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Numero do processo: 16007.000050/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2009
Ementa: ATIVIDADE DE EMPREITADA. OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A prestação de serviços rurais com utilização de máquinas e equipamentos específicos e respectivos operadores, voltados fundamentalmente ao preparo da terra para o plantio, caracteriza contrato de empreitada mista e não impede a adesão ao Simples.
Numero da decisão: 1102-000.693
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2009 Ementa: ATIVIDADE DE EMPREITADA. OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A prestação de serviços rurais com utilização de máquinas e equipamentos específicos e respectivos operadores, voltados fundamentalmente ao preparo da terra para o plantio, caracteriza contrato de empreitada mista e não impede a adesão ao Simples.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2009 Ementa: ATIVIDADE DE EMPREITADA. OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A prestação de serviços rurais com utilização de máquinas e equipamentos específicos e respectivos operadores, voltados fundamentalmente ao preparo da terra para o plantio, caracteriza contrato de empreitada mista e não impede a adesão ao Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Tomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho. 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o presente processo de exclusão da contribuinte acima identificada do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES (Federal), com efeitos a partir de 01/03/2004, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/PiracicabaSP n° 48/2009 (fl. 51), e Despacho Decisório n° 347/2009 (ílS. 49/50), tendo em vista o exercício de atividade vedada, conforme o disposto na Lei n° 9.317, de 1996, art. 9o , XIL/e IN SRF n° 608 de 2006. De acordo com o referido despacho, ficou caracterizado o exercício de cessão/locação de mãodeobra, vedada para a opção de acordo com o dispositivo legal acima referido. Ciente, da exclusão em 26/05/2009 a contribuinte ingressou em 24/06/2009 com manifestação de inconformidade (fls. 58/71), acompanhada dos documentos que fazem as fls. 78/102, na qual solicita a revisão da exclusão do Simples, e a revogação do ADE. Para tanto, apresentou, em suma, os seguintes argumentos: • Há impedimento constitucional quanto à representação fiscal para a exclusão da recorrente do sistema, pois, anteriormente, por meio do ato declaratório n° 55, de 2006 foi a ora recorrente excluída do Simples, tendo como fundamento que toda sua receita era obtida por meio de serviços com locação de mãodeobra. Foi instaurado o processo administrativo n° 35439.000595/200631, protocolado em 08/12/2006, para solicitação de revisão da exclusão do Simples, em face desse ADE anterior (fls. 78/88). • O ADE n° 48 de 2009 foi baseado nos mesmos argumentos daquele anterior. Assim, preliminarmente deve essa DRJ reconhecer a existência de coisa julgada administrativa, buscando em seus arquivos a decisão relativa àquele procedimento relativo ao ADE n° 55, de 2006. • Fazse necessário registrar que o primeiro contrato social da empresa previa como objetivo social a "construção civil e serviços de terraplanagem", conforme registro na Jucesp de 21/01/2001 e não era optante pelo Simples. • A primeira alteração contratual deuse em 17/12/2003, no qual foi alterado o objetivo social para "comércio varejista de mudas, plantas e serviços agrícolas: "preparo do solo, plantio e cultivo, corte e colheita", encontrando um óbice intransponível para a inadvertida representação e exclusão. • Fez consulta à SRF em 08/07/2003, solicitando esclarecimento quanto à possibilidade de optar pelo Simples. Essa consulta foi solucionada em 02/08/2004, constando de forma expressa e inequívoca que a atividade exercida pela empresa não impede a opção pelo Simples. Atendendo à orientação da SRF, foi alterado o contrato, de acordo com a atividade que desenvolve, autorizandoa à opção pelo Simples. • Optou pelo Simples e ajuizou Mandado de Segurança distribuído à 4 Justiça a Vara da Justiça Federal. Obteve a concessão da segurança nos seguintes termos, sendo reconhecido que não está sujeita à sistemática de arrecadação do artigo 31 da Lei n° 8.218, de 1991, afastando a incidência dessa exação e da IN SRP n° 03, de Processo nº 16007.000050/200911 Acórdão n.º 110200693 S1C1T2 Fl. 2 3 2005, devendo se sujeitar às formas de recolhimento da contribuição previdenciária pelo Simples e pela folha de salários, estando desobrigado de sofrer a retenção de 11% sobre a base de 15% do valor da mãodeobra destacada na nota fiscal de prestação de serviço. Todavia, encontrase suspenso em razão da própria Receita Federal admitir que não incide na forma desse dispositivo a contribuição ao INSS, no caso de empresa optante pelo Simples. • Embora fiscalizada, não houve nenhuma autuação porque trabalha estritamente legalizada. No entanto houve a representação fiscal sob o argumento de que a empresa infringe a legislação do Simples locando mãodeobra naquela época, agora, que pratica cessão de mãodeobra. • Não loca nem presta serviços com cessão de mãodeobra, apenas presta serviços específicos, conforme contrato de empreitada de obra certa. • O ativo imobilizado da empresa usados na prestação de serviço tem valor estimado de R$ 3.000.000,00(três milhões de reais). Por que teria todo esse imobilizado em maquinário se seu objetivo social fosse a cessão de mãodeobra? • Todas as notas fiscais emitidas são fundadas em contratos de prestação de serviço com preço do aluguel, por hora, da respectiva máquina. Tratase de aluguel de máquinas para fins específicos que não a atividade fim do contratante. É obvio que o serviço prestado não pode ser considerado cessão de mãodeobra e não é impeditivo, não veda a opção ao Simples. • Para contradizer a representação fiscal, acosta lista de funcionários atuais e antigos que variam de 03 a 08 funcionários mensais e suas respectivas funções, todos como operadores de máquinas ou auxiliares de operadores de máquinas. Exatamente para desempenhar o objetivo social, que é locação de máquinas para preparo de solo. etc. • Foi afirmado que a recorrente cede mãodeobra, pois os serviços são feitos na dependência do contratante; remunerados por hora trabalhada, metro linear, que o contratante confere esses metros e horas, que os serviços não são remunerados como um todo e que a recorrente não pode interromper o serviço. Assim, conjugandose tais fatores estaria cedendo mãodeobra a terceiros. • Nada mais justo que se cobre por metro linear ou hora trabalhada, já que a recorrente deve saber o custo de sua operação e quer pagar exatamente apenas pelo serviço utilizado. • É óbvio que os serviços são remunerados como um todo, mas o auditor não entendeu que uma usina de álcool ou uma agropecuária de grande porte possuem vários alqueires de terra para serem preparados e que na agricultura, perder um dia de serviço, por quebra, ou qualquer motivo pode levar a perderse uma safra, daí não se interromper os trabalhos contratados. Tendo em vista a alegação da contribuinte de que já havia sido expedido o ADE de n° 55, de 2006, que a excluiu do sistema com os mesmos fundamentos do ADE n° 48, de 2009 e, ainda, instaurado o processo administrativo n° 35439.000595/200631, protocolado em 08/12/2006, para solicitação de revisão do ADE n° 55, o presente processo foi baixado em diligência com o objetivo de instruí lo com os documentos ali apresentados e com o resultado da análise daquele ADE. Em atendimento, foram juntados aos autos, os documentos que fazem as fls. 112/399. 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto prolatou o Acórdão 1432.585 posicionandose no sentido de que a interessada exerceria atividade com locação ou cessão de mão de obra, o que representaria vedação à opção pelo Simples. É o Relatório. Processo nº 16007.000050/200911 Acórdão n.º 110200693 S1C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O cerne da querela consiste em definir se a atividade exercida pela interessada representaria cessão de mão de obra o que, pelas regras em vigor, impediria a opção pelo Simples. A decisão recorrida faz um arrazoado teórico onde, em primeiro lugar, define a similaridade de conceitos entre locação e cessão de mão de obra. Depois, estabelece o diferencial entre o serviço de empreitada e a locação de mão de obra para concluir que a atividade da recorrente enquadrase nesse último caso. Os conceitos emitidos pelo acórdão hostilizado, em termos gerais, não merecem críticas. No entanto, não posso concordar com a conclusão a que chegou a decisão. Na diferenciação entre cessão de mão de obra e empreitada, a Ordem de Serviço (OS) n.º 209/1999 emitida pelo INSS é bem didática. Tendo como objetivo estabelecer procedimentos de arrecadação e fiscalização da retenção incidente sobre o valor dos serviços e das contribuições devidas sobre a remuneração decorrente da prestação de serviços através de cessão de mãodeobra ou empreitada, o referido ato administrativo conceitua: Entendese por CESSÃO DE MÃODEOBRA, a colocação à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados ou não com a atividadefim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação. (.........) EMPREITADA é a execução de tarefa, obra ou serviço, contratualmente estabelecida, relacionada o não com a atividade fim da empresa contratante, nas suas dependências, nas da contratada ou nas de terceiros, tendo como objeto um fim específico ou resultado pretendido. A principal constatação que floresce como diferencial da transcrição acima é que na cessão de mão de obra a utilização dos empregados da cedente é o fator determinante a justificar a formalização do contrato entre as partes. Em outras palavras, a representatividade maior na realização do serviço é o fator humano e conseqüentemente o peso do custo da mão de obra em relação ao valor total contratado. Não é o que ocorre no presente caso. Conforme estabelecido em contratos e notas fiscais trazidos aos autos, o custo de mão de obra corresponde em média a 15% (quinze por cento) do valor total do contrato. A meu ver, tratase de pequena significância que não permite a caracterização da cessão de mão de obra, nos termos definidos pelas normas regulamentadoras. 6 O foco principal dos contratos não é cessão da mão de obra, mas sim o fornecimento das máquinas e equipamentos que irão possibilitar a realização das diversas atividades voltadas fundamentalmente ao preparo do solo para cultivo. Aqui, a mão de obra representada pelos operadores das máquinas é simples meio para atingir a obra ou tarefa desejada pelo contratante; diferentemente da cessão onde a mãodeobra é a própria razão de existência da contratação. Quanto à natureza da obrigação contratada, em sentido diverso ao posicionamento da decisão recorrida entendo que existe, no caso, a obrigação de apresentar um resultado. Nos diversos contratos trazidos aos autos extraemse algumas cláusulas que demonstram tal fato: ....O presente contrato tem como objeto a prestação de serviços de construção de terraços embutidos numa área estimada em 160 hectares..... .....A prestação de serviços terá início no dia 21 de fevereiro de 2005 e se encerrará quando do término dos serviços aqui estabelecidos, previsto para o dia 18 de março de 2005...... Os terraços embutidos, típicos na cultura da cana de açúcar, constituemse em técnica de preparo do solo através da criação de obstáculos ao livre escoamento da água de enxurrada, com vistas a inibir os efeitos da erosão. Portanto, a atividade contratada envolve a execução de uma tarefa com um resultado pretendido, qual seja, a construção dos terraços com vistas ao preparo do solo para cultivo. Tratase de típico serviço de empreitada, conforme definição supra transcrita. Não há que se falar aqui na prestação de serviços continuados. No que se refere à cláusula existente no contrato estabelecendo a concordância da contratada com a retenção de 11% sobre o custo da mão de obra, não é fator que defina a cessão, pois o contrato de empreitada também é sujeito à mesma retenção. Por fim, a Solução de Consulta 8ª RF/Disit nº 226/2004 estabelece que a atividade da recorrente não é inibidora da adesão ao SIMPLES. Nesse ponto, a decisão recorrida sustenta a inaplicabilidade desse posicionamento, pois a análise teria sido feita com base em dispositivos da Lei nº 9.317/96 que tratam de atividade de construção civil e não, como deveria ser, da locação de mão de obra. Pelo exame da Solução de Consulta, verificase que à época da consulta o contrato social da pessoa jurídica mencionava atividade definida como de construção civil e, portanto, vedada ao Simples. Daí a menção aos dispositivos legais a ela referentes. Demonstrado que a interessada não mais exercia atividades dessa natureza, a Unidade responsável pela consulta decisão recomendou as pertinentes alterações no contrato social e concluiu que os serviços efetivamente prestados pela consulente não impediriam a opção pelo Simples. Com base na Solução de Consulta e em notas fiscais emitidas pela interessada, o titular da Unidade Local da RFB jurisdicionante deferiu a inscrição no Simples. O despacho de deferimento foi claro ao afirmar que “... a atividade econômica desenvolvida pela empresa se limita a atividades de locação de pá carregadeira para preparo do solo ...”, sem qualquer menção a serviço de cessão de mão de obra. Processo nº 16007.000050/200911 Acórdão n.º 110200693 S1C1T2 Fl. 4 7 Assim, em sentido diverso à decisão recorrida penso que a Solução de Consulta é fator relevante na análise do pleito e vem corroborar o entendimento de que a atividade da empresa não impede a opção pelo Simples. Em resumo do exposto, entendo que a recorrente executa serviços de empreitada e não de cessão de mão de obra, inexistindo impedimento para que a pessoa jurídica seja enquadrada no Simples. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004013/2005-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO
COMPROVADA.
Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e
idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se,
por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.324
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004013/200501 Acórdão n.º 180301.324 S1TE03 Fl. 200 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004013/200501 Acórdão n.º 180301.324 S1TE03 Fl. 201 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 159 e 160): Tratase o processo de autos de infração por meio dos quais constituíramse créditos tributários relacionados a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no valor originário de R$ 143.186,13, sobre o qual incidem multa de ofício e juros de mora. Eis a infração: “0001 – OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de Receitas caracterizada pela não comprovação hábil dos depósitos bancários, mesmo tendo sido intimado a fazêlo por várias vezes, conforme termos de intimação anexos” A fiscalização ainda asseverou, no Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 111/114), in verbis: “(...) A Empresa foi intimada, 27.08.2004, a apresentar Livros Contábeis, Livros Fiscais e demais documentos necessários para que fosse iniciada a ação fiscal, conforme Termo de Início de Fiscalização anexo, lavrado pelo AFRF Marcelo José Rangel Tavares. Em 27.10.2004, foi feita uma segunda intimação, solicitando novamente, os extratos bancários da Firma, uma vez que os mesmos não tinham sido entregues. ..... Em 08.03.2005, foi dada ciência ao contribuinte de uma nova intimação, desta feita a terceira, solicitando esclarecimentos por escrito a respeito das diferenças encontradas entre a receita declarada e os depósitos bancários. Foi dada ciência ao contribuinte, também, naquela oportunidade do DEMONSTRATIVO FINANCEIRO X RECEITAS. Logo em seguida a esta intimação, o fiscalizado mandanos uma correspondência, explicando tratarse de depósitos referentes a créditos efetuados por sócios, e também integralização de contas de capital. Apresenta, também, nessa oportunidade, dois recibos de depósitos bancários, mas que não tem nada a ver com o que solicitamos, pois pedíamos explicação sobre a origem dos recursos. Foi lavrada uma quarta intimação, em 04.04.2005, ainda pedindo explicação sobre a diferença entre sua movimentação financeira e sua receita. Mais uma intimação, e dando um novo prazo, desta feita a quinta intimação, foi dada ciência ao contribuinte, em 12.04.2005, sem, contudo, obtermos resposta sobre a origem dos depósitos bancários. Diante destas cinco intimações, sem o contribuinte apresentar a origem dos depósitos bancários, restounos a lavratura do auto de infração para cobrança dos referidos tributos, com os autos reflexos. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004013/200501 Acórdão n.º 180301.324 S1TE03 Fl. 202 4 Num documento “Termo de entrega de documentos”, o mesmo faz menção a dois depósitos nos valores de R$ 18.076,10 e 2.351,00, entretanto, não apresenta os documentos que deram origem aos dois depósitos e nem às centenas de depósitos escriturados. Acrescentese que os depósitos foram escriturados, porém não foi comprovada a origem dos mesmos, conforme solicitado por várias vezes (...)”. Devidamente cientificada do lançamento em 20/04/05 (fl. 114), a contribuinte, tempestivamente, apresentou impugnação em 23/05/05 (fls. 116/124), por meio da qual destaca: a) do montante exigido, R$ 70.000,00 (setenta mil reais) referirseiam a depósitos de integralização de capital; b) caberia ao AuditorFiscal ter utilizado a forma de apuração do lucro arbitrado, consoante art. 530, II, “a”, do RIR/99 e decisões do Conselho de Contribuintes; c) seria aplicável ao caso o art. 112 do CTN. Requer, também, a juntada posterior de provas e a realização de perícia contábil. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 157 e 158): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2000, 31/12/2000 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO. CABIMENTO. O lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico. Nas presunções “juris tantum”, incumbe ao sujeito passivo o ônus de infirmar o fato indiciário caracterizador da presunção. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos procedimentos reflexos, em face da relação de causa e efeito entre eles existente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2000, 31/12/2000 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. IMPUGNAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que o sujeito passivo possuir (artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004013/200501 Acórdão n.º 180301.324 S1TE03 Fl. 203 5 PEDIDO DE PERÍCIA. UTILIDADE. REQUISITOS FORMAIS. Para que o pedido de perícia seja apreciado pela autoridade administrativa, além da utilidade à resolução das questões postas, é imprescindível que seja formulado corretamente, com justificativas e quesitos a serem respondidos pelo expert. Ademais, diligências e perícias não são meios próprios para a comprovação de fatos que possam ser conhecidos mediante mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 21/02/2008 (fls. 166), a tempo, em 24/03/2008 (segundafeira), apresenta a interessada Recurso de fls. 169 a 181, instruído com os documentos de fls. 182 a 196, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que junta aos autos cópia do seu Estatuto Social, demonstrando, de forma cabal, as alegações efetuadas em sede de impugnação administrativa, quais sejam, a de que o seu capital social restava integralizado no montante de R$ 70.000,00 (setenta mil reais); b) que se faz oportuno, ainda, destacar que a autoridade fiscal apurou o montante supostamente devido pela Recorrente realizando uma simples análise entre as receitas e os depósitos bancários escriturados na contabilidade da empresa, tendo o próprio ente arrecadador afirmado que não se aprofundou na “procura de outros elementos que viessem a redundar em mais créditos em favor da Fazenda Pública Federal”; c) que o procedimento utilizado pela autoridade autuante encontrase hialinamente equivocado, uma vez que, entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos, não há uma correlação lógica e segura capaz de demonstrar, com a mais absoluta certeza, o saldo efetivamente devido pelo contribuinte, na medida em que o volume de depósitos injustificados nem sempre se refere a um rendimento omitido correlato; d) que a simples movimentação bancária não constitui fato gerador do Imposto sobre a Renda, pois, em verdade, o depósito bancário referese a estoque e não fluxo, via de consequência, não significando renda; e) que, se os depósitos bancários representam o início do procedimento investigatório, os mesmos não podem ser transformados nos próprios fatos a serem utilizados pela autoridade fiscal como base da presente autuação, por flagrante ausência de correlação natural; e f) que o fato de não se ter requerido a produção de prova pericial com os requisitos contidos na regra legal não lhe retira o direito de solicitála na via recursal, sob pena de flagrante afronta aos princípios do informalismo e da verdade material, somados aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Em mesa para julgamento. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004013/200501 Acórdão n.º 180301.324 S1TE03 Fl. 204 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Alega a Recorrente, basicamente, que, do montante exigido a título de depósitos bancários de origem não identificada, R$ 70.000,00 (setenta mil reais) referirseiam a depósitos de integralização de capital. 5. Afirma, ainda, que caberia ao AuditorFiscal ter utilizado a forma de apuração do lucro arbitrado, consoante art. 530, II, “a”, do RIR/99 e decisões do extinto Conselho de Contribuintes. 6. Com relação à primeira alegação, a indagação fiscal é quanto à origem dos depósitos bancários efetuados, e não quanto à sua suposta finalidade, a saber, “integralização de capital”. 7. Observase que a única documentação carreada aos presentes autos foram cópias de quatro comprovantes de depósito bancário em cheques, sem qualquer identificação do depositante, totalizando R$ 27.900,20 (fls. 33 e 34) e cópias de contrato social e posteriores alterações (fls. 140 a 146 e 182 a 192). 8. No tocante à segunda afirmação, faço minhas as palavras da decisão recorrida (fls. 161 e 162): No tocante ao arbitramento, igualmente a alegação não pode prosperar, pois a situação objetiva não se enquadra em qualquer daquelas hipóteses do art. 530 do RIR/99, até mesmo porque, consoante dito anteriormente, baseouse a fiscalização na escrituração realizada pelo próprio contribuinte, não tendo sido indicado, por exemplo, fraude, vícios, erros ou deficiências que a tornassem imprestável. [...]. Ademais, o art. 288 do RIR/99 é claro ao dispor que “verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art.24)”. Obedeceuse à forma de tributação pelo lucro real, conforme DIPJ/01 (fl. 51). 9. Por fim, no que se refere à citação do art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), tal se afigura impertinente, já que não se está diante de qualquer dúvida, mas de matéria eminentemente de prova. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004013/200501 Acórdão n.º 180301.324 S1TE03 Fl. 205 7 10. Como se sabe, somente a prova material tem a virtude de invalidar auto de infração baseado em matéria de fato. Meras alegações em torno de matéria de fato não ilidem a ação fiscal. Preclusão 11. Com relação à insurgência da Recorrente quanto ao procedimento de apuração de omissão de receitas pela sistemática de depósitos bancários de origem não comprovada, tratase de matéria que não foi abordada na Impugnação. 12. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Pedido de perícia 13. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefiro, por prescindível, o pedido da interessada, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993. Demais exigências 14. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10530.720118/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do
Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.837
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OAB-MG nº 52.583, patrono do recorrente.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OAB-MG nº 52.583, patrono do recorrente.
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OABMG nº 52.583, patrono do recorrente. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/02/2012 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MECOMINAS MECANIZAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ/MF nº 19.814.193/000142, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 22/10/2007, notificação de lançamento, com ciência postal em 29/10/2007, decorrente da revisão da DITR do imóvel NIRF 4.684.0834, com área de 15.000,0 hectares, denominado de Fazenda Taboleiro I, no município de Riachão das Neves (BA), referente ao exercício 2004. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 543.198,00 MULTA DE OFÍCIO R$ 411.148,50 A autuação resumiuse a majorar o VTN declarado de R$ 2.000,00 (R$ 0,1333 por hectare) para o arbitrado de R$ 2.726.850,00 (R$ 181,79 por hectare), com base no SIPT, pois o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel. Encontrase juntado aos autos um pedido de prorrogação do prazo de interposição da impugnação, datado de 26 de novembro de 2007, por mais 30 dias, no qual o peticionante informava que estaria com dificuldades para juntar a documentação que aparelharia a impugnação, havendo diversas inconsistências em sua DITR. Em 26/12/2007 (fl. 44), o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, apresentando laudo técnico, que apurou um VTN de R$ 53,87 por hectare, agregando informações sobre área de descanso (1.450 hectares) e sobre o rebanho. Nessa peça impugnatória apenas faz breve menção às dificuldades para instrumentalizar sua defesa, o que teria levado ao pedido de prorrogação de prazo para apresentar a impugnação, não recepcionado pela DRFBBelo Horizonte (MG), porém enviado via sedex para a DRFBFeira de Santana (BA). Considerando a intempestividade da impugnação, a autoridade preparadora não processou a impugnação, obstando seu envio à DRJ, e apreciou as razões do contribuinte deduzidas na peça impugnatória perempta, rejeitandoas e mantendo incólume o lançamento, asseverando que não haveria mais qualquer recurso na via administrativa. Notificado da decisão acima em 17/04/2009, sextafeira, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/05/2009, defendendo a higidez do laudo técnico apresentado e da declaração do médico veterinário, provas suficientes para contraditar a pauta fiscal presumida do SIPT, e, se assim não compreender este CARF, devese reconhecer que a autuação tem claros efeitos confiscatórios, ao aplicar a alíquota de 20% sobre o valor da terra nua, o que terá o condão de expropriar o bem em um prazo de 05 anos, o que não pode ser aceito frente a atual ordem constitucional. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720118/200706 Acórdão n.º 210201.837 S2C1T2 Fl. 2 3 Os créditos tributários foram inscritos na dívida ativa da União. Irresignado com o não processamento de seu recurso voluntário pela autoridade preparadora, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), tendo o douto magistrado federal sentenciante concedido a segurança, determinando o processamento do recurso voluntário, já que somente o CARF teria competência para fazer o juízo de admissibilidade do apelo a si dirigido. Cancelada a inscrição da dívida, vieram os autos a este CARF para processamento e julgamento do recurso interposto. Da tribuna, em sustentação oral, o advogado do recorrente pugna pelo reconhecimento da nulidade da autuação, em decorrência da discrepância dos valores do VTN no SIPT, nos três exercícios em apreciação nesta sessão, do mesmo imóvel, na mesma localidade, bem como a nulidade do processamento da impugnação por autoridade incompetente. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Antes de tudo, passase a fazer o juízo de admissibilidade dos recursos interpostos nestes autos, como determinado na sentença prolatada no mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), que concedeu a segurança para tanto. Andou bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA) em não processar a impugnação para a Turma de Julgamento da DRJ, pois patentemente intempestiva a peça defensiva, sendo que o contribuinte apenas fez menção à dificuldade em instrumentalizar sua impugnação, o que teria levado a um pedido de prorrogação de prazo, o que sequer se encontra previsto no Decreto nº 70.235/72. A leitura combinada dos arts. 14 (A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento) e 15 (A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência) do Decreto nº 70.235/72 deixa claro que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, transformandoo em processo administrativo fiscal. Obviamente que o contribuinte, mesmo em uma impugnação intempestiva, pode defender a tempestividade dela, e, nesse caso, a impugnação deve ser processada e julgada pela Turma de Julgamento da DRJ, como entender de direito. Entretanto, nestes autos, não há na impugnação qualquer preliminar de defesa da tempestividade da impugnação, não se podendo aceitar que o relato sobre a complexidade de um Laudo com os requisitos da ABNT ou a dificuldade em contratar um profissional para o mister, como se viu na peça impugnatória, possa ser encarado como preliminar a defender a tempestividade da impugnação. O pedido de dilação do prazo não tem previsão no Decreto nº 70.235/72, e caberia ao contribuinte fazer sua defesa no prazo de 30 dias da impugnação, efetuando os aditamentos posteriores, quando deveria comprovar que a prova adicional estava Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 albergada pelos permissivos do art. 16, § 4º, “a” a “c”, do Decreto nº 70.235/72 (Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), o que não ocorreu nestes autos. Assim, na forma do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15/96, abaixo transcrito, escorreito o não processamento da impugnação pela autoridade preparadora da DRFBFeira de Santana (BA): Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15, de 12/07/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Apesar do não processamento da impugnação, a autoridade preparadora entendeu por bem apreciar ela mesma a inconformidade do contribuinte, com respeito ao princípio de petição e de autotutela da administração, rejeitando, ao final, a inconformidade. Assim, incabível o pedido de nulidade pugnado pela tribuna pelo Advogado do recorrente, porque se a peça impugnatória não podia ser processada, como acima se demonstrou, deveria ser apreciada pela autoridade preparadora, como de fato ocorreu. Já no Recurso Voluntário, o recorrente sequer se insurge contra o fato de sua peça impugnatória não ter sido processada dentro do rito do processo administrativo fiscal, passando a combater diretamente as matérias de mérito da autuação, em face do decidido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA). Somente o fez na tribuna, nesta sessão de julgamento, porém, como acima explicitado, inviável a declaração de nulidade pela apreciação da petição extemporânea denominada impugnação, pois a autoridade preparadora trilhou a orientação do ADN COSIT nº 15/96 e, dentro do poder de autotutela dos atos da administração, reviu de ofício o lançamento, mantendoo intocado. Indo mais além, na forma dos arts. 25, caput (O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete:), I (em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal) e II (em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial), e 37 (O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno), ambos do Decreto nº 70.235/72, combinado com o art. 1º do Regimento Interno do CARF (O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720118/200706 Acórdão n.º 210201.837 S2C1T2 Fl. 3 5 por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), compete às Turmas de Julgamento do CARF o julgamento dos recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. E, nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Com as considerações acima, fica prejudicada qualquer apreciação de mérito trazida no recurso voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 19711.000072/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
Ementa: SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE INSCRIÇÃO. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR.
Demonstrado nos autos que os débitos fiscais inibidores da inscrição da pessoa jurídica no SIMPLES NACIONAL foram parcelados, deve ser acatado o pedido de reintegração no sistema.
Numero da decisão: 1102-000.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2009 Ementa: SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE INSCRIÇÃO. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. Demonstrado nos autos que os débitos fiscais inibidores da inscrição da pessoa jurídica no SIMPLES NACIONAL foram parcelados, deve ser acatado o pedido de reintegração no sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Tomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho. 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: A contribuinte acima qualificada foi excluída do Simples Nacional pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) da DRF/CGE no 062839, de 22/08/2008, com efeitos a partir de 1°/01/2009, por possuir débitos com a Fazenda Pública Federal cuja exigibilidade não estava suspensa (fls. 05). Apresentou em 27/01/2009 solicitação de opção (fls. 1 011), que foi indeferida pela delegacia de origem ern razão de possuir débitos previdencidrio (fls. 09). Inconformada, questionou o indeferimento (fls. 01), argumentando que tinha parcelado o débito. A DRF/CGE, apreciando seu pedido, expediu o Parecer Sacat n° 0212/10, e respectivo Despacho Decisório (fls. 1819), sustentando que o parcelamento deveria ter sido feito até 20/02/2009 conforme Resolução CGSN n° 004/2007 alterada pela Resolução CGSN n° 54/2009. Intimado dessa decisão em 30/03/2009 a contribuinte apresentou impugnação em 26/04/2009 argumentando que formalizou o parcelamento em 27/03/2009 conforme a MP 449/2008 e que o pedido não foi feito anteriormente porque a própria Receita Federal regulamentou o procedimento a partir de 03/2009, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 001, de 10/03/2009. Por fim, requereu a inclusão no Simples Nacional a partir de 01/01/2009. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – MS, prolatou o Acórdão 0422.118 mantendo o entendimento exarado no Parecer Sacat nº 212/10. Posicionouse no sentido de que, apesar do argumento quanto aos débitos sob exame terem sido quitados, a interessada não trouxe certidão negativa ou positiva com efeito de negativa da PGFN/RFB que comprovaria sua regularidade fiscal, nem comprovantes das parcelas pagas; apenas o pedido formalizado em 27/03/2009. Afirmou ainda que se os débitos tivessem sido parcelados, como suscitado pela reclamante, seria possível a obtenção de certidão positiva com efeito de negativa. Aduz que a inexistência desse documento nos autos indicaria problemas cadastrais impeditivos da emissão, o que implicaria na impossibilidade de demonstração da regularidade fiscal, sendo tal ônus do sujeito passivo. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresenta recurso voluntário dirigido a este Colegiado ratificando as razões expedidas na manifestação de inconformidade. Traz guias de pagamento do parcelamento, extrato de pesquisa de débitos RFB e certidão conjunta positiva com efeitos de negativa. É o Relatório. Processo nº 19711.000072/200913 Acórdão n.º 1102 00699 S1C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO A interessada foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) mediante Ato Declaratório Executivo de 22/08/2008, com efeitos a partir de 01/01/2009, em função de possuir débitos exigíveis com a Fazenda Pública. Posteriormente, em 29/01/2009 ingressou com novo pedido de inscrição no regime que foi indeferido pelo mesmo motivo, tendo sido rejeitada a alegação de que foram parcelados os débitos que impediriam a reinclusão no sistema. O Parecer SACAT nº 0212/10, que formalizou o indeferimento, pronunciou se no sentido de que a empresa não teria efetuado a regularização dos débitos previdenciários que motivaram o indeferimento de sua opção até 20/02/2009 que foi a data limite para que as empresas que tivessem interesse em optar pelo Simples Nacional regularizassem suas pendências. Sendo assim, a empresa não preencheria os requisitos exigidos pela Lei Complementar 123/2006 para que a sua opção fosse deferida. A decisão teve como base o inciso I, do art. 21 da Resolução CGFN nº 004/2007, com a redação dada pela Resolução CGSN nº 54/2009, nos seguintes termos: Art. 21. O parcelamento de que trata o art. 20: I deverá ser requerido perante cada órgão responsável pelos respectivos débitos, tãosomente até o dia 20 de fevereiro de 2009, prazo no qual deverá ser paga a primeira parcela de cada pedido de parcelamento. O mencionado art. 20, com a redação dada pela Resolução CGFN nº 50/2008, remete à modalidade de parcelamento instituída pela Lei Complementar nº 123/2006: Art. 20. Poderão ser objeto do parcelamento de que trata o art. 79 da Lei Complementar nº 123, de 2006, os débitos com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, inclusive os inscritos em dívida ativa, com vencimento até 30 de junho de 2008. Esse parcelamento dirigese à regularização fiscal de devedores, com vistas a possibilitar o ingresso no Simples Nacional. O caput do mencionado dispositivo estabelece: Art. 79. Será concedido, para ingresso no Simples Nacional, parcelamento, em até 100 (cem) parcelas mensais e sucessivas, dos débitos com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas federal, estadual ou municipal, de responsabilidade da microempresa ou empresa de pequeno porte e de seu titular ou sócio, com vencimento até 30 de junho de 2008. 4 Até então, toda a normatização supra transcrita aplicarseia em sua plenitude ao caso sob exame; o que a princípio daria razão ao Parecer quando indeferiu a reinclusão da requerente no sistema por desobediência ao prazo para pagamento da cota inicial. Entretanto, o § 9º desse mesmo artigo traz uma restrição que exclui o presente caso das regras do parcelamento ali previstas: Art. 79 (........) § 9º O parcelamento de que trata o caput deste artigo não se aplica na hipótese de reingresso de microempresa ou empresa de pequeno porte no Simples Nacional Tendo em vista que a pessoa jurídica foi originalmente excluída do regime mediante ADE, tratase justamente de pedido de reingresso, o que excluiria a recorrente da modalidade de parcelamento prevista no dispositivo acima mencionado. Sob essa ótica, o entendimento manifestado no Parecer SACAT nº 0212/10 não pode prosperar, por ter sido exarado com base em legislação que não se aplica ao presente caso. Registrese, inclusive, que a interessada não faz qualquer menção nas peças de defesa ao parcelamento estabelecido no art. 79, da LC nº 123/2008. Sustenta que solicitou parcelamento sob as regras da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento tratou da questão sob outro prisma. Não mencionou qualquer descumprimento de prazo, mas deixou de acatar o pleito sob o argumento de que a recorrente não teria demonstrado a formalização do parcelamento que, afirmou, possibilitaria a emissão de certidão positiva com efeito de negativa o que não ocorreu. No que se refere à formalização do parcelamento, a recorrente trouxe aos autos (fl. 54) o Recibo de Solicitação De Benefício Para Dívidas De Pequeno Valor com data de 27/03/2009; tendo como base o art. 1º, da MP nº 449/2008, publicada em 04/12/2008. Como o art. 7º dessa mesma norma estabelece que a opção pelo parcelamento deve ser feita até último dia útil do terceiro mês subseqüente ao da publicação da MP (31/03/2009), o requerimento foi tempestivo. Apresenta também cópia de documentos de arrecadação (fls. 55/71) relativos ao pagamento das cotas do parcelamento, nos termos estipulados no § 6º, do art. 1º, da MP nº 449/2008. Por fim, traz certidão conjunta (fl. 53) PGFN/RFB positiva com efeitos de negativa, emitida em 06/11/2010. Assim, penso que foram supridas as pendências suscitadas pela decisão recorrida, motivo pelo qual voto por dar provimento ao recurso e acatar a reinclusão da pessoa jurídica no Simples Nacional, a partir de 01/01/2009. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Processo nº 19711.000072/200913 Acórdão n.º 1102 00699 S1C1T2 Fl. 3 5
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Numero do processo: 13982.000214/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2007, 2008
MPF. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA.
A ciência do MPF e de suas prorrogações é feita por intermédio do acesso à internet, garantido ao contribuinte através de senha sigilosa.
DESPESA. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE.
As despesas que se revelarem desnecessárias ou não usuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real.
DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE.
A qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica como despesas dedutíveis na determinação do lucro real, está subordinada a normas específicas da legislação do imposto de renda, que fixam o conceito próprio de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da imputabilidade, ou não, das cifras correspondentes para aquele efeito.
DESPESAS FINANCEIRAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES.
As despesas com remuneração aos sócios da autuada, correspondentes à operação com debêntures, a pretexto de captar recursos para dotar a companhia de um novo sistema de gestão, não podem ser deduzidas do lucro liquido, na medida em que se comprova nos autos que deixaram de reunir as condições necessárias estabelecidas pela legislação fiscal.
MULTA QUALIFICADA.
A constatação de conduta fraudulenta praticada com intuito de reduzir a base imponível enseja a aplicação de multa qualificada.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual.
Numero da decisão: 1202-000.728
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, João Carlos de Figueiredo Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que desqualificavam a multa de ofício para
o percentual de 75% e cancelavam a imposição da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Exercício: 2007, 2008 MPF. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. A ciência do MPF e de suas prorrogações é feita por intermédio do acesso à internet, garantido ao contribuinte através de senha sigilosa. DESPESA. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE. As despesas que se revelarem desnecessárias ou não usuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE. A qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica como despesas dedutíveis na determinação do lucro real, está subordinada a normas específicas da legislação do imposto de renda, que fixam o conceito próprio de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da imputabilidade, ou não, das cifras correspondentes para aquele efeito. DESPESAS FINANCEIRAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. As despesas com remuneração aos sócios da autuada, correspondentes à operação com debêntures, a pretexto de captar recursos para dotar a companhia de um novo sistema de gestão, não podem ser deduzidas do lucro liquido, na medida em que se comprova nos autos que deixaram de reunir as condições necessárias estabelecidas pela legislação fiscal. MULTA QUALIFICADA. A constatação de conduta fraudulenta praticada com intuito de reduzir a base imponível enseja a aplicação de multa qualificada. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual.
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PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. A ciência do MPF e de suas prorrogações é feita por intermédio do acesso à internet, garantido ao contribuinte através de senha sigilosa. DESPESA. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE. As despesas que se revelarem desnecessárias ou não usuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE. A qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica como despesas dedutíveis na determinação do lucro real, está subordinada a normas específicas da legislação do imposto de renda, que fixam o conceito próprio de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da imputabilidade, ou não, das cifras correspondentes para aquele efeito. DESPESAS FINANCEIRAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. As despesas com remuneração aos sócios da autuada, correspondentes à operação com debêntures, a pretexto de captar recursos para dotar a companhia de um novo sistema de gestão, não podem ser deduzidas do lucro liquido, na medida em que se comprova nos autos que deixaram de reunir as condições necessárias estabelecidas pela legislação fiscal. MULTA QUALIFICADA. A constatação de conduta fraudulenta praticada com intuito de reduzir a base imponível enseja a aplicação de multa qualificada. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 630 2 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, João Carlos de Figueiredo Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que desqualificavam a multa de ofício para o percentual de 75% e cancelavam a imposição da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida Miranda Finamore Horta, João Carlos de Figueiredo Neto e Viviane Vidal Wagner. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 631 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pelo contribuinte contra decisão de primeira instância que manteve os autos de infração de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício de 150%, referentes aos anos calendário 2006 e 2007, em razão de glosa de despesas com emissão de debêntures, além de Multa Exigida Isoladamente, por falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre base de cálculo estimada, nos períodos mensais de 31/01/2006, 30/10/2006 a 31/12/2006 e 31/01/2007 a 30/11/2007. Do “Termo de Verificação Fiscal Auto de Infração de IRPJ e CSLL” (fls.438 a 453), extraemse, em resumo, as seguintes informações (grifos no original): 3. Das Operações com Debêntures Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls.46), o contribuinte foi instado a apresentar os documentos que estribaram os lançamentos contábeis ali mencionados, relativamente ao ano calendário de 2006 e 2007, e que se referem à operação de emissão de debêntures. Da mesma forma, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 04 (fls.48) ao contribuinte foi requestado para que esse explicasse qual a natureza e a origem dos valores lançados na conta contábil DESPESAS FINANCEIRAS – DEBÊNTURES relativas aos anos calendário 2006 e 2007. Em resposta, o contribuinte limitouse a apresentar a esta fiscalização os documentos de fls.89 a 137, dos quais se extraem as conclusões que seguem. 3.1 DA EMISSÃO DE DEBÊNTURES EM 28/06/2006 Em 28/06/2006, conforme documentos a fls.93 a 96, a empresa BONDIO emitiu 300.000 (trezentas mil debêntures) em série única, no valor nominal unitário de R$ 1,00, tendo sido as mesmas subscritas, conforme documento de fls.94, pelo valor nominal acrescido de 1.371% de ágio. O valor a ser integralizado a partir desse ágio seria de R$ 4.413.000,00. A escritura de emissão de debêntures está coligida às fls.117 a 121. A remuneração pactuada para as debêntures em questão foi a participação de 85% nos lucros da BONDIO antes dos impostos, excluídos os valores de equivalência patrimonial na proporção de 85% (oitenta e cinco por cento) destes, (lucros), sendo devida mensalmente à medida que o lucro for sendo auferido, no período de 31 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 632 4 de julho de 2006 a 31 de agosto de 2007. (fls.118 – item 11). Segundo consta, a integralização destas debêntures se deu pela conversão do passivo da BONDIO para com seus acionistas, ou seja, os adquirentes das debêntures foram os próprios acionistas da BONDIO (fls. 118 item 10). [...] De acordo com o lançamento contábil supra transcrito a integralização destas debêntures se efetivou em espécie, ou seja, via caixa. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls.46) a autuada foi instada a apresentar os documentos relativos aos recebimentos destes recursos. Quanto a esta solicitação, o contribuinte quedouse inerte. 3.2 Da Emissão de Debêntures em 31/05/2007 Em 31/05/2007, conforme documentos a fls.97 a 100, a empresa BONDIO emitiu 300.000 (trezentas mil debêntures) em série única, no valor nominal unitário de R$ 1,00, tendo sido as mesmas subscritas, conforme documento de fls.94, pelo valor nominal acrescido de 1.371% de ágio. O valor a ser integralizado a partir desse ágio seria de R$ 4.413.000,00. A escritura de emissão de debêntures está coligida às fls.117 a 121. A remuneração pactuada para as debêntures em questão foi a participação de 85% nos lucros da BONDIO antes dos impostos, excluídos os valores de equivalência patrimonial na proporção de 85% (oitenta e cinco por cento) destes, (lucros), sendo devida mensalmente à medida que o lucro for sendo auferido, no período de 31 de maio a 31 de agosto de 2007. (fls.123 – item 11). Segundo consta, a integralização destas debêntures se deu pela conversão do passivo da BONDIO para com seus acionistas, ou seja, os adquirentes das debêntures foram os próprios acionistas da BONDIO (fls. 123 item 10). [...] De acordo com o lançamento contábil supra transcrito a integralização destas debêntures se efetivou em espécie, ou seja, via caixa. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls.46)a autuada foi instada a apresentar os documentos relativos aos recebimentos destes recursos. Quanto a esta solicitação, o contribuinte quedouse inerte. 3.3 Da Emissão de Debêntures em 31/08/2007 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 633 5 Em 31/08/2007, conforme documentos a fls.101 a 104, a empresa BONDIO emitiu 300.000 (trezentas mil debêntures) em série única, no valor nominal unitário de R$ 1,00, tendo sido as mesmas subscritas, conforme documento de fls.102, pelo valor nominal acrescido de 1.371% de ágio. O valor a ser integralizado a partir desse ágio seria de R$ 4.413.000,00. A escritura de emissão de debêntures está coligida às fls.128 a 132. A remuneração pactuada para as debêntures em questão foi a participação de 85% nos lucros da BONDIO antes dos impostos, excluídos os valores de equivalência patrimonial na proporção de 85% (oitenta e cinco por cento) destes, (lucros), sendo devida mensalmente à medida que o lucro for sendo auferido, no período de 31 de agosto de 2007 a 31 de outubro de 2007. (fls.129 – item 11). Segundo consta, a integralização destas debêntures se deu pela conversão do passivo da BONDIO para com seus acionistas, ou seja, os adquirentes das debêntures foram os próprios acionistas da BONDIO (fls. 129 item 10). [...] De acordo com o lançamento contábil supra transcrito a integralização destas debêntures se efetivou em espécie, ou seja, via caixa. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls.46) a autuada foi instada a apresentar os documentos relativos aos recebimentos destes recursos. Quanto a esta solicitação, o contribuinte quedouse inerte. 3.4 Da Emissão de Debêntures em 31/10/2007 Em 31/10/2007, conforme documentos a fls.105 a 108, a empresa BONDIO emitiu 300.000 (trezentas mil debêntures) em série única, no valor nominal unitário de R$ 1,00, tendo sido as mesmas subscritas, conforme documento de fls.106, pelo valor nominal acrescido de 435,67% de ágio. O valor a ser integralizado a partir desse ágio seria de R$ 1.607.010,00 A escritura de emissão de debêntures está coligida às fls.133 a 137. A remuneração pactuada para as debêntures em questão foi a participação de 85% nos lucros da BONDIO antes dos impostos, excluídos os valores de equivalência patrimonial na proporção de 85% (oitenta e cinco por cento) destes, (lucros), sendo devida mensalmente à medida que o lucro for sendo auferido, no período de 31 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 634 6 de outubro de 2007 a 31 de dezembro de 2007. (fls.134 – item 11). Segundo consta, a integralização destas debêntures se deu pela conversão do passivo da BONDIO para com seus acionistas, ou seja, os adquirentes das debêntures foram os próprios acionistas da BONDIO (fls. 134 item 10). [...] De acordo com o lançamento contábil supra transcrito a integralização destas debêntures se efetivou em espécie, ou seja, via caixa. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls.46)a autuada foi instada a apresentar os documentos relativos aos recebimentos destes recursos. Quanto a esta solicitação, o contribuinte quedouse inerte. 4. Das Despesas Financeiras Glosadas 4.1 Das Despesas Financeiras Não Comprovadas Após os lançamentos iniciais de subscrição e integralização das debêntures na forma acima detalhada, a conta Debêntures a Pagar – Passivo foi recebendo a crédito lançamentos mensais que possuem como contrapartida a conta Despesas Financeiras – Debêntures, conforme cópia dos balancetes a fls. 346 a 405, nas datas e valores demonstrado na planilha de fls.418. [...] Em 18/02/2010, encaminhamos ao autuado o Termo de Intimação Fiscal nº 004 (fls.48 a 49), no qual foi solicitada explicação sobre a que se referem os lançamentos efetuados na conta de despesa financeira acima mencionada, bem como que fossem apresentados os documentos que estribaram tais lançamentos. Até a presente data, não recebemos resposta do contribuinte. Conforme acima mencionado, foram identificados expressivos lançamentos na conta contábil Despesas Financeiras – Debêntures (fls.346 a 405), para os quais o contribuinte, ainda que regularmente intimado não logrou comprovar sua efetividade. [...] É de se destacar que a autuada no período abrangido por esta fiscalização foi optante do regime de tributação pelo lucro real – anual (fls.283/299), sendo assim aplicável o disposto no artigo 251 e no artigo 264 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: Fl. 634DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 635 7 [...] Com arrimo neste preceito é que o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos relativos aos valores lançados na conta despesa Despesas Financeiras – Debêntures (fls.345 a 405), visto que é pressuposto básico de dedução das despesas para fim de apuração do resultado tributável a sua necessidade conforme previsto no art.47 da Lei nº 4.506 de 1964, consolidado no art.299 do Decreto 3.000/99, que assim estabelece: [...] Depreendese do texto legal que as despesas para serem dedutíveis devem ser necessárias à realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. [...] Sendo assim, frente à inércia do contribuinte em comprovar com documentos hábeis e idôneos a existência e a efetividade das despesas contabilizadas na conta de Despesas Financeiras – Debêntures (fls.346 a 405), glosamos tais valores e reconstituímos o resultado do exercício da autuada. Afora a não apresentação da documentação hábil e idônea a comprovar a existência e a efetividade das despesas financeiras contabilizadas pelo contribuinte, a glosa das despesas em questão também se justifica pelos seguintes motivos. 4.1.2 Da Participação nos Lucros Asseguradas em Debêntures – Indedutibilidade e das OPERAÇÕES EFETUADAS SOMENTE no “PAPEL”. Em que pese a inércia do contribuinte em esclarecer qual a procedência dos valores lançados na conta Despesas Financeiras – Debêntures, vislumbramos a hipótese destes valores se referirem a participação nos lucros da autuada, participação esta assegurada no instrumento de emissão das debêntures. (fls.94 item 11, fls.98, item 11, fls.102 – item 11 e fls.106, item 11). [...] Como já demonstrado, as debêntures emitidas pela atuada foram adquiridas unicamente por seus acionistas nas seguintes condições. [...] Os valores acima relacionados foram compulsados na escrituração contábil a fls.316 a 320, ou seja, as debêntures foram integralizadas em espécie, conforme lançamento na conta caixa. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 636 8 Acontece que regularmente intimado a comprovar o efetivo recebimento desta quantia, fls.46 – item 4 e 5, o contribuinte quedouse inerte. Ademais, analisando as Declarações de Imposto Renda Pessoa Física – DIRPF dos acionistas acima mencionados, extraemse as seguintes conclusões: [...] em suma: Não consta a aquisição de debêntures da BONDIO. Ademais, sua origem de recursos declarada (R $0 f 0013 ) está bem aquém do valor contabilizado pela empresa BONDIO Da leitura da escrituração contábil da autuada também emerge que quanto (sic) da integralização da segunda emissão de debêntures, em 02/02/2007 (fls.316/317 – itens 1 a 5) a qual como já dito foi integralizada em espécie, neste mesmo dia, houve o resgate (pagamento pela BONDIO) relativo a remuneração devida pela primeira integralização, ou seja, pagamento via caixa para os mesmos adquirentes das novas debêntures, conforme fls.321 – linha 609/611/613/615/617. A sistemática mencionada no parágrafo anterior se repete para todas as demais aquisições de debêntures. Ou seja, no dia em que os acionistas integralizam a aquisições de debêntures (entrada via caixa) são efetuados pagamentos (saídas do caixa) no mesmo valor aos acionistas por conta de resgate da emissão anterior de debêntures. Se não vejamos: [...] Não identificamos na DIRPF dos acionistas qualquer informação dando conta que os mesmos tivessem recebido a título de resgate de debêntures os valores acima descritos. Da mesma forma, não identificamos a retenção e/ou recolhimento do IRF o qual seria devido sobre estes pagamentos. Por tudo o exposto, concluise que não EXISTIRAM as operações de integralização ou resgate na forma contabilizada pela autuada, tratase de OPERAÇÕES REALIZADAS SOMENTE NO “PAPEL”. Por sua vez, as debêntures, cujo disciplinamento jurídico encontrase nos artigos 52 a 74 da Lei 6.404/76 (Lei das S/A) foram concebidas como instrumento de captação de recursos financeiros para a companhia, mediante o atendimento de diversas formalidades. Os recursos captados através de debêntures são equiparáveis ao obtido através de um contrato de mútuo, pois as companhias que emitem debêntures estão, na verdade, em busca de um empréstimo. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 637 9 Não é esta a realidade fática constatada durante a fiscalização, pois, como já repisado, não houve ingresso de novos recursos para a empresa em nenhuma das operações de emissão de debêntures. Sobre o tema, o Parecer Normativo CST nº 32, de 17 de agosto de 1981, que discorre sobre os requisitos para dedutibilidade de uma despesa assevera que: “3. A qualificação dos dispêndios de pessoa jurídica, como despesas dedutíveis na determinação do lucro real, está subordinada a normas específicas da legislação do imposto de renda, que fixam conceito próprio de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da imputabilidade ou não das cifras correspondentes para aquele efeito. 4. [...] o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de “usualidade” deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio.” Como já dito, a emissão de debêntures é normalmente utilizada para captação de recursos necessários aos negócios de uma empresa. No entanto, as despesas decorrentes da operação devem submeterse ao crivo da necessidade, usualidade e normalidade. Apesar de existirem registros contábeis e a escritura de emissão de debêntures, conforme já demonstrado, não houve o acréscimo na movimentação financeira. Ou seja, as operações ocorreram somente “no papel”. O Parecer Normativo antes citado enfatiza a idéia de que os custos ou despesas com participações somente seriam dedutíveis se fossem necessários à atividade operacional da empresa. Isso é o mesmo que preconiza o art.299 do decreto 3.000/99, conforme precedentes do 1º Conselho de Contribuintes: DESPESAS DE DEBÊNTURES. DEDUTIBILIDADE. A dedução das despesas decorrentes das obrigações relativas a debêntures está condicionada, entre outras, à efetiva captação de novos recursos financeiros inerente à emissão desses títulos. (1º CC, 3ª Câmara, acórdão 103 21.543). Fl. 637DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 638 10 DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. Restando caracterizado o caráter de liberalidade dos pagamentos aos sócios, decorrentes de operações formalizadas apenas “no papel” e que transformaram lucros distribuídos em remuneração de debêntures, consideramse indedutíveis as despesas contabilizadas. (1º CC, 1ª Câmara, acórdão 10194.986). [...] Sendo assim, além das razões esposadas no item 4.1 (GLOSA DE DESPESA NÃO COMPROVADA) também cabem os argumentos aqui trazidos à baila (INDEDUTIBILIDADE) a fim de justificar as glosas efetuadas pela fiscalização. [...] 5.1 Da Multa Isolada de IRPJ Para os anos calendário abrangidos por esta autuação, o contribuinte optou por pagamento mensal do IRPJ com a base de cálculo estimada em função de balancetes de redução e de suspensão. (fls.142 a 153 e 168 a 179) de acordo com o previsto no artigo 12 §5º “b” e artigo 13 da IN SRF 93, de 24 de dezembro de 1997. Em decorrência da glosa de despesa financeira amiudada no item 4 deste relato, mister se faz recalcularmos os IRPJ devido pela autuada. Sendo assim, os balancetes de suspensão constantes do Livro LALUR (fls.142 a 153 e 168 a 179) foram modificados na forma discriminada nas planilhas de fls.419/420, a qual é assim composta. [...] O valor da multa de que trata a linha 9 acima, corresponde a 50% sobre o IRPJ a pagar e não solvido, conforme previsto na alínea “b” do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, multa esta informada no auto de infração de fls.03 a 12 como a infração: 002 MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. 5.2 Da Multa Isolada de CSLL Para os anos calendário abrangidos por esta autuação, o contribuinte optou por pagamento mensal da CSLL com a base de cálculo estimada em função de balancetes de redução e de suspensão. (fls.154 a 165 e 180 a 191) de acordo com o previsto no artigo 12 §5º “b” e artigo 13 da IN SRF 93, de 24 de dezembro de 1997. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 639 11 Em decorrência da glosa de despesa financeira amiudada no item 4 deste relato, mister se faz recalcularmos a CSLL devida pela autuada. Sendo assim, os balancetes de suspensão constantes do Livro LALUR (fls.154 a 165 e 180 a 191) foram modificados na forma discriminada nas planilhas de fls.420/421, a qual é assim composta. [...] O valor da multa de que trata a linha 9 acima, corresponde a 50% sobre a CSLL a pagar e não solvida, conforme previsto na alínea “b” do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, multa esta informada no auto de infração de fls.22 a 30 como a infração: 002 MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. [...] 7. DA MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício considerada na presente autuação foi a de 150%, haja vista a conduta adotada pelo contribuinte a qual teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela empresa em epígrafe, mediante as seguintes ações/omissões: a) inserção em sua contabilidade de elementos inexatos, visto que, como já demonstrado, o contribuinte realizou lançamentos fictícios referentes à emissão de debêntures a fim de se utilizar indevidamente despesas não necessárias à atividade da empresa, reduzindo assim o resultado tributável. b) Declarar nas DIPJ’s respectivas (fls.283 a 314), enquanto resultado, valores inferiores ao efetivamente ocorrido. c) Omitir nas DCTF’s entregues o valor dos créditos tributários devidos à Fazenda Nacional (fls.258 a 282). Relevante notar que a conduta adotada pelo contribuinte se materializa por todo o período abrangido por esta autuação, e que, pela expressividade do lançamento demonstra que não houve um mero erro de fato. Por tudo o exposto, concluise que o autuado incorreu no disposto nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude. [...] Fl. 639DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 640 12 Na impugnação, foram expostas as seguintes razões, apresentadas de forma resumida no acórdão recorrido, cujo trecho ora se reproduz: Das alegações preliminares Nulidade formal – vícios insanáveis – extinção do Mandado de Procedimento Fiscal pelo decurso de prazo nele previsto; transcreve artigos da Portaria SRF 6.087/05 (fls.479 a 481) e destaca que foi revogada pela Portaria SRF 4.066/2007, a qual estabelece que o sujeito passivo será cientificado do MPF na forma do art.23 do decreto 70.235/72 (PAF), onde transcreve seu art.4º (fls.481); que esta modificação reconhece a necessidade de intimação pessoal do sujeito passivo fiscalizado de cada ato praticado pelo fisco; que na portaria anterior, a intimação do contribuinte se dava pela forma eletrônica (internet) e agora, ficou assente que toda a comunicação ao sujeito passivo deve obedecer o disposto no art.23 do Decreto 70.235/72, que transcreve a fl.482; que o MPF sofreu modificações com a Portaria RFB 11.371, de 12/12/2007, onde transcreve vários de seus artigos (fls.482 a 495); que o MPF inicial da fiscalização tinha prazo para execução até o dia 04/03/2010 (fl.52) e que a impugnante foi intimada por AR da conclusão da fiscalização somente em 09/04/2010, o que indica que o prazo para conclusão do MPF inicial não foi cumprido, resultando na sua extinção e, conseqüentemente, na nulidade de todo o procedimento fiscal; ainda que conste da fl.53 que o prazo do MPF é 03/05/2010, em todas as movimentações e despachos proferidos pelo Sr. Delegado da Receita Federal de Joaçaba, as únicas modificações ao MPF são as relativas às seguintes movimentações (vide fl.52): a) em 06/11/2009, para determinar verificações obrigatórias; e b) em 18/02/2010, para modificar o período de abrangência da fiscalização da CSLL para 01/2006 até 12/2008; nada mais; transcreve excertos doutrinários e ementas de julgados do Conselho de Contribuintes (fls.486 a 488); que se assim não for, de modo a permitir que a autoridade fiscal, ao seu livre arbítrio extrapole o prazo do MPFF inicial, ou dos MPF prorrogações, ou emita novo MPF pretendendo convalidar atos praticados no desvio do que prescrito na lei, logo se estará ignorando por completo a figura do MPF, o que o tornará nulo, enfim, sem qualquer valor, representando um grande retrocesso no relacionamento entre contribuintes e fisco; seriam nulos, então, os lançamentos; DAS ALEGAÇÕES QUANTO AO MÉRITO Fl. 640DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 641 13 Da emissão de debêntures – negócio previsto em lei – formalidades legais cumpridas – inocorrência da infração; que os lançamentos de despesas financeiras com a emissão de debêntures emitidas pela impugnante tiveram por base legal a apropriação das despesas e do ágio, o disposto nos arts.38 e 58 do DecretoLei 1.598/77 (que transcreve às fls.489/490); tendo em vista que a lei assegura ao contribuinte (sociedade anônima) a dedução das despesas com o lançamento de debêntures, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a impugnante efetuou os lançamentos contábeis necessários e cabíveis no sentido de reconhecer estas despesas, tudo nos exatos termos da lei; esta despesa foi glosada pelo fisco, ao argumento de que não teria a impugnante comprovado a sua efetiva ocorrência; entretanto, segundo as atas e escrituras de emissão, bem como dos recibos de pagamento e dos lançamentos fiscais e declarações de rendimentos constantes destes autos administrativos, fica evidenciada a licitude da despesa, cujos lançamentos e documentos estão todos reconhecidos e arquivados pela Junta Comercial – JUCESC e pela própria Receita Federal (DIPJ); traz excerto doutrinário acerca do conceito de debêntures e transcreve artigos da Lei das S/A que regulam a emissão de debêntures (fls.490 a 493); assim, observados os procedimentos legais em relação à sua forma e, estando absolutamente comprovada a verdadeira intenção da empresa emitente em captar os recursos através da emissão de debêntures lastreadas em participação nos lucros futuros e, igualmente comprovada a verdadeira intenção dos adquirentes dos respectivos títulos, o negócio faz lei entre as partes e deve, nos termos do Decretolei 1.598/77 (art.58), ser respeitado pela fiscalização do imposto de renda, que deve admitir a dedutibilidade desta despesa com ágio no cálculo do lucro real e conseqüentemente do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ. O mesmo ocorre em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; nesta linha, reproduz extenso acórdão então proferido pelo Conselho de Contribuintes (fls.494 a 504) para concluir que a emissão das debêntures preencheu os requisitos formais, sendo perfeitamente possível o abatimento destas despesas financeiras e ágio do IRPJ e da CSLL, nos termos dos arts.38 e 58 do Decretolei 1.598/77, devendo, por isso mesmo, serem anulados os autos de infração do IRPJ e da CSLL; Da necessidade de desqualificação da multa de ofício no que se referir à aplicação da multa qualificada de 150%, é evidente que a penalidade a ser aplicada à impugnante, segundo o que consta dos autos, não pode Fl. 641DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 642 14 ultrapassar o percentual de 75%, definido no inciso I do art.44 da lei 9.430/96; o que se pode concluir da narrativa dos fatos, confirmado pelos documentos juntados, é que os valores exigidos pelo fisco através dos lançamentos aqui debatidos foram apurados justamente a partir das informações repassadas espontaneamente pela impugnante ou pela sua própria contabilidade, sem qualquer tentativa de maquiar situação de fato no sentido de tentar impedir ou evitar a exigibilidade do tributo; nenhum documento que embasa o auto de infração debatido foi obtido que não pela espontânea apresentação pela impugnante, atendendo às intimações fiscais; as autoridades fiscais, quando da lavratura dos lançamentos, entenderam que ficou demonstrada a sonegação fiscal pelo impugnante por fraude, tal como definida pelo art.71 da Lei 4.502/64; cremos, contudo, que não ocorreu a fraude apontada pelos agentes fiscais, uma vez que nos termos do art.71 da Lei 4.502/64, sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, pela autoridade fazendária, o conhecimento dos fatos; (transcreve a fl.505); segundo se aufere dos autos, as multas qualificadas de 150% foram aplicadas unicamente por supostas infrações descritas como omissão de rendimentos e de documentos; contudo, é certo ainda que as infrações apontadas pelos agentes fiscais não caracterizam o ato de fraude dolosa tal como delineado pelo art.71 da Lei 4.502/64, o que afasta a aplicação da penalidade qualificada de 150%, devendo reduzida a penalidade para 75%, nos termos do inciso I do art.44 da Lei 9.430/96 (neste sentido traz ementas de julgados do CC, fls.505/506); é inegável que todo o procedimento de fiscalização contou com a participação espontânea do contribuinte, até porque as supostas infrações e tidas como qualificadas ficaram caracterizadas unicamente a partir dos documentos e pela contabilidade apresentados pela impugnante, que não impôs, de nenhuma maneira, qualquer barreira aos andamentos normais da fiscalização, tendo unicamente sido constatadas supostas faltas simples, o que autoriza unicamente a aplicação da multa no percentual de 75%; lembra da possível aplicação do art.112 do CTN. Da inaplicabilidade da multa isolada sobre o IRPJ e CSLL após reproduzir os termos da infração (fls.507/508), arremata que a multa de 50% exigida isoladamente é indevida, haja vista que a infração supostamente praticada é a mesma Fl. 642DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 643 15 que gerou a aplicação da multa de ofício já fixada no percentual de 150%; de fato, o que ocorre é a aplicação de duas multas (uma de 150% e outra de 50%) sobre a mesma suposta infração, qual seja, a glosa de despesas financeiras geradas pela emissão de debêntures; deste modo, se as despesas financeiras das debêntures foram glosadas e o fisco já exige o tributo (IRPJ e CSLL) supostamente devido e inadimplido, acrescido de multa de ofício qualificada de 150%, não há como exigir nova multa de ofício, desta vez no percentual de 50%, sobre os mesmos tributos; essa prática é indevida e não encontra amparo legal, devendo, por isso, ser cancelada; que, mesmo em admitindose esta aplicação cumulativa, ainda assim esta multa de 50% é indevida, pela (a) própria lei indicada no Auto, no caso, a alínea “b” do inciso II do art.44 da Lei 9.430/96 (que transcreve a fl.509), pelos (b) balancetes de suspensão indicados pelo fisco, que diferentemente do alegado pelo fisco, a impugnante não foi optante pelo lucro real anual com recolhimentos mensais por estimativa, mas sim pelo lucro real anual, com base em balanços ou balancetes de suspensão do imposto, e (c) as DIPJ’s da Impugnante comprovam que de fato a impugnante foi optante pelo lucro real anual com suspensão dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL, com base em balanços ou balancetes mensais, nos termos assegurados pelos arts. 35 e 57, ambos das Lei 8.981/95; ainda com relação a este tema, alega que o fisco aplicou a multa isolada sobre os “não recolhimentos” de IRPJ e CSLL relativamente aos meses (fatos geradores) de 01/2006 até 12/2008; todavia, o dispositivo legal indicado pelo fisco (alínea “b” do inciso II do art.44 da Lei 9.430/96) foi criado ou incluído pela Lei 11.488, de 15/06/2007, o que afasta tal pretensão nos termos dos princípios da legalidade, da irretroatividade da lei e da anualidade. A DRJ/Florianópolis julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. CIÊNCIA FORMAL DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE. O MPF inicial possui código de acesso à internet, permitindo que o sujeito passivo, sempre que necessitar, acesse o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, sendo desnecessária a ciência formal no documento, eis que, além de no demonstrativo não existir campo próprio para tanto, a norma de regência não traz tal exigência. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 644 16 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE. A qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica como despesas dedutíveis na determinação do lucro real, está subordinada a normas específicas da legislação do imposto de renda, que fixam o conceito próprio de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da imputabilidade, ou não, das cifras correspondentes para aquele efeito. DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. As despesas com remuneração aos acionistas e/ou administradores da autuada, correspondentes à operação com debêntures não podem ser deduzidas do lucro líquido, na medida em que se comprova nos autos que deixaram de reunir as condições necessárias estabelecidas pela legislação fiscal. DESPESAS DE DEBÊNTURES. DEDUTIBILIDADE. A dedução das despesas decorrentes das obrigações relativas a debêntures está condicionada, entre outras, à efetiva captação de novos recursos financeiros inerente à emissão desses títulos, circunstância não verificada no presente caso. Lançamento Decorrente. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício. Legitimidade. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada mensal. Data: 31/01/2006, 31/10/2006 a 31/12/2006 e 31/01/2007 a 30/11/2007. Cabível a multa isolada decorrente do recálculo da base estimada mensal em face da glosa de despesas. Esta multa não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre imposto/CSLL não recolhido no final de seu período de Fl. 644DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 645 17 apuração (anual, no caso), pois tais penalidades incidem sobre bases de cálculo distintas, associadas, assim, a condutas diferentes. A pessoa jurídica optante pela apuração do IRPJ/CSLL com base no lucro real anual deve promover o recolhimento das estimativas mensais, a título de antecipação do referido tributo, com base na receita bruta e acréscimos, ou valendose de balanços de suspensão ou redução. A falta de recolhimento das estimativas, na forma da lei, enseja a aplicação de penalidade, exigida isoladamente, correspondente a cinquenta por cento do valor do pagamento mensal não efetuado. Cientificado da decisão em 25/07/2010 (fl.553), o contribuinte apresenta recurso voluntário em 10/08/2010 (fls. 554 e ss.), no qual, basicamente, repisa os argumentos da impugnação. Em contrarrazões, a PGFN rechaça inicialmente os argumentos da recorrente quanto à nulidade do lançamento em razão do prazo de validade do MPF, citando o art. 4º da Portaria RFB nº 1.371/2007 e o fornecimento do código de acesso à página na internet, que dispensam a intimação pessoal da prorrogação, como se deu no caso. Quanto ao mérito, sustenta em tópicos distintos a manutenção do lançamento, alegando, em resumo, o seguinte. 1) Sobre a indedutibilidade da remuneração com debêntures Sustenta que o cerne da discussão não recaiu sobre a forma jurídica do negócio, mas sobre a análise dos efeitos econômicos e tributários dos registros contábeis a título de despesa decorrente da emissão de debêntures, citando o art. 118 do CTN. Aduz que os mecanismos utilizados pela Recorrente para contrair os empréstimos decorrentes da emissão de debêntures revelaram que ela praticou operações circulares e artificiosas com escopo precípuo de reduzir a carga tributária. Destaca alguns aspectos comuns das operações que, quando analisados conjuntamente, confirmam a forja da despesa com remuneração de debêntures: 1) Emissão de debêntures cuja remuneração alcança 85% dos lucros da companhia emitente; 2) As adquirentes das debêntures foram os próprios acionistas da Recorrente; 3) Inexistência de prova de que o valor da emissão das debêntures tenha sido integralizado pelos sócios em espécie; 4) Os referidos títulos foram emitidos na exata proporção dos valores de resgates da emissão anterior de debêntures , com prazos de vencimento exíguos (13, 3 e 2 meses). Destaca, ainda, que foi constatado pela fiscalização que: Fl. 645DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 646 18 1) A Recorrente não explicou a natureza dos valores da conta “Despesas Financeiras — Debêntures", tampouco apresentou documentação para comprovar sua efetividade (fls. 443); 2) Em que pese a Recorrente ter contabilizado que os acionistas adquirentes das debêntures as integralizaram em dinheiro (fls. 445/447): 2.1) não consta nas DIRPFs daqueles adquirentes obtenções de tais títulos, tampouco retenção de IRFonte; 2.2) os recursos declarados pelos acionistas nas DIRPFs estariam bem aquém do valor contabilizado (em dinheiro ), supostamente recebido pela Recorrente; 3) Inexistiu qualquer entrada de capital externo na operação; 4) A partir da segunda emissão de debêntures (02/01/2007), cuja integralização também teria sido em espécie, perpetuouse a sistemática de efetuar o resgate (pagamento pela Recorrente) relativo à remuneração devida no mesmo valor e no mesmo dia pela primeira integralização. Conclui que, no caso, não se verifica a possibilidade de dedução de remuneração de debêntures como despesas, na forma da lei. Refere que a finalidade do art. 58 do Decretolei nº 1598/77, fundamento legal do art. 462, I, do RIR/99, que prevê a dedutibilidade, do lucro líquido, das participações nos lucros asseguradas a debêntures emitidas pela empresa, foi analisada no Parecer Normativo CST nº 299, DOU de 7/12/78, que concluiu que estas têm natureza contábil e jurídica de despesa. Diante disso, é possível averiguar se essa despesa enquadrase ou não nos critérios de dedutibilidade. Acrescenta que as participações nos lucros das pessoas jurídicas, asseguradas às debêntures de sua emissão, somente se caracterizam como deduções no lucro líquido quando reduzirem o montante do lucro a ser distribuído aos acionistas. No caso, a redução dos lucros da empresa através de despesas se deu em benefício dos próprios acionistas, às expensas do Fisco e sem qualquer comprovação de sua efetividade Cita decisão da Câmara Superior no processo nº 18471.002941/200277, em que se rechaçou uma série de operações realizadas em sequência, sem causa real, consubstanciadas na emissão de debêntures cuja remuneração consistia em um elevado percentual de participação nos lucros, tendo como adquirentes os próprios acionistas, sem capitalização de recursos financeiros externos de terceiros. O julgamento confirmou que tais condutas, semelhantes ao caso, tiveram como finalidade única evitar a incidência de tributos que normalmente seriam devidos ao Fisco. Refere que, no presente caso, de forma mais grave, não há qualquer operação comercial subjacente e o único propósito foi evitar a tributação utilizandose de ardis e expedientes fraudulentos, sem qualquer base fática. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 647 19 2) A despesa contabilizada pela Recorrente possui caráter de liberalidade Sustenta que a qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica como despesas dedutíveis na determinação do lucro real deve observar o art. 299 do RIR/99. Afirma que no caso concreto, a captação de recursos deuse apenas no plano hipotético, não havendo prova efetiva nos autos de que os valores nominais das debêntures, adquiridos pelos próprios acionistas da Recorrente, tenham sido integralizados pelos sócios, únicos debenturistas, com recursos distintos daqueles já constantes do próprio patrimônio da empresa. Aponta que a remuneração das debêntures por meio de participação nos lucros da contribuinte, apesar de prevista no art. 56 da Lei nº 6404/76, não é a forma usual e normal de remuneração de um título com características de empréstimo, e não há razoabilidade no comprometimento de 85% dos lucros com essa finalidade. Sustenta que o negócio realizado pela Recorrente demonstrou que ela emitiu debêntures, adquiridas pelos seus próprios sócios, e que, posteriormente, adquiriu, daqueles mesmos sócios, ações próprias, em operações sistematicamente cadenciadas pela suposta integralização das debêntures (pelos subscritores) e subsequentes pagamentos (pela Recorrente) realizadas no mesmo dia, mantendose a mesma configuração societária de antes e devolvendo aos sócios/debenturistas os valores gastos com a aquisição dos títulos. Afirma que não houve, na prática, a entrada de dinheiro em caixa, dos sócios para a autuada, quando da emissão das debêntures, nem desta para aqueles quando da aquisição de ações em tesouraria, remanescendo para a Recorrente, apenas, a obrigação de remunerar os títulos emitidos. Conclui que o que ocorreu foi, simplesmente, o uso de um artifício que teve como objetivo a criação de uma despesa para reduzir, artificialmente, o resultado operacional. 3) Da fraude que justifica a multa de ofício qualificada Alega que, embora a Recorrente tenha declarado que a despesa decorria da captação de empréstimos, fruto da emissão de debêntures, a Fiscalização evidenciou que não houve nenhuma movimentação financeira em prol da companhia e que a despesa foi criada artificialmente com o único e evidente intuito de auferir um benefício fiscal indevido. Conclui pelo cabimento da qualificação da multa, diante das seguintes características da conduta: 1) a infração perdurou por 2 (dois) anoscalendário consecutivos; 2) abarcou valores substanciais que não guardavam compatibilidade com os rendimentos declarados pelos acionistas/adquirentes nas suas DIRPFs; 3) não houve comprovação da efetividade do dispêndio; 4) inexistiu ingresso de capital na Recorrente; 5) as despesas resultaram de meras anotações contábeis, ou seja, foram feitas artificiosamente "no papel". Fl. 647DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 648 20 Afirma que a ausência de substrato econômico, da mesma forma que impede a existência material da despesa, atesta o intento fraudulento praticado pela contribuinte quando analisadas conjuntamente as operações de emissão de debêntures realizadas pela contribuinte, considerando que a Recorrente emitiu debêntures que foram adquiridas única e exclusivamente pelos próprios acionistas, porém sem o respectivo aporte de capital, em que pese o registro contábil de subscrição na conta Caixa, o qual não foi comprovado. Conclui que a fraude está caracterizada nos autos uma vez que a contribuinte, por meio de emissão de debêntures, retardou parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, por meio da criação de uma despesa artificial para reduzir indevidamente o pagamento do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário de 2006 e 2007. 4) Da possibilidade de aplicação da multa isolada com a multa de oficio Aduz que, enquanto a multa de ofício possui o escopo de penalizar o contribuinte que omite rendimentos, a multa isolada prevista no art. 44, I1, "b" da Lei 9.430/96, visa penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal do IRPJ, antecipando, mês a mês, o recolhimento do tributo (estimativas). Tratase de duas penalidades que possuem a mesma base de cálculo, mas sua aplicação concomitante não fere a proibição do bis in idem, a qual pretende evitar a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes. No caso, a Recorrente cometeu dois atos ilícitos, previstos em lei, com penas distintas. Em relação aos argumentos de que o dispositivo legal indicado pela fiscalização foi incluído pela Lei nº 11488/07, o que violaria os princípios constitucionais da legalidade, da irretroatividade e da anualidade, ressalta que essa lei não instituiu a multa isolada, ou seja, não inovou o ordenamento jurídico, apenas organizou topograficamente o art. 44 da Lei 9430/96 e reduziu o percentual da penalidade. Aponta, ainda, que a alegação da Recorrente esbarra na súmula n° 2 do CARF. É o relatório. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 649 21 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. Em preliminar, a recorrente aponta a nulidade formal da autuação em razão de extinção do Mandado de Procedimento Fiscal pelo decurso de prazo nele previsto. A alegação de nulidade por irregularidade na emissão ou prorrogação do MPF não procede, tendo em conta que o MPF é um mero instrumento de controle interno, de ordem funcional e operacional, relativo aos procedimentos de fiscalização em andamento. Sua finalidade não alcança a legalidade ou validade dos lançamentos realizados. De toda a sorte, não ocorreu a falha apontada no recurso. Na data da emissão do MPF, vigia a Portaria RFB de nº 11.371, de 12/12/2007: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. [...] Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. [...] Fl. 649DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 650 22 A ciência do MPF emitido em 04/11/2009 (fl.52) e de suas prorrogações é feita por intermédio do acesso à internet, conforme estabelecido no parágrafo único do art. 4º, supra transcrito. Atendendo ao disposto na referida portaria, a autoridade fiscal fez constar expressamente do Termo de Início de Ação Fiscal (fl.33), a seguinte orientação, acompanhada do código de acesso ao MPF na página da internet, verbis: O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, n 0 09.2.03.00 2009007753, poderá ser consultado na página da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço www.receita.fazenda.gov.br , sendo o código de acesso ao MPF: 54671860. Verificando os elementos de fls. 52/53, notase que o MPF fora prorrogado até 03/05/2010, enquanto a ciência do auto de infração se deu em 09/04/2010 (fl.553), antes, portanto, do prazo fatal. Dessa forma, inexiste qualquer vício na emissão ou cumprimento do MPF, conforme alegado pela recorrente. Superada a preliminar arguída, passase ao mérito do recurso. I Glosa de despesas de emissão de debêntures Em síntese, a fiscalização considerou que a operação com debêntures foi anormal e desnecessária, porque: (i) não houve ingresso de novos recursos; (ii) as respectivas despesas, referentes à remuneração pela participação nos lucros aos debenturistas, que são os próprios sócios/acionistas do contribuinte, não são dedutíveis na apuração do lucro líquido e (iii) não houve pagamento efetivo relativo às despesas relacionadas às debêntures. O contribuinte, por sua vez, sustenta que a dedução das despesas com a emissão das debêntures na apuração do lucro real deve ser acatada pela fiscalização, pois foram observados os procedimentos legais em relação à forma, tendo sido comprovada a verdadeira intenção da empresa emitente em captar os recursos através da emissão de debêntures lastreadas em participação nos lucros futuros e a verdadeira intenção dos adquirentes dos respectivos títulos. Assim, o negócio jurídico realizado nos termos do art. 58 do Decretolei 1.598/77 fez lei entre as partes. Cabe esclarecer que a validade jurídica do negócio não se traduz no objeto da presente discussão, e sim seus efeitos econômicos e tributários, os quais estão dissociados da forma do negócio jurídico praticado pelas partes, nos termos da legislação tributária, em especial dos arts. 109 e 118 do CTN, abaixo transcritos: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. [...] Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: Fl. 650DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 651 23 I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.[...] Do texto legal se depreende que o intérprete da legislação tributária pode se abstrair da validade jurídica dos atos efetivamente praticados e dos fatos efetivamente ocorridos ou de seus efeitos jurídicos, para se concentrar nos efeitos econômicos deles decorrentes e na sua consequência tributária. No presente caso, a acusação fiscal enfoca apenas os efeitos tributários do negócio, o qual, diante das provas dos autos, se demonstrou tratarse de ato de mera liberalidade, concluindo pela não dedutibilidade da correspondente despesa na apuração do resultado tributável. O negócio analisado, a emissão de debêntures, assemelhase ao contrato de mútuo, pois ambos objetivam o ingresso de recursos novos, sob a forma de empréstimo. No caso das debêntures, o legislador previu diversas formalidades para a sua caracterização, consoante o disposto na Lei nº 6.404, de 15/12/1976, arts. 52 a 74. Vale destacar que o art. 56 da Lei das S.A prevê que as debêntures podem ser remuneradas pelo pagamento de juros fixos ou variáveis, por participação no lucro da companhia ou, ainda, pelo prêmio de reembolso. Quanto à situação fática sob análise, como bem observado pelo relator a quo, foram formalizadas quatro escrituras de emissão de debêntures pela recorrente, lançadas de forma privada, com as seguintes características: a) A emissão de 28/06/2006 tem prazo de vencimento de treze meses (fls.117/118), a emissão de 31/05/2007 tem prazo de três meses (fls.122/123) e as demais, de 31/08/2007 e 31/10/2007, têm prazo de dois meses (fls.128/120 e fls.133/134, respectivamente); b) É devido ágio em virtude da perspectiva de rentabilidade futura da emissora, bem como por outros motivos econômicos, e a integralização é efetuada pela conversão do passivo da Sociedade que possui com os acionistas/credores, em contrapartida da obrigação de debêntures em favor destes (fls. 118, 123, 129 e 134); c) inexiste previsão de rentabilidade através de juros, e a remuneração se dá somente por meio de participação nos lucros, na proporção de 85% (fls.118, 123, 129 e 134); d) inexiste previsão de garantias por parte da emitente; e) os únicos adquirentes das debêntures, remuneradas com 85% do lucro da emitente, são seus próprios administradores, os quais detêm participação acionária direta ou indireta, através de controladora que detém 90% de seu capital social. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 652 24 Apesar de formalmente regulares as emissões e subscrições das debêntures, em face da legislação comercial vigente, a artificialidade das operações realizadas com objetivos precípuos de reduzir a carga tributária se extrai de suas próprias características. Considerando que debêntures são papéis de médio e longo prazo que asseguram a seus detentores (debenturistas) um direito de crédito contra a companhia emissora, a primeira característica já denota a anormalidade das operações realizadas pela recorrente, visto que os resgates eram previstos para ocorrer em prazo curto (1 ano) ou curtíssimo (2 ou 3 meses). A sistemática da contabilização das operações em ordem cronológica demonstra que, no mesmo dia em que os acionistas integralizaram a aquisição (entrada na conta Caixa), foram efetuados pagamentos (saídas na conta Caixa) no mesmo valor por conta de resgate da emissão anterior. Intimada a comprovar a efetiva entrada de recursos, a recorrente não logrou êxito. Ademais, conforme destacado pela autoridade fiscal em seu relatório, inexistiu retenção na fonte ou recolhimento de IRF nem informação em DIRPF dos acionistas e administradores que lastreassem as operações registradas pela recorrente em sua contabilidade. Isso revela que a emissão das debêntures não foi efetiva, já que os recursos captados seriam originários dos acionistas da recorrente. Sem a comprovação da movimentação financeira respectiva entre a emissora das debêntures e os acionistas subscritores, a única conclusão possível é a de que não houve o efetivo ingresso de recursos que representasse a subscrição e integralização das debêntures e não ocorreu de fato o resgate das debêntures, através de remuneração pela participação nos lucros. Como se vê, as emissões de debêntures foram realizadas em curso espaço de tempo, de forma sistematizada e encadeada durante determinado período e entre pessoas ligadas. Além da falta da comprovação da existência e efetividade das despesas contabilizadas por meio de documentação hábil e idônea, a atipicidade da operação ainda é demonstrada pela falta de concessão de garantia e sem qualquer recomendação de crédito que, em condições usuais de mercado, pudessem atrair terceiros interessados na subscrição. Por outro lado, o comprometimento de 85% do lucro como forma de remuneração de debêntures afasta a presunção de que pudessem eventualmente ser ofertadas a terceiros não acionistas. De acordo com o princípio da boa fé que deve reger os negócios jurídicos (art. 113 do Código Civil), a remuneração do empréstimo sob a forma de emissão de debêntures deve guardar proporção com as condições do mercado, dado o caráter de onerosidade que orienta as relações comerciais, não podendo deixar de oferecer vantagem pecuniária na transação. No presente caso, contudo, a vinculação entre as partes contribui para desnaturar a operação, por afastar o necessário equilíbrio entre as forças que devem reger as relações econômicas. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 653 25 Ressaltese que a operação de emissão de debêntures tem por objetivo precípuo a captação de recursos, o que não se verificou nos autos. Houve apenas uma troca de posição dos credores em relação às obrigações da recorrente: os acionistas que teriam direito aos dividendos passaram a ser credores das debêntures, ou seja, mesmo após a integralização continuariam a fazer jus aos lucros. Sobre o tratamento tributário das debêntures, vale referir que o art. 58 do Decretolei n° 1.598/77 permite que, na determinação do lucro real da pessoa jurídica, sejam deduzidas as participações nos lucros atribuídas a debêntures de sua emissão. Em razão das características semelhantes ao contrato de empréstimo, as despesas decorrentes da emissão de debêntures tem natureza de juros remuneratórios e, por isso, se enquadram como despesas financeiras operacionais. Nos termos da legislação do imposto de renda, as despesas operacionais, para serem consideradas legítimas, devem guardar natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora, tal como dispõem os arts. 277, 299 e 462 do RIR/99, in verbis: Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11) [....]. [...] Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). [...] Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58): I asseguradas a debêntures de sua emissão [...]. Diante disso, para fins de dedutibilidade da despesa na apuração do resultado tributável são exigidos os requisitos de necessidade e usualidade ou normalidade, observando que são necessárias as despesas essenciais para a consecução dos objetivos sociais, ainda que secundários, desde que vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos; são normais as despesas ordinariamente realizadas nas atividades e operações destinadas à manutenção da fonte produtora; e são usuais aquelas realizadas de maneira frequente ou habitual em determinado tipo de atividade ou operação. A desnecessidade da operação de emissão de debêntures e, consequentemente, da despesa decorrente, resta evidenciada pelo conjunto dos fatos Fl. 653DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 654 26 analisados, em especial pela falta de comprovação da efetiva entrada dos recursos no caixa da recorrente, apesar dos registros contábeis, além de ter sido realizada entre pessoas vinculadas e com remuneração na ordem de 85% dos lucros. Tudo isso caracterizou ato de evidente liberalidade, e não de necessidade. Os requisitos de normalidade e usualidade da despesa também ficam comprometidos quando se depara com a emissão de debêntures remuneradas exclusivamente com participação nos lucros e em percentual elevadíssimo. Essa situação não é usual e somente foi cogitada porque os adquirentes eram unicamente os acionistas da emitente. Embora cada processo traga peculiaridades, a questão comum relacionada à emissão de debêntures já foi apreciada no âmbito administrativo, pelo que vale a pena referir algumas conclusões aplicáveis a este caso. Analisando caso semelhante, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, se manifestou recentemente, pelo voto de qualidade, através do acórdão nº 9101 000.869, de 23/02/2011, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: REMUNERAÇÃO DE DEBENTURES SIMULAÇÃO – NÃO DEDUÇÃO DO LUCRO REAL Se a emissão das debentures não foi efetiva, restando manifesto o motivo simulatório de, por meio da emissão das debêntures e apropriação dos respectivos juros, originar despesas dedutíveis, essas devem ser consideradas como indedutíveis do lucro real. Revelada a simulação, não pode prevalecer a aplicação do art. 430 do RIR/94, atual art. 462 do RIR/99, que autoriza a dedução, na apuração do lucro líquido do período base, das participações nos lucros da pessoa jurídica asseguradas a debêntures de sua emissão. Este dispositivo se aplica a verdade declarada, mas não à verdade real apurada, que prevalece sobre aquela. Diante de uma série de operações sequenciais de emissão de debêntures, remuneradas por um elevado percentual de participação nos lucros e tendo como adquirentes apenas os próprios acionistas, concluiu a maioria do colegiado que não poderiam ser oponíveis ao Fisco para fins de redução do lucro tributável. O acórdão faz expressa referência ao voto da Conselheira Sandra Faroni, proferido no Acórdão n° 10194.986, 19/05/2005, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBENTURES. Restando caracterizado o caráter de liberalidade dos pagamentos aos sócios, decorrentes de operações formalizadas apenas "no papel" e que transformaram lucros distribuídos em remuneração de debêntures, consideramse indedutíveis as despesas contabilizadas. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 655 27 Naquele voto, a ilustre relatora, analisando uma situação em que a remuneração das debêntures também se deu unicamente mediante participação nos lucros, após citar farta doutrina, destaca, in verbis: Como se vê, não obstante prevista em lei, não parece ser tão pacífico que a remuneração das debêntures sob forma exclusiva de participação no lucro seja normal. Embora, talvez, legal, não há evidências de que essa forma de remuneração seja usual. Inegavelmente, a operação praticada não encontra vedação expressa na lei. Mas isso não significa que se trate de operação usual e normal, a respaldar a dedutibilidade da remuneração das debêntures emitidas. Não se discute que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazêlo de forma a obter maior economia de tributos possível. Há, todavia, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir artificialmente a carga tributária. O direito do contribuinte de autoorganizar sua vida não é ilimitado. Os direitos de alguns sofrem limitações impostas pelos direitos de outrem. Atuando dentro da lei, o empresário é livre para gerir os seus negócios, mas não para gerir os negócios do Estado. A mais moderna corrente doutrinária entende que a ótica da análise não deve ser sob o ângulo da licitude ou ilicitude (a licitude é requisito prévio), mas sim, da oponibilidade ou inoponibilidade dos seus efeitos ao fisco. O conceito de legalidade a ser observado não tem sentido estrito de corresponder à conduta que esteja de acordo com os preceitos especificos da lei, mas sim um sentido amplo, de conduta que esteja de acordo com o Direito, que abrange, além da lei, os princípios jurídico. Assim, cada caso deve ser analisado com cuidado, para decidir sobre a oponibilidade ao fisco dos negócios formalizados. Dentro dessa ótica, se o negócio licito, embora não usual, se apoiar em causas reais, em legítimos propósitos negociais, contra ele o Fisco nada pode objetar. Todavia se adotada uma forma de negócio jurídico inusual, sem um real propósito negocial, mas visando apenas reduzir artificialmente a carga tributária, o Fisco a ele pode se opor". (destaquei) Na mesma decisão, a douta relatora registra que cresce na doutrina o entendimento de que a remuneração de debêntures por meio de participação nos lucros deve se dar apenas de forma subsidiária ao pagamento de juros, ao contrário do que se verifica no caso destes autos. De fato, a ausência de propósito negocial fica evidenciada no caso concreto, uma vez que operação de emissão de debêntures tem por objetivo precípuo a captação de recursos, o que não foi comprovado pela recorrente. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 656 28 A aquisição de debêntures de companhia fechada por seus próprios acionistas, utilizadas em seguida para integralização, significou que os mesmos detentores do capital da empresa apenas realocaram os lucros a que teriam direito. Todavia, o simulacro foi útil para fazer surgir uma despesa financeira reconhecida na contabilidade da recorrente e utilizada para reduzir o lucro real apurado nos anos calendário 2006 e 2007. Como se viu, a situação formalizada em papel para reduzir o lucro em 85% não se fez acompanhar da efetiva realização das transações financeiras declaradas, consistente na captação dos recursos junto aos acionistas, demonstrando clara divergência entre a verdade formal e a verdade material. Todos os fatos demonstrados nos autos, ao contrário do que sustenta a recorrente, contribuem para revelar a verdadeira intenção das partes – vinculadas entre si – com a operação de emissão e aquisição de debêntures em condições de liberalidade. É certo que uma operação com finalidade exclusiva de redução da carga tributária não pode ser oponível ao Fisco. Por todo o exposto, não merece reparos a decisão recorrida, devendo ser mantida a glosa das despesas financeiras decorrentes da emissão de debêntures. Multa qualificada Como relatado, a acusação fiscal detalhou a conduta adotada pela recorrente no sentido de impedir o conhecimento por parte da Administração Tributária, enquadrandoa nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude, nos seguintes termos: a) inserção em sua contabilidade de elementos inexatos, visto que, como já demonstrado, o contribuinte realizou lançamentos fictícios referentes à emissão de debêntures a fim de se utilizar indevidamente despesas não necessárias à atividade da empresa, reduzindo assim o resultado tributável. b) Declarar nas DIPJ’s respectivas (fls.283 a 314), enquanto resultado, valores inferiores ao efetivamente ocorrido. c) Omitir nas DCTF’s entregues o valor dos créditos tributários devidos à Fazenda Nacional (fls.258 a 282). Relevante notar que a conduta adotada pelo contribuinte se materializa por todo o período abrangido por esta autuação, e que, pela expressividade do lançamento demonstra que não houve um mero erro de fato. A recorrente sustenta que inexistiu a intenção dolosa, pois as supostas faltas simples foram apuradas a partir da documentação e contabilidade apresentada de forma espontânea, o que ensejaria a aplicação da multa de ofício de 75%, considerando o disposto no art. 112 do CTN. Sua alegação, contudo, não ressoa na prova dos autos. Fica claro do exame do conjunto probatório a intenção fraudulenta da recorrente no sentido de criar ficticiamente uma despesa financeira para reduzir o lucro tributável, a qual decorre da ausência de Fl. 656DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 657 29 fundamento econômico da emissão de debêntures adquiridas unicamente por seus próprios acionistas, sem comprovação do efetivo ingresso de recursos. O registro de lançamentos contábeis a débito de despesas financeiras e a crédito de debêntures a pagar, realizado ao longo de dois exercícios, revelouse fajuto. Diante dos elementos trazidos aos autos, inexiste dúvida razoável sobre o enquadramento da conduta da recorrente que pudesse atrair a regra do art. 112 do CTN. As provas são contundentes no sentido de que foram registradas na contabilidade despesas comprovadamente inexistentes e declaradas à RFB, de forma reiterada, receitas e débitos em montantes inferiores aos efetivamente devidos. A conclusão da fiscalização diante o quadro fático apresentado de reiterada e sistemática infração às leis tributárias, pela redução indevida do lucro tributável com a contabilização de despesas fictícias, revelase acertada, ensejando a correta aplicação da multa qualificada prevista no § 1º do inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96 (com a redação dada pela Lei 11.488, de 15/06/2007). Multa isolada A recorrente ainda se insurge contra a multa isolada de 50% aplicada concomitantemente com a multa de ofício de 150%. Ocorre que, nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei nº 9.430/96, art. 44, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, em seu inciso II, prevê a incidência de multa isolada à alíquota de 50% sobre o valor apurado no mês, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:[...] II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:[...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Enquanto isso, a multa de ofício de 150% é prevista no parágrafo primeiro do mesmo artigo, para os casos de fraude, dolo ou simulação, previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, consoante redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, como se verificou no caso concreto. A tese da concomitância, logo, bis in idem, em relação aos lançamentos de multa isolada e multa de ofício referentes ao mesmo anocalendário, alegada pela recorrente, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, a meu ver, não merece ser reconhecida. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 658 30 Respeitando as opiniões em contrário, entendo que a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º, uma vez optante, ele estará sujeito às regras daquela sistemática. A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do anocalendário em referência. O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traria consequências, na medida em que a falta de recolhimento representaria um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. São distintos tributo e multa pela sua própria natureza jurídica. Enquanto um decorre de ato lícito – fato gerador –, o outro decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Nesse sentido, a regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido. Diante disso, não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente ou anualmente, sendo sua base de cálculo a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de ofício, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição devidos ao final do período de apuração. A falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Reforçando essa distinção, temse a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada de 75% para 50%. Ademais, entendo que para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal expressa, o que não está incluído na função de julgador administrativo, pela impossibilidade de manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. Acrescentese, ainda, o teor da Súmula CARF nº 2, que impede a apreciação de temas constitucionais no âmbito deste órgão. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13982.000214/201000 Acórdão n.º 120200.728 S1C2T2 Fl. 659 31 Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 659DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 19814.000309/2006-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Data do fato gerador: 14/03/2006
PRAZO PARA QUE SEJA PROFERIDA DECISÃO ADMINISTRATIVA.
O descumprimento do prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 não leva a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário sobrevinda de decisão administrativa proferida em prazo superior a 360 dias.
REPOSIÇÃO DE MERCADORIA ESTRANGEIRA. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS NA REIMPORTAÇÃO.
Comprovado nos autos que a reimportação efetuada não atende às condições estabelecidas pela Portaria MF n° 150/82, com as modificações introduzidas pelas Portaria MF n° 326/83 e nº 240/86, cabíveis as exigências do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação, por se tratar de importação comum.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.444
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, por preclusão; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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O descumprimento do prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457/2007. não leva a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário sobrevinda de decisão administrativa proferida em prazo superior a 360 dias. REPOSIÇÃO DE MERCADORIA ESTRANGEIRA. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS NA REIMPORTAÇÃO. Comprovado nos autos que a reimportação efetuada não atende às condições estabelecidas pela Portaria MF n° 150/82, com as modificações introduzidas pelas Portaria MF n° 326/83 e nº 240/86, cabíveis as exigências do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação, por se tratar de importação comum. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, por preclusão; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. José Luiz Novo Rossari Presidente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “ De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração, em ato de conferência aduaneira a que se refere o artigo 504 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 e, à vista do que determina a Portaria MF n° 150/82, entende a fiscalização que o Importador não faz jus aos direitos pleiteados, para importação dos bens objetos da DI de n° 06/02909257, registrada em 14/03/2006, fls. 88/100, sem a incidência do Imposto de Importação, na forma do disposto no artigo 71, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, pelas razões a seguir, (neste Processo estão sendo cobrados o PIS/COFINS na Importação): O importador submeteu a despacho aduaneiro de exportação para substituição os bens descritos nas R.E.s de fls. 27/36, fundamentando sua petição inicial na Portaria MF n° 150/82, modificada pelas Portarias MF nos 326/83 e 240/86. Destacou a fiscalização que a Portaria MF n° 150/82 trata somente de mercadorias importadas com defeito de fabricação e aquelas que se encontram amparadas por Contrato de Garantia e que apresentarem defeito de fabricação, dentro do seu prazo de vida útil, mediante comprovação através de Laudo Técnico. Analisando os autos, não consta laudo técnico, expedido por Instituição idônea na forma da Portaria MF n° 150/82, que comprove a imprestabilidade da mercadoria substituída. Embora o interessado tenha especificado, no Campo 25, das REs — Observações do Exportador as DIs de Nacionalização (DIs as fls. 54/56 e 57/59), na análise das referidas DIs não foram importados os Amplificadores destacados nas REs. As folhas 67/72 do presente processo encontrase juntado um Relatório de Inspeção IS 77996/2005, emitido pela SGS do Brasil S.A., tendo como objeto de inspeção: 01 (um) amplificador de potência 40w 800MHz, Part Number TTF1580A e 01 (um) amplificador de potência 40W 800MHZ, Part Number CLF1772F, onde o emitente declara que: "De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre o amplificador de potência Part Number TTF1580A e o amplificador P/N CLF 1772F, e que de acordo com os resultados de inspeção visual, foi possível verificar que não há diferença quanto à forma, características de ajuste e funcionalidade entre o amplificador P/N TTF1580A e o amplificador PN CLF 1772F". As L.I.s foram deferidas sem a apresentação do necessário laudo técnico, conforme podemos observar nos próprios documentos, os termos: NÃO EXISTE LAUDO TÉCNICO PARA ESTA ANUÊNCIA, portanto, contrários ao que determina a Portaria MF n° 150/82. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 19814.000309/200657 Acórdão n.º 3202000.444 S3C2T2 Fl. 415 3 Segundo entendimento da fiscalização, na alteração do Part Number da mercadoria, principalmente tratando de bens de informática e telecomunicações, tais como: placas, disco rígido, amplificador de potência, o novo bem traz consigo inovações tecnológicas, face a rapidez nas evoluções tecnológica dessa área, tanto em software quanto em hardware, impondo uma depreciação acelerada tendo em vista da sua obsolescência. Os equipamentos importados em substituição com novo Part Number, vem com tecnologia atualizada, mais avançada, ou também poderão vir bem recondicionados ou manufaturados, como material, impossível de ser analisado no ato do desembaraço, visto não dispormos do País, de Laboratórios de Análise que possa detectar defeitos em componentes eletrônicos de placas, discos rígidos e outros bens da área de informática e telecomunicações. Além do que, conforme comprova o Relatório de Inspeção emitidos pela SGS com a alegação de que: "O amplificador de potência 40w 800MHZ não está mais sendo fabricado pela MOTOROLA INC., com o Part Number TTF1580A, de plano contradiz o que determina a Portaria MF 150/82. A fiscalização relata, também, na descrição dos fatos, recente trabalho de representação fiscal contra a NEXTEL, processo n° 10831.008937/200355, cuja cópia anexou ao presente, que trata de subfaturamento praticado pela ora autuada. Quanto ao contrato, entende a fiscalização que entre as partes: MOTOROLA, como contratante e NEXTEL BRASIL S/A como contratada, nos termos em que se encontra, não dá nenhum amparo para substituição de peças e equipamentos com o beneficio de não incidência dos tributos conforme pleiteado pela Interessada (NEXTEL). Isso porque, tratase de Contrato de exclusividade com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos, (MOTOROLA USA), prorrogável ano a ano com novos valores e, conserto definido do módulo... "Este programa não inclui atualizações de software/hardware ou serviços para consertar qualquer equipamento. Notase que não se fala em novo Part Number, cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor. Através da Petição, protocolada em 14/03/2006, fls. 87, a interessada solicita a "REIMPORTAÇÃO DAS MERCADORIAS OBJETOS DA D.I. n° 06/0290925 7, SEM INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS" fundamentando seu pedido nos artigos 74, inciso II e 409 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002. Os dispositivos legais citados, tratamse somente de exportação temporária, em nenhum momento fala de substituição de mercadorias nos termos da Portaria MF n° 150/82. Em vista disso, foi lavrado o Auto de Infração, de fls. 01 a 22, para a cobrança da COFINS e PIS na importação e multas de oficio. Ciente do Auto e Infração em 31/05/2006, fls. 01; em 30/06/2006, a interessada apresentou a impugnação de fls. 219/230, onde em síntese alegou: o procedimento adotado pela Impugnante na exportação para substituição dos equipamentos insertos nas DIs foi analisado pela fiscalização aduaneira, concluindo erroneamente que a Impugnante não faz jus ao benefício consistente no não recolhimento das contribuições do PIS e à COFINS, ante os seguintes argumentos: (i) ausência de laudo técnico a amparar as exportações para Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 substituição; (ii) que o contrato de garantia celebrado entre a Impugnante e o fabricante dos equipamentos sujeitos a reparo não ampara a substituição de peças e equipamentos sem a incidência de tributos; (iii) que a mera alteração de Part Number dos equipamentos implica na inovação tecnológica dos mesmos; e (iv) diferença de valores entre os equipamentos objeto da presente autuação fiscal e outros importados anteriormente pela Impugnante; forçoso concluir que o conjunto da autuação levada a efeito, não se sustenta, possivelmente pela especificidade da matéria em comento. É o que se passa a demonstrar; todos os requisitos previstos na Portaria MF n° 150/82, foram cumpridos, o que torna insubsistente e sem nenhum proveito econômico para a Impugnante qualquer tentativa de promover a cobrança dos impostos incidentes na reposição de tais equipamentos; alega a fiscalização que as exportações para substituição procedidas pela Impugnante foram feitas sem o respaldo de laudo técnico, exigido pela Portaria MF n° 150/82; a Impugnante apresentou laudo técnico, elaborado pela empresa SGS do Brasil Ltda. Multinacional de renome mundial, presente em mais de 136 países e de idoneidade incontestável; referido laudo, denominado Relatório e Inspeção, teve por objetivo apresentar o resultado da inspeção realizada pela empresa nos equipamentos defeituosos embarcados para substituição ser promovida pela Motorola Inc., com o fito de identificar defeitos ou imprestabilidade ao fim a que se destina, concluindose que "a partir dos resultados descritos acima, constatouse a presença de danos e irregularidades nos produtos inspecionados, impossibilitando assim o seu uso ao fim a que se destinam." (Doc. 02) grifou; o laudo técnico foi apresentado ao DECEX Brasília em cumprimento à exigência automática ocorrida no momento do registro do RE no SISCOMEX.. Tanto assim que, cumprida tal exigência, foi deferido pelo mencionado órgão o competente Registro de Exportação, consoante demonstrado no cronograma (fls. 223); o laudo técnico emitido pela empresa SGS do Brasil Ltda., no qual atesta a imprestabilidade dos equipamentos remetidos para substituição mediante exportação prevista na Portaria MF n° 150/82 faz parte integrante do referido processo de exportação para substituição; a Portaria n° 150/82, não exige descrição detalhada da mercadoria, Part Number e número de série, país de origem, etc; ainda que assim não fosse, é certo que os equipamentos exportados pela Impugnante para substituição tiveram suas descrições detalhadas no referido laudo, o que torna inconteste a possibilidade da fiscalização aduaneira identificar os equipamentos imprestáveis para uso e sujeitos à substituição; além do laudo, a Impugnante requereu a elaboração, pela mesma empresa SGS do Brasil Ltda., de laudo atestando a inexistência de diferenças técnicas entre os equipamentos substitutos e substituídos; isso porque, alguns dos equipamentos objeto da exportação para substituição tiveram alterado o número de seu Part Number, sem que tal alteração trouxesse, contudo, qualquer melhoria funcional em tais equipamentos; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 19814.000309/200657 Acórdão n.º 3202000.444 S3C2T2 Fl. 416 5 a alteração de Part Number não traz qualquer inovação funcional e tecnológica nos equipamentos, que mantém a mesma funcionalidade e capacidade daqueles substituídos; a Portaria que disciplina a exportação de equipamentos para substituição foi publicada no ano de 1982, época em que a tecnologia era incipiente; a Impugnante possui com a empresa fabricante dos equipamentos substituídos Motorola Inc. contRato de garantia o que torna sem sentido, em termos comerciais, que a fabricante incremente a tecnologia de equipamentos suportados por garantia sem a cobrança de qualquer contraprestação; os equipamentos defeituosos foram substituídos por outros e mesma capacidade e função; para justificar o alegado subfaturamento, pautase na existência de um "packing list" cujo valor declarado é superior àqueles declarados nas importações ora analisadas. Tais argumentos, todavia, são desprovidos de qualquer fundamento fático e legal; o método de valoração aduaneira adotado pela Impugnante, cumulado com o acordo comercial estabelecido entre as partes pressupõe que a empresa autuada deverá considerar o preço efetivamente praticado na importação dos equipamentos e não aquele relacionado no referido "packing list", o que afasta integralmente o alegado subfaturamento e das mercadorias; não se pode deixar de mencionar que a Impugnante, até os dias atuais, é única empresa que opera com referida tecnologia no Brasil, o que a coloca na condição de empresa importadora de grande quantidade dos equipamentos objeto da inspeção aduaneira e autuação fiscal aqui combatidas. (Doc. 05); a fiscalização aduaneira não possui sequer parâmetros de comparação dos preços praticados pela Impugnante com outras empresas do ramo de telecomunicações a amparar qualquer alegação de subfaturamento; nos casos de substituição de equipamentos amparados em contrato de garantia, não há prazo estipulado pra a exportação das mercadorias imprestáveis ao fim a que se destinam, razão pela qual, à vista do contrato de garantia dos equipamentos importados, o direito da Impugnante à exportação para substituição daqueles imprestáveis para uso, se, cobertura cambial, está garantido pela Portaria MF n° 150/82; requer o cancelamento das cobranças intentadas, com o conseqüente arquivamento dos autos deste contencioso administrativo. A DRJSão Paulo/SP julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa adiante transcrita (fls.375/382): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/03/2006 NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS. Provado que a importação efetuada não atende às condições estabelecidas pela Portaria MF n° 150/82, com modificação da Portaria MF n° 240/86, é cabível as exigências do PIS/COFINS, por se tratar de importação comum. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 6 Lançamento Procedente” Irresignada, a querelante apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 393/411), alegando, em síntese: que, de acordo com o art. 24 da Lei nº. 11.457/2007, a autoridade administrativa tem um prazo de 360 dias para proferir decisão acerca de petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte, contados a partir da data de sua protocolização. Assim, por tal motivo, teria a Fazenda Pública perdido o direito de constituir definitivamente o crédito tributário objeto desta lide, vez que a impugnação foi protocolizada em 30/06/2006 e a decisão de primeira instância somente foi proferida em 17/06/2009; que, para a concretização de seus serviços, freqüentemente importa inúmeros equipamentos, partes e peças da empresa fabricante Motorola Inc necessários à prestação de seus serviços; que, ao constatar defeitos no funcionamento de quaisquer dos equipamentos fornecidos pela Motorola Inc, e amparada em contrato de garantia conferida pela empresa fabricante dos equipamentos, vêse obrigada a promover a exportação de tais peças, já que não há alternativa no Brasil para seu conserto. No exterior, as peças/componentes/equipamentos defeituosos passam por processo de reparo, substituição e teste – tudo por conta, risco e responsabilidade da fornecedora – retornando ao Brasil em perfeitas condições de uso; que o processo aduaneiro de reimportação dos equipamentos não está sujeitos à incidência dos tributos devidos na importação, vez que já foram pagos por ocasião da importação originária dos equipamentos, os quais somente foram exportados em função dos defeitos que apresentaram.; que o procedimento de exportação para substituição é previsto na legislação nacional pela Portaria MF nº. 150/82; que a predita Portaria traz requisitos objetivos que devem ser cumpridos pelo importador/exportador no momento em que inicia os procedimentos aduaneiros para a remessa dos equipamentos importados de volta para o exterior para substituição, quais sejam: a) prazo para verificação dos defeitos que tornam os equipamentos imprestáveis, alargado pela própria Portaria nº. 150/82, nos casos de equipamentos amparados por contrato de garantia; e b) apresentação de laudo técnico por empresa idônea que ao caso não se aplicaria o prazo estabelecido no item 3 da Portaria MF nº. 150/82 para a exportação da mercadoria imprestável, aplicandose a exceção prevista no item 3.2 da mesma Portaria, vez que os equipamentos encontravamse amparados por contratos de garantia, mantidos com a Motorola Inc, que prevêem o reparo de equipamentos defeituosos e a substituição daqueles imprestáveis, sem qualquer contraprestação; que, ao apresentar o documento elaborado pela SGS do Brasil Ltda, cumpriu a exigência do item 2 da referida Portaria, quanto à comprovação da imprestabilidade ou defeito da mercadoria por meio de laudo técnico que o referido laudo técnico, denominado “Relatório de Inspeção”, concluiu que “a partir dos resultados descritos (...), constatouse a presença de danos e irregularidades nos produtos inspecionados, impossibilitando, assim, o seu uso ao fim a que se destinam”. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 19814.000309/200657 Acórdão n.º 3202000.444 S3C2T2 Fl. 417 7 Assevera que predito laudo foi apresentado ao DECEXSP, em cumprimento à exigência automática ocorrida no momento do registro do RE no SISCOMEX, tanto que foi deferido por aquele órgão o Registro de Exportação. Afirmou que, se não tivesse apresentado referido laudo, não teria obtido a aprovação de sua exportação para substituição; que é descabida a alegação da Fiscalização, de que o Laudo Técnico deveria conter a descrição detalhada da mercadoria, respectivo part number e número de série, país de origem, etc, vez que essa exigência não está expressa na Portaria MF nº. 150/82 que, além do laudo técnico previsto no item 2 b) da Portaria MF n° 150/82 apto a atestar a imprestabilidade dos equipamentos submetidos à exportação para substituição, requereu a elaboração, pela mesma empresa SGS do Brasil Ltda., de laudo atestando a inexistência de diferenças técnicas entre os equipamentos substitutos e substituídos. Isto porque alguns dos equipamentos objeto da exportação para substituição ora analisada tiveram alterado o número de seu part number, sem que tal alteração trouxesse, contudo, qualquer melhoria funcional em tais equipamentos; que a alteração de part number não traz qualquer inovação funcional ou tecnológica nos equipamentos, que mantêm a mesma funcionalidade e capacidade daqueles substituídos. Tal alteração tem por único escopo permitir o rastreamento do produto em função da modificação da relação de materiais/fornecedores que compõem o seu módulo, constituindose em mero procedimento interno de controle da fabricante dos equipamentos Ao final, requereu, fosse dado provimento ao recurso para o fim de, verbis: “(i) reconhecer a perda do direito da Fazenda Pública Federal em constituir definitivamente o crédito tributário aqui combatido, ante a inobservância do artigo 24 da Lei nº. 11.457/07, ou (ii) Caso assim não entendam V. Sas, reformar a decisão proferida em primeira instância administrativa pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração combatido, em razão dos argumentos de mérito acima tecidos, (...) (iii) caso seja mantida a presente autuação (...) que seja determinada a exclusão da incidência de juros sobre a multa de oficio aplicada.” É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 8 Tratase de Autos de Infração lavrados para exigência de COFINS e PIS/PASEP que seriam devidos na importação de bens os quais alega a contribuinte terem sido reimportados em razão de sua substituição, por teremse mostrado, quando da importação originária, imprestáveis aos fins a que se destinavam. A Fiscalização não reconheceu a operação como substituição de mercadoria, nos termos da Portaria MF nº. 150/82. Do Alegado Prazo Para Que Seja Proferida Decisão Administrativa Alega a contribuinte, em primeiro plano, que a Fazenda Pública teria perdido o direito de constituir definitivamente o crédito tributário objeto desta lide, pois a autoridade julgadora administrativa não teria cumprido o prazo de 360 dias para proferir sua decisão, estabelecido no art. 24 da Lei n º. 11.457/20071 , uma vez que a impugnação foi protocolizada em 30/06/2006 e a decisão da DRJ sobreveio apenas em 17/06/2009. O art. 24 da citada lei estabeleceu, de fato, o prazo afirmado pela contribuinte; entretanto, ao não cumprimento de tal prazo não foi estabelecida qualquer sanção, o que poderia levar, até mesmo, em viés contrário ao entendimento da recorrente, à conclusão de que a ausência de decisão no prazo de 360 dias, contados da protocolização da impugnação, importaria em uma denegação implícita do pedido, tão logo findo o prazo. Entendo que o descumprimento do prazo estabelecido na lei não pode levar a qualquer impedimento na constituição definitiva do crédito tributário sobrevinda de decisão administrativa proferida em prazo superior a 360 dias. Isso porque as demandas administrativas possuem alto grau de complexidade e, além disso, estão sujeitas à realização de diligências, tanto em primeira quanto em segunda instância, que não podem subsumirse a prazos de execução. Muitas das vezes, tais diligências importam em elaboração de Laudos Técnicos minuciosos e de altíssimo grau de complexidade, envolvendo profissionais das mais variadas áreas de formação acadêmica; por outras vezes, impõem contatos com governos de países estrangeiros, percorrendo longos caminhos da estrutura Administrativa nacional e internacional. Assim, não se pode pretender dar à lei uma visão simplista da realidade de um julgamento, mesmo que seja em um procedimento administrativo fiscal. A exegese da lei não é de “engessar” a autoridade julgadora administrativa, que seria levada a proferir decisão sem que tivesse formado, ainda, o seu entendimento cognitivo, sem que estivesse firme em sua convicção. Entendo que o prazo de que dispõe a lei não é prazo definitivo e que o seu descumprimento não gera qualquer direito ao sujeito passivo quanto à ocorrência de decadência ou prescrição, podendo, quando muito, legitimar o contribuinte a uma intervenção judicial no sentido de requerer medidas de urgência. Importante para o entendimento dessa questão é conhecer os comandos que foram objeto de veto presidencial, que pretenderam incluir os §§1º e 2º ao referido art. 24 da Lei nº. 11.457/2007. Confirase: Art.24............................................................................................... § 1o O prazo do caput deste artigo poderá ser prorrogado uma única vez, desde que motivadamente, pelo prazo máximo de 180 (cento oitenta) dias, por despacho fundamentado no qual seja, 1 Art. 24 É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte´. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 19814.000309/200657 Acórdão n.º 3202000.444 S3C2T2 Fl. 418 9 pormenorizadamente, analisada a situação específica do contribuinte e, motivadamente, § 2o Haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 (cento e vinte) dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte.” Mais importante do que conhecer os comandos é analisar as razões do veto, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das conseqüências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Ora, se foi rejeitada a norma que pretendeu restringir a prorrogação do prazo do caput do art. 24 por apenas uma única vez, sob pena de prejudicar o próprio contribuinte, que poderia ver o julgamento levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria, a única exegese possível é aquela que não limita o julgador no tempo suficiente à formação de sua convicção, sem que, com isso, sejam necessárias justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 10 Por tais motivos, entendo que não cabe razão à recorrente em seus argumentos, nesta parte. Da Reimportação Pretendida Sob Os Auspícios da Portaria MF n°. 150/1982 Pretende a contribuinte a importação das mercadorias constantes da DI 06/02909257, adições 001 a 010, com o benefício da não incidência de tributos sobre a importação estabelecido no art. 71, II, do Regulamento Aduaneiro/2002, que assim dispõe: Art. 71 – O imposto não incide sobre: (...) II – mercadoria estrangeira idêntica, em igual quantidade e valor, e que se destine a reposição de outra anteriormente importada que se tenha revelado, após o desembaraço aduaneiro, defeituosa ou imprestável para o fim a que se destinava, desde que observada a regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda. A regulamentação se deu por meio da Portaria MF nº. 150/82, alterada pelas Portarias MF nºs 326/83 e 240/86, que, em sua redação final, assim estabeleceu: O Ministério de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e considerando a reiterada ocorrência de casos de mercadorias importadas que se revelam, após o seu desembaraço para o fim a que se destinam, e que são insusceptíveis de conserto, reparo ou restauração: Considerando a conveniência e a necessidade de disciplinar esses casos, com vistas a facilitar a reposição de tais mercadorias, resolve: Fica autorizada a reposição de mercadoria importada que se revele, após o seu despacho aduaneiro, defeituosa ou imprestável para o fim a que se destina, por mercadoria idêntica, em igual quantidade e valor. 2. A autorização condicionase à observância dos seguintes requisitos e condições: a) a operação deve realizarse mediante a emissão, pela CACEX, de guia de exportação vinculada à guia de importação, sem cobertura cambial; b) o defeito ou imprestabilidade da mercadoria deve ser comprovado mediante laudo técnico, fornecido por instituição idônea; c) restituição ao exterior da mercadoria defeituosa ou imprestável previamente ao despacho aduaneiro da equivalente destinada à reposição. 2.1. A guia de exportação e a de importação vinculada somente serão fornecidas pela CACEX à vista do laudo técnico referido e da 4a. via da declaração de importação que comprove a importação respectiva. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 19814.000309/200657 Acórdão n.º 3202000.444 S3C2T2 Fl. 419 11 (...) 3. O pedido de guia de exportação e de importação vinculadas, nos termos desta Portaria, deverá ser apresentado à CACEX,sob pena de indeferimento, no prazo de 90 (noventa) dias, cujo termo inicial será a data do desembaraço aduaneiro da mercadoria a ser restituída. 3.1. Em casos especiais, justificados, poderá a CACEX acolher pedidos decorrido prazo maior, não superior a 180 (cento e oitenta) dias. 3.2. Excetuamse da exigibilidade do atendimento dos prazos fixados neste item, a critério exclusivo da CACEX, os casos de reposição de mercadorias comprovadamente amparada em contrato de garantia. (...) A primeira dissonância que se verifica é que as mercadorias descritas nas alegadas DI de nacionalização de nº 98/02602418 (fls. 54/56) e nº. 01/05758846 (fls.57/59), vinculadas ao RE nº. 05/0866502 (fls. 27/29), no qual estão arroladas as mercadorias submetidas a despacho aduaneiro de exportação para substituição, não guardam correspondência com as mercadorias constantes do referido RE, nem tampouco com as mercadorias arroladas nas adições 001 a 010 da DI nº. 06/02909257, objeto da pretendida reimportação. Conforme se verifica do documento constante à fl. 23, a contribuinte submeteu a despacho aduaneiro de exportação para substituição os bens descritos no RE 05/0866502, adições 001 a 010 (fls. 27/29), quais sejam: Adição Descrição da mercadoria DI de nacionalização Quantidade Valor (US$) 001 Módulo de Controle I/O – NTRX50NC 01/05758846 01 9.669,00 002 Módulo de Controle I/O – NTRX50NC – s/n 01/05758846 01 9.669,00 003 Amplificador de potência de 40WPower amplifier 40W – s/n 98/02602418 01 2.914,00 004 Amplificador de potência de 40WPower amplifier 40W – s/n 98/02602418 01 2.914,00 005 Amplificador de potência de 40WPower amplifier 40W – s/n 98/02602418 01 2.914,00 006 Amplificador de potência de 40WPower amplifier 40W – s/n 98/02602418 01 2.914,00 007 Amplificador de potência de 40WPower amplifier 40W – s/n 98/02602418 01 2.914,00 008 Amplificador de potência de 40WPower amplifier 40W – s/n 98/02602418 01 2.914,00 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 12 009 Amplificador de potência de 40WPower amplifier 40W – s/n 98/02602418 01 2.914,00 010 Placa mãe do controlador integrado IDEN Mother Board DE 98/02602418 01 7.499,00 Desta forma, pela informação constante no RE, as DI em que se teriam pagos os impostos originariamente, conforme alega a recorrente, seriam a de nº. 01/05758846, onde deveriam constar os dois módulos de controle, e a de nº. 98/02602418, onde deveriam constar uma placa mãe do controlador integrado e sete amplificadores de potência 40W. Acontece que, analisando as supostas DI de nacionalização vinculadas ao RE, verificase que, por meio da DI nº. 98/02602418 (fls.54/56), foi importado um “aparelho transmissor (emissor) com aparelho receptor incorporado de radiotelefonia troncalizada digital, para estação base modelo 3BREBTS”. Este aparelho compõese pelos vários elementos ali indicados, dentre os quais: (a) 2 controladores integrados de sítio X502, dos quais a contribuinte informa, à fl.42, que faria parte a placa mãe exportada para substituição (b) “gabinete de RF com 3 rádios base, setor 9”, o qual, por sua vez, é composto por, dentre outros elementos, “3 unidades de rádio base”, que, ao seu turno, são compostas por “1 controlador” e “1 amplificador 40W”. Já da DI nº. 01/05758846 (fls. 57/59) não se verifica qualquer uma daquelas mercadorias substituídas. Temse, assim, que os quantitativos exportados e reimportados não correspondem aos quantitativos importados originariamente, como bem verificou a autoridade fiscal, o que, de pronto, descumpriria o comando do inciso II do art. 71 do Regulamento Aduaneiro/2002, que estabelece que a mercadoria exportada deve ser em igual quantidade à importada anteriormente, de forma a caracterizar a reposição da mercadoria. De outro giro, alega a contribuinte que não estaria sujeita ao prazo de 90 dias, contados da data do desembaraço aduaneiro da mercadoria a ser restituída, para requerer, junto à CACEX, a guia de exportação e importação vinculadas, nos termos do item 3 da Portaria MF nº. 150/82. Aduz que se enquadraria na exceção do subitem 3.2, por possuir contrato de garantia estendida com a Motorola. Acontece que, da leitura do referido Contrato, à fl. 94, verificase que ali está contemplado apenas o ano de 2002. Vejase: Data: 23/01/2002 (...) Preço Total da Proposta no Ano de 2002 – US$ 364,468.00 O preço total da proposta para o ano de 2002 acima cobre equipamentos específicos MSO e EBTS. Este RFTA referese ao Programa Anual de Manutenção. (...) Um pedido de compra (...) para o total de 4 (quatro) períodos totais de assistência trimestral com referência ao Programa de Manutenção de Módulos PósGarantia do ano de 2002. (...) Assim, temse que tal contrato é renovado ano a ano, não constando comprovado nos autos que, no ano do desembaraço das mercadorias defeituosas (1998 e 2001), Fl. 12DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 19814.000309/200657 Acórdão n.º 3202000.444 S3C2T2 Fl. 420 13 havia qualquer contrato de garantia que pudesse excepcionar a contribuinte do prazo do item 3 da Portaria MF nº. 150/82. Outro ponto que comprova a inobservância das condições impostas pela referida Portaria para que a contribuinte pudesse usufruir dos benefícios pretendidos diz respeito à ausência de apresentação de Laudo Técnico. Muito embora tenha a querelante afirmado em seu recurso que apresentou o laudo elaborado pela empresa SGS perante o DECEXSP, os extratos das Licenças de Importação, às fls.73/86 informam que não existe laudo técnico para aquelas anuências, o que contraria as alegações da recorrente e vai de encontro às exigências estabelecidas pela Portaria MF nº. 150/82. Por último, deixase de conhecer do recurso quanto à parte relativa à incidência de juros de mora, em razão de não ter sido a questão trazida na impugnação. Tal fato impede o pronunciamento da matéria por parte da instância julgadora administrativa ad quem, pois, nos termos do art. 14 do Decreto nº. 70.235/1972, o contencioso administrativo instaura se com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, na forma do art. 17 do citado Decreto. Por todo o exposto, CONHEÇO EM PARTE do recurso; na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 13DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 10940.003109/2003-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/07/1988 a 03/08/1998
PROVA. LIVROS FISCAIS.
A nota fiscal é o documento que legitima os lançamentos escriturados nos
Livros Fiscais, cabendo ao interessado o ônus da prova dos fatos
constitutivos do direito que pleiteia.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/07/1988 a 03/08/1998
RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. GLOSAS DE CRÉDITO.
O § 4º do artigo 150 do CTN aplica-se a lançamento por homologação e não
aos casos de correção do cálculo do montante do ressarcimento.
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
O prazo para homologação da compensação será de cinco anos, contados da
data da entrega da declaração de compensação.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 31/07/1988 a 03/08/1998
PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO.
Os produtos intermediários que geram direito de crédito são aqueles que são
consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo
produtivo, não abrangendo máquinas, equipamentos, suas partes e peças, e
combustível empregado em máquinas e equipamentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.575
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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LIVROS FISCAIS. A nota fiscal é o documento que legitima os lançamentos escriturados nos Livros Fiscais, cabendo ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1988 a 03/08/1998 RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. GLOSAS DE CRÉDITO. O § 4º do artigo 150 do CTN aplicase a lançamento por homologação e não aos casos de correção do cálculo do montante do ressarcimento. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação será de cinco anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/1988 a 03/08/1998 PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. Os produtos intermediários que geram direito de crédito são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, não abrangendo máquinas, equipamentos, suas partes e peças, e combustível empregado em máquinas e equipamentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Fl. 4200DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.201 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto acompanhou o relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 3856 a 3866) apresentado em 13 de outubro de 2010 contra o Acórdão no 1430.643, de 27 de agosto de 2010, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 3839 a 3851), cientificado em 14 de setembro de 2010, que, relativamente a pedido de ressarcimento de IPI dos períodos de julho de 1988 a agosto de 1998, considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 31/07/1988 a 03/08/1998 RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. GLOSAS DE CRÉDITO. O § 4º do artigo 150 do CTN aplicase a lançamento por homologação e não aos casos de correção do cálculo do montante do ressarcimento. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. LIVROS FISCAIS. ESCRITURAÇÃO. A nota fiscal é o documento que legitima os lançamentos escriturados nos Livros Fiscais. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia. Fl. 4201DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.202 3 INSUMOS. CRÉDITO GLOSADO. Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas, produtos intermediários “strictosensu” e material de embalagem, os materiais que se integram ao produto final e quaisquer outros materiais, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente, que se consumam por decorrência de contato físico com o produto em elaboração, excluindose as partes e peças de máquinas e equipamentos. Os pedidos foram apresentados entre 2000 e 2001 e inicialmente apreciados pelo despacho decisório de fls. 1088 a 1096, com base na informação de fls. 1076 a 1087. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório (fls. 1088/1096) de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Ponta Grossa, que não homologou as declarações de compensação relacionadas às fls. 1080/1087. A contribuinte impetrou mandado de segurança para assegurar o direito ao creditamento de IPI em relação às aquisições de insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero, empregados na industrialização de seus produtos, com a aplicação da mesma alíquota utilizada na operação de saída. Inicialmente, em 04/08/1998, foi deferida liminar parcial, no sentido de acolher a pretensão apenas em relação às operações futuras. Posteriormente, decisão favorável à interessada transitou em julgado em 21/08/2000, assegurando o direito ao creditamento nas entradas realizadas a partir de 31/07/1988, com o crédito corrigido monetariamente na forma estipulada, tendo sido ressalvado o direito ao fisco de verificação da regularidade dos créditos utilizados. Após o trânsito em julgado, a contribuinte protocolou diversos pedidos de compensação para aproveitamento dos créditos. Através de diligência fiscal (fls. 1041/1050), foram analisados os créditos apurados pela empresa, tendo sido realizadas as seguintes retificações: 1. Exclusão de todos os créditos relativos ao período de 31/07/1988 a 31/12/1989, devido à falta de apresentação das notas fiscais que comprovassem as aquisições de insumos no período; 2. Glosas de alguns créditos referentes ao período de 01/01/1990 a 03/08/1998, também por falta de apresentação das notas fiscais; 3. Glosa da correção monetária dos valores referentes às entradas do período de 04/08/1998 a 30/09/2000; os créditos referentes a esse período compunham os ditos “créditos futuros”, nos termos da liminar concedida em Mandado de Segurança em 04/08/1998, e deveriam ter sido aproveitados a Fl. 4202DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.203 4 partir do momento da concessão, com a escrituração desses valores no Livro Registro de IPI, sem direito a correção monetária; 4. Aplicação da correção monetária aos créditos até a data do trânsito em julgado da sentença, pois a partir desta data os créditos tornamse escriturais, para os quais não há previsão de correção monetária; a interessada procede indevidamente à atualização dos créditos mensalmente, mesmo após o trânsito em julgado. Como resultado, foi reduzido o direito creditório apurado pela postulante, resultando na não homologação das mencionadas declarações de compensação. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 1109/1126, alegando, em resumo, que: 1. O Fisco, no exercício de 2001, lavrou autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, lançando todos os créditos decorrentes da tributação do valor principal, ainda não oferecidos à tributação pela contribuinte; 2. Ao glosar grande parte dos créditos da contribuinte, no recente Despacho Decisório, através de diligência fiscal, o Fisco acabou revisando o lançamento dos créditos tributários da Fazenda Nacional, originalmente constituídos em 31/08/2001, e no presente caso, para menor, em virtude da glosa dos créditos, e em conseqüência, do valor tributado; 3. O prazo para essa revisão é de no máximo 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o art. 150, parágrafo 4º, do CTN; 4. Não revisto o lançamento no prazo legal, o Fisco, por decurso de prazo, homologou tacitamente todos os créditos declarados e originalmente lançados contabilmente nos livros fiscais; 5. A fiscalização não apresentou a relação das notas fiscais glosadas no período de 01/01/1990 a 03/08/1998, tendo sido demonstrado somente um resumo dos valores mensais dos créditos; 6. Após cinco anos, com a homologação tácita, é dispensável a manutenção das notas fiscais e dos livros fiscais porque os mesmos já foram convalidados pelo Fisco; 7. Tanto as notas fiscais, quanto os Livros Fiscais têm legitimidade e se constituem em meio de prova, um ou outro, em conjunto com os registros contábeis; juntou cópia do Livro Registro de Entradas de IPI referente ao período totalmente glosado, 31/07/1988 a 31/12/1989, e deixa à disposição, em virtude do volume, os Livros Diários e Razão; disponibiliza também, o Livro Registro de Entradas de IPI do período de 01/01/1990 a 03/08/1998; Fl. 4203DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.204 5 8. O não aproveitamento do crédito a partir do deferimento da liminar, em 04/08/1988, tem como justificativa o fato de a liminar poder ser cassada a qualquer tempo, e a contribuinte optou pela segurança do trânsito em julgado da ação judicial; 9. O Fisco glosou a correção monetária dos créditos ocorridos entre a data do deferimento da liminar em 0/4/08/1999 a 30/09/2000 alegando estar fora do período em que seria aplicada a correção, nos termos da sentença, mas a sentença não faz menção a isto; 10. O Despacho Decisório não justifica porque a correção monetária deve ser considerada somente até o trânsito em julgado da ação judicial; 11. A sentença apenas determina o termo inicial para correção monetária, não fazendo nenhuma menção ao termo final; 12. O termo final para a aplicação da correção monetária é a satisfação total do crédito, ou seja, a data do recebimento do seu direito, que, no caso, é a data da compensação. Por fim, requereu que seja acolhida a preliminar de decadência, ou a reforma, no mérito, do Despacho Decisório. Em 12/06/2008, mediante a Resolução nº 1.041 da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO (fls. 2948/2949), o processo foi encaminhado à Delegacia de origem para a realização de diligência fiscal para a juntada da lista das notas fiscais glosadas relativas a créditos do período de 01/01/1990 a 03/08/1998, já que essa lista não constava nos autos. O auditorfiscal diligenciador juntou os documentos de fls. 2950/2981 e intimação de fl. 2982, bem como as cópias das notas fiscais e documentos apresentados pela contribuinte (fls. 2993/3702). Por fim, elaborou a informação fiscal de fl. 3703 na qual afirma que: 1. Conforme se verifica nos documentos juntados às fls. 2950/2981, a interessada já tinha conhecimento, à época, das notas fiscais glosadas; 2. A contribuinte foi intimada em 08/08/2008; após requerer em 11/08/2008 a prorrogação do prazo para mais 15 dias, protocolou os documentos em 01/09/2008, de forma intempestiva. Cientificada, a interessada se manifestou às fls. 3710/3711 alegando que protocolou os documentos em 29/08/2008 (documento de fl. 3712), dentro do prazo legal pois pediu a prorrogação para mais 15 dias, além do prazo original de 10 dias. Argumentou também que, além da apresentação das notas fiscais localizadas, juntou documentos contábeis e escrituração fiscal provando as operações relativas às notas fiscais não localizadas. Fl. 4204DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.205 6 Em 29/04/2009, mediante a Resolução nº 1.126 da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO (fls. 3742/3744), o processo foi encaminhado à Delegacia de origem para a realização de nova diligência fiscal. Concluiuse que quando protocolou os documentos em 29/08/2008, a contribuinte estava dentro do prazo consentido de 25 dias, e por isso foi requerido que a autoridade fiscal analisasse a legitimidade das cópias das notas fiscais apresentadas pela interessada e apurasse o direito creditório relativo a essas notas fiscais, aplicando os mesmos critérios anteriores, com a correção monetária calculada até o trânsito em julgado da decisão judicial. A fiscalização atendeu a diligência requerida e elaborou a informação fiscal de fls. 3807/3809, na qual calculou o direito creditório referente às notas fiscais apresentadas pela interessada (documentos de fls. 2993/3702), com a correção monetária calculada até a data do trânsito em julgado da decisão judicial. Na referida informação, o auditor esclareceu que efetuou os seguintes ajustes: 1. Exclusão da nota fiscal nº 889, de 02/03/1994, que não foi apresentada; 2. Exclusão de notas fiscais relativas a materiais que não podem ser considerados como insumos, tais como, óleo diesel, batoque, fechadura e microbicida; 3. Exclusão de valores constantes das notas fiscais relativos a produtos tributados; 4. Exclusão das notas fiscais de transferências entre os estabelecimentos da interessada. Ao final, o auditor concluiu por um direito creditório adicional de R$ 420.610,99. Cientificada, a contribuinte manifestouse às fls. 3815/3818, alegando que: 1. A nota fiscal nº 889, de 02/03/1994, foi emitida há mais de 15 anos, o que dificultou a sua localização, porém, os lançamentos contábeis e escrituração fiscal comprovam o direito; 2. Os materiais excluídos por não serem considerados como insumos, na verdade são insumos aplicados no processo produtivo, e o Acórdão prolatado pelo TRF4, transitado em julgado, mandou incluir todos os insumos adquiridos com isenção, nãotributação e com alíquota zero. Por fim, requer a inclusão dessas notas fiscais no cálculo. No recurso, a Interessada repetiu as alegações quanto à ocorrência de homologação tácita, falta de apresentação de notas fiscais glosadas (legitimidade dos livros e notas fiscais), descaracterização de alguns insumos, correção monetária dos créditos “futuros” e correção monetária dos saldos credores após o trânsito em julgado da decisão judicial. Fl. 4205DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.206 7 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No recurso, a Interessada não trouxe argumento adicional algum em relação ao que apresentou na manifestação de inconformidade, que foi corretamente apreciada e analisada pela Primeira Instância, com cujos fundamentos concordase plenamente. Portanto, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1998, adoto os referidos fundamentos no presente voto, fazenda, adicionalmente, as seguintes considerações. Primeiramente, não se confunde o prazo para efetuar lançamento de imposto com o prazo de homologação tácita de lançamento. O primeiro referese ao direito do Fisco de eventualmente efetuar glosa para efeito de exigir diferença de IPI, o que não ocorre no presente caso. No caso dos autos, as glosas ocorreram para verificar a legitimidade da apuração do saldo credor e no âmbito desse procedimento não se efetuou lançamento (o que ocorreria na hipótese de, por exemplo, acrescentar débito). A falta de especificação das notas fiscais foi sanada pela diligência realizada no âmbito da Primeira Instância, cuja decisão não incorreu, portanto, na nulidade prevista no art. 12 do Decreto n. 7.574, de 2011. Quanto ao mérito, ao contrário do alegado pela Interessada, no caso de ser necessário analisar a natureza dos produtos adquiridos, é imprescindível a verificação das notas fiscais, não bastando apenas os livros fiscais e contábeis. Ademais, a guarda de documentos e livros fiscais, no caso de haver processo administrativo em andamento, deve ocorrer até o julgamento completo do processo. Quanto aos insumos, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral Fl. 4206DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.207 8 durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Como se deduz do trecho destacado acima, somente os insumos incorporados ao produto final ou que se desgastam no processo de industrialização é que geram direito de crédito. Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] Fl. 4207DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.208 9 In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Conforme esclarecido acima, somente geram direito a crédito de IPI os insumos que, além de não se destinarem ao ativo permanente, ou se incorporem ao produto fabricado ou cujo desgaste ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Ainda há precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. Ação de empresa fabricante de aço para creditarse do imposto relativo aos materiais refratários que revestem os fornos elétricos, onde é fabricado o produto final. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. Não cumulatividade. Tijolos refratários. Produção de aço. Art49 do CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Portanto, temse que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. Fl. 4208DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.209 10 No caso dos autos, conforme destacado pela Primeira Instância, os insumos glosados (tais como óleo diesel, batoque, fechadura e microbicida etc.) não satisfazem aos requisitos anteriormente mencionados. Notese, em relação a tal matéria, que somente foi possível verificar a natureza dos insumos após a apresentação das notas fiscais, o que confirma definitivamente a necessidade de apresentação das notas, não bastando a dos livros, para verificar a legitimidade dos créditos. Quanto à correção monetária, acrescentese ao que foi dito pela Primeira Instância, que o Superior Tribunal de Justiça decidiu, nos embargos declaratórios no REsp n. 1.035.847RS (recurso repetitivo), o seguinte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (ARTIGO 543C, DO CPC) (PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. ). ERRO MATERIAL. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. MANIFESTO INTUITO INFRINGENTE. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MULTA POR EMBARGOS PROCRASTINATÓRIOS. ARTIGO 538 C/C 557, § 2º, DO CPC. APLICAÇÃO. 1. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do artigo 535, do CPC. 2. A pretensão de revisão do julgado, em manifesta pretensão infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos, quando o aresto recorrido assentou que: "1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural , assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. Fl. 4209DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.210 11 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS , Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR , Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS , Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS , Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008)." 3. A Fazenda Nacional, nos presentes embargos de declaração, suscitou preliminar no sentido de que o acórdão embargado não teria atentado para a novel jurisprudência do STF, firmada por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários 353.657/PR e 370.682/SC, que concluiu pela ausência de direito ao creditamento de IPI quando da aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero e pela não tributação, cujo consectário lógico seria o afastamento do direito à correção monetária. 4. Nada obstante, em sede de embargos de declaração manejados na instância ordinária, bem como no âmbito do recurso especial eleito como representativo de controvérsia, a Fazenda Nacional, pugnando pela ausência de previsão legal de correção monetária de créditos escriturais, assinalou que "a questão versa sobre o reconhecimento do direito do contribuinte à correção monetária de crédito escritural de IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero e que o contribuinte não pôde compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, ao realizar a compensação do referido crédito com outros tributos nos termos do art. 11, da Lei 9.779/99 " 5. Conseqüentemente, a preliminar ventilada pela embargante, além de destoar das razões esposadas nos embargos de declaração e no recurso especial fazendários (donde se poderia inferir aparente litigância de máfé), constitui inovação argumentativa, vedada na instância extraordinária, notadamente em virtude do inarredável requisito do prequestionamento e tendo em vista o óbice inserto na Súmula 7/STJ. 6. Embargos de declaração rejeitados, com a condenação da embargante ao pagamento de 1% (um por cento) a título de multa, pelo seu caráter procrastinatório (artigo 538, parágrafo único, do CPC), em face da impugnação de questão meritória, esta submetida ao rito do artigo 543C, do CPC (mutatis mutandis, Questão de Ordem no REsp 1.025.220/RS, apreciada Fl. 4210DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10940.003109/200393 Acórdão n.º 330201.575 S3C3T2 Fl. 4.211 12 pela Primeira Seção aplicação de multa artigo 557, § 2º do CPC). Como se vê, no caso de lançamento dos créditos no livro registro, não há mais que se falar em correção monetária, bem assim no caso de falta de lançamento sem oposição injustificada do Fisco. Se a Interessada apresentou mandado de segurança para obter o direito de crédito e obteve a medida judicial , mas optou por não escriturar os créditos, então não se caracteriza tal hipótese. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 4211DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11080.013668/2002-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998
NULIDADE. ARGUMENTOS ADUZIDOS. DESNECESSIDADE DE
APRECIAÇÃO DE SUA TOTALIDADE.
Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa
incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade
incompetente ou com preterição do direito de defesa. O órgão julgador não
está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se
por outros motivos tiver firmado seu convencimento.
RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA.
O direito de solicitar o ressarcimento de crédito presumido do IPI decai no
prazo de cinco anos, contado do encerramento do trimestre de referência.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
A escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a
favor do contribuinte se os fatos nela registrados forem comprovados por
documentos hábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.485
Decisão: Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 NULIDADE. ARGUMENTOS ADUZIDOS. DESNECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE SUA TOTALIDADE. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se por outros motivos tiver firmado seu convencimento. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de solicitar o ressarcimento de crédito presumido do IPI decai no prazo de cinco anos, contado do encerramento do trimestre de referência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a favor do contribuinte se os fatos nela registrados forem comprovados por documentos hábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 2 (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem relatar os fatos até a manifestação de inconformidade, adoto e ratifico o relatório da decisão de primeiro grau, a seguir transcrito. “O estabelecimento industrial acima identificado requereu, em 3 de outubro de 2002, conforme demonstrativo que segue, ressarcimentos de créditos do IPI, por aquisições de insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação, no valor total de R$ 29.338,47, invocando o art. 42 da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, o parágrafo único do art. 12 do Decreto nº 792, de 2 de abril de 1993, e a Portaria Interministerial MF/MCT nº 273, de 1993: Apuração Valor Folha Trimestre Ano 2 1997 1.879,04 1 3 1997 4.074,02 2 4 1997 10.186,38 3 1 1998 3.510,87 4 2 1998 3.670,98 5 3 1998 3.725,04 6 4 1998 2.292,14 7 Total 29.338,47 Os pleitos foram objeto da Informação Fiscal das fls. 95 e 96 (vol. 1), segundo a qual, em relação ao segundo e ao terceiro trimestre de 1997, os alegados créditos foram fulminados pela prescrição quinquenal de que trata o art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, e, em relação ao quarto trimestre de 1997 e aos quatro trimestres de 1998, foi apurado que o interessado destruiu todas as notas fiscais que dariam suporte ao direito de crédito (o que também aconteceu quanto ao segundo e ao terceiro trimestre de 1997), motivo pelo qual o autor da referida informação fiscal propôs o indeferimento integral dos pedidos. Em seguida, foi proferido o Despacho Decisório nº 515/2009, da fl. 97 (vol. 1), que acolheu a informação referida no item precedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado, além de não homologar qualquer compensação eventualmente efetuada com base nos créditos reivindicados neste processo. A ciência do interessado ocorreu em 5 de maio de 2009, conforme intimação da fl. 103 (vol. 1) e Aviso de Recebimento (AR), da fl. 559 (vol. 3). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11080.013668/200261 Acórdão n.º 330201.485 S3C3T2 Fl. 2 3 Discordando do indeferimento dos seus pedidos de ressarcimento, o requerente apresentou, tempestivamente, em 3 de junho de 2009, a manifestação de inconformidade das fls. 104 a 112 (vol. 1), firmada por seu procurador, credenciado pelos documentos das fls. 117 a 124, tendo sido apresentados os documentos das fls. 113 a 116 e 125 a 200 (vol. 1), 203 a 399 (vol. 2) e 402 a 558 (vol. 3). As alegações vêm resumidas na sequência. Quanto à prescrição dos créditos referentes ao segundo e ao terceiro trimestre de 1997, o interessado argumenta que não aconteceu o aludido fenômeno, porque o aproveitamento do seu alegado direito depende da intervenção da Fazenda Nacional, ente que, diante da demora injustificável na solução do pleito, deve reconhecer os créditos, em seu valor principal, bem assim a devida atualização desse valor, pela taxa Selic. Na sequência, o manifestante invoca o art. 173, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), e o princípio da reciprocidade, para concluir que o termo de início do prazo decadencial (sic) de cinco anos iniciou no primeiro dia útil de 1998, razão pela qual não estava esgotado na data da protocolização dos pedidos de ressarcimento, ocorrida em 3 de outubro de 2002, ficando suspenso esse prazo, a partir da referida data. No tocante ao indeferimento dos ressarcimentos relativos ao quarto trimestre de 1997 e aos quatro trimestres de 1998, o interessado alega que o parágrafo único do art. 195 do Código Tributário Nacional é muito claro sobre o prazo de guarda dos documentos de interesse fiscal, dizendo que serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Além disso, alega que, embora tenham sido incineradas as notas fiscais de aquisição de insumos, manteve e está apresentando, por cópias, os livros Registro de Entrada e Registro de Apuração do IPI, os quais são documentos hábeis para instruir os pedidos de ressarcimento em questão. Por último, o manifestante requer a procedência das suas alegações, para fins de reforma do despacho decisório, com o consequente reconhecimento do seu alegado direito creditório”. O colegiado de primeira instância negou o direito creditório, sob as razões sintetizadas na ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 CRÉDITOS INCENTIVADOS DO IPI. PRESCRIÇÃO. O ressarcimento de créditos incentivados do IPI prescreve em cinco anos, contados da data da entrada dos insumos admitidos, no estabelecimento beneficiário. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 4 ESCRITURAÇÃO E UTILIZAÇÃO. A falta das notas fiscais de aquisição dos insumos admitidos impede a escrituração e utilização dos créditos do IPI correspondentes. Solicitação Indeferida”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, no qual ratifica todos os argumentos de sua manifestação de inconformidade e, adicionalmente, aduz a nulidade do acórdão recorrido por falta de apreciação quanto sua alegação de que a Fazenda Nacional não apresentou, no prazo legal, solução ao pleito. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Acerca da afirmativa de que o julgador de primeira instância não se reportou à integralidade da impugnação, há que se registrar que, tal fato, no presente caso não trouxe quaisquer conseqüências. Ademais, o julgador não está obrigado a, necessariamente, se pronunciar sobre a totalidade dos argumentos aduzidos, conforme se demonstrará. Consoante os ensinamentos do eminente jurista Luiz Fux em sua obra, Curso de Direito Processual Civil, Editora Forense, 2001, pág. 679, o rito a ser seguido em uma decisão é o seguinte: “Ultrapassado o relatório, o juiz inicia a fundamentação de sua sentença, imprimindo ao ato o timbre de sua inteligência acerca dos fatos e do direito aplicável. Tratase de garantia constitucional que impõe ao magistrado motivar a sua decisão, explicitando o itinerário lógico de seu raciocínio de maneira a permitir à parte vencida a demonstração das eventuais injustiças e ilegalidades encartadas no ato.” A decisão sendo devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em cerceamento de defesa, mesmo que não tenham sido abordados todos os pontos trazidos pela defesa. Corroborando esse entendimento, colacionase a ementa da decisão prolatada pelo Egrégio STJ, na qual, o relator, Ministro José Delgado, menciona claramente a desnecessidade de apreciação de matéria que não guarde pertinência e relevância entre os fatos e a decisão. “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE OMISSÃO, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11080.013668/200261 Acórdão n.º 330201.485 S3C3T2 Fl. 3 5 OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. PRETENSÃO DE REVOLVIMENTO DE MATÉRIA MERITAL (PIS SEMESTRALIDADE INTERPRETAÇÃO DO ART. 6º, DA LC 07/70 CORREÇÃO MONETÁRIA – LEI 7.691/88). DESOBEDIÊNCIA AOS DITAMES DO ART. 535, DO CPC. EXAME DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inocorrência de irregularidades no acórdão quando a matéria que serviu de base à interposição do recurso foi devidamente apreciada no aresto atacado, com fundamentos claros e nítidos, enfrentando as questões suscitadas ao longo da instrução, tudo em perfeita consonância com os ditames da legislação e jurisprudência consolidada. O não acatamento das argumentações deduzidas no recurso não implica em cerceamento de defesa, posto que ao julgador cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide.(grifei) 2. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial nº 240938/RS (DJU de 10/05/2000), reconheceu que, sob o regime da LC nº 07/70, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador do PIS constitui a base de cálculo da incidência. 3. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do REsp nº 144708/RS, Relª Minª Ministra Eliana Calmon,consolidou entendimento de que o art. 6º, parágrafo único, da LC nº 07/70, trata da base de cálculo do PIS, não incidindo correção monetária sobre a mesma em face da (...). (...) 9. Embargos rejeitados. ” (EDREsp nº 362.014/SC, DJ de 23/09/2002, pg. 236, Min. Rel. José Delgado). Portanto, conforme se depreende, ainda que a DRJ não tenha apreciado todos os argumentos aduzidos pela interessada, não se configura, necessariamente, motivo de nulidade da decisão a quo, pois, o órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se por outros motivos tiver firmado seu convencimento. No tocante a decadência do direito de pleitear o ressarcimento, temse que o ressarcimento de crédito presumido de IPI é um estímulo fiscal, de natureza escritural. Tratase de um instituto distinto da restituição visto que não decorre de um pagamento a maior ou indevido. A restituição está sujeita as regras de repetição de indébito prescritas no Código Tributário Nacional, enquanto ao ressarcimento aplicase regra específica, insculpida no art. 1º do Decreto nº 20.910/32, que assim dispõe: “Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem.” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA 6 O prazo para aproveitamento dos créditos do IPI, ao contrário do que sustenta a Reclamante, é de cinco anos, contado da data do ato ou fato do qual se originarem. Dentro desse prazo os créditos podem ser escriturados e utilizados na conta gráfica do IPI ou ser objeto de pedido de ressarcimento. Neste mesmo sentido é a orientação do Parecer Normativo CST nº 515/1971 (DOU de 27/08/1971), e decisão do STJ (2ª Turma) no RE nº 48.722DF (94.0015270), julgamento em 17/06/1996, (DOU de 12/08/1996). Considerando que o crédito presumido em baila é apurado trimestralmente, o termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal é o último dia útil do trimestre. No presente caso o pedido de ressarcimento só foi apresentado em 03/10/2002 e, por conseguinte, restam decaídos o direito do ressarcimento de todos os períodos de apuração cujo último dia seja anterior a 03/10/1997. Destarte, no que diz respeito a decadência do ressarcimento, não assiste razão à Recorrente eis que os 2º e 3º trimestres de 1997 estão decaídos visto que o último dia desses períodos de apuração são anteriores a 03/10/1997. Em relação a não apresentação das notas fiscais e que o ressarcimento está evidenciado em sua escrituração, a qual faz prova a seu favor, têmse a ponderar o seguinte: i) Noção cediça, fatos controvertidos e relevantes devem ser provados, acostandose no processo as provas necessárias para a comprovação dos fatos alegados pelas partes; ii) Em matéria de prova prevalece o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Nesse sentido, temos o art. 36 da Lei nº 9.784/96 que estabelece que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Então, cabe ao Contribuinte a apresentação das notas fiscais; iii) Uma das formas de se provar o fato jurídico é através de documentos (art. 212, II, da Lei nº 10.406/02). No presente caso seria através das notas fiscais originais, as quais não foram apresentadas; iv) A escrituração mantida com observância das disposições legais só faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis. (Decretolei n.° 1.598/77, art. 9.°, § 1.°); v) Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos à fatos que repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. (Art. 37, da Lei nº 9.430/96, aplicável ao presente caso por analogia); Portanto, nesse particular, sem razão a Recorrente eis que, por falta de prova, não demonstrou a liquidez do seu pedido. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11080.013668/200261 Acórdão n.º 330201.485 S3C3T2 Fl. 4 7 No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 p or WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 16641.000096/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 18/10/2007
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, II DA LEI Nº 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, "a" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-deinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, II da Lei n° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "a" do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Não contabilizou devidamente os pagamentos feitos a pessoas físicas e jurídicas.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'.
Em se tratando de Auto de Infração não há que se falar em recolhimento antecipado, mas descumprimento de obrigação acessória, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
Mesmo que a decadência alcance algumas das obrigações descritas no Auto de Infração, restando apenas uma competência com obrigações não cumpridas é suficiente para manutenção da autuação.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.081
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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[05 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA •/ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16641.000096/2007-85 Recurso n° 156.012 Voluntário Acórdão n° 2401-01.081 — 4° Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE CONSERVAS SCHRAMM LTDA Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/10/2007 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, II DA LEI N.' 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, "a" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, II da Lei n.° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "a" do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Não contabilizou devidamente os pagamentos feitos a pessoas fisicas e jurídicas. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de Auto de Infração não há que se falar em recolhimento antecipado, mas descumprimento de obrigação acessória, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. • Mesmo que a decadência alcance algumas das obrigações descritas no Auto de Infração, restando apenas uma competência com obrigações não cumpridas é suficiente para manutenção da autuação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • I . • ACORDAM os membros da Lla Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por animidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, em negar pr4 ento ao recurso. Át ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente E - " • CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza 2 Processo a° 16641.000096/2007-85 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.081 Fl. 106 Relatório Trata o presente auto-de-infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, II da Lei n ° 8212/1991 c/c art. 283, II, "a" do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização do INSS, a recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. No caso em questão a recorrente não contabilizou nas contas apropriadas, valores pagos a pessoas fisicas e jurídicas, fazendo a distinção entre os mesmos. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/10/2007. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 37 a 56. A DRFB emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 70 a 75, mantendo a autuação em sua integfalidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 82 a 102. Em síntese o recorrente alega o seguinte: 1. Preliminarmente, impossibilidade de constituir o crédito em virtude da fluência do prazo decadência nos termos do art. 150, §4°. 2. Necessário o julgamento em conjunto do AI em tela com a NFLD n° 37.066.958-4, isso porque a multa ora lançada refere-se a NFLD, também alvo de recurso voluntário. 3. Descabida a multa, visto que não se identifica qualquer ato doloso da impugnante. 4. Ilegal, ainda a aplicação dos juros posto que afronta o art. 97 e 161 do CTN. 5. Requer a insubsistência e improcedência da decisão proferida em primeiro grau, para que se cancele o auto de infração hostilizado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. 3 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, confirme informação à fl. 104. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de "fazer" ou "deixar de fazer", sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Já quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos analisar o contexto da NFLD,ora objeto de julgamento, qual seja o não recolhimento por parte da empresa, dos valores descontado dos segurados empregados, o que em tese caracteriza crime de apropriação indébita. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas 4 iff Processo n° 16641.000096/2007-85 S2-C4T1 •Acórdão n.° 1401-01.081 Fl_ 107 esferas federal, estadual e municipal, bem corno proceder à sua , revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao -prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1° Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - 158 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.0 DO ÁRT 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA TÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361 829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406168 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 2610.2006; e REsp 445137/J1,1G, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Divida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.` 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de cf--5 execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQIV), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Inicio de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20,%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4°, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/1U, publicado no DJ de 06.062005: e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; 00 regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, • Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o Ai 6 Lfe Processo n° 16641.000096/2007-85 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.081 Fl. 108 crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4', e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTIV), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não ficar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3"Ed., Max Limonad pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso clecadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafi) único, do CD! e a extinção do crédito tributário C:t 7 em razão tia homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do C/7V, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o credito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo 1SSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Enrico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Processo n° 16641.000096/2007-85 S2-C4T1 Acórdão n." 2401-01.081 Fl. 109 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2 0 - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3°- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4 0 - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4°, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, trata-se de lavratura de Auto de Infração por não ter /L9 a empresa comprovado o lançamento contábil na forma devida. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Em assim sendo, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, com a cientificação do sujeito passivo em 19/10/2007 e que os fatos geradores ocorreram no período de 01/1997 a 12/2001, deve ser declarada a decadência do lançamento até a competência 11/2001. Porém, em se tratando de auto de infração de valor fixo, a permanência de apenas uma infração na competência 12/2001 é suficiente para manutenção do presente auto de infração. Superadas a preliminar, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a validade do procedimento fiscal, tendo em vista o alcance da decadência qüinqüenal, bem como a conexão deste AI com NFLD lavradas durante o procedimento, sem contudo refutar, as obrigações que ensejaram a autuação, qual seja, não contabilização dos pagamentos feitos a pessoas fisicas ou jurídicas. Dessa forma, em relação aos fatos geradores (obrigações acessórias) objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão-Notificação neste ponto. Contudo, entendo que devam ser apreciados os demais argumentos. Em primeiro lugar quanto a conexão existente, entendo que mesmo existindo NFLD lavradas durante o mesmo procedimento, não há de se falar em dependência entre a mesma e o PIÁ em tela. No caso, a obrigação que ensejou o Al foi deixar de contabilizar em títulos próprios, o que independe da existência de recolhimento, ou mesmo de terem sido lavradas NFLD para cobrança de contribuições. Assim, não assiste razão ao recorrente. Com relação a multa aplicada entendo que razão não assiste ao recorrente. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente auto-de-infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. A empresa é obrigada ao lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, de todos os fatos geradores de contribuições, do montante das quantias descontadas, das contribuições da empresa e dos totais recolhidos, conforme previsão no art. 32, inciso II da Lei n ° 8.212/1991. Ainda de acordo com o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, em seu art 225 II § 13, a escrituração pode ser exigida após decorridos 90 dias da ocorrência do fato gerador, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: II - lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos: Processo n° 16641.000096/2007-85 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.081 Fl. 110 (.) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: 1- atender ao principio contábil do regime de competência; e - registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário-de-contribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A Auditora-Fiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazê-lo uma vez que sua atividade é vinculada. Destaca-se que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2° do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § I' Á obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 33, § 2°, da Lei n ° 8.212/1991. • -1 I] O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3 0 A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de oficio para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificam-se pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação. Com relação a aplicação de juros de forma ilegal não há o que ser apreciado. Ressalto que nos Autos de Infração não são cobrados juros, vez que trata-se de multa pelo descumprimento de obrigação. Isto posto, não só foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo autoridade previdenciária, como encontra-se devidamente fundamentada a multa aplicada.. Desse modo, a autuação deve persistir integralmente. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de decadência e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora 12
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Numero do processo: 16004.001680/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Jan 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 27/11/2008
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos
relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
SOLICITAÇÃO DE MESMA DOCUMENTAÇÃO MAIS DE UMA VEZ. PRERROGATIVA DO FISCO.
Desde que demonstre necessidade, não há para o Fisco limitação da
quantidade de vezes que pode solicitar os mesmos documentos do
contribuinte, desde que os papéis sejam relativos a período em que ainda haja esse direito para a Administração Tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.213
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. SOLICITAÇÃO DE MESMA DOCUMENTAÇÃO MAIS DE UMA VEZ. PRERROGATIVA DO FISCO. Desde que demonstre necessidade, não há para o Fisco limitação da quantidade de vezes que pode solicitar os mesmos documentos do contribuinte, desde que os papéis sejam relativos a período em que ainda haja esse direito para a Administração Tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001680/200844 Acórdão n.º 240102.213 S2C4T1 Fl. 105 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.209.7685, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar todos os documentos/livros solicitados pelo Fisco. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a empresa, malgrado regularmente intimada, deixou de exibir os seguintes documentos: Livros Diário e Razão ou Caixa e extratos bancários de movimentação financeira. A empresa apresentou defesa, na qual alega, em síntese, que não houve a infração, posto que os documentos mencionados já haviam sido entregues na repartição da RFB em São José dos Campos, conforme recibo acostado. A DRJ Rio de Janeiro I julgou improcedente a impugnação mantendo integralmente o AI. No voto condutor do acórdão, consignase que o recibo de documentos mencionado pela empresa em sua defesa, na verdade diz respeito a outros documentos e não aqueles cuja omissão deu causa ao AI sob cuidado. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) os documentos exigidos no MPF n.º 08.107.00.2008.02397 já haviam sido entregues à RFB, quando solicitados no MPF n.º 08.107.00.2008.00267, conforme comprova o recibo de documentos subscrito pelo Auditor Fiscal Hércio Melo; b) não há o que se falar em infração, haja vista que os documentos solicitados já haviam sido apresentados em oportunidade anterior e de forma até mais abrangente, haja vista que contemplou período maior; c) a aplicação da presente multa ofende ao princípio constitucional da moralidade, conforme doutrina que apresenta; d) o Fisco não pode fazer exigências documentais desnecessárias; e) na espécie não se caracterizou o embaraço à fiscalização. Ao final pede a revogação da lavratura. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da infração Nos termos do § 2.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 33 (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (...) A luz da norma acima, as empresas têm a obrigação de apresentar, quando requerido, todos os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. Ao deixar de atender a solicitação dos Agentes Fiscais, a empresa incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, pelo que sofre a imposição de penalidade pecuniária. No caso sob julgamento, o Fisco assevera que a recorrente deixou de apresentar livros contábeis e comprovantes de operações bancárias. A empresa afirma que já teria apresentado esses documentos à Administração Tributária em outra ocasião, não se configurando, assim, a infração. Uma primeira questão que chama atenção é que a prova acostada, fl. 48, a qual supostamente comprovaria que os documentos teriam sido exibidos à RFB data de 06/05/2008, portanto, em período anterior às intimações fiscais realizadas na auditoria que deu ensejo a autuação, a qual teve início em 15/09/2008, ver fl. 08. Assim, o fato da empresa ter supostamente apresentado a documentação solicitada em momento anterior não afasta a infração. É que o Fisco pode solicitar a mesma documentação quantas vezes se fizer necessário. Consultando o MPF n.º 08.107.00.2008.02397, no sítio da RFB, pude constatar que o escopo do procedimento era a verificação fiscal da regularidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos. Portanto, plenamente justificável a solicitação documental. Assim, ainda que a empresa já tivesse apresentado os mesmos documentos anteriormente, não estaria desobrigada de exibilos mais uma vez, posto que a guarda da Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001680/200844 Acórdão n.º 240102.213 S2C4T1 Fl. 106 5 documentação relacionada às contribuições deveria ser mantida à disposição do Fisco por dez anos, conforme o § 11 do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 32 (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (...) De outra banda, há de se levar em conta que a relação de documentos apresentada anteriormente, de acordo com o documento acostado, não corresponde aquela cuja sonegação deu ensejo ao presente AI. Vale a pena transcrever o recibo de documentos acostado na defesa: São José do Rio Preto, 06 de março de 2008. RECIBO Eu, Sr. Hercio, fiscal de tributos da Receita Federal do Brasil, declaro que recebi cópia dos seguintes documentos: Empresa: Líder Serviços Rurais SS Ltda. EPP. Contrato Social e Alteração; Balanço Patrimonial dos anos 2002,2003 e 2004; Balancete do mês de maio dos anos — 2003 e 2004; Copia da ultima nota fiscal emitida e a posterior sem emissão (Empresa encerrou as atividades nesse período); GFIP do mês de maio dos anos — 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 (GFIP de 2005, 2006 e • 2007 somente funcionários afastados e com estabilidade de emprego em virtude de acidente). Contrato de Prestação de Serviços — inexistente, pois o período era de entresafra. RENAVAM — inexistente, pois a empresa não possui veículos conforme balanço patrimonial. Considerandose que o presente AI foi lavrado pela falta de exibição dos Livros Diário e Razão ou Caixa, além de extratos de movimentação bancária, não há sequer o que se alegar que houve duplo pedido sobre o mesmo conjunto de documentos. Vejo, então, que o Fisco, tendo constatado a infração de deixar de exibir os elementos por ele solicitados, lavrou o AI em estrita conformidade aos ditames legais, descabendo a alegação da recorrente de que teria havido nesse proceder afronta ao princípio constitucional da moralidade administrativa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Também não há de prevalecer a tese da recorrente de que a multa somente poderia ser aplicada na hipótese do contribuinte haver desacatado os Agentes do Fisco. Não é verdade. A ocorrência de desacato é uma agravante da multa, nos termos do art. 290 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, verbis: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: I tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência. Portanto, somente o fato da empresa haver deixado de apresentar os documentos regularmente solicitados pelo Fisco já é suficiente para imposição da pena. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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