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Numero do processo: 10680.906511/2009-25
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. INDÉBITO QUE VIABILIZA A RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DENTRO DO ANO CALENDÁRIO DE SUA OCORRÊNCIA.
Nos termos da Súmula nº 84 do CARF, "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação", sendo determinante a reforma da decisão recorrida e do despacho decisório, para afastar óbice oposto ao pleito do sujeito passivo.
COMPENSAÇÃO REJEITADA POR ASPECTO PRELIMINAR, NÃO CORROBORADO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR. NECESSIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO PELA AUTORIDADE COMPETENTE.
A decisão acerca da homologação da compensação, que fora negativa em função de aspecto preliminar, ora afastado, deverá ser elaborada com a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. INDÉBITO QUE VIABILIZA A RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DENTRO DO ANO CALENDÁRIO DE SUA OCORRÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 84 do CARF, "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação", sendo determinante a reforma da decisão recorrida e do despacho decisório, para afastar óbice oposto ao pleito do sujeito passivo. COMPENSAÇÃO REJEITADA POR ASPECTO PRELIMINAR, NÃO CORROBORADO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR. NECESSIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO PELA AUTORIDADE COMPETENTE. A decisão acerca da homologação da compensação, que fora negativa em função de aspecto preliminar, ora afastado, deverá ser elaborada com a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. INDÉBITO QUE VIABILIZA A RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DENTRO DO ANO CALENDÁRIO DE SUA OCORRÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 84 do CARF, "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação", sendo determinante a reforma da decisão recorrida e do despacho decisório, para afastar óbice oposto ao pleito do sujeito passivo. COMPENSAÇÃO REJEITADA POR ASPECTO PRELIMINAR, NÃO CORROBORADO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR. NECESSIDADE DE ANÁLISE DE MÉRITO PELA AUTORIDADE COMPETENTE. A decisão acerca da homologação da compensação, que fora negativa em função de aspecto preliminar, ora afastado, deverá ser elaborada com a análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. (assinado digitalmente) Ana de Barros Wipprich Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 65 11 /2 00 9- 25 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES 2 (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Cristiane Silva Costa. Relatório A presente lide foi estabelecida pela insurgência da pessoa jurídica contribuinte, contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada com base em crédito decorrente de alegado recolhimento a maior de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. O recolhimento calculado com base em balancete de suspensão e redução foi relativo a janeiro de 2005, e o débito pertinente à antecipação mensal de março do mesmo ano. Detalhando os termos da lide, inclusive no que tange às alegações veiculadas na manifestação de inconformidade, o relatório da decisão ora recorrida assim consignou: Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 27 por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.° 08382.76555.140705.1.3.040908 transmitido em 14/07/2005, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ de código 5993 (estimativa mensal), no valor de R$ 108.251,10, efetuado em 28/02/2005. Consta do despacho decisório, que o pagamento efetuado a esse título só pode ser usado como dedução do devido no final do período de apuração, ou para compor o saldo negativo do período. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 19.006,91 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A ciência do Despacho Decisório se deu em 02/04/2009 (fl. 188). Em 30/04/2009, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 07. Nela consta os seguintes argumentos: • Tratase de declaração de compensação apresentada pela Requerente, na qual se utilizou crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ antecipação mensal apurado por balancete de suspensão e redução (lucro real anual), para quitar débitos de IRPJ antecipação mensal de março de 2005. • O fundamento único da não homologação é a suposta vedação do artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 (vigente à época da apresentação da Dcomp) de se utilizar direito creditório decorrente de IRPJ estimativa antes de encerrado o ano calendário. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 10680.906511/200925 Acórdão n.º 1801002.334 S1TE01 Fl. 110 3 • Nos termos do ato normativo citado, as retenções em valor superior ao débito apurado e eventual recolhimento a maior à título de estimativa, somente poderiam ser utilizados para dedução de imposto a pagar ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo (também calculado ao final do período de apuração). • Atualmente, a questão foi inteiramente disciplinada pela Instrução Normativa n° 900, de 31 de dezembro de 2008, que, disciplinando a matéria, aboliu a vedação do imediato aproveitamento do pagamento a maior de estimativa, mantendoa apenas para os casos de retenção. • Seja como for, o fato é que a IN SRF n° 600, de 2005, jamais pretendeu impedir a compensação nos moldes feitos pela contribuinte. • Com efeito, o objetivo da norma era vedar a compensação de recolhimentos indevidos a título de estimativa feitos em um determinado período. A DRJ competente julgou a manifestação de inconformidade improcedente, aduzindo que: Quanto ao mérito, mesmo que se confirme a diferença entre o valor dodébito de estimativa de IRPJ e o respectivo recolhimento, não se pode homologar a compensação pretendida na DCOMP objeto deste processo. O recolhimento apontado como a maior do que o devido têm código de receita 5993, ou seja, é de antecipação mensal por estimativa. As antecipações mensais recolhidas, quer apuradas com base na receita bruta, quer apuradas com base em balancete de suspensão ou redução, fazem parte de um mesmo regime especial de pagamento, facultado por lei, que se usou denominar estimativas mensais, não havendo a distinção pretendida na impugnação. Tais antecipações, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei, não caracterizam, de imediato, recolhimento indevido ou a maior. Só é possível avaliar rigorosamente se o valor pago a título de antecipação mensal é indevido ou maior que o devido, ainda que calculado com base em balancete mensal, comparandoo com o tributo apurado sobre a base de cálculo anual. E depois de discorrer acerca do perfil jurídico das estimativas, conclui pela correição do despacho decisório que não homologou as compensações. Em recurso voluntário a empresa detalhou novamente os fatos e procedimentos envolvidos na formação do pedido de compensação, destacando que também a DCTF respectiva foi retificada para reduzir o montante da estimativa de janeiro de 2005. Tratou da "correta exegese da IN 460/2004", trouxe precedentes deste Conselho no sentido de sua tese, ilustrou a adequação do pleito, e requereu que "reformandose o Acórdão em questão, seja reconhecido o direito creditório, homologandose a respectiva compensação declarada nos autos." É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES 4 Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. O óbice oposto ao pleito do contribuinte, desde a confecção do despacho decisório, é a concepção de que o recolhimento a maior da antecipação mensal de IR realizado pela empresa submetida ao lucro real, não configuraria indébito apto a fornecer crédito para quitação de débitos nos meses seguintes. Ocorre que a matéria, depois de ter sido debatida em numerosos precedentes nesta E. Corte Administrativa, sedimentouse no entendimento enunciado na Súmula nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. É o caso dos autos, em que o contribuinte, detectando a majoração indevida do montante da antecipação mensal, retificou tais dados, e postulou o aproveitamento do recolhimento feito em excesso na quitação de estimativa de mês ulterior, dentro do mesmo anocalendário. No entanto, ainda que tenha razão nas contestações dirigidas à tese que lhe foi oposta a da impossibilidade do aproveitamento desse indébito dentro do mesmo ano não é cabível o deferimento do pedido, desde logo, nesta Instância Julgadora, pois o que se configura é o afastamento de aspecto preliminar da lide. Com o provimento parcial do recurso, o processo deverá retornar para a autoridade administrativa competente para analisar a declaração de compensação, aferindo a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito suscitado. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para, afastando a aventada impossibilidade de caracterização de indébito no pagamento de estimativa mensal, determinar a apreciação do mérito da compensação pleiteada, pela autoridade fiscal que jurisdiciona o contribuinte. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 10680.906511/200925 Acórdão n.º 1801002.334 S1TE01 Fl. 111 5 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721733/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento deste recurso, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº. 1, de 03.01.2012, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.721733/201111 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102000.126 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 7 de novembro de 2012 Assunto IRPJ. Recorrente VIEIRA MAGALHÃES TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento deste recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº. 1, de 03.01.2012, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .7 21 73 3/ 20 11 -1 1 Fl. 897DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório A empresa acima qualificada teve contra si lavrados os autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, e de multa regulamentar, perfazendo um crédito tributário total, incluindo juros de mora e multa de ofício, de R$ 2.262.528,28. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, e a Descrição dos Fatos constante dos autos de infração lavrados, o contribuinte teve o seu lucro arbitrado no ano calendário de 2008, em razão da falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração. A empresa não foi localizada no seu endereço informado à administração tributária, tendo sido localizado o sócio AFONSO JORGE VIEIRA MAGALHÃES, que declarou estar a empresa inativa desde o final de 2008. A empresa não apresentou DIPJ para o anocalendário 2008 e as DCTFs foram apresentadas sem quaisquer débitos declarados. O lucro foi arbitrado tomando como base as notas fiscais apresentadas pela Prefeitura Municipal de Montes Claros e pela ESURB – Empresa Municipal de Serviços, Obras e Urbanização. A fiscalização concluiu ainda que o atual sócio JOÃO NEVES GONÇALVES DOS SANTOS não é e nunca foi sócio de fato/administrador da fiscalizada, e que o administrador de fato, em 2008, foi o Sr. AFONSO JORGE VIEIRA MAGALHÃES, contra quem lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 751754. Além do arbitramento do lucro com base na receita, do qual decorreram os lançamentos de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, foi também lançado o imposto de renda na fonte, à alíquota de 35%, sobre pagamentos efetuados (identificados a partir da análise dos extratos bancários), com relação aos quais a fiscalizada não identificou o beneficiário nem comprovou a causa ou operação a que se referiam. Todos os lançamentos acima referidos foram apenados com a multa de ofício de 150%. Por fim, foi ainda lançada a multa regulamentar no valor de R$ 14.825,34 (1% sobre o valor da receita bruta da pessoa jurídica no período) pela falta de apresentação dos arquivos contábeis digitais. A fiscalizada e o responsável tributário apresentaram impugnações aos lançamentos, argumentando o seguinte, consoante sintetizou o relatório da decisão recorrida, na parte que ora transcrevo: “Quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 4 3 que a presunção de que os débitos bancários se tratavam de pagamentos realizados a terceiros, sujeitos à retenção do IRRF não levou em consideração a natureza das operações do impugnante, a qual tratase de empresa prestadora de serviços de locação de máquinas e veículos pesados, sendo sempre incluídos nos respectivos contratos os ônus com abastecimento e manutenção dos veículos; que restou relatado no TVF à fl. 23 (item 4) a apresentação por parte do impugnante de documentos que comprovam as despesas por ele realizadas; que se faz necessária a indicação pormenorizadas dos motivos pelo quais o agente fiscal concluiu pela incidência do IRRF sobre os valores lançados a débito na contacorrente; Quanto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. que, conforme consta dos contratos firmados coma a Prefeitura de Montes Claros e a ESURB, encontrase a obrigatoriedade de retenção do Imposto de Renda na Fonte por parte dos contratantes. Dessa forma, ao contrário do que foi assentado, o impugnante não restou omisso no recolhimento do IRPJ, na medida em que todos os pagamentos a ele realizados já o foram com a retenção respectiva do tributo, nada mais devendo a título de IRPJ; que as notas fiscais emitidas pelo impugnante possuem o valor bruto dos serviços prestados e não o valor líquido recebido; Quanto ao arbitramento do lucro – CSLL, PIS e COFINS. que as diligências realizadas pela fiscalização foram deficitárias e insuficientes para apurar a real situação do impugnante, uma vez que baseou a atuação unicamente na contabilidade das receitas auferidas; que segundo o § único do artigo 224 do Decreto nº 3.000/99 exclui o valor do IRRF dos valores a serem considerados para arbitramento do lucro; Quanto às multas aplicadas. que a multa de 150% é confiscatória; que falhas na escrituração contábil por parte do impugnante não pressupõe o dolo que é a vontade dirigida conscientemente à obtenção de um fim ilícito; que é indevida a multa regulamentar pela falta de apresentação de arquivos digitais, vez que não se enquadra nas categorias previstas na Lei nº 8.218/91; Quanto à responsabilidade solidária. que em momento algum o sócio administrador João Neves foi ouvido pela fiscalização para confirmar ou negar a hipótese levantada pela fiscalização que concluiu tratarse de “laranja”; que o sócio administrador é conhecido da família do ora impugnante de modo a outorgarlhe instrumento de procuração hábil a representar a empresa na celebração de negócios jurídicos; que a fiscalização em momento algum apontou qualquer evolução patrimonial de um ou de ambos os envolvidos, que pudesse sugerir ao menos um leve sintoma da suposta operação “laranja”; Fl. 899DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 5 4 que o lucro no ano calendário foi zero e que não houve fraude, apenas descontrole administrativo;” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG afastou a preliminar de nulidade, e, no mérito, deu parcial provimento à impugnação tão somente para deduzir, do valor do IRPJ lançado, os valores do imposto de renda comprovadamente retido na fonte, de acordo com a DIRF apresentada pela Prefeitura de Montes Claros. De resto, confirmou a correção do lançamento efetuado e da multa aplicada, bem como da imputação de responsabilidade tributária solidária ao Sr. AFONSO JORGE VIEIRA MAGALHÃES. O Acórdão no 0939.620, fls. 823 a 842, possui a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO DE LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO IRRF. Poderá ser deduzido do imposto apurado na forma do lucro arbitrado o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A demonstração do interesse comum, entre a pessoa jurídica e a responsabilizada, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, o uso de “laranja”, como também a dissolução irregular, com a indicação da previsão legal específica para a responsabilização solidária, é cabível a responsabilização efetuada com fundamento no artigo 124 e 135 do CTN. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA REGULAMENTAR. Todas as pessoas jurídicas que utilizem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, têm a obrigatoriedade de manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, não se aplicando a obrigatoriedade somente às empresas optantes pelo Simples. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 6 5 A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2008 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço.” Contra esta decisão, da qual foram cientificados em 17.05.2012, foi interposto em 18.06.2012, em nome do contribuinte e do responsável tributário, o recurso voluntário de fls. 872 a 894, no qual são reprisados argumentos expostos na inicial. Tornam os recorrentes a argumentar o caráter de excepcionalidade do arbitramento como forma de apuração, e salientam que não é verdade que a empresa não tenha apresentado escrituração nem documentação, sendo que a própria decisão recorrida reconhece que foram apresentados, ainda que parcialmente, comprovantes de despesas inerentes e essenciais à sua atividade. Acrescentam argumentação de nulidade do lançamento por terem sido utilizados percentuais incorretos para a determinação do lucro, posto que, em vez de 8%, 16%, e 32%, que seriam os percentuais corretos para as suas atividades, foram utilizados os percentuais de 9,6%, 19,2%, e 38,4%. Aduzem que o lançamento, para ser considerado válido, também deveria ter especificado quais os pagamentos recebidos em que houve retenção na fonte e quais aqueles em que não houve, se é que existem pagamentos nessas condições. Ademais, não somente o imposto de renda foi retido na fonte, mas também as contribuições previdenciárias e o imposto sobre serviços de qualquer natureza foram objeto de retenção, conforme destacados nas notas fiscais, e, uma vez que esses valores não ingressaram no patrimônio da recorrente, não podem ser considerados receita bruta nos termos do artigo 224 do RIR/99. Protestam ainda que, a prevalecer a tese fiscal, a empresa estaria sofrendo dupla penalidade: uma pela tributação dos ingressos na conta bancária, a título de lucro arbitrado, e outra pela tributação na saída dos recursos da conta bancária, sob a alegação de pagamentos sem causa. É o relatório. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal está fundamentada no cálculo dos tributos devidos em razão do arbitramento dos lucros da fiscalizada, e também no lançamento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou cuja causa ou operação não restou comprovada. Estes pagamentos foram identificados pela autoridade fiscal a partir dos extratos bancários da conta corrente da fiscalizada no SICOOB CREDINOSSO, obtidos por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF endereçada àquela instituições financeiras. Sobre este tema — sigilo bancário — este Colegiado tem decidido pelo sobrestamento dos feitos, em obediência ao que determinam o artigo 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) e a Portaria CARF no 1, de 03 de janeiro de 2012, mesmo em situações como a presente, em que sequer houve alegação da parte acerca da matéria, porque, nos termos dos citados ordinatórios, o sobrestamento deve ser feito de ofício pelo próprio relator. Neste sentido, transcrevo trecho do julgamento realizado no PAF no 10630.720364/200721 (Resolução no 110200.088), verbis: “Neste aspecto, sirvome das preciosas considerações feitas pelo conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva em excelente estudo sobre o tema, as quais abaixo transcrevo: “Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente Fl. 902DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 8 7 podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). Fl. 903DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 9 8 § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Fl. 904DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 10 9 Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos Fl. 905DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 11 10 quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do Fl. 906DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10670.721733/201111 Resolução nº 1102000.126 S1C1T2 Fl. 12 11 RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62A. ( ...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Em razão dos fundamentos acima expostos, e na esteira do entendimento deste Colegiado acerca desta questão, voto pelo sobrestamento do julgamento do presente feito até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC, a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 907DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 29/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 10830.723730/2013-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2011
BASE DE CÁLCULO DA COFINS. OPERADORAS DPLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL.
As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Cofins os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora, por interpretação dada pelo §9º-A do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.
Numero da decisão: 3302-002.852
Decisão: Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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OPERADORAS DPLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Cofins os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora, por interpretação dada pelo §9ºA do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 37 30 /2 01 3- 96 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10830.723730/201396 Acórdão n.º 3302002.852 S3C3T2 Fl. 213 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de Cofins, relativo ao período de maio de 2010 a dezembro de 2011. A autuação decorreu de glosa da redução de base de cálculo referente às contas contábeis nº 41 – Eventos Indenizáveis Líquidos – deduzidas das receitas dos denominados “ATOS PRINCIPAIS”. Em sua impugnação, a recorrente alegou em síntese que: 1. Toda sua receita relativa aos planos de saúde decorre de atos cooperativos não sujeitos à incidência do PIS/Pasep e da Cofins; 2. A Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS é a competente para definir os termos técnicos e específicos utilizados no inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; 3. A expressão “eventos ocorridos”, contida no §9º do artigo 3º, abrange os custos com o atendimento aos beneficiários do plano de saúde da própria operadora; 4. O §9º do art. 3º implica isonomia com as sociedades seguradoras no sentido de que o total de custo das operadoras de planos de saúde equivale ao total de sinistros pagos em decorrência do contrato de seguro; 5. Ausência de vinculação entre o lançamento e a ação judicial, visto que a ação pleiteou a não incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos, incluindo os decorrentes da comercialização de planos de saúde e não incidência sobre as outras receitas (afastando o alargamento da base de cálculo da Lei nº 9.718/98) enquanto o lançamento trata da exclusão dos eventos líquidos indenizáveis. Por seu turno, a Décima Sexta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro proferiu o acórdão nº 1261717, julgando improcedente a impugnação. Entretanto, com a introdução do § 9ºA no artigo 3º da Lei nº 9.718/98, imprimindo interpretação autêntica sobre a expressão "o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos " de que trata o inciso III do § 9o do mesmo artigo, a turma proferiu novo acórdão, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2011 NULIDADE A Administração deve considerar nulo o seu próprio ato quando caracterizada a ocorrência de vício de legalidade. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10830.723730/201396 Acórdão n.º 3302002.852 S3C3T2 Fl. 214 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2011 TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Cofins, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão da exoneração acima do limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, o colegiado a quo recorreu de ofício. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. A autuação decorreu de glosa da redução de base de cálculo referente às contas contábeis nº 41 – Eventos Indenizáveis Líquidos – deduzidas das receitas dos denominados “ATOS PRINCIPAIS”. Constatase que no tópico IX do Termo de Verificação Fiscal, item 58, ficou consignado que os valores glosados da conta 41 referemse aos custos com os eventos realizados com o atendimento de seus próprios clientes de planos de saúde, conforme transcrito abaixo: “58Os lançamentos efetuados no grupo de contas contábeis n° 41 Eventos Indenizáveis Líquidos referemse aos custos/despesas que a fiscalizada efetivamente teve para o atendimento de seus clientes titulares de planos de saúde.” A autoridade fiscal fundamentou a autuação na Solução de Consulta SRRF/3º RF/Disit nº 20/2003, que assim concluiu: “51 Diante do exposto, no uso da competência que me foi atribuída na forma do art. 48, § 1º, inciso II, da Lei n° 9.430, de Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10830.723730/201396 Acórdão n.º 3302002.852 S3C3T2 Fl. 215 4 27 de dezembro de 1996, soluciono a presente consulta respondendo ao interessado que a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, assim como da Contribuição para o PIS/Pasep, é o valor de seu faturamento, correspondendo à sua receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas a cada período de apuração, de cujo total poderão ser descontados o valor das co responsabilidades cedidas, o da parcela das contraprestações em moeda destinadas à constituição ide suas provisões técnicas e o da diferença positiva entre os desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora e as quantias recebidas da outra operadora, a quem caberia a responsabilidade pelos eventos que se transferiram, a título de ressarcimento por aqueles desembolsos.” Por sua vez, a contribuinte apresentou o Ofício nº 152/2007/GGHAO/DIOPE/ANS/MS da ANS, a qual expôs o entendimento da agência sobre as expressões "eventos ocorridos" e "valor dos eventos efetivamente pagos" nos seguintes termos: (...) 3 VALOR REFERENTE ÀS INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS, EFETIVAMENTE PAGOS, DEDUZIDOS DAS IMPORTÂNCIAS RECEBIDAS A TÍTULO DE TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADES Eventos Ocorridos: são os custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora; tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, terapias etc. que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência. A classificação será nas contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117, e 4118 (Capítulo V, Anexo I, da IN 8/2006; ou Capítulo IV do Anexo II, da RN nº 27/2003; Esses eventos serão escriturados em “Controles Gerenciais” conforme definido o item 7, Capítulo I, Anexo I, da IN nº 8/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RN nº 27/2003; Valor dos Eventos Efetivamente Pagos: são os eventos conhecidos, ocorridos, líquidos das recuperações por glosas, ressarcimentos ou outras deduções, como descontos obtidos, classificados nas contas 4121, 4122, 4128, 4129, 4131 e 4132, ou seja, é o que efetivamente a operadora saldou, pagou no mês. Podese dizer que serão consideradas as contas 4111, 4112, 4113, 4114, 4115, 4116, 4117, 4118, () 4121, () 4122, () 4128, () 4129, () 4131 e () 4132 4118 (Capítulo V, Anexo I, da IN nº 8/2006: ou Capítulo IV do Anexo II da RN nº 27/2003). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10830.723730/201396 Acórdão n.º 3302002.852 S3C3T2 Fl. 216 5 Esses pagamentos serão escriturados em “Controles Gerenciais” conforme definido no item 7, Capítulo I, Anexo I, da IN nº 8/2006, ou item 6, Capítulo I do Anexo II, da RN nº 27/2003; Depreendese que a divergência estabelecida entre a solução de consulta e o entendimento da contribuinte residiu na possibilidade de exclusão da base de cálculo das contribuições dos “Eventos Indenizáveis Líquidos” relativos ao custo com o atendimento dos beneficiários da própria contribuinte, pois que a solução interpretou como possível apenas a exclusão dos eventos relacionados ao atendimento dos beneficiários de outra operadora, mas não os da própria operadora. Entretanto, com a introdução do §9ºA no artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a interpretação dada pela solução de consulta no sentido de não considerar os eventos ocorridos decorrentes do atendimento aos beneficiários da própria operadora foi superada, como conclui se pela redação dada ao referido parágrafo: Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) [...] § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Assim, as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 abrangem os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10830.723730/201396 Acórdão n.º 3302002.852 S3C3T2 Fl. 217 6 Quanto à vinculação do lançamento às decisões do processo judicial nº 1999.61.05.0038998, verificase na exordial que o objeto da ação foi o reconhecimento do direito à isenção da Cofins sobre as receitas decorrentes dos atos cooperativos, incluindo nestes a comercialização de planos de saúde, bem como a não incidência da Cofins sobre as outras receitas na sistemática imposta pela Lei nº 9.718/98. Já o lançamento aqui efetuado referese à glosa da redução de base de cálculo referente às contas contábeis nº 41 – Eventos Indenizáveis Líquidos, e, portanto, não há identidade de objeto. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 16327.720815/2011-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. ADESÃO A PARCELAMENTO. RECURSO
VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
O pedido de parcelamento importa em desistência do recurso, nos termos do artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho.
Numero da decisão: 1103-001.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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ADESÃO A PARCELAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. O pedido de parcelamento importa em desistência do recurso, nos termos do artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neica Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva Relatório Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Lançamento A questão sob análise diz respeito a autos de infração lavrados em 16/11/2011 para a exigência de débitos de IRPJ, CSLL e IRRF, referentes ao ano-calendário de 2007, acrescidos de juros e multa de ofício (fls. 202-220). Termo de Constatação Fiscal nº 01 (fls. 91-93) Conforme relatado, em 22/01/2007, a contribuinte aprovou em Assembleia Geral Extraordinária a reavaliação de doze imóveis, os quais, por meio de laudo de avaliação, sofreram um acréscimo total de R$9.020.491,38, sendo constituída a respectiva reserva de reavaliação. Referidos imóveis foram baixados da contabilidade em junho/2007: oito foram objeto de contrato de compra e venda e os demais (quatro) foram utilizados para integralização do capital social da Oscar Freire Open View – Empreendimentos Imobiliários Ltda. No entanto, a fiscalização verificou que a baixa da reserva de reavaliação, líquida da depreciação, no montante de R$8.953.523,64, teve como contrapartida a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, de modo que não transitou por conta de resultado, tampouco foi computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Adicionalmente, a autoridade fiscal informou que não houve comprovação dos acréscimos das contas 1.4.1.5.1.1.0.0.05 e 06, referentes aos imóveis da Vila Maria e do Pacaembu, de modo que, além da adição da reserva de reavaliação, deve ser adicionado R$784.830,94 relativos à majoração do custo destes imóveis. Por fim, no tocante aos DARF de IRPJ e CSLL recolhidos a título de tributação da realização da reserva de reavaliação, respectivamente, nos montantes de R$1.232.602,19 e R$326.277,00, a fiscalização entendeu que eles não eram passíveis de compensação ex officio, pois constatou que (i) os códigos de receita utilizados se referem a pagamento de estimativa mensal e (ii) na DCTF de junho, o DARF referente ao IRPJ foi utilizado como pagamento parcial para o imposto devido no mês. Nesse sentido, foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, para a tributação da realização da reserva de reavaliação, no montante de R$9.738.354,54. Termo de Constatação Fiscal nº 02 (fls. 113-114) Conforme relatado, a contribuinte integralizou o capital social da Oscar Freire Open View - Empreendimentos Imobiliários Ltda. mediante a conferência de quatro imóveis, os quais, na constituição de referida sociedade, totalizavam R$3.033.724,00: Imóvel Registro imobiliário Valor integralizado R. Galeno Almeida, 75/79/81 R-7-71254 09/12/05 R$650.000,00 Imóvel Registro imobiliário Valor integralizado R. Galeno Almeida, 101 R-7-40957 28/04/04 R$1.510.000,00 Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720815/2011-27 Acórdão n.º 1103-001.173 S1-C1T3 Fl. 1.077 3 R. Galeno Almeida, 111/113 R-13-40296 05/10/04 R$213.724,00 R. Galeno Almeida, 121 R-1-86016 09/12/05 R$280.000,00 R. Galeno Almeida, 127/129 R-6-44068 09/12/05 R$380.000,00 TOTAL R$3.033.724,00 Em sessão de 19/07/2007, sob o nº 259.192/7 foi registrada a Primeira Alteração do Contrato Social da Oscar Freire, cujo capital social foi registrado no valor de R$4.050.000,00. No entanto, a contribuinte não apresentou documentação que comprovasse a referida retificação. Referida participação societária foi alienada em 29/06/2007, pelo preço de R$4.050.000,00, à Silvio Santos Participações Ltda., de modo que a autoridade fiscal considerou como ganho de capital a diferença entre o capital social integralizado no momento da constituição da Oscar Freire e o valor de venda dessa participação societária, resultando no montante de R$1.016.276,00. Nesse sentido, foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, a fim de oferecer à tributação esse ganho de capital de R$1.016.276,00. Termo de Constatação Fiscal nº 03 (fls. 155-158) Conforme relatado, em 01/02/2007, a contribuinte firmou Acordo Operacional com a Panseg Promoções e Vendas Ltda., para que esta promovesse (i) a difusão dos negócios, bem como da marca da contribuinte, (ii) a difusão dos produtos e prospecção de negócios, e (iii) a inserção comercial, treinamento de pessoal para a venda e prospecção de negócios, mediante o pagamento de R$3.600.000,00, dividido em duas parcelas de R$1.800.000,00 a serem pagas em 27/02/2007 e 13/04/2007. A autoridade fiscal, no entanto, entendeu que referidas despesas não poderiam ser consideradas dedutíveis, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, pois a contribuinte não comprovou a efetividade da prestação do serviço. Adicionalmente, a fiscalização verificou que (i) os extratos bancários, cujas saídas foram registradas, não identificaram os respectivos beneficiários, e (ii) a contribuinte não registrou esse pagamento de R$3.600.000,00 em sua DIRF, tampouco recolheu o respectivo IRRF, no código 1708, pela remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica. Nesse sentido, foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, no tocante à glosa das despesas decorrentes do Acordo Operacional com a Panseg, e IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a beneficiários não identificados. Termo de Constatação Fiscal nº 04 (fls. 177-179) Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 Conforme relatado, além de ocuparem, respectivamente, os cargos de diretor superintendente e diretor adjunto, à época dos fatos, Rafael Palladino e Wilson Roberto de Aro eram sócios controladores de empresas que prestaram serviços de consultoria à contribuinte. Em relação às empresas em que o diretor Rafael figurava como sócio, quais sejam, Max Control Assessoria e Investimento Ltda. e Max Control Evento e Promoção Ltda., a autoridade fiscal verificou que: (i) o razão contábil da conta 10142, referente à Max Assessoria, registrou pagamentos a título de serviços de consultoria financeira e assessoria técnica; e (ii) o razão contábil da conta 28436, referente à Max Eventos, registrou pagamentos a título de serviços com consultoria financeira, no entanto, as respectivas notas fiscais foram emitidas como serviços em promoções e eventos. No tocante às empresas em que o diretor Wilson figurava como sócio, quais sejam, Infocus Administração Financeira Ltda. e Focus Consultoria Financeira S/C Ltda., verificou-se que: (i) o razão contábil da conta 28609, referente à Infocus, registrou pagamentos a título de serviços de consultoria financeira, no entanto, apenas as notas fiscais 0003 a 00035 indicaram esta atividade; a partir da nota fiscal 0038, a natureza da prestação de serviços é de desenvolvimento de softwares; e (ii) a única nota fiscal referente à Focus indica como atividade a prestação de serviços em consultoria financeira. A autoridade fiscal, no entanto, considerou referidas despesas indedutíveis, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, pois, além das notas fiscais acima mencionadas, a contribuinte não apresentou nenhum outro elemento que comprovasse a efetividade dos serviços prestados: EMPRESA CNPJ VALOR Max Control Evento 07.770.487/0001-30 R$488.379,53 Max Control Assessoria 56.342.439/0001-57 R$417.354,08 Infocus 07.781.178/0001-66 R$345.000,00 Focus 04.566.041/0001-09 R$100.000,00 Adicionalmente, a fiscalização constatou que, no ano-calendário fiscalizado, tais empresas não possuíam empregados, de modo que os serviços somente poderiam ser prestados pelos sócios, os quais, conforme mencionado, eram diretores da contribuinte e sobre ela tinham poder de gestão, de acordo com o Estatuto Social. Nesse sentido, foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL para que referidas despesas fossem oferecidas à tributação. Impugnação (fls. 225-848) Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720815/2011-27 Acórdão n.º 1103-001.173 S1-C1T3 Fl. 1.078 5 Pela sua pertinência, transcrevo parte do relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: “(...) 1.1 Da inexistência de “majoração indevida do custo histórico” – Imóveis da Vila Maria e Pacaembu Alega a defesa que não houve qualquer acréscimo às referidas contas, mas lançamentos contábeis visando à correção de outros lançamentos. Afirma que, em 2006, alienou diversos imóveis para a empresa Vimave, baixando-os de sua contabilidade, conforme se pode comprovar a partir do balancete mensal de dezembro de 2005, comparados aos de dezembro de 2006. Nesse procedimento de baixa dos imóveis alienados, foram baixadas também, erroneamente, as contas dos imóveis da Vila Maria (Rua Guaranésia) e do Pacaembu (parcialmente). Verificada a incorreção, alguns meses depois, foram efetuados lançamentos a débito em tais contas, nos valores anteriormente baixados, visando à retificação dos equívocos. Aduz o impugnante que não houve acréscimo de custo, mas lançamentos contábeis, em janeiro de 2007, destinados a fazer com que o custo histórico de determinados imóveis – erroneamente baixados quando da alienação de outros imóveis à Vimave – retornassem à contabilidade. Nesse sentido, apresenta excerto do Demonstrativo Contábil da Reserva de Reavaliação, relativo à reserva realizada em janeiro de 2007. Afirma que, ao transpor o montante supostamente tributável para somá-lo à reserva de reavaliação realizada e apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o Sr. Agente Fiscal alterou-o, transformando R$734.830,90 em R$784.830,90 – uma diferença de R$50.000,00 em desfavor da impugnante. 1.2. Do não reconhecimento pela autoridade fiscal, da parcela paga. Afirma o impugnante que nos laudos técnicos de avaliação elaborados pela SETAPE relativamente aos doze imóveis, o valor de mercado constava segregado da seguinte maneira: (i) valor de mercado do terreno; (ii) valor de mercado da construção; (iii) valor total do bem. Em junho de 2007, oito dos doze imóveis foram alienados e os quatro restantes utilizados para integralização de capital em outras empresas. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 6 Calculou o IRPJ e a CSLL devidos sobre a reserva de reavaliação realizada, mas considerou apenas a parcela correspondente às edificações. Afirma que calculou o IRPJ e a CSLL sobre a parcela de R$3.630.641,54 (reserva de reavaliação das edificações), recolhendo o montante assim obtido (R$1.232.602,19) em uma única guia DARF, com o código 2319 (IRPJ estimativa). No mesmo mês, também em virtude de um lapso, a parcela de CSLL que se entendeu devida, a qual já tinha sido paga em conjunto com o IRPJ, foi novamente recolhida, em guia DARF com o código 2469 (CSLL estimativa). Além dos R$1.232.602,19 iniciais, que correspondem ao IRPJ e CSLL devidos sobre a reserva de reavaliação de edificações realizada, foi recolhida também a parcela de R$326.277,05, a título de CSLL. Aduz o interessado que o pagamento feito, a título de estimativa de IRPJ, no mês de junho de 2007, diz respeito ao valor de R$392.750,54. A guia DARF de R$1.232.602,19 não foi utilizada para o pagamento de estimativas de IRPJ e CSLL, mas para o pagamento dos tributos devidos sobre a realização da reserva de reavaliação de edificações. A utilização de código incorreto para o recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos sobre as reservas de reavaliação geraram confusão no preenchimento da DCTF, de tal forma que se vinculou a guia DARF de R$1.232.602,19 aos valores devidos a título de estimativa de IRPJ. No corpo da referida guia, consta a inscrição “IRPJ-RES. REAV. REF 06/07”, que denota a destinação que se pretendia dar, desde o início, à quantia paga. 1.3. Dos evidentes erros de cálculo – Da iliquidez e incerteza das autuações – Necessidade de cancelamento das autuações Alega o impugnante que para ser válido o lançamento, devem ser cumpridos os requisitos de liquidez e certeza, em conformidade com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, sem os quais fica constatada a sua nulidade. Que o procedimento, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador e calcular o montante do tributo devido, encontra-se disciplinado no Decreto nº 70.235/72, em seus artigos 10 e 11. Aduz que o não cumprimento das formalidades essenciais (intrínsecas) aos atos de lançamento, tais como a liquidez e certeza do cálculo do tributo, torna-os nulos, gerando a obrigação do seu cancelamento de ofício. 2. Da inexistência de ganho de capital tributável na alienação de participação societária na Oscar Freire Open View (Termo de Constatação Fiscal nº 02) Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720815/2011-27 Acórdão n.º 1103-001.173 S1-C1T3 Fl. 1.079 7 Afirma o impugnante que subscreveu e integralizou, em imóveis, 3.033.724 quotas da Oscar Freire Open View, cada uma com valor nominal de R$1,00, perfazendo a importância de R$3.033.724,00, por meio da conferência de bens imóveis de sua propriedade. No entanto, argumenta que ... O imóvel da Rua Galeno de Almeida, nº 101, foi conferido pelo valor de R$1.510.000,00, enquanto seu laudo de avaliação previa o valor de R$2.377.000,00. O mesmo se deu com o imóvel da Rua Galeno de Almeida, nºs 111 e 113, que foi incorretamente considerado com o valor de R$213.724,00, quando seu laudo avaliava-o pelo valor de R$363.000,00. Diante dessa diferença de R$1.016.276,00, procedeu à alteração do Contrato Social desta empresa, com o correto valor dos imóveis (devidamente suportados pelos laudos de avaliação competentes), com a consequente emissão de 1.016.276 quotas, inteiramente subscritas e integralizadas pelo Impugnante. (...) Afirma que em 29/06/2007,, na posição de vendedora, celebrou Contrato de Compra e Venda de Quotas com a Silvio Santos Participações, na posição de compradora, alienando a totalidade de suas quotas, pelo valor de R$4.050.000,00, de modo a retirar-se da Oscar Freire Open View. É o que dispõe a cláusula segunda do referido Contrato de Compra e Venda. Que embora o agente fiscal não tenha tido acesso ao referido documento durante a fiscalização, analisou a Ficha Cadastral Simplificada da Oscar Freire Open View na JUCESP, na qual é mencionado o ato registrado nesse órgão sob o número 259.192/07-7, de que ora se trata. (...)3. Das Despesas Operacionais decorrentes do Acordo Operacional firmado com a empresa Panseg Promoções e Vendas Ltda. (Termo de Constatação Fiscal nº 3) 3.1. Da suposta indedutibilidade das despesas na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL Afirma a requerente que as despesas serão operacionais (dedutíveis) quando justificáveis do ponto de vista gerencial. Que a Impugnante é sociedade anônima que tem por objeto social “a exploração de seguros dos ramos de vida e a instituição de planos de pecúlios e rendas de previdência privada aberta, tais como definidos na legislação em vigor”. Para o exercício de sua atividade, em conjunto com a empresa Panseg, possuía um programa de difusão de negócios, produtos e treinamento de pessoal denominado “Acordo Operacional”. Este programa era destinado a incentivar a comercialização dos produtos oferecidos pela Impugnante, por intermédio da Panseg. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 8 (...) Que a utilização de meios para a disseminação dos produtos é ponto crucial no sucesso dessa companhia. Nenhuma empresa consegue espaço no mercado sem que depreenda gastos com marketing e treinamento de pessoal que irá representar a sua marca, de forma a se manter presente e ao alcance do seu público alvo. É prática usual, normal e necessária à realização das atividades sociais da Impugnante a execução do objeto do “Acordo Operacional”: fomento dos negócios; da marca, a difusão dos produtos; a prospecção negocial e a inserção comercial. 3.2. Dos supostos pagamentos sem causa e a beneficiários não identificados – Do lançamento do IR/Fonte Aduz o contribuinte que os valores ajustados no contrato foram debitados da conta corrente da Impugnante exatamente nas datas consignadas no “Acordo Operacional”, quais sejam, dias 27/07/20047 e 13/04/2007. (...) Requer se reconheça a nulidade do auto de infração originário do presente processo administrativo, em razão de erro de direito e ausência de tipificação. Alega que não houve a necessária subsunção do fato jurídico tributário, presente no antecedente na norma individual e concreta, com a norma geral e abstrata veiculada pelo artigo 61 da Lei nº 8.981/95, e que o ato administrativo do lançamento (auto de infração) é invalido e ilegal. 3.3 Da impossibilidade de cumulação do IR/Fonte com a glosa de despesas Alega o impugnante que os pagamentos efetuados ao beneficiário do “Acordo Operacional” foram contabilizados como despesas dedutíveis, acarretando, por consequência, a redução do seu lucro líquido apurado no ano-base de 2007, tanto é que a fiscalização glosou tais despesas. Afirma que a Fiscalização não poderia, com base em um só evento infracional, autuar a Impugnante com fundamento no §1º do artigo 674 do RIR/99 (artigo 61 da Lei nº 9.891/95 – hipótese de pagamento sem causa) e ao mesmo tempo glosar as despesas relativas aos pagamentos efetuados, pois as duas hipóteses são excludentes. 3.4. Da cobrança do IR/Fonte como sanção a ato ilícito (...) A norma extraída do artigo 61, §1º, da Lei nº 8.981/95 tem por hipótese de incidência a prática de um ato ilícito, qual seja, efetuar pagamentos ou entregar recursos às pessoas nela indicadas quando não comprovada a operação ou a sua causa. Alega que a prática desse fato ilícito somente poderia culminar com a exigência de uma sanção; jamais o legislador ordinário, sob o pretexto de apenar os contribuintes que se enquadram nessas hipóteses, poderia Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720815/2011-27 Acórdão n.º 1103-001.173 S1-C1T3 Fl. 1.080 9 prever a incidência do imposto de renda na fonte, justamente porque o artigo 3º do Código Tributário Nacional expressamente define que o tributo não constitui sanção de ato ilícito. 3.5. Do reajustamento da base de cálculo – IR/Fonte Argumenta o autuado que a forma de apuração do IR/Fonte afronta os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Que o reajustamento da base de cálculo decorre da presunção legal de que os valores despendidos nos pagamentos tidos como sem causa são líquidos, devendo-se apurar qual o montante bruto da operação, sobre o qual será aplicada a alíquota do tributo. Que de acordo com as regras estipuladas pela Instrução Normativa SRF nº 15/01, artigo 20, §1º, e na hipótese de um determinado contribuinte realizar um pagamento sem causa na importância de R$65,00, deveria pagar, somente a título de Imposto de Renda na Fonte, R$35,00, que equivalem a 53,85% do montante desembolsado. Afirma que a exagerada exigência fiscal ofende não só o conceito de tributo, contemplado no artigo 3º do CTN, como também os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, motivo pelo qual não pode ser mantida a autuação. 4. Despesas operacionais pagas às empresas Max Control Evento e Promoção Ltda., Max Control Assessoria e Investimento Ltda., Infocus Administração Financeira Ltda. e Focus Consultoria Financeira Ltda.(Termo de Constatação Fiscal nº 04) (...) Que tais empresas prestaram serviços à Impugnante, de consultoria financeira, de desenvolvimento de software para o departamento financeiro da sociedade, bem como serviços de promoções e eventos, como consignado pela própria Fiscalização. Que é por meio das notas fiscais que as transações comerciais são formalizadas, constando a qualificação e a formalização dos serviços. Afirma que todos os serviços prestados à Impugnante se enquadram no conceito do artigo 299 do RIR/99, pois são despesas que guardam relação direta com as atividades por ela desenvolvidas, sendo necessárias, usuais e normais; plenamente justificáveis do ponto de vista operacional. Ressalta que o Sr. Agente Fiscal deveria ter diligenciado nas empresas que emitiram as notas fiscais. Não o fazendo, qualquer assertiva de que os serviços não foram prestados está balizada em presunção, o que não deve ser admitido na cobrança de créditos tributários. (...) Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 10 No que tange à afirmação da Fiscalização de que em alguns casos o descritivo da despesa no Razão não bate com o descritivo na Nota Fiscal, esclarece que meros erros formais não maculam a existência da despesa operacional em comento. (...)5. Da Responsabilidade Tributária Argumenta o impugnante que caso se entenda pela manutenção das glosas das despesas nos Termos de Constatação Fiscal nºs 03 e 04, é de rigor que a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos incidentes nestes lançamentos fiscais sejam atribuídos aos diretores da Impugnante à época dos fatos. Isso porque, a remota possibilidade da manutenção dessas glosas acarretaria configuração de típica hipótese de responsabilidade pessoal dos administradores da Impugnante, conforme artigo 135, III do CTN. Afirma que ao realizar conduta ilícita, o administrador passa a integrar o pólo passivo de relação sancionatória, oportunidade na qual exclusivamente os seus bens responderiam pela prestação punitiva administrativo-fiscal que lhes compete. A responsabilidade nessas hipóteses seria pessoal e exclusiva, e não solidária. O terceiro que age com dolo, contrariando a lei, o mandato, o contrato social ou estatuto, dos quais decorrem os seus deveres, em relação ao contribuinte, torna-se, no lugar do próprio contribuinte, o único responsável pelos tributos decorrentes da infração praticada. Que não se pode cogitar de qualquer tipo de responsabilidade da Impugnante pela prática dos atos ilícitos realizados inadvertidamente pelos seus administradores, devendo-se reconhecer a nulidade dos lançados por evidente equívoco na identificação do sujeito passivo. 6. Da ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa Afirma que o contribuinte que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por ausência de previsão legal. Que o artigo 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Alega que a multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no artigo 3º do Código Tributário Nacional. Destaca que o §1º do artigo 113 do Código Tributário Nacional, ao diferenciar “tributo” de “penalidade pecuniária”, ratifica este entendimento. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720815/2011-27 Acórdão n.º 1103-001.173 S1-C1T3 Fl. 1.081 11 Demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal. Que não se alegue que a cobrança dos juros sobre a multa estaria amparada pelo artigo 43 da Lei nº 9.430/96, já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos.” Decisão da DRJ (fls. 851-885) Preliminares A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo entendeu que as alegações de nulidade da contribuinte não se sustentam, pois seu contraditório e a sua ampla defesa foram assegurados pela interposição da impugnação. Ressalta, ainda, que os autos de infração preenchem os requisitos legais do artigo 10º do Decreto nº 70.235/72 e, portanto, não podem ser considerados nulos. Termo de Constatação Fiscal nº 01 No tocante à reserva de reavaliação, cuja constituição ocorreu em janeiro/2007, a DRJ entendeu correta a autuação da fiscalização, pois a contabilização de sua realização não transitou em conta de resultado, não sendo, portanto, oferecida à tributação, pelo IRPJ e pela CSLL, o montante de R$8.953.523,64. Adicionalmente, em relação aos imóveis da Vila Maria e do Pacaembu, os quais, segundo a fiscalização, sofreram acréscimos não justificados, a r. Delegacia concordou com a autuação: Rubrica Conta 31/12/2006 Débito 31/01/2007 1415110005 Vila Maria - R$377.630,90 R$377.630,90 1415110006 Pacaembu R$582.800,00 R$357.200,00 R$940.000,00 Acréscimo não justificado - R$734.830,90 - Isso porque, entende que não foi possível verificar a alegação da contribuinte de que houve equívoco na baixa desses imóveis em 2006, tendo em vista que (i) o imóvel da Vila Maria foi baixado em 2005 e (ii) os imóveis do Pacaembu possuem o mesmo saldo nos balancetes de 2005 e 2006. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 12 No entanto, quando da consolidação do valor tributável, houve um equívoco por parte da fiscalização, de modo que, ao invés de considerar como acréscimo não justificável o montante de R$734.830,90, considerou-se R$784.830,90. Neste ponto, a DRJ entendeu assistir razão à contribuinte e, portanto, retificou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL: Acréscimo não justificado R$734.830,90 Reserva de Reavaliação R$8.953.523,64 Valor Tributável R$9.688.354,54 A contribuinte, por sua vez, alegou que a fiscalização deveria ter compensado esse valor tributável com os pagamentos efetuados a título de tributação da reserva de reavaliação das edificações, nos códigos 2319 e 2469 e montantes de R$1.232.602,19 e R$326.277,05. A DRJ entendeu, porém, que não assistia razão à contribuinte, pois, eventuais erros materiais no preenchimento das declarações do contribuinte deverão estar devidamente comprovados mediantes mediante a sua escrituração contábil, para que não restem dúvidas quanto ao alegado. No entanto, nada foi apresentado neste sentido”. Isso porque, além de os recolhimentos terem sido efetuados com códigos referentes às estimativas de IRPJ e CSLL, na DCTF de junho/2007, o DARF de R$1.232.602,19 foi vinculado à quitação da estimativa de IRPJ em R$454.027,65. Por fim, r. Delegacia entendeu que os autos de infração não poderiam ser considerados nulos, conforme alegações da contribuinte sobre sua iliquidez e incerteza, tendo em vista que, em eventual erro na apuração da matéria tributável, haverá a sua retificação de ofício e não a nulidade ou cancelamento da autuação. Nesse sentido, a impugnação da contribuinte foi julgada parcialmente procedente, no que se refere à diferença de R$50.000,00 do acréscimo não justificado. Os demais créditos tributários foram mantidos. Termo de Constatação Fiscal nº 02 A despeito de a contribuinte alegar que não houve ganho de capital na alienação de sua participação societária da Oscar Freire Open View Empreendimentos Imobiliários Ltda., tendo em vista que a diferença de R$1.016.276,00 entre a constituição de referida sociedade e a Primeira Alteração de seu Contrato Social decorreu de equívoco do valor de dois imóveis que foram utilizados na integralização do capital social, a DRJ manteve o entendimento da fiscalização. Isso porque, ela entendeu que houve ausência do elemento de prova fundamental para justificar o alegado pela contribuinte, quais sejam, os laudos de avaliação dos imóveis que ensejaram a alteração acima mencionada. Ressalta, ainda, que a alegada retificação de valores também não consta dos registros do 13º Oficial de Registro e Imóveis. Nesse sentido, julgou a impugnação improcedente em relação ao ganho de capital. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720815/2011-27 Acórdão n.º 1103-001.173 S1-C1T3 Fl. 1.082 13 Termo de Constatação Fiscal nº 03 Em relação ao “Acordo Operacional” firmado com a Panseg Promoções e Vendas Ltda., a DRJ manteve as autuações, pois entendeu que: (i) os pagamentos efetuados em duas parcelas (27/02/2007 e 13/04/2007), no montante total de R$3.600.000,00 não podem ser considerados como despesas dedutíveis, pois a contribuinte não comprou a efetividade da prestação dos serviços; (ii) não houve a comprovação de que a Panseg foi a beneficiária dos pagamentos acima mencionados, tendo em vista que foram apresentados apenas o “Acordo Operacional” e os extratos bancários das contas que deram saída a eles, sem qualquer menção a esta sociedade, impossibilitando a identificação do beneficiário; (iii) é possível a concomitância dos dois itens anteriores, pois se tratam de duas hipóteses legais de incidência; (iv) não possui competência para discutir a legalidade das normas, pois ela está limitada à sua aplicação, de modo que não analisou a alegação da contribuinte de que o IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados possui caráter sancionatório; e (v) a Instrução Normativa SRF nº 15/2001 mencionada pela contribuinte, em relação ao cálculo do reajustamento da base do IRRF, é aplicável às pessoas físicas, não sendo aplicável, portanto, a ela. Termo de Constatação Fiscal nº 04 Durante o ano-calendário fiscalizado, a contribuinte contabilizou despesas com prestações de serviços de consultoria, as quais foram consideradas indedutíveis pela fiscalização, pois não foram comprovadas as efetivas prestações. A r. Delegacia concordou com a autuação, pois as notas fiscais apresentadas pela contribuinte, em relação a essas prestações de serviços, possuíam descrições incompatíveis com as atividades exercidas por essas empresas. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 14 Entendeu também que a fiscalização não estava obrigada a diligenciar nessas empresas, pois o ônus de provar a existência de tais despesas era da contribuinte. Adicionalmente, ao contrário do pedido da contribuinte de responsabilização dos diretores em função, à época dos fatos, a DRJ entendeu que não cabia a análise, uma vez que a autuação foi realizada na pessoa jurídica e que a alegada conduta ilícita deles está desprovida de qualquer elemento de prova. Por fim, em relação à alegação da contribuinte de que não há previsão legal para a cobrança de juros sobre multa de ofício, a DRJ entendeu que não era objeto de litígio naquele momento, mas, sim, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após se tornar definitiva a decisão administrativa sobre o lançamento impugnado. Ressalta, ainda, que caso fosse o momento propício para essa discussão, a incidência dos juros está amparada legalmente pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, pois a multa de ofício é débito contra a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Nesse sentido, julgou improcedente a impugnação e manteve a glosa das despesas com consultoria e os juros sobre multa de ofício. Recurso Voluntário (fls. 890-1.002) O recurso voluntário apresentado pela recorrente reproduziu os argumentos articulados na impugnação. Ainda, em decorrência de a DRJ alegar que a recorrente “nada disse a respeito sobre a contabilização efetivada na conta de Reserva de Reavaliação – 2.4.1.4.1.0.0.0.0.0.1, ou seja, sobre o fato de o valor de R$8.953.523,64 não ter transitado por conta de receita”, ela aduz que a realização da reserva de reavaliação transitou sim em conta de receita no período fiscalizado. Petições de Desistência (fls. 1.007-1.034 e 1.037-1.060) Em 11/09/2014, a recorrente apresentou, às fls. 1.007-1.034, petição de desistência parcial do recurso voluntário interposto contra os lançamentos decorrentes dos Termos de Constatação e Verificação Fiscal nº 1 e 2, referentes, respectivamente, à realização de reserva de reavaliação de imóveis e ao ganho de capital em alienação de participação societária. Referida desistência parcial decorreu da alegada quitação integral desses créditos tributários, após a publicação da Lei nº 12.996/2014, que reabriu o prazo de adesão do parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Com a publicação da Lei nº 13.043/2014, que reabriu – novamente – o prazo para adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, a recorrente apresentou, em 01/12/2014, petição de desistência do recurso voluntário interposto contra os demais Termos de Verificação Fiscal (TVF’s nº 3 e 4), tendo alegadamente parcelado esses débitos. É o relatório. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720815/2011-27 Acórdão n.º 1103-001.173 S1-C1T3 Fl. 1.083 15 Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos A numeração de fls. indicada neste voto é a do e-processo. O recurso é tempestivo, mas não deve ser conhecido em razão da ausência de um dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o interesse de uma das partes. Isso porque, conforme relatado, com a publicação da Lei nº 12.996/2014 e a reabertura do prazo de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, a recorrente informa haver optado pelo pagamento integral dos créditos tributários de IRPJ e CSLL referentes à realização de reserva de reavaliação e ganho de capital na alienação de participação societária (Termos de Constatação e Verificação Fiscal nº 1 e 2, respectivamente). No dia 11/09/2014, em razão do alegado pagamento, a recorrente apresentou, às fls. 1.007-1.034, pedido expresso de desistência parcial do recurso voluntário, renunciando às alegações de direito relativas aos débitos constantes dos Termos de Constatação e Verificação Fiscal nº 1 e 2. Apresentou também os respectivos comprovantes de recolhimento (fls. 1.033- 1.034). Posteriormente, com a nova abertura do prazo de adesão ao Refis, pela Lei nº 13.093/2014, a recorrente optou por incluir os débitos remanescentes (constantes dos TVF nº 3 e 4) em parcelamento, apresentando, no dia 01/12/2014, petição de desistência do recurso voluntário (fls. 1.037-1.060), renunciando às alegações de direito nele constante. Nesse sentido, nos termos do artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho, o recurso voluntário não comporta julgamento. Conclusão Em face das razões acima expostas, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, em razão de pedido de desistência da recorrente. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos - Relator Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 16 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 15375.004251/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1995 a 31/07/2005
DECADÊNCIA PARCIAL. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Aplica-se a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, quando se verifica a existência de pagamento parcial do tributo, (Súmula CARF 99).
SAT. CONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal, no RE 343.446, afastou as alegações de inconstitucionalidade da contribuição ao SAT, entendendo respeitados, em sua instituição, os princípios da reserva de lei complementar, da isonomia e da legalidade tributária.
SALÁRIO-EDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 732 DO STF.
É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996.
MULTA. CARÁTER NÃO CONFISCATÓRIO.
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado ao CARF apreciar.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, devido à regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Oliveira, Cleberson Alex Friess e Daniel Melo Mendes Bezerra.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1995 a 31/07/2005 DECADÊNCIA PARCIAL. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Aplica-se a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, quando se verifica a existência de pagamento parcial do tributo, (Súmula CARF 99). SAT. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal, no RE 343.446, afastou as alegações de inconstitucionalidade da contribuição ao SAT, entendendo respeitados, em sua instituição, os princípios da reserva de lei complementar, da isonomia e da legalidade tributária. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 732 DO STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. MULTA. CARÁTER NÃO CONFISCATÓRIO. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado ao CARF apreciar. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, devido à regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Oliveira, Cleberson Alex Friess e Daniel Melo Mendes Bezerra. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
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STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Aplicase a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, quando se verifica a existência de pagamento parcial do tributo, (Súmula CARF 99). SAT. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal, no RE 343.446, afastou as alegações de inconstitucionalidade da contribuição ao SAT, entendendo respeitados, em sua instituição, os princípios da reserva de lei complementar, da isonomia e da legalidade tributária. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 732 DO STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. MULTA. CARÁTER NÃO CONFISCATÓRIO. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado ao CARF apreciar. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 42 51 /2 00 9- 29 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 455 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, devido à regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Oliveira, Cleberson Alex Friess e Daniel Melo Mendes Bezerra. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 456 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TROPICAL CLUBE DE MINAS GERAIS em face da decisão que manteve o crédito tributário referente à contribuição da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAI, SESI e SEBRAE), relativos ao período de 11/1995 a 07/2005. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 191 a 193), o débito foi apurado com base nos valores das folhas de pagamento, RAIS, GFIP e Livro Diário fornecidos pelo contribuinte, tendo como fatos geradores: a) as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados da administração no período de 11/1995 a 07/2005, inclusive 13º salários; b) as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados da obra no período de 06/1996 a 04/2003, inclusive 13° salários; e c) as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais autônomos no período de 05/1996 a 12/2001. 3. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, tendo o colegiado de primeira instância julgado improcedente a impugnação. O acórdão recorrido (fls. 312/319) restou assim ementado: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SESI/SENAI. SESC. SEBRAE. SAT. INCRA. SALÁRIO EDUCAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. É de 10 (dez) anos o prazo para a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos, de acordo com o artigo 45 da Lei nº 8.212/91. É devida a contribuição para o SESI e para o SENAI, por força dos DecretosLei 9.403/46 e 6.246/44. É devida a contribuição para o SESC, por força do DecretoLei 9.853/46. É devida a contribuição para SEBRAE, por força do Decreto 2.318/86. É devida a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, prevista no inciso II, do artigo 22, da Lei 8.212/91. É devida a contribuição para o INCRA, por força do Decreto 1.146/70. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 457 4 O Salário Educação é devido conforme art. 15 da Lei 9.424, de 26 de dezembro de 1996. As contribuições sociais em atraso, arrecadas pelo INSS, estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação (artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91 e alterações). LANÇAMENTO PROCEDENTE.” 4. Após ter sido cientificado do referido acórdão (fl. 324), o contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 326 a 355), endereçado ao Conselho de Recursos da Previdência Social, sustentando, em síntese: a) a decadência do direito do INSS de efetuar o lançamento tributário referente aos fatos geradores ocorridos no período de novembro de 1995 a abril de 2000, haja vista que o lançamento tributário ocorreu apenas em 27.12.2005 (data da consolidação do crédito tributário); b) a ilegitimidade da recorrente para o recolhimento das contribuições para o SENAI e SESI, vez que não há qualquer processo de industrialização na sua atividade funcional, nem por aproximação ou analogia, sendo impossível atribuirlhe natureza de estabelecimento industrial; c) deve ser afastada a cobrança da contribuição para o SESC e SENAC, porquanto tal contribuição tem como sujeitos passivos os estabelecimentos comerciais, não sendo a recorrente empresa relacionada ao comércio ou filiada a qualquer sindicato comercial; d) é ilegítima a cobrança da contribuição para o SEBRAE, por ser tributo cobrado na forma de adicional das contribuições para o SENAI, SESI, SENAC e SESC; e) a contribuição do SAT prevista na Lei 8.212/91 está eivada de inconstitucionalidade, vez que a norma em análise deixou de observar o princípio da tipicidade, indispensável para a válida instituição de tributos; f) a contribuição para o INCRA é inconstitucional, em face da impossibilidade de superposição contributiva; g) a contribuição para o salárioeducação não mais vigora no ordenamento jurídico, com a entrada em vigor do novo Sistema Tributário Nacional, implementado pela Constituição Federal de 1988, por absoluta incompatibilidade entre o diploma instituidor e o regulamentador; e h) o caráter confiscatório das multas e juros aplicados. 5. Após a apresentação do recurso ao CRPS, foi proferido despacho de negativa de seguimento ao recurso (fl. 360), tendo em vista que o depósito recursal de 30% não foi comprovado. Todavia, o juízo da 15ª Vara Federal afastou a exigência de depósito prévio como condição para o processamento e julgamento do recurso (fls. 431 a 433), tendo os autos sido enviados para apreciação por este Conselho, sem contrarrazões do fisco. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 458 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA DECADÊNCIA 2. O contribuinte em seu recurso voluntário arguiu a decadência de parte do crédito tributário exigido, com base na inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. 3. Sobre a decadência, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 459 6 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 7. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente Fl. 459DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 460 7 provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “ “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 461 8 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009).” 8. Compulsando os autos, depreendese do Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF, que foram analisadas folhas de pagamento, GFIP e comprovantes de recolhimento e outros (fl. 190). Além disso, consta do relatório fiscal que o débito foi apurado com base nos valores das folhas de pagamento, RAIS, GFIP e Livro Diário fornecidos pelo contribuinte (fl. 191). Assim, verificase que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, § 4º, do CTN. 9. O CARF, por intermédio de uma de suas Câmaras Superiores, corroborou tal entendimento ao aplicar a regra do art. 150, “eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal)”. (Processo nº 36918.002963/200575; Recurso nº 243.707 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.418). 10. A matéria foi sumulada pelo CARF: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” 11. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada ao lançamento fiscal a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. E com base nas informações expostas acima, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 03/01/2006, referente às contribuições do período de 11/1995 a 07/2005 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 11/1995 a 11/2000 e 13/2000. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS (SENAI, SESI, SESC, SENAC, SEBRAE) 12. Em sua peça recursal, assim com fez na impugnação, alega a recorrente não ser sujeito passivo das contribuições para o SESI, SENAI, SESC, SENAC e SEBRAE. Na decisão de primeira instância, o julgador entendeu como regular tais enquadramentos, justificando a exigência das contribuições aos terceiros ali apontados. 13. Ocorre que, em que pese a argumentação trazidas pelo sujeito passivo, seu raciocínio não deve prosperar senão vejamos: se o crédito ora exigido tivesse pertinência apenas em relação ao FPAS 5660, em tese, poderia a autuada ter razão. No entanto, da Fl. 461DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 462 9 discriminação analítica dos valores lançados e por estabelecimento, verifica que a sua composição também decorre de obra realizada pela recorrente, hipótese em que o enquadramento do FPAS é outro e nele estão previstas contribuições aos referidos terceiros, como bem apontou o julgador a quo no seguinte sentido: “(...). 9. No que concerne à cobrança das contribuições destinadas a Terceiros, incluindose aí, SESI/SENAI, SESC, SEBRAE, INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO, os diplomas legais instituidores das referidas contribuições estão explicitados distintamente e por período, no rol de fundamentos legais que compõe a NFLD: "Fundamentos Legais do Débito" (fls. 172/180). O art. 94 da Lei n° 8.212/91, por sua vez, confere ao INSS competência para a sua cobrança: "Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração ajustada, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta lei. Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha, de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei." (Redação dada pela Lei n.° 9.528/97). Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial." 10. A empresa alega não ser contribuinte do SESI e SENAI, ocorre que estas contribuições são devidas em função da obra realizada pela mesma, Matrícula CEI 11.186.03052/78, no período de 06.1996 a 04.2003. No caso de obra de construção civil o responsável pela mesma fica sujeito às contribuições previstas no artigo 22 da Lei 8.12/91, bem como as destinadas a outras entidades ou fundos. Neste caso, o recolhimento é para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS 5070, cuja contribuição para terceiros inclui Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. Vale lembrar que a obra é considerada estabelecimento distinto. 11. A afirmação de que a exigência da contribuição para SESC constitui ilegalidade,não merece acolhida. Essas contribuições são destinadas aos órgãos que têm como finalidade o ensino fundamental, o profissionalizante e outros órgãos que visam à Fl. 462DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 463 10 melhoria aos serviços prestados, tanto no sentido econômico quanto social. As empresas recolhem a contribuição de acordo com sua atividade econômica. A atividade econômica principal da notificada cadastrada, junta a Receita Federal, é clube social, desportivo e similar. Portanto, enquadrase no FPAS 5660, e deverá recolher, a título obrigatório, a contribuição para o SESC. Cabe esclarecer, que na presente notificação não está sendo exigida contribuição destinada ao SENAC. 12. A contribuição destinada ao SEBRAE objetiva financiar a execução da política de apoio às micro e pequenas empresas, independente do ramo de atividade que desenvolva ou de que representação econômica seja integrante (...).” 14. Do acima transcrito, registrese que concordo e compactuo com o julgador de primeira instância, razão pela qual não procede as alegações da recorrente nesse ponto. DAS ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE 15. A recorrente alega em seu recurso voluntário inconstitucionalidade das contribuições para o SAT, INCRA e salárioeducação. 16. No que se refere à contribuição para o SAT, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 343.446, de relatoria do Ministro Carlos Velloso, afastou as alegações de inconstitucionalidade desta contribuição, entendendo respeitados, em sua instituição, os princípios da reserva de lei complementar, da isonomia e da legalidade tributária, pondo fim às discussões sobre a questão. 17. Desse modo, este julgador administrativo está adstrito à decisão proferida pelo STF, não podendo apreciar novamente o que por aquela Corte já restou decidido. 18. Quanto à contribuição para o salárioeducação, o STF já se pronunciou sobre a questão, tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à Constituição Federal quanto à sua recepção, bem como pela constitucionalidade da Lei nº 9.424/1996. 19. Nesse sentido, foi editada a Súmula 732 do STF, in verbis: Súmula 732 – É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. 19. A Lei nº 9.766/98, em seu art. 1º, estabeleceu que a contribuição social do salárioeducação deverá obedecer aos mesmos prazos e condições daquelas estabelecidas para as normas relativas às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, além de sujeitarse às mesmas sanções administrativas e penais daquelas. 20. Assim, afasto as alegações do contribuinte quanto a essa questão. 21. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA, ressaltese que é incabível sua análise na esfera administrativa, pois, a teor do que dispõe o art. 26A do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, exceto nos casos previstos no § 6º do mesmo dispositivo legal, a seguir transcrito, este órgão julgador, de cunho Fl. 463DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 464 11 administrativo, não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de lei. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” 22. Segundo o caput do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, é vedado aos seus Conselheiros membros, sob fundamento de inconstitucionalidade, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. 23. Ademais, a Súmula n.º 2 do CARF preceitua o seguinte: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 24. Dessa forma, afastamse as alegações de inconstitucionalidade e de ilegalidade, pois os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições para o INCRA, todos discriminados nos Fundamentos Legais do Débito, encontramse em plena vigência, não havendo até a presente data manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a inaplicabilidade dos mesmos. 25. Assim, rejeito as alegações do contribuinte de inconstitucionalidade dos atos normativos que embasam o lançamento. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO 26. Por fim, a recorrente demonstra irresignação com a multa e juros aplicados, ressaltando que estes possuem caráter confiscatório. Porém, esta alegação não deve Fl. 464DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15375.004251/200929 Acórdão n.º 2301004.294 S2C3T1 Fl. 465 12 prosperar, pois o caráter confiscatório da multa somente resta configurado quando o valor agredir violentamente o patrimônio do contribuinte, o que não ocorre na hipótese analisada. 27. Ademais, a irresignação não pode ser analisada por este Conselho, em respeito à competência privativa do Poder Judiciário, já que o afastamento da aplicação da legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I “a”, e III, “b”, da Constituição Federal. 28. Em outras palavras, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, conforme já explanado acima. CONCLUSÃO 29. De todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe parcial provimento, para: a) excluir do lançamento os valores relativos às competências 11/1995 a 11/2000 e 13/2000, em face de terem sido atingidos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN; b) negar provimento aos demais argumentos apresentados pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 13819.002564/2003-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Bruno Toledo Checchio, OAB/DF nº. 27.179.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPENSAÇÃO Recorrente CIELO S/A (atual denominação da COMPANHIA BRASILEIRA DE MEIOS DE PAGAMENTO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01 Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Bruno Toledo Checchio, OAB/DF nº. 27.179. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 25 64 /2 00 3- 65 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13819.002564/200365 Acórdão n.º 3202001.632 S3C2T2 Fl. 771 2 Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração eletrônico nº 004711 (efls. 11/ss), lavrado em 16/06/2003 para a cobrança do PIS referente aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 1998, no montante de R$ 4.447.099,00. Por bem descrever os fatos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, lavrado em 16/06/2003 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 18/07/2003, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 4.447.099,00, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados de janeiro a dezembro/98, além da falta de recolhimento de multa de mora no pagamento de débitos em atraso, relativamente aos períodos de apuração de janeiro/98, outubro/98 e novembro/98. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou a impugnação de fls. 01/07, em 18/08/2003, juntando os documentos de fls. 08/68 e apresentando, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: • Em preliminar argúi a nulidade do lançamento, mencionando que os atos administrativos devem reunir todos os requisitos de validade, bem como observar os princípios da Legalidade, Moralidade, Impessoalidade e Publicidade, para na sequência mencionar o Princípio do Contraditório e o do Devido Processo Legal, e asseverar que à recorrente não fora dada a oportunidade de se manifestar ou produzir provas a seu favor para demonstrar à autoridade administrativa que não havia cometido qualquer irregularidade. • Entende que se antes da lavratura do mesmo fosse a recorrente intimada para prestar os esclarecimentos necessários, veriam as autoridades competentes que inexistiu quaisquer infrações. E acrescenta que além das autoridades não provarem as alegações que acabaram por fundamentar o auto de infração, não permitiram que a recorrente fizesse prova em contraditório. • Ressalta que o processo assegura às partes idênticas oportunidades de participação ativa, porém na prática a garantia constitucional não se fez presente pela conduta precipitada da autoridade administrativa. E, na medida em que a autoridade administrativa, com uma conduta totalmente dispare da lei, feriu princípios fundamentais de direitos e garantias processuais, conclui estar evidenciado o desrespeito ao princípio da legalidade estrita. • No mérito, face o princípio da eventualidade, afirma inexistir quaisquer irregularidades no recolhimento dos tributos questionados, dada a suspensão de sua exigibilidade por decisão judicial, em razão da qual não há que se falar em cometimento de qualquer ilicitude ou infração tributária que pudesse dar origem ao auto de infração impugnado, aspecto que seria verificado dando à recorrente o direito de se manifestar antes da lavratura do auto. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13819.002564/200365 Acórdão n.º 3202001.632 S3C2T2 Fl. 772 3 Em 27/06/2005 os autos foram enviados pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário — SECAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil — DRFB/Osasco à EQRCO/OSA para manifestação quanto a compensação eventualmente realizada pelo Contribuinte referente aos débitos deste processo e posterior retorno a esta EQFISE (fl. 73). Na sequência, os autos seguiram à EQAJUD/SECAT da DRFB/Osasco (fl. 74), onde se confirmou a procedência das exigências (fls. 75/80), firmandose à fl. 90 o que segue: “Tendo em vista que a sentença do Mandado de Segurança n° 97.00026124 prevê apenas o recolhimento do PIS pela LC 7/70, conforme fl. 45, nada dizendo a respeito da compensação e o acórdão proferido pelo TRF da 3° Região, constante no processo às fls. 8189, prevê a compensação apenas com parcelas vincendas do próprio PIS, os valores compensados em DCTF não se encontravam, à época, amparados por medida judicial. Assim, tendo por procedentes os valores lançados pelo auto de infração n° 4711, proponho a cobrança dos mesmos”. Após intimar o contribuinte a recolher os débitos correspondentes (fls. 41/96), o SECAT da DRFB/Osasco encaminhou tais valores para inscrição em Dívida Ativa da União (fls. 99/149), mas em 13/12/2007 solicitouse o retorno do processo administrativo em razão de liminar concedida anteriormente à inscrição em dívida ativa, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário ou autorizando a compensação de débitos (fl. 120). Em 09/04/2007 o interessado apresentou petição solicitando a expedição de Oficio para a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Osasco determinando o cancelamento das inscrições em Divida Ativa, dada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de sua discussão administrativa nestes autos (fls. 134/136). Nesta ocasião, mencionou a impetração do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0015229, no qual foi informado pela DRFB/Osasco que estes autos seriam enviados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente para análise das impugnações apresentadas. Em 11/04/2007 os autos seguiram para a PSFN/Osasco, para cancelamento da inscrição em dívida ativa, mencionando que o auto de infração foi inscrito indevidamente em dívida ativa da União, pois a impugnação havia sido erroneamente tida como intempestiva, o que levou à inscrição sem que o processo fosse encaminhado à DRJ para julgamento (fl. 168). Às fls. 194/276 a PSFN/Osasco juntou petição semelhante àquela apresentada pelo contribuinte em 09/04/2007, declarando a perda de seu objeto em 19/06/2007 (fl. 194). Na sequência, com o registro da extinção da inscrição em Dívida Ativa da União (fls. 277/281), os autos foram enviados para arquivamento (fl. 282), sendo desarquivados em 12/06/2008 e encaminhados para julgamento em 01/07/2008. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas proferiu o Acórdão nº 0522.899, em 15 de agosto de 2008 (efolhas 350/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. AUSÊNCIA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Apurada causa suficiente, hábil a dispensar a intimação do contribuinte, desnecessária é a exteriorização do procedimento fiscal por meio de prévia solicitação de esclarecimentos. NULIDADE. Constituído o crédito tributário Fl. 772DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13819.002564/200365 Acórdão n.º 3202001.632 S3C2T2 Fl. 773 4 pelo contribuinte mediante declaração, prescindível é a análise dos argumentos relacionados à validade do lançamento de ofício. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. EXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS DECLARADOS. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não impede a formalização do lançamento. Apenas que, se fosse confirmada a suspensão da exigibilidade antes do início do procedimento fiscal, incabível seria a aplicação de multa de ofício. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. RECOLHIMENTOS EM ATRASO. MULTA ISOLADA. Descabe a exigência se os débitos declarados nas modalidades Repique e Dedução são recolhidos no vencimento fixado para o imposto de renda. Lançamento Procedente em Parte A decisão recorrida julgou procedentes as exigências relativas à Contribuição ao PIS e exonerou a multa de ofício aplicada sobre os valores exigidos de janeiro a dezembro/1998, bem como a multa isolada aplicada nos períodos de janeiro, outubro e novembro/1998 (vide efls. 362). A interessada cientificada do Acórdão da DRJ – Campinas, em 16/01/2009 (efolha 371), interpôs Recurso Voluntário (fls. 374/ss) em 28/01/2009, onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, acrescentando, ainda, que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário no período de janeiro a junho de 1998. O processo foi distribuído à Conselheira Mércia Helena Trajano d’Amorim, que propôs baixar os autos em diligência, nos termos do disposto na Resolução nº 3201 000.224, de 04/05/2011 (efls. 621/625). Em 31/01/2013 os autos foram novamente baixados em diligência, nos termos da Resolução nº 3201000.355 relatado pela i. Conselheira Mércia Helena Trajano d’Amorim. Conforme despacho de efls. 769, em 17/01/2014 o processo foi devolvido pela i. Conselheira para redistribuição. O processo então foi redistribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13819.002564/200365 Acórdão n.º 3202001.632 S3C2T2 Fl. 774 5 Entendo que o Recurso Voluntário não deve ser conhecido na esfera administrativa por haver identidade de matéria – compensação do PIS para o período de apuração referente ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 1998 e de partes, entre este processo administrativo e os processos judiciais impetrados pela Recorrente. A própria interessada, em seu Recurso (efls. 422), afirma que impetrou ação judicial para discutir a matéria, conforme trecho abaixo transcrito: II. OS FATOS 3. Em 30.1.1997, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança, distribuído à 7ª Vara da Seção Judiciária de São Paulo/SP sob o n° 97.00026124, visando afastar a exigência do PIS com base na MP n° 1.212/95 (e reedições), bem como ver reconhecido o seu direito de recolher a referida contribuição social pela sistemática prevista na Lei Complementar n° 7/70 (5% do IR devido PIS/Repique) e, consequentemente, assegurar o seu direito à compensação dos valores de PIS indevidamente recolhidos. 4. Regularmente processado o feito, tendo sido deferida a medida liminar pleiteada e concedida a segurança por sentença proferida em primeiro grau, transitou em julgado Acórdão proferido pela 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que reconheceu o direito da Recorrente de compensar os valores de PIS indevidamente recolhidos com parcelas desse mesmo tributo. 5. Diante disso, amparada por decisão judicial, a Recorrente realizou a compensação dos valores indevidamente recolhidos de PIS com débitos do próprio PIS do ano de 1998, informando as compensações efetuadas nas DCTFs dos respectivos períodos. 6. Contudo, para a surpresa da Recorrente, em 16.6.2003, as Autoridades Fiscais Federais lavraram o Auto de Infração n° 0004711, exigindo o pagamento de supostos débitos de PIS do ano de 1998, no montante de R$ 4.447.099,00, sob o argumento de que, à época em que foram realizadas as compensações, a Recorrente não estava amparada por medida judicial que lhe autorizasse a efetuar referidas compensações. (grifamos) Comprova a existência das Ações Judiciais os documentos acostados aos autos às folhas e486 a 538. A própria DRJ – Campinas também confirma a existência das citadas ações judiciais (muito embora, aparentemente, não tenha reconhecido a concomitância entre processos), conforme trechos do voto da relatora abaixo transcritos (efls. 357/358): Daí a impetração do Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0107289, que dessa forma se mostra inaplicável à matéria presente nestes autos, restrita à Contribuição ao PIS declarada de janeiro a dezembro/98, e antes, portanto, de sua impetração. E, limitando a análise ao Mandado de Segurança n° 97.00026124, notase pelos registros contidos à fl. 10 que, à época da apresentação das DCTFs do 1°, 2° e 4° trimestres/98 (em 29/04/98, 05/08/98 e 03/02/99, respectivamente), e da retificação da DCTF do 3° trimestre/98 (em 15/12/99), o contribuinte possuía amparo judicial reconhecido em liminar em Mandado de Segurança para deixar de recolher a Contribuição ao PIS calculada sobre o faturamento — confirmado posteriormente em sentença de 15/06/98 —, muito embora tenha informado tais débitos como compensados em razão da referida ação judicial. De outro lado, observase que nas peças juntadas pelo impugnante não há notícia de que tenha sido pleiteado, no Mandado de Segurança n° 97.00026124, o Fl. 774DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13819.002564/200365 Acórdão n.º 3202001.632 S3C2T2 Fl. 775 6 reconhecimento do direito à compensação de valores indevidamente recolhidos em razão dos dispositivos legais questionados. (...) Inferese, dai, que o contribuinte errou ao indicar os débitos declarados de janeiro/98 a dezembro/98, sob código 8109 (PISFaturamento), como compensados em razão do processo judicial n° 97.00026124. Sua pretensão, possivelmente, era informar estes valores com suspensão da exigibilidade em virtude da liminar concedida nesse Mandado de Segurança, e que inclusive já havia sido confirmada em sentença em 15/06/98. De fato, se o contribuinte dispunha de amparo judicial para não recolher a Contribuição ao PIS calculada sobre o Faturamento, razão não havia para que com débitos desta natureza compensasse eventuais recolhimentos indevidos anteriores à impetração do Mandado de Segurança. Neste sentido, inclusive, vêse que já para o período de apuração de janeiro/98, o contribuinte apurou e recolheu a Contribuição ao PIS nas modalidades Repique e Dedução, sem exercer eventual direito à compensação com créditos da mesma espécie, como consta às fls. 16/17, nas quais está demonstrado o recolhimento em atraso dos débitos declarados sob código 8002 e 8205, e que será mais adiante apreciado. Em verdade, a única referência à compensação surge no acórdão proferido nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 1999.03.99.0622740, em 29/08/2001, e nos seguintes termos, contidos no relatório: “Tratase de apelação em sede de mandado de segurança objetivando a declaração de inexistência de relação jurídica que obrigue a Autora ao recolhimento do PIS na forma instituída pela Medida Provisória n° 1.212/95 e suas sucessivas reedições, para que lhe seja garantido o direito ao seu recolhimento nos termos da Lei Complementar 7/70. Requer, ainda, a compensação das parcelas recolhidas indevidamente a título de PIS com parcelas vincendas da própria exação”. Já no voto que apreciou a referida apelação, a Exma. Desembargadora Federal Salette Nascimento limitouse a reformar parcialmente a sentença com vistas a aplicar o entendimento no sentido da inexigibilidade da exação antes de decorrido o prazo nonagesimal, a partir da veiculação da medida provisória. Assim, na medida em que não houve qualquer disposição neste sentido em 1ª instância, e o acórdão em questão apenas reduziu a extensão do que concedido pela decisão recorrida, sem nada acrescentarlhe, não há objeto para as referências à possibilidade de compensação indicadas no relatório e na ementa do acórdão proferido nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 1999.03.99.062274 0. Concluise, do exposto, que embora restando incomprovado o amparo judicial à compensação vinculada, em DCTF, ao Mandado de Segurança n° 97.00026124, o contribuinte provou a existência de suspensão da exigibilidade dos débitos à época de sua declaração em DCTF, razão pela qual a discussão nestes autos deveria se centrar na existência, ou não, desta suspensão à época em que o lançamento foi formalizado. (...) (grifamos) Destarte, em face de existência de ações judiciais, conforme demonstrado acima, deve prevalecer a opção efetuada por esta via, cumprindose o que lá for decidido. Não se conhece, portanto, do Recurso nesta esfera administrativa. Este é o teor da Súmula CARF nº 01, verbis: Fl. 775DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13819.002564/200365 Acórdão n.º 3202001.632 S3C2T2 Fl. 776 7 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, não conheço do recurso. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 776DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909630/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 30 /2 00 9- 12 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909630/200912 Acórdão n.º 3202001.516 S3C2T2 Fl. 394 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 395DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 16370.000220/2007-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONCOMÍNIO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTOS DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PREVISÃO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972.
O lançamento diz respeito à falta de pagamento / recolhimentos de contribuições previdenciárias relativas aos contribuintes individuais que prestaram serviços ao condomínio, nesse rol incluindo o síndico. Neste caso, a responsabilidade da empresa está prevista no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991.
Considerando a generalidade do recurso, que repetiu os mesmos termos contidos na impugnação, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.114
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONCOMÍNIO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTOS DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PREVISÃO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. O lançamento diz respeito à falta de pagamento / recolhimentos de contribuições previdenciárias relativas aos contribuintes individuais que prestaram serviços ao condomínio, nesse rol incluindo o síndico. Neste caso, a responsabilidade da empresa está prevista no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. Considerando a generalidade do recurso, que repetiu os mesmos termos contidos na impugnação, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONCOMÍNIO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTOS DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PREVISÃO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. 1. O lançamento diz respeito à falta de pagamento / recolhimentos de contribuições previdenciárias relativas aos contribuintes individuais que prestaram serviços ao condomínio, nesse rol incluindo o síndico. Neste caso, a responsabilidade da empresa está prevista no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. 2. Considerando a generalidade do recurso, que repetiu os mesmos termos contidos na impugnação, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 00 02 20 /2 00 7- 40 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16370.000220/200740 Acórdão n.º 2803004.114 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16370.000220/200740 Acórdão n.º 2803004.114 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições destinadas à Seguridade Social (parte patronal) e, contribuições dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre remunerações pagas aos mesmos pelo sujeito passivo no período de janeiro de 1997 a dezembro de 2006 e não declaradas em GFIP. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 19 de agosto de 2008 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. PRAZO. SÚMULA VINCULANTE. APLICAÇÃO DO CTN. Por meio da Súmula Vinculante nº 8, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o prazo de dez anos estabelecido no art. 45 da Lei 8.212/91. Consequentemente, o lançamento das contribuições sociais previdenciárias está sujeito ao prazo decadencial de cinco anos, estabelecido no art. 173 do Código Tributário Nacional. RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. De acordo com o art. 4º da Lei nº 10.666/2003, fica a empresa a partir de abril de 2003, obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EXIGIBILIDADE. A lei que institui a cobrança da contribuição devida ao INCRA não foi revogada pela edição da Lei nº 8.212/91, permanecendo exigível. SÍNDICO DE CONDOMÍNIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida a contribuição previdenciária sobre o pagamento aos síndicos de condomínios imobiliários, conforme previsão expressa dada pela Lei nº 8.212/91, em seu art. 12, inciso V, alínea “f”. MULTA DE MORA. É lícita a aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91. Lançamento Procedente em Parte Fl. 298DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16370.000220/200740 Acórdão n.º 2803004.114 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em que pese entendimento contrário, o lançamento previdenciário é desprovido de fundamento legal. A fiscalização apurou que o condomínio recorrente não teria recolhido os valores devidos a título de contribuição devida à previdência social calculada sobre sua folha de pagamentos. Apesar do entendimento dessa autarquia, a imposição previdenciária não pode prevalecer. O lançamento da contribuição previdenciária é do tipo “por homologação”, quando a obrigação de informar ao fisco a realização das hipóteses tributárias é do contribuinte. Para tanto, o contribuinte preenche através dos modelos fornecidos pela previdência social os formulários eletrônicos cabíveis, constituindo os valores devidos por força da aplicação da legislação previdenciária. Com isto, abrese o prazo de 10 (dez) anos para que a autarquia previdenciária homologue as informações prestadas, sob pena de decadência do direito de promover o lançamento complementar. Verificase, entretanto, que os lançamentos tributários de todo o período fiscalizado foram efetuados pelo contribuinte Recorrente, sendo descabido novo lançamento. A autarquia previdenciária desconsiderou as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte e, injustificadamente, realizou novo lançamento tributário, apurando de forma duplicada todos os valores devidos à previdência social e que já haviam sido informados pelo contribuinte. Vale observar que não há valor novo lançado e que seja diferente dos informados pelo contribuinte quando da realização do lançamento por homologação. É ilegal a cobrança de contribuição para o INCRA e para Terceiros. Existe ilegalidade no cálculo da multa moratória. A multa é confiscatória. Ante o exposto, requerse a procedência do presente Recurso, para que seja reformada a decisão e para que seja anulado o lançamento previdenciário e seus acessórios, nos termos da fundamentação supra. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16370.000220/200740 Acórdão n.º 2803004.114 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Inicialmente, há que se registrar que o julgador a quo reconheceu a decadência relativamente às competências de 01/1997 a 11/2011, em conformidade com a regra estabelecida no inciso I do art. 173 do CTN. O recurso, como se observa, foi apresentado de forma genérica, tal como ocorreu na impugnação. Efetivamente, o contribuinte não se defendeu. No recurso constam argumentos como: O lançamento da contribuição previdenciária é do tipo “por homologação”, quando a obrigação de informar ao fisco a realização das hipóteses tributárias é do contribuinte. Para tanto, o contribuinte preenche através dos modelos fornecidos pela previdência social os formulários eletrônicos cabíveis, constituindo os valores devidos por força da aplicação da legislação previdenciária. Com isto, abrese o prazo de 10 (dez) anos para que a autarquia previdenciária homologue as informações prestadas, sob pena de decadência do direito de promover o lançamento complementar. Verificase, entretanto, que os lançamentos tributários de todo o período fiscalizado foram efetuados pelo contribuinte Recorrente, sendo descabido novo lançamento. A autarquia previdenciária desconsiderou as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte e, injustificadamente, realizou novo lançamento tributário, apurando de forma duplicada todos os valores devidos à previdência social e que já haviam sido informados pelo contribuinte. Vale observar que não há valor novo lançado e que seja diferente dos informados pelo contribuinte quando da realização do lançamento por homologação. É ilegal a cobrança de contribuição para o INCRA e para Terceiros. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16370.000220/200740 Acórdão n.º 2803004.114 S2TE03 Fl. 7 6 Existe ilegalidade no cálculo da multa moratória. A multa é confiscatória. Tendo em vista que o lançamento diz respeito à falta de pagamento / recolhimentos de contribuições previdenciárias relativas aos contribuintes individuais que prestaram serviços ao condomínio, nesse rol incluindo o síndico. Neste caso, a responsabilidade da empresa está prevista no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. Registrese, ademais, que a partir do mês de abril de 2003, com a entrada em vigor da Lei nº 10.666/03, a obrigação da empresa que obtêm serviços de contribuintes individuais não pode ser contestada. O art. 4º do referido diploma legal estabelece que: Art. 4º. Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Como não há provas nos autos que o condomínio cumpriu a obrigação de que trata as referências legais acima citadas, correto o procedimento fiscalizatório de lançamento, bem como a decisão recorrida. Ademais, considerando a generalidade do recurso, que repetiu os mesmos termos contidos na impugnação, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. A multa foi aplicada em conformidade com o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo qualquer problema quanto a ela. E, como é sabido, ainda não existe nenhuma declaração de inconstitucionalidade versando sobre o tema, proferida pelo Supremo Tribunal Federal – STF. Os argumentos de ilegalidade aventados pelo contribuinte não podem prosperar, tendo em vista que os órgãos da Administração Pública não têm competência para discutir essa matéria, que é da competência exclusiva do Poder Judiciário. Assim, não há que se falar em ilegalidade da cobrança da contribuição para o INCRA e para Terceiros, bem como de ilegalidade no cálculo da multa moratória. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16370.000220/200740 Acórdão n.º 2803004.114 S2TE03 Fl. 8 7 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720347/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o presente julgamento em conformidade com o art. 62-A, § 1º do RICARF e Portaria CARF 001/2012, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Designado Redador ad-hoc para foramlizar a Resolução o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso Redator had-doc
EDITADO EM: 06/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e Benedicto Celso Benício Junior, integrando o colegiado os Conselheiros José Sérgio Gomes e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o presente julgamento em conformidade com o art. 62-A, § 1º do RICARF e Portaria CARF 001/2012, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Designado Redador ad-hoc para foramlizar a Resolução o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente. (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Redator had-doc EDITADO EM: 06/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e Benedicto Celso Benício Junior, integrando o colegiado os Conselheiros José Sérgio Gomes e Paulo Roberto Cortez.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o presente julgamento em conformidade com o art. 62A, § 1º do RICARF e Portaria CARF 001/2012, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Designado Redador adhoc para foramlizar a Resolução o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Redator “haddoc” EDITADO EM: 06/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e Benedicto Celso Benício Junior, integrando o colegiado os Conselheiros José Sérgio Gomes e Paulo Roberto Cortez. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .7 20 34 7/ 20 12 -6 4 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/201264 Resolução nº 1101000.073 S1C1T1 Fl. 216 2 Versam os presentes autos sobre Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão exarado pela 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre que, por unanimidade, manteve os créditos tributários exigidos. Segundo o Relatório Fiscal (proc. fls. 36 a 39), em 04/01/2012, o contribuinte teve ciência do início do procedimento fiscal sendo requisitado a apresentar os Livros Diário e Razão ou Livro Caixa, bem como Livros de Registro e Apuração de ICMS e ISS, referentes ao anocalendário de 2008 (proc. fls. 40 e 41) . Da análise da documentação fiscal e contábil apresentada, constatouse que o Livro Caixa não continha toda a movimentação financeira e bancária, e possuía apenas quatro folhas com os lançamentos do período de 01/01/2008 a 31/12/2008 (proc. fls. 70 a 75). Quanto ao Livro de Registro e Apuração do ICMS, verificouse o registro de receita bruta de prestação de serviços de transporte de carga. No entanto, na DIPJ atinente ao mesmo período, o contribuinte não informou valores de receita bruta. O interessado foi intimado, em 02/03/2012, a justificar o motivo da DIPJ ter sido entregue com valores de “zero” de receita bruta em todos os trimestres. Ademais, foilhe ainda requisitado que retificasse as DCTFs referentes ao anocalendário de 2008 no tocante aos tributos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. (proc. fls. 80 e 81). Em 16/03/2012, o interessado retificou as DCTFs (proc. fls. 83 a 90). Entretanto, não apresentou à autoridade fiscalizadora qualquer justificativa sobre tal retificação. Destarte, a autoridade fazendária procedeu ao arbitramento do lucro. Vale mencionar que o lançamento considerou os valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS informados pelo contribuinte em DCTF. O agente fiscal entendeu cabível a aplicação da multa na sua forma agravada, tendo em vista que o contribuinte deliberadamente apresentou DIPJ com valores de “zero” de receita bruta a despeito de ter efetivamente auferido receita. Por fim, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos dos arts. 1º e 3º da Portaria RFB nº 665/2008, autuada no Processo Administrativo Fiscal nº 11040.720.349/201253. Foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (proc. fls. 7 a 10), PIS (proc. fls. 15 a 18), COFINS (proc. fls. 23 a 26) e CSLL (proc. fls. 30 a 33). Em 25/04/2012, o contribuinte apresentou Impugnação (proc. fls. 94 a 133). De início o Impugnante relatou que a empresa atua no ramo de transportes pesados e rodoviários e que no ano de 2008 não possuía frota própria de caminhões. Desta forma, contratou terceiros e isto acarretou num repasse de 80% do valor total dos Conhecimentos de Transportes emitidos. Entendeu o Postulante que o Auto de Infração deve ser extinto, tendose em vista que foi lavrado levandose em conta uma base de cálculo que não condiz com a realidade, pois não é razoável que se considere na apuração de sua base de cálculo, valores que não compõem o seu faturamento e que apenas transitam pela sua contabilidade. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/201264 Resolução nº 1101000.073 S1C1T1 Fl. 217 3 Alegou que o arbitramento só deve ser realizado nos casos em que o contribuinte não apresenta os documentos fiscais solicitados, e que no caso em análise isto não ocorreu, pois toda a documentação fiscal foi entregue. Ressaltou que “sobre os valores que de fato ficaram nos cofres da empresa, e que, portanto, constituíram a base de cálculo, a Impugnante pagou o tributo”. Destarte, asseverou que o Auto de Infração deve ser considerado nulo. A Impugnante também se opôs à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Asseverou que a parcela de ICMS, que é repassada inteiramente ao Estado competente, não pode fazer parte do faturamento mensal de uma empresa, sob pena de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva. Ainda no que toca ao PIS e à COFINS, o contribuinte afirmou que é inconstitucional a majoração da base de cálculo destes tributos. No seu entendimento, “a base de cálculo instituída no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, qual seja, toda e qualquer receita percebida pelo contribuinte, é inconstitucional, haja vista que extrapola a competência que fora outorgada à União, no que tange à imposição das Contribuições previstas no art. 195 da Constituição Federal”. Ademais, alegou que a instituição da COFINS pela Lei nº 9.718/98 violou o disposto no § 4º do art. 195 da Constituição Federal, pois é, na verdade, uma nova contribuição incidente sobre a receita da empresa, instituída como fonte de custeio da seguridade social. Referente à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Impugnante alegou que não se verificou o dolo necessário à sua qualificação, pois todos os documentos solicitados foram apresentados. Ainda no tocante à multa, o contribuinte questionou a sua constitucionalidade sob o argumento da não observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Por fim, o Postulante requereu a realização de perícia técnica contábil com o fim de demonstrar que as bases de cálculo para a apuração do débito não levaram em conta o real faturamento da empresa. Indicou perito. A 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre exarou Acórdão em 30/08/2012 julgado improcedente a Impugnação apresentada (proc. fls. 142 a 154). O Colegiado inicialmente se manifestou sobre o pedido de perícia. Entendeu que inexistem razões capazes de justificar a realização de perícia, pois o que se pretende ver esclarecido é questão cujo conhecimento técnico dos julgadores permite o julgamento imediato. Portanto, entendeuse prescindível a realização de perícia. No tocante às alegações de inconstitucionalidade, a Turma asseverou que o julgador administrativo está impossibilitado de analisar os argumentos que apontem a violação de preceitos constitucionais e ilegalidades na instituição da COFINS, na definição das bases de cálculo do PIS e da COFINS e da multa de ofício. No mérito, o órgão julgador a quo afirmou que os valores recebidos pelo contribuinte por conta da prestação de serviços de transporte devem ser considerados como uma disponibilidade adquirida, pois estão diretamente ligados ao conceito de renda, e, por isso, Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/201264 Resolução nº 1101000.073 S1C1T1 Fl. 218 4 sujeitos à tributação de acordo com um dos regimes de tributação disponíveis (lucro real, lucro presumido ou lucro arbitrado). O Colegiado relatou que apenas os contribuintes tributados pelo lucro real podem deduzir de suas bases de cálculo os custos. Nas demais formas de tributação (SIMPLES, lucro arbitrado e lucro presumido), a apuração do imposto de renda é feita com base na receita bruta auferida. No caso em análise, contribuinte é prestador de serviços de transporte de cargas. O fato de subcontratar terceiros para realizar os fretes, não lhe tira a obrigação assumida de transportar os produtos, recebendo por este serviço e repassando parcialmente para outros transportadores. Ressaltouse ainda que os serviços de transporte prestados são realizados em nome do contribuinte, por sua conta e risco, portanto, a receita bruta corresponde ao produto da venda dos referidos serviços. A Turma ainda esclareceu que tanto na sistemática do lucro presumido (adotada pelo contribuinte no anocalendário em questão), como a do lucro arbitrado (utilizada na lavratura do Auto de Infração), “não se tributa a totalidade da receita obtida, mas uma parcela dessa receita, que a legislação atribuiu como valor tributável. Na definição do percentual de presunção e do percentual de arbitramento de lucro, o legislador levou em consideração todos os aspectos relacionados aos custos e despesas inerentes à atividade de transporte de cargas. Se o contribuinte quiser ver tributado apenas o seu resultado positivo, basta que efetue a escrituração contábil e fiscal de suas operações e apure o IRPJ e a CSLL com base no lucro real. Não o fazendo, se sujeita aos percentuais de presunção do lucro da sistemática de apuração do lucro presumido ou do lucro arbitrado, aplicados sobre os valores totais dos fretes, não cabendo, por falta de previsão legal, a exclusão dos valores pagos a terceiros por conta da subcontratação dos fretes”. Referente à situação fática e jurídica que desencadeou o arbitramento do lucro, o julgador administrativo afirmou que as pessoas optantes pela tributação com base no lucro presumido, caso não mantenham a escrituração nos termos da legislação comercial e fiscal, são obrigadas a manter o Livro Caixa, no qual devem escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária, segundo determina o art. 527, I e parágrafo único, do RIR/99. Desta forma, a despeito de efetivamente apresentar todos os documentos ficais e contábeis solicitados, o Livro Caixa apresentado não continha a movimentação financeira e bancária, nem estava em boa ordem, devidamente escriturado e em dia. E, de conformidade com o previsto no art. 530, II do RIR/99, cabível o arbitramento nesta situação. Em continuidade, a Turma justificou a tributação dos demais tributos com base no art. 24, § 2º da Lei nº 9.249/95 que versa sobre receita omitida e lançamento de CSLL, PIS e COFINS. Quanto aos argumentos levantados pelo Impugnante atinentes às bases de cálculo do PIS e da COFINS, o Colegiado afirmou que com a edição da Lei nº 9.718/98 (arts. 2º e 3º, §1º), foi adotada uma base universal para efeito de incidência de tais contribuições, abrangendo, a totalidade das receitas auferidas, inclusive receita financeira, cambiais, outras receitas, operacionais, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida, a classificação contábil ou a denominação adotada para as receitas ajustada pelas exclusões autorizadas pelo art. 3º, § 2º, e demais normas editadas posteriormente, dentre as quais não estão aquelas pretendidas pelo contribuinte. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/201264 Resolução nº 1101000.073 S1C1T1 Fl. 219 5 Acrescentou ainda que na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS, o faturamento inclui a parcela referente ao ICMS, não havendo, pois, que excluir esse tributo da base de cálculo. Concluiu que o lançamento está de acordo com a legislação tributária que prevê as alíquotas de cada contribuição e não prevê a exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS. No tocante ao agravamento da multa de ofício, o Impugnante questionou a presença do dolo a justificar a qualificação. O órgão julgador asseverou que além do contribuinte ter entregado a DIPJ zerada, não declarou os débitos em DCTF, e apenas realizou o pagamento de pequenas parcelas dos tributos devidos. Desta forma, entendeu configurada a intenção dolosa com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as suas características. Ademais, o Colegiado ressaltou que o agravamento da multa está relacionado diretamente à conduta dolosa de suprimir ou reduzir o pagamento de tributos, por isso, a apresentação dos documentos solicitados pelo fisco na intimação fiscal não tem a força de afastar a aplicação da multa qualificada. Em 27/09/2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (proc. fls. 161 a 204). De início o Recorrente alegou cerceamento do direito de defesa ante o indeferimento da realização de perícia técnica. Destarte, entendeu que o processo deve ser remetido para primeira instância a fim de que se realize tal prova sob pena de nulidade do Auto de Infração. Mais uma vez o Postulante alegou que, por não possuir frota própria, repassava a terceiros 80% do valor cobrado pelos serviços de transporte que realizava. Desta forma, afirmou que a base de cálculo adotada pela fiscalização está errada, devendo ser considerado como faturamento o percentual de 20% dos valores recebidos pelo serviço que realizava no período fiscalizado. O interessado afirmou que o arbitramento do lucro somente pode ser aplicado nos casos em que o contribuinte não apresenta os documentos fiscais solicitados, o que não ocorreu. O Recorrente discorreu sobre o Princípio da Capacidade Contributiva e do não Confisco, e afirmou que o Auto de Infração lavrado ultrapassa em muito o seu real faturamento. Portanto, patente a violação dos princípios constitucionais supramencionados. No tocante à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, o contribuinte mais uma vez alegou que é indevida. Afirmou que os valores de ICMS não representam riquezas da Recorrente, tendo em vista sua destinação a terceiros, não se incorporando no patrimônio dos contribuintes. O Recorrente também se opôs à majoração da base de cálculo da COFINS e do PIS que se deu com a edição da Lei nº 9.718/98. Asseverou que a base de cálculo destas contribuições foi inconstitucionalmente majorada, pois ao instituir o PIS e a COFINS sobre a Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/201264 Resolução nº 1101000.073 S1C1T1 Fl. 220 6 receita bruta, o legislador infraconstitucional extrapolou os limites da competência que lhe foi outorgada. Quanto à qualificação da multa, o Postulante alegou que não se verificou qualquer dos pressupostos que justificasse a aplicação da multa no percentual de 150%. Relatou que apresentou todos os documentos solicitados e em momento algum houve intenção de omitir a sua documentação fiscal. O Recorrente ressaltou que não restou provado o dolo. Destarte, entendeu que devese afastar a aplicação da multa qualificada para o presente caso. Ainda no tocante à multa, o litigante argumentou que a aplicação de multa no percentual de 150% além de ter caráter confiscatório, vai contra os Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade. É o relatório. Voto Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, Relatora O Recurso preenche os requisitos legais de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Conforme relatado, consta do presente processo discussão a respeito da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Esta matéria é objeto da ADC nº 18/MCDF, que teve Medida Cautelar deferida em 13 de agosto de 2008, para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98 ” Ocorre que o art. 1º da Portaria CARF nº 001/12 dispõe que deverão ser sobrestados os processos administrativos em trâmite no CARF nas hipóteses em que houver sido, comprovadamente, determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de Recursos Extraordinários que versem sobre matéria idêntica àquela debatida na Suprema Corte. Eis sua fórmula literal: Art. 1º Determinar a observação dos procedimentos dispostos nessa Portaria, para a realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência, em que Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de recursos extraordinários – RE até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da lei nº 5.869/73 – CPC. Parágrafo único – O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a caso em que tiver, comprovadamente, sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/201264 Resolução nº 1101000.073 S1C1T1 Fl. 221 7 O caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente ao comando da referida Portaria, tendo em vista que foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal o sobrestamento dos processos relativos à matéria ora recorrida: inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Por conta disso, este julgamento deve aguardar o trânsito em julgado da respectiva decisão da Suprema Corte. Pelo exposto, voto pelo sobrestamento do presente julgamento. Sessão, 13 de junho de 2013 (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Redator “haddoc” Fl. 221DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/06/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
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Numero do processo: 11831.001429/2002-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 2000, 2001
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FORMAÇÃO DO CRÉDITO.
Nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendo-o por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado.
COMPENSAÇÃO. NATUREZA DA HOMOLOGAÇÃO.
A lei não previu o reconhecimento da totalidade do crédito indicado na compensação, mas, apenas, a homologação da compensação declarada. Assim, na hipótese de uma declaração de compensação indicar um valor de crédito superior ao valor do débito compensado, haverá reconhecimento do crédito até o limite compensado.
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INFORMADOS. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO.
Os débitos informados pelo contribuinte nas declarações de compensação presumem-se devidos e se tratam de matéria incontroversa. Por tal motivo, não há como se acolher a alegação de que o Fisco deveria promover o lançamento de ofício dos débitos para aparelhar a competente cobrança. Esse assunto não compõe o litígio estabelecido para o PAF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1102-001.314
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998, 2000, 2001 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FORMAÇÃO DO CRÉDITO. Nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendo-o por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. COMPENSAÇÃO. NATUREZA DA HOMOLOGAÇÃO. A lei não previu o reconhecimento da totalidade do crédito indicado na compensação, mas, apenas, a homologação da compensação declarada. Assim, na hipótese de uma declaração de compensação indicar um valor de crédito superior ao valor do débito compensado, haverá reconhecimento do crédito até o limite compensado. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INFORMADOS. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. Os débitos informados pelo contribuinte nas declarações de compensação presumem-se devidos e se tratam de matéria incontroversa. Por tal motivo, não há como se acolher a alegação de que o Fisco deveria promover o lançamento de ofício dos débitos para aparelhar a competente cobrança. Esse assunto não compõe o litígio estabelecido para o PAF. Recurso Voluntário Negado
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COMPENSAÇÃO. Recorrente KELLOGG BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 2000, 2001 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FORMAÇÃO DO CRÉDITO. Nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendoo por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. COMPENSAÇÃO. NATUREZA DA HOMOLOGAÇÃO. A lei não previu o reconhecimento da totalidade do crédito indicado na compensação, mas, apenas, a homologação da compensação declarada. Assim, na hipótese de uma declaração de compensação indicar um valor de crédito superior ao valor do débito compensado, haverá reconhecimento do crédito até o limite compensado. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INFORMADOS. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. Os débitos informados pelo contribuinte nas declarações de compensação presumemse devidos e se tratam de matéria incontroversa. Por tal motivo, não há como se acolher a alegação de que o Fisco deveria promover o lançamento de ofício dos débitos para aparelhar a competente cobrança. Esse assunto não compõe o litígio estabelecido para o PAF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 14 29 /2 00 2- 28 Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.977 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por KELLOGG BRASIL LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial de manifestação de inconformidade acerca de pedidos de restituição e compensação de créditos decorrentes de saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1998, 2000 e 2001. A instância a quo assim relatou o caso: 2 Ao analisar o crédito pleiteado e declarado, o Auditor Fiscal examinou as DIPJ apresentadas, relativas aos anoscalendário 1998, 2000 e 2001, bem como os comprovantes de rendimentos apresentados e pesquisas no sistema DIRF e apurou o que se segue: 2.1 O crédito de IRPJ referente ao anocalendário 1998: solicitado foi de R$ 419.999,59, obtido após a atualização pela SELIC, relativo ao valor original de R$ 330.164,81 que foi formado pelas antecipações mensais pagas por estimativa, deduzida uma compensação efetuada no mês de julho de 2000. 2.2 As antecipações mensais por estimativa do anocalendário 1998, foram feitas através de compensações com saldo credor de IRPJ do anocalendário 1997. Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.978 3 2.3 O saldo credor do anocalendário de 1997, por sua vez, foi formado por antecipações mensais por estimativa e pelo IRRF. 2.4 A pesquisa no sistema Sinal 08 confirmou os pagamentos mensais efetuados com DARF durante o anocalendário de 1997 no valor de R$ 575.335,96. Quanto ao valor de IRF retido, a empresa logrou comprovar o valor declarado com a apresentação dos informes de Rendimentos mas não ofereceu à tributação a totalidades dos rendimentos relativos a esse IRF e desse modo embora a empresa tenha declarado o valor de R$ 164.075,58 como IRRF, somente foi reconhecido pelo Auditor Fiscal o valor correspondente ao IRF dos rendimentos oferecidos a tributação que totalizou R$ 140.702,00. 2.5 Assim o saldo credor de IRPJ, relativo ao anocalendário 1997, a ser considerado foi de R$ 676.684,69 2.6 Embora esse saldo fosse suficiente para comportar todas as compensações do anocalendário 1998, não foram aceitas as compensações anteriores a abril de 1998 por conta do art. 6°, § 1°, II da Lei n° 9.430/1996. 2.7 Assim, o valor do saldo negativo para o anocalendário de 1998 passa a ser 299.921,91 e, após a compensação efetuada com o débito de julho de 2000, o valor passível de aproveitamento e R$ 215.403.53. 2.8 O crédito de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2000 foi formado pelas antecipações recolhidas por estimativa que foram compensadas utilizando o saldo credor de 1997 e parte de 1998, que foram aceitas e confirmadas pelo Auditor Fiscal. 2.9 Parte desse crédito foi utilizado para quitar parte do débito de IRPJ de junho de 2001, restando o valor de R$ 524.674,73 passível de ser compensado. 2.10 O crédito de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2001, solicitado pela empresa, no valor de R$ 165.523,85, foi confirmado pelo Auditor Fiscal. 2.11 O crédito de CSLL, relativo ao anocalendário de 1998, solicitado pela empresa, no valor de R$ 34.157,95, após atualização SELIC, foi formado pelas antecipações por estimativa que foram compensadas com saldo credor de CSLL do anocalendário de 1997. 2.12 O saldo credor do anocalendário de 1997 foi formado a partir de antecipações mensais recolhidas por estimativa que foram em parte recolhidas em DARF e em parte compensadas com o saldo credor do anocalendário de 1996. A consulta ao sistema Sinal 08 confirmou os pagamentos em DARF. 2.13 O saldo credor de 1996 foi formado a partir de antecipações mensais recolhidas por estimativa que foram em parte recolhidas em DARF e em parte compensadas com o saldo credor do anocalendário de 1995. A consulta ao sistema Sinal 08 confirmou os pagamentos em DARF. E também foi confirmado o saldo credor do anocalendário 1995 2.14 O auditor ressalva que, embora tenha sido confirmado saldo credor de CSLL no anocalendário de 1997 em montante suficiente para comportar todas as compensações do anocalendário 1998, não foi aceitas a compensação de fevereiro de 1998 por conta do art. 6°, § 1°, II da Lei n° 9.430/1996, combinado com o art 28 da mesma lei. Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.979 4 2.15 Desse modo, após analisar as compensações de CSLL feitas nos anos calendário de 1995, 1996, 1997 e 1998, foi apurado o saldo credor de CSLL relativo ao anocalendário de 1998 no valor de R$ 91.033,41. Esse valor, no entanto foi utilizado para compensar débitos de maio e junho de 2000 e junho de 2001, restando o saldo de R$ 7.097,91. 2.16 O saldo credor de CSLL do anocalendário 2000, solicitado pela empresa no valor original de R$ 185.928,79 foi confirmado pelo Auditor Fiscal após a verificação das compensações das estimativas devidas com saldo credor de CSLL dos anoscalendário de 1997 e 1998. 2.17 O saldo credor de CSLL do anocalendário 2001, solicitado pela empresa no valor original de R$ 76.508,85 foi confirmado pelo Auditor Fiscal após a verificação da compensação da estimativa devida, referente ao mês de junho de 2001 com saldo credor de CSLL do anocalendário 1998. 3 O Auditor Fiscal analisou também as compensações efetuadas sem processo através de DCTF, alem das declaradas em PER/DCOMP, concluindo que o saldo credor de 1997 foi totalmente utilizado nas compensações efetuadas nos anos calendário de 1998 a 2001. 3.1 Desse modo, foi reconhecido o saldo de R$ 1.175.137,65 relativo aos saldos credores de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1998, 2000 e 2001, sobre o qual incide a correção pela taxa SELIC e foram homologados os pedidos de compensação juntados a esse processo, até o limite do crédito reconhecido. 3.2 Cientificada da decisão proferida em 23/08/2007, conforme AR de fls. 549/verso, o contribuinte apresentou, em 14/09/2007, Manifestação de Inconformidade (fls. 760 a 766), apresentando as razoes a seguir, em síntese: 4 Alega que dentre os Pedidos de Restituição e Compensação apresentados entre março de 2002 e abril de 2003, as compensações apresentadas até julho de 2002 já foram homologadas tacitamente, citando o art. 150, § 4° e art. 156 , 11 e V do Código Tributário Nacional. 4.1 Alega que, ao analisar o crédito da empresa em 1997, a autoridade julgadora considerou o valor de R$ 146.303,99, expresso na linha 7 da DIPJ e não o valor de R$ 1.290.109,91, constante na linha 12 da DIPJ, que contribuinte entende ser o valor correto, reclamando que esse equivoco levou a conclusão equivocada sobre o saldo credor da empresa, tanto no que tange ao ano de 1997 como no que tange aos anos subseqüentes. 4.2 Alega que assim se chegaria ao resultado correto do saldo de 1997 que seria em sua opinião o valor de R$ 164.075,58. 4.3 Alega que compensandose os valores apurados e devidos de 1998 com os valores recolhidos a maior em 1997, restaria um saldo credor de R$ 330.161.81 para o exercício de 1999. 4.4 Alega que em relação ao saldo credor de CSLL referente ao ano calendário de 1998, a empresa constatou um certo recolhimento a maior no valor de R$ 20.810,80 não incluído na declaração de IRPJ/1998, anobase 1997, e que esse valor foi incluído no demonstrativo do crédito e argumenta que, nesta oportunidade, deve ser considerado para a composição do saldo credor da empresa. 4.5 Alega que o mesmo equivoco que entende ter ocorrido em relação ao IRPJ AC 1997, se deu em relação a CSLL do AC 1997, pois a autoridade julgadora Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.980 5 considerou o valor de R$ 146.303,99, expresso na linha 7 da DIPJ e não o valor de R$ 1.290.109,91, constante na linha 12 da DIPJ, como entende que deveria ser, reclamando que esse equivoco levou a conclusão equivocada sobre o saldo credor da empresa, tanto no que tange ao ano de 1997 como no que tange aos anos subseqüentes. 4.6 Alega que poderia compensar o saldo credor de CSLL na compensação de fevereiro de 1998 e cita o art. 7° da Lei n° 9.430/1996 que embasaria o que alega. 4.7 Alega que, em face das explicações que apresenta, é necessária a reconsideração total do Despacho Decisório, pois entende que tem que ser feita a análise dos valores que indica no seu Pedido de Restituição. 4.8 Alega que reconhece que deixou de declarar nas DCTF as compensações objeto dos processos 11931.001345/200375, 11831.001993/200321 e 11831.002773/200315v e protesta pela juntada posterior das DCTF retificadores. 4.9 Informa que junta cópias de documentos que subsidiam a presente defesa, e requer que seja deferido integralmente o Pedido de Restituição e homologadas as compensações a ele vinculadas. A 5ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº 1620.070, de 14 de janeiro de 2009, por meio do qual considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA DE JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 2000, 2001 COMPENSAÇÃO. PRAZO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA EM PARTE. A ciência da decisão que não homologa a compensação declarada deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Transcorrido este prazo, homologamse as compensações declaradas. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Somente tem direito ao aproveitamento do IRRF de aplicações financeiras, se os rendimentos correspondentes ao IRF compuserem a base de cálculo do IRPJ na apresentação da DIPJ relativa ao ano de auferimento desses rendimentos. Cumpre esclarecer que foi reconhecida a homologação tácita das compensações cujos pedidos foram protocolados antes de 23/08/2002. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual não mais discute o mérito do indeferimento da compensação. Deduz, apenas, os seguintes argumentos: Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.981 6 A DRJ deveria considerar homologadas todas as compensações porque foram atreladas a um único pedido de restituição, no valor de R$ 1.521.058,82. O crédito pleiteado foi tacitamente reconhecido e homologado. A DRJ se engana quando argumenta que as DCOMP restantes só poderiam ser homologadas se houvesse crédito suficiente. Os valores que ensejaram a formalização do pedido de restituição foram colhidos com base nas DIPJ de 1998, 2000 e 2001. Nesse sentido, também para a análise das mesmas já havia transcorrido o prazo de cinco anos. Somente as declarações de compensação entregues à RFB a partir de 31/10/2003 constituem confissão de dívida. Assim, o Fisco deveria promover o lançamento de ofício para aparelhar a competente cobrança. Ao final, requer a homologação integral das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente alega que todas as compensações deveriam ser consideradas homologadas porque foram atreladas a um único pedido de restituição De fato, de fls. 01 a 06, consta um pedido de restituição, protocolado em 19/02/2002, do valor de R$ 1.521.058,82 com base na suposta existência de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados nos anoscalendário de 1998, 2000 e 2001. Considerando que o despacho decisório (fls. 534 a 547) da unidade de origem, Derat/SP, teve sua ciência efetivada em 23/08/2007 (fls. 549/verso), transcorreram mais de cinco anos desde a data do protocolo do pedido de restituição. Todavia, enganase a recorrente quando invoca o prazo de homologação previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.982 7 passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.983 8 (...) Como se vê o referido artigo 74 trata da compensação de débitos passíveis de restituição ou ressarcimento. Nesse contexto, as alterações promovidas pela Medida Provisória (MP) nº 135/2003, convertidas na Lei nº 10.833/2003, circunscreveramse apenas aos pedidos de compensação. Tão somente estes é que foram, quando pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data da publicação da referida MP, considerados declarações de compensação e, como tais, sujeitas ao instituto da homologação tácita. Carece de previsão legal a extensão dessas alterações aos pedidos de restituição, como pretende a recorrente. Importa frisar que a lei não previu o reconhecimento da totalidade do crédito indicado na compensação, mas, apenas, a homologação da compensação declarada. Assim, na hipótese de uma declaração de compensação indicar um valor de crédito superior ao valor do débito compensado, haverá reconhecimento do crédito até o limite compensado. Portanto, as compensações homologadas tacitamente implicam no reconhecimento do crédito no limite das respectivas compensações declaradas. Conforme ressaltado na primeira instância de julgamento, este crédito permanece vinculado ao débito declarado. Não há “liberação” do suposto crédito para outras compensações. Contudo, quanto à parte remanescente, ou seja, o crédito informado em compensações não atingidas pela homologação tácita ou solicitado em pedidos de restituição (para os quais, repitase, não há previsão legal para o instituto da homologação tácita), o Fisco pode deixar de reconhecêlo. Além disso, as mesmas alterações promovidas pela MP nº 135/2003 preveem que as declarações de compensação podem ser submetidas ao rito processual do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Novamente, somente elas, as declarações de compensação é que estão inseridas no âmbito do PAF. Ademais, os débitos informados pelo contribuinte presumemse devidos e se tratam de matéria incontroversa. Por tal motivo, não há como se acolher a alegação de que o Fisco deveria promover o lançamento de ofício dos débitos para aparelhar a competente cobrança. Esse assunto não compõe o litígio estabelecido para o PAF. Com entendimentos semelhantes, esta mesma Turma já se manifestou recentemente. Confirase: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO APÓS EXTINTO O DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. UTILIZAÇÃO DO EXCESSO DE CRÉDITO EM DCOMP ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte só pode se utilizar, em declarações de compensação, de créditos relativos a pagamentos indevidos realizados há menos de cinco anos. Caso deseje aproveitar o indébito por prazo superior, deve apresentar pedido de restituição dentro do prazo quinquenal, e realizar as compensações a partir desse pedido. Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.984 9 O excesso de crédito apresentado em declaração de compensação tempestiva não converte o documento em pedido de restituição, e não pode ser utilizado em compensação posterior, enviada após o prazo de cinco anos do pagamento indevido. (Acórdão nº 1102001.097, de 10/04/2014) COMPENSAÇÃO. MATÉRIA EM LITÍGIO. Em processo administrativofiscal de compensação, a matéria em litígio é o crédito pleiteado, e não os débitos compensados, uma vez que estes foram indicados pelo próprio contribuinte e se tratam de matéria incontroversa. (Acórdão nº 1102001.119, de 03/06/2014) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. LIMITES DA LIDE. No processo administrativofiscal de análise de declaração de compensação, discutese a suficiência do direito creditório pleiteado até o limite dos débitos indicados. Caso o direito creditório seja reconhecido em parte, mas seja suficiente para homologar todas as compensações constantes da DCOMP, não existe interesse recursal para apresentação de manifestação de inconformidade, que é recurso voltado apenas para questionar a nãohomologação, total ou parcial, da compensação. Assim, o contribuinte tem direito a recorrer no momento em que toma ciência de decisão que não homologa parte dos débitos indicados para compensação. (Acórdão nº 1102001.235, de 23/10/2014) No que diz respeito ao fato de o Fisco ter analisado as DIPJ de 1998, 2000 e 2001 para verificar a autenticidade do direito creditório, não há que se confundir a impossibilidade da constituição do crédito tributário por haver decaído o direito de lançar com a possibilidade de verificação das circunstâncias que influenciaram na apuração de um direito creditório pleiteado, ainda que tais elementos estejam vinculados a períodos cujo direito de lançar tenha sido atingido pela decadência. Nesse sentido, por demais esclarecedor, reproduzo trecho de voto já pronunciado neste mesmo Colegiado: Quando se trata de compensação, não se está a tratar de lançamento, e tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário, o foco é o crédito que venha a ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.985 10 prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, o prazo decadencial apropriado à espécie a ser considerado é, antes de mais nada, o do artigo 168 do CTN, que versa sobre o direito do sujeito passivo de pleitear a restituição do tributo pago a maior ou indevidamente. Uma vez formalizada em tempo hábil a compensação, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, cabendo ao Fisco verificar a consistência das informações necessárias ao procedimento de homologação da compensação. Aliás, o artigo 170 do CTN é expresso ao atribuir à lei o poder de autorizar a compensação tão somente com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública, e sob as condições e garantias que a própria lei vier a estipular. Assim, é somente a partir da formalização da compensação que há sentido em se falar em prazo para que a autoridade administrativa se pronuncie acerca do direito alegado. Neste sentido, cumpre observar que o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, veio a suprir lacuna antes existente na legislação, no sentido de que não havia um prazo estabelecido em lei para a análise do pleito. E o prazo que foi estabelecido pela lei para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96). (Acórdão nº 110200.432, Relator: João Otávio Oppermann Thomé, Proferido na Sessão de 25/05/11) De fato, nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendoo por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. Tratase de aplicar, para o caso da compensação, a exegese contida no artigo 37 da Lei nº 9.430/96: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Com efeito, pleiteada a compensação, esta constitui um fato permutativo entre elementos do patrimônio da pessoa jurídica. Mesmo sujeito à posterior homologação, a teoria contábil exige o lançamento deste fato administrativo quando de sua constituição. Enquanto não decair o direito de o Fisco lançar os créditos tributários referentes ao exercício financeiro em que ocorreu ou deveria ter ocorrido o mencionado lançamento, a pessoa jurídica tem o dever de manter os comprovantes da escrituração dos elementos que repercutiram na criação do crédito alegado na compensação. Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 11831.001429/200228 Acórdão n.º 1102001.314 S1C1T2 Fl. 1.986 11 Além do mais, há que se notar que, no caso presente, essa iniciativa foi perpetrada apenas no nível dos pagamentos (retenções na fonte e estimativas mensais) que eventualmente tivessem reduzido o tributo devido. Independentemente da possibilidade do Fisco ir além, isto é, no nível da apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, para a qual existem discussões mais acirradas, o fato é que a jurisprudência dessa Casa aceita de forma mais tranquila a verificação no nível dos pagamentos realizada após os cinco anos da declaração de compensação. Portanto, rejeito a alegação de que o Fisco não poderia ter analisado as DIPJ de 1998, 2000 e 2001. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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