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Numero do processo: 16643.000104/2009-35
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBIIDADE.
Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização teria o dever de suplantar a escolha do próprio contribuinte e, de ofício, considerar dedutível o maior valor apurado.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2004
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de lançamento tido como decorrente, aplica-se
a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal
Numero da decisão: 1402-001.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de ofício e, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos: i) o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para excluir os valores de frete e seguro da apuração do ajuste e acolhia a utilização do método PIC efetuado pelo sujeito passivo; e ii) os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento integralmente
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBIIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização teria o dever de suplantar a escolha do próprio contribuinte e, de ofício, considerar dedutível o maior valor apurado. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2004 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de lançamento tido como decorrente, aplica-se a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBIIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização teria o dever de suplantar a escolha do próprio contribuinte e, de ofício, considerar dedutível o maior valor apurado. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 04 /2 00 9- 35 Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.091 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de lançamento tido como decorrente, aplicase a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos: i) o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para excluir os valores de frete e seguro da apuração do ajuste e acolhia a utilização do método PIC efetuado pelo sujeito passivo; e ii) os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento integralmente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.092 3 Relatório Tratase de autuação para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao ano calendário de 2004, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, como decorrência de ajustes de preços de transferência. Na DIPJ relativa ao período em questão o sujeito passivo informou ajuste no valor de R$ 6.162.601,57, sem apresentação da Ficha 38A (Operações c/ o exterior Pes. Não Vinc. / Interposta Pes./Pais c/ Tributação Favorecida e Ficha 41 Operações com o Exterior Importações (Saídas de Divisas), discriminando os itens e seus respectivos ajustes. Intimada, apresentou revisão do valor anteriormente informado alterandoo para R$ 4.491.663,60; sendo R$ 3.126.908,06 obtido exclusivamente pelo PRL20; R$ 948.541,40 através do PIC; R$ 313.671,63 pelo PRL Misto (revenda/produção) e R$ 102.542,42 exclusivamente pelo PRL60. Após esclarecer que a diferença encontrada teria origem na alteração do programa utilizado para os cálculos e informar a impossibilidade de recuperar os dados constantes do grupo “demais ajustes”, a interessada apresentou novos cálculos com utilização do método CPL em substituição a outros anteriormente utilizados. A opção ocorreu ao final do procedimento fiscal e atingiu itens originalmente submetidos aos métodos PIC e PRL. Em atendimento à solicitação do Fisco para levantamento dos custos de produção no exterior dos bens selecionados (art. 13, da IN/SRF nº 243/2002) foram apresentadas planilhas que, examinadas pela autoridade lançadora, mostraramse insuficientes para demonstração do custo de produção de alguns itens (Tabela 3, fls. 383/384) o que implicou para esses itens na desconsideração do método CPL e o retorno aos métodos anteriormente utilizados. Com a exclusão supra mencionada, foi aceito o ajuste informado para os demais itens pelo método CPL no montante de R$ 2.607.450,27. Com relação aos ajustes informados pelo método PRL (PRL20, PRL60 e PRL Mista) a Fiscalização verificou que os cálculos do sujeito passivo não levaram em consideração custos de frete, seguros e tributos não recuperáveis devidos na importação. Quanto aos insumos, a interessada utilizou os procedimentos previstos na IN/SRF nº 32/2001, e não aqueles estabelecidos na IN/SRF nº 243/2002, em vigor à época dos fatos. Os cálculos foram refeitos pela Fiscalização obtendose ajuste de R$ 2.104.498,62 para o método PRL20 e R$ 21.057.785,22 pelo método PRL60. Em relação ao método PIC, foram considerados os ajustes efetuados pelo sujeito passivo (R$ 41.035,76). Assim, temse: CPL................................................................. 2.607.450,27 PRL20............................................................ 2.104.498,62 PRL60...........................................................21.057.785,22 TOTAL…………………………………….. 25.810.769,87 Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.093 4 Quanto ao ajuste informado na DIPJ, o Fisco acatou o montante de R$ 2.730.195,24 correspondente aos produtos 0261206099 e 0261230030; pois apenas em relação a eles foi possível a identificação naquela declaração. Dessa forma, o valor do ajuste adicionado às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pela Fiscalização foi de R$ 23.080.574,63 (R$ 25.810.769,87 – R$ 2.730.195,24), resultando em autuação do IRPJ com crédito tributário no montante de R$ 13.683.895,65 (incluídos juros de mora e multa de ofício. Em relação à CSLL houve apenas ajuste da base de cálculo. Em impugnação tempestivamente apresentada, o sujeito passivo suscita a ilegalidade da sistemática de aplicação do método PRL60 prevista na IN/SRF nº 243/2002 que estabeleceu inovações em relação ao texto da Lei nº 9.430/96. Sustenta ser incabível a desconsideração de parte do valor originalmente adicionado ao lucro tributável a título de ajustes de preços de transferência. Daquele montante (R$ 6.162.601,57) foram indevidamente desprezados R$ 3.432.406,33; pois não há base legal que autorize a “glosa” de uma adição ao lucro tributável. Ainda nessa questão, argumenta no sentido de que mesmo necessária a vinculação da adição, tal vinculação seria tarefa cujo ônus incumbiria à fiscalização. Sabendo que existia uma adição já efetuada, deveria a fiscalização ter adotado as providências que entendesse necessárias para o cômputo dos ajustes declarados. Reclama pela existência de erro de cálculo na apuração do ajuste pelo método PRL60 nas situações em que o insumo importado sofre fracionamento quando da aplicação no produto final. Nesses casos, a unidade importada (por exemplo, 1 kg) não se incorpora integralmente à unidade do produto final (por exemplo, apenas 0,2 kg se incorporam). Assim, uma unidade importada servia como insumo para a produção de várias unidades do produto final. Matematicamente, esse fracionamento é refletido numa grandeza que a autoridade fiscal batizou de "Coeficiente Insumo x Produto", correspondente à razão que existe entre o número de unidades importadas e o número de unidades produzidas, sendo sempre menor que 1. Esse coeficiente, obtido através de uma "regra de três", permite redimensionar o preçoparâmetro obtido a partir de uma unidade do produto final, a fim de que ele se torne compatível (equalização de grandezas) com uma unidade importada, à qual corresponde o preço praticado. A correta aplicação desse coeficiente, para fins de adequação do preço parâmetro ao preço praticado, requer que o preçoparâmetro obtido a partir de uma unidade final produzida com apenas uma fração de uma unidade importada seja dividido pelo coeficiente. No caso em tela, a autoridade fiscal teria realizado, ao invés de divisão, multiplicação. Como resultado, os preçosparâmetro, que já eram fracionados, teriam se tornado ainda menores e causado distorções relevantes na apuração do PRL60 segundo a IN SRF n°243/2002. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.094 5 Mais além, questiona a inclusão no preço praticado dos custos de seguro, frete e impostos incidentes sobre as importações, tendo em vista que esses valores não estariam sujeitos aos limites de dedutibilidade impostos pelo art. 18, da Lei nº 9.430/96. Sustenta que essa inclusão não é condição para manutenção da comparabilidade entre preço praticado e preçoparâmetro pois, no caso do PRL20, naquele são agregados os custos totais e no preço parâmetro apenas 80% desse montante. Argumenta que o § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 aplicase igualmente a todos os métodos e que não faria sentido a inclusão das despesas de frete, seguro e impostos sobre a importação no caso do CPL; assim, conclui que mesmo que se visualizasse no artigo 18 da Lei n° 9.430/96 o estabelecimento de parâmetros de comparabilidade, a inclusão dessas despesas não seria uma solução válida para o intento de se equalizar as grandezas comparadas. Por fim, aduz que, na hipótese de não ser cancelado integralmente o ajuste calculado com base no método PRL60 aplicado segundo a IN SRF n° 243/2002, deverão prevalecer os ajustes calculados pela impugnante a partir do método PIC, englobando 16 produtos, conforme demonstrativo de fl. 544, obtido através das memórias de cálculo anexas (doc. 8). Isso porque a legislação vigente em 31/12/2004 (§ 4° do artigo 18 da IN 9.430/96) previa expressamente a necessidade de prevalência do método mais benéfico ao contribuinte. Como os cálculos do PRL60 segundo a IN/SRF n° 243/2002 aplicado à apuração dos preços de transferência da impugnante somente mediante lavratura do Auto de Infração, os ajustes lastreados no PIC, que não eram mais favoráveis que aqueles baseados no PRL60 aferido segundo a Lei n° 9.430/96, passaram a sêlo. A Delegacia de Julgamento deu provimento parcial ao recurso para acatar o argumento quanto à equívoco na utilização do método PRL60, no que se refere aos produtos utilizados fracionalmente. Dessa parte da decisão, o Órgão julgador recorreu de ofício. Cientificada da decisão, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.095 6 Voto RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício trata do alegado equívoco cometido pela autoridade lançadora na utilização do método PRL60, nas situações em que o produto importado é usado de forma fracionada no produto final. A questão fática foi bem explicada na peça impugnatória, motivo pelo qual transcrevo trechos da defesa: Ao elaborar suas memórias de cálculo para a aplicação do PRL60 de acordo com a IN243, a Autoridade Fiscal se deparou com produtos que sofriam fracionamento quando da produção de uma unidade acabada. Nesses casos, a unidade importada (por exemplo, lkg) não se incorpora integralmente à unidade do produto final (por exemplo, apenas 0,2kg incorporamse à unidade do produto final). Por outras palavras, em situações como essas, uma unidade importada servia como insumo para a produção de várias unidades do produto final. Matematicamente, o fracionamento acima referido é refletido numa grandeza que a própria Autoridade Fiscal batizou de "coeficiente insumo x produto" ("Coeficiente"). Ou seja, é a razão que existe entre o número de unidades importadas e o número de unidades produzidas. Não é preciso dizer que, diante do fracionamento de insumos, o Coeficiente é sempre menor que 1 (O<C<1). O Coeficiente desempenha um importante papel. E ele que permite redimensionar o preçoparâmetro obtido a partir de uma unidade de produto final a fim de que ele se torne compatível (i.e. envolva uma grandeza de mesma magnitude) com uma unidade importada, à qual corresponde o preçopraticado. Como exemplo, se uma unidade de produto importada ao ser fracionada permite a produção de 5 unidades de um produto final, o preço praticado corresponderia a cinco partes da unidade importada enquanto o preço parâmetro a apenas uma parte, pois obtido a partir de uma unidade do produto final. O coeficiente no caso é 0,2. Continua a impugnante: Como se pôde demonstrar, a correta aplicação do Coeficiente, para fins de adequação do preçoparâmetro ao preçopraticado (equalização de grandezas) requer que o preçoparâmetro obtido a partir de uma unidade final produzida com apenas uma fração de uma unidade importada seja dividido pelo Coeficiente. A seguir, indica o que seria o erro cometido: No caso em comento, certamente por lapso, a Autoridade Fiscal trocou o sinal da operação aritmética quando da aplicação do Coeficiente, realizando, ao invés de divisão, multiplicação. Como resultado, os preçosparâmetro, que já eram fracionados, se tornaram ainda menores. Essa dupla "proporcionalização" ocasionou Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.096 7 distorções relevantes na apuração do PRL60 segundo a IN243, e, portanto, resultou na aferição de ajustes de preço de transferência insubsistentes. O raciocínio do sujeito passivo nessa questão está correto. Caberia apenas verificar se efetivamente a autoridade fiscal cometeu o equívoco suscitado. O erro foi confirmado pela decisão de primeira instância, que refez os cálculos na forma correta e obteve os mesmos resultados do sujeito passivo que foram então considerados, exceto em algumas situações onde o ajuste correto implicou em valores maiores do que o apurado pelo Fisco. Nesse caso, pela impossibilidade de agravamento da exigência inicial, prevaleceu a apuração fiscal. Entendo que a primeira instância julgadora apreciou a questão de forma irretocável, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO A linha argumentativa principal do sujeito passivo dirigese ao fato do Fisco, diferentemente da interessada, na aplicação do método PRL60 para ajuste de preços de transferência ter seguido as orientações estabelecidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 243/2002. Defende a obediência exclusivamente as disposições da Lei nº 9.430/96 pois segundo alega a IN, sendo norma secundária, revestese de ilegalidade ao promover majoração da base de cálculo do tributo e inovado na metodologia de cálculo do ajuste. Assim, devese verificar se de fato ocorreu essa majoração ou inovação. No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.097 8 Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando em aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00– 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.098 9 Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.099 10 Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.100 11 Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.101 12 Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, em ajuste maior. No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3ª Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal cofirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.102 13 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.103 14 efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 seria a correta e a única possível. Do até aqui exposto, entendo que a fiscalização agiu com correção na apuração dos ajustes que implicaram na formalização da exigência. O argumento quanto à necessidade de dedução integral dos valores anteriormente adicionados não merece prosperar. De fato, a recorrente adicionou ao resultado o valor de R$ R$ 6.162.601,57 como ajuste de preços de transferência. Esse valor poderia estar Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.104 15 incluído no ajuste apurado pelo Fisco, o que implicaria em ser deduzido integralmente nos moldes suscitados. Entretanto o contribuinte não logrou demonstrar a quais produtos se referia o ajuste por ele informado. Nesse aspecto, a omissão começou na DIPJ pela ausência das Fichas indicativas e continuou ao longo do procedimento fiscal. Não há como saber se o ajuste abrange os mesmos produtos da apuração fiscal. Nessas condições, se a informação não foi prestada corretamente na DIPJ não cabe suscitar a obrigação do Fisco em levantar os dados. Na hipótese dos autos o ônus é do sujeito passivo. Assim, correta a Fiscalização em acolher apenas os valores que comprovadamente referemse a produtos identificados em ambos os ajustes. No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço parâmetro, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada na IN/SRF 242/2002. A alegação interpretação do Fisco que confirmaria a tese da recorrente teve como base decisão proferida sob a égide da IN/SRF 38/97 que, por ocasião do procedimento fiscal, já havia sido substituída pela IN/SRF nº 243/2002. Além disso, não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000104/200935 Acórdão n.º 1402001.418 S1C4T2 Fl. 1.105 16 frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (......) No que se refere à utilização do método PIC, os argumentos nesse sentido só foram trazidos em sede de impugnação. Não há qualquer dispositivo normativo que obrigue o Fisco a proceder da forma suscitada pela recorrente, ainda mais quando instaurada a fase litigiosa. De fato, a opção do sujeito passivo não é irretratável. Constatada por ele a inadequação do método adotado, retifiquese a DIPJ com os valores que se entendam corretos. Entretanto, pela influência no resultado tributável não se pode aceitar que essa alteração ocorra após iniciada a ação fiscal, pois iria de encontro à legislação tributária. Assim, o equívoco cometido pela recorrente na apuração, e levantado na ação fiscal, não poderia dar azo à posterior mudança do método. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10283.001211/92-59
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL - DECORRÊNCIA - Tratando-se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo
matriz se projeta no julgamento do processo
decorrente, recomendando o mesmo tratamento, dada
a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao
outro.
Numero da decisão: 102-30.375
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Waldevan Alves de Oliveira
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VITOPAN PANIFICADORA E CONFEITARIA LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 1995 ANTONIO DE REITAS DUTRA - PRESIDENTE \ WALDEVAN AL . LE OLIVEIRA - RELATOR -.------- . IDEI ; Ii i-- • -LL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Ursula Hansen, Júlio César Gomes da Silva, Maria Clélia de Andrade Figueiredo, José Clóvis Alves, Sueli Efigência Mendes de Britto e José Carlos Passuello. MINISTÉRIO DA FAZENDA 02 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10283/001.211/92-59 RECURSO N°: 82.795 ACÓRDÃO N°: 102-30.375 RECORRENTE: VITOPAN PANIFICADORA E CONFEITARIA LTDA RELATÓRIO VITOPAN PANIFICADORA E CONFEITARIA LTDA, empresa sediada na cidade de Manaus, Estado do Amazonas, na guarda do prazo regulamentar, recorre a este Conselho do ato do titular da DRF daquela cidade, que, indeferindo a sua impugnação, manteve o lançamento ex officio em sua declaração de rendimentos, apresentada para o exercício de 1990, ensejando a cobrança do imposto no valor correspondente a 687,54 UFIR, acrescido da multa de 50% e demais encargos legais. Iniciou-se o procedimento em decorrência da ação fiscal levada a efeito contra a pessoa jurídica, culminando com a lavratura do auto de infração de fls. 01. Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação tempestiva às fls. 17/18, representada por cópias da defesa apresentada no processo principal. A decisão da autoridade julgadora de primeira instância foi proferida às fls. 115, concluindo pelo deferimento parcial da impugnação, cujos fundamentos se acham consubstanciados na seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL - REFLEXO - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz constitue prejulgado aplicável no julgamento do processo decorrente, em razão da relação de causa e efeito que vincula um ao outro." Não se conformando com a decisão retro, a empresa interpôs recurso a este Conselho às fls. 119/120, cujas razões são lidas na íntegra em sessão. É o relatório. \\NS MINISTÉRIO DA FAZENDA 03 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10283/001.211/92-59 Acórdão N° 102-30.375 VOTO Conselheiro Waldevan Alves de Oliveira, Relator: A matéria submetida ao julgamento desta Câmara decorre de lançamento ex officio levado a efeito contra a pessoa jurídica, processo matriz, relativamente a imposto de renda, resultando daí o lançamento decorrente nos termos do auto de infração de fls. 01. Trata-se, portanto, de lançamento reflexivo, do conhecimento da recorrente, revelado em sua peça impugnatória e bem assim em seu recurso onde insiste na vinculação deste processo ao julgamento do processo principal. Ocorre, todavia, que o recurso interposto pela pessoa jurídica, a propósito do imposto de renda foi objeto de julgamento por esta Câmara, em sessão de 05.05.93, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, conforme faz certo o Acórdão N° 102-28.188. Destarte, em se tratando de lançamento decorrente, a decisão proferida nos autos do processo principal se projeta neste processo reflexivo, recomendando o mesmo tratamento, dada a íntima relação de causa e efeito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Brasília - DF., 1 d novembro de 1995 Waldevan AlJé liveira - RelatorII' ' --- \ " -- — -- Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10920.003709/2003-90
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002, 2003
AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS E CONTABILIZADOS. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS..
Verificado nos autos que a empresa não comprova haver erro na apuração dos valores tributados ex officio, mantém-se o lançamento tributário .
AUTUAÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO.
Verificado nos autos que os valores dos tributos lançados ex officio não foram incluídos em parcelamento, estes são exigíveis com os acréscimos legais, consoante lavrados os Autos de Infração.
DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. ENTREGUE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33)
RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO.
O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilha não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas.
RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
Numero da decisão: 1801-001.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS E CONTABILIZADOS. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS.. Verificado nos autos que a empresa não comprova haver erro na apuração dos valores tributados ex officio, mantém-se o lançamento tributário . AUTUAÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO. Verificado nos autos que os valores dos tributos lançados ex officio não foram incluídos em parcelamento, estes são exigíveis com os acréscimos legais, consoante lavrados os Autos de Infração. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. ENTREGUE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33) RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilha não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
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DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS E CONTABILIZADOS. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS.. Verificado nos autos que a empresa não comprova haver erro na apuração dos valores tributados ex officio, mantémse o lançamento tributário . AUTUAÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO. Verificado nos autos que os valores dos tributos lançados ex officio não foram incluídos em parcelamento, estes são exigíveis com os acréscimos legais, consoante lavrados os Autos de Infração. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. ENTREGUE APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33) RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilha não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 37 09 /2 00 3- 90 Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Este litígio foi objeto da Resolução nº 180100.064, deliberada em 03 de agosto de 2011, fls. 1077 a 1080, pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos: “A empresa em epígrafe foi autuada a recolher IRPJ, no valor total de R$ 501.984,97, incluída a multa de ofício regular e juros moratórios, relativo a diferenças constatadas entre os valores pagos / declarados em DCTF e aqueles escriturados na contabilidade (Lalur), nos anoscalendários de 1998, 2000 (Lucro Real Anual), 2º, 3º e 4º trimestres de 2001, 1º, 3º e 4º trimestres de 2002 e 1º e 2º trimestres 2003. O procedimento fiscal teve início por causa de uma representação oriunda da Procuradoria da República em face a supostos ilícitos tributários previdenciários. Constatou a fiscalização, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls. 59 a 68 e Autos de Infração de fls. 69 a 82 que a empresa não efetuou qualquer recolhimento ou declaração em DCTF relativo aos anoscalendários de 2000 e 2001, e alguns pagamentos/declarações parciais para 1998 e 2002. O auditorfiscal assinalou que a empresa entregou diversas DCTF e DIPJ retificadoras após iniciado o procedimento fiscal, em 15/09/03, as quais foram desconsideradas, por excluída a espontaneidade da fiscalizada. A empresa apresentou a impugnação de fls. 85 a 87 argumentando, em suma: · a empresa aderiu ao PAES (Lei nº 10.684/03), em 31/07/03; · todos os débitos foram devidamente informados em DCTF ou DIPJ e automaticamente incluídos no PAES, conforme instruções da administração tributária; · assim desnecessária a autuação pois os débitos já estão confessados e parcelados, constituindo os lançamentos ficais em bis in idem; · a autoridade fiscal deveria ter observado as DCTF/DIPJ entregues após iniciado o procedimento fiscal e consideradoas, pois a orientação está na Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 03/03, em seu artigo 1º, inciso IV; Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.003709/200390 Acórdão n.º 1801001.506 S1TE01 Fl. 3 3 · os valores de tributos retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre as receitas tributadas ex officio não foram computadas pela fiscalização; · a fiscalização não deduziu os valores pagos a título de IRPJ durante os exercícios, nem aqueles pagos a título de Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) nos valores que constaram nas DIPJ; · os valores de PIS e Cofins levados à tributação nestes autos foram objeto de autuação nos processos administrativos nºs 3707, 3711, 3708 e 3712; se foram lançados de ofício, a despeito da ação judicial, não podem ser adicionados ao lucro real dos períodos, por constituírem efetiva despesa; considerar nas duas autuações é bis in idem. Aproveito trecho do relatório do acórdão ora combatido para historiar os seguintes fatos após a apresentação de impugnação: O fiscal autuante intimou a contribuinte a apresentar livro Diário e Razão e, após a análise dos referidos registros, foram elaboradas as planilhas de fls. 642/643 e, ao final, foram prestados os seguintes esclarecimentos: a) os valores do Auto de Infração em questão são originados de Verificações obrigatórias e lançados, portanto, com base na comparação entre os valores escriturados e os declarados em DCTF; b) na ocasião foram lançados todos os valores escriturados no LALUR que não houvessem sido declarados em DCTF; c) o contribuinte alegou, em sua impugnação ao lançamento, ter compensado os valores de IRPJ com créditos de fonte existentes em sua escrita contábil; d) no intuito de verificar o montante compensado em seus livros, intimamos a apresentálos, conforme documento de fls. 639 e640; e) a planilha de fl. 642 resume os registros contábeis do contribuinte extraídos dos livros razão de 1998, 1999, 2000, 2002 e 2003 e diário de 2001 (em 2001 o razão está imprestável em função das páginas 266 a 305 repetirem os registros das páginas 001 a 041, omitindo, desta forma, os registros das contas utilizadas na compensação de IRPJ); f) a planilha de fl. 643 registra os valores devidos (conta IRPJ a pagar — 0064.00001) e os compensados nas contas do ativo de onde se originaram os créditos (denominação no plano de contas, fl. 644), retratando a real situação; Como resultado, os créditos de imposto retido na fonte estão escriturados e são compatíveis com os documentos de fls. 596 a 636; as compensações de imposto retido com o IRPJ devido estão escrituradas de acordo com a planilha de fl. 643. (grifos não pertencem ao original) Às fls. 646 e seguintes a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR exarou o Acórdão nº 0618.391/08, mantendo integralmente os lançamentos tributários. Tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A recorrente apresentou, por email, para juntada em memorial, uma petição argüindo a adesão ao REFIS IV – Parcelamento regrado pela Lei nº 11.941/2009, acompanhada de dois recibos eletrônicos de declaração de inclusão de débitos respectivos. Os documentos foram juntados eletronicamente (eprocesso) e foram numerados de 1083 a 1084, no processo físico. Na ocasião, esta 1ª Turma Especial resolveu converter o julgamento na realização de diligência, conforme o seguinte voto: “Em vista da precariedade do memorial apresentado, e em face à ausência de demonstrativo anexo aos recibos apresentados que inequivocamente comprovem estarem os débitos tributários objetos deste processo incluídos no retro mencionado parcelamento, converto o julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição da recorrente verifique a efetiva desistência do recurso interposto. Havendo a inclusão dos débitos objetos deste processo no parcelamento, este processo restará extinto por ausência de matéria litigiosa, devendo ser encaminhado ao arquivo, conforme providências de praxe. Não se constatando a efetiva desistência integral do recurso interposto deverá ser informado neste qual a matéria ainda litigiosa sobre a qual este órgão deverá se manifestar em julgamento e, então, devolvido a esta relatora.” Em resposta à diligência solicitada, foi esclarecido que os débitos pertinentes a este litígio não foram incluídos em parcelamento especial pela recorrente, nos termos: “Não foi encontrado nesta Delegacia nenhum documento de desistência de recurso interposto para os débitos do presente processo, não havendo alteração da matéria litigiosa. Consultado o sistema, verificamos que a empresa não entrou com pedido de revisão de débitos da Lei 11.941/2009. A empresa mantem o parcelamento PAES, ativo, com débitos diversos, porém, relativos aos processos 10920451792/200491 e 10920452460/200423.” Cientificada a recorrente do despacho de efls. 1094, não se manifestou. Cumpre, portanto, analisar as razões recursais. A recorrente argumenta que: 1. aderiu ao PAES – instituído pela Lei nº 10.684/2003; 2. todos os débitos da recorrente estavam informados em DCTF e por conseqüente estão automaticamente inseridos no PAES; 3. a fiscalização deveria ter admitido as DIPJ e DCTF retificadoras apresentadas após o início dos procedimentos fiscais, consoante dispõe o artigo 1º, inciso IV da Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 3/2003; 4. os débitos da recorrente, constituídos ou não, incorridos até 02/2003 foram incluídos no parcelamento referido quando a recorrente fez a sua adesão em 31/07/2003; 5. esclarece que o início da fiscalização ocorreu em 15/09/2003 e encerrouse em 08/12/2003 e, como aderiu ao PAES em 31/07/2003, Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.003709/200390 Acórdão n.º 1801001.506 S1TE01 Fl. 4 5 antes da lavratura do Auto de Infração, este é descabido, bem como a multa de ofício exigida em face da denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional); 6. não se pode exigir os mesmos tributos no parcelamento e no Auto de Infração, sob pena de exigirse bis in idem; 7. a autoridade fiscal não deduziu os valores de IRRF sobre as receitas omitidas e autuadas; 8. os valores de PIS e Cofins foram considerados na base de cálculo do IRPJ e CSLL, mas também foram objeto de autuação em outros processos, não podendo ser exigidos bis in idem; 9. os valores destas contribuições deveriam ter sido deduzidos da base de cálculo do IRPJ e CSLL ora exigidos. É o suficiente ao relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio repousa no fato de a recorrente entender que todos os seus débitos tributários, constituídos ou não, foram incluídos no regime de parcelamento especial – PAES de forma automática, pela apresentação de DCTF e DIPJ. Preliminarmente, observase que a autuação em debate versa sobre o lançamento tributário de IRPJ relativo aos anoscalendários de 1998 a 2003 em razão da verificação de diferenças entre os valores declarados em DCTF pela recorrente (originais) e aqueles escriturados na contabilidade da empresa. De pronto, registro que somente as primeiras declarações entregues antes do início do procedimento são as que surtem todos os efeitos para fins tributários, sendo inócuas as demais. Assim já assentou o entendimento este órgão colegiado: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Assinalo que, em se tratando de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Em segundo plano, cumpre esclarecer que nenhum dos débitos tributários cobrados no presente litígio foram incluídos em quaisquer parcelamentos realizados pela recorrente junto ao fisco. Os débitos parcelados que existem referemse a outros processos administrativos 10920451792/200491 e 10920452460/200423. Destarte, os tributos exigidos pelos Autos de Infração objetos do presente litígio não foram parcelados, como a recorrente veemente argúi. E as declarações – DIPJ e DIRF – retificadoras entregues após o início do procedimento fiscal não surtem efeitos para fins tributários, restando excluída a espontaneidade do contribuinte, consoante remansosa e vasta jurisprudência deste órgão colegiado. As contestações da recorrente que partiram destas equivocadas premissas, não podem prosperar, mantendose o decidido no acórdão guerreado. Passase a apreciar as demais razões contestatórias explanadas no Recurso Voluntário, que podem ser dissociadas do raciocínio acima. Os valores de impostos de renda retidos pelas fontes pagadoras não foram computados na autuação, alega a recorrente. Conforme relatado, a Turma Julgadora de Primeira Instância devolveu os autos à fiscalização para que se procedessem às verificações na contabilidade da recorrente se os valores dos IRRF incidentes sobre os valores escriturados e não pagos, matéria deste litígio, foram ou não considerados na autuação fiscal – fls. 638. Às fls. 645 a autoridade fiscal responsável pela realização das verificações concluiu, com fulcro nos Livros Razão (1998, 1999, 2000, 2002 e 2003) e Diário (2001) apresentados pela recorrente, que os valores de IRRF condizentes com os valores escriturados foram aproveitados pela recorrente – planilhas às fls. 642 e 643. Repriso a conclusão, para afastar dúvidas: “Como resultado, os créditos de imposto retido na fonte estão escriturados e são compatíveis com os documentos de fls. 596 a 636; a compensação do imposto de renda retido com o IRPJ devido estão escrituradas de acordo com a planilha de fl. 643.” Por conseguinte, não há reparos a fazer no lançamento tributário neste concernente. A recorrente requer que as autuações relativas a PIS e Cofins sejam canceladas em vista de haver outros processos administrativos para a exigência dos mesmos valores. Ainda no que se refere a estas contribuições, a recorrente insurgese contra o fato de os valores incluídos no cálculo do IRPJ não haverem sido deduzidos na autuação. Estas matérias não podem ser apreciadas neste julgamento porque são totalmente estranhas aos presentes autos, que cuidam de apreciar lançamento tributário somente de IRPJ, cuja matéria é meramente a divergência entre os valores escriturados na contabilidade e aqueles informados originalmente em DCTF, pela própria recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.003709/200390 Acórdão n.º 1801001.506 S1TE01 Fl. 5 7 Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11020.003651/2005-52
Data da sessão: Fri Mar 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 3° Trimestre de 2005
COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO. MANUTENÇÃO. RESSARCIMENTO.
São passíveis do ressarcimento previsto no art. 5°, Ida Lei n° 10.833/03 os créditos de COFINS apurados em relação às despesas de manutenção de máquinas e equipamentos desde que não agregados ao ativo imobilizado.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO MANUTENÇÃO. RESSARCIMENTO.
São passíveis do ressarcimento previsto no art. 5º, I da Lei n° 10.833/03 os créditos de COFINS apurados em relação às despesas com a aquisição de combustíveis empregados no processo produtivo de mercadorias.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. PROVA
Incabível ressarcimento de créditos cujas aquisições dos insumos pertinentes não sejam comprovadas documentalmente pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-00.360
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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CRÉDITO. MANUTENÇÃO. RESSARCIMENTO. São passíveis do ressarcimento previsto no art. 5°, Ida Lei n° 10.833/03 os créditos de COFINS apurados em relação às despesas de manutenção de máquinas e equipamentos desde que não agregados ao ativo imobilizado. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO MANUTENÇÃO. RESSARCIMENTO. São passíveis do ressarcimento previsto no art. 5 0, I da Lei n° 10.833/03 os créditos de COFINS apurados em relação às despesas com a aquisição de combustíveis empregados no processo produtivo de mercadorias. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. PROVA Incabível ressarcimento de créditos cujas aquisições dos insumos pertinentes não sejam comprovadas documentalmente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Qcoai:j._y_7 Walber José da Silv a PresidentePresidente \ô" il nOct? .G rjãe :arreto — Relator EDITADO EM: O /04/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo Garrossino. Barbieri e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o Conselheiro Alexandre Gomes. Relatório A contribuinte requereu à Secretaria da Receita Federal do Brasil sediada em Caxias do Sul a restituição dos créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, sobre os insumos utilizados para a industrialização de produtos destinados ao exterior no valor de R$ 156.530,69 concernentes ao período de apuração do 30 Trimestre de 2005. Todavia, o delegado da Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul entendeu, em sua decisão, haver o contribuinte ter direito parcial em pleitear a restituição dos referidos créditos, em parte porque os documentos apresentados não seriam suficientes para comprovar os valores pleiteados no pedido de ressarcimento, desconsiderando assim certas operações de transporte e em parte por entender não serem passíveis legalmente créditos decorrentes da aquisição de determinados insumos aplicados diretamente na atividade fabril. Desta forma, ocorreu o deferimento parcial do pedido interposto pelo contribuinte, tendo sido este autorizado ao ressarcimento/compensação do valor de R$ 106.830,21. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade cumulada, visando a ter reconhecido direito a creditar-se de valores referentes a despesas que poderiam ser caracterizadas como insumos, considerada a sistemática de apuração de créditos da não-cumulatividade do Pis e da Cofins, assim como de gastos relativos à contratação de serviços de transporte, aqueles que a fiscalização entendeu que não foram efetivamente comprovadas pelo interessado. Requereu o acolhimento de suas razões, a reforma da decisão recorrida e a homologação da compensação solicitada. Às fls. 324/327; os membros da r Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferiram a solicitação por entenderem haver vedação legal para o creditamento de Pis e Cofins relativos a valores referentes às despesas que não podem ser caracterizadas diretamente como insumos utilizados diretamente na produção das mercadorias exportadas. Sustentaram que as despesas glosadas, referentes à aquisições de gás para uso nas empilhadeiras e óleo/filtros destinados a manutenção das máquinas e equipamentos não seriam gastos diretos, ou insumos diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, razão pela qual não haveria como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios. A contribuinte, às fls. 332/341, apresentou Recurso Voluntário alegando que as despesas aqui seriam insurnos dentro do conceito da legislação de regência, defendendo a possibilidade de creditamento destas despesas. Ademais, argumentou que não haveria o que se falar em documentação inidônea apresentada pela recorrente, nem mesmo insuficiência de 2 Processo n° 11020.003651/2005-52 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00360 Fl. 352 provas, pois todos os documentos exibidos estariam aptos a comprovar o direito do recorrente à exclusão dos valores da base de cálculo da contribuição para a Cotins. É relatório. Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, por esta razão, dele conheço. Primeiramente, impende observar que em relação aos créditos oriundos da contratação de serviços de transportes, o contribuinte não juntou aos autos provas necessárias para a sua comprovação. Quanto aos créditos referentes à aquisição de gás para o uso nas empilhadeiras e óleo/filtros destinados à manutenção, entendo que o ressarcimento requerido pelo contribuinte encontra-se previsto no § 1 9 do art. 59 da Lei n9 10.637/02, o qual dispõe que: Art. 544 contribuição para o P1S/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa jisica ou jurídica residente ou domiciliado no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) 111 - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § P Na hipótese deste artigo, a pessoa jun'dica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3 2 para fins de: (grifei). 1- dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § r A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no áç 1 2̀, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria. Ademais o art. 3 9 da Lei n9 10.637/02 em seu § 30 dispõe sobre a forma de apuração dos créditos acima previstos: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 7 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ‘1111 § 3O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (grifei). - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (grifei). Desta forma, com base na legislação acima disposta, fica evidente a possibilidade de tomada de crédito e seu conseqüente ressarcimento em sendo decorrente de custos e despesas pagas pela empresa exportadora. Esse é o entendimento da Receita Federal do Brasil, manifestado em Consultas formuladas por contribuintes, dentre as quais cito: 7a. REGIÃO FISCAL — DRFs: Rio de Janeiro, Campos de Goitacazes, Niterói, Nova Iguaçu, Volta Redonda, Vitória. Solução de Consulta n°69, de 18 de março de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Gofins COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MATERIAL DE SEGURANÇA. Os valores referentes a serviços prestados para manutenção de máquinas empregadas diretamente na produção de bens destinados à venda, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins, desde que atendidos os demais requisitos normativos e legais pertinentes. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n°10.833, de 2003, art. 3'; 1NSRF n° 404, de 2004, arts. 8° e 9°. Solução de Consulta n°93, de 3 de abril de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins CRÉDITOS. PRODUÇÃO DE BENS. INSUMOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. Para efeito do inciso II do art. 3° da Lei n°10.833, de 2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Portanto, as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à , venda, pagas a pessoa jurídica domiciliaria no Pais, a partir de 1° de _s°1 çç, 4 Processo n°11020.003651/2005-52 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00360 F/. 353 fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que tais partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n° 10.833, de 2003, arts. 3°, IX, 15, II e 93, I; Lei n°10865, de 2004, art. 15; e IN SRF n° 404, de 2004. 60 Região Fiscal— Solução de Consulta n° 39, de 22 de abril de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o P1S/Pasep EMENTA: Na atividade de extração e beneficiamento de minério de ferro para venda, as despesas com aquisição de partes e peças, serviços de manutenção e combustíveis e lubrificantes aplicados em máquinas, veículos e equipamentos utilizados na extração e no beneficiamento de minério de ferro destinado à venda geram direito à apuração de crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep no regime de incidência não- cumulativa, desde que as partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei n°10.637, de 2002, art. 3°, II; IN SRF n°247, de 2002, art. 66, § 5°; IN RFB n° 740, de 2007, art. 12. Ademais entende O Ilustre Conselheiro Walber José da Silva que em se tratando de empresa industrial o crédito de COFINS ao se restringe aos insumos empregados diretamente na produção, mas sim a todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado, apurados na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.637/02, são passíveis de ressarcimento. Afirma nesse sentido, no Recurso Voluntário n° 142.582 que: "Nesse passo, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos das matérias-primas, produto intermediário ou do material de embalagem empregados diretamente no processo produtivo dos produtos exportados podem ser ressarcidos. Todos os custos incorridos e necessários ao auferimento da receita de exportação, desde que gere crédito na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.637/02, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto nos parágrafos 12 e 22 do art. 52 da Lei n2 10.637/02 e regulamentado pelos arts. 21 e 22 da IN 512F n° 460/2004, abaixo reproduzidos com a redação original." Prossegue: "Neste sentido, temos que a despesa que gera crédito de COFINS, é apenas aquela vinculada à receita de exportação, já que é apenas isso que a lei ,,\,:t-';')\\ 5 exige. Ou seja, todos os custos incorridos e necessários para gerar a receita de exportação pode ser objeto de pedido de ressarcimento, conforme os parágrafos 12 e 22 do art. 52 da Lei n2 10.637/02 e os arts. 21 e 22 da 1N SRF n°460/2004, transcritos a seguir. Todavia, cabe observar, que estes créditos devem ser gerados na forma prevista no art. 3 2 da Lei n9 10.637/02. Art. 21. Os créditos da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cotins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa fisica ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, que não puderem ser deduzidos na forma do inciso Ido § 1° do art. 5° da Lei n°10.63 7, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso 1 do § 1° do art. 6° da Lei n°10,833, de 29 de dezembro de 2003, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. (grifei,). (-) Art. 22. Poderão ser objeto de ressarcimento os créditos da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cofins a que se refere o art. 21 que, ao final de um trimestre do ano civil, remanescerem na escrita contábil da pessoa jurídica após efetuadas as deduções e compensações cabíveis. Impele citar novamente Walber José da Silva, o qual entende qu 'e a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. Ou seja, a despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. No caso em tela, as despesas com a aquisição de gás para uso nas empilhadeiras e óleo/ filtro destinado a manutenção são custos destinados a produção, estando, portanto, vinculadas ao produto exportado. Assim sendo, os gastos necessários para a realização do processo produtivo, estão vinculados à receita de exportação, podendo, portanto, serem ressarcidos. Desta forma, o recorrente tem direito ao ressarcimento dos créditos de PIS relativos aos dispêndios vinculados à receita de exportação, quais sejam: aquisição de gás para uso nas empilhadeiras e óleo/filtro destinado à manutenção, cujo crédito seja autorizado pelo art. 32 da Lei n2 10.637/02. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial à pretensão da recorrente, para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos do COFINS relativas a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, negando-lhe a pretensão quanto às despesas não efetivamente comprovadas noa autos do processo. ./7 Çjr\ A , Gil- o twit to ,-/-7/ 6
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Numero do processo: 10410.007994/2007-00
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 01/07/2007
DEPÓSITO RECURSAL. EXIGÊNCIA EXTINTA POR LEI. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA EM RAZÃO DA FALTA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL. INOCORRÊNCIA. AUTO QUE EXIGE A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO INVÉS DE MULTA. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO. DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reconhecendo a ocorrência da decadência até a competência 10/2002, devendo estas serem excluídas do crédito.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 01/07/2007 DEPÓSITO RECURSAL. EXIGÊNCIA EXTINTA POR LEI. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA EM RAZÃO DA FALTA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL. INOCORRÊNCIA. AUTO QUE EXIGE A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO INVÉS DE MULTA. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO. DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, reconhecendo a ocorrência da decadência até a competência 10/2002, devendo estas serem excluídas do crédito. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 79 94 /2 00 7- 00 Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007994/200700 Acórdão n.º 2803002.785 S2TE03 Fl. 340 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 37.115.0671, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte, referente a parte descontada dos trabalhadores empregados, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada a estes, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 129 a 134. O contribuinte tomou ciência da notificação, em 26/11/2007, Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 270 a 285, recebida, em 26/12/2007, estando acompanhada dos documentos, de fls. 286 a 293. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 294 e 295. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1122.661 7ª Turma da DRJ/REC, em 12/06/2008, fls. 296 a 301, no qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 21/08/2008, AR, fls. 307. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 310 a 323, recebido, em 22/09/2008, acompanhado dos documentos, de fls. 324 a 335, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminares. · que a recorrente em petição apartada do recurso alega a inconstitucionalidade do depósito recursal e pugna pelo conhecimento e encaminhamento do recurso ao órgão julgador; · que ocorreu ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa, pois não se pode determinar qual a fundamentação para a aplicação da multa, não estando especificado no Auto de Infração qual o dispositivo que sustenta a multa, não estando tal dispositivo apresentado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, sendo que a indicação genérica fere o direito de defesa, bem como ofende a Lei nº 9.784/99, estando o auto eivado de vício formal; Mérito. · que o prazo decadencial de cinco anos não foi respeitado, devendo ser considerados fulminados pela decadência os fatos geradores anteriores ao mês de novembro de 2002; Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007994/200700 Acórdão n.º 2803002.785 S2TE03 Fl. 341 3 · que na seara tributária vige o princípio da legalidade estrita, sendo que apenas a lei pode cominar penalidade para ações ou omissões contrarias ao direito, porém o fisco culminou a recorrente multa com base na Portaria Nº 142/2007 com base no artigo 373, do Decreto 3.048/99, não sendo possível a instituição de multa por ato administrativo – portaria; · que a recorrente se submete a retenção de onze por cento do valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, não podendo o agente fiscal desconsiderar esta situação, pois ao não apropriar tais valores permite que lançamentos indevidos sejam feitos em face da recorrente, sendo anexados aos autos o demonstrativo de notas fiscais (doc.03), comprovando de forma inafastável a invalidade do lançamento; · que o auto foi lavrado por ter deixado a recorrente de apresentar em algumas competências as folhas de pagamento, utilizando o agente fiscal a RAIS para determinar a base de cálculo, ocorre que a recorrente foi arrombada duas vezes, nos últimos três anos, a última em 15 de dezembro, sumindo diversos documentos, tendo a recorrente apresentado todos os documentos que estavam em sua posse e que apesar de analisar as folhas de pagamento, GFIP, GPS e outros o fiscal lavrou a atuação e aplicou multa pela suposta não apresentação de documentos, não buscando a administração a verdade material; · que não cabe a aplicação de multa, pois todos os documentos requeridos pela Administração foram apresentados; · Pede e requer ao final: a) reforma total do acórdão recorrido; b) reconhecimento da decadência e afastamento das competência por ela alcançados. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 338. Os autos foram remetidos ao Segundo Conselho e Contribuintes, fls. 338. É o Relatório. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007994/200700 Acórdão n.º 2803002.785 S2TE03 Fl. 342 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado Esclareço, inicialmente, que as alegações do recorrente em petição apartada, quanto a inconstitucionalidade do depósito recursal são despiciendas, tendo em vista que a MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008 revogou a exigência do depósito recursal. A recorrente está equivocada o presente lançamento trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, isto é, exige a contribuição social previdenciária, o tributo propriamente dito e não multa punitiva por descumprimento de obrigação acessória ou dever instrumental. Desta forma, ocorre divórcio ideológico entre o que contido nos autos e a tese de recursal. Além, disso a lei 9.784/99 não se aplica ao procedimento administrativo tributário, observese os arestos que transcrevo. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007994/200700 Acórdão n.º 2803002.785 S2TE03 Fl. 343 5 EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. . . . 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. . . . 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (grifo meu). No que se refere a decadência assiste razão a recorrente, em especial em razão da edição da Súmula Vinculante STF Nº 08/2008, verificase do relatório Discriminativo Sintético de Débito – DSD, de fls. 10 e 11, que o crédito e composto pelas competências 09/1997; 10/1997; 12/1997; 13º/1997; 03/1998; 06/1998; 07/1998; 09/1998 a 01/1999; 13º/1999; 13º/2005; 11/2006; 12/2006 e 06/2007, incluindo o 13°/1998. O lançamento foi efetuado em 26/11/2007, conforme Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 01. O Relatório Documentos Apresentados – RDA, de fls. 31 a 81, dá consta da existência de pagamento, ainda, que parcial para as competências 09/1997; 10/1997; 12/1997; 13º/1997; 03/1998; 06/1998; 07/1998; 09/1998 a 01/1999, assim nos termos da lei e da jurisprudência do STJ deve incidir a regra decadencial do artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66, veja a decisão. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007994/200700 Acórdão n.º 2803002.785 S2TE03 Fl. 344 6 a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. (o realce é meu). Destarte, retroagindo a data a cinco anos a partir do lançamento temse que o marco decadencial será 27/11/2002. Logo, todos os fatos geradores ocorridos até tal data estão decadente, assim sendo devem ser excluídas do lançamento as competências até 10/2002. Restam hígidas a cobrança das competências 13º/2005; 11/2006; 12/2006 e 06/2007. Como supramencionado o presente crédito, não traz lançamento de multa punitiva e sim a exigência da contribuição social previdenciária propriamente dita. Ocorre aqui, também, o chamado divórcio ideológico, basta ler o Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 129 a 134, do qual transcrevemos os trechos abaixo. 1.1. Este relatório visa a prestar os esclarecimentos necessários acerca da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD destinada a efetuar o lançamento de contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados, arrecadadas pelo sujeito passivo mediante desconto na remuneração dos segurados empregados, e não vertidas à Seguridade Social, constantes dos seguintes levantamentos: 1.3. Os créditos previdenciários constituídos destinamse: a) à Seguridade Social: • contribuições devidas pelos segurados empregados, arrecadadas pela empresa porém, não recolhidas à época própria. 1.4 Dispõe a Lei 8.212/91: Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, deforma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela. (Redação dada pela Lei 91032195) § I' Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. ( parágrafo único enumerado pela Lei 8.620193) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007994/200700 Acórdão n.º 2803002.785 S2TE03 Fl. 345 7 a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; A alegação de não utilização das retenções verificadas nas notas fiscais ou faturas não procede, pois após a aplicação da decadência restaram presentes nos autos apenas as competências 13º/2005; 11/2006; 12/2006 e 06/2007 e da observação do RDA anteriormente citado verificase que não há registro nos sistemas da receita de recolhimento para as citadas competências, não sendo possível apropriar o que não existe. Além disso, a empresa diz que anexou ao recurso o demonstrativo de notas fiscais (doc.03), contudo da análise dos autos não existe tal documento, o que inviabiliza qualquer verificação, sendo argumentação não comprovada, artigo 333, II, da Lei 5.869/73. A notificação em questão nada tem a ver com falta de apresentação de folhas de pagamento, mas como dito antes com a exigência de contribuição social previdenciária propriamente dita e não de multa, mais duas vezes se está diante de divórcio ideológico, sendo impertinentes e inadequadas tais alegações. Posto isto, não há razões fáticas ou jurídicas para se acatar as alegações da recorrente, salvo quanto a ocorrência da decadência parcial. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito darlhe provimento parcial, reconhecendo a ocorrência da decadência até a competência 10/2002, devendo estas serem excluídas do crédito. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11020.007812/2008-20
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR.
Deve ser anulado, por vício material, lançamento de crédito tributário decorrente de ato promovido por autoridade em desacordo com as regras previstas na Lei 9.784/99 e com os princípios da impessoalidade e da moralidade.
Numero da decisão: 1202-001.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues de Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippolito (Suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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PRELIMINAR. Deve ser anulado, por vício material, lançamento de crédito tributário decorrente de ato promovido por autoridade em desacordo com as regras previstas na Lei 9.784/99 e com os princípios da impessoalidade e da moralidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues de Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippolito (Suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 78 12 /2 00 8- 20 Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.806 2 Relatório Tratase de Auto de Infração consubstanciado em lançamentos a título de Imposto de Renda – Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de ofício (75%) e juros pela taxa Selic, referente aos anoscalendários de 2003 e 2004, que decorre do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 95, de 05 de dezembro de 2008 (fls. 1006), o qual declarou suspensa a imunidade da Recorrente, entre 01/01/2003 a 31/12/2007. A Recorrente é instituição de ensino denominada FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL, imune nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea V da Constituição Federal, c/c artigo 14 do Código Tributário Nacional. A autuação fiscal decorreu do mencionado Ato Declaratório, que promoveu a suspensão da imunidade e implicou na lavratura do presente Auto de Infração pela suposta falta de preenchimento dos requisitos necessários para a manutenção da imunidade, conforme alegações da D. Autoridade Fiscal, quais sejam: (i) Art. 14, inciso II do Código Tributário Nacional, o qual dispõe acerca da necessidade de as entidades imunes “aplicarem integralmente no País os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais”. Segunda a fiscalização, a Recorrente teria aplicado parcela de suas rendas em outra pessoa jurídica – Hotel Universidade S/A – pessoa jurídica de direito privado, com fins lucrativos. Além disso, teria efetuado aplicações de recursos em festivais de música e shows artísticos, bem como teria repassado valores mensais à Associação Clube Mães de Caxias do Sul e Associação de Músicos da Universidade de Caxias do Sul; teria comprado passagens internacionais para membros da Universidade, sem justificar o motivo de tais viagens e teria realizado jantar de confraternização ao Conselho Diretor; (ii) Art. 14, inciso I do CTN, que determina a impossibilidade de as pessoas jurídicas imunes “distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título”. Alegase que a Recorrente teria custeado seus diretores em viagens e jantares; e (iii) Art. 12, parágrafo 2º, alínea “a” da Lei nº 9.532/97, que veda a remuneração de diretores e conselheiros da Universidade; nesse ponto, a Fiscalização alega que a Recorrente teria remunerado os reitores, diretores, entre outros membros da Universidade. Tendo em vista esses supostos descumprimentos dos requisitos necessários à imunidade, foi emitido o Ato Executivo de Suspensão de Imunidade e lavrado o Auto de Infração de IRPJ, tendo sido apurados os valores com base no lucro arbitrado. Intimada da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação, pautada, em síntese, pelos seguintes fundamentos: (i) Nulidade do Auto de Infração por “falta do pressuposto processual da possibilidade jurídica”, visto que seria beneficiada pela isenção concedida pela Lei nº 9.532/97 e o ato de suspensão só se referiu à imunidade e, dessa forma, não poderia ter sido efetuado o presente lançamento; Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.807 3 (ii) Decadência do direito do Fisco de lançar, visto que os juros e multas foram calculados em relação a fatos geradores compreendidos entre 01/01/1997 a 21/01/1997; (iii) Nulidade da apuração pela sistemática do lucro arbitrado, visto que sua contabilidade seria revestida das necessárias formalidades legais; (iv) No mérito, alega que o Hotel Universidade possui objetivo institucional, sendo intrinsecamente ligado à Universidade, visto funcionar como uma forma de ensino aos estudantes de hotelaria, o que comprovaria que não teria desvirtuado suas atividades institucionais; (v) Quanto aos pagamentos referentes a shows, associação de músicos e Clubes das Mães, alega que se inserem na atividade de incentivo à cultura, prevista no estatuto e inserida entre os objetivos da Fundação; (vi) Os custeios de viagens de reitores e professores se relacionam com negócios e interesses da Fundação; (vii) O jantar de confraternização de final de ano é atividade utilizada por todas as empresas; (viii) Os pagamentos aos dirigentes da Fundação ocorrem, pois os mesmos são Reitores e ViceReitores, que também são professores, e o CARF já se manifestou sobre a possibilidade de remuneração de magistrados e Reitores, nos casos de imunidade; (ix) O Fisco estaria confundindo imunidade com isenção e tributando como se fossem sinônimos. Os autos foram encaminhados para julgamento na DRJPorto Alegre/RS, a qual houve por bem julgar improcedente a Impugnação, por maioria de votos, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2003, 2004. IRPJ. IMUNIDADE. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO. O não atendimento, pela entidade de educação, dos requisitos legais para gozo da imunidade, autoriza a suspensão do benefício, formalizada por meio de ato declaratório do Delegado da Receita Federal do Brasil. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. ALEGAÇÃO DE IRRETROATIVDADE DO ATO. IMPROCEDÊNCIA. Se a causa determinante do ato de suspensão de imunidade é o desvio de finalidade praticado pela instituição, o efeito de sua aplicação, por definição, é retroativo, vale dizer, retroage aos anoscalendário em que o desvio de finalidade tenha se verificado e perdura até o anocalendário em que a infração subsistir. IRPJ. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). Lançamento efetuado em 2008 pode abarcar fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.808 4 Anocalendário: 2003 e 2004. IRPJ. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LUCRO ARBITRADO. POSSIBILIDADE. Suspensa a imunidade tributária, por descumprimento do disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, é cabível o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante arbitramento do lucro quando a escrituração contábil não contém os elementos indispensáveis para a apuração do lucro real. IRPJ. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL. ART. 15 DA LEI Nº 9.532/1997. No tocante ao imposto de renda, nos termos do disposto no artigo 11 da Instrução Normativa SRF nº 113, de 1998, não se aplica às instituições educacionais de ensino superior o regime de isenção tributária, mas sim o regime de imunidade. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. A isenção de impostos e contribuições às entidades que aderirem ao PROUNI tem aplicação no período de vigência do termo de adesão. Em tendo a contribuinte aderido ao programa em ano posterior àqueles autuados, não faz jus ao benefício. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido.” Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, os mesmos argumentos utilizados na Impugnação e acrescentou uma preliminar de nulidade, sob o fundamento de ocorrência da suspeição do Delegado da Receita Federal de Caxias do Sul que lavrou o Ato Declaratório Executivo de Suspensão da Imunidade DRF/CXL nº 95/2008 que ensejou o presente Auto de Infração. Segundo a Recorrente, o mesmo é professor e membro do Conselho Curador da Universidade, comparecendo a reuniões periódicas e tratando de assuntos internos da Instituição. Os autos foram enviados a este Colegiado e, tendo sido designado Relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Foi verificada a presença dos requisitos autorizadores para a interposição do Recurso Voluntário, bem como sua tempestividade. Na sessão de julgamento, foi apresentado o relatório em questão, bem como foi levantado o argumento acerca da suspeição do Delegado da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul/RS, a título de preliminar. Como bem exposto na ocasião, por se tratar de matéria de ordem pública, a questão pode ser suscitada e analisada em sede de Recurso Voluntário, mesmo que não tenha sido objeto de discussão na Impugnação. Tendo em vista que as provas apresentadas aos autos não foram suficientes para convencimento desta Colenda Turma, foi proposta e aceita, por unanimidade, a conversão do julgamento em diligência para adoção das seguintes providências: (1) Confirmação se o Sr. Delegado Miguel Pletsch pertence ao quadro de professores da Fundação Universidade de Caxias do Sul; (2) Caso seja confirmada a informação acima, esclarecer desde quando o mesmo atua como professor da Universidade e sua remuneração mensal; (3) Confirmação se o Sr. Miguel Pletsch faz ou já fez parte do Conselho Curador da Fundação Universidade Caxias do Sul. Em caso de resposta afirmativa, informar o período em que ele integrava ou desde quando integra o Conselho Curador; e Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.809 5 (4) Informar se o Sr. Miguel Pletsch possui outra função dentro da Fundação Universidade de Caxias do Sul, além daquelas citadas acima. Em 26/08/2007 a Recorrente foi intimada a apresentar documentos que comprovassem ou trouxessem as informações determinadas na diligência. Aduziu a Recorrente em sua manifestação que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul/RS, Sr. Miguel Pletsch, na qualidade de professor da Universidade e membro do Conselho Curador, não provocou nenhum prejuízo direto à entidade. Entretanto, na condição de professor da Universidade de Caxias do Sul e membro do Conselho Curador da Recorrente Fundação, a melhor atitude/postura, inclusive frente às suas obrigações perante a Receita Federal do Brasil, seria a declaração de seu impedimento, evitandose a ligação direta e estreita com os procedimentos vinculados aos trabalhos de auditoria fiscal levados a efeito e que resultaram na suspensão da imunidade (por Ato Declaratório Suspensivo expedido pelo Sr. Miguel Pletsch), e, como consequência, na lavratura do Auto de Infração de IRPJ. (fls. 1450/1451). Também constou da manifestação da Recorrente que o Sr. Miguel Pletsch exarou o Ato Declaratório Executivo da DRF de Caxias do Sul nº 95/2007, tendo sido este um dos últimos atos na condição de Delegado da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, eis que ato contínuo foi destituído da função. Na mesma ocasião, a Recorrente declarou, às fls. 1458, que o Sr. Miguel Pletsch faz parte do quadro de professores da Universidade desde 03/04/1997. A Recorrente foi novamente intimada em 04/11/2013 para responder de forma direta acerca da participação – ou não do Sr. Miguel Pletsch no Conselho Curador da Fundação Recorrente, bem como para que fossem apresentadas cópias das atas de eleição do Conselho Curador. A Recorrente se manifestou em 12/11/2013 (fls. 1641) para informar que o Sr. Miguel Pletsch é professor da Universidade desde 1997 e foi membro do Conselho Curador no período de 2003 a 2008. Foram juntadas cópias das atas do Conselho Curador que comprovam a participação, como conselheiro, do Sr. Miguel Pletsch. Foi realizada nova intimação da Recorrente (fls. 1705 e 1706) para que esta apresentasse a Ata de reunião do Conselho Diretor em que ocorreu a eleição dos membros do Conselho Curador do período de janeiro a 10/11/2003. A Recorrente novamente se manifestou (fls. 1708 e seguintes) e juntou as cópias da ata de 11/11/2003, não tendo apresentado a Ata de Reunião do Conselho Diretor na qual foram eleitos os membros do Conselho Curador. Em nova intimação (fls. 1715/1717), a Recorrente foi novamente intimada a apresentar o aludido documento, intimação esta atendida em 20/01/2014. Na ocasião, a Recorrente apresentou a Ata nº 196 de Eleição dos membros do Conselho Curador, bem como a Ata nº 197 de Posse do Conselho Curador (fls. 1720/1726). Na Ata nº 196 da Reunião do Conselho Diretor ocorrida em 07/08/2000, entre outras questões submetidas à discussão, foram escolhidos os membros elegíveis do Conselho Curador da FUCS, ora Recorrente. Consta da Ata o seguinte: Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.810 6 “(...) Para encaminhar o processo eleitoral, foi proposto pelo Senhor Presidente que os Senhores Conselheiros apresentassem nomes para a votação. Foram apresentados pelos Senhores Conselheiros 16 nomes, e discutidos possíveis critérios, bem como a forma de votação. Ficou estabelecido que cada Conselheiro indicaria, em cédula especial e pela ordem, inicialmente cinco nomes para titular e após cinco nomes para suplente, observandose, em caso de empate, a ordem alfabética do primeiro nome. De imediato, foi procedida votação secreta, tendo sido indicados para titular pela ordem: Azir Nehme Simão – 8 votos, Miguel Pletsch – 7 votos; (...). Da mesma forma, cada Conselheiro votou em cédula própria registrando os nomes para suplentes: (...). (Destacamos) Na Ata nº 197 da Reunião do Conselho Diretor de 05/09/2000, restou consignada a posse dos novos membros titulares do Conselho Curador, in verbis: “Aos cinco dias do mês de setembro do ano de dois mil, às dez horas, reuniuse o Conselho Diretora da Fundação Universidade de Caxias do Sul em sessão ordinária, presidida pelo seu Presidente, Professor Ruy Pauletti, com a presença dos seguintes Conselheiros: Dirceu Luiz Manfro Ramos, Marisa Virgínia Formolo Dalla Vechhia (...) Miguel Pletsch (...), convidados os dois primeiros para prestigiar a posse dos novos Conselheiros do Conselho Curador, e os demais, para serem empossados como membros daquele Conselho. (...). Na sequência, o Senhor Presidente encaminhou o item I da Pauta 1) Posse dos membros titulares e suplentes do Conselho Curador da FUCS. Para tal solicitou a LEITURA do Termo de Posse nº 63, referente aos membros elegíveis do Conselho Curador da Fundação Universidade de Caxias do Sul. Procedida a leitura e assinado o Termo de Posse, o Senhor Presidente solicitou ao Conselheiro Perini que saudasse os novos Conselheiros. (...)” (Destacamos) O Termo de Posso nº 63 foi acostado às fls. 1.726 destes autos, no qual se verifica a posse do então Conselheiro Sr. Miguel Pletsch: “Aos cinco dias do mês de setembro do ano de dois mil, às dez hora e quinze minutos, na Sala de Reuniões dos Conselhos da Universidade de Caxias do Sul, Cidade Universitária, Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, presentes Professor Ruy Pauletti, Presidente da Fundação Universidade de Caxias do Sul e demais Conselheiros que subscrevem este termo, pelo Senhor Presidente foram empossados os membros elegíveis do Conselho Curador da Fundação Universidade de Caxias do Sul, para o período de 2000/2003, conforme estabelece o artigo 16, inciso XV do Estatuto da Fundação Universidade de Caxias do Sul, os Senhores Azyr Nehme Simão, Miguel Pletsch, (...). Os empossados declararam que aceitavam o cargo que lhes era deferido, prestando o compromisso de bem e fielmente desempenhalos. (...)” (Destacamos) O referido Termo de Posse foi assinado por todos os empossados, incluindo o Sr. Miguel Pletsch. O Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1752 e seguintes) alegou que a informação acerca da suspeição do Delegado da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, Sr. Miguel Pletsch, foi feita em sede de Recurso Voluntário. Alegou a D. Autoridade que não pode ser considerada a alegação da Recorrente quanto à parcialidade, uma vez que se existente, ela apenas poderia beneficiar a Recorrente, e não prejudicála. Isso porque, no seu entendimento, o empregado somente poderia beneficiar sua empregadora. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.811 7 Também consignou a D. Autoridade que o vínculo mantido pelo Delegado com a Recorrente não pode ser considerado prejudicial tendo em vista que não houve prejuízo à Fundação. A Recorrente se manifestou novamente às fls. 1762 para informar que a suspeição do Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul, Sr. Miguel Pletsch, deve ser analisada e verificada diante da existência de informações privilegiadas e concomitantes à subscrição do Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade, informações estas que tornam o referido Ato formalmente insubsistente. É o Relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator. Como exposto no Relatório, o Recurso Voluntário interposto em 14/10/2009 apresentou os mesmos argumentos expostos na Impugnação Administrativa, com a inclusão de preliminar importante acerca da nulidade do Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade, uma vez que lavrado por autoridade – Delegado da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, Sr. Miguel Pletsch , que compunha à época dos fatos o quadro de funcionários da Recorrente, na qualidade de professor e membro do Conselho Curador no período em questão. Por se tratar de matéria preliminar submetida à apreciação desta Colenda Turma, fazse necessária a sua verificação antes de qualquer outro argumento. Restritamente aos argumentos expostos em sede preliminar pela Recorrente, esta Colenda Turma, por unanimidade, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a D. Autoridade Fiscal esclarecesse os fatos apresentados pela Recorrente, tendo em vista a existência de dúvidas quanto ao cargo exercido pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul, na Fundação Recorrente. Analisando os fatos apresentados e toda a documentação carreada aos autos durante a diligência realizada pela D. Autoridade Fiscal, há que se verificar as seguintes considerações. A Lei nº 9.784/99, em complemento ao Decreto nº 70.235/72, regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Os artigos 18 e seguintes da Lei nº 9.784/99 trazem disposição acerca do impedimento e da suspeição de servidor ou autoridade, in verbis: “Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que: I tenha interesse direto ou indireto na matéria; II tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau; Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.812 8 III esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à autoridade competente, abstendose de atuar. Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o impedimento constitui falta grave, para efeitos disciplinares. Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade íntima ou inimizade notória com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau. Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de recurso, sem efeito suspensivo.” (Destacamos) De acordo com os dispositivos acima transcritos, os atos e termos processuais só podem ser praticados por quem não tenha impedimento para tal. Os atos administrativos são exercidos por pessoa investida de competência, no exercício da função administrativa, pelo Poder Executivo, por meio de órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta, bem como também por particulares que estejam no exercício de uma função administrativa. Para a validade dos atos administrativos, devem estar presentes alguns requisitos obrigatórios, como competência do sujeito, finalidade do ato, forma, motivo e conteúdo. Entretanto, a atuação do servidor ou da autoridade administrativa pode ser impedida por fatos ou situações além da Administração Pública. Estes atos impeditivos estão relacionados nos artigos 18 e seguintes acima transcritos. O objetivo do legislador foi o de eliminar qualquer possibilidade de facilitar que interesses diversos do público pudessem nortear a atuação do agente público, bem como coibir o desvio de poder. Essa intenção do legislador aplicase tanto na esfera administrativa (com previsão na Lei nº 9.784/99) como na judicial (Código de Processo Civil, artigo 134). As previsões de impedimento e suspeição previstas na citada lei decorrem de princípios que norteiam a Administração Pública, entre eles, os princípios da impessoalidade, da moralidade e da isonomia. Assim ensina a i. Jurista MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO (in Direito Administrativo, São Paulo: Atlas, 14ª edição, 2001, páginas 71 e 77): “(...) o princípio (da impessoalidade) estaria relacionado com a finalidade pública que deve nortear toda a atividade administrativa. Significa que a Administração não pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, uma vez que é sempre o interesse público que tem que nortear o seu comportamento. (...) É oportuno lembrar, ainda, que a Lei nº 9.784/99, nos artigos 18 a 21, contém normas sobre impedimento e suspeição, que se inserem também como aplicação do princípio da impessoalidade e do princípio da moralidade. (...) A Lei nº 9.784/99 prevê o princípio da moralidade no artigo 2º, caput, como um dos princípios a que se obriga a Administração Pública; e , no parágrafo único, inciso IV, exige “atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé”, com referência evidente aos principais aspectos da moralidade administrativa. (...) Em resumo, sempre que em matéria administrativa se verificar que o comportamento da Administração ou do administrado que com ela se relaciona juridicamente, embora em consonância com a lei, ofende a moral, os bons costumes, Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.813 9 as regras da boa administração, os princípios da justiça e de equidade, a ideia comum de honestidade, estará havendo ofensa ao princípio da moralidade administrativa. (...) Embora não se identifique com a legalidade (porque a lei pode ser imoral e a moral pode ultrapassar o âmbito da lei), a imoralidade administrativa produz efeitos jurídicos, porque acarreta na invalidade do ato, que pode ser decretada pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário.” (Destacamos) A alegação da Recorrente não foi a de incapacidade ou incompetência do então Delegado da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, Sr. Miguel Pletsch, mas, sim, a suspeição decorrente da sua atuação como professor e membro do Conselho Curador da Recorrente à época dos fatos (que até hoje persistem), munida de informações privilegiadas que tornam insubsistente o Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade. No caso em questão, não seria nem situação de suspeição, mas, sim, de impedimento. Isto porque, nos termos do inciso I do artigo 18 da Lei nº 9.784/99, está impedido o servidor ou autoridade que mantiver interesse direto ou indireto, relação direta ou indireta com a situação fática. O Relatório da Diligência Fiscal alega a imparcialidade do D. Delegado decorrente da inexistência de tentativa de beneficiar a Recorrente, uma vez que expediu Ato Declaratório que suspendeu sua imunidade tributária. Entretanto, quando se analisa o impedimento ou a suspeição de uma autoridade ou servidor, não se analisa a intenção da prática de seus atos. A análise deve ser realizada considerando um momento anterior à sua intenção: se esta autoridade pode ou não praticar determinado ato administrativo considerando alguma das hipóteses de impedimento ou suspeição. Também não é possível afirmar, como consta do Relatório da Diligência Fiscal, que o Delegado, como professor da Universidade e membro do Conselho Curador da Recorrente, poderia somente beneficiar a Recorrente. Não está sendo analisada a intenção do Delegado perante a Recorrente, mas, também não pode ser descartada a impossibilidade da prática de ato visando prejudicála, sob essa mesma ótica. Essa análise é impossível de ser realizada porque o único sujeito capaz de analisar sua intenção é a propria pessoa intencionada, para o bem ou para o mal. E é nesta tênue linha entre o benefício e o prejuízo que se fundamenta o princípio da impessoalidade: a autoridade ou o servidor não pode guardar relação com a matéria, ou com o fiscalizado, ou com a pessoa jurídica fiscalizada, ou com os fatos porque seu interesse pode ser direto ou indireto: em qualquer uma das situações ultrapassará o interesse público. Neste sentido, é importante mencionar que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio de seu Secretário, exarou o Código de Conduta dos Agentes Públicos em exercício na aludida Secretaria, por meio da Portaria RFB nº 773, de 24 de junho de 2013. O preâmbulo da referida Portaria determina o seguinte: “Considerando que a ética, em sentido amplo, pode ser concebida como o esforço racional e reflexivo visando estabelecer o adequado convívio social; Considerando que a ética pública concretizase em esforços e iniciativas que buscam a prevalência do interesse público e o bem comum; Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.814 10 Considerando que a percepção de uma administração pública que observa o decoro, a probidade e a integridade está diretamente relacionada à percepção de que a conduta de seus agentes públicos é norteada por esses princípios; Considerando a importância de aprofundar o debate ético dentro da instituição; (....)”. (Destacamos) Cumpre destacar, também, os artigos 3º, 21 e 22, in verbis: “Art. 3º. A conduta dos agentes públicos será norteada, em especial, pelos seguintes princípios e valores: I – legalidade, moralidade, eficiência, impessoalidade e publicidade; II – respeito ao cidadão, integridade, profissionalismo, transparência e lealdade à instituição. Parágrafo único. Ao conceito de moralidade na administração pública deve ser acrescida a ideia de que o fim é sempre o bem comum, pois servir ao interesse público é a missão fundamental dos governos e das instituições públicas. Art. 21. O agente público deve evitar o conflito de interesses. § 1º. Para efeito deste Código, conflito de interesses é a situação gerada pelo confronte entre interesses públicos e privados, que possa comprometer o interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o desempenho da função pública. § 2º. Suscita conflito de interesses, entre outros, o exercício da atividade que: I – em razão da sua natureza, seja incompatível com as atribuições do cargo ou função pública do agente público, como tal considerada, inclusive, a atividade desenvolvida em áreas ou matérias afins à atribuição funcional; II – implique a prestação de serviços ou a manutenção de vínculo de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão de caráter individual ou coletivo da qual participe o agente público; III – possa, pela sua natureza, implicar o uso de informação privilegiada, à qual o agente público tenha acesso em razão do cargo ou função e não seja de conhecimento público; IV – possa transmitir à opinião pública dúvida a respeito da integridade, da moralidade, clareza de posições e decoro do agente; V – comprometa a precedência das atividades do cargo ou função pública sobre quaisquer outras atividades. § 3º. A ocorrência do conflito de interesses independe do recebimento de qualquer ganho ou retribuição pelo agente público. Art. 22. É dever do agente público declararse impedido, sempre que houver interesse próprio, de seu cônjuge ou companheiro, parente consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau; ou em suspeição, sempre que houver interesse de amigo íntimo, inimigo notório, credor ou devedor, em especial, para: I – exercer suas funções em procedimento fiscal, aduaneiro ou em processos administrativos de qualquer natureza; II – participar de comissão de licitação, comissão ou banca de concurso; III – participar de decisão, ou de reunião em que se discute decisão, cujo alcance restrinja a um grupo limitado de contribuintes, que interesse a si ou a terceiro com quem possui vínculo”. (Destacamos) Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.815 11 Este C. Conselho Administrativo já julgou Recurso Voluntário no Processo Administrativo nº 10283.002649/200421, Acórdão nº 310100.363, em que afastou ato de autoridade porque não foi possível afastar a presunção de parcialidade, nos seguintes termos: “(...) A bem da verdade deve ser registrado que o acórdão referido apreciou decisão emanada de autoridade julgadora monocrática considerada impedida. Na época a decisão da DRJ era singular e não colegiada. Mas, a meu ver, não há dúvida quanto à irregularidade da participação do referido julgador no presente caso. Estava efetivamente impedido de julgar, porque não era possível afastar de sua pessoa a presunção de parcialidade. A parcialidade é inerente ao ser humano, a imparcialidade que se busca na atuação do julgador é fruto da disciplina legal e esforço intelectual, é eminentemente artificial, e deve ser construída. (...) É irrelevante nessa situação que o próprio servidor se considere capaz de julgamento imparcial, os fatos o impedem de assumir tal posição. À primeira vista e de imediato poderseia concluir pela nulidade apenas do seu voto, mas a rigor, e em face de outras nulidades acima destacadas, não pode desmerecer a provável influencia que a sua participação pode ter exercido na decisão final de primeira instância. (...)” (Destacamos) Como destacado pela Recorrente em sua manifestação e em seu Recurso Voluntário, e considerando que ainda que não tenha ocorrido prejuízo direto ou intencional por parte do D. Delegado, encontrase o mesmo impedido em decorrência da sua qualidade de professor da Universidade e membro do Conselho Curador da Fundação à época dos fatos (o que até hoje persiste), em respeito aos príncípios da impessoalidade e da moralidade, do Código de Conduta Ética da Secretaria da Receita Federal do Brasil (artigo 22, inciso III da Portaria RFB nº 773, de 24 de junho de 2013, cuja redação se baseou no Decreto nº 1.171/1994, ainda vigente, que aprovou o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, já vigente no período dos fatos) e às disposições do artigo 18 e seguintes da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Adminitração Pública Federal. Também é importante ressaltar que o D. Delegado não era somente professor da Universidade mantida pela Recorrente, mas, também, e principalmente, no período em questão, membro do Conselho Curador da Recorrente. O lançamento objeto do presente Auto de infração decorre da prática de ato que deve ser considerado nulo, qual seja, o Ato Decisório de Suspensão da Imunidade da Recorrente. Como exposto pela D. Autoridade Fiscal, o lançamento de crédito de IRPJ, entre outras razões, decorreu da suspensão da imunidade da Recorrente. Assim, o lançamento em questão baseiase em decisão proferida por autoridade impedida de determinar a suspensão da imunidade, razão pela qual não pode ser mantido. Sendo assim, procedente a alegação preliminar da Recorrente que deve ser considerada não em face de suspeição, mas por conta do próprio impedimento do Delegado da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, tendo em vista sua função de professor da Universidade e membro do Conselho Curador da Recorrente à época dos fatos, impedimento este decorrente do fato do agente público ter participado de decisão cujo alcance interessaria (favoravelmente ou contrariamente) terceiro com quem possuía (e ainda possui) vínculo, nos Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11020.007812/200820 Acórdão n.º 1202001.258 S1C2T2 Fl. 1.816 12 termos do artigo 22, inciso III, da Portaria RFB 773/2013 (Seção III, inciso XV do Decreto nº 1.171/94, à época). Diante do exposto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário para determinar o cancelamento do lançamento e a extinção do crédito tributário, em sua integralidade, em razão de vício material por fundamentarse em Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade da Recorrente proferido por autoridade impedida de fazêlo, em decorrência da relação profissional com a Recorrente e da possibilidade de utilização informações privilegiadas, nos termos dos artigos 18 e seguintes da Lei nº 9.784/99, do Código de Conduta e Ética da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em especial os artigos 3º, 21 e 22, bem como em atenção aos príncípios da impessoalidade e da moralidade. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001988/2001-20
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
Ementa: COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o comando inserto no art. 170 do CTN. Créditos que não se apresentam líquidos, porquanto não confirmados pelo órgão que administra o tributo ou pelo Poder Judiciário, não podem ser objeto de autorização de compensação, porquanto para se proceder à compensação deve, previamente, existir a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado pelo contribuinte.
COMPENSAÇÃO. PRÉVIO REQUERIMENTO.
A compensação de tributos e contribuições de espécie distinta demanda prévio requerimento à autoridade administrativa competente. Desta forma, a referida compensação realizada deliberadamente pelo contribuinte não pode subsistir, ensejando a exigência do valor que deixou de ser recolhido.
PAF — INCONSTITIJCIONALIDADE DAS LEIS — O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato nonnativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade.
SÚMULA CARF N° 2 — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1102-000.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos de relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o comando inserto no art. 170 do CTN. Créditos que não se apresentam líquidos, porquanto não confirmados pelo órgão que administra o tributo ou pelo Poder Judiciário, não podem ser objeto de autorização de compensação, porquanto para se proceder à compensação deve, previamente, existir a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO. PRÉVIO REQUERIMENTO. A compensação de tributos e contribuições de espécie distinta demanda prévio requerimento à autoridade administrativa competente. Desta forma, a referida compensação realizada deliberadamente pelo contribuinte não pode subsistir, ensejando a exigência do valor que deixou de ser recolhido. PAF — INCONSTITIJCIONALIDADE DAS LEIS — O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato nonnativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. SÚMULA CARF N° 2 — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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LIQUIDEZ E CERTEZA A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o comando inserto no art. 170 do CTN. Créditos que não se apresentam líquidos, porquanto não confirmados pelo órgão que administra o tributo ou pelo Poder Judiciário, não podem ser objeto de autorização de compensação, porquanto para se proceder à compensação deve, previamente, existir a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO. PRÉVIO REQUERIMENTO. A compensação de tributos e contribuições de espécie distinta demanda prévio requerimento à autoridade administrativa competente. Desta forma, a referida compensação realizada deliberadamente pelo contribuinte não pode subsistir, ensejando a exigência do valor que deixou de ser recolhido. PAF — INCONSTITIJCIONALIDADE DAS LEIS — O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato nonnativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. SÚMULA CARF N° 2 — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos de relatório e voto que integram o presente julgado. NOV 2111-0 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros, José Sergio Gomes (Suplente convocado) Silvana Rescigno Barreto, Marcos Antonio Pires (suplente convocado) Frederico de Moura Theophilo e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) EDITADO EM: k S PESSOA MONTEIRO —Presidente e RelatoraQUI2 ... 2 Processo n° 11516.001988/2001-20 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.286 Fl. 2 Relatório Trata-se de exigência para o IRPJ - Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, fls. 293/299. O "Termo de Verificação Fiscal", fls. 278/280, aponta que a fiscalização em procedimentos de verificações obrigatórias constatou, para o período de jan11998 a mar/2001, diferenças entre os valores apurados e os declarados e recolhidos pelo contribuinte a título de Cofins, PIS, CSLL e IRPJ. Segundo o autuante, após confrontar as bases de cálculo informadas pelo contribuinte com os recolhimentos dos tributos e contribuições efetivamente realizados, verificou divergências nos valores, questionadas através do Termo de Intimação Fiscal de fls. 08. Planilhas de fls.10/33 denominada "Informações à SR.F", apontam como base de cálculo valores bem superiores aos declarados, tanto nas DCTF como nas DIPJ apresentadas à SRF. O autuante coteja, por amostragem, os valores de receita apresentados com os registros dos Livros de Registro de Saídas e Apuração de IPI. OS valores das vendas estão de acordo com os livros (doc. fls. 34 a 244), com exceção das devoluções de vendas (com exclusão do IPI) que foram informados nas planilhas da contribuinte em valores normalmente inferiores aos Livros. Na busca dos valores corretos das bases de cálculo do IRPJ, o autuante corrigiu os montantes de devoluções de acordo com as informações dos Livros de Apuração do IPI e dos Livros de Saídas. Com isto apurou valores a lançar de IRPJ desde o 1° trimestre de 1998 até o 1° trimestre de 2001, cujos valores referem-se às diferenças verificadas entre as receitas constantes nos Livros Fiscais e os valores de IRPJ informados/recolhidos e à falta de recolhimento do adicional de 10%, quando o lucro foi superior a R$ 60.000,00 no trimestre. Ciente em 15/10/2001, fls.300, interpõe impugnação às fls303/316, em 30/10/2010.onde, em síntese, refere-se às flagrantes ilegalidades/inconstitucionalidades da legislação relativa à Cofins e o pagamento efetuado pela empresa, enquanto referida exação estiver eivada de vícios, acaba por se converter em crédito fiscal dando direito à compensação. Os demonstrativos anexos à esta peça, fls. 318/457, explicitariam os valores de contribuição à Cofins pagos a maior em cada período, os créditos então resultantes e os valores efetivamente compensados. Afirma que o direito aos créditos decorrem diretamente da Constituição da República. Qualquer restrição quanto à forma de se efetuar sua compensação ou restituição será inconstitucional, pelo que é acertado concluir-se totalmente dispensado qualquer tipo de autorização por parte do Fisco para a realização de compensação nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação"; Às fls. 309/315 esclarece os entendimentos e procedimentos adotados pela empresa que culminaram com a disponibilidade de créditos relativos à Cofins passíveis de 4 compensação com outros tributos e contribuições, quais sejam: (i) a existência de créditos de Cofins em decorrência da revisão de sua base de cálculo com base no faturamento realizado — competências 04/99 e 10/99 a 03/2001; (ii) a inconstitucionalidade da majoração da alíquota da Cofins através da Lei n° 9.718/98 — competências 04/99 e 10/99 a 03/2001. Ao fim, pede a juntada dos documentos anexos, a produção de prova pericial para julgamento e exame de mérito, bem como a posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Decisão de fis.463/470, acórdão 9182, de 28/09/2006, está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano- calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o comando inserto no art. 170 do CT1V. Créditos que não se apresentam líquidos, porquanto não confirmados pelo órgão que administra o tributo ou pelo Poder Judiciário, não podem ser objeto de autorização de compensação, porquanto para se proceder à compensação deve, previamente, existir a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO. PRÉVIO REQUERIMENTO. A compensação de tributos e contribuições de espécie distinta demanda prévio requerimento à autoridade administrativa competente. Desta forma, a referida compensação realizada defiberadamente pelo contribuinte não pode subsistir, ensejando a exigência do valor que deixou de ser recolhido. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITU- CIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Ciente da decisão em 22/01/2007, interpõe o recurso voluntário de fls. 476/490, em 21/02/2007, onde, em síntese, narra o procedimento, para repisar os argumentos expendidos na inicia. Afirma ser desnecessária a autorização administrativa para o exercício do direito à compensação, bem como, que demonstrara a origem dos créditos então utilizados.Discone, em tese, sobre a Compensação e a extinção das relações jurídicas, transcreve o artigo 156 do CTN para referir-se às modalidades extintivas da obrigação tributária. Comenta que o instituto transcende o campo tributário, encontrando esteio na - teoria geral do direito - mais precisamente na teoria geral do direito das obfigações.Cita e transcreve o artigo 1009 do Código Civil. Comenta a doutrina civilista composta de uma série de formulações que sempre buscam a tradução do instituto em pequenas fórmulas. E é exatamente nessa linha que vêm as concepções de solução eqüitativa de 'dívidas recíprocas', de modo anormal de extinção das obrigações ou de 'encontro de contas', essa última formulação, aliás, sobremodo constante na doutrina tributária. Processo 00 11516.001988/2001-20 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.286 Fl. 3 Tomado o sentido que postula, é de rigor admitir que o que faz da compensação tributária urna modalidade extintiva das obrigações tributárias, completamente diferente das demais anunciadas pelo já mencionado artigo 156 do CTN, é a circunstância do direito subjetivo do fisco (crédito tributário) e o dever jurídico do contribuinte . (débito tributário) desaparecem porque reciprocamente anulados pela existência de um débito do fisco e de um con-espondente crédito do contribuinte. Discorre sobre o instituto e diz que viu nele a alternativa legal para liquidar suas dívidas tributárias e seu crédito tributário frente ao Estado e que lei válida é aquela que guarda compatibilidade formal e material com a Constituição Federal. Diz que seu direito surgiu no momento em que com base em norma individual e concreta, por ela construída de modo equivocado, recolheu aos cofres públicos a título de COFINS valores maiores do que os realmente devidos, e que o pagamento foi feito com base em norma que não guardava harmonia com o restante do ordenamento jurídico, em especial com os conceitos estampados na Constituição da República. Refere-se ao Lançamento por homologação e a participação do contribuinte na formação do crédito tributário e do pagamento indevido. Transcreve e comenta o artigo 150 do CTN, para afirmar ter cumprido, à época, com todas suas obrigações. Construiu, a partir da legislação a regra matriz de incidência tributária, mediante a identificação do fato gerador, da base de cálculo, alíquota, sujeito ativo e outros elementos aplicáveis à COFINS. Realizou o lançamento (prestação de informações), constituindo o crédito tributário, de titularidade do Estado, constituindo daí a relação jurídica tributária. Efetuou o pagamento da dívida informada em declaração (lançamento), extinguindo o crédito tributário e a relação jurídica tributária, sob condição de ulterior homologação. Posteriormente, veio perceber o equívoco nos lançamentos e pagamentos efetuados, na medida em que superdimensionou a base de cálculo da COFINS à época, porque utilizou a base de cálculo a partir do faturamento realizado - competências 04/99 e 10/99 a 03/2001, sem observar desses valores o que era receita efetiva passível de tributação. Com relação aos períodos de 04/99 e 10/99 a 03/2001, a autoridade fiscal notificou a contribuinte em face da realização de compensações de créditos decorrentes de pagamentos indevidos de COFINS. Comenta o custeio da seguridade social, e o estabelecido na Constituição, com a redação dada pela Emenda Constitucional n°. 20/98, art. 195, inciso I, alínea b, que reproduz, e no que respeita à identificação da base de cálculo da COFINS, a Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, que define a alíquota aplicável. Replica a alteração introduzida através da Lei 9718/1998 e que o fisco, ao exigir o recolhimento da COFINS sobre os valores ainda não recebidos, observando-se somente a data da emissão de respectivas notas fiscais, desconsidera a data em que tais valores foram efetivamente percebidos pela empresa, fato que demonstra evidente antecipação do fato gerador da obrigação tributária, em manifesto desrespeito à Lei Maior. Salienta que a antecipação do recolhimento (antes mesmo da ocon-ência do seu fato gerador) só seria possível em casos excepcionalíssimos, tal como ocorre na hipótese da chamada "substituição tributária para frente", o que não se dá na espécie em exame. Continua para afirmar que só será possível a exigência do recolhimento da COFINS, urna vez materialmente realizada a situação prevista in abstrato na norma, e, assim, operantes os seus efeitos. Antes disso sua cobrança é manifestamente ilegal e abusiva, não encontrando respaldo no sistema jurídico vigente. Conceitua "faturamento", à luz da doutrina, transcreve Geraldo Ataliba e Cléber Giardino, e conclui que não podem ser inclusas na base de cálculo da Contribuição social em foco as quantias ainda não recebidas pela pessoa jurídica, porquanto não implicam (ainda) em efetivo faturamento.Reproduz decisões judiciais (TRF i a . R., AG 01000297877-DF, 40 Turma, Rel. Des. Fed.Mário César Ribeiro, DJU de 26.05.2000, p. 313). Cita José Luiz Bulhões Pedreira, em comentários trazidos pelo professor Fernando Netto Boiteux onde comenta que antecipar receitas implicaria em antecipar o fato gerador da obrigação tributária, desrespeitando, assim, o comando do art. 116, inciso I, do Código Tributário Nacional. Reproduz o dispositivo. O analisa para concluir que o momento de incidência do tributo haverá de corresponder ao momento da ocorrência das circunstâncias materiais necessários à regular produção de seus efeitos. Deste modo, só cabe exigir o recolhimento da Cofins uma vez materialmente realizada a situação prevista in abstrato na norma, e, assim, operantes os seus efeitos. Ao proceder à inclusão tão somente das verbas efetivamente percebidas, agiu em respeito ao preceito do art. 116, do CTN, porquanto apenas com a ocorrência das circunstâncias materiais acima aludidas, e, deste modo, nascida a obrigação tributária, tornam-se exigíveis as Contribuições sociais em questão. Desta forma a compensação efetuada a partir da exclusão da base de cálculo mensal da COFINS do valor da parcela de receita ainda não recebida, encontra apoio tanto da Constituição Federal e legislação infi-aconstitucional vigente, quanto nas decisões administrativas e judiciais pátrias. Duvida da constitucionalidade da majoração da alíquota da Cofins pretendida na lei 9718/98( competências 04/99 e 10/99 a 03/2001) este o motivo que a levou a efetuar o recolhimento desta exação com a aliquota de 2% (dois por cento). Expende vasto arrazoado sobre a hierarquia das leis e as fontes de financiamento e custeio previdenciário, para dizer que a lei ordinária não pode vir de encontro ao que já estabelece a Lei Complementar, a modificação da alíquota da COFINS, sob pena de invasão de competência relativamente à matéria reservada àquela.(Só se validaria se realizada através de Lei Complementar). Ajunta que a compensação dos valores decorrentes desta majoração encontra fundamento na Constituição da República e Lei Complementar n° 70/91, bem como na melhor doutrina e jurisprudência. Refere-se à dispensa de autorização administrativa para exercício do direito à compensação, bastando o comando do artigo 170 do CTN( reproduz) e comenta que o artigo faz clara homenagem ao principio da estrita legalidade e da indisponibilidade dos bens públicos ao colocar a compensação tributária na dependência de lei específica que a autorize. A Lei 8383/91 insere no ordenamento jurídico a possibilidade do contribuinte realizar a "auto-compensação". E o artigo 74 da Lei n. 9.430/96 vem reforçar o preceito, resolvendo qualquer dúvida que pudesse pesar sobre a questão. Com isto a legislação deixa clara a possibilidade do contribuinte efetuar compensação sem qualquer espécie de limitação a este direito. E neste sentido é o posicionamento dos tribunais. Transcreve ementas : (TRF da 4. Região - Primeira Turma - Apelação Cível n. 200304010047634 - o Data de publicação: 09 de 6 Processo n° 11516.001988/2001-20 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.286 FL 4 agosto de 2006. Relatora: Desembargadora Federal Vivian .Josete Pantaleão Caminha) (TRE da 4. Região - Primeira Turma - Apelação Cível n. 199971050032331 - Data de publicação:09 de agosto de 2006. Relatora: Desembargadora Federal Vivian Josete Pantaleão Caminha). Isto provaria a legalidade do procedimento de compensação que adota, a fim de extinguir suas dívidas tributárias vincendas com os pagamentos indevidos realizados no passado. Noutro tópico defende a possibilidade da Apreciação de inconstitucionalidade pela Administração Fazendária, linha na qual tece longo arrazoado, transcreve doutrina e diz que "A impossibilidade de a administração declarar a inconstitucionalidade de leis, implica negar a supremacia da Constituição e ainda cercear o direito de defesa do cidadão, posto no artigo 5, inciso L,V da Constituição da República." Reproduz o dispositivo e menciona que o tribunal administrativo já se pronunciou sobre este tema. Resume o pedido na linha seguinte: a compensação constituir via adequada para o contribuinte extinguir relações tributárias crediticias recíprocas, (ii) em função da existência de lei autorizando a compensação sem prévio exame da autoridade administrativa, (iii) pelo dever dos órgãos administrativos judicantes aplicarem a Constituição da República e à luz (iv) da legitimidade dos créditos compensados pela ora recorrente à época, requer o cancelamento do auto de infração guerreado." Pede, ainda, a juntada dos documentos anexos e de outros que se mostrarem necessários ao bom julgamento do recurso. Despacho de fls. 491 encaminha o processo ao CARF.Recebo-o para relato. Este é o relatório. 8 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relator Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade da impugnação apresentada, dela tomo conhecimento. Conforme anterioiniente relatado e constante no -"Termo de Verificação Fiscal" a fiscalização em procedimentos de verificações obrigatórias constatou, para o período de janeiro/98 a março/01, diferenças entre os valores apurados e os declarados e recolhidos pelo contribuinte a titulo de IRPJ. Nas peças oferecidas em sede de impugnação e de recurso voluntário a contribuinte não se insurge contra as diferenças entre os valores apurados e os declarados a título de IRPJ detectadas pela fiscalização. A Contribuinte alega que as diferenças apuradas tem origem nas compensações, procedidas pela empresa, utilizando supostos créditos de Cofins. Créditos estes que em seu entender decorrem da inclusão indevida na base de cálculo mensal da Cofins do valor da parcela de receita ainda não recebida, e, do pagamento a maior da contribuição com a aplicação da alíquota de 3% quando a efetivamente devida era de 2%, dada a inconstitucionalidade da majoração da alíquota procedida através da Lei n° 9.718/98. Em suas alentadoras razões faz estudo sistemático, "em tese" sobre como deveria funcionar o instituto da compensação no direito tributário e a "liberdade"concedida ao Contribuinte para realizar o "acerto de contas"com o fisco, sob argumento de que para realizar a compensação a lei não determina o prévio pedido de autorização e/ou reconhecimento à autoridade administrativa. Linha na qual borda uma tese jurídica fundamentada em princípios, para pedir ao final que se acolha seu procedimento, porque: " (i) a compensação constituir via adequada para o contribuinte extinguir relações tributárias crediticias recíprocas, (ii) em função da existência de lei autorizando a compensação sem prévio exame da autoridade administrativa, (iii) pelo dever dos órgãos administrativos judicantes aplicarem a Constituição da República e à luz (iv) da legitimidade dos créditos compensados pela ora recorrente à época, requer o cancelamento do auto de infração guerreado." Tem razão a recorrente em seus fundamentos doutrinários quando afirma que a compensação é uma das vias adequadas para extinguir relações tributárias crediticias recíprocas. Também é verdade que há lei autorizando a compensação, mas não é correto que esta dispense o exame prévio da autoridade administrativa. Processo no 11516001988/2001-20 SI-CIT2 Acórdão o.' 1102-00.286 Fl. 5 A administração tributária é atividade vinculada e como tal deve ser observada. Nos demonstrativos oferecidos em sede de impugnação, de fls. 318/457, a Contribuinte aponta que realizou a compensação de débitos do IRPJ com supostos créditos de Coflns e PIS, sem a devida formalização de processo de pedido de restituição e posterior compensação com os citados débitos, confim= determinam os arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/1996, Decreto n.° 2.138/1997, IN SRF n.° 21/1997, IN SRF n.° 210/2002, IN SRF n.° 460/2004 e IN SRF n.° 600/2005. Utilizo os bem fundamentados argumentos de direito expendidos na decisão recon-ida, por bem responderem os questionamentos postos nos dois momentos processuais (..) Nesse passo mister se analisar a legislação tributária que rege a matéria relativa à compensação de tributos e contribuições de espécies (ou destinação constitucional) distintas, qual seja, em princípio o art. 74 da Lei n." 9.430/96, o Decreto n" 2.138, de 1997, e a Instrução Normativa SRF n°21/97, que disciplinavam, à época da ocorrência dos fatos geradores, a obrigatoriedade do pedido prévio à autoridade administrativa competente, sem o que se reputam exigíveis as quantias indevidamente compensadas. Com efeito, com a edição da Lei n" 9.430/96 para a compensação entre créditos e débitos relativos a tributos de espécies diferentes de forma expressa restou assentada a obrigatoriedade de fOrmalização de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal. A edição do Decreto n" 2.138, de 1997, e da Instrução Normativa SRF n" 21, de 1997, foi conseqüência da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que havia determinado: Art. 74 - Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. (destaque acrescido) Nesse sentido, dispõe o Decreto n" 2.138, de 29 de janeiro de 1997: Art. 1° - É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de oficio, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (destaque acrescido) 1 O Por sua vez, assim dispunha o ar, 12 da Instrução Normativa SRF n" 21, de 10 de março de 1997: Compensação entre Tributos e Contribuições de Diferentes Espécies Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2° e 3°, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1' A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. (• • .) § 3° A compensação a requerimento do contribuinte será formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III. (destaque acrescido) Em todos os dispositivos citados, .fica claro que a compensação entre tributos de espécies diferentes, como é o caso da Cofins e PIS e do IRPJ, somente poderia ter sido efetuada de ofício ou mediante autorização da Secretaria da Receita Federal diante de requerimento Jeito pelo contribuinte. Essa obrigatoriedade de requerimento, na hipótese de compensação entre tributos diferentes, é prestigiada pelo Conselho de Contribuintes como se verifica pelo Acórdão 201-74516 -, de 18/04/2001, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, in verbis PASEP — COMPENSAÇÃO — Nos termos do art. 73 da Lei n° 9.430/96, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos da Secretaria da Receita Federal. Por outro lado, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Tais procedimentos foram regulados pela IN SRF n° 21/97, com as alterações introduzidas pela IN SRF n° 73/97. Dessa forma, os pedidos de compensação devem seguir o disposto nas citadas Instruções Normativas e serão julgados seguindo o rito processual estabelecido pela Portaria SRF n° 4.980/94. (destaques acrescidos) Também o Poder Judiciário já teve oportunidade de manifestar- se prestigiando tal norma, consoante nos mostra a ementa do Acórdão da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4" Região, processo n" 1998.04.01.020470-5, noticiada na intemet — sitio WW14). cif gov.br —, nestes termos: TRIBUTÁRIO. PIS. DECRETOS-LEIS DEL-2445 E DEL- 2449/88. COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO COM PARCELAS DEVIDAS AO SIMPLES. LEI-9430/96. INVIABILIDADE. NECESSIDADE DE PRÉVIA SOLICITAÇÃO ADMINISTRATIVA. LEI-8383/91. REGIMES DIVERSOS. A compensação tributária instituída pela LEI-9430/96 dá-se no âmbito da Secretaria da Receita Federal, na qual, mediante o I Processo n° 11516M01988/2001-20 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.286 Fl. 6 requisito de prévia solicitação do contribuinte, procede-se a quitação de quaisquer tributos ou contribuições sob a administração desta repartição. A pretensão da autora, no sentido de ser autorizada a compensar os valores recolhidos ao PIS, conforme os Decretos-Leis 2445 e 2449/88, com as parcelas devidas ao SIMPLES, não pode ser deferida judicialmente sem a satisfação daquela exigência legal. É que o regime daquela lei difere do previsto na LEI-8383/91, no qual prescinde-se do requerimento administrativo, realizando-se o encontro de contas através da escrita contábil do credor, restringindo-se a compensação entre tributos de mesma espécie. São regimes diversos, que não podem ser combinados. Desta feita, é de ser julgado improcedente o pedido. (destaques acrescidos) Portanto, como o contribuinte não entregou nenhum documento à Secretaria da Receita Federal em relação aos períodos de apuração autuados, não tendo cumprido os requisitos legais para o procedimento de compensação entre créditos de Cofins e PIS e débitos de IRPJ, sua alegação nesse aspecto revela-se improcedente. Por outro lado, é de se ressalvar que, a compensação de crédito tributário indevidamente pago exige apuração antecipada, via judicial ou administrativa, da liquidez e certeza do referido crédito, O art. 170 do CTN estabelece certas condições à compensação de tributos, as quais não se acham presentes no caso em apreço. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o texto legal referenciado, Créditos que não se apresentam líquidos, porquanto não ~rimados pela DRF/Florianopolis, não podem ser objeto de autorização de compensação. No presente caso, é questionável o direito de crédito a que pretende fazer jus o contribuinte; sendo este, portanto, ilíquido. Com efeito, como dito anteriormente, para se proceder à compensação deve, previamente, existir a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado pelo contribuinte. Deste modo, seja pela falta de liquidez e certeza relativamente ao crédito passível de ser compensado; seja pela inobservância aos comandos insertos na Lei n°9,430/96, Decreto n°2,138/97 e art. 12 da IN SRF n" 21/97, vigente à época dos fatos, não pode ser admitida a compensação dita efetuada pelo contribuinte, I Quanto a possibilidade do Colegiado administrativo se pronunciar sobre constitucionalidade de lei, a matéria já se encontra sumulada nessa instância: SÚMULA CAR.F N° 2 — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ãtasti as- P essop Monteiro Ainda, encontra-se pacificado na CSRF que o afastamento da aplicação de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. Nesta ordem de juizos, Nego provimento ao recurso. 12
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Numero do processo: 10670.000888/2008-15
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. Conforme corrente jurisprudencial majoritária do CARF, a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio ano-calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o ano-calendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-001.290
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, que negava provimento.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. Conforme corrente jurisprudencial majoritária do CARF, a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio ano-calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o ano-calendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Recurso voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-20T21:09:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-02-20T21:09:50Z; Last-Modified: 2015-02-20T21:09:50Z; dcterms:modified: 2015-02-20T21:09:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-02-20T21:09:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-20T21:09:50Z; meta:save-date: 2015-02-20T21:09:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-20T21:09:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-02-20T21:09:50Z; created: 2015-02-20T21:09:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2015-02-20T21:09:50Z; pdf:charsPerPage: 2033; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-20T21:09:50Z | Conteúdo => S1-C1T2 Fl. 1 1 S1-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.000888/2008-15 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102-001.290 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria IRPJ - multa isolada - estimativas Recorrente CIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS - COTEMINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. Conforme corrente jurisprudencial majoritária do CARF, a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio ano-calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o ano-calendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, que negava provimento. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, JACKSON MITSUI, MARCELO BAETA IPPOLITO e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do v. acórdão prolatado pela DRJ de Juiz de Fora (MG), que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO REAL. REDUÇÃO. ISENÇÃO DOIMPOSTO DE RENDA Tendo o contribuinte logrado comprovar, com documentos hábeis e idôneos, que faz jus à redução/isenção do imposto de renda para as receitas provenientes da fabricação e industrialização de meias com base no lucro da exploração, é de se considerar improcedente a glosa efetuada a esse titulo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada pela pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual implica, por força de determinação legal, a aplicação da multa de ofício isolada, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente. Impugnação Precedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Os fatos foram assim relatados pela instância a quo: “Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração relativo à fiscalização de IRPJ, cujo crédito tributário corresponde a multa exigida isoladamente (passível de redução) no valor de R$ 95.369,70. Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante do Auto de Infração de IRPJ, o fiscal autuante apontou as seguintes infrações: 001 - EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE REDUÇÃO - INOBSER VÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS Pela constatação de que a empresa não requereu, ou se requereu, não obteve autorização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para gozo do direito da redução pleiteada, conforme... [...] 002 - MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIÀIENT O DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTLMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. [...I No Termo de Verificação Fiscal - TVF de fls. 12/33, a fiscalização detalhou o ocorrido segundo sua visão dos fatos. Do TVF são reproduzidos os trechos abaixo: Fl. 859DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10670.000888/2008-15 Acórdão n.º 1102-001.290 S1-C1T2 Fl. 2 3 “Diante deste fato não restou a esta Fiscalização outra alternativa a não ser, em relação à isenção do imposto de renda, acatar o Laudo Constitutivo expedido pela Sudene uma vez que pela legislação tributária aplicável é ela quem detém a competência para reconhecer tal benefício. Analisando sob o ponto de vista da redução do imposto de renda a situação é completamente diferente, porque quem concede este benefício é o Delegado da Receita Federal do Brasil em Montes Claros com base no Laudo Constitutivo expedido pela Sudene, e no Laudo Constitutivo n” 219/2002 bem como no Ato Declaratório 004/2005, também não existem as palavras toalhas, pisos e meias. Porém em 17 de janeiro de 2008 a Sudene através do Laudo Constitutivo n 0002/2008 retificou também o Laudo constitutivo n° 219/2002 para acrescentar como atividade objeto da redução a palavra meias. Por oportuno, cumpre-nos ressaltar que desde qo advento do art. 16 da Lei n° 4.239, de 1963, que estabeleceu este tipo de incentivo, e em todas as legislações posteriores a competência para reconhecimento do direito à redução do imposto de renda e adicionais sempre foi e é do Delegado da Receita Federal do Brasil, que tem jurisdição sobre o estabelecimento do contribuinte. A declaração expedida pela Sudene simplesmente tem o condão de recomendar o favor fiscal, como aliás está claramente expresso no § 3° do artigo 553 do Regulamento do Imposto de Renda em vigor, e este benefício não poderá ser usufruído pelo contribuinte enquanto não houver sido reconhecido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. A simples expedição de um laudo pela Sudene não gera um direito adquirido e sim, simplesmente, uma expectativa de direito que depende de um acontecimento futuro e incerto para se materializar, qual seja 0 reconhecimento por parte do Delegado da Receita Federal do Brasil, que poderá inclusive deixar de apreciar o pedido desde que a empresa não cumpra determinadas condições previstas na IN SRF n° 267 de 2002. Aliás, sobre essa matéria já decidiu a SRRF da 4ª Região Fiscal em processo de consulta de n°22/03, publicada no D. O. U. em 07.07.2003, com base no Art. 16 da Lei n° 4.239 de 1963; MP n° 2.199-14, de 2001; Decreto n°4.213, de 2002,' 1NSRFn°267, de 2002, [...] Isto posto, não há por parte desta Fiscalização qualquer mudança de entendimento em relação à redução do imposto de renda e as receitas provenientes das vendas de meias que foram tributadas pela empresa com redução de 75%, devem ser tributadas normalmente sem qualquer tipo de incentivo” [fls. 26/2 7]. “A utilização a menor do imposto de renda nos meses de fev/2003 a mai/2003 não justifica a utilização a maior em jun/2003 e jul/2003. A utilização a menor do IRRF gera maiores valores devidos de IRPJ, que uma vez pagos ou compensados são deduzidos integralmente dos valores devidos em períodos subseqüentes apurados com base em balanços/balancetes de suspensão/redução. Na apuração dos valores não recolhidos a fiscalização considerou todos os pagamentos, compensações e IRRF ocorridos até o mês de referência, ou seja, ocorridos até o mês de referência, ou seja, ocorridos nos períodos de jan a jun/2003 e jan a jul/2003. Lavramos Auto de Infração referente ao ano calendário de 2003, onde foi constituído crédito tributário para a redução do saldo negativo do imposto de renda e ainda para exigência de multa por falta de recolhimento do IRPJ devido por estimativa referente aos períodos de apuração de jan a jun/2003 e jan a jul/2003, apurado com base em balanços de suspensão/redução, e referente aos períodos de apurados de apuração Setembro e Outubro, apurado com base na Receita Bruta e Acréscimos.” [fl. 30]. Contra o lançamento a contribuinte apresentou impugnação às fls. 753/780, com juntada de documentos às fls. 781/806, na qual, em resumo, manifestou-se nos seguintes termos: Fl. 860DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 II.1 - DA VALIDADE DA REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS AUFERIDAS NA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇAO DE MEL/IS FABRICADAS PELA IMPUGNANTE CONCEDIDAS PELOS LAUDOS CONSTITUTIVOS Nº 209/2005 E 219/2002 Asseverou a Fiscalização que a impugnante teria usufruído de forma indevida da isenção e redução de Imposto de Renda incidente sobre as receitas provenientes da fabricação e venda de sub-produtos têxteis concedidas respectivamente pelos Laudos Constitutivos n° 209/2005 e 219/2002, já que segundo seu entendimento, o referido benefício não se estenderia à produção das meias por ela fabricadas. Como a Impugnante já tinha sido autuada em 10/12/2007 e um dos fundamentos deste lançamento foi exatamente a não aplicação do benefício do IRPJ para os resultados decorrentes com as operações com meias, a Impugnante protocolou junto à ADENE (...), no dia 14 de dezembro de 2007, um pedido de esclarecimentos acerca da querela sub examine. A resposta daquele órgão exarada através do Ofício n° 427/2007/SUDENE, datado de 19 de dezembro de 2007, foi bem clara e dissipa quaisquer dúvidas acerca da aplicação da isenção e da redução do imposto de renda outorgados pelos atos normativos mencionados alhures sobre as receitas oriundas da produção e comercialização dos produtos “meias ”, produzidos pela filial de João Pessoa, visto que estes materiais são, induvidosamente, sub-produtos têxteis. Por outro lado, deve ser levado em conta que quando da instrução do pedido do benefício fiscal em comento. a Impugnante entregou à SUDENE documentos que informavam a produção de meias dentre os sub-produtos têxteis a serem fabricados em sua filial em João Pessoa, inclusive demonstrando através de fluxogramas como se dava o processamento daquele material, para fins de inclusão das receitas oriundas de fabricação e comercialização desse produto no incentivo fiscal em tela. [...] Aliás, conforme ressaltado pela fiscalização e destacado no tópico precedente, a SUDENE, objetivando dissipar eventuais dúvidas sobre a extensão dos benefícios fiscais ora analisados e justamente considerando a solicitação efetuada pela Impugnante, retificou o Laudo Constitutivo n° 209/2005, através do Laudo Constitutivo n” 0001/2008 datado de I 7/01/2008, fazendo constar expressamente como atividade objeto da isenção a palavra “meia”. [...] Deveras, tendo sido concedido um beneficio fiscal pela SUDENE, é vedado a Receita Federal deliberar sobre quais produtos se estende o beneficio fiscal, reduzindo o âmbito da incidência dos incentivos previstos nos Laudos Constitutivos. Isto porque, é induvidosa a vinculação da Receita Federal ao ato do Poder Executivo (Laudo Constitutivo) que reconhece o direito ao fruimento do beneficio, competindo à autoridade tributária tão somente a fiscalização sobre a forma como o contribuinte dá aplicação ao beneficio. [...] II.2 - DO NAO RECONHECIMENTO, NO AUTO DE INFRAÇAO, A PARCELA ISENTA DO IRPJ. Ad argumentandum tantum, caso se considere que está correta a desconsideração do direito à redução do IRPJ nas operações com meias, o Auto de Infração deve ser reformulado, uma vez que a forma de cálculo adotada pela Fl. 861DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10670.000888/2008-15 Acórdão n.º 1102-001.290 S1-C1T2 Fl. 3 5 fiscalização importou também na desconsideração da parcela das referidas operações isenta do imposto. [...] Conforme demonstrado na Planilha, as operações com meias somente podem ser consideradas não beneficiadas após a ultrapassagem do limite de isenção (881 .I 93 kg ao ano), o que ocorre apenas apartir de setembro de 2003. Assim sendo, subsidiariamente, impõe-se a alteração do lançamento fiscal, com a consideração dos efeitos do reconhecimento da isenção para as operações com meias. II.3 - DA INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA EM AUTUAÇOES EFETUADAS APOS O ENCERRAMENTO DO ANO- CALENDARIO E NA HIPÓTESE DE PREJ UIZ O FISCAL [...], ao assim proceder desconsiderou totalmente o fato de que, como a autuação foi efetuada após o encerramento do ano-calendário, a mesma não poderia ter cominado a referida multa, uma vez que houve a apuração de saldo de declaração do IRPJ no final do exercício (sendo que a autuação fiscal simplesmente diminui o valor do saldo, não tendo o efeito de constituir valor devido do imposto). [...] A mudança da legislação efetuada pela Lei n° 11.488/07 efetivamente vai alterar o entendimento do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda sobre essa questão. Contudo, e' indiscutível que a aplicação da nova previsão normativa somente poderá ocorrer para períodos de apuração ocorridos após a promulgação da lei modificativa, ou seja a partir do ano-calendário de 2008. Tal modulação da eficácia da norma é decorrente da aplicação inafastável do disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, uma vez que a norma tributária somente retroage em beneficio do contribuinte, não podendo retroagir a norma que insere nova modalidade de penalidade tributária. Já na improvável hipótese de ser considerada devida a multa isolada aplicada no presente caso, impõe-se quando menos a sua redução de 75% para 50%, por do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, tendo em vista a previsão do percentual de 50% pela Lei n” 11.488. III - PEDIDO Pelo exposto, requer a impugnante que seja cancelado o presente auto de filial em João Pessoa se deu nos termos da legislação e em expresso cumprimento dos Laudos Constitutivos n° 0060/2005, 209/2002 e 219/2002, sem as infrações levantadas pela Fiscalização. Subsidiariamente, que seja reformulado o trabalho fiscal, considerando-se os efeitos reconhecimento do direito à isenção nas operações com meias. Requer-se também. caso desprovido o (s) pedido (s) principal (is): a) o cancelamento da multa isolada, tendo em vista a jurisprudência iterativa do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e impossibilidade de aplicação retroativa da nova redação do artigo 44 dada pela Lei n° 11.488/07, uma vez que esta introduziu nova penalidade na legislação fiscal; b) ou, quando menos, que se reduza a multa isolada de 75% para 50% do valor do imposto supostamente devido pela Impugnante, por força de retroação benigna da Lei nº 11.488/07.” Fl. 862DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 O acórdão recorrido acolheu em parte a impugnação da Contribuinte apenas para cancelar a exigência de IRPJ relativos à infração de redução indevida deste tributo referente ao incentivo da SUDENE, mantendo-se em parte a multa isolada pela ausência de recolhimento de estimativas mensais, reduzindo-se de sua base de incidência o valor do IRPJ tido como indevido no mesmo ato decisório. Em recurso voluntário, a Contribuinte reproduz argumentos de impugnação sobre a improcedência do lançamento de multa isolada por não recolhimento de estimativas no ano-calendário de 2003, especialmente pelo fato de ter apurado prejuízo fiscal no citado ano. Não houve interposição de recurso de ofício, ante o fato de a exoneração procedida pelo acórdão recorrido ter sido inferior ao limite de alçada previsto pela Portaria/MF n. 03/2008. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme se depreende do relatório supra, cinge-se a discussão à legitimidade da imposição de multa isolada por não recolhimento de estimativas, no ano- calendário de 2003, ante a apuração de prejuízo fiscal pela Contribuinte no período assinalado. Conforme corrente jurisprudencial majoritária desta Corte Administrativa, a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio ano-calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o ano-calendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Veja-se, nesse sentido, ementas de v. acórdãos proferidos pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte - fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não- recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10680.005834/2003-12, Relator Marcos Vínícius Neder de Lima, Acórdão 105- 139794) Fl. 863DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10670.000888/2008-15 Acórdão n.º 1102-001.290 S1-C1T2 Fl. 4 7 No mesmo sentido: CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10665.001042/99-48, Ac. 108-133750, Rel.: Marcos Vinícius Neder de Lima) No mesmo sentido: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO: Encerrado o período anual da apuração, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência efetivamente devida, apurada com base no balanço anual, revelando-se improcedente a cominação de multa, mormente se o contribuinte optou, antes da ação fiscal, em incluir a referida no REFIS. (CSRF, 10140.001362/2002-47, Ac. 107-133806, José Henrique Longo) No mesmo sentido: IRPJ – RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO-CALENDÁRIO: Encerrado o período anual de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido, apurado com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelando-se improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido antecipadamente superou o efetivamente devido. Recurso especial negado. (CSRF, Primeira Turma, Ac. 103-124926, Rel.: José Carlos Paussuelo, Processo n. 10280.009389/99-26) Tal entendimento não merece reparos mesmo na vigência do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 com a redação dada pela Lei n. 11.488/2007. Citado tema já foi apreciado por essa Turma de Julgamento, no Acórdão nº 1102-001.226, por meio do qual se decidiu pela impossibilidade de aplicação da multa isolada na hipótese em que o contribuinte apura resultado negativo ao final do ano-calendário, mesmo após o advento da Medida Provisória nº 351/07. Confira-se trecho do voto do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, relator do citado acórdão: “Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: Fl. 864DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do ano-calendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do ano-calendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga a forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar mula isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual.” Do exame dos autos é incontroverso o fato de que a Contribuinte apurou prejuízo fiscal no ano-calendário de 2003. Por todo o exposto, orienta-se voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 865DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.025955/88-80
Data da sessão: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 1990
Ementa: DECORRÊNCIA - Aplicação do principio
de causa e efeito - Nulidade da decisão para que outra seja proferida em conformidade com a que vier a ser
proferida no processo matriz.
Numero da decisão: 103-10.236
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de voto, em declarar nula a decisão de primeiro grau.
Nome do relator: Franscisco Xavier da Silva Guimarães
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Numero do processo: 10950.004800/2008-80
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMENTA
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO RECORRENTE.
A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2202-003.026
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
QUANTO À PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que a acolhiam. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento. Vencidos os conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que excluíam da base de cálculo os rendimentos tributáveis declarados. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA.
Nome do relator: Pedro Anan Junior Relator
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO RECORRENTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Recurso Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 48 00 /2 00 8- 80 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. QUANTO À PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que a acolhiam. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento. Vencidos os conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que excluíam da base de cálculo os rendimentos tributáveis declarados. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente – Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10950.004800/200880 Acórdão n.º 2202003.026 S2C2T2 Fl. 179 3 Relatório Trata o presente processo de lançamento de imposto de renda da pessoa física (código 2904) no valor R$ 228.259,04 , com multa de oficio de 75% no valor de R$ 171.194,28 acrescidos de juros de mora, efetuado por meio do auto de infração de fls. 115/121, em conclusão a procedimento de fiscalização relativo ao anocalendário de 2003, levado a efeito contra o contribuinte impugnante em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização N° 09.1.05.002008000053. O lançamento, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 117/118 e Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 104/114, é relativo à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, realizados durante o ano de 2003, no montante de R$ 839.787,71 , com fundamento no art. 849, do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/1999) e art. 10 da MP no 22, de 2002 convertida na Lei no 10.451, de 2002. O contribuinte, antes da autuação, por ocasião do inicio do procedimento de fiscalização, foi intimado (intimação de fls. 02/04), a apresentar os extratos de todas as contas bancárias mantidas junto ã Caixa Econômica Federal S/A, CNPJ 00.360.305/000104, referentes ao ano de 2003 e; a documentação hábil e idônea da origem individualizada dos recursos depositados nessas contas; bem como, justificar a diferença entre o montante movimentado e os valores dos rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física do exercício de 2004 (DIRPF/2004). Em virtude do interessado não ter apresentado os extratos solicitados pela fiscalização, embora tenha solicitado dilação de prazo para atendimento (resposta de fl. 10), foi emitida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) de N° 09.1.05.002008000118 (fls. 13/15). 0 atendimento pela Caixa Econômica Federal se deu conforme informações contidas no oficio de fls. 17/89. De posse dos extratos, a fiscalização intimou o contribuinte (intimação de fls. 93/100), em síntese para: comprovar a origem dos recursos depositados nas suas contas bancárias; indicar e comprovar entre os depósitos listados possíveis transferências interbancárias entre contas de mesma titularidade e; apontar cheques devolvidos e outros estornos de créditos ocorridos em suas contas bancárias. Em virtude do interessado não atender ao solicitado pela fiscalização durante a ação fiscal, foi efetuado o lançamento objeto deste processo administrativo fiscal e; como conseqüência da atuação fiscal foi elaborada a "Relação de Bens e Direitos para Arrolamento" de fl. 122 que deu origem ao processo de Arrolamento de Bens n° 10950.005186/200873, conforme informação do extrato de fl. 233. Cientificado do lançamento o contribuinte ingressou, com a impugnação de fls. (fls. 126/230). Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – DRJ/CTA, deu provimento parcial a impugnação, nos termos do acórdão 0626.965, de 15 de junho de 2010. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10950.004800/200880 Acórdão n.º 2202003.026 S2C2T2 Fl. 180 5 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de adentrarmos ao mérito devemos analisar as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Nulidade Violação Sigilo Bancário A primeira preliminar a ser analisada diz respeito ao nulidade parcial do lançamento tendo em vista que a autoridade fiscalizadora, teria fundamentado o auto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, onde teria ocorrido omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por sua vez o Recorrente alega que tais informações só poderiam ser obtidas através de decisão judicial, desta forma teria ocorrido quebra no seu sigilo bancário de forma inadequada. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10950.004800/200880 Acórdão n.º 2202003.026 S2C2T2 Fl. 181 7 A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10950.004800/200880 Acórdão n.º 2202003.026 S2C2T2 Fl. 182 9 Sendo assim, entendo que as seguintes infrações devem ser excluídas, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF): Diante do exposto acolho a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 No que diz respeito ao questionamento dos valores que foram lançados pela autoridade fiscal e fizeram base de cálculo do lançamento, não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista que os valores foram extraídos dos extratos bancários juntados aos autos, a autoridade julgadora excluiu diversos valores que foram comprovados e restou os valores que não foram demonstrados a origem por parte do Recorrente. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Entendo que assiste razão ao Recorrente no que diz respeito a exclusão da base de cálculo do lançamento dos rendimentos tributáveis declarados em sua DIRPF no valor de R$ 19.838,25. Desta forma, é devida parcialmente a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Diante do exposto no mérito dou provimento parcial ao recurso apresentado pelo Recorrente para excluir da base de cálculo do lançamento os rendimentos tributáveis declarados no valor de 19.838,25. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10950.004800/200880 Acórdão n.º 2202003.026 S2C2T2 Fl. 183 11 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário e, no mérito, a questão relativa ao aproveitamento dos rendimentos tributáveis declarados, pontos nos quais divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10950.004800/200880 Acórdão n.º 2202003.026 S2C2T2 Fl. 184 13 instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. No mérito, acompanho o voto do relator no geral, não concordo entretanto, quanto a possibilidade de excluir da base de cálculo da infração dos depósitos bancários de origem não comprovada, os rendimentos tributáveis declarados. Entendo que a mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR
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