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Numero do processo: 10840.002654/2005-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de
lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o
pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.265
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso para reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 343 1 342 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.002654/200552 Recurso nº 170.540 Voluntário Acórdão nº 210201.265 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2011 Matéria IRPF Omissão de rendimentos Recorrente CLAUDIO DA SILVA MATOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 27/04/2011 Fl. 352DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10840.002654/200552 Acórdão n.º 210201.265 S2C1T2 Fl. 344 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CLAUDIO DA SILVA MATOS foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 29.265,48, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2005. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos decorrentes de trabalho com vínculo empregatício recebido em razão da ação trabalhista, processo 1161/90 movido pelo contribuinte contra a empresa Usina São Martinho S.A Açúcar e Álcool. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 255/257, e a autoridade julgadora de primeira instância decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0415.156, de 28/08/2008, fls. 270/278. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 13/10/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 282, o contribuinte apresentou, em 28/10/2008, recurso voluntário, fls. 289/290, trazendo as alegações a seguir transcritas: a) Tendo solicitado uma análise junto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto, junto ao Auditor Fiscal, a qual o mesmo não acolheu suas reenvidicações, pois informou que se não estivesse satisfeito que efetuasse a impugnação junto a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, tendo consultado na mesma Delegacia o Fiscal de Plantão, foi informado que conforme documento da folha 522 a 525 da 1ª Vara do Trabalho, a qual também foi juntada junto a Delegacia de Julgamento, foi informado que a Empresa Usina São Martinho S/A, devia recolher a diferença do Imposto de Renda Retido na Fonte, que conforme planilha desenvolvida pelo Sr. Auditor Fiscal Fernando Cesar Fiocco, planilha em anexo, somente foi considerado o valor recolhido conforme DARF recolhida no dia 05/05/2000, no valor de R$ 10.135,37, comprovante em anexo, assim sendo o Sr. Fiscal de Plantão, orientou que fosse a empresa para que a mesma recolhesse a diferença, sendo certo que foi tomada as devidas providencia pela mesma, conforme Xerox em anexo. b) Tendo recebido o referido documento tentei junto a Delegacia da Receita Federal do Brasil, juntar o devido documento, mais infelizmente foi indeferido pelo Sr.Auditor Fiscal. c) Informo ainda que na data de Fevereiro de 2000, fui até a sede da empresa, solicitar o Comprovante de Rendimentos, mais Fl. 353DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10840.002654/200552 Acórdão n.º 210201.265 S2C1T2 Fl. 345 3 não foi entregue, informandome, que só fornecia o documento após o encerramento do processo, sendo certo que após esta decisão da empresa, não declarei o devido imposto de renda do Exercício de 2000, ano calendário 1999, onde posteriormente após a entrega do Exercício de 2001, ano calendário 2000, fui intimado, tendo sido informado que fiz a omissão dos Rendimentos do ano exercício de 2000. d) Esclareço que sou pessoa pobre e sem a devida cultura para o assunto ou seja Imposto de Renda, assim sendo gostaria que V.Sa., acolhesse e analisasse com carinho os devidos documentos, pois entendo que o não recolhimento da diferença do Imposto de Renda, deixado de ser recolhido pela empresa, não sobraria imposto a pagar, conforme informação prestada pelo Fiscal de Plantão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Prêto. É o Relatório. Fl. 354DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10840.002654/200552 Acórdão n.º 210201.265 S2C1T2 Fl. 346 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Antes de analisar as alegações do recorrente, cumpre verificar se, na data do lançamento, o crédito tributário exigido no Auto de Infração já se encontrava alcançado pela decadência. O art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 355DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10840.002654/200552 Acórdão n.º 210201.265 S2C1T2 Fl. 347 5 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, o contribuinte não apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2000, anocalendário 1999, conforme informação prestada pela autoridade fiscal, fls. 09, entretanto, restou consignado no Auto de Infração que no referido anocalendário o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis, no valor de R$ 98.767,03, com imposto de renda retido na fonte de R$ 9.695,24. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima transcrito. Os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 1999 somente se completaram em 31/12/1999, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2004. Como o contribuinte somente foi cientificado do Auto de Infração em 20/10/2005, Aviso de Recebimento (AR), fls. 254, temse que o crédito tributário exigido no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10840.002654/200552 Acórdão n.º 210201.265 S2C1T2 Fl. 348 6 Logo, tornase desnecessária a análise das argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso para reconhecer de ofício que o crédito tributário exigido no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 357DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003135/2005-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.
Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços
utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação
de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.
CRÉDITO. MÃODEOBRA.
TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO.
CONTRATAÇÃO.
Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra
avulsa,
mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da
categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse
aos trabalhadores.
BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS.
Tratandose
de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que
integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros ora
discutidas como receitas para fins de incidência da contribuição em comento.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de
juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de
ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-000.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé reconhecem o direito ao
crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. Tratandose de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros ora discutidas como receitas para fins de incidência da contribuição em comento. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1978; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 632 1 631 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.003135/200501 Recurso nº 270.118 Voluntário Acórdão nº 330200.867 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2011 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente COMPANHIA CACIQUE DE CAFÉ SOLÚVEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. Tratandose de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros ora discutidas como receitas para fins de incidência da contribuição em comento. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé reconhecem o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 06/09/2005, relativo ao 2º trimestre de 2005, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 517, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados à flS. 497/498 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores. Incluiu na base de cálculo outras receitas constantes do Grupo 81 Outras Receita Operacionais. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 530/544, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0620.359, de 15/12/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da PIS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. PIS NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM MÃODEOBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do PIS, as despesas com mãodeobra pessoa física, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003135/200501 Acórdão n.º 330200.867 S3C3T2 Fl. 633 3 ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da legislação. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS AUFERIDAS. A Contribuição para o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO Integra a receita bruta para efeito de cálculo do PIS/Pasep o valor recebido, pela Pessoa Jurídica, a título de indenização de seguro pela perda ou sinistro de seus bens do Ativo Permanente e do Circulante. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/02/2009, conforme AR de fl. 598, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 05/03/2009, com o recurso voluntário de fls. 601/617, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito do PIS sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes; 3 Discorre sobre a natureza jurídica dos sindicatos, alega que não contratou mãodeobra de pessoa física e, com relação aos serviços prestados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral, alega que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR alterou o seu posicionamento para o fim de validar e legitimar os créditos do PIS sobre os valores dos pagamentos efetuados ao referido sindicato, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 conforme transcrição abaixo (Processo Administrativo n° 16366.003268/200779 PIS Não cumulativa do 2° TR/2007 fls. 363): b.3) Serviço temporário Constatei ainda que em relação ao item "Serviço Temporário", os dispêndios também contemplam insumos cuja aplicação foi feita diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, e pagos para pessoas jurídicas estabelecidas no país. Cabe salientar, a título de ilustração e para estabelecer diferenciação dos serviços mencionados nos itens 1 a 15, que os pagamentos relativos ao item "serviço temporário" foram feitos para outra empresa proceder, mediante cessão de sua mãode obra, serviços que implicam no manuseio direto da matéria prima (café) utilizado pela empresa requerente em seu parque industrial. Assim, concluo que neste caso existe o direito de aproveitamento do crédito, em razão dos disposto no artigo 66, letra b, item b.1, §5º, inciso I, letra b da Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003. (grifei) 4 no valor das receitas do Grupo 81 inclui outras rubricas, como as indenizações de seguros, que não são tributadas pelos tributos federais em geral, a teor do que dispõe o art. 120 da legislação do Imposto de Renda. Neste sentido, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 5 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de PIS não cumulativo, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir outras receita operacionais na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: 1. Alimentação; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003135/200501 Acórdão n.º 330200.867 S3C3T2 Fl. 634 5 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Matérias de manutenção/conservação; 8. Materiais químicos e de laboratórios; 9. Materiais de limpeza; 10.Materiais de expediente; 11.Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria) 12.Outros materiais de consumo; 13.Serviço temporário, contratado com sindicato; 14.Serviços de segurança e vigilância; 15.Serviços de conservação e limpeza; 16.Serviços de manutenção e reparos; 17.Outros serviços de terceiros; 18.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.833/2003, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Sobre os gastos com serviços temporários, realizados via sindicato de trabalhadores, enganase a recorrente quando afirma que a DRF Londrina admite o crédito para tais gastos. Os gastos admitidos pela DRF em Londrina, a que se refere o processo nº 16366.003268/200779, foram feitos para outra empresa, pela cessão de sua mãodeobra, e não a sindicato, pela contratação da mãodeobra de seus filiados. Quanto à inclusão das receitas do Grupo 81 Outras Receita Operacionais na base de cálculo, entendo que assiste razão à recorrente quanto às indenizações de seguro recebidas. Conforme ficou demonstrado no recurso voluntário, tais valores não afetaram o patrimônio da recorrente e nem seu resultado operacional. Para ser receita, há que afetar o patrimônio da pessoa jurídica. A indenização de seguro tem a mesma natureza do bem sinistrado, já integrante do patrimônio do segurado, e não se confunde com alienação de bens porque o segurado não realizou operação mercantil alguma. Deve, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS os valores líquidos lançados na contabilidade da recorrente na conta 811044001 Indenizações de Seguros, nos valores abaixo identificados: Mês de Maio/05 R$ 16.451,51 Mês de Junho/05 R$ 1.501.946,13 Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que o artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, este último com a redação do art. 21 da Lei nº 10.865/2004, vedam expressamente a atualização monetária ou a incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] VI no art. 13 desta Lei. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003135/200501 Acórdão n.º 330200.867 S3C3T2 Fl. 635 7 Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, a lei proíbe expressamente a incidência de juros, calculado pela selic ou por outro índice qualquer, no ressarcimento de PIS nãocumulativo. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PIS o valor da indenização de seguro recebida pela recorrente, nos valores acima identificados. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16366.003308/2007-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITOS. INSUMOS.
Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e
serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou
fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas
legais.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.
Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic
sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.116
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam
provimento parcial.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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ementa_s : SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de Cofins. Recurso Voluntário Negado.
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INSUMOS. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de Cofins. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 EDITADO EM: 08/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem relatar os fatos até a manifestação de inconformidade, adoto e ratifico o relatório da decisão de primeiro grau. “Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da COFINS Mercado Externo (fls. 02/05), relativo ao 3º trimestre/2006, apurado no regime de incidência não cumulativa, com fundamento na Lei nº 10.833/2003. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 202 e em conformidade com a Informação Fiscal de fls. 188/196 e com o Parecer SAORT/DRF/LON n° 366/2008 de fls. 199/201, deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento, reconhecendo o crédito de COFINS, referente ao 3° trimestre de 2006, no valor de R$ 2.841.677,17, cujo pagamento à contribuinte foi realizado em 06/10/2008, conforme comunicado de fl. 223. De acordo com a mencionada Informação Fiscal (fls. 188/196), a autoridade administrativa, em observância à legislação de regência, glosou os créditos concernentes aos serviços de corretagens e outros fretes. Cientificada da Intimação n° 1.510/2008 de fl. 205, em 29/09/2008 (fl. 220), a interessada, por intermédio do procurador habilitado (doc. fl. 234), apresentou, em 03/10/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 224/233, cujo teor será, a seguir, sintetizado. Aduz que é equivocado o entendimento do fisco a respeito de que somente os insumos que tenham ação direta no processo de fabricação do produto são passíveis de crédito da COFINS apurada sob o regime nãocumulativo. Defende que além dos insumos que se integram ao produto final (matérias primas c produtos intermediários c material de embalagem), quaisquer outros bens (ou seja, os outros insumos) necessários para a industrialização do produto geram direito ao crédito, haja vista que a lei inclui expressamente o crédito sobre combustíveis e lubrificantes, que, na maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários (art. 3º, II, da Lei n.° 10.833/2003). Contesta a desconsideração de créditos provenientes das despesas com corretagem e outros fretes. Diz que a Lei n.º 10.833/2003 padece de certos vícios pois listou hipóteses taxativas de tomadas de créditos, deixando de fora urna série de notórias despesas inerentes c necessárias à atividade empresarial, ainda mais depois da edição da Emenda Constitucional nº 42/2003, que não teria previsto hipóteses de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.003308/200782 Acórdão n.º 330201.116 S3C3T2 Fl. 2 3 restrição. Assim, diante do considerável aumento da alíquota, entende que a incidência da COFINS nãocumulativa sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da denominação ou classificação contábil (art. 1º, § 1º, da Lei n.° 10.833/03), deve ser neutralizada pela concessão de créditos, os quais devem ser calculados sobre a totalidade dos custos/despesas inerentes à atividade da pessoa jurídica. Por isso, requer seja levado em conta o crédito proveniente dos gastos com corretagem, já que, além de inexistir expressa restrição na lei, a corretagem é inerente à consecução da atividade econômica empresarial. Também, argumenta que não há qualquer fundamento para vedar os créditos oriundos de valores de frete relativos ao transporte de produtos entre seus estabelecimentos (no caso, do parque fabril [matriz] para depósitos [filiais]), sejam estes destinados à venda ou à industrialização, posto que tais transportes seriam etapas essenciais à sua atividade econômica c, portanto, os gastos correlatos devem ser computados no cálculo dos créditos. Reclama a atualização do valor do Pedido de Ressarcimento mediante a aplicação da taxa SELIC a partir do protocolo do referido pedido, conforme art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95 e jurisprudência dominante dos tribunais administrativos. Pelo exposto, requer seja reconhecido o direito ao ressarcimento pleiteado na inicial”. A DRJ, por unanimidade de votos, não acolheu as razões da manifestação de inconformidade, em acórdão com a seguinte ementa: “BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do COFINS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à COFINS, por falta de previsão legal. Solicitação Indeferida”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, repisando os mesmos argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No tocante as glosas de créditos concernentes aos serviços de corretagens e outros fretes, conforme se verá adiante, não assiste razão à Recorrente.. Em sua defesa, a Recorrente parte de um equivocado conceito de insumo empregado na Lei nº 10.833/03 para fins de aproveitamento de crédito de Cofins, pois defende que além dos insumos que se integram ao produto final (matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem), quaisquer outros bens necessários para a industrialização do produto geram direito ao crédito. Afirma que a lei ao incluir expressamente o crédito sobre combustíveis e lubrificantes (materiais mormente auxiliares ou intermediários) estende o creditamento aos demais materiais utilizados, direta ou indiretamente, no processo produtivo. A propósito, vejamos o que reza(va) a lei nº 10.833/03 quanto aos créditos que podem ser descontados, in litteris: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008)(Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.003308/200782 Acórdão n.º 330201.116 S3C3T2 Fl. 3 5 III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Da leitura dos excertos acima defluise, com relação aos insumos e ponderado as exceções, que só é permitido o desconto de créditos relativos a bens e serviços, utilizados como insumos consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos destinados à venda. A lei ao se referir a “... inclusive combustíveis e lubrificantes...”, o faz a título de exceção; esta menção, ao contrário do que prega a Recorrente, em absoluto, estende o creditamento além das exceções que enumera. Quaisquer outros Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Destarte, as despesas realizadas com os bens e serviços em apreço não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo, ou por falta de expressa previsão legal, ou, ainda, por existir expressa vedação legal. No que tange a pretensão da recorrente em incidir a taxa selic no valor do ressarcimento pleiteado, o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a atualização monetária ou a incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento, vejamos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, há proibição legal para a incidência de juros, calculado pela selic ou por outro índice qualquer, no ressarcimento de Cofins nãocumulativa. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 18471.002033/2002-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano calendário:1998
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. A tributação do IR-Fonte por pagamento sem causa, não se confunde com a
glosa de despesas, por falta de comprovação da necessidade, ainda que baseados nos mesmos elementos de prova. Toda a constatação de que a empresa efetivamente realizou os pagamentos, não autoriza, por si só, a tributação do IR-fonte com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.441
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva acompanha o relator pelas conclusões. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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PAGAMENTO SEM CAUSA Recorrente FARRULA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1998 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. A tributação do IRFonte por pagamento sem causa, não se confunde com a glosa de despesas, por falta de comprovação da necessidade, ainda que baseados nos mesmos elementos de prova. Toda a constatação de que a empresa efetivamente realizou os pagamentos, não autoriza, por si só, a tributação do IRfonte com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva acompanha o relator pelas conclusões. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002033/200283 Acórdão n.º 140200.441 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório FARRULA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo do auto de infração de fls 57/60, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, do qual o sujeito passivo foi cientificado em 13/09/2002 – (fls 57), consubstanciando exigência do imposto sobre a renda retido na fonte no valor de R$ 18.847,38, multa de 75% e demais acréscimos moratórios. Conforme descrição dos fatos de fls 48, a partir de exames efetuados na contabilidade da interessada, constatouse que a mesma utilizavase de um só cheque para efetuar diversos pagamentos e que tais pagamentos eram associados a comprovantes (notas fiscais e cupons fiscais) sem a identificação do comprador e, em alguns casos, dos bens adquiridos (veículos, lanches, refeições, etc). Diante de tal constatação, foi lavrado o termo de fls 37 e seguintes, que explicita as saídas financeiras cujos respectivos documentos não possuíam a especificação dos destinatários. Em resposta ao referido termo, a interessada formalizou a entrega da carta de fls 45, na qual relata que teriam sido glosadas notas fiscais simplificadas de restaurantes e bares, de fornecimento de cópias xerox, combustíveis, referentes a pedágios e a serviços de cartório. Por fim, informa ainda que, conforme demonstrativo de fls 46/47, concordaria com parte das despesas que foram objeto da autuação. A partir dos fatos relatados foram constituídas as exigências tributárias relativas a glosa de despesas (IRPJ) e ao IRRF . Esta última, formalizada nos autos do presente processo, teve como fundamentação fática a contabilização de pagamentos a beneficiários não identificados e sem a comprovação da causa que os teria originado. O enquadramento legal da autuação, aposto às fls 58, é o art 61 da Lei 8.981/1995. Fatos geradores e bases de cálculo discriminados, também, às fls 58. Às fls 38/43 consta demonstrativo das bases de cálculo apuradas. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls 68/69, na qual requer perícia (fls 80) e solicita o cancelamento da exação pelas seguintes razões : o lançamento trata de benefícios indiretos que decorrem da glosa de despesas legítima e regularmente incorridas; na falta de veículos suficientes à prestação dos serviços, são utilizados veículos de propriedade dos sócios; os gastos com lanches e refeições são despesas operacionais, necessárias e dedutíveis, independentemente da irregularidade dos documentos; as despesas em questão foram de pequenos valores, geralmente incorridas em horários noturnos e em fins de semana; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002033/200283 Acórdão n.º 140200.441 S1C4T2 Fl. 0 3 os gastos com veículos utilizados no desempenho das atividades operacionais, ainda que de propriedade de terceiros, são dedutíveis; descabida a tributação exclusiva na fonte à título de benefícios indiretos; conforme IN 74/89, algumas das despesas glosadas, pelo seu valor diminuto, haveriam de ser acolhidas independentemente de comprovação; dada a sua natureza remuneratória, a taxa selic é inaplicável aos débitos tributários. A decisão recorrida está assim ementada: Ementa: PAGAMENTOS SEM IDENTIFICAÇÃO DA CAUSA E RESPECTIVO BENEFICIÁRIO. Ratificase a exigência tributária quando permanecem não demonstradas as causas e os beneficiários das saídas financeiras. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Conforme art 13 da Lei 9.065/1995 e art 61 § 3º da Lei 9.430/1996, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do sistema especial de liquidação e custódia Selic acumulada mensalmente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, nos seguintes termos. DESPESA OPERACIONAL Na medida em que a empresa recorrente tem como atividade principal a colocação de pisos especiais, cujo trabalho é desempenhado após o horário comercial e que, para isto, utilizase de veículos de propriedade dos sócios, os gastos com lanches, refeições, diárias e combustível revelam despesas operacionais dedutíveis. É que, desde que comprovada sua efetiva ocorrência, bem como sua necessidade, tais despesas hão de ser consideradas operacionais e, por conseguinte dedutíveis. Todavia, o que se discute é a regularidade da documentação apresentada. E, conforme salientou o presidente da Turma em sua declaração de voto: "Não deve ser excessivamente rígido o critério para a admissão da dedutibiiidade de despesa. Nem sempre a comprovação documentai é a única forma de se aferir a necessidade e a normalidade dos custos incorridos. A razoabiiidade e a permanência dentro de certos limites aliadas a comprovantes que, embora desprovidos de alguns dos requisitos exigidos, sirvam para denotar a motivação dos dispêndios constituem um critério que não pode ser desprezado. À guisa da de ilustração, as despesas de táxi e com publicações adquiridas em banca da jornal sabidamente padecem de falta de comprovantes e, no entanto, são, em geral, admitidas, desde que em valores moderados". Nesse sentido, aliás, o Conselho de Contribuintes tem se manifestado: NOTAS FISCAIS SIMPLIFICADAS (CONDUÇÃO E REFEIÇÕES) Comprovando a pessoa jurídica, por qualquer meio lícito de prova, que o gasto com a condução e lanches e refeições existiu e se trata de despesa norma! ou usual no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002033/200283 Acórdão n.º 140200.441 S1C4T2 Fl. 0 4 ainda que mediante simples notas fiscais simplificadas, não há como se glosar tai gasto. É de se aplicar o critério da razoabiiidade para se admitir gastos de difícil comprovação, mas inerentes a atividade da empresa (Ac. Io CC 1056.846/92 DO 10/10/96). (...) Ora, por atuar na colocação de pisos especiais em horários não convencionais (após horário comercial e fins de semana) é que tem despesas de lanches e refeições ligeiras em bares e restaurantes populares. Outrossim, algumas das despesas glosadas, por serem de pequena monta, deveriam ser acolhidas, independentemente de comprovação, pelo disposto na Instrução Normativa SRF n° 74/89. Com efeito, não se justifica a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Por outro lado, não há que se falar na indedutibilidade das despesas efetuadas a título de combustíveis por não ser, a interessada, proprietária dos veículos que se utiliza e não constar na nota fiscal o veículo abastecido. É que, os veículos utilizados estão diretamente relacionados com a atividade da interessada. Notese que, para a prestação do serviço, é não só necessário, mas imprescindível o uso de veículo para transportar seu material. Assim, por guardar estrito relacionamento com a atividade explorada, as despesas com combustível são dedutíveis. O próprio Conselho de Contribuintes entende da mesma forma: (...) Ademais, de acordo com a declaração de voto do Presidente da Turma a quo: "A não indicação nas respectivas notas fiscais do veículo abastecido não é requisito essencial para a dedutibilidade da despesa. E o fato de a interessada não ser proprietária de veículos não implica a indedutibiiidade de despesas com a aquisição de combustíveis e lubrificantes automotivos. Afinal, os veículos locados e arrendados também necessitam de combustíveis e lubrificantes para desempenharem com eficiência as suas funções. E se são admitidas, como operacionais, as despesas com combustíveis e lubrificantes destinados a veículos locados e arrendados, é forçoso admitir que elas são também operacionais quando os combustíveis e lubrificantes abastecem veículos a título não oneroso, como é o caso em questão. Segundo a impugnação, os veículos dos proprietários da interessada são muitas vezes utilizados nas atividades dela.” Notese, ainda, que obstada a dedutibilidade das despesas efetivamente incorridas, tributarseá o patrimônio e não a renda, o que é fato econômico absolutamente estranho ao IRRF Inclusive a tributação exclusiva na fonte, não deve ser aplicada a titulo de benefícios indiretos. Portanto, deve ser decretada a improcedência do lançamento perpretrado.. OS JUROS SELIC Outrossim, os juros de mora apurados com base na taxa referencial SELIC não poderiam ser exigidos; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002033/200283 Acórdão n.º 140200.441 S1C4T2 Fl. 0 5 Isso porque, criada pelo Conselho Monetário Nacional, através da Resolução n° 1.124, de 15.06.86, a taxa Selic seria o indicador da taxa média de juros que remunera o capital investido nos Títulos de Divida Pública; Noutras palavras, a taxa Selic seria, tão somente, o juro remuneratório dos Títulos da Dívida Pública; (...) O PEDIDO Isto posto, demonstrada a insubsistência dos lançamentos havidos pela autoridade fiscal e acolhidas pela autoridade julgadora da Ia instância, a FARRULA LTDA. requer seja dado provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO ora interposto e, por conseguinte, seja determinado o arquivamento no auto de infração correspondente, na forma de Direito. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002033/200283 Acórdão n.º 140200.441 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, alem de glosar diversas despesas contabilizadas pelo contribuinte, por insuficiência de comprovação, o Fisco ainda lançou o IRFonte sobre os valores dos cheques emitidos para pagar tais despesas, por entender se tratar de pagamento seu causa. O processo nº 18471.001973/200255, relativo a exigência do IRPJ e CSLL sobre essas mesmos valores em razão da glosa das despesas, foi julgado por esta mesma Turma, acórdão nº 140200.411 de 28/1/2011. Vejamos sua ementa e um pequeno trecho da fundamentação: GLOSA DE DESPESAS. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O fato de as despesas serem de pequena monta e de possível relacionamento com a atividade da empresa não elide a necessidade de que sejam observados os aspectos formais para sua comprovação. (...) Na analise do autos formei convencimento de que, no presente caso, cabe razão ao Fisco. Com a devida vênia, a empresa foi negligente no tratamento dessas despesas e não há segurança para afirmar que os gastos foram mesmo incorridos nas atividades empresariais. O fato de as despesas serem de pequena monta e de possível relacionamento com a atividade da empresa não elide a necessidade de que sejam observados os aspectos formais para sua comprovação. No julgamento daquele processo firmei convencimento de que os gastos foram incorridos, mas que não houve prova hábil por parte da contribuinte que se tratavam de dispêndios das atividades da empresa. O ônus da prova, naquele caso era da contribuinte. Todavia, em relação a exigência do IRFonte, com fulcro no artigo 61 da Lei 8.981/1995, entendo que não cabe razão ao Fisco. De fato, os pagamentos foram realizados e os recursos saíram do patrimônio da empresa. Tanto assim que foi identificada a emissão de cheques para esse fim (fls. 31/44). Ocorre que, em principio, os cheques foram mesmos destinados ao pagamento dessas despesas. O Fisco em nenhuma passagem dos autos faz prova tampouco inferência que os cheques tiveram outra destinação. O próprio fato de serem dezenas de cheques de pequena monta e valores diversos induzem à convicção de que foram mesmos utilizados para o pagamento dessas despesas. Logo, não se sustenta a alegação de que se trata de pagamento sem causa. De igual forma os beneficiários estão todos identificados. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 18471.002033/200283 Acórdão n.º 140200.441 S1C4T2 Fl. 0 7 Por seu turno, a fiscalização nada mais apurou em relação a tais pagamentos, a exigência do IRFonte se deu mesmo em função da própria glosa das despesas, que repito: foi mantida em face da insuficiência de comprovação. A prevalecer tal entendimento, qualquer glosa de despesa dessa mesma ordem ensejaria a exigência do IRFonte por pagamento sem causa. Fosse essa a exegese da norma, estaria contida no texto do dispositivo legal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001321/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Exercícios 2006 e 2007
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. A partir do exercício de 1995, a entrega extemporânea da
declaração de rendimentos sujeita-se à aplicação da multa prevista no artigo 88 da Lei 8.981/1995.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A base de cálculo da multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual é o Imposto Devido, apurado antes da compensação com o tributo.
Impossível se igualar os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.118
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. A partir do exercício de 1995, a entrega extemporânea da declaração de rendimentos sujeitase à aplicação da multa prevista no artigo 88 da Lei 8.981/1995. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A base de cálculo da multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual é o Imposto Devido, apurado antes da compensação com o tributo. Impossível se igualar os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) EDITADO EM: 30/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene e presente a conselheira Eivanice Canário da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foram lavradas as Notificações de Lançamento (fls. 12, 16, 17 e 21) em decorrência do atraso na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, exercícios 2006 e 2007, com aplicação das respectivas multas nos valores de R$ 3.796,82 (três mil, setecentos e noventa e seis reais e oitenta e dois centavos) e R$ 1.237,35 (mil, duzentos e trinta e sete reais e trinta e cinco centavos). O recorrente apresentou impugnação questionando aspectos diversos do motivo que enseja as notificações de lançamento, ou seja: da multa por atraso nas entregas das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física dos exercício 2006 e 2007. Em relação ao assunto objeto da notificação, alega que “o disposto no artigo 964, inciso I, alínea “a” do RIR é contraditório – porque colide com a alínea “a” do inciso II do mesmo artigo a qual dispõe: ‘...de que não resulte imposto devido.’ – sendo imoral visto que há imposto a restituir”. Argumenta também o impugnante que “cabe apenas a referida penalização de R$ 165,74 (alínea “a”, inciso II, art. 964, RIR/2006) atualizada monetariamente, pois se trata, face a situação credora do Contribuinte, de multa regulamentar não proporcional a valor e sobre a qual deve incidir os 17 meses de atraso”. A 9ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O voto foi fundamentado no artigo 7º da Lei nº 9.250, de 1995, que determina a entrega da declaração de rendimentos da pessoa física até o último dia do mês de abril do anocalendário subsequente ao da percepção dos rendimento; no artigo 1º da IN SRF nº 616, de 2006, que dispõe sobre a obrigatoriedade de apresentação declaração referente ao exercício 2006; e no artigo 1º da IN SRF nº 716, de 2007, que dispõe sobre a obrigatoriedade de apresentação declaração referente ao exercício 2007. Em relação cálculo das multas aplicadas, o relator apresentou seu voto fundamentado na Lei nº 8.981 (art. 88, I) e na Lei nº 9235 (art. 27), que determinam a aplicação da multa sobre o valor do imposto devido na declaração de ajuste, ou seja, antes de feita a compensação com o imposto já pago. O contribuinte tomou ciência do julgamento em primeira instância no dia 8 de agosto de 2008 (fl. 61) e apresentou recurso voluntário no dia 2 do mês subsequente (fls. 23 e 24), alegando que, como se trata de multa tipicamente regulamentar, o seu valor deve ser fixo – não relacionado com renda, fato gerador, ou qualquer outro referencial, muito menos “imposto devido”; e que o valor a ser cobrado incide sobre a multa regulamentar fixa, de R$ 165,74, conforme o cálculo abaixo, que importaria o total das multas no valor de 367,93. Para chegar nesse valor, demonstra na seguinte fórmula o cálculo efetuado: a) no anocalendário 2005: 17% x 165,74 = 193,91; b) no anocalendário 2006: 0,5 x 165,74 = 174,02. Requer, por fim, “a anulação de decisão recorrida”. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13884.001321/200750 Acórdão n.º 210201.118 S2C1T2 Fl. 66 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso dentro do prazo regulamentar. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve multa por atraso na entrega das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2006 e 2007. Exigência da entrega da declaração de rendimentos está amparada Lei nº 9.250/1995 (art. 7º). A multa por atraso na entrega da declaração descrita no artigo 88 da Lei nº 8.981/1995 e o artigo 27 da Lei nº 9.532/1997. Vejamos o que diz os dispositivos: Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. (...) Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. De acordo com a legislação corrente, a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo sujeita a pessoa física à multa. No caso em questão, como maior que o mínimo estipulado, essa multa é calculada em função do imposto devido, limitada a 20% (vinte por cento). O cálculo, em cada notificação, foi efetuado com base no número de meses em atraso multiplicado pelo valor do imposto devido. A base de cálculo do imposto devido é encontrado no artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, como sendo a diferença entre as somas: (i) de todos os rendimentos percebidos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 4 durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; e (ii) das deduções dos pagamentos efetuados, no anocalendário, autorizado por lei. Para a apuração do valor do imposto de renda devido na declaração aplicase sobre a base de cálculo do imposto devido as alíquotas estipuladas na tabela progressiva constante do artigo 11 da Lei nº 9.250, de 1995, excluída a parcela a deduzir. Isso ocorre antes das compensações com o imposto pago (retido na fonte, carnêleão, imposto complementar). Portanto, não há como se igualar ao conceito de imposto a pagar. O contribuinte, conforme comprovantes de rendimentos anexados às folhas 10 e 11, obteve rendimentos que o obrigavam a entrega das declarações de rendimento, nos termos da Instruções Normativas nº 616, de 2006, que dispõe sobre a obrigatoriedade de apresentação declaração referente ao exercício 2006, e da Instrução Normativa nº 716, de 2007, que dispõe sobre a obrigatoriedade de apresentação declaração referente ao exercício 2007. Portanto correta a aplicação das multas por atraso na entrega das declarações de rendimento sobre os valores de imposto devido em cada exercício. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 31/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.003074/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2003
COFINS E PIS. EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. ERRO DE
IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Lançamento efetuado em nome de empresa inexistente de fato representa erro
na identificação do sujeito passivo, contrariando o art. 142 do CTN.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-000.875
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2003 COFINS E PIS. EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Lançamento efetuado em nome de empresa inexistente de fato representa erro na identificação do sujeito passivo, contrariando o art. 142 do CTN. Recurso de Ofício Negado
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EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Lançamento efetuado em nome de empresa inexistente de fato representa erro na identificação do sujeito passivo, contrariando o art. 142 do CTN. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 1170DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.131 2 Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão no 0336.326, de 09 de abril de 2010, da 2ª Turma da DRJ/BSB (fls. 448 a 456), que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro a julho de 2003, considerou procedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O lançamento foi efetuado com erro na identificação do sujeito passivo, contrariando o art. 142 do CTN ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento do PIS o decidido para o lançamento da Cofins, vez que decorrente dos mesmos fatos e amparado nos mesmos elementos de prova. Impugnação Procedente O auto de infração foi lavrado em 17 de abril de 2008, de acordo com o termo de fls. 341 a 364. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratam os autos de lançamentos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, consubstanciados nos autos de infração às fl. 341 a 364, referente ao ano calendário 2003, com crédito tributário total de R$ 8.350.212,17, assim distribuído: • Cofins – R$ 5.465.751,69 • PIS – R$ 2.884.460,48 Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias , foram apuradas as seguintes infrações: • COFINS – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS • PIS (FATURAMENTO) – INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS Ao analisar os livros contábeis da empresa, a fiscalização passou a indagar sobre a falta de declaração para a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB do faturamento de janeiro a julho de 2003, pois foi constatado que a empresa não o declarou nem na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Fl. 1171DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.132 3 Pessoa Jurídica – DIPJ exercício 2004, anocalendário 2003, e tampouco na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Durante o curso da ação fiscal, foram efetuadas as seguintes constatações: • O GRUPO SANTA CRUZ é controlador da rede de Supermercados Marcos em Goiânia. • A primeira pessoa jurídica a ser criada, em 16/09/1988, foi a SOL NASCENTE COMERCIAL DE SECOS E MOLHADOS, CNPJ 24.792.236/000176, tendo apresentado regularmente suas declarações até o anocalendário de 1997. Entre o anocalendário 1998 a 2002, informou em suas declarações estar inativa. Em agosto de 2003, a empresa ressurge, declarando um pequeno faturamento entre agosto e dezembro de 2003. • A segunda pessoa jurídica a ser criada, em 01/09/1997, foi a Santa Cruz Importação e Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 02.114.686/000177, doravante tratada como SANTA CRUZ I. Esta empresa passou a gerir a rede Supermercado Marcos, dando continuidade às atividades da inativa SOL NASCENTE COMERCIAL DE SECOS E MOLHADOS LTDA. A SANTA CRUZ I entregou a declaração de inativa para o ano calendário de 2003, e não apresentou DCTF no período. • A terceira pessoa jurídica foi criada também com o nome empresarial de Santa Cruz Importação e Comércio de Alimentos Ltda (SANTA CRUZ II), CNPJ 06.155.411/000132, tendo os mesmos estabelecimentos filiais da rede Supermercado Marcos, endereço de matriz e filiais e sócios iguais que SANTA CRUZ I. A SANTA CRUZ II apresentou a DIPJ 2004/2003, só com dados cadastrais e declarou em DCTF débitos a partir de agosto de 2003. • Nenhuma das três pessoas jurídicas declarou à RFB faturamento no período de janeiro a julho de 2003, sendo que para a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, foi informado na Declaração Periódica de Informações DPI (fls. 128 a 179), faturamento em todos os meses de 2003, no CNPJ da SANTA CRUZ II. • Os valores declarados na DPI da SANTA CRUZ II, separados por estabelecimentos filiais, estão de acordo com o Livro Razão (fls. 180 a 323) da empresa SANTA CRUZ I. • A Demonstração do Resultado do Exercício de 12/8/2003 a 31/12/2003 foi elaborada com os dados da SANTA CRUZ II. Fl. 1172DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.133 4 Quanto às observações acima, a SANTA CRUZ II informou que iniciou suas atividades em agosto de 2003 e que não possui relações com as empresas SOL NASCENTE COMERCIAL DE SECOS E MOLHADOS LTDA e SANTA CRUZ I. Em decorrência da resposta, para firmar a relação entre as empresas SANTA CRUZ I e SANTA CRUZ II, a fiscalização lavrou o “Termo de Solicitação de Esclarecimentos” (fls. 51 e 52), que além de indicar as questões anteriormente citadas, acrescenta: • No primeiro Contrato Social de Consolidação da SANTA CRUZ I, a sede da empresa estava se transferindo, a partir de 01/03/2000, de Belém – PA, para a Rua 06, nº 146, Setor Centro Oeste, GoiâniaGO, mantendo esse endereço até hoje. Também é esse endereço o que consta no Contrato Social de Constituição da SANTA CRUZ II. • Na data de abertura da SANTA CRUZ II, suas filiais são exatamente as mesmas da SANTA CRUZ I. • Durante o anocalendário de 2003, a contabilidade das empresas SOL NASCENTE COMERCIAL DE SECOS E MOLHADOS LTDA, SANTA CRUZ I E SANTA CRUZ II foi efetuada pelo mesmo contador, o Sr. Marcelo Ricardo Moura, conforme comprovado na DIPJ dessas empresas (fls. 69 a 96). A contabilização das empresas foi efetuada com o mesmo plano de contas, e o Livro Razão teve no seu termo de abertura e encerramento o mesmo CNPJ (da empresa SANTA CRUZ II) durante todo o ano. A fiscalizada não apresentou qualquer resposta ao Termo de Solicitação de Esclarecimentos. Em relação à escrita contábil e fiscal da litigante, a fiscalização solicitou os livros fiscais e contábeis de 2002 a 2007, cabendo destacar o seguinte: • 2003: o Diário e Razão: Já estavam retidos na RFB, em decorrência da diligência que deu origem ao processo nº 10120.006500/200565, os livros da SANTA CRUZ I, do período de janeiro a julho de 2003. Foram apresentados os livros da SANTA CRUZ II, do período de agosto a dezembro de 2003, embora nos termos de abertura e encerramento do Livro Razão, constasse o CNPJ da SANTA CRUZ I. • 2004: Foi apresentado pela empresa requerimento junto à Delegacia Estadual de Repressão de Crimes Contra a Ordem Tributária – Fl. 1173DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.134 5 DOT para a cópia ou retirada dos Livros de Apuração do ICMS de 2003 e 2004, por terem sido apreendidos em 25/11/2005. A fiscalização também solicitou à DOT cópia de tais livros, entretanto, a solicitação não foi atendida. • Por falta de escrituração contábil, ficou inviável a realização de verificações obrigatórias dos anos de 2006 e 2007. Quanto à utilização do CNPJ da SANTA CRUZ II no lançamento de ofício da Cofins e PIS de janeiro a julho de 2003, a fiscalização apresenta os seguintes argumentos: • A pessoa jurídica SOL NASCENTE COMERCIAL DE SECOS E MOLHADOS LTDA esteve inativa desde 1998, renascendo apenas em 12/08/2003, exclusivamente para incorporar a empresa SANTA CRUZ I. • A pessoa jurídica SANTA CRUZ I declara na DIPJ que esteve inativa do início do anocalendário de 2003 até a data da incorporação. Não declara nada na DCTF e nenhum faturamento para débito do ICMS perante a SefazGO, durante todo o anocalendário de 2003. • A pessoa jurídica SANTA CRUZ II: Declara, na DPI, à SefazGO, que a empresa está ativa entre 01/01/2003 a 12/08/2003. Afirma não conhecer tal declaração e que irá enviar ofício à SefazGO neste sentido. Intimada a esclarecer se teria ou não enviado tal ofício, através do Termo de Solicitação de Esclarecimentos (fls. 51 e 52), não apresenta qualquer resposta. A alegação de que a empresa só teria iniciado suas atividades em 12/08/2003 é contestada por diligência da RFB, onde se constata a irregularidade no registro do Contrato Social na junta comercial, e conseqüentemente, na obtenção do CNPJ, conforme processo 10120.006500/200565, apensado aos autos. A alegação de que não teria qualquer relação com as empresas SOL NASCENTE COMERCIAL DE SECOS E MOLHADOS LTDA e SANTA CRUZ I não se sustenta, pois possuem a mesma sede, as mesmas filiais, e SANTA CRUZ I e II, também o mesmo nome e mesmos sócios. A base do lançamento da Cofins e do PIS foram os valores contábeis declarados à SefazGO, através da DPI (fls. 128 a 179), que são coincidentes com os valores declarados em sua escrituração contábil (fls. 180 a 323). A empresa fez a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ do anocalendário de 2003 pelo Lucro Real, portanto, deve apurar o PIS pelo regime da nãocumulatividade. Intimada a apresentar os créditos do PIS nãocumulativo do ano de 2003, Fl. 1174DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.135 6 apresentou apenas planilha de apuração dos meses de agosto a dezembro de 2003 (fls. 28 a 35). No período de janeiro a julho de 2003, não houve apresentação de DCTF ou DACON para nenhum dos três CNPJ. Cientificada pessoalmente dos lançamentos em 18/04/2008 (fls. 341 e 353), a empresa apresentada, em 20/05/2008, sua impugnação (fls. 384 a 396), onde contesta o feito fiscal apresentando os seguintes argumentos: • Não apresentou à SefazGO as DPI que foram utilizadas como base para os lançamentos. Seria impossível apresentar as DPI com o CNPJ da SANTA CRUZ II, pois este só foi expedido pela RFB em agosto de 2003. • A empresa SANTA CRUZ I foi incorporada pela SOL NASCENTE COMERCIAL DE SECOS E MOLHADOS LTDA, que atualmente se chama BMS Produtos Alimentícios Ltda (fls. 409 a 434). • Nulidade por erro de identificação do sujeito passivo. Duas empresas possuírem em momentos distintos a mesma denominação e quadro social não fazem delas uma mesma empresa. Não há vedação que impeça que após a extinção de uma pessoa jurídica o mesmo grupo de pessoas constitua nova sociedade com o mesmo nome da anterior. As empresas foram constituídas regularmente e a própria RFB expediu os CNPJ. Não é atribuição dos agentes do fisco a desconstituição dos atos jurídicos celebrados por particulares, a fim de estender os efeitos do lançamento para alcançar pessoas que não integram a relação jurídica tributaria original. Só se admite a ampliação dos efeitos do lançamento para alcançar terceiros, quando a lei expressamente imputa àqueles que tem relação com o fato gerador a qualidade de responsáveis tributários. • Nulidade por erro na apuração da base de cálculo. Foram incluídas na base de cálculo, não somente as receitas decorrentes de venda de mercadorias, mas também outros ingressos não classificados como faturamento, tais como as receitas provenientes de bonificações. Cita decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional o § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, por ser incompatível com a redação (primitiva) do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal de 1998. Fl. 1175DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.136 7 Também não foram excluídos do faturamento o valor dos produtos revendidos com alíquota zero ou isenção, nem aqueles que se sujeitam à tributação monofásica. Tal exclusão poderia ser efetuada, vez que o fisco estava de posse dos livros fiscais e contábeis da SANTA CRUZ I, referentes ao período de janeiro a julho de 2003. • Nulidade por erro na apuração do PIS A fiscalização deveria ter apurado os créditos do PIS não cumulativo em favor da contribuinte, visto que estavam em seu poder os livros fiscais e contábeis da SANTA CRUZ I, referentes ao período de janeiro a julho de 2003. • Erro na aplicação da penalidade A multa a ser aplicada deveria ser a moratória e não a de ofício, visto que os lançamentos foram efetuados com base em declarações e informações registradas nos livros fiscais da SANTA CRUZ I. Para justificar o cancelamento do auto de infração, por erro na identificação do sujeito passivo, a DRJ justificou o seguinte: Vêse que o lançamento foi equivocado, uma vez que identifica a empresa SANTA CRUZ II, como sujeito passivo. Ora, a parte final do relatório acima transcrito determina o cancelamento da inscrição no CNPJ da SANTA CRUZ II e da incorporação da empresa SANTA CRUZ I pela empresa SOL NASCENTE. Uma vez cancelados tais atos cadastrais, não resta dúvida de que o lançamento NÃO deveria ter sido efetuado em nome da empresa SANTA CRUZ II. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme transcrito no relatório, a Fiscalização entendeu que o lançamento deveria ser efetuado em nome da empresa denominada Santa Cruz II, pelos motivos abaixo expostos: A pessoa jurídica SOL NASCENTE COMERCIAL DE SECOS E MOLHADOS LTDA esteve inativa desde 1998, renascendo apenas em 12/08/2003, exclusivamente para incorporar a empresa SANTA CRUZ I. Fl. 1176DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.137 8 A pessoa jurídica SANTA CRUZ I declara na DIPJ que esteve inativa do início do anocalendário de 2003 até a data da incorporação. Não declara nada na DCTF e nenhum faturamento para débito do ICMS perante a SefazGO, durante todo o anocalendário de 2003. A pessoa jurídica SANTA CRUZ II: Declara, na DPI, à SefazGO, que a empresa está ativa entre 01/01/2003 a 12/08/2003. Afirma não conhecer tal declaração e que irá enviar ofício à SefazGO neste sentido. Intimada a esclarecer se teria ou não enviado tal ofício, através do Termo de Solicitação de Esclarecimentos (fls. 51 e 52), não apresenta qualquer resposta. A alegação de que a empresa só teria iniciado suas atividades em 12/08/2003 é contestada por diligência da RFB, onde se constata a irregularidade no registro do Contrato Social na junta comercial, e consequentemente, na obtenção do CNPJ, conforme processo 10120.006500/200565, apensado aos autos. A alegação de que não teria qualquer relação com as empresas SOL NASCENTE COMERCIAL DE SECOS E MOLHADOS LTDA e SANTA CRUZ I não se sustenta, pois possuem a mesma sede, as mesmas filiais, e SANTA CRUZ I e II, também o mesmo nome e mesmos sócios. Portanto, segundo a Fiscalização, as empresas Sol Nascente e Santa Cruz I estiveram inativas no período objeto do auto de infração e a empresa Santa Cruz II, na realidade, teria iniciado suas atividades anteriormente à sua constituição formal. Mas, com base no processo anexo ao presente, a DRJ concluiu que, pelo fato de ter sido proposto o cancelamento do CNPJ da Santa Cruz II e da incorporação da Santa Cruz I pela Sol Nascente, o lançamento não poderia ter sido efetuado em nome da Santa Cruz II. Do relatório constante do anexo VI do processo anexo, constam as seguintes observações (fl. 1085), com os devidos destaques: Analisando todos os fatos ocorridos e documentos apresentados, constatamos que o Grupo Santa Cruz, controlador da Rede de Supermercado Marcos, na cidade de Goiânia vem agindo de forma sintomática, abrindo e fechando empresas, tornandoas inativas, alterando o controle societário de empresas, encobrindo o nome dos verdadeiros responsáveis, alterando ficticiamente o domicílio tributário das empresas, forjando contratos sociais e certidões da Junta Comercial do Estado de Goiás, de forma a evitar o recolhimento de tributos federais. Tentaremos demonstrar neste relatório o histórico de como uma única pessoa jurídica de fato se transforma em três pessoas jurídicas no cadastro da Receita Federal. Fl. 1177DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.138 9 A primeira pessoa jurídica a ser criada foi a Sol Nascente Comercial de Secos e Molhados Ltda, CNPJ n° 24.792.236/000176, doravante tratada só como Sol Nascente, que conforme dados cadastrais pesquisados nos Sistemas da Receita Federal, a sociedade iniciouse em 16/09/1988, fl. 352. Até o ano calendário de 1997 entregou suas declarações de rendimentos à Receita Federal, de forma regular, sendo que a partir do ano calendário de 1998 até o ano calendário de 2002, informou em suas declarações que estava inativa (ver histórico das declarações entregues fls. 377/378). A partir do ano calendário de 2003 a empresa "renasceu" para incorporar outra grande empresa que vem a ser a Santa Cruz Importação e Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 02.114.686/000177, porém a empresa incorporada foi justamente a que havia sucedido a empresa Sol Nascente no controle das filiais da rede de estabelecimentos denominada Supermercado Marcos. [...] A terceira pessoa jurídica criada também tem o nome empresarial de Santa Cruz Importação e Comércio de Alimentos Ltda, doravante tratada como Santa Cruz II, porém conseguiu um número de CNPJ diferente da segunda pessoa jurídica. O CNPJ criado foi 06.155.411/000132. Este CNPJ foi criado em 14/08/2.003 e a partir desta data passou a ter os mesmos estabelecimentos filiais da rede denominada Supermercado Marcos e, pelo que se pode verificar da DIPJ 2005, ano calendário de 2004, fls 589/667, informou faturamento mais compatível com o porte da rede Marcos. Registrese, no entanto que esta terceira pessoa jurídica, Santa Cruz II, CNPJ 06.155.411/000132, não está constituída junto ao Registro de Comércio, tendo em vista a resposta ao Ofício n° 26/2004/Safis/DRF/GOI, fl. 04, cuja Certidão Específica, negando a existência do registro na Junta Comercial do Estado de Goiás, encontrase à fl. 06. [...] Quadro 01: Demonstrativo da Evolução das Empresas Empresa n° 1 (Sol Nascente) Empresa n° 2 (Santa Cruz I) Empresa n° 3 (Santa Cruz II) Sol Nascente Com de Secos e Molhados Ltda Santa Cruz Imp e Com de Alimentos Ltda Santa Cruz Imp e Com de Alimentos Ltda CNPJ: 24.792.236/0001 76 CNPJ: 02.114.686/000177 CNPJ: 06.155.411/000132 Abertura: 16/09/1988 Abertura: 01/09/1997 Abertura: 14/08/2003 Funcionamento regular até: Agosto/1997 Funcionamento regular até: Agosto/2003 Continua em atividade. Em agosto/2003, depois de uma longa inatividade, incorporou a empresa n° 2. Em agosto/2003 foi incorporada pela empresa n° 1. Continua em atividade. Fl. 1178DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.139 10 Em 2005 apresentou DIPJ informando faturamento "zero". Em 2005 apresentou faturamento compatível. [...] Em resumo, a primeira empresa Sol Nascente, CNPJ 24.792.236/000176, incorporou a segunda, Santa Cruz I, CNPJ 02.114.686/000177, somou todos os seus débitos e solicitou adesão ao parcelamento especial PAES, instituído pela Lei 10.684/2003. Em seguida, estando todos os débitos em nome das duas primeiras, criouse ficticiamente esta nova empresa, livre de débitos, transferindo a parte sólida da empresa anterior, ou seja os estabelecimentos supermercadistas, para esta nova empresa. Para completar a confusão ainda utilizou o mesmo nome empresarial, só criando um novo número de CNPJ. Portanto, o critério adotado pela Fiscalização foi o de que a Santa Cruz II continuaria em atividade, além dos fatos de as empresas apresentarem os mesmos estabelecimentos filiais, muito embora tenha sido reconhecido que a Santa Cruz II nunca teria sido, de fato, constituída. À vista do exposto, a única contraposição aos fundamentos do acórdão de primeira instância seria a aplicação ao caso de uma espécie de princípio da transcendência, considerandose que, por se tratar, na realidade, de uma única empresa, com várias denominações e constituições formais, a eleição de uma delas como sujeito passivo não implicaria a impossibilidade de sujeição passiva da empresa de fato existente. Para tanto, seria necessário apenas que os fatos relatados fossem suficientes para abranger atos praticados pela empresa de fato e que a sua ciência fosse dada aos sócios efetivos da empresa. Nesse contexto, considerarseia que todos os vícios de aspectos formais relativos à identificação do sujeito passivo poderiam ser superados pelos seus aspectos materiais. Entretanto, no caso dos autos, a sucessão de eventos no tempo impede que seja aplicado tal critério, pois a empresa identificada como sujeito passivo sequer foi constituída de fato. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 1179DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.003074/200851 Acórdão n.º 330200.875 S3C3T2 Fl. 1.140 11 Fl. 1180DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10183.000122/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1996 a 31/01/1999
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º
do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por
homologação. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Os fatos geradores analisados estão atingidos pela decadência por quaisquer das regras de dies a quo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Os fatos geradores analisados estão atingidos pela decadência por quaisquer das regras de dies a quo. Recurso Voluntário Provido.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0120.10443.SL4P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 2DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0120.10443.SL4P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.000122/200814 Acórdão n.º 2301002.104 S2C3T1 Fl. 273 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima qualificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social e ao Sat/Rat, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, e a destinadas a Outras Entidades. Conforme Relatório Fiscal (fls. 28), o fato gerador das contribuições previdenciárias devidas é a comercialização da produção rural calculadas sobre a receita bruta de vendas no mercado interno, que foram verificadas através de inspeção física das notas fiscais de saída, confrontadas com os livros de registros de mercadorias e livros contábeis Diário e Razão (levantamento CPR). A recorrente apresentou defesa alegando, em apertada síntese, nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, decadência do débito e inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC ao caso presente. Por meio do Acórdão 0415.725, da 3a Turma da DRJ/CGE ,a Secretaria da Receita Federal do Brasil, (fls. 254), julgou o lançamento improcedente, reconhecendo a decadência total do débito, e recorrendo de ofício a este Conselho. Cientificada do inteiro teor do Acórdão da primeira instância, a empresa notificada se manifestou (fls. 265), requerendo a extinção do crédito lançado, tendo em vista o que dispõe a súmula 08 do Supremo Tribunal Federal, emitida em 12.06.2.008. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0120.10443.SL4P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande recorre de ofício a este Conselho da decisão exarada por meio do Acórdão nº 0415.725, da 3a Turma da DRJ/CGE, de 29/10/2008, que julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD improcedente.. O Relator do Acórdão da primeira instância administrativa acatou a alegação trazida na impugnação de que ocorrera a decadência total do débito, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN. De fato, a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após Fl. 4DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0120.10443.SL4P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.000122/200814 Acórdão n.º 2301002.104 S2C3T1 Fl. 274 5 o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 5DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0120.10443.SL4P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Verificase, dos autos, que houve a antecipação de parte da contribuição devida pela notificada, caso em que se aplica o dispositivo legal citado acima. Considerando que a ciência da NFLD pelo sujeito passivo se deu em 14/12/2007, conforme AR de fls. 170, e que o débito se refere às competências compreendidas no período de 04/2000 a 10/2001, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Observase que o débito estaria decadente mesmo pela regra contida no art. 173, I, também do CTN Dessa forma, assiste razão à autoridade julgadora de primeira instância administrativa ao julgar o presente lançamento improcedente. Nesse sentido e, CONSIDERANDO: tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 6DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.0120.10443.SL4P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS em 04/10/2011 10:53:22. Documento autenticado digitalmente por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS em 04/10/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCELO OLIVEIRA em 13/10/2011 e BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS em 04/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 02/01/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP02.0120.10443.SL4P Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0E04A8BBFA7DAD99FC73ADC8E8A0A6359C98CCD3 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10183.000122/2008-14. 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Numero do processo: 37169.000433/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 22/03/2005
Ementa:
MATRÍCULA DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL
Constitui infração deixar a empresa de matricular obra de construção civil de sua responsabilidade no prazo de 30 dias do início das atividades. Artigo 49, § 1º, alínea “b”, da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.828
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/03/2005 Ementa: MATRÍCULA DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL Constitui infração deixar a empresa de matricular obra de construção civil de sua responsabilidade no prazo de 30 dias do início das atividades. Artigo 49, § 1º, alínea “b”, da Lei n.º 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37169.000433/200656 Acórdão n.º 230200.828 S2C3T2 Fl. 114 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração lavrado em 22/03/2005, em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 49, inciso II, parágrafo 1 , letra “b”, da Lei n. 8.212/91, por ter deixado de matricular, junto ao INSS, obra de construção civil de sua propriedade, no prazo de trinta dias do seu início, em 06/2002, conforme consta das folhas de pagamento da empresa, relativas à remuneração da obra. Após a apresentação de defesa, DecisãoNotificação pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega que a infração foi sanada pelo próprio fiscal, que procedeu à matrícula da obra, devendo a multa ser relevada. Alega que a correção da falta pelo fiscal inviabilizou a providencia pela notificada, devendo o ato ser anulado. Requer a procedência do recurso. A DRP ofereceu as contrarazões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização da autuação não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37169.000433/200656 Acórdão n.º 230200.828 S2C3T2 Fl. 115 5 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao mérito do lançamento, é obrigação da empresa matricular no INSS obra de construção civil de sua propriedade, dentro do prazo legal de trinta dias contados do início da mesma.conforme disposto no artigo 49, §1º, alínea “b” da Lei n.º 8.212/91. O INSS procederá à matrícula de obra de construção civil, mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de 30 dias contados do início de suas atividades. No caso presente, a fiscalização constatou que a obra iniciou em 06/2002, de acordo com os registros constantes das folhas de pagamento da autuada, mas não foi efetuada a matrícula da mesma, de forma que se mostrou procedente a autuação, nos termos da legislação acima citada: Art. 49. A matrícula da empresa será feita: (...) II perante o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no prazo de 30 (trinta) dias contados do início de suas atividades, quando não sujeita a Registro do Comércio. § 1º Independentemente do disposto neste artigo, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS procederá à matricula: a) de ofício, quando ocorrer omissão; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 b) de obra de construção civil, mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo do inciso II. (...) § 3º O não cumprimento do disposto no inciso II e na alínea "b" do § 1º deste artigo, sujeita o responsável a multa na forma estabelecida no art. 92 desta Lei. Assim, ao efetuar a matrícula de ofício, a fiscalização apenas cumpriu a legislação vigente, sendo totalmente improcedente a alegação da recorrente de que a infração foi sanada e tem direito à relevação da multa. O artigo 291,§1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com a redação vigente à época da lavratura do auto de infração, disciplina a relevação da multa, que ocorrerá quando cumpridos todos os requisitos necessários, dentre eles, a correção da falta pelo infrator, o que, efetivamente, não ocorreu no caso em tela, não havendo, pois, que se falar em relevação da multa. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002384/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004, 2005
Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DO IMPOSTO LANÇADO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Para se imputar ao contribuinte uma omissão de rendimentos, com apuração do imposto correspondente, mister demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na forma do art. 142 do CTN. Ora, não se concebe como se pode imputar uma omissão de rendimentos recebidos do exterior, quando não se
sabe quem foi a fonte pagadora, qual a origem ou a causa dos pretensos rendimentos, como ocorreu no caso vertente.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.240
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DO IMPOSTO LANÇADO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Para se imputar ao contribuinte uma omissão de rendimentos, com apuração do imposto correspondente, mister demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na forma do art. 142 do CTN. Ora, não se concebe como se pode imputar uma omissão de rendimentos recebidos do exterior, quando não se sabe quem foi a fonte pagadora, qual a origem ou a causa dos pretensos rendimentos, como ocorreu no caso vertente. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/05/2011 Fl. 171DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte LI JIN YUE, CPF/MF nº 217.949.05855, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 17/03/2008, auto de infração (fls. 02 a 12), com ciência postal em 24/03/2008 (fl. 136), a partir de ação fiscal iniciada em 15/02/2008 (fl. 1). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 42.970,70 MULTA DE OFÍCIO R$ 32.228,01 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 24.279,82 Ao contribuinte foram imputadas uma omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior e a ausência de recolhimento de IRPF devido a título de carnêleão, nos anoscalendário 2003 e 2004, condutas essas apenadas com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado. Abaixo se transcreve a motivação da autoridade fiscal para imputar ao contribuinte as infrações acima, conforme termo de verificação fiscal (fls. 13 a 16), verbis: INFORMAÇÕES PRELIMINARES Atendendo à demanda requisitória da Justiça Federal Seção Judiciária do Paraná, (conclusão do Processo n2 2003.70000303334 inquérito 207/98), foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal n2 0810400.2007006420, objetivando analisar as informações obtidas pela Justiça Federal junto às autoridades do Governo dos Estados Unidos da América, as quais foram transferidas para a Receita Federal do Brasil, conforme breve histórico relatado a seguir: Em 16.12.2003, o Juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos da América, Honorable John Cataldo, expediu o documento denominado "Order To Disclose" visando liberar à CPMI do Banestado e ao Ministério da Justiça provas e documentos havidos em investigações e procedimentos do Grande Júri conhecido como "International Moncy Laundering by John Doe"; Pela decisão de 29 de abril de 2004, no Processo n 2 2004.70000082670, o Juízo da 2a. Vara Criminal Federal de Curitiba decretou a quebra do sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas recebidas da CPMI do Banestado, que, por sua vez , os receberam da Promotoria Distrital de Nova York, relativamente às contas mantidas no MTBCBCHudson Bank, Lespan e Safra Bank. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.002384/200841 Acórdão n.º 2102001.240 S2C1T2 Fl. 2 3 No item 26 da mesma decisão, o Juízo autoriza, também, 5 compartilhamento de todos esses dados com a Receita Federal, Bacen e Coaf, para instruir as atividades específicas desses órgãos; Em 24 de novembro de 2004, Laura Billings, Assistant District Attorney of the County of New York, emitiu documento que autorizou representantes do Congresso e da Polícia Federal brasileira a obterem cópias de diversos documentos e mídias eletrônicas, dentre os quais o MTBCBCHudson Bank de Nova Iorque, Lespan e Safra Bank. Essas informações e documentos foram trazidos para o País pela autoridade policial e repassados à Secretaria da Receita Federal. Ofício n° 002/04FT/CC/NY, de 25/11/2004da Superintendência de Policia Federal no ParanáForça Tarefa CC, p/ o Juiz Federal da 2a VF Criminal de Curitiba, solicita a quebra do sigilo bancário e remessa de documentos; Ofício n° 0015/05FTCC5, de 10/01/2005, da DCOR Diretoria de Combate ao Crime Organizado , solicita providencias para o IPL 102603 • SR/DPF/PR. DO PROCEDIMENTO FISCAL Trata a presente ação fiscal de contribuinte selecionado em razão de transação financeira no exterior (beneficiário), no montante de US$ 40.000,000 (quarenta mil dólares americanos), no ano calendário 2.003, creditadas no Nanyank Com Bank; Hon Kong, e de US$ 20.000,00 (vinte mil dólares americanos), no ano calendário de 2004, creditadas no Lespan S/A Uruguay, Tendo como beneficiário LI JIN YUE CPF 217.949.05855, e sua cônjuge Kuang Yuehuan, CPF. 217.948.99863. Os referidos créditos bancários foram efetuados em 28/02/2003, valor USD 20.000,00; em 26/08/2003 no valor de USD 20.000,00; e em 10/03/2004 USD 20.000,00 , tudo conforme discriminados nos comprovantes das transações, obtidos pela CPI do Banestado e repassados à Secretaria da Receita Federal. Visando dar início aos trabalhos de fiscalização, foi expedido Termo de Inicio de Fiscalização, através de via postal em 11/12/2007, cuja correspondência retornou com indicação do correio como "AUSENTE." Realizada diligência no local informado à Receita Federal do Brasil, sito a Rua Visconde do Rio Branco, 604 Centro Campinas/SP, ficou constatado que o numero informado 604, não existe, sendo que nos números próximos 600 e 618, encontrase estabelecida loja de comércio de roupas usadas no numero 604, e no numero 618, uma loja comercial de auto peças, onde fui informado verbalmente que não conhecem o Sr. LI JIN YUE. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Não sendo localizado, através de via postal e pessoal, foi afixado Edital de Intimação ns' 10830/277/2007, em 11/12/2007 e desafixado em 11/02/2007.interessado. Através do Edital, foi o contribuinte intimado a apresentar os seguinte elementos. 1. Informar e comprovar a natureza da operação em que V.S a. aparece como beneficiário , de USD 60.000,00 (sessenta mil dólares americanos), como xô demonstrado; (...) 2. Comprovar a tributação, pelo Imposto de Renda das Pessoas Físicas — IRPF, dos recursos acima referidos, juntandose os respectivos documentos. 3. Anexo, seguem cópias dos comprovantes das transações, obtidos pela CPI do BANESTADO. 4. Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. Consultada a sua Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2004 e 2005 consta que no ano calendário de 2003, recebeu de pessoas físicas e do exterior o montante de R$ 4.800,00 e no ano de 2004, o valor de R$ 4.840,00. Efetuadas novas diligencias para localizar o contribuinte, o mesmo foi localizado no seu estabelecimento comercial "pastelaria", sito à Avenida Senador Saraiva, 777, Centro de Campinas, quando através de Termo de ReIntimação Fiscal, foi intimado, em 15/02/2003, apresentar os elementos constantes do Termo de Inicio de Fiscalização. Procedida a analise documental juntada ao dossiê, ficou demonstrado que a operação financeira realizada no exterior, foi efetuada conjuntamente com o sua cônjuge Kuang Yuehuan, conforme demonstrativos fornecidos pela Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF. N Q 463/04, documentação idêntica de ambos, como segue. Data da Operação 10/03/2004 valor USD 20.000,00 DR. ID :6550845306 BNP AD LN1 TX : Kuang Yue Huan and LI JIN YUE IDENTIFICADOS CPF: 217.948.99863 Kuan YueHuan e Li Jin Yue 217.949.05855. Data da Operação 28/02/2003 Valor USD 20.000,00 Account number: 03982071688 Beneficiary Info: Aço: 4347258791415; KUENG YUEHUAN & LI JIN YUE. Identificados CPF: 217.948.99863 e 217.949.05855 Data da Operação 26/08/2003 Valor USD 20.000,00 Fl. 174DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.002384/200841 Acórdão n.º 2102001.240 S2C1T2 Fl. 3 5 Account Number 03982071688 Beneficiary Info Aco 347258791415; Kuang Yuehuan & Li Jin Yue. Conforme declaração prestada, a contribuinte Kuang Yuehuan, confessa possuir uma conta no exterior, com o seu marido, em agencia bancaria localizada em HongKong. Consultada a Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2004 e 2005 de ambos, ficou constatado que o casal apresentou declaração em separado, sendo que Li Jin Yue, "esposo", exerceu a opção de declarar na sua declaração o valor de 100% (cem por cento) dos rendimentos e bens, visto que sua esposa Kuang Yue Huan apresentou a declaração dos rendimentos e bens com valores zerados. Diante dos elementos apresentados ,ficou evidenciado que o casal foi beneficiário operações financeiras no exterior, sujeitos ao recolhimento do Carnê Leão, não ficando comprovado que os valores foram oferecidos à tributação, nas declarações de ajuste do IRPF, devendo assim ser considerados como rendimentos omitidos e efetivado o lançamento suplementar do Imposto de Renda Pessoa Física e multa de ofício pela falta de recolhimento do Carnêt Leão, em nome de Li Jin Yue, CPF 217.949.058 55,visto ter exercido a opção de declarar a totalidade dos rendimentos e bens na sua declaração. Atendendo a intimação declarou que jamais fez qualquer transação com a China, alega desconhecer como o seu nome foi envolvido nas remessas dos valores apontados no referido procedimento fiscal.. A cônjuge, declara que não tem nenhum rendimento, porém como o seu marido" LI JIN YUE" também recebeu intimação idêntica, deduz que o seu nome foi incluído no procedimento fiscal, por manter com o mesmo, conta corrente em agencia bancaria localizada em Hong Kong. Em razão de nenhuma documentação apresentada que comprovasse a origem do valor recebidos, cuja data de remessa e valor encontrase abaixo discriminados e levando em consideração os dados da declaração do IRPF2004 apresentada para o anocalendário de 2003, não há como deixar de caracterizar como rendimento de fontes no exterior, sujeitandose ao lançamento de ofício, com os seus acréscimos legais. (...) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deduzindo as seguintes defesas (extraídas do relatório da decisão aqui recorrida – fl. 149): § O enquadramento legal contido no AI: arts. 1°, 2°, 3° e §§ e 8° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° ao 4° da Lei Fl. 175DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 n°8.134/90; art. 6° da Lei n°9.250/95; art. 55, inciso VII e 995 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) e o art. 1° da Lei n° 10.451/2002, regulamentam a tributação de "rendimentos e Ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil..." , com exceções aos arts. 6° da Lei n° 9.250 e inciso VII do art. 55 e artigo 995, ambos do RIR, que tratam da tributação de "rendimentos de fontes situadas no exterior". § Assim, existe uma contradição gritante entre a tributação lançada em relação à descrição dos fatos. Confrontandose a descrição constante do Auto de Infração com as cópias em anexo, os fatos ali narrados apontam para a REMESSA DE VALORES PARA O EXTERIOR, assim, fica evidente a contradição, pois enquanto o tributo foi lançado em decorrência de "rendimentos de capital percebidos pelo contribuinte em nosso pais", logo em seguida esse enquadramento se deu em virtude de "rendimentos de fontes situadas no exterior"; § O Impugnante NÃO RECEBEU RENDIMENTOS DE FONTE DO EXTERIOR. Não existem essas provas na documentação a ele endereçada e nem poderia constar, porque jamais ocorreu esse ato. Não recebeu valores advindos do exterior e muito menos, remeteu de nosso país, valores para o exterior; § Autoriza à Receita Federal a abertura de suas contas bancárias em nosso país, quando então será apurado que em momento algum recebeu qualquer valor do exterior e, principalmente, será provado que não reunia e não reúne condições financeiras para efetuar remessas ao exterior; § Mantém contacorrente em Hong Kong, onde residiu até sua vinda para o Brasil, conta essa sem movimentação há alguns anos, não tendo mais retornado ao seu país, uma vez que o custo dessa viagem é elevadíssimo em relação aos seus rendimentos; § Ao final, requer o acolhimento da impugnação, para que seja declarado NULO o Auto de Infração e protesta pela produção de perícia contábil a ser realizada na contabilidade de seu comércio. A 8ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1732.141, de 26 de maio de 2009 (fls. 147 a 152), com a seguinte motivação, no mérito, verbis: Afirma o Impugnante que não recebeu rendimentos de fonte do exterior e que não existem essas provas na documentação a ele endereçada e nem poderia constar, porque jamais ocorreu esse ato. Não recebeu valores advindos do exterior e muito menos, remeteu de nosso país, valores para o exterior. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.002384/200841 Acórdão n.º 2102001.240 S2C1T2 Fl. 4 7 Do exame dos autos, constatase, contudo, que o Impugnante está claramente identificado como o beneficiário final das transações descritas no Anexo III — Transações Remetidas pela Conta Investigada, do Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1412/2005 INC (fls. 38/51), elaborado com base em registros enviados pelas autoridades norteamericanas. Não há como se negar fé aos documentos obtidos junto às autoridades dos Estados Unidos da América, em procedimento regular, por via judicial, documentos estes que passaram por exame pericial no Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal do Brasil, como se pode ver no Laudo às fls. 111/132. Diante dos documentos inseridos nos autos, tornase impossível negar o fato de seu nome e de sua esposa constarem como beneficiários finais dos recursos (Beneficiary Info), pois em todas as operações aparece a indicação "Beneficiary Info: AC04347258791415; KUANG YUEHUAN & LI JIN YUE" (fls. 31/34). Segundo o item 14 do Laudo de Exame Econômico Financeiro n° 1.412/2005INC à fl. 43, Beneficiary Info seria o beneficiário final da transação. O contribuinte, por seu turno, limitouse a alegar que jamais foi sujeito passivo das operações citadas, mas não apresentou nenhum documento que pudesse infirmar as provas apresentadas pela fiscalização. A abertura das suas contas bancárias no Brasil, oferecida pelo Impugnante, em nada o socorre, tendo em vista que a disponibilidade dos rendimentos em questão encontravase depositada em instituições bancárias no exterior e não no Brasil. Diante da constatação inequívoca de que foram efetuadas transações financeiras no exterior, no montante de US$ 40,040.00, no anocalendário 2003, creditadas no Nanyank Com Bank; Hong Kong, e de US$ 20,000.00, no anocalendário de 2004, creditadas no Lespan S/A Uruguay, que tiveram como beneficiários LI JIN YUE e sua cônjuge KUANG YUEHUAN, é de se rejeitar a alegação de ilegitimidade passiva. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 1º/10/2009 (fl. 155). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 28/10/2009 (fl. 164). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. a decadência extinguiu o crédito tributário com fato gerador ocorrido em 28 de fevereiro de 2003, pois fluiu mais de 05 anos entre esse evento e a ciência do lançamento (24/03/2008 fl. 136), com contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º, do CTN; II. “Nega o Recorrente haver recebido do exterior os valores consignados no Auto de Infração, como afirmado na impugnação, a qual não foi acolhida por FALTA DE PROVA. Ora, como poderia o Fl. 177DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Recorrente provar que não recebeu valores do exterior, se esse fato não ocorreu? Pode ter ocorrido "fraude" por parte de falsário, que por meio de documentação falsa em nome do mesmo, obteve vantagem financeira, o que se deu por meio de crédito bancário advindo do exterior. O Recorrente autoriza a abertura de suas contas bancárias em nosso país e no exterior, notadamente em Hong Kong, de onde, supostamente, foram remetidos os valores constantes do Auto de Infração à seu favor. Como o Fisco apurou esses créditos bancários, o que se deu por informações outras, dessas fontes é que deveriam vir as provas e não por parte do Recorrente, que nada recebeu do exterior. A vida do Recorrente e sua família é modesta, vivem de seus ganhos, que são pequenos como demonstrado em suas Declarações de Renda. Não possui imóvel e nem veículos como pode ser apurado junto aos órgãos competentes. Essa vida humilde, caso viesse o mesmo a ser beneficiado com o envio dos dólares americanos apontados nos autos, que importou em R$ 181.196,00, (cento e oitenta e hum, mil, cento e noventa e seis reais), como consta do Termo de Verificação Fiscal de fls., certamente teria adquirido um imóvel confortável para servir de residência para sua família, e não residir em imóvel rústico, adquirido há tempos atrás, o qual é dividido com o seu comércio. Salienta que não possui nenhum veículo, por não reunir condições e em razão de sua baixa renda, não consegue financiamentos” (fl. 162 – transcrição do recurso voluntário). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 1º/10/2009 (fl. 155), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 28/10/2009 (fl. 164), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 02/11/2009, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, rejeitase o pedido de reconhecimento da decadência para o fato gerador ocorrido em fevereiro de 2003, pois a periodicidade dos fatos geradores do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica, sujeitos à colação no ajuste anual, aperfeiçoamse em 31 de dezembro do ano calendário, no chamado fato gerador complexivo, e, no caso vertente, tal fato gerador aperfeiçoouse em 31/12/2003, sendo que, em 24/03/2008 (fl. 136), data da ciência do lançamento, ainda não tinha fluído o qüinqüênio decadencial, quer contado na forma do art. 150, § 4º, quer do art. 173, I, ambos do CTN. A jurisprudência em relação ao ponto acima é pacífica, como se vê em julgado da antiga Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então competente para julgar os feitos oriundos da tributação da pessoa física, Acórdão nº CSRF/0400.586, sessão de 19/06/2007, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: Fl. 178DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.002384/200841 Acórdão n.º 2102001.240 S2C1T2 Fl. 5 9 DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – PRAZO – No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário. No ponto, sem razão o recorrente. Se não assiste razão ao recorrente no tocante à decadência, parece claro que assiste nas demais razões de mérito, pois é cediço que meras transferências financeiras, aqui ou alhures, em si mesmas, não podem ser consideradas como omissão de rendimentos. De plano, vêse que o recorrente nega peremptoriamente o recebimento dos valores do exterior e que lhe foram atribuídos pela fiscalizado, argumentado que não teria como fazer uma prova do não recebimento dos valores, pois não teria como provar algo que não aconteceu. Inegavelmente, tratase de um ponto a fazer meditar o julgador. Desde pelo menos 2007, o então Primeiro Conselho de Contribuintes, hoje CARF, vem apreciando a tributação de fatos geradores imputados a contribuintes, cuja documentação proveniente dos Estados Unidos foi assenhoreada pela Justiça Federal e Polícia Federal, no caso denominado Banestado/Bacon Hill, com posterior repasse à Receita Federal do Brasil. A análise de múltiplos casos neste Conselho, inclusive sob relatoria deste conselheiro relator, demonstrou a necessidade de uma análise criteriosa desta documentação, pois em diversos casos se verificou, no final, que a imputação fiscal (e das remessas financeiras) aos contribuintes era indevida. Um dos casos que este Conselheiro relator julgou foi o Recurso nº 150.911, quando se prolatou o Acórdão nº 10616.978, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 26 de junho de 2008, unânime para reconhecer a ilegitimidade passiva do fiscalizado. No caso se apreciava remessas feitas para o exterior por determinado contribuinte, em contas administradas pela empresa financeira BHSC – Beacon Hill Service Corporation, quando, ao final, comprovouse que o doleiro havia imputado falsamente ao fiscalizado as remessas, encobrindo o real remetente, como se descobriu em inquérito levado a efeito pela Polícia Federal. Outro exemplo que demonstrou a necessidade do cuidado que se deve ter com tal documentação ocorreu com o julgamento do recurso nº 158.453, Acórdão nº 2102 00366, nesta mesma Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, relator este Conselheiro, sessão de 29/10/2009, unânime para dar provimento ao recurso do contribuinte, lançamento que imputava uma remessa de mais de seis milhões de dólares ao então fiscalizado, quando parecia claro o despropósito dessa medida, como se vê no fundamento do voto, abaixo: Inicialmente, este Conselheiro relator, concluída a leitura do relatório, defendeu uma nova conversão do feito em diligência, visando acostar a estes autos a conclusão do Inquérito Policial nº 109/2007DPF/PNG/PR. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 Entretanto, nas discussões que se seguiram na Turma, formouse uma ampla maioria pelo provimento do recurso, em decorrência dos claros indícios de que o contribuinte não poderia ser o proprietário dos recursos expatriados, tudo aliado à ausência de comprovação de como o contribuinte teria se favorecido pelas remessas para exterior, por consumo ou acréscimo patrimonial, prova essa que deveria ter sido produzida pela autoridade autuante, o que não ocorreu no caso vertente. Assim, melhor ponderando, percebi que a posição da douta maioria melhor se adequava ao caso em discussão, o que me levou a retificar meu voto, aderindo ao entendimento dominante, como exposto a seguir. O presente lançamento foi o primeiro caso apreciado pela então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em face de contribuintes autuados no bojo da chamada operação Beacon Hill (caso Banestado), com a composição de Conselheiros estabelecida a partir do segundo semestre de 2007. Na assentada que converteu o primevo julgamento em diligência, a Sexta Câmara entendeu por bem solicitar uma cópia assinada do Laudo da Polícia Federal, que fossem intimados os procuradores das contas off shore mantidas no exterior, nas quais transitaram os recursos, bem como fosse demandada a Justiça Federal, com o fito de trazer para estes autos cópia de eventual processo criminal em desfavor do recorrente, aqui com o intuito de aclarar quem seria o real proprietário dos recursos, já que era pouco plausível a responsabilidade do contribuinte pela movimentação alienígena, da ordem de mais de 6 milhões de dólares, quando se percebia o pequeno patrimônio do recorrente declarado ao fisco brasileiro, tudo aliado ao pequeno comércio no segmento de celulares e o diminuto crédito bancário do recorrente no Brasil. A diligência não trouxe elementos para uma conclusão definitiva sobre a propriedade dos recursos expatriados, mas apareceram inúmeros indícios que demonstram a impropriedade de se imputar ao recorrente como aplicação de recursos no fluxo de caixa o montante de US$ 6.010.477,00. Registramse os indícios: § rendimentos de pouca monta nas declarações de ajuste anual, aliado a pequeno patrimônio declarado; § participação societária na empresa Americana Comércio de Celulares LtdaME, pequena revenda da operadora CLARO, localizada exatamente no elemento de conexão (endereço) que permitiu vincular o contribuinte às transferências financeiras para o estrangeiro (informação trazida pela fiscalização – fl. 178 – e corroborada pela Polícia Federal – fls. 416 a 418); § a ordem judicial de quebra do sigilo bancário do aqui fiscalizado (fls. 425 a 428) trouxe um registro no título “Gastos no exterior efetuados com Cartão de Crédito Internacional”, no total de US$ 1.492,74, em nome do réu (fls. 433 e 434), informado pelo Banco Central, e extratos bancários da conta corrente do fiscalizado, Fl. 180DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.002384/200841 Acórdão n.º 2102001.240 S2C1T2 Fl. 6 11 mantida no Banco do Brasil, nos anos de 2001 a 2003 (fls. 468 a 539), com limite de crédito de R$2.000,00, tudo a demonstrar um pequeno dispêndio em moeda estrangeira, bem como um diminuto limite de crédito em bancos brasileiros, quando se compara aos montantes dos valores pretensamente de propriedade do contribuinte; § depoimento prestado pelo fiscalizado à Polícia Federal, em 07/02/2008, quando o depoente, sofrendo a imputação do tipo previsto no art. 22, § único, da Lei nº 7.492/86, negou que tivesse feitas remessas financeiras para o exterior e que nunca movimentou valores através da conta Gabanas Capital, mantida no MTB HUDSON BANK. Ainda, não conhecia as pessoas dos Srs. Sidney Catenaci, Sidney Catenaci Júnior e Alessandro Guarneri Catenaci. Por fim, recordou que seu tio Yassin Taha fora proprietário de uma casa de câmbio em Paranaguá, denominada Lamistur Cambio Turismo, tendo utilizado o endereço da loja da Rua Faria Sobrinho, nº 466, para receber correspondências que tinham a inscrição “BANK”, sendo certo que o Sr. Yassin tem um bom padrão de vida (fls. 436 a 438); § depoimento prestado pelo Sr.Yassin Taha a Polícia Federal, na qual o depoente asseverou que fora proprietário de uma casa de câmbio denominada Lamistur, porém nunca teria operado com contas CC5 e Dólarcabo, conhecendo de vista os Srs. Catenacis. Ainda afirmou que utilizara o endereço da Rua Faria Sobrinho para receber correspondência, e que o seu sobrinho, aqui fiscalizado, não teria condições financeiras ou patrimoniais para fazer remessas de vulto para o exterior (fls. 462 e 463); § petição de 19/09/2008, na qual o Exmo. Sr. Procurador da República João Vicente Beraldo Romão solicitou ao Juízo do feito a execução de novas diligências, em decorrência de documentação entregue no Ministério Público Federal, em 09/06/2008, pelo Sr. Sami Mohamad Zahra, e, entre outras considerações, asseverou que os documentos que solicitam transferência de valores são assinados por pessoas jurídicas, sendo elas a Technomig e a Libras Ltd., e as assinaturas apostas parecem ser de Yassin Taha; § em novo interrogatório levado a efeito pelo Sr. Yassin Taha na Polícia Federal, acompanhado do advogado Victor Geraldo Jorge, o Sr. Yassin negou qualquer vinculação com a documentação entregue pelo Sr. Sami no MPF, sendo que reconheceu que as assinaturas nos documentos de movimentação financeira trazidas pelo Sr. Sami eram parecidas com a sua, porém afirmou que não partiram de seu punho (fls. 611 e 612). Aqui claramente transparece o objetivo do Sr. Taha em Fl. 181DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 afastar sua responsabilidade pela movimentação, porém não houve imputação de tais condutas ao recorrente; § solicitação de exame pericial nos documentos de fls. 215 a 218 dos autos judiciais (Mandado de Procedimento Fiscal, com original juntado a estes autos administrativos – fl. 3), já que pretensamente constaria uma anotação feita pelo Sr. Yassin, assumindo a autoria das movimentações financeiras em debate, pela autoridade policial (vide as fls. 561 a 564 e 630 deste feito administrativo), datado de 06/04/2009. O conjunto de indícios acima parece indicar claramente que o recorrente, Sr. Sami Mohamad Zahra, não seria o real responsável pelas transferências financeiras no montante de US$ 6.010.477,00 para a instituição financeira estrangeira MTB Hudson Bank, e ainda transparece menos plausível que o Sr. Sami Zahra fosse o real proprietários dos valores expatriados. Ao revés, parece claro que o responsável pelas transferências financeiras seria o tio do recorrente, o Sr. Yassin Taha. Por tudo, a partir da negativa do contribuinte fiscalizado de que não efetuou as remessas para o exterior, ficase com fundada dúvida da higidez de lhe imputar responsabilidade pelas remessas financeiras constantes nos autos, à luz de exemplos pregressos da mesma espécie. Ainda, para se imputar ao contribuinte uma omissão de rendimentos, com apuração do imposto correspondente, mister demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na forma do art. 142 do CTN. Ora, não se concebe como se pode imputar uma omissão de rendimentos recebidos do exterior ao fiscalizado, quando não se sabe quem foi a fonte pagadora, qual a origem ou a causa dos pretensos rendimentos, como ocorreu no caso vertente. Observese que uma transferência bancária sem identificação de causa ou origem em prol do fiscalizado, no Brasil ou no exterior, em si mesma, não pode se subsumir ao conceito de renda. Eventualmente, caso a transferência seja para crédito em conta corrente do contribuinte, a fiscalização poderia se valer da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que informa que créditos bancários de origem não comprovada são presumidos como rendimentos omitidos, isso desde que constassem nos autos os extratos bancários e demais informações dos depositantes (como ficha de cadastro de depositantes, cartão de autógrafos, cópias de documentos de identificação civil etc.)1, o que não aconteceu no caso em debate. Porém da presunção acima não se valeu a fiscalização. A autoridade fiscal imputou uma omissão de rendimentos pretensamente percebidos no exterior, sem indicar a fonte pagadora, a origem ou causa da operação, ou seja, não demonstrou qual matéria 1 E não se diga que seria impossível conseguir a documentação de eventual conta mantida no estrangeiro, pois como se viu no Acórdão nº 210200.432, relator este Conselheiro, sessão de 03 de dezembro de 2009, unânime apenas para desqualificar a multa de ofício, e Acórdão nº 210200410, relator este Conselheiro, sessão de 02 de dezembro de 2009, ambos desta Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, a partir da mesma operação judicial destes autos, vieram aos processos administrativos fiscais respectivos a documentação das contas bancárias. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.002384/200841 Acórdão n.º 2102001.240 S2C1T2 Fl. 7 13 tributável que estava sob a incidência do imposto de renda. Em essência, não demonstrou a ocorrência do fato gerador. Um lançamento com esse substrato probante não pode subsistir. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 183DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 35588.002728/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2000
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2302-001.138
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi
reconhecida a extinção do crédito tributário pela decadência nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente PROFARMA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS FARMACEUTICOS SA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2000 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a extinção do crédito tributário pela decadência nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35588.002728/200781 Acórdão n.º 230201.138 S2C3T2 Fl. 368 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social referente ao pagamento de premiações e comissões apuradas na contabilidade da autuada, conforme relatório fiscal às fls. 114 a 122. O período compreende as competências janeiro de 1996 a junho de 2000. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa administrativa, fls. 255 a 264. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 318 a 320. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 328 a 337. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 363. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares de mérito. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (operase a homologação tácita). Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35588.002728/200781 Acórdão n.º 230201.138 S2C3T2 Fl. 369 5 contagem do prazo decadencial. A rubrica lançada somente pode ser apurada em ação fiscal. Desse modo, a análise do pagamento antecipado deve ser realizada rubrica por rubrica. No presente caso o lançamento foi efetuado em 21 de novembro de 2006, fl. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal às fls. 04 a 17; assim, aplicase a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente, junho de 2000, cujo vencimento é 2 de julho de 2000, o termo inicial do prazo decadencial é 1 de janeiro de 2001, o que findaria em 31 de dezembro de 2005. Nesse sentido da contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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