábil em boas condições, respeitando as técnicas e normas contábeis, apurando o lucro líquido do exercício, demonstrando seu efetivo resultado a cada ano, adotando as condutas impostas pela legislação comercial e fiscal. A falta de atendimento à intimação para apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, ao impossibilitar a perfeita apuração dos resultados do período, autoriza o arbitramento do lucro tributável. O arbitramento nada mais é do que uma das formas de apuração do lucro tributável, quando da impossibilidade de utilização ou opção pelo Lucro Real ou Presumido, não tendo efeito de penalidade, não sendo condicional, não podendo após o encerramento da fiscalização ser admitida a apresentação dos livros contábeis e fiscais que deixaram de ser entregues durante a auditoriafiscal. Assim, face à total ausência de provas em sentido diverso, deve ser confirmado o arbitramento do lucro tributável da empresa American Comércio, Importação, Exportação Ltda. Lançamento Decorrente: CSLL. O lançamento da CSLL, em questão teve origem em matéria fática apurada na exigência principal, na qual a fiscalização lançou crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Tendo em vista a estreita relação entre eles existente, devese aqui seguir os efeitos da decisão ali proferida. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.588 S1C2T2 Fl. 431 21 Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de desqualificar a multa de ofício e reduzila ao percentual de 75%, acolher a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores acontecidos até 30 de setembro de 1997, terceiro trimestre de 1997, e rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, negar provimento aos demais itens do recurso voluntário. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 p or NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 14120.000166/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos
relacionados à contribuições previdenciárias.
MULTA PUNITIVA
A multa foi aplicada em conformidade com a determinação legal para a conduta praticada pela autuada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. MULTA PUNITIVA A multa foi aplicada em conformidade com a determinação legal para a conduta praticada pela autuada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. MULTA PUNITIVA A multa foi aplicada em conformidade com a determinação legal para a conduta praticada pela autuada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Wilson Antonio de Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Souza Correa e Adriana Sato. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000166/200911 Acórdão n.º 230201.440 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 29/06/2009 e cientificado em 03/07/2009, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, por não ter apresentado à fiscalização os Livros Diário e Razão dos exercícios de 2005 e 2006, conforme formalmente solicitados através do TIPF – Termo de Início de Procedimento Fiscal, emitido em 12/02/2009. Após a impugnação, Acórdão de fls. 33 a 36, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese: a) que o acórdão foi omisso por não apreciar as impugnações dos autos de infração, onde se insurgira contra as contribuições lançadas e as bases de cálculo não declaradas que o fisco configurou como crime de sonegação; b) que a multa é insubsistente por se tratar de mera presunção de fraude, que a acusação é infundada, pois não há provas; c) que os juros e multa são confiscatórios e a multa abusiva e inconstitucional. Requer a nulidade do acórdão por omissão, a nulidade do auto de infração, a extinção do crédito tributário e a reforma da decisão para declarar abusiva a multa e os juros para reduzilos ao mínimo legal. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fl.41, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente argúi a nulidade do Acórdão recorrido por omissão. Entretanto, tal tese não se confirma, posto que a decisão recorrida atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Ademais, a peça de defesa argúi apenas a inexistência de fraude e o caráter abusivo e confiscatório da multa aplicada, ao que bem rebateu a decisão de primeira instância, informando ao contribuinte que o relatório fiscal nada traz sobre fraude e no lançamento não há multa de ofício agravada em decorrência da prática de fraude. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo o ato praticado: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 60DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000166/200911 Acórdão n.º 230201.440 S2C3T2 Fl. 3 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito Repiso que são inócuas as alegações quanto à inexistência de fraude, uma vez que o auto de infração não se refere à fraude, mas ao descumprimento de obrigação acessória que vem definida em lei. A recorrente foi autuada por não apresentar documentos exigidos pelo Fisco, como os Livros Diário e Razão dos exercícios de 2005 e 2006. Ao agir desta forma, descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91: §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria Fl. 61DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 MPS/MF n.º 48 de 12/02/2009, na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Quanto às argüições acerca do percentual abusivo e desproporcional da multa, tenho a considerar que o mesmo vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Ademais, deve agir com imparcialidade, voltado para sua função precípua de controle da legalidade do ato administrativo. Portanto, na esfera administrativa o princípio da proporcionalidade ou da vedação ao excesso deve ser analisado sob o prisma de ser necessária ou não a sanção imposta. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. No caso presente restou demonstrado o descumprimento da obrigação acessória, sendo acertada a autuação e a aplicação da multa punitiva. Deixo de me manifestar sobre os juros moratórios, eis que não fazem parte da autuação. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 62DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35011.002579/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
SERVIDOR TEMPORÁRIO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 SERVIDOR TEMPORÁRIO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social. Recurso Voluntário Negado.
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Manoel Coelho Arruda Júnior Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A presente notificação, lavrada em 25/10/2005, é substitutiva da de n.º 35.546.8468, datada de 29/08/2003 e tornada nula por Acórdão do CRPS n.º 398/2005, em 18/03/2005, por falha na identificação do sujeito passivo. A NFLD referese a falta de recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social incidentes sobre a remuneração dos segurados contratados sob a égide do regime jurídico dos servidores admitidos em caráter temporário, de acordo com o relatório fiscal de fls.42/48, no período de 01/1999 a 12/2000. Após a apresentação de defesa os autos baixaram em diligência, para cotejamento do caso com o Parecer CJ n° 3.333, de 29 de outubro de 2004, acerca da real vinculação dos servidores ao Regime Geral da Previdência Social. Da informação fiscal de fls.76/77 e relatório complementar, fl. 75, que ratificou os termos do lançamento, a notificada tomou conhecimento, mas não se manifestou no prazo concedido. Acórdão de fls. 119/129, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo alegando em síntese: a) que os temporários foram contratados antes da Constituição Federal de 1988, cumprindo os cinco anos de interregno estabelecido pelo artigo 19 da ADCT; b) que as funções exercidas correspondiam às atribuições próprias dos cargos efetivos que futuramente seriam criados; c) que os contratos não tinham termo certo para terminar; d) que as funções não eram eventuais, ou provisórias; e) que os servidores temporários não são regulados pela CLT, mas pela Lei n.º 1674/84; f) que as contribuições das competências de 12/1998 a 02/1999 não podem ser cobradas por conta da anterioridade nonagesimal; g) que as liquidações de despesas utilizadas como base para o lançamento não traziam quais servidores seriam os destinatários das despesas; h) que existem servidores efetivos nos quadros de comissionados; i) que não foi observado o teto para a contribuição do segurado; j) que não foi deduzida a parcela do saláriofamília; k) que as diárias não integram o salário de contribuição; l) que devem ser excluídas as diárias pagas aos servidores efetivos; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.002579/200513 Acórdão n.º 230201.285 S2C3T2 Fl. 2 3 m) que a autoridade maior da procuradoria não pode figurar como co responsável dos débitos de gestão de outros. Requer o provimento do recurso para extinguir o crédito tributário, ou, alternativamente, a exclusão das competências 01/1999 a 02/1999 e o nome dos procuradores da relação de vínculos e de coresponsáveis. Junta documentos, fls. 257/270. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Argüi a recorrente a exclusão do nome do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis e da relação de vínculos, haja vista que o quadro de coobrigados será repetido na eventual e futura Certidão da Dívida Ativa. Cumpre esclarecer que os anexos CORESP e relação de vínculos foram claros em afirmar que o relatório trazido é apenas uma lista dos representantes legais do sujeito passivo, indicando a qualificação e o período de atuação, não estabelecendo nenhuma responsabilidade às pessoas nele relacionadas. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, em conformidade com disposto pelo art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; No Mérito Referese a notificação às contribuições previdenciárias relativas aos servidores contratados sob a égide do regime temporário que, obrigatoriamente, são enquadrados no RGPS, por força do disposto no artigo 40, § 13, da Constituição Federal de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 15 de dezembro de 1998: Constituição da República, de 5 de outubro de 1988 Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.002579/200513 Acórdão n.º 230201.285 S2C3T2 Fl. 3 5 pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°41, 19.12.2003) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 15/12/98) De acordo com os elementos descritos no processo, em especial com o disposto na Lei Estadual n.º 1.674/84, a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados é temporária, aplicandose a estes servidores o Regime Geral de Previdência Social. A alegação do contribuinte de que a Lei Estadual n.º 2.624/2000, transformou em cargos as funções exercidas pelos temporários não tem o condão de excluir os servidores do RGPS, pois está explicito na mesma que a contratação deles se dará por prazo determinado e para atender necessidade temporária de excepcional interesse público. A natureza das funções é temporária e embora os servidores estejam por muito tempo exercendo alguma função, isto não os transforma em servidores públicos efetivos abrangidos por Regime Próprio de Previdência. Do exame das leis estaduais juntadas aos autos, se verifica que a Lei Estadual n° 2.607, de 2000, fls. 104/106, em seu art.15, revoga expressamente a Lei Estadual n° 1.674, de 1984, e "dispõe sobre a contratação de pessoal por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, sob regime de Direito Administrativo, nos termos do art. 37, IX, da Constituição Federal e do art. 108, § 1° da Constituição do Estado". Por outro lado, a Lei Estadual n° 2.624, de 2000, (fl.107), assim dispõe: Art. 1° Ficam transformados em cargos as funções que atualmente desempenham os servidores que pertenciam ao regime especial instituído pela Lei n° 1.674, de 10 de dezembro de 1984, ou admitidos na forma do § P do art. 108 da Constituição do Estado. A transformação de funções em cargos não descaracteriza a natureza temporária das atribuições dos servidores, que, por esta razão, continuam vinculados ao RGPS. Ademais, a própria Constituição da República, em seu art. 40, § 13, acima transcrito,referese a "ocupante de cargo temporário", estabelecendo que a este se aplica o regime geral de previdência. Quanto à argüição da recorrente de que as competências de 01/1999 e 02/1999, deveriam ser excluídas do levantamento por não obedecerem ao prazo nonagesimal, previsto na Constituição Federal, que as liquidações de despesas não traziam os destinatários das mesmas, que existem servidores efetivos nos quadros dos comissionados, que não foi observado o teto de contribuição para os segurados, que não foram deduzidas as parcelas de saláriofamília e que devem ser excluídas as diárias pagas a servidores efetivos, registro que tais alegações não constaram da peça de defesa da recorrente, por ora da impugnação do lançamento, motivo pelo qual deixo de me manifestar sobre tais assuntos. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 O recurso protocolado inovou nas alegações e nos documentos juntados, de forma que não serão apreciados, com fulcro no disposto pela Portaria MPS/GM nº 520/2004, art. 9º, § 1º e §6º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, que limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, conforme disposições abaixo transcritas , in verbis: PORTARIA MPS/GM N.º520/2004 Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. DECRETO Nº 70.235 DE 6 DE MARÇO DE 1972 DOU DE 7/3/72 Art.16. A impugnação mencionará: ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.002579/200513 Acórdão n.º 230201.285 S2C3T2 Fl. 4 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;( acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.( acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10940.000064/2005-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003
ATIVIDADES NÃO IMPEDITIVASA
prestação de serviço de manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica no sistema de arrecadação das praças de pedágio e balanças exercidas pela empresa não são
tarefas de complexidade a exigir a intervenção de engenheiros ou
assemelhados.
Numero da decisão: 1301-000.671
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2003 ATIVIDADES NÃO IMPEDITIVASA prestação de serviço de manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica no sistema de arrecadação das praças de pedágio e balanças exercidas pela empresa não são tarefas de complexidade a exigir a intervenção de engenheiros ou assemelhados.
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Matéria SIMPLES Recorrente Alexandre Garcia Araújo Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 ATIVIDADES NÃO IMPEDITIVAS A prestação de serviço de manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica no sistema de arrecadação das praças de pedágio e balanças exercidas pela empresa não são tarefas de complexidade a exigir a intervenção de engenheiros ou assemelhados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório Alexandre Garcia Araújo, Firma Individual, tendo sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n° 020, de 10/03/2005, do Delegado da Receita Federal em Ponta GrossaPR, apresentou manifestação de inconformidade, alegando equivocada a fundamentação legal do ato declaratório que determinou sua exclusão. A ação que culminou com a exclusão da contribuinte ao Simples teve origem em Representação Administrativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por meio de sua gerência executiva em Ponta GrossaPR, e foi instruída com os documentos de fls. 02 a 105. Para embasar sua irresignação, o contribuinte alegou que presta serviços de processamento de dados, geração de relatórios de saída e demais tarefas inerentes à atividade a que se dedica; que age empiricamente, pois o exercício de tais tarefas não exige profissional habilitado. Disse que a autoridade fazendária, ao regular os textos legais, costuma dar interpretação extensiva, ampliando os textos legislativos e que as vedações do artigo 9º da Lei n° 9.317, de 1996, exigem a formação técnica ou de nível superior, contudo suas tarefas são de natureza meramente mecânica. Anexou aos autos declaração da tomadora dos serviços que, no seu entendimento, demonstra que não exerce atividade vedada de aderir ao Simples. Informou que os serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática foram autorizados a aderir ao Simples por força do disposto no inciso IV do artigo 15 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, e que alterou o objeto social para se adequar à nova situação, razão pela qual pediu a reforma do ato declaratório, com sua conseqüente permanência na sistemática. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do voto da Relatora. Analisando os documentos dos autos, à luz da legislação vigente, concluiu a Relatora ter restado caracterizado que a interessada dedicase ao fornecimento de mãodeobra para manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica nas praças de pedágio e balanças, serviços estes sempre produzidos nas instalações da cliente, com enquadramento no art. 9°, inciso XII, alínea "f", in fine, da Lei n° 9.317, de 1996: "fornecimento de mãodeobra (...) sempre (...) nas instalações dos clientes". E mais, que a atuação na concepção de manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica nas praças de pedágio e balanças", aliada à intervenção técnica "in loco" para colocação do sistema em operação são atividades vedadas no âmbito do Simples Federal, por serem atividades próprias de profissional da área de engenharia e/ou assemelhados, conforme dispõe a Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, que discrimina atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Considerou ainda improcedente o pedido para que se aplique ao caso em concreto o disposto no artigo 4° da Lei n° 10.964 de 2004, com a redação dada pela Lei n° Fl. 157DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 3 3 11.051, também de 2004, pois muito embora a interessada tenha alterado seu objeto social para serviço de processamento de dados (fl.124), o que restou comprovado nos autos está muito distante destas operações. Ciente da decisão em 22 de abril de 2009, a interessada ingressou com recurso em 13 de maio seguinte, no qual alega faltar base legal para desenquadrar a empresa da sistemática do Simples. Menciona estar incluída como optante tácita do Simples Nacional a partir de 01/07/2007, visto não constar pendências em seu nome para migrar do Simples Federal para o Simples Nacional. Afirma não incidir nas vedações de que tratam o inciso XII, alínea “f”, e inciso XIII, do art. 9º da Lei 9.317, de 1996. Contesta os argumentos do INSS, de que as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica não coadunam com os serviços descritos na Declaração de Firma Individual, nem com os serviços previstos no contrato celebrado com a empresa Caminhos do Paraná, e nas notas fiscais emitidas. Invoca o art. 15 da Lei nº 11.051, de 2004, que alterou o art. 4º da Lei nº 10.964, de 2004, excetuando da vedação de que trata o art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática, e assegurando, pelo seu § 1º, a permanência no Simples com efeitos retroativos à data da opção da empresa, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação. Afirma que o serviço caracterizado como de processamento de dados ou de manutenção de aparelhos eletrônicos e comércio varejista de aparelhos de informática, não é o mesmo que serviço de cessão ou locação de mãodeobra Por fim, se reportando à Lei Complementar n° 128, de 2008, que altera a Lei Complementar n° 123, de 2006, solicitou a permanência do reclamante no Sistema de Tributação do SIMPLES com utilização do ANEXO III que define a Partilha do Simples Nacional para Serviços e Locação de Bens Móveis. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo. Dele conheço. Como se depreende do relatório, a empresa foi excluída do Simples em função de contrato de prestação de serviços mantido com Concessionária Caminhos do Paraná S/A. O procedimento de exclusão teve origem em representação de Auditor Fiscal do INSS, que entendeu configurada situação que, em tese, veda/exclui a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, nos termos do art. 9° da Lei nº 9.317/96. A Representação assentouse nos seguintes fatos, relatados por seu autor: a) A empresa possui consignado em seu cartão CNPJ o Código Nacional de Atividade Econômica CNAE 74.99399 relativo a "Outros serviços prestados principalmente às empresas", explicitado de forma mais detalhada em sua Declaração de Firma Mercantil Individual que contempla as atividades de "Manutenção de aparelhos eletrônicos" e "Comércio varejista de aparelhos de informática". b) No Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre a prestadora e a empresa CONCESSIONÁRIA CAMINHOS DO PARANÁ S/A, prevêse "(..) a prestação de serviços de manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica nas praças de pedágio e balanças (existentes e que possam a vir a ser adquiridas) da CONTRATANTE (..)”, com arrolamento das atividades que compreendem os serviços contratados. c) Nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas é possível constatar: c.l) que foram emitidas em partidas mensais regulares, evidenciando a regularidade da prestação dos serviços e sua natureza contínua; c2) que a discriminação dos serviços resumemse a "prestação de serviços em vossas praças e balanças ao mês (..)", emitidas sempre da mesma forma mês após mês, denotando o conhecimento bilateral prévio dos serviços que seriam prestados, com expectativa da solução de continuidade dos mesmos; em suma, que a celebração do contrato antevia que o prestador colocaria à disposição do contratante trabalhadores seus para a execução dos serviços contratados, nos termos, prazos e formas estabelecidos, através de locação de mão de obra; c3) que os serviços prestados têm natureza de manutenção e conservação de equipamentos. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 5 5 d) A própria natureza dos serviços prestados, bem como a regularidade de emissão das notas fiscais de serviço apresentadas, evidencia de forma inequívoca que o serviço foi prestado pela empresa prestadora de forma regular e continua, mediante locação de mãodeobra, pela colocação há disposição do contratante de seus trabalhadores para a execução dos serviços contratados.” Considerou o autor da Representação que a empresa estava exercendo locação de mãodeobra, atividade vedada conforme art. 9º, inciso XII, alínea "f” da Lei 9.317/96, e que a exclusão deveria produzir efeitos a partir do mês subseqüente ao que incorreu a situação excludente, ou seja, a partir da data de assinatura do contrato, conforme art. 15, inciso II, da Lei 9.317/96, alterada pela MP 2.158/34 de 27/07/2001. A autoridade administrativa competente da DRF em Ponta Grossa, exarou despacho decisório excluindo a empresa do Simples, cuja ementa descreve que “Empresa que explora atividade de montagem e manutenção de equipamentos elétricos, por caracterizar prestação de serviço profissional de engenharia, ou a este assemelhado, não pode optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples.” Pelo destaque conferido às expressões da legislação transcrita (inc. XIII do art. 9º da Lei 9.817/96 e Resolução nº 218, do CONFEA), vêse que, a partir do contrato apresentado, a autoridade entendeu que a atividade de manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica nas praças de pedágio e balanças (previstas no contrato), se inserem na vedação do inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/96, como atividade de engenheiro ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Considerou que, nos termos da Resolução CONFEA 218, a competência para executar serviços de instalações e montagens elétricas é dos engenheiros elétricos, de uma forma geral, ou dos técnicos de graus superior e médio, conforme definido nos seus artigos 1°, 8.°, 22º., 23º. e 24º.. Assim, não obstante o auditor do INSS houvesse entendido que a atividade exercida pela empresa que a impediria de optar pelo Simples era a locação de mão de obra, a autoridade administrativa da DRF em Ponta Grossa não acolheu essa sugestão, e declarou a exclusão ao fundamento de que a atividade impeditiva praticada pela empresa era a de serviços profissionais de engenharia ou a este assemelhado. É o seguinte o teor do Ato Declaratório 020/2005: DECLARAR a empresa ALEXANDRE GARCIA ARAUJO, CNPJ 02.774.463/000136, EXCLUÍDA da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata a Lei 9.317/96, denominada SIMPLES, a partir de 1° de abril de 2003, pelo seguinte motivo: Prestação de serviço de manutenção elétrica, conforme inciso XIII, do art. 9° da Lei 9.317/96. Poderá o contribuinte, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência deste, apresentar Manifestação de Inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de acordo com a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 6 6 Ao se insurgir contra o Ato Declaratório que a excluiu do sistema, a interessada combateu não só a motivação apontada pela autoridade administrativa (ou seja, de que a atividade por ela praticada caracteriza serviço de engenharia ou a este assemelhado), mas também a afirmativa do autor da representação, auditor do INSS, de que ela praticava a locação de mão de obra. Ao enfrentar a manifestação de inconformidade, a decisão agora recorrida refutou as alegações da interessada, no sentido de que não pratica a locação e mão de obra nem presta serviços que dependam de habilitação profissional. Assevera o voto condutor do acórdão recorrido que tanto o contrato que instruiu a representação como a discriminação dos serviços prestados nas notas fiscais que instruem o processo revela, de uma só vez, tanto a locação de mãodeobra, quanto a execução de serviço técnico inato à engenharia. Inicialmente, observo que descabe, em sede de manifestação de inconformidade ou de recurso, analisar a exclusão do sistema simplificado em função da eventual prática de locação de mão de obra, fundamento esse que não motivou a exclusão. A Delegacia de Julgamento não tem competência para apontar, em primeira mão, motivação para exclusão da opção pelo sistema simplificado. Competelhe, sim, decidir os litígios surgidos a partir da exclusão procedida pela autoridade competente, a Delegacia da Receita Federal de Ponta Grossa. Ao excluir, de ofício, empresa optante pelo sistema simplificado, a autoridade deve fazêlo motivadamente, abrindose oportunidade para o contribuinte apresentar manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, nela trazendo as alegações de direito e as provas para desconstituir o motivo da exclusão. O litígio só surge com a manifestação de inconformidade tempestiva, e fica delimitado pela questão controversa que motivou a exclusão. Descabe à DRJ trazer outras questões que não façam parte do litígio. Contudo, e ressaltando que o tema não tem influência na solução deste litígio, não vislumbro, nos documentos que instruem o processo, elementos suficientes para afirmar que a Recorrente pratica locação de mão de obra (alínea f do inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317/96). Na operação de locação de mãodeobra, determinada empresa (locatária) contrata o fornecimento de mão de obra de outra pessoa jurídica (locadora), sendo que os trabalhos a executar e os trabalhadores ficarão sob as ordens da locatária. No caso concreto, há um contrato que prevê que a contratada prestará serviços de manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica nas praças de pedágio e balanças (existentes e que possam vir a ser adquiridas), e não que ela colocará à disposição da contratante trabalhadores para esse fim. O fato de os serviços serem produzidos nas instalações da cliente não é suficiente para caracterizar a locação de mão de obra. Relevante, para tanto, é precisar se os trabalhadores ficavam sob as ordens da contratante (Concessionária Caminhos do Paraná) ou da contratada (Alexandre Garcia Araújo). E não há nos autos nada que elucide esse fato. Retomando a trilha para a solução do presente litígio, há que se verificar se a Recorrente exerce atividade impeditiva, conforme inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, que foi o motivo declinado para a exclusão de ofício. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 7 7 A Recorrente é empresa individual cujo titular é comerciante e o objeto da empresa é Manutenção de Aparelhos E1etrônicos e Comércio Varejista de Aparelhos de Informática. O contrato que fundamentou a exclusão consigna como objeto a prestação de serviços de manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica nas praças de pedágio e balanças da contratante, incluindo os seguintes serviços: (a) suporte técnico para diagnóstico de falhas, intervenções de emergência, substituição de equipamentos e/ou componentes (braços de cancelas, troca de lâmpadas, substituição de sensores etc.), emissão de relatórios e todos e quaisquer serviços que estão ligados aos equipamentos e componentes existentes no sistema de arrecadação de pedágio e balança; (b) manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos que integram todo o sistema de arrecadação de pedágio e balança; (c) coordenação técnica para garantir a realização das atividades de manutenção, assim como a qualidade dos serviços executados, em cronograma previamente aprovado pela contratante. A partir de julho de 2002 foi aditado o contrato para incluir o fornecimento de equipamento (computador portátil e telefone celular), para uso no serviço contratado. As notas fiscais discriminam a prestação de serviços nas praças e balanças e a locação do equipamento. O titular da empresa declara que (fls. 120): ...a empresa do qual é titular, presta serviços de processamento de dados, assim entendida a parte referente a digitação de dados, geração de relatórios de saída e demais tarefas inerentes a atividade a que se dedica. Para o exercício da atividade realizada para a empresa de pedágio Caminhos do Paraná, age empiricamente "com base na experiência", pois, o exercício de tal atividade, na respectiva aplicação, não exige habilitação profissional, nem conhecimentos hauridos em escola, faculdades, ou universidades conceito de profissional liberal... Por seu turno a contratante (Caminhos do Paraná), declara que a Recorrente lhe presta “...serviços de digitação em máquinas e aparelhos eletrônicos de propriedade da declarante, zelando pela manutenção da operacionalidade dos equipamentos utilizados, sugerindo as providências necessárias (...)”. Reportandose à Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, entendeu a decisão recorrida que a atuação na concepção de "manutenção preventiva, corretiva e operacional eletrônica e elétrica nas praças de pedágio e balanças", aliada à intervenção técnica "in loco" para colocação do sistema em operação são atividades próprias de profissional da área de engenharia e/ou assemelhados, vedadas no âmbito do Simples Federal. Sobre o alcance das Resoluções do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e sua interferência na determinação das atividades que impedem a opção pelo SIMPLES, valhome das lúcidas considerações do insigne Conselheiro João Luiz Fregonazzi, no voto condutor do Acórdão 30134.803: Fl. 162DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 8 8 (...) a Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1966, atribui ao Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CONFEA competência para regulamentar o exercício profissional da engenharia, arquitetura e agronomia: "Art. 26 O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, (CONFEA), é a instância superior da fiscalização do exercício profissional da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia. Art. 27 São atribuições do Conselho Federal: j) baixar e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da presente Lei, e, ouvidos os Conselhos Regionais, resolver os casos omissos: O CONFEA regulamentou o exercício da Engenharia por meio de resoluções: a) a Resolução CONFEA n° 218, de 9 de junho de 1973, determina que a manutenção de equipamentos (art. I", item 17) é de competência dos Engenheiros Mecânicos, Engenheiros Mecânicos e de Automóveis, Engenheiros Mecânicos e de Armamento ou Engenheiros de Automóveis (art. 12); Técnicos de nível superior ou Tecnólogos (art. 23); ou Técnicos de grau médio (art. 24); b)a Resolução CONFEA n° 262, de 28 de julho de 1979, determina que a execução de serviços de manutenção de equipamentos também é de competência dos técnicos de 2º. grau (art. 1', item 12); e c) a Resolução CONFEA n° 313, de 26 de setembro de 1986, determina que a manutenção de equipamentos também é de competência dos Tecnólogos, egressos de cursos de 3º. grau cujos currículos fixados pelo Conselho Federal de Educação forem dirigidos ao exercício de atividades nas áreas abrangidas pela Lei n° 5.194/1966 (art. I" c/c art. 3º, item 6). Assim, todos esses profissionais exercem serviços assemelhados ao de engenheiro. A vedação com base no exercício de atividades elencadas na lei não pode ser contestada. Tal não ocorre quando a vedação atinge atividades semelhantes, deixando ao alvedrio da administração buscar quais atividades são semelhantes àquelas vedadas. CONCEITOS INDETERMINADOS A administração exerce atividade infralegal, consoante os ditames do princípio da legalidade, a que se subordina. Outro princípio de extrema importância é o da finalidade, segundo o qual a administração deve observar a finalidade do ato, que não pode ser outra que não a insculpida na norma legal. O fim visado será sempre o interesse público. Sob a ótica da legalidade e da finalidade do ato administrativo extraise que o Fl. 163DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 9 9 mesmo tem tipicidade fechada, pois só pode ser expedido visando o fim legalmente previsto. Nesses estritos termos é que se pode admitir a existência de atos discricionários, que permitem à administração certa margem de discricionariedade. Há casos em que o legislador não permite liberdade de decisão à administração, delimitando estritamente o campo de atuação. Os pressupostos fáticos e jurídicos vêm objetivamente estipulados, e a lei só admite uma decisão quando materializados esses pressupostos. Nessas hipóteses, não se admite que se leve em consideração as particularidades de cada caso, entendendo o legislador que o interesse público será alcançado quando a única decisão possível for concretizada em face da materialização da hipótese prevista. Ocorre, por conseguinte, uma maior vinculação da administração ao Princípio da Legalidade. Outros há em que é conferida certa margem de discricionariedade, sem a qual pode ser que a norma legal não logre atingir os seus objetivos, sempre inscritos no campo do interesse público. Todavia, não pode a administração fazer uso indevido da discrição concedida, devendo subsumir os seus atos ao interesse público. Convém registrar a brilhante lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2003, pg. 822), consistente em afirmar que: Se a lei, nos casos de discrição, comporta medidas diferentes só pode ser porque pretende que se dê uma certa solução para um dado tipo de casos e outra solução para outra espécie de casos, de modo a que sempre seja adotada a solução pertinente, adequada à fisionomia própria de cada situação, a fim de que seja atendida a finalidade da regra em cujo nome é praticado o ato. Concluindo, a doutrina denomina conceitos vagos, indeterminados, os conceitos que permitem à administração a valoração do fato concreto, exercendo assim um juízo subjetivo e discricionário para fins de aplicação da norma legal. A única razão para existirem, em face do império da lei, é que a finalidade maior da norma não seria alcançada caso a administração estivesse restrita a tipos exclusivamente fechados. Quando se quer determinar como atividades vedadas aquelas exercidas por engenheiro ou assemelhados, estáse diante desses conceitos indeterminados. Registrese, porém, que não pode a administração deixar de se pautar pelos princípios que a norteiam, principalmente os princípios da legalidade, interesse público e moralidade administrativa. O fim a ser exaustivamente buscado será o interesse público. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 10 10 Sob essa ótica, cabendo à administração exercer juízo de valor, não deve de forma indiscriminada entender que todo e qualquer tipo de manutenção em equipamentos subsumese à hipótese legal de serviços assemelhados ao de engenheiro. A nota fundamental há de ser a complexidade do serviço a ser executado, a necessidade de conhecimentos e técnicas próprios ou assemelhados à função graduada exercida pelos engenheiros. (…) Ora, examinando as atividades exercidas pela Recorrente, vejo que todas elas se compreendem no âmbito da manutenção dos equipamentos e componentes que integram o sistema de arrecadação de pedágio e balança, não revelando tarefas de complexidade semelhante às normalmente executadas por técnicos de nível superior, a determinar a impossibilidade de opção pelo Simples. Nesse mesmo sentido consolidouse a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, a exemplo dos acórdãos a seguir colacionados por suas ementas: Ac. 30134.803 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. Atividades vedadas. Verificado que pela Lei Complementar n.° 123/2006, que instituiu o Simples Nacional, as atividades exercidas pela pessoa jurídica não são vedadas, é de se rever a exclusão do SIMPLES. SIMPLES. Manutenção, reparos e consertos de balanças. A prestação de serviço de manutenção, reparos e conserto de balanças não são tarefas de complexidade a exigir a intervenção de engenheiros ou assemelhados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO AC. 30239.359 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 1999 Ementa: SIMPLES. INCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. Não existe qualquer obstáculo para que as pessoas jurídicas que prestem serviços de assistência técnica de refrigeração, conserto e instalação de ar condicionado, coifas, tubulações e instalações elétricas, optem pela sistemática do SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Acórdão 30334.897 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Fl. 165DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 11 11 Anocalendário: 2001 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO RETROATIVA. Não poderá ser confundida como atividade similar à de engenharia elétrica/eletrônica privativa de engenheiros ou assemelhados o comércio de materiais elétricos e o ramo de consertos, manutenção e instalação de máquinas e equipamentos de uso industrial. Atividades exercidas não se enquadram nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Inclusão retroativa permitida. Comprovado que a recorrente, pequena sociedade empresária (micro empresa), dedicandose ao ramo de comercialização no varejo de materiais elétricos e consertos, manutenção e montagem em equipamentos de uso industrial, prestados por técnico de nível médio, e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços privativos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas de engenharia mecânica ou elétrica, sendo essa atividade exercida pela recorrente perfeitamente permitida pela legislação vigente aplicável, é de incluir retroativamente a recorrente no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Recurso Voluntário Provido AC. 30133.829 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. CONDICIONADORES DE AR, TELEFONES E INTERFONES. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. POSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME DO SIMPLES. Não demonstrado nos autos que há nas dependências da empresa atividade que requer habilitação profissional legalmente exigida, inaplicável se torna à vedação legal ao regime Simplificado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO AC. 30133.476 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. COMÉRCIO VAREGISTA DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA E ELETRÔNICOS. CONSERTO. MANUTENÇÃO. Autorizada a permanência no Fl. 166DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000064/200567 Acórdão n.º 1301000.671 S1C3T1 Fl. 12 12 Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas Empresas de pequeno porte (Simples) das pessoas jurídicas que prestam serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática, bem como das que instalam programas de computador desenvolvidos por terceiros, desde que não demande conhecimentos de analista de sistemas ou programador e observados os demais requisitos legais. (inteligência dos ADE nº 8, de 18/01/05 e ADI nº 35, de 29/12/04). (...) Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 167DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por VALMIR SANDRI
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