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5958882 #
Numero do processo: 12898.000370/2010-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/01/1999 PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari que entendeu devido o lançamento pela não elisão da responsabilidade solidária e ausência de fiscalização na prestadora Carlos Alberto Mees Sringari - Presidente. Ivacir Júlio de Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Ausentes Justificadamente Os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     2   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de  Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Ausentes  Justificadamente Os Conselheiros  Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto   Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/2010­59  Acórdão n.º 2403­002.881  S2­C4T3  Fl. 3          3 Relatório  Em resumo, como se depreende do auto de infração, a autuação baseia­se no  fato da Recorrente não ter apresentado à fiscalização os comprovantes de pagamento do débito  exigido, como forma de elidir­se da responsabilidade solidária. Destaque­se ainda que o débito  fiscal ora combatido foi apurado por meio de arbitramento, tendo sido ainda acrescido de multa  de mora e de juros.  Inconformada  com  a  atuação,  a  Recorrente  apresentou  impugnação  requerendo a anulação do auto de infração sob os seguintes argumentos:  (i) Inexistência de fiscalização da empresa contratada para aferir se o débito  aqui exigido foi pago ou é objeto de ação judicial;  (ii) Impossibilidade de arbitramento da contribuição, que só pode ser aplicado  nos casos em que o Fisco não dispõe de meios para conhecer a realidade (e no presente caso  bastava a fiscalização da empresa contratada para apurar a verdadeira base de cálculo);  (iii) Sucessivamente,  a necessidade de  redução da multa nos  termos da Lei  11.941/2009, que é mais benéfica ao contribuinte, razão pela qual deve retroagir nos termos do  art. 106 do CTN.  Li  o  Relatório  a  quo  ,  compulsei  com  os  autos  e  ,  com  grifos  de  minha  autoria, abaixo o reproduzo na íntegra :  Trata­se  de  crédito  tributário  lançado  pela  fiscalização  ­  AI  DEBCAD  37.245.450­0  pertinente  às  contribuições  patronais  devidas pela empresa em epígrafe, em substituição às lançadas  através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD)  DEBCAD n° 35.442.239­1, anulada pelo Conselho de Recursos  da  Previdência  Social  (CRPS),  conforme  Acórdão  n°  0807/2005, prolatado pela 2a CAJ ­ Câmara de Julgamento, em  25/05/2005,  sob  a  alegação  de  vício  formal,  acarretado  pela  omissão, no anexo relativo aos Fundamentos Legais do Débito,  do  dispositivo  legal  que  autoriza  o  arbitramento  das  contribuições previdenciárias através de aferição indireta.  2.  O  valor  do  presente  lançamento  é  de  R$  75.824,52  consolidado em 12/04/2010.  3. De  acordo  com  o  relatório  fiscal,  de  fls.  21/26,  a  apuração  deu­se  com  base  no  instituto  da  responsabilidade  solidária,  decorrente  da  execução  de  serviços  de  construção  civil  pela  empresa  BRAGITEL  CONSTRUTORA  LTDA,  CNPJ  29.204.898/0001­ 00, uma vez que a contratante não comprovou  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  as  remunerações  dos  segurados,  a  cargo  da  empregadora,  incluídas  em  notas  fiscais  e/ou  faturas  correspondentes  aos  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     4 serviços  executados,  na  forma  determinada  pela  legislação  previdenciária.  4.  Explica  o  Autuante  que,  utilizando  da  prerrogativa  contida  nos parágrafos 3° e 6° do artigo 33 da lei n° 8.212/91, arbitrou  a base de cálculo das contribuições lançadas, a partir do valor  das  Notas  Fiscais  emitidas  pela  prestadora,  adotando­se  o  percentual determinado pela Instrução Normativa n° 971/2009  (40%).  5.  Esclarece  também  o  Auditor  Fiscal  que,  por  se  tratar  de  lançamento  substitutivo  de  contribuições  lançadas  em  procedimento  fiscal  anterior,  foram  considerados  todos  os  documentos apresentados tanto no decorrer da ação fiscal, como  no  curso  do  procedimento  administrativo  de  julgamento,  tendo  sido já consideradas as retificações anteriormente feitas durante  o julgamento administrativo do processo anulado.  DAS IMPUGNAÇÕES   6.  Dentro  do  prazo  regulamentar,  a  notificada  contestou  o  lançamento  através  do  instrumento  de  fls.  36/47,  no  qual  apresenta os argumentos a seguir reproduzidos, em síntese:  6.1.  Uma  análise  cuidadosa  da  legislação  aponta  que  a  existência  de  solidariedade  pressupõe  a  aferição  da  efetiva  existência  do  débito  cobrado,  primeiramente,  fiscalizando  o  devedor principal  (contratado). No presente caso, a  lógica está  invertida.  Somente  após  a  constatação  de  que  a  contratada  deixou de recolher as contribuições é que se poderia exigir da  impugnante o tributo devido.  6.2.  O  interesse  comum  a  que  se  refere  o  art.  124  do  CTN  é  aquele  existente  entre  o  sujeito  e  o  fato  gerador,  o  vínculo  jurídico. Não se trata, contudo, de qualquer vínculo, mas apenas  do vínculo ab origine que os une.  6.3. Cita exemplos, colaciona excertos doutrinários e arestos em  abono de suas teses.  6.4. A responsabilidade solidária imputada por aferição indireta  somente  é  cabível  como  medida  excepcional  quando  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  da  empresa  prestadora não registra o movimento real da remuneração dos  segurados a seu serviço.  6.5.  Entende  que,  como  o Auto  de  Infração  foi  lavrado  após  a  edição  da  MP  n°  449/08,  o  caso  é  de  aplicação  da  multa  prevista na Lei n° 9.430/96, no valor de 0,33 ao dia até o limite  de 20% do valor do débito.  6.6.  Por  fim,  pede  a  procedência  da  impugnação,  protestando  por  prova  pericial  e  juntada  posterior  de  documentos  que  eventualmente se façam necessários.  7. Regularmente notificada do lançamento, conforme se verifica  às fls. 33, a contratada apresentou impugnação ao lançamento  (fls. 92/97), na qual aduz os seguintes argumentos:  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/2010­59  Acórdão n.º 2403­002.881  S2­C4T3  Fl. 4          5 7.1. Preliminarmente, argui a prescrição, com fulcro no art. 174  do CTN.  7.2.  Questiona  a  inclusão,  no  Relatório  de  Vínculos,  de  presidentes e diretores da contratante, que nenhuma relação tem  com a  contratada. Nesse  contexto,  entende  que  a  interpretação  da  responsabilidade  solidária,  da  forma  em  que  apresentada  pelo Auditor Fiscal, é equivocada.  7.3.  acosta  aos  autos  cópias  das  notas  fiscais,  folhas  de  pagamento  e  guias  de  recolhimento,  relativas  à  competência  01/1999.  8. É o relatório. "    DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA    No Acórdão n° 12­36.757 às fls 163 de 18 de abril de 2011 a ­ 13ª Turma da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  d  e  Janeiro  I  ­  DRJ/RJO  I,  manteve o débito e referindo­se ao valor principal R$ 26.559,43 decidiu conforme abaixo:  "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe  (AI  n°  37.245.450­0),  ACORDAM  os  membros  da  Turma,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  à  impugnação,  nos  termos do relatório e voto que este decisum passam a  integrar,  para considerar devido o crédito tributário no valor principal de  R$  26.559,43,  acrescido  de  juros  e  multa  moratória  a  serem  calculados na data da liquidação."  DO RECURSO VOLUNTÁRIO    Conforme  documento  de  fls  179,  em  21/11/2011  a  autuada  interpôs  RECURSO VOLUNTÁRIO e reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação.  Aduz que às fls 218, despacho registra que:  "O  contribuintes  principal  e  solidária  tomaram  ciência  do  Acórdão n° 12­36.757 da 13ª Turma da DRJ­RJ1 de 18/04/2011  (fls.163/172), conforme Intimações de fls. 175/176.  O  contribuinte  principal  apresentou  manifestação  tempestiva  (fls.179/216). A solidária não protocolou manifestação. (..) "  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     6 Voto             Conselheiro Ivacir Júlio de Souza    Na  forma  do  despacho  de  fls  218,  o  recurso  é  tempestivo.  Aduz  que  se  reveste dos pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  Na  condução  do  voto,  a  quo,  referindo­se  às  impugnações  interpostas  a  primeira instância se manifestou conforme o abaixo:    "10.  Tendo  as  empresas  solidariamente  obrigadas  apresentado  impugnações  que  se  sobrepõem  e/ou  se  complementam,  e  considerando  que  a  procedência  de  qualquer  dos  argumentos  expendidos por uma das impugnantes aproveitará a outra, serão  os tópicos suscitados analisados conjuntamente, nomeando­se o  autor de cada questionamento apenas quando necessário."  De plano , considerando a autonomia das partes e as razões que que lhes são  próprias,  motivo  de  recursos  independentes,  ressalto  que  discordo  da  forma  utilizada  pela  instância a quo. Solidária seria a obrigação tributária em comento cujos resultados do julgado  alcança a ambas e não os recursos os quais entendo devam ser analisados de per si.  DAS PRELIMINARES  Às fls 05, no Relatório Discriminativo do Débito­ DD, registra que o período  autuado compreendeu somente a competência 01/99  . Também o Relatório de Fundamentos  Legais  do  Débito  ­  FLD  de  fls.  08,  refere­se  tão­somente  à  sobredita  competência.  Faço  destaque para lembrar que o valor do presente lançamento foi consolidado em 12/04/2010.  Na condução do voto, o i. Julgador exortando a Portaria MPS/SRP/DEFIS n°  02,  de  05  de  fevereiro  de  2007,  ressalte­se,  instrução  superveniente  aos  fatos  geradores,  sublinhou que ali se determina que o auditor deveria ter verificado as informações relativas a  empresa contratada, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser  exigida, de  forma a evitar o  lançamento de  crédito  já extinto. Na oportunidade a  instância a  quo  citando  a  decisão  que  anulou  a  NFLD  substituta  afirmou  que  não  há  registro  de  fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora :  "24. De acordo com a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de  fevereiro  de  2007  ­  Anexo  II,  item  8.4.3,  o  auditor  deverá  analisar  as  informações  disponíveis  relativas  a  todos  os  devedores  solidários, visando à verificação da regularidade da  obrigação  tributária  a  ser  exigida,  de  forma  a  evitar  o  lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido  ou cobrado judicial ou administrativamente.  25.  Conforme  as  informações  constantes  da  decisão  anterior,  não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na  prestadora,  o  que,  por  si  só,  considerando  a  inexistência  de  benefício de ordem na solidariedade, autoriza o procedimento na  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/2010­59  Acórdão n.º 2403­002.881  S2­C4T3  Fl. 5          7 empresa  tomadora,  tendo  em  vista  restar  afastada  a  possibilidade de lançamento em duplicidade.  26.  Assim,  restou  comprovado  que  não  houve  extinção  do  crédito  pelo  pagamento ou sua inexigibilidade decorrente de outro lançamento com o mesmo objeto. "  Na  verdade,  não  tendo  sido  colacionado  nos  autos  o  relatório  fiscal  e  o  Acórdão  que  anulou  a NFLD  substituída,  no  que  se  refere  ao  tema, não há  registro  algum  sobre  a  contratada  ter  sido  fiscalizada  ou  não  com  exame da  contabilidade  no  período  anulado.  Tivesse  havido  ou  não  a  fiscalização,  mesmos  nos  dias  presentes,  nos  sistemas  conteria registros possíveis de serem copiados e colacionados nos autos para efeito de provas.      DAS INSTRUÇÕES E DA JURISPRUDÊNCIA  Anterior a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, com  o  mesmo  propósito,  a  portaria  SRP/DEFIS  nº  018,  de  10  de  outubro  de  2006,  embora  também  superveniente,  por  conservadorismo,  para  evitar  a  nulidade  dos  lançamentos  do  gênero  em  comento,  a  Administração  já  houvera  determinado  que  nas  ações  fiscais  as  autoridades autuantes verificassem se foram analisadas as informações disponíveis relativas  ao devedor  solidário, de que não houve  ação  fiscal  com  exame de  contabilidade  contra  este e que os créditos referentes a prestação de serviço então tributada não foram objeto  de lançamento anterior e ainda que tal cumprimento devesse constar do Relatório Fiscal,  vide  anexo  IV,  item  11.4.3  da  referida  Portaria A  essência  do  que  fora  determinado  na  Portaria revela diligente preocupação da Administração e não traz nada de original posto  que  tal  procedimento  deveria  ter  sido  sempre  praticado. Aduz  que  não  consta do Relatório  Fiscal que tais aspectos tivessem sido observados na ação fiscal em comento.  Não  tendo  havido  registro  nos  autos  das  providências  supracitadas  ,  a  jurisprudência deste Conselho concorre para concluir pela nulidade do lançamento, senão  vejamos :  “ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES  Processo  n° 11330.000934/200749  Recurso   n° 150.621 De Oficio  Matéria   RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  Acórdão  206­01.551  Sessão de 06 de novembro de 2008  Recorrente DRJ ­ RIO DE JANEIRO  Interessado PETROBRÁS ­ PETRÓLEO BRASILEIRO S/A  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/10/1995 a 31/05/1998  PREVIDENCIÁRIO  ­ CUSTEIO  ­ RECURSO DE OFICIO  ­  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  E  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  ­  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA­  PROCEDIMENTO  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     8 FISCAL NA CONTRATADA ­ EXAME DA CONTABILIDADE  ­ LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE.  A autoridade  fiscal constatando que um ou mais dos devedores  solidários  havia  sido  objeto  de  auditoria  fiscal  com exame  da  contabilidade, o auditor deveria abster­se de constituir o crédito  previdenciário. ( grifos do Relator)  Recurso de Oficio Negado.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM  os  membros  da  SEXTA  CÂMARA  do  SEGUNDO  CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos,  em  negar  provimento  ao  recurso.  Fez  sustentação  oral  o(a)  advogado(a)  da  recorrente  Dr(a).  Renato  de  Oliveira  Silva,  OAB/RJ n° 133.477.  ELIAS SAMPAIO FREIRE­Presidente  ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA­Relatora  Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Rogério  de  Lellis  Pinto,  Bemadete  de  Oliveira  Barros,  Cleusa  Vieira  de  Souza,  Ana  Maria  Bandeira,  Lourenço  Ferreira  do  Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. ”  “  Segundo  Conselho  de  Contribuintes.  6ª  Câmara.  Turma  Ordinária  Acórdão nº 20601550 do Processo 11330000897200731  06/11/2008  Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/05/1995  a  30/11/1998  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­ RECURSO DE OFÍCIO ­ NOTIFICAÇÃO FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  ­  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA ­ PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA ­  EXAME  DA  CONTABILIDADE  ­  LANÇAMENTO  EM  DUPLICIDADE.  A  autoridade  fiscal  constatando  que  um  ou  mais  dos  devedores  solidários  havia  sido  objeto  de  auditoria  fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria abster­se  de  constituir  o  crédito  previdenciário.  Recurso  de  Ofício  Negado.”  “Segundo  Conselho  de  Contribuintes.  6ª  Câmara.  Turma  Ordinária  Acórdão nº 20601548 do Processo 11330000889200794  06/11/2008  Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/05/1995  a  31/05/1998  Ementa:  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  RECURSO DE OFà CIO  ­  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  ­  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  ­  PROCEDIMENTO  FISCAL NA CONTRATADA ­ EXAME DA CONTABILIDADE ­  LANÇAMENTO  EM  DUPLICIDADE.  A  autoridade  fiscal  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/2010­59  Acórdão n.º 2403­002.881  S2­C4T3  Fl. 6          9 constatando  que  um  ou  mais  dos  devedores  solidários  havia  sido  objeto  de  auditoria  fiscal  com exame  da  contabilidade,  o  auditor deveria abster­se de constituir o crédito previdenciário.  Recurso de Ofício Negado.”  “Segundo  Conselho  de  Contribuintes.  6ª  Câmara.  Turma  Ordinária  Acórdão nº 20601702 do Processo 11330000890200719  04/12/2008  Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/05/1995  a  30/03/1996  PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  NFLD.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  Não  cabe o lançamento por solidariedade na contratante de serviços  com cessão de mão­de­obra quando constatada a ocorrência de  ação fiscal na empresa prestadora, com exame de contabilidade  por  todo  o  período  abrangido  pelo  lançamento.  Recurso  de  Ofício Negado.”    DO ART 112 DO CTN    No que concerne  ao  encimado,  embora as  circunstâncias  tenham alicerçado  minha convicção, ainda que por algum motivo reste instaladas dúvidas sobre se a prestadora de  serviços  fora  ou  não  fiscalizada no  período  da  constituição  dos  créditos  anulados,  há  que  se  observar  o  preceituado  art.  112  do  CTN  com  destaque  para  o  inciso  II  ao  abordar  justo  à  natureza  ou  às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  à  natureza  ou  extensão  dos  seus  efeitos, verbis:         " Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina  penalidades,  interpreta­se  da  maneira  mais  favorável  ao  acusado, em caso de dúvida quanto:      I ­ à capitulação legal do fato;      II  ­ à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à  natureza ou extensão dos seus efeitos; "    DA OMISSÃO DAS RUBRICAS  Embora  o  documento  de  fls.  06  refira­se  à  rubrica  empresa,  no  Relatório  Fiscal a autoridade autuante não faz remissão alguma a este fato sendo omissa a descrição da  motivação da incidência e da alíquota praticada.    DAS BASES DE CÁLCULO      Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     10 Embora  no  item  7.2  do  Relatório  Fiscal  a  autoridade  autuante  revele  que  pautou os cálculos com base no previsto no art. 336 da Instrução Normativa ­ IN RFB n°  971,  de  13/11/09,  a  instância  a  quo  enfrentou  integralmente  a  matéria  na  forma  do  abaixo  transcrito sem se posicionar a respeito, verbis:  "27. A base de  cálculo do presente  lançamento  foi  calculada a  partir das notas fiscais/faturas/recibos identificados no Anexo 01  (fls. 27), por ter a empresa contratante deixado de apresentar os  elementos  elisivos  da  solidariedade  previstos  na  legislação  previdenciária,  tais  como  as  folhas  de  pagamento  específicas  elaboradas  pela  construtora  erespectivos  recolhimentos  vinculados à obra."    DO PERÍODO FISCALIZADO E DA IN 971/2009    O período autuado se  restringiu à competência 01/1999, entretanto, no  item  7.2  do  Relatório  fiscal  ,  às  fls  24,  aduz  que  para  calcular  as  remunerações  pelo método  de  aferição indireta se aplicaram norma superveniente aos fatos geradores, verbis:    7.2  As  remunerações  da  mão­de­obra  contidas  nas  notas  fiscais/faturas/recibos foram calculadas com a aplicação, sobre  o  valor  total  das  notas  fiscais/faturas/recibos,  dos  percentuais  previstos no art. 336 da Instrução Normativa ­ IN RFB n° 971,  de 13/11/09, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, abaixo  transcrita, conforme demonstrado no anexo 01 a este relatório.  IN RFB n° 971 de 13/11/09:  " Art. 336. O valor da remuneração da mão­de­obra utilizada na  execução  dos  serviços  contratados,  aferido  indiretamente,  corresponde  no  mínimo  a  40%  (quarenta  por  cento)  do  valor  dos  serviços  contidos na nota  fiscal,  na  fatura ou no  recibo de  prestação de serviços."    Às  fls.08,  no  Relatório  de  Fundamentos  Legais  do  Débito­  FLD  restou  consolidado  no  item  061  a  motivação  legal  POR  AFERIÇÃO  INDIRETA­CONSTRUCAO  CIVIL  onde  se  utilizaram  da  Lei  10.256,  de  09.07.2001,  também  posterior  aos  fatos  geradores :    "061  ­  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS  APURADAS  POR  AFERIÇÃO INDIRETA­CONSTRUCAO CIVIL  061.03 ­ Competências : 01/1999   Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com redação posterior da Lei  n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3., 4. e 6.;  Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social  ­ ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, artigos  50, 52, 53 e 54; "  DAS NOTAS FISCAIS  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/2010­59  Acórdão n.º 2403­002.881  S2­C4T3  Fl. 7          11 A autoridade autuante às fls 27, montou planilha com os números das notas  fiscais pelos valores totais , valores estes que foram tomados como base de cálculo,  mas não  colacionou cópias das mesmas para comprovação Tal  fato  ,  por  si,  ensejaria nulidade por  falta  do  elemento  material  probante.  Entretanto,  compulsando  os  autos,  referindo­se  às  prestações  dos  serviços  em  comento,  a  prestadora  quando  interpôs  impugnação  de  fls  92,  juntou as referidas notas fiscais emitidas para a contratante TELECOMUNICAÇÕES DO RIO  DE  JANEIRO S/A  . Embora  isso,  as  supracitadas  notas  não  trazem discriminados  o  tipo  de  serviço e não indica se se no todo contêm valores de materiais utilizados .  DOS CONTRATOS E DA AUSÊNCIA DE PROVAS  No  que  se  refere  aos  contratos,  na  mesma  encimada  planilha  a  autoridade  autuante registra os números dos mesmos , entretanto , à exemplo do que fizera com as notas  fiscais, não os trouxe à colação para comprovação dos objetos contratuais para dar efetiva  demonstração de que  trataram­se de obras de  construção  civil  bem como  se houvera ou não  empreitada total com fornecimento de material.  DA ADMINISTRAÇÃO E DA REVISÃO DOS ATOS  O dever de a Administração rever seus atos, zelando pela sua legalidade, está  expresso no artigo 53, da Lei 9.784/1999 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal.  DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL  A  verdade material  é  um  princípio  específico  do  processo  administrativo,  contrapondo­se ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil.  O  processo  fiscal  tem  por  finalidade  garantir  a  legalidade  da  apuração  da  ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário.  Deve, portanto, o  julgador,  exaustivamente, pesquisar  se, de fato, ocorreu a  hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar  aquilo que  é  realmente  verdade,  independente  do  alegado. Dessa  forma o  administrador  é  obrigado  a  buscar  não  só  a  verdade  posta  no  processo  como  também  a  verdade  de  todas  as  formas possíveis. A própria administração produz provas a favor do contribuinte, não podendo  ficar restrito somente ao que consta no processo.  DA NULIDADE  A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 permite constatar  que  a  nulidade  do  ato  só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente  dependam  ou  sejam  conseqüência.  “ O Decreto 70.235/72 :  Art. 59. São nulos:   I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com  preterição do direito de defesa.  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     12  §  1º  A  nulidade  de  qualquer  ato  só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  Se  o  lançamento  apresentar  vício  em  seu  processo  de  formação  não  respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma.  Se o vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na  composição,  mediante  explícita  presunção  e  ausência  de  provas,  ônus  do  sujeito  ativo,  ensejará  a  nulidade  dado  que  o  conteúdo  do  ato  estará  eivado  de  vício  material  comprometedor do crédito e da sua motivação .  DO ART. 142 DO CTN  Aduz que no comando do artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN ,  o legislador determinou cumprir com clareza a motivação do lançamento, verbis:   “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.   Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.”   Em  razão  de  tudo  que  foi  exposto,  não  há  como  corroborar  sustentável  o  lançamento  posto  que  eivado  de  VÍCIOS  INSANÁVEIS.  Desse  modo  ,  por  economia  processual, sequer adentro o mérito.  CONCLUSÃO   Desse  modo,  conheço  do  Recurso  para  em  PRELIMINAR  determinar  a  nulidade por VÍCIO MATERIAL .  É como voto.     Ivacir Júlio de Souza­ Relator                                Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 19515.001270/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2000, 2001, 2003, 2005, 2006 PIS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de créditos decorrentes da não-cumulatividade, estes devem ser aproveitados para abater os débitos correspondentes. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1980; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 3.969          1 3.968  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.001270/2007­41  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  3301­002.626  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de março de 2015  Matéria  Auto de Infração PIS/Cofins  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SORANA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2000, 2001  DECADÊNCIA. PIS. COFINS  Por qualquer das regras de contagem previstas nos art. 150 e 173 do CTN, o  crédito  tributário  da  contribuição,  até  o  período  de  junho/2001,  exigido  no  presente  processo  está  atingido  pelo  transcurso  do  prazo  decadencial  de  5  anos.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2000, 2001, 2004, 2005, 2006  COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPROVAÇÃO.  Comprovada  a  existência  de  créditos  decorrentes  da  não­cumulatividade,  estes devem ser aproveitados para abater os débitos correspondentes.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2000, 2001, 2003, 2005, 2006  PIS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPROVAÇÃO.  Comprovada  a  existência  de  créditos  decorrentes  da  não­cumulatividade,  estes devem ser aproveitados para abater os débitos correspondentes.   Recurso de Ofício Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em  negar  provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 70 /2 00 7- 41 Fl. 3969DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/2007­41  Acórdão n.º 3301­002.626  S3­C3T1  Fl. 3.970          2 Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia  Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.  Fl. 3970DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/2007­41  Acórdão n.º 3301­002.626  S3­C3T1  Fl. 3.971          3 Relatório  Por economia processual adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida,  abaixo transcrito:  Trata­se  de  autos  de  infração  lavrados  contra  a  contribuinte  em  epígrafe,  relativos à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep (fls.  517/523 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), nos  períodos  de  apuração  setembro/2000  a  março/2001,  junho/2001,  janeiro/2003,  março/2003  a  junho/2003,  agosto/2003  a  outubro/2003,  junho/2005  e  junho/2006,  no  montante  total  de  R$ 358.350,89,  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social – Cofins (fls. 525/533), nos períodos de apuração setembro/2000  a  março/2001,  junho/2001,  agosto/2001,  março/2004  a  maio/2004,  julho/2004  a  janeiro/2005,  março/2005,  abril/2005  e  junho/2006,  no  montante  total  de  R$ 1.557.799,59.  A  auditora­fiscal,  no  Termo  (24)  de  Constatação  e  Verificação  Fiscal  (fls. 494/502), fundamentou os lançamentos de ofício em diferenças apuradas entre  os valores registrados na contabilidade a título de PIS/Pasep e Cofins a recolher e os  valores  declarados  em  DCTF,  sem  depósito  judicial,  sem  liminar  e  sem  recolhimento.  Cientificada dos autos de infração em 31/05/2007, a contribuinte apresentou  impugnação em 02/07/2007 (fls. 536/563), na qual de início informa que:  decidiu recolher as  importâncias de parte das contribuições ao  PIS e da Cofins, em face de serem reconhecidamente erros seus  ou de parcelas de pequeno valor, às quais entende que são dadas  como  liquidadas,  pelo  pagamento  com  o  aproveitamento  de  considerar  as multas  com 50%  de  desconto,  como mencionado  nos próprios autos de infração (...).  (...)  Comprovando  os  pagamentos  estão  anexadas  cópias  dos  correspondentes  “DARF’s”  –  Documento  de  Arrecadação  de  Receitas Federais, aos itens:  II.  1  –  RECOLHIMENTO  DAS  EXIGÊNCIAS  DAS  CONTRIBUIÇÕES AOS PIS  Fato  gerador  31/01/2003:  valor  de R$  3.501,18,  com multa  de  75% (Doc 2);  Fato  gerador  31/03/2003:  valor  de R$  3.092,81,  com multa  de  75% (Doc 3);  Fato  gerador  30/06/2005:  valor  de R$  4.286,75,  com multa  de  75% (Doc 4);e  Fato  gerador  30/06/2006:  valor  de  R$  202,80,  com  multa  de  75% (Doc 5).  Fl. 3971DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/2007­41  Acórdão n.º 3301­002.626  S3­C3T1  Fl. 3.972          4 II. 2 – RECOLHIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DAS COFINS  Fato gerador 31/08/2001: valor de R$ 53,65, com multa de 75%  (Doc 6);  Fato  gerador  31/03/2005:  valor  de  R$  340,85,  com  multa  de  75% (Doc 7);  Fato  gerador  30/04/2005:  valor  de  R$  105,61,  com  multa  de  75% (Doc 8); e  Fato  gerador  30/06/2006:  valor  de  R$  936,00,  com  multa  de  75% (Doc 9).  A seguir, a impugnante alega, em síntese, que:  · ocorreu a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário  relativo  aos  fatos  geradores  de  setembro/2000  a  abril/2002,  a  teor  do  disposto  no  art.  150,  §  4º,  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  Código Tributário Nacional. Mesmo considerando o prazo previsto no art.  173 do CTN, ainda assim ocorreu a decadência;  · com  relação  às  exigências  relativas  aos  períodos  de  apuração  de  setembro/2000 a junho/2001, procedeu em acordo com liminar que lhe era  favorável no Mandado de Segurança nº 1999.61.00.046644­7, recolhendo  os  valores  de  PIS/Pasep  e  de  Cofins  apenas  sobre  a  base  de  cálculo  compreensiva  entre  o  valor  de  venda  dos  carros  novos  e  seu  valor  de  compra, com incidência, no caso da Cofins, da alíquota de dois por cento,  e não três como exigia a legislação de regência. Efetuou corretamente as  contabilizações,  inclusive  provisionando  as  diferenças  entre  o  que  lhe  autorizou a liminar e o que dispunha a legislação,  tendo ainda declarado  tais valores  como  suspensos  em DCTF e  feito depósitos  judiciais  a  eles  correspondentes;  · para o período de  apuração de março/2001, procedeu ao recolhimento  a  maior no valor de R$ 12.109,53, pelo que, considerando os valores como  apontados  pela  auditora  fiscal  com  os  lançamentos  contábeis  demonstrados  em  planilhas  anexadas  aos  autos  e  o  valor  recolhido  a  maior, nenhuma obrigação fica pendente;  · relativamente ao período de apuração de junho/2001, a auditora fiscal não  levou  em  consideração,  como  fez  em  outros  meses,  que  houve  um  depósito judicial no valor de R$ 1.546,34 referente à Cofins sobre receitas  que  não  fossem  do  faturamento  do  então  estabelecimento  filial,  em  virtude  de  processo  de mandado  de  segurança  contra  tal  exigência  pela  Lei  nº  9.718,  de  27  de  novembro  de  1998,  impetrado  por  aquele  estabelecimento, então empresa, que foi posteriormente incorporada pela  impugnante. Considerando tal valor, não há divergência alguma;  · no  tocante  ao  PIS/Pasep  dos  períodos  de  apuração  de  abril/2003  a  outubro/2003, foram lançados valores idênticos de R$ 111,40. Ocorre que  em  decorrência  da  implantação  do  sistema  de  não  cumulatividade,  pela  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  levantou­se  o  estoque  existente no final do dia 30/11/2002 (estoque inicial em 01/01/2002) das  peças de reposição para veículos automotores, peças essas não constantes  dos códigos mencionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho  Fl. 3972DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/2007­41  Acórdão n.º 3301­002.626  S3­C3T1  Fl. 3.973          5 de  2002,  e  objeto  de  sua  comercialização.  Sobre  o  valor  desse  estoque  procedeu­se ao cálculo de 0,65% apurando­se R$ 1.336,83, como total de  crédito a ser deduzido nos recolhimentos dos débitos apurados nos doze  meses  a  partir  de  dezembro  de  2002,  o  que  significou  exatamente  R$  111,40 por mês, conforme previsão constante do art. 11 da citada Lei nº  10.637,  de  2002. Ao  lançar  a  crédito  da  conta  de  obrigações  os  valores  devidos  do  PIS/Pasep  relativo  aos  fatos  geradores  dos  meses  de  dezembro/2002  a  novembro/2003  e  nos  meses  subseqüentes  os  lançamentos  a  débito  pelos  recolhimentos  respectivos,  as  obrigações  relativas  se  liquidaram  com  os  créditos  iniciais  lançados  a  débito  das  contas  de  obrigações  em  31/12/2002,  explicando  e  justificando  assim  a  inexistência de qualquer obrigação  relativa às exigências  apontadas pela  autuante;  · com  referência  à Cofins  para  os períodos  de  apuração  de março/2004  a  janeiro/2005,  também em decorrência da  implantação do sistema de não  cumulatividade, agora pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, foi  levantado  o  estoque  como  no  caso  do  PIS/Pasep,  procedendo­se  ao  cálculo  de  3%,  o  que  resultou  em  um montante  de R$  4.444,34,  como  total  do  crédito  a  ser  deduzido  dos  débitos  apurados  nos  doze meses  a  partir  de  fevereiro/2004,  significando  exatamente  R$  370,36  por  mês,  conforme previsão  constante  do  art.  12  do  citado  diploma  legal. Assim,  por essa razão também resta aqui explicada e justificada a inexistência de  qualquer obrigação relativa às exigências apontadas no auto de infração;  · para março/2004, a auditora fiscal aponta como diferença não recolhida a  título de Cofins a importância de R$ 5.789,48, pois ela não considerou os  créditos  a  que  a  impugnante  tinha  direito.  A  diferença  apontada  tem  a  seguinte origem:  § crédito inicial, como dito acima  370,36  § créditos pelas aquisições do mês  6.931,49  § Sub total  7.301,85  § Cofins sobre outras operações  1.512,37  § Total  5.789,48  Assim,  também  comprova­se  que  nenhuma  exigência  há  de  Cofins  para  o  período de apuração março/2004;  · de  igual  modo  ao  que  ocorreu  com  a  obrigação  relativa  ao  período  de  apuração de março/2004,  a  auditora  fiscal  aponta para  abril/2004,  como  diferença não recolhida a título de Cofins, a importância de R$ 2.430,19,  pois também aqui ela não considerou os créditos a que a impugnante tinha  direito. A diferença apontada tem a seguinte origem:  § crédito inicial, como dito acima  370,36  § créditos pelas aquisições do mês  5.915,90  § Sub total  6.286,26  § Cofins sobre outras operações  3.856,07  Fl. 3973DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/2007­41  Acórdão n.º 3301­002.626  S3­C3T1  Fl. 3.974          6 § Total  2.430,19  Logo, nenhuma exigência há de Cofins para o período de apuração abril/2004.  Ao analisar referida impugnação a 6ª Turma da DRJ/São Paulo I, proferiu o  Acórdão nº 16­38667, de 10/05/2012, com a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/09/2000  a  31/03/2001,  01/06/2001  a  30/06/2001, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/06/2003,  01/08/2003 a 31/10/2003, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/06/2006  a 30/06/2006  DECADÊNCIA.  É de cinco anos o prazo de que a Receita Federal dispõe para  constituir os seus créditos, contados, no caso de não ter havido  recolhimento,  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado  e,  no  caso  de  ter  havido recolhimento, da data do fato gerador.  DIFERENÇAS.  JUSTIFICATIVAS.  INSUBSISTÊNCIA  DO  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Revela­se  insubsistente  o  lançamento  de  ofício  de  diferenças  apuradas,  se  a  contribuinte  já  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  intimada  para  tanto,  as  justificou  como  sendo  devidas à não consideração pela auditora fiscal de créditos que  possuía para descontar na apuração do valor devido segundo a  modalidade  não  cumulativa,  tendo  inclusive  discriminado  seus  cálculos  em  planilhas,  não  sendo  suficiente  para  afastar  tal  justificativa  a  mera  falta  de  contabilização  desses  créditos  na  conta  de  contribuições  a  recolher, mormente  quando  ainda  em  sede de impugnação a autuada traz aos autos novos documentos  corroborando as justificativas apresentadas.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período  de  apuração:  01/09/2000  a  31/03/2001,  01/06/2001  a  30/06/2001, 01/08/2001 a 31/08/2001, 01/03/2004 a 31/05/2004,  01/07/2004 a 31/01/2005, 01/03/2005 a 30/04/2005, 01/06/2006  a 30/06/2006  DECADÊNCIA.  É de cinco anos o prazo de que a Receita Federal dispõe para  constituir os seus créditos, contados, no caso de não ter havido  recolhimento,  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado  e,  no  caso  de  ter  havido recolhimento, da data do fato gerador.  DIFERENÇAS.  JUSTIFICATIVAS.  INSUBSISTÊNCIA  DO  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Fl. 3974DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/2007­41  Acórdão n.º 3301­002.626  S3­C3T1  Fl. 3.975          7 Revela­se  insubsistente  o  lançamento  de  ofício  de  diferenças  apuradas,  se  a  contribuinte  já  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  intimada  para  tanto,  as  justificou  como  sendo  devidas à não consideração pela auditora fiscal de créditos que  possuía para descontar na apuração do valor devido segundo a  modalidade  não  cumulativa,  tendo  inclusive  discriminado  seus  cálculos  em  planilhas,  não  sendo  suficiente  para  afastar  tal  justificativa  a  mera  falta  de  contabilização  desses  créditos  na  conta  de  contribuições  a  recolher, mormente  quando  ainda  em  sede de impugnação a autuada traz aos autos novos documentos  corroborando as justificativas apresentadas.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Em  razão  do  montante  do  valor  exonerado,  na  própria  decisão  foi  apresentado recurso de ofício nos termos do art. 34, inc. I, do Decreto nº 70.235/72.  É o relatório.  Fl. 3975DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/2007­41  Acórdão n.º 3301­002.626  S3­C3T1  Fl. 3.976          8 Voto             Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal  O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade, por isso deve ser  conhecido.  Observa­se  que  foram  duas  as  razões  das  exonerações  do  crédito  tributário  por  parte  da  decisão  recorrida.  A  primeira  foi  em  razão  do  reconhecimento  do  lapso  decadencial nos termos dos art. 150, § 4º e 173, I do CTN. Concluiu que por qualquer um das  duas contagens, seja a partir do fato gerador, seja a partir do primeiro dia do exercício seguinte  à ocorrência do fato gerador, as exigências relativas aos períodos de apuração até junho/2001  estariam fulminadas pela decadência. A decisão foi  tomada com acerto, pois na pior situação  para o contribuinte, art. 173, I do CTN, para junho/2001, o último prazo para lançamento seria  31/12/2006 e o lançamento foi realizado em 31/05/2007.  A  segunda  razão  da  exoneração  foi  o  aproveitamento  dos  créditos  da  não  cumulatividade que o contribuinte comprovou ter direito, quando de sua impugnação.   A parte mantida do auto de infração já havia sido paga pelo contribuinte.  Por economia processual,  informo que concordo com  todos os  fundamentos  da decisão recorrida, a qual adoto como razão de decidir nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº  9.784/99.  Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício.    Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator                               Fl. 3976DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS

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Numero do processo: 11516.001505/2003-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 NULIDADES. MANUTENÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. - Aplicação da Lei nº 9.069/1995, artigo 1º. - Exclusão das operações que apontaram bis in idem quanto à aplicação da penalidade. - Dispensa da comunicação nas informações nos períodos de janeiro de 1998 a dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$ 20.000,00. - Dispensa da comunicação da entrega do DOI nos casos em que houverem mais de 5 anos da ocorrência do fato jurídico nos termos do artigo 6º, inciso II, acima transcrito. MULTA. REDUÇÃO. LEI N° 10.426, DE 2002. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o novo diploma legal que comine penalidade menos gravosa ou severa à prevista na lei ao tempo da prática da infração apurada em procedimento de fiscalização quando o ato ou fato pretérito não foi definitivamente julgado (CTN, art. 106, inciso II, letra "c"), salvo nos casos em que comprovadamente o valor fixo de R$ 20,00 for maior que o percentual de 1% previsto na legislação à época dos fatos jurídicos. OPERAÇÕES CANCELADAS OU ANULADAS. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. RECONHECIMENTO. Por critério de razoabilidade e proporcionalidade da aplicação da penalidade, as operações canceladas ou anuladas não produzem efeitos jurídicos, não podendo ser fundamento para a aplicação de penalidade, mesmo nos casos de obrigação acessória, desde que tenham sido identificadas quais foram as referidas operações anuladas ou canceladas. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Considerando a data da lavratura do Auto de Infração em 11/07/2003, se aplicássemos o prazo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, entendimento que vem prevalecendo nessa corte em relação às multas isoladas, o prazo de início da contagem do prazo para os fatos geradores do período de 01/01/1998 a 31/05/1998, se iniciaria em 1999, finalizando em 31/12/2003, portanto, não teria ocorrido a decadência. MULTA. DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - INTEMPESTIVIDADE. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias DOI, na forma das prescrições contidas no Decreto Lei n° 1510/76, art. 15, e § 1° e Lei n° 9532, de 1997, arts. 72 e 81, II, a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeita os serventuários da Justiça, responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, a penalidade prevista no Decreto-Lei n° 1510, de 1976, art. 15 § 2º. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional, visto que a contribuinte fora intimada antes de qualquer procedimento de regularização da entrega. Recursos conhecidos e recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, em AFASTAR as preliminares do recurso voluntário; e, no mérito, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vida de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2295; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1  1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.001505/2003­59  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  1201­001.188  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de março de 2015  Matéria  Auto de Infração de Multa Isolada  Recorrentes  CINÉSIO JOÃO DA SILVA               FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 1998, 1999, 2000, 2001  NULIDADES. MANUTENÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.  ­ Aplicação da Lei nº 9.069/1995, artigo 1º.   ­ Exclusão das operações que apontaram bis  in  idem quanto  à aplicação da  penalidade.  ­ Dispensa da comunicação nas informações nos períodos de janeiro de 1998  a dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$ 20.000,00.  ­ Dispensa da comunicação da entrega do DOI nos casos em que houverem  mais de 5 anos da ocorrência do fato jurídico nos termos do artigo 6º, inciso  II, acima transcrito.  MULTA.  REDUÇÃO.  LEI  N°  10.426,  DE  2002.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  Aplica­se  o  novo  diploma  legal  que  comine  penalidade  menos  gravosa  ou  severa  à  prevista  na  lei  ao  tempo  da  prática  da  infração  apurada  em  procedimento  de  fiscalização  quando  o  ato  ou  fato  pretérito  não  foi  definitivamente julgado (CTN, art. 106, inciso II, letra "c"), salvo nos casos  em  que  comprovadamente  o  valor  fixo  de  R$  20,00  for  maior  que  o  percentual de 1% previsto na legislação à época dos fatos jurídicos.  OPERAÇÕES  CANCELADAS  OU  ANULADAS.  APLICAÇÃO  DO  PRINCÍPIO  DA  RAZOABILIDADE  E  PROPORCIONALIDADE.  RECONHECIMENTO.  Por critério de razoabilidade e proporcionalidade da aplicação da penalidade,  as  operações  canceladas  ou  anuladas  não  produzem  efeitos  jurídicos,  não  podendo ser fundamento para a aplicação de penalidade, mesmo nos casos de  obrigação  acessória,  desde  que  tenham  sido  identificadas  quais  foram  as  referidas operações anuladas ou canceladas.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 15 05 /2 00 3- 59 Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     2  DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN.  Considerando  a  data  da  lavratura  do  Auto  de  Infração  em  11/07/2003,  se  aplicássemos o prazo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, entendimento  que vem prevalecendo nessa corte em relação às multas isoladas, o prazo de  início  da  contagem  do  prazo  para  os  fatos  geradores  do  período  de  01/01/1998 a 31/05/1998,  se  iniciaria em 1999,  finalizando em 31/12/2003,  portanto, não teria ocorrido a decadência.  MULTA. DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS ­ DOI ­  INTEMPESTIVIDADE.  Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações  Imobiliárias  DOI,  na  forma  das  prescrições  contidas  no  Decreto  Lei  n°  1510/76, art. 15, e § 1° e Lei n° 9532, de 1997, arts. 72 e 81, II, a falta ou a  sua  apresentação  fora  do  prazo  fixado,  sujeita  os  serventuários  da  Justiça,  responsáveis  por  Cartórios  de  Notas  ou  de  Registro  de  Imóveis,  Títulos  e  Documentos, a penalidade prevista no Decreto­Lei n° 1510, de 1976, art. 15  § 2º.  Inaplicável  o  instituto  da  denúncia  espontânea  prevista  no  artigo  138  do  Código Tributário Nacional, visto que a contribuinte  fora  intimada antes de  qualquer procedimento de regularização da entrega.  Recursos conhecidos e recurso voluntário parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR  provimento ao Recurso de Ofício, em AFASTAR as preliminares do recurso voluntário; e, no  mérito, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.  (documento assinado digitalmente)  RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  RAFAEL CORREIA FUSO ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vida de Araújo  (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz  de Almeida,  Luis  Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.    Relatório  Vejamos os fatos segundo o Relatório da DRJ:  Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 3          3  Contra o sujeito passivo, acima identificado, foi lavrado Auto de  Infração de multa regulamentar por DOI entregue em atraso no  ano  calendário  2002,  fls.  254/395,  no  valor  total  de  R$  1.730.876,35, ciência em 15/07/2003 (AR de fl. 398).  2. A infração apurada pela fiscalização, a qual está relatada na  descrição dos fatos e enquadramento  legal,  fl. 387, e no Termo  de Ação Fiscal de  fls.  391/395,  foi  atraso na apresentação,  em  junho e julho do ano calendário de 2002, das declarações sobre  operação  imobiliária  —  DOI,  pelo  Florianópolis  Cartório  do  Registro  Civil,  CNPJ  75.421.255/0001­27,  para  as  operações  listadas as fls. 254/284.  2.1.Segundo Termo de Ação Fiscal de fls. 391/395, e de acordo  com o art. 940 do RIR199 e com o art. 8° da Lei n. 10.426, de  24/04/2002,  os  serventuários  da  Justiça  deverão  informar  as  operações  imobiliárias  anotadas,  averbadas,  lavradas,  matriculadas  ou  registradas  nos  Cartórios  de  Notas  ou  de  Registro  de  Imóveis,  Títulos  e  Documentos  sob  sua  responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre  Operações  Imobiliárias  (DOI),  em meio magnético,  nos  termos  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal.  No  caso  presente houve atraso na declaração das operações listadas nas  fls.  10/247,  aplicando­se  o  que  prevê  no  §12  do  último  artigo  citado,  ou  seja,  multa  de  0,1%  ao  mês­calendário  ou  fração,  sobre  o  valor.  da  operação,  limitada  a  um  por  cento,  observando­se o limite mínimo de R$ 500,00, previsto no inciso  III do § 2º do mesmo artigo.  3.A DRJ Florianópolis, em diligência de fls. 692/693, solicitou a  retificação dos  demonstrativos  de  apuração da multa  aplicada,  considerando­se:  que  no  período  de  vigência  da  IN/SRF  n.  04/198  (16/01/1998  a  31/12/1999)  os  cartórios  de  oficio  de  notas,  de  registro  de  imóveis  e  de  registro  de  títulos  e  documentos  estavam  obrigados  a  apresentar  a  DOI  somente  quando  o  valor  de  alienação  do  imóvel  for  superior  a  R$  20.000,00; que a infração configura­se no dia seguinte ao termo  final  para  a  apresentação da DOI;  que  a  partir  de 27/12/2001  aplica­se, por ser mais benéfica ao contribuinte, a MP 16/2001  (convertida na lei nº. 10.426/2002), que impõe multa por atraso  na apresentação da DOI de 0,1% ao mês­calendário ou fração,  sobre  o  valor  da  operação,  limitada  a  1%  e  no mínimo  da R$  500,00 e que a partir de 30/04/2004, com a alteração da lei n.º  10.865/2004 a multa mínima passa a ser de R$ 20,00, mantendo­ se o disposto na lei n.º 10.462/2002.  4.Desta  forma,  foi  efetuada  a  revisão  de  oficio  do  citado  lançamento,  consubstanciado  pelos  demonstrativos  de  fls.  697/823, reduzindo­se a multa regulamentar, referente às DOIs  apresentadas  no  ano  calendário  2002,  do  valor  total  de  R$  1.730.876,35 para o montante de R$ 1.046.687,61. Foi aplicada  a Lei n.º 10.865/2004, que estabeleceu a multa mínima para R$  20,00,  tendo­se em vista  ter sido mais benéfico ao contribuinte,  mantendo­se a aplicação do disposto na Lei n.º 10.462/2002.  Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     4  5.  O  contribuinte  apresentou  impugnação  em  12/08/2003  (conforme carimbo no envelope de fl. 689), fls. 402/449, em que  apresenta, em resumo, as seguintes reclamações:  a) A Lei nº 10.426/2002 não pode retroagir para alcançar fatos  pretéritos. A referência ao Decreto 3.000/99 é insuficiente para  embasar a multa fiscal;  b) Não há comprovação documental do atraso da comunicação  referente às atuações do período de 01/01/2001 a 31/12/2001;  c) A base de cálculo usada pelo auditor fiscal não foi convertida  para  o  Real,  sendo  indevidamente  colocados  os  valores  declarados  nas  DOI's  expressos  em  outras  moedas,  como  se  fossem reais, conforme anexo 04  (fls. 446/448). Utilizando­se a  tabela de conversão da Receita Federal (anexo 06), criada pela  IN  48/1998,  para  atualização  de  bens  para  fins  de  cálculo  de  ganho  de  capital,  o  valor  da  multa  de  n.  34701,  fl.  255,  por  exemplo,  referente  a  operação  de  18/02/1992,  passa  de  Cr$  30.000.000,00 para R$ 9.723,23.  d) Esta  última multa  não  podia  ser  aplicada  tendo­se  em  vista  que na época em que ocorreu o fato vigia a IN SRF n.º 163/99,  que  dispensava  de  comunicação  as  escrituras  lavradas  em  decorrência de operações realizadas há mais de cinco anos.  e) Em 1998, a entrega das DOIs referentes àquele exercício foi  obstacularizada pela Receita Federal sob a alegação da falta de  folhas do recibo de entrega apresentado.  Acontece  que  tal  falta  não  decorreu  de  erro  ou  equivoco  do  funcionário  encarregado  pelo  Serviço  Notarial,  mas  sim  do  programa gerador que indicou incorretamente que se tratava de  documento  (recibo)  de  16  folhas,  ao  invés  de  14  como  de  fato  tinha. Este obstáculo acabou gerando o descaso do funcionário  nos anos seguintes.  f)  É  cogente  a  anulação  das  autuações  referentes  aos  instrumentos  anulados,  cancelados  ou  repetidos  que,  por  equivoco  do  funcionário  do  tabelionato  foram  declarados  Receita Federal (anexo 07, fl. 674).  g) Se  a  legislação  do  imposto  de  renda prevê  a  tributação dos  fatos  caracterizados  como  alienação  ou  aquisição  somente  quando  o montante,  negociado  pelo  sujeito  passivo,  ultrapasse  R$ 20.000,00, não há sentido em que se obrigue à comunicação  de  atos  irrelevantes  para  a  administração  tributária  (neste  sentido a  IN 04/1998). Só a partir de 01 de  janeiro de 2000, a  Secretaria  da  Receita  Federal  modificou  o  seu  entendimento  editando a  IN n.º  163/1999 para  estabelecer  a  obrigatoriedade  da comunicação independentemente do valor da operação.  h)  Desta  forma,  os  fatos  imponíveis  ocorridos  no  período  compreendido  entre  janeiro  de  1998  a  dezembro  de  1999  com  valor  de  alienação  igual  ou  inferior  a  R$  20.000,00  estavam  dispensados de comunicação, sendo nulas as atuações relativas  (anexo 08).  Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 4          5  i)  Diante  do  texto  das  INs  04/98,  163/99  e  51/01,  no  período  compreendido  entre  01  de  janeiro  de  2000  até  03  de  junho  de  2001 toda a lavratura que decorresse de operações imobiliárias  realizadas  há  mais  de  05  anos  estava  dispensada  de  comunicação (anexo 09, fls. 680/681).  j) Deve­se retroagir o disposto no art. 8 ° da Lei n.º 10.426, de  24/04/2002, somente no que for benéfico ao contribuinte.  k) Nunca houve intimação para que se cumprisse as obrigações  acessórias.  Assim, deveria ter sido aplicado pelo agente a redução de 50%,  e não a de 25%, como foi realizado.  l) Como o Decreto­Lei n. 1.510/76, com a alteração da Lei. n.º  9.532/97 não tipificava o atraso como hipótese de incidência de  multa,  a  Lei  n.º  10.426/02  em  nenhum momento  beneficiará  o  autuado.  m)  Em  momento  algum  houve  inicio  de  procedimento  fiscalizatório.  O  mandado  emitido  em  20/06/2002  foi  MPF  Diligência,  que  difere  substancialmente  daquele  previsto  para  dar  inicio  ou  mesmo  para  se  realizar  procedimento  fiscalizatório.  O  contribuinte  adquiriu  espontaneidade  após  a  expiração do prazo do MPF Diligência.  n) A autoridade lavrou o auto de infração pelo atraso na entrega  de obrigação acessória no dia 11/07/2003. O direito da Fazenda  Pública de constituir o crédito tributário, através do lançamento,  relativo  as  infrações  tributárias  ocorridas  no  período  compreendido  entre  01/01/1998  a  31/05/1998  encontra­se  obstacularizado  pela  decadência.  Ver  anexo  10  com  as  autuações decadentes.  m) O atraso na entrega da DOI é atípico, descabendo imposição  de  qualquer  multa  pela  sua  ocorrência.  O  Decreto­Lei  n.º  1.510/76,  com a  alteração da Lei  n.º  9.532/97  não  tipificava  o  atraso como hipótese de incidência de multa. Normas infralegais  não poderiam subverter a ordem.  o)  A  imposição  de  multa  nos  moldes  propostos  inviabilizará  a  continuidade  da  Prestação  do  serviço.  É  desproporcional,  desarrazoada  e  inconstitucional.  Desarrazoada  é  também  a  imposição  de  valor  mínimo,  sem  valor  máximo  (por  exemplo,  limitado ao IR ganho de capital).  6.  Em  apreciação  à  revisão  de  oficio  ao  lançamento,  consubstanciada pelos demonstrativos de fls. 697/823, em que se  reduziu  a multa  regulamentar,  referente  as DOIs  apresentadas  em  junho e  julho do ano calendário 2002, do valor  total de R$  1.730.876,35  para  o  montante  de  R$  1.046.687,61,  o  contribuinte apresentou o aditivo à Impugnação, de fls. 831/875,  em que aduz, em resumo:  Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     6  a)  Ainda  não  foi  declarada  a  correção  de  valores  acusada  na  impugnação inicial.  Apresenta  novo  demonstrativo  (anexo  12),  que  deve  ser  analisado em conjunto aos já apresentados.   b) Reforça a indicação de que a aplicação da Lei nº 10.865/04,  em algumas operações, é prejudicial ao impugnante (anexo 13);  c)  Por  fim,  na  análise  das  alterações  realizadas,  deve­se  mencionar a  inserção de novas atuações, sem qualquer suporte  fático, e que  levam os mesmos números de outras  já existentes.  Fora  inseridas  as  DOIs  n.º  198,  100,  200  e  101,  todas  já  apresentadas e apuradas.  Estas  segundas  atuações  referem­se,  respectivamente,  à  lavratura de atos nos livros 6 (as três primeiras) e 7 (a última),  as folhas 87, 89 e 31. Há evidente erro. O primeiro livro de 1998  é o de n. 81, não havendo a mínima possibilidade da  lavratura  de  atos  nos  anos  de  1998  (07/10/1998)  e  2000  (17/02/2000  e  17/07/2000) nos livros 6 e 7. Não obstantes, observe­se que tais  atuações não constavam do demonstrativo original e não fizeram  parte da atuação lavrada.  Comprovando tal assertiva,  junta­se cópia das folhas relativa a  tais DOI (livros 6 e 7) — anexo 14.  d) Reitera as alegações apresentadas em 12/08/2003. Apresenta  anexos 12, 13, 14, 15 e 16.  A DRJ cancelou parcialmente o lançamento, conforme voto abaixo transcrito:  7:A  impugnação apresentada é  tempestiva e atende aos demais  requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70235/72.  Dela tomo conhecimento.  8.Houve  atraso  na  declaração  das  operações  listadas  nas  fls.  10/247. A matriz legal do lançamento encontra­se no Decreto­lei  n ° 1.510, de 1976, art. 15 e seus §§. Prevê­se, claramente, multa  quando houvesse a falta ou atraso na entrega de DOIs:  "Art. 15 Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios  de Notas ou de Registro de Imóveis Títulos e Documentos, ficam  obrigados a fazer comunicação a Secretaria da Receita Federal  dos  documentos  lavrados,  anotados,  averbados  ou  registrados  em seus Cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de  imóveis por pessoas físicas, conforme definido no art. 2 ° , § 1°,  do Decreto­lei n°1.381, de 23 de dezembro de 1974.  §  1º  A  comunicação  deve  ser  efetivada  em  formulários  padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita  Federal.  §  O  não  cumprimento  do  disposto  neste  artigo  sujeitará  o  infrator a multa correspondente a 1% (um por cento) do valor do  ato."  9.Esse fundamento legal da exigência foi compilado nos artigos  976 e 1.010, do RIR/1994 e reproduzidos nos artigos 940 e 976  do RIR/1999, abaixo transcritos:  Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 5          7  "Art.  976.  Os  serventuários  da  Justiça  responsáveis  por  Cartórios  de  Notas  ou  de  Registro  de  Imóveis,  Títulos  e  Documentos ficam obrigados a fazer comunicação Secretaria da  Receita Federal, em formulário padronizado e no prazo que for  fixado,  dos  documentos  lavrados,  anotados,  averbados  ou  registrados  em  seus  cartórios  e  que  caracterizem  aquisição  ou  alienação de imóveis por pessoas físicas."  "Art. 1010. Será aplicada a multa de um por cento do valor do  ato  a  serventuários  da  Justiça  responsáveis  por  cartórios  de  Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo não  cumprimento do disposto no art. 976."  "Art.  940.  Os  serventuários  da  Justiça  responsáveis  por  Cartórios  de  Notas  ou  de  Registro  de  Imóveis,  Títulos  e  Documentos ficam obrigados a fazer comunicação Secretaria da  Receita Federal, em formulário padronizado e no prazo que for  fixado,  dos  documentos  lavrados,  anotados,  averbados  ou  registrados  em  seus  cartórios  e  que  caracterizem  aquisição  ou  alienação de imóveis por pessoas físicas (Decreto­lei n°1.510, de  1976, art.15 e § 1°)  § 2° 0 disposto neste artigo aplica­se, também, nas hipóteses de  aquisições  de  imóveis  por  pessoas  jurídicas  (Lei.  n°9.532,  de  1997, art. 71)."  "Art. 976 Será aplicada a multa de um por cento do valor do ato  aos  serventuários  da  Justiça  responsáveis  por  Cartórios  de  Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo não  cumprimento  do  disposto  no  art.  940  (Decreto­lei  n°1.510,  de  1976, art. 15, e § 2°)". (Grifou­se)  10.  No  que  diz  respeito  a  autuação  deve  ser  observado  ainda  que, com o advento da Lei nº 10.426, de 2002, o percentual de  1% foi reduzido para "0,1% ao mês­calendário ou fração, sobre  o valor da operação, limitada a um 1% (por cento), observado o  limite mínimo de R$ 500,00", consoante disposto no art. 8° § 1°  e 2°, inciso II. Este percentual, em atendimento ao princípio da  retroatividade  benigna  da  lei,  previsto  no  art.  106,  inciso  II,  alínea  "c",  do  CTN,  deve  ser  estendido  a  fatos  ocorridos  anteriormente  vigência  da  referida  lei,  com  a  observância  da  modificação  prescrita  pela  Lei  n.º  10.865,  de  30/04/2004,  que  previu o mínimo de R$ 20,00 de multa:  "Art.  8°­  Os  serventuários  da  Justiça  deverão  informar  as  operações  imobiliárias  anotadas,  averbadas,  lavradas,  matriculadas  ou  registradas  nos  Cartórios  de  Notas  ou  de  Registro  de  Imóveis,  Títulos  e  Documentos  sob  sua  responsabilidade,  mediante  apresentação  de  Declaração  sobre  Operações  Imobiliárias  (DOI),  em meio magnético,  nos  termos  estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.  §12 A cada operação  imobiliária corresponderá uma DOI, que  deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente  ao da anotação, averbação,  lavratura, matricula ou registro da  respectiva  operação,  sujeitando­se  o  responsável,  no  caso  de  Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     8  falta  de  apresentação,  ou  apresentação  da  declaração  após  o  prazo  fixado,  à  multa  de  0,1%  ao  mês­calendário  ou  fração,  sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observado o  disposto no inciso III do § 22.  § 22. A multa de que trata o § 12:  1  ­  terá como termo  inicial o dia seguinte ao  término do prazo  originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo  final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­apresentação,  da lavratura do auto de infração;  11 ­ será reduzida:  a)  à  metade,  caso  a  declaração  seja  apresentada  antes  de  qualquer procedimento de oficio;  h)  a  setenta  e  cinco  por  cento,  caso  a  declaração  seja  apresentada no prazo fixado em intimação;  III — será de, no mínimo, R$ 20,00 (vinte reais). (Redação dada  pela Lei n° 10.865, de 2004)  §32.  O  responsável  que  apresentar  DOI  com  incorreções  ou  omissões será intimado a apresentar declaração retificadora, no  prazo  estabelecido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  e  sujeitar­se­á  à  multa  de  R$  50,00  (cinqüenta  reais)  por  informação  inexata,  incompleta  ou  omitida,  que  será  reduzida  em cinqüenta por cento, caso a retificadora seja apresentada no  prazo fixado."  10.1. Neste sentido decidiu o Conselho de Contribuintes:  "Recurso 133959  Acórdão 102­47574  MULTA  ­  DECLARAÇÃO  SOBRE  OPERAÇÕES  IMOBILIÁRIAS  ­  DOI  —  INTEMPESTIVIDADE  ­  Estando  o  contribuinte  obrigado  a  apresentar  a  Declaração  sobre  Operações  Imobiliárias  ­  DOI,  na  forma  das  prescrições  contidas  no Decreto  ­  Lei  n°  1510/76,  art.  15,  e  §  1°  e  Lei  n°  9532, de 1997, arts. 72  e 81,  II, a  falta ou a  sua apresentação  fora  do  prazo  fixado,  sujeita  os  serventuários  da  Justiça,  responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis,  Títulos e Documentos, a penalidade prevista no Decreto­Lei n°  1510, de 1976, art. 15 § 2º.  Inaplicável o instituto da denúncia espontânea prevista no artigo  138 do Código Tributário Nacional.  MULTA  ­  REDUÇÃO  ­  LEI  N°  10.426,  DE  2002  ­  RETROATIVIDADE BENIGNA ­ Aplica­se o novo diploma legal  que  comine  penalidade menos  gravosa  ou  severa  à  prevista  na  lei ao tempo da prática da infração apurada em procedimento de  fiscalização  quando  o  ato  ou  fato  pretérito  não  foi  definitivamente julgado (CTN, art. 106, inciso II, letra "c")."  10.2. Como a apresentação da DOI é mensal, deve­se calcular a  multa pelas informações apresentadas em atraso para cada mês  Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 6          9  de apresentação e verificar­se se, no conjunto, a aplicação da lei  nova  é  mais  benéfica.  Raciocínio  diferente  transformaria  o  julgador  em  legislador,  compondo  duas  leis  (para  se  aplicar  para cada operação a que fosse mais benéfica) para calcular a  multa  referente  apresentação  da  DOI  com  informações  em  atraso.  11. No presente caso, restou comprovado a entrega das DOI em  atraso, apresentadas em junho e julho de 2002, com informações  referente a operações realizadas de 1998 a 2002, extratos às fls.  10  a  247,  o  que  redundou na  cobrança  da multa.  Isto  por  que  existe prazo fixado por norma legal desde a edição da Instrução  Normativa SRF n° 04, de 12 de janeiro de 1998, e seguintes. A  Instrução  Normativa  SRF  nº  04,  de  12  de  janeiro  de  1998,  estabeleceu o prazo para a apresentação da DOI: "a declaração  deverá ser apresentada até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente  que  ocorrer  a  operação  que  caracterize  a  aquisição  ou  alienação do imóvel.". Desta forma, consideramos que a DOI é  de  apresentação  mensal  e  é  composta  pelas  informações  das  operações que caracterizem a aquisição ou alienação de imóvel  do  mês  anterior  e  de  operações  não  informadas  em  meses  anteriores  (que  configurarão  informações  apresentadas  em  atraso).  A  partir  das  informações  apresentadas  em  atraso  na  DOI  mensal  será  calculada  uma  multa,  única  para  cada  mês,  apesar poder ser oriunda de diversas informações (de diferentes  operações imobiliárias).  12. Adicione­se que a lei autorizou a fixação de prazo por norma  infra legal.  13.Em  outros  termos:  improficua  é  a  alegação  de  que  a  Impugnante  estaria  amparado  pela  denúncia  espontânea  prevista no art. 138 do CTN.  14.0 objeto de que trata o presente auto de infração diz respeito  à  obrigação  acessória  prescrita  em  lei,  com  prazo  de  cumprimento  igualmente  estabelecido  na  legislação  tributária,  cuja inadimplência foi sancionada com penalidade pecuniária.  15.A inobservância da obrigação acessória, pela imperatividade  do § 3° do art. 113 do CTN, converteu a penalidade pecuniária  em  obrigação  principal,  e,  como  tal,  encontra­se  ela  sujeita  à  aplicação das demais cominações legais.  "113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1°  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §  2º  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     10  §  3°  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária."  16.A denúncia espontânea invocada pelo interessado não afeta a  obrigação  principal  em  que  se  converteu  a  penalidade  pecuniária.  17.As  obrigações  acessórias  se  impõem  como  tais  para  que  possa  ser  exercida  a  atividade  administrativa  fiscalizadora  do  tributo.  Todo  cidadão  está  obrigado  a  procedimentos  visando  facilitar a atuação estatal, sendo ele, ou não, sujeito passivo da  obrigação  tributária  principal  e,  se  não  atender  a  tais  procedimentos, estará sujeito a sanções. A multa está contida na  legislação  tributária  como  sanção  pelo  inadimplemento  da  obrigação  principal  ou  pela  inobservância  dos  deveres  acessórios.  18. No que se refere à alegação de que a base de cálculo usada  pelo  auditor  fiscal  não  foi  convertida  para  o  Real  em  alguns  casos, sendo indevidamente colocados os valores declarados nas  DOI's  expressos  em  outras  moedas,  como  se  fossem  reais,  conforme anexo 04 (fls. 446/448) e anexo 12 (fl. 869), acata­se o  protesto  do  Impugnante,  recompondo­se  a  multa  para  cada  operação com o valor atualizado.  19. Quanto  à  afirmação de  que,  em  1998,  a  entrega  das DOIs  referentes  àquele  exercício  foi  obstacularizada  pela  Receita  Federal sob a alegação da  falta de folhas do recibo de entrega  apresentado,  informamos  que  o  problema  apontado  não  foi  acusado por  outros  contribuintes  e  não  impediu  que os  demais  contribuintes  apresentassem  suas  DOIs,  não  havendo,  neste  caso,  como  atribuir  a  falta  de  apresentação  ao  programa  gerador. Ainda mais quando o Impugnante aponta o descaso de  seu funcionário nos anos posteriores.  20.  Devem­se  anular  as  autuações  referentes  aos  instrumentos  repetidos que, por equivoco do funcionário do tabelionato foram  declarados  à  Receita  Federal  (anexo  07,  fl.  674).  Quanto  aos  cancelados,  deve­se  observar  o  disposto  no  art.  3  °,  II,  da  IN  04/1998.  21.Acata­se o protesto do Impugnante de que os fatos imponíveis  ocorridos  no  período  compreendido  entre  janeiro  de  1998  a  dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$  20.000,00 estavam dispensados de comunicação, sendo nulas as  atuações relativas (anexo 08). Neste sentido a IN 04/1998. Só a  partir de 01 de janeiro de 2000, a secretaria da Receita Federal  modificou  o  seu  entendimento  editando  a  IN  n.  163/1999  para  estabelecer  a  obrigatoriedade  da  comunicação  independentemente do valor da operação.  22.Diante  do  texto  das  1Ns  04/98,  163/99  e  51/01,  no  período  compreendido  entre  01  de  janeiro  de  2000  até  03  de  junho  de  2001 toda a lavratura que decorresse de operações imobiliárias  realizadas  há  mais  de  05  anos  estava  dispensada  de  comunicação (anexo 09, fls. 680/681).  "Instrução Normativa SRF n°04, de 12 de janeiro de 1998:  Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 7          11  Art. 3º O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve  ser utilizado para declarar as operações:  I ­ realizadas a partir de 01/01/98;  ­  relativas  a  exercícios  anteriores,  inclusive  as  retificadas  e  canceladas, quando a entrega for efetuada a partir de 21/01/98.  Art. 6° Os Cartórios mencionados no artigo 1 0 estão obrigados  a apresentar a DOI, quando o valor de alienação do imóvel for  superior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais).  Parágrafo único. Será considerado como valor fiscal o valor da  operação imobiliária informado entre as partes ou, na ausência  deste,  o  valor  que  serviu  de  base  para  o  cálculo  do  Imposto  sobre a Transmissão de Bens Imóveis ­ ITBI  "Instrução Normativa SRF n°163, de 23 de dezembro de 1999  Art. 3º O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve  ser utilizado para declarar as operações imobiliárias:  I ­ realizadas a partir de 12 de janeiro de 2000;11 ­ relativas a  exercícios  anteriores,  inclusive  as  retificadas  e  canceladas,  quando a entrega for efetuada a partir de 21 de janeiro de 2000.  Art. 5. A DOI deverá ser entregue em disquete de 3,5 polegadas,  na unidade da SRF do domicilio do cartório declarante.  § PA partir de 12 de janeiro de 2000, os Cartórios mencionados  no artigo 1º estão obrigados a apresentar a DOI,  independente  do valor da operação imobiliária.  §  2º  O  valor  da  operação  imobiliária  será  o  informado  pelas  partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o  cálculo  do  Imposto  sobre  a  Transmissão  de  Bens  Imóveis  ­  ITBI."  Art.  6º  Ficam  os  Cartórios  dispensados  de  preencher  a  DOI,  quando:  I  ­  se  tratar  de  desapropriação  para  fins  de  reforma  agrária,  conforme disposto no parágrafo 52 do art. 184 da Constituição  Federal;  II  ­  a  lavratura,  a  anotação,  a  matricula,  o  registro  e  a  averbação  sejam  decorrentes  de  operações  imobiliárias  realizadas há mais de 05 (cinco) anos;  III  ­  a  lavratura,  a  anotação,  a  matricula,  o  registro  e  a  averbação  foram  comunicadas  à  SRF  e  no  documento  apresentado constar a expressão "EMITIDA A DOI;  IV  ­  o  imóvel  financiado  retornar  ao  agente  financeiro  por  execução judicial;  V ­ a transferência do imóvel se der por usucapião.  Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     12  "Instrução Normativa SRF n°56, de 31 de Maio de 2001  Art. 2° A declaração deverá ser apresentada sempre que ocorrer  operação  imobiliária  de  aquisição  ou  alienação,  realizada  por  pessoa  física  ou  jurídica,  independente  de  seu  valor,  cujos  documentos  sejam  lavrados, anotados, averbados, matriculados  ou registrados no respectivo cartório.  § 1º valor da operação imobiliária será o informado pelas partes  ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o cálculo  do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis ­ ITBI.  § 2º 0 preenchimento da DOI deve ser feito:  I  ­  pelo  Cartório  de  Oficio  de  Notas,  quando  da  lavratura  do  instrumento  que  tenha  por  objeto  a  alienação  de  imóveis,  fazendo  constar  do  respectivo  instrumento  a  expressão  "EMITIDA A DOI";  ­  pelo  Cartório  de  Registro  de  Títulos  e  Documentos,  quando  promover  registros de documentos que  envolvam alienações de  imóveis, celebradas por instrumento particular, fazendo constar  do respectivo documento a expressão "EMITIDA A DOI";  III ­ pelo Cartório de Registro de Imóveis, quando o documento  tiver sido:  a) celebrado por instrumento particular;  b)  celebrado  por  autoridade  particular  com  força  de  escritura  pública;c)  emitido  por  autoridade  judicial  (adjudicação,  herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação  em hasta pública; d) lavrado pelo Cartório de Oficio de Notas e  não constar a expressão "EMITIDA A DOI".  Utilização do Programa Gerador da Declaração em Disquete   “Art.  3°  0  programa  aprovado  por  esta  Instrução  Normativa  deve ser utilizado para declarar as operações imobiliárias:  I  ­  realizadas  a  partir  de  I°  de  junho de  2001;  II  ­  relativas  a  exercícios  anteriores,  inclusive  as  retificadas  e  canceladas,  quando a entrega for efetuada a partir de 1° de junho de 2001.  (­)  Art.  6°  Os  cartórios  ficam  dispensados  de  preencher  a  DOI,  quando:  I  ­  se  tratar  de  desapropriação  para  fins  de  reforma  agrária,  conforme disposto no § 5° do art. 184 da Constituição Federal;  II  ­  a  lavratura,  a  anotação,  a  matricula,  o  registro  e  a  averbação  decorrerem  de  instrumentos  celebrados  há  mais  de  cinco anos, contados:  a) da data de lavratura, se instrumento público;  b) da data do registro, se instrumento particular;   Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 8          13  c) da data da emissão do documento, se emitido por autoridade  judicial  (adjudicação,  herança,  legado  ou  meação)  ou  em  decorrência de arrematação em hasta pública;  23. Também aduz o Impugnante que nunca houve intimação para  que se cumprissem as obrigações acessórias. Assim, deveria ter  sido aplicado pelo agente a  redução de 50%,  e não a de 25%,  como  foi  realizado.  Não  tem  razão  o  recorrente,  tendo­se  em  vista que o art. 8°, em seu § 2°, inciso II, prescreve que a multa  será  reduzida  à  metade,  caso  a  declaração  seja  apresentada  antes  de  qualquer  procedimento  de  oficio.  Mas  houve  procedimento de oficio: a intimação de fl. 03 para que prestasse  esclarecimentos  sobre  a  ausência  de DOIs  (ou  apresentasse  os  recibos  de  entrega)  para  o  período  de  janeiro  de  1998  a  dezembro de 2000.  24. A respeito do pleito do Impugnante de que ocorreu a parcial  decadência (a autoridade lavrou o auto de infração pelo atraso  na entrega de obrigação acessória no dia 11/07/2003 e o direito  da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, através do  lançamento,  relativo  às  infrações  tributárias  ocorridas  no  período compreendido entre 01/01/1998 a 31/05/1998 encontra­ se­ia  obstacularizado  pela  decadência),  ver  anexo  10),  deve­se  ter em vista que o fato gerador da multa foi a entrega em atraso  da  DÓI  (ocorrida  em  junho  e  julho  de  2002).  A  partir  desta  entrega para frente não houve o decurso do prazo de cinco anos  (a ciência deu­se em 15/07/2003 (AR de fl. 398)). Logo, não há o  que se falar em decadência.  25.  A  respeito  da  afirmativa  de  que  a  imposição  de multa  nos  moldes propostos inviabilizaria a continuidade da prestação do  serviço,  seria  desproporcional,  desarrazoada  e  inconstitucional  (ou  de  que  desarrazoada  seria  também  a  imposição  de  valor  mínimo,  sem  valor  máximo),  importante  adicionar  que  é  principio  assente  na  doutrina  pátria  o  de  que  os  órgãos  administrativos em geral não podem negar aplicação a uma Lei  ou  Decreto  porque  lhes  pareça  inconstitucional,  já  que  leis  emanadas do Poder competente gozam de presunção natural de  constitucionalidade,  presunção  esta  só  elidida  pelo  Poder  Judiciário.  26.Por fim, deve­se excluir a multa relativa às DOIs n. 198, 100,  200  e  101,  todas  já  apresentadas  e  apuradas  na  autuação  original de 15/07/2003.  (...)  27.Pelo  exposto,  voto  por  considerar  procedente  em  parte  o  lançamento.  Intimada em 16/12/2008, a contribuinte apresentou Recurso em 15 de janeiro  de 2009, alegando que:  Em 16/12/2008, o recorrente foi cientificado — documento 01 ­  da  decisão  exarada,  recebendo  cópia  do  Acórdão  e  intimação  para  pagamento  da  guia  anexada — documento  02,  com  valor  Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     14  total de R$1.731.770,61 (hum milhão setecentos e trinta e um mil  setecentos e setenta reais e sessenta e um centavos) subdividido  em R$985.023,96  (novecentos  e oitenta  e  cinco mil  vinte  e  três  reais e noventa e seis centavos) a titulo de multa e R$746.746,45  (setecentos  e  quarenta  e  seis  mil  setecentos  e  quarenta  e  seis  reais  e  quarenta  e  cinco  centavos)  a  titulo  de  "juros  e/ou  encargos  DL  1.025/69".  Tal  intimação,  desrespeitando  o  Acórdão exarado,  impõe o pagamento sem informar o direito a  recurso, em flagrante violação A ampla defesa e contraditório —  documento  01.  E  mais,  a  guia  encaminhada  com  a  intimação  para  pagamento  deixa  de  fazer  a  devida  dedução  do montante  exonerado pela 2ª Turma de Julgamento valorando a multa em  R$985.023,96 — documento 02.  Ora, se a revisão do  lançamento havia diminuído a multa para  R$1.046.687,61  e  se  o  valor  exonerado  totaliza  R$323.699,23,  por simples operação matemática se tem o valor da multa após o  julgamento,  R$722.988,38  (setecentos  e  vinte  e  dois  mil  novecentos  e oitenta e oito  reais e  trinta e oito  centavos). Esse  deveria  ser  o  valor  da  multa  inserido  no  campo  08  da  guia  remetida ao recorrente (e não R$985.023,96).  No  que  tange  ao  valor  dos  ditos  "juros  e/ou  encargos"  mencionados no campo 09 da guia — documento 02, tem­se um  flagrante desrespeito ao contribuinte visto que não há qualquer  memória  de  cálculo  ou  mesmo  fundamento  legal  especifico,  possibilitando a conferência.  De qualquer maneira, é lógico que o erro aritmético no calculo  da multa  (de R$262.035,58)  acarretou  na  inclusão  indevida  de  juros  (R$746.746,45  devem  corresponder  ao  juros  "devidos"  pela multa de R$985.023,96. Como o valor da multa atualmente  é  de  R$722.988,38,  certamente  os  juros,  neste momento,  serão  menores dos que os indicados).  No mais, traz os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação,  com outra roupagem lingüística, impugnando:  1)  a  retificação  dos  equívocos  da  tabela  inserida  no  corpo  do  julgado  –  não  inserção  de  diversas  DOI  listadas  nos  anexos  acatados;  2) a declaração da nulidade do Auto de Infração em virtude da  falta de capitulação do fato;  3) a  declaração da  nulidade  do Auto  de  Infração pela  falta  de  narrativa e demonstração individualizada das infrações;  4) a declaração da nulidade das autuações referentes ao período  compreendido  entre  01/01/01  a  31/12/01,  diante  da  falta  da  juntada dos recibos de entrega, documentos estes necessários à  comprovação da infração;  5)  a  declaração  da  nulidade  das  autuações  relativas  a  instrumentos cancelados ou anulados;  6) a declaração da nulidade das autuações relativas à operações  desobrigadas de pagamento de ganho de capital;  Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 9          15  7) a declaração da nulidade do auto de infração pela imposição  prejudicial das Leis 10.426/02 e 10.865/04 ­ ferindo o principio  da irretroatividade da lei prejudicial;  8) a declaração da nulidade do auto de infração diante da falta  de concessão da redução das multas em 50% conforme previsto  em lei, diante da inexistência de intimação para cumprimento da  obrigação;  9)  a  decretação  da  nulidade  do  auto  de  infração  diante  da  aplicabilidade do artigo 138 do CTN para excluir  totalmente a  multa imposta ao serventuário;  10) a declaração da nulidade do auto em virtude da decadência  do  direito  de  lançar  relativo  ao  período  de  01/01/1998  a  31/05/1998,  tendo  em vista  que  a  autuação  somente  se  deu  em  11/07/2003;  11) a declaração da nulidade do auto de infração em virtude s  falta  e  tipicidade  da  conduta  "atrasar  a  entrega"  da DOI,  que  somente foi tipificada na Li 10.426/02  12)  a  declaração  da  nulidade  do  auto  de  infração  diante  da  inconstitucionalidade  da  cobrança  das  multas  no  percentual  e  limite imposto por ferir os princípios constitucionais da reserva  legal,  razoabilidade,  proporcionalidade,  vedação  de  confisco  e  propriedade.  Este é o Relatório!  Voto             Conselheiro Rafael Correia Fuso  Os  Recursos  são  tempestivos  e  atendem  aos  requisitos  legais,  por  isso  os  conheço.  Quanto ao Recurso de Ofício, o mesmo não merece prosperar.  Isso porque as reduções e cancelamentos feitos pela DRJ são matérias de fato  e de direito que atenderam perfeitamente às imperfeições do lançamento fiscal. Vejamos o que  constou na decisão recorrida de ofício:  18. No que se refere à alegação de que a base de cálculo usada  pelo  auditor  fiscal  não  foi  convertida  para  o  Real  em  alguns  casos, sendo indevidamente colocados os valores declarados nas  DOI's  expressos  em  outras  moedas,  como  se  fossem  reais,  conforme anexo 04 (fls. 446/448) e anexo 12 (fl. 869), acata­se o  protesto  do  Impugnante,  recompondo­se  a  multa  para  cada  operação com o valor atualizado.  A primeira delas se refere à conversão para a moeda à época, o Real, o que  não se discute em razão da vigência da legislação que tratou do plano real.  Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     16  O segundo acolhimento se refere aos instrumentos repetidos declarados pelos  funcionários  do  tabelionato.  Nesse  caso,  a  despeito  da  imperícia  ter  sido  praticada  pela  contribuinte,  não  há  que  se  falar  em  aplicação  de  pena  em  razão  da  duplicidade  das  informações prestadas, pois se configuraria um bis in idem. Vejamos o que constou na decisão  da DRJ:  20.  Devem­se  anular  as  autuações  referentes  aos  instrumentos  repetidos que, por equivoco do funcionário do tabelionato foram  declarados  à  Receita  Federal  (anexo  07,  fl.  674).  Quanto  aos  cancelados,  deve­se  observar  o  disposto  no  art.  3  °,  II,  da  IN  04/1998.  A terceira inconsistência está dispensa da comunicação nas informações nos  períodos de janeiro de 1998 a dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$  20.000,00, sendo bem cancelado pela DRJ que aplicou a legislação vigente à época. Vejamos:  21.Acata­se o protesto do Impugnante de que os fatos imponíveis  ocorridos  no  período  compreendido  entre  janeiro  de  1998  a  dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$  20.000,00 estavam dispensados de comunicação, sendo nulas as  atuações relativas (anexo 08). Neste sentido a IN 04/1998. Só a  partir de 01 de janeiro de 2000, a secretaria da Receita Federal  modificou o  seu  entendimento  editando a  IN n.º  163/1999 para  estabelecer  a  obrigatoriedade  da  comunicação  independentemente do valor da operação.  Ademais, a decisão da DRJ entendeu ainda, aplicando os  textos normativos  regulamentadores, que no período de janeiro de 2000 a 3 de junho de 2001 toda a lavratura que  ocorre  de  operações  imobiliárias  realizadas  há  mais  de  5  anos  estava  dispensada  de  comunicação. Vejamos:  22.Diante  do  texto  das  1Ns  04/98,  163/99  e  51/01,  no  período  compreendido  entre  01  de  janeiro  de  2000  até  03  de  junho  de  2001 toda a lavratura que decorresse de operações imobiliárias  realizadas  há  mais  de  05  anos  estava  dispensada  de  comunicação (anexo 09, fls. 680/681).  "Instrução Normativa SRF n°04, de 12 de janeiro de 1998  Art. 3º O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve  ser utilizado para declarar as operações:  I ­ realizadas a partir de 01/01/98;  ­  relativas  a  exercícios  anteriores,  inclusive  as  retificadas  e  canceladas, quando a entrega for efetuada a partir de 21/01/98.  Art. 6° Os Cartórios mencionados no artigo 1º estão obrigados a  apresentar  a  DOI,  quando  o  valor  de  alienação  do  imóvel  for  superior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais).  Parágrafo único. Será considerado como valor fiscal o valor da  operação imobiliária informado entre as partes ou, na ausência  deste,  o  valor  que  serviu  de  base  para  o  cálculo  do  Imposto  sobre a Transmissão de Bens Imóveis ­ ITBI  "Instrução Normativa SRF n°163, de 23 de dezembro de 1999  Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 10          17  Art. 3º O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve  ser utilizado para declarar as operações imobiliárias:  I.­ realizadas a partir de 12 de janeiro de 2000;  11  ­  relativas a  exercícios anteriores,  inclusive as  retificadas  e  canceladas,  quando  a  entrega  for  efetuada  a  partir  de  21  de  janeiro de 2000.  Art. 5. A DOI deverá ser entregue em disquete de 3,5 polegadas,  na unidade da SRF do domicilio do cartório declarante.  §1º. A partir de 12 de janeiro de 2000, os Cartórios mencionados  no artigo 1º estão obrigados a apresentar a DOI,  independente  do valor da operação imobiliária.  §  2º  O  valor  da  operação  imobiliária  será  o  informado  pelas  partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o  cálculo  do  Imposto  sobre  a  Transmissão  de  Bens  Imóveis  ­  ITBI."  Art.  6º  Ficam  os  Cartórios  dispensados  de  preencher  a  DOI,  quando:  I  ­  se  tratar  de  desapropriação  para  fins  de  reforma  agrária,  conforme disposto no parágrafo 52 do art. 184 da Constituição  Federal;  II  ­  a  lavratura,  a  anotação,  a  matricula,  o  registro  e  a  averbação  sejam  decorrentes  de  operações  imobiliárias  realizadas há mais de 05 (cinco) anos;  III  ­  a  lavratura,  a  anotação,  a  matricula,  o  registro  e  a  averbação  foram  comunicadas  à  SRF  e  no  documento  apresentado constar a expressão "EMITIDA A DOI;  IV  ­  o  imóvel  financiado  retornar  ao  agente  financeiro  por  execução judicial;  V ­ a transferência do imóvel se der por usucapião.  "Instrução Normativa SRF n°56, de 31 de Maio de 2001  Art. 2° A declaração deverá ser apresentada sempre que ocorrer  operação  imobiliária  de  aquisição  ou  alienação,  realizada  por  pessoa  física  ou  jurídica,  independente  de  seu  valor,  cujos  documentos  sejam  lavrados, anotados, averbados, matriculados  ou registrados no respectivo cartório.  §  1º  O  valor  da  operação  imobiliária  será  o  informado  pelas  partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o  cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis ­ ITBI.  § 2º O preenchimento da DOI deve ser feito:  I  ­  pelo  Cartório  de  Oficio  de  Notas,  quando  da  lavratura  do  instrumento  que  tenha  por  objeto  a  alienação  de  imóveis,  Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     18  fazendo  constar  do  respectivo  instrumento  a  expressão  "EMITIDA A DOI";  ­  pelo  Cartório  de  Registro  de  Títulos  e  Documentos,  quando  promover  registros de documentos que  envolvam alienações de  imóveis, celebradas por instrumento particular, fazendo constar  do respectivo documento a expressão "EMITIDA A DOI";  III ­ pelo Cartório de Registro de Imóveis, quando o documento  tiver sido:  a)  celebrado  por  instrumento  particular;  b)  celebrado  por  autoridade particular com força de escritura pública; c) emitido  por  autoridade  judicial  (adjudicação,  herança,  legado  ou  meação)  ou  em  decorrência  de  arrematação  em hasta  pública;  d)  lavrado  pelo  Cartório  de  Oficio  de  Notas  e  não  constar  a  expressão "EMITIDA A DOI".  Utilização do Programa Gerador da Declaração em Disquete   “Art.  3°.  O  programa  aprovado  por  esta  Instrução  Normativa  deve ser utilizado para declarar as operações imobiliárias:  I ­ realizadas a partir de 1° de junho de 2001;   II  ­  relativas  a  exercícios  anteriores,  inclusive  as  retificadas  e  canceladas,  quando  a  entrega  for  efetuada  a  partir  de  1°  de  junho de 2001.  (­)  Art.  6°  Os  cartórios  ficam  dispensados  de  preencher  a  DOI,  quando:  I  ­  se  tratar  de  desapropriação  para  fins  de  reforma  agrária,  conforme disposto no § 5° do art. 184 da Constituição Federal;  II  ­  a  lavratura,  a  anotação,  a  matricula,  o  registro  e  a  averbação  decorrerem  de  instrumentos  celebrados  há  mais  de  cinco anos, contados:  a) da data de lavratura, se instrumento público;  b) da data do registro, se instrumento particular;  c) da data da emissão do documento, se emitido por autoridade  judicial  (adjudicação,  herança,  legado  ou  meação)  ou  em  decorrência de arrematação em hasta pública;  Portanto,  acolho  os  fundamentos  trazidos  pela  DRJ  quanto  à  dispensa  da  comunicação da entrega do DOI nos casos em que houverem mais de 5 anos da ocorrência do  fato jurídico nos termos do artigo 6º, inciso II, acima transcrito.  Ficou consignada ainda a exclusão das penalidades quanto às Declarações nº  198,  100,  200  e  101,  visto  que  já  foram  apuradas  na  autuação  original,  não  podendo  ser  inserida no lançamento novamente:  26.Por fim, deve­se excluir a multa relativa às DOIs n. 198, 100,  200  e  101,  todas  já  apresentadas  e  apuradas  na  autuação  original de 15/07/2003.  Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 11          19  (...)  Por  fim,  quanto  à  aplicação  retroativa  da  penalidade,  cabe  aplicar  o  artigo  106,  inciso  II,  alínea “c”, do CTN, nos casos em que a  legislação posterior apresentar multa  menos gravosa.   Com o advento da Lei nº 10.426/2002, o percentual foi  reduzido para 0,1%  ao mês ou fração, sobre o valor da operação.  Nesse caso, não se discute, pois a legislação tributária é expressa em aplicar a  retroatividade.   Nestes  termos,  não  há  o  que  reformar  na  decisão  da  DRJ  quanto  a  esses  cancelamentos.  Quanto  ao  Recurso  Voluntário,  entendo  que  em  parte  assiste  razão  à  recorrente.   Primeiramente, há uma questão a ser esclarecida à Recorrente, que segundo a  mesma houve um erro na emissão da guia de pagamento do débito após a edição do Acórdão  pela DRJ. Vejamos:  Em 16/12/2008, o recorrente foi cientificado — documento 01 ­  da  decisão  exarada,  recebendo  cópia  do  Acórdão  e  intimação  para  pagamento  da  guia  anexada — documento  02,  com  valor  total de R$1.731.770,61 (hum milhão setecentos e trinta e um mil  setecentos e setenta reais e sessenta e um centavos) subdividido  em R$985.023,96  (novecentos  e oitenta  e  cinco mil  vinte  e  três  reais e noventa e seis centavos) a titulo de multa e R$746.746,45  (setecentos  e  quarenta  e  seis  mil  setecentos  e  quarenta  e  seis  reais  e  quarenta  e  cinco  centavos)  a  titulo  de  "juros  e/ou  encargos  DL  1.025/69".  Tal  intimação,  desrespeitando  o  Acórdão exarado,  impõe o pagamento sem informar o direito a  recurso, em flagrante violação A ampla defesa e contraditório —  documento  01.  E  mais,  a  guia  encaminhada  com  a  intimação  para  pagamento  deixa  de  fazer  a  devida  dedução  do montante  exonerado pela 2ª Turma de Julgamento valorando a multa em  R$985.023,96 — documento 02.  Ora, se a revisão do  lançamento havia diminuído a multa para  R$1.046.687,61  e  se  o  valor  exonerado  totaliza  R$323.699,23,  por simples operação matemática se tem o valor da multa após o  julgamento,  R$722.988,38  (setecentos  e  vinte  e  dois  mil  novecentos  e oitenta e oito  reais e  trinta e oito  centavos). Esse  deveria  ser  o  valor  da  multa  inserido  no  campo  08  da  guia  remetida ao recorrente (e não R$985.023,96).  No  que  tange  ao  valor  dos  ditos  "juros  e/ou  encargos"  mencionados no campo 09 da guia — documento 02, tem­se um  flagrante desrespeito ao contribuinte visto que não há qualquer  memória  de  cálculo  ou  mesmo  fundamento  legal  especifico,  possibilitando a conferência.  Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     20  De qualquer maneira, é lógico que o erro aritmético no calculo  da multa  (de R$262.035,58)  acarretou  na  inclusão  indevida  de  juros  (R$746.746,45  devem  corresponder  aos  juros  "devidos"  pela multa de R$985.023,96. Como o valor da multa atualmente  é  de  R$722.988,38,  certamente  os  juros,  neste momento,  serão  menores dos que os indicados).  Destaca­se que a fiscalização apenas apontou o valor do débito após a revisão  do  lançamento,  sendo que  ainda  encontrava­se  pendente Recurso  de Ofício  a  ser  julgado  no  processo,  não  cabendo  ao  órgão  emissor  de  débitos  da  Receita  Federal  emitir  guia  para  pagamento antes de existir pendência de julgamento recurso de ofício.  Nestes termos, caso essa Colenda Turma mantenha o cancelamento ocorrido  no  acórdão  da  DRJ,  o  órgão  competente  da  administração  fará  as  devidas  reduções  em  cumprimento à decisão do Carf, fazendo as reduções pertinentes, sob pena de não cumprimento  de decisão dessa Corte, o que acarreta problemas a agente responsável pelo órgão arrecadador.  Inicialmente, cumpre destacar que a decisão da DRJ merece reparos em seus  fundamentos, visto que contou o prazo decadencial em desconformidade com a lei tributária e  com a jurisprudência do STJ Vejamos:  24. A respeito do pleito do Impugnante de que ocorreu a parcial  decadência (a autoridade lavrou o auto de infração pelo atraso  na entrega de obrigação acessória no dia 11/07/2003 e o direito  da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, através do  lançamento,  relativo  às  infrações  tributárias  ocorridas  no  período compreendido entre 01/01/1998 a 31/05/1998 encontra­ se­ia  obstacularizado  pela  decadência),  ver  anexo  10),  deve­se  ter em vista que o fato gerador da multa foi a entrega em atraso  da  DÓI  (ocorrida  em  junho  e  julho  de  2002).  A  partir  desta  entrega para frente não houve o decurso do prazo de cinco anos  (a ciência deu­se em 15/07/2003 (AR de fl. 398)). Logo, não há o  que se falar em decadência.  A  invés  de  contar da  data  do  fato  gerador ou  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte, inovou não se sabendo sobre qual embasamento legal, que o prazo de decadência se  iniciaria a partir da entrega das declarações.  Com  o  devido  respeito,  mas  não  se  pode  acolher  tamanha  pretensão.  Isso  porque,  a  despeito  de  não  se  tratar  da  constituição  de  um  tributo,  mas  de  uma  penalidade,  poderia até suscitar que o prazo de inicio da decadência seria a partir do exercício seguinte, nos  termos do artigo 173, inciso I, do CTN.  Considerando  a  data  da  lavratura  do  Auto  de  Infração  em  11/07/2003,  se  aplicássemos  o  prazo  disposto  no  artigo  173,  inciso  I,  do  CTN,  entendimento  que  vem  prevalecendo nessa corte em razão da edição de Súmulas no fim do ano de 2014 sobre matérias  que envolvem multas isoladas, o prazo de início da contagem do prazo para os fatos geradores  do  período  de  01/01/1998  a  31/05/1998,  se  iniciaria  em  1999,  finalizando  em  31/12/2003,  portanto,  não  houve  a  decadência,  porém  sob  o  fundamento  ora  apresentado,  e  não  aquele  inventado sem amparado legal pela DRJ.  Nestes termos, não acolho nas alegações da Recorrente quanto à decadência.  Quanto às nulidades narradas, vejamos cada uma.   Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 12          21  Primeiramente, cumpre destacar que não há falta de fundamento legal para a  cobrança de multa por atraso na entrega das Declarações Imobiliárias.  Como  bem  visto  na  decisão  da  DRJ,  a  legislação  é  clara  em  contemplar  também  o  atraso,  considerando  a  fixação  temporal  (prazo)  para  a  entrega  das  DOIs  pelos  cartórios:  Decreto­lei n ° 1.510, de 1976  "Art. 15 Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios  de Notas ou de Registro de Imóveis Títulos e Documentos, ficam  obrigados a fazer comunicação a Secretaria da Receita Federal  dos  documentos  lavrados,  anotados,  averbados  ou  registrados  em seus Cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de  imóveis por pessoas físicas, conforme definido no art. 2 ° , § 1°,  do Decreto­lei n°1.381, de 23 de dezembro de 1974.  §  1º  A  comunicação  deve  ser  efetivada  em  formulários  padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita  Federal.  §  O  não  cumprimento  do  disposto  neste  artigo  sujeitará  o  infrator a multa correspondente a 1% (um por cento) do valor do  ato."  9.Esse fundamento legal da exigência foi compilado nos artigos  976 e 1.010, do RIR/1994 e reproduzidos nos artigos 940 e 976  do RIR/1999, abaixo transcritos:  "Art.  976.  Os  serventuários  da  Justiça  responsáveis  por  Cartórios  de  Notas  ou  de  Registro  de  Imóveis,  Títulos  e  Documentos ficam obrigados a fazer comunicação Secretaria da  Receita Federal, em formulário padronizado e no prazo que for  fixado,  dos  documentos  lavrados,  anotados,  averbados  ou  registrados  em  seus  cartórios  e  que  caracterizem  aquisição  ou  alienação de imóveis por pessoas físicas."  "Art. 1010. Será aplicada a multa de um por cento do valor do  ato  a  serventuários  da  Justiça  responsáveis  por  cartórios  de  Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo não  cumprimento do disposto no art. 976."  "Art.  940.  Os  serventuários  da  Justiça  responsáveis  por  Cartórios  de  Notas  ou  de  Registro  de  Imóveis,  Títulos  e  Documentos ficam obrigados a fazer comunicação Secretaria da  Receita Federal, em formulário padronizado e no prazo que for  fixado,  dos  documentos  lavrados,  anotados,  averbados  ou  registrados  em  seus  cartórios  e  que  caracterizem  aquisição  ou  alienação de imóveis por pessoas físicas (Decreto­lei n°1.510, de  1976, art.15 e § 1°)  § 2° 0 disposto neste artigo aplica­se, também, nas hipóteses de  aquisições  de  imóveis  por  pessoas  jurídicas  (Lei.  n°9.532,  de  1997, art. 71)."  Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     22  "Art. 976 Será aplicada a multa de um por cento do valor do ato  aos  serventuários  da  Justiça  responsáveis  por  Cartórios  de  Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo não  cumprimento  do  disposto  no  art.  940  (Decreto­lei  n°1.510,  de  1976, art. 15, e § 2°)". (Grifou­se)  (...)  11. No presente caso, restou comprovado a entrega das DOI em  atraso, apresentadas em junho e julho de 2002, com informações  referente a operações realizadas de 1998 a 2002, extratos às fls.  10  a  247,  o  que  redundou na  cobrança  da multa.  Isto  por  que  existe prazo fixado por norma legal desde a edição da Instrução  Normativa SRF n° 04, de 12 de janeiro de 1998, e seguintes. A  Instrução  Normativa  SRF  nº  04,  de  12  de  janeiro  de  1998,  estabeleceu o prazo para a apresentação da DOI: "a declaração  deverá ser apresentada até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente  que  ocorrer  a  operação  que  caracterize  a  aquisição  ou  alienação do imóvel.". Desta forma, consideramos que a DOI é  de  apresentação  mensal  e  é  composta  pelas  informações  das  operações que caracterizem a aquisição ou alienação de imóvel  do  mês  anterior  e  de  operações  não  informadas  em  meses  anteriores  (que  configurarão  informações  apresentadas  em  atraso).  A  partir  das  informações  apresentadas  em  atraso  na  DOI  mensal  será  calculada  uma  multa,  única  para  cada  mês,  apesar poder ser oriunda de diversas informações (de diferentes  operações imobiliárias).  Nestes  termos,  entendo  que  houve  perfeitamente  a  subsunção  do  conceito  fato (atraso na entrega da declaração), com o conceito norma, que previu prazo para a entrega  da DOI sob pena de multa.  Quanto à falta de fundamentação, falta de narrativa e falta de demonstração  das autuações de forma individualizada, entendo que a contribuinte não assiste razão.  Isso porque, como bem se observa da autuação fiscal, a imputação da multa  isolada está devidamente informada, inclusive com as identificações de cada operação.   Desde  o  inicio  do  procedimento  fiscal  as  operações  foram  devidamente  identificadas e a fiscalização inclusive solicitou justificativa e o pagamento das guias quanto às  penalidades.   Nestes termos, entendo pela inexistência de nulidade nessa parte.  Quanto à nulidade alegada referente ao período de 01/01/01 a 31/12/01, por  suposta  falta da  juntada dos recibos de entrega, entendo que essa  formalidade não afetou em  nada  o  lançamento,  visto  que  as  informações  de  todas  as  operações  foram  efetivamente  identificadas,  com  seu  tempo  e  valor,  o  que  não  gerou  nenhum  cerceamento  do  direito  de  defesa.  Tanto  é  que  a  contribuinte  defendeu­se  muito  bem  em  sua  impugnação  e  recurso, com argumentos e fundamentos relevantes.  Assim, afasto a preliminar de nulidade ora apontada.  Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/2003­59  Acórdão n.º 1201­001.188  S1­C2T1  Fl. 13          23  Quanto  à  declaração  de  nulidade  das  autuações  relativas  a  instrumento  cancelados  ou  anulados,  entendo  que  a  contribuinte  assiste  razão.  A  legislação  não  faz  nenhuma  exceção,  mas  por  critério  de  razoabilidade  e  proporcionalidade  da  aplicação  da  penalidade, as operações canceladas ou anuladas não produzem efeitos jurídicos não podendo  ser fundamento para a aplicação de penalidade, mesmo nos casos de obrigação acessória, desde  que tenha sido identificada quais foram as referidas operações anuladas ou canceladas.  Nestes termos, entendo pela reforma da decisão da DRJ nesta parte.  Já  as  operações  que  produziram  efeitos  jurídicos,  porém  não  existiu  a  exigência do ganho de capital, não há que deixar de reconhecer a necessidade da informação no  DOI, pois  a despeito da  inexistência do  tributo, a obrigação acessória não  serve apenas para  fundamentar  exigência  tributaria,  servindo  também  para  controle  das  operações  e  principalmente  para  o  controle  das  informações,  até  mesmo  para  que  a  fiscalização  possa  verificar se é ou não caso de isenção do tributo.  Nestes  termos,  sendo  válida  a  operação,  produzindo  seus  efeitos  jurídicos,  deve ser aplicada a penalidade quanto ao atraso ou falta de informação no DOI das operações  mesmo sem o pagamento de ganho de capital.  Quanto  ao  argumento  de  que  a  legislação  posterior  veio  prejudicar  ao  contribuinte  ao  estabelecer  um  valor  fixo  de  R$  20,00  por  multa  por  mês,  há  operações  devidamente  identificadas  pelo  contribuinte  em  sua  impugnação  às  fls.  871  a  875  dos  autos  (denominado anexo 13), a multa aplicada de 1% vigente à época dos fatos, aparentemente, é  mais favorável ao contribuinte nas referidas operações.  Nestes  termos,  entendo  que  a  retroatividade  da  legislação  somente  ocorrer  nos termos do artigo 106, II, “c”, do CTN, para beneficiar o contribuinte, e jamais para agravar  sua situação.  Com  isso,  entendo  pela  inaplicabilidade  do  disposto  na  decisão  abaixo  transcrita nos casos em que o valor da penalidade, quando calculado a 1%, não ultrapasse os  R$20,00. Vejamos:   10.  No  que  diz  respeito  a  autuação  deve  ser  observado  ainda  que, com o advento da Lei nº 10.426, de 2002, o percentual de  1% foi reduzido para "0,1% ao mês­calendário ou fração, sobre  o valor da operação, limitada a um 1% (por cento), observado o  limite mínimo de R$ 500,00", consoante disposto no art. 8° § 1°  e 2°, inciso II. Este percentual, em atendimento ao princípio da  retroatividade  benigna  da  lei,  previsto  no  art.  106,  inciso  II,  alínea  "c",  do  CTN,  deve  ser  estendido  a  fatos  ocorridos  anteriormente  vigência  da  referida  lei,  com  a  observância  da  modificação  prescrita  pela  Lei  n.º  10.865,  de  30/04/2004,  que  previu o mínimo de R$ 20,00 de multa: (...)  Já  em  relação  à  redução  da  multa  em  50%,  conforme  prevê  a  legislação  abaixo  transcrita,  somente  seria  o  caso  de  aplicar  a  redução  nesse  patamar  se  a  contribuinte  estivesse de forma espontânea realizando a declaração. Não se trata do caso dos autos, pois a  fiscalização  iniciou  o  procedimento  de  fiscalização  intimando  a  contribuinte  a  apresentar  os  recibos do DOI:  Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO     24  § 22. A multa de que trata o § 12:  1  ­  terá como termo  inicial o dia seguinte ao  término do prazo  originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo  final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­apresentação,  da lavratura do auto de infração;  11 ­ será reduzida:  a)  à  metade,  caso  a  declaração  seja  apresentada  antes  de  qualquer procedimento de oficio;  h)  a  setenta  e  cinco  por  cento,  caso  a  declaração  seja  apresentada no prazo fixado em intimação;  III — será de, no mínimo, R$ 20,00 (vinte reais). (Redação dada  pela Lei n° 10.865, de 2004)  Portanto, não é caso de aplicação do artigo 138 do CTN.  Quanto  à  inconstitucionalidade  da  legislação  que  institui  a  penalidade,  cumpre  destacar  que  esse  E.  Tribunal  não  é  competente  para  afastar  lei  por  critério  de  inconstitucionalidade, conforme disposto na Súmula nº 2 do CARF.  Diante do  exposto, CONHEÇO dos Recursos,  para NEGAR provimento  ao  Recurso de Ofício,  afastar as preliminares do Recurso Voluntário,  e no mérito, DAR parcial  provimento  ao Recurso Voluntário,  para  reconhecer  a  inaplicabilidade  da multa  no  caso  das  operações anuladas e na impossibilidade da retroatividade da legislação quando a multa de 1%  for menor que R$ 20,00, devendo prevalecer a multa em percentual.  É como voto!   (documento assinado digitalmente)  Rafael Correia Fuso ­ Relator                                Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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6005419 #
Numero do processo: 18471.001259/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003 IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS MANTIDAS NO EXTERIOR POR PESSOA JURÍDICA DA QUAL O CONTRIBUINTE FIGURA APENAS COMO REPRESENTANTE. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 eventual omissão decorrente de depósitos bancários cuja origem não for comprovada deve ser imputada ao titular da conta bancária, e não ao seu representante legal, salvo nos casos em que restar configurada a hipótese de interposição de pessoa. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas.
Numero da decisão: 2102-001.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR as preliminares, vencida a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi (relatora) que a reconhecia a preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito, por maioria de votos, acordam em DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a multa isolada do carnê-leão, vencida a Conselheira relatora que dava provimento ao recurso e o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira que dava provimento em menor extensão, para apenas cancelar a multa isolada do carnê-leão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti

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OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS MANTIDAS NO EXTERIOR POR PESSOA JURÍDICA DA QUAL O CONTRIBUINTE FIGURA APENAS COMO REPRESENTANTE. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 eventual omissão decorrente de depósitos bancários cuja origem não for comprovada deve ser imputada ao titular da conta bancária, e não ao seu representante legal, salvo nos casos em que restar configurada a hipótese de interposição de pessoa. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR as preliminares, vencida a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi (relatora) que a reconhecia a preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito, por maioria de votos, acordam em DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a multa isolada do carnê- leão, vencida a Conselheira relatora que dava provimento ao recurso e o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira que dava provimento em menor extensão, para apenas cancelar a multa isolada do carnê-leão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 2 Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima – Redator ad hoc Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Redatora designada EDITADO EM: 07 de fevereiro de 2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls.226/236, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002 e 2003, no valor total de R$ 75.438.040,83 (setenta e cinco milhões, quatrocentos e trinta e oito mil quarenta reais e oitenta e três centavos), assim composto: i. Imposto R$ 22.384.587,37 ii. Juros de Mora (cálculo até 31/08/2007) R$ 19.437.431,49 iii. Multa Proporcional R$ 33.576.881,05 iv. Multa exigida isoladamente R$ 39.140,92 Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 177/184, a presente fiscalização ocorreu em função da movimentação, por parte do contribuinte, de valores no exterior, na chamada Operação Beacon Hill. Os documentos e informações foram trazidos para o Brasil em função de decisão judicial do Juizo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR. O mesmo juízo autorizou a transferência de tais dados à SRF (Secretaria da Receita Federal). As acusações são de: 001 - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR Omissão de rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no exterior, conforme demonstrado no Termo de Verifica .ção de Infráção, em anexo que fica fazendo parte integrante do presente auto de infração. 002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), no exterior, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração, em anexo, que fica fazendo parte integrante do presente auto de infração. 003 - MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNÊ-LEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnê-leão, apurada conforme discriminado no Termo de Verificação de Infração, em anexo que fica fazendo parte integrante do presente auto de infração. Com base nesses elementos, evidenciou-se que diversos contribuintes nacionais, a priori identificados como possíveis doleiros, ou mesmo brasileiros com participação em empresas offshore, teriam atuado como intermediários para a movimentação de divisas no exterior, em seu próprio nome ou em nome de terceiros, com ou sem intermediação de terceiros, utilizando-se de contas/subcontas mantidas nas instituições financeiras Merchants Bank, MTB-CBC-Hudson Bank, Lespan e Safra Banlc. A fim de proceder ao exame dos fatos, a Equipe Especial de Fiscalização analisou a documentação disponibilizada de forma a qualificar os responsáveis brasileiros pelas diversas contas mantidas nas instituições financeiras. O contribuinte Clark Setton foi identificado como responsável, junto com outros sócios, pelas seguintes empresas e contas Kundo S/A — conta 03011301; Solid Fin Corp. — conta 71517; Bradner Investment S/A — conta 9002934; Lessner Corp S/A — conta 900292 e Depolo Corp. S/A — conta 3010089. Em depoimento a 2a Vara Criminal de Curitiba assim como em resposta às intimações efetuadas pela fiscalização, o Sr. Clark Setton declarou (fl. 143) que as contas movimentadas apenas por eles eram a Bradner e a Depolo, os depósitos pertenciam a diversas pessoas físicas e/ou jurídicas e que o seu ganho foi sempre limitado ao "spread", que flutuava de acordo com o volume financeiro da operação. As demais contas eram movimentadas exclusivamente pelos outros sócios, cuja ação fiscal foi procedida pela DEFIC/DEFIS/SP, tendo em vista os seus domicílios fiscais. Com base nas informações prestadas pelo contribuinte, a fiscalização concentrou as investigações nas referidas contas e solicitou maiores esclarecimentos (fl. 152) acerca do "spread" auferido em cada operação e da identificação dos responsáveis pelos depósitos. Em resposta (fls. 149 e 176), o contribuinte afirmou que o ganho era de no máximo 0,5% de cada operação e que, tendo em vista a precária informação dos extratos não seria possível identificar caso a caso os reais proprietários dos recursos transacionados. Tendo em vista as irregularidades apuradas, foi lavrado o auto de infração relativamente aos anos-calendário 2001 e 2002, em que os valores dos depósitos efetuados nas contas Bradner e Depolo tiveram os seguintes tratamentos tributários: 1. Quanto aos depósitos que foram identificados (pessoas físicas ou jurídicas, exceto instituições financeiras), foi calculado o valor da comissão (spread) que o contribuinte alegou ter recebido, no percentual de 0,5% sobre cada operação, tendo sido o contribuinte autuado por Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior. Enquadramento Legal: art. 55. inciso VII, combinado com o inciso X do RIR/99. Sobre esses rendimentos foi ainda lançada ainda multa isolada no percentual Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 4 de 50% sobre o valor do imposto devido, conforme disciplina o art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. 2. Todos os depósitos não comprovados e não identificados, assim considerados àqueles cujas informações acerca da origem foram do tipo "one of our clients", "one of our consumer” ou outras siglas indecifráveis, foram lançados como depósitos bancários de origem não comprovada. Enquadramento legal: art. 849 do RIR199. Por entender que houve dolo na conduta reiterada do contribuinte de movimentar recursos em instituições estrangeiras à margem de qualquer informação às autoridades brasileiras, foi aplicada multa de oficio no percentual de 150% sobre o imposto apurado. Em apenso aos autos segue representação fiscal para fins penais formalizada conforme previsto na Portaria SRF n.° 2.752/2001, apontando a ocorrência de fatos que, em tese, configurariam crime contra a ordem tributária. A ciência do lançamento se deu em 25/09/2007, por intermédio de seu procurador, e, em 25/10/2007, foi apresentada impugnação de fls. 890/928, com as argumentações abaixo sintetizadas: • o Auto é nulo porque lastreado em prova obtida por meios ilícitos, nos termos do art. 5 0, LVI, da Constituição Federal; • da mesma forma, a documentação que lastreia o auto foi emprestada do processo criminal já citado, o que não é admitido pela doutrina e pela jurisprudência pátrias, pois ela, de per si, não seria indício suficiente para validar a obrigação tributária, permitindo apenas que o fisco aprofundasse a fiscalização e, se fosse o caso, concluísse sobre a efetividade da ocorrência dos fatos geradores; • o auto, no seu item I, teria sido calcado em presunção simples, o que não é admitido pelo direito tributário brasileiro. O fisco deve provar a ocorrência do fato gerador do tributo e, no caso, apenas presumiu que o ganho obtido nas supostas operações cambiais teria sido de 0,5%, informação essa fornecida pelo contribuinte de forma estimada e sem qualquer suporte em documentação comprobatória de sua real ocorrência; • o impugnante seria ilegítimo para figurar no pólo passivo da obrigação tributária, em respeito ao princípio da entidade, pois as contas correntes bancárias citadas no auto pertenceriam a empresas offshores; • o auto, no seu item II, ainda que tenha sido fundamentado em presunção legal, ofende o princípio da busca pela verdade material, porque a própria fiscalização teria admitido que os créditos/depósitos não pertenceriam ao contribuinte. Ora, como pode uma presunção legal valer mais do que a realidade dos fatos públicos e notórios de que os valores depositados nas contas correntes não pertenceriam ao contribuinte? Se assim for, estar-se-ia admitindo cobrar penalidade pecuniária (multa) travestida de tributo (lançado por presunção legal), o que seria inadmissível; • o auto ofenderia o raciocínio lógico quando admite, de um lado, que a mera indicação nos extratos bancários do nome de pessoas ou empresas seria suficiente para comprovar a origem dos créditos bancários na forma exigida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 e, de outro lado, o fisco não aceita como comprovada a origem de créditos quando há mera indicação de nomes de instituições financeiras que funcionaram na qualidade de contraparte dos reais proprietários dos depósitos. Há, pois, no caso, a adoção de critério de fiscalização incoerente, na medida em que usa de interpretações distintas para situações equivalentes; Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA • na esteira da busca pela verdade material, o fisco, no mínimo, deveria ter diligenciado junto aos bancos emissores dos extratos, ou mesmo das instituições financeiras de nosso país citadas nos ditos extratos, para averiguar e confirmar a titularidade dos reais depositantes dos créditos bancários. Se isso não foi feito, desde já o impugnante protesta pela realização de diligências nesse sentido, em respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório; • o § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, somente teria vigência a partir de 01.01.2003, de maneira que a constituição de crédito tributário sobre fatos geradores anteriores a essa data, ainda que por presunção legal, violaria o princípio constitucional da irretroatividade; • a aplicação da multa qualificada não pode ser mantida porque: (a) não tendo sido definitivamente provada a conduta dolosa do impugnante, a fiscalização agiu com presunção o que, por si só, não autoriza o lançamento da multa qualificada e, sequer, a sua manutenção; (b) a exasperação da multa dependeria da confirmação de o impugnante ter agido dolosamente, o que não compete ao fisco avaliar nem julgar mas sim ao Poder Judiciário, sob pena de afronta ao princípio da presunção de inocência que é consagrado no art. 5 0, LVII, da Constituição Federal de 1988, e (c) ainda que sejam ultrapassados os argumentos precedentes, a multa qualificada excede o valor do imposto, violando os princípios constitucionais do não-confisco e da proporcionalidade; • não tendo sido provada a conduta dolosa do impugnante, os fatos geradores do auto já teriam sido alcançados pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN e da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Nesse caso, todo o crédito tributário estaria fulminado pela decadência visto que os fatos geradores foram incorridos mensalmente. • não seria legítima a aplicação da multa isolada — do item III do auto — e da multa de oficio, pois elas incidiriam sobre a mesma base de cálculo. A 1ª Turma da DRJ/RJOII, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido., em decisão consubstanciada no Acórdão n°13- 24.950, de 22 de maio de 2009 (fls. 997-1025), que foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Preliminar que se afasta tendo em vista que, tratando-se de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR DE NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. PROVA ILÍCITA . Os documentos bancários obtidos pela Fiscalização, mediante autorização judicial, são provas lícitas para demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária, não havendo nulidade na sua produção. PROVA EMPRESTADA. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 6 Devem ser aceitas no processo administrativo fiscal as provas encaminhadas à Secretaria da Receita Federal pelo Poder Judiciário. OMISÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. Afastada a presunção legal quanto aos valores cuja origem foi comprovada como decorrentes de operações cambiais, deve ser tributado o valor recebido pela intermediação dessas transações. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA QUALIFICADA . É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado que o procedimento adotado pelo contribuinte se enquadra, em tese, nos pressupostos estabelecidos no art. 71 da Lei n.° 4.502, de 1964. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO . A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. MULTA ISOLADA. A aplicação da multa isolada decorre de descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de carnê-leão, não se confundindo com a multa proporcional aplicada sobre o valor do imposto apurado após constatação de Declaração de Ajuste Anual inexata. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente” O contribuinte tomou ciência da decisão a quo em 13/07/2009 (fls. 1013), da qual interpôs recurso voluntário em 11/08/2009 (fls. 1016-1050), repisando os termos da impugnação. É o Relatório. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Voto Vencido Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Da ilegitimidade Passiva: O recorrente, alega em apertada síntese que: i. A fiscalização obteve acesso a informações bancárias sigilosas constantes em ação penal referente às contas mantidas pelas empresas offshore BRADNER INVESTMENT S/A e DEPOLO CORP. S/A no Merchants Bank of New York. ii. Que o recorrente figurava apenas como representante das tais empresas, atuando como gerente ou administrador, sem que isso indique que os recursos por ele movimentados naquelas contas lhes pertenciam. Sendo que o recorrente afirma que a própria fiscalização atesta que as empresas BRADNER INVESTMENT S/A e DEPOLO CORP. S/A. são as titulares das contas n° 9002934 e 3010089, respectivamente, mantidas no Merchants Bank of New York, mas opta por afastar a personalidade jurídica delas, imputando a responsabilidade sobre os créditos bancários nelas efetuados diretamente ao recorrente na qualidade de efetivo titular. Diante destas alegações corroboradas com farta documentação comprobatória, tem-se que assiste razão ao Recorrente, na medida em que os parágrafos §§ 5° e 6° do art. 42 da Lei 9.430/96, introduzidos pelo art. 58 da Lei 10.637/02, em face do princípio da irretroatividade da norma tributária, na qual tem como regra geral, de é que a lei tributária deve reger o futuro, sem se estender a fatos ou circunstâncias ocorridas anteriormente ao início de sua entrada em vigor. Assim, só há legitimidade na norma se o contribuinte conhece de antemão a sua obrigação tributária e todos os elementos de mensuração. A certeza jurídica só é assegurada se os sujeitos sabem que todos os atos que praticarem durante a vigência de uma lei, serão regulados por esta, que foi a levada em conta, quando do planejamento e da realização desses atos. Não faz sentido o sujeito levar a efeito um empreendimento, planificando todos os custos e despesas do mesmo, incluindo os reflexos tributários, se no futuro, lei poderá fazer incidir sobre o mesmo, tributo não incidente quando de sua implementação, tornando-o desvantajoso ao empreendedor. Ocorrido o fato gerador, adquire o contribuinte o direito de se submeter ao regime fiscal vigente quando da ocorrência deste. Nesta senda, a Constituição Federal, estabelece como norma geral, que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (inciso XXXVI, art. 5o.), estabelecendo que em matéria penal a lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu (inciso XL, art. 5o). O Código Tributário Nacional, por seu turno, em seu art. 144, esclarece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ao tratar do Sistema Tributário Nacional, o constituinte originário alçou o princípio da irretroatividade da lei tributária como direito fundamental do contribuinte (alínea a, do inciso III, do art. 150), estando Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 8 ao abrigo das chamadas cláusulas pétreas (inciso IV, do parágrafo 4o., do art. 60) e como tal resguardado de qualquer tentativa de supressão (mesmo parcial) pelo poder constituinte derivado. E como é cediço, este princípio não impede lei que conceda uma vantagem ao contribuinte tenha incidência retroativa, já que como direito individual seu, só opera como regra protetiva, isto é, quando a lei cria ou aumenta um tributo. Neste sentir o CTN, em seu art. 106, II, estipula três casos de retroatividade da lei mais benigna aos contribuintes e responsáveis, tratando-se de ato não definitivamente julgado; em que a norma se preocupa com as três hipóteses em que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Como no caso em julgamento não se trata de nenhum dos casos de retroatividade benigna não há que ser aplicado como fundamento ao lançamento à norma insculpida no os parágrafos §§ 5° e 6° do art. 42 da Lei 9.430/96 e as alterações incluídas pela Lei 10.637/2002. Observo ainda que o lançamento de ofício efetuado em base em depósitos bancários de origem não comprovada tem um aspecto específico, por se tratar dos casos conhecidos como Beacon Hill, relacionados às remessas de dólares ao exterior por meio de contas correntes localizadas em outros países. Tendo em vista as infrações cometidas – Rendimentos recebidos de fontes no exterior (Omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior) e Depósitos bancários de origem não comprovada (Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada) –, analisarei as em mesmas em conjunto: deste modo, verifico que o recorrente alega ter de fato movimentado os valores em contas bancárias no exterior, no entanto, afirma que tais valores pertenceriam, na realidade, a terceiros, estes sim os reais beneficiários dos valores remetidos ao exterior. De acordo com as alegações do contribuinte, as contas correntes localizadas no exterior teriam sido utilizadas para atividades de “câmbio paralelo”,de forma que seus rendimentos seriam apenas os “spread’s” cobrados pelos serviços, sendo que o próprio contribuinte confirma que recebia como margem de ganho em cada operação no máximo 0,5% (meio por cento). Neste sentido, analisando inicialmente o Termo de Verificação Fiscal, observo que das contas correntes localizadas no exterior, que supostamente teriam recebido valores destinados ao contribuinte, foi identificado apenas como representante do que as titularidades das contas correntes pertenciam às empresas offshore Bradner Investment S/A e Depolo Corp. S/A no Merchants Bank of New York. Assim, também se baseando no que consta dos autos, noto que realmente o autuado exercia atividade ligada à remessa dos valores ao exterior, mas como não foi possível identificar a quem pertencia os recursos, nem aferir o montante das comissões percebidas nas transações de remessa e de recebimento de recursos de/para o exterior, por ordem de seus clientes, a autoridade autuante atribuiu todos os valores como rendimentos do contribuinte que intermediava as transações. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA No entanto, tenho para mim que o procedimento escolhido pela autoridade lançadora não se amolda à realidade dos fatos e, por isso, não merece prosperar, coadunando efetivamente em ilegitimidade passiva do ora recorrente. Durante a sessão de julgamento, a Turma Julgadora entendeu por não acatar a ilegitimidade passiva levantada pela Sra. Conhelheira Relatora, Acácia Sayuri Wakasugi, resolvendo adentrar ao mérito. Instada a se pronunciar sobre o mérito, a Conselheira relatora entendeu que, superada a ilegitimidade passiva, deveria persistir o lançamento, negando provimento ao voluntário, considerando que as infrações de omissão de rendimentos do exterior, de depósitos bancários sem origem justificada e a multa isolada do carnê-leão estavam fundadas em permissivo legal, sendo dever da autoridade fiscal lavrar o auto de infração. Ao final, a Conhelheira Relatora, Acácia Sayuri Wakasugi, vota por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator ad hoc do voto vencido Voto Vencedor Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Em que pese o respeito à Ilma. Conselheira Relatora, tomo a liberdade discordar de seu entendimento acerca da manutenção do item 2 do lançamento, e ainda da multa de ofício exigida de forma isolada. O referido item 2 do lançamento se refere decorre da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme previsão contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. As contas que deram origem ao lançamento foram mantidas no exterior, em nome de pessoas jurídicas das quais o Recorrente era representante. Esta Turma Julgadora já apreciou diversos casos semelhantes a este que ora se apresenta, sendo que o entendimento que aqui sempre prevaleceu foi o de que a omissão de rendimentos no caso – se houve – deve ser imputada à pessoa jurídica titular da conta bancária no exterior, e não às pessoas físicas que nela figuram apenas como suas “representantes”. De fato o art. 42 da Lei nº 9.430/96 assim determina, expressamente: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 10 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (destacamos) Decorre daí que o responsável por eventual omissão decorrente da existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada é sempre o titular da conta, e não o seu representante legal. Por isso, sendo o titular da conta uma pessoa jurídica, é a ela que deve ser imputada a omissão porventura apurada pelas autoridades fiscais. Neste sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano- calendário: 2001, 2002 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: (...) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO EXTERIOR TITULARIZADA POR PESSOA JURÍDICA ESTRANGEIRA - AUSÊNCIA DE PROVA QUE DEMONSTRE QUE A CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA TEVE OBJETIVOS FRAUDULENTOS, A ESCONDER OS REAIS PROPRIETÁRIOS DOS VALORES - PROCURADOR DA EMPRESA - IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAR AS TRANSFERÊNCIAS FINANCEIRAS PARA CONTA BANCÁRIA TITULARIZADA POR PESSOA JURÍDICA AO PROCURADOR SEM PROVA QUE AQUELA FUNCIONAVA COMO INTERPOSTA PESSOA DESTE - As transferências para conta bancária mantida no exterior e titularizada por pessoa jurídica estrangeira somente podem ser imputadas ao procurador de tal empresa se se comprovar que o contribuinte procurador tenha constituído tal empresa com propósitos simulatórios ou fraudulentos, com fito de esconder o real detentor dos valores movimentados em tal conta, que seria, no caso, o próprio procurador da conta de depósito. Ausente qualquer prova que demonstre que a pessoa jurídica funcionava como interposta pessoa do contribuinte procurador, não se pode imputar a ele a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido. (Acórdão nº 106-17.042 – sem destaques no original) No caso em exame, porém, como se viu, o lançamento foi efetuado em face do representante da pessoa jurídica titular da conta bancária na qual os depósitos foram efetuados, sem que fossem esclarecidas as razões pelas quais foi desconsiderada a titularidade da conta bancária pela pessoa jurídica em questão (o que justificaria, se fosse o caso, a tributação dos depósitos na pessoa física). O simples fato de ser o responsável pela referida movimentação bancária não faz do contribuinte o titular da conta, e nem o titular da movimentação desta conta. Assim, é de se concluir que não se aplica ao caso vertente a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, no que diz respeito à exigência da multa pela falta de recolhimento do carnê-leão, certo é que este Conselho vem decidindo de forma reiterada que a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão não pode ser exigida em conjunto com a multa de ofício quando as mesmas incidirem sobre a mesma base de cálculo. É o que se vê do seguinte julgado: MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.Recurso provido. (Ac. 106-15.639, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) No mesmo sentido o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.Recurso especial negado. (Ac. CSRF/01-04.987, Rel. Cons. Leila Maria Scherer Leitão) E foi exatamente o que ocorreu no caso em tela. Assim, em razão da concomitância entre a aplicação destas duas multas (isolada e de ofício), voto no sentido de excluir a parcela da multa isolada do lançamento. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, assim como a exigência da multa isolada do carnê-leão. Sala das Sessões, 7 de fevereiro de 2012. Assinado digitalmente. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Redatora designada Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA

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Numero do processo: 10803.000078/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regem-se conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. Não ultrapassado o prazo de cinco anos definido no art. 150, § 4º do CTN, entre a data do fato gerador e a momento em que o contribuinte ou responsável tributário foi intimado do imposto complementar apurado em procedimento fiscal, não há que se falar em decadência da exigência fiscal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTRIBUINTE FALECIDO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. No caso de contribuinte falecido, cabe ao inventariante, por meio de documentação hábil e idônea justificar a origem do aumento do patrimônio do falecido.
Numero da decisão: 2101-002.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão e Heitor de Souza Lima Junior, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o conselheiro Daniel Pereira Artuzo para redação do voto vencedor. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator. DANIEL PEREIRA ARTUZO - Redator designado EDITADO EM: 24/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da Turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 2          1  1  S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10803.000078/2008­06  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­002.721  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de março de 2015  Matéria  IRPF  Recorrente  FERNANDA CANELLA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2004, 2005  IRPF ­ ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA.  O  prazo  de  decadência  do  Imposto  de Renda  de  Pessoa  Física  ­  IRPF  nos  lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regem­se conforme as  regras  do  imposto  sujeito  ao  ajuste  anual,  considerando­se  ocorrido  o  fato  gerador no dia 31 de dezembro de cada ano.  Não ultrapassado o prazo de cinco anos definido no art. 150, § 4º do CTN,  entre  a  data  do  fato  gerador  e  a  momento  em  que  o  contribuinte  ou  responsável  tributário  foi  intimado  do  imposto  complementar  apurado  em  procedimento fiscal, não há que se falar em decadência da exigência fiscal.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS. CONTRIBUINTE FALECIDO.  São  tributáveis  as  quantias  correspondentes  ao  acréscimo  patrimonial  da  pessoa  física,  quando  esse  acréscimo  não  for  justificado  pelos  rendimentos  tributáveis, não  tributáveis,  tributados exclusivamente na fonte ou objeto de  tributação definitiva. No caso de contribuinte falecido, cabe ao inventariante,  por meio de documentação hábil e idônea justificar a origem do aumento do  patrimônio do falecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão e Heitor  de Souza Lima Junior, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o conselheiro  Daniel Pereira Artuzo para redação do voto vencedor.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 78 /2 00 8- 06 Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     2  LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS ­ Presidente.     EDUARDO DE SOUZA LEÃO ­ Relator.    DANIEL PEREIRA ARTUZO ­ Redator designado    EDITADO EM: 24/03/2015  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE  OLIVEIRA  SANTOS  (Presidente  da  Turma),  DANIEL  PEREIRA ARTUZO,  HEITOR DE  SOUZA  LIMA  JUNIOR,  MARIA  CLECI  COTI  MARTINS  e  EDUARDO  DE  SOUZA  LEÃO.    Relatório    Em  princípio  deve  ser  ressaltado  que  a  numeração  de  folhas  referidas  no  presente  julgado  foi  a  identificada  após  a  digitalização  do  processo,  transformado  em meio  eletrônico (arquivo.pdf).    Trata­se  de  Recurso  Voluntário  onde  o  Recorrente  objetiva  a  reforma  do  Acórdão de nº 17­30.058 da 9ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 1.663/1.671), que, por unanimidade  de votos, considerou procedente o lançamento, referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa  Física  –  IRPF,  em  face  de  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  no  montante  histórico  de  R$ 1.879,48,  correspondendo a  imposto  (R$ 1.194,47), multa prevista de  10%  (R$ 119,43)  e  juros de mora calculados até 30/09/2008 (R$ 565,58).    No  caso,  a  Contribuinte  teria  omitido  rendimentos  em  vista  de  variação  patrimonial  a  descoberto,  conforme  se  pode  extrair  da  narrativa  fática  trazida  no  Termo  de  Verificação  e  Conclusão  Fiscal  (fls.  1.597/1.619),  ao  qual  transcrevo  trechos  para  melhor  esclarecer as motivações do lançamento fiscal:    “DO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO    3) Em 23/03/2007 a fiscalização, dando  inicio ao cumprimento do Mandado  de Procedimento Fiscal de Fiscalização,  lavrou o Termo de  Inicio de Ação Fiscal,  Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/2008­06  Acórdão n.º 2101­002.721  S2­C1T1  Fl. 3          3  cópia  às  fls.  05/06,  intimando­se  a  contribuinte  a,  no  prazo  de  20  (vinte)  dias  a  contar de sua ciência apresentar os elementos abaixo especificados:  (...)    4) O Termo de  Inicio  de Ação Fiscal  e  o Mandado de Procedimento Fiscal  foram  encaminhados,  por  via  postal,  à  contribuinte,  para  sua  ciência,  tendo  sido  recebidos em 24/03/2007, conforme comprova o Aviso de Recebimento à fl. 07.    DO ATENDIMENTO AO TERMO DE INICIO    5)  Atendendo  o  Termo  de  Inicio  de  Ação  Fiscal,  foram  apresentados  os  elementos  anexados  às  fls.  16  a  27,  por  meio  de  seu  sobrinho  Marco  Antônio  Canella,  que  informou  que  a  contribuinte  faleceu  em  22/11/2006.  Abaixo  transcrevemos os esclarecimentos prestados:  (...)    DA  ELABORAÇÃO  DO  DEMONSTRATIVO  DE  VARIAÇÃO  PATRIMONIAL    25) Com base nos elementos apresentados, nos dados constantes dos sistemas  informatizados  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  nos  documentos  apresentados  pelas  instituições  financeiras  e  nas  demais  constatações,  foram  elaborados  os  Demonstrativos  de  Variação  Patrimonial  ­  DVP,  relativamente  aos  anos­calendário 2002 a 2005, cujas cópias encontram­se às fls. 763 a 770.    26) No campo referente Rendimentos Tributáveis foram lançados os valores  extraídos dos extratos bancários, sob a rubrica "proventos", cuja cópia encontra­se as  fls. 123 a 170. Tais valores correspondem aos rendimentos  líquidos recebidos pela  contribuinte do Ministério da Fazenda.    27) Os saldos bancários mensais, no inicio e no final do mês, foram lançados  de  acordo  com  os  dados  extraídos  dos  extratos  bancários  apresentados  pela  contribuinte (fls. 123 a 170 e 333 a 360), pela Justiça Federal (fls. 36 a 60 e 70 a 79)  e pelas instituições financeiras (fls. 373 a 385 e 407).    28)  Foram  extraídos  dos  extratos  bancários  os  valores  correspondentes  a  débitos  efetuados  em  sua  conta­corrente  e  que  constituíram  dispêndios,  como  por  exemplo:  CPMF,  juros,  IOF,  tarifas  bancárias,  pagamentos  de  cartão  de  crédito/Água/luz,  compras  etc.  Tais  dispêndios  encontram­se  relacionadas  na  planilha de fls. 771 a 781.  Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     4    29) Os cheques relacionados na planilha de fls. 782 a 788, cujas cópias foram  apresentadas  pelo  Banco  do  Brasil  S/A,  representam  valores  correspondentes  a  despesas  incorridas  pela  contribuinte.  Observe­se  que  os  cheques  emitidos  ao  portador não foram lançados como dispêndios, pelo fato de não se poder aferir a sua  destinação.    30)  Como  origens  foram  lançados  os  valores  a  seguir,  representados  pelos  cheques  emitidos  por  seu  sobrinho  Marco  Antônio  Canella  e  nominais  à  contribuinte, consoante cópia dos mesmos juntados às fls. 361 a 365:  (...)    31)  Também  foram  lançados  como  origens  os  valores  das  Restituições  do  Imposto  de  Renda,  dos  estornos  de  tarifas/CPMF,  dos  resgates  de  aplicação  financeira extraídos dos extratos de conta­corrente.    32) Importante ressaltar que, em relação ao ano­calendário 2005, foi lançado  como dispêndio a totalidade dos cheques emitidos e mesmo assim não se apurou, em  quaisquer dos meses daquele ano, Variação Patrimonial a Descoberto.    33) Através do Termo de Ciência e de Solicitação de Esclarecimentos, datado  de 25/09/2008, intimou­se a contribuinte a, no prazo de 15 (quinze) dias, na pessoa  de  seu  inventariante,  manifestar­se  acerca  dos  Demonstrativos  de  Variação  Patrimonial.  A  ciência  do  termo  deu­se  em  30/09/2008,  conforme  Aviso  de  Recebimento  de  fl.  789,  vencendo  o  prazo  estabelecido  para  manifestação  em  15/10/2008.    34) Transcorrido o prazo determinado, não houve manifestação por parte do  sujeito passivo.    DAS IRREGULARIDADES APURADAS    35)  Devidamente  elaborados,  os  Demonstrativos  Mensais  de  Evolução  Patrimonial, dos anos­calendário 2002 a 2004, e após submetido ao crivo do sujeito  passivo,  esta  fiscalização  apurou,  como  resultado  final  da  análise,  a  "Variação  Patrimonial  a Descoberto",  verificando­se  excesso  de  aplicações  sobre  as  origens,  não  respaldados  pelos  rendimentos  declarados  e  comprovados  da  contribuinte,  conforme abaixo relacionado:    Mês   Ano­Calendário  Variação Patrimonial a Descoberto (R$).  Janeiro  2003  399,61  Agosto  2004  3.943,93    Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/2008­06  Acórdão n.º 2101­002.721  S2­C1T1  Fl. 4          5  36) A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está especificada no  Decreto  n°  3.000,  de  26  de março  de  1999  (Regulamento  do  Imposto  de Renda  ­  RIR/99), em seus artigos 55, inciso XIII, 806 e 807 (Leis nºs 4.069/1962, artigos 51  e 52 e 7.713/1988, artigo 3°), que seguem reproduzidos abaixo:  (...)    37)  A  vista  do  exposto,  caracterizam­se  os  valores  acima  apurados,  como  rendimentos omitidos da tributação do imposto de renda pessoa física, sujeitando­se  A  exigência  de  oficio  (Auto  de  Infração)  do  Imposto  de Renda Pessoa Física  por  parte  da  fiscalização,  nos  termos  dos  artigos  55,  inciso  XIII,  806  e  807  do  Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/1999.” (fls. 1.599/1.611).    Os  argumentos  trazidos  na  Impugnação  foram  sintetizados  pelo  Órgão  Julgador a quo nos seguintes termos:    “Na  defesa,  apresentada  pelo  Sr. Antonio Canella,  inventariante,  é  alegado,  em síntese:    a) As cifras apuradas estão aquém dos limites contidos no art. 42, da Lei n°  9.430/96. Não cabe aqui a alegação de que a excludente à  tributação está centrada  em  depósito  bancário,  pois  o  principio  é  o  mesmo:  desonerar  o  contribuinte  da  comprovação  de  pequenos  valores,  sob  ajusta  avaliação  da  insignificância —  ou  bagatela  —  dos  valores  envolvidos.  Além  disso,  para  a  apuração  do  acréscimo  patrimonial  foi  considerada  a  movimentação  bancária  mediante  a  inclusão  dos  saldos no final do mês, .o que garante a aplicação da mencionada excludente;    b) Decadência,  pedindo  a  extinção  do  crédito  relativo  ao  ano  de  2.003,  em  face  do  lançamento  ocorrer  5  (cinco)  anos  após  a  competência  exigida,  conforme  dispõe o parágrafo 4°, do artigo 150, do CTN;    c) O acréscimo patrimonial deve ser comprovado pela fiscalização. A omissão  de  receitas  pelo  suposto  acréscimo patrimonial  deriva  de  uma presunção  estatuída  por lei, entretanto para efetivar essa pretensão, cabe ao Fisco o ônus de acostar ao  procedimento fiscal a prova irrefutável da ocorrência do fato conhecido, sob pena de  ficar  impedido  de  fazer  uso  da  presunção  conferida  por  lei.  Assim,  havendo  insuficiência de prova sobre a efetividade do dispêndio, a exigência  respaldada na  indigitada presunção deve ser cancelada;    d)  impossibilidade de o espólio  justificar o pedido  feito pela  fiscalização de  que  o  sujeito  passivo  apresentasse  justificativas  sobre  o  pretenso  acréscimo  patrimonial.  A  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  é  do  tipo  júris  tantum  (relativa), cabendo ao titular apresentar os esclarecimentos, o que é impossível, uma  Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     6  vez que o titular é falecido. Não há, por absoluta impossibilidade, como imputar ao  espólio  ou  ao  inventariante  a  obrigação  de  justificar  a  evolução  patrimonial  verificada quando a contribuinte — titular das contas correntes — ainda era viva.    e) diante do exposto, pede o acolhimento da defesa, afastando as questionadas  exigências fiscais.” (fls. 1.665).    Apesar  dos  argumentos  de  defesa  acostados,  a  9ª  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  São  Paulo  II  (SP)  proferiu  decisão  que  restou  assim  ementada:    “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 2004, 2005    ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  VALORES  AQUÉM  DO LIMITE DO ART. 42, DA LEI 9.430/96. DECADÊNCIA. PROVA DO  FATO  CONHECIDO  –  DISPÊNDIO.  IMPOSSIBILIDADE  DA  MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE SE FALECIDO.  Limite  a  que  se  refere  o  art.  42,  da  Lei  n°  9.430/96,  aplica­se  somente  a  depósitos bancários, não havendo qualquer limite para acréscimo patrimonial  a descoberto, observando apenas a tabela progressiva mensal/anual.  Decadência para lançamento de oficio é o previsto no art. 173, I, do CTN.  Prova  do  fato  conhecido  para  validade  da  presunção  do  acréscimo  patrimonial a descoberto e consequente omissão de receita é apresentado pelo  Auditor  Fiscal  autuante  consistindo  em  recibo,  dispêndios  lançados  no  extrato  bancário,  com  discriminação  do  objeto  (CPMF,  IOF,  juros,  pagamentos, etc.) e os cheques compensados, emitidos nominalmente.  Se falecido o contribuinte, o inventariante responde ativa e passivamente.    Lançamento Procedente”    No Recurso Voluntário disposto às fls. 1.679/1.706, o Recorrente repisou sua  argumentação  de  Defesa,  destacando  inicialmente  a  decadência  do  lançamento  referente  ao  ano­calendário  de  2003,  insistindo  na  necessidade  da  Fiscalização  comprovar  os  dispêndios  questionados, da exclusão de tributação dos valores nos termos do inc. II do art. 42 da Lei nº  9.430/96 e na  impossibilidade do Espólio  justificar os  valores  lançados no demonstrativo de  variação patrimonial.    Ao final requer seja reformada a decisão combatida, declarando a nulidade ou  improcedência do lançamento fiscal.  Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/2008­06  Acórdão n.º 2101­002.721  S2­C1T1  Fl. 5          7    Distribuído o feito para nossa Relatoria, coloco em pauta para julgamento.    É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO    O recurso atende os requisitos de admissibilidade.    Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que na Defesa  e no Recurso Voluntário em julgamento, o Recorrente se esforça em arguir preliminarmente a  decadência do crédito tributário decorrido no ano­calendário de 2003.    Para a apreciação do feito, inicialmente devemos atentar que a tributação do  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  –  IRPF  em  face  de  acréscimos  patrimonial  a  descoberto diante da incapacidade do contribuinte em justificar a legalidade da disponibilidade  econômica por meio de documentação hábil e idônea, está fundada nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei  nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis:    “Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir  de  1º  de  janeiro  de  1989,  por  pessoas  físicas  residentes  ou  domiciliados no Brasil,  serão  tributados pelo  imposto de renda  na  forma  da  legislação  vigente,  com  as  modificações  introduzidas por esta Lei.  Art.  2º  O  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas  será  devido,  mensalmente,  à  medida  em  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital forem percebidos.  Art.  3º  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta  Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90)  § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidos  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     8  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não correspondentes aos rendimentos declarados.  §  2º  Integrará  o  rendimento  bruto,  como  ganho  de  capital,  o  resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de  alienação  de  bens  ou  direitos  de  qualquer  natureza,  considerando­se como ganho a diferença positiva entre o valor  de  transmissão  do  bem  ou  direito  e  o  respectivo  custo  de  aquisição  corrigido monetariamente,  observado  o  disposto  nos  arts. 15 a 22 desta Lei.  §  3º  Na  apuração  do  ganho  de  capital  serão  consideradas  as  operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou  direitos  ou  cessão  ou  promessa  de  cessão  de  direitos  à  sua  aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta,  adjudicação,  desapropriação,  dação  em  pagamento,  doação,  procuração  em  causa  própria,  promessa  de  compra  e  venda,  cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos  afins.  §  4º  A  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  a  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer forma e a qualquer título.”    Por  sua  vez,  o  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  disposto  no Decreto  nº  3.000/1999, prevê expressamente:    “Art.  37.  Constituem  rendimento  bruto  todo  o  produto  do  capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e  pensões  percebidos  em  dinheiro,  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172,  de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §  1º).  (...)    Art. 55. São também tributáveis  (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26,  Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.  24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I):  (...)  XIII ­ as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da  pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não  for  justificado  pelos  rendimentos  tributáveis,  não  tributáveis,  tributados  exclusivamente  na  fonte  ou  objeto  de  tributação  definitiva;  (...)  Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/2008­06  Acórdão n.º 2101­002.721  S2­C1T1  Fl. 6          9  Parágrafo único.  Na  hipótese  do  inciso  XIII,  o  valor  apurado  será  acrescido  ao  valor  dos  rendimentos  tributáveis  na  declaração  de  rendimentos,  submetendo­se  à  aplicação  das  alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86.    Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito  à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista  das  declarações  de  rendimentos  e  de  bens,  não  corresponder  esse  aumento  aos  rendimentos  declarados,  salvo  se  o  contribuinte  provar  que  aquele  acréscimo  teve  origem  em  rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já  tributados exclusivamente na fonte.”    Avultam  das  normas  transcritas  que  o  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física –  IRPF,  incidirá sobre o acréscimo patrimonial, compreendido como rendimento bruto  do Contribuinte, que não corresponda ao seu rendimento declarado.    E a presunção legal da omissão de rendimentos representada pelo acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  decorre  da  constatação  lógica  de  que  ninguém  aumenta  seu  patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários.    Neste  sentido,  para  que  seja  desconstituída  a  presunção  fiscal,  caberia  ao  Contribuinte/Fiscalizado  justificar  o  acréscimo  patrimonial  verificado  nos  autos  com  provas  e/ou  documentos  satisfatórios,  que  apontassem  a  disponibilidade  financeira  por  meio  de  rendimentos  tributáveis,  isentos  ou  não  tributáveis  ou,  ainda,  tributáveis  exclusivamente  na  fonte.    Ocorre  que,  como  o  referido  Imposto  sobre  a  Renda  em  decorrência  de  acréscimo patrimonial a descoberto é ofertado a tributação pelo contribuinte sem prévio exame  da  Administração  Tributária,  tal  procedimento  figura  na  modalidade  de  lançamento  por  homologação.    Nestes  casos,  entregue  a  Declaração  de  Ajuste  Anual,  antecipado  o  pagamento, mesmo que parcial, ou até mesmo havendo retenção de imposto na fonte, como no  caso em análise (fls. 16), e inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a  constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador – que se perfaz em  31 de dezembro de cada ano –, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Neste sentido:    “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF  Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     10  Exercício: 2005, 2006, 2007  PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado  que  as  infrações  apuradas  foram  adequadamente  descritas  nas  peças  acusatórias,  e  que  o  contribuinte,  demonstrando  ter  perfeita  compreensão  delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. IRPF.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA.  O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física ­ IRPF nos  lançamentos  por  Acréscimo  Patrimonial  a  Descoberto  regem­se  conforme as regras do  imposto sujeito ao ajuste anual, considerando­se  ocorrido  o  fato  gerador  no  dia  31  de  dezembro  de  cada  ano.  (...)”  (Acórdão  nº  2201­002.573,  Processo  nº  15504.013036/2009­04,  Relator  Cons.  EDUARDO  TADEU  FARAH,  1ª  TO/  2ª  CÂMARA/  2ª  SEJUL/  CARF/MF, Data de Publicação: 02/12/2014 ­ grifamos);    “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF  Ano­calendário: 2006  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA.  Apesar  da  apuração  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  ser  apurada  mensalmente,  o  fato  gerador  somente  se  perfaz  no  dia  31  de  dezembro  do  ano­calendário.  (...)”  (Acórdão  nº  2802­002.854,  Processo  nº  10945.720969/2011­55,  Relator  Cons.  GERMAN  ALEJANDRO  SAN  MARTIN FERNANDEZ, 2ª TE/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data  de Publicação: 21/08/2014);    “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF  Exercício: 2007  (...)  IRPF.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  TERMO  INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA.  O acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e  tributado  na  Declaração  de  Ajuste  Anual.  Nos  casos  de  lançamento  por  homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve­ se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543­C do CPC c/c art.  62­A do RICARF, conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN. O termo inicial  do prazo de decadência conta­se a partir do encerramento do ano­calendário.  (...)” (Acórdão nº 2201­002.341, Processo nº 19515.721216/2011­00, Relator  Cons.  EDUARDO  TADEU  FARAH,  1ª  TO/  2ª  CÂMARA/  2ª  SEJUL/  CARF/MF, Data de Publicação: 13/05/2014).    Apenas  na  hipótese  em  que  não  há  qualquer  pagamento  ou  evidenciada  a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o prazo decadencial deve ser  apurado  nos  termos  do  inc.  I  do  art.  173,  do  CTN,  conforme  entendimento  pacificado  pelo  Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/2008­06  Acórdão n.º 2101­002.721  S2­C1T1  Fl. 7          11  Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733­SC, nos termos do  art. 543­C do CPC.    De todo modo, ultrapassado o prazo sem ter sido intimado o contribuinte do  lançamento  de  ofício,  considera­se  homologada  tacitamente  a  atividade  exercida  pelo  contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inc. V do CTN.    No  caso  em  análise,  observando  os  fatos  e  provas  produzidas  nos  autos  e  averiguados  pela  Fiscalização,  não  há  que  se  falar  em  dolo,  fraude  ou  simulação  no  procedimento do contribuinte, assim como figura comprovado o pagamento de tributo diante  do imposto retido da Contribuinte (fls. 16 dos autos), restando afastada a regra prevista no inc.  I do art. 173 do CTN.    Contudo,  diante  do  arcabouço  legislativo  e  da  realidade  fática,  verificamos  que fato gerador do Imposto de Renda em face do acréscimo patrimonial a descoberto do ano­ calendário  2003,  ocorreu  em  31  de  dezembro  daquele  ano,  e  o  Inventariante  do  Espólio  da  Recorrente  findou  intimado  da  autuação  em  23/10/2008  (fls.  1.625),  dentro  do  prazo  de  5  (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte, não havendo de  se falar em decadência do crédito tributário.    Por outro lado, embora seja ônus do contribuinte desconstituir o lançamento  fiscal com documentos hábeis e  idôneos,  conforme sistema de  repartição do ônus probatório  adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu  artigo 16,  inciso  III,  e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil,  aplicável à  espécie  de  forma  subsidiária  –,  eis  que  a  realidade  fática  anunciada  desde  o  começo  do  procedimento  fiscal,  em  razão  do  falecimento  da  contribuinte  em  data  anterior  ao  início  da  fiscalização, aponta para uma solução diferente quanto a produção de provas visando afastar a  presunção fiscal.    É que, em nenhum momento a verdadeira Contribuinte Autuada foi intimada  a  comprovar  a  origem  dos  recursos  que  legitimassem  o  acréscimo  patrimonial  efetivamente  questionado, de modo que os valores envolvidos, conformando uma disponibilidade econômica  personalíssima,  não  podem  ser  respondidos  pelo  Inventariante  do  espólio  da  Contribuinte  falecida.    De fato, existe uma impossibilidade do Espólio justificar os valores lançados  no demonstrativo de variação patrimonial da Contribuinte, porquanto os elementos constantes  dos  autos  apontam  que  era  a  própria  quem  geria  suas  finanças,  seus  débitos  e  respetivos  recursos, com toda capacidade e responsabilidade decorrente.  Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     12    Ora,  a  bem  da  verdade,  sabe­se  que  o  espólio  figura  responsável  pelos  tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, bem como os herdeiros e o  cônjuge  meeiro,  pelos  tributos  devidos  até  a  data  da  partilha  ou  adjudicação,  conforme  determina o Código Tributário Nacional, in verbis:    “Art. 131. São pessoalmente responsáveis:  (...)  II  ­  o  sucessor  a  qualquer  título  e  o  cônjuge  meeiro,  pelos  tributos  devidos  pelo  de  cujus  até  a  data  da  partilha  ou  adjudicação,  limitada  esta  responsabilidade  ao  montante  do  quinhão do legado ou da meação;  III ­ o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da  abertura da sucessão.”    Vale destacar que esta responsabilidade abrange não só os créditos tributários  definitivamente  constituídos  até  a  abertura  da  sucessão,  mas  também  os  em  curso  de  constituição  ou  posteriormente  constituídos,  desde  que  relativos  a  obrigações  tributárias  surgidas antes da morte do contribuinte, no caso do espólio, e antes da data da partilha,  no caso dos herdeiros e meeiros, nos termos do art. 129 do CTN.    “Art.  129.  O  disposto  nesta  Seção  aplica­se  por  igual  aos  créditos  tributários definitivamente constituídos ou em curso de  constituição  à  data  dos  atos  nela  referidos,  e  aos  constituídos  posteriormente  aos  mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações tributárias surgidas até a referida data.”    Portanto, se o espólio só existe entre a data da abertura da sucessão até a data  da partilha, o inventariante é responsável solidário pelos tributos devidos pelo espólio apenas  neste  período  (art.  134,  inciso  IV  do  CTN).  Encerrado  o  inventário,  eventuais  créditos  tributários devidos pelo espólio passam a ser de responsabilidade dos herdeiros e do cônjuge  meeiro, com as limitações previstas na legislação.    Não obstante, para que a presunção de acréscimo patrimonial, prevista no inc.  XIII  do  art.  55,  c/c  art.  807  do Decreto  nº  3.000/99­  RIR  se  aperfeiçoe  é  necessário  que  o  contribuinte seja devidamente intimado a comprovar a origem dos rendimentos. Ou seja, cabe  ao fisco identificar o aumento patrimonial de origem não comprovada e intimar o contribuinte  a sobre eles se manifestar, com o fim de cumprir o encargo que lhe confere.    Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/2008­06  Acórdão n.º 2101­002.721  S2­C1T1  Fl. 8          13  Assim,  diferentemente  de  outras  infrações,  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos baseada em acréscimo patrimonial de origem não comprovada tem como requisito  fundamental a  intimação prévia do contribuinte, responsável  tributário, sem a qual ela não se  materializa.    No  caso  de  procedimento  fiscal  instaurado  após  a  morte  do  contribuinte,  tendente  a  averiguar  a  regularidade do  crescimento  patrimonial  do  de  cujus,  há  que  se  fazer  uma  ponderação  quanto  a  responsabilidade  pela  comprovação  da  origem  deste  acréscimo  patrimonial efetuado antes e depois da abertura da sucessão.    É que o responsável previsto na legislação para comprovar a regularidade do  aumento patrimonial por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou, ainda,  tributáveis exclusivamente na fonte, antes da abertura da sucessão, era o contribuinte falecido,  porquanto era ele a quem se deve imputar o ônus de comprovar a origem dos recursos obtidos  até sua morte, não se podendo transferir tal responsabilidade ao espólio.    Assim, sendo a intimação neste caso materialmente impossível, a presunção  legal não se aperfeiçoa em relação ao acréscimo patrimonial da época em que o contribuinte  era  vivo,  pois  o  Inventariante,  como mero  administrador  do  Espólio  até  a  partilha,  não  tem  como assumir responsabilidades que não eram suas, e que a legislação em vigor não lhe impõe.    No  caso  concreto,  não  foram  atendidos  os  requisitos  que  asseguram  a  legalidade do lançamento no período que antecede a abertura da sucessão. Não é juridicamente  possível  exigir­se  de  qualquer  outra  pessoa  a  explicação  sobre  o  acréscimo  patrimonial  injustificado de quem não era titular do patrimônio.    A intimação para que o Inventariante prestes esclarecimentos, ainda que sob  procedimento fiscal, fragiliza o lançamento por ancorá­lo em presunção da não justificativa de  pessoa  que  não  tinha  obrigação  jurídica  de  identificar  os  recursos  do  contribuinte  falecido,  pois,  conforme  depreende­se  nos  autos,  a  conta  corrente  objeto  de  análise  e  o  patrimônio  verificado não eram de sua titularidade e sobre estes não detinha qualquer controle.    A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do  disposto  no  artigo  807  do  RIR,  por  ser  uma  obrigação  personalíssima,  deve  ser  imputada,  exclusivamente, ao titular de direito e/ou o patrimônio acrescido sem justificativa.    Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     14  Portanto,  não  há  como  imputar  ao  Inventariante  do Espólio  a  obrigação  de  comprovar de onde advieram os recursos  inerentes ao acréscimo patrimonial a descoberto da  época em que a Contribuinte, titular de fato, legítima responsável tributária, ainda era viva.    Esta Colenda Corte Tributária  já expressou manifestações neste sentido, em  situações bastante similares:    “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF  Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005  DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. A decadência de IRPF relativo ao  ganho  de  capital,  quando  inexistente  pagamento  antecipado  relacionado  ao  ganho de capital em específico, é regida pelo prazo do art. 173 I, do CTN.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRATICADO PELO DE CUJUS ­ AUTO  DE  INFRAÇÃO  LAVRADO  EM NOME  DO  ESPÓLIO  ­ MULTA  QUE  CONSTITUA SANÇÃO POR ATO ILÍCITO – INAPLICABILIDADE  A constituição de crédito tributário, através de auto de infração, em nome do  espólio, por irregularidades fiscais praticado pelo de cujus, sujeita o espólio à  multa de mora, de dez por cento sobre o imposto apurado, estabelecida artigo  49  do Decreto­Lei  110  5.844,  de  1943,  sendo­lhe  inaplicável  as multas  de  oficio estabelecidas nos incisos I e 11 do artigo 44 da Lei n° 9430, de 1996,  por  constituir  sanção  por  ato  ilícito,  não  transferível  para  o  espólio,  em  virtude do principio constitucional de que nenhuma pena passará da pessoa  do infrator.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  CONTA  BANCÁRIA  MOVIMENTADA  PELO  "DE  CUJUS"  ­  LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA O ESPÓLIO  ­ OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA  A  responsabilidade  pela  comprovação  da  origem  dos  recursos,  para  efeito  do  disposto  no  artigo  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  por  ser  uma  obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular  de  direito  c/ou  de  fato  da  conta­corrente.  Portanto,  não  há  corno  imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos  à  época em que o  contribuinte  ­  titular de  fato  ­'a  conta­corrente  ­  era  vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o  seu início, contra o espólio e a inventariante.  DEPÓSITO  BANCÁRIO.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  ESPÓLIO. APÓS ABERTURA DA SUCESSÃO  A comprovação da origem dos depósitos efetuados na conta do “de cujus” no  período compreendido entre a abertura da sucessão até a data do  formal de  partilha, cabe ao espólio,  representado pela  inventariante. Recurso de ofício  negado. Recurso voluntário provido”  (Acórdão  nº  2202­002.913,  Processo  nº  19515.000550/2007­31,  Relator  Cons. Antônio Lopo Martinez, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF,  Data de Publicação: 14/01/2015);  Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/2008­06  Acórdão n.º 2101­002.721  S2­C1T1  Fl. 9          15      “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF  Exercício: 2005, 2006  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ESPÓLIO.  A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do  disposto  no  artigo  42,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  deve  ser  imputada  ao(s)  titular(es)  da  conta­corrente.  Portanto,  não  há  como  imputar  ao  espólio  a  obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte ­  titular  da  conta­corrente  ­  era  vivo,  cabendo,  se  for  o  caso,  a  tributação  segundo  legislação específica, sendo certo que a falta da intimação de um dos titulares  da conta bancária prejudica o lançamento em relação a todos os titulares.”  (Acórdão  nº  2102­002.901,  Processo  nº  10950.002545/2009­11,  Relatora  Conselheira  NUBIA MATOS MOURA,  2ª  TO/  1ª  CÂMARA/  2ª  SEJUL/  CARF/MF, Data de Publicação: 07/04/2014);   “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF  Ano­calendário: 1997, 1998  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA  ­  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  Considera­se  não  impugnada  a  tributação  da  omissão  de  rendimentos,  tendo em vista o  acréscimo patrimonial  a descoberto,  por  não  ter sido expressamente contestada.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  ESPÓLIO  A  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos  creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Cuidando­se de  espólio  não  há  presunção  por  se  tratar  de  obrigação  personalíssima,  incabível  a  intimação  do  sucessor  ou  do  inventariante  para  a  comprovação,  salvo  se  decorrente  de  movimentação  bancária  após  a  abertura da sucessão.”  (Acórdão  nº  2202­001.719,  Processo  nº  10168.006289/2002­91,  Relator  Cons. ODMIR FERNANDES, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF,  Data de Publicação: 30/05/2012).    Avultam  dos  precedentes  transcritos  que,  nas  condições  expostas  no  procedimento em análise, não subsiste o entendimento fiscal levado a efeito, desde o seu início,  contra o Espólio da Contribuinte falecida ou seu Inventariante.    É que a presunção legal fundada no art. 807 do Decreto 3.000/99, é nítida no  sentido  de  exigir  que  o  titular,  sujeito  passivo,  seja  intimado,  para  comprovar  a  origem  dos  rendimentos. No caso concreto, o Inventariante do Espólio da Contribuinte não era a titular do  Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     16  patrimônio na época em que ocorreu o fato gerador tributário, de modo que o lançamento nas  bases efetuadas não se sustenta.    Em  face de  todo o  exposto,  voto no  sentido de dar provimento  ao Recurso  Voluntário, reformando a Decisão recorrida para desconstituir o lançamento fiscal.    É como voto.    Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO  Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/2008­06  Acórdão n.º 2101­002.721  S2­C1T1  Fl. 10          17  Voto Vencedor  Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO  Com a devida vênia, discordo do Ilustre Relator.  Entendo  que,  nos  casos  em  que  se  discute  o  Acréscimo  Patrimonial  a  Descoberto,  a  legislação  não  atribuiu  de  modo  personalíssimo  a  obrigação  do  próprio  contribuinte de comprovar a origem do seu aumento patrimonial.  É  importante  destacar  que  a  alegação  feita  pelo  Inventariante  da  suposta  impossibilidade de o espólio atender pedido da fiscalização de manifestar­se sobre o pretenso  acréscimo  patrimonial,  pois  isso  só  cabe  ao  titular  e  o  titular  é  falecido,  aponta  somente  jurisprudência  relacionada à Presunção de Omissão de Rendimentos em virtude de depósitos  bancários de origem não comprovada (prevista no art. 42 da Lei no 9.430/96).  Assim,  como  era  de  sua  responsabilidade  e  o  inventariante  não  justificou,  utilizando  os  documentos  deixados  pelo  falecido,  a  origem  do  aumento  patrimonial,  não  há  como prover o Recurso Voluntário em relação a esse ponto.  Dessa  forma,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário.  É o meu voto.    DANIEL PEREIRA ARTUZO ­ Redator designado                    Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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Numero do processo: 10715.721873/2011-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsume-se à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsume-se à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa. Recurso Voluntário Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 3          2 Marcos Antonio Borges ­ Relator.    (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Redatora designada.    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria  Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 4          3 Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual:  A  presente  autuação  refere­se  à  exigência  da multa  capitulada  no  art.  107,  IV,  alínea  “e”,  do  DecretoLei  n.º  37/66,  com  a  redação  da  Lei  n.º  10.833/2003,  no  valor  de  R$  25.000,00,  aplicada  por  veículo/viagem,  identificado  pelo  respectivo  vôo,  por  não  prestar as  informações  sobre  a  carga  transportada  no  prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN RFB  n.º 510/2005.  A  fiscalização  junta  planilha  de  fls.  4/5  com  os  dados  de  embarque e as datas de informação dos dados.   Intimada da  autuação,  a  interessada apresentou  a  impugnação  alegando, em síntese, o que segue:  1Preliminarmente pela nulidade do auto de infração face ao erro  na  fundamentação  legal  da  penalidade  aplicada.  A  IN  SRF  n.º  28/94,  em seu  art.  44,  prevê  que  o  descumprimento dos  prazos  estabelecidos  ao  transportador  para  informação  dos  dados  de  embarque  constitui  embaraço  à  atividade  de  fiscalização  aduaneira  e  por  esta  razão  o  enquadramento  legal  da  multa  deveria ser a alínea “c” do item IV, do art. 107, do DecretoLei  n.º 37/66, e não a alínea “d” como constou na autuação.  2Não  há  prova  de  que  o  registro  dos  dados  foi  efetuado  a  destempo,  pois  a  planilha  que  acompanha  o  auto,  na  verdade,  está  informando a data de averbação, pela Receita Federal, do  embarque da carga, e não a do registro, porque esta não consta  do  Siscomex.  Alega  que  as  informações  são  prestadas  por  diferentes agentes, podendo ocorrer erros durante este processo.  Também o  sistema  contém  falhas  para  armazenar  as  tentativas  de  registro.  Relata  um  caso  de  prestação  incorreta  de  informação  por  parte  do  exportador  que  acarretaria  impossibilidade de registro dos dados de embarque por parte do  transportador.  Também  alega  que  as  alterações  dos  registros,  como  por  exemplo,  de  divergência  de  peso,  constavam  como  novos  registros  e  que  as  retificações  eram  efetuadas  comm  autorização  da  fiscalização.  Como  o  sistema  não  registrava  a  primeira  data  na  qual  foi  informado  os  dados  de  embarque,  ficava  a  data  correspondente  à  retificação.  Cita  Soluções  de  Consulta/SRFF 9.ª RF n.ºs 215 e 218/2004, que tratam da multa  por embaraço e alterações dos dados de embarque.  3  A  constatação  da  infração  não  leva  em  consideração  as  indisponibilidades do sistema. Traz algumas Notícias da Anvisa  sobre indisponibilidade do Siscomex nos anos de 2002 a 2005.  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 5          4 4  Cita  a  IN  RFB  n.º  835/2008,  que  trata  sobre  regras  de  contingência na utilização do Siscomex no caos de problemas de  ordem técnica.  5  Protesta  pela  inexistência  de  embaraço  à  fiscalização,  desoneração  às  exportações  e  violação  à  finalidade  do  ato  administrativo.  Alega  que  não  houve  prejuízo  ao  interesse  público  ou  ao  fisco.  Argumenta  que  a multa  não  tem  razão  de  existir, pois nenhum tributo deixou de ser recolhido e a conduta  supostamente  praticada  pela  impugnante  é  irrelevante  para  o  direito tributário.  7  Protesta  também  pelos  princípios  da  proporcionalidade  e  da  razoabilidade.  8  Alega  o  incontestável  caráter  confiscatório  das  multas  aplicadas  à  impugnante  e  relaciona  às  fls.  47/48  os  processos  administrativos fiscais de cobrança da referida multa no período  de  2004  a  2009  que  totalizam  o  valor  absurdo  de  R$4.165.000,00.  9Requer, ao final, a nulidade do auto de infração.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC)  julgou  improcedente  a  Impugnação,  sendo  o  acórdão  dispensado de  ementa,  de  acordo  com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004.  Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações  ofertadas quando da impugnação, acrescentando que com a edição da Instrução Normativa n°  1.096/2010,  que  deixou  de  definir  como  infração  a  inserção  de  dados  de  embarque  de  mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, deve­se aplicar ao caso  o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106.  II. do Código Tributário Nacional,  alegando  ainda  que  a  edição  da  Lei  n°  12.350  de  20  de  dezembro  de  2010,  que  alterou  a  redação do §2° doš art. 102 do Decreto­Lei n° 37/66, possibilitaria a aplicação do instituto da  denúncia espontânea à  infração em análise, considerando­se a retroatividade benigna prevista  no art. 106. II, Código Tributário Nacional.  É o Relatório.  Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 6          5    Voto Vencido  Conselheiro Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  No  presente  caso  foi  lavrado  Auto  de  Infração  para  cobrança  da  multa  prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto­Lei n° 37/1966, com redação dada  pela Lei n° 10.833/2003, abaixo  transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória  disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n°  510/2005:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):  e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga. (Grifado)  A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF  n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias  da data do embarque:  Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria,  com  base  nos  documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da  data da realização do embarque. (Grifado)  Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010.  Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n°  28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir  de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre  embarque de mercadoria, conforme abaixo:  Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria,  com  base  nos  documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados  da  data  da  realização  do  embarque.  (Redação  dada  pela  Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010)  (grifei)  Portanto,  vê­se,  de  fato,  que  a  nova  redação  deixou  de  considerar  como  infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que  Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 7          6 possibilita,  em  tais  casos  –  desde  que  a  lide  não  tenha  sido  definitivamente  julgada  –  a  aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo:  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  Quanto  a  contagem  do  prazo  previsto  para  se  prestar  a  informação  sobre  veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir  da  data  da  realização  do  embarque,  conforme  estipulado  no  caput  do  artigo  37  da  IN/SRF  28/04,  excluindo­se  na  sua  contagem  o  dia  de  início  e  incluindo­se  o  de  vencimento,  em  obediência a  forma prevista no caput do artigo 210 do CTN,  independente do  expediente da  repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável  por  prestar  a  informação  ocorre  de  forma  ininterrupta,  sem  a  necessidade  da  intervenção  da  repartição aduaneira.  Da  análise  da  tabela  acostada  aos  autos  tem­se  que  o  lançamento  foi  feito  considerando­se as Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma  das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova  redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010.   Da aplicação do instituto da denúncia espontânea  No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega  extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração  formal,  não  podendo  ser  considerada  como  infração  de  natureza  tributária  apta  a  atrair  o  instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.  A prestação de  informações no Siscomex, como é o  caso,  é uma obrigação  acessória e,  aplicando­se essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula  CARF n° 49, que adota a mesma interpretação:  Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega  de  declaração.  No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102  do Decreto­Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010:  Art.102 ­ A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 8          7  §  1º  ­  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria; (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)   § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)  Apesar  de  alguns  julgados  recentes  do  CARF  estarem  admitindo  a  caracterização  da  denúncia  espontânea  com  fundamento  da  nova  redação  do  dispositivo,  entendo que na aplicação do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, deve­se analisar o conteúdo  da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de  deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações  caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo.  Esse  entendimento,  do  qual  eu  compartilho,  foi  evidenciado  em  voto  do  eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a  TO. S. de 22/08/2013:  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última,  incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais  (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse  fiscalização  das  operações  de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo,  comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No  âmbito  da  legislação  aduaneira,  em  consonância  com  o  disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de  aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  Fl. 225DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 9          8 cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado  art. 102.  A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração,  a  denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar  o fluxo inevitável do tempo.  Compõem  essa  última  modalidade  toda  infração  que  tem  o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última  modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 10          9 Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática  de  infração desse jaez.  Assim,  a  aplicação da denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo,  no  caso  a  prestação  de  informação  no  Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no  esvaziamento  do  dever  instrumental,  comprometendo  o  controle  aduaneiro  efetuado  pela  autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia.  Entende­se, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades  exigidas  pelo  descumprimento  de  obrigações  acessórias  caracterizadas  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração  aduaneira.  Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os  princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à  competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater  apenas à aplicação da  legislação vigente,  sendo descabido pronunciar­se  sobre a validade ou  constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal,  como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB.  Matéria  está  pacificada  no  âmbito  administrativo,  tendo  sido  objeto  da  Súmula  CARF  no  2,  consolidada  na  Portaria  CARF  no  52,  de  21/12/2010  (DOU  de  23/12/2010), que dispôs, verbis:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Desta  forma,  em  virtude  de  todos  os  motivos  apresentados  e  dos  fatos  presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 11          10 Voto Vencedor  Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Com o devido acatamento, ouso divergir do voto do Exmo. Sr. Relator.  Como  bem  se  infere  da  análise  do  lançamento,  trata­se  de  imposição  de  Multa  Regulamentar  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  convertida  em  obrigação  principal em relação à penalidade aplicável. Há decreto­lei em vigor prevendo a aplicação da  multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória.  No  caso  em  questão,  foi  prestada  a  informação  sobre  veiculo  ou  carga  transportada, no Siscomex, após o prazo especificado no artigo 37 da  IN SRF n° 28/94 com  redação dada pela IN SRF n° 510/2005, o que ensejaria a aplicação da Multa.  Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe:    Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante do tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com  a  infração.”    Trata o dispositivo  transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia  espontânea,  por  sua  vez,  é  o  instrumento  através  do  qual  se  exclui  a  responsabilidade  pela  prática  de  alguma  infração  tributária  por  parte  do  contribuinte,  ou  responsável,  desde  que  sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais sejam, pagamento do tributo devido, se for  o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por  parte da autoridade fazendária.  Deveras,  o  sujeito passivo  tem determinadas obrigações para  com o  sujeito  ativo  da  relação  jurídico  tributária,  seja  de  pagamento  de  tributos  no  prazo  correto,  seja  de  prestar  a  informação  sobre  veiculo  ou  carga  transportada,  no  Siscomex,  dentro  de  prazo  determinado pela norma tributária, dentre outros comportamentos legalmente previstos.  É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da  relação  jurídica  que,  seja  de  forma  direta  ou  indireta,  descumpra  deveres  jurídicos  normatizados em legislações fiscais.  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 12          11 No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza  formal:  a  prestação  da  informação  sobre  veiculo  ou  carga  transportada,  no  Siscomex,  em  atraso.   Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de  suas  respectivas  sanções,  as  quais  fazem  com  que  o  contribuinte  tenha  a  ele  imputada  determinada penalidade.  Ocorrida  a  infração  tributária,  podem  ser  desencadeadas  três  distintas  situações:    1)  Na  primeira,  o  agente  responsável  pela  infração  não  realiza  nenhum  procedimento,  quedando­se  silente  e  aguarda  a  eventual  ocorrência  da  decadência  do  direito  da  Fazenda  Pública em lançar tais valores.    2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar  o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugná­lo administrativamente, recorrer ao  Poder Judiciário para anulá­lo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto.    3)  Terceira  possibilidade  é  a  chamada  denúncia  espontânea,  ou  seja,  o  agente  se  antecipa  a  qualquer  procedimento  fiscalizatório  do  Poder  Público  e  efetua  o  pagamento  dos  valores  de  pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicando­o, após, do ocorrido.  Neste  último  caso,  como  exposto  acima,  o  CTN  expressamente  prevê  que,  para beneficiar  tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes  se valham de um  instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos  lá constantes para  sua fruição.  A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora  de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do  sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçá­lo a agir de tal forma.  É  uma  faculdade  do  sujeito  passivo  em  se  auto­denunciar  perante  a  fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração  cometida.   E tal faculdade tem o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal  benesse,  quanto  à  própria  Fazenda.  O  primeiro  é  beneficiado  porque  a  legislação  lhe  dá  a  oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto,  o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações  tributárias; enquanto que, para o  segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que  este  tenha  que  ir  fiscalizar  as  empresas  e  verificar  a  correição  dos  procedimentos  adotados  pelos contribuintes.  Para  que  a  denúncia  espontânea  surta  seus  efeitos,  imprescindível  a  ocorrência  de  seus  pressupostos.  No  caso  ora  analisado,  todos  os  pressupostos  foram  observados, senão vejamos:    Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 13          12 Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes:    1º) Denúncia espontânea da infração  O  primeiro  pressuposto  é  a  ocorrência  da  infração  cometida  –  no  caso,  a  prestação extemporânea  da  informação  sobre veiculo ou  carga  transportada,  no Siscomex,  e,  conseqüentemente, o surgimento da  respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo  descumprimento da obrigação fiscal.  Passada  esta  parte,  necessário  se  faz  que  o  contribuinte  realize  a  chamada  “denúncia  espontânea”,  ou  seja,  que  comunique  à  Fazenda  a  ocorrência  da  infração  e  o  seu  respectivo adimplemento.   A  comunicação  solene  foi  realizada  pela  Recorrente,  através  da  entrega  da  prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, espontaneamente,  em atraso.     2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso.  Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea,  há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo  correto.  Neste  sentido,  mister  é  que  o  sujeito  passivo,  ao  denunciar­se  espontaneamente  para  o  Fisco,  acompanhe  junto  desta  comunicação  o  comprovante  de  que,  ressalvada  a  multa,  a  obrigação  que  deveria  ter  sido  adimplida  épocas  atrás  tenha  sido  efetivamente cumprida.  Vale  ressaltar  que,  apesar  de  a  norma  referir­se  a  “pagamento  do  tributo  devido”,  a  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea  não  fica  reservado  apenas  para  os  casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do  tributo efetivamente.   A  sanção  decorrente  da  inobservância  das  regras  instrumentais  do  Direito  Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser  elidida  pela  aplicação  do  artigo  138  do  Código  Tributário  Nacional.  Esta  assertiva  resta  absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”.   Com efeito, este pressuposto guarda  íntima e direta  relação com a chamada  natureza das  infrações  fiscais,  que podem ser  tanto materiais,  resultantes diretamente do não  adimplemento  de  uma  obrigação  tributária  principal  ou  de  prestação  pecuniária;  quanto  formais,  decorrentes  do  não  cumprimento  de  uma  obrigação,  seja  através  de  uma  atitude  positiva ou negativa.  Assim,  o  não  cumprimento  de  uma  obrigação  tributária  principal  ou  de  prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada  com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal,  está relacionada com a expressão “se for o caso”.  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 14          13 Sempre  que  uma  obrigação  tributária  principal  for  inadimplida,  para  os  efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido.  Entretanto,  se  a  infração  ocorrida  for  de  natureza  formal,  como  no  caso  presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal,  do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente.   Não  há  dúvidas,  portanto,  que  a  Recorrente  preencheu  este  segundo  pressuposto  necessário  para  que  possa  usufruir  do  instituto  da  denúncia  espontânea  como  forma de afastar a responsabilidade (leia­se, punição) pela infração formal cometida.  Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua  aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos  em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante  do final daquele texto.  Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que  não  há  qualquer  relação  com  valores  pecuniários,  como  são  os  casos  dos  deveres  instrumentais?  Se não se admitir esta possibilidade, a referida expressão seria letra morta no  CTN, pois não teria aplicação alguma.  Só  haverá  pagamento  de  tributo  devido  quando  a  infração  tenha  sido  não  pagá­lo. Nesse caso, o auto­denunciante, ao confessar­se, deverá pagar o tributo não­pago. Mas  se  a  infração  cometida  tenha  sido  a  não  prestação  de  uma  informação,  a  confissão  do  Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não  observância do artigo 138 do CTN.  3º)  Inexistência  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização relacionados com a infração.  Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra  na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o  contribuinte, ou o responsável, se auto­denuncia.  Em  suma,  entendo  que  a  Recorrente  preencheu  correta  e  satisfatoriamente  todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea.   É  justamente  no  afastamento  da  responsabilidade  pela  infração  e,  consequentemente,  na  escusa  de  toda  forma  de  penalidade,  de  sanção,  que  age  a  denúncia  espontânea.  Ela  funciona  como  uma  “excludente  da  culpabilidade”.  A  infração  continua  existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta  nova relação  jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado  jus puniendi  em relação àquele infrator.  Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o  agente,  uma  vez  realizada  a  denúncia  espontânea,  não  pode  mais  ser  responsabilizado  pela  infração  cometida.  A  norma  optou  por  ser  o  mais  abrangente  possível  e  excluiu  a  própria  responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade  – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar.  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/2011­18  Acórdão n.º 3801­005.031  S3­TE01  Fl. 15          14 Por  todo  o  acima  exposto,  divirjo  do  voto  do  Exmo.  Relator,  e  decido  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  apresentado,  cancelando  a  exigência  consubstanciada no auto de infração de fls..  É assim que voto.    (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel                    Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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Numero do processo: 10805.720018/2013-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Helio Eduardo de Paiva Araujo, Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha e Marcio Rodrigo Frizzo. Relatório Trata-se de auto de infração sobre à dedução da despesa realizada pelo recorrente na apuração do seu lucro contábil do ano de 2009, relativa ao pagamento do IOF, juros e encargos, referentes ao processo n° 13805.014225/9636, no valor principal do IOF de R$ 62.509.961,68, juros de R$ 262.163.406,19 e encargos de R$ 74.311.145,10, pois a referida despesa era relativa a anos anteriores ao ano de 2009, sendo que o IOF devido era relativo ao ano de 1993, lançado em 1996, tendo sido definitivamente constituído em 28/07/2003, quando o recorrente tomou ciência da decisão do Conselho de Contribuintes. Os encargos incidentes sobre a cobrança da dívida pela PGFN, eram existentes desde 2003, quando o citado processo foi enviado para aquele órgão, após a ciência da decisão do Conselho tomada pelo fiscalizado em 28/07/2003. O AFRFB entendeu que o recorrente deveria ter contabilizado em 28/07/2003 as despesas correspondentes ao valor do principal do IOF lançado através do citado processo, no valor de R$ 62.509.961,68, bem como da multa e dos juros incidentes até aquela data, independente do pagamento das mesmas, e não realizando a contabilização das despesas teria sido desrespeitado o princípio da competência e prudência. O recorrente frente aos argumentos levantados pelo AFRFB em data de 18/02/2013 apresentou impugnação (fls. 599/624), dispondo em síntese: Embora a impugnante estivesse contestando administrativa e judicialmente a cobrança, era-lhe vedada a apropriação da despesa no momento em que renunciou à discussão judicial e efetuou o pagamento do tributo via "REFIS". Embora se tratasse de uma questão singela, na medida em que a despesa se reconhece a partir do momento em que não há mais contestação do montante exigido, a Autoridade Fiscal empreendeu uma simplista visão do regime de competência. O artigo 6º, parágrafos quarto e sexto, do Decreto-lei n° 1.598/77 previa que os valores originados em certos períodos, e que fossem, por determinadas razões, apropriados em exercícios subsequentes, em virtude de eventos que não permitissem o reconhecimento da despesa, não poderiam empacar o período de competência originário. Na medida em que as despesas de R$ 445.866.870,62, correspondentes a R$ 62.509.961,68 do Principal, R$ 46.882.357,65 da Multa de Ofício, R$ 262.163.406,19 de Juros e R$ 74.311.145,10 de encargos, não foram consideradas no período relativo às suas ocorrências, conquanto a impugnante estivesse discutindo administrativa e judicialmente o débito lançado, sendo tais despesas registradas apenas no ano de 2009 por ocasião do pagamento realizado pela impugnante e, portanto, deduzidas somente no momento em que reconhecida a referida despesa. O embasamento legal a respaldar o entendimento da impugnante se encontra previsto no artigo 6º , §§ 4º e 6º , do Decreto-Lei n° 1.598/77, bem como no artigo 247, do Decreto n° 3.000/99. O mérito da exigência fiscal encontrava-se em discussão judicial, não havendo que se falar na imposição de que tal despesa fosse deduzida antes da efetiva ocorrência. A própria Receita Federal já havia se manifestado para situações exatamente idênticas a presente, no o Parecer COSIT n° 09/2012. O mérito da exigência fiscal em questão ("IOF") fora objeto de debate em discussão judicial via oposição de Embargos à Execução, autuado sob o n° 2008.61.26.0041506, não havendo reconhecimento da despesa pela impugnante. A expectativa decorrente da discussão judicial desobrigou que o débito fosse objeto de provisão até o exercício de 2009, momento em que incluído no parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, conforme normas contábeis vigentes. O regime de caixa, no âmbito do Imposto de Renda, estabelece que as receitas e os custos operacionais apenas são reconhecidos nas contas de resultado do contribuinte quando recebidos e pagos em dinheiro. A adoção do regime de caixa, em situações peculiares, não se revela em quebra indevida do regime de competência, mas propriamente em uma justiça fiscal, na medida em que os tributos discutidos judicialmente são obrigações fiscais sem data definida para pagamento e que possuem incerteza em relação à sua ocorrência, a depender da decisão do Poder Judiciário definitiva. Assim, as despesas em discussão judicial não reúnem condições para serem reconhecidas e deduzidas, já que não são definitivas e devidas, enquanto perdurar a lide. A pessoa jurídica que considera o tributo indevido e o contesta judicialmente não pode contabilizar a despesa como devida, pois se assim o fizer, além de incorreta e incoerente, seria conflitante com o sistema, pois o contribuinte irá deduzir uma despesa que eventualmente jamais poderá acontecer. Mostra-se equivocada a posição da Autoridade Fiscal, ao entender que ainda que pendente a discussão judicial sobre a exigência do tributo, a impugnante deveria ter registrado a despesa e deduzido na apuração do Imposto de Renda, pois; repisa-se, trata-se de uma situação indefinida, cuja despesa poderá nunca ocorrer. Caso o entendimento fosse diverso, que a impugnante tivesse deduzido a despesa durante a discussão judicial, sem que tivesse havido o efetivo pagamento do tributo, seria o caso de redução indevida do lucro real, pois permaneceria com o recurso público que deixaria de recolher, deduzindo, ainda, os valores não pagos do resultado apurado para fins de cálculo do imposto de renda, caracterizando dupla vantagem. Mesmo tivesse sido provisionado em exercícios anteriores ao do seu pagamento (no ano de 2009), o mesmo seria objeto de adição no Lucro Real no momento de sua provisão como despesa não dedutível. Assim, no momento do efetivo pagamento da obrigação, o valor adicionado no lucro real em períodos anteriores seria objeto de exclusão na apuração do lucro real no período em que efetivamente realizado o pagamento, qual seja, em 30 de novembro de 2009, fato que teria o mesmo efeito como se o débito em questão tivesse sido apropriado e pago da forma que a impugnante procedeu. A Autoridade Fiscal pautou a lavratura do auto baseada em apenas um ponto: a ocorrência de decadência pelo fato da impugnante não ter se apropriado da despesa quando do lançamento originário. O único argumento está lastreado em uma premissa absolutamente incorreta, e que transpira um certo grau de absenteísmo por parte da Autoridade Fiscal quanto a legislação processual brasileira: a de que os Embargos à Execução não se constitui em forma de contestação do crédito tributário. A Autoridade Fiscal confunde Embargos à Execução, com Embargos de Declaração e o mesmo com Exceção de Pré-Executividade, os quais, como se sabe, possuem natureza jurídica absolutamente distintas. O mais grave é de que se parte da premissa de que os Embargos não são medida autônoma. A Fiscalização se equivocou ao entender que os Embargos à Execução Fiscal não é uma ação que busca a desconstituição judicial do crédito tributário. Os Embargos à Execução, além de possuir a natureza de ação autônoma, é o meio por excelência para se discutir em juízo a cobrança executiva, fundada em uma decisão proferida no âmbito administrativo. Mais especificamente, a discussão para hipótese debatida nos autos do Processo Administrativo em referência, tem-se que o fato da IMPUGNANTE ter ajuizado, tempestivamente, seus competentes Embargos à Execução para discutir o mérito da exigência fiscal objeto do Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 constitui demonstração suficiente quanto ao afastamento do instituto da decadência do direito desta contabilizar os custos incorridos. A decadência, por natureza, é a penalização pela inércia, no exercício de um direito. Tal hipótese não ocorre no parcelamento, mencionado no Acórdão supramencionado, tampouco quando há discussão de mérito em ação proposta perante o Poder Judiciário. O prazo decadencial para dedutibilidade somente poderia ser computado quando se tornasse definitiva a despesa, tendo em vista a oposição dos Embargos visando contestar a relação jurídica tributária com o Fisco, o prazo decadencial somente pode ser computado a partir do trânsito em julgado de eventual decisão desfavorável ou no momento em que for reconhecida como despesa, o que somente ocorreu por ocasião da adesão ao parcelamento instituído pelo REFIS. Demonstrada a inocorrêncía do decurso do prazo decadencial, deverá ser reconhecido o direito da impugnante deduzir do exercício de 2009 o montante pago para quitação do débito de "IOF" consubstanciado no Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 Execução Fiscal n° 2008.61.26.0041488, quando da adesão ao Programa de Parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, cancelando-se integralmente a Autuação Fiscal ora combatida. Após os argumentos relatados acima, sobreveio acordão nº 12-062.455 da lavra da 15ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 687/708), a qual julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, mantendo o crédito tributário exigido, nos seguintes termos de sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES NA PESSOA OU NO DOMICÍLIO DO PROCURADOR. Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa ou no domicílio profissional do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 REGIME DE COMPETÊNCIA. APROPRIAÇÃO DE DESPESAS. As despesas relativas a tributos que não estão com a exigibilidade suspensa devem ser apropriadas segundo o regime de competência, para que se possa assegurar a dedutibilidade das mesmas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 27/12/2013 (fl. 710), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário 28/01/2014 (fl. 713/746), no qual apresentou, em seu mérito, os mesmos fundamentos levantados em sua impugnação, os quais já foram vislumbrados. É o relatório.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Helio Eduardo de Paiva Araujo, Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha e Marcio Rodrigo Frizzo. Relatório Trata-se de auto de infração sobre à dedução da despesa realizada pelo recorrente na apuração do seu lucro contábil do ano de 2009, relativa ao pagamento do IOF, juros e encargos, referentes ao processo n° 13805.014225/9636, no valor principal do IOF de R$ 62.509.961,68, juros de R$ 262.163.406,19 e encargos de R$ 74.311.145,10, pois a referida despesa era relativa a anos anteriores ao ano de 2009, sendo que o IOF devido era relativo ao ano de 1993, lançado em 1996, tendo sido definitivamente constituído em 28/07/2003, quando o recorrente tomou ciência da decisão do Conselho de Contribuintes. Os encargos incidentes sobre a cobrança da dívida pela PGFN, eram existentes desde 2003, quando o citado processo foi enviado para aquele órgão, após a ciência da decisão do Conselho tomada pelo fiscalizado em 28/07/2003. O AFRFB entendeu que o recorrente deveria ter contabilizado em 28/07/2003 as despesas correspondentes ao valor do principal do IOF lançado através do citado processo, no valor de R$ 62.509.961,68, bem como da multa e dos juros incidentes até aquela data, independente do pagamento das mesmas, e não realizando a contabilização das despesas teria sido desrespeitado o princípio da competência e prudência. O recorrente frente aos argumentos levantados pelo AFRFB em data de 18/02/2013 apresentou impugnação (fls. 599/624), dispondo em síntese: Embora a impugnante estivesse contestando administrativa e judicialmente a cobrança, era-lhe vedada a apropriação da despesa no momento em que renunciou à discussão judicial e efetuou o pagamento do tributo via "REFIS". Embora se tratasse de uma questão singela, na medida em que a despesa se reconhece a partir do momento em que não há mais contestação do montante exigido, a Autoridade Fiscal empreendeu uma simplista visão do regime de competência. O artigo 6º, parágrafos quarto e sexto, do Decreto-lei n° 1.598/77 previa que os valores originados em certos períodos, e que fossem, por determinadas razões, apropriados em exercícios subsequentes, em virtude de eventos que não permitissem o reconhecimento da despesa, não poderiam empacar o período de competência originário. Na medida em que as despesas de R$ 445.866.870,62, correspondentes a R$ 62.509.961,68 do Principal, R$ 46.882.357,65 da Multa de Ofício, R$ 262.163.406,19 de Juros e R$ 74.311.145,10 de encargos, não foram consideradas no período relativo às suas ocorrências, conquanto a impugnante estivesse discutindo administrativa e judicialmente o débito lançado, sendo tais despesas registradas apenas no ano de 2009 por ocasião do pagamento realizado pela impugnante e, portanto, deduzidas somente no momento em que reconhecida a referida despesa. O embasamento legal a respaldar o entendimento da impugnante se encontra previsto no artigo 6º , §§ 4º e 6º , do Decreto-Lei n° 1.598/77, bem como no artigo 247, do Decreto n° 3.000/99. O mérito da exigência fiscal encontrava-se em discussão judicial, não havendo que se falar na imposição de que tal despesa fosse deduzida antes da efetiva ocorrência. A própria Receita Federal já havia se manifestado para situações exatamente idênticas a presente, no o Parecer COSIT n° 09/2012. O mérito da exigência fiscal em questão ("IOF") fora objeto de debate em discussão judicial via oposição de Embargos à Execução, autuado sob o n° 2008.61.26.0041506, não havendo reconhecimento da despesa pela impugnante. A expectativa decorrente da discussão judicial desobrigou que o débito fosse objeto de provisão até o exercício de 2009, momento em que incluído no parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, conforme normas contábeis vigentes. O regime de caixa, no âmbito do Imposto de Renda, estabelece que as receitas e os custos operacionais apenas são reconhecidos nas contas de resultado do contribuinte quando recebidos e pagos em dinheiro. A adoção do regime de caixa, em situações peculiares, não se revela em quebra indevida do regime de competência, mas propriamente em uma justiça fiscal, na medida em que os tributos discutidos judicialmente são obrigações fiscais sem data definida para pagamento e que possuem incerteza em relação à sua ocorrência, a depender da decisão do Poder Judiciário definitiva. Assim, as despesas em discussão judicial não reúnem condições para serem reconhecidas e deduzidas, já que não são definitivas e devidas, enquanto perdurar a lide. A pessoa jurídica que considera o tributo indevido e o contesta judicialmente não pode contabilizar a despesa como devida, pois se assim o fizer, além de incorreta e incoerente, seria conflitante com o sistema, pois o contribuinte irá deduzir uma despesa que eventualmente jamais poderá acontecer. Mostra-se equivocada a posição da Autoridade Fiscal, ao entender que ainda que pendente a discussão judicial sobre a exigência do tributo, a impugnante deveria ter registrado a despesa e deduzido na apuração do Imposto de Renda, pois; repisa-se, trata-se de uma situação indefinida, cuja despesa poderá nunca ocorrer. Caso o entendimento fosse diverso, que a impugnante tivesse deduzido a despesa durante a discussão judicial, sem que tivesse havido o efetivo pagamento do tributo, seria o caso de redução indevida do lucro real, pois permaneceria com o recurso público que deixaria de recolher, deduzindo, ainda, os valores não pagos do resultado apurado para fins de cálculo do imposto de renda, caracterizando dupla vantagem. Mesmo tivesse sido provisionado em exercícios anteriores ao do seu pagamento (no ano de 2009), o mesmo seria objeto de adição no Lucro Real no momento de sua provisão como despesa não dedutível. Assim, no momento do efetivo pagamento da obrigação, o valor adicionado no lucro real em períodos anteriores seria objeto de exclusão na apuração do lucro real no período em que efetivamente realizado o pagamento, qual seja, em 30 de novembro de 2009, fato que teria o mesmo efeito como se o débito em questão tivesse sido apropriado e pago da forma que a impugnante procedeu. A Autoridade Fiscal pautou a lavratura do auto baseada em apenas um ponto: a ocorrência de decadência pelo fato da impugnante não ter se apropriado da despesa quando do lançamento originário. O único argumento está lastreado em uma premissa absolutamente incorreta, e que transpira um certo grau de absenteísmo por parte da Autoridade Fiscal quanto a legislação processual brasileira: a de que os Embargos à Execução não se constitui em forma de contestação do crédito tributário. A Autoridade Fiscal confunde Embargos à Execução, com Embargos de Declaração e o mesmo com Exceção de Pré-Executividade, os quais, como se sabe, possuem natureza jurídica absolutamente distintas. O mais grave é de que se parte da premissa de que os Embargos não são medida autônoma. A Fiscalização se equivocou ao entender que os Embargos à Execução Fiscal não é uma ação que busca a desconstituição judicial do crédito tributário. Os Embargos à Execução, além de possuir a natureza de ação autônoma, é o meio por excelência para se discutir em juízo a cobrança executiva, fundada em uma decisão proferida no âmbito administrativo. Mais especificamente, a discussão para hipótese debatida nos autos do Processo Administrativo em referência, tem-se que o fato da IMPUGNANTE ter ajuizado, tempestivamente, seus competentes Embargos à Execução para discutir o mérito da exigência fiscal objeto do Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 constitui demonstração suficiente quanto ao afastamento do instituto da decadência do direito desta contabilizar os custos incorridos. A decadência, por natureza, é a penalização pela inércia, no exercício de um direito. Tal hipótese não ocorre no parcelamento, mencionado no Acórdão supramencionado, tampouco quando há discussão de mérito em ação proposta perante o Poder Judiciário. O prazo decadencial para dedutibilidade somente poderia ser computado quando se tornasse definitiva a despesa, tendo em vista a oposição dos Embargos visando contestar a relação jurídica tributária com o Fisco, o prazo decadencial somente pode ser computado a partir do trânsito em julgado de eventual decisão desfavorável ou no momento em que for reconhecida como despesa, o que somente ocorreu por ocasião da adesão ao parcelamento instituído pelo REFIS. Demonstrada a inocorrêncía do decurso do prazo decadencial, deverá ser reconhecido o direito da impugnante deduzir do exercício de 2009 o montante pago para quitação do débito de "IOF" consubstanciado no Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 Execução Fiscal n° 2008.61.26.0041488, quando da adesão ao Programa de Parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, cancelando-se integralmente a Autuação Fiscal ora combatida. Após os argumentos relatados acima, sobreveio acordão nº 12-062.455 da lavra da 15ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 687/708), a qual julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, mantendo o crédito tributário exigido, nos seguintes termos de sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES NA PESSOA OU NO DOMICÍLIO DO PROCURADOR. Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa ou no domicílio profissional do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 REGIME DE COMPETÊNCIA. APROPRIAÇÃO DE DESPESAS. As despesas relativas a tributos que não estão com a exigibilidade suspensa devem ser apropriadas segundo o regime de competência, para que se possa assegurar a dedutibilidade das mesmas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 27/12/2013 (fl. 710), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário 28/01/2014 (fl. 713/746), no qual apresentou, em seu mérito, os mesmos fundamentos levantados em sua impugnação, os quais já foram vislumbrados. É o relatório.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1288; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 765          1 764  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10805.720018/2013­42  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.369  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  24 de março de 2015  Assunto  DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS  Recorrente  PARANAPANEMA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.   (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Alberto  Pinto  Souza  Junior (Presidente), Helio Eduardo de Paiva Araujo, Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha  e Marcio Rodrigo Frizzo.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 01 8/ 20 13 -4 2 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/2013­42  Resolução nº  1302­000.369  S1­C3T2  Fl. 766          2   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  sobre  à  dedução  da  despesa  realizada  pelo  recorrente na apuração do seu  lucro contábil do ano de 2009,  relativa ao pagamento do  IOF,  juros e encargos, referentes ao processo n° 13805.014225/9636, no valor principal do IOF de  R$ 62.509.961,68, juros de R$ 262.163.406,19 e encargos de R$ 74.311.145,10, pois a referida  despesa era relativa a anos anteriores ao ano de 2009, sendo que o IOF devido era relativo ao  ano de 1993, lançado em 1996, tendo sido definitivamente constituído em 28/07/2003, quando  o recorrente tomou ciência da decisão do Conselho de Contribuintes. Os encargos  incidentes  sobre a cobrança da dívida pela PGFN, eram existentes desde 2003, quando o citado processo  foi enviado para aquele órgão, após a ciência da decisão do Conselho tomada pelo fiscalizado  em 28/07/2003.  O AFRFB entendeu que o recorrente deveria ter contabilizado em 28/07/2003 as  despesas correspondentes ao valor do principal do IOF lançado através do citado processo, no  valor  de  R$  62.509.961,68,  bem  como  da  multa  e  dos  juros  incidentes  até  aquela  data,  independente do pagamento das mesmas, e não realizando a contabilização das despesas teria  sido desrespeitado o princípio da competência e prudência.  O  recorrente  frente  aos  argumentos  levantados  pelo  AFRFB  em  data  de  18/02/2013 apresentou impugnação (fls. 599/624), dispondo em síntese:  a)  Embora  a  impugnante  estivesse  contestando  administrativa  e  judicialmente  a  cobrança,  era­lhe  vedada  a  apropriação  da  despesa  no  momento  em que  renunciou à discussão  judicial  e efetuou o pagamento do  tributo via "REFIS".  b)  Embora se tratasse de uma questão singela, na medida em que a despesa  se  reconhece  a  partir  do  momento  em  que  não  há  mais  contestação  do  montante  exigido,  a Autoridade Fiscal  empreendeu  uma  simplista  visão  do  regime de competência.  c)  O artigo 6º, parágrafos quarto e sexto, do Decreto­lei n° 1.598/77 previa  que  os  valores  originados  em  certos  períodos,  e  que  fossem,  por  determinadas razões, apropriados em exercícios subsequentes, em virtude de  eventos  que  não  permitissem  o  reconhecimento  da  despesa,  não  poderiam  empacar o período de competência originário.  d)  Na medida em que as despesas de R$ 445.866.870,62, correspondentes a  R$  62.509.961,68  do  Principal,  R$  46.882.357,65  da Multa  de  Ofício,  R$  262.163.406,19  de  Juros  e  R$  74.311.145,10  de  encargos,  não  foram  consideradas  no  período  relativo  às  suas  ocorrências,  conquanto  a  impugnante  estivesse  discutindo  administrativa  e  judicialmente  o  débito  lançado, sendo tais despesas registradas apenas no ano de 2009 por ocasião  do pagamento realizado pela impugnante e, portanto, deduzidas somente no  momento em que reconhecida a referida despesa.  Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/2013­42  Resolução nº  1302­000.369  S1­C3T2  Fl. 767          3 e)  O  embasamento  legal  a  respaldar  o  entendimento  da  impugnante  se  encontra previsto no artigo 6º , §§ 4º e 6º , do Decreto­Lei n° 1.598/77, bem  como no artigo 247, do Decreto n° 3.000/99.  f)  O  mérito  da  exigência  fiscal  encontrava­se  em  discussão  judicial,  não  havendo que se falar na imposição de que tal despesa fosse deduzida antes da  efetiva ocorrência.  g)  A  própria  Receita  Federal  já  havia  se  manifestado  para  situações  exatamente idênticas a presente, no o Parecer COSIT n° 09/2012.  h)  O mérito da exigência fiscal em questão ("IOF") fora objeto de debate em  discussão  judicial via oposição de Embargos à Execução, autuado sob o n°  2008.61.26.0041506,  não  havendo  reconhecimento  da  despesa  pela  impugnante. A expectativa decorrente da discussão judicial desobrigou que o  débito  fosse  objeto  de  provisão  até  o  exercício  de  2009, momento  em  que  incluído  no  parcelamento  instituído  pela  Lei  11.941/09,  conforme  normas  contábeis vigentes.  i)  O  regime  de  caixa,  no  âmbito  do  Imposto  de Renda,  estabelece  que  as  receitas  e  os  custos  operacionais  apenas  são  reconhecidos  nas  contas  de  resultado do contribuinte quando recebidos e pagos em dinheiro.  j)  A adoção do regime de caixa, em situações peculiares, não se revela em  quebra  indevida  do  regime  de  competência,  mas  propriamente  em  uma  justiça  fiscal,  na  medida  em  que  os  tributos  discutidos  judicialmente  são  obrigações fiscais sem data definida para pagamento e que possuem incerteza  em  relação  à  sua  ocorrência,  a  depender  da  decisão  do  Poder  Judiciário  definitiva.  k)  Assim,  as  despesas  em  discussão  judicial  não  reúnem  condições  para  serem  reconhecidas  e  deduzidas,  já  que  não  são  definitivas  e  devidas,  enquanto perdurar a lide.  l)  A  pessoa  jurídica  que  considera  o  tributo  indevido  e  o  contesta  judicialmente não pode contabilizar a despesa como devida, pois se assim o  fizer, além de incorreta e incoerente, seria conflitante com o sistema, pois o  contribuinte  irá  deduzir  uma  despesa  que  eventualmente  jamais  poderá  acontecer.  m) Mostra­se  equivocada  a  posição  da  Autoridade  Fiscal,  ao  entender  que  ainda  que  pendente  a  discussão  judicial  sobre  a  exigência  do  tributo,  a  impugnante  deveria  ter  registrado  a  despesa  e  deduzido  na  apuração  do  Imposto de Renda, pois;  repisa­se,  trata­se de uma situação  indefinida, cuja  despesa poderá nunca ocorrer.  n)  Caso o entendimento fosse diverso, que a impugnante tivesse deduzido a  despesa  durante  a  discussão  judicial,  sem  que  tivesse  havido  o  efetivo  pagamento  do  tributo,  seria  o  caso  de  redução  indevida  do  lucro  real,  pois  permaneceria  com  o  recurso  público  que  deixaria  de  recolher,  deduzindo,  Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/2013­42  Resolução nº  1302­000.369  S1­C3T2  Fl. 768          4 ainda,  os  valores  não  pagos  do  resultado  apurado  para  fins  de  cálculo  do  imposto de renda, caracterizando dupla vantagem.  o)  Mesmo  tivesse  sido  provisionado  em  exercícios  anteriores  ao  do  seu  pagamento (no ano de 2009), o mesmo seria objeto de adição no Lucro Real  no  momento  de  sua  provisão  como  despesa  não  dedutível.  Assim,  no  momento  do  efetivo  pagamento  da  obrigação,  o  valor  adicionado  no  lucro  real em períodos anteriores seria objeto de exclusão na apuração do lucro real  no período em que efetivamente realizado o pagamento, qual seja, em 30 de  novembro  de  2009,  fato  que  teria  o  mesmo  efeito  como  se  o  débito  em  questão tivesse sido apropriado e pago da forma que a impugnante procedeu.  p)  A Autoridade  Fiscal  pautou  a  lavratura  do  auto  baseada  em  apenas  um  ponto:  a  ocorrência  de  decadência  pelo  fato  da  impugnante  não  ter  se  apropriado da despesa quando do lançamento originário.  q)  O  único  argumento  está  lastreado  em  uma  premissa  absolutamente  incorreta,  e  que  transpira  um  certo  grau  de  absenteísmo  por  parte  da  Autoridade  Fiscal  quanto  a  legislação  processual  brasileira:  a  de  que  os  Embargos  à Execução não  se  constitui  em  forma de  contestação do crédito  tributário.  r)  A Autoridade Fiscal confunde Embargos à Execução, com Embargos de  Declaração e o mesmo com Exceção de Pré­Executividade, os quais, como se  sabe, possuem natureza jurídica absolutamente distintas.  s)  O mais grave é de que se parte da premissa de que os Embargos não são  medida autônoma. A Fiscalização se equivocou ao entender que os Embargos  à  Execução  Fiscal  não  é  uma  ação  que  busca  a  desconstituição  judicial  do  crédito tributário.  t)  Os Embargos à Execução, além de possuir a natureza de ação autônoma, é  o  meio  por  excelência  para  se  discutir  em  juízo  a  cobrança  executiva,  fundada  em  uma  decisão  proferida  no  âmbito  administrativo.  Mais  especificamente,  a  discussão  para  hipótese  debatida  nos  autos  do  Processo  Administrativo  em  referência,  tem­se  que  o  fato  da  IMPUGNANTE  ter  ajuizado,  tempestivamente,  seus  competentes  Embargos  à  Execução  para  discutir  o mérito  da  exigência  fiscal  objeto  do  Processo Administrativo  n°  13805.014225/9636 constitui demonstração suficiente quanto ao afastamento  do instituto da decadência do direito desta contabilizar os custos incorridos.  u)  A decadência, por natureza, é a penalização pela inércia, no exercício de  um  direito.  Tal  hipótese  não  ocorre  no  parcelamento,  mencionado  no  Acórdão  supramencionado,  tampouco  quando  há  discussão  de  mérito  em  ação proposta perante o Poder Judiciário.  v)  O prazo decadencial para dedutibilidade somente poderia ser computado  quando  se  tornasse  definitiva  a  despesa,  tendo  em  vista  a  oposição  dos  Embargos visando contestar a relação jurídica tributária com o Fisco, o prazo  decadencial somente pode ser computado a partir do trânsito em julgado de  eventual decisão desfavorável ou no momento em que for reconhecida como  Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/2013­42  Resolução nº  1302­000.369  S1­C3T2  Fl. 769          5 despesa,  o  que  somente  ocorreu  por  ocasião  da  adesão  ao  parcelamento  instituído pelo REFIS.  w) Demonstrada a inocorrêncía do decurso do prazo decadencial, deverá ser  reconhecido  o  direito  da  impugnante  deduzir  do  exercício  de  2009  o  montante  pago  para  quitação  do  débito  de  "IOF"  consubstanciado  no  Processo  Administrativo  n°  13805.014225/9636  Execução  Fiscal  n°  2008.61.26.0041488,  quando  da  adesão  ao  Programa  de  Parcelamento  instituído pela Lei 11.941/09, cancelando­se integralmente a Autuação Fiscal  ora combatida.  Após os argumentos relatados acima, sobreveio acordão nº 12­062.455 da lavra  da 15ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 687/708), a qual julgou improcedente a impugnação da ora  recorrente, mantendo o crédito tributário exigido, nos seguintes termos de sua ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2013  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  INTIMAÇÕES NA PESSOA  OU NO DOMICÍLIO DO PROCURADOR.  Não  encontra  amparo  legal  nas  normas  do  Processo  Administrativo  Fiscal a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa ou  no domicílio profissional do procurador.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário: 2009  REGIME DE COMPETÊNCIA. APROPRIAÇÃO DE DESPESAS.  As  despesas  relativas  a  tributos  que  não  estão  com  a  exigibilidade  suspensa  devem  ser  apropriadas  segundo  o  regime  de  competência,  para que se possa assegurar a dedutibilidade das mesmas.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Intimada  da  decisão  supratranscrita  em  27/12/2013  (fl.  710),  a  recorrente  apresentou,  então,  recurso  voluntário  28/01/2014  (fl.  713/746),  no  qual  apresentou,  em  seu  mérito,  os  mesmos  fundamentos  levantados  em  sua  impugnação,  os  quais  já  foram  vislumbrados.  É o relatório.  Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/2013­42  Resolução nº  1302­000.369  S1­C3T2  Fl. 770          6     Voto:  Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo.  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de  admissibilidade, então dele conheço.  O presente auto de infração traz à baila a discussão sobre o momento em que o  contribuinte deve lançar em sua contabilidade para fins de apuração do IRPJ pelo lucro real as  suas despesas.  Conforme  já  ventilado  acima,  a  autuação  se  refere  à  dedução  da  despesa  realizada  pelo  recorrente  na  apuração  do  seu  lucro  contábil  do  ano  de  2009,  relativa  ao  pagamento do IOF, juros e encargos, referentes ao processo n° 13805.014225/96­36, no valor  principal  do  IOF  de  R$  62.509.961,68,  juros  de  R$  262.163.406,19  e  encargos  de  R$  74.311.145,10, pois a referida despesa era relativa a anos anteriores ao ano de 2009, sendo  que o IOF devido era relativo ao ano de 1993, lançado em 1996, tendo sido definitivamente  constituído  em  28/07/2003,  quando  o  recorrente  tomou  ciência  da  decisão  do  Conselho  de  Contribuintes.   O AFRFB por entender que as despesas deveriam ser lançadas na contabilidade  da  recorrente  no  ano­calendário  de  sua  constituição  definitiva,  ou  seja,  quando  o  recorrente  tomou ciência da decisão final do Conselho de Contribuintes (28/07/2003), glosou as despesas  e lançou o presente auto de infração.  Isto pois, segundo o Fisco, o recorrente não teria tomado qualquer medida a fim  de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  lançado  através  do  processo          n°  13805.014225/9636,  nos  termos  do  art.  151,  do  CTN,  pelo  que  tal  débito  teria  se  tornado  definitivo  quando  da  ciência  da  decisão  final  administrativa,  em  28/07/2003,  nos  termos  seguintes (fls. 580):  Não tendo o contribuinte fiscalizado tomado qualquer medida prevista  no  art.  151  do  CTN  que  suspendesse  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  lançado  através  do  processo  nº  13805.014225/96­36,  logo  após  ter  tomado  ciência  do  recurso  voluntário  em  28/07/2003,  este  crédito tornou­se definitivo nessa data. Em 28/07/2003 o contribuinte  fiscalizado deveria ter contabilizado as despesas correspondentes (...).  Contudo, ao analisar os autos, nota­se que a  recorrente protocolou embargos à  execução, autuados sob o n.º 2008.61.26.004150­6 (Seção Judiciária de São Paulo), buscando  suspender a execução da dívida relatada acima, nos termos consignados pelo próprio AFRFB  em seu TVF, conforme excerto abaixo (fls. 580):  (...) Por  fim o  fiscalizado alegou,  através  do  seu  jurídico,  que  tomou  ciência da inscrição em dívida ativa do débito relativo ao processo n.º  13805.014225/96­36  apenas  em  2005,  e  que  impetrou  a  ação  nº  Fl. 770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/2013­42  Resolução nº  1302­000.369  S1­C3T2  Fl. 771          7 2008.61.26.004150­6  de  Embargos  à  Execução  para  suspender  a  execução desta dívida. (grifo não original)  Portanto,  em  face  dessas  considerações,  a  fim  de  prestigiar  o  princípio  da  verdade  material,  bem  como  para  não  ofender  o  interesse  público  na  correta  aplicação  da  legislação  tributária,  entendo  cabível  converter  o  julgamento  em  diligência,  a  fim  de  que  o  AFRFB verifique:  a) Se os Embargos à Execução nº 2008.61.26.004150­6 (Seção Judiciária de São  Paulo) foram recebidos com efeitos suspensivos;  b) Se a execução fiscal na qual se cobrava a obrigação tributária lançada através  do  processo  administrativo  n.º  13805.014225/96­36  não  teve  declarada  sua  suspensão por motivo de protocolo de recurso ou qualquer outra razão;  c)  Após,  que  o  agente  fiscal  emita  parecer  conclusivo  esclarecendo  tais  circunstâncias, evidenciando se em algum momento processual a execução fiscal  na  qual  se  cobrava  a  obrigação  tributária  lançada  através  do  processo  administrativo  n.º  13805.014225/96­36  teve  seu  desenrolar  suspenso  por  qualquer motivo e por qual período.  Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para  que,  sendo  de  seu  interesse, manifeste­se  da  forma  que  entender  adequada,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias.  Após,  com  ou  sem  manifestação,  seja  o  feito  devolvido  a  este  Conselho,  que  deverá julgá­lo incontinenti.  Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos  do relatório e voto.  (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo ­ Relator    Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO

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Numero do processo: 15504.002105/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.254.071-6. Consolidados em 18/02/2010 PLR. DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. No caso em tela parte dos pagamentos efetuados e não lançadas nas folhas de pagamento foram reconhecidos em sua contabilidade como Participação nos Resultados, porém trata-se na verdade de produção e outros benefícios pagos mensalmente, o que os desqualificam como participação nos resultados, sendo que os pagamentos eram mensais; parte dos recibos de pagamentos comprovam que os valores escriturados como participação nos resultados nada mais é que uma tentativa de reconhecimento contábil das despesas/custos referentes aos pagamentos não lançados nas folhas de pagamento e portanto não oferecidos à tributação pela empresa. Considerando que o procedimento contábil se repetiu em todo o período fiscalizado, a denúncia do Ministério Público do Trabalho, os depoimentos de ex-empregados em processos trabalhistas, a fiscalização formou convicção de que a conduta aconteceu em todo o período fiscalizado. Dessa forma, foram lançadas contribuições previdenciárias no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007 com base nos lançamentos contábeis da conta Participação nos Lucros ou Resultados. Assim, havendo lançamento previdenciário correto, em face de não acudir a determinação legal Lei nº 10.101/2000, está a recorrente sujeita ao mesmo, por descumprimento da obrigação principal, culminando também o dever de honrar com a obrigação principal. BIS IN IDEM. Não configuração. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA     2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos: a) em  negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).    (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Wilson Antonio de Souza Corrêa ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente),  Adriano  Gonzáles  Silvério,  Wilson  Antonio  de  Souza  Correa,  Daniel  Melo  Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral.   Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.002105/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.153  S2­C3T1  Fl. 3          3 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário para anatematizar Acórdão sob nº 02­32.834  exarado pela 6ª Turma da DRJ/BH que manteve na íntegra o lançamento realizado no Auto de  Infração integrante do presente processo administrativo.  De acordo com os elementos constitutivos do presente processo, a Recorrente  foi  autuada  por  deixar  de  lançar  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade  as  remunerações  pagas a empregados a título de "avulso", "produção", "D/R".  Em  decorrência  de  circunstância  agravante,  conforme  o  inciso V  do  artigo  290 do Regulamento da Previdência Social  ­ RPS,  aprovado pelo Decreto n° 3l048, de 6 de  maio de 1999, a multa, prevista no artigo 92 da Lei n° 8.212, de 24 de  julho de 1991, c/c o  artigo  283,  inciso  II,  "a",  do mesmo Regulamento,  com  as  atualizações  dadas  pela  Portaria  MPS/MF  n°  350,  de  30.12.2009  (DOU  de  31.12.2009),  foi  agravada  em  3  (três)  vezes,  resultando no valor de R$ 42.323,31 (quarenta e dois mil e trezentos e vinte e três reais e trinta  e um centavos).  A agravante, conforme Relatório Fiscal de fl. 05 correspondeu à lavratura de  autos  de  infração  de  obrigações  acessórias,  um  deles  com  o mesmo  tipo  legal  do  presente,  lavrados em ação fiscal anterior, com trânsitos em julgado em 06.06.2005.  Tomou  ciência  do  lançamento  e  o  impugnou,  sendo  que  em  sessão  de  julgamento DRJ/BH manteve o lançamento em sua integralidade.  Em 17 de maio de 2012 foi notificada da decisão de piso e no dia 11 de junho de  2012 aviou o presente recurso objurgando a decisão de piso.  É a síntese do necessário.   Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA     4 Voto             Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa ­ Relator  O  Recurso  acode  os  pressupostos  de  admissibilidade,  inclusive  a  tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo a examinar as suas razões.  Irresignada  com  a  decisão  de  piso  avia  a  presente  peça  recursiva  com  as  seguintes alegações:  ‘BIS IN IDEN’ – APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA  Alega  em  sua  peça  recursiva  que  está  plenamente  caracterizado  o  ‘bis  in  iden’,  porque,  assim  como  em  outros  6  DEBCAD’s  houve  aplicação  de  multa  idêntica  originária  de  um mesmo  fato,  sendo que  em  alguns  foram  aplicados  valores  exorbitantes  de  mais de 300 mil reais e noutro de 3 mil reais.  Para a Recorrente, nos  termos do artigo 112 do CTN a  legislação  tributária  que define  infração a  interpreta de maneira mais  favorável  ao  contribuinte acusado. E, neste  diapasão,  segundo  ela,  isto  deverá  ser  realizado  no  presente  caso,  aplicando  a  multa  mais  branda, aplicando­se­lhe a multa menos gravosa, ou seja, a do DEBCAD nº 37.254.073­2.  Junta jurisprudência.  A  impugnação  de  fls.  114  à  132  dos  autos  não  trouxe  matéria  com  esta  alegação,  razão  pela  qual  deixo  de  analisar  por  considerar  que  é  inovação  defensiva,  sem  conduto, passar pelo crivo julgador de primeira instância, configurando supressão de instância.  De  mais  a  mais,  segundo  o  Decreto  70.235/72,  matéria  não  contestada  considera­se não impugnada. ‘Ex vi’ artigo 17:       Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.  Não impugnada há aceitação tácita, fazendo coisa julgada o lançamento.  Deixo de  apreciar  a  alegação  recursiva,  neste quesito,  porque  seria  suprir  a  competência da instância primeira.  INEXISTÊNCIA  DA  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  SE  INEXISTE  A  OBRIGAÇÃO PRINCIPAL   Diz  a  Recorrente  que  está  imune  ao  pagamento  de  contribuição  previdenciária incidente sobre o seu PPR, que seria a obrigação principal, razão pela qual não  pode ser condenada a pagar a obrigação acessória.  Alega  que  a  autuação  fiscal  está  eivada,  eis  que  se  baseou  em  meras  presunções de que realizava pagamento de PPR em dinheiro.  Entretanto, não é assim. Vamos algumas questões levantadas e provadas pela  fiscalização:  Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.002105/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.153  S2­C3T1  Fl. 4          5 · 4.6.2  Parte  dos  pagamentos  efetuados  e  não  lançadas  nas  folhas  de  pagamento  foram  reconhecidos  em  sua  contabilidade  como  Participação nos Resultados, porém trata­se na verdade de produção e  outros  benefícios  pagos mensalmente,  o  que  os  desqualificam  como  participação nos resultados:  · ­ pela documentação apreendida conclui­se que os pagamentos eram  mensais;  · ­  a  empresa não  demonstrou  que o  programa  está  em  conformidade  com  a  Lei  10.101/2000  (faltou  demonstrar  as  aferições  e  não  comprovou  que  os  pagamentos  ocorreram  nos  meses  em  que  aconteceram os lançamentos contábeis de junho e dezembro);  · ­ pela documentação apreendida conclui­se que os pagamentos eram  mensais;  · ­  parte  dos  recibos  de  pagamentos  comprovam  que  os  valores  escriturados  como participação  nos  resultados  nada mais  é que  uma  tentativa  de  reconhecimento  contábil  das  despesas/custos  referentes  aos pagamentos não lançados nas folhas de pagamento e portanto não  oferecidos à tributação pela empresa;  Dessa forma a fiscalização procedeu ao lançamento dos valores referentes à  documentação apreendida da seguinte forma:  · ­  Recibos  com  identificação  de  alguma  rubrica  que  compõe  as  planilhas  com  o  título  de  Participação  nos  Resultados  (Avulso,  Produção, Gratificação, D/R), foram lançados como Produção.  · ­  Demais  recibos:  foram  lançados  como  outras  remunerações  sem  relação com a participação nos resultados.  Considerando  que  o  procedimento  contábil  se  repetiu  em  todo  o  período  fiscalizado, a denúncia do Ministério Público do Trabalho, os depoimentos de ex­empregados  em  processos  trabalhistas,  a  fiscalização  formou  convicção  de  que  a  conduta  descrita  acima  aconteceu  em  todo  o  período  fiscalizado.  Dessa  forma,  foram  lançadas  contribuições  previdenciárias no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007 com base nos lançamentos  contábeis da conta Participação nos Lucros ou Resultados.  Assim, havendo lançamento previdenciário correto, em face de não acudir a  determinação  legal  9Lei  nº  10.101/2000),  está  a  recorrente  sujeita  ao  mesmo,  por  descumprimento  da  obrigação  principal,  culminando  também  o  dever  de  honrar  com  a  obrigação principal.  PLANO DE SAÚDE  Desenvolve  em sua peça  recursiva,  de  forma até perfulgente,  a  tese de que  houve revogação tácita do artigo 28, § 9º , ‘q” da Lei 8.212/91, pela Lei nº 10.243/2001, que  acrescentou o§ 2º do artigo 458 da CLT.  Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA     6 Diz que a legislação previdenciária trata o conceito de remuneração de forma  abrangente,  ao  passo  que  a  novel  legislação  trabalhista,  por  ser  mais  especifica,  exclui  o  pagamento de plano de saúde do conceito de salário e de remuneração.  Tenho, pelas conclusões legais sobre o tema, que a tese é acertada,  todavia,  esbarra  no  fato  que  o  plano  de  saúde  não  integra  o  salário­de­contribuição,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados  e  dirigentes.  Diferente  do  que  nos  trás  a  fiscalização:  4.  6  .  3  Os  valores  pagos  a  Plano  de  Saúde  para  alguns  empregados/sócios  constituem  em  base  de  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  pois  o  benefício  não  estende  à  totalidade de seus empregados/sócios;  Deveria a Recorrente em sua impugnação demonstrar que os planos de saúde  estavam  disponíveis  à  todos,  aderindo  que  os  desejasse.  Entretanto,  não  há  nos  autos  a  demonstração que assim era o procedimento da Recorrida, ficando óbvio que o plano de saúde  oferecido a alguns membros da direção, não era disponível a todos os funcionários.  Concluir que não há a hipótese descrita na Lei 8.212/91, art. 28, inciso I, §9º,  alínea  "p",  devendo  ser  mantido  no  presente  lançamento  os  valores  apurados  referentes  a  “plano de saúde”.  CONCLUSÃO  Diante  do  acima  exposto,  como  o  presente  recurso  voluntário  atende  os  pressupostos de admissibilidade, dele conheço para NEGAR­LHE PROVIMENTO, porque a  multa  aplicada  encontra­se  em consonância  com a  legislação, mormente  a  aplicação de  a  lei  aplicada ser a mais benéfica ao Recorrente.  É como Voto.  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA ­ Relator  (assinado digitalmente)                            Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA

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Numero do processo: 13746.000113/99-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DOS DÉBITOS A COMPENSAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se considera tacitamente homologada, mesmo após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data do protocolo, a compensação objeto de pedido, no qual não se encontrem discriminados os débitos a serem compensados. PRESCRIÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA. NÃO ANALISADA. Não se analisa em sede de recurso voluntário alegação de prescrição declarada na esfera judicial de débitos inscritos em dívida ativa da União. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 938          1 937  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13746.000113/99­00  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.633  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de março de 2015  Matéria  PIS ­ Restituição e Compensação  Recorrente  ATREVIDA EMPRESA DE TRANSPORTES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995  PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO  Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente  antes  de  9  de  junho  de  2005,  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional  de  10  (dez)  anos,  contado  do  fato gerador.   PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  RELAÇÃO  DOS  DÉBITOS  A  COMPENSAR.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA  DA  COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  Não se considera tacitamente homologada, mesmo após o transcurso do prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  do  protocolo,  a  compensação  objeto  de  pedido,  no  qual  não  se  encontrem  discriminados  os  débitos  a  serem  compensados.  PRESCRIÇÃO.  DÉBITOS  INSCRITOS  EM  DÍVIDA  ATIVA.  NÃO  ANALISADA.  Não  se  analisa  em  sede  de  recurso  voluntário  alegação  de  prescrição  declarada na esfera judicial de débitos inscritos em dívida ativa da União.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente julgado.   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 01 13 /9 9- 00 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 939          2 Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  conselheiros:  Mônica  Elisa  de  Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto  Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).                                                              Fl. 939DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 940          3 Relatório    Por  bem  relatar  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento de Curitiba – PR:  1  Trata­se  no  processo  de  pedido  de  compensação  de  créditos  da  Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente a pagamentos  que teriam sido recolhidos de forma indevida ou a maior e relativos aos períodos de  apuração  janeiro  de 1989 a  setembro  de 1995  (PA 01/89  a 09/95), com débitos,  segundo a petição  acostada  à.  inicial,  do próprio PIS, COFINS, C.SOCIAL e  IR,  vincendos a partir de março de 1999.  2 Juntamente com o requerimento do interessado, foram por ele anexados: a  planilha  "Recuperação  de  Créditos"  de  fls.  02/03;  formulários  pedidos  de  compensação às  fls. 04/05, nos quais  informou­se o crédito  requerido no valor de  R$ 1.016.512,94 e não se especificou os débitos a compensar; cópia de documento  de identidade, procuração, alteração contratual e cartão no CNPJ, fls. 06/11; cópia  de  peças  originadas  do  Mandado  de  Segurança  (MS)  n°  88.0025182­0/RJ,  fls.  12/91; cópia de Darf's e da DIRPJ/98 e confirmação de pagamentos, fls. 92/129.  3 À fl. 130, Intimação n° 140/2002,  lavrada pela unidade local de jurisdição  do  interessado,  solicitando  a  apresentação  de  pedido  de  compensação,  a  contemplar os débitos a serem compensados devidamente relacionados. Cientificado  da referida  Intimação em 17/06/2002, o  requerente no promoveu a anexação dos  documentos solicitados (cf. fls. 131/132).  4  Posteriormente,  o  contribuinte  requer  no  documento  de  fls.  134/135,  recepcionado em 02/07/2005, o  reconhecimento do direito  creditório pleiteado e  a  homologação da compensação "nos termos das DCTF's já apresentadas".  5 As fls. 136/227, procuração, alteração contratual,  cópia de peças extraídas  do MS  no  88.0025182­0/RJ.  As  fls.  228/284,  cópia  da  planilha  "Recuperação  de  Créditos"  e  de  Darf's  da  contribuição  para  o  PIS.  As  fls  285/295,  Intimação  n°  409/2005,  Aviso  de  Recebimento,  cópia  de  procuração,  alteração  contratual  e  resposta  do  contribuinte  com  a  apresentação  da  certidão  de  objeto  e  pé  solicitada  pela  referida  Intimação. As  fls.  296/297,  pesquisa  contendo  decisão  prolatada  nos  autos  do Agravo  de  Instrumento  n°  2000.02.01.050846­6/TRF­2a. Regido. As  fls.  298/415,  pesquisa  nos  sistemas  informatizados  da  RFB:  CNPJ,  IRPJ,  DCTF­OL,  SINCOR/TRATAPAGTO.  As  fls.  417/418,  planilha  "PIS  Valores  Pagos",  Ano­ base:  1994.  As  fls.  419/421,  despacho  da  Seort/DRF/Nova  Iguaçu  solicitando  diligência  à  fiscalização  (Sapac)  da  mesma  DRF.  As  fls.  422/425,  resposta  da  Sapac/DRF/Nova  Iguaçu.  As  fls.  426/431,  novo  despacho  da  Seort/DRF/Nova  Iguaçu reiterando a diligência solicitada, solicitação de vista do processo da empresa  requerente, cópia de procuração e documento de  identidade do procurador. As  fls.  433/560,  peças  que  instruem  a  diligência  requerida  com  Informação  Fiscal  as  fls.  561/563. Termo de Juntada às fls. 133, 416 e 432.  6  Pronunciando­se  às  fls.  565/569  a  respeito  da  compensação  pleiteada  pelo interessado, a autoridade local (DRF/Nova Iguaçu/RJ) exarou o Parecer Seort  n° 341/2007 e Despacho Decisório, com os seguintes fundamentos:  Fl. 940DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 941          4 a) o presente processo  trata de pedido de  restituição,  seguido de pedido de  compensação,  referentes  a  valores  recolhidos  a  titulo  de  PIS  para  os  fatos  geradores apurados conforme a sistemática prevista nos Decretos­leis n's 2.445/88  e 2.449/88,  quando,  conforma  alega  o  contribuinte,  deveria  ter  sido  recolhida  a  contribuição de acordo com a Lei Complementar (LC) n° 07/70;  b)  o  Senado  Federal,  por meio  da  Resolução  n°  49  (DOU  de  10/10/1995),  suspendeu  a  execução  dos  Decretos­leis  n's  2.445/88  e  2.449188,  restabelecendo,  assim, o sistema de cálculo do PIS da LC n° 07/70, voltando a serem aplicados todos  os  atos  legais,  normativos  e  administrativos,  relacionados  com  essa  contribuição,  desde  que  em  conformidade  com  a  LC  n°  07/70  e  com  as modificações  nela  introduzidas, à exceção das originadas por esses Decretos­leis;   c) o art. 165 do CTN reconhece o direito à. repetição do indébito, todavia,  este direito deve ser exercido no prazo assinalado pelo art. 168 do mesmo diploma  legal;   d) além disso, se considerado o disposto no Ato Declaratório SRF n° 096,  de  26/11/1999,  fundamentado  no  Parecer  da  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional PGFN/CAT n° 1.538, de 1999, bem como em reiteradas decisões das  Delegacias de Julgamento da RFB, e, notadamente, pela decisão do STF no RE n°  57.310/PB,  é  equivocada  a  jurisprudência  que  define  as  datas  de publicação  do  acórdão  do  STF  e  da Resolução  do  Senado  Federal  como  marcos  iniciais  dos  prazos decadencial ou prescricional do direito de pleitear a restituição de tributo  pago com base em lei declarada inconstitucional;  e)  pode­se  concluir,  portanto,  que  o  direito  de  o  contribuinte  pleitear  a  restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue­ se após o  transcurso  do  prazo  de 5  (cinco)  anos  contados  da  data  da  extinção  do  crédito tributário, mesmo na hipótese de o recolhimento ter sido efetuado com base  em lei posteriormente declarada inconstitucional, pelo que, no caso em questão, em  que são pleiteados direitos creditórios do período de janeiro de 1989 a setembro de  1995, no entanto, só serão analisados os dados a partir de fevereiro de 1994, pois o  presente processo foi protocolado em 19/02/1999 e o prazo para exercer o direito de  pleitear os créditos anteriores a este período foi alcançado pela prescrição (os grifos  estão no original);  f)  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (de  diligência)  n°  0710300­2007­ 00277­6  (fl.  434)  foi  emitido  com  o  objetivo  de  verificar  se  o  contribuinte  é  realmente prestador de serviços e determinar a base de cálculo do PIS, através do  exame de sua escrituração contábil­fiscal;  g) a partir da base de cálculo assim apurada, e calculando­se a diferença entre  o  valor  que  o  contribuinte  recolheu  e  o  exato  valor  a  ser  pago,  restaram  como  pagamentos a maior, para os períodos de fevereiro de 1994 a setembro de 1995, os  valores expressos na Tabela de fl. 568;  h)  por  todos  os  fundamentos  expostos,  defere­se  parcialmente  o  pedido  de  restituição e homologa­se parcialmente a compensação, dando­se continuidade A.  cobrança dos débitos a serem compensados, no objeto de homologação.  7  Ás  fls.  570/614,  pesquisa  e  confirmação  dos  pagamentos  a  restituir  nos  sistemas  •  informatizados  SINAL07,  SINCOR/TRATAPAGTO  e  SIEF.  As  fls.  Fl. 941DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 942          5 615/672, Extrato de Processo no sistema informatizado PROFISC (fls. 615/617 e fls.  665/669),  cópia  de  DCTF's  (fls.  618/629),  Demonstrativo  Analítico  de  Compensação, emissão de Notas de Compensação e Darf's no Sistema SIAFI  (fls.  630/663), Comunicado Seort n° 212/2008 com despacho decisório e Carta­Cobrança  (fls.  670/671),  e  Aviso  de  Recebimento  (AR)  em  13/05/2008,  fl.  672.  A  fl.  664,  Termo de Desapensação.  8 Após cientificado (em 13/05/2008) da decisão da autoridade administrativa  local  de  fls.  565/569,  o  contribuinte,  irresignado,  apresentou,  em  26/05/2008,  a  Manifestação  de  Inconformidade  de  fls.  673/688  e  documentos  anexos  de  fls.  689/797  (documento  de  identidade  do  sócio­administrador  da  empresa  e  29'.  alteração contratual, fls. 689/694; doc. 1 — cópia do Comunicado n° 212/2008, do  Comprovante de Recebimento, do Parecer Seort n° 341/2007 e Despacho Decisório,  fls.  695/672;  doc.  2 —  cópia  de  peças  extraídas  do MS  n°  88.0025182­0/RJ,  fls.  703/737; doc.  3 — cópia de  cartão de processo, pedido de  compensação, planilha  "Recuperação de Créditos",  Intimação n° 409/2005 e Certidão de Objeto e Pé,  fls.  738/749; doc. 4— cópia de DCTF dol° trim. de 1999, fls. 750/758; doc. 5 ­ cópia  de DCTF do 2° trim. de 1999, fls. 759/770; doc. 6 ­ cópia de DCTF do 3° trim.  de 1999, fls. 771/782; Termo de • Encerramento e de Abertura, fls. 783/784; doc.  7­  cópia  de  DCTF  do  4°  trim.  de  1999,  fls.  785/792;  doc.  8  —  cópia  de  Execução Fiscal da Divida Ativa n° 2004.51.10.007370­3/RJ e de Acórdão em  Embargos de Declaração no Agravo n° 2005.02.01.010204­2/RJ, fls. 793/797),  alegando, em síntese, que:  a)  inobstante o  acórdão  do STF  transitado  em  julgado  (em 18/10/1994)  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança  n°  88.0025182­0/RJ,  reconhecendo  o  direito  liquido  e  certo  do  recorrente  de  não  se  sujeitar  ao  indevido  pagamento  da  contribuição para o PIS, tendo em vista a inconstitucionalidade dos Decretos­leis n°s  2.445/88 e 2.449/88, cumpre  lembrar que o Senado Federal editou a Resolução n°  49/1995,  publicada  no  DOU  de  10/10/1995,  suspendendo  definitivamente  a  execução dos referidos Decretos­leis,  suspensão essa com efeito erga omnes  (para  todos os contribuintes) e eficácia ex tunc (desde a data da entrada em vigor da norma  declarada inconstitucional);  b)  diante  do  quadro  acima  delineado,  o  recorrente  passou  a  deter  créditos  relativos  aos  valores  indevidamente  recolhidos  no  período  de  janeiro/1989  a  setembro/1995  a  titulo  de  PIS,  passíveis  de  restituição  ou  compensação  com  outros débitos relativos a quaisquer tributos administrados pela SRF, nos termos do  art.  66  da Lei  n°  8.383/91,  c/c  Lei  n°  9.430/96, Decreto  n°  2.138/97  e  art.  12  da  IN/SRF n° 21/97 (vigentes A. época);  c) o recorrente realizou a compensação de tal crédito com débitos tributários  vincendos a partir do mês de março/1999, relativos ao PIS, COFINS, CSLL e IRPJ,  compensações estas que foram devidamente declaradas h. SRF através das DCTF's  relativas aos 1 0, 2°, 3° e 4° trimestres de 1999, apresentadas, respectivamente, em  14/05/1999, 11/08/1999, 11/11/1999 e 15/02/2000 (cf. docs. 4,5,6 e 7);  d) preliminarmente, em obediência ao disposto no § 11 do art. 74 da Lei n°  9.430/96,  c/c  art.  151,  III,  do  CTN,  requer­se  seja  suspensa  a  exigibilidade  dos  débitos objeto das compensações declaradas com base no crédito objeto do presente  processo,  constante  dos  processos  administrativos  n's.  10735.501346/2004­21,  10735.501342/2004­43,  10735.501344.2004­32,  10735.501345/2004­87,  10735.503068/2004­47,  10735.503070/2004­16,  10735.503071/2004­61  e  10735.503069/2004­91,  até  o  julgamento  definitivo  da  manifestação  de  inconformidade;  Fl. 942DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 943          6 e) de acordo com o disposto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, o prazo  para  que  a  SRF  formalizasse  a  decisão  acerca  das  compensações  declaradas  pelo  recorrente  esgotou­se  5  (cinco)  anos  após  a  data  de  entrega  das  DCTF's,  que  discriminam a compensação dos débitos que se pretendem compensados, e, portanto,  respectivamente, em 14/05/2004, 11/08/2004, 11/11/2004 e 15/02/2005;  f) como o recorrente foi intimado formalmente do Parecer Seort n° 341/2007 e  respectivo  Despacho  Decisório  recorridos  apenas  em  13/05/2008,  esgotou­se,  por  muito, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos fixado pelo § 5° do art. 74 da Lei n°  9.430/96;  g)  diante  do  quadro  acima  delineado,  ocorreu  a  homologação  tácita  das  compensações  declaradas  pelo  contribuinte,  extinguindo­se  definitivamente  os  créditos  tributários  declarados,  e  perdendo  a  SRF  o  direito  de  lançar  o  tributo  liquidado  por  compensação,  tal  como  já  definiram  a  DRJ/SP  (no  Acórdão  n°  16.14587,  de  27/08/2007)  e  o  E.  Conselho  de  Contribuintes  (no  processo  n°  10120.000510/98­61, Acórdão n° 108­ 09528; no processo n° 10825.001245/98­48,  Acórdão n° 108­08645);  h) desse modo, deve ser reformado o Parecer Seort n° 341/2007 e o respectivo  Despacho  Decisório,  para  o  fim  de  declarar  tacitamente  homologadas  as  compensações declaradas pelo recorrente através das DCTF 's relativas aos 1°, 2°, 3°  e  4°  trimestres  de 1999,  tendo  em vista  o  esgotamento  do  prazo  decadencial  de  5  (cinco) anos fixado pelo § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96;  i)  sem  prejuízo  da  ocorrência  da  homologação  tácita  das  compensações  declaradas pelo contribuinte, de outro  lado deve ser  reformada a decisão recorrida  pois não se verificou a prescrição ou decadência de nenhum dos créditos pleiteados  no presente processo;  j)  os  créditos  objeto  do  pedido  de  restituição  são  oriundos  do  MS  n°  88.0025182­0/RJ,  impetrado  em  18/10/1988,  com  trânsito  em  julgado  em  18/10/1994, e, assim, ocorreu a interrupção da prescrição, a partir de 18/10/1988,  dos  créditos  do  recorrente  relativos  aos  indébitos  tributários  a  titulo  de  PIS  indevidamente recolhidos com base nos inconstitucionais Decretos­leis n's 2.445/88  e 2.449/88 no período de janeiro/1989 a setembro/1995, nos exatos termos do § 1°  do art. 219 do Código de Processo Civil (CPC, Lei n° 5.869/73);  k) o prazo prescricional de 5 (cinco) anos somente voltou a correr após a data  do  trânsito  em  julgado  da  decisão  favorável  ao  contribuinte,  ocorrido  em  18/10/1994, e, assim, o recorrente teria até o dia 18/10/1999 para pleitear seu direito  creditório;   1) tendo em vista que o presente processo administrativo foi protocolado em  19/02/1999, não ocorreu a decadência ou prescrição de nenhum crédito, motivo pelo  qual o despacho decisório e Parecer Seort n° 341/2007 devem ser reformados, para o  fim de reconhecer o direito creditório em relação a todo o período objeto do pedido  de restituição, qual seja, de janeiro/1989 a setembro/1995;  m)  sem  prejuízo  das  matérias  acima  argüidas,  tem­se  que  o  direito  do  recorrente de requerer a  restituição do indébito nasceu somente na data em que os  inconstitucionais  Decretos­leis  n`'s  2.445/88  e  2.449/88  tiveram  sua  execução  definitivamente  suspensa  através  da  Resolução  n°  49/95  do  Senado  Federal,  cuja  observância é obrigatória para a Administração Pública Federal direta e indireta, tal  como determinado expressamente pelo art. 1°, §§ 1° e 2°, do Decreto n° 2.346/97;  Fl. 943DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 944          7 n)  assim,  somente  a  partir  da  data  de  publicação  da Resolução  n°  49/95  do  Senado Federal, que se deu em 10/10/95, deve ser contado o prazo decadencial de 5  (cinco)  anos  para  que  o  recorrente  formalizasse  o  pedido  de  restituição,  tendo  se  pacificado  nesse  sentido  a  jurisprudência  administrativa  dos  E.  Conselhos  de  Contribuintes  e  da  E.  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  do  Ministério  da  Fazenda,  tal  como  exemplificado  nos  acórdão  prolatados  nos  processos  n°:  10480.005582/98­23;  13886.000821/99­38;  13832.000087/99­41;  10850.000558/99­13;  o)  nessas  condições,  tendo  sido  o  presente  processo  administrativo  protocolado em 19/02/1999,  não  ocorreu  a  prescrição  ou  decadência  do  direito  de  pleitear  a  restituição  do  indébito  objeto  do  pedido,  devendo  ser  reformado  o  despacho decisório e Parecer Seort n° 341/2007, para o fim de reconhecer o direito  creditório em relação a todo o período objeto do pedido de restituição, qual seja, de  janeiro/1989 a setembro/1995;   Não  obstante  as  questões  antes  alinhavadas,  cumpre  lembrar  que,  conforme  reiterada e pacifica jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), o prazo  para  requerer a  restituição ou  compensação do  indébito  relativo  a  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação — caso da contribuição para o PIS — é de 5 (cinco)  anos  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador,  acrescidos  de  mais  5  (cinco)  anos  contados a partir da homologação tácita, perfazendo o prazo total de 10 (dez) anos  contados  da  data  do  recolhimento  indevido,  conforme  decisão  no  ADRESP  n°  733.152/ES, DJU de07/04/2008, e, assim, deve ser reformado o despacho decisório  e  Parecer  Seort  n°  341/2007,  para  o  fim  de  reconhecer  o  direito  creditório  em  relação a todo o período objeto do pedido de restituição, qual seja, de janeiro/1989 a  setembro/1995;  Por fim, em qualquer hipótese, devem ser excluídos da compensação efetuada  no  presente  processo  os  débitos  constantes  dos  processos  administrativos  n°s  10735.503068/2004­47,  10735.503070/2004­16,  10735.503071/2004­61  e  10735.503069/2004­91, tendo em vista que os mesmos foram declarados prescritos  por decisão judicial proferida em 12/02/2008 pelo E. Tribunal Regional Federal da  2ª Região, nos autos do Agravo de Instrumento n°2005.02.01.010204­2 (doc. 8);  r)  ante  o  exposto,  requer­se  seja  julgada  procedente  a  manifestação  de  inconformidade, para o fim de:     i) declarar  tacitamente homologadas  as compensações declaradas pelo  recorrente,  nos  termos  do  §  5°  do  art.  74  da Lei  n°  9.430/96,  com  a  conseqüente  extinção dos respectivos créditos tributários, conforme art. 156, II, do CTN;     ii) reconhecer o direito creditório do recorrente referente aos indébitos  tributários a titulo de PIS indevidamente recolhidos com base nos inconstitucionais  Decretos­leis n"s 2.445/88 e 2.449/88, em relação a todo o período objeto do pedido,  qual seja, de janeiro/1989 a setembro/1995;   iii)  excluir  da  compensação  efetuada  os  débitos  constantes  dos  processos  administrativos  n's  10735.503068/2004­47,  10735.503070/2004­16,  10735.503071/2004­61  e  10735.503069/2004­91,  tendo  em  vista  que  os  mesmos  foram declarados prescritos por decisão judicial.  A Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  no Rio  de  Janeiro  ­ RJ  ­  II  indeferiu a manifestação de inconformidade em Acórdão com a seguinte ementa:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário P  Fl. 944DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 945          8 Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995  PIS/PASEP.  INDÉBITO  FISCAL.  RESTITUIÇÃO.  DECADÊNCIA.  O  pagamento  antecipado  extingue  o  crédito  referente  aos  tributos  lançados  por  homologação  e marca  o  inicio  do  prazo  decadencial  do  direito  de  pleitear  a  restituição  de  suposto  indébito tributário.  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  RELAÇÃO  DOS  DÉBITOS  A  COMPENSAR.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA  DA COMPENSAÇÃO.INOCORRÊNCIA.  Não  se  considera  tacitamente  homologada,  mesmo  após  o  transcurso  do  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  do  protocolo,  a  compensação  objeto  de  pedido,no  qual  não  se  encontrem discriminados os débitos a serem compensados.  No seu Recurso Voluntário o contribuinte requer que   a)  Sejam  declaradas  tacitamente  homologadas  as  suas  compensações  declaradas, nos  termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com a conseqüente extinção  dos respectivos créditos tributários, conforme art. 156, inciso II, do CTN;   b) Seja reconhecido o seu direito creditório referente aos indébitos tributários  a  titulo  de  PIS  indevidamente  recolhidos  com  base  nos  inconstitucionais  Decretos­lei  n°  2.445/88 e 2.449/88, em relação a todo o período objeto do pedido, qual seja, de janeiro/1989 a  setembro/1995;   c)  excluir  da  compensação  efetuada  no  presente  processo  os  débitos  constantes  dos  Processos  Administrativos  de  números  10735.503068/2004­47,  10735.503070/2004­16, 10735.503071/2004­61 e 10735.503069/2004­91,  tendo em vista que  os mesmos foram declarados prescritos por decisão judicial.  É o relatório.                  Fl. 945DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 946          9 Voto             Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Relator  O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento.  A  recorrente  protocolou  junto  à  Secretaria  da  Receita  Federal  o  presente  Processo Administrativo, através do qual  requereu o  reconhecimento do direito creditório no  valor  de  R$  1.016.512,94  (um  milhão,  dezesseis  mil,  quinhentos  e  doze  reais  e  noventa  e  quatro centavos), atualizado até o mês de dezembro/1998, relativo aos valores indevidamente  recolhidos  a  titulo de  contribuição  ao PIS no período de  janeiro/1989 a  setembro/1995, bem  como requereu a compensação de tal crédito com débitos tributários vincendos a partir do mês  de março/1999, relativos ao PIS, COFINS, CSLL e IRPJ.  Estas  compensações  foram  devidamente  declaradas  à  Secretaria  da Receita  Federal através das DCTF's relativas aos 1º, 2°, 3º e 4º  trimestres de 1999, apresentadas pela  em 14/05/1999, 11/08/1999, 11/11/1999 e em 15/02/2000.  Assim,  a  primeira  questão  que  remanesce  neste  Recurso  Voluntário  diz  respeito  ao  prazo  para  pleitear  a  repetição  de  indébito  do  PIS  recolhido  na  forma  dos  inconstitucionais Decretos­Lei Nº 2.445 e 2.449 de 1988.   Conforme  observado  anteriormente,  o  pedido  foi  protocolizado  em  19  de  fevereiro de 1999 e o Sujeito Passivo está a pleitear restituições concernentes aos períodos de  apuração de janeiro de 1989 a setembro de 1995.   No tocante à questão do prazo para requerer a restituição ou a compensação  do indébito, há de se ressaltar que a regra dos 5 + 5, pela qual são contados primeiro cinco anos  para a homologação  tácita e somente depois desses primeiros cinco anos  é que se contam os  cinco anos para a decadência do direito de repetição de indébito, persistiu até a vacatio legis da  Lei Complementar nº 118/2005 de 09/06/2005.   O Supremo Tribunal Federal, em relação ao tema, manifestou­se nos autos do  RE  566621/RS,  dirimindo  qualquer  eventual  dúvida  acerca  da  aplicação  retroativa  da  Lei  Complementar nº 118/2005, decidiu exatamente da forma acima enunciada, de acordo com o  artigo 543­A, do CPC.   Destaque­se:   DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005. Quando do  advento  da LC 118/05,  estava consolidada a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  Fl. 946DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 947          10 do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora  tenha  se  autoproclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a  lei  expressamente  interpretativa  também  se  submete,  como  qualquer  outra,  ao  controle  judicial  quanto  à  sua  natureza,  validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, 6 bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento quando da publicação da  lei,  sem resguardo de  nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da  segurança  jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando­se as  aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia da norma, permite­se a aplicação do prazo reduzido  relativamente  às  ações  ajuizadas  após  a  vacatio  legis,  conforme  entendimento  consolidado  por  esta  Corte  no  enunciado  445  da  Súmula  do  Tribunal.  O  prazo  de  vacatio  legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que  tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem  as  ações  necessárias  à  tutela  dos  seus  direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do  novo  prazo  na  maior  extensão  possível,  descabida  sua  aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral,  tampouco  impede  iniciativa  legislativa  em  contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC  118/05,  considerando­se  válida  a  aplicação  do  novo  prazo  de  5  anos  tão­somente  às  ações  ajuizadas  após  o  decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de  junho  de  2005.  Aplicação  do  art.  543B,  §  3º,  do  CPC  aos  recursos  sobrestados.  Recurso  extraordinário  desprovido.  (Sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011).     Neste mesmo  sentido,  foi  editada Súmula CARF,  aprovada  pelo Pleno,  em  Sessão de 09.12.2013:   Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente  antes  de  9  de  junho  de  2005,  no  caso  de  tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica­se o prazo  prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.   Desta maneira, dos períodos de apuração requeridos pela Contribuinte, foram  atingidos pela decadência aqueles relativos a períodos anteriores a 19 de fevereiro de 1989.  Fl. 947DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 948          11 Em relação à alegação de que houve homologação  tácita das compensações  promovidas pela recorrente quando declaradas através das DCTF's relativas aos 1°, 2°, 3º e 4º  trimestres  de  1999,  apresentadas  em  14/05/1999,  11/08/1999,  11/11/1999  e  15/02/2000  não  assiste razão à recorrente.   Em  seu  recurso  voluntário,  a  recorrente  faz  parecer  que  o  motivo  do  indeferimento  do  pedido  de  homologação  tácita  das  referidas  compensações  foi  a  discussão  sobre a transformação dos pedidos de compensação em DCOMPs e o prazo de homologação.  Caso esse fosse o motivo do indeferimento, a recorrente teria razão pois ela foi intimada da não  homologação das compensações após o prazo de 5 anos.  Entretanto, não foi isso que ocorreu.  O  parágrafo  5º  da  Lei  n°  9.430/96  é  expresso  ao  definir  que  o  prazo  de  5  (cinco) anos para a homologação da compensação conta­se a partir da entrega da declaração de  compensação (Dcomp), entendida essa como aquela "na qual constarão informações relativas  aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados" (conforme § 1°), descabendo a  extensão  do  citado  comando  legal  para  que,  na  ausência  de  informações  sobre  os  débitos  a  compensar nos pedidos de compensação de fls. 04/05, o citado prazo seja contado a partir da  entrega da DCTF, tal como pretendido pelo requerente.  Quando  da  edição  do  §  4°  do  art.  74  da  Lei  n°  9.430/96,  os  pedidos  de  compensação  que  se  encontrassem  pendentes  de  apreciação  por  parte  da  autoridade  administrativa,  converter­se­iam  em  declaração  de  compensação  (Dcomp),  desde  o  seu  protocolo, data a partir da qual a Administração deveria verificar a compensação, para que a  mesma não se considerasse homologada, consoante o parágrafo 5°.   Entretanto,  na  ausência  de  discriminação  nas  citadas Dcomp  dos  tributos  e  respectivos valores a compensar, como se poderia pretender a homologação da compensação  que  constitui­se  em  hipótese  de  extinção  do  crédito  tributário,  se  a  administração  sequer  possuía conhecimento do que o contribuinte pretendia efetivamente compensar.  Além disso, a análise do processo nos revela que, em 17/06/2002 e, portanto,  muito antes de decorridos 5 (cinco) anos do protocolo da Dcomp, que ocorreu em 19/02/1999,  por intermédio da Intimação n° 140/2002, o interessado foi instado a apresentar novo pedido de  compensação,  agora  relacionando  os  débitos  que  se  pretendiam  compensados,  sendo  que,  todavia, nenhuma resposta foi apresentada no prazo estipulado (fls. 130/131).  Apenas em 22/07/2004 (fls. 134/135), e, portanto,  já após os 5 (cinco) anos  que  a  Administração  possuía  para  analisar  a  compensação,  caso  regularmente  declarada,  o  contribuinte apresentou requerimento, para que seja  "homologada a compensação nos  termos  das DCTF's já apresentadas".  Tendo deixado de atender tempestivamente à. intimação contra ele lavrada e  deixando  de  esclarecer  os  débitos  a  compensar,  não  pode  o  manifestante  vir,  a  posteriori,  querer a homologação tácita de débitos declarados apenas em DCTF e não em DCOMPs ou em  pedidos de compensação que se transformaram em DCOMPs.  Ainda  em  seu  recurso  voluntário,  o  recorrente  requer  que  seja  suspensa  a  exigibilidade dos débitos objeto de compensação, constantes dos processos administrativos de  números  10735.501346/2004­21,  10735.501342/2004­43,  10735.501344.2004­32,  Fl. 948DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 949          12 10735.501345/2004­87, 10735.503068/2004­47, 10735.503070/2004­16, 10735.503071/2004­ 61  e  10735.503069/2004­91  até  o  julgamento  definitivo  da  matéria  tratada  no  presente  processo,  referenciando­se,  no  sentido  do  alegado,  ao  disposto  no  §  11  do  art.  74  da Lei  n°  9.430/96.   Por fim, em relação aos 4 (quatro) últimos processos ora mencionados, requer  que  os  débitos  deles  constantes  sejam  excluídos  da  compensação  efetuada  no  presente  processo,  porquanto,  os  mesmos  teriam  sido  declarados  prescritos  por  decisão  do  TRF­2ª  Região, nos autos do Agravo de Instrumento n° 2005.02.01.010204­2 .  Quanto  aos  processos  relacionados,  todos  cuidam  de  inscrição  em  divida  ativa  da  Unido  de  débitos  do  PIS,  COFINS,  CSLL  e  IRPJ,  os  quais,  ainda  antes  de  sua  inscrição,  eram  supostamente  passíveis  da  compensação  com  o  crédito  do  PIS  tratado  no  presente processo.   Em relação aos requerimentos acima, também cumpre de plano salientar que  tratam de questões que transbordam os limites do presente julgado.  Estamos tratando do julgamento administrativo sobre a existência do crédito  a  ser  reconhecido  em  favor  do  interessado,  a  partir  do  qual  analisa­se  a  homologação  das  compensações que em tal crédito se funda.   Como  os  processos  acima  relacionados  tratam  da  cobrança  executiva  de  débitos  de  tributos  e  contribuições  federais,  supostamente  compensáveis  com  o  crédito  requerido junto ao presente processo ainda antes de sua inscrição, o fato é que, na ocasião de  encaminhamento dos citados débitos para referida execução fiscal, entendeu a autoridade local  que  isso  era  cabível,  até  mesmo  porque,  se  assim  não  fosse,  a  inscrição  promovida  não  ocorreria.  Entendeu autoridade administrativa que descabia a aplicação do disposto no §  11º  do  art.  74  da  Lei  n°  9.430/96,  já  que  o  referido  dispositivo  legal  somente  prevê  o  enquadramento no disposto no inciso III do art. 151 do CTN, "relativamente ao débito objeto  da compensação", estendendo­se citado comando, portanto, com a interpretação sistemática do  caput e dos demais parágrafos do referido art. 74 da Lei n° 9.430/96, apenas aos débitos que  constem da declaração de compensação.  Como  os  débitos  passíveis  da  compensação  em  questão  somente  foram  informados  em DCTF  e  não  na  Dcomp  apresentada,  não  havia  que  se  falar,  na  ocasião  da  inscrição, em suspensão da exigibilidade e aplicação do rito do processo administrativo fiscal  aos citados débitos.  Caso fosse insuficiente ou tido por inexistente o crédito do PIS a compensar,  ocorreria a sua cobrança executiva, por se encontrarem os mesmos informados em declaração  com força de confissão de divida (DCTF).  Já  no  momento  atual,  em  que  os  débitos  se  encontram  sendo  objeto  de  execução  fiscal,  fato  é  que  descabe  ao  contribuinte  invocar  suposta  condição  suspensiva  da  exigibilidade ou, ainda, a ocorrência de prescrição, no âmbito administrativo.   Eventual  condição  suspensiva  poderia  se  fazer  oponível  somente  até  o  encaminhamento dos débitos para cobrança executiva, pretendendo obstá­la. Com a execução  Fl. 949DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/99­00  Acórdão n.º 3301­002.633  S3­C3T1  Fl. 950          13 fiscal já em andamento, a discussão sobre a satisfação do crédito tributário exequiendo passou  para  a  órbita  judicial,  na  qual  é  o  juizo  quem  deverá  decidir,  em  procedimentos  específicos  sobre aspectos tais como a eventual ocorrência de prescrição ou mesmo, se entender cabível,  sobre a suspensão, não da exigibilidade do crédito exeqüendo, mas da própria execução fiscal.    Conclusão:  1) Reconheço o direito da recorrente de reaver o indébito, referente aos fatos  geradores ocorridos a partir de 19 de fevereiro de 1989;  2)  Em  relação  à  alegação  de  que  houve  homologação  tácita,  das  compensações  promovidas  pela  recorrente  através  das  DCTF's  relativas  aos  1°,  2°,  3º  e  4º  trimestres  de  1999,  apresentadas  em  14/05/1999,  11/08/1999,  11/11/1999  e  15/02/2000  não  assiste razão à recorrente;   3) Não conheço da alegação de que os processos administrativos de números  10735.501346/2004­21, 10735.501342/2004­43, 10735.501344.2004­32, 10735.501345/2004­ 87,  10735.503068/2004­47,  10735.503070/2004­16,  10735.503071/2004­61  e  10735.503069/2004­91 estejam suspensos ou prescritos, por se tratarem de processos inscritos  em dívida ativa da União.  Assim, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.  Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Relator  (ASSINADO DIGITALMENTE)  LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS                              Fl. 950DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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Numero do processo: 11080.918893/2012-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/04/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/04/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/2012­67  Acórdão n.º 3801­005.076  S3­TE01  Fl. 3          2 Não  compete  aos  julgadores  administrativos  pronunciar­se  sobre  a  inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso voluntário. Participou do  julgamento o Conselheiro  Jacques Mauricio  Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da  Silveira que se declarou impedido    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Paulo Sérgio Celani ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes, Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani, Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.    Relatório  Inicialmente, esclarece­se que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da  3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que  o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento  indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste  direito.  Feitas estas observações, passa­se ao relato propriamente dito.  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Curitiba­DRJ/CTA  que  julgou  improcedente  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  despacho decisório  da Delegacia  da Receita  Federal do Brasil de origem.  O  processo  se  iniciou  com  PER/DCOMP,  por  meio  do  qual  a  contribuinte  pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de  tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado.  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/2012­67  Acórdão n.º 3801­005.076  S3­TE01  Fl. 4          3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF  informado  no  PER/DCOMP,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  utilizados  para  quitação  de  débitos  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  suficiente  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Assim,  diante  da  inexistência/insuficiência  de  crédito,  a  compensação  declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente.  Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172  de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996,  conforme quadro  “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”  do  despacho decisório “  Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas  pela contribuinte contra o despacho decisório:  “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade  do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da  fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa,  contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de  finalidade.  Expõe  que  o  ato  administrativo  resumiu­se  a  informar  a  não  homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de  crédito  disponível;  entende  que  o  procedimento  correto  da  fiscalização  seria  o  de  intimar  a  contribuinte  para  que  prestasse  informações  sobre  a  origem  do  crédito,  bem como do  fundamento de validade; e  ressalta a necessidade de  fundamentação  ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e  moralidade  administrativa.  Alega  que  o  Despacho  Decisório  não  se  presta  a  dar  início  ao  contraditório  administrativo,  eis  que  carente  de  fundamentação,  restando  prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua,  tornando­se meio  oblíquo  pelo  qual  a  fiscalização  buscou  interromper  o  prazo  de  homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou  de  cumprir  seu  dever  de  ofício  de  bem  instruir  o  procedimento  fiscal,  como  a  solicitação  de  informações,  apreensão  de  documentos,  diligências,  dentre  outros  expedientes.  Sob  o  tema  “Do  Mérito”,  discorre  especificamente  sobre  o  princípio  da  verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do  suposto  crédito,  apenas  alegando  a  posterior  juntada  de  documentos  que  comprovariam  as  ‘alegações  trazidas  na  presente  manifestação’,  eis  que  o  direito  creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo.  Por  fim,  argumenta  sobre  a  inaplicabilidade  da  multa  de  mora  em  face  do  princípio  constitucional  de  não  confisco  e  dos  princípios  administrativos  da  razoabilidade e da proporcionalidade..  A  ementa  do  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Curitiba­DRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade  contém o seguinte teor:  “ASSUNTO: ...  Data do Fato Gerador: ...  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INTIMAÇÃO  PARA  ESCLARECIMENTOS.  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/2012­67  Acórdão n.º 3801­005.076  S3­TE01  Fl. 5          4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase  preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de  defesa,  que  é  assegurado  na  fase  do  contraditório,  inaugurada  com  a  manifestação de inconformidade.  1PIS/PASEP.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  RECOLHIMENTO  VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.  Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada  por  inexistência  de  direito  creditório,  tendo  em  vista  que  o  recolhimento  alegado como origem do crédito  está  integral  e validamente  alocado para  a  quitação de débito confessado.  PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.   A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas  na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a  existência de direito creditório pleiteado.  MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS.  Os  débitos  indevidamente  compensados  sofrem  a  incidência  de  multa  e  juros  de  mora,  nos  percentuais  determinados  pela  legislação,  calculados  a  partir  do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  da  contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma  vez  que  a  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos não homologados.”  No  recurso  voluntário  a  recorrente  repete  as  alegações  da manifestação  de  inconformidade.  É o relatório.                                                              1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins,  consta COFINS. Nos processos em que o crédito  seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP.  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/2012­67  Acórdão n.º 3801­005.076  S3­TE01  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator.  Admissibilidade do recurso voluntário.  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta  turma especial.  Preliminar de nulidade do despacho decisório.  O processo se  iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual  informou  ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil­RFB,  baseando­se  em  dados  constantes  de  seus  sistemas  informatizados,  alimentados  por  informações  prestadas  pelo  próprio  contribuinte,  por  meio  de  declarações  fiscais  próprias,  constatou  que  o  pagamento  informado  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  tributo  informado  em DCTF,  logo,  tributo  considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada.  Isto  está  claro  no  quadro  “3  –  FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO  E  ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170  da  Lei  nº  5.172,  de  25/10/66  (CTN),  e  o  artigo  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  como  fundamentos para a não homologação da compensação.  No  mesmo  quadro  3,  consta  que  diante  da  inexistência  do  crédito  não  se  homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente  aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento.  Há,  ainda,  a  informação  de  que  para  verificação  de  valores  devedores  e  emissão  de  DARF,  deveria  ser  consultado  o  endereço  da  internet  “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na  opção “e­CAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”.  Logo,  não  procede  a  alegação  de  que  o  despacho  decisório  não  contém  fundamentação e de que houve desvio de finalidade.  Por outro  lado,  a manifestação de  inconformidade, a qual, por  força do art.  74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicam­se as regras previstas no Decreto nº 70.235, de  1972,  demonstra  que  a  contribuinte  exerceu  plenamente  seu  direito  ao  contraditório,  sem  nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa.  Por estas razões, vota­se por negar provimento às alegações preliminares.  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/2012­67  Acórdão n.º 3801­005.076  S3­TE01  Fl. 7          6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado.  Conforme visto acima:  i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou  ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo;  ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a  maior  fora  integralmente  utilizado  para  quitar  tributo  informado  em  DCTF,  logo,  tributo  considerado devido;  iii)  Isto  está  claro  no  quadro  “3  –  FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO  E  ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório;  iv)  Esta  constatação  baseou­se  em  dados  constantes  do  sistemas  informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por  meio de declarações fiscais próprias.  Uma  vez  que  o  pagamento  informado  como  indevido  ou  a  maior  estava  totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele  relativo não  prova a existência de crédito algum  A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação  fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado,  manteve o despacho decisório.  As  decisões  da  DRF  e  da  DRJ  estão  amparadas  no  fato  de  a  legislação  tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do  crédito  tributário  (art. 5º do Decreto­Lei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos  tributários  somente  pode  ser  efetuada  mediante  existência  de  créditos  líquidos  e  certos  do  interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário Nacional­CTN), e de a lei  que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve  ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972).  Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a  dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua  manifestação  de  inconformidade,  nenhum  documento  ou  livro  fiscal  ou  contábil  foi  apresentado com o recurso voluntário.  A recorrente limitou­se a discorrer sobre o princípio da verdade material.  Tratando­se  de  despacho  eletrônico,  admite­se  a  apresentação  destes  documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio  da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova  se destina a contrapor  fatos ou razões posteriormente  trazidas aos autos, hipótese prevista no  art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972.  O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum  documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito.  Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado.  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/2012­67  Acórdão n.º 3801­005.076  S3­TE01  Fl. 8          7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que  ensejariam o crédito.  Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC,  aplicável  subsidiariamente  ao  caso,  que  determina  que  o  ônus  da  prova  incumbe  ao  autor  quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado.  Sobre multa e juros de mora  Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos  juros de mora e multa no presente caso. Cito:  “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na  legislação  específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  (Vide  Decreto nº 7.212, de 2010)  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2º O  percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado  a  vinte  por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere  o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)  (Vide Lei nº 9.716, de 1998)”  “Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições  administrados  por  aquele  Órgão.(Redação  dada  pela Lei nº 10.637, de 2002)   §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)   §2º A  compensação declarada à  Secretaria  da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)   (...)  §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/2012­67  Acórdão n.º 3801­005.076  S3­TE01  Fl. 9          8 indevidamente  compensados.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.833,  de  2003)   §7º  Não  homologada  a  compensação,  a  autoridade  administrativa deverá cientificar o  sujeito passivo e  intimá­lo a  efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato  que  não a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito  será  encaminhado  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto  no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   §9º  É  facultado  ao  sujeito  passivo,  no  prazo  referido  no  §  7º,  apresentar  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­ homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de  2003)   §10.  Da  decisão  que  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  caberá  recurso  ao  Conselho  de  Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   §11.  A  manifestação  de  inconformidade  e  o  recurso  de  que  tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram­se no disposto no  inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ­  Código  Tributário Nacional,  relativamente  ao  débito  objeto  da  compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   (...)”  Veja­se que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados  e  que,  não  homologada  a  compensação  e  não  efetuado  o  pagamento  no  prazo  previsto  no  §7º,  o  débito  será  encaminhado  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda Nacional  para  inscrição  em Dívida Ativa  da União,  sendo devidos  juros  de mora  e  multa.  A  exigência  do  pagamento  destes  débitos  não  se  submete  a  julgamento  administrativo.  Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de  observar  lei  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  salvo  em  casos  excepcionais  não  presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado  pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009,  e do disposto no art. 26­A da Decreto nº 70.235, de  1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009.  O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis:  Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/2012­67  Acórdão n.º 3801­005.076  S3­TE01  Fl. 10          9 Conclusão  Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de  crédito  líquido  e  certo,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  mantendo­se  a  decisão recorrida.  (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani.                              Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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