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Numero do processo: 10245.900249/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
PIS E COFINS. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO.
Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação.
Decisão Anulada.
Numero da decisão: 3401-001.265
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da primeira instância, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Recorrente VIMEZER FORNC DE SERV LTDA Recorrida DRJ BELÉMPA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PIS E COFINS. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação. Decisão Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da primeira instância, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Gerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Fl. 74DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 31/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10245.900249/200944 Acórdão n.º 340101.265 S3C4T1 Fl. 70 2 Duarte e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que manteve despacho decisório eletrônico indeferindo Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito tem origem em pagamento realizado a maior de Cofins, segundo a contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte alega, em síntese, ter retificado a DIPJ do período em questão e, posteriormente, transmitido PER/DCOMP solicitando restituição e compensação. Afirma também que não se creditou de valores retidos na fonte pelas fontes pagadoras. A 3ª Turma da DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, levando em conta tãosomente a DCTF. Após verificar que o valor do recolhimento coincide com o informado na DCTF, considerou que, “...como permanece validade a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão.” Não há menção, no voto do acórdão recorrido, nem à retificação da DIPJ nem à alegação de que os valores retidos teriam sido desprezados pela contribuinte. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte volta a tratar da DIPJ retificadora, argüindo que a DRJ, de forma precipitada, não levou em conta a retificação. Afirma o seguinte: Será que o Julgador de primeira instância, vendo que existia tanto uma declaração retificadora e uma declaração de compensação e a glosa, não viu que deveria analisar os fundamentos argüidos e proceder uma diligência?Pelo jeito optaram pela omissão... Mais adiante considera que o acórdão recorrido não contém a devida motivação e que houve negligência na análise das provas carreadas aos autos, com desrespeito a regras do Decreto nº 70.235/72 e da Lei nº 8.784/99 (menciona, dentre outros dispositivos, o art. 31 do primeiro diploma legal e o art. 2º do segundo). Afirma, ainda, o seguinte: ... no caso de existência de duas declarações conflitantes, DIPJ retificada e declaração de compensação conflitante com uma DCTF não retificada, onde o contribuinte apresenta aqueleas como prova, devem ser ambas analisadas, e dependendo do caso, apontados os motivos e provas que levaram o agente fiscal a não reconhecer o direito pretendido. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 31/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10245.900249/200944 Acórdão n.º 340101.265 S3C4T1 Fl. 71 3 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/725.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo , que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Fl. 76DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 31/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10245.900249/200944 Acórdão n.º 340101.265 S3C4T1 Fl. 72 4 novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 77DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 31/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13807.002556/00-71
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/08/1994 a 30/09/1995
PIS DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO.
Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer as regras previstas no CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-000.906
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTNEZ LOPEZ
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/1994 a 30/09/1995 PIS DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer as regras previstas no CTN. Recurso Especial do Procurador Negado
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PRAZO.. 1)iante do tcor da Snmula vinculante n 2 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de deeadencia do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuicCies sociais deve obedecer as regras previstas 110 (:‘,IN Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Maria Teresa Nt dine", J ópez - Relatora EDITADO FM: 09/12/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo C,ardozo Miranda, Gilson Macedo Roscnburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria "Fercsa Martinez Lopez, Susy Gomes Hoffinann e C,arlos Alberto licitas 13arreto. 18 -- Carlos Alberto I e1LIrreto - Presidente ! Relatório A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, corn fundamento no cntão Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministerio da Fazenda, aprovado pela entao Portaria 1 47, de 28/06/2007, contra deeisao consubstanciada em acórdão da Segunda Camara do então Segundo Conselho de Contribuintes interpõe recurs° especial a esta Terceira Seção da Camara Superior de Recutsoshiscais. InconfOrmad a, pois, corn a decisão que tratou matéria da decadência corn fundamento no art. 150, § 4" do CTN au invés do art. 45 da Lei IV 8212/91. Contra a contribuinte toi lavrado auto de intiação relativo i Contribuição para. o Pr(Traina de Integração Social - P15 , Os, 03 a 06, per iodos de apuração 08/1994 a 09/1.995. A ciência do auto dc infiayao oconeu em 20/03/2000. A decisao recorrida considerou decaídos os períodos anteriores a março de 1995. A ementa da decisão recorrida ia parte objeto de recurso, possui a seguinte redação: Finciaa. 1)EC1DÊNCI4 .Nos ter mos do art 146, Ill, b. (la Constitukao Federal cube 4 lei complemental estabelecer not sobre a decadência. Send() assim, c'!. de .se aplicar a prazo de ('rne() anoy 40 OCOU61Cia do Jato gei ado,- previqo no art 150, 4" do CTAI ) Recur:so piOvido ern pat te. 0 recurso foi admitido pelo despacho n" 204-00072, de tl . 535, após analise dos requisitos de admissibilidade. A interessada, nas contra-razões, defende a manutenção da decisao recorrid a . e requer a manutenção do aeórdao que aplicou o art. 150, § 4" do CTN (5 anos). Traz ao conhecimento .jurisprudência da CSRF. É o Relatório.. Voto Conselheira M.aria Teresa Martinez LOpez, IZelatora 0 recurso especial da Fazenda Nacional fbi inteiposto em 08 de agosto de 2007, preenche os requisitos tbrmais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento A matéria cinge-se exclusivamente ir decadência dos créditos lançados do PIS. Em apertada sintese: - 0 Acôrdao recorrido entende aplicavel o art.150, § 4" do ('TN (5 anos, contados do fiato gerador); - A Fazenda Nacional (reconente) defende a aplicabilidade da Lei 11" 8.2.1.2/91, art. 45 da I ei n" 8212/91., prazo de 10 anos. 2 Processo 13807.002.55. 6/00-71 (.!SIZIL i 3 Acrircliio n° 9303-00.906 1 , 1 51.3 A ciência do auto de infração ocorreu em 20/03/2000, envolvendo os per Iodos (FG) entre 08/1994 a 09/1995 A. decisão recorrida con.siderou decaídos os períodos anteriores a. março de 1995. A controvérsia cinge-se em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribui0es sociais, sujeitas à sistematica do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado por -urna das regras previstas no (.71‘N . ou pela regra prevista no art. 45 da Lei flú 8.212/91.. O Diário Oficial da 1.Tnido do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vineulante IV 8, verbis: "Ent sessdo de 12 dc junho de 2008, o Tribunal Pleno editou o. enunciados de sinnula vinco/ante que se publictun no Didrio .1twiea c no Didrio Oficial do Unitio, nos terino.s do 4" do art 2" da Lei n" 11.417/2006. Sinnula vinco/ante n" 8 - São ineonstitueionais o pardgrafi nnico do artigo 5" do Decreto-Lei n" 1 56971977 e os at tims 45 e lÓ da Lei n" 8 212/1991, que natatn de prescrn,:do e decadencia crédito triblitat to Precedentes. RE 560.626, ref Min. Gihnor Mende.s, 1 12/6/2008, RI: 556 664, rel Min Gilinar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559 882, tel Min. (»Muir Mendes, j. 12/6/2008, RE 559 943, Min.C]tirmen 12/612008, RE 106 .217, rel. Min. Octavio Gallotti, DI 12/9/1986; RE 138.284, rcl Mb.. Car/os Vtdloso, DJ 28/8/1992 1,egislaet-io Decreto-Lei n" 569/1997, art 5", para 90/o Yin/co Lei n" 8212/1991, artigos 45 c 46 Cli„ art. 146, 1H Brasilia, 18 de junho de 2008. Mini ;Ito Gilintn Mendes l'r csiden te'' (DOU n" 117, de 20/06/2008, Seção I, p(ig Portanto, diante da declaração de inconstitucionalidade do art, 45 da Lei n 9 8.212/91 não há como se acolher o pleito da Procuradoria. da Fazenda Nacional no sentido de reformat a decisão recorrida para restabelecer a decisão de primeira instância. Ent race do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Proctuador da Fazenda Nacional para manter o acórdão recorrido por seus próprios e .juridicos fundatnentos, Maria. Teresa artinez Lopez 3
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Numero do processo: 16327.720657/2014-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições.
Caso em que constatada a inexistência de regras claras e objetivas na instituição dos ACT.
Numero da decisão: 9202-011.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento Vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que davam provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições. Caso em que constatada a inexistência de regras claras e objetivas na instituição dos ACT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento Vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que davam provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 57 /2 01 4- 58 Fl. 2147DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 Trata-se de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Na origem, cuida-se de lançamento para cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, aí incluída a GIL/RAT (DEBCAD 51.032.918-7), além daquelas devidas a terceiros (51.032.919-5) sobre os valores de remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR em desacordo com a lei. O relatório fiscal encontra-se às fls. 641/683. Impugnado o lançamento às fls. 708/748, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou-o procedente às fls. 937/959, por meio do acórdão com a seguinte ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. Art. 22, I , e § 1º c/c Art. 28, § 9º, “j”, ambos da Lei nº 8.212/91. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. Art. 22, I , e § 1º c/c Art. 28, § 9º, “j”, ambos da Lei nº 8.212/91. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 JUROS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros sobre a multa de ofício é legítima. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A mera inclusão do nome de pessoas físicas ligadas à Autuada pessoa jurídica no relatório de vínculos que integra o auto de infração visa apenas fornecer subsídios à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que esta, caso seja necessário e cabível, pleiteie judicialmente o redirecionamento de eventual execução forçada do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS Fl. 2148DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Cientificado do acórdão de impugnação, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário às fls. 967/1014, que foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção, ocasião em que foi dado provimento parcial ao recurso por meio do acórdão 2201-003.723 – fls. 1382/1418. A unidade preparadora da RFB interpôs Embargos de Declaração às fls. 1425/1426 suscitando omissão no acórdão acima, que foram admitidos pela Presidência da Turma às fls. 1429/1434. Assim feito, aquela turma ordinária acolheu os embargos para excluir do lançamento os valores pagos a título de PLR com base nas disposições das Convenções Coletivas de Trabalho dos anos de 2009 e 2010 – acórdão 2201-004.101 – fls. 1435/1443. No mesmo sentido, o sujeito passivo interpôs Embargos de Declaração às fls. 1747/1759, suscitando omissão no acórdão de recurso voluntário, que foram parcialmente admitidos pela Presidência da Turma às fls. 1816/1824. Com isso, aquele mesmo colegiado acolheu os aclaratórios para, sem efeitos infringentes, ajustar a ementa do embargado – acórdão 2201.005.161 – fls. 1826/1835. Ainda inconformado, o autuado interpôs Recurso Especial às fls. 1849/1886, pugnando pelo seu conhecimento e provimento com vistas ao cancelamento da cobrança e, subsidiariamente, na hipótese de o resultado do julgamento desta C. Turma dar-se por voto de qualidade do Presidente da Turma, nos termos do art. 25, §9° do Decreto n° 70.235/72 e art. 54 do RICARF, que seja cancelada a autuação, na parte em que remanescente, ou afastadas as penalidades impostas, com fulcro no art. 112 do CTN. Em 15/10/19 - às fls. 2090/2097 - foi dado seguimento parcial ao recurso do sujeito passivo, para que fosse rediscutida a matéria “existência de regras claras e objetivas no plano para pagamento de PLR”. Não foi dado seguimento quanto à “cancelamento das autuações em caso de empate quando do julgamento do recurso especial, com fulcro no art. 112 do CTN” Intimada do recurso interposto em 9/4/20 (processo movimentado em 10/3/20 – fl. 2104), a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões tempestivas em 15/4/20 (fl. 2113), às fls. 2105/2112, propugnando fosse negado provimento ao recurso manejado. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator Fl. 2149DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 O Sujeito Passivo tomou ciência do acórdão de embargos em 13/8/19 (fl. 1846) e apresentou seu recurso tempestivamente em 12/8/19, consoante se denota de fl. 1849. Passo, com isso, à análise dos demais requisitos para o seu conhecimento. Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fosse rediscutida a matéria “existência de regras claras e objetivas no plano para pagamento de PLR”. O acórdão vergastado, integrado pelos de embargos, foi assim ementado, naquilo que importa ao caso: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. CONSEQUÊNCIA. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais atraí a incidência da contribuição social previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). PAGAMENTOS EM VALORES NÃO EQUÂNIMES. POSSIBILIDADE. Não há, na Lei nº 10.101/2000, impedimento para que se estabeleçam metas e critérios diferenciados entre os empregados, nem necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para possibilitar a isenção da verba. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). AJUSTE PRÉVIO. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE. ANÁLISE DO CASO CONCRETO Não há, na Lei nº 10.101/00, determinação sobre quão prévio deve ser o ajuste de PLR. Tal regra demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto o ajuste entre as partes deve ser firmado antes do pagamento da primeira parcela da PLR, com a antecedência que demonstre que os trabalhadores tinham ciência dos resultados a serem alcançados e que permita que se infira que o ajuste entre as partes foi construído com a devida discussão e busca dos interesses comuns que culminaram no acordo coletivo firmado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. Não há, na Lei nº 10.101/00, vedação acerca da existência de planos simultâneos que versem sobre o pagamento de valores a título de participação nos lucros ou resultados. Ao determinar que a PLR será firmada por meio de um dos procedimentos previstos, quis o legislador facilitar o ajuste, permitindo que este se desse por meio do instrumento consagrado como meio de negociação entre patrões e trabalhadores, o contrato coletivo de trabalho (convenção ou o acordo coletivo), ou ainda através do mecanismo de ajuste de interesses entre uma comissão paritária integrada também por um representante da categoria sindical (planos mantidos espontaneamente pela empresa). Por óbvio que tal disposição da lei não pode ser interpretada como excludente. Contexto Fl. 2150DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 Passando ao caso e como já relatado acima, a empresa foi autuada em razão das deficiências apontadas pelo Fisco nas PLR por ela instituídas e pagas. Identificou o autuante que as PLR pagas em 2009 e 2010 estariam relacionadas aos seguintes planos/acordos: (i) Acordos de Participação nos Lucros ou Resultados, celebrados entre a financeira e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo em 2008, 2009 e 2010; e (ii) Convenções Coletivas de Trabalho - CCT - sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Trabalhadores do Ramo Financeiro em 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011. Na sequência, após analisa-los, apontou as seguintes supostas irregularidades, que passo a destacar resumidamente: 1 - Acordos firmados quando já iniciados os período aquisitivo: Acordo de PLR 2008, celebrado em 22 de agosto de 2008, entre a financeira e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2008, por um ano; Acordo de PLR 2009, celebrado em 26 de agosto de 2009, entre a financeira e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2009, por um ano; 2 - Acordos que contém regras compostas de parâmetros subjetivos, baseados na avaliação relacionada à Gestão de Pessoas, tais como capacidade de compreensão, criatividade, versatilidade, relacionamento interpessoal, flexibilidade e adaptabilidade. Acordos de Participação nos Lucros ou Resultados, celebrados entre a financeira e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo em 2008, 2009 e 2010. 3 – a utilização de mais de um plano (ACT e CCT) para o pagamento de PLR, sem que houvesse a compensação entre eles; e 4 – a vultosidade dos pagamentos a determinadas categorias, criando-se uma espécie de casta na empresa. De sua vez, o colegiado de primeira instancia houve por bem afastar a acusação de que haveria irregularidade no pagamento das PLR fundada na concomitância entre planos. Veja-se: Nesse ponto assiste razão à Interessada, porquanto o fato dos pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados terem fundamento em mais de um instrumento não poderia ter sido utilizado como motivo para tributação da referida verba, já que a legislação, além de não vedar tal situação, a autoriza, de forma indireta, no §3º do seu artigo 3º (Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão se compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados). Fl. 2151DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 Mais a frente, o colegiado ordinário deste CARF afastou as acusações pertinentes à formalização dos ACT após o início do período aquisitivo - tanto no que toca às CCT, quanto aos ACT - e à vultosidade dos pagamentos a determinadas categorias. Com efeito, o que se tem, até aqui, pesando contra os ACT/CCT é justamente a temática da ausência de regras claras e objetivas na sua instituição, cuja matéria foi devolvida a reexame por esta Turma. Feita a breve contextualização, passo à análise do recurso. Conhecimento Nesse ponto, a recorrente procurou refutar, uma a uma, as razões expostas pelo colegiado a quo em função das quais entendera inexistir regras claras e objetivas no acordo de PLR sob exame. Indicou, para essa matéria, os acórdãos de nº 2402.006.071 e 2301-003.755 como paradigmas representativos do dissídio jurisprudencial. Aqui o colegiado recorrido valeu-se das seguintes razões para que fosse considerada a inexistência de regras claras e objetivas nos ACT. Confira-se: Segundo a imputação (iscai, dos programas celebrados nos anos de 2008 a 2010, não constavam regras claras e objetivas, posto que as metas estabelecidas eram complexas e voltadas a própria gestão da empresa, o que, segundo a Fiscalização, ofende a Lei da PLR que determina que o programa deva ser um instrumento de integração entre capital e trabalho. Como dito acima, não cabe ao Fisco valorar as metas estabelecidas entre as partes. Se boas ou ruins, integrativas ou não, simples demais ou complexas, não interessam ao interprete de norma isentiva, A disposição da lei exige que as regras sejam claras e objetivas em seus aspectos substantivos. Logo, deve a Autoridade Fiscal verificar tão somente se o programa pactuado é composto por regras claras e objetivas. Claro é aquilo que é fácil dc apreender ou entender, que se compreende ou se percebe facilmente, que não deixa dúvida, que é óbvio, que é flagrante, segundo acepções ao aicionano HOUASII, em sua versão eletrônica (https://houaiss.uolxom.br/pub/apps/wvw/v3-2/html/index.php#2). Objetivo é aquilo cujos julgamentos não são influenciados por sentimentos ou opiniões pessoais; é aquilo que esta no campo da experiência sensível, independente do pensamento individual e perceptível por todos os observadores; ainda segundo o mesmo dicionário. Ora, não pode o Fisco valorar as metas pactuadas, mas deve sim verificar se são ajustes claros e objetivos, ou seja, se são de fácil apreensão ou compreensão pelo trabalhadores e se não permitem julgamentos decorrentes de opinião pessoal daquele que vai verificar o cumprimento da meta. Nesse sentido, assiste razão à autoridade julgadora. Recordemos um trecho da imputação fiscal (fls. 669): 5.62 Isto posto, observa-se que a Avaliação de Desempenho contida nos acordos cm apreço é composta de parâmetros subjetivos, baseados na avaliação relacionada à Gestão de Pessoas, tais como capacidade de compreensão, criatividade, versatilidade, relacionamento interpessoal, flexibilidade e adaptabilidade. Há nesse anexo inclusive uma meta relacionada à agregação de valor dentro dos princípios da organização, sem que haja qualquer definição de um valor de referência a partir do qual será Fl. 2152DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 considerada tal agregação. Em nenhum dos casos é determinada como serão aferidas tais competências, distanciando-se, dessa forma, dos preceitos legais sobre a matéria. Outro parâmetro encontrado na Avaliação de Desempenho diz respeito à análise da inadimplência (valor base e percentual) da carteira gerada e mantida pelo empregado, parâmetro esse não muito afeito a uma distribuição de lucros, mas relacionado mais proximamente ao pagamento de comissões. 563 Ora, a escolha de critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, impossíveis de aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o § 1°, do art. 2 o da Lei n° 10.101/00, também descaracteriza a natureza não remuneratória das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. O quantum a ser distribuído a cada empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva, sem depender de critérios subjetivos de avaliação. Não se pode discordar que de que um critério de avaliação do trabalhador que se relacione com a capacidade desle de manter relacionamento interpessoal, de ser criativo, de ser versátil, de ser flexível e adaptável, seja subjetivo. Ora, como, sem depender de julgamentos não influenciados por sentimentos ou opiniões pessoais, um trabalhador pode ter aferido seu desempenho de atingimento de meta, se essa foi estabelecida com esses parâmetros. Patente que as metas constantes dos acordos coletivos analisados são subjetivas (fls. 662), e, portanto, contrariam a Lei da PLR . E, em assim sendo, vejo, tal como a Presidência da Câmara recorrida, que o segundo paradigma, que analisou plano de PLR da mesma empresa e com regras similares, deu interpretação à legislação de forma divergente da que se teve no recorrido, demonstrando, com isso, a divergência jurisprudencial a ser dirimida por esta Turma, razão pela qual encaminho por conhecer do recurso. Mérito Quanto ao mérito e como citado alhures, o autuado buscou refutar uma a uma as irregularidades apontadas pelo autuante. Pois bem. Cumpre destacar, de plano, que se trata de período anterior à vigência da Reforma Trabalhista, o que significa dizer haver uma significativa diferença em termos tributários entre se pagar prémio por desempenho e se pagar PLR na forma dos artigos 1º a 3º da Lei 10.101/2000. Em relação aos prêmios, a PLR possui, dentre outros, um ingrediente próprio que é o compartilhamento do Lucro ou Resultado com aqueles que, a rigor, não participam do capital social da empresa. E é justamente essa a ideia, de se promover a integração entre o capital e o trabalho, que está preconizada no artigo 1º da Lei 10.101/2000 e não a de simplesmente pagar um prêmio pelo desempenho (superior) do empregado. Nesse sentido, todo o esforço do empregado, a justificar esse compartilhamento do lucro, deve ser voltado ao seu incremento, é dizer, daquilo que será compartilhado. Com efeito, dada a incontestável diferença de tratamento tributário entre as espécies torna-se inarredável o interesse do Fisco no cumprimento, por parte dos envolvidos – empregador, empregado e representantes sindicais – dos requisitos exigidos na lei. Fl. 2153DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 Daí entender este relator, em alguma medida diferente do redator do recorrido, que não basta que as regras, ainda mais quando complexas ou de difícil mensuração/acompanhamento, sejam eventual e alegadamente compreendidas pelos empregados, os quais, tal como o empregador, têm, em tese e em um primeiro momento, interesse na não tributação da verba; quanto mais disponibilizadas e/ou complementadas apenas em sistemas internos da empresa ou com uma carga de subjetividade que impossibilita ao empregado, e até mesmo ao Fisco, a exata compressão de qual seria a entrega certa e determinada que lhe proporcionará o compartilhamento do resultado da empesa, tal como se tem no caso em questão. Tenho, com isso, que em sendo do interesse do Fisco a confirmação de que se está a pagar uma PLR e não um prêmio, por exemplo, seria razoável que a ele fosse conferido juízo de valor acerca dos contornos do acordo entabulado, sob pena de se admitir como regular toda a sorte de plano que viesse, inclusive, a subverter o espírito da norma, pagando-se prêmio sob a roupagem de PLR, com a conivência das partes envolvidas. No caso em exame, quanto à análise dos termos postos nos ACT e seus anexos, não vejo qualquer reparo naquela empreendida pelo redator do voto vencedor do recorrido, assim como em sua conclusão, em especial no trecho em que assevera: Não se pode discordar que de que um critério de avaliação do trabalhador que se relacione com a capacidade desle de manter relacionamento interpessoal, de ser criativo, de ser versátil, de ser flexível e adaptável, seja subjetivo. Ora, como, sem depender de julgamentos não influenciados por sentimentos ou opiniões pessoais, um trabalhador pode ter aferido seu desempenho de atingimento de meta, se essa foi estabelecida com esses parâmetros. Isto porque, parece-me existir uma certa confusão por parte do recorrente entre haver “objetivamente” regras e haver regras objetivas. Vejamos, como exemplo, o que constou da ficha de avaliação da funcionaria Fabiana, nas palavras de seu chefe imediato, extraída do REsp sob análise: “Fabiana, você é uma boa analista correspondendo plenamente ao cargo que ocupa. Possui boa fluência verbal e escrita, negocia bem com o comercial mantendo um bom nível de comunicação, é receptiva às críticas e orientações de forma bastante madura e profissional. Além desses fatores, percebo seu acompanhamento e preocupação com o desempenho do setor como um todo, é bastante solicita com os colegas de trabalho sendo uma pessoa extremamente positiva para o setor. Você conhece o produto, conhece o negócio, utiliza bem das ferramentas e tem uma análise criteriosa. Dessa forma, possuindo experiência + conhecimento e ferramentas necessárias, sugiro que no próximo semestre incremente sua produção. Empreenda buscando ganho de escala. Esse será um grande desafio para que possamos futuramente reavaliar, de acordo com as disponibilidades da empresa, sua posição no setor.” Ora, é de se perceber uma clara e substanciosa carga de subjetividade na análise que, matematicamente, impactaria no cômputo do valor a ser distribuído. O que é, por exemplo, possuir boa fluência verbal e escrita ? O que é negociar bem com o comercial ou ser receptiva às críticas ? Tal como se asseverou no recorrido, o produto dessa análise será, inevitavelmente, influenciado por sentimentos ou opiniões pessoais, fazendo com que as regras para a distribuição da PLR, por si só, deixem de ser objetivas, maculando-a para fins de não incidência da exação. Fl. 2154DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 Nego, pois, provimento ao recurso. Forte no exposto, VOTO por CONHECER do recurso para NEGAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Declaração de Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Declaração de Voto Manifesto-me nesta declaração a respeito do mérito discutido no caso, especificamente em relação à questão envolvendo a presença de regras claras e objetivas nos planos de PLR elaborados pela contribuinte e analisados neste processo (anos-base 2008, 2009 e 2010). Quando o caso foi apreciado pela Turma recorrida, em 04/07/2017, tive a oportunidade de ser o Relator do acórdão (nº 2201-003.723), ocasião em que restei vencido na matéria “presença de regras claras e objetivas”. Em síntese, naquela oportunidade, entendi “não existir a alegada ausência de regras claras e objetivas nos ACTs da RECORRENTE”, ao passo que o voto vencedor fixou o entendimento de que “as metas constantes dos acordos coletivos analisados são subjetivas (fls. 662), e, portanto, contrariam a Lei da PLR”. Quase dois anos depois, em 12/02/2019, me deparei novamente com caso de PLR da ora contribuinte ao analisar, ainda na Turma Ordinária, o processo de nº 16327.720382/2016- 14, o qual tem por objeto a PLR do ano-base 2011, cujas regas se assemelham às do período base ora analisado, pois, assim como no presente caso, estabelecem a seguinte fórmula para apuração do valor a ser distribuído ao empregado: VDF = ((VRI / VRT) X VD). Portanto, ainda que relacionados a um outro período, tratavam-se de regras semelhantes – ou iguais – às descritas na PLR objeto deste processo. Assim, em fev/2019, ao reanalisar e debater novamente tais regras, me reposicionei quanto ao tema, entendendo pela inexistência de regras claras e objetivas no plano de PLR elaborado pela contribuinte e, com isso, acompanhei o Relator do caso por observar a carga de subjetividade na aferição do “VRI – Valor Referencial Individual”, componente da fórmula para definição do Valor Distribuído ao Funcionário (VDF), conforme acórdão nº 2201- 004.942 proferido na ocasião. Posteriormente, durante a reunião desta 2ª Turma da CSRF em fevereiro de 2024, solicitei vistas do citado processo nº 16327.720382/2016-14. Apesar do debate da Turma ter se limitado, até então, ao conhecimento recursal, tive a oportunidade de revisitar os autos para Fl. 2155DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 análise do mérito (pois entendia pelo conhecimento do recurso). Na ocasião, permaneci convicto quanto ao entendimento firmado em fev/2019, quando do julgamento do recurso voluntário, por enxergar a inexistência de regras claras e objetivas no plano de PLR da contribuinte. Sabe-se que a decisão então proferida pela Turma Ordinária no processo nº 16327.720382/2016-14 foi fundamentada, essencialmente, na ausência dos critérios de avaliação no instrumento de PLR (mas sim em “Dicionário de Competências” constante da intranet da empresa), fato que não ocorreu no presente caso. A despeito desta peculiaridade, ao revisitar os autos e analisar a situação sob outro prisma, formei convicção de que as regras e condições da PLR elaborada pela contribuinte carregam elementos de subjetividade na aferição do desempenho dos empregados. No presente caso, como bem exposto e reconhecido pela própria contribuinte, as regras dos planos de PLR analisados se assemelham às regras da PLR objeto do processo nº 16327.720382/2016-14. Neste sentido, mantenho o meu entendimento firmado desde fev/2019 nos autos do processo nº 16327.720382/2016-14, me reposicionando em relação ao voto vencido proferido neste caso em julho/2017. Isto porque, a fórmula VDF = ((VRI / VRT) X VD) carrega em si uma carga de subjetividade para apuração do valor da PLR a ser distribuído ao empregado. Conforme apontado pelo Relatório Fiscal, o VRI é obtido da seguinte forma: VRI – Valor Referencial Individual: valor obtido pela fórmula: VRI = (VBIS x FGA), na qual: VBIS – Valor Base Individual Semestral: valor referencial, base semestral, atribuído a todo EMPREGADO, que dele é formalmente informado. Havendo necessidade de ajuste em virtude de promoção, enquadramento, transferência, durante o semestre, as alterações serão processadas consensualmente. FGA – O Fator de Grau de Avaliação: é o índice multiplicador do VBIS que varia de acordo com Grau de Avaliação – GA obtido pelo EMPREGADO. Os critérios para apuração do FGA encontram-se detalhados no Anexo III do Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados. Ou seja, para obter o VRI é necessário encontrar o FGA, cujos critérios para apuração encontram-se no Anexo III do acordo de PLR, o qual trata da Avaliação de Desempenho. Trechos do citado Anexo III encontram-se descritos no Relatório Fiscal destes autos, às fls. 659/664. Ao analisar tais regras, verifica-se que os diversos grupos de empregados são todos avaliados pelo chamado “bloco Competências”, o qual consiste em “um conjunto de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes que possibilitam o desempenho de determinada função e o alcance de resultados concretos”. Prosseguindo na leitura, verifica-se que são avaliadas competências como “relacionamento interpessoal”, “flexibilidade” (capacidade de adaptar-se e interagir com diferentes indivíduos ou grupos), “inovação”, planejamento e organização”, etc. Ora, capacidade de compreensão, criatividade, versatilidade, relacionamento interpessoal, flexibilidade e adaptabilidade certamente são caracteristicas dos empregados desejadas/buscadas pelo empregador. Contudo não se pode confundir a relação trabalhista entre empregado e empregador, com as exigências legais para concessão de um benefício fiscal. Fl. 2156DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-011.223 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720657/2014-58 Um empregado que não tenha as caracteristicas capacidade de compreensão, criatividade, versatilidade, relacionamento interpessoal, flexibilidade e adaptabilidade poderá, por exemplo, perder oportunidades de promoção de cargos, de espaço no ambiente de trabalho e até mesmo o seu emprego. Contudo, a Lei nº 10.101/2000 exige que, para a concessão da PLR, as regras sejam claras e objetivas. Esse requisito não guarda qualquer relação de cunho trabalhista na relação empregado/empregador (ou até do empregado com seus pares), mas sim uma exigência como requisito para a concessão de uma benefício fiscal, qual seja: a não incidencia das contribições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR Portanto, não há como confudir as regras. Ambas existem e podem coexistir. No entanto, as regras de carater subjetivo, apesar de ter importante cunho na relação trabalhista (isso não se nega), jamais podem servir como base para a concessão do benefício fiscal da isenção de PLR. Sobretudo pelo fato de que, por se tratar de um benefício fiscal, as regras devem ser passíveis de ampla compreenção por todos os envolvidos, inclusive o agente fiscal, a quem cumpre analisar se o valor de PLR pago teve contrapartida na entrega proporcionada pelo empregado. A lei, que deve ser interpretada literlmente, exigiu a criação de regras claras e objetivas. Ou seja, o empregado deve saber claramente o que deverá fazer/cumprir a fim de atingir a meta exigida. No caso, por mais que ele tente obter uma relação interpessoal muito boa, qual a garantia que ele receberá uma nota máxima nesse critério, por exemplo? Afinal, aos olhos de quem o avalia, ele poderia ter criado uma relação interpessoal melhor com determinados setores da empresa, ao passo que para o empregado bastaria criar uma excelente relaçao com o seu setor direto. Sendo assim, entendo pela subjetividade nos elementos que compõem as regras para aferimento da PLR a ser paga, contrariando o disposto na Lei nº 10.101/2001. Eis minha declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 2157DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10314.005360/2004-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 23/07/1999 a 05/02/2004
NULIDADE. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE PROVA
PERICIAL. Definido pela NESH critérios objetivos para classificação fiscal da mercadoria, resta dispensada a produção de prova pericial.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MÁQUINA DE COSTURA DE USO
DOMÉSTICO. Os critérios para classificação fiscal de máquina de costura de uso doméstico estão objetivamente descritos na NESH, quais sejam, máquinas manuais ou de pedal, com potência não superior a 120 watts e peso inferior a 16 kg. Estando dentro de tais critérios deve ser classificadas na NCM 8452.10.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-001.184
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida DRJ/SÃO PAULOSP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 23/07/1999 a 05/02/2004 NULIDADE. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE PROVA PERICIAL. Definido pela NESH critérios objetivos para classificação fiscal da mercadoria, resta dispensada a produção de prova pericial. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MÁQUINA DE COSTURA DE USO DOMÉSTICO. Os critérios para classificação fiscal de máquina de costura de uso doméstico estão objetivamente descritos na NESH, quais sejam, máquinas manuais ou de pedal, com potência não superior a 120 watts e peso inferior a 16 kg. Estando dentro de tais critérios deve ser classificadas na NCM 8452.10. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 53 60 /2 00 4- 50 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.005360/200450 Acórdão n.º 3101001.184 S3C1T1 Fl. 526 2 Relatório Tratase de Auto de Infração e Imposição de Multa lavrado para cobrança de II e IPI decorrente da classificação fiscal errônea na importação de “Máquinas de Costura e Bordados”, modelos ULT2001 e PC8500, e “Máquinas de Pregar Botões”, classificadas pela Recorrente na NCM 8452.21.90 e 8452.29.29, respectivamente, as quais foram reclassificadas para NCM 8452.10.00. A autuação referese às DIs nºs 00/06667680/001, 00/06724072/002, 02/03608741/001, 02/03608741/002, 03/01024434/001, 03/08256047/002, 04/0060845 0/001 e 04/01136226/001. Também foram objeto da autuação, além da multa de ofício, as seguintes multas decorrentes de infrações cometidas pela Recorrente na importação de mercadorias: (i) Multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente (artigos 633 e 490 do RA/2002): DIs nºs 99/06072075/007, 99/09612160/006, 00/00298543/011, 00/02178200/006, 00/03750412/002, 00/05125493/005, 00/0666768 0/001, 00/06724072/002, 00/07951838/002, 02/03608741/001, 02/03608741/002, 03/01024434/001, 03/02139880/003, 03/03042715/001, 03/08256047/002, 04/0060845 0/001 e 04/01136226/001. (ii) Multa por classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (artigo 636 do RA/2002): DIs nºs 02/03608741, 03/01024434, 03/02139880, 03/03042715, 03/08256047, 04/00608450 e 04/01136226. Devidamente notificada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou impugnação, requerendo a nulidade da autuação ou o cancelamento da exigência fiscal, bem como a produção de todo e qualquer meio de prova. Levados os autos à DRJ para julgamento, foram os autos convertidos em diligência para remessa à repartição de origem para esclarecimentos sobre o Licenciamento de Importação referente às DIs nºs 04/00608450/001 e 04/01136226/001. Assim, foram os autos remetidos à repartição de origem, a qual informou que, tanto a NCM 8452.21.90 adotada pela Recorrente como a NCM 8452.10.00 (reclassificação), à época dos fatos, estava amparada pelo Licenciamento Automático (item II do artigo 6º e item I do artigo 8º da Portaria SECEX nº 17/03). Devidamente intimada da diligência, a Recorrente protocolizou petição reiterando a necessidade de exclusão das multas, em razão de sua boafé, bem como a produção de prova pericial. Diante do relatado, foram os autos remetidos à julgamento, na qual foi deferido em parte para afastar a cobrança referente à DI nº 99/06072075 pela decadência, bem como a multa de controle administrativo e por falta de guia de importação relativa à determinadas DIs, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 23/07/1999 a 05/02/2004 CONSULTA: entendimento da SRFB expresso em solução de consulta vincula a administração e o particular. É procedente o lançamento feito em conformidade com o teor da Solução de Fl. 559DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.005360/200450 Acórdão n.º 3101001.184 S3C1T1 Fl. 527 3 Consulta Diana/SRRF/8°RF n2 15/04. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Constatado que a formalização da exigência fiscal foi realizada com estrita observância das normas de regência, contidas no CTN e no PAF, não há que se falar em nulidade do auto de infração. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. Até a edição da Portaria SECEX 17/03, a multa administrativa por falta de licenciamento de importação somente é aplicável em caso de comprovação de que o produto não esteja corretamente descrito no SISCOMEX, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Com advento da Portaria SECEX n° 17/03, nos casos de licenciamento automático, não há que se falar em falta de licenciamento quando as mercadorias estão corretamente descritas, com todos elementos necessários para sua identificação, nos termos do ADN n° 12/97. MULTA DO ARTIGO 84, I DA MP 215835/01 Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Lançamento Procedente em Parte Inconformada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário requerendo o cancelamento integral da autuação, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da multa sobre "Importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente"(item 2 do AIIM) por falta de motivação, uma vez que as mercadorias estavam sujeitas ao Licenciamento Automático; (ii) necessidade de prova pericial pela natureza técnica da lide, e o órgão julgador não está vinculado à Solução de Consulta; (iii) no mérito, a correta classificação das máquinas de costura e bordado como industrial, na NCM 8452.21.90; (iv) não incidência da multa por falta de licenciamento por se tratar de hipótese de licenciamento automático, bem como a boa fé da Recorrente; (v) da não incidência das multa por erro na classificação fiscal das mercadorias importadas. (vi) Inexistência de comportamento infrator da Recorrente, aplicação do princípio da boafé; (vii) Aplicação do princípio da proporcionalidade, adequação e justa medida para aplicação das multas. É o relatório. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.005360/200450 Acórdão n.º 3101001.184 S3C1T1 Fl. 528 4 Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos regulamentares de admissão e por conter matéria de competência deste Conselho. Antes de adentrar ao mérito, resta fundamental analisar as questões preliminares postas pela Recorrente, qual seja: a nulidade da autuação por erro na fundamentação legal, que utilizou o RA/2002 para DIs anteriores a sua vigência, e; a nulidade da autuação por ausência de prova pericial para classificação fiscal do bem importado. Quanto à necessidade de prova pericial, como será demonstrado a seguir, a classificação da máquina de costura de uso doméstico demanda a simples análise de critérios objetivos, com base nas regras descritas nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH referente à NCM 8452.10, que não demandam a produção de laudo técnico. Com relação à alegação de nulidade da autuação pelo fato de o Regulamento Aduaneiro utilizado como fundamento legal do auto ser anterior às DIs, tal alegação não deve prevalecer, pois o Regulamento Aduaneiro é o conjunto de normas veiculado para fiel cumprimento da Lei (art. 84, IV da CF/88), de modo que seu conteúdo e alcance “restringem se aos das leis em função das quais sejam expedidos”, conforme art. 99 do CTN. Por tratarse de função regulamentar, se o regulamento estava em conformidade com a lei vigente à época do registro das Declarações de Importações, mesmo sendo posterior, não há porque se decretar a nulidade da autuação. O vício apontado pela Recorrente não tem o condão de decretar a nulidade da autuação, já que não caracteriza espécie de nulidade prevista no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 ou cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. No mérito, a questão tem como ponto crucial a classificação fiscal de máquinas de costura modelo ULT2001, na qual foram reclassificadas pela Fiscalização da NCM 84.52.21 (unidades automáticas) para NCM 8452.10 (máquinas de costura de uso doméstico). A reclassificação para máquinas domésticas ocorreu quando da resposta à Solução de Consulta nº 11610.022555/200211 juntada aos autos. Embora o órgão julgador não esteja vinculado ao resultado da Solução de Consulta, assim como entendeu a decisão recorrida, a resposta deve ser mantida. Isto porque os critérios usados para classificação da máquina de costura em doméstica ou automática estão expressamente descritas nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, cuja subposição NCM 8452.10 dispõe o seguinte: “A subposição 8452.10 compreende as máquinas de costura e as cabeças de máquinas de costura do tipo mencionado a seguir, que podem executar pelo menos o ponto de nó (ponto de lançadeira): a) Máquinas manuais ou de pedal; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.005360/200450 Acórdão n.º 3101001.184 S3C1T1 Fl. 529 5 b) Máquinas providas de um motor elétrico de uma potência de saída não superior a 120 watts; c) Máquinas de motor apresentadas sem motor, em que o peso da cabeça da máquina não seja superior a 16kg.” Da análise enunciados citados acima, verificase que os critérios de classificação da máquina de costura em domésticos são objetivos. Basta que a máquina de costura não ultrapasse 16 Kg e a potência de 120 watts para que seja considerada de uso doméstico. Assim, a construção lógica que se tem de fazer para julgamento da lide é se a máquina ultrapassa os limites de peso e potência. Em que pese os argumentos postos pela Recorrente no sentido de demonstrar aspectos técnicos que supostamente comprovariam o caráter não doméstico da máquina, em nenhum momento foi produzida prova que demonstrasse que a máquina não está elencada nos parâmetros da NESH. Pelo contrário, como a autuação se baseou na resposta à Solução de Consulta, diante da resposta negativa, a Recorrente já poderia produzir prova em contrário dos fundamentos utilizados pela resposta à consulta, o que não foi feito. Tendo em vista a vinculação da Fiscalização à Solução de Consulta, a prova de que a máquina não se enquadra nas características adotadas pela NESH deveriam ser produzidas pela Recorrente. Assim, sendo inconteste que a máquina tem peso inferior a 16 Kg e potência inferior a 120 watts impõese a qualificação da máquina de costura de uso doméstico com classificação na posição NCM 8451.10.00. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Fl. 562DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 12155.000170/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005
PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
A pessoa jurídica exportadora que adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, desoneradas da incidência da Cofins, não poderá descontar créditos decorrentes da não-cumulatividade desta contribuição relativamente às respectivas operações.
DCOMP. QUANTUM RECONHECIDO DE CRÉDITO.
A declaração de compensação, para ser homologada, depende da existência de direito creditório.
Numero da decisão: 3301-014.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente
(documento assinado digitalmente)
Laercio Cruz Uliana Junior Relator e Vice-presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica exportadora que adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, desoneradas da incidência da Cofins, não poderá descontar créditos decorrentes da não-cumulatividade desta contribuição relativamente às respectivas operações. DCOMP. QUANTUM RECONHECIDO DE CRÉDITO. A declaração de compensação, para ser homologada, depende da existência de direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente (documento assinado digitalmente) Laercio Cruz Uliana Junior – Relator e Vice-presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório da DRJ: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 5. 00 01 70 /2 00 5- 22 Fl. 2171DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-014.057 - 1º Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12155.000170/2005-22 Trata o presente processo de pedidos de ressarcimento de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, referente aos 1° e 2° trimestres de 2005 (fls. 01/02), no montante de R$ 33.623,82 e R$ 39.418,74, respectivamente, acompanhados de Declarações de Compensação (fls. 09/10). A unidade de origem, por intennédio do parecer e despacho decisório de fls. 88/95, considerou improcedentes os créditos pleiteados, não homologando as compensações declaradas, sob os seguintes fundamentos: (..) importa observar que as notas fiscais apensadas pelo interessado aos autos, para comprovar a receita de exportação auferida, são as que constam às fls. 1091199 do Anexo II e 021196 do Anexo III. Com base no Código Fiscal de Operações e de Prestações (Cfop) e nas informações complementares, entende-se que as citadas notas fiscais representam vendas de mercadorias adquiridas de terceiros com fim específico de exportação, o que impede, nos termos dos §§ 2° e 3° do art. 7° da Lei n° 10.63712002, cIc inc. VIII e IX do art. 46 da Instrução Normativa SRF n° 24712002 e do § 4° do art. 6° da Lei n° 10.83312003, a utilização de créditos de PIS e de Cofrns calculados sobre custos, encargos e despesas vinculados a essas vendas. Considerando que somente geram direito a crédito os custos, despesas e os encargos vinculados às receitas de exportação de produção do próprio sujeito passivo, CONCLUI-SE QUE NÃO HÁ QUALQUER CRÉDITO A SER RECONHECIDO AO POSTULANTE. (..) ante a inexistência de crédito a ser reconhecido ao interessado, não cabe, no processo em análise, a compensação de que trata a DCOMP Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou, em 23/07/2010, a manifestação de inconfomiídade de fls. 105/ 109, da qual consta: “A Autoridade que proferiu a decisão, ora vergastada, considerou equivocadamente que a madeira adquirida pela TRADELINK e efetivamente exportada não sofreu qualquer transformação ou beneficiamento, não se justificando, por isso, a incidência de insumos de produção, nem seus respectivos créditos, (...) baseando-se exclusivamente nas anotações das notas fiscais, que indicam, por exigência do fisco estadual, tratarem-se de “aquisições com fim especifico de exportação Ocorre que a T RADELINK é uma Indústria transformadora de madeira serrada, constando em seu cadastro Nacional da Pessoa Juridica CNPJ a atividade de serraria e fabricação de artefatos de madeira. bem como o comércio atacadista e varejista de madeira e produtos derivados (...). O equívoco do código fiscal de operações e prestações (Cfop) e a indicação de “aquisição com fim específico de exportação" nas informações complementares das notas fiscais são exigências da Fazenda Estadual para o reconhecimento da não incidência do ICMS nas exportações por meio de “Regime Especial dado sob determinadas condições, desvirtuando a Constituição Federal e a Lei Complementar 87/96 que não impõem tais restrições. Apesar de se saber que a exoneração do imposto estadual' não depende le almente de tais condi oes e im osi ões, o nao cum rimento das exi ências estaduais impediria a concessão do “Regime Especial ” e 0 direito a exoneração. Em que pese a indicação errônea na nota fiscal e a necessária submissão da Requerente às exigências do fisco estadual, fato é que a empresa adquiriu matéria-prima (madeira serrada) e a transformou em produto acabado ou semiacabado, para posterior exportação, podendo este fato ser comprovado mediante a documentaçao de exportação (..), onde constam os códigos de produtos finais. Além dos documentos fiscais e de exportação que comprovam todo o processo de beneficiamento, possui a empresa fluxogramas, onde são discriminados minuciosamente (do início ao fim), as fases de operação da madeira, bem como definidos os meios (maquinário, mão de obra) utilizados, identificando-se as mudanças do produto a cada fase. Esses documentos todos já estão presentes nos autos e falam por si só, bem como comprovam todos os argumentos e razões acima expendidos. Ainda, constou na ementa: Fl. 2172DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-014.057 - 1º Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12155.000170/2005-22 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica exportadora que adquira ou receba mercadorias com o fim específico de exportação, desoneradas da incidência da Cofins, não poderá descontar créditos decorrentes da não-cumulatividade desta contribuição relativamente às respectivas operações. DCOMP. QUANTUM RECONHECIDO DE CRÉDITO. A declaração de compensação, para ser homologada, depende da existência de direito creditório. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário querendo reforma em síntese nos termos de defesa anteriormente apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Relator. O recurso voluntário interposto pela recorrente atende aos requisitos de admissibilidade. Ademais a mais, reproduzo o voto DRJ: DO DIREITO CREDITÓRIO Sustenta a manifestante, em oposição à decisão proferida pela unidade de origem, que a mesma incidiu em equívoco, uma vez que haveria considerado que a madeira por si adquirida e efetivamente exportada não sofre qualquer transformação ou beneficiamento, não se justificando, por isso, a incidência de insumos de produção, nem seus respectivos créditos, baseando-se exclusivamente nas anotações das notas fiscais, que indicam, por exigencia do fisco estadual, tratarem-se de aquisições com fim específico de exportação. Sustenta que adquiriu matéria-prima (madeira serrada) e a transformou em produto acabado ou semi acabado, para posterior exportação, podendo este fato ser comprovado mediante a documentação de exportação, onde constam os códigos de produtos finais, além dos demais documentos juntados aos autos. Primeiramente, cumpre observar que as notas fiscais de entrada dos pretensos insumos sobre os quais o sujeito passivo pretende ver calculado 0 crédito em questão são as que foram juntadas aos autos, no que diz respeito à madeira (fis. 59/72, 165/166, 178/179, 193, 206/207, 220/221, 234/235 do anexo VII, dentre várias outras juntadas aos autos pela própria contribuinte nos demais anexos), bem como as constantes das fis. 40/174 do Anexo III, assim como, as constantes do Anexo IX, em relação aos demais bens. Dentre tais notas fiscais, como já evidenciado, encontram-se aquelas relativas ao bem sobre o qual incidiria o processo industrial invocado pela contribuinte, qual seja, madeira (serrada destinada à exportação - fl. 127 do Anexo VIII, v.g.; simplesmente serrada em bruto tipo exportação - fl. 234/235 do Anexo VII, v.g.; serrada tipo exportação - fl. 123, do Anexo VIII, v.g.; tipo exportação short”s - fl. 151 do Anexo VII, v.g., e outras nomenclaturas equivalentes). Por sua vez, na quase totalidade das notas fiscais de entrada do produto madeira, encontra-se grafada a declaração de que se trata de “Remessa comƒim específico de exportação Encontrase em várias de tais notas fiscais de entrada a advertência (no campo “Informações Complementares”) de que se trata de bens “destinados exclusivamente à exportação para o exterior diretamente pela compradora” (notas fiscais de fls. 59/72, 115/116, 165/ 166, 193 do anexo VII, v. g., dentre vánas outrasjuntadas aos autos pela própria contribuinte). Fl. 2173DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-014.057 - 1º Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12155.000170/2005-22 Rememore-se, neste ponto, que o art. 6% I, da Lei n° 10.833/2003, prescreve que "a COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de ( ... ) exportação de mercadorias para o exterior". Acresça-se que o Decreto-Lei n° 1.248/1972, no que diz respeito às operações realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, assegura ao produtor-vendedor (art. 3°) os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação. Em síntese, as vendas realizadas para empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação, correspondem a uma exportação e, nesse sentido, a receita respectiva encontra-se desonerada do PIS/Pasep e da Cofins (é que as empresas comerciais exportadoras, por óbvio, não devem atuar, em relação a tais operações, como estabelecimento industrial). Tenha-se em conta, ainda, que o art. 6% § 4% da Lei n° 10.833/2003 explicita que a`zmpresa comercial exportadora adquirente de mercadorias com o fim específico de exportação não poderá descontar créditos de PIS/Pasep referentes às operações em tela. No caso concreto, pelo que consta nos autos, revela-se evidente que a contribuinte recebeu o bem madeira com desoneração de COFINS, ou seja, a adquirente tinha pleno conhecimento da desoneração, haja vista o teor das anotações constantes das respectivas notas fiscais de entrada. Acrescendo ao que até aqui foi consignado, constata-se que a contribuinte, em suas notas fiscais de saída referentes ao trimestre de apuração objeto dos autos (fls. 175/199 do 'Anexo III, 02/ 199 do Anexo IV e 2/93 do Anexo V, dentre várias outras juntadas aos autos pela própria contribuinte) lançou o CFOP É (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros) ou o CFOP (Devolução de Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com natureza de operação de “devolução Exportação”). Ou seja, a interessada ratifica._por intermédio de documentação fiscal._que recebeu produtos acabados e. no trimestre em tela. suas saidas corresponderam exclusivamente a tais bens (e não a quaisquer outros que porventura possa. eventualmente, haver efetivamente submetido a processo industrial). Conclui-se, em assim sendo, que o sujeito passivo recepcionou produtos formalmente declarados como prontos e acabados, já para o fim último de exportação, atuando, no caso concreto, como uma comercial exportadora, não se lhe aproveitando, pois, a declaração de que veio, ulteriormente, a beneficiar estes mesmos produtos (o que não prova, uma vez que suas saídas todas correspondem a mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, ou seja, as saídas ocorridas no trimestre de apuração de interesse aos autos correspondem exclusivamente à madeira entrada em seu estabelecimento já para o fim último de exportação, segundo a própria documentação que fez juntar ao processo administrativo). Assinale-se que há de incidir na espécie a proibição de venire contra factum proprium. DAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO Toda declaração de compensação depende da existência de um crédito, razão pela qual deve ser homologada na exata medida do direito creditório reconhecido. Neste passo, como a contribuinte não teve reconhecido seu hipotético direito creditório em sede de manifestação de inconformidade a declaração de compensação não homologada pela unidade de origem permanece nessa mesma condição. Assim, deve ser mantido incólume o acórdão DRJ. CONCLUSÃO Diante do todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Fl. 2174DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-014.057 - 1º Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12155.000170/2005-22 Fl. 2175DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720382/2016-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2012 a 29/02/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos regimentais, mormente quanto à demonstração da alegada divergência jurisprudencial, o Recurso Especial deve ser conhecido.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições.
Caso em que constatada a inexistência de regras claras e objetivas, ladeada ao pagamento de PLR em valores desproporcionais ao rendimentos dos respectivos empregados.
Numero da decisão: 9202-011.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento com base na primeira matéria, restando prejudicada a análise da segunda matéria. Vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que davam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, mormente quanto à demonstração da alegada divergência jurisprudencial, o Recurso Especial deve ser conhecido. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DESCONFORME COM A LEI. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei n. 10.101/2000, integra o salário-de-contribuição, para fins de incidência de contribuições. Caso em que constatada a inexistência de regras claras e objetivas, ladeada ao pagamento de PLR em valores desproporcionais ao rendimentos dos respectivos empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento com base na primeira matéria, restando prejudicada a análise da segunda matéria. Vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, que davam provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 82 /2 01 6- 14 Fl. 1342DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Na origem, cuida-se de lançamento para cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, aí incluída a GIL/RAT, sobre os valores de remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR em desacordo com a lei. O relatório fiscal encontra-se às fls. 248/275. Impugnado o lançamento às fls. 282/322, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR julgou-o procedente às fls. 611/636, por meio do acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2012 a 29/02/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A participação nos lucros ou resultados só pode ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias quando paga pela empresa em total conformidade com a lei específica que disciplina a matéria. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. A responsabilidade tributária da empresa que sucede outra por incorporação abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é parte integrante do crédito tributário e, nessa condição, está sujeita à incidência dos juros de mora, conforme previsto nos artigos 113, § 1º, 139, e 161 do Código Tributário Nacional. Cientificado do acórdão de impugnação, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário às fls. 644/689, que foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção, ocasião em que foi negado provimento ao recurso por meio do acórdão 2201-004.942 – fls. 733/756. Inconformado, o autuado apresentou Embargos de Declaração às fls. 765/777, suscitando omissão, contradição e obscuridade no acórdão embargado, mas que foram rejeitados pela presidência da Turma às fls. 812/821. Ainda inconformado, o autuado interpôs Recurso Especial às fls. 830/872, pugnando pelo seu conhecimento e provimento com vistas ao cancelamento da cobrança e, subsidiariamente, na hipótese de o resultado do julgamento desta C. Turma dar-se por voto de qualidade do Presidente da Turma, nos termos do art. 25, §9° do Decreto n° 70.235/72 e art. 54 Fl. 1343DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 do RICARF, que seja cancelada a autuação, na parte em que remanescente, ou afastadas as penalidades impostas, com fulcro no art. 112 do CTN. Em 21/10/19 - às fls. 1236/1245 - foi negado seguimento ao recurso pela presidência da câmara recorrida. Registre-se, aqui, que também foi negado seguimento quanto à matéria “cancelamento das autuações em caso de empate quando do julgamento do recurso especial, com fulcro no art. 112 do CTN” Ainda irresignado, o sujeito passivo aviou Agravo às fls. 1254/1275, que foi acolhido pela Presidência da CSRF, a fim de que fosse dado seguimento ao recurso no tocante às matérias “existência de regras claras e objetivas no plano para pagamento de PLR” e “discrepância nos valores pagos a título de PLR” – fls. 1298/1305. Intimada do recurso interposto em 21/3/20 (processo movimentado em 20/2/20 – fl. 1306), a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões tempestivas em 6/3/20 (fl. 1327), às fls. 1307/1314, propugnando fosse negado provimento ao recurso manejado. Na mesma oportunidade, apresentou REsp de forma adesiva às fls. 1315/1326, requerendo fosse conhecido e provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido no ponto objeto da insurgência. Em 2/6/20 - às fls. 1330/1336 - foi negado seguimento ao recurso da Fazenda Nacional pela Presidência da Câmara recorrida É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator O Sujeito Passivo tomou ciência do despacho que rejeitara seus embargos tempestivos em 24/7/19 (fl. 827) e apresentou seu recurso tempestivamente em 7/8/19, consoante se denota de fl. 828. Passo, com isso, à análise dos demais requisitos para o seu conhecimento. Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fossem rediscutidas as matérias “existência de regras claras e objetivas no plano para pagamento de PLR” e “discrepância nos valores pagos a título de PLR”. O acórdão vergastado foi assim ementado, naquilo que importa ao caso: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Sua decisão se deu no seguinte sentido: Fl. 1344DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Contexto Passando ao caso e como já relatado acima, a empresa foi autuada em razão das deficiências apontadas pelo Fisco na PLR por ela instituída e paga. Apurou o autuante, em conclusão, que “as verbas pagas pela empresa a título de PLR, nada mais são do que instrumento de premiação/bonificação/comissão ou qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial.” Para tanto, identificou, em resumo, as seguintes irregularidades no acordo: 1 - Ilegitimidade da Comissão que negociara o acordo, já que seria a própria diretoria da empresa que escolheria os membros da comissão, ou seja, os integrantes da Comissão de Empregados não seriam eleitos por seus pares; II – não teria havido a participação efetiva de representante sindical no acordo, por diversas razões 1 ; III – Não existência de regras claras e objetivas, eis que, dentre outros pontos, haveria critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, tornando impossível a aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o § 1º, do art. 2º da Lei nº 10.101/00; e IV – Discrepância entre a PLR paga e os respectivos salários-base dos empregados que, em alguns casos, excedia a mais de 50 vezes o valor pago a título de salário. 1 EXTRAÍDO DO RELATÓRIO FISCAL a) Não integrou de fato a Comissão que celebrou o Termo de PLR datado de 22/03/2011, requisito exigido pela lei, a despeito de constar escrito no Termo que a Comissão é integrada pelos representantes do sindicato, Srs. Paulo Roberto Caixeta e Marcelo Giantomaso Cordeiro de Araujo; b) Nenhum representante do sindicato esteve presente, portanto não participou, de qualquer reunião realizada relativa ao acordo de PLR. Não compareceu à reunião que nomeou os membros da Comissão, da qual deveria ser, por exigência legal, um de seus membros. Tampouco compareceu à reunião de posse dos membros da Comissão, nem à reunião para discussão e deliberação sobre o Termo de PLR; c) Não há qualquer evidência de que a minuta do acordo foi enviada de fato ao sindicato da categoria dos empregados, para ciência, análise e considerações; o que ocorreu foi apenas a remessa “a posteriori” ao sindicato do Termo de PLR para arquivamento, fato esse comprovado por Carta emitida pelo próprio sindicato (ver item 5.30); d) Não houve qualquer participação do sindicato na celebração do Termo de PLR em 22/03/2011, o qual somente foi assinado posteriormente à celebração do mesmo por seus representantes, Srs. Paulo Roberto Caixeta e Marcelo Giantomaso Cordeiro de Araujo, fato este comprovado pela data de 11/04/2011, aposta ao lado da assinatura do Sr. Marcelo Giantomaso; e) Embora a empresa alegue que o sindicato foi convidado a participar de todas as reuniões, nenhum documento comprobatório de tal convite foi apresentado. Fl. 1345DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 Como bem apontado pelo relator do recorrido, o julgador de primeira instancia afastou a suposta irregularidade no tocante à ilegitimidade da Comissão de Empregados, restando controvertido, até o julgamento neste Conselho, as inconsistências elencadas nos itens II a IV acima. Ocorre que após afastar a acusação atinente à ausência de representante sindical nas negociações, o colegiado recorrido houve por bem chancelar as outras duas últimas, com enforque nos seguintes argumentos: Ausência de Regras Claras e Objetivas: [...] Entretanto, entendimento desfavorável à tese da recorrente foi assentado pela DRJ nos seguintes termos: Um dos critérios para pagamento da PLR era a Avaliação de Desempenho, cuja estrutura era composta por “Resultados” e “Competências”. Os “Resultados” eram os previstos nos Anexos I e II. Já as “Competências” estão previstas de forma totalmente genérica, como um “conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que possibilitam o desempenho de determinada função e o alcance de resultados concretos”. Fica evidente que o Termo do PLR não definiu quais seriam as competências para cada cargo e área de atuação, nem quais seriam os critérios de verificação do atendimento dessas competências. Foi feita apenas uma remissão ao “Dicionário de Competências” constante da intranet da empresa, o que leva à conclusão de que esse elemento da Avaliação de Desempenho não foi definido de forma clara e objetiva. Na verdade, pelo que consta no Termo de PLR, esse item nem foi objeto de negociação entre empresa e empregados, pois na prática a definição ficou a critério da empresa (que evidentemente é responsável pelo conteúdo do seu portal de intranet). De fato, a sucedida da recorrente utiliza fórmulas com bases de cálculo desconhecidas e não previamente definidas como, por exemplo, o Valor Referencial Individual (VRI). Em razão disso, o empregado não consegue estimar o valor de sua parcela de PLR e não sabe previamente, portanto, qual o incentivo receberá pela melhoria dos resultados ou do lucro. Assim, não existia critério de avaliação claro e objetivo, em uma evidente infringência à Lei nº 10.101/2000, mais especificamente ao § 1º do art. 2º: [...] É forçoso reconhecer que não existiram metas claras e objetivas no plano de PLR da recorrente. A forma encontrada pela empresa para avaliar o alcance das metas institucionais não poderia ser mensurada pelo empregado. Destarte, entendo que a autoridade lançadora agiu com acerto ao considerar o PLR da recorrente em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Discrepância nos valores pagos a título de PLR: É certo que a lei não limita os pagamentos de PLR ao empregado, mas a mesma é taxativa ao prevê que tais pagamentos não podem substituir ou complementar a remuneração do empregados. Fl. 1346DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 A Lei nº 10.101/2000 em seu art. 3º veda expressamente que a PLR substitua ou complemente a remuneração do obreiro. Cabe ao intérprete analisar caso a caso, a tentativa de burla à lei. Não me parece razoável e proporcional que um empregado auferindo pouco mais de R$ 1.000,00 mensais, como foi o caso de Julio Cesar Botega, possa receber R$ 46.633,04 anuais de PLR, valor esse que corresponde a mais de 40 (quarenta) vezes o seu salário mensal, sem que isso não possa ser caracterizado como uma remuneração disfarçada. A planilha de fls. 183/230 aponta a discrepância entre a PLR e os salários pagos a vários empregados nos anos de 2012. Para esses obreiros, a meu ver, restou caracterizada a PLR como substituto ou complemento da remuneração, posto que as parcelas recebidas do programa pela sua proporção representavam uma contraprestação pelo trabalho ordinário realizado mensalmente, e não um plus pecuniário pelo incremento produtivo, resultante da integração entre o capital e o trabalho. Destarte, é imperioso reconhecer que os pagamentos efetuados sob o manto da imunidade, devem ser considerados como integrantes do salário de contribuição, eis que pagos em desacordo com os ditames estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Pois bem. Feito o breve resumo, passo á análise do conhecimento do recurso. Conhecimento. Ausência de Regras Claras e Objetivas: Nesse ponto, a recorrente procurou refutar, uma a uma, as razões expostas pelo colegiado a quo em função das quais entendera inexistir regras claras e objetivas no acordo de PLR sob exame. Indicou, para essa matéria, os acórdãos de nº 2202-005.193 e 2301-003.755 como paradigmas representativos do dissídio jurisprudencial. A presidente da Câmara recorrida havia negado seguimento ao recurso, após asseverar, acertadamente, que a decisão objurgada considerou duas circunstâncias que conduziram à conclusão de que inexistiram regras claras e objetivas no plano de PLR, quais sejam: a) Previsão de regras em documento apartado - Os resultados a serem alcançados estariam previstos apenas nos anexos I e II do acordo; e b) Impossibilidade dos empregados de acompanharem o cumprimento das metas. - As competências estariam previstas apenas de forma totalmente genérica, como um “conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que possibilitam o desempenho de determinada função e o alcance de resultados concretos”, sendo certo que haveria, no acordo, apenas uma remissão ao “Dicionário de Competências” constante da intranet da empresa, o que, por mais esse motivo, levou à conclusão de que esse elemento da Avaliação de Desempenho não teria sido definido de forma clara e objetiva. Ainda assentou a decisão recorrida que a autuada utilizara fórmulas com bases de cálculo desconhecidas e não previamente definidas como, por exemplo, o Valor Referencial Individual (VRI). Logo em seguida, examinando os paradigmáticos indicados, concluiu que enquanto no primeiro acórdão paradigma tratou-se apenas da existência de metas em documento em apartado, não se pronunciando acerca de regras desconhecidas pelos empregados; no segundo concluiu-se que os parâmetros, havidos como de difícil compreensão pelo colegiado recorrido, Fl. 1347DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 teriam sido considerados regulares por aquele outro colegiado, não se manifestando acerca de metas constantes fora do acordo e lançadas na intranet da empresa, como se verificou no caso em tela. Todavia, a Presidência desta CSRF houve por bem acolher o Agravo interposto para dar seguimento ao recuso. Naquela oportunidade, firmou o entendimento de que: A bem da verdade, a demonstração da divergência deve contemplar os dois óbices apontados no acórdão recorrido, quer isto seja atendido integralmente com um só paradigma, ou com dois. É incontroverso que o primeiro paradigma é suficiente para demonstrar a divergência em relação ao primeiro óbice. Quanto ao entendimento acima, este colegiado, em recente julgado, refiro-me ao acórdão 9202-010.901, de 26/7/23, refutou a tentativa de que fosse devolvido matéria que envolvia valoração de provas, mediante a estratificação das razões de decidir do recorrido, para que fossem apresentados tantos paradigmas, inclusive de colegiados distintos, quantos fossem essas razões de decidir, fazendo-se necessária a conjugação de todos os demais colegiados para fazer crer uma similitude fática com vistas a contrapor os argumentos do acórdão hostilizado em relação à matéria. Com efeito, parece-me que o paradigma adequando seria aquele que, tratando da mesma matéria em relação a plano com as características do destes autos, decidira por considerá-lo regular quanto a este aspecto. E nesse sentido, tanto o despacho agravado quanto o de agravo, entenderam que o primeiro paradigma não abordaria situação similar a destes autos. Confira-se o excerto a seguir, extraído do despacho de agravo: Efetivamente, o primeiro paradigma não aborda uma situação similar à do recorrido no que toca à impossibilidade de os empregados conhecerem previamente como será calculado sua parcela de PLR. Com isso, resta-nos examinar o segundo paradigma, acórdão 2301-003.755. O despacho de Agravo, após destacar que referido julgado abordara plano do mesmo contribuinte em outro período de apuração, concluiu que a divergência estaria evidenciada em razão do tratamento dado pelos colegiados envolvidos às regras postas nos planos. Enquanto aqui, entendeu-se tratar de regras de difícil compreensão por parte dos envolvidos; lá, que essa eventual complexidade deveria levar em conta a experiência que possuem as partes acerca do assunto, não importando o quão complexo sejam as regras aos olhos do autuante (Fisco). Todavia, conforme salientado linhas acima, um fator preponderante para a manutenção do lançamento pelo colegiado recorrido residiu não apenas na propalada complexidade do entendimento das regras, de fato afastada pelo colegiado paradigmático, mas também no fato de o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que possibilitam o desempenho de determinada função e o alcance de resultados concretos”, não constarem do acordo, mas apenas uma remissão ao “Dicionário de Competências” constante da intranet da empresa. E, nesse ponto, a “Cláusula quarta – Estrutura da Avaliação de Desempenho” do acordo de PLR do paradigma continha previsão similar a que se tem no recorrido, nos seguintes termos: Fl. 1348DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 Nesse rumo, reputo acertado o despacho de agravo que concluiu por dar seguimento ao recurso com esteio nesse paradigma 2301-003.755, motivo pelo qual, encaminho por conhecer do apelo especial. Discrepância nos valores pagos a título de PLR: Quanto a esta matéria, a tese defensiva resume-se à inexistência de imposição legal para o pagamento da PLR observando-se eventual limite de proporcionalidade em relação à remuneração dos empregados. Nesse rumo, indicou os acórdãos 2202-005.193 e 2301-003.755 como paradigmas representativos da divergência jurisprudencial que pretende ver resolvida a seu favor. Cumpre destacar aqui, que a Presidência da Câmara recorrida admitiu, diga-se, acertadamente, demonstrada a divergência jurisprudencial no tocante a esta matéria, mas que em razão do não seguimento em relação à anterior, concluiu por negar seguimento ao recurso, já que se tratavam de matérias autônomas que, de per si, seriam suficientes à manutenção do recorrido. Com efeito, corroboro o despacho de prévia admissibilidade e encaminho por conhecer do recurso quanto a esta matéria, destacando-se o seguinte excerto daquele despacho: De fato, o paradigma dá interpretação da Lei 10.101/2000 divergente daquela adotada no recorrido. Enquanto neste adotou-se a tese de que, havendo desproporção entre o salário do empregado e o valor pago a título de PLR, a lei de regência resta descumprida; ao passo que no paradigma o entendimento firmado foi no sentido de que não há qualquer baliza legal ao valor a ser pago a título de PLR. Mérito. Ausência de Regras Claras e Objetivas: Quanto ao mérito e como citado alhures, o autuado buscou refutar uma a uma as irregularidades apontadas pelo autuante. Pois bem. Cumpre destacar, de plano, que se trata de período anterior à vigência da Reforma Trabalhista, o que significa dizer haver uma significativa diferença em termos tributários entre se pagar prémio por desempenho e se pagar PLR na forma dos artigos 1º a 3º da Lei 10.101/2000. Fl. 1349DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 Em relação aos prêmios, a PLR possui, dentre outros, um ingrediente próprio que é o compartilhamento do Lucro ou Resultado com aqueles que, a rigor, não participam do capital social da empresa. E é justamente essa a ideia, de se promover a integração entre o capital e o trabalho, que está preconizada no artigo 1º da Lei 10.101/2000 e não a de simplesmente pagar um prêmio pelo desempenho (superior) do empregado. Nesse sentido, todo o esforço do empregado, a justificar esse compartilhamento do lucro, deve ser voltado ao seu incremento, é dizer, daquilo que será compartilhado. Com efeito, dada a incontestável diferença de tratamento tributário entre as espécies torna-se inarredável o interesse do Fisco no cumprimento, por parte dos envolvidos – empregador, empregado e representantes sindicais – dos requisitos exigidos na lei. Daí entender esse relator que não basta que as regras, ainda mais quando complexas ou de difícil mensuração/acompanhamento, sejam eventual e alegadamente compreendidas pelos empregados, os quais, tal como o empregador, têm, em tese e em um primeiro momento, interesse na não tributação da verba; quanto mais disponibilizadas e/ou complementadas apenas em sistemas internos da empresa, tal como se tem no caso em questão, em que, segundo asseverou o colegiado recorrido, o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que possibilitam o desempenho de determinada função e o alcance de resultados concretos”, não constaram do acordo, mas haveria apenas uma remissão ao “Dicionário de Competências” constante da intranet da empresa. Tenho, com isso, que em sendo do interesse do Fisco a confirmação de que se está a pagar uma PLR e não um prêmio, por exemplo, seria razoável que a ele fosse conferido juízo de valor acerca dos contornos do acordo entabulado, sob pena de se admitir como regular toda a sorte de plano que viesse, inclusive, a subverter o espírito da norma, pagando-se prêmio sob a roupagem de PLR, com a conivência das partes envolvidas. E mais, reafirmo e aquiesço com o constatado pelo julgador de primeira instância quando asseverou a subjetividade na aferição do “VRI – Valor Referencial Individual” que comporia a fórmula para definição do Valor Distribuído ao Funcionário (VDF). Confira-se: Observou também a fiscalização que a cláusula terceira do Anexo I determina que o valor da PLR dos empregados de negócios internos será obtido por meio de uma fórmula que contém um componente que é atribuído a cada empregado de formato totalmente subjetiva pela empresa (VRI – Valor Referencial Individual). [...] Como se pode observar, o elemento VRI – Valor Referencial Individual é obtido mediante aplicação de outro elemento – o VBIS – Valor Base Individual Semestral, para o qual não há definição dos critérios e da forma de apuração. O Termo de PLR estabelece apenas que o empregado será informado a respeito do VBIS que lhe foi atribuído e que em caso de necessidade de ajuste as alterações serão processadas consensualmente. Isso leva à conclusão de que o VRI - Valor Referencial Individual (e conseqüentemente o valor da participação nos lucros ou resultados paga a cada empregado) é atribuído de maneira unilateral pela empresa, sem vinculação a nenhuma regra expressa. Fl. 1350DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 Assim, não se pode considerar que o instrumento que embasou o pagamento de PLR contém regras claras e objetivas, restando assim desatendida a regra prevista no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000: [..] Não bastasse, ainda há a questão das competências dos empregados avaliadas, assim como a forma como essa avaliação se daria. Sobre esse ponto, registro, mais uma vez, as inconsistências reafirmadas pelo julgador de primeira instância, nos seguintes termos: Fica evidente que o Termo do PLR não definiu quais seriam as competências para cada cargo e área de atuação, nem quais seriam os critérios de verificação do atendimento dessas competências. Foi feita apenas uma remissão ao “Dicionário de Competências” constante da intranet da empresa, o que leva à conclusão de que esse elemento da Avaliação de Desempenho não foi definido de forma clara e objetiva. Na verdade, pelo que consta no Termo de PLR, esse item nem foi objeto de negociação entre empresa e empregados, pois na prática a definição ficou a critério da empresa (que evidentemente é responsável pelo conteúdo do seu portal de intranet). Em sua impugnação o contribuinte apresentou trechos do Anexo III do Termo de PLR, os quais conteriam exemplos práticos do método de pontuação utilizado. Contudo, os trechos destacados na impugnação referem-se apenas ao detalhamento da forma de cálculo, aspecto puramente matemático da avaliação, o que não supre a falta de clareza a respeito dos conceitos das competências dos empregados a serem consideradas. Em outras palavras, no Termo de PLR houve detalhamento da forma de cálculo, mas não houve esclarecimento a respeito da matéria de fundo que serviria de premissa para esse cálculo, ou seja, das competências que deveriam ser apresentadas por cada empregado para ter direito ao recebimento da PLR. [...] Portanto, todas as regras e condições da PLR devem constar no instrumento de negociação elaborado com participação direta de representantes dos empregados e do sindicato da respectiva categoria, não podendo ser admitida uma simples delegação dos trabalhadores para que a empresa defina os critérios de pagamento. Isto é, o instrumento de negociação relativa à PLR não pode se resumir à concessão de uma “carta branca” ao empregador, sob pena de burla ao § 1º acima transcrito. No presente caso, é visível que as “competências” a serem consideradas na Avaliação de Desempenho não foram definidas no Termo de PLR, o qual simplesmente remeteu essa matéria ao conteúdo de portal de intranet da empresa. Nesse contexto, não há como considerar que o instrumento de negociação contém regras claras e objetivas em relação à Avaliação de Desempenho (que é um dos itens decisivos para a verificação da existência do direito ao recebimento da verba), restando assim descumprida a exigência legal. Cumpre destacar, como bem observou o julgador de primeira instancia, quando asseverou que - os trechos destacados na impugnação referir-se-iam apenas ao detalhamento da forma de cálculo, aspecto puramente matemático da avaliação, o que não suprira a falta de clareza a respeito dos conceitos das competências dos empregados a serem consideradas - que me parece existir uma certa confusão por parte do recorrente entre haver “objetivamente” regras e haver regras objetivas.. Uma coisa é haver a demonstração do cálculo a partir do qual se chegará ao valor a ser distribuído; outra, bem diferente por sinal, é haver um subjetivismo na Fl. 1351DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-011.224 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.720382/2016-14 análise do comportamento/conduta/desempenho do empregado que lhe valerá determinada pontuação. Nesse rumo, encaminho o voto no sentido de reputar como acertada a concussão a que chegou o colegiado a quo, motivo pelo qual, nego provimento ao recurso quanto a esta matéria. Discrepância nos valores pagos a título de PLR: Tendo em vista o desprovimento do recurso em relação à primeira matéria, é de se reconhecer prejudicada a análise de mérito no que toca a este tema, eis que seu eventual provimento será insuficiente à reforma do acórdão recorrido e, por conseguinte, ao cancelamento do lançamento quanto ao correspondente acordo de PLR. Forte no exposto, VOTO por CONHECER do recurso para NEGAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1352DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16707.002169/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
LANÇAMENTO INCONTROVERSO. MULTA DE MORA. EXECUÇÃO
ADMINISTRATIVA. RETIFICAÇÃO DE DARF.
Em virtude de não haver controvérsia quanto à higidez do lançamento, e a exigência conter multa de mora tão somente, a matéria relativa à satisfação do crédito tributário deve ser levada em conta em sede de execução administrativa, momento em que devem ser observados os documentos trazidos aos autos, e se for o caso, ser efetuada a retificação de DARF.
Numero da decisão: 3101-001.163
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO INCONTROVERSO. MULTA DE MORA. EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA. RETIFICAÇÃO DE DARF. Em virtude de não haver controvérsia quanto à higidez do lançamento, e a exigência conter multa de mora tão somente, a matéria relativa à satisfação do crédito tributário deve ser levada em conta em sede de execução administrativa, momento em que devem ser observados os documentos trazidos aos autos, e se for o caso, ser efetuada a retificação de DARF.
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MULTA DE MORA. EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA. RETIFICAÇÃO DE DARF. Em virtude de não haver controvérsia quanto à higidez do lançamento, e a exigência conter multa de mora tão somente, a matéria relativa à satisfação do crédito tributário deve ser levada em conta em sede de execução administrativa, momento em que devem ser observados os documentos trazidos aos autos, e se for o caso, ser efetuada a retificação de DARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Tarásio Campelo Borges Presidente Substituto. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 06/07/2012 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Elias Fernandes Eufrásio, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Contra a empresa já qualificada foi lavrado o Auto de Infração, a seguir especificado, para exigência de crédito tributário, referentes aos acréscimos legais não pagos ou pagos a menor calculados sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, período de apuração de janeiro a dezembro/2002, recolhido com atraso, no valor total de R$ 47.208,57 (quarenta e sete mil, duzentos e oito reais e cinqüenta e sete centavos). 2.Por meio do relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 39, o AFRFB autuante descreve o seguinte fato: pagamento de tributo ou contribuição após o vencimento, com falta ou insuficiência de acréscimos legais. 3.Inconformada, a contribuinte, por seu procurador, instrumento, fl. 04, apresentou a peça impugnatória de fls. 01/03, afirmando, em síntese, que: 3.1 – inobstante as assertivas apresentadas pelo auditor fiscal autor do auto de infração, labora em equívoco o mesmo, posto que devidamente pagos os tributos apontados, inexistindo a infração indicada, impondo a improcedência da autuação; 3.2 – tem sido comum a imposição de autos de infração pela Receita Federal em face da análise das DCTF de contribuintes, os quais apontam à inexistência do pagamento de tributo ou acréscimos legais tido como realizados nas referidas declarações e não encontrados no contacorrente do respectivo contribuinte, chegandose, ao final do processo administrativo instaurado, pela comprovação do pagamento do crédito tributário apontado; 3.3 – o auto de infração impugnado tem por base a cobrança de acréscimos legais de Cofins recolhidos no ano calendário 2002. Ocorre que referidos acréscimos foram devidamente pagos, em valores e datas próprias, como se infere das cópias do SIAF obtidas na própria Secretaria da Receita Federal (doc. 02 anexo), fls. 24/35, onde constam os registros dos referidos pagamentos. A DRJ no RECIFE/PE considerou a Impugnação Improcedente, ementando o acórdão assim: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 16707.002169/200761 Acórdão n.º 310101.163 S3C1T1 Fl. 146 3 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 MULTA DE MORA. Os débitos para com a União, de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 91 e seguintes, onde reprisa os argumentos esgrimidos em primeiro grau, ou seja, diz que já pagou, e requer a insubsistência do auto de infração. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Ao meu sentir, não há controvérsia propriamente quanto à higidez do lançamento, que não é contestado em seus valores, nem em relação à sua causalidade, apenas restando discussão quanto à satisfação do crédito tributário (que diz já ter sido pago). Na primeira instância a alegação também foi ofertada, e a decisão recorrida ponderou o seguinte: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Examinandose tais documentos, verificamos a existência de valores idênticos aos constantes do “Anexo IV – Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar – Não Pagos ou Pagos a Menor”, fls. 52. Todos teriam sido recolhidos em 29 de agosto de 2006, quitação conforme Portaria SRF nº 913, de 25 de julho de 2002. No entanto, tais valores teriam sido recolhidos de acordo com o código de receita 2172 (cofins) e não o código de receita 6337 (multa cofins isolada). Apesar de haver menção ao código de receita 6337 (multa cofins isolada), notase que no caso concreto a exigência não contém multa isoladamulta de ofício, e sim multa de mora tão somente, esta devida em virtude do pagamento intempestivo da obrigação tributária principal sem a multa moratória, conforme se pode verificar da fl. 55 dos autos: Quadro I Orientações validas para preenchimento do DARF e pagamento até 30/03/2007. Percebese, outrossim, que também não há exigência do débito principal, de qualquer multa de ofício ou de juros. Dito isso, penso que a matéria é para ser levada em conta em sede de execução administrativa, e não ser objeto de análise deste Colegiado, até porque a decisão recorrida observou em seu penúltimo parágrafo: Em face dos documentos apresentados pela Impugnante, de fls. 24/35, (SIAF2006 DOCUMENTO CONSULTA CONDARF) (ARRECADAÇÃO FINANCEIRA DARF), terem os valores idênticos ao demonstrativo, de fl. 52, porém com o código de receita 2172 (COFINS) e não 6337 (multa isolada Cofins), quando da cobrança sejam observados tais documentos e se for o caso efetuar a retificação do DARF. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de junho de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 170DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001504/2004-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: julho/2001 a junho/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N°l. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passio de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3401-001.218
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Numero do processo: 10768.907008/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000
BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. REGIME CUMULATIVO. VALORES DE INTERCONEXÃO PAGOS A OUTRAS OPERADORAS. INDEDUTIBILIDADE.
Os valores pagos pelas empresas de telecomunicações a outras operadoras de telefonia a título de interconexão não são excluídos da base de cálculo do PIS e Cofins, que nessa atividade continuam submetidos ao regime cumulativo, onde vigora a incidência bis in idem e os custos não são dedutíveis.
Numero da decisão: 3401-001.201
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (relator), Fernando Marques Cleto e Dalton Cordeiro Miranda. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000 BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. REGIME CUMULATIVO. VALORES DE INTERCONEXÃO PAGOS A OUTRAS OPERADORAS. INDEDUTIBILIDADE. Os valores pagos pelas empresas de telecomunicações a outras operadoras de telefonia a título de interconexão não são excluídos da base de cálculo do PIS e Cofins, que nessa atividade continuam submetidos ao regime cumulativo, onde vigora a incidência bis in idem e os custos não são dedutíveis.
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SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. REGIME CUMULATIVO. VALORES DE INTERCONEXÃO PAGOS A OUTRAS OPERADORAS. INDEDUTIBILIDADE. Os valores pagos pelas empresas de telecomunicações a outras operadoras de telefonia a título de interconexão não são excluídos da base de cálculo do PIS e Cofins, que nessa atividade continuam submetidos ao regime cumulativo, onde vigora a incidência bis in idem e os custos não são dedutíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (relator), Fernando Marques Cleto e Dalton Cordeiro Miranda. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente (assinado digitalmente) JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator (assinado digitalmente) EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Designado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento da COFINS de março de 2000, supostamente recolhida a maior, transmitido por PER/DCOMP em 15/10/2003 (fls.04/08), para compensar com a COFINS de setembro de 2003. A Delegacia da Receita Federal de origem indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação, sob fundamento de que a contribuinte, operadora telefônica, retirou, indevidamente, da base de cálculo da contribuição, os valores transferidos a terceiro em decorrência de operação de interconexão (fls. 35/41). Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 63/78), a qual não obteve sucesso, vez que a DRJ Rio de Janeiro II indeferiu a restituição e não homologou a compensação, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa (fls. 122/125): “SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. CUSTOS. INDEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins é o total do valor cobrado pela prestação de serviços de telecomunicação. Não podem ser deduzidos os custos de utilização, pela prestadora do serviço, de rede de telecomunicações de terceiros. Dispositivos Legais: Lei n° 9.718/1998, arts. 2° e 3"; AD SRF n° 56/2000. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada”. A contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 29/01/2010 (fl.127) e interpôs Recurso Voluntário em 02/03/2010 (fls.129/150) alegando, em resumo, o seguinte: 1a interconexão é a operação pela qual uma operadora, quando não tem rede no local para o qual foi realizada a ligação, utilizase da rede de terceiros; 2 No caso de interconexão há duas prestações de serviço. A primeira o prestador é a companhia que origina a chamada, o tomador de serviço é a consumidor que realiza a ligação e o preço é a tarifa cobrada na conta telefônica; a segunda prestação de serviço é a interconexão, onde o prestador de serviço é a operadora que termina a chamada, o tomador é a companhia que origina e o preço é a tarifa de interconexão, a qual é recebida pela companhia que origina a chamada, mas é transferido para a companhia que a finaliza. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10768.907008/200684 Acórdão n.º 3401001.201 S3C4T1 Fl. 177 3 3 A interconexão é dever legal, sob pena de intervenção da ANATEL; 4 A tarifa de interconexão é, para a operadora que a paga, receita de terceiro que deve ser excluída da base de cálculo da COFINS. Ao fim, a recorrente pediu o reconhecimento do direito creditório com a devida atualização, bem como a extinção do crédito tributário constante na declaração de compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente é empresa de telecomunicações que recolheu a COFINS sobre valores do serviço de interconexão de rede. Contudo, alega que o custo da interconexão, apesar de ser cobrado na conta telefônica, é receita de terceiro, de modo que não compõe a base de cálculo da contribuição e, consequentemente, a COFINS foi recolhida a maior, devendo ser ressarcida. Antes da análise do caso concreto, fazse necessário o entendimento da operação de interconexão. A interconexão é a operação pela qual uma operadora telefônica utiliza a rede de outra operadora para completar a chamada, quando seu cliente realiza ligação para local onde a primeira operadora não tem rede. O Parágrafo Único, do art. 146, da Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, conhecida como Lei Geral da Telecomunicação, define a interconexão de redes da seguinte forma: “Parágrafo único. Interconexão é a ligação entre redes de telecomunicações funcionalmente compatíveis, de modo que os usuários de serviços de uma das redes possam comunicarse com usuários de serviços de outra ou acessar serviços nela disponíveis”. Mas para a utilização da rede de outra operadora, a operadora que origina a ligação paga uma tarifa, conforme item 3.5.1, da Norma NGT nº 24/96, aprovada pela Portaria nº 1.537/96, do Ministério das Comunicações, in verbis: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 “3.5.1. As Entidades Credoras receberão, mediante pagamento das Entidades Devedoras, remuneração pelo uso de suas respectivas Redes na Chamada Interredes”. O item 3.3.1, da mesma norma, ainda esclarece o seguinte: “3.3.1. Na realização de uma Chamada Interredes, a Entidade Devedora será aquela que emite a fatura do serviço, ao Assinante ou as Concessionárias de SMC de origem de assinantes visitantes, e registra, contabilmente, como receita, o valor correspondente a comunicação realizada”. Do dispositivo acima, chegase a duas conclusões: (1) valor da interconexão está embutido na conta de telefone do cliente, que paga para a operadora de origem; (2) apesar de a operadora de origem registrar o valor como receita sua, o montante é repassado para a dona da rede, configurandose, portanto, receita de terceiro. Como a COFINS incide sobre receita própria, indevida é a cobrança de valores repassados a terceiros, de modo que tem razão a contribuinte ao exigir o ressarcimento. Em situação semelhante, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao julgar o Processo 10166.000888/200131, em 24/01/2006, assim decidiu: “COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. ‘ROAMING’. As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido ‘faturamento bruto’ para, sobre ele, exigir o tributo.Recurso especial negado”.(grifo nosso) A decisão acima ratifica o entendimento descrito até aqui, qual seja: a receita recebida pela operado que inicia a ligação, quando se tratar do valor referente à interconexão, não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS, por ser receita de terceiro. A autoridade fiscal, por meio de diligência, constatou que o valor excluído da base de cálculo, na formalização do pedido de ressarcimento, é referente à operação de interconexão de rede, o que torna tal fato incontroverso e desnecessário a produção de provas pela recorrente. Em suma, a contribuinte recolheu a COFINS a maior, haja vista ter calculado sobre receita de terceiros e, por isso, tem direito ao ressarcimento e à compensação declarada, na forma do art. 170 do CTN. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10768.907008/200684 Acórdão n.º 3401001.201 S3C4T1 Fl. 178 5 Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório, do valor repassado a terceiro, bem como a homologação da compensação declarada. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2011. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Voto Vencedor Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis Peço vênia ao ilustre relator para dele discordar, por interpretar que os valores de interconexão pagos pela Recorrente a outras empresas de telecomunicações não devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e COFINS. Daí o indeferimento do ressarcimento. A Recorrente, ao prestar os serviços de telecomunicações aos seus clientes (os assinantes ou usuários, nas normas da Anatel), também utiliza a rede de outras operadoras. Os seus clientes, chamados visitantes em relação às demais operadoras, visitadas, possuem contrato tãosomente com a Recorrente, enquanto esta é que contrata com as demais empresas de telecomunicações (visitadas). Temse, assim, dois contratos distintos e independentes, firmados pela Recorrente: um com seus clientes, outro com as demais operadoras, que quando visitadas são credoras em relação à Recorrente, e quando visitantes, devedoras. Por inexistir qualquer contrato entre os clientes da Recorrente e as demais operadoras, a assunção de dívidas e os pagamentos respectivos são igualmente independentes: os clientes assumem o compromisso de pagar à Recorrente por todos os serviços prestados, incluindo os que demandam interconexão, e ela se torna devedora ou credora em relação a cada uma das demais operadoras, a depender das interconexões entre si. Ainda que na fatura de serviços de cada cliente sejam discriminados os minutos e valores de interconexão, tais valores são devidos à Recorrente, e não às demais operadores, sendo exigidos conforme o contrato firmado entre a Recorrente e seu cliente, e não conforme os contratos entre as diversas empresas de telecomunicação. Tanto é assim que inúmeros planos de telefonia contratados com os assinantes ou usuários contemplam preços de roaming1, de deslocamento e de adicional por chamada em viagens inferiores aos estipulados no plano básico da operadora visitada. A regulamentação feita pela Anatel, inclusive, prevê a possibilidade de os descontos concedidos aos clientes não afetarem os valores devidos às operadoras credoras ou visitadas, como se vê no subitem 6.1 da Norma Geral de Telecomunicações (NGT) nº 24, aprovada pela Portaria do Ministério das Comunicações nº 1.537, de 04/11/1999. Essa Norma 1 Termo empregado para designar o uso do serviço móvel por usuário de uma operadora de celulares na condição de visitante, por se encontrar na área de concessão de outra operadora (visitada ou credora). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 ainda evidencia que as operadoras credoras ou visitadas recebem das operadoras visitantes (e não dos clientes ou assinantes desta), como se vê nos subitens 3.5.1 e 3.6.1, e que uma operadora pode oferecer descontos às demais (e não aos assinantes), como consta do subitem 3.6.2. Observese a referida Norma (negritos acrescentados): 3.1.3. A remuneração devida pela Entidade Devedora à determinada Entidade Credora, será calculada com base no valor da Tarifa de Uso, na forma desta Norma, e no tempo de duração da Chamada Interredes faturada ao Assinante ou Usuário. (...) 3.3. Identificação da Entidade Devedora 3.3.1. Na realização de uma Chamada Interredes, a Entidade Devedora será aquela que emite a fatura do serviço, ao Assinante ou as Concessionárias de SMC de origem de assinantes visitantes, e registra, contabilmente, como receita, o valor correspondente a comunicação realizada. 3.3.1.1. Na prestação do Serviço Móvel Celular a Assinante vinculado a outra Concessionária de SMC, a Concessionária de SMC que prestou o serviço será considerada a Entidade Credora, devendo receber o valor correspondente à receita da comunicação realizada, da Concessionária de SMC do respectivo Assinante que, nestas situações, passa a ser a Entidade Devedora. 3.3.2. Na Chamada Interredes de âmbito Internacional, faturada ao Assinante no exterior, a Entidade Devedora será a Empresa Exploradora de Troncos Interestaduais e Internacionais. 3.4. Identificação da Entidade Credora 3.4.1. Entidade Credora é aquela que, não sendo a Entidade Devedora, teve a sua Rede usada na realização de Chamada Interredes. 3.5. Receitas com Tarifas de Uso 3.5.1. As Entidades Credoras receberão, mediante pagamento das Entidades Devedoras, remuneração pelo uso de suas respectivas Redes na Chamada Interredes. 3.5.1.1. Chamada Interredes destinada a Assinante do Serviço Móvel Celular: a) a Entidade Devedora será responsável pela remuneração das Redes envolvidas, desde a origem da chamada até a área de Registro do Assinante recebedor da chamada; b) caso o Assinante de destino esteja localizado fora de sua Área de Registro, além do observado na alínea "a" anterior, aplicase também o seguinte: b1. a remuneração das Redes entre a Área de Registro do Assinante até a sua real localização, será responsabilidade da Concessionária do Assinante do Serviço Móvel Celular, que Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10768.907008/200684 Acórdão n.º 3401001.201 S3C4T1 Fl. 179 7 para todos os efeitos, no tocante àquele trecho, será considerada a Entidade Devedora. 3.6. Despesas com Tarifas de Uso 3.6.1. A Entidade Devedora será a responsável pelo pagamento às Entidades Credoras pelo uso efetuado de suas respectivas Redes na Chamada Interredes. (...) 3.7. Chamada Interredes de Âmbito Internacional Sainte, Faturada no País 3.7.1. A Entidade Devedora procederá da seguinte maneira em relação à receita do serviço: a) à própria Entidade Devedora, conforme critérios definidos nesta Norma, será devido o valor correspondente a remuneração pelo uso de sua Rede Móvel, na realização da Chamada Inter redes; b) às Concessionárias de STP são devidos os valores correspondentes à remuneração pelo uso de suas Redes Interurbanas; e c) à Empresa Exploradora de Troncos Interestaduais e Internacionais será devida a diferença entre a receita faturada e os valores dos itens "a" e "b" anteriores. 4. Valor das Tarifas de Uso 4.1. Norma específica do Ministério das Comunicações definirá a forma e as condições de obtenção dos valores para as Tarifas de Uso, aplicáveis à remuneração das Redes, na forma desta Norma. 4.2. A Norma citada no item anterior deverá instituir valor, por unidade de tempo, para as Tarifas de Uso de cada Entidade envolvida nas Chamadas Interredes. (...) 6. Descontos 6.1. Os descontos concedidos pelas Entidades sobre os valores do serviço cobrados aos assinantes ou usuários, salvo acordo entre as partes, não afetarão os valores devidos às Entidades Credoras pela remuneração de Chamadas Interredes. 6.2. É facultado às Entidades, na forma da legislação em vigor, a concessão de descontos sobre os valores das Tarifas de Uso, que deverão ser aplicados de forma progressiva, não discriminatória, sendo vedada a redução subjetiva de Tarifas. A NGT nº 23/96, na mesma linha, contempla o seguinte (negritos acrescentados): Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 6.3. Os valores correspondentes ao uso do SMC, efetuado por Assinante através de outra Concessionária de SMC, serão a ele faturados pela Concessionária de SMC à qual o Assinante está contratualmente vinculado, segundo os critérios e valores previstos no Plano de Serviço de sua opção. 6.3.1. Os critérios e valores, previstos em 6.3, poderão ser diferenciados por Concessionária de SMC. As Normas acima guardam consonância com a Lei nº 9.472/97 (Lei Geral das Telecomunicações), que no seu art. 153 estabelece, verbis: Art 153. As condições para a interconexão de redes serão objeto de livre negociação entre os interessados, mediante acordo, observado o disposto nesta Lei e nos termos da regulamentação. §1º O acordo será formalizado por contrato, cuja eficácia dependerá de homologação pela Agência, arquivandose uma de suas vias na Biblioteca para consulta por qualquer interessado. §2º Não havendo acordo entre os interessados, a Agência, por provocação de um deles, arbitrará as condições para a interconexão. Destarte, soa desarrazoada a pretensão de excluir da base de cálculo do PIS e Cofins os valores pagos pela Recorrente pelos custos de interconexão, como se fossem mero repasse. Poderia se cogitar de mero repasse apenas se os contratos fossem firmados entre os assinantes e as operadoras visitadas ou credoras (credoras em relação à Recorrente, mas não aos seus clientes, destaco) e, por isso, os valores do plano do assinante fossem iguais aos pagos pela Recorrente às demais empresas de telecomunicações. Também seria razoável cogitar da exclusão em questão, desta feita a título de créditos a abater dos débitos das duas Contribuições, se a Recorrente apurasse o PIS e Cofins pelo regime nãocumulativo. Todavia, as receitas decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações permanecem sujeitas ao regime cumulativo, conforme os arts. 8º, VIII, da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e 10, VIII, da Lei nº 10.833/2003 (Cofins). Como se sabe, no regime cumulativo a regra é a incidência em cascata ou bis in idem, que ocorre quando os tributos são repetidos sobre a mesma base de cálculo (bis: repetição; in idem: sobre o mesmo). Nada tem de ilegal ou inconstitucional essa incidência, especialmente porque a Constituição só a proíbe na situação particular da competência residual do seu art. 154, I, que não é a hipótese da Cofins nem do PIS Faturamento por se enquadrarem, as duas Contribuições, no art. 195 do texto constitucional. O que a Constituição também veda é a bitributação existência de tributos concorrentes instituídos por sujeitos ativos distintos: União e Estado, Estado e Município, etc , inexistente no caso do PIS e da Cofins. Quanto ao emprego do inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não se sustenta porque esse dispositivo foi revogado antes de regulamentado. Sem a regulamentação do referido inciso, atribuída ao Executivo, a norma por ele veiculada não teve eficácia suficiente à dedução pretendida. Neste sentido já assentou o STJ, como se observa no seguinte julgado: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEI N.º 9.718/98, ARTIGO 3º, § 2º, INCISO III. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10768.907008/200684 Acórdão n.º 3401001.201 S3C4T1 Fl. 180 9 AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 97, IV, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESPROVIMENTO. 1. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000. Não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 2. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 3. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp n° 445.452 RS (2002∕00836607) DJ de 10/03/2003, Relator Min. José Delgado). A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo não produziu a eficácia esperada no período em que vigente – antes de revogado pelo art. 47, IV, "b", da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001 , em virtude da ausência de regulamentação. Vem, a interpretação do STJ, ao encontro do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 56, de 20/07/2000, segundo o qual a norma veiculada pelo III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é ineficaz, para fins de eventual exclusão de valores que, computados como receita bruta, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Por fim, observo que os valores de interconexão pagos prestação de serviços de telecomunicações não se assemelham àqueles que compõem os fundos de compensação tarifária existentes no serviço público de transporte urbano de passageiros. Tais fundos, instituídos por leis municipais, inexistem no setor de telecomunicações. Por isso a exclusão prevista no art. 33 do Decreto nº 4.524/2002 (Regulamento do PIS e Cofins)2 é restrita às concessionárias do serviço de transporte público. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. 2 Antes do Decreto nº 4.524/2002, o Ato Declaratório nº 7, de 14/02/2000, já previa a mesma exclusão, nos seguintes termos: I – os valores recebidos por empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público de transporte urbano de passageiros, subordinadas ao sistema de compensação tarifária, que devam ser repassados a outras empresas do mesmo ramo, por meio de fundo de compensação criado ou aprovado pelo Poder Público Concedente ou Permissório, não integram a receita bruta, para os fins da legislação tributária federal; II – os valores auferidos, a título de repasse, de fundo de compensação tarifária integram a receita bruta, devendo ser considerados na determinação da base de cálculo dos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 28/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901071/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2007
Ementa: DCTF. PRAZO. RETIFICAÇÃO
Extingue o direito de retificação da DCTF em 5 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual se refere à declaração (§5° do artigo 9° da IN RFB n° 1.110/2010), diante do que o crédito tributário confessado passa a ser definitivo, inexistindo, portanto, direito creditório a pleitear.
Recurso Voluntário Improvido
Numero da decisão: 3101-001.115
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2007 Ementa: DCTF. PRAZO. RETIFICAÇÃO Extingue o direito de retificação da DCTF em 5 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual se refere à declaração (5' do artigo 9° da IN RFB n° 1.110/2010), diante do que o crédito tributário confessado passa a ser definitivo, inexistindo, portanto, direito creditório a pleitear. Recurso Voluntário Improvido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. , Tardsio or — Pre idente Substituto 41jApv Luiz Rob rto Dom go - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Tardsio Campelo Borges (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de Declaração de Compensação, formulado via PER/DCOMP n° 35311.24628.310807.1.3.04-4740, de créditos de PIS com débitos de CSLL do período de Julho de 2007, não homologado em razão da ausência de crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade, informa a Recorrente que o crédito tem origem de um pagamento a maior de PIS, sendo que a suposta ausência de crédito decorre do fato de a Recorrente não ter retificado sua DCTF para constar o pagamento a maior. Em 10/06/2011, a Recorrente protocolizou petição requerendo a retificação de sua DCTF de novembro de 2005, para redução dos valores constituídos A. titulo de PIS. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por falta de prova do crédito alegado, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2007 Prova. Momento. Preclusdo. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe a contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra a referida decisão, foi interposto Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão sob fundamento de que a DCTF e DACON retificadoras são documentos hábeis para demonstrar o montante do crédito, bem como demonstrou a origem do crédito compensado. É o relatório. Voto Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. 0 credito objeto da presente compensação não homologada decorre de suposto pagamento a maior a titulo de PIS, espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e portanto, jungido As regras previstas no art. 150, §§ 1° a 40 do CTN, segundo as quais, compreende como atividade do Contribuinte de apurar o montante do tributo devido e efetuar o recolhimento antecipado. Para estes casos, o crédito tributário propriamente dito constitui-se com a formalização da obrigação tributária mediante a apuração e entrega pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais — DCTF. ,2 6-: 2 Processo n° 10735.901071/2011-51 S3-CIT1 Fl. 2 Acórdão n.° 3101-01.115 A DCTF, inicialmente denominada Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi instituída pela IN SRF n° 129/1986 para prestação de informações de débitos, e, posteriormente, substituída pela Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais instituída pela já revogada IN SRF n° 126/1998, a qual, na época dos fatos, era regulamentada pela IN SRF n° 695/2006. 0 efeito de constituição do crédito e confissão de divida das declarações prestadas pelo Contribuinte está previsto no § 1° do artigo 5 0 do Decreto-Lei n" 2.124/84: "Art. 5" 0 Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1° 0 documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2" Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do artigo 7° do Decreto-lei n" 2.065, de 26 de outubro de 1983." Corroborando o Decreto-lei n° 2.341/84, foi editada a IN SRF n° 77 198 que veio justamente confirmar a constituição do crédito pela DCTF, determinando a remessa direta dos débitos declarados e não quitados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa: "Art. 1° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União." Ou seja, a DCTF, ato decorrente do lançamento por homologação, constitui confissão de divida, tornando liquido e certo o crédito tributário declarado pelo sujeito passivo, cabendo ao Fisco homologar expressa ou tacitamente o lançamento. Assim, partindo do pressuposto de que a DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, tornando-o liquido e certo, por consequência lógica, basta o confronto dos valores constituídos em DCTF com o valor do pagamento para que se apure eventual recolhimento a maior ou indevido passível de restituição/compensação. No presente caso, alega a Recorrente que declarou e efetuou o recolhimento a maior a titulo de PIS, cujo indébito surgiria com a retificação da DCTF. Ocorre que a DCTF não foi retificada pela Recorrente em tempo hábil, uma vez que, nos termos do §5° do artigo 90 da IN RFB n" 1.110/2010, a retificada só poderá ser feita dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados a partir do exercício seguinte ao qual deveria ter sido declarado: Art. 92 A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação 3 de DCTF retificadora, elaborada com observcincia das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. 52 0 direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 12 (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. 62 A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I - na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II - no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. A regra se coaduna com os prazos prescricionais previstos no CTN. Ora, se o direito creditório pleiteado na DCOMP refere-se à DCTF de mar/2005, a retificação surgimento do indébito poderia ter sido enviada até 31 de dezembro de 2010, o que de fato não ocorreu. A petição protocolizada pela Recorrente em 10/06/2011, além de não ser bastante e suficiente para retificar a DCTF original, foi apresentada após o transcurso do prazo para retificação. Ao que parece, Recorrente somente requereu a retificação por petição porque o próprio sistema eletrônico da Receita impossibilitará o envio de DCTF retificadora, após o prazo de 5 (cinco) anos. De modo que o crédito tributário confessado tornou-se definitivo. • te do - e 4 • O OVIMENTO ao Recurso Voluntário. gslyoçú Luiz Roberto Domingo 4
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