Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16175.000297/2005-64
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. No caso de saídas para empresas interdependentes o valor tributável mínimo a ser considerado como base de cálculo do imposto é o preço corrente no mercado atacadista da praça comercial do remetente, ou, caso não seja possível assim se proceder por inexistir vendas do produto na mesma praça da remetente, o valor mínimo tributável deve ser calculado considerando o custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação. As vendas realizadas pela empresa adquirente do produto, localizada em outra praça, não se prestam para cálculo do valor mínimo tributável, se consideradas isoladamente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-02.707
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Esteve presente o Dr. Júlio Maria de Oliveira.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 200708
ementa_s : IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. No caso de saídas para empresas interdependentes o valor tributável mínimo a ser considerado como base de cálculo do imposto é o preço corrente no mercado atacadista da praça comercial do remetente, ou, caso não seja possível assim se proceder por inexistir vendas do produto na mesma praça da remetente, o valor mínimo tributável deve ser calculado considerando o custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação. As vendas realizadas pela empresa adquirente do produto, localizada em outra praça, não se prestam para cálculo do valor mínimo tributável, se consideradas isoladamente. Recurso negado.
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 16175.000297/2005-64
anomes_publicacao_s : 200708
conteudo_id_s : 7168080
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 204-02.707
nome_arquivo_s : 20402707_135260_16175000297200564_005.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : NAYRA BASTOS MANATTA
nome_arquivo_pdf_s : 16175000297200564_7168080.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Esteve presente o Dr. Júlio Maria de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
id : 4839166
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:43:12 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230492676096
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T15:21:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T15:21:37Z; Last-Modified: 2009-08-06T15:21:37Z; dcterms:modified: 2009-08-06T15:21:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T15:21:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T15:21:37Z; meta:save-date: 2009-08-06T15:21:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T15:21:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T15:21:37Z; created: 2009-08-06T15:21:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-06T15:21:37Z; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T15:21:37Z | Conteúdo => _ , CC-MF • Ministério da Fazenda Fl. • Segundo Conselho de Contribuintes, • gundo Processo 112 : 16175.000297/2005-64 ' • • Recurso n2 : 135.260 mdeFpoisle:_:.se Conselhov_oi odeciailCo_aigt_dn4atriubunl i o5ntes •Acórdão n9. : 204-02.701 Rubrica APÀ ** • Recorrente : DRJ EM RIBEIRÃO PRETO - SP Interessada : Indústria e Comércio de Cosméticos Natura Ltda. • IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR • TRIBUTÁVEL MÍNIMO. No Caso de saídas para empresas ts.) interdependentes o valor tributável mínimo a ser considerado . . -• , • como base de cálculo do imposto é o preço corrente no mercado • • o ‘,-). -2 .atacadista da praça comercial .do remetente, ou, caso não seja • • 12 c, c) possivel assim se proceder por inexistir vendas do produto na • -g g: mesma praça da remetente, o valor mínimo tributável deve ser • 5-.1 r5'i calculado considerando o custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e• • • e; $4.i publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais g 12; parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação. As . • ,8 vendas realizadas ..pela empresa adquirente do produto, • • '9) • - localizada em outra praça, não se prestam para cálculo do valor - • mimo tributável, se consideradas isoladamente. . - •• , Recurso negado. , • . . Vigtos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela DRJ • • EM RIBEIRÃO PRETO -- SP. • ACORDAM 'os Membros da Quarta .Câmara. do Segundo- Conselho de , • . Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Esteve ' , • . presente o Dr. Júlio Maria de Oliveira. • • ' Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2007. `".€1 3.1^1.-t-r ér):;+-rf. - 'To (---C2. • enriqffe.Pirilieiro Torres ... Presidente . ,ca sr2._ ayra asjoM'anatta . •• • Relatora • • • • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan, Airton Adelar. Hack e Mauro Wasilew- ski (Suplente). • • 1• . . , . .• , .„ . . . - ..„ . . - . „ , . • - • . , • ..„ • „ . . .. _ .' , . . , ..' . '',..„::•:-....: .,' ,.,:.. '.,:;. -2..,,,•',•,. • -...,::‘.......,,,,,' ....,,, r, -;,.., ,,:;,....,:-',:.• ,, ,,,.',',.....',`, ,....,, .. ; • •.:,. , . 1 .._ !•1 qpi DE CONTRIBU.INTE, ' . „, • , • Fl '' ::".:::. '' • ' • Ciá : - '' .- ' , rdiF SEGUNDO CQr= 4S.-... ,,,,;,,KJAL,........ :. . • ., ,• . , . •,;,4-..,.••?:,,,,-;;,'.-..-7i, • Ministério tia , Fazenda ,, ,- .. s'' '' CONfERE C( ..7”.511 9 k.Irt.,..,,,..,.-,,,, , :,.. b...,, Segundo.. 'CO-nsellió de Contribuinte ,,..... .: :,. ,-',;;:il..: 0 .:1..: . :•:;,,`,-•:-,:. ..,, .;:, -,::.-:4 ..,,,,::,,,-.....,-f; ,,,:,...;,,,..:-..,,,,,„:., • ''.:, ..-!: ',.: •. .-:' ',..:-..-- pç/ J . - , 1 • , ' i . , . , • ';¡,1Èfi...,';i•R:`*•', , :••:.:',••'•:.".- ,''.'•':''',*:"•:f*/•''..';''''',•''''';**.2.*':'7..: .;:';' '*': '"' ::::: 8,a'Silia' -.--. . .. . .. , . , , • - , , .„• ..... . Processo n-..". ,,... : ...• 16175.000297/, 2005 ;6,..' ' ,... , . ,..,...,...-, . a,.. ,. . Recurol!Q '': ,•... .. 135.260 ...-. .„..,.,..., ' i. ., ... ,.:.-',..:. : .,.. -,..,-, ", '-‘, ..'1-'1.c5,YiaBL. Batista dos )11:1:)..8s. (16 1'.6,1''' r -'.. 7 ," :. n • .. , . . . ' Acórdão 'xi.2'.. ' :'-....- 204 .02.707 :.' -...„ ,' ,.* • . -.. . . ; , : .., , ;.,',; ., . .,,...; . , . .. . . • ., , , ,.. . . :. ... • . -, .. ,, . Recorrente' .'.::::-1?9 .,‘NI..!C[B... ,.,IZA4.3,..!£31Z.,:r.1".,Q.,.: .: .,,,,,;,.,,,,,,,,,,,.., .,,.:,,,,...,::, .., ......,,..„:„..,....,,,...,,,,,, .,, , • . • , :7,,. ,. -. - ..., , ', -.:.-.:',..,, ','-,,...'.: ,..,':.' ..;..,":.:','..,...‘ ''. '' '.....-.:::... . --. .. ,:'::: '.. :,•- ". '..:-....:-.,,'..s...- ::',..,.. :-.,...,-..:::.:•,:::..;', .. :,,,,.-',...:.;.,,.,,:... -: . • • i' , , „ ,,....; • :' I' -. ' • ‘'..,...,':-:'....'...:::'.'.,',"'.:..:-; ''.- .''''.:: :.'!•-•,'--.:.:" ::-.,-; -,..,'....'...:. ..' '.: ',- ... RELATÓRIO ..'_...'.. ,..- ..' ,..,..-.,, ' ........,..... ".- ,, -; ' ',. . -..,'-',,........-. ,rr'.,,....;:t...;-'..'e:..ã."'e,..';'c'.'wsc:,:i• '‘àíCió: ter Considerado como tributável interposto -lacOntrdao: a tsião.paróo,fffieritd:ÇampevliiatupdRe,J,d9e..rna fiscalizaçã ,„:....:-....,,.s., Ribeirão Preto ' t . , S1:". que exonerOu rédito tributário nça .... ,• o c decisão te 'interdependente, sem i " 1. de revenda . do adquirente .., .., _ .. ,_, . fiscalização , utaye.,,ru .. . . . . , .6 - l inimo para calcUlo ' cio It-',. . I . devido, no caso de, vendasa,ernpresas interdependentes, o, valor .,.. • ' respeitar *bufáel. mínimo,'ria que no cálculo do Valor. tri. v, . .., ,,.• ' ' '. 'tár a ' disposição 'd remetente, . no a ' ..`,,.......,.......'. elos -interdependentes .. O •," ,. .., , :::•„, .. ,,..,,,. deyeraoset'.,:......:::"..,. ‘ .. oição legal que determina . ., , das elo remetente e pelos... . ., .., , ,' r ••• .' • consideradas 'as vendas efetua eP . ,,.... ., • :,- . : '... ' .' -.:.:,..''':::' ç ioan'caidatacado, ' ' na 'in 'e,- .'' 4 .P. ' d de excluído o , Valor do 1.1.',I. - -,....: • : ;,,,..-. :;:.-j..-_,....,..'..,, '.., ;'. . ,. - . ,. . , - , . • .'-. . • ' ; . ' : -.. .-...., ; : ...,.', ,' , - . .. relatório . . , .. , .„. ': ..- ..' " ''.: ... ''.... ,.. .' : *.,,,...-,:::,..;..1....,:. ,.,,- ';''..),"•''''.,',..-,-...,-.,.'....:•"•.,.,..,,\,....- . ....'.- -::?...'::::,-•:::',...,-;',.,;•.',.f.,..-,:.. • ',..-, ,-,,,,,•---.,..- , '.. .. :...,., , - :' .:-; ..,•-:...:. ',.. ,.',. - . .-.. .: -,', .,..: ....,• -Á.: .,...., '..,,,,,,,,,,,,..........-, ,, ,. , :;.,..,,,,:...i.•,;.;',,,.....;..;-,.. -,•-,....:,.. ,.'.;-.`.-'..,*.":-.... .,..- ', :. ' ,,, - s .',, - . ,..--,. :-. ',,,'..:,,:- :„:,"..'. ':' ,-,:':, ,,,...: , , - --,: .. ,. ..,. .. „... . ,,,.., .,,... r,-; .-.....,.,..,;.,,,.;,../: -.:.•:-.,..'..:.-.-,:`.-.1.-..‘• ':;'. :.--,;.',. '.-: :; -: ......'.'„,..'...,..- ..--..;;--,,......f»..:-•,.,.... ,....;...., ..' ::'..::,:‘,.,. .. . .- : . , .•:.' , : • .. , '. „:.-'', .4, ..,' ..,--..,,';•',,'`.',..».-','::;:.::::,'.,-;" '..:':.--'-::•:... n',.....,,.:,.., ,... - ',',.',.:- . ' : • :. • ; ."-... •-,'...,..,.. '.....:: .,.. • '..,".. .....•, ,...'..:.: ' ."...'-.,..; .. „ , , '.: ',..'.. '. . •.' •- ••• ' . ' _ -. ,-;•-... \:- ., -',...r''.:;.'...'..-..4..".; ...'..',... .;;;../.:,.:,..'-..':::;:,:l'..'";,....... ...'- • :''-..., : ..--,' , '',.... , -.';',-:-,:::,'..'..,': : ',„ ''-''.- '..-,...- .,,, ':-.‘.."' •".• ;:.',: •'' ' ..-2 ' . , : : : „'...: 'i''..':::,..."i • " 1 :..'-:- .- ::.•::, ... '-,,'-.'...:;'..,:.:',..,.:-..';-:::::',::::_.,.':......'."-:•.,;-.....':;/,':.--',.... '.---.''.'...,."' ."':,-,..':::':',,-.•:''''..*:';: -1.:;::;:. i'fi 1. 6.',- ; '--:..„, . :::-.::,...1- -:-:' :„-;:.:... ' '-., .-: .,.. .. . . ' - .. ::',...;:. ' ..- . ''' ' 1.:' I . .•., '"'''''''':••':'•:.: ''...:.-'.."'" ..,..z...:. .-., ..'2 .,., .....,,i.,,,,,, .,....-.,;;;:,,...:...-...,„",-,:,:,,-, ,i'-..,.. -, ....,,,,.--. ...-...,,,,,::.,,,....-,,,..,:::: ;:, ;.- t „ . ,,,. ,-, , ....,,...,,,,,.,,,!;::..,.., ....._ ., . , , :,, . , . . . .2:2 :'.•-: • •,..., . :';'..'-. '' .,..s...::....,:.',,,-:.',.::,-.' -'.::.:,.• -..... :::-.'-,.. ...-','........:, ',. ... .-..:-,,,..,,,....,;:..,-.• ...' ":....''., :,,, :.:. ...'..., ,:-: ........;,. ;.,,,. ''., ..,. , ,..:' :•..,.:...,,, .' . • '. :„. . - . .. . . - ....;'., ' ..' s .. :.'..-"', :',-'.ii-...",-..,'.....', ',..''-','....--,-',.';''..-.-,''.-,=":"..'...,:'...':,..-'.,.. .'-.-...., ,........;!.:.:'::,•:-.1 ...,-,- --..., ' ..--...",,...•:..-....•...:-...".:,,,,`.''.:, ';'''..-i ''..-..."'f'.".'), ":.':', '.......2- - - .:'.., • ..' • , ":::. r'-: :. .:.,.;:•,..,;-:. ,.. ...; :,,,,'..: .-, „ , :.::, ',..."•''',..-.';:r--r.'„',,"...''....-'..:'-„•,:.--,:.. ?:::.,.':,....- .__'..... :‘ ' :... :'. • .'.: :"'.....::,(:, .,:...- -‘..., ,i.:::...g.:',..;.:,'„'..,., ':;..»...,..: . - • . . ' . ..:, •-, . • '',' ' '-`••• .. s...,-., ' ;:.: ''...'..-...,';:::,.--,....'•:::.-...'-.:...", '.-. '........:...,•.•-:..,,:' '....,•.:'..,-.:-.:,.' :' , ::. -,,,, ,.,:,.,,,,,:.,c..-.• ..-',;., ,-.....-:. -,.......i,....-- .: . :,..-:•,„.,,,,,,, r: ,„.- ..; . . . . ' ,.' ':::_.1-:.•,.. ',, -, ,-..;:.• "..'.-...-:. -..•-• .--,,' ',.,:.,.,-..:-..»...:„!,:,,,,,,,..---.......,..,,,,,";;;;;F:-:..,.. .1'.:...:.;,.' • -' • ,'.:, : ',..' ::.,:.','-..` • ''-'-',;',....-•...', s' ..., ';,., -,.,,j,,:........'?..:',,,,...::-.».,.-• '-' ' : . : '‘'..:.:. ', ., : ;..,, . ,,...:-..,,,?..,,,,,,,,,,..-,•,-,,,„:{..,-.,..,,,,,,,,,„,;,,,.,,,,,,,.,-„,,,,,,;,..',,...:',..,,,,.,,.,...',:„..i :-.,....... ,:;.';,..:,r,-.. :,::,,...::.:.-.:.-,;;_r,-,:-..,-..:.'„'(...--.;, -....-'-,,,.. :'...:,,,-•;--...,-...'-;',,..-:-',.'..,...-:::','"•:.....";•...,'-.:'..,--.-,..,... -.....,,,.....,':,-,-;.::•..;',...,.". :'.: ' - •.- .,' . . - . - .....' 4 ‘.• 1 •:,,";-, 7.,• . ."».,;‘,..,:•,;,' 4:, ••'..;•':.:'...,:,,,:-•,•".._',:•I'.: ."...:.'...,:,':.'.........,':',:;• '.,-;':‘,:,;':i'',*:::•;•.'',;;:::::•.^-.•-• ,:;' :*•.: : • •••':',;:', ••:'-•:: f :;-;:r.,; '..,...''').**;•••'';'.:•:', ,•••*:••'•;*"..:!...'••:.',''•••*;::::::;:, s' '••• • * , r :'• , ', • .;'..-•.•••-•:.i,;=,,,..i..".•'„,-..., ' , 4, • ' .''.' . 1,•: *•• •,-,,:',Y.:''..':;:,..:;•••,:•':;.";..,:" '''',..'.•;:-..•.••••,;.V"•:'...--... ••". .::, • , •: .,-, : •••, ;•• :.,;-?, .., i ; • • -•.. 5... • ,••:.,,, , „.: ..-,., : ,, -.. i .. -.•,,- . , -.-, • ,: , ,' • :.'2:'.1; ,:•••:•,'.-J.:.1.!:.• •;::'''.•' •'.•••,,•••:•••;*-:.'""'''.!.;*:;-:•':, ;;,: •-••••:••••';-5•;*•••1-'' •,;;;-•"'''';*••',",:, :1'.. •-:' '",:-; '• ::-.;•....•.:",:.•••...?• ..:,:-.f.:;,. .;'• -.,••• ;':''...,'-i'', - .,, r.,," ',:'•!"',• ::::.:.'-',. '; ;',. •• ' ' , . ;- •• • ,.....» : ' . . , , . •. '..., .,., ;:'''..,,,,..;;;•::1,,,•:...•:j' '-,',•.•;•••,;,:-•:,'-';•.;!•:'::•::',•.-::' i -, Y '' ...„. •'•' -.',.,;%;;;;`,.;::• •::-.. ' ': • ':.::?••*.:. "••:•,*:::::::.'• 'ç:`,•••••;•:','.-:', , ..:- . • - :-. '• • , . . , ., • .... . , : .‘• - . , ,, , , . . , . , .• „. , ' ' • ' ' • ' - ' ' • ' ' • - — ' .. " . ,, , , , . ,„. , „ . .„ , , ., . , • ., „ , 2 ‘: * , _ • • - .• , • „ .• • , . . • • . . . . .. , ,. , . . •, , . , . " • . , • , - . . • . .. • • .• . ,.., • . , • . •-• •. . • • , . • , ...„. , , . ... . . , . , . . . . . . . '." • ," . „ = SFnUNDO CONSELHO DE COOTRIBUNiE VCC-IyIFMinistério da Fazenda '" 1"' • : ORIG!NAL. Segundo Conselho de ' COntr' ibuinte; C9NF • -r - orasà oziRE CO' L á) Fl. Processo n2 : , : . 16175.000297/2005-64 Recurso n2 135 260 ..Necy I a Sta los Reis, Acórdão n I : : 204-02.707 '1. Mi Si.ipí 91M06 . , • - ' VOTO DA CONSELHEIRA-REI.:ATORA':',.-:',-. • " • ." -NAYRA BASTOS MANATTA,-.*::.:',,' 7 , • , • - O • recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento • . k»qUestão aser tratada neste 'recurso 'diz respeito ao , Cálculo do valor mínimo • tributável para cálculo do IPI devido, no Caso de vendas: a empresas interdependentes, e quais os - • 'valores e critérios a "'serem adotados. " • ' , • • .; ' ' • ",:: .^.'Verifica-se que o art. 123 do_RIP1/98 determina que o yalor,,tribuiáyel do IPI não • pode seriliferior' áO Preço 'corrente nó mercado atacadista quando o produto for destinado a outro , estabelecimento' dó próprio remetente; ou , a estabelecimento de• firma corri a qual o remetente mantenha relação de interdependência. Art. 123: O valor tributável não poderá ser inferior: . • '• 1 ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente: a) quando o produto for destinado a outro , estabelecimento proprio remetente ou a, • estabelecimento de firma com a qual Mantenha relação de interdependência . ' - • • 4.502 de 1964, art. 15, inciso 1, e Decreto-lei n2 34, de 1966, art. 2£:, alteração 5; • • • - • No CáSa dos autos,: a própria empresa admite que , as., saldas, em ques tão :realizadas , entre : .empresas 'interdependentes e , que estaria sujeita ao valor : tributável -rnínimo.',,-,;;;::, estabelecido Pela legislação do IPI: „ : Todavia: do art. 124 do . RIPI/98 restá estabelecido que: no , cálculo do valor. butável , nurum' riO caso de remessas para empresas ffiterdepe.,ndentes deve „ser considerada a • media . ponderada: dos preços . de cada produto, vigorante no mês . precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior 'aquele oU' sendo inexistente preço concorrente no mercado atacadista . será considerada base de cálculo o Custo" de fabricação, acrescido dos custos financeiros e ., dos de "venda,, ad, ministração, e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas preço da operação, (início II) • . Ari. ' 124.:Para , efeito de aplicação do disposto nos incisos :1 II e Ir do artigo anterior, • 2 . :será' considerada a. média ponderada dos preços de cada produto, , vigorantes no /Os precedente ao da saída do estabelecimento . remetente, - :ou,' na . 'sua falta, a ,• • correspondente ao Ines Imediatamente anterior aquele ' Paragrafo única Inexistindo o preço cor: ente no mercado atacadista, para aplicação do •• • :• ' .; ' ' . disposto neste artigo, tomar-se-á por base de cálculo: , . . •• • • I –.(:) . : . • ; • • •: • . .. „• • " ' Caso de produto naCional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração .e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das " • : :".(1CmaiS parcelas que ..devam ser adicionadas ao , preço' da 'operação, ainda que os , • • • • . - • • — , • , , . - 22 CC:ivIFMinistério da Fazenda MF - SEGUNDO CQNSELHO DE CONTRIBUINTES Ft., Segundo Conselho de Contribuintes ,CÓNFERE CO:. N1O VRIGINAL • ..'• . . , . J1.1 • ' " Brasio, Processo wq 16175.000297/2005-64,. . Recurso e - : : 135 260 -. : • . Ne.cy 8.itist,, os Rem.- Acórdão J 204-02.707 mat. siape ' • , produtos hajam i sido recebidos de ottfro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. . • , Por sua vez, a Administração se manifestou através da Coordenação do Sistema - de Tributação por meio do Parecer Normativo = PN - CST n° 44, de 1981; publicado no Diário. Oficial, em 30/11/f981, assim ementado: . : VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO 7REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES Quando a determinação do valor tributável para efeito de calculo dos preços praticados • - no mercado atacadista da praça, do remetente será considerado ' o universo das ven'claS,S'::.; realizadas nciquela localidade.(g.n.) • Verifica-se que deve ser considerado; rio calculo do valor mirumo.tributavel, compras e vendas de determinado produto (para o' qual se está deterniinandO:,‘9 , ,yalor mínirno'f: tributável) numa mesma localidade, aqui entendido como sendo uma mesma cidade ou praça comercial, e não apenas' as vendas realizadas por um so . estabelecimento, liSóladamente. .' • :`. . ' Por fim, o referido Parecer conclui,' que os preços :praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do' contribuinte interessado em 'encontrar o , valor tributável do IPI através, do preço corrente no mercado atacadista devem ser conSiderados. `-No caso de não existir preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente,: deve ser considerado o Custo de fabricação do produto; acrescido dos custoá:financeiros ,e dos .venda administração e publicidade, bem assim' do Seu lucro normal e'44 demais parcelas que . devam Ser adicionadas ao preço da operação relativo á qualquer produto.,-:.: O ADN n° 5, : de 1982, : determinou que, para ' efeito"; de ',cálculo da média - . ponderada que -deternlinará o valor tributável mínimo, deverão ser consideradas as vendas ; • _••:=; efetuadãs .pelo remetente e pelos interdependentes do' remetente,., no atacado, na mesma localidade, excluído o valor do IP1: Observando-se, ainda o Parecer - CST , n°,. 2263, de :1982, constata-se que . o entendimento da Administração, no caso em questão,' é de que para 'Se estabelecer o preço podem" Servir' de base, as , vendas feitas :a terceiros não interdependentes - Igual entendimento' foi, dado pelo Parecer CST n° 3313, de 1982; ao determinar , que para efeito de : cálculo da Média ponderada; deverão ser consideradas as vendas do produto, '; efetuadas pelo:„ . , remetente, no atacado, na mesma localidade, devendo-se incluir' nesse cálculo, os valores das , remessas a firmas não independentes. - Todavia . a . fiscalização ao determinar o Valor tributável ' mínimo nas, operações realizadas . pela empresa com interdependentes considerou , as vendas , da empresa para todo o 1 'Estado de São PaulO''' , ' e não ' 8 ' o: - preço médio . mercado atacadista " 'da .:praça/cidade/municipiO/domicílio/localidade , do remetente, conforme definido anteriormente. Vale ressaltar que mesmo se fosse possivel considerar, na apuração do preço,. médio a localidade ou praça da, empresa remetente todo o, Estado de São Paulo deveria ter. se X .1 • = . . . . . .. . , . . .. • • - , ; „, . • , ' ,. , r . ,,,, ; :;,.. ,::,,„'„' . , : ."..:' .::::,,, : n . kgf • SEGUNDO CQNSELNO DE CONTRIBUINTE 22 cc-MF ,:.a;';k/l, .-t., . . . •' , : .. - . , CONFrRZ coff o ?Rio, Fi. , ---,...'“-=',--4.-, • Mnusténo da Fazenda . ,., . . .-„• .414,t;-,,,,i.:A1,, • - : • • ' B ili Ír& 12 : ...1.- ' . • s,j1-0-, Segundo Conselho ,.ztç Contribuintes tas p,.. . 1 1, ..; , ..0., . , .. . Processo n' : ,., 16175.000297/2005-64; . ,... , --., :Necy Batista dos '• '. : ' • . Recurso n2 ,. , : ' '., ,,135.2 60 : ':;.-,,,,:í, ,..:. : „.., „ . - :: ,. L... .- , . Mt . 14N918(.)6:. . Acórdão n" ....:, : ,'; 204-02J07: .. considerado não apenas as vendas da empresa remetente a terceiros , não interdependentes, como..,, as vendas de outros estabelecimentos atacadistas atuantes no referido mercado, se hoUvesse. •-',,,., . . , .•, ‘' .•',.-,';','''.:: Todavia, na Peça Infracional não há qualquer referencia ou esclarecimento acerca. • , , . , da não adoção de tal Critério: Limitou-se, a fiscalização; a tomar Como valor ,tributável'nummo o • • „., . , • valor de revenda 'do ' i adquirente . interdependente . como ,base . de cálculo ; do . •;renietente. Tal •;;;;•, , . . procedimento não encontra qualquer respaldo legal.,,,-... , , ,,...,,,, •,• . ,, ,... ,,,,,,,.., , . , • , • : • •.‘• ',.y....,-.•,, •̀•••• :..• „., :-.•'.: : :. ::-. .2'• :', :".'•-•:. '',.: „:. ••••:'.• ••:;.•,,,;: ,•• , -; : , ',-..., . .•'. ...:,,... , -•;,..',-, ' , , . - . ...... ,. • ' '' ''''' .": '•:.-..: l' 1 ' . ''.É. ;•de "Se :•• reSSaitar que na . legislação ; de 'vigência sobre: a , materia, caso „seja• , ' •-•'•• ' s .,: • • . -, • "' `:' ' 0:1 '' . produto a ..-. - • ' .. • - ; impossível determinar-se o valor mínimo tributável , através de vendas o pro u o n ,mesma.,.„ '.' . : .' r". • praça da remetente por inexistente, deve ser calculado este valor mínimo tributável considerando:,„ , • o ' custo de fabricação • do produto(s),: acrescido dos , custos . financeiros e : 4os, de Venda, ,•:::::::'... " administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam •. , .,., .„, • ,: ser adicionadas ao preço da operação. , . ;: .,, •• ;•••.„,...,:' ..:...,,,,,:,.,:, , ,... .;,. ., .,, , ..-; , , ,• ,. .:„,, , . ., , i ,.. ‘ ..' . s' '' '. '. vendass do mesmo produto . * ' . • '. .' ' - .' Desta forma caso não existisse na praça da remetente ven as . ; p para 'lastrear‘ o trabalhoda fiscalização deveria ter sido adotado . ocritério; sistemática acima • : . mencionada, 'o que não. ocorreti...:•.- • '• : • •••,,,,-,. ' '.• ',.' ';••• .-- ....,..'.• =,,,.... `:',',:.•'; --, .,, . • „ . •• • ,, : .• , • , Assim ...' sendo,....Sconsidero. : coino - correta a' : decisão - recorrida que exonerou :o i. ;'•-• ,..,.,• . .' . • lançamento 1...)4zir . não , ter': a : fiscalizaçao. observado .i os cntenos estabeleci . o . para . . , , ' determinação . dó valor mínimo tributa'vel - do , , IPI,'„ no caso , ...de , ,̀, Sádas . -para . empresas ••,. ,,,, „-: . , • : interdependentes.' '.-,„ ',.:, r, , ,.... ',„:, ,.: -•• • ,,, • ....„.. ,,,, - . . •, ,:„ ., :„ ...: , .. -..:,.; -.ï. :, , :. ' Diante' de iodo 'exposto, nego provimento ao recurso . de oficio interposto. • , , ,...; .. •,. : ; • , • . -e' • •::..: `•:••=', ' 7: "....:: ,,;, .:, ,. , .•-•,,...,•, ., • •• :. - • .., •,,: •::-. • • .. „:,•• •',:',;...- ,... ••• • , .• "' : ' l' : ''' ''''': -' Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2007;":.' ,' -.',..',,•., • -,:i .,..• : '' : . :,,;•,. , ; :" '.; .• , ', '',,,, • ;".;;.,.;,:":„:1',..,:',;.'j...:.:, '.4'.-,•; ••;i'••?,:,-„,',•'..',- n;1;,,-2..' . ,. -•'.,..: : . , •r•,, k^"'","''''"-:"." / '' . ..'-,:: 1.,,,;:: :,. ,.. • -'',:':". ,T; , ; ., , '• :", '. '::', . . • , - ' ,':— ''' i . ' :, '. ,; f i : r':: ,'::':', , : ' n ;';',,-;'.-.,..:•,-1, cay ,c.., .. - 2,-----,, . •.' :., , d r-.. '• , 2. ‘..•• ' . :. -,-..•,...- ,. ,•.: -: ; ...: ., ., ‘ •; . -.. , . , ';......:::. - . ,. ,-.: , , ',,, -,' ' , ..,:: ::'..:.' ;.,-.. . ,,...:.' :::::'•,':;•, NAYA 13AS 8 MANATTA:',,, --, ,,.tr-, z., ,, , . -,:' ::...,...`...:,',.'.: r, z-,,,..-:,',:, ,' ,,, • ., . ,, :- :,'•,' ,: -, '::: ' :' : .z' ...":';':-:...,:-. :',.:•,:-::, '' ,, .z, :,:. ,',::::',::: ,::::, - , ::: ,:, • -.. "...., ..-::..- ': ..., : :'.:. -,;:,, . : ,, :z :-,- , :::, ‘- ,, :-....., • , , ., - ,,,,, . ,. , , ,:,-;:'.'-,:t,„ ::;., .,.... -,1.:2.,,..,-,.,,,,„•;,,,.2..2:,. , , ..-,-..:, ', ,,,-„: .: , ,..., -_, z ,:::,... ,. ; sz:,,,,,::,,,,,:y, ., ,., ..,'. :, ,:, :,;'-,:,. ,,s, -,. , , , , . s:,,, :, L : :- ' ' '''' ' ',' :,..,.•:,-5',: -:: '...,';,..•::`,;';',.::::::.•:::.': : .,,,: ',',-,-,:-. ',',-.,,:,:. ', •• ,' .':-::.:::,,,-.•::.,;::..:',. ":: ,:',.,,,.•), '..,-,;,-:::,''....:ti,' 5 :: ',,, i.:•;:,..,:,,:,,,. : ::, : :, :, -. , ....-.',. ::: :;,., ',':,,:::: ,:.,,, .,-,,,.....:-:,..,:....,:,,,,,..-z,;.:,...-;,,...,:::':, -::::'.,,,-;', :: • '.:::::.:•:,....-, -:•*'-''.,:,,-,, :„ ;. ::;-;;',.' .,.;`.;:`...,1., ,.,..,,;:,'s:.,::,..;, ; . ::-2», .,. ;,'-',... :: -; : ,,, , , s, . . '....::::., - , ., :. : '',:,, .:Y:,,: :..',;--.. •:..‘,. :, :',...',.:::';', :. è. , . *.:". t.. , .::-',"2:-.- -.` '-..',.' r : ,....;'--:., '-,,. ,--. ;. '...: í,, :', -',-::', -.-- ..- ',,,,,-. -: , , ,, i ,..; _., , ' , " ,, ' . , ;,, . ' '', í ': :1 -' ;,.,,,,- , .,:',..- ,:' `4' ',,,,, .5., ; '1, '. 1,.. ..';', ' , 5 ",-`••• ',':.• ,,,. ' • .. '',.:*". , ', i' ::': .!',"'`,, n .''' '. n '' !;',....",;''!,, ;:: ;1",r' ''' ':. .. ..,::,' • :.. '', : • ., : , :,' ' • '',::, '.,..,.'•:, 4",'''4=;....,' . ., .. .-.25- ,,,-' ,..,",..'• ; ,, : , `, ..- ' . ..',- '.- - . : 2... .̀-.-...':, --.. 'rs''....--;:';' '': ‘ , ..' :- . ,„ ., . ,. , " Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000075/2002-99
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: COFINS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.
IMUNIDADE. ART. 150, INCISO IV DA CF. Não se aplica à Cofins a imunidade prevista no art. 150, inciso VI da Constituição Federal, por se restringir, esta, apenas aos impostos, não albergando as contribuições sociais.
IMUNIDADE ART. 195, PARAGRAFO 7º da CF/88. As entidades beneficentes de assistência social não sofrem incidência da Cofins por força da imunidade contida no art. 195, § 7º da CF.
Recurso provido.
Numero da decisão: 204-02.774
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 200709
ementa_s : COFINS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. IMUNIDADE. ART. 150, INCISO IV DA CF. Não se aplica à Cofins a imunidade prevista no art. 150, inciso VI da Constituição Federal, por se restringir, esta, apenas aos impostos, não albergando as contribuições sociais. IMUNIDADE ART. 195, PARAGRAFO 7º da CF/88. As entidades beneficentes de assistência social não sofrem incidência da Cofins por força da imunidade contida no art. 195, § 7º da CF. Recurso provido.
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 19515.000075/2002-99
anomes_publicacao_s : 200709
conteudo_id_s : 7170012
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 204-02.774
nome_arquivo_s : 20402774_137709_19515000075200299_012.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : NAYRA BASTOS MANATTA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000075200299_7170012.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2007
id : 4839533
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:43:12 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230503161856
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T15:22:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T15:22:09Z; Last-Modified: 2009-08-06T15:22:10Z; dcterms:modified: 2009-08-06T15:22:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T15:22:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T15:22:10Z; meta:save-date: 2009-08-06T15:22:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T15:22:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T15:22:09Z; created: 2009-08-06T15:22:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2009-08-06T15:22:09Z; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T15:22:09Z | Conteúdo => •. 2° CC-MF • . Ministério da Fazenda Fl.4 P Segundo Conselho de Contribuintes MF-Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 19515.000075/2002-99 Publicado no Diário Oficial da Ur.ão Recurso n2 : 137.709 • Acórdão n2 : 204-02.774 Rubrica 4,144 Recorrente : CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS "DR. JOÃO AMORIM" Recorrida : DRJ em Campinas - SP COFINS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As instâncias administrativas não competem INF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das CONFERE COM O ORIGINAL normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à Brasília, P É 045- legislação vigente. IMUNIDADE. ART. 150, INCISO IV DA CF. Não se aplica à Maria zi Novais Cofins a imunidade prevista no art. 150, inciso VI da Mat. Siape 1641 Constituição Federal, por se restringir, esta, apenas aos impostos, não albergando as contribuições sociais. IMUNIDADE ART. 195, PARAGRAFO 7° da CF/88. As • entidades beneficentes de assistência social não sofrem incidência da Cofins por força da imunidade contida no art. 195, § 7° da CF. _ Recurso provido. Vistos, relatados e discutidós os presentes autos de recurso interposto por -•CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS" DR. JOÃO AMORIM". ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. • Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2007. • 1,fre""nrie Pinheiro Torres -"R Presidente • aC4taTáÉ`I'van Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Rodrigo Bernardes de • Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Airton Adelar Hack e Leonardo Siade Manzan. • 1 - , É, " • , Mstério da Faz 2 CC-MF enda CCM 0.0RIGINAL CONFERE Fl. Segundo Conselho de Contribuintes , MF ; SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES wfr , • ,;•,, .1110Z111 Vt• Processo ng : 19515.00007512002-99 Maria tkiltriaaisRecurso n2 : 137.709 Mal 91641yor~e~ Acórdão n2 : 204-02.774 • Recorrente : CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS "DR. JOÃO AIVIORIM" RELATÓRIO • Trata-se de auto de infração objetivando a cobrança da Cofins relativa aos anos calendários de 1997 a 2001, em virtude de divergências entre os valores declarados e os devidos. Segundo o Termo de Verificação Fiscal: 1. a contribuinte é pessoa de direito privado sem fins lucrativos cuja finalidade é a . prevenção, promoção e assistência à saúde; 2. em 07/10/92 celebrou junto à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo convênio de assistência à saúde no qual era prevista a prestação de serviços cuja receita foi contabilizada nos anos de 1997 a 2001 nas rubricas SES/SUS e Min. • , . • Saúde; • 3. em 2000 e 2001 auferiu receitas oriundas de convênios com o Bradesco e outras instituições privadas; - 4. de 1997 a 2001 obteve rendimentos oriundos de aplicações financeiras; 5. foi reconhecida como' entidade de utilidade pública na esfera federal, estadual e municipal; e • 6. não declarou a Cofias em DCTF ou DIPJ de 1997 a 2001, nem recolheu a contribuição, em confronto com a legislação que prevê a incidência da Cofins tanto sobre receitas de serviços remunerados prestados por entidades de utilidade pública como sobre os rendimentos de aplicações financeiras. A contribuinte apresentou impugnação alegando: 1. o Auto de infração não menciona a razão pela qual as receitas de convênios celebrados com as citadas instituições não estariam abrangidas pela imunidade tributária, sendo, portanto, nulo o lançamento por cerceamento de direito de defesa; 2. atendendo os requisitos contidos na legislação complementar para o gozo do r., beneficio contido no § 7° do art. 195 da CF é entidade imune à incidência da contribuição, no que tange aos serviços prestados relacionados à persecução de suas finalidades, bem como em relação às receitas oriundas de aplicações financeiras; • 3. os requisitos para fruição da imunidade são aqueles contidos no art. 14 do CIN; • ,• 4. o art. 55 da Lei n° 8212/91 pretendeu criar outros requisitos para fruição da imunidade, extrapolando o âmbito material de sua competência, o que ensejou, . inclusive a suspensão do inciso III do referido artigo nos autos da ação direta de inconstitucionalidade n° 20281DF; 5. os serviços prestados pela recorrente não visam o lucro a ser distribuído pelos associados, mas apenas garantir o numerário suficiente à persecu ào de suas 2 , ' k ,Ns INF SEGUND, O CONSELHO DE CONTRI,BUINTES CC-MF Ministé-rio da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuin te 1 , stfia, c202- / 04 / oc? Processo n : 19515.000075/2002-99 Recurso n : 137.709 ovlatsAcórdão n2 : 204-02.774 Mana Lt N Mat Siape )1(.41 finalidades sociais; da mesma forma que as receitas auferidas em aplicações financeiras; 6. incorreto o procedimento da fiscalização de desvincular as receitas das aplicações financeiras da imunidade tributaria prevista na CF, já que o art. 14 do CTN não faz qualquer ressalva em relação à não aplicação de seu capital; 7. a fiscalização tributou valores sob o fundamento de que a Lei n° 9718/98 . aumentou a base de calculo e com isto as entidades sem fins lucrativos passaram a ser contribuintes da Cofins sobre a totalidade das receitas auferidas; 8. a Lei n° 9718/98 só teve vigência a partir de 01/02/99 e o Fisco exige valores desde 1997; • 9. a CF indicou três bases de cálculo para a seguridade social: folha de salários; lucro e faturamento, sendo que o conceito de faturamento aquele relativo às receitas auferidas no exercício das atividades sociais que constituem o objetivo social da entidade; 10. ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros de mora. A DRJ em Campinas — SP julgou procedente em parte o lançamento, exonerando - a parcela relativa às receitas financeiras nos anos de 1997, 1998 e janeiro de 1999, tendo a contribuinte apresentado, tempestivamente, recurso voluntário no qual alega as mesmas razões da inicial, acrescendo, ainda, a nulidade da decisão recorrida por ter deixado de apreciar argumentos trazidos pela recorrente acerca da ilegalidade e inconstitucionalidade de lei. É o relatório. \g) ,11 s 3 • • , F •,SEGCUONDNOFECROENCSEOlitH40000ERCIGONINTARL IBUINTES .• 2g CC-MF Ministério da Fazenda . •5';. n O IX. 1 OS Fl. Segundo Conselho; de Contribuintes 4 6si ia b# ! 4/17_4 Maria Luzi lar Novais Processo n2 : 19515.000075/2002-99 N1: t Siz • 91641I. Recurso ng : 137.709 Acórdão n2 : 204-02.774 = VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Antes de adentrarmos ao mérito há de ser analisada a preliminar de nulidade argüida pela recorrente em virtude de a decisão recorrida ter deixado de apreciar argumentos versando sobre inconstitucionalidade de lei. Neste aspecto: apreciação de matéria versando sobre inconstitucionalidade de lei pela esfera administrativa filiamo-nos à corrente doutrinária que afirma a sua impossibilidade., , O julgamento administrativo está estruturado como atividade de controle interno de atos praticados pela própria Administração, apenas no que concerne à legalidade e legitimidade destes atos, ou seja, se o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontra-se = balizado pela lei e dentro dos limites nela estabelecidos. No exercício desta função cabe ao julgador administrativo proceder ao exame da norma jurídica, em toda sua extensão, limitando- se, o alcance desta análise, aos elementos necessários e suficientes para a correta compreensão e aplicação do comando emanado da norma. O exame da validade ou não da norma face aos dispositivos constitucionais escapa do objetivo do processo administrativo fiscal, estando fora da sua competência. Themístocles Brandão Cavalcanti in "Curso de Direito Administrativo", Livraria ;, • Freitas Bastos S.A, RJ, 2000, assim manifesta-se: Os tribunais administrativos são órgãos jurisdicionais, por meio dos quais o poder executivo impõe à administração o respeito ao Direito. Os tribunais administrativos não transferem as suas atribuições às autoridades judiciais, são apenas uma das formas por meio das quais se exerce a autoridade administrativa. Conciliamos, assim, os dois princípios: a autoridade administrativa decide soberanamente dentro da esfera administrativa. Contra estes, só existe o recurso judicial, limitado, entretanto, à apreciação da legalidade dos atos administrativos, verdade, como se acha, ao conhecimento da justiça, da oportunidade ou da conveniência que ditarem à, administração pública a prática desses atos. Segundo o ilustre mestre Hely Lopes Meireles, o processo administrativo está subordinado ao princípio da legalidade objetiva, que o rege: O princípio da legalidade objetiva exige que o processo administrativo seja instaurado com base e para preservação da lei. Daí sustentar GIANNINI que o processo, como recurso administrativo, ao mesmo tempo que ampara o particular serve também ao interesse público na defesa da norma jurídica objetiva, visando manter o império da legalidade e da justiça no funcionamento da Administração. Todo processo administrativo há de embasar-se, portanto, numa norma legal especifica para apresentar-se com legalidade objetiva, sob pena de invalidade. Depreende-se daí que, para estes juristas, a função do processo administrativo é conferir a validade e legalidade dos atos procedimentais praticados pela Administração, limitando-se, portanto, aos limites da norma jurídica, na qual embasaram-se os atos em análise. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exarceba a sua • competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem • . como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. . , 4 . • • • , : I MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • - CONFERE COM O ORIGINAL CC-MF - Ministério da Fazenda Brasilia, Jeg o,a- lor Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Maria Luz 'lar I ()vais Processo n2 : 19515.000075/2002-99 Mat Siz le 9164 Recurso n2 : 137.709 Acórdão n2 : 204-02.774 • O Estado brasileirá assenta-se sobre o tripé dos três Poderes, quais sejam: . Executivo, Legislativo e Judiciário. No seu Título IV, a Carta Magna de 1988 trata da organização destes três Poderes, estabelecendo sua estrutura básica e as respectivas competências. No Capítulo III deste Título trata especialmente do Poder Judiciário, estabelecendo sua competência, que seria a de dizer o direito. Especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas observa-se que o legislador constitucional teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Atribui, o constituinte, esta competência exclusivamente ao Poder Judiciário, e, em particular ao Supremo Tribunal Federal, que se pronunciará de maneira definitiva sobre a constitucionalidade das leis. Tal foi o cuidado do legislador que, ainda que as esferas hierarquicamente inferiores do Judiciário julguem inconstitucional determinada norma, devem, obrigatoriamente, submeter sua decisão, em grau de recurso obrigatório, ao órgâ'o máximo do Judiciário — Supremo Tribunal Federal — que é quem dirá de forma definitiva a constitucionalidade ou não da norma em apreço. Ainda no Supremo Tribunal Federal, para que uma norma seja declarada, de maneira definitiva, inconstitucional, é preciso que seja apreciada pelo seu pleno, e não apenas por suas turmas comuns. Ou seja, garante-se a manifestação da maioria absoluta dos representantes do órgão Máximo do Poder Judiciário na análise da constitucionalidade das normas jurídicas, tal é a importância desta matéria. Toda esta preocupação por parte do legislador constituinte objetivou não permitir que a incoerência de se ter uma lei declarada inconstitucional por determinado Tribunal, e por outro não. Resguardou-se, desta forma, a competência derradeira para manifestar-se sobre a constitucionalidade das leis à instância superior do Judiciário, qual seja, o Supremo Tribunal Federal. • Permitir que órgãos colegiados administrativos apreciassem a constitucionalidade de lei seria infringir disposto da própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que. . assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva . de outro Poder definida no texto constitucional. O professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, paginas 302/303, assim concluiu: A conclusão mais consentdnea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considera-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa , não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional. Por ocasião da realização do 24° Simpósio Nacional de Direito Tributário, o ilustre professor, mais uma vez, manifestou acerca desta árdua questão afirmando que a : autoridade administrativa tem o dever , de aplicar, a lei que não teve sua inconstitucionalidade declarada pelo STF, devendo, entretanto, deixar de aplicá-la, sob pena de responder pelos danos s porventura dai decorrentes, apenas se a inconstitucionalidade da norma já tiver sido declarada pelo STF, em sede de controle concentrado, ou cuja vigência já houver sido suspensa pelo Senado Federal, em face de decisão definitiva em sede de controle difuso. Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos Ç))1 5 . „ , 4 N.• • • '.zr;1: - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF Ministério da Fazenda 1 CONFERE COM O ORIGINAL Fl. 11 '.4 nk' Segundo Conselho de Contribuinte "..qraiI ia,„ Processo n2 : 19515.000075l2002-99 Recurso Q : 137.709 Acórdão n : 204-02.774 marxiiaall.tstziatpn, IN64oilvais administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poder-se-ia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão • máximo, pronunciar-se em sentido inverso. Como da decisão definitiva proferida na esfera administrativa não pode o Estado recorrer ao Judiciário, uma vez ocorrida a situação retrocitada, estar-se-ia dispensando o • pagamento de tributo indevidamente, o que corresponde a crime de responsabilidade funcional, podendo o infrator responder pelos danos causados pelo seu ato. Desta forma, correta a decisão recorrida ao deixar de apreciar aspectos versando sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Embora o art. 145 da CF/88 mencione apenas os impostos, contribuições de melhoria e taxas, o art. 149, caput, da mesma Constituição Federal/88 estabelece que a União poderá instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas, e o parágrafo 1° deste artigo estabelece que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir contribuiç'ão, a ser cobrada dos seus servidores, para o custeio de sistemas de previdência e assistência social. " Depreende-se daí que o legislador constituinte permitiu à União à instituição de contribuições sociais, não delimitando, inclusive, quantitativamente o número destas , contribuições pelo fato de serem elas voltadas para ações estatais específicas, como instrumento de atuação do Estado, tanto que o produto da arrecadação é, necessariamente, vinculado aos objetivos da ação estatal. Ou seja, a contribuição se individualiza e se identifica não apenas pela _ natureza do fato gerador, mas pela vinculação entre a exação e o atendimento a um específico encargo estatal. É de se observar, ainda, que embora a finalidade seja um traço fundamental das contribuições não significa que a simples existência de previsão de uma finalidade seja suficiente para que se possa instituir novas contribuições. As contribuições somente podem ser criadas em relação a finalidades previstas constitucionalmente e relativamente às quais a Constituição tenha autorizado a criação de contribuições, quais sejam, contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico, e de interesse de categorias profissionais ou econômicas. O art. 195 da Lei Magna expressamente autorizou a instituição de novas contribuições destinadas a garantir ou expandir a seguridade social. Com fulcro neste mandamento constitucional é que foi instituída, em 1991, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, pela Lei Complementar n° 70/91. Assim sendo é de se concluir que no sistema tributário brasileiro não existem apenas impostos, taxas e contribuições de melhoria como alegou a recorrentes, mas, também, as contribuições sociais, as de intervenção no domínio econômico e as de interesse de categorias profissionais ou econômicas. O imposto, segundo definição do CTN, é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte. O fato imponível não se refere a um comportamento das pessoas jurídicas de direito público interno, mas prendem-se a um fato, ato, situação, inerente a um particular, indicativos de - sua capacidade contributiva. Segundo Roque Carrazza in Curso de Direito Constitucional Tributário, "é a '• capacidade contributiva que, em matéria de impostos, atende às exigências do rincipio da \r"M 6 , SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES- • ' CONFERE COM O ORIGINAL CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuint Brasília. Az e2 '1Án. :n '410. El erjr...4 Processo n2 : 19515.000075/2002-99 Maria LiTzintr Novais Mat. Siapc 91641 Recurso n2 : 137.709 Acórdão n2 : 204-02.774 igualdade, realizando o ideal republicano de afastar, também na tributação, privilégios sem causa de pessoas ou categorias de pessoas". O Estado não oferece qualquer utilidade, comodidade ou serviço fruível, não havendo vinculação alguma entre o pressuposto de fato previsto na norma instituidora do imposto e a atuação estatal. Carrazza ensina que : . .) a Constituição, implicitamente, determina que a lei coloque na hipótese de incidência dos impostos fatos regidos pelo direito privado, isto é, da esfera pessoal dos contribuintes, e, portanto, desvinculados da ação do Estado (esta sim regida pelo Direito Publico). Realmente, o Texto Magno, nos mencionados arts. 153, 155 e 156, autoriza o legislador ordinário a adotar, como hipótese de incidência de impostos o fato de alguém (a) importar produtos; (b) exportar produtos; (c) auferir rendimentos; (d) praticar operações de credito; (e) ser proprietário de imóvel rural; (1) praticar operação• mercantil; (g) ser proprietário de veiculo automotor; (h) ser proprietário de imóvel urbano; (1) prestar, em caráter negocia!, serviços de qualquer natureza. Acresce, ainda, o autor, que todos estes fatos tem a propriedade de revelar ou, fazer presumir, em si mesmo, a capacidade econômica dos que os realizam, ou seja, são signos s ' presuntivos de riqueza. E de se verificar, portanto, que os impostos são tributos que gravam atos, fatos ou , situações denotativas de riqueza do contribuinte, não sendo exigida qualquer participação do Estado nestes atos, fatos ou situações. As contribuições, por sua vez, se caracterizam por estarem relacionadas com uma despesa ou vantagem especial referidas aos sujeitos passivos respectivos, diferindo, portanto dos • impostos. Outra característica marcante das contribuições sociais é o fato sua receita estar prévia,' , expressa e inequivocamente destinada ao fim para o qual foi instituída. Nas contribuições sociais, diferentemente dos demais tributos, é relevante para caracterizar a exação não só sua finalidade para a qual foi instituída, mas, também, a afetação de sua receita ao custeio da atividade estatal que é pressuposto de sua criação. Segundo José Eduardo Soares de Melo in "Contribuições Sociais no Sistema Tributário" "as linhas básicas das contribuições (no caso, as de natureza social, do art. 195) repousam na sua vinculaçã o com a Seguridade Social, sendo desnecessário argumentar-se com a existência de elementos e situações financeiras". Embora a destinação, regra geral, não integre a definição do regime jurídico do tributo, quando valorizada pela norma constitucional como nota integrante do desenho de certa figura tributária, passa a repres'entar critério hábil para distinguir essa figura de outras cujo perfil não apresente semelhante especificidade. Assim sendo, a destinação específica das contribuições sociais e a destinação do seu produto não constituem,- segundo a doutrina, regra orçamentária-financeira, como alega a recorrente, mas representa requisito imprescindível para a sua configuração. Esposando este entendimento Hugo de Brito Machado afirma que:, Nada impede que o legislador colha elementos da Ciência das Finanças para melhor delinear o peifil das espécies de tributos. Assim, parece-nos que na verdade a Constituição Federal de 1988 consagra as contribuições sociais como tributo com natureza específica, determinada pelos dois elementos conceituais acima indicados. São instituídas para atingir apenas aquelas pessoas ligadas por interesses profissionais ou econômicos, e a respectiva receita tem fim específico. 7 , .5•4:',‘,4 Lk.,NVe;";"7;7.'1'inn,"4 ,":' 't^ • ' MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2° CC-MF -; Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL Fl. ''-`j • ' Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, rPol j O / Ck? Processo n2 : 19515.000075/2002-99 1olv Recurso n2 : 137.709 Mana for Novai s 1 Sia e 91641 Acórdão n2 : 204-02.774 Tais contribuições caracterizam-se, portanto, simplesmente pelo fato de ingressarem diretamente naquele orçamento a que se refere o art. 165, § 5°, item III, da CF. Ou seja, nas contribuições especiais a própria competência legislativa tributária já nasce diretamente vinculada a um fim, eleito pela Constituição, e ao transformar a vinculação do produto da arrecadação em elemento distintivo da espécie tributária, tem-se nova dimensão do fenômeno imposto pela norma autorizadora (Carta Magna). As contribuições sociais constituem, pois, tributos de características específicas, vinculados a despesa especial ou vantagem referida aos contribuintes e que podem implicar, ou não, atuação estatal. Assim sendo, é de se concluir que a natureza jurídica da Cofins é a de . • contribuição social, diferindo dos impostos, previstos no art. 145 da CF/88. Entendimento este já externado pelo STF quando do julgamento do ADC n o 01-01/DF, de 01/12/93, no qual o Ministro Relator Moreira Alves expressamente se manifestou no sentido de considerar que "as contribuicões sociais destinadas ao financiamento da seguridade social tem natureza tributaria. • embora não se enquadrem entre os impostos".(grifo nosso). Existe ainda uma segunda questão acerca do fato de as contribuições sociais serem tributos ou não. Segundo Geraldo Ataliba in Hipótese de Incidência Tributária, as contribuições • são,conceitualmente, "tributo vinculado cuja hipótese de incidência consiste numa atuação estatal indireta e mediante (mediante uma circunstancia intermediaria) referida ao obrigado". Ainda segundo aquele autor, a CF/88 caracteriza as contribuições como tributos, em razão da sua natureza (receitas derivadas, compulsórias) e por consubstanciarem princípios peculiares no regime jurídico dos tributos. De acordo com diversos doutrinadores como Sacha Calmon, Roque Carrazza e Paulo de Barros Carvalho, as contribuições possuem natureza jurídica de tributo, devendo a eles ser aplicada o princípio da anterioridade e da irretroatividade, dentre outros que regem o sistema tributário brasileiro. Entretanto, outra corrente doutrinaria, encabeçada por. Ruy Barbosa Nogueira, admite que as contribuições são tributos, salvo as destinadas ao custeio da Assistência Social, dentre as quais encontra-se a Cofins. Luiz Melega explicita que "inúmeras outras restrições ou limitações que gravam os tributos não se aplicam às contribuições no regime instituído pela Carta Política de 1988, ainda que seja devido às peculiaridades características, que lhes impedem de produzir determinados efeitos, especiflcos dos tributos. Não se aplicariam às contribuições, nesta linha de raciocínio, as limitações do poder de tributar referidas nos incisos IV e V do art. 150 do Estatuto Político. E a do inciso IV. por ser específica dos impostos." (grifo nosso) Conclui, ainda o autor: Não nos parece, por tudo quanto foi exposto, que se possa dar como certa a natureza tributaria das contribuições na Carta Política de 5.10.1988. O tão-só fato de o legislador . constituinte tê-las subordinado a certos princípios tradicionais, que devem ser rigorosamente observados na instituição e cobrança dos tributos, não é suficiente para transforma-las em tributo. Esse fato é até uma indicação de que se quis negar-lhes a natureza tributária. Também não parece decisiva a circunstancia de que algumas delas situarem-se no capitulo reservado ao "Sistema Tributário Nacional". Não h veria - 8 , . .• ' • • 'TO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '45 CONFERE COM O ORIGINAL 2° CC-MF Ministério da Fazenda f asilla Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 13 ' /‘"" Cl"... 1 °Cr •„ „f4 Maria u Iblar Novais Processo n2 : 19515.000075/2002-99 Mat. S apc 91641 Recurso n2 : 137.709 Acórdio n2 : 204-02.774 mesmo campo mais apropriado para inseri-las, já que se assemelhavam aos tributos no . que respeita a certas exigências. Segundo Hamilton Dias de Souza: • A contribuição não se caracteriza somente pelo seu fato gerador mas, sobretudo por sua finalidade, exteriorizada pela atividade estatal desenvolvida e que se conecta • indiretamente com o sujeito passivo. Alem disso, e exatamente por se tratar de exação causal, é traço característico das contribuições que o produto de sua arrecadação seja destinado à atividade estatal que é o seu pressuposto. Por esta razão, aliadas à redação do art. 149 da CF, que manda aplicar às contribuições apenas o disposto nos seus arts. 146, HZ e 150, I e III, assim indicando que as demais regras constitucionais a elas não se aplicam, parece-me que entre nós elas não foram tratadas como tributos. Desta forma, considerando-se que a Cofins não possui natureza tributária a ela não poderiam ser aplicadas as regras contidas no art. 150, inciso VI da CF/88 — imunidade, já • • que o texto constitucional manda aplicar às contribuições apenas o disposto nos seus arts. 146, - inciso III e 150, incisos 1 e HL As demais regras constitucionais, por conseguinte a ela não se, • . aplicam. Se, por outro lado, considerar-se a Cofins como tendo natureza tributária, ela seria caracterizada como contribuição e não imposto, conforme já explicitado anteriormente, e, portanto, também não lhe seria aplicada a imunidade prevista no art. 150, inciso VI da CF/88, - por se tratar de vedação especifica de imposto. • , Qualquer que seja, pois, o posicionamento acerca da natureza da Cofins, a conclusão é que a ela não se aplica a imunidade contida no dispositivo normativo do art. 150, inciso VI da CF/88. • • A LC 70/91, instituidora da referida contribuição, no seu art. 2° estabelece que a Cofms será de 2% (dois por cento) e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. No curso da ação fiscal a fiscalização constatou o não recolhimento da • . contribuição, nos períodos de 1997 a 2001, relativo à venda de serviços de saúde à Secretaria de . • Saúde do Estado de São Paulo e ao SUS, bem como em relação aos convênios firmados com o BRADESCO e outras empresas privadas, como conseqüência lavrou Auto de Infração visando a • cobrança da exação. O não recolhimento da contribuição, ou insuficiência do recolhimento desacompanhado dos encargos moratúrios, consubstancia-se em infração tributária e enseja . • • procedimento fiscal de oficio, que visa restaurar o ordenamento jurídico violado pela autuada. Agiu, pois, corretamente o Fisco ao lançar a contribuição devida e não recolhida. • A recorrente defende-se com o ' argumento de que estaria imune à tributação da Cofins em virtude do disposto no art. 195, '§ 7° da CF. O artigo 195 da Constituição Federal, no seu § 7° isentou das contribuições sociais as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências contida na lei. • Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e , indireta, nos termos , da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ) \P?--' • 9 • • • - , • • • 4 i'',14‘ MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONYRIBUINTES - CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MF Ministério da Fazenda s n2 ot I O 2• °2 Fl.Segundo Conselho de Contribuintes Bra - l"a ,t ,Processo n2 : 19515.000075/20(2-99 Mariau-lar ovais Mat. pe 91641 Recurso n2 : 137.709 Acórdão n2 : 204-02.774 • § 7°- São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifo nosso) No caso dos autos a recorrente é uma entidade beneficente como se depreende do seu próprio estatuto social, fls. 028/053, que a descreve como "pessoa jurídica de direito privado, • de fins não lucrativos". As entidades* beneficentes de Assistência Social a que se refere o parágrafo 7° do art. 195 da Constituição Federal/88 compreendem as instituições de Assistência Social, mencionadas na alínea "c" do inciso VI do art. 150 da Lei Magna. Embora não esteja traçado no texto constitucional o conceito nem os contornos de tais entidades é que se considerar como sendo as sociedades que tenham por finalidade a prestação de serviços médicos, odontológicos, hospitalares, farmacêuticos, etc. Segundo Carrazza, são imunes a impostos as instituições assistenciais sem fins lucrativos, mas, também, são igualmente imunes as instituições fechadas e de previdência • privada que, por sua natureza orgânica e finalidade estão abrangidas pela imunidade, constitucional, uma vez que : i) não tem animus distribuendi (embora possam ter animus . •• lucrandi); ii) preenchem o requisito da universalidade, ainda que restrita a uma categoria de • pessoas; iii) miram o interesse público. Atendendo aos requisitos traçados na Lei Complementar • fazem, por conseguinte, jus à imunidade. A proibição lucrativa deve ser interpretada aqui no sentido de que os seus objetivos institucionais não persigam o lucro, implicador de posterior repasse ou distribuição aos . sócios. Lógico está, no entanto, que, como qualquer outra entidade de natureza . assemelhada, as instituições de beneficência visam sempre alcançar um resultado positivo, de forma a poderem incrementar, aprimorar e manterem seus serviços. Por outro lado, a aplicação dos recursos, advindos de suas atividades, devem, obrigatoriamente, ser aplicados na manutenção de atividades relacionadas com sua finalidade beneficente, embora, muitas vezes, seja conveniente a aplicação dos resultados de forma imediata em outras atividades para que, em momento posterior, sejam convertidos no atendimento direto de suas finalidades assistenciais, sem que isto desvirtue sua característica de instituição beneficente. Os serviçós desenvolvidos pelas entidades beneficentes suplementam as atividades essenciais do Estado no que "concerne a assistência médica, hospitalar, farmacêutica, ,• dentária, educacional, sendo evidente a insuficiência da Administração Pública na prestação tais serviços, motivo pelo qual o legislador constitucional desonerou a carga tributária de particulares que prestem estas atividades, como complementares à função do Poder Público. Entidade beneficente é aquela que busca interesse de outrem ou atua em beneficio de outrem que não a própria entidade ou os que a integram, segundo José Eduardo Sabo Paes in Fundações e Entidades de Interesse Social, 2001, pp. 447. • Nestas entidades o conceito de filantropia não perdeu seus efeitos. De fato, filantropia, significa atuar em beneficio de outrem com dispêndio de seu próprio patrimônio, sem . qualquer contrapartida. A filantropia está ligada ao espírito de ajuda ao próximo e à coletividade, com ausência de qualquer outro interesse próprio. A característica marcante das entidades ,•filantrópicas é a ausência de qualquer contraprestação por parte dos beneficiários. • • , Todavia, embora não se confundam os conceitos de entidade filantrópica com entidade beneficente de assistência social, é de se reconhecer que para ser uma entidade ve 10 , , • ;"'" • - ; '-^ - MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MF • . • Ministério da Fazenda • &adia,r D7 o 21 o 1 Fl. r. Segundo Conselho de Contribuintes • , MartaL irnar ovais , Processo n2 : 19515.000075/2002-99 mau ..'ape 91641 Recurso n2 : 137.709 • • • Acórdão n2 : 204-02.774 • beneficente deve haver a ação filantrópica, ainda que não exclusivamente, daí o porquê da . , necessidade do cumprimento do art 55, inciso II da Lei n° 8.212/91. De acordo com Ives Gandra da Silva Martins in pp. 249, "no conceito de • beneficência enquadram-se todas as entidades que tem seu patrimonio e finalidade inteiramente dedicados a interesses altruísticos, e que ao complementar ou substituir funções que, na sua essência, são próprias do Estado, fazem-no, ainda, com objetivos caritativos, prestando serviços aos que não podem pagá-los, ainda que suas atividades não sejam exercidas de forma exclusivamente gratuita em relação a todas as pessoas. Cobram daqueles que podem pagar, para prestar gratuidade aos necessitados." A imunidade concedida a tais entidades pelo texto constitucional teve a função de estimular a prestação de serviços de assistência social, ainda que não exclusivamente, por particulares aos carentes, auxiliando o Estado nesta sua função. . • Se a prestação dos serviços estiver diretamente relacionada à contraprestação, de . qualquer tipo, por parte dos beneficiários, não se pode dizer que estas entidades pratiquem a • • filantropia e a beneficência, e, por conseqüência, não se teria o auxilio ao Estado nas suas • • funções de amparo aos necessitados Desaparece assim a razão da concessão da imunidade concedida no texto constitucional. A imunidade é a contrapartida que o Estado oferece aos particulares que deixam de dedicar-se à atividade lucrativa ou de interesse pessoal para desempenhar as atividades de, • •,• interesse publico e de cunho altruístico que o Estado não consegue atender plenamente. Verifica- se que a finalidade de tal desoneração é incentivar a sociedade a organizar-se para suprir . as ' deficiências do organismo estatal colaborando com o poder público no exercício de suas atividades de assistência social. Vale ressaltar aqui que, em momento algum, a fiscalização argüiu que a •- contribuinte deixou de cumprir os requisitos no art. 55 da Lei n° 8212/91, limitando-se a dizer • que as receitas advindas dos convênios • firmados e das aplicações financeiras sofreriam a ,•• • • incidência da Cofins. Mais ainda, a Lei n° 9.732/98 isentou as entidades sem fins lucrativos educacionais e as que atendam ao SUS, mas não pratiquem de forma exclusiva .e gratuita . . atendimento a pessoas carentes, das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, na proporção do valor das vagas cedidas, integral e gratuitamente, a carentes e do valor „ do atendimento à Saúde de caráter assistencial, desde que satisfaçam os requisitos do art. 55 da referida lei. Art. 4° As entidades sem fins lucrativos educacionais e as que atendam ao Sistema Único de Saúde, mas não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, gozarão da isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n°, 8.212, de 1991, na proporção do valor das vagas cedidas, integral e gratuitamente, a carentes e do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial, desde que satisfaçam, . os requisitos referidos nos incisos I, 111V e V do art. 55 da citada Lei, na forma do . regulamento. - Impossível pretender que lodos os serviços prestados por instituições - educacionais e de assistência à saúde sejam gratuitos, até mesmo porque em sendo todos •• 11 - • NIF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBLIME Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia Fl. . •„ Processo n2 : 19515.000075/2002-99 marta Lt mar Novais Recurso n2 : 137.709 Mat. dpe 9 I 641 Acórdão n2 : 204-02.774 gratuitos não teriam preço, e, por conseqüência não poderiam ser objeto de tributação por não haver qualquer manifestação da capacidade contributiva, dispicienda seria, pois, a imunidade. • linpossivel, também, exigir-se que estas entidades que prestam relevantes serviços à Nação estejam impedidas de cobrar por quaisquer dos seus serviços, sob pena de se inviabilizar ' a sua existência, por falta de recursos para financiar suas atividades finalisticas. Não se pode, sob • qualquer hipótese, confundir gratuidade com ausência de finalidade lucrativa. Vale lembrar que o §2° do art. 14 do CTN isentou das contribuições sociais os serviços diretamente relacionados com os objetivos sociais das entidades beneficentes e, no caso especifico dos autos, não restou comprovado que os serviços prestados relativos aos convênios firmados pela recorrente não estejam relacionados com a consecução de seus objetivos sociais, - que são aqueles constates do seu estatuto social (art. 2°), mas, apenas que a recorrente recebia remuneração por estes serviços prestados, razão pela qual não se pode concluir pelo descumprimento do § 2° do art. 14 do CTN. Desta forma, entendo que contribuinte faz jus é imunidade contida no art. 195, § 7° da CF, razão pela qual suas receitas não hão de sofrer tributação da Cofins, inclusive as • financeiras. No que tange à 'exigência de juros de mora esta matéria não será objeto de análise • por este Colegiado uma vez que o crédito tributário lançado foi considerado indevido e o acessório segue a sorte do principal. Diante do exposto, dou provimento ao recurso interposto, nos termos deste voto. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2007. A BA TOS MANATTA 12 Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11030.003077/2004-32
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/1995
Ementa: RESTITUIÇÃO. PIS. COFINS. CRÉDITO. LIQUIDEZ – Deve ser negado o pleito de restituição se o contribuinte não comprovar a liquidez e a certeza de seus créditos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 204-02.723
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LEONARDO SIADE MANZAN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 200708
ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/1995 Ementa: RESTITUIÇÃO. PIS. COFINS. CRÉDITO. LIQUIDEZ – Deve ser negado o pleito de restituição se o contribuinte não comprovar a liquidez e a certeza de seus créditos. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 11030.003077/2004-32
anomes_publicacao_s : 200708
conteudo_id_s : 4112740
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 204-02.723
nome_arquivo_s : 20402723_138196_11030003077200432_008.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : LEONARDO SIADE MANZAN
nome_arquivo_pdf_s : 11030003077200432_4112740.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2007
id : 4829993
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:43:11 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230583902208
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T15:21:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T15:21:40Z; Last-Modified: 2009-08-06T15:21:41Z; dcterms:modified: 2009-08-06T15:21:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T15:21:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T15:21:41Z; meta:save-date: 2009-08-06T15:21:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T15:21:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T15:21:40Z; created: 2009-08-06T15:21:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-06T15:21:40Z; pdf:charsPerPage: 2152; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T15:21:40Z | Conteúdo => • • . .. .. .... .. . , - .- - • -,iffiV.:'è, . MINISTÉRIO DA FAZENDA . r. • ' - °4-'-'-'.-7:;:-5.z*/ -.' ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - QUARTA 'CÂMARA - • -. ' . ' , Processo n° -7 - 11030:003077/2004-32. - .- • • •- I,- -.‘ **- ' •• -- , --.• • .0- 's: Recurso n° -.: i 138.196 Voluntário: : - ntrib Matéria RESTITUI uintes .- . . . • • '. • ' ÇÃO DE PIS E COFINS de-jçkg.-^1—"-%-'--7- • 'Acórdão n° -. 204-02.723 .- • , . 1 -Rub,,,,,,, 41!.._ •,. : . -..-- i, ' ' ''' - : . - . Sessão de - 16 de agosto de 2007. ' . '. ..- '' '.- '' • -Recorrente ' . COOPERATIVA TRITÍCOLAbE ESPUMOSO LTDA. . , •.• ...- , - . Recorrida ‘ . DRJ - Santa Maria/RS • . • . . . . -,.. . ' . ‘ ', - • . - , ;..,,,„..‘.:„,nre.,»Tr„ tr.mrro,-,'"""qp."'1".ít iz`cylvslisUit4TE8 ' . ;. ,,• . . ,, '. ''-'• ' ' - ' '''" ' MF . SEGUNDO CONSEU o • •-, ','„,.„ , t ..,:.,-.: Assunto: Contribuição para o Financiamento da . '1 ` •:'-' '' '-'-' coNFERE CO',';`, C; C)'-'1"''''' '''''' ' ••• ':''s. '' Seguridade Social - Cofins • . • , : ' •• " ' Brzáilia,„..13----1-1—(----J '.,;-. , - Éeríodade apuração: 01/01/1994 a 31/03/1995 , ... -.y, '. 'Ementa: RESTITUIÇAO. PIS. COFINS. CRÉDITO. . • ' -... * ' '• .''''' -.. . ,.• ÍVlarNita„ti:usZlainpl:; F:11-("..)Y...a64 1 is ' .:k.,:':..LIQUIDEZ --- Deve ser negadp o pleito de restituição . '. .-. .'• •• ,.., - ' . . '' ' ' : : : :. e ti -„, se o contribuinte não'. comprovar a liquidez e a certeza . ' '. - -.. - ••'• • • . * - : ' ..:- ••,'-' s. de seus créditos. • • , . -,'-• Recurso Voluntário Negado • , • : .„, . ,. ... .' :- -,. . • . . . . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • . . ACORDAM : os • Membros da -QUARTA CÂMARA do SEGUNDO .: : ‘. - ''' s .', • . - • CONSELHO ' DE CONTRIBUINTES, •:-• por •s'3inanimidade de votos, negou-se provimento ao • 1. . , , ...• . •., '' . • :recurso. Os Conselherios Júlio César Alves Ramos e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas coclusões .. . ' . , . , , • . , --"` (o t- ' ' I HENRIQUE PINHEIRO TORRES. „ ... •,, . . , Presidente ` • ,.. ,-..-•...- • . •, 1 ' .• 151. li. , . . . • . . • • • . . • • • . • . . • . . ., " • • : •• . . . . . . . • . • • . . . . ft1 t . . • • . . . • • • •• . ,.. , ,..... Á •• . . . . • • é. * q. • '.. . • . • • , -- s ,:, ., --, .. ....,',.. .....- - ,..: '.. ..", • - .... '''..!'':.:,•----..=,,'. ': • ;:,'':: '': á '-, '.-„, 2'.':',....;'. ;-:: • ....':-.' ;.-.: : ',..,,',',..!, ;,..j. • ',' ' , • . .'.. . . , ... .,..-4 • ,, : Processo n.° 11030.06307,7/2004-32,, Acordão n 0204 02 723,.:./. .: 'F-----..,-;-á-'--r--",•—• e. a ARDO S Nj.ANZAN, '. = ... . • .. . .. : ., , .: ',..;:;;;‘,;.'-'..;;.,.:"....:,,,,--. '..,::::.':'..,....... ,.. -. . . - . ' '. / • ., • , iRelator D . . ..., • , Participaram, ainda, do presente julgamento . os Conselheiros Jorge Freire, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Nayra Bastos Mánatta 'Airton Ádelar Hack 'e Mauro Wasilewski (Suplente), . , .,„ . .._ . . ' .. - . ..:::' , 7. ' '. : ; : '` '...' .. - . - • : '' . '' . ‘-- '' ; -NIF - SEGUNDO CONSELHO DE. CONTRIBUIfqTES• '',..;;-,,,y,"-:.' :' i - .-.. ,, ':: i - . ., ,.. • -: :',:, , ,, -. CONFERE (".:Cr.,,,', O C's.:'..",(J:.;':";... Maria tNrik---,, • '' -• f. :, - s , nit. Siapt.. 9164 1 -......................... ___ '• • , , .. , , • , ' " • . • .. . „ • ,. . . ' . . . , - . i 1 " . . - _ . * ' .. . . „ .. . •''.,...',-: .., - . . . . •. „, •• : . . : - . •- - .- . • ' . - . . - , . • , r. '2:. . . . ' • - -' '• ' ' ' ' . .• .. , , - . • '' " . ., .. .. . .* . • , ..,. • • - .. •- . , • . . . •':• • • • • • • . .- • •• • - • • • • • , , . • • . • . , • ' , E" • SUNO cm NTRMUINTES• • , Processo n.° 11030.003077/2004-32 M EGD romsu CO:- é, 'Acórdão n.° 204-02.723 ' CON FERE COM Á)Vriul.4A1- Fis23 . ' ' — • .Bras fita- /3 - jO • ' • • • , :, . . Mana A o ais , : Relatório Mt t4I • , • • : • , • Por bem retratar os:fatos:objeto do presente litígio, adoto e passo a transcrever o • relatório da ,DRI em Santa Maria/R.S;ip 's. is literis: . •"•• • "Trata o presente :processo dé" ••• Pedido de,' Restituição de fl. 01,. " • • • ,. •, • • protocolado erii 30/12/2004, de valores relativos à Contribuição para o Financiamento da-• Seguridade :Social-COFINS , e Programa de .;; • Integração resultante do :,entendimento de ter havido • • pagamento indevido deStas,contribuiçõeS,.:por=substiiUição tributária, • • sobre aquisições'. de .:Combustível para revenda,': tendo em vista as• - . isenções dadas-, às cooperativas por seus atos .Próprios, com previsão no art. 6°, inciso I, da LC 70, de 1991, e na LC n°07, de 1970 . , , •• . • , • • . Ao pedido foram anexados:„ 1. às fls. 02/10 •L cópia daAta n° 79; • _ ••• ,, • . • 2. àfl. 11 —copia de documento de identidade e CPF; • - „ E :1 • , 3. àsfls. 12/43 .7- livretO com ó :Estatuto Social. • , , • . A repartição preparadora despachou àfl. 44. - Às fls. 46/52 .esta anexado o Despacho Decisárz 'o DRF/PFO de • - - 10/03/2006, onde à Sr.' Delegado 'ddi Receita Federal em Passo Fundo • , • • , • • . (RS) . indefere O•Pleitopropostb, tendo d Contribuinte sido cientificada - • ' ,em 28/03/2006 conformeARdefl. 54. • ' Não :conformada Com aquela decisão, ,apresenta a contribuinte em - • 25/04/2006 . — fls.' 55/72 sua manifestação contrária,' onde alega, em • • síntese, que: ; • e ,s • • TEMPESTIVIDADE • - • : • . . • • : • a ciência do desp«Cho':CleCisário deu-se em 29/03/2006, mostrando-se • ' manifestamente tempestivo o seu recurso; , • -• • , . Dos FATOS • • ' • • protocolizoti...;•:Pediclo de restituição de valores - indevidamente• t " • recolhidos a',títuld • de PIS e COFINS por substituição tributária em combustíveis, tendo fundamentado seu pedido nas ,LC s n c's 07, de 1970,, • - , e 70, de 1991;:: • • : • , • houve indeferimento sob a argumentação de que:, : • a) a substituição tributária encontra amparo constitucional; • • • - b) a isenção das: cooperativas foi revogada; . • . c) o direito de ' pedir a restituição' referente a valores de 1994 e 1995 já. , estaria decaído,: conforme 'arti. -.:165 é .168 do CT1V• é art. 3° da LC .„. 118, de 2005. ,•• •••• . . • •• . • • * ' • • • • • /• • • • • • • •. ••,• . • • • -. -• • . .,.•-•- - - : . • .:'' . .: -. 7 ... , • ' .: (5. riyi-isuitfit . '''- : .' . • . ..• . •• t .. ..-. - - *. • - • - . • -. : -..., .,.•;:-: , •.:.,....' . :':' .-:. • ..•.-,: lkif..!-',S, . - • ...- . ,-, r.'",,`"C"‘ t: • I • . ' • • . - : . • . • . . 1 .• ' :'" .' • '', '.:.. ' ' - , ' ^ -.:,.*:,.."': ::, CONFERE C.:;,..i .v.. ç,, ,...,è.,;,... ,,:J:. . , Processo n.° 11030.003077/2904-32 ' --, '' '' - - . i "r • -. 1 Lr.........j..;_:RI____ Acórdão n.° 204-02.723 : . . ' ,,,. Brasilia..1.=_L-4-2,1--•-, ,, Mziria 1.., :,... ,'..PY(..--rwair 5 . . . : RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO :' - - .' ,. .,: .' ' -• " • : ' • a sistemática da substituição tributária das contribuições ao pis e à . . .,. • . .,.. .: : • : - - COFINS não está sendo questionada no pedido de restituição;, - - . ,- . : . , • : : ., , : ,.. . , • , . - .: • - -. ,: • traça longo arrazoado acerca do tema substituição tributária onde, basicamente • , - . : a) refere à legislação; , b) diz ser cooperativa . de produtores rurais que fornece bens de produção aos seus cooperados, entre eles combustível, através de um.. estabelecimento varejista de combustível;. , ., .. . .. •- . c) , refere que conforme preconizado pela substituição tributária, I adquiriu combustível, sempre com' o PIS e a COFINS devidamente retidas pelo responsável tributário; , - d) detalha os contextos . temporais . o tema . antes de .-28/09/1999, e depois daquela data, quando da edição da MP n° 1.858, de- 1999; ., .... , . „ . . e) _diz que o Fisco entendeu .qué:a partir da referida MP teria sido.; • - ,: ,- . .,!, • . . - revogada á isenção das cooperativas sobre seus atas cooperativos; j) registra que pela forma de cálculo equivocado quefez, as vendas de . , ..'„' ., • ,- ,.,.. :, : combustíveis feita aos cooperados, que deveriam ser excluídas da base •1 :...,.. . . de cálculo do PIS e da COFINS pelo art. 15 •daquela MP, foram • • . - tributadas Pelo •regime de substituição tributária na refinaria ou no .• ,' , : ::: ' :' :-, . ' . : • '' distribuidor ha,V ido- pagamento em duplicidade; -, • - , -,- ,.. ...... • : • g) refere que não esta a :questionar o instituto da substituição • ;,.- .,: -,,•• - . tribiaária, estando somente a ponderar sobre a incidência indireta das. ,.. :' ,- . - :• A :-. ' . , contribuições sobre as receitas de comercialização. de combustíveis no varejo pagamento indevido ou a Maior durante o pen'odo de -. . •:: .: ' ,r.,` " '' , . • 1998a 2000; ': ' ..: -` - -..-.,..':' .- '. •• , . • • ' ' ,". - .;* ..-... . • • h) transcreve posicionamento administrativo. . .,I , • . . / '. , • DECADÊNCIA DO TRIBUTO‘-‘:.: . . ' ,. . ,,.:-.: • . , ..,' ‘ • a tese adotada pela autoridade administrativa é a de que o prazo .decadencial para Pleitear :a . restituição : se ' inicia com o' 'pagamento antecipado de tributas sujeitos diançamento por homologação, eis que., . esse recolhimento teria o con dão'de extinguir o crédito tributário; . .. , • segundo o STJ, tal posicionamentof somente se tornou válido a partir da entrada em vigordá LC n°,118, de 2005 :(art: .3 0), e também para. . - , fatos pretéritos que não foram àlva de ação judicial ou administrativa; . „ . • • como o presente processo' administrativo foi interposto antes da data, . „ . de vigência da LC n° 118, de 2005, a análise do prazo decadencial • • deve. ser feita à luz da jurisprudência contemporânea seja da • •. „. -• „ : n - : i . - .• edição daquela lei comPlèMeritar;:. . , • - ••• refere ao art. 168, inciso I,: do CTN, dizendo que a jurisprudência, • • , ,. . tanto na esfera judicial .como 'administrativa, já está pacificada no. . .., .. . . . • ,,r)• • • . . • I/ i ,1 , • • /7 • .1" •• 1'. . . . . ' •• . - • . . • . . . , . . . . . • • • .... , - . ",',.' 2; ''í. '" '' :. *: "-.:*;,'',.t - '. s. ; . : .7 : ',- . 1: ,: *,.. *., -,.' f', . , .- `,..;;.' .;;;:,',..,.;,. i. ..- ' .f,-;.- : . :-,:,": :.,; . 1, -.;:, 7',", . :'''i: . ' "...„ - • . . • • j - • , . ' '' : ,' ' • • - . : ',' ' , '',," :',': • L% ‘, -. i ' ,. ' 1:,"4:,;'':" Processo O.° 11030.03077/2004 .-32 :.,',. '''::- ':. -: , ''. :.:,:j;,,,s;,-,:: ,., : "1- . :. , • . • Acórdão n.° 204-02.723 '-''',: ',.... -..::' ''..;;''. - ..":: : , . -'--:- --,, " .:'• ',.. -- 72 . ::, - - -.. ', - ' - , , ,.. sentido de que é c. om o lançamento Ociía 'que se caracteriza tanto a• constituição do crédito tributário 4uanto á sua extinção. Registra o art.-, .150 do CTN; „ . . , • • o recolhimento . antecipado extingue sob condição resolutória,. . , .. •enquanto a extinção , efetiva ocorre na data em . que caracterizado o , . . lançamento tácito,:•ou Seja,: cinco: anos :após o- fato gerador sem.. , , qualquer pronunciamento do Fisco, : • . W -- . - • antes da homolágação, expressa ou tácita, não há lançamento, e sem . ,. :, ':z , . • rt, , , . ,r. lançamento.-não . há crédito tributário: .No momento do recolhimento O ' . ' antecipado, isto é, do recolhimento 'anterior ao lançamento, mostra-se • . ,. o (.--3 . --- •. . •;,. , •-• obvio que nao se pode extinguir um crédito tributário .ainda inexistente, . r : :, .,., Lu Vtn ; ::; ' , ou seja; que ainda não foi constituído na forma da lei; ;: ••• ..; --' ".; -. e) , ck :. ,,,zz ' • ,• • :. . j • a tese adotada pelo Fisco; confunde obrigação e crédito tributário, ''. - •: .... . . • lá '(:5- ' " PI4 *-4. ' sendo que somente „:, a.: presença cumulativa , dos 'dois elementos , :, ,:i. :‘,.... c, I v .: • . e , i 7; . (antecipação e: homologação) tem O condão de extinguir o crédito . r.,•7, .- , .:"- tributário. Refere ao § -4°,do art. '150 do CTN; ., • o pagamento que extingue ,o crédito tributário éaquele previsto no . .. ,' ., : ,..i* , tu .ssi. ' • ': inciso Ido art. 156 do CTN;. não -o pagamento antecipado de que cuida •„ , o art. 150 do , mesmo código. j-Este, somente quando presente a . homologação e na . data' desta, cómpõe . o quadro de que trata o inciso • '' :. -. ..-•,- - , "" ',',.,:: '... , , VII do art. 156 do crs: Registra este artigo,' ., • no caso em tela, a etitirição do crédito tributário não ocorreu na data . • - do recolhimento,' posto que nesta :data ainda ., não havia ocorrido o • -.. .. .. lançamento, nem, » portanto, a constitui çãp do crédito tributário. Dessa ., : ...•'. ,- ) - . forma, para os fatos geradores ocorridos em 1995,1996, 1997 . e 1998, o prazo decadencial se esgotara, respectivamente, em 2005, 2006, 2007 ‘_ :, .,. 1, ;.;_ :. '• • .. e 2008; • no que se refere ao Ato DeClaratório n° 96, de 1999, apropria PGFN • . , :. s '-. • . • - admite, em* seu Parecer .,PGFN/CAT n° 1.538, 'ile ,',-1 999, que seu .. •`-'-' :' .• , • - • posicionamento e contrário à jurisprudênciadominante, donde decorre", .. , .., ,..,......; .•„ . que a administração pública não poderia adotar a linha de raciocínio., . proposto pela PGrN,.. vá que tal matéria já se encontra pacificada na . .f. ::,,,,. ,' • . instância superior e autônoma do Poder Judiciário,' ..‘ .... . , ., • „ _ - . ' • da mesma forma,. ,não procede a aplicação do Parecer PGFN/CAT n° .-. '•:', . •• • . . . , , 550, de” 1999, posto: que .o julgador administrativo ,deve seguir a -', , ..,:- ., • . jurisprudência' pacificada nos Tribunais, por força: do disposto no. Decreto-lei n° 2.346, de' 1997, 'no interesse da justiça e da economia processual; : ,-, :. • . , , .. , . ‘. . • registra variada jurisprudência administrativa e do Poder Judiciário. . , . ,.. DO PEDIDO . • .. . • .,. • em face do que expôs, pedée espera a reconsideração da decisão e o . , provimento de seu pleito . unza "vez incontroverso que o recolhimento do. . . tributo foi indevido, e que a repetição jC,i eferuada dentro do prazo • . .. ,, • próprio; . .•, ; . . . . . . ' . • . :Js .,:, . • .• * • pede deferimento. • .. . . , .. . • . 'til ....' . .• . • - . • i .,.. . ii, . •. . . . . . •. . , • , ,. •, . . • . . , , ,.• ,.. ... .. . ,... . . . Processo n.° 11030.00307712004:32 ''' : -: , - • ,.. ':. ' ;.-,-,"',-,-;.:-',,';':-",.;k:1,; s':-..',",:----'4.-..:-',. . -. . ::-- - . ". • - ' .., , • Acórdão n.° 204-02.723- . , , : -.'-'--,2'.--: ',.';.-,':-.:...;: '.,:"..• . '''-',';'-':-.: ,. ' • 4: - . ',;:-. - :' . ' .".„ ' Fis• 6 A repartição de origem despachou àjl. 73"; . .. ., • . • , ,', : .. . . '.H .-", ''. • : A DR.!' em Santa Maria/RS indeferiu o'pleito da contribuinte em decisão assim, . - : 2 .,:..;.;.. •• • , , ementada: . Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - ' •., : '` I ': : kV"' -"" " *". - ''' Cotins , ', • - , .':.:' -, rY Período de apuração: 01/01/1994 a 31/03/1995 DECADÊNCIA ( ( I O direito de ple itear a restituição ou a compensação de valores pagos ji: • • ‘ ,,.j,..s.,, . • 2 ' •• . \ g . . a maior ou andevidamenté, 'extingue-se em cinco (05) anos, contados a - i.„ :.,' ,': : • ,e5). Cs- , •• . 2, partir da data de efetivação' do suposto indébito. ', . ,",;:', • . C..); cg. ' - -". : . --,.." ".á" COFDIS. PIS. CRÉDITOS. RESTITUIÇÃO. • ..,,, ',' .. . z (.4, Para aceitar-se a restituição pretendida pela contribuinte, os créditos. , ‘• '-' , • :, - o ' que supõe ter necessitam gozar de liquidez e certeza ; , . - . - - . , it • ' órs Solicitação ndeferida Irresignada com a . decisão de :Primeira Instância, a contribuinte interpôs o ,presente Recurso Voluntário a este 'Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, reiterando os . • ' • ' --- '.-termos de sua Manifestação de Inconformidade.' .`.̀ ••• ','-',' ' - , ' ' . . E o Relatório. --- • ' • • ., - .... .. . '. . . . ., . '..--,,..`,`.,., , " . . . : . .. ... , - . •, - -• • • • ' • , ' • - . •.. ... ... _ . . . . , • ; -.... . • - , , • ... , . . . • ,_ .. -. . • •- • . • •• • , . • . •. • . . - ___ — , : ; • : . , - . • . : ' bis" WiPtC041;g0ON:rg'S • • Processo n.°110.30.003071/2004-32 . :::;': MF 'Acórdão ii.°04-02.723;, ' FÍS. 7•-: • : • - •-•:•;1 • Brastita, ' ‘•:' • " (°. PiC>a Maria t' Voto . - • - • • „ •"' * Conselheiro LEONARDO SIADE MANZAN, Relator O recurso: é tempestivo ,e preenche 'os requisitos de admissibilidade, pelo que, dele, tomo conhecimento e passo à sua analise: - • . •••••-•'' • ' • s Consoante relato supra os presentes autos tratam de Pedido de Restituição (fl. • ".• 01) protocolado em". 30/12/2004, de valores relativos à Contribuição para o Financiamento da . ,• Seguridade Social •- •' 'Cofins e Programa de, Integração Social - PIS, resultante do entendimento de ter '• havido pagamento indevido destas contribuições, •: por substituição tributária, sobre • • , • aquisições :decombustível . para revenda, 'tendo .ein''Vistã as isenções dadas as cooperativas por s seus' atos ' próprios,'Corri- previsão no ,art. , 6°,.inciso' I, da LC n° 70, de 1991, e na LÇ n° 07, de •, 'A .contribuinte em tela juntou a s. seu ',-pedido de restituição os seguintes *. • documentos: copia da Ata n° 79, cópias dos documentos pessoais (RG e CPF) e livreto com o • Estatuto Social da Cooperativá. : dotrio sé vê, a contribuinte L não- juntou aos autos nenhum documento que ' Comprove o pagam. ento indevido da Cofins e. 'dà Contribuição para o PIS sobre as aquisições de • - combustivel para revenda. • : • • ,- . • • : Alias, frise-se que a Cooperativa ;foi alertada . pela Administração Tributária„ sobre o problema, consoante despacho abaixo transcrito (f1:44): „ • ' . "O contribuinte Supra qualificado requer Restituição por pagamento • indevido, conforme docs..de fls. : 01 e seguintes, sendo que o presente pedido somente foi 'reCebidà apds'muita insistência do contribuinte, , ,;t , • ' : uma vez que diversos docs estão faltando". . • • ' •".‘' - • , Compulsando-se-- os ; mitos .nota-se que a .,contribuinte fincou o pé em hão ' apresentar a docuMentação- .'nedessária durante todos os procedimentos administrativos até o , rriomento., Aliás nem: irieShio corri a negativa de Primeira' Instância trouxe a contribuinte ' • elementos que comprovem seu pleito• '= 1. • . • Aponta a Cooperativa, ení seu, pedido de fl. 1; que o .valor a ser restituído é de 500.000 00:. De onde surgiu esse "valor? Não cánsta , dos autos nenhuma prova, sequer • '•• indicio, do direito pleiteado. - • ' ' s • •-• Limita-se a contribuinte 'á-. dizer,'em suas razões recursais; que disponibilizou . toda a documentação CornProbatória dos,reeólhimentos. -de PIS e Cofins através de DARF's, os ,mapas diriminatórios de : átividadeã . cOM,aS'SOciados :e terceiros, , bem ' COMO todas as notas : fiscais dê aquisição de combüstíveis. , Todavia, "houve argumentação ,da fiscalização local da„ . • impossibilidade da mesma efetuar a autenticação legal prevista para cada cópia apresentada em •, . r • . : • •' • conjunto". • Ora, o órgão local ná6 pode jamais negar-se a juntar documentos quê a • :•: contribuinte 'entenda amparar seu direito:: Entretanto, pelos elementos constantes dos autos' e • , • . „:„ • • • • • • •• • •• •. . . • . ••• • - . • ": e • . 4 • •• : •-• • . • r T " -* 5,4 Processo nf:11030.003077/2004-32 • • Acórdão n.° 204.-02.723 : Fls. 8, • • • • .2. —• , , `.; : . reforçando o 'que ". foi aludido t supra, parece-me tei ocondo justamente o inverso. A • Administração Tributária alertOu' -sobre'à falta dê documentação, mas a contribuin , e nada fez. • • r• ' • • Por conseguinte, 'sem: a . Certeza e liquidez :•do :direito, não lia credito a ser , restituído e, por via de con'seqüênCia," -flcaprejudicada a análise quanto à decadência. - "- Por último, cumpre•..`: salientar que foi juntado 'aos presentes autos Recurso Voluntario da „empresa BEVEI;: -.4.,---,BEBBER ..VEÍCULOS .',, E .--,,PEÇAS LTDA., referente ao Processo il.°, 11030.000373/2003 :09:lqUe nada s ver com o caso ora em análise. , . : Certamente juntada ocorreu por l'equivoco . Por isso; _determino sejam_ desentranhadas as fls. • 103 a 114 para que o Recurso seja junta , s autosãrespectiyos _ (Processo acima indicado). • • "" • - —CONSIDERANDO 'os 2, articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso yoluntano por absoluta falta •- 'de prova. • • . , ••••••.•• ; • • : "É O meu voto.' . • • . , : , = • Sala das Sessões,,em"16 de agosto . , „.„ - • • ..~Nansis~iirdmihro • DO S • , .MF SEGUNDO • • • 'CONFÉÉE (.4.:1C.1-1):',L , '• • ". -) 4- ':•' • t; " „ . . • . , ,tiz ar vais * • - ' Mat..541 e 9641 o , . . • „ • • • " • , I • • . : • '1, • Ct• „• „ „ „ • • , • „ s •• • • .1 4 •." ^ • : " . • .0 • • . • „ • . • • • •. • ' - • • • • • • • . • . .• Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722345/2018-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
FALTA DE SIMILITUDE ENTRE ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMÁTICO. NÃO CONHECIMENTO.
Não é possível o conhecimento do recurso pelo não estabelecimento de divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, diante da ausência de similitude fáctica.
Numero da decisão: 9101-007.208
Decisão: Acordam os membros do colegiado em não conhecer do Recurso Especial, nos seguintes termos: (i) quanto à matéria “quando identificados os beneficiários, deve ser afastada a incidência do IR-Fonte”, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso; e (ii) relativamente à matéria “impossibilidade da concomitância da cobrança do IRRF-35% diante dos mesmos pagamentos glosados na apuração dos tributos (IRPJ/CSLL)”, por maioria de votos, não conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que votaram pelo conhecimento.
Assinado Digitalmente
Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior – Relator
Assinado Digitalmente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em Exercício
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Jandir Jose Dalle Lucca, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: HELDO JORGE DOS SANTOS PEREIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202411
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 FALTA DE SIMILITUDE ENTRE ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMÁTICO. NÃO CONHECIMENTO. Não é possível o conhecimento do recurso pelo não estabelecimento de divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, diante da ausência de similitude fáctica.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 11516.722345/2018-61
anomes_publicacao_s : 202411
conteudo_id_s : 7167344
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 9101-007.208
nome_arquivo_s : Decisao_11516722345201861.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : HELDO JORGE DOS SANTOS PEREIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11516722345201861_7167344.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado em não conhecer do Recurso Especial, nos seguintes termos: (i) quanto à matéria “quando identificados os beneficiários, deve ser afastada a incidência do IR-Fonte”, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso; e (ii) relativamente à matéria “impossibilidade da concomitância da cobrança do IRRF-35% diante dos mesmos pagamentos glosados na apuração dos tributos (IRPJ/CSLL)”, por maioria de votos, não conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que votaram pelo conhecimento. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior – Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em Exercício Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Jandir Jose Dalle Lucca, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2024
id : 10732185
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:42:54 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230596485120
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-11-25T13:22:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-11-25T13:22:59Z; Last-Modified: 2024-11-25T13:22:59Z; dcterms:modified: 2024-11-25T13:22:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-11-25T13:22:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-11-25T13:22:59Z; meta:save-date: 2024-11-25T13:22:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-11-25T13:22:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-11-25T13:22:59Z; created: 2024-11-25T13:22:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2024-11-25T13:22:59Z; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-11-25T13:22:59Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11516.722345/2018-61 ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA SESSÃO DE 5 de novembro de 2024 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECORRENTE ORCALI SERVIÇOS DE LIMPEZA LTDA/RICARDO KUERTEN DUTRA, CIRO AIMBIRE DE MORAES SANTOS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 FALTA DE SIMILITUDE ENTRE ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMÁTICO. NÃO CONHECIMENTO. Não é possível o conhecimento do recurso pelo não estabelecimento de divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, diante da ausência de similitude fáctica. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado em não conhecer do Recurso Especial, nos seguintes termos: (i) quanto à matéria “quando identificados os beneficiários, deve ser afastada a incidência do IR-Fonte”, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso; e (ii) relativamente à matéria “impossibilidade da concomitância da cobrança do IRRF-35% diante dos mesmos pagamentos glosados na apuração dos tributos (IRPJ/CSLL)”, por maioria de votos, não conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que votaram pelo conhecimento. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior – Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em Exercício Fl. 4154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Jandir Jose Dalle Lucca, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Sujeito Passivo e responsáveis tributários (fls. 3804/3854), de forma conjunta, em face do Acórdão nº 1401-005.633 (fls. 3635/3733), por meio do qual o colegiado a quo deu parcial provimento ao recurso voluntário. Assim restou assentado o Acórdão ora Recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. GLOSA DE DESPESAS. CONCOMITÂNCIA DA EXIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. O valor do pagamento, se não comprovado por meio de documentação idônea, não pode ser utilizado como despesa para reduzir a base de cálculo do tributo. Nesta situação, o sujeito passivo da exigência tributária é o próprio contribuinte que reduziu indevidamente um pagamento não comprovado quando da apuração do tributo devido. Esse mesmo pagamento deve ser justificado pela causa de sua realização, pois trata-se de saída de recursos da pessoa jurídica. A exigência do IRRF pelo pagamento sem causa possui natureza jurídica diversa da exigência do imposto pela glosa de despesas. Se não comprovada a causa do pagamento, há a responsabilidade de se recolher o imposto na fonte, neste caso, na condição de responsável tributário. IRRF E MULTA PUNITIVA. DUPLA PENALIDADE. O IRRF não é sanção de ato ilícito. Trata-se de imposto que deve ser recolhido pelo responsável tributário. Caso não haja o recolhimento no prazo legal, cabe a multa punitiva. Desse modo, não há que se falar em dupla punição. IRRF. IDENTIFICAÇÃO DA CAUSA E BENEFICIÁRIO. INAPLICABILIDADE ART. 61, § 1º, DA LEI nº 8.981/1995. Restando identificado o beneficiário e a causa dos pagamentos realizados às empresas AIMBIRÉ e SDS, é incabível a tributação na fonte com base no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/1995. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. INOCORRÊNCIA. Fl. 4155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 3 Ao lançamento por homologação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica - IRPJ - aplica-se, regra geral, o prazo decadencial do art.150 do CTN, exceto se restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipóteses que atraem a incidência do art. 173, I, do mesmo diploma legal. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. (...) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos às empresas AIMBIRÉ CONSULTORIA E TREINAMENTO EIRELI e SDS SERVIÇOS EIRELI. Vencidos os Conselheiros Itamar Artur Magalhães Alves Ruga que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira que dava provimento parcial para excluir do lançamento tão somente os valores pagos à empresa SDS SERVIÇOS EIRELI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Ambas as partes ofereceram Recursos Especiais, mas, somente contou com uma decisão favorável (ainda que parcial) ao seguimento, o Recurso Especial do Sujeito Passivo (fls. ). Abaixo seguem as matérias admitidas, com os respectivos Acórdãos Paradigmas: 1) Quando identificados os beneficiários, deve ser afastada a incidência do IR-Fonte – Paradigma: Acórdão 1201.004.560. Na formação do dissenso jurisprudência, assim restou justificado no Despacho de Admissibilidade. No que diz respeito à comprovação da divergência, as Recorrentes lograram êxito em demonstrar a divergência nos termos acima propostos. De fato, o entendimento do acórdão recorrido foi no sentido de que independente de o beneficiário do pagamento ter sido identificado, se a causa do pagamento não for comprovada, o que se deu por meio de considerações de ilicitude das operações envolvidas nos pagamentos (inexistência de fato da empresa beneficiária), a consequência lógica é a tributação do IRRF. De outra banda, o paradigma defendeu tese jurídica divergente na medida em que considerou naquele caso concreto a suficiência da identificação do beneficiário para fins de cancelar a tributação do IRRF, independente da ilicitude das operações em consideração. Confira-se a passagens do acórdão recorrido e paradigma cotejadas pelas Recorrentes que deixam claro a divergência perseguida: Fl. 4156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 4 2) Impossibilidade da concomitância da cobrança do IRRF-35% diante dos mesmos pagamentos glosados na apuração dos tributos (IRPJ/CSSL). Paradigmas: Acórdão nº 9202-00.686 e Acórdão nº 1101-000.767 Para a formação do dissenso, assim restou justificado no Despacho de Admissibilidade: Em relação ao Acórdão Paradigma nº 9202-00.686 Embora as Recorrentes procurem tentar separar neste quesito duas temáticas (uma para cada paradigma) distintas, na verdade se trata de uma única matéria com o mesmo fundamento e como tal será tratada. Veja-se que a temática “art. 61 da lei n. 8.981/95 nos casos que ensejem a tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por glosa de despesas” é uma forma similar de descrever a “Impossibilidade de concomitância da cobrança do IRRF-35% diante dos mesmos pagamentos glosados na apuração dos tributos (IRPJ/CSSL”, uma vez que essa proposição foi utilizada como fundamento daquela primeira temática. (...) Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos (recorrido e paradigmas), evidencia-se que as Recorrentes lograram êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial por eles suscitado, nos termos propostos. Enquanto o acórdão recorrido abraçou o entendimento de que a incidência da regra prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 pode se dar de forma concomitante com a glosa das despesas (redução do lucro líquido) com base nos mesmos pagamentos que deram origem a essas glosas, por se tratar de materialidades distintas (naturezas jurídicas diversas); De outra banda, nos dois paradigmas apresentados, entendeu-se de forma oposta, ou seja, que há uma incompatibilidade em relação à aplicação da incidência conjunta dessas regras. Eis as ementas dos Acórdãos Paradigmas: Fl. 4157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 5 1º Paradigma – Ac. nº 9202-00.686: Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte - IRFonte IRFONTE - PAGAMENTO SEM CAUSA - ART. 61 DA LEI N°8.981, DE 1995 - LUCRO REAL - REDUÇÃO DE LUCRO LÍQUIDO – MESMA BASE DE CÁLCULO - INCOMPATIBILIDADE. A aplicação do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Precedente da CSRF. Acórdão n° CSRF/04-01 094. Jul. 03/11/2008 Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. No caso concreto, por presunção, foi considerado omissão de receita o dinheiro creditado em conta bancária da empresa no dia 18/02/97. Assim, se houve receita omitida aumentou-se o lucro e exigiu-se IRPJ, CSLL, COFINS, PIS. Todavia, quando o dinheiro saiu do caixa da empresa para pagar, com juros, o valor que foi considerado receita omitida, tal importância não pode ser considerada pagamento sem causa, sob pena de efetivamente confirmar que não se tratava de receita omitida, mas sim empréstimo com obrigação de restituição dos valores. 2º paradigma – Ac. nº 1101-000.767: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 (...) IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO QUINQUENIO DECADENCIAL CONTADO A PARTIR DO FATO GERADOR LANÇAMENTO EFETUADO APÓS CINCO ANOS DO FATO GERADOR LANÇAMENTO EFETUADO APÓS CINCO ANOS DO FATO GERADOR CADUCIDADE. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4 PAGAMENTO PARCIAL COMPROVADO. A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. Está sujeito à incidência do IRRF, qualquer pagamento sem comprovação de sua operação ou sua causa, ou a beneficiário não identificado, com vencimento da exação tributária na data do pagamento. Tal imposto se enquadra na moldura do lançamento por homologação. Para esse, quando se verifica o pagamento parcial do imposto, o prazo decadencial para lançamento do crédito tributário é regido pelo art. 150, § 4º. IRPJ. CSLL. AUTUAÇÃO FISCAL DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. A autuação fiscal se deu dentro do prazo decadencial de cinco anos para efetuar o lançamento. Descabida a argüição de decadência. Fl. 4158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 6 IRRF. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO DE IRPJ. NE BIS IN IDEM. INCIDÊNCIA ÚNICA DE TRIBUTO SOBRE A MESMA BASE DE CÁLCULO. Desde a edição da Lei nº 9.249/96, em critério legislativo alternativo, busca-se privilegiar, sempre que possível, a incidência do tributo ou em face da pessoa jurídica, ou perante a pessoa física (os sócios). Dessa maneira, impossível conceber o lançamento de IRRF em consideração, espeque em “pagamentos sem causa”, acaso estes já tenham ensejado glosas de deduções em face do lucro real, com a consequente formalização do IRPJ sonegado. CSLL. IRPJ. CSLL. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Não há como considerar como despesas necessárias, normais e usuais, os gastos efetuados em desacordo com a legislação tributária e que sequer tiveram comprovadas suas causas, ou seja, o real motivo de cada prêmio pago aos "favorecidos". A Procuradoria da Fazenda Nacional não se insurge expressamente contra o conhecimento, mas pugna, basicamente, pela manutenção do Acordão Recorrido pelas suas próprias razões. É a síntese do relatório. VOTO TEMPESTIVIDADE A tempestividade do Recurso Especial de Divergência foi atestada quando do exame de admissibilidade, tendo sido o mesmo considerado tempestivo. CONHECIMENTO 1) Quando identificados os beneficiários, deve ser afastada a incidência do IR-Fonte – Paradigma: Acórdão 1201-004.560. Incialmente, este Conselheiro entende por bem delimitar o alcance da matéria que ora é submetida a esta Turma. O auto-de-infração contou com a aplicação das normas do art. 61, da Lei nº 8.981/95, nos pagamentos realizados a diversas empresas: MABB LTDA – EPP, VNBT Serviço de Gestão de Assessoria Contábil SS – EPP, AIMBIRÉ Consultoria e Treinamento EIRELI e, SDS Serviços EIRELI – ME. Com relação à MABB LTDA – EPP, consta informação (página 11 do Acórdão Recorrido) que o sujeito passivo teria aderido à programa de parcelamento, motivo pelo qual não há tópico específico na decisão ora atacada. A autuação correspondente às despesas com a AIMBIRÉ Consultoria e Treinamento EIRELI e a SDS Serviços EIRELI – ME foi afastada nos termos do voto vencedor do Acórdão Recorrido. Fl. 4159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 7 Portanto, o Recurso Especial do sujeito passivo em tela encontra-se delimitado aos pagamentos realizados à empresa VNBT Serviços de Gestão de Assessoria Contábil SS – EPP. Destaco do Acordão Recorrido as razões de decidi: Considerando os depoimentos abaixo, verifica-se que os Sócios Sr. Valdir e Sr. Jonas desconheciam as atividades da empresa: Trechos do Depoimento do Sr. Valdir Duarte Severino (fls. 2703 e ss.) É sócio na VNBT, além da Duarte Pescados e da Imbituba. Ficando em dúvida se consta como sócio o depoente ou seu filho. [...] Não colocou dinheiro na empresa VNBT e nem recebeu nada pela venda das cotas e desconhece porque saiu da sociedade e passando para o seu filho Jonas e que a decisão foi conjunta mas desconhece os motivos da alteração societária foi seu irmão Valdinei. [...] Não sabe quais são ou foram os clientes e desconhece exatamente os serviços prestados. Não sabe o faturamento da empresa da VNBT. Informa que não é formado em Contabilidade. Desconhece se a VNBT tem outros sócios. E que o lucro sempre foi creditado na conta bancária, ou do depoente ou de seu filho Jonas, sendo sempre creditado, nunca em dinheiro, também informa que nunca sacou qualquer valor da conta da VNBT. Não tem ideia do valor que foi distribuído nos últimos anos. Não recebe a prestação de contas do total do faturamento e do lucro anual. Não sabe informar se recebeu empréstimos da VNBT nos últimos anos e nunca mandou dinheiro a VNBT a qualquer título, nem em dinheiro, transferências bancárias ou cheques, nem mesmo de terceiros. Desconhece o percentual de participação na sociedade VNBT. Que não é sócio da SCA Contabilidade e desconhece as diferenças nas atividades da SCA e da VNBT. A conta corrente em nome dos Sr. Jonas que recebe lucros da VNBT é movimentada pelo depoente. Fl. 4160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 8 As DIRPF sempre foram feitas pela SCA, tanto do depoente como de seu filho. Trechos do Depoimento do Sr. Jonas Reus Severino (fls. 2696 e ss.) [...] Indagado sobre os fatos relacionados a VNBT Serviços de Gestão e Assessoria Contábil, declarou, de livre vontade que consta do quadro social da empresa apenas formalmente e que seu pai de fato é o sócio da empresa e que as contas bancárias que recebia os valores da empresa sempre foram movimentadas pelo seu pai Valdir e que ratifica as informações prestadas em depoimento pelo sr. Valdir Duarte Severino, nesta mesma data. [...] Em seu recurso a recorrente aduz que os serviços prestados pela VNBT e SCA eram diferentes, “que as respostas por si só não invalidam a empresa ou a tornam inexistente, pois, como sócio cotista, e não responsável técnico ou administrador, o sócio não está obrigado a conhecer das atividades da empresa, nem de sua administração. Era apenas um sócio cotista. Todavia, demonstrou que conhece dos valores que recebeu e sabe onde os aplicou”. Quanto a afirmação das Autoridades que os sócios são laranjas, expõe a recorrente que “as afirmativas feitas pela autoridade fiscal autuante carece embasamento fático e lógico”. Acrescenta “Da constatação de que sócios cotistas, assim entendidos aqueles que não participam das atividades de uma empresa, não conhecem as precisas atividades operacionais, não significa, de modo algum, que assumem a figura de laranjas, e tampouco que a empresa não existe”. Importante destacar o exposto no item 282: 282. Existia, é verdade, a situação do sócio Jonas, por se tratar de contador graduado, ser interposta pessoa do sócio de fato Valdir; todavia, esta situação por si só não invalida a empresa. No que toca ao endereço da VNBT ser o mesmo endereço da SCA, afirma que “a empresa VNBT atua em parceria com a empresa SCA”. Explica que “no mesmo imóvel comercial, existem outras empresas também sem identificação”. Conclui que “não se percebe nesta conduta, por si só, nenhuma ilicitude que seja capaz de levar conclusão de inexistência de fato da empresa” Houve inexplicavelmente diversas alterações contratuais, com a troca de sócios do Sr. Valdir e Sr. Valdinei. Reitere-se afirmação do sócio Sr. Valdir que "não colocou dinheiro na empresa VNBT e nem recebeu nada pela venda das cotas" (fl. 2703). (GRIFOS NOSSOS) As Autoridades Fiscais demonstraram em seu Anexo IV (fls. 2731 e ss.), por meio de acesso aos cheques (frente e verso), os valores registrados como pagamento de lucros aos sócios são sacados pelos funcionários da SCA. Acrescentam que “algumas transferências realizadas para as contas dos "sócios' Valdir Duarte Fl. 4161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 9 Severino e Jonas Reus Severino eram transferidas posteriormente da conta deste para aquele e depois sacadas em agencia bancária em Florianópolis, sendo que ambos residem na cidade de Laguna”. Desse modo, por tudo o que foi exposto, entendo que está correto o procedimento fiscal, conforme a conclusão exposta no TVF: Esclareça-se que o Sr. VALDINEI DUARTE SEVERINO figura como sócio da empresa VNBT SERVIÇO DE GESTÃO E ASSESSORIA CONTÁBIL SS - EPP, conforme relatado no ANEXO IV AOS TVFs DO GRUPO ORCALI. Além disso, também é funcionário da empresa SCA CONTABILIDADE. E é justamente esta empresa, SCA CONTABILIDADE, a responsável pela contabilidade do GRUPO ORCALI. Portanto, juntou-se documentos emitidos por outra empresa para justificar as supostas despesas de serviços realizadas pela VNBT SERVIÇO DE GESTÃO E ASSESSORIA CONTÁBIL SS - EPP. O anexo supracitado demonstra, também, que a empresa VNBT não tem capacidade operacional para execução dos serviços, sendo uma empresa inexistente de fato que utiliza interpostas pessoas em seu quadro societário. Destaque-se ainda que os valores pagos pelas empresas do grupo ORCALI eram em seguida sacados por funcionários da SCA Contabilidade em agência bancária localizada a 65 metros da sede do grupo ORCALI. Diante dos documentos e fatos relatados acima, procedeu-se a glosa dos valores informados na contabilidade como despesas com fornecedores pagos a empresa VNBT SERVIÇO DE GESTÃO E ASSESSORIA CONTÁBIL SS - EPP. Da leitura do voto acima transcrito, entende este Conselheiro que a discussão sobre os pagamentos se desenrolou a partir de análise da efetiva existência (ou não) da VNBT. Já No Acórdão Paradigma, a condição da existência da sociedade receptora, inclusive “ativa” e “operacional” teve relevo para a decisão. Vejamos: 27. Em concreto, no curso da fiscalização e do presente PAF mostra-se incontroverso o fato de que, com exceção do cheque nº 100475, de 06/06/2002, na valor de R$ 16.000,00 (descrição numerário caixa, despesa FOPAG), os demais pagamentos foram realizados para beneficiários identificados, sendo, o principal deles, a empresa Barra do Piraí Promoções e Eventos S/C Ltda. (grifos nossos) 28. Por mais que as doutas autoridades fiscais tenham considerado insuficiente o conjunto probatório apresentado para fins de comprovar a causa dos pagamentos realizados em favor da empresa Barra do Piraí Promoções e Eventos S/C Ltda., não há dúvidas quanto à sua identificação, leia-se: não estamos tratando de empresa de fachada. (grifos nossos) Fl. 4162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 10 29. No mais, para essa relatoria, as provas trazidas aos autos evidenciam a relação comercial entre a ora Recorrente e a empresa Barra do Piraí Promoções e Eventos S/C Ltda. e, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Constam do rol as provas "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que fogem a realidade do presente caso. 30. Logo, os comprovantes apresentados (e-fls. 176/190), com os quais o interessado pretende justificar as operações financeiras efetuadas em sua conta bancária (transferências bancárias e cheques compensados), bem como cópias da Em RAIS, do Livro Registro de Empregados, das Guias da Previdência Social e do FGTS, Declaração Anual Simplificada, DARF e consolidação de contrato social, todos relativos à empresa Barra do Pirai Promoções e Eventos Ltda (fls. 283/399), ainda que não comprovem de forma cabal a efetiva prestação de serviços, servem para deixar claro que se trata de operação com beneficiário identificado, empresa ativa e operacional. (grifos nossos) Entendo que como esse fato, (inexistência da sociedade) esteve presente no Acórdão Recorrido, e mais, houve especial destaque ao fato da empresa receptora ser empresa de fachada, não há como afirmar que o Acórdão Paradigma reformaria o Acordão Recorrido. Como é cediço, não se conhece de Recurso Especial, quando não há similitude fáctica entre os Acórdãos Recorrido e os paradigmáticos. Portanto, oriento meu voto para NÃO CONHECER dessa matéria. 2) Impossibilidade da concomitância da cobrança do IRRF-35% diante dos mesmos pagamentos glosados na apuração dos tributos (IRPJ/CSSL) - Paradigmas: Acórdão nº 9202-00.686 e Acórdão nº 1101-000.767 Com relação ao Acórdão nº 9202-00.6861 Entendo não existir similitude fáctica. Explico. Nesse Acórdão Paradigma, a questão ali tratava de uma conclusão lógica sobre as alegações aventadas na autuação versus a prova da transação denominada “estruturada”. Seguem abaixo excertos sobre o caso analisado, que, ao meu sentir, refletem bem o caso: 1 Processo nº 10730.004442/2002-12 Fl. 4163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 11 Aquele Colegiado concluiu que não havia pagamento sem causa: Ou seja, a conclusão de ser um empréstimo já afastaria a própria alegação de inexistência de causa, despiciendo avançar em maiores digressões sobre aplicação do art. 61, da Lei nº 8.981/95, apesar de assim ter procedido o relator. Ou seja, o Acordão Paradigma não reformaria o Acórdão Recorrido, pois subsistiria um argumento autônomo (situação de fato) suficiente para não aplicar os efeitos da norma em comento. Além disso, não se tratava de caso de (in)existência de fato da empresa receptora dos recursos, característica que teve relevo no Acórdão Recorrido. E, por fim, este mesmo Acórdão Paradigma não foi admitido por este Colegiado no Acórdão nº 9101-006.859, em razão do mesmo se tratar de cumulação do IRRF com a presunção legal de omissão de receita, o que definitivamente também não é o caso do presente feito. Portanto, oriento meu voto para NÃO CONHECER desse paradigma. Fl. 4164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 12 Com relação ao Acórdão nº 1101-000.767 No tocante a esse segundo paradigma, parece-me igualmente não haver aproximação suficiente entre os casos para se admitir um dissenso. Explico: No Acordão Paradigma nº 1101-000.767, o caso se referia a pagamentos para uma empresa (Incentive House) com o objetivo de fornecimento de cartões, através dos quais a sociedade autuada pudesse fazer pagamentos a seus funcionários e administradores, alegadamente a título de “prêmios” em um programa denominado “endomarketing”. Nas razões de decidir, o voto do relator tratou da questão sobre a indedutibilidade da despesa e, ao mesmo tempo, da incidência concomitante do IRRF nos termos do art. 674, do RIR/99 (cuja matriz legal é o art. 61, da Lei n° 8.981/95), nos seguintes termos: A consideração dos “pagamentos sem causa”, consoante ditamos alhures, deu causa tanto a glosas de despesas deduzidas, banda uma, quanto à impingência do versado imposto retido, banda outra. Essa concomitância, contudo, causou-nos espécie desde sempre, eis que ambos os lançamentos tocavam a uma só situação fática. Como bem se conhece, o cenário global da tributação da renda, em nosso ordenamento jurídico, pauta-se, desde a edição da Lei nº 9.249/96, em critério legislativo alternativo, que busca privilegiar, sempre que possível, a incidência do tributo ou em face da pessoa jurídica, ou perante a pessoa física (os sócios, por exemplo). Aplicado ao caso, esse raciocínio nos faz conceber a impossibilidade do lançamento de IRRF em consideração, espeque em “pagamentos sem causa”, acaso estes já tenham ensejado glosas de deduções em face do lucro real, com a consequente formalização do IRPJ sonegado. Valhamo-nos, para nos fazermos mais claros, das percucientes lições ministradas pelo conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, relator de Recurso Especial fazendário dirimido pelo Acórdão nº 9202-00.686/10: “Quanto à proposta levantada pela Conselheira Suzi Offmann e acolhida pelo Colegiado de que no caso concreto sequer há necessidade de ingressar nas questões relacionadas à existência ou não do empréstimo, posto que o art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995 está reservado àquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real sem desfazer minha conclusão acerca da matéria, passo ao exame da questão posta. Não se pode considerar o artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1995, como sendo algo isolado dentro do sistema tributário brasileiro, cuja Fl. 4165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 13 tributação das pessoas jurídicas, em relação ao imposto de renda, obedece a três espécies ou regras: a) pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real; b) pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido; c) pessoas jurídicas tributadas com base no "SIMPLES". Vamos nos ater às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, cujas despesas necessárias à obtenção da receita são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ. Assim, quando se glosa determinada despesa aumenta-se o lucro e, conseqüentemente, sobre este lucro majorado há incidência de IRPJ. Desta forma, em sendo glosada determinada despesa não se pode exigir imposto de renda pessoa jurídica em face do lucro majorado e, ao mesmo tempo, tributar o pagamento de tal ‘despesa’ com base no artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1961. Nestes casos, tributa-se única e exclusivamente o IRPJ incidente sobre o lucro decorrente da receita glosada. Exemplo de situação exposta no item anterior é caracterizada, com mais nitidez, nos caos em que se glosam despesas por ‘notas frias’, que não correspondem a um serviço efetivamente prestado. Glosada a despesa por não caracterizar um serviço efetivamente prestado ou transação realizada, não será pelo registro formal lançado na contabilidade da empresa, que irá se tributar pelo artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1961. Nos casos que as empresas valem-se de ‘notas frias’ para deduzir despesas elas, obrigatoriamente, em sua contabilidade, são obrigadas a registrar o respectivo pagamento. No entanto, sendo glosada a despesa por inexistência da transação ou falta de materialidade do pagamento, não se pode exigir imposto de renda com base na alegação de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, tributo este previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1961. No caso concreto, por presunção, foi considerado omissão de receita o dinheiro que ingressou no caixa da empresa. Assim, se houve receita omitida aumentou-se o lucro e exigiu-se IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e IPI, quando incidente. Todavia, quando o dinheiro saiu do caixa da empresa para pagar o valor que foi considerado receita omitida, tal importância não pode ser considerada pagamento sem causa, sob pena de efetivamente confirmar que não se tratava de receita omitida, mas sim empréstimo com obrigação de restituição dos valores, conclusão que por sinal foi a que eu cheguei. (...) Fl. 4166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 14 ‘Em conclusão, a imposição da multa isolada de 35% só é adequada para sancionar condutas que impeçam a identificação da causa ou do beneficiário de pagamento, praticadas por pessoas jurídicas não submetidas à tributação pelo lucro real. Desse ensaio, dentre outras verdades, podemos extrair que é absolutamente vedada ao fisco a possibilidade de escolha, ou seja, se cabível a tributação pelo por redução do lucro líquido, não pode a autoridade lançadora simplesmente abandonar essa tributação para eleger a mais gravosa contida no art. 61 em comento e, muito menos e pelos mesmos motivos, lançar as duas exações. Isto porque e, por óbvio, a Lei n. 8.981/95 não revogou as normas que regem a tributação pelo lucro real.’ ISSO POSTO, -voto rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso.” Tenho comigo, à guisa de conclusão, ser essencial, assim sendo, a exoneração dos lançamentos de IRRF ainda não derrubados pelo acórdão inferior. O Acórdão mencionado pelo relator em seu voto é o mesmo cujo conhecimento foi rejeitado por este Conselheiro no item precedente, mas nesse processo é utilizado como reprodução das razões de decidir. Em declaração de voto, a I. Conselheira Edeli Pereira Bessa votou pelas conclusões, nos seguintes termos: “o IRRF exigido da autuada na condição de fonte pagadora de rendimentos que não se desincumbiu de seu dever de identificar o beneficiário e causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e o IRPJ exigido da autuada na condição de contribuinte que auferiu lucro, mas o declarou em montante menor que o devido, em razão da dedução de despesas que não foram regularmente provadas.” Porém, o que de fato chamou a atenção deste Conselheiro foi a passagem da qual se extrai o motivo da declaração de voto da I. Conselheira que rejeitou a concomitância por outras razões, e que, ao meu sentir, foi igualmente relevante na discussão do Colegiado a quo: Os Termos lavrados e os documentos juntados na seqüência, pela Fiscalização, vinculam-se, apenas, à apuração dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas disponíveis para compensação nos anos-calendário 2003 e 2004, e às verificações obrigatórias dos recolhimentos de tributos federais administrados pela RFB, nos cinco anos anteriores ao procedimento fiscal (fls. 175/239) Constato, nesta análise dos autos, que a contribuinte apresentou elementos ao Fisco que lhe permitiriam investigar o tratamento dado, pelos beneficiários, aos rendimentos recebidos da pessoa jurídica. Alega o fiscal autuante que a contribuinte não apresentou qualquer comprovante de pagamento individualizado que comprovasse o efetivo recebimento dos valores por parte dos Fl. 4167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.208 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11516.722345/2018-61 15 supostos beneficiários. Foram apresentados apenas comprovantes de pagamentos efetuados a empresa Incentive House nos anos-calendário 2002 e 2003, mas ante a contratação firmada com a Incentive House, e as demais informações prestadas pela contribuinte, seria razoável admitir que estes pagamentos ocorreram e, ao menos, intimar os beneficiários a confirmá-los, bem como comprovar o tratamento fiscal dado, por eles, em suas declarações de imposto de renda pessoa física – DIRPF. Destaco, ainda, que a autoridade lançadora não confrontou as alegações da fiscalizada de que teria recolhido o imposto de renda devido sobre tais rendimentos pagos a pessoas físicas, bem como retificado a DIRF para informação destes pagamentos. É certo que tais elementos não estão juntados aos autos, mas os sistemas informatizados da Receita Federal permitiriam à Fiscalização negar a efetividade destas afirmações, as quais, inclusive, restaram confirmadas com a apresentação dos documentos na fase de impugnação (fls. 398/515), revelando condutas praticadas antes do início do procedimento fiscal (19/01/2007). Acrescento que a contribuinte assevera que tais documentos foram apresentados à Fiscalização, e não há como refutar esta afirmação, na medida em que não há, de fato, nenhum ressalva feita no momento da recepção destes documentos (fls. 164/165). (grifos nossos) Por esta razões, entendo que não é possível exigir, da pessoa jurídica, como fonte pagadora, o IRRF na forma prevista no art. 61 da Lei nº 8.981/95, hipótese de incidência que, como já disse, presta-se a suprir a impossibilidade de exigência de eventual crédito tributário que pudesse ser devido pelos beneficiários do pagamento. (grifos nossos). Assim como no Acórdão Paradigma analisado no item precedente, também não há qualquer discussão sobre a (in)existência de fato da sociedade receptora dos recursos, bem como havia um robusto conjunto probatório sobre a causa da operação, e essas condições foram, ao meu sentir e como dito alhures, questões relevantes para o Colegiado do Acórdão Paradigma, que afastam o caso em relação ao discutido no Acórdão Recorrido. Portanto, oriento meu voto para não conhecer do Recurso Especial nessa matéria. CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior Fl. 4168DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000116/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA REGULAMENTAR. DIF - PAPEL IMUNE.
Ementa:
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF.- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009.
Numero da decisão: 3402-001.589
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos: 1) em não conhecer da matéria referente à aplicação da taxa Selic; 2) em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa nos termos da Lei nº 11.945/2009.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA REGULAMENTAR. DIF - PAPEL IMUNE. Ementa: A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF.- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 19515.000116/2005-90
conteudo_id_s : 7168836
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3402-001.589
nome_arquivo_s : 340201589_19515000116200590_201111.pdf
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 19515000116200590_7168836.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos: 1) em não conhecer da matéria referente à aplicação da taxa Selic; 2) em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa nos termos da Lei nº 11.945/2009.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4594044
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:43:08 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230623748096
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-23T13:48:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-10-23T13:48:47Z; Last-Modified: 2019-10-23T13:48:47Z; dcterms:modified: 2019-10-23T13:48:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4347cbd2-eaf9-4865-a81a-c29be52daefd; Last-Save-Date: 2019-10-23T13:48:47Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-10-23T13:48:47Z; meta:save-date: 2019-10-23T13:48:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-10-23T13:48:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-10-23T13:48:47Z; created: 2019-10-23T13:48:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-10-23T13:48:47Z; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-10-23T13:48:47Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 130 1 129 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515000116/200590 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402001589 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10/11/2011 Matéria Multa Recorrente NOOVHA AMÉRICA EDITORA DIST.DE LIVROS LTDA Recorrida DRJ RIBERÃO PRETO (SP) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE. Ementa: A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF. Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Tterceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos: 1) em não conhecer da matéria referente à aplicação da taxa Selic; 2) em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa nos termos da Lei nº 11.945/2009. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 19515000116/200590 Acórdão n.º 3402001589 S3C4T2 Fl. 131 2 Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Tratase de Auto de Infração, para exigência da multa regulamentar, lavrado em decorrência da constatação de atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, merecendo destaque o artigo 57 da MP 2.15835/2001, a IN SRF 71/2001 e a IN SRF 159/2002. Tempestivamente, o sujeito passivo impugnou o lançamento argumentando, em síntese, que a penalidade é ilegal e fere princípios constitucionais. Também requereu a exclusão dos juros imputados pela taxa SELIC, por serem inconstitucionais. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não apresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos pela legislação, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) A Instrução Normativa SRF nº 71/2001 não pode ser tida como válida, por inexistência de previsão legal em lei complementar das obrigações por ela instituídas, sob pena de afronta ao princípio da estrita legalidade tributária; b) A Medida Provisória n°2.15835/2001, que criou a aludida multa de R$ 5.000,00 por mês calendário, não apontou qualquer justificativa para o valor fixado como sanção, que poderia ter sido de R$ 1,00, ou R$ 100.000,00, por mês calendário, o que agride o Principio da Capacidade Contributiva – visto que nem todas as empresas têm a mesma situação econômica além dos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade, decorrentes do direito ao devido processo legal (artigo 5°, LIV, CF); Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 19515000116/200590 Acórdão n.º 3402001589 S3C4T2 Fl. 132 3 c) O Relator do V. Acórdão não se manifestou acerca da matéria com fundamento de que no processo administrativo não é cabível apreciar questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de lei, decreto, ou ato normativo em vigor. Verificase que à medida que a Recorrente venha a contestar a constitucionalidade das exações lançadas no processo administrativo, deve o agente julgador apreciálas, cumprindo assim o princípio da estrita legalidade, que vigora na cobrança de tributos; d) Deixou de apresentar a DIFPapel Imune dos trimestres que não ocorreu operação com papel imune. Assim, entende que, por falta de prejuízo aos cofres públicos, não pode ser penalizado com multa de R$ 150.000,00. e) É inconstitucional e ilegal a cobrança da Taxa Selic como juros, devendo a mesma ser substituída pela taxa de 1% ao mês prevista no art. 161 do CTN. Termina sua petição recursal requerendo que seja dado provimento ao recurso para reformar a decisão de primeiro grau e declarar a nulidade do auto de infração lavrado em vista do flagrante ato de confisco, alternativamente, requer que sejam excluídos os juros pela taxa Selic. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto. Quanto a taxa Selic reclamada pelo recorrente, ao analisar o auto de infração, identifico que não houve incidência sobre o valor lançado. Ora, se a taxa Selic não incidiu sobre o valor do auto de infração, não há lide sobre a matéria. Não havendo lide, falta a utilidade do recurso, o que leva a falta de interesse recursal. Saliento que o interesse recursal se caracteriza pelo binômio necessidade e utilidade. Nos dizeres do Professor Bernardo Pimentel: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 19515000116/200590 Acórdão n.º 3402001589 S3C4T2 Fl. 133 4 O recurso é útil se, em tese, poder trazer alguma vantagem sob o ponto de vista prático ao legitimado. É necessário se for a única via processual hábil à obtenção, no mesmo processo, do benefício prático almejado pelo legitimado. Forte nestes argumentos, deixo de conhecer da matéria por falta de interesse recursal. Quando às demais matérias, observo os requisitos de admissibilidade, o que me obriga a tomar conhecimento e apreciálas. Preliminar de Nulidade O recorrente alega que a decisão da instância a quo deve ser anulada por caracterizar um verdadeiro confisco por parte do Estado. Cabe esclarecer que a alegação de confisco não configura hipótese de anulação do auto de infração. É oportuno assinalar que os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tratam da nulidade no processo administrativo fiscal, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa . (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) Como se vê, de acordo com o art. 59, I, transcrito, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa (art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972). Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. Em consonância com o acatado, nego a nulidade suscitada pelo recorrente. Quanto ao mérito, a pedra angular do litígio posta nos autos cingese em definir como se aplica a multa prevista no art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 19515000116/200590 Acórdão n.º 3402001589 S3C4T2 Fl. 134 5 Acontece que, com a edição da MP nº 451, de 15/12/2008, convertida na Lei nº 11.945, de 04/11/2009, essa conduta ganhou tratamento diferenciado, migrando da tipificação geral, prevista na MP nº 2.15832 de 2001, para tipificação específica para conduta. A Lei nº 11.945/09 assim trata a matéria, in verbis: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 19515000116/200590 Acórdão n.º 3402001589 S3C4T2 Fl. 135 6 § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. O conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis dissertou com sua habitual argúcia sobre o tema, de sorte que trago suas linhas com forma de elucidar a evolução ocorrida com a penalidade em questão, in verbis: A obrigação acessória referida no inc. II do § 3º do art.1º da Lei nº 11.945/2009 é exatamente a DIFPapel Imune, criada por meio da IN SRF nº 71/2001, alterada pelas IN SRF nºs 101/2001 e 134/2002. Conforme as referidas Instruções Normativas, a multa pelo atraso na entrega da DIF era devida nos valores preconizados pelo art. 57 da Lei da MP nº 2.15835/20091, suporte legal da penalidade em questão. Como a penalidade estabelecida pelos §§ 4º e 5º acima é inferior à exigida com base no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o lançamento deve ser reduzido aos valores estabelecidos na Lei nº 11.945/2009, em obediência ao art. 106, II, “c’, do CTN. Antes, consoante uma interpretação literal do art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o valor da penalidade era aumentado conforme a quantidade de meses do atraso. Assim, quanto mais demorava a entrega, maior o valor. Ou, quanto mais demorava a Receita Federal do Brasil para efetuar o lançamento, maior a penalidade. E como o valor era de R$ 5.000,00 por mês calendário de atraso (reduzido para R$ 1.500,00 na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES), a multa podia atingir um montante alto demais, de forma nada razoável. Afinal, “o taxímetro ficava rodando”, na expressão mui bem empregada pelo julgador Celso Lopes Pereira Neto, por ocasião do julgamento do Acórdão DRJ/REC nº 13.624, de 27 de outubro de 2005. Agora, após a Lei nº 11.945/2009, a penalidade é exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada – no caso, cada DIFPapel Imune trimestral , de modo que se a Administração Tributária demora mais para efetuar o lançamento, a multa não aumenta a cada mês. A salientar, por oportuno, que a Receita Federal do Brasil tem meios eletrônicos de detectar o descumprimento da obrigação acessória, tão logo vencido o prazo de sua entrega. Daí ser mais razoável a fixação da penalidade proporcional ao número de DIFPapel Imune (ou trimestre) em atraso, em vez do “taxímetro” anterior. 1 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 19515000116/200590 Acórdão n.º 3402001589 S3C4T2 Fl. 136 7 Os valores máximos para a hipótese de a DIFPapel Imune não ser entregue passaram a ser, independentemente do número de meses em atraso, de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 para as demais empresas (inc. II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009). A confirmar a redução, cabe mencionar as razões do veto ao art. 3º da Lei nº 11.945/2009. Conforme a Mensagem nº 392, de 04/06/2009, da Presidência da República ao Presidente do Congresso Nacional, o Ministério da Fazenda manifestouse pelo veto do citado art. 3º assim: Não se mostra razoável a concessão de anistia de multas a fatos ocorridos há muito tempo e para contribuintes já fartamente beneficiados. Esclareçase que a própria Medida Provisória n°. 451, de 15 de dezembro de 2008, que deu origem ao presente Projeto de Lei de Conversão, já reduziu significativamente a multa pelo atraso na apresentação da DIF Papel Imune (art. 2º, § 4º, I e II). Ademais, a IN SRF n°. 71, de 2001, já concedeu, excepcionalmente, dilatação do prazo para apresentação da DIF Papel Imune por período maior do que o ordinariamente admitido." É pertinente também observar que, no âmbito da Receita Federal do Brasil, o Ato Declaratório Executivo nº 73, de 13/08/2009, editado pela CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e escorado exatamente no art. 1º da Lei nº 11.945/2009, já estabeleceu o código de receita 1376, para o recolhimento da penalidade “Multa por Falta ou Atraso na Entrega da DIF Papel Imune”. Após essa breve explicação, afluem razões jurídicas para afirmar que o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, não se mais aplica aos casos de falta ou atraso na entrega de DIF – Papel Imune. A regra a ser aplicada é a prevista na Lei nº 11.945/2009, pois, como sabemos, a regra específica sobressai sobre a geral. Postulado consagrado utilizado para resolver aparentes conflitos de normas. Diante do que foi exposto, dou provimento parcial ao recurso para que seja observada a disposição fincada no § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/09, para a aplicação da multa pela apresentação da DIFPapel Imune fora do prazo legal. É como voto. Sala das Sessões, em 10/11/2011 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 19515000116/200590 Acórdão n.º 3402001589 S3C4T2 Fl. 137 8 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 2/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/05/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101069/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido.
RENDIMENTOSDOTRABALHO.APRESENTAÇÃODEPROVAS. A DIRF apresentada pela fonte pagadora é prova dos rendimentos tributáveispagosaocontribuinte.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Mantémse o lançamento relativo aos fatos geradores para os quais os argumentos de defesanãoforamacompanhadosdeprovashábeis.
Numero da decisão: 2202-011.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Andressa Pegoraro Tomazela, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202410
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. RENDIMENTOSDOTRABALHO.APRESENTAÇÃODEPROVAS. A DIRF apresentada pela fonte pagadora é prova dos rendimentos tributáveispagosaocontribuinte. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Mantémse o lançamento relativo aos fatos geradores para os quais os argumentos de defesanãoforamacompanhadosdeprovashábeis.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 11065.101069/2008-87
anomes_publicacao_s : 202411
conteudo_id_s : 7167417
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 2202-011.022
nome_arquivo_s : Decisao_11065101069200887.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
nome_arquivo_pdf_s : 11065101069200887_7167417.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Andressa Pegoraro Tomazela, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2024
id : 10732653
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:42:56 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230626893824
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-11-21T17:35:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-11-21T17:35:39Z; Last-Modified: 2024-11-21T17:35:39Z; dcterms:modified: 2024-11-21T17:35:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-11-21T17:35:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-11-21T17:35:39Z; meta:save-date: 2024-11-21T17:35:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-11-21T17:35:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-11-21T17:35:39Z; created: 2024-11-21T17:35:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2024-11-21T17:35:39Z; pdf:charsPerPage: 1402; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-11-21T17:35:39Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11065.101069/2008-87 ACÓRDÃO 2202-011.022 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 02 de outubro de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE JOAO EDMAR WOLFF INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. RENDIMENTOS DO TRABALHO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A DIRF apresentada pela fonte pagadora é prova dos rendimentos tri butáveis pagos ao contribuinte. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Mantém- se o lançamento relativo aos fatos geradores para os quais os argum entos de defesa não foram acompanhados de provas hábeis. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.022 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.101069/2008-87 2 Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Andressa Pegoraro Tomazela, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata-se de Notificação de Lançamento (fls. 47/50) por omissão de rendimentos do trabalho, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 165.300,00 relativo à fonte pagadora Musa Calçados Ltda, CNPJ 97.276.125/0001-80, conforme informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 39.434,71. Com esse lançamento foi apurado o crédito tributário no valor de R$12.206,98, calculado até 29/08/2008. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva alegando que foi informado em sua Declaração de Ajuste Anual, na relação de bens, seus rendimentos a título de Pró-Labore como um crédito junto à empresa Musa Calçados Ltda., visto que os mesmos não foram recebidos durante o ano-calendário 2005. Alega ainda que, em face da retenção e pagamento do imposto retido na fonte, a empresa Musa Calçados Ltda. declarou na DIRF os rendimentos referente ao Pró- Labore. Informa que em sua Declaração de ajuste Anual do Exercício 2007 – Ano- Calendário 2006 foram declarados os rendimentos de Pró-Labore referentes aos exercícios anteriores, para sua devida tributação. Ao final, requer a insubsistência da presente Notificação de Lançamento. Referido acórdão-recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 RENDIMENTOS DO TRABALHO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A DIRF apresentada pela fonte pagadora é prova dos rendimentos tri butáveis pagos ao contribuinte. Fl. 82DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.022 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.101069/2008-87 3 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Mantém- se o lançamento relativo aos fatos geradores para os quais os argum entos de defesa não foram acompanhados de provas hábeis. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/06/2012, o sujeito passivo interpôs, em 27/07/2012, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que o recorrente não recebeu os rendimentos considerados omitidos pela fiscalização. É o relatório. VOTO Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. Assim, registro o seguinte trecho do acórdão-recorrido: Em consulta aos registros da Receita Federal do Brasil (anexada, fl. 52) constata-se que a empresa Musa Calçados Ltda, CNPJ 97.276.125/0001-80, apresentou DIRF do ano-calendário 2005 na qual informa rendimentos do trabalho assalariado ao Sr. João Edmar Wolff, CPF 007.780.010-91, no valor total de R$ 165.300,00 com imposto retido de R$ 39.434,71. Na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007, no campo Declaração de Bens e Direitos (fl. 13) consta “ CRÉDITO EM MEU NOME JUNTO A EMPRESA MUSA CALCADOS LTDA CNPJ 97276125/0001-80. (REF. VALOR PRO LABORE NÃO PAGO, MAS RECOLHIDO IRF EM CADA MÊS)”, com valor em 31/12/2004 de R$ 200.242,44 e em 31/12/2005 de R$ 312.103,02. A empresa Musa Calçados Ltda. não apresentou DIRF com rendimentos para o contribuinte em questão no ano-calendário de 2006. Todavia, conforme o alegado, na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2007 constou rendimentos recebidos desta fonte pagadora em valor maior do que o valor considerado como omitido no ano-calendário 2005. Ressalte-se, porém, que todas as informações constantes das Declarações de Ajuste Anuais, deverão estar baseadas em documentos hábeis e idôneos para comprovar os dados declarados. Fl. 83DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.022 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.101069/2008-87 4 No caso em questão, por tratar-se de rendimento de Pró-Labore, como alegado, a prova hábil seria a apresentação da escrituração contábil da empresa, com os Livros Fiscais devidamente registrados na época própria, o que seria simples em se tratando de dirigente da empresa. Deveria, portanto, o impugnante, na fase de instrução ou mesmo na impugnatória, ter comprovado que o rendimento considerado omitido não foi recebido no ano-calendário de 2005, conforme disposto no art. 16, III e § 4º, que foi acrescido ao artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, pelo artigo 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e provas que possuir; [...] §4º - A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” (Grifei) Em sua peça impugnatória o impugnante não apresenta quaisquer documentos de prova que demonstrasse de forma inequívoca que os rendimentos considerados omitidos não foram recebidos, fica no mero terreno abstrato das alegações sem prova. Por outro lado, sendo as DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras provas dos rendimentos tributáveis pagos, é de se manter o lançamento correspondente. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 84DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722441/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTOS IDÔNEOS.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Diante da comprovação das despesas depreendidas de forma parcial, devem ser afastas parcialmente as glosas lançadas, mantendo-se as glosas do que não foi devidamente comprovado.
Numero da decisão: 2101-002.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito negar provimento ao recurso voluntário.
Sala de Sessões, em 9 de julho de 2024.
Assinado Digitalmente
Wesley Rocha – Relator
Assinado Digitalmente
Antônio Savio Nastureles – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Cléber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, João Maurício Vital (suplente convocado(a)), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Ana Carolina da Silva Barbosa, Antônio Savio Nastureles (Presidente)
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202407
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTOS IDÔNEOS. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. Diante da comprovação das despesas depreendidas de forma parcial, devem ser afastas parcialmente as glosas lançadas, mantendo-se as glosas do que não foi devidamente comprovado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10825.722441/2011-87
anomes_publicacao_s : 202411
conteudo_id_s : 7167349
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 2101-002.846
nome_arquivo_s : Decisao_10825722441201187.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : WESLEY ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 10825722441201187_7167349.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 9 de julho de 2024. Assinado Digitalmente Wesley Rocha – Relator Assinado Digitalmente Antônio Savio Nastureles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Cléber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, João Maurício Vital (suplente convocado(a)), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Ana Carolina da Silva Barbosa, Antônio Savio Nastureles (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2024
id : 10732196
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:42:54 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230631088128
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-11-25T13:43:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-11-25T13:43:39Z; Last-Modified: 2024-11-25T13:43:39Z; dcterms:modified: 2024-11-25T13:43:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-11-25T13:43:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-11-25T13:43:39Z; meta:save-date: 2024-11-25T13:43:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-11-25T13:43:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-11-25T13:43:39Z; created: 2024-11-25T13:43:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2024-11-25T13:43:39Z; pdf:charsPerPage: 1412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-11-25T13:43:39Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10825.722441/2011-87 ACÓRDÃO 2101-002.846 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 9 de julho de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SARAH CATARINA AXCAR INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE DOCUMENTOS IDÔNEOS. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. Diante da comprovação das despesas depreendidas de forma parcial, devem ser afastas parcialmente as glosas lançadas, mantendo-se as glosas do que não foi devidamente comprovado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 9 de julho de 2024. Assinado Digitalmente Wesley Rocha – Relator Fl. 130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.846 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.722441/2011-87 2 Assinado Digitalmente Antônio Savio Nastureles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Cléber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, João Maurício Vital (suplente convocado(a)), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Ana Carolina da Silva Barbosa, Antônio Savio Nastureles (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por SARAH CATARINA AXCAR, contra o Acórdão de julgamento nº 03-60.258, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília-DF (3ª Turma da DRJ/BSB), na qual os membros daquele colegiado entenderam pela improcedência da impugnação apresentada. Foi expedida Notificação de Lançamento, referente ao imposto de renda pessoa física ano-calendário 2008, exercício 2009, pelo qual foi apurado imposto suplementar de R$ 11.179,24, mais multa de ofício e juros de mora, em razão de que foi identificado Dedução indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 40.651,78, tendo em vista a ausência de atendimento à intimação feita pela fiscalização. Na ocasião, a contribuinte teria sido intimada para comprovação dos pagamentos realizados aos profissionais Wolmer Marques Ferreira Jr, Vanessa Bertoldi de Carvalho e Karine T. D. D. Fonseca, bem como relatório sucinto dos procedimentos realizados por Wolmer Marques Ferreira Jr e Clínica Daniela Hueb Medicina e Estética Ltda, fls. 50/51. Durante o procedimento de fiscalização foi restabelecida a glosa no valor de R$ 3.691,78, a despesa paga à Unimed, mantendo-se a glosa de R$ 36.960,00. Após as considerações dos valores reestabelecidos, restou imposto suplementar de R$ 10.164,00, mais acréscimos legais. Inconformada, a recorrente apresenta suas razões recursais, aduzindo o seguinte: Preliminarmente i) Falta de apreciação de todas as matérias alegas pela defesa, em especial multa e os juros de mora; aduz que não poderão ser exigidos outros documentos além dos que já foram juntados, alegando que o art. 100 do CTN deve ser invocado para fins de não exigência da multas e juros; Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.846 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.722441/2011-87 3 No Mérito ii) Que os documentos de prova são os recibos/notas fiscais/fatura, sendo esses suficientes para comprovar as despesas de pagamentos, entendendo ser inadmissível o acolhimento das provas juntadas aos processos; iii) Cita precedentes do CARF a seu favor, bem desenvolve argumentos sobre as normas aplicadas ao caso; iv) Aduz que pagamentos podem ser feitos em espécie e a não comprovação documental do efetivo pagamento não é motivo para glosa. É impossível comprovar pagamento feito em dinheiro; v) Alega o princípio da verdade material; vi) É descabida a exigência da Taxa Selic; vii) Reitera as alegações que descabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; Diante dos fatos narrados, é o presente o relatório. VOTO Conselheiro Wesley Rocha, Relator. O recurso é tempestivo e é de competência deste colegiado. Assim, passo a analisar as razões recursais. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA IMPUGNADA A recorrente alega que não foram apreciadas de todas as matérias impugnadas pela defesa, em especial o tema sobre multa e os juros de mora. Entretanto, verifico que a DRJ de origem confrontou a matéria, atendendo ao princípio da motivação da decisão: “As disposições constantes do artigo 100 do Código Tributário Nacional não se aplicam à matéria em discussão neste feito para afastar a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Sobre a aplicação das multas de ofício, o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, assim prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.846 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.722441/2011-87 4 (...). Constata-se que a multa de ofício de 75%, prevista no inciso I, é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto, de falta de declaração ou declaração inexata, incluindo equívocos cometidos pelo contribuinte, independentemente da intenção de fraudar o Fisco. Assim, previsto literalmente o percentual de 75% de multa no caso de lançamento de ofício, cabe à autoridade fiscal, ocorrendo o fato gerador, exigi-la juntamente com o imposto apurado. No tocante à utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora sobre créditos tributários, cabe trazer a colação as disposições contidas no artigo 161 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161.O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Como se vê, a aplicação dos juros de mora obedece fundamentalmente o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9430/1996, cujos termos estão assim positivados: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. “Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração... § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento”. A cobrança de juros de mora e a incidência da multa de ofício decorrem da aplicação da norma legal. Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.846 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.722441/2011-87 5 Como se nota, o tema foi detalhadamente fundamentado pela decisão a quo. O fato do sujeito passivo não concordar com a conclusão da decisão de piso, e, diga- se de passagem, não haveria a possibilidade de ter outra conclusão senão aquela a quo, não é o mesmo que não ter apreciado as alegações da contribuinte. Com isso, verifico que todos os temas foram devidamente apreciados pelo julgamento de primeira instância. DAS DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS Exigiu-se do contribuinte a apresentação de comprovação da efetividade dos pagamentos havidas com as despesas médicas indicadas e questionadas. Isso porque a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, inciso II, “a”, e § 2º, incisos I a V, cujos dispositivos seguem abaixo transcritos, estabelece que: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: [...] II - Das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ....... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário". (grifou-se). No presente caso as glosas são referentes às despesas médicas, em que a fiscalização apurou que o contribuinte não comprovou a efetividade dos pagamentos referentes aos tratamentos realizados e serviços prestados. Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.846 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.722441/2011-87 6 Nesse sentido, cabe mencionar que o tratamento tem que ser para o benefício contribuinte ou seu dependente, e não o beneficiário do recebimento dos valores pagos a título dos serviços prestados, conforme legislação acima apontada, que é a norma a ser seguida, uma vez que os manuais da Receita devem seguir o descritivo da Lei. Com referência aos comprovantes de pagamento, cito a Instrução Normativa n.º 1.500, de 2014, da Receita Federal do Brasil, em que seu artigo 97, dispõe o seguinte: “Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: I - nome, endereço, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou CNPJ do prestador do serviço; II - A identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; III - data de sua emissão; e IV - Assinatura do prestador do serviço”. A referida Instrução Normativa impõe alguns requisitos para o aceite do recibo (comprovante) emitido por profissional. Deve constar que o tratamento seja específico para a Declarante ou para seu dependente, contenha informações de que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, somada a informação da sua inscrição no Conselho Profissional. Esses elementos se ajustam com as exigências da legislação em vigor, bem como às imposições da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme a Instrução Normativa n.º 15 de 2001, da SRFB, em seu artigo 46, assim impõe: "IN SRF 15, de 2001 INSRF15, de 2001. Art.46.A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". Assim, analisando os recibos juntados (que neste processo encontra-se nas e-fls. 08/37), verifico que nem todos possuem os requisitos formais estabelecidos na norma tributária. Em casos como esses, em que o contribuinte não comprova por meio de transação bancária, este relator tem por hábito aceitar recibos que preenchem os requisitos impostos pela norma tributária, somado com outros documentos que possam identificar a prestação, além dos pagamentos realizados, para comprovar se efetivamente ocorreu a prestação do serviço, com o intuito de reunir um conjunto probatório que possam formar convicção de que de fato os serviços foram efetivamente realizados e pagos. Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.846 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.722441/2011-87 7 Ademais, as notas fiscais juntadas (que nesse processo encontra-se nas e-fls. 28/33), em especial da “Clínica Daneila Hueb” não descrevem os serviços médicos realizados, não podendo haver conclusão se eles estão sob o rol taxativo que permitem deduções do IR na DIRPF. Sobre a alegação da recorrente de que não pode haver outras exigências por parte da fiscalização, além dos recibos juntados, ao caso em tela transcrevo a Súmula CARF n.º 180: Súmula CARF nº 180. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 9202-007.803, 9202-007.891, 9202-008.004, 9202-008.063, 9202-008.311, 2202-005.320, 2301-006.449, 2301-006.652, 2202-005.318, 2202-005.838, 2401- 007.368 e 2401-007.393. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente, o qual compreendo que não foram devidamente comprovadas as omissões identificadas. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, aplicado de forma subsidiária, tem-se o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Encontra-se sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Ano- calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013). Grifou-se. Com isso, verifico que a recorrente não obrou apresentar provas de suas alegações. DA APLICAÇÃO DE MULTA E JUROS Fl. 136DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.846 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.722441/2011-87 8 O sujeito passivo seguiu alegando que não deveria ser aplicado ao presente caso a multa de ofício e juros de mora, embasando sua tese no art. 100, parágrafo único, do CTN, que por sua vez está assim descrito: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”. O respectivo parágrafo diz respeito ao cumprimento de normas e mandamentos que sejam rejeitados pela administração e que não pode afetar ao contribuinte, quando do seu cumprimento. Portanto, diz respeito ao princípio “nemo potest venire contra factum proprium”. O dispositivo visa proporcionar segurança jurídica, no que tange aos mandamentos arrecadatórios da Fazenda Pública, uma vez que não faria sentido que o contribuinte em obediência às normas, acordos, tratados, decretos, atos normativos, decisões de colegiado administrativo ou convênios entre entes federados, fosse punido por seguir as orientações e regras impostas pela administração credora, e que possível tenha sido modificado por interpretação ou novo entendimento da Fazenda Pública. O que não é o presente caso, pois houve a constatação de deduções indevidas pelo contribuinte, e para obter benefícios da respectiva operação, deve preencher requisitos e comprovações necessárias quando intimado para tanto. Portanto, a norma continua vigente, apenas o que não houve foi a falta de comprovação solicitada pela autoridade fazendária, em que não alterou seu entendimento sobre o respectivo mandamento. Portanto, sem razão a recorrente. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para não acolher a preliminar e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Wesley Rocha Relator Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.846 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10825.722441/2011-87 9 Fl. 138DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721886/2014-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
Deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência, objetivando uniformizar dissídio jurisprudencial, quando atendidos os pressupostos processuais e a norma regimental.
PLR. REGRA DE PERIODICIDADE. PAGAMENTOS EFETUADOS EM PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL, OU MAIS DE DUAS VEZES DURANTE O EXERCÍCIO A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS COMPONDO COMO BASE DE CÁLCULO EXCLUSIVAMENTE O VALOR TOTAL PAGO PARA OS ESPECÍFICOS SEGURADOS EMPREGADOS RELACIONADOS NESSE CONTEXTO DE VIOLAÇÃO DA PERIODICIDADE. MANUTENÇÃO DA HIGIDEZ DO PLANO DE PLR PARA OS PAGAMENTOS REALIZADOS PARA EMPREGADOS QUE OBEDECEM À PERIODICIDADE.
Os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada por mais de duas vezes no mesmo ano civil, ou em periodicidade inferior a um semestre civil, integram, pela totalidade dos valores recebidos pelo segurado empregado nesta condição, o salário-de-contribuição, uma vez que tais pagamentos malferem a disciplina estabelecida em lei específica para pagamento de PLR.
Apurado que o pagamento feito a título de PLR a um determinado segurado empregado ocorreu em desacordo com os ditames de periodicidade da lei específica, o valor total pago a esse título para esse segurado empregado integra a base de cálculo das contribuições sociais.
Não deve compor a base de cálculo do lançamento de ofício os segurados empregados que receberam todas as suas parcelas dentro dos limites do plano de PLR e da regra de periodicidade.
Numero da decisão: 9202-011.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para restabelecer em parte o levantamento PLR, mantendo excluído da base de cálculo do lançamento de ofício os valores dos segurados empregados que receberam todas as suas parcelas dentro dos limites do plano de PLR e da regra de periodicidade. Vencidos os conselheiros Mauricio Nogueira Riguetti, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Mário Hermes Soares Campos, que davam provimento integral. Foram realizadas votações sucessivas. Em primeira votação os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros (relator), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Fernanda Melo Leal e Liziane Angelotti Meira davam provimento parcial; Maurício Nogueira Riguetti, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Mário Hermes Soares Campos davam provimento integral e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira negava provimento ao recurso. Manifestou intenção em apresentar declaração de voto a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira.
Assinado Digitalmente
Leonam Rocha de Medeiros – Relator
Assinado Digitalmente
Liziane Angelotti Meira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202410
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. Deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência, objetivando uniformizar dissídio jurisprudencial, quando atendidos os pressupostos processuais e a norma regimental. PLR. REGRA DE PERIODICIDADE. PAGAMENTOS EFETUADOS EM PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL, OU MAIS DE DUAS VEZES DURANTE O EXERCÍCIO A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS COMPONDO COMO BASE DE CÁLCULO EXCLUSIVAMENTE O VALOR TOTAL PAGO PARA OS ESPECÍFICOS SEGURADOS EMPREGADOS RELACIONADOS NESSE CONTEXTO DE VIOLAÇÃO DA PERIODICIDADE. MANUTENÇÃO DA HIGIDEZ DO PLANO DE PLR PARA OS PAGAMENTOS REALIZADOS PARA EMPREGADOS QUE OBEDECEM À PERIODICIDADE. Os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada por mais de duas vezes no mesmo ano civil, ou em periodicidade inferior a um semestre civil, integram, pela totalidade dos valores recebidos pelo segurado empregado nesta condição, o salário-de-contribuição, uma vez que tais pagamentos malferem a disciplina estabelecida em lei específica para pagamento de PLR. Apurado que o pagamento feito a título de PLR a um determinado segurado empregado ocorreu em desacordo com os ditames de periodicidade da lei específica, o valor total pago a esse título para esse segurado empregado integra a base de cálculo das contribuições sociais. Não deve compor a base de cálculo do lançamento de ofício os segurados empregados que receberam todas as suas parcelas dentro dos limites do plano de PLR e da regra de periodicidade.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 13603.721886/2014-95
anomes_publicacao_s : 202411
conteudo_id_s : 7169605
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 9202-011.524
nome_arquivo_s : Decisao_13603721886201495.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 13603721886201495_7169605.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para restabelecer em parte o levantamento PLR, mantendo excluído da base de cálculo do lançamento de ofício os valores dos segurados empregados que receberam todas as suas parcelas dentro dos limites do plano de PLR e da regra de periodicidade. Vencidos os conselheiros Mauricio Nogueira Riguetti, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Mário Hermes Soares Campos, que davam provimento integral. Foram realizadas votações sucessivas. Em primeira votação os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros (relator), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Fernanda Melo Leal e Liziane Angelotti Meira davam provimento parcial; Maurício Nogueira Riguetti, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Mário Hermes Soares Campos davam provimento integral e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira negava provimento ao recurso. Manifestou intenção em apresentar declaração de voto a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2024
id : 10735162
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:42:58 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230637379584
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-11-26T22:34:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-11-26T22:34:08Z; Last-Modified: 2024-11-26T22:34:08Z; dcterms:modified: 2024-11-26T22:34:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-11-26T22:34:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-11-26T22:34:08Z; meta:save-date: 2024-11-26T22:34:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-11-26T22:34:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-11-26T22:34:08Z; created: 2024-11-26T22:34:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2024-11-26T22:34:08Z; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-11-26T22:34:08Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13603.721886/2014-95 ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA SESSÃO DE 15 de outubro de 2024 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA CEVA LOGISTICS LTDA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. Deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência, objetivando uniformizar dissídio jurisprudencial, quando atendidos os pressupostos processuais e a norma regimental. PLR. REGRA DE PERIODICIDADE. PAGAMENTOS EFETUADOS EM PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL, OU MAIS DE DUAS VEZES DURANTE O EXERCÍCIO A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS COMPONDO COMO BASE DE CÁLCULO EXCLUSIVAMENTE O VALOR TOTAL PAGO PARA OS ESPECÍFICOS SEGURADOS EMPREGADOS RELACIONADOS NESSE CONTEXTO DE VIOLAÇÃO DA PERIODICIDADE. MANUTENÇÃO DA HIGIDEZ DO PLANO DE PLR PARA OS PAGAMENTOS REALIZADOS PARA EMPREGADOS QUE OBEDECEM À PERIODICIDADE. Os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada por mais de duas vezes no mesmo ano civil, ou em periodicidade inferior a um semestre civil, integram, pela totalidade dos valores recebidos pelo segurado empregado nesta condição, o salário-de-contribuição, uma vez que tais pagamentos malferem a disciplina estabelecida em lei específica para pagamento de PLR. Apurado que o pagamento feito a título de PLR a um determinado segurado empregado ocorreu em desacordo com os ditames de periodicidade da lei específica, o valor total pago a esse título para esse segurado empregado integra a base de cálculo das contribuições sociais. Fl. 5041DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 2 Não deve compor a base de cálculo do lançamento de ofício os segurados empregados que receberam todas as suas parcelas dentro dos limites do plano de PLR e da regra de periodicidade. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para restabelecer em parte o levantamento PLR, mantendo excluído da base de cálculo do lançamento de ofício os valores dos segurados empregados que receberam todas as suas parcelas dentro dos limites do plano de PLR e da regra de periodicidade. Vencidos os conselheiros Mauricio Nogueira Riguetti, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Mário Hermes Soares Campos, que davam provimento integral. Foram realizadas votações sucessivas. Em primeira votação os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros (relator), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Fernanda Melo Leal e Liziane Angelotti Meira davam provimento parcial; Maurício Nogueira Riguetti, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Mário Hermes Soares Campos davam provimento integral e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira negava provimento ao recurso. Manifestou intenção em apresentar declaração de voto a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). RELATÓRIO Cuida-se, o caso versando, de Recurso Especial de Divergência do Procurador (e-fls. 4.799/4.811, e-fls. 37/49 do volume 2 do pdf) ― com fundamento legal no inciso II do § 2.º do art. 37 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo Fl. 5042DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 3 fiscal, estando suspenso o crédito tributário em relação a matéria admitida pela Presidência da Câmara em despacho prévio de admissibilidade (e-fls. 4.951/4.957, e-fls. 188/194 do volume 2 do pdf) ― interposto pela Fazenda Nacional, sustentado em dissídio jurisprudencial no âmbito da competência deste Egrégio Conselho, inconformado com a interpretação da legislação tributária dada pela veneranda decisão de segunda instância proferida, em sessão de 6/10/2022, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, que deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, consubstanciada no Acórdão nº 2202-009.325 (e-fls. 4.732/4.754, e-fls. 4.719/4.741 do volume 1 do pdf), o qual, no ponto para rediscussão, tratou da matéria (i) “Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) - inobservância da periodicidade legal - incidência de contribuições sobre todos os valores pagos a título de PLR”, cuja ementa do recorrido e respectivo dispositivo no essencial seguem: EMENTA DO ACÓRDÃO RECORRIDO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, deve-se tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei nº 10.101/00. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. POSSIBILIDADE DE REVISÃO PARCIAL. Diante da apresentação de argumentos esclarecedores e de provas contábeis condizentes, possível a revisão parcial da base de cálculo apurada pela Auditoria. (...) DISPOSITIVO: Acordam os membros do colegiado, por determinação do art. 19-E, da Lei nº 10.522, de 2002, acrescido pelo art. 28, da Lei nº 13.988, de 2020, em face do empate no julgamento, em dar provimento parcial ao recurso, para alterar a base cálculo de dezembro de 2010 para R$ 1.050.764,55 e de dezembro de 2011 para o total de R$ 442.076,06; e excluir os valores pagos dentro da periodicidade semestral constantes do levantamento PL (mantidos os pagamentos excedentes a duas vezes no ano). Vencidos os conselheiros Ricardo Chiavegatto de Lima (relator), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Christiano Rocha Pinheiro e Mário Hermes Soares Campos (redator ad hoc), que deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. Em face do acórdão recorrido foi interposto embargos de declaração do Contribuinte (e-fls. 4.815/4.819, e-fls. 53/57 do volume 2 do pdf), porém teve seguimento negado (e-fls. 4.822/4.825, e-fls. 60/63 do volume 2 do pdf). Dos Acórdãos Paradigmas Fl. 5043DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 4 Objetivando demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, o recorrente indicou como paradigma decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consubstanciada no Acórdão nº 9202-005.719, Processo nº 13603.722445/2011-68 (ementa na íntegra, e-fls. 4.804/4.805, e-fls. 42/43 do volume 2 do pdf), cujo aresto contém a seguinte ementa no essencial: Ementa do acórdão paradigma (1) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO DA LEI 10.101/2000 - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE TODAS AS PARCELAS. Nos termos do §2º, do art. 3º, da Lei 10.101/2000, é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A vedação descrita na lei refere-se ao pagamento de qualquer antecipação de mais de 2 vezes no mesmo ano civil. Ou seja, além da exigência legal quanto ao número de pagamentos no ano civil, a empresa deve obedecer, ainda, a norma que a impede de efetuar o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, o que restou descumprido no presente caso. Assim, há que se caracterizar a incidência de contribuições previdenciárias para todos os valores pagos a título de PLR. Também, indicou-se como paradigma decisão da 2ª Tuma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consubstanciada no Acórdão nº 9202-009.918, Processo nº 16682.720227/2014- 97 (ementa na íntegra, e-fl. 4.805, e-fl. 43 do volume 2 do pdf), cujo precedente colaciona a seguinte ementa no essencial: Ementa do acórdão paradigma (2) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000, que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos a título de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes. Fl. 5044DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 5 Do resumo processual antecedente ao recurso especial O contencioso administrativo fiscal foi instaurado pela impugnação do contribuinte (e-fls. 180/191), após notificado em 25/9/2014, insurgindo-se em face do lançamento de ofício, especialmente descrito em relatório fiscal (e-fls. 90/94; e-fls. 1.739/1.741, e-fls. 1.727/1.729 do volume 1 do pdf). O lançamento se efetivou por meio de Autos de Infração (AIs nsº 51.062.970-9 e 51.062.971-7), relativo ao período de apuração compreendido pelas competências 01/2010 a 12/2011, que apurou contribuições previdenciárias patronal, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e contribuições devidas para Terceiros, compreendendo Outras Entidades e Fundos (SEST, SENAT, SEBRAE, FNDE – Salário-Educação, INCRA). Consta que a base de cálculo foram valores pagos a título de PLR para segurados empregados da empresa. Consta que a autuação desconstituiu todo o programa de PLR ao considerar que houve violação da regra de periodicidade, a qual, na época dos fatos geradores (01/2010 a 12/2011), determinava ser vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil (Lei 10.101, art. 3º, §2º, com redação originária anterior a redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013, e sem considerar os incisos I e II do § 8º do art. 2º da Lei nº 10.101, incluído pela Lei nº 14.020, de 2020). Consta que o contribuinte justifica a situação argumentando que possui diversos estabelecimentos e se for observado de forma segregada cada unidade e por empregado não haveria uma pronta conclusão como a apontada pela fiscalização, havendo atenção aos termos da norma de periodicidade. Consta, ainda, que o contribuinte reconhece pagamentos de “ajustes” que não seria propriamente uma violação da norma, mas complementos de valores da segunda parcela por erro no cálculo dela e que seriam mínimos diante da proporção de funcionários totais e do quantitativo dos “ajustes”. Em decisão colegiada de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), conforme Acórdão nº 02-66.029 – 6ª Turma da DRJ/BHE (e-fls. 3.980/3.989, e-fls. 3.967/3.976 do volume 1 do pdf), decidiu, em resumo, por unanimidade de votos, julgar improcedente o pedido deduzido na impugnação e manter a exigência fiscal, concordando com a autoridade lançadora. Após interposição de recurso voluntário pelo sujeito passivo (e-fls. 4.001/4.025, e- fls. 3.988/4.012 do volume 1 do pdf), sobreveio o acórdão recorrido do colegiado de segunda instância no CARF, anteriormente relatado quanto ao seu resultado, ementa e dispositivo, no essencial, objeto do recurso especial de divergência ora em análise. Fl. 5045DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 6 Basicamente, a decisão recorrida acatou o programa de PLR, embora tenha estabelecido que parcelas pagas em desacordo com a regra de periodicidade deva ser tributada. Do contexto da análise de Admissão Prévia Em exercício de competência inicial em relação a admissão prévia, a Presidência da 2.ª Câmara da 2.ª Seção de Julgamento do CARF admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional para a matéria preambularmente destacada com os paradigmas preteritamente citados, assim estando indicada a matéria para rediscussão e os precedentes quanto a correta interpretação da legislação tributária. A referida autoridade considera, em princípio, para o que foi admitido, ter sido demonstrado o dissídio jurisprudencial entre julgados. Na sequência, determinou-se o seguimento, inclusive com a apresentação de contrarrazões pela parte interessada. Doravante, competirá a este Colegiado decidir, em definitivo, pelo conhecimento, ou não do recurso, na forma regimental, para a matéria admitida, quando do voto. Registro que o Contribuinte interpôs recurso especial (e-fls. 4.836/4.852, e-fls. 73/89 do volume 2 do pdf), porém não foi admitido (e-fls. 4.958/4.968, e-fls. 195/205 do volume 2 do pdf). Houve agravo, embora rejeitado (e-fls. 5.005/5.010, e-fls. 242/247 do volume 2 do pdf). Do pedido de reforma e síntese da tese recursal admitida O recorrente requer que seja conhecido o seu recurso e, no mérito, que seja dado provimento para reformar o acórdão recorrido e restabelecer integralmente o lançamento sobre toda a base de cálculo de PLR, conforme procedido pela fiscalização. Em recurso especial de divergência, com lastro nos paradigmas informados alhures, o recorrente pretende rediscutir a matéria (i) “Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) - inobservância da periodicidade legal - incidência de contribuições sobre todos os valores pagos a título de PLR”. Argumenta, em apertadíssima síntese, que há equívoco na interpretação da legislação tributária, pois compreende que quando descumprido o requisito da periodicidade dado pelo art. 3º, §2º, da Lei nº 10.101, todos os pagamentos de PLR são desnaturados e passam a compor base de cálculo de contribuições previdenciárias e de Terceiros. Das contrarrazões Em contrarrazões (e-fls. 4.994/5.002, e-fls. 231/239 do volume 2 do pdf) a parte interessada (Contribuinte) se manifesta pelo não conhecimento do recurso por ausência de Fl. 5046DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 7 similitude fática. Diz que o acórdão recorrido tratou os pagamentos excedentes como “meros ajustes”, enquanto os paradigmas não teriam este contexto de fato e se pautava em habitualidade, o que não é requisito no acórdão recorrido. Sustenta, em outras palavras e breve síntese, que os pagamentos do contribuinte do caso concreto são duas parcelas, respeitadas as regras de periodicidade, sendo o “excedente” mero ajuste de cálculo da segunda parcela, sem perder a identidade e vinculação com ela (segunda parcela). No mérito, reiterou as razões colacionadas nos autos quanto as suas manifestações, especialmente argumenta que o “excedente” são “meros ajustes e diferenças residuais em virtude de eventos específicos e esporádicos (v.g. erros de cálculo, pedidos de revisão, demissões, etc.) como já reconhecido pela própria RFB”. Pondera, também, que o art. 3º, §2º, da Lei nº 10.101 seria no sentido de que a eventual inobservância da periodicidade invalidará exclusivamente os pagamentos excedentes e não a integralidade dos pagamentos. Requereu a manutenção do acórdão infirmado. Encaminhamento para julgamento Os autos foram sorteados e seguem com este relator para o julgamento. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade para conhecer ou não do recurso no que foi previamente admitido e, se superado este, enfrentar o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Da análise do conhecimento O recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para reforma do Acórdão CARF nº 2202-009.325, tem por finalidade hodierna rediscutir a matéria seguinte com os seus respectivos paradigmas: (i) Matéria: “Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) - inobservância da periodicidade legal - incidência de contribuições sobre todos os valores pagos a título de PLR” (i) Paradigma (1): Acórdão 9202-005.719 (i) Paradigma (2): Acórdão 9202-009.918 Fl. 5047DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 8 O exame de admissibilidade exercido pela Presidência da Câmara foi prévio, competindo a este Colegiado a análise acurada e definitiva quanto ao conhecimento, ou não, do recurso especial de divergência interposto. O Decreto nº 70.235, de 1972, com força de lei ordinária, por recepção constitucional com referido status, normatiza em seu art. 37 que “[o] julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais far-se-á conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).” Neste sentido, importa observar o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Dito isso, passo para a específica análise. O Recurso Especial de Divergência, para a matéria e precedentes previamente admitidos, a meu aviso, na análise definitiva de conhecimento que ora exerço e submeto ao Colegiado, atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Quanto ao pressuposto extrínseco da tempestividade, observo que o recurso se apresenta tempestivo, como indicado no despacho de admissibilidade da Presidência da Câmara, que adoto em plenitude como integrativo (§ 1.º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, com aplicação subsidiaria na forma do art. 69), tendo respeitado o prazo de 15 (quinze) dias, na forma exigida no § 2.º do art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Também, em pressuposto extrínseco, resta adequada a representação processual. Outrossim, observo o atendimento dos requisitos regimentais. Em relação a divergência jurisprudencial, ela restou demonstrada, conforme bem destacado no despacho de admissibilidade da Presidência da Câmara. Os casos fáticos-jurídicos estão no âmbito de fiscalização de contribuições previdenciárias, com lançamento de ofício, por pagamento de PLR em contexto de acusação fiscal de descumprimento de regra de periodicidade. Nos acórdãos comparados se observa alguns pagamentos que se analisados individualmente e de forma estanque caracterizam violação do critério de “vedação de pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil”. A regra se extrai da norma de periodicidade da Lei nº 10.101. O contribuinte vindica ausência de identidade fática porque os excedentes de seu caso concreto seriam meros “ajustes”, todavia tal alegação não é propriamente uma mudança essencial de contexto fático. Parece se aproximar mais de uma qualificação jurídica pretendida. O ponto nodal é que a Turma recorrida acatou o programa de PLR como legítimo e mandou extirpar apenas o que violou a regra de periodicidade, por empregado. Os Colegiados Fl. 5048DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 9 paradigmáticos, decerto, não concordam com a tese do recorrido, vez que entendem que, em qualquer situação, o pagamento excedente desnatura e torna tributável o PLR por completo. Tudo que foi pago deve ser tributado, na visão dos paradigmas; diferentemente do recorrido que só tributa o que viola a periodicidade por empregado. Em todos os casos, analisou-se a incidência de contribuição previdenciária sobre parcelas de PLR pagas em desatendimento à periodicidade estabelecida na Lei nº 10.101, relativo a fatos geradores ocorridos antes da edição da Lei nº 14.020, de 2020. As teses jurídicas, portanto, são antagônicas e o conjunto fático se equivale. O recorrente consegue demonstrar o prequestionamento e as divergências são perceptíveis. Por conseguinte, reconheço o dissenso jurisprudencial para conhecer do recurso especial de divergência. Mérito Quanto ao juízo de mérito, relacionado a alegada divergência jurisprudencial, passo a específica apreciação. - “Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) - inobservância da periodicidade legal - incidência de contribuições sobre todos os valores pagos a título de PLR” O recorrente, em suma, sustenta que há equívoco na interpretação da legislação tributária pela decisão recorrida, especialmente por força dos precedentes invocados. O debate é sobre o requisito da periodicidade dado pelo art. 3º, §2º, da Lei nº 10.101, em período anterior aos incisos I e II do § 8º do art. 2º da Lei nº 10.101, incluído pela Lei nº 14.020, de 2020, que daria pronta razão ao contribuinte, para que fosse tributado apenas o excedente (e não todos os pagamentos). No reporte das instâncias ordinárias consta que o contribuinte justifica a situação argumentando que possui diversos estabelecimentos e se for observado de forma segregada cada unidade e por empregado não haveria uma pronta conclusão de violação de regra de periodicidade como apontado pela fiscalização. Consta, de qualquer forma, que o contribuinte reconhece pagamentos além da regra de periodicidade, embora pretenda qualificar como “ajustes” que não seriam propriamente uma violação da norma de periodicidade, mas complementos de valores da segunda parcela por erro no cálculo, por exemplo. Consta, ainda, especialmente no relatório do acórdão recorrido, que o contribuinte reconhece que possui mais de cinquenta estabelecimentos e cada qual teria seu acordo celebrado, de modo que a regra de periodicidade poderia variar entre eles. Se olhados todos como se um só fosse, haveria violação da regra de periodicidade. Porém, se fosse observado individualizadamente e por empregado não haveria igual pronta conclusão. Consta que seriam mais de 13 mil funcionários em 2010 e 8 mil em 2011, sendo efetivados pagamentos em diversos meses ao longo Fl. 5049DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 10 do ano a título de PLR, embora, se observado por empregado pessoa física (beneficiário) não ocorresse pronto enquadramento em violação de periodicidade por empregado. Contudo, o sujeito passivo admite que em alguns raros casos ocorreram créditos extras a título de ajuste (e-fl. 4.008). Dos seus 13.588 funcionários em 2010, 13.582 teriam recebido o pagamento do PLR em duas parcelas, mas 36 deles teriam recebido uma terceira parcela, a qual seria de ajustes (tabela dos 36 funcionários, e-fls. 4.008/4.009, e com todos os funcionários e os pagamentos de PLR, e-fls. 4.026/4.221). Dos 8.411 funcionários em 2011, 8.158 teriam recebido a PLR em duas parcelas, mas 253 teriam recebido uma terceira ou quarta parcela, a qual seria de ajustes (tabela dos 253 funcionários, e-fls. 4.009/4.014, e com todos os funcionários e os pagamentos de PLR, e-fls. 4.222/4.368). Forte neste contexto fático, basicamente, a decisão recorrida (voto vencedor) acatou o programa de PLR como válido, embora tenha assentado “que apenas as parcelas tidas por irregulares, por empregado, devem sofrer a tributação”. Na ementa fez constar, também, que “deve-se tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei nº 10.101”. Dito isto, entendo que a regra de periodicidade deve ser observada por empregado individualmente observado. Para se pagar PLR ao empregado “x” deve ser respeitada a forma de apuração da PLR e se atender a regra de periodicidade do art. 3º, §2º, da Lei nº 10.101. Se o empregado “x” recebe no mês 1 e o empregado “y” no mês 2 (imediatamente seguinte) não me parece, por si só, ter sido violada a regra da periodicidade. Porém, pelo que se dessume da controvérsia de momento, não é bem essa a discussão presente. O ponto nodal hodierno é a discussão da periodicidade por empregado individualmente, interligada com a consequência para o plano de PLR como um todo se ocorrer pagamentos fora da regra de periodicidade para um único específico empregado. Se o empregado “x”, por exemplo, recebe pagamentos em violação da regra de periodicidade, o que deve ocorrer com o plano de PLR? Essa é a questão jurídica posta. Importante que se diga que o acórdão recorrido não acolhe propriamente a tese de “ajustes” para justificar o pagamento de uma terceira ou até mesmo uma quarta parcela de PLR por empregado, a despeito da defesa do contribuinte pretender argumentar que isso foi acolhido. O que o acórdão recorrido acolhe é não desnaturar todo o plano de PLR se há empregados que receberam dentro da regra de periodicidade. Os pagamentos em regra de periodicidade, para o acórdão recorrido, devem ser preservados, não sendo tributáveis. Estive no julgamento primevo no CARF e este foi o contexto decisório. Fl. 5050DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 11 Importante esclarecer uma questão, no entanto. O acórdão recorrido parece ordenar que se tribute, por empregado, apenas a terceira ou a eventual quarta parcela de PLR, que violariam a regra de periodicidade. A primeira e a segunda parcela dos empregados que perceberam mais de duas parcelas de PLR se manteriam hígidas. Ocorre que, a meu aviso, o mais adequado é delimitar que para os empregados que receberam PLR com violação da regra de periodicidade, quando perceberam uma terceira ou uma quarta parcelas, todos os pagamentos que o determinado empregado recebeu (a 1ª, a 2ª, a 3ª e eventualmente a 4ª parcela) devem ser tributadas pela contribuição previdenciária, haja vista que houve quebra da regra de periodicidade na sua cadeia de pagamentos, violando-se o art. 3º, §2º, da Lei nº 10.101, com redação originária anterior a redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013 (“pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil”). A unidade executiva do PLR por empregado fulmina todos os pagamentos daquele empregado, mas não todo o plano de PLR. Lado outro, os empregados que perceberam PLR com plena observância da regra de periodicidade em todas as parcelas recebidas não podem ter seus valores compondo base de cálculo de contribuições previdenciárias, já que não há outros elementos que desnaturem o pacto de PLR e para eles tudo quanto disposto na Lei nº 10.101 se aperfeiçoou com plenitude. Ao fim e ao cabo, não se trata de desconsiderar todo o programa de PLR instituído pela contribuinte, mas sim de se verificar quais segurados receberam valores a título de PLR em desacordo com o regramento legal e retirar o empregado do contexto do programa, logo todos os seus recebimentos são tributáveis. Isso é para o empregado assim enquadrado e não para todos. A tese de mero ajuste é, em tese, possível de ser acolhida, porém não é o caso dos autos, vez que não consta que tenha sido demonstrada em plenitude com concatenado e devido cotejamento analítico, com comprovada ocorrência de erro de cálculo, por exemplo, a justificar a regularização conforme disciplina do negociado instrumento de PLR. Ademais, não compete em recurso especial o revolvimento de provas e fatos. O recurso é de cognição restrita. Uma empresa com diversos empregados – por vezes milhares –, poderia, em tese, “errar” no pagamento de uma das duas parcelas permitidas e, assim, ser obrigada a efetivar um terceiro ou quarto pagamento em folha complementar, de mero ajuste. Tudo isso em tese! Porém, não há este contexto demonstrado em instância ordinária. Logo, disso não se trata no momento. A partir do exposto, prossigo. Entendo que o instituto da PLR tem âmbito constitucional, sendo caso de imunidade e não de isenção como já me manifestei outrora em colegiado, o que enseja a aplicação de regra interpretativa a prestigiar o escopo do direito social (interpretação teleológica). Destarte, assiste parcial razão ao recorrente para deixar claro que para os empregados que receberam PLR com violação da regra de periodicidade, quando perceberam uma terceira ou uma quarta parcelas, todos os pagamentos que o determinado empregado recebeu (a 1ª, a 2ª, a 3ª e eventualmente a 4ª parcela) devem ser tributadas pela contribuição Fl. 5051DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 12 previdenciária, face a quebra da regra de periodicidade na sua cadeia de recebimentos. Mas, não se fulmina todo o programa pactuado de PLR. Para empregados que exclusivamente receberam dentro da norma de periodicidade os valores devem ser afastados da base de cálculo. Referida solução já foi por mim adotada no Acórdão nº 2202-005.996, em decisão unânime, o qual, no mais, adotava decisão da DRJ em igual sentido. Daquele julgado transcrevo: Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia remanescente é relativa ao lançamento de ofício que consignou estarem sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias e de Terceiros os pagamentos efetuados a título de PLR quando realizados por mais de duas vezes no mesmo ano civil, violando norma posta na Lei n.º 10.101. O contribuinte argumenta o cumprimento da Lei n.º 10.101 e transcreve dispositivos da legislação. Assevera que os pagamentos a título de PLR em 2009 foram realizados em apenas duas parcelas (março e novembro de 2009), nos exatos termos da legislação. (...). Explica que aconteceu de serem necessários ajustes em outros períodos (pagamentos retificadores em meses que não são março e novembro de 2009), sendo pagamentos suplementares sem desvirtuar as “duas parcelas” efetivas (as de março e de novembro de 2009). Subsidiariamente, caso não tenha sucesso em seu recurso, requer que somente as parcelas atinentes aos ajustes efetuados sejam objeto de incidência, mantendo-se hígido os pagamentos realizados em março e novembro de 2009. Invoca acórdãos do CARF. (...) De mais a mais, inexistindo novos elementos entre o recurso voluntário e a impugnação, assim como estando este julgador, diante do conjunto probatório conferido nos fólios processuais, confortável com as razões de decidir da primeira instância, passo a adotar, doravante, como meus, aqueles fundamentos da decisão de piso, com fulcro no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.º do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 2015, que instituiu o Regimento Interno do CARF (RICARF), verbis: Ora, no caso dos autos, verifica-se induvidoso o fato de que a contribuinte realizou pagamentos mensais a título de antecipação de PLR, por mais de duas vezes no mesmo ano civil, o que malfere a disposição contida no § 2.º do art. 3.º da Lei n.º 10.101, de 2001, razão pela qual considero que o lançamento das contribuições sociais exigidas sobre referidos valores deve ser mantido. Compete à empresa zelar para que, em respeito à norma legal, o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados não se dê por mais de duas vezes no mesmo ano civil, o que inclui até mesmo a hipótese de pagamento de valores complementares, sob pena de a contribuinte sujeitar-se ao pagamento de contribuição social sobre os valores que, embora pagos a título de PLR aos segurados, integram a base de cálculo da contribuição por Fl. 5052DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 13 terem sido pagos em desacordo com a lei específica que disciplina tais pagamentos. No ponto, não se trata de desconsiderar todo o programa de PLR instituído pela contribuinte, mas sim de verificar-se quais segurados receberam valores a título de PLR em desacordo com o regramento legal. Tampouco pode ser acolhida a alegação de que apenas os pagamentos excedentes a duas parcelas no mesmo ano civil deveriam ser tributados, visto que todas as parcelas foram pagas ao empregado segundo o mesmíssimo título (PLR), isto é, uma vez apurado que o pagamento feito a título de PLR a um determinado segurado ocorreu em desacordo com os ditames da lei específica, o valor total pago a esse título para esse segurado, no mesmo ano civil, integra a base de cálculo das contribuições sociais sob apreço. Assim é que, na espécie, considero escorreito o procedimento fiscal que, para efeito de cálculo das contribuições sociais exigidas, relacionou apenas os segurados empregados que receberam verba a título de PLR em desacordo com o parágrafo 2.º do art. 3.º da Lei n.º 10.101, de 2000. Sendo assim, com parcial razão o recorrente (Fazenda Nacional) para restabelecer em parte o levantamento PLR, mantendo excluído da base de cálculo do lançamento de ofício os valores dos segurados empregados que receberam todas as suas parcelas dentro dos limites do plano de PLR e da regra de periodicidade. Conclusão quanto ao Recurso Especial Em apreciação racional da alegada divergência jurisprudencial, motivado pelas normas da legislação tributária aplicáveis à espécie, conforme relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, em suma, conheço do recurso especial de divergência e, no mérito, dou-lhe provimento parcial para restabelecer em parte o levantamento PLR, mantendo excluído da base de cálculo do lançamento de ofício os valores dos segurados empregados que receberam todas as suas parcelas dentro dos limites do plano de PLR e da regra de periodicidade. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, DOU-LHE PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer em parte o levantamento PLR, mantendo excluído da base de cálculo do lançamento de ofício os valores dos segurados empregados que receberam todas as suas parcelas dentro dos limites do plano de PLR e da regra de periodicidade. É como Voto. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros Fl. 5053DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 14 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Peço licença para aclarar as razões que me fizeram, em primeira votação, abrir divergência quanto aos efeitos da inobservância da legislação que dispõe sobre a participação nos lucros ou nos resultados no que toca à periodicidade do pagamento, negando provimento ao recurso especial fazendário. A Lei nº 10.101/2000, no §2º do seu art. 3º, dispõe ser “vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.” À época dos fatos geradores inexistia disposição normativa abordando os efeitos do descumprimento da periodicidade, lacuna que veio a ser suprida pela Lei nº 14.020/2020, cuja aplicação retroativa enquanto norma supostamente meramente interpretativa é fartamente rechaçada. De toda sorte, peço licença para transcrevê-la no que importa: § 8º A inobservância à periodicidade estabelecida no § 2º do art. 3º desta Lei invalida exclusivamente os pagamentos feitos em desacordo com a norma, assim entendidos: I - os pagamentos excedentes ao segundo, feitos a um mesmo empregado, no mesmo ano civil; e II - os pagamentos efetuados a um mesmo empregado, em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil do pagamento anterior. Filio-me ao entendimento exarado pelo col. Superior Tribunal de Justiça no sentido de que [e]scapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995).1 A despeito de o em. Relator ter colacionado o acórdão de nº 2202-005.996, de 26 de fevereiro de 2020, no qual participei na qualidade de vogal, acompanhando-o, certo ter inadvertidamente, naquela assentada, divergido de entendimento que ostento desde meu ingresso neste órgão, em sessão realizada em 7 de novembro de 2018 – vide acórdão nº 2202-- 004.830. 1 REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009. Fl. 5054DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.524 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 13603.721886/2014-95 15 Cito, ainda para demonstrar ter, por um lapso, anuído com tese com a qual sempre discordei – e discordo –, o acórdão de nº 2202-009.325, realizado em 6 de outubro de 2022, que exibe a seguinte ementa, no que importa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, deve-se tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei nº 10.101/00. (...). Dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por determinação do art. 19-E, da Lei nº 10.522, de 2002, acrescido pelo art. 28, da Lei nº 13.988, de 2020, em face do empate no julgamento, em dar provimento parcial ao recurso, para alterar a base cálculo de dezembro de 2010 para R$ 1.050.764,55 e de dezembro de 2011 para o total de R$ 442.076,06; e excluir os valores pagos dentro da periodicidade semestral constantes do levantamento PL (mantidos os pagamentos excedentes a duas vezes no ano). Vencidos os conselheiros Ricardo Chiavegatto de Lima (relator), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Christiano Rocha Pinheiro e Mário Hermes Soares Campos (redator ad hoc), que deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Mario Hermes Soares Campos (Presidente e redator ad hoc). Ausente o conselheiro Samis Antonio de Queiroz, substituído pelo conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino. Aclaro, com esses fundamentos, as razões que me levaram, em primeira votação, encaminhar pela negativa de provimento do recurso da Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 5055DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002095/2003-85
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PIS. NULIDADE. Não se configura nulidade do lançamento quando presentes os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70,235/1972. Preliminar rejeitada,
DECADÊNCIA. Nos termos do art. 146, III, b, da Constituição
Federal cabe à lei complementar estabelecer normas sobre
decadência, Sendo assim, é de se aplicar o prazo de cinco anos a
contar da ocorrência do fato gerador previsto no art. 150, § 4" do CTN,
JUROS DE MORA. Os juros de mora devem incidir apenas e tão somente sobre as parcelas do crédito tributário não pagas no
prazo do recolhimento da obrigação, SELIC. A inadimplência quanto ao recolhimento de tributos e contribuições sujeita o sujeito passivo ao pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora aplicados com base na taxa Selic.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 204-02.687
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do crédito pertinente a fatos geradores ocorridos até abril/1998, inclusive; e II) por maioria em dar provimento parcial ao recurso, para afastar os juros moratórios relativos a créditos tributários depositados integralmente até jan/1999. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Júlio César Alves Ramos.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 200708
ementa_s : PIS. NULIDADE. Não se configura nulidade do lançamento quando presentes os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70,235/1972. Preliminar rejeitada, DECADÊNCIA. Nos termos do art. 146, III, b, da Constituição Federal cabe à lei complementar estabelecer normas sobre decadência, Sendo assim, é de se aplicar o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador previsto no art. 150, § 4" do CTN, JUROS DE MORA. Os juros de mora devem incidir apenas e tão somente sobre as parcelas do crédito tributário não pagas no prazo do recolhimento da obrigação, SELIC. A inadimplência quanto ao recolhimento de tributos e contribuições sujeita o sujeito passivo ao pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora aplicados com base na taxa Selic. Recurso provido em parte.
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 19515.002095/2003-85
anomes_publicacao_s : 200708
conteudo_id_s : 7167548
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 204-02.687
nome_arquivo_s : 20402687_136367_19515002095200385_007.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO
nome_arquivo_pdf_s : 19515002095200385_7167548.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do crédito pertinente a fatos geradores ocorridos até abril/1998, inclusive; e II) por maioria em dar provimento parcial ao recurso, para afastar os juros moratórios relativos a créditos tributários depositados integralmente até jan/1999. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Júlio César Alves Ramos.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
id : 4758782
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:43:10 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230641573888
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T11:29:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T11:29:48Z; Last-Modified: 2010-12-21T11:29:48Z; dcterms:modified: 2010-12-21T11:29:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:61feb8f8-6b3f-4c5e-bf81-1772c1580859; Last-Save-Date: 2010-12-21T11:29:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T11:29:48Z; meta:save-date: 2010-12-21T11:29:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T11:29:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T11:29:48Z; created: 2010-12-21T11:29:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-12-21T11:29:48Z; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T11:29:48Z | Conteúdo => Ministério da Fazenda c3-4 CO.k Segundo Conselho de Contribuintes Processo n" : 19515.002095/2003-85 Recurso n" : 136.367 Acórdão : 204-02.687 20 CC-MF FF Recorrente : GERAL DE CONCRETO S/A Recorrida : DRJ em São Paulo - SP PIS. NULIDADE. Não se configura nulidade do lançamento quando presentes os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70,235/1972. Preliminar rejeitada, DECADÊNCIA. Nos termos do art. 146, III, b, da Constituição Federal cabe à lei complementar estabelecer normas sobre decadência, Sendo assim, é de se aplicar o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador previsto no art. 150, § 4" do CTN, JUROS DE MORA. Os juros de mora devem incidir apenas e tão somente sobre as parcelas do crédito tributário não pagas no prazo do recolhimento da obrigação, SELIC. A inadimplência quanto ao recolhimento de tributos e contribuições sujeita o sujeito passivo ao pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora aplicados com base na taxa S clic. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GERAL DE CONCRETO S/A ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do crédito pertinente a fatos geradores ocorridos até abril/1998, inclusive; e II) por maioria em dar provimento parcial ao recurso, para afastar os juros moratórios relativos a créditos tributários depositados integralmente até jan/1999. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Júlio César Alves Ramos. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2007, rf.--.2 *7- 7 • Henrique Pinheiro Torres Presidente "771 Rodrigo Bernardes de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Leonardo Siade Manzan, Airton Adelar Hack e Mauro Wasilewski (Suplente), Ministério da Fazenda r I l'4.111V Segundo Conselho de Contribuintes Processo n" : 19515.002095/2003-85 Recurso n" : 136.367 Acórdão : 204-02.687 CC-MF Fl Recorrente : GERAL DE CONCRETO S/A RELATÓRIO Com vistas a uma apresentação abrangente e sistemática do presente feito sirvo- me do relatório contido na decisão recorrida de fls. 204/217: 4. Originou-se a presente ação ,fiscal através do Mandado de Procedimento Fiscal 08.1 90.00-2002-02838-6 de j7s. 01, sendo que a empresa em epígrafe foi intimada a apresentar os livros e documentos arrolados no Termo de Início de Fiscalização de . fl. 03 5, Do exame levado a efeito na documentação apresentada, ,foram constatados pelo Agente Fiscal, fatos irregulares, com infringência às normas legais que regem a espécie, descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 85 a 88, conforme segue em síntese, a) A empresa contestou judicialmente a contribuição ao PIS através de Medida Cautelar n" 96,0010498-0 em 15..04..96, apensada à Ação Ordinária n" 96.0012932-0 em 06..02.2001. b) Requereu a concessão de liminar para obter a suspensão da exigibilidade da contribuição ao PIS cobrado segundo a MP 1.407/96, para recolhe-lo na a//quota de .5% do IR apurado, de acordo com a sistemática prevista na LC 7/70, em lugar dos 0,65% da Receita Operacional Bruta, procedendo ao depósito dos valores em controvérsia, visando a suspensão da exigibilidade do PIS, nos moldes da MP 1.212/95 e reedições. c) A empresa obteve decisão .judicial, em .29.02.2000, que julgou procedente a ação cautelar reconhecendo o direito da autora depositar a quantia controversa e a suspensão do crédito tributário até o trânsito em julgado da sentença proferida nos autos da ação principal. d) Para o período de 07.97 a 01.99 procedeu-se a tributação do PIS, cujo valor foi depositado judicialmente, conforme denionsirativo às fls. 86. e) Para o período de 02.99 e seguintes a empresa recolheu 0,6.5% sobre a Receita de Faturamento, contestando judicialmente o PIS incidente sobre outras Receitas. .f) Impetrou Mandado de Segurança n" 1999,61,00.009971-.2 com pedido de liminar para declarar a inexigibilidade da contribuição ao PIS, na modalidade exigida pela Lei 9.718/98 e 9.71.5/98, permitindo o recolhimento da contribuição com base na LC 7/70. A empresa alega não realizar venda de mercadoria, devendo o PIS ser determinado à alíquota de 5% do IRP,J devido. E caso não acolhido este pedido, e consideradas válidas as alterações por Lei Ordinária, requerem seja declarada a ilegalidade de tais dispositivos e a manutenção da definição de . faturamento constante na Lei 9.715/98 e 9.718/98. g) A Justiça Federal concedeu liminar em 11.03.99 para assegurar o recolhimento do PIS segundo a LC 7/70 (receita do produto da venda de mercadorias e serviços). h) Procedeu-se a autuação do PIS para o período de 02.99 a 11.02 sobre a diferença entre a Receita Bruta e Receita de Faturamento, com suspensão de exigibilidade, ante a liminar concedida em Mandado de Segurança, conforme Demonstrativo às fls. 87. ,f° 2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes .0e4,5 Processo n" : 19515.002095/2003-85 Recurso n" : 136.367 Acórdão : 204-02.687 22 CC-MF Fl 6, Em vista das infrações constatadas, foi lavrado o presente Auto de Infração (fls. 100 a 104), no valor total de R$ 3.340.114,48, incluindo-se tributo e ,juros de mora, estes calculados até 30,04.2003, para constituir o crédito tributário relativo ao PIS dos períodos de apuração de ,julho de 1997 a novembro de 2002, com enquadramento legal exposto àsfls. 85, 88, 99 e 104, 7, Regularmente notificada em 20..052003, conforme ciência nos próprios autos, a autuada apresentou a impugnação tempestiva de fls. 107 a 115, acompanhada de documentos às lis. 116 a 191, alegando, em ? suma, o que se segue 7.1 A finalidade do Auto de Infração é penalizar, não podendo as Autoridades Fiscais alterar tal finalidade, devendo utilizá-la apenas para evitar a decadência. Deveria ter sido utilizada a notificação prevista no artigo 9" do Decreto n" 70.235/72. 7,2 Para que seja válido o Auto de Infração, deve haver infração. No caso em questão, não há o que se falar em ilícito ou infração, haja vista que antes de qualquer ato tio Fisco tendente à efetivação do lançamento, ,foram propostas as competentes medidas judiciais, por meio das quais a Requerente vem depositando em juízo os valores necessários para manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário ora exigido nestes autos. 7.3 Contesta os juros de mora alegando que nunca esteve em mora no cumprimento de suas obrigações fiscais ora constituídas neste auto, tendo em vista que, amparada por decisão judicial, não incorreu em atraso, impontualidade ou violação do dever de cumprir a obrigação no tempo previsto. 7 4 Segundo o artigo 151, inciso IV, do CTN, a concessão de liminar suspende a exigibilidade do crédito tributário. A virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário consiste ,fundamentalmente na desconfiguração da mora, por não haver qualquer omissão do contribuinte quanto ao pagamento do tributo. Cita julgado do Conselho de Contribuinte para corroborar seu entendimento 7..5 Além disso se na consulta tributária não incidem juros, a teor do art 161, § 2" do CTN, com muito mais razão não incidem juros no caso do contribuinte buscar tutela do Poder Judiciário, por entender determinada exigência legal ilegítima. 7..6 Enquanto não vencida a dívida, é inexigível o direito subjetivo dela decorrente. Cita o Parecer Normativo =11" 02/93 para corroborar seu entendimento, O vencimento não ocorre enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa, assim antes do vencimento da obrigação não há possibilidade de se configurar a mora. 7..7 A empresa efetuou integralmente o depósito judicial dos créditos tributárias ora constituídos, portanto segundo o artigo 151, II do CTN a exigibilidade do crédito está suspensa, tornando impossível a configuração da mora_ O próprio CTN reconhece que a conversão do depósito em renda é suficiente e bastante para extinguir o crédito tributário (artigo 156, VI do CTN), o que demonstra a impropriedade na exigência de juros no presente auto. 7.8 Contesta a aplicação da taxa Selic, nos termos do artigo 30 da 114"P n" 2.176/2001, pois da forma que é apurada consubstancia-se em correção monetária e juros de mora.. Sendo a taxa Selic indicador de juros, esta não deve incidir se não for verificada a ocorrência de mora. Também não há que se argumentar que a taxa deve ser aplicada como índice de correção monetária, pois não é possível corrigir monetariamente o Real, dada a ausência de indexador previsto en? lei /70 3 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Fl Processo n° : 19515.002095/2003-85 Recurso n" : 136.367 Acórdão : 204-02.687 7.9 Alega que a taxa Selic possui evidentes contornos de inconstitucionalidade, por afrontar o princípio da legalidade e da indelegabilidade da competência tributária. Cita julgados da esfera judicial para corroborar seu entendimento. A 6' Turma da DRJ em São Paulo — SP manteve o lançamento mediante a prolação do acórdão assim ementado: Assunto . Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 30/11/2002 Ementa: PRELIMINAR. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. O instrumento adequado à .fbnnalização do lançamento, decorrente de auditoria externa, é o auto de infração, o qual deve ser lavrado inclusive na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário e ainda que o crédito tributário correspondente não possa ser exigido, NULIDADE DO LANÇAMENTO, DESCABIMENTO, Somente será considerado nulo o lançamento, se presente quaisquer' das situações previstas no art, .59 do Decreto n" 70..23.5/1972. JUROS DE MORA - Os acréscimos moratórios são devidos mesmo quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, por expressa disposição legal. DEPOSITO JUDICIAL. Depósito judicial, quando determinada sua conversão em renda da União Federal, é considerado um pagamento, na data em que efetivado. Assim, a indicação dos juros moratórias no Auto de Infração é cabível, ressalvando-se que a eventual conversão em renda da União Federal de depósito judicial deve extinguir o crédito tributário lançado, tomando-se como data limite para a apuração dos acréscimos moratórias a data da efetivação do depósito. TAXA SELIC, Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, porque se encontra amparada em lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa, IrTesignada com a decisão retro, a contribuinte lançou mão do presente recurso voluntário, oportunidade em que reiterou os argumentos expendidos por ocasião de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. A A. / - 4 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo nü : 19515.00209512003-85 Recurso n" 136.367 Acórdão : 204-02.687 CC-MF Fl VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço. De início, insurge-se a recorrente contra o lançamento na medida em que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por ela conquistada no Judiciário, impediria a lavratura do auto de infração, Quanto a este ponto, peço vênia para transcrever e adotar as razões do voto do Ilustre Conselheiro Jorge Freire que esgotou a matéria no julgamento do recurso n" l36,998, aviado pela própria recorrente: Não há dúvida, pelo que se depreende dos autos, que os créditos tributários postos ao conhecimento do judiciário estão COM sua exigibilidade suspensa. Da mesma forma, dúvida também não há de que o Fisco não estava impossibilitado, por ordem judicial, de efetuar o lançamento. O que o Fisco fez . foi defender o direito de a Fazenda Nacional poder vir a cobrar o crédito tributário, uma vez esteja este escoimado de ilegalidades e sem ter sua exigibilidade suspensa, quer por pender recurso administrativo, nos termos do art. 151, III, do CTN, quer por não mais haver decisão judicial nesse sentido. As matérias colocadas na órbita judicial têm o qfeito de ,fazerem o procedimento administrativo fiscal praticamente encerrar, não conhecendo do mérito com mesmo objeto, porém resguardando os prazos recursais e o próprio direito ao recurso, caso haja, de matéria diversa à submetida ao Judiciário. Dessa .forma, o crédito poderá inclusive ser inscrito em dívida ativa, porém sem possibilidade de excuti-lo se pendente condição que suspenda sua exigibilidade (CTN, art 1.51, IV). Outra questão, porém, é quanto à possibilidade do crédito tributário, cuja legalidade se discute no judiciário, ser, como in cav.', lançado de oficio, de modo a resguardar o erário público dos effitos preclusivos da decadência. Não identifico na decisão judicial qualquer menção para que as autoridades impetradas abstenham-se de praticar qualquer ato tendente à lavratura de auto de infração, o que, a meu juízo, seria ilegal. A decisão Judicial restringiu-se a afastar a incidência da Lei n°9. 718, mas não proibiu a autoridade coa/ora da prática do ato de lançamento, o que, data vênia, não caberia. Destarte, o que está proibido é a exigibilidade do crédito tributário, obstando sua coercibilidade, não sua constituição. Não há dúvida que o lançamento, com a ocorrência do fato gerador e conseqüente nascimento da obrigação tributária, é o marco inicial para que se possa exigir o cumprimento desta obrigação ex lege. A relação jurídica tributária, como ensina Alfredo Augusto Beckerl, nasce com a ocorrência do fato gerador, irradiando direitos e deveres. Direito de a Fazenda Pública receber o crédito tributário e dever do sujeito passivo prestá-lo. Todavia, esta relação jurídica pode ter conteúdo mínimo, médio e máximo. Na de conteúdo mínimo o sujeito ativo e o passivo estão vinculados juridicamente uni ao outro, tendo aquele o direito à prestação e este o dever de prestá-la. Mas ter direito à prestação ainda não é poder exigí-la (pretensão). É o que ocorre com o nascimento da (m Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Fi Processo n" : 19515.002095/2003-85 Recurso n° : 136.367 Acórdão : 204-02.687 obrigação tributária, sem ainda haver o lançamento. Com a incidência da regra jurídica tributária sobre sua hipótese de incidência nasce a obrigação tributária (o direito), mas esta sem o lançamento ainda não pode ser exigida, inexistindo pretensão. ,Já na relação jurídica tributária de conteúdo médio, há a pretensão (a partir do lançamento), mas ainda lhe falta o poder de coagir, que só nascerá com a inscrição do crédito em dívida ativa, quando a Fazenda terá 11111 título executivo extrajudicial, dando margem ao exercício da coação, através da ação de execução fiscal. A argumentação da recorrente de que o lançamento seria 111110 por não haver infração acarreta a impossibilidade da pretensão e posterior exercício da coação, uma vez não adimplida a obrigação tributária. Isto esvaziaria o conteúdo jurídico da relação tributária, o que, convenhamos, não faz sentido. O entendimento do ST,I, conforme Are.sto2 relatado pelo Ministro Ari Pargendler, cujo excerto a seguir transcrevo, também não coincide com as ponderaçãe,s da recorrente: O imposto de renda está sujeito ao regime do lançamento por homologação. Nessas condições, a Impetrante pode compensar o que recolheu indevidamente a esse título sem autorização judicial, desde que se sujeite a eventual lançamento 'ex officio', Na verdade, através de.ste mandado de segurança, ela quer evitá-lo, Até aí não vai o poder cautelar do juiz. Tudó porque o lançamento fiscal é um procedimento legal obrigatório (CTN, art. 142), subordinado ao contraditório, que não importa dano algum ao contribuinte, o qual pode discutir a exigência nele contida em mais de uma instância administrativa, sem constrangimentos que antes existiram no nosso ordenamento jurídico ('solve et repete", depósito da quantia controvertida, etc.). O conteúdo do lançamento fiscal pode ser ilegal, mas a atividade de fiscalização é legítima e não implica qualquer exigência de pagamento até a constituição definitiva cio crédito tributário (CTN, art. 174)— sublinhei, Assim, dúvida não há quanto à legalidade da atividade fiscal que constituiu o crédito tributário (o lançamento), podendo, contudo, ser discutida a exigência que dele deflui, como, ia casu. Afastada a preliminar de nulidade do lançamento, passo à análise da decadência que, apesar de não postulada pela recorrente, levanto de oficio. Tenho que parte do crédito lançado encontra-se decaído, Isto porque, as contribuições sociais desde a Constituição de 1988, seguem as regras estabelecidas no Código Tributário Nacional e, portanto, a essas é que devem se submeter, Segundo o art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988 cabe a lei complementar- estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária que trate de decadência, ou seja, não pode uma lei ordinária sobrepujar o comando de uma lei recepcionada como lei complementar.. Portanto, é de se aplicar a regra inscrita no § 4 0 do artigo 150 do CTN, pela qual, transcorrido o prazo qüinqüenal da ocorrência do fato gerador sem o pronunciamento da Fazenda Pública, "considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário", Sendo assim, na data em que foi dada ciência ao contribuinte da lavratura do auto de infração, 20 de maio de 2003, já havia decaído o direito da Fazenda Pública de autua-lo até abril de 1998, inclusive. 6 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Fl Processo n" : 19515.002095/2003-85 Recurso n° : 136.367 Acórdão : 204-02.687 Permanece a discussão se devidos juros moratórios, não obstante a existência de depósitos judiciais integrais e tempestivos em relação à parte dos períodos. Conforme se verifica às fls. 148/169 os valores do PIS referentes aos períodos de julho de 1997 a janeiro de 1999 foram depositados mensalmente nos autos da Medida Cautelar n° 96.0010498-0, antes da lavratura do auto de infração, conforme expressamente reconhecido na decisão recorrida de fi. 215. Logo, resta incabível a cobrança de juros moratórias até janeiro de 1999, uma vez que não esteve a Recorrente em mora, encontrando-se o valor principal em discussão integralmente depositado. Neste sentido soa uníssona a jurisprudência desta Câmara.. "COFINS. JUROS DE MORA CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA, DEPOSITO JUDICIAL, Não há de ser aplicado juros de mora em relação a créditos tributários com a exigibilidade suspensa em virtude de depósito judicial dos valores devidos, cujo lançamento visa prevenir a decadência, Recurso provido (Acórdão .204-00097, Rel. Conselheira Nayra Bastos Mana tta, Sessão de 175.2005), Por outro lado, com relação ao período remanescente, ou seja, a partir de fevereiro de 1999, não houve depósito, mas recolhimento do PIS a destempo com base no faturamento, haja vista concessão de liminar para que assim o procedesse, razão pela qual devem ser mantidos os juros moratórios, No que tange à argüição da ilegalidade da utilização da taxa Selic como juros moratórios e limitação dos juros à taxa de 1% ao mês, também é de ser rechaçada. Isto porque o art. 161, § 1 0 do Código Tributário Nacional abriu a possibilidade de que outra lei alterasse a regra geral de cálculo dos juros moratórios. Confira-se o dispositivo: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual /br o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária § I" Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês." Foram editadas novas Leis ( n's 9.065/95 e 9.430/96) que passaram a exigi-lo em percentual equivalente ao da taxa Selie, e como sedimentado pela jurisprudência, ao julgador administrativo compete apenas aplicar a legislação vigente sem perquirir sua constitucionalidade, não merece qualquer reparo a decisão recorrida CONCLUSÃO Isto posto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para: 1. reconhecer a decadência do período pertinente a fatos geradores ocorridos até abril de 1998, inclusive; e 2, afastar os , juros moratórios sobre os depósitos tempestivos e integrais efetuados até janeiro de 1999, inclusive. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2007. RODRI O BERNARDES D\ÉCIA' RVALHO 7
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000916/2005-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/01/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE.
O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigura-se lícito retroagir até a data da apuração do crédito para averiguar de sua aptidão para a compensação pleiteada.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/01/2005
O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005.
Numero da decisão: 3402-001.587
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva que davam provimento parcial para reconhecer o direito ao ressarcimento e compensação do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10925/04 na proporção da receita de exportação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 07 09:00:01 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE. O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigura-se lícito retroagir até a data da apuração do crédito para averiguar de sua aptidão para a compensação pleiteada. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10840.000916/2005-44
conteudo_id_s : 7168752
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3402-001.587
nome_arquivo_s : 340201587_10840000916200544_201111.pdf
nome_relator_s : JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10840000916200544_7168752.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva que davam provimento parcial para reconhecer o direito ao ressarcimento e compensação do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10925/04 na proporção da receita de exportação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4879171
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Dec 07 09:43:13 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1817774230659399680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2275; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.334 1 1.333 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.000916/200544 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402001.587 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2011 Matéria PIS/PASEP Recorrente USINA BELA VISTA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE. O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigurase lícito retroagir até a data da apuração do crédito para averiguar de sua aptidão para a compensação pleiteada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva que davam provimento parcial para reconhecer o direito ao ressarcimento e compensação do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10925/04 na proporção da receita de exportação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (assinado digitalmente) Nayra Bastos Manatta Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiro Nayra Bastos Manatta, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D`eça, Silvia de Brito Oliveira e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Relatório Versam os presentes autos de Declaração de Compensação, apresentada pelo sujeito passivo, de crédito no valor de R$ 5.676,63 (cinco mil, seiscentos e setenta e seis reais e sessenta e três centavos), relativa ao período de jan/2005, referente a Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo. Foi lavrado um Termo de Informação Fiscal, onde a autoridade fiscalizadora relata as divergências detectadas na apuração efetuada, qual seja: os valores dos créditos de PIS não cumulativo apurados sobre aquisições de cana de açúcar de Pessoa Física e Jurídica não são passíveis de compensação, pois com base no art. 8º, § 3º, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, os créditos da agroindústria só podem ser utilizados para abater débitos do PIS nãocumulativo; Através de Despacho Decisório, a DRF de Ribeirão Preto reconheceu parcialmente o direito creditório da empresa, homologando a compensação até o montante de R$281,42 (duzentos e oitenta e um reais e quarenta e dois centavos). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório supracitado, o interessado apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, onde levanta diversas situações acerca das divergências, dentre as quais: entende que a formação dos créditos no período de apuração equivale ao lançamento por homologação previsto no § 4º do art. 150 do CTN e, diante disso, alega que foi cientificado do Despacho Decisório em prazo maior de cinco anos, contados da data em que o crédito do contribuinte foi constituído. acerca da possibilidade de utilização do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925 de 2004, para compensação com outros débitos, alega que está embasada nesse próprio dispositivo legal e no disposto no art. 5º, §1º, II, da Lei nº 10.637 de 2002. Alega, ainda, que o crédito não pode ser afastado, haja vista a referência ao art. 3ºdas leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sendo impossível “desvincular referido crédito dos dispositivos legais de ressarcimento com outros tributos federais”. Ao fim, requereu o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 120DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu o Acórdão de nº. 1432.223, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. No caso de compensação, o prazo para homologação é de cinco anos contados da entrega da declaração. Não é aplicável o prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, pela inexistência de pagamento extinguindo o crédito tributário. Cientificado o interessado da não homologação da compensação dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 74 da lei 9.430, de 1996, legítima e legal a cobrança de eventuais saldos de créditos tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Quanto à alegação inicial, com base no § 5°. do art. 74, da Lei n°. 9.430/96, o prazo de cinco anos para a homologação da compensação tem início na data da entrega da declaração de compensação. Assim, no presente caso, não prospera tal alegação. Quanto ao disposto no inciso II, do § 1°, do art. 5° da Lei n° 10.637, que autoriza a utilização do crédito apurado na forma do art. 3° desta lei, ressalta que não se aplica ao caso, pois os §§ 10 e 11, do mesmo artigo, que tratavam da forma de utilização do crédito presumido em questão, foram revogados pelo art. 16, inciso I, letra “a”, da Lei 10.925 de 2004. Sendo assim, por falta de previsão legal, os créditos apurados na forma do art. 8°, da Lei 10.925, de 2004, não podem ser objeto de ressarcimento e/ou compensação com débitos do sujeito passivo. Após todo o exposto, mantevese o decidido pela DRF de origem, votando pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. DO RECURSO Fl. 121DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.336 5 Ciente em 15/03/2011 do Acórdão acima mencionado, e não se conformando com a manutenção da homologação parcial de suas compensações, o contribuinte apresentou em 14/04/2011 Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, fundamentado com jurisprudência e doutrina, em apertada síntese: que ocorreu a decadência, na medida em que transcorreu mais de 05 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador (janeiro/2005) e a intimação da glosa dos créditos (abril/2010); quanto a possibilidade de compensação do crédito presumido da Cofins com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, aduz que por não ter a IN SRF nº 660/06 interpretado uma disposição já prevista em lei, uma vez que a Lei nº 10.925/04 não faz qualquer vedação acerca da possibilidade de utilização dos créditos presumidos da Confis para compensação dos tributos administrados pela RFB, teria seu direito garantido. Ao fim requer que seja julgado procedente o recurso e decretada a nulidade do ato fiscal de lançamento, homologandose as compensações. Pede, ainda, que seja, o recurso, recebido e regularmente processado. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 117 (cento e dezessete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Voto Vencido Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Não vislumbro matérias de ordem pública passíveis de serem conhecidas de ofício, que não tenham sido expressamente argüidas pela parte e estejam contidas nos lindes do litígio, de modo que passo à análise das razões recursais propriamente ditas. 1. Preliminar de Decadência: Preambularmente, enfrento a questão da decadência suscitada pelo interessado, que argumentou estar o direito da Fazenda Pública de não homologar as compensações por ele levadas a efeito, fulminado pela decadência. Segundo a ótica do contribuinte, o fato da nãohomologação de suas compensações se dar em razão da inexistência do direito creditório, transfere o marco da contagem do prazo decadencial para aquele período em que se funda o mérito da questão, ou seja, para o mês em que apurado o direito creditório, havendo, com isso, “ajustes no passado com repercussão futura”, conforme jurisprudência transcrita em suas razões recursais. Daí, por conseguinte, estaria decaído o direito do Fisco de insurgirse quanto ao crédito utilizado, pois que atinente ao período de Jan/2005, tendo sido a recorrente cientificada da nãohomologação apenas em 09/04/2010, após decorridos, portanto, mais de 5 (cinco) anos em relação ao mês em que gerados e escriturados os créditos. Ocorre, todavia, que este processo trata do exercício do comando contido no dispositivo do art. 74, da Lei 9.430/96, que regulamenta a compensação, sob condição resolutória de posterior verificação por parte da Autoridade competente. Reza o mencionado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.337 7 Neste sentido, a compensação declarada pelo contribuinte possui condição resolutória de sua ulterior homologação, referindose tal análise, à extinção do crédito tributário “pago”, por meio do instituto extintivo da obrigação, que é a compensação. O dispositivo legal retro transcrito é expresso em estabelecer que o crédito tributário pago por meio de compensação é extinto, sob condição de posterior análise do Órgão Administrativo competente. Ou seja, a extinção do débito existente em nome do contribuinte (crédito da Fazenda Nacional) é que está sujeita à análise (condição resolutória) da Receita Federal do Brasil, e não, direta e objetivamente, o crédito nela utilizado. Evidentemente que para se avaliar se a “moeda de pagamento” era hábil para extinguir a obrigação, se deve analisar sua consistência, caso em que, para essa finalidade, poderá a autoridade proceder a essa análise. Na mesma esteira, o §5º do artigo citado é objetivo ao regulamentar o prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da declaração de compensação para a sua homologação, determinando que é a homologação da compensação que possui tal prazo decadencial e não o crédito tributário utilizado na mesma. Se assim o fosse, os contribuintes poderiam transmitir Declarações de Compensação (DCOMP’S) à Receita Federal do Brasil às vésperas do vencimento do prazo de 5 (cinco) anos do período de geração do crédito, impedindo que o Órgão Administrativo tenha tempo hábil para uma resposta, que não a homologação tácita da declaração apresentada. Assim, no caso em concreto dessa alegação, entender de maneira diferente seria contrariar o preceito do §5º, do Art. 74, da Lei nº 9.430/96, o que é defeso a este órgão julgador, por inviável a via da argüição de inconstitucionalidade de Lei. Diferente, no entanto, seria se estivéssemos diante de hipótese de contribuinte com saldo devedor, que recolhera apenas o valor apurado, caso em que a Administração teria que lavrar Auto de Infração por pagamento a menor, hipótese em que, aí sim, deverseia contar o prazo decadencial do mês da apuração dos créditos, pois que coincidente com o de ocorrência do fato jurídico tributário (ou “fato gerador”). Portanto, as jurisprudências citadas, estão endereçadas para hipóteses de constituição de crédito tributário, e não para não homologação de compensação, pois que de tratam de situações diversas. Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência. 2. Mérito: Compensação/Ressarcimento do Crédito Presumido da Agroindústria (art. 8º, da Lei nº 10.925/2002): 2.1. Delimitação da controvérsia: No que pertine à alegação da recorrente, na condição de agroindústria preponderantemente exportadora, de que é possível a utilização do crédito presumido, atualmente previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04, para a compensação com débitos relativos a tributos federais, que não apenas a Contribuição (ao PIS e a COFINS) apurada na sistemática da nãocumulatividade, em razão de entender lhe ser aplicável o disposto no art. 5º, da Lei 10.637/02, e art. 6º, da Lei nº 10.833/2003, tenho que tal via é perfeitamente possível, nos termos da fundamentação que passo a tecer. Antes mesmo de passar às razões do entendimento para o deslinde da situação em tela, cumpre salientar que o processo discute em sua essência o direito de uma empresa exportadora Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 se ressarcir – por meio da restituição ou compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil – dos créditos presumidos da agroindústria, concedidos por meio do comando legal, cujos contornos atualmente estão delineados, para os contribuintes sujeitos ao regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, pelo art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. Nesse sentido cumpre colocar que existem dois pontos antagônicos de entendimentos, a saber: de um lado o panorama de uma empresa que possui incentivos e benefícios fiscais, por atender as expectativas econômicas do país no que tange às exportações, e de outro, uma regulamentação que aparentemente (no entendimento da decisão recorrida e de Instrução Normativa da Receita Federal), limitaria a utilização dos créditos presumidos em questão, à de sua utilização apenas com as contribuições para o PIS/Pasep e a COFINS devidas em cada período de apuração. 2.1.2. Evolução histórica da legislação do Crédito Presumido da Agroindústria no regime da Não Cumulatividade: A fim de orientar as razões do voto, vejo a necessidade de trazer a evolução histórica da legislação de regência, relativa ao crédito presumido em questão, abordando desde comentários acerca da intenção do legislador nela prevista, bem como a interpretação e aplicação do Direito ao longo de sua existência, até os dias atuais. Façoo de modo cronológico, conforme abaixo: • Em 29/08/2002, com o intuito de dar início à minirreforma tributária, o Executivo Federal editou a Medida Provisória nº 66, que alterou, entre outras disposições, a forma de apuração da contribuição ao PIS/PASEP, pretendendo minimizar os efeitos da incidência cumulativa da referida contribuição; • Em 1º de outubro 2002 a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 209, objetivando regulamentar a matéria. Em 24 de outubro de 2002, foi editada a Medida Provisória nº 75, complementando essas modificações MP 75/02 (que não foi aprovada pelo Congresso Nacional). • Em 21 de novembro de 2002, foi editada a IN/SRF nº 247 e, em 17 de dezembro de 2002, foi editado o Decreto nº 4.524, almejando consolidar em um único diploma legal as formas de apuração das contribuições ao PIS/PASEP e da COFINS. E, em 30 de dezembro de 2002, finalmente, a MP 66/02 foi convertida na Lei nº 10.637. Na exposição de motivos da referida Medida Provisória (que culminou na Lei 10.637/2002), verificase que a proposta dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretendeu, na forma dessa Medida Provisória era, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). O modelo então proposto pela nova sistemática traduzia a demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas. No caso específico do setor agroindustrial, constatouse uma significativa relevância na aquisição de insumos que, no modelo proposto, não resultaria em transferência de créditos, porquanto não estariam direta e “destacadamente” sujeitos à tributação – como é o caso de insumos adquiridos de pessoas físicas. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.338 9 Consequentemente, embora os produtos de origem agropecuários produzidos por pessoas físicas (ou por esses entregues para venda em cooperativas agroindustriais) não sofrerem tributação pelas contribuições ao PIS e COFINS, e, portanto, não concederem direito ao crédito aos adquirentes de tais insumos, era claro que nos custos agrícolas estavam contemplados valores provenientes da incidência das citadas contribuições, e, portanto, por respeito a sistemática de nãocumulatividade, seria desejável que se concedesse o direito ao crédito, pena de se desequilibrar a pretendida nãocumulatividade. Por tais razões que, em 30 de maio de 2003, pela Lei 10.684, o legislador corrigiu o desequilíbrio do sistema proposto optando, então, por conceder um crédito presumido, no montante correspondente a 70% (setenta por cento) das aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas, com vistas a minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos. Ao criar referido crédito presumido, o legislador incluiu os §§ 10 e 11, no artigo 3º, da Lei nº 10.637/2002, de modo a contemplar no mesmo dispositivo que já previa os demais créditos admitidos no modelo. Assim, a partir do ano de 2003 a Lei 10.637/2002 passou a vigorar com a previsão do referido crédito, que ficou consignado no art. 3º, §§ 10 e 11, assim dispondo: “§ 10. Sem prejuízo do aproveito dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...] destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2º; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.”. Pela leitura do artigo supramencionado, desponta claro que o referido crédito seria calculado sobre o valor dos bens e serviços elencados no inciso II do art. 3º da mencionada Lei, que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. Por um viés totalmente apartado da demanda, às agroindústrias, no mesmo diploma legal (Lei nº 10.637/2002 e Lei 10.833/2003), agora com o intuito de cumprir o preceito constitucional e de estimular as exportações e, a exemplo do que já era direito daqueles que estavam no regime de apuração cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o art. 5º (e art. 6º, para a COFINS), determinou a nãoincidência da contribuição para o PIS/PASEP sobre as receitas decorrentes das exportações. E assim disciplinou, em seu § 1º, inciso II que: “Art. 5º. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º. Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: [...] Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria” Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º. Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.”. Agora analisando o cenário legislativo do momento acima descrito, temse claro que o legislador ordinário instituiu, por um lado, o crédito presumido da contribuição para o PIS e COFINS em favor da agroindústria, e por outro lado, deixou expressa a possibilidade do contribuinte que realizar exportações, compensar referidos créditos com a própria contribuição ou com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. No entanto, com o advento da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (resultado de conversão da Medida Provisória n. 183), o legislador houve por bem em disciplinar inteiramente a matéria do crédito presumido, deslocando então a permissão legal do desconto do crédito presumido para o art. 8º que assim reza: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos /03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º. das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física”. Vejase que o artigo acima mencionado, ao disciplinar inteiramente a matéria do crédito presumido da agroindústria, praticamente manteve a redação contida originariamente no art. 3º, §§ 10 e 11, da Lei nº 10.637/2002 (e posteriormente da Lei nº 10.833/2003, quanto a COFINS). E aí chegamos ao cerne da questão, pois que a partir dessa nova regulamentação do crédito presumido, passou a se colocar em dúvida se o legislador, ao revogar os §§10 e 11 do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, para “alocálo” na novel legislação (art. 8º, da Lei nº 10.925/2002), teria afastado do agroindustrial a disciplina de restituição e compensação de saldos credores acumulados, enquanto exportador, prevista nos arts. 5º, da Lei 10.637/2002 e art. 6º, da Lei 10.833/2003, eis que referido dispositivo se reportava aos créditos apurados na forma do art. 3º da mesma lei, no qual aparentemente deixaria, a partir de agosto de 2004, de contemplar o crédito presumido da agroindústria. Convém expressar de antemão que, a Lei nº 10.925/2004, em momento algum, foi expressa em limitar o direito de utilização do crédito para os fins de “conta gráfica”, ou seja, apenas para compensação com débitos das próprias contribuições ao PIS e a COFINS, respectivamente. Se assim o fizesse, certamente dúvidas não haveria. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.339 11 Apenas após decorridos praticamente 02 (dois) anos desde a edição da Lei nº 10.925/2004, no qual se vivia um cenário de dúvida quanto a aplicação e extensão dos efeitos da legislação tributária (como será demonstrado oportunamente), é que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006 que, em seu artigo 8º, §3º, determinou, de forma clara que: “§ 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento”.(grifouse) A partir de então, a Secretaria da Receita Federal passou a não homologar as declarações de compensação levadas a efeito por contribuintes que acumulavam seus créditos, mesmo que em virtude de serem preponderantemente exportadores, como se nos apresenta o caso da recorrente. Para finalizar a digressão histórica, anos após, veio a ser editada a Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a qual, com redação da Lei nº 12.431/2011, permitiu a possibilidade de compensação/ressarcimento do saldo do crédito presumido apurado, fato este que será oportunamente abordado, mas que já permite concluir que atualmente não mais pairam dúvidas sobre a possibilidade de sua compensação/ressarcimento, ficando, então, dentre outras questões, a análise quanto aos pedidos de compensação/ressarcimento para períodos entre Ago/2004 e Dez/2005, como é o caso dos autos. 2.1.3 Comparação entre os Créditos Presumidos da Agroindústria submetida ao Regime Cumulativo e ao Regime NãoCumulativo: Para que se possa extrair a interpretação coerente com todo o sistema normativo que permeia a exigência das contribuições ao PIS e a COFINS, e também para delimitar as premissas do voto, tornase pertinente traçar um paralelo entre o tratamento dado ao crédito presumido, para o caso também de agroindústrias exportadoras, mas que estejam submetidas ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS. Para tanto, mister partir da apreciação do regime da Lei nº 9.363/96 (resultante da Medida Provisória n. 674/1994), sendo que, já de antemão se percebe que não foi senão esta legislação, a inspiração legislativa inicial para a concessão do crédito presumido sob análise, sempre no sentido de afastar óbices que acabem onerando o exportador, retirandolhe competitividade do produto nacional frente ao estrangeiro, para com isso auxiliar na missão governamental de angariar divisas que equilibrem nossa economia. A Lei n. 9.363, de 16 de dezembro de 1996, numa evidente intenção de desonerar, ao menos parcialmente, as exportações das contribuições de PIS e COFINS – e, com isto, reduzir o chamado “Custo Brasil” –, concedeu em seu artigo 1o, um “benefício fiscal” ao contribuinte produtorexportador de mercadorias nacionais. Reza o aludido dispositivo: “Art. 1º A empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. A legislação partiu da realidade de que no preço relativo às aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, diante da tributação cumulativa então vigente para o PIS e COFINS, trazia consigo o custo dos tributos suportados nas operações anteriores, sendo certo, portanto, que adquirenteexportador suportava tal ônus, obrigandoo a repassálo, financeiramente, no preço dos produtos exportados. Essa situação reside ainda hoje, para as empresas exportadoras que permaneçam no regime cumulativo, razão porque se lhes ainda aplicam os comandos da Lei 9.363/96. Logo, consiste o aludido preceito num “Crédito Presumido” como forma de ressarcimento das contribuições à COFINS e ao PIS, incidentes sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno, para utilização na fabricação de produtos destinados à exportação. E, digase, referido crédito foi concedido na conta gráfica do IPI, em virtude de que naquela época não existia conta gráfica de PIS e COFINS, para que se aproveitassem as normas de restituição e ressarcimento já existentes para o referido imposto. A Lei nº 9.363/1996, em sua Exposição de Motivos, deixou expressa a intenção de se incentivar as exportações, como se depreende do trecho abaixo colacionado: “[...] A desoneração do IPI sobre as exportações, assegurada por determinação constitucional, tem sido viabilizada pela própria técnica do imposto, que permite assegurar a manutenção do crédito incidente sobre as matériasprimas empregadas na fabricação do produto exportado, sem a qual o benefício da isenção na etapa final de exportação seria efetivamente menor. Por outro lado, o Governo de Vossa Excelência vem, diante da importância vital das exportações para o crescimento do emprego, da renda e da manutenção da capacidade de importar do País, criando condições e estímulos para a expansão das vendas externas, cabendo mencionar a isenção da COFINS e PIS na etapa final da exportação. Porém, tal benefício, ainda que importante para as exportações, perde muito de sua força em decorrência da própria mecânica de incidência dessas contribuições, que, ao contrário dos tributos sobre o valor adicionado, não permite que o montante despendido sobre as matériasprimas e produtos intermediários empregados na fabricação de um produto possa ser creditado contra os débitos registrados pelo faturamento desse bem. Desse modo, a contribuição vai se acumulando 'em cascata' em todas as fases do processo produtivo. Por essas razões, estou propondo o presente projeto de Medida Provisória, com o objetivo de desonerar também a etapa produtiva imediatamente anterior à exportação, da incidência daquelas contribuições, o que permitirá, no âmbito dos tributos indiretos federais, a eliminação quase total dessas incidências sobre as operações comerciais de vendas de mercadorias ao exterior. Finalmente, destaco o caráter urgente e relevante da medida, devido à necessidade de indicar aos exportadores ações objetivas que estimulem a continuidade de suas operações com o exterior".(grifei) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.340 13 Verificase claramente a origem da instituição de crédito presumido com vistas à recuperação do PIS e da COFINS, que incidiram em etapas anteriores, e que ela reconhece ter o objetivo de desonerar as exportações, justamente porque não havia a possibilidade de efetuar o crédito e mantêlo em conta gráfica das citadas contribuições. Por decorrência lógica, direta e até mesmo óbvia desse objetivo, ao ser instituído o regime nãocumulativo para as contribuições ao PIS e a COFINS, pelas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, passando então a haver permissão para a manutenção dos créditos sobre as aquisições de insumos realizados no mercado nacional, acabou perdendo o sentido preservar o direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento de tais contribuições, previsto no art. 1º, da Lei nº 9.363/96, para os contribuintes que migrassem para o regime nãocumulativo. Vejamos o tratamento: Lei nº 10.637/2002: “Art. 6º O direito ao ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep de que tratam as Leis nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei.” [Revogado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003] Lei nº 10.833/2003: “Art. 14. O disposto nas Leis nos 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2º e 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002.” Por outro lado, é importante ainda focar o tratamento que atualmente encontrase pacificado, tanto pelo Judiciário quanto por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sucedendo a jurisprudência do extinto Conselho Federal de Contribuintes, quanto ao alcance do direito ao “crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS” (art. 1º, da Lei nº 9.363/96), quando as aquisições se derem junto a pessoas físicas, especialmente focando os produtos agropecuários por elas comercializados, e que posteriormente são utilizados na industrialização de produtos nacionais exportados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N. 9.363/1996. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA HIERARQUIA NORMATIVA. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 111 DO CTN. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. 1. "Não consubstancia fundamento de natureza constitucional, a exigir a interposição de recurso extraordinário, a afirmação de que instrução normativa extrapolou os limites da lei que pretendia regulamentar. Tratase de mero juízo de legalidade, para cuja formulação é indispensável a investigação da interpretação dada pelo acórdão recorrido aos dispositivos cotejados, incidindo, portanto, a orientação expressa na Súmula 636/STF, segundo a qual 'não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio constitucional da legalidade, quando a sua verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão recorrida'" (REsp 509.963/BA, Rel. Ministro Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 Luiz Fux, Rel. p/ Acórdão Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 18/8/2005, DJ 3/10/2005 p. 122) 2. No caso, interpretarse a Lei n. 9.363/96 com a exclusão das aquisições de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas da base de cálculo do crédito presumido do IPI é fazer distinção onde a lei não a fez. Não há como, numa interpretação literal do citado art. 1º, chegarse à conclusão de que os insumos adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas não podem compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI. É certo que a interpretação literal preconizada pela lei tributária objetiva evitar interpretações ampliativas ou analógicas (v.g.: REsp 62.436/SP, Min. Francisco Peçanha Martins), mas também não pode levar a interpretações que restrinjam mais do que a lei quis. 3. Com efeito, Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não 8 podem modificar Lei a pretexto de estarem regulando o aproveitamento do crédito presumido do IPI. 4. O acórdão recorrido está em perfeita sintonia com a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, que tem entre suas atribuições constitucionais a de uniformizar a jurisprudência infraconstitucional. 5. Recurso especial não provido.” (RECURSO ESPECIAL Nº 1.109.034 PR . (2008/02789261) . REL. : MIN. BENEDITO GONÇALVES. DT. JULG. 6 DE MAIO DE 2009) “TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA – LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 – LEGALIDADE – PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 2. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 3. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 4. Inúmeros precedentes desta Corte. 5. Recurso especial provido. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.008.021 CE (2007/02733630), REL. MIN. ELIANA CALMON. DT DO JULG. 1º DE ABRIL DE 2008) “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. A forma de cálculo prevista na norma legal estabelece uma ficção legal, aplicável a todas as situações, independentemente da efetiva incidência das contribuições na aquisição das mercadorias ou nas operações anteriores. CRÉDITO PRESUMIDO.” (Câmara Superior de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.341 15 Recursos Fiscais CSRF / Segunda Turma / ACÓRDÃO CSRF/0202.270 em 24.04.2006) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma / ACÓRDÃO CSRF/0201.416 em 08.09.2003) Vêse então que o estabelecimento produtor submetido ao regime cumulativo de apuração das Contribuições ao PIS e COFINS, que adquirir produtos agropecuários no mercado interno, junto a pessoas físicas, e posteriormente os destinar ao exterior, faz jus ao crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS. E mais, para esses contribuintes a legislação é expressa em permitir que referido crédito seja utilizado não só para a compensação das próprias contribuições, mas com outros débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 4º, da Lei nº 9.363/96 c/c art. 74 da Lei nº 9.430/96. Reportando esses objetivos contidos na Lei nº 9.363/96, para as empresas exportadoras submetidas ao regime nãocumulativo das contribuições ao PIS e a COFINS, verificase que os mesmos foram igualmente preservados, eis que as Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram, inicialmente em seus artigos 3º, §§ 10 e 11, o direito ao crédito presumido das agroindústrias, e nos artigos 5º e 6º, respectivamente para PIS e COFINS, o direito de manter, compensar com tributos federais, e, se o caso, de ressarcir o citado crédito presumido. E, ao ser inteiramente regulada a matéria pela Lei nº 10.925/2004, foi igualmente preservado o direito ao crédito presumido da agroindústria, apenas sendo criados parâmetros e limites, provenientes de alteração na tributação de tais contribuições sobre insumos agrícolas. Vejamos a Exposição de Motivos da MP nº 183, de 30 de abril de 2004, posteriormente convertida na Lei nº 10.925/2004: “[...] 9. Se, do ponto de vista econômico, a substituição do crédito presumido pela redução das alíquotas dos já mencionados insumos tende a ser neutra para Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 agroindústria e cerealistas, o mesmo não ocorre com as cooperativas agropecuárias e os produtores rurais pessoas físicas. 10. No caso das cooperativas, que, pelo Projeto de Conversão aprovado e em decorrência de acordo firmado com representantes do setor (OCB), passam ao regime da nãocumulatividade das contribuições, a ausência de disposição expressa que lhes estenda a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido acarretará grave aumento da carga tributária, dado que os insumos estarão tributados. 11. Caso semelhante ocorrerá com os produtores pessoas físicas, com o agravante de sequer haver, para esses, a possibilidade de, em norma superveniente, lhes conceder o dito crédito, pelo simples fato de não serem contribuintes das mencionadas exações. 12. Em ambos os casos, o prejuízo causado repercutiria não apenas em relação ao mercado interno, pois esses estariam em desvantagem competitiva com aqueles que detêm o direito de aproveitamento do crédito presumido, mas, também no mercado internacional, pois estariam obrigados a ‘exportar’, em seus preços, o acúmulo das mencionadas contribuições. [...]” (Grifouse) Daí porque, tendo havido a redução ou isenção da tributação de grande parte dos insumos agrícolas, acabou sendo cogitado que o “benefício” do crédito presumido deveria, por decorrência lógica, ser extinto, pois que deixaria de haver a oneração de PIS e COFINS no mercado interno. No entanto, essa desoneração dos insumos agrícolas não eliminaria por completo a oneração do custo de producão agrícola, quando se tratasse de pessoas físicas (embora atenuasse esse referido efeito) que vendessem seus produtos agropecuários a agroindústrias que, posteriormente, destinassem sua produção a exportação, em razão de que tais pessoas não poderiam lançar a crédito, manter e restituir o custo do PIS e COFINS, ainda que parcialmente incluídos em seus custos de produção. Daí porque a “Exposição de Motivos” é expressa em preservar o direito ao crédito presumido nas aquisicões de pessoas físicas, eis que sua a extinção provocaria um prejuízo, o qual “(...) repercutiria não apenas em relação ao mercado interno, pois esses estariam em desvantagem competitiva com aqueles que detêm o direito de aproveitamento do crédito presumido, mas, também no mercado internacional, pois estariam obrigados a ‘exportar’, em seus preços, o acúmulo das mencionadas contribuições.” Portanto, ao invés de extinguir por completo o crédito presumido da agroindústria, inicialmente proposto pelo Governo em função da desoneração de boa parte dos insumos de produção agrícola, o legislador optou por preservar esse direito, especialmente para evitar que o Brasil “exporte tributos”. Houve por bem o legislador, no entanto, em acatar parcialmente a proposta, pelo que acabou por limitar os produtos em que referido direito seria garantido e, ainda, acabou por reduzir a alíquota de presunção do crédito, de 70% (setenta por cento) para 35% (trinta e cinto por cento), sendo esse, concluo, o “acordo político final”, que culminou na efetiva edição da Lei nº 10.925/2004 a qual, por conta dessas negociações, acabou por entender em regular inteiramente a matéria, revogando os §§10 e 11, dos arts. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deslocando por completo a disciplina do crédito presumido para o seu artigo 8º. Portanto, se compreende perfeitamente os motivos pelos quais o legislador houve por bem em revogar os citados §§10 e 11, passando a regular a matéria no art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, mas esse fator, partindo das premissas iniciais, não teve o condão de alterar o fundamento e o objetivo previsto pela Lei n. 9.363/96, para aqueles que permanecem no Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.342 17 regime cumulativo de apuração das contribuições, ou pelas Leis nºs. 10.637/2002, 10.833/2003, para aqueles que migraram para o regime não cumulativo. Esse objetivo legislativo desponta claro, qual seja: buscam as Leis a desoneração tributária das contribuições ao PIS e COFINS, para os produtos nacionais destinados ao exterior. Assim sendo, ao entender que os créditos apurados sobre as aquisições feitas a pessoas físicas, desde que vinculadas às receitas de exportação, só poderiam ser utilizados para fins de compensação com débitos das próprias contribuições sociais, tornariam inócuo o benefício pretendido pelo legislador ordinário. Interpretar o contrário, como pretende a Instrução Normativa nº 660/06 e a decisão recorrida, seria permitir que convivam no ordenamento jurídico duas situações antagônicas: agroindústrias que produzem e exportam um dado produto, terão o direito de compensar e de ressarcir o crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS e COFINS, provenientes das aquisições feitas junto a pessoas físicas, pelo fato de estarem no regime cumulativo dessas contribuições; por outro lado, agroindústrias que exportem produtos iguais, mas que estiverem no regime nãocumulativo poderão apenas compensar o crédito presumido com a própria contribuição, em regime de conta gráfica. É de se observar que, no segundo caso, exatamente por ocuparem posição de “preponderantemente exportadoras” jamais conseguirão “gastar” seus créditos diante da, praticamente, inexistência de saldo devedor dessas contribuições, redundando a concessão dos créditos em aumento real dos custos dos produtos exportados. Com efeito, tenho que a função interpretativa das Leis mencionadas (Leis ns. 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.925/2004, em um comparativo com a Lei n. 9.363/96), além de conferir a aplicabilidade de tais normas às relações sociais que lhe deram origem, é de, igualmente, temperar o alcance do preceito normativo, para fazêlo corresponder às necessidades reais e atuais, ou seja, aos seus fins sociais e aos valores que pretende garantir. É certo que se deve buscar interpretar a norma de forma a atribuirlhe algum sentido, algum efeito prático e, no caso do crédito em referência, cujo objetivo primordial (declarado na “Exposição de Motivos” da Lei que o disciplina), é a desoneração tributária das exportações, não se pode admitir a concessão de um crédito visando ressarcir o exportador pelas incidências de contribuições em etapas anteriores e, ato contínuo, impedir que esse ressarcimento se concretize. Sendo a recorrente produtora e exportadora de açúcar e alcool e seus derivados, portanto, produtos de origem vegetal, tal como mencionado na legislação de regência, goza do benefício de incentivo às exportadores, não merecendo sofrer qualquer restrição ao intuito da legislação de tal incentivo, bem como ao princípio da não cumulatividade dele proveniente, até porque o mecanismo do crédito presumido visa justamente eliminar uma distorção do sistema que permite manterse a indesejada tributação “em cascata”. Assim sendo, ao meu ver, a exposição de motivos da legislação, cujo parcial teor já foi acima colacionado, é taxativa em afastar tais hipóteses. Não é, e nem foi este o intuito da modificação dos percentuais de crédito presumido oriundo das aquisições por empresas industriais, de produtos rurais de pessoas físicas. Ao contrário, a referida modificação mostrase como um mecanismo legislativo intentado de forma a evitar repercussões econômicas de grandes proporções, tais como o embargo econômico dos países consumidores dos produtos exportados. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 18 Tais créditos, uma vez acumulados por industriais exportadores – como o caso da ora recorrente – deve ter o tratamento estipulado pelo incisos II e § 2º do art. 5º da Lei 10.637/2002 e do artigo 6º da Lei n. 10.833/2003, qual seja, poderem ser compensados com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal ou objetos de ressarcimento em dinheiro, pois representam créditos apurados sobre os insumos de que tratam os artigos 3.º, II, ambos da Lei nºs. 10.637/02 e 10.833/03 já referidos, sendo essa remissão feita pelo art. 8º, da Lei nº 10.925/04, uma clara demonstração de que está indissociavelmente ligado, no sentido de garantir o regime de apuração não cumulativa e, como tal, igualmente se deve aplicar ao crédito respectivo, os direitos previstos para as receitas de exportação. Diferentemente, no entanto, se daria se a agroindústria acumulasse créditos presumidos de aquisições de pessoas físicas, em razão de operações por ele levadas a efeito no mercado interno. Nesse caso, aí sim, não se lhe estenderia o direito ao ressarcimento e compensação, pois não lhe socorre a legislação, devendo tais créditos serem utilizados apenas para compensação com a própria contribuição, pois que não se lhe pode extender os preceitos dos arts. 5º e 6º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Face as considerações tecidas, em função da interpretação sistemática, teleológica e até mesmo histórica que se faz do crédito presumido, enquanto mecanismo que visa desonerar os produtos nacionais da incidência em cascata das contribuições ao PIS e COFINS, considero equivocada a aplicação, aos créditos acumulados em função de operações de exportação, da vedação contida na Instrução Normativa nº. 660/2006. 2.1.4. Aplicação retroativa da Instrução Normativa nº 660/06: Apesar de entender que a interpretação sistemática já seria suficiente para concluir que o direito a compensação e o ressarcimento do crédito presumido de IPI, previstos nos arts. 5º e 6º, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/04, jamais foram revogados pelo art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, entendo ainda ser pertinente avaliar se a Instrução Normativa nº 660, editada em 17 de julho de 2006, poderia ou não produzir efeitos interpretativos retroativos. E o faço por tratarse de matéria relevante e de ordem pública, relativa aplicação das leis no tempo, devendo ser abordada por este Colegiado. Como se afirmou alhures, a partir da edição do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, emergiram dúvidas quanto à preservação do direito de compensação ou de ressarcimento do crédito presumido, pelo fato de os §§10 e 11, dos arts. 3º. das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, terem sido expressamente por ela revogados. Nessa esteira de considerações, no ambiente de dúvida que para alguns contribuintes permanecia, foi formulado processo de consulta, resultando na edição da Solução de Consulta nº 59, de 27 de Abril de 2005, cuja ementa trouxe a seguinte norma: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de não cumulatívidade da Contribuição para o PIS/Pasep que produzirem mercadorias relacionadas no caput do a/t. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, na nova redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.051, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir de crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.343 19 parágrafos, calculado sobre bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § Io do mencionado artigo. Em quaisquer dessas hipóteses, somente os créditos presumidos vinculados às receitas de exportações auferidas no mesmo período de apuração podem ser utilizados na forma dos §§ Io e 2o do art. 5o da Lei n° 10.637, de 2002, para fins de compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, ou para ressarcimento em dinheiro, observadas as disposições contidas nos dispositivos legais referidos e na legislação pertinente." Assim sendo, se para alguns contribuintes havia a dúvida, essa teria sido dissipada pelo conteúdo da Consulta exarada pela Receita Federal. No entanto, é certo que referida consulta teve o condão de deflagrar, inicialmente o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/05, e após, a edição da Instrução Normativa nº 660, a qual, porém, que somente veio a lume em 17 de julho de 2006, com o seguinte conteúdo: Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. § 1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: I 0,99% (noventa e nove centésimos por cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso: a) dos insumos de origem animal classificados no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 02.03,0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 da NCM; b) das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da NCM; e c) dos insumos de origem animal classificados nos capítulos 3, 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM, exceto o código 1502.00.1; II 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. § 2º Para efeito do cálculo do crédito presumido de que trata o caput, o custo de aquisição, por espécie de bem, não poderá ser superior ao valor de mercado. § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Portanto, a Instrução Normativa nº 660/06 veio revogar o conteúdo interpretativo anteriormente exarado pela Solução de Consulta nº 59, passando a obrigar os agentes da Administração Tributária ao cumprimento de seus ditames, a ponto da decisão recorrida, ao fundamentar sua conclusão, ter sido expressa em citar a referida IN, e, ao mesmo tempo, se lhe atribuir caráter meramente interpretativo. Consequentemente, nos termos do art. 106, do CTN, deveria referida IN ser aplicada retroativamente. Vejamos a parte da decisão que assim se posiciona: “[...] Também não prospera a alegação de aplicação retroativa da IN SRF nº. 660, de 2006, uma vez que o impedimento para a compensação ou ressarcimento dos referidos créditos está implicitamente disposya na Lei, e explicitamente no acima transcrito ADI nº. 15, cujos efeitos são retroativos, fundamentado no art. 106 do CTN.” Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 20 No entanto, pela simples leitura que se faz do art. 106 do CTN, emerge claro que o que retroage é a Lei que seja expressamente interpretativa, o que, data vênia, não é o caso de ato emanado do Poder Executivo, eis que as Instruções Normativas não possuem caráter legislativo, mas sim, visam a edição de normas destinadas a fiel execução das Leis. Não é a Instrução Normativa uma Lei, em sentido formal, material ou mesmo finalístico, de modo que não se pode atribuir a uma Instrução Normativa o caráter legiferante, não lhe cabendo um predicado exclusivo das Leis. Diante disso, o que se tem é que, em junho de 2006 foi editado um ato pelo qual se deixou clara a interpretação do Poder Executivo, sobre os efeitos do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 e o direito de compensar ou ressarcir créditos presumidos pelo exportador de produtos agroindustriais. Porém, ainda que não se tivesse verificado que a interpretação sistemática, teleológica e até mesmo histórica levam a conclusão de que referido direito de compensar e ressarcir o crédito presumido da agroindústria, em favor do contribuinte exportador, não logrou ter sido revogado pelo art. 8º, da Lei nº 10.925, ainda assim teríamos um óbice intransponível, que seria o de atribuir efeitos retroativos ao art. 8º, da Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006. É o que se colhe do seguinte julgado do extinto Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “INSTRUÇÃO NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAGIR PARA RESTRINGIR DIREITO DO CONTRIBUINTE. AFRONTA AO PRINCÍPIO TRIBUTÁRIO DA IRRETROATIVIDADE. A Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, entretanto não é válido o dispositivo que determina a retroatividade de sua eficácia restritiva para período anterior à sua publicação. Recurso provido.” (Acórdão n° 20312.809. 2º Conselho de Contribuintes 3a. Câmara. Sessão de 08 de abril de 2008) Portanto, tratandose de crédito presumido relativo a período anterior a edição da Instrução Normativa nº 660/2006, ou mesmo do ADI/SRF nº 15/2005, independentemente da interpretação neles veiculada estar ou não ajustada à interpretação sistemática do ordenamento jurídico pátrio, entendo que ela não poderá colher atos anteriores a sua edição, especificamente no que diz respeito aos créditos acumulados em razão de operações de exportação. 2.1.5 Interpretação do entendimento do STJ sobre a questão: É importante deixar registrado que existe entendimento emanado do STJ sobre o tema em questão (vide Recurso Especial nº 1.240.954 – RS), o qual, se visualizado superficialmente, se posiciona em sentido oposto ao que defendo nessa exposição. Vejamos a Ementa: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.344 21 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N. 10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. No entanto, entendo que a decisão do STJ está plenamente correta no que diz respeito aos saldos credores de PIS e de COFINS que se acumularem em conta gráfica dos contribuintes submetidos ao regime não cumulativo de tais tributos, decorrentes de operações realizadas no mercado interno. Essa, aliás, é a interpretação que penso deva emanar das normas infralegais editadas pelo Poder Executivo, tanto a IN nº 660/06 quanto o Ato Declaratório Interpretativo nº 15/05, pois que atende aos critérios interpretativos pelo método histórico, teleológico e sistemático da legislação. Embora essa interpretação não esteja textual no precedente analisado e colacionado, posicionome no sentido de que o entendimento do STJ se compatibilizará com o sistema legislativo como um todo quando aplicado apenas aos contribuintes que acumularem créditos no mercado interno, excluídos de seu espectro os saldos credores acumulados em virtude de operações de exportação. Portanto, embora conhecendo o entendimento do STJ, interpretoo como não extensivo ao caso dos autos, respeitando os que interpretarem tal entendimento de modo diverso, embora sem modificação da conclusão aqui exarada, até porque a questão não encontrase sumulada, não foi julgada em sede de recurso repetitivo ou de repercussão geral. 2.1.6 Alcance do Art. 56B, da Lei nº 12.350/2010 (na redação da Lei nº 12.431/2011): Como já mencionado no corpo do voto, em 20 de dezembro de 2010 foi sancionada a Lei nº 12.350, a qual, com redação da Lei nº 12.431/2011, acabou por deixar expressa a possibilidade de compensação/ressarcimento do saldo do crédito presumido em favor das agroindústrias, ora objeto de análise. Nesse sentido, transcrevese o art. 56B, da Lei nº 12.350/10: “Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 22 Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”. Com efeito, a partir do advento do citado art. 56B, não mais pairam dúvidas sobre a possibilidade de sua compensação/ressarcimento. As dúvidas sobrevirão para autuações que tiverem sido lavradas glosando esse referido direito. Além disso, cumpre abordar a redação do art. 56A, da mesma Lei nº 12.350/2010: “Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º, da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria”. Portanto, no art. 56B houve o reconhecimento do direito a compensação, enquanto que no art. 56A, ambos da Lei em questão, há limitação temporal e formal para se pleitear os ressarcimentos e as compensações do crédito presumido quando acumulados em períodos retroativos. Consequentemente, o que aqui se deve perquirir é se, por não ter a Lei nº 12.350/2010 sido expressa em determinar os seus efeitos para períodos anteriores a Janeiro de 2006 (ou seja, períodos entre Ago/2004 e Dez/2005), o direito a compensação preexistiria a sua edição? E mais, em não preexistindo, podem ser aplicados tais efeitos retroativamente?. Em resposta ao primeiro questionamento, entendo que a referida legislação em nada inovou o ordenamento jurídico naquilo que diga respeito aos saldos credores acumulados decorrentes de operações de exportação, pois que vislumbro que o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, não teve o condão de alterar o direito de ressarcimento e de compensação para os exportadores, diferentemente dos saldos decorrentes do mercado interno, por todos os argumentos já esposados ao longo deste voto. Quanto ao efeito retroativo, igualmente entendoo plenamente aplicável no caso, e por dois fundamentos. O primeiro é porque, não tendo a novel legislação inovado o Direito Positivo, a interpretação que se extrai do ato formal de promulgação da Lei, é no sentido de que está havendo o reconhecimento expresso de um direito préexistente. É dizer: a Lei nº 12.350/10, na redação da Lei nº 12.431/11, revestese de caráter interpretativo, e, como tal, deve retroagir seus efeitos para colher não só as situações anteriores a sua vigência (Dez/2011), mas também aqueles fatos constituídos anteriormente a Janeiro de 2006. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.345 23 No que diz respeito ao efeito retroativo para o período de Ago/2004 a Dez/2005, essa conclusão é também respaldada no princípio pelo qual não se poderia instituir tratamento diferenciado entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente, de modo a vedar o direito de compensação para aqueles que pleitearem compensação com créditos apurados em Dez/05, e deferilo para aqueles que pleitearemno para créditos de Jan/2006. Assim sendo, essa limitação temporal existente no art. 56A, da Lei nº 12.350/2010, visou atingir o período decadencial do direito de crédito, de modo que não se pode negar aplicabilidade retroativa, dado seu caráter interpretativo (art. 106, do CTN). Vejamos o dispositivo legal: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Portanto, com a edição das Leis nºs 12.350/10 e 12.431/11, há o reconhecimento legislativo de que a interpretação emprestada ao direito de compensação do crédito presumido da agroindústria pela Administração Tributária estava equivocada, sendo necessária a veiculação de legislação para efetivamente atribuir efeitos interpretativos a questão, e ao mesmo tempo deixar extreme de dúvidas que o direito a efetivação dos créditos deveria ter sido sempre preservado. No entanto, a retroatividade não se sustenta somente neste fundamento. Além disso, até mesmo para os que se posicionarem no sentido de que as Lei nºs. 12.350/10 e 12.431/11 não deveriam retroagir porque não teriam sido expressas nesse sentido, ou porque estariam limitando cronologicamente o direito de pleitear as compensações, entendo que ainda assim devem tais Leis colherem os fatos pretéritos, pois que, a partir do art. 56B, das Leis citadas, deixouse de tratar o direito de compensação como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, a qual estava materializada exatamente no dever do contribuinte absterse de efetuar a compensação dos créditos acumulados. Nesse sentido, invocase novamente o art. 106, do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;” Assim, seja pelo inciso I, seja pelo inciso II, alínea “a”, do art. 106, do CTN, devem as Leis nº 12.350/10 e 12.431/11, retroagirem os seus efeitos, e, conseqüentemente, merece guarida o pleito de ressarcimento e compensação declinado pela Recorrente. 3. Dispositivo: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 24 Em resumo da fundamentação contida nos autos: Considerando que, quando os arts. 5º, da Lei nº 10.637/02 (para o PIS) e art. 6º, da Lei nº 10.833/03 (para a COFINS) concederam o crédito presumido da agroindústria, reportouse aos arts. 3º das citadas Leis, os quais, naquele momento, traziam em seu bojo os §§10 e 11 concessores do crédito presumido; Considerando que o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 não revogou expressamente o direito de compensação e de ressarcimento previsto nos arts. 5º, da Lei nº 10.637/02 (para o PIS) e 6º, da Lei nº 10.833/03 (para a COFINS) e ainda, pela sua exposição de motivos, preservou o crédito presumido com o objetivo declarado de evitar que se “exportasse” tributos; Considerando que a interpretação sistemática, teleológica e histórica do crédito presumido em questão, posicionao como mecanismo de eliminação do efeito de “exportar tributos”, e que não deve conviver no sistema um direito com esse mesmo objetivo que tenha aplicabilidade diversa em função unicamente de estar ou não o exportador sujeito ao regime cumulativo ou não cumulativo do PIS e da COFINS; Considerando, ainda, que a Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006, não tem a aptidão legislativa de retroatividade para aplicarse a fatos passados, especialmente aos saldos credores decorrentes de operações de exportação; Considerando, finalmente, que com o advento do art. 56B, da Lei nº 12.350/10 (na redação da Lei nº 12.431/11), houve reconhecimento expresso do direito, e que nos termos do art. 106, incisos I e II, “ b”, do CTN, o mesmo deve retroagir os seus efeitos para o caso em análise. Entendo que o recurso, nesse particular, merece provimento, sendo que quanto aos valores do crédito presumido, estes deverão ser averiguados pela autoridade preparadora para fins de homologação total ou parcial da compensação pleiteada. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência suscitada pela recorrente e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do contribuinte compensar ou ressarcir o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2002, acumulados em virtude e na proporção das operações de exportações que realizou no referido período de apuração. (Assinado digitalmente) Joao Carlos Cassuli Junior – Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.346 25 Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Designado. Quanto ao mérito, o cerne da questão é definir a irradiação das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade do PIS. Diante desse quadro convém identificar as respectivas mudanças e seus reflexos no caso em questão. A Lei nº 10.637/2002, assim dispõe sobre o assunto: Art. 2º Para determinação do valor do PIS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65. (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11.Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) IIo valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 26 Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 10 e 11 do art. 3º supra, foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5º darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8º e 15: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 17. Produz efeitos: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.347 27 (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1º, 3º, 7º, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9º desta Lei Observe que a Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8º e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” De outro lado, a mesma Lei nº 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP nº 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Assim, como os créditos previstos no art. 3º, §§ 10 e 11 da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, §§ 11 e 12 da Lei nº 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei nº 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3º daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória nº 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei nº 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Portanto, em que pese a reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º e não esses “novos” créditos. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º das mesmas Leis: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 28 [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.000916/200544 Acórdão n.º 3402001.587 S3C4T2 Fl. 1.348 29 Retornando aos autos, o recorrente busca compensar os créditos do PIS não cumulativo com débitos tributários da Cofins. Infelizmente, a intenção do recorrente carece de fundamento legal, como passo a demonstrar. Ao analisarmos o caput do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, notamos que este dispositivo trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, senão vejamos: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:(grifo nosso) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Voltando ao caso em questão, conforme consta nos autos, a sociedade buscou aproveitar créditos presumidos de agroindústria de PIS em operações de exportação, para fins de compensação com outros tributos. Na linha de entendimento acima fixado, a partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS devido na sistemática da nãocumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS apurado no regime de incidência nãocumulativa. Portanto, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação e subsunção para concluir que a compensação e o ressarcimento pretendidos pelo contribuinte não devem prosperar, sendo imperiosa a manutenção da decisão proferida em primeira instância. Neste sentido, nego provimento ao recurso. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 30 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
