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Numero do processo: 13808.003517/2001-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1997
OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS.
Deve-se manter o lançamento tributário se os documentos trazidos aos autos são insuficientes para comprovar a origem dos recursos considerados omitidos.
TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF).
Numero da decisão: 1302-001.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator Guilherme Pollastri. Declarou-se impedida a Conselheira Cristiane Costa
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Deve-se manter o lançamento tributário se os documentos trazidos aos autos são insuficientes para comprovar a origem dos recursos considerados omitidos. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator Guilherme Pollastri. Declarou-se impedida a Conselheira Cristiane Costa. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA - Relator. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Redator designado. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes Da Silva Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 13808.003517/2001-04 Acórdão n.º 1302-001.219 S1-C3T2 Fl. 252 3 Relatório Contra a Contribuinte foi lavrado auto de infração de IRPJ no valor de R$ 1.747.960,50, PIS de R$ 45.446,97, COFINS de R$ 139.836,84, e CSLL de R$ 559.347,36. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fis. 66/69, a fiscalização apurou o seguinte: - que a Contribuinte promoveu 20ª alteração contratual em 26/12/1997, aumentando o capital social em R$ 2.860.000,00, com ingresso dos sócios Helio Cerqueira Junior e Helio Francisco Alves Ccrqueira, nos montantes respectivos de R$ 2.180.000,00 e R$ 680.000,00. - intimada a fazer provas da origem e forma da entrega dos valores para sociedade, informou que o sócio Helio Cerqueira Junior integralizou R$ 1.500.000,00 com recursos próprios e que os R$ 1.360.000,00 restantes vieram de uma aplicação financeira no Banco Santos S/A, cujo valor, aplicado na proporção de 50% cabível a cada sócio, completaria o valor subscrito. - que para comprovar a entrega dos recursos apresentou: a) comprovante de depósito bancário no Banco Safra, no valor de R$1.500.000,00, efetuado em 26/12/1997; b) nota de aplicação financeira no Banco Santos; c) nota de corretagem da BM&.F; d) cheque do Banco Santos, no valor de $ 1.429.421,37, emitido a favor da Contribuinte em 02/03/1998, representando o resgate da referida aplicação financeira. - segundo a análise da fiscalização da documentação apresentada não se esclareceu a origem dos recursos referentes ao depósito bancário nem da aplicação financeira, já que não foi apresentada a prova da origem dos recursos e da efetividade da entrega e que, além disso, na ficha 22 da DIPJ apresentada pela fiscalizada a participação de cada sócio é de 50% do capital integralizado. Irresignada com o lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação, acompanhada dos documentos de fls.96/131, alegando em síntese que: - a utilização da presunção de omissão estruturada exclusivamente no art.229 do RIR194, não pode prosperar. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 4 - a fim de provar a origem dos recursos, são apresentados os fluxos contábil financeiros (i) de fls.96 a 110 e (ii) de fls.129, referentes, respectivamente, às parcelas de R$1.500.000,00 e R$1.360.000,00. - do fluxo de fls.96 e 110 se infere que o valor de R$1.500.000,00, suprido exclusivamente pelo sócio Hélio Cerqueira Junior, decorre da venda de participação acionária que possuía nas empresas "Estapar", "Riopark" e "Marques", totalizando a importância de R$1.497.983,00 e o valor remanescente foi aportado em dinheiro na importância de R$ 2.017,00. - do fluxo de fls.129 se infere que a integralização de ambos os sócios no montante, cada uma, de R$ 680.000,00, foi feita por decorrência de mútuo contratado, na data da integralização, com a sociedade SAEPART. - que não cabe a aplicação da taxa SELIC que é inconstitucional. A 10ª Turma da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos manteve o crédito tributário conforme ementa a seguir: ÔNUS DA PROVA. ORIGEM DE RECURSOS. ALEGAÇÃO DESACOMPAMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. TAXA SELIC. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ilegalidade c inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação dele decorrente. Intimada em 30/06/2008, a Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo em 23/07/2008, alegando em síntese o seguinte: - preliminar de inépcia do auto de infração por não conter a correta descrição dos fatos. - para provar a origem dos recursos, juntou os respectivos Fluxos contábeis - financeiros dos valores vertidos, relativos à parcela de R$ 1.500.000,00 e o relativo à parcela de R$ 1.360.000,00. - que o suprimento feito exclusivamente pelo sócio Helio Cerqueira Junior, no valor de R$ 1.500.000,00 é decorrente da venda de participação acionária que possuía nas empresas "ESTAPAR", "RIOPARK" e "MARQUES", em data praticamente coincidente com a da subscrição e integralização na ALLPARK. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 13808.003517/2001-04 Acórdão n.º 1302-001.219 S1-C3T2 Fl. 253 5 - que a integralização respectivamente dos sócios Helio Cerqueira Junior e Helio Francisco Alves Cerqueira, no montante cada um de R$ 680.000,00 foi feita por decorrência de mútuos contratados entre eles, na data da integralização, com a sociedade SAEPART. - que dentro das questões periféricas e no âmbito da repercussão dos lançamentos decorrentes de CSSL, PIS e COFINS, anota que a fiscalização não promoveu, como deveria ter feito, a dedução dessas incidências no âmbito da incidência do IRPJ. - questiona ainda a taxa SELIC. (i) Da origem do Recurso de R$1.5000.000,00: - de acordo com o "Instrumento Particular de Alteração e Consolidação de Contrato Social", juntado às fls. 114/119, pode-se verificar que o Sr. Helio Cerqueira Junior, vendeu em 26/12/97, 875.999 cotas da empresa ESTAPAR para a Allpark, pelo valor de R$ 875.999,00. - que na mesma data, foi retificada para efeitos contábeis pelo "Instrumento Particular de Venda e Compra de Participação Societária", que consignou que a empresa ESTAPAR foi vendida para a Allpark por R$ 1.478.096,00, quantia esta paga naquela mesma ocasião, conforme apurado em Laudo Contábil de Avaliação Patrimonial, emitido pela Adviser Auditores Independentes, em 22/12/97. - que pelo "Instrumento Particular de Alteração e Consolidação de Contrato Social", juntado às fls. 120/123, verifica-se que o Sr. Helio Cerqueira Junior, em 26/12/97, vendeu 135.809 cotas da empresa RIOPARK para a Allpark por R$ 135.809,00. - que foi retificada para efeitos contábeis pelo "Instrumento Particular de Venda e Compra de Participação Societária", que consignou que o Sr. Helio Cerqueira Junior vendeu, em 26/12/97, 135.809 cotas da empresa RIOPARK para a Allpark por R$ 72.021,00, quantia esta paga naquela data conforme apurado pelo Laudo Contábil de Avaliação Patrimonial, emitido pela Adviser Auditores Independentes, em 22/12/1997. - que pelo "Instrumento Particular de Alteração e Consolidação de Contrato Social", de fls. 124/128, pode-se verificar que o Sr. Helio Cerqueira Junior, também em 08/12/97, vendeu 1.369 cotas da MARQUES para a empresa Allpark. - que da mesma forma a operação foi retificada para efeitos contábeis, em 20/11/97, pelo "Instrumento Particular de Venda e Compra de Participação Societária", que consignou que o Sr. Helio Cerqueira Junior, em 20/12/97, vendeu 1.369 cotas da MARQUES para a Allpark por R$ 7.866,00, quantia paga naquela ocasião, conforme apurado em Laudo Contábil de Avaliação Patrimonial, emitido pela Adviser em 18/12/1997. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 6 - que somando R$ 1.478.096,00 + R$ 72.021,00 + R$ 7.866,00, temos como resultado a quantia de R$ 1.557.983,00 que, na verdade, até ultrapassa a quantia a ser justificada a titulo de origem, contrariando assim as assertivas da Receita Federal, que alega que o recurso não tem origem comprovada. - que junta ainda cópia dos comprovantes de Depósito Bancário feito pela ALLPARK na conta corrente do Sr. Helio Cerqueira Junior, junto ao Banco Safra S/A, em 26/12/2007, no valor total de R$ 1.490,11. (ii) Da origem do Recurso de R$1.360.000,00: - que de acordo com o documento de fls. 130, referente à DIPF do Sr. Helio Cerqueira Junior, do ano-calendário 1997, no Titulo "Dividas e Ônus Reais", verifica-se o mútuo feito junto à empresa SAEPART, no valor de R$ 680.000,00, em 30/12/1997, cuja cópia do contrato também junta (docs. 15 e 16). - que no documento de fls. 131, DIPF do Sr. Helio Francisco Alves Cerqueira, do ano-calendário 1997, no Titulo "Dívidas e Ônus Reais", também pode-se verificar o mútuo feito junto à SAEPART, no mesmo valor de R$ 680.000,00, também em 30/12/1997, cuja cópia junta (docs. 17 e 18). - que somando R$ 680.000,00 + R$ 680.000,00 temos como resultado a quantia de R$ 1.360.000,00 que representa o valor declarado que não teve reconhecimento por parte da Receita Federal, que alega equivocadamente que o referido recurso não tem origem comprovada. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 13808.003517/2001-04 Acórdão n.º 1302-001.219 S1-C3T2 Fl. 254 7 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos estipulados pelo Decreto nº 70235/72, razão porque dele conheço. Inicialmente, a impugnante alega que não houve uma correta descrição do fato objeto da autuação, mas, tal afirmação não resiste à análise dos termos que compõem o presente processo, os quais demonstram que a empresa foi devidamente intimada a justificar o aumento de capital de R$ 2.860.000,00, que a intimação foi atendida pela recorrente que apresentou resposta de fls.59 e os documentos de fls. 60/64, tendo a descrição desses fatos constados do “Termo de Verificação e Constatação Fiscal" de fls.66/69 que trata explicitamente da resposta de fls.59, trazendo, inclusive, a relação dos documentos apresentados pela contribuinte (item 5 de ils.67); Além disso, a contribuinte foi cientificada dos autos de infração (fls.72, 76, 80 e 84) e, apresentou a impugnação de fls.88/95 e recurso voluntário, demonstrando perfeito conhecimento dos fatos que lhe foram imputados, o que fica evidenciado pela elaboração dos fluxos contábil-financeiros de fls.96, 110 c 129, não havendo qualquer prejuízo ao seu direito de defesa. Conforme a fundamentação legal de Ils.69 e 73, a hipótese de omissão de receitas aplicada pela Fiscalização ao caso concreto é aquela prevista no art.42, da Lei n° 9.430/96, in verbis: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir do fundamento legal acima transcrito serão analisados os dois valores que compuseram o aumento do capital da empresa no ano-calendário de 1997, a saber, as quantias de R$1.500.000,00 e R$1.360.000,00. Em relação ao valor de R$1.500.000,00, a recorrente afirma que este valor foi integralizado pelo sócio Helio Cerqueira Junior que para justificar o aporte apresenta as seguintes alegações e documentação: - três cheques da empresa All Park Empreendimentos e Participação S/C LTDA, nominativos ao Sr. Helio, nos valores de R$ 1.418.096,00 (fls.112), R$ 72.021,00 (fls.113) ambos datados de 26/12/97 e R$ 7.866,00 (fls.114) de 18/12/97. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 8 - 31ª Alteração Contratual da empresa ESTAPAR (fls.115/119), datada de 26/12/97, onde o Sr. Helio cede para a AllPARK 875.999 cotas pelo valor de R$ 875.999,00. - Instrumento Particular de Venda e Compra de Participação Societária (fls.192), datado de 26/12/97, onde consta que a referida venda da ESTAPAR para a ALLPARK foi feita na verdade pelo valor de R$ 1.418.096,00. Ressalto que este instrumento foi registrado pelo 11º Serviço Notarial em 05/01/98. - Laudo de Avaliação de Patrimônio Liquido da ESTAPAR (fl.193/194), feito pela ADVISER Auditores Independentes datado de 22/12/97, onde afirma que o patrimônio liquido da empresa em 30/12/97 era de R$ 1.194.140,89. Ressalto que este instrumento também foi registrado pelo 11º Serviço Notarial em data que não se consegue visualizar. - 22ª Alteração Contratual da empresa RIOPARK (fls.120/123), datada de 26/12/97, onde o Sr. Helio cede para a AllPARK 135.809 cotas pelo valor de R$ 135.809,00. - Instrumento Particular de Venda e Compra de Participação Societária (fls.202), datado de 26/12/97, onde consta que a referida venda da RIOPARK para a ALLPARK foi feita na verdade pelo valor de R$ 72.021,00. Ressalto que este instrumento foi registrado pelo 11º Serviço Notarial em 05/01/98. - Recibos de Depósitos de R$ 72.021,00 e R$ 1.418.096,00 para o Sr. Helio Cerqueira Junior (fls.215). - Laudo de Avaliação de Patrimônio Liquido da RIOPARK (fl.203/204), feito pela ADVISER Auditores Independentes datado de 22/12/97, onde afirma que o patrimônio liquido da empresa em 30/12/97 era de R$ 88.9316,03. Ressalto que este instrumento também foi registrado pelo 11º Serviço Notarial em 17/07/2008. - 15ª Alteração Contratual da empresa MARQUÊS (fls.124/128), datada de 06/12/97, onde o Sr. Helio cede para a AllPARK 1.369 cotas pelo valor de R$ 1.369,00. - Instrumento Particular de Venda e Compra de Participação Societária (fls.211), datado de 20/11/97, onde consta que a referida venda da MARQUES para a ALLPARK foi feita na verdade pelo valor de R$ 7.866,00. Ressalto que este instrumento foi registrado pelo 11º Serviço Notarial em 18/12/97. - Laudo de Avaliação de Patrimônio Liquido da MARQUES (fl.212/213), feito pela ADVISER Auditores Independentes datado de 17/11/97, onde afirma que o patrimônio liquido da empresa em 31/10/97 era de R$ 157.321,14. Ressalto que este instrumento também foi registrado pelo 11º Serviço Notarial em 17/07/2008. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 13808.003517/2001-04 Acórdão n.º 1302-001.219 S1-C3T2 Fl. 255 9 Em relação ao valor de R$1.360.000,00, a recorrente afirma que este valor foi integralizado pelos sócios Helio Cerqueira Junior e Helio Francisco Alves Cerqueira que para justificar o aporte apresenta as seguintes alegações e documentação: - que a integralização deste valor foi feita na proporção de 50% para cada um e adviram de mútuo dos sócios com a empresa SAEPART. - para comprovar os empréstimos junta cópia dos IRPF 98/97 dos sócios onde foram lançados na parte de dívidas e ônus reais (fls.130/131). - Contrato de Mútuo (fls.217) entre a SAEPAR e Helio Cerqueira Junior, no valor de R$ 680.000,00, datado de 30/12/97, autenticado em 17/07/2008. - Contrato de Mútuo (fls.219) entre a SAEPAR e Helio Francisco Alves Cerqueira, no valor de R$ 680.000,00, datado de 30/12/97, autenticado em 17/07/2008. No que se refere ao valor de R$ 1.500.000,00, ao contrário do entendimento exarado pela DRJ, a meu ver, a recorrente juntou documentação suficiente que comprova que o sócio Helio Cerqueira Junior comprovou a origem do aumento de capital, através das já listadas alterações contratuais, laudos contábeis de avaliação patrimonial e depósitos bancários, demonstram de forma cabal a origem do valor glosado. No que se refere ao valor de R$ 1.360.000,00, junta prova incontestável da existência de dois contratos de mútuo de R$ 680.000,00 para cada um dos sócios, comprovados por contratos formais, inclusive na mesma data em que foi formalizado o aumento do capital da sociedade. Além dos contratos e dos mútuos juntam ainda os sócios subscritores suas DIRF´s onde se constata na parte do título “Dívidas e Onus Reais”, no ano correspondente de 1.997, a dívida de R$ 680.000,00 com a empresa SAEPART, mutuante dos citados valores. Quanto às alegações de ofensa a princípios legais e constitucionais, inclusive quanto à utilização da Taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora, cabe ressaltar que quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade, legalidade ou eqüidade das leis exorbitam a competência das autoridades administrativas, às quais cumpre aplicar as determinações da legislação em vigor, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Ressalto que, sendo o lançamento uma atividade administrativa plenamente vinculada ao texto da norma legal e qualquer alegação de inconstitucionalidade exigiria, necessariamente, juízo de constitucionalidade de lei, algo que é vedado a este Colegiado, por força da Súmula CARF nº 02, o que encontra amparo no art. 26-A do Decreto 70235/72, in verbis: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Em relação a taxa SELIC a matéria também já foi sumulada através das Súmulas CARF nº 4. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 10 A decisão quanto à ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, o fato gerador de vários tributos, repercute na decisão de todos a eles vinculados, ou seja, os lançamentos de PIS, COFINS e CSLL decorrentes da autuação do IRPJ e devem seguir o decidido no lançamento principal. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Voto Vencedor Inobstante as bem colocadas considerações do Relator, a quem devoto meu irrestrito respeito, peço vênia para dissentir de seu entendimento nas questões adiante analisadas. Muito embora toda a documentação juntada aos autos pela recorrente, tanto durante o procedimento administrativo (fls. 8/142; 48/66), quanto em sede de sua impugnação e de seu recurso voluntário (fls. 97/135; 183/232; 241/248), como bem salientou o respeitável acórdão da DRJ, esta não é suficiente para demonstrar efetivamente a origem dos recursos que se alega terem sidos utilizados para o aumento de seu capital. Explico. Para demonstrar a suposta origem do recurso no montante de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), conforme recibo de depósito em seu favor (fls. 61), a recorrente alega que realizou diversas transações de aquisição de cotas de outras empresas com seu sócio Hélio Cerqueira Junior – respaldada pelos Instrumentos Particulares de Compra e Venda (fls. 201, 213 e 223) –, e que os recursos utilizados como pagamento destas operações foram utilizados depois utilizados por seu sócio para aumento do capital social da empresa. Destarte, a recorrente perquire comprovar a efetividade de tais operações juntando aos autos cópias de recibos de depósitos (fls. 228) e de cártula de cheque emitido (fls. 114) em favor do Sr. Hélio. Neste ponto entendo que tais transações e recursos por si mesmos, ainda que considerados legítimos e efetivados, não servem para respaldar a receita utilizada para o aumento de capital social da requerente, pois muito embora se demonstre a realização de operações de compra e venda entre a recorrente e seu sócio Hélio Cerqueira Junior, não se comprova de forma alguma que os valores pagos pela recorrente ao seu sócio têm qualquer correlação com o depósito realizado posteriormente em seu favor (fls. 61). Ou seja, mesmo diante de toda disposição probatória jungida aos autos não é possível concluir de forma cabal que os recursos depositados em favor da recorrente (fls. 61) são os mesmo que anteriormente teriam sido repassados por esta a seu sócio Hélio Cerqueira Junior pelas aquisições de cotas em outras empresas. Ademais, com relação ao aporte do valor de R$ 1.360.00,00 (um milhão, trezentos e sessenta mil reais), a recorrente alega ter origem em operação de mútuo realizado Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 13808.003517/2001-04 Acórdão n.º 1302-001.219 S1-C3T2 Fl. 256 11 por de seus sócios Helio Cequeira Junior e Helio Francisco Alves Cerqueira com a empresa SAEPART, na razão de 50% para cada um, buscando respaldar suas assertivas através da apresentação de cópia do contrato de mútuo (fls. 217) e das Declarações de Ajuste Anual de seus sócios. Bem como já tinha restado assente pelo respeitável acórdão da DRJ, o contrato de mútuo e declarações dos sócios, para que pudessem ser considerados, deveriam estar acompanhados de documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a efetividade da operação que se buscou demonstrar, tal como comprovantes bancários de transferência do recurso, cópia de cártula de crédito ou recibo, pelo que entendo não comprovado a realização da operação de mútuo alegado. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se incólume o lançamento tributário. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Redator designado Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 30/09/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 02/10/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Numero do processo: 10850.905404/2011-03
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA
EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 54 04 /2 01 1- 03 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905404/201103 Acórdão n.º 3801004.167 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905404/201103 Acórdão n.º 3801004.167 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo, contra o acórdão exarado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), na Sessão de Julgamento do dia 25 de março de 2013, em que foi julgada a improcedência da manifestação de inconformidade, deixado de conhecer o direito creditório sobre aquisição de combustíveis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP), por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente a PIS/PASEP (PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – MERCADO INTERNO), período de apuração: 1º trimestre de 2008. Por meio de despacho decisório de fl. 5, com fundamento na informação fiscal de fls. 46/48, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar do produto sair com alíquota zero, à tributação do PIS/PASEP, referente ao óleo diesel, ocorre de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 14/5/2012 (fl. 6), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 07/38. Contudo, como se observa da Manifestação de Inconformidade de fls. 07/38, as folhas 10 a 16 da peça impugnatória não foram juntadas aos autos. A fim de evitar qualquer prejuízo ao contribuinte, juntouse cópia dessas folhas (fls. 49/55), extraídas da manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente no processo, cujo conteúdo é idêntico. Assim, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 5, acompanhado de Informação Fiscal, o contribuinte alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo Fl. 123DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905404/201103 Acórdão n.º 3801004.167 S3TE01 Fl. 14 4 diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 (COFINS não cumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à comutatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na comutatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na não cumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/COFINS nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a frequência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofásica, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905404/201103 Acórdão n.º 3801004.167 S3TE01 Fl. 15 5 citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/COFINS, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da não cumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/COFINS nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da não cumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/COFINS); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/COFINS; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de nãocumulatividade empregada no PIS/COFINS, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologado a compensação efetuada. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905404/201103 Acórdão n.º 3801004.167 S3TE01 Fl. 16 6 A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme pode ser conferido pela ementa do acórdão, abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da COFINS sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aludindo os mesmos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o sucinto relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905404/201103 Acórdão n.º 3801004.167 S3TE01 Fl. 17 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/PASEP supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Não obstante tenha entendimento vencido sobre o tema, e por alterar o meu entendimento, passo a adotar as razões do voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, ilustre colega de sessão, em julgamento pretérito sobre a mesma matéria, consolidado no Acórdão n. 3801002.958. As operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, realizamse em três etapas bem definidas e distintas, a saber: as refinarias, as distribuidoras e os varejistas. Historicamente as receitas decorrentes da venda desses produtos ocorreram de forma concentrada e simplificada, inicialmente na modalidade de substituição tributária para frente e posteriormente sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência do PIS e COFINS se deu da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à COFINS, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/PASEP, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. Nesse modelo adotouse o modelo de substituição tributária para frente, com a definição das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras e varejistas. No caso de não ocorrer a venda na última fase da cadeia comercialização, foi assegurado ao consumidor final, contribuinte substituído, o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS. Esse entendimento foi expresso no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905404/201103 Acórdão n.º 3801004.167 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º,multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Os artigos 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000 aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindoa pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Nessa sistemática as refinarias passaram a recolher na condição de contribuinte de fato e direito, deixando a categoria de contribuintes substitutos dos demais, distribuidoras e os varejistas, intervenientes nas etapas de comercialização seguintes. As receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905404/201103 Acórdão n.º 3801004.167 S3TE01 Fl. 19 9 excluídas do pagamento das referidas Contribuições, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; A tributação das refinarias, das distribuidoras e varejistas passou a ser realizada de forma autônoma sob a sistemática monofásica, não havendo mais a figura da antecipação do que seria devido nas etapas subsequentes. Os pagamentos passam a ser considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. A MP n.º 1.99115, de 2000 extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Como conseqüência o regime monofásico de tributação não previu a possibilidade de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, em face de sua incidência única e definitiva. Sustenta o contribuinte o direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Em mudança de posicionamento entendo que não assiste razão a Recorrente. A sistemática legal não fundamenta tal entendimento, assim vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo pela possibilidade de manutenção de créditos exclusivamente quanto aqueles calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, segundo sistemática da nãocumulatividade. Igualmente, com base no artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. A referência normativa à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, se dirige unicamente aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente admitidas. Por outro lado, a alínea “b” do I inciso do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, dentre eles o monofásico. Cabe esclarecer que a própria exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002 ressaltou a especificidade desses regimes especiais, da seguinte forma: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905404/201103 Acórdão n.º 3801004.167 S3TE01 Fl. 20 10 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/PASEP, foram excluídas do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Assim, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero não há que se cogitar direito a crédito por ausência de expressa determinação legal. Por outro lado, entendo pela existência de restrição para os créditos de produtos adquiridos para revenda. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 15868.720213/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há nulidade em auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em parte
Numero da decisão: 3101-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Fez sustentação oral a Dra. Carolina Hamaguchi, OAB/SP 195.705, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 08/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Júnior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade em auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720213/201271 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3101001.707 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria Auto de Infração PIS e COFINS Recorrente JBS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não geram créditos no regime da não cumulatividade dispêndios com bens e serviços sem a efetiva comprovação. O ônus da prova de que os dispêndios se enquadravam como insumos é da empresa interessada nos créditos das contribuições. Provados nos autos que a fiscalização tentou obter a comprovação dos créditos das contribuições, sem obter êxito, correta está a glosa efetuada. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não geram créditos no regime da não cumulatividade dispêndios com bens e serviços sem a efetiva comprovação. O ônus da prova de que os dispêndios se enquadravam como insumos é da empresa interessada nos créditos das contribuições. Provados nos autos que a fiscalização tentou obter a comprovação dos créditos das contribuições, sem obter êxito, correta está a glosa efetuada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 02 13 /2 01 2- 71 Fl. 5501DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas lançadas, compondo o valor do crédito tributário constituído, que acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Entendimento do STJ reproduzido por determinação do art. 62A do RICARF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade em auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Fez sustentação oral a Dra. Carolina Hamaguchi, OAB/SP 195.705, advogada do sujeito passivo. Fl. 5502DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720213/201271 Acórdão n.º 3101001.707 S3C1T1 Fl. 4 3 Henrique Pinheiro Torres – Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 08/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Júnior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados em nome da empresa JBS S/A, em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para a COFINS, no período de 31/01/2009 a 31/03/2009, com o lançamento das contribuições, da multa de ofício e juros de mora. Conforme consta do competente Termo de Verificação de Infração Fiscal, o procedimento fiscal iniciouse com a análise dos pedidos de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e declarações de compensações, efetuados pela empresa Bertin S/A, CNPJ 09.112.489/000168, que foi incorporada pela empresa JBS S/A, CNPJ 02.916.265/000160, relativos ao período de apuração de outubro de 2007 a dezembro de 2008, e posteriormente estendido ao ano de 2009. A análise dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, relativos ao primeiro trimestre de 2009, estão consubstanciadas nos processos administrativos 12585.000460/201073 (Ressarcimento de COFINS – 1º trimestre de 2009) e 12585.000464/201051 (Ressarcimento de PIS – 1º trimestre de 2009). De acordo com o relato fiscal, o sujeito passivo, apesar de reiteradamente intimado, não apresentou nenhuma planilha ou qualquer outro documento equivalente contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não apresentou os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. A autoridade fiscal elaborou planilhas com a discriminação das aquisições de gado bovino de pessoas físicas e jurídicas, bem como de demais insumos que dariam direito à apuração de crédito presumido da agroindústria, e procederam à apuração dos créditos a que teria direito o contribuinte com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo próprio sujeito passivo e também nos Dacon apresentados. Fl. 5503DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Inconformada, a interessada apresentou a impugnação, na qual argumenta, em síntese: a) nulidade em razão da ilegitimidade da d. Autoridade Fiscal (DRF Araçatuba) para promover a fiscalização dos pedidos de ressarcimento da Recorrente, determinando a realização de nova fiscalização, pela Delegacia da Receita Federal competente para tanto, localizada no Município de São Paulo, seja em razão da incompetência da Autoridade de Araçatuba, seja em razão do cerceamento de defesa; b) nulidade em razão de não existir responsabilidade da Recorrente pelos débitos compensados, atrelados ao presente pedido de ressarcimento, haja vista a responsabilidade pessoal dos administradores da época; c) nulidade em razão do descumprimento do “múnus” atribuído à autoridade fiscal, que deveria exaustivamente obter informações perante os administradores da Bertin S/A à época dos fatos, em busca da efetivação do princípio da verdade material; d) direito ao reconhecimento da totalidade do direito creditório pleiteado pela Bertin S/A(incorporada pela Recorrente), vez que: (i) a glosa dos créditos não deve prosperar, vez que a fiscalização não conseguiu afastar a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela Bertin S/A; (ii) A Recorrente faz jus ao crédito presumido, à ordem de 60% (sessenta por cento) sob as aquisições de gado, nos moldes do artigo 8º da Lei 10.925/2004; (iii) As demais "glosas" são ilegais, vez que ausente qualquer justificativa, limitandose a autoridade fiscal a elaborar meras planilhas para justificar a glosa; e) subsidiariamente, determinar a realização de diligência pela unidade fiscal situada em São Paulo, seja em razão da incompetência da Delegacia fiscal de Araçatuba, seja em razão da imparcialidade de seus Auditores Fiscais. f) subsidiariamente, caso todos os argumentos anteriores sejam afastados, seja acatada, ao menos, a impossibilidade da Impugnante responder pelas multas e juros moratórios, pois, nos moldes do art. 132 do CTN, somente há responsabilidade por eventuais “tributos”, ou, ainda, resta indevida a responsabilidade pela multa e juros em razão do despacho decisório ter sido proferido em data posterior à incorporação, conforme amplamente exposto. A 4ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1443.203, referente a sessão de julgamento ocorrida em 25 de julho de 2013, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Fl. 5504DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720213/201271 Acórdão n.º 3101001.707 S3C1T1 Fl. 5 5 Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. A multa de ofício e os juros de mora integram a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário. Fl. 5505DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 SUCESSÃO DE EMPRESAS. GUARDA DE DOCUMENTOS E LIVROS DAS EMPRESAS SUCEDIDAS. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Caracterizada a sucessão de empresas, na forma do art. 133 do CTN, a guarda de todos os documentos e livros pertencentes às empresas sucedidas para futura exibição ao Fisco é de responsabilidade da empresa sucessora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, neste, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 70.235/72. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade. Fl. 5506DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720213/201271 Acórdão n.º 3101001.707 S3C1T1 Fl. 6 7 O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Das preliminares Da nulidade em razão da incompetência do Auditor Fiscal A Recorrente alega a nulidade do procedimento fiscal ante a incompetência do AuditorFiscal lotado na Delegacia da Receita Federal de Araçatuba, sendo que a sede da empresa era na cidade de São Paulo. Também alega que inexistia autorização para emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em jurisdição diversa da originária. Não assiste razão a Recorrente. Não há que se falar em nulidade no procedimento fiscal, pela sua execução por AuditorFiscal lotado em outra delegacia fiscal. A matéria encontrase sumulada neste órgão julgador: Súmula CARF nº 27 É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A ação fiscal, que resultou na lavratura dos autos de infração em questão, encontravase autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002011034024 emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, do Estado de São Paulo. As questões acerca de possíveis irregularidades na emissão do MPF também não tornam nulo o procedimento fiscal em questão, por se tratar o Mandado de Procedimento Fiscal de um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não mais do que isso. A jurisprudência deste Conselho pacificou entendimento segundo o qual eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem à nulidade, vez que o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Fl. 5507DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 A autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, conforme definido pelo art. 6º da Lei nº 10.593, de 2002 (com redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, 2007), e o procedimento fiscal é válido mesmo quando formalizado por AuditorFiscal de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme dispõe o § 2° do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade em razão da incompetência do AuditorFiscal. Do cerceamento do direito de defesa em razão da localização da unidade da RFB que executou o procedimento fiscal A Recorrente alega também o cerceamento de seu direito de defesa em razão da localização da unidade da Receita Federal que executou o procedimento fiscal, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araçatuba. Não assiste razão a Recorrente. Nenhum prejuízo foi causado pela execução regular do procedimento fiscal em Araçatuba, e não na cidade de São Paulo. Todas as formalidades legais essenciais previstas em lei e regulamento foram cumpridas, inclusive a lavratura de atos, identificação da autoridade competente, prazos, motivação No Termo de Verificação de Infração Fiscal encontrase detalhado todo o procedimento fiscal realizado, com a descrição dos fatos e apurações feitas pela fiscalização, bem como ao contribuinte foram entregues os demonstrativos de apuração dos créditos e dos saldos remanescentes das contribuições para o Pis e da Cofins. Inclusive a interessada foi intimada em várias oportunidades durante o procedimento fiscal e não apresentou todos os esclarecimentos necessários ou as comprovações requeridas. Posteriormente, na ciência dos Autos de Infração, a interessada teve acesso aos documentos constantes dos autos, não se constatando qualquer empecilho relativo à produção de provas, caracterizando cerceamento de seu direito de defesa. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade em razão do cerceamento do direito de defesa. Do Mérito Da apuração e glosa dos créditos A Recorrente alega a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela empresa sucedida Bertin S/A, e que a fiscalização não logrou êxito em desqualificálos, sem a devida comprovação. Não assiste razão a Recorrente. Não foram apresentados, nem durante o procedimento fiscal, nem no curso do julgamento administrativo, planilha ou qualquer outro documento equivalente contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos Fl. 5508DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720213/201271 Acórdão n.º 3101001.707 S3C1T1 Fl. 7 9 créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não foram apresentados os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. De acordo com o relatado no Termo de Verificação de Infração Fiscal, não restam dúvidas que a interessada não conseguiu demonstrar a exatidão dos valores requeridos, e coube à fiscalização, com base nos arquivos digitais dos registros fiscais que foram apresentados pelo próprio sujeito passivo, elaborar as planilhas juntadas no processo, com as notas explicativas constantes no final das referidas planilhas, apurar os valores dos créditos da contribuição para o PIS e da Cofins. Conforme exposto no acórdão recorrido, as reiteradas intimações comprovam o esforço da autoridade fiscal em coletar informações e cotejar os fatos com a norma, para então concluir pelo acerto nos lançamentos e pagamentos dos tributos pelo contribuinte ou proceder à exigência fiscal de ofício. Caberia à Recorrente apresentar prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, através da juntada aos autos de demonstrativos dos valores pleiteados juntamente com os lastros documentais, o que não ocorreu. De outro lado, a Fazenda apresentou seus demonstrativos, lastreados nos registros fiscais da empresa, que dão suporte ao lançamento efetuado. Desta forma, como a Recorrente não trouxe qualquer documento contábil ou fiscal anexo à peça recursal para desconstituir o lançamento do crédito tributário, o mesmo deverá ser mantido. Do crédito presumido da agroindústria Outra questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, §3º da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado a Recorrente entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. No caso, a empresa sucedida deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM. Neste caso, assiste razão a Recorrente, tendo em vista uma recente alteração legislativa que interpretou de forma contrária ao argumento do Fisco. O artigo 33 da Lei nº 12.865/13 acresceu enunciado interpretativo ao artigo 8° da Lei nº 10.925/04, verbis: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ........................................................................ § 1º ............................................................................... Fl. 5509DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ............................................................................................. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do parágrafo 10 incluído pela Lei nº 12.865/13. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei º 10.925/2004, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, reconhecese à Recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Da responsabilidade pelas multas e juros A Recorrente alega que, na hipótese de manterse o indeferimento do pedido de ressarcimento, não deverá ser responsabilizada pelas multas e juros aplicáveis aos débitos compensados, porquanto a responsabilidade estabelecida no art. 132 do CTN não abrangeria multas decorrentes de infração. Alega também a responsabilidade pessoal dos diretores, gerente e representantes da empresa sucedida, com base no art. 135, III do CTN. Inicialmente, cabenos destacar que, nos lançamentos de ofício, é devida a multa de ofício, pois tal multa integra o lançamento. O valor total lançado, composto do principal, multa e juros, corresponde ao valor do crédito tributário constituído. O artigo 129 do CTN trata da responsabilidade dos sucessores, aplicável ao presente caso, que transcrevemos abaixo: Art. 129 – O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Depreendese da redação do artigo e de seu posicionamento dentro do CTN, ou seja, de uma interpretação sistemática, que a responsabilidade dos sucessores referese aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de ofício. O STJ, em decisão sob o regime do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que a pessoa incorporadora é responsável não só pelo tributo devido pela incorporada, como também, pela multa moratória e outros encargos. Reproduzimos abaixo trecho da ementa do REsp 923.012/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em Fl. 5510DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720213/201271 Acórdão n.º 3101001.707 S3C1T1 Fl. 8 11 09/06/2010, cujo entendimento reproduzimos no presente voto, de acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, Dje 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) ... 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 923.012/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Com relação à incidência dos juros moratórios, de acordo com o artigo 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento devem ser acrescidos os juros moratórios. Desta forma, encontrase amparo legal a incidência de juros moratórios, inclusive nas sucessões. Portanto, a Recorrente responde pela totalidade do crédito tributário, inclusive a multa de ofício lançada e os juros moratórios incidentes. Fl. 5511DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 Do pedido de diligência Também não assiste razão a Recorrente na necessidade de diligência para a apuração dos valores dos créditos. As provas porventura existentes, deveriam ter sido apresentadas durante o procedimento fiscal ou mesmo na fase recursal. Nenhum elemento foi apresentado. Portanto, não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas mesmo em face dos documentos trazidas pela interessada, o que não foi o caso. Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Sala das sessões, em 17 de setembro de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 5512DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 16327.721787/2011-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
INSTITUIÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. DECADÊNCIA.
O fato gerador, nestes casos, ocorre no término do ano-calendário no qual foram recebidos os valores, haja vista que o art. 17, §3º, da Lei nº 9.532/97, determina que a diferença entre os valores recebidos e o valor entregue para a formação do patrimônio da instituição isenta deve ser computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado. O prazo decadencial, portanto, deve ser contado a partir desta data.
DECADÊNCIA. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES ENTREGUES PARA A FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DA INSTITUIÇÃO ISENTA REZALIZADA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO FUTURA INOCORRÊNCIA.
Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura.
O art. 113, § 1º, do CTN aduz que A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente.
Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis.
Ressalte-se o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.
O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN.
INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL NO PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F E DA BOVESPA.
Incide o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 no processo de desmutualização das bolsas, uma vez que os fatos ocorridos correspondem a uma devolução de patrimônio com posterior aquisição de ações de nova sociedade constituída.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1402-001.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez que davam provimento integral; e o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INSTITUIÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. DECADÊNCIA. O fato gerador, nestes casos, ocorre no término do anocalendário no qual foram recebidos os valores, haja vista que o art. 17, §3º, da Lei nº 9.532/97, determina que a diferença entre os valores recebidos e o valor entregue para a formação do patrimônio da instituição isenta deve ser computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado. O prazo decadencial, portanto, deve ser contado a partir desta data. DECADÊNCIA. ATUALIZAÇÃO DOS VALORES ENTREGUES PARA A FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DA INSTITUIÇÃO ISENTA REZALIZADA ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO FUTURA INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 87 /2 01 1- 65 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 524 2 Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL NO PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F E DA BOVESPA. Incide o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 no processo de desmutualização das bolsas, uma vez que os fatos ocorridos correspondem a uma devolução de patrimônio com posterior aquisição de ações de nova sociedade constituída. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez que davam provimento integral; e o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 525 3 Relatório Tratase de autos de infração de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes ao ano calendário de 2007. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 126139 descreve pormenorizadamente as operações realizadas pela autuada e as consequências fiscais daí advindas, sob a ótica da autoridade fiscal. Transcrevo os principais pontos do referido termo: 2. DESCRIÇÃO DOS FATOS (DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F) A BM&F era uma associação civil sem fins lucrativos. A partir de 20/09/2007, através do processo de cisão parcial o patrimônio daquela associação foi vertido para a BM&F S.A., sendo que na ocasião os títulos patrimoniais pertencentes às corretoras de valores mobiliários foram convertidos em ações, conforme deliberação de assembléia geral extraordinária. Salientase que, as corretoras de valores imobiliários, para atuarem na BM&F, eram obrigadas a deter títulos patrimoniais da citada entidade. Os títulos patrimoniais representavam “frações ideais” do patrimônio da BM&F, os quais eram contabilizados na conta de “Ativo Permanente” das corretoras, ficando sujeitos às atualizações periódicas de acordo com informações fornecidas pela entidade acima citada, com base nas demonstrações financeiras. A contrapartida dos acréscimos ao valor do citado ativo, eram contabilizadas na conta de “Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais”, dentro da conta de “Reserva de Capital”, que compõe o patrimônio líquido das corretoras. O contribuinte, na época da desmutualização da BM&F, detinha 1 Título Patrimonial de Membro de Compensação, 2 Títulos Patrimoniais de Corretora de Mercadorias e 1 Título Patrimonial de Sócio Efetivo. Nessa mesma data, de 20/09/2007, ocorreu a desmutualização da BM&F, ocasião em que os detentores de títulos patrimoniais da BM&F, receberam em troca dos títulos que possuíam, nessa associação, ações da nova companhia criada: BM&F S/A. Portanto, a CSHGCV S/A recebeu em troca dos títulos patrimoniais que detinha da BM&F (quadro abaixo), ações da BM&F S/A, nova sociedade por ações, resultante da cisão patrimonial da BM&F no processo de desmutualização. Ou seja, em 20/09/2007, ocorreu o fato gerador do IRPJ, descrito no art. 17 da Lei nº 9.532/97, pois houve a devolução do patrimônio da entidade isenta (BM&F) aos sócios, que utilizaram, subseqüentemente, o patrimônio recebido, para integralização Fl. 525DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 526 4 de capital na nova sociedade anônima (BM&F S/A), recebendo em troca ações desta CIA. [...] 2. DESCRIÇÃO DOS FATOS (DESMUTUALIZAÇÃO BOVESPA) A BOVESPA promoveu uma reestruturação societária (Processo de Desmutualização) que resultou na criação da Bovespa Holding, uma sociedade por ações fechada, que tem como subsidiárias interais a Bolsa de Valores de S. Paulo (BVSP) e a Cia. Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), conforme consta das atas das assembléias realizadas em 28/08/2007. As corretoras de valores mobiliários, para atuarem na BOVESPA, eram obrigadas a deter títulos patrimoniais das citadas entidades, as quais foram constituídas inicialmente como sociedades sem fins lucrativos. Os títulos patrimoniais representavam “frações ideais” do patrimônio da BOVESPA, os quais eram contabilizados na conta de “Ativo Permanente” das corretoras, ficando sujeito às atualizações periódicas de acordo com informações fornecidas pela entidade acima citadas, com base nas demonstrações financeiras. A contrapartida dos acréscimos ao valor do citado ativo eram contabilizadas na conta de “Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais”, dentro da conta de “Reserva de Capital”, que compõe o patrimônio líquido das corretoras. [...] Nessa mesma data, de 28/08/2007, ocorreu a desmutualização da BOVESPA, ocasião em que os detentores de títulos patrimoniais da BOVESPA, receberam em troca dos títulos que possuíam, nessa associação, ações da nova companhia criada: BOVESPA HOLDING. Portanto, a CSHGCV S/A recebeu em troca dos títulos patrimoniais que detinha da BOVESPA (quadro acima), ações da BOVESPA HOLDING, nova sociedade por ações, resultante da cisão patrimonial da BOVESPA no processo de desmutualização. Ou seja, em 28/08/2007, ocorreu o fato gerador do IRPJ, descrito no art. 17 da Lei nº 9.532/97, pois houve a devolução do patrimônio da entidade isenta (BOVESPA) aos sócios, que utilizaram, subseqüentemente, o patrimônio recebido, para integralização de capital na nova sociedade anônima (BOVESPA HOLDING), recebendo em troca ações desta CIA. [...] O contribuinte foi cientificado da autuação em 15/12/2011 (fls. 117 e 122), apresentando impugnação em 11/01/2012 (fls. 145174). O relatório da decisão recorrida bem reflete o teor da peça impugnatória, portanto, adotoo, transcrevendoo a seguir: a) Que a substituição dos títulos por ações seria decorrente de operação societária de transformação de associação civil em Fl. 526DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 527 5 sociedade por ações, operação esta que estaria prevista no art. 2.033 do Código Civil de 2002; b) Que o ato de transformação societária de associação civil para sociedade por ações não dependeria de dissolução ou liquidação da sociedade; c) Que, se a própria legislação estabeleceria que não há extinção da sociedade primitiva, não se poderia pressupor, no caso em foco, que teria havido a extinção da Associação Bovespa e da Associação BM&F; d) Que a suposta extinção não teria ocorrido nem de fato, haja vista que nenhuma corretora foi convocada para receber seus ativos de volta, nem de direito, pois a legislação seria clara ao indicar que não haveria extinção da associação para a criação da sociedade por ações; e) Que, não tendo havido a extinção da Bovespa ou da BM&F, não haveria que se falar em extinção dos respectivos títulos, tampouco em “devolução” do patrimônio que justificasse a pretensa aplicação do art. 17 da Lei nº 9.532/97; f) Que a operação de desmutualização implicaria uma mera reclassificação de um direito, ou, quando muito, uma permuta de ativos; g) Que, diante da inocorrência da devolução dos títulos, não teria havido a subsunção do fato à norma contida no art. 17 da Lei nº 9.532/97; h) Que, tendo sido tributada a “capitalização” dos títulos, tal procedimento deveria ser afastado pela Turma Julgadora, pois, de acordo com a Portaria nº 785/77 do Ministério da Fazenda, referidas atualizações, quando positivas, não estariam sujeitas à tributação pelo IRPJ; i) Que o Conselho Monetário Nacional teria estabelecido que as instituições financeiras deveriam contabilizar a atualização do valor dos títulos patrimoniais que detinham das bolsas da seguinte forma: se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na database do balanço, debitase “Títulos Patrimoniais” pela diferença apurada, em contrapartida com “Reservas de Atualização de Títulos Patrimoniais”; se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na database do balanço, creditase “Títulos Patrimoniais” pela diferença apurada, em contrapartida com “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em “Lucros ou Prejuízos Acumulados”. j) Que a metodologia da equivalência patrimonial seria de observância obrigatória, conforme estaria prescrito na Circular nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, do Banco Central do Brasil; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 528 6 k) Que o Ofício Circular CVM nº 325, de 21 de fevereiro de 1979 também prescreveria o método da equivalência patrimonial para ajustar os títulos das bolsas; l) Que, segundo o Parecer do Coordenador do Sistema de Tributação (“CST”) nº 2.254/1981 e a Decisão nº 13/97 da Coordenação Geral do Sistema de Tributação (“COSIT”) , o investimento em títulos das bolsas deveriam ser avaliados pelo método da equivalência patrimonial; m) Que, sendo aplicáveis à avaliação dos títulos das bolsas as regras referentes à equivalência patrimonial, não haveria a incidência do IRPJ e da CSLL, conforme estaria disposto nos arts. 225 e 389 do RIR; n) Que não deveria prosperar o entendimento da Fiscalização no sentido de que, com a suposta devolução dos patrimônios da Associação Bovespa e da BM&F, os sócios utilizaram, subseqüentemente, o patrimônio recebido para integralização de capital nas novas sociedades anônimas criadas, recebendo em troca ações dessas novas companhias; o) Que a operação de desmutualização consistiria em mera substituição dos títulos da Bovespa e da BM&F por ações das companhias resultantes das reorganizações; p) Que na operação de transformação não se verificaria, em qualquer momento, a intenção de as corretoras se desfazerem de seus ativos antigos (títulos); q) Que o único ganho tributável, auferido pela Impugnante, teria se dado com a venda de parte das ações em questão; r) Que teria recolhido o valor do imposto devido em razão do ganho apurado com a venda de parte das ações conferidas a ela em substituição aos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F, conforme restaria informado à Fiscalização; s) Que, em operação análoga, que teria envolvido a substituição de títulos patrimoniais da Bovespa por ações da Clearing, atual CBLC, a Receita Federal, por intermédio da Decisão nº 13/97 da COSIT, teria considerado a operação como mera permuta; t) Que sobre o ato permutativo não haveria incidência do IRPJ, conforme estaria previsto no art. 22 da Lei nº 9.249/95; u) Que os lançamentos seriam ilíquidos e incertos, pois a Fiscalização não teria computado as diferenças apuradas na determinação do lucro real, em desrespeito ao art. 17 da Lei nº 9.532/97; v) Que, não tendo sido recomposto o lucro real, a única alíquota aplicável para cálculo do IRPJ seria a de 15%, jamais podendo ter sido aplicado o adicional de 10%; w) Que, não tendo sido cumpridas as formalidades essenciais (intrínsecas) aos atos de lançamento, tais como a liquidez e certeza do montante exigido, estes seriam nulos; Fl. 528DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 529 7 x) Que as atualizações efetuadas até o anobase de 2005 não poderiam mais ser atingidas pelo lançamento, pois teria se operado a decadência do direito de o Fisco constituir os respectivos créditos tributários, em razão do disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN); y) Que a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício seria ilegal. A 7ª Turma da DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação, tendo a ementa da decisão recebido a seguinte redação: INSTITUIÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. DECADÊNCIA. O fato gerador, nestes casos, ocorre no término do anocalendário no qual foram recebidos os valores, haja vista que o art. 17, §3º, da Lei nº 9.532/97, determina que a diferença entre os valores recebidos e o valor entregue para a formação do patrimônio da instituição isenta deve ser computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado. O Prazo decadencial, portanto, deve ser contado a partir desta data. APLICAÇÃO DIRETA DA ALÍQUOTA SOBRE O VALOR TRIBUTÁVEL APURADO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. A aplicação direta da alíquota sobre o valor tributável decorrente da infração apurada produz, neste caso concreto, resultado idêntico àquele obtido por intermédio da adição deste valor ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, razão pela qual concluise inexistir nulidade no lançamento. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL NO PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F E DA BOVESPA. Incide o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 no processo de desmutualização das bolsas, uma vez que os fatos ocorridos correspondem a uma devolução de patrimônio com posterior aquisição de ações de nova sociedade constituída. A ciência do julgado em questão se deu em 22 de novembro de 2012 (fl. 268). O contribuinte apresentou recurso voluntário em 20 de dezembro de 2012 (fls. 270307), revolvendo seus argumentos da impugnação e atacando as conclusões da decisão de primeira instância. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de fls. 350402, rebatendo ponto a ponto os argumentos da Recorrente. É o relatório. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 530 8 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 1 PRELIMINARES 1.1 ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA Alega a Recorrente que as atualizações efetuadas até o anocalendário de 2005 não mais poderiam ser alvo de lançamento em razão de decadência, nos termos do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional. Entendo não assistir razão à Recorrente. Para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura A autuação diz respeito a ganho de capital apurado no anocalendário de 2007, com fundamento no art. 17 da Lei n° 9.532, de 1997. Não há que se confundir a atualização dos valores entregues para a formação do patrimônio da instituição isenta com o fato gerador do tributo. Somente se pode falar em início de contagem de prazo decadencial com a ocorrência do fato gerador. Se a acusação fiscal diz respeito a fatos efetivamente ocorridos no anocalendário de 2007, com reflexos tributários no mesmo período, uma vez que ali é que supostamente ocorreu o fato gerador, somente a partir de então é que se considera iniciada a contagem do prazo decadencial. Até mesmo porque o art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Tributário, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Os superávits apurados pelas então entidades sem fins lucrativos não revelavam a ocorrência de qualquer fato gerador de tributo, uma vez que somente haveria incidência de IRPJ e CSLL sobre seus resultados em caso de extinção ou devolução dos títulos patrimoniais. Portanto, o lançamento, dado seu caráter constitutivo do crédito tributário, mas declaratório da obrigação, somente pode ser realizado após a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, o surgimento da obrigação tributária. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 531 9 Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” Se por hipótese, não houvesse a devolução dos títulos patrimoniais aos associados, ainda que estes tivessem atualizado incorretamente os valores de tais títulos, na ausência de infração à legislação tributária, não haveria que se falar em lançamento, pois mesmo nos casos em que do lançamento não resulte exigência de crédito tributário, a constatação de infração à legislação tributária é condição sine qua non para formalização do lançamento. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Desse modo, rejeito a arguição de decadência. 2 MÉRITO O núcleo do presente litígio consiste em se determinar qual é a verdadeira natureza jurídica das operações de desmutualização da BM&F e da Bovespa. Passo, então, a descrever sucintamente estas operações. A decisão a quo bem descreve as operações de desmutualização da Bovespa e da BM&F: Da Desmutualização da Bovespa A denominada operação de desmutualização da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), em síntese, foi um processo aprovado pelos associados da Bovespa e pelos acionistas da Cia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e da Bovespa Serviços e Participações S.A. BSP (que teve a sua razão social alterada para Bolsa de Valores de São Paulo S.A. BVSP), no dia 28 de agosto de 2007, que teve como objetivo transferir as atividades compreendidas no objeto social da Bovespa (associação civil sem fins lucrativos) para outras duas entidades organizadas sob a forma de sociedades por ações: a Bovespa Holding S.A. e a Bovespa Serviços e Participações S.A. BSP (BVSP). O processo, segundo documento de fls. 27, consistiria na "cisão parcial" da Bovespa (redução do seu patrimônio em 99,97%, permanecendo somente 0,03% do valor total) e incorporação do patrimônio cindido, parte na BSP (BVSP) e parte na Bovespa Holding S.A. Em seguida, houve a incorporação de ações da BVSP pela Bovespa Holding S.A. Pela incorporação da parcela cindida da Associação Bovespa pela Bovespa Holding, cada associado recebeu, por título patrimonial, 570.535 ações ordinárias de emissão da Bovespa Fl. 531DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 532 10 Holding S.A., e, pela incorporação de ações da BVSP pela Bovespa Holding S.A., cada associado recebeu mais 136.227 ações, totalizando, portanto, 706.762 ações por cada título patrimonial que compunha o patrimônio da Bovespa. Conforme o Ofício Circular Bovespa n° 225. de 18 de setembro de 2007, para efeito de registro contábil, o valor patrimonial unitário das ações de emissão da Bovespa Holding S.A., em 28 de agosto de 2007, após os efeitos da reorganização societária, foi determinado em, aproximadamente, R$2,22. Como conseqüência dessa reorganização societária, o acesso das sociedades corretoras aos sistemas de negociação administrados pela BVSP, bem como o acesso dos agentes de compensação e liquidação aos sistemas administrados pela CBLC, passou a decorrer de relação contratual desvinculada da participação societária. Da Desmutualização da BM&F O processo de desmutualização da BM&F foi aprovado pelos associados em assembléia geral realizada no dia 20 de setembro de 2007, com efeitos a partir do dia 1° de outubro de 2007, e, segundo consta deste documento, consistiria na "cisão parcial" da BM&F (associação civil sem fins lucrativos) e na incorporação da parcela cindida (R$1,28 bilhão) pela companhia aberta intitulada Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F S.A. Esta assumiu todas as atividades comerciais até então desenvolvidas pela associação BM&F, a qual manteve somente as atividades educacionais, assistenciais e esportivas. A BM&F era constituída sob a forma de associação e os títulos eram divididos por categoria de acordo com a atuação do seu detentor na bolsa, sendo que as principais eram: Membro de Compensação, Corretora de Mercadorias, Operador Especial e Sócio Efetivo. Após diversas emissões, recompras e cancelamento de títulos, havia, na época da desmutualização, 618 títulos divididos nestas quatro categorias. A tabela abaixo apresenta a quantidade de títulos, por categoria, e a quantidade de ações de emissão da BM&F S.A. recebidas por cada título, na data da desmutualização: Categoria de Título Patrimomial Quantidade de Títulos Valor Patrimonial (R$) por Título N° de Ações da Cia. Por Título Membro de Compensação 83 4.961.610,00 4.961.610 Corretora de Mercadorias 81 4.898.015,00 4.898.015 Operador Especial 67 1.335.141,00 1.335.141 Sócio Efetivo 387 10.000,00 10.000 Total 618 901.877.292,00 901.877.292 Dos Entendimentos da Fiscalização e do Contribuinte Fl. 532DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 533 11 Para a Fiscalização, a desmutualização não poderia ser caracterizada como uma operação de cisão parcial das associações sem fins lucrativos (BM&F e Bovespa) com a incorporação do patrimônio cindido pelas sociedades por ações (BM&F S/A e Bovespa Holding S.A.). Conforme é possível depreender do Termo de Verificação fiscal, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras entendeu que, em verdade, as associações teriam devolvido parte de seu patrimônio aos associados, e estes teriam utilizado este patrimônio para adquirir ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A. O contribuinte, por sua vez, entende que, na operação de desmutualização, teria havido uma transformação destas associações em sociedades por ações. Em razão disso, afirma que não teria havido devolução do patrimônio aos associados, mas mera substituição dos títulos da Bovespa e da BM&F por ações das companhias resultantes das reorganizações. Entendo assistir razão ao Fisco. A questão, que envolve pormenores que serão analisados em seguida, pode ser resumida de maneira simples: uma entidade isenta de imposto de renda acumulou durante inúmeros períodos superávits; ao fim e ao cabo, quer entendendose que houve extinção da entidade sem fins lucrativos, quer sob a ótica de transformação e cisão, desejam os então associados da entidade sem fins lucrativos, posteriormente guindados a acionistas da empresa, não ver submetidos ao crivo do imposto de renda os ganhos da entidade e que não foram alvo de incidência de IRPJ e CSLL. Tais ganhos foram refletidos no valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindo no valor das ações recebidas da empresa com fins lucrativos criada. Ou seja, se assistisse razão à Recorrente, os ganhos não tributados da entidade sem fins lucrativos teria se transformado em custo das ações posteriormente pertencentes aos acionistas da sociedade anônima criada. Desse modo, entendo que deva prevalecer a posição adotada pela autoridade fiscal. Passo a análise detalhada das questões controvertidas. 2.1 DAS OPERAÇÕES ENVOLVENDO ASSOCIAÇÕES E SEUS EFEITOS TRIBUTÁRIOS Para análise do tema, necessário se faz uma breve análise do regime jurídico a que se submetiam as Bolsas de Valores (Bovespa e BM&F) no período a que se referem as operações em análise. Em primeiro lugar, a tese de que os institutos da incorporação, da cisão e da fusão pudessem ser aplicado às bolsas de valores não se mostra adequado. Vejase o que dispõe o art. 5º da Resolução CMN nº 2.690/2000: Art. 5° O estatuto social das bolsas de valores deve estabelecer, além do que for exigido pela legislação aplicável, regras básicas relativas à adoção de estrutura administrativa e operacional que permitam assegurar o pleno atendimento do seu objeto social e dos requisitos inerentes à sua condição de instituição auxiliar da Comissão de Valores Mobiliários enquanto entidade reguladora e fiscalizadora do mercado, dispondo, ainda, sobre: Fl. 533DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 534 12 [...] VII incorporação, fusão, cisão e dissolução da bolsa de valores; [... ] Apoiase a tese da Recorrente no fato de que o próprio CMN admite a possibilidade de incorporação, fusão e cisão das bolsas de valores. De certa forma, correta a conclusão da Recorrente, exceto pela amplitude que deseja dar ao dispositivo. Isso porque, conforme disposto no art. 1º da mesma Resolução CMN, as bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas.1 Ou seja, instituiuse uma faculdade às bolsas de valores de se constituírem sob a forma de associações civis ou sob a forma de sociedades anônima. Notese que em seus artigos 6º e 7º a Resolução em comento, inclusive, trata de forma distinta a composição do patrimônio ou capital social das bolsas de valores, diferenciando os casos de associações civis (divisão em títulos patrimoniais) e sociedades anônimas (divisão em ações ordinárias com direito de voto pleno).2 No caso de organização em forma de associação civil, conforme já explanado, o patrimônio social das Bolsas de Valores era formado mediante realização em dinheiro e dividido em títulos patrimoniais, colocados no mercado mediante leilão para aquisição pelas sociedades corretoras membros (art. 7º c/c art. 25 da Resolução CMN n° 1656/89). O valor nominal destes títulos patrimoniais era atualizado anualmente com base nas demonstrações financeiras do exercício (art. 10 da Resolução CMN n° 1.656/89). Nesse contexto, a Resolução CMN nº 2.690, de 2000, como qualquer outra norma, deve ser analisada em seu conjunto, e não se detendo a dispositivo específico isolado. O fato de o art. 5º da norma em comento dispor sobre a possibilidade de incorporações, fusões e cisões no âmbito das bolsas de valores deve ser interpretada de forma harmônica não somente 1 Resolução CMN nº 2.690, de 2000. Art. 1° As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: [...] Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. 2 Resolução CMN nº 2.690, de 2000. Art. 6° O Patrimônio ou o capital social das bolsas de valores deve ser formado, quando da constituição, mediante realização em dinheiro, e será dividido, conforme o caso, em títulos patrimoniais ou ações ordinárias com direito de voto pleno, devendo a quantidade e o valor inicial de emissão de títulos patrimoniais ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 7° As bolsas de valores podem emitir títulos patrimoniais ou ações com direito de voto pleno, cuja colocação será realizada mediante leilão, com préqualificação para os licitantes, ou na forma prevista em lei. [...] Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 535 13 em relação a tal diploma infralegal, mas também no contexto da legislação que rege tais institutos. No que se refere única e exclusivamente à Resolução em questão, mostrase evidente que, havendo distinção entre bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis e sob a forma de sociedades anônimas, impõese diferenciar quais institutos são aplicáveis a uma e a outra forma de organização das bolsas de valores. Entendo que o art. 1º da Resolução, inciso VII, ao dispor sobre incorporação, fusão e cisão, referese exclusivamente às bolsas de valores constituídas sob a forma de sociedade anônima. A meu ver, como bem asseverou a Fazenda Nacional em contrarrazões, “Por mais engenhosas que tenham sido as operações societárias que culminaram com a transferência das atividades das Bolsas para uma S.A., não há como fugir da simplicidade dos fatos. Ou seja, ao final das operações, as associações civis sem fins lucrativos estavam extintas e, em seu lugar, constituíramse sociedades anônimas”. Ademais, os institutos da fusão, cisão e incorporação aplicamse tão somente às sociedades empresárias. Logo, às associações não é possível utilizarse de tais mecanismos de reestruturação societária. Isso porque o artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, que tratam de tais institutos societários, estão inseridos em livro específico do Estatuto Civil aplicável exclusivamente às sociedades empresárias (Livro II Do Direito de Empresa; Título II Da Sociedade; Subtítulo II Da Sociedade Personificada; Capítulo X Da Transformação, Da Incorporação, Da Fusão e Da Cisão das Sociedades). Tal exegese encontra eco também nas normas expedidas pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio, que, por meio da Instrução Normativa nº 88, estabeleceu explicitamente que os institutos jurídicos em comento aplicamse somente às sociedades mercantis. Por oportuno, transcrevese o art. 23 da IN em questão: Art. 23. As operações de transformação, incorporação, fusão e cisão abrangem apenas as sociedades mercantis, não se aplicando às firmas mercantis individuais. A respeito do tema, a Conselheira Edeli Pereira Bessa, no voto vencedor do acórdão 1101000.833 assim examinou a matéria: No âmbito da incidência do IRPJ e da CSLL, a Lei n° 9.532/97, ao revogar o art. 28 do Decretolei n° 5.844/43, e o art. 30 da Lei n° 4.506/64, consolidou as regras para reconhecimento de isenção às associações civis sem fins lucrativos: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1° A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2° Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3°As instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e " e § 3° e dos arts. 13 e 14. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 536 14 [...] Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei n°9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1° Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei n° 9.249, de 1995. § 2° O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; § 3 ° Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4° Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. (negrejouse) O art. 15, §3o da Lei n° 9.532/97 vinculou a isenção concedida à observância dos seguintes dispositivos da mesma lei: Art. 12 [...] [...] § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; [...] Fl. 536DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 537 15 §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição Art. 14. A suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996. Nestes termos, a associação civil que atende aos requisitos legais e destina seu superávit integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, está isenta dos tributos incidentes sobre o lucro. Caso esta associação devolva bens e direitos a pessoa jurídica que contribuiu para a formação de seu patrimônio, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3o e 4o da Lei n° 9.532/97). O Código Civil de 2002 somente cogita da destinação do patrimônio de uma associação em caso de dissolução, fixando que ela deve beneficiar entidade de fins não econômicos ou os associados que contribuíram para a formação daquele patrimônio: TÍTULO II DAS PESSOAS JURÍDICAS CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: 1 as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei n° 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei n° 10.825, de 22.12.2003) § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei n° 10.825, de 22.12.2003) Fl. 537DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 538 16 § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei n° 10.825, de 22.12.2003) § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (Incluído pela Lei n° 10.825, de 22.12.2003) [...] CAPÍTULO II DAS ASSOCIAÇÕES Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I a denominação, os fins e a sede da associação; II os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III os direitos e deveres dos associados; IV as fontes de recursos para sua manutenção; V o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) VI as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução; VII a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Incluído pela Lei n° 11.127, de 2005) Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto. Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) I destituir os administradores; (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) II alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Fl. 538DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 539 17 Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos farseá na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovêla. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. (negrejouse) Ao ser editado, o referido Código ainda trouxe algumas disposições transitórias para adaptação de todas as pessoas jurídicas, inclusive as associações, ao novo regime, estipulando prazo que foi prorrogado pela Lei n° 10.838/2004 e pela Lei n° Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007. (Redação dada pela Lei n° 11.127, de 2005) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às organizações religiosas nem aos partidos políticos. (Incluído pela Lei n° 10.825, de 22.12.2003) [...] Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Art. 2.034. A dissolução e a liquidação das pessoas jurídicas referidas no artigo antecedente, quando iniciadas antes da vigência deste Código, obedecerão ao disposto nas leis anteriores. (negrejouse) Observase no referido diploma legal que as hipóteses de transformação,incorporação, cisão ou fusão somente foram previstas para sociedades, nos termos dos arts. 1.113 a 1.122, integrantes do Capítulo X (Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades) do Subtítulo II (Da Sociedade Personificada). Quando quis compartilhar as normas aplicáveis às sociedades com as demais pessoas jurídicas privadas, o legislador foi expresso: Art. 51 [...] [...] § 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 540 18 § 3o Encerrada a liquidação, promoverseá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. [...] Neste cenário jurídico, a dissolução da associação civil sem fins lucrativos deve resultar na destinação de seu patrimônio a entidade de fins não econômicos, idênticos ou semelhantes aos seus, ou favorecer os associados que contribuíram para a formação de seu patrimônio. E, caso bens e direitos sejam devolvidos a pessoa que contribuiu para formação do patrimônio da associação civil, haverá a incidência tributária prevista no art. 17 da Lei n° 9.532/97. Estas regras aplicamse, inclusive, em caso de dissolução parcial da associação civil, devendo o parágrafo único do art. 16 da Lei n° 9.532/97 ser interpretado à luz do Código Civil de 2002, que somente permite a transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica de fins não econômicos. Inexistindo a possibilidade de cisão da associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu os títulos patrimoniais que a recorrente possuía em Bolsa de Valores em ações de Bolsa de Valores somente pode ser caracterizado como dissolução parcial da associação sem fins lucrativos, com devolução de patrimônio a associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima referida. Em tais circunstâncias, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ. Aliás, recente decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região orientase neste mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MANDAMENTAL. IRPJ. CSSL. BM&F BOLSA DE MERCADORIAS E FUTURO DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17. INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. 1.O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da BM&F à detentora de ações na nova holding,acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 2. A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela impetrante. 3. Não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial porquanto o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas, não sendo este o caso dos autos. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 541 19 4.Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta n° 13 de 10/11/97, proferida antes da vigência da Lei 9.532/97. O mesmo vale para a aplicação da Portaria MF n° 785/77, já que esta cuidava de "constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos" e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real, não sendo este o caso dos autos. 5.O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei n° 9.532/97. 6 Apelação que se nega provimento. (Apelação Cível n° 0035179 62.2007.4.03.6100/SP, processo n° 2007.61.00.0351795/SP, Relator Desembargador Federal Márcio Moraes, sessão de 19 de julho de 2012). Vale a pena destacar que o entendimento fixado na decisão citada pela Ilustre Conselheira não reproduz exegese isolada sobre o tema, antes pelo contrário, uma vez que a jurisprudência sobre o tema caminho no mesmo sentido, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. [...] 2.Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 542 20 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembléia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente "mandamus". 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida. (AC 2008.61.00.0087063/SP, Relator Juiz Convocado RUBENS CALIXTO, TRF da 3ª Região, D.E. de 23.07.2012) PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MANDAMENTAL. IRPJ. CSSL. BM&F BOLSA DE MERCADORIAS E FUTURO DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17. INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. 1. O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da BM&F à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 2. A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela impetrante. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 543 21 3. Não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial porquanto o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas, não sendo este o caso dos autos. 4. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta n° 13 de 10/11/97, proferida antes da vigência da Lei 9.532/97. O mesmo vale para a aplicação da Portaria n° MF n° 785/77, já que esta cuidava de "constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos" e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real, não sendo este o caso dos autos. 5. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei n° 9.532/97. 6. Apelação que se nega provimento. (AMS 2007.61.00.0351795/SP, Relator Juiz Convocado RUBENS CALIXTO, TRF da 3ª Região, D.E. de 30.07.2012) TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. [...] 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 544 22 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembléia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente "mandamus". 12. Não conhecido o agravo de instrumento n. 2008.03.00.0142368, convertido em retido na forma do inciso II do art. 527 do CPC, uma vez que não houve reiteração do recurso nas razões de apelação. 13. Apelação improvida. (AMS 00023846620084036100, Relator Juiz Convocado RUBENS CALIXTO, TRF3, D.E. de 03.08.2012) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. IRPJ. CSSL. BOVESPA BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO, BM&F BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 13, DE 10/11/97, PROFERIDA ANTERIORMENTE À LEI 9.532 DE 10/12/97. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO FAZENDÁRIO, QUE SE CONFORMA À LEI VIGENTE APLICÁVEL À HIPÓTESE. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I. As Bolsas de Valores, nos termos da Lei 6.385/76 são órgãos integrantes do sistema de distribuição de valores mobiliários, voltandose à realização do interesse geral do mercado. Conquanto pessoas jurídicas de direito privado, exercem serviço público. Constituídas originariamente como associações sem fins lucrativos colaboradoras com o poder público, Fl. 544DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 545 23 assembleias gerais extraordinárias vieram de aprovar a "desmutualização" das Bolsas, acarretando a conversão dos títulos patrimoniais dos associados, detidos pelos Agravantes, em ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A. II. A noticiada "desmutualização" alterou a situação jurídicotributária então existente, ensejando a incidência fiscal, a teor da Lei 9.532 de 10/12/97, art. 17. III. O art. 177, § 2° da Lei 6.404/76, prevê que as normas de natureza tributária possam ter apuração de resultado diferente do contábil. IV. O Dec. 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda – RIR determina a utilização do método de equivalência patrimonial apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas (arts. 384, 387, 388), do que não se cogita na espécie dos autos. V. Solução de Consulta n° 13 de 10/11/97, proferida anteriormente à vigência da Lei 9.532 de 10/12/97, que ora rege a hipótese objetivada. VI. Agravo a que se nega provimento. (AI 01051154420074030000, Relatora Desembargadora Federal Salette Nascimento, TRF3, D.E. de 19.08.2008). Assim sendo, com base no artigo 61 do Código Civil e no artigo 17 da Lei n° 9.532, de 1997, a decisão recorrida deve ser mantida, mantendose integralmente o crédito tributário em litígio. 2.1 INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL PARA AVALIAÇÃO DO PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÕES A conduta adotada pela Recorrente baseouse no disposto na Circular BACEN n° 1.273/87, responsável por criar o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF, a seguir transcrita: CAPÍTULO: Normas Básicas 1 SEÇÃO: Ativo Permanente 11 [...] 3 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, são corrigidos mensalmente e atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 546 24 b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. Podese constatar que no Capítulo 1, item 11, subitem 3, § 3° do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional Cosif consta que a conta utilizada para registro dos títulos patrimoniais pertence ao grupo do Ativo Permanente Investimentos (contas Cosif 2.1.4.10.10.000183, 2.1.4.10.20.00037 e 2.1.4.10.20.00040), e que a Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais é registrada na conta Cosif 6.1.3.709, integrante do Patrimônio Líquido Reserva de Capital. Em contrarrazões, a Fazenda Nacional muito bem analisou a questão: Ora, é sabido que uma sociedade é caracterizada por ser uma pessoa jurídica decorrente de um estatuto social ou de um contrato, pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a prestar certa contribuição de bens ou serviços, formando um patrimônio destinado ao exercício de atividade econômica, e com a intenção de partilhar lucros entre si. Nessa perspectiva, as antigas Bovespa e BM&F, para serem consideradas sociedades, deveriam partilhar os resultados advindos da atividade econômica desenvolvida. Todavia, por terem sido constituídas sob a forma de associações civis SEM FINS LUCRATIVOS, não há que se falar em distribuição de lucros e, portanto, em equiparação de tais entidades a sociedades. Dessa maneira, a legislação aplicável às sociedades não pode ser estendida às associações em razão das próprias características que diferenciam um e outro tipo de pessoa jurídica. Portanto, resta inviabilizada a pretensão de estender à Bovespa e à BM&F a legislação de regência das sociedades empresárias. As razões utilizadas acima servem para se refutar o entendimento da contribuinte, no sentido de que seria aplicável o método da equivalência patrimonial (MEP) para a avaliação do título patrimonial das bolsas de valores. Ora, o MEP foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei n° 6.404, de 1976, e deve ser aplicado de acordo com os preceitos firmados por este diploma legal. Assim, o primeiro aspecto que deve ser ressaltado é que a Lei n° 6.404, de 1976, tem como destinatárias as sociedades por ações, que possuem natureza jurídica totalmente diversa das associações. Com efeito, basta lembrar que a Bovespa e a BMF foram instituídas como associações sem fins lucrativos, enquanto as sociedades por ações servem para o desenvolvimento de atividades empresariais cujo objetivo é proporcionar lucro aos seus sócios. Desse modo, fica evidente a incompatibilidade da Lei n° 6.404, de 1976, com o regime jurídico das associações. Não obstante, nada impede que uma lei possa autorizar que as associações civis utilizem as regras previstas para as sociedades empresárias. Apesar das inúmeras disparidades entre as sociedades empresárias e as associações civis sem fins lucrativos, se a lei previsse que estas poderiam ser regidas pelas normas da Lei n° 6.404, de 1976, caberia apenas obedecer ao comando legal. Nessa perspectiva, o contribuinte teria razão se houvesse uma lei que autorizasse as associações civis a seguirem as normas contábeis específicas para as sociedades por ações. Entretanto, não existe tal suporte legal que fundamente a pretensão do contribuinte pois os dispositivos do Código Civil que regulamentam as associações não trouxeram norma com este conteúdo, tampouco a Lei n° 6.404, de 1976. Feitas estas considerações, não há como se distanciar das conclusões exaradas na Solução de Consulta Cosit n° 10/2007, ao afirmar que: (... ) nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores pelo MEP. Estavam, sim, autorizadas pela Portaria n° 785, de Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 547 25 1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. (destaques não constam no original) Conforme se verifica no trecho acima transcrito, não havia autorização legal para que as corretoras avaliassem seus títulos patrimoniais da Bovespa e da BMF utilizando o MEP. Esse entendimento apenas confirma que o regime jurídico das Bolsas de Valores era distinto das sociedades por ações e não poderia ser diferente, visto que a Bovespa e a BMF eram entidades sem fins lucrativos, ao contrário das sociedades empresárias. Assim, resta evidenciado que nenhuma lei ou DecretoLei fundamentou a pretensão do contribuinte de avaliar seus títulos patrimoniais das Bolsas de Valores pelo MEP. Por sua vez, cumpre destacar que a Portaria n° 785/1977, do Ministro de Estado da Fazenda, regulamentou a tributação dos acréscimos patrimoniais auferidos pela Bovespa e pela BMF. Ocorre que a mencionada Portaria em momento algum determinou a utilização da Lei das Sociedades por Ações para contabilização dos acréscimos de valor dos títulos patrimoniais das Bolsas. Confirase: Portaria n° 785, de 20 de dezembro de 1977 O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições e, com, fundamento no que dispõe o art. 223, 'm', do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75: Resolve: I. Os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DecretoLei n° 1.109/70, art. 3°, § 3° (RIR, art. 237). Inicialmente, chama a atenção que a citada Portaria foi editada para regulamentar a alínea "m" do art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75. Significa dizer que a Portaria n° 785, de 1977, retirou fundamento de validade de uma norma anterior ao próprio surgimento do MEP que passou a vigorar apenas a partir da Lei n° 6.404, de 1976. Dessa forma, fica patente que a interpretação ministerial explicitada na mencionada Portaria não se referia ao MEP. Para confirmar essa constatação, vejamos o que dispunha a alínea "m" do art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75: Art. 223. Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (... ) m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebidos em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 197, §§ 6° e 9°, 223, alínea l, 223, § 31, 236, 243, alínea d, 250, 254, § 3°, 283, 297, 577, 578 e 583 (Decretolei n° 1.096/70, art. 1°, §§ 6° e 7°, Lei n° 4.862/65, art. 49, Decretlei n° 1.260/73, art. 4°, Decretolei n° 1.109/70, art. 3° e § 1°, Lei n° 4.357/64, art. 3°, § 6°, Decreto lei n° 756/69, art. 25, Decretolei n° 1.338/74, art. 15, § 4°, Decretolei n° 1.191/71, art. 9°, § único, Decretolei n° 221/67, art. 80, § 4°, Lei n° 5.508/68, Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 548 26 art. 36, Decretolei n° 756/69, art. 24, § 4°, Decretolei n° 1.346/74, arts. 6°, § 3°, e 11, e Decretolei n° 1.370/74, art. 2°, § 3°); (sem negrito no original) Dessa forma, percebese que a norma acima tratava dos quinhões ou frações ideais recebidas pelos associados em decorrência de meros aumentos de capital da bolsa de valores. Assim, não há que se confundir a situação tratada nos referidos atos normativos com o MEP. Não merecem prosperar, igualmente, alegações no sentido de que o Ofício Circular CVM n° 325/1979, e a Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273/1987 teriam obrigado as sociedades corretoras de valores a avaliarem seus títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) pelo MEP. Com efeito, inferese da leitura do art. 248 da Lei n° 6.404, de 19763, que o MEP só se aplica aos investimentos em sociedades controladas ou coligadas. Diante disso, não se pode admitir que o Poder Regulamentar conferido à CVM, pela Lei n° 6.404 de 1976, possa servir para autorizar a extensão do MEP para as Bolsas de Valores constituídas sob a forma de associação civil. Isso porque o art. 4° da referida lei evidencia que as normas expedidas pela CVM sujeitam apenas as companhias abertas. Por outro lado, se o Ofício Circular CVM n° 325/1979, e a Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273/1987 conferiram tal prerrogativa às corretoras, o fizeram desrespeitando o art. 248 da Lei n° 6.404, de 1976. Isso porque o citado dispositivo legal restringe a aplicação do MEP para avaliação de investimentos em sociedades coligadas ou controladas. Ora, Srs. Conselheiros, é possível conceber que as corretoras eram coligadas ou controladoras das Bolsas de Valores? Se prevalecer o entendimento de que as corretoras poderiam avaliar seus títulos patrimoniais nas Bolsas de Valores pelo MEP, restaria desconfigurada ou simplesmente ignorada a natureza jurídica das próprias Bolsas de Valores. Significa dizer que o MEP serviria para associados avaliarem sua participação no patrimônio da associação o que é totalmente incompatível com a finalidade e a estrutura de uma associação sem fins lucrativos. Acrescentese ainda que a Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273/1987 determina apenas que as sociedades corretoras observem normas consubstanciadas no COSIF, mas, de forma alguma autorizou que se avaliassem investimentos em associações pelo MEP. Vale a pena transcrever as disposições da referida Circular: Às Instituições Financeiras e demais Entidades Autorizadas a Funcionar pelo Banco Central do Brasil Comunicamos que a Diretoria do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 16.12.87, com fundamento no art. 4., inciso XII, da Lei n. 4.595, de 31.12.64, por competência delegada pelo Conselho Monetário Nacional, decidiu instituir, para adoção obrigatória a partir do Balanço de 30.06.88, o anexo PLANO CONTÁBIL DAS INSTITUIÇÕES DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL COSIF. As normas consubstanciadas no COSIF aplicamse aos bancos comerciais, bancos de desenvolvimento, bancos de investimento, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de arrendamento mercantil, sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo, caixas econômicas e cooperativas de crédito. O período compreendido entre janeiro e junho de 1988 é considerado como de implantação, devendo as instituições financeiras tomar as providências necessárias para que a sua escrituração esteja em condições de fornecer, em Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 549 27 30.06.88, os dados indispensáveis ao levantamento das demonstrações financeiras exigidas. Observarseá também o seguinte: a) considerada a database de 30.06.88, remeterseá ao Banco Central o Balancete Geral Analítico (Doc. n. 01), confeccionado de acordo com os planos contábeis vigentes, ou na forma usual, no caso de instituições que não possuam, ainda, demonstrações padronizadas pelo Banco Central; b) juntarseão ao Balancete Geral Analítico, indicado no item 4.a, as demonstrações financeiras previstas no COSIF, dispensada a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos DOAR (Doc. n.12); c) a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos DOAR, relativa ao Balanço de 31.12.88, será elaborada segundo as variações patrimoniais que afetarem o disponível no período de 01.07 a 31.12.88; d) dispensarseá, em 30.06 e 31.12.88, a publicação das demonstrações financeiras de forma comparada com as de outros períodos. (destaques não constam no original) Como se vê, não há na Circular acima transcrita qualquer autorização ou determinação para que as sociedades corretoras avaliem seus ativos representativos dos títulos patrimoniais das bolsas de valores pelo MEP. De forma a evidenciar ainda mais o desacerto do entendimento sustentado pelo contribuinte, analisemos também o já revogado art. 10 da Resolução Bacen n° 1.656/1989, que aprovou o Regulamento que disciplinava a constituição, a organização e o funcionamento das bolsas de valores, por força do disposto, à época, no art. 18 da Lei n° 6.385, de 1976, que assim dispunha: Art. 10. Ao término de cada exercício social, o valor do patrimônio social deve ser atualizado com base nas demonstrações financeiras correspondentes, feitas de acordo com os procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas. Parágrafo 1. O valor do patrimônio, apurado anualmente, dividido pelo número de títulos patrimoniais, computados, inclusive, os que não tenham sido ainda colocados ou que estejam em tesouraria, dará o valor nominal destes, e terá vigor nos 12 (doze) meses subseqüentes. (destaques não constam no original) Parágrafo 2. A atualização anual do patrimônio deve ser submetida, até 10 (dez) dias depois de aprovada pela assembléia geral, à Comissão de Valores Mobiliários, para sua homologação. Parágrafo 3. A falta de manifestação da Comissão de Valores Mobiliários, após 30 (trinta) dias da apresentação dos respectivos processos de atualização, implicará aceitação da proposta. Parágrafo 4. O prazo previsto no parágrafo anterior poderá ser interrompido, uma única vez, por no máximo 30 (trinta) dias, caso a Comissão de Valores Mobiliários requisite à Bolsa de Valores informações ou documentos adicionais. Ocorre que o parágrafo 1° do artigo 10 acima transcrito não foi repetido na Resolução CMN n° 2.690/2000, que atualmente consolida as normas que disciplinam a constituição, a organização e o funcionamento das bolsas de valores. Com efeito, o disposto nos artigos 6°, 7° e 9° da Resolução em vigor indicam que as bolsas de valores não podem mais alterar o valor dos títulos patrimoniais, pois agora, se quiserem, podem emitir novos Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 550 28 títulos e colocálos em leilão, conforme se depreende da inteligência dos referidos artigos. Confirase: Art. 6°. O Patrimônio ou o capital social das bolsas de valores deve ser formado, quando da constituição, mediante realização em dinheiro, e será dividido, conforme o caso, em títulos patrimoniais ou ações ordinárias com direito de voto pleno, devendo a quantidade e o valor inicial de emissão de títulos patrimoniais ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. Art. 7° As bolsas de valores podem emitir títulos patrimoniais ou ações com direito de voto pleno, cuja colocação será realizada mediante leilão, com pré qualificação para os licitantes, ou na forma prevista em lei. Parágrafo 1° O preço mínimo de emissão ou colocação de título patrimonial ou ação não será inferior ao seu valor nominal. Parágrafo 2° A emissão e colocação de títulos patrimoniais ou de ações de forma diversa da prevista no caput depende de prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários ou de previsão legal. Parágrafo 3° O desdobramento de títulos patrimoniais ou de ações depende, igualmente, de prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários ou de previsão legal. Art. 9° Ao término de cada exercício social, o valor do patrimônio social deve ser apurado com base nas demonstrações financeiras correspondentes, feitas de acordo com os procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas. Parágrafo 1° A apuração anual do patrimônio deve ser submetida, até dez dias depois de aprovada pela assembléia geral, à Comissão de Valores Mobiliários, para sua homologação. Parágrafo 2° A falta de manifestação da Comissão de Valores Mobiliários, após trinta dias da apresentação dos respectivos processos de apuração, implicará aceitação da proposta. Parágrafo 3° O prazo previsto no parágrafo anterior poderá ser interrompido, uma única vez, por no máximo trinta dias, caso a Comissão de Valores Mobiliários requisite à bolsa de valores informações ou documentos adicionais. Como se vê, o que tais dispositivos determinam não se confunde com equivalência patrimonial, pois o MEP é método de avaliação de investimento e não, método de apuração de patrimônio social. O que os aludidos dispositivos tratam é da apuração do próprio patrimônio das bolsas de valores, de como ele deve ser repartido pelo número de títulos patrimoniais e da emissão de novos títulos. Entendo, assim, corretas as conclusões da Fazenda Nacional. De todo modo, ainda que se entenda aplicável o Método da Equivalência Patrimonial para avaliação dos títulos patrimoniais da BOVESPA e BM&F, outra sorte não assiste à Recorrente. Tal ganho obtido pela atualização dos títulos patrimoniais estava sujeito à tributação conforme definido pelo parágrafo único do art. 219 do RIR/99. Contudo, estas operações contábeis foram objeto da Portaria MF n° 785/77, que assim classificou os resultados destas atualizações: Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 551 29 I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei n° 1.109/70, art. 3°, § 3° (RIR, art. 237). Ainda que se admita que tais variações, por não transitarem por conta de resultado, dependeriam de previsão legal expressa para que fosse computada na apuração do lucro real, aliás, conforme dispõe o art. 249 do RIR/99, verbis: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, § 2°): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real.(grifo nosso) [...] Contudo, a alienação destes títulos patrimoniais pelas sociedades corretoras, em geral, se dá por valor superior ao de aquisição. Discutese, assim, a existência, ou não, de ganho de capital suscetível de tributação na forma estabelecida pelo Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99): Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 31). § 1° Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 31, § 1°). § 2° O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. [...] Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 552 30 Art. 425. O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (art. 418, § 1°) (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 31, § 3°). Parágrafo único. A provisão para perdas constituídas até 31 de dezembro de 1995, quando dedutível na apuração do lucro real nos termos da legislação aplicável, deverá ser considerada na determinação do ganho ou perda de capital. (negrejouse) Para a Recorrente o valor contábil do bem é aquele registrado em sua escrituração contábil, já atualizado pela equivalência ao patrimônio social da Bovespa e BM&F. Contudo, o "custo contábil" a que refere a legislação nada mais é que o custo de aquisição dos bens do ativo permanente, conforme escriturado com base em seu valor original, à exceção de eventual correção montaria, de acordo com o período em que foi adquirido, e à dedução de depreciação, amortização ou exaustão acumulada. Embora se reconheça que haja semelhanças procedimentais entre a atualização dos títulos patrimoniais e o Método de Equivalência Patrimonial, este gerando ganhos periódicos não sujeitos à tributação (art. 389 do RIR/99) e que comporiam o valor contábil do investimento para fins de apuração do ganho de capital em eventual alienação (art. 426 do RIR/99), os efeitos tributários diversos de cada um dos casos se dão em razão de possuírem fundamentos igualmente distintos. Em relação ao Método da Equivalência Patrimonial MEP cumpre ressaltar que se trata de critério contábil de avaliação de ativos, alvo de estudo pela doutrina contábil e positivado na Lei n° 6.404/76. De outra banda, as atualizações dos títulos patrimoniais das bolsas de valores encontrase regrado pelas referidas Resoluções do Banco Central. Ainda no que tange ao MEP, é imperioso salientar que a contrapartida do aumento do valor do investimento é um ganho não tributável, uma vez que advém de resultado positivo de uma sociedade controlada ou coligada cujo acréscimo patrimonial já foi alvo de tributação, diversamente da atualização dos títulos patrimoniais, lastreada em superávits de uma associação civil sem fins lucrativos, ou seja, cujos resultados não estão sujeitos à tributação do IRPJ inclusive em razão de norma isencional. A última distinção entre tal institutos advém do fato de a investidora – obrigada a avaliar o investimento pelo MEP – possuir poderes para influenciar nas decisões da investida, em razão da relevância do investimento, ao passo que a sociedade corretora somente realizar os resultados auferidos por intermédio dos títulos patrimoniais da BOVESPA e BM&F caso os aliene. Nessa senda, considerandose que os resultados reconhecidos pela Recorrente em razão de participação na BOVESPA e BM&F então associações civis sem fins lucrativos não foram objeto de tributação, também não poderiam afetar a apuração de ganho de capital no momento de sua alienação. Na prática, embora haja reconhecimento contábil de tais resultados por força de normas expedidas pelo CMN e/ou Banco Central do Brasil, postergouse a tributação para o momento da realização efetiva dos resultados, qual seja, a alienação dos títulos patrimoniais representativos de participação na BOVESPA E BM&F. No que tange aos efeitos dos Pareceres Normativos CST n° 78/78 e 107/78, que trataram dos efeitos tributários dos resultados de equivalência patrimonial promovidos em razão de determinações do Banco Central do Brasil, convém transcrever alguns de seus dispositivos: Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 553 31 2. De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, artigo 247, parágrafo único) um investimento em sociedade coligada ou controlada é relevante quando seu valor contábil é igual ou superior a 10% (dez por cento) do valor do patrimônio liquido da sociedade anônima investidora. Também o é, mesmo sem atingir os 10% (dez por cento) se o valor da participação, somado ao das demais participações em coligadas ou controladas, alcança pelo menos 15% (quinze por cento) do valor do patrimônio líquido da investidora. Investimentos em sociedades não coligadas nem controladas não são considerados relevantes, não importa quão importantes sejam para a empresa investidora. A mesma lei, no artigo 243, considera duas sociedades como coligadas quando uma participa com 10% (dez por cento) ou mais do capital da outra, sem controlála (§ 1°); e define controlada como aquela sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (§ 2°). 3. O artigo 248 da Lei das S/A. manda que a sociedade anônima apresente em seu balanço, avaliado pelo valor de patrimônio líquido, o investimento relevante (a) em sociedade coligada sobre cuja administração tenha influência, ou (b) em sociedade coligada de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, ou ainda (c) em sociedade controlada. Assim sendo, as participações de capital de caráter permanente, que a um só tempo sejam relevantes e determinem influência (sob qualquer das formas (a), (b) ou (c) mencionadas neste item) nas coligadas ou controladas devem ser avaliadas em função do valor de patrimônio liquido, método também chamado de equivalência patrimonial: 3.1 A lei não manda avaliar indiscriminadamente segundo um (equivalência patrimonial) ou outro (custo de aquisição) critério; antes, discrimina os investimentos segundo sua importância relativa. Importância na capacidade de inversão da investidora, originando o conceito de relevância, e importância no conjunto dos recursos aplicados no empreendimento, gerando o conceito de influência. 4. O DecretoLei n. 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (artigo 20, § 4o), diz que essa modalidade de avaliação de investimentos é obrigatória nos casos determinados pela Lei das S/A., e nas sociedades em que "a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada". 5. O Decretolei desta maneira exige que outras sociedades, além das anônimas, avaliem investimentos por equivalência patrimonial. Na cadeia de participações entre sociedades, iniciada por sociedade anônima, toda avaliação de investimento no capital de outra sociedade, quando o investimento for permanente, relevante e influente, deve ser feita por esse método, mesmo naquelas sociedades não organizadas sob a forma de companhia. Não importa, convém lembrar, que a participação seja direta ou indireta. 6. Em resumo, quando possuírem investimentos permanentes, relevantes e influentes devem em relação a eles praticar avaliação por equivalência patrimonial: I as companhias; e II as demais sociedades, sempre que entre os detentores do seu capital ou na cadeia ascendente e ininterrupta de participações relevantes e influentes se encontre sociedade anônima. 7. Não obstante a generalidade das regras acima discutidas, ressalvese a possibilidade de legislação específica para setores econômicos ou classes de Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 554 32 empresas estabelecer outros critérios de avaliação pelo patrimônio líquido. Particularmente, a Lei da Reforma Bancária (n. 4.595, de 31 de dezembro de 1964, artigo 49, item XII) atribui ao Conselho Monetário Nacional a fixação de normas contábeis para as instituições financeiras, assim como a Lei n. 6.385, de 7 de dezembro de 1976 (artigo 22, §, IV) deferiu à Comissão de Valores Mobiliários a fixação de padrões de contabilidade para companhias abertas: 7.1 Dado que tais normas devem ser interpretadas integradamente com a legislação tributária, a imposição pelo Banco Central ou CVM de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4° do artigo 20, do Decretolei n. 1.598/77, cria para as pessoas jurídicas obrigação de assim proceder nas demonstrações financeiras, com os reflexos pertinentes na apuração do lucro real. 8. Por fim, pessoas jurídicas outras que não as acima referidas devem avaliar seus investimentos permanentes em outras sociedades de conformidade com o princípio do custo de aquisição de que trata o artigo 183, item III, da Lei das S/A., sendolhes vedado avaliálos pelo valor de patrimônio líquido. Sobre o tema, a I. Conselheira Edeli Basso Pereira, no já aludido acórdão, conclui que: Como se vê, referido ato normativo apenas esclarece que, nas hipóteses em que o Banco Central do Brasil ou a Comissão de Valores Mobiliários determinar que investimentos outros, que não aqueles previstos no Decretolei n° 1.598/77, sejam avaliados pelo método da equivalência patrimonial, o Fisco não poderá desqualificar esta operação, e deve atribuir ao resultado os efeitos que a legislação prevê no âmbito da equivalência patrimonial. Se não for este o caso, orienta o Parecer Normativo CST n° 107/78: 5. Inexistindo relevância ou influência na participação societária, o investimento se refletirá no balanço da investidora a custo contábil, é dizer, a custo de aquisição corrigido monetariamente, por força do art. 183, item III, da Lei n.° 6.404/76. A eventual avaliação desses investimentos acima dos custo de aquisição corrigido será considerada reavaliação tributável, observado quando for o caso o disposto no artigo 35 do Decretolei n.°1.598/77. Todavia, a perda patrimonial registrada por esse processo não será dedutível na apuração do lucro real, excetuado o caso de provisão admitida nos termos do artigo 32 do Decreto n.° 1.598. Contudo, nenhuma razão existe para se cogitar, aqui, que a determinação fixada pelo Banco Central do Brasil, no sentido de que os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras sejam atualizados periodicamente em razão do patrimônio da Bovespa, represente hipótese de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4°do artigo 20, do Decretolei n. 1.598/77, mencionada no Parecer Normativo CST n° 78/78. Inadmissível cogitar de avaliação de investimento por valor de patrimônio líquido se não há nem investimento, no sentido de participação societária, nem patrimônio líquido, na medida em que se está tratando de um título patrimonial representativo do patrimônio social de uma associação civil sem fins lucrativos. A interpretação integrada, orientada pelo Parecer Normativo CST n° 78/78, diante das circunstâncias específicas da situação presente, é aquela expressa na Portaria MF n° 785/77, que afasta qualquer incidência sobre atualização patrimonial Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 555 33 reconhecida contabilmente por determinação do Banco Central do Brasil, mas sem qualquer disponibilidade econômica ou jurídica, e que tem por reverso a inadmissibilidade destas parcelas como redutoras do ganho de capital na alienação, caso o valor da alienação disponibilize, à sociedade corretora, a atualização antes reconhecida contabilmente. De toda sorte, ainda que se interprete literalmente o §1º do art. 418 do RIR/99, de modo a adotar como valor contábil do bem o montante pelo qual ele estiver registrado na escrituração do contribuinte, independentemente das operações que ensejaram aquele resultado, não se pode olvidar que contabilmente também está registrado, no patrimônio líquido da sociedade corretora, o total das atualizações promovidas desde a aquisição do título patrimonial, em conta de reserva de capital. E tal reserva deve ser baixada no momento em que o ativo que a justifica também o é. Em conseqüência, se a apuração do ganho de capital deve ter em conta o valor contábil do bem, no montante defendido pela recorrente, a reserva assim baixada deve necessariamente integrar o resultado tributável, o que mantém inalterada a presente exigência, [...] Adicionalmente cabe também refutar outras alegações que a recorrente apresentou em sua defesa: - Não teria havido devolução patrimonial pela BM&F, mas sim a modalidade cisão, o que resultou na destinação de capital de uma sociedade anônima: os titulares das ações decorrentes deste aumento de capital são as sociedades corretoras de valores que antes integravam a associação, e não havendo previsão legal para a cisão desta, e quanto menos de destinação de seu patrimônio a entidade com fins econômicos, a disponibilização destes valores somente se efetiva mediante devolução do patrimônio aos associados e destinação, por estes, à sociedade anônima; - A cisão foi parcial e a BM&F continuou existindo, reunindo o patrimônio não operacional: inexistindo a previsão legal de cisão de associação civil, e somente podendo se cogitar de transferência de patrimônio de uma associação civil em favor de uma entidade de fins não econômicos, o ato praticado caracterizase como devolução parcial do patrimônio aos associados; - Há solução de consulta anterior no qual operação semelhante realizada por outra associação, há cerca de dez anos, não ensejou a apuração de ganho de capital em favor dos associados: a hipótese legal de incidência em razão da caracterização de ganho de capital surgiu com a Lei n° 9.532/97, e as associações civis submeteramse a novo regramento com a edição do novo Código Civil, em 2002, de modo que operação ocorrida em contexto legal anterior não serve como paradigma para validar a operação aqui questionada; - A Junta Comercial do Estado de São Paulo seria a autoridade competente para avaliar o procedimento societário: a pretendida cisão de uma associação civil, correspondente à sua extinção parcial, não está sujeita a registro na Junta Comercial, mas sim no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. À Junta Comercial do Estado de São Paulo coube, apenas, registrar os estatutos da nova sociedade anônima, Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 556 34 inexistindo qualquer prova de que neste procedimento tenha sido convalidado o aporte de patrimônio vertido de associação civil; - Não haveria óbice legal à transformação, na modalidade cisão, de qualquer sociedade ou associação: a cisão é procedimento que somente passou a existir com a Lei n° 6.404/76, e sem esta previsão legal, era necessário que a sociedade devolvesse capital a seus sócios para que estes utilizassem tal parcela para integralização em outra sociedade. Não basta inexistir óbice legal, é preciso que haja previsão legal para que a forma jurídica "cisão" possa ser adotada. Inexistindo previsão legal para cisão de associação civil, o ato praticado somente pode ser caracterizado como devolução parcial do patrimônio aos associados, e assim ensejar a aplicação do art. 17 da Lei n° 9.532/97; - Os ativos patrimoniais teriam sido vertidos do patrimônio da associação BM&F para o patrimônio da sociedade anônima que surgiu pela cisão, pelo valor contábil: a sociedade anônima foi constituída com um capital equivalente ao valor do patrimônio devolvido pela associação aos seus associados. Em que pese a equivalência de valores, não era possível a versão direta de patrimônio da associação civil para a sociedade anônima, nem há evidências de que assim se fez na proposta de Estatuto das sociedades anônimas constituídas [...]. Portanto, necessariamente ocorreu a devolução de patrimônio aos associados antes destes subscreverem as ações da nova sociedade com estes mesmos valores. E, mesmo na visão da recorrente, não se pode olvidar que a associação civil teria destinado patrimônio a entidade de fins econômicos, transmitindolhe os resultados beneficiados com isenção de IRPJ e CSLL, em afronta às condições legais deste benefício, especialmente a necessária destinação de seus resultados às atividades sem fins lucrativos. Em tais condições, a lei não cogita da suspensão da isenção, mas sim da tributação dos beneficiários daqueles rendimentos; - Em termos de valor absoluto nada teria mudado na contabilidade dos associados: isto porque foi dado indevidamente o tratamento de cisão, que tem como característica a permuta de ações/quotas no patrimônio do investidor. Não sendo possível a cisão da associação civil, a devolução do patrimônio com os rendimentos por ele produzidos durante o período que permaneceu sob a administração da entidade isenta, em confronto com o custo contabilizado deste aporte antes feito pelo associado, revela riqueza tributável segundo o disposto no art. 17 da Lei n° 9.532/97; - O custo para fins de apuração do resultado tributável seria aquele contabilizado no momento da cisão, pois há regras do BACEN e da CVM, além do art. 3o do Decreto Lei n° 1.109/70 e da Lei n° 8.849/94, e suas alterações, que determinam o registro em Patrimônio Líquido da contrapartida da diferença resultante entre o valor inicialmente contabilizado e o valor do patrimônio da Bolsa proporcional ao título detido pelo associado: as leis referidas afastam a incidência tributária sobre distribuição de lucros quando estes, mantidos em contas de reservas, sem distribuição, são utilizados para aumento de capital, bem como estabelecem presunções de distribuição se a incorporação é seguida ou precedida de redução do capital com devolução aos sócios. A Portaria MF n° 785/77 declarou que o acréscimo do valor nominal Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 557 35 dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração de seu patrimônio social não constitui receita nem ganho de capital, desde que mantido em reserva, providência, inclusive, determinada pelo BACEN. Nestes termos, enquanto não alienado ou baixado o investimento que gerou aquele rendimento, não há incidência de IRPJ e CSLL como extensamente justificado no início deste voto. A devolução de patrimônio pela associação isenta nada mais é do que a baixa deste investimento, e a apuração do ganho de capital deve observar o diz a legislação, consoante já expresso neste voto, integrando a hipótese de incidência expressa no art. 17 da Lei n° 9.532/97, que expressamente alcança todo o acréscimo auferido entre o aporte inicial e a devolução do patrimônio. Em suma, inexiste tributação se o patrimônio da associação isenta com ela permanece ou é destinado a outra entidade sem fins econômicos, consoante permite o Código Civil. Se o patrimônio é destinado a entidade com fins econômicos, o que pressupõe, necessariamente, a sua devolução aos associados, há realização dos resultados segundo a determinação legal e, por conseqüência, incidência de IRPJ e CSLL quando o beneficiário deste ganho é pessoa jurídica; - O entendimento da Solução de Consulta COSIT n° 10/2007 estabeleceria nova regra de tributação, desqualificaria a escrituração contábil dos associados e arbitraria o lucro: a regra de tributação foi fixada pela Lei n° 9.532/97 e a hipótese de incidência ocorreu tal qual interpretado na Solução de Consulta referida, na medida em que não houve cisão parcial da associação civil, mas sim devolução parcial de seu patrimônio aos associados, que o destinaram à constituição de uma entidade com fins econômicos, em total afronta às exigências fixadas em lei para manutenção dos efeitos da isenção dos resultados de entidades sem fins lucrativos; - Não há previsão de ajuste do lucro líquido na lei para refletir a valorização dos títulos, e, por conseqüência, não há incidência de CSLL sobre estes valores: o art. 17, §4o da Lei n° 9.532/97 estabelece que a base de cálculo expressa no caput do dispositivo prestase, não só à adição ao lucro real, como também para determinação da base de cálculo da CSLL. Assim, caracterizada a devolução parcial de patrimônio aos associados, há fundamento legal para exigência, também, da CSLL. Desse modo, concluise que, na realidade, as associações devolveram parte de seu patrimônio aos associados, e estes utilizaram este patrimônio para adquirir ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A. Nesse cenário, corretas as conclusões da decisão recorrida. 2.2 DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 558 36 opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheiro Viviane Vidal Wagner. O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 559 37 De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatóia, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 560 38 Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950.Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Fl. 560DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 561 39 Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721787/201165 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 562 40 Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. 3 DA CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as arguições de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10950.904823/2012-72
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2006
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 23 /2 01 2- 72 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904823/201272 Acórdão n.º 3801004.463 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904823/201272 Acórdão n.º 3801004.463 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904823/201272 Acórdão n.º 3801004.463 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904823/201272 Acórdão n.º 3801004.463 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904823/201272 Acórdão n.º 3801004.463 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904823/201272 Acórdão n.º 3801004.463 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904823/201272 Acórdão n.º 3801004.463 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19311.000200/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício.
ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA.
Salvo nos casos de que trata o artigo 26-A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal.
Numero da decisão: 1402-001.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configura qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. SIMULAÇÃO. ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIAIS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA ALHEIRA À RELAÇÃO JURÍDICA. INCORPORAÇÃO. Caracteriza simulação a interposição de pessoa jurídica fictícia, sem patrimônio e atividade empresarial, em operação de aquisição de quotas sociais, seguida de incorporação da interposta pessoa, com o intuito de ocultar a transferência gratuita de recursos da Sociedade a seus sócios, reais adquirentes das quotas, e para garantir a dedutibilidade do ágio pago pela própria Sociedade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 PAGAMENTOS EFETUADOS EM FAVOR DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. Os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, vinculados à operação de aquisição de quotas sociais, em favor dos sócios administradores, configuram acréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 02 00 /2 00 9- 23 Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.203 2 bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.204 3 Relatório ALESSANDRA ORLANDI BARBOSA MACHADO recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de auto de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, lavrado em 11/05/2009, para constituição do crédito tributário de R$5.443.637,68, relativo ao principal, multa de ofício de 75% e 150% e juros de mora, por falta de retenção e recolhimento do IRPF, tendo em conta as irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 864/900, parte integrante da peça acusatória. Transcrevese o excerto relativo à exigência em apreço: Em 07/11/2008 foi iniciada, sob Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.24.002008010840, fiscalização da contribuinte Alessandra Orlandi Barbosa Machado, CPF nº 137.623.00895, domiciliado à R. Prefeito José Carlos, 750, Jardim Santa Julia, Itupeva, SP. A fiscalização teve por objetivo verificar o cumprimento das obrigações relativas ao IRPF dos exercícios 2006 e 2007, anoscalendário 2005 e 2006, decorrentes de reorganização societária que implicou aumento de participação societária do contribuinte fiscalizado na empresa IFC International Food Company Indústria de Alimentos S.A., CNPJ n° 04.136.746/000188, nova denominação social de Jack Link’s do Brasil Ltda. Foram constatados os fatos narrados a seguir. 1. Introdução Sócios remanescentes da empresa IFC (novo nome da empresa Jack Link's) adquiriram quotas que pertenceram a sócios retirantes. A aquisição, de valor superior ao patrimônio líquido da empresa, foi paga com recursos da própria empresa. Foi concedido empréstimo a empresa investidora, seguido de incorporação sem restituição da quantia emprestada, com assunção de divida remanescente e transferência das quotas as pessoas físicas. Os efeitos tributários são diferentes dos imaginados pelo contribuinte. Nesta introdução será feito um resumo dos principais fatos e das implicações tributárias conforme entendimento da fiscalização. Posteriormente os fatos serão detalhados e qualificados. São partes relacionadas ao negócio: 1. Jack Link's do Brasil Ltda, CNPJ n° 02.473.696/000107, que teve seu nome alterado para IFC International Food Company Indústria de Alimentos SA e a quem chamaremos Jack Link's ou IFC; 2. Jay E. Link Cattle Ranches L.L.C., a quem chamaremos Jay LLC; 3. Troy J. Link Entreprises L.L.C., a quem chamaremos Troy LLC; Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.205 4 4. José Barbosa Machado Neto, CPF nº 119.417.35860, a quem chamaremos José; 5. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, CPF n° 137.623.008 95, a quem chamaremos Alessandra; 6. Eduardo Jacinto Gonçalves, CPF nº 584.241.56820, a quem chamaremos Eduardo; 7. Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda, CNPJ 07.273.468/000107, a quem chamaremos Zest; 8. Links Japan Holdings, K.K., a quem chamaremos Japan. Os cinco antigos sócios da empresa Jack Link's são partes em contrato de Compra e Venda de Quotas. São vendedores Jay LLC e Troy LLC, e compradores José, Alessandra e Eduardo. A venda tem por objeto as quotas de propriedade de Jay LLC e Troy LLC, representativas de 60% do capital da Jack Link's. O contrato de Compra e Venda de Quotas obriga as partes e seus sucessores. Jay LLC e Troy LLC cederam suas quotas à empresa Japan, que passou a ser a vendedora. José e Alessandra constituíram a empresa Zest, integralizando o capital com as quotas da Jack Link's (35% do capital) que lhes pertenciam. A Zest adquiriu as quotas da Jack Link's pertencentes à Japan. Eduardo não adquiriu quotas. A aquisição foi contratada para ser paga em 4 parcelas. A primeira parcela foi financiada pela Jack Link's, que emprestou recursos para a Zest. As parcelas seguintes deveriam ser pagas em 3 anos. A Jack Link's contratou fiança bancária em favor dos vendedores. São garantidores solidários José e Alessandra (então sócios da Zest e não mais sócios da Jack Link's) e Eduardo, que ofereceram ao banco como garantia 100% das quotas da Jack Link's. O capital da Jack Link's por ocasião do contrato de compra e venda de quotas era cerca de 25,6 milhões. Detinha reservas de reavaliação de cerca de 13 milhões e lucros acumulados de 6,5 milhões. O patrimônio líquido era cerca de 45,3 milhões. O preço acertado para 60% das quotas foi de 20 milhões de dólares, que correspondia a cerca de 52 milhões de reais. Além desse valor, consta do contrato ainda o cancelamento de faturas ('acordo invoices': contas a pagar dos sócios retirantes para a Jack Link's) no valor de cerca de 3,1 milhões de reais e a cessão pela Jack Link's de marcas e patentes. A Zest contabilizou ainda como ágio todas as despesas incorridas, pagas com empréstimos da Jack Link's. A Jack Link's transferiu à Zest embalagens no valor de cerca de 4,6 milhões, tendo como contrapartida conta de empréstimo a receber. A Zest contabilizou o valor das embalagens como ágio, em contrapartida a investimentos a pagar. A Zest contabilizou como custo de aquisição cerca de 59,1 milhões de reais, dos quais cerca de 33,7 milhões correspondiam a ágio na aquisição de quotas. As marcas e patentes foram cedidas pela Jack Link's a terceiros. Com a aquisição, a Zest, de propriedade de José e Alessandra, passou a ser possuidora de 95% das quotas da Jack Link's, que teve o nome alterado para IFC. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.206 5 Um mês após a aquisição das quotas, a Zest foi incorporada pela IFC. No momento da incorporação, a Zest tinha como únicos ativos R$1.000,00 em caixa e o investimento de 95% das quotas da IFC. O patrimônio líquido da Zest era seu capital, integralizado com R$1.000,00 mais 35% das quotas da Jack Link's pelo valor nominal. O passivo exigível correspondia ao custo de aquisição de 60% das quotas da Jack Link's, parte financiado pela Jack Link's, parte a ser paga em parcelas. Com a incorporação, a IFC recepcionou um acervo líquido negativo de cerca de 59,1 milhões, correspondente ao passivo da Zest menos R$1.000,00. Extinguiuse a dívida da Zest para com a IFC, correspondente ao financiamento da lª parcela da compra e das despesas computadas como custo de aquisição de investimento, no valor total de cerca de 23,6 milhões. A IFC assumiu as dívidas da Zest para com a Japan, correspondente às demais parcelas da compra, e com prestadores de serviços relacionados à aquisição, no valor total de cerca de 35,5 milhões de reais. A IFC passou a apresentar em seu balanço, impropriamente, no grupo Patrimônio Líquido, uma conta de titulo 'Outras', no valor negativo de cerca de 25,4 milhões. Esse valor resulta da soma do valor de reserva de ágio de cerca de 33,7 milhões e o valor negativo de cerca de 59,1 milhões relativos ao acervo liquido recebido da ZEST. O Patrimônio Líquido resultante, de cerca de 19,1 milhões, inferior ao capital de 25,6 milhões, só ficou positivo devido à Reserva de Ágio. O ágio ativado gerou benefícios fiscais de 12,5 milhões. A participação societária na IFC passou a ser de 81,434% para José, 13,566% para Alessandra e 5% para Eduardo. Após a incorporação, a IFC baixou faturas a receber no valor de cerca de 3,1 milhões, em contrapartida à conta ágio. No que respeita à aquisição de quotas, a questão central de interesse fiscal é a transferência de recursos da empresa aos sócios. A operação realizada contém, em tese, uma simulação relativa com interposição fictícia de pessoa. O mútuo entre a IFC e a Zest é, em tese, um negócio simulado. O negócio dissimulado é a transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra, estes sim os verdadeiros compradores das quotas. O ilícito societário é a retirada pelos sócios, sem reposição, de recursos da empresa em prejuízo do capital. O ilícito tributário é o não recolhimento de: a) Imposto de Renda Pessoa Física IRPF e Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidentes sobre recursos distribuídos além do lucro contábil apurado; b) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL decorrentes da distribuição disfarçada de lucros (DDL) através da transferência gratuita de ativos (invoices e intangíveis) para os sócios; c) IRPJ e CSLL decorrentes da dedução indevida de despesas de amortização de ágio na aquisição de investimentos, glosa de despesas de juros e variações monetárias ativas e passivas. Para a IFC a desconsideração do ato simulado tem como conseqüência o lançamento de multa isolada pela não retenção de IRRF, a glosa das despesas de amortização de ágio, de juros e Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.207 6 variações monetárias ativas e passivas referentes ao investimento, e o lançamento de IRPJ e CSLL decorrente dessas glosas e da DDL. Constatouse ainda a existência de pagamentos ao sócio, relativos a uso de patentes e não relacionados à aquisição de quotas, sem retenção de IRRF. Também são objeto de lançamento de multa isolada. 2. Atos relativos à fiscalização Inicialmente foram feitas diligência e fiscalização na IFC, além desta fiscalização. Cópias dos documentos obtidos nos procedimentos fiscais foram juntadas ao processo. Os atos relativos à fiscalização desenvolveramse conforme descrito a seguir. a) Atos relativos à diligência na IFC: Em 06/06/2007 foi iniciado procedimento fiscal de diligência junto ao contribuinte com o objetivo de levantar informações sobre alterações societárias de 2002 a 2005 e reavaliação de ativos em 2003. O contribuinte apresentou cópias de diversos documentos juntadas ao processo, relacionadas abaixo: 1. Alterações contratuais da empresa IFC; 2. Contrato social e alterações contratuais da ZEST; 3. Documentos de origem da reserva de reavaliação do intangível e reversão (juntada ao processo cópia de parecer); 4. Demonstrativo do valor do ágio; 5. Folhas do Livro Razão da Zest; 6. Tradução para o português da versão de execução do Contrato de Compra e Venda de Quotas entre, de um lado, Jay E. Link Cattle Ranches, LLC e Troy J. Link Entreprises, LLC, e de outro lado, José Barbosa Machado Neto, Alessandra Orlandi Barbosa Machado e Eduardo Jacinto Gonçalves; 7. Comprovante de pagamento da primeira parcela da dívida; 8. Registros contábeis do ágio na IFC; 9. Registros contábeis de reavaliação de patente e seu estorno; 10. Contrato em inglês de compra de 60% do capital da IFC (parcial); 11. Contrato Social (constituição) da Jack Link's; 12. Comprovante de pagamento da primeira parcela da divida com dados da recebedora; 13. Contrato de mútuo entre Zest e IFC; 14. Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória G no 1073/05 de 14/04/2005; 15. Carta de Fiança G1 073/05; 16. Documentos justificando a transferência de recursos referente à primeira parcela à conta de Jay Earl Link. Em 06/12/2007 foi encerrada a diligencia que recolheu cópias de documentos para análise, conforme Termo de Encerramento juntado ao processo. b) Atos relativos à fiscalização na IFC Em 18/02/2008 foi dado inicio à fiscalização do contribuinte, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do exercício 2006, ano calendário 2005. Em 26/02/2008 o contribuinte informou que não houve aditamento ao contrato de compra e venda e apresentou cópia dos elementos listados abaixo: Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.208 7 1.Livros Razão e Diário da Zest; 2.Comprovantes de pagamentos das 2ª, 3ª e 4ª parcelas do contrato de compra e venda de quotas. Em 10/03/2008 o contribuinte apresentou cópia dos elementos listados abaixo: 1. Anexo 4.8 Relação da propriedade intelectual transferível; 2.Cláusula 4.8 que documenta a cessão dos ativos intangíveis; 3.Contas razão de reserva de reavaliação dos anos 2003 a 2005; 4.Lista de ativos intangíveis em uso (marcas que substituíram as transferidas); 5. Contrato e lista de patentes de terceiros exploradas pela IFC; 6. Cláusula 4.14 e anexo 4.14 que listam embalagens destruídas. Em 04/04/2008 o Termo de Intimação Fiscal n° 0002 solicitou: 1) cópia do termo de acompanhamento de destruição de mercadorias emitido por Auditor Fiscal da Receita Federal, relativo à destruição de embalagens prevista em contrato; 2) cópia dos instrumentos de transferência de marcas e patentes; 3) confirmação de inexistência de aditamento ao contrato; 4) cópia de documento em que as partes compradores e vendedores indicam as demais partes quem serão seus sucessores no negócio; e 5) cópia de laudo de reavaliação das marcas estornadas. Em 11/04/2008 o contribuinte reafirmou que não tem aditamento do contrato de compra e venda de quotas e que não tem termo de acompanhamento de destruição de produtos emitido pela Receita Federal. Apresentou cópia do detalhe de um processo de transferência de marcas no INPI. Informa que no contrato social os sócios são Zest e Link's Japan, e que não existe outro documento que informe sucessão. Informou que essas empresas são citadas no contrato de compra e venda. Entretanto, constatase que o contrato é anterior à criação da Japan e à participação da Zest na IFC, e que nele não existe menção a esses nomes. Em 26/06/2008, ante a informação do contribuinte, datada de 26/02/2008, de que não houve aditamento do contrato de compra e venda, contrariando informações constantes do Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória G n° 1073/05 e também da 8ª alteração contratual da IFC, solicitamos emissão de requisição de informação sobre movimentação financeira, requisitando ao Banco ABN AMRO Real S.A. cópia dos documentos relativos ao contrato de prestação de garantia. Em 06/08/2008 e em 24/09/2008 o banco apresentou cópias de documentos diversos, entre os quais 'Release Letter' datada de 20/09/2006 e sua tradução, onde consta item 2.1 que faz referencia ao contrato de aquisição de quotas 'aditado em 18 de abril de 2005 para nele incluir como partes as empresas Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e Links Japan Holdings Limited Y.K.'. Em 04/09/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Retenção n° 0005 e em 27/10/2008 do Termo de Ciência e de continuação de procedimento fiscal nº 0006. Em 07/11/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Ciência e de continuação de procedimento fiscal n° 0007, que informou a ampliação da fiscalização para os exercícios 2007 e 2008. Em 08/12/2008, o contribuinte tomou ciência do Termo de Retenção n° 0008. Apresentou cópias de documentos e contas de Livro Razão conforme lista abaixo: Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.209 8 Investimentos a pagar 2.2.03.01.02 Investimentos 3.2.01.01.05 Variação Cambial Ativa Juros passivos 6.4.01.01.03 Variação Cambial Passiva 1.5.01.01.01 Incorporação IFC/Zest 1.1.02.04.05 Mútuo entre sócios 2.4.03.01.05 () Saldo Incorporação 2.1.01.01.01 Capital Social Nacional 1.1.01.02.02 Banco Real SA 2.1.02.03.05 Empréstimo de Sócios 1.1.02.04.07 Imobiliz Destinados a Venda 1.3.02.05.01 Imóvel (Chácara) 1.3.02.05.02 Reavaliação da Chácara Instrumento particular de mútuo entre os sócios e a IFC; Contrato particular de cessão e transferência de direitos e obrigações sobre imóvel para liquidação de mútuo; 1.3.04.02.02 () Amortização Ágio Planilhas relativas ao ágio; Contrato de fiança e memorando de entendimento, onde consta proibição de distribuição de dividendos; Em 12/12/2008 foi lavrado Termo de Retenção n° 0009 e em 17/12/2008 o Termo de Retenção n° 0010. Em 23/12/2008 foi dada ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 0011, que solicitou demonstrativo de pagamentos das despesas com carta de fiança no valor de R$ 725.349,21 e demonstrativo de valores residuais das marcas e patentes transferidas para os antigos sócios. Informase ao contribuinte que foi constatado que esses valores não foram baixados da contabilidade. Em 12/01/2009 o contribuinte apresentou os elementos solicitados na intimação n° 0011. Em 12/02/2009 foi dada ciência do Termo de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal n° 0012, de mesma data. Em 08/04/2009 foi dada ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 0013, que solicitou cópia do aditamento ao contrato de compra e venda de quotas. Em 14/04/2009 recebemos resposta do contribuinte em que informa que a inclusão das empresas Zest e Japan no contrato se deu através de troca de correspondência entre as partes. c) Atos relativos à fiscalização do contribuinte José Barbosa Machado Neto: Em 07/11/2008 foi dada ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal relativo à fiscalização objeto do MPF nº 0812400.2008.01084, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado ao processo. Em 09/12/2008 o contribuinte protocolizou resposta ao referido Termo. Informou que ele e sua esposa receberam 24.320.000 quotas da empresa IFC em decorrência da incorporação da empresa ZEST pela IFC; que não apuraram ganho de capital na operação; que a informação da participação na declaração de ajuste traduz o valor nominal das quotas recebidas; que o rendimento correspondente (no seu entender isento) foi informado sob a rubrica ‘acréscimo patrimonial’ e ‘lucros e dividendos recebidos’ por falta de classificação mais Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.210 9 adequada. Informou que a compra da gleba de terras foi paga mediante compensação de crédito. Em 24/12/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 0002 e em 28/02/2009 do Termo de número 0003. Em 18/04/2009 o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 0004, que solicitou cópia do aditamento ao contrato de compra e venda das quotas da Jack Link’s, datado de 18 de abril de 2005. Até a presente data não recebemos a resposta à intimação. Entretanto, o documento nos foi entregue pela empresa IFC em procedimento fiscal próprio, que juntamos ao processo. 3. FATOS CONSTATADOS Os documentos obtidos na diligência e na fiscalização permitiram constatar os fatos descritos a seguir. Reproduzimos partes dos documentos. Negritamos trechos que julgamos mais relevantes. FATO 1 Em 16/04/1998 é criada a empresa JACK LINK'S DO BRASIL LTDA, com capital de R$35.000,00, sendo seus sócios Alessandra Orlandi Barbosa Machado e José Barbosa Machado Neto. FATO 2 Em 01/06/1998 dáse a primeira alteração contratual na JACK LINK'S, quando ingressa na sociedade Eduardo Jacinto Gonçalves, que recebe quotas cedidas por José, e o capital é aumentado para R$155.000,00. A participação societária passa a ser de 75% para José, 10% para Alessandra e 15% para Eduardo. O item V estabelece que a administração da sociedade caberá aos sócios José e Alessandra, 'em conjunto ou isoladamente, porém unicamente em negócios da sociedade, ficando expressamente proibido o uso em cartas de fianças, abonos, endossos, ou em quaisquer transações alheias e estranhas ao ramo designado neste contrato'. O item VI estabelece que somente os sócios José e Alessandra terão direito a uma retirada mensal a titulo de Pró Labore. FATO 3 Em 08/05/2000 dáse a segunda alteração contratual na JACK LINK'S, quando são admitidas no quadro societário as empresas norte americanas JAY E. LINK CATTLE RANCHES L.L.C. e TROY J. LINK ENTRERPRISES L.L.C., estabelecidas nos endereços P. O. Box 210 e 579, 54859, Minong, Wisconsin, EUA, e representadas por José Barbosa Machado Neto. O ingresso dáse através de cessão de quotas dos antigos sócios. A participação societária passa a ser de 30% para a JAY LLC, 30% para a TROY LLC, 30% para José, 5% para Alessandra e 5% para Eduardo. · item VI altera os objetivos da sociedade 'que passa a explorar o ramo de produção de snack (carne defumada), ficando assim o objeto da sociedade: industrialização, fabricação, comercialização, importação e exportação de produtos alimentícios em geral, innatura, processados ou industrializados, inclusive snack'. · item VIII mantém os administradores, nos termos do item VI da alteração anterior. FATO 4 Em 16/06/2003 dáse a quarta alteração contratual na JACK LINK'S. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.211 10 A empresa JAY LLC é representada por seu sócio Jay Earl Link, e a empresa TROY LLC é representada por seu sócio Troy John Link Ambos são representados no ato por José Barbosa Machado Neto, procurador de ambas. O capital é aumentado para R$12.000.000,00, com aproveitamento de reservas de lucros acumulados no valor de R$11.045.000,00. A redação do contrato social é adaptada ao novo Código Civil, enquadrandose a sociedade como empresarial do tipo Sociedade Limitada. A cláusula 7ª do contrato social dispõe que ‘é vedado aos sócios caucionar ou, de qualquer forma, penhorar ou onerar suas quotas de capital, no todo ou em parte, salvo em favor do outro sócio'. A cláusula 12 ª dispõe que 'em operações estranhas aos negócios da sociedade e ao objeto social, é vedado aos administradores conceder, em nome da sociedade, fianças, avais ou outras formas de garantias que comprometam a sociedade'. A cláusula 13ª dispõe que os sóciosadministradores (Jose e Alessandra) receberão um valor mensal a titulo de prólabore que será determinado pelos quotistas, por maioria. A cláusula 16ª dispõe que o exercício social coincidirá com o ano civil. A cláusula 17ª dispõe que os sócios, por deliberação da maioria do capital, poderão antecipar a distribuição de lucros, baseada nos balanços que venham a ser levantados em períodos extraordinários. Os lucros serão partilhados aos sócios na proporção de suas quotas no capital social. A cláusula 19ª dispõe que 'o sócio que desejar alienar suas quotas de capital, no todo ou em parte, a qualquer titulo, deverá comunicar os demais sócios sua intenção, por escrito, indicando o nome do pretendente e o valor ajustado da alienação'. 'No prazo de 30 (trinta) dias a contar do recebimento da notificação, os demais sócios poderão exercer o direito de preferencia para a aquisição das quotas ofertadas, na proporção de sua participação no capital social, nas mesmas condições'. A cláusula 22ª dispõe que os casos omissos no contrato serão regulados pelo capitulo IV Da Sociedade Limitada, do Código Civil, (artigos 1052 a 1087) e legislação pertinente, e subsidiariamente pelas normas das sociedades anônimas. FATO 5 Em 09/03/2004 dáse a quinta alteração contratual na JACK LINK'S. O capital é aumentado para R$25.600.000,00, com aproveitamento de reservas de lucros acumulados no valor de R$14.400.000,00. FATO 6 Em 21/07/2004 dáse a constituição da empresa ZEST. São sócios a empresa SHAMA e Jose. O capital social é de R$1.000,00. A participação da SHAMA é de 99,9% e a de Jose de 0,1%. O objeto social é a participação como acionista ou quotista em outras sociedades de qualquer natureza, no Brasil e/ou no exterior; a exploração de atividades imobiliárias, incluindo corretagem; a administração de móveis e imóveis próprios. FATO 7 Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.212 11 Em 29/09/2004 dáse a sexta alteração contratual na JACK LINK'S, quando os sócios deliberam readaptar a redação do Contrato Social as normas do novo Código Civil. É acrescentado à cláusula 17ª, §3°, que 'a menos que seja estipulada quantia superior, a Sociedade devera distribuir lucros obrigatórios aos sócios no valor de 25% (vinte e cinco por cento) do lucro liquido, consoante estabelecido no artigo 202, §2°, da Lei 6.404/76'. FATO 8 Em 02/01/2005 é celebrado contrato de mútuo entre JACK LINK'S, mutuante, e ZEST, mutuária. A cláusula 21 dispõe: 'Os empréstimos feitos pela MUTUANTE deverão ser liquidados em ate 180 (cento e oitenta) dias contados a partir da data de cada desembolso, pela MUTUÁRIA sempre que esta liquidação for requerida pelos primeiros, independente de qualquer outra condição'. A cláusula 31 dispõe: ‘Sobre os recursos emprestados pela MUTUANTE à MUTUÁRIA, em conjunto ou individualmente, a MUTUANTE cobrará juros da MUTUÁRIA desde o momento do empréstimo ate o dia de sua devolução. Estes juros serão apurados e pagos no dia do pagamento ou liquidação do principal pela MUTUANTE e deverão refletir no mínimo o custo médio que a MUTUANTE eventualmente teve para captar recursos equivalentes de instituições financeiras durante o prazo dos empréstimos... FATO 9 Em 16/03/2005 é assinado CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS tendo de um lado Jay LLC e Troy LLC, em conjunto declarados 'vendedores' e de outro lado Jose, Alessandra e Eduardo, em conjunto declarados 'compradores'. Participam como intervenientes JACK LINK'S (chamada de Sociedade), Jay Earl Link e Troy John Link. Lêse nos considerandos que os 'Vendedores desejam vender aos compradores, e os Compradores desejam comprar dos Vendedores, todas as Quotas' da JACK LINK'S que os vendedores possuem (folha 10 da tradução do documento). A definição de 'Curso normal de Negócio Provisório' a folha 16 da tradução do contrato, prevê, no item (vii), a não adoção de qualquer fusão ou reorganização envolvendo a Jack Link's, salvo o disposto na cláusula 8.9, que trata de Reestruturação Corporativa de compradores e de vendedores e que já prevê que ambos agirão de boa fé para implementar as reestruturações. A folha 11 da tradução traz definição de 'coligada': significará, a respeito de qualquer outra Pessoa que, direta ou indiretamente, seja Controlada, Controle ou esteja sob o Controle comum da referida Pessoa. Existem no contrato definições de controle, partes, pessoa, subsidiárias. Em diversas cláusulas as condições estabelecidas obrigam as partes e suas coligadas ou subsidiárias. Assim por exemplo, a definição de 'Informações Confidenciais' à folha 13 da tradução refere se à Jack Link's, aos quotistas, suas coligadas e subsidiárias. A cláusula 1.2.5 (folha 25 da tradução) dispõe que 'Uima referência a qualquer parte deste Contrato ou a qualquer outro contrato ou documento incluirão os sucessores e cessionários autorizados da referida parte'. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.213 12 A cláusula 1.2.6 dispõe que 'Qualquer referência a Sociedade neste Contrato, compreenderá as respectivas Coligadas e/ou Subsidiárias da Sociedade, a menos que expressamente indicado ao contrário'. A cláusula 2.2 trata do preço de compra, estipulado em vinte milhões de dólares americanos. Serão pagas uma parcela inicial de 6,75 milhões na data de encerramento do contrato, uma parcela de 5 milhões em 330 dias, outra parcela de 5 milhões em mais 360 dias e outra de 3,35 milhões em mais 360 dias, conforme clausula 2.3. A clausula 2.3.5 dispõe que os vendedores entregarão aos compradores a cada parcela um documento contendo os cálculos feitos pelos vendedores dos impostos sobre ganho de capital devidos pelos vendedores no Brasil (Declaração de Ganho de Capital). A clausula 3.2 Entregas pelos Compradores dispõe que os compradores entregarão garantia 'abrangendo totalmente (i) todos e qualquer pagamentos relacionados às Prestações do Preço de Compra até o pagamento integral das mesmas pelos Compradores aos Vendedores, e (ii) o valor total de juro para efetuar os referidos pagamentos (a `Garantia)'. O item (e) da cláusula 3.2 dispõe que no encerramento os compradores entregarão (i) instrumentos de cessão relacionados à cessão e transferência pelos Compradores e/ou Sociedade aos Vendedores ... de toda Propriedade Intelectual Transferível relacionada no Anexo 4.8...' e (ii) o respectivo certificado de registro emitido pelo INPI. O item (i) dispõe que no encerramento 'considerando que o Preço de Compra represente o valor justo, razoável e adequado para liquidar de forma incondicional e irrevogável tanto o Valor da Divida dos Vendedores quanto o Valor da Divida dos Compradores, que forem existentes reciprocamente entre os Compradores, Vendedores e a Sociedade, conforme mencionado nos Anexos 5.6 e 4.10... '. O item (a) da cláusula 3.3 Entregas pelos Vendedores repete o texto acima. A Seção 2.2 Nenhum outro valor, do Anexo 3.2 (i) Formulário de Contrato Quitação (folha 102 da tradução), dispõe que 'Exceto quanto ao Valor da Dívida das Vendedoras (conforme definido abaixo) relacionado no Anexo B ao presente instrumento, não há outros valores devidos (sejam devidos atualmente ou a se tornarem devidos futuramente) pela Empresa e/ou as Vendedoras as Compradoras na data do presente instrumento'. A cláusula 4.1 dispõe que 'Cada um dos compradores possui plenos poderes e autoridade para assinar e cumprir este Contrato e efetuar todas as Transações estabelecidas no presente, bem como cumprir todas as obrigações assumidas nos termos deste documento, tendo tomado todas as medidas necessárias para autorizar sua assinatura. Nenhuma outra medida será necessária para autorizar a assinatura e a conformidade com este Contrato por cada um dos Compradores'. A cláusula 5.6 Dívida Pendente dos Vendedores dispõe que 'O Anexo 5.6 especifica uma relação de divida pendente possuída pelos Vendedores a Sociedade e/ou pelos Vendedores aos Compradores, condicionadas ocorrência do Fechamento (o `Montante da Divida dos Vendedores). A cláusula 6.4 dispõe que as partes 'concordam a: a) dentro de um (I) ano a partir da data deste, alienar inteiramente de todos os Itens de Embalagem; e (b) ...fornecer evidências satisfatórias aos Vendedores, a Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.214 13 seu exclusivo critério, que (i) todos os Itens de Embalagem foram inteiramente alienados pela Sociedade; e (ii) todos os custos, honorários e despesas relacionados com esta Cláusula 6.4 foram exclusivamente suportados pelos Compradores e/ou pela Sociedade'. FATO 10 Em 22/03/2005 dáse a primeira alteração contratual da empresa ZEST, com a retirada da sócia SHAMA e cessão de suas quotas para José e Alessandra. A participação de José passa a ser 95% e a de Alessandra 5%. FATO 11 Em 05/04/2005, correspondência assinada por José, Alessandra e Eduardo comunica aos vendedores a substituição dos signatários pela Zest como compradora das quotas, conforme cópia apresentada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0013. FATO 12 Em 11/04/2005 dáse a segunda alteração contratual da empresa ZEST, com aumento de capital de R$1.000,00 para R$8.961.000,00, com a subscrição e integralização de capital através da transferência de quotas que os sócios detinham na JACK LINK'S. Estabeleceuse que a integralização de capital deveria ser realizada até 31/05/2005. A participação de José passa a ser 85,72% e a de Alessandra 14,28%. FATO 13 Em 12/04/2005 dáse a sétima alteração contratual da JACK LINK'S, ocorrendo a transferência de quotas dos sócios para empresas constituídas por esses mesmos sócios. Os sócios José e Alessandra 'cedem e transferem a totalidade de suas quotas representativas do capital social da Sociedade como integralizado ao capital social da sociedade ZEST INVESTIMENTOS, PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS LTDA'. Os sócios JAY LLC e TROY LLC 'em decorrência de reorganização societária ocorrida no exterior, cedem e transferem a totalidade de suas quotas representativas do capital social da Sociedade à sociedade LINKS JAPAN HOLDINGS, KK'. A participação societária passa a ser de 60% para a LINKS JAPAN, 35% para a ZEST e 5% para Eduardo. Os administradores, agora não sócios, continuam sendo José e Alessandra. FATO 14 Em 14/04/2005, documento interno enviado pelo Banco Real intitulado ‘Solicitação de Operação Específica', contendo aprovação dos executivos do banco ao Contrato de Garantia Fidejussória, estabelece as Garantias a serem exigidas para assinatura do contrato. Lêse na terceira página do documento, no subtítulo 'Garantias conforme abaixo', item 6: 'Proibição de distribuição de dividendos durante todo o período de operação'. O texto é repetido no documento seguinte, que tem como referência 'Proposta n°. 2004/2.387.853 Aprovada nas seguintes condições: A proibição consta também à folha 5 de documento emitido pelo Banco Real com titulo Memorando de Entendimento sobre Fiança de Longo Prazo para:', subtítulo 'Obrigações nãopecuniárias', apresentado fiscalização pelo contribuinte após nossa visita à empresa em 08/12/2008. FATO 15 Em 14/04/2005 é assinado Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória G N° 1073/05, entre ABN AMRO (BANCO) e JACK LINK'S (CLIENTE), tendo José, Alessandra e Eduardo como Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.215 14 intervenientes solidários. O beneficiário é a LINKS JAPAN, o afiançado é a ZEST, o objeto da fiança é 'garantir o cumprimento das obrigações de pagamento das parcelas do preço de compra estabelecido na Cláusula 2.3.1, letras (b), (c) e (d) do 'Contrato de Compra e Venda de Quotas' firmado em 16 de março de 2005 e seu aditamento a ser firmado, limitada a responsabilidade do BANCO à quantia em moeda corrente nacional equivalente a US$ 14.655.000,00...'. No item V GARANTIAS, quadro Descrição das Garantias, consta subitem '5. Penhor da totalidade das quotas representando o capital social do CLIENTE a ser constituído dentro do prazo de quinze (15) dias contados da data de emissão da FIANÇA;'. Nas cláusulas contratuais, o item 1.1 declara que o Contrato de Compra e Venda é o ‘único documento comprobatório do objeto da Fiança'. O item 1.1.1 obriga a IFC a entregar ao banco cópia autenticada do aditamento do contrato. O item 3 estabelece que 'Na hipótese de o BANCO vir a ser chamado para satisfazer, total ou parcialmente, a FIANÇA prestada (PEDIDO DO BENEFICIÁRIO), fica desde já pactuado que o BANCO não se encontra, para realizar o pagamento abonado, sujeito a nenhuma comunicação prévia do ou para o CLIENTE, bem como o BANCO não está sujeito à verificação da legitimidade do PEDIDO DO BENEFICIÁRIO, tendo em vista que a FIANÇA é prestada em caráter incondicional'. O item 4 dispõe que a IFC obrigase perante o BANCO a: 'a) reembolsar o BANCO, independentemente de qualquer questionamento, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas contadas do recebimento de solicitação do BANCO nesse sentido de quaisquer pagamentos efetuados pelo BANCO ao BENEFICIÁRIO...'; ‘b) efetuar ao BANCO o pagamento de todos e quaisquer valores que sejam devidos pelo CLIENTE ao BANCO de acordo com este contrato'. O item 5 dispõe sobre custos adicionais (juros, comissões, multa) a serem arcados pela IFC `no caso de mora e/ou inadimplemento, por parte do CLIENTE e/ou dos INTERVENIENTES GARANTIDORES SOLIDÁRIOS, de qualquer obrigação por eles assumida perante o BANCO por força deste contrato...'. O item 13.1 dispõe que o CLIENTE obrigase também: 'a) a informar imediatamente o BANCO de qualquer negociação que possa resultar em qualquer alteração de sua atual composição acionária, imediatamente após o inicio da referida negociação; b) informar o BANCO bem como obter a sua anuência prévia e por escrito acerca de qualquer negociação que possa resultar em aquisição, pelo CLIENTE, de participação no capital social de outras empresas, imediatamente após o inicio da referida negociação; c) informar o BANCO bem como obter a sua anuência prévia e por escrito de qualquer negociação com BENEFICIÁRIO que possa resultar em novação do BENEFICIÁRIO ao CLIENTE,' O item 16, obrigações especiais do cliente, dispõe: '16. A contar da data de assinatura deste Contrato e ate que todos os valores devidos ao BANCO tenham sido pagos, o CLIENTE e os Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.216 15 INTERVENIENTES GARANTIDORES SOLIDÁRIOS individualmente obrigamse relativamente ao CLIENTE: (i) Veracidade das Declarações e Efetividade das Garantias. Tomar todas as providências e atitudes necessárias para que, durante todo prazo do Contrato e ate que suas obrigações dele decorrentes tenham sido totalmente liquidadas, todas as declarações por ela prestadas permaneçam verdadeiras e precisas bem como as garantias por ela prestadas permaneçam integras e em vigor; e (viii) Não Contratação/Concessão de Mútuos. Não contratará ou concederá mútuos de ou a favor de controladas, coligadas e/ou sócios bem como terceiros, exceto relativamente ao mútuo a ser concedido a favor do AFIANÇADO para efetuar o pagamento do prego de compra estabelecido no Contrato de compra e Venda de Quotas referido no item IV do preambulo; e (ix) Pagamento de Dividendos. Limitar o pagamento dos dividendos líquidos eventualmente apurados do seu lucro liquido, aplicandose tal limitação também ao eventual pagamento de juros sobre o capital próprio; (x) Redução do capital social. Não reduzirá tampouco permitirá a redução do capital social por retirada dos sóciosquotistas; e (xii) NãoAlteração do Controle Acionário. Não alterar bem como não permitir alteração do controle acionário doCLIENTE que importe em uma alteração equivalente do controle societário do CLIENTE; e' FATO 16 Ate 18/04/2005 a JACK LINK'S emprestou R$25.372.643,00 a ZEST, conforme lançamentos contábeis em Livro Diário da Zest. FATO 17 Em 18/04/2005 dáse a oitava alteração contratual na JACK LINK'S, quando se dá a transferência das quotas da sócia LINKS JAPAN para ZEST. A participação societária passa a ser de 95% para a ZEST e 5% para Eduardo. A transação se dá 'pelo preço estipulado no Contrato de Compra de Quotas, assinado pelas partes em 16 de março de 2005, aditado em 18 de abril de 2005'. O sócio Eduardo Jacinto Gonçalves declara que foram atendidas as exigências para o exercício do direito de preferência estipulado no Contrato Social e renuncia a ele. A sociedade passa a se chamar IFC International Food Company Indústria de Alimentos Ltda. FATO 18 Em 25/04/2005 é assinado 'Termo de Prestação de Garantia Penhor de Quotas N° 1073/05', em que figura como contratante a IFC e como garantidores a Zest e Eduardo. Dispõe o item 3: 'Integrarão a garantia ora constituída os dividendos atribuídos as quotas empenhadas, bem como aquelas quotas que vierem ser atribuídas em decorrência do pagamento de bonificações, ou resultantes de desdobramentos.' Dispõe o item 8: 'Integrarão a garantia todos os rendimentos ou vantagens que forem atribuídos as quotas empenhadas, respectivos rendimentos e quaisquer outros bens eventualmente adquiridos com o produto da realização da garantia prestada'. FATO 19 Em 25/04/2005 dáse a nona alteração contratual na IFC. Os sócios quotistas ZEST e Eduardo empenham cada uma de suas quotas 'em favor do Banco ABN AMRO Real S.A., de acordo com os termos e Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.217 16 condições estabelecidos no Termo de Prestação de Garantia Penhor de Quotas n° 1073/05', firmado em 14/04/2005. É acrescentado o parágrafo 3º à cláusula 5ª do contrato social informando que as quotas foram empenhadas em favor do Banco ABN AMRO Real S.A. FATO 20 Em 31/05/2005 o balanço patrimonial da ZEST constante da DIPJ de incorporação apresenta 33,7 milhões de ágio. Inclui como custo do investimento as despesas incorridas para aquisição até aquela data. FATO 21 Em 29/06/2005 dáse a décima alteração contratual na IFC. A Sociedade e a ZEST decidiram em 26/06/2005 pela junção das duas empresas, com a incorporação da ZEST pela Sociedade. O Protocolo e Justificação de Incorporação ('Protocolo’), parte integrante da 10ª alteração do contrato social, estipula os termos e as condições da operação de incorporação. O 'Protocolo' foi elaborado com base em ‘Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Liquido' da ZEST. Lêse no Protocolo, no item 1. JUSTIFICATIVA: • 'os sócios da ZEST INVESTIMENTOS e IFC concluíram que não se justifica mais a manutenção da ZEST INVESTIMENTOS como sociedade independente, tendo decidido promover a reunião dos patrimônios por meio da incorporação da ZEST INVESTIMENTOS pela IFC; ' • 'as administrações da ZEST INVESTIMENTOS e da IFC entendem que esta proposta atende plenamente aos interesses de ambas as sociedades'. Já no item III. DO ACERVO INCORPORADO E SUA AVALIAÇÃO, lemos: 'Para a realização da presente operação, está sendo adotado o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil da ZEST INVESTIMENTOS, conforme faculta o artigo 8° da Lei 6.404/76, com base no balanço patrimonial levantado em 31 de maio de 2005, que é considerada a database da operação. As variações patrimoniais posteriores à database acima estipulada constituirão resultados da IFC e serão por esta escrituradas, efetuandose os competentes lançamentos contábeis nos seus livros.' 'Assim, por meio da opera cão de incorporação, a IFC absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no valor de R$8.961.000,00 • No item VI. OUTRAS CONDIÇÕES, lemos: 'A IFC sucederá a ZEST INVESTIMENTOS em todos os direitos e obrigações relacionados ao patrimônio incorporado, nos termos do artigo 227 da Lei 6.404/76'. Já no 'LAUDO DE AVALIAÇÃO CONTÁBIL DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO' da Zest Investimentos, lemos no item 7. CONCLUSÃO: 'Em decorrência do trabalho realizado concluímos que o valor contábil correspondente ao acervo da INCORPORADA, avaliado na database de 31 de maio de 2005, de acordo com as práticas de contabilidade emanadas da legislação societária brasileira, valor contábil este a ser vertido para fins de incorporação ao capital da INCORPORADORA, nos termos do 'Protocolo e Justificação de Incorporação da Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda pela Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.218 17 IFC – International Food Company Indústria de Alimentos Ltda', datado de junho de 2005, monta em R$8.961.000,00...'. A cláusula 5ª da alteração do contrato social dispõe que ‘Por meio da operação de incorporação mencionada nos itens 1 e 2 anteriores, a Sociedade absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no montante de R$8.961.000,00...'. A cláusula 7ª dispõe que ‘Por meio da já destacada operação de incorporação, a Sociedade absorve a totalidade do acervo líquido incorporado, anteriormente pertencente à ZEST INVESTIMENTOS, tudo conforme estabelecido no Protocolo'. A cláusula 8ª dispõe que 'Fica estabelecido, ainda, que a opera cão de incorporação da ZEST INVESTIMENTOS acarretará a manutenção do capital social atual da IFC, nos termos previstos no item V do Protocolo, no valor de R$25.600.000,00 ...' Após a incorporação o Patrimônio Liquido da IFC declarado em DIPJ passa a ser de R$20.138.866,27, e portanto inferior ao Capital. A participação societária passa a ser de 81,434% para Jose, 13,566% para Alessandra e 5% para Eduardo. FATO 22 Em 29/06/2005 dáse a terceira alteração contratual da empresa ZEST, quando a empresa é declarada extinta, tendo como sucessora a IFC. Lêse no Protocolo, item III. DO ACERVO INCORPORADO E SUA AVALIAÇÃO: 'Para a realização da presente operação, está sendo adotado o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil da ZEST INVESTIMENTOS, conforme faculta o artigo 8° da Lei 6.404/76, com base no balanço patrimonial levantado em 31 de maio de 2005, que é considerada a database da operação. As variações patrimoniais posteriores à database acima estipulada constituirão resultados da IFC e serão por esta escrituradas, efetuandose os competentes lançamentos contábeis nos seus livros'. 'Assim, por meio da operação de incorporação, a IFC absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no valor de R$8.961.000,00...'. No item VI. OUTRAS CONDIÇÕES lêse que: 'A IFC sucederá a ZEST INVESTIMENTOS em todos os direitos e obrigações relacionados ao patrimônio incorporado, nos termos do artigo 227 da Lei 6.404/76'. 'A IFC promoverá todos os atos necessários para a averbação da sucessão dos bens incorporados'. O Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Liquido concluiu que o valor contábil do acervo da incorporada era de R$8.961.000,00. Após a incorporação da Zest, a IFC apresenta Capital de R$25.600.000,00 e Patrimônio Liquido de R$20.138.866,27, conforme Balancete Consolidado Parcial do período 01/05/2005 a 31/05/2005. FATO 23 Em 31/10/2005 a IFC baixa de seu ativo contas a receber no valor de R$3.192.298,52, referente a acordo invoices na aquisição das quotas, lançando a contrapartida diretamente à conta ágio na aquisição de investimento. As amortizações, que vinham sendo feitas no valor mensal de R$280.547,65, passam a ser de R$307.150,13. Ou seja, a empresa está amortizando o ágio em 10 anos. Até 31/10/2005 considerou ágio de R$33.735.392,81, que é o valor determinado na incorporação. Então, passou a considerar ágio de Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.219 18 R$36.858.015,98, acrescentando os recebíveis baixados, exceto variação cambial referente a carta de fiança (planilha do contribuinte 'Demonstrativo do Cálculo do Ágio Estimado). FATO 24 Em 01/01/2006 dáse a décima segunda alteração contratual na IFC, que delibera sobre sua transformação em sociedade anônima. As quotas são canceladas e substituídas por ações de mesmo valor. FATO 25 Em 31/01/2007 é realizada Assembléia Geral Extraordinária que, entre outros, altera disposição sobre criação de ações preferenciais com direito a voto e decide aumentar o capital da companhia. As novas ações preferenciais serão resgatáveis em 31/01/2012, garantindo uma taxa interna de retorno anual de 22,5% sobre o preço de emissão. O capital será aumentado de R$25.600.000,00 para R$29.344.478,00, por meio de uma emissão de 3.744.478 ações preferenciais com direito a voto, resgatáveis e conversíveis em ações ordinárias, no valor total de R$44.610.300,00, sendo que desse valor R$3.744.478,00 são destinados à formação do capital social e R$40.865.822,00 para a criação de Reserva de Ágio. FATO 26 Em 23/02/2007 é realizada Assembléia Geral Extraordinária que delibera aumentar o capital de R$29.344.478,00 para R$31.840.796,00, por meio de uma emissão de 2.496.318 ações preferenciais com direito a voto, resgatáveis e conversíveis em ações ordinárias, no valor total de R$29.072.400,00, sendo que desse valor R$2.496.318,00 são destinados à formação do capital social e R$26.848.160,00 para a criação de Reserva de Ágio. 4. QUALIFICAÇÃO DOS FATOS José e Alessandra pretenderam adquirir quotas. Sem dispor dos recursos necessários, pretenderam utilizar recursos da própria empresa. O negócio de aquisição de quotas contém um mútuo realizado entre IFC e Zest que é, em tese, uma simulação relativa com interposição fictícia de pessoa. O ato simulado é o empréstimo de recursos da IFC para a Zest. O ato dissimulado é a transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra. A simulação foi realizada para fornecer os recursos necessários à aquisição das quotas realizada por José e Alessandra, verdadeiros adquirentes das quotas. 4.1 MOTIVOS PARA SIMULAR Identificamos motivos de ordem societária e tributária, interligados e indissociáveis, que explicam, em tese, o interesse das partes na simulação. 4.1.1. MOTIVOS DE ORDEM SOCIETARIA: Um primeiro motivo da simulação é a transferência patrimonial, da empresa para sócios, de recursos em valor superior às reservas, ao capital e ao próprio patrimônio liquido, proibida pela legislação societária. Para argumentar, tomaremos como base o balanço patrimonial da empresa em 31/03/2005, último mês antes da assinatura do contrato de compra e venda. A ordem de grandeza dos números não muda e não invalida o raciocínio aqui apresentado se fosse considerado outro mês qualquer. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.220 19 Em 31/03/2005 a Jack Link's apresentava o seguinte balancete resumido (balancete escriturado em diário): ATIVO PASSIVO Ativo Circulante 24.841.052 Passivo Circulante 22.404.962 Realizável LP 585.922 Exigível LP 24.597.694 Permanente 63.863.421 Patrimônio Líquido Capital Social 25.600.000 Reservas Reaval. 13.218.952 Reservas Lucros 7.523 Lucros Acumulados 6.570.402 45.396.877 TOTAL ATIVO 89.290.39 TOTAL PASSIVO 92.399.533 Obs.: o balancete de março/2005 escriturado em diário apresenta Passivo superior ao Ativo. O demonstrativo apresentado pelo contribuinte informa contas de Reservas no valor de R$16.687.739 e Patrimônio Liquido de R$42.287.739. Para efeito de demonstrar nossas conclusões adotamos o valor escriturado. O valor da compra (sem contar despesas, perdão de dívida e outros) de 20 milhões de dólares, à taxa de 2,6157 vigente em 18/04/2005, data de fechamento do negócio, correspondia a R$52.314.000,00, claramente superior às reservas e lucros acumulados, e a todo o patrimônio liquido da empresa. Existem três formas de sócios adquirirem quotas com recursos da própria empresa: 1) A empresa comprar suas próprias quotas para manutenção em tesouraria e posterior alienação aos sócios. Não existe impedimento legal para uma sociedade limitada adquirir suas próprias quotas para manutenção em tesouraria. O Novo Código Civil (NCC), Lei n° 10.406/2002, não contem regras nesse sentido. O permissivo legal consta do artigo 30 da Lei n° 6.404/76, que rege as sociedades por ações. A cláusula 22ª do contrato social consolidado, objeto da 4ª alteração contratual da Jack Link's, de 16/06/2003, dispõe que os casos omissos no contrato social serão regulados pelo capitulo Da Sociedade Limitada, do Código Civil, (artigos 1052 a 1087) e legislação pertinente, e subsidiariamente pelas normas das sociedades anônimas (Fato 4). As alterações contratuais posteriores, até a transformação em sociedade anônima, mantiveram essa cláusula. Ocorre que, nos termos da alínea b) do artigo 30 da Lei n° 6.404/76, a aquisição de ações para manutenção em tesouraria só é permitida 'desde que até o valor do saldo de lucros ou reservas, exceto a legal; e sem diminuição do capital social, ou por doação'. Ainda que não constasse do contrato social a regula cão subsidiária pela Lei da Sociedades Anônimas, ainda assim a limitação de seu artigo 30 deveria ser respeitada. O capital social é mecanismo de garantia de credores, conceito básico e fundamental do direito societário. A validade da aquisição de quotas pela própria empresa sempre dependerá da existência de lucros acumulados e/ou reservas disponíveis que dêem suporte à aquisição. Portanto, dispondo de lucros e reservas de lucros de cerca de 19,7 milhões e PL de 45,3 milhões, a compra pela empresa de suas próprias quotas aos valores contratados de 52 milhões seria uma transação ilícita. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.221 20 2) A empresa entregar recursos aos sócios para eles comprarem as quotas. A redução do ativo teria como contrapartida uma redução do Patrimônio Liquido. O artigo n° 1.059 do NCC limita a entrega de recursos financeiros da sociedade limitada aos sócios, dispondo que estes 'serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas, a qualquer titulo, ainda que autorizados pelo contrato, quando tais lucros ou quantia se distribuírem com prejuízo do capital'. Mais uma vez verificase a impossibilidade da transferência patrimonial. Considerando o patrimônio liquido existente (cerca de 45,3 milhões), a distribuição dos recursos necessários à aquisição (cerca de 52 milhões) sem previsão de reposição implicaria reduzir o capital a zero e ainda registrar uma conta que retrataria um patrimônio liquido negativo. Do mesmo modo que na forma de aquisição anterior, a transação seria ilícita. 3) A empresa emprestar dinheiro aos sócios. Não haveria transferência patrimonial da empresa para os sócios. Os sócios não incorporariam ao seu patrimônio parte do patrimônio da empresa, pois restaria a obrigação de pagar. O empréstimo poderia ser pago pelos sócios no futuro, com rendimentos recebidos da empresa na forma de lucros distribuídos. A desvantagem é que os sócios poderiam não receber os lucros esperados. Os lucros previstos poderiam não ocorrer, e caso a empresa admitisse novos sócios, os lucros seriam distribuídos entre mais pessoas. Concluímos que, neste caso, a única forma legal dos sócios adquirirem as quotas com recursos da empresa seria através de empréstimo concedido pela empresa, com reposição dos recursos pelos sócios. Como o resultado dos atos praticados não é esse, concluise que essa não era uma opção desejada. No caso, houve contratação de mútuo, houve fornecimento de recursos, mas não houve reposição dos recursos emprestados. O negócio foi realizado de forma a tornar definitiva e sem ônus para os sócios uma transferência de recursos que deveria ter sido a titulo de empréstimo com reposição dos recursos emprestados. 4.1.2. MOTIVOS DE ORDEM TRIBUTÁRIA: Um segundo motivo para simulação é a obtenção de economia tributária no valor de cerca de 26 milhões de reais relativos a: a) Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre rendimentos tributáveis recebidos pelos sócios: a.1) Caso a Jack Link's entregasse aos sócios os recursos financeiros necessários à aquisição das quotas e quitação dos invoices, o rendimento dos sócios seria tributável. A lei isenta do imposto de renda lucros e dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real quando calculados com base nos resultados apurados, conforme artigos 39, inc. XXIX, e 654 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Uma vez que os rendimentos distribuídos ultrapassariam em muito os lucros apurados pela contabilidade, e não sendo contemplados nas hipóteses de isenção dos artigos 39 a 42 do RIR/99, incidiriam os artigos 37 e 38 do RIR/99. O valor de IRPF estimado seria de cerca de 15,8 milhões, considerando alíquota de 27,5% da tabela progressiva Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.222 21 incidindo sobre o valor de aquisição atribuído pelo contribuinte exceto embalagens. (Lei 7713, art 30, § 4º; IN SRF n° 15/2001, art.5°, §§ 7° e 8°). a.2) Caso a Jack Link's comprasse as quotas sem ter lucros e reservas para tanto e as entregasse aos sócios, o beneficio dos sócios seria rendimento tributável, incidindo os artigos 37, 38 e 55 inciso IV do RIR/99 (rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos). O beneficio dos sócios seria idêntico aos custos de aquisição contabilizados pela empresa. O valor de IRPF estimado seria igualmente de cerca de 15,8 milhões. Em ambos os casos ‘a.1’ e ‘a.2’ a empresa cometeria ilícito societário. Os atos seriam nulos e o beneficio dos sócios seria rendimento tributável decorrente de transação ilícita e percebido com infração à lei, incidindo os artigos 37, 38, e 55 inciso X do RIR/99. O beneficio dos sócios seria idêntico aos custos de aquisição arcados pela empresa. O valor de IRPF seria igualmente de cerca de 15,8 milhões. a.3) Se o negócio simulado fosse válido, José e Alessandra, que possuíam quotas da Zest no valor de 8,96 milhões, receberiam quotas da IFC no valor nominal de 24,32 milhões. Seriam beneficiados pelo negócio realizado pelas empresas, uma vez que, na relação de troca estabelecida, as novas participações têm valor maior que o custo da participação societária originária. Esse benefício constitui ganho de capital tributável previsto no artigo 117 do RIR/99 (alienação de ações; ações recebidas em valor superior as entregues; conforme Parecer Normativo CST n° 39 de 1981). Entretanto aqui não haveria um custo de aquisição de quotas registrado pela IFC. O valor do rendimento seria igual ao valor nominal das quotas recebidas (24,32) menos o custo da participação societária originária (8,96), resultando 15,36 milhões. Incidindo alíquota de 15%, o imposto devido seria cerca de 2,3 milhões. Portanto, se o negócio simulado fosse válido e os sócios recolhessem o IRPF no valor de 2,3 milhões incidentes sobre o negócio simulado, e uma vez que as alternativas possíveis teriam um custo tributário de 15,8 milhões, haveria uma economia tributária de 13,5 milhões de IRPF. b) Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorrente da dedução de despesas de amortização de ágio na aquisição de investimento: Essa economia decorre de permissivo legal do artigo 386 do RIR/99, aplicável unicamente nas incorporações de investida por investidora, ou viceversa, nos casos em que o investimento foi adquirido com ágio cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Essa economia não seria possível caso a aquisição se desse diretamente pelas pessoas físicas ou pela própria pessoa jurídica. Se o negócio simulado fosse válido, ao final o ágio pago na aquisição das quotas permaneceria na empresa, sob a forma de ativo diferido, tendo como contrapartida a reserva de ágio. Poderia ser amortizado em até cinco anos, e a despesa de amortização seria dedutível na apuração do IRPJ e CSLL, trazendo economia tributária de 34% sobre o ágio pago, igual a cerca de 12,5 milhões de reais. 4.2 RELAÇÃO DE TROCA NA INCORPORAÇÃO Na incorporação as quotas da empresa incorporada são extintas. Ao entregarem quotas da empresa a ser extinta, seus sócios estão na verdade entregando o acervo (bens, direitos e obrigações) que estas Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.223 22 quotas representam. Esse acervo normalmente irá aumentar o acervo da incorporadora, que aumentará seu capital na mesma medida. O balanço de incorporação da ZEST em 31/05/2005 apresentava os seguintes valores: Ativo Circulante 1.000,00 Financiamentos CP 13.209.449,60 Participações IFC 34.332.643,00 Outros 725.349,21 Ágio Inv. IFC 33.735.392,81 Financiamentos LP 21.579.525,00 Créditos P. ligadas 23.593.712,00 Capital 8.961.000,00 Total 68.069.035,81 Total 68.069.035,81 O Protocolo, no item 'III Do acervo incorporado e sua avaliação', informa que 'está sendo adotado o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil' da ZEST e que a IFC absorverá a totalidade do Patrimônio Liquido. Já o item VI fala em 'direitos e obrigações relacionados com o patrimônio incorporado' (Fato 21). O laudo de avaliação conclui que 'o valor contábil correspondente ao acervo da INCORPORADA ... a ser vertido para fins de incorporação ao capital da INCORPORADORA' é de R$8.961.000,00. Tanto o laudo quanto o protocolo não utilizam o termo 'acervo líquido', referindose apenas a acervo e patrimônio liquido. Apenas na 10ª alteração do contrato social encontramos referência a essa distinção entre patrimônio líquido e acervo líquido, onde a cláusula 5ª informa que 'a Sociedade absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no montante de R$8.961.000,00' e a cláusula 7ª informa que 'a Sociedade absorve a totalidade do acervo liquido incorporado', sem entretanto especificar o valor (Fato 21). O Patrimônio Líquido corresponde à diferença entre Ativo e Passivo. No caso, o Patrimônio Líquido da ZEST tem o valor do seu capital. Entretanto, é o acervo líquido transferido que permite visualizar a relação de troca estabelecida entre as partes. O acervo líquido corresponde ao valor dos bens e direitos, líquidos das obrigações, efetivamente transferidos da incorporada à incorporadora. Corresponde à riqueza efetivamente acrescida ao patrimônio da incorporadora. O capital da incorporadora será aumentado na medida dessa riqueza acrescida. Na operação de incorporação em que não existe participação de uma empresa em outra, o valor do acervo líquido é igual ao valor do patrimônio líquido da incorporada. Já no caso em que a incorporada detém participação na incorporadora, o acervo líquido corresponde à diferença entre ativo e passivo da incorporada, reduzido ainda do valor dessa participação. A participação não é transferida de uma empresa para outra. Ocorre que o custo dessa participação societária é registrado em balanço segregado em investimento e ágio. Embora sejam duas contas, ambas representam o mesmo investimento. Da mesma forma que a participação da incorporada na incorporadora não faz parte do acervo liquido transferido, também o ágio não faz parte do acervo liquido transferido. O ágio contabilizado na incorporadora como ativo diferido terá como contrapartida uma conta credora de reserva de ágio, distinta e segregada da contrapartida do acervo líquido, e não poderá ser utilizada para aumentar o capital da empresa. (IN SRF 11/99). Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.224 23 Verificase então que o acervo líquido recebido pela IFC tem o valor negativo de R$59.107.035,81, que corresponde às dívidas assumidas pela ZEST para aquisição das quotas, menos R$1.000,00 em caixa. Por outro lado, como não houve redução nem aumento de capital da incorporadora, a IFC nada exigiu para se compensar da recepção desse acervo negativo. A incorporação realizada pela IFC, que no dizer do Protocolo e Justificação de Incorporação 'atende plenamente aos interesses de ambas as sociedades' (Fato 21), resultou na assunção das dívidas da investidora ZEST, no valor de R$59.108.035,81, dos quais R$23.593.712,00 correspondem as dívidas da ZEST para com a própria IFC que se tornaram irrecuperáveis, e R$35.514.323,81 correspondem as dívidas da ZEST para com a Japan e fornecedores. O que a IFC fez foi simplesmente assumir o passivo da ZEST, contraído na única transação da vida dessa empresa. Na relação de troca estabelecida na incorporação, a Zest entregou uma dívida líquida de R$59.107.035,81, e as 24.320.000 quotas da IFC antes pertencentes à Zest foram transferidas para José e Alessandra, os verdadeiros e únicos beneficiados na transação. Quem lê apenas os contratos sociais e o laudo de avaliação da Zest, imagina que a IFC incorporou ativos de R$8.961.000,00. Quem analisa a contabilidade das empresas, constata que a IFC incorporou dívidas de R$59.107.035,81. O balanço patrimonial do contribuinte não retrata de forma transparente a operação realizada. Na verdade, esconde a assunção da dívida dos sócios. Suas contas patrimoniais apresentam sob título 'Outras' o valor negativo de R$25.372.643,00, que resulta da soma do valor de reserva de ágio de R$33.735.392,81, e do valor negativo de R$59.107.035,81 relativos ao acervo líquido recebido da ZEST e uma diferença indevida de R$1.000,00 relativa à conta caixa da Zest. Os valores de reserva de ágio e acervo líquido deveriam aparecer segregados no patrimônio líquido, conforme Instrução Normativa SRF n° 11/1999. Verificase ainda que o Patrimônio Líquido apenas ficou positivo no valor de R$20.138.866,27 devido à reserva de ágio. Se excluída a reserva, o PL resultaria R$13.596.526,54 negativos. Concluise que: 1) a IFC assumiu o prejuízo pelo não recebimento do empréstimo concedido e ainda o saldo devedor da dívida assumida pela Zest; 2) não é verdadeira a afirmação de que a incorporação da ZEST atende aos interesses da IFC; 3) um dos objetivos de se concretizar a aquisição de quotas através da Zest era adicionar um valor (Reserva de Ágio) ao Patrimônio Líquido para que este não ficasse negativo. (...) 4.4 CONDIÇÕES DOS CONTRATOS A substituição dos compradores signatários do contrato de compra e venda de quotas pela Zest foi comunicada aos vendedores em correspondência de 05/04/2005 assinada por José, Alessandra e Eduardo (fato 11). Verificase no item 3 do documento que os compradores estavam em processo de reestruturação corporativa que envolveria a transferência das quotas dos compradores para uma afiliada dos compradores e que essa afiliada se tornaria a única proprietária de todas as quotas Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.225 24 representativas da participação dos compradores na Jack Link's. Essa afiliada era a Zest. Entretanto, a transferência de quotas ocorreu em 12/04/2005 apenas com o aumento de capital da Zest pelos seus antigos sócios, José e Alessandra. Eduardo não ingressou na sociedade (fato 13), ficando portanto excluído da aquisição. A renúncia de Eduardo à aquisição ocorreu em 18/04/2005 (fato 16). O contrato de mútuo (Fato 8), onde a Jack Link's é mutuante e a Zest é mutuária, estabelecia que 'os empréstimos feitos pela MUTUANTE deverão ser liquidados em até 180 (cento e oitenta) dias contados a partir da data de cada desembolso, pela MUTUÁRIA sempre que esta liquidação for requerida pelos primeiros, independente de qualquer outra condição'. Portanto, o contrato estabelece prazo mínimo para pagamento de mútuo, mas não estabelece prazo máximo. A data final do pagamento seria determinada a critério da IFC, controlada por José e Alessandra. O contrato de compra e venda de quotas (Fato 9) estabelecia o preço a ser pago de vinte milhões de dólares, equivalente a cerca de 52 milhões de reais. A Zest claramente não tinha essa quantia, dai o contrato de mútuo. A razão do mútuo é exclusivamente o financiamento da aquisição. De fato, a única operação realizada pela Zest foi essa aquisição, e todos os custos incorridos pela empresa foram pagos com recursos do mútuo desde janeiro/2005 e motivados pela aquisição e considerados ágio. Já o contrato de garantia (Fato 15) dispunha que a IFC 'Não contratará ou concederá mútuos de ou a favor de controladas, coligadas e/ou sócios bem como terceiros, exceto relativamente ao mútuo a ser concedido a favor do AFIANÇADO para efetuar o pagamento do prego de compra estabelecido no Contrato de compra e Venda de Quotas referido no item IV do preâmbulo'. Constatase que desde o início estava definido que a compra das quotas seria feita pela Zest e totalmente paga com recursos da IFC e que a reposição do empréstimo ficaria a critério de José e Alessandra. O contrato de garantia contém o item 16, de obrigações especiais, em que o CLIENTE e os INTERVENIENTES GARANTIDORES SOLIDÁRIOS individualmente obrigamse relativamente ao CLIENTE...' É o banco exigindo garantias para conceder a carta de fiança. Ocorre que cliente é a IFC e intervenientes são as pessoas físicas. A Zest, que é a controladora da IFC, não é chamada pelo banco para garantir os atos da IFC (efetividade das garantias, ausência de ônus, não contratação de divida, não contratação de mútuo, não pagamento de dividendos). São os garantidores solidários que obrigamse a cumprir a garantia de penhora de quotas que pertencem a Zest, e não a própria Zest. Constatase que o próprio banco desconsiderou a Zest como controladora da IFC e compradora das quotas. A Zest era uma empresa de participações, cujo único investimento era a participação na IFC. Logo, os lucros distribuídos pela IFC constituiriam sua única receita. Entretanto, o contrato de garantia estipulava outra restrição à IFG: ‘Limitar o pagamento dos dividendos líquidos eventualmente apurados Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.226 25 do seu lucro líquido, aplicandose tal limitação também ao eventual pagamento de juros sobre o capital próprio'. O texto não especifica a quanto estaria limitado o pagamento de dividendos. O contrato social da Jack Link's estabelecia dividendo mínimo de 25% do lucro (Fato 7). Documentos enviados pelo Banco Real (Fatos 14 e 18) estabelecem as condições para assinatura do contrato de garantia, incluindo 'Proibição de distribuição de dividendos durante todo o período de operação' e penhorando os dividendos atribuíveis as quotas. E de fato não houve distribuição de dividendos no período. Concluise, portanto que limitar o pagamento significa não distribuir dividendos. Essa cláusula retira da Zest durante a duração do contrato de garantia sua única fonte de receita, que lhe permitiria amortizar a dívida. Entretanto, essa cláusula não é motivo relevante para a incorporação da Zest, uma vez que os sócios poderiam renunciar a seu direito de receber 95% dos lucros passíveis de distribuição em troca da amortização da dívida. Da mesma forma, a cláusula do contrato de garantia que não permitia a redução do capital também não é motivo relevante para a incorporação. A redução do capital em si não é relevante para o banco, pois receberia todas as quotas da empresa como garantia. Seria indiferente a quantidade ou o valor das quotas. O que interessa é ter garantia de 100% do patrimônio da empresa, que esse patrimônio não se reduziria, que não haveria redução de capital por retirada de sócios após a realização do negócio. O banco aceitou a relação de troca na incorporação. Entendemos que se as proibições de distribuição de dividendos e de redução de capital fossem motivos relevantes para a incorporação que se seguiu, os sócios teriam obrigação de recusar essas cláusulas. Isso porque a incorporação com recepção das dívidas da Zest, sem compensação pelo ônus, teria o mesmo efeito de distribuição de recursos aos sócios e implicaria fraude à lei. Sendo o contrato de garantia parte integrante do contrato de compra e venda de quotas, não se trata de fato superveniente. Se essas cláusulas foram aceitas é porque não afetavam os planos das partes. Uma vez que o mútuo tinha prazo indeterminado, a não amortização da dívida poderia continuar indefinidamente. Se existisse a intenção de quitar o empréstimo com dividendos recebidos da IFC pela Zest, o tempo de duração do contrato de mútuo seria o necessário para a IFC gerar recursos para o pagamento do restante da aquisição (2ª , 3ª e 4ª parcelas) e distribuição de dividendos equivalentes ao custo de aquisição das quotas. Por outro lado, a demora na incorporação da Zest acarretaria a demora no aproveitamento da amortização do ágio. O contrato de garantia continha restrição de 'Não alterar bem como não permitir alteração do controle acionário do CLIENTE que importe em uma alteração equivalente do controle societário do CLIENTE' (Fato 15). Controle acionário é participação direta (art 116 da Lei das SA); controle societário pode ser participação indireta. A cláusula previa que a Zest deixaria de ser controladora direta, mas a participação de José e Alessandra continuaria sendo de 95% do capital. Concluise que já estava previsto que a incorporação da Zest ocorreria ainda durante a vigência do contrato de garantia, e antes Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.227 26 mesmo de obter os recursos necessários para honrar seus compromissos. Resulta da incorporação em 31/05/2005, anterior ao pagamento das 2ª e 3ª parcelas, que o ágio começou a ser amortizado antes mesmo do pagamento total da aquisição. (...) 4.6 SEPARAÇÃO PATRIMONIAL Os atos praticados são gravíssimos. É legalmente impossível retirar de uma empresa recursos superiores ao seu patrimônio liquido. Conceito básico e fundamental da economia moderna é o de separação patrimonial entre pessoa jurídica e seus sócios. Edmar Oliveira Andrade Filho, em Sociedade de Responsabilidade Limitada, ed. Quartier Latin, 2004, bem coloca a questão: 'A criação de uma personalidade jurídica pressupõe a existência de um patrimônio que será a ela afetado. Esse patrimônio, antes pertencente aos membros da sociedade, é posto a serviço desta, debaixo de um complexo de relações que se formam entre a pessoa jurídica e seus membros, para cumprir uma função específica e determinada. Nas sociedades empresárias, o fim determinado é a exploração de atividade econômica e a apuração de um resultado que será repartido entre os sócios'. (pág. 35) 'Nas sociedades empresárias, a transferência patrimonial é feita, via de regra, a tíitulo de contribuição para o capital social da pessoa jurídica'. (pág. 36) ‘Feita a separação do patrimônio, os bens e direitos transferidos em pagamento da subscrição do capital passam para a esfera de poder da pessoa jurídica, que sobre eles adquire direitos de proprietário, isto é, adquire poderes de disposição, fruição e gozo e de ação erga omnes, inclusive contra os sócios. Portanto, os membros da pessoa coletiva que entregam bens em pagamento de capital não o fazem para formar condomínio juntamente com a sociedade já que não têm poderes de disposição sobre aqueles bens ...'(pág. 36) 'A possibilidade de criação de personalidades jurídicas e de realizar a separação patrimonial tem uma contrapartida: a responsabilidade'. (pág. 36) 'A noção de 'responsabilidade' tem íntima conexão com a idéia de ‘separação patrimonial' antes exposta. A separação só tem sentido se o patrimônio a ser separado o for para a realização de alguma finalidade, uma das quais é a criação de um centro de responsabilidade limitada. A mais importante conseqüência dessa separação é a possibilidade de criação de sociedades (e empresas) com limitação da responsabilidade dos sócios, nas hipóteses e condições previstas no ordenamento jurídico. Quando os sócios elegem constituir uma sociedade de responsabilidade limitada, eles criam um patrimônio social que, em princípio, responderá sozinho pelas dívidas da sociedade. Pela autoatribuição de uma responsabilidade limitada, os subscritores de quotas de uma sociedade empresária indicam o montante de bens que pretendem afetar a uma atividade econômica, de modo que preestabelecem o montante do que, em última instância, estão dispostos a perder. O índice desse montante é o valor do capital social, ou seja, o valor do capital social ‘manifesta o risco que os sócios assumem', ou o que é o mesmo , 'as perdas a que se sujeitam no exercício da atividade empresarial'. Assim, por intermédio desse mecanismo, os subscritores transferem uma parte dos riscos da atividade empresarial a terceiros que vierem a contratar com a sociedade constituída. Por tais razões, a possibilidade de separação e afetação de uma parcela patrimonial a um negócio, representa, de certa maneira, um privilégio'. (pág. 38, 39). Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.228 27 'Ora, a diminuição do capital real implica retirar garantias de credores que têm no capital um relativo mecanismo de garantia'. (pág. 119) A equação básica contábil 'ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LIQUIDO' bem expressa a separação patrimonial. A transferência de recursos do ativo para os sócios pode ocorrer em contrapartida a uma redução do passivo (pagamento de exigível), ou pela substituição por outra conta de ativo (por exemplo, empréstimo a receber) ou pela redução do Patrimônio Liquido em conta de Capital ou de Reservas. A transferência patrimonial realizada é legalmente impossível. O negócio realizado simplesmente criou um 'buraco' no Patrimônio Líquido, uma conta negativa que pelo cálculo do contribuinte deveria ter sido contabilizada no valor de R$59.107.035,81. Enquanto essa conta existir, haverá prejuízo na garantia de terceiros. Aqueles que contratarem com a sociedade, que assumirem parte dos riscos da atividade empresarial da IFC, estarão menos amparados, em benefício dos sócios que retiraram recursos da empresa. E como será coberto esse 'buraco'? Eventual compensação com lucros acumulados implicará apropriação de lucros pertencentes potencialmente aos acionistas minoritários, que não receberam os benefícios do negócio. Constatase nas demonstrações financeiras da IFC informadas nas DIPJ que, ainda em dezembro de 2007, constava de seu patrimônio líquido a conta negativa decorrente da incorporação da Zest. Constatase assim a definitividade da transferência patrimonial para José e Alessandra. 4.7 INTERPOSIÇÃO FICTÍCIA Entendemos que os quatro contratos realizados (de compra e venda de quotas, de mútuo, de garantia e de incorporação) constituem um negócio cuja causa é a aquisição de quotas por José e Alessandra com recursos retirados gratuitamente da empresa IFC com economia tributária. A causa pode ser declarada textualmente ou não. O componente de aquisição de quotas está declarado no contrato de compra e venda. O componente de pagamento com recursos da IFC está declarado no contrato de garantia. O componente de transferência de recursos não onerosa aos sócios, não declarada textualmente, está evidenciado pela interligação dos contratos e pela função da incorporação no negócio. A incorporação transfere o ônus do custo da aquisição totalmente para a IFC e o bônus das quotas adquiridas totalmente para José e Alessandra. Se houvesse intenção de repor os recursos emprestados, a relação de troca da incorporação seria estabelecida em bases eqüitativas, com a IFC recebendo dos sócios ativos que a compensassem do ônus assumido, ainda que para recebimento futuro (por exemplo, capital a integralizar no valor da conta negativa de patrimônio líquido recepcionada). Como não há bem transferido para a incorporadora na incorporação, e o pagamento da aquisição independia da situação financeira da Zest, pois seria financiada pela IFC, a incorporação, nos moldes em que realizada, só se justifica devido à causa que identificamos no negócio: 1) aproveitamento do ágio; 2) transmissão não onerosa das quotas aos sócios com economia tributária. Entendemos que a causa do negócio é ilícita porque implica retirada de recursos da IFC em beneficio dos sócios José e Alessandra em valor superior ao Patrimônio Liquido da IFC. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.229 28 O objetivo do planejamento, no caso, foi contornar essa ilicitude através de negócio jurídico indireto. 4.7.1 Inexistência de negócio jurídico indireto Entendemos que o negócio indireto não pode substituir negócio direto proibido por lei (transferência patrimonial maior que o patrimônio líquido). No caso, constatase de plano a incompatibilidade do negócio jurídico adotado para transferência de recursos (mútuo) com o objetivo pretendido de transferência gratuita. No negócio indireto, a causa pretendida é diferente da causa do negócio típico escolhido, mas o negócio substituto é verdadeiramente realizado, cumprindo as características de sua tipicidade. Por exemplo, alguém que não podendo doar, vende por valor simbólico. Através da venda atinge os fins da doação. Mas a venda é efetivamente realizada, há transferência de coisa em troca de recursos. Aqui, pretendese transferir recursos graciosamente utilizando contrato de mútuo, cuja definição legal exige a devolução, na mesma qualidade e quantidade, do bem fungível entregue (art. 586 do NCC). A incompatibilidade entre mútuo e transferência gratuita pode ser vencida pela interposição de pessoa, que deve ser real. Se a IFC emprestasse à Zest, a Zest restituísse os recursos à IFC e depois transferisse as quotas a José e Alessandra de forma eqüitativa, a interposição teria sido real, teria havido negócio indireto: teriam sido utilizados recursos da IFC, o mútuo efetivamente se realizaria com a reposição dos recursos, e a transferência seria não onerosa para José e Alessandra. A incorporação contratada pela Zest, da forma como foi feita, impediu a realização efetiva do contrato de mútuo, pois a IFC não recebeu de volta os recursos fornecidos. Portanto, a Zest não se submeteu à disciplina jurídica do contrato de mútuo e não existiu negócio indireto. Entendemos que se a incorporação decorresse de contingências externas à empresa, teria havido simplesmente fraude à lei societária, que não exige intencionalidade. A simples ocorrência por meios indiretos de resultado que a lei proíbe (a retirada de recursos da IFC em benefício dos sócios em valor superior ao Patrimônio Líquido) torna o negócio nulo (art. 166, inc. VI do NCC). Entretanto, entendemos que a incorporação da Zest faz parte de um conjunto préordenado de atos jurídicos, intencional, e que nunca houve intenção de restituir a IFC o valor emprestado. Se houvesse intenção de restituição, a relação de troca na incorporação teria sido eqüitativa, com a IFC recebendo ativos dos sócios para compensar as dívidas assumidas e impedir a conta negativa do patrimônio líquido. José e Alessandra obtiveram benefícios de R$74.646.420,01, conforme demonstrado ao final do item 4. Aumentaram seu patrimônio no valor de R$53.359.767,59 (custo total de aquisição das quotas) em detrimento dos sócios minoritários e da segurança dos que transacionaram com a empresa. Se os atos praticados fossem válidos teriam obtido economia tributária de R$21.286.652,82 (amortização do ágio e redução do imposto de renda ao ganho de capital). Não foi a sorte que os premiou. Foi o planejamento que lhes permitiu alcançar tais benefícios. 4.7.2 Pacto Simulatório Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.230 29 É possível identificar no mútuo e nos atos realizados a existência, em tese, de um pacto simulatório entre José e Alessandra (interponentes), a Zest (interposta) e a IFC. O acordo tripartite no mútuo é óbvio, na medida em que as empresas que o contrataram representavam interesses das mesmas pessoas. Os fatos se sucederam na seguinte ordem: contrato de mútuo (Fato 8), contrato de compra e venda (Fato 9), comunicação que a Zest efetuaria a compra (fato 11), reorganização societária com entrada da Japan e Zest na IFC (Fato 13), contrato de garantia (Fato 15), transação das quotas (Fato 17) e incorporação da Zest (fato 21). A utilização de recursos da IFC é o motivo do mútuo; a participação da Zest na compra foi comunicada aos vendedores pelos sócios; ao contratar a incorporação a Zest não se submeteu à disciplina jurídica do contrato de mútuo e transferiu um ônus à IFC em beneficio dos sócios. Todos os atos estavam previstos ou indicados nos contratos assinados. Portanto, existe um préordenamento dos atos, consensual entre as partes (José e Alessandra, Zest e IFC) e desde 02/01/2005, indicando que José e Alessandra comprariam as quotas com recursos fornecidos pela IFC, que a compra seria formalizada pela Zest e que as quotas adquiridas seriam transferidas aos sócios pela incorporação da Zest. 4.7.3 Ato simulado José Beleza dos Santos, em A Simulação em Direito Civil, Ed. Lejus, 1999, faz distinção entre interposição fictícia e interposição real. O texto apresenta aspectos relevantes que ajudam a identificar a ocorrência de interposição fictícia: 'O intermediário real procede como verdadeiro outorgante no negócio jurídico, diz Ferrara, a relação em vez de se estabelecer entre as partes estabelecese entre três pessoas, ocupando o interposto a posição intermédia para receber e tornar a transferir ou para obrigarse e ser exonerado. O efeito último do negócio realizarse6 entre os interessados, mas antes é necessário que passe pela pessoa interposta que, transitória mas necessariamente, deve adquirir para o seu patrimônio a propriedade ou os créditos transmitidos pelo contrato e sujeitarse à responsabilidade e débitos correlativos'. 'Na interposição fictícia a intervenção do intermediário portanto, meramente aparente; na interposição real é verdadeira e efetiva; na interposição fictícia há necessariamente um conluio entre os diretamente interessados e o intermediário, porque aqueles são os reais outorgantes e este só com o seu nome colabora nos atos realizados; pelo contrário, a interposição real exclui a existência desse conluio, e exige apenas o acordo quanto à mediação real do intermediário entre uma das partes que é o interponente e a pessoa interposta. Na interposição fictícia, desfeita a simulação, aparecem os reais outorgantes no ato jurídico e é apenas à capacidade destes e à suas vontades que se deve atender; na interposição real, como o intermediário foi parte nos atos em que interveio, há que atender também à sua capacidade e vontade para determinar a eficácia dos negócios jurídicos em que foi outorgante'. Haveria interposição real, licita, se a Zest tivesse restituído os recursos a IFC, e se a relação de troca na incorporação tivesse ocorrido em bases eqüitativas, e não com a assunção de dividas pela IFC sem nenhuma contrapartida. Em tese existe interposição fictícia de pessoa no contrato de mútuo entre IFC e Zest porque: Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.231 30 a) a Zest não se sujeitou à responsabilidade e débitos decorrentes do negócio, nem jamais houve pretensão de que o fizesse; a Zest contratou a incorporação antes de repor o mútuo e pagar as dívidas assumidas; contrato de mútuo foi motivado pela compra contratada por José e Alessandra; havia previsão no contrato de garantia de que o valor total das quotas adquiridas seria pago com recursos fornecidos pela IFC e de que o controle acionário da IFC seria substituído sem alteração do controle societário; com a incorporação encerrouse o mútuo e a própria Zest; b) a intervenção da Zest é aparente na medida em que era controlada pelas pessoas que controlavam também a IFC e que ao final receberam as quotas cuja aquisição motivou os empréstimos; o contrato de compra e venda se deu entre José e Alessandra e os vendedores; José e Alessandra comunicaram aos vendedores que a compra seria realizada pela Zest; A Zest não tinha recursos para a compra; contrato de garantia permitia alteração de controle acionário da IFC (participação direta, art. 116 da Lei da SA) se mantido o controle societário (participação indireta), já prevendo que ocorreria a transmissão das quotas para José e Alessandra via incorporação; a incorporação fatalmente teria que ocorrer antes da admissão de novos sócios/acionistas, pois se assim não fosse estes poderiam demandar contra a incorporação (artigo 117, §1 °, incisos 'b' e ‘f’ da lei das SA); a incorporação da Zest ocorreu durante a vigência do contrato, e, portanto antes do pagamento das 2a e 3ª parcelas; próprio banco nem considerou a Zest como controladora e compradora verdadeira das quotas da IFC; não houve efetiva entrega de recursos da Zest na aquisição; negócio realizado fraudou lei proibitiva; c) existe acordo entre as partes, José e Alessandra (interponentes), Zest (interposta) e IFC porque: José e Alessandra são compradores no contrato de aquisição de quotas; José e Alessandra comunicam aos vendedores que a compra seria realizada pela Zest; José e Alessandra são partes ou intervenientes em todos os contratos; José e Alessandra são controladores, sócios e administradores das empresas Zest e IFC e, portanto os atos das empresas refletem a vontade das mesmas pessoas; O motivo do mútuo é fornecer recursos para a aquisição das quotas; Os motivos da aquisição de quotas pela Zest são o aproveitamento do ágio, a transmissão dos custos para a IFC e a transmissão das quotas para os sócios José e Alessandra; não há interesse negocial da Zest nos atos praticados; Os únicos beneficiários são José e Alessandra; d) não existe capacidade e vontade da Zest para determinar a eficácia do negócio jurídico, na medida em que não tem capacidade Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.232 31 financeira nem atividade geradora de lucros para honrar os compromissos que assumiu; e) desfeita a simulação, verificase que apenas é atendida a vontade de José e Alessandra, destinatários finais das quotas adquiridas com os recursos do mútuo e únicos beneficiários das transações realizadas em prejuízo da sociedade investida e do sócio minoritário (participação de 5% nas perdas); não existe interesse negocial da Zest nos atos praticados, uma vez que ela não tem capacidade financeira, não tem atividade econômica além da aquisição realizada, é encerrada por incorporação ao final do negócio; não existe interesse negocial da IFC nos atos praticados, uma vez que ao final apenas assume os custos da transação, não recebendo nenhuma compensação pelos mesmos; os sócios promoveram uma transferência patrimonial ilícita da empresa para si no valor de R$53.359.767,19, superior ao patrimônio líquido; os sócios obtiveram benefício tributário de R$21.286.652,82, dos quais R$11.411.458,94 referemse a tributos não recolhidos e R$9.875.193,88 a obrigações criadas para o Estado (dedutibilidade do ágio); os sócios quase triplicaram sua participação na empresa desembolsando apenas R$1.000,00 na constituição da Zest; a recepção pela IFC do acervo líquido negativo e a entrega das quotas a José e Alessandra revela os verdadeiros interessados no negócio. A prova definitiva da, em tese, interposição fictícia é a falta de capacidade econômica da Zest, aliada ao não pagamento do empréstimo e o fato de o acervo líquido transferido na incorporação ser o valor da dívida de aquisição das quotas. Mostra que a Zest apenas emprestou seu nome para intermediar uma transação em benefício dos sócios administradores. Também não é verdadeira a afirmação de que a incorporação da ZEST atende aos interesses da IFC. Os fatos constatados, em tese, permitem enquadrar a aquisição realizada na previsão do artigo 167, §1º, incisos I e II da Lei n° 10.406/2002 (Novo Código Civil), implicando o lançamento previsto no art. 149, inc. VII da Lei n° 5.172/66 (CTN). 4.7.4 Ato dissimulado O ato dissimulado é a transferência gratuita a José e Alessandra dos recursos necessários à aquisição das quotas. O empréstimo não é uma simulação absoluta e contamina os outros atos. Se fosse simulação absoluta, não teria havido negócio algum e não teria saído dinheiro da IFC. Entretanto saíram recursos da IFC, pessoas foram beneficiadas e, portanto algum negócio houve. A participação da Zest no conjunto de atos praticados, se válida, permitiria: a) viabilizar o empréstimo simulado; b) viabilizar a aquisição de quotas pela Zest; c) aproveitar o beneficio fiscal do ágio; d) tornar o patrimônio líquido positivo; e) obter economia fiscal de IRPF incidente sobre o ganho das pessoas físicas, transformando o ganho da tabela progressiva (27,5%) em ganho de capital (15%), conforme descrito no item 4.1.2. a 3 anterior; e f) legitimar ato nulo praticado. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.233 32 Afastado o empréstimo, afastase também a aquisição de quotas pela Zest. Se ela nada pagou, nem ficou com o produto da compra, então ela não realizou o negócio jurídico de compra e venda contratado por José e Alessandra. Portanto afastase também o benefício fiscal do ágio; não existe Reserva de ágio a contabilizar no patrimônio líquido, que no cálculo do contribuinte deve ser reduzido ao valor negativo de cerca de 13,5 milhões; não existe ativo diferido a amortizar; as despesas de amortização do ágio não são dedutíveis. Cabe perguntar se a participação que a Zest detinha na IFC, decorrente do aumento do capital, permitiria alcançar os resultados e) e f) citados. Afastar o empréstimo não quer dizer que o negócio dissimulado é a aquisição de quotas pela IFC e sua posterior distribuição aos sócios, via incorporação da Zest ou diretamente. A aquisição das quotas pela IFC seria ato nulo conforme art. 30 da Lei 6.404/76 c/c art. 166, II do NCC. Entender que seria possível transferir quotas adquiridas ilegalmente aos sócios via incorporação seria legitimar o ato nulo praticado e prestigiar a ilegalidade, principalmente tendo em conta que os objetivos dos atos têm também natureza tributária (mudança da alíquota de 27,5% para 15%). A transferência das quotas da IFC aos sócios via incorporação da Zest seria também um ato simulado. Uma das funções da Zest no negócio foi tornar positivo o patrimônio líquido via adição da Reserva de Ágio. O único negócio/investimento realizado pela Zest foi a aquisição de quotas da IFC contratada por José e Alessandra, com recursos recepcionados em empréstimo que demonstramos ser, em tese, simulado. Excluída a aquisição decorrente do empréstimo simulado, a Zest não cumpriu seu objeto social de aquisição de investimentos. Portanto sua participação como investidora da IFC é totalmente artificial. Sua incorporação nada acrescentaria ao patrimônio da IFC e seria apenas um veiculo para fraudar a lei societária e transformar IRPF da tabela progressiva em ganho de capital. Também a transferência das quotas diretamente da IFC aos sócios seria motivo de desconsideração porque a aquisição seria ato nulo. Uma vez que falamos em interposição fictícia de pessoa, devese descobrir quem é o interponente, a pessoa a quem a Zest substituiu. Uma vez que a simulação é uma declaração enganosa de vontade, devese descobrir qual é a vontade verdadeira. Entendemos que os interponentes são José e Alessandra e que a vontade verdadeira é a transferência gratuita a José e Alessandra dos recursos e conseqüente aquisição das quotas por José e Alessandra porque: 1) o contrato de compra e venda de quotas foi assinado por José e Alessandra. Os atos que se seguiram ao contrato foram pré ordenados para atingir a finalidade da aquisição. Assim, a entrada da Zest na IFC e o mútuo são elementos da aquisição de quotas. José e Alessandra aparecem como partes ou intervenientes em todos os contratos; 2) José e Alessandra comunicaram aos vendedores que a compra seria finalizada pela Zest e que suas quotas seriam entregues à Zest. Portanto, a Zest substituiu José e Alessandra na aquisição; 3) a decisão de investimento é uma decisão do investidor e não da empresa investida. É o dono que manda na propriedade, e não a propriedade que manda no dono. Admitir que o interponente é a Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.234 33 IFC seria admitir que a IFC decidiu ser investida da Zest, sendo que a Zest ingressou na sociedade ao recepcionar quotas entregues pelos sócios em aumento de capital; 4) quando a empresa investida atua, ela realiza a vontade de seu investidor. Os atos praticados pela Zest e IFC visam atender a vontade de seus investidores José e Alessandra; 5) a causa confere unicidade aos atos praticados. Quando da assinatura do contrato de compra e venda a Zest não era sócia da Jack Link's. A participação da Zest na Jack Link's e sua posterior incorporação fazem parte da simulação para tornar o patrimônio líquido positivo e obter economia tributária, e igualmente devem ser afastadas. Não tem sentido imaginar que os atos praticados têm uma parte dolosa (o mútuo) e uma parte inocente (a transferência das quotas); 6) Se José e Alessandra tivessem adquirido as quotas diretamente, teriam efetuado os dispêndios que a empresa efetuou, registrando a aquisição em seu patrimônio pelo regime de caixa. Se a aquisição fosse feita pela IFC o regime adotado seria de competência. O regime de caixa traz um custo tributário menor que o regime de competência porque exclui as variações cambiais, que no caso representaram ganho tributável líquido de R$6.332.443,62; 7) A única forma lícita de aquisição das quotas com recursos da IFC seria através de empréstimo da IFC aos sócios. A simulação buscou alcançar transferência definitiva de recursos. A conclusão lógica é que os recursos para aquisição das quotas foram transferidos da IFC para José e Alessandra e que a aquisição das quotas foi feita por José e Alessandra. O demonstrativo abaixo apresenta os benefícios dos sócios com a simulação: Valor Contratado 52.314.000,00 Variação cambial do investimento (6.245.901,35) Juros Pagos 1.789.509,10 Pagamento aos vendedores 47.857.607,75 Despesas Incorridas Carta Fiança 958.327,09 Variação cambial fiança (86.542,27) Serviços 1.145.003,99 Despesas em beneficio dos sócios 2.016.788,81 TOTAL DOS PAGAMENTOS 49.874.396,16 Distribuição Disfarçada de Lucros Acordo Invoices 3.192.298,52 Valor residual intangíveis 293.072,51 Total DDL 3.485.371,03 Benefícios do custo de aquisição 53.359.767,19 Economia Fiscal de amortização do ágio calculado (34% x 29.044.687,68) 9.875.193,88 IRPF (0,275 x total dos pagam) 13.715.458,94 () IRPF s/ ganho de capital (0,15 x 15.360.000,00) 2.304.000,00 Imposto de Renda não recolhido 11.411.458,94 Benefícios Tributários 21.286.652,82 TOTAL DO BENEFÍCIO 74.646.420,01 5. CONCLUSÃO Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.235 34 Antes da assinatura do contrato de compra e venda de quotas (Fato 3), José possuía 30% das quotas da Jack Link's e Alessandra possuía 5%. A participação relativa de cada cônjuge nas quotas da Jack Link's pertencentes ao casal era respectivamente de 85,714% (30/35) e 14,286% (5/35). Após a 2ª alteração contratual da Zest (Fato 11), o contribuinte José Barbosa Machado Neto passou a deter 85,72% das quotas da Zest, e sua esposa passou a deter 14,28%. Após a incorporação da Zest pela IFC (Fato 20), o contribuinte passou a deter 81,434% das quotas da IFC, e sua esposa passou a deter 13,566%. Juntos, o casal passou a deter 95% das quotas da IFC. A participação relativa de cada cônjuge nas quotas da IFC pertencentes ao casal não foi alterada (81,434 = 85,72% x 95, e 13,566 = 14,28% x 95). Portanto, a sócia Alessandra Orlandi Barbosa Machado foi beneficiada com 14,28% dos pagamentos efetuados pela IFC para aquisição das quotas. a) Implicação tributária da desconsideração dos atos simulados Alessandra beneficiouse dos custos arcados pela IFC, conforme planilha "Pagamentos realizados em benefício da sócia Alessandra" anexa, onde os custos estão discriminados conforme registrados em conta Empréstimo de Sócios da empresa Zest e parcelas pagas pela IFC após a incorporação. Esses pagamentos constituem distribuição de recursos ao sócio em valor superior ao lucro apurado pela contabilidade. Portanto, não se incluem na isenção prevista no artigo 39, inc. XXIX, e 654 do RIR/99. O aumento da riqueza da sócia, embora realizado em contrapartida a uma diminuição da riqueza da empresa, constitui rendimento tributável, conforme disposto na Lei 7.713/88, art 30, §4°; Decreto 3.000/99 RIR arts 37 e 38; e IN SRF n° 15/2001, art 5, §§ 7° e 8°. Tratandose de fraude a lei societária com utilização, em tese, de simulação, incide o artigo 55, inciso X do RIR/99. Está sujeito à retenção na fonte, conforme arts 620 e 639 do RIR/99. Não houve retenção na fonte, como se verifica na DIRF emitida pela IFC juntada ao processo. Efetuamos o lançamento do IRPF incidente sobre os rendimentos omitidos, aplicando a multa qualificada de 150% prevista no artigo 44 da Lei n° 9.760/96, em virtude da prática, em tese, de simulação. Tendo em vista os valores mensais das retiradas individuais da sócia (DIRF juntada ao processo) a aplicação da tabela progressiva do imposto dáse pela alíquota de 27,5%. Encerramos nesta data a ação fiscal levada a efeito no sujeito passivo acima identificado tendo sido verificado, por amostragem, o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA nos anoscalendário de 2005 e 2006, onde foram constatadas as irregularidades mencionadas nos Demonstrativos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos Autos de Infração Lavrados e neste Termo. Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito. CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: Imposto de Renda Pessoa Física R$5.443.637,68 Serão formalizados três processos: a) de lançamento tributário; b) de Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.236 35 representação fiscal para fins penais, tendo em vista a prática, em tese, de simulação; e c) de Arrolamento de Bens, tendo em vista o valor da autuação superar 30% do patrimônio conhecido do sujeito passivo. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto, que neste ato recebe uma das vias. Cientificada do lançamento, em 18/05/2009, a contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 913/962, em 17/06/2009, alegando em sua defesa, basicamente, as mesmas razões de fato e de direito apresentadas em relação aos lançamentos de IRPJ e CSLL (Processo nº 19311.000203/200967), lavrados em face dos mesmos elementos de prova, e abaixo reproduzidas. Preliminares Invoca a necessidade de apensamento aos presentes autos dos processos n° 19311.000202/200912 (Matéria: Multa Isolada IRRF; Interessado: IFC), 19311.000201/200978 (Matéria: IRPF; Interessado: José Barbosa Machado Neto) e 19311.000200/200923 (Matéria: IRPF; Interessado: Alessandra Orlandi Barbosa Machado), tendo em conta a identidade dos fundamentos fáticos e jurídicos das diversas autuações. Requer a nulidade das autuações, em razão da ausência de previsão legal a amparar o procedimento adotado pela fiscalização de desconsideração do negócio jurídico praticado pela Impugnante. Segundo a defesa, o Parágrafo único do art. 116 do CTN, dispositivo que ampara a desconsideração, pelas autoridades fiscais, dos atos ou negócios jurídicos, seria norma de eficácia limitada, dependente de outro instrumento legal para que pudesse produzir efeitos. Mérito No mérito, defende a existência de propósito negocial, afirmando que toda a operação encontravase devidamente justificada, sem qualquer desvio ou ocultação do real objetivo. E explica: 38. Com efeito, no decorrer do ano de 2004, a Impugmante passou a enfrentar uma série de dificuldades nas negociações com seu único cliente, envolvendo o preço dos produtos produzidos, aumento de sua área de atuação dentre outros fatores. 39. Referidas dificuldades originaramse em virtude do fato de seu único cliente ser, também, seu sócio majoritário, na medida em que os Sr. Jay E. Link e Troy J. Link eram os detentores e distribuidores exclusivos da marca Jack Link's. 40. A manutenção das condições impostas pelo único cliente da Impugnante passou a impossibilitar o crescimento da empresa, na medida em que esta estaria impossibilitada de expandir seus negócios, ficando atrelada por prazo indeterminado às negociações com um único cliente, que importaria em sensível redução de sua lucratividade em virtude de preços e condições impostas, o que levaria a Impugnante a passar a ser uma mera coadjuvante na cadeia de produção dos produtos Jack Link's. Assim a retirada dos sócios Jay E. Link e Troy J. Link foi apresentada como a solução para os problemas enfrentados pela empresa, o que garantiria maior liberdade de negociação dos produtos e possibilidade de expansão de seu campo de atuação no mercado. Nesse sentido, os sócios remanescentes teriam dado inicio às negociações para a aquisição das quotas representativas de 60% (sessenta por cento) do capital da empresa. Diz que teria sido efetivada pesquisa para levantamento dos recursos necessários e elaborado laudo de avaliação das quotas, o qual teria Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.237 36 concluído pelo valor de mercado de 30 milhões de dólares em 16/03/2005. Diante das dificuldades enfrentadas para levantamento dos recursos necessários pelas pessoas físicas junto às instituições financeiras, fato que teria levado à desistência do Sr. Eduardo em adquirir as quotas dos sócios retirantes, a única alternativa teria sido a captação de recursos por meio de investimento decorrente de ingresso de novo sócio na IFC. E explica: 52. Para tanto, admitindo a possibilidade de ingresso de novo sócio, investidor, para viabilizar a aquisição das quotas em questão, por razões de ordem negocial, o Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi resolveram criar uma estrutura societária que permitisse a entrada de novos sócios, por meio de integralização de capital com recursos financeiros, e que, ao mesmo tempo, viabilizasse a preservação do valor de mercado de suas participações societárias, mesmo com diluição destas últimas, haja vista a diferença entre o valor patrimonial da IFC, com base em registros contábeis, e o seu valor de mercado. 53. Para tanto, o Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi decidiram utilizar a ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., pessoa jurídica constituída em julho de 2004, e que, naquele momento, tinha como sócios SHAMA Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e o Sr. José Barbosa Machado Neto. A intenção, portanto, era transferir, a titulo de integralização de capital da ZEST, a participação societária que detinham na IFC, como de fato foi feito, e posteriormente, por meio de solicitação, que foi tacitamente aceita, na medida em que nunca se opuseram, habilitar a ZEST a exercer o direito de aquisição da participação dos vendedores na IFC, de maneira a viabilizar a entrada dos novos sócios, agora, diretamente na ZEST e, indiretamente, na IFC. 54. Com a estrutura apresentada acima montada, o próximo passo seria transformar a ZEST em Sociedade Anônima e fazer uma chamada de capital com ágio a ser integralizada totalmente pelos novos sócios investidores, que contribuiriam para integralização de capital os recursos necessários para aquisição das quotas da IFC dos Vendedores. 55. Ocorre que, às vésperas da concretização do negócio, o investidor que seria admitido como novo sócio da ZEST, fornecendo os recursos necessários para a aquisição das quotas, impôs uma série de novas condições que inviabilizaria a aquisição como planejada. 56. Em virtude das exigências realizadas pelo provável novo sócio da ZEST, não foi finalizada a operação de aumento de capital da ZEST com subscrição e integralização de capital pelo novo investidor, o que acarretou conseqüências quase que irremediáveis a todo processo de aquisição das quotas dos Srs. Jay E. Link e Troy J. Link. 57. Tendo em vista a proximidade da concretização da venda, com o pagamento da primeira parcela, a já demonstrada impossibilidade, inclusive agravada pela urgência de captação de recursos perante as Instituições Financeiras, o Sr. José Barbosa e a Sra. Alessandra Orlandi foram compelidos a fazer uso da única solução que a atual conjuntura possibilitaria, a saber, captação de recursos, por meio de mútuo, diretamente da empresa Jack Link's. Explica que a IFC possuía recursos disponíveis e sua transferência a titulo de empréstimo aos sócios configuravase plenamente legal. Da mesma forma, haveria propósito negocial e ausência de desvio ou ocultação de outra operação na incorporação da ZEST (investidora) pela IFC (investida). Em suas palavras: 62. Referida incorporação teve por razão a desnecessidade de manutenção da estrutura societária resultante da operação anterior, Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.238 37 na medida em que, conforme demonstrado acima, a aquisição das quotas pela ZEST decorreu do fato de esta estrutura ter sido considerada a que melhor poderia atender à necessidade de captação de recursos com terceiros (novos sócios), bem como à preservação do valor de mercado da participação remanescente do Sr. José Barbosa e da Sra. Alessandra Orlandi, a despeito de sua eventual diluição, sendo certo que, diante dos novos fatos ocorridos (novas exigências por parte do potencial novo sócio) a não efetivação de admissão de novo sócio tornou desnecessária a manutenção de referida estrutura societária. Diz que esta justificativa integra o Protocolo e Justificação de Incorporação, parte integrante da 10ª alteração do contrato social. Contesta a imputação de simulação, na medida em que a intenção da empresa não foi enganar o fisco ou fraudar a Lei, e ocultar o fato jurídico tributário. Também afirma não ter havido transmissão de direitos a pessoas diversas das contratantes, qualquer declaração cláusula ou condição não verdadeira, ou documentos antedatados ou pósdatados. Em suma, como todas as operações praticadas teriam observado os preceitos constitucionais e legais, não apresentando qualquer conteúdo irreal ou falso, não teriam sido preenchidos os requisitos do art. 167 do Código Civil — Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que suportariam a qualificação da operação como simulada. Justificadas as operações de constituição e de incorporação da ZEST, defende não ser possível a imputação de simulação. Em suas palavras: 83. Assim sendo, é inconteste que, ao contrário do Sr. Fiscal, nunca houve a simulação de 'empréstimo de recursos da IFC para a ZEST', tampouco a dissimulação de ‘transferência não onerosa de recursos da IFC para Jose e Alessandra' e, se não houve tais irregularidades na operação, a desconsideração do negócio praticado é descabida. Contradita as afirmações da fiscalização de que o mútuo seria uma operação simulada, por ter prazo indeterminado, tendo em conta que à luz do Código Civil, a ausência de prazo expresso não tornaria o contrato irregular, nem permitiria a presunção de ausência de intenção de devolução dos recursos. Alega ainda que a empresa sempre teria dado publicidade de seus atos, tanto que teria encaminhado correspondência aos vendedores das quotas, informando que a aquisição se daria por intermédio da ZEST. Não aceita a argumentação do Fisco de que "já estava previsto que a incorporação da ZEST ocorreria ainda durante a vigência do contrato de garantia, e antes mesmo de obter os recursos necessários para honrar seus compromissos ". Reitera que a intenção da empresa não teria sido ocultar o fato jurídico tributário, mas criar condições com a retirada dos sócios Jay E. Link e Troy E Link, para exercer suas atividades em condições mais competitivas. Defendese com base nos preceitos constitucionais, regentes da atividade econômica de valorização do trabalho e da livre iniciativa. Aduz ainda que se houve propósito negocial/substrato econômico na operação praticada, não pode ser desconsiderado o negócio, e que de acordo com o art. 170 da Constituição Federal — CF, "o contribuinte não é obrigado, de acordo com a legislação pátria, a exercer suas atividades optando pelo modo mais oneroso ". Não acata assim a imputação de abuso de direito ou a utilização da teoria do "propósito negocial", "segundo a qual o Fisco não estaria obrigado a aceitar os efeitos fiscais que decorreriam dos atos utilizados sem fins civis ou Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.239 38 comerciais, mas exclusivamente com o objetivo de obter vantagem fiscal". E assevera: 98. Isto porque, estão devidamente justificados os seguintes atos: a existência da ZEST e seu propósito negocial; a necessidade da aquisição das quotas da Impugnante por meio dessa pessoa jurídica; a ausência da razão de existir da ZEST diante do não ingresso de recursos pelos potenciais investidores; a incorporação da ZEST pela IFC. No caso do abuso de direito, "deveria ser demonstrado que a Impugnante teria se utilizado de formas jurídicas anormais, insólitas ou inadequadas, com o único fim de obter vantagem fiscal". Conclui dai que os lançamentos estariam amparados em presunções para caracterização dos atos como simulados ou dissimulados, tendo em conta que não preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência: (i) o intuito do agente de fraudar a Lei ou enganar o Fisco; (ii) a existência de negócio que aparente conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas realmente intencionadas; (iii) a existência de negócio com dados irreais ou falsos; e (iv) instrumentos particulares antedatados ou pósdatados. Referese ainda ao Parecer dos Auditores Independentes, relativo ao anocalendário de 2005, a corroborar que as operações estariam devidamente justificadas, com a aprovação das demonstrações financeiras. Em suas palavras: 108. Verificase, assim que, diante da existência de propósito negocial, bem como da legitimidade de todos os atos praticados, fato corroborado pelo Parecer fornecido pelos Auditores Independentes, é evidente a inexistência de qualquer fundamento que possa legitimar a alegação de simulação por parte da D. Fiscalização. Questiona, nos seguintes termos, a autuação com base em operação presumida pela fiscalização: (...) poderia o Sr. Fiscal ter considerado que o ato simulado seria 'o empréstimo de recursos da IFC para a ZEST' e o ato dissimulado 'a transferencia não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra", recompondo e qualificando a operação, estabelecendo o possível fato gerador ocorrido com base nas próprias presunções? Como não admite a presunção como meio de prova do fato jurídico tributário, em face do principio da estrita legalidade que rege o sistema tributário nacional, argumenta: 128. Assim, o lançamento pautado em presunções não pode prosperar, eis que meras presunções, interpretações, conclusões, são elementos insuficientes para caracterizar a ocorrência do fato gerador e, em decorrência, sujeitar a Impugnante ao recolhimento de exação tributária apurada ao arrepio da Lei. Assevera ainda que "não se pode ter por legítimo o ato do Sr. Fiscal de desconsiderar a operação praticada pela Impugnante com o único intuito de que haja o recolhimento de tributos". Ainda que houvesse simulação e a fiscalização pudesse desconsiderar o ato praticado, defende que "não se pode ter por legítima sua presunção de que houve, no caso, 'mútuo realizado entre IFC e ZEST que é, em tese, uma simulação relativa com interposição fictícia de pessoa' ": 132. Conforme mencionado, não é dado ao D. Fiscal a discricionariedade de, a seu bel prazer, recortar os fatos e adequálos às hipóteses de incidência previstas, mormente quando o intuito é, única e exclusivamente, aumentar a arrecadação. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.240 39 Em seu entender o Fisco não poderia desconsiderar uma operação legítima, praticada pelo contribuinte, por entendêla como a solução mais eficiente, do ponto de vista econômico e empresarial, apenas porque, para o Fisco, seria melhor que o contribuinte tivesse praticado uma outra operação que garantisse maior arrecadação aos cofres públicos. Admitida a ocorrência de simulação, no caso, no máximo teria havido um mútuo entre a IFC e os Srs. José e Alessandra, uma vez que, conforme reconhecido pela própria fiscalização, seriam ilícitas as outras duas formas de aquisição de quotas pelos sócios com recursos da empresa (alienação de ações em tesouraria e entrega de recursos aos sócios). Tal opção teria sido desconsiderada pela fiscalização, com base na presunção de que esta não seria "uma opção desejada", porque "embora tenha havido a contratação do mútuo, o fornecimento dos recursos, 'não houve reposição dos recursos emprestados'". Defende a legitimidade da operação praticada, e conclui: 142. (...) Assim sendo, se a operação inicialmente praticada era legitima, por óbvio que não existiria registro de reposição dos recursos emprestados por parte dos sócios. 143. Esta seria (e foi) uma situação criada apenas por decorrência lógica da desconsideração da operação inicialmente praticada. 144. De se apontar, inclusive que o Sr. Fiscal considera dispensável a existência da ZEST na operação de aquisição das quotas da Impugnante por José e Alessandra, entendendo, inclusive, que constitui um ato simulado, por que considera que o mútuo foi realizado entre IFC e ZEST, e não entre IFC e José e Alessandra se, frisese, esta é uma operação legal? Assevera afronta ao art. 112 do CTN quando o Fisco desconsidera a operação praticada, e presume como verdadeira a conduta mais gravosa, principalmente quando a suposta vontade da Impugnante poderia ter sido enquadrada em outra operação legal, mais benéfica. Reputa ilegítimas as presunções da fiscalização de interposição fictícia de pessoa, e de que a vontade verdadeira do negócio seria a transferência gratuita dos recursos a José e Alessandra para aquisição das quotas dos sócios retirantes. E pontua: 149. Ao que tudo indica, deixou o D. Fiscal de considerar que a 'verdadeira' operação seria o mútuo entre a Impugnante e seus sócios, em razão dos efeitos tributários que decorrem de tal operação, com o que não podemos concordar, seja em razão do artigo 112 do Código Tributário Nacional, seja em razão do uso indevido da presunção in casu, tendo em vista que, a seu bel prazer, entendeu o Fiscal que o mútuo entre a Impugnante e seus sócios 'lido era uma opção desejada'. Acrescenta ainda que: 150. (...) o fato de não ter o registro da reposição de valores não é justificativa hábil para consignar que esta não seria a operação praticada, pois este registro somente não existe porque o negócio praticado, no entender da Impugnante, era legitimo, e este não seria um efeito dele decorrente. Enfim, é no mínimo ilógico justificar a falta de adoção de uma determinada atitude por parte dos sócios da IFC, tendo como base para referida justificação uma situação jurídica decorrente de uma operação tida como simulada e, portanto, desconsiderada. No entender da defesa, se considerada simulada a operação, a Impugnante deveria ter sido intimada a retificar seus registros fiscais para retratar essa nova realidade (mútuo realizado entre a Impugnante e seus sócios). Fundamentase na intimação fiscal para retificação dos registros do Lalur, em função das autuações, para advogar: Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.241 40 153. Ora, se em razão da nova realidade apresentada pelo Fisco a Impugnante deveria retificar seus livros fiscais, por óbvio que, desconsiderada a operação, pode ser autorizada a retificar seus registros contábeis para adequálos à nova realidade decorrente do julgamento da presente manifestação — mútuo entre a Impugnante e seus sócios. Da aplicação da multa qualificada pela fraude Assevera que dada a inexistência dos débitos de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF e a validade formal e material das operações, indevida a aplicação da multa qualificada. Em suas palavras: 168. No presente caso, não foi possível à D. Fiscalização infirmar a validade, regularidade e eficácia dos atos praticados, na medida em que estes se revestiram de todas as exigências legais. 169. Desta forma, caso a D. Fiscalização verificasse a alteração do saldo negativo, deveria esta, se for o caso, exigir da Impugnante o valor do suposto débito que tenha sido indevidamente compensado com o saldo negativo inexistente, mas nunca proceder à exigência de IRPJ e CSLL que são comprovadamente indevidos em virtude do recolhimento a maior no decorrer do anocalendário. 170. Apenas a simulação absoluta demonstraria o dolo dos agentes em fraudar a Administração Tributária; a simulação relativa não visaria a fraude, na medida em que não busca o ilícito, sendo eventuais feitos dela decorrentes apenas conseqüências normais previstas e autorizadas pela legislação, não havendo que se falar em intuito de fraude. 171. Neste sentido, ainda que se pudesse admitir que o real objetivo da operação foi diverso do aparente, sendo a simulação relativa, não haveria que se falar em presunção de fraude. Deveria, portanto, a D. Fiscalização ter comprovado de forma cabal que os atos praticados seriam ilícitos, pois é seu o ônus da prova, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil. Conclui que a imputação de fraude estaria respaldada também em meras presunções, não havendo prova do dolo da empresa ou de que os atos teriam sido praticados com objetivo de fraudar a Administração Tributária. Ademais, todos os atos teriam sido levados a registro nos órgãos competentes e informados à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, com a contabilização das operações. Novamente faz remissão ao art. 112 do CTN para concluir: 179. Neste sentido, não havendo comprovação do evidente intuito de fraude, os fatos devem ser analisados de maneira mais favorável à Impugnante, aplicandose dentre as possíveis penalidades, a de menor gradação, restando, portanto, afastada a aplicação qualificada de 150%, devendo incidir apenas a multa de oficio de 75%. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DAS MULTAS EXIGIDAS As multas aplicadas afrontariam o principio do nãoconfisco. Em suas palavras: 186. A multa tem caráter nitidamente punitivo e não pode ser aplicada arbitrariamente, com evidente descompasso com a infração supostamente cometida. É imprescindível, nesses casos, que haja uma nítida correlação entre a infração cometida e a penalidade imposta, sob pena de anulação da multa lavrada, dada a sua patente abusividade, além da evidente afronta ao principio da vedação ao confisco, bem como ao direito de propriedade, constitucionalmente previstos (...) Faz remissão à doutrina e à jurisprudência, para ao final, requerer a redução para 20% (vinte por cento) das multas aplicadas com base nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.242 41 Contesta a legalidade e a constitucionalidade da cobrança dos juros de mora com base na variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic. Com fundamento no principio da verdade material, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 27.075 (fls. 1.0261.086) de 07/10/2009, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006,2007 Nulidade. Falta de Lei Ordinária. Desconsideração de Negócio Jurídico. Simulação. De acordo com os preceitos do art. 149, VII, do CTN, o lançamento deve ser efetuado pela autoridade administrativa, quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve a autoridade fiscal proceder ao competente lançamento dos efeitos tributários dos atos que o sujeito passivo pretendeu, dolosamente ocultar, por meio da simulação. Comprovada a simulação, prescindível o procedimento de desconsideração de negócio jurídico. Simulação. Alienação de Quotas Sociais. Interposição de Pessoa. Incorporação. Caracteriza simulação a interposição de pessoa jurídica fictícia, sem patrimônio e atividade empresarial, em operação de aquisição de quotas sociais, seguida de incorporação da interposta pessoa, com o intuito de ocultar a transferência gratuita de recursos da Sociedade a seus sócios, reais adquirentes das quotas, e para garantir a dedutibilidade do ágio pago pela própria Sociedade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 Fato Gerador. Pagamentos Efetuados Em Favor dos Sócios Administradores. Os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, vinculados à operação de aquisição de quotas sociais, em favor dos sócios administradores, configuram acréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.243 42 percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Multa Qualificada. Fraude. Simulação. Provada que a simulação na operação de aquisição das quotas sociais, por interposta pessoa, seguida de incorporação desta Ultima, visou impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de diversos fatos geradores, suas naturezas ou circunstâncias materiais, e das condições pessoais dos contribuintes, suscetíveis de afetar as obrigações e os créditos tributários correspondentes, cabível a aplicação da multa qualificada. Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos de. lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 17/11/2009 (A.R. de fl. 1.089) a interessada interpôs recurso voluntário em 16/12/2009 (fls. 1.0941.151) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.244 43 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Salientese que todas as razões de defesa apresentadas quanto as preliminares e ao mérito da presente exigência já foram apreciadas por esta Turma no âmbito do Processo n° 19311.000203/200967, impondose adotar as mesmas razões de decidir ali consubstanciadas e abaixo reproduzidas: Da preliminar de nulidade do lançamento suscitada Não vislumbro a preliminar de nulidade suscitada. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade dos lançamentos, por falta de Lei ordinária a disciplinar a desconsideração do negócio jurídico supostamente praticado pela contribuinte, prevista no Parágrafo único do art. 116 do CTN, porque a fundamentação dos lançamentos é de que os atos teriam sido praticados com simulação. De acordo com os preceitos do art. 149, VII, do CTN, o lançamento deve ser efetuado pela autoridade administrativa, quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve a autoridade fiscal proceder ao competente lançamento dos efeitos Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.245 44 tributários dos atos que o sujeito passivo pretendeu, dolosamente ocultar, por meio da simulação. Oportuno esclarecer que, após o inicio do procedimento fiscal, incabível a intimação da empresa para retificação de sua escrituração contábil e fiscal de forma a adequála aos fatos efetivamente ocorridos, mas ocultados ou dissimulados pela prática da simulação. Nos termos do § 10 do art. 7° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, o inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Do mérito Quanto ao mérito, adoto os fundamentos da decisão recorrida, na forma a seguir apresentada, por entender que bem enfrentaram a questão. Centramse as autuações ora discutidas na caracterização como simuladas das operações de alienação de 60% (sessenta por cento) das quotas da IFC para a Zest, pessoa jurídica considerada fictícia, sem patrimônio e atividade empresarial, com o intuito de ocultar a transferência gratuita de recursos da IFC aos sócios, reais adquirentes das quotas, ou para garantir a fruição de benefícios fiscais (amortização de ágio) pela própria IFC. Nessa esteira, cumpre transcrever os preceitos contidos no Código Civil — Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, a respeito da invalidade ou nulidade dos negócios jurídicos e definidores da simulação: CAPÍTULO V Da Invalidade do Negócio Jurídico Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV não revestir a forma prescrita em lei; V for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibirlhe a prática, sem cominar sanção. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.246 45 I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Relevante assinalar que, nos termos da legislação em vigor, a nulidade do negócio jurídico simulado não é afastada pelo fato de os responsáveis haverem escriturado, apresentado a documentação de suporte e dado publicidade aos atos praticados com simulação. Na verdade, a escrituração, a apresentação de documentação e a publicidade da alteração dos contratos sociais, mediante o competente registro na Junta Comercial, decorrem de imposições legais, e não tem o condão de afastar a caracterização da simulação porventura ocorrida. Ademais, infundada a alegação da defesa de que a prova da simulação foi feita a partir de presunções. Conforme oportunamente explicitado, as provas dos autos corroboram que a ZEST, não tinha e não teve qualquer atividade operacional, mas apenas supostamente integrou: (i) uma operação de aquisição de quotas, sem que tal fato constasse do contrato que respalda a operação, e sem que tivesse capacidade econômica e financeira para tanto; e (ii) uma operação de incorporação, a redundar na completa assunção pela IFC do ônus da aquisição das quotas, e na possibilidade de dedução do ágio pago pela incorporada. A imputação de simulação não se fez com base em presunção, mas a partir da documentação que instrui os autos. No caso em apreço, as provas dos autos vêm confirmar que a operação de alienação das quotas deuse, na forma do contrato de fls. 189/330, entre os sócios estrangeiros, na qualidade de vendedores, e os sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, na qualidade de compradores, podendo ser consideradas como simuladas todas as operações formalizadas para ocultar tal fato, tais como: (i) o contrato de mútuo entre a ZEST — pessoa jurídica sem patrimônio e sem atividade empresarial — e a IFC, para transferir os recursos necessários ao pagamento da 1a parcela do contrato de aquisição das quotas; (ii) a aquisição das quotas pela ZEST, na medida em que todos os recursos utilizados pertenciam ao patrimônio da IFC; e finalmente, (iii) a incorporação da ZEST pela IFC, mediante a qual a IFC sucedeu a ZEST em todas as obrigações remanescentes do contrato de aquisição das quotas. Ressaltese que o rigor formal do extenso contrato de fls. 189/330, entre os sócios estrangeiros, na qualidade de vendedores, e os sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, não se repetiu na oportunidade do simulado aditamento. Conforme reconhecido expressamente na resposta à intimação de fls. 803/804: "A inclusão das empresas Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e a Links Japan Holdings, KK. (Links Japan) como personagens do negócio formalizado pelo 'Quota Sale Agreement' firmado em 16 de maio de 2005 não se deu através de aditamento deste contrato, mas sim mediante trocas de correspondências Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.247 46 entre as partes, conforme sistemática prevista nas cláusulas 8.9.1. e 8.9.2. do Quota Sale Agreement" "As correspondências que formalizaram o acima exposto são datadas respectivamente de 04 de abril de 2005 (ZEST) e 18 de abril de 2005 (Links Japan), e suas cópias estão sendo anexadas ao final deste documento". De fato da Cláusula 8.9.2 do contrato as fls. 249 consta que: "8.9.2. Caso os Compradores decidirem a conduzir uma reestruturação corporativa que possa envolver a transferência de suas quotas na Sociedade dos Compradores a uma ou a mais Afiliadas dos Compradores antes da Data de Fechamento, os Compradores deverão pontualmente avisar os Vendedores por escrito a respeito de tal assunto. Mediante tal aviso, os Vendedores e os Compradores pelo presente concordam em agir de boaf6 para pontual e mutuamente implementar tal transferência por meio de (a) pontualmente entregar todos os documentos exigidos pela respectiva Parte e (b) firmar e arquivar junto à JUCESP o aditamento correspondente aos estatutos sociais da Sociedade em não mais de cinco (5) Dias Úteis antes da Data de Fechamento. Os Compradores pelo presente reconhecem, declaram e concordam que todas e quaisquer obrigações, efeitos e Contingências diretas que possam diretamente surgir a qualquer momento a partir da reestruturação corporativa mencionada nesta Cláusula 8.92. deverão ser suportadas exclusivamente pelos Compradores". Primeiramente, cumpre observar que a transferência de quotas a que se refere a Cláusula 8.9.2 diz respeito as quotas da própria Jack Link's detidas pelos compradores, e não propriamente à substituição dos compradores como partes do Contrato. Ademais, mediante tal aditamento a ZEST teria sido simplesmente incluída no contrato, não havendo qualquer referência à substituição dos adquirentes envolvidos no contrato de fls. 189/330. Inferese ainda das expressas cláusulas do contrato que a inclusão da ZEST como parte do contrato em nada teria alterado os direitos e deveres pactuados, ou seja, a sua inclusão não teria afetado a relação obrigacional firmada entre as partes originais do contrato, pelo que se confirma a mera interposição de pessoa jurídica. Consta às fls. 456/462 o Instrumento Particular de Mútuo entre a Jack Link's, na qualidade de mutuante, e a ZEST, na qualidade de mutuária, subscrito pelo Sr. José Barbosa Machado Neto, na qualidade de representante legal da mutuante, e pela Sra. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, na qualidade de representante da mutuária. Apenas com estes dados já é possível inferir a dificuldade de distinguir os reais interesses das pessoas físicas e jurídicas envolvidas na operação, na medida em que os subscritores do denominado contrato de mútuo são as mesmas pessoas físicas beneficiárias das operações de aquisição de quotas sob suspeita. Mais ainda. Verificase na documentação apresentada, principalmente na escrituração do Livro Razão de fls. 185/188, que a mutuária (ZEST) não detinha qualquer patrimônio e não desempenhava qualquer atividade operacional, até o recebimento de recursos suficientes para pagamento da 1ª parcela relativa à aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, em 18/04/2005. E também não desempenhou qualquer atividade até a sua incorporação pela IFC, menos de dois meses depois, em 31/05/2005. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.248 47 De acordo com o Anexo I ao contrato de mútuo, de fls. 458/462, até mesmo as despesas necessárias para viabilizar a aquisição da participação societária — serviços advocatícios (Emerenciano, Baggio e Associados), de avaliação econômicofinanceira com emissão de laudo (Setape) e de traduções (Ana Luiza Barbieri) —, segundo o demonstrativo de fls. 335 e o Livro Razão de fls. 185/188, teriam sido custeadas com recursos advindos da Jack Link's. Tais fatos somente corroboram que a ZEST era apenas uma "casca", sem qualquer conteúdo patrimonial e empresarial, essencial para ser reconhecida como uma pessoa jurídica com vontade e interesse próprios, distintos da vontade e do interesse de seus sócios. E nem se fale de sua existência efêmera a comprovar a falta de propósito negocial para sua constituição. Reiterese: o propósito seria única e exclusivamente a sua utilização como interposta pessoa, para ocultar a transferência gratuita de recursos da IFC aos sócios, reais adquirentes das quotas, ou para garantir a fruição de benefícios fiscais (amortização de ágio) pela própria IFC. Entretanto, mais relevante que todos os aspectos já acima levantados a respeito da fragilidade das provas apresentadas para corroborar a existência de um efetivo contrato de mútuo entre pessoas jurídicas, com vontades e interesses distintos e definidos, foi a operação de incorporação da ZEST (mutuária) pela IFC (mutuante), ocorrida logo no mês seguinte à aquisição das quotas, com a conseqüente extinção das obrigações decorrentes do mútuo devido à confusão, e a assunção pela IFC do passivo remanescente relativo à aquisição das quotas. Na verdade, a incorporação propiciou o alcance do real objetivo pretendido desde o inicio do contrato: (i) a transferência da titularidade das quotas adquiridas para os sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado; e (ii) a assunção definitiva de todas as dívidas decorrentes do contrato de aquisição das quotas pela IFC, tendo em conta a impossibilidade de recuperação do valor mutuado, devido à extinção por confusão, e à assunção pela IFC do passivo da ZEST junto ao alienante das quotas. Diante de tais fatos, tem razão a fiscalização, quando afirma que o contrato de mútuo em discussão seria fruto de simulação. Cumpre reconhecer: aparentou conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferiram, ou transmitiram. No caso, se o contrato fosse válido, a ZEST, na qualidade de mutuária, teria o direito de receber os recursos disponibilizados, e a IFC, na qualidade de mutuante, teria o direito de ver restituído o valor mutuado. De um lado, o Aviso de Lançamento de fls. 529 confirma que os recursos utilizados para pagamento da primeira parcela do contrato de aquisição das quotas (R$ 17.525.025,00), sequer passaram pela titularidade da ZEST. A Jack Link's providenciou diretamente o pagamento com recursos de sua própria conta corrente. Um procedimento em princípio inocente, mas que revela que os recursos não foram sequer disponibilizados à ZEST de forma incondicionada, mas completamente vinculados à operação de aquisição das quotas. De outro, a subseqüente incorporação da mutuária extinguiu definitivamente o direito de a IFC (mutuante) ter restituído o valor emprestado, revelando a real natureza da operação: a transferência sem ônus ou gratuita de recursos ao Sr. José Barbosa Machado Neto e à Sra. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, reais adquirentes das quotas da IFC. Nesse contexto, ainda se tem o agravante de, em função da incorporação, a IFC haver também assumido, integralmente, as demais obrigações decorrentes do contrato de aquisição das quotas que foram parar nas mãos dos sócios. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.249 48 Diante das formas adotadas para a operação, ainda que se possa aventar que o pagamento efetuado pela Jack Link's ao alienante das quotas teria sido efetuado por conta e ordem da ZEST, o fato relevante é que a IFC, com a subseqüente operação de incorporação da ZEST, teria aberto mão do direito a ver restituído o valor mutuado, e pior, assumido totalmente a dívida pela aquisição das quotas, completamente sem ônus, para os reais adquirentes. Por sua vez, a questão do prazo indeterminado, apesar de ser um indício a comprometer um dos requisitos essenciais à exigibilidade das obrigações decorrentes do contrato de mútuo, tornase irrelevante, tendo em conta que a sucessiva operação de incorporação da mutuária teria propiciado a extinção de todas as obrigações contraídas, antes mesmo que estas se tornassem exigíveis. Enganase a Recorrente quanto à possibilidade de se considerar as operações realizadas como um mútuo entre a IFC (mutuante) e seus sócios administradores (mutuária), porque não há nos autos qualquer elemento a demonstrar que os pretensos mutuários teriam assumido qualquer divida com a Sociedade em função da operação. A documentação que integra os autos prova o contrário: que todos os ônus da aquisição das quotas foram assumidos pela própria Jack Link's (IFC). Completamente improfícua também a alegação de afronta ao art. 112 do CTN, porque o Fisco desconsiderou as operações simuladas, para imputar às operações assim ocultadas ou dissimuladas os efeitos tributários cabíveis. Registrese apenas que não há qualquer dúvida quanto: à capitulação legal, à natureza ou às circunstâncias materiais dos fatos ocultados/dissimulados, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade, e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. O Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória de fls. 463/478 também corrobora que a interposição da ZEST, no negócio da aquisição das quotas da IFC, era mesmo uma simulação. Destaquese que a garantia do pagamento do preço das quotas, em favor do alienante (Link's Japan Holding, KK), mais uma vez, foi prestada pela própria Jack Link's, que se obrigava a reembolsar o Banco de quaisquer pagamentos efetuados à Link's Japan, correspondentes às obrigações contidas no contrato de compra e venda de quotas. DAS ALTERAÇÕES DO CONTRATO SOCIAL DA JACK LINK'S (ATUAL IFC) É na Sétima Alteração do Contrato Social, datada de 12/04/2005 (fls. 97/103), que se iniciam as operações em discussão, a registrar a deliberação de transferência de quotas dos sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, para integralização do capital social da ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., e conseqüente ingresso desta última no quadro societário da Jack Link's do Brasil Ltda. Da mesma forma, os sócios estrangeiros Jay E. Link Cattle Ranches L.L.C. e Troy J. Link Enterprises L.L.C, cedem e transferem as suas quotas para Link's Japan Holdings, K.K. Conseqüentemente, o quadro societário da Jack Link's teria sido assim alterado: Link's Japan Holdings, K.K., com 60% das quotas; ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., com 35% das quotas; e Eduardo Jacinto Gonçalves, com 5% das quotas. Relevante assinalar que, apesar de haverem se retirado da sociedade, os Srs. José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado prosseguiram na administração do empreendimento, conforme Cláusula II — Da Administração. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.250 49 Dias depois, a Oitava Alteração do Contrato Social, datada de 18/04/2005 (fls. 104/109) formaliza a transferência de 60% das quotas, pertencentes it Link's Japan para ZEST, com a retirada da Link's Japan da sociedade, ficando assim a composição societária da Jack Link's: ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., com 95% das quotas; e Eduardo Jacinto Gonçalves, com 5% das quotas. Foi procedida também a alteração da razão social da empresa para IFC — International Food Company Indústria de Alimentos Ltda., tendo permanecido como administradores os Srs. José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado. Logo em seguida, na Nona Alteração Contratual, datada de 25/04/2005 (fls. 110/113), é registrado o penhor de todas as quotas sociais da IFC, detidas pela ZEST (95%) e pelo Sr. Eduardo Jacinto Gonçalves (5%), em favor do Banco ABN AMRO Real S.A., conforme Termo de prestação de Garantia — Penhor de Quotas n° 1073/05. A Cláusula 5ª do Contrato Social foi alterada para constar: Parágrafo 3° De acordo com o Termo de Prestação de Garantia — Penhor de Quotas n° 1073/05, firmado em 14 de abril de 2005 pelos sócios quotistas e pelo Banco ABN AMRO Real S.A., 24.320.000 (...) quotas da Sociedade, de titularidade da sócia quotista ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e 1.280.000 (...) quotas da Sociedade, de titularidade do sócio quotista Eduardo Jacinto Gonçalves, em conjunto representando a totalidade do capital social da Sociedade, foram empenhadas em favor do Banco ABN AMRO Real S.A. A 10ª Alteração do Contrato Social, de 29/06/2005 (fls. 115/120), consigna a incorporação da ZEST pela IFC, com a aprovação do Protocolo e Justificação de Incorporação, elaborado com base no Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Liquido da ZEST, em 31/05/2005. E, conforme assinalado pela fiscalização, consta que mediante tal operação, a Sociedade absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no montante de R$ 8.961.000,00 (...). E ainda que a operação de incorporação da ZEST INVESTIMENTOS acarretará a manutenção do capital social atual da IFC (...), com o reingresso dos sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado e a seguinte composição societária da IFC: José Barbosa Machado Neto, com 81% das quotas; Alessandra Orlandi Barbosa Machado, com 14% das quotas; e Eduardo Jacinto Gonçalves, com 5% das quotas. DAS ALTERAÇÕES DO CONTRATO SOCIAL DA ZEST As fls. 152/158 consta o Contrato Social de Constituição da ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., datado de 21/07/2004, para participar como acionista ou quotista em outras sociedades, explorar atividades imobiliárias, incluindo corretagem, e administrar móveis e imóveis próprios, com capital social de R$ 1.000,00 assim distribuído: Shama Investimentos, Participações e Negócios Ltda, com 99,90% das quotas; e José Barbosa Machado Neto, com 0,1% das quotas. A ZEST também seria administrada por José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado, sócios da SHAMA. Na lª Alteração do Contrato Social, de 22/03/2005 (fls. 159/161), é formalizada a cessão e transferência das 999 quotas de titularidade da SHAMA para José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, ficando a composição Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.251 50 societária assim discriminada: José Barbosa Machado Neto, com 95% das quotas; e Alessandra O. Barbosa Machado, com 5% das quotas. É na 2ª Alteração do Contrato Social de 11/04/2005 (fls. 163/165), que se encontra formalizado o aumento do capital social para R$ 8.961.000,00, com a conferência de 8.960.000 quotas totalmente subscritas e integralizadas da empresa Jack Link's do Brasil Ltda. pelos sócios José Barbosa Machado Neto (7.680.000 quotas) e Alessandra Orlandi Barbosa Machado (1.280.000 quotas). Como as quotas cedidas constituíam a totalidade da participação dos sócios na empresa Jack Link's, a cessão representou a retirada deles do quadro societário, com o ingresso da ZEST. O quadro societário da ZEST com o aumento de capital ficou assim discriminado: José Barbosa Machado Neto, com 85,72% das quotas; e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, com 14,28% das quotas. Às fls. 167/175, consta o Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido da ZEST, em 31/05/2005, datado de 29/06/2005, para fins de incorporação empresa IFC, com a seguinte conclusão: 7. CONCLUSÃO Em decorrência do trabalho realizado, concluímos que o valor contábil correspondente ao acervo da INCORPORADA, avaliado na database de 31 de maio de 2005, de acordo com as práticas de contabilidade emanadas da legislação societária brasileira, valor contábil este a ser vertido para fins de incorporação ao capital da INCORPORADORA, nos termos do Protocolo e Justificação de Incorporação da ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda. pela IFC — International Food Company Indústria de Alimentos Ltda., datado de 29 de junho de 2005, monta em R$ 8.961.000,00 (...) Todavia, relevante assinalar que, junto ao laudo, não há nenhum anexo a demonstrar os elementos patrimoniais que teriam integrado a determinação do valor contábil do acervo líquido objeto de incorporação, sequer o balanço patrimonial de 31/05/2005 que teria servido de base à apuração. No Protocolo e Justificação de Incorporação da ZEST pela IFC, de 29/06/2005, de fls. 170/175, consta que: "por meio da incorporação, a IFC absorverá a totalidade do Patrimônio Liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no valor de R$ 8.961.000,00"; "em decorrência da incorporação da ZEST INVESTIMENTOS e, como conseqüência da substituição das participações atuais dos sócios da ZEST INVESTIMENTOS, o capital social da IFC permanecerá no montante de R$ 25.600.000,00 (..), com suas respectivas quotas sociais divididas entre os sócios da ZEST INVESTIMENTOS, Srs. José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, bem como ao sócio remanescente da IFC, Sr. Eduardo Jacinto Gonçalves, as seguintes proporções: Sócios Quotas Valor José Barbosa Machado Neto 20.847.104 R$ 20.847.104,00 Alessandra Orlandi Barbosa Machado 3.472.896 R$ 3.472.896,00 Eduardo Jacinto Gonçalves 1.280.000 R$ 1.280.000,00 25.600.000 R$ 25.600.000,00 Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.252 51 Na 3ª Alteração do Contrato Social de 29/06/2005 (fls. 176/178) é finalmente aprovada a incorporação da ZEST pela IFC, e declarada extinta a ZEST, "ficando a IFC sua sucessora em todos os direitos e obrigações, a título universal e para todos os fins de direito". DA DOCUMENTAÇÃO RELATIVA À INCORPORAÇÃO DA ZEST PELA JACK LINK'S (ATUAL IFC) Na seqüência, encontrase juntada aos autos cópia apenas da capa do "Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Liquido — ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda. — DataBase em 31 de maio de 2005" fls. 179. Em seguida, foram juntadas cópias dos Parecer de revisão do Balancete da Jack Link's, encerrado em 31 de agosto de 2003, elaborado por empresa de Auditoria Independente (fls. 180/183), no qual foi destacado que: (3) Embora a legislação tributária brasileira permita a contabilização da reavaliação de marcas e patentes, descrita na nota explicativa número 5, essa sistemática contraria as Normas e Procedimentos Contábeis geralmente usados e empregados no pais, divulgadas pelo Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes — IBRACON e aprovadas pela Comissão de Valores Mobiliários — CVM, que preceituam que as reavaliações sejam restritas somente a bens tangíveis do ativo imobilizado. Às fls. 184 tem a cópia do Balancete Patrimonial Resumido da Jack Link's em 31/03/2005, que também não tem a ver, nem com o laudo de avaliação do patrimônio da ZEST de 31/05/2005, e nem com o Parecer dos Auditores Independentes do patrimônio da Jack Link's de 31/08/2003. Aparentemente, tal Balancete vem elucidar as condições patrimoniais da IFC, para fins de cálculo do ágio incidente sobre a alienação de 60% quotas dos sócios estrangeiros para os sócios brasileiros, José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, conforme demonstrativo abaixo, conforme abaixo: ATIVO PASSIVO Ativo Circulante 24.841.052,00 Passivo Circulante 22.404.962,00 Realizável a LP 585.922,00 Exigível a LP 24.597.694,00 Permanente 63.863.421,00 Patrimônio Líquido Capital Social 25.600.000,00 Reservas 16.687.739,00 42.287.739,00 TOTAL DO ATIVO 89.290.395,00 TOTAL DO PASSIVO 89.290.395,00 DEMONSTRATIVO DO CÁLCULO DO ÁGIO ESTIMADO 1. DEMONSTRAÇÃO DO CÁLCULO DA PARTICIPAÇÃO ADQUIRIDA SEGUNDO O MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.253 52 Patrimônio Liquido Contábil R$ 42.287.739,00 ( x ) % da Participação Adquirida 60% ( = ) Valor em Reais da Participação Adquirida conforme método da equivalência patrimonial R$ 25.372.643,00 2. VALOR DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO Valor do Custo das Cotas US$ 20.000.000,00 ( x ) Cotação do US$ em 18/04/2005 2,6157 ( = ) Valor das Cotas R$ 52.314.000,00 ( + ) Valor das Demais Despesas Diretas com Aquisição Serviços 1.145.003,99 Lançamento Estoque 4.690.705,13 Ref Acordo Invoices em aberto aquisição empresa 3.192.298,52 Variação Cambial Ref Pagtos Carta Fiança (69.675,35) Comissão sobre Carta Fiança 958.327,09 9.916.659,38 ( = ) Total do Custo de Aquisição 62.230.659,39 3. VALOR DO ÁGIO CALCULADO EM R$ (2) — (1) 36.858.015,98 Reiterese: não foi juntado aos autos o Balanço Patrimonial da ZEST de 31 de maio de 2005, que teria amparado o Laudo de Avaliação e o Protocolo e Justificação, utilizados como documentação de suporte da operação de incorporação, e que teria concluído pela existência de um acervo líquido a ser incorporado de R$ 8.961.000,00. DA ESCRITURAÇÃO DA ZEST As fls. 185/188 foram juntadas cópias da escrituração do Razão da ZEST desde a integralização do capital no valor de R$ 1.000,00, em 01/01/2005, até o encerramento das contas por incorporação à IFC, em 31/05/2005, a denotar a fugacidade e a falta de propósito negocial do suposto empreendimento. No Ativo, na conta Caixa 11010103, a entrada de recursos, afora a integralização do capital de R$ 1.000,00, teve por origem escritural empréstimos de sócios, para pagamento de notas fiscais designadas por nomes de pessoas físicas ("Ana Luiza Barbieri, Emerenciano) ou jurídicas (Setape Assessoria Econômica, Transarc Translation). Segundo o demonstrativo de fls. 335 e o Anexo I ao contrato de mútuo, de fls. 458/462, tais despesas referirseiam a serviços advocatícios (Emerenciano, Baggio e Associados), de avaliação econômicofinanceira com emissão de laudo (Setape) e de traduções (Ana Luiza Barbieri), contratados para viabilizar a aquisição da participação societária, e custeados com recursos da Jack Link's (IFC). Relevante destacar que na conta Caixa, afora as despesas acima, não consta da escrituração qualquer outra operação distinta do empréstimo recebido da Jack Link's (IFC), no valor de R$ 17.525.025,00, totalmente utilizado no pagamento da lª parcela de compra das quotas da mutuante (Jack Link's). Ainda no Ativo, a conta Participação Societária 13010203 registra a aquisição das quotas da Jack Link's, por integralização de aumento de capital, no valor de R$ 8.960.000,00, e por aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, no valor de R$ 25.372.643,00, totalizando R$ 34.332.643,00. De acordo com os demonstrativos elaborados pela empresa, e juntados às fls. 184, R$ 25.372.643,00 referese ao valor da participação adquirida (60%) avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.254 53 Na seqüência, na conta Ágio 13010204, constam lançamentos de notas fiscais em favor das mesmas pessoas físicas e empresas referidas na conta Caixa, aquisição de seguro, carta fiança, empréstimo de sócio ref perda de estoque e o ágio propriamente dito na aquisição do investimento no valor de R$ 26.941.356,60, que representa justamente a diferença entre o valor de aquisição e o valor das quotas pelo método da equivalência patrimonial (R$ 52.314.000,00 — R$ 25.372.643,00), sem a consideração das demais despesas, cf. demonstrado As fls. 184. Por outro lado, no Passivo, temse a conta Fornecedor 21010102 registra apenas a carta fiança e seus pagamentos. A seguir vem a conta Empréstimo de Sócios 21020301, na qual constam: (i) todos os suprimentos de numerários debitados em Caixa para fazer face ao pagamento das notas fiscais em favor das pessoas fisicas e empresas já acima referidas; (ii) o empréstimo da Jack Link's no valor de R$ 17.525.025,00, para pagamento da l a parcela relativa à aquisição das quotas dos sócios retirantes; e (iii) as contrapartidas das aquisições de seguro e de empréstimo de sócio ref perda de estoque. Em seguida, ainda no Passivo, estranhamente, consta uma conta denominada Investimentos 21030101, na qual foram registrados: a débito, o valor da lª parcela paga, relativo à aquisição das quotas de R$ 17.525.025,00; e a crédito, o preço das quotas adquiridas de R$ 52.313.999,60: parte como empréstimo de R$ 25.372.643,00 (valor das quotas pelo método da equivalência patrimonial), e parte a titulo de ágio na aquisição de investimento de R$ 26.941.356,60, já acima explicado. O valor não pago relativo à aquisição das quotas de R$ 34.788.974,60, foi transferido por incorporação para o Passivo da IFC. Finalmente, no Patrimônio Liquido, conta Capital Social 24010103, não se encontra regularmente registrada a operação de integralização do aumento de capital no valor de R$ 8.960.000,00, registrada em 14/04/2005, tendo por contrapartida débito na conta Participação Societária 13010203. De acordo com os contratos sociais da ZEST, tal aumento de capital deuse justamente com as quotas detidas pelos sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado (35%) na Jack Link's. Da escrituração apresentada, consta ainda a conta 29010101 Incorporação ZEST/IFC, na qual se verifica que o único Ativo, de fato, transferido para a IFC foi o valor de R$ 1.000,00 constante do Caixa da empresa. Por sua vez, o valor de R$ 34.332.643,00 representa a soma dos valores patrimoniais das quotas da IFC detidas pela ZEST de R$ 8.960.000,00 (35% das quotas) e R$ 25.332.643,00 (60% das quotas), e o valor de R$ 33.735.392,81, corresponde ao escriturado na ZEST como ágio calculado na aquisição das quotas dos sócios estrangeiros. O art. 224 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Lei das Sociedades por Ações, ao disciplinar a elaboração do protocolo nas operações societárias de incorporação, fusão e cisão, explicitou a necessidade de que fosse expressamente consignada a solução a ser adotada quanto As ações ou quotas do capital de uma das sociedades possuídas por outra. E a seguinte a redação do dispositivo in verbis: Protocolo Art. 224. As condições da incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente constarão de protocolo Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.255 54 firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas, que incluirá: (...) IV a solução a ser adotada quanto as ações ou quotas do capital de uma das sociedades possuídas por outra; (...) Na verdade, há restrições expressas, na legislação societária, em relação companhia negociar com as próprias ações, conforme as expressas disposições do art. 30 da LSA: Negociação com as Próprias Ações Art. 30. A companhia não poderá negociar com as próprias ações. § 1° Nessa proibição não se compreendem: a) as operações de resgate, reembolso ou amortização previstas em lei; b) a aquisição, para permanência em tesouraria ou cancelamento, desde que até o valor do saldo de lucros ou reservas, exceto a legal, e sem diminuição do capital social, ou por doação; c) a alienação das ações adquiridas nos termos da alínea b e mantidas em tesouraria; d) a compra quando, resolvida a redução do capital mediante restituição, em dinheiro, de parte do valor das ações, o prep destas em bolsa for inferior ou igual à importância que deve ser restituida. Desta forma, a única possibilidade de verter para o patrimônio da IFC (incorporadora) as quotas da própria IFC detidas pela ZEST (incorporada) seria mediante a sua manutenção na conta ações em tesouraria na incorporadora. Todavia, compulsando o protocolo de Incorporação de fls. 170/175, verificase não haver qualquer disposição expressa quanto destinação das quotas do capital da IFC (incorporadora e investida) detidas pela ZEST (incorporada e investidora). Consta apenas que com a incorporação da ZEST não haveria aumento de capital da IFC, mas apenas substituição das quotas da ZEST, detidas pelos sócios da ZEST, pelas quotas da IFC. Diante da omissão, podese concluir que 95% das quotas da IFC detidas pela ZEST, após a aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, foram extintas em decorrência da operação de incorporação da ZEST, pelo que não há que se falar que tais valores possam integrar o acervo liquido vertido por meio da incorporação. De qualquer forma, ainda que as quotas da IFC tivessem sido transferidas para o patrimônio da IFC, tendo em conta as expressas disposições do art. 182 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, deveriam ter sido contabilizadas como valores redutores do patrimônio liquido da incorporadora: Art. 182. Omissis Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.256 55 § 5° As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio liquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. No que tange ao valor de R$ 33.735.392,81 correspondente ao ágio calculado na aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, a transferência para fins de dedutibilidade do ágio a ser amortizado pela incorporadora é garantida pelas disposições dos arts. 7°, III, e 8°, "h" da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997: Art. 7o A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977 [valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros], nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei n°9.718, de 1998) IV Omissis (.) Art. 8° O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) Omissis; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Nos termos da legislação posta, a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação (IFC), patrimônio de outra (ZEST) que seja detentora de participação societária na incorporadora adquirida com ágio, apurado sob o fundamento econômico de rentabilidade futura, poderá amortizar o valor do ágio, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Conforme a Instrução Normativa SRF n° 11 de 10 de fevereiro de 1999 disciplinadora do beneficio fiscal (DOU 12/02/1999), o valor da reserva de ágio, registrada no patrimônio liquido da incorporadora, deveria ter por contrapartida a conta do ativo diferido. Todavia, como bem assinalado pela fiscalização, o valor da reserva de ágio não integra e não se confunde com o acervo líquido recebido em função da incorporação. Na verdade, tem razão a fiscalização: nem o valor do investimento da ZEST na IFC, nem o valor do ágio pago na aquisição de tal investimento, poderiam ter integrado o valor do acervo líquido transferido por incorporação para a IFC, porque o investimento na Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.257 56 incorporadora (IFC), detido pela incorporada (Zest), não pode subsistir a operação de incorporação no patrimônio da incorporadora. Em outras palavras: o investimento na IFC não constitui elemento patrimonial passível de ser incorporado pela própria IFC. Por sua vez, no que tange ao Passivo da ZEST vertido à IFC por incorporação, teriam sido efetivamente transferidos os seguintes valores: R$ 725.349,21 decorrente da carta fiança; e R$ 34.788.974,60 que representam as obrigações relativas às demais parcelas devidas pela aquisição das quotas da IFC dos sócios estrangeiros. No que tange ao Passivo correspondente ao empréstimo efetuado pela IFC, para que a ZEST pudesse proceder a aquisição das quotas detidas pelos sócios estrangeiros, no valor total de R$ 17.525.025,00, e ao valor de R$ 4.690.705,13, registrado como empréstimo de sócio ref. a perda de estoque, valores consignados como emprestados pela própria IFC, também não poderiam ser transferidos, por incorporação, tendo em conta a extinção das obrigações, dada a confusão entre devedor e credor da obrigação. Conseqüentemente, não deveriam também integrar o acervo vertido. Conforme visto acima, tendo em conta que o único Ativo passível de transferência para a IFC seria o saldo da conta Caixa, no valor de R$ 1.000,00, e as obrigações do Passivo relativas as aquisições das quotas da IFC, no valor total de R$ 35.514.323,81 (R$725.349,21 + R$34.788.974,60), cumpre ratificar a conclusão da fiscalização de que o Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido da ZEST, em 31/05/2005, datado de 29/06/2005, para fins de incorporação a empresa IFC, encontrase completamente destituído de fundamentos contábeis, ao atribuir ao acervo da ZEST (incorporada) o valor de R$ 8.961.000,00, conforme se verifica as fls. 187/188 nas cópias do Livro Razão apresentado. É inegável que o acervo líquido transferido para a IFC, por incorporação, foi negativo, confirmandose a conclusão da fiscalização de que as sucessivas operações de reorganização societária (a interposição da ZEST, na operação de aquisição das quotas da IFC; seguida da incorporação da interposta pessoa pela própria IFC) foram utilizadas, artificiosamente, para ocultar a assunção pela IFC das dívidas contraídas na aquisição das quotas pelos sócios, e para criar condições para a dedutibilidade do ágio pago na mesma operação. Por oportuno, registrese que a transferência de acervo líquido negativo se confirma nas Demonstrações das Mutações do Patrimônio Liquido de fls. 1.025, elaboradas pela empresa de Auditoria Independente. Conforme se observa o valor negativo de R$ 18.445.000,00 da conta "Lucros (Prejuízos) Acumulados", no Balanço Patrimonial de 31/12/2005 (fls. 1023), explicase devido ao cômputo do "Saldo Incorporação", no valor negativo de R$ 25.373.000,00. Nas Notas Explicativas do Parecer da Auditoria Independente consta ainda que: 15. PATRIMÔNIO LÍQUIDO c) Ajustes de Incorporação: Os quotistas da Sociedade, conforme Ata da Assembléia Extraordinária, aprovaram a incorporação da totalidade do patrimônio de sua controladora Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda., concluída em 18 de abril de 2005, sem que naquela data tivesse sido efetuada redução de capital social, o que originou um ajuste devedor na rubrica de lucros acumulados no montante de Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.258 57 R$ 25.373 mil. A redução do capital social, para absorção de parte do ajuste devedor mencionado, será efetuada no primeiro semestre de 2006, através de ajustes aos atos societários originalmente emitidos quando da aprovação da incorporação. Conforme esclarecido pela fiscalização, o valor negativo de 25,4 milhões de reais computado no Patrimônio Liquido da IFC seria resultante da soma dos valores transferidos relativos à reserva de ágio de 33,7 milhões e ao passivo de 59,1 milhões. Observouse ainda que apesar da reserva de ágio transferida, a incorporação teria implicado a redução do patrimônio líquido da incorporadora a valores inferiores ao capital social, fato também confirmado no Balanço Patrimonial de fls. 1023 elaborado pela empresa de Auditoria Independente. Na verdade, como também assinalado pelo agente fiscal, se não fosse a possibilidade de constituição da reserva de ágio, com a assunção de todas as dividas da aquisição das quotas pelos sócios o patrimônio líquido da incorporadora (IFC) resultaria negativo em R$ 13.596.526,54. Na verdade, tal fato ocorreu porque, como bem observou a fiscalização, o valor do contrato de alienação das quotas de R$ 52.314.000,00 — sem se considerar as outras rubricas que também teriam integrado a transação (acordo invoices, embalagens e demais despesas incorridas) —, era superior ao valor do patrimônio liquido da IFC, em 31/03/2005, calculado em R$ 45.396.877,00. Todavia, de todos os problemas envolvidos nas sucessivas operações societárias sob apreciação, este não é de maior relevância. Diante da escrituração do Livro Razão apresentada — resumida a 4 folhas — que contém todas as operações realizadas pela ZEST evidenciase a constituição de pessoa jurídica, sem patrimônio ou qualquer atividade empresarial, com o único e exclusivo intuito de ser utilizada, como interposta pessoa, na aquisição de quotas sociais, com recursos da própria investida, pelos sócios de empresa. Tenta a contribuinte demonstrar a existência de propósito negocial nas operações societárias implementadas para a aquisição de 60% (sessenta por centos) das quotas da empresa Jack Link's (atual IFC) pelos sócios remanescentes, Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi. Todavia, o fato de a operação se justificar pelas necessidades de mercado, não tem relevância para a solução do caso, porque o problema não se localiza propriamente na causa da alienação das quotas, mas na forma como esta alienação foi implementada, mediante a constituição e incorporação de uma pessoa jurídica (ZEST), sem qualquer atividade empresarial, para reduzir a carga tributária incidente sobre a operação. Da mesma forma, os preceitos constitucionais de valorização do trabalho e da livre iniciativa, regentes da atividade econômica, não estão postos para amparar a utilização em operações societárias e intersociedades de simulacros de empresas, constituídas ou utilizadas, para reduzir a carga tributária ou para ocultar a transferência de recursos sem qualquer ônus aos sócios. Apesar de ser permitido ao contribuinte optar pela forma negocial menos onerosa, é proibido operar com simulação, nos exatos termos do art. 167 do Código Civil — Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Caracteriza simulação a interposição de pessoa jurídica, sem atividade operacional e sem capacidade econômica e financeira, na operação de aquisição de quotas, e sua posterior incorporação, para fins de ocultar a transferência de Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.259 58 recursos não onerosa da empresa para os sócios, e permitir a dedutibilidade do ágio pago na operação. A seqüência de atos negociais praticados pode, sim, ser caracterizada como anormal, insólita ou inadequada. Por outro lado, pretende a Recorrente explicar a inclusão da ZEST na operação, devido à não concretização do aumento de capital, que seria subscrito e integralizado por novo sócio, e permitiria a capitalização da ZEST, para fazer face a aquisição das quotas da Jack Link's dos sócios estrangeiros. Na verdade, tal justificativa não tem qualquer sentido, na medida em que se não houve a capitalização da ZEST, por ingresso de novo sócio, e não dispunha a ZEST de capacidade econômica ou financeira para a operação, por que utilizála na aquisição das quotas sociais? Segundo a defesa, a não efetivação de admissão de novo sócio teria tornado desnecessária a manutenção de referida estrutura societária, o que teria justificado a sua incorporação. Todavia, cumpre perquirir o porquê da utilização de tal "estrutura societária" na aquisição das quotas, se todos os recursos utilizados na operação advieram da IFC? Na verdade, confirmase, mais uma vez, a simulação, na interposição de pessoa completamente destituída de capacidade econômica e financeira para a participação no negócio. Contrariamente ao afirmado pela defesa, a documentação dos autos corrobora a ocorrência de simulação de 'empréstimo de recursos da IFC para a ZEST', e a dissimulação de ‘transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra', cumprindo ao fisco dar o tratamento tributário adequado as operações dissimuladas/ocultadas pelas formas jurídicas adotadas pela contribuinte. Apesar dos protestos da defesa, é evidente que todas as operações societárias e intersociedades já estavam engendradas desde o contrato de alienação das quotas sociais, subscrito pelos sócios retirantes e pelos sócios adquirentes, uma vez que: (i) não havia, e não há, qualquer justificativa plausível para a interposição, na aquisição das quotas, de uma pessoa jurídica, sem qualquer atividade operacional, e sem capacidade econômica ou financeira, para a operação; (ii) está provado que todos os recursos utilizados na aquisição das quotas pertenciam à IFC; e (iii) as únicas justificativas verificadas para a incorporação da ZEST pela IFC foram a assunção, pela incorporadora, de todas as dívidas decorrentes da aquisição das quotas, e a possibilidade de dedutibilidade do ágio pago na aquisição das quotas. Inócua a invocação do Parecer dos Auditores Independentes de fls. 1.020/1.038, para afastar a imputação de simulação, porque a análise da auditoria se limitou aos negócios na forma como formalizados, sem questionar de sua validade jurídica. Todavia, alguns trechos do Parecer confirmam as conclusões da fiscalização de que a aquisição das quotas foi efetivada, de fato, pelos sócios brasileiros, e que a IFC assumiu todo o passivo da operação: "Em abril de 2005, objetivando permitir que a empresa desenvolvesse novos produtos, entre outros fatores comerciais e estratégicos, os sócios quotistas brasileiros, adquiriram a participação dos sócios quotistas americanos, conforme mencionado na nota explicativa n° 11. (...) Com a aquisição do controle societário pelos sócios administradores brasileiros, a Sociedade teve seu nível de endividamento imediatamente aumentado, já que o montante do passivo decorrente da compra das quotas societárias foi assumido pela IFC, após a Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.260 59 incorporação da holding que as detinha, gerando a necessidade de obtenção de capital de giro junto a terceiros, visando equacionar seu fluxo de caixa de curto prazo. (...) A Sociedade também está buscando fontes externas de financiamento para atenuar a pressão sobre seu capital de giro. (...) Em uma segunda frente, a Administração contratou consultoria especializada visando a capitalização da Sociedade. 0 plano de ação, de curto e longo prazo, abrangido nesta etapa, tem a intenção de injetar na IFC recursos financeiros necessários para satisfazer as necessidades de capital de giro e investimentos da empresa, resgatando os níveis de endividamento saudáveis mantidos até a necessidade de absorção da divida relacionada à aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, (...)" (...) Da omissão de rendimentos Diante dos fatos acima explicitados, retirado o véu da simulação das operações de aquisição das quotas sociais pela a ZEST e da incorporação desta última pela IFC, verificase que os sócios administradores da IFC, Sr. José Barbosa Machado Neto e a Sra. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, procederam à aquisição das quotas sociais dos sócios estrangeiros com recursos disponibilizados, sem qualquer ônus, pela IFC, o que inegavelmente caracteriza a hipótese de incidência do Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF prevista nos arts. 37 e 38 do RIR/99, abaixo transcritos: TITULO IV RENDIMENTO BRUTO CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 37 Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei n° 5.172, de 1966, art. 43, incisos 1 e e Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°,§ 1°). Parágrafo único. Omissis Art. 38 A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo (Lei n2 7.713, de 1988, art. 32, § 42). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Salientese que todos os pagamentos efetuados pela IFC em função da aquisição das quotas sociais pela interposta pessoa (ZEST), beneficiaram exclusivamente os Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.261 60 sócios administradores, e constituemse em rendimentos que deveriam ter sido oferecidos à tributação por configurarem acréscimo patrimonial, sem qualquer ônus para os beneficiários, em função da seqüência de operações simuladas adotadas. Por outro lado, não existe previsão de isenção para os valores distribuídos aos sócios que superarem o valor dos lucros oferecidos à tributação do IRPJ pela pessoa jurídica. Conforme previsto no art. 39, XXIX do RIR199, a isenção de lucros e dividendos distribuídos restringese aos lucros ou dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. É a seguinte a redação do dispositivo em comento: CAPÍTULO II RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Seção I Rendimentos Diversos Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Lucros e Dividendos Distribuídos (...) XXIX os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei n2 9.249, de 1995, art. 10); Na fundamentação da exigência, a fiscalização acrescenta ainda as disposições do art. 55, X, do RIR/99, abaixo transcritas: CAPÍTULO III RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS Seção V Outros Rendimentos Art. 55. São também tributáveis (Lei n 2 4.506, de 1964, art. 26, Lei n2 7.713, de 1988, art. 32, § 4s', e Lei n2 9.430, de 1996, arts. 24, § 22, inciso IV, e 70, § 32, inciso I): (...) X os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem; Nesse aspecto, também se configura plenamente procedente a exigência na medida em que a fiscalização demonstrou que a simulação teria propiciado a transferência patrimonial, proibida pela legislação societária, da empresa para sócios administradores, de recursos em valores superiores às reservas, ao capital e ao próprio patrimônio liquido, lançando por terra, assim, o conceito básico e fundamental de separação patrimonial entre pessoa jurídica e seus sócios. Da multa qualificada Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.262 61 No que tange a aplicação da multa de ofício qualificada, entendo que a fiscalização procedeu corretamente. Conforme comprovado nos autos, a sucessão de atos com nítidos propósitos simulatórios por parte da contribuinte, mediante a interposição da ZEST na aquisição das quotas sociais da IFC e de sua subseqüente incorporação pela própria IFC, para favorecer os sócios e garantir a dedutibilidade do ágio na incorporadora, constitui um conjunto robusto que comprova a intenção dolosa da autuada de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A qualificação da multa de ofício, no caso em exame, encontra perfeito amparo no então vigente artigo 44, inciso II, da Lei n°. 9.430/1996 (atual art. 44, I, c/c § 1°, da Lei n.° 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.° 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.° 351/2007), cujo teor é o seguinte: ʺArt. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas I ‑ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II ‑ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano‑calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I ‑ prestar esclarecimentos; II ‑ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III ‑ apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.263 62 § 3° Aplicam‑se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4° As disposições deste artigo aplicam‑se, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplica‑se também a multa de que trata o inciso I do caput sobre I ‑ a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte, pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituído em razão da constatação de infração à legislação tributária; e II ‑ o valor das deduções e compensações indevidas informadas na Declaração de Ajuste Anual da pessoa físicaʺ. Faz‑se necessário integrar com as previsões dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/66. Dispõem tais artigos: ʺArt. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I ‑ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II ‑ das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.ʺ Verificase que a sonegação, do artigo 71, referese à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto ou diferir seu pagamento. Este é o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende do recente julgamento proferido no Acórdão CSRF/0105.643: ʺMULTA QUALIFICADA ‑ Restando configurada a utilização de interpostas pessoas por parte de pessoas físicas e jurídicas interligadas e a manutenção de contas bancárias à margem da escrituração, vislumbra‑se a ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 71 e 73 da Lei n° 4.502/66.ʺ Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.264 63 Assim, também não merece reparos o lançamento no que tange à qualificação da multa de ofício. Da multa de ofício e dos juros de mora calculados à taxa SELIC As exigências da multa de ofício e dos juros de mora calculados à taxa Selic têm amparo na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e em dispositivos consignados nos autos de infração. Os argumentos conduzidos na peça de defesa são no sentido de atacar as normas que estabeleceram tais exigências, sob o entendimento de que seriam ilegais ou inconstitucionais. Com efeito, apreciações dessa natureza escapam à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar a validade de normas regularmente insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. Compete à autoridade administrativa tributária observar a legislação nos termos em que editada, em conformidade com o que estatui o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Há que se consignar, por fim, que a matéria se encontra sumulada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que estabelece: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação à taxa Selic, também há súmula neste CARF. Transcrevese a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Descabidos, pois, os argumentos trazidos nesse ponto. CONCLUSÃO Por todo o exposto, VOTO no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.265 64 Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10980.000181/2003-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA.
Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção.
Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado.
Numero da decisão: 2101-002.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os conselheiros, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para re-ratificar o acórdão embargado nº 106-16.765, fazendo constar o seguinte resultado: "ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a honorários advocatícios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado"
MARIA CLECI COTI MARTINS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA. Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção. Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os conselheiros, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para reratificar o acórdão embargado nº 10616.765, fazendo constar o seguinte resultado: "ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a honorários advocatícios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado" MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 01 81 /2 00 3- 92 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 209/211) requerendo o ajuste do Acórdão nº 10616.765, que teria apresentado divergência entre as disposições da ementa e os fundamentos do voto. A ilustre Conselheira Ana Neyle Olimpio Holanda, ao tomar conhecimento dos Embargos, reconheceu a desconformidade do dispositivo de julgamento com os fundamentos do voto condutor, e se manifestou pelo acolhimento do Recurso para sanar a contradição ocorrida (fls. 212/214). Desta feita, distribuído o feito para nossa relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Tratase de Embargos de Declaração em face de Acórdão da 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, amparado na existência de divergência no pronunciamento da decisão disposta na ementa do acórdão com os termos do voto condutor. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), a contradição justificaria a interposição de embargos. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.000181/200392 Acórdão n.º 2101002.475 S2C1T1 Fl. 3 3 "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluo que há razão na peça recursal, pois se afigura evidente o equívoco na declaração do julgado, com as razões trazidas no voto da Relatora. De todo modo, o caso também se enquadra na simples possibilidade da inexatidão material – erro de escrita – no caso digitação, nos termos do artigo 66 do RICARF, in verbis: "Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente." Senão vejamos a situação em comento. A conclusão da egrégia 6ª Câmara foi no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Nas folhas 201 dos autos, nos fundamentos do voto condutor, temos a seguinte conclusão: “Por conseguinte, devem ser excluídas da exação as verbas no total de R$ 28.460,00, referentes a férias não gozadas e pagas em pecúnia.” Mais adiante, nas folhas 203 do processo, ainda no voto condutor, a Relatora explica literalmente: “Na espécie, a comprovação do pagamento dos honorários advocatícios exsurge de fl. 08, demonstrando o desembolso no montante de R$ 25.500,00. O colegiado de primeira instância admitiu a exclusão de somente R$ 21.709,64, com efeito, nessa instância de julgamento devem ser excluídos R$ Fl. 223DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 3.790,36, referentes àqueles honorários, o que perfaz o total desembolsado pelo recorrente.” Deste modo, resta clara a intenção do julgado em afastar da tributação os valores de R$ 28.460,00, referentes a férias não gozadas e pagas em pecúnia, e de R$ 3.790,36, referentes aos honorários remanescentes da decisão inicial. Contudo, no dispositivo da ementa, restou trazida a seguinte conclusão: “ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a honorários advocatícios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” (fls. 194) Ora, resta evidente o erro de digitação que trouxe o texto “de R$ 3.790,36 referente a férias remuneradas” em desacordo com o entendimento efetivamente proferido. Assim, em que pese a retificação proposta não alterar em nada o desfecho do processo, entendo que a conclusão da ementa deve ser retificada exclusivamente para consignar que “ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a honorários advocatícios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. Diante do exposto, voto pelo ACOLHIMENTO dos Embargos de Declaração para reratificar o acórdão embargado. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 224DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.000181/200392 Acórdão n.º 2101002.475 S2C1T1 Fl. 4 5 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012696/00-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 12 69 6/ 00 -7 9 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.012696/0079 Resolução nº 3402000.671 S3C4T2 Fl. 844 2 Relatório Tratamse os autos de retorno de diligência proposta pelo Conselheiro Odassi Guerzoni Filho através da Resolução nº 3401000.522, da qual, por brevidade, transcrevo o relatório: A lide, instaurada em face do lançamento de oficio formalizado em 10/10/2000 para a exigência da Cofins dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1998 e julho de 2000, basicamente versa sobre qual seria o instituto legal a ser observado para fins da fruição da “isenção” de que trata o § 7o do art. 195, da Constituição Federal, ou seja, se os quesitos elencados pelo artigo 14 do Código Tributário Nacional [ como defende a Recorrente], ou se os quesitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, especialmente no seu inciso II [conforme fundamento do lançamento realizado pelo Fisco]. De se esclarecer que, consoante informação trazida pela autoridade fiscal aos autos, a autuada é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, e cujos objetivos declinados em Estatuto são, em caráter geral, o desenvolvimento e a manutenção das atividades educacionais e de pesquisa no campo das ciências e da tecnologia, e, em caráter particular, a manutenção da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Também esclareceu a fiscalização que lhe foi apresentada a Resolução CNAS nº 103/98, de 15/07/1998, que renovou o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos anteriormente obtido pela entidade. Ainda segundo o Fisco, esse novo Certificado, entretanto, teve validade apenas no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1997, o que lhe garantiu durante referido intervalo de tempo a isenção da Cofins, por conta de restar preenchida a condição de beneficente de assistência social, conforme estabelecem o parágrafo 7º do art. 195, da Constituição Federal e o artigo 6º, inciso III, da Lei Complementar nº 70/91. Já, para o período da autuação, aduz a autoridade fiscal, não teria logrado a autuada comprovar a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, o que não lhe permite seja considerada como uma entidade beneficente de assistência social, nos termos do referido § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, do artigo 55, II, da Lei nº 8.212, de 1991, do artigo 6º, inciso III, da Lei Complementar nº 70/91, dos artigos 1º, inciso IV, e 2º, inciso IV do Decreto nº 752/93, do art. 1º da Lei nº 9.732, de 1998, e dos artigos 206, inciso III, e 207 do Decreto 3.048/99. Foram realizadas duas diligências, a partir das quais restou efetivamente comprovado que, ao menos durante o período relacionado ao lançamento de ofício da Cofins, autuada não era portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, de que trata o referido inciso II, do art. 55 da Lei nº 8.212/91, falta essa, portanto, que legitimaria a autuação. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.012696/0079 Resolução nº 3402000.671 S3C4T2 Fl. 845 3 No essencial, é o Relatório. DO JULGAMENTO DE 2ª INSTÂNCIA A decisão de 2ª Instância (fls. 837841 – n.e), de data de 27 de junho 2012, levando em conta o art. 62A do RICARF, votou pelo sobrestamento do julgamento ate ́que o STF decida sobre a inconstitucionalidade ou naõ dos requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. DA DISTRIBUIÇÃO Retornando o processo de diligência, e ante ao desligamento do Relator original dos quadros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vieram os autos distribuídos a esse relator por sorteio regularmente realizado, por meio de processo eletrônico numerado – eletronicamente até a folha 842 (oitocentos e quarenta e duas folhas), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.012696/0079 Resolução nº 3402000.671 S3C4T2 Fl. 846 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam os autos de diligência proposta pelo Ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que determinou o sobrestamento do processo, com fulcro no § 2º do art. 62A do Anexo II do RICARF, até o trânsito em julgado do RE 636.941RS, onde se decidiria sobre a inconstitucionalidade ou não dos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Do julgamento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no referido Recuso Extraordinário, se extrai que as entidades beneficentes que atenderem aos requistos do referido dispositivo fazem jus a concessão da imunidade do PIS, restando consignado que a pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos os artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. Portanto, uma vez reconhecida a constitucionalidade do referido dispositivo, entendo que a questão posta nos autos cingese à matéria probatória, na medida em que a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento não apreciou todas as provas da recorrente que tinham como objetivo ver reconhecida sua condição de entidade imune. A Recorrente afirma às fls. 799 à 801 – n.e, que apesar de não existir resolução do CNAS deferindo o CEBAS dos períodos de 1998/1999/2000, teve o certificado renovado por força da Medida Provisória nº 446, de 07 de novembro de 2008 a qual dispusera em seu art. 39 que os pedidos de renovação do CEBAS indeferidos pelo CNAS que fossem objeto de recurso e estivessem pendentes de julgamento até a data de edição da MP, considerarseiam deferidos. Assim sendo, posto que seu pedido de reconsideração para renovação do CEBAS estava pendente de julgamento, teria restado deferido o certificado para o período autuado. É de se esclarecer que a própria autoridade fiscal trouxe aos autos a informação de que a recorrente é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, e cujos objetivos declinados em Estatuto são, em caráter geral, o desenvolvimento e a manutenção das atividades educacionais e de pesquisa no campo das ciências e da tecnologia, e, em caráter particular, a manutenção da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Vejase que, a motivação do afastamento da condição de entidade imune no julgamento da DRJ, foi o fato de que a Recorrente não teria comprovado que era portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, de que trata o referido inciso II, do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Todavia, entendo que mera falta de CEBAS não seria por si só suficiente para afastar ou mesmo para deferir a imunidade e, além disso, existem indícios de que a Recorrente teve em 2008 deferido o seu pedido de renovação do CEBAS para o período autuado. Assim sendo, dando cumprimento ao Princípio da Verdade Material que norteia esta instituição, quando do julgamento dos seus recursos, necessária se faz que toda a documentação juntada pelo Recorrente seja devidamente analisada, mesmo que tenha sido apresentada após a apresentação de sua impugnação. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.012696/0079 Resolução nº 3402000.671 S3C4T2 Fl. 847 5 Somente através de diligência, com o fim de análise dos documentos acostados pelo Recorrente, será possível verificar estarem preenchidos ou não os requisitos ensejadores da imunidade pretendida no período autuado. Estas situações podem ser confirmadas pela autoridade julgadora, se entender que tais informações são necessárias para a formação de sua convicção, segundo o art. 29, do DecretoLei nº 70.235/72, verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Portanto, tenho que as alegações da recorrente somadas com os documentos trazidos no curso do processo servem como “início de prova” desta realidade, de modo que entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho seja o mesmo convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: 1 – Manifestarse quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN, 12 da Lei 9.532/97 e art.55 da Lei nº. 8.212/1991, durante o período autuado; 2 Descrever quais as receitas consideradas pela autoridade lançadora como sendo próprias bem como quais seriam as receitas consideras “nãopróprias” que compuseram o lançamento, fazendoo para todo o período autuado; 3 Oficiar ao Conselho Nacional de Assistência Social solicitando que se manifeste quanto à condição da entidade em questão, quanto à sua natureza de entidade beneficente de assistência social, bem como se preenchia os requisitos para assim ser considerada, nos anoscalendário de 1998/1999/2000; respondendo ainda se existiam, no referido período, razões de fato ou de direito que obstariam a entidade de obter o CEBAS; 4 Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720023/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2007
MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA.
A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1102-001.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício para negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Recurso de ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício para negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício para negarlhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 23 /2 01 2- 61 Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela 5ª Turma da DRJ/SP1, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O auto de infração foi lavrado em 09/02/2012, relativo ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2007, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, em face da verificação de falta de recolhimento sobre ganho de capital incidente sobre o valor da reavaliação de bens integrantes do Ativo Imobilizado, que deveriam ter sido oferecidos quando da mudança do regime de lucro real para lucro presumido. Encontrase às fls. 467 a 490, o Termo de Verificação com o relato dos procedimentos executados pela fiscalização, transcritos a seguir: Para o anocalendário de 2007, o contribuinte WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA efetuou opção pelo regime de tributação do IR com base no Lucro Presumido conforme Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ n° 1601869 (recibo n° 21.61.53.49.2022), entregue em 30/06/2008. Como visto anteriormente, o sujeito passivo optou pelo regime de lucro presumido para a tributação de suas operações ocorridas durante o anocalendário de 2007. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 4 3 Em análise efetuada na escrituração contábil apresentada pelo contribuinte, referente ao anocalendário de 2007, esta fiscalização constatou que a conta contábil "P1418 Reserva de Ativos Próprios", integrante do patrimônio líquido, registrou em 01/01/2007, como saldo inicial, o valor de R$ 165.304.637,03 (cento e sessenta e cinco milhões, trezentos e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais e três centavos), originário dos bens reavaliados em 30/11/2006. Desta forma, este é o valor do saldo existente em 31/12/2006, período em que o contribuinte foi optante do lucro real e que, em decorrência da mudança para o regime de lucro presumido no anocalendário de 2007, deveria ser oferecido à tributação. Verificando a DIPJ Lucro Presumido, do anocalendário de 2007, podemos observar que no 1º trimestre do anocalendário de 2007, nenhum valor foi computado na "Ficha 14A Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido", mais precisamente, linha 08, campo onde deveriam ser consignados para compor a base de cálculo tributável, os valores relativos a "Realização de Valores cuja Tributação Tenha Sido Diferida" e tampouco foi informado qualquer valor na linha 06 da "Ficha 18A Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido", campo correlato da linha 08. Portanto, ao não adicionar à base de cálculo do IRPJ devido no 1º trimestre de 2007, o valor referente a reavaliação procedida nos bens do seu Ativo Imobilizado, e que estava amparado pelo diferimento em virtude da utilização do regime de tributação pelo lucro real, o contribuinte infringiu o comando legal inserto no art. 54 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, consolidado no art. 520 do RIR/99. Restando incontroverso então, que, no anocalendário de 2007, o contribuinte optou pela tributação com base no regime de apuração pelo Lucro Presumido, a Reserva de Reavaliação, no valor de R$ 165.304.637,03 (cento e sessenta e cinco milhões, trezentos e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais e três centavos) deveria ter sido objeto de realização e computada na base de cálculo da determinação do lucro presumido, o que poderia ser confirmado pelo fisco com as informações que deveriam ser prestadas nas linhas 08 e 06 das Fichas 14A e 18A, respectivamente, da DIPJ do anocalendário de 2007. A autoridade fiscal relata que a matéria objeto da autuação, trata da tributação de saldos, cuja tributação havia sido diferida, em contribuinte que optou pelo regime de tributação pelo lucro presumido. Ou seja, o fato gerador que dá origem ao lançamento não é a realização da reserva de reavaliação. O que de fato enseja o lançamento é a mudança do regime de apuração, onde o contribuinte migra do lucro real para o lucro presumido. Consta ainda no Termo de Verificação Fiscal a atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos à WTORRE PROPERTIES Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 5 4 S/A, CNPJ 07.875.234/000121, sucessora por cisão parcial do patrimônio da autuada, WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, em 30/07/2011, já posteriormente aos fatos geradores sob análise (fls. 485/490). Cientificada do lançamento em 16/03/2012, a empresa autuada, por meio de seu procurador regularmente constituído (fls. 536 e 537), apresentou em 17/04/2012 a impugnação de fls. 494 a 534, acompanhada dos documentos às fls. 535 a 734, assim sintetizada: i. O art. 54 da Lei nº 9.430/96 somente se aplica a valores cuja tributação tenha sido diferida (benefício fiscal), o que não é o caso da Reserva de Reavaliação. A não tributação da Reserva de Reavaliação não resulta de uma norma de diferimento, mas sim da ausência de concretização da própria materialidade do IRPJ e da CSLL; ii. A tributação da Reserva de Reavaliação em virtude da simples mudança do regime de tributação do Lucro Real para o Lucro Presumido é incompatível com o princípio da realização da receita ou do ganho tributável; é incompatível com o conceito legal do "fato gerador" dos tributos sobre a renda, definido como a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (CTN, art. 43); e é incompatível com o princípio constitucional da capacidade contributiva (CF, art. 145, §1º); iii. A conclusão de que o saldo da Reserva de Reavaliação não pode ser tributado por força da simples mudança do regime tributário da Impugnante do Lucro Real para o Lucro Presumido é também confirmada pelo art. 49 Lei nº 9.959/00, segundo o qual a contrapartida da reavaliação de bens somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL quando ocorrer a "efetiva realização" do bem reavaliado; iv. O art. 54 da Lei nº 9.430/96 foi tacitamente revogado pelo art. 4a da Lei nº 9.959/00, pois esses dispositivos legais são absolutamente incompatíveis; v. O art. 54 da Lei nº 9.430/96 referese apenas à adição de valores à base de cálculo do IRPJ, não tratando da base de cálculo da CSLL; vi. A Impugnante não obteve qualquer vantagem fiscal com a reavaliação dos imóveis, nem foi causado qualquer prejuízo ao Fisco, já que o novo valor atribuído ao imóvel nunca foi utilizado. Com efeito, os imóveis reavaliados foram reclassificados para o circulante e vendidos em anocalendário no qual a Impugnante estava sujeita ao Lucro Presumido, regime no qual o custo dos bens vendidos era totalmente irrelevante; Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 6 5 vii. A manutenção dos autos de infração resultaria na dupla tributação da mesma valorização patrimonial, uma vez que essa valorização já foi oferecida à tributação pela Impugnante no momento em que os imóveis foram alienados; viii. Mesmo que os autos de infração ora impugnados não sejam integralmente anulados, o que admitimos apenas em exercício de argumentação, deve afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal para a sua aplicação; ix. A WTORRE PROPERTIES não é solidariamente responsável pelos supostos débitos em questão. Ainda que assim não fosse, a responsabilidade não alcançaria as multas impostas e seria proporcional ao valor do patrimônio líquido por ela incorporado, não recaindo sobre a integralidade do débito. Cientificada do lançamento em 21/03/2012, a responsável solidária, por meio de seu procurador regularmente constituído (fls. 773 e 774), apresentou em 20/04/2012 sua impugnação de fls. 735 a 772, acompanhada dos documentos às fls. 773 a 909, na qual alega, em síntese, o seguinte: A mera reavaliação de bens não configura realização da renda para fins tributários, motivo pelo qual não pode ser considerado fato gerador do IRPJ e da CSLL. O registro do valor da Reserva de Reavaliação na Parte B do LALUR é um mero procedimento de controle do contribuinte, para deixar registrada a necessidade de sua tributação em eventual venda/alienação desse ativo (realização). O total equívoco cometido pela Fiscalização ao fundamentar os presentes lançamentos, uma vez que não se verificou no caso o pressuposto para a aplicação do artigo 520 do RIR/99: "valores com tributação diferida" a serem adicionados no momento da mudança do regime do lucro real para o lucro presumido Cita que esse é o entendimento manifestado pela Receita Federal em recente Solução de Consulta proferida pela SRRF09 (nº 56/2012). Mesmo com a mudança do regime de tributação do lucro real para o lucro presumido, o valor da reavaliação continuará sendo controlado pela conta contábil de "Reserva de Reavaliação". Não se verifica, no caso concreto, a presença do "interesse comum", previsto no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional, para dar ensejo à eventual responsabilidade solidária A impossibilidade do Lançamento da multa de ofício o art. 132 do CTN responsabiliza a sucessora tão somente pelos tributos devidos pela sucedida, não englobando portanto eventuais multa punitivas. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 7 6 O acórdão de 1ª instância (fls. 931/945) julgou pela IMPROCEDÊNCIA do lançamento tributário, conforme fundamentação abaixo: (...) De plano observase que o autuante equivocouse quanto a natureza da Reserva de Reavaliação. A contrapartida da reavaliação de bens do ativo imobilizado, baseada em laudo nos termos do artigo 8º da Lei nº 6.404/1976, não transita pelo lucro liquido apurado pelo contribuinte. É contabilizada diretamente no passivo como Reserva de Reavaliação. O fato de a mesma ser controlada na parte B do LALUR não significa que a receita foi diferida, mesmo porque, enquanto não ocorrer uma das hipóteses previstas no artigo 435 do RIR/1999 não se fala em realização da reserva. A matéria em questão foi objeto da Solução de Consulta SRRF/9º nº 56 de 23/03/2012 (...) O fato de o LALUR não ser obrigatório para a pessoa jurídica que optou pela tributação com base no Lucro Presumido não justifica a imediata realização da Reserva de Reavaliação. Como bem destacou o relator da solução de consulta a mesma Lei que determina a realização da tributação diferida quando da opção pelo lucro presumido (9.430/1996), determina em seu artigo 52 que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido somente pode computar no ganho de capital os valores acrescidos em virtude de reavaliação de bens se comprovar que os mesmos foram oferecidos à tributação. Ora, não tem sentido solicitar a comprovação da tributação do valor acrescido a um bem em um artigo e determinar a realização antecipada em outro. Destarte, a mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Devido à proposta de exoneração total do lançamento deixo de me manifestar acerca das alegações apresentadas pela impugnante e responsável solidária. Por superar o valor de alçada, foi interposto o presente recurso de ofício. A Fazenda Nacional apresentou petição denominada de “RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO”, protocolando com esteio no art. 48, par. 2o do Anexo II do RICARF (previsão para contrarrazões ao recurso voluntário), cujos argumentos às fls. 958/984 estão demonstrados a seguir, literis: Em resumo, como o registro do custo de aquisição dos bens reavaliados passa a registrar a reavaliação sem qualquer Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 8 7 distinção do custo original, e como o contribuinte não estaria mais obrigado a manter os registros do controle do diferimento dessa tributação na Parte B do LALUR, não seria possível controlar a tributação da reavaliação quando da alienação dos bens no futuro (...) Segundo a Autoridade Julgadora de primeira instância, o artigo 520 do RIR/99 se aplica somente aos casos de diferimento de tributação incidente sobre resultados que transitam pelo lucro líquido apurado pelo contribuinte, não se aplicando, portanto, em situações de não tributação de reavaliação de bem do ativo permanente. Nesse diapasão, a Turma ressaltou que, mesmo não sendo controlado pelo LALUR, o valor da reavaliação não tributada só poderá integrar o custo de aquisição do bem alienado se tiver sido tributado. Portanto, seria infundado o receio de não tributação no futuro da “mais valia” reconhecida. (...) Dessa forma, o objetivo do artigo 520 é assegurar a tributação em face do fato de o contribuinte que opta pelo lucro presumido não ter mais a obrigação de manter a existência do LALUR. E, como a Parte B do LALUR controla os elementos que poderão afetar os resultados de períodos futuros, todos esses elementos devem ser antecipados e tributados quando da opção pelo lucro presumido. (...) A decisão ora recorrida destaca que o receio de não tributação do futuro do valor da reavaliação é injustificado uma vez que, ainda que os bens reavaliados tenham seus custos atualizados, os saldos de Reserva de Reavaliação constante da contabilidade da empresa somente poderão ser considerados como custo se tiverem sido tributados. Portanto, o controle da tributação futura dos referidos saldos seria feito pelo próprio contribuinte ao optar por cancelálos quando da alienação dos bens reavaliados. Diante desse cenário proposto pela decisão recorrida, indaga se: se o contribuinte, antes de alienar o bem reavaliado, lograr cancelar o valor constante dos saldos de Reserva de Reavaliação sem qualquer tributação, e sem cancelar o respectivo montante do custo de aquisição do bem? De acordo com o entendimento da DRJ de São Paulo, caso a hipótese aventada ocorra, o Fisco então não teria como controlar a tributação da reavaliação quando da alienação do bem, haja vista que além da inexistência do LALUR, também não haveria qualquer registro dos saldos na contabilidade da empresa, contudo, o custo de aquisição do bem reavaliado permaneceria atualizado. Portanto, em face do objetivo com o qual foi redigido o artigo 520 do RIR/99 e do entendimento exposto pela decisão recorrida, resta, finalmente, averiguar se a hipótese acima aventada pode ocorrer ou não. Caso seja possível uma empresa cancelar o saldo de Reserva de Reavaliação sem tributálo e sem Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 9 8 cancelar o respectivo valor do custo de aquisição do bem reavaliado, a aplicação do artigo 520 se mostrará viável e justa. Inúmeras são as possibilidades de uma empresa cancelar contabilmente o saldo de uma Reserva de Reavaliação sem tributálo e sem cancelar o correspondente registro no custo de aquisição do bem reavaliado. Como, a partir da vigência do artigo 4º da Lei nº 9.959/2000, a contrapartida de reavaliação somente é tributada quando da efetiva realização do bem reavaliado, basta à empresa utilizar contabilmente o saldo da reserva para algum fim sem, contudo, realizar o bem reavaliado. Como exemplos dessa manobra contábil, citase a possibilidade de a empresa utilizar o saldo de Reserva de Reavaliação para aumentar o capital social ou amortizar prejuízos acumulados (...) Demonstrase, assim, a possibilidade e a razoabilidade da aplicação do artigo 520 do RIR/99 aos saldos de Reserva de Reavaliação quando uma empresa opta pelo lucro presumido. Como há a possibilidade concreta de a empresa nunca tributar esses saldos com a extinção do LALUR, é justa a tributação desses valores quando da opção pelo novo regime. Tendo em vista que o Acórdão de 1ª instância (fls. 931/945), ora recorrido, julgou improcedente o lançamento por entender que o art. 520 do RIR não se aplicaria ao caso em análise, deixou, por conseguinte, de analisar os demais elementos de fato e de direito trazidos pelo contribuinte e pelo responsável tributável. Diante deste fato, deixo também de transcrever as razões da PFN acerca desses elementos de fato e de direito não abordados pelo acórdão recorrido. O contribuinte apresentou petição às fls. 986 a 1.037 reiterando os mesmos argumentos apresentados na impugnação, requerendo como fato novo o desentranhamento da petição fazendária sob argumento de inexistência de previsão legal no RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Preenchidos os pressupostos legais de admissão do recurso de ofício, é de se conhecêlo. Antes de adentramos ao mérito do recurso de ofício, surge uma questão preliminar acerca da necessidade ou não de desentranhar as petições protocoladas, tanto pela Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 10 9 Procuradoria da Fazenda Nacional quanto pelo patrono do contribuinte, após a remessa ex ofício pela Delegacia de Julgamento do Recurso de Ofício, por ausência de previsão legal. Considerando que as petições protocoladas não causaram transtornos ao processo, não prejudicaram o contraditório e não trouxeram documentos novos, então entendo por bem não as desentranhar, haja vista que de alguma forma contribuíram para formação da convicção do relator. Analisando agora o mérito, entendo por negar provimento ao recurso de ofício. A autoridade fiscal relata no Termo de Verificação de fls. 467 a 490 que em contrapartida à reavaliação dos bens integrantes do “Projeto JK” foi constituída no final do anocalendário de 2006, a conta de Reserva de Reavaliação no montante de R$ 165.304.367,03. A quantificação, a legitimidade ou a formação do valor da reserva de reavaliação dos bens do ativo do contribuinte não foi questionado pela autuação, mas somente a falta de oferecimento à tributação desse valor após a mudança de regime do lucro real para o lucro presumido. Logo não se faz necessário analisar os requisitos legais para formação da reserva sob análise. Após discorrer sobre os efeitos contábeis/tributários da reavaliação de bens do Ativo Imobilizado, o autuante conclui que Reserva de Reavaliação corresponde a uma receita diferida e como tal, devido ao fato de o contribuinte ter optado pelo regime de lucro presumido no anocalendário de 2007, deveria ter oferecida à tributação no 1º trimestre de 2007, como determina o artigo 520 do RIR/99: RIR/99 Art. 520. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte "B" do LALUR (Lei nº 9.430, de 1996, art. 54). Asseverou a fiscalização que o fato gerador do lançamento tributário não era a realização da reserva de reavaliação, mas sim a mudança do regime de apuração, conforme trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 479/480): 49. Verificase neste dispositivo, que o fato gerador que dá origem ao lançamento não é a realização da reserva de reavaliação. O que de fato enseja o lançamento é a mudança do regime de apuração, onde o contribuinte migra do lucro real para o lucro presumido. Logo o ponto nevrálgico da questão remanesce em determinar se os valores contidos nas contas de Reserva de Reavaliação são ou não valores cuja tributação seja diferida. Como bem apontado pela decisão de 1ª Instância, equivocouse a autoridade fiscal acerca da natureza jurídica das “Reservas de Reavaliação”. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 11 10 O art. 54 da Lei n.° 9.430/96, que corresponde ao art. 520 do RIR/99, utilizado pela fiscalização para fundamentar a autuação, tem seu âmbito de aplicação restrito a somente aos saldos de valores constantes do LALUR cuja tributação tenha sido diferida. Para se considerar que a tributação tenha sido diferida necessariamente temos que considerar que ocorreu o fato gerador do tributo. Não me parece que a simples Reavaliação de Bens lançada em conta de Reserva se subsuma ao fato gerador do IRPJ, pois a riqueza esperada para fins de materialização da renda tributada somente ocorreria com uma das hipóteses de realização dessa reserva. Nesse sentido é a disposição legal prevista no art. 4° da Lei n.° 9.959, de 27.01.2000, posterior ao art. 54 da Lei n.° 9.430/96, que prescreve expressamente que a contrapartida da reavaliação de bens somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL quando ocorrer a "efetiva realização" do bem reavaliado. A matéria em questão já foi objeto da Solução de Consulta SRRF/9º nº 56 de 23/03/2012, cuja ementa e parte do teor é transcrevida a seguir: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 56 de 23 de Marco de 2012 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: RESERVA DE REAVALIAÇÃO. MUDANÇA DE REGIME. REALIZAÇÃO. LUCRO REAL. LUCRO PRESUMIDO. AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obrigada a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. O registro de ajustes de avaliação patrimonial do que trata o § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, não deve afetar a base de cálculo do imposto de renda. [...] 10. A primeira pergunta formulada é se a mudança do regime de tributação do lucro real para o lucro presumido obrigaria a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda o valor correspondente à reserva de reavaliação ainda não realizada. Ou seja, cumpre definir se o artigo a seguir transcrito afeta ou não o valor registrado em reserva de reavaliação: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 54. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 12 11 havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR. 11. Para responder a essa questão, é preciso determinar se o valor dessa reserva implica diferimento de tributação passível de controle na parte B do Lalur. 12. Sob o aspecto de aplicação da legislação tributária, o artigo 434 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, determina que a contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de reavaliação baseada em laudo, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação, in verbis: Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). § 1º O laudo que servir de face base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 2º). § 3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alínea "h" , e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). 13. Na reavaliação, abandonase o custo do bem original e utilizase o novo valor econômico do ativo, obtido a partir de um laudo de avaliação. A sua contabilização segue o que determinava o artigo 182, § 3º da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em sua redação original: § 3º Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do art. 8º, aprovado pela assembleia geral. 14. Assim, a diferença entre o valor do laudo e o constante na contabilidade será debitada no próprio ativo reavaliado, em contrapartida à conta de reserva de reavaliação, do patrimônio líquido, onde será controlada a sua realização. Assim, toda vez que a contabilidade registrar, por exemplo, a realização através de depreciação, idêntico valor da reserva de reavaliação será oferecido à tributação, ou por adição ao lucro líquido ou por reversão para resultado. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 13 12 15. É apresentado, a seguir, um exemplo, para facilitar o entendimento dessa metodologia: Uma empresa reavaliou um bem em R$ 10.000,00, elevando seu valor de aquisição para R$ 50.000,00. A depreciação acumulada, na data da reavaliação, era de R$ 20.000,00. O restante da vida útil do bem é de 5 anos. Os lançamentos contábeis e ajustes fiscais decorrentes da reavaliação e da depreciação no primeiro ano são: 1) pela contabilização da reavaliação D Bem C Reserva de Reavaliação R$ 10.000,00 2) pela depreciação no primeiro ano (20%) D Despesas com depreciação C Depreciação acumulada R$ 6.000,00 A despesa com depreciação representa realização parcial (da reavaliação) do bem. Portanto, o valor levado para resultados, decorrente da reavaliação, deve ter seu valor correspondente à reserva de reavaliação oferecido à tributação. Da despesa de depreciação contabilizada, R$ 2.000,00 se verificou em função da reavaliação. Assim, deve ser realizada parte da reserva de reavaliação, em R$ 2.000,00. Esta realização, segundo a legislação tributária, pode ser feita de duas maneiras: a) por reversão da reserva de reavaliação (parcial) ou, b) através de adição ao lucro líquido, transferindose a parte da reserva de reavaliação para uma “reserva livre”. Segundo a letra “a” os lançamentos seriam: D Reserva de Reavaliação C Receitas com reversão de reservas R$ 2.000,00 Optando pela letra “b”, teríamos: D Reserva de Reavaliação C Lucros acumulados R$ 2.000,00 Nesta hipótese, a tributação da reserva é efetuada mediante adição na Parte A do LALUR, de R$ 2.000,00. 16. Conforme se demonstrou acima, em nenhuma das hipóteses ocorre o diferimento através de registro na Parte B do Lalur. Na verdade, apenas quando a reavaliação promove alteração no resultado da empresa, seja pelo registro de depreciação ou pelo custo do bem vendido, deve ser efetuado ajuste de modo a neutralizar os efeitos que a reavaliação poderia provocar no lucro tributável. Assim, se a reavaliação provoca um aumento da despesa, através da depreciação, um valor correspondente é adicionado ao lucro líquido, anulando esse aumento. Essa adição não é necessária quando se adota a metodologia acima descrita na letra “a”, pois nesse caso a receita reconhecida já neutraliza a despesa correspondente. 17. Logo, o fato de a empresa passar a adotar o lucro presumido não a obriga a oferecer a tributação o valor ainda não realizado de reserva de reavaliação, pois não se trata de hipótese de diferimento de tributação controlada na parte B do Lalur, como exige a norma. 18. A correção dessa assertiva é demonstrada pelo seguinte dispositivo da Lei nº 9.430, de 1996: Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 14 13 Art. 52. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda. 19. Assim, se a empresa tributada pelo lucro presumido efetuar a venda de bem reavaliado, o valor correspondente à parcela ainda não realizada da reserva de reavaliação não poderá ser computada como custo. Essa hipótese só é possível porque a migração do lucro real para o presumido não implica tributação do valor da reserva, conforme se afirmou acima. 15 (...) O fato de o LALUR não ser obrigatório para a pessoa jurídica que optou pela tributação com base no Lucro Presumido não justifica a imediata realização da Reserva de Reavaliação. (grifase) Esse entendimento foi reiterado pela Receita Federal através da Solução de Consulta nº 61, de 11 de abril de 2013, destacandose novamente que a mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 61, DE 11 DE ABRIL DE 2013 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ RESERVA DE REAVALIAÇÃO. MUDANÇA DE REGIME. REALIZAÇÃO. LUCRO REAL. LUCRO PRESUMIDO. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obrigada a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Dispositivos legais: Lei nº 6.404, de 1976, art. 182, §3º; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 52 e 54; RIR/99, art. 434 Veja que a mesma Lei que determina a realização da tributação diferida quando da opção pelo lucro presumido (9.430/96), determina em seu art. 52 que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido somente pode computar no ganho de capital os valores acrescidos em virtude de reavaliação de bens se comprovar que os mesmos foram oferecidos à tributação. Por esta razão, a mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Ademais, foi demonstrado pelo contribuinte autuado, mediante documentação hábil e idônea, que os imóveis reavaliados foram reclassificados para o ativo Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 15 14 circulante e vendidos no anocalendário no qual a recorrida estava sujeita ao Lucro Presumido, regime no qual o custo dos bens vendidos é irrelevante, importando tão somente a receita bruta auferida (fls. 517 e ss.). Dito isso restou afastado o justo receio, trazido pela douta PFN em sua petição, de não tributação no futuro do valor da reavaliação haja vista não ter mais o controle na parte B do LALUR. Deste modo, por todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso de ofício, mantendo na íntegra a decisão de 1ª Instância, a qual julgou in totum improcedente o lançamento tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 13710.001703/2002-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausênca justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Acordam os membros do colegiado, MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausênca justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para a COFINS, abrangendo o período de apuração 04/97 (fls. 19/26), no valor de R$ 99.586,39, acrescido de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 74.689,79, e juros de mora, calculados até 28/02/2002, no valor de R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 10 .0 01 70 3/ 20 02 -6 1 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001703/200261 Resolução nº 3802000.257 S3TE02 Fl. 112 2 97.066,85, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 271.343,03, em decorrência de auditoria interna efetuada pela DEFIS/RJ. Na Descrição dos Fatos (fls. 22/23), consta que a presente exigência originouse de auditoria interna nas DCTF apresentadas pelo sujeito passivo, tendo sido verificada a falta de recolhimento dos valores nelas informados, em razão de inexatidão, não tendo sido confirmada a inclusão do CNPJ do contribuinte no processo judicial vinculado ao débito do período de 04/1997. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado às fls. 22. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta às fls. 24. Não consta data de ciência na consulta ao SUCOP (fl. 49) e a empresa autuada apresentou a impugnação anexada às fls. 03/18, em 19 de abril de 2002, com as alegações abaixo resumidas. O auto de infração é nulo por falta de descrição da consideração do processo judicial nº 95.00145090 como não suficiente à comprovação do direito a compensação, impossibilitando, assim o enfrentamento da questão e a respectiva contrariedade. A impugnante impetrou Mandado de Segurança nº 95.00145090, pleiteando a declaração do direito de compensar parcelas indevidamente pagas ao PIS, com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. A segurança foi denegada, em primeira instância, porém, em sede de Recurso Especial, o STJ assegurou à impetrante, matriz da ora impugnante, o direito de compensar os pagamentos indevidos de PIS com os débitos vencidos ou vincendos do próprio PIS. A impugnante ingressou com pedido de ressarcimento e de compensação (processo nº 10305.000374/9704) objetivando compensar seus créditos decorrentes de pagamentos indevidos a título da contribuição com os débitos do próprio PIS, com base nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Informa que o processo administrativo nº 10305.000374/9704 está pendente de julgamento. No mérito, o lançamento não pode prosperar em razão da compensação efetuada pela autuada, uma vez que o artigo 66 da Lei nº 8.383/91 lhe atribui o direito subjetivo de compensar o que pagou indevidamente. Acrescenta que não é possível a imposição de multa em caso de sucessão por incorporação e que a multa aplicada tem efeito de confisco. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RJ 1 no 1249.174, de 28/08/2012, proferida pelos membros da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1/RJ, cuja ementa dispõe, verbis: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001703/200261 Resolução nº 3802000.257 S3TE02 Fl. 113 3 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1997 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1997 DCTF REVISÃO INTERNA COMPENSAÇÃO PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ O contribuinte do PIS é cada ente de uma empresa, matriz ou filial. Não figurando a filial como reclamante em ação judicial, o provimento obtido é inaplicável a esse contribuinte. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENÉFICA Em face do princípio da retroatividade benéfica, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte, exonerando a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta em sua defesa que é: nulo o presente lançamento fiscal, na medida em que não descreve ou explica o porquê da consideração do mencionado processo judicial como não comprovante do direito à compensação, impossibilitando, assim, o enfrentamento da questão e a respectiva contrariedade. Ora, é imperioso que a Autoridade Fazendária descreva detalhadamente todas as circunstâncias que envolveram a apuração da matéria tributável, demonstrando a base legal para desconsiderar o mencionado processo judicial. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001703/200261 Resolução nº 3802000.257 S3TE02 Fl. 114 4 VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, observei que com efeito, concluise no Auto de InfraçãoAnexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados que limitase o lançamento fiscal a apontar tão somente que se trata de Comp. S/ DARF Reten org publPJU, refefenteao código 8109, indentificando Número de Processo como sendo 9500145090. e afirmando ser Proc.jud de outro CNPJ (quadro OCORRÊNCIA). Em sua defesa, a recorrente explicita que: .... Entretanto, consoante se verifica dos documentos ora juntados, a empresa PENA BRANCA MOAGEM E AVICULTURA, inscrita no CNPJ sob o n° 11.122.256/0009 45, contra a qual o presente lançamento fiscal foi lavrado, é filial da Impetrante do aludido processo judicial (Mandado de Segurança n° 95.00145090), o qual, por sua vez, foi julgado procedente, reconhecendose o direito de compensação dos valores recolhidos indevidamente à título de PIS, fato que é de conhecimento da Administração Fazendária, tendo em vista que a União Federal integrou aludida lide, no polo passivo, atuando até o presente momento, conforme adiante será esclarecido. Ademais, cumpre ressaltar que ingressou com Pedido de Ressarcimento mediante Compensação (Processo n° 10305.000374/9704), em seu nome (CNPJ n° 11.122.256/000945) e de sua matriz (CNPJ n° 11.122.256/000198), objetivando a compensação dos créditos decorrentes de contribuições ao PIS pagas indevidamente, conforme adiante restará demonstrado (doe. anexo). Sendo devido o PIS de acordo com a Lei Complementar n°7/70, especialmente com o parágrafo único do seu artigo 6o , a ora Impugnante, através de sua então Matriz (Pena Branca S.A Moagem e Avicultura), localizada em OlindaPE, impetrou Mandado de Segurança Processo n° 95.00145090, perante o MM. 6a Vara da Justiça Federal em RecifePE, visando garantir seu direito líquido e certo de promover a compensação dos pagamentos indevidos que efetuara. A Segurança foi denegada, em primeira instância, porém, tendo processado o feito em seus devido termos, em sede de Recurso Especial, o Eg. Superior Tribunal de Justiça, assegurou à Impetrante, matriz da ora Impugnante, o direito de compensar os pagamentos indevidos de PIS com os débitos vencidos ou vincendos do próprio PIS. (does. anexos). Ademais, ingressou com Pedido de Ressarcimento mediante Compensação (Processo n° 10305.000374/9704), objetivando compensar seus créditos decorrentes de pagamentos indevidos a título da contribuição ao PIS com os débitos do próprio PIS, e, com base nos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, procedeu a compensação com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujo procedimento administrativo pende de julgamento junto à Delegacia Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001703/200261 Resolução nº 3802000.257 S3TE02 Fl. 115 5 da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, conforme se depreende do "print" de andamento processual emitido pela própria Secretaria da Receita Federal (doe. anexo). .......... Em relação ao processo 10305.000374/974, foi decidido no antigo 2° Conselho de Contribuintes: Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para que o montante do crédito tributário seja apurado segundo o determinado pela Lei Complementar n2 7/70, ou seja, na aliquota de 0,75% aplicada sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento. Fica, entretanto, resguardado o direito à Secretaria da Receita Federal no tocante à conferência quanto à certeza e liquidez deitais créditos, visando a competente homologação dos cálculos. Alega a recorrente, que obteve provimento no processo judicial e a mesma protocolou o pedido de restituição/compensação de n° 10305.000374/974 e procedeu as compensações de PIS e Cofins. No entanto, a DRJ entendeu que o processo existe, porém, referese à compensação de débito de Cofins nos períodos de 09/1996, 10/1996, 11/1996 e 02/1997, não constando o débito objeto da presente autuação, portanto, não restando confirmada a compensação trazida. Dessa forma, entendo, que antes de qualquer análise, prudente é anexação por cópia do referido processo 10305.000374/974, bem como da cópia da certidão de objeto e pé do processo judicial de n° 95.00145090, em referência. Em assim sendo, providência realizada, retornem os autos a esta Turma para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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