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Numero do processo: 10630.001954/2010-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEIXAR DE
PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO EM ACORDO COM PADRÕES ESTABELECIDOS PELA SEGURIDADE SOCIAL.
A elaboração de folhas de pagamento dos segurados a serviço da empresa em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social ocasiona a lavratura de Auto de Infração por esse descumprimento legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.375
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO EM ACORDO COM PADRÕES ESTABELECIDOS PELA SEGURIDADE SOCIAL. A elaboração de folhas de pagamento dos segurados a serviço da empresa em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social ocasiona a lavratura de Auto de Infração por esse descumprimento legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Relatório Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.124 a 128 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (fls. 118 a 121) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante do Auto de Infração nº 37.285.4702 no valor de R$ 1.431,79 (hum mil, quatrocentos e trinta e um e setenta e nove centavos). Segundo o relatório fiscal às fls.06 a 42 a cobrança referese a descumprimento de obrigação acessória, tendo sido a conduta do recorrente tipificada no Código de Fundamentação Legal 30. Atesta o relatório fiscal que a empresa nas competências de abril/2006 e dez/2009, remunerou diversos segurados e contribuintes individuais, mas deixou de relacionar segurados e deixou de incluir parcelas em sua folha de pagamento mensal, o que constitui infração do RPS. Em razão dessa conduta, foi aplicada a multa prevista no art. 92 e art. 102, da Lei n°8.212/91, combinado com o art. 283, inciso I, alínea “a” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS),aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Desta autuação, o recorrente foi notificado em 25/08/2010 e apresentou impugnação às fls. 81 a 83, alegando: Que a multa aplicada de R$ 1.431,79 ultrapassa em muito o valor da remuneração paga em especial ao titular da firma individual impugnante, a titulo de retiradas prólabore, no valor mensal de R$ 350,00, caracterizandose como confiscatória; Que este procedimento não pode ser admitido em relação a uma pequena empresa, optante e incluída no SIMPES NACIONAL, como acontece com a impugnante; Que Ainda, a empresa impugnante ficou inativa desde sua abertura (28/01/2005) até 22/01/2007, quando foi feito a primeira obra cadastrada no CEI, isto porque trabalhava somente com projetos de forma autônoma; Por fim, requereu a improcedência da autuação e a consequente anulação. Instada a manifestarse acerca da matéria, a 7° turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG proferiu o acórdão n° 0231.365 nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente constitui infração à legislação previdenciária. Deverão ser incluídas em folha de pagamento todas as pessoas físicas que prestaram serviços ao contribuinte, bem como, todos os valores pagos a elas quer integrem ou não a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.001954/201057 Acórdão n.º 2403001.375 S2C4T3 Fl. 133 3 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL A empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL não está dispensada do cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a decisão supra, o recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 114 a 118, alegando os mesmo argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator DO MÉRITO: I – DA INFRAÇÃO COMETIDA: I.1 – DA OBRIGATORIEDADE DE PREPARAR AS FOLHAS DE PAGAMENTO: O recorrente foi autuado com base no art.32, I, da Lei n 8.212/91 e 225, I e parágrafo 9 do Regulamento da Previdência Social por ter deixado de preparar folha de pagamento com todas as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a seu serviço, incluindo os descontos dos segurados, ou valores que deveriam ter sido descontados, descumprindo, assim, os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Segundo a legislação previdenciária, a empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados ao seu serviço, in verbis: LEI N 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; DECRETO N 3.048/99 (RPS) Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.001954/201057 Acórdão n.º 2403001.375 S2C4T3 Fl. 134 5 individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Pelo transcrito, percebese que a infração referese à obrigatoriedade da empresa preparar a folha de pagamento nos moldes do parágrafo 9 do art.225 do RPS. No presente caso, o recorrente deixou de constar nas folhasdepagamento as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço, conforme atesta a documentação juntada aos autos às fls.7 a 17. Afirma o autuado que este procedimento não pode ser admitido quando se trata de pequena empresa incluída no Simples Nacional, o que não é procedente, pois as obrigações acessórias alberga também os optantes do Simples, nos termos dos arts. 51 e 52 da Lei Complementar 123 de 2006: Art.51. As microempresas e as empresas de pequeno porte são dispensadas: I da afixação de Quadro de Trabalho em suas dependências; II da anotação das férias dos empregados nos respectivos livros ou fichas de registro; III de empregar e matricular seus aprendizes nos cursos dos Serviços Nacionais de Aprendizagem; IV da posse do livro intitulado "Inspeção do Trabalho"; e V de comunicar ao Ministério do Trabalho e Emprego a concessão de férias coletivas. Art.52. O disposto no art. 51 desta Lei Complementar não dispensa as microempresas e as empresas de pequeno porte dos seguintes procedimentos: I anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social CTPS; II arquivamento dos documentos comprobatórios de cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias, enquanto não prescreverem essas obrigações; III apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 IV apresentação das Relações Anuais de Empregados e da Relação Anual de Informações Sociais RAIS e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados CAGED. De pronto, não existe margem para se falar em dispensa da elaboração da folha de pagamento na forma dos dispositivos legais acima, mesmo que o empregador seja optante do Simples Nacional. Referente ao fato de que a empresa iniciou suas atividades em 22/01/2007, pelos anexos de fls. 07 a 15, existe “movimento” a partir de 06/2006 a 01/2007 com o nome do contribuinte individual Felipe Raphael Pascoal e na competência de 12/2006 também existe um apontamento sobre o contador Adão Mendes de Aquino que não foi incluído em folha de pagamento ou GFIP. Como prova da irregularidade arguida, a fiscalização anexou comprovantes de pagamento emitidos pelo contribuinte, fls. 20 a 43, sendo que nenhuma razão ou prova fosse apresentada pela defesa que contrapusesse o lançamento fiscal. Sobre o valor da multa aplicada de R$ 1.431,79 ser confiscatória, não há o que se discutir pois, o princípio constitucional do não confisco descrito no artigo 150, inciso IV só se aplica aos tributos e não às multas decorrentes de obrigações acessórias. Ressalto que as obrigações tributárias, de acordo com o art.113 do Código Tributário Nacional, divergem quanto à natureza. Uma, a principal, tem como razão de ser a prestação pecuniária que o sujeito passivo deve ao Estado. Já a outra obrigação, a acessória, é relacionada a uma obligatio de fazer ou não fazer alguma conduta ao fisco. Ou seja, as duas obrigações são tributárias, mas são distintas, o nascimento de uma não impede a exclusão da outra. Assim, havendo um descumprimento de obrigação acessória relacionada à obrigatoriedade da empresa elaborar as folhas de pagamento dos segurados que lhe prestaram serviços, o infrator sujeitarseá ao pagamento de multa prevista nos moldes do art.92 e 102 da Lei n 8.212/91 e art.283, I, “a”: c/c 373 do RPS, in verbis: Regulamento Previdência Social Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: Nota:Valores atualizados, a partir de 1º de junho 2003, pela Portaria MPS nº 727, de 30.5.2003, para R$ 991,03 (novecentos e noventa e um reais e três centavos). a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.001954/201057 Acórdão n.º 2403001.375 S2C4T3 Fl. 135 7 O Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. No mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 92 que qualquer infração a dispositivo desta legislação, quando não esteja prevista expressamente, sujeitarseá a observância desse dispositivo. Então vejamos: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Contudo, conforme já demonstrado, percebo que a infração foi cometida, motivo pelo qual deverá a cobrança ser mantida e atualizada na forma do dispositivo acima. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO, de modo que seja mantida a cobrança do Auto de Infração nº 37.285.4702. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10925.905150/2010-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PAF. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Para que o recurso especial seja conhecido, é necessário que a recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de Acórdão paradigma em que, enfrentando questão fática equivalente, a legislação tenha sido aplicada de forma diversa.
Hipótese em que a decisão apresentada a título de paradigma trata de questão diferente daquela enfrentada no Acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-013.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo da Costa Possas, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Adriana Gomes Rego (Presidente). Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PAF. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Para que o recurso especial seja conhecido, é necessário que a recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de Acórdão paradigma em que, enfrentando questão fática equivalente, a legislação tenha sido aplicada de forma diversa. Hipótese em que a decisão apresentada a título de paradigma trata de questão diferente daquela enfrentada no Acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo da Costa Possas, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Adriana Gomes Rego (Presidente). Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Para que o recurso especial seja conhecido, é necessário que a recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de Acórdão paradigma em que, enfrentando questão fática equivalente, a legislação tenha sido aplicada de forma diversa. Hipótese em que a decisão apresentada a título de paradigma trata de questão diferente daquela enfrentada no Acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo da Costa Possas, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Adriana Gomes Rego (Presidente). Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, contra a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301-009.556, de 27/01/2021 (fls. 102/119), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 50 /2 01 0- 13 Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-013.037 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.905150/2010-13 proferida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento do CARF, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado. Do Pedido de Ressarcimento Trata o presente processo de análise do Pedido de Ressarcimento (PER), com o objetivo de ser ressarcida do crédito do PIS, não cumulativa - Mercado Interno, referente ao 3º trimestre de 2006, com respaldo no artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Visando compensar débitos próprios, transmitiu a respectiva PER/DCOMP. Dos termos do Despacho Decisório de fls. 10/24, observa-se que foi efetuada a glosa de créditos decorrentes de várias operações que, no entendimento da Fiscalização, não geram direito a crédito, nos termos da legislação aplicável ao regime de apuração da contribuição. Assim, com base na documentação apresentada pelo contribuinte, relacionou, por linha do DACON, as seguintes operações que, no seu entender, não geram direito a crédito, com as respectivas fundamentações: - Linha 02 – Bens utilizados como insumos e Linha 03 – Serviços utilizados como insumos: trata-se de aquisições de bens e serviços que não enquadrados como insumos, tais como despesas com aquisições de para-choques, vidros, lanternas, painéis internos e equipamentos de rastreamento, portas, quebra-vento, material de pintura, placas, farol auxiliar, cama, cozinha, tacógrafos, horímetro, entre outros, bem como as despesas com os serviços gerais, de solda, regulagens, socorro, lavagens dos veículos, etc. e, quanto às despesas com rastreamento da frota e no tocante às despesas com o pagamento de pedágio; e Linha 10 – Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com base no valor de aquisição) - Em que pese o valor contabilizado ser diferente daquele indicado na nota fiscal, esta indica claramente que a aquisição direta não foi realizada pela pretendente do crédito/ressarcimento. Assim, procedeu à glosa de créditos referentes a essas despesas, resultando no reconhecimento parcial do direito creditório. Da Manifestação de Inconformidade e Decisão de 1ª Instância Cientificada do Despacho Decisório, a Contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 36/50, alegando, em síntese, que: - alega que a Fiscalização utilizou uma interpretação restritiva do conceito de insumo para fundamentar o indeferimento do pedido, uma vez que insumo possui ampla acepção e, cita os arts. 2º e 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Defende que os bens e serviços adquiridos pela requerente não podem ser glosados, já que a norma concessiva do beneficio é ampla, e os dispositivos que o restringem são específicos e pontuais; tanto os bens, quantos os serviços são utilizados para a manutenção da frota de veículos, sendo indispensáveis à qualidade da prestação do serviço de transporte; - quanto às despesas com rastreamento da frota, alega que são indispensáveis ao transporte rodoviário de cargas e, por tanto, se caracterizam como insumo. No tocante às despesas com pedágio, destaca que as despesas da requerente não se referem ao vale-pedágio, mas a valores que saíram do caixa da requerente utilizados para o pagamento de pedágio. Frisa que a Lei n° 10.209/2001, utilizada pelo fiscal como fundamento à glosa do crédito, não se aplica ao caso dos autos, que objetiva o ressarcimento do crédito de PIS/Cofins em relação às despesas com pedágio no primeiro trimestre do ano de 2006. Que o mesmo ocorre com as despesas com agenciamento de carga, uma vez que se tratariam de serviço aplicado diretamente na atividade da empresa de transportes de cargas. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-013.037 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.905150/2010-13 - informa em sua defesa que as Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, ao estabelecerem a possibilidade de creditamento dos encargos de depreciação e amortização de bens que integram o ativo imobilizado da empresa, não fizeram qualquer vedação ao período em que os bens foram adquiridos. A DRJ em Fortaleza (CE), apreciou a Manifestação de Inconformidade que, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 08-045.186, de 28/11/2018 (fls. 54/75), considerou julgar procedente em parte a Manifestação apresentada, para anulação da glosa efetivada pela autoridade fiscal sobre os bens e serviços utilizados na manutenção da frota. Nessa decisão a Turma decidiu que, (i) os serviços de manutenção, bem assim as partes e peças de reposição, empregados em veículos utilizados na prestação de serviços de transporte, desde que não estejam obrigadas a integrar o ativo imobilizado, por resultar num aumento superior a um ano na vida útil dos veículos, são considerados insumos aplicados na prestação de serviços de transporte, (ii) não geram crédito os gastos relativos a rastreamento de veículos e cargas, seguros de qualquer espécie, agenciamento de frota e gastos com pedágio, uma vez que estes itens não configuram serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviço de transporte rodoviário de carga, e o gasto com pedágio pelo uso da via é legalmente atribuído ao contratante do transporte; (iii) o contrato de arrendamento mercantil apresentado sem a devida comprovação de sua natureza, através de documentos hábeis e idôneos, enseja a manutenção das despesas glosadas. Recurso Voluntário Cientificada da decisão de 1ª Instância, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 83/97, reprisando, na parte que que não lhe foi favorável, os argumentos da Manifestação de Inconformidade, acrescentando, em resumo, que: - discorre sobre o conceito de insumos, entendendo pela aplicação dos critérios adotados pelo STJ no julgamento do REsp n. 1.221.170-PR, sob o rito do art. 543-C do CPC de 1973, o qual deu uma interpretação mais extensiva ao conceito de insumo, considerando os critérios da essencialidade ou relevância dos gastos. - assevera que a realização de suas atividades de transporte implica uma série de despesas, dentre as quais, por serem relevantes para o presente caso, destaca a despesas com o pedágio, o arrendamento mercantil, despesas de depreciação de bens do ativo imobilizado. Acórdão/CARF O recurso foi submetido a apreciação da Turma julgadora e foi exarada a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301-009.556, de 27/01/2021 (fls. 102/119), proferida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento do CARF, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado. Nessa decisão o Colegiado assentou que as despesas consideradas como essenciais e relevantes, desde que incorridas no processo produtivo da Contribuinte, geram créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo, conforme entendimento em sede de recursos repetitivos do STJ no REsp nº 1.221.170-PR, e reconheceu os créditos relativos aos pedágios suportados pela Contribuinte na sua atividade de transporte e também reconhece os créditos relativos a depreciação de bens do ativo imobilizado até 2004. Recurso Especial da Fazenda Nacional Regularmente notificado do Acórdão nº 3301-009.556, de 27/01/2021, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de fls. 122/131, apontando divergência com relação à Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-013.037 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.905150/2010-13 seguinte matéria: à possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre o valor das despesas com pedágios. Para tanto, indica como paradigma o Acórdão nº 3401-002.857, alegando que: No Acórdão recorrido a Turma defende que os gastos com pedágio suportados pela própria transportadora podem ser considerados insumos para a prestação do serviço de transporte de cargas, permitindo a apuração do crédito. Por essa razão, reverteu a glosa respectiva. Por outro lado o Acórdão paradigma, decidiu que o Acórdão da DRJ manteve a glosa das despesas com pedágios, por entender que tais despesas seriam arcadas pelo contratante do serviço de transporte, não integrando o frete. Dispõe o art. 2º da Lei n° 10.209/01, inclusive, que o valor do vale-pedágio não constituirá base de cálculo das contribuições sociais. Ante as considerações acima, restou claramente comprovado o dissídio jurisprudencial quanto ao direito dos créditos em relação às despesas com os pedágios. Assim, com os fundamentos do Despacho de Exame de Admissibilidade do Recurso Especial – da 3ª Câmara, de 05/05/2021, exarado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção (fls. 154/158), deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões do Contribuinte Regularmente notificada do Despacho acima que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Contribuinte NÃO apresentou suas contrarrazões nos autos, conforme noticia o Despacho de fls. 163. O processo, então, foi sorteado para este Conselheiro para dar prosseguimento à análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme consta do Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial - 3ª Câmara, de 05/05/2021, exarado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção/CARF às fls. 154/158. Contudo, em face da análise efetuada no paradigma apresentado, entendo ser necessária uma apuração dos demais requisitos de admissibilidade referente à matéria provida no Exame de Admissibilidade. Isto porque entendo que, a Fazenda Nacional não haver conseguido a efetiva demonstração da semelhança de situações fáticas, razão pela qual não se comprovaria a divergência suscitada no Recurso Especial interposto. Explico. No especial, a Fazenda Nacional suscita divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária quanto à (im)possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-013.037 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.905150/2010-13 não cumulativas sobre “o valor pago com as despesas com pedágios”. Para tanto, indica como paradigma o Acórdão nº 3401-002.857, de 27/01/2015. No Acórdão recorrido, a Turma assentou que os gastos com pedágio suportados pela própria transportadora podem ser considerados insumos para a prestação do serviço de transporte de cargas, permitindo a apuração do crédito. Por essa razão, reverteu a glosa respectiva. No dispositivo do Acórdão recorrido, restou assentado que, “(...) Acordam os membros do colegiado, (...) para reconhecer os créditos relativos aos pedágios suportados pela Recorrente na sua atividade de transporte”. (Grifei) De outro lado, o Acórdão paradigma nº 3401-002.857, de 2015, tem a seguinte ementa, na parte que interessa ao caso: DESPESAS COM PEDÁGIO. NÃO SE ENQUADRAM COMO INSUMO. Despesas com vale-pedágio não podem gerar crédito de PIS e COFINS, devendo ser mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal. Veja-se trecho do voto condutor do Acórdão: 3.1 DESPESAS COM PEDÁGIO O acórdão da DRJ manteve a glosa das despesas com pedágios, por entender que tais despesas seriam arcadas pelo contratante do serviço de transporte, não integrando o frete. Dispõe o art. 2º da Lei n° 10.209/ 01, inclusive, que o valor do vale-pedágio não constituirá base de cálculo das contribuições sociais: Art. 2º O valor do Vale Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. (Grifei) Desta forma, as despesas com vale-pedágio não podem gerar crédito de PIS e COFINS, devendo ser mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal. (Grifei) Importante observar que no relatório do Acórdão recorrido (com base na decisão da DRJ), descreve a seguinte informação: “(...) No tocante às despesas com pedágio, destaca que as despesas da requerente não se referem ao vale-pedágio, mas a valores que saíram do caixa da requerente utilizados para o pagamento de pedágio. Frisa que a Lei n° 10.209/2001, utilizada pelo fiscal como fundamento à glosa do crédito, não se aplica ao caso dos autos, que objetiva o ressarcimento do crédito de PIS/Cofins em relação às despesas com pedágio no primeiro trimestre do ano de 2006. E desta forma, analisou o recorrido no voto condutor: “Despesas de Pedágio - Em relação ao pedágio, a Recorrente afirma que, apesar de ser beneficiada com a disciplina da Lei n. 10.209/2001, a lei do Vale-Pedágio, ela pretende se creditar dos dispêndios com pedágio nos casos em que não se vale do benefício. Explica que embora exista a previsão legal, e a obrigação de recolher o valor do pedágio tenha sido transferida aos embarcadores ou equiparados, isto é, aos clientes da recorrente, é, na realidade, a recorrente, em razão de suas relações negociais, quem, muitas vezes, acaba recolhendo os valores. Afirma que seus clientes aceitam contratar o transporte apenas sob a condição de que a recorrente pagará os gastos com o pedágio. Daí, para manter a relação negocial e, automaticamente, o seu negócio, a recorrente vê- se obrigada a ceder e pagar o pedágio. Somente razoável, nessas condições, que os custos envolvendo o pagamento de pedágio representem crédito de PIS e COFINS. Assevera que o pagamento dos pedágios é essencial para sua atividade, que é transporte, pois sem tal pagamento não poderá transitar por certas vias e realizar o transporte. Neste ponto, creio que a Recorrente tem razão, que os gastos com pedágio Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-013.037 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.905150/2010-13 suportados pela própria transportadora podem ser considerados insumos para a prestação do serviço de transporte de cargas, permitindo a apuração do crédito”. Como se vê, no Acordão recorrido debate o direito de crédito de despesas efetivamente suportadas e pagas pelo Contribuinte (valores que saíram do caixa da empresa), que é prestador de serviços de transporte de carga, por força de disposição contratual e relação negocial. A análise se deu sobre dispêndios com pedágio nos casos em que não se vale do benefício (vale-pedágio). De outro lado, a questão de fundo discutida no Acórdão paradigma, julgou recurso voluntário que controvertia a possibilidade de se creditar de gastos com o Vale- Pedágio, por entender que tais despesas seriam arcadas pelo contratante do serviço de transporte, não integrando o frete. E conclui que, dispõe o art. 2º da Lei n° 10.209, de 2001, inclusive, que o valor do vale-pedágio não constituirá base de cálculo das contribuições sociais. Assim, verifica-se de imediato, o afastamento da possibilidade de se estabelecer comparação e deduzir divergência de entendimentos entre os Acórdãos confrontados (recorrido e paradigma), pois trata-se de situações fáticas distintas. No paradigma, discute-se apropriação de créditos sobre dispêndios com o vale-pedágio (art. 2º da Lei n° 10.209, de 2001); no recorrido não se discute esse tipo de despesas e sim, dispêndios com pedágio, porém nos casos em que não se vale do benefício do vale-pedágio. Portanto, não há como formar uma divergência de interpretação da legislação, requisito de admissibilidade do recurso, quando inexiste uma similitude fática demonstrada. Isto posto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10711.000284/89-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 1989
Numero da decisão: 301-00.480
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, encaminhar o processo à douta 3ª Câmara, por tratar-se de matéria de sua competência, vencidos os Conselheiros João Holanda Costa, Maria Lucia Silva Castelo Branco e Wlademir Clóvis Moreira, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE MARIA DE MELO
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JOORY S/A. IMPORTAÇAo E EXPORTAÇAo. IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO-RJ. CONTRIBUINTES CÂMARA .' • ".AMT Recurso n.O Recorrente Recorrid TERCEIRO CONSELHO DE PRIMEIRA R E S O L U C A O ACORDÃO N.' . 301-480 • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Con selho de Contribuintes, por maioria de votos, :.':encaminhar o pro- cesso ~ douta 3ª Câmara, por tratar-se de mat~ria de sua competin- cia, vencidos os Conselheiros João Holanda Costa, Maria Lucia Silva Castelo Branco e Wlademir Clovis Moreira, na forma do relatório e voto que passam a inte~rar o presente julgado. Brasília LF, 06 de dezembro de 1989 . r..:e'S idente. - Rela ar. - Proc. da Fazenda Nacional. VISTO EM ~nF.OSESSÃO DE: 26 JAN l;::l~ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguin tes Conselheiros: ROSA MARTA MAGALH~ES DE OLIVEIRA, HAMILTON DE sA DANTAS e ROBERTO VELLOSO, Suplente. Ausente, justificadamente o Cons. FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO . • • • • • • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Iª CAMARA • RECURSO Nº 111.405 RESOLUçAo Nº 301-480. RECORRENTE: JOORY S/A. IMPORTAÇAO E EXPORTAÇAO. RECORRIDA : IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO-RJ. RELATOR : CONSELHEIRO JOS~ MARIA DE MELO. R E L A T Ó R I O Foi lavrado contra a supranomeada empresa Auto de Infr~ ção, em virtude de haver sido apurado, em ato de revisão, que fora submetida a despacho de importação a mercadoria SILICONE Y 10.000 -E-Dimetil polisiloxano condensado, com enquadramento no código lAB 39.01.08.99. Entretanto, consoante análises constantes de lau- dos t~cnicos, em n6merosde quatro, ratificadas por Informaç6es produzidas pelo LABANA, igualmente em n6mero de quatro, trata-se o material de produto orgânico tensoativo, não-iônico (polieter di metil siloxano), razão por que foi ele reclassificado no código lAB 34.02.03.00, por isto que promovida a exigência do recolhimen- to de diferenças de tributos e, al~m dos acr~scimos legais,das muI tas previstas nos artigos 524 do R.A. (Dec. nº 91.030/85), 364-11, 365-1 do RIPI/82 (Dec. nº 87.981/82) e 6º do DL nº 2331/87, sendo que a aludida multa do art. 365-1 teve aplicação proposta em virtQ de de ter sido a importação realizada a descoberto de G.l., quando estando a emissão desta suspensa pela CACEX, sendo,posteriormente, dada a consumo (IN nº l4/85-Q e ~) . A ação fiscal foi, tempestivamente, impugnada, alegando a Autuada, em sua defesa, resumidamente, o seguinte: a) preliminarmente, informa que, há algum tempo, formu- lara consulta ao lNl atrav~s do processo protocolizado na IRF ora Recorrida, de nº 10711-002553/86-60, para análise de .contra-amos- tra em poder do LABANA, do produto em questão, tendo como re~posta a afirmação de que o Silicone Y 10.000-E tem características de um copolímero de silicone com polialquilenoglicol, sendo, portanto d~ rivado do silicone por condensação, embora funcionando como tenso -ativo. Em vista disto, houve parecer de funcionário da Repartição, aprovado pelo Sr. Inspetor de entã~ no sentido de que devesse o produto ser classificado no código lAB 39.01.08.99, como qualquer outro Silicone, o que vem ocorrendo at~~, superveniência do presen te litígio. Agia, assim, de conformidade com determinação da auto~ • • • • •• -3- Rec. 1l1.405 Res. 301-480 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL ridade; b) no mérito, alega que, nos termos do Parecer Normati- vo nº CST 54/77, nio existe "capitulaçio legal impóndo multa por erro de classificaçio tarifária; c) a multa prevista no art. 364-11 do RIPl/82 necessita, para sua aplicaçio, do nio-pagamento do correspondente imposto, no vencimento. No caso de revisio, havendo eventuais diferenças além do tributo já pago, deverio ser cobradas sem multa; d) igualmente, descabe a aplicaçio da multa do art. 365 -I do RIPl/82, uma vez que a Importadora dispunha de Gl emitida p~ la CACEX para a trazida de mercadoria enquadrada no código 39.01. 08.99, que nio estava abrangido por qualquer suspensio. E, ainda que fosse o produto designado pelo Código 34.02.03.00, nio teria a mul~a razio de ser, uma vez que a CACEX dispõe de competência para liberar quaisquer importações, mesmo as suspensas; e) o produto está bem classificado no código mediante o qual foi submetido a despacho, uma vez que tem funçio i,industrial específica na fabricaçio de poliuretano e sua simples ; qualidade tenso-ati va nio o equipara aos produtos da classi ficaçio 34.02.03.00; f) que os si Iicones estio expressa e especi ficamente ci tados na NBM na posiçio 39.01; g) que a mercadoria nio é meramente um produto orgânico, mas sim, organo-metálico,o que a retira da Posiçio 34.02, que é exclusiva de produto orgânico; h) que o elemento tenso-ativo é adicionado ao silicone simplesmente como estabilizante, nio conferindo característica es- sencial ao produto. Finalmente, solicita o encaminhamento do processo a no- va análise do INT, formulando quesitos. A AFTN-Autuante manifestou-se sobre a Informaçio, OPI- nando pela procedência e manutenção do Auto. Sobreveio a sentença de Primeira Instância, cujas zões de decidir leio em sessio e fario parte integrante deste tório,que foi assim ementada: I ra- reI-ª. "Revisio. Desclassificaçio tarifária do produto de nome comercial SILICONE Y 10.000-E, em face do resultado do exame laboratorial. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE." • • • • • -4- Rec. 111.405 Rec. 301-480 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Irresignada, recorre a Autuada a este Colegiado, em lon go, profuso e fundamentado arrazoado, incorporando os argumentos expendidos quando da Impugnaçio - que, aliis, lhe fornece as bases principais -, acrescentando outros que procurarei, neste relató- rio, de forma concisa, transmitir aos ilustrados membros desta CÁ mara, sem prejuízo de sua substância essencial. 1. Argúi, em preliminar, o ji narrado fato de o Inspe- tor de entio haver homologado a classificaçio por ela proposta no atual despacho, o que, a seu ver, torna ilegal a revisio; 2. transcreve, na parte de seu interesse, as conclusões de um laudo emitido pelo INT por solicitaçio de Union Carbide do Brasil Ltda., onde se afirma,' que o silicone nio pode ser substi~ tuÍdo na produçio de espuma de poliuretano por preparações tenso -ativas classificadas na Posiçio 34.02 da NBM; 2.1. Solicita a citada Union Carbide do INT explicite no laudo em que código deveria ser submetido a despacho ,o_produto e o citado órgio, após algumas considerações escusatórias, opina pelo código 39.01.08.99; 2.2. Ainda no referido laudo, ao responder se todas as émulsões'de silicone necessitam de produtos tenso-ati vos para sua estab,ilizaçio, declara-se que os silicones nio-surfactantes, por si sós, nio sio miscÍveis com igua, razão por que uma emulsio de silicone só se torna vii- vel pela adiçio de produtb tenso-ativo; 2.3. E, a seguir, que ° produto em questio, embora fun- cione como tenso-ativo, deve ser tido como um derivádo de silicone. 3. Insurge-se contra a aplicaçio das multas. No atinen- te à capitulada no art. 364-11 do RIPI, usa a argumentaçio da fase impugnatória. Relativamente à do art. S24 do R.A., alega nio ter havido declaraçio indevida de mercadoria, uma vez que declarados nomes comercial e científico, quantidade, peso, etc; que o fato de os laudos do LABANA, tendo apontado características do produto co- mo sendo "orgânico tenso-ativo não-iônico, nio é motivo para consi derar-se ter feito a Autuada declaraçio indevida, ji que a tenso- -atividade nio é elemento essencial caracterizador da irtentifica- çio do produto. Da mesma forma, é incabível a multa prevista no art. 355-1 do RIPI/82, uma vez que nio importou 'tlaridestinamente, • • .' • "• • -5- Rec. 111.405 Res. 301-480 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL nem estava com emissão de guia suspensa a mercadoria do código TA8 39.01.08.99. 4. A partir daí, tece v~rias consideraç6es sobre Regras ~~rais e Regras Complementares de Interpretação da NBMITAB, bem,a~ sim sobre as NENCCA, daí concluíndo que seu produto est~ bem clas- sificado na posição 39.01. Passa, aí, a citar a Regra 3ª ~I, que disp6e: "Quando pela aplicação da Regra 2ª ... etc ... uma mercadQ ria possa ser incluída em duas ou mais posiç6es ... etc .. aI a posição mais específica ter~ prioridade sobre a mais genérica." 5. Declara que o próprio papel para limpeza de óculos, quando embebido de silicone, segundo PN-CST 215/74, classifica-se como silicone, no Código 39.01.01.08; 6 •. Por.ter quálidade tenso-ativa nao deve o produto em caQ sa classificar-se no código 34.02.03.00, uma vez que enorme gama de produtos pode ter tal qualidade, além do que o agente surfacten te do Capo 34, usado na fabricação de sab6es, limpa-vidros, etc., são tenso-ativos, exatamente porque conseguem diluir com ~gua os óleos e gorduras. ~~ o agente surfactante encontrado no •Silicone em questão é usad~ como estabilizante e controlador da espuma de uretanó~. Tal surfactante pode ser sol~vel em ~gua em solvente, sendo, no entanto, mais largamente usado, atualmente, o sol~vel em água; mas, nem por isto deverá ser classificado no capítulo 34;que seu produto é organo-silício, enquanto no capo 34 somente se in- cluem os produtos orgânicos. 7. Os laudos: do LABANA estão em desacordo com a real id~ de: o elemento tenso-ativo é adicionado ao óleo de silicone, sim- plesmente, como um estabilizante da emulsão, o que destrói a tese de que o elemento tenso-ativo é característica essencial do produ- to; que, como silicones, temos os óleos de silicone, as resinas de silicone e os elastômeros de silicone - todos classificados como silicones. 8. Ao finalizar, chama a atenção para várias decis6es da CST, emanadas de consultas sobre classificação de produtos ~ base de silicone, resinas, óleos e soluç6es, dentre as quais dest~ ca as que classificam o óleo de silicone, an~logo ao importado, no Código TAB 39.01.08.99, adotado pela Recorrente. 9. ~ O RELATÓRIO. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL v O T O -6- Rec. 111.405 Res. 301-480 • • • • • • Quase nada, a meu ver, com a devida vênia, há de novo ou original a ser acrescentado ao que já foi explicitado, ao longo do processo, principalmente, se verificarmos que a decisão recorric da, com absoluta guarda dos parâmetros técnicos traçados pelos laQ dos de análises laboratoriais, emitidos pelo LABANA, abarcou, com precisão e abrangência, todos os aspectos de maior relevância, que ,ressumam- dos autos. Com efeito, se examinarmos a questão préliminarmente argüida, segundo a qual não mereceria ser a Recorrente apenada com desclassificação e multas correlatas pelo fato de despachar a discQ tida"mercadoria com base em parecer homologado pelo então chefe da Repartição, veremos que não tem ela a mínima razão e é fácil prová- lo: em primeiro lugar, há informação nos autos de que a DI nº 16965 185, que constituiu o processo nº 10711-002553/86-60, veio a- ser posteriormente, submetida a revisão, tendo, em face"da reclassificA ção efetuada, sido cobrados diferenças de impostos, multas e demais encargos, havendo prevalecido, ao final, para a mercadoria, o códi- go TAB 34.02.03.04; segundo, porque as decisões adm.inistrativas não fazem coisa julgada, podendo a autoridade prolatora dos:atos ~,juJgamell tos rever sua posição todas as vezes que se convença de que labora- ra em erro; terceiro, ainda, porque, na pirâmide da Receita Federal, que dá a última palavra sobre classificação ,tarifária é a Coordena- ção do Sistema de Tributação. Logo, não tem qualquer fundamento, a preliminar em causa . No mérito, consoante os laudos do LABANA, de fls. e fls., o silicone Y 10.000-E apresenta caractedstiças dei produto tenso-ativo. t solúvel em água a 0,5% de concentração, com tensão superficial inferior a 45 dun/cm. e, para que produza espuma é ne- cessária ao silicone a adição de surfactante. O óleo de silicone, por si só, não é miscível com água e o produto importado o é. Segull do a Informação Técnica de fls. 28, citando trecho de- consadradd compêndio, "Organo Silicones são convertidos por oxialquilação em copolímero polisiloxano-polioxialquileno com propriedades surfactall teso Produtos desta série apresentam soTubüidadé2 em água e são usa- dos como emulsificantes e agentes controladores de espuma na manufA tura de espumas de poliuretano" (fls. 28). Enquanto isto, consoante a mesma Informação técnica, os óleos de silicone são miscíveis em solventes apoIares como benzeno, éter metílico, tetracloreto de caL bono, etc. e miscíveis em solventes polares como a água. Logo,o prQ duto Silicone Y 10.000-E é um poli (eter dimetil siloxano) soÍúvel em igua. "Por conseguinte, nio corresponde em estrutura, nem tampoy co em propriedades aos 61eos de silicone" (IT cito - fls. 28). • SERViço PÚBUCO FEDERAL -7- Rec. 111.405 Res. 301-480 • • • • Ora, como se acha, assim, explicitado, trata-se a mer- cadoria importada de um produto de pOlicondensaçio, ji que sua rea- çio a~resenta igua como subproduto, conforme demonstra esquema aprft sentado (fls. 28 - IT Labana). Temos, entio, que, sendo produto de policondensaçio e tendo como característica essencial a tenso-atividade, vejamos como, a respeito, se manifestam as NENCCA, na parte final da Nota 39.01: "Esta posiçio nio compreende: a) os produtos de poliadiçio ou de policondensaçió, cy ja característica essencial lhes é conferida pelas suas "proprieda- des tenso-ativas", remetendo tais produtos para a posiçio 34.02. Com relação ao que alega a Recorrente, relativamenteao Parecer CST nº 54/77, como bem salientou a AFTN-Autuante, em sua In formação Fiscal, is fls. 128, "descabe, portanto, com base na legi~ lação vig~nte (a multa prevista no art. 108 do DL nº 37/66), desde gue o importador forneça com exatidio informações de fato sobre a mercadoria •.. , tendo, posteriormente, o Ato Declarat6rio (Normativo) CST nº 29/80, ratificado o citado Parecer, verbis: "••. a -indicaçio incorreta do c6digo tarifirio não enseja a aplicaçio das penalidades previstas no DL nº 37/66, arts. 108 e 169 ... se verificada a exati- dio da especificacio da mercadoria" • Ora, se o impugnante, - prossegue a informante -, de- clarou dimetil polisiloxano condensado e efetivamente importou ;,po+ liéter dimetil siloxano, a especificação da mercadoria esti incorrft ta, não tendo, portanto, direito ao tratamento previsto no Parecer CST 54/77. Em conseqüincia, a GI não ampara a importação realizada~ No que se refere i multa cominada no Art. 365. - I '- do RIPI/82, ji que a Reçorrente efetivamente importou mercadoria sob C6digo TAB 34.02.03.04, com emissio de Guia suspensa (produtos or- gânicos tenso-ativos nio-iânicos) é, igualmente, justa sua imposi- çio (IN nº 14/85 - Q e ft), ji que foi ela entregue a consumo). Na gradaçio das Regras gerais ou Complementares para a Interpretação da NBM, somente se aplic,!,.a seguinte se nio for es- ta dirimente da questio classificat6ria. -D:~tal forma que, evidentft mente, se a lª Regra geral possibilita a correta classificação da • -8- Rec.lll.405 Res. 301-480 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL mercadoria, como ocorre no presente caso, nio hi falar em Regra 2ª. Nota-se que o Silicone Y 10.000-E, por sua qualidade tenso-ativa,e~ ti excluído da subposiçio 39.01.08, enquadrando-se, segundo as NEN£ CA, na Posiçio 34.02, nos acertados termos da exigência fiscal. Nestas condições, por entender bem se houve a decisio recorrida, alicerçada em sólidos laudos e pareceres técnicos, inclQ sive em indeferir a audiência de outro órgio, ji com ':Imànifêstàçio nos autos, sobre a matéria, NEGO PROVIMENTO ad recurso. Sala das Sessões, 06 de dezembro de 1989. '., • • Re ator. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
score : 1.0
Numero do processo: 35601.000210/2007-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/12/2006
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.AUTO DE INFRAÇÃO COM MULTA DE VALOR EXATO.
Tratando-se de auto de infração com multa de valor exato fixado em Portaria do Ministério da Previdência Social, não há o que se falar em decadência parcial de crédito.
CO-RESPONSÁVEIS. SÓCIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO.
A indicação de sócios no Auto de Infração não pode ser interpretada como conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sócios-gerentes, o que só ocorrerá
em sede de execução fiscal, se preenchidos os requisitos legais.
GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A existência de grupo econômico tem como consequência responsabilizar pelo pagamento do crédito tributário todas as empresas componentes do grupo, que deve ser comprovada através de relatórios e outros documentos que possam evitar qualquer arbitrariedade da fiscalização.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE DESTAQUE 11% SOBRE O VALOR BRUTO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91.NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A cessão de mão-de-obra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o cedente de mão-de-obra a destacar sobre a nota fiscal de prestação de serviço 11% (onze por cento), nos termos do art. 31, parágrafo 1, da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores.
Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mão-de-obra., o que não foi feito pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.271
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 29/12/2006 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.AUTO DE INFRAÇÃO COM MULTA DE VALOR EXATO. Tratando-se de auto de infração com multa de valor exato fixado em Portaria do Ministério da Previdência Social, não há o que se falar em decadência parcial de crédito. CO-RESPONSÁVEIS. SÓCIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios no Auto de Infração não pode ser interpretada como conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sócios-gerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, se preenchidos os requisitos legais. GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A existência de grupo econômico tem como consequência responsabilizar pelo pagamento do crédito tributário todas as empresas componentes do grupo, que deve ser comprovada através de relatórios e outros documentos que possam evitar qualquer arbitrariedade da fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE DESTAQUE 11% SOBRE O VALOR BRUTO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91.NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A cessão de mão-de-obra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o cedente de mão-de-obra a destacar sobre a nota fiscal de prestação de serviço 11% (onze por cento), nos termos do art. 31, parágrafo 1, da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mão-de-obra., o que não foi feito pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido.
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DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.AUTO DE INFRAÇÃO COM MULTA DE VALOR EXATO. Tratandose de auto de infração com multa de valor exato fixado em Portaria do Ministério da Previdência Social, não há o que se falar em decadência parcial de crédito. CORESPONSÁVEIS. SÓCIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios no Auto de Infração não pode ser interpretada como conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sóciosgerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, se preenchidos os requisitos legais. GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A existência de grupo econômico tem como consequência responsabilizar pelo pagamento do crédito tributário todas as empresas componentes do grupo, que deve ser comprovada através de relatórios e outros documentos que possam evitar qualquer arbitrariedade da fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE DESTAQUE 11% SOBRE O VALOR BRUTO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91.NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o cedente de mãodeobra a destacar sobre a nota fiscal de prestação de serviço 11% (onze por cento), nos termos do art. 31, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 parágrafo 1, da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mão deobra., o que não foi feito pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 183 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.139 a 161 contra decisão da 8 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP (fls.121 a 125) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração n 35.957.8071 no valor originário de R$ 1.156,95 (hum mil, cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 04 e 05, a empresa, ora recorrente, é prestadora de serviços, mediante cessão de mãodeobra, tendo emitido várias notas fiscais de serviços sem o registro do destaque da contribuição previdenciária de 11% (onze por cento). Tais serviços foram prestados à empresa Fundição LUK, Divisão da LUK do Brasil, Embreagens LTDA, os quais foram descritos no relatório fiscal anexo aos autos. Em razão dessa conduta infratora, foi aplicada uma multa no valor de R$ 1.156,95 (hum mil, cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos) com base nos arts.92 e 102 da Lei n° 8.212/91 e nos arts. 283, caput e §3° e art. 373 do Regulamento da Previdência Social combinados com a Portaria Conjunta MPS/GM n 342/2006. Ainda conforme o relatório fiscal, o crédito foi lançado para pagamento por qualquer pessoa de grupo econômico constatado pela auditoria, em respeito ao art. 30, inciso IX da Lei 8.212/91. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 29/12/2006 e apresentou impugnação tempestiva às fls. 72 a 89, alegando em síntese: Em grau de preliminar, que deve ser excluído o nome dos administradores do pólo passivo da presente autuação fiscal, pois que os diretores relacionados pela impugnante sequer faziam parte da diretoria da empresa impugnante no período abrangido pela autuação, representando tal inclusão uma afronta ao Código Tributário Nacional; No mérito A decadência do direito de lançar os créditos tributários com fatos geradores ocorridos anteriormente a dezembro de 2001 com base no art.150, parágrafo 4, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado em 29 de dezembro de 2006; Que não deve responder por descumprimento de obrigação acessória, visto que não foi realizada prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra; A violação ao princípio da tipicidade – impossibilidade de aplicação da multa prevista no artigo 283, parágrafo 3 do regulamento previdenciário. Nesse sentido, elucidou que além do fato de não ser responsável pela obrigação a ela imposta, a multa prevista pelo art. 92 da Lei 8.212/91 não Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 pode servir de instrumento à autoridade fiscal, para que eleja ao seu arbítrio condutas que entenda como passíveis de incidência, sob pena de se conferir ilegítima subjetividade a uma norma sancionatória e violar os princípios da tipicidade e legalidade; A ofensa ao princípio da legalidade – impossibilidade da Portaria MPS/GM n° 342, de 16/08/2006, servir de parâmetro para aplicação da multa, haja vista que no relatório fiscal o autuante fixou a multa com fundamento na portaria acima citada. Entretanto é inadmissível que o parâmetro para fixação de multa seja fundamentado em Portarias, tendo em vista que o art. 97 do CTN dispõe que somente a lei pode estabelecer a instituição de tributos ou a sua extinção, a majoração de tributos ou a sua redução, bem como a fixação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo. Por fim, requereu a imediata anulação da autuação. Alternativamente, requereu o acolhimento da impugnação para o fim de julgar improcedente o lançamento efetuado e cancelar o crédito constituído indevidamente, tendo como consequência o arquivamento do respectivo processo administrativo. Às fls.106 a 109 foi juntado ofício 263/2007 informando a constatação de grupo econômico composto por diversas empresas, inclusive a ora recorrente, as quais foram notificadas para apresentar manifestação. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 8° turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP proferiu acórdão (n°0521.919) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 29/12/2006 FALTA DE DESTAQUE DA RETENÇÃO DE 11% DE QUE TRATA A LEI 8.212/91, ART. 31, § 1°, NA REDAÇÃO DADA PELA 9.711/98.INFRAÇÃO. A falta de destaque do percentual de 11% em nota fiscal/fatura de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, implica em descumprimento de norma previdenciária prevista pelo artigo 31, § 1°, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.711/98, sujeitando o infrator a multa de que trata o artigo 283, caput, § 3° do Regulamento Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. CO RESPONSÁVEIS A relação de corresponsáveis não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, que eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento Procedente. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 184 5 Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.139 a 161, utilizandose dos mesmos argumentos apresentados na impugnação, requerendo, o provimento total do recurso voluntário, de forma a determinar o cancelamento do AI n 35.957.8071. Sucessivamente, pugnou pelo cancelamento dos créditos constituídos anteriormente a dezembro de 2001, em razão de ter ocorrido a decadência quinquenal com base no art.150, parágrafo 4 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA PRELIMINAR: I DA NÃO OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA: A recorrente requer, tanto na impugnação como no recurso voluntário, o reconhecimento da decadência quinquenal dos créditos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente a dezembro de 2001, trazendo inclusive julgados para fundamentar seu pleito. A título de informação, destaco apenas que o mais correto, em termos processuais, é pleitear o reconhecimento da decadência em sede de preliminar, mas o requerimento realizado no mérito não impede sua apreciação. Sobre a aplicação do instituto ao caso em tela, destaco que seja impossível se falar em decadência, tendo em vista que, não obstante o período fiscalizado ter abrangido as competências 01/1998 a 07/2006, o valor cobrado a título de multa por infração cometida ao art.31, parágrafo 1, da Lei n° 8.212/91 combinado com o art.219, parágrafo 4, do Regulamento da Previdência Social, é único, independentemente do período que esteja sendo fiscalizado e considerado para fins de constituição de crédito. Por exemplo, a conduta em não destacar a contribuição sob a alíquota de 11% (onze por cento) em decorrência da cessão de mãodeobra na competência 06/1998 e esta mesma conduta ter sido realizada na competência 06/2003, considerando a data da notificação em 29/12/2006, não altera em nada o valor aplicado a título de multa, pois basta que tenha acontecido um erro em alguma competência para que seja a multa aplicada, considerando o valor unitário a ser cobrado do infrator. Nesse sentido, a Portaria do Ministério da Previdência Social n 342/2006 quantificou o valor exato para determinadas situações, dentre as quais a conduta violadora prevista no art.283, caput, e parágrafo 3 do Decreto n 3.048/99, que entrou em vigor em 16/08/2006, vejamos: Art. 7º A partir de 1º agosto de 2006: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (caput do art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.156,95 (um mil cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos) a R$ 115.694,42 (cento e quinze mil seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta dois centavos); Assim, considerando a ciência da lavratura do auto de infração em 29/12/2006 e pelos motivos acima expostos, entendo que seja desnecessário falarse em decadência, tendo em vista que uma competência estar decadente não influencia as outras de também estarem, principalmente sendo caso de que o pagamento da multa por descumprimento Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 185 7 de obrigação acessória será único. Além disso, segundo o relatório fiscal, as competências que foram objeto de levantamento foram junho/2003 a setembro/2003, ou seja, período em que a constituição do crédito tributário poderia ser realizada. II – DA INDICAÇÃO DOS SÓCIOS – AUSÊNCIA DE VÍCIO: Quanto à solicitada exclusão dos sócios administradores do pólo passivo da autuação fiscal, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o §3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos os processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 688 da Instrução Normativa INSS/DC de 18/12/2003 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 688. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos (VÍNCULOS), que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Por fim, entendo que a indicação dos sóciosgerentes não representa nenhum vício que seja capaz de declarar a nulidade do auto de infração ora guerreado, motivo pelo qual não há o que se falar em nulidade. Todavia, ressalto ainda que a cobrança deva ser feita tão exclusivamente à pessoa da recorrente, pois não houve em nenhum momento provas concretas da formação do grupo econômico, o que só foi constatado pela fiscalização através de critérios carentes de plausibilidade. DO MÉRITO: I – DA INFRAÇÃO COMETIDA E DA ANÁLISE DO INSTITUTO CESSÃO DE MÃODEOBRA: A recorrente, segundo a auditoria, é prestadora de serviços, mediante cessão de mãodeobra, tendo emitido várias notas fiscais de serviços sem o registro do destaque da contribuição previdenciária de 11% (onze por cento). Entretanto, alega que não é cedente de mãodeobra, mas tão somente presta serviços. Para uma melhor análise do reconhecimento ou não desse instituto no caso em tela, impendese analisar em conjunto o trabalho realizado em ação fiscal e a legislação regente desta matéria. Primeiramente, analisemos a legislação que trata da cessão de mãodeobra. A Lei n 8.212/91 prevê que determinados serviços, além de outros discriminados em Regulamento da Previdência Social, sujeitarseão à tributação nos moldes da cessão de mãodeobra (tomador do serviço reterá 11% sobre o valor da nota fiscal/fatura prestação de serviço), in verbis: Lei n 8.212/91 Art.31 – (...) § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 186 9 empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Decreto n 3.048/99 – Regulamento Previdência Social Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde;e XXV telefonia, inclusive telemarketing. (...) § 4º O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. Diante de todo o exposto, percebese que somente esses serviços, se constatada a cessão de mãodeobra, serão tributados pela regra do art.31 da Lei n 8.212/91. No caso em tela, a auditoria verificou, na análise da documentação da recorrente, que a própria empresa, em notas fiscais, não realizou a retenção de 11% (onze por cento), o que ficou constatado no relatório fiscal às fls.04 e 05, no qual ficou caracterizada a prestação de serviço de manutenção de equipamento e instalação elétrica. Todavia, não obstante a fiscalização ter tido esse entendimento, acredito que houve um equívoco quando da lavratura do Auto de Infração em epígrafe, tendo em vista que não ficou constatado que a prestação de serviço realizada ocorreu mediante cessão de mãode obra. Afinal, o que a legislação considera cessão de mãodeobra? Segundo a Lei n 8.212/91, a cessão de mão de obra é, ipsis litteris: Art.31 – (...) (...) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 187 11 §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).Destacouse. Desse modo, sendo o serviço contínuo, realizado nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, executado através de pessoas físicas à disposição desta, ele será considerado cessão de mãodeobra. No caso em tela, a fiscalização não conseguiu provar que ocorreu a cessão de mãodeobra na prestação desses serviços, destacandose mais uma vez a subjetividade da autoridade lançadora, que, lança crédito com base em suposições e ainda determina que o contrário deve ser provado pelo contribuinte, desrespeitando o preceituado no art.142 do Código Tributário Nacional. Não pode a auditoria entender que pelo simples fato de existir notas fiscais emitidas para as tomadoras de serviços identificadas no relatório fiscal, a recorrente prestou serviço mediante cessão de mãodeobra. Com relação aos documentos da recorrente encontrados pela auditoria que constatam ter havido emissão de nota fiscal sem o destaque dos 11% (onze por cento), entendo que a recorrente, em razão da certeza de não ser cedente de mãodeobra emitiu Nota Fiscal NF sem o devido destaque, baseandose na idéia de que, realmente, não ocorreu a prestação mediante cessão dessa mãodeobra, tanto é que em outras NF’s o destaque foi feito. Portanto, entendo que a recorrente, nas ocasiões em que realizou a prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, efetuou o destaque dos 11% (onze por cento), e, em outras que não houve certamente a ocorrência do instituto, a retenção não foi feita, demonstrandose aqui a boafé da empresa nesses momentos. Além disso, a fiscalização sequer juntou as notas fiscais mencionadas no relatório fiscal e que serviram de embasamento para a lavratura do Auto de Infração, impedindo o total conhecimento do contribuinte aos fatos que serviram de fundamentação ao lançamento, ferindo princípios relevantes do processo administrativo tributário, como o da publicidade, contraditório e ampladefesa. Desta feita, diante da exposição acima, entendo que à recorrente não poderá ser imputada a multa no valor de R$ 1.156,95 (hum mil, cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos) por ter deixado de destacar os 11% sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas a alguns tomadores de serviços, tendo em vista que o fisco não conseguiu provar a ocorrência dessa prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.020599/2007-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/05/2006 PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32-A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), preenchidas com informações inexatas, incompletas ou omissas.
Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32-A da Lei n. 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.392
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, dar
provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.020599/200724 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403001.392 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente INDÚSTRIA FARMACÉUTICA VITALFARMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/05/2006 PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), preenchidas com informações inexatas, incompletas ou omissas. Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32A da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10680.020599/200724 Acórdão n.º 2403001.392 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 35.845.6991), consolidado em 07/08/2006 (fl. 01), cuja notificação ocorreu em 15/08/2006 (fl. 13), no valor de R$ 21.472,13 (Vinte e um mil, quatrocentos e setenta e dois reais e treze centavos), por ter, a Recorrente, deixado de informar na GFIP os valores relativos ao prólabore dos dois administradores e aos serviços prestados por pessoa física (autônomos), no período de agosto de 2000 a maio de 2006. Segundo o Relatório Fiscal de fl. 8: A multa por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação à base de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, equivale a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite. Consta no processo, nas fls. 09/10, planilha em anexo demonstrando como se chegou ao valor da multa aplicada, ou seja, os fatos geradores não informados na GFIP. Integram o presente lançamento: instruções para o contribuinteIPC; Mandado de procedimento Fiscal – MPF; Termo de intimação para apresentação de documentos – TIAD e Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF e Relatório Fiscal da Infração e da aplicação da multa REFISC. No procedimento fiscal também foram lavrados AI´s de nºs 35.845.6983, 35.845.6991, 35.845.7009 e as NFLD´S de nºs 35.845.7017 e 35.845.7025. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração, através do instrumento de fls. 21/23 DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 6a Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Juiz de ForaMG – DRJ/JFA, prolatou o Acórdão N° 09 20.430, de fls.60/67, mantendo procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/08/2006 GFIP. DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. PERÍCIA Constitui infração a apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Fl. 119DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 4 Informações à Previdência Social – GFIP omitindo informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. Em face da Súmula Vinculante n° 08, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, o crédito devido à Seguridade Social deve ser constituído dentro do lapso qüinqüenal de que trata o CTN. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova e estas devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. Lançamento Procedente em Parte” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 75/82), requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos, em suma: Dos Fatos Tratase de crédito tributário constituído através de AI, lavrado segundo o Relatório Fiscal da Infração de fls. 08 em decorrência da apresentação da GFIP não correspondente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, visto que a empresa deixou de declarar valores do prólabore dos sócios e o pagamento a contribuinte individual no período de 08/2000 a 05/2006. Das Preliminares Nulidade Por Falta De Fundamentação Legal Informa a Recorrente que o auditor fiscal quando do lançamento do Auto de Infração não atentou para a obrigação imposta na legislação pertinente de se fundamentar de forma clara e objetiva os fatos apontados como infringidos, prejudicando a ampla defesa e o contraditório. Da Decadência e da Prescrição Alega a Recorrente que, além da decadência, já em parte reconhecida pelo acórdão da DRJ, com relação ao período de agosto de 2000 a julho de 2001, no presente caso também está presente a prescrição, haja vista que o direito de se cobrar crédito tributário também encerrase no período de 5 anos, conforme o art. 174 do CTN. Do Mérito Do Valor Declarado em GFIP – Retirada PróLabore dos Sócios Alega a Recorrente que, não foi feita qualquer retirada de prólabore para os sócios, pois que nunca houve necessidade. Possuindo cada sócio renda própria suficiente e que não haveria que se falar em contribuição a pagar já que não houve fato gerador de incidência. Além do que, mesmo que existisse a obrigação do contribuinte o valor que está sendo cobrado no auto de Infração não corresponde à norma prescrita na lei, indo de encontro ao princípio da legalidade e o da estrita legalidade tributária. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10680.020599/200724 Acórdão n.º 2403001.392 S2C4T3 Fl. 3 5 Nulidade Absoluta da Notificação Fiscal de Lançamento Insurgese também a Recorrente quanto à formalização do auto de Infração, pois que não teria obedecido o art. 11, III, do decreto nº 70.235/72 ao passo que faltaria na notificação a disposição legal infringida, capaz de gerar a obrigação tributária lançada ex offício. Do Pedido Ao final requer pela procedência do Recurso, para declarar a nulidade do referido Auto de Infração. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 69/75, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO Não há que se falar em decadência, tendo em vista que o período alcançado pelo referido instituto já fora devidamente reconhecido pela Delegacia Regional de Julgamento – DRJ, no seu Acórdão de fls. 60/67. Que aplicou a decadência em relação ao período compreendido entre: 08/2001 até 05/2006. Já em relação à prescrição, também não há que se falar, pois ela é concernente à cobrança judicial do crédito tributário, conforme o art. 174 do CTN, verbis: “Art. 174 A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor.” DO MÉRITO A multa aplicada decorre de ter a Recorrente apresentado Guias de Recolhimento Rescisórios do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, do período compreendido entre: 08/2000 a 05/2006, preenchidas com informações inexatas, incompletas ou omissas. Com isso infringiu o dispositivo do art. 32, IV e § 5o, da Lei n° 8.212, de 24.07.91, com redação dada pela Lei n. 9.528/97, vigente há época, verbis: Lei n° 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 10680.020599/200724 Acórdão n.º 2403001.392 S2C4T3 Fl. 4 7 § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Em decorrência da citada infração, foi aplicada multa de R$ 21.472,13 (vinte e um mil, quatrocentos e setenta e dois reais e treze centavos), conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 8), de acordo com a legislação vigente há época. Após decisão de 1ª instância da DRJ, que reconheceu a decadência com relação aos períodos de 08/2000 a 07/2001, o valor da multa baixou para R$ 18.441,93 (dezoito mil, quatrocentos e quarenta e um reais e noventa e três centavos). DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, verbis: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 8 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu pelo descumprimento da obrigação contida no art. 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI
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Numero do processo: 10480.002175/89-82
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 1990
Numero da decisão: 301-00.592
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos,converter o julgamento em diligencia sa CST (Coordenação do Sistema de Tributação), na forma do relat6rio e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ITAMAR VIEIRA DA COSTA
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REES_ Sessão de 13/dezembro de 19 9 0 . ACORDÃO N.° Recurso n.° 112.251 Processo ng 10480-002175/89-82. Recorrente SUL AMERICA TELEINFORMATICA S.A. Recorrida IRE - PORTO RECIFE - PE. RESOLUCAO Ng 301-592 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos,converter o julgamento em diligencia sa CST (Coordenação do Sistema de Tributação), na forma do relat6rio e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília -DF, 1 de dezembro de 1990. COSTA - lator. VISTO EM SESSAO DE: 2 6 FEV 1991 Participaram, ainda do presente julgamento os seguintes Con 417P 7/ r 1 1i 1 loor 'ro da .az:nda'Nacional. gri selheiros: MARIA LUCIA SILVA CASTELO BRANCO, JOSE THEODORO MASCARENHAS MENCK, IVAR GAROTTI, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOAO BAPTISTA MOREIRA, FLAVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ. Ausente o Conselheiro Wlademir Clovis Mo- reira. -2- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MEFP-TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECURSO N 2 112.251 RESOLUÇÃO N2 301-592 RECORRENTE: SUL AMERICA TELEINFORMATICA S.A. RECORRIDA: IRF/PORTO DE RECIFE RELATOR : Conselheiro ITAMAR VIEIRA COSTA RELATÓRIO A empresa submeteu a despacho aduaneiro, através da De claragão de Importagão - DI n 2 0.585, registrada em 10.03.89, produ to que classificou e descreveu da seguinte forma (fls. 05/06): 8517.90.0103 - Placa de circuito impresso montada com componentes elétricos e eletrOnicos (ati vos e passivos), modelo OIU-11, com fun- go de interface para conexão de duas me sas operadoras em central telefônica au- tom6tica, digital, família Sopho S. Ref. 9562 151 76100. O AFTN, ao fazer o exame documental, entendeu que a clas- sificagao correta seria TAB/SH 8542.20.0000 por se tratarem de cir- cuitos integrados híbridos. Encaminhou representação, da qual resul ta a Intimação n 2 016/89 (fls. 10). A empresa apresentou impugnação, tempestiva, alegando o seguinte (fls. 13/15): a) a placa 4 constituída pela montagem de componentes discretos, para uso exclusivo em centrais telef6ni- cas, no reunindo, de maneira indissoci4vel, sobre o substrato isolante, elementos passivos obtidos pela tecnologia de camada (fina ou espessas); h) ela pode at incluir circuitos híbridos na sua monta gem, mas como um dos seus vários elementos; c) o PN-CST 11/88 retira da posição NBM/NCCA 85.21 da TAB as placas que constituem partes e pegas de máqui nas ou aparelhos de outras posições, sem correlação, pois, com a 8542 da TAB/SH; d) no existe Nota legal que estabeleça prevalencia da antiga posição 85.21 da TAB/NCCA sobre outras,no que se refere a classificação da mercadoria objeto do li tigio; -3- Recurso:112.251 SERVICO PÚBLICO FEDERAL Resolugão: 301-592 e) a TAB/SH no faz referencia expressa placa em foco; f) promoveu consulta ã Divitri-4g RF que expediva Orien- . tagão n 2 01/89, no sentido de que as placas que deve riam ser importadas para aparelhos análogos classifi car-se-iam em harmonia com a Nota de Seção XVI, 2 "b", da TAB/SH, que regula a classificagão de partes e pe gas de máquinas e aparelhos. Em suas informagaes de fls. 32/33, o autor da Represen- tagão conclui que a mercadoria objeto da importação se situa no c6- digo TAB/SH 85.42.80.0000. A Inspetoria determinou fosse efetuada diligencia no es tabelecimento do importador (fls. 34) cujo resultado se encontra ãs fls. 36/37. O processo permaneceu algum tempo na repartição de ori- gem para aguardar a apreciação, pela CST, da Orientagão NBM/DIVITRI/ SRRF-4g RF n 2 01/89. Antes que houvesse o pronunciamento da CST, a ação fis- cal foi julgada procedente, em parte, peia autoridade de lg Instan- cia que adotou nova classificação, ou seja, TAB/SH 8543.80.9900 (fls.. 48). Posteriormente, a Inspetoria juntou o Parecer CST (OCM) n 2 388, de 25.04.90, confirmando a posigao adotada na Decisão de lg Instancia (fls. 54). A empresa, inconformada, recorre a este Colegiado, tem- pestivamente, apontando o seguinte (fls. 66/73). 1 - A placa OIU-11 no 4 um aparelho com fungo prOpria, mas uma PCI montada, que uma parte interna para montagem de central telefanica automática (PABX). A central automática 4 o aparelho com função prOpria e definida; 2 - A placa 4 uma interface que tem a finalidade de per mitir o acoplamento de duas mesas operadoras a cen- tral telefOnica. SO realiza sua função eietranica quan do montada exclusivamente nas centrais telefonicas de fabricagão da recorrente. t de uso especifico e exclusivo na montagem dessas centrais. t parte des- sas centrais no tendo quaisquer outras aplicagOes; - Diversas decisOes da CST (DCM) indicam a posig3o de -4- Recurso:112.251 Resolugao :301-592 SERVICO PÚBLICO FEDERAL partes e pegas para placa de circuito impresso classificando-as no cOdigo TAB /SH 8517.90.0103 (fls. 75/76). t o relatOrio. • O -5- 'Recurso:112.251 Reso1ugao:301 - 592 SERVICO PÚBLICO FEDERAL VOTO A matéria aqui discutida teve os seguintes desdobramentos relacionados com a classificação tarifgria: a) a empresa indicou, quando do registro da Declaração de Importação-DI ng 0585/89, o seguinte código TAB/SH 8517.90.0103; h) o AFTN,quando do exame documental, entendeu ser TAB /SH 8542.20.0000; c) depois da impugnação, o autor da Representação, em suas informaçOes de fls. 32/33, concluiu que o código correto seria TAB /SH 011 8542.80.0000; d) o processo permaneceu algum tempo na repartição de ori gem para aguardar a apreciag5o, pela Coordenação do Sistema de Tributa ção-CST, da Orientação NBM/DIVTRI-SRRF-4g RE ng 01/89. Antes do pronun ciamento da CST, a aço fiscal foi julgada procedente com a classifica gão adotada no código TAB/SH 8543.80.9900. Tendo em vista que a Coordenação do Sistema de Tributação tem realizado muitos trabalhos de classificação envolvendo os circui tos impressos, voto no sentido de que seja o julgamento convertido em di ligencia àquele (5rg5o (CST) para: a) se pronunciar sobre o assunto j6 que a autoridade de 1g Instancia julgou procedente a ação fiscal antes de receber o resulta- do da consulta que a ela fizera; h) esclarecer se j6 foi estudada matéria idêntica e qual foi o entendimento esposado; c) aditar outros esclarecimentos que julgar convenientes ao deslinde do assunto. Sala das Sessöes,J em 13 de dezembro de 1990. ITAMAR COSTA - Relator.
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Numero do processo: 10530.004747/2008-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA
A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por
descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.339
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10530.004747/200868 Acórdão n.º 240301.339 S2C4T3 Fl. 84 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – HOSPITAL NOSSA SENHORA DA SAÚDE S/C contra Acórdão nº 1522.272 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador BA que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.211.3966, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.254,89. A Recorrente está sendo autuada por descumprimento de obrigação acessória CFL 30 – por deixar de incluir nas Folhas de Pagamento do período fiscalizado as informações dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Ao Relatório Fiscal da Infração foram anexados: (i) o Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 37.211.3931; (ii) a cópia do contrato de prestação de serviços com Pessoa Física. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 07, houve infração ao disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa aplicada está capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes e atenuantes previstas no Decreto no 3.048/1999. A Recorrente teve ciência do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 09 a 11, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0510200.2008.00234. A Recorrente teve ciência deste AIOA em 30.12.2008, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, às fls. 09 a 11, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1522.272 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador BA, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. FOLHA DE PAGAMENTO. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Constitui infração deixar, a empresa, de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Administração Tributária. LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário,, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Cumprimento da obrigação principal – pagamento de GPS. Vêse que a obrigação acessória existe, sempre, em função da obrigação principal, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dessa obrigação principal, vale dizer, a obrigação de pagar o tributo. Desse entendimento decorre a primeira característica da obrigação acessória que é a sua transitoriedade. E dizer que uma vez cumprida a obrigação principal, digase, o pagamento do tributo, desaparece a sua razão de ser. Afinal, se a obrigação acessória existe tão somente com a finalidade de fazer com que a obrigação principal seja cumprida é meridiano entenderse que, uma vez esta adimplida, desaparece a razão de ser da obrigação acessória. Assim sendo, no exercício de 2004 a Impugnante realizou os pagamentos de GPS. Contudo, a despeito da realização de pagamento, foi instituída multa por descumprimento de obrigação acessória de forma a violar a sistemática normativa instituída pelo CTN. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10530.004747/200868 Acórdão n.º 240301.339 S2C4T3 Fl. 85 5 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação da RFB às fls. 82. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e para o Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da regularidade da autuação Analisemos. De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. TIAF –Termo de Início da Ação Fiscal; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. TEAF –Termo de Encerramento da Ação Fiscal. h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10530.004747/200868 Acórdão n.º 240301.339 S2C4T3 Fl. 86 7 do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. DO MÉRITO (ii) Cumprimento da obrigação principal – pagamento de GPS. Vêse que a obrigação acessória existe, sempre, em função da obrigação principal, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dessa obrigação principal, vale dizer, a obrigação de pagar o tributo. Desse entendimento decorre a primeira característica da obrigação acessória que é a sua transitoriedade. E dizer que uma vez cumprida a obrigação principal, digase, o pagamento do tributo, desaparece a sua razão de ser. Afinal, se a obrigação acessória existe tão somente com a finalidade de fazer com que a obrigação principal seja cumprida é meridiano entenderse que, uma vez esta adimplida, desaparece a razão de ser da obrigação acessória. Assim sendo, no exercício de 2004 a Impugnante realizou os pagamentos de GPS. Contudo, a despeito da realização de pagamento, foi instituída multa por descumprimento de obrigação acessória de forma a violar a sistemática normativa instituída pelo CTN. Analisemos. A Recorrente está sendo autuada por descumprimento de obrigação acessória CFL 30 – por deixar de incluir nas Folhas de Pagamento do período fiscalizado as informações dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Ao Relatório Fiscal da Infração foram anexados: (i) o Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº 37.211.3931; (ii) a cópia do contrato de prestação de serviços com Pessoa Física. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 07, houve infração ao disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa aplicada está capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Por outro lado, a Recorrente alega que a obrigação principal descrita no procedimento já foi cumprida pelo pagamento de GPS. Entretanto, devese anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres1, a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen2, observase que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar, enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art. 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submetese o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Auto de Infração de Obrigação Principal, no presente caso o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n° 37.211.3931. Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendose o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas, inclusive conforme muito bem exposto pela a Recorrida, às fls. 72: 10. Ao deixar de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Administração Tributária, a empresa infringiu o artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 225, inciso I e §90, do RPS. 11. A penalidade aplicada encontrase fundamentada nos arts. 283, inciso I, alínea "a", e 373 do RPS, cujo valor foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 2008. 12. A empresa descumpriu obrigação tributária acessória ao infringir os dispositivos legais anteriormente descritos, tendo sido a presente autuação constituída com observância das formalidades legais e regulamentares próprias. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Op. cit., p. 236. 2 PAULSEN, Leandro. Op. cit., p. 900. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10530.004747/200868 Acórdão n.º 240301.339 S2C4T3 Fl. 87 9 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000517/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2002
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO
PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA
VINCULANTE STF Nº 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte.
A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 26.10.2007, o período do débito é de 01/1999 a 11/2002. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 09/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.348
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 09/2002, inclusive, com base no parágrafo 4º, Art. 150 do CTN. No mérito por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 26.10.2007, o período do débito é de 01/1999 a 11/2002. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 09/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 191 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 09/2002, inclusive, com base no parágrafo 4º, Art. 150 do CTN. No mérito por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 1620.706 – 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.125.4531, com valor inicial de R$ 18.046,66 retificado para R$ 15.073,19. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais correspondente à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT e as destinadas a terceiros (INCRA e SEBRAE), incidentes sobre o total das remunerações pagas,devidas ou creditadas aos segurados empregados, verificadas na GFIP em confronto com a RAIS — Relação Anual de Informação Social. O Relatório Fiscal, às fls. 33 a 36, informa que em análise à documentação disponibilizada pela empresa, foi detectada a existência de vários trabalhadores que não foram declarados à Previdência Social através da GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, em confronto com as informações fornecidas na RAIS Relação Anual de Informação Social / MTE. Assim, tais valores foram lançados como salários de contribuição, conforme planilha anexa ao presente relatório, onde se identifica por competência cada segurado ausente da GFIP, a respectiva remuneração encontrada na RAIS e que se constituiu na aferição da base de cálculo do presente levantamento. Em relação ao levantamento, o Relatório Fiscal, às fls. 33 a 36, informa que não foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais — RFFP, por não ter sido constatada a ocorrência, em tese, de fatos relacionados a crimes previdenciários. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09410260F00 foi cientificado pelo sujeito passivo, fls. 29. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 10, é de 01/1999 a 11/2002. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 26.10.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 53 a 72. Houve solicitação de diligência fiscal, às fls. 118 a 120, a fim de que a AuditoriaFiscal esclarecesse pontos a respeito do lançamento apurado. Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 192 5 A fiscalização emitiu informação fiscal, às fls. 122 a 125, e em seguida o contribuinte, devidamente cientificado, manifestouse às fls. 128 a 131. Após análise, a primeira instância emitiu o Acórdão nº 1620.706 – 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP, fls. 141 a 153, julgando procedente em parte a autuação, reconhecendo a decadência até a competência 11/2001, inclusive com fulcro no art. 173, I, CTN. Segue a Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/1999 a 30/11/2002 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF. A Súmula Vinculante n° 8 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91 que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos, previsto no CTN. Tendo em vista a natureza tributária das contribuições destinadas aos terceiros, ficam afastadas as disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de dez anos. SUPERVENIÊNCIA DE PARECER. O Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar n° 73/1993). INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DO ART.35 DA LEI N° 8.212/91. Não cabe a esfera administrativa declarara a inconstitucionalidade de lei ou dispositivo legal, diante da competência insculpida no art.102, I, "a", da Constituição Federal. CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS EM GFIP.Caso o contribuinte tenha declarado em GFIP as contribuições previdenciárias, a multa de mora será reduzida em cinqüenta por cento, conforme determina o art.35§4° da Lei n° 8.212/91. TAXA SELIC. Cabe a Lei n° 8.212/91, determinar regras especificas para a aplicação da TAXA SELIC. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazer em outro momento processual, salvo nas exceções do art.16, §4°do Decreto n° 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA.Considerarsed não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos do inciso IV do art.16 do Decreto n°70.235/72. IMPOSSIBILIDADE DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA EM ENDEREÇO DIVERSO DO DOMICILIO FISCAL.t descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 ao Patrono da Impugnante em endereço diverso de seu domicilio fiscal tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 14ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, exonerando o crédito referente as contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a outras entidades para o período 01/1999 a 10/2001(1ev. RAT), em razão da decadência (Súmula Vinculante n° 08/2008). Assim, alterase o lançamento de R$ 18.046,66 para R$ 15.073,19, consolidado em 23/10/2007, conforme o DADR — Discriminativo Analítico do Débito Retificado, que segue anexo a este acórdão, fls.136/140. Intimese o interessado para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme previsto pelo art. 126 da Lei 8.213/91 com as alterações posteriores, Lei 9.528/97 e MP 413/2008, combinado com a Lei 11.457/07. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 162 a 185, reiterando os argumentos da Impugnação em síntese: (i) Decadência com fulcro no art. 150, § 4º, CTN. (ii) Trabalhadores na RAIS – incorreções na GFIP por deficiências do programa gerador da GFIP. Importante esclarecer que a Recorrente reconhece a existência de incorreções na GFIP, e mais, tais irregularidades foram geradas em virtude de deficiência apresentada pelo próprio programa colocado A disposição dos contribuintes. A lei n° 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações Previdência Social — GFIP, e desde a competência janeiro de 1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei n° 8.036/90 e legislação posterior, bem como as contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis n° 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação, ocorre que o sistema não era compatível com alguns programas de folha de pagamento utilizados por muitas empresas. Desta feita, não existe fundamento na alegação de que existem divergências entre a GFIP e a RAIS, tendo em vista que muitos empregados não foram declarados, e outros o foram de forma errada, em virtude de defeitos técnicos existentes no programa da GFIP, sendo assim, as informações constantes da Folha de Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 193 7 Pagamento, que serviram de base para elaboração da RAIS é que estão corretas. (iii) Da ilegalidade, desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa aplicada. (iv) Aplicação da taxa SELIC (v) Requer perícia, diligências e apresentação de documentos. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 187. É o Relatório. Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 187. Avaliados os pressupostos, passo para as questões Preliminares e para o Mérito. DAS PRELIMINARES (a) violação a preceitos constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 194 9 § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (b) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal, ao SAT e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.125.4531 que, conforme definido Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.125.4531) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 195 11 b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. RDA – Relatório de Documentos Apresentados; g. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; h. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); i. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; j. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. k. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. l. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Analisandose a NFLD nº 37.125.4531, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) Decadência com fulcro no art. 150, § 4º, CTN. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Fl. 3128DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 196 13 Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 3129DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 3130DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 197 15 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Fl. 3131DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, verificase que há a presença de recolhimentos antecipados a homologar pela AuditoriaFiscal pois o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 13 a 19, apresenta recolhimentos em todas as competências 01/1997 a 12/2002. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 26.10.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período: 01/1999 a 11/2002. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 09/2002, inclusive. DO MÉRITO. (ii) Trabalhadores na RAIS – incorreções na GFIP por deficiências do programa gerador da GFIP. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 3132DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 198 17 Importante esclarecer que a Recorrente reconhece a existência de incorreções na GFIP, e mais, tais irregularidades foram geradas em virtude de deficiência apresentada pelo próprio programa colocado A disposição dos contribuintes. A lei n° 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações Previdência Social — GFIP, e desde a competência janeiro de 1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei n° 8.036/90 e legislação posterior, bem como as contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis n° 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação, ocorre que o sistema não era compatível com alguns programas de folha de pagamento utilizados por muitas empresas. Desta feita, não existe fundamento na alegação de que existem divergências entre a GFIP e a RAIS, tendo em vista que muitos empregados não foram declarados, e outros o foram de forma errada, em virtude de defeitos técnicos existentes no programa da GFIP, sendo assim, as informações constantes da Folha de Pagamento, que serviram de base para elaboração da RAIS é que estão corretas. Analisemos. Em síntese, a Recorrente aduz que as diferenças apuradas pela fiscalização não existem, pois as diferenças encontradas na GFIP em relação à Folha de Pagamento se referem a incorreções técnicas do programa gerador da GFIP. Ainda assim, aduz que anexou aos autos cópias das GFIP corrigidas. Outrossim, as alegações de incorreções técnicas no programa gerador da GFIP não podem servir de fundamento legal para se afastar a presente autuação por descumprimento de obrigação principal pois não há amparo na legislação tributário previdenciária para tal. Neste sentido, a Recorrente não ilide a lavratura da NFLD posto que, por um lado, o contribuinte não fez prova de que as diferenças lançadas pelo batimento GFIP x RAIS estão incorretas e, por outro lado, não efetivou o recolhimento de tais contribuições sociais previdenciárias. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (iii) Da ilegalidade, desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa aplicada. (iv) Aplicação da taxa SELIC Fl. 3133DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Analisemos os tópicos (iii) e (iv) conjuntamente. De plano, observase do relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, às fls. 25 a 26, a aplicação correta da fundamentação legal dos acréscimos legais: 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 12/1999, 01/2000 a 02/2000, 04/2000, 06/2000 a 07/2000, 11/2000, 01/2001, 07/2001, 10/2001, 01/2002 a 04/2002, 06/2002 a 08/2002, 10/2002 a 11/2002 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, a, b e parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DEBITO (NFLD): 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcela mento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO DO DEBITO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 01/1999, 03/1999 a 04/1999, 07/1999 a 08/1999, 10/1999, 12/1999, 01/2000 a 02/2000, 04/2000, 06/2000 a 07/2000, 11/2000, 01/2001, 07/2001, 10/2001, 01/2002 a 04/2002, 06/2002 a 08/2002, 10/2002 a 11/2002 Lei n. 8.212, de 2407.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 ,1, a", "V, "c", parágrafos 1., 4. e 5. e art. Fl. 3134DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 199 19 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, a, b e c , parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE 0 VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. Em relação á Taxa SELIC. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal e inconstitucional. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 3135DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 Da multa de mora Outrossim, esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) Fl. 3136DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 200 21 e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. (v) Requer perícia, diligências e apresentação de documentos. Analisemos. Reitera a Recorrente por perícias, diligências e provas. Em relação ao pedido por perícias, diligências e provas, indefiro tal pedido, porque a Recorrente não demonstrou, fundamentadamente, a ocorrência de uma das condições elencadas no art. 16, § 5º c/c art. 16, §§ 1º e 4º, Decreto 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Ao sujeito passivo é facultada vista do processo, no órgão preparador, dentro do prazo fixado neste artigo. Parágrafo único. Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação, começará a fluir a partir da ciência dessa decisão. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 3137DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) “ § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (gn) Da leitura do dispositivo, verificase que a Recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de pedido por perícias, diligências e provas, portanto não prospera o requerimento da Recorrente em relação à produção de provas. Fl. 3138DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000517/200710 Acórdão n.º 240301.348 S2C4T3 Fl. 201 23 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, acolher a decadência até a competência 09/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 3139DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001962/2010-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração:01/12/2006 a 31/10/2008
EMPRESA. OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. OBRIGAÇÃO DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.
A empresa optante pelo Simples Nacional tem a obrigação de arrecadar e repassar à Previdência Social as contribuições a cargo do segurado, de acordo com a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.380
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/12/2006 a 31/10/2008 EMPRESA. OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. OBRIGAÇÃO DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa optante pelo Simples Nacional tem a obrigação de arrecadar e repassar à Previdência Social as contribuições a cargo do segurado, de acordo com a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas. Recurso Voluntário Negado.
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OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. OBRIGAÇÃO DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa optante pelo Simples Nacional tem a obrigação de arrecadar e repassar à Previdência Social as contribuições a cargo do segurado, de acordo com a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.116 a 118 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG (fls.109 a 112) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração n 37.294.6887, no valor originário de R$ 1.431,79 (Hum mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos), sendo assim mantido o crédito tributário. A autuação, segundo o relatório fiscal, às fls. 06 a 41, corresponde ao descumprimento por parte da empresa da obrigação disposta na Lei nº 8.212/91, art. 30, I, “a”, bem como, alterações ulteriores, sucessivamente, Lei nº 10.666/2003, art. 4º, “caput”, por fim, Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 216, I, “a”. O período objeto da fiscalização compreendeu as competências de 12/2006 e de 01/2007 a 10/2008. Ainda segundo o relatório fiscal, a empresa, durante o período supracitado, deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individual a seu serviço como não apresentou declaração dos mesmos que já contribuem no teto máximo do INSS. Desta autuação, o recorrente foi notificado em 28/08/2010 e apresentou impugnação às fls. 72 a 107 alegando em síntese: Que a empresa impugnante ficou inativa desde sua abertura 28/01/2005 até 22/01/2007, quando foi feito a primeira obra cadastrada no CEI, isto porque trabalhava somente com projetos de forma autônoma; Que este procedimento não pode ser admitido, em especial em relação a uma pequena empresa, optante e incluída no SIMPLES NACIONAL, como acontece com a impugnante. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da DRJ/BHE MG proferiu acórdão (n°0231.367) nos termos que se segue: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de Apuração: 01/12/2006 a 30/10/2008. Auto de InfraçãoAI: 37.294.6887 CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ARRECADAÇÃO MEDIANTE DESCONTO. INOBSERVÂNCIA. Constitui infração a legislação previdenciária, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.001962/201001 Acórdão n.º 2403001.380 S2C4T3 Fl. 123 3 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL A empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL não está dispensada do cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignado com a decisão supra, o recorrente interpôs recurso voluntário às fls.116 a 118, ratificando os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator I – DA INFRAÇÃO COMETIDA: A recorrente alega que, por estar enquadrada no SIMPLES, não se encontra obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados. A fiscalização informa que a empresa, no período de 12/2006 e, 01/2007 a 10/2008, deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados: contribuintes individuais a seu serviço. Em razão dessa conduta omissa, a empresa violou preceito legal (art.30, I, “a” da Lei 8.212/1991; art.4° da Lei n° 10.666/2003 e art.216, I, “a” do RPS), in verbis: LEI N 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; LEI N° 10.666/2003 Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA Art.216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I a empresa é obrigada a: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.001962/201001 Acórdão n.º 2403001.380 S2C4T3 Fl. 124 5 a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; Nas suas oportunidades de defesa (impugnação e recurso voluntário), o recorrente não conseguiu demonstrar que a infração não fora cometida, haja vista que se restringiu a alegar que a multa aplicada ultrapassa, excessivamente, o valor da remuneração paga, R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) à pessoa mencionada, caracterizando como confiscatória. Sucessivamente, alegou que a empresa ficou inativa desde sua abertura, 28/01/2005, até 22/01/2007, quando foi realizada a primeira obra cadastrada no CEI, uma vez que apenas trabalhava com projetos de forma autônoma. Por fim, alegou que o referido procedimento não podia ser admitido, pois tratavase de uma empresa de pequeno porte, optante e incluída pelo SIMPLES NACIONAL. Sendo assim, uma vez constatada a infração, cabe tão somente o pagamento de multa prevista na legislação competente, qual seja o Regulamento da Previdência Social (aprovado pelo Decreto nº 3.048/99) e a Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) g)deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; O Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. No mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 92 que qualquer infração a dispositivo desta legislação, quando não esteja prevista expressamente, sujeitarseá a observância desse dispositivo. Então vejamos: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que o artigo acima foi atualizado conforme indicativo nº 24, vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Contudo, conforme já demonstrado, percebo que a infração foi cometida, motivo pelo qual deverá a cobrança ser mantida e atualizada na forma do dispositivo acima. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10711.001647/88-38
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Sun Aug 21 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Sat Sep 24 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - CERCEAMENTO DE DEFESA - A negativa, pela autoridade de primeira instância de poder produzir contra-prova,
implica em nulidade da sua decisão, por cerceamento de defesa o que fere o art. 5° inciso IV da constituição Federal.
Numero da decisão: 301-27.660
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, Por unanimidade de votos em anular o processo, a partir da decisão recorrida inclusive; na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N" SESSÃO DE ACÓRDÃON" RECURSON" RECORRENTE RECORRIDA 10711 -001 647/88-38 21 de agosto de 1994 301-27.660 112.114 UNlONCARBIDE DO BRASIL LTDA DRF PORTO - RJ IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - CERCEAMENTO DE DEFESA - A negativa, pela autoridade de primeira instância de poder produzir contra-prova, implica em nulidade da sua decisão, por cerceamento de d~ o que fere o art. 5° inciso IV da constituição Federal. . ~ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos . . ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Por unanimidade de votos em anular o processo, a partir da decisão recorrida inclusive; na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia -DF, 21 de agosto de 1994 MO .c EL~~mOS- . Presidente ~ ~ /~~~#./.:::--. -_ .....-- r:. L _ r:-..I- ...(;LL'Q 1 FÁúSTO DE FREITAS E CASTRO NETÕ--..:l~ Relator -, PRO':URADORIA.GfRAL DA "7.FNDA NACIONI'L COORO[NADO'HA DE REPRESEPHACAo Exr,O/,JUOlr..llt Of! F.~ZHIO••• fl"c:,orIA~ ~J~~~~~:~~.:~_BRE "~.\:\IIIol,iUI. "~dlcral VISTAEM 28 SE. ' dél I . I 19".J Participaram, .ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : JOÃO BAPTISTA MOREIRA, RONALDO LINDIMAR JOSÉ MARTON, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, MARIA DE FÁTIMA .PESSOA de M. CART AXO, LUCIANO WIRTH CHAIBUB e ISALBERTO ZAVÃOLJMA. / MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃON' RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 112.114 301-27.660 UNlON CARBIDE DO BRASIL LTDA DRF PORTO- RI FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO RELATÓRIO Adoto o da decisão recorrida, vazado nos seguintes termos: A firma Union Carbide do Brasil Ltda., através da Declaração de Importação (D. L) n" 15.665/85 (fls. 7/10), submeteu a despacho 5.008 quilos de polyalkileneoxidimethysiloxane, de nome comercial: Silicone Y 10.220, para fabricação de espqzna de poliuretano, ao .amparo da Guia de Importação (GI) n" 018-85/050748-3 (folhas 12), classificando o produto no código TAB 39.01.08.02, com aliquotas de 30% para.o Imposto de Importação (LI.) E 10% para o Imposto sobre Produtos Industrializados (1.P.;I,,), obtendo o ~"" ,.desembaraço do produto com as prerrogativas da 1.N. SRF-14/85. . Encaminhada a amostra do produto ao Laboratório de Análises, este emitiu o Laudo n" 8673/85 (fls. 13), esclarecendo, em sintese, tratar-se "produto orgânico tensoativo não iônico à base de copolímero éter-siloxano." Em ato de revisão o produto foi desclassificado para o código TAB 34.02.03.00, relativo aos 'produtos orgânicos tensoativos não iônicos", com aliquotas de 50% para o LI. e 15% para o 1.P.I. e, em consequência, foi lavrado o Auto de Infra@:o nO066/88 (fls. 1/5), exigindo-se o recolhimento, das diferenças do LI. e do 1.P.1. apuradas, das multas previstas nos artigos 530, do Regulamento Aduaneiro (R.A), aprovado pelo Decreto n" 91.030/85, e 364, inciso n, do Regulamento do IPI (RIPI), aprovado pelo Decreto n" 87.981/82 (artigo 80 da Lei n" 4.502/64, com a redação modificada pelo D.L. 34/66, artigo 2",22" alteração), além dos encargos legais cabiveis. Devidamente intimada (fls. 25 e 42), a autuada, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 26/40), requerendo a remessa da contraprova ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), para análise do produto e resposta aos quesitos apresentados, e alegando que: a) se o laudo laboratorial apresentou conclusão diferente do declarado pelo importador, o procedimento legal seria; a determinação do recolhimento das diferenças de impostos apuradas, no prazo previstonai.N~ 14/85 e não a lavratura imediata de auto de infração; b) a classificação adotada pela importadora corresponde à natureza intrinseca, funcional e específica, uma vez que o produto Silicone Y-10.220 tem função industrial específica, qual seja: é utilizado na fabricação de espumas de poliuretano, que servem de matéria-prima na indústria de colchões e estofados; ~ 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃ:ON' 112.114 301-27.660 c) a simples qualidade tensoativa do produto não o equipara aos produtos do código TAB 34.02.03.00; d) os siliconesestão expressamente citados no texto da posição 39.01 da TAB, e aí devem ser classificados, em vista da 38 Regra Geral, letra "a", para Interpretação da NBM; e) a posição 34.02 é consecutiva para os produtos orgânicos e o Silicone Y_ 10.220 é um produto organo-metálico; f) os silicones de constituição química não definida, cuja molécula encerra mais do que uma ligação silício-oxigênio-silíCio a que contêm grupos orgânicos fixos a átomos de sílicio por ligações díretas silícío-carbono incluem-se na posição 39.01 (NENCCA _ Observações relativas à posição 29.34, item 2, fls. 359). g) a diferenca de impostos apurada decorreu de revisão de classificação fiscal e não de falta de recolhimento dos impostos no vencimento, tendo a impugnante, para pagamento de tal diferença, o prazo previsto na Instrução Normativa nQ 14/85, item 2; h) as multas capituladas nos artigos 530 do Decreto 91.030/85 e 364, lI, do RIPI/82, necessitam, para sua imposição, do não pagamento dos respectivos impostos no vencimento; i) de acordo com o Parecer Normativo CST nQ 54/77, descabe a aplicação de multa com fundamento em erro de classificação, desde que o importador forneça, com exatidão, informações sobre a mercadoria, tais como denominação técnica, nome comercial etc. Reexaminando o processo, o Grupo de Revisão retificou a exigência através do Termo Complementar ao Auto de Infração nQ 066/88 (fls. 44/48), para exigir as diferenças do Imposto de Importação e do IPI e as multas dos artigos 524 e 526, inciso lI, do RA., e a do artigo 364, inciso lI, do Decreto 87.981/82. Devidamente intimada (fls. 55v), a autuada apresentou impugnação (fls. 56/63), reiterando os termos da anterior e alegando ainda que: a) ser incabivelaaplicação da multa do artigo 524 e 526 do RA., visto que os dados essenciais da mercadoria são coincidentes com o descrito na G.I.; b) ser indevido a multa do artigo 364, lI, do RIPI, uma vez que a classificação utilizada foi correta; c) não foi atendida a solicitação da autuada de nova análise do produto pelo INT.Fur 3 MlNlSTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE .CONTRlBUlNTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃON" 112.114 301-27.660 Na réplica (fls. 65/66), a autuante esclarece, no item 2, que .se toma desnecessário fazer novo exame do produto em questão, tendo em vista que os silicones já foram objeto de diversos laudo técnicos, opinando, então pela manutenção .do auto de .infração na íntegra. A decisão recorrida segundo a diligência requerida desde a impugnação julgou o processo por decisão 'assimementada: REVISÃO: Desclassificação tarifária do produto de nome comercial SILICONE Y-10220, em face do resultado do exame laboratorial. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE., pelo que exige diferença de 1.1. e IPI e as muItas dos artigos 524 e 526, n, do R.A. edo.artigo 364, 11, do RIPI/82. No 'prazo legal, a Recorrente interpôs o seu recurso,. repisando os argumentos expendidas em sua -impugnação e reiterando a necessidade .dediligência ao INTque lhe foi negada pela decisão recorrida. Éorela\t, 4 MTNJSTÉRJODA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE cONTRlBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃON" 112.114 JOI~27.660 VOTO Tem todo o .cabimentoa alegação da Recorrente de ter sido cerceada no seu direito de defesa, negado que foi o seu pedido de obter a contra-prova da análise da mercadoria, através de laudo .do INT. A Constituição Federal, no seu artigo 5º, inciso 55, assegura taxativamente aos litigantes em processo judicial ou administrativo, amplo direito de defesa, com todos os meios e recursos a 'ela inerentes. Ora, o direito à contra-prova é, no caso, essencial à defesa do contribuinte e a decisão ,proferida, sem que esta contra-prova tivesse sido realizada, padece de nulidade. Por todo o exposto, voto por anular o processo a partir da decisão recorrida, inclusive, para que, realizada a diligência do I.N.T., como ,protestou a Recorrente, outra decisão seja proferida à vista da contra-prova produzida. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 1994 -f- '- _ w-_() IO J FAUSTO DE FREITAS E éASTRO ~OR 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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