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Numero do processo: 15540.720079/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL:
EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO.
O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA:
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e, em relação a autuação por omissão de fatos geradores em GFIP, para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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EXCLUSÃO SIMPLES NACIONAL Recorrente CFAL COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESFederal/SIMPLESNacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 79 /2 01 1- 10 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e, em relação a autuação por omissão de fatos geradores em GFIP, para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.720079/201110 Acórdão n.º 2402003.735 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 07/2007 a 13/2007. O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores decorrem de remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento e declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s). Esse Relatório Fiscal menciona que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 37.085.4080 à referese às contribuições sociais relativas à parte patronal, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT); 2. DEBCAD 37.085.4098 à relativo a contribuições para outras Entidades/Terceiros; 3. DEBCAD 37.085.4136 à referente à omissão de fatos geradores em GFIP (Código Fundamento Legal CFL 68), competência 12/2007. Esse Relatório Fiscal informa ainda que “(...) o contribuinte teve seu pedido de adesão ao Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL, indeferido, conforme decisão constante no processo 13736.002046/200876, o que implica o recolhimento integral das contribuições sociais a que estão sujeitos os contribuintes que não se encontram no referido regime especial de arrecadação e não gozam de isenção”. Por não ter sido incluído no regime do SIMPLES no período em questão, 07/2007 a 12/2007, caberia ao contribuinte retificar a GFIP de forma a corrigir sua situação fiscal como não optante pelo SIMPLES e recolher os valores correspondentes à contribuição previdenciária e para Terceiros que deixaram de ser pagos. Acrescenta que pelo incorreto enquadramento da empresa na GFIP deixou o contribuinte de oferecer à tributação as bases de cálculo e cobrança da contribuição patronal e Terceiros. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 13/06/2011 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. Preliminarmente. A nulidade do auto de infração porquanto o mesmo não atende o disposto no artigo 10 do Decreto 70.235/1972, acarretando cerceamento de defesa. “Nesse sentido fazse imperioso reconhecer que, na espécie, faltam alguns elementos comprobatórios daquilo que se encontram supostamente materializados na peça impositiva”. Tomese como causa da nulidade o dispositivo legal da multa aplicada constante do DEBCAD 37.085.4136, que indica a Lei 8.212/91 em seu art. 32 § 5º, que foi revogado pela Lei 11.941 de 27.05.2009. Também em relação ao DEBCAD 37.085.4136, foi indicado o artigo 292, inciso I do RPS, não se conseguindo descobrir o significado de RPS para o pleno exercício do direito de defesa; 2. Manutenção da Impugnante no SIMPLES Nacional. Cita o artigo 16 da Lei Complementar 123/2006, grifando o parágrafo quarto. Impugnante, tinha registrado indevidamente em seus arquivos débitos de taxa de licença em nome da Impugnante, que impediu a migração direta do Simples para o Simples Nacional. O problema foi detectado exclusivamente através do acompanhamento do resultado da solicitação de opção datado de 22/01/2008. Em 30.01.2008 a Impugnante protocolou requerimento para liberar a pendência de débito (protocolo anexo) sob o argumento legítimo de que nada devia ao Erário Municipal, tendo em vista que era e ainda é permissionário de uso de bem público para explorar a atividade comercial pelo prazo de 20 anos com isenção de tributos municipais, conforme contrato anexado, que em sua cláusula sexta subitem. Alínea B dispõe: “Isentar o permissionário pelo prazo de 20 (vinte) anos dos tributos municipais, conforme a lei complementar 34/03”. Assim, resta claro que a Impugnante se encontrava totalmente apta a migração automática para o Simples Nacional, ou seja, estava em dia com suas obrigações fiscais e tributárias. Como a Impugnante se encontrava no regime do Simples até 30.06.2007 e se encontra no regime do Simples Nacional no período de 01.01.2008 até a presente data, não se encontra resposta lógica e sensata para o fato de estar excluída do referido sistema no período apenas de 01.07.2007 a 31.12.2007, quando nada a impedia de estar dentro do sistema. Reproduz parte do termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional, datada de 22.01.2008, onde aduz que “ a existência de débitos impede a opção pelo simples nacional. Porém, os mesmos poderão ser pagos ou parcelados até 31.01.2008. no início do mês de fevereiro/2008 o sistema verificará se esses débitos foram regularizados. Dessa forma caso os débitos sejam pagos ou parcelados durante o mês de janeiro de 2008 e não haja outro impedimento ao ingresso no simples nacional relativos aos estados, distrito federal e municípios, a opção será deferida, não havendo necessidade de formalizar nova opção. O resultado final desta solicitação poderá ser consultado a partir de 22.02.2008, no portal do simples nacional, na internet em outros serviços, acompanhamento da formalização do simples nacional”. Consultado a opção obteve a informação de que seu pedido apresentava pendência cadastral ou fiscal junto ao Município de São Pedro da Aldeia. Dessa forma, protocolou requerimento de inclusão retroativa em 01.07.2007 aduzindo, dentre outros argumentos de que até a data de 24.06.2008 não havia sido notificada por nenhuma das Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.720079/201110 Acórdão n.º 2402003.735 S2C4T2 Fl. 4 5 três esferas de qualquer impedimento de que trata o artigo 8º da Resolução nº 04 do Comitê Gestor do Simples Nacional (processo 13736.002046/200876, protocolado em 25.06.2008). Não teve jamais ciência desta decisão, pelo que julgou se encontrar com a situação totalmente regular. Assim, resta cristalinamente demonstrado que a impugnante possuía todos os requisitos legais necessários a migração do simples para o Simples Nacional, tanto que foi incluída em 01.01.2008; nada devia ao Erário Municipal, conforme documento anexo; exerceu seu direito de defesa através do processo 13736.002046/200876, cuja decisão até a presente data não foi cientificado e se enquadrava nas exigências previstas no artigo 3º da Lei Complementar 123/2006; 3. Do valor da multa aplicada no AI 37.085.4136. Impugna o valor da multa, uma vez que aplicada à revelia do artigo 32A da Lei 8.212/91. Cita os percentuais determinados nesse artigo e alega que não foi intimada a apresentar as referidas declarações como determina o caput do citado artigo; 4. Requer a suspensão do presente processo, tendo em vista a sua decisão depender da apreciação do requerimento formulado a esse órgão para desarquivamento do processo de inclusão retroativa no simples formulada no processo 13736.002046/200876, uma vez que não tomou ciência da decisão nele proferida. Seja deferida diligência para oficiar a Prefeitura Municipal de São Pedro da Aldeia no sentido de informar a total ausência de pendências por parte da Impugnante no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, a despeito da isenção de impostos consoante contrato de concessão anexado ao presente. O enquadramento no Simples Nacional com efeitos retroativos a 01/07/2007. Seja desarquivado e anexado ao presente, o processo administrativo 13736.002046/200876. Protesta por todas as provas em direito admitidas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1245.396 da 11a Turma da DRJ/RJ1 – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, com a manutenção total do crédito tributário exigido, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Agência da Receita Federal do Brasil (ARF) em Cabo Frio/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço, em parte, do recurso interposto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à parcela patronal, inclusive as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT e aos Terceiros, bem lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória oriundo da omissão de fato gerador em GFIP (CFL 68). Esclarecemos que a empresa foi excluída do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES”, por meio de processo próprio (13736.002046/200876). Como os motivos fáticos e jurídicos da exclusão da empresa do “SIMPLES” estão devidamente registrados no processo no 13736.002046/200876, iremos afastar e não conhecer todos os motivos que fundamentam o pleito de declaração de ilegalidade ou nulidade de sua exclusão da sistemática de recolhimentos pelo SIMPLES, que não estão em julgamentos nesta oportunidade, pois este não é o momento ou o local oportuno para analisar essas matérias. O foro adequado para a discussão dessas matérias é o respectivo processo instaurado para esse fim (processo no 13736.002046/200876) e não o presente processo de lançamento fiscal de crédito previdenciário oriundo de obrigação tributária principal e acessória. Com isso, a decisão desta Turma da Corte Administrativa (CARF) vai restringirse exclusivamente às demais questões que não dizem respeito ao âmbito da matéria da sua exclusão do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2o e 3o do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 –, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa. Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.720079/201110 Acórdão n.º 2402003.735 S2C4T2 Fl. 5 7 Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ................................................................................................ Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Dessas regras do Regimento Interno do CARF, retromencionadas, percebe se, então, que os processos de exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL e os processos de lançamentos de contribuições previdenciárias são apreciados por órgãos julgadores distintos, em atendimento ao princípio da especialidade. De fato, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute especificamente no lançamento da contribuição social previdenciária (relação obrigacional principal) e a matéria referente ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL (processo no 13736.002046/200876), uma vez que essa última matéria, sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários (lançamento da obrigação principal). Por outro lado, ainda que se tenha notícia de que a Recorrente encontrase questionando a sua exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL – conforme relato na peça recursal –, o que se deve preponderar, para fins de análise do lançamento fiscal da obrigação tributárioprevidenciária principal, é a informação de que a Recorrente permanece excluída desse sistema de recolhimento dos tributos (SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL). Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise dessa Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva sobre o enquadramento da empresa no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, o qual deverá ser analisado pela Primeira Seção do CARF. Como a empresa foi excluída do sistema “SIMPLES”, os tributos que antes vinham sendo recolhidos na sistemática do programa devem ser recolhidos pela sistemática aplicável às demais empresas não incluídas no sistema. Isso permitiu o lançamento das contribuições sociais devidas pela empresa em função de sua exclusão do Simples, conforme o art. 16 da Lei 9.317/1996, in verbis: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (g.n.) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 O mesmo entendimento está consubstanciado na regra estampada no art. 32 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (g.n.) Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias que não dizem respeito da sua exclusão do sistema “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”. I DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram: as contribuições patronais, as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT e aos Terceiros, e, de forma instrumental, o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória oriundo da omissão do fato gerador na competência 12/2007. Os valores apurados decorrem das remunerações declaradas em folhas de pagamento e nas GFIP’s, ambos são documentos declaratórios apresentados ao Fisco pela Recorrente. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.720079/201110 Acórdão n.º 2402003.735 S2C4T2 Fl. 6 9 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal e seus anexos, complementados pelos documentos acostados pela Recorrente, são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA); base de cálculo declarada nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. DO MÉRITO: Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.720079/201110 Acórdão n.º 2402003.735 S2C4T2 Fl. 7 11 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.720079/201110 Acórdão n.º 2402003.735 S2C4T2 Fl. 8 13 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. II DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal, bem como na Notificação de número AIOP 37.085.4136. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.720079/201110 Acórdão n.º 2402003.735 S2C4T2 Fl. 9 15 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN1. As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Logo, constatase que a Recorrente deixou de informar nas GFIP’s os valores concernentes à contribuição previdenciária (cota patronal), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuas na competência 12/2007. Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5°, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo 1 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”2, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao 2 CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.720079/201110 Acórdão n.º 2402003.735 S2C4T2 Fl. 10 17 contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que: (i) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996; e (ii) seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32 A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. Caso o Fisco ainda não tenha proferida a decisão definitiva das questões concernentes à exclusão do regime diferenciado de tributação SIMPLES FEDERAL/NACIONAL (processo 13736.002046/200876), deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o processo de exclusão (ou não inclusão) desse regime diferenciado. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11610.004145/2007-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA.
Configura denúncia espontânea, exoneradora da imposição de multa moratória, o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando este débito resulta de diferença de PIS, tributo sujeito a lançamento por homologação, que não fez parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos Federais
Recurso voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I Pelo voto de qualidade excluir da ementa a parte relativa aos efeitos de consulta declarada ineficaz. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que mantinham a ementa proposta pela relatora. II Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso no sentido de cancelar o lançamento. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 32.641.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (presidente da turma), Charles Pereira Nunes (suplente), Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. Configura denúncia espontânea, exoneradora da imposição de multa moratória, o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando este débito resulta de diferença de PIS, tributo sujeito a lançamento por homologação, que não fez parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos Federais Recurso voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I – Pelo voto de qualidade excluir da ementa a parte relativa aos efeitos de consulta declarada ineficaz. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que mantinham a ementa proposta pela relatora. II – Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso no sentido de cancelar o lançamento. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 32.641. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 41 45 /2 00 7- 01 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.004145/200701 Acórdão n.º 3801001.978 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (presidente da turma), Charles Pereira Nunes (suplente), Marcos Antonio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ em São Paulo: Em auditoria fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi constatada "Multa paga a menor" da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 07/2004 a 12/2004J e declarados na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fl. 25 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário de multa perfazendo (o total de R$ 74.519,44 (setenta e quatro mil, quinhentos e dezenove reais e quarenta e quatro centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 L, 5172/66; Arts. 43 e 61 e par 1 e 2L 9430/96; Art 9 e Par Un L 10426/02. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 09/04/2007 (AR à fl. 115) a contribuinte protocolizou, em 08/05/2007 a impugnação de fls. 01 a 08 acompanhada dos documentos de fls. 09114, na qual alega: 2.1. Da Consulta: 2.1.1. Em 16/06/2004, a ora Impugnante apresentou Consulta Formal1 perante a Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo (Processo Administrativo n° 19679.008501/2004 21), questionando a aplicação do regime da cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas advindas de contrato de concessão de transmissão de energia elétrica concedida pela ANEEL, firmado em 12 de maio de 2000, pelo prazo de 30 anos, em vista das disposições da Lei n° 10.833/2003 (doc. 03, fls 2634). 2.1.2. Considerando a demora no julgamento da mencionada Consulta que, vale dizer, atualmente, ainda aguarda apreciação (doc. 04, fl. 35), a Impugnante entendeu por bem promover a retificação das suas DCTFs ( 3o. o e Quarto Trimestre de 2004 — Período compreendido de julho a dezembro de 2004 doc. 04A, fls. 3651), enquadrando as mencionadas receitas na nova sistemática de recolhimento da Contribuição ao PIS e a COFINS (nãocumulatividade). I Dos Fatos: 2.2. Do Pagamento: Fl. 517DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.004145/200701 Acórdão n.º 3801001.978 S3TE01 Fl. 13 3 2.2.1. Diante disso, e em virtude das retificações havidas, a Impugnante promoveu o recolhimento dos valores de PIS e COFINS (relativos à diferença das contribuições entre o regime cumulativo e nãocumulativo), sem a correspondente multa de mora, tal como atesta os inclusos "Comprovantes de Arrecadação", conforme tabela reproduzido. 2.3. Da Intimação: 2.3.1. Nada obstante, em agosto de 2006, por meio de Termo de Intimação n° 00711670 (doc. 35, fls. 108109), datado de 02/08/2006, a Impugnante foi intimada a efetuar o recolhimento da multa de mora supostamente devida pelo pagamento efetuado após a data do vencimento. 2.3.2. Por tal razão, a Impugnante protocolou petição esclarecendo ser descabida a multa de mora na pendência de consulta fiscal, solicitando, pois, o respectivo cancelamento, o que deu origem ao Processo Administrativo n° 11610.010737/200672 (doc. 36, fls. 110113). Vale dizer que, atualmente, tal processo encontrase pendente de apreciação perante a Equipe de Controle e Cobrança de Créditos Tributários DERAT SPO, conforme comprova o extrato do seu andamento processual (doc. 37, fl. 114). 2.4. Do AIIM: 2.4.1. Se não bastasse, em 09.04.2007, a Impugnante foi intimada do Auto de Infração e Imposição de Multa ("AIIM"), ora impugnado, por meio do qual se exige o valor de R$ 74.519,44 relativo a "multa de mora não paga ou paga a menor". Das Razões da Defesa: 2.5. No Direito Tributário, a "consulta fiscal" encontrase prevista no Decreto n° 70.235/72 e em alguns enunciados da Lei n° 9.430/96, e consiste no procedimento em que o contribuinte, quando em dúvida sobre a aplicação e interpretação da legislação aplicável a determinado fato concreto, formula questionamento à Administração Pública para que esta venha a lhe esclarecer qual o posicionamento deverá ser adotado. Reproduz o Art. 46 e 48 do Decreto n° 70.235/72. 2.5.1. Como se vê, a consulta eficaz protege o consulente da aplicação da penalidade relativamente à matéria consultada a partir da data de seu protocolo até o 30° seguinte ao da ciência da decisão que a soluciona. 2.5.2. Observe ainda que, nos termos do artigo 14 da INSRF n° 573/2005 os efeitos da consulta formulada afastam a aplicação da multa e dos juros de mora desde a data da apresentação da consulta até o trigésimo dia seguinte da ciência do consulente sobre a resposta da consulta. Reproduz o referido artigo. Reproduz jurisprudência do STJ. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.004145/200701 Acórdão n.º 3801001.978 S3TE01 Fl. 14 4 2.5.3. Assim, no caso em questão, uma vez que a Consulta foi formulada pela Impugnante em 16/06/2004 e a Contribuição ao PIS e a COFINS que deram origem à exigência da multa objeto do presente AIIM são posteriores (Terceiro e Quarto Trimestres de 2004 Período compreendido de julho a dezembro de 2004), afastada está a incidência de multa e juros de mora. 2.5.4. Desta feita, e considerando que (i) todos os valores declarados pela Impugnante nas DCTFs dos Terceiro e Quarto Trimestres foram integralmente recolhidos; (ii) a Consulta apresentada pela Impugnante (Processo Administrativo n° 19679.008501/2004 21) ainda não foi apreciada pela Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo; e (iii) o Processo Administrativo n° 11610.010737/200672 ainda não foi julgado; claro está aqui nem de longe é devida multa decorrente do recolhimento da Contribuição ao PIS e COFINS efetuado após o vencimento pela Impugnante. 2.5.5. Ademais, cumpre salientar que, em face da ausência de decisão definitiva nos Processos Administrativos acima citados, de n°s 19679.008501/20042 e 11610.010737/200672, suspensa está a exigibilidade da multa ora exigida da Impugunante, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, conforme reproduzido. 2.5.6. Diante disso, e encontradose inclusive suspensa a exigibilidade dos respectivos créditos tributários, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, não há que "se falar em cobrança de multa e/ou juros moratórios, sendo descabida a exigência fiscal feita pela. autoridade fiscal no AIIM ora em combate. Analisando a questão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo entendeu por bem julgar a Impugnação do contribuinte improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P I S / P A S EP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CONSULTA INEFICAZ EFEITOS. A consulta declarada ineficaz não produz quaisquer efeitos, não gerando direitos em favor do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte, então, apresentou seu Recurso Voluntário, alegando ter apurado o PIS devido no 3o. e 4o.o trimestres de 2004 inclusive sobre as receitas decorrentes do contrato de concessão de serviço público firmado com a ANEEL em 12.05.2000 tendo em consideração o regime cumulativo da contribuição, sem aplicar as inovações da Lei n° 10.637/02. E que ainda persistia a dúvida acerca de qual seria o correto tratamento tributário, para efeitos de PIS e de COFINS, a ser dado às receitas oriundas do contrato de concessão de serviço público firmado com a ANEEL em 12.05.2000, razão pela qual formalizou este questionamento mediante a apresentação de Consulta Fiscal (processo administrativo n° Fl. 519DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.004145/200701 Acórdão n.º 3801001.978 S3TE01 Fl. 15 5 19679.008501/200421) perante a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil em São Paulo. Alega que considerando a demora na solução da Consulta Fiscal formulada, a Recorrente optou por recalcular o PIS devido no 3o. e 4o.o trimestres de 2004 com base no novo regime nãocumulativo e que, em face disso, verificou a necessidade de se proceder a um recolhimento complementar da contribuição no mencionado período. Assim, procedeu à retificação das DCTF's relativas ao período para apontar o novo valor do PIS devido e, simultaneamente a essas retificações, procedeu ao recolhimento das diferenças devidas a título de PIS, salientando que tais recolhimentos foram efetuados antes mesmo de ter sido proferida a Solução para a Consulta Fiscal apresentada. Traz jurisprudência do TRF da 4a. Região no sentido de que, mesmo nos casos de Consulta Fiscal declarada ineficaz, o contribuinte dispõe do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão que lhe foi desfavorável, para proceder ao recolhimento do tributo sem o acréscimo de qualquer penalidade. Dispõe que o art. 48, do Decreto n° 70.235/72, não faz distinção entre consulta eficaz e consulta ineficaz, estabelecendo que o contribuinte não poderá ser autuado e/ou penalizado até o 30° dia subsequente à ciência da Solução de Consulta que lhe foi desfavorável. Esclarece que no caso dos autos, o recolhimento do tributo, que se deu em 10.06.2005, cerca de 02 (dois) anos antes de a Recorrente ser intimada da decisão que declarou sua Consulta ineficaz, é de se aplicar o disposto no art. 138, do CTN. Assim, requer o provimento de seu Recurso Voluntário, e cancelamento da multa cobrada na autuação fiscal, seja por força do disposto pelo art. 48, do Decreto n° 70.235/72, seja em razão do disposto pelo art. 138, CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Verificase, logo de início, que, para o deslinde da questão, é necessário o entendimento do instituto da consulta, que tem sede em lei complementar. Transcrevase o artigo 161 do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.004145/200701 Acórdão n.º 3801001.978 S3TE01 Fl. 16 6 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito”. Da leitura do parágrafo 2º acima transcrito, inferese que a pendência de consulta formulada pelo devedor inibe a aplicação de quaisquer penalidades, inclusive de acréscimos como juros de mora, desde que formulada dentro do prazo legal para pagamento do tributo. É dizer, a simples apresentação da consulta assegura esse direito, não podendo ser desconsiderada, mesmo quando declarada sem eficácia, já que não pode a lei ordinária colocar restrições onde a lei complementar que a condiciona não opôs. A bem da verdade, à legislação infracomplementar é defeso restringir o que o legislador complementar entendeu ser de direito do contribuinte. Assim, a consulta, antes de ser respondida, suspende quaisquer procedimentos administrativos com relação ao contribuinte de modo a assegurarlhe o direito à ampla defesa. Não cabe ao Poder Legislativo, em nível de legislação ordinária, ou o poder do Executivo – de regular a lei por decretos ou interpretála por instruções normativas reduzir direitos amplos assegurados pelo legislador complementar, com a finalidade de eliminar ou dificultar o gozo de garantias lá asseguradas. A figura da consulta ineficaz não existe, no âmbito da lei complementar. Toda a consulta é válida, podendo ser conhecida ou não, mas demanda necessariamente uma resposta motivada. Assim, apesar de considerada ineficaz, a consulta não desaparece do universo jurídico e seus efeitos valem até aquele momento, não podendo ser desconsideradas as garantias asseguradas pelo § 2º do art. 161 do CTN, inclusive com reflexos na definição das responsabilidades do artigo 138 do CTN, no que diz respeito ao pagamento dos tributos. Reza o artigo: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Assim, em face de inexistir previsão contrária na lei complementar, depreendese que os efeitos da consulta, se ela for declarada ineficaz, não desaparecem. É de se lembrar a lição de Ricardo Lobo Torres, ao comentar o § 2º do artigo 161 do CTN: “Na pendência de consulta formulada antes de vencido o prazo de pagamento do tributo não incidem os juros de mora. A medida se impõe em decorrência do princípio da moralidade administrativa, que obriga a Administração a resolver as consultas com presteza, suportando os ônus econômicos se não o Fl. 521DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.004145/200701 Acórdão n.º 3801001.978 S3TE01 Fl. 17 7 fizer” (Comentários ao CTN, vol. 2, 6a. ed., Ed. Saraiva, 2011, p.439). Dessa forma, declarada eficaz ou ineficaz, as garantias ofertadas pelo CTN devem ser asseguradas ao contribuinte, até o pronunciamento motivado da Administração, sendo que a ineficácia da consulta não lhe tira os efeitos próprios do processo administrativo, assegurados não só pela lei complementar, mas pela própria Constituição, através do princípio da moralidade. No caso concreto, a Recorrente/consulente teve dúvidas e, pretendendo dirimilas, entendeu por bem questionar a Receita Federal do Brasil acerca do regime de apuração de PIS e COFINS aplicável, no intuito de cumprir a legislação e ficar livre de interpretações menos avisadas Formulou a consulta em tempo hábil. A Receita Federal do Brasil, todavia, levou anos para responder. Antes mesmo de obter a resposta, a própria Recorrente, por excesso de zelo, resolveu apurar a diferença entre a aplicação do regime não cumulativo – mais oneroso – e o regime cumulativo, utilizado para quitar sua obrigação tributária. E, posteriormente a essa quitação, é surpreendida com uma resposta declarando ineficaz sua consulta, assim como com a exigência de multa e juros de mora sobre o recolhimento intempestivo. Ora, isso vai de encontro a qualquer noção de moralidade. Mesmo que se admita que o legislador ordinário, ou mesmo o Poder Executivo, através de suas instruções normativas, pudessem restringir os efeitos da consulta declarada ineficaz, o que não fez o legislador complementar, repitase, mesmo assim a cobrança não resiste a uma análise mais acurada. É que no caso dos presentes autos, o recolhimento complementar do tributo foi efetuado antes de o mesmo ter sido declarado em DCTF ou em qualquer outra declaração fiscal. Assim, estáse diante de hipótese clara de denúncia espontânea (art. 138, do CTN), nos moldes concebidos pelo Superior Tribunal de Justiça, de forma que a cobrança pretendida improcede. Vejase: o recolhimento complementar foi efetuado em 10.06.2005, conforme se verifica das guias acostadas às fls. 52/107, ao passo que as DCTF's somente foram retificadas, para consignar os valores devidos de PIS no 3o. e 4o. trimestres de 2004, apurados segundo o regime da nãocumulatividade, e transmitidas, em 27.06.2006 e em 28.06.2006, respectivamente (documentos de fls. 36/51). Em situação semelhante à apresentada, destacase julgado do STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 545 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO FORA DO PRAZO. IRRF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIFERENÇA NÃO CONSTANTE DA DCTF. POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. 1. É cediço na Corte que "Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento." (REsp n.º 624.772/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 31/05/2004) 2. A inaplicabilidade Fl. 522DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.004145/200701 Acórdão n.º 3801001.978 S3TE01 Fl. 18 8 do art. 138 do CTN aos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação fundase no fato de não ser juridicamente admissível que o contribuinte se socorra do benefício da denúncia espontânea para afastar a imposição de multa pelo atraso no pagamento de tributos por ele próprio declarados. Precedentes: REsp n.º 402.706/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 15/12/2003; AgRg no REsp n.º 463.050/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 04/03/2002; e EDcl no AgRg no REsp n.º 302.928/SP, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 04/03/2002. 3. Não obstante, configura denúncia espontânea, exoneradora da imposição de multa moratória, o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando este débito resulta de diferença de IRRF, tributo sujeito a lançamento por homologação, que não fez parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos Federais. 4. In casu, o contribuinte reconhece a existência de erro em sua DCTF e recolhe a diferença devida antes de qualquer providência do Fisco que, em verdade, só toma ciência da existência do crédito quando da realização do pagamento pelo devedor. 5. Ademais, a inteligência da norma inserta no art. 138 do CTN é justamente incentivar ações como a da empresa ora agravada que, verificando a existência de erro em sua DCTF e o conseqüente autolançamento de tributos aquém do realmente devido, antecipase a Fazenda, reconhece sua dívida, e procede ao recolhimento do montante devido, corrigido e acrescido de juros moratórios. 6. Exigir qualquer penalidade após a espontânea denúncia é conspirar contra a ratio essendi da norma inserida no art 138 do CTN, malferindo o fim inspirador do instituto, voltado a animar e premiar o contribuinte que não se mantém obstinado ao inadimplemento. (...)” (STJ, Primeira Turma, AGA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 600847, Data da Publicação: 05/09/2005.) Assim, também por essa razão, é de se considerar indevida a pretensão fiscal. Por tudo, voto pelo conhecimento e provimento integral do Recurso Voluntário apresentado para cancelar o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 523DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.004145/200701 Acórdão n.º 3801001.978 S3TE01 Fl. 19 9 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.723515/2009-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização.
Numero da decisão: 2403-001.989
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 15 /2 00 9- 06 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723515/200906 Acórdão n.º 2403001.989 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1527.461 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad nº 37.169.6364, lavrado em 17/06/2009, para constituição do crédito tributário decorrente da conversão de obrigação acessória em principal relativamente à imposição de penalidade pecuniária por descumprimento da obrigação de apresentar livros e documentos, no valor de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). Conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, a ação fiscal teve início com o Termo de Início de Ação Fiscal – TIAF (recebido pelo contribuinte em 08/08/2008, conforme assinatura aposta – fl. 02), onde foram solicitados documentos necessários ao procedimento da ação fiscal (fls. 12/13). A empresa foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 3, de 03 de fevereiro de 2009, a apresentar a relação de todos os pagamentos aos sócios, durante os anos de 2005 e 2006, identificando a origem do lançamento, ou seja, a natureza de pagamentos de honorários médicos ou participação nos lucros, o que não foi feito. Consta ainda no mencionado Relatório Fiscal que, desta forma, o contribuinte infringiu o comando normativo contida na legislação que rege a matéria (art. 33, parágrafos 2° e 3°, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999). Em seqüência, o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa consigna a legislação da aplicação da multa: arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991 e art. 283, inciso II, alínea “j”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, no valor de R$ 13.291,66. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: § Nulidade. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Falta da fundamentação legal. · Penalidade com fundamento em decreto. · Multa com base em portaria ministerial. § Em nenhum momento foi solicitada qualquer relação dos pagamentos realizados aos médicos, discriminados em honorários médicos ou distribuição de lucros. § A relação solicitada e apresentada foi um relatório razão de contas contábeis referente a Contas do Patrimônio Líquido. § Todos documentos solicitados foram apresentados. § É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.723515/200906 Acórdão n.º 2403001.989 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE A recorrente alega falta da fundamentação legal e o fato de o valor da multa ter por referência portaria ministerial. Quanto à fundamentação legal, esta foi apresentada no documento de capa da autuação. Está especificado que a autuação decorreu do descumprimento do disposto no art. 33, parágrafos 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Quanto à multa, consta do mesmo documento que está fundamentada nos arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991, artigo 283, inciso II, alínea “j” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. O artigo 373 vincula o reajuste dos benefícios ao reajuste dos valores expressos em moeda corrente referenciados no Decreto e isso inclui o valor das multas. Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Para a questão da multa com fundamento em Decreto, é decorrência do estabelecido na própria Lei 8.212/91, artigo 92. Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento.24 Não percebo razão para nulidade. O procedimento adotado é legal. MÉRITO A autuação se deu por ter a empresa, mesmo depois de intimada, deixado de apresentar à fiscalização a relação de todos os pagamentos aos sócios, durante os anos de 2005 e 2006, identificando a origem do lançamento, ou seja, a natureza de pagamentos de honorários médicos ou participação nos lucros.. A recorrente alega que em nenhum momento foi solicitada qualquer relação dos pagamentos realizados aos médicos, discriminados em honorários médicos ou distribuição de lucros. Pela análise do Termo de Intimação Fiscal nº3, folha 49 e documentos apresentados, folhas 50 a 53, percebese que o apresentado difere do intimado. Textualmente, o intimado foi “Relação de todos os pagamentos aos sócios, durante os anos 2005 e 2006, identificando a origem e o lançamento. Entendo que a relação de todos os pagamentos não foi apresentada à fiscalização. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10675.003092/2005-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 30 92 /2 00 5- 13 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório ABC AGRICULTURA E PECURÁRIA S/A ABC A & P, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 10/01/2006 (fl. 1088), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Cachoeira”, localizado no município de Monte Alegre de Minas/MG, inscrita na RFB sob nº 28026756, conforme peça inaugural do feito, às fls. 15/24, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 25.179/2008, às fls. 1.148/1.158, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 18/06/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2102 00.710, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória desde o exercício 2001 a apresentação do ADA ao Ibama como condição para a exclusão da área de reserva legal para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. Recurso provido.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.003092/200513 Acórdão n.º 9202002.807 CSRFT2 Fl. 1.741 3 Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 1.669/1.680, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30239.244, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência da área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende da requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição tempestiva do ADA. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. No presente caso, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 210000.192/2011, às fl. 1.684/1.686. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 1.707/1.735, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão guerreado, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental – ADA quanto à área de reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.003092/200513 Acórdão n.º 9202002.807 CSRFT2 Fl. 1.742 5 Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de área de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludida área, como se constata nestes autos. Registrese, que a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, oferece proteção ao entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.003092/200513 Acórdão n.º 9202002.807 CSRFT2 Fl. 1.743 7 Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 13, contemplando a área objeto da demanda, ainda que intempestivamente protocolizado, datado de 31/03/2005 (anterior ao início da ação fiscal). Por sua vez, in casu, o que torna ainda mais digno de realce, é que a contribuinte trouxe à baila documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a área de reserva lega fora devidamente averbada à margem da matrícula do imóvel, em 23/11/1999, antes, portanto, da ocorrência do fato gerador do tributo, como a própria autoridade lançadora confirma no Termo de Verificação Fiscal, de fl. 16. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10675.003092/200513 Acórdão n.º 9202002.807 CSRFT2 Fl. 1.744 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10380.900480/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/06/2007, 20/08/2007, 20/09/2007, 19/10/2007, 20/11/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento de parte do crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) implica a homologação das compensações dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até o limite do valor reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
Numero da decisão: 3301-001.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese o direito ao crédito presumido do IPI sobre aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de pessoas físicas. CASCAS DE CASTANHA DE CAJU (COMBUSTÍVEL). AQUISIÇÕES. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/06/2007, 20/08/2007, 20/09/2007, 19/10/2007, 20/11/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento de parte do crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) implica a homologação das compensações dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 04 80 /2 01 0- 17 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Belém que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento (PER) de crédito presumido do IPI às fls. 02/19, apurado para o 3º trimestre de 2000, transmitido na data de 30/09/2005, e não homologou as compensações nas Dcomp 16862.76809.300606.1.3.010044; 16782.20982.301105.1.3.01 6589; 26778.37333.061006.1.3.019904; e 39251.18550.170209.1.7.010937. A DRF em Fortaleza indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações declaradas sob o fundamento de que todos os créditos apurados pela recorrente foram glosados, conforme despacho às fls. 20. Inconformada com o indeferimento do seu pedido e a não homologação das compensações declaradas, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 24/32), insistindo no ressarcimento e na homologação das compensações, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a empresa apresentou, tempestivamente, em 09.09.2010, manifestação de inconformidade (fls. 24/32) na qual, em síntese, defende o seu direito, considerando que o motivo do indeferimento já teria sido ultrapassado na esfera administrativa, não interessando se seus produtos são NT ou se os insumos são adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0123.718, datado de 07/12/2011, às fls. 43/46, sob a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido relativo a produtos utilizados como insumos na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições em que houve incidência do PIS/Pasep e da Cofins.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 50/61), requerendo a sua reforma a fim de que se defira seu pedido de ressarcimento e homologue as compensações declaradas, alegando, em síntese, que faz jus ao crédito Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.900480/201017 Acórdão n.º 3301001.928 S3C3T1 Fl. 68 3 presumido do IPI apurado sobre os custos com aquisições de castanha in natura (matéria prima) e de casca de castanha utilizada como combustível em caldeira, adquiridos de pessoas física, tendo em vista que a Lei nº 9.363, de 1996, não restringiu esse benefício às aquisições de pessoas jurídicas. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão oposta nesta fase recursal se restringe ao direito de a recorrente apurar créditos presumidos do IPI sobre aquisições, no mercado interno, de castanha de caju in natura (matériaprima) de pessoas físicas (produtores rurais) e de casca de castanha de caju utilizada como combustível nas caldeiras. A Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que institui o crédito presumido do IPI, assim dispõe: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente.” (...). Conforme se verifica do conteúdo do art. 1º dessa lei, o crédito presumido do IPI é o valor do PIS e da Cofins incidente e pago nas respectivas aquisições, sendo que o art. 5º, daquela mesma lei, estabelece que eventual restituição ao fornecedor das contribuições pagas, bem assim a compensação com outros débitos tributários implica estorno do crédito presumido pelo produtor exportador. Assim, não tendo o produtor exportador pagado PIS e Cofins nas aquisições de não contribuintes destas contribuições, não há do que se ressarcir. Ressarcimento implica Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 pagamento na etapa anterior, como não houve pagamento das contribuições não há custos a serem ressarcidos. No entanto, em face do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 993.164, decidido sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), e do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, os valores dos créditos presumidos do IPI, apurados sobre aquisições de cooperativas e de pessoas físicas, glosados pela autoridade administrativa competente e mantidos pela autoridade julgadora de primeira instância, deverão ser restabelecidos, reconhecendose à recorrente o direito ao ressarcimento do benefício sobre aquisições dessas pessoas. Quanto aos custos com aquisições de cascas de castanha de caju, utilizadas como combustível, além de não constituir matériaprima nem produto intermediário empregado na industrialização da castanha, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, citado e transcrito anteriormente, tratase de matéria sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos da súmula nº 19, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Dessa forma, em relação à glosa dos créditos presumidos do IPI apurados sobre os custos com cascas de castanha de caju, utilizadas como combustível em caldeiras, aplicase esta súmula, mantendose a glosa efetuada pela autoridade administrativa competente. Já em relação à homologação das compensações declaradas, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). (...).” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega e/ ou a transmissão de Dcomp, assim como a sua homologação, depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros utilizados. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.900480/201017 Acórdão n.º 3301001.928 S3C3T1 Fl. 69 5 No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento de parte dos créditos presumidos do IPI, utilizados nas Dcomps enumeradas no Despacho Decisório às fls. 20, correspondente aos créditos apurados sobre os custos com aquisições de castanha in natura de pessoas físicas, produtores rurais. Assim, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, citado e transcrito anteriormente, o valor do ressarcimento, ora reconhecido, pode ser compensado com os débitos declarados nas referidas Dcomp. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos presumidos do IPI sobre os custos com aquisições de castanhas de caju in natura, de pessoas físicas, efetivamente utilizadas na industrialização dos produtos exportados, cabendo à autoridade administrativa competente apurar o valor total dos créditos e homologar as compensações declaradas até o limite apurado. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13603.901377/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, em converter o julgamento do recurso em diligência, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), que negava provimento
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, em converter o julgamento do recurso em diligência, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), que negava provimento Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, em converter o julgamento do recurso em diligência, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), que negava provimento Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 22019.72291.140708.1.3.044040, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado e atribuiu a não homologação da compensação a um equívoco RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 01 37 7/ 20 10 -1 1Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.901377/201011 Resolução nº 3401000.752 S3C4T1 Fl. 4 2 no processamento da DCTF, haja vista que a retificou em 27/05/2008, antes da prolação do despacho decisório, datado de 07/06/2010, não havendo razão para subsistência do despacho atacado. Foram juntadas, na ocasião, cópias dos comprovantes de arrecadação, PERDCOMP e DCTF. A DRJ Belo Horizonte/MG julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova concreta nos autos que conferisse liquidez e certeza ao crédito vindicado, destacando que, nada obstante a alegada retificação da DCTF em 27/05/2008, outra retificação fora aviada para retornar o valor originalmente informado como efetivamente devido. Em recurso voluntário o contribuinte, com alguma variação, reprisou a manifestação de inconformidade, afirmando que, mesmo reconhecendo a retificação indicada pela decisão recorrida, nova retificação foi efetuada, dentro do prazo estabelecido pela IN RFB 1.110/2010, pelo que, deveria ser considerada no julgamento da questão; pugnou, também, pela observância do princípio da verdade material. Na oportunidade foi juntada uma planilha analítica da composição da base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativos do mês de março/2005, originário do crédito em debate, além do DACON respectivo (retificado em 29/07/2010). É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Examinando a situação em debate, observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação para outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exige uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embase, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu prova adequada, todavia, no recurso voluntário fez acompanharse de demonstrativo analítico de apuração de PIS/Cofins não cumulativo, o que consubstancia um início de prova, ainda que incipiente, a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente em confronto com sua contabilidade. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13603.901377/201011 Resolução nº 3401000.752 S3C4T1 Fl. 5 3 Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 16095.000440/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005, 2006
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173 do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente.
TRIBUTAÇÃO. PRÊMIOS PAGOS A TERCEIROS. RECEITAS ALHEIAS, QUE NÃO CONFIGURAM RESULTADO OPERACIONAL DA AUTUADA NÃO PODEM SER NOTADAS COMO SE SERVIÇO FOSSEM. Prêmios pagos a terceiros não configuram resultado operacional, mas tais importes não devem constar das notas fiscais de serviços, como se preços fossem.
Numero da decisão: 1101-000.670
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, preliminarmente, por maioria de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência para excluir as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS de outubro e novembro de 2003, vencido o Conselheiro Relator Benedicto Celso Benício Junior, e designado-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos dos relatório e votos que acompanham o presente acórdão.
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173 do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente. TRIBUTAÇÃO. PRÊMIOS PAGOS A TERCEIROS. RECEITAS ALHEIAS, QUE NÃO CONFIGURAM RESULTADO OPERACIONAL DA AUTUADA NÃO PODEM SER NOTADAS COMO SE SERVIÇO FOSSEM. Prêmios pagos a terceiros não configuram resultado operacional, mas tais importes não devem constar das notas fiscais de serviços, como se preços fossem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, preliminarmente, por maioria de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência para excluir as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS de outubro e novembro de 2003, vencido o Conselheiro Relator Benedicto Celso Benício Junior, e designado-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos dos relatório e votos que acompanham o presente acórdão. VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000440/200931 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.670 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de fevereiro de 2012 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173 do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente. TRIBUTAÇÃO. PRÊMIOS PAGOS A TERCEIROS. RECEITAS ALHEIAS, QUE NÃO CONFIGURAM RESULTADO OPERACIONAL DA AUTUADA NÃO PODEM SER NOTADAS COMO SE SERVIÇO FOSSEM. Prêmios pagos a terceiros não configuram resultado operacional, mas tais importes não devem constar das notas fiscais de serviços, como se preços fossem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, preliminarmente, por maioria de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência para excluir as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS de outubro e novembro de 2003, vencido o Conselheiro Relator Benedicto Celso Benício Junior, e designadose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 40 /2 00 9- 31 Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 3 2 e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos dos relatório e votos que acompanham o presente acórdão. VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, e das Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, lavrados em 14/12/2009, pelo Serviço de Fiscalização Sefis da DRF Barueri/SP, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 34.279.036,93, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, assim como, a multas isolada de 50% e os juros isolados por falta de recolhimento das antecipações (estimativas) de IRPJ, tendo em conta as irregularidades apuradas, no anocalendário 2004, e assim descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 336/343, parte integrante da peça acusatória: "I INTRODUÇÃO Tratase o contribuinte de pessoa jurídica que atua no ramo do comércio atacadista de mercadorias em geral, cujo objeto social, conforme a consolidação do contrato social constante da 28ª Alteração Contratual da empresa, com data de 15/06/2005, é: 'a) comércio atacadista e distribuição de tecidos, artigos de vestuário, cama, mesa e banho, bijuterias, veículos automotores, motos e acessórios, café, cerveja, bebidas, produtos alimentícios, material de construção, pisos de PVC, etc.; b) prestação de serviços técnicos de manutenção dos produtos que comercializa; e c) participação em outras sociedades como acionista ou quotista'. No Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ da RFB, o contribuinte encontrase registrado sob o Código Nacional de Atividade Econômica CNAE 5191 “801 Comércio atacadista de mercadorias em geral sem predominância de artigos para uso na agropecuária”, tendo iniciado suas atividades em 11/05/1992. No anocalendário 2004, exercício 2005, a empresa apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2005), ND 1267241, declarando ter efetuado a apuração do IRPJ e da CSLL pela sistemática do lucro real anual. Contudo, é necessário observar que as Fichas 09 Demonstração do Lucro Real, 06 Demonstração do Resultado do Exercício, 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa e 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 5 4 Líquido, além das fichas relativas ao cálculo da estimativa mensal da CSLL, foram apresentadas totalmente em branco, sem qualquer valor informado. Notese ainda que as fichas referentes ao Custo dos Bens e Serviços Vendidos, bem como às Despesas Operacionais também foram entregues sem movimento. O quadro societário da empresa, de acordo com os dados constantes dos sistemas cadastrais da RFB e o contrato social e alterações, é constituído por dois sócios administradores, quais sejam: 1) NATANAEL SANTOS DE SOUZA, CPF n° 046.119.08852, com 50% de participação no capital social; e 2) DENISSON MOURA DE FREITAS, CPF n° 104.780.79800, participando com os 50% restantes. O contribuinte em epígrafe foi originalmente selecionado para procedimento de fiscalização relativo às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e para o Programa de Integração Social PIS pertinentes aos anos calendário de1999 a 2004. Posteriormente, a ação fiscal foi ampliada para incluir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ do anocalendário 2004, uma vez que a empresa apresentava indícios de incompatibilidade entre a receita declarada e a movimentação financeira que, conforme as informações prestadas pelas instituições financeiras, seria de R$ 79.762.052,27 no anocalendário 2004. Cabe destacar que a presente ação fiscal foi originalmente iniciada pela antiga DRF/Taboão da Serra, em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 0812600200600097, expedido pelo titular daquela unidade. Face à extinção da DRF/Taboão da Serra, e tendo em vista a edição da Portaria MF n° 95 de 30/04/2007, publicada no DOU de 02/05/2007, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, foi emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0811300200700262, em substituição ao antigo MPF n° 0812600200600097, que foi encerrado. II HISTÓRICO DA AÇÃO FISCAL Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 6 5 Em 22/05/2006 o contribuinte teve ciência por via postal, conforme Aviso de Recebimento juntado ao presente, do Termo de Início de Fiscalização lavrado em 12/05/2006, tendo sido intimado a apresentar os seguintes documentos/elementos, relativos aos anos calendário 1999 a 2004: 1) contrato social e alterações posteriores; e 2) Livros Diário e Razão. A fiscalizada apresentou em 31/05/2006 os seguintes elementos/documentos (docs. anexados ao presente): 1) contrato social e alterações posteriores (1ª a 28ª alteração); 2) Livros Diário e Razão dos anos calendário 1999 a 2004. Entretanto, verificouse que os Livros Diário e Razão relativos ao ano calendário 2004 traziam equivocadamente, nos termos de abertura e encerramento, a indicação do CNPJ de uma filial. Assim sendo, tais livros foram devolvidos ao contribuinte para que este procedesse à retificação, ficando a pessoa jurídica reintimada a apresentálos no prazo de 10 dias, conforme o Termo de Devolução de Documentos lavrado em 20/06/2006. Posteriormente, em 03/07/2006, a empresa efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão do ano calendário 2004 (cópias extraídas dos mesmos formam o Anexo I ao presente). Em seguida, face a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n° 0812600 20060009731, que ampliou a ação fiscal em andamento para incluir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao anocalendário 2004, o contribuinte foi intimado em 12/03/2007, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 05/0312007, a apresentar os seguintes elementos/esclarecimentos: a) extratos de movimentação financeira relativos ao anocalendário 2004, de todas as contascorrentes, contas de poupança e de aplicação financeira de titularidade do contribuinte, mantidas nas instituições financeiras abaixo relacionadas: Instituição Financeira CNPJ nº Movimentação Financeira (R$) Banco do Brasil S/A 00.000.000/000191 18.761.813,11 Banco ABN Amro Real S/A 33.066.408/000115 13.492.931,93 Unibanco S/A 33.700.394/000140 2.943.330,05 Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 7 6 Banco Safra S/A 58.160.789/000128 9.190.889,49 Banco Santos S/A 58.257.619/000166 50.810,51 Banco Itaubank S/A 60.394.079/000104 2.439.561,38 Banco Itaú S/A 60.701.190/000104 51.863,32 Banco Bradesco S/A 60.746.948/000112 16.142.386,51 Banco BCN S/A 60.898.723/000181 450.678,89 Banco Sudameris Brasil S/A 60.942.638/000173 3.684.578,59 Banespa S/A 61.411.633/000187 11.049.962,48 Banco do Est Rio Gde Sul S/A 92.702.067/000196 1.503.246,01 Total 79.762.052,27 b) comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, no período acima especificado. O contribuinte foi ainda cientificado que deveriam ser apresentados os extratos de todas as contas mantidas na instituição financeira, tais como: conta corrente, conta de poupança e de aplicações financeiras, remessas para o exterior, fechamento de câmbio etc... Cabe também assinalar que os valores da movimentação financeira acima discriminados foram obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996. Em 26/03/2007, o representante do contribuinte compareceu à repartição, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 05/03/2007, e apresentou os seguintes documentos, os quais ficaram retidos (Termo de Comparecimento e de Reintimação Fiscal de 26/03/2007): extratos bancários relativos ao anocalendário 2004, de contas mantidas junto aos Bancos Real, Safra, Bradesco, BankBoston, Sudameris, Banespa, do Brasil, Unibanco e Banco Santos, em um total de 48 pastas. Na ocasião, a fiscalizada foi reintimada a apresentar, no prazo de 20 dias, os seguintes elementos/documentos: extratos bancários relativos ao anocalendário 2004, de contascorrentes, de poupança e de aplicação financeira, mantidas junto aos Bancos Itaú, BCN e Banco do Estado do Rio Grande do Sul; Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 8 7 extratos de movimentação do período de 25/11/2004 a 31/12/2004 da conta corrente n° 13 0015406, agência 0347, do Banespa. O representante do contribuinte retomou em 11/04/2007 (Termo de Comparecimento Fiscal lavrado nesta data), e apresentou os seguintes extratos bancários, em 14 pastas, os quais foram retidos na oportunidade: 1) Banco Banrisul do período de 01/12/2003 a 31/01/2005; 2) Banco Itaú do período de 17/03/2004 a 01/04/2005; 3) Banco Bradesco do período de 01/03/2004 a 31/01/2005; 4) Banco BCN do período de 03/12/2003 a 27/02/2004; 5) Banco Banespa do período de 30/11/2004 a 31/12/2004. Cópias dos extratos de movimentação financeira apresentados encontramse no Anexo II ao presente processo. É importante assinalar que foram apresentados os extratos bancários relativos a um total de 33 contas, como relacionado a seguir: Instituição Financeira Agência Conta BCN (mesma cta.) 166/2353 3986828/1808 Bradesco 2657 /3455 4902 Itaú 3428 086690 Banco do Brasil 21687 34258 55220 3618323 BankBoston 600210 600210 600210 13.5136.25 18.6916.24 217097 Real 131 4.722.631 Santos 19 131462 Sudameris 1528 6180350 Banespa 0155/0347 130026863/130015406 Banrisul 217 217 217 217 06.036718.00 06.036718.19 06.036718.27 26.036718.05 Safra 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 000002219 002016888 002001333 002010341 002016888 002019615 002017914 002022446 Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 9 8 13700 13700 13700 13700 13700 13700 13700 002022845 002026093 002028436 002031739 002030112 002036196 002036579 Unibanco 7197 7197 1048898 1048880 Por outro lado, analisandose os registros nos livros comerciais (Diário e Razão) do fiscalizado, é possível identificar as seguintes contas contábeis como correspondentes a contas bancárias: Instituição Financeira Agência Conta BCN 166 3986828 Bradesco 3455 22190 Bradesco 00010715 Bradesco 3455 49026 Banco do Brasil 21687 SC 55220 3618323 BankBoston 13.5136.25 Real 131 4.722.631 Santos Sudameris Brasil 207 180353003 Banespa 130026863 Banrisul 217 06.036718.00 Safra 13700 000002219 Unibanco 305 1048898 Cabe ressaltar ainda que é fácil verificar que os saldos do início e final do ano de tais contas contábeis nem sempre mantém a coincidência com os saldos constantes dos extratos de movimentação financeira. Assim, a título de exemplo, podese citar a conta n° 3618323 do Banco do Brasil, cujos saldos inicial e final do ano são de, respectivamente, R$ () 47.877,27 (devedor) e R$ 34.263,05 no extrato de movimentação financeira, e de R$ 0,00 e R$ 32.207,67 nos registros contábeis. Vale mencionar também a conta n° 4.722.631 da agência 0131 do Banco Real, cujo extrato apresenta Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 10 9 saldo inicial de R$ () 2.670,17 (devedor) e final de R$ () 41.655,22 (devedor), enquanto que na contabilidade figuram saldos inicial de R$ 0,00 e final de R$ () 2.476,95 (devedor). O contribuinte possui ainda em sua escrituração o registro de uma conta "genérica" para lançamento de operações em contas bancárias, denominada "Diversos", código 1010999, que aparentemente é empregada para o registro de transações em várias contas e cujo saldo sempre é nulo ao final de cada mês. Tendo em vista a edição da Portaria MF n° 95 de 30/04/2007, publicada no DOU de 02/05/2007, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e extinguiu a DRF/Taboão da Serra, foi emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal o Mandado de Procedimento Fiscal Regional MPF n° 0811300 200700262, em substituição ao antigo MPF n° 0812600200600097. O contribuinte foi cientificado em 22/06/2007, por intermédio do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal de 11/06/2007, da emissão do MPF n° 08113002007 00262, bem como do encerramento do MPF n° 0812600200600097. Outrossim, a pessoa jurídica foi ainda cientificada que o procedimento fiscal, originalmente iniciado em cumprimento ao MPF n° 0812600200600097, prosseguia normalmente, sendo que todos os atos subseqüentes passariam a ser emitidos sob a nova numeração. Da análise das informações e extratos de movimentação financeira apresentados, foram apurados os valores creditados e/ou depositados no anocalendário 2004 nas contas bancárias de titularidade do fiscalizado. Em seguida, foi encaminhado por via postal para o domicílio do contribuinte o Termo de Intimação Fiscal lavrado em 30/11/2009, intimandoo a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, conforme a relação de créditos a examinar/comprovar em 52 folhas, que compõe o Anexo ao Termo de Intimação Fiscal. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 11 10 É oportuno assinalar que na relação acima mencionada já foram excluídos os créditos/depósitos que foi possível identificar como decorrentes de resgates de aplicações financeiras, estornos de lançamentos, devoluções de cheques, empréstimos e transferências entre contas. Na oportunidade, o contribuinte foi também cientificado que a não comprovação da origem dos recursos depositados/creditados em sua conta bancária ensejaria o lançamento de oficio por omissão de rendimentos, conforme o disposto no art. 849 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99). O contribuinte foi também intimado a prestar os seguintes elementos/esclarecimentos: 1) Esclarecer o motivo pelo qual, em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2005 relativa ao ano calendário 2004, ND 1267241, as fichas relativas à Demonstração do Resultado, à Demonstração do Lucro Real e ao Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foram apresentadas sem preenchimento. 2) Apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR relativo a anocalendário 2004, bem como demonstrativo de apuração da base de cálculo da CSLL. 3) Apresentar relação de bens e direitos constantes de seu ativo permanente, discriminando o documento de aquisição, data e valor contábil, bem como o órgão e o número de registro, se for o caso. Anexar cópia dos documentos de aquisição dos bens e direitos, tais como notas fiscais, escrituras e certidões de registro de imóveis, certificados de registro e licenciamento, entre outros. Entretanto, a correspondência encaminhada para o endereço cadastral do sujeito passivo, qual seja, Av. Miguel Pastuszak, 202, Anexo I, Parque Paraíso, Itapecerica da Serra SP, não foi entregue, após três tentativas, por se encontrar o "destinatário ausente", conforme informação obtida na página dos correios na internei. Em diligências efetuadas ao domicílio do contribuinte, nos dias 10/12/2009 e 11/12/2009, verificouse que, de fato, existiam no local uni depósito de mercadorias e um prédio anexo, e que ambos encontravamse fechados e sem qualquer Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 12 11 movimento, conforme Termos de Constatação Fiscal e fotos tiradas no local, juntadas ao presente. Além disso, em uma construção em andamento no terreno ao lado, um dos encarregados informou que o local estaria sem qualquer movimento ou atividade há pelo menos 4 meses. Diante dos fatos acima expostos, considerando que não foi possível contatar o contribuinte, foi dado prosseguimento à ação fiscal com as informações disponíveis. VERIFICAÇÕES EFETUADAS E INFRAÇÕES APURADAS Analisadas as informações constantes do presente processo, foram constatadas as seguintes infrações à legislação tributária: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada; Falta de Recolhimento do IRPJ sobre a Base de Cálculo Estimada. A seguir, são detalhadas as infrações acima. 1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Da análise das informações e documentos apresentados pelas instituições financeiras, foram apurados os valores creditados e/ou depositados no anocalendário 2004 nas contas bancárias do fiscalizado (Anexo ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 30/11/2009). Pelo Termo em questão o contribuinte seria intimado a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. Vale ressaltar novamente que não foi possível cientificar o contribuinte do Termo de Intimação Fiscal em questão, uma vez que não se obteve êxito em três tentativas de entrega via postal, todas elas retornando a informação "destinatário ausente" (conforme consulta à página dos correios na internet), e de outra parte, as duas diligências Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 13 12 efetuadas ao domicílio do sujeito passivo, no intento de dar ciência pessoal ao fiscalizado, também fracassaram, encontrandose o estabelecimento fechado e sem movimento (Termos de Constatação de 10/12/2009 e 11/12/2009). Confrontandose os valores dos créditos/depósitos efetuados nas contas bancárias do contribuinte, constantes do Anexo ao Termo de Intimação Fiscal de 02/12/2009, com os registros contábeis constantes dos Livros Diário e Razão apresentados pela pessoa jurídica, é importante observar que: a) para as contas bancárias para as quais se logrou encontrar a conta contábil correspondente, serão considerados como comprovados os depósitos/créditos cujo registro na contabilidade foi possível identificar, inclusive aqueles relativos a recebimentos/liquidação de títulos e/ou receitas contabilizadas; b) por outro lado, para parcela significativa das contas bancárias, assim como dos créditos/depósitos, não se conseguiu identificar a conta contábil associada e nem os lançamentos contábeis correspondentes aos créditos/depósitos realizados nas contas bancárias; c) cabe assinalar que a maior parte dos créditos/depósitos cuja contabilização não se conseguiu verificar é relativa ao recebimento de receitas e/ou liquidação de títulos, como indicam os históricos "liquidação de título", "liquidação de cobrança", "cobrança", "recebimento", "cr. título", entre outros. Assim sendo, diante do acima exposto e tendo em vista que resultaram infrutíferas as tentativas de intimar o contribuinte tanto por via pessoal como postal, foi dado prosseguimento à ação fiscal com as informações disponíveis, considerandose como não contabilizados os depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias, no anocalendário 2004, para os quais não foi possível identificar o lançamento na contabilidade correspondente. Tais depósitos/créditos encontramse discriminados nos Extratos de Créditos Não Contabilizados. Os valores depositados/creditados mensalmente em cada uma das contas do contribuinte são apresentados no Quadro Resumo de Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 14 13 Depósitos/Créditos Não Contabilizados. Neste demonstrativo é totalizado o montante de R$ 33.240.054,08 de créditos/depósitos não comprovados no anocalendário 2004. Portanto, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96 e do art. 849 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), será constituído o crédito tributário do IRPJ e de seus reflexos de CSLL, COFINS e PIS referente à omissão de receitas, no montante dos depósitos/créditos não contabilizados, com os acréscimos legais de multa de ofício e juros de mora. 2 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Tendo em vista que o contribuinte optou pela apuração anual do imposto de renda, fica sujeito à multa isolada pela insuficiência de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada sobre a omissão de receitas, nos termos do art. 44, parágrafo 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Portanto, será efetuado o lançamento de ofício da multa isolada de 50% sobre os valores do IRPJ Estimativa que deixaram de ser recolhidos mensalmente, como apresentado no Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada pela Falta de Recolhimento do IRPJ sobre a Base de Cálculo Estimada. IV CONSIDERAÇÕES FINAIS A presente fiscalização restringiuse à verificação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao anocalendário 2004, assim como da COFINS e do PIS, e foi efetuada com base nos dados disponíveis no decorrer da fiscalização. Fica ressalvado o direito da Fazenda Nacional de fazer verificações posteriores, e cobrar o que for devido, em razão de fatos, circunstâncias e elementos não verificados e/ou conhecidos nesta oportunidade. Este Termo e todos os demonstrativos nele mencionados fazem parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. E, para constar e surtir os devidos efeitos legais, o presente Termo foi lavrado em 03 (três) vias de igual forma e teor, que vão assinadas por mim, Auditor Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 15 14 Fiscal da Receita Federal, sendo que a ciência do sujeito passivo se dará através de Edital afixado nas dependências da ARF/Taboão da Serra, unidade de domicílio do contribuinte.” Cientificada dos lançamentos, mediante o Edital de Intimação nº 115, de 15/12/2009, de fls. 433, afixado na DRF Barueri/SP em 15/12/2009, a contribuinte, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (cf. instrumento de mandato de (fls. 541), protocolizou a impugnação de fls. 508/539, em 05/03/2010, aduzindo em sua defesa, as razões de fato e de direito a seguir expostas. Nas preliminares, defende a tempestividade da peça apresentada, pelos fundamentos a seguir reproduzidos: “7. Ocorre, entretanto, que a publicação por edital, na forma como procedida, é inválida para efeitos de intimação da empresa. Portanto, deve ser considerada como data da ciência da lavratura do auto de infração — e da abertura do prazo de impugnação o dia 03/02/2010, quando, de fato, foi dado vistas do processo ao contribuinte (fls. 438). 8. Isso porque a afixação do edital foi realizada sem que os meios de intimação previstos na legislação fossem observados. De acordo com o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, a intimação no processo administrativo fiscal deve ser feita (i) pessoalmente, (ii) por via postal, (iii) por meio eletrônico e, apenas quando um destes meios resultar improfícuo, por edital. 9. Nesse sentido, cumpre destacar que, desde o início da fiscalização, em 19/05/2006, o contribuinte atendeu diligentemente todas as intimações encaminhadas, pessoalmente ou via postal, dentro do prazo estipulado pelo agente fiscal responsável. 10. Tal situação pode ser verificada através dos inúmeros comprovantes de recebimentos dos Correios (AR's), dos termos de intimação devidamente assinados e das petições de entrega de documentos juntados aos autos (fls. 81 e ss. 178, 181, 186, 189, 192, 205269, 207, 209, 211 e ss, 214 e ss, 217, 219 e ss, 227 e ss, 230 e ss. e fls. 296). 11. Os diversos contatos realizados entre a empresa e a autoridade fazendária demonstram que, sem Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 16 15 sombra de duvidas, o Impugnante sempre se mostrou presente e acompanhou cada etapa do procedimento fiscal. Ou seja, nunca houve dificuldades em contatar os representantes da empresa. 12. Em 30/11/2009, aliás (um mês após último contato — fis. 269, ocasião em que o contribuinte foi intimado do Termo de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal de fls. 267), a autoridade fiscal lavrou o Termo de Intimação de fls. 270/323. Neste foi determinado prazo de dez dias, contados da ciência, para apresentação de documentos e esclarecimentos 'em relação à movimentação financeira efetuada no anocalendário 2004 pelo contribuinte, comprovar mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos créditos/depósitos realizados em suas contas bancárias, conforme a relação de créditos a examinar/comprovar em 52 folhas que compõe o Anexo ao presente Termo'. 13. Referido Termo de Intimação foi enviado aos Correios em 02/12/2009 e, apesar das três tentativas de entrega (sendo uma delas no sábado) terem sido prejudicadas pela ausência do destinatário, o contribuinte foi devidamente cientificado da solicitação em 10/12/2009, apenas uma semana após o envio da intimação, conforme histórico de rastreamento disponível no endereço eletrônico dos Correios (DOC. 03). 14. Nos dias 10 e 11/12/2009, visando dar cumprimento ao referido Termo de Intimação para apresentação de documentos, a autoridade fiscal diligenciou ao endereço do Impugnante (fls. 326 e ss) e verificou que o local estava sem movimento, concluindo que esse fato isolado ensejaria o prosseguimento da ação fiscal à revelia do contribuinte (fls. 341). 15. Devidamente cientificada do Termo de Intimação e desconhecendo as diligências efetuadas pelo Fiscal, em 17/12/2009 (sete dias após a intimação via postal), o Impugnante apresentou tempestivamente pedido de prorrogação de prazo, uma vez que seria impossível proceder ao levantamento de informações referentes a mais de 2.600 movimentações financeiras no exíguo prazo de 10 dias, conforme se comprova mediante Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 17 16 apresentação de cópia da petição em anexo (DOC. 04). 16. Estranhamente, por razões que se desconhece, nem o comprovante de recebimento (AR) do Termo de Intimação, nem o pedido de prorrogação do prazo apresentado pelo contribuinte e que afastariam qualquer possibilidade de intimação por edital — foram juntados aos autos pela autoridade fiscal. 17. Vale ressaltar que, no final do último ano, o estabelecimento do contribuinte, devido a questões operacionais, foi posto à disposição do mercado para fins de aluguel. Há, entretanto, funcionários da empresa diariamente no local, inclusive para fins de coleta da correspondência e de intimações. 18. Todavia, tal situação em nada interfere em sua relação com o Fisco, visto que o Impugnante sempre tomou ciência de todos os atos exarados, pessoalmente ou por via postal, bem como sempre se manifestou dentro do prazo estipulado. Não há, nos autos, nenhuma intimação fiscal que tenha deixado de ser recebida pelo contribuinte no curso da fiscalização, razão pela qual causa verdadeira perplexidade a atitude extrema adotada pelo Fiscal ao cabo do procedimento administrativo. 19. Tanto é assim que, no mesmo período em que a autoridade fiscal alegou que o contribuinte estava 'em lugar incerto e ignorado', o Impugnante foi normalmente intimado, (i) via postal, da lavratura de outros dois autos de infração, notadamente os referentes aos Processos Administrativos Fiscais n° 12719.001852/200953 e 12719.001882/200960, e (ii) pessoalmente, do termo de início de fiscalização referente ao MPF n° 0811300201000024 instaurado pela Receita Federal de Osasco/SP, conforme cópias em anexo (DOC. 05). 20. Quanto ao último caso (MPF n°08113002010 00024), a autoridade fiscal responsável pela fiscalização entrou em contato com os representantes da empresa através do telefone disponível nas declarações enviadas (DCTF, DIPJ, etc.) e solicitou o comparecimento pessoal de representante munido de poderes para receber intimações. Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 18 17 21. Não é razoável concluir que, no mesmo período, o contribuinte tenha sido normalmente intimado das situações acima e, especificamente, para o presente processo administrativo, os meios de contato com o Impugnante estivessem inviabilizados. 22. Por outro lado, ainda que seja admitido que o contribuinte não tenha sido encontrado para ciência do termo de intimação para apresentação de documentos, enviados pelos Correios em 02/12/2009, o que já se mostrou ser um entendimento completamente equivocado, importante destacar que a intimação do encerramento da fiscalização e da lavratura do auto de infração ocorreu diretamente por edital. 23. Ou seja, ignorouse todo o histórico de fácil acesso aos representantes do Impugnante, optando se por um ato extremo e totalmente injustificado, pois o edital de intimação foi afixado antes mesmo de esgotado o prazo previsto no termo de intimação enviado em 02/12/2009, do qual o Impugnante teve ciência em 10/12/2009, por via postal. 24. Assim, por expressa determinação legal, antes de recorrer ao meio extremo da publicação por edital, o agente fiscal deveria obrigatoriamente priorizar uma das formas previstas nos incisos I a III do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Se assim procedesse, certamente obteria êxito em sua intimação em quaisquer dos meios escolhidos. Senão vejamos: (a) Em relação à intimação pessoal, a fiscalização possuía os contatos telefônicos e email dos sócios da empresa e de seus representantes e, a qualquer momento, poderia solicitar a presença de um deles para dar ciência da lavratura. Esse contato telefônico, inclusive, foi utilizado por diversas vezes no decorrer da fiscalização e está disponível a qualquer agente da Receita Federal através das informações constantes nas fichas cadastrais de DIPJ, DCTF, Dacon e demais declarações (DOC. 06); (b) Quanto à via postal, conforme se demonstrou anteriormente, a empresa sempre recebeu as intimações enviadas, inclusive a intimação realizada em 02/12/2009 cujo comprovante de recebimento (AR) e petição com a resposta da empresa estranhamente não foram juntados aos autos; Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 19 18 (c) A exemplo da intimação pessoal, a intimação por meio eletrônico também seria completamente viável pelo email fornecido à Receita Federal através das declarações em que a empresa está submetida ou, principalmente, através de seu cadastro no certificado digital (DOC. 07). 25. Vale ainda mencionar que nos dias de hoje, com a disponibilização dos meios de comunicação em massa, principalmente a internet, é no mínimo um contra senso afirmar que uma empresa do porte da Impugnante possa ser considerado em lugar 'incerto e ignorado', sendo que uma simples pesquisa no mais conhecido dos sites de busca da web oferece diversos meios de contato com o contribuinte. 26. Portanto, como não foi tornada efetiva a tentativa de intimação através dos meios legalmente autorizados, não se configurou situação alguma que pudesse ensejar a intimação por edital. 27. A jurisprudência do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, interpreta de forma bastante clara as disposições do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 e as hipóteses nas quais têm cabimento a intimação por edital, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: "INTIMAÇÃO VIA EDITAL. VALIDADE Resultando improfícua a intimação pessoal ou por via postal, legítima é a intimação por edital e válida a ciência no prazo legal" (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, acórdão n° 10420.685, Relator Conselheiro Remis Almeida Estol, julgado em 19/05/2005). "SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO POR EDITAL A intimação por edital do sujeito passivo para ciência do Auto de Infração, sempre é cabível quando não for possível a intimação pessoal e via postal" (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 10614.559, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula, julgado em 14/04/2005). 28. Nesse sentido, cabe colacionar esclarecedor trecho do voto do Conselheiro José Ribamar Barros Penha, então presidente da 6a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, no julgamento do Recurso n° 152.090: Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 20 19 “[...] Dessas assertivas podese concluir que a autoridade fiscal solicitou o comparecimento do contribuinte à Repartição, para intimálo pessoalmente, isso até o dia 19/12/2005. A intimação por via postal também foi tentada, mas no dia 19/12/2005 o destinatário estava ausente e no dia 23/12/2005 o recebimento da correspondência foi recusado. Não houve a pretensão de intimar o contribuinte por meio eletrônico. A afixação do edital de intimação ocorreu no dia 14/12/2005. Na visão deste julgador, apenas quando se constatou que as formas de intimação previstas no artigo 23, incisos I e II, do Decreto n° 70.235/72 (pessoal ou por via postal) resultaram infrutíferas, o que ocorreu no dia 23/12/2005, é que poderiam ser adotadas as providências necessárias à intimação por edital, ou seja, a afixação do edital de intimação somente seria válida e estaria de acordo com a regra acima transcrita se tivesse ocorrido a partir do dia 23/12/2005. No caso, a autoridade lançadora não respeitou as determinações do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, pois o edital de intimação DRF/JPA n° 195 (lls. 371) foi afixado em data anterior (14/12/2005) à constatação de que resultou improfícua a intimação pessoal ou por via postal (23/12/2005). A intimação por edital, na hipótese em apreço, não pode surtir efeitos. Segundo penso, a ciência do lançamento se deu apenas em 09/01/2006, de acordo com o documento de fls. 410, nos termos do artigo 23, inciso I, o Decreto n° 70.235/72". (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 10616.028, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 07/12/2006). 29. Deste modo, a publicação do edital deve ser tornada sem efeitos, sob o grave risco de ofensa ao devido processo legal, em especial, ao principio da cientificação, segundo ensina James Marins: "Assiste ao particular o direito de ser comunicado formalmente sempre que houver atividade administrativa que se refira à sua esfera de interesse jurídico, de modo a que se dê integral cumprimento ao princípio da cientificação. Deve ser tido como Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 21 20 inválido e, portanto, insuscetível de amparar lançamento todo procedimento fiscalizató rio ou apuratório realizado sem conhecimento do contribuinte A impugnação administrativa é a resistência formal do contribuinte à pretensão fiscal do Estado sobre seus bens, e é direito que se assegura ao cidadão como meio de ver vivificado o primado da legalidade através do devido processo legal" (Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). São Paulo: Dialética, 2001, p. 180187). 30. Diante do exposto, requerse preliminarmente o reconhecimento da tempestividade da presente impugnação, tornando sem efeito a intimação por edital ocorrida em 15/12/2009, considerandose como data de intimação do Impugnante o dia 03/02/2010, quando este teve vistas dos autos do processo administrativo fiscal.” No entender da defesa, o agente fiscal, de forma precipitada e injustificada, reputou estar o contribuinte 'em lugar incerto e ignorado', dando prosseguimento à ação fiscal sem o seu conhecimento, ignorando o tempestivo pedido de prorrogação de prazo apresentado, que não teria sido juntado aos autos. No mérito, afirma que a autuação não poderia prosperar porque, do total das contas bancárias fiscalizadas, o agente fiscal teria identificado a escrituração de 14 (quatorze) contas contábeis correspondentes nos livros Razão e Diário, mas 09 (nove) destas contas tiveram sua contabilização desconsiderada pela fiscalização, tendo sido indevidamente, incluídas na autuação. A seguir a Impugnante elaborou um demonstrativo (fls. 519), no qual relacionou as 24 (vinte e quatro) contas correntes, de sua titularidade, mantidas em 11 (onze) instituições financeiras, discriminando: (i) contas identificadas pela fiscalização como escrituradas nos Livros Diário e Razão; (ii) as contas escrituradas e autuadas pela fiscalização (registros desconsiderados); e (iii) as contas não contabilizadas e autuadas pela fiscalização. Foram destacadas as contas correntes que, apesar de escrituradas e, conseqüentemente, não omitidas, teriam sido desconsideradas em função da presença de erros e de deficiências nos registros contábeis, relativas a divergências dos saldos inicial e final constantes dos extratos e da escrituração. Contesta a Defendente a interpretação fática adotada pelo agente fiscal, na medida em que: (a) para as contas bancárias em que identificadas as contas contábeis correspondentes nos livros comerciais, foram os depósitos/créditos considerados como comprovados, não sendo objeto da autuação ou qualquer outro questionamento; (b) para as contas bancárias em que não identificadas as contas contábeis correspondentes nos livros comerciais, os depósitos/créditos foram Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 22 21 considerados como omissão de receita e autuados pela fiscalização; (c) para as contas bancárias em que identificadas as contas contábeis, mas com erros e vícios na escrituração, os depósitos/créditos também foram considerados como omissão de receita e autuados pela fiscalização, sem a dedução proporcional dos tributos já recolhidos em relação a esses valores já contabilizados. Nesse contexto, reputa equivocada a interpretação da fiscalização, pois se a movimentação financeira da conta corrente estava escriturada na contabilidade, ainda que apontadas deficiências na conciliação bancária dos saldos iniciais e finais das contas correntes e das contas contábeis, os depósitos estavam devidamente escriturados. Afirma, assim, a defesa que os efeitos da receita omitida não poderiam ser confundidos com aqueles decorrentes da receita escriturada com erros ou deficiências, tendo em conta que, neste último caso, a receita teria sido devidamente tributada. A autuação fiscal, portanto, mostrarseia indevida, porque: (i) a autoridade fiscal deveria considerar como omissão de receitas, para fins de apuração do lucro real, somente os depósitos efetuados nas contas bancárias efetivamente não escrituradas; (ii) os depósitos efetuados nas contas registradas, ainda que com eventuais erros ou deficiências, não poderiam ser considerados receitas omitidas, porque foram oferecidos à tributação; e (iii) se os erros ou as deficiências porventura constatados na escrituração inviabilizaram a identificação da efetiva movimentação financeira do contribuinte, deveria ter sido promovido o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, H, do RIR, deduzindose os valores já pagos pela empresa (comprovantes em anexo DOC. 08). Assevera ainda a defesa diante dos fatos apurados pela Fiscalização que o apropriado seria o arbitramento do lucro, inclusive porque, se as contas escrituradas forem consideradas receitas omitidas, a movimentação bancária não contabilizada corresponderia a mais da metade da receita tributável. Colaciona jurisprudência administrativa para dizer que constatada a omissão de parte significativa de receita tributável, deve o Fisco proceder à desclassificação da escrita contábil e ao arbitramento do lucro. E transcreve excerto do Ilmo. Conselheiro Relator Aloysio José Percinio da Silva, no julgamento do Recurso Voluntário n° 143.110, pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, Terceira Câmara, Acórdão n° 10322.616, em sessão realizada em 20/09/2006: "[...] A meu ver, é impróprio o regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, o do lucro real. Tendo em vista a magnitude da movimentação bancária de recursos financeiros mantidos à margem dos registros contábeis e fiscais, o regime de tributação aplicável seria o de lucro arbitrado, conforme previsão do art. 530, II, do RIR/99. É que se pode concluir do cotejo da receita omitida no valor de R$ 5.507.508,37, demonstrada no termo de verificação às fls. 18, e da receita bruta total de R$ 75.562,62 informada na DIPJ/99,11s. 1.916. A omissão nos registros contábeis de tão vultosa Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 23 22 movimentação financeira revela escrituração contábil inadequada para determinação da base de cálculo pelo regime do lucro real, resultando evidente distorção do valor apurado de CSLL e IRPJ. Observese que não é o caso de omissão de poucos depósitos, de valor irrelevante, o que obviamente, seria insuficiente para caracterizar como imprestável a escrituração da recorrente". Portanto, diante dos fatos apurados, deveria a Fiscalização ter promovido o arbitramento dos lucros ou, no mínimo, considerado como receita omitida apenas aquela correspondente às contas bancárias efetivamente não contabilizadas. Protesta contra a falta de apresentação pelo Fisco das razões de fato que teriam ensejado a desconsideração dos registros contábeis. Nas palavras da defesa: “53. Notase, com efeito, que as razões são apresentadas genericamente, de forma exemplificativa, abrangendo apenas 2 das 9 contas referidas. Ora, ainda que fosse possível tal procedimento, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, o Fiscal deve apresentar os motivos individualizados, indicando de forma clara e pormenorizada quais seriam os vícios que, concretamente, foram determinantes na formação de seu convencimento. 54. Do contrário, sem essa fundamentação, o contribuinte fica sem qualquer possibilidade de defesa ou impugnação das razões apresentadas, inviabilizando o próprio controle de legalidade do ato administrativo, (...)” Transcreve abalizada doutrina no sentido de que "(..) não haveria como assegurar confiavelmente o contraste judicial eficaz das condutas administrativas com os princípios da legalidade, da finalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade, se não fossem contemporaneamente a elas conhecidos e explicados os motivos que permitiriam reconhecer seu afinamento ou desafinamento com aqueles mesmo princípios. Assim, o administrado para insurgirse ou para ter elementos de insurgência contra atos que o afetem pessoalmente necessita conhecer as razões de tais atos na ocasião em que são expedidos. Igualmente, o Judiciário não poderia conferir lhes a real justeza se a Administração se omitisse em enunciálas quando da prática do ato. É que se fosse dado ao Poder Público aduzilos apenas serodiamente, depois de impugnada a conduta em Juízo, poderia fabricar razões ad hoc, 'construir' motivos que jamais ou dificilmente se saberia se eram realmente existentes e/ou se foram deveras Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 24 23 sopesados à época em que se expediu o ato questionado" (Celso Antônio Bandeira de Mello In Curso de Direito Administrativo. 10'. ed. São Paulo : Malheiros, 1998, p. 58). Requer assim a exclusão dos valores constantes nas contas bancárias escrituradas da base tributável a titulo de omissão de receitas, conforme cópia integral dos livros fiscais que demonstram tais registros (DOC. 09). Mais frente referese a defesa à necessidade de exclusão da base de cálculo dos depósitos efetuados especificamente na conta bancária n° 3618323 do Banco do Brasil já escrituradas e submetidas à tributação. Diz que a sua escrituração teria sido desconsiderada em razão da alegação de que o saldo inicial e final do ano de 2004 constantes nos registros contábeis não coincidiriam com os saldos dos extratos bancários. Afirma que a análise dos registros contábeis e dos extratos bancários do contribuinte não teria sido criteriosa, tendo em conta que da simples análise do Livro Razão, poderseia constatar que os saldos, inicial e final, escriturados nos livros são exatamente os mesmos apontados como corretos pela fiscalização. E prossegue: “66. Ao se examinar a folha n° 30 do Livro Razão n° 1/3 (DOC. 09), verificase que o saldo final de 2003 e, conseqüentemente, inicial de 2004, é de R$ 47.877,27, exatamente conforme o extrato bancário. 67. Vale dizer que, em função da alteração do software de escrituração contábil, o saldo inicial teve que ser implantado, e não simplesmente importado do ano anterior. Todavia, essa questão em nada prejudica a verificação do valor inicial, pois o histórico descreve o primeiro lançamento do ano como sendo 'Saldo em 31/12/2003'. 68. Em relação ao saldo final, a diferença entre o escriturado no livro e informado no extrato bancário se refere a um valor de R$ 2.055,38, lançado equivocadamente em duplicidade nos dias 30/12/2003 e 02/01/2004. 69. Tal equivoco é identificado no histórico como "PGTO CHQ TELESP CELULAR" e a duplicidade pode ser verificada através do lançamento, no livro, do cheque compensado no dia 30/12/2003 (DOC. 11). 70. Ressaltese que o referido equívoco não interfere na contabilização das receitas e, conseqüentemente, na tributação do ano de 2004, pois se trata, na verdade, do pagamento de uma conta de telefone (débito) e não de um crédito. Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 25 24 71. Todas as demais entradas constantes nos extratos bancários de 01/01/2004 a 31/12/2004 foram escrituradas corretamente em contrapartida à conta de clientes (conta contábil 1100001) (DOC. 12), que, por sua vez, transita no resultado para determinação da receita operacional. Dessa forma, além da conta estar corretamente escriturada, os valores lançados foram devidamente oferecidos a tributação. 72. Assim sendo, em atenção ao princípio da verdade material, os valores dos depósitos/créditos escriturados na conta bancária n° 3618323 do Banco do Brasil devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento fiscal, sob risco de tributação em duplicidade e enriquecimento sem causa da União”. Requer também a exclusão da base de cálculo dos créditos decorrentes de transferências entre contas de titularidade do Impugnante. Assevera que apesar de o agente fiscal ter mencionado a adoção de tal providência, o Impugnante teria constatado que parcela considerável do montante supostamente omitido não caracteriza receita tributável, pois tratarseia de transferências entre contas da própria empresa, devendo, por conseguinte, ser excluída da base de cálculo da exigência fiscal. Assim se pronuncia a Defendente: “59. Da simples análise do demonstrativo 'Extratos de créditos não contabilizados' anexo ao 'Termo de Constatação Fiscal' (fls. 344/395), é possível verificar que o agente fiscal manteve diversos lançamentos que se referem a transferências entre contas do próprio Impugnante, conforme se depreende da planilha anexa que destaca as rubricas que não se referem a crédito proveniente de terceiros (DOC. 10)”. No entendimento da contribuinte, o Fiscal teria obtido as informações sobre a totalidade da movimentação financeira da empresa junto aos bancos e, para cumprir seu dever de exaurimento dos fatos, devido a necessária observância do princípio da verdade material, deveria ter aprofundado a investigação, solicitando as informações sobre a titularidade das contas que teriam originado as transferências de valores. Questiona também a falta de dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores referentes aos tributos e juros lançados de oficio, com base no art. 344 do RIR (Decreto n° 3.000/1999), no art. 41 da Lei n° 8.981/1995 e no Parecer Normativo CST n° 174, de 25 de setembro de 1974, que prescrevem a dedutibilidade Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 26 25 dos tributos e contribuições, e dos juros, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Transcreve jurisprudência administrativa. Protesta contra a exigência de multa isolada, por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ, tendo em conta que, conforme comprovantes de arrecadação em anexo (DOC. 08), a Impugnante teria efetuou os recolhimentos do IRPJ por estimativa mensal, tendo em vista sua opção pelo regime de tributação com base no lucro real anual. Adota a contribuinte o entendimento de que a multa isolada somente seria aplicável no curso do anocalendário, e não poderia incidir, após o encerramento do exercício, sobre o tributo exigido em lançamento de oficio, por caracterizar bis in idem punitivo, contrário aos princípios da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. Nas palavras da defesa: “82. O CARF, entende que, encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças: 'MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei n° 9.430196 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício'. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Primeira Turma, Acórdão: CSRF/0105.875, Relator: Marcos Vinícius Neder de Lima, Data da Sessão: 23/06/2008, grifamos) ‘[...] MULTA ISOLADA ANOBASE APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada por falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo mensal estimada, no presente caso, não é passível de cobrança, de vez que já se encontrava encerrado o anocalendário quando da constatação pela fiscalização do não recolhimento das parcelas mensais estimadas. Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 27 26 Ademais, tal multa não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Recurso parcialmente provido'. (Primeiro Conselho, Quinta Câmara, Acórdão 10514670, Relator Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega, Data da Sessão: 15/09/2004, grifamos)’” Transcreve ementas de várias decisões do Conselho de Contribuintes afastando a duplicidade de incidências da multa de ofício sobre o IRPJ devido no ajuste anual, e da multa isolada sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais, por restar configurada a dupla penalização do mesmo contribuinte sobre um único ilícito, com sanções da mesma natureza, já que ambas estariam relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Requer assim o cancelamento da exigência da multa isolada. Protestou, em síntese: (i) pelo recebimento e processamento da presente impugnação, e pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário; (ii) pelo reconhecimento da tempestividade da presente impugnação, tornando sem efeito a intimação por edital ocorrida em 15/12/2009, para o fim de considerar que a intimação do Impugnante se deu em 03/02/2010, data em que teve vistas do processo administrativo fiscal; (iii) o acolhimento das razões apresentadas e a revisão do auto de infração, uma vez que os fatos apurados pela Fiscalização, ao invés de omissão de receita, configuram hipótese de arbitramento do lucro, com o conseqüente recálculo do valor do crédito tributário e a dedução dos valores já recolhidos pelo Impugnante; ou, alternativamente, para que seja considerado como receita omitida apenas aquele correspondente às contas bancárias efetivamente não escrituradas e contabilizados; (iv) em qualquer caso, a exclusão da base de cálculo do lucro arbitrado ou, na hipótese de acolhimento do pedido alternativo, exclusão da receita supostamente omitida: a. dos créditos decorrentes de transferências entre contas de titularidade da própria Impugnante; b. dos créditos/depósitos referentes a conta bancária n° 3618323 do Banco do Brasil já escriturados e submetidos a tributação; c. a dedução da base de cálculo do 1RPJ e CSLL, dos valores referentes aos impostos e contribuições e juros lançados de oficio; e Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 28 27 (v) por fim, o cancelamento da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada e impossibilidade de cobrança cumulativa com a multa de ofício. Às fls. 438/439 consta que a procuradora da contribuinte (instrumentos de procuração e substabelecimento de fls. 435/436) teria tomado vista e solicitado cópia do processo em 03/02/2010. Às fls. 4471449, consta petição da empresa, protocolizada em 17/12/2009, na qual alega ser inviável e impossível de ser cumprido o prazo concedido para apresentação dos documentos, requerendo a sua dilação para 60 (sessenta) dias, por se tratar de um grande volume de informações e documentos — 2.600 (duas mil e seiscentas) operações financeiras, ocorridas em período já bem distante — ano calendário de 2004. Aduz ainda que o prazo para que se proceda à microfilmagem dos documentos seria de pelo menos 30 (trinta) dias. Às fls. 507 foi juntado o original do AR SK 33713870 3 BR, de endereçamento por via postal do termo de intimação fiscal lavrado em 30/11/2009 e anexo, no qual constam as três tentativas de ciência em 03, 04 e 05/12/2009 e, no verso, a assinatura e identificação do recebedor, sem aposição da data de recebimento. Às fls. 2698, consta despacho da autoridade preparadora, ratificando que a contribuinte teria sido cientificada dos lançamentos em 30/12/2009, quinze dias após a afixação do edital de fls. 433, e que o prazo de impugnação teria expirado em 02/02/2010. Entretanto, como a contribuinte, em 05/03/2010, apresentou a impugnação de fls. 508/2693, na qual suscita a tempestividade da defesa, o processo teria sido encaminhado para apreciação do órgão julgador. A 2ª TURMA DA DRJ EM CAMPINAS – SP, em análise à impugnação apresentada, posicionouse favoravelmente à exoneração completa dos lançamentos, em decorrência de fundamentos que assim foram ementados: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Edital. Validade. Apenas quando resultar improfícuo um dos meios de intimação previstos no processo administrativo fiscal (pessoal, por via postal ou por meio eletrônico) é que o órgão administrativo poderá proceder à intimação por edital. Comprovada a ciência da intimação para prestar esclarecimentos, por via postal, e não tendo sido Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 29 28 tentada outra forma de intimação do auto de infração, perde o pressuposto de validade a ciência do lançamento efetuada por edital. Ciência Pessoal. Tempestividade da Impugnação. Considerada cientificada a empresa dos lançamentos, na pessoa de sua procuradora, no ato de vista processual, impõese reconhecer a tempestividade da impugnação apresentada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Decadência. Pronunciamento de Oficio. Por força do princípio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de ofício, independentemente de pedido do interessado. Decadência. Lançamento por Homologação. Pagamento de Antecipado. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Decadência. Multa Isolada. Estimativas. A multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais não se sujeita a lançamento por homologação, porque não se configura juridicamente possível que haja antecipação da apuração e do pagamento da multa isolada, pelo que deve ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial para os lançamentos de oficio. Ainda assim, cumpre reconhecer a decadência se já decorrido o prazo para lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 30 29 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. Intimação Prévia. Imprescindibilidade. Para a configuração da omissão de receitas, com base na apuração de depósitos bancários de origem não comprovada, é necessário que a pessoa jurídica tenha sido regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos depositados. Na ausência de intimação válida, ou com prazo incompatível com a providência requerida, não se pode reconhecer a regularidade da intimação, e conseqüentemente da imputação de omissão de receitas. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” Como derivação do cancelamento dos autos de infração, foi interposto o presente Recurso de Ofício, a ser por este colegiado julgado. É o relatório. Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 31 30 Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso de ofício atende aos pressupostos legais para sua admissão. Dele, portanto, conheço. Os lançamentos em debate calcaram fundamento, basicamente, na constatação de pretendida omissão de receitas bancárias, aferida mediante análise de informações prestadas pelas instituições financeiras, de um lado, e dos livros e documentos contábilfiscais da autuada, de outro. O fundamento legal para a lavratura das peças de imposição correspondeu, como não poderia deixar de ser, ao artigo 42, caput, da Lei nº 9.430/96, assim vigente: ‘Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...)” A d. autoridade julgadora recorrente, ao analisar a impugnação apresentada, houve por escorreito cancelar a totalidade dos lançamentos. Para tanto, arguiu, em suma, que: i) houve decadência, reconhecida de ofício, dos lançamentos em questão, atinentes ao anobase de 2004, uma vez que os autos infracionais foram validamente cientificados à autuada, exclusivamente, em 03.02.2010; e ii) não se constatou, dos autos, a realização de válida de suficiente intimação prévia do contribuinte, capaz de instálo a explanar, documentalmente, em tempo hábil para tanto, a origem dos depósitos bancários apurados. Houve, então, a interposição do recurso de ofício em trato. Vejamos, primeiramente, a questão da decadência. Todos os depósitos bancários reputados como abarcadores de receitas omitidas se realizaram no curso do ano calendário de 2004. Para fins de IRPJ e de CSLL, apuradas segundo a sistemática do lucro real anual (cf. DIPJ/05, às fls. 05/74), os fatos geradores se consideram realizados, então, complexivamente, em 31.12.2004. No que atine ao PIS e à COFINS, por outro lado, os fatos imponíveis correspondem ao último dia dos meses em que aferidos os depósitos. O IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS são, como se sabe, tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nesse sentido, estabelece a legislação o dever, para o Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 32 31 contribuinte, de antecipar o pagamento, resolvendo o débito sob condição de ulterior ratificação fazendária. O prazo decadencial aplicável ao caso, então, é aquele computado segundo os critérios do artigo 150, § 4º, do CTN. Os lançamentos de ofício de eventuais diferenças apuradas devem ser realizados, nesses moldes, dentro de cinco anos contados das datas de aperfeiçoamento dos fatos imponíveis. No caso, tendo em vista que o último átimo de incidência, em cada caso, concretizouse, no mais tardar, em 31.12.2004, a lavratura dos autos de infração não poderiam ocorrer depois de 31.12.2009 – ou até antes, em relação a alguns dos períodos do PIS e da COFINS. A despeito disso, in casu, a recorrida só veio a tomar válida ciência das peças acusatórias em 03.02.2010, consoante corretamente explicado pelo aresto em xeque: “Por outro lado, apesar da invalidade da ciência do lançamento, pelo Edital de Intimação n° 115, afixado em 15/12/2009, é incontroverso que a pessoa jurídica tomou ciência dos lançamentos, em 03/02/2010, quando a sua procuradora teve vista do processo, conforme despacho de fls. 438, impondose reconhecer assim a tempestividade da impugnação protocolizada, em 05/03/2010.” Parecenos, então, que, de fato, ficaram decaídos todos os valores exigidos, presentemente versados. Vale pisar que, segundo a orientação encampada pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede da sistemática de Recurso Repetitivo, o prazo decadencial do artigo 105, § 4º, do CTN somente se aplica acaso haja, por parte do sujeito passivo, adiantamentos de pagamento, ainda que parciais, a serem possivelmente homologados. Salvo contrário, mandatória seria a cominação do artigo 173, inciso I, do Codex. In casu, como bem explicado pelo acórdão recorrido, a DIPJ/2005 não enunciou quaisquer valores devidos a título de IRPJ e CSLL – o que levaria a se concluir, eventualmente, pela inexistência de qualquer adiantamento de pecúnia. A despeito disso, o próprio aresto exarado, os bancos de dados da RFB (fls. 2705/2734) evidenciam, para os períodos, recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, devidamente confessados em DCTF. Situação similar ocorreu com o PIS e a COFINS. No que atine a essas contribuições, no entanto, os recolhimentos e a confissão em DCTF foram acompanhados, sim, de prestação das informações correspondentes na DIPJ/2005. Remanesce óbvio, portanto, o acerto da decisão infirmada, com a conseguinte necessidade de reconhecimento da decadência de todos os importes lançados. Evidentemente, caducos os principais, igual sorte deve ser atribuída aos consectários cobrados, ainda que isolados. Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 33 32 De mais a mais, no mérito, também improcedentes se mostraram as exigências. Segundo bem explicou o aresto inferior, a presunção de omissão de receitas bancárias só se aperfeiçoa se, depois de regular e validamente intimado o titular da conta corrente ou de depósito, este não lograr, em tempo hábil, justificar documentalmente as causas dos creditamentos. Ocorre, no entanto, que, compulsando os autos, é possível averiguar que a única intimação formatada nesse sentido foi lavrada em 30.11.2009 (fls. 207/271). Tal notificação, segundo histórico do Aviso de Recebimento – AR SK 33713870 3 BR, não fora entregue, em três oportunidades – 03, 04 e 05 de dezembro de 2009 – em virtude de o serviço postal não ter encontrado pessoa que pudesse recebêla. Depois de diligenciar in loco e A fim de cuidarmos mais escorreitamente do caso, dividamos o presente voto em tópicos. (1) Da decadência parcial dos lançamentos Inicialmente, antes de adentrarmos ao mérito do presente feito, entendo necessário considerar a preliminar de decadência suscitada pela recorrente. Consoante se explicou, os autos de infração em estudo tocam a cobranças de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS atinentes aos período compreendido entre o 4º trimestre de 2003 e o 4º trimestre de 2005. Ditas peças de acusação, no entanto, vieram a ser formalizadas somente em 15 de outubro de 2009. Os tributos em apreço estão adstritos, em princípio, à sistemática do lançamento por homologação. Embora guardemos entendimento um pouco diferente, curvamo nos à orientação prevalente nos Tribunais Superiores, para os quais a atividade a ser homologada pelo Fisco, antes de qualquer coisa, é a antecipação do pagamento do tributo, devidamente declarado. Nesse sentido, na esteira do que vem julgando este Conselho – e em consonância com a exegese do Superior Tribunal de Justiça – imperioso reconhecer, para fins de decadência, que a contagem do prazo quinquenal pertinente deverá ser regida pelo artigo 150, § 4º, do CTN, sempre que o tributo lançado por homologação tenha sido objeto de pagamento antecipado parcial. Face reversa, o critério do artigo 173, inciso I, do Codex se aplicará aos casos em que não houver quantia antecipada a ser homologada, ou acaso constatadas circunstâncias que denotem prática de fraude, dolo ou simulação. Fl. 2561DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 34 33 No presente caso, a natureza do trabalho impositivo evidencia que houve, sim, indicação de recolhimentos antecipados, ainda que insuficientes. As cifras ora exigidas, afinal, foram obtidas mediante cotejamento do quanto declarado, lado um, e do quanto apurado a partir do estudo das notas fiscais de serviços emitidas pela recorrente, lado outro. Outrossim, segundo melhor se aclarará adiante, também não há indícios de comportamento doloso, fraudulento ou simulatório, a ensejar a cominação mandatória do artigo 173, inciso I, do CTN. Não há dúvidas, portanto, de que o prazo quinquenal de caducidade deve ser computado, aqui, a partir da data de ocorrência dos fatos geradores. Para o PIS e para a COFINS, o período de apuração é, conhecidamente, mensal. Os acontecimentos imponíveis se aperfeiçoam, complexivamente, no último dia de cada mês. Logo, tendo em vista a data de constituição dos autos de infração, pareceme cediço estarem decaídos todos os lançamentos atinentes aos meses de outubro de 2003 a setembro de 2004, inclusive. Por outro lado, para o IRPJ e para a CSLL, o período de apuração eleito é trimestral, característico do regime de apuração pelo lucro presumido. Em tal cenário, devem ser reputadas caducas as exigências concernentes ao 4º trimestre de 2003 e aos 03 (três) primeiros trimestres de 2004. Pois bem. Afastados os valores decaídos, passemos então, de pronto, à perscrutação da substância dos autos infracionais. (2) Da tributação de valores recebidos para fins de simples repasse a terceiros No mérito, a recorrente aduz que parcela substancial dos “rendimentos” por ela aferidos não compõe, de fato, renda exacionável. Nesse sentido, afirma que, lado a lado com a comissão pelos serviços de marketing prestados, recebia ela, de seus contratantes, montantes que apenas transitavam pelas suas contas, sem constituírem resultado operacional, destinados a repasse a terceiros, a título de prêmios ou de outras subvenções atreladas à prestação serviçal realizada. O equívoco fazendário, insinua a postulante, teria causa no fato de os importes transferidos também serem acobertados por meio de notas fiscais de serviços. Ao considerar a totalidade destes documentos fiscais, em cotejo com o valor tributável declarado, o Fisco teria feito incidir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS a receitas que pertencem a outras pessoas – a quem eram os valores creditados, segundo os ditames emanados dos tomadores dos serviços de marketing. A autoridade recorrida, em seu voto, anuiu, em tese, com a argumentação da recorrente, muito embora tenha apontado, acertadamente, que tais importes não deveriam constar das notas fiscais de serviços, como se preços fossem. Assim se manifestou o colegiado a quo: Fl. 2562DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 35 34 “Das expressas cláusulas contratuais, depreendese que a autuada EXPERTISE era uma mera intermediária de "premiações", consubstanciadas nos cartões eletrônicos por ela emitidos, mas comandadas nos pedidos de premiação e pagas pelas empresas CONTRATANTES, em favor de pessoas físicas. Na prática, tais valores eram repassados pelas empresas CONTRATANTES à EXPERTISE, com base na notas fiscais de serviços; e creditados, pela EXPERTISE, nos cartões emitidos em favor dos beneficiários, por ordem das CONTRATANTES, dada nos pedidos de premiação. Importa destacar que nos exatos termos do item 3 dos Quadros Resumos dos Contratos, o valor da premiação repassado pelas CONTRATANTES, dão integrava o preço da prestação de serviço da EXPERTISE. Na verdade, o valor total da premiação distribuído era a base de cálculo do preço dos serviços prestados pela EXPERTISE, e assim sendo, não deveria constar das notas fiscais de serviços, apesar das expressas disposições contratuais orientarem nesse sentido (Cláusula 3, b). (...) Relevante assinalar que, apesar do objeto social definido no contrato de prestação de serviços acima apreciado ["condução de marketing de incentivo"], pelas demais cláusulas contratuais, verificase que, de fato, o serviço da EXPERTISE se restringia à emissão dos cartões eletrônicos e à viabilização de sua utilização no mercado. Reconhecese, assim, no que tange aos valores creditados nos cartões magnéticos, que a atuação da EXPERTISE era completamente limitada às ordens emitidas pelas empresas CONTRATANTES, quanto aos beneficiários, aos valores e às datas de creditamento. Nesse contexto, não se pode reconhecer que os valores pagos pelas CONTRATANTES tivessem como real destinatária a EXPERTISE, que contratualmente não tinha qualquer gestão sobre os recursos. Os reais beneficiários eram os destinatários finais dos recursos. Da mesma forma, a EXPERTISE não efetuava qualquer pagamento aos beneficiários, mesmo porque não tinha com eles qualquer vínculo, mas apenas repassava valores demandados e supridos pelos reais tomadores de seus serviços. Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 36 35 Concluise a partir dos contratos firmados que as CONTRATANTES tinham a responsabilidade não apenas de estabelecer os critérios de premiação e de fornecer discriminação completa dos beneficiários e dos prêmios à CONTRATADA (empresa denominada de "marketing de incentivo"), mas também de proceder ao repasse dos valores dos prêmios e ao pagamento dos serviços prestados pela contratada (emissão dos cartões magnéticos e sua colocação no mercado). Fica mais que evidente que o pagamento dos prêmios fazse por conta e ordem das tomadoras dos serviços, e não poderia ser de outra forma, haja vista que os prêmios remuneram justamente o incremento de suas atividades. Desta forma, verificandose que, nos termos dos contratos firmados, a EXPERTISE nada mais fez do que proceder a pagamentos indiretos, por conta e ordem das tomadoras de seus serviços, não caberia a imputação de omissão de receitas sobre os valores meramente repassados das empresas contratantes para os beneficiários por ela designados.” Sem prejuízo disso, o aresto guerreado entendeu que tais circunstâncias não demandariam reprimenda ao labor impositivo, uma vez que este, pretensamente, já deixara de considerar as notas fiscais marcadas com rubricas relativas a simples intermediações de pagamentos de premiações. Teriam sido tributados, com isso, apenas os valores resultantes da prestação dos serviços inerentes ao objeto social da recorrente. Por essas razões, creio que o trabalho lançador encontrase adequado e devam ser mantidos os lançamentos debatidos, porquanto incontroversamente corretos. Nego, portanto, provimento ao recurso voluntário nesta parte. (3) Da insidiosa qualificação da multa de ofício O labor lançador, sob o pretexto de que a recorrente adotara reiterada e abrangente prática de omissão de receitas, houve por bem qualificar a multa de ofício impingida, elevandoa à taxa de 150% (cento e cinquenta por cento). Acontece, contudo, que a simples verificação de omissão de rendimentos, ainda que contumaz e substancial, não é condição suficiente para a majoração da penalidade. Deve haver, para tal mister, provas robustas de que o contribuinte agiu com intuito de sonegação, de fraude ou de conluio. Há, noutras palavras, necessidade de que a materialidade delitiva seja comprovada, de forma cabal e inquestionável, sob pena de não se poder elevar a percentagem da sanção pecuniária. Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 37 36 O que ora se pugna está sedimentado há muito tempo nesse Conselho. Tanto é assim que vige, por ora, a Súmula CARF nº 25, in verbis: “SÚMULA Nº 25 do CARF: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Ausente provas outras do desiderato fraudulento, não há como se aduzir a prática de infração autorizadora da qualificação da multa punitiva. Não se pode alegar, no mais, exatamente por este motivo, que haja elementos fáticos capazes de deslocar o critério de cômputo decadencial, passandoo para o artigo 173, inciso I, do CTN. Com isso, fechase o arco expositivo iniciado alhures, objeto do subitem (1) do voto. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para fins de: a) reconhecer a decadência dos lançamentos atinentes a fatos geradores anteriores ao quarto trimestre de 2004, exclusive; e b) reduzir a multa de ofício aplicada, até o importe de 75% (setenta e cinco por cento). Sala das Sessões, em 02 de fevereiro de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 38 37 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A exigência aqui veiculada foi formalizada em 15/10/2009, tendo por objeto créditos tributários devidos a título de IRPJ e CSLL, do 4o trimestre de 2003 ao 4o trimestre de 2005, e, relativamente à Contribuição ao PIS e à COFINS, entre os períodos de apuração de outubro de 2003 e dezembro de 2005. Na medida em que caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento dos tributos aqui lançados, e uma vez confirmada esta acusação no presente julgamento, resta afastada a pretendida aplicação do art. 150, §4o do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (negrejouse) Ainda que, nas circunstâncias aqui tratadas, haja pagamento parcial do débito, a apuração da contribuinte não é homologada com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, de modo que resta ao Fisco, para formalizar o lançamento, o prazo estabelecido no art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 39 38 Diante destes termos, não há dúvidas quanto à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativamente à Contribuição ao PIS e da COFINS devidas em outubro e novembro de 2003, pois, sendo possível o seu lançamento em novembro e dezembro/2003, respectivamente, o prazo para constituição do crédito tributário começaria a contar, na melhor das hipóteses, em 01/01/2004, e expiraria em 31/12/2008, antes da ciência dos autos de infração aqui em debate (15/10/2009). Já com referência à Contribuição ao PIS e a COFINS devidas mensalmente a partir de dezembro/2003, bem como em relação ao IRPJ e CSLL devidos trimestralmente a partir do 4o trimestre de 2003, cujo lançamento somente é possível em 2004, passa a ter relevo a interpretação que se faz da expressão “exercício”, contida no inciso I do art. 173 do CTN. De fato, caso se entenda que exercício corresponde ao período de pagamento do débito, “exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado”, no presente caso, poderia representar uma data a partir de fevereiro/2004, que distaria mais de 5 (cinco) anos da data de formalização do lançamento (15/10/2009), ensejando o reconhecimento da decadência de algumas outras parcelas lançadas. Vejase que não há interferência, nesta interpretação, do entendimento expresso pelo Superior Tribunal de Justiça ao decidir, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 40 39 revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (negrejouse) O referido julgado é comumente utilizado para evidenciar que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal Superior. De fato, o relatório daquele julgado expressa que em debate estava o lançamento formalizado em 26/03/2001, de valores devidos em 01/01/92 e 01/01/95. Por sua vez, a autarquia previdenciária, além de invocar o art. 45 da Lei nº 8.212/91, pretendeu que o prazo para constituição do crédito tributário tivesse início após a homologação do lançamento, momento que reputava ser o primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Em resposta a esta arguição, o Ministro Relator Luiz Fux assim se posicionou: Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 41 40 Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Já no presente caso, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado também significa primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, pois somente quando o fato imponível se perfaz é possível formalizar o lançamento. Determinante, portanto, é a definição do que se entende por exercício. E, neste ponto, o entendimento majoritário desta Turma de Julgamento é no sentido de interpretar exercício como um conceito extraído do Direito Financeiro, correspondente ao ano civil, consoante dispõe a Lei nº 4.320/64: Do Exercício Financeiro Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I as receitas nêle arrecadadas; II as despesas nêle legalmente empenhadas. (grifos não dispostos no original) Aliás, esta mesma interpretação é encontrada nos arts. 9o e 104 do CTN, bem como no art. 150, III, “a” e “b”, da Constituição Federal: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; [...] Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Constituição Federal Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (negrejouse) Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101000.670 S1C1T1 Fl. 42 41 Aplicando esta interpretação ao caso concreto, relativamente ao IRPJ e a CSLL devidos no 4o trimestre de 2003, bem como à Contribuição ao PIS e a COFINS devidos em dezembro de 2003, na medida em que tais períodos, encerrados em 31/12/2003, somente eram passíveis de lançamento no ano civil de 2004, o primeiro dia do ano civil seguinte é 01/01/2005, o que permite a constituição de crédito tributário pelo Fisco até 31/12/2009, e revela que o lançamento formalizado em 15/10/2009 poderia alcançálos validamente, assim como os períodos de apuração subseqüentes. Com base nestes fundamentos, o presente voto expressa o entendimento majoritário desta Turma Julgadora no sentido de ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência, relativamente, apenas, à Contribuição ao PIS e à COFINS devidos em outubro e novembro de 2003. EDELI PEREIRA BESSA – Conselheira Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Numero do processo: 13971.720490/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. FALTA DE CORRESPONDÊNCIA ENTRE OS FATOS E DISPOSITIVO DA LEI. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. INTIMAÇÃO DE TERCEIRAS PESSOAS. NÃO OBRIGATORIEDADE. Existindo correspondência entre os fatos e as infrações previstas em lei, descabe falar preterição do direito de defesa e em nulidade do auto de infração.
Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN.
A autuada demonstrou ter entendido perfeitamente os motivos das infrações apuradas, tendo a oportunidade de contestar a autuação com a apresentação dos seus argumentos e das provas que julgava necessárias, o que propiciou o exercício do contraditório e da ampla defesa.
Inexiste obrigatoriedade de intimar terceiras pessoas que não aquelas que sejam sujeito passivo e responsável tributário pelas obrigações fiscais.
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide sem que isso acarrete a sua nulidade.
DRJ COMPETENTE PARA JULGAMENTO. CORREÇÃO.
Nos termos de ato expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, verifica-se a correção, territorial e por matéria, da unidade julgadora de primeira instância (DRJ) que efetuou o julgamento da autuação. Rejeitado, assim, o pedido de nulidade do acórdão emitido, por incompetência da unidade para emitir a decisão.
ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA MOTIVAÇÃO CLARA E DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. NULIDADE.
Deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, por ter deixado de fundamentar com clareza os motivos que levaram à decisão proferida e de ter deixado de analisar os documentos apresentados juntamente com a peça impugnatória, o que acarretou ofensa ao princípio da ampla defesa.
Numero da decisão: 1202-001.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal, em rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido, por incompetência e por indeferimento do pedido de perícia e, em acolher a preliminar de nulidade do Acórdão nº 14-35.974 da DRJ/Ribeirão Preto, por cerceamento do direito de defesa, para que outro seja emitido, bem como em anular todas as peças processuais a partir da sua emissão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Alexei Macorim Vivan.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. FALTA DE CORRESPONDÊNCIA ENTRE OS FATOS E DISPOSITIVO DA LEI. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. INTIMAÇÃO DE TERCEIRAS PESSOAS. NÃO OBRIGATORIEDADE. Existindo correspondência entre os fatos e as infrações previstas em lei, descabe falar preterição do direito de defesa e em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. A autuada demonstrou ter entendido perfeitamente os motivos das infrações apuradas, tendo a oportunidade de contestar a autuação com a apresentação dos seus argumentos e das provas que julgava necessárias, o que propiciou o exercício do contraditório e da ampla defesa. Inexiste obrigatoriedade de intimar terceiras pessoas que não aquelas que sejam sujeito passivo e responsável tributário pelas obrigações fiscais. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide sem que isso acarrete a sua nulidade. DRJ COMPETENTE PARA JULGAMENTO. CORREÇÃO. Nos termos de ato expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, verificase a correção, territorial e por matéria, da unidade julgadora de primeira instância (DRJ) que efetuou o julgamento da autuação. Rejeitado, assim, o pedido de nulidade do acórdão emitido, por incompetência da unidade para emitir a decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 04 90 /2 01 1- 90 Fl. 9069DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.070 2 ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA MOTIVAÇÃO CLARA E DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. Deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, por ter deixado de fundamentar com clareza os motivos que levaram à decisão proferida e de ter deixado de analisar os documentos apresentados juntamente com a peça impugnatória, o que acarretou ofensa ao princípio da ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal, em rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido, por incompetência e por indeferimento do pedido de perícia e, em acolher a preliminar de nulidade do Acórdão nº 1435.974 da DRJ/Ribeirão Preto, por cerceamento do direito de defesa, para que outro seja emitido, bem como em anular todas as peças processuais a partir da sua emissão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Alexei Macorim Vivan. Relatório Tratase de examinar o lançamento fiscal para exigência do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativo aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, com multa de ofício, no percentual de 150%, e juros de mora, com base na taxa Selic. De acordo com o relatado no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 3475 e seguintes, a infração apurada referese à omissão de receitas em face da constatação da ocorrência, em tese, de “operações simuladas” de compra e venda de mercadorias entre a autuada e a empresa Kiko Flex Mangueiras Hidráulicas Ltda. Ambas empresas tem o controle societário de Hennings Administradora SA, todas administradas por Alberto Hennings, fato que, segundo a fiscalização, teria facilitado a ocorrência das operações simuladas. Fl. 9070DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.071 3 Após exame dos documentos e livros contábeis e fiscais das empresas, a fiscalização concluiu que a empresa Kiko Flex Mangueiras Hidráulicas Ltda faria parte de uma simulação, não passando de mera ficção, face as seguintes constatações retratadas no relatório do Acórdão nº 1435.974 da DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 8940 a 8961, que, por bem descrever os fatos ocorridos, adoto e passo a transcrever na parte que mais interessa: “Narraram que a Hennings tem como objetivo “o comércio atacadista, a fabricação, a montagem e a instalação industrial de componentes hidráulicos e pneumáticos, a importação e exportação de produtos de vedações hidráulicas e pneumáticas, a representação comercial e a participação em outras empresas”, sua matriz tem sede em Blumenau, possui 10 filiais, tem como sócios a Hennings Administradora S/A (99,99%) e Adriana Hennings Scheidemantel (0,01%), tendo como administradores a sócia Adriana e Alberto Hennings (não sócio). Informaram que a empresa Kiko tem como objeto social o “comércio atacadista e varejista de equipamentos e peças hidráulicos, representação comercial, importação e exportação e a participação em outras empresas”, tem sua matriz em Blumenau e uma filial em São Paulo e tem como sócios a Hennings Administradora S/A (97%) e Alberto Hennings (3%), cabendo a este isoladamente a administração da sociedade. Relataram que a Hennings Administradora S/A, tem sede em Blumenau, tem como objeto social “a exploração do ramo de administração de bens próprios, assessoria, planejamento e participação em outras empresas”, tem como sócios Alberto Hennings (administrador), Adriana Hennings Scheidemantel, Richard Hennings e Cristiano Hennings. E ainda: Que a atividade da “Hennings” é Importação, industrialização e comércio atacadista e varejista de mangueiras hidráulicas, com atuação nas regiões Sul e Sudeste, com sede própria no endereço acima indicado. A “Hennings” é pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, pelo sistema Não Cumulativo nas contribuições para o PIS e COFINS e com tributação pelo IPI, na condição de industrial ou equiparada a industrial, em razão das importações de mercadorias do exterior. A atividade exercida no CNPJ da “Kiko”, nos três anos fiscalizados é aquisição de mangueiras hidráulicas da “Hennings” (97% das compras) e revenda no mercado atacadista e varejista nacional (Sul e Sudeste). Que o endereço da Matriz da “Kiko”, é no imóvel de propriedade da “Hennings”, cedido por empréstimo de forma gratuita, por prazo indeterminado, através de contrato de comodato. Que a “Kiko”, no período fiscalizado, de 2006 a 2008, possui apenas uma filial, de CNPJ 02.122.621/000254, localizado na avenida Ruben Bento Alves, nº 3921, 2º andar, bairro São José, município de Caxias do Sul – RS. O endereço da única filial da “Kiko” é o mesmo da filial nº 4 da “Hennings”, CNPJ 83.748.772/000648, em imóvel alugado pela “Hennings” e cedido por empréstimo de forma gratuita, por prazo indeterminado, através de contrato de comodato apresentado em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 01 da “Kiko”. Fl. 9071DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.072 4 Por sua vez a “Kiko” é optante pelo Lucro Presumido (IRPJ e CSLL), pelo sistema Cumulativo nas contribuições para o PIS e COFINS e não é contribuinte do IPI. A “Kiko” não possui bens imóveis nem veículos no seu ativo permanente. Apenas registra R$ 34.584,00, no final de 2008, composto por instalações industriais e equipamentos de escritório, com receita bruta declarada em DIPJ de R$ 22.309.694,81 em 2006, R$ 25.113.418,96 em 2007 e R$ 29.062.064,59 em 2008. Ambas as empresas são administradas pelo Sr. Alberto Hennings, que tem influência direta, através da “Administradora”, que é controladora absoluta das duas empresas. A “Kiko” é o maior cliente e fornecedor (nacional) da “Hennings”, nos três períodos analisados, uma vez que adquire e revende ou devolve para “Hennings” parte das mercadorias que adquiriu, notadamente por preços muito superiores aos de aquisição (2,5 a 10 vezes maiores). Vejamos o ano de 2006: Vendas para “Kiko” de R$ 16.835.112,78 menos Compras R$ 6.669.488,75 menos devoluções de vendas R$ 3.801.039,62 resulta num saldo de vendas de R$ 6.364.584,41 de “Hennings” para “Kiko”. No ano de 2007 a situação se inverteu: A “Kiko” passou a condição de fornecedor (no papel) da “Hennings”: Compras da “Kiko” R$ 4.210.132,62 e Vendas para “Kiko” de R$ 2.731.319,81 e não houveram devoluções de vendas. Em 2008 as vendas para “Kiko” somaram R$ 14.944.782,59 e as compras da “Kiko” R$ 1.107.056,10. Numa análise preliminar estes números podem parecer normais numa relação comercial entre empresas, até quando se trata de empresas do mesmo grupo econômico. Porém, neste caso, ao fazermos uma análise criteriosa percebemos a engenharia contábil engendrada pela “Hennings” em parceria com a “Kiko”, para redução parcial ou total dos tributos incidentes sobre o faturamento e o lucro na “Hennings”, conforme será relatado a seguir: Já foi relatado anteriormente que a “Hennings” é contribuinte do IPI, tributada pelo Lucro Real (com opção anual) e apura as contribuições do PIS e COFINS pelo sistema NãoCumulativo. A “Kiko” exerceu opção pelo Lucro presumido, sistema simplificado e favorecido destinado a pequenas e médias empresas, com coeficiente de presunção do lucro de 8% para IRPJ e apuração das contribuições, PIS e COFINS, pelo sistema Cumulativo. (...) Percebese facilmente que a “Kiko” tem na compra e venda de mercadorias da “Hennings” a sua razão de ser, uma vez que não possui outros fornecedores, o que caracteriza exclusividade na venda de produtos da “Hennings”. Quanto as vendas percebese que a “Kiko” revendeu ou devolveu para própria “Hennings” 59,40% das compras efetuadas em 2006, 146,74% em 2007 e 7,47% em 2008. Fl. 9072DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.073 5 É importante registrar que as vendas da “Hennings” para “Kiko”, nos três anos fiscalizados, ocorreram entre a Matriz “Hennings” de Blumenau – SC e a filial da “Kiko” de Caxias do Sul (distante há mais de 500km), nos percentuais de 97% em 2006, 75,14% em 2007 e 66,06% em 2008. A filial da “Kiko” em Caxias do Sul –RS, ato contínuo a compra, transfere toda a mercadoria adquirida para a matriz “Kiko” em Blumenau – SC, em nova operação interestadual. Registrese também que a filial “Kiko” de Caxias do Sul –RS, não efetuou nenhuma operação de venda de mercadorias (“Hennings” ou terceiros), nos três anos fiscalizados. A “Hennings” efetua recompra, de parte das mesmas mercadorias vendidas para “Kiko” Caxias do Sul – RS, da matriz da “Kiko” Blumenau – SC, por preços notoriamente superiores aos praticados na venda e as revende no mercado nacional sem incidência IPI. Regularmente intimadas, a “Hennings” e “Kiko”, não comprovaram a efetividade dessas transações, uma vez que não há indicação do meio de transporte nem do transportador na nota fiscal, veículo utilizado, não há indicação de peso e volume, não há despesas de fretes, não há carimbos indicativos que comprovem a passagem pelos postos fiscais das Fazendas Estaduais entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Não foi apresentado nenhum documento comprovando a efetiva remessa da mercadoria para “Kiko” em Caxias dos Sul, muito menos o efetivo retorno da mercadoria, no dia seguinte, para a matriz da “Kiko” em Blumenau. Aliás, o que é tecnicamente impossível por questões de logística e pela distância de mais de 500km entre os estabelecimentos envolvidos, conforme cópias Notas Fiscais em anexo. Dessa forma, sem a devida comprovação, fica evidente que tais notas fiscais de vendas para “Kiko” foram realizadas “apenas no papel”, para repassar parte do faturamento da “Hennings” para “Kiko” e as devoluções de vendas e recompras pela “Hennings” serviram apenas para gerar créditos dos tributos Não Cumulativos (IPI, PIS e COFINS) e majoração dos custos para fins de redução total ou parcial do IRPJ e CSLL, sem que as mercadorias tenham saído efetivamente do estabelecimento da “Hennings”. Esclareceu que, analisando mais detalhadamente, percebese que a “Kiko” atua como interposta pessoa da “Hennings” na comercialização de seus produtos, pois, sendo intimada, a “Kiko” informou que não possui setores de contabilidade, recursos humanos, vigilância, limpeza, contas a receber e a pagar, jurídico, manutenção em geral, e que esses serviços foram prestados por funcionários da “Hennings”. Constatouse que não há qualquer rateio desses custos/despesas entre as empresas favorecidas. Além disso, a prestação de informações aos órgãos públicos foi feita por funcionários da “Hennings”, conforme pode ser verificado na DIPJ, DCTF e Dacon; o Sr. Alberto Hennings, diretor e sócio da “Kiko” e presidente da “Administradora”, tem seu local de trabalho no domicílio da “Hennings” onde trabalha regularmente como diretor contratado (remunerado); os livros e documentos da “Hennings” e da “Kiko” foram disponibilizados na mesma sala, ou seja, sala de reuniões da matriz da “Hennings”; vários vendedores externos da “Kiko” são funcionários/empregados da “Hennings”; e o telefone e o email utilizado para responder às intimações fiscais da “Kiko” é o mesmo da “Hennings”, o que evidencia, de forma inequívoca, que a Fl. 9073DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.074 6 “Kiko” é uma “extensão ou braço” e funciona dentro dos estabelecimentos e às custas da “Hennings”. Constatouse que praticamente 100% da receita da “Kiko” é proveniente de transações feitas a prazo lançadas a débito da conta 106Cobrança em carteira (ativo), receita esta registrada na conta de resultado 3406 – receita de vendas matriz. O dinheiro então passa pela conta do ativo chamada 106 – Cobrança em carteira e uma parte (relativa a vendas para “Hennings”) é compensada diretamente com a “Hennings” conta de ativo 4771 e o restante vai para cobrança bancária no Banco do Brasil conta 4191 e Bradesco conta 4720. Ao registrar o recebimento dos títulos nas contas do Banco do Brasil e Bradesco o dinheiro é creditado nesta conta 106 de cobrança e debitado no Banco do Brasil conta 4191 e Bradesco conta 4720. Uma vez ingressado nos bancos a totalidade do dinheiro é então transferida para a “Hennings” via “Empréstimo ou Adiantamento”, com remessas efetuadas de forma aleatória (conforme saldo disponível) ou por meio de pagamento de títulos da “Hennings” (débito nas contas bancárias da “Kiko”), com uma única finalidade: alimentar o fluxo financeiro (caixa) da “Hennings” por meio do retorno do dinheiro recebido em decorrência da parcela do faturamento realizado por meio do CNPJ da “Kiko”. Acrescentaram os autuantes que, para fazer retornar para a “Hennings” estes valores, a “Kiko” efetuou lançamentos a crédito da conta Banco do Brasil 4191 e Bradesco conta 4720 no ativo, com contrapartida a débito na conta do passivo 5279 adiantamento a clientes “Hennings”, assim o Caixa contábil e o saldo dos bancos da “Kiko” é esvaziado mediante simulação do empréstimo à “Hennings”, conforme cópia parcial do livro Razão contábil das contas acima citadas. Estes valores foram utilizados para pagar títulos da “Hennings” por meio das contas bancárias da “Kiko”, fato esse reconhecido pela “Hennings” por meio dos lançamentos a débito no ativo conta 52 (caixa) e crédito no ativo conta 9739 (empréstimos a “Kiko”), como se fosse um suprimento de caixa e ato contínuo faz o lançamento de saída da conta 52 no ativo (a crédito) em contrapartida a débito da conta 1442 fornecedores matriz no passivo (débito). Na “Hennings” os ingressos oriundos da “Kiko” fazem um caminho tortuoso, circulando pelas contas de empréstimos no ativo conta 9739, 11676 de compensação no ativo; caixa conta 52 (entra como empréstimo e sai como adiantamento); conta 15119 adiantamento cliente Kiko; conta 402 cobrança em carteira matriz e a conta 1442 fornecedores, realizando um “verdadeiro festival de lançamentos” entre essas contas na tentativa de ajustar os saldos dos valores a pagar e receber, sendo que no final de cada período os excessos de adiantamento recebidos da ‘Kiko” em relação aos débitos compensados, são reclassificados a débito na conta 15119 (adiantamento clientes Kiko) e creditados na conta 16113 “Administradora”, por meio de contrato de cessão de direitos celebrado entre a “Kiko” e “Administradora”, com a anuência da ‘Hennings”, nos três anos fiscalizados. Essa prática de contabilizar supostos adiantamentos e reembolsos (devoluções) dos mesmos ao longo dos três anos fiscalizados, visando o suprimento de recursos e pagamento de fornecedores da “Hennings”, caracteriza de maneira inequívoca, a omissão de receitas da “Hennings” mediante a prática de divisão de parte de seu faturamento por meio do CNPJ da “Kiko”. [...]. Dessa forma, o montante dos créditos que a “Kiko” possuía junto a “Hennings” que representam o excesso de remessas em relação às dívidas compensadas, foram repassados para a “Administradora” e reclassificados na contabilidade da “Hennings” a crédito na conta 2590 (de passivo) sob o título de “Reservas para Futuro Aumento de Capital” em nome da “Administradora”, nas Fl. 9074DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.075 7 datas dos contratos de cessão de créditos. Assim, os recursos retornaram para “Hennings” sob a forma de reserva para futuro aumento de capital sem serem tributados pelo lucro real, sem incidência de IPI, PIS e Cofins nãocumulativo, que a “Hennings” estava obrigada. As provas confirmam que as operações comerciais são realizadas na verdade entre a “Hennings” e seus clientes utilizando as notas fiscais da “Kiko”, com a finalidade de reduzir tributos e contribuições incidentes sobre a parte das receitas da “Hennings”. Concluiu a fiscalização que a “Kiko” existe somente para dar lucro à ‘Hennings” (via “Administradora”), uma vez que não tem finalidade própria, não tem objeto social próprio, não possui setores fundamentais para o funcionamento de qualquer empresa, não aumentou seu capital (R$ 8.000,00), não possui bem imóveis ou veículos, não tem sede própria e funciona nos imóveis cedidos gratuitamente pela “Hennings”. Assim sendo, todas as receitas auferidas pela “Kiko” devem ser tributadas juntamente com as receitas auferidas pela “Hennings” pelo lucro real para correta apuração dos tributos. Foram lavrados autos de infração exigindo IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, com aplicação da multa de 150% e formalização da Representação Fiscal para Fins Penais e arrolamento de bens. Notificada da autuação, a contribuinte representada por Júlio César Krepsky (fls. 3586 a 3606), ingressou com a impugnação de fls. 3517 a 3579, na qual alegou o que segue: ∙ Nulidade do auto de infração, tendo em vista a ausência da Kiko como integrante do processo administrativo fiscal (PAF). Várias das condutas descritas e dos fatos narrados pelo fisco envolvem diretamente a Kiko. No entanto, ela sequer foi notificada e não poderá participar do processo, com prejuízo também para a impugnante, em clara violação do princípio do devido processo legal (Constituição Federal CF, art. 5º, LIV e LV); ∙ Segundo o auto de infração teria havido omissão de receitas, na forma do art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, mas consta no TVF que a infração apurada seria bem diferente e estaria caracterizada por atuação da Hennings por interposta pessoa, divisão de parte do faturamento da impugnante com a Kiko, as operações entre Hennings e Kiko não existiram de fato e que a Kiko seria uma sociedade fictícia, sem propósito negocial. A omissão de receitas em nenhum momento é indicada como infração cometida. Teria supostamente havido simulação ou abuso de forma, ou, ainda outra figura jurídica análoga. Mas os agentes fiscais não conseguiram apontar sequer uma operação realizada por alguma das duas empresas sem cobertura de documento fiscal; ∙ Ao indicar a conduta como omissão de receitas deixou o fisco de relacionar os dispositivos legais específicos que efetivamente justificariam, por hipótese, a autuação (art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972). Além do mais, o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, trata do critério de apuração dos tributos devidos e não de alguma conduta específica que motive a sua apuração. Assim, por falta de tipicidade de conduta ou de fundamentação legal da infração o lançamento deve ser cancelado, por contrariar o contraditório e a ampla defesa; ∙ [...] Fl. 9075DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.076 8 ∙ As provas agora anexadas demonstram que a Kiko detém toda uma estrutura operacional vinculada com sua atividadefim, o comércio atacadista: estocagem, separação, expedição, vendas, compras, contas a pagar e a receber. Quando intimada, a Kiko entregou relação de funcionários (fls. 320 a 322), que desenvolvem atividades de vendedor externo, vendedor interno, faturista, expedidor de materiais, separador de pedidos, auxiliar de vendas, auxiliar de recebimento, líder de logística, supervisor de vendas (cópias da fichas de registro no anexo X). ∙ O fato de algumas atividades acessórias (contabilidade e informática, por exemplo) relacionadas com a Kiko terem sido parcialmente prestadas pela Hennings durante os anos de 2006 a 2008 não deveria ter merecido o destaque dado pelo fisco, pois tal prática é corriqueira entre as empresas que têm controle comum. Como é sabido, em alguns casos essas atividades são desenvolvidas pelas holdings, as quais posteriormente rateiam os custos e os cobram das controladas. [...]; ∙ A filial de Caxias (RS) é exposta pelo fisco como um suposto pontochave do “esquema” de redução de tributos federais. Referida filial, cuja contabilidade era realizada por escritório contratado (anexo XVII), teve suas atividades encerradas em 08/12/2009, conforme 11ª Alteração Contratual (anexo XVIII). Qual a importância estratégica para a redução de tributos de uma filial que foi fechada antes de qualquer fiscalização? Não houve “engenharia contábil” e o fato de as mercadorias transitarem ou não pela filial de Caxias (RS) em nada afeta a apuração dos tributos federais, já que o efeito é o mesmo se as vendas tivessem sido efetuadas diretamente de Hennings para Kiko Blumenau; ∙ A existência da filial de Caxias justificavase por questões operacionais relacionadas ao regime especial de ICMS vigente à época e não à apuração de tributos federais; ∙ Quanto à filial de São Paulo, foi aberta em 18/09/2008, ocupa uma área corresponde a mais de 2.500 metros quadrados (anexo III), num imóvel locado junto a terceiros, possuindo 20 funcionários (anexos III, VII e X), com faturamento que já representa aproximadamente 50% do faturamento total da empresa; ∙ Com relação à efetividade das operações entre Hennings e Kiko, essa menção baseiase na filial de Caxias, mas nada se questionou quanto às operações da Hennings com a Kiko Blumenau. As operações com a filial de Caxias apresentavam as particularidades relacionadas ao regime especial de ICMS, não podendo ser tomadas como parâmetro para “averiguar” a efetividade das transferências para Kiko Blumenau; ∙ O ponto principal não atacado pelo fisco está na presença física incontestável das mercadorias em estoque da Kiko (anexo III), na estrutura administrativa de controle de estoques, contando inclusive com vários funcionários (anexos III e X) e na saída efetiva de mercadorias do estabelecimento da Kiko (anexo XX); ∙ [...] ∙ Quanto às vendas efetuadas pela Kiko, também não há dúvidas de que as mercadorias partiram fisicamente de seu estabelecimento e não da Hennings. Os documentos de fretes de mercadorias vendidas, juntados por amostragem, indicam claramente como local de retirada a sede da Kiko em Blumenau (anexo XX). A existência de vários relatórios gerenciais de vendas (anexo IX) demonstra a efetividade e a regularidade das vendas efetuadas pela Kiko aos seus clientes. Está anexando, por amostragem, partes do relatório de produtividade por vendedor da Fl. 9076DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.077 9 Kiko, que demonstra a atuação real, efetiva e independente dessa empresa em relação aos seus clientes (anexo XXII); ∙ A afirmação de que a Kiko revende ou devolve para a Hennings parte das mercadorias que adquiriu notadamente por preços muito superiores aos de aquisição (2,5 a 10 vezes maiores – fl. 3483) não procede. Algumas operações de venda da Kiko para Hennings eram realizadas por valores superiores aos de compra por incorreção na operação do sistema, e essa não era a regra. Realizou um levantamento físico da totalidade das notas que contemplam essa situação no período fiscalizado e apurou que a diferença de preços das operações com essa característica foi de R$ 337.432,78 (anexo XXIII). Por outro lado, ocorria exatamente o contrário: mercadorias adquiridas pela Kiko eram vendidas para a Hennings por preços abaixo dos de compra. Efetuou um levantamento físico da totalidade das notas que contemplam essa situação e apurou uma diferença de R$ 382.084,66 (anexo XXIV). Verificase a ocorrência de um saldo líquido de R$ 44.651,88 faturados a menor de Kiko para Hennings, demonstrando que não existe planejamento tributário, pois a empresa de lucro presumido estaria transferindo lucro para a de lucro real; ∙ Outra afirmação fiscal improcedente é a de que os recursos financeiros da Kiko precisavam retornar para a Hennings para alimentar seu fluxo financeiro (fl.3490) e que na prática a Kiko funciona como mais uma conta caixa e bancos da Hennings (fls. 3493). Fez um levantamento dos saldos da conta adiantamentos da Kiko para a Hennings ao final de cada mês do período fiscalizado e dos saldos de recursos direcionados pela Hennings para aplicações financeiras no mesmo período (anexo XXV), que demonstram que a Hennings possuía recursos financeiros aplicados e disponíveis, na maioria das vezes em montante superior ao saldo da conta adiantamento da Kiko; ∙ Os adiantamentos realizados devem ser analisados em um contexto de simplificação de procedimentos. Como a Hennings vendia com constância da Kiko, era certo que aquela teria valores a receber da referida empresa e nesse contexto os adiantamentos eram realizados e depois compensados. O que os fiscais chamam de dependência financeira nada mais é do que uma gestão única de caixa, com vantagens na rentabilidade de aplicações financeiras realizadas com um volume unificado e maior, e uma opção legítima para evitar a incidência da CPMF; ∙ [...] ∙ Não há nada no ordenamento jurídico que obrigue o contribuinte a adotar formas de pagar mais tributo ou de elevar ao máximo sua carga tributária. A Kiko não foi criada pela Hennings e essa sociedade já existia há quase 10 anos quando passou a ter o controle comum. [...]; ∙ No caso da impugnante, já se demonstrou que não ocorreu o desmembramento de atividades e o argumento de coexistência física não pode ser levantado, porque o estabelecimento da Kiko em Blumenau dista aproximadamente 8 Km do estabelecimento da Hennings (anexo XXI) e a filial de São Paulo aproximadamente 600 Km. Isso sem considerar os demais aspectos específicos que envolvem as operações da Kiko, os quais afastam qualquer dúvida quanto à efetiva existência e operação da referida empresa; ∙ [...] ∙ Deve ser excluída a multa de 150% por ausência de pressupostos legais para sua aplicação. A simples apuração de omissão de receitas não autoriza a qualificação da multa de ofício; Fl. 9077DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.078 10 ∙ Está anexando o documento (anexo XXIX) que demonstra que o trabalho fiscal incorreu em erros básicos na elaboração das planilhas de apuração dos valores notificados. Embora o resultado líquido do exercício antes dos tributos da Hennings, em 2006, tenha sido da ordem de R$ 5.600.000,00 e o da Kiko de R$ 9.600.000,00, no consolidado apurado pelo fisco o valor somado das duas empresas foi da ordem de R$ 27.000.000,00. Isso ocorreu porque houve inversão dos sinais quando da exclusão das devoluções do CMV; o fisco não considerou os efeitos tributários sobre as operações entre as empresas na apuração do novo CMV; ∙ [...]; ∙ Houve irregularidade no cálculo do PIS e da Cofins nãocumulativos (fls. 3421 a 3426), na apuração dos débitos, item “base de cálculo declarada”, o fisco levou em consideração toda a base declarada da Hennings e da Kiko. Todavia, ao fazer os ajustes dessa nova base de cálculo, excluíram apenas o faturamento da Hennings para a Kiko, esquecendo de excluir o faturamento da Kiko para a Hennings, contrariando a informação constante no TVF. Da mesma forma, ao apurar os créditos das empresas, consideraram os créditos da Kiko como sendo no valor de R$ 0,00 embora a Kiko tenha várias aquisições que gerariam crédito no período se utilizado o sistema da nãocumulatividade; ∙ Em relação ao IPI, os cálculos não consideraram as alíquotas específicas dos produtos vendidos; ∙ Solicita a realização de prova pericial indicando os seguintes quesitos: [...] Indica como assistente técnico Sr. José Henrique Fróes de Araújo, contador inscrito no CRCSC sob nº 023817/00 e no CPF/MF sob nº 726.701.77972, o qual pode ser encontrado na rua Amadeu da Luz, nº 100, sala 401, em Blumenau (SC), CEP 89010160. ∙ Requereu o cancelamento do auto de infração e que sejam refeitos os cálculos relativos ao IRPJ e CSLL constantes do “resumo consolidado de apuração do IRPJ e CSLL Hennings e Kiko”, constantes da fl.3420, conforme quesitos acima indicados, excluindo do montante exigido o excesso apurado; ∙ Solicitou que seja assegurado o direito de abater da base de cálculo do IRPJ e CSLL, os montantes de PIS, Cofins e IPI e respectivos acréscimos conforme exposto no item IV; ∙ Requereu que sejam refeitos os cálculos relativos ao PIS, Cofins (fls. 3421 3426) e IPI (fls. 34343436), conforme quesitos acima indicados, considerando os reflexos na apuração do IRPJ e CSLL; ∙ Solicitou a exclusão da multa de 150% ou a sua redução ao percentual legalmente aplicável; ∙ Requereu a realização de prova pericial, protestando pela apresentação de quesitos suplementares. É o relatório.” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1435.974 da DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 8940 a 8961, mantendo integralmente os lançamentos fiscais, cuja ementa abaixo se reproduz: Fl. 9078DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.079 11 DEDUTIBILIDADE. TRIBUTOS LANÇADOS DE OFÍCIO. A dedutibilidade dos tributos e contribuições das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL está condicionada a sua regular contabilização, o que não se verifica em relação a tributos e contribuições apurados e lançados de ofício. BASE DE CÁLCULO. ERROS. Constatandose a inocorrência dos erros alegados na impugnação, mantémse o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando não existir matéria contestada que necessite de opinião de perito para ser decidida e quando a produção de prova couber ao sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 BASE DE CÁLCULO. ERROS. Constatandose a inocorrência dos erros alegados na impugnação, mantémse o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2006, 2007, 2008 Fl. 9079DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.080 12 BASE DE CÁLCULO. ERROS. Constatandose a inocorrência dos erros alegados na impugnação, mantémse o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. , repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Adicionalmente, em preliminar, requer a nulidade do acórdão recorrido por incompetência do órgão julgador para exame de tributos relativo ao IRPJ e pela falta de fundamentação/exame das provas trazidas com a impugnação, com violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como pelo indeferimento da perícia. No mérito, além de contestar o lançamento pelos mesmos motivos já expostos na impugnação, aponta as seguintes provas/questões que deixaram de ser examinadas pelo acórdão recorrido: “ [...] 82. O Acórdão recorrido afirmou que Kiko "atuou como interposta pessoa" (fl. 8.955); "é inexistente de fato" (fl. 8.956); "as operações comerciais foram realizadas na verdade entre a 'Hennings' e seus clientes utilizando as notas fiscais da 'Kiko'" (fl. 8.957). [...] 84. Como exposto na Impugnação, não pode ser fictícia uma empresa que ocupa um área física total de mais de 4.000,00 metros quadrados, duas unidades (matriz em Blumenau e filial na cidade de São Paulo), mais de 2.200 clientes desenvolvidos ativos, mais de 50 funcionários (Anexo VII), publica propaganda em revista especializada (Anexo XXXII), distribui brindes personalizados (Anexo III e Anexo XXXIII), efetua registro de marca (Anexo VIII), contrata representante comercial, elabora relatórios gerenciais (Anexos IX e XXII), possui toda uma estrutura de pessoal própria, inclusive de telemarketing (Anexo X), troca emails com clientes e representantes (Anexo XI), contrata serviços diversos (consertos diversos, manutenção de computadores, impressoras, central telefônica, sistema de ponto, manutenção de site, fornecimento de cartões de visita, impressos, serviços de cobrança, Serasa, serviços em recursos humanos, saúde ocupacional, riscos ambientais, outros fornecedores, embalagens, serviços de transporte de funcionários Anexo XII), consome energia elétrica e utiliza serviços de telefonia (Anexo XIII), possui folder de produtos (Anexo XXXI). [...] 88. Neste contexto, percebese que as autoridades fiscais e o Acórdão recorrido simplificaram demasiadamente a situação fática, ao afirmar que Kiko teria sido "criada" por Hennings com a única finalidade de pagar menos tributos o que supõe inclusive a atuação em áreas idênticas de mercado. [...] – Existência de Kiko 89. O Acórdão recorrido registra a afirmação de que Kiko não existe, é interposta pessoa, participa de operações simuladas. Afirmou que Kiko "atuou como interposta pessoa" (fl. 8.955); "é inexistente de fato" (fl. 8.956); "as operações comerciais foram realizadas na verdade entre a 'Hennings' e seus clientes utilizando as notas fiscais da 'Kiko'" (fl. 8.957). [...] Fl. 9080DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.081 13 98. O Acórdão recorrido transcreveu afirmações dos agentes fiscais no sentido de que Kiko seria uma empresa inexistente de fato (fl. 8.956). Mas não promoveu o cotejo dos argumentos trazidos pela Impugnante, e dos respectivos Anexos, com os argumentos e supostas constatações fiscais. [...] 101. Conforme demonstrado, Kiko apresenta toda a estrutura de uma empresa voltada para o comércio atacadista. No item 46 da Impugnação a Recorrente inseriu diversas fotos, coloridas e em alta resolução, relacionadas aos setores de Kiko e ao pessoal que trabalha na referida empresa. Infelizmente, a qualidade da digitalização prejudicou substancialmente a força probatória das fotos (e as do Anexo III), como já exposto (motivo de invalidade da Decisão de primeira instância). 102. Demonstrouse nas fotos as áreas de estocagem, separação, expedição, vendas, compras, contas a pagar e a receber (item 46 da Impugnação). 103. Através do Termo de Intimação Fiscal nº 002 (fl. 318), Kiko foi intimada a apresentar informações sobre funcionários, setores e atividades desenvolvidas. Em resposta, a empresa entregou relação de funcionários (fls. 320322), os quais desenvolvem as seguintes atividades: vendedor externo, vendedor interno, faturista, expedidor de materiais, separador de pedidos, auxiliar de vendas, auxiliar de recebimento, líder de logística, supervisor de vendas. 104. Não se concebe que uma empresa "inexistente de fato" (fl. 8.956 Acórdão) tenha essa estrutura empresarial, com equipe completa de profissionais contratados (cópias das fichas de registro contidas no Anexo X) em atividades que apresentam nítida e óbvia relação com o objeto social de Kiko. [...] 106. Também não procede, de nenhuma forma, a afirmação fiscal (folha 14 do Termo de Verificação Fiscal) de que "vários vendedores externos da Kiko são funcionários/empregados da Hennings". Os registros dos funcionários (Anexo X) demonstram que todos estão registrados em Kiko. 107. E o Acórdão recorrido afirmou, genericamente, que as provas juntadas "não são hábeis para fazer a comprovação desejada" (fl. 8.957). Mas por que, especificamente, não o seriam? Por que os elementos trazidos pela Recorrente não foram analisados pelo Acórdão? 108. O fato de algumas atividades acessórias (contabilidade e informática, por exemplo) relacionadas com Kiko terem sido parcialmente prestadas por Hennings durante os exercícios fiscalizados 2006 a 2008 (lembrese que nesse período Kiko e Hennings já tinham sócios coincidentes) é corriqueiramente verificado entre empresas que tem controle comum. O máximo que poderia ser discutido é se deveria ou não haver rateio de despesas entre as empresas, mas jamais considerar uma delas como nãoexistente e considerar esse fato como fundamento para omissão de receitas! [...] – Filiais de Kiko 110. Na Impugnação, a Recorrente registrou o papel secundário da filial de Caxias do Sul (RS), bem como demonstrou os detalhes da estrutura da filial de São Paulo. Criticou a questão da filial de Caxias ter sido exposta pela fiscalização como um suposto pontochave do "esquema" de redução de tributos federais. 111. O Acórdão recorrido ignorou a filial de São Paulo. E reforçou a linha utilizada pelos agentes fiscais de promoção da filial de Caxias a suposta peçachave Fl. 9081DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.082 14 do "esquema": "Com relação à filial da Kiko em Caxias do Sul, a contribuinte não apresentou qualquer prova efetiva da comercialização das mercadorias" (fl. 8.957). [...] 115. Ou seja, Kiko sempre deixou claro para a fiscalização que as operações com a filial de Caxias, além da expectativa de crescimento no mercado gaúcho, observavam questões operacionais relacionadas a Regime Especial de ICMS obtido pela Recorrente. 116. Por outro lado, e como dito, o Acórdão nenhuma menção fez quanto à filial da Recorrente de São Paulo, aberta em 18/09/2008 (Anexo XIX) e em plena operação até os dias atuais, fato também ignorado pelos agentes fiscais. A referida filial ocupa uma área correspondente a mais de 2.500,00 metros quadrados (Anexo III), num imóvel locado junto a terceiros (Rimi Administração e Participações Ltda, CNPJ/MF 05.323.809/000178), possuindo mais de 20 funcionários (Anexos III, VII e X). O faturamento dessa filial já representa aproximadamente 50% do faturamento total da empresa. [...] Efetividade das operações de compra e venda 117. As autoridades fiscais afirmaram que não restou comprovada a efetividade das operações entre Hennings e Kiko (fl. 3.485), dando a entender também que as vendas seriam todas efetuadas por Hennings diretamente aos clientes de Kiko. Na mesma linha seguiu o Acórdão, para quem "Kiko é inexistente de fato" (fl. 8.956), e "as operações comerciais foram realizadas na verdade entre a 'Hennings' e seus clientes utilizando as notas fiscais da 'Kiko', com a finalidade de reduzir tributos e contribuições incidentes sobre a parte das receitas da 'Hennings'" (fl. 8.957). E finalmente afirmou que "O que não se pode admitir é a simulação de operações comerciais com o único objetivo de reduzir tributos." (fl. 8.957). 118. A concepção de simulação de operações comerciais é inadmissível, seja pelos fatos efetivamente ocorridos, seja pelos elementos trazidos pela Recorrente na Impugnação que sequer foram analisados. Por exemplo: no Anexo III verificase a estrutura física e administrativa para guarda e controle aos estoques; há vários funcionários lotados especificamente nesse setor (Anexo III e Anexo X); ocorre a saída efetiva de mercadorias do estabelecimento de Kiko (Anexo XX). [...] 120. Por outro lado, demonstrouse na Impugnação não existirem dúvidas de que as mercadorias vendidas por Kiko partiram fisicamente de seu estabelecimento e não do de Hennings como afirmaram os agentes fiscais e o Acórdão recorrido. Os documentos de fretes de mercadorias vendidas, juntados por amostragem, indicam claramente como local de retirada a sede da Kiko em Blumenau Anexo XX. 121. Também nada se comentou, no Acórdão recorrido, sobre a existência de vários relatórios gerenciais de vendas (Anexo IX) que demonstram claramente a efetividade e a regularidade das vendas efetuadas por Kiko aos seus clientes. 122. A Recorrente também fez expressa menção, na Impugnação, aos relatórios de Produtividade por Vendedor de Kiko, documento que demonstra inequivocamente a atuação real, efetiva e independente da referida empresa em relação a seus clientes (Anexo XXII). Na Impugnação, como exemplo, inseriu uma Fl. 9082DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.083 15 imagem de tela demonstrando o início do relatório, com dados completos sobre o vendedor (funcionários de Kiko), cliente, transportadora (item 65). [...] 124. Como resposta a todos estes fatos, o Acórdão recorrido limitouse a afirmar que os elementos "não são hábeis para fazer a comprovação desejada e para derruir a interposição de pessoas na comercialização de produtos" (fl. 8.957). Mas por que não? E por que foram citados (não analisados; apenas citados) apenas 6 anexos, quando a Recorrente juntou 33? Preços praticados entre Hennings e Kiko 125. Na Impugnação, a Recorrente demonstrou (itens 67 a 73) que a acusação dos agentes fiscais (fl. 3.483) de que Kiko "revende ou devolve para 'Hennings' parte das mercadorias que adquiriu, notadamente por preços muito superiores aos de aquisição (2,5 a 10 vezes maiores)" não encontra sustentação no mundo dos fatos. 126. Porém, para surpresa da Recorrente, nada se mencionou no Acórdão recorrido sobre este tema. Diante disto (e mesmo ciente de que aqui se está diante, mais uma vez, de supressão de instância), não resta alternativa senão reforçar os argumentos que constam da Impugnação. [...] 129. Por outro lado, percebase que as autoridades lançadoras não fizeram um cotejo analítico dos preços de venda para Kiko com os de compra por Hennings. Porém, a mensagem que desejam transmitir é clara: todas as operações ocorrem com essas características e sempre ocorrem com disparidade de valores para mais. Isto definitivamente não procede. 130. Em primeiro lugar, como exposto na Impugnação, algumas operações de venda de Kiko para Hennings eram realizadas por valores superiores aos de compra, mas por incorreção na operação do sistema, e definitivamente não era essa a regra. A Recorrente realizou um levantamento físico da totalidade das notas que contemplam essa situação no período fiscalizado e apurou que a diferença de preços das operações com essa característica foi de R$ 337.432,78 (Anexo XXIII). 131. Por outro lado, ocorria também exatamente o contrário: mercadorias adquiridas por Kiko eram vendidas para Hennings por preços abaixo dos de compra. [...] 133. Como dito, o Acórdão recorrido quedouse silente sobre estes pontos. [...] Vendas de Kiko para Hennings 139. A Recorrente também demonstrou, na Impugnação, não ser correta a afirmação de que Kiko seria a maior fornecedora nacional de Hennings (fl. 3.483). O Acórdão nada mencionou sobre este ponto, caracterizando, uma vez mais, supressão de instância. De qualquer forma, diante deste hiato deve a Recorrente, por dever de cautela, trazer à segunda instância os argumentos utilizados na Impugnação. [...] 142. Kiko, por sua vez, cometeu equívocos no dimensionamento de seus estoques de mercadorias para vendas. O volume de produtos adquiridos em 2006 foi de tal ordem superior à demanda do mercado que Kiko passou 9 dos 12 meses de 2007 sem adquirir mercadorias. 143. Neste contexto, em que Hennings tinha necessidade de matérias primas e Kiko, excesso de estoque, obviamente pareceu mais simples para Hennings adquirir Fl. 9083DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.084 16 as suas necessidades transitórias da própria Kiko, sem que tais aquisições tenham implicado em vantagem fiscal, conforme exposto no item III.3. [...] Sobre a alegada economia tributária 153. Já se demonstrou exaustivamente que Kiko não foi criada por Hennings e que essa sociedade já existia há quase 10 anos quando passou a ter o controle comum. O que não se pode admitir é que alguém que tenha o controle sobre uma empresa, ao adquirir uma outra já existente e com rentabilidade maior e tributada pelo Lucro Presumido, seja obrigada a reunir as duas atividades em uma só empresa tributada pelo Lucro Real! Com que fundamento jurídico seria possível exigir a reunião de duas empresas existentes e sob controle comum para que a tributação sobre a soma das duas seja a maior possível? [...] A questão das empresas sob controle comum 165. No caso da Recorrente, em que já se demonstrou exaustivamente não ter ocorrido desmembramento de atividades, sequer o argumento de coexistência física pode ser levantado, porque o estabelecimento de Kiko em Blumenau dista aproximadamente 8 km do estabelecimento de Hennings (Anexo XXI) e a filial de São Paulo, aproximadamente 600 km. Isto sem considerar os demais aspectos específicos que envolvem as operações de Kiko, acima demonstrados, os quais afastam qualquer dúvida quanto à efetiva existência e operação da referida empresa. [...] Impossibilidade de tributação pelo IPI [...] Impossibilidade de aplicação da multa de 150% [...] Dos Erros de Cálculo [...] Suposta falta de notas fiscais 249. O Acórdão recorrido, ao comentar algumas das diferenças apontadas pela Recorrente: • afirmou que a empresa "somente anexa ao processo demonstrativos desacompanhados dos citados documentos, motivo pelo qual não se admite a alegação feita" (fl. 8.957); • mencionou que a Recorrente "Alegou divergências entre os valores dos 'Débitos PIS, COFINS e IPI vendas Hennings para Kiko', mas não apresenta as notas fiscais nas quais apurou tais diferenças" (fl. 8.958); • sobre a redução a maior, na apuração dos débitos, das vendas de Hennings para Kiko com IPI incluso, quando o correto seria retirar o valor do referido imposto, afirmou que a empresa "não aponta quais as notas fiscais cujos valores estão incluídos no demonstrativo apresentado na impugnação" (fl. 8.958). 250. Na verdade, as diferenças foram apuradas e demonstradas no laudo elaborado por empresa de auditoria devidamente registrada da junto à Comissão de Valores Mobiliários CVM (Anexo XXIX), da fl. 8.453 à fl. 8.902 (449 folhas). Como dito neste Recurso, se fossem juntadas notas fiscais, deveriam ser consideradas em torno de 432.000 (quatrocentos e trinta e duas mil) notas. Se as informações que constam dos autos administrativos (que já contam com quase nove mil páginas) são insuficientes, no sentir da Egrégia Turma julgadora, seria o caso de determinar a realização de diligência ou perícia, como aliás requerido pela empresa. Fl. 9084DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.085 17 [...] PERÍCIA/DILIGÊNCIAS 259. Na verdade, em razão dos elevados valores, e da grande quantidade de informações e documentos envolvidos, caso faltassem informações ou elementos adicionais deveriam os senhores julgadores ter determinado a realização de diligência ou perícia. Nada disto foi feito. Sempre lembrando que todos os documentos foram devidamente apresentados na fase inquisitória do procedimento, dele sendo parte, e que os princípios regentes do processo administrativo fiscal levam as autoridades julgadoras ao dever de impulsionar o processo no que concerne à verificação dos fatos, como lembra Alberto Xavier (ob. cit., p. 158). É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Relator O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. A questão principal a ser examinada no presente processo diz respeito à ocorrência de planejamento tributário baseado em aparente legalidade mas que, no entanto, apresenta aspectos de “simulação”. De acordo com o que relata a fiscalização, a pessoa jurídica autuada efetuava operações de compra e venda de mercadorias fictícias com uma segunda empresa, denominada Kiko Flex Mangueiras Hidráulicas Ltda em especial nas operações com a filial de Caxias do Sul ambas controladas por um sócio comum (Hennings Administradora SA). Essa segunda empresa, tributada pelo “lucro presumido”, realizaria operações quase que exclusivamente com a fiscalizada, o que geraria aumento de custos, reduzindo o “lucro real” tributável na autuada. Os principais indicativos apurados são os seguintes, em síntese: a “Kiko” seria o maior cliente e fornecedor (nacional) da “Hennings”, nos três períodos analisados, uma vez que adquire e revende ou devolve para “Hennings” parte das mercadorias que adquiriu, notadamente por preços muito superiores aos de aquisição (2,5 a 10 vezes maiores); a “Kiko” revendeu ou devolveu para própria “Hennings” 59,40% das compras efetuadas em 2006, 146,74% em 2007 e 7,47% em 2008. as vendas da “Hennings” para “Kiko”, nos três anos fiscalizados, ocorreram entre a Matriz “Hennings” de Blumenau – SC e a filial da “Kiko” de Caxias do Sul (distante há mais de 500km), nos percentuais de 97% em 2006, 75,14% em 2007 e 66,06% em 2008. a filial da “Kiko” em Caxias do Sul –RS, ato contínuo a compra, transfere toda a mercadoria adquirida para a matriz “Kiko” em Blumenau – SC, em nova operação interestadual. Fl. 9085DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.086 18 a filial “Kiko” de Caxias do Sul –RS, não efetuou nenhuma operação de venda de mercadorias (“Hennings” ou terceiros) nos três anos fiscalizados. a “Hennings” efetua recompra, de parte das mesmas mercadorias vendidas para “Kiko” Caxias do Sul – RS, da matriz da “Kiko” Blumenau – SC, por preços notoriamente superiores aos praticados na venda e as revende no mercado nacional sem incidência IPI. Além disso, a autoridade lançadora teria identificado que a Kiko confundiase patrimonialmente com a Hennings Vedações Hidráulicas Ltda (autuada), o que levou a fiscalização a concluir que as operações daquela empresa eram na verdade uma “simulação” com o objetivo de reduzir os tributos devidos nas operações da autuada. Em preliminares, a recorrente alega nulidade do lançamento fiscal e nulidade do acórdão recorrido. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento, argumenta que teria ocorrido falta de tipicidade na omissão de receitas e falta de notificação das autuações da empresa Kiko, que é peça central nos fatos narrados pela fiscalização. No que se refere a atipicidade dos lançamentos fiscais, cumpre dizer que o auto de infração contém o embasamento legal que enquadrou a infração de omissão de receitas, fls. 3447. No caso, inexiste falta de correspondência entre os fatos e a infração imputada, omissão de receitas, como alegou a defesa. A fiscalização relatou em seu Termo de Verificação Fiscal (que é parte do Auto de Infração) todos os fatos e motivos que caracterizaram a omissão de receitas, qual seja, que as operações efetuadas pela Kiko eram fictícias e, portanto, deveriam essas operações serem atribuídas à autuada, dentre elas as receitas auferidas. Verificase também que os autos de infração contém todos os elementos exigidos pelo art. 10 do decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alteraçõe,s e do art. 142 do CTN. Ademais, nos arrazoados apresentados na impugnação e no recurso voluntário, constata se que a autuada demonstrou ter entendido perfeitamente os motivos das infrações apuradas, tendo a oportunidade de contestar a autuação com a apresentação dos seus argumentos e das provas que julgava necessárias, o que propiciou o exercício do contraditório e da ampla defesa. Quanto à falta de notificação do lançamento fiscal na empresa Kiko, cumpre dizer que inexiste obrigatoriedade de intimar terceiras pessoas que não aquelas que sejam sujeito passivo e responsável tributário pelas obrigações fiscais. No desenrolar da fiscalização, a empresa Kiko foi intimada a prestar esclarecimentos, mas não foi enquadrada em nenhuma das hipóteses de sujeição passiva e nenhum crédito tributário está sendo exigido da mesma, motivo pelo qual inexiste previsão legal para a notificação/intimação da autuação da empresa Hennings. Em face do exposto, é de se rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal. Passase ao exame da segunda preliminar, relativa à nulidade do acórdão recorrido, por incompetência do órgão julgador para exame de tributos relativo ao IRPJ, pela falta de fundamentação/exame das provas trazidas com a impugnação e pelo indeferimento da perícia, com violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Fl. 9086DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.087 19 Em relação ao primeiro motivo, cabe dizer que a Portaria RFB nº 1916, de 10 de outubro de 2010, disciplinou a competência, territorial e por matéria, das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e relacionou as matérias de julgamento por Turma. À DRJ/Florianópolis (SC) competia julgar tributos de Unidades da RFB situadas no Estado de Santa Catarina, e suas jurisdicionadas, relativo a, dentre outros: “Impostos e contribuições administrados pela RFB, exceto: I IPI e lançamentos conexos; [...].” Já a DRJ/Ribeirão Preto (SP) competia julgar tributos da 8ª e 9ª Regiões Fiscais relativo a, dentre outros: “IPI (inclusive processos relativos à classificação fiscal de mercadorias e ao crédito presumido para ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins) e lançamentos conexos.” No presente caso a infração omissão de receitas acarretou o lançamento também do IPI, que se encontra no processo 13971.720491/201134. Nos termos da Portaria RFB nº 1916, de 2010, a DRJ/Florianópolis não tem competência para julgar processos do IPI, a não ser IPI vinculado à importação, que não é o caso que aqui se trata. A competência para julgamento do IPI da 8ª e 9ª Regiões Fiscais é da DRJ/Ribeirão Preto, incluindose os lançamentos conexos, no caso o IRPJ e seus reflexos. Assim, correto o entendimento de que a DRJ/Ribeirão Preto era competente para julgar o presente processo do IRPJ e reflexos, que é lançamento conexo ao IPI acompanhado no processo 13971.720491/201134, devendo ser rejeitada a preliminar de nulidade aventada. Quanto à nulidade do acórdão recorrido, pelo indeferimento da perícia requerida, cumpre esclarecer que o indeferimento de diligências e perícias é perfeitamente admitido quando a autoridade julgadora considerálas prescindíveis para a formação do seu livre convencimento e para a solução do litígio. O fundamento para o indeferimento encontra se previsto no rito do processo administrativo fiscal federal (PAF), consoante art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A autoridade julgadora de primeira instância entendeu pela desnecessidade da realização de prova pericial, satisfazendose com os fatos e documentos juntados para formar sua livre convicção, o que encontra amparo no art. 18 do PAF, acima transcrito, motivo pelo qual deve ser rejeitada a preliminar de nulidade do acórdão recorrido pela falta de deferimento da perícia requerida pela defesa. Por fim, a recorrente pede a nulidade do acórdão recorrido pela falta de fundamentação/exame das provas trazidas com a impugnação, com violação aos princípios do Fl. 9087DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.088 20 contraditório e da ampla defesa. Alega, em síntese, que não foram enfrentados argumentos expostos na impugnação, além do que provas trazidas ao processo sequer foram examinadas/mencionadas pelo órgão julgador. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte cumpriu com o seu dever de colaboração para com o fisco, apresentando os documentos e os livros contábeis e fiscais. Além disso apresentou dados em arquivo magnético, mesmo que, por dificuldades técnicas, o tenha feito parcialmente, suprido com a apresentação do arquivo no formato SINTEGRA, nos termos do convênio ICMS nº 57/95. O contribuinte tentou demonstrar, pelos meios aparentemente possíveis, que as sua operações com a empresa Kiko eram verdadeiras o que descaracterizaria a existência de operações fictícias/simuladas na prática de suas atividades. Juntamente com a peça impugnatória, a defesa apresentou diversos documentos, na forma de anexos (fls. 3582 a 8927) na tentativa de comprovar a licitude das operações realizadas por ambas empresas. Já do exame da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada, verificase que os documentos comprobatórios apresentados pela recorrente não foram minuciosamente analisados, o que prejudicou o julgamento do presente caso. Vejase os fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido para caracterizar a ocorrência da simulação: “A contribuinte tenta derrubar tais constatações apresentando apenas cópias de fichas de registro de empregados da matriz em Blumenau (anexo X), fotografias (anexo III), emails, conhecimentos de transporte de carga (anexo XX), relativos à saída de mercadorias da Kiko Blumenau para outras empresas no ano de 2008, relatórios (anexos XXII, XXIII e XXIV), que não são hábeis para fazer a comprovação desejada e para derruir a interposição de pessoas na comercialização de produtos. Com relação à filial da Kiko em Caxias do Sul, a contribuinte não apresentou qualquer prova efetiva da comercialização de mercadorias. Apenas afirmou que a sua existência se justificava por questões relacionadas ao regime especial de ICMS vigente à época e apresenta apenas notas fiscais de prestação de serviços contábeis supostamente realizados em 2006, sem, no entanto, juntar quaisquer outras provas, tais como do efetivo pagamento de tais valores. Com relação aos adiantamentos feitos pela Kiko para a Hennings somente alegou que não se trata de dependência financeira, mas admitiu a existência de uma “gestão única de caixa com vantagens na rentabilidade de aplicações financeiras realizadas com um volume unificado e maior, e uma opção legítima para evitar a incidência da CPMF”. Dessa forma, apesar de todas as alegações apresentadas, a contribuinte não conseguiu derrubar as constatações da fiscalização de que as operações comerciais foram realizadas na verdade entre a “Hennings” e seus clientes utilizando as notas fiscais da “Kiko”, com a finalidade de reduzir tributos e Fl. 9088DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.089 21 contribuições incidentes sobre a parte das receitas da “Hennings”. Realmente, não existe qualquer dispositivo que obrigue a contribuinte a adotar formas de pagar mais tributos como alega a contribuinte. O que não se pode admitir é a simulação de operações comerciais com o único objetivo de reduzir tributos.” De acordo com os fundamentos expostos, verificase que o acórdão de primeira instância confirmou a ocorrência de “simulação” porque as provas apresentadas “não são hábeis para fazer a comprovação desejada e para derruir a interposição de pessoas na comercialização de produtos”. Entretanto, o acórdão deixou de explicar os motivos pelos quais as provas apresentadas não seriam hábeis para descaracterizar a “simulação”. A conclusão se baseou na livre convicção do julgador, mas é certo que tal decisão deve ser suficientemente motivada, ainda que não de forma exaustiva, sob pena de ferir o direito à ampla defesa. E vejase, para desconstituir uma situação jurídica existente e caracterizar a ocorrência de “simulação” é preciso de fundamentos e provas/indícios fortes para justificar sua ocorrência. Os elementos e documentos dos autos demonstram que a empresa Kiko era pessoa jurídica regularmente constituída, exercendo suas atividades mercantis com funcionários próprios e cumprindo suas obrigações fiscais regularmente. Entretanto, o acórdão recorrido manteve as autuações considerando que “todas” as receitas auferidas da Kiko seriam na verdade da Hennings (autuada), fato que não pode se admitir sem o exame detalhado das provas trazidas com a impugnação, com a respectiva indicação e motivação da não aceitação dessas provas. Do exame dos autos, verificase que apenas as operações com a filial da Kiko em Caxias do Sul careceram de documentos, que não foram trazidos pela defesa. Na seqüência, menciono a título exemplificativo, os documentos trazidos com a impugnação demonstrando que a empresa Kiko teria operado regularmente e que merecem um exame da autoridade julgadora: Informação ao Ministério do Trabalho a respeito do número de empregados na Kiko (anexo VII – fls. 3791 a 3800); Correspondências indicando o registro de marcas da Kiko junto ao INPI (anexo VIII – fls. 3801 a 3816); Registro de funcionários da Kiko ( anexo X – fls. 3867 a 4097); Correspondências com clientes e representantes da Kiko (anexo XI – fls. 4098 a 5762); Documentos fiscais de serviços e fornecimentos diversos à Kiko (anexo XII – fls. 5763 a 6068); Faturas de energia elétrica e de telefone da Kiko (anexo XIII – fls. 6069 a 7092); Fl. 9089DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.090 22 Relatório com a produção de cada vendedor da Kiko (anexo XXII – fls. 7675 a 7708); Relatório de auditoria de apuração de tributos (anexo XXIX – fls. 8453 a 8571); Por se tratar de matéria em que há alegação de indícios de ocorrência de simulação e aplicação de multa qualificada, é dever do julgador analisar com maior profundidade os documentos apresentados pelo sujeito passivo, fundamentando sua decisão com argumentos sólidos, evitandose o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Ao abordar os princípios do contraditório e da ampla defesa, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 40) trazem o seguinte ensinamento: “Com relação ao princípio da ampla defesa, a Profª Odete Medauar assevera que ‘a Constituição Federal de 1988 alude, não ao simples direito de defesa, mas, sim, à ampla defesa. O preceito da ampla defesa reflete a evolução que reforça o princípio e denota a elaboração acurada para melhor assegurar a observância. Significa, então, que a possibilidade de rebater acusações, alegações, argumentos, interpretações de fato, interpretações jurídicas, para evitar sanções ou prejuízos, não pode ser restrita, no contexto em que se realiza. Daí a expressão final do inciso LV, ‘com os meios e recursos a ela inerentes’, englobados na garantia, refletindo todos os desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Ademais, no âmbito Processo Administrativo Fiscal, os julgadores devem buscar um grau seguro de certeza para conduzir o julgamento dos processos, assegurandose ao administrado uma clara justificativa da rejeição dos argumentos e das provas trazidas com a impugnação. Nesse sentido, vejase o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, conforme ementário do Acórdão CSRF 0105.095, de 18/10/2004: RECURSO VOLUNTÁRIO – OMISSÃO DE RECEITA PRESUNÇÃO SIMPLES – Incumbe à fiscalização apresentar um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. A certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos Se remanescer uma dúvida razoável da improcedência da exação, o julgador não poderá decidir contra o acusado. No estado de incerteza, o Direito preserva a liberdade em sua acepção mais ampla, protegendo o contribuinte da interferência do Estado sobre seu patrimônio. Recurso provido. Tendo em vista que a decisão recorrida deixou fundamentar de forma clara os motivos da rejeição aos argumentos da defesa, bem como deixou de analisar os documentos apresentados pela impugnante, concluise que houve cerceamento do seu direito de defesa e, por consequência, o Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto deve ser anulado, nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72, abaixo transcrito: Fl. 9090DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.720490/201190 Acórdão n.º 1202001.041 S1C2T2 Fl. 9.091 23 Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (destaquei) Em face do exposto exposto, voto no sentido de que sejam rejeitadas as preliminares de nulidade do lançamento fiscal, de que sejam rejeitadas as preliminares de nulidade do acórdão recorrido, por incompetência e por indeferimento do pedido de perícia, e de que seja acolhida a preliminar de nulidade do Acórdão nº 1435.974 da DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 8940 a 8961, por cerceamento do direito de defesa, e emitido outro, bem como de que sejam anuladas todas as peças processuais a partir da sua emissão. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 9091DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 12045.000569/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 05 69 /2 00 7- 12 Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000569/200712 Acórdão n.º 2301003.582 S2C3T1 Fl. 3.838 3 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 5. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 6. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 7. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 8. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 9. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 10. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 11. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 12. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 13. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 14. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 15. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000569/200712 Acórdão n.º 2301003.582 S2C3T1 Fl. 3.839 5 O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 16. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 17. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 18. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 19. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 20. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. 21. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 22. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 23. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 24. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 25. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO 26. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000569/200712 Acórdão n.º 2301003.582 S2C3T1 Fl. 3.840 7 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10835.902416/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2001
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998
Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não operacionais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não operacionais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 24 16 /2 00 9- 41 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902416/200941 Acórdão n.º 3801002.197 S3TE01 Fl. 131 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP). O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de COFINS, relativo ao fato gerador de 30/09/2001. Por intermédio do despacho decisório de fl. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) foi alocado para o débito declarado conforme Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) apresentada pela própria contribuinte. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 09/23, na qual alega, em síntese, que: I. A contribuinte auferiu na competência em questão receitas constituídas de valores outros que não a venda de veículos e serviços correlatos (oficina mecânica e outros que compõe o objeto social da empresa), receitas essas que juridicamente não estavam sujeitas à incidência de PIS e Cofins, dada a irregularidade do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento para fins de incidência de PIS e Cofins; II. A lei ordinária, ao fixar novo conceito de faturamento, abarcando todas as receitas auferidas pela empresa, sem qualquer distinção, acabou por imiscuirse em matéria privativa de lei complementar (majoração de base de cálculo) criando uma nova fonte de custeio para a Seguridade Social; III. O dispositivo em questão é inconstitucional, pois fere o art. 146 e 195 da Constituição Federal, além de violar o art. 110 do Código Tributário Nacional, alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado; IV. De acordo com a doutrina, faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços. Sendo o faturamento uma espécie de receita, forçoso concluir que o Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902416/200941 Acórdão n.º 3801002.197 S3TE01 Fl. 132 3 primeiro, dada a qualificação, não abrange a segunda, razão pela qual é conceito jurídico limitado e assim deve ser interpretado pelo jurista; V. O Supremo Tribunal Federal, por seu pleno, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, ao julgar os RREE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal; VI. Demonstrada a ilegitimidade da cobrança do PIS e da Cofins sobre as receitas não provenientes de venda de mercadorias ou da prestação de serviços no período que se cuida, não há razão para se considerar inexistente o crédito apontado na PER/DCOMP; VII. Ao final, requereu que seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de que se reconheça a existência do direito ao crédito e conseqüentemente à compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), às fls. 35/37, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. COFINS. BASE DE CÁLCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da Cofins passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraída de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 41 a 64, no qual, na essência, apresenta as seguintes alegações : Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902416/200941 Acórdão n.º 3801002.197 S3TE01 Fl. 133 4 • Conforme demonstram os julgados transcritos, não só o STF já consolidou a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em questão, como os demais tribunais nacionais assim o fizeram; • Deste modo, considerando especialmente os termos do artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, sendo certo que a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 foi inequivocamente declarada pelo STF, é de se reconhecer o direito creditório da recorrente; • Quanto à comprovação documental do crédito, argumenta que efetuou tal prova por meio do registro e indicação do crédito na PER/DCOMP (comprovante de pagamento – DARF); • Além disso, a falta de comprovação não foi o motivo da não homologação, e sim considerar que a recorrente não possuía o direito creditório; • Por fim, argumentase que a comprovação é facilmente extraída do cruzamento das DCTF com as DIPJ, que demonstram os montantes a que a empresa faz jus. Em julgamento realizado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através de resolução exarada, entendeuse por bem converter o julgamento em diligência a fim de: 1. Verificar se o contribuinte possui ação judicial relativa à Lei nº 9.718/98; 2. Apurar a base de cálculo da Cofins devida pela recorrente no PA setembro/2001 e a contribuição correspondente, considerando o disposto na LC nº 70/91; 3. Intimar a recorrente do resultado do item acima para, se assim desejar, apresentar complementação ao recurso voluntário interposto, relativamente à diligência realizada, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Realizada a diligência, a fiscalização, após intimar o contribuinte a apresentar documentação comprobatória dos créditos declarados, demonstrou que, considerando que as receitas operacionais não podem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, de fato, existem créditos do contribuinte que são passíveis de compensação. Em apuração realizada, a fiscalização demonstrou, de forma detalhada, os aludidos créditos. Intimado sobre as conclusões da fiscalização, o Recorrente não se manifestou. Assim, os autos foram remetidos para julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902416/200941 Acórdão n.º 3801002.197 S3TE01 Fl. 134 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS e COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902416/200941 Acórdão n.º 3801002.197 S3TE01 Fl. 135 6 No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Concluise, assim, ser improcedente a exigência do PIS e da COFINS sobre as receitas não operacionais, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente no limite dos créditos apontados pela fiscalização, que foram levantados de acordo com a análise dos documentos e escriturações fiscais do contribuinte. Ressaltese que, como relatado acima, não houve oposição do Recorrente com relação aos valores levantados, mesmo tendo sido expressamente intimado a se manifestar. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902416/200941 Acórdão n.º 3801002.197 S3TE01 Fl. 136 7 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite dos valores levantados pela autoridade fiscal. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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