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Numero do processo: 10865.900814/2008-95
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 81 4/ 20 08 -9 5 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900814/200895 Resolução nº 1802000.290 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.143, às fls. 113 a 121: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 5993), concernente ao período de apuração 06/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL anocalendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900814/200895 Resolução nº 1802000.290 S1TE02 Fl. 4 3 que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Este é o Relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900814/200895 Resolução nº 1802000.290 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 15/07/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de junho/2003, no valor de R$ 39.055,58. A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900814/200895 Resolução nº 1802000.290 S1TE02 Fl. 6 5 Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900814/200895 Resolução nº 1802000.290 S1TE02 Fl. 7 6 Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de IRPJestimativa mensal, código de arrecadação 5993. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa e as retenções na fonte (IRRF) são considerados pela Lei como antecipações do imposto devido (IRPJ). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. No que se refere ao IRRF, somente poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar e, eventualmente, contribuir para a formação do saldo negativo de IRPJ, se atender ao previsto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção, bem como, cumulativamente, atender ao disposto no § 2º do art. 76 da Lei n° 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900814/200895 Resolução nº 1802000.290 S1TE02 Fl. 8 7 tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto, in verbis: [...] Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar; a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte deve levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício; a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções; os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de IRPJ, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7° do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentação hábil, limitandose as alegações acima referenciadas. As cópias de DCOMP, DIPJ, DCTF e documentos de arrecadação (Darf) juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900814/200895 Resolução nº 1802000.290 S1TE02 Fl. 9 8 Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. (grifos acrescidos) Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003, às fls. 78, a Contribuinte apurou IRPJ anual no valor de R$ 78.332,30 e realizou deduções a título do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (R$ 1.913,09), dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (R$ 600,00), de IR fonte (R$ 2.452,11) e de IR mensal pago por estimativa (R$ 630.038,98), o que resultou em saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 556.671,88. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de IRPJ em 2003 DIPJ DARF jan/03 93.135,68 88.881,45 fev/03 64.065,05 56.171,72 mar/03 66.840,37 66.352,13 abr/03 50.304,98 49.856,63 mai/03 65.076,12 65.222,70 jun/03 39.088,27 39.055,58 jul/03 82.839,95 82.843,14 ago/03 68.810,45 68.812,77 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900814/200895 Resolução nº 1802000.290 S1TE02 Fl. 10 9 set/03 49.626,27 53.509,66 out/03 51.423,38 57.313,27 Total 631.210,52 628.019,05 A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Há divergências entre os valores das estimativas constantes da DIPJ e os DARF´s correspondentes. Além disso, a estimativa de julho foi recolhida em atraso, o que enseja imputação proporcional do pagamento para apartação correta da rubrica principal e dos acréscimos legais. Há também deduções a outros títulos que demandam requisitos específicos, ainda não examinados pela Delegacia de origem, porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; o valor a ser considerado como dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; o valor a ser considerado como dedução referente aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente; o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900814/200895 Resolução nº 1802000.290 S1TE02 Fl. 11 10 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 358DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19647.014043/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005
PREVIDÊNCIA. CUSTEIO. TRIBUTÁRIO.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais, que lhe prestem serviços.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidenta Substituta.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO, ARLINDO DA COSTA E SILVA E PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS .
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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CUSTEIO. TRIBUTÁRIO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais, que lhe prestem serviços. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI Presidenta Substituta. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO, ARLINDO DA COSTA E SILVA E PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 40 43 /2 00 8- 61 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Relatório Adoto o relatório disposto as folhas 488491: Trata o AIOP – Auto de Infração de Obrigações Principais, de n° 37.186.1284, cadastrado no sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT) sob o número 19647.014043/200861, de crédito constituído em desfavor da empresa ASSOCIAÇÃO INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO — ITEP, CNPJ 05.774.391/000115, relativo a contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais, que lhe prestam serviços. Segundo o Relatório Fiscal, fl. 112/117, a base de cálculo da contribuição previdencidria, no presente lançamento, foi o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa.Da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço à empresa. A verificação da remuneração dos contribuintes individuais foi realizada com base na conciliação da escrituração contábil (Livros Didrio/Razao), DIRF, GFIP e Folhas de Pagamento. Foram analisados os seguintes documentos: Estatuto social e alterações, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações A. Previdência Social (GFIP), Guias de Recolhimento (GPS), Documento de Informação do Imposto de Renda — DIRF, Demonstrativo da Composição da Base de Calculo — DCBC (sistema CNISA), Livros contábeis Diário e Razão, Folhas de Pagamento, Recibos de Pagamento a Contribuintes Individuais, além de outros documentos. Ficou constatado que os valores pagos a contribuintes individuais não foram incluídos na folha de pagamento apresentada durante a ação fiscal, ensejando a lavratura do Auto de Infração AIOA 37.186.1268. Ainda o contribuinte deixou de declarar os valores pagos aos contribuintes individuais nas GFIP, ensejando a lavratura do Auto de Infração —37.186.1276. Os recolhimentos efetuados pela empresa foram considerados e deduzidos na apuração do débito, consoante Relatório de Documentos Apresentados – RDA, em anexo. As importâncias pagas, a titulo de saláriofamília e de salário maternidade foram deduzidas. 0 crédito lançado encontrase fundamentado na legislação discriminada no relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, em anexo. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19647.014043/200861 Acórdão n.º 2302002.085 S2C3T2 Fl. 9 3 Segundo o Relatório Fiscal, foram aproveitadas a crédito do contribuinte as guias de recolhimento apresentadas pelo ITEP (GPS Código Pgto 2100), especificas de contribuições incidentes sobre remuneração de prestadores de serviço no período de 01 a 12/2004 (J)arte patronal 20% e de contribuintes individuais 11%), recolhidas previamente ao inicio desta ação fiscal. A Autuada tomou ciência, pessoalmente, do lançamento, em 15/08/2008, fl. 01, e apresentou impugnação parcial, em 15/09/2008, fl. 190, argumentando, em síntese: a) a maioria dos fatos considerados não diz respeito à contratação de prestadores de serviços; b) não foi considerado o parcelamento n° 60.297.6960, o qual contemplaria, nos meses de abril a dezembro de 2004, dentre outros, debito referente a prestadores de serviços; Diante de tal fato, requer: 1) desconsiderar os lançamentos que não se referem à prestação de serviços de pessoas fisicas, conforme demonstrado no Doc. 04, em anexo; 2) que o valor de R$ 62.033,46 (sessenta e dois mil, trinta e três reais e quarenta e seis centavos), seja abatido conforme está demonstrado no Doc. 02, em anexo, do valor total apontado pela Fiscalização, neste AI. Como prova do alegado, juntou diversos documentos e planilhas demonstrativas. Da Diligência Fiscal Após analisar, previamente, o conteúdo dos autos, em especial a peça defensória do sujeito passivo, esta DRJ, em Recife, entendeu por bem baixar os autos em diligencia, remetendo os autos à DRF, em Recife, conforme abaixo. "Em sua impugnação, fls. 190/191, o autuado argu iu, em síntese, que a maioria dos fatos considerados não dizem respeito à contratação de prestadores de serviços, bem como não foi considerado o parcelamento n° 60.297.6960, o qual contemplaria, nos meses de abril a dezembro de 2004, dentre outros, debito referente a prestadores de serviços. Desta forma, como os autos não fazem referência ao parcelamento suscitado na impugnação, bem como há a juntada de diversos recibos de ajuda de custo pagas a prestadores de serviços, fazse necessário a requisição de diligência, a fim de que: a) seja avaliada a relevância, em relação ao lançamento, dos valores constantes no parcelamento n° 60.297.6960; Fl. 570DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 b) sejam analisados os documentos juntados, os quais demonstrariam que valores pagos a prestadores de serviços foram a titulo de ajuda de custo." Da Informação Fiscal Em atendimento as solicitações feitas pela DRJ, em Recife, a Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF Recife (PE) elaborou Informação Fiscal, fl. 477/484, esclarecendo, em síntese: 1. De fato, por ocasião do levantamento de débito e lavratura do Auto de Infração, não houve apreciação de créditos de parcelamento, mas tão somente dos créditos de GPS; 2. Após análise do Discriminativo de Parcelamento por Rubrica, anexado aos autos pela Impugnante (Doc. 01 — fls. 214/218), foi efetivada consulta no sistema de cobrança da RFB, tendo sido verificado que o mesmo tem origem em Lançamento de Débito Confessado (LDC), de iniciativa do próprio contribuinte, requerido em 03/03/2005 (data anterior à lavratura do Auto de Infração), abrangendo inclusive as contribuições a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração de prestadores de serviços (administradores/autônomos), confirmada a sua baixa por liquidação em 40 parcelas; 3. Concluise, portanto, que o ITEP faz jus aos créditos deste parcelamento, relativamente ao período de apuração do débito; Em consequência, apresentase, abaixo, o quadroresumo dos valores a serem considerados na retificação do débito apurado, mediante retificação do Discriminativo Analítico de Débito, em relação ao parcelamento. Encerrada a Diligência, foi dada ciência ao Contribuinte, que se manteve inerte, sem apresentar manifestação, no pram legalmente estabelecido. Em 17 de fevereiro de 2011, a 7ª Turma da DRJ/REC julgou procedente em parte a impugnação apresentada [Acórdão n. 1132.903 – fls. 487/493;: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIALS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005 PREVIDÊNCIA. CUSTEIO. TRIBUTÁRIO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais, que lhe prestem serviços. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado do decisum [05/01/2012], o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 03/02/2012 que, em síntese, repetiu as argumentações dispostas na impugnação. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19647.014043/200861 Acórdão n.º 2302002.085 S2C3T2 Fl. 10 5 É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. 1 PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2MÉRITO Fl. 573DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19647.014043/200861 Acórdão n.º 2302002.085 S2C3T2 Fl. 11 7 Em síntese, pugna o Contribuinte em sua peça recursal: […] 20. Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parciais da ação fiscal, especificamente, no que concerne à não consideração da quitação prévia do parcelamento n. 60.297.6960, o que resultará no abatimento da importância de R$ 62.033,46 e, ainda, a demonstração de que valores pagos a prestadores de serviços em algumas competências, de fato, não se tratavam de parcelas remuneratórias sujeitas à incidência de contribuição previdenciária, resultando no abatimento da importância de 5.187,80 […] em relação ao valor total do débito apurado originalmente, a serem considerados em suas respectivas competências. 21. Ato contínuo, seja dado provimento ao presente recurso para que seja considerado como o valor do débito apurado originariamente a importância de R$ 95.096,96 […] sobre o qual deverão incidir os abatimentos mencionados no item antecedente e, posteriormente, seja compensada a importância de R$ 12.468,70 […] conforme quadro demonstrative acima (ver item 19), e atualizada monetariamente nos mesmos moldes em que deverá ser atualizado o saldo devedor remanescente equivalente a R$ 40.324,40 […] todos distribuídos nas competências elencadas nas tabelas apresentadas anteriormente […] Não obstante as alegações recorrentes, entendo que a matéria em discussão resta preclusa, pois foi expedida informação fiscal – que consolidou os ajustes efetuados nos levantamentos, por competência, apresentando a base de cálculo modificadas e as contribuições a serem reduzidas no DAD , sem, contudo, ter o Contribuinte manifestadose, apesar de ter sido devidamente cientificado. Nesse sentido, mantenho incólume o decisum recorrido nos seus termos: Como visto, até aqui, o cerne das questões levantadas pode se resumir em 02(dois) tópicos, ou seja: a) a relevância, em relação ao lançamento, dos valores constantes no parcelamento n° 60.297.6960. Necessidade de averiguação dos valores inseridos no parcelamento, regularidade do mesmo, bem como a constatação ou não se tais valores foram considerados no lançamento; b) análise dos documentos juntados, com a impugnação, no intuito de se verificar se todos os valores lançados se referem à remuneração de contribuintes individuais (prestadores de serviços), ou seja, constatar se alguns valores lançados não estariam sujeitos incidência de contribuição previdenciária. Analisandose o conteúdo da Informação Fiscal apresentada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil — DRF, em Recife (PE), fl. 477/484 e acórdão prolatado pela DRJ, extraise, em síntese, que: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 o sujeito passivo fez jus aos créditos do parcelamento n°60.297.6960, relativamente ao período de apuração do débito. Em consequencia, apurouse valores que foram considerados na retificação do débito apurado, consoante QuadroResumo, fl. 478,mediante retificação do Discriminativo Analítico de Débito, em relação ao referido parcelamento; 2. a constatação de que foram lançados valores, a titulo de prestação de serviços por Contribuintes Individuais, que, conforme documentação acostada pelo Impugnante, não se tratam de parcelas remuneratórias com incidência de contribuição previdenciária. Em outras situações, os lançamentos foram corretamente realizados. Tudo devidamente detalhado e especificado, As fl. 478/484. Considerando que a Autoridade Fiscal, após detalhar os motivos, elaborou Quadro Resumo, contendo a consolidação dos ajustes a serem efetuados nos levantamentos Cl2 e CI3, por competência, apresentando as bases de cálculo modificadas e as contribuições a serem reduzidas no DAD Discriminativo Analítico do Débito, este Julgador analisou as justificativas e valores apresentadas pelo Auditor, concordando com as alterações sugeridas. De notar que a Impugnante não se insurgiu contra as retificações sugeridas, apesar de ter sido cientificada e ter sido dado prazo. Por fim, caso haja demonstração clara e cabal da existência de crédito em favor do Contribuinte, este deverá ser objeto de apreciação pela r. Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de o encontro de contas ou procedimento específico. 3CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 575DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10580.720502/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE.
A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade.
É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco desconsiderar a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Esses requisitos são importantes para a defesa do sujeito passivo da relação obrigacional tributária que lhe foi imputada pelo Fisco, não bastando a simples menção de que a empresa não requereu a sua isenção (imunidade) ao INSS.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco desconsiderar a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Esses requisitos são importantes para a defesa do sujeito passivo da relação obrigacional tributária que lhe foi imputada pelo Fisco, não bastando a simples menção de que a empresa não requereu a sua isenção (imunidade) ao INSS. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 02 /2 01 0- 19 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.720502/201019 Acórdão n.º 2402003.657 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à contribuição patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2006 a 13/2007. O Relatório Fiscal (fls. 83/95) informa que a empresa não possui e nem requereu a concessão do Ato Declaratório de Isenção Previdenciária à Receita Federal do Brasil (RFB). Deste modo, por não atender a todos os requisitos legais necessários para a concessão de isenção, o sujeito passivo foi enquadrado como um contribuinte comum e, assim sendo, foi lavrado o presente AI relativamente às parcelas das contribuições previdenciárias da parte patronal que, supostamente, a empresa considerava como desobrigada de declarar em GFIP e de recolhêlas, por estar indevidamente na condição de isenta. Esse Relatório Fiscal informa ainda que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. W1 Contribuição Patronal de Contribuintes Individuais sem GFIP àcorresponde ao levantamento que agrega as remunerações dos segurados contribuintes individuais, não declaradas em GFIP e sujeitas à multa de mora de 24%; 2. W11 Contribuição Patronal de Contribuintes Individuais sem GFIP à corresponde ao levantamento que agrega as remunerações dos segurados contribuintes individuais, não declaradas em GFIP e sujeitas à multa de ofício de 75%; 3. W2 Contribuição Patronal dos Empregados sem GFIP à correspondente ao levantamento que agrega as remunerações dos segurados empregados, não declarados em GFIP e sujeito à multa de mora de 24%; 4. W21 Contribuição Patronal dos Empregados sem GFIP à correspondente ao levantamento que agrega as remunerações dos segurados empregados, não declarados em GFIP e sujeito à multa de ofício de 75%. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 26/10/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 144/169), alegando, em síntese, que: Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. Imunidade prevista no artigo 195, §7°, da Constituição Federal para as entidades beneficentes de assistência social. O direito adquirido do autuado. O Autuado é uma entidade beneficente de assistência social, sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública federal, estadual e municipal, conforme documentos anexos, sendo detentor desde 1997 do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, órgão do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, razão pela qual tem direito adquirido à imunidade tributária, e, em conseqüência, ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, incidindo na espécie o disposto no artigo 5º, inciso XXXVI, da Carta Magna. Corrobora seu entendimento transcrevendo o artigo 1º, da Lei 3.577/1959, e o artigo 1º, §1°, do DecretoLei 1.572/1977. À época da concessão da isenção era desnecessário que o reconhecimento de utilidade pública ocorresse em esfera federal e tendo o DecretoLei citado preservado o direito adquirido, não há fundamento para exigir tal formalidade. Aduz, ainda, que a mera exigência de uma declaração formal não retira a verdade material de que o Autuado é efetivamente uma entidade beneficente de assistência social e como tal imune, devendose observar que uma vez obtida tal declaração o que pode ser feito a qualquer tempo os seus efeitos são ex tunc, conforme jurisprudências citadas. Sob outro prisma, insta destacar que o Autuado é uma entidade beneficente de assistência social, reconhecida como de utilidade pública federal desde 1974, de acordo com a legislação pertinente e anteriormente à promulgação do DecretoLei 1.572/77, razão pela qual tem direito adquirido à imunidade tributária; 2. Princípio da verdade material. Pleno atendimento pelo autuado dos requisitos previstos no artigo 55 da Lei 8.212/1991. Postula observância ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, que reconheça a qualidade do Autuado de entidade beneficente de assistência social, bem como o preenchimento dos requisitos do artigo 55 da Lei 8.212/1991, afastando a cobrança das exigência fiscais contidas no AI. Por fim, aduz que o Autuado preenche a todos os requisitos do referido artigo 55 da Lei 8.212/1991, uma vez que é reconhecido como de utilidade pública federal, estadual e municipal, é portador do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), promove a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde a menores, idosos, excepcionais e pessoas carentes; seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, não percebem remuneração e não usufruem de vantagens ou benefícios a qualquer título e aplica integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades; 3. Prova pericial. Nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72 e com fulcro no artigo 5º, incisos LIV e LV, da Carta Magna, o Autuado requer a produção de prova pericial para a prova do seu direito à imunidade prevista no artigo 195, § 7°, da Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.720502/201019 Acórdão n.º 2402003.657 S2C4T2 Fl. 4 5 Constituição Federal, bem como para a comprovação do preenchimento dos requisitos do artigo 55 da Lei 8.212/1991. Para tanto, indica o perito e formula os quesitos; 4. Do Pedido. Pelo exposto, requer a improcedência e protestam pela produção de todos os meios de prova admitidos, pela produção da prova pericial, bem como pela juntada de novos documentos, a fim de observar a garantia ao contraditório e da ampla defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 15029.937 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 359/368) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a Recorrente sempre atendeu os requisitos de entidade imune às contribuições previdenciárias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Salvador/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O Fisco afirma que o lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente não possui e nem requereu a concessão do Ato Declaratório de Isenção Previdenciária à Receita Federal do Brasil (RFB). Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal (“itens 1.2 e 1.3”), registrado nos seguintes termos: “[..] 1.2. Os fatos geradores deste Auto de Infração referemse aos pagamentos das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, inclusive 13° salários de 2006 e 2007, cujas contribuições em favor da Previdência Social, parte patronal, não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e também não recolhidas, haja vista que o contribuinte está sendo considerado como empresa normal, pois não possui Ato Declaratório de isenção previdenciária e também não o solicitou a Receita Federal do Brasil. (g.n.) 1.3. Deste modo, por não apresentar todos os requisitos legais necessários para a concessão de isenção, o sujeito passivo está sendo enquadrado como um contribuinte comum e, assim sendo, está sendo lavrado o presente AIOP relativamente às parcelas das contribuições previdenciárias da parte patronal que, supostamente, a empresa considerava como desobrigada de declarar em GFIP e de recolhêlas, por estar indevidamente na condição de isenta [...]”. Por sua vez, a Recorrente afirma que preenchia todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991, vigente à época do período de apuração, conforme documentos acostados aos autos, tais como: (i) as certidões reconhecendo a entidade como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (ii) era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos termos do artigo 1º, §1°, do DecretoLei 1.572/1977; dentre outros. Pois bem. Após analisar os documentos acostados aos autos, verificarse, em sede de preliminar, que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, eis que os elementos fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a fundamentação legal ensejadora da autuação, conforme previa art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991, revogado pela Lei 12.101/2009. Ou seja, pelos fundamentos a seguir delineados, a motivação fática e jurídica do lançamento fiscal não está em conformidade com a legislação tributária, nem com os fundamentos da Constituição Federal de 1988. Conforme se observa nos autos, mesmo tendo a autoridade tributária à sua disposição todos os documentos pertinentes à escrituração contábil – assim como os demais documentos estabelecidos pelo art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991, atualmente revogado pela Lei 12.101/2009 –, limitouse a justificar a autuação apenas pela inexistência de pedido de Fl. 408DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.720502/201019 Acórdão n.º 2402003.657 S2C4T2 Fl. 5 7 isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), hoje Receita Federal do Brasil (RFB). Esse entendimento também ficou consubstanciado nas informações constantes do Relatório Fiscal (“itens 1.2 e 1.3”, retromencionados, combinado com o “item 2.1”) nos seguintes termos: “[...] 2. DOS DOCUMENTOS, INFORMAÇÕES E LIVROS CONTÁBEIS 2.1. O contribuinte disponibilizou as informações e documentos solicitados pela fiscalização, exceto o item 2 do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (TIPF), ou seja, cópia dos Atos Declaratórios de Concessão de Isenção Previdenciária [...]”. Tal motivação do lançamento fiscal também ficou delineada pela decisão de primeira instância (Acórdão 15029.937 da 7a Turma da DRJ/SDR, fls. 359/368) nos seguintes termos: “[...] Entretanto, cabe esclarecer que não está sendo discutido nesse decisório se a impugnante é uma entidade beneficente de assistência social, mas sim o reconhecimento pela Administração de que a requerente atende a todos os requisitos exigidos pela lei, o que é feito, necessariamente, mediante despacho da autoridade administrativa. Frisese que não restou comprovado nos autos que a entidade foi reconhecida como isenta do pagamento das contribuições previdenciárias devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). [...]” (g.n.) Percebese, então, que a motivação fática e jurídica da decisão de primeira instância está consubstanciada exclusivamente na tese de que a Recorrente não requereu a isenção junto ao INSS, conforme previa a legislação em vigor na época do período de apuração (competências 01/2006 a 13/2007). Logo, a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal foi a não apresentação de requerimento junto ao INSS (Fisco, Receita Federal do BrasilRFB) pela Recorrente, solicitando a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 55, § 1°, da Lei 8.212/1991. Entretanto, entendese que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para se estabelecer a imunidade para a Recorrente, devendo ser somado com os requisitos estabelecidos pelos incisos I a V do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esse entendimento é extraído da leitura completa de todas as disposições previstas para se estabelecer a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifei). Extraise da leitura do art. 55, revogado pela Lei 12.101/2009, que os requisitos referemse a um rol exaustivo, incisos I a V, para que se possa gozar da imunidade Fl. 409DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 da cota patronal das contribuições previdenciárias, prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente ((Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009): (g.n.) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (g.n.) § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Posteriormente, os requisitos para se estabelecer a imunidade da cota patronal previdenciária foram disciplinados pelo art. 29 da Lei 12.101/2009, desde que a entidade inicialmente obtenha a Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (EBAS), após análise do requerimento de concessão ou de renovação do certificado no âmbito dos Ministérios da Saúde, da Educação e do Desenvolvimento Social de Combate à Fome, conforme área de atuação da entidade. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.720502/201019 Acórdão n.º 2402003.657 S2C4T2 Fl. 6 9 Lei 12.101/2009: Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. ........................................................................................................ Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (g.n.) I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; Fl. 411DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Nessa toada, a Recorrente afirma que é reconhecida como de utilidade pública federal, e faz referência à situação pretérita de garantia do gozo da isenção às entidades que em 1º de setembro de 1977, data da edição do DecretoLei 1.572/1977, encontravamse em gozo de isenção, as quais tiveram assegurada a sua condição de entidade isenta das contribuições sociais. DecretoLei 1.572/1977: Art. 1o. Fica revogada a Lei n°. 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência SocialINPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1o A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até à data da publicação deste Decretolei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. (g.n.) O Parecer da Consultoria Jurídica do INSS nº 2.901/2002, que trata da interpretação do § 1º do art. 55 da Lei 8.212/1991, fixa o entendimento que a Lei 8.212/1991, quando trouxe de volta a possibilidade de uma entidade beneficente ter o benefício fiscal, assegurou que aquelas entidades que vinham gozando do benefício desde o DecretoLei 1.572/1977, não precisariam requerer a isenção novamente ao INSS. Diante desse contexto fático e jurídico, consubstanciado exclusivamente nos documentos acostados aos autos, depreendese que a Recorrente atendia os requisitos previstos nos incisos I a V do art. 55 da Lei 8.212/1991. Além disso – dentro de um juízo de verossimilhança e de acordo com a lógica do razoável, baseada em um juízo de propensão diante das afirmações do Fisco e da Recorrente –, os elementos probatórios acostados aos autos apontam que a Recorrente atendia a determinação exposta no § 1º do art. 55 da Lei 8.212/1991 (requerimento junto ao INSS), já que o Fisco não demonstrou, no Relatório Fiscal e demais documentos, que a Recorrente possuía ou não o benefício fiscal da imunidade nos termos da regra estampada no § 1º do art. 1o do DecretoLei 1.572/1977, esta regra dispensaria a necessidade de realizar novamente o requerimento ao INSS. Assim, ao afastar a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal, o Fisco deveria ter demonstrado no Relatório Fiscal ou em Relatório Complementar, de maneira clara e exaustiva, a motivação fática e jurídica para efetuar o lançamento fiscal, pois, embora tenha afirmado que a empresa não requereu a sua isenção junto ao INSS, faltou comprovar se a Recorrente vinha gozando ou não do benefício fiscal desde 1º de setembro de 1977, nos termos da regra estampada no § 1º do art. 1o do DecretoLei 1.572/1977 e do enunciado previsto no Parecer da Consultoria Jurídica do INSS nº 2.901/2002, ou se atendia ou não os requisitos previstos nos incisos I a V do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço que não há qualquer registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) desta motivação jurídica: § 1º do Fl. 412DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.720502/201019 Acórdão n.º 2402003.657 S2C4T2 Fl. 7 11 art. 1o do DecretoLei 1.572/1977 combinado com o Parecer da Consultoria Jurídica do INSS nº 2.901/2002 e art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991. É importante destacar que nem sempre a pura e simples inexistência de requerimento da isenção (imunidade) da cota patronal previdenciária ao INSS (Fisco) ensejará imediatamente o lançamento fiscal dessa contribuição previdenciária como devida, uma vez que é possível outra norma, dentro do ordenamento jurídico, garantir o mesmo efeito desse requerimento, no caso em tela a hipótese legal prevista no § 1º do art. 1o do DecretoLei 1.572/1977 combinado com o Parecer da Consultoria Jurídica do INSS nº 2.901/2002 ou a hipótese de cumprimento cumulativamente dos incisos I a V do art. 55 da Lei 8.212/1991 combinado com a regra estampada no art. 106, II, alíneas “a” e “b”, do CTN. Essa última hipótese decorre do fato de que a nova legislação (Lei 12.101/2009), que deu concretude a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal, não exige qualquer pedido ou requerimento junto ao Fisco para que a entidade seja beneficiada dessa imunidade e, com isso, deverá prevalecer a hipótese mais benéfica à Recorrente, que se materializa somente no cumprimento de todos os incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacioanl (CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse passo, caso em que mesmo existindo a afirmação do Fisco de que a Recorrente não requereu a concessão do Ato Declaratório de Isenção Previdenciária à Receita Federal do Brasil (RFB), esta afirmação deve ser superada e ceder em face de circunstâncias especiais e excepcionais encontradas nos documentos acostados aos autos, previamente analisados pelo Fisco no momento de realização do procedimento de auditoria, que já apontavam que a Recorrente preenchia, para o período de apuração (competências 01/2006 a 13/2007), os requisitos previstos nos incisos I a V do art. 55 da Lei 8.212/1991 e era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos termos do artigo 1º, §1°, do DecretoLei 1.572/1977. Tal entendimento não viola a ordem jurídica que protege a afirmação do Fisco com a presunção de legitimidade e de fépública, na medida em que o lançamento fiscal não se encontra devidamente fundamentado, devendo ser tutelada a confiança e a boafé objetiva da Recorrente que pautou a sua tese de defesa consubstanciada em elementos fáticos de que possuía os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991, bem como era portadora da garantia prevista no artigo 1º, §1°, do DecretoLei 1.572/1977, e, com isso, estaria abarcada pela imunidade. A confiabilidade das informações prestadas pelo Fisco por meio do lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boafé objetiva, que deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. Assim – na hipótese de entidade beneficente que se encontrava, antes de seu cancelamento, devidamente abarcada pela imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal e em face de que as normas de imunidade comportam interpretação extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ 14/05/2004) –, não é justificável ao Fisco – como órgão adstrito à legalidade e à atividade vinculada, ao realizar o procedimento de auditoria, visando à apuração do crédito tributário decorrente da cota patronal previdenciária – proceder o lançamento fiscal de forma equivocada na fundamentação fática (falta de requerimento de isenção junto ao INSS, acrescentado se a Recorrente vinha gozando ou não do benefício fiscal desde 1º de setembro de 1977 ou ainda se atendia ou não os requisitos previstos nos incisos I a V do art. 55 da Lei 8.212/1991) e jurídica (§ 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991, acrescentado do § 1º do art. 1o do DecretoLei 1.572/1977 combinado com o Parecer da Consultoria Jurídica do INSS nº 2.901/2002 ou dos incisos I a V do art. 55 da Lei 8.212/1991). Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a observância de todas as suas regras, e não somente o requerimento da isenção ao INSS. Essa inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionada pela falsidade do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. O lançamento fiscal deve ser convincentemente motivado – de forma concisa, clara e congruente –, indicando, com base nos elementos da escrituração contábil ou outros elementos fáticos, a existência da materialidade do lançamento fiscal. A auditoria fiscal não deverá se basear em raciocínio jurídico incorreto para realizar o lançamento fiscal, mas resultar de fatos concretos encontrados durante a auditoria fiscal e aplicação da legislação pertinente. O Fisco, ao fundamentar a motivação do lançamento fiscal, deve fazêla de forma individualizada para o caso concreto, não podendo valerse somente da falta de requerimento da isenção da cota patronal previdenciária junto ao INSS e lançar o tributo como se fosse devido, sem qualquer ocorrência do descumprimento de todos os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/1991, no caso em tela os seus incisos I a V, vigente à época do período de apuração (competências 01/2006 a 13/2007), e a regra estampada no artigo 1º, §1°, do Decreto Lei 1.572/1977. Isso porque a valoração abstrata da legislação previdenciária já foi feita pelo legislador. A valoração a ser realizada pelo Fisco, na configuração do fato gerador da obrigação tributaria e do descumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/1991, é a do caso concreto. No caso concreto, em entidade que preenchia os requisitos previstos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991, é imprescindível que o lançamento fiscal que apura valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que a apuração dessa contribuição previdenciária se trata de medida excepcional que depende de comprovação de requisitos específicos da legislação previdenciária, que davam eficácia e aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.720502/201019 Acórdão n.º 2402003.657 S2C4T2 Fl. 8 13 Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco no Relatório Fiscal um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN, que assim dispõe: Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.720502/201019 Acórdão n.º 2402003.657 S2C4T2 Fl. 9 15 Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13502.901845/2009-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CREDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. INDÚSTRIA QUÍMICA.
Incluem-se, na base de cálculo do benefício, somente as aquisições de insumos que se subsumem ao conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem esposado pela legislação do imposto.
No processo produtivo do Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA), o nitrogênio, por entrar em contato diretamente com o PIA, exercendo a função de inertizante, deve ser considerado produto intermediário que integra o processo produtivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar o crédito presumido de IPI em relação às aquisições de nitrogênio. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern (relator), Domingos de Sá Filho e Mônica Monteiro Garcia de los Rios, que negaram provimento na íntegra.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
Ivan Alegretti Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CREDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. INDÚSTRIA QUÍMICA. Incluemse, na base de cálculo do benefício, somente as aquisições de insumos que se subsumem ao conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem esposado pela legislação do imposto. No processo produtivo do Ácido NFosfonometil Iminodiacético (PIA), o nitrogênio, por entrar em contato diretamente com o PIA, exercendo a função de inertizante, deve ser considerado produto intermediário que integra o processo produtivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar o crédito presumido de IPI em relação às aquisições de nitrogênio. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern (relator), Domingos de Sá Filho e Mônica Monteiro Garcia de los Rios, que negaram provimento na íntegra. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 18 45 /2 00 9- 51 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (assinado digitalmente) Ivan Alegretti – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório MONSANTO NORDESTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. formulou, em 31/01/2005, o Pedido de Restituição/ Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 15889.23048.310105.1.3.019972, informando crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 1.515.179,29, referente ao 3o trimestre de 2003, composto de R$ 649.349, 60, referente ao saldo crédito básico trimestral, e R$ 865.829,69 a titulo de crédito presumido apurado no 2° trimestre de 2003 e escriturado no 3o trimestre de 2003. O crédito foi aproveitado para extinção, pela via de compensação, de débitos de IRPJ e CSLL do período de apuração dezembro de 2004, no valor de R$ 1.033.577, 71. Em 28/02/2005, por meio da PER/DCOMP nº 15281.55738.280205.1.3.010674, o saldo remanescente do crédito de IPI, no valor de R$ 481.601,58, foi compensado com débitos de IRPJ e CSLL relativos a janeiro de 2005. O pleito foi parcialmente deferido, reconhecendose o direito de ressarcimento de saldo credor básico no valor de R$ 649.349,60. Já com relação ao crédito presumido de IPI, a Fiscalização apontou as seguintes irregularidades: (a) Receita de exportação: entendeu a Fiscalização que a Requerente teria informado, como receita de exportação acumulada até junho de 2003, os valores contabilizados a esse título sem a dedução das "devoluções de vendas para exportação". Assim, o valor da receita de exportação acumulada até junho de 2003 apurado pela Fiscalização foi de R$ 186.354.207,56, mas a Requerente teria indicado no DCP entregue à Receita Federal o valor de R$ 187.290.018,00; (b) Base de cálculo do crédito presumido (custos): entendeu a Fiscalização que alguns produtos que compuseram a base de cálculo do crédito presumido não estariam enquadrados no conceito legal de matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, quais sejam, vapor de 42 Kgf, vapor de 15 Kgf, nitrogênio, ar comprimido, água desmineralizada e água clarificada; (c) Ajustes: foi apontada a não realização dos ajustes determinados pelos arts. 11 e 12 da Instrução Normativa SRF nº 69, de 6 de agosto de 2001, e da Instrução Normativa SRF nº 315, de 3 de abril de 2003, em janeiro e dezembro; e, (d) Prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda (referente ao catalisador): a Fiscalização Fl. 816DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.901845/200951 Acórdão n.º 3403002.428 S3C4T3 Fl. 816 3 detectou que, pelos cálculos da ora Requerente, o valor acumulado até junho de 2003 teria sido de RS 14.642.454,00. Entretanto, o valor total das notas fiscais referentes a este período, excluído o IPI, foi de R$ 11.830.144,15, sendo este o valor considerado, haja vista a exclusão do IPI determinada pelo art. 289, § 3°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de Março de 1999 – RIR/99. Pelo Despacho Decisório Eletrônico nº 854472495, o DRF/CamaçariBA homologou parcialmente as compensações declaradas. Em Manifestação de Inconformidade, o requerente insistiu no seu direito à integralidade do crédito presumido de IPI, tendo em vista, sobretudo, que todos os insumos glosados enquadramse nos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, conforme dispõe a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e o Parecer Normativo CST nº 65 de 05 de novembro de 1979 (D.O.U.: 06.11.1979). A 4ª Turma da DRJ/SDR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1526.450, de 11 de março de 2011, fls. 655 a 662, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/SDR. O arrazoado de fls. 666 a 708, após síntese dos fatos relacionados com a lide, combate a decisão de primeira instância com alegações assim sintetizadas: (i) Nulidade do acórdão recorrido por não ter se manifestado: a. acerca dos ajustes, adição e exclusão, determinados pelos arts. 11 e 12 da INSRF nº 69, de 2001, e pela INSRF nº 315, de 2003, em janeiro e dezembro, uma vez que não estaria especificado como esse cálculo Fl. 817DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 foi realizado, seja no Termo de Verificação Fiscal, seja no Despacho Decisório; b. quanto à apuração da receita de exportação acumulada até junho de 2003 e; c. quanto à determinação do valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda até junho de 2003, e; (ii) Quanto ao mérito, alega que demonstrou que todos os produtos glosados (vapor de 42 Kgf, vapor de 15 Kgf, nitrogênio, ar comprimido, água desmineralizada e água clarificada) são utilizados diretamente no seu processo produtivo e igualmente consumidos em contato direto com a produção, atendendo, assim, ao conceito de insumo previsto na legislação para a composição da base de cálculo do crédito presumido do IPI Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, combinado com a Lei nº 9.363, de 1996. Esta 3a Turma Ordinária houve por bem converter o julgamento em diligência a fim de que fossem dirimidas as dúvidas existentes em relação aos produtos glosados. A Resolução nº 340300.353, de 27 de junho de 2012, fls. 723 a 725, requereu as seguintes providências: a) Verificação in loco do processo produtivo do contribuinte, se possível acompanhado de fotografias, onde são consumidos/utilizados os insumos glosados, a saber: vapor 42kgf, vapor 15kgf', nitrogênio de alta e baixa pressão, ar comprimido, água desmineralizada e água clarificada; b) Descrição minuciosa da forma de utilização destes insumos no processo industrial, preferencialmente em linguagem acessível, isto é, menos técnica; c) Indicação de que forma se dá o consumo dos insumos (se por contato direto ou indireto) com o produto em fabricação; d) Elaboração de relatório circunstanciado detalhado das verificações acima e outras observações que se julgarem pertinentes. Em cumprimento à mencionada Resolução, a Fiscalização da DRF/Camaçari realizou a diligência junto ao estabelecimento da Requerente, lavrando o Termo de Diligência Fiscal de fls. 771 a 775 por meio do qual sustentouse que a glosa dos referidos insumos estaria correta, sob o argumento principal de que esses não teriam contato direto com o produto fabricado pela Requerente e/ou não seriam consumidos em decorrência do seu processo produtivo, de forma que não atenderiam às características previstas na legislação para enquadrálos como matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem e, consequentemente, não dariam direito ao crédito presumido de IPI. Regularmente intimado das conclusões da diligência, o interessado contestou a sob o argumento principal de que a Autoridade Diligenciante interpretou equivocadamente a Fl. 818DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.901845/200951 Acórdão n.º 3403002.428 S3C4T3 Fl. 817 5 legislação de regência, condicionando a subsunção ao conceito de insumo somente os bens que se consumam no contato direto com o produto em fabricação, ao passo que, no seu entender, dariam direito ao crédito os insumos que são consumidos em função de uma ação diretamente exercida sobre o produto final, sem, necessariamente, ter um contato direto com ele. Em razão do afastamento do relator do Colegiado, o processo foi redistribuído, mediante sorteio realizado em 27/06/2013. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 666 a 708 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSDR4ª Turma nº 1526.450, de 11 de março de 2011. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A arguição de nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, à vista da omissão de enfrentamento dos pontos mencionados na peça recursal, deve ser rejeitada. Tratase de matéria não litigiosa, posto que não foram abordadas na Manifestação de Inconformidade. Para maior clareza dos pontos controvertidos, transcrevo os requerimentos finais da reclamação (fls. 305): Do pedido Por todo o exposto, requer seja recebida e conhecida a presente manifestação de inconformidade, reconhecendose a nulidade do despacho decisório e da conseqüente exigência fiscal em razão do cerceamento do direito de defesa, decorrente da incerteza quanto á origem e constituição dos valores apontados pela autoridade administrativa no cálculo do crédito presumido de IPI referente ao 3° trimestre de 2003. Ainda, com relação ao mérito, devem ser considerados os valores do custo dos seguintes produtos vapor de 42 Kgf., vapor de 15 Kgf., nitrogênio (de alta e baixa pressão), ar comprimido, água desmineralizada e água clarificada na apuração do crédito presumido do 3º trimestre de 2003, haja vista enquadraremse no conceito de insumo estabelecido pela legislação. N Termos P. Deferimento. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Como se vê, o interessado, enquanto manifestante, não controverteu qualquer das matérias referidas na preliminar de nulidade da peça recursal, razão pela qual não havia por que a decisão recorridas a elas referirse. Rejeito a preliminar. Mérito – insumos admitidos no cálculo do crédito presumido Nos termos do § 2º do art. 21 da INSRF nº 69, de 2001, os conceitos de industrialização, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI. A propósito, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 (RIPI/1982), extraise o seguinte preceito: “Artigo 161. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes forem equiparados, poderão creditarse: I – do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente (Lei nº 4502/64, artigo 25) “ Desde logo, salientese que não é qualquer insumo utilizado no processo produtivo que se caracteriza como MP, PI ou ME. Em sentido stricto, MP, PI e ME são os insumos que se integram ao produto em fabricação, consoante a inteligência do art. 25, inc. I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Entretanto, o próprio dispositivo estende essa definição, incluindo no conceito de MP, PI e ME os insumos que, “...embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. A interpretação do alcance da expressão “consumidos no processo produtivo” é controversa e demandou a edição de dois pareceres da Coordenação do Sistema de Tributação da então Secretaria da Receita Federal. Refirome ao PNCST nº 181, de 1974, e ao PNCST nº 65, de 1979, este último já alçado à condição de norma complementar da legislação tributária, consoante o inc. III do art. 100 do CTN, em face da reiteração da sua aplicação, já há quase cinquenta anos. Nesse sentido, confesso surpreenderme com a controvérsia. Para maior clareza, vamos ao Parecer: “Parecer Normativo CST Nº 65, de 1979 (DOU de 06.11.79): 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma “matériasprimas” e “produtos intermediários” são Fl. 820DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.901845/200951 Acórdão n.º 3403002.428 S3C4T3 Fl. 818 7 empregados “stricto sensu”, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários “stricto sensu”,ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 1 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matériasprimas nem produtos intermediários “stricto sensu”, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em 1 Nota do Relator: referência aps regramentos anteriores ao Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 83.263/79 (RIPI/79). Fl. 821DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “ ... e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual “a lei não deve conter palavras inúteis”, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão “incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização” é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários “stricto sensu” , geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos “que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários “stricto sensu” , semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.901845/200951 Acórdão n.º 3403002.428 S3C4T3 Fl. 819 9 10.2 A expressão “consumidos” sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (...).” A leitura do Parecer acima em parte reproduzido demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que qualquer elemento consumido nas instalações do contribuinte, certamente necessário ao desenvolvimento de suas atividades, ainda que indiretamente, seja considerado matériaprima ou produto intermediário com o fim de gerar o respectivo direito ao crédito. Tornase claro, assim, que nem tudo que se consome ou se utiliza na produção pode ser conceituado como matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Nesse mesmo sentido já havia se pronunciado a Coordenação do Sistema de Tributação através do Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, publicado no DOU de 23.10.74, que dispunha no seu item 13: “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, etc.”. Assim sendo, nos termos dos Pareceres retrocitados e em consonância com o inciso I do art. 161 do RIPI/2002, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários strictosensu e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação ou deste sobre o insumo, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Ou seja, devese considerar no conceito de MP e PI, em sentido amplo, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, guardando semelhança com as MP e os PI em sentido estrito, semelhança esta que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga à das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou desse sobre o insumo. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Ao caso concreto: o vapor, em qualquer das pressões, é empregado nos processos de transferência de calor, em máquinas térmicas, e não entra em contato direto com o produto em fabricação. O N2 também não entra em contato com o produto, pois é usado apenas na inertização e descontaminação de vasos. O seu desgaste dáse antes do armazenamento do produto em fabricação no vaso inertizado. O ar comprimido nada mais é do que veículo de acionamento dos instrumentos. Também não entra em contato direto com os produtos em fabricação. Eventualmente, é também usado para purgas (limpezas) de vasos e tubulações, antes de sua inertização pelo N2. Por fim, a água desmineralizada como a água clarificada têm função análoga à dos vapores, nas trocas térmicas ocorridas no processo produtivo. É intuitivo, o contato da água (e portanto também o do vapor) com o produto em fabricação poderia comprometer a qualidade do mesmo. O relatório da diligência empreendida dá conta de que esse fluido também tem utilização no processo como meio de diluição e lavagem, reconhecendo inclusive a ocorrência de contato direto com o produto em fabricação. Todavia, ressalvouse que não há desgaste decorrente desse contato, razão pela qual o insumo, também nesse uso, não se enquadraria no conceito de insumo albergado pela legislação. Ainda que, por liberalidade, se viesse a admitir seu custo na base de cálculo, o contribuinte haveria de segregálo do custo do fluido empregado como refrigerante térmico, o que não foi feito. Em síntese, por não terem contato direto com o produto em fabricação, esses insumos não se subsumem no conceito de MP ou de PI adotado pela legislação do IPI, razão pela qual os custos de aquisição não podem ser computados na base de cálculo do benefício de que se trata. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Ivan Alegretti, redator designado Divirjo do entendimento do Conselheiro Relator apenas em relação ao nitrogênio. A Fiscalização glosou os créditos deste insumo por entender que “A sua ação, portanto, se dá sobre a atmosfera livre nos vasos, e não sobre o produto diretamente. Apesar de realmente estar em contato direto com este, não há qualquer ação (...)” Como visto, o critério da Fiscalização foi de que não bastaria o contato direto com o produto industrializado, no caso, o Ácido NFosfonometil Iminodiacético (PIA), mas seria indispensável que o nitrogênio sofresse alguma reação química com este, o que não acontece, pois na verdade o nitrogênio sofre a reação química em relação ao ar atmosférico. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.901845/200951 Acórdão n.º 3403002.428 S3C4T3 Fl. 820 11 Ocorre que o nitrogênio não participa do processo como uma matériaprima, no sentido de que tivesse de ser de alguma forma integrado ao produto industrializado, mas atua como um produto intermediário exercendo a função de inertizar o produto industrializado, mantendoo a salvo do contato com o ar atmosférico, tal como uma proteção física. Ou seja, o nitrogênio exerce uma função físicoquímica no processo produtivo, exercendo ação em contato físico direto com o produto, sofrendo desgaste justamente por exercer sua função de inertizar o produto, sofrendo a oxidação no lugar do produto, de maneira que configura um produto intermediário, e quase um material de embalagem, em razão da sua função inertizante, que equivale a uma função de proteção e estabilização. É isto o que retrata a seguinte passagem do Parecer emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT: “Nitrogênio de alta pressão: (...) O Nitrogênio é o gás mais usado em processos de inertização de tanques de armazenamento de produtos químicos, substituindo o ar da atmosfera por um gás inerte no interior do tanqu. Esse process, também chamado de blanketing, impede o contato do produto armazenado com o oxigênio e a umidade presentes no ar, garantindo a qualidade necessária ao produto estocado. Caso aconteça a exposição ao ar atmosférico ocorre a oxidação do produto estocado e, como consequência, perdas no processo. (fl. 27 do Parece do INT) Diante disso, entendo que no processo produtivo do Ácido NFosfonometil Iminodiacético (PIA), o nitrogênio, por entrar em contato diretamente com o PIA, exercendo a função de inertizante, deve ser considerado produto intermediário que integra o processo produtivo, de maneira que dá direito ao crédito presumido. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Ivan Alegretti Fl. 825DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26 /08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11634.001620/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DESPESAS MÉDICAS. SERVIÇOS NEGADOS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA ART. 44 LEI Nº 9.430/96.
Demonstrada a inexistência do pagamento e da efetiva prestação dos serviços; evidencia-se o intuito doloso de se valer daquele valor para diminuir o imposto devido. Tal fato configura infração tributária passível de autuação e lançamento de ofício do imposto com a qualificação da multa pela ocorrência do evidente intuito de fraude.
PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA CARF Nº 72.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 2201-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Marcio de Lacerda Martins e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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MÉDICAS Recorrente LINCOLN CALIXTO DE SALES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DESPESAS MÉDICAS. SERVIÇOS NEGADOS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA ART. 44 LEI Nº 9.430/96. Demonstrada a inexistência do pagamento e da efetiva prestação dos serviços; evidenciase o intuito doloso de se valer daquele valor para diminuir o imposto devido. Tal fato configura infração tributária passível de autuação e lançamento de ofício do imposto com a qualificação da multa pela ocorrência do evidente intuito de fraude. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA CARF Nº 72. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 16 20 /2 01 0- 14 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 11634.001620/201014 Acórdão n.º 2201002.230 S2C2T1 Fl. 108 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Marcio de Lacerda Martins e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Lavrado Auto de Infração, fls. 41 a 46, para exigir do contribuinte acima identificado, crédito tributário de R$15.659,32, sendo R$4.950,00 de imposto suplementar, R$ 7.425,00 de multa de ofício de 150%, e R$3.284,32 de juros de mora calculados até 29/20/2010, referentes ao Imposto de Renda das Pessoas Físicas do exercício 2005. Da DIRPF/2005 Na declaração de ajuste para o exercício 2005, fls. 3 a 8, o contribuinte informou rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$58.957,74 e deduções que somaram R$25.742,92, sendo R$18.000,00 de despesas médicas, em pagamentos aos profissionais, Adriano Mascari Coppi no valor de R$7.250,00; Eliana Siqueira Lima, R$2.250,00 e Vitor Lúcio Ross Fabiani de R$8.500,00. Apurou imposto a restituir de R$873,73. Na atividade rural, apurou prejuízo a compensar no próximo exercício de R$22.147,23, a partir de receita bruta de R$66.395,00 e despesas de custeio e investimentos de R$86.398,84, com indicação de prejuízo no exercício anterior de R$2.143,39. Do Lançamento Apurouse dedução indevida de despesas médicas, que totalizaram R$18.000,00, informadas pelo contribuinte para pagamento aos profissionais, Adriano Mascari Coppi no valor de R$7.250,00; Eliana Siqueira Lima, R$2.250,00 e Vitor Lúcio Ross Fabiani de R$8.500,00. Após intimação, fls. 9 a 29, esses profissionais negaram a prestação dos serviços e o recebimento dos valores indicados pelo contribuinte. O lançamento foi efetuado por meio do Auto de Infração, demonstrativos de apuração e o enquadramento legal e Termo de Verificação Fiscal de fls. 41 a 49. Apurado o imposto suplementar de R$4.950,00, acrescido da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, e dos juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Da Impugnação O contribuinte impugnou o lançamento, fls. 55 a 72, apresentando seus argumentos, que são reproduzidos, resumidamente, a seguir. Argúi, em preliminar, a decadência sobre o período fiscalizado e, no mérito, alega a fragilidade do lançamento baseado em presunção, prova esta que não se presta, por si só, a servir de estribo para um auto de infração. Sustenta a tese da inconstitucionalidade da multa punitiva, tendo em vista seu caráter confiscatório, assim como levanta a questão da Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 11634.001620/201014 Acórdão n.º 2201002.230 S2C2T1 Fl. 109 3 ilegalidade dos juros de mora, com base na Selic, em face do que dispõe o art. 161 do Código Tributário Nacional. Requer o cancelamento integral do lançamento. Da decisão de 1ª instância A 6ª Turma da DRJ de Curitiba, por meio do Acórdão nº 0639.963, julgou improcedente a impugnação com os argumentos a seguir resumidos. Quanto a argüição da decadência, as autoridades julgadoras entendem pela aplicação do art. 173 do CTN face à ocorrência de fraude por apresentação de recibos sem a efetiva prestação dos serviços, fl. 91 e 92, a conferir: No caso em exame, contra a alegação do contribuinte, militam as declarações dos profissionais da área de saúde de fls. 13 a 15, 20 e 26 a 28; que negam a prestação dos serviços sustentados pelo impugnante, assim como a ausência de prova do efetivo pagamento dos mencionados serviços. A vista de todos estes elementos, tal fato não só configura uma infração tributária passível de autuação e lançamento de ofício do imposto como também implica a qualificação da multa pela ocorrência do evidente intuito de fraudar o fisco, nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96: [...] Assim, uma vez que pelo presente procedimento fiscal, que culminou com a lavratura do auto de infração de fls.40/45, restou devidamente demonstrada a inexistência do pagamento e da efetiva prestação dos serviços; evidenciouse o intuito doloso do contribuinte de valerse daquele valor para deduzir a base de cálculo do imposto de renda e, então, diminuir o valor do imposto devido. Com relação à taxa Selic para referenciar os juros de mora, não há como afastar a correção uma vez que sua aplicação decorre de Lei (Lei n° 8.981/95, art. 84, I e §§ 1°, 2° e 6°; Lei n° 9.065/95, art. 13; e Lei n° 9.430/96 art. 61, § 3°), conforme faculta a Lei nº 5.172, de 1966, art. 161, § 1º. Relativamente à alegação de inconstitucionalidade dos dispositivos legais e a imputação de efeitos confiscatórios à multa aplicada e outros dispositivos que embasaram o lançamento, é de se destacar que a referida discussão exorbita a competência legal das instâncias administrativas, pois ao de competência exclusiva do Poder Judiciário.à autoridade administrativa cabe, apenas, cumprir o que determina a legislação em vigor, constituindo o crédito tributário conforme prescreve o art. 142 do CTN, que em seu parágrafo único dispõe que “a autoridade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Do Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão nº 0630.963, em 17/06/2011, AR fl. 97, o contribuinte apresentou em 20/07/2011 o Recurso Voluntário de fls. 98 a 102, com os argumentos a seguir resumidos. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 11634.001620/201014 Acórdão n.º 2201002.230 S2C2T1 Fl. 110 4 Discorda da aplicação da multa de 150% uma vez que houve a emissão dos recibos, efetuou o pagamento do valor aí indicados com dinheiro e não concorda e não entende as declarações dos profissionais e suas motivações e questiona o efeito confiscatório da multa que é vedado pela Constituição Federal, apresentando ementas de julgados de Tribunais Superiores, para subsidiar seus argumentos. Requer seja acolhido o presente recurso e cancelado o Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O recurso é tempestivo e atende as demais exigências de admissibilidade. Dele conheço. Enfrento, inicialmente, a questão da qualificação da multa pois haverá conseqüência na fixação do termo de início para a contagem do prazo de cinco anos para a decadência. Assim o tema de preliminar será abordado a partir da questão de mérito. O recorrente insurgese contra a aplicação da multa qualificada que considera inconstitucional pelos seus efeitos confiscatórios prejudiciais ao contribuinte. Cabe esclarecer que apreciar questionamentos sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas regularmente editadas, é prerrogativa exclusiva do Poder judiciário, tema que se encontra sumulado neste Colegiado com a edição da súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No termo de verificação fiscal de fls. 47 e 48, a fiscalização obteve em diligência junto aos profissionais Adriano Mascari Coppi, Eliana Siqueira Lima e Vitor Lucio Ross Fabiani a negativa da prestação de serviços ao recorrente. Na declaração de fl.14 o médico Vitor Lúcio Ross Fabiani, informou que não prestou serviços profissionais ao recorrente nos anoscalendário de 2002 a 2004. Indicou responsabilidade sobre o Escritório de Contabilidade Nova Vida S/C pelo extravio de documentos e surgimento de nomes de pessoas que sequer foram seus pacientes. A fisioterapeuta Eliana Siqueira Lima, inscrita no CREFITO 8/49.125F, informou em declaração, juntada à fl. 21, que não prestou serviços profissionais ao contribuinte e seus dependentes nos anoscalendário de 2003 e 2004. O odontólogo Adriano Mascaro Coppi, CPF 021.387.64931, também declarou, após intimação, que não prestou serviços profissionais ao recorrente no ano calendário 2004. Requerido do recorrente os recibos originais, ele informou que encontramse extraviados, mas reafirma que os pagamentos foram realizados em dinheiro e os serviços foram executados pelos profissionais. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 11634.001620/201014 Acórdão n.º 2201002.230 S2C2T1 Fl. 111 5 Não há como acatar as justificativas do recorrente, as despesas médicas somente são dedutíveis quando comprovadas com documentação hábil e idônea contra a prestação efetiva de serviços dos profissionais indicados. Ademais, considero provada a qualificadora da multa face a atitude dolosa do recorrente em obter dedução indevida e, inclusive faltando com a exibição dos originais evitando assim, em que pese a alegação de extravio, a apreensão dos documentos. Neste caso, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173 do CTN, como prevê a súmula CARF nº 72, a saber: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN Portanto, confirmo a aplicação da multa qualificada e, em conseqüência, afasto a decadência sobre os fatos geradores do ano calendário de 2004 em obediência a regra. do art. 173 do CTN que, quanto a contagem do prazo decadencial estabelece: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]. Assim,o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, durante o ano de 2005, assim a contagem iniciase em 1º/01/2006 e se encerra em 31/12/2010. O recorrente tomou ciência do lançamento em 30/11/2010, portanto dentro do prazo estipulado pelo CTN. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 13005.000751/2010-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2010
MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
SOBRESTAMENTO. NECESSIDADE DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O CARF sobrestará apenas os processos, em sede de repercussão geral, em que o Supremo Tribunal Federal também o tenha feito de forma expressa, nos termos do art. 62-A do RICARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. SOBRESTAMENTO. NECESSIDADE DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O CARF sobrestará apenas os processos, em sede de repercussão geral, em que o Supremo Tribunal Federal também o tenha feito de forma expressa, nos termos do art. 62A do RICARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 07 51 /2 01 0- 16 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13005.000751/201016 Acórdão n.º 2403001.919 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de acórdão proferido pela DRJ em Fortaleza, que entendeu por indeferir pedido de restituição, elaborado em 08/06/2010 sob o argumento de inconstitucionalidade da exigência fiscal prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, por não se coadunar com o instituto da substituição tributária prevista no parágrafo 7º do art. 150 da CF/88, fl. 02. DO DESPACHO DECISÓRIO Após analisar os argumentos da peticionante, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul – RS, nas fls. 23/25, proferiu Despacho Decisório DRF/SCS N. 294/2010, em 23 de junho de 2010, entendendo pelo indeferimento do pleito ressarcitório, da seguinte forma, fl 25: Ante o exposto na Análise Preliminar da folha 13 e, Considerando a delegação de competência dada pela Portaria DRF.SCS 041, de 12 de maio de 2009; Não reconheço o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União, para as competências pleiteadas de 01/2004 até 05/2010 consoante ao parágrafo 1º do artigo 39 da Instrução Normativa RFB 900, de 30/12/2008. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade de fls. 29/35, requerendo a reforma da decisão. DO JULGAMENTO PELA DRJ A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), em análise aos argumentos constantes na Manifestação de Inconformidade Apresentada, prolatou acórdão de número 1236.443 – 11ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 31 de março de 2011, fls. 59/66 julgandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2010 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. O direito de pleitear a restituição para os tributos sujeitos à lançamento por homologação extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, que ocorre no momento do pagamento antecipado. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 HIPÓTESES LEGAIS DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DA PREVISÃO COM BASE NA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O sujeito passivo somente tem direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, nas hipóteses previstas no artigo 165 do Código Tributário Nacional c/c o artigo 89 da lei 8.212/91 e artigo 2º da Instrução Normativa RFB 900/2008. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado com a decisão acima ementada, a recorrente apresentou suas razões recursais, fls. 87/95, requerendo a reforma do acórdão argumentando que o processo deve ficar sobrestado até o julgamento do Recursos Extraordinários de n. 561.908 e 595.838, nos quais tiveram reconhecida a repercussão geral por fim, alega a não ocorrência da prescrição, para ser reconhecido o direito creditório. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13005.000751/201016 Acórdão n.º 2403001.919 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 87, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SOBRESTAMENTO Aduz o recorrente que, conforme disposições regimentais, estaria este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais obrigado a sobrestar o andamento do presente processo haja vista a existência de repercussão geral nos Recursos Extraordinários n. 561.908 e n. 595.838. No entanto, não assiste razão a ele, uma vez que, apesar de reconhecida a repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, não foi determinado expressamente, o sobrestamento das ações com matéria similar. Para tanto, vejase a ementa de ambos os julgados, destacandose desde já que não há no inteiro teor destes, manifestação de sobrestamento, in verbis: TRIBUTO REPETIÇÃO DE INDÉBITO LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 REPERCUSSÃO GERAL ADMISSÃO. Surge com repercussão geral controvérsia sobre a inconstitucionalidade, declarada na origem, da expressão “observado, quanto ao artigo 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional”, constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005. (RE 561908 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 08/11/2007, DJe157 DIVULG 06122007 PUBLIC 07122007 DJ 07122007 PP00016 EMENT VOL0230208 PP01660 ) **************************************************** EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXIGIBILIDADE. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91. REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 9.876/99. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 595838 RG, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 14/05/2009, DJe027 DIVULG 11022010 PUBLIC 12022010 EMENT VOL0238904 PP00844 ) O Regimento Interno do CARF possui dispositivo que evita decisões administrativas em dissonância com as decisões do STF, determinando que – caso o STF Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 determine o sobrestamento pelos tribunais – o CARF também o faça. Nesse sentido, cabe referência ao § 1º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Portanto, inaplicável o sobrestamento ao caso analisado. DA RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTES SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS PELAS COOPERATIVAS DE TRABALHO – DA INCONSTITUCIONALIDADE ALEGADA Alega o recorrente que a retenção de 15% de contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/91 é indevida em face de sua inconstitucionalidade. Ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13005.000751/201016 Acórdão n.º 2403001.919 S2C4T3 Fl. 5 7 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por esses motivos, não merece prosperar as alegações de inconstitucionalidade aventadas pelo recorrente, eis que este Conselho carece de competência para proceder a tal análise. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000896/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 05 .0 00 89 6/ 20 08 -2 5 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13605.000896/200825 Resolução nº 2301000.375 S2C3T1 Fl. 277 2 Relatório: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Requerimento de Restituição da Retenção (RRR) na qual a interessada pleiteou a restituição de valores retidos em suas notas fiscais e que se revelaram excessivos em relação à contribuição devida no período de 03 a 06/2007 no valor total de R$ 3.926,27. A DRF/Belo Horizonte, no Despacho Decisório de fls. 156/158, indeferiu o pedido de restituição, tendo a requerente sido cientificada em 14/12/2010, fls. 160. O fundamento para o indeferimento foi a identificação de compensações em outro estabelecimento que teriam utilizado os créditos apontados pela requerente. As justificativas da interessada para esclarecer tal fato conflitavam com as informações constantes da GFIP. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 161/165, insistindo em seu direito à restituição e apresentando tabela de retenções e compensações feitas. A 8ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 175/176, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo a recorrente sido considerada cientificada do decisório em 12/05/2011, fls. 184. O Acórdão a quo apontou que as informações prestadas na GFIP e a falta de outras provas impediam o reconhecimento do direito creditório. O recurso voluntário, apresentado em 13/06/2011, fls. 186/189, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Informa que, após a emissão do Acórdão a quo, retificou as GFIPs de modo a esclarecer as retenções e compensações realizadas, bem como elaborou planilhas que comprovam seu direito creditório. Em vista de o principal motivo para o indeferimento da restituição ter sido, nas duas decisões anteriores, o conteúdo de informações da GFIP, e diante da informação da interessada de que retificou as GFIPs, propomos que sejam realizadas diligências de modo a apurar se houve a retificação alegada e se, a partir disso, é possível deferir a restituição. Assim sendo, propomos a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal designada apure se houve a retificação das GFIPs e, em caso positivo, se é possível concluir pela existência de direito creditório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13605.000896/200825 Resolução nº 2301000.375 S2C3T1 Fl. 278 3 Após a diligência, a interessada deve ser intimada a apresentar sua manifestação no prazo de trinta dias, conforme previsto no art. 35 do Decreto .7.574/2011. Por fim, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 278DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10865.907023/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 07 02 3/ 20 09 -7 7 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.907023/200977 Resolução nº 1802000.335 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ I, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1237.626, às fls. 23 a 28: Versa o presente processo sobre o Pedido de restituição e declaração de compensação n° 01113.63107.131004.1.3.030313, fls. 01/05, na qual a interessada objetiva compensar débito, no valor principal de R$ 152.008,19, com crédito de Saldo Negativo de CSLL, apurado no ano calendário de 2003, cujo valor original na data da transmissão era de R$ 140.275,65, fl. 02. Através do Despacho Decisório n° 842052924 da DRF/LIMEIRASP, fl. 06, foi reconhecido parcialmente o crédito, em virtude de falta de comprovação das parcelas de composição do crédito informadas na PER/DCOMP relativas a estimativas compensadas de Saldos Negativos de períodos anteriores, sendo homologada parcialmente a compensação declarada. Do valor declarado a esse título de R$ 140.275,65, somente foi confirmado o valor de R$ 54.925,71, conforme detalhado à fl. 08 dos autos. Cientificada em 01/07/2009, fl. 10, do Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11/13, em 13/07/2009, alegando, em síntese: há equívoco no despacho pois a utilização do valor de R$ 85.349,94 encontrase fundamentada, devendo ser homologada, conforme PER/DCOMP citadas à fl. 12; o Despacho não considerou as PER/DCOMP entregues em 04/11/2003 e em 21/05/2003, resultando disso a diferença apontada indevidamente; por outro lado, tratase de cobrança de tributo cujos fatos geradores ocorreram no ano de 2003, e que também foram declarados naquele ano por meio de PER/DCOMP e DCTF; tendo ocorrido sua homologação somente no ano de 2009, notório o prazo decadencial de cobrança do art. 173 do CTN, não podendo mais ser cobrado. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.907023/200977 Resolução nº 1802000.335 S1TE02 Fl. 4 3 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. A ausência de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário e suficiente para se pleitear a compensação, consoante o artigo 170 do Código Tributário Nacional, resulta no indeferimento do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/09/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/10/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido (via compensação) as estimativas mensais do IRPJ e da CSLL durante todo o anocalendário, tendo, ao final do ano calendário (2003), apurado Saldo Negativo de CSLL, no valor de R$ 140.275,65; em despacho decisório, recebido apenas em 18/06/2009, o Saldo Negativo informado não foi reconhecido em sua totalidade, devido às estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior; a Fiscalização não reconheceu o valor de R$ 85.349,94; em sua manifestação de inconformidade, esclareceu a Recorrente que o sistema não estaria considerando os Per/Dcomps entregues em 04/11/203 e 21/05/2003, os quais comporiam a diferença do saldo não reconhecido; a Delegacia de Julgamento não reconheceu o crédito em discussão, sob o fundamento de que os Per/Dcomps citados “não tratam de Saldo Negativo do anocalendário de 2002, e sim de ‘Pagamento Indevido ou a maior de CSLL’, que indicam como período de. apuração do crédito as datas de 31/12/2002 ou 31/01/2003”, bem como não teriam sido juntados pela Recorrente “documentos hábeis e idôneos, tais como os livros contábeis e fiscais”. o fato é que os recolhimentos interpretados, à época, como “a maior” pela Recorrente, não compuseram o saldo negativo destes períodos; Fl. 564DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.907023/200977 Resolução nº 1802000.335 S1TE02 Fl. 5 4 ao contrário, eram “tratados” pela contabilidade como um “recolhimento efetuado a maior” e, assim, compensados com outros tributos, como aconteceu com as estimativas deste período; todavia, o crédito é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao “tipo de crédito” informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de CSLL, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo, assim como junta aos autos Planilha elaborada pelo setor contábil da Recorrente (doc. anexo), demonstrando toda a forma de composição do aludido crédito em sua integralidade; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo “tipo do crédito”; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores “pagos a maior” (estimativa), sob a rubrica de contribuição social sobre o “lucro líquido”, o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda e de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO desta forma e por todo o exposto, requer, respeitosamente, seja julgado totalmente procedente o presente, reconhecendose o crédito embatido e, conseqüentemente, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.907023/200977 Resolução nº 1802000.335 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 13/10/2004 (fls. 2 a 6), na qual utiliza crédito referente a saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2003, no valor de R$ 140.275,65. A compensação visa a quitação de débito de estimativa de CSLL do mês de julho/2004, no valor de R$ 152.008,19 (rubrica principal). A Delegacia de origem não confirmou todas as estimativas de CSLL ao longo de 2003, e por isso reconheceu apenas R$ 54.925,71 como saldo negativo neste ano, homologando parcialmente a compensação, no limite do crédito reconhecido, conforme o Despacho Decisório de fls. 7. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que os débitos não podiam mais ser cobrados por força do prazo do art. 173 do CTN (decadência). Argumentou também que o despacho decisório não considerou os PER/DCOMP apresentados em 04/11/2003 e 21/05/2003, referentes à quitação de estimativas de 2003, o que acarretou a indevida redução no valor do saldo negativo do período. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) afastou a alegação de decadência, porque o PER/DCOMP foi apresentado em 13/10/2004 e o despacho decisório foi cientificado em 01/07/2009, antes portanto do prazo legal de cinco anos para a homologação tácita da compensação. Superada esta preliminar, a DRJ concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.907023/200977 Resolução nº 1802000.335 S1TE02 Fl. 7 6 Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: [...] Os saldos negativos de IRPJ podem ser objeto de restituição/compensação, mas se sujeitam a análise de consistência das informações que envolvem o direito creditório pleiteado. Tal comprovação deve ocorrer com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, tais como os livros contábeis e fiscais. A força probante da contabilidade condicionase a que esses registros contábeis sejam “... comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). A comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da interessada. No presente caso, a interessada indicou na PER/DCOMP como parcela de composição do direito creditório as estimativas compensadas com “Saldo negativo de períodos anteriores”, indicando “Período de Apuração do Saldo de Período: 2003”, fl. 05, dos quais o sistema reconheceu o pagamento no valor de R$ 54.925,71, ficando a lide restrita ao valor de R$ 85.349,94. A interessada alega que a Administração não considerou as PER/DCOMP entregues em 04/11/2003 e em 21/05/2003, resultando disso a diferença apontada indevidamente. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.907023/200977 Resolução nº 1802000.335 S1TE02 Fl. 8 7 Em consulta aos Sistemas da RFB, constatase que as PER/DCOMP citadas não tratam de compensação de Saldo negativo do ano calendário de 2002, e sim, de “Pagamento Indevido ou a maior de CSLL”, que indicam como período de apuração do crédito as datas de 31/12/2002 ou 31/01/2003. Da mesma forma, as DCTF retifícadoras mencionadas indicam que as estimativas foram compensadas com “Pagamento indevido ou a maior”. Portanto, além de a interessada ter indicado crédito de natureza diferente, deixou de informar as PER/DCOMP que afirma em sua manifestação de inconformidade tratarem da compensação das estimativas indicadas como compensadas na presente DCOMP. Assim, não há equívoco no Despacho Decisório e sim falta de informação ou informação incorreta prestada pela interessada, que deveria ter retificado as informações de forma a permitir a análise pela Administração. As PER/DCOMP informadas somente agora originaram outros processos administrativos, que encontramse em análise. O tratamento a ser dado aos créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a maior devem obedecer ao previsto no CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento ............. nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Quando se trata de recolhimento por estimativa, vale ressaltar que é uma opção de recolhimento mensal de tributos estabelecida em lei, com sua forma de apuração e cálculos definidos pela legislação de cada período. O contribuinte que opta pela apuração anual do IRPJ e da CSLL automaticamente obrigase ao recolhimento do imposto por estimativa esta é uma imposição legal, não uma faculdade. Se o contribuinte efetua corretamente o recolhimento das parcelas devidas (seja dentro do prazo de vencimento, seja com acréscimos legais por recolhimento em atraso), não há de se falar em pagamento indevido e menos ainda em recolhimentos espontâneos a este título, já que foi apurado, para aquele período, o débito correspondente, e o recolhimento por estimativa é compulsório. É obrigação do contribuinte quitar mensalmente os débitos apurados por estimativa dentro do prazo de vencimento estabelecido pela legislação, e se este prazo for desrespeitado, o contribuinte é penalizado pela aplicação de multa e juros moratórios. Se o contribuinte optou por efetuar estes recolhimentos obrigatórios em atraso, não poderá, no encerramento do exercício, argumentar que teria direito à restituição dos acréscimos legais porventura pagos pois, como comentado acima, estes pagamentos não foram nem indevidos, Fl. 568DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.907023/200977 Resolução nº 1802000.335 S1TE02 Fl. 9 8 nem espontâneos. Quando do preenchimento da declaração de rendimentos, inclusive, vêse que não são considerados os acréscimos legais porventura pagos, sendo informado apenas o valor do débito do tributo apurado, independente do valor total recolhido. Além disso, caso se trate de crédito oriundo de Saldo Negativo do ano calendário de 2002, constante de DCOMP apresentada no ano de 2004, é imprescindível também que a interessada comprovasse que tal crédito não foi utilizado em compensações posteriores, com débitos da própria CSLL, como era permitido à época dos fatos, na própria contabilidade, até setembro de 2002. Assim, mais um motivo para afirmar que a certeza e liquidez do crédito somente se consubstancia com as provas hábeis a comprovar o alegado. Para fazer prova efetiva de que teria razão, deveria a interessada trazer à apreciação da autoridade julgadora sua escrituração contábil e fiscal completa, sustentada em documentos hábeis e idôneos, demonstrando se tratar, ou de pagamento indevido ou a maior, ou de Saldo negativo, no caso, com apresentação do LALURLivro de apuração do Lucro Real. Ressaltese que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, a teor do artigo 923, do RIR/99, com matriz legal no DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º. Por fim, considerando todo o exposto acima, faltou a comprovação do crédito pleiteado. Portanto, não há como aceitar as alegações da contribuinte, e meu voto é por negar provimento à manifestação de inconformidade, não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação declarada. Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário uma série de documentos contábeis e fiscais, buscando demonstrar a certeza e liquidez de seu direito creditório. Antes de qualquer exame sobre esta documentação, há um aspecto importante a ser mencionado. É que a falta de certeza e liquidez em relação ao saldo negativo de CSLL em 2003 foi apontada pela DRJ diante de circunstâncias referentes a outros PER/DCOMP, apresentados para a quitação de estimativas de 2003. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.907023/200977 Resolução nº 1802000.335 S1TE02 Fl. 10 9 A natureza do crédito nestas outras compensações (“saldo negativo de 2002” ou “pagamento a maior de estimativa”), as questões sobre os acréscimos legais nas estimativas pagas em atraso, a possibilidade de utilização do mesmo crédito em outras compensações, etc., todas essas considerações são pertinentes aos outros PER/DCOMP, dos quais este, ora examinado, é mera conseqüência. Com efeito, na medida em que o saldo negativo é formado pelas estimativas, a aferição de seu montante dependente diretamente do que vier a ser decidido sobre estes outros PER/DCOMP, que serviram para a quitação das estimativas. A DRJ chegou a mencionar que “as PER/DCOMP informadas somente agora originaram outros processos administrativos, que encontramse em análise”, porém concluiu que este processo não continha provas do saldo negativo em 2003. Penso que a DRJ se precipitou ao negar direito creditório que decorria de outros PER/DCOMP ainda não examinados. Ela buscou provas no processo errado. É nestes outros processos que será decidida a sorte das referidas compensações realizadas para a quitação de estimativas em 2003, e este resultado deverá ser simplesmente estendido ao presente processo, para a aferição do saldo negativo aqui tratado. Realmente, não há como examinar nestes autos a liquidez e certeza de crédito que é objeto de outros PER/DCOMP, de outros despachos decisórios e de outros processos. Por estas razões, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte, das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros elementos que sejam considerados relevantes: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva CSLL devida no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais, levando em conta não só os recolhimentos em DARF como também os resultados das outras compensações realizadas para a quitação destas estimativas; a existência e a disponibilidade do saldo negativo resultante das deduções a título de estimativas. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.907023/200977 Resolução nº 1802000.335 S1TE02 Fl. 11 10 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 571DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 17546.000266/2007-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/01/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXIGIDAS DE OFÍCIO - PENALIDADE - RETROATIVIDADE BENIGNA.
A penalidade exigida da interessada estava prevista no artigo 35, inciso II, da Lei n° 8.212/91. Com o advento da Lei n° 11.941/2009, que inseriu o artigo 35-A na Lei n° 8.212/91, as multas para situações como esta seguem o disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/96. O lançamento está correto e, de acordo com artigo 106, inciso II, alínea c, do CTN, a nova regra só se aplica ao caso se for mais benéfica à autuada.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 16/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1996 a 31/01/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXIGIDAS DE OFÍCIO - PENALIDADE - RETROATIVIDADE BENIGNA. A penalidade exigida da interessada estava prevista no artigo 35, inciso II, da Lei n° 8.212/91. Com o advento da Lei n° 11.941/2009, que inseriu o artigo 35-A na Lei n° 8.212/91, as multas para situações como esta seguem o disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/96. O lançamento está correto e, de acordo com artigo 106, inciso II, alínea c, do CTN, a nova regra só se aplica ao caso se for mais benéfica à autuada. Recurso especial provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/01/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXIGIDAS DE OFÍCIO PENALIDADE RETROATIVIDADE BENIGNA. A penalidade exigida da interessada estava prevista no artigo 35, inciso II, da Lei n° 8.212/91. Com o advento da Lei n° 11.941/2009, que inseriu o artigo 35A na Lei n° 8.212/91, as multas para situações como esta seguem o disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/96. O lançamento está correto e, de acordo com artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, a nova regra só se aplica ao caso se for mais benéfica à autuada. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 02 66 /2 00 7- 72 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000266/200772 Acórdão n.º 9202002.815 CSRFT2 Fl. 291 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 16/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Indústria e Comércio Atibaiense de Bebidas em Geral Ltda., CNPJ n° 44.509.677/000125, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 35.889.9796 (fls. 01111), para a exigência de contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 07/1996 a 01/2003, as quais correspondem: a) à parte dos segurados, sem desconto da remuneração; b) à parte da empresa; c) ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho – SAT – no período de 01/96 a 06/97; d) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT período de 07/97 a 01/03; e) às destinadas aos terceiros (Salário Educação 2,5%, Incra 0,2%, SESI 1,5%, SENAI 1% e SEBRAE 0,6%. Apreciando o recurso voluntário interposto pela empresa, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF proferiu o acórdão n° 2403000.436, que se encontra às fls. 258264, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/01/2003 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000266/200772 Acórdão n.º 9202002.815 CSRFT2 Fl. 292 3 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I, CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicado quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. PRELIMINARMENTE. CORESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NOTIFICAÇÃO FISCAL. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios na Notificação Fiscal não pode ser interpretada como conduta prejudicial ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sóciosgerentes,o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores. PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. AUTUAÇÃO. GLOSA. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO INDEVIDO. DESRESPEITO À ORDEM JUDICIAL. DESRESPEITO AO ART.170A DO CTN. APLICAÇÃO DE MULTA E JUROS. ART.35 DA LEI N 8.212/91. HIPÓTESE DE OBSERVÂNCIA AO ART.106, II, “C” DO CTN. O sujeito passivo foi autuado por ter realizado procedimento de compensação indevidamente, tendo em vista que não respeitou Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000266/200772 Acórdão n.º 9202002.815 CSRFT2 Fl. 293 4 as determinações previstas na sentença judicial (compensação válida apenas após a homologação do fisco) nem os ditames legais do Código Tributário Nacional, o qual só autoriza, em seu art.170A, a compensação após o trânsito em julgado da decisão. A cobrança, portanto, será mantida com o acréscimo de multa e juros na forma do art.35 da Lei n 8.212/91 alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo ser respeitado o disposto no art.106, II, c, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Eis a anotação do resultado do julgamento: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial acatando a preliminar de decadência até a competência 08/2001 com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari votaram pelas conclusões. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.” Intimada do acórdão em 23/05/2011 (fls. 265), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 268273, acompanhado dos documentos de fls. 274275, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Com relação à incidência do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, há nítida divergência entre a decisão recorrida e os acórdãos nos 230100.283 e 240100.120; b) Cumpre observar que os acórdãos indicados como paradigma, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941 de 27/05/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei n°8.212/91; c) Insta aqui consignar que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque o que se encontrava em julgamento era o lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social e se travou discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei n° 11.941/2009 (fruto da conversão da MP n° 449/2008) no art. 35 da Lei n°8.212/91; d) Contudo, embora diante de situações semelhantes, os órgãos julgadores prolatores do acórdão recorrido e do paradigma encamparam conclusões diversas acerca da aplicação e interpretação da norma jurídica, em especial do art. 35, caput (redação revogada e com a novel redação dada pela MP n° 449/2008 posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009) e do art. 35A da Lei n°8.212/1991. Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000266/200772 Acórdão n.º 9202002.815 CSRFT2 Fl. 294 5 caput, da Lei n° 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei n° 11.941/2009; e) Ao revés, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96. No julgado paradigma, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa; f) Dessa forma, uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial no que toca ao diploma legal a reger a aplicabilidade da multa no caso em testilha, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido; g) O artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual esta inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária; h) Para a solução destes questionamentos, devese lembrar que "não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum"; i) Nesse contexto, impende considerar que a Lei n° 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP n° 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar a sistemática aplicável para os demais tributos federais; j) A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96; k) Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido, cumpre a fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96; l) Por outro lado, como sói ocorrer com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei n° 9.430/96. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000266/200772 Acórdão n.º 9202002.815 CSRFT2 Fl. 295 6 espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; m) Assim, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, são exigidos, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de ofício (ou seja, espontaneamente — o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP n° 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei n° 11.941/09. É o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei n° 8.212; n) Logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratandose de lançamento de ofício, considerandose que não houve o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96; o) A multa de mora, diante da novel sistemática, tanto no microssistema previdenciário, quanto de acordo com a disciplina da Lei n° 9.430 aplicável em relação aos demais tributos federais, não terá lugar nesse lançamento de ofício. A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A; p) Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; q) Como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS; r) A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP n° 449/2008 (convertida na Lei n° 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei n° 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000266/200772 Acórdão n.º 9202002.815 CSRFT2 Fl. 296 7 espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária; s) O lançamento em testilha deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei n°8212/1991, introduzido pela Lei n°11.941/2009; t) Requer (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo H, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n" 256, de 22 de junho de 2009; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei n° 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei n° 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n°8.212/91. Admitido o recurso por meio do despacho n° 2400363/2011 (fls. 276280), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 283 285, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, acolheu a decadência para os fatos ocorridos até a competência 08/2001 com fundamento no artigo 150, § 4°, do CTN. No mérito, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso com relação à multa, determinando o recálculo com base na redação dada pela Lei n° 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei n° 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. A insurgência da recorrente está relacionada à penalidade e sua pretensão é no sentido de que se aplique ao caso a regra do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, devendose verificar, no momento da execução do julgado, qual norma é mais benéfica à autuada (se a multa anterior prevista no artigo 35, inciso II, da norma revogada ou a do artigo 35A da Lei n° 8.212/91). Pois bem, as multas incidentes sobre as contribuições previdenciárias em atraso sofreram significativa alteração com o advento da Lei n° 11.941/2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 449/2008, sendo que a controvérsia trazida à apreciada Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000266/200772 Acórdão n.º 9202002.815 CSRFT2 Fl. 297 8 deste Colegiado envolve a retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN. No caso, a penalidade exigida da interessada estava prevista no artigo 35, incisos II e III, da Lei n° 8.212/91, nos seguintes termos: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Com a edição da Lei n° 11.941/2009, a Lei n° 8.212/91 passou a ter o artigo 35A, dispondo que: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A redação atual do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000266/200772 Acórdão n.º 9202002.815 CSRFT2 Fl. 298 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Conforme asseverado, a Fazenda Nacional defende a aplicação ao caso da regra do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, devendose verificar, no momento da execução do julgado, qual norma é mais benéfica à autuada (se a multa anterior prevista no artigo 35, inciso II, da norma revogada ou a do artigo 35A da Lei n° 8.212/91). O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que a penalidade prevista no artigo 35, inciso II, da Lei n° 8.212/91 restou substituída pela norma do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, segundo a qual: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Importante trazer à colação o referido artigo 61 da Lei n° 9.430/96, cuja redação é a seguinte: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Para o acórdão recorrido, portanto, a penalidade estaria limitada a 20%. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 17546.000266/200772 Acórdão n.º 9202002.815 CSRFT2 Fl. 299 10 Segundo penso, estáse diante de multa de ofício, na medida em que a exigência em apreço é feita através de NFLD. Entendo, pois, que o lançamento está correto e tenho como aplicável ao caso a regra do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, desde que mais benéfica ao contribuinte, de modo que o acórdão recorrido não pode prevalecer. Observo, contudo, que a penalidade decorrente deste feito não pode exceder 75%, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa lançada. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 13896.908862/2008-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário contra a cobrança de débitos federais vinculados ao Per/Dcomp objeto de julgamento no processo administrativo fiscal nº 13896.904035/200890, cujo direito creditório pleiteado pela recorrente foi apreciado nesta mesma sessão de julgamento – Acórdão nº 1801001.627 (a ser anexado digitalmente). Consta dos autos despacho para a apensação deste processo àquele, principal, bem como nota digital, às efls. , mas tal procedimento não foi efetuado pelo que o presente foi distribuído por sorteio para a apreciação por esta ConselheiraRelatora. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 86 2/ 20 08 -5 2 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.908862/200852 Resolução nº 1801000.292 S1TE01 Fl. 3 2 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Não havendo direito creditório a ser reconhecido nos autos, foge ao escopo deste órgão julgador pronunciarse sobre o débito tributário, por ser valor confessado pela recorrente, ainda que alegue ser indevido. Tratandose de confissão de dívida realizada de forma unilateral pelo contribuinte, não há que se falar em instauração de litígio, quando o contribuinte se arrepende de valores que espontaneamente confessou como devidos ao fisco. Não há, pois, litígio administrativo, mas solicitação de cancelamento da cobrança dos débitos confessados pela contribuinte – daí que o rito processual não é o previsto pelo Decreto nº 70.235/72 – PAF, mas segue o rito previsto na Lei nº 9.784/99 (processos administrativos em geral). A competência para julgar o cancelamento do Per/Dcomp regularmente emitido eletronicamente, ou cobrança de débitos correspondentes, é da unidade de jurisdição da recorrente. A decisão cabe às autoridades com competência para processar as declarações entregues, ou seja, em primeira instância as unidades de jurisdição do contribuinte (DRF Delegado) e em segunda instância a autoridade hierárquica superior (Superintendência da Região Fiscal – SRRF). Dispõe o artigo 302, inciso XI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...]XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; O processo de cobrança dos débitos confessados nos Per/Dcomp é decorrente do processo em que se discute o direito creditório pleiteado para a quitação (compensação) destes débitos e deve seguir a sorte do principal, por isso, deve ser apensado àquele. Pelo exposto, voto em converter o julgamento do presente na realização de diligência para apensálo ao processo principal citado no início do relatório. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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