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Numero do processo: 10670.001097/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2003
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
SÚMULA 99 CARF
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.493
Decisão:
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que excluiu do lançamento as competências até 03/2002, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2003 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso de Ofício Negado
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso de Ofício Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 10 97 /2 00 8- 02 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que excluiu do lançamento as competências até 03/2002, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10670.001097/200802 Acórdão n.º 2302003.493 S2C3T2 Fl. 714 3 Relatório Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 28/03/2008 e cientificada ao sujeito passivo através de registro postal em 01/04/2008, de contribuições previdenciárias patronais, contribuições relativas à cota do segurado e aquelas arrecadas para os Terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados considerados pela notificada como contribuintes individuais, mas que preencherem os requisitos para serem tidos como empregados, no período de 01/2002 a 07/2007. O Relatório Fiscal de fls. 66/70, traz que os serviços prestados eram contínuos, que os trabalhadores recebiam décimo terceiro salário, que inúmeras reclamatórias trabalhistas reconheceram o vínculo de emprego entre a notificada e os trabalhadores e que este, através do Termo de Ajuste de Conduta n.º 2004, se comprometeu com o Ministério Público do Trabalho a não contratar mais trabalhadores na condição de contribuintes individuais, mas sim irá contratálos como empregados: (...) 3 Visando o cumprimento das suas finalidades estatutárias, notadamente na da área educacional, como objetivo de cumprir os convênios firmados com a UNIMONTES e outros entes ou órgãos públicos, a entidade contratou como trabalhadores autônomos diversos professores para ministrar aulas em cursos técnicos, seqüências, específicos e de graduação, pósgraduação e mestrado. Para atender as necessidades desses cursos, alem dos professores, foram contratados, também condição de trabalhadores autônomos, coordenadores, supervisores, tutores, articuladores e pessoal de apoio técnico ou administrativo. 4 — Atendendo a previsão estatutária de proporcionar a UNIMONTES recursos humanos, foram contratados, na condição de autônomos, diversos trabalhadores para execução de atividades fins e meio ou para substituição do pessoal permanente em decorrência de algum afastamento, a saber: auxiliares administrativos, secretárias, motorista, vigias, serviçais. Houve, também, a contratação de trabalhadores, nas mesmas condições e para as mesmas atividades, para suprir as necessidades da própria fundação. 5 — Para cumprir o convênio firmado com a União, relativo aos Cursos de Especialização na Modalidade Residência Multiprofissional em Sande da Família para Médicos e Enfermeiros, houve, também, a contratação de diversos trabalhadores na condição de autônomos: professores, preceptores, médicos, enfermeiros e pessoal do apóio técnico e administrativo. Sendo alguns com a denominação de bolsa de residência multiprofissional, que não se enquadra nos Fl. 743DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 moldes e nos requisitos de residência previstos na Lei n° 6.932/81. 6 — Diversos trabalhadores citados nos itens anteriores, que prestaram serviços contínuos durante o ano, receberam em dezembro, além da respectiva remuneração, o décimo terceiro salário, que é um direito do trabalhador empregado. 7 — Cabe salientar que se encontra em andamento, com o Ministério Público do Trabalho, o Termo de Ajuste de . Conduta n° 2004 em que a entidade está se comprometendo n não contratar na condição de trabalhadores autônomos e sim como empregados esses mesmos trabalhadores ora caracterizados segurados empregados em conformidade com legislação previdenciária. Houve, também, reclamações trabalhistas, com julgamento de mérito, em que foram reconhecidos os vínculos trabalhistas de trabalhadores contratados com autônomos. 8 — Após exame dos fatos e dos documentos apresentados, ficou plenamente configurada, à luz da legislação previdenciária, relação jurídica entre a entidade e o trabalhador, na qual estão presentes os pressupostos que caracterizam o vinculo como segurado empregado, em conformidade com o artigo 12, da Lei n° 8.212, de 24/07/199. Na impugnação, a notificada discorre sobre sua natureza e finalidade, diz que a NFLD não atendeu aos princípios do artigo 142, do Código Tributário Nacional, que o enquadramento dos segurados é inconsistente, que os serviços prestados são eventuais; que houve cerceamento de defesa; alega a existência de período decadente, alega que possui Título de Utilidade Pública e requer o cancelamento da notificação. Após a análise da defesa, Acórdão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG, pugnou pelo provimento parcial da impugnação, excluindo do lançamento as competências até 03/2002, pela homologação tácita do crédito, nos moldes do artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional e recorreu de ofício desta decisão em virtude do valor exonerado. O contribuinte foi cientificado da decisão exarada e lhe foi aberto prazo para apresentação de recurso voluntário, o que não ocorreu. É o relatório. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10670.001097/200802 Acórdão n.º 2302003.493 S2C3T2 Fl. 715 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício deve ser negado, em virtude da homologação tácita do crédito até a competência 03/2003. A Notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 01/04/2008, compreendendo o período de 01/2002 a 07/2007. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento consubstanciado na Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim, devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, houve antecipação do tributo, porquanto a notificada recolheu, durante todo o período lançado, as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, entendendoos como contribuintes individuais, referindose este lançamento, exclusivamente, às contribuições faltantes e incidentes sobre a remuneração dos segurados na condição de empregados. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Com efeito, entendo que foram efetuados recolhimentos parciais, devendo, neste caso, aplicarse o artigo 150§ 4º, do CTN, e excluir do lançamento o período de 01/2002 a 03/2003, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tal procedimento encontra respaldo, também, na Súmula n.º 99, do CARF: Súmula 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 746DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720847/2007-69
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2003
IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios e ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova, mediante documentação hábil e idônea, da retenção em nome do contribuinte e do seu efetivo recolhimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 13,50, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2003 IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios e ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova, mediante documentação hábil e idônea, da retenção em nome do contribuinte e do seu efetivo recolhimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 13,50, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios e ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova, mediante documentação hábil e idônea, da retenção em nome do contribuinte e do seu efetivo recolhimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 13,50, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 08 47 /2 00 7- 69 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.720847/200769 Acórdão n.º 2801003.831 S2TE01 Fl. 117 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 04/08, relativo à declaração de ajuste anual do exercício 2003, anocalendário 2002, que exige o imposto suplementar de R$ 10.637,19, acrescido dos correspondentes valores devidos de multa de ofício e juros de mora, em face da constatação de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte (R$ 13.330,51). Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que acostou aos autos os DARF que comprovam os recolhimentos dos valores declarados em DIRF pelas fontes pagadoras. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 78/82, manteve a exigência da parcela do imposto correspondente ao valor R$ 1.351,40, e exonerou a parcela restante, tendo em vista a comprovação do recolhimento do IRRF, conforme consta do Anexo I, à fl. 81. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 11/12/2009 (fl. 85), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 86/87, em 11/01/2010, no qual solicita o cancelamento do lançamento e o deferimento da restituição declarada de R$ 2.693,32, pois está provado que a totalidade do imposto retido foi recolhida, considerando as incorreções apuradas nos DARF de fls. 90/98, que já foram objeto de Redarf Pedido de Retificação de DARF, e, ainda, a existência de dois outros DARF que teriam deixado de ser computados no Anexo I. Conforme Resolução 2801000.033, às fls. 100/101, o julgamento foi convertido em diligência à fim de que a unidade administrativa informasse se os DARF fls. 90/98, correspondem a pagamentos do IRRF, código 0561, referentes a períodos de apuração do anocalendário de 2002, efetuados pelas citadas fontes pagadoras. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls.108/114, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio restringese à glosa do imposto de renda retido na fonte cujo recolhimento não foi confirmado, sendo o valor de R$ 1.594,71 referente à fonte pagadora GOES COHABITA PARTICIPACOES LTDA, CNPJ 15.662.745/000193, e o valor de R$ Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.720847/200769 Acórdão n.º 2801003.831 S2TE01 Fl. 118 3 2.450,01 referente à fonte pagadora PEDREIRAS CARANGI LTDA, CNPJ 14.689.756/0001 02. O recorrente, que é sócio das duas empresas, pretende sejam computados os recolhimentos dos DARF de fls. 90/98, sob o argumento de que alguns foram objeto de REDARF por registrarem períodos de apuração e vencimentos incorretos, e outros dois deixaram indevidamente de ser levados em consideração no Anexo I da decisão recorrida. O protocolo do Redarf de um dos mencionados DARF foi juntado às fls. 90/91. O DARF de fl. 94, código 0561, pago extemporaneamente com acréscimos legais, de fato, não consta incluído no referido Anexo I. Nesse contexto e com base no artigo 29 do Decreto n° 70.235/1972, o julgamento do processo foi convertido em diligência para que unidade administrativa informasse se os DARF fls. 90/98, correspondem a pagamentos do IRRF, código 0561, referentes a períodos de apuração do anocalendário de 2002, efetuados pelas citadas fontes pagadoras. Em atendimento, foram anexados, às 108/113 e a manifestação da autoridade fiscal responsável pela diligência (fl. 114), nos seguintes termos: Em resposta à diligência constante à folha 100, informo : DARF no valor de R$146,00; Período de apuração ( PA ) 16/02/2002; código 1505 Pagamento feito em 2002, porém este código corresponde a pagamento de custas judiciais; DARF no valor R$1594,71; PA 11/01/2003, código 0561 Pagamento de IRRF feito em 2003 , cujo PA não diz respeito ao anocalendário de 2002; DARF no valor R$946,13; PA 30/12/2001;código 0561 Pagamento de IRRF feito em 2002, cujo PA não diz respeito ao anocalendário de 2002 ; DARF no valor R$1294,07; PA 11/01/2003; código 0561 Pagamento de IRRF feito em 2003, cujo PA não diz respeito ao anocalendário de 2002; DARF no valor R$83,06 ; PA 11/01/2003 ; código 0561 Pagamento de IRRF feito em 2003, cujo não diz respeito ao ano calendário de 2002; DARF no valor R$17,90; PA 17,90; código 0561Pagamento de IRRF feito em 2003, cujo PA diz respeito ao anocalendário de 2002. Essas informações foram baseadas nos extratos de pagamentos do SIEF, conforme documentação anexada ao processo em documentos diversos. Como se vê, o único recolhimento referente ao anocalendário de 2002 e passível de compensação, no presente caso, é o DARF de fl. 113, cujo valo do principal (R$ 13,50) mais acréscimos legais totaliza R$ 17,90. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.720847/200769 Acórdão n.º 2801003.831 S2TE01 Fl. 119 4 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 13,50. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 119DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002050/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/01/2004 a 29/02/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - PRESSUPOSTOS - LIMITES - OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra qualquer obscuridade ou contradição a sanar, em decisão que na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pelo não conhecimento do recurso, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos, quando inocorrentes os pressupostos regimentais (necessidade de suprir dúvida, contradição ou omissão constante na fundamentação do julgado).
Embargos Rejeitados
Sem Crédito em Litígio
Numero da decisão: 3402-002.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e rejeitados. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Carlos Guimarães Gonçalves OAB/SP nº 195.691.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e rejeitados. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Carlos Guimarães Gonçalves OAB/SP nº 195.691. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/01/2004 a 29/02/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS LIMITES OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra qualquer obscuridade ou contradição a sanar, em decisão que na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pelo não conhecimento do recurso, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos, quando inocorrentes os pressupostos regimentais (necessidade de suprir dúvida, contradição ou omissão constante na fundamentação do julgado). Embargos Rejeitados Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, os embargos foram conhecidos e rejeitados. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Carlos Guimarães Gonçalves OAB/SP nº 195.691. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 20 50 /2 00 8- 71 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de novos Embargos Declaratórios (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) interpostos pelo contribuinte, com fundamento no art. 65do RICARF por suposta contradição no v. Acórdão nº 3401002.211 exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câm. da 3ª Seção do CARF (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) de minha relatoria em sede de Recurso Voluntário (fls. 64/77) que, em sessão de 26/09/13, por maioria de votos (vencido o Cons. Winderley Morais Pereira), houve por bem não conhecer do recurso em face da concomitância nos termos sintetizados na ementa e súmula: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/02/2004 a 29/02/2004 PAF CONCOMITÂNCIA NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ADMINISTRATIVO SÚMULA Nº 1 DO CC. A existência de ação declaratória judicial em liquidação para determinar a legitimidade do montante do créditoprêmio do IPI, cujo computo gerou falta de recolhimento do importo acusada em processo administrativo, impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do processo administrativo, que não pode ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide” (art. 471 do CPC), sendo “defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas” (art. 473 do CPC), seja porque a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não se conheceu do recurso em face da concomitância. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira que conhecia parcialmente para cancelar a multa e suspender a exigibilidade do auto de infração. Fez sustentação oral Dr. Carlos Gonçalves OAB/SP nº 195691. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Fl. 612DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10865.002050/200871 Acórdão n.º 3402002.519 S3C4T2 Fl. 3 3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.” Entende a ora Embargante que teria havido supostas “obscuridade” e “contradição” no v. Acórdão embargado “no ponto em que entendeu existir concomitância” entre as matérias tratadas no processo administrativo e a que vem sendo discutida no aludido processo judicial eis que a Ação Ordinária proposta pela Embargante teria natureza unicamente declaratória e o Poder Judiciário não teria cuidado do montante do crédito prêmio do IPI, cujo computo teria gerado a "falta de recolhimento do imposto acusada neste processo administrativo, razão pela qual entende haver contradição entre as premissas e a conclusão do v. Acórdão embargado. Neste contexto, a requer sejam recebidos e providos os presentes embargos de declaração, para sanar os vícios acima apontados. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Os Embargos Declaratórios são tempestivos e merecem ser conhecidos, mas no mérito não merecem provimento, ante a inocorrência de qualquer omissão ou contradição na sua fundamentação. De fato, desde logo se verifica que depois de consignar que o Auto de infração vestibular acusou a ora Embargante “de falta de recolhimento do IPI ‘por se utilizar de crédito em montante maior que o devido’”, bem como a existência de ação judicial ainda não liquidada definitivamente para discutir a legitimidade do montante de suposto direito de créditoprêmio de IPI objeto de processo administrativo, o voto condutor do v. Acórdão embargado conclui ser “inquestionável que a sentença exarada na ação declaratória que assegurou o direito ao créditoprêmio de IPI, cujo montante se encontra em fase de liquidação tem eficácia executiva e portanto se opõe à autuação fiscal excogitada” eis que “a procedência ou improcedência do presente lançamento depende do montante do créditoprêmio do IPI assegurado na via judicial” e, “uma vez demonstrado que a falta de recolhimento cogitada no presente lançamento decorre do cômputo do créditoprêmio de IPI assegurado na via judicial e cujo montante se encontra em fase de liquidação naquela via, evidenciase a discussão concomitante de idêntica matéria (legitimidade do montante de créditoprêmio de IPI) nas esferas judicial e administrativa que enseja a renúncia desta última (art. 38 LEF), cuja sorte se encontra vinculada à sorte da decisão final sobre o montante do crédito determinado na liquidação do processo judicial”. Portanto verificase que, ao contrário do que aduz a ora embargante, a par de não conter qualquer obscuridade ou contradição, baseandose nas premissas e fatos tal como fixados na instância “a quo” o voto do relator limitase a aplicar a lei aos fatos nos limites da Fl. 613DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 lide e, como já assentou o E. STJ “o artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valerse do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos.” (cf. REsp 886.695/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2007, DJ 14.12.2007; e EDcl no REsp 37033/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 15.09.1998, DJ 03.11.1998)” (cf. AC. da 1ª do STJ no REsp 896045 / RN, Reg. nº 2006/02290861, em sessão de 18/09/2008, Rel. Min. LUIZ FUX, Publ. in DJU de15/10/2008). Assim, não se vislumbra a existência de qualquer obscuridade ou contradição a sanar, na decisão embargada que, na consideração expressa e análise do conjunto probatório de ambas as partes, conclui pelo não conhecimento do recurso, indicando os motivos de convencimento do órgão Julgador, donde os Declaratórios apresentam caráter nitidamente infringente, razão pela qual nesta matéria devem ser rejeitados, tal como proclamado pela Jurisprudência Administrativa e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos pelo sujeito passivo, quando não demonstrados os pressupostos do art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, ante a inexistência de dúvida, contradição ou necessidade de suprir omissão constante do julgado recorrido. EMBARGOS DECLARATÓRIOS LIMITES Não pode ser conhecido o pedido do sujeito passivo na parte que, a pretexto de retificar o acórdão, pretende substituir a decisão recorrida por outra, com revisão do mérito do julgado. Embargos de declaração rejeitados.” (cf. Acórdão 10805339, Rec. nº 114572, Proc. nº 10935.000705/9628 , em sessão de 22/09/1998, Rel. Cons. Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho) Isto posto, voto no sentido de conhecer dos Embargos Declaratórios, mas no mérito rejeitálos, por inocorrência das supostas obscuridade e contradição em sua fundamentação. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 614DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11070.002089/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/06/2008 a 31/12/2009
Ementa:EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO.
O acórdão para ter sido viciado pela contradição ou Omissão deve ter adotado premissas intimas inconciliáveis, justificando-se sua desintoxicação. Situação não presente no acórdão embargado.
EMBARGOS DECLARATÓRIOS IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em Negar provimento aos Embargos Declaratórios.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Amauri Amaro Câmara Junior e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em Negar provimento aos Embargos Declaratórios. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Amauri Amaro Câmara Junior e Elias Fernandes Eufrásio.
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CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. O acórdão para ter sido viciado pela contradição ou Omissão deve ter adotado premissas intimas inconciliáveis, justificandose sua desintoxicação. Situação não presente no acórdão embargado. EMBARGOS DECLARATÓRIOS IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em Negar provimento aos Embargos Declaratórios. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Amauri Amaro Câmara Junior e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 20 89 /2 01 0- 11 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 32 2 Tratam os autos de embargos de declaração manejado pelo Contribuinte, em face do acórdão nº 3101001.551, de fls. 397/413, da lavra desta relatora, por conta de que supostamente eu não teria conhecido do recurso voluntário interposto. Assim, em seus embargos declaratórios alega: “Ao analisar o recurso voluntário interposto pela ora embargante, a DD. Relatora, Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, entendeu por não conhecer do recurso voluntário. Ocorre que, na análise da duplicidade de tributação ocorrida em relação às vendas para entregas futuras e as operações de simples remessa das mercadorias vendidas, a decisão acabou por conter contradição entre a decisão e os seus fundamentos, bem como se omitir em relação a pontos que deveria se pronunciar.” É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Conheço dos embargos de declaração porque tempestivos e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Mas principalmente, para que a Recorrente não cometa novo equívoco quanto ao conhecimento de seus recursos. Embora seja defeso a interposição de embargos de declaração a acórdão conforme e por pessoas previstas no Regimento do CARF, é bom lembrar que o mesmo tem por objeto combater eventuais omissões, contradições ou obscuridades na decisão do colegiado. Portanto, o acórdão atacado nos presentes embargos para ter sido viciado pela omissão e contradição deve ter adotado premissas intimas inconciliáveis, justificandose a sua desintoxicação. Por sua vez, se contém o vício da omissão, lembrando, mais uma vez, que o acórdão aqui combatido é a decisão desse colegiado, deve ter se abstido de apreciar as questões de fato e de direito suscitada ou não pelas partes, embora o contraditório legitime o resultado obtido, desde que se configure pertinência com os elementos do processo. Assim, não vejo presente no acórdão combatido e o voto condutor da decisão desse colegiado a ocorrência de omissão e contradição apontada, tendo em vista, a alegação da Recorrente que essa relatora “entendeu por não conhecer do recurso voluntário”. Ora, o meu voto começa por tomar conhecimento do recurso voluntário e nesse sentido a Embargante já demonstra um inconformismo com a decisão desse colegiado e o faz através desses embargos, que no meu sentir tem caráter protelatório. Tem caráter protelatório, porque, começa por uma impropriedade, ou seja, alegação impropria, no mais é genérico quando afirma que houve omissão a pontos que deveria se pronunciar. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 33 3 Esse colegiado através do voto condutor dessa relatoria ao acórdão combatido, por corroborar com a decisão da primeira instância entendeu que o recurso voluntário não trouxe nada de novo ou convincente para abalar a decisão recorrida e, portanto, a manteve. Assim, para relembrar, cito aqui o voto condutor da decisão embargada. “Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar, que o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte não trouxe nenhum elemento novo e convincente a ponto de abalar a decisão recorrida. Assim, corroboro com o voto condutor da decisão recorrida de fls. 354 a 361 que aqui repito como se fosse minhas as razões de decidir: “Opção pela via judicial O Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, da então Secretaria da Receita Federal, hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), publicado no Diário Oficial da União, de 15 de fevereiro de 1996, assentou o entendimento de que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial (por qualquer modalidade processual), antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este último terá prosseguimento normal, no que se relaciona à matéria diferenciada, esclarece o referido ato declaratório. No caso da coincidência de objetos, o ADN Cosit nº 3, de 1996, orienta que a autoridade julgadora não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida, encaminhando o processo para inscrição em dívida ativa, exceto na ocorrência das hipóteses dos incisos II ou IV do art. 151 do Código Tributário Nacional, respectivamente, depósito do montante integral do crédito tributário e concessão de medida liminar em mandado de segurança. Registrese que o art. 1º da Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, acrescentou o inciso V ao referido art. 151 do CTN, segundo o qual a concessão de tutela antecipada também suspende a exigibilidade do crédito tributário. Posteriormente, o Ministro da Fazenda baixou a Portaria nº 258, de 27 de agosto de 2001, para disciplinar a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJs), dispondo, sobre o tema em comento, o que vem transcrito na sequência: “.................... Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 34 4 Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. ....................” A regra mencionada no item precedente também constou no art. 26 da aria MF nº 58, de 17 de março de 2006, e se encontra repetida no art. 26 da vigente Portaria MF no 341, de 12 de julho de 2011. Vale transcrever, além disso, a Súmula nº 1, do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, aprovada em sessão plenária do referido colegiado, no dia 18 de setembro de 2007, com o seguinte enunciado: “SÚMULA Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.” O teor dessa súmula se encontra hoje na Súmula nº 1 do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) do Ministério da Fazenda, divulgada, com os correspondentes acórdãos paradigmas, pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010, do Presidente do Carf, publicada no Diário Oficial da União de 23 de dezembro de 2010, Seção 1, páginas 87 a 90, conforme transcrição que segue: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10193877, de 20/06/2002 Acórdão nº 10321884, de 16/03/2005 Acórdão nº 10514637, de 12/07/2004 Acórdão nº 10706963, de 30/01/2003 Acórdão nº 10807742, de 18/03/2004 Acórdão nº 20177430, de 29/01/2004 Acórdão nº 20177706, de 06/07/2004 Acórdão nº 20215883, de 20/10/2004 Acórdão nº 20178277, de 15/03/2005 Acórdão nº 20178612, de 10/08/2005 Acórdão nº 20177430, de 29/01/2004 Acórdão nº 30330029, de 07/11/2001 Acórdão nº 30131241, de 16/06/2003 Acórdão nº 30236429, de 19/10/2004 Acórdão nº 30331801, de 15/03/2005 Acórdão nº 30131875, de 15/06/2005” No caso concreto, ao contrário do que afirma a defesa, é certo que, no tocante à classificação fiscal das plataformas para colheita de milho, existe coincidência de objetos, entre o lançamento impugnado e a mencionada Ação Ordinária nº 2008.71.16.0004989. À vista disso, descabe tomar conhecimento da impugnação das fls. 226 a 265, no que diz respeito à classificação fiscal das plataformas para colheita de milho, sem que isso configure preterição do direito de defesa, restando definitiva a exigência do principal, sob esse enfoque. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 35 5 A título de mero registro, notese que, se não houvesse a referida coincidência de objetos, caberia dizer que a classificação fiscal em causa já foi suficientemente analisada e definida no sentido contrário ao da pretensão do impugnante, pelos atos citados no relatório que antecede este voto, a saber: Solução de Consulta SRRF/10a RF/Diana nº 57, de 23 de abril de 2003; da Solução de Consulta SRRF/10a RF/Diana nº 74, de 29 de setembro de 2006; e Acórdão DRJ/POA nº 7220, de 5 de janeiro de 2006, elaborado no Processo no 11070.000705/200532, confirmado pelo Acórdão nº 30238.171, de 8 de novembro de 2006, da Segunda Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes. Quanto aos demais pontos controvertidos neste processo, cabe efetivamente pronunciamento nesta instância administrativa, o que será feito na sequência, neste voto. Alegadas vendas para entrega futura diz a defesa que, em razão de alegadas vendas para entrega futura, em que ocorre a emissão de duas notas fiscais, uma no faturamento antecipado e outra na efetiva remessa do produto, existiriam, no caso, débitos do IPI apurados em duplicidade, porquanto houve lançamento de ofício em relação às notas fiscais de simples remessa do produto, enquadradas, pelo interessado, nos CFOPs 5.949 ou 6.949, tendo havido lançamento de ofício também em relação às respectivas notas fiscais de venda, sob os CFOPs 5.101 ou 6.101. Sobre esse argumento, cumpre tecer as considerações que seguem. Notese que no Termo de Verificação Fiscal das fls. 206 a 220 consta afirmação no sentido contrário ao da inconsistência alegada pelo impugnante, esclarecendo que, ao serem emitidas notas fiscais alusivas a operações de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, enquadradas nos CFOPs 5.922 ou 6.922, não houve lançamento do IPI, o que também não aconteceu na emissão das vinculadas notas fiscais de venda da produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura, enquadradas nos CFOPs 5.116 ou 6.116, tendo ocorrido o lançamento de ofício do referido imposto, na ação fiscal em comento, exclusivamente por ocasião da ocorrência do fato gerador, ou seja, na data da efetiva saída dos produtos (CFOPs 5.116 ou 6.116). Sobre os exemplos trazidos à baila pela defesa, simplesmente citando as Notas Fiscais nºs 93395/93919 (CFOPs 6.101/6.949), 98902/99596 (CFOPs 5.101/5.949), 102518/102670 (CFOPs 6.101/6.949) e 106060/106898 (CFOPs 6.101/6.949), notas que não foram juntadas a este processo, verificase, de pronto, que, se realmente se tratavam de operações de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, o interessado errou Fls. 357 ao utilizar CFOPs inadequados para essas operações. Com efeito, nesses exemplos, segundo o relato do impugnante, foram utilizados os CFOPs 5.101 ou 6.101, referentes a venda da produção do estabelecimento, pura e simples, em vez de terem sido utilizados os CFOPs próprios para operações de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, que são o 5.922 ou o 6.922. Prosseguindo no exame da defesa, também houve erro na etapa subsequente das operações alegadas, ao serem utilizados os CFOPs 5.949 ou 6.949, referentes a outras saídas não especificadas, em vez de terem sido utilizados os CFOPs próprios para venda da produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura, que são o 5.116 ou o 6.116. Mais grave ainda, é a outra irregularidade apontada pela fiscalização, no sentido de que, nas notas fiscais de venda (CFOPs 5.101 ou 6.101), não há qualquer menção ao fato de que se trataria de operação de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, o que vai de encontro ao disposto no art. 341, VIII, do RIPI de 2002, que obriga esse registro, nos casos da espécie. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 36 6 Diante do descumprimento da norma regulamentar mencionada no final do item precedente, o Regulamento do IPI é drástico, pelo que se lê no art. 353, IV, e parágrafo único, desse diploma, conforme transcrição que segue: “Art. 353. Serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor legal, e servirão de prova apenas em favor do Fisco, as notas fiscais que (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2o, alteração 15a): .................... IV não contiverem a declaração referida no inciso VIII do art. 341. Parágrafo único. No caso do inciso IV, considerarseá o produto como saído do estabelecimento emitente da nota fiscal, para efeito de exigência do imposto e acréscimos legais exigíveis, sem prejuízo de novo pagamento do tributo por ocasião da efetiva saída da mercadoria.” Consequentemente, com base nos dispositivos que regem a matéria, houve lançamento de ofício em relação às duplas de notas fiscais, sob os CFOPs 5.101/6.101 e 5.949/6.949, sem que isso signifique exigência indevida do IPI, devendo ser mantido o lançamento contestado, sob esse ponto de vista. Depósitos judiciais não integrais Sobre a alegação da defesa, de que seriam indevidos os juros e a multa e de que a cobrança estaria suspensa, na pendência do litígio, dado que existem depósitos judiciais dos valores relativos ao IPI calculado com base na classificação pretendida pelo fisco depósitos esses referentes ao período de junho de 2008 a dezembro de 2009, cabe referir o que segue. Pelo Termo de Intimação Fiscal nº 565/08006, da fl. 10, com ciência em 9 de junho de 2010, o estabelecimento foi intimado a apresentar, em relação à Ação Ordinária nº2008.71.16.0004989 (RS): (1) cópia da petição inicial e do laudo técnico, (2) cópia das guias comprobatórias dos depósitos judiciais efetuados; e (3) planilhas de apuração do IPI, elaboradas para fins de depósito judicial, correspondentes às saídas das plataformas, de maneira que ficasse demonstrada a vinculação entre o depósito e o correspondente período de apuração. Conforme resposta, na fl. 11, entregue em 14 de junho de 2010, o interessado forneceu cópia das guias de depósito referentes ao período de junho de 2008 a abril de 2010, bem assim planilha mensal dos valores apurados para pagamento referente ao período de junho de 2008 a abril de 2010. Com base no “Demonstrativo dos Depósitos Judiciais” das fls. 156 e 157, verificase que o efeito pretendido pela defesa, de inexigibilidade de multa e juros e de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não pode ser reconhecido, no caso, porquanto os depósitos a que se referem as cópias de Documento para Depósitos Judiciais ou Extrajudiciais à Ordem e à Disposição de Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE) se referem, na maioria das vezes, a débitos vencidos, tendo sido efetuado o depósito exclusivamente com o acréscimo de juros de mora, sem o devido acréscimo da multa correspondente. O demonstrativo citado, e a “Tabela de Referência p/ Análise da Espontaneidade dos Depósitos” que o integra (fl. 157), discrimina os depósitos efetuados em datas em que o interessado gozava de espontaneidade, daqueles realizados em datas em que a espontaneidade estava excluída, por força do disposto no art. 7º, I, e §§ 1º e 2º do Decreto nº Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 37 7 70.235, de 1972, e com base nos termos de intimação fiscal citados na tabela de referência antes aludida. O único depósito integral, segundo o “Demonstrativo dos Depósitos Judiciais” das fls. 156 e 157, é o correspondente a setembro de 2008, efetuado na data do vencimento da obrigação, mas em relação ao qual não foi exigida, com acerto, a multa de ofício de 75%, sobre o valor não lançado do IPI, de R$ 36.978,25, segundo consta na fl. 194, sendo que, nesse mesmo período de apuração, tampouco houve exigência a título de IPI, porquanto em setembro de 2008 se chegou a saldo credor na reconstituição da escrita. Nos demais casos, em que os depósitos não foram integrais, era devido o acréscimo de multa, e não apenas dos juros, motivo pelo qual esses depósitos não suspendem a exigibilidade do crédito tributário discutido. Quanto ao acréscimo de juros, devese ter em vista, em primeiro lugar, que, nos casos de ação judicial, mesmo acompanhada de depósito integral, essa parcela deve constar do lançamento de ofício, pois esse ato administrativo é vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional, conforme art. 142 do CTN, ainda que os valores lançados estejam com a exigibilidade suspensa, ficando inibida exclusivamente a cobrança dos débitos. Em segundo lugar, o art. 161 do mesmo código é claro, ao determinar que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido dos juros de mora, sem qualquer hipótese de exclusão, que não seja o pagamento tempestivo, que não se confunde com o depósito. Notese que o depósito, embora suspenda a exigibilidade do crédito, segundo o art. 151, II, do Código Tributário Nacional, não é garantia plena de transformação em pagamento definitivo, caso a decisão seja favorável ao fisco, pois, mediante ordem da autoridade judicial, a qualquer momento do litígio, pode ser autorizado o levantamento dos valores depositados, em favor do contribuinte, restabelecendo a exigibilidade do crédito, sem olvidar que também é possível o encerramento da ação sem julgamento do mérito, caso em que os depósitos não serão convertidos em renda da União. Nas situações em que o depósito é tempestivo e integral e ocorre a conversão em renda, não são exigidos juros de mora constantes do auto de infração. Consequentemente, por não terem sido integrais os depósitos efetuados pelo interessado, em relação aos valores exigidos neste processo, não ficam excluído o acréscimo de multa e juros e há suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido. Alegação de denúncia espontânea. Mudando de assunto, agora sobre a invocação do art. 138 do Código Tributário Nacional, no sentido de que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração, cumpre deixar claro, no tocante à situação verificada no presente processo, que não houve qualquer pagamento do IPI, tendo havido exclusivamente depósitos parciais dos valores objeto de controvérsia, motivo pelo qual resta completamente descabida a alegação de denúncia espontânea. Alegação de inconstitucionalidade da multa Sobre a alegação de que a multa aplicada caracterizaria confisco, o que é vedado pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil, cumpre esclarecer que argumento dessa natureza não pode ser conhecido por esta Turma, conforme demonstração que segue. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 38 8 Com efeito, no âmbito do processo administrativo fiscal, por força do caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a seguir reproduzido, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” Consequentemente, falece competência ao julgador administrativo para examinar a alegação de inconstitucionalidade da multa, que está devidamente prevista em lei, no caso, no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com as alterações sucessivas do art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996, do art. 13 da Medida Provisória nº 351, de 2007, e do art. 13 da Lei nº 11.488, de 2007. O exame de argumento dessa natureza é prerrogativa do Poder Judiciário. Vale ressaltar que o entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula nº 2, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), divulgada, juntamente com os números dos respectivos acórdãos paradigmas, pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010, do Presidente do Carf, publicada no Diário Oficial da União de 23 de dezembro de 2010, Seção 1, páginas 87 a 90, conforme transcrição que segue: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194.876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005” À vista disso, descabe tomar conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa. Juros Selic Sobre a inconformidade do impugnante, quanto aos juros de mora, calculados pela taxa Selic, cumpre esclarecer que esse acréscimo foi exigido em razão do 1011 Acórdão n.º 1038.326 DRJ/POA Fls. 360 dispostos no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, norma de aplicação obrigatória pela administração tributária. Assim, os juros de mora incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos, por qualquer motivo, nos prazos previstos na legislação específica, são equivalentes à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Esse entendimento consta da recente Súmula nº 4 do Carf, transcrita a seguir, juntamente com os números dos respectivos acórdãos paradigmas: Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 39 9 “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194511, de 20/02/2004, Acórdão nº 10321239, de 14/05/2003, Acórdão nº 10418935, de 17/09/2002, Acórdão nº 10514173, de 13/08/2003, Acórdão nº 10807322, de 19/03/2003, Acórdão nº 202 11760, de 25/01/2000, Acórdão nº 20214254, de 15/10/2002, Acórdão nº 20176699, de 29/01/2003, Acórdão nº 20308809, de 15/04/2003, Acórdão nº 20176923, de 13/05/2003, Acórdão nº 30130738, de 08/09/2003, Acórdão nº 30331446, de 16/06/2004, Acórdão nº 30236277, de 09/07/2004, Acórdão nº 30131414, de 13/08/2004 e Acórdão nº 20176923, de 13/05/2003” À vista disso, é legítima a exigência dos juros de mora, nos termos em que ocorreu na autuação. Demais aspectos No tocante à contestação do interessado sobre a inclusão, na base de cálculo do IPI, dos valores relativos aos descontos concedidos, o RIPI de 2002 é muito claro a respeito, conforme transcrição que segue: “Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: .................... II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). .................... § 3º Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 2o, Decretolei no 1.593, de 1977, art. 27, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). ....................” Essa matéria está, inclusive, pacificada há muito tempo em segunda instância, cabendo exemplificar com a ementa do Acórdão no 20173504, da Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no Diário Oficial da União de 12 de julho de 2000, a seguir transcrita, em parte: “IPI – (...) BASE DE CÁLCULO – DESCONTOS INCONDICIONAIS – Os descontos concedidos, mesmo que não subordinados à incerteza de Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 40 10 acontecimentos futuro, integram o valor da operação, não se excluindo da base de cálculo do imposto (art. 14, § 2º, da Lei nº 4.502/64, e suas alterações posteriores, após as modificações introduzidas pelo artigo 15, Lei nº 7.798/89). (...)” Resta sem razão, outra vez, o impugnante. Quanto ao pleito de hipotética juntada de documentos após o prazo para impugnação da exigência, com fulcro no art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, cumpre dizer que, de acordo com os parágrafos invocados pela defesa, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de situações excepcionais, no caso não configuradas, razão pela qual o pedido é inepto. Com respeito à solicitação de que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário discutido, com base no art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN), devese ter presente que solicitação nesse sentido é desnecessária, por se tratar de efeito que se opera automaticamente, pela entrega da impugnação tempestiva. Sobre o argumento de que não teria sido observado o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI no lançamento impugnado, cumpre repetir que os valores apurados no “Demonstrativo do Cálculo do IPI não Lançado” das fls. 158 a 181 foram transcritos para o “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal” da fl. 182, em que os créditos informados nos PER/DCOMPs relacionados na fl. 206 foram absorvidos, em grande parte, pelos débitos do IPI apurados de ofício, neste processo, por ser essa a forma de utilização prioritária dos créditos do referido imposto, segundo o princípio que a defesa alega, sem razão, ter sido descumprido. Caso houvesse outros créditos a deduzir dos débitos apurados de ofício, o art. 191 do RIPI de 2002 permitiria considerálos, também, como escriturados, desde que fossem devidamente comprovados e fossem alegados até a impugnação. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de (a) não tomar conhecimento da impugnação das fls. 226 a 265, no que diz respeito à classificação fiscal das plataformas para colheita de milho, rejeitando a preliminar de nulidade por preterição do direito de defesa, (b) não tomar conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa, (c) considerar inepto o pleito de hipotética juntada de documentos após o prazo para impugnação, e, no mérito, (d) julgar improcedente a impugnação das fls. 226 a 265, para manter integralmente a exigência formalizada no Auto de Infração das fls. 197 a 200.” Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro “ Isto posto, nego provimento aos Embargos de Declaração do Contribuinte, por consideralos meramente protelatórios. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 41 11 É como voto Relatora – Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 441DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06 /10/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 14766.000164/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.697
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida.
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido:
Trata- se de despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife/PE, fl. 418, que deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI pleiteado no PER/DCOMP nº 38513.65469.200407.1.1.017542, transmitido em 20/04/2007, com fundamento no art. 11 da Lei 9.779/1999. Do valor solicitado (R$ 4.660.840,22), foram reconhecidos R$ 546.063,34 e homologadas até esse limite as compensações vinculadas. O estabelecimento detentor do crédito é a filial inscrita no CNPJ sob nº 62.166.848/000304.
Foi realizada ação fiscal para apurar conjuntamente a legitimidade de diversos pedidos de ressarcimento de créditos/compensações relativos a períodos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2008, conforme Termo de Verificação Fiscal que consta no processo. A empresa tem como atividade econômica o comércio atacadista de outras bebidas em geral, sendo classificada como estabelecimento equiparado a industrial/importador direto. Suas principais vendas são de whisky importados diretamente e revendidos para outras empresas, hipótese em que o IPI é pago apenas na importação. Além disso, comercializa as bebidas VODCA SMIRNOFF, WHISKI BELL'S, CAIPIROSKA e BATIDA, industrializadas por encomenda pelas empresas Pernod Ricard Brasil Indústria e Comércio Ltda., CNPJ n° 33.856.394/000133 no período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006, substituída a partir daí pelo estabelecimento filial 2 da empresa Viti Vinícola Cereser Ltda., CNPJ n° 50.930.072/000297, mediante remessa de insumos.
Foram detectadas diversas irregularidades, motivando a reconstituição da escrita no período, cujo desfecho redundou em crédito tributário constituído de ofício auto de infração objeto do processo nº 10480.721782/200969 (fl. e seguintes) formalizando a exigência dos saldos devedores que emergiram e acréscimo de juros moratórios e multa de ofício, no montante de R$ 33.638.374,84.
As irregularidades apontadas no auto de infração foram:
a) estorno de crédito a menor na devolução de produtos industrializados por encomenda fora dos padrões de qualidade e impróprios para o consumo;
b) aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos não considerados matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem;
c) destaque a menor do imposto pela adoção de classe de valor do IPI inferior à permitida para o produto saído.
O procedimento fiscal implicou, ainda, reclassificação de parte dos créditos considerados legítimos, de ressarcíveis para não ressarcíveis, bem como verificação da utilização, na escrita, para compensação com débitos do IPI, dos saldos credores em períodos de apuração posteriores ao do pedido, até a data da transmissão do último PERDCOMP, o que resultou na constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento no trimestre a que se refere o PERDCOMP em análise é inferior ao pleiteado. Tal constatação foi recepcionada pelo Parecer Seort de fls. 415 a 417, que embasou o despacho decisório.
Irresignado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva das fls. 428 a 465, na qual requer preliminarmente a suspensão da exigibilidade dos tributos objeto das declarações de compensação não homologadas e o sobrestamento da apreciação da manifestação de inconformidade até que seja definitivamente julgado, na esfera administrativa, o processo nº 10480.721782/200969.
Quanto ao mérito, defende a legitimidade dos créditos acumulados, que decorreriam, em síntese, de aquisição de insumos tributados pelo IPI e do retorno de produtos industrializados por terceiros, igualmente tributados por esse imposto. A seguir contesta o entendimento da fiscalização no sentido de que o IPI incidente sobre o retorno de produtos industrializados por terceiros mediante encomenda da manifestante, não pode ser tido como crédito desse imposto, invocando a Solução de Consulta n° 57/2002 (Processo n° 13804.001083/200130), da Divisão de Tributação DISIT da Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, em que figurou como consulente, bem como o art. 4º , II, § 1o , e art 5° da Lei n° 7.798/1989, na redação dada pela Medida Provisória n° 2.158/2001.
Conclui que o montante considerado não ressarcível, deveria ser tido como ressarcível, o que ensejaria a reforma do despacho decisório. Com respeito aos débitos apurados, argumenta que sua improcedência estaria comprovada nos autos do processo administrativo 10480.721782/2009-69 e defende as classes de valores adotadas nas operações praticadas.
Ao final, reitera as solicitações em sede de preliminar e solicita o reconhecimento integral do crédito.
A 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10-47096, de 25 de outubro de 2013, cuja ementa abaixo reproduzo:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI.
Somente pode ser objeto de pedido de ressarcimento o montante dos créditos ressarcíveis do trimestre, apurado de acordo com o previsto na legislação de regência
Irresignado com a decisão a quo, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário valendo-se dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Do valor solicitado (R$ 4.660.840,22), foram reconhecidos R$ 546.063,34 e homologadas até esse limite as compensações vinculadas. O estabelecimento detentor do crédito é a filial inscrita no CNPJ sob nº 62.166.848/000304. Foi realizada ação fiscal para apurar conjuntamente a legitimidade de diversos pedidos de ressarcimento de créditos/compensações relativos a períodos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2008, conforme Termo de Verificação Fiscal que consta no processo. A empresa tem como atividade econômica o comércio atacadista de outras bebidas em geral, sendo classificada como estabelecimento equiparado a industrial/importador direto. Suas principais vendas são de whisky importados diretamente e revendidos para outras empresas, hipótese em que o IPI é pago apenas na importação. Além disso, comercializa as bebidas VODCA SMIRNOFF, WHISKI BELL'S, CAIPIROSKA e BATIDA, industrializadas por encomenda pelas empresas Pernod Ricard Brasil Indústria e Comércio Ltda., CNPJ n° 33.856.394/000133 no período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006, substituída a partir daí pelo estabelecimento filial 2 da empresa Viti Vinícola Cereser Ltda., CNPJ n° 50.930.072/000297, mediante remessa de insumos. Foram detectadas diversas irregularidades, motivando a reconstituição da escrita no período, cujo desfecho redundou em crédito tributário constituído de ofício auto de infração objeto do processo nº 10480.721782/200969 (fl. e seguintes) formalizando a exigência dos saldos devedores que emergiram e acréscimo de juros moratórios e multa de ofício, no montante de R$ 33.638.374,84. As irregularidades apontadas no auto de infração foram: a) estorno de crédito a menor na devolução de produtos industrializados por encomenda fora dos padrões de qualidade e impróprios para o consumo; b) aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos não considerados matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem; c) destaque a menor do imposto pela adoção de classe de valor do IPI inferior à permitida para o produto saído. O procedimento fiscal implicou, ainda, reclassificação de parte dos créditos considerados legítimos, de ressarcíveis para não ressarcíveis, bem como verificação da utilização, na escrita, para compensação com débitos do IPI, dos saldos credores em períodos de apuração posteriores ao do pedido, até a data da transmissão do último PERDCOMP, o que resultou na constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento no trimestre a que se refere o PERDCOMP em análise é inferior ao pleiteado. Tal constatação foi recepcionada pelo Parecer Seort de fls. 415 a 417, que embasou o despacho decisório. Irresignado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva das fls. 428 a 465, na qual requer preliminarmente a suspensão da exigibilidade dos tributos objeto das declarações de compensação não homologadas e o sobrestamento da apreciação da manifestação de inconformidade até que seja definitivamente julgado, na esfera administrativa, o processo nº 10480.721782/200969. Quanto ao mérito, defende a legitimidade dos créditos acumulados, que decorreriam, em síntese, de aquisição de insumos tributados pelo IPI e do retorno de produtos industrializados por terceiros, igualmente tributados por esse imposto. A seguir contesta o entendimento da fiscalização no sentido de que o IPI incidente sobre o retorno de produtos industrializados por terceiros mediante encomenda da manifestante, não pode ser tido como crédito desse imposto, invocando a Solução de Consulta n° 57/2002 (Processo n° 13804.001083/200130), da Divisão de Tributação DISIT da Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, em que figurou como consulente, bem como o art. 4º , II, § 1o , e art 5° da Lei n° 7.798/1989, na redação dada pela Medida Provisória n° 2.158/2001. Conclui que o montante considerado não ressarcível, deveria ser tido como ressarcível, o que ensejaria a reforma do despacho decisório. Com respeito aos débitos apurados, argumenta que sua improcedência estaria comprovada nos autos do processo administrativo 10480.721782/2009-69 e defende as classes de valores adotadas nas operações praticadas. Ao final, reitera as solicitações em sede de preliminar e solicita o reconhecimento integral do crédito. A 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10-47096, de 25 de outubro de 2013, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. Somente pode ser objeto de pedido de ressarcimento o montante dos créditos ressarcíveis do trimestre, apurado de acordo com o previsto na legislação de regência Irresignado com a decisão a quo, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário valendo-se dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. VOTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1215; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 100 1 99 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14766.000164/200936 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.697 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de setembro de 2014 Assunto RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente DIAGEO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 66 .0 00 16 4/ 20 09 -3 6 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 14766.000164/200936 Resolução nº 3402000.697 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Trata se de despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife/PE, fl. 418, que deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI pleiteado no PER/DCOMP nº 38513.65469.200407.1.1.017542, transmitido em 20/04/2007, com fundamento no art. 11 da Lei 9.779/1999. Do valor solicitado (R$ 4.660.840,22), foram reconhecidos R$ 546.063,34 e homologadas até esse limite as compensações vinculadas. O estabelecimento detentor do crédito é a filial inscrita no CNPJ sob nº 62.166.848/000304. Foi realizada ação fiscal para apurar conjuntamente a legitimidade de diversos pedidos de ressarcimento de créditos/compensações relativos a períodos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2008, conforme Termo de Verificação Fiscal que consta no processo. A empresa tem como atividade econômica o comércio atacadista de outras bebidas em geral, sendo classificada como estabelecimento equiparado a industrial/importador direto. Suas principais vendas são de whisky importados diretamente e revendidos para outras empresas, hipótese em que o IPI é pago apenas na importação. Além disso, comercializa as bebidas VODCA SMIRNOFF, WHISKI BELL'S, CAIPIROSKA e BATIDA, industrializadas por encomenda pelas empresas Pernod Ricard Brasil Indústria e Comércio Ltda., CNPJ n° 33.856.394/000133 no período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006, substituída a partir daí pelo estabelecimento filial 2 da empresa Viti Vinícola Cereser Ltda., CNPJ n° 50.930.072/000297, mediante remessa de insumos. Foram detectadas diversas irregularidades, motivando a reconstituição da escrita no período, cujo desfecho redundou em crédito tributário constituído de ofício auto de infração objeto do processo nº 10480.721782/200969 (fl. e seguintes) – formalizando a exigência dos saldos devedores que emergiram e acréscimo de juros moratórios e multa de ofício, no montante de R$ 33.638.374,84. As irregularidades apontadas no auto de infração foram: a) estorno de crédito a menor na devolução de produtos industrializados por encomenda fora dos padrões de qualidade e impróprios para o consumo; b) aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos não considerados matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; c) destaque a menor do imposto pela adoção de classe de valor do IPI inferior à permitida para o produto saído. O procedimento fiscal implicou, ainda, reclassificação de parte dos créditos considerados legítimos, de ressarcíveis para não ressarcíveis, bem como verificação da utilização, na escrita, para compensação com débitos do IPI, dos saldos credores em períodos de apuração Fl. 722DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 14766.000164/200936 Resolução nº 3402000.697 S3C4T2 Fl. 102 3 posteriores ao do pedido, até a data da transmissão do último PERDCOMP, o que resultou na constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento no trimestre a que se refere o PERDCOMP em análise é inferior ao pleiteado. Tal constatação foi recepcionada pelo Parecer Seort de fls. 415 a 417, que embasou o despacho decisório. Irresignado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva das fls. 428 a 465, na qual requer preliminarmente a suspensão da exigibilidade dos tributos objeto das declarações de compensação não homologadas e o sobrestamento da apreciação da manifestação de inconformidade até que seja definitivamente julgado, na esfera administrativa, o processo nº 10480.721782/200969. Quanto ao mérito, defende a legitimidade dos créditos acumulados, que decorreriam, em síntese, de aquisição de insumos tributados pelo IPI e do retorno de produtos industrializados por terceiros, igualmente tributados por esse imposto. A seguir contesta o entendimento da fiscalização no sentido de que o IPI incidente sobre o retorno de produtos industrializados por terceiros mediante encomenda da manifestante, não pode ser tido como crédito desse imposto, invocando a Solução de Consulta n° 57/2002 (Processo n° 13804.001083/200130), da Divisão de Tributação – DISIT – da Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, em que figurou como consulente, bem como o art. 4º , II, § 1o , e art 5° da Lei n° 7.798/1989, na redação dada pela Medida Provisória n° 2.158/2001. Conclui que o montante considerado não ressarcível, deveria ser tido como ressarcível, o que ensejaria a reforma do despacho decisório. Com respeito aos débitos apurados, argumenta que sua improcedência estaria comprovada nos autos do processo administrativo 10480.721782/200969 e defende as classes de valores adotadas nas operações praticadas. Ao final, reitera as solicitações em sede de preliminar e solicita o reconhecimento integral do crédito. A 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1047096, de 25 de outubro de 2013, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. Somente pode ser objeto de pedido de ressarcimento o montante dos créditos ressarcíveis do trimestre, apurado de acordo com o previsto na legislação de regência Irresignado com a decisão a quo, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário valendose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 14766.000164/200936 Resolução nº 3402000.697 S3C4T2 Fl. 103 4 É o Relatório. VOTO O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme já relatado, os autos tratam de pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI referente ao terceiro trimestre de 2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife deferiu parcialmente o crédito pleiteado e homologou as declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido. O sujeito passivo protocolou manifestação de inconformidade e recurso voluntário com fundamentos jurídicos e legais que justificariam o pleno deferimento do pedido de ressarcimento. Ocorre que o Fisco reconstituiu a escrita contábil do recorrente, referente aos períodos de apuração compreendidos entre 02/2004 e 05/2008 e desta operação resultou um lançamento tributário a título de IPI no valor de R$ 33.638.374,84. Essa lide está no processo nº 10480.721782/200989. Feita essa observação, entendo que o direito ao ressarcimento pleiteado neste processo está diretamente ligado à licitude da reconstituição da escrita fiscal e que resultou no auto de infração objeto do processo nº 10480.721782/200969. Em face dessa dependência, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem acoste cópia da decisão definitiva proferida nos autos do processo nº 10480.721782/200969 e elabore planilha demonstrativa do valor do crédito a ser ressarcido de acordo com a decisão definitiva do processo acima citado. Depois de tomadas as providências requeridas, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 16/09/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 724DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000277/2002-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999
IRPF. VERBA DE GABINETE PARLAMENTAR. NATUREZA JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA.
O auxílio-encargos gerais de gabinete de deputado e o auxílio-hospedagem, instituídos pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, por substituírem I - fornecimento de combustível e lubrificantes; II - reembolso de despesas efetuadas com reparos de avarias mecânicas, inclusive com troca de peças ou componentes, bem como de aquisição de combustível e lubrificantes; III - impressão de livretos e tablóides parlamentares; IV - extração de cópias reprográficas; V - expedição de cartas e de telegramas; VI - fornecimento de materiais de escritório classificados como despesas de consumo, e VII - assinaturas de jornais e revistas, têm natureza indenizatória, não se sujeitando à incidência do imposto de renda.
Nos termos da Súmula CARF n.º 87, O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka - Relator
EDITADO EM: 29/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka - Relator EDITADO EM: 29/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire.
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VERBA DE GABINETE PARLAMENTAR. NATUREZA JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA. O “auxílioencargos gerais de gabinete de deputado” e o “auxílio hospedagem”, instituídos pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, por substituírem “I fornecimento de combustível e lubrificantes; II reembolso de despesas efetuadas com reparos de avarias mecânicas, inclusive com troca de peças ou componentes, bem como de aquisição de combustível e lubrificantes; III impressão de livretos e tablóides parlamentares; IV extração de cópias reprográficas; V expedição de cartas e de telegramas; VI fornecimento de materiais de escritório classificados como despesas de consumo, e VII assinaturas de jornais e revistas”, têm natureza indenizatória, não se sujeitando à incidência do imposto de renda. Nos termos da Súmula CARF n.º 87, “O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.” Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 77 /2 00 2- 31 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 19515.000277/200231 Acórdão n.º 9202003.358 CSRFT2 Fl. 259 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator EDITADO EM: 29/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte (efls. 192/226) em face do Acórdão n° 220200.431 (efls. 161/183), que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir a multa de oficio por erro escusável. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FALTA DE RETENÇÃO RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF n° 12). RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO AJUDA DE GABINETE E AJUDA DE CUSTO PAGAS COM HABITUALIDADE A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL COMPROVAÇÃO DOS GASTOS TRIBUTAÇÃO ISENÇÃO. Ajuda de gabinete e ajuda de custo pagas com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual estão contidas no âmbito da incidência tributária e, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 19515.000277/200231 Acórdão n.º 9202003.358 CSRFT2 Fl. 260 3 portanto, devem ser consideradas corno rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, quando não comprovado que ditas verbas destinamse a atender despesas de gabinete, despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. O fato de o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte pelos Estados e Municípios, integrar sua receita orçamentária por força de disposições constitucionais, não implica na atribuição de competência às unidades da Federação para ditar normas a respeito de sua fiscalização e cobrança. MULTA DE OFÍCIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA. Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). Recurso parcialmente provido” (efl. 161/162). O recurso especial do contribuinte interposto em face da parte do acórdão recorrido que entendeu tributáveis as verbas de gabinete aponta divergência com o Acórdão CSRF 920200.691, a seguir ementado: “Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF Exercício: 1998, 1999 VERBA DE GABINETE – IMPOSTO DE RENDA – VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR – NÃO INCIDÊNCIA. Os valores percebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos para o trabalho e não pelo trabalho. A premissa exposta no item anterior não se aplica aos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade parlamentar. Recurso especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado.” Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 19515.000277/200231 Acórdão n.º 9202003.358 CSRFT2 Fl. 261 4 O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 240/242, tendo apresentado a Recorrida as contrarrazões de efls. 244/255. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 240/242. Discutese, no presente caso, a natureza tributária dos rendimentos percebidos pelo Recorrente a título de “verbas de gabinete”, e a quem incumbe seu ônus probatório, se seria do Fisco ou do próprio contribuinte. A questão controvertida passa por desvendar a natureza jurídica da famigerada “verba de gabinete”, lembrandose sempre que não importa, para o ramo do Direito Tributário, o nomen iuris do instituto (art. 4º, I, do CTN), para que se possa, somente após este percurso epistemológico necessário, concluirse a respeito do regime tributário a ela aplicável. Portanto, sendo certo que, como é cediço, a interpretação/aplicação do direito ao caso concreto passa sempre por uma análise do texto legislado para somente após isto retirarse dele o comando jurídico intrínseco, cumpre trazer à colação o disposto na Resolução 783/97 da ALESP que, em seu artigo 11, assim dispõe: “Art. 11. Ficam instituídos os AuxílioEncargos Gerais de Gabinete de Deputado e AuxílioHospedagem, devidos mensalmente, correspondentes a 1.250 (hum mil duzentos e cinqüenta) UFESPs, destinados a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos gabinetes, previstos nos artigos 1º, inciso I, alínea ‘I’ e 8º da Resolução 776/96, com hospedagem e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares. §1º. Ocorrendo a extinção da UFESP, deverá ser mantida pela Unidade Fiscal que vier a sucedêla ou substituíla, a mesma relação de valor existente entre a Unidade Fiscal extinta e a moeda do País, na data da publicação desta Resolução. §2º.Em razão da instituição do Auxílio de que trata o artigo 11, ficam cessados: I – fornecimento de combustível e lubrificantes; II – reembolso de despesas efetuadas com reparos de avarias mecânicas, inclusive com troca de peças ou componentes, bem como de aquisição de combustível e lubrificantes; III – impressão de livretos e tablóides parlamentares; IV – extração de cópias reprográficas; V – expedição de cartas e de telegramas; Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 19515.000277/200231 Acórdão n.º 9202003.358 CSRFT2 Fl. 262 5 VI – fornecimento de materiais de escritório classificados como despesas de consumo, e VII – assinaturas de jornais e revistas.” Ora, à luz do que se encontra disposto no referido dispositivo, as verbas instituídas pelo referido “AuxílioEncargos Gerais de Gabinete” vieram a substituir o reembolso com as despesas necessárias à função do cargo público, de maneira que, via de regra, tal valor não constitui renda do contribuinte. Senão vejamos. O artigo 43 do CTN, exercendo o múnus constitucional que foi atribuído pela combinação dos artigos 153, III, e 146, III, ‘a’, delineou, de forma minudente, o critério material da hipótese de incidência do imposto de renda da seguinte maneira: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.” É bem de ver, com base no estatuído pelo Código Tributário Nacional, que auferir renda, nos termos postos constitucionalmente e descritos pelo estatuto adrede colacionado, pressupõe acréscimo patrimonial, ou, como querem alguns autores, “riqueza nova”, de modo que eventuais ingressos de capital que não se amoldem, perfeitamente, ao conceito de “riqueza nova” não poderiam ser tributados pela União Federal, eis que lhe falece competência para tanto. A partir desta premissa, temos que meras indenizações, por apenas recomporem o patrimônio do contribuinte, permitindo o retorno ao seu status quo ante, não configuram acréscimo patrimonial, jamais podendo ser alcançadas pelo imposto. Assim é que o reembolso de “cópias reprográficas”, “despesas com combustíveis”, “fornecimento de materiais de escritório”, dentre outros, não constitui riqueza do contribuinte, uma vez que, sendo despesas gastas “para o trabalho” e não rendimentos auferidos em decorrência do trabalho, não importam em renda, não se enquadrando no conceito de “remuneração”. Aliás, oportuno lembrar que a Constituição Federal, cujas disposições impregnam todo o ordenamento, estabelece, como preceito basilar da tributação, expresso em seu art. 145, §1º, o princípio da capacidade contributiva que, como limite objetivo, aponta para a necessidade de escolha, pelo legislador, de critérios materiais de imposto que configurem fatos signos presuntivos de riqueza, como forma de preservar, também, o direito fundamental de propriedade dos cidadãos, a teor do que dispõe o art. 5º, XXII, da Lei Maior. Exatamente por isso é que o pagamento, a título de reembolso de gastos, não configura rendimento tributável, uma vez que, se o fosse, feriria de morte o princípio da Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 19515.000277/200231 Acórdão n.º 9202003.358 CSRFT2 Fl. 263 6 vedação ao confisco, transposto aos lindes do direito tributário por força do art. 150, IV, da Carta Magna. Tratandose, portanto, as “verbas de gabinete”, de autêntico e genuíno reembolso de gastos, eis que, pelo teor do dispositivo legal trazido à baila, substituiu o pagamento das despesas funcionais necessárias à própria atividade laboral, jamais poderiam ser alcançadas pelo imposto. Em assim sendo, temos que, se não constituem fato gerador do imposto de renda, por não apresentar o requisito necessário de “riqueza nova”, a teor do que dispõe o art. 43, do CTN, não ingressam, portanto, tais valores no patrimônio do ora Recorrente. Portanto, sendo certo que a base de cálculo do imposto de renda apresenta íntima correlação com a hipótese de incidência, sendo índice seguro para medir as proporções reais do fato jurídico tributável, confirmando ou infirmando, pois, o critério material do antecedente da norma, temse que os valores apurados pela fiscalização, in casu, não podem constituir renda do contribuinte. Ademais, não se vislumbrando comprovação, por parte da fiscalização, a respeito do efetivo ingresso de tais valores no patrimônio do Recorrente, não é possível presumilo, eis que tal técnica probatória demanda, na seara do direito tributário, a expressa determinação legal. Desta maneira, o simples fato de não se exigir a prestação de contas não transmuda a natureza do instituto, sendo mister que, para tanto, a fiscalização se desincumba de seu múnus probatório, sob pena de ferirse, igualmente, o princípio da tipicidade, inserto no art. 97 do CTN. Nesta toada é uníssona a jurisprudência desta Segunda Câmara, como se vê de acórdão proferido no Recurso 150.694, que restou assim ementado: “VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA A denominada verba de gabinete se constitui em meio necessário para que o parlamentar possa exercer seu mandato. A não exigência de prestação de contas das despesas correspondentes à referida verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. O fato de não haver prestação de contas, por si só, não transforma em renda aquilo que tem natureza indenizatória. As verbas de gabinete recebidas pelos Deputados e destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda, especificado no artigo 43 do CTN. Recurso provido”. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 150.694, Relator José Raimundo Tosta dos Santos, j. 26 de junho de 2008). O Superior Tribunal de Justiça também tem decidido reiteradamente que as verbas de gabinete têm natureza indenizatória, não se sujeitando, portanto, à incidência do imposto de renda. É o que se depreende, por exemplo, do seguinte trecho da decisão monocrática proferida, em 10 de julho de 2008, pelo Ministro Francisco Falcão, nos autos do Recurso Especial n. 1.009.175PE: “Este Superior Tribunal de Justiça, em diversas oportunidades vem decidindo que tanto a ajuda de custo quanto a verba recebida pelo parlamentar a título de Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 19515.000277/200231 Acórdão n.º 9202003.358 CSRFT2 Fl. 264 7 comparecimento às sessões extraordinárias não devem sofrer a incidência de imposto de renda por terem caráter eminentemente indenizatório. Neste diapasão, destaco os seguintes julgados, verbis: TRIBUTÁRIO. DEPUTADOS ESTADUAIS. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE VERBAS PRECEBIDAS A TÍTULO DE AJUDA DE CUSTO E INDENIZAÇÃO PELO COMPARECIMENTO A SESSÕES LEGISLATIVAS EXTRAORDINÁRIAS. 1. As verbas ‘Ajuda de Custo’ e ‘Indenização pelo Comparecimento a Sessões Extraordinárias’, que visam, respectivamente, restituir custos de transporte e a recomposição do prejuízo sofrido por parlamentar em razão de labor em períodos considerados pela lei como de descanso, não estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda Pessoa Física. 2. O responsável tributário, quando não cumpre com sua obrigação de recolher na fonte o imposto devido, deve efetuar o pagamento do imposto. 3. Desservem a demonstrar divergência jurisprudencial acórdãos paradigmas e paragonado do mesmo tribunal. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 641.243/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 27.09.2004 p. 348). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. VERBA DE GABINETE E AJUDA DE CUSTO. PARLAMENTAR. 1. Não incide imposto de renda sobre a verba de gabinete recebida por parlamentar. Caráter indenizatório. Ausência de conteúdo remuneratório. 2. Incidência sobre a ajuda de custo recebida sem destinação específica, isto é, para cobrir despesas com deslocamentos, etc. 3. A tributação independe da denominação do rendimento. Suficiente que o valor recebido caracterize verba destinada para o exercício do cargo, função ou emprego (art. 45 do Decreto nº 1.041/94, que tem como bases legais as Leis nºs 4.506, de 1964 (art. 16), 7.713/88 (art. 3º, § 4º) e 8.383/91 (art. 74). 4. Nãodeclaração dos rendimentos recebidos a título de aposentadoria. 5. Recurso da União improvido. Idem o do contribuinte. (REsp 689052/AL, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 06.06.2005 p. 207). TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. PARLAMENTAR ESTADUAL. VALOR NÃO RETIDO NA FONTE. VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. I A Fazenda Nacional ajuizou execução contra o ora recorrente (parlamentar), em razão da exigência de imposto de renda relativo a verbas por ele declaradas erroneamente como não tributáveis, referentes a: Auxílio Transporte, Auxílio Moradia, Telefone, Telex, Correspondência, Materiais de Expediente e Sessões Extras. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 19515.000277/200231 Acórdão n.º 9202003.358 CSRFT2 Fl. 265 8 II No entanto, nos termos de inúmeros precedentes jurisprudenciais deste eg. Superior Tribunal de Justiça, não incide imposto de renda sobre verbas de natureza indenizatória percebidas por parlamentares no exercício do respectivo mandato: EDcl no REsp nº 689.893/PE, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 13/06/05; REsp nº 641.243/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 27/09/04; REsp nº 689.052/AL, Rel. Min. JOSÉ DELAGADO, DJ de 06/06/05. III Recurso provido. (REsp 828571/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ 25.05.2006 p. 202). Confirase ainda: REsp 672723/CE, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ 11.04.2005 e REsp 952038/PE, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 18.06.2008. Tais as razões expendidas, com esteio no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil c/c o artigo 34, XVIII, do RISTJ, e artigo 38 da Lei nº 8.038/90, nego seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, com fulcro no artigo 557, §1ºA, dou provimento ao recurso especial do contribuinte. Invertamse os honorários fixados na Primeira Instância. Publiquese.” Finalmente, cumpre registrar que a matéria já foi objeto de apreciação pelo CARF, que editou a Súmula n.º 87, que tem a seguinte redação: “O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.” A leitura da súmula nos permite inferir que se encontra consolidado o entendimento de que as verbas recebidas regularmente a título de “verbas de gabinete” não estão sujeitas à tributação pelo imposto de renda, salvo quando a Fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio. Isto significa dizer que o ônus probatório quanto à utilização das “verbas de gabinete” cabe ao Fisco, e não ao contribuinte, em favor de quem milita a presunção de boafé no dispêndio dos referidos valores. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 19515.000277/200231 Acórdão n.º 9202003.358 CSRFT2 Fl. 266 9 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 13709.001682/2001-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2102-000.033
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da SEGUNDA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira (relator) e Giovanni Christian Nunes Campos que processavam e julgavam o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira (relator) e Giovanni Christian Nunes Campos que processavam e julgavam o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Relator Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Redatora designada Resolução novamente formalizada em meio magnético. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13709.001682/2001-31 Resolução n.º 2102-000.033 S2-C1T2 Fl. 225 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 189 a 203, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 146 a 150, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 16 a 19 dos autos, lavrado em 12/07/2001, relativo ao ano-calendário 1998, com ciência do RECORRENTE em 24/08/2001, conforme AR fl. 43. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 8.395,68, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o demonstrativo das infrações de fl. 19, o presente lançamento teve origem na omissão de rendimentos recebidos pelo RECORRENTE tanto da Souza Cruz S/A, no valor de R$ 29.848,28, com a respectiva inclusão do imposto retido no valor de R$ 7.848,28, e também da Sociedade Universitária Gama Filho, no valor de R$ 899,69, com a respectiva inclusão do imposto retido no valor de R$ 14,98. Ainda conforme o demonstrativo das infrações, foi efetuada a glosa da dedução a título de imposto complementar, visto que o pagamento do mesmo não foi encontrado no sistema da Receita Federal. Em decorrência do auto de infração, foram alterados os valores das seguintes linhas da declaração do RECORRENTE: (i) rendimentos recebidos de pessoas jurídicas de R$ 64.298,43 para R$ 95.046,67; (ii) imposto de renda retido na fonte de R$ 6.518,62 para R$ 14.381,88; e (iii) imposto complementar de R$ 14.083,28 para R$ 0,00 (fl. 17). Assim, foi apurado saldo de imposto suplementar no valor de R$ 3.926,52 em substituição ao resultado de imposto a restituir no valor de R$ 10.749,27 (fl. 17). DA IMPUGNAÇÃO Em 21/09/2001, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 01 e 02. Em suas razões, alega, inicialmente, que a Receita Federal procedeu à lavratura do Auto de Infração sem antes ouví-lo ou solicitar a comprovação dos dados fornecidos em sua declaração, uma vez que não há exigência legal de juntada dos documentos com a declaração. Alega que cometeu apenas um erro em sua declaração, tendo informado o imposto de renda retido em ação trabalhista no campo destinado a imposto complementar. Mas ressalva que tal fato não importou em prejuízo ao Erário, pois o valor tinha sido efetivamente recolhido. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13709.001682/2001-31 Resolução n.º 2102-000.033 S2-C1T2 Fl. 226 3 Não concorda com o imposto de renda na fonte considerado pelo Auto de Infração, no valor de R$ 14.381,88, uma vez que alega que o valor efetivamente retido na fonte foi de R$ 20.615,48, discriminados da seguinte forma: R$ 5.615,64 retidos pela Souza Cruz S/A (fl. 04); R$ 858,00 retidos pela PCM Consultoria (fl. 09); R$ 59,96 retidos pela Sociedade Universitária Gama Filho (fls. 05 a 07); R$ 14.083,28 retidos nos autos de ação trabalhista movida contra a Souza Cruz S/A, em decorrência do acordo firmado entre os litigantes (fl. 08), recolhido em 17/12/1998 através do DARF de fl. 03. Quanto à omissão dos rendimentos da Sociedade Universitária Gama Filho, afirma que a diferença não é de R$ 899,96, mas de apenas R$ 59,96. No somatório dos recibos juntados o valor seria de R$ 2.399,76 e o autuado teria informado o valor de R$ 2.339,80. O engano seria decorrente do fato de que o RECORRENTE teria somado os valores líquidos em vez dos valores brutos. Com relação aos valores recebidos da Souza Cruz, reclama serem inexistentes. Nesse aspecto, afirma que recebeu em 1998 - da Souza Cruz - rendimentos de seu trabalho, no valor de R$ 43.008,63, e a primeira parcela de acordo realizado na Justiça do Trabalho, no valor de R$ 55.000,00, de um total acordado de R$ 131.600,00. Conforme Termo de Conciliação, teria ficado estabelecido pela Justiça que apenas 40% do valor acordado teria natureza indenizatória. Logo, não seria tributável a parcela de R$ 78.960,00. Corroboraria o fato o recolhimento do IRRF de R$ 14.093,28, correspondente apenas à parcela de 40%, referente ao valor tributável. Assim entende que, se o contribuinte declarou que recebeu R$ 55.000,00 como rendimento não tributável, e sendo tal montante inferior a determinado pelo juiz, não houve nenhuma infração. DA DILIGÊNCIA Por determinação da DRJ, às fls. 53 a 55, foi realiza diligência para que a Souza Cruz S/A se manifestasse quanto à veracidade das informações prestadas na DIRF (fl. 49 dos autos) e informasse quais foram os rendimentos tributáveis decorrentes de reclamatória trabalhista efetivamente pagos ao RECORRENTE no ano-calendário 1998, com as respectivas retenções de imposto de renda na fonte e descontos destinados ao pagamento de previdência oficial, juntando, necessariamente, demonstrativo de valores e documentação comprobatória dos pagamentos e retenção na fonte, tais como: recibos assinados, comprovantes de depósitos, cópias de cheques, DARFs, alvarás de pagamento, etc. Também foi determinada a intimação da Sociedade Universitária Gama Filho para que a mesma se manifestasse quanto à validade das informações prestadas na DIRF às fl. 50 e informasse quais foram os rendimentos tributáveis efetivamente pagos mensalmente ao RECORRENTE no ano-calendário 1998, com as respectivas retenções de imposto de renda na fonte e descontos destinados ao pagamento de previdência oficial, juntando, necessariamente, Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13709.001682/2001-31 Resolução n.º 2102-000.033 S2-C1T2 Fl. 227 4 demonstrativo de valores e documentação comprobatória dos pagamentos, tais como: recibos assinados, comprovantes de depósitos, cópias de cheques, etc. A Souza Cruz S/A respondeu à intimação por meio da petição de fls. 75 a 77, e alegou que realizou com o RECORRENTE acordo trabalhista no valor de R$ 131.600,00, dividido da seguinte forma: R$ 55.000,00 quitada em 14/12/1998; R$ 38.300,00 quitada em 14/01/1999; e R$ 38.300,00 quitada em 11/02/1999. Informou também que, conforme homologação judicial de fl. 83, 60% do acordo trabalhista referia-se à verba indenizatória, sendo que a tributação recairia apenas sobre os 40% do montante e nas respectivas competências, conforme descrito abaixo: 1 - R$ 55.000,00, tributação sobre 40% (R$ 22.000,00), competência 12/98; 2 - R$ 38.300,00, tributação sobre 40% (R$ 15.320,00), competência 01/99; 3 - R$ 38.300,00, tributação sobre 40% (R$ 15.320,00), competência 02/99. Contudo, embora os pagamentos fossem parcelados, a empresa decidiu pelo pagamento em uma única parcela, da seguinte forma: o valor total do acordo foi de R$ 131.600,00, parcela tributada 40% = R$ 52.640,00 – R$ 118,97 (teto INSS a deduzir) = R$ 52.521,03 x 27,5% = R$ 14.443,28 – R$ 360,00 (dedução IR) = R$ 14.083,28. Às fls. 105 e 106, a Sociedade Universitária Gama Filho respondeu à intimação da Receita Federal, oportunidade em que juntou aos autos os documentos de fls. 117 a 124, que comprovam o total dos rendimentos pagos ao RECORRENTE, referente ao ano- calendário 1998, no valor de R$ 3.239,76, bem como o respectivo imposto retido na fonte de R$ 59,96. DA DECISÃO RECORRIDA A DRJ, às fls. 143 a 150 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto de renda, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA E PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 IRRF. DIFERENÇA ENTRE VALOR RETIDO E VALOR PAGO. A responsabilidade pelo recolhimento do tributo retido é a fonte pagadora, podendo o beneficiário dos rendimentos compensar somente o imposto retido, independentemente do valor que a fonte pagadora recolhe aos cofres públicos. IRRF. IMPOSTO ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA. REAJUSTAMENTO DO RENDIMENTO BRUTO. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13709.001682/2001-31 Resolução n.º 2102-000.033 S2-C1T2 Fl. 228 5 entregue, é considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Demonstrado que o contribuinte efetivamente não ofereceu à tributação rendimentos tributáveis de sua titularidade, cabe o lançamento. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a DRJ afirmou que a autuação foi correta em relação aos rendimentos omitidos recebidos da Sociedade Universitária Gama Filho, visto que os valores lançados de ofício pela autoridade fiscal correspondem aos valores indicados no comprovante de rendimentos de fl. 124 e DIRF de fl. 50. No que diz respeito aos rendimentos recebidos da Souza Cruz S/A, decorrentes de ação trabalhista, a autoridade julgadora entendeu que, conforme acordo homologado entre as partes, a empresa deveria recolher o imposto de renda com base em 40% do valor pago ao RECORRENTE. Tais valores foram pagos - pela Souza Cruz S/A - em três parcelas mensais, em dezembro de 1998, no valor de R$ 55.000,00 e em janeiro e fevereiro de 1999, essas últimas no valor de R$ 38.300,00, totalizando R$131.600,00. Desta forma, afirmou que, de acordo com o termo de conciliação à fl. 83 e extrato eletrônico da situação do processo à fl. 87, no mês de dezembro foi paga ao RECORRENTE somente a quantia tributável de R$22.000,00 (40% de R$55.000,00). Desta forma, segundo o art. 796 do RIR/94 (atual redação do art. 725 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99), caberia realizar o reajuste da base de cálculo, tendo em vista que a fonte pagadora (Souza Cruz S/A) assumiu o ônus do imposto devido pelo beneficiário. Assim, verificou que a DIRF de fl. 144 contém os valores de rendimentos tributáveis e IRRF corretos para a reclamatória trabalhista, posto que reajustando-se a base de cálculo conforme o art. 796 do RIR/94, chega-se ao valor de R$ 29.848,28 com IRRF de R$ 7.848,28. Com isso, apresentou o seguinte cálculo para demonstrar que os valores encontravam-se corretos: Rendimento tributável Alíquota Parcela a deduzir IRRF R$ 29.848,28 27,5% R$ 360,00 R$ 7.848,28 Valor pago ao contribuinte em dezembro/1998: R$22.000,00 = R$29.848,28 – R$7.848,28 A autoridade julgadora esclareceu, ainda, que o valor retido pela fonte pagadora não se confunde com o valor por ela recolhido aos cofres públicos. Afirmou que a retenção gera um débito que deve ser pago pela fonte pagadora e não pelo beneficiário e se o valor foi pago em montante diferente do retido este seria um problema da fonte com o Fisco e não da fonte com o beneficiário. Assim, conforme Parecer Normativo COSIT (sic) nº 01, de 29 de setembro de 2002, tendo ocorrido a retenção na fonte, a responsabilidade pelo recolhimento do tributo retido seria exclusiva da fonte pagadora, podendo o beneficiário dos rendimentos Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13709.001682/2001-31 Resolução n.º 2102-000.033 S2-C1T2 Fl. 229 6 compensar o imposto retido, independentemente de a fonte pagadora recolher o tributo aos cofres públicos. Portanto, entendeu que deveria ser mantida a omissão de rendimentos no valor de R$29.848,28, concedendo-se o IRRF de R$7.848,28 e não o de R$14.083,28, como pleiteou o RECORRENTE. Sobre este valor de R$ 14.083,28 que o RECORRENTE afirmou ter informado por engano como imposto complementar, enquanto o correto seria informá-lo como imposto retido em decorrência da ação trabalhista, a DRJ afirmou que não haveria reparos a fazer pois o valor correto de IRRF é de R$ 7.848,28. Deste modo, entendeu pela procedência do lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 14/10/2008, conforme ciência nos autos do processo (fl. 153), apresentou o recurso voluntário de fls. 189 a 203, em 29/10/2008. Em sede de preliminar, alegou a ocorrência da prescrição intercorrente (sic), visto que passaram-se mais de sete anos desde o lançamento do imposto (12/07/2001) até a ciência da decisão da DRJ. Também em sede de preliminar, arguiu o cerceamento do direito de defesa, visto que ao ser intimado para se pronunciar sobre os documentos juntados pela Souza Cruz S/A e Sociedade Universitária Gama Filho, conforme item 10.II do Termo de Diligência de fls. 53 a 55, dirigiu-se ao Centro de Atendimento ao Contribuinte da Penha, conforme determinado pela Intimação nº 121/2008 (fl. 139). Mas, somente ao chegar à Unidade é que o RECORRENTE tomou conhecimento que estava com suas atividades encerradas e que os contribuintes que residiam na Ilha do Governador deveriam se dirigir à Central de Atendimento ao Contribuinte da Receita localizada na Av. Presidente Antonio Carlos n°. 375 no Centro – CAC Centro, para ali serem atendidos. Portanto, ao requerer vista dos autos do presente processo no CAC Centro, foi informado por funcionária do local que o processo ainda não havia sido enviado pela CAC Penha à CAC Centro, não sendo possível ao RECORRENTE ter vista dos autos. Assim, por orientação da servidora, o RECORRENTE apresentou petição protocolizada sob o n°. ERAT- RJO/CAC CTO – 23-Jun-2008-15:57-01684-2/2 (fl. 211), a fim de registrar a impossibilidade de vista dos autos e para requerer nova intimação e abertura de novo prazo para apresentação de manifestações. Ocorre que seu pedido sequer foi apreciado, tendo a DRJ proferido o julgamento sem a manifestação do RECORRENTE. Para comprovar que na data de 23/06/2008 o processo encontrava-se na CAC Penha, juntou aos autos o extrato de movimentação do processo de fl. 213. Juntou também Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13709.001682/2001-31 Resolução n.º 2102-000.033 S2-C1T2 Fl. 230 7 declaração do Delegado da DERAT-RJO (fl. 219) informando que o CAC Penha havia encerrado temporariamente suas atividades de atendimento ao público em 16/05/2008. No mérito, o RECORRENTE contestou que o recibo do fl. 122, relativo ao valor de R$ 840,00 recebidos da Sociedade Universitária Gama Filho, alegando que desconhecia a existência do mesmo pois não sabia quem era a pessoa que o assinou (Michele Pereira do Nascimento). Afirmou também que a autorização de fl. 123 seria falsa, tendo em vista que, em comparação aos demais documentos dos autos, poderia se constatar que a assinatura do mesmo não corresponde a real assinatura do RECORRENTE. No que diz respeito à omissão de rendimentos recebidos da Souza Cruz S/A, o RECORRENTE afirmou que havia cometido erro ao indicar o valor recebido em decorrência da ação trabalhista no campo dos rendimentos isentos, por isso que deixou de indicá-los no campo dos rendimentos tributáveis, o que acarretou na omissão de rendimentos apurada. A respeito do imposto no valor de R$ 14.083,28 recolhido de uma só vez pela Souza Cruz S/A, o RECORRENTE entende que somente poderia utilizar tal quantia como dedução de seu imposto no ano-calendário 1998, tendo em vista que a data de recolhimento do mencionado valor foi em dezembro de 1998. Assim, não poderia prevalecer o valor de R$ 7.848,28, como apontou a autoridade lançadora, visto que o valor do imposto efetivamente pago em decorrência da ação trabalhista foi de R$ 14.083,28. Assim, alegou que o reajuste da base de cálculo do valor tributável apurada pela DRJ (conforme o art. 725 do RIR/99) estaria equivocado. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em sessão de julgamento, este conselheiro relator, que optava por julgar o mérito do presente recurso voluntário, ficou vencido, quando a Turma, por maioria, decidiu converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor da MD. Conselheira Núbia Matos Moura. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Voto Vencedor Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13709.001682/2001-31 Resolução n.º 2102-000.033 S2-C1T2 Fl. 231 8 Conselheira Núbia Matos Moura Divirjo do ilustre Relator quanto aos rendimentos recebidos da Souza Cruz S/A. Referidos rendimentos foram recebidos em decorrência de ação trabalhista, tratando-se, pois, de rendimentos recebidos acumuladamente. Nesse contexto, importa trazer a colação o Parecer PGFN/CRJ/N o 287, de 10 de fevereiro de 2009, que propôs a dispensa de interposição de recursos e o requerimento de desistência dos já interpostos por parte dos Procuradores da Fazenda Nacional, nas causas em que se discute a incidência do imposto de renda sobre valores recebidos acumuladamente, diante da jurisprudência reiterada no Superior Tribunal de Justiça – STJ de que “no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Tal Parecer foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, resultando na edição do Ato Declaratório PGFN n o 1, de 2009, que vincula os atos praticados por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, por força do disposto no art. 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002 (com as alterações introduzidas pela Lei n o 11.033, de 2004): Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1 o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (...) § 4 o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. § 5 o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. Da mesma forma, este Colegiado está autorizado a afastar a aplicação de lei quando existir Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, editado nos termos do art. 19 da Lei n o 10.522, de 2002, conforme disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF n o 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009): Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 13709.001682/2001-31 Resolução n.º 2102-000.033 S2-C1T2 Fl. 232 9 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (...) Considerando que existe expressa determinação legal para que o Fisco não constitua os créditos tributários relativos à matéria objeto de ato declaratório editado nos termos do art. 19, inciso II, da Lei n o 10.522, de 2002, ou reveja de ofício o lançamento, nos casos em que o crédito tributário já tenha sido constituído, por uma questão de eqüidade, o mesmo deve acontecer com os julgamentos de segundo grau na esfera administrativa. Nessa conformidade, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora tome as providências necessárias para refazer o cálculo do imposto devido pelo recorrente de acordo com as disposições do Parecer PGFN/CRJ/N o 287, de 10 de fevereiro de 2009. O novo cálculo do crédito tributário devido deverá ser demonstrado em relatório circunstanciado, que deve ser cientificado ao recorrente, para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, conforme acima especificada. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura - Relatora Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por NUBIA MATOS MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003745/2010-00
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. TERMO INICIAL
Havendo indicação da data inicial da moléstia grave em laudo médico oficial, cabe reconhecer a isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentaria desde aquela data.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. TERMO INICIAL Havendo indicação da data inicial da moléstia grave em laudo médico oficial, cabe reconhecer a isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentaria desde aquela data. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 37 45 /2 01 0- 00 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório de fls. 26/31 que indeferiu pedido de restituição de imposto de renda. A contribuinte alegou ter direito à isenção do imposto de renda por ser portadora de cardiopatia grave, porém seu pleito não foi aceito pelo entendimento de que o laudo médico apresentado não definia a data do diagnóstico da doença. Em sede de impugnação, a autuada pediu o deferimento da restituição, aduzindo, em síntese, ser aposentada desde 2003, e que o laudo médico oficial atesta que as primeiras manifestações da doença se deram em maio de 1973, sendo que o perito fez essa declaração amparado em documentos médicos que lhe foram apresentados e que essa deve ser considerada a data do diagnóstico Mantida a decisão recorrida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), a contribuinte, irresignada, interpôs o recurso voluntário em 15/12/2011, demandando "a reconsideração do despacho proferido no acórdão". Disse, ainda, que como a motivação para o indeferimento de seu recurso deviase à questão do termo inicial de sua doença, protocolou pedido junto ao INSS visando a obtenção de laudo complementar para esclarecimento da questão, o qual ainda não restara atendido, solicitando, nesse contexto, mais trinta dias para juntada do laudo; até o momento deste julgamento, entretanto, não foi juntado esse novo laudo. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13855.003745/201000 Acórdão n.º 2802003.177 S2TE02 Fl. 84 3 imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. A recorrente é aposentada e portadora de moléstia grave, cingindose a controvérsia ao termo inicial dessa moléstia. Foram por ela apresentados dois laudos médicos oficiais expedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o primeiro datado de 25/3/2010 (fl. 19) e o segundo de 15/3/2011 (fl. 18), ambos tendo como signatários o mesmo perito médico e consignando, na essência, informações do mesmo teor. Reproduzse, parcialmente, os termos do laudo de 25/3/2010: Em análise dos documentos do presente processo, que trata de isenção de imposto de renda, informamos que a requerente supra é portadora das patologias CID10: I 08 (Doenças de múltiplas valvas Mitral, Aórtica e Tricúspide), I 50 (Insuficiência Cardíaca), I 48 (Fibrilação Atrial) conforme relatório médico assinado pelos Dr. Hélio Rubens Crialezi CRM 31163 datado de 25/02/2011 confirmando diagnóstico e qualificando tal patologia como Cardiopatia Grave, classificando como Classe Funcional Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 IV da NYHA. Colhemos a informação de que as primeiras manifestações das referidas doenças tiveram início em 05/1973. Pelo apresentado neste momento pode se afirmar que a requerente enquadrase na lei 7.713 de 22/12/88, art. 6o , inciso XIV, regulamentado pelo Decreto 3000 de 26/03/1999, art. 39 inciso XXXIII, alterada pela Lei 11.052 de 29/1272004. (grifei) De sua parte, na fundamentação em prol da manutenção do indeferimento dos pedidos de restituição, a DRJ/SP2 assim aduz: Nos termos da legislação reproduzida, a isenção aplicase a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Caso contrário, prevalece a data de emissão do referido laudo. O laudo médico não afirma taxativamente que a interessada era portadora de cardiopatia grave em maio de 1973, mas sim que as primeiras manifestações das doenças cardíacas ocorrerem nessa data. Tal informação é insuficiente para concluir que a cardiopatia, desde os seus primeiros sintomas, já possuía a natureza de cardiopatia grave. Observese que, mesmo após o indeferimento inicial de seu pleito por não ter restado caracterizada a data de início da patologia, não foram apresentados novos elementos como exames, relatórios médicos ou novo laudo médico que atestasse, de forma inequívoca, que a contribuinte era portadora de cardiopatia grave em 1973, ou que determinasse alguma outra data em que a doença pudesse ser considerada grave. Com a devida vênia, discordo dessas assertivas. A expressão "as primeiras manifestações das referidas doenças tiveram início em 05/1973" é bem clara no sentido de que tais manifestações são pertinentes às doenças anteriormente mencionadas no laudo, e não a outras cardiopatias quaisquer. Desse modo, segundo consta nesse documento, aquelas primeiras manifestações já eram de cardiopatias de natureza grave, ao contrário do que entende a instância a quo. A decisão recorrida alude também à circunstância de que o laudo médico não afirma "taxativamente" que a interessada era portadora de cardiopatia grave em maio de 1973. Ora, a taxatividade ou não de uma determinada redação é conceito impregnado de subjetividade. A questão, assim, é de interpretação. Entendo que a partir do momento em que o perito considera determinada informação médica no laudo, esta passa a fazer parte do conteúdo declaratório deste, a menos que seja feita ressalva expressa acerca da mesma, no sentido de discordância com o seu teor ou de sua insuficiência, ou, ainda, se a conclusão do laudo com ela se verifique incompatível, o que não se evidencia no caso. Desse modo, as informações colhidas, no sentido de que a cardiopatia grave iniciou suas manifestações em maio de 1973, foram incorporadas no laudo como fidedignas pelo expert médico, indicando com razoável precisão o termo inicial da patologia. De outra sorte, ainda que desejável, não é exigência legal que o laudo médico oficial venha acompanhado de exames que o corroborem, tampouco constando disposição do Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13855.003745/201000 Acórdão n.º 2802003.177 S2TE02 Fl. 85 5 gênero na Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.851/2008 (D.O.U de 18/8/2008), norma que no presente regulamenta a emissão de atestados e laudos médicos. Dadas essas razões, concluise que o laudo faz prova suficiente de que a recorrente era portadora de moléstia grave desde maio de 1973, conforme atestado por laudo médico oficial. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10882.904893/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/01/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 93 /2 01 2- 81 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904893/201281 Acórdão n.º 3801003.698 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904893/201281 Acórdão n.º 3801003.698 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904893/201281 Acórdão n.º 3801003.698 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904893/201281 Acórdão n.º 3801003.698 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904893/201281 Acórdão n.º 3801003.698 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904893/201281 Acórdão n.º 3801003.698 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10480.721988/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.455
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para manter as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas que prestaram serviço à recorrente. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário para manter a multa de mora como aplicada, com base no artigo 35, inciso II da Lei n.º 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
Fez sustentação oral: Rafael de Paula Gomes OAB/DF 26.345
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para manter as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas que prestaram serviço à recorrente. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário para manter a multa de mora como aplicada, com base no artigo 35, inciso II da Lei n.º 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Fez sustentação oral: Rafael de Paula Gomes OAB/DF 26.345 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 19 88 /2 00 9- 99 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721988/200999 Acórdão n.º 2302003.455 S2C3T2 Fl. 549 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 17/09/2009, com ciência pelo sujeito passivo, através de registro postal em 23/09/2009, de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores pagos aos segurados contribuintes individuais, diretores não empregados, a título de prolabore, e aos demais contribuintes individuais pessoas físicas que prestaram serviço à empresa, tudo nas competências de 09/2004 a 12/2004 De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 120/130, o levantamento referese à remuneração dos diretores não empregados Denis Gerard Marie Fievet, Laurent Andre Bernard Schun, Michel Charles Aristide Merolli e Francesco Tadonnio, identificados através da escrituração contábil da recorrente. Aduz o relatório que os valores lançados como remuneração foram obtidos nas contas contábeis "6110 001 SALÁRIOS e " "6120 001 OUTRAS COMPENSAÇÕES DIRETAS". Como os históricos dos lançamentos não identificavam os diretores beneficiários dos pagamentos, a autuada foi devidamente intimada através do Termo de Intimação Fiscal, datado de 14/08/2009, para que apresentasse os documentos que embasaram tais lançamentos. A falta dos esclarecimentos necessários originou a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.215.1355 CFL 35 (PAF 10480.721982/200911), por descumprimento ao artigo 32, inciso III, da Lei n.º 8.212/91. A constatação de que todos os valores contabilizados não haviam sido informados em GFIP, originou o lançamento das diferenças, que perfazem a presente autuação. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, constam também desta autuação as remunerações pagas a pessoas físicas que prestaram serviço à autuada, na condição de contribuintes individuais, cujos valores foram escriturados numa única conta contábil, que engloba pagamentos efetuados a pessoas físicas e pessoas jurídicas, em afronta ao disposto pelo artigo 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.215.1345 CFL 34(PAF 10480.721981/200977). Aduz que a escrituração contábil também não era discriminada por CNPJ Por derradeiro, o Fisco informa que foi lavrado o Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.215.1361CFL 38 (PAF 10480.721983/200966), porque no exercício de 2004, foram efetuados diversos lançamentos contábeis nos Livros diário de números 142 a 163, sem constar o histórico dos mesmos, ou utilizandose de históricos genéricos, impedindo a visualização da natureza dos pagamentos efetuados e de seus beneficiários. A falta de comprovação por parte da autuada da natureza dos pagamentos lançados na sua contabilidade para os diretores não empregados e que outros vários pagamentos não se referem a pessoas físicas, permitiu o lançamento do valor total apurado como base de incidência contributiva previdenciária, com arrimo no artigo 33, parágrafo 3º, da Lei n.º 8.212/91. O Fisco esclarece que no levantamento relativo aos prestadores de serviço pessoas físicas, não estão arrolados aqueles já informados nas GFIPs entregues pela autuada. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Após a impugnação, Acórdão de fls. 391/401, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que houve equívoco por parte do Fisco na compreensão do seu Plano de Contas; b) que não se furtou dos recolhimentos sobre salário indireto, como moradia, escola de dependentes, etc; c) que a autuação só está embasada na presunção pela não aceitação da forma de contabilização dos valores pagos aos diretores; que não foi buscada a verdade material; d) que prepara folhas de pagamento dos valores pagos aos diretores não empregados contabiliza com base nas mesmas, na conta "Salários"; e) que as despesas lançadas em "Outras Compensações" foram recolhidas; f) que dois diretores são empregados, o que comprova com as folhas de pagamento por amostragem juntadas na impugnação; g) que os lançamentos de pagamentos supostamente efetuados a pessoas físicas, na verdade forma efetuados a pessoas jurídicas; h) que a multa e os juros aplicados são abusivos; i) que a autuação é nula por descumprimento do artigo 142, do CTN; j) que a negativa do pedido de diligência e perícia afronta o princípio do contraditório, porque a perícia é necessária para apurar a regularidade dos recolhimentos. Requer a reforma da decisão recorrida para dar provimento integral ao recurso interposto com a anulação da autuação, o arquivamento do lançamento e que as intimações sejam efetuadas ao seu patrono. Após a apresentação do recurso voluntário para os PAF's 10480.721981/200977; 10480.721982/200911; 10480.721983/20096 e 10480.721984/2009 19, relativos aos autos de infração de obrigação acessória lavrados pela não confecção de folhas de pagamento nos moldes estabelecidos pela legislação previdenciária; pela não discriminação dos lançamentos contábeis dos fatos geradores de contribuição previdenciária, pela falta de informação e esclarecimentos solicitados, bem como pela falta de documentos a serem apresentados, a recorrente apresentou pedido de desistência dos recursos interpostos em vista da quitação das multas aplicadas pelos autos de infração. É o relatório. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721988/200999 Acórdão n.º 2302003.455 S2C3T2 Fl. 550 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. O lançamento referese às contribuições previdenciárias patronais devidas sobre a remuneração dos contribuintes individuais, expostas na Lei n.º 8.212/91, artigo 22, inciso III, que foi acrescentado pela Lei n.º 9.876/99, com vigência a partir de 03/2000, englobando, assim, o período contido nesta notificação, não se submetendo a qualquer limite: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;(grifei) De acordo com o Relatório Fiscal, os valores lançados como base da incidência contributiva foram aferidos indiretamente, pois a contabilidade da recorrente não foi considerada como elemento de prova em seu favor, tendo em vista que, comprovadamente, não registrou o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço porque contabilizouas de maneira diversa do previsto pela boa técnica contábil e com divergência da legislação tributária. A recorrente foi autuada pelo descumprimento das obrigações acessórias definidas pela legislação tributária com relação à contabilização dos fatos geradores de contribuição previdenciária e não logrou demonstrar a correção das faltas, optando pela desistência dos recursos e quitando os valores das multas impostas. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: Fl. 584DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Ao contrário do que diz a recorrente, o lançamento não é fundamentado em simples presunção, e sim nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício Fl. 585DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721988/200999 Acórdão n.º 2302003.455 S2C3T2 Fl. 551 7 dos valores devidos em caso de recusa ou sonegação de documentos por parte do contribuinte, ou sua apresentação deficiente, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. O artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, explicita o que é documento deficiente: Art.233 (...) Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, traz que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Esse ordenamento encontra respaldo, também, no art. 225, inc. II e §13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas Fl. 586DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados nos autos vêse que a empresa é obrigada a discriminar em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias, sendo improcedente a alegação da recorrente de que o Fisco não compreendeu seu Plano de Contas. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da mesma possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Assim, quando a fiscalização se depara com uma escrita contábil onde os fatos geradores de contribuição são lançados na mesma conta contábil onde estão escriturados outros valores, é mister a lavratura do auto de infração, por descumprimento da obrigação acessória contida no artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, procedimento que foi adotado na auditoria fiscal. No caso em tela, a escrituração contábil apresentada pela recorrente não permitiu que o Fisco identificasse os pagamentos havidos a pessoas físicas e pessoas juridicas que lhes prestaram serviço, porque ambos foram lançados numa única conta contábil,e quando foram solicitados esclarecimentos que possibilitassem a discriminação dos valores, os mesmos não foram prestados. Da mesma forma, com relação à remuneração de diretores não empregados, a contabilidade da recorrente não individualizou para qual diretor eram pagos e a que se referiam os valores lançados nas contas "Salários" e "Outras Compensações Diretas". Atentese que a recorrente foi devidamente intimada a individualizar as quantias destinadas aos segurados, a que título eram pagas e para quem, mas silenciou. Destarte, com respaldo do artigo 33,§3º, da Lei n.º 8.212/91, a autuação tomou por base os valores lançados na contabilidade como salários para os diretores não empregados e que não constavam das GFIP's declaradas pelo contribuinte, tampouco das guias de recolhimento de contribuição previdenciária. Por isso, são totalmente inócuas as alegações da recorrente de que os valores foram recolhidos e o débito lançado por presunção, uma vez que não houve qualquer prova de que os valores relativos à remuneração lançada para os diretores não empregados tenha sido recolhida. Repito que o lançamento não se deu por presunção, mas por aferição indireta, conforme os dados escriturados pela própria recorrente que não logrou comprovar que os valores registrados na sua contabilidade a título de compensações para os diretores não empregados como moradia, escola de dependentes , etc já tinham sofrido a incidência contributiva previdenciária e devidamente recolhidas as contribuições, bem como, também não trouxe aos autos qualquer prova de que os valores lançados como remuneração de contribuintes individuais pessoas físicas, referemse ao pagamento de pessoas jurídicas, como diz. Ademais, é de se pontuar que na contabilidade apresentada e examinada pelo Fisco, inexistem contas específicas para os lançamentos individualizados de serviços prestados Fl. 587DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721988/200999 Acórdão n.º 2302003.455 S2C3T2 Fl. 552 9 por pessoas físicas e jurídicas, não há históricos de vários lançamentos contábeis, ou históricos genéricos que não permitiram a identificação dos pagamentos efetuados. Os documentos acostados aos autos por ora da impugnação, não ilidiram o débito lançado e não se prestaram a comprovar qualquer irregularidade na autuação. As folhas de pagamento juntadas, bem como os registros de empregados, referemse aos srs. Edmundo Bontempo e Gladistao José Omizzolo, enquanto nesta autuação estamos falando de diretores não empregados Denis Gerard Marie Fievet, Laurent Andre Bernard Schun, Michel Charles Aristide Merolli e Francesco Tadonnio e pagamento de prolabore. Quanto ao pedido de diligência e perícia, entendo correta a negativa pelo julgador de primeira instância, porque em razão da natureza do lançamento, dos elementos que foram examinados e lhe deram suporte, a recorrente poderia durante todo o trâmite da ação fiscal e do procedimento administrativo, ter buscado comprovar suas alegações quanto aos recolhimentos que diz ter efetuado e até procedido a correção das faltas que originaram os autos de infração por descumprimento de obrigação acessória. Ou seja, é do interesse da recorrente comprovar suas alegações, já que insiste em dizer que recolheu as contribuições previdenciárias e que somente efetuou pagamentos a pessoas jurídicas, mas não trouxe qualquer prova do alegado. Portanto, não há qualquer indício de que possa haver excesso na exação lançada e o pedido de diligência e perícia se mostra com caráter protelatório, uma vez que não houve intenção de corrigir ou apresentar os documentos contábeis que originaram as autuações, já que a recorrente desistiu dos recursos nos Autos de Infração de Obrigação Acessória. Tal fato confirma que a contabilidade da recorrente continua viciada não servindo para fazer prova a seu favor, o que torna desnecessária a perícia requerida. Consequentemente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB N.º10875, DE 16 DE AGOSTO DE 2007 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. Indefiro o pedido de diligência e perícia, com base no artigo 11 da Portaria RFB N.º10875, de 16 de agosto de 2007, já que não se constitui em direito subjetivo do autuado e a prova de eventual recolhimento efetuado independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida aos autos pela recorrente, assim como a comprovação de que os pagamentos efetuados a contribuintes individuais se referiam a pessoas jurídicas. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Também, não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Fl. 589DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721988/200999 Acórdão n.º 2302003.455 S2C3T2 Fl. 553 11 A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ressalto a inexistência do cerceamento defesa e afronta ao princípio do contraditório como alegado, posto que a autuação, seus anexos e o relatório fiscal explicitam claramente a origem e o valor do débito, tanto que foi possível à autuada contestar totalmente o lançamento, o que demonstra perfeita compreensão do mesmo. O relatório fiscal de fls.120/130, expressa claramente que a base imponível para a cobrança das contribuições previdenciárias, consubstanciadas neste auto de infração, foi retirada dos registros contábeis da recorrente, documentos por ela elaborados, de sua posse e guarda, que sequer trouxe provas nas fases de defesa e recurso, para apontar onde os valores lançados estariam incorretos. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à autuação lavrada. Quanto à multa, no caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Fl. 591DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721988/200999 Acórdão n.º 2302003.455 S2C3T2 Fl. 554 13 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente autuação, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 592DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e como lançado, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: Fl. 593DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10480.721988/200999 Acórdão n.º 2302003.455 S2C3T2 Fl. 555 15 “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à intimação dos atos administrativos, o parágrafo 4º, do artigo 23, do Decreto n.º 70.235/72, traz que será considerado o domicilio tributário do sujeito passivo o endereço postal do seu cadastro junto à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, autorizado pelo sujeito passivo: § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 594DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Assim, as intimações serão efetuadas no endereço do domicílio tributário do sujeito passivo. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso voluntário. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 595DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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