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Numero do processo: 37098.002431/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/2004
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL. CONTABILIDADE QUE NÃO REFLETE A REALIDADE DA EMPRESA. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO UTILIZADA NA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
É prerrogativa do fisco, quando comprova que a contabilidade da empresa não registra o seu movimento real, realizar a aferição indireta do salário-decontribuição, cabendo ao contribuinte demonstrar o contrário.
Desconsiderada a contabilidade de empresa responsável pela execução de obra de construção civil, o salário-de-contribuição deve ser aferido com base na área construída e no padrão da construção.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/2004
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO
ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4° do art. 150 do CTN, Ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO MEDIANTE INTIMAÇÃO FISCAL. AFASTAMENTO.
A verificação de infração através de documentação apresentada para cumprir intimação fiscal descaracteriza a denuncia espontânea.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/2004
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
A autoridade administrativa, via de regra, e vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.000
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em declarar a decadência ate a competência 03/2000; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NOTIFICAÇÃO FISCAL. CONTABILIDADE QUE NÃO REFLETE A REALIDADE DA EMPRESA. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO UTILIZADA NA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Ê prerrogativa do fisco, quando comprova que a contabilidade da empresa não registra o seu movimento real, realizar a aferição indireta do salário-de- contribuição, cabendo ao contribuinte demonstrar o contrário. Desconsiderada a contabilidade de empresa responsável pela execução de obra de construção civil, o salário -de-contribuição deve ser aferido com base na área construída e no padrão da construção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/2004 PREVIDENCIARIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, Ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO MEDIANTE INTIMAÇÃO FISCAL. AFASTAMENTO. A verificação de infração através de documentação apresentada para cumprir intimação fiscal descaracteriza a denuncia espontânea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa, via de regra, e vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA os membros da zla Câmara / r Tufina Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, p midade de votos: I) em declarar a decadência ate a competência 03/2000; e II) no merit gar provimento ao recurso. ELIAS SAM AIO FREIRE - Presidente W6kiN\ _ KLEBER FERREIRA DE A ÚJO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 37098.002431/2006-82 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.000 Fl. 291 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n° 35.780.856-8, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A notificação, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, traz em seu bojo a contribuição dos segurados e as seguintes contribuições patronais: para a Seguridade Social, incluindo a contribuição para financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, além daquelas destinadas a outras entidades e fundos. 0 crédito em questão reporta-se a competência 06/2004 e assume o montante, consolidado em 18/04/2005, de R$ 92.108,54 (noventa e dois mil, cento e oito reais e cinquenta e quatro centavos). De acordo como relatório fiscal, fls. 16/18, a empresa notificada apresentou ao INSS pedido de regularização da obra matriculada sob o n.° 19.142.06402/77, todavia, a fiscalização decidiu pela requisição de outros documentos, no afã de verificar a situação contributiva da referida matricula. Continuando, a autoridade notificante afirma que verificou na contabilidade despesas com a obra desde a competência 05/1998, no entanto, a documentação apresentada somente demonstra a existência de empregados a partir da competência 11/1998. 0 fisco aduz também que constatou divergência de mais de 55% entre as horas trabalhadas constantes nos documentos fornecidos pela empresa e as horas trabalhadas necessárias a execução da edificação, calculadas de acordo com a NBR — 12721 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. No entender da auditoria, tais fatos seriam suficientes a ensejar a desconsideração da contabilidade e a apuração do salário-de-contribuição por aferição indireta, mediante o cálculo da mão-de-obra empregada em proporção com a área construída e com o padrão da obra, conforme tabelas de Custo Unitário Básico — CUB fornecidas pelo Sindicato da Construção Civil. Alerta-se que na elaboração do cálculo foram abatidos os recolhimentos efetuados, as confissões de divida apresentadas e as notas fiscais de prestação de serviço e aquisição de concreto usinado, que efetivamente tinham vinculação com a obra em questão. Foram acostados pelo fisco, fls. 19/48, Declaração de Informações Sobre Obra, apresentada pela empresa, memória de cálculo da apuração da mão-de-obra por aferição indireta; relação de trabalhadores que laboraram na execução da edificação e cópias de folhas do Livro Diário que, supostamente, demonstrariam o inicio da obra sem os lançamentos contábeis de pagamento de remuneração a trabalhadores. A empresa apresentou impugnação, fls. 51/94, na qual alega que as despesas iniciais com a obra foram referentes a serviço de estaqueamento, cuja execução foi feita pela empresa ENGEPLAN — Engenharia e Estaqueamento Ltda. Afirma que a mão-de-obra foi totalmente fornecida pela empresa contratada. Aduz a notificada que o cálculo das horas trabalhadas efetuado pela auditoria levou em conta a área total e não a Lea construída, sendo esse o motivo da divergência apontada pelo fisco. Alem desses argumentos, contesta a aplicação dos acréscimos legais, a contribuição ao RAT e as contribuições destinadas aos "terceiros" e pede, ainda, o afastamento da multa em razão da ocorrência de denuncia espontânea. 0 órgão de primeira instância resolveu baixar o processo em diligência para que o fisco se manifestasse sobre as razões defensórias, fl. 161. Em seu pronunciamento, fl. 173, a auditoria afirma que não localizou na contabilidade registros de pagamentos A empresa que a notificada alega haver contratado para realizar o estaqueamento, nem notas fiscais que comprovassem a execução dos referidos serviços. Quanto ao cálculo dos homens-hora necessários a execução da obra, o fisco apresenta nova planilha, desta feita considerando a área real global, e, ainda assim, encontrou uma divergência de 46,48%. Conclui que o levantamento deve ser mantido, posto que a contabilidade apresentada não registra o movimento real da empresa. Cientificada do resultado da diligência, a empresa não se pronunciou. 0 órgão de primeira instância decidiu pela procedência do lançamento, fls. 172/180. Inconformada a empresa apresentou recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que: a) apresenta arrolamento de bens em substituição ao deposito prévio recursal; b) a mão-de-obra utilizada no período de 05 a 10/1995 refere-se ao estaqueamento da obra que foi realizada por outra empresa; c) o cálculo das horas necessárias para a construção foi efetuado tomando como base a Area real global e não a área construída, sendo esse o motivo da divergência apontada pelo fisco; d) não há razão para desclassificação de sua contabilidade, não devendo prosperar o lançamento; e) a multa deve ser excluída por aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN; f) a multa aplicada e inconstitucional por possuir caráter de confisco; g) a aplicação da taxa SELIC para fins tributários é inconstitucional; h) há um bis in idem na aplicação cumulativa de multa e juros moratórios; i) é ilegítima a cobrança de contribuição ao INCRA das empresas urbanas; Processo n° 37098.002431/2006-82 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.000 Fl. 292 j) são inconstitucionais as cobranças de contribuições destinadas ao Salário Educação, ao SESI, ao SENAI e ao SEBRAE, além da contribuição ao RAT. Pede, ao final, o cancelamento da NFLD, ou, alternativamente, a redução da multa ao patamar de 20%. 0 órgão de primeira instância apresentou contra-razões, fls. 247/254, pugnando pelo desprovimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade, alem de que a recorrente possuía decisão judicial garantindo o seguimento do recurso mediante a substituição do depósito prévio pelo arrolamento de bens. Embora não suscitada, há uma preliminar que deve ser conhecida de oficio, falo da perda do direito do fisco de lançar as contribuições pela decadência. Na data da lavratura, o fisco previdencidrio aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do decreto- lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. E cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, confoinie se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisães sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8.212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. E o que se observa da ementa abaixo reproduzida (REsp n2 1034520/SP, Relatora: Ministra Teori Albino Zavascki, julgamento em 19/08/2008, DJ de 28/08/2008): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO 6 Processo n°37098.002431/2006-82 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.000 Fl. 293 DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPA CÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTIV, ART 150, 4 0)• PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. DECISÃO ULTRA PEI -LTA. INVIABILIDADE DE EXAME EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 7/STI. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, DESPROVIDO. No caso vertente, a ciência do lançamento deu-se em 29/04/2005 e o período do crédito é de 11/1998 a 06/2004. Verifica-se recolhimentos para todo o ano de 1999 e para o ano de 2000, a exceção da competência 10/2000. Assim devem ser consideradas decadentes por quaisquer dos critérios de aferição do prazo decadencial o período de 11/1998 a 11/1999, e pelo critério do art. 150, § 4°., as competências de 12/1999 a 03/2000. Nessa toada, das 74 competências que compõem o ARO, fl. 29, devem ser expurgadas por decadência 17 delas. A alegação da empresa de que não há razão para desconsiderar sua contabilidade se baseia na suposta execução do serviço de estaqueamento pela empresa ENGEPLAN, no período de 05 a 11/1998, e pelo fato do fisco ter se equivocado no seu calculo das horas necessárias a execução da obra. A argumentação de utilização de mão-de-obra de empresa contratada não pode ser aceita, posto que não foi comprovada prestação de serviços, a uma, porque não há registro contábil de pagamentos à empresa prestadora, a duas, posto que não foi apresentado qualquer documento que viesse a comprovar a execução do serviço de estaqueamento pela empresa ENGEP LAN. Essa linha de raciocínio, apresentada na resposta à diligência fiscal e também na decisão recorrida, não foi refutada pela notificada, que poderia, se possuísse, colacionar notas fiscais relativas ao serviço prestado, acabando assim com a celeuma. Quanto ao cálculo das horas necessárias a realização da obra, a auditoria atendendo ao pleito da contribuinte expresso na defesa, efetuou o cálculo tomando como base a mesma área utilizada para aferir o salário -de-contribuição, tendo concluído que há uma divergência entre os valores informados pela empresa e apurados conforme as normas técnicas de mais de 46%. Sendo assim, não possa dar razão A. empresa. 0 arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é prevista no Código Tributário Nacional, art. 148 1 , tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdencidria tem fundamentação especifica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.° e 4.° do art. 33 da Lei n.° Art. 148. Quando o calculo do tributo tenha por base, ou tome ern consideração, o valor ou o prego de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 8.212/1991 2 , os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. No caso da execução de obra de construção civil, as remunerações devem ser calculada na proporção da área construída, facultando-se ao responsável produzir prova em contrário. Na situação sob testilha, vejo que há motivos suficientes para aferição indireta da base de cálculo, posto que ficou comprovado que a contabilidade da empresa não representa o seu real movimento, quando o fisco demonstrou que houve a utilização de mão- de-obra sem o correspondente registro contábil e que os homens-hora constantes na documentação apresentada são incompatíveis com a quantidade necessária a execução de obra similar, calculadas de acordo com as normas da ABNT. Quanto a tese do afastamento da multa por conta da aplicação do instituto da denuncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN3 , entendo que não merece acolhida. No caso sob testilha a infração que deu ensejo à desconsideração da contabilidade, que consistiu na apresentação da contabilidade contendo informação diversa da realidade, somente foi conhecida pelo fisco após a solicitação formal do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, 11 .14, portanto, o ilícito administrativo se revelou após a medida fiscalizatória, o que excluiu a denúncia espontânea, nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN. Quanto ao inconformismo da recorrente relativo a aplicação dos juros e da multa ao valor apurado, tenho a destacar que tais acréscimos foram calculados tomando como base a legislação de regência (arts. 34 e 35 de Lei n.° 8.212/1991), não sendo licito ao fisco se afastar dessas prescrições legais. Para enfrentar essas e outras questões apresentadas é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, dai, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de substituição; e a Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3' Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal-DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão-de-obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa co-responsável o ônus da prova em contrário. (.-.) 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 8 Processo n°37098.002431/2006-82 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.000 Fl. 294 Sobre esse tema, note-se que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento A vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente A Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no capzit não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declara tório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n2 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n 2 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n2 73, de 1993. Observe-se que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Sumula CARF N°2 O CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do "caput" do art. 72 do Regimento Interno do CARF4 . Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa, da contribuição ao seguro de acidente de 4 Art. 72. As decisaes reiteradas e uniformes do CARE serão consubstanciadas em sumula de observância obrigatória pelos membros do CARE. (...) 9 trabalho — RAT e das contribuições destinadas aos "terceiros" (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. De todo o exposto, voto pelo reconhecimento de oficio da decadência para as contribuições relativas ao período de 05/1998 a 03/2000, e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2010 q9,4\i KLEBER FERREIRA DE A LIJO - Relator 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 37098.002431/2006-82 Recurso n°: 147.135 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.000 Brasilia 6 de abril de 2010 ELIAS SA AIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Corn Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 11065.002121/2004-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO.TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO.
Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA.
A incidência de PIS sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I,
da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação,
e da expressa isenção prevista nas normas instituidora daquela
contribuição.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. UNIFORME DE FUNCIONÁRIOS.
Não é possível o creditamento de PIS sobre gastos com uniformes
de funcionários de lojas, já que não guardam relação direta com a
produção.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS.
Não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis quando não comprovado pelo recorrente em quais veículos eram
utilizados os mesmos.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. GASTOS COM PUBLICIDADE.
Não é possível o creditamento de PIS sobre gastos com publicidade, já que não guardam relação direta com a produção.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. GASTOS COM MÉDICOS E
DENTISTAS.
Os gastos com médicos e dentistas não dão direito ao crédito de
PIS, pois não guardam relação direta com a produção.
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. GASTOS COM MANUTENÇÃO DE
PAVILHÕES INDUSTRIAIS.
Os gastos com manutenção de pavilhões industriais dão direito ao
crédito de PIS, conforme expressa previsão legal.
TAXA SELIC – CORREÇÃO MOENTÁRIA – CABIMENTO.
É cabível a correção monetária dos créditos objeto de discussão, a data da negativa do crédito até seu pagamento, forte no entendimento do STJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos.
Numero da decisão: 3201-000.903
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo, vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
No mérito, por unanimidade, foi dado provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação das transferências de ICMS,
por maioria de votos, foi dado parcial provimento quanto à
variação cambial ativa, vencido o conselheiro Sérgio Celani, foi
negado provimento unânime quanto ao direito de crédito das despesas com uniformes, combustíveis, médicos e dentistas, foi
dado provimento por maioria de votos quanto ao creditamento das
despesas com manutenção de prédios, vencidos os conselheiros Sérgio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão, negado provimento
por maioria de votos quanto ao creditamento das despesas com
publicidade, vencidos os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e
Adriana Oliveira e dado provimento por maioria de votos quanto à taxa SELIC, vencida a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. A incidência de PIS sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação, e da expressa isenção prevista nas normas instituidora daquela contribuição. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. UNIFORME DE FUNCIONÁRIOS. Não é possível o creditamento de PIS sobre gastos com uniformes de funcionários de lojas, já que não guardam relação direta com a produção. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS. Não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis quando não comprovado pelo recorrente em quais veículos eram utilizados os mesmos. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. GASTOS COM PUBLICIDADE. Não é possível o creditamento de PIS sobre gastos com publicidade, já que não guardam relação direta com a produção. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. GASTOS COM MÉDICOS E DENTISTAS. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Os gastos com médicos e dentistas não dão direito ao crédito de PIS, pois não guardam relação direta com a produção. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. GASTOS COM MANUTENÇÃO DE PAVILHÕES INDUSTRIAIS. Os gastos com manutenção de pavilhões industriais dão direito ao crédito de PIS, conforme expressa previsão legal. TAXA SELIC – CORREÇÃO MOENTÁRIA – CABIMENTO. É cabível a correção monetária dos créditos objeto de discussão, da data da negativa do crédito até seu pagamento, forte no entendimento do STJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo, vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por unanimidade, foi dado provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação das transferências de ICMS, por maioria de votos, foi dado parcial provimento quanto à variação cambial ativa, vencido o conselheiro Sérgio Celani, foi negado provimento unânime quanto ao direito de crédito das despesas com uniformes, combustíveis, médicos e dentistas, foi dado provimento por maioria de votos quanto ao creditamento das despesas com manutenção de prédios, vencidos os conselheiros Sérgio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão, negado provimento por maioria de votos quanto ao creditamento das despesas com publicidade, vencidos os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Adriana Oliveira e dado provimento por maioria de votos quanto à taxa SELIC, vencida a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira (suplente) e Ribeiro e Paulo Sérgio Celani (suplente). Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de COFINS nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal (DRF) de Novo Hamburgo, por meio do Despacho Decisório DRF/NHO de fls.78, reconheceu parcialmente o direito creditório solicitado pela interessada. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11065.002121/200490 Acórdão n.º 3201000.903 S3C2T1 Fl. 2 3 De acordo com o Relatório da Ação Fiscal, a empresa deixou de incluir na base de cálculo da Cofins nãocumulativa receitas referentes a créditos de ICMS transferidos a terceiros, compensou variações cambiais ativas com variações cambiais passivas de diferentes operações, tributando apenas o saldo mensal, quando positivo. Utilizou indevidamente créditos calculados sobre despesas com combustíveis para veículos, com material de publicidade, com assistência médica e odontológica e com manutenção predial industrial. Inconformada, a interessada apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, onde discorda da incidência da Cofins sobre as operações de transferência de créditos de ICMS, acreditando que essas não implicam em receita e que acaso fosse assim consideradas, essa seria qualificada como uma receita de exportação, estando isenta e imune à incidência da contribuição para a Cofins. Afirma que o art. 3o da Lei 9.718/1998 é ilegal e inconstitucional não podendo ampliar o conceito de faturamento para "toda e qualquer receita". Considera as variações cambiais ativas receitas decorrentes de exportação e, portanto imunes e isentas de tributação, sendo que o disposto no art. 30 da Medida Provisória n° 2.158/2001 limitase a estabelecer regime de reconhecimento da receita na contabilidade da empresa e não se confunde com o período de apuração da Cofins, que é mensal, podendo haver tributação do saldo mensal das variações cambiais, quando positivo. Com relação à glosa efetuada de créditos entende que o conceito de insumo utilizado pelo art. 3o da Lei n° 10.833/2003 é mais amplo do que o conceito de insumo para fins de IPI. Alega que todas as despesas glosadas são necessárias e intrínsecas ao processo produtivo, à consecução do objetivo social da impugnante e à geração de receita tributável. Requer que os créditos sejam atualizados monetariamente e acrescidos da taxa Selic. Por fim, protesta a requerente pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente a documental. A DRF de origem intimou a empresa a manifestarse a respeito da compensação de ofício de débitos em aberto da empresa com créditos oriundos do presente pedido de ressarcimento. A interessada manifestouse tempestivamente contrária ao encontro de contas de ofício proposto, alegando que os débitos estariam com exigibilidade suspensa nos termos do disposto no art. 74, §11 da Lei n° 9.430/1996, combinado com o art. 151, III do Código tributário Nacional. A DRF aceitou a argumentação da empresa e ressarciu os valores não glosados pela fiscalização. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/POA n.º 11.417, de 22/03/2007: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 TRANSFERÊNCIAS DE ICMS Há incidência de Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, dada a existência de uma alienação de direitos classificados no ativo circulante. INSUMO CONCEITO CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE Necessário que o custo ou despesa atenda ao disposto na legislação vigente para que seja considerado insumo e possibilite o creditamento. Os gastos com combustível, material de publicidade, assistência médica e odontológica e manutenção predial industrial, no caso em tela, não se enquadram no conceito de insumos. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA A isenção das receitas de exportação do pagamento de Cofins não alcança as correspondentes variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo dessa contribuição. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA BASE DE CÁLCULO DA COFINS As variações monetárias ativas compõem a base de cálculo da Cofins, não sendo possível a tributação apenas do saldo positivo. TAXA SELIC CORREÇÃO MONETÁRIA VEDAÇÃO LEGAL De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de Cofins objeto de ressarcimento. Solicitação Indeferida. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A recorrente discute nos autos os seguintes temas: 1 – tributação das transferências de ICMS; 2 – tributação da variação cambial ativa; 3 – crédito de PIS sobre: 3.1 – hedge; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11065.002121/200490 Acórdão n.º 3201000.903 S3C2T1 Fl. 3 5 3.2 – uniforme de funcionários 3.3 – combustíveis; 3.4 – publicidade; 3.5 – médico/dentista; e, 3.6 – manutenção de pavilhões industriais. Como são diversos tópicos, farei a análise individual de cada um, quando cabíveis, já que, para determinados períodos, não são todos os itens cabíveis. 1 – Tributação das transferências de ICMS O crédito de ICMS não pode, em nenhuma hipótese, ser considerado como receita. As empresas, ao adquirirem matériaprima, material secundário e de embalagem, não consideram o valor do ICMS como despesa, mas sim como uma conta transitória em seu ativo, cujo valor será, ao final de cada período de apuração, abatido dos débitos pelas saídas, e, em havendo saldo credor, este se transferirá para o período ou períodos seguintes. Citamos como exemplo a aquisição de matériaprima no valor de R$ 1.000,00, cuja alíquota de ICMS é de 17%, sendo destacado na nota fiscal o ICMS no valor de R$ 170,00. Contabilmente a empresa lançará como custo da matéria prima adquirida o valor de R$ 830,00 (1.000,00 – 170,00), sendo que o valor do ICMS será lançado no ativo circulante como ICMS a Recuperar. Supondose que esta seja a única operação do período e considerandose que as saídas todas foram imunes em razão da exportação, a empresa apresenta no final do período um saldo credor de R$ 170,00. No período seguinte a empresa efetua a transferência deste saldo credor a outro contribuinte do estado, atendidas as normas vigentes para dita transferência. Esta operação, normalmente utilizada para pagamento na compra de matéria prima, é que a Receita Federal está considerando como receita e pretende que seja incluída na base de calculo do PIS e da COFINS. Dito valor não é receita, porque nunca foi despesa ou custo, é um crédito que nunca transitou pelas contas de resultado. Não há ingresso de valor na empresa, pois o valor do crédito de ICMS, que veio embutido no preço de aquisição da matériaprima, foi um “adiantamento” efetuado pela pessoa jurídica que, pela legislação vigente, poderá ser utilizado em determinadas condições. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 Quando transfere seus créditos para fornecedores, na forma da lei, a autora usa aqueles como 'moeda' de pagamento do débito que possui. Deixa de retirar dinheiro do caixa ou do banco, e transfere seus direitos, quitando conta que possuía frente ao fornecedor. Não há ingresso de dinheiro novo, pois o tributo recuperado passa para o caixa da mesma forma como se ela tivesse sido ressarcida do benefício/crédito pelo fisco. Mesmo que não adentrássemos no mérito contábil do tema, o crédito de ICMS decorrente da aquisição de insumos também não pode ser considerado como receita, pois este é apenas uma mera escrituração, não havendo qualquer ingresso material de recursos na autora, apenas o lançamento contábil e a respectiva escrituração nos livros fiscais, com vistas a compensar eventuais débitos decorrentes da saída de mercadorias tributadas por aquele imposto. Apesar de desnecessário, a própria Lei nº 10.833/2003 estabeleceu que créditos de tributos não são considerados como receita: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (...) Outro fator relevante reside no fato de que a transferência de créditos de ICMS para compra de insumos, por exemplo, não traduz ingresso de receita nova na empresa, mas mera cessão de crédito, um escambo, onde ocorre apenas a troca de uma moeda escritural por matéria prima. O que se verifica, ao fim e ao cabo, é que a transferência de saldo credor de ICMS não pode ser tomada como hipótese de incidência do PIS e COFINS, pois não são classificados como receita. Não é outro o entendimento expedido pela Coordenação Geral de Tributação, na solução de divergência COSIT n.º 20, de 12 de novembro de 2003, onde expressamente se manifestou no sentido de que a repetição de indébito não é fato gerador do PIS e da COFINS, como vemos: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: Tributação do valor restituído. Aspecto material das hipóteses de incidência. Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo IRPJ e pela CSLL, somente se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, seja qual for o fundamento para a repetição do indébito. Não há que se falar em incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior, já que tais valores, no período em que foram reconhecidos como despesas, não influenciaram a base tributável dessas contribuições. DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 53 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11065.002121/200490 Acórdão n.º 3201000.903 S3C2T1 Fl. 4 7 Por fim, a Lei federal n.º 8.981/95, ao conceituar a receita bruta, que é base de cálculo do PIS, assim a disciplinou: Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. (...) Como a concessão de um crédito escritural não se enquadra como produto da venda de bens e serviços, também por tal razão tais parcelas não poderiam ser incluídas na base de cálculo do PIS. 2 – Tributações da variação cambial ativa Diferentemente do que entendeu a decisão recorrida, meu posicionamento é de que as variações cambiais ativas não são tributadas pela contribuição em tela. A isenção da COFINS e do PIS, tanto no sistema cumulativo quanto não cumulativo, sempre afastaram a tributação das receitas decorrentes de exportação, seguindo a regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, O objetivo do legislador, ao obstar a incidência das contribuições do PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços para o exterior, foi o de abarcar toda e qualquer receita decorrente do mesmo fato gerador (venda de mercadorias para o exterior), sem qualquer reserva ou "discrimem" , envolvendo as mais variadas formas de operação de receitas resultantes de operações com o comércio exterior que vêm sempre integradas a operações cambiais. As operações cambiais realizadas para efeito de exportação de mercadorias não podem ser dissociadas ou afastadas. Afinal, não resultam de atividade especulativa e, sim, do comércio concretizado com outras nações que exigem a contratação de câmbio entre exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil e que, eventualmente, podem sofrer variações positivas e negativas; Não se pode desvencilhar as receitas oriundas do contrato de exportações de bens da variação cambial destes instrumentos de obrigação, pois constitui mecanismo inerente ao negócio jurídico e dele decorre diretamente. A geração do resultado positivo da variação monetária encontra sua gênese na operação de exportação e por isso está abarcado pela isenção disposta nas leis que tratam da contribuição em tela. Ora, se existe previsão legal excluindo o PIS e a COFINS decorrentes das receitas resultantes da realização de venda de mercadoria para o exterior, não é possível que estas mesmas receitas, agora majoradas, em função de variação cambial, sejam objeto de incidência das contribuições. Este é o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. VARIAÇÃO CAMBIAL. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 8 1. A incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação (AgRg no REsp 1.143.779/SC, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma). 2. Agravo regimental não provido. (1ª Turma AgRg no AREsp 23033 / RS – Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima DJe 12/12/2011) Lembremos que, como bem definido na decisão supra, não se está analisando questões constitucionais, motivo pelo qual o debate pode ser realizado nesta seara administrativa. 3 – Crédito de PIS. Uma análise fria da letra da lei quanto à não cumulatividade do PIS e da COFINS nos permite amplas discussões sobre o real alcance do direito ao creditamento daquelas parcelas na sistemática não cumulativa. Alguns entendem que o conceito de insumo deva ser equiparada às despesas necessárias (operacionais) utilizadas para fins de Imposto de Renda; outros, deve ser somente aqueles bens consumidos no processo produtivo, como o IPI, com ênfase para o Parecer Normativo CST nº 65 de 1979. Entretanto, a jurisprudência e a doutrina estão caminhando para um meio termo, qual seja, utilizando o conceito de insumos frente ao grau de dependência que as despesas em questão guardam com o processo produtivo da Recorrente, a fim de avaliar se a glosa mantida pela decisão recorrida deve prosperar. Em outras palavras, as glosas deverão ser revistas sempre que a seguinte pergunta for respondida negativamente: o serviço poderia ser prestado sem que essa despesa fosse incorrida? Se o grau de dependência é tão grande que a ausência dessa despesa inviabiliza a própria prestação de serviços, tal despesa seguramente deve ensejar o direito ao crédito, ainda que o critério adotado pela autoridade julgadora não seja plenamente atendido. Um bom exemplo disso é a despesa com equipamentos de proteção individual que afastam a contaminação por cola dos empregados que atuam na industrialização de sapatos. Além de ser uma exigência legal, a não utilização dos equipamentos de proteção do trabalhador podem leválo, no mais extremo dos casos, à morte por intoxicação. Desse modo, como não considerar indispensável a aquisição de equipamentos de proteção individual que visam proteger o trabalhador e possibilitar a confecção do calçado, objetivo social da empresa? Tais despesas, por verto, são imprescindíveis à autuação da empresa, gerando então créditos de PIS. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11065.002121/200490 Acórdão n.º 3201000.903 S3C2T1 Fl. 5 9 Este é o entendimento que deve permear a discussão sobre o direito de crédito de PIS e COFINS, sendo esta a base do meu voto ao analisar os diferentes tipos de créditos pleiteados. Assim, a análise deve ser realizada casuisticamente, considerando o grau de dependência da despesas/serviço com a atividade prestada pelo potencial beneficiário do crédito da contribuição analisada. 3.1 – Hedge Não houve glosa sobre este item, conforme bem dispôs a DRJ, motivo pelo qual não se debate o tema. 3.2 – Uniforme de funcionários Sobre o assunto, o próprio CARF, ao julgar o acórdão n.º 20181.726, assim já se manifestou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 12/03/2004 COFINS. CRÉDITO. INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA AVÍCOLA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins. CRÉDITO. TRATAMENTO DE ÁGUAS PARA LAVAGEM E CONGELAMENTO DE AVES. INDÚSTRIA AVÍCOLA. O material utilizado no tratamento das águas usadas na lavagem e congelamento de aves é insumo da indústria avícola e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins. CRÉDITO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS. O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofins. CRÉDITO. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Recurso voluntário provido em parte. Ocorre que, diferentemente do decidido acima, o presente caso não trata de exigência legal na utilização de uniformes, mas de vestuário utilizado em lojas para identificar os funcionários, motivo pelo qual não dão direito ao crédito de PIS. 3.3 – Combustíveis Fl. 239DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 10 A legislação do PIS é clara ao permitir o crédito sobre a compra de combustíveis. Entretanto, este direito não pode ser indiscriminado, mas, conforme exposto inicialmente, apenas pode ser creditado em relação aos utilizados diretamente na produção, afastados, assim, os gastos com carros de diretores, representantes comerciais etc. Lembro ainda que a recorrente foi intimada a informar em que veículos era utilizado o combustível que pretendia se creditar, no que não foi esclarecido. Como no presente caso a recorrente não logrou demonstrar onde utilizou o combustível, resta impossibilitado de ser acatado o crédito pretendido. 3.4 – Publicidade Não há como ser deferido o direito ao crédito dos gastos com publicidade, já que não guardam relação direta com a produção. 3.5 – Despesas com médico/dentista Novamente, não há como ser deferido o direito ao crédito dos gastos com médicos e dentistas, pois não guardam relação direta com a produção. 3.6 – Manutenção de pavilhões industriais As Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, instituidoras do PIS e da COFINS não cumulativas, determinam em seus art. 3º, respectivamente: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) Os referidos diplomas legais possibilitam o creditamento de PIS e COFINS sobre os gastos com benfeitorias aplicados em imóveis e edificações, próprios e de terceiros. O Código Civil, ao tratar das benfeitorias, esclarece que as necessárias são aquelas utilizadas para conservar o bem ou evitar que este se deteriore: Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11065.002121/200490 Acórdão n.º 3201000.903 S3C2T1 Fl. 6 11 § 1o São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. § 2o São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem. § 3o São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. Podemos concluir que os dispêndios de conservação de imóveis e suas instalações, suportados pela recorrente, se encaixam perfeitamente no conceito de benfeitoria necessária. Ademais, o art. 110 do Código Tributário Nacional, inclusive, determina que os conceitos de direito civil não devem ser alterados pela legislação tributária: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Em resumo, os dispêndios de conservação de imóveis, edificações e suas instalações, próprios e de terceiros, utilizados nas atividades produtivas, são benfeitorias, permitindo o crédito de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa. Da SELIC É certo que a legislação que trata sobre os créditos de PIS e COFINS não permitem a correção monetária dos valores. Entretanto, o presente caso é diferente, pois discutese o direito à correção monetária entre o pedido e o recebimento em face da resistência do fisco, matéria já decidida pelo STJ pelo rito dos recursos repetitivos: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. MATÉRIA DECIDIDA SOB O REGIME DOS RECURSOS REPETITIVOS. RESP 1.035.847/RS. SÚMULA 411/STJ. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), reiterou entendimento no sentido de que não incide correção monetária nos créditos escriturais de IPI, por ausência de previsão legal. 2. Contudo, no mesmo julgado, ficou ressalvado que o ressarcimento efetuado com demora por parte da Fazenda Pública justifica a incidência da correção monetária, visto que caracterizada a chamada "resistência ilegítima". 3. Aplicase ao caso a multa do art. 557, § 2º, do CPC no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, por questionamento de matéria já decidida em recurso repetitivo. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 12 Agravo regimental improvido. (STJ – 2ª Turma AgRg no REsp 1265457/RS – Rel. Min. Humberto Martins – Dje 14/10/2011) Assim, neste caso, é de ser deferida a correção monetária dos créditos pretendidos. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 28/02/2012 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 242DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 12898.002258/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2005
PRELIMINAR. NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO.
Reconhece-se que a fiscalização analisou todas as provas apresentadas pelo contribuinte, sendo, contudo, livre para apreciá-las conforme sua convicção e juízo.
Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005
DESPESAS INDEDUTÍVEIS. FILIAL EXTERIOR. ADIÇÃO LUCRO LÍQUIDO. DESNECESSIDADE.
Despesas não dedutíveis de filiais/sucursais no exterior, cujo lucro é tributado pela matriz, não precisam ser adicionadas ao lucro líquido da matriz.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 1402-000.913
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para exonerar as exigências fiscais relativas à falta de adição de despesas com brindes, doações e donativos.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. Reconhece-se que a fiscalização analisou todas as provas apresentadas pelo contribuinte, sendo, contudo, livre para apreciá-las conforme sua convicção e juízo. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2005 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. FILIAL EXTERIOR. ADIÇÃO LUCRO LÍQUIDO. DESNECESSIDADE. Despesas não dedutíveis de filiais/sucursais no exterior, cujo lucro é tributado pela matriz, não precisam ser adicionadas ao lucro líquido da matriz. Recurso Voluntário provido em parte
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NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. Reconhecese que a fiscalização analisou todas as provas apresentadas pelo contribuinte, sendo, contudo, livre para apreciálas conforme sua convicção e juízo. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. FILIAL EXTERIOR. ADIÇÃO LUCRO LÍQUIDO. DESNECESSIDADE. Despesas não dedutíveis de filiais/sucursais no exterior, cujo lucro é tributado pela matriz, não precisam ser adicionadas ao lucro líquido da matriz. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 12898.002258/200919 Acórdão n.º 140200.913 S1C4T2 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para exonerar as exigências fiscais relativas à falta de adição de despesas com brindes, doações e donativos. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário de 2005, sob as seguintes acusações: (i) não comprovação de despesas atinentes à CPMF, (ii) exclusões indevidas na apuração do lucro real, relacionada ao diferimento da tributação do lucro em contratos celebrados com entidades governamentais, (iii) adições não computadas no lucro real, referentes a brindes, doações, donativos e multas fiscais indedutíveis, (iv) não comprovação de variações monetárias passivas, e (v) adição não computada na apuração do lucro real, relativa a lucros auferidos no exterior. A contribuinte apresentou impugnação parcial às fls. 524/1.231 e pagou a parte não impugnada (itens iv e v acima e parte do item i), conforme DARF’s às fl. 546. Quando da análise da impugnação ofertada pela Recorrente, a 2ª Turma da DRJ/RJ1, houve por bem darlhe parcial provimento, por meio do acórdão nº.1234.522, de 30/11/2010 (fls. 1238/1242), que possui a seguinte ementa: "DESPESAS OPERACIONAIS. CPMF. Comprovado o suporte proporcional de encargos de CPMF em consórcio de que participe a pessoa jurídica, dedutível a despesa. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS. Alegação de despesas de filiais/sucursais no exterior, cujas receitas / despesas integram a contabilidade da matriz, com exclusão do correspondente resultado líquido, apenas implica em absorção, na matriz, de tais gastos, por isso mesmo nesta. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte". Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 12898.002258/200919 Acórdão n.º 140200.913 S1C4T2 Fl. 3 3 O acórdão a quo reconheceu a efetividade das despesas a título de CPMF, demonstradas pela contribuinte em sua impugnação, razão pela qual cancelou a respectiva exigência fiscal. No entanto, manteve o lançamento decorrente da falta de adição, quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de despesas relativas a brindes, doações, donativos e multas fiscais indedutíveis. De acordo com o citado acórdão, "não foi contestado que as apropriações contábeis da pessoa jurídica somaram R$ 8.715.197,29" (...) "entretanto, foram adicionadas ao lucro líquido, como despesas indedutíveis, apenas R$ 8.452.394,78" (...) "portanto, se a própria pessoa jurídica reconhece, como indedutíveis, R$ 8.715.197,29, não há razão objetiva para adição ao lucro líquido de montante menor, R$ 8.452.394,78". A contribuinte apresenta recurso voluntário afirmando, em síntese, que: (i) o acórdão recorrido manteve os argumentos da fiscalização no tocante à falta de cômputo de adições concernentes a brindes, doações, donativos e multas fiscais indedutíveis, sem analisar as provas carreadas aos autos pela Recorrente, acarretando o cerceamento do seu direito de defesa; (ii) a Recorrente adicionou a totalidade das despesas por ela mesma incorridas, no valor de R$ 8.452.394,78, deixando de adicionar as despesas incorridas pelas sucursais, no valor de R$ 262.802,51, justamente por não se tratarem de despesas próprias; (iii) a Recorrente não poderia adicionar ao lucro líquido, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, as despesas de brindes, donativos e doações incorridas por suas sucursais, cabendolhe tãosomente a tributação dos lucros por estas apurados, como de fato ela procedeu, (iv) o valor atinente às multas fiscais não dedutíveis (num total de R$ 17.726,36) foi adicionado duas vezes pela Recorrente, por erro (conforme docs. 10 e 11 da impugnação), (v) inexigibilidade dos juros Selic sobre a multa de mora. É, no essencial, o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A Recorrente argumenta que o auto de infração seria nulo, pois o acórdão recorrido teria deixado de analisar as provas trazidas aos autos, que demonstrariam a improcedência da autuação fiscal combatida. Do exame dos autos, é possível verificar que a fiscalização considerou as provas carreadas pela Recorrente, muito embora tenha entendido pela imprestabilidade de tais documentos para seus fins. Nesse contexto, entendo que a fiscalização pode apreciar livremente os documentos apresentados pelos contribuintes conforme sua convicção e juízo, pelo que afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. No mérito, alega a Recorrente que adicionou a totalidade das despesas por ela incorridas, no valor de R$ 8.452.394,78 na apuração do IRPJ e da CSLL. Entretanto, deixou de Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 12898.002258/200919 Acórdão n.º 140200.913 S1C4T2 Fl. 4 4 adicionar as despesas incorridas pelas sucursais, no valor de R$ 262.802,51, por não se tratarem de despesas próprias. Sobre o tema, esclareceu, ainda, que: No anocalendário 2005, o procedimento contábil adotado pela Recorrente consistiu em reconhecer, em sua contabilidade, linha a linha, a totalidade das receitas e despesas incorridas por suas sucursais no exterior (balancete consolidado doc. 8 da impugnação), inclusive no tocante às despesas relativas a brindes, donativos e doações destas mesmas sucursais (doc. 8 fl. 15). Vejase em tal documento que as despesas das sucursais eram contabilizadas em sub contas específicas (contas 4.3.5.12.2051, 4.3.5.12.2052 e 4.3.5.15). Daí que o resultado das sucursais compôs o lucro líquido contábil da Recorrente, antes do imposto de renda (Ficha 09A, linha 1). Não obstante isso, a Recorrente procedeu à exclusão da totalidade destes valores do lucro líquido, ou melhor, do resultado apurado a partir deles, conforme faz prova a linha 30, da ficha 9A da DIPJ 2006, assim como a linha 25, da ficha 17, do mesmo documento (doc. 9 da impugnação), as quais apontam, a título de exclusão de "Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior", o valor de R$ 48.729.613,36, isto é, o valor indicado à fl. 20 do balancete consolidado (doc. 8 da impugnação), e do qual fazem parte também as despesas concernentes a brindes, doações e donativos das sucursais da Recorrente (doc. 8 da impugnação fl. 15 contas 4.3.5.12.2051, 4.3.5.12.2052 e 4.3.5.15). Notese que o procedimento adotado pela Recorrente de excluir o resultado de suas sucursais quando da apuração do IRPJ e da CSL visou neutralizar, como de fato neutralizou, os efeitos da contabilização de receitas e despesas de titularidade de terceiros, e não da própria Recorrente. Com isto, evitouse a tributação de valores não sujeitos à incidência tributária, assim como a diminuição indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSL, sem nenhum prejuízo ao fisco, nem à Recorrente. (...) Nessas condições, é totalmente indevida a acusação fiscal objeto deste item, tendo em vista que a Recorrente não poderia adicionar ao lucro líquido, para fins de apuração do IRPJ e da CSL, as despesas de brindes, donativos e doações incorridas por suas sucursais, cabendolhe tãosomente a tributação dos lucros por estas apurados, como de fato ela procedeu. E se a Recorrente tributou estes lucros, assim como excluiu o resultado de suas sucursais, quando da apuração do IRPJ e da CSL, com vistas a neutralizar o efeito do reconhecimento contábil de receitas e despesas de titularidade de terceiros, Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 12898.002258/200919 Acórdão n.º 140200.913 S1C4T2 Fl. 5 5 adicionado, ao calcular aqueles tributos, despesas indedutíveis da ordem de R$ 8.452.394,78 as quais são de fato suas, e não de suas sucursais , não há dúvidas de que nenhuma diferença há de ser reclamada pela fiscalização. Com isso, a Recorrente pretende demonstrar que excluídos os valores das despesas atinentes a brindes, doações e donativos incorridas por suas sucursais, e adicionados todos os valores relativos às despesas indedutíveis desta, as adições deveriam totalizar R$ 8.434.668,42, como efetivamente devido. Alega ainda, que essa adição totalizou R$ 8.452.394,78, como informado pela Recorrente ao fisco e, de conseguinte, oferecido à tributação (linha 3 das fichas 9A e 17 da DIPJ doc. 9 da impugnação), porque a Recorrente erroneamente adicionou o montante referente às multas fiscais indedutíveis, num total de R$ 17.726,36, duplamente. Pois bem. A Recorrente reconheceu em sua contabilidade a totalidade das receitas e despesas incorridas por suas sucursais no exterior, incluindose as despesas com brindes, donativos e doações, conforme se verifica às fls. 862863 (Fl. 15 do doc 8). Também se verifica, às fls. 845 (Ficha 9ª, linha 30 da DIPJ 2006) e às fls. 885 (Ficha 17, linha 25 da DIPJ 2006), que a Recorrente excluiu os "Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior", no valor de R$ 48.729.613,36, mesmo valor indicado no às fls. 867 dos autos (fl. 20 do balancete consolidado doc. 8 da impugnação). Assim, se a despesa de suas sucursais no exterior com brindes, doações e donativos já foi tributada, com a tributação do valor de R$ 48.728.613,36, essa despesa não deve ser novamente adicionada na apuração do lucro líquido da Recorrente. Destarte, pelos documentos 10 e 11 da impugnação, não foi possível confirmar que o valor das adições realizadas pela Recorrente (no total de R$ 8.452.394,78), foi realizado em montante superior ao devido, no total de R$ 17.726,36, em razão dos valores referentes às multas fiscais terem sido adicionados duplamente. Além disso, como apontou a decisão de primeira instância, o documento de fls. 954 mostra que não houve duplicidade de apropriação de multas fiscais, já que, segundo esse documento, a conta 4.3.5.1.7.2058 teria apropriado exatamente R$ 17.726,36 a título de multas fiscais indedutíveis. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso, exonerando as exigências fiscais relativas à suposta falta de adição de despesas com brindes, doações e donativos. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA Processo nº 12898.002258/200919 Acórdão n.º 140200.913 S1C4T2 Fl. 6 6 Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 05/07/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ALBE RTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 17883.000013/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS (IRPF)
Exercício: 2005
IRPF. RETIFICAÇÃO EX-OFÍCIO DO LANÇAMENTO.
POSSIBILIDADE.
A autoridade lançadora pode efetuar a retificação, de ofício ou a
requerimento do sujeito passivo, das inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes no lançamento.
IRPF. DEDUÇÕES COM PREVIDÊNCIA OFICIAL E PENSÃO ALIMENTÍCIA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
Para composição da base de cálculo do imposto devido, excluem-se
dos rendimentos percebidos durante o ano-calendário – exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva – entre outras, as deduções relativas às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido
do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares
assemelhados aos da Previdência Social, e as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais.
IRPF. PARCELA DOS RENDIMENTOS PROVENIENTE DE APOSENTADORIA E PENSÃO DE CONTRIBUINTE QUE COMPLETAR SESSENTA E CINCO ANOS DE IDADE. LIMITE ESTABELECIDO POR LEI. ISENÇÃO.
A quantia correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, representada pela soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, não integrará a soma dos rendimentos tributáveis.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para acolher a dedução da despesa com previdência privada (R$ 5.410,90), com pensão alimentícia (R$ 5.988,30) e excluir o montante de R$ 600,00 dos rendimentos tributáveis por tratar-se de rendimentos isentos.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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RETIFICAÇÃO EXOFÍCIO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A autoridade lançadora pode efetuar a retificação, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, das inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes no lançamento. IRPF. DEDUÇÕES COM PREVIDÊNCIA OFICIAL E PENSÃO ALIMENTÍCIA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Para composição da base de cálculo do imposto devido, excluemse dos rendimentos percebidos durante o anocalendário – exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva –, entre outras, as deduções relativas às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, e as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. IRPF. PARCELA DOS RENDIMENTOS PROVENIENTE DE APOSENTADORIA E PENSÃO DE CONTRIBUINTE QUE COMPLETAR SESSENTA E CINCO ANOS DE IDADE. LIMITE ESTABELECIDO POR LEI. ISENÇÃO. A quantia correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, representada pela soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte completar Fl. 78DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 sessenta e cinco anos de idade, não integrará a soma dos rendimentos tributáveis. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para acolher a dedução da despesa com previdência privada (R$ 5.410,90), com pensão alimentícia (R$ 5.988,30) e excluir o montante de R$ 600,00 dos rendimentos tributáveis por tratarse de rendimentos isentos. (ASSINATURA DIGITAL) Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira Relator. EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atílio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000013/200778 Acórdão n.º 210201.796 S2C1T2 Fl. 65 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005 (fls. 3/5), apurandose o imposto suplementar de R$ 6.873,05, acrescido de multa de ofício e juros de mora, decorrente da omissão dos rendimentos no valor de R$ 38.241,88. O contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL) (fl. 2), solicitando, para a correta apuração do imposto, a exclusão de: a) os rendimentos isentos constante da declaração de rendimentos do INSS (fl. 7), no valor de R$ 600,00, que, por engano, incluiu como tributáveis na declaração; e b) as deduções relacionadas no comprovante de rendimento da Previndus (fl. 9), nos valores de R$ 5.410,90 de Contribuição à Previdência Privada e R$ 5.998,40 de pensão alimentícia paga a Raquel Maria de Oliveira Mazzeo. A Seção de Fiscalização da DRF Volta Redonda, alegando impossibilidade de apreciar a SRL, propôs a conversão da solicitação em impugnação, conforme relatório de fl. 1. A DRJ/RIO II, em despacho à folha 32, considerando que o contribuinte não podia ser penalizado por problemas operacionais, devolveu os autos à DRF Volta Redonda para que fosse providenciada a análise da SRL e dada a ciência ao contribuinte, facultandolhe a impugnação. A DRF Volta Redonda indeferiu a solicitação. O contribuinte apresentou impugnação reiterando os termos da SRL (fls. 28/29) e informou que parcelou a parte do débito que entendia devida, anexando comprovantes do parcelamento. A impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/RIO II, que considerou não serem as matérias objeto do lançamento fiscal e que sobre elas não se instauraram o contencioso administrativo. Cientificado da decisão da DRJ em 31 de janeiro de 2011 (fl. 53), o contribuinte postou recurso voluntário no dia 2 de março (fls. 54/60), com as seguintes alegações: a) recebeu a notificação por omissão de rendimento e concordou parcialmente, parcelando a parte que entendia devida; b) solicita a dedução de R$ 5.410,90 de Contribuição à Previdência Privada e R$ 5.988,30 de pensão alimentícia, informados no comprovante de rendimento da Previndus (fl. 9), objeto da omissão; e Fl. 80DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 c) solicita a retificação dos valores recebidos do INSS, tendo em vista que recebeu novo comprovante de rendimentos, no qual foi reduzido do rendimento tributável o valor de R$ 600,00, correspondente a rendimentos isentos e não tributáveis. Por fim, protesta pela insubsistência e improcedência do lançamento e informa que o resultado do julgamento da DRJ/RIO II, no Acórdão nº 13.32.424.1, relativo a mesma questão no exercício 2004, lhe foi favorável. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000013/200778 Acórdão n.º 210201.796 S2C1T2 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O contribuinte requer que sejam consideradas as deduções constantes do comprovante, cujos rendimentos omitiu. Em que pese as deduções de despesa na declaração de ajuste anual do contribuinte ser uma faculdade, a qual deve ser expressamente exercida quando da entrega da declaração de ajuste, como se pode deduzir dos arts. 4º e 35 da Lei nº 9.250/96, o contribuinte apresentou a SRL à unidade da Receita Federal do Brasil, que deveria ter restabelecido a base de cálculo de forma a excluir as deduções com a previdência e a pensão alimentícia, tributando a omissão de rendimentos pelo valor líquido e não pelo bruto. O mesmo deveria ocorrer com o valor recebido do INSS, cujo comprovante de rendimento foi reenviado ao contribuinte com correção de valor, já que o sujeito passivo, por estar sob ação fiscal, não podia retificar. Em relação a isso, vejamos o que diz a Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: [...] e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; [...] § 1º A quantia correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, representada pela soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, não integrará a soma de que trata o inciso I. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 O contribuinte apresentou a Solicitação de Retificação de Lançamento tempestivamente e apresentou os documentos necessários para a correção do lançamento. A questão seria facilmente resolvida se a Delegacia tivesse considerado as informações constantes nos comprovantes de rendimento e revisto o lançamento, já que, nos termos do Decreto nº 70.235/72, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Diante do exposto, voto em dar provimento ao recurso para acolher as deduções de R$ 5.410,90 de Contribuição à Previdência Privada e R$ 5.988,30 de pensão alimentícia, bem como excluir dos rendimentos tributáveis o valor de R$ 600,00, registrado no comprovante de rendimentos emitido pelo INSS como rendimentos isentos e não tributáveis. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira Relator. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10183.720504/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO.
A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR).
ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.826
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 210201.826 S2C1T2 Fl. 237 2 EDITADO EM: 22/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício. Os valores declarados, retificados de ofício e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2003 Declarado, fl. 05 Retificação de ofício Acórdão DRJ, fl. 160 02 Área de Preservação Permanente 3.000,0 ha 0,0 ha 0,0 ha 03 Área de Utilização Limitada 11.164,0 ha 0,0 ha 0,0 ha 16 Valor da Terra Nua R$ 463.511,00 R$ 2.443.239,18 R$ 2.443.239,18 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 160 a 169 da instância a quo, in verbis: Contra a interessada supra, foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 06, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa, totalizando o crédito tributário de R$ 1.159.166,61, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Tarigara Ltda, com área total de 22.329,0 ha, NIRF 4.236.0870, localizado no município de Barão de Melgaço/MT. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 02 a 04) a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou as áreas de preservação permanente e utilização limitada bem como não apresentou Laudo de Avaliação do imóvel para comprovação do valor da terra nua que foi arbitrado tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terras SIPT. Cientificado do lançamento em 28/12/2007 (fls. 117), a interessada apresentou, em 18/01/2008, a impugnação de fls. 118 a 138, acompanhada dos documentos de fls. 139 a 154, onde argumentou, em suma, o que segue: • A contribuinte providenciou e apresentou os documentos solicitados no Termo de Intimação e ainda assim, foi autuada; • A área declarada como de utilização limitada encontrase devidamente averbada às margens da matrícula do imóvel; • O proprietário do imóvel deveria receber um prêmio por conservar intacta sua área, pela mesma estar localizada no Pantanal; • Não existe qualquer obrigação de caracterizar as áreas uma a uma, não sendo, portanto, exigida a discriminação e quantitativo das áreas glosadas; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 210201.826 S2C1T2 Fl. 238 3 • A SRF não pode, simplesmente, ignorar ou na aceitar as informações contidas no laudo, com a devida ART, sem comprovar o contrário; • Não foi aplicada para o Pantanal e suas áreas alagáveis de baixa produtividade, qualquer diferenciação quanto ao restante do Estado no que diz respeito à legislação tributária; • O auditor fiscal afirma que não obteve resposta das Secretarias Municipal e Estadual, quando solicitadas informações sobre o VTN da região; • A Delegacia da Receita Federal de Mato Grosso não tem tabela com preços de terra elaborada em conformidade com os dispositivos legais, não possuindo, portanto, elementos fidedignos para a glosa de valores declarados; • Por último, requer insubsistência da Notificação de Lançamento, reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal, face a apresentação da matrícula do imóvel, laudo e Ato Declaratório, embora intempestivo, e seja considerado o valor da terra nua declarado. Acompanharam a impugnação os documentos de fls. fls. 139 a 154. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a falta de ADA tempestivo e Laudo Técnico não permitem, respectivamente, que sejam revistas as glosas das áreas pleiteadas como isentas e revisto o VTN aplicado ao lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 Área de Preservação Permanente. Área de Utilização Limitada/Reserva Legal. ADA. Por expressa determinação legal, a exclusão das áreas declaradas como preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), e/ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR a que se referir. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em Fl. 291DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 210201.826 S2C1T2 Fl. 239 4 consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT nº 146533. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 188 a 206, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. VALOR DA TERRA NUA. SIPT. De se reconhecer o cerceamento de defesa da Recorrente, pela notória falta de análise pela r. instância julgadora "a quo", dos fatos que lhe foram submetidos e demonstrados com a documentação acostada onde comprova que a Secretaria da Receita Federal NÃO LEVANTOU PREÇOS DE TERRAS PARA OS MUNICÍPIOS LOCALIZADOS NO ESTADO DE MATO GROSSO, bem como pela insistência da Receita em sustentar a existência de um levantamento, que nunca fez, de preços para composição do Sistema de Pregos de Terras SIPT para o Estado de Mato Grosso, contrariando as evidências e afrontando o direito dos contribuintes. Veja bem, não esta se discutindo quanto à legalidade do Sistema de Preços — SIPT, instituído pela Secretaria da Receita Federal, MAS SIM A FORMA EM QUE A REFERIDA TABELA FOI ALIMENTADA COM PREÇOS QUE NÃO FORAM LEVANTADOS EM ATENDIMENTO A DISPOSITIVO LEGAL. II. Assim não sendo servíveis os valores arbitrados pela Receita Federal não há qualquer valor a ser questionado pelo contribuinte através de laudo técnico de avaliação. Digase e deve ser observado que quando o contribuinte foi Intimado a apresentar o laudo não havia sequer sido informado pela Receita Federal a existência de qualquer valor por ela atribuído e que poderia ser questionado III. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Foi declarada e devidamente comprovada através de laudo de vistoria e constatação, imagem de satélite e ADA, que no imóvel existe 3.128,8 ha de áreas classificadas como de preservação permanente, cujas áreas localizam se as margens dos cursos d'água, nascentes, corixos, veredas, as quais não podem ser alteradas por qualquer ação que venham a prejudicar o meio ambiente e principalmente por estarem localizadas no Pantanal MatoGrossense, devendose atender a sua classificação conforme determina a Resolução Conama n° 330/2002, já transcrita no recurso inicial. IV. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. Foi devidamente comprovada a averbação da área de reserva legal nas matriculas no total de 11.164,5 ha, as quais constam do Laudo e também no ADA. Sobre a aceitação das áreas de preservação permanente e reserva legal, comprovadas sua existência física por Laudo Técnico, averbações ou outros meios, este Conselho tem proferido dezenas de acórdãos onde atestam servível outras comprovações mesmo não tendo sido apresentado o requerimento do Ato Declaratório Ambiental — ADA ou que este foi apresentado intempestivamente como é no presente caso. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 210201.826 S2C1T2 Fl. 240 5 ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. 11.164,0 ha. Conforme consta na própria autuação, fl. 02, essa glosa ocorreu exclusivamente pela intempestividade na apresentação do ADA, senão vejamos: 1. Da Área de Reserva Legal: Consta averbação em matricula do imóvel rural de 11164,5 ha referentes à reserva legal. Entretanto, Contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse titulo. Em relação a tempestividade apresentação do ADA, essa questão vem sendo tema abordada e tratada de forma uniforme nessa Turma, v.g., o Acórdão n° 210200.528, de 14 de abril de 2010, tendo como relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos , cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamos sua conclusão como fundamento para nossa decisão, nos seguintes termos: (...) Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as áreas de utilização limitada (reserva legal e outras) e de preservação permanente e sobre a averbação cartorária da área de reserva legal, passase a apreciar o caso concreto aqui em discussão. Da explanação supra, concluise ser fundamental para que se possa conceder a isenção do ITR, a apresentação do ADA, contudo, sem a necessidade de ser entregue no prazo de 6 meses na data de entrega da DITR. Diante disso, considerando que o contribuinte apresentou ADA, fl. 143, para a área declarada de Área de Utilização Limitada e que a razão do lançamento devese exclusivamente a sua intempestividade, com o afastamento da única motivação do lançamento, a glosa deve ser revista e restabelecida a Área de Utilização Limitada declarada no valor de 11.164,0 ha. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. 3.000,0 ha. Resta controverso a existência da Área de Preservação Permanente, contudo, diferentemente do que entendeu a fiscalização acerca da interpretação das áreas alagadas, vejo que o Laudo Técnico de fls. 82 a 97, apresentado pelo contribuinte em seu item 7.2 deixa claro a existência dessa área, corroborada pela mesma informação no Geoprocessamento de carta de imagem juntado às fl. 100. Importante ressalta que esse Laudo Técnico veio acompanhado da ART à fl. 99. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 210201.826 S2C1T2 Fl. 241 6 Assim sendo, em relação aos requisitos para a isenção da Área de Preservação Permanente , restaria somente a questão da tempestividade do ADA que conforme o item anterior já foi superada. Dessa forma voto para que a glosa seja revista e restabelecida a Área de Preservação Permanente no valor de 3.000,00ha. VALOR DA TERRA NUA. Protesta o recorrente que há uma supervalorização do VTN Tributado com base no SIPT. Requer que seja considerado o valor declarado uma vez que a RFB não levantou os preços de terras para os municípios localizados no estado de Mato Grosso. Com a MP 2.16667/01, consolidada na IN SRF 256, de 2002, foi instituído o Sistema de Preços de Terras – SIPT baseado nos levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Ainda, a Portaria SRF nº 447, de 2002, estabeleceu: Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002 DOU de 3.4.2002 Aprova o Sistema de Preços de Terras O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data. EVERARDO MACIEL Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 210201.826 S2C1T2 Fl. 242 7 Extraise da legislação acima, que o banco de dados do SIPT é formado pelas próprias informações dos contribuintes e dados recebidos das Secretarias de Agricultura, inclusive, dos próprios municípios,conforme os convênios estaduais. Na verdade, a RFB, somente consolida estas informações e não há que se falar em arbitramento da RFB dos valores do VTN. Por essa razão não considero que nesse caso ocorra qualquer cerceamento de defesa, na instância anterior ou nessa, pela ausência de prova de como o sistema do SIPT foi alimentado. Ressalto que a legislação prevê que o sistema é alimentado pelas próprias informações dos contribuintes e dados recebidos das Secretarias de Agricultura. Assim, de qualquer forma, em teses, se faltaram, para um determinado município, informações da respectiva Secretaria de Agricultura, ainda assim, o SIPT estaria considerando os valores informados pelos próprios contribuintes da mesma localidade. Ou seja, o Sistema de Preços de Terra de Terra da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SIPT) traz sim valores médios reais dos valores das terras nuas das propriedade rurais, o que não quer dizer que não possam ser revistos por documento devidamente habilitado, nas situações onde a propriedade, por situações individualizadas possam fugir dessa média. Diante de uma questão nacional, obrigatoriamente para que haja uniformidade e justiça na aplicação da regra tributária, é imprescindível que se tenha uma normalização1, sob pena de se ter critérios totalmente distintos na aplicação da mesma regra tributária, sob pena de afronta aos Princípios da Igualdade ou Isonomia. Se é necessário essa normalização, no Brasil, devemos nos submeter a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A ABNT tratase de um órgão de notória importância nacional e internacional que nos fornece a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. Já as normas NBR/ABNT2 são fundamentadas no consenso da sociedade e são uma garantia dela, no caso específico, do direito coletivo da avaliação uniforme e justa de todos os imóveis rurais para avaliação das bases de cálculo do ITR. Da base supra, extraio dois aspectos fundamentais para a subavaliação do VTN: 1 Deve ser comprovado por laudo técnico seguindo norma NBR e 2Que demonstre cabalmente a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Ressalto que considerando que o VTN do SIPT expressa uma média dos preços das terras da região, o laudo deve caracterizar particularidades desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos na mesma proporção da subavaliação pretendida, contudo, nada disso foi apresentado. É imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar 1 Atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva, com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem, em um dado contexto. [http://www.abnt.org.br/m2.asp?cod_pagina=963#] 2 ABNT/NBR é a sigla de Norma Brasileira aprovada pela ABNT, de caráter voluntário, e fundamentada no consenso da sociedade. Tornase obrigatória quando essa condição é estabelecida pelo poder público. [http://www.abnt.org.br/m2.asp?cod_pagina=963#] Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 210201.826 S2C1T2 Fl. 243 8 o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Isso posto, fica patente que a necessidade do laudo técnico para que o valor do SIPT revisto é insuperável, contrario sensu, o julgador estaria revogando a legislação que instituiu o SIPT, sem a competência legal para isso. Destarte, sem apresentação de Laudo Técnico, deve ser mantido o valor da terra nua considerado no lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para que se procedam as seguintes retificações: ITR 2003 Declarado, fl. 05 Acórdão Carf 02 Área de Preservação Permanente 3.000,0 ha 3.000,0 ha 03 Área de Utilização Limitada 11.164,0 ha 11.164,0 ha Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13975.000190/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COFINS NÃO CUMULATIVO. FLORESTA PRÓPRIA.
A exploração de floresta própria para produção de celulose não gera créditos de COFINS na sistemática não cumulativa.
COFINS NÃO CUMULATIVO. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS.
Não havendo provas nos autos da essencialidade das máquinas ou sua
aplicação direta no processo produtivo, não é possível reconhecer o direito de crédito de COFINS pleiteado.
Numero da decisão: 3201-000.884
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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FLORESTA PRÓPRIA. A exploração de floresta própria para produção de celulose não gera créditos de COFINS na sistemática não cumulativa. COFINS NÃO CUMULATIVO. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. Não havendo provas nos autos da essencialidade das máquinas ou sua aplicação direta no processo produtivo, não é possível reconhecer o direito de crédito de COFINS pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 26/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro foi vencida no que se refere a cultura de eucaliptos. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS de que trata o art. 3 Da Lei 10.833/2003, relativo ao terceiro trimestre de 2004. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 574 a 614 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$189.208,17, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da C0FlNS a título de mercado externo. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada em sede do Mandado de Segurança n° 2006.72.05.004732O/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; c) A interessada incluiu, indevidamente, as receitas de variações cambiais entre as receitas de exportação e contabilizou notas fiscais não relacionadas a despachos de exportação, conforme consulta no Siscomex. Assim, efetuaramse ajustes nos valores das receitas de exportação declaradas; d) Considerandose a proporção das receitas de exportação em relação à receita operacional bruta, observouse uma discrepância entre os percentuais de exportação das receitas declaradas no DACON. Foram efetuados ajustes nos percentuais de exportação para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e mercado externo, com base na proporção de receitas declaradas; e) A interessada apurou crédito em aquisições de mercadorias, conforme notas fiscais de fls. 231 a 233 e 423, que saíram do estabelecimento do fornecedor com fim específico de exportação (CFOP 5.501). Foram glosados os valores das referidas aquisições (art. 3°, inciso II do § 2°, da Lei 10.833/03); O Quanto ao CFOP 5.201 (devolução de compra para industrialização), observouse divergência entre o valor obtido do arquivo digital e o informado na memória de cálculo em fl. 47. Foi efetuado ajuste em consonância com o arquivo digital; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000190/200511 Acórdão n.º 3201000.884 S3C2T1 Fl. 812 3 g) Foram glosados os valores pagos à pessoa física na aquisição de insumos; h) Verificouse que o requerente se credita de aquisições de .ferramentas intercambiáveis. A aplicação destes bens no processo produtivo da empresa se efetua de forma indireta, o que inibe a possibilidade de crédito, à luz da IN SRF 404/04, art. 8° § 4°, inciso I; i) Foram glosados os valores de aquisições da empresa de CNPJ 86.325.339/000264, relativo a vendas de bens do ativo imobilizado, cujas notas fiscais foram emitidas com CFOP 5.551; j) A análise das notas fiscais de fls. 476 a 501 demonstra que a interessada incluiu valores de aquisição de mercadorias da empresa de CNPJ 92.639.954/000167, que saíram do estabelecimento fornecedor com o fim específico de exportação, CFOP 6.501. Foram glosados os valores, conforme itens 2.5.1 a 2.5.26 do Anexo I; k) Verificouse um equívoco na planilha de fl. 47, com a inclusão indevida do CFOP 1.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada) na rubrica Serviços Utilizados como Insumos; 1) Foram glosados os valores relativos ao CFOP 2.933 (aquisição de serviço tributado pelo ISS) cujo registro inexiste tanto no LRE quanto no Livro RAIPI; m) O preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não fora efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Principais irregularidades: não indicação do número da nota fiscal transportada, emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço. Os valores das notas fiscais que apresentaram vícios formais relevantes foram glosados. O Anexo II detalha as notas fiscais cujos valores foram deferidos; n) Foram glosados os valores de despesas de doação incluídos incorretamente nas despesas de energia elétrica. Verificouse que os valores totais constantes nas notas fiscais são inferiores aos informados na memória de cálculo de fl. 47; o) A requerente foi intimada a apresentar memória de cálculo com os valores informados no DACON como despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, bem como cópia dos contratos de locação e comprovantes de pagamentos. Em resposta, apresentou cópiado registro no Livro Razão e de um contrato particular de locação entre empresas do mesmo grupo. Os comprovantes de pagamento não foram apresentados. A comprovação insuficiente ensejou a glosa integral dos valores declarados; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 p) Os valores informados no DACON a título de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda, além de divergentes daqueles apresentados na planilha de fls. 57 a 63, foram apurados pelo regime de caixa, de acordo com observação firmada pelo representante legal da empresa. Os valores em questão foram glosados; q) Não foram apresentados os contratos de arrendamento mercantil indispensáveis à comprovação dos valores informados na linha 8 da ficha 6 do DACON, o que ensejou a glosa integral dos valores declarados. A relevância das especificações contidas nos contratos de arrendamento mercantil pode ser verificada pela leitura dos incisos I a IV do art. 7° da Resolução CMN/BACEN n° 2.309/96; r) Efetuouse a glosa dos encargos de depreciação referentes aos itens com data de aquisição informada em 01/01/2001; s) Foram também glosados os encargos de depreciação calculados sobre bens usados; t) Foram glosados os encargos de depreciação de bem desativado; u) Foram glosados os valores relativos a encargos de depreciação de bem diverso do registrado no ativo imobilizado, cuja aquisição não foi comprovada; v) Quanto aos valores indicados na linha 13 da ficha 6 do DACON (outros valores com direito a crédito), o contribuinte apresentou a tabela de fl. 85, na qual é feita a separação entre as contas contábeis referentes a juros e correção sobre financiamento (conta 4305) e a juros de contratação de câmbio (conta 4314). As despesas financeiras sobre contratos de câmbio não se enquadram na redação original do inciso V do art. 3° da Lei 10.833/03. Efetuouse a glosa desses valores; w) Não existe comprovante de pagamento das despesas financeiras relativas ao financiamento do Banco Santos (conta 2053), motivando a glosa dos valores respectivos; X) Considerandose as glosas e os ajustes efetuados, houve a necessidade de reescrita da utilização dos créditos do trimestre, à luz da IN SRF 600/05, conforme demonstrado no Anexo III. Cientificada da decisão em 03/10/2007 (fl. 620), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/10/2007 (fls. 624 a 634), alegando, em síntese que a) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000190/200511 Acórdão n.º 3201000.884 S3C2T1 Fl. 813 5 não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COFINS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; e) Na época das aquisições sequer havia lei autorizando a suspensão do PIS e da COFINS, tanto que no campo "observações" das notas fiscais constou apenas a suspensão do IPI. A recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com suspensão do PIS e da COFINS somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; f) Não existem os supostos "vícios formais" a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; g) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; h) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; i) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º , II, da Lei 10.833/03; j) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Anexa aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; k) A legislação prevê o direito ao creditamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. A verba lançada pelo regime de caixa, a que se refere o Fisco, tratase de despesas de armazenagem, que não se questiona. A discrepância apurada entre a memória de cálculo e o DACON é Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 decorrente das despesas com fretes na operação de venda, que não foram consideradas pela autoridade fazendária; 1) As vendas ao exterior são efetuadas por meio de Contrato de Câmbio, que impõe ao exportador o pagamento de uma taxa de câmbio para receber em moeda nacional o valor que foi pago pelo importador em moeda estrangeira. Não resta dúvida de que a taxa de câmbio decorrente do contrato de câmbio configurase como despesa financeira; m) A interpretação da redação original do inciso V, do art. 3°, da Lei 10.833/03 não pode restringir o direito ao ressarcimento às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos; n) Há ainda situações em que o banco onde o Contrato de Câmbio foi celebrado adianta o valor e cobra juros do exportador. Tal procedimento é uma espécie de empréstimo; o) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão proferida. O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJ02 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da Cofins no regime nãocumulativo, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à. realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. As despesas com frete na aquisição de insumos compõem a base de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins no regime nãocumulativo quando o serviço for prestado por pessoa jurídica domiciliada no país e quando devidamente escrituradas e amparadas por documentos hábeis que lhe dêem suporte. COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS FINANCEIRAS As despesas financeiras sobre contratos de câmbio não geram direito a crédito para ser descontado da Cofins apurada segundo o regime de incidência não cumulativa. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000190/200511 Acórdão n.º 3201000.884 S3C2T1 Fl. 814 7 Solicitação Deferida em Parte O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Fl. 7DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 8 Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000190/200511 Acórdão n.º 3201000.884 S3C2T1 Fl. 815 9 § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8102010.) Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 1782010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460 AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2362009, Segunda Turma, DJE de 782009; AI 445.278AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 306 2006. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 10 Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13975.000190/200511 Acórdão n.º 3201000.884 S3C2T1 Fl. 816 11 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 12 O recurso voluntário cuida somente de dois pontos da decisão recorrida, a saber: (1) a glosa dos créditos decorrentes da exploração da plantação de eucaliptos para produção de celulose e (2) a glosa dos créditos relativos à manutenção de máquinas. Quanto aos créditos relativos à manutenção das máquinas, registro que não há nos autos prova da essencialidade desta ou de sua aplicação direta no processo produtivo indicado pela recorrente, portanto, não há como reconhecer o direito de crédito pleiteado. No que diz respeito à exploração da plantação de propriedade da própria recorrente, verifico que a cultura de eucalipto é considerada permanente, pois se mantém vinculada ao solo, proporciona mais de uma colheita e dura mais que um ano, portanto, o custo relativo à composição desta floresta deve ser incluído no ativo imobilizado da recorrente. Neste sentido é o Parecer Normativo CST nº 108, de 28 de dezembro de 1978, que conclui: quando se trata de floresta própria, o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida e na proporção em que os seus recursos forem sendo extraídos. (...) Colocando o assunto nestes termos, não é difícil concluirse que o custo de formação de florestas ou de plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, voltando depois deste, a produzir novos troncos ou ramos, permitindo um segundo ou até um terceiro corte, deve ser objeto de quotas de exaustão, ao longo do período total de vida útil do empreendimento, efetuandose os cálculos em função do volume extraído em cada período, em confronto com a produção total esperada, englobando os diversos cortes. Desta forma, como a floresta em si é um ativo da empresa, qualquer custo de manutenção ou exploração do mesmo não gera crédito da COFINS, logo, VOTO, por conhecer do recurso para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 12DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 11444.000809/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2008
CONTRIBUIÇÃO AO RAT. ENQUADRAMENTO PELA ATIVIDADE PREPONDERANTE. CONSIDEDA ASSIM AQUELA QUE ENGLOBA O MAIOR NÚMERO DE SEGURADOS.
A alíquota para a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios acidentários e da aposentadoria especial é fixada com base no enquadramento da empresa no correspondente grau de risco, em função da sua atividade preponderante, assim entendida aquela que contempla o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço.
DEFINIÇÃO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE. EXCLUSÃO DE TRABALHADORES QUE ATUAM EM ATIVIDADES MEIO.
Não devem ser computados, para fins de definição da atividade
preponderante, os segurados que atuem em serviços que sejam prestados indistintamente às diversas atividades da empresa.
SERVIÇOS DE SAÚDE PRESTADOS PELOS MUNICÍPIOS.
VERIFICAÇÃO CONFORME ANEXO V DO RPS. GRAU DE RISCO 2.
A tabela constante no anexo V do RPS mostra que os serviços de saúde prestados pelos municípios se enquadram no grau de risco 2, posto que esses dizem respeito majoritariamente a atendimento ambulatorial, transporte de pacientes e ações de atenção à saúde.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.275
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÃO AO RAT. ENQUADRAMENTO PELA ATIVIDADE PREPONDERANTE. CONSIDEDA ASSIM AQUELA QUE ENGLOBA O MAIOR NÚMERO DE SEGURADOS. A alíquota para a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios acidentários e da aposentadoria especial é fixada com base no enquadramento da empresa no correspondente grau de risco, em função da sua atividade preponderante, assim entendida aquela que contempla o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. DEFINIÇÃO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE. EXCLUSÃO DE TRABALHADORES QUE ATUAM EM ATIVIDADES MEIO. Não devem ser computados, para fins de definição da atividade preponderante, os segurados que atuem em serviços que sejam prestados indistintamente às diversas atividades da empresa. SERVIÇOS DE SAÚDE PRESTADOS PELOS MUNICÍPIOS. VERIFICAÇÃO CONFORME ANEXO V DO RPS. GRAU DE RISCO 2. A tabela constante no anexo V do RPS mostra que os serviços de saúde prestados pelos municípios se enquadram no grau de risco 2, posto que esses dizem respeito majoritariamente a atendimento ambulatorial, transporte de pacientes e ações de atenção à saúde. Recurso Voluntário Negado.
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ENQUADRAMENTO PELA ATIVIDADE PREPONDERANTE. CONSIDEDA ASSIM AQUELA QUE ENGLOBA O MAIOR NÚMERO DE SEGURADOS. A alíquota para a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios acidentários e da aposentadoria especial é fixada com base no enquadramento da empresa no correspondente grau de risco, em função da sua atividade preponderante, assim entendida aquela que contempla o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. DEFINIÇÃO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE. EXCLUSÃO DE TRABALHADORES QUE ATUAM EM ATIVIDADES MEIO. Não devem ser computados, para fins de definição da atividade preponderante, os segurados que atuem em serviços que sejam prestados indistintamente às diversas atividades da empresa. SERVIÇOS DE SAÚDE PRESTADOS PELOS MUNICÍPIOS. VERIFICAÇÃO CONFORME ANEXO V DO RPS. GRAU DE RISCO 2. A tabela constante no anexo V do RPS mostra que os serviços de saúde prestados pelos municípios se enquadram no grau de risco 2, posto que esses dizem respeito majoritariamente a atendimento ambulatorial, transporte de pacientes e ações de atenção à saúde. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000809/200985 Acórdão n.º 2401002.275 S2C4T1 Fl. 245 3 Relatório Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.203.8956, no qual foram lançadas as contribuições patronais para a Seguridade Social destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e da aposentadoria especial (RAT), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. O crédito, com data de consolidação em 11/08/2009, assumiu o montante de R$ 66.243,23 (sessenta e seis mil, duzentos e quarenta e três reais e vinte e três centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 29 e segs., a apuração referese a diferenças de contribuição não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, uma vez que o enquadramento da Prefeitura no correspondente grau de risco estava sujeito, no período de apuração, à alíquota de 2%, tendo sido declarada em GFIP como 1%. Informase ainda que a partir de junho/2007, o Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, com a redação dada pelo Decreto no 6.042, de 12/02/2007, ao relacionar as atividades preponderantes e correspondentes graus de risco com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, enquadrou a Administração Pública em Geral no código CNAE 84.116/00, no grau de risco 2 (médio), correspondendo a uma alíquota de 2% para o cálculo da contribuição ao RAT. Afirmase que a multa foi aplicada no percentual de 75% da contribuição devida, por aplicação do art. 44, I, da Lei 9.460/1996, conforme prevê o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, inserido pela Lei n.º 11.941/2009, por ser mais benéfica que a multa calculada na sistemática vigente nas competências em que ocorreram os fatos geradores. Cientificado do lançamento, o ente público apresentou impugnação, fls. 65 e segs., alegando em apertada síntese que: a) para efeito de enquadramento da empresa no grau de risco, com vistas à definição da alíquota RAT, devese considerar a atividade preponderante da empresa, sendo irrelevante para tal a atividade fim desempenhada pela mesma; b) apresenta situações que demonstram incoerências na fixação do grau de risco em função da atividade da empresa, devendose concluir que o contribuinte tem a prerrogativa de se enquadrar, não apenas seguindo a atividade fim da empresa, mas conforme a sua atividade preponderante; c) fazendose um apanhado das atividades desenvolvidas nas diversas secretarias municipais, chegase à conclusão, a partir de organograma apresentado, que a atividade preponderante naquela Prefeitura é ATIVIDADES DE APOIO À EDUCAÇÃO – CNAE 85.503/02, a qual se enquadra no grau de risco leve, com alíquota de 1%; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 d) nesse sentido, as informações prestadas mediante a GFIP relativas à alíquota RAT, no percentual de 1%, estão em consonância com a legislação vigente. Ao final, requer o cancelamento do AI. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I resolveu baixar o processo em diligência, fls. 91/92, de modo que a Autoridade Fiscal verificasse se a realidade funcional da autuada corresponderia ao organograma apresentado na defesa. Após analisar o demonstrativo apresentados pela Prefeitura Municipal, contendo nome, cargo e atividade dos servidores, fls. 98 e segs., o Auditor Fiscal exarou informação, fls. 195/199, onde conclui que o Organograma houvera sido elaborado levando em consideração os dados de 2009, portanto, em momento distinto do período a que se refere a apuração (06/2007 a 11/2008). Afirma ainda que a Prefeitura, por ser de pequeno porte, presta serviços por meio de secretarias interligadas, não havendo o que se falar em órgãos independentes. Assevera ainda que o demonstrativo apresentado pela Municipalidade comprova que, levandose em conta apenas os servidores alocados em atividades fim, o setor que ocupa o maior número de segurados é o Departamento de Serviços Urbanos, com 46 servidores, sendo que estes serviços estão classificados no CNAE código 42.138/00 — obras de urbanização de ruas, praças e calçadas, cujo grau de risco é 2 (médio). Afirma que, mesmo que se considerasse apenas o maior números de servidores, sem distinção de atividades meio ou fim, o setor com o maior numero de segurados alocados é o Serviço Municipal de Saúde, com 60 servidores, cujo grau de risco é médio (2). O Fisco acrescenta que no cadastro da RFB consta apenas para a Prefeitura autuada a atividade de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL – 84.116/00, não havendo qualquer atividade secundária cadastrada. Para arrematar, demonstra que, a partir da competência 02/2010, a própria Prefeitura passou a informar na GFIP a alíquota RAT de 2%. Conclui que o lançamento deve ser considerado procedente. Cientificado da informação fiscal, o sujeito passivo manifestouse às fls. 204 e segs. para afirmar que a Instrução Normativa IN SRP n.º 03/2005, ao excluir da aferição da atividade preponderante da empresa os empregados que prestam serviços em atividade meio, tais como os da administração geral, recepção, etc., alterou os ditames estabelecidos na Lei 8212/91, em flagrante ofensa ao principio da legalidade. Nesse sentido, não devem ser excluídos da aferição da atividade preponderante os servidores que atuam em atividades meio. Ao contrário do que afirma a auditoria, alega não haver necessidade de se incluir atividades secundárias no cadastro da Administração Tributária para que se possa demonstrar a existência de mais de uma atividade econômica desenvolvida pela empresa. A Lei n.º 8.212/1991 não prevê essa exigência. Além de que, na sua informação fiscal, a própria Autoridade Fiscal reconhece a existência de diversos setores na configuração organizacional da Prefeitura. Conclui que, conforme fundamentado e amparado pela legislação em vigor, devese reconhecer o enquadramento da alíquota RAT no CNAE 86.607/00 — Atividade de apoio a gestão da saúde, cujo grau de risco é leve, sujeitandose a alíquota de 1%, no período Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000809/200985 Acórdão n.º 2401002.275 S2C4T1 Fl. 246 5 de 06/2007 a 11/2008, pois era na época dos fatos a atividade econômica preponderante com o maior número de funcionários No julgamento de primeira instância, a impugnação foi considerada improcedente, ver fl. 211 e segs., cuja ementa do julgado agora reproduzo: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA 0 SAT/RAT. GRAU DE RISCO. 0 grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante, conforme dispõe o Regulamento da Previdência Social, sendo que, para os órgãos da Administração Pública em geral, a alíquota foi alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio) a partir de 06/2007, em decorrência da edição do Decreto 6042, de 12/02/2007, que modificou o anexo V do Regulamento da Previdência Social. CONTENCIOSO ADMIN. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. A esfera administrativa não cabe conhecer de argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, após discorrer sobre os fatos e reproduzir a legislação aplicável, buscou demonstrar que fez o correto enquadramento para fins de determinação da alíquota RAT. Os argumentos apresentados são os mesmos expostos na defesa e na manifestação acerca da informação fiscal, tendo a Prefeitura ainda colacionado soluções de consulta exaradas pela RFB e jurisprudência de órgão de primeira instância para comprovar que deve prevalecer para fins de enquadramento na alíquota RAT a atividade preponderante, que no seu caso leva ao grau de risco 1. Ao final, pede a declaração de improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O enquadramento da empresa para determinação da alíquota RAT A solução da lide passa pela interpretação das normas que regulam o enquadramento das empresas para fins de determinação da alíquota aplicável no cálculo da contribuição ao RAT. A Lei n.º 8.212/1991 estabelece: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n° 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Sobre o tema, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 assim estabelece: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000809/200985 Acórdão n.º 2401002.275 S2C4T1 Fl. 247 7 I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3.º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4.º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5.º E de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto n° 6.042, de 2007). § 6.º Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias a sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá a notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto n° 6.042, de 2 007). A partir da competência 06/2007, por força da alteração promovida no Anexo V do RPS pelo Decreto n.º 6.042/2007, a atividade da Prefeitura, Administração Pública CNAE 84116/00, teve a alíquota modificada de 1% para 2%. O órgão público, todavia, continuou a calcular a contribuição em questão pela alíquota antiga. A recorrente justificou que promoveu o seu enquadramento com esteio na legislação de regência, valendose do disposto na Instrução Normativa n.º 03/2005, que assim dispunha: Art. 86. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições especificas desta IN, são: (...) § 1.º A contribuição prevista no inciso II do caput, será definida da seguinte forma: a) a empresa com um estabelecimento e uma única atividade econômica, enquadrarseá na respectiva atividade; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 b) a empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica, simulará o enquadramento em cada atividade e prevalecerá, como preponderante, aquela que tenha o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; c) a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos; (Nova redação dada pela IN MPS SRP n.º 20, de 11/01/2007) (...) § 9.º Na hipótese de um órgão da administração pública direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, aplicarse á o disposto na alínea "c" do inciso I do § 1° deste artigo. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP n°23, de 30/04/2007) Afirmou a recorrente que sua atuação se dá através de vários órgãos despersonalizados (secretarias) e, fazendo a apuração dos segurados empregados em cada um deles, conforme organograma juntado, chegou à conclusão que a atividade preponderante, ou seja, a que apresentava o maior número de segurados era a ATIVIDADES DE APOIO À EDUCAÇÃO – CNAE 85.503/02, com 63 servidores, a qual se enquadra no grau de risco leve, com alíquota de 1%. Contraditando a Prefeitura, o fisco, em sede de diligência fiscal, afirmou que levandose em conta apenas os servidores alocados em atividades fim, o setor que ocupa o maior número de segurados é o Departamento de Serviços Urbanos, com 46 servidores, sendo que estes serviços estão classificados no CNAE código 42.138/00 — obras de urbanização de ruas, praças e calçadas, cujo grau de risco é 2 (médio). Asseverase ainda que, mesmo que não se levasse em conta a natureza da atividade desenvolvida (se fim ou meio), chegarseia ao mesmo resultado, posto que o setor com o maior numero de segurados alocados é o Serviço Municipal de Saúde, com 60 servidores, cujo grau de risco é médio(2). Em novo pronunciamento, a Prefeitura afirmou que se deve reconhecer o enquadramento da alíquota RAT no CNAE 86.607/00 — ATIVIDADE DE APOIO GESTÃO DA SAÚDE, cujo grau de risco é leve, sujeitandose a alíquota de 1%, no período de 06/2007 a 11/2008, pois era na época dos fatos a atividade econômica preponderante, ou seja, com o maior número de funcionários O órgão de primeira instância concluiu que não se aplica à recorrente a alínea “c”do inciso I do§ 1.º do art. 86 da IN MPS/SRP n° 03/2005, posto tratarse a autuada de Municipalidade de pequeno porte, que presta serviço diretamente por seus servidores, não havendo órgãos independentes atuando nos serviços púbicos. Depois asseverou que, considerando a distribuição dos servidores da Prefeitura, foi correto o enquadramento efetuado pelo fisco, devendo prevalecer o grau de risco 2. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000809/200985 Acórdão n.º 2401002.275 S2C4T1 Fl. 248 9 Pois bem, a IN SRP n.º 03/2005 (art. 86, § 1.º, I) previa que o enquadramento do grau de risco levaria em conta a atividade preponderante da empresa, a qual seria definida a depender da configuração organizacional da seguinte forma: a) a empresa com um estabelecimento e uma atividade deveria se enquadrar na respectiva atividade; b) a empresa com um estabelecimento e várias atividades, verificaria qual a atividade com maior número de segurados, sendo esta a preponderante; e c) a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades verificaria o número de segurados por atividade em cada estabelecimento, prevalecendo a que possuísse o maior número de segurados, considerandose todos os estabelecimentos. Nos termos da alínea “b” do inciso II do § 1.º do art. 86 da IN SRP n.º 03/2005, não seriam considerados no cômputo dos segurados para definição da atividade preponderante, aqueles que prestassem serviço em atividades meio, os seja, os que auxiliavam ou complementavam indistintamente às diversas atividades econômicas da empresa. Considerando que os órgãos da administração pública possuem em geral apenas um CNPJ, a IN SRP n.º 20/2007, alterou a IN SRP n.º 03/2005, flexibilizando a regra de verificação do grau de risco pela atividade preponderante. Eis a alínea “d” do inciso I do § 1.º do art. 86: d) os órgãos da administração pública direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembléias Legislativas, Secretarias e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, enquadrarse ão na respectiva atividade, observado o disposto no § 9º; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Por sua vez o § 9.º do mesmo artigo prescrevia: § 9º Na hipótese de um órgão da administração pública direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, aplicarseá o disposto na alínea "c" do inciso I do § 1º deste artigo. (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) Interpreto que esse dispositivo determina que quando um ente da administração direta for subdividido em órgãos sem inscrição no CNPJ, devese tratar cada um desses órgãos como se fosse um estabelecimento, fazendose a apuração da atividade preponderante conforme determinava a alínea “c” do § 1.º do art. 86 da IN SRP n.º 03/2005, assim redigido: c) a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 No caso em tela, conforme a própria auditoria reconhece nas suas considerações, principalmente na informação fiscal prestada às fls.98 e segs., a Prefeitura Municipal de Herculânia era dividida em diversas Secretarias, donde se pode concluir que, à situação sob enfoque, devese aplicar a alínea “c” acima. Assim, cabenos aferir com base nos dados constantes dos autos, qual a atividade preponderante exercida na Prefeitura Municipal, de modo que possamos com segurança definir em qual o grau de risco estaria a recorrente enquadrada. Uma primeira questão a ser resolvida a priori diz respeito à aplicação da alínea “b” do inciso II do § 1.º do art. 86 da IN SRP n.º 03/2005, que devo transcrever: Art. 86( ...) II considerase preponderante a atividade econômica que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, observado que: (...) b) não serão considerados os segurados empregados que prestam serviços em atividadesmeio, para a apuração do grau de risco, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros; (...) Na interpretação desse dispositivo, entendo que somente devem ser considerados segurados alocados em atividades meio os trabalhadores que prestem serviços direcionados ao atendimento de necessidades existentes nas diversas atividades que compõem a empresa. Na situação sob comento, por exemplo, seriam considerados trabalhadores de atividade meio aqueles que atuavam no Setor de Serviços Auxiliares, os quais poderiam prestar serviços auxiliando quaisquer das atividades fim do órgão público. Assim, esses trabalhadores não poderiam ser computados em nenhuma das atividades específicas, uma vez que emprestavam sua força laboral de modo difuso, conforme as necessidades administrativas do órgão. Todavia, não vejo como excluir, por exemplo, da atividade de educação a faxineira que atuava permanentemente na limpeza de escolas municipais. Embora os seus serviços, considerados isoladamente no contexto da atividade específica de educação, não possam ser caracterizados como atividade fim, para efeito de aplicação do normativo acima, entendo que deva ser somado aos demais trabalhadores do setor de educação, com vistas a se definir a atividade preponderante de toda a Prefeitura. Da mesma forma, na Secretaria de Saúde devem ser computados não apenas os médicos, enfermeiros e agentes de saúde, mas todos os trabalhadores que atuam permanentemente naquele órgão, tais como vigilantes, almoxarifes, zeladores, motoristas, etc. Nesse sentido, entendo que a alínea “b” do inciso II do § 1.º do art. 86 da IN SRP n.º 03/2005, que manda aferir a atividade preponderante sem incluir os segurados que prestam serviços indistintamente em mais de uma área, está em consonância com a Lei n.º 8.212/1991, não se verificando a ilegalidade apontada pelo sujeito passivo. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000809/200985 Acórdão n.º 2401002.275 S2C4T1 Fl. 249 11 Sobre essa questão, entendo que não devo adotar o critério de contagem segurados para fins de definição da atividade preponderante utilizado pelo fisco, que exclui trabalhadores que considerou atuarem em atividades meio. Como se verifica do demonstrativo de fls. 187/193, os motoristas foram excluídos da contagem dos segurados atuantes na atividade Serviço Municipal de Saúde, todavia, esse procedimento não deve prevalecer. Para mim, um motorista de uma ambulância ou mesmo aquele que transporta materiais para os hospitais ou postos de saúde devem ser considerados como alocados no serviço de saúde, quando da totalização dos servidores para aferir a atividade preponderante. Diferentemente seria o tratamento a ser dado para um motorista que atuasse no setor de transportes urbanos, prestando serviço às diversas secretarias municipais. Esse não poderia ser computado em nenhuma atividade fim, até porque haveria dificuldade em se determinar qual a secretaria específica que esse trabalhador iria compor. Assim, com esteio no demonstrativo preparado pelo fisco, fls. 187/193, posicionome no sentido de que a atividade preponderante na Prefeitura Municipal de Herculânia, para fins de determinação do grau de risco, é o Serviço de Atendimento à Saúde, que contava no período da apuração com uma media de 60 servidores. Restame agora efetuar a operação de enquadrar na essa atividade na tabela estabelecida pela Comissão Nacional de Classificações – CONCLA, mediante a Resolução n.º 01/2006, vigente a partir de 01/01/2007. Afirma o fisco que o correto enquadramento é CNAE é 86.305/03 — ATIVIDADE MÉDICA AMBULATORIAL RESTRITA A CONSULTAS, grau de risco 2 (médio). O sujeito passivo, por sua vez, entende que se deve dar o enquadramento de CNAE 86.607/00 — ATIVIDADE DE APOIO À GESTÃO DE SAÚDE, cujo grau de risco é 1 (leve). Considerando que os serviços de saúde prestados pelos municípios de menor porte são majoritariamente relacionados a atendimentos em prontos de socorro e ações de atenção básica, uma análise do anexo V do RPS na redação dada pelo Decreto n.º 6.042/2007, levame à conclusão de que se pode enquadrar a situação sob enfoque em uma nas seguintes atividades: ATIVIDADE GRAU DE RISO Atividades de atendimento em prontosocorro e unidades hospitalares para atendimento a urgências (CNAE: 86101/02) 2 Serviços de remoção de pacientes, exceto os serviços móveis de atendimento a urgências (CNAE 86224/00) 2 Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares(CNAE 86305/02) 2 Atividade médica ambulatorial restrita a consultas (CNAE 86305/03) 2 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Atividade odontológica sem recursos para realização de procedimentos cirúrgicos (CNAE 86305/05) 2 Serviços de vacinação e imunização humana (CNAE 86305/06) 2 Atividades de atenção ambulatorial não especificadas anteriormente (CNAE 86305/99) 2 Devo concluir que o grau de risco médio (2) é bem mais apropriado para os serviços de saúde prestados pelo Município do que aquele indicado pelo sujeito passivo no patamar de 1%, relativo ao CNAE 86.607/00 — ATIVIDADE DE APOIO À GESTÃO DE SAÚDE. Analisando as notas explicativas da classificação determinada pela CONCLA, verificase que às atividades de apoio à gestão de saúde dizem respeito a atividades de planejamento e controle necessárias ao acompanhamento das ações de saúde. Transcrevo a nota na íntegra: Subclasse 86607/00 ATIVIDADES DE APOIO À GESTÃO DE SAÚDE Esta subclasse compreende: - as atividades dos complexos reguladores das ações do Sistema Único de Saúde que são compostos pelas centrais de regulação. Essas centrais de regulação são responsáveis pelo planejamento e controle do acesso ao serviço de saúde, atuando na assistência préhospitalar e interhospitalar de urgência, nas internações e na regulação de consultas e procedimentos ambulatoriais de média e alta complexidade as atividades de assessoria e consultoria na área de saúde Esta subclasse compreende também: - as atividades das fundações de apoio à pesquisa ligadas a universidades na área de saúde Verificase, então, que estas atividades vinculamse à regulação, assessoria, consultoria e pesquisa, deixando nítido que tal classificação não é a mais adequada para os serviços de saúde prestados pelo Município em questão. Nesse sentido, deve prevalecer a alíquota de 2% para cálculo da contribuição ao RAT, sendo procedente o lançamento efetuado para exigência da diferença não recolhida, em razão do Município autuado haver se autoenquadrado erroneamente no grau de risco 1, com alíquota de 1%. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11444.000809/200985 Acórdão n.º 2401002.275 S2C4T1 Fl. 250 13 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 12898.002273/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa: VALE TRANSPORTE PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
SUMULA AGU N 60 DE 2011.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílio transporte, de acordo com o Enunciado de Súmula n 60 da AGU.
MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO.
Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430).
Numero da decisão: 2302-001.772
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449 de 2008. Também deve ser excluida a parcela relativa ao vale-transporte.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente BALASSIANO ENGENHARIA LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: VALETRANSPORTE PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. SUMULA AGU N 60 DE 2011. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílio transporte, de acordo com o Enunciado de Súmula n 60 da AGU. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449 de 2008. Também deve ser excluida a parcela relativa ao valetransporte. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 699DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12898.002273/200967 Acórdão n.º 230201.772 S2C3T2 Fl. 700 3 Relatório A presente autuação tem por objeto as Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. O período do lançamento abrange as competências janeiro a dezembro de 2005, conforme relatório fiscal às fls. 55 a 71. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 140 a 161. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento confirmou a procedência do lançamento, fls. 633 a 646. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 651 a 660. Em síntese, a recorrente alega: a) que o valetransporte não compunha a base de cálculo das contribuições; b) as demais diferenças apontadas não estavam de acordo com a documentação juntada aos autos; c) todos os valores teriam sido lançados na matriz; d) não era devida a multa de ofício; e) não houvera o crime; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 669. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Assiste razão, em parte, à recorrente. A verba relativa ao valetransporte não está sujeita à incidência de Contribuições Previdenciárias, nem seria devida a multa de 75%; contudo em relação às demais rubricas deve ser mantido o lançamento. A questão controversa residia no ponto de as verbas pagas a título de vale transporte integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados, para fins de incidência de Contribuições Previdenciárias. Digo residia, pois a própria AGU passou a reconhecer que sobre tal rubrica não há incidência de contribuições. Nesse sentido é o teor do verbete de Súmula n 60 de 8 de dezembro de 2011, nestas palavras: SÚMULA Nº 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 O ADVOGADOGERAL DA UNIÃO, no uso das atribuições que lhe conferem o art. 4º, inc. XII, e tendo em vista o disposto nos arts. 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no art. 38, § 1°, inc. II, da Medida Provisória n° 2.22943, de 6 de setembro de 2001, no art. 17A, inciso II, da Lei n° 9.650, de 27 de maio de 1998, e nos arts. 2º e 3º, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, bem como o contido no Ato Regimental/AGU nº 1, de 02 de julho de 2008, resolve: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Legislação Pertinente: CF, artigos 5º, II, 7º, IV, XXVI, 150, I, 195, I, "a", 201, § 11; Lei nº 7.418/85, artigo 2º; Lei nº 8.212/91, artigo 28, I e 9º, "f"; Decreto nº 95.247/87, artigos 5º e 6º; Decreto nº 3.048/99, artigo 214, § 10. Precedentes: Tribunal Superior do Trabalho 1ª Turma: TSTAIRR234140 44.2004.5.01.0241, Rel. Min. Vieira de Mello Filho, j. 26.05.10; 2ª Turma : TSTRR9584079.2007.5.03.0035, Rel. Min. Renato de Lacerda Paiva, j. 23.03.11; 3ª Turma: TSTAIRR76040 07.2006.5.15.0087, Rel. Min. Alberto Luiz Bersciani de Fontan Pereira, j. 15.04.09; 4ª Turma: TSTRR89300 12.2006.5.15.0004, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, j. 22.04.09; 5ª Turma 3534021.2008.5.03.0097, Rel. Min. João Batista Brito Pereira, j. 24.11.10; 6ª Turma: TSTRR16100 63.2006.5.15.0006, Rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho, j. 23.03.11; 7ª Turma: TSTRR13120026.2004.5.15.0042, Rel. Min. Pedro Paulo Manus, j. 02.03.11; 8ª Turma: TSTRR4300 57.2008.5.04.0561, Rel. Min. Carlos Alberto Reis de Paula, j. 30.03.11; e SESBDI1: TSTERR1302/20033830200.7, Rel. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12898.002273/200967 Acórdão n.º 230201.772 S2C3T2 Fl. 701 5 Min. Vieira de Mello Filho, j. 17.12.07. Superior Tribunal de Justiça 2ª Turma: REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); 1ª Seção: EREsp 816.829/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, julgado em 14/03/2011, DJe 25/03/2011. Supremo Tribunal Federal Plenário: RE 478410/SP, Rel. Min. Eros Grau, DJ de 14.05.10. Conforme expressamente previsto no art. 26A do Decreto n 70.235 de 1972, este Colegiado deve observar as súmulas da AGU na forma do art. 43 da Lei Complementar n 73: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Quanto às demais diferenças apuradas pela fiscalização – 13º salário sobre a rescisão –, o lançamento deve ser mantido, pois não procede o argumento que as demais diferenças apontadas não estavam de acordo com a documentação juntada aos autos. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 A recorrente, nesse ponto, limitase a alegar que o lançamento não corresponde à realidade, contudo não refuta diretamente as diferenças apuradas pela fiscalização. Os erros encontrados pela fiscalização referiramse às folhas de pagamento em meio digital, não à documentação juntada pela recorrente. As diferenças terem sido consolidadas no estabelecimento matriz não traz qualquer prejuízo para recorrente, pois o Auditor Fiscal nominou cada um dos segurados beneficiados (fls. 72 a 88), o que possibilita à recorrente verificar o acerto da informação. Em relação ao valor da multa aplicada, deve ser revisto o lançamento. É bem verdade que o art. 35 da Lei n º 8.212 foi alterado por meio da Medida Provisória n º 449, tendo sido acrescentado o art. 35A à Lei n º 8.212. Assim, a partir da MP n º 449, convertida na Lei n º 11.941, há que se diferenciar se os valores constaram ou não em lançamento de ofício. Se não houver lançamento de ofício e o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos aplicase a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212, caso os valores tenham sido apurados por meio de lançamento de ofício, aplicase o disposto no art. 35A da Lei 8.212. In casu, os valores constam em lançamento de ofício, e para os contribuintes que não declararam em GFIP, o regime jurídico novo ficou mais gravoso. Atualmente, para esses casos, deve ser observada a multa prevista no art. 44 da Lei n º 9.430 de 1996, que prevê aplicação de multa de no mínimo 75% (setenta e cinco por cento). A conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a Gfip – assim como para a DCTF e a DIRPF – há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Em relação à Gfip aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a terceira é a apresentação de declaração inexata. Essa conclusão é facilmente alcançável pela aplicação da Fl. 704DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12898.002273/200967 Acórdão n.º 230201.772 S2C3T2 Fl. 702 7 regra de paralelismo sintático da língua portuguesa, haja vista – no art. 44 – a repetição da preposição “de” indicar o referencial “no caso”. Esquematicamente terseia: Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1) 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos: 1.1 de falta de pagamento ou recolhimento, 1.2 de falta de declaração e 1.3 nos de declaração inexata; Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas se a despeito do pagamento não declarou em Gfip, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em Gfip não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em Gfip, mas não tiver pago, não se aplica o art. 44 da Lei 9.430. Esse artigo não se impõe pelo fato de o contribuinte não ter recolhido e ter declarado, deveras não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a Gfip. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em Gfip, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em Gfip a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A, o que demonstra serem condutas independentes. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: Fl. 705DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em Gfip, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispensála é o Poder Legislativo. A interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei, o que contraria o art. 150, parágrafo 6º da Constituição Federal. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei, além de violar os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que o novo regime (aplicação da multa de 75%) é mais gravoso. Desse modo para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (previsão no art. 44 da Lei 9.430). Não procede o argumento que não é possível a formalização de representação fiscal para fins penais. Essa representação é uma simples comunicação da ocorrência, em tese, de crime, pois a fiscalização não possui competência para apuração da materialidade ou da autoria. Entretanto, possui obrigação legal de realizar a delatio criminis. A apuração da ocorrência ou não do crime, se houve ou não o dolo, é reservada à ação penal, se for o caso de recebimento da denúncia, cujo oferecimento cabe ao Ministério Público Federal. CONCLUSÃO: Fl. 706DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12898.002273/200967 Acórdão n.º 230201.772 S2C3T2 Fl. 703 9 Voto pelo conhecimento do recurso e pelo provimento parcial a ele, reconhecendo a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio transporte pago em pecúnia. Também deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Marco André Ramos Vieira Fl. 707DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10920.007512/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação.
DISPONIBILIZAÇÃO DE PLANO EDUCACIONAL E ODONTOLÓGICO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional e odontológico apenas por empregados com determinado tempo de permanência na empresa, pela legislação vigente à época dos fatos geradores, feria a regra de isenção que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA.
Os valores vertidos pela empresa para custeio do plano de previdência fechada somente não sofrem a tributação previdenciária quando disponibilizados a todos os seus empregados e dirigentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.389
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos por
afastar a preliminar relativa a exclusão das pessoas jurídicas arroladas como solidárias; e II) por maioria de votos por reconhecer a decadência até a competência 11/2002, vencida a
conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que aplicava a regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN; e III) Por unanimidade de votos, no mérito, por negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. DISPONIBILIZAÇÃO DE PLANO EDUCACIONAL E ODONTOLÓGICO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional e odontológico apenas por empregados com determinado tempo de permanência na empresa, pela legislação vigente à época dos fatos geradores, feria a regra de isenção que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA. Os valores vertidos pela empresa para custeio do plano de previdência fechada somente não sofrem a tributação previdenciária quando disponibilizados a todos os seus empregados e dirigentes. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos por afastar a preliminar relativa a exclusão das pessoas jurídicas arroladas como solidárias; e II) por maioria de votos por reconhecer a decadência até a competência 11/2002, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que aplicava a regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN; e III) Por unanimidade de votos, no mérito, por negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.007512/200753 Acórdão n.º 240102.389 S2C4T1 Fl. 539 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.112.2139, lavrada contra o contribuinte acima identificado para exigência da contribuição destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, conforme os seguintes levantamentos: a) levantamento GSE (02/1997; 07 a 12/2000; 12/2001; 06/2002; 12/2002 e 06/2003 a 12/2003): efetuado em razão de a empresa ter efetuado deduções indevidas em documentos de arrecadação do salárioeducação, comparativamente ao número de beneficiários informados na Relação de Alunos Indenizados — RAI , conforme representação administrativa elaborada pelo FNDE, acompanhada de Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento; b) levantamento SED: contribuições para o salárioeducação incidentes sobre remunerações pagas aos segurados empregados sob o titulo de: ABONO, ocorridos em 02/1997, 02/1999, 05/1999, 07/1999, 05/2000 e 07/2000, previstos em Convenções Coletivas de Trabalho (CCT); PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR), ocorridas em 03/1997, 08/1997 e 03/1998, em desacordo com a legislação; REEMBOLSO ESCOLAR e de CURSOS TÉCNICOS, no período de 01/1997 a 12/2005, não extensivo a todos os empregados; assistência odontológica prestada aos seus segurados, no período de 05/1999 a 12/2005, não disponibilizada a todos; previdência privada fechada administrada pela WEG Seguridade Social WSS, no período de 01/1997 a 12/2005, não disponibilizada a todos os segurados. Foram arroladas como devedoras solidárias, em razão da existência de grupo econômico, as empresas WEG S/A (CNPJ 84.429.695/000111); WEG Participações e Serviços S/A (CNPJ 83.489.963/000128); WEG Equipamentos Elétricos S/A (CNPJ 07.175.725/000160) e WEG Exportadora S/A (CNPJ 04.719.045/000171). Afirma o fisco que a empresa WEG S/A detém o controle acionário da notificada; a empresa WEG Participações e Serviços S/A é controladora da WEG S/A; a empresa WEG Equipamentos Elétricos S/A é controlada pela WEG S/A; a empresa WEG Exportadora S/A e controlada pela WEG S/A. Desta forma foi configurada a responsabilidade solidária das empresas do grupo, as quais foram regularmente cientificadas do lançamento, fls. 199/202. A notificada, regularmente cientificada do lançamento, em 12 de dezembro de 2007, apresentou, em conjunto com as demais empresas solidárias, o instrumento de impugnação (fls. 204/225), juntando cópias de documentos (fls. 226/387), no qual, em síntese, alegaram: a) deve ser declarada a decadência do crédito até a competência 12/2002; b) não se enquadrando as empresa tidas como devedoras solidárias nas hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, devem as mesmas ser excluídas do polo passivo da NFLD; Fl. 540DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 c) alínea "p" do § 9°. do art. 28 da Lei n°. 8.212/1991, que fundamentou a incidência de contribuições sobre os valores relativos ao plano de previdência privada somente podem ser aplicados a fatos geradores ocorridos a partir de março de 1998; d) os abonos salariais foram pagos em cumprimento a Convenções Coletivas de Trabalho, não podendo ser alcançadas pela incidência de contribuições, haja vista que a norma coletiva é de cumprimento obrigatório; e) não podia suspender o pagamento da PLR, a qual era disponibilizada desde 1991, tendo o acordo com os seus empregados sido firmado em 1997, além de que sobre tal verba não há o que se falar em tributação para a Seguridade Social; f) as verbas com educação eram disponibilizadas a todos os trabalhadores que preenchessem determinados requisitos, além de que as mesmas não se prestam a retribuir o trabalho; g) a verba assistência odontológica não pode sofrer a exação, posto que não possui natureza salarial; h) as deduções efetuadas pela empresa sempre foram aquelas autorizadas pelo FNDE; i) os valores vertidos ao plano de previdência complementar não são suscetíveis de tributação, posto que pago segundo critério da impessoalidade, além de que não é verba salarial. Houve erro na composição da base de cálculo para esses fatos geradores, haja vista que não poderia incidir sobre os valores destinados aos empregados com mais de um ano de empresa, para os quais não havia restrição ao fornecimento do benefício. A defesa foi aditada, fls. 392/395, constando a alegação de que a Autoridade Fiscal, indevidamente, efetuou o lançamento também sobre valores contabilizados (contas 412080220, 412085220, 512080220 e 512085220) relativos a despesas com a participação de seus empregados em seminários, simpósios, cursos técnicos de operação de máquinas, etc. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC) determinou a realização de diligência fiscal, fls. 409/410, para que o fisco se manifestasse sobre a alegação de inclusão na apuração de pagamentos relativos a treinamento de funcionários. Na informação fiscal prestada às fls. 412 e segs, a Autoridade Fiscal fez a discriminação em planilhas das despesas com educação, determinando a exclusão de parte dos valores lançados. A notificada se manifestou sobre os termos da diligência fiscal, fls. 442/448, concordando com as exclusões efetuadas e ratificando os termos da defesa. A DRJ declarou, fls. 459 e segs, parcialmente procedente o lançamento, afastando da apuração os valores que o fisco, em sede de diligência fiscal, sugeriu como indevidos. As demais alegações da defesa foram afastadas. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 473 e segs., no qual, repetiu as alegações apresentadas na defesa e na manifestação sobre a diligência fiscal. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.007512/200753 Acórdão n.º 240102.389 S2C4T1 Fl. 540 5 Ao final, requer a exclusão das solidárias do polo passivo da NFLD, a declaração de decadência parcial e, no mérito o reconhecimento da improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.007512/200753 Acórdão n.º 240102.389 S2C4T1 Fl. 541 7 Na situação sob enfoque, verifico que, embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo Sintético do Débito, os autos levamme a concluir que havia guias de recolhimento para o período, uma vez que parte do crédito diz respeito a glosas de valores compensados indevidamente e o outro levantamento diz respeito a verbas não consideradas pela empresa como base de cálculo de contribuições, sendo que as verbas registradas em folhas de pagamento e declaradas na GFIP não foram objeto de lançamentos, como se pode ver do item 10 do Relatório Fiscal da NFLD n.º 37.112.2147 (fl. 83). Há de se concluir assim que havia guias de recolhimento para o período. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2002, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 12/12/2007. Remanescem do lançamento do levantamento GSE as competências de 06/2003 a 12/2003, e do levantamento SED a apuração sobre as rubricas reembolso escolar e de cursos técnicos (12/2002 a 12/2005), não extensivo a todos os empregados; assistência odontológica prestada aos seus segurados (12/2002 a 12/2005), não disponibilizada a todos; previdência privada fechada administrada pela WEG Seguridade Social WSS (12/2002 a 12/2005), não disponibilizada a todos os segurados. A exclusão da responsabilidade solidária das pessoas físicas A preliminar relativa impossibilidade se arrolar os diretores da recorrente como devedores solidários não deve ser acolhida. É preciso que se tenha em conta que a relação de representantes legais da empresa, que constitui anexo da NFLD, é uma formalidade prevista nas normas de fiscalização que tem cunho meramente informativo, não causando qualquer ônus, na fase administrativa, para as pessoas elencados. Somente após o trânsito administrativo da lide tributária é que o órgão responsável pela inscrição em Dívida Ativa verificará a ocorrência dos pressupostos legais para imputação da responsabilidade tributárias aos representantes da pessoa jurídica. Assim, nessa fase processual não há o que se falar em responsabilidade solidária dos gestores da empresa. A exclusão da responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Alegam as empresas, em seu recurso conjunto, que a responsabilidade solidária pelo crédito tributário das empresas mencionadas no relato fiscal deve ser afastada uma vez que não se configuraram as hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN. Não hei de concordar com essa tese. Verificase dos autos que WEG Participações e Serviços S.A controla a WEG S/A que, por sua vez, detém o controle acionário da notificada, bem como das empresas WEG Equipamentos Elétricos S.A e WEG Exportadora S.A. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A existência de grupo econômico na espécie é inquestionável, tanto que no recurso não se contesta essa evidência. Nesse sentido, diante do que dispõe o art. 30, IX, da Lei n.º 8.212/1991, há sim a responsabilidade solidária das referidas empresas, como se pode ver do invocado dispositivo: Art. 30. ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Pois bem a solidariedade presente no caso sob apreciação decorre da lei e tem por fundamento a previsão do art. 124 do CTN, que ao tratar da responsabilidade tributária, assim estabelece: Art. 124. São solidariamente obrigadas: II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Portanto, deve ser mantido o laço de solidariedade estabelecido na presente NFLD. As glosas de dedução do SalárioEducação A apuração para esse levantamento (GSE) decorreu de representação enviada à RFB pelo FNDE, a qual dá conta de que as deduções efetuadas pela empresa na contribuição devida a esse ente, são incompatíveis com as declarações de alunos indenizados apresentada pela contribuinte. As recorrentes, apesar de mostrarem inconformismo quanto à apuração, não conseguiram se contrapor ao demonstrativo elaborado pela entidade representante, devendo prevalecer o lançamento decorrente de divergência entre as deduções informadas ao FNDE e aquelas efetivamente subtraídas das contribuições devidas aquele ente. O abono salarial e participação nos lucros As contribuições sobre essas rubricas foram afastadas pela decadência, portanto, as alegações relativas às mesmas perderam o objeto. Também não vou me pronunciar, pelas mesmas razões, sobre o inconformismo quanto à aplicação retroativa da legislação que instituiu o requisito de extensão a todos os empregados dos planos de previdência privada para que não incidissem contribuições sobre os pagamentos efetuados pelo empregador a esse título, uma vez que a modificação legislativa data do ano de 1997. Dos reembolsos de despesas com educação A razão do fisco haver tributado tais verbas, como se infere do item 4.5.3 e 4.5.4 do relatório fiscal da NFLD n.º 37.112.2147, fl. 75, é a não disponibilização a todos os empregados e dirigentes da empresa, uma vez que eram excluídos os empregados com menos de 12 meses vínculo. A empresa alega que, além da verba não possuir natureza salarial, o fato da empresa estabelecer requisitos impessoais para a sua fruição não lhe retira o requisito de disponibilização a todos os empregados e dirigentes. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.007512/200753 Acórdão n.º 240102.389 S2C4T1 Fl. 542 9 Inicialmente, vejamos a legislação que trata da matéria, na redação vigente no período de ocorrência dos fatos geradores: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa [...]§ 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.” Percebese das normas acima para que o valor pago a título de Plano Educacional/Bolsa de Estudos não seja incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias, deverá preencher os seguintes requisitos: 1) vinculação à atividade da empresa; 2) não substituição de parcela salarial; e 3) extensão a todos os funcionários. É de se observar que ao se deparar com o caso concreto, o intérprete há de se ater aos requisitos acima, verificando se os mesmos foram observados na disponibilização do benefício pelo sujeito passivo aos seus trabalhadores. É que se tratando norma isentiva, a sua interpretação deve ser nos estritos termos fixados pela norma, não se admitindo o alargameto das balizas normativas. É isso que prevê o art. 111, II, do CTN: “Art. 111. Interpreta se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Extraise dos autos que o fisco, com esteio em documentos exibidos pela empresa, conclui que as verbas destinadas à educação não estavam disponíveis a todos os trabalhadores a serviço da empresa, posto que era estabelecida uma barreira temporal, doze meses de permanência no emprego. Mesmo reconhecendo que não é despropositada a tese da empresa de que o requisito temporal, embora existente, poderia ser suprido por todos os empregados, não posso, na interpretação da norma legal, afastarme dos seus preceitos objetivos. Ao me deparar com a cláusula que estipula um mínimo de permanência na empresa para a percepção do benefício educacional, sou forçado a dar razão ao órgão recorrido, uma vez que a não extensão a todos os empregados e dirigentes, retira da espécie um dos requisitos erigidos pelo legislador como essencial para que a mesma não viesse a sofrer a tributação. Posso concluir que havendo o impedimento para segurados com menos de 12 meses na empresa, a verba não era extensível a totalidade dos trabalhadores, sendo cabível a tributação sobre a mesma. Quanto à jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo à extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. O plano de previdência complementar Alega a recorrente que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores vertidos ao plano de benefícios da Entidade Fechada de Previdência Complementar — WEG Seguridade Social, bem como defende a regularidade deste; que está disponível a todos os que preenchem determinados critérios impessoais; que a contribuição da patrocinadora não representa retribuição pelo trabalho prestado, tampouco, o pagamento é feito a uma pessoa física; e que o lançamento, se cabível a exigência, deveria incidir somente na proporção dos colaboradores excluídos do plano, ou seja, que mantiveram vinculo empregatício com duração inferior a um ano. A DRJ conclui pela tributação da verba, pela mesma razão do item precedente, qual seja a exigência de um ano de efetiva prestação de serviço à empresa para participação no plano de previdência. Eis as palavras lançadas no relatório: 4.6.4. A restrição quanto ao período para participar do plano encontrase formalizada no Manual de Administração de Pessoal Gestores, bem como no Regulamento da WSS, documentos da época, nos seguintes termos: Regulamento Básico da Weg Seguridade Social: "Art. 5°. Todos os empregados com mais de 01 (um) ano de vínculo de emprego com as Patrocinadoras, adquirem a condição de Participante do INSTITUTO". Manual de Administração de Pessoal – Gestores: 7.1.2.1 QUEM PODE PARTICIPAR Qualquer colaborador com mais de 1 ano de trabalho nas empresas WEG pode inscrever se como participante da WSS.". Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.007512/200753 Acórdão n.º 240102.389 S2C4T1 Fl. 543 11 (...) 4.6.6. A legislação previdenciária, no art. 28, § 9°, alínea "p", da Lei no 8.212/91, dispõe sobre a nãoincidência de contribuições previdenciárias sobre valores destinados a financiar programas de previdência complementar de seus segurados, sendo requisito que o programa seja disponibilizado a todos os empregados e dirigentes da empresa, o que não ocorreu. (...) Apresentemos agora a norma que trata do tema: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (...) Percebese do dispositivo reproduzido pela DRJ que recairemos na mesma questão discutida no tópico em que foi tratada a concessão de plano educacional, ou seja, ao impor o requisito de 12 meses de trabalho na empresa para que seus empregados e dirigentes ingressassem no plano de previdência, a empresa deixou de cumprir o requisito legal da norma de isenção, qual seja a extensão do benefício a todos os segurados. Não poderia, sob pena de abandonar a coerência no julgamento de acolher a tese da empresa de que a barreira temporal não afastaria o aludido requisito. Quanto à impossibilidade de tributação em razão da verba não se subsumir ao conceito de remuneração, peço licença para transcrever voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira, o qual utilizo como fundamento para a minha conclusão: Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)grifo nosso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de previdência complementar, não representam alguma espécie de ganho. Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparam se a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." (Processo n.º 12259.000008/200716. Acórdão 240101.912, 2.ª Seção de Julgamento/ 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 28/07/2011). Quanto o pedido para que fossem excluídos do levantamento os segurados com mais de um ano de empresa, embora tentadora, essa tese não resiste a uma leitura mais cuidadosa da norma isentiva. É que se o fisco fosse tributar o benefício apenas dos trabalhadores com menos de um ano de empresa, a base de cálculo do tributo seria nula, uma vez que esses empregados e dirigentes não faziam parte do plano de previdência fechada, em razão da barreira temporal. Nesses casos, ou o plano cumpre os requisitos legais para afastar a tributação, ou todos os pagamentos efetuados para o seu custeio devem sofrer a incidência de contribuições. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.007512/200753 Acórdão n.º 240102.389 S2C4T1 Fl. 544 13 Também não se deve acatar a exclusão das parcelas que não estivessem vinculadas especificamente ao custeio dos benefícios programados. Na verdade, não sendo o benefício disponibilizado de acordo com a regra de isenção, a totalidade dos pagamentos, independentemente da destinação que o plano lhes dê, é assumida pela empresa em benefício dos empregados e dirigentes e, se não alcançados pela norma isentiva, são considerados saláriodecontribuição. A assistência odontológica A razão para a tributação desse verba foi a mesmíssima que ocasionou a exigência sobre o plano educacional e a previdência privada, tanto que no recurso as empresas alegam: 136. Como se trata da mesma fundamentação (não disponibilização para todos os empregados, face carência de tempo de empresa) utilizada em relação ao auxilio escolar e cursos técnicos, e como forma de economia, a Impugnante vale se dos mesmos argumentos utilizados em relação ao auxilio escolar e cursos técnicos, os quais são tidos como integralmente aqui transcritos. Por esse motivo, furtarmeei de repetir os argumentos lançados acima, apenas salientando que a norma aplicável é a alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Assim, voto por afastar a preliminar relativa à exclusão das pessoas jurídicas arroladas como solidárias, por afastar o pedido de exclusão das pessoas listadas na relação de representantes legais, por reconhecer a decadência até a competência 11/2002 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10825.002870/2005-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2000
PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE
MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO.
Consoante o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC).
De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente.
Hipótese em que se afasta a incidência da multa moratória.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-001.263
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 89 1 88 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.002870/200596 Recurso nº 170.360 Voluntário Acórdão nº 330101.263 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário. Denúncia espontânea. Recorrente PLAJAX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA.. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2000 PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Consoante o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC). De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente. Hipótese em que se afasta a incidência da multa moratória. Recurso voluntário provido. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório PLAJAX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA.., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 64 .e seguintes) contra o acórdão nº 1418.468, de 15 de fevereiro de 2008, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 54 e seguintes), que julgou parcialmente procedente o lançamento, afastando a multa de ofício em razão da retroatividade benigna e mantendo o restante do auto de infração, em virtude de não pagamento de multa de mora em recolhimento em atraso de PIS, sob a alegação de que não cabe a exclusão da multa de mora em denúncia espontânea, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 13/09/2005, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir da autuada o recolhimento da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), na importância de R$ ..., em face de recolhimentos a destempo da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), código de receita n° 8109, apurada nos meses de fevereiro a setembro de 2000, sem o pagamento do acréscimo moratório devido, no caso a multa de mora. Regularmente cientificada a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/09, acompanhada dos documentos de fls. 10/39, por meio da qual fustiga a exigência argumentando, em síntese, que o pagamento espontâneo do tributo antes de qualquer procedimento fiscal afasta a imposição da penalidade, ai incluída a multa de mora, conforme estatuído no artigo 138 do Código Tributário Nacional e segundo entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. Ao final, requereu a improcedência da exigência.. A DRJ manteve parcialmente o crédito tributário, consoante a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2000 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. PIS. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10825.002870/200596 Acórdão n.º 330101.263 S3C3T1 Fl. 90 3 EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. 0 recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora, segundo ordenamento jurídico vigente. 0 instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora quando o fato gerador do tributo encontrase regularmente consignado nos livros comerciais e fiscais da contribuinte, ou então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, “c”)). Lançamento Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Extraise do v. Acórdão ainda o seguinte trecho: Em foco trabalho de tratamento dos dados constantes em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), levado a efeito pela Delegacia da Receita Federal em BauruSP, cuja sistemática consiste em contraporse os valores informados pela contribuinte a titulo de débitos tributários (dividas) e os créditos vinculados, à conta de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, fazendose a exigência fiscal das diferenças quando estes créditos resultarem indevidos ou não comprovados, como também, das diferenças de acréscimos morat6rios (multa de mora e juros de mora) quando restar concluído a insuficiência ou inexistência destes por ocasião do recolhimento de tributos depois do prazo legal de vencimento. Nada obstante os precedentes jurisprudenciais colacionados tenho por inaplicável a tese do afastamento da multa de mora em face da denúncia espontânea versada no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) ao presente caso. 0 invocado preceito possui a seguinte dicção: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Noutro prisma, a exigência para que o pagamento ou o recolhimento de tributo se faça acompanhado de multa de mora em face da realização após o vencimento legal da obrigação deriva de lei, a ver: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Neste contexto, não sendo razoável admitirse que o legislador ordinário estaria confrontando o CTN, tenho que o afastamento do acréscimo não se aplica ao pagamento trazido pela Recorrente, já que não ficou provado tenha ele origem em obrigação tributária margem da escrituração completa ou simplificada. Com efeito, não há falar na aplicação da excludente no caso em que o fato gerador do tributo encontrase regularmente consignado nos livros comercias e fiscais da contribuinte, ou então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração, independentemente dessas ocorrências serem ou não trazidas ao conhecimento do Fisco mediante as declarações de cunho obrigatório (DCTF, DIRPJ, SIMPLES, etc). Significa dizer, pois, que ainda inexistentes as declarações, o simples fato da operação econômica praticada pela contribuinte constar em sua escrituração ou em documentos por ela emitidos, suficientes, portanto, para caracterizar o fato gerador do tributo, já se encontra nascida a obrigação tributária, embora pendente de corporificação em forma de crédito público que se deu, na hipótese, com o voluntário pagamento, dai aflorando, inclusive, o primeiro ato tendente ao lançamento por homologação a que alude o artigo 150 do CTN. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10825.002870/200596 Acórdão n.º 330101.263 S3C3T1 Fl. 91 5 Portanto, a espontaneidade de que fala o artigo 138 do codex não se aplica, evidentemente, a estas ocorrências, pois seria restringir o conceito de espontaneidade ao ato de levarse ou não ao conhecimento fiscal o tributo retratado na própria escrita contábil ou elementos de cunho fiscal que o valha, quando em realidade a norma instiga o contribuinte a denunciar aquilo que dela foi omitido, a revelar a conduta ilícita ou culposa, beneficiandolhe em forma de exoneração do encargo moratório. Em decorrência, entendo infrutífera a discussão quanto ao caráter compensatório/indenizatório ou punitivo do encargo legal denominado multa de mora, data venia, pois seria cerrar o debate no efeito em menosprezo à causa. Observo, a seu turno, que o lançamento embasouse na legislação de regência ao tempo em que efetuado, cujo comando assim se expressava: "Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte PP (ênfase acrescida). Contudo, adveio o artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, dando nova redação ao artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, o qual passou a vigorar nos seguintes termos: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Como visto, a partir deste novo diploma legal não mais é de ser aplicada multa de oficio em razão do pagamento ou recolhimento do tributo após o vencimento do prazo sem o acréscimo da multa de mora, bastando esta. Assim, tenho que no julgamento dos processos pendentes cabe a mitigação da penalidade em face da retroatividade benigna a que alude o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional (CTN), que versa: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Com tais razões VOTO no sentido da procedência parcial do lançamento para mitigar a multa aplicada ... Não se conformando com a decisão, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, insurgindose contra a exigência da multa de mora, que alega não ser devida no caso, por se tratar de denúncia espontânea, pois recolheu intempestivamente a contribuição para o PIS, porém antes de qualquer procedimento administrativo que viesse a exigila. Cita o artigo 138, do CTN, que exigiria nesses casos apenas o recolhimento do tributo acompanhado dos juros de mora, além de precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. Em relação à matéria dos autos, deve ser verificado se o recolhimento feito em atraso foi anterior ou concomitante à eventual retificação de DCTF, que deu ensejo à autuação, ou, caso não tenha ocorrido retificação, se os débitos recolhidos em atraso constavam ou não da DCTF, para que se constate a real ocorrência de denúncia espontânea; Faço essas considerações diante do disposto no artigo art. 62A do Regimento Interno do CARF, que determina sejam seguidas pelo CARF as decisões proferidas pelo STJ submetidas à sistemática dos recursos repetitivos. E Já existem decisões do C. STJ sobre a matéria, em sede de recurso repetitivo, a exemplo do RESP 149022, onde reconheceuse que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente.. No caso, compulsando os autos, verificase que os débitos foram cobrados a partir de DCTF´s retificadoras, apresentadas em janeiro de 2004 e julho de 2004 (auto de infração – fls. 25 e seguintes), anteriormente aos recolhimentos que ocorreram em 2001 e 2002, conforme Demonstrativo de Pagamentos Efetuados, que acompanhou o auto de infração fls. 27 e seguintes. Portanto, os pagamentos ocorreram em data anterior à apresentação das DCTF´s retificadoras. Entendo que restou caracterizada a denúncia espontânea, pois o débito não constou na DCTF original, só sendo incluído na declaração retificadora, após a ocorrência dos pagamentos. Feitas essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa de mora cobrada. . Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10825.002870/200596 Acórdão n.º 330101.263 S3C3T1 Fl. 92 7 (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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