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Numero do processo: 10384.000501/2003-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000 Ementa: EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao direito pleiteado. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Assim, não se pode deferir o pedido de emissão de incentivos fiscais em razão do mero transcurso do tempo. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA Ao impedir o reconhecimento do direito aos incentivos fiscais no caso de apresentação de declaração de rendimentos ou sua retificadora fora do exercício da competência, o ADN CST nº 26/85, em seu item 1, restringiu direitos sem amparo em diploma normativo de hierarquia legal.
Numero da decisão: 1201-000.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à primeira instância para apreciação das demais razões que levaram à não emissão dos certificados de investimento.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao direito pleiteado. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Assim, não se pode deferir o pedido de emissão de incentivos fiscais em razão do mero transcurso do tempo. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA Ao impedir o reconhecimento do direito aos incentivos fiscais no caso de apresentação de declaração de rendimentos ou sua retificadora fora do exercício da competência, o ADN CST nº 26/85, em seu item 1, restringiu direitos sem amparo em diploma normativo de hierarquia legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 618DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10384.000501/200333 Acórdão n.º 120100.479 S1C2T1 Fl. 612 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à primeira instância para apreciação das demais razões que levaram à não emissão dos certificados de investimento. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório DO PEDIDO INICIAL, DO INDEFERIMENTO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O presente processo referese a pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, que foi negado pela autoridade local, conforme despacho decisório de fls. 486. A manifestação de inconformidade foi apresentada às fls. 495 a 502. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos iscais (PERC), relativo ao ano calendário de 1999, exercício de 2000, formulado em 28/02/2003, pela empresa acima identificada (fl. 01). Em Despacho Decisório exarado em 29/08/2008 (fl. 486), concluiuse que a interessada não fazia jus ao benefício fiscal do FINOR, tendo sido o pleito indeferido pela apresentação da declaração de rendimentos fora do prazo, conforme determina o ADN CST n° 26 de 18/11/1985. Cientificada em 26/11/2008 (fl. 486 verso), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, protocolizada 22/12/2008 (fls. 495/502), alegando, em síntese: . • O indeferimento não pode ter como fundamento ato legal interno da RFB, pois fere princípios legais e constitucionais; Fl. 619DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10384.000501/200333 Acórdão n.º 120100.479 S1C2T1 Fl. 613 3 • A entrega intempestiva da DIPJ possui penalidade prevista em norma legal específica e não poderia a contribuinte pelo mesmo fato ser punida novamente; • Pede o deferimento integral de seu PERC. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 561 a 565) negou provimento à defesa pelos mesmos motivos do despacho decisório: apresentação intempestiva da declaração original de rendimentos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 567 a 585, mediante o qual aduz as razões mesmas razões apresentadas na manifestação de inconformidade, mas alegou ainda que entre a data do pedido (28/02/2003) e o primeiro ato da administração (intimação de 26/11/2008), transcorreramse mais de 5 anos. Como a homologação tácita extingue o crédito tributário, nos termos do art. 156, bem como consolida a compensação tributária nos termos da Lei nº 10.833/03, que introduziu na Lei nº 9.430/96 o § 5º do art. 74, esse mesmo prazo homologatório deve ser aplicado ao presente feito, em razão da previsão de analogia no art. 107, inciso I, do CTN. Assim, o valor deve ser concedido em razão da homologação por decurso do prazo de 5 (cinco) anos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes DA ALEGAÇÃO DE HOMOLOGAÇÃO No acórdão nº 10323.528, de 13 de agosto de 2008, como relator do voto vencedor, analisei a possibilidade de prescrição aquisitiva no direito tributário, cujo resultado foi assim ementado: RESTITUIÇÃO – INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA – não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor Fl. 620DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10384.000501/200333 Acórdão n.º 120100.479 S1C2T1 Fl. 614 4 monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Foi em razão disso que o próprio despacho decisório homologou as compensações. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos – ilimitados – de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado.. No referido voto, teci as seguintes considerações: Com a devida vênia ao ilustre Conselheiro Relator, entendo que não podemos transmutar um prazo extintivo para um decurso temporal aquisitivo. O prazo de homologação previsto na codificação tributária diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). No entanto, o voto do relator pretende homologar a aquisição de um direito. De fato, há, no ordenamento pátrio, prazos de caducidade aquisitiva, como a usucapião. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos – milhões, bilhões Fl. 621DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10384.000501/200333 Acórdão n.º 120100.479 S1C2T1 Fl. 615 5 ou até mesmo suplantar o valor do PIB nacional – e totalmente irreais. Tal raciocínio, portanto, não pode prevalecer. Ademais, os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Foi em razão disso, que o próprio despacho decisório homologou as compensações. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já essa “proposta” de prescrição aquisitiva geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos – ilimitados – de domínio público para a esfera privada. Também discordamos do voto do senhor relator ao afirmar que o interessado não mais teria como comprovar o que foi solicitado pelo fisco para aferição do seu direito em razão do prazo decadência. Ora, uma vez que o interessado formulou um pedido relativo a um direito, tinha o dever de manter em boa ordem todos os elementos que poderiam interferir na análise de seu pleito. Tal assertiva não decorre apenas do preceito geral de que aquele que alega deve provar, mas também de expressa e específica previsão legal nesse sentido. O art. 264 do RIR/99, que reproduz o art. 4º, DL nº 486/69, assim dispõe: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Evidentemente, a expressão “eventuais ações” abarca todo tipo de pleito, dentre os quais o de restituição, seja em âmbito administrativo, seja judicial. O recorrente tinha, portanto, o dever legal de manter todos os documentos que se referissem ao direito pleiteado. Apesar de se tratar de pedidos diversos, um da concessão de créditos relativos a incentivos, outro do reconhecimento de indébitos tributários, as situações são análogas e, portanto, valem os mesmos fundamentos numa e noutra. Em síntese, o direito tributário não prevê regras de prescrição aquisitiva simplesmente em razão de irem contra a consolidação de situações de fato e terem a potencialidade de redundar em direitos incomensuráveis, totalmente Fl. 622DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10384.000501/200333 Acórdão n.º 120100.479 S1C2T1 Fl. 616 6 desvinculados da realidade. Por essa razão, as regras de caducidade que operam contra o Fisco para constituir e cobrar tributos não podem ser aplicadas analogicamente para o reconhecimento de direitos, como no presente caso de concessão de incentivos fiscais. DA ENTREGA INTEMPESTIVA DA DECLARAÇÃO No despacho decisório, a única razão para o indeferimento foi a entrega intempestiva da declaração de rendimentos. No entanto, o extrato de fls. 05 apontou também débitos fiscais e pendências com o FGTS. De fato, com base no item 1 do ADN CST nº 26/85, ao qual o julgador de primeiro grau está vinculado, a decisão de primeiro grau não poderia ter sido diferente. Abaixo, transcrevo o referido dispositivo: ADN CST nº 26/85, item 1: Não fará jus à opção para aplicação em incentivos fiscais especificados nos artigos 503 a 510do RIR/80, a pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos ou retificação desta fora do exercício de competência, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, contudo, não está submetido aos atos normativos expedidos pelas autoridades da Receita Federal, o que impede a adoção imediata da disciplina fixada no citado ADN. Desse modo, é necessário verificar a disciplina do tema nos diplomas superiores a fim de determinar se o ato da Receita Federal está amparado. O Conselho, no entanto, ao assim proceder, ainda não assentou jurisprudência firme. Abaixo, transcrevo dois acórdãos ilustrativos com posições diversas entre si. Número do Recurso:148571 Câmara:OITAVA CÂMARA Número do Processo:13973.000160/0040 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:IRPJ Recorrente:WEG INDÚSTRIAS S.A. (WEG EXPORTADORA ) (INCORPORADORA POR WEG INDÚSTRIAS S.A., CNPJ. 79.670.501/000135 Recorrida/Interessado:3ª TURMA/DRJFLORIANÓPOLIS/SC Data da Sessão:09/11/2006 01:00:00 Relator:Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Decisão:Acórdão 10809111 Resultado:NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Karem Jureidini Dias, Margil Mourão Gil Nunes, Orlando José Gonçalves Bueno, José Henrique Longo e Dorival Padovan acompanharam a Relatora pelas conclusões. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA, COM ALTERAÇÃO DE VALORES DA OPÇÃO A pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos original ou retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem Fl. 623DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10384.000501/200333 Acórdão n.º 120100.479 S1C2T1 Fl. 617 7 aplicados em incentivos fiscais regionais, não fará jus a essa opção, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente. Número do Recurso:146320 Câmara:PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo:16327.002207/9915 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:IRPJ Recorrente:BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S.A. Recorrida/Interessado:8ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Data da Sessão:10/08/2007 00:00:00 Relator:Sandra Maria Faroni Decisão:Acórdão 10196278 Resultado:DPM DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão:Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora), Paulo Roberto Cortez e Caio Marcos Cândido, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Ementa:PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – PERC – DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA – A apresentação de declaração fora do prazo (mesmo que fora do exercício de competência) não prejudica a opção manifestada, mormente quando o contribuinte encontrarse submetido ao Regime de Administração Especial Temporária. Dentre as duas posições, consideramos correta a do segundo acórdão em detrimento da disciplina fixada pelo ADN. É interessante notar que a condição estabelecida no ADN não corresponde ao cumprimento do prazo ordinário fixado para a apresentação da declaração de rendimentos. A apresentação extemporânea implicará o descumprimento do prazo e, conseguintemente, a imposição de multa regulamentar, mas a condição estará cumprida desde que a apresentação seja feita ainda dentro do exercício, isto é, até 31/12 do ano seguinte ao do auferimento dos rendimentos. Desse modo, essa condição não guarda relação com a disciplina própria da apresentação de declarações. Só poderia decorrer então das normas e sistemática peculiares para a concessão desses incentivos. Nesse caso, contudo, não encontramos qualquer diploma superior ao ADN que imponha tal prazo para a apresentação das declarações ou que delegue expressa ou implicitamente poder regulamentar à Secretaria da Receita Federal para estabelecer essa exigência. Em oposição à nossa afirmação, poderia ser dito que a sistemática estabelecida no art. 15 do Decretolei 1.276/74, com a redação dada pelo Decretolei nº 1.752/79, impõe implicitamente esse dever aos interessados ao fixar prazos para a Receita Federal promover o processamento das informações. Abaixo, transcrevemos o referido dispositivo: Fl. 624DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10384.000501/200333 Acórdão n.º 120100.479 S1C2T1 Fl. 618 8 Decretolei nº 1.276/74: (...) Art. 15 A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decretolei e à EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.752, de 1979) § 1º As ordens de emissão de que trata este artigo terão seus valores calculados, exclusivamente, com base nas parcelas de imposto de renda recolhidas dentro do exercício e os certificados emitidos corresponderão a quotas dos Fundos de Investimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.752, de 1979) § 2º As quotas previstas no parágrafo primeiro, que serão nominativas e endossáveis, poderão ser negociadas mediante endosso em branco datado e assinado por seu titular, ou por mandatário especial, e terão sua cotação realizada diariamente pelos bancos operadores. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.752, de 1979) § 3º A EMBRAER emitirá, com base nos registros de processamento eletrônico de dados fornecidos pela Secretaria da Receita Federal para cada exercício, ações novas que serão colocadas à disposição dos subscritores. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.752, de 1979) § 4º As quotas dos Fundos de Investimento terão validade para fins de caução junto aos órgãos públicos federais, da administração direta ou indireta, pela cotação diária referida no parágrafo seguinte. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.752, de 1979) § 5º Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.752, de 1979) Uma vez que a Receita Federal tem o dever de processar as informações para cada exercício, não poderia ficar eternamente a mercê de os interessados entregarem suas declarações a qualquer tempo. O prazo, portanto, de entrega para as finalidades de optar pelo benefício estaria, assim, implicitamente contido na disciplina desse DecretoLei e seria o encerramento do exercício. Ora, esse raciocínio peca por uma simples razão. Apesar de a Receita Federal ter o dever de processar as informações por exercício e de ser desejável (digo desejável, pois não há um prazo expressamente fixado) que o faça o mais celeremente possível, isso não determina que o processamento seja único e inalterável. É evidente que o processamento por Fl. 625DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10384.000501/200333 Acórdão n.º 120100.479 S1C2T1 Fl. 619 9 ser realizado diversas vezes e as informações podem ser repassadas por partes aos fundos. Do contrário, seria impossível a correção de erros da própria Administração. A condição de entregar a declaração no exercício financeiro estabelecida pelo ADN não está prevista expressamente no DL e nem sequer decorre da disciplina por ele estabelecida para a apuração dos valores. É seguramente fruto da tentativa de a Administração Pública estabelecer uma disciplina que lhe seja mais cômoda, mas por meio da imposição de encargos aos administrados sem ter recebido competência disciplinar para tanto. A única imposição para os administrados prevista no DL é a de que os pagamentos tenham sido feitos até o encerramento do exercício, conforme o § 1º, e não que a apresentação da declaração tenha sido feita no mesmo período. E nem se diga que a opção é, por lei, irretratável e a ausência da entrega da declaração configuraria uma manifestação de não opção por meio do silêncio, pois, nesse caso, o prazo deveria ser o mesmo para a apresentação ordinária das declarações e não o fim do exercício. CONCLUSÃO Voto, pois, por dar provimento parcial ao recurso voluntário com o fito de, uma vez superada a razão de decidir relativa à ausência de opção pelo benefício fiscal, devolver o feito à autoridade local para que prossiga no julgamento a fim de enfrentar as demais razões que levaram à não emissão dos certificados de investimento. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 626DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001362/2009-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 14/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, g DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na administração previdenciária.
Constitui infração deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço. Inobservância do artigo 30, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, I, g do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Numero da decisão: 9202-006.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na administração previdenciária. Constitui infração deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço. Inobservância do artigo 30, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, I, “g” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 62 /2 00 9- 06 Fl. 1117DF CARF MF 2 Ana Paula Fernandes – Relatora. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2401003.644, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração (DEBCAD N° 37.230.1649), por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, sobre rubricas por ela não consideradas como saláriodecontribuição, conforme previsto no art. 30, I, "a" da Lei n° 8.212/91 e art. 4° da Lei n° 10.666/2003, combinado com o art. 216, I, "a" do Decreto n°3.048/99. As remunerações sobre as quais não foram efetuados descontos foram: diferenças de férias pagas aos segurados empregados; despesas com a cobertura do prêmio de Seguro de Vida em Grupo dos empregados e dirigentes fornecidas pela empresa em desacordo com a legislação, despesas com bolsa auxilio graduação e pósgraduação (educação superior), fornecida pela empresa aos empregados; despesas com assistência médica e odontológica para os dependentes dos empregados e dirigentes, custeada pela empresa e participação nos lucros ou resultados paga aos empregados ocupantes de cargos executivo, em desacordo com a legislação. O autuado apresentou impugnação às fls. 167/210. A DRJ, às fls. 878/900, negou provimento à defesa, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 916/1008. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1056/1074, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para decretar, de ofício, a improcedência do feito. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 14/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, ALÍNEA “A”, LEI N° 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 15586.001362/200906 Acórdão n.º 9202006.635 CSRFT2 Fl. 10 3 A ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais, não caracteriza infração ao disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quando ocorrer parcialmente, tão somente em relação aos valores arrecadados a menor, consoante precedentes deste Colegiado. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 1077/1083, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: Multa – aplicação ainda que haja recolhimento parcial. O acórdão recorrido considerou que se a empresa entende não incidir a contribuição previdenciária sobre determinada parcela, não é devida a multa por descumprimento de obrigação acessória constante do art. 30, I, “a”, da Lei 8.212/1991, quando recolhidas contribuições sobre parte da base de cálculo. De outro modo, o acórdão paradigma negou provimento ao apelo do contribuinte, por considerar devida a multa, ainda que em caso de falta parcial de recolhimento. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, às fls. 1094/1097, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida, no sentido de que se rediscuta qual a melhor interpretação a ser dada ao inciso I do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, para os casos em que a arrecadação da contribuição dos segurados é feita apenas sobre as verbas que a empresa entende se sujeitarem à incidência de contribuições previdenciárias. Intimado à fl. 1102, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 1104/1109, alegando, preliminarmente, que a Recorrente não se desincumbiu de demonstrar a divergência entre as teses, alegando inexistir precedentes favoráveis que sustentem a tese contrária. No mérito, pediu para manter a decisão proferida no acórdão recorrido. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 1119DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração (DEBCAD N° 37.230.1649), por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, sobre rubricas por ela não consideradas como saláriodecontribuição, conforme previsto no art. 30, I, "a" da Lei n° 8.212/91 e art. 4° da Lei n° 10.666/2003, combinado com o art. 216, I, "a" do Decreto n°3.048/99. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à Aplicação da Multa – aplicação ainda que haja recolhimento parcial. O acórdão recorrido assim decidiu a questão: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, ALÍNEA “A”, LEI N° 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO. A ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais, não caracteriza infração ao disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quando ocorrer parcialmente, tão somente em relação aos valores arrecadados a menor, consoante precedentes deste Colegiado Registro aqui que melhor analisando a matéria em questão, nesta oportunidade como relatora, altero meu posicionamento exarado em processos anteriores nos quais não me debrucei quanto aos detalhes aqui trazidos pelo acórdão recorrido. Sendo assim, adoto as fundamentações do acórdão recorrido segundo o qual em se tratando o auto de infração decorrente de autuação (obrigação principal) onde foram lançadas contribuições previdenciárias incidentes sobre a diferença das remunerações (salário indireto) dos segurados empregados, arrecadadas a menor pela contribuinte, não caberia aplicação da penalidade. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 15586.001362/200906 Acórdão n.º 9202006.635 CSRFT2 Fl. 11 5 Assim se a contribuinte somente deixou de arrecadar, mediante desconto nas remunerações dos empregados os valores pagos a título de vale transporte e alimentação, mas o tendo feito sobre a importância admitida originalmente como remuneração, não há que se falar na aplicação da infração tipificada no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91. Diante do exposto voto por conhecer o Recurso da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 1121DF CARF MF 6 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada. Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandez para divergir do seu entendimento quanto a exonerar o contribuinte de obrigação acessória prevista em lei, aplicada por deixar a empresa de arrecadar as contribuições dos segurados empregados. Do mérito Fundamentação da Obrigação Acessória Não fosse apenas a devida configuração de salário de contribuição das verbas capaz de ensejar o lançamento da obrigação acessória, estamos diante de autuação específica, qual seja deixar a empresa de arrecadar contribuição dos segurados a sua disposição. Senão vejamos o dispositivo que fundamenta do lançamento: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços, também conforme previsão no art. 283, inciso I “g” do Decreto 3.048/99. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores:(Nova Redação pelo Decreto nº 4.862 de 21/10/2003 DOU DE 22/10/2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (Nova Redação pelo Decreto nº 4.862 de 21/10/2003 DOU DE 22/10/2003) Mais especificamente descreveu a infração cometida nos seguintes termos, fls. 41: 1.2. No decorrer da Ação Fiscal constatamos, através do exame procedido nos documentos apresentados que a empresa deixou Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 15586.001362/200906 Acórdão n.º 9202006.635 CSRFT2 Fl. 12 7 de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, incidentes sobre: 1.2.1. Diferenças de ferias pagas aos segurados empregados; 1.2.2. Despesas com a cobertura do prêmio de Seguro de Vida em Grupo dos empregados e dirigentes, fornecidas pela empresa em desacordo com a legislação; 1.2.3. Despesas com bolsa auxílio curso de nível superior (graduação e • Osgraduação), fornecidas pela empresa aos empregados; 1.2.4. Despesas com a cobertura de assistência médica .e odontológica dos dependentes dos empregados e dirigentes, custeadas pela empresa. 1.2.5. Gestão por Resultados (GPR) — participação nos lucros ou resultados paga aos empregados ocupantes de cargos executivos, em desacordo com a Legislação. . 1.3. As contribuições que deixaram de ser arrecadadas pela empresa, encontramse discriminadas por empregado no anexo I. Conforme os AI de obrigações principais, que determinaram a procedência do lançamento de obrigações principais constituindo salário de contribuição, não há como eximir o contribuinte de incluir as verbas em folha de pagamento, promovendo o desconto da contribuição da parcela de segurado sobre a totalidade da remuneração do empregado. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada de acordo com o previsto na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 1123DF CARF MF 8 Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Face o exposto, foi correta a aplicação do auto de infração, que digase, tem seu valor desvinculado do valor dos salários de contribuição, ou mesmo do número de infrações. Desse modo, a autuação deve persistir. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1124DF CARF MF
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Numero do processo: 13657.000147/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2009
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA.
Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, limitando-se a formalizar solicitação cuja apreciação não está incluída na esfera de decisão do Colegiado de segunda instância, descabe conhecêla.
Numero da decisão: 1302-000.843
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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INÉPCIA. Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, limitandose a formalizar solicitação cuja apreciação não está incluída na esfera de decisão do Colegiado de segunda instância, descabe conhecêla. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13657.000147/200892 Acórdão n.º 130200.843 S1C3T2 Fl. 363 2 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13657.000147/200892 Acórdão n.º 130200.843 S1C3T2 Fl. 364 3 Relatório JACUTINGA MÁQUINAS DE COSTURA E ELETRICIDADE LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, que indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exclusão da contribuinte da sistemática simplificada de recolhimento de tributos e contribuições instituída pela Lei Complementar nº 123, de 2006 (SIMPLES NACIONAL), fundamentada na alegação de exercício atividade vedada, nos termos do inciso XI do art. 17 do referido diploma e no inciso XI do art. 5º da Resolução CGSN nº 15, de 2007. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou que a atividade principal por ela explorada sempre foi o comércio de máquinas de costura e que a atividade secundária de conserto de máquinas não era exercida por profissional com formação técnica e graduada e sim por pessoas com prática adquirida pela repetitividade de ações. Alegou ainda que a retroatividade não poderia ocorrer, pois feriria o princípio constitucional da retroatividade tributária, posto que seu pedido de enquadramento no Simples Nacional foi aceito a partir de 01/01/2008 pela Receita Federal, que tinha o poder de questionálo à época e não o fez. A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, analisando os argumentos expendidos na peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 09 28.378, de 25 de fevereiro de 2010, pela procedência da exclusão. O referido julgado restou assim ementado: EXCLUSÃO. CNAE. ATIVIDADE VEDADA Não poderão optar pelo Simples Nacional as empresas que executam atividades impeditivas relacionadas no anexo I da Resolução CGSN n° 06, de 18/06/2007. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 60, por meio do qual requer, preliminarmente, a sua inclusão no SIMPLES NACIONAL a partir de 1º de janeiro de 2009, vez que a própria decisão recorrida admite tal possibilidade, e, segundo alega, não fez a opção em razão de constar na Receita Federal como optante desde janeiro de 2008, o que inviabiliza a referida opção por meio do “sistema”. Adiante, argumentando que a Resolução CGSN, de n° 50, de 22.12.2008, retirou do anexo I da Resolução CGSN n° 6, como impeditivo ao ingresso no SIMPLES, o código CNAE 33147/20, (serviços de instalação e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais), com efeitos a partir de 01.01.2009, e que ela já não exerce a atividade de conserto de máquinas, conforme cópia da última alteração contratual que diz anexar, sustenta que é direito seu recolher os tributos e contribuições na sistemática do SIMPLES NACIONAL a partir de 1º de janeiro de 2009. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13657.000147/200892 Acórdão n.º 130200.843 S1C3T2 Fl. 365 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Trata a lide de exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL. Em conformidade com o Parecer Fiscal e Despacho Decisório de fls. 35/36, os dispositivos que serviram de base para a referida exclusão são os abaixo reproduzidos. Inciso XXII do art. 12 da Resolução CGSN nº 4/2007 Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: ... XXII – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; Inciso XI do art. 5º da Resolução CGSN nº 15, de 2007 Art. 5º A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: ... XI – for constatado, quando do ingresso no Regime do Simples Nacional, que a ME ou a EPP incorria em alguma das hipóteses de vedação previstas no art. 12 da Resolução CGSN nº 4, de 2007; Cabe destacar que: i) a peça inaugural do presente processo está representada pelo documento de fls. 01/02, em que a contribuinte se insurge contra TERMO DE INDEFERIMENTO de opção do SIMPLES NACIONAL; ii) o indeferimento referenciado no item anterior foi motivado pelo fato de constar no cadastro da contribuinte na Receita Federal código de atividade (74.90101 – Serviços de tradução, interpretação e similares) que a impedia de optar pelo SIMPLES NACIONAL; iii) na contestação apresentada, a contribuinte utilizou, como argumentos básicos, a ocorrência de erro cadastral da própria Receita Federal e o fato de dedicarse, conforme contrato social, à atividade de COMÉRCIO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS PARA USO INDUSTRIAL E PEÇAS; iv) no Parecer Fiscal de fls. 35, restou assinalado: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13657.000147/200892 Acórdão n.º 130200.843 S1C3T2 Fl. 366 5 ... O epigrafado contribuinte apresenta impugnação ao termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional. Alega, em resumo (alegações completas às fls. 1 e 2) que: ... A impugnação, apresentada em 30/01/2008, é intempestiva face à data do termo de indeferimento (20/08/2007). ... Verificase que a combatida razão do indeferimento, constante do respectivo termo (f1.03) é “atividade econômica vedada: 74901/01. Serviços de tradução, interpretação e similares”. A alteração do CNAE fiscal para o código 4663000 <comércio atacadista de máquinas e equipamentos para uso industrial, partes e peças> (tela de pesquisa de fl. 25) foi digitada tempestivamente em 20/08/2007. Inteligência do item 2.3.1 da Nota técnica n° 001, de 22/10/2007. No entanto, verificase que as seguintes atividades, constantes do objetivo da sociedade, são impeditivas à opção pelo Simples Nacional: consertos e reformas de máquinas de costura industriais, por se assemelharem à profissão de engenheiro, consoante pacifica jurisprudência administrativa (v. acórdãos DRJ de fls. 30/34, acessíveis em www.receita.fazenda.gov.br ). Tal atividade consta tanto da alteração contratual de 22/02/1989 (fl. 14), quanto da posterior e última apresentada nos autos e registrada em 14/11/2007(fl. 19); representação de máquinas industriais. Tal atividade consta apenas da alteração contratual de 22/02/1989 (fl. 14). ... Referida exclusão deverá ter efeitos a partir da data dos efeitos da opção pelo Simples Nacional (in casu, 01/01/2008) nos termos do inc. VII do art. 6º da Resolução CGSN nº 15/2007. v) foi expedido ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO de exclusão do SIMPLES NACIONAL (fls. 37), com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2008, no qual restou assinalado que a contribuinte poderia apresentar, no prazo de trinta dias contados da data da ciência do Ato, manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal de Julgamento; vi) na manifestação de inconformidade apresentada (fls. 41/42), a contribuinte, fazendo referência à inclusão no SIMPLES NACIONAL a partir de 01.07.2007, esclareceu que: a) a sua atividade principal sempre foi o comércio de máquinas de costura, e que a atividade de "conserto de máquinas" não era exercida por profissional com formação técnica e graduada e sim por pessoas com prática adquirida pela repetitividade de ações; e b) que o "conserto de maquinas" a que se referiu o Parecer Fiscal eram esporádicos, representando apenas um complemento da atividade principal. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13657.000147/200892 Acórdão n.º 130200.843 S1C3T2 Fl. 367 6 vii) a decisão exarada em primeira instância, por sua vez, assinala: ... Com relação ao pedido de inclusão no Simples Nacional a partir de 01/07/2007, este já foi analisado pela DRF/Varginha a partir da manifestação de inconformidade intempestiva apresentada pela contribuinte. Dessa forma, foge da competência desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a análise de manifestação de inconformidade sobre o despacho decisório daquela decisão. Já com relação à exclusão do Simples Nacional a partir de 01/01/2008 por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/Varginha (MG) n° 62, de 13 de outubro de 2008 (fl. 37), passo à análise. Segundo o Contrato Social e Alterações Contratuais (fls. 12/20), o objeto social da interessada é consertos e reformas de máquinas de costuras industriais, comércio de peças e vendas de máquinas e prestação de serviços elétricos residenciais. O CNAE constante no cadastro CNPJ consta apenas para a atividade principal o código 46630/00 (comércio atacadista de máquinas e equipamentos para uso industrial; partes e peças). Para a atividade consertos e reformas de máquinas de costuras industriais, apesar de esporádica, conforme alegado pela interessada, possui o CNAE, no meu entender, 33147/20 (Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para a indústria têxtil, do vestuário, do couro e calçados). As vedações para ingresso ao Simples Nacional estão estabelecidas na Lei Complementar n° 123/2006 e o inciso XI do art. 17 diz: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: XI — que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; A fim de regulamentar as vedações ao Simples Nacional, a Resolução CGSN n° 6, de 18/06/2007, relacionou no anexo I as atividades, cujos códigos CNAE são impeditivos ao ingresso no Sistema, entre eles, o código CNAE 33147/20 (Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para a indústria têxtil, do vestuário, do couro e calçados) que se trata da atividade exercida pela interessada (fl. 54). Posteriormente, a Resolução CGSN n° 20, de 15/08/2007, alterou o anexo I da Resolução n° 6 mantendo o código CNAE 33147/20 como impeditivo ao ingresso no Simples Nacional. Vale observar que o § 1° do art. 17° da sobredita Lei Complementar, vigente à época, trouxe algumas exceções às vedações, dentre elas, manutenção e reparação de automóveis, máquinas de escritório e de informática, etc.: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13657.000147/200892 Acórdão n.º 130200.843 S1C3T2 Fl. 368 7 § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: VI serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus, outros veículos pesados, tratores, máquinas e equipamentos agrícolas; VII serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; VIII serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IX serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; Todavia, as atividades da interessada não foram contempladas nas exceções listadas no § 1° do art. 17° da Lei Complementar n° 123/2006. Dessa forma, apesar de a interessada alegar que suas atividades são mais simples que às de manutenção e reparação de automóveis, essa semelhança não tem o condão de equiparálas. Por outro lado, a Lei Complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, em seu art. 3°, com vigência a partir de 01/01/2009, inseriu o § 5°B na Lei Complementar n° 123, estabelecendo que: § 5°B. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: IX serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; A fim de regulamentar as alterações acima, relativas às vedações ao ingresso no Simples Nacional, a Resolução CGSN n° 50, de 22/12/2008, retirou no anexo I da Resolução CGSN n° 6, como impeditivos ao ingresso no Sistema, o código CNAE 33147/20. Todavia, o art. 26 da Resolução CGSN n° 50 deixou claro que tal alteração produziria efeitos somente a partir de 1º de janeiro de 2009. Dessa forma, claro está que as atividades exercidas pela contribuinte, equivalente ao código CNAE 33147/20 (Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para a indústria têxtil, do vestuário, do couro e calçados) era motivo impeditivo ao ingresso no Simples Nacional de 01/07/2007 a 31/12/2008. Já a partir de 01/01/2009 seria possível a opção pelo Simples Nacional. Em face do exposto, voto no sentido de indeferir o pedido formulado pela requerente, mantendo o ADE n° 62, de 13 de outubro de 2008. De início, creio que cabem dois reparos. O primeiro, relativamente ao fato de a manifestação de inconformidade apresentada fazer referência à inclusão no SIMPLES Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13657.000147/200892 Acórdão n.º 130200.843 S1C3T2 Fl. 369 8 NACIONAL a partir de 1º de julho de 2007, pois, em conformidade com o Ato Declaratório Executivo e documentos de suporte (Parecer Fiscal e Despacho Decisório), os efeitos da exclusão só se processaram a partir de 1º de janeiro de 2008. O segundo, relacionado à decisão de primeira de instância, diz respeito à afirmação de que a Delegacia da Receita Federal Varginha analisou o pedido de inclusão no SIMPLES NACIONAL a partir de 1º de julho de 2007 em razão da manifestação de inconformidade intempestiva apresentada pela contribuinte. Salvo melhor juízo, o Parecer Fiscal, o Despacho Decisório e o Ato Declaratório Executivo de exclusão decorreram da citada manifestação de inconformidade, que, é bom que se ressalte, teve a sua tempestividade julgada a partir da data aposta no Termo de Indeferimento de fls. 03, inexistindo, pois, nos autos, comprovação do recebimento da INTIMAÇÃO referenciado no referido Termo. Resta claro, portanto, que o presente processo trata exclusivamente de exclusão do SIMPLES NACIONAL a partir de 1º de janeiro de 2008, inexistindo nele impeditivo de qualquer natureza para que a contribuinte mantivesse a sua opção pelo referido regime de recolhimento no período de 1º de julho a 31 de dezembro de 2007. Não obstante o fato de o Termo de Indeferimento de fls. 03 representar o elemento propulsor do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO de exclusão, ele próprio (o Ato Declaratório) conduz à conclusão de que para o período de 1º de julho a 31 de dezembro de 2007 não restou decretado, formalmente, o impedimento para que a contribuinte recolhesse os tributos e contribuições no regime do SIMPLES NACIONAL, vez que ao estabelecer expressamente que a exclusão se dava a partir de 1º de janeiro de 2008 o ato admite, implicitamente, que no período imediatamente anterior a contribuinte se encontrava no referido regime. No que tange ao recurso interposto, observo que a contribuinte limitase a solicitar que seja reconhecida a opção pelo SIMPLES NACIONAL a partir de 1º de janeiro de 2009, vez que estaria impossibilitada de realizar tal opção por meio dos sistemas disponibilizados pela Receita Federal. Tratase, na verdade, de pedido retroativo, eis que o recurso foi impetrado em 14 de abril de 2010, motivado pela informação contida na decisão de primeira instância de que, a partir de 1º de janeiro de 2009, não haveria impedimento para que a contribuinte optasse pelo SIMPLES NACIONAL. Nesse diapasão, penso que a peça recursal revelase inepta, eis que totalmente distanciada da questão representativa da lide (exclusão do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2008). O presente processo, como exaustivamente demonstrado, trata de exclusão do SIMPLES NACIONAL fundamentada em exercício de atividade vedada, matéria não tratada no recurso voluntário apresentado pela contribuinte. Penso que o pedido formulado pela contribuinte por meio do recurso não pode ser objeto de apreciação pelo Colegiado de segunda instância, devendo a contribuinte encaminhálo a autoridade local da Receita Federal. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de não conhecer o recurso. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13657.000147/200892 Acórdão n.º 130200.843 S1C3T2 Fl. 370 9 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 18239.002938/2009-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Afasta-se a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal.
Numero da decisão: 2001-000.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Afastase a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 29 38 /2 00 9- 82 Fl. 93DF CARF MF 2 Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2007, anocalendário de 2006, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 20.856,40, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$4.932,77, a ser acrescido de juros e multa de oficio. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que foi injusta a notificação uma vez que deixou com a fiscalização os comprovantes tidos como não apresentados: Iara Maria (R$ 80,00), Adaequare (R$ 250,00), Zania Silva (R$ 480,00), Ana Maria Constantino (R$ 1.632,00) e demonstrativos da Eletros; que está reapresentando cópias da maioria dos recibos sendo que quanto ao recibo de Ana Maria Constantino, entregou o original à fiscalização e não ficou com cópia, motivo pelo qual junta cópia do cheque referente a este pagamento e que não sabe a qual dos cinco pagamentos efetuados à Eletros se refere o montante glosado de R$ 18.414,41, o que não lhe permite localizar os documentos que comprovariam a inexistência de erro, motivo pelo qual requer a anulação da presente notificação, pela inexatidão da descrição dos fatos. Alega nulidade do processo. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que em relação às despesas com os profissionais: Iara Maria (R$ 80,00) e Zania Silva (R$ 480,00), elas restaram comprovadas. Em relação a despesa com a Adaequare (R$ 250,00) , tal valor não é dedutível na DAA por falta de previsão legal. No que diz respeito aos serviços prestados pela profissional Ana Maria Constantino (R$ 1.632,00), verificase que se trata de orçamento de tratamento protético, no valor total de R$ 2.450,00. Ocorre que não restou comprovado nos autos a prestação do serviço, motivo pelo qual a glosa foi mantida. Por fim, em relação aos gastos efetuados com a Eletros, demonstrou a DRJ que os documentos apresentados pelo contribuinte não identificam os pagamentos efetuados à Eletros mas sim os reembolsos a que teve direito. Na análise ao comprovante de rendimentos pagos emitidos pela Eletros (fls. 59), constante do dossiê da Ação Fiscal, verificase que houve pagamento efetuado a EletrosSaúde no montante de R$ 16.732,78. Ocorre que na DAA retificadora ND 07/36.533.513 (cópia resumida às fls. 61/62), objeto da Revisão de Declaração que originou a presente notificação, o contribuinte informou a título de despesas médicas com a Fundação Eletrobrás (código 07), o montante de R$ 35.147,18. Assim sendo, com base no comprovante de rendimentos acima mencionado e no montante declarado em DAA, não restou comprovado a diferença de R$ 18.414,40 (R$ 35.147,1816.732,78). Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte questiona apenas o lançamento referente à Eletros, e pleiteia nulidade por suposto cerceamento de defesa. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 18239.002938/200982 Acórdão n.º 2001000.715 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas e suposta Nulidade Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente incluiu diversas despesas médicas na sua declaração de ajuste anual, do exercício de 2007, as quais foram glosadas pela autoridade fiscal. Fl. 95DF CARF MF 4 Na decisão de primeira instancia a DRJ entendeu que algumas despesas foram devidamente comprovadas. Outras não. Vejamos: “[...] 8.3. Portanto, o contribuinte está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual, conforme estatui a legislação pertinente citada. 8.4. No presente caso, o lançamento relativo a esta infração, no valor de R$ 20.856,40, referese às seguintes despesas que o contribuinte deixou de comprovar: Iara Maria (R$ 80,00), Adaequare (R$ 250,00), Zania Silva (R$ 480,00), Ana Maria Constantino (R$ 1.632,00) e Eletros (R$ 18.414,41). 8.5. Posto isto, considerando a motivação das glosas efetuadas, entendo que os documentos acostados às fls. 25 e 27 são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas referentes aos profissionais: Iara Maria (R$ 80,00) e Zania Silva (R$ 480,00). 8.6. Quanto ao documento de fls. 26, este comprova pagamento efetuado a Adaequare tendo em vista requerimento de isenção de IPVA para portador de deficiência física. Ocorre que tal despesa não é dedutível na DAA por falta de previsão legal. Glosa mantida no valor de R$ 250,00. 8.7. No que diz respeito aos serviços prestados pela profissional Ana Maria Constantino (R$ 1.632,00), considerando informação do contribuinte de que os documentos foram entregues por ocasião do atendimento à intimação, foi solicitado em 26/02/2014 que fosse anexado ao presente processo o dossiê da Ação Fiscal. Da análise dos documentos acostados às fls. 57/58, verificase que se trata de orçamento de tratamento protético, no valor total de R$ 2.450,00. Ocorre que não restou comprovado nos autos a prestação do serviço, motivo pelo qual mantenho a glosa efetuada no valor de R$ 1.632,00. 8.8. Finalmente, em relação aos gastos efetuados com a Eletros, verificase de pronto que os documentos acostados às fls. 30/35 não socorre o contribuinte uma vez que não identificam os pagamentos efetuados à Eletros mas sim os reembolsos a que teve direito. No entanto, em análise ao comprovante de rendimentos pagos emitidos pela Eletros (fls. 59), constante do dossiê da Ação Fiscal, verificase que houve pagamento efetuado a Eletros Saúde no montante de R$ 16.732,78. Ocorre que na DAA retificadora ND 07/36.533.513 (cópia resumida às fls. 61/62), objeto da Revisão de Declaração que originou a presente notificação, o contribuinte informou a título de despesas médicas com a Fundação Eletrobrás (código 07), o montante de R$ 35.147,18. Assim sendo, com base no comprovante de rendimentos acima mencionado e no montante declarado em DAA, não restou comprovado a diferença de R$ 18.414,40 (R$ 35.147,1816.732,78). 8.9. Ressaltese que não foi apresentado qualquer outro documento referente às despesas médicas pagas à Eletros. Assim, Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18239.002938/200982 Acórdão n.º 2001000.715 S2C0T1 Fl. 4 5 mantenho a glosa sobre o montante não comprovado de R$ 18.414,40. [...]” Assim, verificase que apenas parte das despesas médicas relativas à Eletros é que foram mantidas. E foi explicado claramente ao contribuinte o motivo pela qual foi mantida. No entanto, apesar do posicionamento claro e objetivo da decisão a quo, insiste o contribuinte, através de diferentes argumentos, que este teve cerceado o seu direito de defesa. Vale dizer, em sede de recurso voluntário , argumenta, de forma exaustiva e repetitiva, que foi cerceado no seu direito de defesa ante à ausência dos elementos necessários para identificar os fatos que tipificam a ilegalidade apontada , qual seja a falta de comprovação de pagamento da quantia de R$ 18.414,40, já que, em tese, o Recorrente não pode perceber onde foi que declarou indevidamente este valor a título de dedução. Ora, basta fazer uma conta simples, muito básica, para entender exatamente onde reside a ilegalidade apontada. Até porque a autoridade demonstrou a conta que fez, ou seja, demonstrou o montante considerado na DDA, de R$ 35.147,18, o que restou comprovado e o que ficou remanescente . Ou seja, não restou comprovado a diferença de R$ 18.414,40 (R$ 35.147,1816.732,78). Olhando para a própria tabela juntada pelo contribuinte no seu recurso, fica obvia a conta . Vejamos: 07 ELETROS SAUDE DIF.DESP.MEDICAS CONFORME DEMONST. ENVIADO 34.268.789/000188 15.719,10 07 ELETROS SAUDECONVENIO 34.268.789/000188 2.342,67 07 ELETROS SAUDE 34.268.789/000188 12.506,85 07 ELETROS SAUDE PLASASBRADESCO 34.268.789/000188 4.578,56 07 ELETROSMENSALIDADE 34.268.789/000188 7.798,01 Ou seja, se somarmos as primeiras quatro despesas acima, teremos um montante de R$35.147,18. Se a autoridade fiscal considerou o valor de R$16.732,78 como comprovado , de acordo com o comprovante de rendimentos emitido pela Eletros, na pg 59 do processo, fica exatamente o valor de R$ 18.414,40 a ser comprovado. Ao invés de o contribuinte buscar a documentação para comprovar o restante, ou seja, provar que a despesa que lançou na sua declaração de fato ocorreu e foi desembolsada, fica procurando argumentos para declaração de nulidade, com a alegação superficial de que não consegue identificar a ilegalidade apontada. Com a devida vênia, totalmente desprovido de lógica e fundamento essa alegação vazia. Somese a isso, que houve o atendimento integral a todos requisitos específicos da notificação fiscal houve o regular lançamento, procedimento administrativo por meio do qual o órgão que administra o tributo qualificou o sujeito passivo, consignou o valor do crédito tributário devido, o prazo para recolhimento ou apresentação de impugnação Fl. 97DF CARF MF 6 ao lançamento, bem como a disposição legal infringida, constando a indicação do cargo e o número de matrícula do chefe do órgão expedidor Verificase, pois, que a nulidade do lançamento somente poderia ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. Fato esse que não ocorreu em nenhuma hipótese no processo em análise. A descrição dos fatos é um dos requisitos essenciais à formalização da exigência tributária, mediante o procedimento de lançamento. Por meio da descrição, revelam se os motivos que levaram ao lançamento, estabelecendo a conexão entre os meios de prova coletados e/ou produzidos e a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. Seu objetivo é, primeiramente, oportunizar ao sujeito passivo o exercício do seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório, dandolhe pleno conhecimento do desenrolar dos fatos e, após, convencer o julgador da plausibilidade legal da notificação, demonstrando a relação entre a matéria consubstanciada no processo administrativo fiscal com a hipótese descrita na norma jurídica. É necessário, portanto, que o auditorfiscal relate com clareza os fatos ocorridos, as provas e evidencie a relação lógica entre estes elementos de convicção e a conclusão advinda deles. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada ao contribuinte. TUDO isto foi devidamente atendido pelas autoridades fiscais. Assim, resta claro que não houve qualquer arbitrariedade ou atitude sorrateira por parte da autoridade fiscal. Pelo contrário. O procedimento fiscal sempre primou pela transparência e oportunidade de colaboração do contribuinte. Ademais, não houve também qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV da CF/88). Ao contrário, o recorrente teve resguardado o seu direito à reação contra atos que lhe foram supostamente desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerceu o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Desta forma, quando a Administração Pública antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa dá à parte contrária à oportunidade de impugnála da forma mais ampla que entender, o que aconteceu no processo em epígrafe, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório Resta muito claro, pois, que o contribuinte teve todos os seus direitos de defesa devidamente reservados e garantidos, o processo fiscal cumpriu todas as suas etapas, a notificação fiscal está completa e clara, e o contribuinte teve acesso a tudo. O seu argumento, aparentemente protelatório, de que deveria ser declarada a nulidade da presente notificação fiscal, é absolutamente vazio . Fl. 98DF CARF MF Processo nº 18239.002938/200982 Acórdão n.º 2001000.715 S2C0T1 Fl. 5 7 Assim sendo, por todas as razões acima expostas, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantido o lançamento fiscal no valor de R$ 18.414,40, relativo a despesa médica com a Eletros, por falta de comprovação da despesa. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e no mérito CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa das despesas médicas acima mencionadas no valor de R$ 18.414,40. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.720604/2012-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO.
Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado.
EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4.
Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2001-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO. Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
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DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO. Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitandose à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 06 04 /2 01 2- 61 Fl. 158DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 18.781,18, por falta de comprovação de pagamento, glosa por despesa com não dependente e não identificação do beneficiário da despesa, gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$4.264,66, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que a impugnação é tempestiva e discorre sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; que apresentou toda a documentação que possuía, de forma que a Notificação de Lançamento seria nula; que outra causa de nulidade seria a exigência do contribuinte de tributo manifestamente indevido, haja vista a comprovação do pagamento das despesas médicas ao plano de saúde; que o auto de infração seria nulo, tendo em vista a inexistência de justa causa e de ato ilícito; que no mérito, o procedimento fiscal está eivado de vícios e fundamentado em premissas equivocadas, inviabilizando o contribuinte a produzir provas; que a legislação permite a dedução de despesas médicas com plano de sáude, posição já pacificada pelo conselho de contribuintes; que não cabe ao fisco questionar os valores das despesas médicas; que o valor cobrado do contribuinte caracteriza excesso de exação; que não concorda com a multa de ofício e com os juros de mora (Selic); que é vedado o enriquecimento ilícito buscado pelo fisco no presente caso; que a manutenção do lançamento significará ofensa ao princípio do devido processo legal; que caso não seja cancelada a Notificação, seja o feito convertido em diligência para que sejam apuradas as informações prestadas; que protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, justifica e fundamenta cada ponto levantado pelo contribuinte e ao final manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam que a despesa com o plano de saúde Porto Seguro teve como beneficiário apenas o contribuintes e seus dependentes. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13876.720604/201261 Acórdão n.º 2001000.598 S2C0T1 Fl. 3 3 Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte nas mesmas razões, discute teoricamente uma série de direitos, mas sob o ponto de vista prático e fático não atende ao quando solicitado de forma clara e objetiva pela fiscalização, que seria apenas a discriminação dos valores pagos a Omint detalhados os valores por beneficiário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade por suposta cobrança indevida Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação, também em sede de Recurso Voluntário, parte da glosa de despesa médica, que será considerada matéria não impugnada conforme o art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. Das dedução indevidas de despesas médicas, o contribuinte impugna a glosa com o plano de saúde Omint, no valor de R$ 17.421,18, juntando documentos para comprová la. O contribuinte alega que o lançamento seria nulo, pois o interessado, por ocasião do termo de intimação, já teria apresentado toda a documentação que possuía. E também apresenta como causa de nulidade do lançamento a exigência indevida do tributo e a inexistência de ato ilícito. Como muito bem salientado pela DRJ Brasilia, de forma clara e cristalina, o enquadramento legal da glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas consta da própria Notificação de Lançamento, fls. 64 dos autos, tópico DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, não havendo que se falar em exigência indevida como foi aventado pelo interessado. Ademais, da análise dos autos, não foi verificada a ocorrência de nenhuma das causas de nulidade previstas pelo art. 12 do Decreto nº 7.574/2011. Portanto, não será acatada a alegação de que a Notificação de Lançamento é nula. Me parece uma alegação vazia e sem conteúdo, com intuito meramente protelatório. Rejeito, pois a preliminar suscitada. Fl. 160DF CARF MF 4 Preliminar Suposta decadência Aparentemente com intuitos protelatórios, argumenta o contribuinte que o prazo para lançamento estaria decaído posto que deveria ser aplicado o art art. 150 , § 4º , do CTN . Ocorre que, nos tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", a doutrina distingue duas hipóteses possíveis para a contagem do prazo decadencial: em havendo o pagamento, ainda que insuficiente, considerase como dia inicial da decadência o da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150 , § 4º , do CTN . Contudo, em inexistindo pagamento, não há o que homologar, contandose o prazo para a decadência na forma da regra geral do art. 173 , I , do CTN , isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso de tributo declarado e não pago pelo contribuinte, o fisco tem cinco anos, contados na forma do art. 173 , I , do CTN , para realizar lançamento suplementar, sob pena de decadência.Decorrido esse prazo, sem qualquer lançamento de ofício, considerase que aderiu à declaração do contribuinte que, com isso, resta chancelada. Iniciase, então, o prazo prescricional para que a Fazenda, mediante prévia inscrição em dívida ativa, execute o montante confessado. Restando clara a aplicação do mencionado art 173, não há que se falar em decadência. Rejeitada mais uma vez a preliminar. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. bLei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13876.720604/201261 Acórdão n.º 2001000.598 S2C0T1 Fl. 4 5 II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou documentos para tentar sustentar o quanto alegado, mas não apresentou o quanto solicitado objetivamente pela fiscalização, que seria a discriminação por dependente , evidenciado os valores das despesas por beneficiário do plano de saúde. Salientese que demonstrou atitude protelatória nas suas maniestações. No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Fl. 162DF CARF MF 6 Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Da análise desses documentos, verificou a DRJ que o contribuinte juntou aos autos emails por meio dos quais restou demonstrada a tentativa de se obter, junto ao plano de saúde Omint, os valores das despesas pagas por beneficiários. Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. Registrese que, no exercício 2008, havia a exceção de que, na hipótese em que o outro cônjuge constasse do plano, mas apresentasse declaração em separado no modelo completo, o valor referente ao plano do cônjuge poderia ser deduzido na declaração de ajuste do titular, desde que não tivesse sido utilizado como dedução na declaração do cônjuge. Todavia, no caso de apresentação de declaração em separado no modelo simplificado pelo cônjuge dependente, isso não seria possível, pois o desconto simplificado substitui todas as deduções a que o contribuinte teria direito. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental apresentada, entendo que deve ser NEGADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto mantida a despesa médica em questão (Omint Serviços de Saúde Ltda R$ 17.421,18). Decisões Administrativas e Judiciais Reitero tudo o quanto exposto pela decisão a quo. As decisões administrativas e judiciais estão adstritas às partes do litígio e não são extensíveis a todos como regra geral. Relativamente aos julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, de acordo com o art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN), tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Por conseguinte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, visto que somente se aplicam à questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos :(...) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13876.720604/201261 Acórdão n.º 2001000.598 S2C0T1 Fl. 5 7 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa.(negritou se) A outra hipótese de vinculação de decisões administrativas, não ocorrida nos autos, é a aprovação de súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por ato do Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 75 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. No que tange às decisões judiciais, releva destacar que apenas as súmulas vinculantes, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do arts. 102, § 2°, da Constituição Federal, e as decisões judiciais em que o contribuinte configure como parte vinculam a Administração Pública em seus julgados. Assim, dada a ausência de tais determinações, as decisões colacionadas pelo contribuinte são inaplicáveis ao caso em tela. Excesso de Exação O Recorrente e alega ter ocorrido excesso de exação, crime tipificado no §1º do art. 316 do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990. Repito , como colocado pela decisão a quo, que a competência para processar e julgar tal espécie de ilícito penal é da Justiça Federal, a teor do art. 109 da Constituição Federal da República. Desse modo, no âmbito deste julgamento administrativo, não cabe conhecer das alegações de “excesso de exação”, pois não diz respeito a matéria de competência deste colegiado. Multa de ofício de Juros de Mora e suposto caráter confiscatório Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Ademais, vale salientar, em relação ao juros Selic que a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Fl. 164DF CARF MF 8 Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Princípios Constitucionais O contribuinte alega que a manutenção do lançamento vai de encontro ao Princípio do Devido Processo Legal. Sabese que os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela Carta Magna passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, faltando, assim, competência a esta autoridade administrativa para se pronunciar sobre quaisquer inconstitucionalidades aventadas. Assim, tais questões não serão enfrentadas na presente análise. Em suma, mantémse o lançamento CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Discordo da relatora quanto a comprovação de despesas médicas. Afirma a relatora em seu voto: Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. No documento do plano de saúde que indica beneficiários foi destacado que o cônjuge não poderia ser dependente. No entanto, na legislação não há obrigação de que sejam dependentes incluídos na declaração. A exclusão de dependente por não constar da declaração do contribuinte é matéria interpretativa expressa em atos infralegais, e não concordamos com sua aplicação justamente por estar sem respaldo da lei. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13876.720604/201261 Acórdão n.º 2001000.598 S2C0T1 Fl. 6 9 Observese que no caso de plano de saúde até o ano de 2007, Perguntas e Respostas 2007, o fisco aceitava a inclusão de dependentes que declararam em separado. 356 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou dos filhos. (...) Concordamos com essa interpretação, pois mais de acordo com a legislação. A interpretação foi modificada, mas a lei não. Essa matéria tem implicação no quantum de imposto a pagar, afeta a base cálculo do imposto de renda pessoa física, questão reservada a lei, segundo art. 97 do CTN. A única restrição, no caso de pai e avós, é a de que os rendimentos não sejam superiores ao limite mensal. A restrição de que haja necessidade de ser dependente inserido na declaração não existe no texto da lei, assim não há vedação legal para dedução dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999, com base no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...) Fl. 166DF CARF MF 10 E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Regramentos infralegais não podem estabelecer restrições, com conseqüências na base de cálculo do imposto, sem previsão legal. Assim, entendemos dedutíveis as despesas médicas pleiteadas. Acompanhamos a relatora nas preliminares. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, acompanhando a relatora, mas no mérito voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.002405/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2006 a 28/11/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO
Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
Numero da decisão: 3302-006.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e atribuir-lhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os lançamentos relativos aos registros de informações prestados dentro do prazo de sete dias
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2006 a 28/11/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 28/11/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e atribuirlhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os lançamentos relativos aos registros de informações prestados dentro do prazo de sete dias (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 24 05 /2 01 0- 60 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 3302006.019 S3C3T2 Fl. 321 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos contra o v. acórdão nº 3302 004.711 que deu provimento ao recurso voluntário para excluir da cobrança as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010), nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 A 28/11/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Segundo a Embargante, o acórdão embargado é contraditório nos seguintes termos: A contradição do julgado se evidencia, na medida em que este colegiado deu provimento integral ao recurso voluntário, para “que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n. 1.096/2010) sejam canceladas”, quando nem todos os Registros de embarque objeto do presente lançamento foram feitos no prazo de 7 (sete) dias. É dizer que, ainda que se aplique o entendimento manifestado no acórdão ora embargado, parte do lançamento deveria ter sido mantida, uma vez que diversos Registros de Embarque foram prestados em prazo superior aos 7 (sete) dias previstos na IN SRF n. 1.096/2010 sendo, portanto, intempestivos. Com isso, salvo melhor juízo, o provimento deveria ter sido parcial e não integral como restou consignado no r. voto condutor do julgado. Às fls. 318319, foi proferido despacho admitindo os Embargos de Declaração para que seja sanada a contradição. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 3302006.019 S3C3T2 Fl. 322 3 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, ora Embargante, teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. O despacho que admitiu a contradição anteriormente citada está correto, merecendo aclaramento desta Turma. Pois bem. Do que se extrai do trecho que tratou da questão envolvendo a contradição contida no acórdão embargado, verificase que a antiga relatora excluiu as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n. 1.096/2010), mantendose, por conseguinte as multas daquelas que foram prestadas fora dos 7 (sete) dias previsto na IN citada, senão vejamos: Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. (...) E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e amelhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). (...) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n. 1.096/2010) sejam canceladas. Compulsando aos autos (fls.1015 do Auto de Infração), constatase que há registros de embarque informados em prazo superior aos 7 (sete) dias previstos na IN SRF nº 1.096/2010, impondo, assim, a manutenção do lançamento fiscal em relação ao registros de embarque prestados fora prazo. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 3302006.019 S3C3T2 Fl. 323 4 Neste cenário, considerando que a antiga relatora afastou a cobrança da multa em relação aos registros prestados dentro do prazo de 7 (sete) dias e, existindo registros feitos fora desse prazo, o provimento deve ser parcial e não integral. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração para sanar o vício de contradição, atribuirlhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os lançamentos relativos aos registros de informações prestados dentro do prazo de sete dias. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000668/2004-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 07/07/2000 a 14/05/2007
VÍCIO NA DECISÃO NO CASO DE PRÉVIA DESISTÊNCIA DO RECORRENTE.
É nula a decisão deste CARF, pois a prévia desistência importa renúncia a qualquer discussão de fato ou de direito.
Numero da decisão: 3301-004.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para anular o acórdão do CARF.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 07/07/2000 a 14/05/2007 VÍCIO NA DECISÃO NO CASO DE PRÉVIA DESISTÊNCIA DO RECORRENTE. É nula a decisão deste CARF, pois a prévia desistência importa renúncia a qualquer discussão de fato ou de direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para anular o acórdão do CARF. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira
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É nula a decisão deste CARF, pois a prévia desistência importa renúncia a qualquer discussão de fato ou de direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para anular o acórdão do CARF. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 06 68 /2 00 4- 35 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301004.984 S3C3T1 Fl. 1.845 2 Relatório Por meio do despacho de fls. 295, a Autoridade Administrativa restituiu os autos ao CARF, informando que o contribuinte aderira ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009 antes da prolação do Acórdão nº 3301002.234, de 25 de março de 2014, conforme extrato de fls. 294. Conforme consta do Despacho de Saneamento, fls. 297/298, no caso de a notícia da desistência chegar ao processo depois do julgamento do recurso por parte do CARF, o Manual do Conselheiro determina o seguinte na sua página 37: (...) Contudo, se houve pedido de desistência total ou parcial protocolizado e, posteriormente, decisão do CARF que exonera a parte do crédito tributário que já foi objeto de desistência (isso normalmente ocorre quando o CARF não toma conhecimento deste pedido, ou não observa que ele já consta dos autos), o recurso deve ser levado novamente a julgamento (mediante despacho de saneamento, haja vista tratarse de lapso manifesto). Para tanto, o Conselheiro relator ou o Presidente de Turma deve apontar a existência de lapso manifesto em despacho de saneamento, que será recebido como embargos inominados e submetido ao rito próprio, para que a decisão colegiada que exonerou o crédito tributário seja anulada, pois a desistência importa renúncia a qualquer discussão de fato ou de direito.(...) Nesses termos, o despacho de fls. 295 foi recebido como embargos inominados do art. 66 do RICARF. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatora. Conforme consignado no despacho de admissibilidade, o despacho foi devidamente recebido como embargos inominados. A questão posta para deslinde do CARF, por meio do aludido despacho, é a validade do Acórdão 3301002.234, proferido após a opção do contribuinte pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Como se vê, tratase de julgamento proferido em decorrência de lapso manifesto, pois se o pedido de adesão ao parcelamento tivesse sido juntado aos autos em tempo hábil, o recurso voluntário não teria sido conhecido, a teor do que determina o art 78, §§ 2º e 3º do RICARF . Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301004.984 S3C3T1 Fl. 1.846 3 (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável dedívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Dessarte, com base no art 78, §§ 2º e 3º do RICARF, entendese que a decisão colegiada que exonerou o crédito tributário deve ser anulada, pois a desistência importa renúncia a qualquer discussão de fato ou de direito. Propõese acolher os embargos para anular o acórdão 3301002.234 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903355/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 55 /2 00 8- 93 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10882.903355/200893 Acórdão n.º 3402005.427 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10882.903355/200893 Acórdão n.º 3402005.427 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.906, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10882.903355/200893 Acórdão n.º 3402005.427 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10882.903355/200893 Acórdão n.º 3402005.427 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10882.903355/200893 Acórdão n.º 3402005.427 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10882.903355/200893 Acórdão n.º 3402005.427 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10882.903355/200893 Acórdão n.º 3402005.427 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10882.903355/200893 Acórdão n.º 3402005.427 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10882.903355/200893 Acórdão n.º 3402005.427 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720817/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS - EXCLUSÕES - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO
A míngua de comprovação de que determinadas receitas escrituradas pelo contribuinte não lhe pertencem, estas devem compor a base de cálculo do tributo lançado em decorrência de omissão e receitas.
LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE OPÇÃO. APLICAÇÃO DO REGIME LEGAL: LUCRO REAL TRIMESTRAL. APLICAÇÃO SUCESSIVA DO LUCRO ARBITRADO.
Diante da ausência de opção pelo lucro presumido, a fiscalização somente poderá apurar o tributo com base na sistemática do Lucro Real, que é o regime que espelha a lucratividade verdadeira da atividade do contribuinte nem maior, nem menor. Caso a escrituração do contribuinte não permita apuração com base no Lucro Real, caberá ao fisco o arbitramento do lucro.
MULTA DE OFÍCIO - IMPOSIÇÃO EX LEGE - IRRELEVANTES A CARACTERIZAÇÃO DE CULPA OU DOLO
A multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96 deve ser aplicada sempre que se proceder ao lançamento de ofício dos tributos em que o contribuinte tenha deixado de declará-los e pagá-los, sendo irrelevante que tal conduta tenha sido motivada por divergência quanto a interpretação a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1302-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a questão de ordem suscitada da tribuna pelo patrono da recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE OPÇÃO. APLICAÇÃO DO REGIME LEGAL: LUCRO REAL TRIMESTRAL. APLICAÇÃO SUCESSIVA DO LUCRO ARBITRADO. Diante da ausência de opção pelo lucro presumido, a fiscalização somente poderá apurar o tributo com base na sistemática do Lucro Real, que é o regime que espelha a lucratividade verdadeira da atividade do contribuinte — nem maior, nem menor. Caso a escrituração do contribuinte não permita apuração com base no Lucro Real, caberá ao fisco o arbitramento do lucro. MULTA DE OFÍCIO IMPOSIÇÃO EX LEGE IRRELEVANTES A CARACTERIZAÇÃO DE CULPA OU DOLO A multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96 deve ser aplicada sempre que se proceder ao lançamento de ofício dos tributos em que o contribuinte tenha deixado de declarálos e pagálos, sendo irrelevante que tal conduta tenha sido motivada por divergência quanto a interpretação a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a questão de ordem suscitada da tribuna pelo patrono da recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 17 /2 00 8- 18 Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302003.037 S1C3T2 Fl. 1.314 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório Cuidase de retorno dos autos da Câmara Superior deste Conselho que reformou acórdão, unânime, relatado pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, então membro componente deste colegiado, por meio do qual, dando provimento a Recurso Voluntário, cancelou as exigências concernentes ao IRPJ e a CSLL apurados no ano calendário de 2003. No caso, o crédito tributário tinha sido constituído a partir da identificação pela autoridade lançadora de omissão de receitas decorrentes de valores relativos à alugueres percebidos pelo recorrente, condomínio ordinário, mormente por entender que a locação de imóveis seria atividade estranha ao objeto do autuado e, por isso, deveria ter suportado a consequente tributação. Nas razões do recurso voluntário, o contribuinte sustentara uma preliminar de nulidade, prontamente afastada pelo então relator, aduzindo, mais, que o condomínio não seria contribuinte das exações aqui exigidas, seja por não tipificar a própria hipótese de incidência do IR e da CSLL, seja por não revelar capacidade contributiva ou por não se adequar ao conceito de "contribuinte" trazido pelo art. 121 do CTN. Sustentou, ainda se identificar, na espécie, bitributação, já que as preditas receitas sido oferecidas, pelos condôminos, à tributação. O acórdão deste colegiado, vejam bem, acolheu justamente tese do erro de sujeição passiva ao considerar a impossibilidade de se exigir as exações de condomínio "pro indiviso", julgando prejudicados os pedidos sucessivos constantes do apelo voluntário, quais sejam: a) se mantida a autuação, que fossem decotados os valores comprovadamente repassados aos condôminos a título de ressarcimento, por não constituir receita do recorrente; b) a autuação deveria ter obedecido o lucro presumido e não o lucro real trimestral, opção, segundo o recorrente, imanente ao contribuinte; c) a multa de ofício deveria ser cancelada, já que a exigência em testilha teria decorrido de mera divergência de interpretação da legislação tributária. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302003.037 S1C3T2 Fl. 1.315 3 O Recurso Especial aviado pela D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional atacou, exclusivamente, o problema afeito ao erro de identificação do sujeito passivo, tendo a Câmara Superior acolhido a tese fazendária neste ponto. Vejase, a seguir, a respectiva ementa: CONDOMÍNIO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL. INCIDÊNCIA. Condomínio que exerce atividade empresarial apresenta capacidade tributária passiva independentemente de estar regularmente constituído como pessoa jurídica (art. 126, III, do CTN), sujeitandose a renda decorrente dessa atividade à incidência de IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Notem que, a despeito do relator do acórdão recorrido ter apontado a alegação de bitributação1 como pedido sucessivo (venia concessa, não o era, já que se tratava de argumento complementar de mérito), a instância ad quem explicitamente abordou também este tema, conforme se extrai do trecho abaixo reproduzido: Não se sustenta, igualmente, a alegação do Recorrido de impossibilidade de tributação de sua receita sob pena de bitributação. Ora, o fato gerador de IRPJ e de CSLL do qual o autuado é sujeito passivo exsurge da atividade empresarial que exerce, a qual não se confunde com a exercida pelos coproprietários, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, bem como independe destinação que venha a dar a parcelas dessa receita. Além disso, não há que se falar em dupla tributação estamos tratando de rendas auferidas por pessoas jurídicas distintas. Entender diferente seria usando a metodologia do acórdão recorrido de exemplificar não tributar a renda de um empregado de uma pessoa jurídica, posto que recebe uma parte do que é percebido por essa pessoa jurídica. Nesta esteira, conforme se extrai do dispositivo do acórdão da Câmara Superior, os autos nos foram devolvidos para nos pronunciarmos, tão só, sobre os mencionados pedidos sucessivos, já descritos alhures, sendo esta a matéria em análise. Este é o relatório 1 Em verdade, o recorrente utiliza a expressão "bitributaçâo" de forma atécnica, com o devido respeito, já que tal expressão designa a atividade ilícita de exigência, sobre um mesmo fato, de espécies tributárias diversas. A expressão correta, ao meu ver, seria o "bis in idem" que denota, aí sim, a exigência, em duplicidade, de uma mesma exação sobre um mesmo fatotipo. Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302003.037 S1C3T2 Fl. 1.316 4 Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Descabe, aqui, a análise, por óbvio, dos requisitos de cabimento do recurso voluntário, uma vez se tratar de retorno dos autos da Câmara Superior. O conhecimento das razões do apelo, aqui, é decorrência lógica do comando inserto no próprio acórdão do órgão ad quem. Dito isto, vale reprisar que a matéria em discussão, neste momento, é, tão: a) a necessidade de exclusão da base de cálculo de valores que o recorrente alega se constituírem meros ressarcimentos a alguns condôminos, não se tratando, pois, de receita de sua titularidade; b) a necessidade de se calcular as exações a partir do lucro presumido; c) a impossibilidade de exigência de multa de ofício, uma vez que decorre de mera divergência de interpretação incorrida entre a Fazenda e o contribuinte. Passo, pois, a análise de cada um destes pedidos. I Da exclusão de parte das receitas apuradas das bases de cálculo do IR e da CSLL. Pelo que se extrai das razões recursais, o fundamento do pedido em análise estaria calcado em lançamentos contábeis concernentes à recebimentos provenientes de uma certa empresa F. Pio e Cia Ltda. (vulgo "Lojas Visão"), os quais destinarseiam à ressarcimento por despesas incorridas pelo recorrente com uma alegada obra realizada no Shopping Patio Belém (Iguatemi Belém). Ainda pelo que expõe o recorrente, a citada empresa seria proprietária de lojas instaladas no predito Shopping e tais valores, digase, não conformariam uma receita sua, mas apenas um reembolso de despesas adiantadas para custear a obra acima referida... Primeiramente, do razão, anexado à impugnação (efls. 391 a 413), não se extrai "vírgula" sobre semelhantes lançamentos... Aliás, o predito livro nem mesmo menciona a empresa "Lojas Visão", quando menos trata da rubrica "recebimento Lojas Visão a receber" apontada no recurso voluntário. Há anotações sobre despesas pagas, possivelmente reembolsáveis, no documento imediatamente subsequente (efls. 414), denominado "extrato de conta corrente", que, pelos registros, refeririamse ao dito "Shopping Iguatemi"; nada há, ali, contudo, que permita inferir que tais despesas teriam sido incorridas em "obras" realizadas neste "empreendimento", nem tampouco que seriam reembolsáveis junto a empresa "lojas visão", sequer mencionada neste extrato. E, também aqui, não há qualquer menção à rubrica "recebimento Lojas Visão"... Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302003.037 S1C3T2 Fl. 1.317 5 Ora, permissa venia, ou o contribuinte lança este argumento por lançar ou, então, mais provavelmente, retirouo de outro processo (já que esta não seria a primeira autuação do condomínio recorrente pela Receita Federal) e, por um lapso, o repetiu aqui... Seja como for, a míngua de qualquer lastro probatório, descabe o pedido em análise. II Modificação do regime de apuração do IRPJ e da CSLL Ainda que, inicialmente, tenha me simpatizado com a tese do contribuinte, o fato é que este Colegiado já se deparou com o tema em julgado recente, por ocasião da prolação do acórdão de nº 1302002.635, proferido nos autos de nº 10660.721588/201422 e publicado no dia 14/05/2018, relatado pelo Conselho Marcos Antônio Nepomucemo Feitosa, que restara vencido,e cuja ementa reproduzo abaixo: REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. PREENCHIMENTO DIPJ SEM PAGAMENTO DA PRIMEIRA PARCELA. O simples preenchimento da DIPJ com a opção de tributação pelo lucro presumido, sem o pagamento da primeira parcela do tributo, não formaliza a opção do contribuinte por aquela forma de apuração do IRPJ. É nula a autuação que apura os tributos com base no lucro presumido, quando a regra de apuração é pelo lucro real. Ali, destacase, ficou consignado que a regra geral para apuração do imposto de renda e da CSLL é, e somente pode ser, o lucro real; o lucro presumido, frisese, seria exceção à regra, dependendo, para a sua adoção, do pagamento de sua primeira cota e/ou, como bem lembrado pelo Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, em sua declaração de voto, de apresentação das declarações devidamente preenchidas a que alude a Solução de Consulta Interna Cosit nº 5, de 11 de fevereiro de 2008. No caso em análise, a bem da verdade, o recorrente não efetuou o pagamento da primeira cota do imposto, nem tampouco manifestou a opção por qualquer regime tributário que seja, pura e simplesmente porque, como corolário de sua tese central (refutada pela Câmara Superior deste CARF), nunca se julgou contribuinte das exações. Ou seja, em princípio, o Condomínio insurgente nunca teve, propriamente, oportunidade para optar pelo regime do lucro presumido ou por qualquer outro regime que o aproveitasse, daí, inclusive, a minha simpatia inicial com a sua tese. Nada obstante, assentada a premissa de que o lucro real é a regra geral e, mais, nas palavras do Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, redator designado no precedente supra invocado, seria o regime "que espelha de forma mais fidedigna a atividade e, por consequência, a lucratividade do contribuinte", a despeito de me condoer de sua situação, o fato é que não seria possível se apurar os tributos em testilha por outro regime. Esta é a posição adotada pelo CARF, pedindo vênia para reproduzir julgado também invocado pelo Conselheiro Flávio, que bem retrata semelhante entendimento: MPF. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302003.037 S1C3T2 Fl. 1.318 6 Durante o procedimento de fiscalização não existe contraditório e ampla defesa, direitos esses que serão exercidos a posteriori, com a instauração do processo administrativo fiscal. Desta feita, a existência, ou não de MPF para o período em nada prejudica o contribuinte, servindo, o MPF, apenas como instrumento de direcionamento da atividade de fiscalização. DIPJ. NÃO APRESENTAÇÃO. FATOS DE TERCEIROS Cabe ao contribuinte provar que terceiros, e não ele próprio, apresentaram suas declarações de imposto de renda, de forma a invalidar as afirmações contidas no documento. IRPJ. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. PAGAMENTO DO DARF O art. 26 da Lei n°9.430/96 estabelece que a opção do contribuinte pelo lucro presumido será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. A opção pelo Lucro Presumido é uma tarefa que cabe exclusivamente ao contribuinte, sendo vedado ao fisco lançar o tributo por essa sistemática se o contribuinte por ela não optou (da forma como determina a legislação). LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE OPÇÃO. APLICAÇÃO DO REGIME LEGAL: LUCRO REAL TRIMESTRAL. APLICAÇÃO SUCESSIVA DO LUCRO ARBITRADO. Diante da ausência de opção pelo lucro presumido, a fiscalização somente poderá apurar o tributo com base na sistemática do Lucro Real, que é o regime que espelha a lucratividade verdadeira da atividade do contribuinte — nem maior, nem menor. Caso a escrituração do contribuinte não permita apuração com base no Lucro Real, caberá ao fisco o arbitramento do lucro. (Acórdão: nº 1401000.157, PA de nº 19515.001666/200615, publicado em 30/06/2010). Diante do exposto, não há como acolher também esta pretensão. III Da multa de ofício (equivocadamente denominada de "mora" pelo contribuinte). Quanto a este argumento, em verdade não há muito o que se dizer... a aplicação de multa de ofício em decorrência de ato de lançamento "de ofício" é imposição legal, expressamente consignada no art. 44 da Lei 9.430/96, cuja tipificação independe da verificação de culpa ou dolo... a sua imposição surge concomitantemente ao ato de lançamento (inclusive por força dos preceitos do art. 142 do CTN) quando verificado que o contribuinte deixou de recolher tributo e, igualmente, deixou de declarar, ou declarou de forma incompleta ou equivocada, as informações necessárias à sua apuração. Assim, acolher a tese do recorrente, neste ponto, mesmo que as infrações, como por ele pontuado, decorram meramente de divergência de interpretação da legislação de regência, equivaleria à afastar a aplicação de preceito legal, conduta que nos é expressamente vedada pelo art. 62, caput, do RICARF. Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 1302003.037 S1C3T2 Fl. 1.319 7 A manutenção da multa de ofício é imposição legal, não havendo base ou fundamento, no caso presente, para afastála. IV Questão de ordem pública. Quanto ao argumento sustentado da tribuna, alegadamente suscitada como sendo de ordem pública, entendo não deter tal natureza; a dedução das receitas e custos das lojas é questão afeita ao mérito da querela (conformação da base de cálculo); não revolve questões jungidas àquilo que a legislação processual impõe o conhecimento de ofício. Neste particular, tratandose de argumento novo (e cujo objeto já era de conhecimento do contribuinte desde o lançamento), a atividade deste julgador está limitada, neste particular, aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, pelo que não temos como conhecer desta nova matéria, nesta fase processual. V Conclusão. A luz de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1319DF CARF MF
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Numero do processo: 13899.001044/2004-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/08/1999, 01/10/1999 a 30/11/1999
Erro no preenchimento de DCTF's. com declaração apenas o valor pago mediante DARF, deixando de mencionar o valor quitado por meio de compensação. Demonstrado que os débitos restantes foram efetivamente quitados mediante compensação, descabe seu lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Demonstrado que os débitos restantes foram efetivamente quitados mediante compensação, descabe seu lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 10 44 /2 00 4- 73 Fl. 376DF CARF MF 2 Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Consta dos autos tratarse de recurso voluntário em que se pleiteia a modificação da decisão de primeira instância que manteve parcialmente o crédito tributário constituído por meio de auto de infração referente à COFINS, relativo aos período de 01.06.1999 a 31.08.1999; 01.10.1999 a 30.11.1999. O processo subiu à segunda instância administrativa, tendo a 2ª Turma Ordinária da 4 ª Câmara desta Seção emitido a Resolução 340300.054 sobre a pendenga. Esta sintetiza o recurso voluntário antes protocolado: Os débitos, objeto desse feito, decorrem unicamente de erro cometido pela recorrente no preenchimento das respectivas DCTF's, que, no lugar do valor total devido a título de COFINS, declarou apenas o valor pago mediante DARF, deixando de mencionar o valor pago quitado por meio de compensação. Sendo assim, segunda a recorrente, os valores, em questão, devidos a titulo de COF1NS, foram quitados por meio de compensação com "créditos de terceiros". "As compensações de débitos com "créditos de terceiros" teriam sido efetivadas com estrita observância ao procedimento estabelecido na legislação, por meio de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro", dentro do prazo estabelecido para o pagamento do tributo; Tal fato, segundo consta, já teria sido reconhecido pela DRF em Taboão da Serra — SP, quando do cancelamento da inscrição em dívida ativa dos débitos relativos COFINS, período de julho, agosto, outubro e novembro de 1999, objeto do presente processo administrativo. O fundamento da decisão atacada é de que: "Dessa forma, verificase que, dos documentos carreados aos autos, combinados com as pesquisas realizadas de oficio, somente foi confirmada a formalização do pedido de compensação referente ao mês de junho/1999. Quanto aos demais períodos, não há comprovação da forma dos elementos de prova trazidos pela impugnante, aliada a inexistência de registro de tais demandas nos controles da Receita FederaL Assim, não se pode considerar suficientemente provado que os débitos referentes aos fatos geradores de 31/07/99, 31/08/999, 31/10/99 e 30/11/99 tenham sido devidamente consignados em pedido de compensação, pelo que se nos apresenta corretos o lançamento referente a esses períodos de apuração, não havendo, portanto, Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13899.001044/200473 Acórdão n.º 3301005.071 S3C3T1 Fl. 377 3 reparos a serem feitos no auto de infração com relação as respectivas exigências fiscais ". A resolução citada decidiu pela conversão do julgamento em diligência, a fim “confirmar se as compensações foram efetivamente protocoladas nos processos indicados, conforme as cópias de "Pedido de Compensação com Crédito de Terceiros" juntados pela Contribuinte, fls. 69/74”. Da diligência resultou informação, sobre a qual, manifestouse a contribuinte. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 378DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi considerado tempestivo na entrada no então Conselho de Contribuintes1. Diligenciada, a Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo confirmou as compensações questionadas: 1.2 A interessada protocolou pedidos de compensação em que pretendeu compensar débitos próprios com crédito da SCANIA LATIN AMERICA LTDA (CNPJ: 59.104.901/000176), de jurisdição desta delegacia e parte interessada nos processos nº 13819.002730/9803; 13819.002143/9951; 13819.001476/9916; 13819.002394/9808; 13819.000946/9934 e 13819.000898/9993. 1.3 Conforme extratos de fls. 276/3291, as compensações pleiteadas pela SCANIA ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA nos pedidos de folhas 69/742 foram efetivamente protocoladas, homologadas e operacionalizadas. Ou seja, as compensações foram efetivamente realizadas, com crédito da SCANIA LATIN AMERICA LTDA. Assim, acompanhando o resultado da diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 379DF CARF MF
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