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Numero do processo: 10715.002600/88-42
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 1991
Ementa: CLASSIFICAÇÃO .
1. Divergência entre a classificação adotada pela importadora para o produto "Cultura de. Microorganismos vivos código TAB 3002.06.00 e aquela da fiscalização código TAB 21;06.01.02.
2. Ambos os códigos foram colocados: de forma equivocada. O Laudo do Labana-Rio indicou que o produto tratava-se de levedura viva e o Fisco classificou-o como levedura morta.
3. Recurso provido.
Numero da decisão: 301-26.439
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Itamar Vieira da Costa, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: IVAR GAROTTI
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO . 1. Divergência entre a classificação adotada pela importadora para o produto "Cultura de. Microorganismos vivos código TAB 3002.06.00 e aquela da fiscalização código TAB 21;06.01.02. 2. Ambos os códigos foram colocados: de forma equivocada. O Laudo do Labana-Rio indicou que o produto tratava-se de levedura viva e o Fisco classificou-o como levedura morta. 3. Recurso provido.
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ACORDÃO N.'.3.01-2.6 ..•.4.3.9 Recurso n.O 110.410 Processo nº 10715-002600/88-42 Recorrente MERCK S. A. INDdsTR IAS QU fM ICAS. Recorrid a IRF-A IRJ-RJ • CtASSIFICAÇÃO . 1 •. Divergincia entre a classificaçio adotada pela 'I,' dora para o produto "Cultura de. Microorganismos código TAB 3002.06.00 e aquela da fiscalizaçio TAB 21;06.01.02. 2. Ambos os cód igos foram colocados: de forma equ ivocada. O Laudo do Labana-Rio indicou que o produto tratava-se de levedura viva e o Fisco classificou-o como levedura mOL ta. 3. Recurso provido. Vistos, relatados e discwtidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, ven cido o Conselheiro Itamar Vieira da Costa, na forma do relatório e ,yoto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF 12 e março de 1991. Presidente.ITAMAR,'- IVAR GAROTTI I CONRAD-~R~ - Proc. da Fazenda Nacional. 09 Ai199 Participar, m, ainda do presente julgamento os seguintes Con selheiros: FLÁVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, LUIZ ANTONIO JACQUES.e os Suplehtei~~SANDRA MIRIAM DE AZEVEDO MELLO e PAULO C~SAR BASTOS CHAUVET. Ausentes os Conselheiros: WLADEMIR CLOVIS MOREIRA e JOS~ THEODORO MASCARENHAS MENCK. VISTO EM SESSÃO DE: , a que I I. • SE~VICO PUBLICO FEDERAL. MEFP - TERCEIRO CONSELHO~:DE CONTRIBUINTES, Iª CÂMARA. RECURSO Ng 110.410 ACÓRDÃO Ng 301-26.439 RECORRENTE: MERCK S/A. INDÚSTRIAS QU1MICAS. RECORRIDA: IRF - AIRJ - RJ. RELATOR : CONSELH£lio~ IVAR GAROTTI. R E L A T Ó R. I O A recorrente foi intimada a recolher crédito tributário Fazenda Nacional, por haver -importado mercadoria diversa daquela consta na GI e na DI correspondentes. O recorrente declarou o produto: "Cultura de microorganis- mos vivos liofilizados para.uso farmaciutico" eclassificou-o.na posi- çao - 30.02.06.00 -. A autoridade fiscal baseada em laudo do lABANA, transferiu a classificaçio para a posiçio 21.06.01.02, própria de leveduras mortas, e aplicou as multas dos arts. 524 e 526, 11, do RA, nio obtendo ixito em lª Instância e recorrendo a este Conselho, seu processo foi aprecia- do pela 3ª Câmara deste Conselho, que, via da resoluçio nº 303.0214, de 05.07.89, acolheu o pedido do recorrente para converter o processo em diligência ao lABANA, formulando seus quesitos. retornando da diligência, o processo é remetido para esta lª Câmara, para julgamento. o I SE~VICO PÚBLICO FEOERA.L v O T O -3- Rec. 110.410 AC.301-26.439 • 1. A mercadoria em questão, classificado pelo recorrente - "cul tura de microorganismos vivos liofilizados para uso farmacêutico - Sa£ charomyces Cerevisiae Hansen CBS 5926 - é usada na fabricação do produ- to "Floratyl", empregado nos processos diarréicos. O paciente ingere o microorganismo vivo (fungo) q~e se desenvolve em col&nias nos intesti- nos e destroi as bactérias causadoras da diarréia. 2. ,Para'desclassificar a mercadoria do código 30.02.06.99, o agen te fiscal baseou-se no laudo, onde o laboratório oficial grifa o termo "não liofilizado" e assim conduz a mercadoria para o código 21.06.01.02, próprio das leveduras mortas. 3. Em seu pedido de diligência, acolhido pela 3ª Câmara, a re- corrente formulou quesitos e entre eles, destaco: "por que a cultura de microorganismos importada é uma lêvedura morta?" e "por que a cultura de microorganismos importada não é liofilizada?". O ilustre relator da 3ª Câmara no entanto, preferiu a se- guinte formulação: - "podq uma levedura morta (não liofilizada) apresentar crescimento de col&nia?". 4. Não obstante o conte~do deste quesito indicar ligação entre produto "não liofilizado" com "levedura morta", a resposta do lABANA não deixa d~vida de que o processo de liofilização independe de que a levedura esteja viva ou morta e que (ê essa resposta é fundamental pois envolve o centro da discussão), uma levedura morta não pode apresentar crescimento de col&nia. Isto posto e considerando que; a) o fato do relatório lABANA declarar que o produto é "não liofilizado" (sem esclarecer porque), não tem nenhuma importância para a solução do impasse, uma vez que constata, na análise microbiológica, o crescimento de col&nias e afirma mais adiante que levedura morta nao pode apresentar tal crescimento; b) o produto farmacêutico "Floratyl" nada mais é que o fun- go denominado "Saccharomyces Cerevisiae Hansen CBS 5926", ingerido vivo peio paciente; o que: c) a autoridade fiscal equivocou-se ao interpretar o relatQ rio lABANA e, consequentemente, equivocou-se também na reclassificação da mercadoria, enquadrando-a na posição de levedura morta, -4- Rec. 110.410 Ac.301-26.439 SEAVICO PUBLICO FEOERAL Voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. • Sala das Sessões, ma ço de 1991 . 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013297/2007-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
SÚMULA CARF N° 11
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
DEDUÇÃO.DESPESAS INSTRUÇÃO.
Restabelece-se a dedução de pagamentos de despesas com instrução quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos.
DEDUÇÃO. DESPESAS DEPENDENTE. INSTRUÇÃO.
Restabelece-se a dedução de pagamentos de despesas com dependente, e com sua instrução, quando o contribuinte provar a relação de dependência, e que realizou tais pagamentos.
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. PEDIDOS DE
PROVAS ROBUSTAS PELO FISCO. POSSIBILIDADE.
O direito às deduções de despesas médicas está condicionado à prova da realização dos serviços prestados, e dos seus pagamentos. Provas estas que devem ser analisadas em conjunto, e dentro do contexto apresentado. Quando as provas apresentadas não forem suficientes, pode o fisco solicitar mais elementos probantes.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2801-001.845
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer deduções no montante de R$7.000,76, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 SÚMULA CARF N° 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DEDUÇÃO.DESPESAS INSTRUÇÃO. Restabelece-se a dedução de pagamentos de despesas com instrução quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos. DEDUÇÃO. DESPESAS DEPENDENTE. INSTRUÇÃO. Restabelece-se a dedução de pagamentos de despesas com dependente, e com sua instrução, quando o contribuinte provar a relação de dependência, e que realizou tais pagamentos. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. PEDIDOS DE PROVAS ROBUSTAS PELO FISCO. POSSIBILIDADE. O direito às deduções de despesas médicas está condicionado à prova da realização dos serviços prestados, e dos seus pagamentos. Provas estas que devem ser analisadas em conjunto, e dentro do contexto apresentado. Quando as provas apresentadas não forem suficientes, pode o fisco solicitar mais elementos probantes. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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DEDUÇÃO.DESPESAS INSTRUÇÃO. Restabelecese a dedução de pagamentos de despesas com instrução quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos. DEDUÇÃO. DESPESAS DEPENDENTE. INSTRUÇÃO. Restabelecese a dedução de pagamentos de despesas com dependente, e com sua instrução, quando o contribuinte provar a relação de dependência, e que realizou tais pagamentos. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. PEDIDOS DE PROVAS ROBUSTAS PELO FISCO. POSSIBILIDADE. O direito às deduções de despesas médicas está condicionado à prova da realização dos serviços prestados, e dos seus pagamentos. Provas estas que devem ser analisadas em conjunto, e dentro do contexto apresentado. Quando as provas apresentadas não forem suficientes, pode o fisco solicitar mais elementos probantes. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer deduções no montante de R$7.000,76, nos termos do voto do Relator. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10980.013297/200715 Acórdão n.º 280101.845 S2TE01 Fl. 99 2 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Por meio do Auto de Infração de fls. 06/11, exigese da contribuinte R$ 7.953,51 de imposto suplementar, R$ 5.965,13 de multa de ofício de 75%, e encargos legais, em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2003, ano calendário de 2002. 0 lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 07 e 07/verso, referese à consideração de que houve dedução indevida de dependentes (R$ 2.544,00), de instrução (R$ 5.994,00) e despesas médicas (R$ 20.383,86), por falta de comprovação. Consta que a contribuinte intimada, em 07/03/2007, não teria comparecido para apresentar os comprovantes solicitados. Cientificada em 09/10/2007 (fl. 26), a contribuinte apresentou tempestivamente, em 26/10/2007, a impugnação de fls. 01/04, instruída com os documentos de fls. 12/18, onde alega que o lançamento não tem a menor procedência, porquanto teria recebido rendimentos tributáveis e pensão alimentícia; sendo inexigível a multa como mora em débito tributário, pois, segundo a evolução jurisprudencial esta pertenceria a categoria das penalidades ressarcit6rias que serviam para compensar o não pagamento tempestivo dos impostos, procedimento que vem ruindo em razão de decisões judiciais, não podendo a administração valerse de entendimentos passados, negando a existência do art. 138 do CTN; que uma interpretação mais correta da legislação traçou uma visão mais coerente e justa para aqueles que por uma razão ou outra deixaram de recolher os tributos devidos e que procuram os órgão responsáveis denunciando espontaneamente seus débitos, parcelandoos ou quitando; entende que não cabe examinar o momento e a conveniência do seu erro e sim da fonte pagadora de não ter Fl. 120DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10980.013297/200715 Acórdão n.º 280101.845 S2TE01 Fl. 100 3 efetuado a retenção do imposto na fonte, sendo desta a responsabilidade pela não retenção, a qual devia ter sido punida e fiscalizada; considera indevida a aplicação da multa estipulada no auto de infração, observando que o art. 145, § 10 da CF/1988, atribuem ao imposto aspecto formal, graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte; que o crédito encontrase em debate administrativo e judicial, não podendo gerar denúncia por óbvio. Por fim, requer a impugnação do auto de infração, em virtude de não ter recebido a notificação para apresentação de documentos em sua residência ou local de trabalho; informa seu novo endereço (Rua Pe. Anchieta, 1808, at° 32 — Bigorrilho); indaga porque teria recebido o auto de infração em seu local de trabalho e não a notificação no mesmo local, parecendo tendencioso encontrála para aplicar sanção tributária, sem oferecerlhe chances mínimas de defesa. Passo adiante, a 4a Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: CONTRADITÓRIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DESNECESSIDADE. O contraditório no âmbito do processo administrativo fiscal 6 estabelecido a partir da impugnação ao lançamento, não havendo a necessidade de o contribuinte ser previamente intimado para se manifestar sobre o crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnat6ria com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. DIREITO AS DEDUÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO. mingua de comprovação, cabível a glosa das deduções que a contribuinte pretendeu efetuar na base de cálculo e no imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de oficio no percentual legalmente determinado. Cientificada em 10/06/2010 (Fls.35), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/07/2010 (fls.36 a 39), reforçando os argumentos da impugnação; afirmando ainda que ter ocorrido prescrição intercorrente entre o vencimento do imposto suplementar e a data do Acórdão que manteve o crédito, e que este deve ser reformado diante das provas anexadas. anexou: Fl. 121DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10980.013297/200715 Acórdão n.º 280101.845 S2TE01 Fl. 101 4 Doc Center Centro de Documentação Odontológica Computadorizada Clinica de Olhos Alto da XV Clarice Jfilia Guerra — ortodontista Marisa Grein Moniz de Aragão — odontopediatra Valéria Xavier — vacina Maria Edina Branco Maram — nutricionista Rosalvo Amaral Junior — ortodontista Carlos Eduardo Gubert — pediatra Deborah Cristine Pereira Moraes — fisioterapeuta Parana Clinicas — plano de saúde Eunice Becker — psicóloga Fotocópia das certidões de nascimento dos filhos; Fotocópias das despesas com instrução da recorrente e dos dependentes; Fotocópias das despesas médicas realizadas pela recorrente e seus dependentes. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em sede preliminar, pede o recorrente a aplicação da prescrição intercorrente. Ocorre que tal matéria já foi objeto de Súmula pelo CARF, de aplicação obrigatória para os conselheiros, assim sintetizada: Súmula CARF n° 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Deste modo, rejeito a alegação preliminar de prescrição intercorrente. Passo então a analisar a matéria de mérito. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10980.013297/200715 Acórdão n.º 280101.845 S2TE01 Fl. 102 5 Com relação a dedução de despesas com instrução da recorrente, observo que a mesma anexou comprovantes de pagamentos, e contrato, da faculdade de direito da SET – SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL DE TUIUTI. Cumpre, então, restabelecer a dedução com despesas com instrução da própria recorrente. No que pertine a dedução de despesas com dependentes, e com despesas com instrução destes, podemos observar que a recorrente anexou certidão de nascimento que comprova que o menor Tobias Naim Moreira Fernandes Chagas é seu filho. A recorrente também anexou os comprovantes de pagamento das despesas com instrução do menor Tobias Naim Moreira Fernandes Chagas. (mensalidades da Sociedade Educacional Roda do Tempo Ltda.) Já no tocante a dedução das despesas de Laura Fernandes Chagas, e de suas despesas com instrução, verifico que não foi apresentada nenhuma prova da relação de dependência. Deste modo, devese manter a glosa das despesas com a dependente Laura Fernandes Chagas, e com sua instrução; devendose, de outra sorte, restabelecer as deduções referentes ao menor Tobias Naim Moreira Fernandes Chagas. Quanto as deduções de despesas médicas, este colegiado tem entendido que havendo questionamento por parte da autoridade lançadora, no que se refere a efetividade das despesas médicas declaradas e aos seus respectivos pagamentos, cabe ao sujeito passivo apresentar elementos seguros de prova da improcedência do lançamento. No presente caso, entendo que os recibos apresentados não possuem valor probante absoluto, e devem ser analisados dentro do contexto geral; razão pela qual havia a necessidade de apresentação de provas complementares da efetividade de alguns dos serviços, e de seus pagamentos. Temos ainda a observação da legislação de regência; que assim estabelece: (Lei 9.250/95) "Art. 8. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2 O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados à cobertura de despesas com Fl. 123DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10980.013297/200715 Acórdão n.º 280101.845 S2TE01 Fl. 103 6 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF, ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; "(grifei) (DecretoLei n° 5.844/43) "Art.11. § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificacão, a juizo da autoridade lançadora." "§ 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capitulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte." Passemos então a apreciar a documentação apresentada pela recorrente, para comprovar as despesas médicas. Deve ser mantida a glosa das despesas relativas aos recibos de R$45,00 (pág. 79 dos autos) e R$60, 00 (pág. 80 dos autos), relativos, respectivamente, a pagamento de vacina e a pagamento de consulta nutricional, em razão de falta de previsão legal para dedução de tais despesas. A despesa representada pelo recibo de R$530,00 (pág. 79 dos autos), emitido pela odontopediatra Maria Grein Monte de Aragão, também deve permanecer glosada; haja vista que o mesmo não indica a pessoa que foi objeto do tratamento médico. A despesa representada pelo recibo de R$210,00 (pág. 80 dos autos), emitido pelo Carlos Eduardo Gubert, também deve permanecer glosada; haja vista que o mesmo contempla tratamento na pessoa de Laura Fernandes Chagas; que, por sua vez, não tem sua dependência comprovada. A despesa representada pelo recibo de R$50,00 (pág. 80 dos autos), emitido pelo Dr. Rosalvo Amaral Júnior, também deve permanecer glosada; haja vista que o mesmo não indica quem pagou o tratamento, ou até mesmo qual a pessoa que foi objeto do tratamento médico. A despesa representada pelos doze recibos de R$754,12 cada (pág. 81 a 86 dos autos), emitido por Deborah Cristine Morais, também deve permanecer glosada; haja vista que tais recibos não estão acompanhados de prova cabal da realização dos serviços, tão pouco da efetiva realização dos pagamentos a que se referem. A despesa representada pela declaração de R$8.700,00 (pág. 96 dos autos), emitido pela Dra. Eunice Becker, também deve permanecer glosada; haja vista que tal Fl. 124DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10980.013297/200715 Acórdão n.º 280101.845 S2TE01 Fl. 104 7 declaração não está acompanhada de prova cabal da realização dos serviços, tão pouco da efetiva realização dos pagamentos a que se referem. Já as despesas médicas relativas à nota fiscal emitida pelo Centro de Documentação Odontológica Computadorizada S/C Ltda (pág. 75 dos autos), no valor de R$34,00, à nota fiscal emitida pela Clínica de Olhos Alto da XV Ltda (pág. 76 dos autos), no valor de R$250,00, aos recibos emitidos pela Dra. Clarice Júlia Guerra (pág. 77 e 78 dos autos), nos valores de R$105,00 e R$90,00, e aos boletos emitidos pela Paraná Clínicas Ltda (pág. 88 a 95 dos autos), no valor total de R$1.253,76, devem ser restabelecidas; posto que foram comprovadas. Deste modo devem ser restabelecidas as deduções relativas às despesas com dependente, no valor R$1.272,00, às despesas com instrução, no valor de R$3.996,00, e às despesas médicas, no valor de R$1.732,76. Ante tudo acima exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer as deduções no valor total de R$7.000,76. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 125DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL
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Numero do processo: 11080.741362/2019-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 14/04/2014
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Aplica-se a multa isolada de 50%, prescrita no §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, às compensações declaradas que não forem homologadas pela Administração. Entretanto, se em momento posterior for homologada parte das compensações, as respectivas penalidades devem ser canceladas em parte.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO ANTES DO TRANSITO EM JULGADO DO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO.
A lavratura de auto de infração para cobrança de multa isolada por não homologação da compensação (50% aplicado sobre o valor do débito objeto de declaração) e a análise da legitimidade e quantificação do crédito pleiteado (processo de compensação) têm objetos distintos. Nos termos do art.142, a lavratura do auto para a aplicação da multa isolada é atividade vinculada. Por outro lado, a norma não impõe condição para o lançamento da multa, em relação à discussão administrativa sobre a não homologação ou homologação parcial das compensações declaradas. Por isso, o §18, do art. 74, da Lei n° 9.430/96 atribui efeito suspensivo à exigibilidade da multa isolada, quando ofertada manifestação de inconformidade para discussão da não homologação dos créditos.
MULTA. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa pelo percentual legalmente determinado (Art. 74 da Lei 9.430/1996).
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3002-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecê-lo quanto às alegações de inconstitucionalidade. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Régis Venter - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Régis Venter (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Mateus Soares de Oliveira. Ausente o Conselheiro Carlos Delson Santiago.
Nome do relator: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Aplica-se a multa isolada de 50%, prescrita no §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, às compensações declaradas que não forem homologadas pela Administração. Entretanto, se em momento posterior for homologada parte das compensações, as respectivas penalidades devem ser canceladas em parte. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO ANTES DO TRANSITO EM JULGADO DO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. A lavratura de auto de infração para cobrança de multa isolada por não homologação da compensação (50% aplicado sobre o valor do débito objeto de declaração) e a análise da legitimidade e quantificação do crédito pleiteado (processo de compensação) têm objetos distintos. Nos termos do art.142, a lavratura do auto para a aplicação da multa isolada é atividade vinculada. Por outro lado, a norma não impõe condição para o lançamento da multa, em relação à discussão administrativa sobre a não homologação ou homologação parcial das compensações declaradas. Por isso, o §18, do art. 74, da Lei n° 9.430/96 atribui efeito suspensivo à exigibilidade da multa isolada, quando ofertada manifestação de inconformidade para discussão da não homologação dos créditos. MULTA. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa pelo percentual legalmente determinado (Art. 74 da Lei 9.430/1996). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 74 13 62 /2 01 9- 46 Fl. 71DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.260 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.741362/2019-46 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecê-lo quanto às alegações de inconstitucionalidade. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Paulo Régis Venter - Presidente (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Régis Venter (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta (relatora) e Mateus Soares de Oliveira. Ausente o Conselheiro Carlos Delson Santiago. Relatório Trata-se de Auto de Infração para exigir multa isolada no valor total de R$ 38.253,74, referente à não homologação de Declarações das Compensação (DCOMP) não homologadas vinculadas ao processo administrativo nº 13609.900018/2015-09. O contribuinte interpôs impugnação alegando que os PA já havia sido parcelado e quitado e, portanto, com a inexigibilidade extinta. E, por relatar bem os fatos, transcreve-se o relatoria da decisão de 1ª instância: A multa isolada foi lançada com base no “Parágrafo 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores”, conforme o enquadramento legal constante da Notificação. O Anexo de fl. 3, que integra o lançamento, informa os números das duas DCOMP não homologadas e os respectivos valores computados na base de cálculo da multa lançada: - DCOMP nº 119445601314041413010527, Valor não homologado R$ 20.157,48 - DCOMP nº 418314516514041413015053, Valor não homologado R$ 56.350,00 Na Impugnação (fls. 11/17), tempestiva (fls. 7 e 8), a contribuinte alega, em resumo, que aderiu em 2017 ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) e nele incluiu três débitos, relativos às duas DCOMP acima (ver fl. 14). Observa que “A notificação de lançamento na qual consta os números do DCOMP (...) são os mesmos descritos no PERT, os quais se encontram liquidados”. (...) Ao final, requer “o acolhimento do presente recurso, para que seja julgado procedente a presente Impugnação, anulando o auto de infração em epígrafe”. É o relatório. No entanto, a 2ª Turma da DRJ/04 proferiu acórdão nº 104-001.743, em 27 de outubro de 2020 (fls. 48/50) mantendo a multa em razão da não homologação da compensação realizada. Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.260 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.741362/2019-46 Por conseguinte, a recorrente tomou ciência da decisão em 03 de novembro de 2021, e interpôs Recurso Voluntário em 13 de novembro de 2021 (fls. 60/70), no qual requer o cancelamento total da multa integral de 50% em razão da adesão ao programa especial de recuperação tributária, o qual incluía também a multa de ofício aplicada. É o relatório. Voto Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Em apertada síntese, a recorrente busca afastar o pagamento de multa lavrada em auto de infração em razão de suposta não homologação de compensação relacionada aos processo administrativo de nº 13609.900018/2015-09. De fato, compulsando a documentação apresentada pelo contribuinte às fls. 18- 20, resta claro que o programa especial de recuperação tributária ao qual o contribuinte aderiu e liquidou seu parcelamento, já incluiu o valor dos juros e da multa de mora que incidissem sobre o referido débito. Vejamos: E mais, na descrição do pagamento há a inclusão do valor da multa de mora já com o desconto concedido pelo referido programa: Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.260 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.741362/2019-46 Resta claro, portanto, que no parcelamento feito pelo contribuinte não houve a inclusão da multa regulamentar que é matéria completamente diversa da multa de mora. A recorrente sustenta que o auto de infração é nulo, pois a autoridade não poderia lançar a multa na pendência de decisão do processo de compensação. E o faz com base no §18, do art. 74 da Lei n° 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrando-se no disposto inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. Patente que, se o contribuinte realiza o parcelamento da dívida realizado pelo contribuinte configura confissão da dívida, logo, não há que se falar em suspensão da multa, já que houve concordância com a não homologação da referida compensação. Inclusive, esse é o posicionamento já sedimentado na jurisprudência e doutrina. E mais, não obstante o contribuinte questionar que a aplicação da multa de ofício, no percentual de 50%, alegando que no Direito Tributário uma multa só pode ser exigida quando tenha sido praticado algum eivado de má-fé por parte do contribuinte, que justifique a prestação pecuniária pelo descumprimento de alguma obrigação tributária. Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 74,§17, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. (grifos nossos) Constatadas as infrações à legislação tributária, aplicam-se as multas legalmente previstas. No caso, como expressamente indicado, aplicou-se a multa prevista no dispositivo legal transcrito. A atividade administrativa de lançamento de tributos é vinculada à lei, não cabendo às autoridades administrativas aplicarem outros percentuais, não previstos na lei tributária. Fl. 74DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-002.260 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.741362/2019-46 No que tange a inconstitucionalidade alegada pela recorrente, de fato, existe a Ação Direta de Inconstitucionalidade n°4.905/DF, que contesta exatamente a constitucionalidade da multa prevista no §17, do art. 74, da Lei n° 9.430/96. No entanto, o julgamento da ADIN está previsto para pauta de 2022 pelo STF, e como é cediço que este Colegiado não possui competência para apreciar argumentos desta natureza, mantenho a aplicação da multa, em razão do disposto na súmula CARF nº 02, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Do exposto, não conheço do recurso no que tange as alegações de inconstitucionalidade e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa isolada aplicada em razão da não homologação de compensação. (documento assinado digitalmente) Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta Fl. 75DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13055.100003/2006-52
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
COFINS NO REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS GERADOS.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS
TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE
CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO
NECESSIDADE DE LANÇAMENTO.
A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição.
Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de ofício, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3803-000.249
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CRÉDITOS GERADOS, PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS, FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COEINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Sc a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3'. TURMA ESPECIAL a 'I'ERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, dar provimento ao recurso. (.--,ALE-X N DR F K FRN - Presidente 1 V L. --"' r (IVA (. )1 R. n,:'. .1 - Relator \i , i-i \ Parti° param aiOa, do presente julgamento, os Conselheiros Bechior Melo de Souza, 11é1Cio 1,afeL Reis, ani91 Mauricio Fedato. Ausente justitieadamente o Conselheiro Carlos Henrique .. arOs (. - I h. a..' Relatório Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida pelo contribuinte em 27/04/2006, na qual utiliza créditos de COHNS não-cumulativa apurados no 3" trimestre de 2005 (fls. 02/11). A DRF-Novo Hamburgo/RS reconheceu a existência do crédito pleiteado pelo contribuinte, mas recusou-lhe o direito de aproveitamento integral, entendendo por bem reduzir este saldo, fazendo-o a titulo de "irregularidade fiscal", por ter verificado que no período de outubro de 2004 a dezembro de 2005,, a .fiscalizada efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mereadoria.s e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Inter/municipal e de Circulação (I(MS) a terceiros" e que "embora tais operações se equiparem a verdadeira alienação de direitos a título oneroso, originando, portanto, receitas tributáveis, que devem compor a base de cálculo da contribuição para o Cotins, conforme determina o ar! I", §,S' I " c 2" da Lei n" 10.833/2003, tais cessões de crédito de ICHS não fbram oferecidas à tributação" (lis. 63/68). Assim, a Fiscalização apurou o valor que entendeu que seria devido de C,OFINS em relação à receita de venda de créditos de ICJV1S, e reduziu este valor do saldo de créditos apresentado na declaração de compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fis.. 88/107) argumentando que a glosa seria indevida porque não foi feita como preceitua o artigo 142 do CTN, que seu direito de crédito decorre da sistemática não cumulativa e que não .pode haver a incidência da COHNS sobre a venda de créditos de ICMS, visto que a sua incidência deve ser limitada às receitas das vendas de bens e serviços, conforme doutrina e jurisprudência que cita. A DR.1•.Porto Alegre/RS manteve o entendimento da .D.R.F, no sentido da homologação parcial da compensação, conforme se confere da ementa do Acórdão n." 1°- 15.402, de 10 de julho de 2008 (fls. 116/119): Assunto; Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração- 01/04/200.5 a 30/06/2005 Ementa.. BASE DE CÁLCULO. ( R.ÉD/ TOS DE IC.MS TRANSPERIDOS A FORNECEDORES. _Incide Pis c Cotins na cessão de créditos de .TCMS, ante a existência de alienação de direitos classificados no ativo circulante INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE.. VIOLAÇÃO A PRI-Kl-PIOS CONSTITUCIONAIS. A autoridade julgadora de instancia administrativa não é competente para apreciar a kf_;ralidade ou constr icionalidade da normas tributárias ree,vdarmente editadas. • - 2 - Processo n" 13055,100003/2006-52 83-TE03 Acórdão n°3803-09.249 H. 185 Solicitação Indeletida. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 121/134) argumentado que a questão pode ser analisada na via administrativa, inclusive no que se refere à constitucional idade dos dispositivos envolvidos, bem corno reiterando os mesmos Inndamentos da manifestação de inconformidade. É O relatório. Voto Conselheiro IVAN ALLEGRETTI, Relator O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço,. A .DRF reconheceu a existência do crédito de CONNS não-cumulativa pleiteado pelo contribuinte, mas recusou a homologação da compensação por entender que o contribuinte teria recolhido a COHNS correspondente àquele mesmo período de apuração em valor menor que o devido„ Assim, por entender que o contribuinte teria deixado de fazer incidir a. COHNS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de IC,MS, a Fiscalização utilizou parte do saldo de créditos para o pagamento do valor que corresponderia ao débito de COHNS relativo à venda de créditos de ICMS. Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COTINS não funciona tal como a sistemática de apuração do IPI, como parece pretender a Fiscalização. No caso do [PI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obter-se (a) ou um saldo credor -- que é transferido para aproveitamento no período subseqüente — (b) ou um saldo devedor que implica. em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COFINS a incidência e a apuração não dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a receita ou o fatura-mento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor. Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em permitir que "Do valor apurado na .fórma do art. 2" a pessoa .jurídica poderá descontar créditos calculados em relação (1..)" (art. 3" da Lei 1.10 10.637/2002 e da Lei n" 10.833/200.3). É nítido, portanto, que os créditos gerados no sistema não cumulativo da COFINS e do PI 'não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições, 3 No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de COFINS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito a titulo de "hregularidade", reduzindo o saldo de créditos --- como meio indireto paia promover a revisão e ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos.. Se a Fiscalização entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Confira-se, ademais, que o presente entendimento reitera a jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores: PEDIDO DE R.ES5ARCIMEN10 CUPINS NÃO C UMULA77VA BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFEREiVÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFICIO. A .sistemática de ressarcimento da COTINS e do PIS não-cumulativo.s não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores eirrno o de transl erências de créditos de ICMS, computados pela . fiscalização no !aturamento, base de cálculo dos débitos, .sejorri .subtraidas do montante a ressarcir Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio. RESSARCIMENTO. COPINS NÃO-CUMULATIVA. JUROS SELIC. 1NAPLICABIEIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e C'OEINS não- cumulativos os mis. 13 e 1.5., VI, do Lei n" 108.33/2003, vedam expre.s.samenle tal aplicação. Recurso provido em parte (Acórdão 203-11852. Recurso Voluntário n" 130 611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DAN1AS DE ASSIS, D.O..U. de 06/06/2007, Seção 1, pág. 4.9) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO. Constatado que. na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o w4jeito passivo não ofèreecra tributação, matéria que a .fiscalização julga tributável, impõe-se o lançamento para formalização da exigência tributária, pois a mera ,glosa de créditos. legítimos do sujeito passivo configura irregular compensação de oficio com crédito tributário ainda não constituido c, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREI1V TRIBUTÁRIO. PIS NÃO- CUMULATIVO. A1'UALIZAÇÃO MONETÁRIA. INCABÍVEL. É incabivel a atualização monetária do .saldo credor do PIS não- cumulativo objeto de ressarcimento. I Recurso Voluntário Provido em Parte. \\ 4 Processo o' I 3055 100003/20{)6-52 53-E E03 Acórdão o " 3803-00.249 1,1 I 86 (Recurso Voluntário n" 140 760, PA n" 11065 002884/2005-1.1, Conselheira 511,VIA DE BRITO OLIVEIRA, j 22/07/2008) Pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, para o efeito de reconhecer-lhe o direito de utilizar na sua declaração de compensação a integralidade do saldo de créditos, sem glosas, assim homologando 1). integralmente a sua compens ç o, ficando ressalvada a possibilidade de a Fiscalização apurar e exigir as diferenças d t *bi.ito. itie entender devidas pela via própria do lançamento (1-23 .IVAN LL a' 0 ir r'rl , \ \ \\\ -- , 5
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000618/2007-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda retido na fonte IRRF
Ano-calendário: 2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ARTIGO 138 DO CTN.
Por força de remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, aos tributos recolhidos espontaneamente em atraso, mas com os juros de mora, se for o caso, aplica-se o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, afastando-se, por conseguinte, qualquer penalidade em função da mora.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : Imposto sobre a Renda retido na fonte IRRF Ano-calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ARTIGO 138 DO CTN. Por força de remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, aos tributos recolhidos espontaneamente em atraso, mas com os juros de mora, se for o caso, aplica-se o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, afastando-se, por conseguinte, qualquer penalidade em função da mora. Recurso Voluntário Provido.
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ARTIGO 138 DO CTN. Por força de remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, aos tributos recolhidos espontaneamente em atraso, mas com os juros de mora, se for o caso, aplicase o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, afastandose, por conseguinte, qualquer penalidade em função da mora. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 16327.000618/200710 Acórdão n.º 2801002.322 S2TE01 Fl. 92 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Em decorrência de revisão sumária da declaração de contribuições e tributos federais — DCTF, correspondente ao 2o trimestre do ano calendário de 2003, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada por via postal a recolher a título de multa de mora não paga o credito tributário no valor de R$ 207.882,48 (fls. 29 e 30). Segundo os demonstrativos de fls. 31 a 33, a interessada pagou o tributo devido após o vencimento legal da obrigação, sem o acréscimo da multa moratória. Inconformada com a exigência fiscal, a interessada, por meio de seu representante legal, apresenta a impugnação de fls. 01 a 18, protocolizada em 19/04/2007, na qual, alega, em apertada síntese, que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea nos exatos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional.” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados cm DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Conheço do Recurso, pois presentes os seus requisitos de admissibilidade. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado sob a justificativa de que, ao valerse de denúncia espontânea para pagamento de tributos no anocalendário de 2003, deixou de quitar montante correspondente à multa de mora. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 16327.000618/200710 Acórdão n.º 2801002.322 S2TE01 Fl. 93 3 Em sua impugnação, alega o ora Recorrente que, a teor do art. 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação tanto da multa de ofício quanto da multa de mora, motivo pelo qual se configuraria absolutamente inconsistente a cobrança levada a efeito no Auto de Infração. Em análise àqueles argumentos, decidiu a primeira instância administrativa pela manutenção do lançamento, sob a justificativa de que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, já devidamente declarados, não caberia a aplicação da denúncia espontânea. Entretanto, equivocouse aquela decisão. Como se infere da análise do processo, em específico de fls. 40/45, o Recorrente realizou o pagamento do tributo, a destempo, em 31 de julho de 2003, acompanhado dos respectivos juros moratórios. Por sua vez, as DCTF`s que constituíram o crédito tributário foram transmitidas pelo Recorrente em 14 de agosto de 2003. Nesse sentido, não se está diante da tese invocada pela decisão recorrida, simplesmente pelo fato da Recorrente ter se valido da denúncia espontânea antes de ter declarado o seu débito. Especificamente quanto ao instituto da denúncia espontânea, imperioso transcreverse o art. 138 do Código Tributário Nacional: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.” Ademais, a questão relativa à denúncia espontânea nos casos de tributos recolhidos espontaneamente com atraso, foi submetida pelo Superior Tribunal de Justiça ao rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10, sendo oportuno transcrever a ementa do respectivo julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 16327.000618/200710 Acórdão n.º 2801002.322 S2TE01 Fl. 94 4 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 16327.000618/200710 Acórdão n.º 2801002.322 S2TE01 Fl. 95 5 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Pelo exposto, resta caracterizada a denúncia espontânea, que exclui a incidência da multa de mora nos casos em que houve o recolhimento com atraso de tributos que ainda não haviam sido declarados à Receita Federal do Brasil, como ocorre nos casos em que o pagamento extemporâneo de tributos declarados em DCTF, entregue após o citado pagamento. Diante da abordagem definitiva da matéria pelo STJ, foi editada a Nota Técnica da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil com o objetivo de orientar as unidades daquele órgão a intepretar as consequências decorrentes dos Atos Declaratórios PGFN nº 4/2011 e 8/2011, sendo que este último autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nos casos alcançados pela decisão proferida no Resp 1.149.022. A aludida Nota esclarece que, nos casos em que o contribuinte não apresenta DCTF, mas paga o débito, ou quando o pagamento do débito é feito concomitantemente com a entrega da DCTF, resta configurada a denúncia espontânea. Consequentemente, no caso as multas de ofício e moratória decorrentes da suposta infração hão de ser excluídas pela denúncia espontânea. Isto posto, dou provimento ao recurso. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA
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Numero do processo: 13055.000038/2004-21
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CONTRIBUIÇÃO AO PIS NO REGIME NÃO-CUMULATIVO.
CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS
COM OUTROS TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO.
NECESSIDADE DE LANÇAMENTO.
A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição.
Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS e de crédito presumido de IPI devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de ofício, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3803-000.254
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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MINIS I ERIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13055,000038/2004-21 Recurso n" I 61.434 Voluntário Acórdão it" 3803-00.254 — 3" Turma Especial i Sessão de 20 de outubro de 2009 Matéria PIS "NÃO CUMULATIVO Recorrente MÓVEIS KAPPESBERG LTDA Recorrida DRJ-PORTO AI ,EC1RE - RS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PAsEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CONTRIBUIÇÃO AO PIS NO REGIME NÃO-CUMULATIVO, CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS, FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO) DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADI DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COFINS e do P15 não-cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Se a fiscalização entende que valores como o de transferencias de créditos de 1CMS e de crédito presumido de 1P1 devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de ofício, não podendo fitzer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3'• TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, dar provimento ao recurso. i A I.)lfk-Ar/\V",X AN - - - ' KE- RN - Presidente(---. il IV ,, . AL LEG ãTl - Relator Part . -i )a.rari; "'inda, do presente julgamento, os Conselheiros Bec-hior .Melo de Souza, LM io Lafre'r Reis,' Ojaniel Mauricio Fedato. Ausente justificadamcnte o Conselheiro (7 1 Carlos HenriquMartin' de I i.ma .. 1 Relatório r['rata-se de declaração de compensação apresentada pelo contribuinte em 30/04/2004, na qual utiliza créditos de Contribuição ao PIS não-cumulativa apurados no 2') trimestre de 2004 (lis.. 01/02).. A DRF-Novo Hamburgo/RS homologou apenas em parte a compensação pleiteada (lis.. 49/60), pelas seguintes razões: I. reduziu o saldo de crédito, fazendo-o a titulo de "irregularidade fiscal", por ter verificado que a existência das seguintes "RECEITAS NÃO INCLUIDAS NA BASE DL CALCLO DO PIS": I. a) VENDA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS: "nos meses de dezembro de 2002 a setembro de 2004, a fiscalizada efetuou cessão de créditos do imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intertnunicipal e de Circulação (1CM,S) a terceiros - e que "a fiscalizada não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dessas cessões de crédito (-& 1(71/N Tais operações equiparam-se a verdadeiro alienação de direitos a título oneroso e originam receitas tributáveis, devendo, portanto, compor a base de cálculo do PIS/Pa.sep, em conformidade com o art. 1", §§ 1"e 2" da Lei n°10637/2002" (ti 49); I . b) CR ÉDITO PR ESU M I DO DEIP I.: "entre os meses de dezembro de 2002 e janeiro dc 2004, a fiscalizada apurou créditos presumidos do 11'1 ( .) e informou que não os havia considerado paro fins de apuração da base de cálculo do PIS, A contribuição para o PIS, entretanto. tem como fato gerador c r )(aturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil, conforme preceitua o caput do art. 1" da Lei n" 10.637/2002.. De acordo com este dispositivo, portanto, para efeito de apuração do PIS devido, o crédito presumido do IPI também deve ser considerado como receita tributável" (fi. 51) 2) CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE: 2.a) ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS: "nos meses de março de 2003 a agosto de 2004, verificamos que a fiscalizada descontou, do PIS apurado, créditos calculados sobre os encargos de depreciação de bens adquiridos no exterior. O aproveitamento destes créditos, todavia, não está amparado,- uma vez que o inciso H do § 3" do art. 3" da Lei n" 10..637/2002, a seguir transcrito, limita o direito ao crédito aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliado no País" (Il.. 52); 2..b) DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS ADQUIRIDOS — INS -UMOS NÃOiçrc....._ UTILIZADOS NA PRODUÇÃO: "nos meses de dezembro de 2002 a abril de 2004, Processo n" I 3055.000033/2004-21 ,S3- TE03 Acórdão o.' 3803-00,254 H 161 i'eiificamos que, para deito de apuração dos créditos a descontar, a discalizada deixou de deduzir, dos créditos mensais apurados sobre as aquisições de instintos., as devoluçães de compras que efetuou.. (...) uma vez que os bens foram devolvidos não . foram utilizados como bisamos na produção, seus respectivos créditos, apurados anteriormente, deixaram de ter amparo legal e, por esta razão, devem ser estornados" (fl. 54). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.. 66/86) argumentando que a glosa seria indevida (i) porque não foi feita como preceitua o artigo 142 do CTN (11. 68), (ii) que tanto o IPI como o -ICMS compõem o ativo da empresa, e que por isso "ao ceder estes créditos de MAIS a terceiros, com anuência do estado, o registro contábil é de baixa de um ativo, como corretamente exigido pela legislação societária" (fl . 72), além de que a contribuição já incidira antes sobre todo o valor da compra, com o ICMS incluído, (iii) que o crédito presumido de IPI configura redutor de custos, por isso não podendo compor a receita., e (iv) que o alargamento do conceito de faturamento pretendido seria inconstitucional, devendo a incidência da COFINS ser limitada às receitas das vendas de bens e serviços, conforme doutrina e jurisprudência que cita. Como visto, o contribuinte insurgiu-se apenas quanto ao item 1, não contestando o item 2 acima descrito. A DRI-Porto Alegre/RS manteve o entendimento da DRF, no sentido da homologação parcial da compensação, conforme se confere da ementa do Acórdão n" 10- 15409. de 10 de julho de 2008 (fls. 95/96): As..sunto • Contribuição para o PIS/Pase.p Período de apuração . 01/04/2003 a 30/06/200.3 Ementa: BASE DE CÁLCULO CRÉDITOS DE ICMS TRAIVSPERIDOS A FORNECEDORES. Incide Pis e Co fins cessão de créditos de ICit4S, ante a existência de alienação de direitos classificados no ativo circulante. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE P1. o CRÉDITO PRESUMIDO DE [PI, PREVISTO :NA Lei n" 9..363/96, integra a base de cálculo da contribuição, a partir de 02/1999, INCONSTITUCIONAL:IDADE ILEGALIDADE, VIOLA(ÃO PRINCJPIOS CONSTITUCIONAIS A autoridade .julgadora instância administrativa não é competente para apreciar a legalidade ou constitucionalidade da normas tributárias regularmente editadas. Solicitação Indeferida. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 100/113) reiterando os mesmos fundamentos da manifestl ção de inconformidade. É o relatório.. , 3 Voto Conselheiro IVAN ALLEGREITI, Relator O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço.. A DRF verificou que parte dos créditos indicados pelo contribuinte não existiam, por isso excluin.d.o os valores correspondentes a depreciação de bens adquiridos no exterior e de devolução de mercadorias que haviam sido adquiridas como insumos. Em relação a este estorno resignou-se o contribuinte, não estando pois em discussão no recurso voluntário. Além destes estornos, no entanto, a .DR.F, embora reconhecendo a existência de determinado crédito de Contribuição ao PIS não-cumulativa, recusou ao contribuinte o aproveitamento da integrando& do crédito na compensação. A DRF recusou homologação integral à compensação por entender que o contribuinte teria recolhido a Contribuição ao PIS correspondente àquele mesmo período de apuração em valor menor que o devido. COM efeito, por entender que o contribuinte teria deixado dc fazer incidir a Contribuição ao PIS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de .IGNIS e ao crédito presumido de IPI, a DRF utilizou parte do saldo de créditos para o pagamento do valor que corresponderia ao débito de PIS relativo a estas receitas. Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS não funciona tal como a sistemática de apuração do IPI, como parece pretender a Fiscalização.. No caso do 1PI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obter-se (a) ou um saldo credor - que é transferido para aproveitamento no período subseqüente - (b) ou um saldo devedor --•• que implica em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COFINS a incidência e a apuração não dependem do contionto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a receita ou o faturamento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor, Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em .permitir que "Do valor apurado na forma do art 2" a pessoa .jurídica poderá desrontar créditos calculados em relação („)" (art. 3" da Lei IV 10.637/2002 e da Lei n" 10.833/2003). É nítido, portanto, que os créditos gerados no sistema não cumulativo da COFINS e do PIS não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições. No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito --- a título de g "-irregularidade", reduzindo o saldo de créditos • •• como meio indireto para promover a revisão e I 4 Processo n" 13055 000038/2004-21 S3-TE03 Acórdão 0. 0 3803-1)1).254 Fl 162 ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos. Se a Fiscalização entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Confira-se, ademais, que o presente entendimento reitera a .jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores: PEDIDO DE RE.SSA RCTAILINIV. COEM' NÃO CUMULAIIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAME,NTO DE OFÍCIO. A s.isleinálica de ressarcimento da COPIAIS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transfrrências de créditos de ICAIN', computados pela fisealiz.ação no ¡aturamento, base de cálculo dos débitos, :sejam .subira/das do montante a ressarcir Em foi hipótese, para a exigência das Contribuições carece ,seja efetuado lançamento de ofício.. RESSARCIMENTO COEINS NÃO-CUMULATIVA. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE Ao ressarcimento não se aplicam os . juros Selie, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e (.OFINS não- cumtdativo.s os ar IS . 13 e 1.5, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expres.samente tal aplicação. Recurso provido em parte (Acórdão 203-11852, Recurso Voluntário o" 130, 6/ 1, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, D..0.11 de 06/06/2007. Seção 1, pág. 49) Assunto. Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração.' 01/01/2005 a 31/03/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO, Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo 71ãO oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõe-se o lançamento para . formalização da exigência tributária, pois a mera glosa de créditos legítimos do sujeito passivo configura irregular compensação de ofício com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a .sua cobrança.. NORMAS GERAIS DE Dll?E110 TRIBUTÁRIO. PIS NÃO- CUMULAR VO ATUALIZA (J.O .MONETÁRIA. INCABÍVEL É incabível a atualização monetária d saldo credor do PIS não- , cumulativo objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parle. (Recurso Voluntário n" 140.760, PA n' 11065 002884/2005-11, ,S'IL VIA DL BRIM OLIVEIRA, j. 22/07/2000 Pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, para o efeito de reconhecer-lhe o direito de utilizar na sua declaração de compensação o saldo de créditos sem as glosas correspondentes às "receitas não incluídas na base de cálculo do PM' (item 2.1 do Relatório Fiscal, 11. 50), -ficando ressalvada a possibilidade de a alizaç . . :\ rpurar as diferenças de tributos que entender devidas pela via própria do lançamcn o.) 111". • - .Árr. 1V • l\FLE GR TTI \\ \\, 6
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000594/86-14
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 1987
Numero da decisão: 303-00.140
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira câmara. do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO
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score : 1.0
Numero do processo: 13839.001033/2003-17
Data da sessão: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para efeito
de determinação da receita omitida, devem ser excluídos, no caso de pessoa física, os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, sendo incabível a autuação no caso de valores que não alcancem ditos limites (art. 42, § 30, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, com a redação da Lei n°. 9.481, de 1997).
Recurso provido.
Numero da decisão: 3804-000.105
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da
Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para efeito de determinação da receita omitida, devem ser excluídos, no caso de pessoa física, os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, sendo incabível a autuação no caso de valores que não alcancem ditos limites (art. 42, § 30, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, com a redação da Lei n°. 9.481, de 1997). Recurso provido.
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. , 7 NE ONÁ' L 7~— residente AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE — Relatora FORMALIZADO EM: 28 SET 2009 Processo n° 13839.001033/2003-17 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.105 Fl. 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 13839.001033/2003-17 83-T E04 Acórdão n.° 3804-00.105 Fl. 3 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 59 a 63, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$35.064,63, acrescido de multa de oficio agravada e juros de mora. A autuação decorre de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 67 e 68), acatada como tempestiva. Alegou, consoante transcrito no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 500 e 501): "Venho por meio desta solicitar a impugnação do auto de infração acima referenciado tendo como base nos argumentos abaixo relacionados: 1 — Sou arquiteto que tenho como trabalho serviços de projeto e administração de obras, sendo que esta sistemática de construção consiste em um orçamento de valores právios, que pode ser de reforma ou construção, onde é estipulada uma ordem de grandeza do valor de material e mão-de-obra a serem gastos no projeto pretendido. 2 — Uma vez aprovado o orçamento e projeto, se dá início da obra onde a mão-de-obra é de terceiro e as compras de material são efetuadas e gerenciadas pelo responsável técnico, no caso minha pessoa. Os pagamentos acontecem semanalmente, no caso da mão-de-obra e o material é de acordo com o fornecedor e a melhor condição de preço. 3 — Desta forma os pagamentos destes eventos eram feitos pela minha pessoa, aos fornecedores, este dinheiro pago aos fornecedores eram depósitos feitos pelos proprietários em minha conta corrente do banco Bradesco 40790-9 agência 0480, conforme os relatórios de gastos eram apresentados aos proprietários, para efeito de facilidade e conforto do proprietário não precisar ter preocupações e atropelos, uma vez que os empreiteiros o recebem em dinheiro e assim por diante. 4 — Assim como forma de comprovar que os valores que entraram na minha conta em sua grande maioria não efetivamente declarados, foram efetuados por inocência de que esta prática poderia reverter contra a minha pessoa, sem nenhum intuito de burlar a Receita Federal. 76- 3 Processo n° 13839.001033/2003-17 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.105 Fl. 4 5 — Como prova deste procedimento estou anexando a esta os comprovantes das obras do período de 1998, compostos de: orçamento ao cliente, planilhas de controle de gastos da obra, recibos de terceiros e recebimentos específicos para os pagamentos relacionados nas planilhas, bem como os recibos localizados das compras efetuadas. Contando com a compreensão de V. Sas. e ao dispor para outros informes que se façam necessários, solicito deferimento." ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ-Fortaleza/CE julgou procedente o lançamento com base, entre outras, nas seguintes considerações (fls. 502 e 503): "(.) Com o intuito de comprovar suas alegações, o autuado anexou os documentos de fls. 94/593. Os documentos anexados referem-se a relatórios, planilhas de gastos, orçamentos, "recibos de pagamentos a terceiros", "recibos de pagamento do proprietário" e recibos de compra de materiais referentes a obras efetuadas no Condomínio Rosário de Fátima (Rose Quilici) e no Jardim Amapola (Gerson Acedo). Da análise dos documentos apresentados, verifica-se que a maioria das notas fiscais e dos orçamentos/pedidos juntados ao processo foram emitidos em nome da empresa — Bragança Arquitetura e Construções Ltda, CNPJ 60.473.451/0001-78 — da qual o contribuinte é sócio. Verifica-se, ainda, que, para comprovar os depósitos/créditos na conta-corrente n° 40790-9, agência 0480 do Banco Bradesco S/A, o contribuinte juntou aos autos somente recibos de pagamentos emitidos por ele próprio e nada mais. No presente caso, a simples e tão-somente apresentação de recibos emitidos pelo próprio contribuinte não é prova suficiente para comprovar a origem dos recursos mantidos em sua conta- corrente. Ademais, há que se ressaltar que do confronto entre os valores dos depósitos e dos recibos emitidos pelo contribuinte, não se verificam coincidências de datas e valores." Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1 0 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. (f--- 4 Processo n° 13839.001033/2003-17 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.105 Fl. 5 ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Lançamento Procedente" RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificado da decisão de primeira instância em 12/07/2007 (fis. 508), o contribuinte apresentou, em 13/08/2007, o Recurso de fls. 514 a 525, argumentando, em síntese, que: • Foi autuado com base em depósitos bancários, tendo sido considerados 100% dos valores depositados na conta corrente 40.790-9, mantida no Banco Bradesco, que é conjunta com sua esposa, Patrícia Pessoa, CPF 063.544.888-27, optante por declaração em separado. • Além da desconsideração do fato de a conta ser conjunta, não foram excluídos créditos objeto de estorno (R$ 3.000,00, em 17/02/1998 e R$ 113,80, em 31/03/1998). • Assim, ainda que se desconsiderasse, como foi o caso, os rendimentos tributáveis declarados pelo interessado (R$ 17.266,18), feitas as correções de cálculos para a exclusão dos créditos estornados, o total que se encontra, R$ 127.933,52, dividido pelos titulares da conta, ficaria inferior aos R$ 80.000,00 previstos na legislação de regência. • Ademais, não houve a comprovação da existência de acréscimo patrimonial, não podendo se falar em fato gerador do imposto de renda consoante doutrina e julgados do Primeiro Conselho de Contribuinte que invoca. • Incabível se falar em correção do débito fiscal pela taxa Selic. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 527, que também trata do envio dos autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Processo n° 13839.001033/2003-17 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.105 Fl. 6 Voto Conselheira AMARYLLES RE1NALDI E HENRIQUES RESENDE, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O interessado apresenta algumas razões para a reforma do acórdão proferido pela DRJ/Fortaleza/CE. Uma delas é que se fossem observados os mandamentos contidos nos §§ 3° e 6° do art. 42, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não haveria o que ser lançado. Isso posto, confira-se o estabelecido acerca da matéria em litígio, no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 40 da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: "Art.42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1 0 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação espec(cas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; 11-no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4° Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na 6 Processo n° 13839.001033/2003-17 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.105 Fl. 7 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 50 Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002)." (Grifos acrescidos) No caso, conforme alegado, os depósitos bancários de origem não comprovados são referentes conta corrente 40.790-9, mantida no Banco Bradesco, que não é de titularidade exclusiva do interessado (fls. 38 a 54). Também é procedente a informação de Patrícia Pessoa, CPF 063.544.888-27, esposa, optou por apresentar declaração em separado (fls. 87 a 89). Compulsando-se os autos, verifica-se que os depósitos bancários objeto de lançamento são todos inferiores a R$ 12.000,00 (fls. 56 a 58) e totalizam R$ 131.047,32 (fls. 59). Assim, observado ainda o disposto no § 6 0, do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, acima transcrito, a parcela que deveria ter sido imputada ao interessado corresponde a R$ 65.523,66 (50% dos depósitos de origem não comprovada), estando, portanto, fora do campo de incidência da presunção. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2009 AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 13839.001033/2003-17 Recurso n°: 162.571 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 3804-00.105. Brasília, 28 SET 2009 - 72" NE". 0,N MALLMANN Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 13204.000047/2002-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO DE IPI. APURAÇÃO.
Geram direito a crédito de IPI, além dos bens que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.
Numero da decisão: 3401-009.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias (relatora), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carolina Machado Freire Martins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Vieira Kotzias - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Garcia Dias dos Santos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Fernanda Vieira Kotzias
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APURAÇÃO. Geram direito a crédito de IPI, além dos bens que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias (relatora), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Carolina Machado Freire Martins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias - Relatora (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 47 /2 00 2- 07 Fl. 1305DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.895 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13204.000047/2002-07 Relatório Trata este processo de pedido de ressarcimento de IPI que, após diligência para verificar o direito creditório, resultou em despacho decisório que deu provimento parcial ao pedido da contribuinte. O deferimento parcial do pedido e, consequente, glosa de parte dos créditos se deu pela conclusão da fiscalização de que: "por não guardarem relação com aqueles produtos conceitualmente considerados na legislação de IPI como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, deveriam ser glosados os valores relativos à barra de aço carbono, bloco carbeto silício, concreto refratário, Ferro Fósforo, Ferro Gusa, Ferro Silício, frete, granalha, jateamento, manga filtrante, tijolo isolante e refratrários". Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, que: a) No âmbito do Parecer Normativo CST n° 65/79, a expressão consumidos "há que ser entendida em sentido amplo, expressamente açambarcando, como sói acontecer, os produtos que suportem desgaste, desbaste e perda de propriedades físicas ou químicas"; b) b) Na produção industrial do alumínio, não há como sufragar o entendimento de que a Barra de Aço Carbono, o Bloco Carbeto Silício, o Concreto Refratário, o Ferro Fósforo, o Ferro Gusa, o Ferro Silício, a Manga Filtrante, o Tijolo Isolante, os Materiais Refratários e demais produtos congêneres não consistem em produtos imprescindíveis à produção do alumínio primário; c) O Código Tributário Nacional e o Regulamento do IPI, além de excertos doutrinários que colaciona, indicariam que o conceito de insumo vincular-se-ia apenas ao emprego e consumo no processo produtivo, assim considerado em um sentido amplo, sendo irrelevante o contato direto ou não com o produto final. A própria Lei n° 9.363, de 1996, apontaria como requisito inarreddvel à fruição do beneficio fiscal a aquisição de produtos preordenados à utilização efetiva no processo de industrialização e não o contato fisico dos produtos com os bens exportados. E imperioso concluir-se, do confronto com as normas aplicáveis para efeito de conceituação do processo de industrialização, que o bloco de aço carbono, o BPF, a energia elétrica, e o ferro fósforo são marcadamente utilizados e indispensáveis ao processo de industrialização do alumínio. A hermenêutica mais adequada é considerar a inclusão de todos os insumos que sofrem desgastes e determinam, porque indeclináveis, a própria consumação do processo de industrialização do alumínio. Aduz que a "jurisprudência" do Conselho de Contribuintes é no sentido de que não se admite exclusão dos insumos utilizados na industrialização do produto exportado; d) O critério para definir quais os produtos que devam restar compreendidos no universo de insumos preordenados a gerar crédito presumido de IPI é o da integração ao processo produtivo, o da atuação na operação de industrialização, e não o critério do contato com o alumínio primário, o qual não figura na legislação. O processo foi então encaminhado à DRJ/BEL, que concluiu pelo indeferimento dos pedidos formulados pela empresa em sua manifestação de inconformidade, mantendo integralmente as glosas explicitadas no despacho decisório, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. LEI N° 10.276/2001. REFRATÁRIOS E PARTES DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ILEGITIMIDADE. Só geram direito ao crédito de IPI os insumos que se enquadrem no conceito jurídico de matéria-prima ou produto intermediário, os quais se desgastem ou sejam consumidos mediante contato direto com o produto em fabricação. Fl. 1306DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.895 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13204.000047/2002-07 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improficuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PERÍCIA. REQUISITOS. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 19,72. De outro lado, também se mostra irrelevante a produção de prova pericial quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. Solicitação Indeferida. Ciente da decisão de piso, a empresa apresentou recurso voluntário, reiterando o teor da manifestação de inconformidade. O processo foi então encaminhado ao CARF, a mim distribuído para análise e voto. Voto Vencido Conselheira Fernanda Vieira Kotzias, Relatora. O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação, de modo que admito seu conhecimento. No que concerne ao mérito, como destacado no relatório, a discussão objeto da presente demanda versa sobre a glosa de créditos de IPI efetuada na análise do Pedido de Ressarcimento e no que se refere às glosas dos dispêndios com aquisição de bens considerados como parte do processo produtivo e que não se confundem com máquinas e equipamentos pela contribuinte. A recorrente é uma empresa industrial que apresenta como sua finalidade e atividade de empreendimento a produção de alumínio e de bens primários dele compostos, e a venda desses produtos. Importa destacar que, para fins de apuração de créditos de IPI, resta consolidado conceito mais estrito de insumo do que aquele utilizado para fins de apuração de créditos das contribuições sociais. Assim, o termo "insumo" no escopo do IPI deve-se restringir ao que dispõe a Lei nº 9.363/96, que determina a possibilidade de creditamento apenas de insumos consumidos na produção e que entre em contato direto com o produto fabricado, não abrangendo os gastos gerais de produção. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, como regra geral, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Entretanto, esta regra geral não é aplicada quando se verifica que os bens serão consumidos em função do processo produtivo ou da sucessão de ciclos produtivos em um tempo excepcionalmente menor quando comparado com o tempo normal de vida útil e de depreciação dos bens imobilizados. Nessa situação, resolvida caso a caso, em face a diversidade de possibilidades de tipos de processos produtivos, poderá ser justificável que, ao invés da forma de apropriação da depreciação acelerada ou não dos bens Fl. 1307DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.895 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13204.000047/2002-07 ativados para fins de apuração de crédito, se adote o próprio dispêndio com a aquisição dos bens, considerando-os como insumos ao processo de produção. No caso em discussão neste processo, há que se identificar que despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente ao processo de produção. As informações presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. A autoridade fiscal identificou que a contribuinte tomou créditos sobre aquisição de bens e serviços sem amparo na legislação, entendimento ratificado pela DRJ, que esclarece sua posição com os seguintes argumentos: “22. A leitura do Parecer acima reproduzido contradita a equivocada interpretação da contribuinte no sentido de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os insumos consumidos na industrialização poderiam ser considerados matérias-primas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito. Não é essa a correta exegese do Parecer, pois, de forma oposta, no universo de insumos consumidos ou utilizados na produção, certo é que nem todos exibirão a natureza de matéria-prima ou produto intermediário, nos termos da legislação que rege o IPI. [...] 24. Assim sendo, nos termos do Parecer Normativo CST no 65/1979 e do Parecer Normativo n° 181/1974, e em consonância com o inciso I do artigo 147 do RIPI/98, geram direito ao crédito, além das matérias-primas, produtos intermediários "stricto-sensu" e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato direto, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, ficando excluídos os produtos: (a) que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização; (b) incorporados as instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização; (c) empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos. Em síntese, o termo "insumo", para fins de IPI, possui conceito jurídico, e não contábil ou econômico. [...] 26. Em face destas premissas, constata-se, no caso concreto, a exatidão da glosa de produtos refratários aplicados na fábrica de anodos e nos fornos de redução, em face de os mesmos não apresentarem contato, seja direto ou indireto, com o alumínio. 27. Também se revela procedente a exclusão dos demais insumos glosados (barra de aço carbono, bloco carbeto silício, concreto refretdrio, Ferro Fósforo, Ferro Gusa, Ferro Silício, granalha, jateamento, manga filtrante, tijolo isolante e refratários), os quais, em face das descrições e definições de funções relatadas pela própria interessada, dizem respeito, obviamente, a partes, peças ou engrenagens mecânicas de máquinas que não entram em contato com o alumínio primário ou, ainda, de insumos utilizados em outras etapas do processo produtivo, também sem qualquer contato com o produto final.” Como destacado no relatório deste voto, a contribuinte argumenta que o procedimento por ela adotado foi correto e que, portanto, tem legitimidade sobre os créditos peticionados, razão pela qual não os repito aqui. O processo traz informações que nos permitem visualizar o processo e a estruturação da produção da contribuinte, as unidades da sequência de produção, as etapas do processo e a inserção dos bens identificados nas glosas, em especial os seguintes: Barra de Aço Carbono, o Bloco Carbeto Silício, Concreto Refratário, as várias espécies de Ferro (Fósforo, Gusa, Silício), Frete, a Granalha e o Jateamaento, a Manga Filtrante e os materiais refratários. Fl. 1308DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.895 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13204.000047/2002-07 A descrição desses itens é realizada pela fiscalização às fls. 753 e 755: a. BARRA DE AÇO CARBONO — Pino de ago carbono chumbado ao anodo e aos blocos catódico, utilizado desgasta-se pelas ações químicas térmicas e mecânicas da operação do forno. Não entra em contato com o alumínio primário em aproximadamente 2.000 (dois mil) dias. 0 que caracteriza uma pega de máquina com desgaste de longo prazo, mais de 5 anos; b. BLOCO CARBETO SILICIO - tem como função dissipar calor na cuba eletrolitica, e com o desgaste da pasta de socagem (durante o processo produtivo) que ocorre em média após 1.000 dias, entra em contato com o alumínio liquido. Material com desgaste de longo prazo, quase 3 anos; c. CONCRETO REFRATÁRIO — É utilizado no fundo da cuba eletrolitica para nivelamento dos blocos catódicos, não entrando em contato com o alumínio liquido; d. FERRO FÓSFORO, FERRO GUSA, FERRO SILÍCIO — Utilizado na fábrica de anodo para chumbar os pinos dos blocos anódicos e as barras catódicas (barras de aço carbono) ao bloco catódico; e. GRANALHA, JATEAMENTO — É utilizado nas oficinas de chumbamento dos anodos para limpeza dos butts (anodos após saída da cuba eletrolitica). Não entra em contato com o alumínio liquido; f. MANGA FILTRANTE — componente filtrante do filtro de manga (refil). Não entra em contato com o alumínio liquido; g. TIJOLO ISOLANTE: fica localizado sob o tijolo refratário e serve para diminuir as perdas térmicas da cuba eletrolitica; com o desgaste da pasta de socagem (durante o processo produtivo); 9) REFRATÁRIOS — Os produtos refratários abaixo relacionados têm aplicação nos fornos de fabricação de anodo, nos fornos de Redução, nos fornos de Fundição e nos cadinhos de coleta e transporte de metal (alumínio primário). Em verificação no local da unidade produtiva, constatou-se que os materiais refratários entram em contato direto com o alumínio primário nos cadinhos e nos fornos de fundição, estando de fora deste contato, por conseguinte, aqueles aplicados nos fornos de fabricação de anodo e nos fornos de Redução. Conforme explica detalhamente a recorrente, a obtenção do alumínio depende não apenas do consumo de insumos que serão diretamente transformados no produto final, mas de outros insumos, indiretos, necessários à ocorrência das reações físico-químicas que permitirão que elementos essenciais como coque de petróleo e piche venham a se transformar no chamado “anodo”, que, posteriormente, por meio do processo “hall herout”, será submetido a “fornos” e à procedimento eletrolítico a fim de obtenção do alumínio: “A rigor, consiste o coque calcinado de petróleo em produto granulado empregado no fabrico do anodo, aplicado a seu turno no forno de redução, precisamente onde chega-se até o alumínio por meio de um processo eletrolítico. Tal processo eletrolítico ultima-se mediante a condução da energia elétrica, com a atração do carbono que o integra – o oxigênio da molécula da Alumina - tão-logo seja esta rompida no respectivo processo químico. Há que se enfatizar aqui, visando a demonstrar a equivocidade fiscalizatória que o coque calcinado o qual conjugado ao piche - fazem nascer o Anodo, não são sujeitos a qualquer Fl. 1309DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.895 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13204.000047/2002-07 sorte de reciclagem, e sim submetidos a reaproveitamento. Assim porque, de acordo com sua utilização no interior do forno suportam o desgaste numa operação de reação físico-química direta com o produto, em que o seu "toco", final do ANODO (conforme fita de video inclusa e demonstrativo adiante), atravessa um processo de depuração, cuja parte restante é reutilizada em novo anodo. A rigor, no entanto, releva enfatizar que os produtos que integram o ANODO - como é o caso do piche - são contabilizados uma (mica vez, sendo ou não reaproveitados no processo produtivo. [...] Esta reação é processada em espécies de "fornos", designados por cubas eletrolíticas. Tais cubas são constituídas de uma carcaça metálica internamente revestida com material carbonoso, que detém no fundo barras metálicas preordenadas ao uso na passagem da corrente elétrica. O revestimento carbonoso constitui uma cavidade em que se localiza o banho liquido de criolita empregado na dissolução do óxido de alumínio. Sobre a carcaça, é montada uma estrutura utilizada na sustentação dos anodos submetidos a um mergulho parcial no banho de criolita fundido. Dai que a corrente elétrica necessária à redução eletrolitica é conferida aos anodos por meio de barramentos metálicos. Dos anodos, tal corrente percorre o banho fundido e o revestimento carbonoso fluindo pelas barras metálicas instaladas no fundo da carcaça. [...] Constata-se ás claras que, ao longo de todo o processo produtivo que culmina com a produção do Alumínio, há ions de Alumínio dissolvidos no banho que vez por outra entram em contato com os anodos. [...] A reação físico-química dos anodos e demais insumos que atuam conjuntamente, exerce irrefutavelmente contato direto, ação efetiva sobre o produto final em questão — o alumínio primário. Todos os restantes insumos sofrem indiscutível desgaste ao longo do processo produtivo, como inclusive ressaltado pela própria Fiscalização, pelo que desveste-se da mínima sustentação a glosa dos mesmos, por restar fundada em ditame alheio legislação, com ela incompatível, ou melhor, colidente com seu critério que não é o do contato físico com o produto final, presentemente, o alumínio primário.” (g.n.) Tendo em conta as informações a respeito desse processo de produção de alumínio, em que cada um dos itens mencionados acima foram devidamente posicionados dentro do processo e justificada sua essencialidade e contato direto com o produto intermediário/final ao processo, não se confundindo com o conceito de maquinas e equipamentos, entendo que assiste razão à recorrente. Na análise da fiscalização, houve o esforço de analisar esse tipo de produto e de tentar enquadrá-lo em uma ou na outra categoria, como se elas fossem excludentes: ou ele é insumo (passível de crédito) ou ele é ativo imobilizado (não sujeito a crédito). Todavia, a meu ver, as características funcionais desse tipo no processo de produção desafia a lógica de classificação simples e dicotômica. De um lado, sua função nos permite perceber que estão diretamente ligados à produção e são consumidos/desgastados pelo uso, mas, por outro, a durabilidade de muitos destes itens é compatível com a vida útil do anodo – que é utilizado em mais de um ciclo produtivo. Portanto, são itens que não se confundem com equipamentos e máquinas, ao passo que igualmente não poderão ser enquadrados com insumos consumidos integralmente no processo de produção e que seriam transformados em ou comporem o produto final. Por isso, até o momento, tenho que eles se constituem em produtos mediadores do processo de produção, um tipo que pode ser considerado híbrido entre o insumo e o bem ativado, indispensável ao processo e nele consumido, não para constituir o produto final, mas para Fl. 1310DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.895 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13204.000047/2002-07 viabilizar diretamente a sua obtenção. Em outras palavras, entendo que tais itens se enquadram na hipótese trazida pela DRJ que trata de “quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato direto, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas”. Vejamos que esses bens efetivamente integram o processo de produção e entram em contato com o produto intermediário/final. Segundo pude depreender, nem a autoridade fiscal disso discorda. Ela não aceitou que fossem considerado insumos, mas não se posicionou contrária quanto à sua essencialidade e inserção enquanto itens utilizados no processo e que sofrem desgaste em razão deste. A materialidade de que tais bens, mediadores no processo de produção, e neles consumidos severamente, distancia-os das máquinas e equipamentos usados, tal qual entendeu a fiscalização, afinal não se requer crédito sobre os fornos, mas sobre produtos utilizados dentro deste (exemplo). Diante disso, voto pela reversão das glosas indicadas. Por outro lado, entendo que as únicas exceções à esta conclusão se dão quanto aos itens manga filtrante, granalha e jateamaento. Isso deve ao fato de que tais itens não entram em contato direito com o produto em nenhuma fase produtiva e não participam do processo de produção em si – conforme informação fornecida no relatório fiscal –, tratando-se de componente de filtragem e de limpeza das cubas eletrolíticas, respectivamente, de forma que se enquadram diretamente no conceito de parte/peça de máquinas e equipamentos, constituindo verdadeiros ativos imobilizados. Assim, por concordar com o entendimento da fiscalização neste ponto, voto pela manutenção dessas glosas. Além dos itens mencionados, houve também glosa referente aos serviços de transporte/frete, questão discutida de forma bastante sucinta pela recorrente. Neste ponto, voto também pela manutenção da glosa, visto que os elementos do recurso voluntário não permitem verificar de forma inequívoca a que matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem tais fretes estão relacionados e, portanto, a possibilidade de creditamento à luz da legislação do IPI. Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para reconhecer o direito a crédito sobre as despesas com barra de aço carbono, bloco carbeto silício, tijolo isolante, concreto e materiais refratários e ferro (nas formas de fósforo, gusa e silício). É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos – Redator Designado Fl. 1311DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.895 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13204.000047/2002-07 Em que pese o como de costume bem fundado voto da Conselheira Relatora Fernanda Vieira Kotzias, ouso divergir de seu posicionamento quanto à possibilidade de apuração de créditos de IPI calculados em relação às despesas com barra de aço carbono, bloco carbeto silício, tijolo isolante, concreto e materiais refratários e ferro (nas formas de fósforo, gusa e silício), em razão de referidos bens ou não exercerem ação direta sobre o bem em industrialização ou serem passíveis apenas de ativação no permanente. Conforme enuncia o Parecer Normativo da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação (CST) nº 65/1979, a partir da vigência do RIPI/79, ex vi do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Art. 66. Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, poderão creditar-se (Lei nº 4.502/64, arts. 25 a 30 e Decreto-Lei nº 3.466, art. 2º, . 8ª): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (...) Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente, nos exatos termos em que conclui aquela Coordenação-Geral do Sistema de Tributação. Assim, não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se deem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito então previsto no inciso I do art. 164 do RIPI/2002. De acordo com as informações relativas ao processo produtivo apresentadas em resposta pelo próprio contribuinte, e-fls. 227 a 242 e 249 a 268, e o Termo de Depoimento n° 001/2004, prestado pelo Sr. José Eduardo Macedo Blasques, CPF n° 611.218.352-87, engenheiro de processo da Recorrente, e-fls.243 a 1248, reproduzidas abaixo e no r. voto da Conselheira relatora, temos que os bens em questão ou não exercem ação diretamente sobre o produto em fabricação – o alumínio – ou, em razão do seu extenso tempo de vida útil, devem ser incluídos no ativo permanente. BARRA DE AÇO CARBONO — Pino de aço carbono chumbado ao anodo e aos blocos catódico, utilizado desgasta-se pelas ações químicas térmicas e mecânicas da operação do forno. Não entra em contato com o alumínio primário em aproximadamente 2.000 (dois mil) dias. O que caracteriza uma peça de máquina com desgaste de longo prazo, mais de 5 anos. Fl. 1312DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-009.895 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13204.000047/2002-07 BLOCO CARBETO SILÍCIO — tem como função dissipar calor na cuba eletrolítica, e com o desgaste da pasta de socagem (durante o processo produtivo) que ocorre em média após 1.000 dias, entra em contato com o alumínio liquido. Material com desgaste de longo prazo, quase 3 anos. CONCRETO REFRATÁRIO — É utilizado no fundo da cuba eletrolítica para nivelamento dos blocos catódicos, não entrando em contato com o alumínio liquido. FERRO FÓSFORO, FERRO GUSA, FERRO SILÍCIO — Utilizado na fábrica de anodo para chumbar os pinos dos blocos anódicos e as barras catódicas (barras de aço carbono) ao bloco catódico. TIJOLO ISOLANTE — fica localizado sob o tijolo refratário e serve para diminuir as perdas térmicas da cuba eletrolítica; com o desgaste da pasta de socagem (durante o processo produtivo). REFRATÁRIOS — Os produtos refratários abaixo relacionados têm aplicação nos fornos de fabricação de anodo, nos fornos de Redução, nos fornos de Fundição e nos cadinhos de coleta e transporte de metal (alumínio primário). Em verificação no local da unidade produtiva, constatou-se que os materiais refratários entram em contato direto com o alumínio primário nos cadinhos e nos fornos de fundição, estando de fora deste contato, por conseguinte, aqueles aplicados nos fornos de fabricação de anodo e nos fornos de Redução. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos – Redator designado Fl. 1313DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13005.001345/2008-48
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2006
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
Não estão isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho auferidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como peritos/consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD,
uma vez que ausente a qualidade de funcionário exigida pelos Artigos V e VI, da Convenção sobre Privilégios e Imunidades
das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, pois: (a) não possuem vínculo permanente com a ONU ou organismo internacional; e (b) não foram relacionados em lista pelo Secretário Geral para o gozo da isenção, conforme o exige o Artigo V.
Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.005
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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Não estão isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho auferidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como peritos/consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, uma vez que ausente a qualidade de funcionário exigida pelos Artigos V e VI, da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, pois: (a) não possuem vínculo permanente com a ONU ou organismo internacional; e (b) não foram relacionados em lista pelo Secretário Geral para o gozo da isenção, conforme o exige o Artigo V. Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Fl. 95DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13005.001345/200848 Acórdão n.º 280102.005 S2TE01 Fl. 95 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “A presente Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual, Exercício de 2007, Ano Calendário 2006. Confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos do Exterior declarados, com o valor informado pela Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (DERC), constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 47.360,00 (quarenta e sete mil e trezentos e sessenta reais) conforme demonstrativo na fl. 22. Em decorrência do procedimento de revisão da Declaração, foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 6.744,62 (seis mil e setecentos e quarenta e quatro reais e sessenta e dois centavos), acrescido de multa de oficio e juros de mora. Dentro do prazo legal, o interessado, por seu procurador, apresentou impugnação de fls. 01/17, aduzindo, em extenso arrazoado, o que, em síntese, podese extrair dos fatos apresentados (fl. 03): a) 0 impugnante, ao ser contratado pelo PNUD e cedido, ato continuo, para o Estado do Rio Grande do Sul, com o escopo de realizar trabalho de natureza técnica, enquadrase,a perfeição, no âmbito significativo do vocábulo "perito", tal como empregado no ACORDO BASICO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA ENTRE O BRASIL E A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS; b) Conjugandose o conteúdo de significação do artigo V do Decreto n° 27.784/50, que integrou à ordem interna a CONVENÇÃO SOBRE PRIVILÉGIOS E IMUNIDADES DAS NAÇÕES UNIDAS, com o artigo V do Decreto n° 59.308/66, que inseriu na ordem interna o ACORDO BÁSICO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA ENTRE 0 BRASIL E A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, produzse regra legal em um único sentido: os funcionários e os peritos de assistência técnica a serviço da ONU e de seus órgãos serão isentos de qualquer imposto sobre emolumentos recebidos de Organismo Internacional; e Fl. 96DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13005.001345/200848 Acórdão n.º 280102.005 S2TE01 Fl. 96 3 c) 0 impugnante, na condição de Consultor da ONU para o PNUD, tem direito à isenção do imposto sobre a renda no que se refere aos rendimentos auferidos na execução das tarefas a que foi contratado pelo Programa BRA/97/026. Conclui, requerendo que seja admitida a impugnação, dandolhe provimento, para o fim de invalidar a presente Notificação de Lançamento pelos motivos expostos. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, bem como a juntada de eventuais documentos necessários considerados essenciais para o curso da impugnação.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS (PNUD). Mantémse inalterado o valor da omissão de rendimentos apurada pelo Fisco quando ficar comprovado que o contribuinte foi contratado em regime de prestação de serviços para trabalhar em projeto de cooperação técnica do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A isenção do imposto de renda sobre rendimentos recebidos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, por força do disposto no artigo 98 do Código Tributário Nacional CTN, alcança apenas os valores percebidos por funcionários deste organismo internacional que satisfaçam as condições estabelecidas pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas e pela Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Fl. 97DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13005.001345/200848 Acórdão n.º 280102.005 S2TE01 Fl. 97 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência de suposta omissão de receitas por parte do Recorrente (rendimentos percebidos por serviços prestados à Organização das Nações Unidas ONU, de acordo com o PNUD), em razão de têlas declarado em sua DIPJ referente ao Exercício de 2006 como isentas. Isso porque, segundo entendimento sufragado pelo Fiscal autuante e reproduzido na decisão combatida, a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, internalizada pelo Decreto nº 27.784/50 , no seu art. V, Seção 18, alínea "b", estabelece que a isenção do Imposto de Renda somente beneficia os funcionários da ONU, contratados em caráter permanente e relacionados em lista pelo Secretário Geral da instituição, não incluídos os peritos contratados em caráter temporário com período préfixado, disciplinados pelo art. VI, Seção 22, tal como o Recorrente. O Recorrente, por sua vez, defende que o Decreto nº 59.308/66 atribuiu não só aos funcionários de carreira da ONU, mas também aos seus prestadores de serviços na condição de “peritos de assistência técnica” o benefício isencional quanto ao Imposto de Renda. Há que se suscitar para o caso, porém, a aplicação da Súmula CARF nº 39, segundo a qual os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Sendo assim, não há como extrair do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, promulgado pelo Decreto 59.308/66, que os peritos de assistência técnica sejam tratados como funcionários quando a própria Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50 (materialmente lei ordinária federal, repito), estabelece regime jurídico próprio para os peritos que diverge do regime dos funcionários. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 98DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13005.001345/200848 Acórdão n.º 280102.005 S2TE01 Fl. 98 5 Fl. 99DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 09/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
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