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Numero do processo: 10111.720866/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/06/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA AUTUADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA.
O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Em sintonia com o princípio pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo), a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo.
Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais lavrou o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao sujeito passivo pela Constituição Federal, retratado nas alegações aduzidas na sua peça recursal.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA. NATUREZA ADMINISTRATIVA/ADUANEIRA COM FOCO NA MERCADORIA EM FACE DO IMPORTADOR/EXPORTADOR OSTENSIVO.
A pena de perdimento da mercadoria, em decorrência da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior, é tipificada no inciso V do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976.
O objeto primário da reprimenda aduaneira à interposição fraudulenta é a apreensão da mercadoria em face, primeiro, do importador ou exportador ostensivo, podendo ainda responder pela infração terceiro que concorreu para a prática delituosa (artigo 95 do Decreto-lei nº 37/66).
A sanção decorrente da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior (inciso V do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/76) repercute na própria mercadoria, que, em tais casos, é expropriada do sujeito passivo, sendo tal inflição substituída pela multa equivalente ao valor dos produtos apenas nos casos em que inexiste a possibilidade de sua apreensão (vide parágrafos 1º e 3º do mesmo artigo 23).
Realidade em que, comprovada a interposição fraudulenta de empresa constituída unicamente para intermediar operações de comércio exterior, legítima a exigência da multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro da mercadoria, capitulada no artigo 23, § 3º, do Decreto-lei 1.455/76.
A presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindo ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações e da origem lícita dos recursos financeiros.
APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07.
A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. OCORRÊNCIA.
Segundo o art. 124, I do CTN, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie ou que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Voluntário Acórdão nº 3301003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria MULTA DANO AO ERÁRIO Recorrente FRANCISCO PRIMIANI JUNIOR EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/06/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA AUTUADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Em sintonia com o princípio pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo), a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 08 66 /2 01 1- 06 Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.908 2 A sanção decorrente da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior (inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76) repercute na própria mercadoria, que, em tais casos, é expropriada do sujeito passivo, sendo tal inflição substituída pela multa equivalente ao valor dos produtos apenas nos casos em que inexiste a possibilidade de sua apreensão (vide parágrafos 1º e 3º do mesmo artigo 23). Realidade em que, comprovada a interposição fraudulenta de empresa constituída unicamente para intermediar operações de comércio exterior, legítima a exigência da multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro da mercadoria, capitulada no artigo 23, § 3º, do Decretolei 1.455/76. 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Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.909 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP1, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente. O auto de infração impugnado cominou à recorrente, Francisco Primiani Junior – EPP, em solidariedade com seus sócios, a multa prevista no art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. A imposição da penalidade foi fundamentada na presunção da prática de interposição fraudulenta (art. 23, §2° do referido Decreto), uma vez que o sujeito passivo, selecionado para fiscalização nos moldes do procedimento especial previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados pela empresa no comércio exterior. De acordo com a “descrição dos fatos e enquadramento legal” do ato fiscal, o fato jurídico tributário foi assim caracterizado: “A empresa teve o início de suas atividades em 17 (dezessete) de fevereiro de 2009 (dois mil e nove) com um capital social inicial no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conforme cópia autenticada do Requerimento de Empresário apresentado pela empresa em resposta ao Termo de Início de Fiscalização nº 44/2011. Em seguida no dia 26 (vinte e seis) de junho de 2009 (dois mil e nove) o sócio aportou mais R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a título de aumento do capital social da empresa PRIMIANI. Estes dois fatos representam um total de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) de capital social integralizado no ano de 2009 (dois mil e nove) pelo proprietário da empresa e como justificativa para a origem deste valor, a empresa declarou ser proveniente de um saldo de R$ 47.000,00 quarenta e sete mil reais) lastreado na Declaração de Imposto de Renda Ano Calendário de 2008 (dois mil e oito) da pessoa física do Sr Francisco Primiani Júnior. Em consulta aos sistemas informatizados da RFB verificase que o Sr Francisco Primiani declarou ter um saldo em espécie no final de 2005 no montante de R$ 13.200,00 (treze mil e duzentos reais). Em seguida no final de 2006 o saldo em espécie pulou para R$ 23.700 (vinte e três mil e setecentos reais). Em seguida no final de 2007 o saldo em espécie pulou para R$ 36.200,00 (trinta e seis mil e duzentos reais). Finalmente no final de 2008 o montante de saldo em espécie pulou para R$ 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos reais). Para estes fatos explicamos que de 2005 a 2009 o Sr Francisco Primiani Júnior não tinha declarado nenhuma DIRPF e em 2010 houve declaração de DIRPF retificando todos os anos anteriores com aumento de patrimônio declarado ano a ano, baseado em saldos de dinheiros em espécie aumentados ano após ano, Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.910 4 provenientes de recebimentos de pessoa física, e é com essas declarações que a empresa tenta comprovar esse montante inicial integralizado. A empresa foi instada, por meio da intimação constante do Termo de Início de Fiscalização nº 44/2011 a “Apresentar comprovação documental (tais como extratos bancários, registros contratuais dos ativos imobilizados, etc.) da origem dos recursos empregados na integralização do capital no Contrato Social e em todos os aumentos de capital subseqüentes, se for o caso”. No entanto, para a tentar comprovar a origem dos recursos empregados na integralização inicial do capital social e no seu primeiro aumento, tal como descrito acima, a empresa afirma textualmente que “o recurso empregado tem lastro através do IRPF – ano base 2008...”. Tal como bastante explicado acima, o patrimônio do sócio, tal como declarado em sua Declaração de IRPF ano base 2008, era constituído exclusivamente de Saldo em Espécie no montante de R$ 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos reais), sendo que a empresa não apresenta nenhuma documentação que possibilite comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos para a integralização do capital social. Assim sendo, fica configurada a presunção legal exarada pelo DecretoLei 1455/76 mais especificamente em seu §2º do Artigo 23, o que sujeita a empresa à pena de perdimento das mercadorias importadas, conforme exara o §1º do mesmo artigo. Adicionalmente, consta da contabilidade da empresa (Livro Diário 2009 folha 2 dia 19 de fevereiro) um empréstimo para capital de giro feito pelo Sr. Francisco Primiani Júnior no montante de R$ 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos reais). Como origem de recursos deste empréstimo a empresa também afirma estar lastreado na Declaração de Imposto de Renda Ano Calendário de 2008 (dois mil e oito) da pessoa física do Sr Francisco Primiani Júnior. Como já bastante explicado acima, este montante provem unicamente de Saldo em Espécie de retificações nas DIRPF de 2005 a 2009, desacompanhado de qualquer comprovação documental da origem desse recurso. Somando os R$ 10.000,00 da integralização do capital social, com o montante do referido empréstimo, o Sr. Francisco Primiani em tese teria aportado na empresa o montante total de R$ 57.000,00 no 19/02/2009. Fica claro que se trata de uma tentativa de construir contabilmente, através de recursos sem qualquer comprovação documental de origem, e dando aparência de legalidade aos recursos iniciais para a operação da empresa. Até agora o montante de capital social integralizado pelo sócio possui o montante de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) perfazendo 15% (quinze por cento) de todo o capital integralizado da empresa, assim passamos à análise do último aumento do capital social da empresa que possui o montante de R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais). Este aumento, conforme cópia não autenticada do Requerimento de Empresário entregue pela empresa ocorreu em primeiro de novembro de 2010 (dois mil e dez). Segundo justificativa apresentada pela empresa em resposta ao Termo de Início de Fiscalização nº 44/2011, este dinheiro ingressou na empresa através de recursos advindos de um caminhão doado pela mãe do Sr. Francisco. De fato a empresa apresentou cópia não autenticada do “CONTRATO DE DOAÇÃO DE MÃE PARA FILHO” de um veículo IVECO/DAILY6012, RENAVAN nº 825080061, este veículo entrou na contabilidade da empresa em dezenove de Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.911 5 outubro de 2010 (dois mil e dez) como doação de imobilizado (conforme Livro Diário 2010 página 26 dia 19 de outubro). Juntamente com o contrato de doação de mãe para filho foi apresentado pela empresa uma cópia não autenticada de um “EMPRÉSTIMO PARA CAPITAL DE GIRO GARANTIDO POR ALIENAÇÃ FIDUCIÁRIA” com o banco ITAÚ. Neste contrato a empresa recebe R$ 80.000,00 depositado na Conta Bancária nº 342262 de titularidade da empresa no dia 03 (três) de janeiro de 2011 (dois mil e onze) e a empresa cede como garantia o veículo de Renavan 825080061 doado pela mãe do proprietário da empresa, fato comprovado em sua contabilidade (Livro Diário 2011 página 03 dia 10 de janeiro). É essa a transação que a empresa utiliza para justificar a origem dos recursos aplicados na integralização do terceiro e último aumento de capital aportado pelo proprietário da empresa. Ocorre que antes deste contrato de empréstimo, que tem data 03 (três) de janeiro de 2011 (dois mil e onze), a empresa afirma que integralizou em moeda corrente R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais) no caixa da empresa, precisamente no dia primeiro de novembro de 2010 (dois mil e dez). Este fato é comprovado no Livro Diário 2010 apresentado pela empresa, mais especificamente na página 28 (vinte e oito) e dia 04 (quatro) de novembro. Assim temos que este aumento de capital, no valor de R$ 85.000,00 não teve sua origem, lícita, comprovada pela documentação entregue e justificativa escrita apresentada pela empresa, visto que a mesma não dispunha de recursos em espécie na data de integralização demonstrada e contabilizada em livro no dia 04 de novembro de 2010 (dois mil e dez), glosando este valor de sua contabilidade temos o que o jargão da contabilidade cita como “estouro da conta caixa” no dia 31 (trinta e um) de dezembro de 2010 (dois mil e dez) quando a empresa distribui lucro ao proprietário no montante fictício de R$ 142.550,00 (cento e quarenta e dois mil quinhentos e cinqüenta reais) deixando como saldo da conta caixa o montante fictício de apenas R$ 1.304,19 (hum mil trezentos e quatro reais). Este fato sujeita a empresa à pena de perdimento das mercadorias importadas por ela conforme a presunção legal exarada pelo DecretoLei 1455/76 mais especificamente em seu § 2º do Artigo 23”. Quanto as operações realizadas, outrossim, entendeu a Fiscalização que: “Analisando o relacionado neste tópico, concluímos que a empresa PRIMIANI, de maneira sistemática e reiterada, transaciona mercadorias importadas para clientes prédeterminados, com baixíssima ou nenhuma agregação entre o valor constante nas Notas Fiscais de Saída e os custos de aquisição das mercadorias importadas. Vale ressaltar que a agregação total auferida em operações de comércio exterior, que é a diferença entre a soma dos valores de venda constante de todas as notas fiscais de saída vinculadas a importações e os custos envolvidos em todas as importações, foi de apenas R$ 5.825,63 para um custo total de importação de R$ 581.754,57 distribuído ao longo de quase um ano. Essa agregação total de apenas 1° por cento apenas 1% (de margem e não lucro) é claramente insuficiente para sustentar a operação da empresa tal como descrita no seu objeto social. Vale ressaltar que a prática isolada destes procedimentos por si só não configuraria a ocultação dos reais adquirentes ou dos reais financiadores das operações de importação, porém, essa ação quando realizada de maneira sistemática e reiterada faz prova da ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros”. Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.912 6 A DRJ considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/06/2010 Dano ao erário por infração de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindo ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações. Impugnação improcedente A Recorrente, nas razões de fls. 2.403 a 2.472, alega ter demonstrado a origem dos valores utilizados para fins de integralização do capital social. Afirma que não houve prejuízo ou ausência de lucro em suas importações e, que, na verdade, a fiscalização não teria levado em consideração os valores unitários das compras, demonstrando que possui margem de lucro compatível com as operações. Sustenta que não houve estoque fictício, já que teria demonstrado pelo registro de entradas movimentação compatível com suas saídas. Por fim, defende que não há prova de fraude, dolo ou simulação, imprescindíveis a aplicação da pena de perdimento, razão pela qual deve ser afastada a penalidade em razão da boafé. O CARF converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem informasse: a) o faturamento declarado pelo contribuinte nos exercícios de 2010 e 2011, indicando o montante anual e especificando os meses de junho/2010 a dezembro/2010 e março/2011 a abril/2011; b) o volume de vendas mensais nos anos de 2010 e 2011 especificado no Livro de Registro de Saídas; c) a data do fechamento de câmbio das Declarações de Importação (DI) fiscalizadas, indicando se os recursos empregados foram originados de transferência bancária da conta corrente do sujeito passivo; d) o valor da movimentação bancária indicada nos extratos apresentados pelo sujeito passivo no curso do procedimento fiscal, nos meses de junho/2010 a dezembro/2010 e março/2011 a abril/2011; e) se houve lavratura de auto de infração em face dos adquirentes das mercadorias importadas identificados na “descrição dos fatos e enquadramento legal” do ato fiscal. A diligência foi realizada pela IRF/Ponta Porã, que respondeu os 5 itens e concluiu o seguinte: Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.913 7 1) Faturamento declarado pelo contribuinte nos exercícios de 2010 e 2011, indicando o montante anual e especificando os meses de junho/2010 a dezembro/2010 e março/2011 a abril/2011: 2010: R$ 1.193.332,42 2011: R$ 1.964.244,08 2) Volume de vendas mensais nos anos de 2010 e 2011 especificado no Livro Registro de Saídas: 2010: R$ 1.364.041,48 2011:R$ 2.435.448,73 3) Data do fechamento de câmbio das Declarações de Importação (DI) fiscalizadas, indicando se os recursos empregados foram originados de transferência bancária de conta corrente do sujeito passivo: a) DI 10/09530110: registro em 08/06/2010 Contrato de Câmbio de Venda – Tipo 02 Importação nº. 10/002058 de 12/08/2010 Liquidação: até 16/08/2010 Valor: R$ 23.364,00 Movimentação – Extrato da conta corrente na Sicredi. Dia: 12/08/2010 Documento: 102058Débito de Câmbio: R$ 23.364,00 Dia: 12/08/2010 Documento: 64574Débito de Câmbio: R$ 88,50 b) DI 10/12504168: registro em 23/07/2010 Contrato de Câmbio de Venda – Tipo 02 Importação nº. 10/001433 de 07/06/2010 Liquidação: até 09/06/2010 Valor: R$ 126.765,00 Movimentação – Extrato da conta corrente na Sicredi. Dia: 07/06/2010 Documento: 101433Débito de Câmbio: R$ 126.765,00 Dia: 07/06/2010 Documento: 62678Débito de Câmbio: R$ 93,90 Para a DI 10/16713845, não foi apresentado cópia do contrato de câmbio, mas tão somente cópia de um recibo de transferência (Vision Banco). c) DI 10/16713845: registro em 23/09/2010 SEM CONTRATO DE CÂMBIO d) DI 10/17955982: registro em 13/10/2010 Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.914 8 Contrato de Câmbio de Venda – Tipo 02 Importação nº. 10/002693 de 06/10/2010 Liquidação: até 07/10/2010 Valor: R$ 61.992,00 Movimentação – Extrato da conta corrente na Sicredi. Dia: 06/10/2010 Documento: 102693Débito de Câmbio: R$ 61.992,00 Dia: 06/10/2010 Documento: 66325Débito de Câmbio: R$ 84,00 e) DI 10/19931851: registro em 10/11/2010 Contrato de Câmbio de Venda – Tipo 02 Importação nº. 10/002916 de 28/10/2010 Liquidação: até 01/11/2010 Valor: R$ 42.189,00 Movimentação – Extrato da conta corrente na Sicredi Dia: 28/10/2010 Documento: 102916Débito de Câmbio: R$ 42.189,00 Dia: 28/10/2010 Documento: 67055Débito de Câmbio: R$ 85,75 f) DI 10/22329725: registro em 14/12/2010 Contrato de Câmbio de Venda – Tipo 02 Importação nº. 10/003294 de 02/12/2010 Liquidação: até 06/12/2010 Valor: R$ 21.999,04 Movimentação – Extrato da conta corrente na Sicredi. Dia: 02/12/2010 Documento: 103294 Débito de Câmbio: R$ 21.999,04 Dia: 02/12/2010 Documento: 68250 Débito de Câmbio: R$ 85,40 De acordo com cópias de contratos de câmbio entregues pelo sujeito passivo (documentos anexados ao processo a que este Relatório faz parte), foi realizado um único fechamento de câmbio para as Declarações de Importação 11/05259783 e 11/05261672. Tal constatação pode ser verificado em trecho a seguir: "Em que pese serem facturas invoice distintas as facturas número 001003 0000031 e número 0010030000032 que deram origem as Declarações de Importação número 11/05259783 e número 11/05261672, fora feita um único fechamento de câmbio para ambas, portanto, o fechamento de câmbio em anexo tem o valor de U$ 57.400 (que é o resultado da soma das duas facturas acima mencionadas)." g e h) DI 11/05261672 e DI 11/05259783: registro em 23/03/2011 Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.915 9 Contrato de Câmbio de Venda – Tipo 02 Importação nº. 11/000615 de 01/03/2011 Liquidação: até 03/03/2011 Valor: R$ 95.628,40 Movimentação – Extrato da conta corrente na Sicredi. Dia: 01/03/2011 Documento: 11615 Débito de Câmbio: R$ 95.628,40 Dia: 01/03/2011 Documento: 70877 Débito de Câmbio: R$ 83,30 Os extratos bancários da instituição Sicredi apresentados foram somente para o período de 01/06/2010 até 29/04/2011 (fato que pode ser averiguado em nossas anotações no Termo de Entrega de Documentos). Verificamos esses documentos e não encontramos outros débitos de câmbio. Mediante ausência de extratos (da referida financeira) para o restante do período, não foi possível verificar as movimentações em relação às DIs 11/06436220, 11/07790591 e 11/09503018. Em relação à DI 11/07790591, não foi fornecido o contrato de câmbio. i) DI 11/06436220: registro em 08/04/2011 Contrato de Cambio de Venda – Tipo 02 Importação nº. 11/001655 de 23/05/2011. Liquidação: até 25/05/2011 Valor: R$ 26.814,00 j) DI 11/07790591: registro em 29/04/2011 SEM CONTRATO DE CÂMBIO l) DI 11/09503018: registro em 24/05/2011 Contrato de Cambio de Venda – Tipo 02 Importação nº. 11/001446 de 11/05/2011 Liquidação: até 13/05/2011 Valor: R$ 53.196,00 4) Valor da movimentação bancária indicada nos extratos apresentados pelo sujeito passivo no curso do procedimento fiscal, nos meses de junho/2010 a dezembro/2010 e março/2011 a abril/2011: a) Período de Junho a Dezembro de 2010: R$ 2.367.697,61 (dois milhões, trezentos e sessenta e sete mil, seiscentos e noventa e sete reais e sessenta e um centavos); b) Período de Março a Abril de 2011: R$ 882.948,21 (oitocentos e oitenta e dois mil, novecentos e quarenta e oito reais e vinte e um centavos); Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.916 10 c) Total do Período Solicitado: R$ 3.250.645,82 (três milhões, duzentos e cinquenta mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e oitenta e dois centavos). 5) Se houve lavratura de auto de infração em face dos adquirentes das mercadorias: Em consulta ao processo 10111.720.866/201106, verificamos na página 59 do documento/arquivo digital “Auto de Infração” (mais especificamente na parte do “Termo de Verificação Fiscal”), averiguamos as seguintes constatações: “Devido ao fato desta fiscalização constatar a ocorrência de interposição fraudulenta configurada por presunção legal, o real financiador da empresa PRIMIANI e consequentemente de suas operações no comércio exterior e/ou os reais adquirentes das mercadorias importadas não figuram no polo passivo desta ação fiscal, visto não ter sido possível a sua identificação.” Além disso, de acordo com considerações (via correio eletrônico) de um dos AuditoresFiscais da RFB (responsáveis pela fiscalização que deu origem aos questionamentos do CARF aqui tratados), Gustavo Henrique Sousa Ferreira, foi nos relatado que: “Não houve, de parte desta fiscalização, lavratura de autos de infração em face dos adquirentes, visto que a empresa foi enquadrada na modalidade de interposição fraudulenta presumida, pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Como bem explica o julgador da DRJ em seu acórdão (fls. 17 a 19), neste caso o importador ocupará sozinho o polo passivo da autuação referente à multa equivalente ao valor aduaneiro, caso a mercadoria importada já tenha sido consumida”. "Finalizamos este Relatório em que foram apresentadas respostas as cinco demandas solicitadas por meio de Resolução CARF presente nos processos 10111.720.866/201106 e 10111.721.036/201198." É o relatório. Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.917 11 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado na data de 18/10/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 447.954,77, em virtude dos fatos a seguir descritos. O auto de infração impugnado cominou à recorrente, Francisco Primiani Junior – EPP, em solidariedade com seus sócios, a multa prevista no art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. A imposição da penalidade foi fundamentada na presunção da prática de interposição fraudulenta (art. 23, §2° do referido Decreto), uma vez que o sujeito passivo, selecionado para fiscalização nos moldes do procedimento especial previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados pela empresa no comércio exterior. O recurso voluntário tenta rebater ponto a ponto, tanto o auto de infração quanto o acórdão recorrido. 1) Cerceamento do Direito de Defesa: Durante a sua argumentação, a recorrente traz que: "(...) Afirma ainda, o relatório fiscal que a movimentação de recursos em 2010 o valor de R$ 4.454.081,89 com base nos sistemas informatizados da SRF. No entanto, sequer colacionam ou anexam informações do "sistema informatizados da SRF", para que pudessem ser impugnadas pela defesa, o que se repudia e devem ser desconsideradas por tratarse de cerceamento de defesa e violação do devido processo legal administrativo, querendo induzir o julgador a erro." Discordo da recorrente. O cotejamento dos valores nos sistemas da RFB se deve a informações prestadas pela contribuinte ou pelas instituições bancárias que transacionam com a contribuinte. Caso a recorrente discorde dos valores, cabe a ela provar, no mérito, que esses valores estão errados, e não alegar cerceamento do direito de defesa. Entendo que o lançamento é hígido, não havendo nenhum vício que porventura possa ensejar na sua nulidade. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que considera nulos os atos e termos Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.918 12 lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É importante ressaltar que o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade julgadora. Com efeito, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Segundo o princípio pas de nullité sans grief (que, literalmente, significa: não há nulidade sem prejuízo), não se declarará nulo nenhum ato processual quando este não causar prejuízo à parte ou ao acusado. Tal princípio está assente nos artigos 563 e 566 do Código de Processo Penal1. No âmbito do novo Código de Processo Civil (lei nº 13.105, de 16/03/2015), dispõe o artigo 277 que, Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. Ou seja, o artigo 277 do CPC retrata a própria regra basilar que norteia o princípio pas de nullité sans grief, aqui abordado. Na exação formalizada contra o sujeito passivo, como já dito, não há nenhum vício que possa ser causa de sua nulidade, como já ressaltado. Rejeitase, pois, o argumento da recorrente nesse sentido. 2) Mérito: Primeiramente, a recorrente rebate a alegada falta de comprovação da origem e disponibilidade de recursos. O procedimento especial aberto contra a empresa foi instaurado com base no Artigo 1º, parágrafo 1º e Art. 2º, caput e Parágrafo Único IN SRF 228/02 : Art. 1º As empresas que revelarem indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira evidenciada ficarão sujeitas a procedimento especial de fiscalização, nos termos desta Instrução Normativa. § 1º O procedimento especial a que se refere o caput visa a identificar e coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas em operações de comércio exterior, como meio de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor. Art. 2º A seleção de empresas sujeitas à aplicação do procedimento previsto no art. 1º decorrerá do cruzamento de informações de natureza contábilfiscal e de comércio exterior 1 Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Art. 566. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.919 13 extraídas das bases de dados da Secretaria da Receita Federal (SRF). Parágrafo único. Ficará igualmente sujeita a seleção, a empresa cuja avaliação da capacidade econômica e financeira esteja prejudicada em razão de omissão relativa à entrega de declarações fiscais a que for obrigada. Já a IN SRF 225/2002 dispõe sobre os requisitos e condições para que as empresas importadoras operem por conta e ordem de terceiros, (reais adquirentes). Assim, esta norma exara como a empresa PRIMIANI e seus "clientes" deveriam ter procedido para que as operações fossem transparentes e não causassem dano ao Erário Público. Já no seu Parágrafo Único do Artigo 1º a citada Instrução Normativa afirma que o importador por conta e ordem e o real adquirente deverão possuir contrato celebrado que exponha essa situação com o intuito de dar transparência a operação. Este contrato deverá ser prévio, ou seja, deverá ser firmado antes do início das importações. Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. A autoridade fiscal também capitulou a infração no art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455: (...) ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Assim, quando a importadora oculta o real adquirente, há dano tributário, pois a importadora, ao declarar que importa mercadoria para sua própria utilização, deixa de emitir a Nota Fiscal do serviço prestado, que representa o ganho efetivo da importadora no caso de importação por conta e ordem de terceiros. Adentrando nos fatos, a fiscalização constatou que havia uma tentativa de construir contabilmente, através de recursos sem qualquer comprovação documental de origem, e dando aparência de legalidade, os recursos iniciais para operação da empresa. O relatório de diligência trouxe dados financeiros e contábeis que não refutaram os argumentos da fiscalização. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.920 14 Já a recorrente trouxe como informações para a origem dos recursos iniciais da empresa, uma série de afirmações contraditórias. Afirma que a realidade contábil da empresa é que iniciou suas atividades em 19.02.2009 com capital de R$ 10.000,00 e aumentou em R$ 5.000,00 em 25/06/2009. Depois afirma que o "lastro para esses recursos originouse no capital de giro próprio de R$ 47.000,00 (conforme declarado no IRPF) e contabilizados no livro diário". Posteriormente, afirma que " conforme o balanço patrimonial em 2010 as entradas de recursos somaram R$ 1.493.965,93 acrescidos de saldo anterior (ano 2009) de R$ 40.189,29 totalizando assim o valor de R$ 1.534.155,22. As saídas totalizaram R$ 1.529.684,28 sobrando assim um saldo de R$ 4.470,94 EIS AQUI O LASTRO ECONÔMICO." Já na impugnação, a contribuinte disse: "Ora, será que o Sr Francisco Primiani com a venda da moto de R$5.000,00 e mais os recursos de FGTS, rescisão contratual e do tempo que laborou como ambulante não conseguiu juntar R$10.000,00 para integralização do capital social ???????" As afirmações da recorrente não fazem nenhum sentido. É nítido que houve uma tentativa de construir uma origem lícita de recursos, com retificações posteriores ao início do procedimento fiscal. Vejamos o relatório fiscal do auto de infração: A empresa teve o início de suas atividades em 17 (dezessete) de fevereiro de 2009 (dois mil e nove) com um capital social inicial no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conforme cópia autenticada do Requerimento de Empresário apresentado pela empresa em resposta ao Termo de Início de Fiscalização nº 44/2011. Em seguida no dia 26 (vinte e seis) de junho de 2009 (dois mil e nove) o sócio aportou mais R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a título de aumento do capital social da empresa PRIMIANI. Estes dois fatos representam um total de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) de capital social integralizado no ano de 2009 (dois mil e nove) pelo proprietário da empresa e como justificativa para a origem deste valor, a empresa declarou ser proveniente de um saldo de R$ 47.000,00 quarenta e sete mil reais) lastreado na Declaração de Imposto de Renda Ano Calendário de 2008 (dois mil e oito) da pessoa física do Sr Francisco Primiani Júnior. Em consulta aos sistemas informatizados da RFB verificase que o Sr Francisco Primiani declarou ter um saldo em espécie no final de 2005 no montante de R$ 13.200,00 (treze mil e duzentos reais). Em seguida no final de 2006 o saldo em espécie pulou para R$ 23.700 (vinte e três mil e setecentos reais). Em seguida no final de 2007 o saldo em espécie pulou para R$ 36.200,00 (trinta e seis mil e duzentos reais). Finalmente no final de 2008 o montante de saldo em espécie pulou para R$ 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos reais). Para estes fatos explicamos que de 2005 a 2009 o Sr Francisco Primiani Júnior não tinha declarado nenhuma DIRPF e em 2010 houve declaração de DIRPF retificando todos os anos anteriores com aumento de patrimônio declarado ano a Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.921 15 ano, baseado em saldos de dinheiros em espécie aumentados ano após ano, provenientes de recebimentos de pessoa física, e é com essas declarações que a empresa tenta comprovar esse montante inicial integralizado. A empresa foi instada, por meio da intimação constante do Termo de Início de Fiscalização nº 44/2011 a “Apresentar comprovação documental (tais como extratos bancários, registros contratuais dos ativos imobilizados, etc.) da origem dos recursos empregados na integralização do capital no Contrato Social e em todos os aumentos de capital subseqüentes, se for o caso”. No entanto, para a tentar comprovar a origem dos recursos empregados na integralização inicial do capital social e no seu primeiro aumento, tal como descrito acima, a empresa afirma textualmente que “o recurso empregado tem lastro através do IRPF – ano base 2008...”. Tal como bastante explicado acima, o patrimônio do sócio, tal como declarado em sua Declaração de IRPF ano base 2008, era constituído exclusivamente de Saldo em Espécie no montante de R$ 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos reais), sendo que a empresa não apresenta nenhuma documentação que possibilite comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos para a integralização do capital social. Assim sendo, fica configurada a presunção legal exarada pelo Decreto Lei 1455/76 mais especificamente em seu §2º do Artigo 23, o que sujeita a empresa à pena de perdimento das mercadorias importadas, conforme exara o §1º do mesmo artigo. Adicionalmente, consta da contabilidade da empresa (Livro Diário 2009 folha 2 dia 19 de fevereiro) um empréstimo para capital de giro feito pelo Sr. Francisco Primiani Júnior no montante de R$ 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos reais). Como origem de recursos deste empréstimo a empresa também afirma estar lastreado na Declaração de Imposto de Renda Ano Calendário de 2008 (dois mil e oito) da pessoa física do Sr Francisco Primiani Júnior. Como já bastante explicado acima, este montante provem unicamente de Saldo em Espécie de retificações nas DIRPF de 2005 a 2009, desacompanhado de qualquer comprovação documental da origem desse recurso. Somando os R$ 10.000,00 da integralização do capital social, com o montante do referido empréstimo, o Sr. Francisco Primiani em tese teria aportado na empresa o montante total de R$ 57.000,00 no 19/02/2009. Fica claro que se trata de uma tentativa de construir contabilmente, através de recursos sem qualquer comprovação documental de origem, e dando aparência de legalidade aos recursos iniciais para a operação da empresa. Até agora o montante de capital social integralizado pelo sócio possui o montante de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) perfazendo 15% (quinze por cento) de todo o capital integralizado da empresa, assim passamos à análise do último aumento do capital social da empresa que possui o montante de R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais). Este aumento, conforme cópia não autenticada do Requerimento de Empresário entregue pela empresa ocorreu em primeiro de novembro de 2010 (dois mil e dez). Segundo justificativa apresentada pela empresa em resposta ao Termo de Início de Fiscalização nº 44/2011, este dinheiro ingressou na empresa através de recursos advindos de um caminhão doado pela mãe do Sr. Francisco. De fato a empresa apresentou cópia não autenticada do “CONTRATO DE DOAÇÃO DE MÃE PARA FILHO” de um veículo IVECO/DAILY6012, RENAVAN nº 825080061, este veículo entrou na contabilidade da empresa em dezenove de Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.922 16 outubro de 2010 (dois mil e dez) como doação de imobilizado (conforme Livro Diário 2010 página 26 dia 19 de outubro). Juntamente com o contrato de doação de mãe para filho foi apresentado pela empresa uma cópia não autenticada de um “EMPRÉSTIMO PARA CAPITAL DE GIRO GARANTIDO POR ALIENAÇÃ FIDUCIÁRIA” com o banco ITAÚ. Neste contrato a empresa recebe R$ 80.000,00 depositado na Conta Bancária nº 342262 de titularidade da empresa no dia 03 (três) de janeiro de 2011 (dois mil e onze) e a empresa cede como garantia o veículo de Renavan 825080061 doado pela mãe do proprietário da empresa, fato comprovado em sua contabilidade (Livro Diário 2011 página 03 dia 10 de janeiro). É essa a transação que a empresa utiliza para justificar a origem dos recursos aplicados na integralização do terceiro e último aumento de capital aportado pelo proprietário da empresa. Ocorre que antes deste contrato de empréstimo, que tem data 03 (três) de janeiro de 2011 (dois mil e onze), a empresa afirma que integralizou em moeda corrente R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais) no caixa da empresa, precisamente no dia primeiro de novembro de 2010 (dois mil e dez). Este fato é comprovado no Livro Diário 2010 apresentado pela empresa, mais especificamente na página 28 (vinte e oito) e dia 04 (quatro) de novembro. Assim temos que este aumento de capital, no valor de R$ 85.000,00 não teve sua origem, lícita, comprovada pela documentação entregue e justificativa escrita apresentada pela empresa, visto que a mesma não dispunha de recursos em espécie na data de integralização demonstrada e contabilizada em livro no dia 04 de novembro de 2010 (dois mil e dez), glosando este valor de sua contabilidade temos o que o jargão da contabilidade cita como “estouro da conta caixa” no dia 31 (trinta e um) de dezembro de 2010 (dois mil e dez) quando a empresa distribui lucro ao proprietário no montante fictício de R$ 142.550,00 (cento e quarenta e dois mil quinhentos e cinqüenta reais) deixando como saldo da conta caixa o montante fictício de apenas R$ 1.304,19 (hum mil trezentos e quatro reais). (...) O acórdão recorrido fez uma perfeita análise das inconsistências entre a documentação apresentada pela contribuinte, as provas trazidas pela fiscalização e os fatos constatados, por isso, o transcrevo: (...) A empresa PRIMIANI, iniciou suas atividades em fevereiro de 2009. Analisando sua situação fiscal a fiscalização verificou que: ♦ Para o ano de 2009 a movimentação de recursos, segundo consta dos sistemas informatizados da RFB, foi de R$ 124.875,00; ♦ Para o ano de 2010, a movimentação da empresa foi de R$ 4.454.081,89. Foi evidenciado assim um aumento da ordem de 3.466%. O capital social declarado da empresa, quando da solicitação da habilitação para operar no comércio exterior no ano de 2009, foi de apenas R$ 15.000,00, o que indica um descompasso entre o montante de recursos movimentado e o que foi aportado pelo sócio quando da criação da empresa. Adicionalmente, detectouse que o empresário, Sr. Francisco Primiani Júnior (CPF 923.040.60153), não apresenta rendimentos e patrimônio mínimos para Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.923 17 justificar uma entrada de recursos da ordem de R$ 4 milhões, e nenhum patrimônio compatível com a abertura de uma empresa que operou mais de USD 236.975 CIF desde jun/2010. A Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF do Sr. Franscisco mostra rendimentos baixos e um patrimônio construído por retificações de DIRPF. No caso em tela, o Sr. Francisco não tinha DIRPF declarada para os anos de 2005 a 2009 e em 2010 houve declaração de DIRPF retificando todos os anos anteriores com aumento de patrimônio declarado ano a ano. Até que, ao final de 2008, o único bem declarado pelo contribuinte em questão era R$ 47.700,00 de "Dinheiro em Espécie". Na DIRPF de 2009 o Sr. Primiani declarou possuir um terreno no valor de R$ 20.000,00 e um veículo NISSAN/FRONTIER LE 25X4 ADQ. EM 11/2009 valor de R$ 115.000,00, financiado, com valor declarado de R$ 37.802,78. Consulta ao sistema Renavan em 11/05/2011 indicou que a pessoa física passou a possuir os seguintes veículos: ∙ Honda CG Titan 125 ano 2002, placa JZQ1703; ∙ Mercedes Benz 1318, ano 2010, placa NRM0202; ∙ Toyota Hilux SW4 SRV 4x4, ano 2011, placa HEM1981. |Não há movimentação financeira para a pessoa física entre 2008 e 2010, quando passou a ser registrada movimentação da ordem de R$ 500.000,00 no ano de 2010. Da análise da movimentação da empresa, em conjunto com o capital social declarado e com o patrimônio e rendimentos de seu único dono, verificamos a existência de fortes indícios da atuação de terceiras pessoas, ocultas ou interpostas de maneira fraudulenta em suas atividades, como meio de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados. (...) O fato é estes dois aportes representam um total de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) de capital social integralizado no ano de 2009 (dois mil e nove) pelo proprietário da empresa e como justificativa para a origem deste valor, a empresa declarou ser proveniente de um saldo de R$ 47.000,00 (quarenta e sete mil reais) lastreado na Declaração de Imposto de Renda Ano Calendário de 2008 (dois mil e oito) da pessoa física do Sr Francisco Primiani Júnior. Em consulta aos sistemas informatizados da RFB verificase que: ♦ O Sr Francisco Primiani declarou ter um saldo em espécie no final de 2005 no montante de R$ 13.200,00 (treze mil e duzentos reais); ♦ No final de 2006 o saldo em espécie pulou para R$ 23.700 (vinte e três mil e setecentos reais); ♦ No final de 2007 o saldo em espécie pulou para R$ 36.200,00 (trinta e seis mil e duzentos reais); ♦ No final de 2008 o montante de saldo em espécie pulou para R$ 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos reais); Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.924 18 A inconsistência é evidenciada pelo fato de que do ano de 2005 a 2009 o Sr. Francisco Primiani Júnior não tinha declarado nenhuma DIRPF e em 2010 houve declaração de DIRPF retificando todos os anos anteriores com aumento de patrimônio declarado ano a ano, baseado em saldos de dinheiros em espécie aumentados ano após ano, provenientes de recebimentos de pessoa física. Para tentar comprovar a origem dos recursos empregados na integralização inicial do capital social e no seu primeiro aumento, a empresa afirma textualmente que “o recurso empregado tem lastro através do IRPF – ano base 2008...”. Contudo, o patrimônio do Sr. Francisco Primiani Júnior, tal como declarado em sua Declaração de IRPF ano base 2008, era constituído exclusivamente de Saldo em Espécie no montante de R$ 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos reais). Ao mesmo tempo, a empresa não apresenta nenhuma documentação que possibilite comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência desses recursos para a integralização do capital social. O impugnante alega às folhas 2.203 do processo digital que: O lastro para esses recursos originouse no capital de giro próprio de R$ 47.500,00 (conforme declarado no IRPF) e contabilizados no livro diário, e tais dados ignorados pela fiscalização. Posteriormente, às folhas 2.207 do processo digital, assim se pronuncia sobre o mesmo assunto: Toda a contabilidade e declaração de imposto renda foram baseados em documentos fiscais e idôneos e declarados anterior a qualquer procedimento fiscal, e tais documentos não foram declarados ou impugnados pela fiscalização em seu conteúdo e forma. De certo que foram ignorados, pois o impugnante não especifica o motivo – de onde vem – os recursos que propiciaram esses “pulos” no montante de saldo em espécie. Para fins de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior isso é inadmissível. Prosseguindo em sua argumentação, o impugnante alega às folhas 2.204 /2.205 que: Quanto às alegações de que o patrimônio do sócio foi constituído por retificações essa tem base legal, e foi realizada ANTERIOR A FISCALIZAÇÃO O QUE PROVA, BOA FÉ E IDONEIDADE DOS DOCUMENTOS. Tal afirmativa tem como embasamento legal a Instrução Normativa RFB n° 1.095, de 10 de dezembro de 2010: “Art. 7º Caso a pessoa física constate que cometeu erros, omissões ou inexatidões em Declaração de Ajuste Anual já entregue, poderá apresentar declaração retificadora: § 1º A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente e, portanto, deve conter Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.925 19 todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionais, se for o caso.” Conforme alegação do ITEM PATRIMÔNIO, onde menciona DIRF de 2009, apresentada pelo sócio que possui: A) um terreno de R$ 20.000,00 B) um veículo Nissan/Frontier LE 25X4 em 11/2009 no valor de R$ 115.000,00 e financiado, com valor declarado de R$ 37.802,78, reporta nada mais que a realidade do capital do Sr Francisco Primiani Junior. Mas qual o motivo dos erros, omissões ou inexatidões nas Declaração de Ajuste Anual entregue em 2006, 2007 e 2008? Por que o montante de saldo em espécie foi inflado? De onde veio esse numerário? Interessante é a alegação trazida às folhas 2.209 do processo digital pelo impugnante: Novamente justifica, mais uma vez que, o capital social inicial se deu por recursos recebidos pelo contribuinte quando funcionário de empresas multinacionais (CTPS anexa), bem como da motocicleta CG TITAN ano 2002 vendida em 2003, bem como o tempo que trabalhou como ambulante na informalidade. Em relação aos recursos recebidos pelo contribuinte quando funcionário de empresas multinacionais. Onde estão os extratos bancários que comprovam inicialmente o recebimento desses recursos, e se em dinheiro o respectivo recibo de pagamento e posterior migração desse recurso para a conta da empresa PRIMIANI. Em relação à da motocicleta CG TITAN: Onde estão os extratos bancários que comprovam inicialmente o recebimento desses recursos, e se em dinheiro o respectivo recibo de venda assinado pelo comprados e posterior migração desse recurso para a conta da empresa PRIMIANI. São respostas que o impugnante se furtou a fornecer, entre outras, incorrendo assim na infração tipificada no §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76. • DO CAPITAL DE GIRO. Consta da contabilidade da empresa (Livro Diário 2009 folha 2 dia 19 de fevereiro) um empréstimo para capital de giro feito pelo Sr. Francisco Primiani Júnior no montante de R$ 47.700,00 (quarenta e sete mil e setecentos reais). Como origem de recursos deste empréstimo a empresa também afirma estar lastreado na Declaração de Imposto de Renda Ano Calendário de 2008 (dois mil e oito) da pessoa física do Sr Francisco Primiani Júnior. Contudo, como já salientado, este montante provem unicamente de: Saldo em Espécie de retificações nas DIRPF de 2005 a 2009, desacompanhado de qualquer comprovação documental da origem desse recurso. Somando os R$ 10.000,00 da integralização do capital social, com o montante do referido empréstimo, o Sr. Francisco Primiani, em tese, teria aportado na empresa o montante total de R$ 57.000,00 no 19/02/2009. A fiscalização se posiciona adequadamente sobre o tema ao identificar essa manobra como um artifício para construir contabilmente, através de recursos sem Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.926 20 qualquer comprovação documental de origem, a aparência de legalidade aos recursos iniciais para a operação da empresa. O que de fato está comprovado conforme o trinômio origem – disponibilidade – transferência é que o montante de capital social integralizado pelo sócio possui o montante de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) perfazendo 15% (quinze por cento) de todo o capital integralizado da empresa. • A ORIGEM DO VALOR DE R$ 85.000,00 Ao analisar o último aumento do capital social da empresa no montante de R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais), conforme o trinômio origem – disponibilidade – transferência, existe inconsistências em face de cópia não autenticada do Requerimento de Empresário entregue pela empresa ocorreu em primeiro de novembro de 2010 (dois mil e dez). Segundo justificativa apresentada pela empresa em resposta ao Termo de Início de Fiscalização nº 44/2011, este dinheiro ingressou na empresa através de recursos advindos de um caminhão doado pela mãe do Sr. Francisco. De fato a empresa apresentou cópia não autenticada do “CONTRATO DE DOAÇÃO DE MÃE PARA FILHO” de um veículo IVECO/DAILY6012, RENAVAN nº 825080061, este veículo entrou na contabilidade da empresa em dezenove de outubro de 2010 (dois mil e dez) como doação de imobilizado (conforme Livro Diário 2010 página 26 dia 19 de outubro). Juntamente com o contrato de doação de mãe para filho foi apresentado pela empresa uma cópia não autenticada de um “EMPRÉSTIMO PARA CAPITAL DE GIRO GARANTIDO POR ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA” com o banco ITAÚ. Neste contrato a empresa recebe R$ 80.000,00 depositado na Conta Bancária nº 342262 de titularidade da empresa no dia 03 (três) de janeiro de 2011 (dois mil e onze) e a empresa cede como garantia o veículo de Renavan 825080061 doado pela mãe do proprietário da empresa, fato comprovado em sua contabilidade (Livro Diário 2011 página 03 dia 10 de janeiro). É essa a transação que a empresa utiliza para justificar a origem dos recursos aplicados na integralização do terceiro e último aumento de capital aportado pelo proprietário da empresa. Ocorre que há uma incongruência cronológica: ♦ O contrato de empréstimo tem data de 03/01/2011 (três de janeiro de dois mil e onze); ♦ A empresa integralizou o CAPITAL SOCIAL em moeda corrente R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais) no caixa da empresa, na data de dia 01/11/2010 (primeiro de novembro de dois mil e dez). Este fato é comprovado no Livro Diário 2010 apresentado pela empresa, mais especificamente na página 28 (vinte e oito) e dia 04 (quatro) de novembro, o que o impugnante sequer tangencia. Assim temos que este aumento de capital, no valor de R$85.000,00 não teve sua origem, lícita, comprovada pela documentação entregue e justificativa escrita apresentada pela empresa, visto que a mesma não dispunha de recursos em espécie na data de integralização demonstrada e contabilizada em livro no dia 04 de novembro de 2010 (dois mil e dez). Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.927 21 Corretamente a fiscalização glosou este valor da contabilidade. Por conseguinte, ocorreu um “estouro da conta caixa” no dia 31/12/2010 (trinta e um de dezembro de dois mil e dez) quando a empresa distribui lucro ao proprietário no montante fictício de R$ 142.550,00 (cento e quarenta e dois mil quinhentos e cinqüenta reais) deixando como saldo da conta caixa o montante fictício de apenas R$ 1.304,19 (hum mil trezentos e quatro reais). Este fato sujeita a empresa à pena de perdimento das mercadorias importadas por ela conforme a presunção legal exarada pelo DecretoLei 1455/76 mais especificamente em seu §2º do Artigo 23, pois não atende o trinômio origem – disponibilidade – transferência. Portanto, a documentação apresentada pela recorrente e as alegações do recurso voluntário só corroboram o que a fiscalização constatou, isto é, que não há origem lícita para os recursos empregados nas operações. A fiscalização identificou que houve uma manobra para construir contabilmente, através de recursos sem qualquer comprovação documental de origem, a aparência de legalidade aos recursos iniciais para a operação da empresa. Concordo com a fiscalização. Simplesmente nenhum argumento da contribuinte para a origem dos seus recursos se sustentam. A diligência solicitada pelo CARF não altera em nada essa conclusão, pois pediu dados que não estão relacionados à origem dos recursos. O acórdão recorrido também fez a análise de cada Declaração de importação que serviu de base para a autuação. Transcrevo um exemplo, por amostragem: (...) DI nº 10/09530110 • Importação Própria • Número de destinatários (clientes) identificados nas NF de Saída: 2 • Agregação entre Notas Fiscais: 0,0% (R$ 6.308,03) Nesta importação DI nº 10/09530110, o contribuinte declara se tratar de uma importação própria, conforme extrato da DI. Dois fatos apurados pela fiscalização indicam a prática de interposição fraudulenta de terceiros: A mercadoria é vendida para clientes prédeterminados, pois os valores unitários das duas notas de venda são idênticos (sem nenhuma diferença negocial normal no comércio) e as mercadorias são vendidas na exata proporção de 50% e 50% para cada "cliente"; A agregação, que é a diferença entre a soma dos valores de venda constante das notas fiscais de saída e os custos envolvidos na importação é NEGATIVA e, portanto incapaz de cobrir os valores dos tributos internos (Imposto de Renda, Pis e Cofins sobre faturamento e outras taxas e contribuições) bem como os custos operacionais normais de uma empresa que importa mercadorias para revenda Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.928 22 (aluguel de sala, condomínio, água, luz, salários de funcionários, escritórios de advocacia, contabilidade, etc) e ainda auferir LUCRO na venda de mercadorias. O impugnante alega às folhas 2.229 que: Ilógica a conclusão do agente autuante a cerca da importação da DI hostilizada, porquanto afirmar que a venda foi feita por pessoas prédeterminadas sem grandes negociações comerciais. Interessante dizer que o agente autuante quer interferir na forma de comercializar da empresa, orientando no sentido de como aquela deveria vender seus produtos o que foge por si só de sua competência funcional devendo aquela se limitar em verificar possíveis irregularidades ou quantos devidos, o que não fez. Não se trata de interferir na forma de comercializar da empresa, mas identificar e coibir a prática de interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, tal qual o exposto na parte conceitual. Se a empresa revende produto importado à comprador prédeterminado no mercado interno e não adota uma das modalidades permissivas previstas na legislação, configurada está a prática de interposição fraudulenta de terceiros. Às mesmas folhas 2.229 do processo digital, o impugnante assim alega: Outro fato relevante é que as mercadorias ingressaram na empresa 06/06/2010, nota fiscal de entrada 000147, tendo a mercadoria sido vendida em 5 (cinco) meses após a importação. O que por si só descaracteriza importação por conta e ordem, interposição fraudulenta e ausência de capital próprio para a realização do negocio. Voltase ao cerne da questão: A empresa não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em suas importações. Logo, não há como admitir que esse capital é próprio. (...) Concluíse que a empresa PRIMIANI, de maneira sistemática e reiterada, transaciona mercadorias importadas para clientes prédeterminados, com baixíssima ou nenhuma agregação entre o valor constante nas Notas Fiscais de Saída e os custos de aquisição das mercadorias importadas. Vale ressaltar que a agregação total auferida em operações de comércio exterior, que é a diferença entre a soma dos valores de venda constante de todas as notas fiscais de saída vinculadas a importações e os custos envolvidos em todas as importações, foi de apenas R$ 5.825,63 para um custo total de importação de R$ 581.754,57 distribuído ao longo de quase um ano. Essa agregação total de apenas 1% (de margem e não lucro) é claramente insuficiente para sustentar a operação da empresa tal como descrita no seu objeto social. Mais uma vez, a diligência solicitada pelo CARF não altera em nada essa conclusão, pois pediu que a Delegacia de origem informasse a data do fechamento de câmbio das Declarações de Importação (DI) fiscalizadas, indicando se os recursos empregados foram originados de transferência bancária de conta corrente do sujeito passivo. A Delegacia de origem informou as datas, mas isso em nada altera a minha convicção de que a citada agregação total de apenas 1% de margem e não de lucro é Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.929 23 claramente suficiente para sustentar a operação da empresa tal como descrita no seu objeto social. O acórdão recorrido também fez a análise da movimentação do estoque da empresa: Para o período compreendido entre a data de constituição da empresa até o dia 08/08/2011, a fiscalização procedeu à análise do estoque de mercadorias descritas genericamente como “Mantas” nas notas fiscais em tela. A empresa dá início ao comércio de mantas ao adquirir em 21/03/2009 920 (novecentos e vinte) mantas e opera apenas no mercado interno, comprando e vendendo, até o dia 08/06/2010 quando dá entrada, através da Nota Fiscal de Entrada nº 147 (cento e quarenta e sete), a 6000 (seis mil) “mantas de fibra sintética”, totalizando um estoque de 8.956 (oito mil, novecentos e cinqüenta e seis) mantas. Essa operação de comércio de mantas transcorre normalmente até o dia 04/12/2010 quando são “vendidas” 10.000 (dez mil) mantas conforme escriturado nas Notas Fiscais de Saída nº 30 (trinta), 31 (trinta e um) e 32 (trintae dois). Tais “vendas” levam o estoque de mantas da empresa a um número negativo de 2.589 (menos dois mil, quinhentas e oitenta e nove) mantas. A partir desta data, o estoque de mantas da empresa continua cada vez mais negativo, mesmo considerando as entradas de mantas advindas das importações e das aquisições no mercado interno, totalizando em 08/08/2011 um estoque negativo de mantas de 106.239 (menos cento e seis mil, duzentos e trinta e nove) o que corresponde, considerando um valor médio unitário de aquisição de aproximadamente R$ 7,67 (sete reais e sessenta e sete centavos), a um estoque fictício de cerca de R$ 815.000,00 (oitocentos e quinze mil reais). A conclusão que decorre desse fato é que as vendas de “mantas” realizadas com data subseqüente à ocorrência do referido estouro são irregulares e se deram de forma fraudulenta, visto a empresa não dispor de estoque contabilizado das mercadorias para venda. Dessa forma, as receitas auferidas com a venda dessas mercadorias devem ser glosadas da contabilidade da empresa, produzindo o que o jargão da contabilidade cita como “estouro da conta caixa” no dia 31 (trinta e um) de dezembro de 2010 (dois mil e dez), quando a empresa distribui lucro ao proprietário no montante fictício de R$ 142.550,00 (cento e quarenta e dois mil quinhentos e cinqüenta reais) deixando como saldo da conta caixa o montante fictício de apenas R$ 1.304,19 (hum mil trezentos e quatro reais), quando o total de vendas fictícias e/ou contabilizadas irregularmente de “mantas” totalizavam o montante de R$ 177.163,10 (cento e setenta e sete mil, cento e sessenta e três reais e dez centavos), conforme registrado nas Notas Fiscais Eletrônicas – NFe nº 32 a 39 e 42 a 44 e nas Notas Fiscais série D1 nº 58 a 63. Este fato, associado ao “estouro da conta caixa” descrito no item ‘4.1’ deste termo, decorrente da não comprovação da origem lícita do capital social, sujeita a empresa à pena de perdimento das mercadorias importadas por ela conforme a presunção legal exarada pelo DecretoLei 1455/76 mais especificamente em seu §2ºdo Artigo 23. Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.930 24 Assim, considerando tudo o que foi acima explicitado, a fiscalização aduaneira subsumiu os fatos acima relatados ao inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76, ou seja, em dano ao Erário, sujeito pois à aplicação da pena de perdimento da mercadoria, conforme disposto pelo § 1º, do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/76, mas convertida em multa equivalente ao seu respectivo valor aduaneiro, dada a impossibilidade de localização ou diante do consumo dos produtos, a teor do disposto pelo § 3º do mesmo artigo. Os preceitos em tela seguem abaixo transcritos. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/76, tipifica como dano ao Erário a realização de operações de importação ou de exportação com "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". A ocultação fraudulenta do sujeito passivo é a conduta central que o legislador vislumbrou reprimir com o perdimento da mercadoria, ou, na impossibilidade de aplicação deste, mediante a exigência de multa equivalente ao seu valor aduaneiro, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação. O diploma legal em tela, mesmo ao estabelecer a aplicação de penalidade pecuniária substitutiva ao perdimento, não desnatura a essência aduaneira da sanção, ou melhor, não tributária, imprescindível à defesa dos interesses fazendários nacionais, como, aliás, está esculpido no artigo 237 da Constituição Federal2. O objeto primário da reprimenda aduaneira em evidência é a apreensão da mercadoria em face, primeiro, do importador ou exportador ostensivo explicitado no conhecimento de transporte/fatura/nota fiscal/registro da DI/RE e ulterior decretação de sua 2 Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.931 25 perda em favor da União, podendo ainda responder pela infração terceiro que concorreu para a prática Importante ressaltar que o crédito decorrente da conversão do perdimento em multa só é constituído diante da impossibilidade de execução da sanção administrativa em comento, ou seja, o perdimento. De fato, acaso as mercadorias ainda estivessem à disposição do Fisco, nenhum crédito relativamente à sanção em tela teria sido constituído. Em suma, o artigo 23 trata do perdimento da mercadoria ou da aplicação de pena substitutiva multa em valor equivalente aos produtos, no caso de dano ao Erário, dentre outras hipóteses, caracterizado pela interposição fraudulenta de terceiros em operação de comércio exterior. Claro está, portanto, que a sanção decorrente da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior (inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76) repercute na própria mercadoria, que, em tais casos, é expropriada do sujeito passivo, sendo tal inflição substituída pela multa equivalente ao valor dos produtos apenas nos casos em que não existe a possibilidade de sua apreensão (vide parágrafos 1º e 3º do aludido artigo 23). Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. Não faz sentido a recorrente exibir o saldo em conta corrente, o numerário em caixa, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador não demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada, sendo a integralização do capital a “pedra de toque” desse processo. A apresentação de tais grandezas, sem a efetiva demonstração da origem, disponibilidade e transferência dos recursos, é um ambiente propício para “lavagem de dinheiro” na proporção dos valores mencionados, ilícito que a Receita Federal do Brasil tem o dever de reprimir, consoante a legislação transcrita. Por isso, o §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, atribui ao importador o ônus da comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação e não a mera menção dessas valores. A recorrente não conseguiu comprovar a efetiva integralização e aumentos subseqüentes de seu capital social, fato esse que resultou na impossibilidade de comprovação da origem dos recursos empregados em operações do comércio exterior para o período fiscalizado que, conforme disposição legal, é presumido como interposição fraudulenta de terceiros e acarreta as penalidades cabíveis. Também, restou comprovada a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas pela empresa, visto que a agregação obtida pela venda não se mostra suficiente para cobrir os valores dos tributos internos a que a empresa está sujeita, bem como os custos operacionais normais de uma empresa que importa mercadorias para revenda e ainda Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.932 26 auferir lucro na venda de mercadorias, sendo essa operação realizada apenas para ocultar os reais destinatários das mercadorias dos controles do fisco. Essas ocultações geraram danos tributários comprovados, além do dano específico de ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações. Em adendo, a escrita contábil da empresa se mostra simulada, visto que a quantidade de mercadorias “vendidas”, em especial daquelas mercadorias objeto de análise da fiscalização, por terem sido obtidas através do comércio exterior, é superior, em grande número ao quantitativo de mercadorias importadas e adquiridas no mercado interno. Portanto, não assiste razão à recorrente nessa matéria 3) Pena de Perdimento Excessiva e Multa Confiscatória: Quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação que embasou a autuação, sendo a pena de perdimento excessiva, a matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação ao argumento de que, com a aplicação de referida multa, estaria configurado o confisco, por ser aquela abusiva e indevida, cumpre considerar que referido princípio constitucional, antes de tudo, é dirigido aos legisladores ordinários, que devem respeitálo no processo de elaboração legislativa, cabendo às autoridades administrativas o papel de aplicar as determinações legais emanadas do poder competente. 4) Pedido da Recorrente para que Incida a Multa do art. 33 da Lei 11.488/07: A recorrente solicita que incida sobre si somente a multa de 10% do art. 33 da Lei 11.488/07: O acórdão recorrido é preciso ao delinear os motivos da sua não aplicação: Ceder seu nome, mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seu real beneficiário, ficando sujeita a multa tipificada no caput do artigo 33 da Lei11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como visto, há duas formas de se apurar a interposição fraudulenta de terceiros em operações de importação: Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.933 27 ♦ A prática efetiva (inciso V, art. 23, do Decreto nº 1.455/76) onde há a necessidade da fiscalização identificar tanto o sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR) quanto a interposta pessoa na importação; e ♦ A prática presumida (§2º, art.23, do Decreto nº 1.455/76) quando o importador não faz comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. A prática PRESUMIDA da interposição fraudulenta de terceiros implica em duas infrações: ♦ Uma infração tipificada no §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, punível com a aplicação da pena de perdimento e conseguinte conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no caso de que não seja localizada ou que tenha sido consumida, tendo por destinatário o importador de direito (INTERPOSTO), em razão da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Uma infração própria, já que para cometêla o agente deve ter a condição de ser importador devidamente habilitado no SISCOMEX. ♦ Outra infração tipificada no artigo 81, §1º, da Lei nº 9.430/96, que determina a declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Esclarecese que a conduta tipificada no artigo 33 da Lei 11.488/2007 é uma infração própria direcionada ao importador de direito (INTERPOSTO), em razão de sua habilitação no Siscomex, por ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. A aplicação da multa de 10% por cessão de nome prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007 pressupõe a identificação tanto do o sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR) quanto Da interposta pessoa na importação. Isso porque o parágrafo único do referido artigo é explicito em determinar que a aplicação da multa de 10% por cessão de nome vem a inibir a declaração de inaptidão do CNPJ do importador/exportador de direito (ou ostensivo) que é decorrente da previsão feita pelo §1º, do artigo 81 da Lei nº 9430/96. Destarte, depreendese que a incidência do artigo 33 da Lei 11.488/2007 é específica para a prática EFETIVA da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (SUJEITO PASSIVO OCULTO / REAL COMPRADOR) está identificado. Se o importador de fato, aquele que financia a importação não foi identificado – como é próprio da prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros – não cabe a multa de 10% prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007, mas a declaração de inaptidão do CNPJ, prevista no artigo 81, §1º, da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, o importador de fato poderá deixar de ter o seu CNPJ declarado inapto, na medida em que identificar para a fiscalização quem foi o financiador da importação, ou seja o sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR). Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.934 28 Assim, não se teria mais uma prática presumida, mas sim uma prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Isso a doutrina denomina de ‘denuncia premiada’ quando a interposta pessoa traz o sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR) para dividir consigo o pólo passivo da autuação referente à exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro. Portanto, concluíse que a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. 5) Solidariedade Tributária: A fiscalização entendeu que os sócios da empresa PRIMIANI devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas, nos termos do Artigo 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional. Entretanto, apesar de citar "os sócios", como se fosse mais de um sócio, apenas considerou o responsável legal perante o CNPJ o Empresário, FRANCISCO PRIMIANI JUNIOR, CPF 923.040.60153, como responsável solidário pelo auto de infração. Fundamentou seu entendimento: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 10111.720866/201106 Acórdão n.º 3301003.086 S3C3T1 Fl. 2.935 29 VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A fiscalização considerou que respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. A recorrente, apesar de não contestar especificamente a solidariedade do sócio, diz que não se pode atribuir solidariedade por presunções dos agentes autuantes, que não analisaram a documentação apresentada pela empresa, e nem apresentaram nenhuma prova de terceiros, ou de recursos de terceiros, sendo meras especulações. Não concordo com a recorrente, entendo que houve a análise da documentação apresentada pela empresa e que o sócio citado concorreu para a prática da infração e se beneficiou dela, portanto, a solidariedade passiva é cabível. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 2966DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15289.000011/2006-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 OPÇÃO. A pessoa jurídica que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não transfere os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados não realiza operação relativa à locação de mão-de-obra.
Numero da decisão: 1801-000.568
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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NETO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 OPÇÃO. A pessoa jurídica que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não transfere os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados não realiza operação relativa à locação de mãodeobra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 251 2 Relatório Na Representação Fiscal apresentada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) à Secretaria da Receita Federal (SRF), fls. 01/03, está registrado: Considerando, o "Contrato Social", datado de 22/01/96, registrado na JUCESP sob o nº35213579064, de 01/02/96, a empresa tem por objetivo a atividade de: "Prestação de serviço de estiva, estufagem de containers e paletizacao", atividades compatíveis com as "notas fiscais de serviço" apresentadas, bem como o "CNAE" da empresa descrito com o código 63.223 — "Atividades Auxiliares aos Transportes Aquaviários"; Considerando que a atividade da empresa está vedada para o SIMPLES, conforme prevê o art. 9°. da Lei no. 9.317, de 05/12/96, através da relação de "Exemplos de Atividades Vedadas ao Simples" fornecida pela Secretaria da Receita Federal, elencada como "Outras atividades relacionadas à organização do transporte de cargas"; bem como na relação de "Atividades vedadas tabela versão 141103", onde o CNAE da empresa encontrase nas vedações elencadas, com base legal na IN 608/2006, art. 20, inciso XI e, da Secretaria da Receita Federal; Outrossim, considerando que o a empresa está estabelecida em uma residência, situada à Rua Guaibê, no. 150 — apartamento 21 — Aparecida — Santos/SP, e devido à natureza da atividade da empresa, concluise que é genuína locação de mãodeobra, vedada através do art. 9°. Da Lei 9.317/96, letra "f". Por estas razões, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/STS/SP nº 43, de 28 de julho de 2006, fl. 108, com efeitos a partir de 01/01/2002, por realizar operações relativas a prestação de serviço de locação de mãodeobra (alínea “f”, do inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Cientificada em 03/08/2006, fl. 113, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 31/08/2006, fls. 115/118, com as alegações abaixo sintetizadas. Argúi que o ato de exclusão é nulo. Suscita que não realiza operação relativa a mãodeobra, já que não há pessoalidade no fornecimento de trabalhadores, que não se subordinam ao tomador do serviço. Defende que se dedica à prestação de serviços de estiva, estufagem de containers e paletização, em que se responsabiliza integralmente pela execução dos objetos dos contratos avençados. Conclui Posto isto, requer a anulação do Ato Declaratório Executivo nº 43, para que seja reconhecida a permanência da solicitante no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1621.287, de 07/05/2009, fls. 165/171: “Solicitação Indeferida”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 252 3 Restou ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. As empresas que prestam serviços de locação de mãodeobra estão impedidas de optar pelo regime simplificado, por vedação taxativa na Lei que rege o Simples. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. Notificada em 01/06/2009, fl. 173, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 01/07/2009, fls. 176/204, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Solicita que seja atribuído o efeito suspensivo ao recurso voluntário. Acrescenta que não concorda com os efeitos retroativos da exclusão. Diz que não foi regularmente intimada da Representação Fiscal apresentada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) à Secretaria da Receita Federal (SRF), fls. 01/04. Aduz que Vejamos que a atividade econômica da Recorrente demonstra a prestação de serviços a terceiros de "ESTIVA, ESTUFAGEM DE CONTAINERS E PALETIZAÇÃO", não caracterizando propriamente locação de mão de obra, tendo em vista que seus funcionários, prepostos ou terceiros não estão subordinados à Contratante, ao inverso, as obrigações relativas à mão de obra e suas respectivas despesas são encargos apenas da Recorrente, portanto, a literalidade presente em seu objeto social não pode sobreporse a natureza jurídica da locação que tem características especificas como continuidade, pessoalidade e comando dos serviços. [...] Ora, em momento algum, nos contratos elencados aos autos demonstra que as Contratantes da ora Recorrente tem direitos à comandar os funcionários, terceiros e prepostos da Recorrente, portanto, não resta configurada atividade específica de locação de mãodeobra, estando assim, plenamente demonstrado que a Recorrente mantém condições para permanecer na sistemática do SIMPLES. Solicita a produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 253 4 Conclui 6.1. Diante de todo o exposto, a Recorrente requer: a) — Sejam acolhidas as preliminares suscitadas no item 03 (três) do presente Recurso Voluntário, declarandose a nulidade da Representação Administrativa, vez que, conforme restou demonstrado, encontrase a mesma fundamentada em alegações equivocada e eivada de vícios formais insanáveis; b) — Caso superadas as preliminares, por força da aplicação da orientação contida no parágrafo 3°, do artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, requer seja a SOLICITAÇÃO DE REVISÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES julgado totalmente PROCEDENTE para a manutenção da em presa "A. J. NETO & CIA LTDA" dentro do Regime Tributário do SIMPLES, cancelandose, via de conseqüência, o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 43/2006 que determinou a exclusão da Recorrente da sistemática do SIMPLES NACIONAL, com o que se estará fazendo a mais serena e pacífica JUSTIÇA! Termos em que, Pede e Espera Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita que seja atribuído o efeito suspensivo ao recurso voluntário. O Código Tributário Nacional prevê: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Sobre o efeito suspensivo da apresentação tempestiva do recurso voluntário, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, determina: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 254 5 No presente caso, a Recorrente foi notificada em 01/06/2008, fl. 173, e apresentou o recurso voluntário em 01/07/2009, fls. 176/204. Por esta razão, o recurso voluntário deve ser recebido no efeito suspensivo. A Recorrente alega que o ato administrativos é nulo, porque contêm vícios insanáveis. O ato de exclusão foi lavrado por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilo ou impugnálo no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de agir, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou a exclusão, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou o ato de exclusão com observância de todos os requisitos legais que lhe confere existência, validade e eficácia. Logo, não cabem reparos aos procedimentos fiscais. Além disso, foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente afirma que teria que ser previamente intimada do procedimento fiscal. A Lei nº 9.317, de 1996, prevê: Art. 15. § 4o Os órgãos de fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social ou de qualquer entidade convenente deverão representar à Secretaria da Receita Federal se, no exercício de suas atividades fiscalizadoras, constatarem hipótese de exclusão obrigatória do SIMPLES, em conformidade com o disposto no inciso II do art. 13. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 46, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), cuja a divulgação foi feita pela Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010 e que assim determina: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. A Representação Administrativa do INSS, fls. 01/03, foi formalizada pelos agentes públicos em cumprimento do dever legal. Nesta fase do procedimento de auditoria fiscal, por falta de previsão legal, não é facultado à Recorrente apresentar peça de defesa nem a autoridade fiscal está obrigada a notificála previamente. Somente com a ciência válida do Ato Declaratório Executivo DRF/STS/SP nº 43, de 28 de julho de 2006, fl. 108 e a apresentação Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 255 6 regular da peça de defesa a fase litigiosa no procedimento está instaurada, quando devem ser asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal e art. 14 e art. 15 Decreto nº 70.235, de 1972). Desta forma, a sua alegação não tem fundamento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Neste sentido, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim, seu pleito deve ser indeferido. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, fixa: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XII que realize operações relativas a: [...] f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; A hipótese de indeferimento da opção da requerente pelo Simples com efeito desde 01/01/2002 fundamentada na prestação de serviço de locação de mãodeobra, pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Atinente à realização de operações relativas à locação de mãodeobra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mãodeobra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas e fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. Há ainda as operações nas quais o objeto contratado identificase com a apresentação de um resultado. A empresa contratada associase com a finalidade de apresentar Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 256 7 um resultado específico, obra ou serviço. Ela obrigase a fazer alguma coisa para uso ou proveito da contratante, fica responsável pelo fornecimento da mãodeobra necessária à produção desta coisa, objeto da contratação, assume o ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento dos trabalhos, e também a gestão do risco de apresentação do resultado, que pode ser uma obra completa ou a prestação de um serviço, ambos perfeitamente identificados como produto final. Se o recurso fornecido pela contratada é exclusivamente a mãodeobra, esta modalidade de contratação também é impeditiva da inscrição no sistema. Outra possibilidade reúne a colocação da mãodeobra à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. Tem cabimento a aplicação subsidiaria da Consolidação das Leis do Trabalho que determina: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Neste sentido, os sujeitos do contrato de trabalho são: o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados; o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação. Assim, podese inferir que a pessoa jurídica que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não transfere os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados não realiza operação relativa à locação de mãodeobra. No Contrato Social, fls. 04/09, está registrado: A. Sociedade terá por objetivo a atividade de PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ESTIVA, ESTUFAGEM D E CONTAINERS E PALETIZÁÇÃO. No Contrato de Prestação de Serviços, 133/142, em que a Recorrente figura como CONTRATADA, consta: Constitui objeto do presente contrato, a execução pela CONTRATADA doa serviços de Estiva, Estufagem de Containers e Paletização. [...] Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 257 8 O presente contrato tem por objeto a prestação de serviços pela CONTRATADA às CONTRATANTES, conforme listado abaixo: a) Serviços de embalagem (entamboramento e ensaque); b) Empilhamento e adequação de estoques em armazéns; c) Carregamento e descarga de produtos químicos e matériasprimas disponibilizados em sacarias, tambores, barricas, big bags, mini taps e bombonas; d) uso de empilhadeiras para manuseio de cargas; e) Carregamentos manuais de veículos de produtos (líquidos e sólidos); f) Paletização manual; g) Unitização de cargas; h) Manuseio de produtos acabados e matériasprimas de acordo com o discriminado no Anexo I, que assinado pelas partes integrase a este documento [...] Além das obrigações definidas em outras cláusulas do presente contrato, a CONTRATADA, terá as seguintes obrigações: 3.1. Fornecer pessoal com capacidade adequada as necessidades das CONTRATANTES (habilitados, treinados e com os devidos registros acessíveis), necessária à execução de todos os serviços ora contratados; 3.2. Permitir e facilitar o acesso das CONTRATANTES, por seu pessoal credenciado, em funções de coordenação e/ou fiscalização técnica, aos locais utilizados pela CONTRATADA, para execução dos serviços objeto deste contrato; 3.3A responsabilidade da CONTRATADA é integral para os serviços objeto do contrato, sendo que a presença de fiscalização pelas CONTRATANTES não diminui nem exime dessa responsabilidade; 3.4. Responsabilizarse pelo pagamento de toda a remuneração de seu pessoal que direta ou indiretamente realize serviços relacionados a este contrato, como salários e adicionais de qualquer espécie; responsabilizarse, ainda, pelo recolhimento de todos e quaisquer encargos trabalhistas, securitários, sociais e previdenciários; tributos e contribuições parafiscais; reclamações trabalhistas e indenizações de qualquer natureza aos seus funcionários e/ou contratados sob sua responsabilidade, relativos aos serviços que são objeto deste contrato ou dele decorrentes, uma vez que inexiste qualquer relação empregatícia ou vínculo de qualquer espécie entre os funcionários e/ou prepostos da CONTRATADA e as CONTRATANTES; 3.5. Apresentar às CONTRATANTES, sempre que lhe for solicitado, os comprovantes de recolhimento dos valores informados no item 3.4. supra citado; 3.6. Cumprir o TERMO DE CONFIDENCIALIDADE, anexo a este contrato; [...] 3.10. Responsabilizarse tecnicamente pelos serviço executados por seus funcionários e, caso necessário, revisar e corrigir sem ônus para as Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 258 9 CONTRATANTES, mesmo após encerramento dos trabalhos, todas as imperfeições e/ou omissões dos serviços de sua responsabilidade; [...] 3.12 Responsabilizarse por qualquer dano e/ou prejuízo causado por si, seus empregados, prepostos e/ou terceiros a seu serviço sob suas ordens, aos próprios serviços, às CONTRATANTES ou a terceiros, quando da execução dos trabalhos; 3.13. Responsabilizarse em manter os padrões de qualidade dos serviços prestados conforme determinação das CONTRATANTES, bem como, no não cumprimento, a de refazêlos sem ônus para as CONTRATANTES; [...] 3.16. Adequar a jornada de trabalho de seus funcionários, as necessidades das CONTRATANTES de acordo com cada tipo de serviço a ser executado; 3.17. Manter limpo, organizado e seguro, todos os locais de trabalho utilizados pelos seus empregados, nas instalações das CONTRATANTES. 3.18. Atender os requisitos determinados e solicitados nos relatórios anuais de Auditoria de Contratadas, elaborando plano de ação com cronograma para eliminar os desvios encontrados. [...] Todos os EPI's devem estar em conformidade com as exigências dos padrões do Ministério do Trabalho, e conter o "CA" (Certificado de Aprovação). 5.1. A CONTRATADA obrigase a atender as diretrizes de segurança constantes do MANUAL PARA CONTRATADAS, concordando expressamente em preencher todos os requisitos necessários para a obtenção de desempenho de segurança exigido pelas CONTRATANTES. Para tanto, as CONTRATANTES poderam realizar auditorias anuais junto à CONTRATADA durante o prazo de execução deste contrato, [...] 5.3. A CONTRATADA deve assegurar que seus funcionários utilizem estes EPI's e os conservem dentro de seus prazos de validade e ainda em padrões de higiene aceitáveis, 5.4. A CONTRATADA deve fornecer equipamentos de proteção individual, como, uniforme personalizado, botas de segurança, luvas de PVC e/ou pano, óculos de ampla visão, óculos de segurança, capacete, mÁscara contra pó e protetor auricular, e mantêlos em perfeito estado de conservação e funcionamento, [...] 5.9 Os funcionários da CONTRATADA devem manter limpo e organizado todo o local de trabalho utilizado dentro das instalações das CONTRATANTES, 5.10 A CONTRATADA deve disponibilizar um sistema adequado para que seus funcionários realizem a higienização de seus uniformes de trabalho, [...] Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 259 10 Nenhuma relação empregatícia se estabelece entre as contratantes e empregados e/ou prepostos da CONTRATADA. [...] 10.2. Caberá à CONTRATADA a total responsabilidade técnica dos serviços que forem executados e responderá civilmente por quaisquer ônus ou imperícia causados 1 exclusivamente por seus funcionários, subcontratados e/ou prepostos, 10.3. As CONTRATANTES, a seu critério, podem interromper qualquer serviço que não esteja sendo executado de acordo com a técnica, qualidade e/ou segurança, notificando por escrito a CONTRATADA, 10.4. A CONTRATADA garantirá as CONTRATANTES a salvo de quaisquer reivindicações da própria CONTRATADA ou de terceiros, decorrentes de uso pela CONTRATADA de materiais ou processos protegidos por marcas e patentes, respondendo neste caso, inclusive por via regressiva, pessoal e diretamente, por qualquer penalidade, pagamento, multa, indenização, taxas ou comissões, 10.5. As CONTRATANTES providenciaram durante a vigência deste contrato, local adequado para a higiene pessoal (vestiário/banheiros) dos funcionários da CONTRATADA dentro de seu estabelecimento industrial, 10.6. Os procedimentos de trabalho necessários à operacionalização do presente contrato, serão gerados e acordados por ambas as partes, CONTRATANTES e CONTRATADA. Portanto, em caso de discrepância, os termos deste contrato prevalecerão, 10.7. Reparos de avarias causado por acidentes, negligência ou mau uso dos equipamentos e quaisquer outros desvios causados pelos funcionários das CONTRATANTES exclui a CONTRATADA de qualquer responsabilidade. Nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços, fls. 10/84, consta: [...] movimentação manual [...] limpeza geral [...] dosagem [...] carregamento [...] operadores de empilhadeiras [...] utilização de resina [...] estrados e madeira [...] conferência de carga e descarga [...] Os documentos constantes nos autos evidenciam que a Recorrente não realiza operação relativa à locação de mãodeobra, uma vez que assume o risco e se responsabiliza pela atividade econômica, ou seja, não transfere os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados. Ademais, a Recorrente é responsável pelo vínculo empregatício, pela prestação dos serviços e os empregados estão à sua disposição e ainda detém o comando das tarefas, fornece os equipamentos de proteção e fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. Também fica responsável pelo execução da coisa, objeto da contratação, assume o ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento dos trabalhos, e também a gestão do risco de apresentação do resultado. Não restou caracterizada, de forma inequívoca, a situação excludente descrita expressamente no ato declaratório de exclusão, ou seja, que a Recorrente realiza operação de locação de mãodeobra. Logo lhe cabe razão. Em face do exposto voto por dar provimento ao recurso. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15289.000011/200681 Acórdão n.º 180100.568 S1TE01 Fl. 260 11 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10830.900069/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 13/12/2002
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.662
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 13/12/2002 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 00 69 /2 01 2- 68 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10830.900069/201268 Acórdão n.º 3402004.662 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10830.900069/201268 Acórdão n.º 3402004.662 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10830.900069/201268 Acórdão n.º 3402004.662 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.900069/201268 Acórdão n.º 3402004.662 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900745/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2012
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 45 /2 01 3- 91 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.900745/201391 Acórdão n.º 3201003.121 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.984, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.900745/201391 Acórdão n.º 3201003.121 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.900745/201391 Acórdão n.º 3201003.121 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720862/2007-77
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2005
NULIDADE. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA. DISPENSA MPF.
Em procedimentos de revisão interna das declarações de rendimentos é dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ASPECTO FORMAL.
As nulidades que viciam a autuação, em seu aspecto formal, estão previstas no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Os documentos que embasam o lançamento tributário fazem parte do processo administrativo fiscal do qual o contribuinte tem amplo acesso após lavrado o Auto de Infração e no prazo estipulado em lei para apresentar a impugnação, em consonância aos preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
NULIDADE. ILÍCITO TRIBUTÁRIO. NORMA LEGAL.
Constatado nos autos que o lançamento tributário está perfeitamente descrito e em conformidade com as normas de regência, irreparável a autuação.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. AÇÃO JUDICIAL.
É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. (Súmula nº 50/Carf)
INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS TRIBUTÁRIAS.
O órgão de julgamento administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:)
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:)
Numero da decisão: 1801-000.590
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005 NULIDADE. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA. DISPENSA MPF. Em procedimentos de revisão interna das declarações de rendimentos é dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ASPECTO FORMAL. As nulidades que viciam a autuação, em seu aspecto formal, estão previstas no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Os documentos que embasam o lançamento tributário fazem parte do processo administrativo fiscal do qual o contribuinte tem amplo acesso após lavrado o Auto de Infração e no prazo estipulado em lei para apresentar a impugnação, em consonância aos preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE. ILÍCITO TRIBUTÁRIO. NORMA LEGAL. Constatado nos autos que o lançamento tributário está perfeitamente descrito e em conformidade com as normas de regência, irreparável a autuação. ACRÉSCIMOS LEGAIS. AÇÃO JUDICIAL. É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. (Súmula nº 50/Carf) INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS TRIBUTÁRIAS. O órgão de julgamento administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:)
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PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA. DISPENSA MPF. Em procedimentos de revisão interna das declarações de rendimentos é dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ASPECTO FORMAL. As nulidades que viciam a autuação, em seu aspecto formal, estão previstas no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Os documentos que embasam o lançamento tributário fazem parte do processo administrativo fiscal do qual o contribuinte tem amplo acesso após lavrado o Auto de Infração e no prazo estipulado em lei para apresentar a impugnação, em consonância aos preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE. ILÍCITO TRIBUTÁRIO. NORMA LEGAL. Constatado nos autos que o lançamento tributário está perfeitamente descrito e em conformidade com as normas de regência, irreparável a autuação. ACRÉSCIMOS LEGAIS. AÇÃO JUDICIAL. É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. (Súmula nº 50/Carf) INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS TRIBUTÁRIAS. O órgão de julgamento administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 285DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Em procedimento de revisão da DIPJ relativa ao anocalendário de 2004, a fiscalização constatou ausência de recolhimento da CSLL, no valor de R$ 51.986,36, apurada no ajuste anual, esclarecendo que a Declaração de Compensação – Dcomp – entregue pela empresa foi considerada não declarada pela autoridade competente. Esclareceu, ainda, que a empresa também não informou este débito em DCTF, razão pela qual foi necessário proceder ao lançamento tributário. O Auto de Infração encontrase às fls. 02 a 06 e o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto, às fls. 07 a 09. A autoridade fiscal explicou no referido termo que a empresa impetrou Mandado de Segurança contra o processo administrativo nº 10665.000391/200515 para garantir o direito à compensação do tributo com crédito oriundo de empréstimo compulsório recolhido em favor da União e para que a manifestação de inconformidade contra o despacho denegatório do pedido de compensação fosse devidamente apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A sentença concedeu, em parte, a segurança buscada para que fosse facultada à empresa a interposição de defesa administrativa, mas denegou o objeto quanto ao pedido de compensação. Registrouse, então, no termo que a exigibilidade do crédito deve ficar suspensa pela interposição de defesa administrativa (artigo 151, inciso III, Código Tributário Nacional – CTN), mas que o caso em concreto não encontra guarida nas hipóteses dispostas no artigo 63 da Lei nº 9.430/96 (causas de suspensão de exigibilidade previstas nos incisos IV e V, devendo ser aplicada a multa de ofício na forma regular. A cópia da DIPJ/05 foi juntada às fls. 52 a 86, entre outros documentos. Fl. 286DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720862/200777 Acórdão n.º 180100.590 S1TE01 Fl. 243 3 Inconformada com a autuação a empresa impugnou o feito fiscal – fls. 94 a 151. Aproveito, por oportuno, o relatório do Acórdão nº 0220.766/09, exarado pela Terceira Turma da DRJ em Belo Horizonte para resumir as razões de contestação: IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO Tendo sido notificada pessoalmente do lançamento em 14.11.2007, em 10.12.2007 a autuada apresentou a impugnação juntada a folhas 94 a 151. Resumem o seu conteúdo os enunciados seguintes. Ausência de instauração do mandado de procedimento fiscal • Não foi observada pelo agente administrativo a obrigatoriedade de prévia instauração do mandado de procedimento fiscal. • Com a edição da Portaria SRF n° 1.265, de 1999, os procedimentos fiscais relacionados a tributos ou contribuições administradas pela Receita Federal passaram a ser necessariamente instaurados por intermédio de determinação especifica contida em mandado de procedimento fiscal lavrado pela autoridade competente. Essa portaria foi sucessivamente substituída e hoje está em vigor a Portaria SRF n° 6.087, de 2005. • Uma característica importante da nova sistemática é a previsão de ciência e controle do trabalho da autoridade fiscal pelo próprio contribuinte. Assim, o MPF conterá obrigatoriamente numeração de identificação de controle, dados identificadores do sujeito passivo, nome e matricula do AFRF responsável por sua execução, bem como nome, matricula e assinatura da autoridade outorgante e código de acesso à Internet que permite ao sujeito passivo identificar o MPF, entre outros requisitos. • Ao não instaurar o MPF, o agente descumpre o artigo 4° da Portaria SRF n° 6.087, de 2005. • 0 MPF é ato administrativo que permite aos auditores fiscais a instauração do procedimento fiscal. Tal natureza é afirmada pelo artigo 2° da Portaria RFB n° 4.066. Ao não proceder à instauração do MPF, o agente pratica ato não vinculado a essa norma, contrariando as normas do processo tributário administrativo. • 0 ato administrativo deve ser realizado nos exatos termos da lei. Ilustrase o argumento com a citação de diversas passagens doutrinárias. • Ao se omitir em fundamentar sua decisão em lei que determina uma certa conduta, a Receita Federal fere o principio da legalidade previsto no artigo 37 da Constituição Federal, que constitui um dos dogmas constitucionais. • Em nível infraconstitucional, o despacho decisório contraria as normas regulamentadoras do processo administrativo federal, nomeadamente o artigo 2°, inciso I, da Lei n° 9.784, de 1999. Nulidade em virtude de não ter sido entregue a documentação comprobatória do lançamento • A documentação que serviu de suporte para a constituição do crédito tributário não foi anexada ao auto de infração quando uma cópia desta foi entregue ao contribuinte, ou seja, de forma estranha não foram colocadas à disposição do contribuinte as cópias que estão anexas ao processo. Indagase o motivo que levou o Fl. 287DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 agente fiscal a não aplicar esse direito do contribuinte previsto no ordenamento jurídico. • Houve infringência do Código de Defesa do Contribuinte de Minas Gerais, previsto na Lei n° 13.515, de 2000, artigo 2°, III, artigo 4°, incisos VII e XIV, e artigo 12, III. • Esse fato não só dificulta a defesa, na medida em que o contribuinte não consegue localizar documento que sustenta determinada afirmação fiscal, como também deixa margem para dúvidas e incertezas com relação A lista de documentos e suas especificações. • 0 Decreto n° 70.235, de 1972, artigo 9°, determina a obrigatoriedade de instruir o lançamento com toda a documentação que serviu de base para sua fundamentação legal. No conteúdo dessa norma, salientamos o verbo deverão, que determina conduta obrigatória a ser seguida pelo agente fiscal. Isso é uma prescrição, ou seja, deve haver a instrução dessas peças comprobatórias no auto de infração por ocasião da citação do contribuinte. Em abono do argumento, recorrese a citações doutrinárias. • No auto de infração não houve observância das formalidades procedimentais, que consistem num pressuposto ,da estrutura do ato administrativo. A norma geral e abstrata, o Decreto n° 70.235, de 1972, determina que o crédito tributário deve obrigatoriamente ser instruído com todos os elementos de prova. Pressupostos do ato administrativo são requisitos extrínsecos obrigatórios para a formação do ato administrativo. Dessa forma esse requisito extrínseco deveria ser observado pelo agente administrativo. • 0 Estado não demonstrou razão alguma (caso fortuito ou força maior) para não apresentar a documentação que deveria ser anexada. • 0 momento processual descrito no tipo tributário para a apresentação de provas deve ocorrer por ocasião da lavratura e entrega do auto de infração ao contribuinte, que obrigatoriamente deve conter toda a documentação que lhe serviu de suporte. No momento em que o contribuinte recebe o auto de infração para apresentação da defesa, possuirá o conhecimento das provas, o qual é imprescindível para construção do raciocínio jurídico na apresentação da defesa administrativa. • 0 motivo do fisco para não entregar a documentação juntamente com o auto de infração é dificultar o raciocínio da defesa administrativa. • Concluise que o agente fiscal não procedeu à aplicação do disposto no artigo 9° do Decreto n° 70.235, de 1972. Nesse sentido, estamos diante de erro formal, um defeito no processo de enunciação da construção do crédito tributário. • Dessa forma, o estado restringiu o direito à ampla defesa e ao contraditório (artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal). Assim, essa abstenção causa a nulidade do auto de infração. Erro de subsunção do fato à norma • Ao fundamentar a infração do item 1 do auto de infração, o autuante invoca o artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988. Essa norma possui parágrafos e incisos. Cabe, assim, questionar em quais parágrafos e incisos a fiscalização efetuou a fundamentação. Logo, não houve a fundamentação da norma geral e abstrata da conduta do contribuinte. • Da mesma forma, o artigo 28 da Lei n° 9.430, de 1996, também citado pelo autuante, é norma que remete a interpretação a várias outras disposições. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720862/200777 Acórdão n.º 180100.590 S1TE01 Fl. 244 5 • Também fundamenta no artigo 37 da Lei n° 10.637, de 2002, somente o valor correspondente A aliquota da CSLL, e não a conduta do contribuinte. • Se a tipificação da conduta do contribuinte fosse devidamente especificada na lei, com incisos e parágrafos, a defesa adotaria critérios e linhas de raciocínios diferentes. • Exemplificadamente, a lei que regula o procedimento para que a declaração de compensação seja considerada não declarada, e sujeito os valores compensados à multa isolada, possui várias disposições, que devem ser devidamente relatadas. Ilustrase o argumento com a citação de ementas atribuídas ao Conselho de Contribuintes. • 0 lançamento tributário deve ser realizado nos exatos termos da lei. Se está descrito no antecedente da norma geral e abstrata que, se ocorrido determinado evento, deve ser a aplicação de determinada lei que obriga a correta composição do critério pessoal do consequente normativo, concluise que não há razão de discricionariedade do agente produtor da norma individual e concreta. • Concluise ainda que houve erro de direito da autoridade administrativa quanto à ausência de fundamentação legal. • Paulo de Barros Carvalho demonstra que, não satisfeitos todos os requisitos da norma, toda a relação jurídica fica comprometida. Ele dispõe ainda que ha um equivoco na interpretação de normas, na correlação lógica entre elas, ou seja, entre a norma individual e a concreta construída na constituição do crédito tributário e a norma geral e abstrata. • Citamse passagens doutrinárias de outros autores, para concluir que existe a obrigatoriedade do respeito ao principio da vinculabilidade A lei da atividade administrativa fiscal. Ausência de fundamentação e a infringência do principio da legalidade • Por afronta ao principio da legalidade, pela inexistência de fundamento jurídico necessário para lhe dar o devido fundamento legal, o erro de direito cometido na autuação acarreta a nulidade desta. • 0 caput do artigo 37 da Constituição Federal de 1988 (CF) determina, como um dos princípios da administração pública e atributo necessário do ato administrativo, o respeito ao principio da legalidade. • A CF e o próprio CTN estabelecem que os tributos devem ser exigidos na forma da lei, sem a qual será inconstitucional e ilegal a ‘sua cobrança, assim como ser a atividade administrativa do lançamento vinculada às previsões legais. • Citando passagens doutrinárias e exemplos de decisões administrativas, concluise que um dos elementos necessários do lançamento tributário é a motivação, pela descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito que lhe serviram de fundamento. A falta desses motivos resulta na prática de ato administrativo imotivado e, por isso, inquinado de nulidade insanável. Ausência de motivação e ofensa ao principio da motivação dos atos administrativos Fl. 289DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 • Do erro de direito ocorrido no auto de infração resulta a nulidade desse ato administrativo por falta de motivação. Em se tratando de ato administrativo vinculado, a necessidade de motivação é universalmente reconhecida. • 0 Superior Tribunal de Justiça confirma o entendimento de que a falta de motivação é razão de nulidade do ato administrativo, conforme comprova decisão transcrita na impugnação. • É requerida a nulidade do auto de infração, em razão da ausência de fundamentação, visto que o principio constitucional da ampla defesa e do contraditório foi retirado do contribuinte, e que ele não sabe do que esta sendo acusado, ou seja, não há descrição na norma da conduta alegada pela fiscalização. Impossibilidade de aplicação da multa e de juros de mora estando a exigibilidade suspensa • Em processo que tramita na Justiça Federal, a recorrente obteve liminar para assegurar o direito à compensação deste débito e, por conseguinte, apresentar defesa administrativa, tudo com a exigibilidade suspensa. • As causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário, previstas no artigo 151 do CTN, impedem a exigência dessa divida. 0 advento da causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário torna inexigível, ainda que por algum tempo, o cumprimento da obrigação tributária. • Se no período da suspensão da exigibilidade a prestação não é devida, não ha mora e, portanto, não há violação da norma que determina a obrigação de pagar o tributo e não há ofensa ao direito subjetivo do sujeito ativo. • Se não há ilicitude não é possível a exigência da penalidade. • Se o sujeito passivo tem o direito subjetivo de não pagar, por força da norma que decreta a suspensão da exigibilidade, a ele não pode ser imputada uma falta ou uma violação de um dever, porque inexistente. • Durante o período de suspensão da exigibilidade, vige uma norma que estabelece uma nova relação jurídica, diferente da anteriormente formada com a ocorrência do fato gerador. Tal norma inibe o direito que o sujeito ativo tem de exigir o crédito e garante ao sujeito passivo o direito de não pagar o montante em discussão. Logo, a exigência de juros de mora e multa durante o período de suspensão da exigibilidade do crédito é inválida e ofende não só o artigo 151 do CTN como também o cerne dos princípios que consagram o estado de direito. • Nesse sentido é farta a doutrina nacional, destacandose a obra "Caderno de Pesquisas Tributárias — Decisões Judiciais e Tributação", na qual, unanimemente, os escritores afirmam que as hipóteses do inciso II e IV do artigo 151 do CTN importam em suspensão da exigibilidade do crédito tributário, discordando apenas quanto aos efeitos da cassação da liminar ou da sentença da improcedência da ação judicial. • De acordo com a doutrina e a legislação transcritas, suspensa a exigibilidade do crédito tributário, antes do seu vencimento, quer por força unicamente de liminar em mandado de segurança ou por medida liminar, quer por força de depósito judicial do montante integral do tributo, em caso de posterior cassação da liminar, eximese o contribuinte da responsabilidade pelo pagamento de penalidades e juros de mora, caso efetue o pronto pagamento da dívida acrescida apenas da atualização monetária, segundo alguns, até o prazo de 30 dias. Tais encargos devem ainda ser excluídos do parcelamento concedido. Ilustrase o argumento com a citação de ementas de decisões judiciais e administrativas. Fl. 290DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720862/200777 Acórdão n.º 180100.590 S1TE01 Fl. 245 7 Interpretação mais favorável ao acusado — artigo 112 do CTN • Ainda que aceitássemos a possibilidade de aplicação da multa, essa jamais poderia darse à razão de 75%. Nesse sentido manifestouse o STJ, aplicando o conceito do artigo 112 do CTN, além do que deve ser de plano afastada qualquer interpretação de responsabilidade objetiva. • A posição predominante no STJ é a da possibilidade de análise das circunstâncias fáticas referentes à constatação de boafé e da ausência de lesão ao erário, não obstante o disposto no artigo 136 do CTN. • Hugo de Brito Machado afirma que a prova da autoria da infração deve ser feita de forma a não gerar nenhuma dúvida. • Diante do fato concreto, Júlio César Krespky entende que o intérprete deve socorrerse da equidade, prevista no CTN, utilizandose de principio previsto ou não na CF, com o escopo de aplicar de forma justa a multa. • Para Sacha Calmon, o artigo 112 demonstra que deve haver comprovado o elemento subjetivo na intenção de praticar a infração. • Destacase julgado do STJ que concluiu que o contribuinte não poderia ser penalizado pelo não recolhimento do ICMS na medida em que presumia não ser contribuinte desse imposto, mas do ISS, uma vez que não agiu com dolo. • Está provado, diante dos fatos narrados, que a recorrente sempre tomou as medidas exigíveis para configurar a boafé que sempre se manteve em todas as operações realizadas e que, diante desses fatos, a multa aplicada jamais deve subsistir. Revisão, anulação, redução ou graduação da multa imposta • 0 artigo 65 da Lei n° 9.784 determina que os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de oficio, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. • 0 principio da capacidade econômica e a vedação do confisco são princípios constitucionais expressos em matéria tributária. Tais postulados se espraiam por todo o sistema tributário e atingem por inteiro o crédito tributário na sua acepção mais lata, como conceituado pelo artigo 113 do CTN, ou seja, eles atingem as penas fiscais tanto quanto os tributos. • A aplicação da equidade para mitigação das penalidades é medida constitucional prevista no § 1 º do artigo 145. • Para Hector Villega, sendo a multa fiscal retributiva, assume o caráter de pena, enquanto sua finalidade não se resume simplesmente a ressarcir o fisco, senão também castiga o infrator. • 0 Supremo Tribunal Federal decidiu a respeito da impossibilidade de aplicação da multa de 100% em certos casos, reduzindoa para 30%. • A multa confiscatória, então moratória, também se desfigura em função de seu montante excessivo ou despropositado. Num sistema em que há previsão de juros (para indenizar) e correção monetária (para manter o cunho liberatório da Fl. 291DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 moeda), a imposição de multas elevadas leva o próprio confisco do patrimônio do contribuinte. • A CF deve ser interpretada de modo restritivo, limitandose o confisco à hipótese penalmente aventada, não cabendo nenhuma discussão acerca de confisco amparado em normas de direito tributário. Inúmeros são os precedentes jurisprudenciais em favor da tese ora defendida. • Há tempos que o Poder Judiciário reconhece o direito de excluir ou mitigar a multa fiscal excessiva, atendendo às circunstâncias do caso concreto. • Para Odete Medauar e Maria Sylvia Zanella di Pietro, a multa deve respeitar a razoabilidade. 0 STF, num determinado recurso, inclinouse pela necessidade de graduação da multa de acordo com a gravidade da infração e com a importância desta para os interesses da arrecadação. Ilegalidade da taxa Selic como fator de atualização monetária dos tributos federais • Tal uso da taxa Selic é prática flagrantemente abusiva, visto ser ilegal, desprovida de qualquer fundamento jurídico. • A atualização da divida fiscal com base na taxa Selic não está fulcrada em legislação reconhecida em pelo Poder Judiciário. Portanto a divida apresentada pelo sujeito passivo é ilíquida e descabida de certeza e, dessa forma, inexigível. Ausentes esses requisitos, não constitui titulo executivo. • Acórdão proferido pelo STJ reconheceu a ilegalidade da taxa Selic para fins tributários, conforme trechos transcritos na impugnação. • Juiz de direito da vara de execuções fiscais do Estado de São Paulo decidiu pela substituição, em execução fiscal, da taxa Selic pelos juros de mora. 0 magistrado entende que a correção monetária visa a recomposição da moeda diante da inflação e que seu índice deve ser calculado em determinado período necessariamente pretérito, e que é incabível a aplicação da taxa Selic, já que ela é estipulação de índice futuro em face da política econômica do futuro. • Outras decisões da justiça estadual paulista, citadas na impugnação, seguiram idêntico entendimento. Em se tratando de matéria tributária, a taxa de juros tem de ser fixada por legislação, não só em favor do poder tributante, mas também do contribuinte, observando os princípios constitucionais da anterioridade, segurança jurídica e indelegabilidade da competência tributária. • A Justiça Federal Paulista, em recente decisão, reconheceu o direito do contribuinte de ver excluído do seu débito de INSS as multa e juros Selic ilegalmente aplicados. • Títulos e tributos são institutos totalmente diferentes, uma vez que não se podem equiparar os contribuintes aos aplicadores. A taxa Selic cria a anômala figura do tributo rentável. Os títulos podem gerar renda, os tributos não. 0 emprego da taxa Selic provoca enorme diferença com o que se obteria com a aplicação, em seu lugar, dos indices oficiais de correção monetária e dos juros legais de 12% ao ano. • Aplicada a taxa Selic, há aumento de tributos, sem lei especifica a esse respeito, o que viola o artigo 150, inciso I, da CF. • A taxa Selic, para fins tributários, só poderia exceder esse limite, se fosse prevista em lei complementar, visto que de ordinário, tem superado esse máximo. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720862/200777 Acórdão n.º 180100.590 S1TE01 Fl. 246 9 • Não se concebe que uma lei complementar estabeleça a taxa máxima e mera lei ordinária venha a apresentar percentual maior. Para que a taxa Selic pudesse ser empregada para fins tributários, havia mister de que lei estabelecendo os critérios para a sua exteriorização, por ser notório o principio de que o contribuinte deve de antemão saber como será apurada a obrigação tributária. • 0 artigo 193, § 3 º, da CF dita que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano. Ainda que se trate de norma contida ou limitada, a doutrina moderna é no sentido de inexistir norma constitucional despida de efeito. Assim, inibe o legislador ordinário de legislar em sentido contrário. Pedido • Pedese que seja julgado totalmente procedente o recurso, para o fim de desconstituir a totalidade do crédito tributário. • Protestase provar o alegado por todos os meios de provas admitidas em direito. A turma julgadora manteve o lançamento tributário na integralidade. O aresto, fls. 155 a 170 restou assim ementado: CSLL DEVIDA NO AJUSTE ANUAL COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA No período de apuração abrangido pelo lançamento, a CSLL que o contribuinte intentou quitar por meio de compensação considerada não declarada, é exigível por meio de lançamento de oficio e se sujeita a incidência de multa e de juros moratórios. Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 183 a 237 reprisando os termos da defesa inicial, ou seja: “...em virtude de constar no mesmo, vícios insanáveis que o fulminam de nulidade absoluta, conforme razões anteriormente expostas, tais como a ausência imotivada do Estado em não entregar a documentação que serviu de base para a construção do auto de infração, ausência de realização do mandado de procedimento fiscal, erro de direito na subsunção dos fatos à normas e ausência de fundamentação, ilegalidade na aplicação de multa isolada concomitante a multa de oficio, multa confiscatória aplicada, inaplicação do saldo de 100% da compensação do prejuízo fiscal, inconstitucionalidade na aplicação da taxa selic.” É o relatório. Passo a análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso, por tempestivo. Fl. 293DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 I) Das nulidades suscitadas I.a) Ausência de Mandado de Procedimento Fiscal MPF O espírito da norma que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal é coibir abusos em procedimentos de fiscalização e conceder segurança aos contribuintes de que o procedimento realizado em sua pessoa (física/jurídica) é de natureza institucional. No presente caso, observase que a fiscalização pautouse pela observância das normas tributárias, materiais e procedimentais, ao se deparar com a situação fática revelada em revisão interna na DIPJ entregue pela contribuinte. A contribuinte tampouco sentiuse aviltada ou suspeitou dos trabalhos fiscais tanto que forneceu a documentação devidamente solicitada e respondeu à fiscalização, aduzindose que a alegada ausência do MPF em questão não trouxe qualquer prejuízos à recorrente. Assim é que acolho a jurisprudência dominante deste CARF ao entender que o Mandado de Procedimento Fiscal é norma de natureza interna corporis e não possui o condão de levar à nulidade o lançamento fiscal pautado na norma tributária vigente, sendo suprido pelos outros termos lavrados pela autoridade fiscal revestida da competência natural de sua função. Reproduzo ementa que espelha como tem se manifestado reiteradamente a jurisprudência administrativa, que acompanho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislacão vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalizacão no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (CSRF 2" Turma, Recurso n° 203126775, Sessão de 22/01/07, Relatora Maria Tereza Martinez Lopes, Acórdão n° CSRF/0202. 543) Quando mais em relação ao presente processo, em que se trata de procedimento restrito à revisão interna de declaração, nos quais a própria Portaria SRF nº 6.087/05 citada pela recorrente, em seu artigo 11, dispensa a emissão de MPF: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: [...] IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais). E isto resta patente no corpo do Auto de Infração – fls. 04: “Em procedimento de REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA (MALHA), relativamente ao ano calendário de 2004, efetuamos o presente Lançamento de Oficio (...)” Fl. 294DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720862/200777 Acórdão n.º 180100.590 S1TE01 Fl. 247 11 Incabível, portanto, no presente caso a arguição da recorrente no sentido de ser exigível a emissão do MPF. I.b) Ausência de entrega de documentação comprobatória junto com o Auto de Infração É totalmente descabida a alegação da recorrente neste tocante, pois os documentos em que se fundamentam os ilícitos tributários fazem parte do processo administrativo fiscal, do qual os contribuintes autuados tem amplo e total acesso, podendo xerocopiar e analisar para instrução da sua defesa. Não há norma processual tributária que exija a entrega de cópia integral do processo administrativo aos contribuintes autuados, mas sim que prevê a observância da descrição dos fatos, demonstrativos de cálculos do tributo exigido e acréscimos legais, enquadramento legal, identificação do autuado etc. consoante determina o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF. Todos estes elementos formais estão presentes no Auto de Infração de fls. 02 a 06, ressaltandose que a descrição minuciosa dos fatos que ensejaram a autuação sob debate foi também objeto do termo de Verificação Fiscal de fls. 07 a 09, parte integrante do Auto de Infração, sendo que destes a recorrente obteve plena ciência, tanto que está se defendendo das imputações contra si erguidas ampla e exaustivamente. Ademais, a documentação fundamental no presente litígio é a DIPJ/05, a Dcomp referida no relatório, ambas declarações preenchidas pela própria recorrente, e a ausência de recolhimentos ou valores informados em DCTF, impondo o lançamento tributário. Os demais documentos constantes dos autos foram entregues pela própria fiscalizada conforme se verifica pelo Termo de Intimação Fiscal de fls. 11 e 12 e sequente resposta às fls. 15 com os documentos solicitados e entregues que a acompanharam. Não percebo quais os documentos que estão nos autos e que a recorrente não possui/possuiu acesso. Afasto esta nulidade por despropositada. I.c) Erro de subsunção do fato à norma Não vejo em que o lançamento tributário deixou de explicitar a infração cometida pela recorrente, omitindo a capitulação legal. O fato foi assim claramente descrito no bojo do Auto de Infração: “001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL / INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO EM DCTF E DE RECOLHIMENTO O contribuinte deixou de declarar em DCTF, como também de recolher a CSLL apurada na DIPJ, sendo que a Declaração de Compensação em que foi informado o débito foi considerada não declarada. Esta infração foi apurada, e constituído o crédito tributário com exigibilidade suspensa, a partir do procedimentos e pelas razões expostas no item "1.1.1" do "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL CSLL DCOMP CONSIDERADA NÃO DECLARADA", anexo às fls.07/09”. (grifos não pertencem ao original) Fl. 295DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Por conseguinte, a recorrente não quitou a CSLL que espontaneamente declarou. As normas que tratam da obrigatoriedade de a recorrente recolher a CSLL foram todas citadas no “Enquadramento Legal” do Auto de Infração: Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99; Art. 2 ° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 28 da Lei n ° 9.430/96; Art. 37 da Lei n ° 10.637/02. O que não pode, em hipótese alguma, alegarse é que a capitulação legal fora omitida. A irresignação da recorrente em que foram citados muitos parágrafos do artigo 2º da lei nº 7.689/88 e que isto lhe cerceia o direito de defesa é absurda, pois basta para se defender do fato que lhe foi imputado apresentar o pagamento do tributo que declarou como devido para o anocalendário de 2004, ou da cópia da DCTF na qual informou o débito tributário. Afastada esta nulidade I.d) Ausência de fundamentação e infringência ao princípio da legalidade A autoridade fiscal ao lavrar o Auto de Infração de fls. 02 a 09 pautouse na observância estrita das normas tributárias vigentes, não sendo pertinente esta argumentação ao caso em concreto. Aliás, constatado o ilícito tributário em não o fazendo (autuando) a autoridade fiscal se sujeita a sanções, nos termos do § único do artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A motivação do lançamento tributário foi o inadimplemento do tributo, no caso, CSLL relativa ao anocalendário de 2004, declarada pela recorrente, mas não recolhida/confessada em DCTF. A retórica da recorrente é elaborada e exaustiva, mas faltalhe nexo com um fato tão singelo. A motivação do lançamento tributário é gritante no presente caso. Não há, portanto, qualquer “erro de Direito....por falta de motivação” na autuação em tela. Resta, portanto, afastada a nulidade suscitada com respeito a este tópico. II) Do Mérito Fl. 296DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720862/200777 Acórdão n.º 180100.590 S1TE01 Fl. 248 13 II.a) Impossibilidade da Aplicação da Multa de 75% e Juros em razão da exigibilidade suspensa A recorrente afirma às fls. 205 que obteve liminar para assegurar o direito à compensação do débito ora exigido, de ofício, o que lhe assegura a suspensão da exigibilidade. As provas constantes dos autos, fornecidas pela fiscalizada em resposta à intimação fiscal – fls. 15, confrontam esta afirmação. A sentença proferida na ação mandamental nº 2005.38.00.0040750 foi proferida em 13/08/07, nos seguintes termos: “DIVINOPOLIS DIESEL LIDA, já qualificada e representada nos autos, impetra a presente ação mandamental em face do CHEFE DO SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANALISE TRIBUTARIA SEORT e do DELEGADO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DE 3ULGAMENTO DE BELO HORIZONTE MG, requerendo seja assegurado o direito ao contencioso no Processo Administrativo Fiscal de n 0 10665000391/200515 Pedido de Restituição, garantindose, ainda, o exercício do direito compensação tributária, e, por consequencia, a não inscrição dos débitos respectivos em Divida Ativa, a exclusão do CADIN e o fornecimento da Certidão de regularidade fiscal. Relata que protocolou o pedido de restituição acima mencionado, objetivando a compensação de créditos oriundos do recolhimento do empréstimo compulsório sabre a energia elétrica instituído pela Lei nº 4.156/62. [...] Como se vê, para que seja possível a compensação administrativa em tela, mister que se trate de tributo sujeito à administração da Receita Federal. Há, ainda, obstáculo explícito à homologação da compensação de crédito quando se refira a titulo público, como é o caso dos autos. Nesse particular, deve ser esclarecido que o empréstimo compulsório sobre energia elétrica, estabelecido pela Lei no 4.156/62, possui regramento especifico, o qual, no entender desse juízo, é incompatível com a compensação facultada pelo art. 74 da Lei no 9.430/96. [...] No há, pois, como considerar que o tributo em tela se sujeita à administração da Receita Federal, devendo, então, prevalecer as normas especificas acerca da devolução, as quais excepcionam o regime previsto no art. 74 da Lei no 9.430/96. Desse modo, impõese concluir que falece ao Impetrante direito liquido e certo de compensação dos créditos oriundos do recolhimento do empréstimo compulsório instituído pela Lei no 4.156/62, sob o regime do art. 74 da Lei no 9.430/96, ora pleiteada. Restam, assim, prejudicados as demais pedidos dela decorrentes. For tais fundamentos, concedo, em parte, a segurança .para determinar ao Delegado da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte que faculte á impetrante a interposição de recurso administrativo da decisão constante de fls. 05/07 dos autos, nos termos do disposto no art, 33 do Decreto 70.235/72.” (grifos não pertencem ao original) Fl. 297DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 Destarte, a recorrente não obteve decisão favorável quanto à compensação do débito ora discutido com os títulos Eletrobrás, e a autuação ocorreu em 09/11/2007, razão pela qual não há que se falar em suspensão de exigibilidade do crédito tributário. O artigo 151 do CTN assim estabelece: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. E o artigo 63 da Lei nº 9.430/96 dispõe: Débitos com Exigibilidade Suspensa Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifos não pertencem ao original) Considerando que a recorrente não obteve liminar favorável ao seu pleito em compensar o débito de CSLL com títulos da Eletrobrás, nem há depósito judicial, e que a autuação ocorreu após a denegatória judicial, não há que se falar em dispensa dos acréscimos legais decorrentes da infração tributária apurada ex officio. Reproduzo, ainda, a Súmula nº 50 editada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf: Fl. 298DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.720862/200777 Acórdão n.º 180100.590 S1TE01 Fl. 249 15 Súmula CARF nº 50: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. II.b) Art. 112 do CTN e aplicação da multa de ofício A recorrente solicita, em não sendo acolhidas as demais argumentações, que se aplique o artigo 112 do CTN para reduzir o percentual (não se trata de alíquota de imposto, esclareço) de 75% da multa de ofício regular, trazendo à colação julgados do STJ que entende subsidiar sua súplica. As autoridades administrativas, incluindo as de julgamento, não podem subtrairse de aplicar a norma tributária vigente. O artigo 112 do CTN só é aplicável em casos de dúvida quanto às hipóteses que elenca. Definitivamente não é o caso. A lei é explícita na cominação da multa de ofício, regular, nos casos de lançamento de ofício. MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 1º): I – juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; Inaplicáveis a este julgamento as argüições da recorrente. II.c) Demais pontos suscitados A recorrente para pleitear a redução da multa de ofício ainda invoca o artigo 65 da Lei nº 9.784, o princípio da capacidade contributiva, requer aplicação de equidade, princípio do não confisco, tudo regado a decisões judiciais que entende militar em seu favor. Como explicitado no item acima, foge ao escopo dos tribunais administrativos discutir a legalidade/constitucionalidade das normas em vigência e corretamente aplicadas nos lançamentos tributários, como no caso em questão. Esta matéria já foi inclusive sumulada por este órgão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 299DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 A equidade na esfera tributária só pode ser aplicada quando falte legislação expressa sobre o assunto, nos termos do artigo 108, inciso IV do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: [...] IV a eqüidade. Como dito acima, não se aplica ao vertente caso. A Lei nº 9.784/99 cuida do processo federal, mas não pode ser aplicada onde não há lacunas no PAF (Decreto 70.235/72), diploma especial que rege o processo administrativo fiscal, não podendo ser observado como pretende a recorrente. As decisões judiciais sem efeito erga omnes não têm força normativa, nos termos do artigo 100 do CTN e, por conseguinte, não vinculam este órgão colegiado, sendo algumas simplesmente inaplicáveis nesta seara de julgamento, como já explicado. Com relação aos juros cobrados à taxa Selic, após reiteradas decisões administrativas este órgão deliberou a Súmula nº 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 300DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16095.000841/2008-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que esta cientifique a Fazenda Nacional do despacho de admissibilidade do sujeito passivo, com abertura de prazo para contrarrazões e retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que esta cientifique a Fazenda Nacional do despacho de admissibilidade do sujeito passivo, com abertura de prazo para contrarrazões e retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 84 1/ 20 08 -1 9 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16095.000841/200819 Resolução nº 9202000.110 CSRFT2 Fl. 560 2 (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09 de junho de 2015, interposto pelo contribuinte em face da decisão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, consubstanciada do Acórdão n° 230203.125, sessão de 15/05/2014. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. REMUNERAÇÃO . CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário para considerar como integrantes do saláriodecontribuição as rubricas pagas a título de "brindes" e “incentivo acidente zero”, bem como para considerar devida a contribuição de 15%, sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde. Vencidas as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos, por entenderem que a multa aplicada devia ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16095.000841/200819 Resolução nº 9202000.110 CSRFT2 Fl. 561 3 introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). HISTÓRICO O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 02/12/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 03/12/2008, referese às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados nas rubricas “brindes” e “incentivo acidente zero”, considerados como parcelas integrantes da remuneração, no período de 01/2004 a 12/2004; às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os honorários da diretoria pagos aos contribuintes individuais, também no mesmo período; à diferença de 2% na alíquota de SAT/RAT , já que pelo seu CNAE Fiscal deveria ter recolhido 3%, mas para o estabelecimento matriz e filial CNPJ de final 001005, recolheu 1% e às contribuições incidentes sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde, nas competências de 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal de fls. 61/65, esclarece que quanto ao SAT/RAT a autuada recolheu a alíquota de 1% amparada por liminar em processo judicial, Ação de Rito Ordinário n.º 1999.61.00.0412839, e que os valores referentes à diferença foram depositados judicialmente. Após impugnação, Acórdão de fls. 238/245, julgou o lançamento procedente em parte para excluir do mesmo os valores depositados judicialmente, até porque já estavam em fase de serem convertidos em renda para a Seguridade Social. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a ilegalidade da exigência do SAT, até porque a fiscalização reconhece a realização de depósito do montante exigido; b) que há vício no relatório que não discriminou os fatos geradores da cobrança da contribuição sobre os serviços da UNIMED e aplicou 15% sobre as faturas, sendo inexato quanto á fundamentação legal; c) que é insubsistente a exigência contida com base na lei 9.876/99, por ser inconstitucional; d) que a multa aplicada é confiscatória; e) que a SELIC é inaplicável ao crédito em questão; f) que efetuou o recolhimento das contribuições incidentes sobre os honorários da diretoria, por ter reconhecido o equívoco; g) que a verba paga a título de incentivo de acidente zero não é salário, que não ficou demonstrado que era paga de forma habitual e é destinada a diversos setores da empresa que atingiram as metas de redução no índice de acidentes; h) que o incentivo não visa retribuir o trabalho, sendo um ganho eventual; Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16095.000841/200819 Resolução nº 9202000.110 CSRFT2 Fl. 562 4 i) que os brindes fornecidos não integram o salário in natura e são fornecidos em ocasiões especiais e episódicas como a SIPAT e Campanha de Doação de Sangue; j) Por fim, requer a anulação do auto de infração. Diante do Acórdão recorrido, veio o contribuinte por meio do presente Recurso Especial apontando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e outros julgados em relação a matéria: a) contribuições sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho; b) contribuições devidas a título de incentivo "acidente zero" e sobre brindes. Caráter não habitual das verbas em questão; c) necessidade de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN para redução da multa de mora ao percentual de 20%. Tendo sido admitido somente quanto aos itens a e c. A Fazenda Nacional não foi intimada do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. Voto Tendo em vista não haver no processo comprovação de intimação da Fazenda Nacional do Recurso Especial do Contribuinte, resolvo pela devolução do processo para Secretaria desta 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais para que encaminhese à PFN, para ciência do Acórdão nº 230203.125 (fls. 390 a 404), do Recurso Especial interposto pelo contribuinte (fls. 417 a 528), do Despacho de Exame de Admissibilidade e do Despacho de Reexame (fls 545) , assegurando lhe o prazo de quinze dias para oferecer Contrarrazões, relativamente às matérias que tiveram seguimento, conforme o disposto no art. 70, do mesmo Regimento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 562DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003919/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
Numero da decisão: 2401-005.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 39 19 /2 00 8- 91 Fl. 868DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 18050.003919/200891 Acórdão n.º 2401005.084 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1528.049/2011, às efls. 650/654, não conheceu da impugnação, julgando procedente o lançamento fiscal, referente às contribuições sociais não recolhidas, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre os valores pagos em decorrência de serviços prestados à autuada por cooperados através de cooperativas de trabalho, em relação ao período de 01/2003 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às efls. 41/47, consubstanciado no seguinte Auto de Infração. Compõem o presente lançamento os seguintes levantamentos: CM Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPERMED Cooperativa Médica, CNPJ 40.537.961/000154, a título de prestação de serviços médicos. PLA Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPRO Cooperativa de Profissionais Liberais Autônomos e Outros, CNPJ 03.620.458/0001 69, a título de prestação de serviços técnicos. CPA Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela CPA, CNPJ 42.258.566/000168, a título de prestação de serviços médicos de terapia intensiva. CME Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPAMED, CNPJ 00.360.704/000175, a título de prestação de serviços médicos. COB Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPBEM, CNPJ 03.726.329/000122, a título de prestação de serviços médicos. Nenhum valor pago à Cooperativa foi declarado nas GFIP, nas respectivas competências de vencimento. O código de lançamentos utilizado Cl5 referese à base de cálculo (valor bruto) constante da Nota Fiscal de Prestação de Serviços emitida pela cooperativa de trabalho, sobre o qual incide a contribuição patronal de 15%. No curso da ação fiscal foram lavrados os seguintes levantamentos: Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.059.6528 e Autos de Infração de Obrigações Acessórias n° 37.059.6501 (Código de Fundamentação Legal CFL 35), 37.059.6510 (CFL 38). Em função da empresa autuada ter impetrado Mandado de Segurança, com a finalidade de que não lhe fosse exigido o recolhimento de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço prestado por cooperados mediante cooperativa de trabalho, e a ação não ter sido julgada em definitivo, conforme documentos anexados às fls. 291/310, este AI deverá ficar sobrestado até julgamento definitivo da ação. Fl. 870DF CARF MF 4 Houve Despacho Decisório, efls 662/664, para adequação do lançamento de acordo com a Súmula Vinculante n° 8 do STF, tratando sobre a decadência, in verbis: Nestes termos, com a ciência do lançamento tendo sido efetuada em 17/06/2008, os créditos referentes a fatos geradores ocorridos nas competências 01/2003 a 05/2003, pela existência de pagamentos antecipados (com constatação nos sistema informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB) e pelo transcurso do prazo de cinco anos sem pronunciamento da Fazenda Pública, estão definitivamente extintos pela homologação tácita, na forma do art. 156, e seu inciso VII, combinado com o art. 150, e seu § 4o , ambos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 680/685, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, pugnando inicialmente pelo envio das notificações e/ou intimações ao endereço dos patronos, sob pena de nulidade. Insurgese quanto a exigência de depósito prévio de 30% do valor discutido em débito para conhecimento do recurso, visto que tal exigência já foi devidamente considerada inconstitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Quanto ao mérito, dispõe sobre o art. 442 da CLT que autoriza a relação contratual com cooperativas. Faz um histórico da legislação que trata de cooperativas desde a Lei Complementar nº 84/96 até sua revogação pela Lei nº 9.876/99 que modificou a Lei nº 8.212/91, aduzindo que é inconstitucional a contribuição em discussão, já que há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, a lei ordinária em comento usurpou competência prevista no art. 146, inciso III, alínea “c”, da CF, eis que, em se tratando de matéria envolvendo atividade cooperativa, o instrumento normativo é lei complementar, e, a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode criada mediante Lei Complementar. Afirma ter o STF no julgamento do RE 595838 declarada inconstitucional a contribuição sobre serviços de cooperativas de trabalho, anexando tal decisão. Explicita não haver qualquer renúncia ou desistência ao litígio na esfera administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 18050.003919/200891 Acórdão n.º 2401005.084 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA Primeiramente cabe esclarecer que a questão relativa ao depósito prévio está superada. Seguindo a diante, apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou na Seção Judiciária do Estado da Bahia o Mandado de Segurança nº 2000.33.00.0337518, objetivando obter perante o Poder Judiciário a que não lhe fosse exigido o recolhimento de 15% sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços por cooperados através de cooperativas de trabalho. Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Fl. 872DF CARF MF 6 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Mesmo em se tratando de matéria já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no entender deste Conselheiro, não há como conhecer do recurso em observância ao princípio da celeridade e economia processual, por afronta direta a todos os fundamentos acima expostos. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em observância a Súmula n° 1 do CARF, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 873DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008405/2003-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08
Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões
definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733:
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.
1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o
crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou
simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do
débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.
Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg
nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki,
julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP,
Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito
Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o
Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e,
consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco
regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,
"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max
Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).
3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN,
sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em
que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde,
iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à
ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos
sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se
inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos
previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante
a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal
(Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário
Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.
91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,
Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de
Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,
Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo
sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege
de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não
restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos
imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro
de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001.
6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários
executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial
qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício
substitutivo.
7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime
do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
Numero da decisão: 9303-001.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
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ementa_s : COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 909DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.16566.CAD2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 910DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.16566.CAD2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.008405/200312 Acórdão n.º 9303001.640 CSRFT3 Fl. 2 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 27/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Examinase recurso especial interposto pelo sujeito passivo contra acórdão proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A matéria a ser discutida cingese ao prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para constituir crédito tributário de COFINS. A decisão recorrida entendeu ser ele de dez anos na forma definida no art. 45 da Lei nº 8.212/91. A recorrente sustenta aplicaremse à contribuição as normas estatuídas no Código Tributário Nacional. Mais especificamente, pugna pela aplicação exclusiva do art. 150, § 4º. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 858/859. A autuação, decorrente de revisão interna de DCTF, foi cientificada ao contribuinte em 21/7/2003 e engloba períodos de apuração dos meses janeiro a novembro do ano de 1998. Para estes meses, a empresa havia informado estarem os débitos com exigibilidade suspensa com base em processo judicial que não foi confirmado (fls. 13/21). Contrarazões da Fazenda Nacional às fls. 861/866. É o Relatório. Fl. 911DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.16566.CAD2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A divergência jurisprudencial foi amplamente demonstrada e o recurso deve, por isso, ser admitido. De se registrar inicialmente que a inaplicabilidade das disposições dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 não é mais discutível. Com efeito, ela é objeto da Súmula Vinculante do STF nº 08 assim redigida: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Em conseqüência dela, resta obrigatória a observância das disposições sobre decadência expressas no Código Tributário Nacional como pretendido pela recorrente. No entanto, isso não leva ao acolhimento de seu pleito, na medida em que postula a aplicação exclusiva do art. 150, § 4º. Isso porque, ao contrário já decidiu o e. Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, o que torna a sua reprodução neste julgado obrigatória por força do que dispõe o art. 62A recentemente introduzido no Regimento Interno desta Casa. Com efeito, o acórdão prolatado no julgamento do Recurso Especial nº 973.733, em que se discutia a possibilidade de aplicação cumulativa dos artigos 150 e 173 do CTN, restou assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 912DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.16566.CAD2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.008405/200312 Acórdão n.º 9303001.640 CSRFT3 Fl. 3 5 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O voto condutor do acórdão, da lavra do o exmo. Ministro Luiz Fux, assim se pronuncia (os destaques são meus): Fl. 913DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.16566.CAD2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 “A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis : "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados : I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Esta passagem do voto elucida também, a meu sentir, o alcance da expressão “inexistindo declaração prévia do débito” constante da ementa e que tem gerado alguma controvérsia em julgados recentes desta Câmara Superior. Com efeito, pretendese que a existência de DCTF ou DIPJ bastaria a afastar a aplicação do art. 173. Não me parece que seja assim. De fato, a expressão apenas é usada para efeito de definição do dies a quo do prazo definido pelo art. 173, depois, portanto, que já se tenha afastado o 150 pela ausência de pagamento. Concluise, por isso, que o exmo. Ministro estava a se referir à hipótese versada no parágrafo único do art. 173, que antecipa o início da contagem do prazo, ainda que seja forçoso reconhecer a impropriedade do vocábulo “declaração” nesse sentido. Ainda assim, não vejo como se possa ler a passagem acima de forma diferente. Por outro lado, para a definição que se busca, isto é, se é aplicável o art. 150 ou o 173, tudo o que é requerido é a verificação quanto à existência de pagamento. Fl. 914DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.16566.CAD2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.008405/200312 Acórdão n.º 9303001.640 CSRFT3 Fl. 4 7 No presente caso, a acusação fiscal demonstra não ter havido o recolhimento da exação nos períodos autuados, dado que a empresa pretendeu estarem os mesmos com exigibilidade suspensa. Não tendo havido recolhimento, é de se aplicar a regra do art. 173, o que faz com que nenhum dos períodos lançados esteja alcançado pela decadência. Deveras, iniciado o prazo decadencial em 1º de janeiro de 1999, concluiuse em 31 de dezembro de 2003. O lançamento foi formalizado em julho daquele ano. Com essas considerações, voto por não prover o recurso. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 915DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.16566.CAD2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JULIO CESAR ALVES RAMOS em 27/10/2011 16:35:29. Documento autenticado digitalmente por JULIO CESAR ALVES RAMOS em 27/10/2011. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 25/11/2011 e JULIO CESAR ALVES RAMOS em 27/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/09/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0917.16566.CAD2 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: DBC1847C11309A263DDB630DA63D8A66B77E7C47 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10980.008405/2003-12. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10120.723637/2014-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, tendo a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa votado pelas conclusões, pois entendia que a nulidade alegada se confunde com o mérito; e, também por unanimidade de votos, em afastar a nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, tendo a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa votado pelas conclusões, pois entendia que a nulidade alegada se confunde com o mérito; e, também por unanimidade de votos, em afastar a nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, tendo a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa votado pelas conclusões, pois entendia que a nulidade alegada se confunde com o mérito; e, também por unanimidade de votos, em afastar a nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos pela Contribuinte e dois Devedores Solidários, face ao Acórdão nº 1457.0723, de 4 de março de 2015, da 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, para rejeitar a arguição de nulidade, indeferir o pedido de diligência/perícia, manter integralmente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 23 63 7/ 20 14 -7 9 Fl. 31893DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Resolução nº 1302000.497 S1C3T2 Fl. 3 2 os lançamentos de IRPJ e CSLL e manter a atribuição de responsabilidade solidária às pessoas físicas indicadas na autuação, conforme a seguir exposto. O auto de infração (IRPJ e CSLL, anoscalendário de 2009 a 2012), totalizaram R$80.478.129,08, já com acréscimos (multa 150%, juros e multa de ofício isolada por falta de recolhimento de estimativa). As exigências de PIS e COFINS foram formalizadas no processo n° 10120.723638/201413. A Fiscalização destacou que a Recorrente fragmentou suas atividades em várias pessoas jurídicas (satélites). Ressalva, porém, que os custos relativos às compras para revenda são concentrados na Recorrente, tributada pelo Lucro Real. Verificouse que, uma parte das receitas inicialmente auferida pela Recorrente é transferida para as demais pessoas jurídicas do grupo. As receitas decorrentes da venda de mercadorias financiadas e com seguro ou garantia estendida são retiradas e levadas às empresas satélites, tributadas pelo lucro presumido. Assim, na Recorrente (lucro real) são concentradas todas as despesas, enquanto parte de sua receita é transferida para as empresas satélites (lucro presumido). Com essa fragmentação, a Recorrente passa a ter prejuízos ano após ano, não pagando nenhum valor a título de IRPJ e CSLL. No entendimento da Fiscalização, em decorrência dos prejuízos, o Patrimônio Líquido da Recorrente ficou comprometido. A partir de 2010, ela passou a receber aumento no capital social como investimentos da controladora, retornando para ela recurso que sempre lhe pertenceu. Registra que, na prática, o que teria ocorrido, teria sido a transferência constante de valores financeiros das contas bancárias das empresas criadas pela fragmentação para as contas bancárias da Recorrente, operações contabilizadas como mútuo. Posteriormente, tais contas tinham seus saldos baixados como distribuição de lucros para controladora, chamada Martins Ribeiro. Salientouse que, a Martins Ribeiro, controladora de todas as sociedades do grupo Novo Mundo, era a empresa que fazia a ponte para os valores financeiros de receitas com comissões retornarem para a Recorrente. Ela recebia os lucros e baixava contabilmente os saldos destes lucros distribuídos como investimento na empresa mãe (Recorrente). Essa, por sua vez, providenciava a alteração contratual com o registro do aumento de capital, fechando o ciclo do retorno do valor financeiro para ela. A fiscalização detalha todas as provas produzidas, no intuito de demonstrar a "artificiosa" criação de mini empresas, por iniciativa das empresas de porte, com os mesmos sócios da empresa mãe. Essa forma de atuar, foi considerada que teria, por intuito, a evasão fiscal. A Fiscalização concluiu que, não haveria como se aceitar que a receita de uma atividade própria da Recorrente fosse alocada em outras empresas criadas pelos mesmos sócios e os custos decorrentes da execução desta atividade sejam alocados na Recorrente. Ressaltouse que, esse modus operandi, quanto à transferência de toda receita de comissões de vendas para as empresas fragmentadas lesaria o Fisco Federal, gerando uma Fl. 31894DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Resolução nº 1302000.497 S1C3T2 Fl. 4 3 tributação mais favorecida com a redução a 32% da base de cálculo do IRPJ e CSLL, sobre as receitas transferidas, bem como a redução da tributação do PIS e Cofins, com aplicação de alíquotas menores (regime cumulativo) considerando que as empresas auxiliares são optantes do regime Lucro Presumido. Por essa razão, a autoridade fiscal recalculou o lucro operacional da Recorrente, atribuindo a ela receitas de comissões, que foram deslocadas para as empresas criadas pela fragmentação. Aplicou, ainda, multa de ofício no percentual de 150%, tendo em vista a comprovação de fraude, e multa isolada sobre a redução indevida das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Foram indicados como responsáveis solidários os senhores Agenor Braga e Silva Filho e Carlos Luciano Martins Ribeiro. Irresignados, os autuados apresentaram impugnação que, submetida à DRJ de Ribeirão Preto/SP, foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não se cogita cerceamento de defesa se todos os interessados foram regularmente cientificados dos autos de infração e deles se defenderam apresentando impugnação em que demonstram ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela Fiscalização. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INEXISTÊNCIA A autoridade fiscal está autorizada a requerer informações necessárias à apuração de tributos de todas as pessoas jurídicas e físicas ligadas ao fato investigado e a utilização dessas informações para demonstrar e comprovar as infrações imputadas autuada, não caracteriza quebra de sigilo fiscal, sobretudo se referentes a empresas do mesmo grupo, com administração e/ou sócios em comum. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação, além de outras condições, deve mencionar os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. DILIGÊNCIA. É incabível a realização de diligência em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando não atendidos os requisitos para a sua formulação, sobretudo se sequer foram individualizados pelos Impugnantes os pontos de divergência ou os valores alegadamente faltantes em relações de despesas detalhadas na autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 FRAGMENTAÇÃO DE RECEITAS. CONCENTRAÇÃO DOS RESPECTIVOS CUSTOS. ALEGAÇÃO DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Alegações no sentido de existência de propósito negocial, razões de ordem comercial e administrativa e de direito à livre iniciativa, não são hábeis a afastar Fl. 31895DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Resolução nº 1302000.497 S1C3T2 Fl. 5 4 a autuação por omissão de receitas se não afastada a constatação fiscal de que, apesar de concentrar todos os custos e a quase totalidade das despesas, a autuada (optante pelo lucro real) transferiu para outras empresas do mesmo grupo (tributadas pelo lucro presumido) quase toda receita de serviços, receitas essas que, posteriormente, retornam à sua efetiva detentora a título de mútuos que não são pagos, mas são baixados em contrapartida de distribuição de lucros. LANÇAMENTO ANTERIOR. PENDÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO PARA OUTRO LANÇAMENTO. REPERCUSSÃO. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO. Existindo regular autorização para novo exame, a pendência de decisão administrativa definitiva acerca de lançamento anterior, com outra motivação e que alterou os resultados informados em DIPJ de alguns períodos e saldos de prejuízos compensáveis, não impede a formalização de segundo lançamento partindo do resultado do primeiro. Os efeitos de eventual decisão definitiva favorável ao contribuinte em lançamento anterior e que repercuta no lançamento em questão devem ser verificados e considerados pela autoridade preparadora nos valores a serem cobrados quando da execução do acórdão definitivo. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE Questionamentos acerca das despesas admitidas na autuação devem ser acompanhados da identificação individualizada dos valores pretendidos e das provas de sua necessidade, usualidade e normalidade, além da sua vinculação às receitas consideradas na reconstituição do resultado. RECONSTITUIÇÃO DO RESULTADO. APURAÇÃO UNIFICADA. A reconstituição de resultado da autuada (revendedora de mercadorias) motivada pela constatação de que, apesar de concentrar os dispêndios, as receitas por eles propiciadas foram transferidas para outras empresas do grupo (prestadoras de serviços), não constitui apuração unificada, mas reflete observância do Princípio da Entidade. A pretensão de que a reconstituição do resultado efetuada na autuação contemplasse outra empresa do grupo, sob alegação de mesmo objeto social (revenda de mercadorias com atuação em outra área geográfica), mas para a qual não verificada transferência de receitas da autuada, não encontra amparo na legislação comercial e fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como afastar a multa aplicada no percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIAS. Fl. 31896DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Resolução nº 1302000.497 S1C3T2 Fl. 6 5 Configurada a existência de ilícitos distintos e inconfundíveis, não se pode caracterizar a identidade das multas aplicadas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. A contribuinte, NOVO MUNDO MOVEIS E UTILIDADES LTDA, e os devedores solidários AGENOR BRAGA E SILVA FILHO, CARLOS LUCIANO MARTINS RIBEIRO (fl.31.361), foram intimados do Acórdão recorrido, em 17/03/2015 (fl. 31359), via DTE, por abertura de mensagens e documentos. Interpuseram recursos voluntários, em 16/04/2015 (fl. 3578). Outro Recurso Voluntário, em 07/06/2010 (fl. 3628) As partes estão regularmente representadas (Novo Mundo, Agenor e Carlos foram representados pela Advogada Fernanda e Advogado Sidinei – procuração juntada à impugnação). As razões de recurso são idênticas, podendo ser sintetizadas da seguinte forma: a) recomposição da base de cálculo do lançamento em face de decisão definitiva em favor da NM Móveis e Utilidades no PAF 10120.730439/201208: a empresa obteve decisão definitiva em PAF, no qual discutiuse a natureza de valores recebidos pelo Estado de Goiás. Ao final, decidiuse que os valores têm natureza de subvenção de investimento, não devendo ser considerados nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Consequentemente, deve ser recomposta a base de cálculo dos tributos ora exigidos, adequandose a decisão definitiva do mencionado processo. b) nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa: houve desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços do Grupo Novo Mundo sem, contudo, intimálas do procedimento fiscal. Logo, não foi oportunizada a participação das empresas diretamente afetadas pelo lançamento. É pressuposto de validade do PAF a intimação de todos os envolvidos no lançamento. c) nulidade do acórdão recorrido por inovação dos fundamentos do lançamento: o auto de infração teve como fundamento a desconsideração da personalidade jurídica das empresas. No entanto, a DRJ adotou entendimento distinto, de que a autuação teve como objeto principal a desconsideração das operações de transferência de receitas, e não da personalidade jurídica das sociedades prestadoras de serviços. Por essa razão, a decisão de primeira instância deve ser anulada, para que outro acórdão seja proferido nos limites da fundamentação utilizada no lançamento de ofício. d) legalidade da reestruturação empresária do grupo Novo Mundo. Discricionariedade na desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. A reorganização empresarial do Grupo teve como escopo efetuar a divisão do comércio varejista da prestação de serviços. Com isso, a responsabilidade e a receita pela prestação de serviços de financiamento e seguros ficaram com as empresas especializadas; enquanto a responsabilidade e a receita do comércio varejista permaneceram com a NM Móveis e Utilidades e a Novo Mundo Amazônia Móveis e Utilidades. Fl. 31897DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Resolução nº 1302000.497 S1C3T2 Fl. 7 6 Para a fiscalização, porém, as empresas satélites (Novo Mundo Gestora, Novo Mundo Serviços e Novo Mundo Promotora) eram apenas simulacro de pessoa jurídica, pois quem efetivamente prestava os serviços de financiamento e de seguros era a empresa que comercializada os produtos varejistas (NM Móveis e Utilidades). As empresas satélites funcionavam como meros departamentos da autuada. Ora, as premissas adotadas pela fiscalização permitem concluir que a empresa autuada, ao prestar serviços de financiamento e seguros para a Novo Mundo Amazônia, também agiu como uma empresa de fato. Se a atividade e receita de financiamento e seguros pertenciam à autuada, pois as empresas satélites inexistiam, ao prestar serviços para a Novo Mundo Amazônia, agiu como simulacro de empresa, estando presente a subsidiariedade apontada no auto de infração. A composição contábil realizada pela fiscalização não espelha a realidade, devendo ser afastada: (1) seja por nulidade em face da ausência de fundamentação da autuação, o que causa grave prejuízo à defesa, pois a contribuinte não sabe em que medida as operações utilizadas para desconsiderar a realidade econômica das empresas são, de fato, vedadas, tendo em vista que, nesse sentido, a Novo Mundo Móveis deveria ser considerada integrante da Novo Mundo Amazônia; (2) seja diante da improcedência da autuação, uma vez que agiu de forma discricionária, pois afastou o princípio da entidade arbitrariamente, não realizando a composição contábil em consonância com a sua argumentação. e) da improcedência dos argumentos utilizados pelo acórdão recorrido para manter a autuação fiscal: a estrutura das empresas não pode ser motivo para manter a autuação fiscal, porquanto os serviços que prestam não demandam grande estrutura física ou de um alto número de funcionários, mas sim de especialização em relação aos serviços que realizam; a transferência e a utilização de funcionários de empresas integrantes do mesmo grupo econômico são justificadas, pois eles já conhecem o funcionamento do grupo e apresentam qualificação profissional; as empresas prestadoras de serviços foram criadas para especializar os serviços de financiamento e de seguros, dando maior racionalidade e eficiência à estrutura empresarial; informações do Banco Fibra confirmam que as empresas prestadoras de serviços realizaram as atividades para as quais foram criadas; as despesas relacionadas à prestação de serviços estavam alocadas nas empresas que desenvolviam essa atividade. Não houve desvinculação entre receitas e despesas, pois as empresas desconsideradas efetivamente prestavam serviços e tinham despesas vinculadas a essas atividades; a forma pela qual a administração qualificou as operações financeiras realizadas no grupo Novo Mundo demonstra que, de fato, ela não analisou todo o contexto em que ocorreu a reorganização societária do grupo. A reorganização teve como escopo garantir maior racionalização empresarial, por meio de uma divisão fixa de atividades entre as diversas sociedades que compõem o grupo. O fato de uma empresa apresentar problemas financeiros não compromete as demais. Por essa razão, as empresas realizaram empréstimos para a Novo Mundo Móveis. A recorrente não precisou pagar, pessoalmente, pelos empréstimos, pois as empresas integravam o mesmo grupo empresarial e tinham a obrigação de Fl. 31898DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Resolução nº 1302000.497 S1C3T2 Fl. 8 7 distribuir o lucro aos seus sócios, que escolheram utilizálo para garantir a saúde financeira das deficitárias; o Carf rechaça análise subjetivista fundamentada no 'propósito negocial da operação'; f) necessidade de recompor a base de cálculo para incluir a Novo Mundo Amazônia, pois ela participou do mesmo plano de reorganização societária. Ambas as empresas (recorrente e Novo Mundo Amazônia) que atuam no comércio de mercadorias e recebem serviços das empresas desconsideradas devem compor a presente autuação; g) caráter idêntico das operações financeiras entre a Novo Mundo Amazônia e a Novo Mundo Móveis e Utilidades: a Novo Mundo Amazônia também realizava operações financeiras com a recorrente. Assim, se os mútuos realizados pelas empresas prestadoras de serviços configuraram transferência de receita para autuada, deve ser reformado o acórdão recorrido, para haver a recomposição da base de cálculo para incluir a Novo Mundo Amazônia no lançamento; h) das despesas operacionais não consideradas: caso o lançamento seja mantido, o acórdão recorrido deve ser reformado, para admitir as despesas operacionais suportadas pelas empresas prestadoras de serviços. i) improcedência da multa isolada por configurar bis in idem punitiva. j) improcedência da multa qualificada: não foi provada fraude, pois a reorganização societária foi realizada com escopo eminentemente extra fiscal. Não há fundamento para aplicação da multa em 150%. l) improcedência da responsabilização solidária dos administradores, pois não há prova de que agiram de forma dolosa. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e os recorrentes estão regularmente representados. Conheço do recurso. Preliminar Cerceamento de Defesa Os recorrentes defendem que as empresas chamadas de satélites (Novo Mundo Serviços Ltda, Novo Mundo Gestora de Negócios Ltda e Novo Mundo Promotora de Vendas Ltda) deveriam ter sido intimadas do lançamento tributário. A acusação fiscal é de que tais empresas foram utilizadas para gerar efeitos tributários favoráveis à Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda. Receitas antes auferidas pela autuada, tributada pelo lucro real, foram deslocadas para as satélites, incluídas na sistemática do lucro presumido, reduzindo, assim, a carga tributária do grupo. O artigo 121, parágrafo único, inciso I do Código Tributário Nacional CTN conceitua como contribuinte aquele que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Fl. 31899DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Resolução nº 1302000.497 S1C3T2 Fl. 9 8 Considerando o teor da acusação, o fiscal realocou para a autuada as receitas decorrentes de financiamentos, seguros ou garantia estendida, pois a ela pertenciam, gerando o auto de infração. Logo, a NM Móveis e Utilidades foi corretamente apontada como sujeito passivo, por ter realizado o fato jurídico tributário. Já as pessoas físicas foram incluídas na qualidade de responsáveis (artigo 121, § único, II, CTN), com base no artigo 135 do CTN. Assim, o lançamento atinge apenas a NM Móveis e Utilidades, por ser ela a verdadeira titular das receitas. Além disso, nessa fiscalização, não foram apurados tributos devidos e não recolhidos nas demais empresas do grupo. Por fim, as empresas auxiliares têm como representantes os senhores Agenor Braga e Silva Filho e Carlos Lúcio Martins Ribeiro, incluídos como responsáveis e cientificados sobre o lançamento. Por mais essa razão, despicienda a intimação das sociedades auxiliares, pois seus representantes já foram notificados do lançamento. Rejeito tal preliminar, pois o direito de defesa foi devidamente oportunizado para os sujeitos passivos (NM Móveis e Utilidades e responsáveis), além de representantes das empresas Novo Mundo Serviços, Novo Mundo Gestora e Novo Mundo Promotora integrarem o auto de infração. Preliminar de Nulidade do Acórdão Recorrido por Inovação dos Fundamentos do Lançamento Os recorrentes alegam que existe um descompasso entre o termo de verificação fiscal e a decisão de primeira instância, caracterizando inovação nos fundamentos do lançamento. Contudo, razão não lhes assiste, pois as conclusões da DRJ não destoam da autoridade fiscal. De acordo com o TVF: 167. O fato contábil comum a estas empresas criadas pela fragmentação é a inexistência de custos, pois as mesmas nunca efetuaram qualquer compra de mercadorias para revenda, todos os custos são concentrados na empresa fragmentada (Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda), que é quem compra, revende e suporta todas os custos e despesas de vendas, e suportando todos os custos e despesas, e ainda tendo a diminuição de Receitas de Comissões, a fiscalizada passa a ter PREJUÍZOS ano após ano. 168. Assim, a fiscalizada, a partir da venda de mercadorias financiadas e com seguro ou garantia estendida, definia que as despesas, relativas a estas vendas, deveriam ser mantidas agregadas em sua contabilidade (Lucro Real) e as receitas deste mesmo fato contábil deveriam ser retiradas e levadas à outra sociedade que possui regime tributário mais favorecido para esta receita (Lucro Presumido). Temos receitas, portanto, desprovidas de custos/despesas em sua contrapartida. Sobre os efeitos tributários da fragmentação realizada pelo grupo Novo Mundo, a fiscalização conclui o seguinte: 173.Não há como se aceitar que a receita de uma atividade própria da fiscalizada seja alocada em outras empresas criadas pelos mesmos sócios e os custos decorrentes da execução desta atividade sejam alocados na fiscalizada. Esta transferência de toda Fl. 31900DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Resolução nº 1302000.497 S1C3T2 Fl. 10 9 receita de comissões de vendas para as empresas fragmentadas, lesa o Fisco Federal, gerando uma tributação mais favorecida com a redução a 32% da base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre as receitas transferidas, bem como a redução da tributação do PIS e Cofins, com aplicação de alíquotas menores (regime cumulativo) considerando que as empresas auxiliares são optantes do regime Lucro Presumido. 174.Desta forma a fiscalização fará a recomposição das Receitas e Despesas que efetivamente pertenceram à fiscalizada, fazendo assim a correta tributação das mesmas. Já a DRJ confirma a acusação fiscal, pois, segundo constou do voto do Relator: A motivação fática dos Autos de Infração não foi apenas a opção da empresa de reestruturar suas atividades dividindoas entre outras pessoas jurídicas criadas para tanto, mas sim a constatação de que receitas da empresa autuada foram desvinculadas das despesas, ou seja, de que receitas da Novo Mundo Móveis e Utilidades Ltda foram transferidas para outras pessoas jurídicas do grupo, mas os dispêndios (custos e despesas) necessários para gerar tais receitas foram mantidas integralmente na empresa principal. (...) Em suma, os interessados não apenas reestruturam suas atividades mediante criação de novas empresas fato que, por si só, não foi o motivo da autuação , mas concentraram dispêndios em uma só pessoa jurídica e distribuíram receitas entre outras empresas do grupo, com regimes de tributação diferentes para cálculo tanto do IRPJ e CSLL, como para cálculo de PIS e COFINS. No tocante ao lançamento, e os efeitos do planejamento tributário, a decisão de primeira instância confirmou o procedimento adotado pela fiscalização, que recalculou o Lucro Operacional da fiscalizada, nos anos calendário 2009, 2010, 2011 e 2012, com todas as Receitas de Comissões atribuídas às empresas criadas pela fragmentação, diminuídas das receitas correspondentes a Novo Mundo Amazonas, das deduções admitidas na legislação (vendas canceladas, descontos incondicionais e impostos sobre vendas) e das despesas citadas no parágrafo anterior (despesas operacionais das auxiliares). No que diz respeito à desconsideração de personalidade jurídica, o Termo de Verificação Fiscal tratou do assunto, assentando que: 165. Desta forma, a fiscalização não está fazendo a desconsideração da personalidade jurídica das empresas criadas pela fragmentação, mas está atribuindo as receitas detalhadas nos parágrafos 77 a 95 pertencentes a NOVO MUNDO MÓVEIS E UTILIDADES LTDA, empresa ora fiscalizada. Dessarte, os trechos confrontados acima comprovam que não há a contradição apontada pelos recorrentes. Os fatos são os mesmos e a decisão de primeira instância confirmou o auto de infração, entendendo que receitas da NM Móveis e Utilidades foram fraudulentamente deslocadas para empresas satélites, o que autorizou a recomposição da base de cálculo de IRPJ e CSLL. Outrossim, o direito de defesa foi devidamente exercido pelos recorrentes, que demonstraram conhecer a acusação fiscal, apresentando longa e detalhada impugnação e, posteriormente, recurso. Logo, por não existir a alegada inovação rejeito a preliminar de nulidade. Preliminar de Recomposição da Base de Cálculo do Lançamento em face de decisão definitiva no PAF n° 10120.730439/201208. Fl. 31901DF CARF MF Processo nº 10120.723637/201479 Resolução nº 1302000.497 S1C3T2 Fl. 11 10 Os recorrentes pedem para que seja realizada a recomposição da base de cálculo do lançamento, para considerar os efeitos de decisão definitiva que lhe é favorável, proferida no bojo do PAF n° 10120.730439/201208. Nesse ponto, verificase que são plausíveis os argumentos da Recorrente e que cabe verificar a possibilidade de se compensar os créditos tributários das subvenções concedidas pelo referido estado, já julgada em favor da recorrente, com decisão administrativa transitada em julgado. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à DRF para que seja verificada: a) qual o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, que restaram disponíveis, após o provimento do recurso voluntário no âmbito do referido PAF n° 10120.730439/201208; b) esclarecer se os referidos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL foram utilizados em períodos de apuração posteriores e/ou em parcelamentos especiais a que eventualmente a recorrente aderiu, detalhando o referido aproveitamento; c) qual o impacto do aproveitamento desse crédito no lançamento deste processo; d) apresentar relatório a respeito; e) intimar a Recorrente para manifestarse no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 31902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000432/2007-36
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 Ementa: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Destarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
Numero da decisão: 1802-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Marco Antonio Nunes Castilho
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MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Destarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10320.000432/200736 Acórdão n.º 180201.127 S1TE02 Fl. 35 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10320.000432/200736 Acórdão n.º 180201.127 S1TE02 Fl. 36 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE (“DRJFOR”), que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Prefeitura Municipal de Pinheiro – MA (“Recorrente”). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo de Auto de Infração referente à Multa por Atraso na Entrega da Declaração do Imposto de Renda retido na Fonte — DIRF, relativa ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 46.081,95; conforme demonstrativo próprio constante da referida peça impositiva (fls. 03). 2. Enquadramento legal: Enquadramento legal: art. 113, § 3 0 e 160 da Lei no 5.172/66 (CTN); art. 11 do Decreto lei n° 1.968/82, com a redação dada pelo art. 10 do Decretolei n° 2.065/83; art. 30 da Lei n° 9.249/95; art. 7° da Lei n° 10.426/2002; c/c a Instrução Normativa — SRF n° 197, de 10 de setembro de 2002 (fls. 03). 3. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 04/01/2007 (AR, fls. 07) o contribuinte apresentou impugnação em 05/02/2007 (data aposta na capa do processo, c/c as tls. 01/02). Alega, cm síntese, que: 3.1 — o ente municipal foi alvo de uma multa por parte da Receita Federal, no valor de R$ 46.081,95, que lhe foi aplicada em face de não ter entregue no prazo estipulado a DIRF do anocalendário de 2004. Assim, com fulcro na Constituição Federal vem tempestivamente, por meio de procurador hábil, apresentar impugnação contra tal exigência, o que faz com base nos motivos jurídicos a seguir expendidos; 3.2 — aduz, de plano, que o Estado Brasileiro adotou sob o ponto de vista administrativoestrutural a forma federativa de Estado, de modo que assegurou a autonomia politico financeira de cada ente federado (CF188, arts. 1° e 18), especialmente a atribuição de competências tributárias, a qual consiste no poder de instituir e cobrar tributos; 3.3 — de acordo, pois, com o Titulo VI do texto constitucional — Da Tributação e do Orçamento, surge na parte da repartição das receitas tributárias, urna espécie Fl. 36DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10320.000432/200736 Acórdão n.º 180201.127 S1TE02 Fl. 37 4 de mitigação ao Pacto Federativo, uma vez que a União detém o poderdever de distribuir parte de suas receitas com os demais entes políticos; 3.4 — pela essência federativa, caberia, a principio, a cada ente político instituir suas próprias fontes de receitas, o que revelaria a independência financeira, por sua vez a autonomia política do ente, porém, tal situação não ocorre plenamente aqui; 3.5 — aduz ainda que, restou atribuída aos Municípios a receita oriunda do Imposto de Renda da União relativa aos pagamentos realizados por tais entes políticos, por suas autarquias ou fundações que forem retidos na fonte sobre rendimentos pagos, nos termos do art. 158, inciso I, da CF188, cujo teor transcreve (fls. 02); 3.6 — assim, o Município ao reter na fonte o Imposto de Renda referente aos pagamentos dos seus servidores públicos, deve arcar com o pagamento de multa em caso de atraso na entrega da respectiva declaração; 3.7 — no presente caso, porém, não tem o referido Município responsabilidade pelo pagamento da citada penalidade, nos seguintes termos: a) — em primeiro lugar, porque o produto da arrecadação do IR pago pelo Município, pertencelhe na forma do art. 158, inciso I, da CF/88; b) — é vedado, nesses casos, a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, o qual é devidamente retido na fonte, além do que, deve ser feita denúncia anônima (sic), conforme o Código Tributário Nacional 3.8 ante o exposto, requer seja anulado o presente Auto de Infração, por ser de justiça aplicada ao presente caso. É o Relatório.” Em sua decisão, a DRJFOR houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 0816.391 de 28 de Outubro de 2009, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10320.000432/200736 Acórdão n.º 180201.127 S1TE02 Fl. 38 5 A obrigatoriedade de entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF no caso de entes estatais é da pessoa jurídica de direito público interno em nível da Administração Pública que se está exigindo tal documento. Se tal exigência é feita em nível municipal, a responsabilidade é da pessoa jurídica de direito público interno nesse nível. Cabível, portanto, a imposição de Multa por Atraso na entrega da DIRF (ano calendário de 2004), constatandose que o Município dc Pinheiro/MA na condição de sujeito passivo da obrigação acessória entregou a referida declaração fora do prazo regulamentar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou, em 15/12/2009, Recurso Voluntário (fls. 22/24) no qual aduziu, em síntese, a inaplicabilidade de multa no caso de cumprimento espontâneo da obrigação acessória pelo contribuinte, antes do início de procedimento administrativo de fiscalização, requerendo, ao final, que o recurso seja totalmente provido, decretandose a improcedência do Auto de Infração (fl. 4). É o relatório, passo a decidir. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10320.000432/200736 Acórdão n.º 180201.127 S1TE02 Fl. 39 6 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Cumpre salientar que não serão objeto de apreciação por este colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. Durante a construção da sua tese de defesa a Recorrente alega que o adimplemento, voluntário e anterior a procedimento administrativo de fiscalização, de obrigação fiscal acessória ensejaria a exclusão do pagamento de multa com caráter punitivo. Em sua defesa a Recorrente cita algumas decisões administrativas que defendem a inaplicabilidade de penalidade nos casos de denúncia espontânea, se baseando no consagrado no art. 138 do Código Tributário Nacional. A tese da recorrente não deve prosperar, pois, o artigo em comento trata da responsabilidade do agente pela ocorrência da infração tributária. Dentro deste contexto a legislação prescreve que o adimplemento espontâneo da obrigação tributária antes da ocorrência de procedimento administrativo fiscal ensejaria a exclusão da responsabilidade tributária do agente, conforme explicitado no trecho abaixo transcrito: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.” “Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Sendo assim, o artigo 138 do Código Tributário Nacional não deve ser aplicado no caso de multa proveniente do inadimplemento de obrigação acessória, uma vez que esta tem natureza autônoma. Na verdade, sua aplicação está vinculada a multa de oficio, aplicada pela Autoridade Fiscal, durante procedimento administrativo de fiscalização. Salientase que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou no mesmo sentido, conforme extraído do Acórdão n°. 2011 / 01079325, proferido no âmbito do AgRg. no Agravo em Recurso Especial n°. 11.340 – SC, abaixo transcrito: Fl. 39DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10320.000432/200736 Acórdão n.º 180201.127 S1TE02 Fl. 40 7 “EMENTA: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido.” (grifouse) Cumpre ressaltar que o objeto do Auto de Infração foi o inadimplemento no prazo de entrega da Declaração do Imposto de Renda Retino na Fonte – DIRF, referente ao anocalendário 2004, fato este não contestado pelo Recorrente. O referido inadimplemento ensejou o lançamento fiscal objeto de contestação pela Recorrente. Ademais, é certo que o lançamento fiscal por inadimplemento de obrigação acessória é autônomo, subsistindo mesmo nos casos de inexistência de obrigação principal, como ocorre no caso ora analisado. Este entendimento encontra subsídio no art. 113, do Código Tributário Nacional – CTN, abaixo transcrito: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória”. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. “§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. (grifouse) Corroborando com esse entendimento, ressaltamos a existência de jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme extraído de trecho abaixo descrito do Acórdão n°. 230200.856 da 3ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10320.000432/200736 Acórdão n.º 180201.127 S1TE02 Fl. 41 8 Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.” (grifouse). No mesmo sentido, destaco trecho do Acórdão n°. 230200.969, proferido pela 3ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, abaixo transcrita: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III da Lei n° 8212/91 c/c art. 283, II, ‘b’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse desta Autarquia, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui se fato gerador do auto de infração, convertendo se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. (grifouse). Sendo assim, entendo que o atraso na entrega da declaração é motivo suficiente para ocorrência do fato gerador da obrigação acessória que é independente da obrigação principal. Portanto, o adimplemento voluntário, fora do prazo, não enseja a exclusão da multa prevista na legislação fiscal. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10320.000432/200736 Acórdão n.º 180201.127 S1TE02 Fl. 42 9 Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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