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Numero do processo: 13830.901085/2013-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 85 /2 01 3- 47 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901085/201347 Acórdão n.º 1302002.239 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901085/201347 Acórdão n.º 1302002.239 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901085/201347 Acórdão n.º 1302002.239 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905563/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.785
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 63 /2 01 2- 41 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.905563/201241 Acórdão n.º 3201002.785 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.302, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13888.905563/201241 Acórdão n.º 3201002.785 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13888.905563/201241 Acórdão n.º 3201002.785 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.905563/201241 Acórdão n.º 3201002.785 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13888.905563/201241 Acórdão n.º 3201002.785 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.905563/201241 Acórdão n.º 3201002.785 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.905563/201241 Acórdão n.º 3201002.785 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.905563/201241 Acórdão n.º 3201002.785 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901121/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 21 /2 01 3- 72 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901121/201372 Acórdão n.º 1302002.275 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901121/201372 Acórdão n.º 1302002.275 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901121/201372 Acórdão n.º 1302002.275 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907203/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2010
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.238
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 03 /2 01 2- 46 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907203/201246 Acórdão n.º 3302004.238 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.840. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907203/201246 Acórdão n.º 3302004.238 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907203/201246 Acórdão n.º 3302004.238 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907203/201246 Acórdão n.º 3302004.238 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907203/201246 Acórdão n.º 3302004.238 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907203/201246 Acórdão n.º 3302004.238 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720115/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
DECADÊNCIA
Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE.
O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio.
ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE.
O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio.
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA
No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.
Numero da decisão: 1301-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 15 /2 01 3- 21 Fl. 3388DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.389 2 seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Fl. 3389DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.390 3 Relatório DIXIE TOGA LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário na sua integralidade. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ e CSLL, no valor de R$127.192.289,74 (fls. 2.802/2.806 e 2.821/2.823 e 2.832/2.834), cumulados de juros, multa qualificada e isolada, lavrado contra DIXIE TOGA LTDA, em razão de exclusões indevidas na apuração do IRPJ e da CSLL de valores referentes à amortizações de ágio, nos anos calendários de 2009, 2010 e 2011, bem como saldo insuficiente de prejuízo operacional, nos termos dos arts. 3º da Lei 9.249/95, arts. 247, 248 e 250 do RIR/99, art. 6º do DecretoLei 1.598/77 e art. 18 da Lei 7.450/85 para IRPJ e art. 2º da Lei 7.689/88, e alterações, art. 1º da Lei 9.316/96, art. 57 da Lei 8.981/95, art. 28 da Lei 9.430/96, art. 37 da Lei 10.637/02. Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 2.839/2.920), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: A ação fiscal foi iniciada com o escopo da verificação dos reflexos tributários oriundos da amortização do ágio surgido quando da aquisição formal pela Misbe Participações Ltda de participações diretas e indiretas na sociedade Dixie Toga Ltda. Consta do Contrato Social da empresa a seguinte composição societária: Capital Social de R$ 219.446.686,10, sendo R$ 219.446.685,90 pertencente ao sócio Bemis Cayman Islands (2.194.466.859 cotas) e R$ 0,20 de Curwood Inc. (2 cotas). Fl. 3390DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.391 4 Diversas intimações foram feitas à empresa, que apresentou, dentre outros documentos, o seu Contrato Social e alterações, os atos societários das empresas MISBE Participações Ltda, SH Participações S/A e DT Participações S/A, os documentos societários e financeiros referentes à aquisição formal do controle da DIXIE pela MISBE, os atos societários referentes às incorporações da MISBE pela SH, da SH pela DT e da DT pela DIXIE, os laudos de avaliação das sociedades DIXIE, SH, DT e MISBE, os LALUR de 2009 a 2011. A Autoridade Fiscal passa a apresentar organograma das empresas e pessoas físicas participantes da operação econômica e societária da aquisição do controle de DIXIE pela MISBE, antes (fl. 2842) e depois do evento. Após a aquisição formal do controle da DIXIE pela MISBE (em 05/01/2005), esta recebe recursos da BEMIS COMPANY INC a título de aumento de capital para realizar os pagamentos referente à aquisição do controle da DIXIE com ágio de rentabilidade futura no valor de R$ 498.280.833,57. Portanto, relata a Autoridade Fiscal, formalmente, quem adquiriu o controle da DIXIE foi a sociedade MISBE. Porém, de fato, a aquisição do controle foi realizada pela BEMIS (fl. 2843). Em 01/12/2008, ocorre a incorporação reversa da controladora MISBE por sua controlada SH. Iniciase nesse momento a sequência de incorporações dentro do grupo econômico da DIXIE com o objetivo final da DIXIE possuir em sua contabilidade o “ágio de si mesma”, o qual deveria estar contabilizado na BEMIS, a real compradora da DIXIE (fl. 2844). Um dia após a incorporação da MISBE pela SH (02/12/2008), ocorreu a segunda incorporação reversa, ou seja, a controlada DT incorpora a sua controladora SH (fl. 2845). Em 29/12/2008, ocorreu a terceira e última incorporação reversa, ou seja, a controlada DIXIE incorporou a sua controladora DT (fl. 2846). Conclui a Autoridade Fiscal que o ágio formalmente pago pela MISBE, mas de fato pago pela BEMIS na aquisição do controle da DIXIE, foi registrado na contabilidade desta última e começou a ser amortizado a partir de janeiro de 2009. A Autoridade Fiscal, da análise dos atos societários das empresas envolvidas na operação engendrada pelo grupo econômico DIXIE, constatou que a sociedade MISBE foi constituída em 02/12/2004, com capital de R$ 100,00; seus sócios eram BEMIS e CURWOOD INC. BEMIS fora constituída e existente de acordo com as leis do Estado de Minnesota, com sede em Minneapolis, Estados Unidos da América, possuindo R$ 99,00 do capital de MISBE. Por sua vez, CURWOOD INC. foi constituída e existente de acordo com as leis do Estado de Delaware, também com sede em Minneapolis, Estados Unidos da América, possuindo R$ 1,00 de MISBE. Em 05 de janeiro de 2005, conforme consta na 1a Alteração do Contrato Social da MISBE, foi deliberado e aprovado: a) a integralização das 100 quotas, representativas do capital social da Sociedade da seguinte forma: (i) as 99 quotas, no valor nominal total de R$ 99,00 (noventa e nove reais) subscritas pela BEMIS são integralizadas neste ato, em moeda corrente nacional, com parte da remessa por ela efetuada, no valor total de US$ 232.500.000,00, o que equivale a R$ 631.237.500,00, conforme operação cambial n° 05/002244, desta data; e (ii) a única quota, no valor nominal de R$ 1,00 (um real), subscrita pela sócia CURWOOD INC. é integralizada neste ato em moeda corrente nacional; Fl. 3391DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.392 5 b) resolveram ainda as sócias propor um aumento do capital social no valor de R$ 631.237.401,00, passando o capital social totalmente integralizado de R$ 100,00 (cem reais) para R$ 631.237.501,00. Referido aumento é representado por 631.237.401 novas quotas, no valor nominal de R$ 1,00 cada, as quais são subscritas e integralizadas em moeda corrente nacional pela sócia BEMIS, com o saldo de R$ 631.237.401,00 referente ao produto da conversão da remessa por ela efetuada, no valor total de US$ 232.500.000,00, o que equivale a R$ 631.237.500,00, conforme operação cambial n° 05/002244. Conforme consta no Contrato de Câmbio de Compra Tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior, registrado no Banco Central sob n° 05/002244, celebrado em 05/01/2005, a BEMIS remeteu à MISBE, por intermédio do Banco Bradesco S/A, a quantia de US$ 232.500.000,00 a título de integralização e aumento de capital, quantia essa que equivale, em moeda corrente nacional, ao valor de R$ 631.237.500,00. Na mesma data, ou seja, em 05/01/2005, a MISBE efetua o pagamento às pessoas jurídicas e físicas detentoras direta e indiretamente da participação de 68,65% da DIXIE, conforme consta no extrato bancário apresentado à Fiscalização, assim como informado pelo Contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 01, protocolada em 27/08/2012. Esses fatos indicam, segundo a Autoridade Fiscal, que aquisição direta e indireta de 68,65% de participação na DIXIE foi realizada de fato pela BEMIS, porém formalmente realizada pela MISBE, servindo esta última apenas como veículo de passagem do dinheiro vindo do exterior para a realização dos pagamentos efetuados. Essa assertiva é corroborada pelo próprio Contribuinte, o qual, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, informou que a origem dos recursos para a aquisição das empresas ocorreu através do contrato de câmbio número 05/002244 de 05/01/2005, o qual se refere à remessa de dinheiro da BEMIS para a MISBE. As aquisições foram feitas pagandose um ágio sobre rentabilidade futura no valor total de R$ 498.280.833,57, sendo R$ 44.302.433,33 pela aquisição de participação na DIXIE, R$ 141.707.589,93 pela aquisição de participação na DT e R$ 312.270.810,31 pela aquisição de participação na SH, conforme consta na DIPJ 2006 e no Livro Diário 2005 da MISBE. A Autoridade Fiscal narra que em dezembro de 2008 houve sucessivas incorporações reversas, até que BEMIS deixasse de ser controladora indireta da DIXIE e passasse a ser sua controladora direta. Portanto, o investimento na DIXIE por parte da BEMIS nunca deixou de existir. Em seguida, apresenta os atos societários dessas incorporações reversas. Em 01/12/2008, houve a incorporação da sociedade MISBE pela SH, ambas as sociedades “holdings”. Conforme consta na Ata da Assembléia Geral Extraordinária da SH (realizada em 01 de dezembro de 2008), foi deliberado e aprovado, dentre outros assuntos: a) foram aprovadas as bases da operação de incorporação descritas no Protocolo de Incorporação e Justificação celebrado em 28 de novembro de 2008 entre a BEMIS, na qualidade de única sócia da Incorporada, e a Incorporada, na qualidade de única sócia da Sociedade; b) foi aprovada a ratificação da nomeação da empresa MKF ASSESSORIA E CONSULTORIA CONTÁBIL LTDA como responsável pela elaboração do Laudo de Avaliação do acervo patrimonial líquido da Incorporada a ser vertido à Sociedade; c) foi aprovado o referido Laudo de Avaliação, datado de 28 de novembro de 2008, elaborado com base no Balanço Patrimonial da Incorporada levantado em 27 de novembro de 2008; d) foi aprovada a incorporação da Incorporada na Sociedade; Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.393 6 e) foi aprovado o aumento do capital da Sociedade no montante de R$ 391.712.650,99, correspondente ao valor contábil do Patrimônio Líquido da Incorporada, descontandose o valor do investimento que a incorporada tem registrado na Sociedade, aumento este representado pela emissão de 34.854.397 novas ações nominativas ordinárias, sem valor nominal, neste ato totalmente subscritas pela BEMIS. Adicionalmente, a totalidade das ações anteriormente detidas pela Incorporada no Capital Social da Sociedade são neste ato conferidas à BEMIS. Em relação ao Protocolo de Justificação e Incorporação de MISBE na SH (28/11/2008), assinado entre BEMIS e MISBE, a Autoridade Fiscal destacou os seguintes pontos: “I. JUSTIFICATIVA DA INCORPORAÇÃO 2. A incorporação da Incorporada na Incorporadora se justifica pelo fato de que a incorporação resultará unificação das operações e redução de custos. (...) III. A INCORPORAÇÃO 11. A Incorporadora tem capital social, totalmente integralizado, de R$ 36.657.142,70 dividido em 13.030.180 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, totalmente integralizadas e integralmente detidas pela Incorporada. 12. A Incorporada tem capital social de R$ 633.081.661,00, dividido em 633.081.661 quotas, no valor nominal de R$ 1,00 cada uma, totalmente integralizadas e integralmente detidas pela BEMIS COMPANY INC.”. Na situação acima descrita, verificase que ocorreu uma incorporação reversa (controlada incorpora a sua controladora) o que, observa a Fiscalização, não é uma operação comum em termos societários. Na Alteração do Contrato Social da MISBE (01/12/2008), BEMIS, única sócia da MISBE, deliberou e aprovou o seguinte: a) aprovou as bases da operação de incorporação descritas no Protocolo de Justificação e Incorporação celebrado em 28 de novembro de 2008 entre BEMIS e a Sociedade; b) ratificou a nomeação da empresa MKF ASSESSORIA E CONSULTORIA CONTÁBIL LTDA como responsável pela elaboração do Laudo de Avaliação do acervo patrimonial líquido contábil da Sociedade a ser vertido à Incorporadora; c) aprovou o referido Laudo de Avaliação, datado de 28 de novembro de 2008, elaborado com base no Balanço Patrimonial da Sociedade levantado em 27 de novembro de 2008; d) aprovou a incorporação da Sociedade na Incorporadora; e) declarou extinta a Sociedade em razão de sua incorporação na Incorporadora conforme deliberado e aprovado na Ata de Assembléia Geral Extraordinária desta última. Fl. 3393DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.394 7 Um dia após a operação acima indicada, em 02/12/2008, houve a segunda incorporação, ou seja, a incorporação da sociedade SH pela DT, ambas sociedades “holdings”. Conforme consta na Ata da Assembléia Geral Extraordinária da DT, realizada em 02 de dezembro de 2008, foi deliberado e aprovado, dentre outras questões: a) foram aprovadas as bases da operação de incorporação descritas no Protocolo de Incorporação e Justificação celebrado em 02 de dezembro de 2008 entre a BEMIS, na qualidade de única sócia da Incorporada, e a Incorporada, na qualidade de única sócia da Sociedade; b) foi aprovada a ratificação da nomeação da empresa MKF ASSESSORIA E CONSULTORIA CONTÁBIL LTDA como responsável pela elaboração do Laudo de Avaliação do acervo patrimonial líquido contábil da Incorporada a ser vertido à Sociedade; c) foi aprovado o referido Laudo de Avaliação, datado de 02 de dezembro de 2008, elaborado com base no Balanço Patrimonial da Incorporada levantado em 01 de dezembro de 2008; d) foi aprovada a incorporação da Incorporada na Sociedade; e) foi aprovado o aumento do capital da Sociedade no montante de R$ 252.028.057,97 correspondente ao valor contábil do Patrimônio Líquido da Incorporada, descontando se o valor do investimento que a incorporada tem registrado na Sociedade, aumento este representado pela emissão de 230.738.690 novas ações nominativas ordinárias, sem valor nominal, neste ato totalmente subscritas pela BEMIS. Adicionalmente, a totalidade das ações anteriormente detidas pela Incorporada no Capital Social da Sociedade são neste ato conferidas à BEMIS. Em relação ao Protocolo de Justificação e Incorporação de SH na DT, datado de 02/12/2008, assinado entre BEMIS e SH, a Autoridade Fiscal destacou: “I. JUSTIFICATIVA DA INCORPORAÇÃO 2. A incorporação da Incorporada na Incorporadora se justifica pelo fato de que a incorporação resultará unificação das operações e redução de custos. (...) III. A INCORPORAÇÃO 11. A Incorporadora tem capital social, totalmente integralizado, de R$ 59.755.691,87 dividido em 176.328.663 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, totalmente integralizadas e integralmente detidas pela Incorporada. 12. A Incorporada tem capital social, totalmente integralizado, de R$ 428.369.793,69, dividido em 47.884.577 ações ordinária nominativas, sem valor nominal, totalmente integralizadas e integralmente detidas pela BEMIS COMPANY INC.” Verificase, mais uma vez, que ocorreu uma incorporação reversa (controlada incorpora a sua controladora). Na Ata da Assembléia Geral Extraordinária da SH, realizada em 02 de dezembro de 2008, foi deliberado e aprovado: a) aprovou as bases da operação de incorporação descritas no Protocolo de Justificação e Incorporação celebrado em 02 de dezembro de 2008 entre BEMIS e a Sociedade; Fl. 3394DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.395 8 b) ratificou a nomeação da empresa MKF ASSESSORIA E CONSULTORIA CONTÁBIL LTDA como responsável pela elaboração do Laudo de Avaliação do acervo patrimonial líquido contábil da Sociedade a ser vertido à Incorporadora; c) aprovou o referido Laudo de Avaliação, datado de 02 de dezembro de 2008, elaborado com base no Balanço Patrimonial da Sociedade levantado em 01 de dezembro de 2008; d) aprovou a incorporação da Sociedade na Incorporadora; e) declarou extinta a Sociedade em função de sua incorporação na Incorporadora conforme deliberado e aprovado na Ata de Assembléia Geral Extraordinária desta última. Poucos dias após as operações acima descritas terem ocorrido, em 29/12/2008, houve a terceira e última incorporação, ou seja, a incorporação da sociedade DT pela DIXIE. Conforme consta na Ata da Assembléia Geral Extraordinária da DIXIE, de 29/12/2008, foi deliberado e aprovado: a) foi aprovado o Protocolo de Incorporação e Justificação celebrado em 11 de dezembro de 2008 entre os administradores da Companhia e da INCORPORADA; b) foi ratificada a nomeação da empresa MKF ASSESSORIA E CONSULTORIA CONTÁBIL LTDA como responsável pela elaboração do Laudo de Avaliação do acervo patrimonial líquido contábil da INCORPORADA que será vertido para a Companhia; c) foi aprovado o Laudo de Avaliação do acervo patrimonial líquido contábil da INCORPORADA a ser vertido para a Companhia em razão da incorporação, datado de 11 de dezembro de 2008, preparado pela empresa MKF ASSESSORIA E CONSULTORIA CONTÁBIL LTDA com base no balanço patrimonial da INCORPORADA, datado de 08 de dezembro de 2008; d) foi aprovada a incorporação da INCORPORADA na Companhia, bem como seus reflexos e efeitos, conforme proposta do Conselho de Administração da Companhia consignada em reunião deste órgão realizada em 11 de dezembro de 2008 e os termos e condições previstos no Protocolo de Incorporação e Justificação. Como contrapartida, conforme consta na Ata da Assembléia Geral Extraordinária da DT, realizada em 29 de dezembro de 2008, foi deliberado e aprovado o que segue: a) aprovou o aumento de capital da Sociedade de R$ 311.783.749,84 para R$ 435.520.126,47, um aumento, portanto, no valor total de R$ 123.736.376,63, representado pela emissão de 94.772.993 novas ações nominativas ordinárias, sem valor nominal, neste ato totalmente subscritas pela acionista BEMIS, e integralizadas mediante a capitalização de lucros extraídos da conta Lucros Acumulados e Reservas de Lucros, conforme Balanço Patrimonial levantado em 08 de dezembro de 2008; b) aprovou as bases da operação de incorporação descritas no Protocolo de Incorporação e Justificação celebrado em 11 de dezembro de 2008 entre os administradores da Sociedade e de sua controlada, a INCORPORADORA; c) ratificou a nomeação da empresa MKF ASSESSORIA E CONSULTORIA CONTÁBIL LTDA como responsável pela elaboração do Laudo de Avaliação do acervo patrimonial líquido contábil da Sociedade a ser vertido à INCORPORADORA em razão da incorporação; d) aprovou o referido Laudo de Avaliação, datado de 11 de dezembro de 2008, elaborado com base no balanço patrimonial da Sociedade levantado em 08 de dezembro de 2008; Fl. 3395DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.396 9 e) aprovou a incorporação da Sociedade na INCORPORADORA; f) declarou extinta a Sociedade em função de sua incorporação na INCORPORADORA. Em relação ao Protocolo de Justificação e Incorporação da DT na DIXIE, de 11 de dezembro de 2008, a Autoridade Fiscal destacou: “I. JUSTIFICATIVA DA INCORPORAÇÃO 1... (ii) adicionalmente, a incorporação evitará a duplicidade de custos e a superposição de operações pelas duas sociedades." (...) III. AUSÊNCIA DE AUMENTO DE CAPITAL IMEDIATO E DE RELAÇÃO DE SUBSTITUIÇÃO DE AÇÕES 8. A INCORPORADORA tem capital social, totalmente subscrito e integralizado, de R$ 144.575.048,43, dividido em 274.810.038 ações nominativas e sem valor nominal, sendo 191.100.116 ações ordinárias e 83.709.922 ações preferenciais. 9. Conforme balanço patrimonial datado de 08 de dezembro de 2008, a INCORPORADA tem patrimônio líquido de R$ 435.520.126,47, sendo que o capital social da INCORPORADA, totalmente subscrito e integralizado, é de R$ 311.783.749,84, dividido em 407.067.353 ações ordinárias nominativas sem valor nominal. IV. FUTURA CAPITALIZAÇÃO DO EFETIVO BENEFÍCIO FISCAL A SER AUFERIDO EM DECORRÊNCIA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO 13. O valor do Ágio, considerando a aquisição direta e indireta do controle acionário da INCORPORADORA em 05 de janeiro de 2005, é de R$ 461.845.299,45, tendo sido fundamentado com base na expectativa de rentabilidade futura. 14. Assim, mediante a incorporação, será constituída uma reserva especial de ágio na INCORPORADORA no valor de R$ 157.027.401,81, equivalente ao benefício fiscal que decorrerá da amortização do Ágio, tendo a INCORPORADA constituído a provisão em montante equivalente á diferença entre o valor do Ágio e o benefício fiscal decorrente de sua amortização, conforme estabelecido no artigo 6°, parágrafo 1°, da Instrução CVM n° 319/99, com suas alterações posteriores. Referida provisão encontrase refletida no balanço patrimonial da INCORPORADA levantado em 08 de dezembro de 2008, o qual constitui o balançobase da presente incorporação. 15. Conforme previsto no artigo 7° da Instrução CVM n° 319/1999, com suas alterações posteriores, após o término de cada exercício social e na medida em que a INCORPORADORA vier a auferir benefício fiscal em decorrência da amortização do Ágio e que este benefício representar uma efetiva diminuição dos tributos pagos pela INCORPORADORA, a correspondente parcela da reserva especial de ágio que será constituída em razão da presente incorporação será objeto de capitalização em proveito da acionista BEMIS COMPANY INC.. A capitalização será implementada mediante a emissão de novas ações, ficando o respectivo aumento de capital sujeito ao direito de preferência dos acionistas não controladores da INCORPORADA, na proporção de suas respectivas participações por espécie e classe de ação à época da emissão, sendo que as importâncias pagas por eles no exercício deste direito serão entregues diretamente à acionista controladora da INCORPORADA. O preço de emissão das ações será fixado, a cada capitalização, Fl. 3396DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.397 10 conforme disposto no parágrafo 1o do Artigo 170 da lei n° 6.404/76, com suas alterações posteriores.”, (g.n.) (grifos do original). A Autoridade Fiscal novamente observa, dos fatos acima, ter ocorrido uma incorporação reversa, ou seja, a controlada incorporando a sua controladora. Como a sociedade incorporadora era uma empresa operacional, ficavam estabelecidas, em princípio, as condições para a amortização do ágio de rentabilidade futura, o qual fora transferido para a sociedade fiscalizada. Percebese dos itens acima, retirados do Protocolo de Justificação e Incorporação da DT na DIXIE, que o real beneficiário da amortização do ágio, que representa uma efetiva diminuição dos tributos a serem pagos pela DIXIE, é a sociedade BEMIS, sediada no exterior, que, de fato, foi a sociedade que adquiriu e pagou pelo controle da DIXIE. Para a Fiscalização, isso reforça que a aquisição do controle da DIXIE, em 05/01/2005, deuse, de fato, pela BEMIS, porém formalmente a aquisição foi realizada pela empresa veículo MISBE, através da qual a BEMIS remeteu os recursos necessários para o pagamento da referida transação. Constava no item 13 do Protocolo de Justificação e Incorporação da DT na DIXIE que o valor do ágio, considerando a aquisição direta e indireta do controle acionário da INCORPORADORA em 05 de janeiro de 2005, era de R$ 461.845.299,45, tendo sido fundamentado com base na expectativa de rentabilidade futura. Porém, o valor total do ágio pago na aquisição do controle acionário da DIXIE foi de R$ 498.280.833,57. Essa diferença foi explicada pelo Contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 09, protocolada em 11/04/2013, acompanhada do Balancete de Suspensão da DT e do Livro Diário da MISBE. Abaixo, reproduzimos parte do texto do Termo de Verificação Fiscal citado: “a) Termo de Intimação Fiscal n° 09: “ITEM 03 Conforme consta no Balanço Patrimonial da MISBE PARTICIPAÇÕES LTDA de 31/12/2005, os ágios pagos pela aquisição de 100% da SH PARTICIPAÇÕES S/A, de 23,98% da DT PARTICIPAÇÕES S/A e de 9,94% da DIXIE TOGA S/A são respectivamente R$ 312.270.810,31, R$ 141.707.589,93 e R$ 44.302.433,33, totalizando um montante de R$ 498.280.833,57. Já no Balanço Patrimonial da MISBE PARTICIPAÇÕES LTDA de 27/11/2008,consta que o ágio pela aquisição da DIXIE TOGA S/A foi de R$ 53.424.833,33. Portando, esclarecer e comprovar a que se deu o aumento do valor do ágio registrado no balanço patrimonial de 27/11/2008 referente à aquisição de participação na DIXIE TOGA S/A. ITEM 04 Conforme consta na Escrituração Contábil Digital da DIXIE TOGA S/A, a mesma registrou em 31/12/2008, após a incorporação da DT PARTICIPAÇÕES S/A, um ágio no valor de R$ 461.845.299,45 como segue: Todavia, no Balanço Patrimonial da MISBE PARTICIPAÇÕES LTDA de 31/12/2005, consta um ágio no valor total de R$ 498.280.833,57 (R$ 312.270.810,31 + R$ 141.707.589,93 + R$ 44.302.433,33), e no Balanço Patrimonial de 27/11/2008, um ágio no valor total de R$ 507.403.233,57 (R$ 312.270.810,31 + R$ 141.707.589,93 + R$ 53.424.833,33). Portanto, apresentar os lançamentos contábeis constantes na ECDSPED da fiscalizada referentes à diferença entre os ágios registrados nos respectivos Balanços Patrimoniais (no valor de R$ 498.280.833,57 e de R$ 507.403.233,57) e o registrado na ECDSPED da fiscalizada (no valor de R$ 461.845.299,45).” “b) Resposta ao TIF 9: Fl. 3397DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.398 11 ITEM 3 A diferença entre o ágio decorrente da aquisição da Dixie Toga S/A, qual seja, de R$ 53.424.833,33 e R$ 44.302.433,33 que totaliza R$ 9.122.400,00 referese a novo valor de ágio decorrente de aquisições de outra ações da Dixie Toga S/A, conforme cópia da página 11 do Livro Diário Geral da Misbe Participações Ltda de abril de 2006. ITEM 4 Esclarecemos que a diferença identificada na ECD da Dixie Toga S/A em 31/12/2008 após a incorporação da DT Participações S/A existente entre os valores de ágio registrados nos respectivos Balanços Patrimoniais da Misbe Participações Ltda, de 31/12/2005 e de 27/11/2008, quais sejam: R$498.280.833,57 e R$ 507.403.233,57, que totaliza R$ 45.557.934,12 referese ao valor de deságio apurado na aquisição de investimentos da Dixie Toga S/A pela DT Participações S/A e registrada no Balanço Patrimonial da DT Participações S/A em 2005. Segue anexo a página 9 do Balancete da DT Participações S/A com o referido valor.” A Autoridade Fiscal intimou o Contribuinte (Termo de Intimação Fiscal n° 12, itens 4 e 5) a apresentar o lançamento contábil do ágio registrado na MISBE, no valor de R$ 9.122.400,00 e do deságio registrado na DT, no valor de R$ 45.557.934,12. Em relação ao registro do ágio, o Contribuinte apresentou o Livro Diário da MISBE de 2006, no qual consta o referido lançamento. Nesse mesmo lançamento, encontrase a observação: “pagamento referente ao ágio na aquisição de investimento DIXIE TOGA conforme contrato de 05/01/2005”. Já em relação ao registro do deságio, informou, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 13 (protocolada em 03/09/2013), que o mesmo foi apurado em janeiro de 1999, apresentando o Livro Diário do ano de 1999 da DT. Após a incorporação da DT pela DIXIE em 29/12/2008, esta iniciou a amortização do ágio a partir de janeiro de 2009, conforme se verifica em sua Escrituração Contábil Digital – ECD, no LALUR e no Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSLL (vide fls. 2860 a 2869). A Autoridade Fiscal ressaltou que o valor de R$ 21.552.780,64, adicionado em 31/12/2011 no LALUR e no Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSLL, referese à mudança do prazo de amortização do saldo do ágio, o qual foi modificado, a partir de 2011, de 10 anos para 17 anos. À fl. 2870 do Termo de Verificação, a Autoridade Fiscal apresenta as despesas contabilizadas na ECD, mais as exclusões realizadas no LALUR e no Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSLL, a título de amortização do referido ágio: Quanto aos valores da tabela acima, esclareceu a Autoridade Fiscal que eles tinham sido ratificados pelo Contribuinte através da resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, protocolada em 07/08/2012. Fl. 3398DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.399 12 A Autoridade Fiscal passa em seguida a tratar da infração apurada. Inicialmente, indicou a falta de propósito negocial da operação de aquisição do controle da sociedade DIXIE TOGA S/A pela MISBE PARTICIPAÇÕES LTDA. Para a Fiscalização, não basta a vontade dos acionistas da MISBE, SH, DT E DIXIE em se submeterem à disciplina atinente ao ato formalizado. Deve estar presente a vontade evidenciada ao realizálo. Nesse sentido, o Código Civil prevê que “nas declarações de vontade se atenderá mais a intenção nelas consubstanciadas do que ao sentido literal da linguagem” (art.112). Argumenta a Autoridade Fiscal que a empresa veículo MISBE (“holding’) foi criada para a realização da aquisição e do pagamento, com ágio, do controle da empresa operacional DIXIE, a qual foi posteriormente incorporada, juntamente com as empresas “holdings” SH e DT, pela empresa operacional DIXIE apenas para fornecer uma aparência de conformidade ao direito, quando o contexto evidencia o fim prático a que o negócio se destinava: a internalização de um ágio pago de fato pela sociedade BEMIS, sediada no exterior, visando uma redução do pagamento de tributos através da dedução de encargos de amortização desse mesmo ágio na DIXIE. A análise da operação em questão não há que ser feita para cada negócio isoladamente, mas em relação ao conjunto de negócios encadeados como um todo. Analisandose a situação existente quando da aquisição do controle da DIXIE pelo grupo BEMIS e a situação final após a última etapa constituída pela incorporação da DT pela DIXIE, podese afirmar que as situações, em termos de controle societário, são as mesmas, ou seja, a DIXIE tinha como controlador direto e indireto a BEMIS (68,65% de participação na DIXIE) e, após a última etapa, a DIXIE continuou a ter, agora como controlador apenas direto, a mesma sociedade BEMIS. O caso em foco é composto de operações estruturadas em sequência, isto é, uma sequência de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o intuito de obter determinado efeito Fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. A primeira etapa foi a constituição da “holding” MISBE em 02/12/2004, tendo como sócios as sociedades BEMIS (99%) e CURWOOD INC (1%) e possuindo um capital social a integralizar de R$ 100,00 (cem reais). Nessa data, a sede da MISBE estava localizada na Av. Guido Caloi, n° 864, ou seja, no mesmo endereço da empresa operacional DIXIE e da DT. A aquisição formal do controle da DIXIE pela MISBE ocorreu logo após, em 05/01/2005. Para a Autoridade Fiscal, fica claro que já havia uma negociação prévia entre a BEMIS e os controladores da DIXIE (as famílias HABERFELD e KLABIN) para a aquisição desta pela BEMIS, aquisição essa que foi realizada formalmente através da empresa veículo MISBE. Caso contrário, questiona a Autoridade Fiscal, como poderia a BEMIS constituir uma “holding” com sede no mesmo endereço da empresa operacional DIXIE antes da efetiva aquisição de seu controle? O Contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal n° 02) a esclarecer o motivo e a necessidade de constituição da sociedade MISBE; esclarecer a razão pela qual a sociedade DIXIE TOGA S/A não ter sido adquirida diretamente pela sociedade BEMIS COMPANY INC, mas sim por intermédio de sua subsidiária integral MISBE PARTICIPAÇÕES LTDA, constituída em 13/12/2004 (início de atividade em 02/12/2004) com um capital social de R$ 100,00. Foi solicitada a apresentação da documentação comprobatória das alegações. Em sua resposta (protocolada em 21/09/2012), o Contribuinte esclareceu que MISBE era necessária de modo a facilitar as negociações e transações com os diversos acionistas (inclusive minoritários) da DIXIE TOGA. Fl. 3399DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.400 13 Com relação à aquisição direta da DIXIE pela BEMIS, disse o Contribuinte que foi uma opção do grupo BEMIS realizar aquisição através da MISBE, holding brasileira do grupo, pois era uma alternativa eficiente, já que se tratava de uma aquisição de controle de empresa aberta negociada em bolsa de valores, envolvendo diferentes partes e pagamentos. A Autoridade Fiscal esclarece que em nenhum momento o grupo BEMIS ou a MISBE foram ao mercado de ações negociar e adquirir o controle da DIXIE. As negociações foram feitas diretamente com os 2 controladores da DIXIE (famílias HABERFELD E KLABIN) e mais 2 pessoas jurídicas (minoritários). Abaixo, reproduzse a tabela de fl. 2873 dos autos. A criação da empresa “holding” MISBE não se justifica apenas para realizar o pagamento pela aquisição do controle da DIXIE, uma vez que as partes envolvidas na negociação basicamente foram as famílias HABERFELD e KLABIN e o grupo BEMIS. E essa negociação foi realizada antes mesmo da aquisição formal ocorrida em 05/01/2005, uma vez que a sede da MISBE no momento de sua constituição era a mesma que a da DIXIE e da DT. A segunda etapa ocorreu em 05/01/2005 com a aquisição do controle da DIXIE pela BEMIS, através da empresa veículo MISBE. Nessa data, a BEMIS remeteu à MISBE a quantia de R$ 631.237.500,00 a título de aumento de capital social e a MISBE realizou nessa mesma data os pagamentos referentes à aquisição de 68,65% de participação direta e indireta na DIXIE. Na tabela de fl. 2874 estão apresentados os beneficiários dos pagamentos (pessoas físicas e jurídicas). A análise das DIPJ da MISBE mostrou que a empresa não possuía qualquer funcionário e não remunerava dirigentes. Questionado a explicar quem eram os responsáveis pelas operações da MISBE e se os mesmos recebiam algum tipo de remuneração (além de outras perguntas), o Contribuinte respondeu que as operações da MISBE eram realizadas por seu Diretor Estatutário, que, na época das operações em exame, era o Sr. Robert Emmet Mescal Jr. O Contribuinte também informou que Robert Emmet Mescal Jr. Era funcionário do grupo BEMIS e, dentre suas funções, desempenhava o papel de Diretor da SH Participações e da DT Participações. Seguindo a política global do grupo, os Diretores eram remunerados por todas as suas atividades, inclusive a de Diretores das referidas empresas, pelo grupo BEMIS. Para a Autoridade Fiscal, das respostas do Contribuinte, ficou claro que a empresa veículo MISBE não operava de fato como uma verdadeira empresa “holding”. Não possuía funcionários, não possuía executivos para gerir e administrar a empresa, não remunerava seu único diretor estatutário, não possuía despesas de aluguel, não possuía qualquer imobilizado, em suma, era um empresa apenas de “papel”, não desempenhando as atividades inerentes a uma “holding”, dentre as quais se destacam (i) a solução de problemas de sucessão administrativa na empresa operacional, treinando sucessores, como também profissionais de empresa, para alcançar cargos de direção; (ii) cuidar da obtenção de financiamentos e empréstimos, possibilitando, assim, maior diversificação de negócios e planejamento estratégico do grupo; (iii) possibilitar melhor equilíbrio perante crises setoriais através da diversificação de negócios aos quais ela está intimamente ligada; (iv) administrar os interesses do grupo, controlar todos os seus negócios, fazer todos os planejamentos, estudos estratégicos e planos táticos de todo o grupo. A análise dos ativos e passivos registrados nas DIPJ da MISBE, juntamente com a sua contabilidade, permite concluir que a MISBE possuía investimentos na SH, DT e DIXIE (SH e DT possuíam investimentos na DIXIE), recebeu dividendos das investidas e realizou despesas referentes a taxas, impostos, encargos bancários e a prestação de serviços de contabilidade por terceiros (pessoa jurídica). A terceira, quarta e quinta etapas se deram através de sucessivas incorporações ocorridas em menos de 30 dias, onde a SH incorporou a MISBE em 01/12/2008, a DT incorporou a SH Fl. 3400DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.401 14 em 02/12/2008 e finalmente a DIXIE incorporou a DT em 29/12/2008. Concluídas as incorporações, a BEMIS passou a deter o controle direto da DIXIE. A Autoridade Fiscal, baseada no que (a) constava no Protocolo de Justificação e Incorporação, assinado entre as sociedades SH PARTICIPAÇÕES S/A e MISBE PARTICIPAÇÕES LTDA e entre as sociedades DT PARTICIPAÇÕES S/A e SH PARTICIPAÇÕES S/A, de que a incorporação da Incorporada na Incorporadora se justificava pelo fato de que a incorporação resultaria na unificação das operações e redução de custos; (b) constava no Protocolo de Justificação e Incorporação, assinado entre as sociedades DIXIE TOGA S/A e DT PARTICIPAÇÕES S/A, que, adicionalmente, a incorporação evitará a duplicidade de custos e a superposição de operações pelas duas sociedades; intimou o Contribuinte (Termo de Intimação Fiscal nº 10) a (i) comprovar através de documentos contábeis, fiscais e outros quais foram as reduções de custos obtidas com as referidas incorporações; (ii) quais operações foram evitadas com as referidas incorporações; (iii) apresentar os documentos comprobatórios das alegações a serem apresentadas. Em resposta ao Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 10, o Contribuinte explicou: “ITEM 03 Como informado anteriormente, a SH Participações e a DT Participações eram empresas holding organizadas em 1995 pelas famílias que eram antigas controladoras da Dixie Toga S/A (famílias Haberfeld e Klabin). Tais empresas foram adquiridas pela Misbe no processo de aquisição do controle acionário da Dixie Toga S/A. Após a aquisição dessas empresas holding pela Misbe, o grupo Bemis decidiu manter essas ativas por determinado tempo. No entanto, considerando que a Misbe, a SH Participações e a DT participações eram empresas holding e considerando haver custo para manutenção dessas pessoas jurídicas ativas (em especial, a manutenção de contabilidade segregada, o cumprimento de obrigações acessórias perante a Receita Federal do Brasil e a organização societária dessas empresas), decidiuse extinguir essas empresas mediante incorporação, em momento posterior.” A Autoridade Fiscal concluiu, das explicações dadas pelo Contribuinte, dos documentos apresentados, bem como dos documentos levantados pela própria Fiscalização, que as reduções de custos obtidas com as referidas incorporações basicamente referiamse a custos contábeis, corroborando com a afirmativa de que a MISBE não atuou de fato como uma empresa “holding”, existindo apenas formalmente no papel. Sobre a última etapa da operação, ou seja, da incorporação da DT pela DIXIE, constava no Protocolo de Justificação e Incorporação, datado de 11 de dezembro de 2008: “IV. FUTURA CAPITALIZAÇÃO DO EFETIVO BENEFÍCIO FISCAL A SER AUFERIDO EM DECORRÊNCIA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO 13. O valor do Ágio, considerando a aquisição direta e indireta do controle acionário da INCORPORADORA em 05 de janeiro de 2005, é de R$ 461.845.299,45, tendo sido fundamentado com base na expectativa de rentabilidade futura. 14. Assim, mediante a incorporação, será constituída uma reserva especial de ágio na INCORPORADORA no valor de R$ 157.027.401,81, equivalente ao benefício fiscal que decorrerá da amortização do Ágio, tendo a INCORPORADA constituído a provisão em montante equivalente á diferença entre o valor do Ágio e o benefício fiscal decorrente de sua amortização, conforme estabelecido no artigo 6o, parágrafo 1o, da Instrução CVM n° 319/99, com suas alterações posteriores. Fl. 3401DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.402 15 Referida provisão encontrase refletida no balanço patrimonial da INCORPORADA levantado em 08 de dezembro de 2008, o qual constitui o balançobase da presente incorporação. 15. Conforme previsto no artigo 7° da Instrução CVM n° 319/1999, com suas alterações posteriores, após o término de cada exercício social e na medida em que a INCORPORADORA vier a auferir benefício fiscal em decorrência da amortização do Ágio e que este benefício representar uma efetiva diminuição dos tributos pagos pela INCORPORADORA, a correspondente parcela da reserva especial de ágio que será constituída em razão da presente incorporação será objeto de capitalização em proveito da acionista BEMIS COMPANY INC.. A capitalização será implementada mediante a emissão de novas ações, ficando o respectivo aumento de capital sujeito ao direito de preferência dos acionistas não controladores da INCORPORADA, na proporção de suas respectivas participações por espécie e classe de ação à época da emissão, sendo que as importâncias pagas por eles no exercício deste direito serão entregues diretamente á acionista controladora da INCORPORADA. O preço de emissão das ações será fixado, a cada capitalização, conforme disposto no parágrafo 1o do Artigo 170 da lei n° 6.404/76, com suas alterações posteriores.”, (g.n.) (negritos feitos pela Fiscalização.) Dos trechos acima, retirados do citado Protocolo de Justificação e Incorporação, a Autoridade Fiscal entendeu ter restado claro que o ágio pago pela aquisição de 68,65% da DIXIE foi de fato pago pela BEMIS. Após as incorporações mencionadas, a BEMIS seria a única a se aproveitar do benefício fiscal proveniente da amortização tributária do ágio. Conclui a Autoridade explicando que a operação estruturouse basicamente em 5 etapas, indicando a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicando, também, uma causa jurídica única. Nenhum motivo autônomo se apresenta nos autos que venha a justificar a realização de cada uma das etapas da operação, ou seja, não existia uma finalidade diferente para cada etapa das operações que as justificasse. A finalidade era única e somente seria obtida ao término de todas as etapas, ou seja, a redução indevida do pagamento de tributos pela DIXIE em função da amortização de um ágio internalizado indevidamente, ágio este pago de fato pela BEMIS (“holding” sediada no exterior). Continuando, a Autoridade Fiscal passou a discorrer sobre os investimentos em aquisições de outras empresas, com ágio ou deságio, que tem o seu tratamento fiscal disciplinado nos artigos 385 e 386 do RIR/99. Disse que, em regra, a legislação veda os efeitos fiscais das contrapartidas da amortização desse ágio ou deságio, exigindo o seu controle em livro fiscal, para permitir o seu cômputo de ganho ou perda de capital quando da alienação ou liquidação do investimento. No plano tributário, enquanto não houver a alienação ou liquidação do investimento adquirido, todo ágio ou deságio, contabilmente amortizado, deve ter anulado seus efeitos fiscais perante o IRPJ e a CSLL, adicionandose o ágio ou excluindose o deságio, mantendose o controle desses valores em livros fiscais próprios para o seu aproveitamento quando da alienação ou liquidação do investimento. Anteriormente, a disciplina criada pelos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/1997, ensejava um costumeiro “planejamento tributário” por parte de “alguns contribuintes”, que consistia em adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária, considerandose o ágio como imediata perda de capital, uma vez que ocorrera a extinção do investimento. Para coibir esse tipo de operação, a Lei n° 9.532/1997 estabeleceu novo tratamento fiscal para o ágio ou deságio na aquisição de investimento em outras empresas, de forma a, considerando a sua fundamentação econômica, somente permitir a apuração da perda ou ganho de Fl. 3402DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.403 16 capital para os casos de extinção do investimento por incorporação, fusão ou cisão das sociedades, não no momento do evento, mas sim, uma vez registrado contabilmente, num prazo de amortização não inferior a 60 meses, conforme disciplinado no artigo 386 do RIR/99, com base legal nos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/1997 e alterações dadas pelos artigos 10 e 11 da Lei n° 9.718/1997. A permissão legal dada pelo dispositivo legal citado para que a empresa resultante da reorganização societária de incorporação, fusão ou cisão, em que houver investimento de uma em outra, adquirido com ágio cujo fundamento econômico seja expectativa de rentabilidade futura, possa apropriar a amortização desse ágio como despesa dedutível, impõe a absorção do patrimônio da incorporada, fusionada ou cindida; pois que, de outra forma, permanecendo a existir o investimento, não se caracteriza a situação prevista na norma, que é exatamente o de estabelecer uma regra de tributação para quando acontece a “confusão patrimonial do investimento”, ou seja, o ágio pago na aquisição da controlada resta desacompanhado de sua origem (conta de investimento). Nas discussões sobre planejamento tributário, o foco não se situa na compreensão da hipótese de incidência da norma tributária, mas, sobretudo, na qualificação dos fatos jurídicos. Somente se pode saber qual é a norma jurídica aplicável ao caso depois que se classifica o negócio jurídico. Primeiro se qualifica o ato para depois se verificar a regra aplicável. No presente caso, o fato jurídico ocorrido é que a empresa investidora, ou seja, a empresa que de fato adquiriu o investimento com ágio, foi a sociedade BEMIS. Todavia, formalmente, quem adquiriu o investimento foi a MISBE. Inicialmente, a sociedade BEMIS adquiriu o controle indireto da DIXIE. Após sucessivas incorporações ocorridas em dezembro de 2008, ou seja, em 01/12/2008, a SH incorpora a MISBE; em 02/12/2008, a DT incorpora a SH; em 29/12/2008, a DIXIE incorpora a DT; a sociedade BEMIS passou a ter o controle direto da DIXIE. Portanto, investidor e investida continuaram existindo. Não houve de fato a “confusão patrimonial do investimento” conforme relatado acima. Às fls. 2882 a 2886, a Autoridade Lançadora apresenta diagramas esquemáticos para visualização dos fatos ocorridos, da transação real, isto é, ocorrida de fato, e também da transação formal engendrada pelo grupo BEMIS. Esclarece a Autoridade Lançadora que a prática adotada pela BEMIS, detentora do controle da empresa fiscalizada, consistiu numa série de procedimentos com o objetivo de construir uma situação contábil que lhe permitisse o aproveitamento (indevido) do benefício fiscal de amortização do ágio previsto no art. 386 do RIR/99, isso sem que a sociedade que efetivamente adquiriu o investimento com ágio liquidasse esse investimento. O que a BEMIS fez foi internalizar um ágio através da MISBE, ágio este que deveria estar registrado na contabilidade da própria BEMIS, uma vez que foi essa sociedade a verdadeira compradora e pagadora por 68,65% de participação na DIXIE. Assim, procedendo a uma série de “reestruturações societárias”, a BEMIS conseguiu i) permanecer com os seus investimentos na DIXIE intocados e; ii) lançar no Ativo Não Circulante, Investimentos, Ágios em Investimentos, da DIPJ 2009 (anocalendário 2008) da sociedade DIXIE um valor igual a R$ 157.027.401,82, que nada mais é que o ágio mais a sua provisão retificadora, valor este que equivale ao benefício fiscal de IRPJ e CSLL sobre o valor do ágio (34% x R$ 461.845.299,45). O fim visado pelo Contribuinte era a utilização do benefício fiscal de redução da carga tributária na DIXIE, cujo permissivo estava condicionado à incorporação/fusão/cisão das empresas investidora investida. Como não era essa a vontade do real detentor do controle da DIXIE, ou seja, a BEMIS, engendrouse o artifício jurídico de constituir uma empresa veículo denominada Fl. 3403DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.404 17 MISBE, a qual serviu como intermediária na passagem do dinheiro referente ao pagamento da aquisição do controle da DIXIE, com o objetivo de internalizar o ágio que de fato deveria estar no exterior (registrado na contabilidade da BEMIS). Finalizada a transação de aquisição do controle da DIXIE, as “holdings” MISBE, SH e DT foram incorporadas de forma a ser possível a amortização tributária do ágio na sociedade DIXIE. O art. 386 do RIR/99, para permitir a dedutibilidade da amortização do ágio, exige a efetiva extinção do investimento através dos institutos da fusão, cisão ou incorporação entre as empresas investidora e investida. Ou seja, a legislação tributária instituiu um disciplinamento para tributação do resultado de um negócio jurídico particular que culmina numa “confusão patrimonial” – o ágio de si mesmo. No presente caso, não houve a requerida unificação patrimonial. Continuou existindo a sociedade investidora de fato, a BEMIS, e o seu investimento, que é a DIXIE (Fiscalizada). Apenas se fabricou na DIXIE o que deveria ser o “ágio de si mesma”. Para a Autoridade Fiscal, tudo não passou de um estratagema para deduzir as despesas de amortização de ágio e obter ganho tributário, gerando prejuízo para o Fisco Federal. Portanto, o ágio não pode ser amortizado em termos fiscais, enquanto coexistirem a sociedade investidora de fato (BEMIS) e a sociedade investida (DIXIE). Se não houver a unificação patrimonial da real investidora e da sua investida, o ágio pago pela aquisição da investida não é amortizável para fins tributários. O Contribuinte amortizou entre janeiro/2009 a dezembro/2011, para fins tributários, o montante de R$ 117.000.808,87 a título de despesa de amortização de ágio na apuração do Lucro Líquido do Exercício, do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, conforme consta na Escrituração Contábil Digital – ECD, no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e no Livro de Apuração da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – LACS: Pelos motivos acima expostos, os valores amortizados na apuração do Lucro Líquido do Exercício, do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social reduziram indevidamente o IRPJ e a CSLL a pagar e, portanto, devem ser glosados nos seguintes montantes: Fl. 3404DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.405 18 Para a Autoridade Fiscal, houve no presente caso a intenção clara e inequívoca de adquirir o controle da DIXIE. Para tanto, foi engendrada uma artimanha jurídica de interpor uma sociedade sediada no Brasil (MISBE) para realizar os pagamentos aos detentores de 68,65% das participações na DIXIE, em 05/01/2005. Assim, entende a Fiscalização que a DIXIE agiu dolosamente ao tentar iludir o Fisco Federal de que a mesma teria o direito à amortização tributária de um ágio que foi pago de fato pela BEMIS, logo não amortizável tributariamente, uma vez que investidor (BEMIS) e investida (DIXIE) continuavam a coexistir após as sucessivas incorporações ocorridas em dezembro de 2008. Além disso, não houve qualquer propósito negocial para a aquisição do controle da DIXIE formalmente pela MISBE. Dessa forma, a multa aplicada ao caso foi a qualificada, de acordo com o previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/1996 e nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, visto que o Contribuinte agiu com dolo, justificando a qualificação da multa aplicada. No ano de 2009, 2010 e de 2011, o Contribuinte optou como forma de tributação do lucro e apuração do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Real Anual. Utilizouse também, para o cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa e para o cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa, do Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, previsto nos art.35 e 57 da Lei n° 8.981/95. Analisandose a Escrituração Contábil Digital ECD, o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e o Livro de Apuração da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – LACS do Contribuinte no período entre janeiro/2009 a dezembro/2011, a Autoridade Fiscal verificou que o Lucro Líquido do Exercício, o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL levantados com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução foram minorados devido à dedução e à exclusão indevidas das despesas de amortização de ágio, conforme demonstrativo de fls. 2895 a 2896 dos autos. Como consequência, houve uma redução dos pagamentos do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido mensais por estimativa, conforme demonstrado na “Planilha IRPJ e CSLL Mensal por Estimativa” (Anexo I do Termo de Verificação Fiscal). A falta de recolhimento da estimativa mensal do IRPJ e da estimativa mensal da CSLL constitui infração prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, implicando em aplicação de multa de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal. No Anexo I do Termo de Verificação Fiscal encontramse os períodos de apuração nos quais a multa foi cobrada e as respectivas bases de cálculo. Conclui a Autoridade Lançadora observando que, em face do disposto na Portaria RFB n° 2439, de 21 de dezembro de 2010, e alterações introduzidas pela Portaria RFB n° 3182, de 29 de julho de 2011, foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais através do processo administrativo sob n° 16561.720.116/201376. Da Impugnação Fl. 3405DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.406 19 Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 1.149/1.187: Inicialmente, a Impugnante discorreu sobre as operações relacionadas com o presente caso, indicando que a empresa Misbe Participações Ltda (“Misbe”), empresa holding brasileira do grupo Bemis, decidiu adquirir o controle acionário da empresa Dixie Toga S/A, como parte de sua expansão mundial de mercado no setor de embalagens. Que todas as operações foram realizadas entre partes não relacionadas, sendo o preço acordado entre as partes pago em moeda corrente através de transferências bancárias e o ágio pago foi fundado em expectativa de rentabilidade futura atestada em estudo elaborado à época das aquisições. A Misbe, então, registrou ágio passível de amortização nos termos do artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda. Tendo em vista o desejo do grupo Bemis de continuar adquirindo ações da Dixie Toga S/A dos acionistas minoritários remanescentes, a Misbe permaneceu em funcionamento até dezembro de 2008, ou seja, por aproximadamente três anos após a aquisição do controle acionário da Dixie Toga S/A. Depois desse período, o grupo Bemis decidiu simplificar sua estrutura societária eliminando todas as empresas holding e, assim, a Misbe foi incorporada pela SH, a SH foi incorporada pela DT e, por fim, a DT foi incorporada pela Dixie Toga S/A, a ora Impugnante. Em virtude dessas incorporações, o ágio registrado pela Misbe compôs o patrimônio vertido na Dixie Toga S/A e esta passou a amortizar o ágio a partir de janeiro de 2009, nos termos do artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda. A Impugnante afirma ter absoluta convicção da regularidade das operações realizadas pela MISBE e, consequentemente, da regularidade do ágio decorrente dessas operações e de sua posterior amortização, para fins fiscais. Não só o ágio foi gerado em total conformidade com as condições legais estabelecidas nos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda, como o propósito negocial da MISBE pode ser claramente demonstrado em seus três anos de duração. A Impugnante também não concorda com a absurda alegação de que as operações realizadas pela MISBE seriam fraudulentas e que teriam sido realizadas com o único intuito de “iludir o Fisco Federal”. Como dito acima, o objetivo das operações foi a aquisição do controle acionário da Dixie Toga S/A de partes não relacionadas com cumprimento de todas as formalidades legais, inclusive perante a CVM, uma vez que se tratava de empresa aberta com acionistas minoritários, o que certamente não foi uma fraude e tampouco teve relação com o Fisco Federal. A defesa apresentada visa demonstrar: (i) a regularidade do registro e amortização do ágio; (ii) a impossibilidade da aplicação da multa qualificada de 150%; (iii) impossibilidade da aplicação da multa isolada de 50%; (iv) a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício; e, por fim (v) decadência do direito de as autoridades fiscais questionarem o ágio. Em julgamento realizado em 26 de dezembro de 2014, a 3ª Turma da DRJ/SPO, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 16 64.386, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.407 20 INCORPORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio poderá amortizar o valor do ágio. Porém, provada a ocorrência de simulação, com a demonstração de que as operações realizadas objetivaram ocultar a real intenção dos atos, é devida a glosa da amortização do ágio deduzido na base de cálculo dos tributos lançados. SIMULAÇÃO. CARACTERÍSTICAS. A simulação é caracterizada pela divergência entre a exteriorização dos atos formalmente praticados e a vontade, a intenção, desejada. Na simulação, os atos praticados pelas partes são desejados apenas na sua forma, mas materialmente objetivase outro resultado. Na simulação, é irrelevante que os atos formais praticados publicamente sejam lícitos, pois esse fato não influi no cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA E EM CURTO INTERVALO DE TEMPO. INCORPORAÇÕES REVERSAS. SIMULAÇÃO. Atos praticados em sequência e num curto intervalo de tempo, ocorrência de incorporações reversas, ausência de propósito negocial, mostram a divergência entre a exteriorização dos atos praticados com a vontade real, descaracterizando a operação praticada cujo objetivo era a utilização do ágio pago efetivamente por empresa situada no exterior. PRECLUSÃO DA LEGALIDADE DA CORREÇÃO DE ATOS PASSADOS PELO FISCO. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. A perda do direito, decorrente da ocorrência do fato decadencial, de se praticar o ato de lançamento não se confunde com a possibilidade de correção de lançamentos contábeis que possuem implicações de ordem tributária. O direito de o Fisco averiguar fatos ocorridos em períodos passados está protegido pela lei, ainda que não seja mais possível efetuar o lançamento, mormente quando esses fatos repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros que implicam em pagamento a menor dos tributos devidos. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. BASES DE CÁLCULO DISTINTAS. As bases de cálculo das multas isolada e de ofício, por falta de recolhimento de antecipação e por falta de pagamento da contribuição ou tributo, respectivamente, são distintas. Constatada a insuficiência de pagamento de estimativas e de pagamento do tributo, verificase a ocorrência de duas infrações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CABIMENTO. Verificado comportamento que se enquadra nas condições previstas na Fl. 3407DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.408 21 legislação tributária para a qualificação da multa de ofício, correta a aplicação do percentual de 150%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Questionamentos dessa natureza não são apreciáveis na esfera administrativa. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. ABRANGÊNCIA. Decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes não vinculam os integrantes das turmas de julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, aplicamse ao próprio processo julgado e apenas servem como referência, seja para o contribuinte ou para o Fisco, conforme o caso. TRIBUTAÇÃO CONEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento conexo o decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 3.273/3.340), onde pugna pela improcedência dos lançamentos, cancelandose os valores de IRPJ e CSLL. (I) Preliminar Da nulidade da decisão de primeira instância por impossibilidade de modificação dos fundamentos do lançamento fiscal; (II) Do Mérito (a) Da Liberdade de autoorganização; (b) Da regularidade da estrutura adotada para aquisição da Recorrente; (c) Do regular registro e amortização do ágio; (d) Da inexistência de simulação ou dolo na operação em exame (e) Da impossibilidade de aplicação concomitante de mulra de ofício e de multa isolada; Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.409 22 (f) Da impossibilidade de aplicação de Juros de mora sobre a multa de ofício; (g) Da Decadência do direito do Fisco de questionar o ágio registrado no ano calendário de 2005; A PGFN apresentou suas contrarrazões às fls. 3.344/3.383, alegando em síntese acerca da: (I) Validade da decisão recorrida e inexistência de inovação do lançamento; (II) Inexistência de decadência para fiscalizar os atos societários que deram origem ao ágio; (III) Ineficácia fiscal do ágio amortizado; (IV) Devida qualificação da multa de ofício; (V) Possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício; (VI) Devida cobrança de juros sobre a multa de ofício. Recebi, por sorteio, o presente auto em 26/01/2017. É o relatório. Fl. 3409DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.410 23 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/POA foi intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e de CSLL em 05/03/2015 (ciência abertura do documento à fl. 3.270), e apresentou em 01/04/2015, recurso voluntário, juntados às fls. 3.273/3.340, tempestivamente, portanto dele conheço. PRELIMINARES 1 Da nulidade da decisão de primeira instância por impossibilidade de modificação dos fundamentos do lançamento fiscal Preliminarmente, alega a recorrente a existência de nulidade na decisão de primeira instância uma vez que a DRJ justificou a manutenção da qualificação da multa de ofício com base na simulação, enquanto a Fiscalização mencionou o dolo, alterando os fundamentos do lançamento fiscal. Entretanto, da análise do TVF, fls. 2.839/2.920, verifico que há menção para justificar o próprio dolo do Recorrente em fatos que para a Fiscalização constituíram em situações simuladas, em que pesem, os seguintes trechos: Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.411 24 Assim, verifico que a Fiscalização deixou clara sim, a situação de simulação para qualificar a multa, e desqualificar as amortizações de ágio realizadas pela Recorrente, caracterizando o intuito doloso do contribuinte. Não havendo o que se falar em inovação da decisão recorrida. Ademais, não verifico qualquer um dos requisitos que dariam ensejo a declaração de nulidade do auto de infração ou da decisão recorrida. Ademais, este contém, dentre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, deixo de conhecer desta preliminar argüida. 2 Da decadência origem do ágio em 2005 Também, a Recorrente pugna pela impossibilidade do Fisco efetuar lançamentos sobre fatos pretéritos, já consumados em razão do decurso do prazo decadencial, uma vez que o ágio, como elemento contábil e societário, surgiu em janeiro de 2005, quando a Misbe adquiriu a participação societária na Recorrente, na SH Participações e na DT Participações, momento em que, nos termos do art. 385 do RIR/99, a Misbe registrou seu investimento na Recorrente, segregando custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e em ágio. No seu entender, numa fiscalização levada a efeito em outubro de 2013, a Autoridade Fiscal não poderia questionar os atos societários que deram origem ao ágio, na medida em que esse direito já teria decaído. Quando da análise da decadência envolvendo fatos pretéritos com repercussão futura, devemos observar o fato que está repercutindo, a fim de avaliar se o Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.412 25 lançamento que está sendo efetuado implica alteração de resultado fiscal alcançado pela decadência. No presente caso, o fato pretérito que está repercutindo no lançamento não é o resultado fiscal de período anterior, mas reorganização societária que a fiscalização imputou artificiosa e simulada, para produzir uma despesa dedutível. E o que está sendo objeto de lançamento não são os atos societários, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por seus agentes, não valida ou invalida atos societários, mas analisa sua repercussão frente à legislação tributária e exige os tributos porventura deles decorrentes. Segue trecho do recente Acórdão nº 9101.002.387, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Luís Flávio Neto, publicado em 14/09/2106: Ocorre que o prazo de decadência em questão apenas começa a fluir a partir do momento em que o contribuinte realiza a amortização do ágio, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do fisco: a partir da dedução das despesas de ágio da base de cálculo do tributo, caso o fisco discorde, deverá lavrar AIIM para a glosa correspondente, o que não seria possível antes da efetiva amortização ter sido levada a termo pelo contribuinte. Dessa forma, tendo em conta que o ágio apurado em 2005 só foi amortizado em 2009 e seguintes, quando fez valerse de sua condição de direito creditório, alterando a base de cálculo dos tributos e, assim, sendo passível de glosa pelo Fisco, entendo adequada a formalização da exigência em tela. Por conseguinte, REJEITO a preliminar de decadência arguida. Assim, meu voto é no sentido também de rejeitar esta preliminar suscitada. MÉRITO Tratase o presente de lançamento em razão da exclusão indevida de valores que reduziram as bases de cálculo de IRPJ e CSLL nos anos calendários de 2009 a 2011, à título de despesas de amortização de ágio em situação que para o Fisco se constituiu como simulada e portanto irregular. Passemos à análise dos fatos: 1) em 2005, o grupo Bemis quis adquirir as ações da Recorrente, que era uma sociedade anônima de capital aberto negociada em bolsa de valores, controladas pelas famílias Haberfeld e Klabin, conforme abaixo: Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.413 26 Para tanto, a Bemis se utilizou de uma empresa holding no Brasil, a Misbe Participações Ltda. (Misbe). E em Janeiro de 2005, a Misbe adquiriu o controle acionário da empresa Dixie Toga S/A, como parte de sua expansão mundial de mercado no setor de embalagens. E para tanto, ela adquiriu as ações da Dixie Toga S/A detidas por pessoas físicas (famílias Haberfeld e Klabin), e ações de empresas holding que detinham ações da Dixie Toga S/A (SH Participações S/A "SH" e DT Participações S/A "DT"). Em seguida, a Misbe iniciou a aquisição de minoritários com a compra de ações da Dixie Toga S/A detidas por pessoas jurídicas (Brampac e Emília Participações). Dessa aquisição a Misbe registrou ágio, conforme art. 385 do RIR/99. Passando a estrutura ter a seguinte forma: Continua a Recorrente, que o grupo Bemis ensejava continuar a adquirir ações da Dixie Toga S/A dos acionistas minoritários remanescentes, a Misbe permaneceu em funcionamento até dezembro de 2008. Quando o Grupo Bemis decidiu simplificar a sua estrutura societária, eliminando todas as empresas holding, e assim sendo, a Misbe foi incorporada pela SH, e a SH foi incorporada pela DT, e, por fim, a DT foi incorporada pela Dixie Toga S/A, ora Recorrente. Passando a estrutura final a seguinte: Fl. 3413DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.414 27 Dessa forma, o ágio registrado pela Misbe compôs o patrimônio vertido na Dixie Toga S/A, e esta passou a amortizar o ágio a partir de janeiro de 2009, nos termos do art. 386 do RIR/99. No caso em tela, a Fiscalização e a decisão a quo refutam a existência da Misbe, já que sem propósito negocial, constituindose tãosomente em empresa veículo para a internalização do ágio, e que após uma série de operações não típicas de mercado, incorporações, realizadas em curtos espaços de tempo, visou unicamente a utilização do ágio pago, implicando em grande "economia" de tributos pela empresa brasileira. E que em resumo, concluiuse que o controle da Recorrente foi de fato adquirido, com ágio, pela empresa americana Bemis, de forma indireta, com a criação de empresa veículo, para que fosse possível o aproveitamento do ágio, através de operações estruturadas em sequência, ocorridas em curto intervalo de tempo, passando a Bemis a ter o controle direto da ora Recorrente, que possui o "direito" de utilizar o ágio. Conforme se verifica dos autos, e da decisão a quo, reiterese que não é caso de ágio gerado artificialmente, mas de ágio decorrente da aquisição pela Bemis da participação societária de 68,65%, que a DT e a SH detinham junto à Dixie, em janeiro de 2005, no valor de R$628.542.301,97,em que foi pago um ágio de R$498.280.833,57, operação com propósito negocial visível e envolvendo pessoas jurídicas independentes, com dispêndio de recursos e com previsão de ganho com base na rentabilidade futura. Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.415 28 A Bemis, é uma empresa fundada nos Estados Unidos, em 1858, produtora de sacos de algodão para grãos e produtos moídos, e desde então vem expandindo e desenvolvendo sua produção e participação no mercado internacional. Assim, em 2004, decidiu adentrar no mercado brasileiro, mediante a aquisição do controle acionário da Dixie Toga S/A, o que ocorreu através da Holding Misbe, em janeiro de 2005, holding esta que foi responsável pela comunicação ao mercado da aquisição do controle da Recorrente, submetida às normas da CVM, bem como em relação às normas relativas aos acionistas minoritários. Em razão inclusive da grande quantidade de acionistas minoritários, a existência da holding se justificou, já que foi ela que adquiriu as referidas ações. Ademais, em razão das taxas cobradas pelos bancos comerciais para a realização das operações de câmbio, conseguiu reduzir o custo das operações. bem como pelo pagamento em 3/4/2006 do ajuste do preço de aquisição às pessoas físicas, no valor de R$9.122.400,00, fls. 2.698/2.699. Dessa forma, mostrouse que a Misbe teve função ao ser constituída, assim como serviu de portavoz com a CVM, sendo responsável por todos os atos. Isso tudo por 3 anos. Isso tudo demonstra que a existência da Misbe não teve o objetivo único, conforme mencionado pela Fiscalização e DRJ, de fraudar o Fisco, com o intuito único de economia tributária. Portanto, aqui, importante ressaltar e pontuar que a fiscalização entende como válida a originação do ágio, bem como seu valor. Isso não é de nenhuma forma aqui atacado. O ponto crucial está criação da empresa Misbe, como empresaveículo e na sequência de operações societárias, incorporação reversa que levaram o ágio inicial para a ora recorrente, que nos termos da lei passou a deter o direito de amortizálo. Nos termos do art. 7º e 8º da Lei 9.532/97, e art. 386, II do RIR/99, a amortização do ágio é um benefício fiscal, expressamente previsto na legislação, que de início possuía foco nas privatizações, porém aplicável a qualquer pessoa jurídica que preencha as condições determinadas pela norma. Nesse termos, os requisitos necessários para fruição de tal benefício são os seguintes: a) efetivo pagamento do valor da compra; b) operação realizada entre partes independentes e não relacionadas; Fl. 3415DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.416 29 c) baseado em documento que comprove a rentabilidade futura, no qual se baseou o ágio. Lembrese que tais requisitos não estão previstos em lei, mas baseados em jurisprudência, e assim, demais elementos podem ou não comprovar a existência ou não do benefício legal. E conforme já dito, esses requisitos foram totalmente preenchidos e nem são aqui discutidos. Assim, passemos à análise daquilo que é crucial: Da Transferência do Investimento Uso de EmpresaVeículo O que a ora Recorrente adquiriu, de fato, foi um investimento com ágio e não a simples transferência de ágio. E tal fato, nos termos da lei, art. 7o e 8o da Lei 9.532/97, passa a ter a dedutibilidade das amortizações. Ora, se os investimentos foram transferidos para a Recorrente, assim como os ágios respectivos, verificase a confusão patrimonial dos patrimônios das investidas pela investidora, passando o ágio a ser dedutível para fins fiscais. Importante trazer aqui o contexto que os fatos aqui tratados ocorreram, conforme trazido pelo Recorrente, quais sejam, aquisição pela Bemis do grupo Dixie Toga no Brasil, o processo pelo qual ocorreram as aquisições de todos os seus controladores, inclusive de acionistas minoritários, e a necessidade da existência da Misbe, holding, responsável por toda a organização no Brasil e o relacionamento mantido com a CVM, e não o da simples e única pretensão de economia tributária. Assim, tendo em vista os diversos princípios a que é dado às entidades empresarias, dentre elas o da liberdade de organização, ela pode dentro da legalidade escolher a que melhor lhe atende, considerando todas as hipóteses e possibilidades a que se adstringe, objetivando o atendimento aos seus objetivos e dos seus acionistas. Ora, a empresa é sujeita a órgão regulador e assim deve obedecer sob pena de sofrer penalidades. A lei fiscal permite a adoção, já que não impede, de empresasveículos e transferências de ágio, da mesma maneira,objetivando a fruição de um benefício fiscal previsto em lei. Ainda, no mesmo sentido, o entendimento do professor Marco Aurélio Grecco1, quando menciona o direito do contribuintes de se autoorganizar, dispondo da melhor forma que lhe aprouver. Como diversas vezes afirmado acima, o contribuinte tem o direito de se autoorganizar; e dispor a sua vida como melhor lhe aprouver; não está obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa. Porém, o que disse acima é que esta reorganização deve ter uma causa real, uma razão de ser, um motivo que não seja predominantemente fiscal. Sublinhei o termo "predominantemente", pois este é o conceito chave. Se determinada operação ou negócio privado tiver por efeito 1 Planejamento tributário, 3ª edição, São Paulo: Dialética, 2011, p. 204. Fl. 3416DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.417 30 reduzir a carga tributária, mas se num motivo empresarial, o direito de autoorganização terá sido adequadamente utilizado. Não haverá abuso! O Fisco nada poderá objetar! (...) Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal,se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. Por outro lado, isto não significa que o Fisco possa simplesmente invocar o abuso para desqualificar o negócio jurídico. Ao contrário, como o negócio jurídico é resultado do exercício de um direito de autoorganização que se apóia no valor liberdade, os negócios lícitos gozam de presunção de não abusividade. Assim, cabe ao Fisco o ônus da prova da finalidade predominantemente fiscal do negócio para que, aí sim, possa justificar a desqualificação. (destacamos) Assim, entendo que plenamente válidas as operações realizados, dentro das razões negociais e regulatórias, não havendo que se falar em dedução indevida do ágio. Trago à colação importante decisão deste CARF, em similar situação caso da CELPE Ac. 1301000.999: A motivação que levou o legislador a editar esta norma reguladora do agir no contexto do PND foi aumentar as ofertas dos participantes do leilão das empresas desestatizadas, mediante a garantia aos investidores da dedutibilidade do ágio pago na aquisição das empresas. Porém, especialmente na privatização das concessionárias de serviços públicos, a norma não alcançaria seu objetivo se não houvesse a permissão para a utilização de incorporação invertida e de empresas veículo. A possibilidade de dedução da amortização é condicionada à junção dos patrimônios. Como os licitantes, na quase totalidade dos casos, são grupos de empresas dos mais diversos setores da economia (grandes construtoras, seguradoras, fundos de previdência, bancos de investimentos, etc.), a junção patrimonial direta, para utilização do benefício, seria impossível. É curial que não era objetivo do PND extinguir as empresas concessionárias de serviços públicos. Por isso, a previsão expressa da possibilidade de operação invertida (a investida absorvendo a investidora). [...] O problema da reorganização societária “ilícita” do ponto de vista tributário está quando a causa, isto é, a função econômico social que o direito objetivo atribui a determinado negócio jurídico, é distorcida para criar, instituir ou estabelecer uma vantagem fiscal. Seria o caso (não presente neste processo) de Fl. 3417DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.418 31 “ágio fabricado internamente”, quando a operação societária cria um ágio artificialmente, para assim obter a vantagem fiscal. O vício está na formação do ágio e não no seu aproveitamento posterior, quando da incorporação. Entretanto, é óbvio que o vício do ágio macula o seu próprio aproveitamento. Mas se o ágio é legítimo como no caso em tela, o seu aproveitamento deve seguir a causa típica estipulada no ordenamento para a incorporação de empresas. Se na compra e venda a causa é a permuta entre a coisa e preço, como asseverou Moreira Alves, na incorporação a causa típica é a absorção de uma ou mais sociedades por outra; esta é a função econômicosocial que lhe atribui o direito objetivo, como deixa patente o art. 227 da Lei nº 6.404/76, verbis: “Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.” A absorção do patrimônio de uma empresa por outra é a finalidade prática a que visam, necessária e objetivamente, quaisquer que sejam as empresas incorporadoras e incorporadas, constituindo, esta, por conseguinte, a sua causa típica. E foi exatamente esta causa típica, a pessoa jurídica absorver o patrimônio de outra, estipulada pelo artigo 7º, III, da Lei nº 9.532/97, como condição para o contribuinte usufruir da regra do benefício fiscal oneroso. Neste caso, a lei concede o benefício fiscal, e condiciona o seu aproveitamento, isto é, a vantagem fiscal estipulada em lei, à pessoa jurídica absorver o patrimônio de outra. Tratase de indução da norma fiscal à realização de absorção de patrimônio de empresa por intermédio de incorporação, cisão ou fusão, o que não passou despercebido do Poder Legiferante, que corroborou isso ao vetar o projeto de lei que pretendia revogar a norma isencional em tela. Assim, por tudo que foi dito acima, entendo, sem nenhuma dúvida, não ter ocorrido, quer simulação, quer abuso de direito e/ou planejamento tributário em desacordo com a lei, mas tão somente a prática de conduta abarcada e induzida pelo ordenamento jurídico, por intermédio das regras estipuladas nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, sem qualquer prejuízo para Fazenda Pública que pudesse caracterizar economia ilícita de imposto, pois a escolha de outras soluções legais e diretas produziria idêntica conseqüência tributária com relação à amortização de ágio feita por intermédio da empresa veículo. O questionamento, do uso indevido de empresasveículo ou a impossibilidade fática de incorporação às avessas são apenas conseqüências de uma intenção do investidor em apenas visar o benefício fiscal de amortização do ágio, fato que, para a fiscalização, não norteia o conceito de propósito negocial ou substância econômica. Fl. 3418DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.419 32 Quanto a utilização de empresasveículo, entendo, não há qualquer vedação, vez que irrefutável a aplicação do art. 2º, § 3º da Lei n. 6.404/76, base legal para a constituição de holdings com o objetivo único de beneficiarse de incentivos fiscais. No que tange à incorporação reversa, esta é totalmente possível no âmbito do direito societário e, ademais, é autorizado por lei que regula especificamente a amortização fiscal do ágio, qual seja, o art. 8º, “b” da Lei nº 9.532/97: “Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” O pressuposto para a permissão de amortização fiscal do ágio é a confusão patrimonial entre investidora e investida, que se consumou, como anteriormente demonstrado (pela redação do art. 7º da Lei nº 9532/97), e nesse contexto, se encaixa a expressa admissão da incorporação reversa ou às avessas pelo art. 8º da Lei nº 9.532/1997. A mera transferência do ágio da investidora para a investida, por meio de veículo, ao final, quando incorporada aquele veículo, demonstra apenas uma conseqüência fática que tem como pressuposto uma autorização legal. Se o legislador permite literalmente a amortização do ágio nos casos de incorporação às avessas, interpretação extensiva e lógica confere legitimidade para o instrumento imprescindível ao atingimento do objeto. Em outras palavras, o gozo do benefício fiscal pela investida só seria possível com a transferência do ágio, vez que este último fora registrado pela investidora. Ademais, na mesma linha de raciocínio, a extinção da participação societária não se torna requisito essencial para a amortização do ágio nos casos em que ocorre a incorporação reversa. Da mesma forma que não faria sentido a manutenção da participação societária e do investimento propriamente dito no caso de incorporação, também não teria qualquer fundamentação lógica a extinção destes no caso de incorporação reversa. Mais uma vez se está diante de caso em que a lei promove interpretação extensiva e lógica conduzindo a possibilidade/necessidade de adequação da norma ao caso concreto. A jurisprudência do CARF aponta para a possibilidade de tal operação societária: ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si sós, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal Fl. 3419DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.420 33 do ágio. (Acórdão nº 1301002.009 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04/05/2016) ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE. Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributários. Se, no momento do lançamento, o Fisco teve acesso ao demonstrativo que fundamentava o ágio e deixou de questionálo, descabe fazêlo em momento processual posterior. (Acórdão nº 1302001.532 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 21/10/2014) Veja, se não fossem as reorganizações que se deram anteriormente, o gozo do benefício fiscal não se concretizaria. A fiscalização deve analisar a operação como um todo, do conjunto de etapas e operações da qual surgiu a composição societária final, e não se baseando em “fotografias estanques”. Em caso análogo ao deste aqui, o acórdão nº 1301001.950, de 02/03/2016, do ilustre Relator Waldir Veiga Rocha: Com a devida vênia, devo divergir. Em outras oportunidades, tenho me manifestado no sentido da ausência de vedação ao procedimento descrito acima (segunda operação), em que uma empresa no exterior, em vez de adquirir diretamente a participação societária em empresa nacional, constitui inicialmente uma outra empresa no Brasil, aporta recursos a esta última e, com esses recursos, adquire a desejada participação societária. Com idênticos fundamentos entendo admissível também a primeira operação, em que a integralização do aumento de capital se faz com a participação societária previamente adquirida com ágio. Em qualquer caso, não se questiona que, a princípio, o “real investidor” é a empresa situada no estrangeiro, desde que foi ela quem arcou com os recursos financeiros para a aquisição da participação societária no país. No entanto, considero legítima sua opção de valerse de outra empresa para tanto, ainda que essa outra empresa venha a ter duração efêmera. Nessa situação, aquele antes denominado “real investidor” deve passar a ser identificado como ”investidor inicial”, posto que o investimento terá sido legitimamente transferido para um novo investidor. E é aí que ocorre a confusão patrimonial entre investidor e investida, exigida pela lei para a amortização fiscal do ágio. Fl. 3420DF CARF MF Processo nº 16561.720115/201321 Acórdão n.º 1301002.434 S1C3T1 Fl. 3.421 34 A forma utilizada, conforme já mencionado, tem base na legislação, tornandose a amortização fiscal do ágio definitivamente passível de ser utilizada e assim ser benefício fiscal nos termos legais, os requisitos formais foram atendidos, assim como os materiais. Da qualificação da Multa Afastada a possibilidade de glosar o ágio aproveitado pela constatação de emprego de empresaveículo, cabe analisar os elementos pelos quais a Fiscalização entendeu que a Recorrente empregou o artifício da simulação, sob o pretexto de atendimento às normas do art. 386 do RIR, que a Bemis tinha a intenção clara e inequívoca de adquirir o controle da Dixie e para tanto, engendrou uma artimanha jurídica de interpor uma sociedade Misbe para realizar os pagamentos aos detentores de 68,65% das participações da Dixie. E que a internalização deste ágio teve como objetivo único a sua futura amortização tributária, visando a redução do pagamento de tributos federais ao Fisco. Tudo isso, agindo de forma dolosa, tentando iludir o Fisco, já que ao formalizar seus registros contábeis e societários de forma a dar uma aparência de correção ao montante do ágio amortizado tributariamente, induzindo a Fiscalização a avalizar uma operação que, nessas circunstâncias, é inoponível à Fazenda. Ora, por todo o já exposto anteriormente, não há que se falar em simulação ou fraude, mas tendo, todos os atos sido praticados nos termos da lei, entendo que não há que se falar em qualificação da multa. Da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício Por todo o exposto acima, em razão do cancelamento do lançamento, não há que se falar em aplicação da multa isolada ou qualquer outra multa. Da exigência de Juros sobre multa de ofício Da mesma forma, em razão do cancelamento do lançamento, não há que se falar em aplicação de juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito voto por DARLHE PROVIMENTO. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 3421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903351/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.992
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.903351/201124 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.992 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 51 /2 01 1- 24 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903351/201124 Acórdão n.º 3302003.992 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.519. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903351/201124 Acórdão n.º 3302003.992 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903351/201124 Acórdão n.º 3302003.992 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903351/201124 Acórdão n.º 3302003.992 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903351/201124 Acórdão n.º 3302003.992 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.001105/2008-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2003
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
Numero da decisão: 9202-005.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 11 05 /2 00 8- 62 Fl. 635DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.158.9541, por meio da qual cobrase contribuição previdenciária sobre valores pagos com o fornecimento de alimentação aos empregados, sem inscrição no PAT e ainda sobre valores pagos à título de ajuda de custo. Na NFLD, originalmente, foram incluídas as contribuições dos empregados e da empresa, inclusive a destinada a outras entidades e fundos. A Delegacia da Receita Federal julgou o lançamento procedente sob o argumento de que a parcela in natura paga à título de alimentação não integra a base de cálculo de contribuições sociais previdenciárias apenas se pagas em estrita conformidade com a legislação de regência e as ajudas de custo não integram o saláriodecontribuição se indenizatórias e eventuais. Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte e juntado às fls. 203/209. Citando jurisprudência defendeu a não incidência de contribuições sobre alimentos fornecidos aos empregados haja vista que as Leis 8.212/91 e 6.321/76 não exigem a inscrição ou cadastro da empresa junto ao Ministério do Trabalho e Emprego como condição para que possa fazer uso do programa de deduções fiscais e ainda que por força do art. 28, §9º, alíneas 'g' e 'm' da citada Lei nº 8.212/91, não haverá a tributação dos valores pagos como ajuda de custos por serem verbas indenizatórias. A 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por meio do acórdão nº 2803001.221, deu provimento em parte ao recurso voluntário para excluir do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação mesmo na ausência de adesão ao PAT. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2003 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. AJUDA DE CUSTO. HABITUALIDADE. VERBA TRIBUTÁVEL. 1. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. As verbas pagas a título de ajuda de custo em caráter habitual integram os salários dos empregados, atraindo a incidência, sobre elas, da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10675.001105/200862 Acórdão n.º 9202005.383 CSRFT2 Fl. 636 3 A Fazenda Nacional, citando paradigmas, apresentou recurso especial sob o argumento de ser devida a incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílioalimentação sempre que não for observada a legislação previdenciária, sobretudo quando tal verba for paga em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões e também Recurso Especial o qual não foi conhecido nos termos do despacho de exame e reexame de admissibilidade. A parte foi devidamente notificada. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido, razão pela qual reitero o despacho da autoridade competente. Do mérito: Conforme consta do relatório, discutese se o valor despendido pelo Contribuinte para o fornecimento de alimentação aos seus empregados, ainda que não tenha promovido o respectivo registro no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, comporiam o conceito de saláriodecontribuição para fins de incidência da Contribuição Previdenciária, haja vista a restrição imposta pelo art. 28, §9º, alínea 'c' da Lei nº 8.212/91. Importante destacar que consta do Relatório Fiscal que a autuação da parte que nos interesse se deu em razão do lançamento "PAT Despesas com Alimentação NÃO declaradas em GFIP Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social" foram apurados a partir da contabilidade referentes ao custeio de despesas com alimentação e ainda esclarece "Como os valores foram levantados com base na contabilidade, onde não existe uma individuação das despesas com alimentação por segurado, e, nem a participação por parte dos segurados destas despesas, na apuração das contribuições sociais, as alíquotas aplicadas foram: 20% para a parte da empresa, 3% ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT, antigo SAT/RAT) e 5,8% de Terceiros (Salário educação, INCRA, SLSI, SENAI, SESI e SEBRAE). A alíquota da parte dos segurados foi aplicada em seu valor mínimo, nos termos do art. 599 da Instrução Normativa MPS/SRP 03, de 14/07/2005". O acórdão recorrido, analisando os dados do processo e com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça para qual o auxílio alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, entendeu que a verba discutida no processo Fl. 637DF CARF MF 4 não possui natureza salarial, sendo inclusive desnecessária a inscrição do empregador no PAT. Concluiu o acórdão: "pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, darlhe parcial provimento. Fica excluída do lançamento a parcela in natura para à título de alimentação. Em momento algum o Recurso Especial discute a natureza da verba, ou seja, não se questiona o entendimento de que no presente caso ocorreu o fornecimento de alimentação sob a modalidade in natura. O recurso possui como única fundamentação para reforma do acórdão o suposto descumprimento pela empresa do art. 28, §9º, alínea 'c' da Lei nº 8.212/91, uma vez que não foi realizada a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Assim, não resta a esta Câmara Superior contestar a decisão do Colegiado a quo confirmada pela recorrente de que no presente caso estaríamos diante do fornecimento de alimentação in natura. Partindose dessa premissa, o apelo da Fazenda Nacional não merece ser acolhido, pois a situação narrada se ajusta exatamente no caso tratado pelo parecer da PGFN/CRJ nº 2.117/11 o qual reproduz o entendimento consolidado do Superior Tribunal Justiça. Vale citar partes do parecer: O presente Parecer tem como escopo analisar a viabilidade de edição de ato declaratório, com base no art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 20021 , e no art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 19972 , que dispensa a apresentação de contestação, a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos em relação às demandas/decisões judiciais que fixam o entendimento de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária. ... A análise em comento decorre da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça ─ STJ no sentido de que o auxílio alimentação in natura, por não possuir natureza salarial, não é passível de incidência de contribuição previdenciária. ... Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento a produtividade e eficiência funcionais. Em virtude do parecer foi editado o Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional o qual autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10675.001105/200862 Acórdão n.º 9202005.383 CSRFT2 Fl. 637 5 que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.” Por meio de despacho, publicado em 24.11.2011, o Ministro da Fazenda aprovou o citado Ato Declaratório nº 03/2011, fato de grande importância para desfecho da lide na medida em que nestas circunstâncias tratase de entendimento que vincula os integrantes deste Colegiado por força do art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: ... c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Diante do exposto, nego provimento ao recurso para, aplicando o Ato Declaratório da PGFN nº 03/2011, manter a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902203/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 18/01/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 22 03 /2 01 2- 84 Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10820.902203/201284 Acórdão n.º 3401003.625 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 18/01/2008 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10820.902203/201284 Acórdão n.º 3401003.625 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10820.902203/201284 Acórdão n.º 3401003.625 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10820.902203/201284 Acórdão n.º 3401003.625 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003488/2005-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que entenderam não ser necessária a conversão em diligência.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que entenderam não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280100.371, prolatado pela 1a Turma Especial da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 10 de março de 2010 (efls. 150 a 157). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 03 48 8/ 20 05 -6 4 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Resolução nº 9202000.061 CSRFT2 Fl. 215 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Comprovado que as informações constantes de sua DITR são fidedignas e foram objeto de comunicação a órgão de fiscalização ambiental, cabe restabelecêlas. Recurso provido. Decisão: por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende votaram pelas conclusões. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 14/04/2011 (efl. 162), esta apresentou, em 19/04/11 (efl. 160), Recurso Especial (efls. 161 a 178 e anexos), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à necessidade de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e utilização limitada/Reserva Legal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30239.233, de 29 de agosto de 2008, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Turma Especial do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 39100.037, prolatado em 21 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 30239.233 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÀREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO.DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel. VTN Deve ser mantido o VTN apurado pela fiscalização quando não apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Resolução nº 9202000.061 CSRFT2 Fl. 216 3 Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, relator e Marcelo Ribeiro Nogueira que davam provimento parcial. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Acórdão 39100.037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) A decisão vergastada, colidiu com a jurisprudência de outras Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes, no ponto em que os demais órgãos julgadores exigem a apresentação do ADA ou requerimento tempestivo deste para exercícios posteriores à Lei no. 10.165, de 27 de dezembro de 2000, considerando a alteração promovida na redação do art. 17 O da Lei no. 6.938, de 31 de agosto de 1981; b) Nos presentes autos, da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, confirmase o não cumprimento da exigência da apresentação tempestiva de ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado, relativamente ao ITR dos exercício de 2002, em contrariedade ao disposto no artigo 17O, da Lei no. 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1° da Lei no.10.165, de 2000, c/c arts. 10, inciso II, da Lei no. 9.393, de dezembro de 1996 e artigos 17 da IN SRF no. 60/2001 e 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002; c) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10 da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Resolução nº 9202000.061 CSRFT2 Fl. 217 4 deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN. Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração; d) Ressalta que tal obrigatoriedade para a não incidência tributária foi instituída através de dispositivo legal (art. 17O da Lei 6.983, de 31 de agosto de 1981, com redação dada pelo art. 1o. da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000). Cita que tal obrigatoriedade já havia sido estabelecida pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97 e posteriores, pelo Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; e) Entende, citando jurisprudência administrativa deste CARF a propósito, como inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." f) Ressalta que, no caso concreto, embora regularmente intimado para tanto, o contribuinte não apresentou ADA ou o seu requerimento, protocolados tempestivamente, junto IBAMA, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente e reserva legal. Com efeito, conforme pontuado pelo voto condutor da decisão atacada, o ADA (fl. 74) somente foi apresentado com data de protocolo extemporânea (14/06/2005, com data de recepção no IBAMA de Irati/PR em 24/09/2004); f) Destaca que há lei, estabelecendo de forma expressa, a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de reconhecimento do direito isenção em relação ás áreas de utilização limitada/reserva legal. Ora, sendo assim, não pode o julgador administrativo, apenas com base na verdade material e sem qualquer outro fundamento, desconsiderar dispositivo expresso de lei (em especial, o art. 17O, da Lei no. 6.938, de 1981) e normas regulamentares expedidas em conformidade com seu substrato de validade pela autoridade competente (Instruções Normativas da SRF). Entenderse o processo administrativo fiscal dessa forma significaria subverter o princípio da legalidade: ainda que a aplicação do principio da verdade material tivesse lugar no presente feito, o que se considera apenas para fins de debate, devese assentar que sua aplicação não é absoluta, de modo que não se presta a afastar a aplicação de dispositivo legal, válido e vigente; g) Cita posicionamento da 3a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em linha com o esposado no pleito recursal. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Resolução nº 9202000.061 CSRFT2 Fl. 218 5 Requer, assim, o conhecimento e o provimento do recurso para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja consagrada a exigência de apresentação tempestiva de ADA ou de seu requerimento relativo às áreas de preservação permanente e reserva legal. O recurso foi admitido, consoante despachos de efls. 193 a 195. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 22/09/2014 (efl. 199), o contribuinte apresentou, em 26/09/2014. contrarrazões de efls. 203 a 210, onde defende que o posicionamento esposado pela Procuradoria da Fazenda Nacional encontrase superado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e deste Conselho, citando e colacionando a propósito diversos Acórdãos daquele e deste Tribunal neste sentido. Requer, assim, que o Acórdão recorrido seja mantido em sua íntegra. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Preliminarmente à análise do recursal, verifico que o exame de admissibilidade de efls. 193 a 195 possui lapso que deve ser saneado antes do julgamento do feito, qual seja: Ainda que permaneçam em litígio, in casu, as glosas perpretadas pela autoridade fiscal referentes às áreas de preservação permanente e utilização limitada declaradas pelo contribuinte (vide efl. 59), glosas estas rejeitadas em sede de Recurso Voluntário e objeto do recurso fazendário, limitouse o referido exame de admissibilidade a manifestarse acerca do seguimento do recurso no que tange às áreas de preservação permanente, conforme se pode depreender da leitura conjunta dos seguintes excertos finais do despacho à efl. 194: "(...) Por outro lado, o entendimento firmado nos paradigmas é no sentido de que a apresentação do ADA junto ao IBAMA dentro do prazo legal é imprescindível para a comprovação da isenção legal das áreas de preservação permanente. Portanto, está patente a divergência jurisprudencial.(grifei) Nesse sentido, considerando que os paradigmas foram proferidos por órgãos julgadores diferentes daquele do presente processo, não foram reformados e a matéria tratada não é objeto de súmula, proponho o seguimento do Recurso Especial da PFN." Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a câmara recorrida promova a complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, manifestandose agora expressamente também acerca do seguimento ou não do recurso quanto à glosa da área de utilização limitada de 403,6 ha. que permanece em litígio. É como voto. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10950.003488/200564 Resolução nº 9202000.061 CSRFT2 Fl. 219 6 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.001428/00-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/1995, 30/06/1995
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL.
1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, e nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
2. Não havendo pagamento e nem confissão dos débitos de IRPJ referentes aos meses de maio e junho de 1995, apurados na modalidade do lucro real mensal, resta afastada a decadência, e o autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais matérias constantes do recurso voluntário, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente.
Numero da decisão: 9101-002.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/1995, 30/06/1995 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, e nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2. Não havendo pagamento e nem confissão dos débitos de IRPJ referentes aos meses de maio e junho de 1995, apurados na modalidade do lucro real mensal, resta afastada a decadência, e o autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais matérias constantes do recurso voluntário, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 14 28 /0 0- 63 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 3 2 dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 140100.241, de 20/05/2010, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência e deu provimento a recurso voluntário apresentado pela contribuinte. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: DECADÊNCIA O mero inadimplemento não é suficiente para imputar ao contribuinte prática de dolo ou fraude, mesmo porque, se assim fosse, não haveria auto de infração ou lançamento direto que se fugisse à referida exceção. Portanto, ante a ausência de prática de dolo ou fraude, o prazo para homologação será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência e dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos que fará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 4 3 Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: SÍNTESE DOS FATOS tratase de lançamento de IRPJ em face do contribuinte, relativamente aos fatos geradores ocorridos em maio e junho de 1995; apreciando recurso voluntário, a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de voto, deu provimento ao recurso para reconhecer a decadência, com base no art. 150, §4º do CTN, mesmo diante da ausência de pagamento do tributo; entretanto, o r. acórdão diverge da jurisprudência mantida por este e. Conselho, sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do tributo, devendo, portanto, ser reformado; DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. a respeito do prazo para o lançamento dos tributos sujeitos a homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado no acórdão ora impugnado nesta via recursal, e está representado no acórdão paradigma cuja ementa está abaixo transcrita: Acórdão nº 910100.460 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. quando o sujeito passivo da obrigação tributária antecipa o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4° do CTN; por outro lado, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art. 173, I, do CTN; no caso em tela, não consta pagamento do tributo nos autos. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial, não deve ser aplicado o art. 150, §4º, CTN, e sim, o art. 173, I, do CTN; dessa forma, demonstrado o dissídio jurisprudencial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso, consoante o disposto no artigo 67 do Anexo II do RICARF; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 5 4 no caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo. Portanto, em face da ausência de pagamento, cabível é a aplicação do art. 149, V, do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de oficio pela autoridade administrativa; ora, se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de oficio (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de oficio da administração (CTN 149, V); não há que se falar em homologação do art. 150 do CTN prolatável no prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de oficio, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do art. 173 do CTN; nesse sentido já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (Resp 614833, Min. Rel. Castro Meira, 2ª Turma, julgado em 21/03/2006, DJ de 30/03/2006); como os fatos geradores ocorreram em maio e junho de 1995, o lançamento do tributo poderia ter sido efetuado em 1995, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse conduzido para o dia 1° de janeiro de 1996 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 01.01.2001. Como a ciência do lançamento aconteceu em 17.07.2000 (fls. 39), não houve lançamento a destempo; diante disso, merece reforma o acórdão recorrido, pois o crédito tributário foi regularmente constituído no prazo legal, de acordo com a norma de direito aplicável espécie; DO PEDIDO em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso especial, para afastar a decadência nestes autos. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, a Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1400 00.264, de 24/01/2011, admitiu o recurso especial com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] O acórdão recorrido recebeu a ementa abaixo: [...] No respectivo relatório, consta que houve redução indevida do lucro real caracterizada por compensação integral com prejuízo fiscal, com desrespeito da trava de 30%, de onde se depreende a ausência de recolhimento por parte do contribuinte com relação aos meses de maio e junho do anocalendário de 1995. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 6 5 Por sua vez, a recorrente aduz haver interpretação divergente conferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme o seguinte julgado: [...] Da simples leitura, é possível identificar a divergência jurisprudencial quanto à interpretação da lei tributária relacionada à contagem do prazo decadencial, na hipótese de inexistência de recolhimentos por parte do sujeito passivo. Presentes os requisitos de admissibilidade, PROPONHO, com base no artigo 25 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 256, de 22/06/09, c/c itens 4.1 e 4.3 da Ordem de Serviço CARF n° 01, de 22/10/09, seja ADMITIDO o recurso especial interposto. Em 24/07/2012, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 140100.241, do recurso especial da PGFN e do despacho que admitiu o referido recurso, e em 02/08/2012 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: PRELIMINARMENTE AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE A DECISÃO RECORRIDA E O ACÓRDÃO PARADIGMÁTICO a ora Recorrente, ao defender a suposta incidência da regra de contagem prevista no artigo 173, I, do CTN ao presente caso, traz como paradigma o Acórdão n° 9101 00.076, no qual sobreveio o entendimento de que, quando o contribuinte apura a ausência de qualquer tributo a recolher, inexistindo pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento deveria ter sido realizado; a transcrição abaixo, extraída do Acórdão n° 910100.076, exprime bem os contornos fáticos do caso paradigmático trazido pela Recorrente: "No caso em comento, o lançamento diz respeito a fatos geradores ocorridos no período de setembro a dezembro de 1993, havendo sido lançados o IRPJ e a CSLL (fls. 2/14), e a ciência ocorreu em 16/12/1998. Na DIPJ do anocalendárío correspondente, fls. 19/27, consta que para esses quatro meses não foi apurado imposto ou contribuição a pagar." como se depreende da transcrição acima, tratase de caso em que o contribuinte, conforme informações extraídas de sua DIPJ, não apurou qualquer imposto ou contribuição a recolher; já o presente caso apresenta contorno fático diverso, uma vez que houve efetivamente a prévia declaração de tributos, na qual o contribuinte apurou o imposto devido, compensandoo com prejuízos fiscais acumulados sem observar os limites trazidos pela Lei 8.981/95, o que afasta a aplicação conjunta das regras do art. 150, §4º, com o art. 173, I, do CTN; Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 7 6 isso porque, desde a entrega da respectiva declaração, o Fisco já estava munido dos elementos necessários à homologação, ou não, do procedimento levado a cabo pela Recorrida; tratamse, portanto, de duas situações diversas: no acórdão paradigmático, não houve pagamento antecipado porque o contribuinte, suprimindo informações do Fisco em sua DIPJ, deixou de apurar qualquer valor a recolher, ao passo que, no presente caso, a Recorrida efetivamente calculou o IRPJ devido, tendo somente utilizado prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores para compensação; dessa forma, estando configuradas duas situações fáticas diversas, não resta alcançada a comprovação da divergência, pressuposto este necessário ao recurso especial; mas não é só; AUSÊNCIA DO COTEJO ANALÍTICO ENTRE OS ACÓRDÃOS DIVERGENTES se não bastasse a ausência de similitude fática entre os casos confrontados, há ainda que se pontuar a carente fundamentação desenvolvida pela Recorrente, que, a despeito da norma prevista no §6° do artigo 67 do RICARF, limitouse a colacionar a ementa do Acórdão Paradigmático n° 910100.076, sem, contudo, realizar qualquer demonstração analítica da divergência; e isso, por si só, representa causa de inadmissão do recurso ora respondido, conforme entendimento consolidado por esta E. CSRF (Acórdão nº 910100.631); uma vez que a Recorrente limitouse a transcrever a ementa do Acórdão n° 910100.076, deixando de realizar qualquer espécie de demonstração analítica das eventuais divergências, não há como ser conhecido o recurso ora respondido; MÉRITO não obstante a exposição dos argumentos que comprovam a imposição de não conhecimento do recurso especial ora contestado, posto que não cumpre com os pressupostos que delimitam sua hipótese de cabimento, o v. acórdão recorrido também merece ser mantido integralmente pela análise do mérito da controvérsia; o legislador infraconstitucional, ao editar o art. 150 do CTN, impôs ao Fisco o direito de constituição do crédito tributário pelo prazo de cinco anos contados do fato gerador, impedindo que este seja constituído após este período, cujo pressuposto deverá incidir nos casos em que houve efetivamente a prévia declaração de tributos, na qual o contribuinte, ao invés de realizar o pagamento antecipado, compensou prejuízos fiscais acumulados; diante disso, descabe suscitar a incidência conjunta das regras do art. 150, §4º, com o art. 173, I, do CTN, uma vez que, desde a entrega da respectiva declaração, o Fisco já possuía todos os elementos necessários à homologação, ou não, do procedimento adotado pelo contribuinte; Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 8 7 ou seja, desde a entrega da DCTF, DIPJ e respectivo LALUR, o Fisco já possuía os elementos necessários à confirmação da compensação do prejuízo fiscal acumulado, mais especificamente do lucro ajustado do período em que o imposto incidiu; dessa forma, munidas das informações prestadas pela Recorrida, caberia às autoridades fazendárias procederem à fiscalização dos créditos e débitos apurados pelos contribuintes, sob pena de, em não o fazendo a tempo e modo, perderem o direito de revisão; não há como se aplicar o entendimento defendido pela Recorrente de que incidiria a regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN; isso porque, além da ausência de pagamento, que não é o presente caso, no qual houve compensação de prejuízos fiscais, devese confirmar quais foram os elementos que justificaram os procedimentos admitidos pelo contribuinte, não sendo possível atribuir à compensação de prejuízos fiscais os mesmos contornos fáticos de caso em que o contribuinte simplesmente permanece omisso; não há, portanto, a alegada "omissão" defendida pela Recorrente, mas sim procedimento de apuração de tributo mediante consideração de prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores; dessa forma é que, mesmo sem pagamento antecipado, havia o que se homologar, mais especificamente a redução do lucro ajustado do período por meio da compensação de prejuízos fiscais acumulado, o que levou à supressão de eventual recolhimento antecipado por parte da Recorrida; seguindo essa linha, tratandose especificamente da compensação de prejuízos fiscais por parte dos contribuintes, o E. Superior Tribunal de Justiça mantém a incidência da regra decadencial prevista no artigo 150, §4°, do CTN (REsp 898459/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14/10/2008, DJe 06/11/2008); concluise, portanto, que, se a ausência de pagamento antecipado decorreu unicamente da consideração de prejuízos fiscais acumulados, cujas bases haviam sido efetivamente informadas ao Fisco, deverá incidir a regra de contagem prevista no artigo 150, §4°, do CTN, não sendo legítimo presumir qualquer espécie de omissão por parte da Recorrida; PEDIDO por todas as razões acima expostas, o Recurso Especial ora respondido não merece sequer ser conhecido, (i) seja porque a tese veiculada no Acórdão n° 910100.076, utilizado como paradigma, não apresenta os mesmos contornos fáticos do presente caso, (ii) seja porque o cotejo analítico é manifestamente insuficiente para demonstrar, de modo claro e preciso, a existência de divergência jurisprudencial, tendo a Recorrente se limitado a transcrever a ementa do referido julgado; no entanto, se ainda assim entenderem Vossas Senhorias pelo seu conhecimento, o Recurso Especial não comporta provimento pelo fato de que, tratandose da compensação de prejuízos fiscais, mesmo sem o pagamento antecipado do tributo, caberia à autoridade fiscal, dentro de 5 (cinco) anos a contar dos respectivos fatos geradores, homologar ou não o procedimento admitido pelo contribuinte, considerandose, para tanto, a regra de contagem prevista no artigo 150, §4º, do CTN; Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 9 8 por fim, na remota hipótese de o Recurso Especial ora respondido ser provido, o que se suscita apenas por hipótese, que haja a devolução do restante da matéria suscitada pela Recorrida em seu Recurso Voluntário para julgamento pela Primeira Seção de Julgamento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ sobre fatos geradores ocorridos nos meses de maio e junho de 1995, realizado na modalidade do lucro real mensal. A autuação fiscal se deu em razão de a contribuinte ter realizado a compensação integral do lucro real apurado nestes meses com prejuízos fiscais de períodos anteriores, sem observar o limite de 30% previsto no art. 42 da Lei n.° 8.981/95 e no art. 12 da Lei n.° 9.065/95. A ciência do lançamento ocorreu em 17/07/2000. O litígio que remanesceu para essa fase de recurso especial diz respeito à decadência do crédito tributário. O entendimento manifestado na decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido) é no sentido de que, ante a ausência de prática de dolo ou fraude, o prazo para homologação será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende não apenas da ausência de dolo/fraude, mas também da presença de pagamento (ainda que parcial). A contribuinte, em sede de contrarrazões, busca a manutenção da decisão de segunda instância administrativa, que reconheceu a decadência do crédito tributário. Mas antes de abordar o mérito dessa questão, ela apresenta duas preliminares de não conhecimento do recurso especial da PGFN. Ela alega: (1) que a tese veiculada no Acórdão n° 910100.076, utilizado como paradigma, não apresenta os mesmos contornos fáticos do presente caso; e (2) que o cotejo analítico feito pela PGFN é manifestamente insuficiente para demonstrar, de modo claro e preciso, a existência de divergência jurisprudencial, tendo a Recorrente se limitado a transcrever a ementa do referido julgado. As preliminares são improcedentes. O primeiro aspecto a destacar é que as diferenças nos contornos fáticos dos acórdãos recorrido e paradigma não prejudicam em nada a caracterização da divergência jurisprudencial. É equivocada a alegação da contribuinte de que no caso do acórdão recorrido houve efetivamente a prévia declaração de tributos; que ela apurou o imposto devido, compensandoo depois com prejuízos fiscais acumulados; que no caso paradigma houve a Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 11 10 supressão de informações do Fisco, e não se apurou qualquer valor a recolher, ao passo que, no presente caso, a Recorrida efetivamente calculou o IRPJ devido, tendo somente utilizado prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores para a compensação. Tanto no recorrido quanto no paradigma não houve apuração de imposto a recolher. Isto porque a compensação de prejuízo fiscal (que é uma base de cálculo negativa) se dá com a própria base de cálculo de períodos posteriores. Este tipo de compensação se dá em nível de bases de cálculo. O prejuízo fiscal de um período não é compensável com o imposto apurado em período posterior. Ao realizar a compensação de prejuízo fiscal, sem respeitar a chamada trava de 30%, a contribuinte anulou toda a base de cálculo (lucro real mensal) que seria tributada nos períodos em questão, o que resultou na não apuração de imposto a recolher. Aliás, foi justamente isso que motivou o presente lançamento. Se o imposto tivesse sido apurado e declarado/confessado pela contribuinte, não haveria razão para o lançamento de ofício. Não está em questão aqui a espécie ou a gravidade da infração praticada. A divergência sobre a decadência não gira em torno da presença ou não de dolo/fraude. Isso não está em discussão, até porque o lançamento foi realizado com a multa de 75%. O que está em discussão é a relevância ou não da presença de pagamento (ainda que parcial) para fins de definição da regra de decadência, pouco importando se há alguma diferença no tipo de infração que motivou o lançamento de ofício. Novamente, o que importa para a caracterização da divergência, neste caso, é que tanto no recorrido quanto no paradigma não houve apuração de tributo a recolher; que, por via de consequência, também não houve nenhum recolhimento de tributo; e que, diante dessas mesmas circunstâncias, as decisões cotejadas seguiram caminhos diferentes em relação à regra de contagem de decadência, o que caracteriza a divergência jurisprudencial. Rejeito, portanto, a primeira preliminar de não conhecimento do recurso. Ainda em sede de preliminar, a contribuinte alega que a PGFN se limitou a colacionar a ementa do Acórdão Paradigmático n° 910100.076, sem realizar qualquer demonstração analítica da alegada divergência. A exigência em relação à demonstração analítica da divergência varia caso a caso. Em relação a estes autos, conforme consta do despacho de admissibilidade do recurso especial, o simples cotejo das ementas basta para identificar a divergência jurisprudencial quanto à interpretação da lei tributária relacionada à contagem do prazo decadencial, na hipótese de inexistência de recolhimentos por parte do sujeito passivo. O acórdão recorrido, aderindo à jurisprudência do CARF da época em que ele foi exarado, decidiu a questão da decadência com base no entendimento de que a regra do art. 150, §4º, do CTN (decadência contada a partir do fato gerador) só é afastada diante da prática de dolo ou fraude; enquanto que o acórdão paradigma vê outro motivo para o afastamento dessa mesma regra, qual seja, a ausência de recolhimento do tributo. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 12 11 A PGFN não só transcreveu a ementa do acórdão paradigma, como também apresentou a lógica de sua conclusão, e ainda esclareceu que a contribuinte (igualmente ao que ocorreu no paradigma) não realizou nenhum pagamento relativamente ao crédito tributário em questão. A percepção da divergência em pauta realmente não demanda grande esforço. Sua demonstração analítica está caracterizada. Nestes termos, também rejeito a segunda preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN. Em relação ao mérito, o acórdão recorrido aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador; que a exceção a esta regra, nos termos do entendimento solidificado no âmbito do CARF, ocorre apenas quando se comprovar a existência de dolo ou fraude; e que ante a ausência de prática de dolo ou fraude, o prazo para homologação será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Entretanto, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 13 12 De acordo com o STJ, mesmo não havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, não havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, há ainda duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, ao tratar da decadência das exações fiscais, considerou que a regra do art. 150, §4º, do CTN (decadência contada a partir do fato gerador) só deveria ser afastada diante da prática de dolo ou fraude, pelo que essa decisão merece ser reformada. Com efeito, está comprometido o seu fundamento, amparado num entendimento já superado, de que a única exceção à regra do art. 150, §4º, do CTN, seria a caracterização de dolo ou fraude por parte do contribuinte. Vêse que, em sede de contrarrazões, a contribuinte procura insistir na antiga jurisprudência do CARF, dando relevância apenas à atividade exercida pelo sujeito passivo (homologação de procedimento), e não à presença ou ausência de pagamento, mas esta jurisprudência está totalmente superada, principalmente em razão da referida decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme já mencionado, ao realizar a compensação de prejuízo fiscal, sem respeitar a chamada trava de 30%, a contribuinte anulou toda a base de cálculo (lucro real mensal) que seria tributada nos períodos em questão, e não apurou nenhum imposto a recolher. Como não apurou imposto a recolher, não efetuou nenhum pagamento. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão de alguma parte dos referidos débitos, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, o que resulta no afastamento da decadência que havia sido reconhecida anteriormente. Realmente, como os fatos geradores ocorreram em maio e junho de 1995, o lançamento do tributo poderia ter sido efetuado em 1995, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse conduzido para o dia 1° de janeiro de 1996 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Contandose cinco anos, tem Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13808.001428/0063 Acórdão n.º 9101002.857 CSRFT1 Fl. 14 13 se que a decadência ocorreria em 01.01.2001. Como a ciência do lançamento aconteceu em 17.07.2000, não houve lançamento a destempo. Revertendose a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária do CARF para que se sejam examinadas as demais matérias constantes do recurso voluntário, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente. Tais matérias foram tratadas nos seguintes tópicos do recurso voluntário: "b) Da inexistência de imposto a recolher no final do anocalendário de 1995", "c) Da necessidade de consideração da opção do contribuinte pela apuração do lucro real no regime anual"; e "d) Da obrigatoriedade quanto à busca da verdade material pela fiscalização". Nestes termos, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência do lançamento de IRPJ referente aos meses de maio e junho de 1995, e devolver os autos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais matérias constantes do recurso voluntário, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 238DF CARF MF
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