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Numero do processo: 12898.000370/2010-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/01/1999
PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É um princípio específico do processo administrativo.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari que entendeu devido o lançamento pela não elisão da responsabilidade solidária e ausência de fiscalização na prestadora
Carlos Alberto Mees Sringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Ausentes Justificadamente Os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari que entendeu devido o lançamento pela não elisão da responsabilidade solidária e ausência de fiscalização na prestadora Carlos Alberto Mees Sringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 03 70 /2 01 0- 59 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Ausentes Justificadamente Os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/201059 Acórdão n.º 2403002.881 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Em resumo, como se depreende do auto de infração, a autuação baseiase no fato da Recorrente não ter apresentado à fiscalização os comprovantes de pagamento do débito exigido, como forma de elidirse da responsabilidade solidária. Destaquese ainda que o débito fiscal ora combatido foi apurado por meio de arbitramento, tendo sido ainda acrescido de multa de mora e de juros. Inconformada com a atuação, a Recorrente apresentou impugnação requerendo a anulação do auto de infração sob os seguintes argumentos: (i) Inexistência de fiscalização da empresa contratada para aferir se o débito aqui exigido foi pago ou é objeto de ação judicial; (ii) Impossibilidade de arbitramento da contribuição, que só pode ser aplicado nos casos em que o Fisco não dispõe de meios para conhecer a realidade (e no presente caso bastava a fiscalização da empresa contratada para apurar a verdadeira base de cálculo); (iii) Sucessivamente, a necessidade de redução da multa nos termos da Lei 11.941/2009, que é mais benéfica ao contribuinte, razão pela qual deve retroagir nos termos do art. 106 do CTN. Li o Relatório a quo , compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria, abaixo o reproduzo na íntegra : Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização AI DEBCAD 37.245.4500 pertinente às contribuições patronais devidas pela empresa em epígrafe, em substituição às lançadas através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 35.442.2391, anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme Acórdão n° 0807/2005, prolatado pela 2a CAJ Câmara de Julgamento, em 25/05/2005, sob a alegação de vício formal, acarretado pela omissão, no anexo relativo aos Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo legal que autoriza o arbitramento das contribuições previdenciárias através de aferição indireta. 2. O valor do presente lançamento é de R$ 75.824,52 consolidado em 12/04/2010. 3. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 21/26, a apuração deuse com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil pela empresa BRAGITEL CONSTRUTORA LTDA, CNPJ 29.204.898/0001 00, uma vez que a contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados, a cargo da empregadora, incluídas em notas fiscais e/ou faturas correspondentes aos Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 serviços executados, na forma determinada pela legislação previdenciária. 4. Explica o Autuante que, utilizando da prerrogativa contida nos parágrafos 3° e 6° do artigo 33 da lei n° 8.212/91, arbitrou a base de cálculo das contribuições lançadas, a partir do valor das Notas Fiscais emitidas pela prestadora, adotandose o percentual determinado pela Instrução Normativa n° 971/2009 (40%). 5. Esclarece também o Auditor Fiscal que, por se tratar de lançamento substitutivo de contribuições lançadas em procedimento fiscal anterior, foram considerados todos os documentos apresentados tanto no decorrer da ação fiscal, como no curso do procedimento administrativo de julgamento, tendo sido já consideradas as retificações anteriormente feitas durante o julgamento administrativo do processo anulado. DAS IMPUGNAÇÕES 6. Dentro do prazo regulamentar, a notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 36/47, no qual apresenta os argumentos a seguir reproduzidos, em síntese: 6.1. Uma análise cuidadosa da legislação aponta que a existência de solidariedade pressupõe a aferição da efetiva existência do débito cobrado, primeiramente, fiscalizando o devedor principal (contratado). No presente caso, a lógica está invertida. Somente após a constatação de que a contratada deixou de recolher as contribuições é que se poderia exigir da impugnante o tributo devido. 6.2. O interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN é aquele existente entre o sujeito e o fato gerador, o vínculo jurídico. Não se trata, contudo, de qualquer vínculo, mas apenas do vínculo ab origine que os une. 6.3. Cita exemplos, colaciona excertos doutrinários e arestos em abono de suas teses. 6.4. A responsabilidade solidária imputada por aferição indireta somente é cabível como medida excepcional quando a fiscalização constatar que a contabilidade da empresa prestadora não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. 6.5. Entende que, como o Auto de Infração foi lavrado após a edição da MP n° 449/08, o caso é de aplicação da multa prevista na Lei n° 9.430/96, no valor de 0,33 ao dia até o limite de 20% do valor do débito. 6.6. Por fim, pede a procedência da impugnação, protestando por prova pericial e juntada posterior de documentos que eventualmente se façam necessários. 7. Regularmente notificada do lançamento, conforme se verifica às fls. 33, a contratada apresentou impugnação ao lançamento (fls. 92/97), na qual aduz os seguintes argumentos: Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/201059 Acórdão n.º 2403002.881 S2C4T3 Fl. 4 5 7.1. Preliminarmente, argui a prescrição, com fulcro no art. 174 do CTN. 7.2. Questiona a inclusão, no Relatório de Vínculos, de presidentes e diretores da contratante, que nenhuma relação tem com a contratada. Nesse contexto, entende que a interpretação da responsabilidade solidária, da forma em que apresentada pelo Auditor Fiscal, é equivocada. 7.3. acosta aos autos cópias das notas fiscais, folhas de pagamento e guias de recolhimento, relativas à competência 01/1999. 8. É o relatório. " DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA No Acórdão n° 1236.757 às fls 163 de 18 de abril de 2011 a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio d e Janeiro I DRJ/RJO I, manteve o débito e referindose ao valor principal R$ 26.559,43 decidiu conforme abaixo: "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n° 37.245.4500), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito tributário no valor principal de R$ 26.559,43, acrescido de juros e multa moratória a serem calculados na data da liquidação." DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme documento de fls 179, em 21/11/2011 a autuada interpôs RECURSO VOLUNTÁRIO e reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação. Aduz que às fls 218, despacho registra que: "O contribuintes principal e solidária tomaram ciência do Acórdão n° 1236.757 da 13ª Turma da DRJRJ1 de 18/04/2011 (fls.163/172), conforme Intimações de fls. 175/176. O contribuinte principal apresentou manifestação tempestiva (fls.179/216). A solidária não protocolou manifestação. (..) " Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Na forma do despacho de fls 218, o recurso é tempestivo. Aduz que se reveste dos pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Na condução do voto, a quo, referindose às impugnações interpostas a primeira instância se manifestou conforme o abaixo: "10. Tendo as empresas solidariamente obrigadas apresentado impugnações que se sobrepõem e/ou se complementam, e considerando que a procedência de qualquer dos argumentos expendidos por uma das impugnantes aproveitará a outra, serão os tópicos suscitados analisados conjuntamente, nomeandose o autor de cada questionamento apenas quando necessário." De plano , considerando a autonomia das partes e as razões que que lhes são próprias, motivo de recursos independentes, ressalto que discordo da forma utilizada pela instância a quo. Solidária seria a obrigação tributária em comento cujos resultados do julgado alcança a ambas e não os recursos os quais entendo devam ser analisados de per si. DAS PRELIMINARES Às fls 05, no Relatório Discriminativo do Débito DD, registra que o período autuado compreendeu somente a competência 01/99 . Também o Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD de fls. 08, referese tãosomente à sobredita competência. Faço destaque para lembrar que o valor do presente lançamento foi consolidado em 12/04/2010. Na condução do voto, o i. Julgador exortando a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, ressaltese, instrução superveniente aos fatos geradores, sublinhou que ali se determina que o auditor deveria ter verificado as informações relativas a empresa contratada, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto. Na oportunidade a instância a quo citando a decisão que anulou a NFLD substituta afirmou que não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora : "24. De acordo com a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007 Anexo II, item 8.4.3, o auditor deverá analisar as informações disponíveis relativas a todos os devedores solidários, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. 25. Conforme as informações constantes da decisão anterior, não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora, o que, por si só, considerando a inexistência de benefício de ordem na solidariedade, autoriza o procedimento na Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/201059 Acórdão n.º 2403002.881 S2C4T3 Fl. 5 7 empresa tomadora, tendo em vista restar afastada a possibilidade de lançamento em duplicidade. 26. Assim, restou comprovado que não houve extinção do crédito pelo pagamento ou sua inexigibilidade decorrente de outro lançamento com o mesmo objeto. " Na verdade, não tendo sido colacionado nos autos o relatório fiscal e o Acórdão que anulou a NFLD substituída, no que se refere ao tema, não há registro algum sobre a contratada ter sido fiscalizada ou não com exame da contabilidade no período anulado. Tivesse havido ou não a fiscalização, mesmos nos dias presentes, nos sistemas conteria registros possíveis de serem copiados e colacionados nos autos para efeito de provas. DAS INSTRUÇÕES E DA JURISPRUDÊNCIA Anterior a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, com o mesmo propósito, a portaria SRP/DEFIS nº 018, de 10 de outubro de 2006, embora também superveniente, por conservadorismo, para evitar a nulidade dos lançamentos do gênero em comento, a Administração já houvera determinado que nas ações fiscais as autoridades autuantes verificassem se foram analisadas as informações disponíveis relativas ao devedor solidário, de que não houve ação fiscal com exame de contabilidade contra este e que os créditos referentes a prestação de serviço então tributada não foram objeto de lançamento anterior e ainda que tal cumprimento devesse constar do Relatório Fiscal, vide anexo IV, item 11.4.3 da referida Portaria A essência do que fora determinado na Portaria revela diligente preocupação da Administração e não traz nada de original posto que tal procedimento deveria ter sido sempre praticado. Aduz que não consta do Relatório Fiscal que tais aspectos tivessem sido observados na ação fiscal em comento. Não tendo havido registro nos autos das providências supracitadas , a jurisprudência deste Conselho concorre para concluir pela nulidade do lançamento, senão vejamos : “ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 11330.000934/200749 Recurso n° 150.621 De Oficio Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Acórdão 20601.551 Sessão de 06 de novembro de 2008 Recorrente DRJ RIO DE JANEIRO Interessado PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1995 a 31/05/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFICIO NOTIFICAÇÃO FISCAL E LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. ( grifos do Relator) Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Renato de Oliveira Silva, OAB/RJ n° 133.477. ELIAS SAMPAIO FREIREPresidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRARelatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. ” “ Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601550 do Processo 11330000897200731 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/11/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFÍCIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601548 do Processo 11330000889200794 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFÃ CIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/201059 Acórdão n.º 2403002.881 S2C4T3 Fl. 6 9 constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601702 do Processo 11330000890200719 04/12/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/03/1996 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não cabe o lançamento por solidariedade na contratante de serviços com cessão de mãodeobra quando constatada a ocorrência de ação fiscal na empresa prestadora, com exame de contabilidade por todo o período abrangido pelo lançamento. Recurso de Ofício Negado.” DO ART 112 DO CTN No que concerne ao encimado, embora as circunstâncias tenham alicerçado minha convicção, ainda que por algum motivo reste instaladas dúvidas sobre se a prestadora de serviços fora ou não fiscalizada no período da constituição dos créditos anulados, há que se observar o preceituado art. 112 do CTN com destaque para o inciso II ao abordar justo à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, verbis: " Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; " DA OMISSÃO DAS RUBRICAS Embora o documento de fls. 06 refirase à rubrica empresa, no Relatório Fiscal a autoridade autuante não faz remissão alguma a este fato sendo omissa a descrição da motivação da incidência e da alíquota praticada. DAS BASES DE CÁLCULO Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Embora no item 7.2 do Relatório Fiscal a autoridade autuante revele que pautou os cálculos com base no previsto no art. 336 da Instrução Normativa IN RFB n° 971, de 13/11/09, a instância a quo enfrentou integralmente a matéria na forma do abaixo transcrito sem se posicionar a respeito, verbis: "27. A base de cálculo do presente lançamento foi calculada a partir das notas fiscais/faturas/recibos identificados no Anexo 01 (fls. 27), por ter a empresa contratante deixado de apresentar os elementos elisivos da solidariedade previstos na legislação previdenciária, tais como as folhas de pagamento específicas elaboradas pela construtora erespectivos recolhimentos vinculados à obra." DO PERÍODO FISCALIZADO E DA IN 971/2009 O período autuado se restringiu à competência 01/1999, entretanto, no item 7.2 do Relatório fiscal , às fls 24, aduz que para calcular as remunerações pelo método de aferição indireta se aplicaram norma superveniente aos fatos geradores, verbis: 7.2 As remunerações da mãodeobra contidas nas notas fiscais/faturas/recibos foram calculadas com a aplicação, sobre o valor total das notas fiscais/faturas/recibos, dos percentuais previstos no art. 336 da Instrução Normativa IN RFB n° 971, de 13/11/09, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, abaixo transcrita, conforme demonstrado no anexo 01 a este relatório. IN RFB n° 971 de 13/11/09: " Art. 336. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços." Às fls.08, no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD restou consolidado no item 061 a motivação legal POR AFERIÇÃO INDIRETACONSTRUCAO CIVIL onde se utilizaram da Lei 10.256, de 09.07.2001, também posterior aos fatos geradores : "061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETACONSTRUCAO CIVIL 061.03 Competências : 01/1999 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3., 4. e 6.; Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, artigos 50, 52, 53 e 54; " DAS NOTAS FISCAIS Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000370/201059 Acórdão n.º 2403002.881 S2C4T3 Fl. 7 11 A autoridade autuante às fls 27, montou planilha com os números das notas fiscais pelos valores totais , valores estes que foram tomados como base de cálculo, mas não colacionou cópias das mesmas para comprovação Tal fato , por si, ensejaria nulidade por falta do elemento material probante. Entretanto, compulsando os autos, referindose às prestações dos serviços em comento, a prestadora quando interpôs impugnação de fls 92, juntou as referidas notas fiscais emitidas para a contratante TELECOMUNICAÇÕES DO RIO DE JANEIRO S/A . Embora isso, as supracitadas notas não trazem discriminados o tipo de serviço e não indica se se no todo contêm valores de materiais utilizados . DOS CONTRATOS E DA AUSÊNCIA DE PROVAS No que se refere aos contratos, na mesma encimada planilha a autoridade autuante registra os números dos mesmos , entretanto , à exemplo do que fizera com as notas fiscais, não os trouxe à colação para comprovação dos objetos contratuais para dar efetiva demonstração de que trataramse de obras de construção civil bem como se houvera ou não empreitada total com fornecimento de material. DA ADMINISTRAÇÃO E DA REVISÃO DOS ATOS O dever de a Administração rever seus atos, zelando pela sua legalidade, está expresso no artigo 53, da Lei 9.784/1999 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado. Dessa forma o administrador é obrigado a buscar não só a verdade posta no processo como também a verdade de todas as formas possíveis. A própria administração produz provas a favor do contribuinte, não podendo ficar restrito somente ao que consta no processo. DA NULIDADE A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 permite constatar que a nulidade do ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de formação não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Se o vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação . DO ART. 142 DO CTN Aduz que no comando do artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN , o legislador determinou cumprir com clareza a motivação do lançamento, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Em razão de tudo que foi exposto, não há como corroborar sustentável o lançamento posto que eivado de VÍCIOS INSANÁVEIS. Desse modo , por economia processual, sequer adentro o mérito. CONCLUSÃO Desse modo, conheço do Recurso para em PRELIMINAR determinar a nulidade por VÍCIO MATERIAL . É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.001270/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000, 2001, 2003, 2005, 2006
PIS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a existência de créditos decorrentes da não-cumulatividade, estes devem ser aproveitados para abater os débitos correspondentes.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PIS. COFINS Por qualquer das regras de contagem previstas nos art. 150 e 173 do CTN, o crédito tributário da contribuição, até o período de junho/2001, exigido no presente processo está atingido pelo transcurso do prazo decadencial de 5 anos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2004, 2005, 2006 COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de créditos decorrentes da nãocumulatividade, estes devem ser aproveitados para abater os débitos correspondentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000, 2001, 2003, 2005, 2006 PIS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de créditos decorrentes da nãocumulatividade, estes devem ser aproveitados para abater os débitos correspondentes. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 70 /2 00 7- 41 Fl. 3969DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/200741 Acórdão n.º 3301002.626 S3C3T1 Fl. 3.970 2 Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 3970DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/200741 Acórdão n.º 3301002.626 S3C3T1 Fl. 3.971 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 517/523 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), nos períodos de apuração setembro/2000 a março/2001, junho/2001, janeiro/2003, março/2003 a junho/2003, agosto/2003 a outubro/2003, junho/2005 e junho/2006, no montante total de R$ 358.350,89, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 525/533), nos períodos de apuração setembro/2000 a março/2001, junho/2001, agosto/2001, março/2004 a maio/2004, julho/2004 a janeiro/2005, março/2005, abril/2005 e junho/2006, no montante total de R$ 1.557.799,59. A auditorafiscal, no Termo (24) de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 494/502), fundamentou os lançamentos de ofício em diferenças apuradas entre os valores registrados na contabilidade a título de PIS/Pasep e Cofins a recolher e os valores declarados em DCTF, sem depósito judicial, sem liminar e sem recolhimento. Cientificada dos autos de infração em 31/05/2007, a contribuinte apresentou impugnação em 02/07/2007 (fls. 536/563), na qual de início informa que: decidiu recolher as importâncias de parte das contribuições ao PIS e da Cofins, em face de serem reconhecidamente erros seus ou de parcelas de pequeno valor, às quais entende que são dadas como liquidadas, pelo pagamento com o aproveitamento de considerar as multas com 50% de desconto, como mencionado nos próprios autos de infração (...). (...) Comprovando os pagamentos estão anexadas cópias dos correspondentes “DARF’s” – Documento de Arrecadação de Receitas Federais, aos itens: II. 1 – RECOLHIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DAS CONTRIBUIÇÕES AOS PIS Fato gerador 31/01/2003: valor de R$ 3.501,18, com multa de 75% (Doc 2); Fato gerador 31/03/2003: valor de R$ 3.092,81, com multa de 75% (Doc 3); Fato gerador 30/06/2005: valor de R$ 4.286,75, com multa de 75% (Doc 4);e Fato gerador 30/06/2006: valor de R$ 202,80, com multa de 75% (Doc 5). Fl. 3971DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/200741 Acórdão n.º 3301002.626 S3C3T1 Fl. 3.972 4 II. 2 – RECOLHIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DAS COFINS Fato gerador 31/08/2001: valor de R$ 53,65, com multa de 75% (Doc 6); Fato gerador 31/03/2005: valor de R$ 340,85, com multa de 75% (Doc 7); Fato gerador 30/04/2005: valor de R$ 105,61, com multa de 75% (Doc 8); e Fato gerador 30/06/2006: valor de R$ 936,00, com multa de 75% (Doc 9). A seguir, a impugnante alega, em síntese, que: · ocorreu a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores de setembro/2000 a abril/2002, a teor do disposto no art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Mesmo considerando o prazo previsto no art. 173 do CTN, ainda assim ocorreu a decadência; · com relação às exigências relativas aos períodos de apuração de setembro/2000 a junho/2001, procedeu em acordo com liminar que lhe era favorável no Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0466447, recolhendo os valores de PIS/Pasep e de Cofins apenas sobre a base de cálculo compreensiva entre o valor de venda dos carros novos e seu valor de compra, com incidência, no caso da Cofins, da alíquota de dois por cento, e não três como exigia a legislação de regência. Efetuou corretamente as contabilizações, inclusive provisionando as diferenças entre o que lhe autorizou a liminar e o que dispunha a legislação, tendo ainda declarado tais valores como suspensos em DCTF e feito depósitos judiciais a eles correspondentes; · para o período de apuração de março/2001, procedeu ao recolhimento a maior no valor de R$ 12.109,53, pelo que, considerando os valores como apontados pela auditora fiscal com os lançamentos contábeis demonstrados em planilhas anexadas aos autos e o valor recolhido a maior, nenhuma obrigação fica pendente; · relativamente ao período de apuração de junho/2001, a auditora fiscal não levou em consideração, como fez em outros meses, que houve um depósito judicial no valor de R$ 1.546,34 referente à Cofins sobre receitas que não fossem do faturamento do então estabelecimento filial, em virtude de processo de mandado de segurança contra tal exigência pela Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, impetrado por aquele estabelecimento, então empresa, que foi posteriormente incorporada pela impugnante. Considerando tal valor, não há divergência alguma; · no tocante ao PIS/Pasep dos períodos de apuração de abril/2003 a outubro/2003, foram lançados valores idênticos de R$ 111,40. Ocorre que em decorrência da implantação do sistema de não cumulatividade, pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, levantouse o estoque existente no final do dia 30/11/2002 (estoque inicial em 01/01/2002) das peças de reposição para veículos automotores, peças essas não constantes dos códigos mencionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho Fl. 3972DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/200741 Acórdão n.º 3301002.626 S3C3T1 Fl. 3.973 5 de 2002, e objeto de sua comercialização. Sobre o valor desse estoque procedeuse ao cálculo de 0,65% apurandose R$ 1.336,83, como total de crédito a ser deduzido nos recolhimentos dos débitos apurados nos doze meses a partir de dezembro de 2002, o que significou exatamente R$ 111,40 por mês, conforme previsão constante do art. 11 da citada Lei nº 10.637, de 2002. Ao lançar a crédito da conta de obrigações os valores devidos do PIS/Pasep relativo aos fatos geradores dos meses de dezembro/2002 a novembro/2003 e nos meses subseqüentes os lançamentos a débito pelos recolhimentos respectivos, as obrigações relativas se liquidaram com os créditos iniciais lançados a débito das contas de obrigações em 31/12/2002, explicando e justificando assim a inexistência de qualquer obrigação relativa às exigências apontadas pela autuante; · com referência à Cofins para os períodos de apuração de março/2004 a janeiro/2005, também em decorrência da implantação do sistema de não cumulatividade, agora pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, foi levantado o estoque como no caso do PIS/Pasep, procedendose ao cálculo de 3%, o que resultou em um montante de R$ 4.444,34, como total do crédito a ser deduzido dos débitos apurados nos doze meses a partir de fevereiro/2004, significando exatamente R$ 370,36 por mês, conforme previsão constante do art. 12 do citado diploma legal. Assim, por essa razão também resta aqui explicada e justificada a inexistência de qualquer obrigação relativa às exigências apontadas no auto de infração; · para março/2004, a auditora fiscal aponta como diferença não recolhida a título de Cofins a importância de R$ 5.789,48, pois ela não considerou os créditos a que a impugnante tinha direito. A diferença apontada tem a seguinte origem: § crédito inicial, como dito acima 370,36 § créditos pelas aquisições do mês 6.931,49 § Sub total 7.301,85 § Cofins sobre outras operações 1.512,37 § Total 5.789,48 Assim, também comprovase que nenhuma exigência há de Cofins para o período de apuração março/2004; · de igual modo ao que ocorreu com a obrigação relativa ao período de apuração de março/2004, a auditora fiscal aponta para abril/2004, como diferença não recolhida a título de Cofins, a importância de R$ 2.430,19, pois também aqui ela não considerou os créditos a que a impugnante tinha direito. A diferença apontada tem a seguinte origem: § crédito inicial, como dito acima 370,36 § créditos pelas aquisições do mês 5.915,90 § Sub total 6.286,26 § Cofins sobre outras operações 3.856,07 Fl. 3973DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/200741 Acórdão n.º 3301002.626 S3C3T1 Fl. 3.974 6 § Total 2.430,19 Logo, nenhuma exigência há de Cofins para o período de apuração abril/2004. Ao analisar referida impugnação a 6ª Turma da DRJ/São Paulo I, proferiu o Acórdão nº 1638667, de 10/05/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2000 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 31/10/2003, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/06/2006 a 30/06/2006 DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a Receita Federal dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de não ter havido recolhimento, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e, no caso de ter havido recolhimento, da data do fato gerador. DIFERENÇAS. JUSTIFICATIVAS. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Revelase insubsistente o lançamento de ofício de diferenças apuradas, se a contribuinte já durante o procedimento de fiscalização, intimada para tanto, as justificou como sendo devidas à não consideração pela auditora fiscal de créditos que possuía para descontar na apuração do valor devido segundo a modalidade não cumulativa, tendo inclusive discriminado seus cálculos em planilhas, não sendo suficiente para afastar tal justificativa a mera falta de contabilização desses créditos na conta de contribuições a recolher, mormente quando ainda em sede de impugnação a autuada traz aos autos novos documentos corroborando as justificativas apresentadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2000 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/08/2001, 01/03/2004 a 31/05/2004, 01/07/2004 a 31/01/2005, 01/03/2005 a 30/04/2005, 01/06/2006 a 30/06/2006 DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a Receita Federal dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de não ter havido recolhimento, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e, no caso de ter havido recolhimento, da data do fato gerador. DIFERENÇAS. JUSTIFICATIVAS. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 3974DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/200741 Acórdão n.º 3301002.626 S3C3T1 Fl. 3.975 7 Revelase insubsistente o lançamento de ofício de diferenças apuradas, se a contribuinte já durante o procedimento de fiscalização, intimada para tanto, as justificou como sendo devidas à não consideração pela auditora fiscal de créditos que possuía para descontar na apuração do valor devido segundo a modalidade não cumulativa, tendo inclusive discriminado seus cálculos em planilhas, não sendo suficiente para afastar tal justificativa a mera falta de contabilização desses créditos na conta de contribuições a recolher, mormente quando ainda em sede de impugnação a autuada traz aos autos novos documentos corroborando as justificativas apresentadas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão do montante do valor exonerado, na própria decisão foi apresentado recurso de ofício nos termos do art. 34, inc. I, do Decreto nº 70.235/72. É o relatório. Fl. 3975DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 19515.001270/200741 Acórdão n.º 3301002.626 S3C3T1 Fl. 3.976 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Observase que foram duas as razões das exonerações do crédito tributário por parte da decisão recorrida. A primeira foi em razão do reconhecimento do lapso decadencial nos termos dos art. 150, § 4º e 173, I do CTN. Concluiu que por qualquer um das duas contagens, seja a partir do fato gerador, seja a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, as exigências relativas aos períodos de apuração até junho/2001 estariam fulminadas pela decadência. A decisão foi tomada com acerto, pois na pior situação para o contribuinte, art. 173, I do CTN, para junho/2001, o último prazo para lançamento seria 31/12/2006 e o lançamento foi realizado em 31/05/2007. A segunda razão da exoneração foi o aproveitamento dos créditos da não cumulatividade que o contribuinte comprovou ter direito, quando de sua impugnação. A parte mantida do auto de infração já havia sido paga pelo contribuinte. Por economia processual, informo que concordo com todos os fundamentos da decisão recorrida, a qual adoto como razão de decidir nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 3976DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 11516.001505/2003-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
NULIDADES. MANUTENÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
- Aplicação da Lei nº 9.069/1995, artigo 1º.
- Exclusão das operações que apontaram bis in idem quanto à aplicação da penalidade.
- Dispensa da comunicação nas informações nos períodos de janeiro de 1998 a dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$ 20.000,00.
- Dispensa da comunicação da entrega do DOI nos casos em que houverem mais de 5 anos da ocorrência do fato jurídico nos termos do artigo 6º, inciso II, acima transcrito.
MULTA. REDUÇÃO. LEI N° 10.426, DE 2002. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o novo diploma legal que comine penalidade menos gravosa ou severa à prevista na lei ao tempo da prática da infração apurada em procedimento de fiscalização quando o ato ou fato pretérito não foi definitivamente julgado (CTN, art. 106, inciso II, letra "c"), salvo nos casos em que comprovadamente o valor fixo de R$ 20,00 for maior que o percentual de 1% previsto na legislação à época dos fatos jurídicos.
OPERAÇÕES CANCELADAS OU ANULADAS. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. RECONHECIMENTO.
Por critério de razoabilidade e proporcionalidade da aplicação da penalidade, as operações canceladas ou anuladas não produzem efeitos jurídicos, não podendo ser fundamento para a aplicação de penalidade, mesmo nos casos de obrigação acessória, desde que tenham sido identificadas quais foram as referidas operações anuladas ou canceladas.
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN.
Considerando a data da lavratura do Auto de Infração em 11/07/2003, se aplicássemos o prazo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, entendimento que vem prevalecendo nessa corte em relação às multas isoladas, o prazo de início da contagem do prazo para os fatos geradores do período de 01/01/1998 a 31/05/1998, se iniciaria em 1999, finalizando em 31/12/2003, portanto, não teria ocorrido a decadência.
MULTA. DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - INTEMPESTIVIDADE.
Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias DOI, na forma das prescrições contidas no Decreto Lei n° 1510/76, art. 15, e § 1° e Lei n° 9532, de 1997, arts. 72 e 81, II, a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeita os serventuários da Justiça, responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, a penalidade prevista no Decreto-Lei n° 1510, de 1976, art. 15 § 2º.
Inaplicável o instituto da denúncia espontânea prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional, visto que a contribuinte fora intimada antes de qualquer procedimento de regularização da entrega.
Recursos conhecidos e recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, em AFASTAR as preliminares do recurso voluntário; e, no mérito, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vida de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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MANUTENÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Aplicação da Lei nº 9.069/1995, artigo 1º. Exclusão das operações que apontaram bis in idem quanto à aplicação da penalidade. Dispensa da comunicação nas informações nos períodos de janeiro de 1998 a dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$ 20.000,00. Dispensa da comunicação da entrega do DOI nos casos em que houverem mais de 5 anos da ocorrência do fato jurídico nos termos do artigo 6º, inciso II, acima transcrito. MULTA. REDUÇÃO. LEI N° 10.426, DE 2002. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o novo diploma legal que comine penalidade menos gravosa ou severa à prevista na lei ao tempo da prática da infração apurada em procedimento de fiscalização quando o ato ou fato pretérito não foi definitivamente julgado (CTN, art. 106, inciso II, letra "c"), salvo nos casos em que comprovadamente o valor fixo de R$ 20,00 for maior que o percentual de 1% previsto na legislação à época dos fatos jurídicos. OPERAÇÕES CANCELADAS OU ANULADAS. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. RECONHECIMENTO. Por critério de razoabilidade e proporcionalidade da aplicação da penalidade, as operações canceladas ou anuladas não produzem efeitos jurídicos, não podendo ser fundamento para a aplicação de penalidade, mesmo nos casos de obrigação acessória, desde que tenham sido identificadas quais foram as referidas operações anuladas ou canceladas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 15 05 /2 00 3- 59 Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Considerando a data da lavratura do Auto de Infração em 11/07/2003, se aplicássemos o prazo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, entendimento que vem prevalecendo nessa corte em relação às multas isoladas, o prazo de início da contagem do prazo para os fatos geradores do período de 01/01/1998 a 31/05/1998, se iniciaria em 1999, finalizando em 31/12/2003, portanto, não teria ocorrido a decadência. MULTA. DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS DOI INTEMPESTIVIDADE. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias DOI, na forma das prescrições contidas no Decreto Lei n° 1510/76, art. 15, e § 1° e Lei n° 9532, de 1997, arts. 72 e 81, II, a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeita os serventuários da Justiça, responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, a penalidade prevista no DecretoLei n° 1510, de 1976, art. 15 § 2º. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional, visto que a contribuinte fora intimada antes de qualquer procedimento de regularização da entrega. Recursos conhecidos e recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, em AFASTAR as preliminares do recurso voluntário; e, no mérito, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vida de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Vejamos os fatos segundo o Relatório da DRJ: Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 3 3 Contra o sujeito passivo, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de multa regulamentar por DOI entregue em atraso no ano calendário 2002, fls. 254/395, no valor total de R$ 1.730.876,35, ciência em 15/07/2003 (AR de fl. 398). 2. A infração apurada pela fiscalização, a qual está relatada na descrição dos fatos e enquadramento legal, fl. 387, e no Termo de Ação Fiscal de fls. 391/395, foi atraso na apresentação, em junho e julho do ano calendário de 2002, das declarações sobre operação imobiliária — DOI, pelo Florianópolis Cartório do Registro Civil, CNPJ 75.421.255/000127, para as operações listadas as fls. 254/284. 2.1.Segundo Termo de Ação Fiscal de fls. 391/395, e de acordo com o art. 940 do RIR199 e com o art. 8° da Lei n. 10.426, de 24/04/2002, os serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. No caso presente houve atraso na declaração das operações listadas nas fls. 10/247, aplicandose o que prevê no §12 do último artigo citado, ou seja, multa de 0,1% ao mêscalendário ou fração, sobre o valor. da operação, limitada a um por cento, observandose o limite mínimo de R$ 500,00, previsto no inciso III do § 2º do mesmo artigo. 3.A DRJ Florianópolis, em diligência de fls. 692/693, solicitou a retificação dos demonstrativos de apuração da multa aplicada, considerandose: que no período de vigência da IN/SRF n. 04/198 (16/01/1998 a 31/12/1999) os cartórios de oficio de notas, de registro de imóveis e de registro de títulos e documentos estavam obrigados a apresentar a DOI somente quando o valor de alienação do imóvel for superior a R$ 20.000,00; que a infração configurase no dia seguinte ao termo final para a apresentação da DOI; que a partir de 27/12/2001 aplicase, por ser mais benéfica ao contribuinte, a MP 16/2001 (convertida na lei nº. 10.426/2002), que impõe multa por atraso na apresentação da DOI de 0,1% ao mêscalendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a 1% e no mínimo da R$ 500,00 e que a partir de 30/04/2004, com a alteração da lei n.º 10.865/2004 a multa mínima passa a ser de R$ 20,00, mantendo se o disposto na lei n.º 10.462/2002. 4.Desta forma, foi efetuada a revisão de oficio do citado lançamento, consubstanciado pelos demonstrativos de fls. 697/823, reduzindose a multa regulamentar, referente às DOIs apresentadas no ano calendário 2002, do valor total de R$ 1.730.876,35 para o montante de R$ 1.046.687,61. Foi aplicada a Lei n.º 10.865/2004, que estabeleceu a multa mínima para R$ 20,00, tendose em vista ter sido mais benéfico ao contribuinte, mantendose a aplicação do disposto na Lei n.º 10.462/2002. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 5. O contribuinte apresentou impugnação em 12/08/2003 (conforme carimbo no envelope de fl. 689), fls. 402/449, em que apresenta, em resumo, as seguintes reclamações: a) A Lei nº 10.426/2002 não pode retroagir para alcançar fatos pretéritos. A referência ao Decreto 3.000/99 é insuficiente para embasar a multa fiscal; b) Não há comprovação documental do atraso da comunicação referente às atuações do período de 01/01/2001 a 31/12/2001; c) A base de cálculo usada pelo auditor fiscal não foi convertida para o Real, sendo indevidamente colocados os valores declarados nas DOI's expressos em outras moedas, como se fossem reais, conforme anexo 04 (fls. 446/448). Utilizandose a tabela de conversão da Receita Federal (anexo 06), criada pela IN 48/1998, para atualização de bens para fins de cálculo de ganho de capital, o valor da multa de n. 34701, fl. 255, por exemplo, referente a operação de 18/02/1992, passa de Cr$ 30.000.000,00 para R$ 9.723,23. d) Esta última multa não podia ser aplicada tendose em vista que na época em que ocorreu o fato vigia a IN SRF n.º 163/99, que dispensava de comunicação as escrituras lavradas em decorrência de operações realizadas há mais de cinco anos. e) Em 1998, a entrega das DOIs referentes àquele exercício foi obstacularizada pela Receita Federal sob a alegação da falta de folhas do recibo de entrega apresentado. Acontece que tal falta não decorreu de erro ou equivoco do funcionário encarregado pelo Serviço Notarial, mas sim do programa gerador que indicou incorretamente que se tratava de documento (recibo) de 16 folhas, ao invés de 14 como de fato tinha. Este obstáculo acabou gerando o descaso do funcionário nos anos seguintes. f) É cogente a anulação das autuações referentes aos instrumentos anulados, cancelados ou repetidos que, por equivoco do funcionário do tabelionato foram declarados Receita Federal (anexo 07, fl. 674). g) Se a legislação do imposto de renda prevê a tributação dos fatos caracterizados como alienação ou aquisição somente quando o montante, negociado pelo sujeito passivo, ultrapasse R$ 20.000,00, não há sentido em que se obrigue à comunicação de atos irrelevantes para a administração tributária (neste sentido a IN 04/1998). Só a partir de 01 de janeiro de 2000, a Secretaria da Receita Federal modificou o seu entendimento editando a IN n.º 163/1999 para estabelecer a obrigatoriedade da comunicação independentemente do valor da operação. h) Desta forma, os fatos imponíveis ocorridos no período compreendido entre janeiro de 1998 a dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$ 20.000,00 estavam dispensados de comunicação, sendo nulas as atuações relativas (anexo 08). Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 4 5 i) Diante do texto das INs 04/98, 163/99 e 51/01, no período compreendido entre 01 de janeiro de 2000 até 03 de junho de 2001 toda a lavratura que decorresse de operações imobiliárias realizadas há mais de 05 anos estava dispensada de comunicação (anexo 09, fls. 680/681). j) Devese retroagir o disposto no art. 8 ° da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, somente no que for benéfico ao contribuinte. k) Nunca houve intimação para que se cumprisse as obrigações acessórias. Assim, deveria ter sido aplicado pelo agente a redução de 50%, e não a de 25%, como foi realizado. l) Como o DecretoLei n. 1.510/76, com a alteração da Lei. n.º 9.532/97 não tipificava o atraso como hipótese de incidência de multa, a Lei n.º 10.426/02 em nenhum momento beneficiará o autuado. m) Em momento algum houve inicio de procedimento fiscalizatório. O mandado emitido em 20/06/2002 foi MPF Diligência, que difere substancialmente daquele previsto para dar inicio ou mesmo para se realizar procedimento fiscalizatório. O contribuinte adquiriu espontaneidade após a expiração do prazo do MPF Diligência. n) A autoridade lavrou o auto de infração pelo atraso na entrega de obrigação acessória no dia 11/07/2003. O direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, através do lançamento, relativo as infrações tributárias ocorridas no período compreendido entre 01/01/1998 a 31/05/1998 encontrase obstacularizado pela decadência. Ver anexo 10 com as autuações decadentes. m) O atraso na entrega da DOI é atípico, descabendo imposição de qualquer multa pela sua ocorrência. O DecretoLei n.º 1.510/76, com a alteração da Lei n.º 9.532/97 não tipificava o atraso como hipótese de incidência de multa. Normas infralegais não poderiam subverter a ordem. o) A imposição de multa nos moldes propostos inviabilizará a continuidade da Prestação do serviço. É desproporcional, desarrazoada e inconstitucional. Desarrazoada é também a imposição de valor mínimo, sem valor máximo (por exemplo, limitado ao IR ganho de capital). 6. Em apreciação à revisão de oficio ao lançamento, consubstanciada pelos demonstrativos de fls. 697/823, em que se reduziu a multa regulamentar, referente as DOIs apresentadas em junho e julho do ano calendário 2002, do valor total de R$ 1.730.876,35 para o montante de R$ 1.046.687,61, o contribuinte apresentou o aditivo à Impugnação, de fls. 831/875, em que aduz, em resumo: Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 a) Ainda não foi declarada a correção de valores acusada na impugnação inicial. Apresenta novo demonstrativo (anexo 12), que deve ser analisado em conjunto aos já apresentados. b) Reforça a indicação de que a aplicação da Lei nº 10.865/04, em algumas operações, é prejudicial ao impugnante (anexo 13); c) Por fim, na análise das alterações realizadas, devese mencionar a inserção de novas atuações, sem qualquer suporte fático, e que levam os mesmos números de outras já existentes. Fora inseridas as DOIs n.º 198, 100, 200 e 101, todas já apresentadas e apuradas. Estas segundas atuações referemse, respectivamente, à lavratura de atos nos livros 6 (as três primeiras) e 7 (a última), as folhas 87, 89 e 31. Há evidente erro. O primeiro livro de 1998 é o de n. 81, não havendo a mínima possibilidade da lavratura de atos nos anos de 1998 (07/10/1998) e 2000 (17/02/2000 e 17/07/2000) nos livros 6 e 7. Não obstantes, observese que tais atuações não constavam do demonstrativo original e não fizeram parte da atuação lavrada. Comprovando tal assertiva, juntase cópia das folhas relativa a tais DOI (livros 6 e 7) — anexo 14. d) Reitera as alegações apresentadas em 12/08/2003. Apresenta anexos 12, 13, 14, 15 e 16. A DRJ cancelou parcialmente o lançamento, conforme voto abaixo transcrito: 7:A impugnação apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70235/72. Dela tomo conhecimento. 8.Houve atraso na declaração das operações listadas nas fls. 10/247. A matriz legal do lançamento encontrase no Decretolei n ° 1.510, de 1976, art. 15 e seus §§. Prevêse, claramente, multa quando houvesse a falta ou atraso na entrega de DOIs: "Art. 15 Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis Títulos e Documentos, ficam obrigados a fazer comunicação a Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas, conforme definido no art. 2 ° , § 1°, do Decretolei n°1.381, de 23 de dezembro de 1974. § 1º A comunicação deve ser efetivada em formulários padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal. § O não cumprimento do disposto neste artigo sujeitará o infrator a multa correspondente a 1% (um por cento) do valor do ato." 9.Esse fundamento legal da exigência foi compilado nos artigos 976 e 1.010, do RIR/1994 e reproduzidos nos artigos 940 e 976 do RIR/1999, abaixo transcritos: Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 5 7 "Art. 976. Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos ficam obrigados a fazer comunicação Secretaria da Receita Federal, em formulário padronizado e no prazo que for fixado, dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas." "Art. 1010. Será aplicada a multa de um por cento do valor do ato a serventuários da Justiça responsáveis por cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo não cumprimento do disposto no art. 976." "Art. 940. Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos ficam obrigados a fazer comunicação Secretaria da Receita Federal, em formulário padronizado e no prazo que for fixado, dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas (Decretolei n°1.510, de 1976, art.15 e § 1°) § 2° 0 disposto neste artigo aplicase, também, nas hipóteses de aquisições de imóveis por pessoas jurídicas (Lei. n°9.532, de 1997, art. 71)." "Art. 976 Será aplicada a multa de um por cento do valor do ato aos serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo não cumprimento do disposto no art. 940 (Decretolei n°1.510, de 1976, art. 15, e § 2°)". (Grifouse) 10. No que diz respeito a autuação deve ser observado ainda que, com o advento da Lei nº 10.426, de 2002, o percentual de 1% foi reduzido para "0,1% ao mêscalendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um 1% (por cento), observado o limite mínimo de R$ 500,00", consoante disposto no art. 8° § 1° e 2°, inciso II. Este percentual, em atendimento ao princípio da retroatividade benigna da lei, previsto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, deve ser estendido a fatos ocorridos anteriormente vigência da referida lei, com a observância da modificação prescrita pela Lei n.º 10.865, de 30/04/2004, que previu o mínimo de R$ 20,00 de multa: "Art. 8° Os serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. §12 A cada operação imobiliária corresponderá uma DOI, que deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente ao da anotação, averbação, lavratura, matricula ou registro da respectiva operação, sujeitandose o responsável, no caso de Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, à multa de 0,1% ao mêscalendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observado o disposto no inciso III do § 22. § 22. A multa de que trata o § 12: 1 terá como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração; 11 será reduzida: a) à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de oficio; h) a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação; III — será de, no mínimo, R$ 20,00 (vinte reais). (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) §32. O responsável que apresentar DOI com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração retificadora, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá à multa de R$ 50,00 (cinqüenta reais) por informação inexata, incompleta ou omitida, que será reduzida em cinqüenta por cento, caso a retificadora seja apresentada no prazo fixado." 10.1. Neste sentido decidiu o Conselho de Contribuintes: "Recurso 133959 Acórdão 10247574 MULTA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS DOI — INTEMPESTIVIDADE Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias DOI, na forma das prescrições contidas no Decreto Lei n° 1510/76, art. 15, e § 1° e Lei n° 9532, de 1997, arts. 72 e 81, II, a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeita os serventuários da Justiça, responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, a penalidade prevista no DecretoLei n° 1510, de 1976, art. 15 § 2º. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional. MULTA REDUÇÃO LEI N° 10.426, DE 2002 RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase o novo diploma legal que comine penalidade menos gravosa ou severa à prevista na lei ao tempo da prática da infração apurada em procedimento de fiscalização quando o ato ou fato pretérito não foi definitivamente julgado (CTN, art. 106, inciso II, letra "c")." 10.2. Como a apresentação da DOI é mensal, devese calcular a multa pelas informações apresentadas em atraso para cada mês Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 6 9 de apresentação e verificarse se, no conjunto, a aplicação da lei nova é mais benéfica. Raciocínio diferente transformaria o julgador em legislador, compondo duas leis (para se aplicar para cada operação a que fosse mais benéfica) para calcular a multa referente apresentação da DOI com informações em atraso. 11. No presente caso, restou comprovado a entrega das DOI em atraso, apresentadas em junho e julho de 2002, com informações referente a operações realizadas de 1998 a 2002, extratos às fls. 10 a 247, o que redundou na cobrança da multa. Isto por que existe prazo fixado por norma legal desde a edição da Instrução Normativa SRF n° 04, de 12 de janeiro de 1998, e seguintes. A Instrução Normativa SRF nº 04, de 12 de janeiro de 1998, estabeleceu o prazo para a apresentação da DOI: "a declaração deverá ser apresentada até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente que ocorrer a operação que caracterize a aquisição ou alienação do imóvel.". Desta forma, consideramos que a DOI é de apresentação mensal e é composta pelas informações das operações que caracterizem a aquisição ou alienação de imóvel do mês anterior e de operações não informadas em meses anteriores (que configurarão informações apresentadas em atraso). A partir das informações apresentadas em atraso na DOI mensal será calculada uma multa, única para cada mês, apesar poder ser oriunda de diversas informações (de diferentes operações imobiliárias). 12. Adicionese que a lei autorizou a fixação de prazo por norma infra legal. 13.Em outros termos: improficua é a alegação de que a Impugnante estaria amparado pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. 14.0 objeto de que trata o presente auto de infração diz respeito à obrigação acessória prescrita em lei, com prazo de cumprimento igualmente estabelecido na legislação tributária, cuja inadimplência foi sancionada com penalidade pecuniária. 15.A inobservância da obrigação acessória, pela imperatividade do § 3° do art. 113 do CTN, converteu a penalidade pecuniária em obrigação principal, e, como tal, encontrase ela sujeita à aplicação das demais cominações legais. "113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." 16.A denúncia espontânea invocada pelo interessado não afeta a obrigação principal em que se converteu a penalidade pecuniária. 17.As obrigações acessórias se impõem como tais para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo. Todo cidadão está obrigado a procedimentos visando facilitar a atuação estatal, sendo ele, ou não, sujeito passivo da obrigação tributária principal e, se não atender a tais procedimentos, estará sujeito a sanções. A multa está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento da obrigação principal ou pela inobservância dos deveres acessórios. 18. No que se refere à alegação de que a base de cálculo usada pelo auditor fiscal não foi convertida para o Real em alguns casos, sendo indevidamente colocados os valores declarados nas DOI's expressos em outras moedas, como se fossem reais, conforme anexo 04 (fls. 446/448) e anexo 12 (fl. 869), acatase o protesto do Impugnante, recompondose a multa para cada operação com o valor atualizado. 19. Quanto à afirmação de que, em 1998, a entrega das DOIs referentes àquele exercício foi obstacularizada pela Receita Federal sob a alegação da falta de folhas do recibo de entrega apresentado, informamos que o problema apontado não foi acusado por outros contribuintes e não impediu que os demais contribuintes apresentassem suas DOIs, não havendo, neste caso, como atribuir a falta de apresentação ao programa gerador. Ainda mais quando o Impugnante aponta o descaso de seu funcionário nos anos posteriores. 20. Devemse anular as autuações referentes aos instrumentos repetidos que, por equivoco do funcionário do tabelionato foram declarados à Receita Federal (anexo 07, fl. 674). Quanto aos cancelados, devese observar o disposto no art. 3 °, II, da IN 04/1998. 21.Acatase o protesto do Impugnante de que os fatos imponíveis ocorridos no período compreendido entre janeiro de 1998 a dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$ 20.000,00 estavam dispensados de comunicação, sendo nulas as atuações relativas (anexo 08). Neste sentido a IN 04/1998. Só a partir de 01 de janeiro de 2000, a secretaria da Receita Federal modificou o seu entendimento editando a IN n. 163/1999 para estabelecer a obrigatoriedade da comunicação independentemente do valor da operação. 22.Diante do texto das 1Ns 04/98, 163/99 e 51/01, no período compreendido entre 01 de janeiro de 2000 até 03 de junho de 2001 toda a lavratura que decorresse de operações imobiliárias realizadas há mais de 05 anos estava dispensada de comunicação (anexo 09, fls. 680/681). "Instrução Normativa SRF n°04, de 12 de janeiro de 1998: Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 7 11 Art. 3º O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve ser utilizado para declarar as operações: I realizadas a partir de 01/01/98; relativas a exercícios anteriores, inclusive as retificadas e canceladas, quando a entrega for efetuada a partir de 21/01/98. Art. 6° Os Cartórios mencionados no artigo 1 0 estão obrigados a apresentar a DOI, quando o valor de alienação do imóvel for superior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Parágrafo único. Será considerado como valor fiscal o valor da operação imobiliária informado entre as partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis ITBI "Instrução Normativa SRF n°163, de 23 de dezembro de 1999 Art. 3º O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve ser utilizado para declarar as operações imobiliárias: I realizadas a partir de 12 de janeiro de 2000;11 relativas a exercícios anteriores, inclusive as retificadas e canceladas, quando a entrega for efetuada a partir de 21 de janeiro de 2000. Art. 5. A DOI deverá ser entregue em disquete de 3,5 polegadas, na unidade da SRF do domicilio do cartório declarante. § PA partir de 12 de janeiro de 2000, os Cartórios mencionados no artigo 1º estão obrigados a apresentar a DOI, independente do valor da operação imobiliária. § 2º O valor da operação imobiliária será o informado pelas partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis ITBI." Art. 6º Ficam os Cartórios dispensados de preencher a DOI, quando: I se tratar de desapropriação para fins de reforma agrária, conforme disposto no parágrafo 52 do art. 184 da Constituição Federal; II a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação sejam decorrentes de operações imobiliárias realizadas há mais de 05 (cinco) anos; III a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação foram comunicadas à SRF e no documento apresentado constar a expressão "EMITIDA A DOI; IV o imóvel financiado retornar ao agente financeiro por execução judicial; V a transferência do imóvel se der por usucapião. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 "Instrução Normativa SRF n°56, de 31 de Maio de 2001 Art. 2° A declaração deverá ser apresentada sempre que ocorrer operação imobiliária de aquisição ou alienação, realizada por pessoa física ou jurídica, independente de seu valor, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados, matriculados ou registrados no respectivo cartório. § 1º valor da operação imobiliária será o informado pelas partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis ITBI. § 2º 0 preenchimento da DOI deve ser feito: I pelo Cartório de Oficio de Notas, quando da lavratura do instrumento que tenha por objeto a alienação de imóveis, fazendo constar do respectivo instrumento a expressão "EMITIDA A DOI"; pelo Cartório de Registro de Títulos e Documentos, quando promover registros de documentos que envolvam alienações de imóveis, celebradas por instrumento particular, fazendo constar do respectivo documento a expressão "EMITIDA A DOI"; III pelo Cartório de Registro de Imóveis, quando o documento tiver sido: a) celebrado por instrumento particular; b) celebrado por autoridade particular com força de escritura pública;c) emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública; d) lavrado pelo Cartório de Oficio de Notas e não constar a expressão "EMITIDA A DOI". Utilização do Programa Gerador da Declaração em Disquete “Art. 3° 0 programa aprovado por esta Instrução Normativa deve ser utilizado para declarar as operações imobiliárias: I realizadas a partir de I° de junho de 2001; II relativas a exercícios anteriores, inclusive as retificadas e canceladas, quando a entrega for efetuada a partir de 1° de junho de 2001. () Art. 6° Os cartórios ficam dispensados de preencher a DOI, quando: I se tratar de desapropriação para fins de reforma agrária, conforme disposto no § 5° do art. 184 da Constituição Federal; II a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação decorrerem de instrumentos celebrados há mais de cinco anos, contados: a) da data de lavratura, se instrumento público; b) da data do registro, se instrumento particular; Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 8 13 c) da data da emissão do documento, se emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública; 23. Também aduz o Impugnante que nunca houve intimação para que se cumprissem as obrigações acessórias. Assim, deveria ter sido aplicado pelo agente a redução de 50%, e não a de 25%, como foi realizado. Não tem razão o recorrente, tendose em vista que o art. 8°, em seu § 2°, inciso II, prescreve que a multa será reduzida à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de oficio. Mas houve procedimento de oficio: a intimação de fl. 03 para que prestasse esclarecimentos sobre a ausência de DOIs (ou apresentasse os recibos de entrega) para o período de janeiro de 1998 a dezembro de 2000. 24. A respeito do pleito do Impugnante de que ocorreu a parcial decadência (a autoridade lavrou o auto de infração pelo atraso na entrega de obrigação acessória no dia 11/07/2003 e o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, através do lançamento, relativo às infrações tributárias ocorridas no período compreendido entre 01/01/1998 a 31/05/1998 encontra seia obstacularizado pela decadência), ver anexo 10), devese ter em vista que o fato gerador da multa foi a entrega em atraso da DÓI (ocorrida em junho e julho de 2002). A partir desta entrega para frente não houve o decurso do prazo de cinco anos (a ciência deuse em 15/07/2003 (AR de fl. 398)). Logo, não há o que se falar em decadência. 25. A respeito da afirmativa de que a imposição de multa nos moldes propostos inviabilizaria a continuidade da prestação do serviço, seria desproporcional, desarrazoada e inconstitucional (ou de que desarrazoada seria também a imposição de valor mínimo, sem valor máximo), importante adicionar que é principio assente na doutrina pátria o de que os órgãos administrativos em geral não podem negar aplicação a uma Lei ou Decreto porque lhes pareça inconstitucional, já que leis emanadas do Poder competente gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta só elidida pelo Poder Judiciário. 26.Por fim, devese excluir a multa relativa às DOIs n. 198, 100, 200 e 101, todas já apresentadas e apuradas na autuação original de 15/07/2003. (...) 27.Pelo exposto, voto por considerar procedente em parte o lançamento. Intimada em 16/12/2008, a contribuinte apresentou Recurso em 15 de janeiro de 2009, alegando que: Em 16/12/2008, o recorrente foi cientificado — documento 01 da decisão exarada, recebendo cópia do Acórdão e intimação para pagamento da guia anexada — documento 02, com valor Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 total de R$1.731.770,61 (hum milhão setecentos e trinta e um mil setecentos e setenta reais e sessenta e um centavos) subdividido em R$985.023,96 (novecentos e oitenta e cinco mil vinte e três reais e noventa e seis centavos) a titulo de multa e R$746.746,45 (setecentos e quarenta e seis mil setecentos e quarenta e seis reais e quarenta e cinco centavos) a titulo de "juros e/ou encargos DL 1.025/69". Tal intimação, desrespeitando o Acórdão exarado, impõe o pagamento sem informar o direito a recurso, em flagrante violação A ampla defesa e contraditório — documento 01. E mais, a guia encaminhada com a intimação para pagamento deixa de fazer a devida dedução do montante exonerado pela 2ª Turma de Julgamento valorando a multa em R$985.023,96 — documento 02. Ora, se a revisão do lançamento havia diminuído a multa para R$1.046.687,61 e se o valor exonerado totaliza R$323.699,23, por simples operação matemática se tem o valor da multa após o julgamento, R$722.988,38 (setecentos e vinte e dois mil novecentos e oitenta e oito reais e trinta e oito centavos). Esse deveria ser o valor da multa inserido no campo 08 da guia remetida ao recorrente (e não R$985.023,96). No que tange ao valor dos ditos "juros e/ou encargos" mencionados no campo 09 da guia — documento 02, temse um flagrante desrespeito ao contribuinte visto que não há qualquer memória de cálculo ou mesmo fundamento legal especifico, possibilitando a conferência. De qualquer maneira, é lógico que o erro aritmético no calculo da multa (de R$262.035,58) acarretou na inclusão indevida de juros (R$746.746,45 devem corresponder ao juros "devidos" pela multa de R$985.023,96. Como o valor da multa atualmente é de R$722.988,38, certamente os juros, neste momento, serão menores dos que os indicados). No mais, traz os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação, com outra roupagem lingüística, impugnando: 1) a retificação dos equívocos da tabela inserida no corpo do julgado – não inserção de diversas DOI listadas nos anexos acatados; 2) a declaração da nulidade do Auto de Infração em virtude da falta de capitulação do fato; 3) a declaração da nulidade do Auto de Infração pela falta de narrativa e demonstração individualizada das infrações; 4) a declaração da nulidade das autuações referentes ao período compreendido entre 01/01/01 a 31/12/01, diante da falta da juntada dos recibos de entrega, documentos estes necessários à comprovação da infração; 5) a declaração da nulidade das autuações relativas a instrumentos cancelados ou anulados; 6) a declaração da nulidade das autuações relativas à operações desobrigadas de pagamento de ganho de capital; Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 9 15 7) a declaração da nulidade do auto de infração pela imposição prejudicial das Leis 10.426/02 e 10.865/04 ferindo o principio da irretroatividade da lei prejudicial; 8) a declaração da nulidade do auto de infração diante da falta de concessão da redução das multas em 50% conforme previsto em lei, diante da inexistência de intimação para cumprimento da obrigação; 9) a decretação da nulidade do auto de infração diante da aplicabilidade do artigo 138 do CTN para excluir totalmente a multa imposta ao serventuário; 10) a declaração da nulidade do auto em virtude da decadência do direito de lançar relativo ao período de 01/01/1998 a 31/05/1998, tendo em vista que a autuação somente se deu em 11/07/2003; 11) a declaração da nulidade do auto de infração em virtude s falta e tipicidade da conduta "atrasar a entrega" da DOI, que somente foi tipificada na Li 10.426/02 12) a declaração da nulidade do auto de infração diante da inconstitucionalidade da cobrança das multas no percentual e limite imposto por ferir os princípios constitucionais da reserva legal, razoabilidade, proporcionalidade, vedação de confisco e propriedade. Este é o Relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso Os Recursos são tempestivos e atendem aos requisitos legais, por isso os conheço. Quanto ao Recurso de Ofício, o mesmo não merece prosperar. Isso porque as reduções e cancelamentos feitos pela DRJ são matérias de fato e de direito que atenderam perfeitamente às imperfeições do lançamento fiscal. Vejamos o que constou na decisão recorrida de ofício: 18. No que se refere à alegação de que a base de cálculo usada pelo auditor fiscal não foi convertida para o Real em alguns casos, sendo indevidamente colocados os valores declarados nas DOI's expressos em outras moedas, como se fossem reais, conforme anexo 04 (fls. 446/448) e anexo 12 (fl. 869), acatase o protesto do Impugnante, recompondose a multa para cada operação com o valor atualizado. A primeira delas se refere à conversão para a moeda à época, o Real, o que não se discute em razão da vigência da legislação que tratou do plano real. Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 16 O segundo acolhimento se refere aos instrumentos repetidos declarados pelos funcionários do tabelionato. Nesse caso, a despeito da imperícia ter sido praticada pela contribuinte, não há que se falar em aplicação de pena em razão da duplicidade das informações prestadas, pois se configuraria um bis in idem. Vejamos o que constou na decisão da DRJ: 20. Devemse anular as autuações referentes aos instrumentos repetidos que, por equivoco do funcionário do tabelionato foram declarados à Receita Federal (anexo 07, fl. 674). Quanto aos cancelados, devese observar o disposto no art. 3 °, II, da IN 04/1998. A terceira inconsistência está dispensa da comunicação nas informações nos períodos de janeiro de 1998 a dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$ 20.000,00, sendo bem cancelado pela DRJ que aplicou a legislação vigente à época. Vejamos: 21.Acatase o protesto do Impugnante de que os fatos imponíveis ocorridos no período compreendido entre janeiro de 1998 a dezembro de 1999 com valor de alienação igual ou inferior a R$ 20.000,00 estavam dispensados de comunicação, sendo nulas as atuações relativas (anexo 08). Neste sentido a IN 04/1998. Só a partir de 01 de janeiro de 2000, a secretaria da Receita Federal modificou o seu entendimento editando a IN n.º 163/1999 para estabelecer a obrigatoriedade da comunicação independentemente do valor da operação. Ademais, a decisão da DRJ entendeu ainda, aplicando os textos normativos regulamentadores, que no período de janeiro de 2000 a 3 de junho de 2001 toda a lavratura que ocorre de operações imobiliárias realizadas há mais de 5 anos estava dispensada de comunicação. Vejamos: 22.Diante do texto das 1Ns 04/98, 163/99 e 51/01, no período compreendido entre 01 de janeiro de 2000 até 03 de junho de 2001 toda a lavratura que decorresse de operações imobiliárias realizadas há mais de 05 anos estava dispensada de comunicação (anexo 09, fls. 680/681). "Instrução Normativa SRF n°04, de 12 de janeiro de 1998 Art. 3º O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve ser utilizado para declarar as operações: I realizadas a partir de 01/01/98; relativas a exercícios anteriores, inclusive as retificadas e canceladas, quando a entrega for efetuada a partir de 21/01/98. Art. 6° Os Cartórios mencionados no artigo 1º estão obrigados a apresentar a DOI, quando o valor de alienação do imóvel for superior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Parágrafo único. Será considerado como valor fiscal o valor da operação imobiliária informado entre as partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis ITBI "Instrução Normativa SRF n°163, de 23 de dezembro de 1999 Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 10 17 Art. 3º O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve ser utilizado para declarar as operações imobiliárias: I. realizadas a partir de 12 de janeiro de 2000; 11 relativas a exercícios anteriores, inclusive as retificadas e canceladas, quando a entrega for efetuada a partir de 21 de janeiro de 2000. Art. 5. A DOI deverá ser entregue em disquete de 3,5 polegadas, na unidade da SRF do domicilio do cartório declarante. §1º. A partir de 12 de janeiro de 2000, os Cartórios mencionados no artigo 1º estão obrigados a apresentar a DOI, independente do valor da operação imobiliária. § 2º O valor da operação imobiliária será o informado pelas partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis ITBI." Art. 6º Ficam os Cartórios dispensados de preencher a DOI, quando: I se tratar de desapropriação para fins de reforma agrária, conforme disposto no parágrafo 52 do art. 184 da Constituição Federal; II a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação sejam decorrentes de operações imobiliárias realizadas há mais de 05 (cinco) anos; III a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação foram comunicadas à SRF e no documento apresentado constar a expressão "EMITIDA A DOI; IV o imóvel financiado retornar ao agente financeiro por execução judicial; V a transferência do imóvel se der por usucapião. "Instrução Normativa SRF n°56, de 31 de Maio de 2001 Art. 2° A declaração deverá ser apresentada sempre que ocorrer operação imobiliária de aquisição ou alienação, realizada por pessoa física ou jurídica, independente de seu valor, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados, matriculados ou registrados no respectivo cartório. § 1º O valor da operação imobiliária será o informado pelas partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis ITBI. § 2º O preenchimento da DOI deve ser feito: I pelo Cartório de Oficio de Notas, quando da lavratura do instrumento que tenha por objeto a alienação de imóveis, Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 18 fazendo constar do respectivo instrumento a expressão "EMITIDA A DOI"; pelo Cartório de Registro de Títulos e Documentos, quando promover registros de documentos que envolvam alienações de imóveis, celebradas por instrumento particular, fazendo constar do respectivo documento a expressão "EMITIDA A DOI"; III pelo Cartório de Registro de Imóveis, quando o documento tiver sido: a) celebrado por instrumento particular; b) celebrado por autoridade particular com força de escritura pública; c) emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública; d) lavrado pelo Cartório de Oficio de Notas e não constar a expressão "EMITIDA A DOI". Utilização do Programa Gerador da Declaração em Disquete “Art. 3°. O programa aprovado por esta Instrução Normativa deve ser utilizado para declarar as operações imobiliárias: I realizadas a partir de 1° de junho de 2001; II relativas a exercícios anteriores, inclusive as retificadas e canceladas, quando a entrega for efetuada a partir de 1° de junho de 2001. () Art. 6° Os cartórios ficam dispensados de preencher a DOI, quando: I se tratar de desapropriação para fins de reforma agrária, conforme disposto no § 5° do art. 184 da Constituição Federal; II a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação decorrerem de instrumentos celebrados há mais de cinco anos, contados: a) da data de lavratura, se instrumento público; b) da data do registro, se instrumento particular; c) da data da emissão do documento, se emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública; Portanto, acolho os fundamentos trazidos pela DRJ quanto à dispensa da comunicação da entrega do DOI nos casos em que houverem mais de 5 anos da ocorrência do fato jurídico nos termos do artigo 6º, inciso II, acima transcrito. Ficou consignada ainda a exclusão das penalidades quanto às Declarações nº 198, 100, 200 e 101, visto que já foram apuradas na autuação original, não podendo ser inserida no lançamento novamente: 26.Por fim, devese excluir a multa relativa às DOIs n. 198, 100, 200 e 101, todas já apresentadas e apuradas na autuação original de 15/07/2003. Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 11 19 (...) Por fim, quanto à aplicação retroativa da penalidade, cabe aplicar o artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, nos casos em que a legislação posterior apresentar multa menos gravosa. Com o advento da Lei nº 10.426/2002, o percentual foi reduzido para 0,1% ao mês ou fração, sobre o valor da operação. Nesse caso, não se discute, pois a legislação tributária é expressa em aplicar a retroatividade. Nestes termos, não há o que reformar na decisão da DRJ quanto a esses cancelamentos. Quanto ao Recurso Voluntário, entendo que em parte assiste razão à recorrente. Primeiramente, há uma questão a ser esclarecida à Recorrente, que segundo a mesma houve um erro na emissão da guia de pagamento do débito após a edição do Acórdão pela DRJ. Vejamos: Em 16/12/2008, o recorrente foi cientificado — documento 01 da decisão exarada, recebendo cópia do Acórdão e intimação para pagamento da guia anexada — documento 02, com valor total de R$1.731.770,61 (hum milhão setecentos e trinta e um mil setecentos e setenta reais e sessenta e um centavos) subdividido em R$985.023,96 (novecentos e oitenta e cinco mil vinte e três reais e noventa e seis centavos) a titulo de multa e R$746.746,45 (setecentos e quarenta e seis mil setecentos e quarenta e seis reais e quarenta e cinco centavos) a titulo de "juros e/ou encargos DL 1.025/69". Tal intimação, desrespeitando o Acórdão exarado, impõe o pagamento sem informar o direito a recurso, em flagrante violação A ampla defesa e contraditório — documento 01. E mais, a guia encaminhada com a intimação para pagamento deixa de fazer a devida dedução do montante exonerado pela 2ª Turma de Julgamento valorando a multa em R$985.023,96 — documento 02. Ora, se a revisão do lançamento havia diminuído a multa para R$1.046.687,61 e se o valor exonerado totaliza R$323.699,23, por simples operação matemática se tem o valor da multa após o julgamento, R$722.988,38 (setecentos e vinte e dois mil novecentos e oitenta e oito reais e trinta e oito centavos). Esse deveria ser o valor da multa inserido no campo 08 da guia remetida ao recorrente (e não R$985.023,96). No que tange ao valor dos ditos "juros e/ou encargos" mencionados no campo 09 da guia — documento 02, temse um flagrante desrespeito ao contribuinte visto que não há qualquer memória de cálculo ou mesmo fundamento legal especifico, possibilitando a conferência. Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 20 De qualquer maneira, é lógico que o erro aritmético no calculo da multa (de R$262.035,58) acarretou na inclusão indevida de juros (R$746.746,45 devem corresponder aos juros "devidos" pela multa de R$985.023,96. Como o valor da multa atualmente é de R$722.988,38, certamente os juros, neste momento, serão menores dos que os indicados). Destacase que a fiscalização apenas apontou o valor do débito após a revisão do lançamento, sendo que ainda encontravase pendente Recurso de Ofício a ser julgado no processo, não cabendo ao órgão emissor de débitos da Receita Federal emitir guia para pagamento antes de existir pendência de julgamento recurso de ofício. Nestes termos, caso essa Colenda Turma mantenha o cancelamento ocorrido no acórdão da DRJ, o órgão competente da administração fará as devidas reduções em cumprimento à decisão do Carf, fazendo as reduções pertinentes, sob pena de não cumprimento de decisão dessa Corte, o que acarreta problemas a agente responsável pelo órgão arrecadador. Inicialmente, cumpre destacar que a decisão da DRJ merece reparos em seus fundamentos, visto que contou o prazo decadencial em desconformidade com a lei tributária e com a jurisprudência do STJ Vejamos: 24. A respeito do pleito do Impugnante de que ocorreu a parcial decadência (a autoridade lavrou o auto de infração pelo atraso na entrega de obrigação acessória no dia 11/07/2003 e o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, através do lançamento, relativo às infrações tributárias ocorridas no período compreendido entre 01/01/1998 a 31/05/1998 encontra seia obstacularizado pela decadência), ver anexo 10), devese ter em vista que o fato gerador da multa foi a entrega em atraso da DÓI (ocorrida em junho e julho de 2002). A partir desta entrega para frente não houve o decurso do prazo de cinco anos (a ciência deuse em 15/07/2003 (AR de fl. 398)). Logo, não há o que se falar em decadência. A invés de contar da data do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte, inovou não se sabendo sobre qual embasamento legal, que o prazo de decadência se iniciaria a partir da entrega das declarações. Com o devido respeito, mas não se pode acolher tamanha pretensão. Isso porque, a despeito de não se tratar da constituição de um tributo, mas de uma penalidade, poderia até suscitar que o prazo de inicio da decadência seria a partir do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN. Considerando a data da lavratura do Auto de Infração em 11/07/2003, se aplicássemos o prazo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, entendimento que vem prevalecendo nessa corte em razão da edição de Súmulas no fim do ano de 2014 sobre matérias que envolvem multas isoladas, o prazo de início da contagem do prazo para os fatos geradores do período de 01/01/1998 a 31/05/1998, se iniciaria em 1999, finalizando em 31/12/2003, portanto, não houve a decadência, porém sob o fundamento ora apresentado, e não aquele inventado sem amparado legal pela DRJ. Nestes termos, não acolho nas alegações da Recorrente quanto à decadência. Quanto às nulidades narradas, vejamos cada uma. Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 12 21 Primeiramente, cumpre destacar que não há falta de fundamento legal para a cobrança de multa por atraso na entrega das Declarações Imobiliárias. Como bem visto na decisão da DRJ, a legislação é clara em contemplar também o atraso, considerando a fixação temporal (prazo) para a entrega das DOIs pelos cartórios: Decretolei n ° 1.510, de 1976 "Art. 15 Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis Títulos e Documentos, ficam obrigados a fazer comunicação a Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas, conforme definido no art. 2 ° , § 1°, do Decretolei n°1.381, de 23 de dezembro de 1974. § 1º A comunicação deve ser efetivada em formulários padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal. § O não cumprimento do disposto neste artigo sujeitará o infrator a multa correspondente a 1% (um por cento) do valor do ato." 9.Esse fundamento legal da exigência foi compilado nos artigos 976 e 1.010, do RIR/1994 e reproduzidos nos artigos 940 e 976 do RIR/1999, abaixo transcritos: "Art. 976. Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos ficam obrigados a fazer comunicação Secretaria da Receita Federal, em formulário padronizado e no prazo que for fixado, dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas." "Art. 1010. Será aplicada a multa de um por cento do valor do ato a serventuários da Justiça responsáveis por cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo não cumprimento do disposto no art. 976." "Art. 940. Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos ficam obrigados a fazer comunicação Secretaria da Receita Federal, em formulário padronizado e no prazo que for fixado, dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas (Decretolei n°1.510, de 1976, art.15 e § 1°) § 2° 0 disposto neste artigo aplicase, também, nas hipóteses de aquisições de imóveis por pessoas jurídicas (Lei. n°9.532, de 1997, art. 71)." Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 22 "Art. 976 Será aplicada a multa de um por cento do valor do ato aos serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, pelo não cumprimento do disposto no art. 940 (Decretolei n°1.510, de 1976, art. 15, e § 2°)". (Grifouse) (...) 11. No presente caso, restou comprovado a entrega das DOI em atraso, apresentadas em junho e julho de 2002, com informações referente a operações realizadas de 1998 a 2002, extratos às fls. 10 a 247, o que redundou na cobrança da multa. Isto por que existe prazo fixado por norma legal desde a edição da Instrução Normativa SRF n° 04, de 12 de janeiro de 1998, e seguintes. A Instrução Normativa SRF nº 04, de 12 de janeiro de 1998, estabeleceu o prazo para a apresentação da DOI: "a declaração deverá ser apresentada até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente que ocorrer a operação que caracterize a aquisição ou alienação do imóvel.". Desta forma, consideramos que a DOI é de apresentação mensal e é composta pelas informações das operações que caracterizem a aquisição ou alienação de imóvel do mês anterior e de operações não informadas em meses anteriores (que configurarão informações apresentadas em atraso). A partir das informações apresentadas em atraso na DOI mensal será calculada uma multa, única para cada mês, apesar poder ser oriunda de diversas informações (de diferentes operações imobiliárias). Nestes termos, entendo que houve perfeitamente a subsunção do conceito fato (atraso na entrega da declaração), com o conceito norma, que previu prazo para a entrega da DOI sob pena de multa. Quanto à falta de fundamentação, falta de narrativa e falta de demonstração das autuações de forma individualizada, entendo que a contribuinte não assiste razão. Isso porque, como bem se observa da autuação fiscal, a imputação da multa isolada está devidamente informada, inclusive com as identificações de cada operação. Desde o inicio do procedimento fiscal as operações foram devidamente identificadas e a fiscalização inclusive solicitou justificativa e o pagamento das guias quanto às penalidades. Nestes termos, entendo pela inexistência de nulidade nessa parte. Quanto à nulidade alegada referente ao período de 01/01/01 a 31/12/01, por suposta falta da juntada dos recibos de entrega, entendo que essa formalidade não afetou em nada o lançamento, visto que as informações de todas as operações foram efetivamente identificadas, com seu tempo e valor, o que não gerou nenhum cerceamento do direito de defesa. Tanto é que a contribuinte defendeuse muito bem em sua impugnação e recurso, com argumentos e fundamentos relevantes. Assim, afasto a preliminar de nulidade ora apontada. Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 11516.001505/200359 Acórdão n.º 1201001.188 S1C2T1 Fl. 13 23 Quanto à declaração de nulidade das autuações relativas a instrumento cancelados ou anulados, entendo que a contribuinte assiste razão. A legislação não faz nenhuma exceção, mas por critério de razoabilidade e proporcionalidade da aplicação da penalidade, as operações canceladas ou anuladas não produzem efeitos jurídicos não podendo ser fundamento para a aplicação de penalidade, mesmo nos casos de obrigação acessória, desde que tenha sido identificada quais foram as referidas operações anuladas ou canceladas. Nestes termos, entendo pela reforma da decisão da DRJ nesta parte. Já as operações que produziram efeitos jurídicos, porém não existiu a exigência do ganho de capital, não há que deixar de reconhecer a necessidade da informação no DOI, pois a despeito da inexistência do tributo, a obrigação acessória não serve apenas para fundamentar exigência tributaria, servindo também para controle das operações e principalmente para o controle das informações, até mesmo para que a fiscalização possa verificar se é ou não caso de isenção do tributo. Nestes termos, sendo válida a operação, produzindo seus efeitos jurídicos, deve ser aplicada a penalidade quanto ao atraso ou falta de informação no DOI das operações mesmo sem o pagamento de ganho de capital. Quanto ao argumento de que a legislação posterior veio prejudicar ao contribuinte ao estabelecer um valor fixo de R$ 20,00 por multa por mês, há operações devidamente identificadas pelo contribuinte em sua impugnação às fls. 871 a 875 dos autos (denominado anexo 13), a multa aplicada de 1% vigente à época dos fatos, aparentemente, é mais favorável ao contribuinte nas referidas operações. Nestes termos, entendo que a retroatividade da legislação somente ocorrer nos termos do artigo 106, II, “c”, do CTN, para beneficiar o contribuinte, e jamais para agravar sua situação. Com isso, entendo pela inaplicabilidade do disposto na decisão abaixo transcrita nos casos em que o valor da penalidade, quando calculado a 1%, não ultrapasse os R$20,00. Vejamos: 10. No que diz respeito a autuação deve ser observado ainda que, com o advento da Lei nº 10.426, de 2002, o percentual de 1% foi reduzido para "0,1% ao mêscalendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um 1% (por cento), observado o limite mínimo de R$ 500,00", consoante disposto no art. 8° § 1° e 2°, inciso II. Este percentual, em atendimento ao princípio da retroatividade benigna da lei, previsto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, deve ser estendido a fatos ocorridos anteriormente vigência da referida lei, com a observância da modificação prescrita pela Lei n.º 10.865, de 30/04/2004, que previu o mínimo de R$ 20,00 de multa: (...) Já em relação à redução da multa em 50%, conforme prevê a legislação abaixo transcrita, somente seria o caso de aplicar a redução nesse patamar se a contribuinte estivesse de forma espontânea realizando a declaração. Não se trata do caso dos autos, pois a fiscalização iniciou o procedimento de fiscalização intimando a contribuinte a apresentar os recibos do DOI: Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 24 § 22. A multa de que trata o § 12: 1 terá como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração; 11 será reduzida: a) à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de oficio; h) a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação; III — será de, no mínimo, R$ 20,00 (vinte reais). (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) Portanto, não é caso de aplicação do artigo 138 do CTN. Quanto à inconstitucionalidade da legislação que institui a penalidade, cumpre destacar que esse E. Tribunal não é competente para afastar lei por critério de inconstitucionalidade, conforme disposto na Súmula nº 2 do CARF. Diante do exposto, CONHEÇO dos Recursos, para NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, afastar as preliminares do Recurso Voluntário, e no mérito, DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a inaplicabilidade da multa no caso das operações anuladas e na impossibilidade da retroatividade da legislação quando a multa de 1% for menor que R$ 20,00, devendo prevalecer a multa em percentual. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001259/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003
IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS MANTIDAS NO EXTERIOR POR PESSOA JURÍDICA DA QUAL O CONTRIBUINTE FIGURA APENAS COMO REPRESENTANTE.
Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 eventual omissão decorrente de depósitos bancários cuja origem não for comprovada deve ser imputada ao titular da conta bancária, e não ao seu representante legal, salvo nos casos em que restar configurada a hipótese de interposição de pessoa.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO.
Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas.
Numero da decisão: 2102-001.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR as preliminares, vencida a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi (relatora) que a reconhecia a preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito, por maioria de votos, acordam em DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a multa isolada do carnê-leão, vencida a Conselheira relatora que dava provimento ao recurso e o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira que dava provimento em menor extensão, para apenas cancelar a multa isolada do carnê-leão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
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OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS MANTIDAS NO EXTERIOR POR PESSOA JURÍDICA DA QUAL O CONTRIBUINTE FIGURA APENAS COMO REPRESENTANTE. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 eventual omissão decorrente de depósitos bancários cuja origem não for comprovada deve ser imputada ao titular da conta bancária, e não ao seu representante legal, salvo nos casos em que restar configurada a hipótese de interposição de pessoa. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR as preliminares, vencida a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi (relatora) que a reconhecia a preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito, por maioria de votos, acordam em DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a multa isolada do carnê- leão, vencida a Conselheira relatora que dava provimento ao recurso e o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira que dava provimento em menor extensão, para apenas cancelar a multa isolada do carnê-leão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 2 Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima – Redator ad hoc Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Redatora designada EDITADO EM: 07 de fevereiro de 2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls.226/236, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002 e 2003, no valor total de R$ 75.438.040,83 (setenta e cinco milhões, quatrocentos e trinta e oito mil quarenta reais e oitenta e três centavos), assim composto: i. Imposto R$ 22.384.587,37 ii. Juros de Mora (cálculo até 31/08/2007) R$ 19.437.431,49 iii. Multa Proporcional R$ 33.576.881,05 iv. Multa exigida isoladamente R$ 39.140,92 Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 177/184, a presente fiscalização ocorreu em função da movimentação, por parte do contribuinte, de valores no exterior, na chamada Operação Beacon Hill. Os documentos e informações foram trazidos para o Brasil em função de decisão judicial do Juizo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR. O mesmo juízo autorizou a transferência de tais dados à SRF (Secretaria da Receita Federal). As acusações são de: 001 - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR Omissão de rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no exterior, conforme demonstrado no Termo de Verifica .ção de Infráção, em anexo que fica fazendo parte integrante do presente auto de infração. 002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), no exterior, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração, em anexo, que fica fazendo parte integrante do presente auto de infração. 003 - MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNÊ-LEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnê-leão, apurada conforme discriminado no Termo de Verificação de Infração, em anexo que fica fazendo parte integrante do presente auto de infração. Com base nesses elementos, evidenciou-se que diversos contribuintes nacionais, a priori identificados como possíveis doleiros, ou mesmo brasileiros com participação em empresas offshore, teriam atuado como intermediários para a movimentação de divisas no exterior, em seu próprio nome ou em nome de terceiros, com ou sem intermediação de terceiros, utilizando-se de contas/subcontas mantidas nas instituições financeiras Merchants Bank, MTB-CBC-Hudson Bank, Lespan e Safra Banlc. A fim de proceder ao exame dos fatos, a Equipe Especial de Fiscalização analisou a documentação disponibilizada de forma a qualificar os responsáveis brasileiros pelas diversas contas mantidas nas instituições financeiras. O contribuinte Clark Setton foi identificado como responsável, junto com outros sócios, pelas seguintes empresas e contas Kundo S/A — conta 03011301; Solid Fin Corp. — conta 71517; Bradner Investment S/A — conta 9002934; Lessner Corp S/A — conta 900292 e Depolo Corp. S/A — conta 3010089. Em depoimento a 2a Vara Criminal de Curitiba assim como em resposta às intimações efetuadas pela fiscalização, o Sr. Clark Setton declarou (fl. 143) que as contas movimentadas apenas por eles eram a Bradner e a Depolo, os depósitos pertenciam a diversas pessoas físicas e/ou jurídicas e que o seu ganho foi sempre limitado ao "spread", que flutuava de acordo com o volume financeiro da operação. As demais contas eram movimentadas exclusivamente pelos outros sócios, cuja ação fiscal foi procedida pela DEFIC/DEFIS/SP, tendo em vista os seus domicílios fiscais. Com base nas informações prestadas pelo contribuinte, a fiscalização concentrou as investigações nas referidas contas e solicitou maiores esclarecimentos (fl. 152) acerca do "spread" auferido em cada operação e da identificação dos responsáveis pelos depósitos. Em resposta (fls. 149 e 176), o contribuinte afirmou que o ganho era de no máximo 0,5% de cada operação e que, tendo em vista a precária informação dos extratos não seria possível identificar caso a caso os reais proprietários dos recursos transacionados. Tendo em vista as irregularidades apuradas, foi lavrado o auto de infração relativamente aos anos-calendário 2001 e 2002, em que os valores dos depósitos efetuados nas contas Bradner e Depolo tiveram os seguintes tratamentos tributários: 1. Quanto aos depósitos que foram identificados (pessoas físicas ou jurídicas, exceto instituições financeiras), foi calculado o valor da comissão (spread) que o contribuinte alegou ter recebido, no percentual de 0,5% sobre cada operação, tendo sido o contribuinte autuado por Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior. Enquadramento Legal: art. 55. inciso VII, combinado com o inciso X do RIR/99. Sobre esses rendimentos foi ainda lançada ainda multa isolada no percentual Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 4 de 50% sobre o valor do imposto devido, conforme disciplina o art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. 2. Todos os depósitos não comprovados e não identificados, assim considerados àqueles cujas informações acerca da origem foram do tipo "one of our clients", "one of our consumer” ou outras siglas indecifráveis, foram lançados como depósitos bancários de origem não comprovada. Enquadramento legal: art. 849 do RIR199. Por entender que houve dolo na conduta reiterada do contribuinte de movimentar recursos em instituições estrangeiras à margem de qualquer informação às autoridades brasileiras, foi aplicada multa de oficio no percentual de 150% sobre o imposto apurado. Em apenso aos autos segue representação fiscal para fins penais formalizada conforme previsto na Portaria SRF n.° 2.752/2001, apontando a ocorrência de fatos que, em tese, configurariam crime contra a ordem tributária. A ciência do lançamento se deu em 25/09/2007, por intermédio de seu procurador, e, em 25/10/2007, foi apresentada impugnação de fls. 890/928, com as argumentações abaixo sintetizadas: • o Auto é nulo porque lastreado em prova obtida por meios ilícitos, nos termos do art. 5 0, LVI, da Constituição Federal; • da mesma forma, a documentação que lastreia o auto foi emprestada do processo criminal já citado, o que não é admitido pela doutrina e pela jurisprudência pátrias, pois ela, de per si, não seria indício suficiente para validar a obrigação tributária, permitindo apenas que o fisco aprofundasse a fiscalização e, se fosse o caso, concluísse sobre a efetividade da ocorrência dos fatos geradores; • o auto, no seu item I, teria sido calcado em presunção simples, o que não é admitido pelo direito tributário brasileiro. O fisco deve provar a ocorrência do fato gerador do tributo e, no caso, apenas presumiu que o ganho obtido nas supostas operações cambiais teria sido de 0,5%, informação essa fornecida pelo contribuinte de forma estimada e sem qualquer suporte em documentação comprobatória de sua real ocorrência; • o impugnante seria ilegítimo para figurar no pólo passivo da obrigação tributária, em respeito ao princípio da entidade, pois as contas correntes bancárias citadas no auto pertenceriam a empresas offshores; • o auto, no seu item II, ainda que tenha sido fundamentado em presunção legal, ofende o princípio da busca pela verdade material, porque a própria fiscalização teria admitido que os créditos/depósitos não pertenceriam ao contribuinte. Ora, como pode uma presunção legal valer mais do que a realidade dos fatos públicos e notórios de que os valores depositados nas contas correntes não pertenceriam ao contribuinte? Se assim for, estar-se-ia admitindo cobrar penalidade pecuniária (multa) travestida de tributo (lançado por presunção legal), o que seria inadmissível; • o auto ofenderia o raciocínio lógico quando admite, de um lado, que a mera indicação nos extratos bancários do nome de pessoas ou empresas seria suficiente para comprovar a origem dos créditos bancários na forma exigida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 e, de outro lado, o fisco não aceita como comprovada a origem de créditos quando há mera indicação de nomes de instituições financeiras que funcionaram na qualidade de contraparte dos reais proprietários dos depósitos. Há, pois, no caso, a adoção de critério de fiscalização incoerente, na medida em que usa de interpretações distintas para situações equivalentes; Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA • na esteira da busca pela verdade material, o fisco, no mínimo, deveria ter diligenciado junto aos bancos emissores dos extratos, ou mesmo das instituições financeiras de nosso país citadas nos ditos extratos, para averiguar e confirmar a titularidade dos reais depositantes dos créditos bancários. Se isso não foi feito, desde já o impugnante protesta pela realização de diligências nesse sentido, em respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório; • o § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, somente teria vigência a partir de 01.01.2003, de maneira que a constituição de crédito tributário sobre fatos geradores anteriores a essa data, ainda que por presunção legal, violaria o princípio constitucional da irretroatividade; • a aplicação da multa qualificada não pode ser mantida porque: (a) não tendo sido definitivamente provada a conduta dolosa do impugnante, a fiscalização agiu com presunção o que, por si só, não autoriza o lançamento da multa qualificada e, sequer, a sua manutenção; (b) a exasperação da multa dependeria da confirmação de o impugnante ter agido dolosamente, o que não compete ao fisco avaliar nem julgar mas sim ao Poder Judiciário, sob pena de afronta ao princípio da presunção de inocência que é consagrado no art. 5 0, LVII, da Constituição Federal de 1988, e (c) ainda que sejam ultrapassados os argumentos precedentes, a multa qualificada excede o valor do imposto, violando os princípios constitucionais do não-confisco e da proporcionalidade; • não tendo sido provada a conduta dolosa do impugnante, os fatos geradores do auto já teriam sido alcançados pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN e da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Nesse caso, todo o crédito tributário estaria fulminado pela decadência visto que os fatos geradores foram incorridos mensalmente. • não seria legítima a aplicação da multa isolada — do item III do auto — e da multa de oficio, pois elas incidiriam sobre a mesma base de cálculo. A 1ª Turma da DRJ/RJOII, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido., em decisão consubstanciada no Acórdão n°13- 24.950, de 22 de maio de 2009 (fls. 997-1025), que foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Preliminar que se afasta tendo em vista que, tratando-se de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR DE NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. PROVA ILÍCITA . Os documentos bancários obtidos pela Fiscalização, mediante autorização judicial, são provas lícitas para demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária, não havendo nulidade na sua produção. PROVA EMPRESTADA. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 6 Devem ser aceitas no processo administrativo fiscal as provas encaminhadas à Secretaria da Receita Federal pelo Poder Judiciário. OMISÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. Afastada a presunção legal quanto aos valores cuja origem foi comprovada como decorrentes de operações cambiais, deve ser tributado o valor recebido pela intermediação dessas transações. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA QUALIFICADA . É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado que o procedimento adotado pelo contribuinte se enquadra, em tese, nos pressupostos estabelecidos no art. 71 da Lei n.° 4.502, de 1964. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO . A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. MULTA ISOLADA. A aplicação da multa isolada decorre de descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de carnê-leão, não se confundindo com a multa proporcional aplicada sobre o valor do imposto apurado após constatação de Declaração de Ajuste Anual inexata. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente” O contribuinte tomou ciência da decisão a quo em 13/07/2009 (fls. 1013), da qual interpôs recurso voluntário em 11/08/2009 (fls. 1016-1050), repisando os termos da impugnação. É o Relatório. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA Voto Vencido Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Da ilegitimidade Passiva: O recorrente, alega em apertada síntese que: i. A fiscalização obteve acesso a informações bancárias sigilosas constantes em ação penal referente às contas mantidas pelas empresas offshore BRADNER INVESTMENT S/A e DEPOLO CORP. S/A no Merchants Bank of New York. ii. Que o recorrente figurava apenas como representante das tais empresas, atuando como gerente ou administrador, sem que isso indique que os recursos por ele movimentados naquelas contas lhes pertenciam. Sendo que o recorrente afirma que a própria fiscalização atesta que as empresas BRADNER INVESTMENT S/A e DEPOLO CORP. S/A. são as titulares das contas n° 9002934 e 3010089, respectivamente, mantidas no Merchants Bank of New York, mas opta por afastar a personalidade jurídica delas, imputando a responsabilidade sobre os créditos bancários nelas efetuados diretamente ao recorrente na qualidade de efetivo titular. Diante destas alegações corroboradas com farta documentação comprobatória, tem-se que assiste razão ao Recorrente, na medida em que os parágrafos §§ 5° e 6° do art. 42 da Lei 9.430/96, introduzidos pelo art. 58 da Lei 10.637/02, em face do princípio da irretroatividade da norma tributária, na qual tem como regra geral, de é que a lei tributária deve reger o futuro, sem se estender a fatos ou circunstâncias ocorridas anteriormente ao início de sua entrada em vigor. Assim, só há legitimidade na norma se o contribuinte conhece de antemão a sua obrigação tributária e todos os elementos de mensuração. A certeza jurídica só é assegurada se os sujeitos sabem que todos os atos que praticarem durante a vigência de uma lei, serão regulados por esta, que foi a levada em conta, quando do planejamento e da realização desses atos. Não faz sentido o sujeito levar a efeito um empreendimento, planificando todos os custos e despesas do mesmo, incluindo os reflexos tributários, se no futuro, lei poderá fazer incidir sobre o mesmo, tributo não incidente quando de sua implementação, tornando-o desvantajoso ao empreendedor. Ocorrido o fato gerador, adquire o contribuinte o direito de se submeter ao regime fiscal vigente quando da ocorrência deste. Nesta senda, a Constituição Federal, estabelece como norma geral, que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (inciso XXXVI, art. 5o.), estabelecendo que em matéria penal a lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu (inciso XL, art. 5o). O Código Tributário Nacional, por seu turno, em seu art. 144, esclarece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ao tratar do Sistema Tributário Nacional, o constituinte originário alçou o princípio da irretroatividade da lei tributária como direito fundamental do contribuinte (alínea a, do inciso III, do art. 150), estando Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 8 ao abrigo das chamadas cláusulas pétreas (inciso IV, do parágrafo 4o., do art. 60) e como tal resguardado de qualquer tentativa de supressão (mesmo parcial) pelo poder constituinte derivado. E como é cediço, este princípio não impede lei que conceda uma vantagem ao contribuinte tenha incidência retroativa, já que como direito individual seu, só opera como regra protetiva, isto é, quando a lei cria ou aumenta um tributo. Neste sentir o CTN, em seu art. 106, II, estipula três casos de retroatividade da lei mais benigna aos contribuintes e responsáveis, tratando-se de ato não definitivamente julgado; em que a norma se preocupa com as três hipóteses em que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Como no caso em julgamento não se trata de nenhum dos casos de retroatividade benigna não há que ser aplicado como fundamento ao lançamento à norma insculpida no os parágrafos §§ 5° e 6° do art. 42 da Lei 9.430/96 e as alterações incluídas pela Lei 10.637/2002. Observo ainda que o lançamento de ofício efetuado em base em depósitos bancários de origem não comprovada tem um aspecto específico, por se tratar dos casos conhecidos como Beacon Hill, relacionados às remessas de dólares ao exterior por meio de contas correntes localizadas em outros países. Tendo em vista as infrações cometidas – Rendimentos recebidos de fontes no exterior (Omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior) e Depósitos bancários de origem não comprovada (Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada) –, analisarei as em mesmas em conjunto: deste modo, verifico que o recorrente alega ter de fato movimentado os valores em contas bancárias no exterior, no entanto, afirma que tais valores pertenceriam, na realidade, a terceiros, estes sim os reais beneficiários dos valores remetidos ao exterior. De acordo com as alegações do contribuinte, as contas correntes localizadas no exterior teriam sido utilizadas para atividades de “câmbio paralelo”,de forma que seus rendimentos seriam apenas os “spread’s” cobrados pelos serviços, sendo que o próprio contribuinte confirma que recebia como margem de ganho em cada operação no máximo 0,5% (meio por cento). Neste sentido, analisando inicialmente o Termo de Verificação Fiscal, observo que das contas correntes localizadas no exterior, que supostamente teriam recebido valores destinados ao contribuinte, foi identificado apenas como representante do que as titularidades das contas correntes pertenciam às empresas offshore Bradner Investment S/A e Depolo Corp. S/A no Merchants Bank of New York. Assim, também se baseando no que consta dos autos, noto que realmente o autuado exercia atividade ligada à remessa dos valores ao exterior, mas como não foi possível identificar a quem pertencia os recursos, nem aferir o montante das comissões percebidas nas transações de remessa e de recebimento de recursos de/para o exterior, por ordem de seus clientes, a autoridade autuante atribuiu todos os valores como rendimentos do contribuinte que intermediava as transações. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA No entanto, tenho para mim que o procedimento escolhido pela autoridade lançadora não se amolda à realidade dos fatos e, por isso, não merece prosperar, coadunando efetivamente em ilegitimidade passiva do ora recorrente. Durante a sessão de julgamento, a Turma Julgadora entendeu por não acatar a ilegitimidade passiva levantada pela Sra. Conhelheira Relatora, Acácia Sayuri Wakasugi, resolvendo adentrar ao mérito. Instada a se pronunciar sobre o mérito, a Conselheira relatora entendeu que, superada a ilegitimidade passiva, deveria persistir o lançamento, negando provimento ao voluntário, considerando que as infrações de omissão de rendimentos do exterior, de depósitos bancários sem origem justificada e a multa isolada do carnê-leão estavam fundadas em permissivo legal, sendo dever da autoridade fiscal lavrar o auto de infração. Ao final, a Conhelheira Relatora, Acácia Sayuri Wakasugi, vota por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator ad hoc do voto vencido Voto Vencedor Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Em que pese o respeito à Ilma. Conselheira Relatora, tomo a liberdade discordar de seu entendimento acerca da manutenção do item 2 do lançamento, e ainda da multa de ofício exigida de forma isolada. O referido item 2 do lançamento se refere decorre da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme previsão contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. As contas que deram origem ao lançamento foram mantidas no exterior, em nome de pessoas jurídicas das quais o Recorrente era representante. Esta Turma Julgadora já apreciou diversos casos semelhantes a este que ora se apresenta, sendo que o entendimento que aqui sempre prevaleceu foi o de que a omissão de rendimentos no caso – se houve – deve ser imputada à pessoa jurídica titular da conta bancária no exterior, e não às pessoas físicas que nela figuram apenas como suas “representantes”. De fato o art. 42 da Lei nº 9.430/96 assim determina, expressamente: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA 10 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (destacamos) Decorre daí que o responsável por eventual omissão decorrente da existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada é sempre o titular da conta, e não o seu representante legal. Por isso, sendo o titular da conta uma pessoa jurídica, é a ela que deve ser imputada a omissão porventura apurada pelas autoridades fiscais. Neste sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano- calendário: 2001, 2002 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: (...) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO EXTERIOR TITULARIZADA POR PESSOA JURÍDICA ESTRANGEIRA - AUSÊNCIA DE PROVA QUE DEMONSTRE QUE A CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA TEVE OBJETIVOS FRAUDULENTOS, A ESCONDER OS REAIS PROPRIETÁRIOS DOS VALORES - PROCURADOR DA EMPRESA - IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAR AS TRANSFERÊNCIAS FINANCEIRAS PARA CONTA BANCÁRIA TITULARIZADA POR PESSOA JURÍDICA AO PROCURADOR SEM PROVA QUE AQUELA FUNCIONAVA COMO INTERPOSTA PESSOA DESTE - As transferências para conta bancária mantida no exterior e titularizada por pessoa jurídica estrangeira somente podem ser imputadas ao procurador de tal empresa se se comprovar que o contribuinte procurador tenha constituído tal empresa com propósitos simulatórios ou fraudulentos, com fito de esconder o real detentor dos valores movimentados em tal conta, que seria, no caso, o próprio procurador da conta de depósito. Ausente qualquer prova que demonstre que a pessoa jurídica funcionava como interposta pessoa do contribuinte procurador, não se pode imputar a ele a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido. (Acórdão nº 106-17.042 – sem destaques no original) No caso em exame, porém, como se viu, o lançamento foi efetuado em face do representante da pessoa jurídica titular da conta bancária na qual os depósitos foram efetuados, sem que fossem esclarecidas as razões pelas quais foi desconsiderada a titularidade da conta bancária pela pessoa jurídica em questão (o que justificaria, se fosse o caso, a tributação dos depósitos na pessoa física). O simples fato de ser o responsável pela referida movimentação bancária não faz do contribuinte o titular da conta, e nem o titular da movimentação desta conta. Assim, é de se concluir que não se aplica ao caso vertente a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, no que diz respeito à exigência da multa pela falta de recolhimento do carnê-leão, certo é que este Conselho vem decidindo de forma reiterada que a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão não pode ser exigida em conjunto com a multa de ofício quando as mesmas incidirem sobre a mesma base de cálculo. É o que se vê do seguinte julgado: MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.Recurso provido. (Ac. 106-15.639, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) No mesmo sentido o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.Recurso especial negado. (Ac. CSRF/01-04.987, Rel. Cons. Leila Maria Scherer Leitão) E foi exatamente o que ocorreu no caso em tela. Assim, em razão da concomitância entre a aplicação destas duas multas (isolada e de ofício), voto no sentido de excluir a parcela da multa isolada do lançamento. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, assim como a exigência da multa isolada do carnê-leão. Sala das Sessões, 7 de fevereiro de 2012. Assinado digitalmente. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Redatora designada Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 21/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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Numero do processo: 10803.000078/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA.
O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regem-se conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano.
Não ultrapassado o prazo de cinco anos definido no art. 150, § 4º do CTN, entre a data do fato gerador e a momento em que o contribuinte ou responsável tributário foi intimado do imposto complementar apurado em procedimento fiscal, não há que se falar em decadência da exigência fiscal.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTRIBUINTE FALECIDO.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. No caso de contribuinte falecido, cabe ao inventariante, por meio de documentação hábil e idônea justificar a origem do aumento do patrimônio do falecido.
Numero da decisão: 2101-002.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão e Heitor de Souza Lima Junior, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o conselheiro Daniel Pereira Artuzo para redação do voto vencedor.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Redator designado
EDITADO EM: 24/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da Turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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DECADÊNCIA. O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regemse conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerandose ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. Não ultrapassado o prazo de cinco anos definido no art. 150, § 4º do CTN, entre a data do fato gerador e a momento em que o contribuinte ou responsável tributário foi intimado do imposto complementar apurado em procedimento fiscal, não há que se falar em decadência da exigência fiscal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTRIBUINTE FALECIDO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. No caso de contribuinte falecido, cabe ao inventariante, por meio de documentação hábil e idônea justificar a origem do aumento do patrimônio do falecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão e Heitor de Souza Lima Junior, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o conselheiro Daniel Pereira Artuzo para redação do voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 78 /2 00 8- 06 Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. DANIEL PEREIRA ARTUZO Redator designado EDITADO EM: 24/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da Turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde o Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 1730.058 da 9ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 1.663/1.671), que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, em face de acréscimo patrimonial a descoberto, no montante histórico de R$ 1.879,48, correspondendo a imposto (R$ 1.194,47), multa prevista de 10% (R$ 119,43) e juros de mora calculados até 30/09/2008 (R$ 565,58). No caso, a Contribuinte teria omitido rendimentos em vista de variação patrimonial a descoberto, conforme se pode extrair da narrativa fática trazida no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (fls. 1.597/1.619), ao qual transcrevo trechos para melhor esclarecer as motivações do lançamento fiscal: “DO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO 3) Em 23/03/2007 a fiscalização, dando inicio ao cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização, lavrou o Termo de Inicio de Ação Fiscal, Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/200806 Acórdão n.º 2101002.721 S2C1T1 Fl. 3 3 cópia às fls. 05/06, intimandose a contribuinte a, no prazo de 20 (vinte) dias a contar de sua ciência apresentar os elementos abaixo especificados: (...) 4) O Termo de Inicio de Ação Fiscal e o Mandado de Procedimento Fiscal foram encaminhados, por via postal, à contribuinte, para sua ciência, tendo sido recebidos em 24/03/2007, conforme comprova o Aviso de Recebimento à fl. 07. DO ATENDIMENTO AO TERMO DE INICIO 5) Atendendo o Termo de Inicio de Ação Fiscal, foram apresentados os elementos anexados às fls. 16 a 27, por meio de seu sobrinho Marco Antônio Canella, que informou que a contribuinte faleceu em 22/11/2006. Abaixo transcrevemos os esclarecimentos prestados: (...) DA ELABORAÇÃO DO DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL 25) Com base nos elementos apresentados, nos dados constantes dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos documentos apresentados pelas instituições financeiras e nas demais constatações, foram elaborados os Demonstrativos de Variação Patrimonial DVP, relativamente aos anoscalendário 2002 a 2005, cujas cópias encontramse às fls. 763 a 770. 26) No campo referente Rendimentos Tributáveis foram lançados os valores extraídos dos extratos bancários, sob a rubrica "proventos", cuja cópia encontrase as fls. 123 a 170. Tais valores correspondem aos rendimentos líquidos recebidos pela contribuinte do Ministério da Fazenda. 27) Os saldos bancários mensais, no inicio e no final do mês, foram lançados de acordo com os dados extraídos dos extratos bancários apresentados pela contribuinte (fls. 123 a 170 e 333 a 360), pela Justiça Federal (fls. 36 a 60 e 70 a 79) e pelas instituições financeiras (fls. 373 a 385 e 407). 28) Foram extraídos dos extratos bancários os valores correspondentes a débitos efetuados em sua contacorrente e que constituíram dispêndios, como por exemplo: CPMF, juros, IOF, tarifas bancárias, pagamentos de cartão de crédito/Água/luz, compras etc. Tais dispêndios encontramse relacionadas na planilha de fls. 771 a 781. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 29) Os cheques relacionados na planilha de fls. 782 a 788, cujas cópias foram apresentadas pelo Banco do Brasil S/A, representam valores correspondentes a despesas incorridas pela contribuinte. Observese que os cheques emitidos ao portador não foram lançados como dispêndios, pelo fato de não se poder aferir a sua destinação. 30) Como origens foram lançados os valores a seguir, representados pelos cheques emitidos por seu sobrinho Marco Antônio Canella e nominais à contribuinte, consoante cópia dos mesmos juntados às fls. 361 a 365: (...) 31) Também foram lançados como origens os valores das Restituições do Imposto de Renda, dos estornos de tarifas/CPMF, dos resgates de aplicação financeira extraídos dos extratos de contacorrente. 32) Importante ressaltar que, em relação ao anocalendário 2005, foi lançado como dispêndio a totalidade dos cheques emitidos e mesmo assim não se apurou, em quaisquer dos meses daquele ano, Variação Patrimonial a Descoberto. 33) Através do Termo de Ciência e de Solicitação de Esclarecimentos, datado de 25/09/2008, intimouse a contribuinte a, no prazo de 15 (quinze) dias, na pessoa de seu inventariante, manifestarse acerca dos Demonstrativos de Variação Patrimonial. A ciência do termo deuse em 30/09/2008, conforme Aviso de Recebimento de fl. 789, vencendo o prazo estabelecido para manifestação em 15/10/2008. 34) Transcorrido o prazo determinado, não houve manifestação por parte do sujeito passivo. DAS IRREGULARIDADES APURADAS 35) Devidamente elaborados, os Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimonial, dos anoscalendário 2002 a 2004, e após submetido ao crivo do sujeito passivo, esta fiscalização apurou, como resultado final da análise, a "Variação Patrimonial a Descoberto", verificandose excesso de aplicações sobre as origens, não respaldados pelos rendimentos declarados e comprovados da contribuinte, conforme abaixo relacionado: Mês AnoCalendário Variação Patrimonial a Descoberto (R$). Janeiro 2003 399,61 Agosto 2004 3.943,93 Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/200806 Acórdão n.º 2101002.721 S2C1T1 Fl. 4 5 36) A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está especificada no Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em seus artigos 55, inciso XIII, 806 e 807 (Leis nºs 4.069/1962, artigos 51 e 52 e 7.713/1988, artigo 3°), que seguem reproduzidos abaixo: (...) 37) A vista do exposto, caracterizamse os valores acima apurados, como rendimentos omitidos da tributação do imposto de renda pessoa física, sujeitandose A exigência de oficio (Auto de Infração) do Imposto de Renda Pessoa Física por parte da fiscalização, nos termos dos artigos 55, inciso XIII, 806 e 807 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999.” (fls. 1.599/1.611). Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Na defesa, apresentada pelo Sr. Antonio Canella, inventariante, é alegado, em síntese: a) As cifras apuradas estão aquém dos limites contidos no art. 42, da Lei n° 9.430/96. Não cabe aqui a alegação de que a excludente à tributação está centrada em depósito bancário, pois o principio é o mesmo: desonerar o contribuinte da comprovação de pequenos valores, sob ajusta avaliação da insignificância — ou bagatela — dos valores envolvidos. Além disso, para a apuração do acréscimo patrimonial foi considerada a movimentação bancária mediante a inclusão dos saldos no final do mês, .o que garante a aplicação da mencionada excludente; b) Decadência, pedindo a extinção do crédito relativo ao ano de 2.003, em face do lançamento ocorrer 5 (cinco) anos após a competência exigida, conforme dispõe o parágrafo 4°, do artigo 150, do CTN; c) O acréscimo patrimonial deve ser comprovado pela fiscalização. A omissão de receitas pelo suposto acréscimo patrimonial deriva de uma presunção estatuída por lei, entretanto para efetivar essa pretensão, cabe ao Fisco o ônus de acostar ao procedimento fiscal a prova irrefutável da ocorrência do fato conhecido, sob pena de ficar impedido de fazer uso da presunção conferida por lei. Assim, havendo insuficiência de prova sobre a efetividade do dispêndio, a exigência respaldada na indigitada presunção deve ser cancelada; d) impossibilidade de o espólio justificar o pedido feito pela fiscalização de que o sujeito passivo apresentasse justificativas sobre o pretenso acréscimo patrimonial. A presunção legal de omissão de rendimentos é do tipo júris tantum (relativa), cabendo ao titular apresentar os esclarecimentos, o que é impossível, uma Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 vez que o titular é falecido. Não há, por absoluta impossibilidade, como imputar ao espólio ou ao inventariante a obrigação de justificar a evolução patrimonial verificada quando a contribuinte — titular das contas correntes — ainda era viva. e) diante do exposto, pede o acolhimento da defesa, afastando as questionadas exigências fiscais.” (fls. 1.665). Apesar dos argumentos de defesa acostados, a 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em São Paulo II (SP) proferiu decisão que restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. VALORES AQUÉM DO LIMITE DO ART. 42, DA LEI 9.430/96. DECADÊNCIA. PROVA DO FATO CONHECIDO – DISPÊNDIO. IMPOSSIBILIDADE DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE SE FALECIDO. Limite a que se refere o art. 42, da Lei n° 9.430/96, aplicase somente a depósitos bancários, não havendo qualquer limite para acréscimo patrimonial a descoberto, observando apenas a tabela progressiva mensal/anual. Decadência para lançamento de oficio é o previsto no art. 173, I, do CTN. Prova do fato conhecido para validade da presunção do acréscimo patrimonial a descoberto e consequente omissão de receita é apresentado pelo Auditor Fiscal autuante consistindo em recibo, dispêndios lançados no extrato bancário, com discriminação do objeto (CPMF, IOF, juros, pagamentos, etc.) e os cheques compensados, emitidos nominalmente. Se falecido o contribuinte, o inventariante responde ativa e passivamente. Lançamento Procedente” No Recurso Voluntário disposto às fls. 1.679/1.706, o Recorrente repisou sua argumentação de Defesa, destacando inicialmente a decadência do lançamento referente ao anocalendário de 2003, insistindo na necessidade da Fiscalização comprovar os dispêndios questionados, da exclusão de tributação dos valores nos termos do inc. II do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e na impossibilidade do Espólio justificar os valores lançados no demonstrativo de variação patrimonial. Ao final requer seja reformada a decisão combatida, declarando a nulidade ou improcedência do lançamento fiscal. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/200806 Acórdão n.º 2101002.721 S2C1T1 Fl. 5 7 Distribuído o feito para nossa Relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que na Defesa e no Recurso Voluntário em julgamento, o Recorrente se esforça em arguir preliminarmente a decadência do crédito tributário decorrido no anocalendário de 2003. Para a apreciação do feito, inicialmente devemos atentar que a tributação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF em face de acréscimos patrimonial a descoberto diante da incapacidade do contribuinte em justificar a legalidade da disponibilidade econômica por meio de documentação hábil e idônea, está fundada nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: “Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda disposto no Decreto nº 3.000/1999, prevê expressamente: “Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). (...) Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/200806 Acórdão n.º 2101002.721 S2C1T1 Fl. 6 9 Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86. Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.” Avultam das normas transcritas que o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, incidirá sobre o acréscimo patrimonial, compreendido como rendimento bruto do Contribuinte, que não corresponda ao seu rendimento declarado. E a presunção legal da omissão de rendimentos representada pelo acréscimo patrimonial a descoberto, decorre da constatação lógica de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. Neste sentido, para que seja desconstituída a presunção fiscal, caberia ao Contribuinte/Fiscalizado justificar o acréscimo patrimonial verificado nos autos com provas e/ou documentos satisfatórios, que apontassem a disponibilidade financeira por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou, ainda, tributáveis exclusivamente na fonte. Ocorre que, como o referido Imposto sobre a Renda em decorrência de acréscimo patrimonial a descoberto é ofertado a tributação pelo contribuinte sem prévio exame da Administração Tributária, tal procedimento figura na modalidade de lançamento por homologação. Nestes casos, entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado o pagamento, mesmo que parcial, ou até mesmo havendo retenção de imposto na fonte, como no caso em análise (fls. 16), e inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador – que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano –, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Neste sentido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regemse conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerandose ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. (...)” (Acórdão nº 2201002.573, Processo nº 15504.013036/200904, Relator Cons. EDUARDO TADEU FARAH, 1ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 02/12/2014 grifamos); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. Apesar da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto ser apurada mensalmente, o fato gerador somente se perfaz no dia 31 de dezembro do anocalendário. (...)” (Acórdão nº 2802002.854, Processo nº 10945.720969/201155, Relator Cons. GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, 2ª TE/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 21/08/2014); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2007 (...) IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. O acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de Ajuste Anual. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62A do RICARF, conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN. O termo inicial do prazo de decadência contase a partir do encerramento do anocalendário. (...)” (Acórdão nº 2201002.341, Processo nº 19515.721216/201100, Relator Cons. EDUARDO TADEU FARAH, 1ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 13/05/2014). Apenas na hipótese em que não há qualquer pagamento ou evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o prazo decadencial deve ser apurado nos termos do inc. I do art. 173, do CTN, conforme entendimento pacificado pelo Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/200806 Acórdão n.º 2101002.721 S2C1T1 Fl. 7 11 Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, nos termos do art. 543C do CPC. De todo modo, ultrapassado o prazo sem ter sido intimado o contribuinte do lançamento de ofício, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inc. V do CTN. No caso em análise, observando os fatos e provas produzidas nos autos e averiguados pela Fiscalização, não há que se falar em dolo, fraude ou simulação no procedimento do contribuinte, assim como figura comprovado o pagamento de tributo diante do imposto retido da Contribuinte (fls. 16 dos autos), restando afastada a regra prevista no inc. I do art. 173 do CTN. Contudo, diante do arcabouço legislativo e da realidade fática, verificamos que fato gerador do Imposto de Renda em face do acréscimo patrimonial a descoberto do ano calendário 2003, ocorreu em 31 de dezembro daquele ano, e o Inventariante do Espólio da Recorrente findou intimado da autuação em 23/10/2008 (fls. 1.625), dentro do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte, não havendo de se falar em decadência do crédito tributário. Por outro lado, embora seja ônus do contribuinte desconstituir o lançamento fiscal com documentos hábeis e idôneos, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária –, eis que a realidade fática anunciada desde o começo do procedimento fiscal, em razão do falecimento da contribuinte em data anterior ao início da fiscalização, aponta para uma solução diferente quanto a produção de provas visando afastar a presunção fiscal. É que, em nenhum momento a verdadeira Contribuinte Autuada foi intimada a comprovar a origem dos recursos que legitimassem o acréscimo patrimonial efetivamente questionado, de modo que os valores envolvidos, conformando uma disponibilidade econômica personalíssima, não podem ser respondidos pelo Inventariante do espólio da Contribuinte falecida. De fato, existe uma impossibilidade do Espólio justificar os valores lançados no demonstrativo de variação patrimonial da Contribuinte, porquanto os elementos constantes dos autos apontam que era a própria quem geria suas finanças, seus débitos e respetivos recursos, com toda capacidade e responsabilidade decorrente. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Ora, a bem da verdade, sabese que o espólio figura responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, bem como os herdeiros e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos até a data da partilha ou adjudicação, conforme determina o Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão.” Vale destacar que esta responsabilidade abrange não só os créditos tributários definitivamente constituídos até a abertura da sucessão, mas também os em curso de constituição ou posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas antes da morte do contribuinte, no caso do espólio, e antes da data da partilha, no caso dos herdeiros e meeiros, nos termos do art. 129 do CTN. “Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.” Portanto, se o espólio só existe entre a data da abertura da sucessão até a data da partilha, o inventariante é responsável solidário pelos tributos devidos pelo espólio apenas neste período (art. 134, inciso IV do CTN). Encerrado o inventário, eventuais créditos tributários devidos pelo espólio passam a ser de responsabilidade dos herdeiros e do cônjuge meeiro, com as limitações previstas na legislação. Não obstante, para que a presunção de acréscimo patrimonial, prevista no inc. XIII do art. 55, c/c art. 807 do Decreto nº 3.000/99 RIR se aperfeiçoe é necessário que o contribuinte seja devidamente intimado a comprovar a origem dos rendimentos. Ou seja, cabe ao fisco identificar o aumento patrimonial de origem não comprovada e intimar o contribuinte a sobre eles se manifestar, com o fim de cumprir o encargo que lhe confere. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/200806 Acórdão n.º 2101002.721 S2C1T1 Fl. 8 13 Assim, diferentemente de outras infrações, a presunção de omissão de rendimentos baseada em acréscimo patrimonial de origem não comprovada tem como requisito fundamental a intimação prévia do contribuinte, responsável tributário, sem a qual ela não se materializa. No caso de procedimento fiscal instaurado após a morte do contribuinte, tendente a averiguar a regularidade do crescimento patrimonial do de cujus, há que se fazer uma ponderação quanto a responsabilidade pela comprovação da origem deste acréscimo patrimonial efetuado antes e depois da abertura da sucessão. É que o responsável previsto na legislação para comprovar a regularidade do aumento patrimonial por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou, ainda, tributáveis exclusivamente na fonte, antes da abertura da sucessão, era o contribuinte falecido, porquanto era ele a quem se deve imputar o ônus de comprovar a origem dos recursos obtidos até sua morte, não se podendo transferir tal responsabilidade ao espólio. Assim, sendo a intimação neste caso materialmente impossível, a presunção legal não se aperfeiçoa em relação ao acréscimo patrimonial da época em que o contribuinte era vivo, pois o Inventariante, como mero administrador do Espólio até a partilha, não tem como assumir responsabilidades que não eram suas, e que a legislação em vigor não lhe impõe. No caso concreto, não foram atendidos os requisitos que asseguram a legalidade do lançamento no período que antecede a abertura da sucessão. Não é juridicamente possível exigirse de qualquer outra pessoa a explicação sobre o acréscimo patrimonial injustificado de quem não era titular do patrimônio. A intimação para que o Inventariante prestes esclarecimentos, ainda que sob procedimento fiscal, fragiliza o lançamento por ancorálo em presunção da não justificativa de pessoa que não tinha obrigação jurídica de identificar os recursos do contribuinte falecido, pois, conforme depreendese nos autos, a conta corrente objeto de análise e o patrimônio verificado não eram de sua titularidade e sobre estes não detinha qualquer controle. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 807 do RIR, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito e/ou o patrimônio acrescido sem justificativa. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Portanto, não há como imputar ao Inventariante do Espólio a obrigação de comprovar de onde advieram os recursos inerentes ao acréscimo patrimonial a descoberto da época em que a Contribuinte, titular de fato, legítima responsável tributária, ainda era viva. Esta Colenda Corte Tributária já expressou manifestações neste sentido, em situações bastante similares: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. A decadência de IRPF relativo ao ganho de capital, quando inexistente pagamento antecipado relacionado ao ganho de capital em específico, é regida pelo prazo do art. 173 I, do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRATICADO PELO DE CUJUS AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM NOME DO ESPÓLIO MULTA QUE CONSTITUA SANÇÃO POR ATO ILÍCITO – INAPLICABILIDADE A constituição de crédito tributário, através de auto de infração, em nome do espólio, por irregularidades fiscais praticado pelo de cujus, sujeita o espólio à multa de mora, de dez por cento sobre o imposto apurado, estabelecida artigo 49 do DecretoLei 110 5.844, de 1943, sendolhe inaplicável as multas de oficio estabelecidas nos incisos I e 11 do artigo 44 da Lei n° 9430, de 1996, por constituir sanção por ato ilícito, não transferível para o espólio, em virtude do principio constitucional de que nenhuma pena passará da pessoa do infrator. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA BANCÁRIA MOVIMENTADA PELO "DE CUJUS" LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA O ESPÓLIO OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da contacorrente. Portanto, não há corno imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos à época em que o contribuinte titular de fato 'a contacorrente era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio e a inventariante. DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ESPÓLIO. APÓS ABERTURA DA SUCESSÃO A comprovação da origem dos depósitos efetuados na conta do “de cujus” no período compreendido entre a abertura da sucessão até a data do formal de partilha, cabe ao espólio, representado pela inventariante. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido” (Acórdão nº 2202002.913, Processo nº 19515.000550/200731, Relator Cons. Antônio Lopo Martinez, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 14/01/2015); Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/200806 Acórdão n.º 2101002.721 S2C1T1 Fl. 9 15 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ESPÓLIO. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada ao(s) titular(es) da contacorrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte titular da contacorrente era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica, sendo certo que a falta da intimação de um dos titulares da conta bancária prejudica o lançamento em relação a todos os titulares.” (Acórdão nº 2102002.901, Processo nº 10950.002545/200911, Relatora Conselheira NUBIA MATOS MOURA, 2ª TO/ 1ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 07/04/2014); “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1997, 1998 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Considerase não impugnada a tributação da omissão de rendimentos, tendo em vista o acréscimo patrimonial a descoberto, por não ter sido expressamente contestada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ESPÓLIO A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Cuidandose de espólio não há presunção por se tratar de obrigação personalíssima, incabível a intimação do sucessor ou do inventariante para a comprovação, salvo se decorrente de movimentação bancária após a abertura da sucessão.” (Acórdão nº 2202001.719, Processo nº 10168.006289/200291, Relator Cons. ODMIR FERNANDES, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 30/05/2012). Avultam dos precedentes transcritos que, nas condições expostas no procedimento em análise, não subsiste o entendimento fiscal levado a efeito, desde o seu início, contra o Espólio da Contribuinte falecida ou seu Inventariante. É que a presunção legal fundada no art. 807 do Decreto 3.000/99, é nítida no sentido de exigir que o titular, sujeito passivo, seja intimado, para comprovar a origem dos rendimentos. No caso concreto, o Inventariante do Espólio da Contribuinte não era a titular do Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 patrimônio na época em que ocorreu o fato gerador tributário, de modo que o lançamento nas bases efetuadas não se sustenta. Em face de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, reformando a Decisão recorrida para desconstituir o lançamento fiscal. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000078/200806 Acórdão n.º 2101002.721 S2C1T1 Fl. 10 17 Voto Vencedor Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO Com a devida vênia, discordo do Ilustre Relator. Entendo que, nos casos em que se discute o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, a legislação não atribuiu de modo personalíssimo a obrigação do próprio contribuinte de comprovar a origem do seu aumento patrimonial. É importante destacar que a alegação feita pelo Inventariante da suposta impossibilidade de o espólio atender pedido da fiscalização de manifestarse sobre o pretenso acréscimo patrimonial, pois isso só cabe ao titular e o titular é falecido, aponta somente jurisprudência relacionada à Presunção de Omissão de Rendimentos em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada (prevista no art. 42 da Lei no 9.430/96). Assim, como era de sua responsabilidade e o inventariante não justificou, utilizando os documentos deixados pelo falecido, a origem do aumento patrimonial, não há como prover o Recurso Voluntário em relação a esse ponto. Dessa forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. DANIEL PEREIRA ARTUZO Redator designado Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10715.721873/2011-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE.
O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsume-se à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsumese à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 18 73 /2 01 1- 18 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$ 25.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN RFB n.º 510/2005. A fiscalização junta planilha de fls. 4/5 com os dados de embarque e as datas de informação dos dados. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação alegando, em síntese, o que segue: 1Preliminarmente pela nulidade do auto de infração face ao erro na fundamentação legal da penalidade aplicada. A IN SRF n.º 28/94, em seu art. 44, prevê que o descumprimento dos prazos estabelecidos ao transportador para informação dos dados de embarque constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira e por esta razão o enquadramento legal da multa deveria ser a alínea “c” do item IV, do art. 107, do DecretoLei n.º 37/66, e não a alínea “d” como constou na autuação. 2Não há prova de que o registro dos dados foi efetuado a destempo, pois a planilha que acompanha o auto, na verdade, está informando a data de averbação, pela Receita Federal, do embarque da carga, e não a do registro, porque esta não consta do Siscomex. Alega que as informações são prestadas por diferentes agentes, podendo ocorrer erros durante este processo. Também o sistema contém falhas para armazenar as tentativas de registro. Relata um caso de prestação incorreta de informação por parte do exportador que acarretaria impossibilidade de registro dos dados de embarque por parte do transportador. Também alega que as alterações dos registros, como por exemplo, de divergência de peso, constavam como novos registros e que as retificações eram efetuadas comm autorização da fiscalização. Como o sistema não registrava a primeira data na qual foi informado os dados de embarque, ficava a data correspondente à retificação. Cita Soluções de Consulta/SRFF 9.ª RF n.ºs 215 e 218/2004, que tratam da multa por embaraço e alterações dos dados de embarque. 3 A constatação da infração não leva em consideração as indisponibilidades do sistema. Traz algumas Notícias da Anvisa sobre indisponibilidade do Siscomex nos anos de 2002 a 2005. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 5 4 4 Cita a IN RFB n.º 835/2008, que trata sobre regras de contingência na utilização do Siscomex no caos de problemas de ordem técnica. 5 Protesta pela inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às exportações e violação à finalidade do ato administrativo. Alega que não houve prejuízo ao interesse público ou ao fisco. Argumenta que a multa não tem razão de existir, pois nenhum tributo deixou de ser recolhido e a conduta supostamente praticada pela impugnante é irrelevante para o direito tributário. 7 Protesta também pelos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. 8 Alega o incontestável caráter confiscatório das multas aplicadas à impugnante e relaciona às fls. 47/48 os processos administrativos fiscais de cobrança da referida multa no período de 2004 a 2009 que totalizam o valor absurdo de R$4.165.000,00. 9Requer, ao final, a nulidade do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação, sendo o acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional, alegando ainda que a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 7 6 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento foi feito considerandose as Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 8 7 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 225DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 9 8 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 10 9 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Com o devido acatamento, ouso divergir do voto do Exmo. Sr. Relator. Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há decretolei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi prestada a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, após o prazo especificado no artigo 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, dentro de prazo determinado pela norma tributária, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 12 11 No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, quedandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes. Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 13 12 Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração O primeiro pressuposto é a ocorrência da infração cometida – no caso, a prestação extemporânea da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 14 13 Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? Se não se admitir esta possibilidade, a referida expressão seria letra morta no CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721873/201118 Acórdão n.º 3801005.031 S3TE01 Fl. 15 14 Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 10805.720018/2013-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Helio Eduardo de Paiva Araujo, Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha e Marcio Rodrigo Frizzo.
Relatório
Trata-se de auto de infração sobre à dedução da despesa realizada pelo recorrente na apuração do seu lucro contábil do ano de 2009, relativa ao pagamento do IOF, juros e encargos, referentes ao processo n° 13805.014225/9636, no valor principal do IOF de R$ 62.509.961,68, juros de R$ 262.163.406,19 e encargos de R$ 74.311.145,10, pois a referida despesa era relativa a anos anteriores ao ano de 2009, sendo que o IOF devido era relativo ao ano de 1993, lançado em 1996, tendo sido definitivamente constituído em 28/07/2003, quando o recorrente tomou ciência da decisão do Conselho de Contribuintes. Os encargos incidentes sobre a cobrança da dívida pela PGFN, eram existentes desde 2003, quando o citado processo foi enviado para aquele órgão, após a ciência da decisão do Conselho tomada pelo fiscalizado em 28/07/2003.
O AFRFB entendeu que o recorrente deveria ter contabilizado em 28/07/2003 as despesas correspondentes ao valor do principal do IOF lançado através do citado processo, no valor de R$ 62.509.961,68, bem como da multa e dos juros incidentes até aquela data, independente do pagamento das mesmas, e não realizando a contabilização das despesas teria sido desrespeitado o princípio da competência e prudência.
O recorrente frente aos argumentos levantados pelo AFRFB em data de 18/02/2013 apresentou impugnação (fls. 599/624), dispondo em síntese:
Embora a impugnante estivesse contestando administrativa e judicialmente a cobrança, era-lhe vedada a apropriação da despesa no momento em que renunciou à discussão judicial e efetuou o pagamento do tributo via "REFIS".
Embora se tratasse de uma questão singela, na medida em que a despesa se reconhece a partir do momento em que não há mais contestação do montante exigido, a Autoridade Fiscal empreendeu uma simplista visão do regime de competência.
O artigo 6º, parágrafos quarto e sexto, do Decreto-lei n° 1.598/77 previa que os valores originados em certos períodos, e que fossem, por determinadas razões, apropriados em exercícios subsequentes, em virtude de eventos que não permitissem o reconhecimento da despesa, não poderiam empacar o período de competência originário.
Na medida em que as despesas de R$ 445.866.870,62, correspondentes a R$ 62.509.961,68 do Principal, R$ 46.882.357,65 da Multa de Ofício, R$ 262.163.406,19 de Juros e R$ 74.311.145,10 de encargos, não foram consideradas no período relativo às suas ocorrências, conquanto a impugnante estivesse discutindo administrativa e judicialmente o débito lançado, sendo tais despesas registradas apenas no ano de 2009 por ocasião do pagamento realizado pela impugnante e, portanto, deduzidas somente no momento em que reconhecida a referida despesa.
O embasamento legal a respaldar o entendimento da impugnante se encontra previsto no artigo 6º , §§ 4º e 6º , do Decreto-Lei n° 1.598/77, bem como no artigo 247, do Decreto n° 3.000/99.
O mérito da exigência fiscal encontrava-se em discussão judicial, não havendo que se falar na imposição de que tal despesa fosse deduzida antes da efetiva ocorrência.
A própria Receita Federal já havia se manifestado para situações exatamente idênticas a presente, no o Parecer COSIT n° 09/2012.
O mérito da exigência fiscal em questão ("IOF") fora objeto de debate em discussão judicial via oposição de Embargos à Execução, autuado sob o n° 2008.61.26.0041506, não havendo reconhecimento da despesa pela impugnante. A expectativa decorrente da discussão judicial desobrigou que o débito fosse objeto de provisão até o exercício de 2009, momento em que incluído no parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, conforme normas contábeis vigentes.
O regime de caixa, no âmbito do Imposto de Renda, estabelece que as receitas e os custos operacionais apenas são reconhecidos nas contas de resultado do contribuinte quando recebidos e pagos em dinheiro.
A adoção do regime de caixa, em situações peculiares, não se revela em quebra indevida do regime de competência, mas propriamente em uma justiça fiscal, na medida em que os tributos discutidos judicialmente são obrigações fiscais sem data definida para pagamento e que possuem incerteza em relação à sua ocorrência, a depender da decisão do Poder Judiciário definitiva.
Assim, as despesas em discussão judicial não reúnem condições para serem reconhecidas e deduzidas, já que não são definitivas e devidas, enquanto perdurar a lide.
A pessoa jurídica que considera o tributo indevido e o contesta judicialmente não pode contabilizar a despesa como devida, pois se assim o fizer, além de incorreta e incoerente, seria conflitante com o sistema, pois o contribuinte irá deduzir uma despesa que eventualmente jamais poderá acontecer.
Mostra-se equivocada a posição da Autoridade Fiscal, ao entender que ainda que pendente a discussão judicial sobre a exigência do tributo, a impugnante deveria ter registrado a despesa e deduzido na apuração do Imposto de Renda, pois; repisa-se, trata-se de uma situação indefinida, cuja despesa poderá nunca ocorrer.
Caso o entendimento fosse diverso, que a impugnante tivesse deduzido a despesa durante a discussão judicial, sem que tivesse havido o efetivo pagamento do tributo, seria o caso de redução indevida do lucro real, pois permaneceria com o recurso público que deixaria de recolher, deduzindo, ainda, os valores não pagos do resultado apurado para fins de cálculo do imposto de renda, caracterizando dupla vantagem.
Mesmo tivesse sido provisionado em exercícios anteriores ao do seu pagamento (no ano de 2009), o mesmo seria objeto de adição no Lucro Real no momento de sua provisão como despesa não dedutível. Assim, no momento do efetivo pagamento da obrigação, o valor adicionado no lucro real em períodos anteriores seria objeto de exclusão na apuração do lucro real no período em que efetivamente realizado o pagamento, qual seja, em 30 de novembro de 2009, fato que teria o mesmo efeito como se o débito em questão tivesse sido apropriado e pago da forma que a impugnante procedeu.
A Autoridade Fiscal pautou a lavratura do auto baseada em apenas um ponto: a ocorrência de decadência pelo fato da impugnante não ter se apropriado da despesa quando do lançamento originário.
O único argumento está lastreado em uma premissa absolutamente incorreta, e que transpira um certo grau de absenteísmo por parte da Autoridade Fiscal quanto a legislação processual brasileira: a de que os Embargos à Execução não se constitui em forma de contestação do crédito tributário.
A Autoridade Fiscal confunde Embargos à Execução, com Embargos de Declaração e o mesmo com Exceção de Pré-Executividade, os quais, como se sabe, possuem natureza jurídica absolutamente distintas.
O mais grave é de que se parte da premissa de que os Embargos não são medida autônoma. A Fiscalização se equivocou ao entender que os Embargos à Execução Fiscal não é uma ação que busca a desconstituição judicial do crédito tributário.
Os Embargos à Execução, além de possuir a natureza de ação autônoma, é o meio por excelência para se discutir em juízo a cobrança executiva, fundada em uma decisão proferida no âmbito administrativo. Mais especificamente, a discussão para hipótese debatida nos autos do Processo Administrativo em referência, tem-se que o fato da IMPUGNANTE ter ajuizado, tempestivamente, seus competentes Embargos à Execução para discutir o mérito da exigência fiscal objeto do Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 constitui demonstração suficiente quanto ao afastamento do instituto da decadência do direito desta contabilizar os custos incorridos.
A decadência, por natureza, é a penalização pela inércia, no exercício de um direito. Tal hipótese não ocorre no parcelamento, mencionado no Acórdão supramencionado, tampouco quando há discussão de mérito em ação proposta perante o Poder Judiciário.
O prazo decadencial para dedutibilidade somente poderia ser computado quando se tornasse definitiva a despesa, tendo em vista a oposição dos Embargos visando contestar a relação jurídica tributária com o Fisco, o prazo decadencial somente pode ser computado a partir do trânsito em julgado de eventual decisão desfavorável ou no momento em que for reconhecida como despesa, o que somente ocorreu por ocasião da adesão ao parcelamento instituído pelo REFIS.
Demonstrada a inocorrêncía do decurso do prazo decadencial, deverá ser reconhecido o direito da impugnante deduzir do exercício de 2009 o montante pago para quitação do débito de "IOF" consubstanciado no Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 Execução Fiscal n° 2008.61.26.0041488, quando da adesão ao Programa de Parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, cancelando-se integralmente a Autuação Fiscal ora combatida.
Após os argumentos relatados acima, sobreveio acordão nº 12-062.455 da lavra da 15ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 687/708), a qual julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, mantendo o crédito tributário exigido, nos seguintes termos de sua ementa:
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES NA PESSOA OU NO DOMICÍLIO DO PROCURADOR.
Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa ou no domicílio profissional do procurador.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2009
REGIME DE COMPETÊNCIA. APROPRIAÇÃO DE DESPESAS.
As despesas relativas a tributos que não estão com a exigibilidade suspensa devem ser apropriadas segundo o regime de competência, para que se possa assegurar a dedutibilidade das mesmas.
Impugnação Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Intimada da decisão supratranscrita em 27/12/2013 (fl. 710), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário 28/01/2014 (fl. 713/746), no qual apresentou, em seu mérito, os mesmos fundamentos levantados em sua impugnação, os quais já foram vislumbrados.
É o relatório.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Helio Eduardo de Paiva Araujo, Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha e Marcio Rodrigo Frizzo. Relatório Trata-se de auto de infração sobre à dedução da despesa realizada pelo recorrente na apuração do seu lucro contábil do ano de 2009, relativa ao pagamento do IOF, juros e encargos, referentes ao processo n° 13805.014225/9636, no valor principal do IOF de R$ 62.509.961,68, juros de R$ 262.163.406,19 e encargos de R$ 74.311.145,10, pois a referida despesa era relativa a anos anteriores ao ano de 2009, sendo que o IOF devido era relativo ao ano de 1993, lançado em 1996, tendo sido definitivamente constituído em 28/07/2003, quando o recorrente tomou ciência da decisão do Conselho de Contribuintes. Os encargos incidentes sobre a cobrança da dívida pela PGFN, eram existentes desde 2003, quando o citado processo foi enviado para aquele órgão, após a ciência da decisão do Conselho tomada pelo fiscalizado em 28/07/2003. O AFRFB entendeu que o recorrente deveria ter contabilizado em 28/07/2003 as despesas correspondentes ao valor do principal do IOF lançado através do citado processo, no valor de R$ 62.509.961,68, bem como da multa e dos juros incidentes até aquela data, independente do pagamento das mesmas, e não realizando a contabilização das despesas teria sido desrespeitado o princípio da competência e prudência. O recorrente frente aos argumentos levantados pelo AFRFB em data de 18/02/2013 apresentou impugnação (fls. 599/624), dispondo em síntese: Embora a impugnante estivesse contestando administrativa e judicialmente a cobrança, era-lhe vedada a apropriação da despesa no momento em que renunciou à discussão judicial e efetuou o pagamento do tributo via "REFIS". Embora se tratasse de uma questão singela, na medida em que a despesa se reconhece a partir do momento em que não há mais contestação do montante exigido, a Autoridade Fiscal empreendeu uma simplista visão do regime de competência. O artigo 6º, parágrafos quarto e sexto, do Decreto-lei n° 1.598/77 previa que os valores originados em certos períodos, e que fossem, por determinadas razões, apropriados em exercícios subsequentes, em virtude de eventos que não permitissem o reconhecimento da despesa, não poderiam empacar o período de competência originário. Na medida em que as despesas de R$ 445.866.870,62, correspondentes a R$ 62.509.961,68 do Principal, R$ 46.882.357,65 da Multa de Ofício, R$ 262.163.406,19 de Juros e R$ 74.311.145,10 de encargos, não foram consideradas no período relativo às suas ocorrências, conquanto a impugnante estivesse discutindo administrativa e judicialmente o débito lançado, sendo tais despesas registradas apenas no ano de 2009 por ocasião do pagamento realizado pela impugnante e, portanto, deduzidas somente no momento em que reconhecida a referida despesa. O embasamento legal a respaldar o entendimento da impugnante se encontra previsto no artigo 6º , §§ 4º e 6º , do Decreto-Lei n° 1.598/77, bem como no artigo 247, do Decreto n° 3.000/99. O mérito da exigência fiscal encontrava-se em discussão judicial, não havendo que se falar na imposição de que tal despesa fosse deduzida antes da efetiva ocorrência. A própria Receita Federal já havia se manifestado para situações exatamente idênticas a presente, no o Parecer COSIT n° 09/2012. O mérito da exigência fiscal em questão ("IOF") fora objeto de debate em discussão judicial via oposição de Embargos à Execução, autuado sob o n° 2008.61.26.0041506, não havendo reconhecimento da despesa pela impugnante. A expectativa decorrente da discussão judicial desobrigou que o débito fosse objeto de provisão até o exercício de 2009, momento em que incluído no parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, conforme normas contábeis vigentes. O regime de caixa, no âmbito do Imposto de Renda, estabelece que as receitas e os custos operacionais apenas são reconhecidos nas contas de resultado do contribuinte quando recebidos e pagos em dinheiro. A adoção do regime de caixa, em situações peculiares, não se revela em quebra indevida do regime de competência, mas propriamente em uma justiça fiscal, na medida em que os tributos discutidos judicialmente são obrigações fiscais sem data definida para pagamento e que possuem incerteza em relação à sua ocorrência, a depender da decisão do Poder Judiciário definitiva. Assim, as despesas em discussão judicial não reúnem condições para serem reconhecidas e deduzidas, já que não são definitivas e devidas, enquanto perdurar a lide. A pessoa jurídica que considera o tributo indevido e o contesta judicialmente não pode contabilizar a despesa como devida, pois se assim o fizer, além de incorreta e incoerente, seria conflitante com o sistema, pois o contribuinte irá deduzir uma despesa que eventualmente jamais poderá acontecer. Mostra-se equivocada a posição da Autoridade Fiscal, ao entender que ainda que pendente a discussão judicial sobre a exigência do tributo, a impugnante deveria ter registrado a despesa e deduzido na apuração do Imposto de Renda, pois; repisa-se, trata-se de uma situação indefinida, cuja despesa poderá nunca ocorrer. Caso o entendimento fosse diverso, que a impugnante tivesse deduzido a despesa durante a discussão judicial, sem que tivesse havido o efetivo pagamento do tributo, seria o caso de redução indevida do lucro real, pois permaneceria com o recurso público que deixaria de recolher, deduzindo, ainda, os valores não pagos do resultado apurado para fins de cálculo do imposto de renda, caracterizando dupla vantagem. Mesmo tivesse sido provisionado em exercícios anteriores ao do seu pagamento (no ano de 2009), o mesmo seria objeto de adição no Lucro Real no momento de sua provisão como despesa não dedutível. Assim, no momento do efetivo pagamento da obrigação, o valor adicionado no lucro real em períodos anteriores seria objeto de exclusão na apuração do lucro real no período em que efetivamente realizado o pagamento, qual seja, em 30 de novembro de 2009, fato que teria o mesmo efeito como se o débito em questão tivesse sido apropriado e pago da forma que a impugnante procedeu. A Autoridade Fiscal pautou a lavratura do auto baseada em apenas um ponto: a ocorrência de decadência pelo fato da impugnante não ter se apropriado da despesa quando do lançamento originário. O único argumento está lastreado em uma premissa absolutamente incorreta, e que transpira um certo grau de absenteísmo por parte da Autoridade Fiscal quanto a legislação processual brasileira: a de que os Embargos à Execução não se constitui em forma de contestação do crédito tributário. A Autoridade Fiscal confunde Embargos à Execução, com Embargos de Declaração e o mesmo com Exceção de Pré-Executividade, os quais, como se sabe, possuem natureza jurídica absolutamente distintas. O mais grave é de que se parte da premissa de que os Embargos não são medida autônoma. A Fiscalização se equivocou ao entender que os Embargos à Execução Fiscal não é uma ação que busca a desconstituição judicial do crédito tributário. Os Embargos à Execução, além de possuir a natureza de ação autônoma, é o meio por excelência para se discutir em juízo a cobrança executiva, fundada em uma decisão proferida no âmbito administrativo. Mais especificamente, a discussão para hipótese debatida nos autos do Processo Administrativo em referência, tem-se que o fato da IMPUGNANTE ter ajuizado, tempestivamente, seus competentes Embargos à Execução para discutir o mérito da exigência fiscal objeto do Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 constitui demonstração suficiente quanto ao afastamento do instituto da decadência do direito desta contabilizar os custos incorridos. A decadência, por natureza, é a penalização pela inércia, no exercício de um direito. Tal hipótese não ocorre no parcelamento, mencionado no Acórdão supramencionado, tampouco quando há discussão de mérito em ação proposta perante o Poder Judiciário. O prazo decadencial para dedutibilidade somente poderia ser computado quando se tornasse definitiva a despesa, tendo em vista a oposição dos Embargos visando contestar a relação jurídica tributária com o Fisco, o prazo decadencial somente pode ser computado a partir do trânsito em julgado de eventual decisão desfavorável ou no momento em que for reconhecida como despesa, o que somente ocorreu por ocasião da adesão ao parcelamento instituído pelo REFIS. Demonstrada a inocorrêncía do decurso do prazo decadencial, deverá ser reconhecido o direito da impugnante deduzir do exercício de 2009 o montante pago para quitação do débito de "IOF" consubstanciado no Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 Execução Fiscal n° 2008.61.26.0041488, quando da adesão ao Programa de Parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, cancelando-se integralmente a Autuação Fiscal ora combatida. Após os argumentos relatados acima, sobreveio acordão nº 12-062.455 da lavra da 15ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 687/708), a qual julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, mantendo o crédito tributário exigido, nos seguintes termos de sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES NA PESSOA OU NO DOMICÍLIO DO PROCURADOR. Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa ou no domicílio profissional do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 REGIME DE COMPETÊNCIA. APROPRIAÇÃO DE DESPESAS. As despesas relativas a tributos que não estão com a exigibilidade suspensa devem ser apropriadas segundo o regime de competência, para que se possa assegurar a dedutibilidade das mesmas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 27/12/2013 (fl. 710), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário 28/01/2014 (fl. 713/746), no qual apresentou, em seu mérito, os mesmos fundamentos levantados em sua impugnação, os quais já foram vislumbrados. É o relatório.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Helio Eduardo de Paiva Araujo, Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha e Marcio Rodrigo Frizzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 01 8/ 20 13 -4 2 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/201342 Resolução nº 1302000.369 S1C3T2 Fl. 766 2 Relatório Tratase de auto de infração sobre à dedução da despesa realizada pelo recorrente na apuração do seu lucro contábil do ano de 2009, relativa ao pagamento do IOF, juros e encargos, referentes ao processo n° 13805.014225/9636, no valor principal do IOF de R$ 62.509.961,68, juros de R$ 262.163.406,19 e encargos de R$ 74.311.145,10, pois a referida despesa era relativa a anos anteriores ao ano de 2009, sendo que o IOF devido era relativo ao ano de 1993, lançado em 1996, tendo sido definitivamente constituído em 28/07/2003, quando o recorrente tomou ciência da decisão do Conselho de Contribuintes. Os encargos incidentes sobre a cobrança da dívida pela PGFN, eram existentes desde 2003, quando o citado processo foi enviado para aquele órgão, após a ciência da decisão do Conselho tomada pelo fiscalizado em 28/07/2003. O AFRFB entendeu que o recorrente deveria ter contabilizado em 28/07/2003 as despesas correspondentes ao valor do principal do IOF lançado através do citado processo, no valor de R$ 62.509.961,68, bem como da multa e dos juros incidentes até aquela data, independente do pagamento das mesmas, e não realizando a contabilização das despesas teria sido desrespeitado o princípio da competência e prudência. O recorrente frente aos argumentos levantados pelo AFRFB em data de 18/02/2013 apresentou impugnação (fls. 599/624), dispondo em síntese: a) Embora a impugnante estivesse contestando administrativa e judicialmente a cobrança, eralhe vedada a apropriação da despesa no momento em que renunciou à discussão judicial e efetuou o pagamento do tributo via "REFIS". b) Embora se tratasse de uma questão singela, na medida em que a despesa se reconhece a partir do momento em que não há mais contestação do montante exigido, a Autoridade Fiscal empreendeu uma simplista visão do regime de competência. c) O artigo 6º, parágrafos quarto e sexto, do Decretolei n° 1.598/77 previa que os valores originados em certos períodos, e que fossem, por determinadas razões, apropriados em exercícios subsequentes, em virtude de eventos que não permitissem o reconhecimento da despesa, não poderiam empacar o período de competência originário. d) Na medida em que as despesas de R$ 445.866.870,62, correspondentes a R$ 62.509.961,68 do Principal, R$ 46.882.357,65 da Multa de Ofício, R$ 262.163.406,19 de Juros e R$ 74.311.145,10 de encargos, não foram consideradas no período relativo às suas ocorrências, conquanto a impugnante estivesse discutindo administrativa e judicialmente o débito lançado, sendo tais despesas registradas apenas no ano de 2009 por ocasião do pagamento realizado pela impugnante e, portanto, deduzidas somente no momento em que reconhecida a referida despesa. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/201342 Resolução nº 1302000.369 S1C3T2 Fl. 767 3 e) O embasamento legal a respaldar o entendimento da impugnante se encontra previsto no artigo 6º , §§ 4º e 6º , do DecretoLei n° 1.598/77, bem como no artigo 247, do Decreto n° 3.000/99. f) O mérito da exigência fiscal encontravase em discussão judicial, não havendo que se falar na imposição de que tal despesa fosse deduzida antes da efetiva ocorrência. g) A própria Receita Federal já havia se manifestado para situações exatamente idênticas a presente, no o Parecer COSIT n° 09/2012. h) O mérito da exigência fiscal em questão ("IOF") fora objeto de debate em discussão judicial via oposição de Embargos à Execução, autuado sob o n° 2008.61.26.0041506, não havendo reconhecimento da despesa pela impugnante. A expectativa decorrente da discussão judicial desobrigou que o débito fosse objeto de provisão até o exercício de 2009, momento em que incluído no parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, conforme normas contábeis vigentes. i) O regime de caixa, no âmbito do Imposto de Renda, estabelece que as receitas e os custos operacionais apenas são reconhecidos nas contas de resultado do contribuinte quando recebidos e pagos em dinheiro. j) A adoção do regime de caixa, em situações peculiares, não se revela em quebra indevida do regime de competência, mas propriamente em uma justiça fiscal, na medida em que os tributos discutidos judicialmente são obrigações fiscais sem data definida para pagamento e que possuem incerteza em relação à sua ocorrência, a depender da decisão do Poder Judiciário definitiva. k) Assim, as despesas em discussão judicial não reúnem condições para serem reconhecidas e deduzidas, já que não são definitivas e devidas, enquanto perdurar a lide. l) A pessoa jurídica que considera o tributo indevido e o contesta judicialmente não pode contabilizar a despesa como devida, pois se assim o fizer, além de incorreta e incoerente, seria conflitante com o sistema, pois o contribuinte irá deduzir uma despesa que eventualmente jamais poderá acontecer. m) Mostrase equivocada a posição da Autoridade Fiscal, ao entender que ainda que pendente a discussão judicial sobre a exigência do tributo, a impugnante deveria ter registrado a despesa e deduzido na apuração do Imposto de Renda, pois; repisase, tratase de uma situação indefinida, cuja despesa poderá nunca ocorrer. n) Caso o entendimento fosse diverso, que a impugnante tivesse deduzido a despesa durante a discussão judicial, sem que tivesse havido o efetivo pagamento do tributo, seria o caso de redução indevida do lucro real, pois permaneceria com o recurso público que deixaria de recolher, deduzindo, Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/201342 Resolução nº 1302000.369 S1C3T2 Fl. 768 4 ainda, os valores não pagos do resultado apurado para fins de cálculo do imposto de renda, caracterizando dupla vantagem. o) Mesmo tivesse sido provisionado em exercícios anteriores ao do seu pagamento (no ano de 2009), o mesmo seria objeto de adição no Lucro Real no momento de sua provisão como despesa não dedutível. Assim, no momento do efetivo pagamento da obrigação, o valor adicionado no lucro real em períodos anteriores seria objeto de exclusão na apuração do lucro real no período em que efetivamente realizado o pagamento, qual seja, em 30 de novembro de 2009, fato que teria o mesmo efeito como se o débito em questão tivesse sido apropriado e pago da forma que a impugnante procedeu. p) A Autoridade Fiscal pautou a lavratura do auto baseada em apenas um ponto: a ocorrência de decadência pelo fato da impugnante não ter se apropriado da despesa quando do lançamento originário. q) O único argumento está lastreado em uma premissa absolutamente incorreta, e que transpira um certo grau de absenteísmo por parte da Autoridade Fiscal quanto a legislação processual brasileira: a de que os Embargos à Execução não se constitui em forma de contestação do crédito tributário. r) A Autoridade Fiscal confunde Embargos à Execução, com Embargos de Declaração e o mesmo com Exceção de PréExecutividade, os quais, como se sabe, possuem natureza jurídica absolutamente distintas. s) O mais grave é de que se parte da premissa de que os Embargos não são medida autônoma. A Fiscalização se equivocou ao entender que os Embargos à Execução Fiscal não é uma ação que busca a desconstituição judicial do crédito tributário. t) Os Embargos à Execução, além de possuir a natureza de ação autônoma, é o meio por excelência para se discutir em juízo a cobrança executiva, fundada em uma decisão proferida no âmbito administrativo. Mais especificamente, a discussão para hipótese debatida nos autos do Processo Administrativo em referência, temse que o fato da IMPUGNANTE ter ajuizado, tempestivamente, seus competentes Embargos à Execução para discutir o mérito da exigência fiscal objeto do Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 constitui demonstração suficiente quanto ao afastamento do instituto da decadência do direito desta contabilizar os custos incorridos. u) A decadência, por natureza, é a penalização pela inércia, no exercício de um direito. Tal hipótese não ocorre no parcelamento, mencionado no Acórdão supramencionado, tampouco quando há discussão de mérito em ação proposta perante o Poder Judiciário. v) O prazo decadencial para dedutibilidade somente poderia ser computado quando se tornasse definitiva a despesa, tendo em vista a oposição dos Embargos visando contestar a relação jurídica tributária com o Fisco, o prazo decadencial somente pode ser computado a partir do trânsito em julgado de eventual decisão desfavorável ou no momento em que for reconhecida como Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/201342 Resolução nº 1302000.369 S1C3T2 Fl. 769 5 despesa, o que somente ocorreu por ocasião da adesão ao parcelamento instituído pelo REFIS. w) Demonstrada a inocorrêncía do decurso do prazo decadencial, deverá ser reconhecido o direito da impugnante deduzir do exercício de 2009 o montante pago para quitação do débito de "IOF" consubstanciado no Processo Administrativo n° 13805.014225/9636 Execução Fiscal n° 2008.61.26.0041488, quando da adesão ao Programa de Parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, cancelandose integralmente a Autuação Fiscal ora combatida. Após os argumentos relatados acima, sobreveio acordão nº 12062.455 da lavra da 15ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 687/708), a qual julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, mantendo o crédito tributário exigido, nos seguintes termos de sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES NA PESSOA OU NO DOMICÍLIO DO PROCURADOR. Não encontra amparo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa ou no domicílio profissional do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 REGIME DE COMPETÊNCIA. APROPRIAÇÃO DE DESPESAS. As despesas relativas a tributos que não estão com a exigibilidade suspensa devem ser apropriadas segundo o regime de competência, para que se possa assegurar a dedutibilidade das mesmas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 27/12/2013 (fl. 710), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário 28/01/2014 (fl. 713/746), no qual apresentou, em seu mérito, os mesmos fundamentos levantados em sua impugnação, os quais já foram vislumbrados. É o relatório. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/201342 Resolução nº 1302000.369 S1C3T2 Fl. 770 6 Voto: Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. O presente auto de infração traz à baila a discussão sobre o momento em que o contribuinte deve lançar em sua contabilidade para fins de apuração do IRPJ pelo lucro real as suas despesas. Conforme já ventilado acima, a autuação se refere à dedução da despesa realizada pelo recorrente na apuração do seu lucro contábil do ano de 2009, relativa ao pagamento do IOF, juros e encargos, referentes ao processo n° 13805.014225/9636, no valor principal do IOF de R$ 62.509.961,68, juros de R$ 262.163.406,19 e encargos de R$ 74.311.145,10, pois a referida despesa era relativa a anos anteriores ao ano de 2009, sendo que o IOF devido era relativo ao ano de 1993, lançado em 1996, tendo sido definitivamente constituído em 28/07/2003, quando o recorrente tomou ciência da decisão do Conselho de Contribuintes. O AFRFB por entender que as despesas deveriam ser lançadas na contabilidade da recorrente no anocalendário de sua constituição definitiva, ou seja, quando o recorrente tomou ciência da decisão final do Conselho de Contribuintes (28/07/2003), glosou as despesas e lançou o presente auto de infração. Isto pois, segundo o Fisco, o recorrente não teria tomado qualquer medida a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário lançado através do processo n° 13805.014225/9636, nos termos do art. 151, do CTN, pelo que tal débito teria se tornado definitivo quando da ciência da decisão final administrativa, em 28/07/2003, nos termos seguintes (fls. 580): Não tendo o contribuinte fiscalizado tomado qualquer medida prevista no art. 151 do CTN que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário lançado através do processo nº 13805.014225/9636, logo após ter tomado ciência do recurso voluntário em 28/07/2003, este crédito tornouse definitivo nessa data. Em 28/07/2003 o contribuinte fiscalizado deveria ter contabilizado as despesas correspondentes (...). Contudo, ao analisar os autos, notase que a recorrente protocolou embargos à execução, autuados sob o n.º 2008.61.26.0041506 (Seção Judiciária de São Paulo), buscando suspender a execução da dívida relatada acima, nos termos consignados pelo próprio AFRFB em seu TVF, conforme excerto abaixo (fls. 580): (...) Por fim o fiscalizado alegou, através do seu jurídico, que tomou ciência da inscrição em dívida ativa do débito relativo ao processo n.º 13805.014225/9636 apenas em 2005, e que impetrou a ação nº Fl. 770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10805.720018/201342 Resolução nº 1302000.369 S1C3T2 Fl. 771 7 2008.61.26.0041506 de Embargos à Execução para suspender a execução desta dívida. (grifo não original) Portanto, em face dessas considerações, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, bem como para não ofender o interesse público na correta aplicação da legislação tributária, entendo cabível converter o julgamento em diligência, a fim de que o AFRFB verifique: a) Se os Embargos à Execução nº 2008.61.26.0041506 (Seção Judiciária de São Paulo) foram recebidos com efeitos suspensivos; b) Se a execução fiscal na qual se cobrava a obrigação tributária lançada através do processo administrativo n.º 13805.014225/9636 não teve declarada sua suspensão por motivo de protocolo de recurso ou qualquer outra razão; c) Após, que o agente fiscal emita parecer conclusivo esclarecendo tais circunstâncias, evidenciando se em algum momento processual a execução fiscal na qual se cobrava a obrigação tributária lançada através do processo administrativo n.º 13805.014225/9636 teve seu desenrolar suspenso por qualquer motivo e por qual período. Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgálo incontinenti. Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002105/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.254.071-6.
Consolidados em 18/02/2010
PLR. DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
No caso em tela parte dos pagamentos efetuados e não lançadas nas folhas de pagamento foram reconhecidos em sua contabilidade como Participação nos Resultados, porém trata-se na verdade de produção e outros benefícios pagos mensalmente, o que os desqualificam como participação nos resultados, sendo que os pagamentos eram mensais; parte dos recibos de pagamentos comprovam que os valores escriturados como participação nos resultados nada mais é que uma tentativa de reconhecimento contábil das despesas/custos referentes aos pagamentos não lançados nas folhas de pagamento e portanto não oferecidos à tributação pela empresa.
Considerando que o procedimento contábil se repetiu em todo o período fiscalizado, a denúncia do Ministério Público do Trabalho, os depoimentos de ex-empregados em processos trabalhistas, a fiscalização formou convicção de que a conduta aconteceu em todo o período fiscalizado. Dessa forma, foram lançadas contribuições previdenciárias no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007 com base nos lançamentos contábeis da conta Participação nos Lucros ou Resultados.
Assim, havendo lançamento previdenciário correto, em face de não acudir a determinação legal Lei nº 10.101/2000, está a recorrente sujeita ao mesmo, por descumprimento da obrigação principal, culminando também o dever de honrar com a obrigação principal.
BIS IN IDEM. Não configuração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Consolidados em 18/02/2010 PLR. DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. No caso em tela parte dos pagamentos efetuados e não lançadas nas folhas de pagamento foram reconhecidos em sua contabilidade como Participação nos Resultados, porém tratase na verdade de produção e outros benefícios pagos mensalmente, o que os desqualificam como participação nos resultados, sendo que os pagamentos eram mensais; parte dos recibos de pagamentos comprovam que os valores escriturados como participação nos resultados nada mais é que uma tentativa de reconhecimento contábil das despesas/custos referentes aos pagamentos não lançados nas folhas de pagamento e portanto não oferecidos à tributação pela empresa. Considerando que o procedimento contábil se repetiu em todo o período fiscalizado, a denúncia do Ministério Público do Trabalho, os depoimentos de exempregados em processos trabalhistas, a fiscalização formou convicção de que a conduta aconteceu em todo o período fiscalizado. Dessa forma, foram lançadas contribuições previdenciárias no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007 com base nos lançamentos contábeis da conta Participação nos Lucros ou Resultados. Assim, havendo lançamento previdenciário correto, em face de não acudir a determinação legal Lei nº 10.101/2000, está a recorrente sujeita ao mesmo, por descumprimento da obrigação principal, culminando também o dever de honrar com a obrigação principal. BIS IN IDEM. Não configuração. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 21 05 /2 01 0- 80 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.002105/201080 Acórdão n.º 2301004.153 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário para anatematizar Acórdão sob nº 0232.834 exarado pela 6ª Turma da DRJ/BH que manteve na íntegra o lançamento realizado no Auto de Infração integrante do presente processo administrativo. De acordo com os elementos constitutivos do presente processo, a Recorrente foi autuada por deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade as remunerações pagas a empregados a título de "avulso", "produção", "D/R". Em decorrência de circunstância agravante, conforme o inciso V do artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3l048, de 6 de maio de 1999, a multa, prevista no artigo 92 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c o artigo 283, inciso II, "a", do mesmo Regulamento, com as atualizações dadas pela Portaria MPS/MF n° 350, de 30.12.2009 (DOU de 31.12.2009), foi agravada em 3 (três) vezes, resultando no valor de R$ 42.323,31 (quarenta e dois mil e trezentos e vinte e três reais e trinta e um centavos). A agravante, conforme Relatório Fiscal de fl. 05 correspondeu à lavratura de autos de infração de obrigações acessórias, um deles com o mesmo tipo legal do presente, lavrados em ação fiscal anterior, com trânsitos em julgado em 06.06.2005. Tomou ciência do lançamento e o impugnou, sendo que em sessão de julgamento DRJ/BH manteve o lançamento em sua integralidade. Em 17 de maio de 2012 foi notificada da decisão de piso e no dia 11 de junho de 2012 aviou o presente recurso objurgando a decisão de piso. É a síntese do necessário. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O Recurso acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo a examinar as suas razões. Irresignada com a decisão de piso avia a presente peça recursiva com as seguintes alegações: ‘BIS IN IDEN’ – APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA Alega em sua peça recursiva que está plenamente caracterizado o ‘bis in iden’, porque, assim como em outros 6 DEBCAD’s houve aplicação de multa idêntica originária de um mesmo fato, sendo que em alguns foram aplicados valores exorbitantes de mais de 300 mil reais e noutro de 3 mil reais. Para a Recorrente, nos termos do artigo 112 do CTN a legislação tributária que define infração a interpreta de maneira mais favorável ao contribuinte acusado. E, neste diapasão, segundo ela, isto deverá ser realizado no presente caso, aplicando a multa mais branda, aplicandoselhe a multa menos gravosa, ou seja, a do DEBCAD nº 37.254.0732. Junta jurisprudência. A impugnação de fls. 114 à 132 dos autos não trouxe matéria com esta alegação, razão pela qual deixo de analisar por considerar que é inovação defensiva, sem conduto, passar pelo crivo julgador de primeira instância, configurando supressão de instância. De mais a mais, segundo o Decreto 70.235/72, matéria não contestada considerase não impugnada. ‘Ex vi’ artigo 17: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Não impugnada há aceitação tácita, fazendo coisa julgada o lançamento. Deixo de apreciar a alegação recursiva, neste quesito, porque seria suprir a competência da instância primeira. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SE INEXISTE A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Diz a Recorrente que está imune ao pagamento de contribuição previdenciária incidente sobre o seu PPR, que seria a obrigação principal, razão pela qual não pode ser condenada a pagar a obrigação acessória. Alega que a autuação fiscal está eivada, eis que se baseou em meras presunções de que realizava pagamento de PPR em dinheiro. Entretanto, não é assim. Vamos algumas questões levantadas e provadas pela fiscalização: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.002105/201080 Acórdão n.º 2301004.153 S2C3T1 Fl. 4 5 · 4.6.2 Parte dos pagamentos efetuados e não lançadas nas folhas de pagamento foram reconhecidos em sua contabilidade como Participação nos Resultados, porém tratase na verdade de produção e outros benefícios pagos mensalmente, o que os desqualificam como participação nos resultados: · pela documentação apreendida concluise que os pagamentos eram mensais; · a empresa não demonstrou que o programa está em conformidade com a Lei 10.101/2000 (faltou demonstrar as aferições e não comprovou que os pagamentos ocorreram nos meses em que aconteceram os lançamentos contábeis de junho e dezembro); · pela documentação apreendida concluise que os pagamentos eram mensais; · parte dos recibos de pagamentos comprovam que os valores escriturados como participação nos resultados nada mais é que uma tentativa de reconhecimento contábil das despesas/custos referentes aos pagamentos não lançados nas folhas de pagamento e portanto não oferecidos à tributação pela empresa; Dessa forma a fiscalização procedeu ao lançamento dos valores referentes à documentação apreendida da seguinte forma: · Recibos com identificação de alguma rubrica que compõe as planilhas com o título de Participação nos Resultados (Avulso, Produção, Gratificação, D/R), foram lançados como Produção. · Demais recibos: foram lançados como outras remunerações sem relação com a participação nos resultados. Considerando que o procedimento contábil se repetiu em todo o período fiscalizado, a denúncia do Ministério Público do Trabalho, os depoimentos de exempregados em processos trabalhistas, a fiscalização formou convicção de que a conduta descrita acima aconteceu em todo o período fiscalizado. Dessa forma, foram lançadas contribuições previdenciárias no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007 com base nos lançamentos contábeis da conta Participação nos Lucros ou Resultados. Assim, havendo lançamento previdenciário correto, em face de não acudir a determinação legal 9Lei nº 10.101/2000), está a recorrente sujeita ao mesmo, por descumprimento da obrigação principal, culminando também o dever de honrar com a obrigação principal. PLANO DE SAÚDE Desenvolve em sua peça recursiva, de forma até perfulgente, a tese de que houve revogação tácita do artigo 28, § 9º , ‘q” da Lei 8.212/91, pela Lei nº 10.243/2001, que acrescentou o§ 2º do artigo 458 da CLT. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 6 Diz que a legislação previdenciária trata o conceito de remuneração de forma abrangente, ao passo que a novel legislação trabalhista, por ser mais especifica, exclui o pagamento de plano de saúde do conceito de salário e de remuneração. Tenho, pelas conclusões legais sobre o tema, que a tese é acertada, todavia, esbarra no fato que o plano de saúde não integra o saláriodecontribuição, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Diferente do que nos trás a fiscalização: 4. 6 . 3 Os valores pagos a Plano de Saúde para alguns empregados/sócios constituem em base de incidência de contribuições previdenciárias, pois o benefício não estende à totalidade de seus empregados/sócios; Deveria a Recorrente em sua impugnação demonstrar que os planos de saúde estavam disponíveis à todos, aderindo que os desejasse. Entretanto, não há nos autos a demonstração que assim era o procedimento da Recorrida, ficando óbvio que o plano de saúde oferecido a alguns membros da direção, não era disponível a todos os funcionários. Concluir que não há a hipótese descrita na Lei 8.212/91, art. 28, inciso I, §9º, alínea "p", devendo ser mantido no presente lançamento os valores apurados referentes a “plano de saúde”. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço para NEGARLHE PROVIMENTO, porque a multa aplicada encontrase em consonância com a legislação, mormente a aplicação de a lei aplicada ser a mais benéfica ao Recorrente. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 13746.000113/99-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995
PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO
Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DOS DÉBITOS A COMPENSAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se considera tacitamente homologada, mesmo após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data do protocolo, a compensação objeto de pedido, no qual não se encontrem discriminados os débitos a serem compensados.
PRESCRIÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA. NÃO ANALISADA.
Não se analisa em sede de recurso voluntário alegação de prescrição declarada na esfera judicial de débitos inscritos em dívida ativa da União.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DOS DÉBITOS A COMPENSAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se considera tacitamente homologada, mesmo após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data do protocolo, a compensação objeto de pedido, no qual não se encontrem discriminados os débitos a serem compensados. PRESCRIÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA. NÃO ANALISADA. Não se analisa em sede de recurso voluntário alegação de prescrição declarada na esfera judicial de débitos inscritos em dívida ativa da União. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 01 13 /9 9- 00 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 939 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 939DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 940 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – PR: 1 Tratase no processo de pedido de compensação de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente a pagamentos que teriam sido recolhidos de forma indevida ou a maior e relativos aos períodos de apuração janeiro de 1989 a setembro de 1995 (PA 01/89 a 09/95), com débitos, segundo a petição acostada à. inicial, do próprio PIS, COFINS, C.SOCIAL e IR, vincendos a partir de março de 1999. 2 Juntamente com o requerimento do interessado, foram por ele anexados: a planilha "Recuperação de Créditos" de fls. 02/03; formulários pedidos de compensação às fls. 04/05, nos quais informouse o crédito requerido no valor de R$ 1.016.512,94 e não se especificou os débitos a compensar; cópia de documento de identidade, procuração, alteração contratual e cartão no CNPJ, fls. 06/11; cópia de peças originadas do Mandado de Segurança (MS) n° 88.00251820/RJ, fls. 12/91; cópia de Darf's e da DIRPJ/98 e confirmação de pagamentos, fls. 92/129. 3 À fl. 130, Intimação n° 140/2002, lavrada pela unidade local de jurisdição do interessado, solicitando a apresentação de pedido de compensação, a contemplar os débitos a serem compensados devidamente relacionados. Cientificado da referida Intimação em 17/06/2002, o requerente no promoveu a anexação dos documentos solicitados (cf. fls. 131/132). 4 Posteriormente, o contribuinte requer no documento de fls. 134/135, recepcionado em 02/07/2005, o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação "nos termos das DCTF's já apresentadas". 5 As fls. 136/227, procuração, alteração contratual, cópia de peças extraídas do MS no 88.00251820/RJ. As fls. 228/284, cópia da planilha "Recuperação de Créditos" e de Darf's da contribuição para o PIS. As fls 285/295, Intimação n° 409/2005, Aviso de Recebimento, cópia de procuração, alteração contratual e resposta do contribuinte com a apresentação da certidão de objeto e pé solicitada pela referida Intimação. As fls. 296/297, pesquisa contendo decisão prolatada nos autos do Agravo de Instrumento n° 2000.02.01.0508466/TRF2a. Regido. As fls. 298/415, pesquisa nos sistemas informatizados da RFB: CNPJ, IRPJ, DCTFOL, SINCOR/TRATAPAGTO. As fls. 417/418, planilha "PIS Valores Pagos", Ano base: 1994. As fls. 419/421, despacho da Seort/DRF/Nova Iguaçu solicitando diligência à fiscalização (Sapac) da mesma DRF. As fls. 422/425, resposta da Sapac/DRF/Nova Iguaçu. As fls. 426/431, novo despacho da Seort/DRF/Nova Iguaçu reiterando a diligência solicitada, solicitação de vista do processo da empresa requerente, cópia de procuração e documento de identidade do procurador. As fls. 433/560, peças que instruem a diligência requerida com Informação Fiscal as fls. 561/563. Termo de Juntada às fls. 133, 416 e 432. 6 Pronunciandose às fls. 565/569 a respeito da compensação pleiteada pelo interessado, a autoridade local (DRF/Nova Iguaçu/RJ) exarou o Parecer Seort n° 341/2007 e Despacho Decisório, com os seguintes fundamentos: Fl. 940DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 941 4 a) o presente processo trata de pedido de restituição, seguido de pedido de compensação, referentes a valores recolhidos a titulo de PIS para os fatos geradores apurados conforme a sistemática prevista nos Decretosleis n's 2.445/88 e 2.449/88, quando, conforma alega o contribuinte, deveria ter sido recolhida a contribuição de acordo com a Lei Complementar (LC) n° 07/70; b) o Senado Federal, por meio da Resolução n° 49 (DOU de 10/10/1995), suspendeu a execução dos Decretosleis n's 2.445/88 e 2.449188, restabelecendo, assim, o sistema de cálculo do PIS da LC n° 07/70, voltando a serem aplicados todos os atos legais, normativos e administrativos, relacionados com essa contribuição, desde que em conformidade com a LC n° 07/70 e com as modificações nela introduzidas, à exceção das originadas por esses Decretosleis; c) o art. 165 do CTN reconhece o direito à. repetição do indébito, todavia, este direito deve ser exercido no prazo assinalado pelo art. 168 do mesmo diploma legal; d) além disso, se considerado o disposto no Ato Declaratório SRF n° 096, de 26/11/1999, fundamentado no Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN/CAT n° 1.538, de 1999, bem como em reiteradas decisões das Delegacias de Julgamento da RFB, e, notadamente, pela decisão do STF no RE n° 57.310/PB, é equivocada a jurisprudência que define as datas de publicação do acórdão do STF e da Resolução do Senado Federal como marcos iniciais dos prazos decadencial ou prescricional do direito de pleitear a restituição de tributo pago com base em lei declarada inconstitucional; e) podese concluir, portanto, que o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário, mesmo na hipótese de o recolhimento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional, pelo que, no caso em questão, em que são pleiteados direitos creditórios do período de janeiro de 1989 a setembro de 1995, no entanto, só serão analisados os dados a partir de fevereiro de 1994, pois o presente processo foi protocolado em 19/02/1999 e o prazo para exercer o direito de pleitear os créditos anteriores a este período foi alcançado pela prescrição (os grifos estão no original); f) o Mandado de Procedimento Fiscal (de diligência) n° 07103002007 002776 (fl. 434) foi emitido com o objetivo de verificar se o contribuinte é realmente prestador de serviços e determinar a base de cálculo do PIS, através do exame de sua escrituração contábilfiscal; g) a partir da base de cálculo assim apurada, e calculandose a diferença entre o valor que o contribuinte recolheu e o exato valor a ser pago, restaram como pagamentos a maior, para os períodos de fevereiro de 1994 a setembro de 1995, os valores expressos na Tabela de fl. 568; h) por todos os fundamentos expostos, deferese parcialmente o pedido de restituição e homologase parcialmente a compensação, dandose continuidade A. cobrança dos débitos a serem compensados, no objeto de homologação. 7 Ás fls. 570/614, pesquisa e confirmação dos pagamentos a restituir nos sistemas • informatizados SINAL07, SINCOR/TRATAPAGTO e SIEF. As fls. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 942 5 615/672, Extrato de Processo no sistema informatizado PROFISC (fls. 615/617 e fls. 665/669), cópia de DCTF's (fls. 618/629), Demonstrativo Analítico de Compensação, emissão de Notas de Compensação e Darf's no Sistema SIAFI (fls. 630/663), Comunicado Seort n° 212/2008 com despacho decisório e CartaCobrança (fls. 670/671), e Aviso de Recebimento (AR) em 13/05/2008, fl. 672. A fl. 664, Termo de Desapensação. 8 Após cientificado (em 13/05/2008) da decisão da autoridade administrativa local de fls. 565/569, o contribuinte, irresignado, apresentou, em 26/05/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 673/688 e documentos anexos de fls. 689/797 (documento de identidade do sócioadministrador da empresa e 29'. alteração contratual, fls. 689/694; doc. 1 — cópia do Comunicado n° 212/2008, do Comprovante de Recebimento, do Parecer Seort n° 341/2007 e Despacho Decisório, fls. 695/672; doc. 2 — cópia de peças extraídas do MS n° 88.00251820/RJ, fls. 703/737; doc. 3 — cópia de cartão de processo, pedido de compensação, planilha "Recuperação de Créditos", Intimação n° 409/2005 e Certidão de Objeto e Pé, fls. 738/749; doc. 4— cópia de DCTF dol° trim. de 1999, fls. 750/758; doc. 5 cópia de DCTF do 2° trim. de 1999, fls. 759/770; doc. 6 cópia de DCTF do 3° trim. de 1999, fls. 771/782; Termo de • Encerramento e de Abertura, fls. 783/784; doc. 7 cópia de DCTF do 4° trim. de 1999, fls. 785/792; doc. 8 — cópia de Execução Fiscal da Divida Ativa n° 2004.51.10.0073703/RJ e de Acórdão em Embargos de Declaração no Agravo n° 2005.02.01.0102042/RJ, fls. 793/797), alegando, em síntese, que: a) inobstante o acórdão do STF transitado em julgado (em 18/10/1994) nos autos do Mandado de Segurança n° 88.00251820/RJ, reconhecendo o direito liquido e certo do recorrente de não se sujeitar ao indevido pagamento da contribuição para o PIS, tendo em vista a inconstitucionalidade dos Decretosleis n°s 2.445/88 e 2.449/88, cumpre lembrar que o Senado Federal editou a Resolução n° 49/1995, publicada no DOU de 10/10/1995, suspendendo definitivamente a execução dos referidos Decretosleis, suspensão essa com efeito erga omnes (para todos os contribuintes) e eficácia ex tunc (desde a data da entrada em vigor da norma declarada inconstitucional); b) diante do quadro acima delineado, o recorrente passou a deter créditos relativos aos valores indevidamente recolhidos no período de janeiro/1989 a setembro/1995 a titulo de PIS, passíveis de restituição ou compensação com outros débitos relativos a quaisquer tributos administrados pela SRF, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91, c/c Lei n° 9.430/96, Decreto n° 2.138/97 e art. 12 da IN/SRF n° 21/97 (vigentes A. época); c) o recorrente realizou a compensação de tal crédito com débitos tributários vincendos a partir do mês de março/1999, relativos ao PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, compensações estas que foram devidamente declaradas h. SRF através das DCTF's relativas aos 1 0, 2°, 3° e 4° trimestres de 1999, apresentadas, respectivamente, em 14/05/1999, 11/08/1999, 11/11/1999 e 15/02/2000 (cf. docs. 4,5,6 e 7); d) preliminarmente, em obediência ao disposto no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, c/c art. 151, III, do CTN, requerse seja suspensa a exigibilidade dos débitos objeto das compensações declaradas com base no crédito objeto do presente processo, constante dos processos administrativos n's. 10735.501346/200421, 10735.501342/200443, 10735.501344.200432, 10735.501345/200487, 10735.503068/200447, 10735.503070/200416, 10735.503071/200461 e 10735.503069/200491, até o julgamento definitivo da manifestação de inconformidade; Fl. 942DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 943 6 e) de acordo com o disposto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, o prazo para que a SRF formalizasse a decisão acerca das compensações declaradas pelo recorrente esgotouse 5 (cinco) anos após a data de entrega das DCTF's, que discriminam a compensação dos débitos que se pretendem compensados, e, portanto, respectivamente, em 14/05/2004, 11/08/2004, 11/11/2004 e 15/02/2005; f) como o recorrente foi intimado formalmente do Parecer Seort n° 341/2007 e respectivo Despacho Decisório recorridos apenas em 13/05/2008, esgotouse, por muito, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos fixado pelo § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96; g) diante do quadro acima delineado, ocorreu a homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte, extinguindose definitivamente os créditos tributários declarados, e perdendo a SRF o direito de lançar o tributo liquidado por compensação, tal como já definiram a DRJ/SP (no Acórdão n° 16.14587, de 27/08/2007) e o E. Conselho de Contribuintes (no processo n° 10120.000510/9861, Acórdão n° 108 09528; no processo n° 10825.001245/9848, Acórdão n° 10808645); h) desse modo, deve ser reformado o Parecer Seort n° 341/2007 e o respectivo Despacho Decisório, para o fim de declarar tacitamente homologadas as compensações declaradas pelo recorrente através das DCTF 's relativas aos 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 1999, tendo em vista o esgotamento do prazo decadencial de 5 (cinco) anos fixado pelo § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96; i) sem prejuízo da ocorrência da homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte, de outro lado deve ser reformada a decisão recorrida pois não se verificou a prescrição ou decadência de nenhum dos créditos pleiteados no presente processo; j) os créditos objeto do pedido de restituição são oriundos do MS n° 88.00251820/RJ, impetrado em 18/10/1988, com trânsito em julgado em 18/10/1994, e, assim, ocorreu a interrupção da prescrição, a partir de 18/10/1988, dos créditos do recorrente relativos aos indébitos tributários a titulo de PIS indevidamente recolhidos com base nos inconstitucionais Decretosleis n's 2.445/88 e 2.449/88 no período de janeiro/1989 a setembro/1995, nos exatos termos do § 1° do art. 219 do Código de Processo Civil (CPC, Lei n° 5.869/73); k) o prazo prescricional de 5 (cinco) anos somente voltou a correr após a data do trânsito em julgado da decisão favorável ao contribuinte, ocorrido em 18/10/1994, e, assim, o recorrente teria até o dia 18/10/1999 para pleitear seu direito creditório; 1) tendo em vista que o presente processo administrativo foi protocolado em 19/02/1999, não ocorreu a decadência ou prescrição de nenhum crédito, motivo pelo qual o despacho decisório e Parecer Seort n° 341/2007 devem ser reformados, para o fim de reconhecer o direito creditório em relação a todo o período objeto do pedido de restituição, qual seja, de janeiro/1989 a setembro/1995; m) sem prejuízo das matérias acima argüidas, temse que o direito do recorrente de requerer a restituição do indébito nasceu somente na data em que os inconstitucionais Decretosleis n`'s 2.445/88 e 2.449/88 tiveram sua execução definitivamente suspensa através da Resolução n° 49/95 do Senado Federal, cuja observância é obrigatória para a Administração Pública Federal direta e indireta, tal como determinado expressamente pelo art. 1°, §§ 1° e 2°, do Decreto n° 2.346/97; Fl. 943DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 944 7 n) assim, somente a partir da data de publicação da Resolução n° 49/95 do Senado Federal, que se deu em 10/10/95, deve ser contado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para que o recorrente formalizasse o pedido de restituição, tendo se pacificado nesse sentido a jurisprudência administrativa dos E. Conselhos de Contribuintes e da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, tal como exemplificado nos acórdão prolatados nos processos n°: 10480.005582/9823; 13886.000821/9938; 13832.000087/9941; 10850.000558/9913; o) nessas condições, tendo sido o presente processo administrativo protocolado em 19/02/1999, não ocorreu a prescrição ou decadência do direito de pleitear a restituição do indébito objeto do pedido, devendo ser reformado o despacho decisório e Parecer Seort n° 341/2007, para o fim de reconhecer o direito creditório em relação a todo o período objeto do pedido de restituição, qual seja, de janeiro/1989 a setembro/1995; Não obstante as questões antes alinhavadas, cumpre lembrar que, conforme reiterada e pacifica jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), o prazo para requerer a restituição ou compensação do indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação — caso da contribuição para o PIS — é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais 5 (cinco) anos contados a partir da homologação tácita, perfazendo o prazo total de 10 (dez) anos contados da data do recolhimento indevido, conforme decisão no ADRESP n° 733.152/ES, DJU de07/04/2008, e, assim, deve ser reformado o despacho decisório e Parecer Seort n° 341/2007, para o fim de reconhecer o direito creditório em relação a todo o período objeto do pedido de restituição, qual seja, de janeiro/1989 a setembro/1995; Por fim, em qualquer hipótese, devem ser excluídos da compensação efetuada no presente processo os débitos constantes dos processos administrativos n°s 10735.503068/200447, 10735.503070/200416, 10735.503071/200461 e 10735.503069/200491, tendo em vista que os mesmos foram declarados prescritos por decisão judicial proferida em 12/02/2008 pelo E. Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do Agravo de Instrumento n°2005.02.01.0102042 (doc. 8); r) ante o exposto, requerse seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, para o fim de: i) declarar tacitamente homologadas as compensações declaradas pelo recorrente, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a conseqüente extinção dos respectivos créditos tributários, conforme art. 156, II, do CTN; ii) reconhecer o direito creditório do recorrente referente aos indébitos tributários a titulo de PIS indevidamente recolhidos com base nos inconstitucionais Decretosleis n"s 2.445/88 e 2.449/88, em relação a todo o período objeto do pedido, qual seja, de janeiro/1989 a setembro/1995; iii) excluir da compensação efetuada os débitos constantes dos processos administrativos n's 10735.503068/200447, 10735.503070/200416, 10735.503071/200461 e 10735.503069/200491, tendo em vista que os mesmos foram declarados prescritos por decisão judicial. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro RJ II indeferiu a manifestação de inconformidade em Acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário P Fl. 944DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 945 8 Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 PIS/PASEP. INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O pagamento antecipado extingue o crédito referente aos tributos lançados por homologação e marca o inicio do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de suposto indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DOS DÉBITOS A COMPENSAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO.INOCORRÊNCIA. Não se considera tacitamente homologada, mesmo após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data do protocolo, a compensação objeto de pedido,no qual não se encontrem discriminados os débitos a serem compensados. No seu Recurso Voluntário o contribuinte requer que a) Sejam declaradas tacitamente homologadas as suas compensações declaradas, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com a conseqüente extinção dos respectivos créditos tributários, conforme art. 156, inciso II, do CTN; b) Seja reconhecido o seu direito creditório referente aos indébitos tributários a titulo de PIS indevidamente recolhidos com base nos inconstitucionais Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88, em relação a todo o período objeto do pedido, qual seja, de janeiro/1989 a setembro/1995; c) excluir da compensação efetuada no presente processo os débitos constantes dos Processos Administrativos de números 10735.503068/200447, 10735.503070/200416, 10735.503071/200461 e 10735.503069/200491, tendo em vista que os mesmos foram declarados prescritos por decisão judicial. É o relatório. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 946 9 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente protocolou junto à Secretaria da Receita Federal o presente Processo Administrativo, através do qual requereu o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 1.016.512,94 (um milhão, dezesseis mil, quinhentos e doze reais e noventa e quatro centavos), atualizado até o mês de dezembro/1998, relativo aos valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição ao PIS no período de janeiro/1989 a setembro/1995, bem como requereu a compensação de tal crédito com débitos tributários vincendos a partir do mês de março/1999, relativos ao PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Estas compensações foram devidamente declaradas à Secretaria da Receita Federal através das DCTF's relativas aos 1º, 2°, 3º e 4º trimestres de 1999, apresentadas pela em 14/05/1999, 11/08/1999, 11/11/1999 e em 15/02/2000. Assim, a primeira questão que remanesce neste Recurso Voluntário diz respeito ao prazo para pleitear a repetição de indébito do PIS recolhido na forma dos inconstitucionais DecretosLei Nº 2.445 e 2.449 de 1988. Conforme observado anteriormente, o pedido foi protocolizado em 19 de fevereiro de 1999 e o Sujeito Passivo está a pleitear restituições concernentes aos períodos de apuração de janeiro de 1989 a setembro de 1995. No tocante à questão do prazo para requerer a restituição ou a compensação do indébito, há de se ressaltar que a regra dos 5 + 5, pela qual são contados primeiro cinco anos para a homologação tácita e somente depois desses primeiros cinco anos é que se contam os cinco anos para a decadência do direito de repetição de indébito, persistiu até a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 de 09/06/2005. O Supremo Tribunal Federal, em relação ao tema, manifestouse nos autos do RE 566621/RS, dirimindo qualquer eventual dúvida acerca da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, decidiu exatamente da forma acima enunciada, de acordo com o artigo 543A, do CPC. Destaquese: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados Fl. 946DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 947 10 do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, 6 bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). Neste mesmo sentido, foi editada Súmula CARF, aprovada pelo Pleno, em Sessão de 09.12.2013: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Desta maneira, dos períodos de apuração requeridos pela Contribuinte, foram atingidos pela decadência aqueles relativos a períodos anteriores a 19 de fevereiro de 1989. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 948 11 Em relação à alegação de que houve homologação tácita das compensações promovidas pela recorrente quando declaradas através das DCTF's relativas aos 1°, 2°, 3º e 4º trimestres de 1999, apresentadas em 14/05/1999, 11/08/1999, 11/11/1999 e 15/02/2000 não assiste razão à recorrente. Em seu recurso voluntário, a recorrente faz parecer que o motivo do indeferimento do pedido de homologação tácita das referidas compensações foi a discussão sobre a transformação dos pedidos de compensação em DCOMPs e o prazo de homologação. Caso esse fosse o motivo do indeferimento, a recorrente teria razão pois ela foi intimada da não homologação das compensações após o prazo de 5 anos. Entretanto, não foi isso que ocorreu. O parágrafo 5º da Lei n° 9.430/96 é expresso ao definir que o prazo de 5 (cinco) anos para a homologação da compensação contase a partir da entrega da declaração de compensação (Dcomp), entendida essa como aquela "na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados" (conforme § 1°), descabendo a extensão do citado comando legal para que, na ausência de informações sobre os débitos a compensar nos pedidos de compensação de fls. 04/05, o citado prazo seja contado a partir da entrega da DCTF, tal como pretendido pelo requerente. Quando da edição do § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, os pedidos de compensação que se encontrassem pendentes de apreciação por parte da autoridade administrativa, converterseiam em declaração de compensação (Dcomp), desde o seu protocolo, data a partir da qual a Administração deveria verificar a compensação, para que a mesma não se considerasse homologada, consoante o parágrafo 5°. Entretanto, na ausência de discriminação nas citadas Dcomp dos tributos e respectivos valores a compensar, como se poderia pretender a homologação da compensação que constituise em hipótese de extinção do crédito tributário, se a administração sequer possuía conhecimento do que o contribuinte pretendia efetivamente compensar. Além disso, a análise do processo nos revela que, em 17/06/2002 e, portanto, muito antes de decorridos 5 (cinco) anos do protocolo da Dcomp, que ocorreu em 19/02/1999, por intermédio da Intimação n° 140/2002, o interessado foi instado a apresentar novo pedido de compensação, agora relacionando os débitos que se pretendiam compensados, sendo que, todavia, nenhuma resposta foi apresentada no prazo estipulado (fls. 130/131). Apenas em 22/07/2004 (fls. 134/135), e, portanto, já após os 5 (cinco) anos que a Administração possuía para analisar a compensação, caso regularmente declarada, o contribuinte apresentou requerimento, para que seja "homologada a compensação nos termos das DCTF's já apresentadas". Tendo deixado de atender tempestivamente à. intimação contra ele lavrada e deixando de esclarecer os débitos a compensar, não pode o manifestante vir, a posteriori, querer a homologação tácita de débitos declarados apenas em DCTF e não em DCOMPs ou em pedidos de compensação que se transformaram em DCOMPs. Ainda em seu recurso voluntário, o recorrente requer que seja suspensa a exigibilidade dos débitos objeto de compensação, constantes dos processos administrativos de números 10735.501346/200421, 10735.501342/200443, 10735.501344.200432, Fl. 948DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 949 12 10735.501345/200487, 10735.503068/200447, 10735.503070/200416, 10735.503071/2004 61 e 10735.503069/200491 até o julgamento definitivo da matéria tratada no presente processo, referenciandose, no sentido do alegado, ao disposto no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Por fim, em relação aos 4 (quatro) últimos processos ora mencionados, requer que os débitos deles constantes sejam excluídos da compensação efetuada no presente processo, porquanto, os mesmos teriam sido declarados prescritos por decisão do TRF2ª Região, nos autos do Agravo de Instrumento n° 2005.02.01.0102042 . Quanto aos processos relacionados, todos cuidam de inscrição em divida ativa da Unido de débitos do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, os quais, ainda antes de sua inscrição, eram supostamente passíveis da compensação com o crédito do PIS tratado no presente processo. Em relação aos requerimentos acima, também cumpre de plano salientar que tratam de questões que transbordam os limites do presente julgado. Estamos tratando do julgamento administrativo sobre a existência do crédito a ser reconhecido em favor do interessado, a partir do qual analisase a homologação das compensações que em tal crédito se funda. Como os processos acima relacionados tratam da cobrança executiva de débitos de tributos e contribuições federais, supostamente compensáveis com o crédito requerido junto ao presente processo ainda antes de sua inscrição, o fato é que, na ocasião de encaminhamento dos citados débitos para referida execução fiscal, entendeu a autoridade local que isso era cabível, até mesmo porque, se assim não fosse, a inscrição promovida não ocorreria. Entendeu autoridade administrativa que descabia a aplicação do disposto no § 11º do art. 74 da Lei n° 9.430/96, já que o referido dispositivo legal somente prevê o enquadramento no disposto no inciso III do art. 151 do CTN, "relativamente ao débito objeto da compensação", estendendose citado comando, portanto, com a interpretação sistemática do caput e dos demais parágrafos do referido art. 74 da Lei n° 9.430/96, apenas aos débitos que constem da declaração de compensação. Como os débitos passíveis da compensação em questão somente foram informados em DCTF e não na Dcomp apresentada, não havia que se falar, na ocasião da inscrição, em suspensão da exigibilidade e aplicação do rito do processo administrativo fiscal aos citados débitos. Caso fosse insuficiente ou tido por inexistente o crédito do PIS a compensar, ocorreria a sua cobrança executiva, por se encontrarem os mesmos informados em declaração com força de confissão de divida (DCTF). Já no momento atual, em que os débitos se encontram sendo objeto de execução fiscal, fato é que descabe ao contribuinte invocar suposta condição suspensiva da exigibilidade ou, ainda, a ocorrência de prescrição, no âmbito administrativo. Eventual condição suspensiva poderia se fazer oponível somente até o encaminhamento dos débitos para cobrança executiva, pretendendo obstála. Com a execução Fl. 949DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 13746.000113/9900 Acórdão n.º 3301002.633 S3C3T1 Fl. 950 13 fiscal já em andamento, a discussão sobre a satisfação do crédito tributário exequiendo passou para a órbita judicial, na qual é o juizo quem deverá decidir, em procedimentos específicos sobre aspectos tais como a eventual ocorrência de prescrição ou mesmo, se entender cabível, sobre a suspensão, não da exigibilidade do crédito exeqüendo, mas da própria execução fiscal. Conclusão: 1) Reconheço o direito da recorrente de reaver o indébito, referente aos fatos geradores ocorridos a partir de 19 de fevereiro de 1989; 2) Em relação à alegação de que houve homologação tácita, das compensações promovidas pela recorrente através das DCTF's relativas aos 1°, 2°, 3º e 4º trimestres de 1999, apresentadas em 14/05/1999, 11/08/1999, 11/11/1999 e 15/02/2000 não assiste razão à recorrente; 3) Não conheço da alegação de que os processos administrativos de números 10735.501346/200421, 10735.501342/200443, 10735.501344.200432, 10735.501345/2004 87, 10735.503068/200447, 10735.503070/200416, 10735.503071/200461 e 10735.503069/200491 estejam suspensos ou prescritos, por se tratarem de processos inscritos em dívida ativa da União. Assim, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 950DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 11080.918893/2012-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/04/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 88 93 /2 01 2- 67 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/201267 Acórdão n.º 3801005.076 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/201267 Acórdão n.º 3801005.076 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/201267 Acórdão n.º 3801005.076 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/201267 Acórdão n.º 3801005.076 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/201267 Acórdão n.º 3801005.076 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/201267 Acórdão n.º 3801005.076 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/201267 Acórdão n.º 3801005.076 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918893/201267 Acórdão n.º 3801005.076 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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