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Numero do processo: 10280.002543/2002-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEL. SÚMULA CARF Nº 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
PRODUTOS UTILIZADOS NA CRIAÇÃO DE ANIMAIS.
Os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são tão somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação – com a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins.
Ração e outros itens empregados na criação de animais, não podem ser considerados como insumos utilizados no processo de industrialização, para a apuração do crédito presumido do IPI.
Numero da decisão: 3402-001.711
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto a aquisição de cabos de aço, correntes e manilhas
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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P. DA SILVA EMBARCAÇÃO Recorrida DRJ BELÉM (PA) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEL. SÚMULA CARF Nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. PRODUTOS UTILIZADOS NA CRIAÇÃO DE ANIMAIS. Os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são tão somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação – com a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Ração e outros itens empregados na criação de animais, não podem ser considerados como insumos utilizados no processo de industrialização, para a apuração do crédito presumido do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto a aquisição de cabos de aço, correntes e manilhas GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator/Presidente em exercício. Fl. 258DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10127.E2UP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280002543/200296 Acórdão n.º 3402001711 S3C4T2 Fl. 296 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Trata o presente processo de pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI (fls. 13/16) cumulado com pedidos de compensação (fls. 26/27). 2. Ao apreciar o pleito do contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém emitiu o PARECER SEORT/DREIBELJN° 0514/2006 (fls. 109/114)) do qual reproduzo os seguintes excertos: O caso concreto referese à captura de camarão em alto mar para posterior industrialização e exportação. (...) Geram direito ao crédito, a embalagem, as matériasprimas, produtos intermediários que se integram ao produto final e aqueles que, embora não se integrando a tal produto, forem consumidos na processo de industrialização, desde que não compreendidos entre os bens do ativo permanente, ficando excluídos aqueles que não se integrem e nem sejam CONSUMIDOS na operação de industrialização. Entendese consumo como decorrência de um contato físico, de uma ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto de fabricação ou deste sobre aquele. 3. Com base no supracitado parecer, foi proferido despacho decisório (lis. 141) deferindo parcialmente os pedidos de ressarcimento e homologando parcialmente as compensações. 4. Irresignado com a decisão da qual tomou ciência em 04.06.2007 (n. 47, verso), o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em 02.07.2007 (fls. 148/150)alegando: a) Que desenvolveria atividade de armação, captura e comercialização de peixes e crustáceos; b) Que, para a aquisição do produto em alto mar, utilizaria óleo diesel, cabos de aço, correntes, manilhas; c) Que, para a conservação do produto, utilizaria açúcar, metabissuillto de sódio, sal e sacos. 5. Por fim, pugna pelo deferimento dos pedidos de ressarcimento e pela homologação das compensações. Fl. 259DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10127.E2UP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280002543/200296 Acórdão n.º 3402001711 S3C4T2 Fl. 297 3 A Terceira Turma da Delegacia de Julgamento em Belém indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 01984, de 27 de novembro de 2007, cuja a ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 Ementa:. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O incentivo denominado "crédito presumido de IPI" somente deve ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para utilização no processo produtivo de bens destinados a exportação para o exterior. sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de insumos que não se subsumem no conceito de matériaprima ou produto intermediário, previsto na legislação do IPI. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) A Receita Federal, por intermédio do Parecer Normativo nº 65/79, criou requisito inexistente no texto do regulamento, ao determinar a exigência de que o bem utilizado no processo produtivo tenha contato direto com o produto final, o que é vedado, pois não é veículo introdutor de normas no sistema jurídico, não podendo inoválo. b) Para fins de apuração do crédito presumido previsto na Lei 9.363/96, inexiste óbice à inclusão na base de cálculo dos valores referentes à aquisição de óleo combustível e materiais de pesca utilizados no processo produtivo, porquanto estes insumos, embora não se integrem ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização, de forma a subsumiremse na definição de matériasprimas e produtos intermediários. Termina sua petição recursal, requerendo que seja deferido o pedido de ressarcimento para fins de compensação do débitos próprios. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Fl. 260DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10127.E2UP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280002543/200296 Acórdão n.º 3402001711 S3C4T2 Fl. 298 4 A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A primeira questão a ser enfrentada diz respeito a possibilidade de inclusão dos custos com óleo diesel na base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Impende observar que as súmulas do Carf são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Portanto, nego o aproveitamento dos custos com aquisição de óleo diesel para fins de crédito presumido do IPI. Quanto aos demais materiais de pesca, passo a analisar a possibilidade de creditamento com fulcro na legislação regente. O crédito presumido é uma forma de desoneração fiscal. São créditos que não estão relacionados com a operação direta do contribuinte. É uma ficção jurídica utilizada pelo legislador, cujo intuito é ressarcir o contribuinte do ônus arcado em operações anteriores. O crédito presumido como ressarcimento do PIS e da Cofins foi regulamentado pela Lei nº 9.363/96. Tal benefício tinha como objetivo o fomento das atividades industriais relacionadas às exportações. Tratase de um crédito correspondente ao ressarcimento das ditas contribuições incidentes na aquisição, no mercado interno, dos principais insumos do contribuinte do IPI, a saber: matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Observe que os insumos tinham que ser utilizados no processo industrial das empresas relacionadas às atividades de exportação. Foi, então, estabelecido um percentual (que resulta da relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta) a incidir sobre os custos com matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no produto exportado, para a obtenção da base de cálculo do benefício. O crédito fiscal resultará da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo acima descrita. Como dito alhures, a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante aplicação de um percentual sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Ressalto que os insumos admitidos no cálculo do crédito presumido são os conceituados pela legislação do IPI. O Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.º 2.637, de 25 de junho de 1998 – RIPI/98 (art. 147, I), esclarece que se incluem no Fl. 261DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10127.E2UP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280002543/200296 Acórdão n.º 3402001711 S3C4T2 Fl. 299 5 conceito de MP e PI os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979 (DOU de 6/11/79), norma complementar da legislação tributária, por força do inciso I do artigo 100 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN, esclarece a expressão: “consumidos no processo de industrialização”, condição para que os bens sejam considerados insumos. (...) ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. Fl. 262DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10127.E2UP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280002543/200296 Acórdão n.º 3402001711 S3C4T2 Fl. 300 6 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a por de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu ’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o Fl. 263DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10127.E2UP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280002543/200296 Acórdão n.º 3402001711 S3C4T2 Fl. 301 7 direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu ’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. O aludido Parecer orienta no sentido de que se deve considerar no conceito de MP e PI, em sentido lato, os bens que se consumirem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. Após essa breve digressão, retornando aos autos, o recorrente colima aproveitar os custos com diversos materiais de pesca para cálculo do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96. Segundo os autos, a empresa tem por objeto social a atividade de armação, captura e comercialização de peixes e crustáceos, sendo predominante a captura e comercialização de Camarão Rosa ao mercado exterior. Fl. 264DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10127.E2UP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280002543/200296 Acórdão n.º 3402001711 S3C4T2 Fl. 302 8 Para aquisição do produto, a empresa precisa, para locomoção e permanecia de suas embarcações em alto mar, abastecêlas com óleo Diesel, efetuar troca de óleo lubrificantes a cada quinze dias e complementar a câmara frigorífica com Gás freon; utilizarse de cabos de aço, corrente e manilhas para completar as redes de pesca os quais são lançados em alto mar; tendo em vista a qualidade do produto e o condicionamento na câmara frigorífica, o primeiro beneficiamento é feito na própria embarcação com a utilização de açúcar, metabissulfito de sódio, sal e sacos. Desta forma, o primeiro processo de industrialização encerra com a chegada da embarcação e a descarga do produto para um segundo processo de industrialização no qual o produto será submetido a classificação e encaixamento feito por uma empresa terceirizada. Para delimitar a lide, informo que os custos discutidos nesta fase processual referese a atividade de armação, captura, comercialização, bem como, com a aquisição de cabos de aço, correntes e manilhas. Com efeito, o valor correspondente a esses custos devem ser considerados como gastos gerais de fabricação, ou custos indiretos incorridos na produção. Desse modo, tais custos devem ser considerados quando da apuração dos valores dos estoques finais dos produtos industrializados, mas não como sendo matériaprima ou produto intermediário empregado nestes. Do exposto, fica claro que os gastos acima relatados não podem ser computados no cálculo desse benefício fiscal porque não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário (MP e PI), conceituados pela legislação do IPI, como explicado no item anterior, sendo equivocada portanto a interpretação de que, todos os insumos sujeitos à incidência das contribuições para o PIS e a Cofins poderiam ser considerados no cálculo do crédito em referência. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de março de 2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 265DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10127.E2UP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10280002543/200296 Acórdão n.º 3402001711 S3C4T2 Fl. 303 9 Fl. 266DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10127.E2UP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO em 28/03/2012 12:39:25. Documento autenticado digitalmente por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO em 28/03/2012. Documento assinado digitalmente por: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO em 28/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 19/02/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP19.0220.10127.E2UP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 614BDBB1077AFC4CF48258D4934ACB704A0C1792 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10280.002543/2002-96. 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Numero do processo: 16682.720521/2011-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 20 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3002-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para:
apure os depósitos realizados no MS nº 2005.51.01.01.011503-8 contempla a integralidade dos valores discutidos nos presentes autos e no processo nº 16682.720521/2011-56;
apure se os valores de PIS e COFINS executados nestes autos, já haviam sido exigidos, através de carta-cobrança no processo 19740-000091/2010-28.
cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestar-se no prazo de trinta dias.
Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento.
Assinado Digitalmente
GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator
Assinado Digitalmente
Marcos Antonio Borges – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Neiva Aparecida Baylon, Marcos Antonio Borges (Presidente).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para: apure os depósitos realizados no MS nº 2005.51.01.01.011503-8 contempla a integralidade dos valores discutidos nos presentes autos e no processo nº 16682.720521/2011-56; apure se os valores de PIS e COFINS executados nestes autos, já haviam sido exigidos, através de carta-cobrança no processo 19740-000091/2010-28. cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestar-se no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Neiva Aparecida Baylon, Marcos Antonio Borges (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para: a) apure os depósitos realizados no MS nº 2005.51.01.01.011503-8 contempla a integralidade dos valores discutidos nos presentes autos e no processo nº 16682.720521/2011-56; b) apure se os valores de PIS e COFINS executados nestes autos, já haviam sido exigidos, através de carta-cobrança no processo 19740-000091/2010-28. c) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestar-se no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges – Presidente Fl. 1904DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.366 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.720521/2011-56 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Neiva Aparecida Baylon, Marcos Antonio Borges (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada contra os Autos de Infrações lavrados, às fls. 1291 a 1302, para exigir o valor de R$ 617.949,40 de Cofins e de R$ 100.416,76 de PIS, relativo aos períodos de apuração de 08/2008, 09/2009, 10/2009, 11/2009 e 12/2009. O Recorrente tomou ciência do Auto de Infração e apresentou Impugnação, segundo a qual a diferença de PIS e COFINS apurada pela fiscalização é indevida, nos termos dos argumentos abaixo destacados: “2.4. Conforme será demonstrado a seguir, a diferença de PIS e COFINS apurada pela fiscalização é indevida já que: (i) se baseia em valores declarados em DCTF que não pode produzir efeitos, nos termos do art. 9º da IN da RFB nº 1.110, de 24.12.2010; e (ii) representa exigência em duplicidade de PIS e COFINS sobre receitas de prescrição de títulos, os quais já foram exigidos por meio de carta cobrança (processo nº 19740.000091 2010-28).” Em julgamento, acordaram os membros da 7ª Turma, isso, voto por julgar parcialmente procedente a impugnação para cancelar os lançamentos de PIS e Cofins dos períodos de setembro a dezembro de 2009, mantendo-se inalterado o valor lançado para agosto de 2008, conforme acórdão abaixo destacado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Fl. 1905DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.366 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.720521/2011-56 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 VALORES LANÇADOS. CANCELAMENTO. INFORMAÇÃO DE SUSPENSÃO EM DCTF. Deve ser mantido o lançamento de contribuições devidas e não abarcadas por ação judicial, quando o auto de infração foi lavrado na boa e devida forma e com plena garantia de defesa, mesmo quando comprovado que os valores foram informados em declaração anterior na condição de suspensos por medida judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 Lei 9.718/1998. REVOGAÇÃO. FATURAMENTO. O lançamento de PIS e Cofins cumulativo efetuado a partir da Lei no 11.941, de 25 de maio de 2009, que revogou o §1º do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998, deve se limitar a exigências sobre receitas incluídas no conceito de faturamento, que não abarca as receitas tidas por não-operacionais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 Lei 9.718/1998. REVOGAÇÃO. FATURAMENTO. O lançamento de PIS e Cofins cumulativo efetuado a partir da Lei no 11.941, de 25 de maio de 2009, que revogou o §1º do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998, deve se limitar a exigências sobre receitas incluídas no conceito de faturamento, que não abarca as receitas tidas por não-operacionais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário para requerer: 1) o cancelamento integral da parcela dos autos mantida pela decisão recorrida; 2) o julgamento conjunto do processo administrativo em epígrafe com o 16682.720522/2011-56, em decorrência Fl. 1906DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.366 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.720521/2011-56 4 da identidade da receita tributada em ambos, relativamente ao período de agosto de 2008; 3) subsidiariamente, o cancelamento da exigência dos juros de mora calculados sobre os débitos de PIS e COFINS lançados, já que depositados judicialmente antes da lavratura dos autos, devendo a parcela remanescente dos autos continuar com a exigibilidade suspensa, por força dos referidos depósitos que constam nos autos do mandado de segurança nº 2005.51.01.01.011503-8. É o relatório. VOTO Conselheiro GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS, Relator 1. Preliminar de mérito Como estes autos e os autos do processo nº 16682.720522/2011-56 possuem matéria conexa, qual seja, valores de contribuições apuradas, relativo ao período de agosto de 2008, oriunda de receitas de prescrição de título entendo que ambos devem ser julgados em conjunto com vista a efetivação dos princípios da economia processual e segurança jurídica. 2. Mérito - Do Valor Lançado para o Período 08/2008 Conforme acima relatado, o acórdão, ora combatido, lançou de ofício a diferença de valores apurada de PIS (R$ 3.569,00) e COFINS (R$ 21.963,51), através da análise comparativa entre a DCTF retificadora apresentada pela Recorrente e os valores calculados pela fiscalização, relativos ao período de agosto de 2008. A fiscalização entendeu que a receita envolvendo “prescrição de títulos” deveria ser tributada normalmente visto se tratar de receita operacional de uma empresa de capitalização. Portanto, estes valores não poderiam ter sido incluídos na base de cálculo e tributos com exigibilidade suspensa e, logo, não poderiam ter sido lançados na DCTF como “suspensos”. Nesse sentido, o valor de R$ 1.871.952,73 (receita de prescrição de títulos), apurado em agosto de 2008 deveria ser tributado à alíquota de 4% de COFINS resultando em R$ 74.878,11 e em 0,65% de PIS resultando em R$ 12.167,69 (0,65% de PIS), conforme planilha abaixo destacada: Fl. 1907DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.366 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.720521/2011-56 5 Do total destes valores devidos, isto é, R$ 74.878,11 e R$ 12.167,69, conforme acima demonstrado, R$ 52.914,60 e R$ 8.598,62 estão sendo executados nos autos do processo nº 16682.720522/2011-09. As diferenças de valores devidos, encontram-se com a exigibilidade suspensa e são objeto destes autos. Aqueles valores somados aos valores aqui executados correspondem, justamente, à diferença apurada entre a 1ª DCTF (2009) e a 2ª DCTF (2011), conforme abaixo discriminado: ➔ R$ 74.878,11 (diferença entre DCTF 01 e 02) = R$ 52.914,60 (valor executado nestes autos) + 21.963,51 (valor com exigibilidade suspensa objeto destes autos) COFINS 1ª RETIFICADORA 2ª RETIFICADORA Valor declarado 700.017,56 603.175,94 Pagamento 625.139,45 603.175,94 Suspensão 96.841,62 21.963,51 (valor suspenso) Fl. 1908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.366 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.720521/2011-56 6 ➔ R$ 12.167,69 (diferença entre DCTF 01 e 02) = 8.598,62 (valor executado nestes autos) + 3.569,00 (valor com exigibilidade suspensa objeto destes autos) PIS 1ª RETIFICADORA 2ª RETIFICADORA Valor declarado 113.752,85 101.585,16 Pagamento ?? 98.016,69 Suspensão 15.736,76 3.569,07 (valor suspenso) No presente caso, conforme acima analisado, o valor total executado nestes autos e nos autos do processo nº 16682.720522/2011-56 advém da apuração da primeira e segunda DCTF retificadoras entregues, sendo que a segunda ocorreu após o início do procedimento fiscal. A despeito deste fato, cabe esclarecer que segundo a Recorrente, os mesmos valores de PIS e COFINS executados nestes autos, já haviam sido exigidos, anteriormente, através de carta-cobrança no processo 19740-000091/2010-28. O acórdão, ora combatido, aduz que a alegação de duplicidade não se confirma, pois não haveria prova da extinção dos referidos débitos ou que eles continuam sendo exigidos da recorrente e, ainda, que os débitos em referência que teriam sido transferidos para o processo 16682-720.410/2013-10, não estariam cadastrados, conforme trecho abaixo destacado: “Resta ainda a alegação de duplicidade de cobrança. A impugnante aponta que os mesmos valores já haviam sido exigidos através de carta-cobrança no processo 19740-000091/2010-28. Inclusive tais valores teriam sido encaminhados para inscrição em dívida ativa, em relação à qual apresenta, em anexo, carta-cobrança com os valores originalmente suspensos, bem como despacho indicando o valor a cobrar de imediato de PIS de R$ 12.142,96 e de Cofins de R$ 74.726,11. Entretanto, os valores do presente processo foram objeto de lançamento, encontrando-se suspensos pela impugnação. O contribuinte não comprova a regularização dos débitos no processo de cobrança em nenhum momento. Ademais, o processo 19740-000091/2010-28 encontra-se arquivado na unidade de origem, sem pagamentos. Consta despacho à fl. 467 do processo, indicando que os débitos de PIS, originalmente no processo indicado (anexado por cópia ao presente Fl. 1909DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.366 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16682.720521/2011-56 7 nas fls. 1677 a 1680), teriam sido transferidos para o processo 16682- 720.410/2013-10. Neste, por sua vez, só constam cadastrados os valores de R$ 3.569,07 (PIS) e R$ 21.963,51 (Cofins).” Conforme dispõe a resposta Ofício nº 1.2401, a Recorrente teria solicitado o cancelamento das inscrições em Dívida Ativa nº 70.1100256896 e 70.6.111440944, sob alegação de que havia suspensão de exigibilidade por depósito judicial antes efetuado antes mesmo da realização das referidas inscrições. Em 25/03/2011, a Recorrente teria realizado o depósito judicial integral dos valores exigidos do processo nº 19740.000091/2010-28, nos autos do mandado de segurança nº 2011.51.01.003308-3, com trânsito em julgado favorável ao Recorrente. Em 30/03/2015, teria transferido os depósitos realizados para os autos do MS nº 2005.51.01.01.011503-8, ainda em discussão judicial. Logo, informa a Recorrente que os débitos de PIS e COFINS exigidos no processo nº 19740.000091/2010-28 e que vieram a ser lançados por meio dos presentes autos e nos autos do processo nº 16682.720521/2011-56, já estariam depositados judicialmente nos autos no MS nº 2005.51.01.01.011503-8 e, portanto, com a exigibilidade suspensa. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure os depósitos realizados no MS nº 2005.51.01.01.011503-8 contempla a integralidade dos valores discutidos nos presentes autos e no processo nº 16682.720521/2011-56; b) apure se os valores de PIS e COFINS executados nestes autos, já haviam sido exigidos, através de carta-cobrança no processo 19740- 000091/2010-28. c) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestar-se no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento É como voto. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS Fl. 1910DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
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Numero do processo: 15563.000268/2009-90
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 30/09/2004 a 30/04/2005
PAF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Estando devidamente circunstanciadas na decisão recorrida as razões de fato e de direito que a fundamentam, e não ocorrendo cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade.
AUTO DE INFRAÇÃO. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A inclusão dos representantes legais da empresa no REPLEG e a relação de vínculos anexos ao auto de infração previdenciário lavrado exclusivamente contra a pessoa jurídica, não resulta em atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário autuado às pessoas indicadas, nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal, tendo finalidade meramente informativa.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MÃO DE OBRA. RECOLHIMENTO PARCIAL. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO POR AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE.
Constatado o recolhimento parcial de contribuições destinadas à seguridade social, a fiscalização, por arbitramento, lançará de ofício o débito devido, sem prejuízo da penalidade aplicável, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
Restando apurado que os registros contábeis não refletem o movimento real das remunerações pagas pela empresa, deverá ser procedida a aferição indireta do salário de contribuição, nos termos do art. 33, § 6º da Lei 8.212/91.
Neste caso, a remuneração da mão de obra utilizada na prestação de serviços corresponde, no mínimo, a 40% do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviço (art. 600, I da IN MPS/SRP nº 3/2005).
PAF. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei tributária.
Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo CARF e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF deliberando sobre a inconstitucionalidade da legislação.
A doutrina não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário, dada sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do art. 150, I, da CF/88.
PAF. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA OU PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS.
Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar.
Presentes os elementos de convicção necessários à solução da lide, despiciendo o pedido de dilação probatória formulado.
Numero da decisão: 2001-007.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Wilsom de Moraes Filho, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Lilian Claudia de Souza, Ana Carolina da Silva Barbosa (substituta integral) e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Estando devidamente circunstanciadas na decisão recorrida as razões de fato e de direito que a fundamentam, e não ocorrendo cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. AUTO DE INFRAÇÃO. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 88. A inclusão dos representantes legais da empresa no REPLEG e a relação de vínculos anexos ao auto de infração previdenciário lavrado exclusivamente contra a pessoa jurídica, não resulta em atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário autuado às pessoas indicadas, nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal, tendo finalidade meramente informativa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MÃO DE OBRA. RECOLHIMENTO PARCIAL. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO POR AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Constatado o recolhimento parcial de contribuições destinadas à seguridade social, a fiscalização, por arbitramento, lançará de ofício o débito devido, sem prejuízo da penalidade aplicável, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Fl. 310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 2 Restando apurado que os registros contábeis não refletem o movimento real das remunerações pagas pela empresa, deverá ser procedida a aferição indireta do salário de contribuição, nos termos do art. 33, § 6º da Lei 8.212/91. Neste caso, a remuneração da mão de obra utilizada na prestação de serviços corresponde, no mínimo, a 40% do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviço (art. 600, I da IN MPS/SRP nº 3/2005). PAF. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei tributária. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo CARF e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF deliberando sobre a inconstitucionalidade da legislação. A doutrina não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário, dada sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do art. 150, I, da CF/88. PAF. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA OU PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Presentes os elementos de convicção necessários à solução da lide, despiciendo o pedido de dilação probatória formulado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Wilsom de Moraes Filho, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Lilian Claudia de Souza, Ana Carolina da Silva Barbosa (substituta integral) e Wilderson Botto. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra a decisão proferida pela DRJ/RJ1 - acórdão nº 12-30.094, que negou provimento à impugnação apresentada pela contribuinte, em face do AIOP - DEBCAD nº 37.155.443-8. Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 260/270): DA AUTUAÇÃO Trata-se de Auto de Infração, DEBCAD nº 37.155.443-8, lavrado, segundo o Relatório Fiscal de fls. 42/46, com a finalidade de instar o contribuinte a recolher contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, referentes a outras entidades, ou seja: FNDE, INCRA, SEBRAE, SESI E SENAC. DO RELATÓRIO FISCAL 2. Do Relatório Fiscal supracitado, destacamos os seguintes pontos: 2.1. que os valores foram apurados por aferição indireta com base nas notas fiscais de serviço emitidas, resultando no arbitramento da remuneração; 2.2. que as contribuições previdenciárias relativas ao presente Auto de Infração não foram recolhidas nem declaradas em GFIP; 2.3. que a fiscalização, ao analisar as folhas de pagamento da obra objeto do processo 13748.000802/2008-93, cuja tomadora é a empresa RAEDER, matriculada indevidamente pela autuada no CEI 50.015.25147/71, constatou que a contabilidade apresentada, em arquivos digitais no formato MANAD, não está escriturada em títulos próprios, separando as rubricas que integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Também não foi efetuada a contabilização por obra de construção civil. No caso em tela a construtora prestou serviço para o mesmo tomador, READER, em duas obras distintas, uma em Petrópolis e outra em Macaé, lançando os valores devidos de mão de obra na mesma conta para ambas e sem conexão entre estes valores registrados e a folha de pagamento. Fl. 312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 4 2.4. que em função da impossibilidade de verificação da exatidão dos valores contabilizados com os constantes nas folhas de pagamento, a fiscalização arbitrou as bases de cálculo utilizando a aferição indireta de valores através da aplicação do percentual de 40% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços emitidas para esta obra, conforme previsto na IN 003/2005, art. 600, inciso I. 2.5. que os valores obtidos por aferição indireta, conforme item anterior, foram confrontados com os informados em GFIP. As diferenças apuradas integram o presente Auto de Infração. 2.6. que a contribuição dos segurados foi obtida pela aplicação da alíquota de 5,8% sobre a base de cálculo, já deduzidos dos valores declarados em GFIP. DA IMPUGNAÇÃO 3. A empresa apresentou impugnação de fls. 56/80, alegando, basicamente, o seguinte: 3.1. que é pertinente destacar, desde logo, que todas as contribuições previdenciárias relativas as mencionadas mátriculas se encontram recolhidas. Também as obrigações fiscais, acessórias ou não, se encontram adimplidas; 3.2. que evidencia-se um descompasso e, em consequência, a necessidade de acertamento ou, melhor dito, de um ajuste, especialmente em face da indefinição do Processo Administrativo MF/ n° 13748.000802/2008-93, a fim de que não se estabeleça uma injusta relação fiscal, repudiada pelas instituições pátrias; 3.3. que a Auditoria Fiscal em questão desenvolveu-se na vigência da Medida Provisória 449, de 3 de dezembro de 2008, e teve Termo de Encerramento lavrado no dia 29 de maio de 2009, quando já se encontrava em vigor a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, publicada no dia 28, sendo assim está plenamente aplicável ao caso; 3.4. Preliminares: 3.4.1. impõe-se a exclusão dos registros de lançamentos constantes dos autos em tela dos nomes das pessoas físicas, sócios da empresa impugnante e do contador, ante a impossibilidade jurídica de inclusão de terceiros que não sejam sujeitos passivos na relação tributária; 3.4.2. da supressão de instancia administrativa. Com o acréscimo do art. 125-A a Lei nº 8.213/91, o próprio Poder Executivo ampliou ao INSS a função relativa a prática de "todos os atos e procedimentos necessários à verificação do atendimento das obrigações não tributárias impostas pela legislação previdenciária e à imposição da multa por seu eventual descumprimento ". Inclusive, a nova redação do art. 6°, da Lei n° 8.218/91, abriu importante espaço a flexibilizar as imposições fiscais aos contribuintes antes de serem autuados, notificando-os para "efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento". 3.4.3. outro grave ato de Supressão de Instancia Administrativa: em 5/5/2008, data anterior ao início da ação fiscal, a Impugnante requereu "o cancelamento e/ou a transferência de responsabilidade de sua matrícula CE nº 50.015.25147.71 (aberta indevidamente em nome da MARC Arquitetura e Construções Ltda.) para a empresa READER Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 28.705.945/0001-28, justificando um fato plenamente admitido nos relatórios das autuações: Fl. 313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 5 "Esta solicitação deve-se ao fato de que a obra realizada foi de empreitada parcial e não global determinando assim a responsabilidade pela abertura da matrícula CEI pela empresa READER Indústria e Comércio Ltda." 3.4.4. Contudo, esse requerimento permanece irrespondido, e assim seguiu para o arquivo, como se depreende do extrato anexo, disponível no sistema Comprot do site da Receita, em 27/07/2009. 3.4.5. que tendo em vista as razões preliminares suso expendidas, impõe-se, desde logo, a aplicação do Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 59, caput, inciso II e parágrafo 1°. 3.5. No mérito, aduz: 3.5.1. que a fiscalização deixou de examinar todos os documentos e arquivos constantes da escrita fiscal da impugnante; 3.5.2. que as folhas de pagamento se encontram devidamente escrituradas e os valores das contribuições previdenciárias constam delas e foram devidamente recolhidas; 3.5.3. que desde a edição da MP 449, convalidada na Lei n° 11.941/2009, a multa somente poderá ser aplicada após a devida orientação e notificação do contribuinte, a teor da atual redação do art. 60 da Lei n° 8.218/1991; 3.5.4. que foi equivocada a aplicação do princípio do "favor debitoris" contido no art. 112 do CTN; 3.5.5. que a autuação não obedeceu aos princípios constitucionais e tributários, uma vez que nos documentos entregues à impugnante, denota-se contraste com os artigos 293 do Regulamento da Previdência Social e do Decreto n° 70.235/1972, sendo que a autuação, editada na vigência desses mandamentos legais, não respeitou o princípio da legalidade, conforme o art. 37, caput da CF/88; 3.6. Diligências e Perícias: 3.6.1. que o exame contábil-fiscal, como visto, não foi completo e nem levou em consideração o pleito do processo MF/n° 13748.000802/2008-93, que nunca foi definido; 3.6.2. solicita perícia; 3.6.3. requer ainda a juntada de documentos posteriores; 4. Observamos que foi transferida a competência para julgamento deste processo da DRJ Rio de Janeiro II para esta DRJ Rio de Janeiro I, pela Portaria / SUTRI n° 611, de 22/04/2010, publicada no DOU na pg. 42, em 23/04/2010. 5. É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 30/09//2004 a 30/04/2005 Ementa: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CORRESPONSÁVEIS. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. EXAME DA ESCRITURAÇÃO CONDOR- Fl. 314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 6 IRREGULARIDADES. AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. MULTA APLICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização não tem como escopo incluir os diretores da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar as pessoas físicas representantes do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. Com o advento da Lei n° 11.457/2007, as funções de planejamento, execução, acompanhamento e avaliação das atividades referentes à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previdenciárias passaram a estar concentradas na Receita Federal do Brasil. Cabe à autoridade julgadora determinar a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias. Se no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento de acordo com as normas da legislação previdenciária, as contribuições devidas serão apuradas por aferição indireta, lançando-se a importância que reputar devida, cabendo o ônus da prova em contrário ao sujeito passivo. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante faze-1o em outro momento processual. Tratando-se de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal não definitivamente julgado, aplica-se a lei nova a ato ou fato pretérito, quando cominar penalidade menos seve a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Cientificada da decisão, em 17/05/2010 (fls. 273), a contribuinte, por procurador habilitado interpôs, via postal, em 15/06/2010 (fls. 306), recurso voluntário (fls. 275/305), insurgindo-se contra a manutenção da autuação, repisando as alegações da peça impugnatória e trazendo outros argumentos, a seguir brevemente sintetizados por meio dos seguintes tópicos: Preliminares de Nulidade: I – Cerceamento do Direito de Defesa; II – Cerceamento do Direito de Defesa decorrente do impedimento ao exercício dos meios e recursos a ela inerentes; III – Preterição do Devido Processo Legal; IV – Descabida a inclusão de pessoas físicas, pretensos corresponsáveis; V – Supressão de instância administrativa; VI – Ofensa ao Princípio da Legalidade pela aplicação de dispositivos legais revogados; Mérito e do Direito: I – As contribuições foram recolhidas e a questão das GFIP se encontra equacionada no Processo Administrativo MF/n° 13748.000802/2008-93; II - A equivocada imputação de "PRECLUSÃO CONSUMATIVA" implicou em cerceamento do Direito de Defesa decorrente do impedimento ao exercício dos meios e recursos a ela inerentes; III - A "PRECLUSÃO CONSUMATIVA" e a negativa de prova pericial; IV - A "PRECLUSÃO CONSUMATIVA" e a negativa de diligência; V - A falta de motivação para a negativa de perícia e de diligência; VI - Provar é direito do contribuinte. Cita escólio doutrinário e jurisprudência judicial a motivar as pretensões recursais. Requer, ao final, o integral provimento Fl. 315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 7 recursal, ou alternativamente, superadas as preliminares arguidas, seja o presente feito retornado à instância primitiva para a devida produção de provas, concedendo-se prazo para manifestação da Recorrente. É o relatório. VOTO Conselheiro Wilderson Botto, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares A Recorrente, em sede de preliminar, pugna pela nulidade do lançamento, por falha na intimação postal impedimento o exercício dos meios e recursos inerentes; preterição do devido processo legal e inclusão de pessoas físicas como pretensos corresponsáveis; supressão de instância administrativa; infringindo preceitos constitucionais, por vício de legalidade pela aplicação de dispositivos legais revogados; e cerceando o direito de defesa, ensejando a nulidade do auto de infração lavrado. Contudo razão não lhe socorre. Em relação aos vícios apontados, tais alegações novamente repisadas nesta seara recursal já foram apreciadas pela DRJ/RJ1, estando a decisão assim fundamentada (fls. 264/269): DA PRELIMINAR DE EXCLUSÃO DOS SÓCIOS. 7. Preliminarmente, argui a impugnante que se impõe a exclusão dos registros de lançamento constantes do auto em tela dos nomes das pessoas físicas, sócios da empresa e do contador, ante a impossibilidade jurídica de inclusão de terceiros que não sejam sujeitos passivos na relação tributária. No entanto, as alegações, visando a exclusão dos sócios da empresa deste processo administrativo, não merecem acolhida. 8. Nesse sentido, é preciso destacar que o que fez a fiscalização, no caso em tela, no Anexo "REPLEG - Relatório de Representantes Legais", foi somente relacionar os sócios- gerentes e os seus períodos de gestão na sociedade. Ê de se observar que os referidos sócios-gerentes não constam no polo passivo do lançamento efetuado na condição de contribuinte, mas sim a empresa notificada. Não se trata aqui da responsabilidade tributária de terceiros prevista no art. 135, III, do CTN, resultantes de atos praticados pelos diretores e representantes legais da pessoa jurídica de direito privado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, pois nestes casos há necessidade de prova dos atos ilegais praticados por eles, que poderá ocorrer em sede de execução fiscal. Como no presente caso não se está atribuindo responsabilidade solidária aos sócios, os mesmos não foram intimados no Auto de Infração. Fl. 316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 8 DA SEGUNDA PRELIMINAR DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA/DA COMPETÊNCIA DO INSS E DA RFB. 9. Em outra preliminar, a impugnante alega supressão de instância administrativa já que o art. 125-A da lei n° 8.213/91, em seu parágrafo 3°, determina que é competência exclusiva do INSS a "verificação do atendimento das obrigações não tributárias impostas pela legislação previdenciária e à imposição da multa por seu eventual descumprimento". Alega, também, supressão de instância administrativa pelo fato de ter sido arquivado o processo n° 13748.000802/2008-93. 10. Porém, como veremos a seguir, não assiste razão a impugnante, pois compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo que verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determina a matéria tributável, calcula o montante do tributo devido e identifica o sujeito passivo, nos termos do art. 142 do CTN, abaixo transcrito: (...) 11. Mais particularmente em relação ao crédito previdenciário, sua constituição depende de lançamento realizado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil - AFRFB, que o promove por meio de Auto de Infração, como no presente caso. Ao INSS, competia arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias até a edição da Medida Provisória n° 222/04, convertida na Lei n° 11.098/05, que passou essa atribuição para a União, sendo desempenhada, à época, pela Secretaria da Receita Previdenciária - SRP, órgão criado pela mesma lei e subordinado ao Ministério da Previdência Social. Porém, com o advento da Lei nº 11.457/07, essa atribuição passou para a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. 12. Corroborando esse entendimento, temos que o art. 2° do Decreto n° 3.724/2001, com redação dada pelo Decreto n° 6.104/2007, abaixo transcrito, estabelece que os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil. (...) 13. Assim sendo, verificamos que a competência da RFB não se confunde com a do INSS, no caso, o disposto no art. 125-A da Lei n° 8.213/91, visto que este trata de obrigações não tributárias visando a análise de documentos necessários à comprovação de vínculo empregatício, de prestação de serviços e de remuneração relativos a trabalhador previamente identificados, em suma, de informações cadastrais. Ao contrário da RFB, pelos seus Auditores-Fiscais, que se incumbem de analisar todas as informações e registros relativos aos fatos geradores, no interesse da fiscalização tributária. 14. Desse modo, uma vez verificada pela fiscalização a ocorrência da obrigação tributária, com base nas notas fiscais de serviço da obra referida, cujos fatos não foram declarados na GFIP, nem escriturados na contabilidade de acordo com as normas, foi efetuado o lançamento de oficio, através de arbitramento, haja vista a deficiência da documentação apresentada, o que impossibilitou que o lançamento se desse de forma regular, tendo em vista que este procedimento é medida excepcional, somente aplicável quando da ausência dos elementos necessários à apuração do montante devido. (...) Fl. 317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 9 LEGALIDADE DA AUTUAÇÃO. 21. Quanto a alegação de que a autuação não obedeceu os princípios constitucionais e tributários, esclarecemos que, partindo-se do pressuposto de que a administração pública, por seus Auditores-Fiscais, só podem agir em consonância com a lei, em princípio, é descabida qualquer dedução de que o procedimento fiscalizatório foi efetivado contrariando o princípio da legalidade. Os atos normativos, aos quais os agentes públicos estão vinculados, se presumem constitucionais, integrando a ordem jurídica, até manifestação definitiva do STF. Antes disso, a lei é válida e de aplicação obrigatória, não havendo que se falar em nulidade nem em ofensa a princípios constitucionais, salvo comprovação em contrário. (...) 23. Desse modo, é inequívoca a legalidade da presente autuação, cuja autoridade administrativa (Auditor-Fiscal) atuou em conformidade com o art. 33, caput, da Lei n° 8.212/91, que atribui ao órgão fiscalizador competência para arrecadar, fiscalizar e lançar as contribuições sociais previdenciárias, e os parágrafos 3º e 6º do citado dispositivo que conferem a fiscalização a prerrogativa de apurar as contribuições devidas, na situação em questão, por aferição indireta, lançando a importância que reputar devida, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário, pelo fato de a contabilidade não estar escriturada em títulos próprios. DO ARQUIVAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E A IRREGULARIDADE DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. 24. Não cabe, também, a alegação de supressão de instância pelo arquivamento do processo n° 13748.000802/2008-93, já que a apreciação da impugnação não ficou prejudicada, tendo em vista que tal fato não tem o condão de desconstituir o lançamento, porquanto a aferição indireta das bases de cálculo teve como fundamento o fato de a autuada não efetuar seus registros contábeis de acordo com as exigências legais, em particular no caso da obra matriculada sob o CEI 50.015.25147.71, aberta indevidamente, segundo a fiscalização, como obra por empreitada total, sendo que os registros contábeis da conta "Reader Ind. E Com. Ltda.", englobam duas obras para o mesmo tomador e os valores de mão-de-obra lançados, além de não mencionar a qual obra pertencem, também não discriminam o valor da base de cálculo da contribuição previdenciária. 25. Como sabemos, nos lançamentos contábeis, a empresa está obrigada a separar todas as operações que constituam fato gerador da contribuição previdenciária, devendo contabilizar em contas especificas, a fim de atender o disposto no art. 32, II, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, § 13 a 17 do Decreto n°3.048/99. 26. Diante dessa falta, a autoridade fiscal emitiu, nesta mesma ação fiscal, o Auto de Infração, DEBCAD n° 37.155.438-1, cuja capitulação legal, abaixo transcrita, a impugnante não foi capaz de refutar: "Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n" 8.212/91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99". Fl. 318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 10 DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU COMPENSAÇÃO ANTES DA IMPUGNAÇÃO. 27. No que tange a nova redação dada pela Lei n° 11.941/2009 ao art. 6° da Lei n° 8.218/91, trata-se de uma faculdade a ser exercida pelo contribuinte que, quando notificado, poderá efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela RFB, inclusive as contribuições sociais com a redução da multa. O recolhimento da multa reduzida, sendo uma benesse, implica a renúncia ao direito de impugnação e gera a homologação do pagamento, com a consequente extinção do crédito lançado. Entretanto, neste caso, como vimos, o contribuinte optou pela impugnação. (...) DO PEDIDO DE PERÍCIA. 29. Quanto ao pedido de perícia, igualmente deve ser rejeitado por ser desnecessária, uma vez que o presente processo está devidamente instruído e prescinde de outras verificações para o seu julgamento. No caso em questão a fiscalização descreve no Relatório Fiscal claramente a infração cometida e os motivos que a levaram a considerar as bases de cálculo utilizando a aferição indireta de valores, através da aplicação do percentual de 40% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços emitidas para esta obra. Além disso, a perícia constitui procedimento necessário no curso do processo administrativo quando existem dúvidas ou incertezas técnicas quanto ao lançamento de constituição do crédito tributário que não possam ser ilididas pela juntada de documentos, o que não é o caso, restando, então, indeferido o pedido, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, citado acima. Inicialmente, em relação as preliminares suscitadas, vale salientar que o presente feito seguiu os trâmites regulares. A fiscalização atuou dentro da estrita legalidade e no limite institucional de sua competência, inclusive oportunizando ao contribuinte prestar as informações e esclarecimentos necessários a condução dos trabalhos fiscais, os quais foram regularmente atendidos. Da leitura da autuação se pode apurar que o lançamento está amparado nos fatos descritos que, no entender da autoridade fiscal, ensejaram a apuração detalhada do tributo devido e dos encargos aplicados, com a indicação dos dispositivos legais atinentes, além de lhe oportunizar o exercício do direito de defesa. Do ponto de vista procedimental, a conduta fiscal transcorreu dentro da restrita legalidade sem qualquer prejuízo ou inobservância ao contraditório que, em detrimento das alegações recursais, foi exercido com regularidade e plenitude, inexistindo a nulidade objetiva por cerceamento de defesa aventada na peça recursal. No que se refere as supostas violações aos princípios constitucionais, conforme aventado, também nada a prover. Como é sabido, este CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade e ilegalidade de lei tributária, cuja matéria já se encontra sumulada: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 11 Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. No que tange a suposta atribuição de responsabilidade dos representes legais, e ratificando a correção da decisão recorrida, vale registrar que a mera indicação no REPLEG ou na Relação de vínculos não têm tal finalidade já que a natureza dos referidos relatórios é meramente informativa ou cadastral e não imputa às pessoas físicas arroladas a condição de devedores, cujo registro ocorre apenas para cumprimento de formalidades exigidas pela Administração Tributária. Tal matéria, aliás, também já se encontra sumulada neste CARF, culminando com a edição da súmula 88: Súmula nº 88: A “Relação de Co-Responsáveis - CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais - RepLeg” e a “Relação de Vínculos - VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, rejeito as preliminares de nulidade e cerceamento do direito de defesa suscitadas. Mérito Das contribuições previdenciárias apuradas por aferição indireta – do arbitramento da base de cálculo em 40% sobre as notas fiscais emitidas para obra de construção civil: O litígio recai sobre a incidência das contribuições previdenciárias correspondentes à parte de terceiros (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAC), apuradas por aferição indireta, referente ao período de 30/09/2004 a 30/04/2005, importando na apuração do crédito tributário, no valor de R$ 4.219,39, já incluídos os encargos legais, conforme se depreende do AIOP - DEBCAD nº 37.155.4423-8, consolidado em 29/05/2009, com ciência da contribuinte em 01/07/2009. Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, da análise dos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 260/270) e aliado às informações contidas na autuação e no relatório fiscal da infração (fls. 2/13 e 50/56), não há como prosperar a pretensão recursal. Assim, considerando que a Recorrente não trouxe, nesta fase processual, novas alegações contundentes a modificar o julgado – diga-se de passagem, limitando-se basicamente em repisar as alegações da peça impugnatória, sendo que diante da impossibilidade de verificação da exatidão dos valores contabilizados com os constantes nas FOPAG, cujos valores autuados não foram não foram recolhidos e nem declarados em GFIP, foi realizado o arbitramento da base de cálculo por aferição indireta com aplicação do percentual de 40% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços emitidas para obra matriculada sob o CEI 50.015.25147/71, em estrita Fl. 320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 12 conformidade com o art. 600, I da IN MPS/SRP nº 3/2005 – me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos norteadores do voto condutor (fls. 266/269), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no art. 114, § 12, I da Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023 (Novo RICARF): DA AFERIÇÃO INDIRETA. 15. No ensejo, a aferição indireta foi o procedimento legal adotado, posto que baseado nos termos do § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212/91, abaixo transcrito, utilizado pela autoridade fiscal com a finalidade de apurar as bases de cálculo da contribuição previdenciária, ora em análise. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, a fiscalização, a arrecadação, a cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). DO PRINCÍPIO DO "FAVOR DEBITORIS"/DA INTERPRETAÇÃO BENIGNA E DA RETROATIVIDADE BENIGNA. 16. A impugnante alega que foi equivocada a aplicação do princípio do “favor debitoris”, porém, não assiste razão à empresa, como veremos adiante. 17. Sabe-se que esse princípio encontra-se contemplado no artigo 620 do CPC, abaixo transcrito, e prevê que a execução deve ser realizada da maneira menos onerosa possível para o devedor. Art. 620. Quando por vários meios o credor puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o devedor. 18. Corresponde ao princípio da menor onerosidade que tem como finalidade orientar a aplicação das normas do processo judicial no campo da execução, com a finalidade de se evitar atos executivos desnecessariamente custosos para o devedor. Portanto, sua aplicação pressupõe um processo de execução em curso, o que não é o caso dos autos, onde a autoridade fiscal aplicou, não o princípio supracitado, mas o princípio da RETROATIVIDADE BENIGNA, conforme planilha de fls. 50, com base no art. 106, II, "c", do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (...) 20. Desse modo, concluímos que, para o caso em análise, a fiscalização não empregou o princípio do "favor debitoris", nem o princípio da interpretação benigna, por não haver Fl. 321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 13 qualquer dúvida sobre os fatos, e sim o princípio da retroatividade benigna que, como sabemos, é aquele que permite que se aplique retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao sujeito passivo, comparativamente à lei vigente à época da ocorrência do fato gerador, com base no art. 106, II, do CTN, supracitado. (...) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. 28. No que se refere à alegação de que a fiscalização deixou de examinar todos os documentos e arquivos da escrita contábil, bem como que as folhas de pagamento encontram-se devidamente escrituradas e que os valores que constam nelas encontram- se devidamente recolhidos e, para isso, solicita diligência, devemos levar em conta que a diligência não se presta ao saneamento da falta a que o sujeito passivo deu causa, mas para esclarecer pontos controvertidos. Além disso, a fiscalização procedeu durante a realização dos seus trabalhos a todos os exames necessários, referindo-se os valores apurados no presente caso às contribuições ora apuradas mediante arbitramento, cujas reais bases de cálculo não se logrou êxito em demonstrar. Portanto, estando os autos devidamente instruídos, o que possibilitou ao sujeito passivo o conhecimento da exigência fiscal que lhe é imputada, deve, assim, o pedido ser rejeitado, nos termos do art. 18, c/c art. 28 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligencias ou pericias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 1993) (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Destarte, restando desatendido o cumprimento dos requisitos legais pela ausência de escrituração contábil regular amparada por suporte documental comprobatório do salário de contribuição real para incidência das contribuições previdenciárias – e tendo em mente, diga-se de passagem, que o art. 601, I da IN MPS/SRP nº 3/2005, vigente à época dispunha para fins de aferição indireta da remuneração da mão de obra utilizada na prestação de serviços, o valor correspondente a 40% do valor constante da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, para fins de base de cálculo aferida da contribuição previdenciária, aliás, como fundamentado no relatório fiscal da autuação (fls. 50/56) – bem como tendo sido observado as alterações trazidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em relação à multa de ofício aplicada, calhando na espécie a situação mais benéfica à contribuinte, correta a autuação e a decisão recorrida, razão pela qual mantenho subsistente o crédito tributário exigido. Em relação ao entendimento jurisprudencial trazido para justificar as pretensões recursais, o mesmo, nesta seara, é improfícuo, porquanto as decisões, mesmo que colegiadas, sem um normativo legal que lhe atribua eficácia, não se traduzem em normas complementares do Fl. 322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.531 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15563.000268/2009-90 14 Direito Tributário, e somente vinculam as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos. Na mesma toada, tem-se que a doutrina também não é oponível ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade, tudo à inteligência do art. 150, I, da CF/88. No que tange ao pedido de dilação probatória, com especial destaque para realização de diligência e prova pericial, não vislumbro a necessidade de sua realização, visto que o processo se encontra suficientemente instruído e é contundente em demonstrar a sujeição passiva em relação à matéria recorrida, na exata dicção da legislação de regência. Ademais, e corroborando o acerto da decisão recorrida, no processo fiscal a produção probatória somente se justifica se necessária à formação de convicção do julgador (art. 18 do Decreto nº 70.235/72), o que se torna despiciendo no presente feito. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito em NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o auto de infração lavrado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 323DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13839.722794/2013-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS-BASE DIRF.
As Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF possuem força probatória suficiente para dar sustentação ao lançamento fundamentado em omissão de rendimentos tributáveis e/ou compensação indevida de imposto de renda. Se o Fisco constituiu o crédito tributário tomando por base informação de DIRF da fonte pagadora, prova hábil e idônea para comprovação de rendimentos tributáveis, cabe ao contribuinte, se contestar tais rendimentos, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito e não meras alegações.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Numero da decisão: 2002-009.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Henrique Perlatto Moura – Relator
Assinado Digitalmente
Marcelo de Sousa Sateles – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PERLATTO MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS-BASE DIRF. As Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF possuem força probatória suficiente para dar sustentação ao lançamento fundamentado em omissão de rendimentos tributáveis e/ou compensação indevida de imposto de renda. Se o Fisco constituiu o crédito tributário tomando por base informação de DIRF da fonte pagadora, prova hábil e idônea para comprovação de rendimentos tributáveis, cabe ao contribuinte, se contestar tais rendimentos, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito e não meras alegações. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-12-19T17:57:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-12-19T17:57:10Z; Last-Modified: 2024-12-19T17:57:10Z; dcterms:modified: 2024-12-19T17:57:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-12-19T17:57:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-12-19T17:57:10Z; meta:save-date: 2024-12-19T17:57:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-12-19T17:57:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-12-19T17:57:10Z; created: 2024-12-19T17:57:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2024-12-19T17:57:10Z; pdf:charsPerPage: 1491; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-12-19T17:57:10Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13839.722794/2013-88 ACÓRDÃO 2002-009.000 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 28 de novembro de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE WELLINGTON VITOR PEREIRA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS-BASE DIRF. As Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF possuem força probatória suficiente para dar sustentação ao lançamento fundamentado em omissão de rendimentos tributáveis e/ou compensação indevida de imposto de renda. Se o Fisco constituiu o crédito tributário tomando por base informação de DIRF da fonte pagadora, prova hábil e idônea para comprovação de rendimentos tributáveis, cabe ao contribuinte, se contestar tais rendimentos, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito e não meras alegações. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Fl. 78DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.000 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13839.722794/2013-88 2 Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Notificação de Lançamento lavrada para exigir da Recorrente Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) sobre rendimentos omitidos no Ano-Calendário 2008 (fls. 10-11). A Recorrente opôs impugnação em que alega que o rendimento omitido não existiu, pois não possui conta no Banco do Brasil e que no ano calendário 2008 houve o recebimento de verbas decorrentes de ação trabalhista referente a anos calendários anteriores, mas em patamar inferior ao imputado como omitido pela fiscalização (fls. 4-7). Sobreveio o acórdão nº 16-67.367, proferido pela 5ª Turma da DRJ/SPO (fls. 66-68), que entendeu pela improcedência da impugnação em razão de a Recorrente não ter comprovado que o valor recebido não correspondeu à integralidade do valor pago, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS-BASE DIRF. As Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF possuem força probatória suficiente para dar sustentação ao lançamento fundamentado em omissão de rendimentos tributáveis e/ou compensação indevida de imposto de renda. Se o Fisco constituiu o crédito tributário tomando por base informação de DIRF da fonte pagadora, prova hábil e idônea para comprovação de rendimentos tributáveis, cabe ao contribuinte, se contestar tais rendimentos, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito e não meras alegações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 79DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.000 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13839.722794/2013-88 3 Cientificada em 29/04/2014, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 27/05/2015 (fls. 72-74) em que alega que nos autos da ação trabalhista houve o bloqueio de valores no importe de R$ 92.634,13 e, desta parcela, apenas o importe de R$ 21.186,68 foi percebido pela Recorrente e que, com a dedução dos honorários advocatícios, o valor líquido seria de R$ 15.479,24, questão que seria comprovada pelos alvarás apresentados em anexo – embora o Recurso Voluntário não possua qualquer documento anexo. É o relatório. VOTO Conselheiro Henrique Perlatto Moura, Relator Conheço do Recurso Voluntário pois é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. A lide versa sobre a comprovação do valor do rendimento efetivamente auferido pela Recorrente no Ano-Calendário 2008. Isso, pois embora a fiscalização entenda que o rendimento omitido é de R$ 92.634,13, a Recorrente entende que o valor efetivamente levantado foi de R$ 21.186,68. Verifica-se que o pleito recursal detalha a situação ocorrida nos autos a ação trabalhista e, pelos documentos apresentados em conjunto com a defesa é possível verificar que existem alguns indícios de que o rendimento auferido pela Recorrente não corresponde ao valor imputado como omitido pela fiscalização. Restou comprovado que foi ajuizada ação trabalhista que foi julgada ao final procedente em parte no ano de 2001 e não houve adimplemento do valor. Assim, houve execução nos próprios autos e, em 2004, a Recorrente faria jus ao importe de R$ 21.818,59, conforme discriminado à fl. 50. À fl. 51 foi apresentado comprovante de levantamento de depósito recursal em 20/03/2008 realizado pelo advogado da Recorrente e, no mês subsequente, há o desconto de um cheque na conta da Recorrente no importe de R$ 15.479,24. Não obstante os indícios acima delineados, entendo que a Recorrente não logrou êxito em comprovar alguns pontos imprescindíveis para que fosse possível atestar a identidade entre o rendimento auferido submetido à tributação a título de IRRF e aquele omitido, conforme imputação fiscal. Isso, pois: (i) consta em DIRF que o rendimento omitido foi pago pela fonte Banco do Brasil em abril de 2004, embora o alvará tenha sido levantado em março de 2004; (ii) não foram apresentados os documentos da ação trabalhista que permitam validar o valor bloqueado naqueles autos, que deveriam corresponder aos rendimentos imputados como omitidos neste processo e tampouco os alvarás em que são demonstrados os valores retidos na fonte; e (iii) não Fl. 80DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.000 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13839.722794/2013-88 4 foi apresentado o contrato de honorários que permita validar que o rendimento levantado nos autos corresponde ao cheque descontado em conta da Recorrente. Assim, apesar de existirem indícios em favor da Recorrente, entendo que não houve comprovação suficiente de que os valores imputados como omitidos se referem aos valores recebidos em decorrência de ação trabalhista, questão que leva à improcedência do pleito recursal. Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura Fl. 81DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 19515.004864/2003-80
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001, 01/07/2002 a
31/10/2003
COFINS. NULIDADE.
O Auto de Infração é instrumento hábil para à constituição de crédito tributário, ainda que a exação esteja sendo discutida no Judiciário e a exigibilidade do crédito em questão esteja suspensa.
Preliminar rejeitada.
INCONSTITUCIONALIDADE DA MAJORAÇÃO ALÍQUOTA DA COFINS PELA LEI Nº 9.718/98.
Não se conhece do recurso no que tange a matéria já decidida
definitivamente pelo Poder Judiciário em decisão transitada era
julgado proferida pelo STF no curso de ação ordinária própria
interposta pela contribuinte.
Recurso não Conhecido.
ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO E MAJORAÇÃO DE SUA ALÍQUOTA PELA LEI N° 9.718/98. DECISÃO JUDICIAL
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário; transitadas em
julgado, tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades
Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações
judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
E obrigatória a constituição do crédito tributário nos casos de
medida liminar concedida em mandado de segurança visando
prevenir a decadência.
Recurso parcialmente provido para afastar a exação incidente sobre as receitas que excederam ao conceito de faturamento contido na Lei Complementar n° 70/91, mantida a aplicação da alíquota de 3% sobre as receitas decorrentes do faturamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 204-03.199
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade; II) não conhecer do recurso, quanto à majoração da alíquota da Cofins; e III) em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Esteve presente o Dr. Ramon Tornozelo Santos.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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I 1 . : • : CCO2/C04 ; , 1 n . Fls. 3-82 i .7. ...-.0 ::n:...*' MINISTÉRIO DA FAZENDA ' 0 : • -:tattu p, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4=lat;"›.- l• QUARTA CÂMARA Processo n° 19515.004864/2003-80 i 5 ! ;Recurso n° 140.448 Voluntário • i . , n . j * * I • • " Matéria COFINS . . , . Acórdão n° 204-03.199 . : i Sessão de 08 de maio de 2003 Recorrente SÉ SUPERMERCADOS LTDA. i , . . Recorrida DRJ em São Paulo/SP .. i 5 i ! ; 5 i I . ! ; I ' ! ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O ÉINANCIAN ENTO DA . , SEGURIDADE SOCIAL- COFINS : • Período de apuração: 01/02/1999 a 31/1212001 , 0 I /07/2002 : a 31/10/2003 • COF1NS. NULIDADE. n1 , O Auto de Infração é instrumento hábil para 4 connituição de crédito tributário, ainda 'que a exação esteja selido discutida ino Judiciário e a exigibilidade do crédito em qapstãO esteja suspenSa. ! Preliminar rejeitada.. • . INCONSTITUCIONALIDADE DA :, MAJORAÇÃO AL1QUOTA DA COFINS PELA LEI N°9.718/98. Não se conhece do recurso no que tange à m4téria já decidida definitivamente pelo Poder Judiciário em decisão tninsitada em julgado proferida pelo STF no curso de a'Rão Ordinária própria . i ! interposta pela contribuinte. i : 1 I I i 5 I Recurso não Conhecido. ! . : I i I - : .• , 1 ! ALARGAMENTO DA BASE DE i CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO E MAJORAÇÃO DE SUA AiLIQUOtA PELA LEI N°9.718/98. DECISÃO JUDICIAL. : 1 I, ' • i As decisões proferidas pelo Poder Juaiciário; transitadas em julgado, tem prevalência sobre as proferidas telas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações , judiciais, nos exatos termos em que forarn proferidas. I ! , 1 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE: 150 ;CRÉDITO, . . 1 TRIBUTÁRIO. I i 1 • ! I t É obrigatória a constituição do crédito tributáfio ncis casos de medida liminar concedida em mandado de sOguranea visanáo . • i prevenir a decadência. i 1 .\ t I. (4)\ 1: , /1\1 i 1 • ! I , I 1 1 I. I . : . 1 : I I . 1, , . !, . 1 • ' 1 . Processo n° 19515.004864/2003-80 I • 1 .„ PC0C04 Acórdão n.° 204-03.199 Fls. 383 • :1. I ! • : • : : • .• ! , I Recurso parcialmente provido para : afastar ia exação incidente sobre as receitas que excederam 'ao conceito de ' faturamento contido na Lei Complementár n?, 70/91, mantida a aplicação da aliquota de 3% sobre as 'receitas decorrentes 1 do fa turamen to. .„. .. . I " I •. : ;: ' 1 • ,, ' , :Recurso VOluntário Provido em Parte . • , . , ! , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • .: • ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA ldo SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade; II) não conhecer do recurso, quanto à majoração dá aliquota da Cotins; e 'III) em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Esteve presettte o Dr. RamOn ; ;Tornozelo Santos. ; Ii . : i:•. :. . . . I IíL-...., ,/,•)----4., 4.., .....it r.., . 'HENRIQUE PINHEIRO TORRES • :Presidente I i NA 13 • STOS MANATTA ( ,. , • , :. 1 . . . Rell RA tora • , j j - ,. . ,. !, Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ROdrigo Bernardes de Carvalho, Nayra Bastos Manalta, Ali Zraik Júnior, Raquel Motta B. Minatel '(Suplente), Silvia de Brito Oliveira e Leonardo Stade Manzan. . : , I I Ausentes os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Henrique Pinheiro Torre. Presentes os Conselheiros Ana Maria Barbosa Ribeiro e 1/4.1endre Kdrn , .• (Suplentes). 1 . J ' i , • ' : •i . . , .. , . .z . •• . I :: • ; •, , • : . . , . . , i 2 • 1 i .• • - . . . , • • Processo n°19515.004864/2003-8Q CCO2/C04 Acórdão n.° 20403.199 Hs. 384 I 5 Relatório Adoto o relatório da DR.1 em São Paulo que a seguir transerevo Originou-se a• presente ação fiscal através do Mandado 'de Procedimento Fiscal n" 08.1.90.00-2002-03846-2 (lls. 01), .sendo gize a • empresa em epígrafe foi intimada a apresentar os livros e documentos arrolados no Temo de Intimação Fiscal de fls. 07/08, e nO Termo de Continuação de Fiscalização defls. 35. 5. Do exame levado a efeito na documentação apresentada, foram constatados pelo Agente Fiscal, fatos irregulares, com infringência'as normas legais que regem a espécie, descritos no Termo de Verificação delis. 86, conforme segue em síntese: A empresa em epigrafe não recolheu integralmen 1 te tvalottes devidos de COFINS relativamente a fatos geradores ocorridos no período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2001, e de julhdde 2002 a outubro de 2003. 1 1 • b) A empresa interpós a ação ordinária n" 1999.67.0001050377, perante a 17' Vara da Justiça Federal em São Paulo, 'tendo sido prolatada sentença, em 30.03.2000, fattorável ao contribuinte izo sentido de declarar a inexistência de relação jurídica tributária que o obrigasse ao recolhimento da COF1NS ha forma da lei 1 9.718/*8. E • Anteriormente a sentença, em 30.11.99, havia sido deferido1p4lido tutela antecipada. c) O referido processo está no TRF. da 3' Região aguardando julgamento. Assim foi lavrado o presente auto de infração destinado a constituir o crédito tributário relativo aos valores não recolhidos de COEINS, ressalvado que a exigibilidade do crédito 1 tributário permanecerá suspensa até ulterior decisão a ser protelada fielaJustiça Federal. • • •• d) As diferenças objeto de lançamento com exigibilidade suspensa, confonne planilhas anexas (fls. 87/88), resultam da slimir dos valores decorrente da aplicação de 1% sobre os faturamentás !pensais (excluídos os débitos declarados em DCTF), e o valor resultante aplicação de 3% sobre outras receitas. i • 6. • Em vista das infrações constatadas, foi lavrado o presente Atito • de Infração (fls. 98 a 102), no valor total de R$ 24.4135.'923,20, incluindo-se tributo e juros de mora, estes calculados até 28.11.2003, para constituir o crédito tributário relativo à COF1NS dos períbdos de apuração de 02/99 a 12/2001, e de . 07/2002 a 10/2003, cOnt enquadramento legal exposto às fls. 97 e 102. 2 7. Regularmente notificada em 23.12.2003 (U. 98), a autuada apresentou, em 22.01.2004, a impugnação de fls. 105 a 128, acompanhada de documento de fls. 129 a 182, alegando, em suma," o que se segue: •\ 3 . , I : • • „ , !, Processo ri” 19515.0048602003-80 ( CCO2/C04 . • Acórdio n." 204-03.199 . 385, :,; .: • . : 1 1Alega que embora nos meses de outubro, frovembro e de±ein bro ',fie - 2001 a empresa tenha declarado em DCTF o débito de COFINS calculado à digrama de 3%, o que não geraria diferença akributari a •fiscalização erroneamente constatou diferenças ao comparar rizimeivs i exatamente iguais, apurando os valores de R$ 16.083,77, R$ • 170.197,36 e R$ 28.881,14 que não existem (out/01, nov/01 é déz/01 da I 1 planilha de fls. 88). Assim requer o cancelamento da autuação, enz razão das divergências de critérios utilizados pela fiscalização, • o que resultou na exigência de COFINS em mesés nos quais tal cdeibuiçilo , sequer era devida. . . 5- , : • , t 1 • ' ' • i Conjuntamente conz o presente auto de infração foram lavradá outros cinco autos de infração contra a impzignante, e em idna f,: destas • autuações (processo n" 19515.004862/2003-91Y os valoresireferentes - aos períodos outubro, novembro e dezembro de 2001, lançados ho preYente no auto de infração, também foram lançados, gerando duplicidade de lançamento. Figuram exatamente os mesmas débitos cobrados no presente auto de infração, relativo aos meses de étaubtfo, s. , novembro e dezembro de 2001, é que no pró cesso . 1/2" • 19515.004862/2003-91 o Fisco alowu a julho, agosto e seterri bro de . 2001 (R$ 16.083,77, R$ 170.197,36 e R$ 28.881,14 respectivaMénie), conforme documentação anexa às fls. 156 a 164. Assim) réquer; o cancelamento do presente auto de infração para sei eVitar a bitributação. 1 : •. • A fiscalização exigiu valores apurados de modo contrário ao ,que vinha . utilizando para determinar o débito de COFINS supostamente !devido • pelo inzpugnante, o que resultou no lanOmento de valores (out/01,, nov/01 e dez/01) sem respaldo na tipificação indicada no : camPo • "enquadramento legal" constante no Mito de infração. j A4sim, a 1 , fiscalização deixou de demonstrar o correto embasamento tle i 'seu lançamento, ferindo, assim, o principio da znotivação. !. Como conseqüência a impugnante deixou de tomar conhecimento cio conceito exato que a autoridade contara julga ter ela, impugnante, infringido. . , Da mesma forma andou mal a fiscalização ao não fazer petição ao • Mandado de Segurança n" 1999.61.00.056631-4; interPosto pé la impugnante para afastar a incidência da majoração da alIqtiota da 'Cmins, de 2% para .3%, promovida pela lei 9.718/98 Déssa: vez, a . ofensa ao princípio da motivação deu-se não por i falta de: 1 n fundamentação legal, mas sim factual. I ; : . I , Conclui que o auto de infração não observou os princípios; gerais de Dir. eito, bem como aqueles relacionados ao processo tributário, uina vez que se omitiu quanto a pressupostos de fato e de direito dá quilo qite entendeu constituírem infrações praticadas pela impugnante.Assim, . alega que houve cerceamento de direito de defesa, pois a fiscalização deixou de esclarecer a sua motivação para autuar relativamente abs, . atos praticados pela impugnante. Requer que o auto de infração séja . considerado nulo. 1 • : 5 . 1 1 . I t Alega que, ainda que por mais improvável que seja que se entenda qite a concessão de tutela antecipada em ação judicial não tenha o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário e evitar: a sita constituição, ao arrepio do que dispõe o artigo 151, V do CT151, não . •,,/ , , : I ; • ' '• ; '• : . • 5 Prom;so n'' 19515.004864/2003-80 CCOVC04 Acórdão n." 204-03.199 • Fls. 386 • : • merece prosperar a presente autuação dáido a inconstitucnotialidade • das parcelas do lançamento relativas à majoração -da allquoIa e do alargamento da base de cálculo da COFINS. Traz em sua iMpzignação «is. III a 127) extensa argumentação, doutrina, e jurisprudência pára comprovar sua tese a respeito da inconstitucionalidade da majoração da aliquota e ampliação da base de cálculo da COFINS Promovida . pela Lei 9.718/98. t' Se as valores correspondentes ao tributo não são devidos em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tribdtário, nem se pode Sins: a .it o I , ••contrário a respeito dos juros de mora. • I t Não há o que se filar em mora do contribuinte se eiste pos.Sui provimento judicial suspendendo aplicação de detdminado mandamento legal, como no caso da impugnante, que !deixou de recolher a COFLVS nos termos da lei 9.718/98 não por livre:iniciatiíici, mas sim por autorização judicial expressa nesse sentido. Por fim requer a anulação do auto de infração lavrado, cancelanda o •crédito tributário nele exigido e seus juros de mora. : i •É o relatório." A DIU em São Paulo/SP manifestou-se no sentido de i afastar a preliminar le I • nulidade argüida, não conhecer da matéria objeto da ação judicial (inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98), e julgar procedente em parte o lançamento, exonerando o; lançamento 'dativo abs períodos de outubro a dezembro/01. • , A contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso yoluntarto alegando ep) sua defesa: I Parte do lançamento decorreu da incidência da COF1NS nos; tei'mos da • Lei 71 9718/98, no que concerne à tributação de valores que lexc'edetylm o conceito de .faturamento nos termos da LC 70/91; I A contribuinte ingressou com ação judicial n° 1999.61.00..0010503-7 questionando o alargamento da base de cálculo da contribuição é a elevação da aliquoto para o percentual de 3% pela Lei a° 9718/98 tendo obtido antecipação de tutela para que recolhesse a COFINS•nios termos da LC 70/91, confirmada em sentença; ! i / A decisão recorrida não conheceu da matéria versando sobre-. a • inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do;tribato pela Lei n" 9718/98, razão pela qual, tenda obtido decisão . favorável à • sua pretensão, transitada em julgado, após o julgamento proferido péla decisão recairido, deve a parcela do lançamento télativa alargamento da base de cálculo da COFINS pela Lei n" 9718/98 ser exonerada. O transito em julgado deu-se em 06/10/06 (doeiimento fls. 353 a 357); 5 Alen: de discutir o alargamento da base de cálculo da córitribuição pela Lei n" 9718/98 na ação ordinária n" 1999.61.00.005'05 . 03-7} a • • contribuinte tambem ingressou com MS n" 1999.61.06.056631-4 questionando a majoração da aliquota da COFINS pela cilada Lei :n" • ! 5 • ; .• Processo n' 19515.004/164/2003-80 CCO2/C04 Acórdão n." 204-03.199 lis. 387 • •; •9718/98 tendo obtido decisão judicial !favorável, ainda : qiie não •transitada em julgado; i : • Embora tenha alegado que a fiscalização omitiu a existênclii da cita:do MS', razão pela qual torna-se nulo o lançamento a decisãO recorrida entendeu não ser cabível a preliminar de nulidade suscitada por afio ter a contribuinte informado a fiscalização a existência ;festa cu,São judicial, o que não é fato correto. A contribuinte informOu, sim,:(7o Fisco a existência do referido MS, todavia a fiscalizaóão: nãO;, o mencionou quando da firmalização do crédito tributário dm questão através de auto de infração; r • Prosseguiu a decisão recorrida afirmando que o citado MS : dão influenciaria na sorte do litígio já que o que foi nele requerido já encontrava-se questionado na Ação Ordinária n°1999.61.00.0010.503- 7. Entretanto, não é verdadeira tal afirmação já que na Ação Ordinária . peticionou a declaração de inexistência de relação junidica (fie obrigasse a recorrente ao recolhimento da COFINS li na: forma disciplinada pelo art. 3" da Lei n° 92'18/98 e no MS pretendeu que fosse afastada a majoração da til/quota de 2% para 3% promovido pelo art. 8" da Lei n°9718/99; . :A exigibilidade do crédito tributário referente aoS : correspondentes a niajorução da alíquota da COF1NS pla Lei n" 9718/98 encontra-se com a exigibilidade suspensa em Virtude da medida liminar concedida, e posterior concessão de 'Segiurana, ressaltando que embora a União tenha interposto recursa contra' a • sentença favorável à contribuinte, este foi recebido apenas no efeito devolutivo, razão pela qual.a liminar concedida encontra-se ainda em pleno vigor; • ; Discorre sobre a impossibilidade de o Fisco efetuar o lançamento crédito tributário com a exigibilidade Suspensa, ainda ;geie pára prevenir a decadência, argüindo, ainda, que nestes casos não se pária .falar em decadência quando há expressa ordem judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário; Discorre sobre a ineonstitucionalidade da Lei n°9718/98 ao elevai: a . alíquota da COFINS de 2% para 3%. É o Relatório. •, Voto Conselheira NAYRA BASTOS MANATTA, Relatora O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. . •, Primeiramente deve ser analisada a preliminar de nulidade susCitada pela recorrente em virtude de a fiscalização não ter mencionado, na autuação á exi'stênciá do MS;n° 1999.61.00.056631-4 por meio do qual a recorrente questiona a májdraeg) da alíquota Cotins pela Lei n° 9.718/98, tendo obtido decisão favorável (concesSão de triedidai liminar e 6 • n ; • • ; .• Processo n" 19515.004f:64/2003-80 pCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.199 'As. 388 . 1 • posterior concessão de ; segurança), ainda que não transitada em julgado; suspendendo: a exigibilidade do crédito tributário em questão. ; ; I Alega ainda que, contrariamente ao qUe afirmou a deCisão recórrid : á, o citadó. . . MS influencia sim na sorte do litígio já que o que foi nele requérido não se encontrava questionado na Ação Ordinária n" 1999.61.00.0010503-7. De fato, na Açãol Ordinária peticionou a declaração de inexistência de relação jurídica que obrigass& a redorrente recolhimento da Cofins na forma disciplinada pelo art. 3° da Lei; n° 9.718/98; e no MS pretendeu que fosse afastada a inajoração da aliquota de 2% para 3% p'romoviilo peio art. 8" da Lei n°9.718/98, razão pela qual a existência deste MS deveria ter sido fnencionado pelo Fiscó. Ocorre que, embora não tenha citado O referido MS á fisealizaçãci efetuou; o lançamento, em sua totalidade (alargamento da base'de cálculo + niajdraçãkt da álíquota Cofins) com suspensão de exigibilidade, sem incidência, inclusive de Multá de Mora, razão pela qual nenhum prejuízo adveio à recorrente pelo fato de a fiscaliz iação nào haver citado referido MS na constituição do crédito tributário já que os efeitós :dele provenientes' — suspensão da exigibilidade do crédito tributário, foram alcançados. j I i Quanto a alegação de que informou à fiscalização, durante o :curso dos trabalhos, a existência do MS n° 1999.61.00.056631-4, constata-se que no' Teimo de Intimação Fiscal 001 (fls. 07 a 08) a fiscalização solicitou à ; contribuinte que informasse "todos +os processos judiciais em que seja parte e que tratem, ainda que indiretaménteklo Programa de Integração Social e de Formaelio do Patrimônio do ; Servidor Publido PIS/Pasep e/ou da Contribuição para a Seguridade Social Cofins, excluídas, obviamente, aquelàs encerradas em virtude da opção pelo beneficio instituído pelo artigo 21 da Medida Provisória n° 66/2002' e em resposta a contribuinte informou, fls. 09, apenas a "Ação Ordinária l. e respectiva liminar em que questiona a Lei ri° 9.718/98", nenhuma menção fazendo ao MS. .1 Qualquer outra menção referente à existência do MS dm apreço ' feita pela recorrente até a lavratura do referido Auto de In fração não consta dós autos j razão pela qiial; . deve se considerar que realmente a contribuinte não informou à fiscalilaçãO a existência do MS. . I Ademais (listo, o Capítulo . III do Decreto n° 70.235/72 'Rue trata das nulidades, no seu art. 59, determina as hipóteses em que serão considerados 1 mitos os atos, termas, despachos e decisões, e no art 60 esclarece que quaisquer outras omiSsões, itiegularidades ou incorreções diferentes daquelas elencadas no artigo anterior não int¡iort. arão em nulidadej serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, sábio seleste lies houver ,dado causa ou quando não influírem no julgamento do mérito. Art 59. São nulos: ! i• • : 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; ! ; • i . • ! II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente bu com preteriçao do direito de defesa. 1 • ! § /" A nulidade ele qualquer ato só prejudica os posterioreS gire dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 1 § 2'' Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançadas, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. • 'y . ; • i • /.\?) • , 7 . .• • . . . • , • . . . . Processo n° 19515.004364/2003-80 i • 1 iCCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.190 ; Fls. 389 .. : 1, . . . . , , . : . ., 1. : Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diféretites das 1 • . referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão . . sanadas quando resultarem em prejuízo pcira o sujeito passiito, :salvõ se 1 .. . . este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na 'soluçãoido :. litígio. 1 ., i •. . No caso em questão o fato de a fiscalização não haver :mencionado a existência do MS n° 1999.61.00.056631-4, em razão de a contribuinte não a ter informádo quariclo intimada pelo Fisco a fazê-lo, como se demonstrou, nénhum prejuízo Coube krecort-ente, ainda que ela própria tenha dado causa à omissão da fiscalização — ressalte-se, já que o crédito i tributário foi integralmente lançado com suspensão da exigibilidade, eOmb já áe diss,e. : Assim sendo é de se rejeitar a preliminar de nulidade argrüiiid. j ; • . ; . . ! No que diz respeito à parcela do lançai-nento,que se reteré aos' valores relativos ao alargamento da base de cálculo da Cofins pela Lei n" 9.718/98, deve ser . observado que a contribuinte ingressou na esfera judicial com a Ação Ordinária n° 1999)51.00,..0010503-7 questionando exatamente tal exigência, fato este admitido tanto pela fiscalização' corno pela decisão recorrida, que aplicou, inclusive a renuncia à esfera administrativa sobre e'sta matéria: alargamento da base de cálculo da contribuição pela Lei n°9.718/98. 1 ., i Ocon-e que em 06/10/06, a recorrente obteve trânsito ei-n ju : lgado I de decisão favorável à sua pretensão no que tange à inconstitucionalidade do :alargarnento ;da base 'de cálculo da Cofins pela Lei n°9.718/98, conforme comprovam documentos de 'lis. 353 a 357.H A decisão proferida pelo STF que transitou em julgado para n: recorrente asim se posicionou: ' '• !! ! - • . "Sendo assim, em face das razões expostas, conheço do 12. resditte . . recurso extraordinário, para dar-lhe provimento (CPC, art. ! 557, § P/ -, ! A), em ordem a afastar, considerada a base de cálculo do 1PIS/COFINS, a aplicação do § I" do art. 3" da Lei ti ! " 971808, ob.vervando-se para esse efeito, o entendimento que o Plenário desta .. : âprema Corte proclamou no julgamento ! do RE 357.950MS... ; " (gijb . .. .i . . nosso) i!. Por sua vez, consta da citada decisão que "o Suprerho Tribúnal federal, !no julgamento plenário do RE 357 95Q/&5, Rel, Min. MARCO A URELIQ, em; passagem concernente à pretensão de ineonstitucionalidade do art. 8°, "caput", , da Lei n"19.718/98 — pretensão de inconstitucionalidade que foi rejeitada por esta Corte —'reafirmou tal, orientação por entender que o tratamento dispensado à exação em causa não exige a edição de dei complementar, leeitimando-se desse modo, a disciplina ção norniàtiv' a dá tem ia mediahte leeislação plenamente'ordinária,_inclusivepara efeito de majoração da aliquota p»evista nó já referido preceito leal. "(grifo nosso) : . ; ••, ! i ; . i i • Desta forma, existindo decisão judicial transitada em litigado esta há de 'ser; observada no que concerne à procedência do lançamento que formalizóu o:crédito tributário relativo à Cofins referente ao alargamento da base de cálculo e niajoração da 'alio:peta !da contribuição pela Lei n°9.718/98. i I : . A decisão judicial em apreço julgou inconstitucional o 4° dó art. 3° da Lei; n° 9.718/98, mantendo, todavia, a referida decisão, a majoração da alíqUotá da CofliÁ cOntidano art. 8° da citada lei. ! : : , ç • t • ; ! i L. , . I 1 ' 1 i ; ‘ 8 ; . 2 • !, .• . • . I e . . Processo n" 19515.004364/2003-80 • ICO2/c04 I • ;Acórdão n." 204-03.190 . • Fls. 390 j. / . , . .•' 1 1 , • / . . : Desta forma, há de ser exonerada a parcela do lançamentb referente: , às receitas que excederam ao conceito de faturamento contido na Lei Complementar n° 70/91 e mantida a parcela relativa à majoração da aliquota da Cofins de 2% para 3%, nós exatos terrhos em que foi proferida a decisão do STF, transitada em julgado para a recorrente'. : , Vale ressaltar que embora a contribuinte tenha ingressadej•no lJudiciário com o MS 1999.61.00.056631-4 questionando a majoração da aliquota ;da; Cofins iiela Lei 9.718/93, na decisão transitada em julgado, proferida pelo STF, conforme já se demonstrou através dos excertos dela transcritos acima, restou decidido definitivamente !para 4 recorrente que a majoração da aliquota da Cofins pelo art. 8°, caput, da Lei ri° 9'.71:8/98 é constitucional, devendo ser aplicada a aliquota de 3% no cálculo da contribuição deviáa.! ; 1 1i n k Se esta decisão proferida pelo STF para o caso em con icreto decidiu1de maneira diferente do que vinha sendo decidido para a contribuinte no MS n° 1 •99,9.61'i00.056631-4 lior ela mesma impetrado, no qual questiona exatamente a matéria versan'do.sobre ! a m'ajoração da aliquota da Cofins pela Lei n" 9.718/98 deveria; a recorrente, ter interpo •stá embarios visando corrigir os termos em que foi proferida a citada decisão pela STF. Todavia, assim náo o fez e a ; . . I . decisão transitou em julgado, tornando, por conseqüência, lei entre as partes. i 1 Desta forma, entendo que, neste caso, há de ser definitivaniente aplicada a decisão proferida pelo STF nos termos em que proferida, quais sejatit afastar a ekigência 'da Cofins no que se refere às receitas que excederam ao conceito de fatáramento contido na Lei Complementar n°70/91 e manter a exigência relativa à majoração da aliquota,da COfins de 2°/0 para 3%. , . i , .•• . . ,. . ; Ou seja, o crédito tributário devido referente à Cotins é kcjirele calculado cóm base no faturamento (conceito da Lei Complementar n" 70/91) à aliqudta de 3%. Assim, existindo decisão transitada • em julgado c lonSiderando ;legitima; a majoração de aliquota da Cofins pelo art. 8°, caput, da Lei n° 9.718/98, esta deve ser aplicada de imediato, independente do resultado a ser proferido no âmbito •do MS 1999.61.00.056631-4, ainda em curso. I • :' 1 No que concerne à possibilidade de o Fisco constituir, crédito: tributário corri a exigibilidade suspensa, considera-se que a referida suspensão da exigibilidade 1 de crédito tributário, não impede sua constituição através do lançamento. 1 que 1 viisa, nesse caSO, salvaguardar a Fazenda Nacional dos efeitos da decadência (art. 173 do .CTN)', confornne orientação expressa no Parecer da Procuradoria da Faz• enda NacionalIn 0 ,742/88, publicado 'no DOU de 14/10/88: 1 • ; Mio constituído o crédito tributário, haverá a autoridade ': fiscal q ue • 1 preservar a obrigação tributária cio efeito decadencial, incuMbindo- , • i• lhe, C01710 dever de diligência no trato da coisa pública, constituir o ! • . crédito tributário pelo lançamento. Essa medida se impõe, pelaValtdde •; outro meio que possa evitar a decadência do direito da Fazeticla Nacional. : . . Importante ressaltar que a constituição do crédito tributário,' visand( prevenir a decadência, não deve ser confundida com algum 'procedimento fiscal visando à efetiva cobrança do referido crédito tributário. . • • , .:,. . Ademais, a atividade obrigatória e vinculada da autoridade fiseal - determinada pelo art. 142 do C:TN - obriga ao lançamento, mesmo de matérias já ubirietidas à via judicial, restando protegidos os direitos do contribuinte pela suspensão dos procedimentos de exigênCia ! • ' • • ! \t\I"S\ : I 9 : I I • . I I I . • • I • i I • i • . . • . : 1 Processo tf 19515.0041164/2003-80 ; • ; :CCO2/C04 Acórdão n." 204-03.19P I' &Is. 391 ' 1 5 • concreta do crédito tributário até a decisão judicial final, ou, independenternente ¡desta, pela existência de alguma das outras causas elencadas no art. 151 do CTN. Assim sendo, correta a autuação efetivada para constilifir crédito tributário com a exigibilidade suspensa no intuito de prevenir a decadência. 1 • No que diz respeito à matéria versando sobre a inconstimciona idade •cla majoração da aliquota da Cofias pela Lei n" 9.718/98, esta não será Objete de apreciação Por parte deste Colegiado uma vez que sobre ela manifestou-se o STF na Ação Ordinária n° 1999.61.00.0010:103-7, interposta pela recorrente, julgando-a constitticiónal e detel-minando a aplicação da aliquota majorada no cálculo da contribuição devida, corá) já restou demonstrado. A sentença judicial, transitada em julgado, faz lei entreas •.partes não a I .; autoridade administrativa deixar de cumpri-Ia ou alterar o seu mandarnentn sobe qualqUer argumento, razão pela qual não pode este Colegiada manifestar-se sobre matéria [já decidida definitivamente pelo Poder Judiciário em ação próprialnterposta pela eontriburinte. ! • ; • ; Diante de todo o exposto, Voto no sentido de rejeitar á preliminar de nulidade, , •• •não conhecer da matéria versando sobre a inconstitucionalidade da Maforação da a l''quota Ida Cofins pela Lei rt° 9.718/98, e, em relação às matérias conhecidas po li- dar : provimento parcial ao recurso voluntário interposto para exonerar a parcela do lançamentó referente à ekigência:da Cofias sobre as receitas que excederam ao conceito de faturmento contido na Lei Complementar ti" 70/91, mantendo a parcela relativa à majoração da aliquotada Cnfins de j.% para 3%, nos exatos termos era que foi proferida a decisão do STF, transitada em jUlgado pára a recorrente. i É COMO VOU), I ; I 1 I. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2008. 1p:c_ NA 'RA B STOS MANATTA • • • • • t 1 • • • ; .• • • ; 1 1), ; • ; Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13819.720887/2014-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VGBL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As importâncias pagas por seguradora ou entidade de previdência privada a título de VGBL ficam sujeitas à incidência do IRRF, devendo ser submetidas ao ajuste anual em declaração de rendimentos, com aproveitamento do imposto retido, caso o contribuinte não tenha optado pelo regime exclusivo de tributação pela fonte pagadora. Mantém-se a autuação quando as alegações recursais não se prestam a infirmar a conduta fiscal, que está lastreada nas informações contidas em DIRF e informe de rendimentos emitidos pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2002-008.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Henrique Perlatto Moura – Relator
Assinado Digitalmente
Marcelo de Sousa Sateles – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PERLATTO MOURA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VGBL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As importâncias pagas por seguradora ou entidade de previdência privada a título de VGBL ficam sujeitas à incidência do IRRF, devendo ser submetidas ao ajuste anual em declaração de rendimentos, com aproveitamento do imposto retido, caso o contribuinte não tenha optado pelo regime exclusivo de tributação pela fonte pagadora. Mantém-se a autuação quando as alegações recursais não se prestam a infirmar a conduta fiscal, que está lastreada nas informações contidas em DIRF e informe de rendimentos emitidos pela fonte pagadora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-12-19T17:57:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-12-19T17:57:17Z; Last-Modified: 2024-12-19T17:57:17Z; dcterms:modified: 2024-12-19T17:57:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-12-19T17:57:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-12-19T17:57:17Z; meta:save-date: 2024-12-19T17:57:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-12-19T17:57:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-12-19T17:57:17Z; created: 2024-12-19T17:57:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2024-12-19T17:57:17Z; pdf:charsPerPage: 1251; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-12-19T17:57:17Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13819.720887/2014-97 ACÓRDÃO 2002-008.974 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 28 de novembro de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ARSENIO NASCIMENTO JATOBA JUNIOR INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VGBL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As importâncias pagas por seguradora ou entidade de previdência privada a título de VGBL ficam sujeitas à incidência do IRRF, devendo ser submetidas ao ajuste anual em declaração de rendimentos, com aproveitamento do imposto retido, caso o contribuinte não tenha optado pelo regime exclusivo de tributação pela fonte pagadora. Mantém-se a autuação quando as alegações recursais não se prestam a infirmar a conduta fiscal, que está lastreada nas informações contidas em DIRF e informe de rendimentos emitidos pela fonte pagadora. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Fl. 42DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.974 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13819.720887/2014-97 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Notificação de Lançamento lavrada para exigir da Recorrente Imposto de Renda Pessoa Física sobre rendimentos omitidos da fonte pagadora Itaú Vida e Previdência S.A. no Ano-Calendário 2011 (fls. 4-7). A Recorrente opôs impugnação em que alega que não houve omissão de rendimentos por se tratar de herança transmitida ao Recorrente relativo a plano de VGBL contratado por sua genitora e, como não houve resgate do plano, não há que se falar na incidência de IR (fl. 2). Sobreveio o acórdão nº 02-65.398, proferido pela 5ª Turma da DRJ/BHE, que entendeu pela improcedência da impugnação pois, conforme consta da declaração do Imposto de Renda Redito na Fonte (DIRF) apresentada pela fonte pagadora, teria sido adotado o regime de tributação progressiva compensável, não tendo havido opção pela tributação exclusiva na fonte prevista no artigo 1º, da Lei nº 11.053, de 2004 (fls. 24-26). Cientificada em 28/04/2015 (fl. 29), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/05/2015 (fls. 31-34), em que alega que o valor transferido se refere a recebimento de herança e que não houve resgate do plano. É o relatório. VOTO Conselheiro Henrique Perlatto Moura, Relator Conheço do Recurso Voluntário pois é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. A lide versa sobre a definição da natureza jurídica da parcela de VGBL e do momento da tributação do pagamento realizado. A Recorrente alega que o valor referente ao VGBL é parcela integrante da herança e que não houve liquidação do investimento. Cumpre destacar que o VGBL é um instrumento jurídico securitário que se assemelha a um investimento financeiro. Não obstante, a Recorrente trata o benefício securitário como se fosse parte integrante da herança legítima e alega que não houve o resgate. Fl. 43DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.974 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13819.720887/2014-97 3 Por se tratar de um benefício securitário, o VGBL não compõe o acervo patrimonial do segurado. O bem jurídico segurado é a vida do contratante e, após o óbito, ocorre o sinistro e surge o dever de indenizar os beneficiários do plano. Inclusive, essa parcela sequer transitada pelo inventário. Embora a Recorrente alegue ter recolhido ITCMD sobre a parcela, esta não compõe o acervo patrimonial do de cujus e não pode ser considerado como herança recebida, o que infirma a primeira tese trazida pela Recorrente. A segunda alegação da Recorrente é que esta não teria recebido os valores, pois estes ainda se encontravam aplicados junto à instituição. Essa tese não merece prosperar, pois é só com o óbito que a instituição financeira disponibiliza os recursos à Recorrente, de modo que, ainda que este recurso venha a ser reaplicado, já houve o resgate o plano mediante sinistro da apólice securitária. O documento apresentado pela própria Recorrente à fl. 13 indica o recebimento de valores tributáveis, sobre os quais houve retenção de imposto de renda, o que torna incontroversa a disponibilização dos recursos. Veja-se que o pagamento de benefício VGBL não é herança e foi pago à Recorrente, conforme documentação por ela apresentada. Resta verificar qual o procedimento que deve ser adotado para tributação desta parcela. Neste sentido, cumpre mencionar que a Lei nº 11.053, de 2004, prevê duas formas de tributação. A primeira consiste na regra geral, prevista no artigo 3º do referido diploma, que prevê a incidência de imposto de renda retido à alíquota de 15% sobre o valor resgatado e subsequente inclusão do rendimento na declaração de ajuste do beneficiário. A segunda consiste na opção que pode ser exercida pelo contratante que prevê a tributação definitiva na fonte, mediante aplicação de alíquotas regressivas. Como bem ressaltado pela DRJ, não houve prova da opção pela tributação definitiva na fonte, conforme trecho abaixo: Da análise do documento à fl. 13, verifica-se que foi adotado o regime de tributação progressiva compensável, assim, o segurado não optou pelo regime de tributação de que trata o art. 1º da Lei nº 11.053, de 21 de dezembro de 2004 (exclusivo na fonte). (fl. 26) Nestas hipóteses, é entendimento pacífico do CARF a manutenção do lançamento, como se verifica das ementas exemplificativas abaixo transcritas: Fl. 44DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.974 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13819.720887/2014-97 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VGBL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As importâncias pagas por seguradora ou entidade de previdência privada a título de VGBL ficam sujeitas à incidência do IRRF, devendo ser submetidas ao ajuste anual em declaração de rendimentos, com aproveitamento do imposto retido, caso o contribuinte não tenha optado pelo regime exclusivo de tributação pela fonte pagadora. Mantém-se a autuação quando as alegações recursais não se prestam a infirmar a conduta fiscal, que está lastreada nas informações contidas em DIRF e informe de rendimentos emitidos pela fonte pagadora. (Acórdão nº 2003- 003.529, proferido pela 3ª Turma Extraordinária da 2ª Seção, na sessão de 25/08/2021, relatoria Wilderson Botto). IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES A PLANO DE SEGURO DE VIDA VGBL. No resgate de contribuições a plano de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência (VGBL), em que não haja opção expressa pelo regime de tributação regressiva definitiva, deve ser oferecido à tributação o valor relativo aos rendimentos auferidos, sendo permitida a compensação do IRRF. (Acórdão nº 2402-012.203, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, na sessão de 14/09/2023, relatoria Diogo Cristian Denny). Dessa forma, tendo sido verificada a omissão de rendimentos que deveriam ser incluídos na Declaração de Ajuste Anual da Recorrente, é necessária a manutenção do lançamento. Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura Fl. 45DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11543.100026/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO CRÉDITOS
RELATIVOS DESPESAS COM COMBUSTÍVEL E DEPRECIAÇÃO ASSOCIADAS ÀS ATIVIDADES DE COMERCIALIZAÇÃO, BEM COMO SERVIÇOS DE ESCOLTA E
MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTO ACABADO LEIS Nº 10.637/02 E Nº
10.684/03.
O princípio da não cumulatividade do PIS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de bens, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos.
Não fazem jus ao crédito as despesas de combustível e depreciação
associadas às atividades de comercialização, bem como serviços de escolta e
movimentação de produto acabado.
PAF – RECURSO DE OFÍCIO SUCUMBÊNCIA INFERIOR À ALÇADA REGIMENTAL – COISA JULGADA ADMINISTRATIVA
Embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente à glosa de certos créditos, sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada, é incabível o Recurso de Oficio, operando-se a coisa julgada administrativa em relação às referidas matérias.
Numero da decisão: 3402-001.695
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos negou-se
provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fez sustentação oral Dr. Yuri Ventura Salgado – OAB/MG 118875.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
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O princípio da não cumulatividade do PIS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de bens, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Não fazem jus ao crédito as despesas de combustível e depreciação associadas às atividades de comercialização, bem como serviços de escolta e movimentação de produto acabado. PAF – RECURSO DE OFÍCIO SUCUMBÊNCIA INFERIOR À ALÇADA REGIMENTAL – COISA JULGADA ADMINISTRATIVA Embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente à glosa de certos créditos, sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada, é incabível o Recurso de Oficio, operandose a coisa julgada administrativa em relação às referidas matérias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 2 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos negouse provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fez sustentação oral Dr. Yuri Ventura Salgado – OAB/MG 118875. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente em exercício FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/RJ2 nº 1334.008 de 29/03/11 constante de fls. 230/234 exarado pela 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro II RJ que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente em parte” a Manifestação de Inconformidade de fls. 156/176, mantendo parcialmente o Despacho Decisório (fls. 147/149) e respectivo Parecer SEORT/DRF/VIT (fls. 138/147) da DRF de Vitória ES, que indeferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento/Compensação de PIS nãocumulativo apurado no período de 04/04 a 09/04 no valor de R$170.692,07. O r. Despacho Decisório (fls. 147/149) e respectivo Parecer SEORT/DRF/VIT (fls. 138/147) da DRF de Vitória ES, indeferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento de PIS, aos seguintes fundamentos: “10.A requerente tem por objeto social é a industrialização, comercialização, inclusive importação e exportação de produtos siderúrgicos (f1.12). Em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no ano calendário 2004, nestes anos ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, instituído pela Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 11.Nesse regime, o valor da contribuição para o PIS/Pasep resulta da aplicação da alíquota de 1,65% sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação fiscal, não integrando a base de cálculo da Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 3 3 contribuição somente as saídas previstas no art. 1°, § 3°, e art. 5° da Lei 10.637/2002. 12.Nos termos do art. 3° da Lei 10.367/02, do valor apurado da contribuição a pessoa jurídica comercial poderá descontar, em janeiro de 2003, os créditos calculados em relação: aos bens adquiridos no mercado interno de pessoa jurídica para revenda; aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo SIMPLES; aos encargos de depreciação/amortização; aos bens recebidos em devolução. 13.Foram avaliados os volumes de exportação do contribuinte através da análise nos registros de saída (livro de apuração do ICMS), tendo sido confirmado a similaridade aqueles registros e os valores infirmados no DACON totalizadas no período, conforme tabela abaixo. (...). 14.O contribuinte informa que apura as variações cambiais pelo regime de caixa para o período em análise. O contribuinte apresentou resumo da apuração da variação cambial à fl. 60/61, resumo este que foi analisado com base no registro documental das exportações realizadas em 2004, apresentado pelo contribuinte. 15.Tendo sido verificado que o contribuinte efetuou aquisições de carvão vegetal de empresas em situação irregular com o fisco (apresentaramse como inativas, omissas ou com receitas incompatíveis no ano de 2003), o contribuinte foi intimado à comprovar através das NFs e comprovantes de pagamento a realização destas operações (TIF n° 2 às fls.44). Da mesma forma, foi solicitado ao contribuinte, através do TIF n°3, comprovar pagamentos das aquisições realizadas em 2004 das mesmas empresas relacionadas no TIF n°2. (fl. 45), nos casos em que houve fornecimento e posteriormente, ao verificarse que novas empresas, dentre aquelas com maior fornecimento de carvão vegetal, também apresentaram incompatibilidades entre as vendas à CBF e às informações à RFB, foi solicitada a comprovação de pagamentos através do TIF n°5. Apurações 16.Aquisições de pessoas jurídicas não comprovadas Verificou se, que o contribuinte não teve êxito em comprovar as transações de aquisição de café das pessoas jurídicas abaixo listadas através dos comprovantes de pagamento conforme solicitado no TIF n° 3 e TIF n° 5, referentes ao ano de 2004. 17. Notase, pois que o contribuinte busca valerse de créditos da não cumulatividade do PIS na compra de carvão vegetal, porém, apresenta aquisições de empresas que se apresentaram como inativas ou omitiram receitas, portanto, em situação Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 4 4 incompatível com as receitas das vendas relativas às aquisições informadas pela CBF. Estas empresas não confirmaram o recolhimento dos tributos devidos (consultas às fls.128/134). Chamado a comprovar tais aquisições, o contribuinte apresenta comprovantes de pagamentos realizados em nome de terceiros, pessoas físicas/jurídicas diversas. Em alguns casos os pagamentos são realizados em nome de diversas pessoas físicas (devido à grande quantidade de documentos, todos analisados no curso da fiscalização, foram juntados ao processo, a titulo exemplificativo, os documentos às fls. 62/127. Estes documentos confirmam as afirmações acima). A tabela a seguir resume o resultado das análises realizadas: (...). 18.Informase que o contribuinte não identificou dentre os documentos apresentados quais seriam os comprovantes de pagamento (transações bancárias) que se referem às notas fiscais anexadas. Notase, no entanto, em virtude das análises, que os pagamentos foram realizados em nome de pessoas físicas ou outras pessoas jurídicas. Todavia, é possível confirmar que nenhum pagamento foi realizado em nome da pessoa jurídica que emitiu a nota fiscal. 19.Ressaltase que a Landrenns Vieira Gava é pessoa física (CPF 078.415.70732) e pessoa jurídica (CNPJ. 01.346.245/000138). Tanto pessoa física, quanto pessoa jurídica não declaram à RFB receita compatível com estes pagamentos realizados em seu nome. Notase, pois que ocontribuinte apresenta notas fiscais de aquisição de carvão vegetal dos CNPJs 05.459.646/000155 e 04.266.889/000104, porém efetuados pagamentos à terceira pessoa, pessoa esta que não declara estas receitas e não recolhe os tributos devidos. Nesta confusão de entidades não há como provar as aquisições de carvão vegetal da forma informada pelo contribuinte, e por consequência não há como reconhecer o crédito decorrente destas aquisições. 20. Em resumo, o contribuinte informa a aquisição de carvão vegetal de pessoas jurídicas, porém, estas empresas não informaram tais receitas à RFB, e por consequência não efetuaram os devidos recolhimentos sobre estas receitas. Os pagamentos não foram realizados em nome das pessoas jurídicas que fizeram as transações comerciais, e sim em nome de terceiros, pessoas jurídicas ou pessoas físicas (só da direito ao crédito da não cumulatividade do PIS pleiteado pelo contribuinte a compra de carvão vegetal de pessoa jurídica). Portanto, não há como confirmar créditos da não cumulatividade do PIS para estas aquisições, visto que não se comprova que tais aquisições tenham sido realmente destas pessoas jurídicas. Desta forma, foram glosados os créditos relativos às compras de carvão vegetal destas pessoas jurídicas, conforme tabela à fl. 135. Esta tabela foi elaborada com os dados do arquivo de notas fiscais apresentado pelo contribuinte. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 5 5 21. Despesas comerciais. Combustíveis A contribuinte descontou créditos apurados sobre os gastos contabilizados na conta de despesas de comercialização 3.3.2.01.0015 DESPESA COMBUSTÍVEL e LUBRIFICANTES (fl. 55). No entanto, de acordo com a Lei 10.637/02, a aquisição de combustíveis gera direito a crédito somente se aplicado diretamente como insumo no processo produtivo. Lei 10.637/02. Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) (grifei) 22.O conceito de insumo consta do art. 66, § 5°, I, da IN SRF n° 247/02, introduzido pela IN SRF n° 358/03: § 5° Para os efeitos da alínea "b" do inciso 1 do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados á venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a)as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b)os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) 23. Desse modo, para haver o direito a crédito, não é suficiente que tenham sido adquiridos combustíveis e lubrificantes. É necessário que essa aquisição seja para uso como insumo do processo produtivo ou da prestação de serviços. 24.Esses aspectos são corroborados na Solução de Consulta SRRF/6a RF/Disit n° 111, de 20 de abril de 2005, que dispõe: No caso da atividade comercial, portanto, não dão direito aos créditos os gastos com combustíveis, peças de reposição de veículos, pneus e serviços de manutenção, vinculados a veículos de sua propriedade, utilizados em entregas a clientes, por que se trata de despesas operacionais da consulente e não "despesas Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 6 6 incorridas com fretes, pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no País". (grifo do original) 25.Assim, as despesas comerciais com combustíveis, informadas no demonstrativo às fls. 53, foram afastadas da base de cálculo do crédito da contribuição para o PIS/Pasep. 26.Despesas de Comercialização – Escolta 3.3.2.01.0014. O contribuinte informa despesas de escolta relacionadas à comercialização dos produtos. Por efetuar venda de gusa em estado líquido o contribuinte fez uso de serviços de escolta. A análise da legislação mostra que os gastos com armazenagem e frete passaram a dar direito ao desconto de crédito do PIS com o advento da Lei 10.833, de 2003: Lei 10.833/03 Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (....) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) (...) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 12 e 10 a 20 do art. 32 desta Lei; (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004 27.Neste caso, cabendo a interpretação literal do dispositivo legal supra citado, verificase que não há previsão para crédito do serviço de escolta, por não se enquadrar como frete, nem como armazenagem. Desta forma, estas despesas foram excluídas do cálculo dos créditos. 28.Despesas de Movimentação Produto Acabado – 3.3.2.03.0001 O contribuinte informa despesas de movimentação de produto acabado (fl. 56) . Nesta conta são registrados os serviços "referentes ao serviço de embarque, a movimentação do produto acabado no Entreposto para o embarque nos navios", conforme informado pelo contribuinte. A análise da legislação mostra que os gastos com armazenagem e frete passaram a dar direito ao desconto de crédito do PIS e da COFINS com o advento da Lei 10.833, de 2003: 29.Notase, pois, que da mesma forma do item anterior o contribuinte inclui dentre os serviços de armazenagem e frete, outros serviços correlatos, porém que não encontram previsão legal. É imperativo ressaltar que cabe a interpretação literal Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 7 7 (restritiva) do dispositivo legal supra citado. Desta forma, estas despesas foram excluídas do cálculo dos créditos. 30.Despesas de Depreciação Comercialização – a partir de 01/02/2004, a Lei n° 10833/03, art. 3°, define que a depreciação de máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos de pessoas jurídica para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Notase, pois que o contribuinte busca creditarse das despesas de depreciação relacionadas à comercialização (conta 3.3.2.01.0019), conforme demonstrativo às fls.563. 31.Desta forma, foram glosadas as despesas de depreciação supra citadas da base de cálculo dos créditos. 32.No regime da nãocumulatividade, apurase a contribuição para o PIS/Pasep confrontando os montantes dos débitos e créditos, obtendose como resultado o valor a recolher da contribuição, se devedor o saldo, ou o valor do crédito a ser transferido para o período seguinte, se credor o saldo. 33.Para o confronto entre débitos e créditos foi elaborado o demonstrativo Cálculo da Contribuição para o PIS PASEP, à fl. 136, no qual foram apurados os valores da contribuição do PIS. 34.No tocante ao crédito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições, ficou assentado no parágrafo 6° que, nos termos do art. 5°, § 1°, da Lei 10.637 e IN SRF n° 291/03, o mesmo corresponde ao valor apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e desde que seja derivado de operações de mercadorias para o exterior ou de venda a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. 35.Seguindo estas premissas foi elaborado o "Demonstrativo de Cálculo dos Créditos a Descontar" de fl. 137, no qual estão discriminados todos os ajustes procedidos nas bases de cálculo dos créditos, separandose o crédito vinculado ao mercado interno, ao mercado externo (rateio com base na proporção da receita bruta com direito a crédito). 36.Desta forma, o crédito reconhecido após os ajustes realizados pela fiscalização, foi R$58.884,25. PROPOSIÇÃO 37.Com estas considerações, proponho que se reconheça o direito creditório pelo para o período compreendido entre ABRIL E SETEMBRO de 2004, decorrente de saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$58.884,25 (cinquenta e oito mil e oitocentos e oitenta e quatro reais e vinte e cinco centavos). Por consequência, conforme estatui a Lei n° 10.637 e IN SRF 247/02, e, a fim de que surta os efeitos previstos no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com as alterações promovidas pela legislação que lhe sobreveio, que proponho que SEJAM PARCIALMENTE Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 8 8 HOMOLOGADAS as compensações apresentadas no presente processo no limite do crédito reconhecido. 38. Registrese que foram realizadas análises com objetivo de confirmar a existência dos créditos pleiteados pelo contribuinte, bem como verificar a existência de receitas não consideradas na apuração do PIS. Para tanto, buscouse confrontar as informações com os registros contábeis do contribuinte (razão, balancete e livro de entradas), bem como foram solicitados comprovantes de pagamento e notas fiscais, quando necessário. Por fim, ressalto que a individualização das medidas mencionadas não prejudica a observância de outras, porventura cabíveis, tendentes a salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional. 39.Os ajustes realizados pela fiscalização decorrem da glosa de despesas de combustível, escolta, movimentação de produto acabado, e depreciação associadas às atividades de comercialização e da constatação que aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas não foram confirmadas uma vez que os pagamentos foram realizados a terceiros. 40. À melhor consideração. DRF/VIT/Seort, 25/11/2008. Reinaldo Heitor Batista de Queiroga AFRFB Matrícula 1292:86 De acordo. Encaminhese à Delegada da Receita Federal do Brasil de Vitória/ES, com a recomendação de aprovação e acolhimento do Parecer. DRFNIT/Seort, 26/11/2008. (...). DESPACHO DECISÓRIO DRF/NIT/ES Tendo em vista o Parecer DRFNIT/Seort, que APROVO, e, ainda, o disposto no art. 238, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 95, de 30/04/2007, publicada na Edição Extra do DOU de 02/05/2007, RECONHEÇO os créditos relativos à nãocumulatividade da contribuição para o PIS, referente aos períodos de ABRIL a SETEMBRO de 2004 de que trata a Lei n° 10.637/02 e IN SRF 247/02, no valor de R$ 58.884,25 (cinquenta e oito mil e oitocentos e oitenta e quatro reais e vinte e cinco centavos)., e por conseguinte, HOMOLOGO PARCIALMENTE AS COMPENSAÇÕES apresentadas no presente processo, no limite do crédito reconhecido.” Por seu turno, a r. decisão de fls. 230/234 da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro II RJ, houve por bem “julgar improcedente em parte” a Manifestação de Inconformidade de fls. 156/176, mantendo parcialmente o Despacho Decisório (fls. 147/149) e Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 9 9 respectivo Parecer SEORT/DRF/VIT (fls. 138/147), aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004 Regime nãoCumulativo. Direito de Crédito. Aquisições de Bens Para Revenda. Comprovação. As notas fiscais de venda, emitidas por pessoa jurídica não caracterizada como inapta, produzem efeitos tributários em favor do adquirente interessado, não sendo suficiente para descaracterizar a aquisição de bens, vinculada ao negócio jurídico de compra e venda, a correspondente falta de pagamento, ou mesmo o pagamento efetuado a terceiro. Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando usado como insumo do processo produtivo. Não dá direito a crédito o gasto com escolta ou depreciação de veículos utilizados nas operações de venda, por não corresponderem a insumo para a produção nem a outra hipótese legal de crédito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista: a) depois de tecer considerações sobre as diferenças da não cumulatividade no IPI, ICMS e nas contribuições sociais sobre o faturamento e sua aproximação ao conceito de custo e despesas operacionais, que os referidos créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de insumos, na conceituação da legislação do PIS e da COFINS conforme reconhecido nas decisões de consulta e decisões da própria SRF e do Poder Judiciário que cita; c) a legitimidade dos créditos referentes a despesas de combustível e depreciação associadas às atividades de comercialização, bem como serviços de escolta e movimentação de produto acabado. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, e no mérito merece parcial provimento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 10 10 Inicialmente anoto que embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente à glosa dos créditos de compras de carvão, sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada (R$ 93.583,55), operandose a coisa julgada administrativa em relação às referidas matérias, remanescendo apenas a discussão do mérito das glosas de créditos relativos às despesas de combustível e depreciação associadas às atividades de comercialização, bem como serviços de escolta e movimentação de produto acabado. Inicialmente ressaltese tal como ocorre com outros tributos, no caso do PIS e da COFINS, a não cumulatividade constitucionalmente assegurada visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências das referidas contribuições nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A legislação de regência do PIS e da COFINS (Lei nº 10.63702 e Lei nº 10.833/03) autoriza a pessoa jurídica a descontar, do valor da contribuição incidente sobre o faturamento de bens ou serviços que forneça, os créditos das contribuições incidentes sobre os insumos e despesas de produção incorridos e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, relativamente a: a) bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, “utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes”; b) despesas com “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoas jurídica, utilizados nas atividades da empresa e pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; c) despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arredamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples; d) custos de “máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; e) despesas com “edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; f) valor dos “bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; e g).despesas com “energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Nesse ponto releva notar que a expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Assim, não há duvida que, por não constituírem insumos necessários e imprescindíveis ao seu processo de fabricação dos produtos destinados à venda, a Recorrente não faz jus ao crédito em relação às despesas de combustível e depreciação associadas às atividades de destino à venda, bem como serviços de escolta e movimentação de produto acabado. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.100026/200559 Acórdão n.º 3402001.695 S3C4T2 Fl. 11 11 Sala das Sessões, em 21 de março de 2012. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 314DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13856.000237/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. IRRETROATIVIDADE.
A legislação tributária aplica-se a atos ou fatos pretéritos apenas quando for expressamente interpretativa ou, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando deixar de defini-lo como infração ou deixar de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou, ainda, quando lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS A INCIDENCIA.
A partir de 1° de agosto de 2004, é incabível o cálculo de créditos, para desconto do valor da contribuição para o PIS apurada, em relação as aquições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento dessa contribuição.
Numero da decisão: 3402-001.757
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para permitir o cálculo do crédito em relação às aquisições de açúcar e álcool, exceto para fins carburantes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Ralph Melles Sticca, OAB/SP 236471.
Nome do relator: SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. IRRETROATIVIDADE. A legislação tributária aplica-se a atos ou fatos pretéritos apenas quando for expressamente interpretativa ou, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando deixar de defini-lo como infração ou deixar de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou, ainda, quando lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS A INCIDENCIA. A partir de 1° de agosto de 2004, é incabível o cálculo de créditos, para desconto do valor da contribuição para o PIS apurada, em relação as aquições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento dessa contribuição.
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RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. Recorrente CRYSTALSEV COMÉRCIO E REPREENTAÇÃO LTDA. Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. IRRETROATIVIDADE. A legislação tributária aplicase a atos ou fatos pretéritos apenas quando for expressamente interpretativa ou, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixar de definilo como infração ou deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou, ainda, quando lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS A INCIDENCIA. A partir de 1° de agosto de 2004, é incabível o cálculo de créditos, para desconto do valor da contribuição para o PIS apurada, em relação as aquições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento dessa contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para permitir o cálculo do crédito em relação às aquisições de açúcar e álcool, exceto para fins carburantes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Ralph Melles Sticca, OAB/SP 236471. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 NAYRA BASTOS MANATTA Presidente. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. EDITADO EM: 12/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Helder Massaaki Kanamaru (Suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo protocolizou, em 28 de outubro de 2004, declaração de compensação de débitos seus com crédito relativo ao ressarcimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) apurado no regime nãocumulativo em julho de 2003. Em procedimento de diligência para verificação da legitimidade dos créditos, a fiscalização glosou os créditos relativos à aquisição de açúcar e álcool com o fim específico de exportação e às despessas com armazenagem e fretes, além de excluir da receita de exportação valores de variações cambiais, que, de acordo com a contribuinte, configurariam mero complemento de preço. Em virtude dessas glosas, foi apurado valor a pagar da referida contribuição e a exigência do crédito tributário foi foi formalizada nos autos do processo 15956.000309/2008 43, e, consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO). Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário para afirmar, inicialmente, que a decisão recorrida não deveria tratar da incidência da contribuição para o PIS sobre receitas de exportação registradas a título de complemento de preço, tampouco das variações monetárias decorrentes de variações cambiais, pois este processo se restringiria apenas à legalidade do direito ao desconto de crédito relativo à aquisição de bens com o fim específico de exportação, em julho de 2003. Quanto à matéria recorrida, a contribuinte alegou, em suma, que, até 31 de janeiro de 2004, não havia na legislação de regência da contribuição para o PIS nenhuma vedação para o desconto de créditos, tanto de comerciais exportadoras quanto de produtos não sujeitos à incidência dessa contribuição. Ao final, a recorrente solicitou a anulação da decisão recorrida, na parte que não seria aplicável ao caso e que seja julgado procedente seu direito de crédito, com homologação da compensação declarada. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13856.000237/200411 Acórdão n.º 3402001.757 S3C4T2 Fl. 2 3 Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), por isso deve ser conhecido. Inicialmente, sobre o pedido de nulidade da decisão recorrida, registrese que, por ter havido lançamento decorrente da diligência efetuada com vista à verificação da legitimidade do crédito, o relator da primeira instância optou por reproduzir o voto proferido no processo que cuida de tal lançamento, que pode ser aplicado, apenas no que couber, a este processo. Observese, contudo, que as conclusões da fiscalização, consignadas no Termo de Encerramento Parcial, sobre as irregularidades detectadas referemse também a glosas de despesas com armazenagem e fretes e ajustes na receita de exportação pela exclusão de valores registrados a título de compelemento de preço e variações cambiais e a contribuinte tratou dessas matérias em sua manifestação de inconformidade, não havendo, portanto, na decisão recorrida, nenhum vício capaz de acarretar sua nulidade. Agora, na fase recursal, o litígio ficou restrito aos créditos decorrentes da aquisição de bens com o fim específico de exportação e as razões recursais conduzem ao exame da matéria sob o prisma da aplicação, no tempo, da legislação que rege a não cumulatividade na cobrança da contribuição para o PIS. Nesse ponto, releva considerar que as normas gerais de direito tributário pátrio prescrevem a seja aplicação imediata da legislação tributária aos fatos geradores futuros e aos pendentes e, aos atos ou fatos pretéritos, esssa aplicação está restrita às situações previstas no art. 106 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), que dispóe, ipsis litteris: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 4 O crédito declarado para a compensação aqui pretendida foi apurado em setembro de 2003, quando vigia a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que, na parte que interessa à solução do litígio aqui instaurado, dispunha: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Por sua vez, o art. 1o, § 3o, dessa mesma lei, estabelece, em seus incs. III e IV: Fl. 306DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13856.000237/200411 Acórdão n.º 3402001.757 S3C4T2 Fl. 3 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; (...) No caso em exame, estáse tratando de açúcar e álcool adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País para revenda; portanto, passíveis de apuração de créditos, visto que não se trata de produtos referidos no art. 1°, § 3°, incs. III e IV acima transcrito. Por outro lado, é certo que a contribuição em comento não incide sobre a receita de exportação de mercadorias para o exterior, tampouco sobre a receita de vendas a comercial exportadora com o fim específico de exportação, conforme dicção do art. 5° da Lei n° 10.637, de 2000. Destarte, podese afirmar que a contribuição para o PIS não incidiu sobre a receita dos fornecedores de açúcar e álcool da recorrrente, nem sobre a receita da própria recorrente obtida com a exportação dessas mercadorias. Todavia, tal fato é irrelevante para o cálculo dos créditos previstos no art. 3° da supracitada lei, visto que a nãocumulatividade na cobrança dessa contribuição não foi instituída de forma plena. O legislador, após definir a base de cálculo e suas exclusões e a alíquota para apuração da contribuição para o PIS, buscou apenas mitigar a cumulatividade da incidencia tributária ao permitir que se desconte do valor do tributo apurado os créditos eleitos pela lei. Assim, tratandose de créditos legalmente permitidos, somente expressa vedação no texto legal poderia impedir seu desconto do valor do tributo apurado em conformidade com a lei. Para o caso em questão, somente surgiu tal vedação com o advento da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, cujo art. 37 introduziu alteração nos arts. 1°, 2°, 3°, 5°, 5°A e 11 da Lei n° 10.637, de 2002, com produção de efeitos a partir de 1° de agosto de 2004. Dessa forma, observadas as normas gerais de direito tributário pátrio, o art. 3°, § 2°, da Lei n° 10.637, de 2002, proibe o cálculo de crédito para desconto do valor da contribuição para o PIS, em relação a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento dessa contribuição, apenas para as aquisições ocorridas a partir de 1° de agosto de 2004. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para permitir o cálculo do crédito em relação a aquisição de açúcar e álcool, exceto para fins carburantes, ocorrida em julho de 2003 para utilização na forma prevista no art. 5°, § 1°, da Lei n° 10.637, de 2002. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 6 Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 308DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.006970/2003-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal PAF
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
Ementa: PROVA DOCUMENTAL. FALTA DE EXAME. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Incorre em cerceamento do direito de defesa a decisão proferida sem o exame dos documentos acostados aos autos juntamente com a manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada.
Numero da decisão: 3402-001.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida e os atos subseqüentes.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA Recorrida DRJ em SÃO PAULOSP I Assunto: Processo Administrativo Fiscal PAF Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Ementa: PROVA DOCUMENTAL. FALTA DE EXAME. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Incorre em cerceamento do direito de defesa a decisão proferida sem o exame dos documentos acostados aos autos juntamente com a manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida e os atos subseqüentes. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. EDITADO EM: 22/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo protocolizou em 14 de maio de 2003 pedido de restituição cumulado com pedido de compensação de créditos decorrentes do pagamento, em valor maior do que o devido, da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguidade Social (Cofins) efetuado em 14 de fevereiro de 2003. A contribuinte alegou que, em virtude do atraso no repasse das informações pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o faturamento do mês de janeiro de 2003 foi aprovisionado e, após receber essas informações, verificouse que o recolhimento fora efetuado em valor maior do que o efetivamente devido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São PauloSP (Derat/SPO) não homologou as compensações, ensejando a apresentação de manifestação de de inconformidade que, apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP I (DRJ/SPOI), foi indeferida, por, além de outras razões, não ter a contribuinte, uma vez intimada, acostado aos autos os documentos necessários à análise do crédito, que só foram trazidos com a manifestação de inconformidade. Contra essa decisão, foi interposto o recurso voluntário das fls. 221 a 229 para alegar, em síntese, que: I – os documentos solicitados pela fiscalização foram trazidos aos autos no momento oportuno, ao abrigo do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972; II – a lei (art. 259, § 3°, do Decreto n.° 3000, de 1999) dispensa expressamente que o livro Razão seja autenticado; III – a DRJ deve analisar os documentos juntados em sede de manifestação de inconformidade, sob pena de violar o princípio da verdade material, impondose a nulidade ou a reforma da decisão recorrida; e IV – houve pagamento indevido da Cofins, pois a concordou com os valores a serem convertidos em renda da Uniao, nos autos do processo n° 1999.61.00.03999755. Ao final, a recorrente solicitou o provimento do seu recurso para homologar a declaração de compensação apresentada. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 11610.006970/200316 Acórdão n.º 3402001.698 S3C4T2 Fl. 2 3 De plano, verificase a procedência da alegação da recorrente quanto à falta de exame, pela instância recorrida, dos documentos trazidos aos autos juntamente com a impugnação. Isso porque o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, remeteu ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972, as manifestações de inconformidade e os recursos intepostos nos processos de restituição, de ressarcimento ou de compensação. Assim sendo, a prova documental apresentada pela ora recorrente juntamente com a manifestação de inconformidade está em perfeita consonância com o art. 16, § 4°, do precitado Decreto, não podendo a DRJ deixar de se manifestar sobre essa prova, ainda que, para tanto, necessite da anãlise da unidade preparadora dos autos, que pode ser obtida com a realização de diligências. Destarte, uma vez que a recorrente trouxe, com a manifestação de inconformidade, prova documental, ao deixar de examinar esssa prova, o colegiado de piso incorreu em cerceamento do direito de defesa da contribuinte, impondose a decretação da nulidade da decisão recorrida, nos termos do art. 59, inc. II, do Decreto n° 70.235, de 1972, para que outra seja proferida com apreciação dos documentos acostados aos autos pela contribuinte juntamente com a manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto pela nulidade do processo a partir do Acórdão proferido pela DRJ/SPOI. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 290DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
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Numero do processo: 13884.901736/2020-01
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Numero da decisão: 1201-000.798
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para julgar o processo, nos termos do voto do relator
Nome do relator: LUCAS ISSA HALAH
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para julgar o processo, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Eduarda Lacerda Kanieski (substituto[a] integral), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Alexandre Evaristo Pinto. RELATÓRIO O Acórdão Recorrido bem resume os fatos até a data de sua prolação, razão pela qual adoto seu relatório, a seguir reproduzido: “Trata-se de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou declarações de compensação (Dcomp) de débitos tributários com direito creditório reconhecido judicialmente. O valor do crédito pleiteado pela empresa totalizou R$ 59.444.365,36. A seguir, relacionamos as Dcomps objeto deste processo: - 23130.43347.051016.1.3.57-5010; - 34403.34291.251016.1.3.57-0488; Fl. 459DF CARF MF Original Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1201-000.798 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.901736/2020-01 2 - 02709.15818.251016.1.3.57-3600 - 25829.71286.111116.1.3.57-1726; - 27742.90125.111116.1.3.57-1061; - 13826.90599.281116.1.3.57-1512; - 07396.80423.141216.1.3.57-6377; - 17797.25538.200117.1.3.57-9978; - 36356.11603.170217.1.3.57-0662; - 38683.24899.170217.1.3.57-8744; - 06351.77656.240217.1.3.57-1486; e - 34676.50452.230317.1.3.57-3810 Conforme Relatório Fiscal, fls. 325 a 332, a contribuinte teve reconhecido judicialmente o direito à exclusão do ICMS e das próprias contribuições sociais das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep – importação e da Cofins – importação. O crédito identificado em citada Dcomp, no montante de RS 59.444.365,36 (atualizado até outubro/2016), se refere a recolhimentos indevidos, efetuados a título de Pis Importação (5602) e Cofins Importação (5629), no período de 15/06/2006 a 09/10/2013. (...) Ajuizada em 15/06/2011, a Ação Ordinária 33215-98.2011.4.01.3400, de autoria do interessado em desfavor da União Federal (Fazenda Nacional), tramitou junto à 17a Vara Federal - Seção Judiciária do Distrito Federal e objetivou a declaração de inexigibilidade da contribuição para o Pis Importação e Cofins importação com a indevida inclusão do ICMS e das próprias contribuições na base de cálculo, bem como a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título (fls. 60/65). (...) Com o trânsito em julgado da decisão em 19/02/2015 (fl. 111), o interessado solicitou a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José dos Campos a habilitação de seu crédito, nos termos do artigo 82 da então vigente Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20/11/2012. O despacho decisório não reconheceu crédito disponível em favor da interessada e não homologou as compensações declaradas conforme fundamentação transcrita a seguir: O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 559.937, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, julgado em 20 de março de 2013, declarou inconstitucional o art. 7º, I, da lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, no que se refere à composição da base de cálculo das contribuições na importação. Em específico, o STF considerou inconstitucional a inclusão do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) e o valor das próprias Fl. 460DF CARF MF Original Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1201-000.798 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.901736/2020-01 3 contribuições na base de cálculo da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na importação (Contribuição para o PIS/Pasep-Importação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social incidente na importação (Cofins-Importação). Em decorrência da decisão do STF, a Secretaria da Receita Federal do Brasil tratou do assunto por meio do Parecer Normativo Cosit/RFB n° 1, de 31/03/2017, publicado no DOU de 04/04/2017, seção 1, página 161 (....) (...) Como se sabe, a Lei n° 10.865, de 30/04/2004, em seu artigo 1º, instituiu o PIS/PASEP- Importação e a COFINS-Importação. Originalmente, a base de cálculo das contribuições era o valor aduaneiro, assim entendido o valor que serviu ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições (artigo 7º, I). Já o artigo 15 da mesma Lei estabeleceu que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos artigos 2º e 3º das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, poderiam descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação. O mesmo artigo, em seu parágrafo 3º, previu que o mencionado crédito seria apurado sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Além disso, o direito ao crédito aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços (artigo 15, §1°)- Assim, as pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nos termos dos artigos 2º e 3º das Lei n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, podem descontar créditos para fins de determinação dessas contribuições em relação às importações em que ocorra o efetivo pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importacão, nas hipóteses descritas no artigo 15 da Lei n° 10.865/2004. Registre-se aqui a equivalência existente entre a base de cálculo das contribuições devidas na importação de mercadorias e a base de cálculo utilizada para a apuração do respectivo crédito. Afinal, na redação original do artigo 7º, I, da Lei n° 10.865/2004 lia-se que "a base de cálculo (das contribuições) será o valor aduaneiro, assim entendido o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3ºdesta Lei." Cientificada da referida decisão, a contribuinte protocolou manifestação de inconformidade, fls. 5 a 36, para pleitear a revisão do despacho decisório por alegar não haver base legal para condicionar o reconhecimento dos créditos pleiteados a seu não aproveitamento e que o Parecer Normativo nº 1-Cosit, de 2017, é mera norma complementar de legislação tributária e, com base no art. 74, da Lei nº 9430, de 1996, bem como, nos arts. 165 e 170 do Código Tributário Nacional não poderia Fl. 461DF CARF MF Original Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1201-000.798 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.901736/2020-01 4 ser utilizado como fundamento para a negativa do reconhecimento do crédito pleiteado. Em seguida, transcrevemos os títulos dos tópicos apresentados pela manifestante em sua petição cujos teores serão melhor relatados e apreciados no voto que se segue: II – DO DIREITO DAS RAZÕES DE REFORMA INTEGRAL DO R. DESPACHO DECISÓRIO PELA EXISTÊNCIA DA INTEGRALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO APROPRIADO E DA ILEGALIDADE DAS FUNDAMENTAÇÕES ADOTADAS II.A) DO BREVE CONTEXTO HISTÓRICO DA AÇÃO ORDINÁRIA Nº 0033215- 98.2011.4.01.3400 (...) II.B) DA LIQUIDEZ E DA CERTEZA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (INDÉBITO TRIBUTÁRIO) E DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO E DA COFINS-IMPORTAÇÃO DEVIDAS NOS MOLDES DA LEI Nº 10.865/04 (...) II.C) DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DO PARECER NORMATIVO COSIT Nº 01/2017: DA VIOLAÇÃO AOS EFEITOS DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO E DA VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 74, DA LEI Nº 9.430/96 E ARTIGO 170, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Em seguida, a manifestante conclui: (i) a matéria tida por controvertida nestes autos está alinhada com decisão do STF em sede de repercussão geral (RE nº 559.937), de modo que inexistia e, ainda inexiste, jurisprudência do Poder Judiciário em sentido contrário ao quanto consignado no acórdão transitado em julgado que permitiu que a Recorrente apurasse o seu saldo credor utilizado em compensações específicas; (ii) não existe base legal – na legislação aplicável ao tema em debate –fundamento e/ou norma que condicione a existência do indébito tributário sob análise apurado a título de PIS-Importação e COFINS-Importação, com o não aproveitamento/utilização de créditos presumidos da contribuição ao PIS e da COFINS, apurados nos moldes do artigo 15 e 17, da Lei nº 10.865/04, tal qual como ilegalmente condicionado pela Autoridade Fiscal; (iii) o Parecer Normativo COSIT RFB nº 01/2017, não pode ser aplicado ao caso em análise na medida em que tal normativo é uma mera norma complementar da legislação tributária, e jamais poderia afastar e/ou mesmo condicionar a existência do direito creditório apurado pela Recorrente sem que houvesse dispositivo na Lei que o autorizasse, sob pena de violação aos artigos 74, da Lei nº 9.430/96 e 165 e 170, do Código Tributário Nacional; (iv) a integralidade do saldo credor (indébito tributário a título de PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação), utilizado nas compensações declaradas pela Recorrente, advêm exclusivamente do excesso tributário calculado destas contribuições, exatamente nos termos da decisão judicial transitada em julgado, sem que houvesse qualquer limitação, especialmente no tocante ao ilegal fundamento utilizado pela Autoridade Fiscal com base no Parecer Normativo COSIT RFB nº 01/2017; e (v) a totalidade do direito creditório (indébito tributário) apurado, correspondente unicamente aos pagamentos a maior e de forma indevida do PIS/PASEP-Importação e Fl. 462DF CARF MF Original Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1201-000.798 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.901736/2020-01 5 COFINS-Importação, nos termos da decisão judicial transitada em julgado nos autos Ação Ordinária nº 0033215-98.2011.4.01.3400, tiveram sua liquidez e certeza comprovadas e, devem, nos termos da legislação aplicável à espécie, ser integralmente reconhecidos para que sejam homologadas por completo todas as declarações de compensações controladas neste feito. E ao final requer a reforma integral do despacho decisório e a consequente homologação das compensações declaradas.” O Acórdão Recorrido negou provimento à Manifestação de Inconformidade em Acórdão assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 15/06/2006 a 09/10/2013 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP- IMPORTAÇÃO E DA COFINS-IMPORTAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DAS ATIVIDADES DA RFB. RESTITUIÇÃO. PROCEDIMENTOS. A decisão do STF em recurso extraordinário na sistemática do art. 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, (antigo Código de Processo Civil), reproduzido no art. 1.035 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, (Código de Processo Civil), vincula os procedimentos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), inclusive os de reconhecimento do indébito tributário, a partir da data da ciência da Nota Explicativa a que se refere o art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/ RFB nº 1, de 2014. A vinculação da RFB à decisão do STF implica o reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança (pagamento indevido ou a maior), mas não implica o dever de deferir pedidos de restituição sem prévia análise quanto à efetiva existência ou disponibilidade do direito creditório junto à RFB. Deve haver o cuidado para se evitar a dupla devolução dos valores.” O Acórdão Recorrido, identificou que não foi definido, na ação judicial, o montante líquido do direito creditório do contribuinte, discutindo-se a questão em tese que, embora firmada em favor do pleito do Contribuinte, demandava liquidação na fase de habilitação do crédito perante a Receita Federal. O Acórdão Recorrido, por isso, chancelou o Despacho Decisório que não identificou ser líquido e certo o direito creditório, entendendo haver base legal suficiente para condicionar a disponibilidade e o reconhecimento do direito creditório à verificação de seu não aproveitamento como créditos no regime não-cumulativo, e consignando que o Recorrente não havia comprovado documentalmente tanto a origem dos créditos quanto sua efetiva disponibilidade. O Contribuinte, irresignado, interpôs o Recurso Voluntário em análise, alegando que teria sido reconhecida a correta origem do direito creditório, mas negado seu pleito por indisponibilidade pois, supostamente, a utilização de créditos presumidos de PIS/COFINS incidentes na importação para a compensação de PIS/COFINS incidentes em operações no mercado interno geraria aproveitamento do direito creditório em duplicidade. Defende-se em síntese, com os seguintes argumentos: (I) Liquidez e certeza do direito creditório Fl. 463DF CARF MF Original Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1201-000.798 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.901736/2020-01 6 (II) Ilegalidade da aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 01/2017 (II-A) Esclarece que na ação ordinária proposta judicialmente obteve sentença transitada em julgado reconhecendo não só a exclusão das bases de PIS/COFINS como também o reconhecimento do direito à compensação dos excessos recolhidos sem impor a limitação imposta pelo PN Cosit nº 1/2017 (II-B) Defende que a liquidez e certeza do direito creditório foi avaliada durante a fiscalização instaurada, concluindo-se que os valores compensados respeitam aos critérios de exclusão das bases de cálculo determinados pela decisão judicial e que o Fisco nunca questionou, na ação judicial, a limitação agora pretendida, muito embora tivesse acesso às DACON do contribuinte. Afirma que a legislação lhe dá direito aos créditos presumidos na apuração não cumulativa de PIS/COFINS. (II-C) Defende a ilegalidade da aplicação do parecer normativo COSIT nº 01/2017, violação aos efeitos da decisão judicial transitada em julgado e violação aos artigos 74, da lei nº 9.430/96 e artigo 170, do código tributário nacional; pois o próprio STF reconheceu a ausência de modulação de efeitos e do Tema de Repercussão Geral nº 1 e a necessidade de respeito à não- cumulatividade. Alega ainda que o direito ao desconto de créditos presumidos do PIS “normal” e da COFINS “normal”, permitido pela Lei nº 10.865/2004, visa tão somente alcançar a primazia constitucional da não-cumulatividade das contribuições, evitando-se violar a isonomia tributária principalmente dos contribuintes importadores. É o Relatório VOTO Conselheiro Lucas Issa Halah, Relator. Analisando os autos, identifico que a questão em litígio extrapola a mera análise da vinculação do Despacho Decisório à decisão judicial, tornando potencialmente necessário adentrar na análise dos critérios para verificação da liquidez, certeza e disponibilidade do direito creditório, considerando eventual duplo aproveitamento do tributo indevido pago a partir da compensação de crédito no regime não cumulativo afeito à contribuição ao PIS e à COFINS. Analisando o processo de habilitação do crédito tratada no processo nº 13884.722335/2016-00, verifico que a decisão lá tomada habilitou os créditos sem a definição de seu valor, o que seria realizado tão somente quando da análise de cada uma das DCOMPs a serem transmitidas pelo contribuinte. Desta feita, o direito creditório foi formalmente indicado na DCOMP como decorrente de “decisão judicial” e não direito creditório de PIS e COFINS, o que poderia suscitar a competência residual desta Seção do CARF. Fl. 464DF CARF MF Original Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1201-000.798 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.901736/2020-01 7 Entretanto, em virtude dos limites da decisão no processo de habilitação do crédito, a análise da DCOMP avançou sobre os elementos específicos da apuração dos tributos e apuração de créditos presumidos de PIS e COFINS, demandando deste CARF análise meritória cuja profundidade e abrangência invadem a competência da 3ª Seção deste CARF, nos termos do artigo 45 do RICARF. “Art. 45. À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I - Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços; II - Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL);” Pelo exposto, proponho a devolução do processo à autoridade competente para que seja redistribuído à competente 3ª Seção do CARF, dotada da expertise necessária à análise meritória em questão. Assinado Digitalmente Lucas Issa Halah Fl. 465DF CARF MF Original Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12552.3CRF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Ministério da Fazenda PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 05/12/2024 22:55:11 por Neudson Cavalcante Albuquerque. 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