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Numero do processo: 10830.003155/95-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 303-00.950
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência de
julgamento do recurso para o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° SESSÃO DE RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA 10830.003155/95-13 16 de junho de 2004 126.155 PETRONASA PETRÓLEO NACIONAL S.A. INDUSTRIA E COMÉRCIO. DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP RESOLUÇÃO N 303 -00.950 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência de julgamento do recurso para o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 16 de junho de 2004 / JO • 2 OL • OA COSTA Pr iclente 1I.2TON 9BART0j, Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, SERGIO DE CASTRO NEVES, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA e DAVI EVANGELISTA (Suplente). Esteve Presente a Procuradora da Fazenda Nacional MARIA CECILIA BARBOSA. MA/3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.155 RESOLUÇÃO N° . 303-00.950 RECORRENTE : PETRONASA PETRÓLEO NACIONAL S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO. RECORRIDA : DRERIBEIRAO PRETO/SP RELATOR(A) : NILTON LUIZ BARTOLI RELATÓRIO Trata-se de lançamento de oficio, formalizado por Auto de Infração a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, em virtude de apuração de saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e aliquota e ainda falta de recolhimento do imposto no período de 01/01/91 a 31/12/91, por não ter o contribuinte procedido ao estorno de crédito dos insumos aplicados em produtos não tributados. Segundo consta do Termo de Verificação, juntado As fls. 33/36, "a fiscalizada deu saida a produtos de sua industrialização sem destaque do imposto sobre produtos industrializados, no período de 0/01/91 até 15/03/93, por erro de classificação fiscal e por considerá-los imunes, na forma do parágrafo terceiro do art. 155 da Constituição Federal de 1988", e ainda, "deixou de proceder ao estorno do crédito de IPI, relativo aos insumos aplicados em produtos não tributados, conforme preceitua o art. 100, inciso I, alínea "a" do RIPI/82, no período de 01/01/91 a 31/12/91." Quanto ao erro de classificação fiscal o lançamento enquadrou-se nos artigos 55, inciso I "b" e inciso II "c"; 107, II c/c artigos 15; 16; 17 e 62; 112, IV e 59, todos do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — LPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82. Pela falta de estorno de crédito/estorno a menor, o lançamento foi enquadrado no artigo 107, inciso II, c/c artigo 100, inciso I alínea a; 112, inciso IV e 59, do mesmo Regulamento. Em tempestiva Impugnação ao lançamento, a Recorrente aduz, preliminarmente, que: (i) é ilegal a incidência da Taxa Referencial Diária — TRD sobre o débito tributário, uma vez criada pela Lei n° 8.177/91, artigo 9°, foi repudiada pelo Poder Judiciário e teve sua legitimidade negada como acréscimo às cobranças tributárias, o que levou o própri Governo a reformulá-la, passando a tratá-la como "juros de mora", decisão manifesta em seguidas Medidas provisórias que culminaram 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 na edição da Lei 8.218. 91, que alterando o artigo 90 da Lei 8.177/91, consignou que "incidirão juros de mora equivalentes A. TRD sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional." Conclui que a TRD não se presta como fator de correção monetária, sendo uma taxa de juros, ressaltando que a posição do Judiciário é firme e pacifica neste ponto, como também já decidido pela Camara Superior de Recursos Fiscais; (ii) como "juros de mora", a TRD nasceu com a Lei 8.218, com sua publicação, que se deu em 30 de agosto de 91, sendo exigível, portanto, a partir de 01 de setembro de 91, não sendo possível computá-la, como pretende o lançamento, a partir de 01 de fevereiro de 1991, por ser constitucionalmente vedado o efeito retroativo na sistemática legal vigente, como já decidido pelos Conselhos de Contribuintes e pela Camara Superior de Recursos Fiscais; (iii) o reconhecimento de ser indevida a aplicação da TRD como correção monetária é ainda concluído nos artigos 80 usque 84 da Lei n° 8.383/91, que autorizam a compensação ou restituição dos valores recolhidos a esse titulo; (iv) após setembro de 1991, sendo cobrado como "juros moratórios", o acréscimo da TRD não pode exceder a 12% ao ano, por força de disposição expressa em lei, sob pena de configurar crime de usura, Constituição Federal de 1988, art. 192, § 3°; art. 1062 do Código Civil; Decreto n° 22.626/63; Código Tributário Nacional, art. 161, § 1°; e art. 80 da Lei n° 8.383/91), como também decidido no Conselho de Contribuintes. Como pedido preliminar, requer seja decretada a inaplicabilidade da TRD no período entre fevereiro e agosto de 1991 e, após esse período, que os juros de mora não ultrapassem a taxa de 12% a.a. No mérito, alega, em suma, que: a fixação das características técnicas dos produtos derivados do petróleo encontra-se sob a égide do órgão legal próprio do Poder Executivo, o Departamento Nacional de Combustíveis (DNC), nos precisos termos do artigo 222, inciso VIII do Decreto n° 99.244/90, razão pela qual ao mesmo DNC está submetida a Suplicante, para fins de registro de todos os produtos derivados de petróleo de sua fabricação e comercialização; 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 os produtos objeto da autuação (das linhas Cortex, Transcortex, Supercortex, Emulcortex, Solcortex, Tempera, LCH, HDS-3-10W e TF 2000, atualmente TF-46), são óleos lubrificantes, para aplicações industriais as mais diversas, onde são requeridas especificações rígidas necessárias lubrificação de engrenagens e outros mecanismos e controles secundários, apresentando características inequívocas, propiciando indices de viscosidade que atendem As especificações técnicas, excelente resistência à oxidação, propriedades antiferrugem, demulsionabilidade e resistência formação de espuma; em consonância com o que dispõe o Decreto n° 507/92, submeteu os produtos de sua fabricação e comercialização, objeto dos autos, ao controle e fiscalização do Departamento Nacional de Combustíveis — DNC, que expediu Certificados de Registro de Marca, segundo os quais os produtos em questão enquadram-se nas especificações do DNC correspondentes A óleos lubrificantes, formulados a partir de óleos básicos de destilação direta, tudo nos termos do serviço de análises daquele órgão; IV. a classificação fiscal nas posições 2710.00.02.01 e 2710.00.0202 da TIPI, dos produtos em questão, tal como adotadas pelo contribuinte, acham-se inteiramente corretas, posto que estão em perfeita consonância com os respectivos registros dos produtos junto ao DNC; V. a classificação fiscal faz-se mediante o emprego de Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, valendo realçar a de n° 3, "a", que aplica-se categoricamente aos autos, posto que, "ao contrário das classificações fiscais nas posições 2710.00.0201 e 2710.00.0202, como "óleos lubrificantes a granel" e "óleos lubrificantes embalados" que efetivamente referem-se aos produtos fabricados e comercializados pela Suplicante, o Sr. Auditor Fiscal pretende atribuir-lhes classificação relativa a "outros", prevista na posição 2710.00.9999, alusiva a "qualquer outro" óleos de petróleo ou minerais betuminosos;" VI. "pretende o Sr. Autuante privilegiar a classificação genérica em detrimento daquelas especificas para os produtos em tela, em flagrante desacordo com a Regra 3 "a" de classificação e 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 igualmente, em frontal infringéncia as regras que tratam do abastecimento nacional de petróleo e seus derivados, cuja aplicação cabe, e a nenhum outro órgão, ao DNC"; VII. classificando-se os produtos fabricados e comercializados pela Recorrente nas posições correspondentes a óleos lubrificantes, como alias registrados no órgão legal próprio — DNC, não resta a minima dúvida de estarem os mesmos amparados pela imunidade a que se refere o § 3° do artigo 155 da Constituição Federal de 1988; VIII. ainda que não seja improcedente a autuação por tais aspectos, ela também o é em face de não haver sido considerado no levantamento fiscal os créditos a que faz jus pela entrada tributada de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem empregados na fabricação dos produtos em questão; IX. nos termos do artigo 153 da Constituição Federal o IPI sera seletivo, em função da essencialidade do produto, bem como não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, o que se repete no artigo 49 do Código Tributário Nacional; X. a sistemática adotada pelo legislador constitucional e reafirmada pelo legislador ordinário no artigo 25 da Lei 4.502/64, opera o principio da não-cumulatividade, em que numa perspectiva global do conjunto das operações entre as mercadorias entradas, bem como as dele saidas, inexiste qualquer vinculação entre os produtos "entrados" e os "saídos"; XI. o direito ao crédito decorrente das entradas de mercadorias no estabelecimento fabril para emprego na produção, com a finalidade de abater do débito pelas saídas dos produtos fabricados, tem índole constitucional, inserindo-se no campo do Direito Público, sendo oponível ao Estado, de forma, qualquer restrição, corno no caso, a dito direito s6 pode ocorrer no mesmo nivel, qual seja o constitucional; XII. o legislador complementar instituiu como método, para a plena eficácia do principio constitucional da não- cumulatividade, aquele segundo o qual o crédito se da pelo MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 conjunto das operações que deram origem à entrada das mercadorias no estabelecimento, para ser confrontado com o débito pelo conjunto das operações decorrentes das saídas das mercadorias do estabelecimento fabril; XIII inexiste na Constituição Federal, na Lei Complementar e na Legislação Ordinária, qualquer vinculação a que o crédito pela entrada de uma mercadoria esteja adstrito ao débito pela saída da mesma mercadoria; XIV. a figura da não tributação quer demonstrar que o legislador ordinário atribuiu aos produtos em questão o grau de essencialidade máxima, fazendo com que ao invés de seletivizar a aliquota, para reduzi-la, simplesmente optou por não sujeitá-los ao tributo, de forma que, permitir que a Suplicante seja obrigada ao estorno dos créditos relativos aos insumos empregados na fabricação de tais produtos, seria aceitar "que a intenção do legislador ordinário caia no vazio, pois de alguma forma submeter-se-á o produto ao pagamento de alguma parcela do IPI, exatamente aquela que recaiu sobre os insumos." XV. a exigência é igualmente improcedente por atribuir relevância essencialidade do insumo e não à essencialidade do produto final que com aquele é fabricado, em total subversão ao arcabouço constitucional e legal do IPI. Requer seja acolhida a preliminar de exclusão da TRD como fator de atualização monetária dos alegados débitos até agosto de 1991, e ainda que a partir de então os juros sejam limitados ao percentual previsto no artigo 192 da Constituição Federal. No mérito, requer pela improcedência da autuação, pelos argumentos expostos. Remetidos os autos à. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto — SP, a autoridade julgadora de primeira instância prolatou voto em que manteve em parte o lançamento, nos termos da ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/1991 a 15/03/1993 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 Ementa: ÓLEOS LUBRIFICANTES. Os óleos lubrificantes tanto os destinados à lubrificação de motores, como os destinados A. lubrificação de sistemas hidráulicos, tempera e corte, são classificados na posição 2710.00.02 da TIPI188. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 15/02/1992 Ementa: MULTAS. Aplica-se a legislação mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados para reduzir a multa ao patamar de 75%. JUROS DE MORA. TRD. Exclui-se de oficio a TRD dos lançamentos tributários, nos termos de ato administrativo emanado da Secretaria da Receita Federal. Lançamento Procedente em Parte." A decisão de primeira instância entendeu estar correta a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, contudo, entende correto o lançamento quanto ao estorno de crédito do IPI. Com relação à multa de oficio, entendeu que a mesma "deve ser reduzida ao patamar de 75%, por força do disposto na Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 45, combinado com a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 106, inciso II, alínea "c". Da decisão, recorre tempestivamente o contribuinte, insurgindo-se contra a manutenção do lançamento por suposto descumprimento do artigo 100, inciso I, "a" do RLPI/82, bem como A. multa aplicada, aduzindo, em síntese, que: a reforma da decisão de primeira instância é imperativa, pois sua fundamentação afronta: os princípios constitucionais da não-cumulatividade, da seletividade e da essencialidade, premissas basilares que devem nortear as regras de cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI; o entendimento do tema externado pelo órgão pleno do Supremo Tribunal Federal, sacramentado a partir do julgamento do RE n° 212.484-2/RS; o comando do § 3 0 do art. 155 da Constituição Federal, reconhecido na própria decisão recorrida como aplicável à espécie; a imposição de multa de o ficio trazida pelo artigo 45 da Lei n° 9.430/96, viola o principio da tipicidade penal tributária, "já que imputa à Recorrente a pratica de conduta que, 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 reconhecidamente, ela não realizou." Ressaltando ainda que por erro aritmético a decisão recorrida aplicou penalidade de 77% sobre o valor do imposto exigido; a inconstitucionalidade da exigência mantida foi admitida tacitamente pelo legislador ordinário ao editar a Lei 9.779/99, e sacramentada em julgamento do Orgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 212.484-2/RS, em que restou consignado aos contribuintes um direito ainda maior que o pleiteado pela Recorrente, qual seja, o de lançar a crédito o valor de IPI que seria incidente em insumos, se estes não fossem isentos do imposto; IV. aduz que no referido julgado, "entendeu-se que nem sequer existe a necessidade do pagamento de imposto na entrada dos insumos (se isentos obviamente !!) para que o direito ao credito seja reconhecido. Até mesmo porque à mingua da garantia deste direito a própria isenção fica desfigurada.", como transcrito em seu voto em referência; V. no caso a entrada dos insumos é tributada e a saida do produto industrializado não o 6, contudo, aplica-se a mesma linha de raciocínio, no sentido de que o credito na entrada deve ser mantido, caso contrário a recorrente suportará ônus tributário em operações que não devem ser tributadas, o que viola o principio da não-cumulatividade e deturpa a reconhecida imunidade de seus produtos; VI. "se à Recorrente não for garantido o direito à manutenção do crédito de IPI lançado na entrada dos insumos utilizados para a fabricação dos produtos imunes, a própria imunidade restará comprometida, pois a Recorrente suportará, ainda que parcialmente, um emus tributário incidente sobre sua parcela de atuação na escala produtiva."; VII. A prevalecer o entendimento da decisão recorrida fere-se os princípios constitucionais da seletividade, da essencialidade e da não-cumulatividade; VIII. Corroboram seu entendimento as manifestações do E. STF e do Conselho de Contribuintes, no sentido de que os contribuintes tem direito a manutenção dos créditos de IPI referentes aos insumos utilizados na fabricação dos produto 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 ao final comercializados com isenção, com aliquota zero, ou, como no caso, não tributados pelo tributo federal, Requer seja reformada a decisão de primeira instância no aspecto que mantém na cobrança original os valores referentes à glosa do crédito de IPI lançado nas entradas dos insumos que integraram os óleos lubrificantes, de saída não tributada. Manifesta-se contra a aplicação da multa capitulada no artigo 45 da Lei 9.430/96, já que não praticou nenhuma das condutas previstas neste dispositivo legal, o que fora reconhecido pela própria decisão recorrida ao cancelar a parcela da cobrança inicial, por ter constatado que a classificação fiscal atribuida pela Recorrente aos produtos dos quais deu saída estava correta, bem como que estes produtos (óleos lubrificantes) são imunes à tributação do IPI, de forma que não incorreu em nenhuma das condutas avençadas pelo tipo penal invocado. Seu entendimento se corrobora na citação de acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes. Ressalta que os valores de IPI mantidos pela decisão recorrida, assim o foram por suposta inobservância do revogado artigo 100, inciso I, alínea "a" do RIPI/82, conduta não albergada pelo tipo penal imposto pela decisão. Ressalta, apesar da aduzida improcedência integral da multa cominada, que houve erro aritmético no lançamento da mesma. Por fim, contesta a correção dos valores exigidos pela Taxa Selic, por ser abusiva, por não ser licito ao Fisco a utilização dos juros morat6rios calculados por taxa de juros que possuem natureza remuneratória, pois o que se busca é uma compensação ou reparação de um dano, o que não corresponde ao percentual da taxa Selic, como preceituam os artigos 161, § 1 0 ; 192, § 3 0 da Constituição Federal e entendimento dos Tribunais e ainda do Superior Tribunal de Justiça. Requer seja desconstituida a autuação integralmente, ou se assim não for, seja cancelada a imposição da multa de oficio, ou no minimo seja retificado o erro aritmético apontado , e por fim, seja declarada a inaplicabilidade da cobrança de juros com base na SELIC. 0 documento de fls. 188 demonstra a garantia ao seguimento do Recurso Voluntário. i Ãs fls. 191, informação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirao Preto — SP, acerca do erro de cálculo apontado pela Recorrente. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO : 126.155 : 303-00.950 A teor do Despacho de tls. 207, verso, a matéria é de competência do Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes. E o relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 126.155 303-00.950 VOTO Concessa massima venicr do entendimento do Presidente dessa C. V Camara, Conselheiro JOÃO HOLANDA COSTA, levanto, preliminarmente, de oficio, a incompetência deste Terceiro Conselho para julgamento do presente recurso voluntário. Com efeito, o Auto de Infração originário comportava duas acusações: a primeira, relativa a erro na classificação fiscal de oleos lubrificantes; e, a segunda, a não ter o contribuinte procedido o estorno do crédito de [PI, relativo aos insumos aplicados em produtos não tributados. A decisão de 1 8 instância, Acórdão DRJ/RPO n° 1.390/02 julgou improcedente a autuação quanto ao item 1 e procedente quanto ao item 2. Deixou de recorrer de oficio do item 1, pois não alcançava o valor de alçada. Portanto, o Recurso Voluntário abriga, apenas, a matéria relativa ao direito de crédito dos insumos adquiridos para comercialização de produtos não tributados. Essa matéria, direito creditório do IPI, está claramente definida no inciso II do parágrafo único, do art. 8 0, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, como sendo de competência do Segundo Conselho, in verbis: Art. 8° Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisões de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: I - Imposto sobre Produtos Industrializados apv, inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IN incidente sobre produtos saidos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados; (Redavdo dada pelo art. 2° da Portaria ILIF n° 1.132, de 30/09/2002) omissis Parágrafo único. Na competência de que trata este artigo, incluem- se os recursos voluntários pertinentes a: omissis II MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 126.155 : 303-00.950 II - apreciação de direito creditório dos impostos e contribuições relacionados neste artigo; e (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002)" De outro lado, dispõe o Regimento Interno no art. 9°, parágrafo único, e incisos abaixo transcritos que: " Art. 90 • Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: I - imposto sobre a importação e a exportação; II - imposto sobre produtos industrializados nos casos de importação; omissis XVI - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o incidente sobre produtos saídos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados; (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002) omissis Parágrafo único. Na competência de que trata este artigo, incluem-se os recursos voluntários pertinentes a: I - apreciação de direito creditório dos impostos e contribuições relacionados neste artigo; e (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002)." Em outras palavras, compete ao E. Segundo Conselho o exame de toda a matéria, inclusive direito creditor* atinente ao IPI, exceto o IPI vinculado a, importação, operações com a Zona Franca de Manaus e classificação de mercadorias, exceções essas pertinentes a esse E. Terceiro Conselho. Como relatado, não é objeto deste processo o IPI na importação, nem operações com a ZFM, e estando a questão de classificação fiscal resolvida e definitivo na 1a instância, e não se relacionando o direito creditório glosado com qualquer dessas hipóteses, não há como entender competente esse E. Terceiro Conselho para dirimir a questão remanescente. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 O meu voto é pois para declinar da competência em favor do E. Segundo Conselho de Contribuintes. Caso ultrapassada a questão preliminar, passo a examinar o mérito do Recurso Voluntário que diz respeito ao item II do Auto de Infração: falta de estorno de crédito de MI. De acordo com o Termo de Verificação, as fls. 36, o Recorrente deixou de proceder ao estorno do crédito de IPI, referente aos insumos utilizados em produtos não tributados, conforme dispõe o art. 100, inc. I, "a" do RIP1182: "Art. 100 - Sera anulado, mediante, estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I - relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido: empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos isentos, não-tributados ou que tenham suas aliquotas reduzidas a zero, respeitadas as ressalvas admitidas:" Por seu lado, o Recorrente argumenta com os princípios da não- cumulatividade, da seletividade e da essencialidade que norteiam a cobrança do IPI e acena com uma decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao examinar Recurso Extraordinário, de n° 212.484-2/RS, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, cujo julgamento foi assim ementado: "CONSTITUCIONAL - TRIBUTÁRIO - IPI - ISENÇÃO INCIDEN1E SOBRE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. PRINCiPIO DA NÃO CUMULATIWDADE - OFENSA NÃO CARACTERIZADA. Não ocorre ofensa à CF ( art. 153, § 30, ) quando o contribuinte do IPI credita-se do valor do tributo incidente sobre insurnos adquiridos sob o regime de isenção." Segundo o Recorrente, esta decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal teria sacramentado, perante o Poder Judiciário, um direito a crédito ainda i mais amplo qual seja: o direito dos contribuintes de lançar como "crédito o valor do IPI que "seria" incidente sobre insumos, se estes não fossem isentos do imposto. assevera: O voto do Sr Ministro Nelson Jobim no julgamento do STF 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 "A regra, para os impostos de valor agregado, é a não cumulatividade, ou seja, o tributo é devido sobre a parcela agregada ao valor tributado anterior. Assim, na primeira operação, a aliquota incide sobre o valor total. Já na segunda operação, só se tributa o diferencial. 0 Brasil, por conveniência, adotou técnica de cobrança distinta. 0 objetivo é tributar a primeira operação de forma integral e, após, tributar o valor agregado. No entanto, para evitar confusão, a aliquota incide sobre todo o valor em todas as operações sucessivas e concede-se crédito do imposto recolhido na operação anterior. Evita-se, assim, a cumulação." Ora, se esse é o objetivo, a isenção concedida em um momento da corrente não pode ser desconhecida quando da operação subseqüente tributável. 0 entendimento no sentido de que, na operação subseqüente, não se leva em conta o valor sobre o qual deu-se a isenção, importa, meramente em diferimento." No caso sob julgamento, acrescenta o Recorrente que, embora a operação seja inversa, aqui a entrada dos insumos é tributada e a saida do produto industrializado não o 6, aplica-se exatamente a mesma lógica: o crédito da entrada deve ser mantido, caso contrario o Recorrente arcará com o ônus tributário em operações que não devem ser tributadas, o que violaria o principio da não - cumulatividade e, consequentemente, deturparia a reconhecida imunidade de seus produtos. Como é sabido, sendo o IPI um imposto plurifásico, com propensão a sobreposições tributárias, foram concebidas formas de evitar tais onerações sobrepostas, entre elas, as conhecidas como "tax on tax", "base on base" e a de apuração periódica. Na primeira forma, "tax on tax", compensa-se o tributo pago numa operação com o devido na outra. Na segunda, compensam-se as bases de cálculo, e na terceira forma, de se evitar a sobreposição tributária, apura-se o imposto a pagar mediante confrontos periódicos de créditos, decorrentes do imposto relativo as mercadorias entradas, com débitos do mesmo imposto, decorrentes das saídas de mercadorias. No Brasil, como se sabe, foi adotada a terceira forma, isto 6, o da apuração periódica e, assim sendo, inexiste vinculação entre a mercadoria entrada e a mercadoria saída, mas sim a vinculação com o período em que ocorreram as entradas 14 .1 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 • 303-00.950 e saídas de mercadorias que resultaram no confronto entre os respectivos débitos e créditos gerados naquele período. Ern outros termos, conforme o art. 49 do CTN, que repete a norma constitucional, pelo principio da não-cumulatividade, o crédito, resultado do conjunto das entradas de mercadorias no estabelecimento, sera confrontado com o débito, resultado do conjunto das saidas de mercadorias do mesmo estabelecimento fabril, em determinado período. Assim, ao meu ver, não existe no texto constitucional, nem na legislação complementar nem na ordinária pátria previsão para que o crédito pela entrada de uma mercadoria esteja adstrito ao débito pela saída da mesma mercadoria. Releva observar que os princípios da seletividade e da essencialidade, que resultam em tributação a menor ou não tributação, cairiam no vazio da ineficácia se o contribuinte não pudesse manter o credito pela saída não tributada de uma mercadoria. Aliás, é este o raciocínio, só que em situação inversa, que levou o Ministro Nelson Jobim a concluir no voto já transcrito acima que "a isenção concedida em um momento da corrente não pode ser desconhecida quando da operação subseqüente tributável. O entendimento no sentido de que, na operação subseqüente, não se leva em conta o valor sobre o qual deu-se a isenção, importa, meramente eni diferimento". sabido que o escopo maior da seletividade e da essencialidade é a estimular industrialização de certos produtos, considerados pela Administração Pública de maior interesse e relevância social. E que o principio da não- cumulatividade evita o efeito cascata que oneraria ainda mais o consumidor final. Na hipótese sob julgamento a essencialidade dos produtos exsurge do próprio legislador constitucional que tratou de retira-los do campo da incidência do IPI. Disso tudo resulta que, se ao Recorrente não for reconhecido seu direito à manutenção do crédito de IPI decorrente da entrada de insumos utilizados em produtos não tributados, a própria imunidade ficará evidentemente comprometida já que o Recorrente é quem suportará parte do emus tributário incidente sobre a sua atuação produtiva. A este respeito e seguindo o posicionamento do E. Supremo Tribunal Federal, o Segundo Conselho de Contribuintes já decidiu: 15 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 126.155 : 303-00.950 1) "IPI - CRÉDITOS BÁSICOS - PRINCIPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE - ENTRADAS COM ALIQUOTA ZERO - SAIDA TRIBUTADA - POSSIBILIDADE DO CONTRIBUINTE CREDITAR-SE. Diante da possibilidade de creditamento do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção, conforme precedente do STF ( RE n° 212.484-2/RS ), aplica-se o mesmo entendimento aos insumos tributados à aliquota zero." (Acórdão n° 201-75.412) 2) IPI - CRÉDITOS BÁSICOS - PRINCÍPIO DA NÃO- CUMULATIVIDADE - ENTRADAS COM ALIQUOTA ZERO - SAÍDA TRIBUTADA - POSSIBILIDADE DE 0 CONTRIBUINTE CREDITAR-SE - Diante da possibilidade de creditamento do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção, conforme precedente do STF (RE n° 212.484-2/RS), aplica-se o mesmo entendimento aos insumos tributados à aliquota zero. Recurso voluntário provido. (Acórdão n° 201-75657) No mesmo sentido decidiram os V. Acórdãos n's, 201.75659, 201.75656 e 201.75658. Á vista do que vai acima exposto, meu voto é no sentido de, preliminarmente, declinar da competência para que o julgamento de mérito se processe perante o Segundo Conselho de Contribuintes, e, caso ultrapassada a preliminar, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência tributária. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de junho de 2004 p2TON BARTO I — Relator
score : 1.0
Numero do processo: 13855.720163/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
O lançamento que tenha alterado o Valor da Terra Nua declarado, utilizando valores de terras constantes do SIPT é passível de modificação se forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da ABNT.
O laudo que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, deve demonstrar dados de mercado de imóveis com atributos mais semelhantes possíveis aos do bem avaliado (inclusive quanto à área do imóvel), com diversificação das fontes de informações, identificação e descrição objetiva das características relevantes dos dados de mercado coletados, como também, informações sobre a situação mercadológica relativas à oferta e tempo de exposição da oferta.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SÚMULA CARF Nº122.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Súmula CARF nº 122.
Numero da decisão: 2202-007.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 178,4 ha declarados a título de área de reserva legal.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. O lançamento que tenha alterado o Valor da Terra Nua declarado, utilizando valores de terras constantes do SIPT é passível de modificação se forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da ABNT. O laudo que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, deve demonstrar dados de mercado de imóveis com atributos mais semelhantes possíveis aos do bem avaliado (inclusive quanto à área do imóvel), com diversificação das fontes de informações, identificação e descrição objetiva das características relevantes dos dados de mercado coletados, como também, informações sobre a situação mercadológica relativas à oferta e tempo de exposição da oferta. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SÚMULA CARF Nº122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Súmula CARF nº 122. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 178,4 ha declarados a título de área de reserva legal. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 01 63 /2 00 8- 69 Fl. 132DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão prolatada no Acórdão nº 04-22.061 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), datada de 8 de outubro de 2010, que julgou improcedente a impugnação de Auto de Infração relativo a lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), no valor de R$ 46.630,67. Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” esclarece a autoridade fiscal lançadora, que após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural, assim como, não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, o valor da terra nua declarado. Ainda conforme a descrição dos fatos, durante o procedimento de fiscalização, mediante intimação, a contribuinte apresentou: cópias de Atos Declaratórios Ambientais (ADA’s), as matrículas n°s 43.151 e 43.152 com as áreas de preservação permanente averbadas, mapa e o Laudo de Avaliação de Propriedade Rural. Ocorre que, em relação as áreas isentas, foram apresentados: um Ato Declaratório Ambiental (ADA) de 1998 de uma propriedade com NIRF e cadastro do Incra diferentes da Fazenda Reunidas Duas Irmãs (objeto da presente autuação) e um outro ADA do imóvel protocolado em 18/11/2008, não tendo sido apresentado o ADA de 2004. Também não foi apresentado nenhum documento nos termos do art. 20, § 4° da Lei 4.771/1965, com redação dada pela MP n° 21.66-67/2001, sendo assim glosada a área de 178,40 hectares informada na DIAT/2004 como área de preservação permanente. Com relação à comprovação do Valor da Terra Nua (VTN), verificou-se que a pesquisa de elementos comparativos apresentados não assegura a qualidade da amostra, conforme assim descrito nas fls. 3/4: Analisando o presente laudo, verificamos que a pesquisa de elementos comparativos apresentados não assegura a qualidade da amostra, conforme seção 7.4 e 7.7 (especialmente o item 7.7.2.2), 9.2 e 9.3 da NBR 14.653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. As áreas das seis propriedades descritas pelas escrituras de venda e compra são bem pequenas (4,84 ha e 60,50 ha) em relação a do contribuinte (648,70 ha). Não há descrição da utilização das propriedades informadas, ou seja, para pecuária de menor valor ou para a prática de agricultura, de maior valor. Na pesquisa, a composição das amostras deveria ter características, tanto quanto possível, semelhantes às do avaliado, usando-se toda a evidência disponível, o que não foi comprovado no presente caso, estando em desacordo com o com os itens 7.4.1 e 7.4.3.6 da NBR 14.653-3. Não há tratamento estatístico dos dados, estando em desacordo com o item 7.7 da NBR 14.653-3. Os valores dos elementos de amostras 5 e 6 possuem uma variação de mais de 50% em relação ao valor médio de R$ 3.091,16, não garantindo o grau de precisão II do Laudo, estando em desacordo com o item 9.3 da NBR 14.653-3 . Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 O laudo também não apresenta a memória de cálculo do tratamento utilizado e não demonstra a especificação atingida, com relação ao grau de fundamentação e precisão, conforme as seções 8.1, 9 e 11.1 letras i e 1 da NBR 14.653-3. Do exposto, não consideraremos o presente Laudo. 0 Valor da Terra Nua (VTN) declarado da Fazenda, na DITR, foi de R$ 1.315,79 em 2004. Tal valor incorreu em sub-avaliação, considerando que 68,30% da área do imóvel destina-se ao cultivo de cana de açúcar e tendo em vista a grande demanda de terras para o plantio de cana, tal valor é incompatível com a realidade do mercado de terras na região do imóvel. Para confirmar tal incompatibilidade, basta consultar publicações oficiais de pesquisa de Valor de Terra Nua (VTN), como as realizadas e publicadas pelo Instituto de Economia Agrícola (www.iea.sp.gov.br ), na qual o valor médio para terra de cultura de segunda na região do município do imóvel no ano de 2004 é de R$ 10.950,41/ha. E conforme art. 14 da Lei 9.393/96 em havendo subavaliação do VTN declarado, procedeu-se à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando as informações sobre preços de terras constantes do Sistema de Preços de Terra (SIPT), instituído pela Portaria SRF N° 447, de 28 de março de 2002, o qual está alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agriculturas das Unidades Federadas. Dessa forma, foi procedida à glosa da área de reserva legal, devido à não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) relativo ao período sob análise e, nos termos do art. 14, da Lei 9.393, de 1995, foi procedido ao lançamento de ofício da diferença do imposto, de acordo com as informações sobre preços de terras, constantes do SIPT, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados, conforme os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O VTN médio por aptidão foi arbitrado, tendo como fonte os levantamentos da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, relativos ao município de localização do imóvel (Barretos), para o exercício de 2004, conforme tela “VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA” juntada aos autos (fl. 101) Foi interposta impugnação, onde a autuada defende o entendimento de que não há necessidade do ADA para efeito de fruição do beneficio de exclusão da Área de Reserva Legal, bastando para tanto a devida averbação no registro do imóvel, o que entende provado, inclusive em extensão superior à legalmente prevista. No que se refere ao valor da terra nua, ratifica a validade do laudo, destaca a seção 7.4.1 da NBR 14.653-3 da ABNT e informa que todos os esforços foram realizados no sentido de trazer a maior completude possível ao laudo apresentado, carreando os seguintes argumentos e justificativas: do laudo de avaliação do Valor da Terra Nua 10. Em relação à adequação da estimativa do valor de mercado, lembramos a seção 7.4.1 da NBR 14.653-3 da ABNT. "Na pesquisa, o que se pretende é a composição de uma amostra representativa de dados de mercado de imóveis com características, tanto quanto possível, semelhantes às do avaliando, usando-se toda a evidência disponível. Esta etapa deve iniciar-se pela caracterização e delimitação do mercado em análise, com o auxílio de teorias e conceitos existentes ou hipóteses advindas de experiências adquiridas pelo avaliador sobre a formação do valor. (..) " (grifamos) 11. Assim sendo, não há que se falar em desconsideração dos dados das compras e vendas apresentadas pelo laudo, devido ao fato de serem 6 propriedades de menores dimensões e de não haver a especificação de suas utilizações, Ja que todos os esforços foram no sentido de trazer a maior completude possível a esse documento. Quanto ao tamanho, utilizaram-se essas escrituras, pois não existiram outras no período que tinham Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 por objeto área da região com extensões semelhantes. Quanto ao uso, não foi possível especificar no laudo, pois, infelizmente nos deparamos com um alto grau de dificuldade para colher informações sobre negociações de terra na região de Barretos. 12. Em se tratando propriamente de analisar as características da propriedade e estipular o Valor da Terra Nua, nos deparamos com três características determinantes. (i) A maior extensão do imóvel influi no sentido de diminuir o valor por hectare, já que a prática do mercado demonstra que quanto menor a área maior é o preço por hectare. Como a Fazenda Reunidas Duas Irmãs tem grande extensão, o valor do hectare nu tende a ser menor que a média. (ii) A distância da propriedade do local de destino de sua produção é de 41 km (croqui anexo), e como sabemos um dos fatores limitantes à cultura da cana de açúcar é a distância entre a área de produção e a Unidade Industrial, desta maneira podemos traçar uma relação direta e • inversamente proporcional, quanto maior esta distância, menor é o valor da terra nua. (iii) A qualidade do solo, e tratamos aqui de uma terra com baixa fertilidade e explorada por arrendatários que não fizeram as correções de solo de maneira correta, pois só visavam lucro imediato, tanto que só foi possível o plantio de cana de açúcar nesta propriedade devido ao desenvolvimento de variedades adaptáveis a terras fracas. Todos esses fatores foram levados em consideração para a elaboração do Laudo de Avaliação do Valor da Terra nua. 13. Neste mesmo sentido também foi apresentado um documento provando o valor da pauta usada pela PREFEITURA MUNICIPAL DE BARRETOS, que era de R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais) por hectare em 2.004 e como o valor declarado foi de R$ 2.799,11 (dois mi setecentos e noventa e nove reais e onze centavos) por hectare, mais uma vez fica provado que o laudo de avaliação do Valor da Terra Nua retrata o valor real da terra nua em 2.004. A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, não obstante, foi julgada improcedente por aquela autoridade (fls. 102/109). A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: Área de Reserva Legal. Tributação. ADA. A área de reserva legal, além da averbação na matrícula do imóvel na data do fato gerador, para a exclusão do ITR deve ser reconhecida como de interesse ambiental, mediante protocolização do Ato Declaratório Ambiental - ADA, perante ao Ibama, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo regular fixado para a entrega da declaração. Valor da Terra Nua - VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, 49 elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. A autuada interpôs recurso voluntário, onde novamente contesta o valor da terra nua arbitrado pelos mesmos fundamentos articulados na impugnação, requerendo que seja acatado o VTN declarado, assim como, que seja admitida a área de 178,4 hectares de reserva legal declarada, independentemente da apresentação do Ato Declaratório Ambiental, eis que regularmente averbada perante o Registro de Imóveis. Reproduzindo no recurso exatamente os mesmos argumentos articulados na peça impugnatória, ao final a contribuinte requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 23/11/2010, conforme Aviso de Recebimento de fl. 115. Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 21/12/2010, conforme carimbo aposto pela Agência da Receita Federal do Brasil em Barretos/SP na própria peça recursal (fl. 116), considera-se tempestivo. Conforme relatado, o que se discute nos presentes autos é o lançamento de ofício de diferença do ITR decorrente da falta de apresentação do ADA, relativamente à Área de Reserva Legal e constatação, pela autoridade fiscal lançadora, de que houve subavaliação do VTN indicado na declaração do ITR, uma vez que nos laudos de avaliação apresentados foram constatadas divergências que levaram à sua desconsideração para o fim de determinação do valor tributável. ÁREA DE RESERVA LEGAL Requer a contribuinte a consideração de 178,4 hectares de área de reserva legal declarada, independentemente da apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Para tanto, apresenta as Certidões de Matrículas (fls. 17, 20 e 21) do Cartório de Registro de Imóveis de Barretos de nºs 43.151 e 43.152, sendo que na matrícula 43.151 na AV.2 consta que em 18 de julho de 2002 foi procedida Averbação de Reserva Florestal e na matrícula 43.152 na AV.2, que foi registrada em 11 de outubro de 2001 e AV.3 e AV.4, também de 18 de julho de 2.002, foi Averbada Reserva Florestal. Apesar de considerar averbada a área de reserva legal na respectiva matrícula, conforme afirmado na fl. 3, o motivo da glosa pela autoridade fiscal lançadora foi devido à não apresentação do Ato Declaratório Ambiental junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Motivação esta acatada no julgamento de piso sendo considerada improcedente a impugnação por considerar que: “É necessária a comprovação do cumprimento tempestivo de uma obrigação prevista na legislação, referentemente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação, ressaltando-se que a averbação, ainda que tempestiva, da área de reserva legal na matrícula do imóvel, não dispensa o cumprimento da exigência de apresentação do ADA. Assim, os documentos anexados às fls. 71 e 72, para comprovar as áreas ambientais, não dispensam a necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental.” Conforme a documentação acostada aos autos e em consonância com as afirmações das autoridades lançadora e julgadora de piso, dúvidas não foram levantadas quanto à existência dos 178,4 hectares de área de reserva legal no imóvel objeto do presente lançamento, assim como, quanto à averbação de tal reserva na matrícula do imóvel. Dessa forma, a controvérsia cinge-se à definição dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito à exclusão da área do cálculo do ITR, especificamente quanto à necessidade, ou não, de apresentação/protocolização do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA para efeito da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, alínea “a” da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. O tema não é estranho a este Conselho Administrativo, havendo atualmente expressa manifestação no sentido de que a averbação da Área de Reserva Legal na matrícula do Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do ADA. Este é o entendimento consignado na relativamente recente Súmula CARF nº 122, que possui caráter vinculante, conforme Portaria nº 129, de 1º de abril de 2019, do Sr. Ministro de Estado da Economia, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 122 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Na situação ora sob análise temos que, consta a efetiva averbação da área na matrícula do imóvel em datas anteriores à ocorrência do próprio fato gerador do ITR objeto do presente lançamento, o que enseja a observância do referido verbete sumular, devendo ser excluída do lançamento a referida Área de Reserva Legal, correspondente a 178,4 hectares, do imóvel objeto do presente lançamento. VALOR DA TERRA NUA Ainda na fase do procedimento de auditoria fiscal foi apresentado pela contribuinte o laudo de avaliação de fls. 29/34 (exercício de 2004), laudo esses onde, segundo a fiscalização, foram constatadas divergências que levaram à sua desconsideração para o fim de revisão do lançamento do ITR, no que se refere à determinação do VTN. Divergências essas que podem ser assim consolidadas conforme a descrição dos fatos: - a pesquisa de elementos comparativos apresentada não assegura a qualidade da amostra, conforme seção 7.4 e 7.7 (especialmente o item 7.7.2.2), 9.2 e 9.3 da NBR 14.653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT; - as áreas das seis propriedades descritas pelas escrituras de venda e compra são bem pequenas (4,84 ha a 60,50 ha) em relação a do contribuinte (648,70 ha); - não há descrição da utilização das propriedades informadas, ou seja, para pecuária de menor valor ou para a prática de agricultura, de maior valor; - a composição das amostras deveria ter características, tanto quanto possível, semelhantes às do avaliado, usando-se toda a evidência disponível, o que não foi comprovado no presente caso, estando em desacordo com o com os itens 7.4.1 e 7.4.3.6 da NBR 14.653-3; - não há tratamento estatístico dos dados, estando em desacordo com o item 7.7 da NBR 14.653-3; - os valores dos elementos de amostras 5 e 6 possuem uma variação de mais de 50% em relação ao valor médio de R$ 3.091,16, não garantindo o grau de precisão II do Laudo, estando em desacordo com o item 9.3 da NBR 14.653-3 ; - o laudo não apresenta a memória de cálculo do tratamento utilizado e não demonstra a especificação atingida, com relação ao grau de fundamentação e precisão, conforme as seções 8.1, 9 e 11.1 letras i e 1 da NBR 14.653-3. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 Também no julgamento de piso foram apontadas inconsistências no laudo apresentado, conforme se constata dos seguintes excertos do Acórdão ora objeto de recurso: Analisando o laudo, verifica-se que 05 dados de pesquisa são relativos ao ano de 2004, porém apresentam uma variação de preço bastante considerada e não possuem atributos de semelhança ao do imóvel avaliando, que são fatores fundamentais para determinação do preço de mercado. Por outro lado, constata-se que o laudo não apresenta a memória de cálculo do tratamento utilizado conforme previsto na seção 8.1, 9 e 11. 1, letras "i" e"l" da citada norma; A Certidão à fl. 37, fornecida pela Prefeitura do Município de Barretos/SP, não pode ser aceita porque é relativa a outro imóvel de propriedade da contribuinte. Dessa forma, impõe-se reconhecer que o laudo apresentado, apesar de elaborado por profissional habilitado, não apresenta o rigor exigido pela norma ABNT para que possa ser aceito como prova suficiente para justificar a revisão do VTN tributado. O documento que possibilitaria a comprovação do VTN por hectare do imóvel seria o Laudo de Avaliação, elaborado conforme as normas da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovassem as fontes idôneas de pesquisa Ao apresentar o recurso ora objeto de análise, não foi juntado nenhum outro documento, limitando-se a recorrente a remeter aos mesmos documentos acostados aos autos por ocasião da impugnação, inclusive o laudo acima referenciado, defendendo a legitimidade dos mesmos para o efeito de comprovação do VTN do imóvel, haja vista características determinantes do imóvel que impossibilitaram uma melhor especificação, assim descritas: 11. Em se tratando propriamente de analisar as características da propriedade e estipular o Valor da Terra Nua, nos deparamos com três características determinantes. (i) A maior extensão do imóvel influi no sentido de diminuir o valor por hectare, já que a prática do mercado demonstra que quanto menor a área maior é o preço por hectare. Como a Fazenda Reunidas Duas Irmãs tem grande extensão, o valor do hectare nu tende a ser menor que a média. (ii) A distância da propriedade do local de destino de sua produção é de 41 km (croqui anexo), e como sabemos um dos fatores limitantes à cultura da cana de açúcar é a distância entre a área de produção e a Unidade Industrial, desta maneira podemos traçar uma relação direta e inversamente proporcional, quanto maior esta distância, menor é o valor da terra nua. (iii) A qualidade do solo, e tratamos aqui de uma terra com baixa fertilidade e explorada por arrendatários que não fizeram as correções de solo de maneira correta, pois só visavam lucro imediato, tanto que só foi possível o plantio de cana de açúcar nesta propriedade devido ao desenvolvimento de variedades adaptáveis a terras fracas. Todos esses fatores foram levados em consideração para a elaboração do Laudo de Avaliação do Valor da Terra nua. Considerando que não foram apresentados novos documentos, presentes, portanto, os mesmos elementos que levaram, tanto a fiscalização, quanto a autoridade julgadora de piso, a não considerar o laudo apresentado como apto a atestar o VTN declarado pela recorrente, de forma que razão não assiste à autuada na pretensão de afastar o arbitramento, pois o laudo técnico não se atenta a todos os requisitos obrigatórios, a exemplo da plena observação da norma NBR 14.653-3 da ABNT. De fato, verifica-se que o laudo não contém o pleno requisito da NBR 14.653-3 da ABNT, especialmente no que se refere à apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor da terra nua do imóvel, a preços de 1.º de janeiro do exercício em discussão, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80% (oitenta por cento). Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 Foi destacado no julgamento de piso que foram utilizadas amostras referentes a imóveis com áreas muito inferiores ao da propriedade objeto do presente lançamento. Verifica-se no laudo apresentado (fl. 34), que dos imóveis utilizados como amostra o de maior área não chega a 10% da área do imóvel objeto da autuação, de forma que não apresentam características similares à propriedade avaliada. Também se verifica que todos os valores relativos às amostras foram simplesmente extraídos do Registro Geral de Imóveis do município, ou seja, não foi evidenciada qualquer outra forma de apuração de efetivos dados de mercado. A norma da ABNT (NBR 14.6533) preceitua ser necessário, em qualquer grau de fundamentação, no mínimo, 3 (três) dados de mercado, devendo ser efetivamente utilizados. Situação não comprovada no presente caso, que se baseou apenas nos registros imobiliários, sendo que nos graus de fundamentação II e III, são exigidos pelo menos, 5 (cinco) dados de mercado. Complementando, com relação à coleta de dados para elaboração do laudo, nota- se que os requisitos exigidos no item 7.4 da NBR 14653-1 não foram atendidos, vez que não se comprovou ter buscado dados de mercado com atributos mais semelhantes possíveis aos do bem avaliado (inclusive quanto à área do imóvel), não diversificou as fontes de informações, não identificou e descreveu as características relevantes dos dados de mercado coletados, como também, não consta do laudo informações sobre a situação mercadológica com dados do mercado relativos à oferta e o tempo de exposição da oferta no mercado. Assim preceitua a referida NBR 14653-1, no que se refere à coleta de dados; 7.4 Coleta de dados É recomendável que seja planejada com antecedência, tendo em vista: as características do bem avaliando, disponibilidade de recursos, informações e pesquisas anteriores, plantas e documentos, prazo de execução dos serviços, enfim, tudo que possa esclarecer aspectos relevantes para a avaliação. 7.4.1 Aspectos Quantitativos É recomendável buscar a maior quantidade possível de dados de mercado, com atributos comparáveis aos do bem avaliando. 7.4.2 Aspectos Qualitativos Na fase de coleta de dados é recomendável: a) buscar dados de mercado com atributos mais semelhantes possíveis aos do bem avaliando; b) identificar e diversificar as fontes de informação, sendo que as informações devem ser cruzadas, tanto quanto possível, com objetivo de aumentar a confiabilidade dos dados de mercado; c) identificar e descrever as características relevantes dos dados de mercado coletados; d) buscar dados de mercado de preferência contemporâneos com a data de referência da avaliação. 7.4.3 Situação mercadológica Na coleta de dados de mercado relativos a ofertas é recomendável buscar informações sobre o tempo de exposição no mercado e, no caso de transações, verificar a forma de pagamento praticada e a data em que ocorreram. 7.5 Escolha da metodologia Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 A metodologia escolhida deve ser compatível com a natureza do bem avaliando, a finalidade da avaliação e os dados de mercado disponíveis. Para a identificação do valor de mercado, sempre que possível preferir o método comparativo direto de dados de mercado, conforme definido em 8.3.1. 7.6 Tratamento dos dados Os dados devem ser tratados para obtenção de modelos de acordo com a metodologia escolhida. 7.7 Identificação do valor de mercado 7.7.1 Valor de mercado do bem A identificação do valor deve ser efetuada segundo a metodologia que melhor se aplique ao mercado de inserção do bem e a partir do tratamento dos dados de mercado, permitindo-se: a) arredondar o resultado de sua avaliação, desde que o ajuste final não varie mais de 1% do valor estimado; b) indicar a faixa de variação de preços do mercado admitida como tolerável em relação ao valor final, desde que indicada a probabilidade associada. 7.7.2 Diagnóstico do mercado O engenheiro de avaliações, conforme a finalidade da avaliação, deve analisar o mercado onde se situa o bem avaliando de forma a indicar, no laudo, a liquidez deste bem e, tanto quanto possível, relatar a estrutura, a conduta e o desempenho do mercado. Conforme restou demonstrado, o laudo de avaliação apresentado descumpre as prescrições da norma de avaliação, o que compromete a qualidade e a força comprobatória que se objetiva. A própria norma da ABNT afirma que no caso de insuficiência de informações que permitam a utilização adequada do método comparativo direto de dados de mercado, o trabalho realizado não será classificado quanto à fundamentação e à precisão, mas pode ser considerado um parecer técnico (item 9.1.2, da NBR 14.6533) Desta forma, a irresignação contra o valor arbitrado se apresenta prejudicada, vez que não comprova a fidedignidade das amostras utilizadas na suposta aplicação do método comparativo de mercado. Não consta comprovação de efetivas negociações, de preços, recortes de jornais da época ofertando imóveis, tampouco, das possíveis amostras não há informações das específicas características e demais dados para comparar com a propriedade avaliada, não havendo como afirmar se são similares ou não, inclusive em decorrência das áreas dos imóveis apresentados. Também não deve ser acolhida a “Certidão”, sem data, apresentada pela autuada, de lavra de agente do Setor de Rendas Imobiliárias da prefeitura municipal de Barretos (fl. 42), certificando os Valores Venais da Terra Nua atribuídos ao imóvel rural denominado Fazenda Queixada, cadastro no INCRA nº 604.011.009.431-1, de propriedade de Helena Assad Barbar. De fato, ao ser intimada a apresentar documentos comprobatórios do VTN declarado, é oportunizada a possibilidade de se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais. Entretanto, além de se tratar de imóvel distinto e de propriedade de outra Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 contribuinte, na própria intimação é esclarecido que devem também ser apresentados os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel pelo município. O arbitramento do VTN, com base no SIPT - Tabela SIPT por aptidão agrícola, está previsto no art. 14, da Lei n° 9.393, de 1.99 e representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião. Observando-se o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência do assunto e utilizando-se como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT para verificação do valor de imóveis rurais ocorre quando o fiscalizado, depois de intimado, não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Conforme apontado, o laudo apresentado não contém os requisitos da NBR 14.653-3 da ABNT, especialmente a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais do município onde se localiza o imóvel objeto do lançamento, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), deixando de apresentar fundamentação/grau de precisão II, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), de forma a apurar o valor da terra nua do imóvel, a preços de 1.º de janeiro do exercício em discussão, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80% (oitenta por cento). Desta forma, a irresignação contra o valor arbitrado se apresenta prejudicada, vez que não há fidedignidade das amostras utilizadas na suposta aplicação do método comparativo de mercado. Não consta comprovação de efetivas negociações, de preços, recortes de jornais da época ofertando imóveis, tampouco, das possíveis amostras não há informações das específicas características e demais dados para comparar com a propriedade avaliada, não havendo como afirmar se são similares ou não, inclusive em decorrência das áreas dos imóveis apresentados. Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações normativas. Por outro lado, cabe ao contribuinte trazer aos autos elementos que justifiquem sua irresignação quanto a tal arbitramento, sendo exigida a apresentação de laudo de avaliação do imóvel nos termos da NBR 14.6533 da ABNT, preferencialmente com fundamentação e grau de precisão II, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. O laudo técnico apresentado pela contribuinte foi considerado insuficiente pela autoridade julgadora de piso, sendo reapresentado juntamente com o recurso ora objeto de análise, contendo as mesmas deficiências, vez que não se atenta aos requisitos obrigatórios e, por conseguinte, não alcançando o grau de fundamentação II. Justifica-se, assim, o arbitramento com base no SIPT por aptidão agrícola, de acordo com as normas legais e regulamentares de regência do ITR, conforme informações prestadas pela Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo para o município de localização do imóvel. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a área de reserva legal, correspondente a 178,4 hectares. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-007.049 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.720163/2008-69 (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10232.000031/99-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
Declarada, pela Corte Maior, a inconstitucionalidade da utilização
das alíquotas constantes da Medida Provisória n° 399/93 para a
cobrança do ITR no exercício de 1994, não resta outra alternativa
a este Colegiado que não seja declarar a insubsistência do
lançamento. (parágrafo único do art. 4° do Decreto n° 2.346/97).
Numero da decisão: 303-35.512
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do
Acórdão 303-33.893, de 06/12/2006 e a insubsistência do lançamento do ITR/94, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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(parágrafo único do art. 4° do Decreto n° 2.346/97). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Acórdão 303-33.893, de 06/12/2006 e a insubsistência do lançamento do ITR/94, nos termos do voto da relatora. AP too ANELISE DAUDT PRIETO Presidente e Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Celso Lopes Pereira Neto, Tarásio Campeio Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Heroldes Bahr Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Nilton Luiz Bartoli. ' Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 129 Relatório Em 06 de dezembro de 2006 esta Câmara, ao apreciar o recurso voluntário do contribuinte, não tomou conhecimento do mesmo, por ter sido apresentado sem a garantia de instância, determinada pelo artigo 33 do Decreto 70.235/72, com a redação do artigo 32 da Lei n° 10.522, de 19/07/2002. Transcrevo relatório e voto proferidos naquela ocasião: "Este processo retornou da diligência determinada pela Resolução n° 303- 01.085, para que a repartição de origem intimasse o contribuinte a apresentar a garantia de instância para seguimento do recurso. Para melhor compreensão, transcrevo o relatório e voto da resolução: 010 "Adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever. "Contra o contribuinte acima identificado foi lançada, em 23/04/1999, a Notificação, de fl. 23, com data de vencimento em 30/06/1999, através da qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 6.094,87, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, Multa por atraso na entrega da Declaração, Contribuições CNA e SENAR, do exercício de 1.994, em relação ao imóvel rural denominado Seringal e Outros, Papagaio, Sto. Antonio etc, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob n° 3321110.8, localizado no município de Cruzeiro do Sul AC. O lançamento, decorrente da própria declaração do contribuinte, fls. 60/61, que declarou a área total de 2.000,0 hectares, como 11) toda aproveitável, embora sem utilização. O Contribuinte, em 24/06/1999, apresenta sua impugnação, solicitando o cancelamento da notificação, alegando que se trata de cobrança indevida do ITR, pois as áreas em questão fazem parte do Parque Nacional da Serra do Divisor (Decreto 97.839, de 16/06/1989). Deixa de apresentar a Certidão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais — IBAMA — uma vez que esta entidade, em oficio a ele enviado, alega que o órgão não dispõe de recursos no memento para efetuar o levantamento fundiário e as indenizações. O contribuinte apresentou a correspondência de fls. 02/20, datada a partir de outubro de 1997 até novembro de 1998. Nessa documentação há inclusive cópia de requerimento do Ato Declaratório Ambiental — ADA 1997, datado de 09/01/98, referente ao imóvel Seringal Aldeota e outros, Papagaio, Sto Antonio, Açaí etc NIRF 3321110-0, fls. 05/ 06. 2 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 130 Por não haver benfeitoria no imóvel, por não permitir o IBAMA, pretende o contribuinte que em função do Decreto 97.839/89, de 16/06/1989, que criou o Parque Nacional da Serra do Divisor, suas terras sejam consideradas de Preservação Permanente e conseqüentemente isentas do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR. Anexa, ainda, cópia do Decreto n° 97.839, de 16/06/1989 e da Instrução Normativa do SRF n° 43, de 07/05/97, fls. 25/28. A Informação/Dijup/DRJ/MNS/n° 02/2001, fls. 38/39, resume a impugnação do contribuinte, relaciona a correspondência de fls. 02 a 20, sugere consulta ao IBAMA sobre a inclusão do imóvel na área do Parque Nacional da Serra do Divisor. É dirigido à Gerente do IBAMA o Oficio/Sacat/DRF/RBO/AC n° 016/2002, de 19/04/2002, fl. 43, consultando sobre a desapropriação do imóvel e em que data ocorreu a sua imissão de posse, caso contrário, se o imóvel foi declarado de interesse ecológico. Em resposta, o oficio n° 203/02 IBAMA/GEREX/AC, de 17/05/2002, afirma que o imóvel se encontra inserido na área delimitada pelo Parque Nacional da Serra do Divisor, criado pelo Decreto 97.839/89. Ainda não foi desapropriado pelo poder público, estando o mesmo em processo de regularização fundiária que objetiva subsidiar as ações expropriatórias. Afirma que o próprio Decreto de criação do Parque Nacional da Serra do Divisor já pacificou o interesse ecológico da área, ratificado pelo IBAMA através de estudos e trabalhos objetivando identificar suas potencialidades ecológicas. A DRF/Rio Branco emitiu o Despacho Decisório, com data de 23/05/2002, de fls. 45/47, indeferindo o pedido do contribuinte de cancelar o lançamento da Notificação, nos termos da fundamentação Regularmente intimado, às fls. 49/50, o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, fl. 51, não concordando com despacho, por já haver o "empossamento" do IBAMA, pelo Decreto n° 97.839/89. Não tem recurso para constituir um advogado para contestar os fundamentos do despacho e não tem direito a atendimento gratuito, pela defensoria pública, por não ganhar menos que três salários mínimos. Não tem recurso para pagar tal quantia, "a não ser que os senhores recebam parte das terras, objeto da cobrança do imposto ou habilitem-se ao meu ESPÓLIO, que não deve ser muito longe, /kielP 3 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 131. . tenho 72 anos de idade e sou aposentado pelo FAMIGERADO INSS." A DRJ em Recife considerou procedente o lançamento sob as seguintes alegações: - embora o Decreto n° 97.839/89 tenha criado o Parque Nacional da 1 ISerra do Divisor, declarando de utilidade pública as terras descritas para fins de desapropriação, o IBAMA afirma que o imóvel não foi desapropriado pelo poder público, estando em processo de regularização fundiária objetivando subsidiar as ações expropriatórias. I- não tendo ocorrido a desapropriação, o recorrente é responsável pelo tributo, salvo se houver imissão prévia na posse. - embora sua área aproveitável esteja sem utilização, não pode o imóvel Oser considerado de preservação permanente. Menos, ainda, poderia ser considerado de reserva legal, por não haver prova de que em seu 1registro cartorial esteja averbada a área de reserva legal, tampouco pode ser considerado de interesse ecológico, pois isto se dá por ato específico, estadual ou federal. I- não tendo o imóvel preenchido as condições necessárias que o isentem do imposto, é o recorrente obrigado a pagá-lo, como também as Contribuições CNA e SENAR e a multa por atraso na entrega da declaração. I Inconformado, o contribuinte apresenta seu recurso, à fl. 74, questionando a legitimidade da cobrança do ITR, tendo em vista que, embora não sendo o IBAMA o proprietário das terras, tem ele a posse de fato, "pois lá ele faz e desfaz" sem consultar o recorrente. e Junta cópia de Parecer do IBAMA que conclui pela impossibilidade de incidência do ITR sobre as áreas situadas dentro dos limites do Parque Nacional da Serra do Divisor, por serem as mesmas consideradas de preservação permanente, datado de 16/10/2003 (fls. 75/79); cópia do Ato Declaratório Ambiental de 16/01/2003, declarando a área do imóvel como de Preservação Permanente. (fl. 80); cópia de averbação da área do imóvel como de Preservação Permanente datado de 16/01/2003 (fl. 81) e cópia de Oficio do IBAMA ao Chefe da Agência da Receita Federal em Cruzeiro do Sul/AC, solicitando dilação de prazo para respostas referentes a alguns processos de declaração de interesse ecológico. ' O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. É o Relatório." O voto proferido foi o seguinte: ifè42 4 .. . Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 I . Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 132 "Compulsando os autos, não foi encontrado qualquer documento que informasse ao contribuinte a necessidade de apresentação de garantia para seguimento do recurso. Diante do exposto, converto o julgamento do recurso em diligência para que o interessado seja intimado a apresentar a garantia necessária para seguimento do mesmo." Retornando o processo à origem, (IRF/Cruzeiro do Sul/AC), esta o encaminhou para a DRF em Goiânia/GO, tendo em vista que, conforme consulta base CPF (fl. 93), constatou-se que o endereço atual do 1 contribuinte era naquela cidade. Intimado a apresentar a garantia recursal, (AR de fl. 96) o contribuinte não compareceu. éApós o prazo regulamentar, o processo foi encaminhado para este Conselho para apreciação." É o relatório. VOTO Trata-se de cobrança de ITR194, multa por atraso na entrega da declaração, contribuições CNA e SENAR, do imóvel denominado Seringal e Outros, Papagaio, Santo Antonio, etc., localizado no Município de Cruzeiro do Sul, Acre, com área total de 2.000,0ha. O contribuinte, ao tomar ciência da decisão de primeira instância, apresentou seu recurso, tempestivamente, mas sem garantia de instância. Esta Câmara converteu o julgamento em diligência para que fosse apresentado o e arrolamento de bens, todavia o interessado não se manifestou. Diante do exposto, e com base nos parágrafos do artigo 33 do Decreto 70.235/72, com a redação que lhes foi dada pelo artigo 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, deixo de tomar conhecimento do recurso, por não preencher os requisitos de admissibilidade." Retornando o processo à origem intimou-se o contribuinte a tomar ciência da decisão desta Câmara e efetuar o pagamento do saldo devedor, por meio da Intimação n° 065/2007, de 01/03/2007, que foi recebida em 14/03/2007. Não havendo manifestação do interessado nem pagamento, a dívida foi inscrita em Divida Ativa da União em 02/07/2007, conforme Termo de Inscrição de fl. 114. Cientificado da inscrição e do prazo para pagamento que seria 31/07/2007, o contribuinte apresentou, em 30/07/2007, manifestação de inconformidade contra a inscrição da dívida, dirigida à Procuradoria da Fazenda Nacional em Goiás (doc. de fl. 116), defendendo que não é devedor do ITR referente àquele imóvel, uma vez que, conforme já explicitado, tanto na impugnação como no recurso voluntário ao Conselho 1 de Contrib intes, essas terras foramw s Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 133 declaradas de utilidade pública pelo Decreto n° 97.839, de 16/07/1989 e que estão inseridas dentro dos limites da Serra do Divisor. Portanto, são áreas de preservação permanente, isentas do 1TR. Encaminhada a referida peça para análise da Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado de Goiás, esta emitiu o Despacho de fls. 120 a 122 no qual o digno Procurador manifestou-se pela devolução do processo a este Conselho, tendo em vista o motivo do não conhecimento do recurso voluntário, ou seja, a falta de arrolamento de bens, não mais existe, pois o STF, apreciando a AD1N n° 1976/DF, julgou inconstitucional o artigo 32 da MP n° 1.699-41/98, convertida na Lei n° 10.522/2002, que deu nova redação ao artigo 33, § 2° do Decreto 70.235/72, em acórdão cuja ementa transcrevo em parte: "AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 32, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ART. 33, § 2°, DO DECRETO 70.235/72 E ART. 33, AMBOS DA MP 1.699-41/1998. DISPOSITIVO NÃO REEDITADO NAS EDIÇÕES SUBSEQUENTES DA MEDIDA PROVISÓRIA TAMPUCO NA LEI DE CONVERSÃO. ADITAMENTO E CONVERSÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA NA LEI 10.522/2002. ALTERAÇÃO SUBSTANCIAL DO CONTEÚDO DA NORMA IMPUGNADA. INOCORRÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE RELEVÂNCIA E URGÊNCIA. DEPÓSITO DE TRINTA POR CENTO DO DÉBITO EM DISCUSSÃO OU ARROLAMENTO PRÉVIO DE BENS E DIREITOS COMO CONDIÇÃO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DEFERIDO. (.). A exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de admissibilidade de recurso administrativo constitui obstáculo sério (e intransponível, para consideráveis parcelas da população) ao exercício do direito de petição (CF, art. 5°, XXXIV), além de caracterizar ofensa ao princípio do contraditório (CF, art. 5°, LV). A exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos pode converter-se, na prática, em determinadas situações, em supressão do direito de recorrer, constituindo-se, assim, em nítida violação ao princípio da proporcionalidade. Ação direta julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 32 da MP 1699-41 — posteriormente convertida na Lei 10.522/2002 -, que deu nova redação ao art. 33, § 2°, do Decreto 70.235/72" (ADIN n° 1976/DF, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Julgamento: 28/03/2007, DJ 18.05.2007) Citou também o disposto no Parecer PGFN/CRJ/CAT/N° 1812/2007 que analisando o referido julgado concluiu que: "14. Em conseqüência, tem-se que a União (Fazenda Nacional): a) está dispensada da apresentação de contestação, assim como da interposição de recursos contra decisões em sentido diverso do estatuído pela ADIN n° 1976-7, devendo ainda desistir dos recursos já interpostos, bem como requerer ao juízo a declaração da perda de objeto do processo e sua conseqüente suspensão, a fim de, e, atenção ao princípio da economia processual, evitar-se a prática de atos inúteis; 6 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 134 , . b) quando provocada e observado o prazo prescricional deve declara a nulidade das decisões que tenham inadmitido recursos voluntários dos contribuintes, por descumprimento do requisitos do arrolamento de bens, bem como os demais atos delas decorrentes, realizando um novo juizo de admissibilidade, em que se dispensará o referido requisito." Socorreu-se, ainda, do Memorando-Circular n° 79/2007/PGFN/PGA/CDA, de 03/08/2007 e do art. 5° da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 1, de 15/05/1999. Em face dos efeitos da ADIN, encaminhou o processo ao Terceiro Conselho de Contribuintes por meio da DRF em Goiânia, manifestando-se, ainda, no sentido de que fosse alterada a situação da inscrição, passando a constar suspensa para análise da Receita Federal, evitando-se, assim, o ajuizamento da ação fiscal. É o Relatório. /Ó 4 t • 7 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 135 Voto Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora O Ato Declaratório Interpretativo n° 16 do Secretário da Receita Federal do Brasil determinou a declaração de nulidade das decisões que não tenham admitido recurso voluntário de contribuintes, por falta de arrolamento de bens e direitos, em face da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do artigo 32 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, que deu nova redação ao artigo 33, § 2° do Decreto 70.235/72. Diante disso, bem como do disposto no PGFN/CRJ/CAT/N° 1812/2007, entendo que este Conselho deve conhecer do recurso voluntário. • A empresa recorre contra o lançamento do Imposto Territorial Rural relativo ao exercício de 1994. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão recente, com trânsito em julgado em 02/03/2006, proferida no Recurso Extraordinário 448.558, interposto pela União contra decisão do TRF da 4' Região, entendeu, por unanimidade, que a alíquota do ITR constante da MP 399/2003 somente poderia ser cobrada a partir do exercício de 1995. O acórdão do TRF havia recebido a seguinte ementa: "EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ITR. ANO BASE 1994. ALÍQUOTAS FIXADAS PELA LEI 8.847/94. CONVERSÃO MEDIDA PROVISÓRIA 399/03. MP RETIFICADORA. DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA. 1. É pacífico o entendimento de que a Medida Provisória é lei em sentido material, sendo o veículo formal posto à disposição do Poder Executivo para regular os fatos, atos e relações do mundo fático, desde que obedecidos os critérios de urgência e necessidade que, no entendimento do Supremo Tribunal Federal, dependem do poder discricionário do Presidente da República. 2. O termo inicial do prazo para cumprimento do princípio da anterioridade corresponde à data da publicação da medida provisória. 3. A Medida Provisória n. 399/03 foi publicada em 30 de dezembro de 2003 (SIC). Contudo, na data originalmente publicada, a citada Medida Provisória não continha as alíquotas do ITR. Tal omissão fez com que fosse publicada, em 07 de janeiro de 1994, uma retificação da aludida Medida Provisória, no Diário Oficial, contendo as novas tabelas de alíquotas. 4. A retificadora não tem o condão de retroagir à data da publicação original 30 de dezembro de 1993 -de forma a cumprir o disposto no artigo 150, III, b, V4r\leii9 8 k Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 136 da Constituição Federal de 1988 e tornar possível a cobrança do ITR ainda no ano de 1994. 5. Como o instrumento legal modificador de alíquota só foi publicado no ano de 1994, a cobrança do ITR com base nas alíquotas constantes na Lei n° 8.847/94 é vedada, nos termos do artigo 150, III, b, da Constituição Federal, para o ano de 1994." O voto do Ministro Gilmar Mendes no STF, por sua vez, foi o seguinte: "No presente caso discute-se se houve ou não violação ao princípio da anterioridade tributária ao se cobrar o ITR, com base na MP n° 399, de 1993, convertida na Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, referente ao fato gerador ocorrido no exercício de 1994. Para tanto, deve-se analisar se houve instituição de imposto ou sua majoração. Ao sentenciar, o Juiz Arthur César de Souza assim examinou a controvérsia (fls. 253/254): "A Lei 8.847/94 é conversão da MP 399, publicada em 30.12.93. Entretanto, na publicação da MP 399 de 30.12.93 não acompanhou o Anexo I, que continha as Tabelas imprescindíveis à incidência do tributo. Assim, em 7.1.94, foi reeditada a MP 399, agora com o Anexo I e as respectivas tabelas contendo as alíquotas.0 art. 150, I e III, "a" e "b", CF, estabelece: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 1— exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...). III — cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou." A MP 399 e a Lei 8.847/94 — a primeira explícita e a segunda implicitamente — revogaram o art. 50, da Lei 4.504/64 (Estatuto da Terra), na redação conferida pela Lei 6.746/79. Nesse sistema, o lançamento do ITR era feito com base nas informações prestadas pelo contribuinte.Todavia, a MP 399 e a Lei 8.847/94 inovaram aumentado o valor do tributo, pois estabeleceram um valor mínimo de terra nua por hectare (VTNm/ha), e criaram novas alíquotas. O fato gerador do ITR, segundo a MP 399 e a Lei 8.847/94, é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, em 10 de janeiro de cada exercício, localizado fora da zona urbana do município (art. 1°, MP 399 e Lei 8.847/94). 9 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 137 O art. 144, caput, CTN, dispõe: "Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." Percebe-se que a embargada, utilizando-se da MP 399 convertida, posteriormente, na Lei 8.847/94, está cobrando ITR em relação a fato gerador ocorrido no próprio exercício de 1994. Impossível se admite a existência de 'lei' anterior com base na MP 399 publicada em 30.12.93, porque ausente na publicação o Anexo I que trazia as tabelas, cujo conhecimento dos contribuintes era indispensável para determinação das alíquotas do tributo. A republicação da MP 399 é de ser considerada lei nova ante o disposto no art. 1°, § 40, LICC: 'As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 111 Assim, como a MP 399 e a Lei 8.847/94, foram publicadas, validamente, em 1994, só poderiam incidir sobre fato gerador ocorrido a partir de 1°.1.95 (art. 1°, MP 399, art. 1°, Lei 8.847/94, art. 144, caput, art. 150, I, e III, "a" e "b", CF), jamais, a partir de 1°.1.94, como ocorreu." Portanto, ao se verificar que houve de fato instituição de nova configuração do imposto e que esta apenas se aperfeiçoou em 07 de janeiro de 1994, com a publicação, a título de "retificação", do Anexo à MP 399, essenciais à caracterização e quantificação da alíquota da exação por força do mesmo diploma,conclui-se que a exigência do ITR sob esta nova modalidade, antes de 10 de janeiro de 1995, por força do art. 150, III, "b", da CF, viola o princípio constitucional da anterioridade tributária. Cabe ressaltar que o referido princípio constitucional é uma garantia fundamental do contribuinte, não podendo ser suprimido nem mesmo por• emenda constitucional, conforme assentado por esta Corte no julgamento daADI 939, Plenário, Rel. Sydney Sanches, DJ 18.03.94. Assim, nego provimento ao recurso." Declarada, pela Corte Maior, a inconstitucionalidade da utilização das alíquotas constantes da Medida Provisória n° 399/93 para a cobrança do ITR no exercício de 1994, não resta outra alternativa a este Colegiado que não seja a de considerar improcedente lançamento que as utilizou. Com efeito, o parágrafo único do art. 40 do Decreto n° 2.346/97 assim dispôs: "Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal."(grifei) 10 Processo n° 10232.000031/99-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.512 Fls. 138 Em face de todo o exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão 303- 33.893, de 06/12/2006, e a insubsistência do lançamento do ITR194. Sala das Sessões, em 08 de julho • - 2008 2-•Ád-r - 1 ANELISE DAUDT PRIET;11' 11) 11
score : 1.0
Numero do processo: 35011.001602/2005-52
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 30/06/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN.
Tratando-se de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN.
Fundamentando-se o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-000.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratando-se de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Fundamentando-se o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Fundamentandose o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 111DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 35011.001602/200552 Acórdão n.º 280300.553 S2TE03 Fl. 107 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 35011.001602/200552 Acórdão n.º 280300.553 S2TE03 Fl. 108 3 Relatório A empresa foi autuada em 30.06.2005 por descumprimento da legislação previdenciária por deixar de exibir folhas de pagamento referentes aos meses de julho a dezembro de 1998. A DecisãoNotificação – fls 74 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo alegando, em síntese,.a decadência do crédito tributário. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 35011.001602/200552 Acórdão n.º 280300.553 S2TE03 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 30/06/2005 em razão da não apresentação de documentos referentes ao ano de 1998. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Consoante a regra retrocitada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 1999, inclusive. Fundamentandose o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 35011.001602/200552 Acórdão n.º 280300.553 S2TE03 Fl. 110 5 Fl. 115DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002204/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO. DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS.
A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos, e afastada quando estes apresentam Declaração de Ajuste Anual em separado. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do ex-cônjuge.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. GLOSA.
O direito à dedução está condicionado à comprovação de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como do efetivo pagamento. Em face da não apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento, é de ser manter a glosa.
PLANO DE SAÚDE DE EX-CÔNJUGE. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA.
O alimentante pode deduzir em sua DIRPF, como despesa médica, o valor por ele pago a titulo de plano de saúde de seu ex-cônjuge
quando assim o fizer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ausente essa obrigatoriedade, trata-se
de liberalidade do contribuinte, não passível de dedução.
MULTA. CONFISCO
Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-001.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÃO. DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos, e afastada quando estes apresentam Declaração de Ajuste Anual em separado. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do ex-cônjuge. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. GLOSA. O direito à dedução está condicionado à comprovação de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como do efetivo pagamento. Em face da não apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento, é de ser manter a glosa. PLANO DE SAÚDE DE EX-CÔNJUGE. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. O alimentante pode deduzir em sua DIRPF, como despesa médica, o valor por ele pago a titulo de plano de saúde de seu ex-cônjuge quando assim o fizer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ausente essa obrigatoriedade, trata-se de liberalidade do contribuinte, não passível de dedução. MULTA. CONFISCO Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado
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DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos, e afastada quando estes apresentam Declaração de Ajuste Anual em separado. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do excônjuge. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. GLOSA. O direito à dedução está condicionado à comprovação de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como do efetivo pagamento. Em face da não apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento, é de ser manter a glosa. PLANO DE SAÚDE DE EXCÔNJUGE. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. O alimentante pode deduzir em sua DIRPF, como despesa médica, o valor por ele pago a titulo de plano de saúde de seu excônjuge quando assim o fizer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ausente essa obrigatoriedade, tratase de liberalidade do contribuinte, não passível de dedução. MULTA. CONFISCO Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: German Alejandro San Martín Fernández, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Versam os autos sobre lançamento de ofício decorrente de revisão de Declaração de Ajuste Anual, exercício 2006, ano calendário 2005, tendo em vista a dedução indevida de pensão alimentícia no valor de R$ 7.372,00; dependentes no valor de R$ 4.212,00 e despesas médicas no valor de R$ 5.738,56, perfazendo o IRPF suplementar o total de R$ 15.259,82, acrescido da respectiva multa de ofício e juros de mora (fls. 10/13). Intimado, o Recorrente apresentou a impugnação de fls. 01/09, acompanhada dos documentos de fls. 14/28, alegando que o valor deduzido a título de despesas médicas, embora pago a sua exesposa, correspondem a gastos efetuados com seus filhos em razão de acordo judicial (fls. 15), por isso, dedutíveis. Quanto às deduções referentes a pensão alimentícia, alega que correspondem a valores entregues a sua exesposa conforme acordo judicial, mediante recibo, pois em decorrência de problemas bancários dela, não foi possível a forma de depósito judicial imposta na sentença de homologação. Argumentou que o fato dos filhos terem entregue declaração em separado, não lhes retira a condição de dependentes, mesmo estando sob a guarda da mãe. Por fim, requereu a redução da multa para o patamar de 20%, face a vedação constitucional ao confisco. A decisão de 1ª instância considerou procedente o lançamento, sob fundamento de que o Recorrente não poderia inserir os filhos no rol de dependentes para fins de imposto de renda, porque tal providência de início, só poderia ser adotada pela exconjuge, detentora da guarda dos filhos do casal. No entanto, renunciou a tal prerrogativa quando observou a regra geral, providenciando a apresentação de Declaração de Ajuste Anual dos filhos menores, razão pela qual, por conseqüência, as despesas médicas relativas aos filhos também não poderiam ter sido deduzidas. Quanto à dedução de pensão alimentícia judicial, a glosa foi mantida, sob o fundamento da falta de comprovação do pagamento, cujo documento hábil seriam os comprovantes de depósito bancário, não sendo suficientes os recibos apresentados. Nas razões de Voluntário, o Recorrente reiterou os argumentos da Impugnação. Era o der essencial a ser relatado. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.002204/200811 Acórdão n.º 280201.552 S2TE02 Fl. 66 3 Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Sem preliminares, passo ao mérito. O litígio se refere à dedução de dependentes, despesas médicas e pensão alimentícia, a serem analisadas em separado. Despesas a titulo de pensão alimentícia Foi glosada a dedução de R$ 57.372,00, em razão de os recibos apresentados pelo contribuinte não serem documentos hábeis para comprovar os pagamentos de pensão alimentícia judicial, por restar estipulado, em acordo judicial que os pagamentos seriam mensalmente depositados na contacorrente da separanda e que o comprovante de depósito serviria como recibo de pagamento. De acordo com as razões recursais, o Recorrente alega que: (...) ditos valores pensionais foram rigorosamente repassados, a titulo de "efetivo pagamento" à exmulher na forma de recibos, em vez de depósitos judiciais, já porque ela (exmulher) teve suas contascorrente encerradas nas agências com as quais mantinha relações negociais, por conta de restrições administrativas dos próprios bancos. (...) Repetese que o Recorrente fora compelido a alterar a forma de pagamento das pensões — sem alterar a obrigação — devidas A exmulher RITA DE CASSIA em decorrência de problemas pessoais dela para com o sistema financeiro e bancário, pensionandoa via recibos de pagamento mensais, o que em absolutamente nada altera o cumprimento obrigacional, seja perante a Justiça Pública, seja perante o Fisco. Ainda que seja factível a alegação de que a excônjuge se encontrava com as suas contas bancárias bloqueadas, não juntou o Recorrente os respectivos recibos, que em tese comprovariam os dispêndios com a pensão alimentícia paga, de sorte a impedir o reconhecimento da dedutibilidade da despesa glosada. Da dedução de dependentes Foi glosada dedução de dependentes no valor de R$ 4.212,00, referentes aos filhos Carolina Miranda Fontes, Palmeirindo Fontes Neto e Lourenço Miranda Fontes, que apresentaram Declaração de Ajuste Anual e que por ocasião da separação judicial, ficaram sob a guarda da mãe. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 Correta a glosa, em virtude do disposto no §4º do inciso VII do art. 77 do RIR, cujas disposições apenas permitem a dedução de filhos de pais separados que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. No caso dos autos, em virtude da guarda dos filhos se encontrar a cargo da exconjuge, acertada a decisão da DRJ. Despesas médicas Foi glosado o total de R$ 5.738,56, por referirse a despesas médicas de não dependente (exesposa). Ainda que haja declaração da exconjuge de não utilização dos dispêndios pagos à UNIMED por plano de saúde da qual é beneficiária para fins de dedutibilidade própria, por se tratar de despesas de saúde de não dependente, acertada a decisão da DRJ, em virtude do disposto no artigo 80, inciso II do RIR. A ausência de prova quanto à parcela desses valores se referir a despesas com plano de saúde dos filhos, diante da declaração da exconjuge de que o plano estaria em seu nome como titular por mera comodidade, impedem o reconhecimento da dedutibilidade de parte desses valores, que em tese seriam dedutíveis por se encontrarem tais despesas previstas no acordo judicial. Mantenho, pois, a glosa. Confiscatoriedade da multa Rejeito a alegação quanto à confiscatoriedade da multa de 75% aplicada e da violação ao conceito constitucional de renda e proventos de qualquer natureza, diante da vedação imposta a este órgão judicante pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Pelo exposto, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010465/2007-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/1996 a 30/04/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A ausência de lançamento mensal, em títulos próprios de sua contabilidade, de fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS.
A relevação da multa prevista no art. 291, § 1º do Regulamento da
Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, apenas é cabível se demonstrado o preenchimento dos requisitos, quais sejam, a formulação do pedido e correção da falta dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a não ocorrência de nenhuma circunstância agravante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.881
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A ausência de lançamento mensal, em títulos próprios de sua contabilidade, de fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. A relevação da multa prevista no art. 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, apenas é cabível se demonstrado o preenchimento dos requisitos, quais sejam, a formulação do pedido e correção da falta dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a não ocorrência de nenhuma circunstância agravante. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A ausência de lançamento mensal, em títulos próprios de sua contabilidade, de fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. A relevação da multa prevista no art. 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, apenas é cabível se demonstrado o preenchimento dos requisitos, quais sejam, a formulação do pedido e correção da falta dentro do prazo de impugnação, a primariedade do infrator e a não ocorrência de nenhuma circunstância agravante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Oseas Coimbra, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.010465/200703 Acórdão n.º 280300.881 S2TE03 Fl. 73 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de TRANSTRIL COMERCIO E EXPORTACAO LTDA., em virtude da não apresentação, no curso da ação fiscal, dos livros diário, razão e/ou livro caixa e de registro de inventário, escriturados no período de 07/1996 a 04/2006. Nestes termos, teria a empresa incorrido na infração prevista no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91 c/c com o art. 232 e 233, § único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Assim, a Fiscalização arbitrou multa de acordo com o art. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 c/c art. 283, inciso II, alínea ‘j’ e art. 373 do Regulamento da Previdência Social. O contribuinte foi intimado pessoalmente no dia 28/11/2006, e apresentou defesa tempestiva protocolizada no dia 13/12/2006, juntada às fls. 15/19. A Secretaria da Receita Previdenciário manteve o lançamento, em decisão notificação ementada nos seguintes termos (fls. 34/36): “INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração ao artigo 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, necessários à verificação da situação da mesma perante à Seguridade Social. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso tempestivo em 19/04/2007 (fls.58/67) por meio do qual alega, em síntese: (a) a inconstitucionalidade da exigência do depósito administrativo recursal, sendo cabível o arrolamento de bens para admissibilidade do recurso voluntário; (b) a inexistência de resistência da Recorrente, haja vista que está preparando as devidas correções e retificações nos arquivos gerados para adequálos ao apontado no trabalho dos auditores fiscais; (c) a falta de indício de qualquer circunstância agravante, permitindo concluir estar a Recorrente integralmente acobertada pelo comando impositivo do § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, devendo a multa aplicada ser relevada. Não apresentadas contrarrazões. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. A Recorrente foi atuada por não ter apresentado à Fiscalização os livros diário, razão e/ou livro caixa e de registro de inventário, escriturados no período de 07/1996 a 04/2006. Nestes termos, teria a empresa incorrido na infração ao disposto no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, in verbis: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). ... § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.” O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048/99, também prevê a obrigatoriedade de apresentar a Fiscalização documentos contábeis: “Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.010465/200703 Acórdão n.º 280300.881 S2TE03 Fl. 74 5 de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.” Em momento algum o contribuinte refuta a alegação fiscal de descumprimento de obrigação acessória, se limitando a informar apenas que estaria “preparando as devidas correções e retificações nos arquivos gerados, visando adequálos ao apontado pelo trabalho dos auditoresfiscais in loco”, requerendo, por fim, a relevação da multa aplicada, com fulcro na disposição contida no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social. Todavia, não traz aos autos os documentos hábeis a comprovar a referida afirmação. Ora, o simples descumprimento de obrigação acessória é suficiente à manutenção da multa imposta. Não há dúvidas, pois, de que a multa foi corretamente aplicada com base no art. 92 e art. 102 da Lei n 2 8.212/1991, combinado com o artigo 283, inciso II e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, tendo sido determinada pela Portaria MPS/GM nº 342 de 16/08/2006, vigente na época da lavratura. Com relação ao pedido de relevação ou atenuação da multa aplicável, também não assiste razão à Recorrente. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, ao tratar das hipóteses de relevação da multa, estabelece, em seu art. 291, que o infrator deverá corrigir a falta apontada pela autoridade fiscal dentro do prazo de impugnação e ser primário: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.” Todavia, como bem observado pela autoridade julgadora de primeira instância, a Recorrente não demonstrou nos autos a suposta correção das faltas apontadas. Diante do exposto, concluise que a decisão de primeira instância está em perfeita harmonia com a legislação vigente à época. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa, mantenho a exigência do crédito tributário em sua integralidade. (assinado digitalmente) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.909068/2009-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/05/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado.
Embargos Acolhidos
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.740
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão n- 3803-002.122, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido
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score : 1.0
Numero do processo: 13807.006966/2004-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS
ORDINÁRIAS.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias.
Numero da decisão: 3803-002.841
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 772DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1421.128, de 22 de outubro de 2008, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 644 a 52, que indeferiu a solicitação. A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao quarto trimestre de 2003. Por meio do despacho decisório proferido pela autoridade competente foi glosada a parcela do benefício fiscal correspondente à exclusão da respectiva base de cálculo de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes de PIS e COFINS; excluída da receita de exportação os valores referentes à exportação de produtos NT; e não acolhido o pedido de atualização monetária pela taxa SELIC. Em sua manifestação de manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, em resumo, o que segue: a) conforme a exposição de motivos relativa à Medida Provisória n° 948, de 23 de março de 1995, o objetivo do beneficio fiscal é atenuar a incidência em cascata da carga tributária sobre todas as etapas do processo produtivo, e assim, presumese a incidência de PIS e Cofins nas etapas anteriores, dispensada a prova quanto ao pagamento nessas etapas, e inclusive sobre produtos nacionais exportados; b) pela Lei n° 9.363, de 1996, não há necessidade de incidência das contribuições já referidas imediata e diretamente sobre as aquisições realizadas pelo produtor exportador, e não há menção a nenhuma exclusão parcela referente aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas,, consoante, inclusive, julgados do Conselhos de Contribuintes; c) defendeu a inclusão no cálculo do benefício, dos valores relativos à energia elétrica e combustíveis; d) as exportações de produtos NT devem compor a Receita de Exportação, pois o art. 2° da lei n° 9.363/96 não restringiu as receitas a serem consideradas como de exportação; e) o ressarcimento, que se assemelha à restituição de indébito, também segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, deve ser acrescido de juros SELIC, como meio de evitar um verdadeiro esvaziamento do beneficio, ou seja, um confisco disfarçado, ou, o enriquecimento sem causa da Fazenda; Por fim, a manifestante pede que seja reconhecido o direito ao ressarcimento no montante pleiteado, com o acréscimo de juros SELIC. A decisão da DRJ/Ribeirão Preto restou ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. No cálculo do crédito presumido são glosados os Valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13807.006966/200459 Acórdão n.º 3803002.841 S3TE03 Fl. 736 3 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão das exportações de produtos NT, no valor da Receita de Exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC, por ausência de autorização legal. Cientificada da decisão em 20 de dezembro de 2008, irresignada, apresentou o recurso voluntário de fls. 679 a 720, em 23 de dezembro de 2008, argüindo, essencialmente, as mesmas razões trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso não atende o requisito para sua admissibilidade relativo ao valor de alçada que limita a competência para julgamento desta Turma Especial. Tal competência relativo a processo administrativo de ressarcimento é definida pelo crédito alegado/solicitado, nos termos do art. 7º, § 1º, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, RICARF. Conforme relatado, o crédito no presente processo é de R$ 11.174.068,15. A competência das Turmas Especiais é restrita ao julgamento de recursos em processos que envolvam valores reduzidos, limite este de alçada referenciado pelo valor da exoneração procedida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ora fixado nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Por este fato, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 774DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13807.006966/200459 Interessada: GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A À 3ª SEJUL, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 25 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção – Presidente Fl. 775DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13707.001283/2003-52
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2002
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENIGNA. APLICAÇÃO RETROATIVA A PROCESSO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Se o único motivo para a obrigatoriedade de entrega da Declaração de Ajuste Anual era o fato de o contribuinte ser sócio de pessoa jurídica, há de se aplicar o instituto da retroatividade da norma tributária mais benigna que deixa de exigir a entrega de Declaração nesse caso e, conseqüentemente, de exigir a multa por atraso.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 2802-001.725
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior (relator) e Dayse Fernandes Leite. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENIGNA. APLICAÇÃO RETROATIVA A PROCESSO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Se o único motivo para a obrigatoriedade de entrega da Declaração de Ajuste Anual era o fato de o contribuinte ser sócio de pessoa jurídica, há de se aplicar o instituto da retroatividade da norma tributária mais benigna que deixa de exigir a entrega de Declaração nesse caso e, conseqüentemente, de exigir a multa por atraso. Recurso voluntário provido
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LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENIGNA. APLICAÇÃO RETROATIVA A PROCESSO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Se o único motivo para a obrigatoriedade de entrega da Declaração de Ajuste Anual era o fato de o contribuinte ser sócio de pessoa jurídica, há de se aplicar o instituto da retroatividade da norma tributária mais benigna que deixa de exigir a entrega de Declaração nesse caso e, conseqüentemente, de exigir a multa por atraso. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior (relator) e Dayse Fernandes Leite. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /08/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO II), que julgou procedente o lançamento relativo à exigência de multa por atraso de entrega da declaração de ajuste anual de imposto sobre a renda pessoa física (DIRPF), referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 11/04/2011 (fls. 19) e interpôs recurso voluntário em 10/05/2011. Quanto aos fundamentos da decisão acima referida, segue abaixo transcrito parte do voto condutor que sintetiza o entendimento da DRJ: O contribuinte, de fato, entregou em atraso a DIRPF/2002, em 15/04/2003 visto que a Instrução Normativa SRF n° 110, de 28/12/2001 fixou em 30/4/2002 o prazo final para a entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2002. Alega no entanto que estava desobrigado da entrega de declaração por não ter a participação societária a ele atribuída. Pesquisas efetuadas nos sistemas da Receita Federal apontam o contribuinte como sócio da empresa Posto Alvorada Ltda até 24/04/2001, data de sua exclusão, e por isso, estava obrigado a entregar a DIRPF/2002, conforme dispõe o art. 1º da referida IN SRF 110/2001. Embora afirme que regularizaria o seu CPF, não consta dos autos que tomou qualquer providência no sentido de cancelar o registro de sua participação na referida empresa na Junta Comercial do Estado nem mesmo comunicação a respeito da possível utilização indevida de seu nome/CPF na Polícia Civil ou na Defensoria Pública e, portanto, não há elementos de prova que validem os argumentos do interessado, devendo subsistir, até prova em contrário, ter sido o mesmo sócio da empresa Posto Alvorada Ltda até o anocalendário 2001 e, como tal, estava obrigado à entrega de declaração de rendimentos. Ressaltese que não há registros no sistema da Receita Federal de que o n° de CPF fosse utilizado por mais de um contribuinte e nem que tenha havido qualquer regularização. Devese salientar que as alegações desprovidas de provas não podem ser acatadas por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em respeito ao princípio da verdade material. O ônus de comprovar o que alega é do próprio sujeito passivo, a teor do art. 36 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. O recorrente, em seu apelo recursal, acrescentou, em síntese que: a) à época da notificação de lançamento era assalariado e não tinha condições de se deslocar para o estado do Espírito Santo, local em que “se encontrava como sócio de um posto de gasolina”; b) não Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /08/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13707.001283/200352 Acórdão n.º 2802001.725 S2TE02 Fl. 33 3 foi informado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de que seria aberto processo relativo a situação do posto do qual alegou não ser sócio; c) acreditou que a própria RFB regularizaria a situação do seu CPF em relação ao citado posto de gasolina; d) está sendo cobrado valor de multa e juros referente à época em que era isento de imposto de renda. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Sendo tempestivo o presente recurso e preenchidos os requisitos para o seu recebimento, dele tomo conhecimento. Como já relatado, tratase de Notificação de lançamento que exige penalidade em virtude da constatação de apresentação de Declaração de Ajuste Anual, anocalendário de 2001, exercício de 2002, fora do prazo estabelecido pela legislação tributária. Em sua defesa, o Recorrente volta a alegar que, à época, era isento do pagamento do imposto de renda pessoa física. Contesta, também, a informação constante do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de que até 24/04/2001 teria sido sócio da empresa Posto Alvorada Ltda. Em análise ao caso presente, observase que o ora Recorrente, por força do art. 1º, da IN/SRF n° 110 de 28 de dezembro de 2001, estava obrigado a apresentar sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao anocalendário 2001 (Exercício 2002), uma vez comprovado nos autos que, de fato, figurou como sócio da pessoa jurídica Posto Alvorada Ltda, fls. 13, durante o período de 05/10/1998 a 24/04/2001. A exemplo do ocorrido em sua impugnação, o recurso voluntário interposto continua desacompanhado de provas que indiquem que o contribuinte tenha adotado alguma providência no sentido de cancelar o registro de sua participação na referida empresa na correspondente Junta Comercial, e/ou de comunicar à Polícia Civil ou à Defensoria Pública possível utilização indevida de seu nome/CPF nos atos constitutivos de tal empresa e, por conseguinte, nos registros da RFB. A esse respeito vale ressaltar que a decisão recorrida atesta que “que não há registros no sistema da Receita Federal de que o n° de CPF fosse utilizado por mais de um contribuinte e nem que tenha havido qualquer regularização”. Em sendo assim, tornase devida a multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, uma vez que o contribuinte não conseguiu comprovar que, à época em que se considerava isento do pagamento do imposto de renda pessoa física, não integrava o quadro societário da pessoa jurídica, Posto Alvorada Ltda. Pelo exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /08/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 4 Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Em que pese a sempre abalizada argumentação do ilustre Conselheiro relator, peço vênia para, parcialmente, discordar do entendimento que se deve aplicar ao presente caso. Ocorre que na notificação fiscal não há qualquer indicação do motivo pelo qual o contribuinte estava obrigado a entregar a Declaração de Ajuste Anual no exercício 2002, a explicitação desse fundamento somente veio a constar no processo com a decisão de primeira instância, na qual foi consignado que o contribuinte estava obrigado por ser sócio de pessoa jurídica. Cabe ao Fisco comprovar que o contribuinte enquadrouse em alguma das hipóteses de obrigatoriedade de entrega de Declaração. Não se deve, ao contrário, exigir que o contribuinte comprove que não estava obrigado quando o fisco sequer fez a indicação na notificação de lançamento. Não há qualquer prova trazida aos autos que demonstre que ocorreu outra hipótese de obrigatoriedade, além da que trata da obrigatoriedade de entrega da Declaração de Ajuste Anual por quem é sócio de pessoa jurídica. Convém distinguir as normas jurídicas aplicáveis aos tributos daquelas aplicadas à penalidades, pois a norma tributária em comento é de natureza sancionatória, como uma verdadeira lei tributáriapenal em branco, em que o preceito legal que estabelece a multa remete à Administração Tributária normatizar as hipóteses em que haverá sua incidência. São dois diplomas normativos, porém uma única norma jurídica. Têmse, portanto, uma norma sancionatória que somente se aperfeiça com a Instrução Normativa da Receita Federal que define as condições de obrigatoriedade, como o fez a Instrução Normativa SRF nº 290, de 2003, citada no voto da relatora. Entretanto, essa norma sancionatória a partir do exercício 2010 veio a ser modificada com a Instrução Normativa RFB nº 1007/2010, que ao definir as condições de obrigatoriedade deixou de elencar o fato de o contribuinte ser sócio de pessoa jurídica. Assim, a partir de 2010, a norma sancionatória não define como infração a conduta objeto da exação fiscal em litígio, ou seja, unicamente o fato de ser sócio de pessoa jurídica. Ademais, por se tratar de infração e penalidade, o princípio do in dúbio pro reo que inspira as normas extraídas do art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN) requer que se adote solução mais favorável ao acusado. Entendo, com o devido respeito às opiniões contrárias, que é o caso de se aplicar a retroatrividade da norma sancionatória mais benigna com a configuração estabelecida a partir da IN RFB 1007/2010, a qual deixou de definir como infração o fato de ser sócio de pessoa jurídica quando inexiste qualquer outra condição de obrigatoriedade, nos termos da alínea “a” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /08/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13707.001283/200352 Acórdão n.º 2802001.725 S2TE02 Fl. 34 5 Diante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /08/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 6 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /08/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13707.001283/200352 Acórdão n.º 2802001.725 S2TE02 Fl. 35 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 8 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 08 /08/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO
score : 1.0
Numero do processo: 13710.002260/2001-44
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. Comprovada a existência de débito junto à
PGFN ou ao INSS cuja exigibilidade não estava suspensa, deve ser
mantida a exclusão do Sistema. O ato declaratório de exclusão
surtirá efeito a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da sua edição até o último dia do exercício em que a pendência for
regularizada.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 303-33.303
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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EXCLUSÃO. Comprovada a existência de débito junto à PGFN ou ao INSS cuja exigibilidade não estava suspensa, deve ser mantida a exclusão do Sistema. O ato declaratório de exclusão surtirá efeito a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da sua edição até o último dia do exercício em que a pendência for • regularizada. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 14 44 .1 ANELISE DAUDT PR ETO Presidente e Relatora Formalizado em: 26 JUN 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiuza, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli, Tarásio Campeio Borges e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente). Ausente o Conselheiro Sérgio de Castro Neves. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Leandro Felipe Bueno Tierno. =MI Processo n° : 13710.002260/2001-44 Acórdão n° : 303-33.303 RELATÓRIO Trata-se de retorno de diligência determinada pela Resolução n° 303-01.140, de 23/03/2006, para que a repartição de origem informasse se o débito quitado pelo DARF de fl. 28 é o que deu origem ao ato declaratório de exclusão do Simples. Transcrevo o relatório e o voto que proferi na referida resolução. "Adoto o relatório da decisão recin-ida, que passo a transcrever: "O presente processo versa sobre exclusão de oficio do SIMPLES. Apesar de não constar, nos autos, o Ato • Declaratório que formalizou a exclusão, é possível constatar, por meio do Comunicado, à fl. 10, que o ato Declaratório n° 296012, em 02/12/2000, excluiu o interessado do simples, tendo como motivo "débito pendente junto á PGFN". O débito pendente inscrito em dívida ativa consta do demonstrativo de débitos inscritos em dívida ativa da PFN, juntado à fl. 11. O interessado, por meio do Comunicado supracitado, emitido em 03/11/2000, foi informado que ficou prorrogado até 31/01/2001 o prazo para apresentação da SRS. O interessado protocolizou Solicitação de Revisão da Exclusão à Opção pelo Simples (SRS), em 24/01/2001, à fl. 05, a qual foi indeferida, em 24/07/2001, com a justificativa de que não • teria sido apresentada a certidão negativa da PGFN. O interessado foi cientificado do resultado da SRS em 13/08/20001 (fl. 05-verso) e protocolizou a peça impugnatória em 04/09/2001, à fl. 01, tendo em vista a apresentação da certidão negativa da PFGN. É o relatório." A Delegacia de Julgamento indeferiu a solicitação da contribuinte em decisão assim ementada: "SIMPLES. EXCLUSÃO. PENDÊNCIAS DA EMPRESA JUNTO À PGFN. Há que ser considerada procedente a exclusão de oficio do 2 Ale? . . Processo n° : 13710.002260/2001-44 Acórdão n° : 303-33.303 Simples, formalizada por meio de ato declaratório, tendo em vista que, à época, restou comprovada a existência de débito da empresa inscrito na Divida Ativa da União." Inconformada, a contribuinte apresenta recurso a este Colegiado alegando as seguintes razões: - que nos anos de 1997 a 1999, talvez por falha no sistema, a Receita Federal intimou várias empresas para que comprovassem o pagamento de alguns tributos, dentre elas a recorrente; - que embora tivesse recolhido, não conseguiu, à época, localizar um DARF relativo ao pagamento da Contribuição Social referente ao mês de agosto/96, no valor de R$ 55,69; • - que por não ter comprovado o recolhimento foi inscrita em divida ativa, o que acarretou a sua exclusão do simples; - que mesmo tendo certeza de haver efetuado o pagamento, optou por novo pagamento e formalizou um pedido de revisão da exclusão, que foi indeferido. - que depois de algum tempo, localizou o referido DARF, que anexa à fi. 28 dos autos. Requer, ao final, o provimento do recurso. É o relatório. VOTO • Conheço do recurso, que é tempestivo e trata de matéria de competência deste Colegiado. A empresa anexa ao recurso voluntário o DARF de fl. 28, aduzindo que já havia pago o débito em 30/09/1996. Entendo ser necessário que os autos sejam baixados em diligência para que a repartição de origem confirme se o débito quitado pelo DARF supra citado é o que deu origem ao ato declaratório de exclusão prÉ como voto." 3 . • Processo n° : 13710.002260/2001-44 Acórdão n° : 303-33.303 Retornando os autos à origem, esta anexou documento de fl. 48 com 1 a seguinte informação: "Em resposta a Resolução n° 303-01.140, em fls. 37 a 40, informamos que o débito quitado pelo DARF de fl. 28 não é o débito que deu origem ao ato declaratório de exclusão. O débito quitado pelo referido DARF é do período de apuração de agosto de 1996, conforme fls. 43 a 45. Esta informação consta também no DARF anexado. Já o débito que deu origem à exclusão é referente ao período de apuração de 1992, fls. 46". Cumprida a diligência, retornou o processo a este Conselho para julgamento. "VriaÉ o relatório. • Ci 4 Processo n° : 13710.002260/2001-44 Acórdão n° : 303-33.303 VOTO Conselheira Anelise Daudt Prieto, relatora Trata-se de exclusão da interessada do Simples, tendo em vista a existência de "pendências da empresa e/ou sócios na PGFN". Os incisos XV e XVI do artigo 9° da Lei n° 9.317/1996 estabelecem que: "Art. 90 Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: • .5ç XV— que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; XVI — cujo titular, ou sócio que participe de seu capital com mais de 10% (dez por cento), esteja inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa;" Da leitura dos artigos 13, inciso II, alínea a combinado com o artigo 14, inciso I da mesma norma legal deduz-se que, quando a empresa incorrer na hipótese transcrita acima, deverá ser excluída do Sistema, de oficio. No caso em tela, verifica-se que a empresa, à data da exclusão do Simples, possuía débitos cuja exigibilidade não estava suspensa. Portanto, como a empresa se enquadrava na sihição excludente do artigo 9°, inciso XV, da Lei n° 9.317/1996, é procedente a sua exclusão do Simples. Por outro lado, deve ser considerado que a Lei n° 11.196/2005 acrescentou ao artigo 15 o inciso VI, estabelecendo que a exclusão do Simples, em caso de pendências junto à PGFN ou ao INSS cuja exigibilidade não esteja suspensa, surtirá efeito a partir do ano-calendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão. Essa norma se aplica aos atos não definitivamente julgados, em face do disposto no Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, alínea "c". /44-7725 . . Processo n° : 13710.002260/2001-44 Acórdão n° : 303-33.303 Portanto, os efeitos do ato declaratório de exclusão, emitido em 2000, se darão a partir de janeiro de 2001. Regularizada a pendência em 29/08/2001, toma-se possível a reinclusão da empresa no Simples a partir de janeiro do exercício seguinte. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a empresa do Simples no período de 01/01/2001 até 31/12/2001. Sala das Sessões, em 21 de junho de 2006 • 10Q—ji—LC ANELISE DAUDT PRIETO TRelatora • 6 Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1
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