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Numero do processo: 15504.018418/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
DA DECADÊNCIA
Prazo decadencial para que a Administração Pública constituir crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF.
No presente caso a Recorrente equivocou-se quanto ao período fiscalizado, eis que é de 01/03/2004 a 30/12/2006 e ela requer exclusão de outubro de 2003.
ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE.
O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento.
No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS
Relatório de Representantes Legais REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Súmula 88 do CARF não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
JUROS E MULTAS EFEITO CONFISCATÓRIO
Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios.
Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras.
MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO.
Não se conhece da questão sobre a retificação da multa, por ser matéria estranha ao presente processo, muito embora tratada no voto do Relator.
Numero da decisão: 2301-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados, para, no mérito, rerratificar a ementa e parte dispositiva do Acórdão: embargado, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora.
EDITADO EM: 08/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/03/2004 a 30/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. DA DECADÊNCIA Prazo decadencial para que a Administração Pública constituir crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF. No presente caso a Recorrente equivocou-se quanto ao período fiscalizado, eis que é de 01/03/2004 a 30/12/2006 e ela requer exclusão de outubro de 2003. ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE. O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento. No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS Relatório de Representantes Legais REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Súmula 88 do CARF não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. JUROS E MULTAS EFEITO CONFISCATÓRIO Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios. Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. Não se conhece da questão sobre a retificação da multa, por ser matéria estranha ao presente processo, muito embora tratada no voto do Relator.
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. DA DECADÊNCIA Prazo decadencial para que a Administração Pública constituir crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF. No presente caso a Recorrente equivocouse quanto ao período fiscalizado, eis que é de 01/03/2004 a 30/12/2006 e ela requer exclusão de outubro de 2003. ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE. O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento. No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS Relatório de Representantes Legais REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Súmula 88 do CARF não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. JUROS E MULTAS EFEITO CONFISCATÓRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 18 /2 00 8- 35 Fl. 1297DF CARF MF 2 Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios. Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. Não se conhece da questão sobre a retificação da multa, por ser matéria estranha ao presente processo, muito embora tratada no voto do Relator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados, para, no mérito, rerratificar a ementa e parte dispositiva do Acórdão: embargado, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 08/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela União (Fazenda Nacional), às efls. 1291/1293, contra o Acórdão nº 2301003.453 (efls. 1275/1284), visando sanar alegada contradição acerca da aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/1991. O acórdão embargado foi assim redigido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/03/2004, 30/12/2006 DA DECADÊNCIA Prazo decadencial para que a Administração Pública constituir crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF. No presente caso a Recorrente equivocouse quanto ao período fiscalizado, eis que é de 01/03/2004 a 30/12/2006 e ela requer exclusão de outubro de 2003. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 15504.018418/200835 Acórdão n.º 2301004.989 S2C3T1 Fl. 3 3 DA ILEGALIDADE NA COBRANÇA DA PENALIDADE Aplicação da penalidade do dispositivo legal da época da infração era determinada pelo art. 32, § 5° da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição devida e não declarada. Com advento da Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei 11.941/09, foi revogado por outro dispositivo mais benéfico. E, por ser penalidades prevalece o entendimento correspondente ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, ou seja, a retroatividade benigna. Deve, no caso em tela, ser aplicado o artigo 32A da Lei 8.212/91, por ser mais benéfico ao contribuinte. ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE. O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento. No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS Relatório de Representantes Legais REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Súmula 88 do CARF não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. JUROS E MULTAS EFEITO CONFISCATÓRIO Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios. Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes 19 Legais RepLege a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado Fl. 1299DF CARF MF 4 unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão sobre a retificação da multa; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). A embargante alega que analisando o voto do relator "este deu provimento ao Recurso Voluntário da contribuinte, para que fosse aplicado o artigo 32A da Lei n. 8.212/91, por ser mais benéfico o dispositivo. Porém, analisandose a parte dispositiva do voto e a conclusão do voto não há qualquer menção ao provimento do Recurso nesta parte." Em face do exposto, requer que sejam conhecidos e providos os Embargos de Declaração, a fim de ser sanada a contradição apontada. Os embargos foram admitidos nos termos do Despacho nº 2301251 de efl. 1296. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora. Os embargos foram opostos tempestivamente, portanto conheço e passo à sua análise. De acordo com o art. 65 Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343/2015, são cabíveis embargos de declaração, nos seguintes casos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Como explicitado no relatório, tratase de contradição entre trecho do voto do conselheiro relator e a parte dispositiva da ementa do Acórdão atacado, bem como das conclusões do voto do relator. Senão vejamos: Ementa ... Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 15504.018418/200835 Acórdão n.º 2301004.989 S2C3T1 Fl. 4 5 DA ILEGALIDADE NA COBRANÇA DA PENALIDADE Aplicação da penalidade do dispositivo legal da época da infração era determinada pelo art. 32, § 5° da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição devida e não declarada. Com advento da Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei 11.941/09, foi revogado por outro dispositivo mais benéfico. E, por ser penalidades prevalece o entendimento correspondente ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, ou seja, a retroatividade benigna. Deve, no caso em tela, ser aplicado o artigo 32A da Lei 8.212/91, por ser mais benéfico ao contribuinte. ... Parte dispositiva Acordam os membros do colegiado, (...) II) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão sobre a retificação da multa; Trecho do voto do relator (efl. 1279) DA ILEGALIDADE NA COBRANÇA DA PENALIDADE Dizem as Recorrentes que a aplicada penalidade na forma do art. 32, § 5° da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição devida e não declarada. Mas, este dispositivo foi revogado pela Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei 11.941/09, e em se tratando de penalidades prevalece o entendimento correspondente ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, ou seja, a retroatividade benigna. Desta feita, por ser mais benéfica o dispositivo que deva ser aplicado é o artigo 32A da Lei 8.212/91. Assistem razão as Recorrentes, neste tópico. (grifamos) Conclusão do voto do relator (efl. 1284) CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTOPARCIAL, aplicando a Fl. 1301DF CARF MF 6 Súmula 88 do CARF, onde a REPLEG e o CORESP têm finalidades meramente informativas e não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, e julgando improcedentes as demais questões trazidas ao presente Recurso Voluntário aviado. (grifamos) O lançamento em discussão referese às contribuições previdenciárias cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 03/2004 a 12/2006, incidentes sobre as seguintes verbas: i) PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), ii) prêmio de seguro de vida em grupo, e iii) diferença de contribuição dos segurados, descontadas a menor em face da não inclusão no salário de contribuição das rubricas 13° proporcional (competência 08/2004) e alimentação paga em espécie nas rescisões de contrato de trabalho ocorridas em 06/2006, 08/2006, 10/2006 a 12/2006. Não há qualquer lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória que ensejasse a aplicação do disposto no artigo 32, § 5º da Lei nº 8.212/1991, o que poderia ensejar o entendimento de que, em face do princípio da retroatividade benigna, viesse a ser aplicada a multa prevista no art. 32A do mesmo diploma legal, inserido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Entretanto, como a matéria foi trazido pelo recorrente, o relator enfrentoua, todavia por tratase de matéria estranha ao processo, não deve ser conhecida. Dessa forma, entendo que a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado deve ser ajustada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/03/2004 a 30/12/2006 DA DECADÊNCIA Prazo decadencial para que a Administração Pública constituir crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF. No presente caso a Recorrente equivocouse quanto ao período fiscalizado, eis que é de 01/03/2004 a 30/12/2006 e ela requer exclusão de outubro de 2003. ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE. O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento. No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS Relatório de Representantes Legais REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 15504.018418/200835 Acórdão n.º 2301004.989 S2C3T1 Fl. 5 7 respectivo período de gestão. Súmula 88 do CARF não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. JUROS E MULTAS EFEITO CONFISCATÓRIO Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios. Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes 19 Legais RepLege a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, por ser matéria estranha ao presente processo, muito embora tratada no voto do Relator. c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ante o exposto, voto por conhecer e acolher os embargos apresentados, para rerratificar o acórdão embargado É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910963/2011-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Thais de Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório (fls 7), que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 96 3/ 20 11 -9 9 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13896.910963/201199 Resolução nº 3402000.905 S3C4T2 Fl. 112 2 Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Contribuinte foi cientificado do referido Despacho em 20/12/2011, fl. 8, tendo apresentado a Contestação em 17/01/2012, fls. 02/06, contrapondose ao Despacho Decisório com base nos argumentos a seguir sintetizados. De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.114, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13896.910963/201199 Resolução nº 3402000.905 S3C4T2 Fl. 113 3 Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls 57 63) a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova É o relatório Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 25/09/2015 (sextafeira), conforme termo de abertura de documento de fls 54, apresentando Recurso Voluntário em 26/10/2015. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13896.910963/201199 Resolução nº 3402000.905 S3C4T2 Fl. 114 4 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001514/2006-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Roberto Caparroz (Relator), José Carlos e Paulo Cezar, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Fabiano.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Roberto Caparroz (Relator), José Carlos e Paulo Cezar, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Fabiano. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 51 4/ 20 06 -3 3 Fl. 747DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao ano calendário de 2003, exercício de 2004, formulado em 29/09/2006, pela empresa acima identificada (fls. 01/02). Conforme dados constantes da ficha 36 Aplicações em Incentivos Fiscais da DIPJ/2004 (fls. 17 e 252), a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido para aplicação no FINOR. A solicitação da contribuinte foi motivada porque os incentivos fiscais ora em análise não foram confirmados pela Receita Federal, segundo demonstra o extrato das aplicações em incentivos fiscais de fls. 07. Ocorre que o PERC em questão foi indeferido, consoante o despacho decisório de 25/10/2007 (fls. 631/634), nos seguintes termos: (..) DECIDO INDEFERIR o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao IRPJ/2004, formulado pela interessada, em decorrência da vedação legal estabelecida pelo art. 60, da Lei n° 9. 069, de 29 de junho de 1995. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 28/11/2007 (fls.639/642) e acompanhada dos documentos de fls. 643/655, alegando em síntese que os débitos apontados pela autoridade administrativa foram justificados pela recorrente, o que possibilitou a emissão da certidão de fls. 655, razão pela qual não haveria débitos que impedissem a concessão do benefício fiscal. Em sessão de 13 de julho de 2009 a 10a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e indeferiu o pedido. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos originais, no sentido de que não haveria óbice ao reconhecimento do benefício. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16327.001514/200633 Resolução nº 1201000.242 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A matéria em discussão originase do indeferimento do PERC da Recorrente, com base no artigo 60 da Lei n. 9.065/95, pois a delegacia de origem, por meio do Despacho Decisório de fls. 635 e seguintes, constatou a presença de débitos em cobrança e inscritos em dívida ativa: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. O citado Despacho Decisório consignou que: Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/ PGFN, INSS, CEF/FGTS. A aludida consulta indica que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 263 a 629 deste processo, indicando que constam débitos da interessada inscritos em Dívida Ativa da União, em cobrança, débitos em cobrança no SIEF e no PROFISC, fatos estes que a estão impedindo de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo transcrita: (...) (grifamos) Essa circunstância foi também apontada pela decisão de piso (fls. 665): Tendo em vista que a verificação da regularidade fiscal da contribuinte possui uma natureza essencialmente dinâmica, o despacho decisório realizou uma análise atualizada da situação da contribuinte e concluiu que, em 25/10/2007, data de expedição do despacho decisório (fls. 634), a contribuinte se encontrava em situação irregular. A Recorrente, por seu turno, alega que a sua situação oscila entre regular e irregular, por força de problemas na comprovação dos pagamentos, mas que não há qualquer obstáculo para a concessão integral do benefício. Em sentido diverso, entendeu a Delegacia de Julgamento que a Recorrente não atendeu nem comprovou as pendências apontadas pelo Despacho Decisório, limitandose a argumentos de ordem teórica, conforme excerto a seguir transcrito: A contribuinte alega que estaria regular no momento de análise do pedido e, para comprovar tal alegação, trouxe aos autos as certidões de fls.655. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16327.001514/200633 Resolução nº 1201000.242 S1C2T1 Fl. 5 4 Cabe ressaltar que tal certidão foi emitida em conformidade com a Instrução Normativa RFB n° 734, de 2 de maio de 2007, cujo art. 10 disciplina que: Art. 10. Na hipótese de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, no âmbito da RFB, é vedada a exigência da certidão conjunta de que trata o art. 11 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 3, de 2007, cabendo a verificação de regularidade fiscal do sujeito passivo à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. O caso em tela trata especificamente da concessão de incentivos fiscais e, por força do dispositivo legal acima transcrito, é vedada a exigência, no âmbito da própria Receita Federal do Brasil, da certidão conjunta emitida pela Receita Federal do Brasil e ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional com informações da situação do sujeito passivo quanto aos tributos administrados pela RFB e à Dívida Ativa da União. A norma ainda estabelece que a verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo compete à unidade da RFB encarregada da análise do pedido, conforme foi efetuado no presente processo pela DEINF/SP, por intermédio do despacho decisório de fls.63 1/634. Cabe reiterar que o ônus de comprovação da regularidade fiscal cabe à contribuinte, conforme a previsão legal do art. 60, da Lei n° 9.069/95, acima reproduzido. Sendo assim, uma vez que a manifestante não prestou qualquer esclarecimento em relação às pendências apontadas pelo relatório de fls. 263/629, resta, portanto, insubsistente a alegação de regularidade fiscal. (grifamos) Entendo que a decisão de piso não merece reparos, pois não procede o argumento de que a oscilação na regularidade fiscal da empresa decorre de ato cujo momento tenha sido "escolhido" pelas autoridades fiscais. Notase que nem ao tempo do Despacho Decisório, de 25 de outubro de 2007, e tampouco quando da decisão de primeira instância a situação da interessada constava como regular, pois nos dois momentos constatouse obstáculos à sua pretensão. Aliás, o Despacho Decisório aponta a existência de débitos em fase de cobrança desde o tempo do pedido, pois a comunicação do indeferimento data de junho de 2006 (fls. 9 e ss.). Nesse contexto deve ser aplicada a inteligência da Súmula CARF n. 37: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16327.001514/200633 Resolução nº 1201000.242 S1C2T1 Fl. 6 5 Entretanto, podemos concluir que a Recorrente não logrou êxito em comprovar a situação de regularidade fiscal exigida em lei ao longo do presente processo administrativo. À luz de tal constatação, penso que não merecem guarida as alegações da Recorrente, sendo de rigor confirmar o indeferimento do PERC. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Voto Vencedor Não obstante o brilhantismo do voto do Conselheiro Relator, ouso discordar e passo a demonstrar meus motivos. Com a edição da Súmula Vinculante CARF nº 37 (cf. Portaria MF nº 383, de 14/07/2010), fora definido o momento em que deve ser analisada a regularidade fiscal de uma empresa que opta por utilizarse do benefício fiscal referente a fundos de investimento incentivados. Conforme mencionada Súmula, o momento da análise da regularidade fiscal quanto ao PERC restringese ao período da entrega da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica em que se fez a opção, permitindo, por outro lado, a apresentação de prova da quitação em qualquer outro momento processual, in verbis: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Minha leitura da Súmula acima vai no sentido de que este Conselho sedimentou posição de que a prova da regularidade fiscal pode ser juntada até o encerramento do procedimento fiscal, estendendo assim seu prazo de comprovação. A empresa Recorrente apresentou nos autos Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa emitida pela Receita Federal do Brasil em 17/09/2003 (válida até 17/03/2004), bem como, emitida em 08/04/2004 (válida até 08/10/2004) e por fim tela que demonstra que a DIPJ do anocalendário 2003 fora enviada em 29/06/2004. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 16327.001514/200633 Resolução nº 1201000.242 S1C2T1 Fl. 7 6 Além disso, a Recorrente apresentou também Certidão emitida em 07/08/2007 (válida até 03/02/2008) para fins de demonstrar sua regularidade fiscal por ocasião do Despacho Decisório emitido em 25/10/2007 e certidão emitida em 10/07/2009 (válida até 06/01/2010) para fins de demonstrar regularidade fiscal por ocasião d decisão da DRJ que é de 13/07/2009. De fato, em análise da documentação acostada, pareceme que havia regularidade fiscal da Recorrente por ocasião de diversas fases do processo e, especialmente, no períodobase a que se refere o incentivo (anobase de 2003). Assim, há forte evidência de que a Recorrente cumpriu o disposto na Súmula CARF n. 37. Diante da documentação acostada, entendo prudente que os presentes autos sejam remetidos à Delegacia de origem para que seja confirmado, se for o caso, se o contribuinte gozava de regularidade fiscal no períodobase da opção pelo incentivo fiscal (2003). Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para DETERMINAR A CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem confirme a regularidade fiscal da contribuinte em relação ao períodobase de 2003, bem como, em relação aos demais períodos a que se referem as certidões emitidas. Após intimese a Recorrente para que se manifeste no prazo de 30(trinta) dias e retornem os autos para julgamento. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Fl. 752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001012/2007-42
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outro
Exercícios: 2003 e 2004
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso voluntário contra decisão de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo de trinta dias da ciência da referida decisão.
Numero da decisão: 1803-000.687
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outro Exercícios: 2003 e 2004 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário contra decisão de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo de trinta dias da ciência da referida decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 42/56, por meio dos quais se exige, da interessada, o recolhimento das importâncias de RS 213.535,87 e de RS 88.938,49, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, respectivamente, acrescidas de multa de oficio de 75% e de juros de mora, correspondente a fatos geradores ocorridos em trimestres dos anoscalendários de 2002 e 2003. Como consta no Termo de Verificação Fiscal, a Interessada teve o seu lucro apurado segundo as regras do lucro arbitrado, correspondente aos citados trimestres dos anoscalendários de 2002 e 2003, nos termos do que dispõe o art.530, inciso II do RIR/99, indicado no auto de infração: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 8.981, de 1995, art.47 e Lei n 9.430, de 1996, art.1º): (...) III — o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527.” De se reproduzir excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 58/63): “(...) A contribuinte optou por enquadrarse no SIMPLES, na condição de Micro Empresa — ME, cabendo salientar que nos anoscalendário de 2002 e 2003 declarou a inatividade da empresa conforme as Declarações Anuais Simplificadas de p.025/029. No curso da ação fiscal, com apoio nas informações prestadas pelos fabricantes de veículo automotor, (fls.030/034), uma vez que a contribuinte, quando intimada, não logrou apresentar livros contábeis/fiscais e Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11516.001012/200742 Acórdão n.º 1803000.687 S1TE03 Fl. 2 3 documentos dos atos da atividade econômica, verificamos que a contribuinte realizou atos de negócios, compra de veiculo automotor, sem o devido registro em livro de escrituração obrigatória e sem a devida declaração dos atos de negócios decorrentes, ou seja, aluguel e revenda de veículo automotor. As compras em referência totalizaram, no anocalendário de 2002 o valor de R$ 561.275,10 (...) e no anocalendário de 2003 o valor de R$ 1.909.239,69 (.), representando, respectivamente, as aquisições de 32 (trinta e dois) e 109 (cento e nove) veículos automotores novos. Fatos evidenciados que não foram escriturados e declarados. Nesse cenário, não cumpriu com suas obrigações tributárias, principal e acessória, porque não submeteu o resultado da atividade à tributação e não manteve e não apresentou, quando intimada, o Livro Caixa e documentos de lastro conforme declinado anteriormente, com infração ao artigo 190, parágrafo único, incisos I e III do RIR/99. Destarte, restou configurado o desatendimento de pressupostos inerentes á tributação pela sistemática do SIMPLES. Não mais autorizado a optar por esta sistemática simplificada da apuração dos impostos e contribuições federais, submetese às regras das empresas em geral, e por exclusão, ao regime do Lucro Arbitrado, considerando a inexistência de opção pelo lucro presumido e de assentos que possibilitem à determinação dos resultados na forma das regras do Lucro Real, fundamentalmente porque não possui escrita comercial/contábil e fiscal. (...) ARBITRAMENTO — RECEITA BRUTA DESCONHECIDA Conforme as circunstâncias fáticas expendidas no item "1", ficou demonstrado de forma cabal que não foram adotadas as devidas providências para apresentar os livros de escrituração obrigatória e respectivos documentos de lastro, apesar do tempo disponível para tal,infringindo os dispositivos legais ali mencionados. Nesse contexto, com fulcro na Lei nº 8.981/95 em seu artigo 47, inciso III, impõese aplicação do regime de tributação com base no lucro arbitrado que será determinado através do lançamento de oficio, mediante a utilização de quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas no trimestre, conforme os valores destacados,mensalmente, no quadro supracitado, em face de não se conhecer a receita Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 4 bruta, atendendo o que disciplina o art.51 da Lei n° 8.981/95, e art.43, g da IN SRF 93/97.” Na impugnação apresentada, acostada às fls.69 a 74 dos autos, a autuada alega, resumidamente, que: os Autos de Infração devem ser considerados insubsistentes, haja vista que os documentos constantes às fls. 18 a 22 e às fls. 30 a 34 do presente processo estão desacompanhados de documentação hábil, fornecida pelas empresas informantes, para demonstrar o teor das transações comercias envolvendo a venda de veículos; tendo em vista que o presente processo administrativo fiscal está destituído de toda a documentação demonstrativa das supostas operações de compra e venda de yeículos havidas entre as empresas vendedoras e o contribuinte, não há uma certeza documental capaz de aferir os valores reais e o número de transações havidas entre os Contratantes; assim, os documentos de fls.18 a 22 e às fls.30 a 34, isolados não podem embasar a constituição do crédito tributário; pela carência da documentação acima referida, até mesmo para apresentar uma defesa administrativa consistente, o contribuinte está limitado pela falta de documentação segura a embasar o crédito tributário em questão; por esta razão, violado está o art.5°, LV, do Diploma Constitucional, diante da manifesta nulidade do processo administrativo, ao passo que, sem documentação hábil a demonstrar a realidade dos fatos, não há possibilidade do pleno exercício do contraditório e da ampla defesa; insta afirmar, mais, que a falta de documentação demonstrativa do fato gerador do Crédito tributário viola os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, além de haver expressa violação ao principio administrativo da publicidade e da legalidade, o que toma nulos os autos de infração; na apuração da infração verificase que não houve o correto processamento pela autoridade fiscal, diante da falta de embasamento documental a justificar as informações lançadas às fls.41 a 56 dos autos; a inconsistência de documentação nos autos do processo administrativo 'fiscal macula a própria constituição do crédito tributário; estando a instrução probatória do presente processo administrativo incompleta e inconsistente, há manifesta violação do art.9° do Decreto 70.235/72; por fim, "...para todos os efeitos legais quer na ORDEM ADMINISTRATIVA OU JUDICIAL, a nulidade do auto de infração, pelo que requer que seja julgado o auto INSUBSISTENTE, ou alternativamente, sejam apresentada a estes autos toda documentação expedida pelas empresas vendedoras dos veículos descritas às fls.18 a 22 e, às fls.30 à 34, assim como, seja concedido um novo prazo para a complementação do presente recurso”. A 3ª TURMA – DRJ EM FLORIANÓPOLIS – SC, ao julgar a impugnação formulada, manteve integralmente o lançamento debatido, ementando sua decisão nos seguintes termos: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11516.001012/200742 Acórdão n.º 1803000.687 S1TE03 Fl. 3 5 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 Preliminar. Nulidade do Auto de Infração. A alegação de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, não merece acolhimento, quando estão minuciosamente relacionados todos os fatos e dispositivos legais que o ensejaram, possibilitando à recorrente o pleno exercício do seu direito de defesa, nos termos do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 Lucro Arbitrado. Receita Bruta Não Conhecida. Valor das Compras como base de cálculo. A falta de escrituração contábil ou de manutenção do livrocaixa, por parte de pessoa jurídica tributada sob as regras do Simples, constitui hipótese de arbitramento de lucros, o qual poderá tomar por base o valor das compras comprovadamente realizadas no período, caso a receita bruta não seja conhecida. CSLL. Lançamento Decorrente da Fiscalização do 1RPJ. Efeitos. Mantida a matéria tributável apurada no lançamento do IRPJ, sendo a mesma que deu causa ao lançamento da contribuição social, permanece inalterado o lançamento desta contribuição, face à íntima relação de causa e efeito entre os lançamentos de IRPJ (principal) e os ditos decorrentes.” Cientificado da decisão em 25/09/2007, interpôs o contribuinte, em 09/11/2007, recurso a este conselho, aduzindo razões símiles às aventadas na instância precedente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 6 Conforme se depreende do Aviso de Recebimento juntado à fl. 86, fora o contribuinte cientificado do acórdão ad quo, proferido pela 3ª TURMA – DRJ EM FLORIANÓPOLIS – SC, em 25/09/2007. A partir desta data, correu para ele interregno fatal de 30 (trinta) dias, dentro do qual poderia ter apresentado o presente Recurso Voluntário. Neste sentido, assim estatui o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” No entanto, consoante se conclui da peça de fls. 87 e ss., o remédio recursal em apreço só fora juntado em 09/11/2007 – 45 (quarenta e cinco) dias depois da intimação da decisão de primeira instância. Isto posto, NÃO CONHEÇO do recurso, por intempestivo. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2010 (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13884.003191/2001-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para declarar a homologação tácita dos pedidos de compensação. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer, Paulo Duarte Moreira e Winderley Morais Pereira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Jose Luiz Feistauer. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Advogado Carlos Eduardo Marino Orsolon, OAB nº 222.242/SP.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA e TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para declarar a homologação tácita dos pedidos de compensação. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer, Paulo Duarte Moreira e Winderley Morais Pereira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Jose Luiz Feistauer. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Advogado Carlos Eduardo Marino Orsolon, OAB nº 222.242/SP. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA e TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO.
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Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2001. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. Sendo os débitos de Cofins do período de apuração de 01/02/2000 a 31/03/2001 e a intimação Sacat recebida em 05/12/2006, mais de cinco anos se passaram a partir de 31/03/2006 e diante disto o contribuinte solicitou corretamente a homologação tácita. Foi fixado no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4°, que o prazo é de 5 anos da ocorrência do fato gerador para que a administração tributária proceda a fiscalização. Transcorrido esse prazo, o lançamento é homologado, assim como fica extinto o direito do fisco. Situação que se aplica a todas as formas extintivas de débitos tributários, inclusive a compensação tributária (de acordo com o disposto no art. 156 do Código Tributário Nacional). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2001. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO, O CRÉDITO E O DIREITO DE COMPENSAR. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência os documentos que comprovam o direito creditório e o direito de compensar reconhecidos judicialmente em decisão transitada em julgado, é correta a homologação do pedido de compensação apresentado. Entendimento amparado no Direito Tributário, na legislação e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 31 91 /2 00 1- 02 Fl. 611DF CARF MF 2 em jurisprudência interna: Art. 112, 150, §4.º, 170, 170A do CTN, Art. 66 da Lei 8.383/1991 e Acórdão 9303003.456 CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para declarar a homologação tácita dos pedidos de compensação. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer, Paulo Duarte Moreira e Winderley Morais Pereira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Jose Luiz Feistauer. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Advogado Carlos Eduardo Marino Orsolon, OAB nº 222.242/SP. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA– PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA e TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 338 em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 327 que indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte de fls. 203, considerando indevidas as compensações efetivadas com relação a Cofins relativa aos períodos de fevereiro de 2000 a março de 2001, em virtude de crédito de Finsocial pago a maior. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância: "Os presentes autos decorrem da Representação SASIT nº 032/2001, presente à fl. 01, que visava a abertura de processo administrativo para controle de crédito tributário sub judice. Tal crédito tributário corresponde aos débitos compensados pela contribuinte pelo aproveitamento de indébito relativo ao Finsocial, discutido no âmbito das ações judiciais nº 91.04031334 (Ação Cautelar Inominada com Pedido de Liminar, fls. 18/29) e nº 92.04001623 (Ação Ordinária com Pedido de Repetição de Indébito). Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13884.003191/200102 Acórdão n.º 3201002.435 S3C2T1 Fl. 612 3 Pela propositura das medidas judiciais objetivou a contribuinte ver reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária que a obrigasse ao recolhimento do Finsocial, instituído pelo DecretoLei nº 1.490, de 1982, mantido pelo artigo 9º da Lei nº 7.689, de 1988, e majorado por legislação posterior. Requereu ainda a restituição das quantias que entendeu indevidamente pagas. Deferida a liminar (fl. 30), o pedido foi julgado improcedente na sentença de mérito (fls. 48 a 53). Examinando o recurso interposto pela autora, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) deu provimento parcial à apelação entendendo procedente o pedido apenas no que diz respeito à inconstitucionalidade das majorações da alíquota do tributo, mantendo a incidência do percentual de 0,5% a partir de janeiro de 1989 até a vigência da Lei Complementar nº 70, de 1991, quando passou a ser cobrada a Cofins. O TRF ainda autorizou a correção monetária do valor a ser restituído, acrescido de juros de 1% a partir do trânsito em julgado da decisão. Em recurso especial, a autora pleiteou a consideração dos expurgos inflacionários no cálculo da correção do valor a ser restituído, no que foi favorecida por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Conforme consulta de fl. 174, referida ação transitou em julgado em 14/04/1999. Transitada em julgado a ação de conhecimento, a interessada deu início à fase executória nos próprios autos, conforme fls. 107 a 109, interpondo peça pela qual solicitou fosse deferido o direito de compensar o crédito de Finsocial reconhecido judicialmente com débitos vincendos de Cofins e com débitos do próprio Finsocial relativos aos meses de novembro e dezembro de 1991. Com relação aos demais consectários da condenação, isto é, os honorários advocatícios e as custas judiciais, pretende sua recepção mediante ofício precatório. Apresentou ainda memória de cálculo demonstrando o montante correspondente ao crédito. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos à Execução (fls. 114/121), alegando a inadequação da via executiva para obtenção do direito à compensação, o que desvirtuaria a natureza do título executivo. Também alegou a ilegitimidade ativa da exeqüente para executar a sentença na parte referente aos honorários advocatícios, bem como o excesso de execução por desatendimento do título executivo quanto ao termo inicial e quanto à taxa de juros incidentes. Diz ainda o representante da PFN que execuções como a objetada não dispensam a prévia liquidação por artigos. A interessada ofereceu impugnação aos embargos de execução (fls. 122 a 132). À fl. 91 consta planilha apresentada pela contribuinte, atendendo a intimação do Sasit da unidade local (fls. 88), onde estão indicadas as compensações efetuadas pela empresa com o crédito de Finsocial disputado judicialmente, indicando que a interessada procedeu ao aproveitamento do direito creditório com a Cofins apurada nos meses de fevereiro de 2000 a março de 2001. Fl. 613DF CARF MF 4 Nos procedimentos de acompanhamento da citada medida judicial, a unidade jurisdicionante, em 06/10/2006 (fls. 176/177), após pesquisa no sítio do TRF3, verificou que a questão do pleito de compensação na via de execução judicial da ação de conhecimento ainda não fora apreciada. Constatou ainda que a interessada indicou em suas DCTFs as compensações de Finsocial com Cofins nos períodos de apuração de fevereiro de 2000 a março de 2001. Em razão disso, entendeu pela impossibilidade da efetivação da compensação pretendida, propondo fossem inaugurados os procedimentos de cobrança administrativa dos débitos compensados com escora na ação judicial analisada. Na seqüência, foi lavrado o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 179/183, mediante o qual a autoridade responsável posicionasse a respeito da imediata exigência dos valores compensados conforme demonstrativo de fl. 91, também indicados em DCTF. Cientificada do teor do referido Termo de Verificação Fiscal em 06/12/2006, em 04/01/2007 a interessada protocolou a peça de fls. 193 a 208, à qual nomeou de Manifestação de Inconformidade e pela qual contesta a cobrança do crédito exigida pela intimação Sacat nº 786/2006 (fl 190). Depois de historiar o andamento da Ação Cautelar e Ação Ordinária Principal já referidas neste relatório, argumenta a contribuinte que: 1.[...]com a decisão favorável obtida na Ação Ordinária [...], a Manifestante houve por bem utilizar o referido crédito para compensação com débitos vincendos de Cofins relativos ao período de fevereiro/2000 a março/2001; 2.por se tratar de contribuições da mesma espécie, a formalização de tais compensações foi feita unicamente mediante a sua informação nas Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais ("DCTFs") do período, conforme determinava a legislação vigente à época; 3. é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade contra a cobrança da contribuição exigida na intimação SACAT nº 786/2006, a teor do que estabelece o art. 74, §9º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, eis que, ao final, a referida intimação nada mais fez – embora de maneira disfarçada – do que não homologar as compensações realizadas pela Manifestante entre fevereiro/2000 e março/2001 [...]; 4.operouse a decadência do tributo exigido na intimação Sacat nº 786/2006, tendo por premissa que, sendo a Cofins, contribuição sujeita ao lançamento por homologação, já teria transcorrido, em 29/11/2006, o prazo de cinco anos previsto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional em relação a todos os períodos cujas compensações foram consideradas nãohomologadas pelas autoridades fiscais (fevereiro de 2000 a março de 2001); 5.não é cabível buscar na Lei nº 8.212, de 1991, o prazo decadencial para o lançamento da Cofins devendo prevalecer o Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13884.003191/200102 Acórdão n.º 3201002.435 S3C2T1 Fl. 613 5 disposto no CTN por lhe ser hierarquicamente superior; cita jurisprudência em apoio à tese; 6.a legislação vigente à época das compensações considerava o Finsocial e a Cofins como exações da mesma espécie e portanto, a compensação recíproca estava legalmente autorizada pelo disposto no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, independente de requerimento prévio à autoridade administrativa; 7.não há, ao contrário do entendido pela autoridade local, pedido de compensação formulado em juízo pela manifestante e ainda pendente de exame pelo Poder Judiciário; como reconheceu a unidade local, as compensações foram realizadas somente após o trânsito em julgado da ação, não havendo pendência de litígio quanto ao direito de crédito em si, remanescendo a discussão apenas quanto aos índices de correção aplicáveis; 8.as compensações realizadas pela Manifestante foram feitas utilizandose apenas o valor incontroverso definido na fase de conhecimento da ação judicial, sendo certo que, pretendendo compensar o crédito reconhecido judicialmente, necessariamente estava compelida a informar tal pretensão em juízo, sob pena de omitir informações à autoridade judicial; foi exatamente essa a atitude da Manifestante, que já em sede de execução do julgado, abriu mão do seu direito ao recebimento do crédito reconhecido na fase de conhecimento para utilizálo na via da compensação administrativa; tal fato contudo, não altera [...] a sistemática da realização da compensação, que continua sendo feita administrativamente, sujeitandose a posterior homologação pelas autoridades fiscais. Diante dessas alegações, a interessada solicita o cancelamento da cobrança constante da intimação SACAT nº 786/2006 e o reconhecimento da extinção dos créditos tributários da Cofins, relativos ao período de fevereiro de 2000 a março de 2001. Em despacho de fl. 279/283, a SACAT do órgão local argúi que a peça recursal apresentada pela contribuinte não tem natureza de manifestação de inconformidade já que não desafia exigência de crédito tributário constituído de ofício nem decisão que indefere pedido de restituição, ressarcimento ou compensação. O recurso apresentado, continua o despacho, encontra fundamento jurídico no art. 56 da Lei nº 9.784/99. Refere o posicionamento da autoridade regional que o art. 59 da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece como sendo de dez dias o prazo para interposição dessa espécie de recurso administrativo, concluindo pela sua intempestividade, apresentado que foi em 04/01/2007 (fl. 193) contra decisão da qual ficou ciente em 06/12/2006 (fl. 192). Assim, não se conheceu da peça em tela, sendo reiterada a cobrança (fl. 284) nos termos da intimação SACAT nº 786/2006. Em 07/02/2007 o titular da Delegacia local foi notificado da decisão proferida nos autos da ação de Mandado de Segurança nº 2007.61.03.0006796, que concedeu, conforme fls. 297/298, medida liminar para que a Impetrante possa protocolar e ver Fl. 615DF CARF MF 6 processar até final julgamento de mérito, pelo Impetrado, sua manifestação de inconformidade [...] processandose a aludida manifestação, nos efeitos devolutivo e suspensivo, especialmente dos créditos tributários ali envolvidos e demais providências administrativas decorrentes da suspensão da exigibilidade do crédito tributário impugnado. Em cumprimento à medida liminar, os autos foram remetidos a esta Delegacia de Julgamento.” A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0519.882, de 29/10/2007, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2001 FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. Para que possa efetivar compensação na esfera administrativa, incumbe ao contribuinte comprovar a desistência da execução judicial e a assunção das custas do processo. Solicitação Indeferida.” Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivamente, no qual, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. O recurso voluntário foi apreciado por este colegiado, em 21/05/2009, quando a composição da época houve por bem converter o julgamento em diligência para que a Recorrente apresentasse os seguintes esclarecimentos/documentos: “Se houve pronunciamento judicial no processo de execução a respeito do pedido de compensação feito pela Contribuinte na inicial e repetido na Impugnação aos Embargos. E em existindo, que seja juntada aos autos a respectiva decisão; Apresentação de documento comprobatório demonstrando o cálculo do valor estabelecido como devido à Contribuinte, a titulo de crédito de Finsocial reconhecido na ação ordinária supracitada (que segundo a Contribuinte é o valor incontroverso de R$ 6.624.393,68), de forma a elucidar se tal montante é comprovadamente incontroverso ou não.” Em 07/02/2010, a Recorrente apresentou resposta à INTIMAÇÃO DRF/MNS/SECAT/EQCAJ N°14/2010, com os esclarecimentos/documentos solicitados na Resolução nº 320100036, razão pela qual o processo foi devolvido ao CARF para a conclusão do julgamento do recurso voluntário. Em nova diligência de fls. 422 este Conselho solicitou que fosse juntado aos autos o Ofício n.º 2163/2012 – PRFN da 3.ª Região e consequente intimação do contribuinte para sua manifestação, conforme segue: Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13884.003191/200102 Acórdão n.º 3201002.435 S3C2T1 Fl. 614 7 “Feito isso, o processo deverá ser expedido para a DRF de origem para que a Recorrente seja intimada do inteiro teor do ofício e se manifeste, caso entenda pertinente, no prazo de 30 (trinta) dias a contar do recebimento da intimação. Adotados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro para retomar o julgamento.” Conforme o despacho de fls. 450 dos autos o mencionado Ofício trata de comunicado de decisão judicial da Procuradora da Fazenda Nacional para o Delegado da Receita Federal. O ofício foi juntado em fls. 433 assim como em fls. 436 foram juntadas decisões e peças judiciais e os autos retornaram para julgamento sem que o contribuinte fosse intimado para sua manifestação. Assim, em fls. 453 este Conselho converteu novamente em diligência os autos para que o contribuinte fosse cientificado da juntada do ofício e apresentasse suas considerações. A diligência foi cumprida e o contribuinte juntou sua manifestação em fls. 598, assim como juntou "juízo de retratação" do TRF 3.ª Região, que autoriza a compensação, conforme fls. 667. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando que os requisitos de admissibilidade já foram analisados na sessão da Turma a quo, o Recurso Voluntário deve ser conhecido. De início é importante estabelecer que a lide administrativa que se apresenta neste procedimento é limitada. De forma resumida e objetiva, verificase que o contribuinte ingressou no poder judiciário para obter o reconhecimento de crédito sobre o Finsocial pago a maior, prática muito comum diante da inconstitucionalidade da majoração desta contribuição acima da alíquota de 0,5%. O contribuinte obteve o direito à restituição do Finsocial pago a maior de 0,5%, assim como obteve o direito à compensar tais valores conforme "juízo de retratação" do TRF 3.ª Região, que autoriza a compensação, conforme fls. 667. Fl. 617DF CARF MF 8 Ao obter o direito ao crédito de Finsocial e após o trânsito em julgado da decisão que reconheceu seu direito, o contribuinte compensou somente os créditos incontroversos (sem juros e correção monetária) com Cofins de 01/02/2000 a 31/03/2001, na modalidade direta sem requerimento prévio, "automática", por compensação direta na DCTF conforme previsto no Art. 66 da Lei 8.383/91. Acionada a partir da compensação, a DRF/SP proferiu a Intimação Sacat 786/2006, de fls. 200, em 05/12/2006, para cobrar os débitos de Cofins unicamente em razão de não existir pronunciamento judicial a respeito da possibilidade da compensação, conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal de fls. 189. Sendo os débitos de Cofins do período de apuração de 01/02/2000 a 31/03/2001 e a intimação Sacat recebida em 05/12/2006, mais de cinco anos se passaram a partir de 31/03/2006 e diante disto o contribuinte solicitou a homologação tácita e a decadência do direito de cobrar os débitos de Cofins por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação e a conseqüente aplicação do §4.º, Art. 150 do CTN (termo inicial do fato gerador). Tratandose de matéria de ordem pública, a DRJ/SP de fls. 327 apresentou o entendimento de que a DCTF é confissão de dívida e não seria necessário um auto de infração para a cobrança dos débitos, porque já inscritos em dívida ativa, líquidos e certos. Assim, se tornaria irrelevante a data da cobrança. Mas realmente, conforme alega o contribuinte em seu Recurso Voluntário de fls. 338, a DRJ/SP parece ter se equivocado com relação ao instituto da decadência, uma vez que este foi alegado em razão da ocorrência da homologação tácita. É importante reconhecer que a homologação tácita do contribuinte em casos semelhantes, encontra respaldo tanto na legislação, quanto no Direito Tributário e na jurisprudência desta casa. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, a compensação é expressamente autorizada conforme Art. 170, 170A do CTN e Art. 66 da Lei 8.383/1991. O recente Acórdão 9303003.456 proferido neste conselho na CSRF, traçou o vínculo do Art. 150, §4.º, do CTN, com o direito do fisco não homologar a compensação, conforme trecho transcrito a seguir, relatado pelo nobre Conselheiro Valcir Gassen: "Na relação entre o fisco e o contribuinte, cabe à administração tributária, no exercício de sua atividade fiscalizadora, acompanhar as atividades dos contribuintes, e, em especial, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. É próprio desta espécie de lançamento o acompanhamento minudente por parte do fisco e, neste caso, foi fixado no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4°, que o prazo é de 5 anos da ocorrência do fato gerador para que a administração tributária proceda a fiscalização. Transcorrido esse lapso temporal, sem que ela tenha se pronunciado, considerase que o lançamento foi homologado e extinto o direito do fisco. E isto aplicase a todas as formas extintivas de débitos tributários, inclusive, portanto, à compensação tributária (de acordo com o disposto no art. 156 do Código Tributário Nacional)." Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13884.003191/200102 Acórdão n.º 3201002.435 S3C2T1 Fl. 615 9 Sendo os débitos de Cofins do período de apuração de 01/02/2000 a 31/03/2001 e a intimação Sacat recebida em 05/12/2006, mais de cinco anos se passaram a partir de 31/03/2006 e diante disto o contribuinte solicitou corretamente a homologação tácita. Diante do exposto, não há como cobrar/desconstituir compensação homologada tacitamente e, sendo este o caso dos autos, a lide está solucionada a favor do contribuinte que compensou com créditos comprovadamente incontroversos (vide resposta do contribuinte à primeira diligência deste Conselho conforme fls. 396, 401 e Doc. 01 a 06) os débitos de Cofins. Não sendo necessário fazer mais considerações para solucionar a lide, é pelo menos oportuno considerar que o "juízo de retratação" do TRF 3.ª Região, que autoriza a compensação, conforme fls. 667, também é suficiente para solucionar a lide, uma vez que a Intimação Sacat 786/2006, de fls. 200 e, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 189, vieram cobrar os débitos de Cofins unicamente em razão de não existir pronunciamento judicial a respeito da possibilidade da compensação, o que hoje existe. A ausência inicial de pronunciamento judicial sobre a possibilidade de compensação não pode se tornar um impedimento à obtenção do crédito existente e incontroverso. Ratificando tal entendimento, este Conselho já se pronunciou em diversas oportunidades. Destacase abaixo somente algumas mais recentes pronúncias, da Câmara Superior e da Primeira Seção de Julgamento: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1 Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a idéia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (anocalendário de 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2 A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. (Processo Fl. 619DF CARF MF 10 10880.932547/200827, Data da Sessão 02/02/2016, Acórdão n. 9101002.203). (...) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído, até o limite apurado nos anos calendário objeto do pedido. (Processo 11610.005921/200358, Data da Sessão 21/01/2016, Acórdão 1301001.918)." Em face do exposto, vigente ao caso a legislação apresentada e conforme Art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, é vedado a este órgão afastar a aplicação de Lei. Com fundamento no Art. 113, 150, §4.º, 170, 170A do CTN, Art. 66 da Lei 8.383/1991 e Acórdão 9303003.456 CSRF, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Voto proferido. Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Declaração de Voto José Luiz Feistauer de Oliveira Conselheiro Conforme foi relatado, tratase de Recurso Voluntário em face de decisão de primeira instância da DRJ/SP, a qual indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte, pois considerou indevidas as compensações efetivadas com relação a Cofins relativa aos períodos de fevereiro de 2000 a março de 2001, em virtude de crédito de Finsocial pago a maior. Os créditos em questão são oriundos de ação judicial promovida pelo contribuinte, objetivando o reconhecimento de crédito sobre o Finsocial que entendia ter sido Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13884.003191/200102 Acórdão n.º 3201002.435 S3C2T1 Fl. 616 11 pago a maior, em face da alegada inconstitucionalidade da majoração desta contribuição acima da alíquota de 0,5%. Com efeito, o contribuinte obteve judicialmente o direito à restituição e compensação do Finsocial pago a maior de 0,5%, conforme se depreende da documentação juntada aos autos, oriunda dos resultados de duas diligências solicitadas por este Conselho. Ocorre que o próprio voto do Relator já observou (grifei): Tratandose de matéria de ordem pública, a DRJ/SP de fls. 327 apresentou o entendimento de que a DCTF é confissão de dívida e não seria necessário um auto de infração para a cobrança dos débitos, porque já inscritos em dívida ativa, líquidos e certos. Assim, se tornaria irrelevante a data da cobrança. Mas realmente, conforme alega o contribuinte em seu Recurso Voluntário de fls. 338, a DRJ/SP parece ter se equivocado com relação ao instituto da decadência, uma vez que este foi alegado em razão da ocorrência da homologação tácita. É importante reconhecer que a homologação tácita do contribuinte em casos semelhantes, encontra respaldo tanto na legislação, quanto no Direito Tributário e na jurisprudência desta casa. (...) Sendo os débitos de Cofins do período de apuração de 01/02/2000 a 31/03/2001 e a intimação Sacat recebida em 05/12/2006, mais de cinco anos se passaram a partir de 31/03/2006 e diante disto o contribuinte solicitou corretamente a homologação tácita. Diante do exposto, não há como cobrar compensação homologada tacitamente e, sendo este o caso dos autos, a lide está solucionada a favor do contribuinte que compensou com créditos comprovadamente incontroversos (vide resposta do contribuinte à primeira diligência deste Conselho conforme fls. 396, 401 e Doc. 01 a 06) os débitos de Cofins. (...) Como se vê, os integrantes da Turma acolheram a preliminar de decadência, o que foi a razão de decidir do presente julgamento. Neste sentido, encaminho meu voto pelas conclusões, uma vez que além de discordar de seu teor, também considero desnecessários, para a solução da lide, os demais pronunciamentos quanto ao mérito. José Luiz Feistauer de Oliveira Conselheiro Fl. 621DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720084/2014-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida, muito menos à introdução de argumentos não trazidos anteriormente em sede de recurso. A contradição que poderia, em tese, ensejar embargos seria aquela verificada entre a decisão e seus fundamentos (contradição interna), descabendo cogitar-se de contradição entre o acórdão embargado e elementos externos, tais como outros acórdãos ou doutrina.
Numero da decisão: 1301-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida, muito menos à introdução de argumentos não trazidos anteriormente em sede de recurso. A contradição que poderia, em tese, ensejar embargos seria aquela verificada entre a decisão e seus fundamentos (contradição interna), descabendo cogitar-se de contradição entre o acórdão embargado e elementos externos, tais como outros acórdãos ou doutrina.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram quaisquer das omissões e contradições alegadas pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida, muito menos à introdução de argumentos não trazidos anteriormente em sede de recurso. A contradição que poderia, em tese, ensejar embargos seria aquela verificada entre a decisão e seus fundamentos (“contradição interna”), descabendo cogitarse de contradição entre o acórdão embargado e elementos externos, tais como outros acórdãos ou doutrina. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 84 /2 01 4- 48 Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 875 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 817/825) opostos pelo contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301002.008, prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 04/05/2016 (fls.785/809). No referido julgado, o Colegiado pronunciouse, por maioria de votos, no sentido de dar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correta a glosa de despesas de amortização de ágio, na situação em que referido ágio decorre de reorganizações societárias levadas a efeito dentro de um mesmo grupo empresarial, em curto espaço de tempo, constatandose ainda que o alegado “pagamento” pela suposta aquisição de mais maisvalia na verdade se tratou de mera transferência de recursos internamente ao grupo econômico. Não se pode admitir que o cumprimento de um alegado objetivo empresarial interno tenha o condão de produzir um fato capaz de reduzir as bases tributáveis, sem que qualquer nova riqueza tenha sido criada ou algum custo de fato assumido para a aquisição de riqueza externa. ÁGIO. COMPLEMENTARIDADE DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS. Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei nº 6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL 1.598/1977. O ágio é fato econômico, cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. ÁGIO INTERNO. MODIFICAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DO FATO GERADOR. CONDUTA INTENCIONAL. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. O conjunto de operações praticadas para constituição, transferência e posterior amortização de ágio interno, despesa artificialmente criada, por intentar conferir aparência de Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 876 3 legalidade à redução de tributos devidos, modificando as características essenciais do fato gerador tributário, constitui ação dolosa determinante da imposição da multa de ofício qualificada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011 DECADÊNCIA. ALCANCE. INOCORRÊNCIA. A decadência incide sobre o direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários ocorridos em determinado período, e não sobre o direito de examinar fatos econômicos (não se trata aqui de fatos geradores tributários), quando quer que tenham ocorrido. Com isso, o que se pretende é permitir a validação, ou não, de sua influência (dos fatos econômicos pretéritos) sobre fatos geradores tributários ocorridos em períodos não alcançados pela decadência. Não se verifica, pois, a decadência, no caso concreto sob exame. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de vícios diversos, conforme segue, em suas palavras: 1. Omissão 5. A primeira delas é que o mero registro de ágio a partir de negociações realizadas entre partes relacionadas não pode implicar na indedutibilidade do ativo diferido subjacente, sobretudo quando esse ágio (i) decorre de operações inseridas num contexto negocial verdadeiro, independente e anterior a quaisquer possíveis efeitos fiscais verificados no Brasil; (ii) decorre de um custo efetivamente incorrido mediante desembolso de caixa e transferência de numerário; (iii) se justifica por laudos técnicos de avaliação preparados por empresa independente e especializada; e (iv) implicou no imediato e integral pagamento de tributos sobre o ganho de capital auferido pelos antigos detentores dessa participação societária. 6. O r. Acórdão embargado não considera em sua análise, tampouco, que, à época dos fatos discutidos neste processo administrativo não havia qualquer vedação na legislação fiscal, explícita ou implícita, quanto à contribuição de bens a valor de mercado de uma sociedade. A própria legislação fiscal vigente à época no Brasil, aliás, reconhecendo a possibilidade de partes relacionadas transacionarem a mercado como se fossem partes independentes, previa diversos tratamentos específicos para disciplinar essas relações em bases comutativas, podendo ser citados como exemplos os casos de Distribuição Disfarçada de Lucros ("DDL"), de Preços de Transferência, de Interdependência para fins do Imposto sobre Produtos Industrializados ("IPI") e mesmo as mais recentes regras de subcapitalização. 2. Omissão Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 877 4 7. No presente caso, especificamente, uma segunda questão a ser considerada é que a necessidade de negociação em bases comutativas também decorre de dispositivos contidos na legislação norteamericana e francesa que obrigam partes relacionadas a transacionarem como se absolutamente independentes fossem. Essa é a verdadeira essência dessa aquisição. No Brasil, inclusive, a própria Lei n° 6.404, de 15.12.1976 (Lei das Sociedades por Ações "Lei das S.A.") também determina, em seu artigo 245, que partes relacionadas devem transacionar sempre em bases "estritamente comutativas", ou seja, como se terceiros independentes fossem. 3. Omissão 8. O terceiro ponto que confirma a correção dos procedimentos adotados pela Recorrente neste caso que não foi endereçado no r. Acórdão embargado é que, mesmo sob a perspectiva contábil, não há que se falar em "ausência de sacrifício econômico" ou de "mero desembolso de caixa", já que esse tipo de alegação somente poderia fazer sentido se houvesse demonstrações financeiras consolidadas, ou a correspondente tributação de grupos empresariais. 9. Ocorre que no Brasil não há tributação em grupo ou a possibilidade de elaboração de demonstrações fiscais conjuntas. A própria revogação dos artigos 2°, 3° e 4° do DecretoLei n° 1.598, de 26.12.1977 ("DL 1.598/77'") antes mesmo de entrarem em vigor confirma tal ponto, que deve igualmente ser levado em consideração por essa I. Turma Julgadora. [...] 4. Omissão 12. A quarta questão que deve ser endereçada por esse E. CARF diz respeito ao próprio reconhecimento, pelo Governo Federal, quanto à ausência de base legal para questionamento de ágio gerado entre partes relacionadas, o que olevou a publicar a Medida Provisória n° 627, em 11.11.2013 ("MP 627/13").posteriormente convertida na Lei n° 12.973, de 13.5.2014 ("Lei 12.973/14"). Somente a partir da publicação dessas normas, que entraram em vigor para operações realizadas a partir de 1º.1.2015 (muito posteriores aos fatos ora discutidos), é que passou a ser expressamente vedado o registro e apuração de ágio em operações realizadas entre partes relacionadas. Com a devida vénia, o r. Acórdão embargado não leva esse fato em consideração na sua análise do presente caso. 5. Omissão 14. Por fim, a quinta questão de mérito que deve ser considerada por esse E. CARF é que pelo simples fato de ter ocorrido efetivo trânsito de numerário para pagamento do custo de aquisição por parte da Elevadores Holdings Ltda. ("EHL") e a correspondente tributação dos ganhos de capital gerados nessa aquisição, terseia a validação do ágio correspondente, independentemente de ter sido originado no contexto de uma compra entre partes relacionadas. 15. Esses dois fatos, conforme anota a doutrina jurídica, conferem "geneticidade" ao ágio, tornandoo assim legítimo para fins fiscais. É o que pondera a doutrina jurídica, que igualmente deve ser levada em consideração: [...] Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 878 5 16. E ainda que assim não se entendesse, o que se admite apenas para argumentar, esse E. CARF deve ao menos levar em consideração que por ter havido a correspondente tributação dos ganhos de capital por parte dos vendedores norte americanos, ao menos esses valores devem ser restituídos ou compensados, já que não se pode, simultaneamente, exigir tributos sobre ganhos de uma operação que, sob a perspectiva fiscal, deve ser desconsiderada. Tratase de uma contradição que deve ser prontamente afastada por esse E. CARF, como decidido no Acórdão 1401 000.850 Caso Sustentare e no Acórdão 140201.080 Caso Controlpav: [...] 6. Contradição 17. Já em relação ao restabelecimento da multa qualificada de 150%, o r. Acórdão embargado acaba assumindo de forma equivocada e até mesmo de certa forma contraditória, com a devida vénia, que, por se tratar de uma aquisição de investimento entre partes relacionadas, restaria desde logo caracterizada a "artificialidade" que supostamente autorizaria a aplicação da penalidade majorada. 18. Contudo, não leva em consideração o r. Acórdão embargado em relação a essa questão que: (i) a penalidade qualificada somente pode ser aplicada se efetivamente comprovada a presença de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30.11.1964 ("Lei 4.502/64"). Referida comprovação deve ser feita por meio hábeis e idôneos inexistentes neste caso. Esse entendimento encontrase já consolidado na jurisprudência desse E. CARF e da própria E. CSRF, destacandose os seguintes Acórdãos: 1302001.183, de 8.10.2013; 1402001.338, de 6.3.2013; 1402001.332, de 6.3.2013; 1202000.884, de 3.10.2012; 920200.910, de 16.8.2010; dentre outros. Tal conclusão também se comprova a partir das disposições da Súmula n° 14 do antigo Conselho de Contribuintes e da Súmula n° 25 desse E. CARF; (ii) somente se poderia falar na possível ocorrência de "erro de proibição", pois, se é que havia qualquer ilicitude nas operações examinadas, o que se admite para argumentar, não havia ao menos conhecimento por parte da Embargante acerca dessa suposta ilicitude do negócio no período em que ele foi praticado. À época, inclusive, tratavase de situação bastante comum e por diversas vezes validadas pelo antigo Conselho de Contribuintes, em homenagem aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada. Confirmando tal posição, destacamse o Acórdão 40400.817, de 3.3.2008, desse E CARF, o Acórdão 10195537, do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como o Acórdão 9101001.625, julgado pela E. CSRF em 17.4.2013; (iii) evidentemente este caso diz respeito a uma dúvida quanto à interpretação jurídica dos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10.12.1997 ("Lei9.532/97") e dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), até mesmo porque, em nenhum desses dispositivos, como visto, consta qualquer tipo de vedação ao reconhecimento, amortização ou dedução de ágio gerado em aquisições entre partes relacionadas, não sendo razoável se supor, apenas com bases argumentativas genéricas, que a "abusividade" da conduta autorizaria a aplicação dessa penalidade. O próprio I. Relator do r.Acórdão embargado confirma essa conclusão, pois logo ao iniciar a discussão de mérito, afirma expressamente que a conclusão de primeira instância "Não é como penso". Se tratando de uma forma de "pensar", evidentemente que o assunto discutido neste processo administrativo envolve Interpretação; e Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 879 6 (iv) mesmo em situações nas quais esse E. CARF concluiu pela indedutibilidade das despesas de amortização de ágio, a qualificação da multa foi prontamente afastada, como ilustram os seguintes Acórdãos: 1402001.460,1101 001.097, 1201000.967, 1201000.968, 1201000.969, 1302001.108,1102000.933, 1101000.936, 1402001.338, 1402001.332, 1401000.850,1402001.180 e 1302 001.183; (v) mais recentemente, inclusive, destacamse os seguintes precedentes desse E. CARF que afastaram a qualificação da multa mesmo após manter a glosa das despesas de amortização de ágio: 1402002.183, de 4.5.2016 (caso "AES Tietê"); 1401001.584, de 5.4.2016 (caso "CA Programas de Computador"); 1402002.148, de 5.4.2016 (caso "Alliance One"); 1401001.536, de 3.2.2016 (caso "SADA Participações"); 1302001.817, de 5.4.2016 (caso "Telefônica"); e 1402002.062, de 19.1.2016 (caso "COSAN"). Ao final, a embargante pede o conhecimento e provimento dos embargos para sanar os vícios apontados, com efeitos modificativos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A embargante tomou ciência do acórdão ora embargado em 13/06/2016, segundafeira (Termo à fl. 815). Tendo sido os embargos apresentados em 17/06/2016, sexta feira (Termo à fl. 816), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, o requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, tendo por parâmetros delimitadores aqueles estabelecidos pelo caput do art. 65 do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 1. e 2. As duas primeiras alegadas omissões podem receber tratamento conjunto. 5. A primeira delas é que o mero registro de ágio a partir de negociações realizadas entre partes relacionadas não pode implicar na indedutibilidade do ativo diferido subjacente, sobretudo quando esse ágio (i) decorre de operações inseridas num contexto negocial verdadeiro, independente e anterior a quaisquer possíveis efeitos fiscais verificados no Brasil; (ii) decorre de um custo efetivamente incorrido mediante desembolso de caixa e transferência de numerário; (iii) se justifica por laudos técnicos de avaliação preparados por empresa independente e especializada; e Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 880 7 (iv) implicou no imediato e integral pagamento de tributos sobre o ganho de capital auferido pelos antigos detentores dessa participação societária. 6. O r. Acórdão embargado não considera em sua análise, tampouco, que, à época dos fatos discutidos neste processo administrativo não havia qualquer vedação na legislação fiscal, explícita ou implícita, quanto à contribuição de bens a valor de mercado de uma sociedade. A própria legislação fiscal vigente à época no Brasil, aliás, reconhecendo a possibilidade de partes relacionadas transacionarem a mercado como se fossem partes independentes, previa diversos tratamentos específicos para disciplinar essas relações em bases comutativas, podendo ser citados como exemplos os casos de Distribuição Disfarçada de Lucros ("DDL"), de Preços de Transferência, de Interdependência para fins do Imposto sobre Produtos Industrializados ("IPI") e mesmo as mais recentes regras de subcapitalização. 7. No presente caso, especificamente, uma segunda questão a ser considerada é que a necessidade de negociação em bases comutativas também decorre de dispositivos contidos na legislação norteamericana e francesa que obrigam partes relacionadas a transacionarem como se absolutamente independentes fossem. Essa é a verdadeira essência dessa aquisição. No Brasil, inclusive, a própria Lei n° 6.404, de 15.12.1976 (Lei das Sociedades por Ações "Lei das S.A.") também determina, em seu artigo 245, que partes relacionadas devem transacionar sempre em bases "estritamente comutativas", ou seja, como se terceiros independentes fossem. O acórdão embargado tratou a matéria nos seguintes termos (fls. 804/807, grifos não constam do original): O aspecto fundamental deste caso, a meu ver, é o fato de que a reorganização societária se deu internamente a um único grupo econômico, o Grupo UTC. Tudo derivou da alegada necessidade empresarial (do grupo UTC) de que o controle da EOL passasse do ramo estadunidense (LATAM) para o ramo francês (UTF) do grupo. Esse ponto foi ressaltado desde o lançamento, e foi mesmo o principal motivo para que o Fisco não aceitasse a amortização fiscal do ágio formado na operação, por se tratar de “ágio interno”, dentro de um mesmo grupo econômico. [...] O que macula toda a operação é o fato de que se deu internamente a um mesmo grupo econômico. Em assim sendo, não é a existência de um laudo que poderá validar o valor pago. Entendo que a existência de partes independentes e com interesses contrapostos é o que pode validar o laudo, posto que ambas as partes (independentes) o aceitam, uma para pagar, outra para receber. No caso sob análise, as partes não possuem independência, pois são ambas pertencentes ao mesmo Grupo UTC. Da mesma forma, o pagamento, embora não se discuta sua existência, foi feito do ramo francês para o ramo estadunidense do Grupo UTC, ou seja, não houve um efetivo desembolso, se considerarmos o grupo econômico como um todo, mas tão somente uma transferência de caixa. O dinheiro sai do bolso direito e entra no bolso esquerdo. [...] A legislação tributária se integra e busca conceitos, portanto, na ciência contábil, pelo que não se pode aceitar que haja conceitos e efeitos distintos de ágio e de custo de aquisição para a contabilidade e para fins tributários. O custo de aquisição deve ser aquele resultante de efetivo desembolso (sacrifício patrimonial), em operação de mercado, em negócio realizado entre partes independentes. De forma alguma se há de admitir que a mera transferência de Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 881 8 valores entre empresas do mesmo grupo possa representar algum sacrifício patrimonial, nem que o valor assim transferido seja representativo de uma operação em condições de livre mercado, ainda que, como no caso concreto, tenha sido suportado por laudo de avaliação. O registro do ágio somente se justifica como forma de recuperação de um custo assumido no passado e que se relaciona a uma receita no futuro. Tenho por irrelevante, para a solução do caso concreto, que a alienante (LATAM) tenha apurado ganho de capital e recolhido o imposto correspondente, conforme afirma a recorrente. [...] No caso concreto, como visto, as operações societárias foram integralmente realizadas dentro do grupo econômico (Grupo UTC), em curto espaço de tempo, com transferência de valores entre empresas do grupo, sendo que, ao final das operações, alcançouse um alegado objetivo empresarial (mudança do controle da EOL do ramo estadunidense para o ramo francês). A única outra alteração foi a apropriação e amortização de “ágio” e consequente redução do resultado tributável da EOL. O “ágio” assim criado, registrado e amortizado é artificial, não corresponde a uma maisvalia surgida em operações de mercado entre partes livres e independentes e confirmada mediante seu pagamento. Não se pode admitir que o cumprimento de um alegado objetivo empresarial interno tenha o condão de produzir um fato capaz de reduzir as bases tributáveis, sem que qualquer nova riqueza tenha sido criada ou algum custo de fato assumido para a aquisição de riqueza externa. Como se vê, omissão não houve. Todos os aspectos trazidos pela embargante foram analisados pela Turma, embora com conclusões diversas daquelas pretendidas pela então recorrente. Examinouse a legislação pertinente à dedutibilidade da amortização de ágio, nas condições do caso concreto, chegandose à conclusão de que esse ágio seria indedutível, conforme acima. Não foi considerada relevante, para os lançamentos discutidos neste processo, a contribuição de bens a valor de mercado nem a apuração de ganho de capital pela alienante da participação societária. De igual forma, a existência de dispositivos em legislação alienígena (ou mesmo nacional) que obrigariam negociações em bases comutativas não afastam o fato de que quem decide por quanto quer vender o investimento é o mesmo grupo econômico que decide quanto se dispõe a pagar. Em outras palavras, negociação em condições de livre mercado não houve, principal fundamento adotado pelo Colegiado para negar dedutibilidade à amortização do ágio gerado em tais condições. A pretensão da embargante parece ser a de rediscutir matéria já decidida pelo Colegiado, o que não se admite pela estreita via dos embargos. Voto por rejeitar os embargos, quanto a estes dois pontos. 3. Omissão 8. O terceiro ponto que confirma a correção dos procedimentos adotados pela Recorrente neste caso que não foi endereçado no r. Acórdão embargado é que, mesmo sob a perspectiva contábil, não há que se falar em "ausência de sacrifício econômico" ou de "mero desembolso de caixa", já que esse tipo de alegação somente poderia fazer sentido se houvesse demonstrações financeiras consolidadas, ou a correspondente tributação de grupos empresariais. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 882 9 9. Ocorre que no Brasil não há tributação em grupo ou a possibilidade de elaboração de demonstrações fiscais conjuntas. A própria revogação dos artigos 2°, 3° e 4° do DecretoLei n° 1.598, de 26.12.1977 ("DL 1.598/77'") antes mesmo de entrarem em vigor confirma tal ponto, que deve igualmente ser levado em consideração por essa I. Turma Julgadora. [...] Mais uma vez, a embargante busca rediscutir matéria já decidida. A par da análise da legislação empreendida pelo voto condutor do acórdão embargado, a Turma também se valeu de conhecida manifestação da Comissão de Valores Mobiliários, consubstanciada no Ofício Circular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, no qual aquela instituição condena o reconhecimento do ágio interno, gerado dentro de grupo de empresas sob controle comum. O trecho foi transcrito às fls. 805/806, e considero desnecessária nova transcrição aqui. O ponto fundamental é que não se admite o registro de ágio se não há dispêndio para a aquisição de riqueza nova, adquirida de terceiros, e nesse sentido foi a decisão do Colegiado. Observo, ainda, que não houve qualquer discussão acerca de “demonstrações financeiras consolidadas”, nem esse aspecto foi arguido no recurso voluntário, pelo que se demonstra, também por essa via, a inexistência de omissão acerca de ponto sobre o qual devesse se manifestar a Turma. Embargos declaratórios não se prestam a trazer novos argumentos à discussão. Pelo exposto, voto por negar provimento aos embargos, quanto a este ponto. 4. Omissão 12. A quarta questão que deve ser endereçada por esse E. CARF diz respeito ao próprio reconhecimento, pelo Governo Federal, quanto à ausência de base legal para questionamento de ágio gerado entre partes relacionadas, o que o levou a publicar a Medida Provisória n° 627, em 11.11.2013 ("MP 627/13"), posteriormente convertida na Lei n° 12.973, de 13.5.2014 ("Lei 12.973/14"). Somente a partir da publicação dessas normas, que entraram em vigor para operações realizadas a partir de 1º.1.2015 (muito posteriores aos fatos ora discutidos), é que passou a ser expressamente vedado o registro e apuração de ágio em operações realizadas entre partes relacionadas. Com a devida vênia, o r. Acórdão embargado não leva esse fato em consideração na sua análise do presente caso. Em seu recurso voluntário (fls. 653/686) não há uma única menção ao argumento acima transcrito. Tratase de argumento novo, que a ora embargante busca trazer ao debate após ter sido rejeitado seu recurso voluntário. Descabe cogitar da existência de omissão acerca de ponto sobre o qual devesse se manifestar a Turma. Por certo, os embargos declaratórios não se prestam à introdução de argumentos novos com o objetivo de rediscutir matéria já decidida. Voto por sua rejeição, quanto a este ponto. 5. Omissão Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 883 10 14. Por fim, a quinta questão de mérito que deve ser considerada por esse E. CARF é que pelo simples fato de ter ocorrido efetivo trânsito de numerário para pagamento do custo de aquisição por parte da Elevadores Holdings Ltda. ("EHL") e a correspondente tributação dos ganhos de capital gerados nessa aquisição, terseia a validação do ágio correspondente, independentemente de ter sido originado no contexto de uma compra entre partes relacionadas. 15. Esses dois fatos, conforme anota a doutrina jurídica, conferem "geneticidade" ao ágio, tornandoo assim legítimo para fins fiscais. É o que pondera a doutrina jurídica, que igualmente deve ser levada em consideração: [...] 16. E ainda que assim não se entendesse, o que se admite apenas para argumentar, esse E. CARF deve ao menos levar em consideração que por ter havido a correspondente tributação dos ganhos de capital por parte dos vendedores norte americanos, ao menos esses valores devem ser restituídos ou compensados, já que não se pode, simultaneamente, exigir tributos sobre ganhos de uma operação que, sob a perspectiva fiscal, deve ser desconsiderada. Tratase de uma contradição que deve ser prontamente afastada por esse E. CARF, como decidido no Acórdão 1401 000.850 Caso Sustentare e no Acórdão 140201.080 Caso Controlpav: [...] Este ponto dos embargos deve ser subdividido em dois, para melhor análise. Nos parágrafos 14 e 15, acima, a alegação é de omissão quanto ao argumento de que o simples fato de ter havido pagamento e tributação de ganho de capital pela alienante teria o poder de validar o ágio gerado na operação. Nas palavras da embargante, teria sido conferida “geneticidade” ao ágio, o que busca reforçar com transcrições de doutrinadores. O acórdão embargado tratou especificamente dessa questão, confirase (fls. 806/807, grifos não constam do original): A legislação tributária se integra e busca conceitos, portanto, na ciência contábil, pelo que não se pode aceitar que haja conceitos e efeitos distintos de ágio e de custo de aquisição para a contabilidade e para fins tributários. O custo de aquisição deve ser aquele resultante de efetivo desembolso (sacrifício patrimonial), em operação de mercado, em negócio realizado entre partes independentes. De forma alguma se há de admitir que a mera transferência de valores entre empresas do mesmo grupo possa representar algum sacrifício patrimonial, nem que o valor assim transferido seja representativo de uma operação em condições de livre mercado, ainda que, como no caso concreto, tenha sido suportado por laudo de avaliação. O registro do ágio somente se justifica como forma de recuperação de um custo assumido no passado e que se relaciona a uma receita no futuro. Tenho por irrelevante, para a solução do caso concreto, que a alienante (LATAM) tenha apurado ganho de capital e recolhido o imposto correspondente, conforme afirma a recorrente. [...] No caso concreto, como visto, as operações societárias foram integralmente realizadas dentro do grupo econômico (Grupo UTC), em curto espaço de tempo, com transferência de valores entre empresas do grupo, sendo que, ao final das operações, alcançouse um alegado objetivo empresarial (mudança do controle da Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 884 11 EOL do ramo estadunidense para o ramo francês). A única outra alteração foi a apropriação e amortização de “ágio” e consequente redução do resultado tributável da EOL. O “ágio” assim criado, registrado e amortizado é artificial, não corresponde a uma maisvalia surgida em operações de mercado entre partes livres e independentes e confirmada mediante seu pagamento. Não se pode admitir que o cumprimento de um alegado objetivo empresarial interno tenha o condão de produzir um fato capaz de reduzir as bases tributáveis, sem que qualquer nova riqueza tenha sido criada ou algum custo de fato assumido para a aquisição de riqueza externa. A existência de pagamento, ou melhor, de transferência de valores entre empresas de um mesmo grupo econômico, foi tida pelo Colegiado como insuficiente para validar o “ágio” assim criado e tornalo dedutível para fins tributários. Da mesma forma, a circustância de ter sido apurado ganho de capital pela alienante foi considerada irrelevante para essa finalidade. Nada disso foi capaz de afastar o fato de que se estava dentro de um mesmo grupo empresarial, perseguindo objetivo empresarial interno, sem que houvesse uma única operação entre partes independentes em condições de livre mercado, tal como constatado no excerto acima. Acrescentese que, por certo, não se há de cogitar da ocorrência de omissão do Colegiado quanto a doutrina jurídica trazida somente em sede de embargos, com o objetivo de rediscutir matéria já decidida. Na segunda subdivisão deste ponto, encontrase no parágrafo 16 dos embargos uma alegação subsidiária de vício de contradição, a ser apreciada caso viesse a ser rejeitada a alegação de omissão, contida nos parágrafos anteriores. Pois bem. A contradição alegada residiria na exigência de tributos por ganho de capital apurado pelos alienantes norteamericanos, se a operação deve ser desconsiderada do ponto de vista fiscal. Tais tributos deveriam ser restituídos ou compensados. Equivocase a embargante. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, a contradição a ensejar embargos é aquela verificada entre a decisão e seus fundamentos (a chamada “contradição interna” ao julgado), o que não ocorre aqui. Neste processo não se cuida de exigir quaisquer tributos dos alienantes norteamericanos pela apuração de ganho de capital, havendo tão somente a manifestação do Colegiado de que tal circunstância seria irrelevante para fins de conferir dedutibilidade ao ágio aqui discutido, pelos motivos já sobejamente apontados. Observese que sequer houve apreciação sobre ser ou não devida a tributação sobre o ganho de capital, nem poderia haver, visto não ser esse o objeto deste processo. Se a interessada considera o cabimento de restituição ou compensação daqueles tributos, deve procurar os meios administrativos para tanto, que serão apreciados pela autoridade administrativa competente para isso. Os acórdãos mencionados pela embargante não poderiam, em qualquer hipótese, configurar uma contradição entre a decisão tomada pela Turma no acórdão embargado e os fundamentos adotados. Quando muito, em tese, poderiam configurar uma divergência jurisprudencial, a qual haveria de ser solucionada por outra espécie recursal, nunca por embargos declaratórios. Pelo exposto, voto por rejeitar os embargos, também quanto a este ponto. 6. Contradição Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 885 12 17. Já em relação ao restabelecimento da multa qualificada de 150%, o r. Acórdão embargado acaba assumindo de forma equivocada e até mesmo de certa forma contraditória, com a devida vénia, que, por se tratar de uma aquisição de investimento entre partes relacionadas, restaria desde logo caracterizada a "artificialidade" que supostamente autorizaria a aplicação da penalidade majorada. 18. Contudo, não leva em consideração o r. Acórdão embargado em relação a essa questão que: (i) a penalidade qualificada somente pode ser aplicada se efetivamente comprovada a presença de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30.11.1964 ("Lei 4.502/64"). Referida comprovação deve ser feita por meio hábeis e idôneos inexistentes neste caso. Esse entendimento encontrase já consolidado na jurisprudência desse E. CARF e da própria E. CSRF, destacandose os seguintes Acórdãos: 1302001.183, de 8.10.2013; 1402001.338, de 6.3.2013; 1402001.332, de 6.3.2013; 1202000.884, de 3.10.2012; 920200.910, de 16.8.2010; dentre outros. Tal conclusão também se comprova a partir das disposições da Súmula n° 14 do antigo Conselho de Contribuintes e da Súmula n° 25 desse E. CARF; (ii) somente se poderia falar na possível ocorrência de "erro de proibição", pois, se é que havia qualquer ilicitude nas operações examinadas, o que se admite para argumentar, não havia ao menos conhecimento por parte da Embargante acerca dessa suposta ilicitude do negócio no período em que ele foi praticado. À época, inclusive, tratavase de situação bastante comum e por diversas vezes validadas pelo antigo Conselho de Contribuintes, em homenagem aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada. Confirmando tal posição, destacamse o Acórdão 40400.817, de 3.3.2008, desse E CARF, o Acórdão 10195537, do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como o Acórdão 9101001.625, julgado pela E. CSRF em 17.4.2013; (iii) evidentemente este caso diz respeito a uma dúvida quanto à interpretação jurídica dos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532, de 10.12.1997 ("Lei9.532/97") e dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), até mesmo porque, em nenhum desses dispositivos, como visto, consta qualquer tipo de vedação ao reconhecimento, amortização ou dedução de ágio gerado em aquisições entre partes relacionadas, não sendo razoável se supor, apenas com bases argumentativas genéricas, que a "abusividade" da conduta autorizaria a aplicação dessa penalidade. O próprio I. Relator do r.Acórdão embargado confirma essa conclusão, pois logo ao iniciar a discussão de mérito, afirma expressamente que a conclusão de primeira instância "Não é como penso". Se tratando de uma forma de "pensar", evidentemente que o assunto discutido neste processo administrativo envolve Interpretação; e (iv) mesmo em situações nas quais esse E. CARF concluiu pela indedutibilidade das despesas de amortização de ágio, a qualificação da multa foi prontamente afastada, como ilustram os seguintes Acórdãos: 1402001.460,1101 001.097, 1201000.967, 1201000.968, 1201000.969, 1302001.108,1102000.933, 1101000.936, 1402001.338, 1402001.332, 1401000.850,1402001.180 e 1302 001.183; (v) mais recentemente, inclusive, destacamse os seguintes precedentes desse E. CARF que afastaram a qualificação da multa mesmo após manter a glosa das despesas de amortização de ágio: 1402002.183, de 4.5.2016 (caso "AES Tietê"); 1401001.584, de 5.4.2016 (caso "CA Programas de Computador"); 1402002.148, de 5.4.2016 (caso "Alliance One"); 1401001.536, de 3.2.2016 (caso "SADA Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 886 13 Participações"); 1302001.817, de 5.4.2016 (caso "Telefônica"); e 1402002.062, de 19.1.2016 (caso "COSAN"). Neste ponto, a embargante contesta a decisão que deu provimento ao recurso de ofício, restabelecendo, por maioria de votos, a multa qualificada de 150%. Eis o que consta do voto condutor do acórdão (fl. 808, grifos não constam do original): [...]. A modificação das características essenciais do fato gerador, prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, é a inclusão na contabilidade de despesa artificial (a amortização do ágio), reduzindo as bases de cálculo tributáveis. Essa artificialidade se encontra presente na geração mesma desse ágio, conforme expus acima, e não vejo como entender que se tratou de mero equívoco na interpretação da legislação tributária. Ao contrário, tanto a ciência contábil quanto a abalisada doutrina tributária entendem pela inoponibilidade ao Fisco do ágio criado intragrupo, sem a participação de um agente externo a validar que as operações tenham sido feitas em condições de livre mercado, e sem o efetivo desembolso para a aquisição de riqueza nova. Ao contrário, a contribuinte estava consciente de seus atos ao registrar contabilmente a despesa artificialmente gerada, pelo que considero correta a aplicação da multa qualificada de 150% ao lançamento. O Colegiado considerou que a conduta da contribuinte, de registrar contabilmente despesa artificialmente gerada e assim reduzir as bases tributáveis se amoldava às disposições do art. 72 da Lei nº 4.502/1964. O artificialismo ficou evidenciado pela contrariedade à ciência contábil e a abalisada doutrina tributária, conforme mencionado. Com esses fundamentos, coerentemente e sem qualquer contradição, a decisão foi no sentido do provimento ao recurso de ofício, restabelecendo a multa qualificada de 150%. Não restou demonstrada qualquer contradição entre a decisão e seus fundamentos, motivo suficiente para a rejeição dos embargos quanto a este ponto. Acrescento que o parágrafo 18, (i), traz argumentos frontalmente contrários ao que decidiu o Colegiado, mas não revela qualquer contradição nem omissão. Os parágrafos 18, (ii) e (iii), discorrem sobre “erro de proibição” e dúvida quanto à interpretação jurídica dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997; mais uma vez, buscase combater o quanto decidido pela Turma, que considerou a intencionalidade da conduta, com base nos elementos dos autos. Ainda quanto ao parágrafo 18, (iii), por certo que a aplicação da legislação tributária envolve sua interpretação. E a expressão “não é como penso”, empregada no voto condutor da decisão embargada, revela tão somente que a interpretação do Colegiado, em segunda instância, é distinta daquela adotada pela Turma julgadora em primeira instância, nada mais do que o papel revisor da segunda instância em relação à primeira. Inexiste dúvida quanto à interpretação, tão somente a revisão, em busca da interpretação que se mostra mais adequada à situação concreta examinada nos autos. Finalmente, nos parágrafos 18, (i), (ii), (iv) e (v), a embargante traz jurisprudência administrativa que não possui qualquer relevância em sede de embargos declaratórios. Demonstrada a inexistência de qualquer contradição entre a decisão e seus fundamentos, muito menos de omissão, os embargos devem ser rejeitados. Conclusão. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10932.720084/201448 Acórdão n.º 1301002.219 S1C3T1 Fl. 887 14 Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento aos embargos, ratificando integralmente o quanto decidido pelo Acórdão nº 1301002.008, de 04/05/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 887DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.724364/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. RAZÕES DE DECIDIR CONFLITANTES ENTRE UNIDADE LOCAL E DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO.
Acolhe-se o pedido de compensação pela impossibilidade de motivar o indeferimento em sentido contrário à instância anterior. Se as duas principais razões para a não homologação da compensação foram desqualificadas alternadamente pelas autoridades que anteriormente analisaram o pleito, falece competência a esta instância julgadora para pronunciamento em relação ao mérito daquelas razões.
Numero da decisão: 1402-002.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no valor de R$ 22.608.760,84; homologando-se as compensações até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
ASSINADO DIGITALMENTE
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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RAZÕES DE DECIDIR CONFLITANTES ENTRE UNIDADE LOCAL E DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. Acolhese o pedido de compensação pela impossibilidade de motivar o indeferimento em sentido contrário à instância anterior. Se as duas principais razões para a não homologação da compensação foram desqualificadas alternadamente pelas autoridades que anteriormente analisaram o pleito, falece competência a esta instância julgadora para pronunciamento em relação ao mérito daquelas razões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no valor de R$ 22.608.760,84; homologandose as compensações até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto– Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 64 /2 00 9- 54 Fl. 783DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de pedidos de compensação com utilização de crédito decorrente, de acordo com a peticionante, de recolhimento a maior do valor devido a título de estimativa do IRPJ correspondente ao mês de maio de 2008 no montante de R$ 22.608.760,84. Em primeira apreciação, a Unidade Local prolatou Despacho Decisório negando o direito à compensação pela impossibilidade de restituição/compensação de estimativas supostamente recolhidas a maior eis que tais valores deveriam ser levados à apuração do eventual saldo negativo no final do período de apuração. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade pela qual questionou a legalidade das Instruções Normativas que serviram de base ao despacho decisório e ressaltou que a limitação suscitada pela autoridade administrativa não mais subsiste em normativos recentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ) prolatou o Acórdão 1237.017 pelo qual manifestouse pela impossibilidade de analisar arguições de nulidade dos atos normativos e externou posicionamento pela incidência da multa de mora sobre a parcela da estimativa quitada mediante pagamento efetuado a destempo. Nesse caso, o pagamento sem a multa implicaria na inocorrência do crédito pleiteado. Foi apresentado recurso voluntário onde a interessada reiterou as razões expedidas na manifestação de inconformidade e defendeu que o pagamento em questão teria sido efetuado sob a égide da espontaneidade, nos termos da legislação. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF prolatou o Acórdão 1101001.012 e determinou o retorno do autos à Unidade Local para que fosse analisado o mérito do pedido, eis que superada a impossibilidade de restituição/compensação de estimativa recolhida a maior. A Unidade Local prolatou novo Despacho Decisório pelo qual, após intimar a recorrente a prestar esclarecimentos e apresentar documentos, entendeu tacitamente pela regularidade do valor de estimativa apurado (R$ 1.055.898.174,15). No que se refere à quitação desse valor, manifestouse pela espontaneidade do pagamento feito a destempo, mas decidiu pela inexistência do crédito (R$ 22.608.760,84) pois a maior parte das compensações que teria quitado a parcela de R$ 311.597.400,42 não foi homologada. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade suscitando, em preliminar, a nulidade do Despacho Decisório que não teria apreciado todas as razões de defesa e, no mérito, sustentou que as decisões proferidas nos processos de compensação ainda não são definitivas e, portanto, não poderiam ser aqui aplicadas. Ressalta que mesmo que os processos de compensação fossem encerrados em sentido desfavorável à impetrante, haveria cobrança dos valores não homologados o que permitiria que fossem aqui utilizados. A DRJ prolatou o Acórdão 1273.317 onde rejeitou a preliminar de nulidade da manifestação de inconformidade, pois a Unidade Local teria concordado tacitamente com o valor do saldo negativo e com a apuração da diferença que, em tese, teria sido recolhida a maior. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1402002.369 S1C4T2 Fl. 783 3 No mérito, entendeu que não haveria óbice à utilização, na composição do saldo negativo, da parcela quitada mediante compensação (R$ 311.597.400,42), mas pronunciouse pela inocorrência da espontaneidade em relação ao pagamento e mais ainda, afirmou que tal instituto não se aplicaria àquela parcela. Em recurso voluntário, a interessada ratifica as razões de defesa anteriormente apresentadas relativamente à espontaneidade. É o Relatório. Fl. 785DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Em resumo do já exposto no relatório, o pedido de compensação envolve crédito decorrente do recolhimento a maior da estimativa correspondente ao mês de maio/2008 Originalmente foi apurada estimativa no valor de R$ 1.076.927.623,36 quitados da seguinte forma (no entendimento do sujeito passivo): DARF pago no vencimento...........................................R$ 599.653.711,60 DARF pago a destempo (valor do principal) (*) ..........R$ 165.676.511,34 Compensação.................................................................R$ 311.597.400,42 TOTAL.......................................................................... R$ 1.076.927.623,36 (*) O total pago foi R$ 178.118.817,34. De acordo com o sujeito passivo, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, não incidiria multa de mora e o pagamento corresponderia a principal (R$ 165.676.511,34) e juros (R$ 12.442.306,00). Posteriormente, o valor devido foi alterado para R$ 1.055.898.174,15. Nesse caso, a quitação teria a seguinte característica: DARF pago no vencimento...........................................R$ 599.653.711,60 DARF pago a destempo (valor do principal) (*) ..........R$ 144.647.062,13 Compensação.................................................................R$ 311.597.400,42 TOTAL..........................................................................R$ 1.055.898.174,15 (*) valor devido: R$ 144.647.062,13 + R$ 10.862.994,37= R$ 155.510.057,50 Assim, o crédito corresponderia a R$ 22.608.760,84 (R$ 178.118.817,34 – R$ 155.510.057,50) Após idas e vindas do processo, restou incontroverso o valor supra mencionado cabendo as verificações quanto aos demais requisitos para a homologação da compensação. Importa lembrar que, em primeira apreciação nesta Corte, o acórdão 1101 001.012 determinou o retorno dos autos à Unidade Local para que fosse prolatado novo despacho decisório com apreciação do mérito do pedido de compensação, o que não havia ocorrido inicialmente. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 15374.724364/200954 Acórdão n.º 1402002.369 S1C4T2 Fl. 784 5 Nesse despacho decisório, a Unidade Local entendeu pela ocorrência da denúncia espontânea nos termos suscitados pelo sujeito passivo. Entretanto, rejeitou o pleito sob a alegação de que não teriam sido homologadas totalmente as compensações através das quais teria sido quitada a parcela de estimativa no valor de R$ 311.597.400,42. Restaria como não homologado – e portanto sem condições de ser aproveitado como crédito – o valor de R$ 285.119.655,52. Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) analisou a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo e manifestouse exatamente no sentido oposto ao despacho decisório. Entendeu que não haveria óbice à utilização da parcela quitada mediante compensação (R$ 311.597.400,42), mas pronunciouse pela inocorrência da espontaneidade em relação ao pagamento e mais ainda, afirmou que tal instituto não se aplicaria àquela parcela. A meu ver, fica claro que a DRJ inovou de forma equivocada nas razões de decidir. Se aquela instância entendeu, em sentido diverso ao Despacho Decisório, que seria possível utilizar na composição do crédito a parcela de estimativa quitada mediante compensação ainda que não homologada, caberia à DRJ dar provimento à manifestação de inconformidade, pois o despacho decisório não apontou outra razão para não homologar a compensação. Ao questionar a ocorrência da espontaneidade a DRJ, sem qualquer justificativa, ignorou o teor do despacho que foi expresso em reconhecer que o pagamento estava albergado por aquele instituto. Estáse diante de um situação esdrúxula. O despacho decisório manifestouse em relação a duas circunstâncias a serem analisadas no presente caso: o pagamento de parte das estimativas feito a destempo sem multa de mora sob a égide da espontaneidade, o que foi tido como correto, e a quitação de outra parte dessa estimativa mediante compensação não homologada, o que impediria a utilização dessa parcela como crédito. A DRJ por sua vez, em relação às mesmas questões decidiu em sentido absolutamente inverso. Tal fato impede que nesta instância julgadora haja qualquer pronunciamento em relação ao mérito dessas matérias, pois as duas principais razões para a não homologação da compensação foram desqualificadas alternadamente pelas autoridades que me precederam na análise do pleito. Restaria a questão da inaplicabilidade do instituto da espontaneidade à parcela quitada mediante compensação (R$ 311.597.400,42). Mesmo que seja superada a discussão quanto à possibilidade de tal questão ser suscitada pela DRJ, entendo que a análise de mérito fica prejudicada pelo simples fato de que, conforme tabela constante do despacho decisório, os pedidos de compensação originais não foram apresentados a destempo, mas sim na data de vencimento da obrigação (30/06/2008). Fl. 787DF CARF MF 6 Do exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 22.608.760,84; homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 788DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.727525/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. SANEAMENTO.
Ao se confirmar o lapso manifesto que deu causa a inexatidão material do acórdão embargado, impõe-se o acolhimento dos embargos inominados para saneamento da decisão anterior. No caso, o recurso voluntário interposto por um dos responsáveis tributários se revelou tempestivo, ao contrário do que havia sido anteriormente decidido.
AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. PRECLUSÃO.
Ao deixar de impugnar o lançamento, o sujeito passivo (responsável tributário) se torna revel no processo, operando-se para ele a preclusão processual, muito embora o processo tenha tido seguimento para outro sujeito passivo (contribuinte). O recurso interposto contra a decisão de primeira instância, em que foi analisada a impugnação de outro sujeito passivo (contribuinte), não contradita a ausência de impugnação nem a definitividade da responsabilidade tributária. As questões trazidas em sede de recurso, não provocadas a debate em primeira instância, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento em sede de recurso, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 1301-002.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos inominados opostos pelo responsável tributário Sr. José Roberto Monte e DAR-LHES provimento, para sanar a inexatidão material apontada e comprovada, sem efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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INEXATIDÃO MATERIAL. SANEAMENTO. Ao se confirmar o lapso manifesto que deu causa a inexatidão material do acórdão embargado, impõese o acolhimento dos embargos inominados para saneamento da decisão anterior. No caso, o recurso voluntário interposto por um dos responsáveis tributários se revelou tempestivo, ao contrário do que havia sido anteriormente decidido. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. PRECLUSÃO. Ao deixar de impugnar o lançamento, o sujeito passivo (responsável tributário) se torna revel no processo, operandose para ele a preclusão processual, muito embora o processo tenha tido seguimento para outro sujeito passivo (contribuinte). O recurso interposto contra a decisão de primeira instância, em que foi analisada a impugnação de outro sujeito passivo (contribuinte), não contradita a ausência de impugnação nem a definitividade da responsabilidade tributária. As questões trazidas em sede de recurso, não provocadas a debate em primeira instância, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento em sede de recurso, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER dos embargos inominados opostos pelo responsável tributário Sr. José Roberto Monte e DARLHES provimento, para sanar a inexatidão material apontada e comprovada, sem efeitos modificativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 75 25 /2 01 2- 19 Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.811 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Em julgamento realizado em 01/03/2016, esta 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF assim decidiu, mediante o Acórdão nº 1301 001.930 (fls. 1520/1555, grifo não consta do original): ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso interposto pelo responsável tributário Sr. José Roberto Monte, não conhecer dos argumentos e do pedido trazidos pela recorrente Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., acerca da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Roberto Monte e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário interposto por Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. Ao tomar ciência da decisão, o Sr. José Roberto Monte, apontado no lançamento como responsável tributário, apresentou o documento de fls. 1761/1766, por ele intitulado Recurso Especial. Esse documento foi examinado no despacho de fls. 1804/1807, do qual transcrevo os seguintes excertos (grifos no original): [...] o Recorrente relata que a decisão recorrida, que não conheceu do seu recurso voluntário por têlo considerado intempestivo, operou em erro. Esclarece que o Relator do acórdão recorrido considerou, na aferição da tempestividade do recurso voluntário, edital referente "a outro litisconsorte no qual também foi lavrado a sujeição passiva" (Sr. BALTAZAR BORGES FIUZA FILHO, edital às efls. 1.488, com publicação 27/05/2015) e não a si. Alega que o edital a ele referente (edital às efls. 1.491) teve publicação em 06/07/2015, e que, considerada essa data, seu recurso voluntário, postado em 20/08/2015, foi interposto no último dia do prazo de 30 dias, sendo, portanto, tempestivo. [...] Em que pese ter o Recorrente estruturado seu recurso como Recurso Especial de Divergência, entendo que, na medida em que o Recorrente traz alegação de lapso manifesto do acórdão que julgou seu Recurso Voluntário, pelo princípio da fungibilidade dos recursos, o presente recurso deve ser recebido como os Embargos Inominados de que trata o art. 66 do Anexo II do RICARF, e encaminhado ao Presidente da turma recorrida para apreciação. Essa manifestação foi encaminhada à apreciação da Sra. Presidente da 3ª Câmara (Despacho à fl. 1806) e, posteriormente, ao Presidente desta 1ª Turma Ordinária (Despacho de Admissibilidade de Embargos às fls. 1808/1809). Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.812 3 O processo vem agora a julgamento para que o documento de fls. 1761/1766 seja apreciado como Embargos Inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes, a seguir reproduzido: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Analisando os termos do recurso apresentado (fls. 1761/1766), verifico que a alegação do interessado se amolda com perfeição à hipótese do art. 66 do Anexo II do RICARF. O lapso manifesto alegado é que um documento (o edital para ciência do Sr. Baltazar Borges Fiúza Filho) foi tomado em lugar de outro (o edital para ciência do Sr. José Roberto Monte). Esse lapso manifesto conduziu, assim, à inexatidão material, qual seja, considerar intempestivo o recurso desse último sujeito passivo. O acórdão embargado analisou a tempestividade do recurso voluntário interposto pelo Sr. José Roberto Monte nos seguintes termos (grifos não constam do original): Quanto ao Sr. José Roberto Monte, devese ressaltar que a peça recursal de fls. 1399/1413 seria, por análise inicial, um recurso voluntário interposto em conjunto por Aspen Distribuidora de Combustível e José Roberto Monte. No entanto, o recurso é subscrito pelo advogado Dr. Marcos Vinícius Costa, e somente encontro nos autos procuração outorgada pela pessoa jurídica Aspen (fl. 1418). Não encontro nos autos procuração outorgada a esse advogado pelo Sr. José Roberto Monte. Concluo que o advogado que subscreve a peça recursal representa tão somente a pessoa jurídica e esse recurso não pode ser tido como subscrito também pela pessoa física do Sr. José Roberto Monte. Após as providências saneadoras determinadas pela Resolução nº 1302 000.368 (fls. 1457/1478), o Sr. José Roberto Monte foi intimado da decisão de primeira instância, sendolhe facultado o prazo legal para a interposição de recurso Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.813 4 voluntário. A correspondência enviada ao seu domicílio tributário foi devolvida pelos Correios, com a indicação "desconhecido". Em seguida, foi publicado o edital de fl. 1488, em 27/05/2015. Conforme as regras para a ciência por edital (art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), a ciência ocorreu no décimo sexto dia, a contar da publicação do edital, isto é, em 11/06/2015, iniciandose, a partir dessa data, a contagem do prazo de trinta dias para a interposição do recurso voluntário. A data limite seria em 11/07/2015, sábado, estendendose até 13/07/2015, segundafeira. A peça recursal de fls. 1496/1513, postada em 20/08/2015, é flagrantemente intempestiva. Observo, finalmente, que a única menção feita à questão da tempestividade, na peça recursal, é o pedido de que "para fins de aferição da tempestividade [...] seja observada a data da postagem do recurso [...]". Ora, mesmo assim, não há como considerar que possa ser tempestivo o recurso postado com mais de sessenta dias da data da ciência regular da decisão de primeira instância. Com essas considerações, tenho por intempestivo o recurso interposto pelo sujeito passivo Sr. José Roberto Monte, e dele não tomo conhecimento. Observese que o Relator considerou que a ciência da decisão de primeira instância ao Sr. José Roberto Monte teria sido feita mediante o edital de fl. 1488. Agora se percebe o equívoco. Como bem apontado pelo embargante, o edital de fl. 1488 se destinou à ciência de outro sujeito passivo, o Sr. Baltazar Borges Fiúza Filho. A ciência da decisão de primeira instância ao Sr. José Roberto Monte se fez mediante o Edital Eletrônico nº 001088451 (fl. 1491), publicado em 06/07/2015, tendo a ciência ocorrido em 21/07/2015 (terçafeira), conforme consta no próprio documento. A contagem do prazo recursal se inicia em 22/07/2015 (quartafeira) e expira em 20/08/2015 (quintafeira). O recurso voluntário de fls. 1496/1513 foi postado no último dia do prazo recursal (20/08/2015) pelo que deve ser considerado tempestivo, restando ainda verificar o atendimento a outros requisitos processuais. Diante do exposto, voto por conhecer dos embargos inominados de fls. 1761/1766 e darlhes provimento, para sanar a inexatidão material apontada. Esse saneamento, por certo, será feito mediante a apreciação do recurso voluntário de fls. 1496/1513, interposto pelo sujeito passivo Sr. José Roberto Monte, o que passo a fazer. Para que o recurso voluntário possa ser corretamente apreciado, fazse necessário novo e brevíssimo relato da autuação e das ocorrências processuais até aqui. Cuida o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fl. 5), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fl. 21), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fl. 39) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fl. 33), por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007. O total da exação alcançou R$ 27.028.480,81, conforme demonstrativo à fl. 4, aí incluídos multa de ofício de 150% e juros moratórios calculados até a data do lançamento. Os procedimentos e conclusões da fiscalização, bem assim as infrações apuradas, se encontram minuciosamente descritas no Relatório Fiscal (fls. 45/69). A Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.814 5 fiscalização teve início na empresa Campineira Radio Táxi e, a partir do desenvolvimento dos trabalhos, o Fisco obteve elementos que conduziram à conclusão de que os recursos que transitavam na contacorrente bancária de titularidade dessa empresa, na realidade, pertenciam à Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. A autuação se fez por omissão de receitas (art. 42 da lei nº 9.430/1996). Além disso, concluiuse pela responsabilidade tributária dos Srs. Baltazar Borges Fiúza Filho e José Roberto Monte, também arrolados no polo passivo do lançamento. Ciente das exigências e com elas irresignada, a contribuinte Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. apresentou a impugnação de fls. 707/726. A unidade preparadora buscou dar ciência do lançamento também ao responsável tributário Sr. José Roberto Monte por via postal. Às fls. 1387/1388 consta correspondência (auto de infração) devolvida ao remetente. Ato contínuo, foi publicado o EDITAL/DRF/CPS/SEFIS/Nº 15/2013, fl. 1384, afixado em 04/02/2013 e desafixado em 20/02/2013. A 4ª Turma da DRJ em Campinas/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0540.833, de 18/06/2013 (fls. 1330/1378), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa (grifo não consta do original): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Operase a preclusão processual relativamente à sujeição passiva da pessoa física e/ou jurídica que deixa de apresentar argumentos de defesa em relação à atribuição da respectiva responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído. LANÇAMENTO. NULIDADE. MPF. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é um instrumento de controle, planejamento e gerenciamento interno, que visa institucionalizar, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, o procedimento fiscal. A eventual inobservância às normas que o regulamentam jamais pode invalidar o lançamento fiscal constituído nos moldes do art. 142 do CTN e demais regras relativas ao Processo Administrativo Fiscal. NULIDADE. PROVA ILÍCITA. Os extratos bancários contendo movimentação financeira em nome de interposta pessoa não constituem prova ilícita quando fornecidos pelas instituições bancárias ao Fisco em decorrência Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.815 6 da instauração de processo administrativo fundamentado na legislação em vigor. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidenciam omissão de receita os depósitos realizados em conta de interposta pessoa, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIRO. É válida a presunção legal de receita omitida, com base em depósitos sem prova da origem dos recursos, quando a interessada movimenta e utiliza conta bancária em nome de interposta pessoa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Diante da caracterizada da fraude, em vista da interposição de pessoa, a decadência regese pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, não se caracterizando para os fatos geradores objeto do lançamento. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. A multa de ofício de 150% é devida nos casos em que for comprovado o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Do voto do relator do acórdão de primeira instância, extraise o seguinte excerto (fl. 1350): 9. Inicialmente, quanto à responsabilidade tributária, operase a correspondente preclusão processual, diante da ausência de impugnações a serem Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.816 7 individualmente apresentados pelas pessoas identificadas como sujeitos passivos solidários, ou seja, os Senhores José Roberto Monte, CPF nº 034.186.97674 e Baltazar Borges Fiúza Filho, CPF nº 340.785.41615. Nesse contexto, consolidase administrativamente a matéria atinente à responsabilidade solidária dessas pessoas físicas. A contribuinte Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., cientificada da decisão de primeira instância, apresentou o recurso voluntário de fls. 1399/1413. Após o cumprimento de diligência determinada por este CARF (Resolução nº 1302000.368, de 04/03/2015, fls. 1457/1478) para saneamento de aspectos atinentes à ciência da decisão de primeira instância aos responsáveis, o responsável tributário Sr. José Roberto Monte apresentou o recurso voluntário de fls. 1496/1513, subscrito por advogado com poderes para tanto (procuração à fl. 1514). O responsável tributário Sr. Baltazar Borges Fiúza Filho, regularmente cientificado, não apresentou recurso voluntário. O processo veio a julgamento em 01/03/2016. Na ocasião, foi prolatado o acórdão ora embargado nº 1301001.930 (fls. 1520/1555), mediante o qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. O responsável tributário Sr. José Roberto Monte teve negado conhecimento ao seu recurso voluntário, equivocadamente tido por intempestivo. O acórdão embargado não possui qualquer mácula no que respeita ao recurso interposto pela Contribuinte Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. Os argumentos recursais trazidos pelo Sr. José Roberto Monte (fls. 1496/1513) podem ser sintetizados como segue: a) Sob o título “Dos fatos e razões de reforma da decisão recorrida”, o recorrente aduz, quase com as mesmas palavras, os argumentos que constam do recurso voluntário interposto pela contribuinte Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda.: · Valendose da Súmula CARF nº 32, o recorrente sustenta que não haveria prova de todos os depósitos havidos na conta bancária da empresa Campineira, mas tão somente de três movimentações específicas. Não seria possível, por sua ótica, atribuir à Aspen toda a movimentação financeira ocorrida. O lançamento seria, então, nulo. · Outro motivo de nulidade do lançamento seria o fato de que depósito bancário não constitui fato gerador de IRPJ, CSLL, PIS nem COFINS. · Com base nas súmulas CARF nº 14 e nº 25, o recorrente combate a multa qualificada aplicada ao lançamento. Lembra que a autuação se deu exclusivamente com base em presunção legal de omissão de receitas e que não estaria comprovada a ocorrência de fraude, sonegação nem conluio. Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.817 8 · Na mesma linha de raciocínio, sustenta que não haveria fundamento para a responsabilização pessoal dos sócios, segundo art. 135 do CTN. b) Sob o título “Da inexistência de responsabilidade tributária solidária”, o recorrente discorre sobre a doutrina referente ao art. 135 do CTN; afirma que o Fisco não teria individualizado a conduta que teria sido praticada pelo então administrador, ora recorrente; sustenta que a responsabilidade, no caso, pressupõe dolo, não provado, demonstrado nem individualizado nos autos; ad argumentandum, acrescenta que, quando muito, se poderia cogitar de responsabilidade subsidiária; colaciona jurisprudência e doutrina que entende aplicáveis. c) Conclui com o pedido de exclusão da responsabilidade do sócio José Roberto Monte, por não estar configurada a hipótese do art. 135, III, do CTN. Ressaltese que o Sr. José Roberto Monte foi regularmente cientificado do lançamento e da responsabilidade tributária que lhe foi imputada, bem assim do prazo legal para pagar ou impugnar a exigência. Essa impugnação, digase, teria abrangência a mais ampla possível, alcançando desde a sujeição passiva até todos os aspectos formais e materiais do lançamento. Esse é o momento processual para o exercício da ampla defesa e do contraditório, princípios constitucionais da maior relevância, garantidos no âmbito do processo administrativo fiscal. A matéria é regulada pelos arts. 14 a 17 e 21 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.818 9 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) [...] Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ocorre que o Sr. José Roberto Monte, regularmente intimado do lançamento, deixou de comparecer aos autos no momento processual oportuno, não apresentando a impugnação que lhe foi facultada, nem adotando qualquer outra providência (por exemplo, pagar ou parcelar a exigência). Desta forma, operouse a revelia processual com relação a esse sujeito passivo (embora não com relação à contribuinte Aspen, cuja impugnação foi regularmente julgada em primeira instância, idem quanto ao recurso voluntário em segunda instância). A revelia implicou a definitividade, na esfera administrativa, da responsabilidade tributária, conforme declarado pelo julgador a quo. De se ressaltar que não se declarou, em primeira instância, a definitividade de outros aspectos do lançamento, visto que poderiam ser modificados em face da impugnação e/ou recurso voluntário da Aspen, os quais, se acolhidos, poderiam geram efeitos extensivos aos demais sujeitos passivos solidários, ainda que revéis. Agora se vê que isto não aconteceu: tanto a impugnação quanto o recurso voluntário da contribuinte Aspen foram rejeitados, mantendose integralmente o lançamento. O recurso voluntário do Sr. José Roberto Monte é, pelo exposto, de cognição muito restrita, diante da falta de impugnação. Somente poderia ser conhecido caso destinado a contraditar a afirmação de que deixou de apresentar impugnação ou a buscar desconstituir os efeitos da revelia. No entanto, em momento algum o recorrente Sr. José Roberto Monte combate ou contesta a decisão de primeira instância, a qual expressamente afirmou a não apresentação de impugnação, de sua parte, ao lançamento, considerando definitiva a responsabilidade tributária que lhe foi imputada. Diante disso, os argumentos por ele trazidos em sede de impugnação esbarram na preclusão processual, consequência lógica do devido processo legal, outro princípio igualmente caro ao direito processual. Tais argumentos, assim, não podem ser conhecidos. Acerca do instituto da preclusão, assim leciona Humberto Theodoro Júnior1: A essência da preclusão, para Chiovenda, vem a ser a perda, extinção ou consumação de uma faculdade processual pelo fato de se haverem alcançado os limites assinalados por lei ao seu exercício. 1 THEODORO Júnior, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 40ª Ed., Vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 480. Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.819 10 Decorre a preclusão do fato de ser o processo uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas, a fim de que se obtenha a prestação jurisdicional, com precisão e rapidez. Sem uma ordenação temporal desses atos e sem um limite de tempo para que as partes os pratiquem, o processo se transformaria numa rixa infindável. É verdade que, em algumas situações, exceções são aceitas a esse princípio. No que toca à prova documental, o § 4º do art. 16, acima, relaciona as três situações em que se admite a juntada extemporânea de documentos. Além disto, em atenção ao princípio da verdade material, a jurisprudência administrativa tem sido complacente e admitido que, em alguns casos específicos, documentos sejam trazidos aos autos na fase recursal, especialmente quando se trata da comprovação inequívoca de direito tempestivamente alegado. Já quanto a alegações de direito, a legislação mencionada não admite qualquer exceção. Ou a matéria é questionada no período reservado à impugnação, ou é tida por não impugnada. Também aqui a jurisprudência administrativa tem considerado algumas exceções. A título ilustrativo, no Direito positivado encontramos o § 3º do art. 485 da Lei nº 13.105/2015 (CPC – Código de Processo Civil), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: [...] IV verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; [...] IX em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e X nos demais casos prescritos neste Código. [...] § 3oO juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. Disposições muito semelhantes já constavam da Lei nº 5.869/1973 (CPC anterior), no § 3º do art. 267: Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) [...] IV quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.820 11 V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; Vl quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; [...] § 3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos ns. IV, V e Vl; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. A doutrina cuida do assunto sob o nome de questões de ordem pública. Tais questões são aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, em geral, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo, refletindose na própria segurança jurídica. Os exemplos acabados a serem citados, especialmente aplicáveis ao processo administrativo fiscal, são a decadência, as condições da ação (possibilidade jurídica do pedido, interesse de agir e legitimidade de parte), além dos pressupostos processuais de existência e validade. Em tais situações, a jurisprudência administrativa tem admitido o exame em segundo grau mesmo na ausência de préquestionamento na fase impugnatória ou, ainda, que o relator ou qualquer dos julgadores suscite de ofício matéria não impugnada nem recorrida. No caso concreto, bem se vê que não está em discussão questão que possa ser entendida como sendo de ordem pública, a ser apreciada de ofício. Se o responsável tributário Sr. José Roberto Monte abriu mão de comparecer ao processo no momento oportuno, descabe conhecer de seus argumentos neste momento, o que implicaria supressão de instância, violando os princípios do devido processo legal e da duração razoável do processo. A teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Não tendo sido objeto de impugnação nem se tratando de matéria de Ordem Pública, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Em conclusão, por todo o exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos inominados de fls. 1761/1766 e darlhes provimento, para sanar a inexatidão material apontada e comprovada, com o que resta reconhecida a tempestividade do recurso voluntário (fls. 1496/1513) interposto pelo responsável tributário Sr. José Roberto Monte. No entanto, deixo de conhecer desse mesmo recurso voluntário, em face da preclusão. Com isso, fica ratificado o quanto decidido no acórdão embargado, nº 1301001.930, de 01/03/2016 (fls. 1520/1555), muito embora com outro fundamento, no que respeita ao não conhecimento do recurso do Sr. José Roberto Monte. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301002.206 S1C3T1 Fl. 1.821 12 Fl. 1821DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.728572/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.556
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 85 72 /2 01 2- 36 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10711.728572/201236 Acórdão n.º 3201002.556 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.159. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10711.728572/201236 Acórdão n.º 3201002.556 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10711.728572/201236 Acórdão n.º 3201002.556 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.913800/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.050
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 80 0/ 20 11 -5 1 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10480.913800/201151 Resolução nº 3401001.050 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.052. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10480.913800/201151 Resolução nº 3401001.050 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10480.913800/201151 Resolução nº 3401001.050 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 207DF CARF MF
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