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Numero do processo: 10935.000213/2003-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 00 21 3/ 20 03 -0 3 Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3201000.662 S3C2T1 Fl. 1.939 2 Tratase de pedido de ressarcimento (fl. 04) de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, formalizado em 30/12/2002 e no montante de R$ 354.071,08, respeitante ao 1º trimestrecalendário de 1998, cumulado com as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 1397/1398, com débitos no total de R$ 131.805,15. Pelo Despacho Decisório nº 022/2007 (fls. 1420/1427), a DRFB em Cascavel/PR deferiu parcialmente o pleito, tendo sido glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, às exportações de soja após limpeza e secagem e à atualização monetária pela SELIC do total requerido. O reconhecimento parcial do pedido de ressarcimento foi de R$ 31.131,25. Na manifestação de inconformidade (fls. 1437/1469), apresentada em 07/08/2007, foram alegadas ilegalidade e inconstitucionalidade de atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação comporiam a base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais mencionados. Neste ínterim, a interessada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0037088 pleiteando a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do benefício, sendo que, antes que esta instância administrativa se pronunciasse, logrou obter o pedido deduzido no Agravo de Instrumento nº 2007.04.00.0321455/PR, que determinou o recálculo do crédito presumido com a inclusão das controvertidas aquisições. Assim, em 20/05/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 92/2008 (fls. 1514/1519) com o reconhecimento da parcela em questão do crédito presumido e a homologação total da Declaração de Compensação vinculada ao pedido de ressarcimento. Contudo, a requerente apresentou, em 08/07/2008, nova manifestação de inconformidade (fls. 1540/1547) com a alegação de que este processo não poderia seguir para arquivo, na medida em que não foram apreciadas no âmbito do contencioso administrativo de primeira instância as alegações relativas à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das exportações de soja após limpeza e secagem e a atualização monetária, à taxa SELIC, do total requerido. Em 17/10/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 318/2008 (fl. 1576), com a homologação total das Declarações de Compensação, por força de decisão judicial nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0010727 e conforme memorando à fl. 1556. Veio então a manifestação de inconformidade de 09/06/2009 (fls. 1590/1600) em relação a diversos processos atinentes a ressarcimento, inclusive este, Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3201000.662 S3C2T1 Fl. 1.940 3 com o pedido para apreciação de todos os recursos voluntários interpostos, sob pena de ofensa a direito líquido e certo. O Acórdão DRJ/RPO nº 1433.649 (fls. 1613/1617) foi prolatado em 11/05/2011, com o julgamento de improcedência da manifestação de inconformidade e o nãoreconhecimento do direito creditório. Em conseqüência, foi interposto em 27/07/2011 o recurso voluntário às fls. 1624/1685). Sobreviera, antes, o Acórdão (fls. 1705/1713), de 29/06/2011 (publicação em 07/07/2011) nos autos da Apelação Cível nº 2007.70.05.0037088/PR. Em 08/04/2013, no Despacho Decisório nº 194/2013 (fls. 1720/1725) foi decidido o seguinte: “a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 022/2007, no VALOR de R$ 31.131,25 (trinta e um mil, cento e trinta e um reais e vinte e cinco centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 092/2008, no VALOR de R$ 177.900,47 (cento e setenta e sete mil, novecentos reais e quarenta e sete centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 318/2008 (fls. 1576), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o calculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 30/12/2002 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95)”. (grifos do original) Depois da ciência em 07/05/2013 (AR à fl. 1753), foi oposta a manifestação de inconformidade (fls. 1779/1789), em 06/06/2013, firmada pelo representante legal da pessoa jurídica, qualificado na cópia de alteração de contrato social (fls. 1791/1798). Primeiramente, é defendida a tempestividade da manifestação de inconformidade. Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3201000.662 S3C2T1 Fl. 1.941 4 Em segundo lugar, sustenta que a taxa Selic deve incidir sobre todo o direito creditório requisitado, desde o início do procedimento, conforme doutrina aduzida, não somente sobre o montante de R$ 177.900,47, inicialmente indeferido por se tratar de aquisições de insumos de não contribuintes; do contrário, tratase locupletamento indevido do Fisco: decorreram dez anos do protocolo do pedido de compensação de créditos e débitos até a apreciação conclusiva pela Receita Federal, tendo sido corrigidos monetariamente somente os débitos; a atualização monetária deve incidir sobre todos créditos, inclusive os créditos homologados, e não apenas sobre os créditos não homologados no início do procedimento. Por fim, requer que seja conhecida e provida integralmente a manifestação de inconformidade e homologadas as declarações de compensação, e, especialmente, que seja determinada a correção monetária pela Selic, até a data de encerramento da análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos, do direito creditório inicialmente homologado pela autoridade fiscal, à semelhança do que foi apenas reconhecido judicialmente. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1443.694 de 07/08/2013, proferida pelos membros da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 CRÉDITOS ESCRITURAIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto, passíveis de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após relatar os fatos, no mérito sustenta que a DRJ interpretou equivocadamente o pedido da recorrente, pois entendeu que a pretensão se resumia, pura e simplesmente, em atualizar os créditos presumidos de IPI incontroversos. Pontua que o erro fundamental da DRJ é ignorar o efeito da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n. 2007.70.05.0037088/ PR. Recorda que a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança tem o condão de anular o ato administrativo impugnado e tem efeito “mandamental.” Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3201000.662 S3C2T1 Fl. 1.942 5 Insiste que a ordem do Juiz foi no sentido de que o AFRFB deixasse de reconhecer apenas o valor de R$ 31.131,25 em créditos presumidos e reconhecesse mais o valor de R$ 177.900,47. Ou seja, que ressarcisse R$ 209.031,72. Argumenta que a autoridade fiscal deveria ter ignorado ignorasse toda e qualquer análise até então feita, como se nunca tivesse tido contato com o pedido de ressarcimento da recorrente. A partir de então, apreciando os elementos constantes nos autos, reconhecesse que a recorrente tem direito a R$ 209.031,72. Assim, consoante determina o Mandado de Segurança, deveria a autoridade administrativa fazer incidir a SELIC desde a data do pedido de ressarcimento até o momento em que a recorrente utiliza o crédito ou lhe dê outra destinação. Apresenta quadro do impacto financeiro que referida medida produz no crédito presumido da recorrente. Quanto à matéria atualização pela Selic sobre créditos, apresenta em síntese as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o STJ enfrentou o tema pelo rito dos recursos repetitivos, quando firmou peremptoriamente que a oposição do Fisco faz surgir o direito do contribuinte de ter seus créditos atualizados pela SELIC; é incontroverso no presente feito que houve a oposição do Fisco ao aproveitamento integral do crédito presumido; o ressarcimento foi negado pela Receita Federal do Brasil, o que impossibilitou a recorrente de aproveitar seus créditos devidos por mais de 10 (dez) anos; este Conselho Administrativo possui idêntico entendimento ao que se disse acima; Por fim requer que seja conhecido o recurso voluntário e provido integralmente seus pedidos, especialmente para determinar que incida a correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente (R$ 209.031,72), uma vez que é inequívoca a existência de injusta oposição estatal ao direito líquido e certo da recorrente. Através da Resolução de n° 3801000934, de 19/03/2015, foi convertido os autos em diligência para que: De início constatase que não é possível delimitar o litígio. Como relatado, este processo tem uma situação atípica. A tramitação processual foi conturbada em face dos três despachos decisórios, respectivas manifestações de inconformidade, duas decisões da DRJ e dois recursos voluntários. Reconhecese que os despachos decisórios foram complementares, todavia o litígio não ficou demarcado a partir da última decisão da DRJ. Entendese,a princípio, que a recorrente deveria em seu último recurso voluntário reafirmar as teses de seu primeiro recurso o. A simples menção a sua interposição não é suficiente para a apreciação de todas as alegações porque algumas perderam o seu objeto. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3201000.662 S3C2T1 Fl. 1.943 6 De sorte que no primeiro recurso a recorrente questiona diversas matérias, enquanto no segundo recurso voluntário, a recorrente simplesmente reiterou de forma genérica as alegações do primeiro recurso e se insurgiu especificamente em relação à incidência da correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente. Ocorre, todavia, que diversas matérias foram objeto de provimento pela primeira decisão a quo. Assim sendo, a reiteração genérica no segundo recurso voluntário inviabiliza a delimitação precisa das matérias ainda em litígio. Por outro lado, o não conhecimento do primeiro recurso voluntário implicaria em ofensa ao amplo direito de defesa. No caso vertente, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa e a fim de se evitar a caracterização da preterição do direito de defesa da interessada, a medida que se impõe é a intimação da recorrente para que consolide em uma única peça recursal devidamente fundamentada as matérias que ainda tem interesse em recorrer. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime a interessada para que consolide em uma única peça recursal as matérias que ainda tem interesse em agir no prazo de 30 (trinta) dias. Em sede de nova apresentação do recurso voluntário, como demandado pela Resolução acima, a recorrente narra os fatos, bem como, repisa todos os argumentos trazidos anteriormente dos citados recursos voluntários e peças de defesa apresentados (em 29/05/2015, às efls. 18721911). Não obstante apresentação da peça acima, a recorrente trouxe, em 27/11/2015, na forma de memoriais, na forma escrita, quando a mesma sintetiza, creio eu, o seu pleitode atualização monetária sobre todo o crédito do IPI, objeto do pedido de ressarcimento. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Da mesma forma, a reiteração genérica no novo recurso voluntário inviabiliza a delimitação precisa das matérias ainda em litígio. Por outro lado, o não conhecimento do primeiro recurso voluntário, segundo, memoriais implicariam em ofensa ao amplo direito de defesa. Portanto, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa e a fim de se evitar a caracterização da preterição do direito de defesa da interessada, a medida que se Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10935.000213/200303 Resolução nº 3201000.662 S3C2T1 Fl. 1.944 7 impõe é a intimação da recorrente para que consolide em uma única peça recursal devidamente fundamentada as matérias que ainda tem interesse em recorrer, mais uma vez, para evitar qualquer tipo de alegação futura de cerceamento de defesa, ou mesmo embargos; levando a um julgamento errôneo, em face a inúmeras tramitações processuais ocorridas, como já ressaltada na Resolução anterior, o que não foi atendido. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a recorrente sintetize o seu pleito, conforme diligência anteriormente demandada. Por fim, devem os autos retornar a esta Turma para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724396/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2012
PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. MOLÉSTIA GRAVE DE CÔNJUGE. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Estão isentos do imposto de renda apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos pelo portador de moléstia grave listada em lei e comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Inteligência do art. 39, inciso XXXIII, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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MOLÉSTIA GRAVE DE CÔNJUGE. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Estão isentos do imposto de renda apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos pelo portador de moléstia grave listada em lei e comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Inteligência do art. 39, inciso XXXIII, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 96 /2 01 3- 74 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), lavrada em decorrência da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2012, anocalendário 2011, que alterou o saldo de imposto a restituir de R$3.912,42 para R$1.054,34. Conforme Notificação de Lançamento (fls. 25/26), o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2012, os seguinte fatos: 1. dedução indevida de contribuição à previdência oficial, no valor de R$51.004,28; 2. omissão de rendimentos recebidos, no montante de R$ 49.004,26, relativos à Paranaprevidência (R$46.948,67) e ao Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná (R$2.055,59). Cientificado em 28/05/2013 (fl. 29), o interessado apresentou, em 20/06/2013, a impugnação de fl. 02, instruída com os documentos de fls. 03/14, onde argumenta o seguinte: 1. os rendimentos são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. Aduz que declara em conjunto com a esposa Sra. Mara Sueli Rasera Dall Agnolo, e a mesma é portadora de moléstia grave; 2. quanto à dedução indevida de contribuição à previdência oficial, diz ter cometido erro quando do preenchimento da DIRPF, devendo ser considerado como dedução de outra natureza. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/08/2013 (fl. 38), o interessado interpôs, em 11/09/2013, o recurso de fls. 39/40. Nas razões recursais aduz que os rendimentos recebidos da aposentadoria são isentos de imposto de renda, pois declara em conjunto com a sua esposa Sra. Mara Sueli Rasera Dall Agnolo, e esta é portadora de moléstia grave. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724396/201374 Acórdão n.º 2402005.018 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. ISENÇÃO DE RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA O Recorrente alega que os proventos tributados decorrem de sua aposentadoria e sua esposa é portadora de moléstia grave, assim solicita que seja estendida a isenção do imposto de renda para esses proventos do declarante. Tal alegação não será acatada, pois somente é desobrigado de pagar o imposto de renda os proventos do aposentado com a doença listada inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988. Em outros termos, se quem tem a doença grave é a esposa (cônjuge) e os proventos tributados são provenientes da aposentadoria de seu marido (Recorrente), impõese afirmar que esses proventos de aposentadoria não estão abarcados pela isenção do imposto de renda, a teor do inciso XXXIII do art. 39 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR) Decreto 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” § 4ºPara o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Extraise da legislação acima que a isenção do imposto de renda de aposentados, que é o caso dos autos, tem caráter pessoal e intransferível, em face das condições de debilidade inerentes ao tratamento da doença para cada paciente, pois a cura da doença e conseqüente alteração das condições individuais fazem com que o contribuinte reintegre o campo de incidência da exação tributária. A isenção pleiteada somente será preenchida se o próprio contribuinte, de forma simultânea, atender duas condições: (i) ser portador de moléstia prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988; (ii) e tratarse de proventos percebidos exclusivamente de sua aposentadoria ou reforma. Essa simultaneidade das condições não foi verificada nos autos. Nesse passo, constatase que o Laudo Médico de fl. 11 demonstra apenas a moléstia do cônjuge (Sra. Mara Sueli Rasera Dall Agnolo, neoplasia maligna – CID10), assim, apenas eventuais proventos de aposentadoria ou pensão dela, cuja existência não restou comprovada nos autos, estariam albergados pela isenção prevista inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988. Por sua vez, os rendimentos submetidos à tributação provém exclusivamente da aposentadoria do Recorrente (Sr. Lauri Dall Agnolo). Diante do contexto fático e da legislação do imposto de renda, é forçoso reconhecer que não há como estender a isenção do imposto de renda aos proventos de aposentadoria recebidos pelo Recorrente, pois não restou comprovada a sua condição de portador de moléstia grave prevista no inciso XXXIII do art. 39 do RIR/1999. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722716/2015-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2014
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Para os rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda deverá incidir sobre os rendimentos tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, a teor do art. 12-A da Lei 7.713/1988. Inteligência dos precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. Aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2014 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Para os rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda deverá incidir sobre os rendimentos tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, a teor do art. 12-A da Lei 7.713/1988. Inteligência dos precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. Aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. Recurso Voluntário Provido.
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RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Para os rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda deverá incidir sobre os rendimentos tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, a teor do art. 12A da Lei 7.713/1988. Inteligência dos precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 27 16 /2 01 5- 26 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 14/28, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2014, anocalendário de 2013, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 50/52), reproduzido a seguir: “1) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 39.184,47, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$7.394,76. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Conforme Instrução Normativa nº 1127, de fevereiro de 20122, da Receita Federal do Brasil (vigente na época do recebimento dos rendimentos ora declarados e que dispõe sobre a tributação do artigo 12A da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988), algumas espécies de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) podem ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês (artigo 2º, caput), e com utilização da tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito (artigo 3º). entretanto, o parágrafo 3º do artigo 2º desta mesma Instrução Normativa veda expressamente a aplicação desta tributação diferenciada aos rendimentos pagos por entidade de previdência complementar. Desta forma, estes rendimentos serão tributados na forma do artigo 12 da Lei 7713/1988. Rendimentos tributáveis total 68.498,86, que após abatidas as despesas com advogado e previdência privada resultou na base de cálculo de 39.184,47 (principal 28.390,18, juros 10.794,29). Foi compensado o imposto de renda retido. 2) dedução indevida de previdência oficial relativa a rendimentos recebidos acumuladamente tributação exclusiva: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constataramse deduções indevidamente declaradas a título de contribuição à previdência oficial, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$7.394,76, referentes às fontes pagadoras abaixo relacionadas.O valor glosado referese a previdência oficial Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.722716/201526 Acórdão n.º 2402005.213 S2C4T2 Fl. 3 3 deduzida de rendimentos declarados como sujeitos à tributação exclusiva na fonte, conforme opção manifestada pelo contribuinte. 34.053.942/000150 Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros Data do Recebimento: 12/2013 Nº de meses declarado: 112 Previdência Oficial Declarada: 7.394,76 COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Utilização indevida da tributação em separado por se tratar de rendimentos pagos por entidade de previdência complementar. 3) número de meses relativos a rendimentos recebidos acumuladamente indevidamente declarado tributação exclusiva: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse informação inexata de número de meses referente a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, pelo titular e/ou dependentes, relativos à(s) fonte(s) pagadora(s) abaixo relacionada(s). 34.053.942/000150 Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros Data do Recebimento: 12/2013 Nº de meses declarado: 112 Nº de meses comprovado: 0 Enquadramento legal: art. 12 e 12A e §§ da Lei 7713/88; arts. 27 e 28 da Lei 10.833/2003; art. 3º, 6º, inciso II, 10º, inciso I, 12 A e 13A e §§ da Instrução Normativa RFB nº 1127/2011; art. 73 do Decreto nº 3000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Utilização indevida da tributação em separado por se tratar de rendimentos pagos por entidade de previdência complementar. 4) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente tributação exclusiva: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos declarados como recebidos acumuladamente, Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$10.823,90, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. 34.053.942/000150 Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros Enquadramento legal: art. 12 e 12A e §§ da Lei 7713/88; arts. 1º a 4º e 6º a 13C da Instrução Normativa RFB nº 1127/2011; arts. 27 e 28 da Lei 10.833/2003; art. 7, §§1º e 2º, do Decreto nº 3000/99 RIR/99.” A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação (fls. 52/61), alterandose o lançamento referentemente ao IRRF considerado sobre a omissão de rendimentos apontada pelo Fisco, resultando numa restituição do IRPF/2014, além daquela já apurada pela Notificação de Lançamento de fls. 14/28, no valor de R$3.429,14 (R$10.823,90 R$7.394,76). Cientificado da decisão de primeira instância em 26/08/2015 (fls. 83), o interessado interpôs, em 10/09/2015, o recurso de fls. 64/81. Nas razões recursais aduz, dentre outras questões postuladas, que o valor considerado omitido referese a rendimentos acumulados decorrentes de ação trabalhista, devendo receber tratamento idêntico ao contribuinte que recebeu o rendimento na época devida. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.722716/201526 Acórdão n.º 2402005.213 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O objeto litigioso instaurado nos autos se restringe a informação prestada na DAA/2014 do montante R$68.498,86, vinculado à Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros), e declarado no quadro de Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), com opção pela tributação exclusiva (fl. 34). IRPF SOBRE RENDIMENTOS ACUMULADOS Segundo a decisão de primeira instância, os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial e pagos por entidade de previdência privada, concernente ao anocalendário 2013, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento ou crédito e no ajuste anual do IRPF, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, nos termos do art. 12 da Lei 7.713/1988. Vejamos a ementa dessa decisão de primeira instância (fls. 52/61): “ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar arguições de inconstitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PAGOS POR ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, pagos por entidade de previdência complementar, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito e no ajuste anual do IRPF, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (...)” (g.n.) Com efeito, a decisão de primeira instância entendeu pela aplicação do art. 12 e não do art. 12A, ambos da Lei 7.713/1988, para os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA), decorrentes de complementação de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada, nos seguintes termos: Ora, tendo em vista que os RRA pelo notificado são provenientes de complementação de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada, resta patente que a tributação destes é a prevista no art. 12 e não no art. 12A, anteriormente transcritos. Repisese a tributação exclusiva na fonte restringese aos RRA decorrentes de rendimentos do trabalho e àqueles provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, o que, com certeza, não é o caso dos presentes autos. Notese, inclusive, que o art. 2º da IN RFB 1.127/2011, citado pela autoridade lançadora (fl. 11), é claro ao dispor que: “Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: I aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; e II rendimentos do trabalho. § 1º Aplicase o disposto no caput, inclusive, aos rendimentos decorrentes de decisões das Justiças do Trabalho, Federal, Estaduais e do Distrito Federal. § 2º Os rendimentos a que se refere o caput abrangem o décimo terceiro salário e quaisquer acréscimos e juros deles decorrentes. § 3º O disposto no caput não se aplica aos rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.261, de 20 de março de 2012 )” [destaques não originais] Vale observar que o §3º do artigo acima reproduzido, salientese já vigente no ano calendário em foco (2013), não inovou ou modificou a essência do texto legal do art. 12A da Lei 7.713/88. De fato, apenas ressaltou expressamente que os rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar não se confundem com aqueles albergados pela possibilidade da tributação exclusiva na fonte, listados de forma exaustiva na matriz legal. Com efeito, equivocouse o contribuinte na informação prestada na DAA/2014 revisada, quanto aos rendimentos Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.722716/201526 Acórdão n.º 2402005.213 S2C4T2 Fl. 5 7 recebidos da Petros via ação judicial, o que deu ensejo ao lançamento em discussão. Ressaltese que a tributação dos RRA sujeitos ao ajuste anual do IRPF não levam em consideração a quantidade de meses a que se referem os rendimentos recebidos. (g.n.) A Recorrente afirma que está equivocada a decisão de primeira instância, tendo em vista que, para RRA de complementação de aposentadoria, deverá ser aplicado o art. 12A da Lei 7.713/1988, que prevê a possibilidade da tributação exclusiva na fonte. Ainda segundo a Recorrente, isso foi confirmado pela Instrução Normativa RFB 1.558, de 31/03/2015. Sendo esse contexto travado exclusivamente sobre a forma correta de incidência do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos acumuladamente por força de decisão judicial e pagos por entidade de previdência privada, concernente ao ano calendário 2013, sendo que o Fisco entende pela aplicação do art. 12 (o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos) e a Recorrente entende pela aplicação do art. 12A (os rendimentos serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês), ambos da Lei 7.713/1988. Lei 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Vide Lei nº 8.134, de 1990) (Vide Lei nº 8.383, de 1991) (Vide Lei nº 8.848, de 1994) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) ......................................................................................................... Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 pelo contribuinte, sem indenização.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis:(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1oe 3o.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 7º Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1º de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (...) Neste particular, entendo que assiste razão à Recorrente, visto que o STF decidiu que é inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 no RE 614.406/RS, cujo julgamento foi afetado pelo rito do art. 543B do antigo CPC (repercussão geral). No RE 614.406/RS, a Corte Constitucional afirmou que esse art. 12 pune o contribuinte duas vezes. O contribuinte deveria ter recebido as parcelas na época própria e não as recebeu. Por essa razão, teve que ingressar em juízo pleiteando as verbas. Quando finalmente consegue auferilas, é tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude do valor globalmente percebido em decorrência do pagamento judicial, sendo, com isso, tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que foi recebido. Para o STF, a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido pela pessoa mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e portanto mais alta. O art. 12, ao fazer incidir a alíquota sobre o total dos rendimentos do contribuinte naquele mês, adotou o chamado “regime de caixa”. O STF afirmou que o contribuinte tinha direito ao recolhimento do IRPF pelo regime de competência (calculado mês a mês) e não pelo de caixa (calculado de uma única vez, na data do recebimento). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.722716/201526 Acórdão n.º 2402005.213 S2C4T2 Fl. 6 9 Essa também já era a posição do STJ: “(...) O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (...)” (STJ. 1ª Seção. REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24/03/2010. Recurso repetitivo). Esta Turma do CARF, ao julgar a mesma questão semelhante no processo 13064.720062/201442 (Relator João Victor Ribeiro Aldinucci, acórdão 2402004.893, julgado em 27/01/2016), pronunciouse, conforme decisões do STF e do STJ, pela adoção do regime de competência, ao afirmar que o imposto de renda sobre os rendimentos pagos acumulativamente em ação judicial deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos fragmentos da decisão proferida nos autos do processo 13982.720041/201112: “Essa controvérsia jurídica, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física obre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.722716/201526 Acórdão n.º 2402005.213 S2C4T2 Fl. 7 11 julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. Isto é, o lançamento está eivado de vício material, o que o torna nulo de pleno direito. (g.n.) A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao contribuinte. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, entendo que deve ser declarada a sua nulidade. (g.n.) Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Por tais razões manifestadas nas decisões do STF e do STJ, em sede de repercussão geral e de recurso repetitivo, no cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos acumulativamente em ação judicial, o imposto de renda deverá incidir sobre os rendimentos tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês (art. 12A da Lei 7.713/1988). O sujeito passivo efetuou a declaração em conformidade com o art. 12A da Lei 7.713/1988. Nesse passo, o Fisco, ao aplicar o art. 12 da Lei 7.713/1988, adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, sendo que isso ocasionou o cálculo do tributo devido incorreto e caracterizou incongruência no aspecto quantitativo do fato gerador. Diante disso, é forçoso reconhecer o provimento do recurso voluntário. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000972/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, deve ser afastado o lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de IRRF de R$ 2.989,80.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de IRRF de R$ 2.989,80. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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COMPROVAÇÃO. Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, deve ser afastado o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de IRRF de R$ 2.989,80. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 09 72 /2 01 0- 73 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13839.000972/201073, em face do acórdão nº 0649.124, julgado pela 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), na sessão de julgamento de 25 de setembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Tratase de impugnação parcial (fl. 2 numeração do processo em meio digital) à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF N° 2006/608451305364114 resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual –DAA referente ao exercício 2006, anocalendário 2005, que apurou crédito tributário no valor de R$ 5.116,18 dos quais R$ 3.146,10 de imposto de renda (cód. 0211), R$ 629,22 de multa de mora e R$ 1.340,86 de juros de mora (calculados até 29/1/2010). 2. A autoridade fiscal, baseandose nas informações constantes do sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerou indevida parte da compensação declarada de carnêleão, R$ 156,30, por se tratar de período de apuração referente ao exercício 2005, bem como a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) relativa à fonte Fibras Embalagens Ltda, no valor de R$ 2.989,80, assim consignando na Descrição dos Fatos, que integra a Notificação de Lançamento impugnada (fl. 10): [...] Regularmente intimado, o contribuinte não apresentou cópia de Contrato de Administração de aluguel e Comprovantes de Recebimentos com Taxa de Administração discriminada. Não foram comprovados os recolhimentos de IRRF sobre aluguel. 3. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando que: a) declarou conforme Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte cedido pela fonte pagadora b) a “Lei do Imposto de Renda” dispõe que a pessoa jurídica que paga rendimentos de aluguéis ou royalties a pessoa física é a responsável pela retenção e recolhimento do IR Fonte incidente sobre esses rendimentos, sendo o valor retido considerado como antecipação do devido na DAA (arts. 620, 631 e 632 do RIR/99); c) “Com referencia à DIRF [Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte], também é de responsabilidade da fonte retentora do IR Fonte (INSRF670/2006)”. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13839.000972/201073 Acórdão n.º 2202003.287 S2C2T2 Fl. 66 3 4. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto retido na fonte correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo é passível de compensação na Declaração de Ajuste Anual, desde que comprovada a retenção. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Impõese a improcedência da impugnação quando o contribuinte não apresenta provas capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a improcedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário à fl. 36, onde reitera os argumentos apresentados na impugnação e realiza a juntada de documentos aos autos de fls. 43/60. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Conforme relatado, a fiscalização considerou indevida a compensação de IRRF declarada, relativamente à fonte pagadora Fibras Embalagens Ltda, por falta de comprovação. Em sua impugnação, o contribuinte anexa tão somente o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte de fl. 12, não apresentando comprovante da propriedade do bem, como a Escritura ou matricula do Imóvel, Contrato de Locação, Contrato de Administração do Imóvel, recibos, comprovantes de transferências bancárias ou outros, ainda que tenha sido intimado para tal (Termo de Intimação Fiscal – fls. 27/28). Diante disso, compreendeu a DRJ de origem que não restou demonstrada a efetiva retenção do imposto. Assim, prevaleceu na ocasião o entendimento que não haveriam reformas fazer na Notificação de Lançamento impugnada, sendo mantida a glosa da compensação do IRRF relativa a fonte pagadora Fibras Embalagens Ltda , por falta de prova da efetiva retenção do imposto. Entretanto, o contribuinte anexa ao recurso voluntário elementos de prova suficientes para reformar o acórdão da DRJ. Em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, acolho os documentos apresentados como elementos de prova do direito da contribuinte. Face a isto, passo a análise destes. Além de comprovação de retenção na fonte (fl. 43), anexa o contribuinte aos autos a escritura de compra e venda do imóvel (fls. 44/49), bem como extratos bancários que comprovam o valor efetivamente recebido pelo contribuinte (fls. 50/60), que comprovam a retenção de imposto de renda (IRRF). Deste modo, afasto a glosa e o lançamento realizado. Entendo que o contribuinte demonstrou, pelas provas apresentadas, a retenção do imposto de renda, ônus a qual lhe incumbia. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de IRRF de R$ 2.989,80. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 13054.720326/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
MATÉRIAS NÃO ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 MATÉRIAS NÃO ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal. Recurso Voluntário Negado.
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PRECLUSÃO. É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 03 26 /2 01 3- 04 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 13054.720326/201304 Acórdão n.º 2402005.307 S2C4T2 Fl. 37 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 13054.720326/201304 Acórdão n.º 2402005.307 S2C4T2 Fl. 38 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por NILTO MONTARDO SARAIVA, em face do acórdão nº 1045.696, proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/POA, Porto Alegre RS., na sessão de 12 de agosto de 2013, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. 2. O lançamento efetuado, contra o qual se insurge o contribuinte, referese a rendimentos omitidos em sua DAA, anocalendário 2011, exercício 2012, que montam o valor de R$ 13.950,48 e se refere aos benefícios pagos pelo INSS, conforme consta do comprovante de pagamento acostado às fls 18. 3. Em cotejo dos valores recebidos de pessoa jurídica, informados em DIRF, com o declarado a fiscalização constatou a omissão de rendimentos acima mencionados, os quais refletiram na apuração do IRPF e com a consequente cobrança de diferença do imposto. 4. Em 31/05/2013 (fl.19), a contribuinte foi devidamente notificada do lançamento, e, em 18/06/2013, por não concordar com o procedimento fiscal, ingressou com a competente impugnação (fl. 2), a respeito da qual, por unanimidade de votos, entendeu os julgadores de primeira instância pela sua improcedência (fls. 24/26). 5. Cientificada da decisão supra, em 26/08/2013 (fl. 30), a recorrente interpôs recursos voluntário, em 23/09/2013 (fl. 32, onde: a) demonstra sua concordância, parcial, com o cálculo/cobrança do imposto; b) informa que os valores a serem considerados no referido cálculo são de R$8,20 (IRRF pelo INSS) e de R$2.909,93 (pensão alimentícia não utilizada como dedução); c) por fim, requer a improcedência de parte do cálculo do IRPF, e o consequente recálculo do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 13054.720326/201304 Acórdão n.º 2402005.307 S2C4T2 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. Como se fez constar do relatório, reiterese que o lançamento, contra o qual se insurge o recorrente, foi analisado em sede de impugnação e mantido pela autoridade administrativa de primeira instância, e, se refere aos rendimentos omitidos pelo contribuinte em sua em DAA, anocalendário 2011, exercício 2012, que montam o valor de R$ 13.950,48, pagos pelo INSS, conforme consta do comprovante de pagamento acostado às fls 18 dos autos, tendo sido a diferença do IRPF apurada e exigida de acordo com o seguinte demonstrativo: DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO Descrição Valores em Reais 1) Total de Rendimentos Declarados 37.691,17 2) Ajuste de Rendimentos 2.310,66 3) Total dos Rendimentos Tributáveis (Após ajuste de rendimento 12) 35.280,51 4) Omissão de Rendimentos Apurada 13.950,48 5) Total das Deduções Declaradas 11.935,46 6) Deduções Indevidas 0,00 7) Previdência Oficial Sobre Rendimento Omitido 0,00 8) Base de Cálculo Apurada (3*45*67) 37.295,53 9) Imp. apurado após Alterações (Calculado Pela Tabela Progressiva Anual) 2.071,31 10) Dedução de Incentivo Declarada 0,00 11) Contrib. Prev. a Emp. Doméstico Declarado 0,00 12) Glosa de Dedução de Incentivo/Contrib. Prev. a Emp. Domestico 0,00 13) Imposto Devido RRA 0,00 14) Total de Imposto Pago Declarado (Ajuste anual + RRA) 884,11 15) Glosa de Imposto Pago 0,00 16) IRRF sobre Infração ou Carne Leão Pago 8,20 17) Saldo Imp. a Pagar Apurado após Alterações (91011*12+1314*1516) 1.179,00 18) Imposto a Restituir Declarado 369,89 19) Imposto já Restituído 0,00 20) Imposto Suplementar 1.179,00 CONFORME DIRF DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL. O recorrente, taxativamente, concorda, em parte, com o cálculo apresentado pela fiscalização, o que equivale a admitir que realmente omitiu em sua DAA rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, no caso, aqueles pagos a título de benefícios do INSS, os quais, inclusive, motivaram a entrega de declaração retificadora, constante às fls. 10/16 dos presentes autos. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 13054.720326/201304 Acórdão n.º 2402005.307 S2C4T2 Fl. 40 5 Contudo, sede recursal, sem trazer documentos ou demonstrativos, o recorrente solicita que o lançamento seja revisto, alegando que no cálculo do imposto suplementar deveriam ter sido ali deduzidos os valores correspondentes a R$8,20 (IRRF pelo INSS) e de R$2.909,93 (pensão alimentícia não utilizada como dedução). Em análise dos autos, verifico que o alegado pelo recorrente não deve prosperar, primeiro porque não traz demonstrativo ou prova documental que demonstre equívocos nos cálculos do imposto suplementar feitos pela fiscalização, segundo, entendo como preclusa essas alegações porque não foram objeto, oportunamente, da impugnação ao lançamento, a respeito do que faço breve abordagem na sequencia Com vistas a esclarecer a delimitação da matéria submetida a julgamento, observese que a interposição do recurso voluntário transfere ao órgão "ad quem", conforme a extensão da petição, o reexame da matéria impugnada. Destarte, o recurso não lhe devolve o conhecimento de matéria não contestada quando da impugnação do lançamento. Notese que é nesse sentido o disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que assim determina: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Vejase que, do dispositivo transcrito, deriva o entendimento no sentido de não é permitido inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas. Assim, sob pena de afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal, questões não provocadas a debate na primeira instância, mas arguidas pela recorrente somente na fase recursal, constituem matérias preclusas, vedada a sua análise pelo órgão "ad quem". Importante registrar que escapam dessa regra questões de ordem pública, as quais transcendem aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador. Feitas essas considerações, ao confrontar impugnação e recurso voluntário, verifico a ocorrência de preclusão da alegação recursal ora apresentada pela recorrente (fl. 32), quanto à incorreção da base de cálculo utilizada no lançamento, por não ter sido ventilada, mesmo de forma indireta, quando da apresentação de sua defesa em primeira instância. Dessa feita, os argumentos de mérito da recorrente deduzidos na fase recursal não podem ser apreciados. Em prestígio ao processo administrativo, mesmo que tal matéria não fosse considerada preclusa, ainda assim não vejo como acolher o pleito do recorrente, haja vista a ausência de prova do alegado. Além disto, o direito por ela reclamado, tomandose por base os valores constantes de sua declaração, verificase que a pensão alimentícia por ela paga foi considerada na apuração do imposto devido, inclusive pela fiscalização quando lançamento suplementar, de forma que o pedido para recálculo do lançamento não tem razão de ser. É o que se extrai tanto do demonstrativo do lançamento em análise (fl. 8, linha 5), bem como do resumo da DAA do contribuinte Deduções no total de R$11.935,46, onde em sua composição integra os valores pagos a título de pensão alimentícia por escritura pública, no valor de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 13054.720326/201304 Acórdão n.º 2402005.307 S2C4T2 Fl. 41 6 R$3.488,36 e informado no comprovante de rendimento emitido pela respectiva fonte pagadora (fl. 18). Com relação ao valor de R$8,20, razão também não assiste recorrente, pois este foi deduzido/considerado no cálculo do imposto suplementar sobre rendimento omitido, conforme apontado na linha 16 do referido demonstrativo. Em síntese, verificase que o recorrente não ataca a decisão recorrida, de modo a demonstrar eventual equívoco do julgador a quo, mas limitase a trazer questão desprovida de prova que, mesmo não tendo razão, deveria ter apresentado na impugnação o que não fez oportunamente, considerada preclusa, portanto. Assim, do até aqui apontado, entendo não merecer acolhimento as alegações trazidas pelo recorrente, razão pela qual ao meu ver deve ser mantido incólume o lançamento ora analisado, não merecendo reparo, inclusive, a decisão proferida em primeira instância. CONCLUSÕES Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo integralmente o lançamento do crédito tributário. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001776/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/03/1999
EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO LÍCITA
Válisa a prova consistente em informações bancárias fornecidas pela própria
contribuinte, em atendimento a intimação específica. Preliminar rejeitada.
ARGUIÇÕES DE INCONSTICIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de
atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº
70.235/72. O colegiado julgadora de primeira instância pode indeferir as
perícias e diligências que considerar prescindíveis. Preliminar rejeitada.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS
É quinquenal o prazo decadencial das contribuições sociais, aplicando-se a
regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN,
que estabelece como termo inicial desse prazo a data de ocorrência do fato
gerador. Considera-se regular a notificação efetuada às 17:20 hs do último
dia do prazo decadencial.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/1999
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO
DE RECEITA. PRESUNÇÃO
A Lei nº 9430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas com base em
valores creditados em conta bancária para os quais o titular, regularmente
intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem
dos recursos creditados.
LUCRO PRESUMIDO. FACTORING. UTILIZAÇÃO DE ÍNDICE
ANFAC. IMPOSSIBILIDADE
Na apuração da base de cálculo do imposto aplicam-se, sobre a receita bruta
mensal, os percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. No caso de
receitas decorrentes da atividade de factoring, revela-se desprovida de
fundamento legal a pretensão da contribuinte de utilizar índices publicados
pela ANFAC. O índice ANFAC constitui mero parâmetro orientador da
atividade de factoring, não podendo servir como índice capaz de revelar o
lucro apurado por uma entidadae que desenvolva o fomento mercantil.
Numero da decisão: 1401-001.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR
as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para acolher a decadência dos fatos geradores do PIS e da COFINS, referentes aos meses de janeiro e
fevereiro de 1999, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Nacional PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/1999 EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO LÍCITA Válisa a prova consistente em informações bancárias fornecidas pela própria contribuinte, em atendimento a intimação específica. Preliminar rejeitada. ARGUIÇÕES DE INCONSTICIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. O colegiado julgadora de primeira instância pode indeferir as perícias e diligências que considerar prescindíveis. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS É quinquenal o prazo decadencial das contribuições sociais, aplicando-se a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, que estabelece como termo inicial desse prazo a data de ocorrência do fato gerador. Considera-se regular a notificação efetuada às 17:20 hs do último dia do prazo decadencial. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/03/1999 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO 1 Fl. 983DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 A Lei nº 9430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas com base em valores creditados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados. LUCRO PRESUMIDO. FACTORING. UTILIZAÇÃO DE ÍNDICE ANFAC. IMPOSSIBILIDADE Na apuração da base de cálculo do imposto aplicam-se, sobre a receita bruta mensal, os percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. No caso de receitas decorrentes da atividade de factoring, revela-se desprovida de fundamento legal a pretensão da contribuinte de utilizar índices publicados pela ANFAC. O índice ANFAC constitui mero parâmetro orientador da atividade de factoring, não podendo servir como índice capaz de revelar o lucro apurado por uma entidadae que desenvolva o fomento mercantil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para acolher a decadência dos fatos geradores do PIS e da COFINS, referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 1999, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia De Carli Germano. Ausente justificadamente a conselheira Aurora Tomazini de Carvalho. 2 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que consta da decisão de piso, fls. 572-579: 3 Fl. 985DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 4 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 5 Fl. 987DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 6 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 7 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 8 Fl. 990DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 9 Fl. 991DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 A 4ª Turma da DRJ/CPS, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para admitir que fossem excluídos das bases tributáveis o total de R$ 638.420,62 a título de devolução de cheques depositados e, em consequência, manter os demais valores, consignados em quadro resumo que acompanhou o voto condutor daquela decisão. O retrocitado Acórdão nº 7.542 da DRJ/CPS recebeu a seguinte ementa, fls. 569-570: 1 0 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 10/11/2004, conforme documento de fls. 615 e apresentou recurso voluntário em 10/12/2004 (v. fls. 627-669), reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. Apresentou alguns poucos argumentos inovadores, requerendo a nulidade da decisão de piso, bem como o reconhecimento da decadência em relação a todos os fatos geradores objeto do presente processo, posto que a ciência dos presentes lançamentos teria ocorrido após o término do horário de expediente normal da repartição autuante (17:20 hs do dia 31/03/1999). A Sétima Câmara da extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de julgamento realizada em 17 de setembro de 2008, por unanimidade de votos, resolveu converter o julgamento em diligência, determinando a realização de perícia, conforme Resolução nº 107-00717, fls. 676-677. Transcrevo trechos relevantes da retrocitada Resolução, fls. 677: 1 1 Fl. 993DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 A empresa alegou que a maioria de seus depósitos bancários provinha de fomento mercantil e que o seu faturamento em tal operação é o “spread”, diferença entre receitas e despesas correspondentes de cada operação, e acostou aos autos abundante documentação como prova de suas alegações. A autoridade julgadora de primeira instância não considerou essa prova porque a empresa declarara o imposto pelo lucro presumido e fora tributada por esse regime, e o regime de apropriação da atividade de “factoring” é o lucro real, por força do artigo 58 da Lei nº 9.430/96 e do artigo 36 da Lei nº 8.981/95. Além disso, seria necessário qie fosse apurada a vinculação, ou seja, a coincidência entre datas e valores dos depósitos bancários, com as alegadas duplicatas ou cheques recebidos. A Recorrente alega que o procedimento implica na tributação do capital empregado em cada operação, e pede a realização de perícia para se determinar o “spread” em cada operação, afastando-se o valor do depósito correspondente. A prova trazida aos autos pela Recorrente demonstra que ela realmente praticava, ainda que fora de suas atividades operacionais, fomento mercantil, sendo razoável que sua receita fosse o “spread”, diferença entre a receita e a despesa de cada operação. Ao contrário, estar-se-ia trazendo para a base tributável o próprio capital investido. Assim, acolho o pedido da empresa e proponho ao Colegiado a realização de perícia para: 1) inicialmente, esclarecer-se se as contas bancárias foram contabilizadas e se as contas credoras suportaram a contrapartida do débito a bancos, se tinham saldo suficiente, e se a movimentação bancária é superior à receita declarada e em quanto; 2) em caso de resposta negativa a esse quesito, verificar se há possibilidade de determinar-se: a) o “spread”, através da vinculação entre os valores dos depósitos bancários, com as alegadas duplicatas ou cheques recebidos, nos meses de janeiro a março de 1999, e b) a ocorrência de duplicidade de depósitos, em razão de bloqueio e desbloqueio de depósitos na conta-corrente da empresa no Banco do Brasil S/A. Em sendo possível a determinação dos “spread”, elaborar demonstrativo desse confronto e da redução de cada depósito levado à tributação ao “spread” correspondente, e bem assim, se for o caso, das quantias relacionadas em dobro, na mencionada conta-corrente bancária. Em atendimento a esta determinação, foram juntados aos autos o laudo pericial de fls. 785-807 (realizado pelo perito indicado pelo contribuinte) e a Informação Fiscal e Laudo Pericial de fls. 929-932 (realizado pelo AFRFB, indicado como perito da Fazenda Nacional). 1 2 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Por oportuno, transcrevo alguns trechos relevantes da retrocitada Informação Fiscal e Laudo Pericial (fls. 930-932): 1 3 Fl. 995DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação Quanto à Informação Fiscal e Laudo Pericial, fls. 933-940, sustentando a correção do laudo realizado pelo perito por ela indicado. É o relatório. 1 4 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares Arguições de inconstitucionalidade da Lei Complementar 105/01 Deixo de apreciar as presentes arguições, tendo em vista o disposto na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Arguição de coexistência, na esfera penal, de questionamento acerca da legalidade da quebra de sigilo fiscal (mandado de segurança quanto à arbitrariedade da quebra) Também deixo de apreciar a presente arguição, uma vez que no presente caso que no presente caso não há que se falar em quebra de sigilo bancário, posto que a própria contribuinte forneceu os extratos bancários que embasaram a presente autuação, conforme bem destacado pela decisão de piso, fls. 579: 9. Contudo, da análise dos autos, verifica-se que o montante da receita omitida, apurado pela fiscalização, não foi respaldado em informações relativas à movimentação financeira prestada por terceiros ou obtida por meio das instituições bancárias por conta da CPMF ou, ainda, em cumprimento à decisão judicial, mas sim, nos valores de depósitos e créditos constantes de extratos bancários apresentados pela própria contribuinte em atendimento à intimação fiscal, ou seja, a própria interesssada disponibilizou as informações necessárias à fiscalização. Sobre o tema, também adoto e transcrevo relevante trecho da decisão recorrida, fls. 594: 32. Quanto à alegação de que está questionando judicialmente a quebra de sigilo bancário em relação aos dados de 1998 a 2000 e que, em razão disso, requer a suspensão do prosseguimento e do julgamento do presente processo, cumpre ressaltar que não há nos autos notícia alguma acerca de decisão judicial impeditiva ou, até mesmo suspensiva, de qualquer atividade fiscal. Ademais, inexiste na legislação que rege o processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235, de 1972, e suas 1 5 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 posteriores alterações – hipóteses de suspensão do curso processual. Por fim, ressalto que tal alegação também não poderia ser apreciada, por força do disposto na Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Arguição de nulidade da decisão de piso, por cerceamento de direito de defesa, em razão do alegado indeferimento de pedido de produção de prova pericial Tal alegação não merece prosperar. Compulsando-se os autos, constata-se que a recorrente apenas “esboçou” um pedido de diligências, às fls. 540 de sua peça de impugnação, verbis: Diante da omissão da fiscalização quanto às provas em relação à natureza da atividade de fomento mercantil, que deixou de apreciar fato essencial ao processo, faz-se necessária a realização de novas diligências, sob pena de nulidade da autuação. Tal “esboço” de pedido, contudo, não atendeu aos requisitos previstos pelo art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual poderia ser considerado como “não formulado”, nos exatos termos do § 1º do retrocitado artigo, verbis (grifado): Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. […] § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Em sua peça recursal, assim se manifestou a contribuinte sobre o tema, fls. 642: 1 6 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Na decisão verifica-se que a suposta motivação, em 2 singelas linhas, é a afirmação de que nos autos há elementos suficientes para o deslinde da questão, mas a produção de prova técnica não pode ser afastada pelo julgador administrativo pelo seu simples olhar leigo, pois a intenção da prova técnica é subsidiar o julgador naquilo em que lhe falta preparo. Alegação totalmente desprovida de sentido, uma vez que o colegiado julgador a quo poderia, sim, denegar o pedido de realização de perícia, pelo fato de considerá- la prescindível, à vista dos demais elementos constantes dos autos, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. O inteiro teor do acórdão recorrido demonstra que, efetivamente, o colegiado julgador a quo pode formar sua convicção, com base no amplo conjunto de provas carreados aos autos. Diante do exposto, rejeito a presente preliminar de nulidade. Arguição de nulidade da decisão de piso por suprimir o direito a nova impugnação, referente aos novos valores lançados na decisão Conforme relatado, a decisão de piso acatou o pedido de dedução de valores correspondentes a cheques devolvidos. No entender da recorrente, contudo, o colegiado julgador a quo deveria ter determinado a retificação do lançamento original, com reabertura de prazo para impugnação, sob pena de supressão de instância. Não assiste razão à recorrente. Não existe fundamento legal capaz de amparar a pretensão da impugnante, no caso de decisão que reduziu o montante da exigência (ainda que não o tenha feito na extensão pretendida pela contribuinte). Ressalto que também não há precedentes administrativos capazes de sustentar o pleito da recorrente. Os acórdão colacionados às fls. 643-644 versam sobre situações em que a decisão de piso agravou o montante da exigência original. Nas situações de agravamento da exigência, efetivamente deve ser lavrado auto de infração complementar, com reabertura de prazo para impugnação. Não é esta, contudo, a situação que se verifica nos presentes autos. Sobre o tema, assim se manifestou a recorrente, às fls. 644: Em tópico próprio no mérito, a Recorrente apresentará as diferenças que pretende ver retificadas, mais uma vez. 1 7 Fl. 999DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Tais diferenças serão efetivamente analisadas no presente voto, no tópico correspondente em que se proceder ao julgamento do mérito. Diante do exposto, também rejeito a presente preliminar de nulidade da decisão recorrida. Arguição de decadência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes ao primeiro trimestre de 1999 No entender da recorrente, operou-se a decadência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes ao primeiro trimestre de 1999, uma vez que a intimação do lançamento ocorreu às 17:20 horas do dia 31/03/2004, ou seja, após o expediente normal da repartição da Receita Federal. Nesse sentido, colacionou precedente do extinto Conselho de Contribuintes, que entende ser aplicável ao presente caso. Considerou inaplicável o prazo decadencial de 10 anos, a que alude o art. 45 da Lei nº 8.212/91, afirmando que em relação a todos os tributos objeto do presente processo devem ser aplicadas as regras previstas nos arts. 150, § 4º e 173 do CTN, conforme o caso. Esclareço que a presente arguição de decadência não foi apresentada na fase impugnatória, tendo sido apresentada apenas na fase recursal. No entanto, por se tratar de matéria de ordem pública, tal alegação deve ser conhecida por este colegiado. Assiste parcial razão à recorrente. De fato, é quinquenal o prazo decadencial de todos os tributos objeto do presente processo. Os documentos constantes dos autos demonstram que houve antecipação de pagamentos referentes a tais tributos, no primeiro trimestre de 1999 (conforme livro diário, fls. 768-770). Consequentemente, deve ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, que estabelece como termo inicial desse prazo a data de ocorrência do fato gerador. No caso sob análise, foram efetivamente alcançados pela decadência os fatos geradores do PIS e da COFINS, referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 1999, posto que os presentes lançamentos somente foram cientificados à contribuinte em 31/03/2004. O mesmo não se verificou em relação aos fatos geradores (trimestrais) do IRPJ e CSLL, referentes aos 1º trimestre de 1999, bem como em relação aos fatos geradores (mensais) do PIS e COFINS, referentes ao mês de março de 1999. Considerando que tais fatos geradores ocorreram em 31/03/1999, o termo final para constituição dos respectivos lançamentos era o dia 31/03/2004. E esta foi, precisamente, a data de constituição dos presentes lançamentos. Considero inteiramente regular o fato de os presentes lançamentos terem sido cientificados ao patrono do contribuinte às 17:20 hs do dia 31/03/2004. Ao contrário do que afirmou a recorrente, o horário normal de funcionamento das repartições da Receita Federal vai até as 18 horas. 1 8 Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Ademais, inexiste norma legal expressa que exija que a ciência do lançamento seja feita dentro do horário normal de expediente de cada repartição. Diante do exposto, acolho parcialmente a presente arguição, reconhecendo o decurso do prazo decadencial para os fatos geradores do PIS e da COFINS, referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 1999. Mérito Da validade do procedimento de presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários não contabilizados, cuja origem não resultou comprovada Conforme relatado, trata o presente processo de apuração de omissão de receitas, em virtude da constataçã de depósitos bancários não contabilizados, em relação ao quais a contribuinte, devidamente intimada, não logrou comprovar a origem do recursos, mediante documentação hábil e idônea. Em sede de preliminar, resultou demonstrado que os extratos bancários que embasaram os presentes lançamentos foram apresentados pela própria contribuinte, em atendimento a intimações fiscais. Não há, portanto, que se falar em quebra de sigilo bancário. Não obstante este fato, esclareça-se que a Lei nº 8.021/90, a Lei Complementar nº 105/2001, a Lei nº 10.741/2001 e o Decreto nº 3.724/2001 autorizam, sim, o acesso do Fisco a informações bancárias dos contribuintes, desde que haja procedimento fiscal instalado, mediante simples a expedição da competente RMF (Requisição de Movimentação Financeira). Arguições de inconstitucionalidade das retrocitadas leis não podem ser apreciadas por este colegiado, conforme mencionado no corpo do presente voto, por ocasião da análise das alegações preliminares. Ressalto, por fim, que a Lei nº 9.430/96 é suficientemente clara ao considerar que os depósitos bancários de origem não comprovada autorizam a presunção legal de omissão de receitas. Para maior clareza, transcrevo o art. 42 da citada Lei: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Assim sendo, em relação ao presente tópico, nego provimento ao recurso vountário. 1 9 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Da correção do procedimento de tributação da contribuinte, com base na sistemática de apuração do lucro presumido A tributação pelo lucro presumido das receitas decorrentes das atividades declaradas pela contribuinte (e também das receitas decorrentes da atividade de factoring) está disciplinada na Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei n° 11.119, de 205) § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (-) III - trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória n°232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). Como se percebe, no presente caso, o percentual utilizado pela autoridade fiscal para apuração da base tributável seguiu rigorosamente a determinação estabelecida pela lei. Descarto a aplicação da equidade no presente caso, posto que tal instituto somente pode ser aplicado quando a lei for omissa e quando a analogia, os princípios gerais de direito tributário e os princípios gerais de direito público não forem capazes de suprir a lacuna, conforme prevê o art. 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I - a analogia; II - os princípios gerais de direito tributário; III - os princípios gerais de direito público; 2 0 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 IV - a eqüidade. Ressalto que a integração legislativa pela equidade, no campo do direito tributário, é medida de exceção e que só se verifica quando nenhuma outra indicada pela legislação se mostrar eficaz. No caso em tela, contudo, há dispositivo expresso em lei para apuração da base tributável de IRPJ e CSLL para as receitas decorrentes da atividade de factoring, para fins de tributação pela sistemática do lucro presumido. Pelas razões expostas, também em relação ao presente tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Do resultado da perícia e da impossibilidade de utilização dos índices de lucratividade fornecidos pela entidade privada ANFAC Comparando-se o laudo pericial de fls. 785-807 (realizado pelo perito indicado pelo contribuinte) com a Informação Fiscal e Laudo Pericial de fls. 929-932 (realizado pelo AFRFB, indicado como perito da Fazenda Nacional), verificam-se pequenas divergências. Os dois laudos concordaram quanto aos seguintes fatos: a) A contribuinte não contabilizou as contas bancárias de todos os bancos, tendo deixado de contabilizar as contas do BBC e do Itaú; b) A movimentação bancária apurada foi muito superior à receita declarada; c) Não foram contabilizadas as receitas associadas com os depósitos bancários não contabilizados, nem de maneira integral, nem de maneira parcial (correspondente aos “spreads” da suposta atividade de fomento mercantil ou factoring); d) Não é possível determinar o valor do “spread” por meio da vinculação entre os valores dos depósitos bancários com as alegadas duplicatas ou cheques recebidos, no período de janeiro a março de 1999; e) Não é possível apresentar um demonstrativo onde conste, para cada depósito de origem incomprovada (fls. 08-11), uma relação das duplicatas e/ou cheques e o spread correspondente; f) Não foram constatados duplicidade de depósitos, em razão de vloqueio e desbloqueio de depósitos na conta-corrente do Banco do Brasil. As únicas divergências relevantes entre os dois laudos periciais consistiu no fato de que, em resposta ao quesito nº 6, o perito indicado pelo recorrente, após reconhecer a inexistência de dados reais e concretos sobre as taxas de deságio e os números de dias negociados, sugeriu utilizar a taxa média do mercado, conforme publicado pela ANFAC – Associação Nacional de Factoring. Utilizando-se tal fator, o referido laudo fez uma estimativa da receita não contabilizadas (a título de spreads) e elaborou um demonstrativo com diversas 2 1 Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 aproximações, utilizando a aludida taxa média de mercado publicada pela ANFAC e o prazo máximo de dias úteis divulgado pela mesma entidade. O aludido Fator ANFAC tem a seguinte definição, no sítio eletrônico da referida entidade: O Fator ANFAC, publicado diariamente pela ANFAC no seu site, constitui um preço de referência para o mercado (mero parâmetro) e para as empresas de fomento mercantil nas suas relações com as empresas-clientes. Na constituição do fator, preço pelo qual são negociados os direitos creditórios resultantes das vendas mercantis, são levados em conta sete itens: custo-oportunidade do capital próprio, custo do financiamento (hipótese de suprir-se com crédito bancário), custos fixos, custos variáveis, impostos, despesas de cobrança e expectativa de lucro. O Fator é a precificação da compra de créditos, computando-se todos os itens de custeio de uma sociedade de fomento. O custo-oportunidade leva em conta quanto o empresário ganharia com seus recursos se, em vez de usá-los para fomentar empresas, os usasse para outras operações (CDB, RDB, letra de câmbio etc.). A ANFAC utiliza como indicativo do cálculo do fator o CDB (título de instituição financeira com taxa de juro prefixada por 30 dias e pós-fixada para prazo superior a 90 dias). A empresa de fomento mercantil pode, eventualmente, contratar empréstimo bancário para ajustar o seu fluxo de caixa. Como facilmente se percebe, o retrocitado índice ANFAC constitui mero parâmetro orientador da atividade de factoring, não podendo servir como índice capaz de revelar o lucro apurado por uma entidadae que desenvolva o fomento mercantil. De se ressaltar, outrossim, que a tentativa de utilizar o suposto “spread” da atividade de factoring dentro da sistemática de apuração do lucro presumido constitui uma técnica totalmente desprovida de amparo legal. Em outras palavras, o lucro presumido não pode ser obtido por meio de supostos índices de lucratividade apresentados por uma entidade privada, mas tão somente pelos percentuais estabelecidos em lei. A pretensão da recorrente, caso fosse acolhida, representaria uma mescla do método de cálculo da base tributária pelo lucro presumido com a pretensa técnica de lucro “estimado” (com base em índices publicados pela ANFAC, uma entidade privada). Tal hipótese não encontra guarida na legislação vigente. Pelas razões acima, também em relação ao presente tema, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Da inexistência de valores de depósitos considerados em duplicidade e da inexistência de devoluções de cheques cujos valores não foram considerados pela decisão de piso 2 2 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Os dois laudos periciais reconheceram a inocorrência de qualquer depósito considerado em duplicidade. No que tange a eventuais devoluções de cheques não consideradas pela decisão de piso, assim se manifestou o perito do contribuinte, fls. 931: Na mesma análise encontramos devoluções de cheques, cujos valores não foram abatidos, e entendemos relevante informar, como segue: BBV 1999— conta nr. 001103495-5 — R$ 7.314,00 (total) BBV 2000 - conta nr. 001103495-5 — R$ 221.798,46 (total) BANCO ITAU — 1999— conta nr. 48200-5/100.000 — R$ 24.790,76 (total) Por sua vez, assim se pronunciou o perito da Fazenda Nacional, sobre este mesmo assunto: No período em análise (janeiro a março/1999), não foram encontradas devoluções de cheques, além das consideradas no Acórdão da DRJ/CPS, às fls. 586/595. A divergência de opiniões é apenas aparente. Na verdade, o laudo do perito da Fazenda Nacional, corretamente, se refere apenas ao período objeto do presente processo (janeiro a março de 1999). Por sua vez, o laudo do perito da contribuinte refere-se aos anos- calendários completos de 1999 e 2000. No período compreendido entre os meses de abril de 1999 e dezembro de 2000, efetivamente existem devoluções de cheques que deixaram de ser consideradas (deduzidas) pela decisão de piso. Tais períodos, contudo, dizem respeito não ao presente processo, mas sim ao processo nº 10830.002779/2004-11, que será julgado nessa sessão. Em relação ao período objeto do presente processo (1º trimestre de 2009) efetivamente não existem outras devoluções de cheques, além daquelas que já foram consideradas (deduzidas) pelo acórdão recorrido (v. fls. 586/595). Assim sendo, também em relação ao presente tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para reconhecer o decurso do prazo decadencial para os fatos geradores do PIS e da COFINS, referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 1999. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator 2 3 Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 2 4 Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 16095.720076/2014-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório CANTO DOS METAIS COMÉRCIO E RECUPERAÇÃO LTDA E DEMAIS SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS, já qualificados nestes autos, foram autuados e intimados a recolher crédito tributário no valor total de R$ 14.526.513,02, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, às fls. 2/3. Por bem descrever o ocorrido, valhome dos excertos a seguir transcritos, retirados do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 07 6/ 20 14 -9 7 Fl. 21177DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.178 2 Trata o processo dos autos de infração relativos aos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, na sistemática do lucro arbitrado porque o contribuinte, intimado e reintimado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, não os apresentou; tampouco apresentou, apesar de especificamente intimado, a Escrituração Contábil Digital (ECD) mediante transmissão do arquivo digital para o SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, a que estava obrigado, nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, c/c Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de novembro de 2007; também devido à confusão patrimonial entre empresas do mesmo grupo; a base legal do arbitramento foram os arts. 530, III e 532 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), e efetuado sobre a Receita Bruta Conhecida, obtida a partir das receitas informadas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon, e com base nas Notas Fiscais de Compras: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, págs. 4.009/4.047, no valor de R$1.596.764,94, devido à omissão de receitas: i. Arbitramento do lucro com base na receita bruta de vendas de produtos de fabricação própria ou, na falta desta, com base na receita bruta declarada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, nos períodos de apuração 01 a 06/2009, 04 a 09/2010 e 01 a 12/2011, com base no art. 3º Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 532 do RIR de 1999; ii. Arbitramento do lucro com base no valor das compras, pois a receita bruta não é conhecida, nos períodos de apuração 07 a 12/2009, 01 a 03 e 10 a 12/2010, com base no art. 3º Lei nº 9.249, de 1995; art. 535, V e § 5º do RIR de 1999; b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, págs. 4.048/4.076, no valor de R$677.902,22 [...]; c) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, págs. 4.077/4.088, no valor de R$1.446.769,42 [...];d) contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, págs. 4.089/4.100, no valor de R$313.466,72 [...]; e) Outras multas administradas pela RFB, Multas Regulamentares, págs. 4.101/4.104, no valor de R$17.000,00, por não atendimento à intimação para apresentar a Escrituração Contábil Digital – ECD, no prazo estipulado; fato gerador em 30/04/2014; base legal no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 57, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013; f) Exigese multa de ofício de 225% do art. 44, §§ 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 2. Às págs. 3.984/4008, no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade Fiscal, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 3. Foram lavrados os seguintes Termos de Sujeição Passiva Solidária (docs. 1 a 44, págs. 4.148/4.942: a. MCN EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA – CNPJ 61.281.218/000156, com base legal nos arts. 124, I, 128 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, págs. 4.157/4155, cientificado em 27/05/2014, pág. 4.166/4.206; Fl. 21178DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.179 3 b. CDC ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A – CNPJ 06.278.656/000157, com base legal nos arts. 124, I, 128 do CTN, págs. 4.207/4.211, cientificado em 27/05/2001, págs. 4.217/4.257; c. CAST METAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA – EPP – CNPJ 02.266.881/000100, com base legal nos arts. 124, I, 128 do CTN, págs. 4.258/4.262, cientificado pelo Edital nº 29/2014, ciência em 09/06/2014, págs. 4.263/4.304; d. INDUSTRIA BRASILEIRA DE RECICLAGEM DE ALUMÍNIO LTDA EPP – CNPJ 07.459.421/000124, com base legal nos arts. 124, I, 128 do CTN, págs. 4.346/4.350, cientificado em 27/05/2014, págs. 4.107/4.147; e. LATASA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA – CNPJ 00.148.025/000137, com base legal nos arts. 124, I, 128 do CTN, págs. 4.351/4.355, cientificado em 29/05/2014, págs. 4.359/4.399; f. LATASA RECICLAGEM LTDA – CNPJ 04.266.100/000115, com base legal nos arts. 154, I, 128 do CTN, págs. 4.400/4.404, cientificado em 29/05/2014, págs. 4.409/4.449; g. RECICLAGEM BRAS. DE ALUMINIO LTDA ME – CNPJ 08.874.458/000181, com base legal nos arts. 124, I, 128 do CTN, págs. 4.450/4.454, cientificado cientificado pelo Edital nº 28/2014, ciência em 10/06/2014, págs. 4.455/4.496; h. RBA RECICL. E IND. DE ALUMINIO E METAIS LTDA – CNPJ 12.293.421/000137, com base legal nos arts. 124, I, 128 do CTN, págs. 4.497/4.501, cientificado pelo Edital nº 30/2014, ciência em 10/06/2014, págs. 4.502/4.546; i. RBM RECICL. E IND. BRAS. DE ALUMINIO E METAIS LTDA ME – CNPJ 10.216.871/000109, com base legal nos arts. 124, I, 128 do CTN, págs. 4.547/4.551, cientificado em 27/05/2014, págs.4.552/4.553 e 4.946; j. INBRA INDUSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA – CNPJ 47.914.221/000139, com base legal nos arts. 124, I, 128 do CTN, págs. 4.554/4.558, cientificado em 27/05/2014, págs. 4.559/4.599; k. STEELMAN ALUMINIO LTDA – CNPJ 51.568.343/000198, com base legal nos arts. 124, I, 128 do CTN, págs. 4.600/4.604, cientificado em 27/05/2014, págs. 4.605/4.645; l. MANOEL DO CANTO NETO, CPF 321.338.04820, com base legal nos arts. 124, I, 128 e 135 III do CTN, págs. 4.646/4.650, cientificado em 27/05/2014, págs. 4.656/4.696; m. MARIA DOLORES MARTINEZ DO CANTO, CPF 285.782.638 98, com base legal nos arts. 124, I, 128 e 135 III do CTN, págs. 4.697/4.701, cientificado em 27/05/2014, págs. 4.706/4.746; n. MÁRIO MARTINEZ DO CANTO CPF 131.986.69804, com base legal nos arts. 124, I, 128 e 135 III do CTN, págs. 4.747/4.751, cientificado em 27/05/2014, págs. 4.758/4.798; Fl. 21179DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.180 4 o. JOSÉ ROBERTO MARTINEZ DO CANTO CPF 267.255.458 74, com base legal nos arts. 124, I, 128 e 135 III do CTN, págs. 4.799/4.803, cientificado em 27/05/2014, págs. 4.806/4.846; p. CLÁUDIO DO CANTO CPF 010.780.32831, com base legal nos arts. 124, I, 128 e 135 III do CTN, págs. 4.847/4.851, cientificado em 27/05/2014, págs. 4.854/4.894; q. ELIANE REGINA ALVES DO CANTO CPF 075.948.00877, com base legal nos arts. 124, I, 128 e 135 III do CTN, págs. 4.895/4.899, cientificado em 27/05/2014, págs. 4.902/4.942. 4.Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 16095.720.085/201488. 1 Impugnação da Canto Dos Metais Com. E Rec. Ltda – CNPJ: 68.308.501/000173 e demais devedores solidários. 5. A empresa foi cientificada do Relatório Fiscal e dos autos de infração em 27/05/2014, págs. 4.102/4.147, e os responsáveis Passivos Solidários nesta data ou em datas posteriores, conforme relatado. 6. A empresa autuada, todos Passivos Solidários pessoas físicas e os Responsáveis Passivos Solidários Pessoas Jurídicas, apresentaram em 25/06/2014, pág. 4.949, a impugnação tempestiva de págs. 4.950/5.067, por meio de seu representantes legais, pág. 20.844, acompanhada dos documentos de págs. 5.068/20.843. [...] 46. Requer, cumulativamente e alternativamente: a. O conhecimento do recurso por ser tempestivo; b. Que seja anulado o auto de infração por vício quanto à fundamentação da existência de Grupo Econômico que foi fundada em motivação relativa ao creditamento de ICMS e em conclusões da Fazenda Estadual não aplicáveis ao caso; c. Que seja anulado o auto de infração por vício material, se mantida a relação de Grupo Econômico, uma vez que nesse caso deveria ter sido oportunizada aos envolvidos no caso a possibilidade de justificar cada uma das operações em questão, inclusive atraindo ao caso a incidência das súmulas 29 e 30 do CARF; d. Que seja anulado o auto de infração em face da existência de elementos para fiscalização pelo lucro real, ensejando que o arbitramento em valores excessivos e sem levar em conta a realidade da operação viole o art. 148 do CTN; e. Que seja anulado do auto de infração para se considerar as receitas previstas na contabilidade, desconsiderandose aqueles relativas a empréstimos e rateio de despesas comuns, se mantido o grupo econômico, sob pena de violação ao art. 148 do CTN; f. Que seja anulado o auto de infração por vício formal, facultando a devida produção de provas ou, alternativamente, a baixa do processo em diligência; Fl. 21180DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.181 5 g. Que seja reduzida a multa qualificada e seu agravamento pela inexistência de dolo e por ter contribuinte colaborado com a fiscalização, nos termos de procedentes do CARF; h. Que, em que pese a Súmula 28 do CARF, seja reconhecida a inexistência de dolo e de qualquer violação de índole criminal; i. Que seja retirada a solidariedade pela violação ao art. 124 e 135 do CTN, uma vez que mesmo que se considere grupo econômico não há entre as empresas relação direta de fato gerador uma com as outras e, muito menos, dos sócios ou administradores. A 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada e, por via do Acórdão nº 0650.869, de 28/01/2015 (fls. 20933/20972), considerou procedente o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2009, 2010, 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RECEITA BRUTA. INEXISTÊNCIA DE PROVA EMPRESTADA. Desprovida de base reclamação de utilização de prova emprestada na apuração da receita bruta conhecida, que foi levantada a partir do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon entregue pelo contribuinte à RFB. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. O artigo 199 do CTN prevê a mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A DRJ não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITA. Constatada a obtenção de receitas de vendas e a apresentação da DIPJ, DCTF e Dacon com valores zerados e/ou inferiores àqueles efetivamente devidos no anocalendário, configurada está a subtração de rendimentos à tributação. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, apesar do prazo razoável concedido pelo Fisco para tanto, ensejam o arbitramento. Fl. 21181DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.182 6 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O arbitramento do lucro sobre receita bruta conhecida, no presente caso, não se confunde com presunção de omissão de receitas relativas a depósitos/créditos bancários recebidos, o que torna descabido o pleito para que se desconsiderem ingressos de recursos relativos a empréstimos. ART. 148 DO CTN. Descabe a reclamação de que o arbitramento gerou valores excessivos e sem levar em conta a realidade da operação e por isso viola o art. 148 do CTN, se este se refere a arbitramento do valor ou preço de bens ou serviços, o que não foi o presente caso, em que o arbitramento foi do lucro, tomado por base receita bruta conhecida, ou compras realizadas. LUCRO ARBITRADO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. É inócua a posterior apresentação de notas fiscais de entrada e saída, não pertinentes à autuada, com o intuito de demonstrar que não houve sonegação, a fim de elidir exigências fiscais apuradas de ofício mediante arbitramento do lucro se, apesar de reiteradamente intimada durante o procedimento fiscal, a empresa não apresentou a escrituração contábil de acordo com as leis comerciais e fiscais. CONTABILIDADE. DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de diligência em contabilidade, depois de o contribuinte ter sido cientificado da autuação por arbitramento de lucro devido à falta de apresentação dessa mesma contabilidade durante a fiscalização, apesar de o contribuinte ter sido reiteradamente intimado e lhe ter sido concedido tempo suficiente para tanto. ALEGADA ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. APURAÇÃO PELO LUCRO REAL. O art. 48 da Lei nº 11.196, de 2005, trata de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (e não de IRPJ nem CSLL), no caso de venda de desperdícios, resíduos ou aparas de que trata o art. 47, e condiciona a suspensão (e não isenção) à apuração pela empresa do lucro real, o que não é o caso da autuada, que adquire sucatas e vende lingotes de bronze e latão e apenas esporadicamente, quantidades ínfimas de sucata, e que tampouco apresentou escrituração contábil de acordo com as leis comerciais e fiscais, como exige a legislação tributária, a justificar autuação pelo lucro real reivindicada. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009, 2010, 2011 MULTA QUALIFICADA. DOLO. Fl. 21182DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.183 7 Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, e da fraude, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. MULTA AGRAVADA. Os percentuais de multa de ofício serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos e/ou apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991. PRÁTICA DE SONEGAÇÃO E FRAUDE. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. INTERESSE COMUM. Se comprovado que cabe aos sócios diretores de fato do grupo econômico a decisão pela realização de atos ou negócios jurídicos e pelo cumprimento das obrigações tributárias dele decorrentes, nas empresas do grupo, é possível a eleição desses sócios que intervêm na direção unitária como responsáveis tributários, nos termos do art. 124, I do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM Se comprovada a atuação conjunta na transferência de recursos entre empresas do mesmo grupo econômico informal, é possível a eleição de sociedade que intervém na direção unitária como responsável tributária solidária, nos termos do art. 124, I do CTN Além de manter o crédito tributário, a decisão de primeira instância manteve também a responsabilidade tributária imputada aos seguintes sujeitos passivos: CDC Administração e Participações S/A; Manoel do Canto Neto; Maria Dolores Martinez do Canto; Mário Martinez do Canto; José Roberto Martinez do Canto; Cláudio do Canto; e Eliane Regina Alves do Canto. Foi afastada a responsabilidade tributária imputada aos seguintes sujeitos passivos: MCN Empreendimentos Imobiliários Ltda; Cast Metal Indústria e Comércio de Metais Ltda; Industria Brasileira de Reciclagem de Alumínio Ltda – EPP; Latasa Industria e Comercio Ltda; Latasa Reciclagem Ltda; Reciclagem Bras. de Aluminio Ltda ME; RBA Recicl. e Ind. de Aluminio e Metais Ltda; RBM Recicl. e Ind. Bras. de Aluminio e Metais Ltda ME; Inbra Industria e Comércio de Metais Ltda; e Steelman Aluminio Ltda. A ciência da decisão de primeira instância foi feita conforme quadro a seguir: Nome Forma de ciência Data Ciência Fls. Obs. Canto dos Metais Comércio e Recuperação Ltda. eletrônica 09/02/2015 21004 MCN Empreendimentos Imobiliários Ltda AR 10/02/2015 21016 Fl. 21183DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.184 8 Nome Forma de ciência Data Ciência Fls. Obs. CDC Administração e Participações S/A AR 10/02/2015 21017 Edital 05/2015 13/03/2015 21162 Edital 27/02/2015 21026 Cast Metal Indústria e Comércio de Metais Ltda AR devolvido 21005/21007 mudouse Industria Brasileira de Reciclagem de Alumínio Ltda – EPPAR 06/02/2015 21014 Latasa Industria e Comercio Ltda AR 18/02/2015 21032 Latasa Reciclagem Ltda AR 18/02/2015 21029 Reciclagem Bras. de Aluminio Ltda ME AR 10/02/2015 21024 RBA Recicl. e Ind. de Aluminio e Metais Ltda AR 10/02/2015 21021 RBM Recicl. e Ind. Bras. de Aluminio e Metais Ltda ME AR 09/02/2015 21155 Inbra Industria e Comércio de Metais Ltda AR 06/02/2015 21161 Steelman Aluminio Ltda AR 06/02/2015 21015 Manoel do Canto Neto AR 06/02/2015 21011 Maria Dolores Martinez do Canto AR 06/02/2015 21013 Edital 04/2015 03/03/2015 21163 Edital 27/02/2015 21027 Mário Martinez do Canto AR devolvido 21008/21010 mudouse José Roberto Martinez do Canto AR 06/02/2015 21012 Cláudio do Canto AR 10/02/2015 21018 Eliane Regina Alves do Canto AR 10/02/2015 21019 Às fls. 21035/21152 encontro peça intitulada Recurso Voluntário, supostamente interposto em conjunto por todos os sujeitos passivos do presente processo, independentemente de terem sido ou não favorecidos pela decisão de primeira instância. Ao final da peça recursal (fl. 21152) encontro os nomes de dois Advogados, a saber, Dr. Victor Ribeiro Ferreira e Dr. Elias Hermoso Assumpção. No entanto, nenhum dos dois Advogados identificados subscreve a peça recursal. Ademais, essa peça processual não se fez acompanhar de qualquer procuração, tendo sido acostada aos autos pelo sistema eCAC. Em seu rodapé, constam as inscrições “Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001” e “Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CANTO DOS METAIS COMÉRCIO E RECUPERAÇÃO LTDA.”. Como alguns dos sujeitos passivos solidários foram exonerados de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Fl. 21184DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.185 9 Inicialmente, considero indispensável verificar se a peça recursal de fls. 21035/21152, supostamente apresentada em nome de todos os sujeitos passivos do presente processo, foi subscrita por pessoa com poderes para tanto. De plano, observo que, ao final da peça recursal (fl. 21152), encontro os nomes de dois Advogados, a saber, Dr. Victor Ribeiro Ferreira e Dr. Elias Hermoso Assumpção. No entanto, nenhum dos dois Advogados identificados subscreve a peça recursal (inexistem assinaturas, em sua modalidade tradicional, a caneta). Ademais, essa peça processual não se fez acompanhar de qualquer procuração. Compulsando os autos, encontro à fl. 20844 um Instrumento Particular de Procuração, datado de 20/06/2014, mediante o qual a pessoa jurídica Canto dos Metais Comércio e Recuperação Ltda. nomeia e constitui seu bastante procurador o Dr. Victor Ribeiro Ferreira, “outorgandolhe os poderes da Cláusula ‘AD JUDICIA’, podendo substabelecêlos, no processo de nº 16095720.082/201444 e 16095720.083/201499, defendendo os direitos e interesses do Outorgante, [...] podendo ainda [...] recorrer a quaisquer instâncias administrativas, [...]”. Como se vê, essa procuração, a princípio, seria apenas destinada à representação em juízo, visto que somente contém a Cláusula “ad judicia”, desacompanhada da expressão “et extra”, indispensável para a representação fora dos juízos ou, no que nos interessa, perante a administração pública. Observase, no entanto, que aparentemente a outorgante desejou que a representação fosse feita em processos administrativos, visto que menciona recursos a instâncias administrativas no âmbito dos processos administrativos cujos números especifica. Desde que o presente processo (nº 16095.720762/201497) não se encontra entre aqueles especificados na procuração, forçoso é concluir que esse instrumento de mandato não possui qualquer valor para o presente processo. Do ponto de vista mais tradicional, portanto, a peça recursal não foi assinada pelos Advogados identificados ao seu final e, como se isso fosse pouco, a procuração acostada aos autos em nome de um desses Advogados não é válida para este processo. Há, no entanto, uma particularidade. A peça recursal foi acostada aos autos pelo sistema eCAC. Em seu rodapé, constam as inscrições “Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001” e “Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CANTO DOS METAIS COMÉRCIO E RECUPERAÇÃO LTDA.”. Diante disso, cumpre investigar a situação sob a ótica dos documentos eletrônicos. A base legal se encontra nos artigos 64A e 64B do Decreto nº 70.235/1972, verbis (grifos não constam do original): Art. 64A. Os documentos que instruem o processo poderão ser objeto de digitalização, observado o disposto nos arts. 1o e 3º da Lei nº 12.682, de 9 de julho de 2012.(Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Art. 64B. No processo eletrônico, os atos, documentos e termos que o instruem poderão ser natos digitais ou produzidos por meio de digitalização, observado o disposto na Medida Provisória no 2.2002, de 24 de agosto de 2001.(Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) § 1o Os atos, termos e documentos submetidos a digitalização pela administração tributária e armazenados eletronicamente possuem o mesmo valor probante de seus originais.(Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 21185DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.186 10 [...] No âmbito do Ministério da Fazenda, destaco o teor da Portaria MF nº 527/2010 (grifos não constam do original): Art. 1º A elaboração e o encaminhamento de atos e termos processuais em forma eletrônica serão realizados, no âmbito do Ministério da Fazenda (MF), conforme o disposto nesta Portaria. § 1º A elaboração de documento digital, o processo de digitalização de documentos originais constantes de suporte analógico e o processo de armazenamento dos documentos digitalizados correspondentes deverão ser realizados de forma a manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e, quando necessário, a confidencialidade do documento digitalizado, com o emprego de certificado digital emitido no âmbito da InfraEstrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil), nos termos da Medida Provisória Nº 2.2002, de 2001. § 2º Os atos e termos processuais praticados em forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pelo MF, desde que devidamente observado o parágrafo anterior, comporão processo eletrônico, doravante denominado de eprocesso. [...] § 4º Os documentos produzidos eletronicamente desde seu nascedouro e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário, observados os termos desta Portaria, serão considerados originais para todos os efeitos legais. § 5º O documento digitalizado, objeto de conversão, será considerado cópia autenticada para todos os efeitos legais. [...] Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente, inclusive quando se tratar de Procedimento Administrativo Fiscal (PAF), deverão ser assinados eletronicamente, autenticados com emprego de certificado digital emitido no âmbito da ICPBrasil e enviados ao órgão competente por meio de centro virtual disponível na Internet. § 1º Alternativamente à hipótese descrita no caput, poderá o interessado se cadastrar perante um dos órgãos do MF, oportunidade em que lhe serão fornecidos os meios para que possa enviar eletronicamente os atos e termos processuais, conforme regulamento. § 2º A comprovação do envio de petições e de documentos na forma prevista no caput e no § 1º darseá mediante recibo eletrônico emitido pelo órgão competente. § 3º Inexistindo o centro virtual previsto no caput, as petições e os documentos que couberem aos interessados deverão ser entregues à unidade competente do MF em arquivo contido em mídia eletrônica, assinado eletronicamente e autenticado com emprego de certificado digital emitido no âmbito da ICPBrasil. § 4º Verificada a regularidade da entrega prevista no parágrafo anterior, será emitido protocolo de recebimento ao apresentante. Fl. 21186DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.187 11 § 5º O teor e a integridade dos arquivos entregues, bem assim a observância dos prazos, são de inteira responsabilidade dos interessados. § 6º A utilização de qualquer dos meios previstos nos dispositivos anteriores desobrigará o interessado de protocolar os documentos em papel nos órgãos do MF. § 7º Caso o sujeito passivo, na hipótese do § 3º, não optar por entregar os atos processuais que lhe couberem em arquivo contido em mídia eletrônica, deverá protocolálos em papel, apresentando, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. § 8º Os originais a que se refere o parágrafo anterior deverão ser devolvidos ao sujeito passivo, imediatamente após o protocolo e a realização das medidas impostas em regulamento, caso sejam necessárias. § 9º As cópias apresentadas pelo sujeito passivo poderão ser destruídas pela Administração imediatamente após o processo de digitalização previsto nesta Portaria. § 10. Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados na unidade competente do órgão do MF, na forma dos §§ 7º, 8º e 9º. § 11. A Administração poderá exigir no curso do processo, a seu critério, o original de documento que tenha sido apresentado pelo sujeito passivo. Art. 3º Será considerada como data de protocolo da impugnação, do recurso e dos documentos apresentados eletronicamente a data e hora de recebimento dos dados pelo centro virtual dos órgãos do MF disponível na Internet. § 1º O recebimento pelo centro virtual a que se refere o caput será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. [...] Também relevante a Instrução Normativa RFB nº 1412/2013 (grifos não constam do original): Art. 1º A entrega de documentos, em formato digital, na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para juntada a processo digital ou a dossiê digital de atendimento, será realizada nos termos desta Instrução Normativa. Parágrafo único. Para efeitos do disposto nesta Instrução Normativa, considera se: I processo digital, o procedimento administrativo constituído de atos ordenados, apresentados em formato digital ou eletrônico, que tem como finalidade a obtenção de uma decisão administrativa e que pode ser convertido em processo físico; [...] III assinatura digital válida, a assinatura eletrônica vinculada a um certificado emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil). Art. 2ºA entrega de documentos de que trata o art. 1º será efetivada por solicitação de juntada a processo digital ou a dossiê digital de atendimento, mediante a Fl. 21187DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.188 12 utilização do Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS) ou mediante atendimento presencial nas unidades de atendimento da RFB. Art. 3ºA solicitação de juntada de documentos digitais nos termos do caput do art. 2º ocorrerá mediante transmissão de arquivo por meio do PGS disponível no sítio da RFB, na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. § 1ºA solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº664, de 21 de julho de 2006. [...] § 3º Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. [...] Seção I Da Solicitação de Juntada de Documentos a Dossiê Digital de Atendimento Art. 5º Para cada serviço que o interessado pretenda requerer, deverá ser apresentada uma Solicitação de Dossiê Digital de Atendimento na forma do art. 4º, que dará origem a um dossiê digital de atendimento específico, ao qual será juntada a documentação exigida para a análise e a conclusão do serviço. § 1ºA documentação exigida nos termos do caput compõese de: I requerimento com a especificação do serviço pretendido e as informações necessárias e suficientes para o encaminhamento e análise do mérito, apresentado em formulário próprio disponível no sítio da RFB no endereço eletrônico informado no caput do art. 3º; II documentos exigidos para a análise e conclusão do serviço, conforme lista de documentos disponível no sítio da RFB no endereço eletrônico informado no caput do art. 3º; e III documentos que comprovem a outorga de poderes, se for o caso, bem como os documentos que permitam as corretas identificação e qualificação de outorgantes e outorgados . § 2ºA documentação de que trata o § 1ºdeverá ser apresentada em arquivos distintos, observados, também, os seguintes requisitos: I os arquivos serão compostos por documentos de mesma espécie, observadas as instruções para a solicitação do serviço, disponíveis no sítio da RFB no endereço informado no caput do art. 3º, e serão nomeados de forma a identificar os documentos neles contidos, conforme Nomenclatura de Arquivos por Tipo de Documento constante do Anexo Único a esta Instrução Normativa; II cada arquivo terá tamanho máximo de 15 megabytes (15.360 kilobytes), devendo o arquivo que exceder esse limite ser fracionado em tantos quantos forem necessários, observada a Nomenclatura de Arquivos por Tipo de Documento constante do Anexo Único a esta Instrução Normativa; Fl. 21188DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.189 13 III os arquivos deverão estar no formato PDF, conforme padrão ISO 19005 3:2012 (PDF/A versões PDF 1.4 ou superior), com margens superior e inferior de, no mínimo, 3cm (três centímetros), e margens laterais de, no mínimo, 2,5cm (dois centímetros e cinco milímetros), com resolução de imagem de 300dpi (trezentos dots per inch) nas cores preta e branca. § 3ºQuando a digitalização da documentação nas cores preta e branca acarretar prejuízo para a visualização e interpretação do conteúdo, poderá ser utilizada a resolução de 200dpi (duzentos dots per inch) colorida ou em tons de cinza. [...] CAPÍTULO III DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS A PROCESSO DIGITAL Art. 8º Para solicitação da juntada de documentos a processo digital existente, deverão ser apresentados os documentos previstos nos incisos I e III do § 1º do art. 5º e, ainda, os documentos necessários à análise do processo, observadas as disposições do § 2º do art. 5º. Vislumbro, aqui, uma diferença de enfoques entre a Instrução Normativa RFB nº 1412/2013 e a Portaria MF nº 527/2010. A primeira (IN RFB) cuida tão somente da entrega de documentos em formato digital para juntada a processo digital. Mera entrega, diante do que nada há de novo quanto à necessidade de apresentação de “documentos que comprovem a outorga de poderes, se for o caso, bem como os documentos que permitam as corretas identificação e qualificação de outorgantes e outorgados” (inciso III do § 1º do art. 5º, exigência que também consta do art. 8º). Em outras palavras, e já trazendo para a situação concreta sob análise, seria possível a entrega de um recurso voluntário em formato digital para juntada a processo digital, mas isso não afasta a necessidade de também acostar aos autos procuração que comprove que o signatário do recurso detém poderes para a interposição de recurso. Ressalto ainda, por relevante, que somente o próprio interessado no processo (ou seu procurador habilitado) pode solicitar a juntada. Por outro lado, a segunda (Portaria MF) trata da elaboração e encaminhamento de atos e termos processuais em forma eletrônica, sendo certo que o § 2º do art. 1º fala em “atos e termos processuais praticados em forma eletrônica”, o que, a meu ver, significa expressamente admitir a possibilidade da prática de atos processuais, e não apenas a sua entrega ou encaminhamento. A disciplina, aqui, é bastante mais abrangente do que aquela estabelecida pela IN RFB nº 1412/2013. A Portaria MF nº 527/2010 também estabelece distinção entre os documentos produzidos eletronicamente desde seu nascedouro e o documento digitalizado, objeto de conversão (aquele que originalmente constava de suporte analógico e foi submetido a procedimento de digitalização). Quanto à primeira espécie, a Portaria estatui que “os documentos produzidos eletronicamente desde seu nascedouro e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário, observados os termos desta Portaria, serão considerados originais para todos os efeitos legais”. Nesse contexto, adquire importância fundamental o caput do art. 2º da Portaria MF, ao se referir expressamente a impugnação e recurso no âmbito do PAF, produzidos eletronicamente, estabelecendo que devem ser assinados eletronicamente, autenticados [...] e enviados ao órgão competente por meio de centro virtual disponível na internet. Não há qualquer restrição quanto a ser o ato praticado por pessoa física ou jurídica. Fl. 21189DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.190 14 No caso concreto sob exame, tenho que a peça recursal de fls. 21035/21152 se constitui em documento produzido eletronicamente desde seu nascedouro, conforme a expressão da mencionada Portaria MF. Não há qualquer indício de que tenha sido produzida com uso de um computador, impressa em papel (suporte analógico) e posteriormente submetida a procedimento de digitalização. A meu ver, foram atendidos os requisitos da Portaria MF nº 527/2010, a saber: o ato praticado (recorrer em processo administrativo fiscal) é possível; foi assinado eletronicamente pela própria pessoa jurídica interessada (em nome de quem foi constituído o processo), foi autenticado também eletronicamente e enviado ao órgão competente pelo canal adequado da internet. Até aqui, portanto, o recurso voluntário interposto por Canto dos Metais Comércio e Recuperação Ltda. se mostra válido. No entanto, resta verificar um último aspecto. É cediço que uma pessoa jurídica é, em última análise, uma ficção jurídica. Qualquer ato que venha a ser praticado por uma pessoa jurídica é, na verdade, praticado por uma pessoa natural (física), que deve deter poderes para tanto. Esse poder de representação, originariamente, deflui dos atos constitutivos da pessoa jurídicas, devidamente registrados no órgão competente, vide Lei nº 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro), arts. 45 e 46: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbandose no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. [...] Art. 46. O registro declarará: [...] III o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; [...] Também se admite, e é prática rotineira, que a pessoa natural que representa a pessoa jurídica, por força dos atos constitutivos, possa outorgar a terceiros poderes de representação, mais ou menos amplos, mediante instrumento de mandato (procuração) (Código Civil, art. 653 e segs.). Esses mandatários ou procuradores, para que possam atuar em nome da pessoa jurídica, devem fazer prova de seus poderes1. Trazendo tais conceitos para o âmbito do processo eletrônico, podese concluir que a peça recursal de fls. 21035/21152, assinada eletronicamente pela pessoa jurídica Canto dos Metais Comércio e Recuperação Ltda., na verdade o foi por uma pessoa física, que pode ser alguém que detém poderes diretamente derivados dos atos constitutivos da pessoa jurídica ou cujos poderes decorram de mandato. Nessa linha de raciocínio, fazse indispensável verificar se tal pessoa detém poderes para interpor recurso em sede de processo administrativo fiscal. E tal informação não encontro nos autos. 1 Não se ignora que outras formas também sejam possíveis, tais como o poder de representação derivado de expressa disposição de lei, ou de determinação do Poder Judiciário, por exemplo. No presente caso, no entanto, tais formas não parecem se mostrar relevantes. Fl. 21190DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16095.720076/201497 Resolução nº 1301000.328 S1C3T1 Fl. 21.191 15 Tudo que foi aqui exposto é igualmente válido para a peça impugnatória de fls. 4950/5067, assinada eletronicamente pela pessoa jurídica em 25/06/2014. Diante dessas considerações, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora adote as seguintes providências: a) Identifique, com base nos sistemas informatizados da RFB, a pessoa física que assinou eletronicamente o recurso voluntário de fls. 21035/21152 em nome da pessoa jurídica Canto dos Metais Comércio e Recuperação Ltda., autenticou eletronicamente o documento e solicitou sua juntada ao presente processo eletrônico. b) Informe se essa pessoa física possuía, à época da prática do ato (02/03/2015), poderes para tanto (interpor recurso voluntário em processo administrativo), fazendo acostar aos autos os documentos comprobatórios (procuração, atos constitutivos, ou outros). c) Identifique, com base nos sistemas informatizados da RFB, a pessoa física que assinou eletronicamente a impugnação de fls. 4950/5067 em nome da pessoa jurídica Canto dos Metais Comércio e Recuperação Ltda., autenticou eletronicamente o documento e solicitou sua juntada ao presente processo eletrônico. d) Informe se essa pessoa física possuía, à época da prática do ato (25/06/2014), poderes para tanto (interpor impugnação em processo administrativo), fazendo acostar aos autos os documentos comprobatórios (procuração, atos constitutivos, ou outros). O resultado da diligência deverá constar de relatório conclusivo, do qual será dada ciência à interessada, facultandolhe prazo adequado para, se desejar, se manifestar nos autos sobre o relatório e suas conclusões. Após, o processo deverá retornar ao CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 21191DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 13154.720513/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTO DE DEPENDENTE.
Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes, no caso em tela a enteada do contribuinte, devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração.
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. FILHOS E NETO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE GUARDA JUDICIAL.
Não havendo comprovação ou indício contemporâneo ao fato gerador que os filhos e neto são dependentes do Recorrente, não se admite a dedução do imposto de renda relativa a esses supostos dependentes em razão da inexistência da guarda judicial. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. SEM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
A dedução de despesa com pensão alimentícia requer a prova de que o ônus tenha sido imposto ao contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a ex-cônjuge, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS RECEBIDOS PESSOA FÍSICA Recorrente PEDRO PEREIRA CAMPOS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTO DE DEPENDENTE. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes, no caso em tela a enteada do contribuinte, devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. FILHOS E NETO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE GUARDA JUDICIAL. Não havendo comprovação ou indício contemporâneo ao fato gerador que os filhos e neto são dependentes do Recorrente, não se admite a dedução do imposto de renda relativa a esses supostos dependentes em razão da inexistência da guarda judicial. Inteligência do art. 77 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. SEM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. A dedução de despesa com pensão alimentícia requer a prova de que o ônus tenha sido imposto ao contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a excônjuge, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98: “A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 72 05 13 /2 01 2- 71 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720513/201271 Acórdão n.º 2402005.037 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 34/40, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2011, anocalendário de 2010, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: 1. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas Aluguéis e Outros. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 14.645,56 informados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) pela(s) administradora(s) ou em outros documentos. Na apuração da omissão foi considerado o valor liquido do aluguel, já deduzido da comissão correspondente. Valor recebido a titulo de pensão alimentícia pela Sra. ANA MARIA DE OLIVEIRA BRITO, pensão paga pelo Sr. FLÁVIO MÁRCIO ROCHA GODINHO; 2. Dedução Indevida com Dependentes. Glosa do valor de R$ 5.424,84 Correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. Não foram considerados como Dependente: PEDRO PEREIRA CAMPOS NETO, neto, o contribuinte não comprovou a guarda judicial; TASSIANA BRAGA PEREIRA CAMPOS, filha, maior de 21, o contribuinte não comprovou a condição de universitária; DIVALDO DE FARIA NETO, filho beneficiário de pensão alimentícia, o contribuinte não comprovou a guarda judicial; 3. Dedução Indevida com Despesa de Instrução. Glosa do valor de R$ 5661,68, indevidamente deduzido a titulo de Despesas com Instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Comprovou apenas despesa de instrução com a enteada ANA FLAVIA DE OLIVEIRA GODINHO, valor limite R$ 2.830,84; 4. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Glosa do valor de R$ 36.400,00, indevidamente deduzido a titulo de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Comprovou pagamento a titulo de pensão alimentícia judicial no valor total de R$ 83.834,45; 5. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 8.567,76 indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Não foram consideradas as despesas médicas, paciente Fabiana Braga Campos e Maria Ducarmo Braga Campos a seguir: CLINICA SERRARO LTDA, valor R$ 50,00; ROSÂNGELA TELLES VELOSO DE ARAUJO, valor R$ 150,00; ACHILES MENEZES, valor R$ 900,00; NOÉLIA GOMES DOS SANTOS E SILVA, valor R$ 300,00; SOMED COOPERATIVA DE ASSISTÊNCIA MEDICA, ODONTOLÓGICA E ADMI, valor R$ 1.675,02. Em relação a despesa declarada paga ao ANDRE LUIS BOHAC FRANCISCO, valor R$ 200,00, não foi apresentado o recibo. Em relação a despesas declarada paga ao LABORATÓRIO DE ANALISES CLINICAS CAROLINO NEVES LTDA EPP, valor R$ 273,00, foi lançada em duplicidade. Em relação ao plano de saúde UNIMED, valor R$ 2.361,96 e R$ 1.718,51, não foi apresentado comprovantes com valores discriminados por beneficiários (titular e dependente). A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/06/2013 (fls. 173), o interessado interpôs, em 15/07/2013, o recurso de fls. 91/99. Nas razões recursais aduz que: 1. Omissão de Rendimentos de Recebidos de Pessoa Física. O valor deve referirse a suposta pensão alimentícia em favor de Ana Maria de Oliveira, tendo havido equivoco. Glosa no valor de R$ 14.645,56 considerada, equivocadamente, como pensão alimentícia paga a Sra. Ana Maria de Oliveira (companheira e sua dependente) tida como paga pelo Sr. Flávio Marcio Rocha Godinho. A pensão fora judicialmente fixada unicamente em favor de ANA FLAVIA DE OLIVEIRA GODINHO, filha do alimentante Flávio Marcio Rocha Godinho, cujo valor não cobre as despesas da alimentada; 2. Dedução Indevida com Dependentes. A glosa é indevida, pois o dependente é filho(a) ou enteado(a), com idade até 21 anos de idade; 3. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Suposta dedução indevida de Pensão Alimentícia. Glosa no valor de R$ 36.400,00 sob alegação de falta de comprovação. Ora, a beneficiária Maria do Carmo Braga Campos CPF: 627.865.71120 é casada com o impugnante desde 30/12/1975, embora separados de fato, continua o vínculo do casamento, a comunhão dos bens adquiridos na constância da convivência sob o mesmo teto e consequentemente os efeitos jurídicos dele decorrentes, dentre os quais o dever de um dos cônjuges assistir ao outro, havendo necessidade. A beneficiária, tal como se extrai de suas declarações de renda, cujas cópias ora se juntam, tem como única renda esta pensão mensal ajustada com o ora impugnante, havendo pois, documentalmente provada que ela declara exatamente o valor repassado pelo impugnante. Junta –se ainda, cópia da certidão de casamento e ressalta que o próprio devedor dos alimentos pode tomar a iniciativa de pagar, conforme art. 24, da Lei 5478/68, como no caso presente. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720513/201271 Acórdão n.º 2402005.037 S2C4T2 Fl. 4 5 Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. I OMISSÃO DE RENDIMENTO DE DEPENDENTE RECEBIDO DE PESSOA FÍSICA O Recorrente informou em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) as deduções com dependentes, dentre elas colocou como dependente a enteada Ana Flavia de Oliveira Godinho, menor de 21 anos e filha de sua companheira Ana Maria de Oliveira. Ocorre que o Recorrente deixou de informar na DAA do anocalendário 2010 o rendimento recebido por Ana Flavia de Oliveira Godinho no valor de R$14.645,56, referente à pensão judicial paga pelo Sr. Flávio Marcio Rocha Godinho. Cumpre esclarecer que a inclusão de dependentes é uma faculdade do contribuinte, cuja opção resulta na inclusão dos rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes, mesmo que os valores recebidos sejam inferiores ao limite de isenção, que devem ser somados aos rendimentos recebidos pelo titular (contribuinte), para efeito de tributação na Declaração de Ajuste Anual (DAA). Dessa forma, como o Recorrente realizou a opção de informar na DAA do anocalendário 2010 como dependente a sua enteada Ana Flavia de Oliveira Godinho, dependência esta aceita pelo Fisco, podese aproveitar a dedução da dependente, entretanto também devese incluir na DAA os rendimentos tributáveis recebidos pela enteada a título de pensão judicial e, com isso, o lançamento fiscal não merece reparo quanto a este ponto. II GLOSAS DOS DEPENDENTES Inicialmente cumpre esclarecer que a sua enteada Ana Flavia de Oliveira Godinho já foi aceita pelo Fisco como dependente do Recorrente para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda no anocalendário 2010, conforme Notificação de fls. 33/37. A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas realizadas a título de dependentes, nos seguintes termos: “Da subsunção do quadro fático de dependentes à hipótese legal, resulta a seguinte análise: 1) TASSIANA BRAGA PEREIRA CAMPOS, nascimento 25/05/1985, Código 21 (Filho(a) ou enteado(a) universitário(a) ou cursando escola técnica de 2º grau, até 24 (vinte e quatro anos.) Não houve comprovação, mediante documentação hábil e idônea (Certidão de nascimento, RG, por exemplo) do vínculo parental e do curso técnico ou superior (Contrato de prestação de serviço, por exemplo). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720513/201271 Acórdão n.º 2402005.037 S2C4T2 Fl. 5 7 2) DIVALDO FARIA NETO, nascimento 25/01/1995, código 21 (Filho(a) ou enteado(a) até 21(vinte e um anos.) O dependente é filho de SILVANA ROQUE DE FARIA, que recebe a pensão alimentícia acatada no Lançamento, conforme relatado em tópico anterior, e preenche a condição de alimentando, o que implica em não aceitação da dedução como dependente. 3) PEDRO PEREIRA CAMPOS NETO, nascimento 05/12/2005, Código 24 (Irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a) sem arrimo dos pais, do(a) qual o contribuinte detém a guarda judicial, até 21 (vinte e um anos.) Não houve comprovação, mediante documentação hábil e idônea (Certidão de nascimento, RG, por exemplo) do vínculo parental e da guarda judicial. Da subsunção do quadro fático de cada dependente à hipótese legal, concluise que nenhuma condição obrigatória e necessária para a dedutibilidade foi atendida e implica em manutenção da glosa fiscal efetuada no lançamento.” Em sede de recurso, o Recorrente repetiu as mesmas alegações da peça de impugnação e fez alusões às questões doutrinárias e de direito. Com relação à glosa da dedução do suposto dependente Tassiana Braga Pereira Campos, filha do Recorrente e nascida em 25/05/1985, conforme confessado na peça recursal, entendo que a glosa deve ser mantida, pois o Recorrente não comprovou que a suposta dependente estaria cursando ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Inteligência do art. 77, inciso III e § 2º, do RIR/1999. Quanto às glosas de Divaldo Faria Neto, filho do Recorrente com Silvana Roque de Faria, do qual encontrase separado (fls. 75/77 e 93), e de Pedro Pereira Campos Neto, neto do Recorrente, entendo que as glosas devem ser mantidas, pois não há a comprovação de que o contribuinte detenha a guarda judicial deles. Inteligência do art. 77, incisos III e V e § 4º, do RIR/1999. Em outros termos, a legislação tributária veda, expressamente, a dedução de cota de dependente do filho e do neto do beneficiário sem a comprovação da guarda judicial. Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR): Dependentes Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1o Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2o Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). (g.n.) § 5 É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). Portanto, considerando que o contribuinte não comprovou dentro do ano calendário de 2010, por meio de documentos idôneos e hábeis, que os seus filhos Tassiana Braga Pereira Campos e Divaldo Faria Neto, bem como o seu neto Pedro Pereira Campos Neto, são seus dependentes para fins da legislação do imposto de renda, devem ser mantidas as glosas decorrentes desses supostos dependentes. III GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA O Fisco aponta a dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor tributável de R$36.400,00. O Recorrente afirma que os valores foram pagos à excônjuge Maria do Carmo Braga Campos, nos seguintes termos: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720513/201271 Acórdão n.º 2402005.037 S2C4T2 Fl. 6 9 “Importa ainda anotar, em relação à glosa da expressiva quantia de R$ 36.400.00 efetivamente paga a Maria do Carmo Braga Campos, com quem o ora recorrente casouse em 30 de dezembro de 1975, ser inconciliável o entendimento manifestado na 10a lauda do R. Acórdãorecorrido. de que não deveria ser acatada a dedução pleiteada sob o titulo de pensão alimentícia, porquanto efetivada por mera liberalidade ou acordo entre as partes, por falta de previsão legal, porquanto o que prevalece no ordenamento jurídico pátrio é exatamente o contrário deste entendimento, já que, o que há de se reconhecer é que INEXISTE VEDAÇÃO LEGAL PARA O PAGAMENTO VOLUNTÁRIO DA PENSÃO ALIMENTÍCIA AO CÔNJUGE, em situação de separação de fato, valendo, pois, o princípio de que: O QUE NÃO E PROIBIDO POR LEI, E PERMITIDO e sendo certo, que se a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir.” Extraise do direito de família duas modalidades de obrigações alimentares a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos. A primeira, decorrente do pátrio poder (atualmente poder familiar), sujeita os pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade. Seu fundamento encontrase no art. 1.566, IV, do atual Código Civil/20021. A segunda, com a maioridade pode surgir obrigação alimentar dos pais em relação aos filhos, porém de natureza diversa, fundada nos arts. 1.694, 1.695 e 1.701 do CC/2002. Essa obrigação, que deriva da relação de parentesco, diz respeito aos filhos maiores que não estão em condições de prover a sua própria subsistência. Embora ambas as modalidades terem título jurídico radicado expressamente no Livro IV do CC/2002, todo ele dedicado ao Direito de Família, não se pode emprestar somente uma interpretação literal do art. 4º, II, da Lei 9.250/1995, o qual autoriza a dedução da base de cálculo do imposto de renda das importâncias pagas a título de pensão alimentícia, em face das normas do Direito de Família, para permitir que as deduções a esse título se perpetuem de forma eterna no lapso temporal. Impõese afirma que, de acordo com os princípios informadores do Direito Tributário, uma solução plausível pode ser extraída de uma interpretação sistemática das normas do Direito Civil e dos arts. 4o, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei 9.250/1995, assim descritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou 1 Código Civil CC/2002: Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: (...) IV Sustento, guarda e educação dos filhos; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (g.n.) (...) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Percebese, então, que os dispositivos transcritos, em conjunto com as normas do Direito de Família estabelecidas no CC/2002, admitem a interpretação de que as deduções de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda devem se restringir aos valores pagos a esse título durante o período do dever de sustento até complementar 21 anos, além de casos especialíssimos, como o dos filhos maiores inválidos e dos filhos maiores até 24 anos de idade que estiverem cursando o ensino superior ou escola técnica de segundo grau. A teor do raciocínio desenvolvido acima, tais alimentos devem observar os requisitos de dependência para que sejam utilizados como dedução para fins de Imposto de Renda, nos termos da interpretação sistemática das normas do Código Civil/2002 e dos arts. 4o, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei 9.250/1995. No caso dos autos, a obrigação familiar do Recorrente em pagar alimentos judicialmente, em benefício de Maria do Carmo Braga Campos (excônjuge), somente ocorreu a partir de 31 de agosto de 2012, conforme Mandado de Citação e Intimação de fls. 54. Com isso, os pagamentos efetuados antes dessa data (31/08/2012) foram realizados por mera liberalidade do Recorrente e não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, por falta de previsão legal. Inteligência do art. 4o, II, da Lei 9.250/1995 e do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/1999. Em outras palavras, na época do fato gerador ora discutido (anocalendário de 2010), o Recorrente não estava obrigado por força de decisão judicial a realizar os pagamentos a título de pensão judicial Além disso, mesmo em relação à época da homologação do acordo judicial, cumpre mencionar que este tribunal administrativo tem diferenciado o dever de sustento decorrente do poder familiar, do dever de prestar alimentos, nos seguintes termos: “AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE E FILHOS. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13154.720513/201271 Acórdão n.º 2402005.037 S2C4T2 Fl. 7 11 Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, Proc. 10840.001792/200786, Sessão de 18 de outubro de 2012)” Não se ignora o fato de que no Novo Código Civil (arts. 1.694 a 1.710)2 e mesmo no Codex anterior, a obrigação de alimentar perdura e se dá em razão do parentesco, ou seja, em razão do dever de assistência e de solidariedade existentes entre pessoas que têm a sua gênese em um mesmo tronco familiar, quer seja nas linhas ascendente e descendente, quer seja na colateral até o segundo grau. No caso dos autos, para que seja objeto de dedução do imposto de renda a prestação de alimentos, devese comprovar que os alimentandos não possuem bens nem tem condições de prover, pela sua labuta, a sua própria mantença, hipótese esta que não foi objeto de discussão ou deferimento no acordo homologado. Portanto, como à época do fato gerador ora discutido (anocalendário 2010), o pagamento de alimentos à excônjuge era feito por mera liberalidade do Recorrente, e não em face do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, não se aplica a regra de isenção do art. 78 do RIR/1999. Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (g.n.) §1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. 2 Código Civil/2002: Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (...) Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou darlhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 §3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). §5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). No mesmo sentido, o enunciado da Súmula CARF no 98 exige, para a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, o efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Assim, deve ser mantida a glosa da dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor tributável de R$36.400,00, relativa Maria do Carmo Braga Campos (ex cônjuge), já que não poderia ser deduzida a pensão alimentícia dela sem a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e não há nos autos qualquer documento que comprove a incapacidade para o trabalho do alimentando e sem meios de prover a própria subsistência. IV CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 14489.000095/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 01/05/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL. CITAÇÃO INCORRETA DO DISPOSITIVO LEGAL RELATIVO A DECADÊNCIA. CORREÇÃO DA INEXATIDÃO MATERIAL POR MEIO DA CONVERSÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS INOMINADOS.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2202-003.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os Embargos Inominados para rerratificar o Acórdão nº 2803-003.977 - 3ª Turma Especial, datado de 21/01/2015, devendo ser considerado a citação da norma como sendo artigo 173, I da Lei 5.172/66, dando a esse efeitos meramente integrativos, mantendo in totum, a decisão anterior.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os Embargos Inominados para rerratificar o Acórdão nº 2803-003.977 - 3ª Turma Especial, datado de 21/01/2015, devendo ser considerado a citação da norma como sendo artigo 173, I da Lei 5.172/66, dando a esse efeitos meramente integrativos, mantendo in totum, a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho.
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Embargante CENTAURO VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 01/05/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL. CITAÇÃO INCORRETA DO DISPOSITIVO LEGAL RELATIVO A DECADÊNCIA. CORREÇÃO DA INEXATIDÃO MATERIAL POR MEIO DA CONVERSÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS INOMINADOS. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os Embargos Inominados para rerratificar o Acórdão nº 2803003.977 3ª Turma Especial, datado de 21/01/2015, devendo ser considerado a citação da norma como sendo artigo 173, I da Lei 5.172/66, dando a esse efeitos meramente integrativos, mantendo in totum, a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 00 95 /2 00 8- 04 Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 14489.000095/200804 Acórdão n.º 2202003.253 S2C2T2 Fl. 2.243 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 35.739.6332, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, parte patronal, parte descontada e SAT, bem como da contribuição devida a terceiros – outras entidade e fundos, bem como a contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração/retribuição/honorários pago, devido ou creditado aos trabalhadores da categoria de contribuintes individuais – parte patronal, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 81 a 83, com período de apuração de 01/1997 a 04/2004, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 69 a 73. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/11/2004, conforme AR, de fls. 219. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 225 a 230, recebida, em 03/12/2004, conforme capa de processo, de fls. 227, estando acompanhada dos documentos, de fls. 231 a 300; 304 a 456. O contribuinte apresentou carta resposta, as fls.461, visando a juntada de documentos. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 466. O Serviço do Contencioso Administrativo baixou os autos em diligência, fls. 467 a 468. A diligência foi atendida pelos documentos, de fls. 471 a 478. A seção do Contencioso novamente baixou os autos em diligência, fls. 481. A diligência foi atendida pelos documentos, de fls. 486 a 495. Mais uma vez os autos foram baixados em diligência, fls. 498 a 499. A diligência foi atendida pelos documentos, de fls. 507 a 511. O contribuinte foi cientificado da diligência e do Relatório Fiscal Complementar, AR, de fls. 512. A empresa notificada apresentou defesa complementar, em 26/06/2009, as fls. 529 a 564, acompanhada dos documentos, de fls. 565 a 704; 707 a 904; 907 a 1.105; 1.108 a 1.305; 1.308 a 1.429. O contribuinte apresentou nova petição, as fls.1.579 a 1.596, acompanhada dos documentos, de fls. 1.597 a 2.059 O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 01253.169 10ª, Turma da DRJ/RJ1, em 25/02/2013, fls. 2.077 a 2.093. Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 14489.000095/200804 Acórdão n.º 2202003.253 S2C2T2 Fl. 2.244 3 Na qual a impugnação foi considerada procedente em parte e o crédito retificado pelo Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 2.066 a 2.076. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 28/05/2013, conforme AR, de fls. 2.098 e 2.099. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 2.102 e 2.126, recebida, em 25/06/2013, acompanhada dos documentos, de fls. 2.127 a 2.149. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminar. · que o contraditório e ampla defesa não foram observados, pois o relatório fiscal é falho, uma vez que é genérico e desconexo, com os demais termos tais como o DAD; · que o relatório fiscal é impreciso e lhe falta clareza, pois não consigna embasamento e a violação legal praticada, citando o artigo 10, do Decreto 70.235/72, cita e transcreve jurisprudência e doutrina, não contendo a NFLD a devida fundamentação legal; Mérito. · que a notificação está fulminada pela decadência, pois apesar de conter o período de 03/2002 a 04/2004, com lançamento inicial em 12/11/2004, houve relançamento em 29/05/2009, pois o Relatório Fiscal foi revisto, assim nessa nova data a decadência já se havia operado pelo artigo 150, §4º, do CTN, devendo a notificação ser anulada; · que a notificação está eivada de vícios, que a descaracteriza como documento idôneo e eficaz para constituir uma obrigação tributária certa e exigível, pois a planilha apresentada pela empresa demonstra que a notificação contém valores errados, quanto a dedução de GPS’s pagas, sendo que a simples e mecânica análise demonstram que o fisco não considerou os valores de R$ 7.022,19 e R$ 8.453,21, conforme petição protocolada em 06/09/2012, fls. 1.579 a 1.596; · que a notificação exigem contribuições do SESC/SENAC e retenção de 11%, conforme relatório fiscal, mas o fisco não apurou de forma clara e precisa as base de cálculo, segundo informação fiscal, o que viola o artigo 142, do CTN e artigo 37, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 243, do Decreto 3.948/99, devendo o fisco no curso da fiscalização para apurar a base de cálculo, visando promover lançamento líquido e certo, podendo até lançar mão da aferição indireta e arbitramento se constatar que a contabilidade não reflete a real movimentação da remuneração, fazendo a escrita contábil regular prova a favor do contribuinte, sendo que o fisco devia utilizar para a apuração da contribuição, sendo dever da autoridade fiscal retificar o crédito se Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 14489.000095/200804 Acórdão n.º 2202003.253 S2C2T2 Fl. 2.245 4 encontrar divergência na base de cálculo, podendo até fazer lançamento suplementar, artigo 142, do CTN, cita Alberto Xavier; · que o artigo 50, da Lei 9.784/99 exige a motivação dos atos administrativos, descrendo de forma clara e precisa o fato gerador e a base de cálculo, sendo que a ausência de descrição clara e precisa em especial no relatório fiscal, macula o procedimento de vício material, cita decisões do CARF, o que afronta a segurança jurídica e traz incertezas ao lançamento, que deveria ser certo e líquido para inscrição em dívida ativa, devendo ser declarada a nulidade do lançamento, pois os vícios são insanáveis e cerceiam o direito de defesa; · que a recorrente não é o sujeito passivo da exação para o SESC/SENAC, pois é empresa de prestação de serviços e não do comércio, não sendo possível atribui responsabilidade tributária por portaria, cita Zeno Denari, cita precedente do STJ, Sacha Calmom Navarro Coelho, que a CF recepcionou o artigo 577, da CLT, mas a instituição de tributo por portaria; · que a recorrente não é do ramo comercial, estando filiada a Confederação Nacional do Serviços, estando, assim fora do campo de incidência da contribuição, citando decisão do STJ, a qual diz que se a empresa é vinculada a outra confederação não é contribuinte do SESC/SENAC; · que há erro de cálculo na notificação, pois essa exige juros moratórios e multa, mas as contribuições foram objeto de compensação com autorização judicial, bem como o artigo 66, da Lei 9.430/96 impede a aplicação de multa; · que o valor da competência 04/2003 está errado no RDA matriz consta R$ 128.054,71, mas o correto seria 91.428,96, bem como na competência 12/2003 foi consignado R$ 129.436,16 em quanto o correto seria 112.436,18, o que demonstra o erro no lançamento; · que da planilha de sobra de 11% evidenciase que em 12/2002 o valor é de R$ 53.461,85, mas o fisco só usou R$ 29.409,16, verificandose assim que a empresa não tem débito; · que verbas indenizatórias foram incluídas nas bases de cálculo lançadas, cita STJ, Tarsis Nametala Sarlo Jorge, Fabio Zambite Ibrahim, pois incluídas no cálculo as verbas de 15 primeiros dias de afastamento, saláriomaternidade, terço constitucional de férias e adicional de horas extra, abono de férias, auxílio creche e aviso prévio indenizado, cita o STJ novamente, diz, ainda, que o empregado afastado ou em férias e pelo tempo à disposição do empregador não prestas serviços, sendo as verbas indenizatórias; Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 14489.000095/200804 Acórdão n.º 2202003.253 S2C2T2 Fl. 2.246 5 · Dos pedidos e requerimentos: a) que o recurso seja provido e julgada improcedente a notificação; ou b) seja anulada a notificação em razão da decadência; c) seja declarada a nulidade por vício material em razão da imprecisão dos elementos do fato gerador; pela eventualidade: d) que sejam excluídas da base de cálculos as verbas de natureza indenizatória citadas, 15 primeiros dias de afastamento, saláriomaternidade, terço constitucional de férias e adicional de horas extra, abono de férias, auxílio creche e aviso prévio indenizado; e) seja a recorrente intimada para realização de sustentação oral. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 2.152. O processo foi remetido ao CARF, fls. 2.152. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 16, fls. 2.153. O recurso voluntário foi julgado na assentada de 21/01/2015 ocasião em que foi prolatado o Acórdão Nº 2803003.977 que assim decidiu a demanda. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento parcial do recurso, uma vez que a discussão da submissão do contribuinte a exação do SESC/SENAC na via judicial impede seu conhecimento na via administrativa, para no mérito da parte conhecida negarlhe provimento. Uma vez intimado desse decisório em 29/05/2015, AR, de fls. 2.185, a contribuinte entendeu por interpor Embargos de Declaração sob a justificativa da ocorrência de contradição, observese o que abaixo se transcreve. CONTRADIÇÃO. que o acórdão fundamenta a não ocorrência da decadência no artigo 173, II, do CTN, mas isso implica na existência de uma decisão que anule por vício formal um lançamento anterior, o que não ocorre, o que autoriza o manejo dos embargos, bem como seu acolhimento com efeitos infringentes; Requerimentos: a) que os embargos sejam acolhidos; b) e que seja dado efeitos modificativos/infringentes, reconhecendose a decadência do lançamento. Entretanto, o relator do RV negou seguimento aos embargos de declaração, mas converteuo em Embargos Inominados, nos termos que se seguem. Verifico, todavia, que NÃO assiste razão a embargante o acórdão não possui contradição. Mas, realmente, a embargante tem razão em um ponto, existe uma falha no acórdão, contudo uma mera inexatidão material ou erro de escrita, pois deveria ter constado na fundamentação do acórdão guerreado o artigo 173, I, da Lei 5.172/66 e não artigo 173, II, da Lei 5.172/66 como constou. Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 14489.000095/200804 Acórdão n.º 2202003.253 S2C2T2 Fl. 2.247 6 Dessa forma, e, nos termos do artigo 66, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, abaixo, transcrito, recebo os presentes embargos de declaração como Embargos Inominados. Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. (realcei). Assim sendo, com essas explicações rejeito os Embargos de Declaração opostos pela contribuinte, contudo convertoo em Embargos Inominados, admitindo esse último, ante a existência de inexatidão material ou erro de escrita. É o Relatório. Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 14489.000095/200804 Acórdão n.º 2202003.253 S2C2T2 Fl. 2.248 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os Embargos de Declaração foram propostos, porém recebidos e admitidos como Embargos Inominados ante a existência de inexatidão material no Acórdão do Recurso Voluntário, bem como a expressa previsão para tal no Portaria MF 343/2015 Regimento Interno do CARF, assim sendo ele merece ser apreciado. O Acórdão do Recurso Voluntário nº 2803003.977 3ª Turma Especial, datado de, 21/01/2015, trouxe na analise da decadência de forma errônea a citação do artigo 173, II, da Lei 5.172/66, enquanto que o correto seria artigo 173, I, da Lei 5.172/66, observese a transcrição do trecho com a erronia. O Relatório Fiscal Complementar, de fls. 510 e 511, cientificado ao contribuinte, ainda, que possa ser tido como relançamento, o que se diz apenas em razão do debate não implica em ocorrência de decadência, uma vez que se aplica ao caso o artigo 173, II, da Lei 5.172/66, ou seja, entre um fato e outro deve ter decorrido mais de cinco anos, sem considerar o interregno da discussão administrativa, pois nesse intervalo a decadência não se opera em razão do lançamento original notificado ao contribuinte de forma regular. (destaquei). Assim sendo, visando sanar a inexatidão material/ou erro de escrita deve ser considerado como escrito artigo 173, I, da Lei 5.172/66. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por acolher os Embargos Inominados para reratificar Acórdão nº 2803003.977 3ª Turma Especial, datado de, 21/01/2015, do Recurso Voluntário, devendo ser considerado a citação do norma como sendo artigo 173, I, da Lei 5.172/66, dando a esse efeitos meramente integrativos da decisão anterior, mantendo in totum, o que decidido no acórdão guerreado. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 14489.000095/200804 Acórdão n.º 2202003.253 S2C2T2 Fl. 2.249 8 Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10580.007879/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e editou a Súmula Vinculante nº 8. Em consequência, a Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito potestativo de constituição do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
REMUNERAÇÃO INDIRETA PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, com exceção das verbas previstas no §9° do art. 28, da Lei 8.212/91.
A alegação de que o pagamento de determinadas despesas, como o aluguel de imóvel residencial, serviu para propiciar o desenvolvimento da atividade operacional da empresa, e não para remunerar o funcionário, deve ser devidamente provada.
Numero da decisão: 2301-004.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, (a) rejeitar as preliminares e no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para (b) reconhecer os efeitos da decadência, determinado o cancelamento de todos os lançamentos até a competência 07/2002 (inclusive) e (c) manter a cobrança dos demais itens.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Amílcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e editou a Súmula Vinculante nº 8. Em consequência, a Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito potestativo de constituição do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. REMUNERAÇÃO INDIRETA PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, com exceção das verbas previstas no §9° do art. 28, da Lei 8.212/91. A alegação de que o pagamento de determinadas despesas, como o aluguel de imóvel residencial, serviu para propiciar o desenvolvimento da atividade operacional da empresa, e não para remunerar o funcionário, deve ser devidamente provada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, (a) rejeitar as preliminares e no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para (b) reconhecer os efeitos da decadência, determinado o cancelamento de todos os lançamentos até a competência 07/2002 (inclusive) e (c) manter a cobrança dos demais itens. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Amílcar Barca Teixeira Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e editou a Súmula Vinculante nº 8. Em consequência, a Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito potestativo de constituição do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. REMUNERAÇÃO INDIRETA PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, com exceção das verbas previstas no §9° do art. 28, da Lei 8.212/91. A alegação de que o pagamento de determinadas despesas, como o aluguel de imóvel residencial, serviu para propiciar o desenvolvimento da atividade operacional da empresa, e não para remunerar o funcionário, deve ser devidamente provada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 78 79 /2 00 7- 75 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, (a) rejeitar as preliminares e no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para (b) reconhecer os efeitos da decadência, determinado o cancelamento de todos os lançamentos até a competência 07/2002 (inclusive) e (c) manter a cobrança dos demais itens. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Marcela Brasil de Araújo Nogueira, Amílcar Barca Teixeira Junior. Relatório Contra a ora Recorrente foi expedida Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD nº 37.115.3735, a qual exige o recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e também as destinadas aos terceiros (salário educação, Incra, Senac, Sesc, Sebrae, Sest, Senat), incidentes sobre a remuneração aos segurados que prestaram serviços, de acordo com o seguinte quadro: Rubrica Descrição Períodos de Apuração ALN pagamento de aluguel, condomínio e IPTU em benefício de diretores e gerentes 07/1999 a 12/2002 AMN pagamento de assistência médica exclusivamente para gerentes e seus familiares 04/1999 a 10/2000 PFN pagamento por serviços prestados por pessoas físicas (contribuintes individuais) 03/1999 a 12/2002 DIP pagamento de mensalidade escolar no Colégio Diplomata em benefício da filha do diretor 12/2000 e 03/2001 TRA pagamento a transportadores rodoviários autônomos (motoristas de taxi) 03/1999 a 03/2001 FP diferenças apuradas entre os valores das folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, dentre os quais valores referentes ao décimo terceiro salário proporcional pago nas 09/1999 a 11/2002 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.007879/200775 Acórdão n.º 2301004.736 S2C3T1 Fl. 483 3 rescisões contratuais e ao “prolabore” pago aos diretores O valor de principal (somente contribuições previdenciárias, sem considerar os demais acréscimos legais) foi de R$ 28.541,88. A ciência do lançamento de ofício ocorreu em 17/08/2007. Em sua impugnação, a Recorrente alegou, preliminarmente, deficiências formais que impediriam a identificação dos valores, afetando, assim, o pleno exercício do seu direito de defesa, e a ocorrência de prescrição. No mérito, contesta a incidência das contribuições previdenciárias lançadas ao arguir, em essência: § quanto à ALN, que o aluguel não beneficiava a alta gerência, pois essa não existia; os cargos da empresa eram operacionais e técnicos e as casas serviam à empresa como um todo e não a um empregado em particular; § quanto à AMN, que o plano de saúde era extensivo a todos os empregados, sendo facultada a sua adesão; § quanto à DIP e TRA, que não consideraos como salário de contribuição; § quanto à FP, que não consta do relatório quais as rescisões a Recorrente teria deixado de recolher. O acórdão de primeira instância negou provimento à impugnação, mantendo integralmente os valores lançados de oficio. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, repisando todos os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 12/05/2008 e o recurso voluntário foi interposto em 27/05/2008. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Das Preliminares Ofensa ao Direito de Ampla Defesa e ao Contraditório A Recorrente alega que o lançamento de ofício é obscuro e não permite identificar, com segurança, a origem da infração nem os valores considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Sem razão, no entanto, a Recorrente. O lançamento de ofício é respaldado em diversos demonstrativos analíticos e relatórios fiscais que discriminam os documentos verificados e os procedimentos adotados para apuração dos fatos. A Recorrente igualmente recebeu diversas intimações para apresentar documentos e justificativas acerca das circunstâncias dos pagamentos efetuados a terceiros. O acórdão de primeira instância já analisou, à exaustão, tal questionamento, merecendo transcrever o trecho do voto do eminente relator, em razão da profundida e clareza, conforme segue (fls. 417418): Inicialmente cabe ressaltar que a presente Notificação Fiscal de Lançamento Débito – NFLD, encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante ao disposto no caput do art. 33 e 37 da Lei n° 8.212, de 24 de julgo de 1991 e no art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999. Tratando, preliminarmente, do procedimento fiscal em causa, registrese a atenção ao amplo direito de defesa garantido ao impugnante, verificado, não só pelo estrito cumprimento dos prazos legais previstos, como, e, sobretudo, pela própria materialização do lançamento do crédito, extensa e pormenorizadamente detalhado na NFLD, seus relatórios e discriminativos anexos. Acrescentese, ainda, que no Relatório Fiscal, item 6.1, constam identificados os relatórios e discriminativos que fazem parte da NFLD e que foram encaminhados ao notificado, inclusive explicitando a finalidade de cada documento. Portanto, não procede o argumento da impugnante de que a notificação, juntamente com seus anexos é obscura. A Instrução Normativa SRP n° 03 de 14 de julho de 2005, determina no seu art. 660 e 661, quais os relatórios e documentos integrantes do processo administrativofiscal previdenciário. Assim, os fatos geradores das contribuições apuradas, neste caso, as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, assim como as deduções legais e as retenções consideradas, constam identificadas no Relatório de Lançamentos – RL, fls. 45 a 70. O Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls.04 a 30) identifica, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes. Na coluna “Diversos” estão compreendidos os créditos provenientes de GRPS/GPS e Compensação com utilização do saldo de retenção. O Discriminativo Sintético de Débito DSD e Discriminativo Sintético por Estabelecimento DSE (fls. 31 a 44) identificam, sinteticamente e por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, multa e juros devidos pelo sujeito passivo. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.007879/200775 Acórdão n.º 2301004.736 S2C3T1 Fl. 484 5 Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte (GRPS/GPS) e de mais créditos apurados considerados para apuração do débito constam discriminados no Relatório de Documentos Apresentados RDA, fls. 71 a 86. Os critérios de apropriação dos valores recolhidos pela empresa constam discriminados no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, fls. 87 a 21. Esse relatório demonstra como os documentos apresentados pelo contribuinte ou apurados em ação fiscal foram apropriados pela fiscalização (GRPS/GPS/CRED créditos diversos e DNF valores de retenção destacados em nota fiscal). As informações sobre a legislação estão dispostas de forma clara e organizada no anexo Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 122 a 126), bem como no Relatório Fiscal, com o fim de propiciar à empresa o conhecimento sobre todos os dispositivos legais e normativos aplicáveis aos fatos geradores apurados e às contribuições lançadas. Assim, inexistente o cerceamento do direito de defesa, pois, constatase dos autos que o Relatório Fiscal, juntamente com os demais discriminativos que compõem a NFLD ora atacada, cumprem a sua função de informar com precisão e clareza sobre as contribuições lançadas e os fatos geradores que deram origem, as alíquotas aplicadas, os períodos a que se referem e os dispositivos legais e normativos que amparam o lançamento, permitindo à impugnante o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. Rejeito, portanto, a alegação de cerceamento de defesa e de ofensa ao direito de ampla defesa e contraditório. Da Decadência A Recorrente também opõe como fato impeditivo à validade da NFLD o transcurso do prazo legal de prescrição de cinco anos, em contraposição ao prazo de dez anos considerado pela autoridade fiscal com fundamento nos art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. Na verdade, tratase do prazo de decadência, porquanto relativo ao lapso temporal máximo admitido pela legislação para que o Fisco exercite o seu direito potestativo de promover o lançamento tributário contra o contribuinte. A inércia do Fisco conduz à extinção do crédito tributário (art. 156, V, CTN). A esse respeito, dois aspectos devem ser considerados: o prazo e o termo inicial para contagem da decadência. Quanto ao prazo decadencial, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e editou a Súmula Vinculante nº 8, com o seguinte teor: Súmula Vinculante n° 08 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/77 e os artigos 45 e Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A partir da edição da Súmula Vinculante nº 8, ocorrida em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatála. Desse modo, o prazo decadencial para lançamento das contribuições previdenciárias passa de dez para cinco anos, nos termos do CTN. Falta agora determinar o termo inicial para sua contagem. Depois de longo debate jurisprudencial, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial nº 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos. Assim, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: (i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou (ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Na espécie, a matéria tratada na NFLD referese à incidência complementar de contribuições previdenciárias patronais sobre a remuneração indireta de colaboradores da Recorrente, empregados ou não. A meu ver, tal fato autoriza concluir que a Recorrente promoveu a incidência e o recolhimento desses tributos, ainda que a menor, sobre o valor da denominada remuneração direta, isto é, aquela paga em dinheiro. Por essa razão, deve ser aplicada a regra do art. 150, § 4º do CTN, com o início da contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir da data de ocorrência do fato gerador. Situação semelhante também foi constatada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por ocasião do julgamento do acórdão nº 9202002.669, de 25/04/2013. Naquela oportunidade, o colegiado determinou igualmente a aplicação da regra do art. 150, §4º do CTN, verbis: In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por trata se em parte de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar (grifos do original) Enfim, considerando que a Recorrente somente tomou ciência da NFLD em 17/08/2007, todos os lançamentos de ofício efetuados anteriormente aos meses de competência 07/2002 (inclusive) devem ser considerados decaídos, o que implica o cancelamento integral das rubricas AMN, DIP e TRA e o cancelamento parcial das rubricas ALN, PFN e FP. Do Mérito Em virtude do reconhecimento dos efeitos da decadência no item anterior, restam a ser apreciados os méritos da defesa exclusivamente com relação às rubricas ALN (pagamento de aluguel, condomínio e IPTU em benefício de diretores e gerentes), PFN (pagamento por serviços prestados por pessoas físicas – contribuintes individuais) e FP (diferenças apuradas entre os valores das folhas de pagamento e os valores declarados em Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.007879/200775 Acórdão n.º 2301004.736 S2C3T1 Fl. 485 7 GFIP, dentre os quais valores referentes ao décimo terceiro salário proporcional pago nas rescisões contratuais e ao “prolabore” pago aos diretores), posteriores à competência 08/2002 (inclusive). Não obstante os argumentos desenvolvidos nas peças de defesa, a Recorrente nada traz ao processo para corroborar suas alegações, como, por exemplo, para provar que o aluguel (ALN) de imóveis não beneficiava um empregado em particular, mas a diversos, no contexto da atividade empresarial. A mera alegação, desprovida do respectivo suporte probatório, não pode ser acolhida para afastar as conclusões do trabalho fiscal. Por essa razão, os lançamentos de ofício relativos às rubricas ALN, PFN e FP, posteriores à competência 08/2002 (inclusive), devem ser mantidos. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, a fim de, preliminarmente, afastar as alegações de nulidade do lançamento de ofício por cerceamento do direito de defesa, mas reconhecer os efeitos da decadência, determinado o cancelamento de todos os lançamentos até a competência 07/2002 (inclusive); e, no mérito, manter a cobrança dos demais itens. É como voto. Fábio Piovesan Bozza Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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