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Numero do processo: 10380.008835/85-89
Data da sessão: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 1992
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Jurídica
Correção monetária - Vasilhames - São
bens classificáveis no ativo permanen
te sub-grupo imobilizado das empresai
distribuidoras de bebidas, sujeitos
assim à correção monetária por ocasião
do balanço do exercício social.
Omissão de receita - O maior saldocre
dor ocorrido no estoque de garrafas r
caracteriza a aquisição do bem com re
ceitas omitidas na contabilidade. Gas
tos ativáveis - as despesas com insta
lações, consertos e recuperações com
prazo de vida útil superior a um ano
devem ser ativados para posterior depreciação
ou amortização.
Comprovação de despesas - provado que
as despesas ou custos estão amparados
em documentos comprovadamente inidoneos é de se exigir o tributo sobre o
valor dos mesmos, com a aplicação da
multa de 150%, do art. 728, III do
RIR/80.
Numero da decisão: 103-12.144
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeira Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em REJEITA as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial recurso para excluir da tributação a importância de Cr$ 3.676.844 (padrão monetário à época), no exercício de 1984, nos termos do V .v
Nome do relator: Ilcenil Franco
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Recorrida : SUPERINTEND2NCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL 32 REGIÃO FISCAL Imposto de Renda Pessoa Jurídica Correção monetária - Vasilhames - São bens classificáveis no ativo permanen te sub-grupo imobilizado das empresai distribuidoras de bebidas, sujeitos assim à correção monetária por ocasião do balanço do exercício social. Omissão de receita - O maior saldocre dor ocorrido no estoque de garrafas r caracteriza a aquisição do bem com re ceitas omitidas na contabilidade. Gas tos ativáveis - as despesas com insta lações, consertos e recuperações com prazo de vida útil superior a um ano devem ser ativados para posterior de- preciação ou amortização. Comprovação de despesas - provado que as despesas ou custos estão amparados em documentos comprovadamente inid6- neos é de se exigir o tributo sobre o valor dos mesmos, com a aplicação da multa de 150%, do art. 728, III do RIR/80. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DICOL - DISTRIBUIDORA COELHO LTDA.: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeir Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em REJEIT? as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial recurso para excluir da tributação a importância de Cr$ 3.676.844 (padrão monetário à época), no exercício de 1984, nos termos do V .v. . . .. latOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 27 de abril de 1992. a. --- %-r-'...---,,-11 -11.111!"7»,:._ P4-)'..- ••••5......-T -~' GUE UBER - PRESIDENTE „dádig Is, r tês 999'. À .. - RELATOR 1,440611$ ZA 111 O HO 1ANPA BRAGA - PROCURADOR DA FAZENDA VISTO EM NACIONAL SESSÃO DE: 23 juLl992 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, SONIA NACINO- VIC, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR e DfCLER DE ASSUNÇÃO. ti k'tá 2 Mucter:w SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCE930 R? 10380-008.835/85-89 RECURSOW: 91.698 ACOROZOO: 103-12.144 RECORRENTE: DICOL - DISTRIBUIDORA COELHO LTDA. RELATÓRIO Pelo Auto de Infração de fls. 02 é exigido de DI- COL - Distribuidora Coelho Ltda., C.G.C. n z 07.193.667/0001-05, im posto de renda de pessoa jurídica relativo aos exercícios de 1983 e 1984, por ter a fiscalização apurado o seguinte: Exercício de 1983 - Correção monetária acrescida à conta Fundo de Depreciação Acu mulada, sem que tenha a empre- sa contabilizado encargo de de preciação Cr$ 3.888.869,00 - Correção monetária dos vasilha mes não efetuada no encerramen to do exercício' Cr$ 13.813.420,00 Exercício de 1984 - Valor do maior saldo credor' ocorrido no estoque de garra- fas tipo A-1, caracterizando omissão de receitas em virtude de compras efetuadas com recur sos não contabilizados: . . . Cr$ 751,577/00 DASEFFVOIT - $EC011 NI 065/110 alL SERVICO PUBLICO t(DERAL PROCESSO N2 10380-008.835/85-89 3 Acórdão n 2 103-12.144 - Valor das notas fiscais emiti das por ENPA - Engenharia Pia nejamento e Assessoria Ltda e CIA!. - Constr. Imobiliária Al buquerque Lima Ltda., sucedi- da por Construtora Canindá, lançadas na conta Despesas e/ Instalações e consideradas mi dõneas* Cr$ 19.000.000,00 - Correção monetária dos vasi- lhames não efetuada no encer- ramento do exercido* Cr$ 19.629.619,00 - Despesas com Instalações, con sertos e Recuperação conside- rados com prazo de vida útil superior a um ano* Cr$ 5.776.844,74 - Correção monetária a maior do Fundo de Depreciação Acumula:- da, em virtude de erro no exer cicio anterior* Cr$ 6.088.803,00 A multa aplicada sobre o imposto decorrente das notas fiscais consideradas inidOneas foi a de 150% do artigo 728, III do RIR/80. Com a impugnação de fls. 39/51 a empresa contesta em parte a autuação, argumentando em resumo o seguinte: a) Correção monetária dos vasilhames - que as gar rafas são bens de serviços com valor unitário kY muito inferior ao limite legal estabelecido no art. 15 do D.L. n2 1.598/77 e ainda que os va- silhames devem figurar no Ativo Imobilizado, Y porém não integram o Ativo Permanente para os efeitos da correção monetária; trAgE:_s1001:101) SERVICO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N 2 10380-008.835/85-89 4 Acórdão n 2 103-12.144 b) Valor do maior saldo credor ocorrido no estoque de garrafas - a argumentação é a de que se tra- ta de vasilhames pertencentes a terceiros, seus distribuidores e revendedores; c) Valor das notas fiscais consideradas inidOnease - diz a defendente que ela não possui competên- cia para qualificar uma ou várias empresas de idôneas ou inidôneas e que as empresas arrola s- das na autuação existem e que elas é que devem responder pelos seus atos; d) Despesas com Instalações, Conserto e Recupera- ção - diz que se referem a gastos com quatro pré- dios comerciais e três salas, referentes a lim- peza, pintura, consertos de portas, etc. Trans- creve cláusulas de contratos de locação que ane xa e afirma que o valor de Cr$ 5.776.844,74 na- da representava em termos de custos, consideran do doze meses de conservação, limpeza, reparo e pintura.- A decisão de fls. 114/122 que julgou a ação fis- cal parcialmente procedente e interpôs recurso de ofício, tem os seguintes considerandos: "CONSIDERANDO que o contribuinte recolheu o im- posto correspondente à correção monetária sobre depreciações, quando estas não tinham sido con- tabilizados pela empresa, parte em que se acha inatacável o lançamento; CONSIDERANDO que os vasilhames integram o ative imobilizado da empresa, por se destinarem à ex ploração do seu objeto social, e como tal nã foram corrigidos; CONSIDERANDO que a omissão de receita, não to na fase impugnatória, provada sua improcedêne CONSIDERANDO que não é suficiente afirmar se inidôneas as N. Fiscais das empresas ENPA e carecendo de prova material tal afirmativa; SERVCO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N2 10380-008.835/85-89 5 Acórdão n2 103-12.144 CONSIDERANDO que na apreciação da prova, a au- toridade julgadora formará livremente sua con- vicção; CONSIDERANDO 9ue pela natureza dos gastos rea- lizados em imovel locados sem direito a ressar cimento, resta claro referir-se a melhorias instalações com duração superior a um ano;" Submetido a julgamento o recurso de ofício, foi proposta a diligência de fls. 126/127 que produziu os documentos' de fls. 129/152, cuja análise consta da decisão de fls. _154/160 que deu provimento ao referido recurso para restabelcer a tributa ção constante do auto de infração. Em tempo hábil foi interposto o recurso de fls. 166/171 no qual a empresa argüia preliminar de incompetência do Superintendente Regional da Receita Federal para determinar dili- gencias, visto que no seu entender de acordo com o Decreto número 70.235/72, a competência é exclusiva do Delegado da Receita Fede- ral e também a preliminar de inconstitucionalidade do Decreto n2 75.445/75 que atribuiu aos Superintendentes a competência para o julgamento dos recursos de oficio. Quanto ao mérito argumenta a recorrente que o fia co pretende lançar contra ela imposto de competência de tercei- ros, estando sendo punida por haver feito pagamentos a pessoas ju ridicas consideradas inidOneas, sem que a autoridade tenha apre- sentado o conceito ou a definição do que seja uma empresa inidõ- nea nem o fundamento legal do deslocamento da tributação, por ou- tro lado, em parte nenhuma do processo a autoridade provou que não foram efetuados os pagamentos glosados. Relativamente aos demais itens da autuação a em- presa reitera os itens da impugnação. Vindo os autos a julgamento e constatado que a fiscalizada não havia tomado ciência da decisão do Sr. Delegado • da Receita Federal, resolveu esta Câmara converter o julgamento em diligência, conforme Resolução n2 103-0.793, para que aquela' providência fosse adotada, com reabertura do prazo de recurso. SERVIÇO PISCO FEDERAL PROCESSO N2 10380~008.835/85-89 6 Acórdão ne 103-12.144 A diligência foi cumprida e o recurso de fls. 184 reitera as razões da peça de fls. 166/171. É o relatório. ~ema Nacional SEBVICO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N2 10380-008.835/85-89 7 Acórdão n2 103-12.144 VOTO_ Conselheiro ILCENIL FRANCO, Relator: Recurso tempestivo, dele conheço. A recorrente levanta duas questões preliminares. Na primeira argüi que a autoridade julgadora do recurso de ofí- cio não tem competência legal para determinar diligencias. Com efeito, em qualquer julgamento é lícito ao julgador procurar apu rar os fatos e colher os elementos que entende necessários à so- lução do litígio. Estas providências não tem o caráter de ser a favor ou contra a quaisquer das partes, tem elas sim o intuito de embasar o julgamento. Por este motivo, não vejo como possa prosperar a argumentação do patrono da recorrente, vez que apu- rar a verdade dos fatos á obrigação primeira de quem tem algo a decidir. Em conseqüência, não acolho a preliminar levantada. Quanto a segunda preliminarade inconstituciona- lidade do Decreto n 2 75.445/75 que transferiu, no caso, aos Supe rintendentes Regionais da Receita Federal a competência para jul gamento de recursos de ofiéio, tem este Colegiado inúmeras vezes se manifestado não ser o assunto de sua competência, como ocor- reu recentemente ao ser acatado o' voto do Conselheiro Luiz Henri que Barros de Arruda que resultou no Acórdão n 2 103-11.321. Ante esta situação, também rejeito a preliminar argüida. Vencidas as questões preliminares, passamos ,ao exame do mérito dos itens em litígio, como segue: 1 - Correção monetária de vasilhames - e ponto pacifico na administração tributária e nas várias decisões deste Conselho, que os vasi- lhames de propriedade das empresas distribui doras de bebidas, como é o caso da recorren- te, devem figurar em contas do ativo perma- nente, estando sujeitas à correção monetária obrigatória deste item do balanço. Nestas con 1p knemmlabbe~ SERsne0 PLISUCO fINSAL • PROCESSO N2 10380-008.835/85-89 Acórdão n2 103-12.144 dições, não vejo a menor necessidade de dis- cutir os argumentos expostos na impugnação,' reiterada no recurso. A autuação e a decisão recorrida não merecem reparos nesta parte. - 2 - omissão de receita caracterizada pelo maior saldo credor ocorrida no estoque de garrafas, consideradas como efetuadas com recursos anil tidos na contabilidade - o argumento da re- corrente é o de que se trata de bens de ter- ceiros. A hipótese pode ser efetivamente es- ta, mas a autuada não trouxe aos autos quais quer elementos que comprovasse o alegado, se quer deu informações detalhadas que possibi- litassem uma maior investigação sobre o as- sunto. Nestas condições, é de ser mantida a tributação. 3 - Despesas com Instalações, Conserto e Recupe- ração, considerados com prazo de vida útil superior a um ano - a exigência foi calcula- da sobre o valor de Cr$ 5.776.844,74 e a eis calização juntou aos autos três cópias de no ta fiscal de aquisição de madeiras, fls. 19/: 21 do processo, no total de Cr$ 2.100.000. A empresa se defende dizendo que aquele total se refere a gastos de limpeza, pintura, con- serto de portas, etc, e ainda que foram efe- tuados em imóveis locados. Note-se no entan- to que as notas fiscais anteriormente referi das não fazem qualquer referência a serviços executados logo não podem se vincular ao imóveis locados. Nestas condições, por se t* tarem de materiais com vida útil superior um ano, seu valor deve ser ativado para po tenor amortização ou depreciação. Quanto diferença de Cr$ 3.676.844,74, apurada eni SERVICO MUCO FEDERAI. PROCESSO $2 10380-008.835/85-89 9 Acórdão n2 103-12.144 o valor submetido a tributação de Cr$ ... 5.776.844,74 e o somatório das notas fiscais de Cr$ 2.100.000,00, a fiscalização não trou xe qualquer dado para que se possa verificar a procedência de suas alegações. Diante dis- to, deve a decisão recorrida ser reformada nesta parte para excluir da incidência a par cela de Cr$ 3.676.844,74. 4 - Valor das notas fiscais consideradas inidô- neas - o argumento exposto no recurso contra a decisão do Sr. Superintendente Regional da Receita Federal da 32 Região Fiscal, é o de que o fisco pretende exigir imposto de campe tência de terceiros, estando ela 'sendo pu- nida por haver feito pagamento a pessoas ju- rídicas consideradas inidôneas, sem que a au toridade tenha apresentado o conceito ou a definição do que seja uma empresa inichinea e ainda sem provar que os pagamentos não foram efetuados. Diante de tais argumentos, veja- mos como a autoridade lançadora chegou a con clusão que cabia a exigência: a) de posse da 2 2 via das notas fiscais de serviço de n2 3516 o valor de Cr$ . . . 9.140.000,00, emitida em 23-12-83, por CIAL - Construtora Imobiliária Albuquer-- que Lima Ltda. e a de n 2 0231 no valor de 9.860.000,00, emitida em 15-12-83 por EU- PA - Engenharia Planejamento e Assesso ria Ltda., o autuante conseguiu os segui tes elementos: - termo de declaração do ex-proprietár da CIAL dizendo desconhecer a trans; comercial referente a nota fiscal serviço n 2 3516, fls. 2 SEIWICOPUSLCOMERAL PROCESSO N2 10380-008.835/85-89 10 Acórdão n 2 103-12.144 - termo de declaração do responsável pela sucessora da CIAL dizendo não haver assu mido a direção administrativa da sucedi- da, fls. 26; - declaração da proprietária do imóvel on- de a ENPA diz ser seu endereço, esclere- cendo que o referido imóvel sempre este- ve locado a uma livraria, fls. 31; - apreendeu as duas duplicatas referentes' às citadas notas fiscais, recibadas no verso com data de 20-12-83, fls. 34/35; - lavrou o Termo de Verificação de Documen tos de fls. 33, historiando os fatos, do cumento este citado no Auto de Infração. b) apOs a informação fiscal de fls. 104/105, houve a determinação de diligência cujo re latório de fls. 111/112 tem em resumo o se guinte: - que as notas fiscais acima faziam parte de blocos que foram autorizados pela Se- cretaria de Finanças do Município de For taleza; - que o Contador da recorrente disse que os valores foram pagos a vista e levado - diretamente a conta Caixa; - que o Contador informou que não houve pedição de Alvará ou qualquer outro de mento por parte da prefeitura com res to a construção ou reforma do prédio SURVICONEKOFV" PROCESSO 14 2 10380-008.835/85-89 11 Acórdão n2 103-12.144 - que a ENPA ou qualquer outra construtora funciona ou funcionou no endereço cons- tante da nota fiscal; - que o responsável pela ENPA nunca resi- diu no endereço constante dos cadastros da Receita Federal; - que a CIAL não funciona mais no endereço constante da nota fiscal, não tendo sido possível localizar sua sucessora, naclor calidade indicada por terceiros; - que um dos sócios da sucessora da CIAL não tinha a menor idéia do documentário' fiscal daquela empresa e que outro só- cio não fora localizado sequer no arqui- vo do C.P.F.; - que um ex-sócio da CIAI e um sócio da su cessora não atenderam a intimação para prestar esclarecimentos. c) na fase de preparo do processo para julga- mento do recurso de oficio, foi a recorren te intimada a apresentar os projetos e Cál culos estruturais de que trata a N.E. da ENPA, tendo ela respondido que os mesmos retornaram ao arquivo daquela empresa, fls 131 e 132; d) atendendo a pedido da autoridade julgado a Policia Federal apresentou o Laudodef 146/149, concluindo que a assinatura cc tante do verso da duplicata da ENPA é cIónea. nwcoNsucomerm PROCESSO N 2 10380-008.835/85-89 12 Acórdão n2 103-12.144 Diante do relato acima, concluo que efetivamente a fiscalização. comprovou que os serviços descritos nas notas fiscais de serviços de fls. 24 e 32 não foram realizados pelas emitentes, e que os referidos documentos são de fato inidOneos, não merecendo assim qualquer reforma a decisão recorrida nesta parte. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares levantadas e no márito para dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a parcela de Cr$ 3.676.844,74 no exercício de 1984. 401 1 B .. 1 ql. ), em 27 de abril de 1992. Ik1 O , ot IL .-0 CO RELATOR r 1.1 1~~044~ Page 1 _0049000.PDF Page 1 _0049100.PDF Page 1 _0049300.PDF Page 1 _0049500.PDF Page 1 _0049700.PDF Page 1 _0049900.PDF Page 1 _0050100.PDF Page 1 _0050300.PDF Page 1 _0050500.PDF Page 1 _0050700.PDF Page 1 _0050900.PDF Page 1 _0051100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.010478/2003-66
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR. EXERCÍCIO 1999. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. SÚMULA CARF Nº 41. COMPROVAÇÃO COM LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O lançamento deve considerar como área de preservação permanente aquela comprovada por laudo de avaliação hábil e idôneo. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ITR. RESERVA LEGAL. VALOR NÃO GLOSADO. RECURSO QUE INDICA VALOR MENOR QUE O DECLARADO.
Fica prejudicada a apreciação do pleito acerca da existência de reserva legal, quando o valor declarado não foi glosado e é maior do que aquele indicado no recurso voluntário, pois o Órgão Julgador não está autorizado a agravar a exigência, notadamente após o fim do prazo decadencial.
ÁREA DE MATA NATIVA. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. VIGÊNCIA A PARTIR DO EXERCÍCIO 2007.
No ITR1999 não estava em vigor a permissão legal para excluir da área tributável a área de matas nativas.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO PELO SIPT. CONTRADIÇÃO COM LAUDO DE AVALIAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. POSSIBILIDADE.
Na fase recursal, é permitida a substituição do VTN lançado de ofício pelo apurado em laudo de avaliação, quando esse laudo é elaborado por profissional habilitado, com ART no CREA, e contém os elementos cuja suposta falta foi apontada como a razão de sua não aceitação em primeira instância.
ÁREAS EFETIVAMENTE UTILIZADAS. COMPROVAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
Embora admitido afastar a glosa de áreas declaradas como efetivamente utilizadas, é ônus do recorrente comprovar com Laudo emitido por profissional habilitado a real existências das mesmas na data da ocorrência do fato gerador, com a demonstração objetiva de como o signatário do laudo chegou a conclusão em cada um dos itens, essa demonstração é especialmente importante quando o laudo é elaborado vários anos após da data do fato gerador. Quando a alegislação prevê a redução de valores para apurar a base tributábel, é insuficiente laudo que descrev áreas sem indicar os correspectivos valores.
ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. ÁREA DE PASTAGENS. AUSÊNCIA DE REBANHO IMPEDE CONSIDERAR TAL ÁREA COMO UTILIZADA.
Para que áreas de pastagem sejam consideradas como efetivamente utilizadas é necessário comprovar com documentação hábil e idônea a sua utilização no ano-calendário anterior. A informação em laudo de avaliação do imóvel de que inexiste rebanho no imóvel implica a impossibilidade de classificar áreas de pastagem como efetivamente utilizadas.
Recurso pr
ovido em parte
Numero da decisão: 2802-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da área tributável do imóvel, como área de preservação permanente, 132,51hectares ao invés de 91,5hectares como efetuado no lançamento e substituir o VTN de R$1.850,00/hectare pelo de R$451,86/hectares, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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EXERCÍCIO 1999. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. SÚMULA CARF Nº 41. COMPROVAÇÃO COM LAUDO DE AVALIAÇÃO. O lançamento deve considerar como área de preservação permanente aquela comprovada por laudo de avaliação hábil e idôneo. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ITR. RESERVA LEGAL. VALOR NÃO GLOSADO. RECURSO QUE INDICA VALOR MENOR QUE O DECLARADO. Fica prejudicada a apreciação do pleito acerca da existência de reserva legal, quando o valor declarado não foi glosado e é maior do que aquele indicado no recurso voluntário, pois o Órgão Julgador não está autorizado a agravar a exigência, notadamente após o fim do prazo decadencial. ÁREA DE MATA NATIVA. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. VIGÊNCIA A PARTIR DO EXERCÍCIO 2007. No ITR1999 não estava em vigor a permissão legal para excluir da área tributável a área de matas nativas. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO PELO SIPT. CONTRADIÇÃO COM LAUDO DE AVALIAÇÃO HÁBIL E IDÔNEO. POSSIBILIDADE. Na fase recursal, é permitida a substituição do VTN lançado de ofício pelo apurado em laudo de avaliação, quando esse laudo é elaborado por profissional habilitado, com ART no CREA, e contém os elementos cuja suposta falta foi apontada como a razão de sua não aceitação em primeira instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 04 78 /2 00 3- 66 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 ÁREAS EFETIVAMENTE UTILIZADAS. COMPROVAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Embora admitido afastar a glosa de áreas declaradas como efetivamente utilizadas, é ônus do recorrente comprovar com Laudo emitido por profissional habilitado a real existências das mesmas na data da ocorrência do fato gerador, com a demonstração objetiva de como o signatário do laudo chegou a conclusão em cada um dos itens, essa demonstração é especialmente importante quando o laudo é elaborado vários anos após da data do fato gerador. Quando a alegislação prevê a redução de valores para apurar a base tributábel, é insuficiente laudo que descrev áreas sem indicar os correspectivos valores. ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. ÁREA DE PASTAGENS. AUSÊNCIA DE REBANHO IMPEDE CONSIDERAR TAL ÁREA COMO UTILIZADA. Para que áreas de pastagem sejam consideradas como efetivamente utilizadas é necessário comprovar com documentação hábil e idônea a sua utilização no anocalendário anterior. A informação em laudo de avaliação do imóvel de que inexiste rebanho no imóvel implica a impossibilidade de classificar áreas de pastagem como efetivamente utilizadas. Recurso pr ovido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da área tributável do imóvel, como área de preservação permanente, 132,51hectares ao invés de 91,5hectares como efetuado no lançamento e substituir o VTN de R$1.850,00/hectare pelo de R$451,86/hectares, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Fl. 503DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010478/200366 Acórdão n.º 2802002.549 S2TE02 Fl. 503 3 DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR do exercício 1999 relativo ao imóvel denominado “Fazenda Palmital” com área de 351,1 hectares, situado em São José dos Pinhais/PR, decorrente das seguintes glosas: a) 90,4 hectares de área ocupada com produtos vegetais porque os documentos apresentados não comprovam essa condição; b) área ocupada com pastagens por falta de comprovação, apesar de três intimações para apresentação dos originais das notas fiscais de aquisição de vacina anti aftosa durante ao ano de 1999; c) área utilizada com exploração extrativa por falta de comprovação de plano de manejo em execução ou que estivesse sendo cumprido durante o ano de 1998, em desacordo com inciso III do art. 16 da IN SRF 43/97, com redação dada pela IN SRF 67/97, apesar de existir averbação de Termo de Responsabilidade de manutenção de floresta em manejo em relação a 126,09 hectares; d) área granjeira ou agrícola por falta de comprovação; e) valores das culturas, pastagens e florestas plantadas por falta da comprovação da distribuição da área utilizada do imóvel; f) em decorrência das glosas acima, a área total utilizada declarada com 178,40 hectares e o grau de utilização foram alterados para “zero”. g) arbitramento do Valor da Terra Nua em R$1.850,00/hectare com base no Sistema Integrado de Preço de Terras – SIPT referente ao Município de São José dos Pinhais conforme informado pela respectiva Secretaria Estadual de Agricultura, implicando alteração do VTN Tributável de R$87.147,40 para R$387.707,44; DA IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação tempestiva, fls.39 a 41, através da qual é reafirmado o exercício de atividade produtiva no imóvel; são juntadas fotos para fins de comprovação; é esclarecido que, embora protocolizado plano de manejo sustentado para exploração extrativa no imóvel, "não há interesse por parte dos órgãos ambientais em liberar qualquer espécie de exploração no imóvel"; é alegado que toda a área deve ser considerada como de preservação ambiental e que o valor de mercado do imóvel é baixo como atesta o laudo de avaliação de fls. 69 a 77. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 1ª DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A impugnação não foi conhecida sob fundamento de irregularidade na representação do interessado. 1ª APRECIAÇÃO PELO ANTIGO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Foi determinada diligência para instrução processual e intimação ao contribuinte para: a) Apresentação das notas fiscais de compra de vacina para os animais de grande e de médio porte existentes na propriedade rural sob exame, correspondente ao ano calendário de 1998, cujos dados são informadores do ITR no exercício de 1999. b) Apresentação de declaração expedida por órgão competente, que ateste o quantitativo efetivo do rebanho existente na propriedade sob exame no anocalendário de 1998, bem assim das fichas de vacinação desses animais. c) Se houver, contrato de arrendamento ou de parceria. d) Laudo técnico elaborado por profissional qualificado que informe sobre a existência e a utilização das áreas de pastagens, de exploração extrativa e de atividade granjeira/aquicola, bem assim de produtos vegetais, objeto da glosa efetuada pela fiscalização. DILIGÊNCIA Atendendo à intimação, o recorrente alegou que a Fazenda Palmital é, basicamente, uma floresta e que, em razão das restrições ambientais, não pode ser explorada como era o interesse inicial quando da aquisição da mesma. No intuito de comprovar sua alegação, juntou Laudo de Avaliação retroativo a 1999. 1ª DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Foi proferido o Acórdão nº 220201.611, de 07/02/2012 que determinou retorno à primeira instância para análise das demais questões. 2º JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Deuse novo julgamento em primeira instância, no qual foi indeferida a impugnação. Em síntese, os fundamentos foram: a) a documentação apresentada não comprovou que o grau de utilização do imóvel é superior ao considerado no lançamento; b) a comprovação da área de produção vegetal carece de apresentação de Laudo Técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e registro no CREA, no qual estejam discriminadas as áreas e documentação comprobatória, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituição oficial; no caso de atividade pecuária devem ser discriminadas as áreas utilizadas destinadas à alimentação dos animais, a quantidade de animais por porte e fichas de vacinação expedidas por órgão oficial, notas fiscais de aquisição de vacinas e de produtor referente a compra e venda de gado; Fl. 505DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010478/200366 Acórdão n.º 2802002.549 S2TE02 Fl. 504 5 c) não é possível vincular a foto apresentada ao imóvel fiscalizado nem identificar o signatário do laudo de avaliação (fls. 345/352), além de este último referirse a exercício posterior ao fato gerador ITR/1999; d) o Laudo de avaliação patrimonial não especifica as culturas e respectivas áreas (item 3.1.1 do laudo) e não foi comprovada a produção de culturas hortigranjeiras por meio de notas fiscais de comercialização em 1998 (item 4.3.1 do laudo); d) quanto às áreas de pastagens, não foram juntadas notas fiscais de produtor rural, fichas de vacinação, demonstrativo de movimentação de gado/rebanho para comprovar os animais que foram apascentados na área do imóvel no ano de 1998; e) quanto à área de atividade extrativa, apesar de existir averbação de Termo de Responsabilidade de manutenção de floresta em manejo, não há um plano de manejo aprovado para o período; também não foram comprovadas as áreas utilizadas para exploração de atividade granjeira ou aquícola; d) as áreas de preservação permanente e de utilização limitada não foram glosadas, os laudos apresentados indicam áreas dessa espécie em extensão menor, de forma que em sendo retificada, como requer o impugnante, agravaria a exigência; e) a isenção de área de mata nativa tem vigência somente a partir do exercício 2007; f) o VTN arbitrado com base no SIPT (aptidão agrícola) tem amparo no art. 14 da Lei 9.393/1996, e o laudo apresentado não é hábil a contraditálo porque não atende satisfatoriamente os requisitos da NBR 14.65633 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, pois não indica as fontes pesquisadas para encontrar o preço de avaliação, a metodologia e a memória de cálculo, e não pode ser enquadrado no grau de fundamentação II e III por não conter o mínimo de cinco dados de mercado referentes a imóveis localizados no município do imóvel fiscalizado, na data do fato gerador (item 9.2.3.5, alínea “b” da referida NBR); e g) multa e juros de mora são exigíveis pois possuem previsão legal. 2º RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi intimado da decisão em 10/07/2012, interpôs recurso voluntário em 09/08/2012 do qual se pode extrair o seguinte resumo das alegações: 1. primeiramente, descreve que por algum equívoco na digitalização do processo, houve inversão de posicionamento entre os dois volumes, de forma que o primeiro volume é numerado de 271 a 451, esclarece que todas as menções feitas no recurso empregam a numeração original das folhas dos autos; 2. o acórdão recorrido é omisso em apreciar os últimos documentos e alegações apresentados; 3. as cobranças da Receita Federal foram provocadas por informações equivocadas prestadas por seu irmão, embora tenha autorizado seu irmão a representálo, não tinha ciência das justificativas que aquele apresentava ao Fisco; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 4. contratou advogados e profissionais de engenharia e promoveu diligências em órgão públicos para entregar à Receita Federal os documentos solicitados, agindo de boa fé; 5. a documentação apresentada (fls. 14/270) foi ignorada pelo acórdão recorrido, o que justifica sua anulação; 6. esses documentos devem ser observados para revisão do lançamento, na esteira dos art. 147 e 149 do CTN e o processo administrativo é a seara para tal; 7. o laudo de engenharia (fls. 181 e ss.) comprova que a Fazenda Palmital é formada quase integralmente por áreas submetidas a restrições ambientais, são Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, além de estar situada na Mata Atlântica e na Área de Preservação Ambiental de Guaratuba, o que impede a exploração econômica de quase todo o imóvel e, por essa razão, implica isenção do ITR; 8. o laudo de avaliação (fls. 15/60) indica, em seus anexos, a distribuição das áreas da Fazenda, retroativamente a 1999 (em hectares: Culturas temporárias 3,21; pastagens naturais 16,86; reflorestamento 6,07; granjeiras e aquícolas 1,5, benfeitorias 132,51; Reserva Legal 34,84; floresta nativa secundária, em estágio médio de regeneração 153,55); 9. não há razão para desconfiar das conclusões do laudo, pois elaborado por empresa competente e especializada e assinado por profissional inscrito no CREA; 10. em decorrência da não aprovação do plano de manejo e da desaprovação do Estudo de Impacto Ambiental EIA/RIMA, na prática, desde 1992, não foi possível qualquer exploração dos 150 hectares escriturados na matrícula 32.113; 11. na avaliação do imóvel no âmbito da execução fiscal do ITR2000, o Oficial de Justiça consignou que “Em vistoria feita no local, verifiquei, pelo menos até onde se pode observar, não haver benfeitorias. A terra é coberta de mata, quase que totalmente fechada, tratandose de área de preservação ambiental permanente. Tal ilação se evidencia tendo em vista a localização do imóvel, bem como pelos documentos apresentados pelo Executado”; 12. as fotos feitas pelo Oficial de Justiça constam das fls. 85/87, tratase de servidor com fé pública e suas conclusões devem ser ratificadas; 13. a isenção das áreas de interesse ambiental independe do Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou ao menos reconhecer sua força relativa que pode ser elidida por outros meios de prova trazidos pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010478/200366 Acórdão n.º 2802002.549 S2TE02 Fl. 505 7 Ressaltase que na digitalização do processo há uma inversão de ordem entre os Volumes I e II, de maneira que as folhas indicadas pelo recorrente referemse à numeração original. Neste voto, quando não houver menção expressa, a numeração de folhas corresponderá à numeração original. Preliminares Como razão para anular o lançamento, o recorrente alega que os últimos documentos apresentados não foram apreciados em primeira instância e aponta os documentos de fls. 14/270. O acórdão recorrido referese à impugnação de fls. 313/315, de forma que se refere à numeração após a digitalização (fls. Originais 39/41). Como os documentos de fls. 14/38 (numeração original) não constam da impugnação, não procede a alegação de que não se manifestar sobre eles seria causa de nulidade do acórdão de primeira instância. As fls. 42 a 50 são fotos de um imóvel. O acórdão recorrido consignou que não é possível vincular a foto ao imóvel objeto da autuação. Logo não foi omisso. Vejamos os demais: a) Fls. 51/69 cuidam da solicitação e indeferimento do Plano de Manejo. b) Fls. 69/84 do Laudo de Avaliação do imóvel e seus anexos. c) Fls. 85/107 – despachos de expediente e primeiro acórdão de primeira instância. d) Fls. 108/122 – primeiro recursão voluntário e) Fls. 123/124 – petição ao DRJ Curitiba em que o contribuinte informa que nomeou novo procurador que reforçou os argumentos apresentados na defesa anterior, juntou novos documentos, após alegado mapeamento via satélite, conforme petição de 25/01/2006, entretanto houve o julgamento sem que a petição fosse apreciada. f) Fls. 125/127 Petição protocolada em 25/01/2006. g) Fls. 128 – cópia do memorando que encaminhou à DRJ, em 25/01/2006, a petição de mesma data. h) Fls. 129/142 – despacho da DRJ que tomou petição como recurso voluntário, despachos de expediente. i) Fls. 143/149 – resolução de diligência determinada pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes. j) Fls. 150/157 – despachos de expediente. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 l) Fls. 158/162 – intimação e reintimação referentes à diligência, solicitação de prorrogação de prazo m) Fls. 163/270 resposta à intimação, laudo de avaliação, cópia de escrituras, de processo de embargos à execução fiscal, fotos de imóvel, etc. n) Daí em diante, há cópia de respostas a intimações referentes a outros processos e exercícios. Quanto às fls. 40/270, constatase que houve menção sucinta, mas suficiente, no acórdão recorrido em relação aos documentos que acompanham a impugnação e que não havia obrigatoriedade de apreciação dos documentos apresentados como prova das alegações do recurso voluntário, posto que a decisão determinou o retorno à primeira instância para novo julgamento, implica o dever de ver apreciadas as razões e os fatos que foram objeto da impugnação e não do recurso voluntário. Além disso, o momento para apresentar a documentação é juntamente com a impugnação (art. 15 do Decreto n°70.235/1972), sob pena de preclusão, de forma que a não manifestação em relação a documentos porventura entregues após a impugnação, na Unidade preparadora, e na véspera da sessão de julgamento não constitui hipótese de nulidade. Diante da alegação genérica de não apreciação dos “últimos documentos” e da menção expressa das fls. 40/270, concluise que não houve demonstração objetiva de suposto prejuízo à defesa pela alegada omissão em relação a documentos a partir das fls. 271. O relatório do acórdão recorrido faz menção aos documentos apresentados com a impugnação como constantes das fls. 316/446, o que equivale às fls. originais 42/163 e não há indicação objetiva, por parte do recorrente, de omissão em relação à apreciação de qualquer desses documentos. Do mérito As razões de mérito são introduzidas com argumentação de que foi mal representado por seu irmão, o que ensejou os problemas perante a Receita Federal, porém essa questão fica superada, à medida que será apreciado o recurso voluntário (e documentação que o acompanha) contra a segunda decisão da DRJ, peça protocolada no momento em que já fora providenciada a nomeação do novo procurador, o qual é advogado. Analisase o mérito, a partir da classificação adotada pela Lei 9.393/1996 com base nos itens relevantes neste litígio. DA ÁREA TRIBUTÁVEL (inciso II, do §1º do art. 10 da Lei 9.393/1996) Das áreas de preservação permanente e reserva legal Diante do entendimento sumulado, a excçusão da área de preservação permanente prescinde da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Súmula CARF nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010478/200366 Acórdão n.º 2802002.549 S2TE02 Fl. 506 9 O recorrente teve excluído da área tributável 141,5 hectares, sendo 91,5 de Áreas de Preservação Permanente e 50 de Reserva Legal, tal como constou em sua declaração, ao passo que, no recurso, pleiteia a exclusão de 132,51 e 34,84, respectivamente, com base em Laudo de Avaliação, acompanhado de certidões de registro imobiliário, e alegação de que é dispensável o Ato Declaratório Ambiental – ADA. O laudo de avaliação (fls. 189) comprova área de preservação permanente de 132,51, maior do que os 91,5hectares apurados no lançamento. Diante do exposto, deve ser retficado o lançamento para considerar como área de preservação permanente 132,51hectares. A averbação de fls. 211 – frente indica averbação de área de utilização limitada de 34,84. Fica prejudicada a análise da área de reserva legal, porque o recorrente pleiteia a exclusão de área menor (34,84 hectares) do que aquela adotada no auto de infração (50 hectares) e acatar seu pleito implicaria agravamento da exigência. Da mata nativa. O recorrente alega que 43% do total da área do imóvel é de floresta nativa secundária, em estágio médio de regeneração, integrante da formação Floresta Ombráfila Mista do Bioma Mata Atlântica. Neste ponto, o acórdão recorrido não merece qualquer reparo e seus fundamentos são ratificados como razão de decidir. De acordo com a Lei 11.428, de 22/12/2006, são áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Essa situação deve ser comprovada mediante Laudo Técnico emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica –ART. A possibilidade de isenção das áreas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, incluindo o Bioma Mata Atlântica, foi prevista na referida Lei 11.428, de 22/12/2006, que incluiu a alínea “e” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/96, vigente a partir do exercício 2007. Assim, no exercício 1999 não existia lei isentiva de áreas cobertas por florestas nativas, logo, no referido exercício, há incidência de ITR sobre essas áreas. Da localização em área de Mata Atlântica e Área de Preservação Ambiental. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 O recorrente também alega que o imóvel está situado na Mata Atlântica e na Área de Preservação Ambiental de Guaratuba, o que impede a exploração econômica de quase todo o imóvel. Essa argumentação não o favorece, pois (a) não comprovou essas alegações; (b) quanto à área de mata atlântica aplicase o entendimento referente às matas nativas; e (c) a existência de uma Área de Proteção Ambiental APA não implica automaticamente em reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, posto que essas áreas podem ser exploradas economicamente, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente (estadual ou federal) para área determinada do imóvel. DA ÁREA APROVEITÁVEL (inciso IV do §1º do art. 10 da Lei 9.393/1996) A que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquicola ou florestal, excluídas as áreas (a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; (b) as áreas já excluídas da área tributável (como Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal). DA ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA (inciso V do §1º do art. 10 da Lei 9.393/1996) A porção do imóvel que no ano de 1998 tenha (a) sido plantada com produtos vegetais; (b) servido de pastagem, observado os índices de lotação por zona de pecuária; (c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental (será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte); (d) servido para exploração de atividades granjeiras e aquícolas. Na diligência realizada por determinação do então Terceiro Conselho fora exigido do recorrente: a) Apresentação das notas fiscais de compra de vacina para os animais de grande e de médio porte existentes na propriedade rural sob exame, correspondente ao ano calendário de 1998, cujos dados são informadores do ITR no exercício de 1999. b) Apresentação de declaração expedida por órgão competente, que ateste o quantitativo efetivo do rebanho existente na propriedade sob exame no anocalendário de 1998, bem assim das fichas de vacinação desses animais. c) Se houver, contrato de arrendamento ou de parceria. d) Laudo técnico elaborado por profissional qualificado que informe sobre a existência e a utilização das áreas de pastagens, de exploração extrativa e de atividade granjeira/aquicola, bem assim de produtos vegetais, objeto da glosa efetuada pela fiscalização. Atendendo à intimação, o recorrente alegou que a Fazenda Palmital é, basicamente, uma floresta e que, em razão das restrições ambientais, não pode ser explorada como era o interesse inicial quando da aquisição da mesma. No intuito de comprovar sua alegação, juntou Laudo de Avaliação retroativo a 1999. A glosa efetuada pela Fiscalização foi mantida pela DRJ, cujas razões serão analisadas diante da documentação que se fez juntar aos autos até a fase recursal. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010478/200366 Acórdão n.º 2802002.549 S2TE02 Fl. 507 11 a) Glosa de 90,4 hectares de área ocupada com produtos vegetais, mantida porque os documentos apresentados não comprovam essa condição. A DRJ já consignara que não foi comprovada a produção de culturas hortigranjeiras por meio de notas fiscais de comercialização em 1998 (item 4.3.1 do laudo). O laudo de avaliação elaborado em 2007 indica culturas de hortifrutigranjeiros em área de 3,21 hectares, sem apontar qualquer elemento que permita compreender como se chegou a essa conclusão, sem possibilitar aferir a veracidade dessa informação, notadamente quando se pretende aplicála retroativamente a vários anos. Sem razão o recorrente. b) a glosa da área ocupada com pastagens declarada como 62,0 hectares foi mantida pela falta de comprovação, apesar de três intimações para apresentação dos originais das notas fiscais de aquisição de vacina anti aftosa durante ao ano de 1999 e da não comprovação da distribuição da área utilizada do imóvel. O laudo informa inexistir rebanho e pastagens plantadas na propriedade, porém atesta existir pastagens naturais/pousio de 16,86 hectares e no mapa de uso do solo essa área é identificada. Para efeito de apuração da área efetivamente utilizada – que afetará o grau de utilização não basta a existência da área de pastagem, é indispensável que a área tenha sido efetivamente utilizada como pastagem para animais de grande e médio porte. Se, ao invés de comprovar a existência dos animais por meio de qualquer documento hábil e idôneo, o recorrente apresenta laudo no qual é informado que não existe rebanho, não se pode computar a alegada área de pastagem como efetivamente utilizada (precedentes Acórdãos nº 30333606, nº 30334270 e nº 30134.392). Sem razão o recorrente. c) a glosa da área utilizada com exploração extrativa foi mantida por falta de comprovação de plano de manejo em execução ou que estivesse sendo cumprido durante o ano de 1998, apesar de existir averbação de Termo de Responsabilidade de manutenção de floresta em manejo em relação a 126,09 hectares. O recorrente confirma que não foi deferido um plano de manejo. A existência de plano de manejo aprovado e cumprimento do respectivo cronograma é exigência legal que, por não ter sido atendida, legitima a glosa. c) a glosa da área granjeira ou agrícola foi mantida por falta de comprovação e da indicação da distribuição da área utilizada do imóvel; O laudo de avaliação indica 1,5 hectares como sendo área dessa natureza, sem apontar qualquer elemento que permita compreender como se chegou a essa conclusão, Fl. 512DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 sem possibilitar aferir a veracidade dessa informação, notadamente quando pretende aplicála retroativamente a vários anos. Sem razão o recorrente. DO GRAU DE UTILIZAÇÃO (inciso VI, do §1º do art. 10 da Lei 9.393/1996) É desnecessário analisar o grau de aproveitamento individualizadamente, pois decorre das conclusões em relação aos itens precedentes, uma vez que representa a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. DO VALOR DA TERRA NUA (incisos I e III do §1º do art. 10 da Lei 9.393/1996) O VTN é definido pelo Valor do imóvel menos a exclusão dos valores das benfeitorias, culturas permanentes e temporárias, pastagens e florestas plantadas. O laudo de avaliação (fls. 213) indica reflorestamento em área de 6,07 hectares, sendo 0,85 hectares de Araucária angustifólia e 5,22 de Eucaliptus spp, conforme localização no mapa de uso do solo e indica uma área de 2,60hectares de benfeitorias. Entretanto, aqui não se cuida de excluir áreas para apurar a área tributável e sim comprovar o valor que deve ser subtraído do valor do imóvel para apurar o VTN. Fica prejudicada a análise da comprovação ou não dessas áreas, pois não há qualquer menção aos respectivos valores, devendo a lacuna nesse ponto ser entendida como a subrogação desses valores, se houver, no VTN apurado no Laudo de avaliação. Letígima a glosa da área de florestas plantadas se o laudo de avaliação não indica valores nesse item. O arbitramento do Valor da Terra Nua em R$1.850,00/hectare foi efetuado com base no Sistema Integrado de Preço de Terras – SIPT referente ao Município de São José dos Pinhais conforme informado pela respectiva Secretaria Estadual de Agricultura, implicando alteração do VTN Tributável de R$87.147,40 para R$387.707,44. O laudo de Avaliação do imóvel elaborado por Oficial de Justiça Avaliador (Fls. 248), em 12/09/2008, indica R$595,54 por hectare, com base em informações do mercado imobiliário e, principalmente, nos documentos apresentados pelo executado, baseados em laudos de avaliação. O Laudo de Avaliação apresentado pelo recorrente (fls. 195) indica R$451,86/hectare em 1999 e faz referência à NBR14653:3 para imóveis rurais. O acórdão recorrido não admitiu o laudo com os seguintes fundamentos: Os Laudos apresentados nos autos não atendem satisfatoriamente aos requisitos da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, pois deixaram de indicar as fontes pesquisadas para encontrar o preço da avaliação, a metodologia e a memória de cálculo. Convém ressaltar que de acordo com o item 9.2.3.5, alínea “b”, da NBR 14.6533, o laudo técnico para ser enquadrado nos graus de fundamentação II e III, é Fl. 513DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010478/200366 Acórdão n.º 2802002.549 S2TE02 Fl. 508 13 obrigatório que nele contenha “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”. Esses dados de mercado coletados devem se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador. Dessa forma, não há como, em sede de julgamento, acatarse levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. Entretanto, constatase que o Laudo elaborado pela Avalisul indicou as fontes pesquisadas para encontrar o preço de avaliação (fls. 217), a metodologia (fls. 192 e ss.) e a memória de cálculo (fls. 198 e ss.), baseouse no grau de fundamentação II da NBR14.6533 (fls. 196) e contém mais de cinco dados de mercado (fls. 217/218). Os obstáculos apresentados no acórdão recorrido não são adequados para refutar eficácia ao laudo de avaliação. De outro giro, o laudo apresentado pelo recorrente conjugado com o laudo de avaliação do Oficial de Justiça Avaliador demonstram que demonstram que o valor do SIPT não é o que melhor representa o VTN do imóvel em 1º de janeiro de 1999. Para esse intuito a verdade material é melhor atendida com o Laudo de Avaliação apresentado pelo recorrente. Devese revisar o lançamento para considerar o VTN de R$451,86/hectare. De tudo que foi exposto, votase por rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da área tributável do imóvel, como àrea de preservação permanente, 132,51hectares ao invés de 91,5hectares como efetuado no lançamento, substituir o VTN de R$1.850,00/hectare pelo de R$451,86/hectares. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 514DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13749.000109/91-00
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL FATURAMENTO - EX. 1988 DECORRENCIA
Tratando-se de lançamento reflexivo, a
decisão proferida no processo matriz se
aplica ao julgamento do processo decorrente,
dada a intima relação de causa e efeito que
vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.307
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Ursula Hansen
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RECORRIDA DRF em NOVA IGUAÇU, RJ "AL FALIRAM= - Ex. DECORRE NCIA Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro. Ví4to4, telaíad04 e dí4cutíd04 04 pite4ente3 auto4 de tecut40 ínte/tp04to poiL RUSTIKA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MA- DEIRAS LTM. ACORDAM 03 MembA04 da Segunda Camana do PitímeíAo Con4e1h0 de Conttíbuínte4, po/L unanímídade de u004, negan pto uímen,t0 ao tecuA4o. Sala da4 Se44 -0e4, em 19 de outubto de 1995 a.,..t,....,... ANTONIO DE FREI APS DUTRA - PRESIDENTE _ ) 1 /(1 _---- LORSULAIHANSEN-1 RELATORA i 1 / /- VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DÁ FA- ZENDA NACIONAL SESSÃO DE: 2 O OUT 1995 Pattícípanam, ainda, do pne4eKte julgamento o4 gctínte3 Con4e he1/L04: Waldevan Ai,ve4 de Olíveíta, jo4J Cl jví4 A/ve4, Matía Cia de Andtade 1-ígueínedo, ..1 -i-d,co CJ4at Gome4 da Sílva, ..104J Can/03 Pa43ue//o e Sueli EgígEnía Mende4 de Bnítto. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 13749/000.109/91-00 RECURSO n. 88.280 ACÓRDÃO n. 102-30. 30 7 RECORRENTE RUST1KA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA. RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 e anexos, lavrado contra RUSTIKA Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., CGC n. 30.244.602/0001-55, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu, Ri, formalizando a exigência de FINSOCIAL Faturamento, relativa ao exercício de 1988, no valor de Cr$ 28.895,95 e correspondentes gravames legais. O lançamento, com base no parágrafo primeiro do artigo prieiro do Decreto Lei 1940/82, artigos 2, 16, 80 e 83 do RECOFIS, c/c artigo 22 do Decreto Lei 2.397/87, artigo primeiro da Lei 7.691/88, artigo 28 da Lei 7738/89, artigo 7 da Lei 7787/89 e artigo primeiro da Lei 7.894/89, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - 0/n1WD de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto de Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo 13749/000.108/91-39. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, em 10/07/91, sua impugnação de fls. 07/23, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 527/92,foi proferida às fls. 31/32 e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 07/01/93, reiterando, em suas Razões, juntadas às fis. 33/35, os argumentos formulados na fase impugnatória. O recurso é lido integralmente em Plenário. É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEMO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a. 13749/000.109/91-00 ACÓRDÃO n. 102- 30 . 30 7 VOTO Conselheira Ursula Hansen - Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n. 13749/000.108/91-39. Considerando que, após retorno dos autos de procedimento de Diligência em que foram prestadas informações e sanadas algumas irregularidades de natureza formal, o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 16 de agosto de 1994, foi julgado improcedente, conforme faz certo o Acórdão n. 102-29.. 258; Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecinento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida; Considerando o principio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro; Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso. BRASÍLIA, DF, 19 de o utubto de 1 9 95 URSULA (i Relatora 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10630.000567/2005-36
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF - PAPEL
IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.158-35/2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA DIF - PAPEL IMUNE.
Nos termos do parágrafo único do art. 2º da IN SRF nº. 159/2002, a apresentação da DIF - Papel Imune é obrigatória para aqueles possuidores do registro especial, mesmo que não tenha ocorrido operação com papel imune no período.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3301-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausência momentânea da Conselheira Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.158-35/2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA DIF - PAPEL IMUNE. Nos termos do parágrafo único do art. 2º da IN SRF nº. 159/2002, a apresentação da DIF - Papel Imune é obrigatória para aqueles possuidores do registro especial, mesmo que não tenha ocorrido operação com papel imune no período. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.
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PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DA “DIF PAPEL IMUNE”. Nos termos do parágrafo único do art. 2º da IN SRF nº. 159/2002, a apresentação da “DIF Papel Imune” é obrigatória para aqueles possuidores do registro especial, mesmo que não tenha ocorrido operação com papel imune no período. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 05 67 /2 00 5- 36 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10630.000567/200536 Acórdão n.º 3301001.991 S3C3T1 Fl. 11 2 Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausência momentânea da Conselheira Fábia Regina Freitas. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10630.000567/200536 Acórdão n.º 3301001.991 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento, transcrevo o relatório da DRJ/Juiz de ForaMG. Contra a contribuinte retro qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/09 para exigência de Multa no valor de R$ 210.000,00, decorrente da falta ou atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), relativamente aos trimestres 3° e 4°/2002. 1° ao 4°/2003 e 1° e 2°/2004. O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (fls. 04), merecendo destaque o art. 16 da Lei n° 9.779/99, o art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e os arts. 1° e 10 da IN SRF N°71/2001. Após ciência do Auto de Infração por via postal, em 15/06/2005 (fl. 20) e inconformada com o lançamento, apresentou a contribuinte, em 01/07/2005, a impugnação de fls. 22/33, na qual alega, em síntese: 1°) jamais efetuou qualquer operação com papel imune, razão pela qual acreditou não ser necessária a entrega da DIF; 2°) a não apresentação da DIF não implicou qualquer prejuízo à Receita Federal, tanto em suas funções arrecadadoras (por inexistir valor a recolher) quanto em suas funções controlatícias (por inocorrência de operação com papel imune); 3°) em nenhum dos dispositivos legais registrados nas peças fiscais se encontra expressa determinação legal de que a DIF deve ser entregue, ainda que não tenha havido operações com papel imune, portanto, o lançamento não atendeu ao princípio da legalidade, motivo pelo qual, deve ser cancelado; 4°) a penalidade aplicada é desproporcional e fere os princípios da razoabilidade, da reserva legal proporcional, do nãoconfisco, da capacidade contributiva; 5°) por fim, requer seja julgada procedente a impugnação e cancelado o lançamento ou, caso assim não entenda a autoridade administrativa, seja reduzida a R$ 5.000,00 a multa aplicada (em razão da impossibilidade da multa isolada ser proporcional ao tempo), incidindose o desconto de 70% previsto para o caso presente (por se tratar a autuada de optante pelo Simples). A DRJ julgou improcedente a referida impugnação proferindo acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10630.000567/200536 Acórdão n.º 3301001.991 S3C3T1 Fl. 13 4 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. Lançamento Procedente Não concordando com a referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual em síntese apresenta os seguintes argumentos: que jamais efetuou operação com papel imune e, por esta razão, não havia entregue a DIF – Papel Imune, pois entendia que esta deveria ser apresentada após a primeira transação efetuada pela empresa; que os documentos juntados aos autos comprovam que o valor da penalidade aplicada (R$ 210.000,00) representa bem mais que o dobro de seu capital social (R$ 15.000,00) e sua receita bruta no ano da autuação foi de R$ 63.365,03, estando patente a impossibilidade financeira da multa ser paga; que a IN SRF nº 159/2002 não vinculou a obrigatoriedade de apresentação da DIF – Papel Imune a partir da publicação do Ato Declaratório Executivo que concedeu o Registro Especial, mas sim à efetiva operação com papel imune; cita a declaração de voto do voto vencido da julgadora da DRJ o qual dispôs: “se possível a interpretação teleológica da norma, não consigo identificar uma finalidade que justifique a obrigatoriedade de apresentação dessa declaração para empresas que, apesar de autorizadas (detentoras do RE), nunca efetuaram qualquer operação com papel imune"; que não houve prejuízo para o Erário, seja em suas funções arrecadadoras, seja em suas funções controladoras, decorrente da não apresentação das DIF — Papel Imune, já que a impugnante jamais fez operação com papel imune. A sanção decorre do prejuízo que o agente tenha causado ao bem legalmente protegido, o que não ocorre no caso presente; que não encontra abrigo no CTN a previsão de multa isolada proporcional ao tempo de atraso no cumprimento da obrigação acessória, mesmo porque a impugnante jamais fez operações com papel imune; que a aplicação da multa agride os princípios da razoabilidade, da reserva legal proporcional, do não confisco, da capacidade contributiva, da exclusão e da mitigação da multa pelo poder judiciário. Cita doutrina e jurisprudência a respeito da não observância destes princípios; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10630.000567/200536 Acórdão n.º 3301001.991 S3C3T1 Fl. 14 5 ao final pede provimento ao recurso e subsidiariamente, que a multa de R$ 5.000,00 seja reduzida com o desconto de 70% visto o autuado ser optante do Simples. Posteriormente, em 06/02/2009, fl. 76, o contribuinte apresenta razões complementares para solicitar subsidiariamente, que seja reduzida o valor da penalidade aplicada nos termos da Medida Provisória nº 451/2008 para R$ 100,00, em face da aplicação retroativa da legislação tributária prevista no art. 106, inc. II, “c” do CTN. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10630.000567/200536 Acórdão n.º 3301001.991 S3C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Por entender que a matéria tratada no presente processo é de competência desta 3ª Seção de Julgamento, acato o despacho da 2ª Seção que declinou competência a este colegiado. Ao teor do relatado, tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte, para exigência da multa prevista no art. 12 da IN SRF nº 71/2001, com supedâneo legal no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, por ter deixado de apresentar as DIFPapel Imune, referentes aos anos de 2002 (3º e 4º trimestres), 2003 (1º ao 4º trimestres) e 2004 (1º e 2º trimestres). Por ser a interessada optante do Simples, a empresa foi penalizada com a multa reduzida a R$ 1.500,00 por mês calendário de atraso na entrega, nos termos do parágrafo único do art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Vejamos toda a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº. 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II – cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10630.000567/200536 Acórdão n.º 3301001.991 S3C3T1 Fl. 16 7 Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2°A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPqpel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Na sua impugnação a recorrente deixa claro que é uma empresa que se dedica ao ramo de gráfica que sua inserção no regime especial deuse a seu pedido. Afirma que não apresentou porém a DIFPapel Imune porque entendia que esta devia ser apresentada após a primeira transação com papel imune, operação esta que não teria acontecido. Verificase da legislação acima transcrita que o entendimento esposado pelo contribuinte não deve prevalecer. O parágrafo único do art. 2º da IN SRF nº 159/2002 deixa muito claro que a obrigatoriedade de entrega da DIFPapel Imune, independia de ter havido ou não operação com papel imune. Confirmase assim que a multa aplicada encontra todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento de validade, sendo totalmente descabida a alegação de afronta aos princípios constitucionais alegados no recurso voluntário. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10630.000567/200536 Acórdão n.º 3301001.991 S3C3T1 Fl. 17 8 No entanto, a Lei nº 11.945/2009, trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10630.000567/200536 Acórdão n.º 3301001.991 S3C3T1 Fl. 18 9 § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP Nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF – Papel Imune no prazo estabelecido. O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Assim, considerando que à época dos fatos a contribuinte era optante do SIMPLES e, por aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN, tendo a nova lei cominado penalidade menos severa que a anterior, entendo que o valor da multa aplicada deve ser de R$ 2.500,00 para cada declaração trimestral não apresentada, isto é, para cada uma das oito declarações trimestrais que deixaram de ser entregues (3º e 4º trimestres/2002; 1º, 2º, 3º e 4º trimestres/2003 e 1º e 2º trimestres/2004), reduzindoa para o valor total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Assim, pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o valor da multa aplicada, na forma acima posta. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10630.000567/200536 Acórdão n.º 3301001.991 S3C3T1 Fl. 19 10 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10845.001297/95-87
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Data do fato gerador: 30/11/1991, 31/03/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICA-SE O ACÓRDÃO 303-33.175 FINSOCIAL. DÉBITOS INCLUÍDOS NO REFIS.
O pedido de parcelamento configura ato inequívoco de reconhecimento do débito, a partir da entrega do Termo de Opção e determina a desistência do processo administrativo fiscal, ainda que o débito tenha sido posteriormente excluído do programa de parcelamento.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3102-00.598
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar o acórdão n° 303-33.175, de 24/05/2006 e negar provimento ao Recurso Voluntário.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10845.001297/95-87 Recurso e 329.793 Embargos Acórdão n° 3102-00.598 — 1' Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2010 Matéria Finsocial - falta de recolhimento Embargante - FAZENDA NACIONAL Interessado TRANSPORTE E COMÉRCIO FASSINA LTDA. ASSUNTO: OurRos TnBuros OU CONTIUBUIÇÕES Data do fato gerador: 30/11/1991, 31/03/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICA-SE O ACÓRDÃO 303- 33.175 FINSOCIAL. DÉBITOS INCLUÍDOS NO REFIS. O pedido de parcelamento configura ato inequívoco de reconhecimento do débito, a partir da entrega do Termo de Opção e determina a desistência do processo administrativo fiscal, ainda que o débito tenha sido posteriormente excluído do programa de parcelamento. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar o acórdão n° 303-33.175, de 24/05/2006 e negar provimento ao Recurso Voluntário. --.Lm areei ..- Guerra de Cas - residente ) NA Luiz - i - Relator EDITADO EM: 18/03/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. i Relatório Tornam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista requerimento apresentado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional à fl. 299/303, em face de inexatidão material, decorrente da não apreciação das razões apresentadas pela autoridade da Receita Federal, às fls. 281/285 Verifica-se que, de fato, assiste razão a PGFN. Isto posto, impõe-se uma nova apreciação por esta Eg. Câmara, a fim de que se profira nova decisão, visando corrigir o equívoco ventilado pelo embargante. É o relatório. Voto Cuida-se de requerimento (fl. 299/303) apresentado pela d. Fazenda Nacional, com Mero no art. 58 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, para ver suplantada omissão, face à suposta inexatidão material ocorrida na decisão de fl. 291/294. Pretende a PGFN, em síntese, seja sanado vício, prolatando-se nova decisão, para que os embargos de declaração acostados à fl. 281/286 sejam devidamente apreciados. Antes de adentrar na análise dos embargos, consigno que o requerimento apresentado está previsto no art. 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Isto posto, os embargos são tempestivos e procedem as alegações aduzidas pela embargante no requerimento de fl. 299/303. Explico. Sustenta a PGFN que a decisão exalada à fl. 2911294, ao invés de apreciar os argumentos veiculados nos embargos de fl. 281/286, fez menção às alegações declinadas à fl. 261/263, já julgadas, inclusive, pela decisão de fl. 266/274. Neste sentido, aduz que a questão posta a exame por embargos não foi enfrentada em nenhum de seus quadrantes, pois o julgado cingiu-se a abordar questões alheias ao recurso interposto, fazendo alusão a outros embargos, que já haviam sido julgados anteriormente, em manifesto equivoco. Desta feita, pleiteia a PGFN seja sanado o vício indicado, prolatando-se nova decisão, para que os embargos de declaração acostados às fls. 281/286 sejam devidamente apreciados. Com efeito, nota-se dos autos uma sucessão de embargos, que levaram este julgador a equivocar-se no tocante à apreciação do requerimento de fl. 281/286, razão pela qual acolho as razões explanadas no requerimento de fl. 299/303. 2 Processo dl 10845.001297/95-87 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00398 Fl. 307 Desta forma, passo a apreciar os embargos apresentados às fls. 281/286, opostos tempestivamente, no qual o Serviço de Orientação e Análise Tributária-SEORT, da DRF/Santos, apresentou as seguintes ponderações: (i) o presente processo foi encaminhado pelo SECAT, com base em acórdão do Conselho de Contribuintes, que alterou decisão da DRF/Santos, em tema que diz respeito ao REFIS; (ii) no âmbito do REFIS, o Delegado da Receita Federal decide como única instância (Resolução CG/REFIS n° 31/2003); (g.n.) (iii)não sendo competente a autoridade administrativa nula é sua decisão (art. 104, I, do CC/02); (iii) corãtatadià falta de competência do Conselho-de-Contribuintes ou da- DRJ para alterar o decidido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, no que conceme a matérias do REFIS, necessária uma explicação maior acerca da alegada "indução de erro"; (g n.) (iv) o prazo para o interessado desistir do processo administrativo em litígio administrativo para incluir o mesmo no REFIS era a data de 12.02.2001 (art. 2°, §1° e art. 3° do Decreto n ° 2.712/2000); (g.n.) . (v) o termo de intimação fiscal n° 005/01 é datado de 15.02.2001 (fl. 65) e nesta intimação a empresa não é instada a desistir do REFIS, o que se depreende de sua leitura; (g.n.) (vi) a resposta da empresa é datada de 19.02.01 (fl. 66/67) e o documento de fl. 112 tem data de protocolo de 17.04.01; (g.n.) (vii) a data de 17.04.01 citada pelo interessado à fl. 112 é a data em que o mesmo optou pelo REFIS (fl. 279), o que é confirmado pelos documentos de fl. 68/71; (g.n.) (viii) pela cronologia das datas, observa-se claramente que não era possível ao interessado desistir do processo em litígio administrativo para incluí-lo no REFIS, pois o prazo já tinha se esgotado; (g.n.) (ix) a preclusão temporal é patente no caso ora analisado, pois na data de 17/04/2000 não houve desistência do litígio administrativo, mas opção pelo REFIS; 1 (x) portanto, o interessado estava obrigado a apresentar à unidade da Receita Federal do Brasil a desistência do litígio administrativo e temos que o interessado, em 17/04/2000, optou pelo REFIS e até o prazo de 12/12/2001 não efetuou a desistência como estipulado; (xi)o único efeito que o OF/GEWN° 007/01 está ocasionando e, este sim, é o erro que está ocorrendo, é tanto a DRJ, como o Conselho de Contribuintes, não julgarem a impugnação e o recuiso voluntário apresentados pelo sujeito passivo;(20 é este o efeito irradiado pelo OF/GLIVI/MJ/N° 007/01 que deve ser cessado pelo julgamento dos recursos apresentados pelo sujeito passivo, pois se este não podia desistir do processo para incluí-lo no REFIS, por ter o prazo já se esgotado, e foi intimado a praticar tal ato é este ato (desistência) que deve ser desconsiderado ocasionando por conclusão lógica o julgamento dos recursos interpostos; (xi) no âmbito do REFIS, para efeito de incluir o processo no mesmo, o contribuinte teria sido induzido a erro se a intimação lhe fosse enviada e dada ciência em data anterior a 12.02.01 e lhe desse um prazo que efetuasse sua desistência em data posterior a esta (12.02.01), mas tal fato não ocorreu; (xii)aceitar que o OF/GIM/N° 007/01 teria o condão de reabrir o prazo para desistência dos processo em litígios seria ofender o principio da legalidade; (xiii) há de se observar que a desistência do litígio administrativo é necessária, pois, na eventual hipótese de haver ação judicial, as matérias podem ser distintas; (xiv) das várias questões apresentadas pelo interessado em seu recurso voluntário, observa-se, em relação ao artigo 5° da Lei n° 9.964/2000 e art. 15 do Decreto n° 3.431/2000, citados pelo interessado (fl. 159), que os mesmos não tem relevância, pois dizem respeito a exclusão do REFIS, que somente ocorreu em 2006 (fl. 279), e não a exclusão de processo administrativo do REFIS; (xv)o prazo reaberto pelo art. 14 da MP 75/2002, citado pelo Conselho de Contribuintes, visando a reformar o decidido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, não tem relevância e não guarda relação com a desistência para efeito de inclusão de débitos na consolidação do REFIS; (xvi) o dispositivo legal reabre prazo para possibilitar ao sujeito passivo pagar débitos tributários com a dispensa de acréscimos legais, logo, não pode ser utilizado para reformar o decidido pela instância a quo, por total ausência de pertinência com o assunto (desistência de litígio administrativo para inclusão de débitos no REFIS). Os embargos merecem ser acolhidos. De plano, antes de adentrar na análise da controvérsia, cumpre-me tecer algumas considerações acerca dos Embargos de Declaração. Como tive a oportunidade de consignar alhures, os embargos de declaração não se prestam, em princípio, à reforma de decisões proferidas pela Câmara, já que seu fim precípuo é a integração e complementação do julgado. É que, como regra geral do direito processual, o juiz, ao publicar a sentença de mérito, cumpre e acaba o oficio jurisdicional (CPC, art. 463, caput), não lhe sendo dado o direito de alterar o teor das decisões já proferidas. As únicas exceções são aquelas previstas nos incisos I e II deste mesmo artigo do CPC, também reproduzidas nos artigos 65 do Regimento Interno deste Colegiado. - Ocorre que, em ocasiões excepcionalíssimas, à guisa de esclarecer alguma obscuridade ou sanar omissão ou contradição porventura existente no julgado, ou quando manifesto o erro de julgamento, impõe-se a reforma da decisão embargada, dada sua incompatibilidade com as novas conclusões apresentadas. O efeito modificativo (ou infringente) dos embargos de declaração é, „k,.),portanto, uma decorrência atípica da complementação ou retificação da decisão embargada, 14 Processo n° 10845.001297195-87 S3-C1T2 Acórdão n.°3102-00398 E. 308 jamais podendo ser o objeto único dos embargos declaratórios, mas apenas seu possível desdobramento, em casos excepcionais. Nesse sentido, o entendimento jurisprudencial adotado pelo colendo STJ: "Suprida a omissão, pode, eventualmente, ser alterada a conclusão do acórdão, se incompatível com esse suprimento (argumento do art, 463 — "caput" e II; cf RISTE 338)" Neste sentido: STJ-3°. Turma, Resp 3.192-ES, rel. Min. Waldemar Zveiter, j. 13.8.90, não conheceram, v.u., DJU 3.9.90, p. 8.844; RSTJ 36/435, 407459; RTJ 86/359, 88/325, 112/314, 119/439; STF-RT 569/222; RI' 569/17Z 578/185, 606/210, JTJ 171/246, HA 88/405. "Conquanto não se trate de matéria de todo pacificada, existe • firme corrente jurisprudencial que admite a extrapolação do - - âmbito normal de eficácia dos embargos deckratórios, quando utilizados para sanar omissões, contradições ou equívocos manifestos, ainda que tal implique modificação do que restou decidido no julgamento embargado." (STJ-RT 663/172) destaques acrescentados ao original E nos autos o que se vislumbra é que dos Embargos de Declaração em análise, resultará novo julgamento, modificando o que restou decidido no v. acórdão recorrido, mostrando-se presente a necessidade de se considerar os efeitos infringentes que podem decorrer dos Embargos de Declaração, como será a seguir demonstrado. Com feito, cinge-se a controvérsia na exclusão dos créditos tributários do REFIS, constituídos através do auto de infração (fls. 01/23), decorrente da falta de recolhimento do Finsocial, objeto do litígio deste processo administrativo. O contribuinte intimado após ter apresentado impugnação (fls. 36/40), informou às fls. 66/67 que os processos administrativos foram incluídos no REFIS. Por conseguinte, o contribuinte foi intimado, em 20/03/2001, novamente, a apresentar a desistência da impugnação. Em resposta, apresentou a referida desistência em 17/04/2001 (fl. 112). A Delegacia da Receita Federal, por sua vez, entendeu por excluir o presente processo administrativo, uma vez que o pedido de desistência foi apresentado intempestivamente e determinou a apreciação da impugnação apresentada. Ato contínuo, a decisão recorrida não conheceu a impugnação, posto que os débitos foram incluídos em parcelamento (fls. 140/144). O contribuinte em sua defesa sustenta, sinteticamente, a incompetência do Delegado da DRF para a exclusão de débitos ou empresas do REFIS/2000, uma vez que a competência é exclusiva do Presidente do Comitê Gestor do Refis; não foram observadas as determinações, no que tange a exclusão, das Resoluções n° 09/10, 20/2001 e 24/2002 do Comite Gestor do REFIS. - . Sintetizados, os fatos passo a decidir.- - • I 5 Inicialmente, no que tange a competência do Delegado da Receita Federal de Santos para a exclusão de débitos do REFIS, cabe analisar a legislação de regência. Decreto *3.431 de 24/04/200: Art.22A administração do REFIS será exercida pelo Comitê Gestor, a quem compete o gerenciamento e a implementação dos procedimentos necessários à execução do Programa, riotadamente: • 1-expedir atos normativos necessários à execução do Programa;11-promover a integração das rotinas e procedimentos necessários à execução do REFIS, especialmente no que se refere aos sistemas informatizados dos órgãos envolvidos:1H- homologar as opções pelo REFIS;IV-excluir do Programa os optantes que descumprirem suas condições. Parágrafo imico.0 Comitê Gestor será constituído por ato conjunto dos Ministros de Estado da Fazenda e da Previdência e Assistência Social e integrado por representantes dos seguintes órgãos, indicados por seus respectivos titulares: I-SRF, que o presidirá;II-Procuradoria-Geral da Fazenda Resolução CG/REFIS n 16 de 03 de agosto de 2001 O COMITÉ GESTOR DO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL, constituído pela Portari a Interministerial MF/MPAS 21, de 31 de janeiro de 2000, no uso da competência estabelecida no art. 1° §1°, da Lei n° 9.964, de 10 de abril de 2000, e no art. 2° do Decreto n°3.431, de 24 de abril de 2000, resolve: Art. 1° Atribuir competência aos Delegados da Receita Federal e aos Inspetores das Inspetorias da Receita Federal, classe lié, no âmbito de sua jurisdição, para: 1- apreciar pleitos relativos à rejeição de Termo de Opção pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou pelo parcelamento a ele alternativo; 11- denegar pleitos relativos à: a) apresentação ou complementação da Declaração Refis; b) mudança de opção do Refis para o parcelamento a ele alternativo e vice-versa; TU - decidir sobre outras matérias de caráter operacional atinentes ao Refis, de acordo com orientação do Secretário Executivo. §, I° A apresentação ou complementação da Declaração Refis • poderá ser recepcionada quando tenha sido admitido o correspondente Termo de Opção pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou pelo parcelamento a ele alternativo, anteriormente rejeitado. § 2o A competência de que trata este artigo fica atribuída, também, ao Secretário Executivo do Refis. Processo n0 10845.001297/95-87 83-C1T2 Acórdão n/' 310240.598 E. 309 Art. 2° Na hipótese de pleito relacionado a matéria afeta às atribuições da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a unidade da Secretaria da Receita Federal que o receber deverá encaminhá- lo para decisão dos Procuradores-Chefe ou dos Procuradores Seccionais da Procuradoria da Fazenda Nacional e dos Gerentes Executivos ou dos Procuradores-Chefe do INSS, respectivamente. Art. 3° Ficam convalidados os atos praticados pelo Secretário Executivo na apreciação dos pleitos mencionados no art. l° desta Resolução. Destarte, em análise da legislação retro, infere-se que foi atribuída aos _Delegados da Receita Federal apreciar e denegar pleitos relativos ao Termo de Opção do REFIS. Outrossim, resta prejudicada a alegação de incompetência suscita pelo contribuinte. No que tange a exclusão, ressalta-se que foi excluído o débito e não a pessoa jurídica, razão pela qual não se aplica a legislação transcrita no recurso voluntário contribuinte, a saber o art. 5° da Lei n°9.964/2000 e 15° do Decreto n° 3.341/2000, posto que tratam da hipótese de exclusão da pessoa jurídica do REFIS e não da exclusão de débitos do REFIS. Ademais, nos termos da Resolução CG/REFIS n° 31, de 03.10.2003, no âmbito do REFIS compete ao Delegado da Receita Federal decidir como única e primeira instância. Destarte, não cabe, tal como asseverou acertadamente a decisão recorrida, a este Colegiada realizar qualquer alteração na decisão exarada pela Delegado da Receita Federal acerca do REFIS. Consigne-se também que o contribuinte fora posteriormente excluído do REFIS, por inaditnplência, como se observa do print às fls. 279 dos autos. Ora, ainda que fosse de competência deste Colegiado apreciar a exclusão de contribuinte do REFIS, fato é que a questão estaria superada, posto que o contribuinte foi excluído e não só o débito foi excluído do programa de parcelamento. Por fim, quanto ao mérito, melhor sorte não assiste ao contribuinte. Em que pese o contribuinte, assim como o crédito tributário inserto neste processo administrativo, ter sido excluído do REFIS, nao e possível desconsiderar que houve o inequívoco reconhecimento do débito, não restando mais nenhum litígio. E os efeitos do reconhecimento do débitos fluem a partir da entrega do Termo de Opção, como entende a Câmara Superior de Recursos Fiscais: REFIS — MULTA DE OFÍCIO — EFICÁCIA DO TERMO DE OPÇÃO — A eficácia da confissão de divida, irretratável e irrevogável, no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal — REFIS — se dá a partir da entrega do Termo de Opção, abrangendo todos os tributos que vieram a ser declarados em declaração especial referente ao programa.Recurso especial provido. 7 Por oportuno, o Conselho dos Contribuintes também já decidiu por conhecer do recurso quando o débito for incluído no REFIS: OPÇÃO PELO REFIS — RECURSO NÃO CONHECIDO — A opção pelo Programa de Recuperação Fiscal (REFIS) implica inclusão da totalidade dos débitos da pessoa jurídica até 29/02/00 e sujeita a optante a confissão irrevogável e irretratável da totalidade dos débitos incluídos no Programa (Decreto n°3.431/00, ans. 1°, 3° par. único, art. 5°, § 1°, art. 8°, inc. .1). Desta forma, o recurso interposto pelo sujeito passivo contra a decisão "a guo" não tem objeto, não devendo ser conhecido pela instância superior. (1° CC Rec. 128470) Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário - 1,Itn Lu' oli 5. 1
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Numero do processo: 13976.000377/2002-53
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - BPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DE PI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR.
A receita de produtos adquiridos de terceiros e exportados deve ser excluída da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302.00.014
Decisão: ACORDAM os membros da 3° câmara / 2° turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir as receitas de revendas da receita operacional bruta para cálculo do índice.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - BPI Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE PI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR. A receita de produtos adquiridos de terceiros e exportados deve ser excluída da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. Recurso Voluntário Provido.
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Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE.
No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO DA LEGISLAÇÃO DO IPI. TELECOMUNICAÇÕES. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Incluem-se na base de cálculo do crédito presumido somente as matérias-primas e produtos intermediários que integrarem o produto fabricado ou que forem consumidos no processo de industrialização em face do contato físico direto com o produto em fabricação, desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. Os gastos com telecomunicações não se enquadram no conceito de matéria-prima ou de produto intermediário.
Numero da decisão: 3402-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que negou provimento na íntegra. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP 209.032.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO DA LEGISLAÇÃO DO IPI. TELECOMUNICAÇÕES. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incluem-se na base de cálculo do crédito presumido somente as matérias-primas e produtos intermediários que integrarem o produto fabricado ou que forem consumidos no processo de industrialização em face do contato físico direto com o produto em fabricação, desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. Os gastos com telecomunicações não se enquadram no conceito de matéria-prima ou de produto intermediário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ANALOGIA. POSSIBILIDADE. No regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001 geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas, por analogia ao entendimento exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos do STJ, aplicável ao crédito presumido de IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO DA LEGISLAÇÃO DO IPI. TELECOMUNICAÇÕES. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido somente as matérias primas e produtos intermediários que integrarem o produto fabricado ou que forem consumidos no processo de industrialização em face do contato físico direto com o produto em fabricação, desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. Os gastos com telecomunicações não se enquadram no conceito de matériaprima ou de produto intermediário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que negou provimento na íntegra. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Luiz Fernandes, OAB/SP 209.032. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 06 91 /2 00 9- 29 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o processo de pedido de ressarcimento PER N° 11430.21694.230805.1.1.019049, no montante de R$ 1.481.449,43, no período de apuração do 4º trimestre de 2003, quando ainda não vigia a não cumulatividade da Cofins introduzida pela Lei n° 10.833/2003 (vigente a partir de 01/02/2004). Ao ressarcimento pleiteado, o interessado vinculou várias Declarações de CompensaçãoDCOMP's. O referido pedido foi elaborado com base na Lei n° 10.276/2001, que possibilitou às pessoas jurídicas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais para o exterior, de forma alternativa ao disposto na Lei n° 9.363/96, a apuração ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e a Seguridade Social (Cofins). A autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Uberlândia/MG, com base na Informação Fiscal da SAFIS daquela Unidade RFB, deferiu em parte o pleito da contribuinte, concedendolhe o crédito presumido de R$ 192.108,79 e homologando parcialmente a compensação declarada. Consta na Informação Fiscal da SAFIS da DRF/Uberlândia, em síntese, que: i) Foram excluídas das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem aquelas realizadas por intermédio de produtores rurais/pessoas físicas, não contribuintes da Cofins, em conformidade com o disposto no § 2° do art. 5° da IN SRF n° 69/2001 e no Parecer PGFN/CAT/n° 3.092/2002 (D.O.U. de 30/09/2002), aprovado pelo Ministro da Fazenda com efeitos vinculantes. ii) Não foi levado em consideração, na apuração da base de cálculo do crédito presumido, os gastos com telecomunicações incluídos indevidamente pela contribuinte em seu demonstrativo, vez que tais insumos não podem ser considerados matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem para efeito da legislação do IPI, porque não se integram ao produto final e nem são consumidos no processo de industrialização, em conformidade com a conclusão do Parecer Normativo CST n° 65/79, nos itens 11 e 11.1. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10675.720691/200929 Acórdão n.º 3402002.737 S3C4T2 Fl. 453 3 iii) Por não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, também foram desconsideradas as devoluções de vendas, por se tratar de produtos acabados anteriormente vendidos e posteriormente devolvidos aos estoques de produtos acabados da contribuinte. iv) Tendo em vista que período de faturamento dos gastos com a energia aplicada no processo produtivo, com direito ao crédito, não coincide com o da apuração do crédito presumido, foi aplicada a regra do § 2° do art. 6o da IN SRF 315/2003 (apuração pro rata). v) Em decorrência dos efeitos da não cumulatividade do PIS (Lei n° 10.637, de 2002), o incentivo foi calculado com o índice de 0,03 (§2° do art. 36 e item II do art. 47 da IN SRF 315/2003). vi) Não houve aproveitamento do crédito presumido em compensação com valores de IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz, pois todos os produtos da empresa ou são tributados à alíquota zero ou são não tributados (NT). Também não houve qualquer transferência do mesmo, no todo ou em parte, para outros estabelecimentos da mesma. A contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, conforme consta no Relatório da decisão recorrida, que: 1) os dispositivos legais instituidores do incentivo e do direito de compensação garantem ao contribuinte o direito de compensar créditos relativos ao Imposto sobre Produto Industrializados (art. 4º da Lei nº 9.363, de 1996; art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 14 da IN SRF nº 210, de 2002); 2) apesar da lisura do procedimento de cálculo adotado pelo contribuinte, a autoridade fiscal, equivocadamente, desconsiderou valores decorrentes da aquisição de insumos adquiridos de pessoas físicas, de energia elétrica, dentre outros; 3) as Leis nos 9.363, de 1996 (art. 1º), e 10.276, de 2001 (art. 1º, §1º, inc. I), determinam que será concedido o crédito presumido de IPI sobre aquisições dos insumos utilizados na produção de produtos a serem exportados, sem qualquer ressalva quanto às pessoas de quem são adquiridos tais insumos. Também o Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI), não faz restrições ao direito de crédito; 4) em evidente afronta ao princípio da hierarquia das leis, a Receita Federal, por meio da edição da IN SRF nº 315, de 2003 (art. 5º), limitou o benefício concedido pelas Leis nos 9.363, de 1996, e 10.276, de 2001, ao estabelecer que o direito de crédito somente decorreria de aquisições efetuadas de pessoas jurídicas contribuintes do PIS e da Cofins; 5) à época da aquisição dos insumos vigiam a Lei Complementar nº 70, de 1991, e a Lei nº 9.718, de 1998, que tratavam da incidência cumulativa da Cofins, decorrendo de tais leis a Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 incidência em cascata no processo produtivo não só dos produtos adquiridos de pessoas jurídicas, mas também de pessoas físicas. Ainda que não incidam diretamente no momento da aquisição pelo produtor exportador, a Cofins onera o produto final a eles vendidos, na medida em que se encontra embutida no preço; 6) com a não cumulatividade do PIS, trazida pela Lei nº 10.237, de 2002, foi alterada a forma de cálculo do crédito presumido de IPI. Esse fato não pode servir de pretexto para a fiscalização afastar o direito do contribuinte ao crédito pretendido; 7) corroboram as argumentações acima, decisões do Conselho de Contribuintes, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e do Superior Tribunal de Justiça; 8) a autoridade administrativa também não levou em consideração a totalidade da energia elétrica utilizada no processo produtivo no decorrer do período do ressarcimento, por entender que as contas apresentadas não correspondiam na integralidade ao período de ressarcimento. No entanto, podese verificar das contas anexas, que o período de consumo corresponde ao quarto trimestre de 2003; 9) cumpre também esclarecer que a telefonia, desconsiderada pela fiscalização, é insumo utilizado pelo requerente em sua cadeia produtiva, pois sem ela não seria possível adquirir insumos ou, ainda, concretizar a venda de suas produtos. Apesar de a telefonia não se integrar ao produto final, é inconteste que é utilizada e, portanto, consumida completamente em seu processo; 10) o mesmo conceito utilizado para o enquadramento da telefonia como insumo deve ser aplicado para as devoluções de vendas, pois, ainda que indiretamente, elas retornam ao seu processo produtivo que, frisese, somente se considera finalizado com a venda dos produtos. Por fim, o interessado, em face das razões apresentadas, requereu o reconhecimento integral do crédito presumido requerido e a homologação integral das compensações declaradas. Mediante o Acórdão nº 0938.380, de 16 de dezembro de 2011, a 3ª Turma da DRJ/Juiz de fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. O crédito presumindo do IPI é calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10675.720691/200929 Acórdão n.º 3402002.737 S3C4T2 Fl. 454 5 Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com telecomunicações não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979; Lei nº 9.363, de 1996). A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 15/02/2012, tendo apresentado Recurso Voluntário, em 09/03/2012, mediante o qual alega, em síntese: a) Dos insumos adquiridos de Pessoa Física: A Instrução Normativa SRF n° 315/03, na tentativa de regulamentar a forma de apuração do crédito presumido de IPI, trouxe comando que extrapola os limites autorizados pelas Leis n° 9.363/96 e n° 10.276/01, na medida em que a lei não limitou o direito ao crédito às aquisições de pessoas jurídicas. Não pode a norma hierarquicamente inferior, in casu, a Instrução Normativa, transpor, inovar ou modificar as disposições das normas que complementa, que, no presente caso, se trata das Leis n° 9.363/96 e n° 10.276/01. O Decreto n° 4.544/02, que é ato posterior e também editado pelo Poder Executivo, não traz qualquer restrição ao direito de se utilizar os insumos adquiridos de pessoas físicas na apuração do crédito presumido de IPI, sendo inconteste que não devem ser aplicadas as disposições da Instrução Normativa n° 315/03. À época da aquisição dos insumos vigiam a Lei Complementar n° 70/91 e a Lei n° 9.718/98, que tratavam da incidência da Cofins cumulativa, sobre os produtos vendidos no mercado interno. De forma que a incidência de referidas contribuições se dá em cascata no processo produtivo, onerando os produtos não só das pessoas jurídicas, mas também das pessoas físicas. Sobre os produtos adquiridos, quando das pessoas jurídicas, há a incidência da Cofins, o que acaba por onerar o valor final dos produtos vendidos pela Recorrente. Assim, é inconteste que, ainda que não incidam diretamente no momento da aquisição pelo produtor exportador, a Cofins onera o produto final a eles vendido, na medida em que se encontram embutidos no preço. b) Da Energia Elétrica: Restou consignado, na decisão recorrida, o entendimento no sentido de que as contas apresentadas não corresponderiam, em sua integralidade, ao período do crédito pleiteado, tendo sido procedida à exclusão de referidos valores da base de cálculo do crédito presumido. No entanto, nos termos do inciso I do artigo 4o da Instrução Normativa SRF n° 315/03, o valor relativo à energia elétrica consumida no período será apropriado à base de cálculo do crédito presumido, de forma que, sendo patente que o pleito se refere aos valores relativos de energia elétrica consumida no 4º trimestre de 2003, não haveria que se falar em apropriação pro rata. c) Do Gasto com Telefonia e da Devolução de Vendas: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 A telefonia é insumo utilizado pela Recorrente em sua cadeia produtiva, na medida em que, sem essa, não seria possível a aquisição de outros insumos ou, ainda, a concretização da venda de produtos, de forma que os valores relativos a sua aquisição devem ser adicionados à base de cálculo do crédito presumido. O artigo 147, I do Decreto n° 2.637/98 (Regulamento do IPI) dispõe que geram direito ao crédito os insumos adquiridos para emprego na industrialização, ainda que não integrem o produto acabado, mas sejam consumidos em sua produção. Ora, in casu, apesar de a telefonia não integrar o produto final, é inconteste que ela é utilizada e, portanto, consumida completamente em seu processo. Tanto assim o é que, sem a telefonia, seria impossível à Recorrente adquirir insumos ou, ainda, concretizar a venda de seus produtos. O termo "consumo" constante da legislação deve ser entendido como a utilização do insumo, ainda que em decorrência, apenas, para a aquisição de insumos ou, ainda, venda dos produtos, como ocorrido no presente caso. O mesmo conceito utilizado para o enquadramento da telefonia utilizada pela Recorrente, deve também ser aplicado às devoluções de vendas. Isto porque, ainda que indiretamente, estas retornam ao seu processo produtivo que, frisese, somente se considera finalizado com a venda dos produtos. Por esta razão também deve ser reconhecido o direito da Recorrente ao crédito presumido de IPI apurado sobre as devoluções de vendas. Por fim, protesta a recorrente pela posterior juntada de novos documentos que venham auxiliar o julgamento, face ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto ao pedido de posterior juntada de novos documentos, ele há de ser indeferido, tendo em vista que, no processo administrativo fiscal, a prova deve ser apresentada por ocasião da impugnação ou da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 16, III e §4° do Decreto nº 70.235/72, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, não se tratando de situação que se enquadre nas ressalvas desse dispositivo, que ora se transcreve: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 457DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10675.720691/200929 Acórdão n.º 3402002.737 S3C4T2 Fl. 455 7 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [grifos da Conselheira Relatora] a) Dos insumos adquiridos de Pessoas Físicas: Quanto à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, é consabido que o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. O REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, sendo, portanto, vinculante nos julgamentos deste Conselho Administrativo por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10675.720691/200929 Acórdão n.º 3402002.737 S3C4T2 Fl. 456 9 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Não obstante se trate o presente caso de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/01, e não daquele previsto na Lei nº 9.363/96, entendo, até por uma questão de razoabilidade e isonomia, que o mesmo entendimento do STJ exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG deva ser aqui adotado, vez que não há, no texto de nenhuma das duas leis, a limitação expressa de não inclusão no cálculo do crédito presumido das aquisições de pessoas físicas. Nesse sentido, já decidiu este Conselho Administrativo no Acórdão nº 3403 003.173 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção, de 21 de agosto de 2014, conforme se vê em trecho do voto do Relator Rosaldo Trevisan abaixo transcrito: (...) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF nº 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/ 2003, 419/2004), diante do texto do art. 1º da Lei nº 9.363/1996: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei nº 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1º, § 1: "Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Fl. 460DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 10 como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” O regime da Lei nº 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei nº 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: (...) Veja que o regime alternativo da Lei nº 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei nº 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. É improcedente a glosa, então, neste tópico. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10675.720691/200929 Acórdão n.º 3402002.737 S3C4T2 Fl. 457 11 (...) Assim, por analogia ao entendimento prolatado no REsp nº 993.164/MG, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada para a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que foram indevidamente excluídas pela fiscalização. b) Da Energia Elétrica: Insurgese a recorrente em face da apropriação pro rata dos gastos com energia elétrica, efetuada com base no § 2° do art. 6o da IN SRF 315/2003, que segue abaixo: Art. 6º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no art. 1º: (...) II de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno, utilizados no processo industrial; § 1º No caso de impossibilidade da determinação dos custos referidos no inciso II, deverá ser aplicado às despesas com energia elétrica e combustíveis o percentual obtido pela relação entre o custo de produção e o somatório dos custos e despesas operacionais do estabelecimento industrial. § 2º Não coincidindo o período de faturamento dos custos referidos no inciso II com o período de apuração do crédito presumido, deverá ser feita apropriação pro rata. A fiscalização procedeu a tais ajustes tendo em vista que as contas de energia elétrica incluídas no cálculo pela contribuinte referiamse a outros períodos que não o de apuração. A recorrente meramente alega, sem acrescentar prova diversa da que consta nos autos, que os valores relativos de energia elétrica teriam sido consumidos no 4º trimestre de 2003. Conforme se observa nas notas fiscais de conta de energia elétrica de outubro/2003 a janeiro/2004 das fls. 283/286 com cotas da fiscalização, a apropriação dos valores das contas foi efetuada pelo AuditorFiscal considerando o efetivo consumo em cada mês do trimestre de apuração, tendo em vista que, como é de conhecimento geral, nas contas de energia elétrica a leitura do consumo não é feita exatamente no primeiro dia de cada mês. Dessa forma, por exemplo, para o mês de outubro de 2003, cuja leitura de consumo foi efetivada em 15/10/2003, para se considerar o efetivo consumo de energia no mês de outubro deve ser excluída da conta desse mês a parcela da conta que não se refere ao período entre 1º e 15 de outubro, que é pertinente ao mês anterior. De outra parte, deverá ser acrescentada no mês de outubro a parcela correspondente ao consumo de 16 a 31 de outubro, que será calculada pela proporcionalidade de dias na conta do mês de novembro. Veja o quadro abaixo sobre a apropriação dos valores da conta de energia elétrica ao mês do efetivo consumo: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 12 valor da conta de energia elétrica (R$) data da leitura do consumo parcela de consumo no mês antes da leitura parcela de consumo do mês na conta do mês posterior (R$) consumo total de energia (R$) outubro/2003 112.003,66 15/10 56.001,83 57.022,91 113.024,74 novembro/2003 117.609,76 17/11 60.586,85 50.030,28 110.617,13 dezembro/2003 107.757,53 15/12 57.727,25 61.015,92 118.743,17 janeiro/2004 118.218,35 16/01 4º trimestre/2003 342.385,04 Assim, a fiscalização considerou no cálculo do crédito presumido o valor correspondente à energia efetivamente consumida no referido trimestre, no que nada há a se reparar, conforme também bem justificou a decisão recorrida. c) Do Gasto com Telefonia e da Devolução de Vendas: Conforme definido no art. 3º da Lei nº 9.363/1996, utilizase da legislação do IPI para o estabelecimento do conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem para fins de inclusão na base de cálculo do incentivo. O art. 164, I do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores (4º trimestre/2003), e também a legislação posterior, dispõem que os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados podem creditarse do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também o Parecer Normativo CST nº 65/79, transcrito parcialmente abaixo, que é um ato normativo expedido por autoridade administrativa, nos termos do art. 100, I do CTN, auxilia na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI: 1 Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2º do Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10675.720691/200929 Acórdão n.º 3402002.737 S3C4T2 Fl. 458 13 Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 14 sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exigese uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, alem dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10675.720691/200929 Acórdão n.º 3402002.737 S3C4T2 Fl. 459 15 aceitos, ser incluídos no ativo permanente. (grifos desta Relatora) Desta forma, as matériasprimas e os produtos intermediários que podem ser computados na base de cálculo do incentivo do crédito presumido serão aqueles ligados diretamente ao processo de industrialização: que se integrem ao produto final ou que sofram alterações físicas e químicas em contato direto com o produto em fabricação, mas que não sejam classificados no ativo permanente. Nessa esteira, não há como se adicionar os gastos de telecomunicações da contribuinte à base de cálculo do crédito presumido, pois, embora possam ser essenciais a sua atividade comercial, para contatar fornecedores e clientes na aquisição de outros insumos ou na venda do produtos fabricados, não estão vinculados diretamente ao seu processo de industrialização. Por fim, quanto às devoluções de vendas, excluídos pela fiscalização por se tratar de produtos acabados anteriormente vendidos e posteriormente devolvidos aos estoques de produtos acabados da contribuinte, também não assiste razão à recorrente. Conforme bem assentado na decisão recorrida, cujo trecho consta abaixo, no que a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo no recurso voluntário, a devolução de venda, embora possa ensejar o direito ao crédito básico nas condições previstas no Regulamento do IPI, não traz consequência para o crédito presumido, o qual se apura pelo ingresso dos insumos no processo produtivo dos produtos que serão exportados. (...) No mesmo diapasão em que defende a inclusão de gastos com telefonia na base de cálculo do crédito presumido, já devidamente afastada, declara o contribuinte a condição de insumo para as devoluções de vendas. A tese defendida é de que as devoluções de vendas retornam ao seu processo produtivo que somente se considera finalizado com a venda dos produtos. Por absurda a tese, nem mereceria exame mais minucioso, no entanto, a título de esclarecimento, destacase que: 1) a devolução de vendas representa apenas o desfazimento de um negócio jurídico, não representando novo ingresso de matérias primas, produtos intermediários ou de material de embalagem. O crédito que se dá nestes casos, é o crédito básico, apenas com o intuito de, em sendo o caso, anular eventual débito pela saída de produto tributado. Assim sendo não traz nenhuma consequência quando se trata de crédito presumido, cuja base de cálculo se apura pelos custos do ingresso de matériasprimas, produtos intermediários ou de material de embalagem para ser aplicado no processo produtivo de produtos que serão exportados; 2) a afirmação de que os produtos reintroduzidos pela devolução de vendas são novamente aplicados ao processo produtivo, ainda que possível tal procedimento, também não representaria novo ingresso de insumos, uma vez que já computados os insumos consumidos na produção original, representando tal agir mero reaproveitamento de insumo já utilizado. (...) Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 16 Assim, pelos mesmos fundamentos acima da decisão recorrida, nos termos do art. 50, §1° da Lei nº 9.784/99, entendo que deve ser mantida a exclusão da devolução de vendas da base de cálculo do crédito presumido. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que foram excluídas pela fiscalização, e, consequentemente, aumentar o valor do ressarcimento nessa proporção, admitindo a compensação adicional correspondente. É como voto. (assinatura digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 467DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
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Numero do processo: 10768.009064/2003-17
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. COFINS. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PAGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o pagamento e a base de cálculo da COFINS, através da escrituração contábil da empresa, cancela-se o lançamento decorrente de erro no preenchimento da DCTF.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Acompanhou o julgamento a advogada Nádia Paula Santi, OAB/DF nº. 11.672.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. COFINS. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PAGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o pagamento e a base de cálculo da COFINS, através da escrituração contábil da empresa, cancela-se o lançamento decorrente de erro no preenchimento da DCTF. Recurso de ofício negado.
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ERRO. Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTRAÇÃO DE AREIA KHOURI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. COFINS. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PAGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o pagamento e a base de cálculo da COFINS, através da escrituração contábil da empresa, cancelase o lançamento decorrente de erro no preenchimento da DCTF. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Acompanhou o julgamento a advogada Nádia Paula Santi, OAB/DF nº. 11.672. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 90 64 /2 00 3- 17 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, dos períodos de apuração de abril, maio e outubro a dezembro de 1998 (fls.08/12), no valor de R$ 1.831.826,41, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 30/06/2003. A presente exigência originouse de auditoria interna nas DCTFs apresentadas pelo sujeito passivo, referentes ao segundo e quarto trimestre de 1998, tendo sido verificada a falta de recolhimento do valor nela informado, por não terem sido localizados os pagamentos informados com vinculação aos débitos declarados. Contra a autuação, a contribuinte apresentou impugnação tempestivamente, em 17/09/2013, alegando que os recolhimentos foram efetuados, conforme cópia dos DARFS anexadas aos autos, porém nas DCTFs os valores foram informados globalmente. Ainda menciona o impugnante, que os valores dos débitos de outubro a dezembro, informados na DCTF, estariam muito superiores aos devidos e recolhidos. (fls. 03 A 05). Apreciando a defesa da empresa, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação (fl. 179 e ss.). Na ótica da DRJ há de considerar o cancelamento parcial do crédito tributário lançado, uma vez que através do demonstrativo do recálculo (fls. 171/174), constatou a improcedência total dos débitos relativos aos períodos de abril e maio de 1998 e a improcedência parcial dos débitos relativos a outubro, novembro e dezembro de 1998. Quanto ao recolhimento dos valores devidos, a DRJ confirma os pagamentos efetuados. Eis suas palavras: Quanto ao primeiro item alegado, a Delegacia de origem, em procedimento de revisão de ofício do lançamento, confirmou os pagamentos efetuados, o que resultou no cancelamento integral dos débitos exigidos para os períodos de abril e maio e o cancelamento parcial dos débitos relativos aos meses de outubro a dezembro de 1998. No que se refere ao erro no preenchimento da DCTF apresentada para o 4º trimestre de 1998 e após analise do balancete mensal referente aos períodos autuados (fls. 59/147), e do cálculo da COFINS (fls. 51/57), a DRJ concluiu pela procedência do argumento do contribuinte apresentado na impugnação, referente ao equívoco do preenchimento da DCTF. Resta então analisar o argumento do contribuinte no que se refere ao erro no preenchimento da DCTF apresentada para o 4º trimestre de 1998. Em sua defesa o contribuinte trás aos autos cópia da Ficha 33 da DIPJ/1999 Cálculo da COFINS (fls. 51/57), demonstrativo de cálculo (fl. 50) e cópia do balancete mensal referente aos períodos autuados (fls. 59/147). Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.009064/200317 Acórdão n.º 3202001.160 S3C2T2 Fl. 225 3 A análise dos valores registrados nos balancetes da empresa nos leva a concluir pela procedência do argumento apresentado na impugnação no que se refere ao equívoco no preenchimento da DCTF. No entanto, tais registros contábeis também não confirmam as informações prestadas na DIPJ ou no demonstrativo de cálculo em fl. 50. Ainda assim, o acórdão recorrido encontrou divergências entre as informações dos registros contábeis com as informações prestadas na DIPJ ou no demonstrativo de cálculo (fl. 50). Confirase: Na DIPJ, a empresa calcula a contribuição devida com base na receita bruta de vendas e serviços, sem qualquer informação quanto às exclusões legalmente permitidas. No demonstrativo de cálculo em fl. 50, a impugnante informa a receita bruta da venda de mercadorias e serviços e a exclusão de valores a título de devoluções/cancelamentos. Tais exclusões, contudo, não encontram respaldo nos registros efetuados no balancete da empresa. Em razão das divergências encontradas, a DRJ manteve o crédito tributário de R$ 84,48 (oitenta e quatro reais e quarenta e oito centavos), referentes ao mês de outubro, e de R$ 720,68 (setecentos e vinte reais e sessenta e oito centavos), alusivos a novembro, considerando os valores obtidos através dos balancetes mensais, contas 4.1.017 “receitas de vendas” e da conta 4.1.02.1.03376 “Cancelamento”. Confirase: Diante do exposto, voto por julgar parcialmente procedente a impugnação, mantendo o crédito tributário remanescente relativo aos períodos de apuração outubro e novembro de 1998, nos valores indicados no quadro acima. Tais exclusões, contudo, não encontram respaldo nos registros efetuados no balancete da empresa. Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte não apresentou recurso voluntário pagou o valor remanescente da autuação. Em função do julgamento improcedente do lançamento, os autos foram remetidos ao CARF para apreciação do recurso de ofício, na forma do artigo 34 do Decreto nº 70.235/72. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. Tratase de recurso de ofício contra o acórdão recorrido que julgou, parcialmente, improcedente o auto de infração, lavrado contra o contribuinte, relativo à falta de Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, dos períodos de apuração de abril, maio e outubro a dezembro de 1998 (fls.08/12), no valor de R$ 1.831.826,41, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 30/06/2003. Em sua impugnação, a empresa pediu que fosse julgado improcedente o auto de infração, porquanto tinha efetuado o pagamento dos tributos lançados e o valor remanescente foi resultante de erro de preenchimento de sua DCTF. A DRJ acolheu quase que totalmente a impugnação da autuada, mantendo o auto de infração somente na parte em que lançou os créditos tributários de R$ 84,48 (oitenta e quatro reais e quarenta e oito centavos), referentes ao mês de outubro, e o de R$ 720,68 (setecentos e vinte reais e sessenta e oito centavos), alusivos a novembro. No meu entender, merece ser mantido o aresto recorrido. Com efeito, é irretocável a decisão na parte em que ratificou a revisão ofício do crédito tributário lançado, realizada pela DRF, por ter constatado pagamentos efetuados pela contribuinte. Leiase: Quanto ao primeiro item alegado, a Delegacia de origem, em procedimento de revisão de ofício do lançamento, confirmou os pagamentos efetuados, o que resultou no cancelamento integral dos débitos exigidos para os períodos de abril e maio e o cancelamento parcial dos débitos relativos aos meses de outubro a dezembro de 1998. Também não vislumbro motivos jurídicos nem fáticos para reformar a conclusão do julgado, de que a base de cálculo da COFINS informada na DTCF é incompatível com os balancetes mensais da empresa e com sua DIPJ, sendo correta a decisão da DRJ que recompôs o lançamento para incidir sobre os efetivos fatos geradores do tributo. Confirase: Resta então analisar o argumento do contribuinte no que se refere ao erro no preenchimento da DCTF apresentada para o 4º trimestre de 1998. Em sua defesa o contribuinte trás aos autos cópia da Ficha 33 da DIPJ/1999 – Cálculo da COFINS (fls. 51/57), demonstrativo de cálculo (fl. 50) e cópia do balancete mensal referente aos períodos autuados (fls. 59/147). A análise dos valores registrados nos balancetes da empresa nos leva a concluir pela procedência do argumento apresentado na impugnação no que se refere ao equívoco no preenchimento da DCTF. No entanto, tais registros contábeis também não confirmam as informações prestadas na DIPJ ou no demonstrativo de cálculo em fl. 50. Na DIPJ, a empresa calcula a contribuição devida com base na receita bruta de vendas e serviços, sem qualquer informação quanto às exclusões legalmente permitidas. No demonstrativo de cálculo em fl. 50, a impugnante informa a receita bruta da venda de mercadorias e serviços e a exclusão de valores a título de devoluções/cancelamentos. Tais exclusões, contudo, não encontram respaldo nos registros efetuados no balancete da empresa. Considerando os valores extraídos dos balancetes mensais, contas 4.1.017 – “Receita Bruta de Vendas e Serviços” e Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.009064/200317 Acórdão n.º 3202001.160 S3C2T2 Fl. 226 5 4.1.02.01.03376 – “Cancelamentos”, demonstramos abaixo a base de cálculo da COFINS nos meses em exame, a contribuição devida apurada e os débitos remanescentes após o desconto dos pagamentos efetuados: [...] Ressaltese que os pagamentos acima relacionados foram confirmados pela Delegacia de origem e deduzidos do lançamento de ofício por ocasião da Revisão de Lançamento nº 529/2011. Diante do exposto, voto por julgar parcialmente procedente a impugnação, mantendo o crédito tributário remanescente relativo aos períodos de apuração outubro e novembro de 1998, nos valores indicados no quadro acima. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 228DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 15586.720002/2011-13
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
SERVIÇOS HOSPITALARES - CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas.
Numero da decisão: 1401-001.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 02 /2 01 1- 13 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Trata o processo de auto de infração, com ciência em 07/02/2011 (AR fls. 91), para lançamento de IRPJ no valor de R$ 837.264,09, com multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo aos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009. De acordo com o Termo de Verificação de Infração, fls. 66/68, foram constatados os seguintes fatos: • Verificouse a utilização incorreta do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. • A alíquota foi estabelecida em resposta ao processo de consulta nº 11543.001104/200886, com ciência em 27/05/2010, com a conclusão da aplicação de 32% a incidir sobre a receita bruta da exploração dessa atividade, para determinação do Lucro Presumido. Enquadramento Legal: artigo 15 da Lei nº 9.249/95 e Lei nº 11.727/2008. Inconformada, a autuada apresentou impugnação em 04/03/2011, fls. 167/180, com as seguintes alegações: afirma que a base de cálculo foi fixada em 8% da receita bruta para as prestadoras de serviços hospitalares, sendo que apenas para o período de 2009, em diante, se exigiu forma empresarial e observância às normas da ANVISA. presta serviços de hemoterapia em hospitais ou na sua própria estrutura, com equipamentos específicos próprios, com equipe de médicos, enfermeiros, bioquímicos, técnicos de enfermagem para plantões intrahospitalares e ambulatoriais, em atendimento de urgências e emergências nas 24 horas do dia. é atividade ligada diretamente à promoção da saúde, possuindo uma Agência transfusional dentro de suas instalações, conforme Resolução RDC nº 153, de 14 de junho de 2004 da ANVISA. presta serviços aos hospitais, não restando dúvidas que as atividades de hemoterapia são caracterizadas como “serviços hospitalares”. apresenta o contrato de prestação de serviços de Assistência à Saúde, firmado entre a GEAP – Fundação de Seguridade Social e a autuada, onde estão listados os vários serviços desempenhados. cita jurisprudência que conceitua a hemoterapia como serviço hospitalar. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 15586.720002/201113 Acórdão n.º 1401001.433 S1C4T1 Fl. 418 3 entende que o auto de infração está baseado apenas na vinculação da resposta à consulta formulada pela empresa, no ano de 2008, com dois fundamentos básicos: (a) no conceito de serviços hospitalares, definido em atos normativos administrativos e (b) na interpretação do artigo 15 da Lei nº 9.249/1995 alterado pela Lei nº 11.727/2008. os atos normativos, interpretados profisco, negaram o enquadramento como “serviço hospitalar” as empresas que prestam serviços de hemoterapia. afirma que a matéria está pacificada no STJ, concluindose que serão caracterizados como serviços hospitalares a atividade ligada diretamente à promoção da saúde. cita trecho de voto do CARF no processo administrativo nº 10530.001004/200321 favorável à sua tese. sempre constou no artigo 15 da Lei nº 9.249/95 a expressão “serviços hospitalares”, alegando que o julgador do processo de consulta se equivocou ao aplicar o artigo 11 do CTN. não há que se falar em taxatividade ou em interpretação restritiva para serviços hospitalares, que inclui o serviço de hemoterapia, que estão voltados diretamente à promoção da saúde, citando jurisprudência judicial e administrativa. através do contrato social, comprova que preenche os requisitos previstos pelo artigo 29 da Lei nº 11.727/2008, pois está registrada na Junta Comercial bem como atende às normas de Vigilância Sanitária do Estado do Espírito Santo. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 375 a 386) deu provimento parcial à defesa para exonerar o crédito tributário relativo aos anoscalendário de 2006 a 2008, mantendose a autuação relativamente ao anocalendário de 2009. Em relação ao montante exonerado, a Delegacia de Julgamento recorreu de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 394 a 412, mediante o qual repisou os argumentos já alegados na peça impugnatória. É o relatório do essencial. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Relator Ao analisar a questão suscitada no presente feito, no acórdão nº 120100.552 da Segunda Câmara Primeira Turma, assim me posicionei: Como asseverado nas preliminares, a questão central do presente lançamento está assentada na qualificação jurídica da atividade desempenhada pelo contribuinte, em face da dicção legal que estabelece uma exceção relativa ao percentual de aferição do lucro presumido para os serviços hospitales mais branda (8%) em relação àquele fixado para os serviços em geral (32%). Abaixo, reproduzimos a legislação vigente à época dos fatos: Lei nº 9.249/95 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; O conceito de serviços hospitalares foi questão já enfrentada pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a qual foi sucedida por esta turma de julgamento. Naquela oportunidade, negamos provimento à defesa por unanimidade, conforme ementa abaixo transcrita da lavra do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho: SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não Fl. 420DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 15586.720002/201113 Acórdão n.º 1401001.433 S1C4T1 Fl. 419 5 corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada. (Acórdão nº 10323236; de 30/11/2007) Ao reexaminarmos a questão posteriormente, na oportunidade em que fui relator, mantivemos o mesmo posicionamento, estampado no acórdão 120100.321, de 01 de setembro de 2010, cuja ementa abaixo transcrevo: SERVIÇOS LABORATORIAIS LUCRO PRESUMIDO PERCENTUAL a razão teleológica para a diferenciação entre os percentuais de aferição do lucro presumido está na pressuposta diversidade da margem de lucro entre as atividades empresariais. O que justifica um percentual significativamente menor e determina os contornos semânticos da própria expressão “serviços hospitalares” são seus elevados custos, cujo principal e mais significativo componente são os valores investidos nos equipamentos hospitalares, dentre os quais, os laboratoriais. Em razão disso, as atividades de exames laboratoriais devem também ser tributadas pelo percentual mitigado relativo aos serviços hospitalares. Naquela oportunidade, teci os seguintes fundamentos de decidir: Pela leitura da ementa, sem necessidade de adentramos às minúcias do voto, a razão de decidir busca identificar a teleologia da diferenciação entre os percentuais de aferição do lucro presumido. No caso, entendeuse que a legislação fixa o percentual em razão da presumível margem de lucro de cada atividade. Nesse caso, a prestação de serviços hospitalares se diferenciaria das demais prestações de serviço em razão dos seus elevados custos, o que justificaria um percentual significativamente menor e determinaria os contornos do próprio conceito de “serviços hospitalares” para fins de incidência tributária. Desse modo, como a prestação pessoal de serviços médicos não impõe gastos superiores aos dos serviços em geral, também não poderia ser enquadrada na denominação legal “serviços hospitalares” para fins tributários. Essa razão de decidir se coaduna com provimentos recentes do STJ. Naquela oportunidade, transcrevi em meu voto a seguinte decisão (AgRg nos EREsp 883537 / RS, publicado em 01/07/2010: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ART. 15, § 1º, III, ALÍNEA "A", DA LEI N. 9.249/95. CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1116399/BA, JULGADO EM 28/10/2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 1. A redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos dos arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95, é benefício fiscal concedido de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. A Primeira Seção deste Tribunal Superior pacificou o entendimento acerca da matéria, no julgamento do RESP 1116399/BA, sob o regime do art. 543C, do CPC, em 28/10/2009, que restou assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa Fl. 422DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 15586.720002/201113 Acórdão n.º 1401001.433 S1C4T1 Fl. 420 7 contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. 3. Destarte, restou assentado, àquela ocasião que: "Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. In casu, o Tribunal a quo, com ampla cognição fático probatória, assentou que a empresa recorrida presta serviços de diagnóstico por imagem, compreendendo a radiologia em geral, ultrasonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, densitometria óssea e mamografia, os quais, consoante fundamentação expendida, enquadramse no conceito legal de serviços médicohospitalares, estabelecido pela Lei 9.249/95. 5. Agravo regimental provido para dar parcial provimento ao recurso especial, excluindose da base de cálculo reduzida as simples consultas médicas, consoante a fundamentação expendida, mantendose, no mais, a decisão de fls. 308/323. Naquela época, não havia destacado que essa decisão nada mais fez do que seguir provimento do próprio STJ em recurso repetitivo, o qual atualmente vincula nossas decisões por determinação regimental. Abaixo, transcrevo sua ementa (RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 – BA): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249∕95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429∕95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249∕95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249∕95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727∕08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249∕95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249∕95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão Fl. 424DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 15586.720002/201113 Acórdão n.º 1401001.433 S1C4T1 Fl. 421 9 (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ. 7. Recurso especial não provido. Tanto a minha posição, quanto a do STJ fixada em recurso repetitivo, chegam à mesma conclusão em diversas situações; por exemplo, as atividades laboratoriais se submetem ao percentual de 8%, ao passo que as simples consultas médicas devem ser tributadas pele percentual de 32%. Todavia, elas partem de pressupostos distintos, os quais conduzem a conclusões distintas para outras situações. Entendo que o percentual mitigado para os serviços hospitalares decorre do fato de que essa atividade opera concretamente com margens significativamente inferiores àquelas praticadas na prestação de serviços em geral, uma vez que necessitam de investimentos em equipamentos caros e que depreciam rapidamente em razão do acelerado avanço da medicina. Não há, desse modo, uma concessão de benefício, mas sim a adequação da lei à específica capacidade contributiva manifestada nesse tipo de atividade. Já o STJ entende que a diferenciação é um benefício fiscal, ou seja, o legislador teria estabelecido a diferença tributária, não em razão de considerar a existência de signos contributivos diversos, mas sim para atingir escopos de cunho social, no caso, de fomentar atividades de saúde. Todavia, ainda assim, não interpretou o dispositivo com margens totalmente dilatadas. No entender da Corte Superior, não são todas as atividades ligadas à promoção da saúde, que teriam sido beneficiadas pelo percentual mitigado, nem sequer àquelas exclusivamente prestadas pela classe médica, como as consultas, mas apenas aquelas tipicamente promovidas em hospitais, ainda que possam eventualmente ser prestadas em ambiente externos, como as UTIs móveis e os exames laboratoriais. Desse modo, meu entendimento não é mais nem menos restritivo àquele estampado pelo STJ. Em atividades ligadas à saúde, com custos elevados e margens estreitas de lucro, ainda que não fossem típicas do ambiente hospitalar, decidiria pela aplicação do percentual de 8%, enquanto o STJ aplicaria o de 32%. Já para as atividades com elevada margem de lucro, mesmo típicas do ambiente hospitalar, decidiria pelo percentual de 32%, ao passo que o STJ entende que o percentual aplicável é o de 8%. Neste último caso, podemos citar o valor que uma clínica recebe diretamente do paciente em razão de o médico ter realizado uma intervenção cirúrgica num hospital. Notese, nesse caso, que o valor chega Fl. 425DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 10 “limpo” à clínica, uma vez que o paciente paga outra parcela diretamente ao hospital em razão do uso de suas instalações e equipamentos. O recurso repetitivo julgou o caso de um laboratório, o qual, independentemente do critério adotado, deve ser tributado pelo percentual de 8%, uma vez que é atividade típica de ambiente hospitalar e de elevado custo. Entendo, todavia, que essa decisão é paradigmática e deve ser aplicada de forma vinculante a todas as situações em que se discute a sua qualificação como serviço hospitalar para fins de aplicação do percentual mitigado, uma vez que o STJ deixou bem claro que esta era a sua intenção ao julgar o caso, ou seja, não visou exclusivamente definir a tributação dos laboratórios, mas sim de todos os serviços executados tipicamente em hospitais. No “Instrumento particular de alteração contratual” de fls. 16 consta que a atividade da recorrente é de “Prestação de Serviços Médicos de Complementação Diagnóstica em Anatomia Patológica, Citopatologia e Imunohistoquímica”, a qual, apesar de não necessariamente se enquadrar como um laboratório (poderia, em tese, exercer apenas a atividade de elaborar laudos com base em exames realizados por outras sociedades), seguramente executa atividades típicas de ambientes hospitalares diversas das meras consultas. A eventualidade de prestar serviços clínicos em dissonância do seu objeto social, neste caso, é prova que deveria ter sido formada pela autoridade fiscal em momento oportuno, que não fez. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. A atividade exercida pela recorrente também é típica de ambientes hospitalares e se diferencia da simples consulta. Desse modo, voto por negar provimento ao recurso de ofício e para dar provimento ao recurso voluntário com a exoneração, portanto, integral da exigência tributária. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 426DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.003282/2006-98
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 2002 e 2004
NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — Não há que se falar em ofensa ao principio da ampla defesa, quando todos os fatos estão descritos e juridicamente qualificados pelas nonnas e
pelo enquadramento legal explícitos.
IRPJ/CSLL — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL - O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano.
lmprocede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de
estimativa quando a empresa apura prejuizo em sua escrita fiscal ao final do exercício.
Numero da decisão: 1402-000.242
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carlos Pelá
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEQ.AO DE JULGAMENTO Processo n° 10120,003282/2006-98 Recurso re 167.102 Voluntário Acórdão n° 1402-00.242 — 4a Camara / r Turma Ordinária Sessão de 03 de agosto de 2010 Matéria IRPJ Recorrente HYPERMARCAS S/A, Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 2002 e 2004 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — Não há que se falar em ofensa ao principio da ampla defesa, quando todos os fatos estão descritos e juridicamente qualificados pelas nonnas e pelo enquadramento legal explícitos. IRPJ/CSLL — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DE CSLL - O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. lmprocede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a empresa apura prejuizo em sua escrita fiscal ao final do exercício. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e por maioria de votos, dal provimento ao recurso, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Albertina Silva an 1b C.1; Lim — Presidente os PeId — Relator Processo n° 10120.003282/2006-98 S1-C4T2 Acórdão n,° 1402-00.242 Fl. 2 12 NOV 2010' Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pe ld, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário, fls. 306/320, interposto contra decisão da 2" Turma da DRJ de BRASÍLIA DF, de fls. 292/297, que julgou procedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração de fls. 201/214. Adoto o relatório proferido pela 2' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Feder al de Julgamento de Brasilia/DF (fls, 292/297): "Relatório Tratam os autos de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte acima identificada, onde foram lavrados os autos de infração de multa isolada (11s. 201 a 214), relativo ao RAI e CSLL, perfazendo .um montante de R$ 1.077.444,65. A partir das informações constantes do livro Diário, Lalur e balancetes de verificação, constatou-se falta de pagamento das estimativas apuradas nos meses de janeiro março de 2002 e agosto e setembro de 2004, informacões estas, corroboradas pela apresenta cão das DIPJ correspondentes. A descrição dos fatos e enquadramento legal da infração, encontram-se às folhas 201 a 214. Intimada a manifestar-se quanto 21 falta de recolhimento, a contribuinte afirma que não efetuou o pagamento das estimativas devido à empresa estar no inicio de suas operações, com excessiva despesa operacional, provocando prejuízo fiscal o que não juitificaria o recolhimento, VERIFICAR A DECISÃO DA DIU PORQUE DEVE FALTAR UM PEDAÇO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (f1s, 243 a 254) que dispõe em síntese: Alega que não deve prevalecer o lançamento de oficio em comento, pelos seguintes motivos: 1- Falta ao lançamento a devida segurança jurídica, pois a autoridade fiscal não tipificou corretamente o dispositivo legal embasador da multa isolada, limitando-se a citar 2 Processo n° 10120.003282/2006-98 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.242 Fl 3 genericamente o artigo da lei; arrecadação e não favorecer o acánudo de receitas pela Fazenda Páblica, 2- 0 dispositivo legal que fundamenta o lançamento não deve ser aplicado ao caso em tela, por ser ilegal, pois contraria o CTN, além do fato de que os recolhimentos por estimativa perdem eficácia após a devida apuração do imposto pelo lucro real; 3- Contraria a natureza intrínseca da penalidade, que visa dar suporte àfiscalização e ci Da Preliminar de Nulidade Processual Diz que ele acordo com o art, 10 do Decreto n" 70.23.5/72, deve constar do auto de infração a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável o que não ocorreu no presente caso o qual foi tipificado de forma incompleta. A fiscalização indicou apenas o caput do art. 44 da Lei 9,430/96 ao passo que o artigo especifica várias penalidades, gerando desse modo o cerceamento do direito de ampla defesa e conseqüente nulidade do auto de infração. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes. Da Ilegalidade da Multa Isolada Reconhece que cometeu erros na apuração do imposto de renda, deixando de recolher o imposto devido como estimativa, porém o fez por dificuldades .financeiras na implantação do empreendimento, por ter certeza que teria prejuízo no final do ano-calendário. Tais erros teriam sido corrigidos quando da elaboração do ajuste anual, sem qualquer prejuízo ao erário. Afirma que tal dispositivo legal (art. 44 da lei 9.430), contraria o CTN. O inciso II do art. 44 da Lei 9.430 institui multa isolada por infração a obrigação principal, sendo que a natureza da multa isolada é sempre acessória. Cita, novamente, acórdãos do Conselho de Contribuintes. Poder-se-ia até admitir a validade da multa isolada, enquanto não apurado em definitivo o tributo devido, mas não justifica sua aplicação quando o crédito tributário já se encontra extinto, devidamente declarado c apurado ao final do exercício. A aplicação da multa não possui mais qualquer utilidade para o Fisco, se devidamente declarado o tributo em DCTF e corretamente apurado o valor devido ao final do exercício. Decreto n" 70,235/72, lendo em vista o cerceamento do direito de defesa, representada pela falta Diante do exposto requer: a) Em preliminar, cancelar o Auto de Infração, com base no art. 59, I, do ele tipificação do ilícito apontado; b) No mérito, improcedência do lançamento, decorrente da inaplicabilidade ela multa isolada, pela ilegalidade do inciso lido art. 44 da Lei 9.430/96; . • , e) Improcedência do lançamento, em razão de que a penalidade cominada não mais se aplica após a apuração do lucro real no final do exercicio . E o Relatório" 3 Processo a° 10120003282/2006-98 Sl-C4 T2 Acórdão n.° 1402-00 142 4 Analisando a impugnação, a DRJ julgou procedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração de fis. 449/467, tendo a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/08/2004 a 30/09/2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não 116 que se falar em ofensa ao principio da ampla defesa, quando todos os fatos estão descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento MULTA 1SOLADA, FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA DEVIDA - Cabível a aplicação de multa de oficio isolada, face ao não recolhimento da estimativa devida. ILEGALIDADE - E o administrador um mero executor de leis não The cabendo questionar legalidade ou constitucionalidade do comando legal, A análise de teses contra legalidade e constitucionalidade de leis e. privativa do Poder Judiciário.. Lançamento Procedente" Inconformado com a decisão da DRJ, a Recorrente interpás Recurso Voluntário (fls.306/320) alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação. o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Peld Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Inicialmente verifica-se que os débitos cobrados nesse processo correspondem a multa isolada sobre antecipações de IRPJ e CSLL dos anos calendário 2002 e 2004 que não foram recolhidas. Ressalte-se que em ambos os exercícios a empresa ao final do ano apurou prejuízos fisCais e base negativa de CSLL e a autuação ocorreu após o encerramento desses exercícios A fiscalização utilizou o LALUR, as demonstrações financeiras e a DIPJ da Recorrente. Sobre os valores de IRPJ e CSLL, informados em DIPJ e não recolhidos, foram 4 Processo n° 10120 003282/2006-98 S 1 -C4T2 Fl 5 Acárd5o n.° 1402-00.242 aplicados multas de 50%, nos termos do artigo 44 da Lei no 9430/96, corn redação alterada pelo artigo 18 da MP n° 303/06. Após essa consideração inicial, passa-se à análise da preliminar de nulidade Suscitada pela Recorrente. Preliminar Preliminarmente, alega a Recorrente que ocorreu cerceamento em seu direito de defesa, pois no auto de infração a autoridade coatora citou apenas o caput do artigo 44 da Lei n° 9430/96, deixando de informar o inciso correto. Ressalta também que o art. 10 do Decreto n° 70235/72 é taxativo, e a falta citação do enquadramento legal de forma completa acarreta a nulidade do auto de infração. Por fim, cita a Recorrente diversas ementas de acórdão deste conselho acerca da nulidade de autos de infração. Para solucionar essa questão, é importante analisar a "descrição dos fatos e enquadramento legal" do auto de infração (fls. 202/203 e 209/210), onde a fiscalização descreveu exatamente como foi calculada a multa isolada: a) com base em LALIJR, Livros Diário e DIPJ dos ACs. 2002 e 2004 foi constatado que a Recorrente informou débitos de IRPJ e CSLL; b) os citados débitos de IRPJ e CSLL não foram recolhidos. Tal fato foi confirmado pela Recorrente ao responder intimação da D, Fiscal, cuja resposta em síntese foi que a empresa apurou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL nesses exercícios; c) a falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada enseja aplicação de multa isolada, de que trata o art. 44 da Lei n° 9430/96, com a aplicação da multa de 50% trazida pelo art. 18 da MP n° 303/2006, 5 Processo n 0 10120.003282/2006-98 S1-01T2 Fl 6 Acórcido n ° 1402-00.242 Assim, no corpo do auto de infração, a Fiscalização demonstrou como foi calculada a exação, bem como mencionou o artigo 44 da Lei n° 9430/96, in verbis: " Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de folio de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqiienta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts, 71, 72 e 73 da Lei re 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas.' - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; ill - isoladamente, no caso de pessoa fisica sujeita ao pagamento mensal do imposto (came- ledo) na forma do art. 80 da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de faze-1o, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente; V - isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. § 2' Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e lido caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente_ Dessa forma, da leitura do auto de infração, bem como do artigo 44 da Lei n° 9430/96 (citado no Auto de Infração), fica evidente que o enquadramento legal utilizado pela D. Fiscal fbi o artigo 44, §1 0, IV, da Lei n° 9430/96. Ademais, a Recorrente claramente entendeu qual a infração que lhe foi imputada, já que no corpo da "Impugnação" (fls. 242/259) e do "Recurso Voluntário" (fls. 306/320) focou com precisão o dispositivo. 1 Processo n° 10l20.003282/2006-98 S1-C4T2 Acórdão n •° 1402-00.242 Fl. 7 Por fim, cita a Recorrente diversas ementas de acórdãos deste conselho que não são aplicáveis ao presente processo, já que os fatos são outros e não condizem com o caso em concreto. Desta forma não deve prevalecer o argumento da Recorrente quanto a nulidade do auto de infração. Mérito Como dito anteriormente, a questão a ser examinada refere-se à multa isolada aplicada após o encerramento de exercícios em que a autuada apurou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL ao final do encerramento dos exercícios autuados (2002 e 2004). Assim, no momento da autuação, 20/07/2006, a fiscalização sabia que a Recorrente havia apurado prejuízo fiscal e base negativa de CSLL nos anos calendário 2002 a 2004. Por sua vez, o artigo 44 da Lei n° 9430/96, vigente nos anos calendário de 2002 e 2004, dispõe que a multa isolada sobre falta de recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL é aplicável sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, vale dizer que deve haver uma obrigatoriedade do recolhimento de tributo ou contribuição, seja em forma definitiva seja como antecipação. Após o levantamento do balanço, a base de cálculo da multa devera ser a diferença entre o imposto de renda sobre o lucro real anual e as estimativas recolhidas se menores que as obrigatórias, pois esta é a base de calculo nos termos do caput do artigo 44 da Lei 9,430/96. No caso vertente, o lançamento foi formalizado em 20/07/2006, quando se sabia que, em todos os períodos alcançados pela fiscalização, o contribuinte não obteve lucro real anual, ou seja, operou com prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, de modo que inexiste base de calculo para a aplicação da penalidade (multa isolada). Nesse sentido já se pronunciou a Camara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica do Acórdão CSRF/01-05,201 (14/03/2005) e do Acórdão CSRF/01-05,588 (5/12/2006), os quais tem ementa idêntica: 7 Processo no 10120.003282/2006-98 SI-CA F2 Acórdão n.* 1402-00.242 Fl. 8 "WV — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA - PREJUIZO FISCAL - O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sabre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano, O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano, hnprocede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a empresa apura prejuízo em sua escrita fiscal ao final do exercício. "(Acórdão CSRF/01-05.201 e Acórdão CSRE/01-05.588) Isto posto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário no tocante h preliminar e DAR provimento ao Recurso , Voluntário quanto ao mérito. 8 Processo n° 10120.00.3282/2006-98 S 1 -C47-2 Fl. 9 AcOrdlio n.° 1402-00.242 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se urn dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 12 NOV 2010 Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [J apenas corn ciência; []com Recurso Especial; [ ] corn Embargos de Declaração. 9
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