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Numero do processo: 13876.001382/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRPF. DEDUÇÃO POR DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. O recibo, quando dotado dos requisitos legais, deve ser considerado como prova da efetividade tanto do pagamento quanto da fruição do serviço, cabendo à Fazenda Nacional infirmar a presunção de validade dos documentos apresentados pelo contribuinte caso desconfie de irregularidade. Recibos parcialmente aceitos e dedução reconhecida. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 24.917,75. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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DEDUÇÃO POR DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. O recibo, quando dotado dos requisitos legais, deve ser considerado como prova da efetividade tanto do pagamento quanto da fruição do serviço, cabendo à Fazenda Nacional infirmar a presunção de validade dos documentos apresentados pelo contribuinte caso desconfie de irregularidade. Recibos parcialmente aceitos e dedução reconhecida. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 24.917,75. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 13 82 /2 00 7- 16 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13876.001382/200716 Acórdão n.º 2202001.715 S2C2T2 Fl. 82 3 Relatório 1 Auto de Infração Em revisão da Declaração de Ajuste Anual, a fiscalização glosou deduções da base de cálculo referentes a despesas médicas. Assim, foi reformado o autolançamento, fazendo com que o Imposto a restituir apurado na declaração (R$ 15.082,71) fosse reduzido para R$ 5.494,84. Transcrevendo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração: Glosa do valor de R$ ********34.865,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8. ° , inciso II, alínea 'a', e §§ 2. ° e 3. ° , da Lei n. ° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Intimado a comprovar o efetivo pagamento dos serviços profissionais e laudos das despesas médicas e odontológicas, contribuinte não apresentou comprovação dos mesmos. Glosados despesas médicas e odontológicas seguintes: JULIA MZRIA ORFALI CPF 04429187800 Valor R$7500,00; CRISTINA MONTENEGRO CPF 09991181881 Valor R$3000,00; MAURA DE OLIVEIRA GIMENES CPF 11927263832 Valor R$5080,00; FRANCISCO ALFREDO MONDADORI MOSTASSO CPF 70754586804 Valor R$7000,00; MARGARETH M DE ARRUDA CPF 10512086885 Valor R$3825,00 e SOLANGE DE FATIMA S N XAVIER CPF 98444956872 Valor R$8460,00 Ou seja, a fiscalização fundamentou a glosa das despesas na insuficiência probatória da efetividade das despesas. Anteriormente ao auto de infração, consta a juntada de: a) cópia dos recibos; b) declaração de psicóloga referindo que a recorrente necessitou duas sessões de psicoterapia por semana no período de janeiro a dezembro de 2003, e que o tratamento sempre foi pago em espécie. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 2 Impugnação Indignada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls.112) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a legislação consagra a possibilidade da dedução dos gastos com saúde, sujeitos à comprovação; b) a recorrente apresentou os 28 recibos dotados dos requisitos necessários (nome, endereço, CPF do profissional, além de declaração do profissional), os quais não foram aceitos; c) o valor das deduções não é exagerado, diante dos rendimentos auferidos pela contribuinte; d) os pagamentos realizados pela contribuinte podem ser comprovados cruzando as informações. 3 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 8ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 4953) que, por unanimidade, manteve o crédito tributário constituído no Auto de Infração. Os fundamentos foram os seguintes: em alguns a) em alguns recibos apresentados faltaram requisitos legais: b) não foi comprovada a efetividade da prestação do serviço médico e do pagamento, pois, de acordo com a legislação tributária, os recibos não possuem valor probante absoluto; c) as despesas médicas abatidas pela recorrente são de elevado valor. 5 Recurso Voluntário Notificada da decisão em 16/12/09, a recorrente, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário, em 13/01/10, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13876.001382/200716 Acórdão n.º 2202001.715 S2C2T2 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso atende a todos os requisitos legais do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece conhecimento. A recorrente elencou, em sua Declaração de Ajuste Anual, como despesas dedutíveis, um total de R$ 35.902,75, a título de despesas médicas que, em sua maioria, decorreram de consultas de psicoterapia para tratamento de quadro de depressão. Ao ser intimada para comprovar as despesas, a recorrente apresentou 28 recibos emitidos por profissionais médicos, os quais não foram aceitos sob a justificativa de não apresentarem os requisitos normativamente exigidos. De todas as despesas declaradas, apenas o valor de R$ 2.412,75 foi considerado devidamente comprovado (fl. 14). O deslinde do feito passa pela análise dos requisitos legalmente elencados pela Lei 9.250/95 como requisitos à dedutibilidade das despesas lançadas pela recorrente em sua DIRPF: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. A comprovação do pagamento realizado pelo contribuinte pode ocorrer de diversas formas, desde a apresentação de recibos até a indicação de transferências bancárias na conta corrente. O contribuinte deve estar munido de comprovantes e documentos através dos quais seja possível identificar todos os requisitos elencados na lei, a saber: o efetivo pagamento, o aproveitamento do tratamento por si ou por seus dependentes, o nome do prestador do serviço, seu CPF ou CNPJ da empresa onde trabalha, bem como a natureza do serviço prestado (se essa não pode ser subentendida, obviamente). A dedutibilidade da despesa médica está atrelada à comprovação documental dos seguintes requisitos: a) nome do profissional que prestou o serviço (requisito legal cuja finalidade é identificar o recebedor da quantia pelo contribuinte); b) CPF do profissional ou CNPJ da clínica emitente (requisito legal cuja finalidade é facilitar o cruzamento de informações); c) endereço do profissional (requisito legal, com a finalidade de permitir a intimação do emitente do recibo para prestar informações acerca dos serviços prestados); d) valor do serviço (requisito legal cuja finalidade é a definição do montante dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda); e) identificação do pagador e do beneficiário do serviço médico (requisito lógico cuja finalidade é identificar tanto o pagador pessoa que terá direito à dedução como o beneficiário). É preciso ressaltar que a lei não exige que as informações acima referidas estejam consolidadas no comprovante de pagamento, sendo que algumas delas, como o endereço do médico, podem ser supridas por declarações adicionais. Após listar e conferir os documentos apresentados, verificouse que, realmente, boa parte das despesas está desacompanhada de documentos que atendem aos requisitos legais há pouco referidos. Abaixo segue a relação de recibos analisados, com o fundamento do motivo pelo qual os mesmos não foram aceitos. A identificação do recibo se dá pela folha da cópia no processo seguido da posição dele nesta folha (Ex.: 24.1 é o primeiro recibo da folha 24 do processo): Identificação do recibo Nome do profissional CPF ou CNPJ Endereço do Profissional Valor Identificação do Pagador Natureza do Serviço Deve ser aceito? 19 Lauro Martins Junior 029.149.99897 Rua da Penha, 426, Conjunto 12, Sorocaba R$ 100,00 Jane Marisa Landell de Almeida Consulta médica (cardiologista) Sim 20.1 Margareth Maria de Arruda 105.120.86885 Não consta R$ 300,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Não 20.2 Margareth Maria de Arruda 105.120.86885 Não consta R$ 300,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Não Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13876.001382/200716 Acórdão n.º 2202001.715 S2C2T2 Fl. 84 7 21.1 Julia Mara Orfali 044.291.87800 R. João da Fonseca Silva, 324 R$ 3.000,00 Jane Marisa Landell de Almeida 60 sessões de terapia ocupacional Sim 21.2 Julia Mara Orfali 044.291.87800 R. João da Fonseca Silva, 324 R$ 3.000,00 Jane Marisa Landell de Almeida 60 sessões de terapia ocupacional Sim 21.3 Maura de Oliveira Gimenes 119.272.63832 Não consta R$ 5.080,00 Jane Marisa Landell de Almeida Fisioterapia Não 22.1 Cristina Montenegro Não consta Não consta R$ 3.000,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Não 22.2 Julia Mara Orfali 044.291.87800 R. João da Fonseca Silva, 324 R$ 1.000,00 Jane Marisa Landell de Almeida Terapia Ocupacional Sim 22.3 Julia Mara Orfali 044.291.87800 R. João da Fonseca Silva, 324 R$ 500,00 Jane Marisa Landell de Almeida Terapia Ocupacional Sim 23 Francisco Alfredo Mondadori Mostasso 707.545.86804 R Lafaiete, 1790, Ribeirão Preto R$ 7.000,00 Jane Marisa Landell de Almeida Tratamento ortodôntico de si e seus netos Sim 24.1 Solange Sonsin Xavier Silveira 984.449.68772 Av. 9 de Julho, 709, Sala 42, Salto. R$ 1.180,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Sim 24.2 Solange Sonsin Xavier Silveira 984.449.68772 Av. 9 de Julho, 709, Sala 42, Salto. R$ 720,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Sim 24.3 Solange Sonsin Xavier Silveira 984.449.56872 Av. 9 de Julho, 709, Sala 42, Salto. R$ 720,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Sim 25.1 Solange Sonsin Xavier Silveira 984.449.68772 Av. 9 de Julho, 709, Sala 42, Salto. R$ 960,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Sim 25.2 Solange Sonsin Xavier Silveira 984.449.68772 Av. 9 de Julho, 709, Sala 42, Salto. R$ 720,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Sim 25.3 Solange Sonsin Xavier Silveira 984.449.68772 Av. 9 de Julho, 709, Sala 42, Salto. R$ 960,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Sim 26.1 Solange Sonsin Xavier Silveira 984.449.68772 Av. 9 de Julho, 709, Sala 42, Salto. R$ 720,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Sim 26.2 Solange Sonsin Xavier Silveira 984.449.68772 Av. 9 de Julho, 709, Sala 42, Salto. R$ 960,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Sim 26.3 Solange Sonsin Xavier Silveira 984.449.68772 Av. 9 de Julho, 709, Sala 42, Salto. R$ 960,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Sim 27.1 Margareth Maria de Arruda 105.120.86885 Não consta R$ 375,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Não 27.2 Margareth Maria de Arruda 105.120.86885 Não consta R$ 300,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Não 27.3 Margareth Maria de Arruda 105.120.86885 Não consta R$ 300,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Não 28.1 Margareth Maria de Arruda 105.120.86885 Não consta R$ 900,00 Jane Marisa Landell de Almeida Orientação familiar Não 28.2 Margareth Maria de Arruda 105.120.86885 Não consta R$ 375,00 Jane Marisa Landell de Almeida Psicoterapia Não Total aceito R$ 22.500,00 Destaquese que os recibos da Drª Solange Sonsin Xavier da Silveira estão desacompanhados do endereço em seu corpo, e alguns não possuem seu CPF, informações supridas por declaração de próprio punho firmada pela profissional (fl. 18) e em outros recibos emitidos por ela. Há de ser referido, ainda, que a prescrição contida no art.73, §1º, do Decreto nº 3.000/99 não pode ser confundida com presunção absoluta, mas deve se adequar à natureza do ato administrativo de lançamento, tal qual prevista no art. 142, do CTN (ato administrativo vinculado). Dessa forma, verificada a existência de deduções exageradas, a fiscalização deve intimar o contribuinte para que ele apresente os documentos legalmente exigidos (forma e conteúdo). Caso não sejam apresentados documentos, ou os documentos apresentados desatendam as exigências legais, a glosa deverá ser efetivada. Nesse contexto, é preciso esclarecer que a existência de recibo firmado pelo profissional da saúde constitui presunção Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 relativa da ocorrência do pagamento por ele retratado, sobretudo quando o pagamento ocorre em espécie. Essa presunção poderá ser desfeita através de ato fundamentado, que comprovadamente infirme o pagamento comprovado através de recibos. A autoridade lançadora já havia reconhecido direito à dedução de R$ 2.417,75. Tendo em vista que dentre os recibos aceitos por este Relator nenhum corresponde a este valor, o mesmo deverá ser adicionado ao valor das glosas ora retificadas, nos termos da tabela acima elaborada. Verificase, assim, que, além dos R$ 2.417,75 já reconhecidos, são também dedutíveis as despesas médicas no valor R$ 22.500.00, totalizando o valor dedutível de R$ 24.917,75, devendo ser alterado o cálculo de fl. 14. Sendo assim, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendose a dedutibilidade das despesas médicas da recorrente no valor total de R$ 24.917,75. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901140/2009-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/1996
PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A.
O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 21/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 21/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/1996 PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 11 40 /2 00 9- 27 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 21/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 40): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/1996 COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do cred́ito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologaçãõo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 49/60, após discorrer sobre a inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, dos efeitos do Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nº 437/1998 e da Resolução do Senado Federal nº 49/1995, sustenta que teria direito de repetir o indébito da contribuição ao PIS decorrente da aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Aduz que, em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo para o exercício de tal direito seria de 10 anos, uma vez que o termo inicial prazo quinquenal do art. 150, § 1º, do CTN, teria início apenas após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação tácita do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 22/09/2011 (fls. 48) e o protocolo do recurso, em 20/10/2011 (fls. 49). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10865.901140/200927 Acórdão n.º 3802001.219 S3TE02 Fl. 68 3 O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno1, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF. Tribunal Pleno. RE nº566.621/RS. Rel. Min. ELLEN GRACIE. DJe11/10/2011. g.n.). Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). No caso em exame, é evidente a ocorrência da prescrição, uma vez que o pagamento ocorreu em 14/11/1996 e o PER/Dcomp foi transmitido em 18/12/2006, ou seja, quando já estava prescrito o direito, mesmo aplicandose o prazo anterior de dez anos. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000496/2007-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 49 6/ 20 07 -2 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000496/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.069 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1618.562 11ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento, reconhecendo a decadência conforme o prazo qüinqüenal, estabelecida pelo artigo 173, I, do CTN. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI), DEBCAD n.° 37.040.9914, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, por infração ao artigo 32, inciso IV, e parágrafo 5° da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97, c/c o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 11/19, constatouse que a empresa apresentou as GFIP's (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), das competências de 01/1999 a 07/2004 e 09/2004 a 12/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, pois não foram informados os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais a titulo de: • ABO — Abono Especial pagamentos efetuados aos empregados da Impugnante em decorrência de Dissídio Coletivo a partir do ano de 2000, pago periodicamente, em novembro de cada ano. Não há previsão legal de não incidência de contribuições previdenciárias. • I45 — Indenização por Rescisão 45 anos de idade, pagamentos realizados a empregados da Impugnante a título de indenização e sem que fossem submetidos às Contribuições Previdenciárias e Terceiros. Não há previsão legal de não incidência de contribuições previdenciárias. • PA2 — Participação dos Administradores pós GFIP, Pagamento de Participação da Diretoria (art. 152 da Lei das S/A). Não há previsão legal de não incidência de contribuições previdenciárias. • PLR Participação nos Lucros e Resultados da filial Sorocaba, em desacordo com a Lei 10.101/2000, nos anos 1998 a 2005, acordos dos anos 1997 a 2004, sem a intermediação obrigatória do Sindicato dos Empregados ou indicação de seus representantes nos acordos coletivos, • SG1 — Seguro de Vida em Grupo pago aos empregados. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000496/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.069 S2C4T3 Fl. 4 3 Falta de previsão nas Convenções/Acordos Coletivos a partir de 11/1999 em desacordo com o Decreto n°3265/99. O Relatório da Aplicação da Multa informa que pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social—GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias foi aplicada a multa de R$ 942.932.48, conforme previsão no inciso II do artigo 284 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3048/99 e, no artigo 32, § 5° da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, com gradação prevista no inciso I do art. 292, observada a atualização do valor da multa, nos termos do artigo 373, todos do RPS referido, combinado com a Portaria do Ministério da Previdência Social — MPS/GM n° 142 de 11/04/2007. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · necessidade de aguardar o transito em julgado das NFLDs 37.040.9833 (Processo n° 16095.000499/200768), 37.040.9868 (Processo n° 16095.000501/200707) e 37.040.9892 (Processo n° 16095.000494/200735); · qualquer modificação nas infrações anteriores altera o valor da presente autuação independente do julgamento do mérito desta; · apresentou Recurso Voluntário em todos os lançamentos efetuados; · é totalmente prejudicial o regular processamento do presente processo administrativo sem que as NFLDs, 37.040.9833, 37.040.9868 e 37.040.9892, tenham tido sua decisão administrativa transitada em julgada, já que a presente infração foi supostamente cometida em virtude das demais ; · decadência; · a autuada entende que estes pagamentos não são fatos geradores de contribuições previdenciárias; · se a empresa já está sendo punida pela suposta ausência de recolhimento das contribuições não pode ser punida novamente por não informar tais valores na GFIP; · se deixou de recolher as contribuições previdenciárias por entender indevidas é evidente que não poderia ter informado nas GFIPs; · dessa forma, a empresa não poderia alterar sua GFIP para evitar a presente multa, uma vez que tal retificação seria o reconhecimento de que os valores lançados pela fiscalização estão corretos, fato este que a Recorrente entende não ser a verdade; e Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000496/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.069 S2C4T3 Fl. 5 4 · requer que o presente processo administrativo seja suspenso até o transito em julgado dos processos administrativos decorrentes das NFLDs , uma vez que o resultado destas pode modificar totalmente o valor da presente autuação. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000496/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.069 S2C4T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A recorrente requer que o presente processo administrativo seja suspenso até o transito em julgado dos processos administrativos decorrentes das obrigações principais uma vez que o resultado destas pode modificar totalmente o valor da presente autuação. Concordo com o que está sendo requerido. Entendo necessário baixar o processo em diligência para que a Secretaria da Câmara informe o resultado do julgamento pelo CARF dos seguintes processos: NFLD 37.040.9833 (Processo n° 16095.000499/200768), NFLD 37.040.9868 (Processo n° 16095.000501/200707) e NFLD 37.040.9892 (Processo n° 16095.000494/200735). CONCLUSÃO Voto por converter o julgamento em diligência para vinculação com o resultado do julgamento das obrigações principais. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10872.000393/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Constatado que o auto de infração contém a indicação clara do dispositivo legal infringido, e sendo certo que a infração foi descrita de forma perfeitamente compreensível, descabe a alegação de nulidade.
GLOSA DE DESPESA APROPRIADA SOB A JUSTIFICATIVA DO NÃO CREDITAMENTO DO IPI RELATIVO À AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Correta a glosa de despesa apropriada sob a justificativa do não credita-mento do IPI relativo à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, uma vez verificado que tal despesa não foi paga nem incorrida pelo sujeito passivo.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Constatado que o auto de infração contém a indicação clara do dispositivo legal infringido, e sendo certo que a infração foi descrita de forma perfeitamente compreensível, descabe a alegação de nulidade. GLOSA DE DESPESA APROPRIADA SOB A JUSTIFICATIVA DO NÃO CREDITAMENTO DO IPI RELATIVO À AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Correta a glosa de despesa apropriada sob a justificativa do não creditamento do IPI relativo à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, uma vez verificado que tal despesa não foi paga nem incorrida pelo sujeito passivo. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 03 93 /2 01 0- 26 Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório FRATELLI VITA BEBIDAS S.A. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 14.134.475,37 (fls. 123/127) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 5.088.411,13 (fls. 128/132), ambos acrescidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 30/07/2010. O total da autuação perfaz a importância de R$ 38.536.120,54, conforme demonstrativo de fl. 02. Como relatado na descrição dos fatos contida no auto de infração de IRPJ, a autuação decorreu da glosa de despesas não comprovadas no montante de R$ 56.537.901,53 (fl. 124), relativa ao ano calendário de 2007, com fundamento nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, todos do RIR/99. O procedimento fiscal encontrase descrito em maior detalhe no Termo de Verificação da Infração (fls. 119/122), que se resume a seguir: a empresa apropriou como despesa o valor R$ 56.537.901,53, correspondente a crédito de IPI relativo às aquisições de matériasprimas tributadas a alíquota zero, isentas ou não tributadas, provenientes da Zona Franca de Manaus, utilizadas na fabricação de produtos com saída sujeita à incidência do imposto; na contabilidade da empresa, que foi colocada à disposição do Fisco, foi apurado que a Interessada efetuou, em 31/07/2007, o seguinte lançamento (fl. 43): TIPO CONTA VALOR – R$ DÉBITO 3410 0003 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS 56.537.901,53 CRÉDITO 1222 0026 IPI ALÍQUOTA ZERO A COMPENSAR 56.537.901,53 na mesma data, também foi efetuado o seguinte lançamento: TIPO CONTA VALOR – R$ DÉBITO 1222 0032 PROVISÃO IPI A ALÍQUOTA ZERO 56.537.901,53 CRÉDITO 3125 1026 REVERSÃO PROVISÃO P/CONTINGÊNCIAS IPI 56.537.901,53 pelos lançamentos acima, verificase que houve no Ativo (conta 1222) um lançamento a débito e outro a crédito, logo se anulam; Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 3 também houve um lançamento a débito de despesa (conta 3410) e um lançamento a crédito de receita (conta 3125), logo, no resultado contábil, também se anulam, já que todos têm o mesmo valor; para a apuração do lucro real, o valor da Reversão de Provisão, conta 3125.1026, no valor de R$ 56.537.901,53 foi excluído do lucro liquido conforme demonstrado no LALUR, apresentado pela empresa (fl. 192); em 02/06/2010, a empresa foi intimada a comprovar e a justificar os lançamentos acima mencionados, através do Termo de Intimação n° 0004, item 1 (fls. 49/51); em resposta datada de 17/06/2010 (fl. 52), a empresa informou o seguinte: “Esclarecemos que os lançamentos na conta 3410.0003 – Outras Despesas Operacionais em 2007 de RS 56.357.901, 53 são referentes a reversão da provisão efetuada em função da Ação Declaratória com o objetivo de obter a declaração judicial do direito ao crédito do IPI Alíquota Zero nas aquisições de insumos da Zona Franca de Manaus conforme "Acórdão" anexo. No LALUR Parte A do ano de 1999 fizemos a "Adição" em função da despesa c/Provisão Contingencial do IPI lançada na conta 34.30.021 e no LALUR Parte A do ano de 2007 fizemos a "Exclusão" em função da reversão da provisão citada acima;” em 30/11/2005, a FRATELLI incorporou a Indústria de Bebidas Antártica do Sudeste S/A (IBA SUDESTE), CNPJ 55 962 385/000160, conforme documentos em anexo (fls. 134/152); em 1999, conforme resposta da própria FRATELLI, a IBA SUDESTE apropriou o valor de R$ 56.537.901,53 como despesa, quando da apuração do lucro contábil; sendo tal despesa indedutível, corretamente foi adicionada ao lucro liquido apurado na contabilidade, para efeito de apuração do lucro real daquele ano, conforme cópias do razão das contas (fls. 163/164) e do LALUR de 1999 (fls. 166/190); em 2007, a empresa FRATELLI lança na contabilidade o mesmo valor como Receita de Reversão de Provisão, e corretamente o exclui do lucro liquido quando da apuração do lucro real, tendo em vista que, em 1999, o respectivo valor foi adicionado pela IBA SUDESTE; entretanto, em 31/07/2007, também foi contabilizado, como Outras Des pesas Operacionais, o valor de R$ 56.537.901,53, a título de direito creditório do IPI referente à aquisição de insumos da Zona Franca de Manaus, tributados a alíquota zero, isentos ou não tributados, despesas estas, segundo a empresa, realizadas no período de agosto de 1994 a dezembro de 1999; a empresa também foi intimada – Termo de Intimação n° 0006 (fl. 71) – a informar como foi contabilizado o IPI correspondente ao credito lançado, tanto na época do lançamento inicial, como após a decisão judicial, e a apresentar relação das notas fiscais que geraram o valor apropriado como Outras Despesas Operacionais, no valor de R$ 56.537.901,53, a titulo de crédito do IPI relativo a aquisições de Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 4 insumos da Zona Franca de Manaus, tributados a alíquota zero, isentos ou não tributados; em resposta, a empresa informou o seguinte (fl. 72): “A IBA Sudeste não tomou crédito de IPI Alíquota Zero nas entradas dos insumos, no momento que ajuizou a ação ou pelo acórdão, registrando apenas os fatos em sua contabilidade conforme as peças contábeis entregues anteriormente (Balancetes, Razões e Diários Gerais) Em nossos arquivos encontramos apenas a petição da referida ação, porém sem a relação de NFs.” a despesa em questão, tanto em 1999 como em 2007, não encontra amparo na legislação do IRPJ e da CSLL para a sua dedutibilidade, visto que não foi e nem será paga ou incorrida, e nem sequer existiu, apenas era uma presunção da empresa, que achava ter direito de se creditar de um valor correspondente a crédito de IPI relativo às aquisições de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus tributados a alíquota zero, isentos ou não tributadas, pretensão que lhe foi negada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, conforme acórdão anexo (fls. 240/245); o valor apropriado como "Outras Despesas Operacionais" também não teve sua origem comprovada documentalmente; em decorrência do acima exposto, foi glosada a despesa citada, no valor de R$ 56.537.901,53, importância esta que foi adicionada ao lucro liquido do ano calendário de 2007, tendo como conseqüência a constituição dos devidos créditos tributários de IRPJ e CSLL, através da lavratura dos correspondentes autos de infração. Inconformada com a autuação, da qual teve ciência em 24/08/2010 (fls. 124 e 129), a interessada apresentou, em 23/09/2010, impugnações quanto aos lançamentos de IRPJ (fls. 265/277) e de CSLL (fls. 1002/1017), onde alega, resumidamente, o que segue: I) RELATO DOS FATOS E OBJETO DO LANÇAMENTO em 30/11/2005, a empresa autuada incorporou a sociedade Indústria de Bebidas Antártica do Sudeste S/A, que, no período compreendido entre agosto de 1994 e dezembro de 1999, adquiriu uma série de insumos não tributados, isentos e tributados à alíquota zero; considerando que a possibilidade de aproveitamento do crédito do IPI in cidente na aquisição desses insumos foi objeto de pedido formulado na Ação Declaratória n.° 96.00410186, distribuída à 17ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, projetou o crédito que poderia ser aproveitado e contabilizou o valor alcançado (R$ 56.537.901,53) na conta crédito "IPI alíquota zero a compensar"; em razão dessa contabilização, incluiu esse montante na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do exercício de 1999; quando foi intimada da decisão judicial desfavorável ao seu pleito de aproveitamento do crédito do IPI, reverteu a provisão e lançou o referido valor – Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 5 antes contabilizado como tributo a compensar – na conta débito "outras despesas operacionais"; destaca que o valor de IPI do qual pretendia se creditar nunca pôde ser aproveitado para abatimento do montante do imposto devido nas saídas dos produtos finais; diante da impossibilidade de realizar esse abatimento e da ausência de dúvidas de que suportou o encargo financeiro do tributo incidente na aquisição dos insumos, a sua dedutibilidade do lucro líquido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL encontrase justificada; iniciado o procedimento de fiscalização, os fiscais autuantes desconsi deraram a contabilização efetuada pela empresa, entendendo que tal valor não constituía despesa efetivamente paga ou incorrida, mas sim uma presunção de despesa, a qual, além disso, não teria tido sua origem comprovada documentalmente, em razão da ausência de apresentação das notas fiscais solicitadas ao contribuinte; em razão desse entendimento, foram lançadas as supostas diferenças de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), no valor total de R$ 38.536.120.54. II ) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DA CSLL como se sabe, a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido antes da pro visão para o IRPJ, ajustado pelas adições e exclusões autorizadas pela legislação que regula tal contribuição; ao invés de mencionar os motivos constantes das leis que regulam a CSLL que poderiam amparar a glosa da despesa, os fiscais autuantes lançaram a diferença da contribuição com base tão somente nas disposições de indedutibilidade aplicáveis ao IRPJ; diante da ausência de motivação legal adequada para exigir a diferença de CSLL, devese invocar a nulidade do auto de infração pertinente à referida contribuição III) RAZÕES DE FATO E DE DIREITO III.1) Impossibilidade de creditamento do IPI conforme já referido, os fiscais autuantes mencionaram que a "despesa em questão" não encontraria amparo para sua dedutibilidade, "visto que não foi e nem será paga ou incorrida", sendo apenas "uma presunção da empresa que achava que tinha direito de se creditar do IPI incidente na aquisição de matériasprimas tributadas à alíquota zero, isentas ou não tributadas; para que não reste dúvida de que incorreu em tal despesa, cabe tratar, em primeiro lugar, do que representa a impossibilidade de creditamento desse IPI; em um regime nãocumulativo de imposto, se um bem isento, não tributado ou tributado à alíquota zero é incorporado à produção e não gera direito a crédito, muito embora não tenha havido tributação naquela etapa específica da cadeia, é certo que o valor adicionado ao produto já existente será tributado nas etapas seguintes do ciclo produtivo; Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 6 reconhecer o direito ao crédito do imposto não incidente na entrada do insumo nada mais é do que assegurar o princípio da nãocumulatividade, na medida em que só assim se garantirá que aquele percentual (que se pretendeu excluir) do valor total do bem não será definitivamente tributado nas etapas seguintes da cadeia de industrialização; ao revés, na hipótese do creditamento ser indeferido, o custo da produção acaba por ser majorado, com o pagamento de imposto sobre o que se pretendera excluir da tributação; embora, na hipótese concreta, o creditamento do IPI tenha sido negado à impugnante na ação por esta ajuizada, o fato é que, para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL, é imperativo reconhecerse os efeitos desta impossibilidade de creditamento; a impossibilidade do aproveitamento do crédito, no caso em questão, fez com que o IPI se tornasse um imposto cumulativo, sendo que a tributação das matériasprimas foi diferida para a saída, quando a alíquota incidente acabou por incluir o valor dos insumos em relação aos quais havia sido aplicada a alíquota zero, isenção ou não tributação; embora diferido para a saída e não pago quando da entrada dos insumos, esse IPI não creditado acabou sendo efetivamente suportado pela impugnante e, portanto, deve ser excluído da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme reconhece a doutrina ; sendo inquestionável que a empresa nunca se creditou do referido valor – sempre mantido em conta "a compensar" em seus balanços, razão e livros diários (fls. 341/342) –, impõese o reconhecimento da improcedência do lançamento, que considerou, equivocadamente, que o valor lançado como despesa não foi efetivamente suportado pela impugnante; diferentemente do afirmado pela fiscalização, o que se verifica, no caso, é que não houve uma presunção de despesa, mas sim de receita; a impugnante não tinha a certeza da possibilidade de se creditar do IPI, no entanto, a ocorrência da despesa, no caso, o ônus financeiro desse imposto referente à aquisição dos insumos, foi efetivamente suportado pela empresa. III.2) Ausência de prejuízo para o Fisco – Recolhimento a maior embora as razões acima sejam suficientes para se concluir pela impro cedência do lançamento, cumpre declinar a derradeira e cabal razão pela qual a cobrança em tela não tem como prosperar; a impugnante não estava obrigada a incluir o valor de R$ 56.537.901,53 na conta do ativo "'imposto a recuperar", tendo em vista a Norma de Procedimento de Contabilidade IBRACON (NPC) n° 22, aprovada pela Deliberação CVM n° 489/2005, que dispõe que o reconhecimento de ativos procedentes de demandas judiciais dependem do trânsito em julgado da decisão; isto não obstante, a partir do momento em que contabilizou esse valor na conta do ativo, o mesmo foi adicionado ao lucro líquido, tendo sido indevidamente tributado para fins de IRPJ e de CSLL, naquele ano de 1999 (fls. 352/353); Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 7 a adição de tal montante ao lucro líquido em 1999 foi também reconhecida pela própria Fazenda no termo de verificação de infração, onde está expressamente mencionado que: "Em 1999, conforme resposta da própria Fratelli a IBA Sudeste apropriou o valor de RS 56.537.901,53, como despesa, quando da apuração do lucro contábil, sendo tal despesa indedutível; corretamente foi adicionada ao lucro liquido apurado na contabilidade, para efeito de apuração do lucro real daquele ano". a impugnante, a bem da verdade, possuía uma "presunção de receita", que se concretizaria com o reconhecimento judicial da possibilidade de se creditar do IPI incidente na aquisição dos insumos; com o indeferimento do pedido de creditamento e, portanto, com o afas tamento de qualquer presunção de receita, a impugnante, como lhe permite a legislação dos tributos em causa (que admite a exclusão dos impostos suportados na industrialização dos produtos para o cômputo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL), apenas ajustou, em 2007, a contabilização como ativo e, por conseguinte, lançou o valor de R$ 56.537.901,53 como despesa dedutível (fls. 334/362). considerando que tal valor que se pretendia restituir compôs a base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 1999, ainda que, por hipótese, tal despesa fosse considerada indedutível, não poderia ser glosada, conforme iterativos precedentes do extinto Conselho de Contribuintes; a impugnante ofereceu à tributação valor sobre o qual não possuía dispo nibilidade econômica ou jurídica e, portanto, a teor do disposto nos artigos 153, inciso III, da Constituição Federal, e 43 do Código Tributário Nacional, recolheu tributo indevido; sendo assim, a exclusão de tal montante da tributação em 2007 apenas pretendeu "anular" – e parcialmente, tendo em vista que sequer computou a correção monetária – os efeitos da contabilização feita anteriormente como despesa indedutível, de modo que não encontra nenhum amparo na legislação a tentativa da Fazenda de sujeitar, novamente, tal montante à tributação pelo IRPJ e CSLL; não houve, no caso, qualquer prejuízo para o Fisco, que, muito pelo con trário, foi beneficiado pela ausência do cômputo de juros e correção monetária, quando da reversão da provisão e contabilização do montante como despesa dedutível. de outro lado, o prejuízo para a impugnante será inequívoco se o lança mento ora impugnado for julgado procedente – o que só se admite a título de argumentação –, na medida em que não aproveitará o crédito e tampouco o utilizará para reduzir o IRPJ e a CSLL, além de já ter submetido o montante à tributação desses dois últimos tributos. III. 3) Comprovação documental da origem do crédito o montante de R$ 56.537.901,53 contabilizado em 1999, conforme de monstrado nos balanços, razões e diários gerais em anexo, nunca foi questionado pela Fazenda, que, inclusive, reconhece que o IPI não foi aproveitado pela empresa; o valor em questão é decorrente da discussão declinada na Ação Decla ratória n° 96.00410186, distribuída à 17ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, em que a impugnante pleiteou o reconhecimento da possibilidade de se Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 8 creditar do valor de IPI que seria incidente na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus, adquiridos à alíquota zéro, isentos e não tributados; não se pode ignorar que a própria Fiscalização, no lançamento, reconheceu os pontos centrais da presente impugnação, quais sejam: (i) a origem da despesa (valor de IPI de que a empresa pretendia se creditar em relação às aquisições de matériasprimas tributadas à alíquota zero, isentas e não tributadas); e (ii) o fato de que a impugnante, em 1999, adicionou o valor de R$ 56.537.901,53 à base de cálculo do imposto; se a própria Fazenda – expressamente – entendeu que tal inclusão foi in devida, considerando que a compensação não estava plenamente assegurada, não se tem dúvida de que o ajuste realizado em 2007 não precisaria estar amparado em qualquer nota fiscal, como se pretendeu fazer crer no lançamento; a exclusão do montante de R$ 56.537.901,53 do lucro líquido do ano de 2007 representou apenas – e parcialmente – a "anulação" dos efeitos do pagamento a maior e indevido feito à Fazenda anteriormente, cuja ocorrência foi reconhecida pela própria Fiscalização; a alegação de que a não apresentação das notas fiscais representaria a au sência de comprovação da origem da despesa dedutível é totalmente impertinente, diante da constatação de que a impugnante já havia incluído tal montante na base de cálculo do imposto – fato corroborado pela documentação acostada à presente impugnação – , além de contradizer o que os próprios fiscais autuantes relataram no termo de verificação de infração; para evitar qualquer prejuízo à impugnante e rechaçar todos os supostos fundamentos pelos quais a despesa dedutível foi glosada, juntase à presente impugnação relação das notas fiscais com todas as informações relevantes sobre as aquisições dos insumos no período pertinente: fornecedor, data, insumo, código da operação e o IPI que seria incidente na operação e que compôs o valor com que a impugnante pretendia creditarse (docs. 08 a 11); IV) DO PEDIDO por fim, requer que o presente lançamento seja julgado integralmente im procedente. A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Constatado que o auto de infração contém a indicação clara do dispositivo legal infringido, e sendo certo que a infração foi descrita de forma perfeitamente compreensível, descabe a alegação de nulidade. MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa. CREDITAMENTO DO IPI RELATIVO À AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. PEDIDO DENEGADO NA ESFERA JUDICIAL. Uma vez negado ao contribuinte, na esfera Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 9 judicial, o direito de se creditar do IPI relativo à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados com alíquota zero, descabe apreciar, na instância administrativa, qualquer pedido referente ao mesmo objeto. GLOSA DE DESPESA APROPRIADA SOB A JUSTIFICATIVA DO NÃO CREDITAMENTO DO IPI RELATIVO À AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Correta a glosa de despesa apropriada sob a justificativa do não creditamento do IPI relativo à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, uma vez verificado que tal despesa não foi paga nem incorrida pelo sujeito passivo. DECORRÊNCIA. Ao lançamento decorrente aplicase, em razão da íntima relação de causa e efeito, o que ficou decidido no feito principal. Impugnação improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido e, ao final, requer o provimento nos seguinte termos (verbis): É o relatório. Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência do IRPJ e CSLL sob o fundamento de indevida apropriação como despesa de valor correspondente a crédito de IPI que não foi considerado legítimo em ação judicial julgada em desfavor da recorrente. Passo a apreciar as alegações da recorrente. Argüição de nulidade do auto de infração da CSLL A recorrente reitera o pleito de nulidade do auto de infração da CSLL por ausência dos dispositivos legais infringidos tendo a fiscalização repetido a base legal do IRPJ. Compulsando os autos, verificase que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa central da exclusão, que foi plenamente compreendida pela recorrente e contestada. É pacifico neste Conselho o entendimento que a insuficiência do enquadramento legal é suprida com a correta descrição dos fatos e das irregularidades apuradas. Rejeito então a preliminar. Da Matéria discutida em Juízo Consoante asseverado nos autos a contribuinte postulou na Ação Declaratória n° 96.00410186, distribuída à 17ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, cujo pedido inicial encontrase às fls. 74/107. Por certo, as questões referentes ao crédito de IPI decorrentes de matérias primas tributadas a alíquota zero ou não tributadas, já foram discutidas à exaustão no processo judicial. Aduz a recorrente, outrossim, que o pleito é de outra natureza. Vejamos suas alegações: Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 11 (...) (...) (...) (...) Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 12 Conforme asseverado na decisão recorrida, a tese do pagamento a maior não encontra amparo na DIPJ/2000 entregue pela empresa incorporada, já que não apurou resultado positivo, conforme dados extraídos do documento de fls. 154/161: Ficha 07A Demonstração do Resultado (fl. 126) Linha 53.LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODOBASE ......... – 91.199.341,80 Ficha 10A Demonstração do Lucro Real (fl. 127) Linha 38.LUCRO REAL .................................................... – 43.199.896,50 Restou então cabalmente comprovado que não havia IRPJ ou CSLL a pagar em 1999, pelo que deve ser afastada a tese de ter havido pagamento indevido ou a maior relativos a tais tributos. Quanto as demais alegações da contribuinte, os fundamentos da decisão de 1a. instancia a seguir transcritos não merecem reparos, pelo que peço vênia para transcrever e adotálos com razões de decidir. Verbis: DA CONTABILIZAÇÃO EFETUADA PELO IMPUGNANTE Esclareçase inicialmente que, para fins de apuração do imposto de renda pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, a legislação tributária determina que o lucro líquido do exercício deve ser apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404, de 1976, conforme expressamente previsto no inciso XI do art. 67 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Melhor dizendo, o lucro líquido deve ser apurado de acordo com as normas estabelecidas na legislação comercial. Em consonância com esta disposição, devem ser adotados os procedimentos estatuídos pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM, autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda do Brasil, instituída pela Lei 6.385/1976, que, juntamente com a Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976) disciplinam, entre outras matérias, normas contábeis a fim de as demonstrações financeiras das empresas tenham certo padrão, de modo a assegurar a confiabilidade das informações prestadas pelas companhias que os tenham emitido e ainda de modo a proteger os investidores, os interesses particulares e do Estado. Sob esta ótica, a CVM aprovou a Deliberação nº 489, de 03 de outubro de 2005, e aprovou o Pronunciamento do IBRACON NPC Nº 22 sobre Provisões, Passivos, Contingências Passivas e Contingências Ativas, como inclusive informou o contribuinte. Esta deliberação foi aprovada considerando a importância e a necessidade de que as práticas contábeis brasileiras sejam convergentes com as práticas contábeis internacionais, seja em função do aumento da transparência e da segurança das nossas informações contábeis, seja por possibilitar o acesso, a um custo mais baixo, das empresas nacionais às fontes de financiamentos externas, conforme nela consta. Particularmente quanto às ações judiciais envolvendo aspectos tributários, a Deliberação CVM nº 489, assim recomenda: “4. Tributos Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 13 (a)... (b).... (c) Ao obter decisão final favorável sobre um ganho contingente, a entidade deverá observar o momento adequado para o seu reconhecimento contábil. Não havendo mais possibilidades de recursos da parte contrária, o risco da nãorealização do ganho contingente é considerado "remoto", e, portanto, a entidade deve reconhecer contabilmente o ganho quando a decisão judicial final produzir seus efeitos, o que ocorre, normalmente, após a publicação no Diário Oficial. Isso significa dizer que, a partir desse momento, o ganho deixará de ser contingente e se tornará um direito da entidade. Antes do registro do ganho contingente, porém, e periodicamente após seu registro, a administração da entidade deve avaliar a capacidade de recuperação do ativo, uma vez que a parte contrária pode tornarse incapaz de honrar esse compromisso, ou pode ser que sua utilização futura seja incerta. (d) Existem situações em que uma entidade ainda não obteve a decisão final favorável à recuperação de um tributo ou à extinção da obrigação tributária registrada, mas há jurisprudência favorável para outras entidades em casos idênticos, bem como avaliação dos advogados de que as chances de um desfecho favorável são prováveis. Mesmo nas situações em que há jurisprudência favorável, isso não é suficiente para dar base ao reconhecimento do ganho contingente, uma vez que não está assegurada uma decisão final favorável à entidade, pois muitos outros fatores podem influenciar essa decisão, por exemplo, o ramo de atividade, a formalização do processo etc. A entidade, por outro lado, deve fazer divulgação em nota explicativa acerca do assunto.” (destaquei) Resta claro que, somente quando da decisão judicial final, definitiva, transitada em julgado e publicada, é que o ganho dela decorrente deve ser registrado na contabi lidade. No caso em exame, em nenhum momento a interessada obteve ganho definitivo, mas somente uma sentença de primeira instância, em 31 de maio de 2000, sujeita à confirmação do Tribunal, conforme se lê: “Sentença sujeita ao reexame necessário (artigo 475, inciso II, do CPC). Subam oportunamente.” (...) Destaquese que, em 31/12/1999, a interessada não possuía, nem mesmo a título precário, qualquer sentença que lhe fosse favorável, mas somente um pedido formulado, em 1996, na 17ª Vara Federal do Estado de São Paulo, quando da impetração da Ação Declaratória n° 96.00410186. A bem da verdade, sem menosprezar a perfeita recomendação da CVM, o simples bom senso indicaria a desnecessidade de contabilização de um ganho incerto, como o postulado pela impugnante, mas recomendaria fazer divulgação em nota explicativa acerca do assunto, colocando assim à disposição dos interessados tal informação. Por tais razões, concluo que o lucro líquido apurado pela interessada não atendeu aos ditames da legislação comercial. Nestas condições, deveria ter retificado sua DIPJ/2000, de modo a adequar o lucro líquido e o lucro real ao preconizado pelas normas contábeis pertinentes à matéria. Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 14 Ao assim fazer, o seu prejuízo fiscal seria acrescido no montante de R$ 56.537.901,53. Ocorre que tal retificação já não é mais possível, pois o imposto apurado pela interessada encontrase homologado, por força do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Caso houvesse retificado sua DIPJ/2000, o valor pretendido seria refletido no prejuízo majorado no montante de R$ 56.537.901,53, o qual poderia ter sido compensado, em conformidade com as disposições especialmente do artigo 510 do RIR/1999. Já havendo escoado o prazo para retificação da DIPJ/2000, pretende agora a interessada ver reconhecido o direito de reduzir o lucro líquido de 2007 no montante de R$ 56.537.901,53, a título de despesa, sob o fundamento de que, uma vez que este valor foi oferecido à tributação em 1999, teria o direito de reduzir o lucro líquido, em 2007, no mesmo montante. A rigor, o que a interessada pretende, em suma, é ter o direito de deduzir o valor da pretensa despesa adicionada em 1999 do lucro líquido de 2007, procedimento que não encontra o menor amparo legal por tudo que já foi dito. Em primeiro lugar, porque a pretensa despesa na verdade foi criada fictíciamente, a fim de anular os efeitos, na contabilidade da sucedida, do crédito de IPI de que se julgava credor, nos termos expostos na ação judicial. Em segundo lugar, o direito lhe foi negado em sede do Tribunal, não encontrando amparo na esfera administrativa e tampouco em nossa maior instância, o Supremo Tribunal Federal. Em desfavor da interessada deve ser assinalada, ainda, a inexistência de pagamento indevido ou a maior, e ainda, caso existente, a perda do direito de pleitear resti tuição, nos termos do 168 do CTN. Como já visto, a interessada deveria ter retificado sua declaração para acrescer o seu prejuízo fiscal de R$ 56.537.901,53, mas assim não procedeu e já não é mais possível tal providência, por força do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Por tudo isto, ainda que seja verdadeiro que, em 1999, a contabilidade da sucedida tenha anulado os efeitos fiscais, segundo cálculos demonstrados à fl. 357, não há como se aceitar que, em 2007, a sucessora reduza da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a pretensa despesa no montante de R$ 56.537.901,53. (...) O contribuinte sustenta ainda, com base em diversos julgados, que deve ser excluída do lançamento a parcela correspondente à glosa de despesas indedutíveis, quando esta mesma parcela já tiver sido adicionada anteriormente ao lucro líquido. Portanto, como ofereceu à tributação o valor de R$ 56.537.901,53, para fins de composição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 1999, tal despesa não poderia ser considerada indedutível em 2007. Tal argumento já foi examinado anteriormente, entretanto, a título de esclarecimento deve ser elucidado que as ementas trazidas aos autos tratam de situações em que, no mesmo ano, a despesa indedutível, foi adicionada ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real. Então, por conseqüência, o lançamento de ofício não poderia prosperar. Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10872.000393/201026 Acórdão n.º 1402001.125 S1C4T2 Fl. 0 15 Como já exaustivamente elucidado, não é esta a situação tratada nos autos, onde o contribuinte pretende afastar da tributação, em 2007, um valor oferecido à tributação em 1999, pretensão que se mostrou inteiramente descabida. DA COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA ORIGEM DO CRÉDITO Por fim, o contribuinte alega que seu crédito teria comprovação documental, juntando aos autos “a relação das notas fiscais, onde estão contidas todas as informações relevantes sobre as aquisições dos insumos no período pertinente: fornecedor, data, insumo, código da operação e o IPI que seria incidente na operação e que compôs o valor que a Impugnante pretendia creditarse (docs. 08 a 11).” (negritei) Por óbvio, não há necessidade do exame da documentação acostada, por duas razões: o IPI é aquele que seria incidente na operação, portanto no campo das hipóteses, o que desde já inviabilizaria a dedução; o valor do IPI é aquele que a Impugnante pretendia creditarse, ou seja, também condicional, e, ademais, por tratar de crédito sem amparo legal. (...) Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002268/2005-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/02/2000 a 15/05/2002
DECADÊNCIA PARA LANÇAR.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López, que negava provimento.
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López, que negava provimento. Valmar Fonseca de Menezes Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 22 68 /2 00 5- 82 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido. O Recurso Voluntário se insurgiu contra os termos do Acórdão n° 0521.288, de 25 de fevereiro de 2008, proferido pela 3' Turma da DRJ em Campinas/SP, que manteve integralmente o lançamento consubstanciado pelo Auto de Infração cientificado ao sujeito passivo em 05/12/2005, relativo à CPMF dos períodos de apuração de 03 de maio de 2000 a 15 de maio de 2002, cujo crédito tributário, nele incluídos o principal, juros de mora e multa de oficio de 75%, montou a R$ 611.551,68. Para a Recorrente, em resumo, a responsabilidade pelo recolhimento da CPMF é da instituição financeira e não sua, haja vista que em nenhum momento. se manifestou de forma contrária à retenção e ao recolhimento da exação por parte da instituição financeira, após a revogação da medida judicial que suspendera a obrigatoriedade da referida retenção; ou seja, presumiu que os recolhimentos estavam sendo efetuados pela instituição financeira. Além disso, argumenta, mesmo que o desejasse, não teria condições materiais de efetuar o recolhimento da contribuição em face da sistemática de sua apuração. Também se insurgiu a Recorrente contra a aplicação da multa de oficio e dos juros de mora, sob o argumento de que não concorreu para o atraso no pagamento da contribuição, e tampouco se opôs à retenção pela instituição financeira dos valores não recolhidos por força de decisão judicial, posteriormente revogada. Em seu favor, colaciona decisões judiciais. Suscita ainda a Recorrente a ocorrência da decadência dos lançamentos relativos aos períodos de apuração anteriores a janeiro de 2001, em face da inconstitucionalidade do disposto no artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, declarada pelo STJ, de sorte que o prazo para o Fisco constituir seus créditos tributários deve ser aquele fixado pela regra contida no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Decidindo o feito, o Colegiado recorrido negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/05/2000 a 04/12/2000 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.002268/200582 Acórdão n.º 9303002.135 CSRFT3 Fl. 238 3 AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação é a do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 05/12/2000 a 15/05/2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO EM FACE DE ERRO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE. O § 3° do artigo 5° da Lei n° 9.311, de 1996, é claro ao definir a responsabilidade supletiva do contribuinte da CPMF quando a mesma não tiver sido retida nem recolhida pela instituição financeira. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial onde requer a reforma do acórdão recorrido no sentido que seja afasta a decadência, posto que não teria havido antecipação de pagamento, e, com isso, o termo inicial seria o previsto no inciso I do art. 173 do CTN. Por meio do despacho de fl. 182, o especial fazendário foi admitido. Não houve apresentação de Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo, e, na parte admitida pelo Presidente da câmara recorrida, atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da decadência. Em seu especial a Fazenda Nacional defende a aplicação do art. 173, I, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 do CTN, ao caso sob exame, visto que não teria havido antecipação de pagamento do tributo devido. Analisando os autos, verificase que não houve qualquer antecipação de pagamento da CPMF, vez que havia decisão judicial amparando a instituição financeira para que não se submetesse à retenção e ao recolhimento da contribuição, posteriormente, essa medida foi revogada, restabelecendose o status quo anterior. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. No caso dos autos, não houve antecipação do pagamento da contribuição, fato que desloca o termo inicial da decadência da data do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, in casu, 1º de janeiro de 2001, exaurindose o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário em 31 de dezembro de 2005, posto que, em 1º de janeiro de 2006 darseia a decadência. Como a ciência do lançamento foi dada ao sujeito passivo em 8 de dezembro de 2005, não se há falar em decadência. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional para afastar a decadência declarada pelo Colegiado recorrido. Henrique Pinheiro Torres Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13864.000001/2008-00
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
RELATÓRIO
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. RELATÓRIO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração (fls. 344 a 354, vol. II), referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004 a 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$407.486,44, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origens não comprovadas. O contribuinte apresentou a impugnação (fls. 374 a 379, vol. II), acatada como tempestiva e que veio a ser julgada pela 6ª Turma DRJ São Paulo II/SP, a qual, conforme Acórdão de fls. 394 a 405 (vol. II), julgou procedente o lançamento. O contribuinte veio a óbito em 23/04/2008 (certidão às fls. 415, vol. II) e a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 07/08/2008 (fls. 408, vol. II). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .0 00 00 1/ 20 08 -0 0 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000001/200800 Resolução nº 2801000.176 S2TE01 Fl. 521 2 Em 27/08/2008, foi apresentado o Recurso de fls. 409 a 414 (vol. II), instruído com os documentos de fls. 415 (vol. II) a 432 (vol. III), assinado por um dos filhos do contribuinte, a saber, Paulo André Pedrosa, OAB/SP 127.984. Conforme Resolução nº 2801000.061 (fls. 506/507), o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que fosse providenciada a juntada do instrumento hábil de representação, comprovando que o signatário do Recurso Voluntário detinha poderes para representar o espólio, seja a designação de Paulo André Pedrosa como inventariante ou mesmo o instrumento de procuração assinado pelo inventariante designado. Em decorrência do procedimento de diligência, foram juntados aos autos os documentos de fls. 511/518. O presente processo foi distribuído a esta Conselheira, nos termos do art. 50, § 3°, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU de 26/06/2009). É o relatório. VOTO Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Conforme relatado, o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que fosse providenciada a juntada do instrumento hábil de representação, comprovando que o signatário do Recurso Voluntário detinha poderes para representar o espólio, seja a designação de Paulo André Pedrosa como inventariante ou mesmo o instrumento de procuração assinado pelo inventariante designado. Entretanto, verificase que a diligência não foi cumprida nos termos propostos, haja vista, à fl. 511, que se intimou Pedro André Barbosa a apresentar apenas documento de identificação. Diante disso, é necessário converte, novamente, o julgamento em diligência para que seja providenciada a juntada do documento que comprove que Paulo André Pedrosa signatário do Recurso Voluntário detinha poderes para representar o espólio, seja a designação de Paulo André Pedrosa como inventariante ou mesmo o instrumento de procuração assinado pelo inventariante designado. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 521DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10314.002919/2007-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 23/05/2007
EXTRAVIO DE MERCADORIA SOB CUSTÓDIA DO DEPOSITÁRIO. ROUBO. O roubo, não atendidas cumulativamente as condições de ausência de imputabilidade, inevitabilidade e irresistibilidade, não constitui excludente de responsabilidade fundado nos eventos de caso fortuito ou de força maior, remanescendo o depositário como responsável tributário em face do extravio. FATO GERADOR. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO. O fato gerador, para efeito de cálculo do imposto de importação, nos casos de extravio, é a data do lançamento de tal tributo. O mesmo ocorre com o IPI, a contribuição para oPIS(Pasep-importação e a COFINS-importação. EXTRAVIO. MULTA POR FALTA DE PAGAMENTO. Não se aplica no caso de extravio a multa prevista no art. 44 da Lei n. 9.430(96, por falta de enquadramento no tipo legal, pois o fato gerador ocorre na data do lançamento. EXTRAVIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. Na impossibilidade de localização de mercadoria à qual tenha sido aplicada a pena de perdimento, e esteja sob custódia de depositário, este responde pela multa substitutiva prevista no 3° do Decreto-lei n. 1.455/76.
Numero da decisão: 3403-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa do art. 44 da Lei n. 9.430/96. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ROUBO. O roubo, não atendidas cumulativamente as condições de ausência de imputabilidade, inevitabilidade e irresistibilidade, não constitui excludente de responsabilidade fundado nos eventos de caso fortuito ou de força maior, remanescendo o depositário como responsável tributário em face do extravio. FATO GERADOR. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO. O fato gerador, para efeito de cálculo do imposto de importação, nos casos de extravio, é a data do lançamento de tal tributo. O mesmo ocorre com o IPI, a contribuição para oPIS/Pasepimportação e a COFINSimportação. EXTRAVIO. MULTA POR FALTA DE PAGAMENTO. Não se aplica no caso de extravio a multa prevista no art. 44 da Lei n. 9.430/96, por falta de enquadramento no tipo legal, pois o fato gerador ocorre na data do lançamento. EXTRAVIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. Na impossibilidade de localização de mercadoria à qual tenha sido aplicada a pena de perdimento, e esteja sob custódia de depositário, este responde pela multa substitutiva prevista no 3° do Decretolei n. 1.455/76. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa do art. 44 da Lei n. 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 29 19 /2 00 7- 32 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa a autuação a que se refere o presente processo sobre exigência do imposto de importação (fls. 1 a 12), do imposto sobre produtos industrializados (fls. 14 a 23), da contribuição para o PIS/Pasepimportação e da COFINSimportação (fls. 24 a 32), e sobre “conversão” de perdimento em multa pela impossibilidade de apreensão da mercadoria (fls. 6 e 13). No Auto de Infração, lavrado em 23/5/2007, narrase basicamente que: (a) a exigência dos tributos se deve ao desvio de parte da mercadoria estrangeira apreendida pela RFB, objeto de outra autuação, e que estava sob a guarda do depositário; (b) a outra atuação foi efetuada em desfavor da empresa NEW POWER Importação e Exportação LTDA (cópias de documentos nas fls. 40 a 152), em 10/8/2001, por não correponderem as mercadorias às informadas na declaração de importação (v.g., notebooks, telefones celulares, ... ao invés de cartuchos de tinta, mouses, ...), e foi julgada procedente (fls. 135 a 142), tendo sido apreendidas as mercadorias irregulares; e (c) a “conversão” em multa da pena de perdimento aplicada decorre dos arts. 593 e 618, § 1o do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543, de 27 de dezembro de 2002), por não ter sido localizada a mercadoria. Cientificado em 28/5/2007 (fls. 1), o depositário, sujeito passivo da presente autuação, apresentou impugnação tempestiva em 26/6/2007 (fls. 471 a 474), alegando, em suma, que: (a) a impugnante opera exclusivamente como recinto alfandegado de uso público que tem como objetivo receber e armazenar mercadorias procedentes do Fl. 670DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.002919/200732 Acórdão n.º 3403001.722 S3C4T3 Fl. 670 3 exterior ou para ele destinadas, sempre sob controle aduaneiro; (b) o extravio de mercadoria decorreu de roubo ocorrido no armazém da impugnante, em 17/11/2001, conforme consta em Boletim de Ocorrência (fls. 489 a 491); (c) não pode a impugnante arcar com pesado ônus tributário por fato que não decorreu da sua atuação; e (d) o que ocorreu não foi extravio, mas um roubo de mercadoria, fato alheio à vontade da impugnante. A impugnação foi apreciada em 26/1/2012, pela DRJ/São Paulo II (fls. 636 a 640), que concluiu, em síntese, pela procedência da autuação, visto que o roubo (pelo não atendimento cumulativo às condições de ausência de imputabilidade, inevitabilidade e irresistibilidade) não constitui excludente de responsabilidade fundado nos eventos de caso fortuito ou de força maior, remanescendo o depositário como responsável tributário em face do extravio. Cientificada da decisão de primeira instância (AR às fls. 650, datado de 8/2/2012), a autuada apresenta RECURSO VOLUNTÁRIO tempestivo em 7/3/2012 (fls. 651 a 655), reiterando a argumentação exposta na impugnação, e afirmando que: (a) o registro da ocorrência em delegacia policial é suficiente para fazer prova do alegado roubo (cf. art. 157 do Código Penal); (b) o roubo, conforme larga jurisprudência (que não indica) e o art. 1.058 do Código Civil está previsto nos casos de força maior; (c) a responsabilidade tributária tem que estar prevista em lei e, no caso, não pode ser atribuída à recorrente, que prestou as informações que tinha o dever de prestar mediante Boletim de Ocorrência; (d) exigir tributo da recorrente consiste em violação aos princípios da segurança jurídica e da tipicidade fechada; e (e) a mercadoria objeto da lide já era objeto de apreensão, tendo sido transferida a propriedade ao Ministro da Fazenda, que a destinaria sem que houvesse cobrança dos impostos incidentes na importação. É o relatório. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Para o deslinde das questões apresentadas, fazse necessário o tratamento de alguns temas aduaneiros, tributários e relacionados às atividades de armazenamento de cargas estrangeiras. Da terminologia aduaneira e do crédito tributário decorrente de extravio Na terminologia legal aduaneira, extravio historicamente corresponde a “toda e qualquer falta de mercadoria” (DecretoLei no 37/1966, art. 60, II, em sua redação original). Assim, descabe, já a priori, para qualificação como “extravio”, fazer qualquer distinção entre mercadoria faltante por roubo, por furto, por erro de expedição, por perda no percurso da viagem, etc. O tratamento aplicado pela lei é único, e todos os casos mencionados estão abarcados pela expressão “extravio”. 1 A relevância tributária do extravio manifestase nas diversas exações incidentes na importação: (a) no imposto de importação, o § 2o do art. 1o do Decreto Lei no 37/1966, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472/1988, dispõe que “para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira”; (b) no IPI, o § 3o do art. 2o da Lei no 4.502/1964, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003, dispõe que “considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal”; e (c) na contribuição para o PIS/Pasepimportação e na COFINSimportação, o § 1o do art. 3o da Lei no 10.865/2004 estabelece que “consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela autoridade aduaneira”. 1 Na nova redação dada ao art. 60, II do DecretoLei no 37/1966, pela Lei no 12.350/2012, abriuse uma primeira exceção, passando a definirse extravio como “toda e qualquer falta de mercadoria, ressalvados os casos de erro inequívoco ou comprovado de expedição”. Agora, o legislador passa a não mais considerar como extravio a mercadoria que tenha, v.g., por erro de expedição, sido destinada a outro ponto do globo, o que está em perfeita consonância com outras alterações feitas pela mesma Lei no 12.350/2012, buscando objetivar a responsabilidade tributária nos casos de extravio, eliminando o procedimento anteriormente denominado de vistoria aduaneira. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.002919/200732 Acórdão n.º 3403001.722 S3C4T3 Fl. 671 5 No caso em análise, inegável a configuração da ocorrência de extravio e a irradiação, em tese, dos efeitos da regramatriz de incidência tributária, nas espécies indicadas. Adicionese, para dirimir eventuais conflitos temporais, que o DecretoLei no 37/1966, em seu art. 23, parágrafo único, dispõe, em sua redação original, que, para efeito de cálculo, no caso de extravio, “a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento”. O Regulamento Aduaneiro vigente à época da lavratura da autuação (Decreto no 4.543/2002 art. 73, II, “c”), disciplinando a matéria, em conformidade com o disposto no § 3o do art. 2o da Lei no 4.502/1964 (com a redação dada pela Lei no 10.833/2003), e no art. 4o, II da Lei no 10.865/2004, objetiva como data da apuração final a data do lançamento tributário. 2 Assim, e considerandose que a apuração final do extravio não ocorreu quando do registro do Boletim de Ocorrência (fls. 157 a 159), e das verificações iniciais (fls. 170 a 179), mas ao longo das destinações de mercadorias apreendidas nos anos subsequentes (fls. 198 a 398), materializandose definitivamente na vistoria aduaneira efetuada em 2007, que originou a autuação, temse por ocorrida a incidência tributária em relação à mercadoria extraviada, no caso em apreço. Da responsabilidade tributária pelo extravio Identificados os tributos devidos, resta verificar se o depositário é efetivamente sujeito passivo da relação tributária indicada. A responsabilidade tributária decorre sempre de lei. No caso, em relação ao imposto de importação, dispõe o art. 32 do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472/1988: “Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro.”(g.n.) O mesmo DecretoLei no 37/1966, no parágrafo único de seu art. 60, dispunha (antes da alteração promovida pela Lei no 12.350/2010) 3: “Art. 60. ... Parágrafo único. O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor 2 Atualmente, a redação do § 1o do art 23 do DecretoLei no 37/1966, dada pela Lei no 12.350/2010, endossa o entendimento, estabelecendo cristalinamente que “a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira efetuar o correspondente lançamento de ofício”. 3 Atualmente, a redação do dispositivo objetiva o procedimento de responsabilização por extravio, dispensando o procedimento anteriormente denominado de vistoria aduaneira, e determinando diretamente o lançamento de ofício dos tributos e direitos correspondentes contra o transportador (se o extravio ocorrer até a conclusão da descarga da mercadoria no local ou recinto alfandegado) ou contra o depositário (quando o extravio for constatado em momento posterior). Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 6 dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos.” (g.n.) O Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto no 4.543/2002), no Livro V (Do controle aduaneiro de mercadorias), Título II (Das normas especiais), Capítulo III (Da avaria, do extravio e do acréscimo), apresenta Seção (IV) intitulada “da responsabilidade pelo extravio, avaria ou acréscimo”. Em tal Seção, são estabelecidas regras para identificar, entre as duas figuras tratadas na lei (transportador e depositário), qual responde tributariamente pelas mercadorias em cada situação. Nos arts. 593 a 595, dispõe o regulamento: “Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Art. 594. As entidades da Administração Pública indireta e as empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público, quando depositários ou transportadores, respondem por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1º Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2º As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria.” (g.n.) Identificase, assim, na lei, a configuração do depositário como responsável tributário pelas mercadorias que armazena. Endossam tal configuração, em relação ao IPI, a Lei no 4.502/1964, art. 62, e, em relação à contribuição para o PIS/Pasepimportação e à COFINSimportação, a Lei no 10.865/2004 (art. 6o, IV). O decreto regulamentar, por seu turno, apresenta duas situações excludentes de responsabilidade caso fortuito e força maior , atribuindo à autoridade aduaneira a verificação dos elementos apresentados pelo indicado como responsável para demonstração de sua ocorrência. No caso, o autuado, indicado como responsável, apresentou Boletim de Ocorrência relativo ao roubo das mercadorias que estavam sob sua custódia para afastar a responsabilidade. O órgão julgador de primeira instância entendeu que a simples apresentação do Boletim de Ocorrência não configuraria o crime, citando precedente deste CARF (Acórdão no 30131228). Sobre o tema, embora tratando de furto, já manifestouse nossa Suprema Corte: “HABEAS CORPUS. DEPOSITÁRIO INFIEL. FURTO DO BEM DEPOSITADO. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. O boletim Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.002919/200732 Acórdão n.º 3403001.722 S3C4T3 Fl. 672 7 policial não é documento hábil à comprovação da efetiva ocorrência do fato nele narrado. A precariedade probatória desse instrumento, desacompanhado de qualquer outro elemento de convicção, impede o reconhecimento, em habeas corpus, do caso fortuito, capaz de afastar a responsabilidade do paciente. A discussão em torno da desídia é matéria de fato. O novo bem oferecido como garantia do juízo não foi aceito pelo exeqüente, o que, salvo prova robusta em contrário, tem respaldo legal. Habeas corpus indeferido.” 4 Em que pese a discussão sobre a validade ou não do Boletim de Ocorrência para comprovação do roubo (que sequer é tratada no art. 157 do Código Penal, como alegado no Recurso Voluntário), entendese como secundária a questão na análise do presente caso, pois, ainda que comprovado o roubo, não se pode classificálo na categoria de “caso fortuito” ou de “força maior”. No Recurso Voluntário, alegase que o roubo, conforme larga jurisprudência (não é indicada sequer uma jurisprudência), e o art. 1.058 do Código Civil (a referência é ao código de 1916), está previsto nos casos de “força maior”. É necessário destacar que a disciplina dada à matéria (Novo Código Civil, art. 642) é no sentido de que “o depositário não responde pelos casos de força maior, mas, para que valha a escusa, terá de proválos”. Ainda que provado o roubo, não se cumulam no caso os atributos para caracterização da “força maior”: inimputabilidade, inevitabilidade e irresistibilidade. Como destacado no Voto (vencedor) da Conselheira Irene Souza da Trindade Torres (Acórdão no 320200120): “Força maior é um acontecimento imprevisível ligado a fatos externos, independentes da vontade humana, que impedem o cumprimento das obrigações. Não se pode assumir que o depositário não poderia prever que a mercadoria pela qual era responsável poderia ser roubada. O roubo é risco inerente à sua atividade, em razão dos valores que transitam por suas dependências e da natureza de seus negócios. [...] Um raio que tivesse caído em seu depósito, uma enchente que houvesse devastado o local, esses sim seriam fatos imprevisíveis e inevitáveis [...]. Já o roubo, não. È ato humano, conhecido historicamente [...]” Aliás, robusta é a jurisprudência recente deste tribunal administrativo sobre o tema: “Constatada a responsabilidade do depositário, em procedimento de vistoria aduaneira, deve ele arcar com o recolhimento de multa e dos impostos devidos na importação de mercadorias extraviadas, que se encontravam sob sua custódia, 4 STF. Habeas Corpus no 83.617/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Nelson Jobim, unânime, DJ de 25.jun.2004. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 8 não caracterizando o roubo, pelas suas características no caso concreto apresentado, caso fortuito ou força maior.” 5 “Roubo ou furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade tributária, conforme Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 12/04.”6 “O roubo, juridicamente, não se enquadra no conceito de caso fortuito ou força maior, que são as únicas hipóteses de exclusão da responsabilidade previstas na legislação aduaneira (ADI SRF no 12/2004).” 7 Ou, como endossa o Ato Declaratório Interpretativo SRF no 12, de 31 de março de 2004: “O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, nos termos do art. 595 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento Aduaneiro, com as alterações do Decreto nº 4.765, de 24 de junho de 2003, tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade.” Inequívoca, assim, a responsabilidade tributária do depositário no caso em análise. Inexistente, por correspondência, a violação aos princípios da segurança jurídica e da tipicidade fechada. O atendimento expresso aos ditames da lei, e a constância e a previsibilidade na aplicação dos critérios jurídicos, na forma aqui exposta, revelam tão somente a consonância com tais princípios. Das multas aplicáveis no caso de extravio Ao tratarse de extravio de mercadoria em depósito, irrompe a possibilidade de aplicação de duas multas: a prevista no art. 106, II, “d” do DecretoLei no 37/19668, e a prevista no art. 107, VII, “a” do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/20039. São relevantes os precedentes deste CARF no cabimento da aplicação dessas penalidades ao depositário, em caso de extravio de mercadoria sob sua custódia10. 5 CARF, Acórdão 3202000.310, 2a Camara, 3a Seção, Rel. Cons. Mara Cristina Sifuentes, maioria, Sessão de 2.jun.2011. 6 CARF, Acórdão 310200270, 2a Turma, 1a Câmara, 3a Seção, Rel. Cons. Beatriz Veríssimo de Sena, maioria, Sessão de 21.mai.2009. 7 CARF, Acórdão 30134725, 1a Câmara, 3o Conselho de Contribuintes, Rel. Cons. José Luiz Novo Rossari, unânime, Sessão de 10.set.2008. 8 “Art.106. Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: ... II de 50% (cinqüenta por cento): ... d) pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira; ...” 9 “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: ... VII de R$ 1.000,00 (mil reais): a) por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado; ...” 10 Vejase, v.g., o Acórdão 30133801 (1a Câmara, 3a Seção, sessão de 24.abr.2007), relatado pela Cons. Susy Gomes Hoffmann, e resultante de votação unânime, no qual, em caso de extravio, pelo depositário, de mercadoria Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.002919/200732 Acórdão n.º 3403001.722 S3C4T3 Fl. 673 9 Contudo, no presente caso, a penalidade aplicada foi a prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, relacionada à falta de pagamento ou recolhimento de tributos nos casos de lançamento de ofício. Tal multa, além de espelhar enquadramento geral para conduta com tipo infracional especificamente definido, não se amolda à situação apresentada nestes autos. Como exposto, o fato gerador, para efeito de cálculo do imposto de importação, nos casos de extravio, é a data do lançamento de tal tributo (DecretoLei no 37/1966, art. 23, c/c Decreto no 4.543/2002, art. 73, II, “c”). No caso do IPI, o § 3o do art. 2o da Lei no 4.502/1964, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003, dispõe que se considera ocorrido o desembaraço aduaneiro (fato gerador do tributo) no caso de extravio. Em relação à contribuição para o PIS/Pasepimportação e à COFINSimportação, o art. 4o, II da Lei no 10.865/2004 estabelece a data do lançamento como fato gerador dos tributos. Assim, ao se lançar o tributo exatamente na data de ocorrência de seu fato gerador, entendese incompatível a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. No mesmo sentido já vem se manifestando este tribunal: “VISTORIA ADUANEIRA. ROUBO DE MERCADORIA. RESPONSABILIDADE. DEPOSITÁRIO. Constatada a responsabilidade do depositário, em procedimento de vistoria aduaneira, deve ele arcar com o recolhimento de multa e dos impostos devidos na importação de mercadorias extraviadas, que se encontravam sob sua custódia, não caracterizando o roubo, pelas suas características no caso concreto apresentado, caso fortuito ou força maior. MULTA POR FALTA DE PAGAMENTO. Não aplicada por falta de enquadramento no tipo legal. O Fato gerador presumido ocorre na data do lançamento. Não se pode falar que houve falta de pagamento nesta data que ocasionasse a aplicação da sanção pecuniária.”11 Revelamse, então, incabíveis as multas de ofício aplicadas nestes autos com base no art. 44 da Lei no 9.430/1996. Da multa de “conversão” do perdimento Outro ponto sob o qual se levanta controvérsia é a possibilidade de aplicação ao depositário da multa prevista no § 1o do art. 23 do DecretoLei 1.455/1976: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. ... à qual havia sido aplicada a pena de perdimento, foram integralmente mantidos o crédito tributário (II, IPI, PIS Pasep e COFINS) e as duas multas referidas acima (por extravio e por volume não localizado). 11 CARF, Acórdão 3202000.310, 2a Camara, 3a Seção, Rel. Cons. Mara Cristina Sifuentes, maioria, Sessão de 2.jun.2011. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 10 § 3 o A pena prevista no § 1 o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” 12 (g.n.) Alegase no recurso voluntário que a mercadoria objeto da lide já era objeto de apreensão, tendo sido transferida a propriedade ao Ministro da Fazenda, que a destinaria sem que houvesse cobrança dos impostos incidentes na importação. Nesse ponto, imprescindível a transcrição do art. 25 do mesmo DecretoLei 1.455/1976: “Art. 25. As mercadorias nas condições dos artigos 23 e 24 serão guardadas em nome e ordem do Ministro da Fazenda, como medida acautelatória dos interesses da Fazenda Nacional. (g.n.) Vejase que as mercadorias são “guardadas” em nome e ordem do Ministro da Fazenda. Guardadas exatamente pelo depositário, enquanto não recolhidas a depósitos próprios da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos locais em que estes existam. Complementese que se configura absolutamente irrelevante a questão da não incidência tributária na alienação de mercadorias apreendidas pela RFB para o deslinde da presente contenda. A não incidência na alienação de mercadorias apreendidas pela RFB, regularmente efetuada, por óbvio, não enseja a dispensa do pagamento dos tributos em uma entrada irregular no comércio. Ademais, caso o depositário ainda estivesse guardando as mercadorias em nome e ordem do Ministro da Fazenda, não seriam dele cobrados os tributos aqui exigidos, embora fosse mantida a pena de perdimento ao importador. Vejase o teor do § 4o do art. 1o do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: “§ 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira ... III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida.” Assim, a cumulação do perdimento com a exigibilidade dos tributos só é possível se a mercadoria não for localizada, ou tiver sido revendida ou consumida. Em suma, nas hipóteses em que o legislador presumiu a introdução irregular das mercadorias no comércio, no País. 13 A responsabilidade pelo perdimento, ou pela multa de “conversão” (ou substituição), é indelevelmente atribuída a quem efetivamente deu azo à introdução irregular no comércio nacional. No caso, em que pese o importador ter praticado conduta punível com o perdimento da mercadoria, era o depositário que a “guardava” em nome e ordem do Ministro da Fazenda. O depositário é que efetivamente impossibilitou a conclusão dos procedimentos de apreensão e destinação da mercadoria à qual já havia sido aplicado o perdimento. Daí a ele ser aplicada a multa de “conversão” (ou substituição). 12 O parágrafo hoje possui nova redação dada pela Lei n. 12.350, de 2010, não utilizando mais o termo "conversão", passando a multa a ser substitutiva da pena de perdimento. 13 A legislação do IPI (Lei 4.502, de 1964) possui comando semelhante, resultante da combinação dos arts. 83 e 87. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.002919/200732 Acórdão n.º 3403001.722 S3C4T3 Fl. 674 11 Acordase, assim, em geral, com as conclusões da Nota Cosit no 115, de 10 de maio de 2004, juntada aos autos (fls. 401 a 403), embora invoquemos não somente a responsabilidade tributária do art. 593 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (“o depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou descarga realizada por seus prepostos”), mas também a responsabilidade por infrações do art. 95, I, do DecretoLei no 37/1966. Afirma a Nota, em síntese, ser possível a aplicação ao depositário da multa prevista no § 1o do art. 23 do DecretoLei 1.455/1976, nos casos de extravio de mercadorias apreendidas que estejam sob sua custódia. No mesmo sentido decidiu unanimemente, em 28/2/2012, a Segunda Câmara desta Terceira Seção (Acórdão 3201000880): “DANO AO ERÁRIO. VISTORIA ADUANEIRA. EXTRAVIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. RESPONSABILIZAÇÃO DO DEPOSITÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA. [...] Na impossibilidade de localizar se a mercadoria sujeita à pena de perdimento, é cabível a exigência da multa substitutiva, nos termos do art. 23, §§ 1° e 3° do Decretolei n° 1.455/76. O depositário, responsável pela integridade da mercadoria extraviada sob sua guarda, deve responder pela penalidade.” Entendese, assim, pela procedência da aplicação ao depositário, no caso em apreço, da multa prevista no § 1o do art. 23 do DecretoLei 1.455/1976. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, excluindo a imposição das multas aplicadas com fulcro no art. 44 da Lei no 9.430/1996. Rosaldo Trevisan Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10166.012821/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO-TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos os proventos de aposentadoria, percebidos pelos portadores de moléstia indicada na legislação de regência, comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Hipótese em que a prova requerida pela legislação é apresentada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.996
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos os proventos de aposentadoria, percebidos pelos portadores de moléstia indicada na legislação de regência, comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Hipótese em que a prova requerida pela legislação é apresentada. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 28 21 /2 00 9- 04 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0344.911, proferido pela 3 Turma da DRJ Brasília (41), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação referente ao lançamento do IRPF do exercício de 2007. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados pelo contribuinte foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: “O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Dedução indevida de despesas médicas– valor: R$ 22.209,40. A despesa com Lar Cecília Ferraz Andrade não é dedutível, por falta de previsão legal. A contribuinte apresentou comprovante de despesas médicas pagas ao SARAM, no valor total de R$ 1.010,60, as quais foram consideradas pela fiscalização. A ciência do lançamento ocorreu em 20/11/2009 (informação Sucop às fls. 34) e a contribuinte, representada por sua curadora (sentença de interdição às fls. 19/20) apresentou sua impugnação em 25/11/2009 (fls. 02/03), acompanhada da documentação de fls. 04/20, alegando, em síntese, os motivos de fato e de direito abaixo resumidos: A contribuinte é idosa e portadora de doença grave prevista na Lei 7.713/88. Desde 2005 encontrase incapaz e internada na entidade Lar Cecília Ferraz de Andrade, cujos recibos foram glosados por falta de previsão legal. No ano de 2006 o Ministério das Comunicações, fonte pagadora de sua aposentadoria, reconhece oficialmente a incapacidade da contribuinte, conforme comprovante de rendimentos. O Ministério da Aeronáutica, por sua vez, fonte pagadora da pensão por ela recebida, ainda não efetivara essa isenção em comprovante de rendimentos. Isso passou a ocorrer somente em 2009, devido aos trâmites burocráticos do órgão. Solicita que sejam considerados os laudos dos médicos que a atendem diariamente, em anexo. Salienta que como o benefício é retroativo a 01/01/2005, cabe pedido de ressarcimento dos descontos em folha do IRRF, o que será solicitado posteriormente. Quanto aos recibos informados como despesa médica, aduz que as despesas de internação em estabelecimento geriátrico são dedutíveis, desde que o estabelecimento se enquadre nas normas relativas a hospitais, editadas pelo Ministério da Saúde, e desde que tenha a licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes. Não era do seu conhecimento que, apesar de prestar serviços médicos, o estabelecimento não possuía tais credenciais.” A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2007 Ementa: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. PEDIDO DE ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10166.012821/200904 Acórdão n.º 2101001.996 S2C1T1 Fl. 66 3 A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e deve estar expressamente incluída no rol de moléstias constantes do inciso XXXIII do art. 39 do RIR/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF (fl. 54/58), a recorrente, por sua representante legal, reitera o seu direito à isenção, junta documentos relacionados à moléstia grave “Doença de Alzheimer”, espécie de alienação mental, em que ocorre a deterioração dos processos cognitivos de tal forma que o indivíduo acometido tornase incapaz de gerir sua vida social , diagnosticada em 20/12/2002, por Junta Médica do Serviço de Assistência Medico Social do Ministério das Comunicações, que inclusive reconheceram a isenção em relação aos proventos de aposentadoria auferidos daquele ministério. Colaciona jurisprudência que reconhece a alienação mental neste caso, e decisão judicial de interdição da contribuinte. É o Relatório. Voto O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme assentado na ementa da decisão recorrida, para serem isentos do imposto de renda pessoa fisica, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas no artigo 6º, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteite deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifos acrescidos) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Do exame das peças processuais, verificase que os elementos de prova nos autos são abundantes a comprovar que a interessada era aposentada no anocalendário de 2006. Os comprovantes de rendimentos apresentados juntamente com a impugnação indicam que o Ministério das Comunicações não tributava os proventos de aposentadoria, por ser a beneficiária dos rendimentos portadora de moléstia grave (fls. 03 e 09). Com efeito, no ano de 2006 a contribuinte tinha 83 anos e era viúva. Desta forma, forçoso concluir, diferentemente do que o fez a DRJ, que os proventos auferidos do Comando da Aeronáutica tinha natureza de pensão ou aposentadoria compulsória, que no serviço público atinge os servidores ativos aos setenta anos. Em relação ao outro requisito indispensável, o órgão julgador de primeiro grau manifestouse nos seguintes termos: Para comprovar o direito à isenção da contribuinte, sua curadora trouxe aos autos o Parecer de fls. 08, emitido em 20/12/2002 pela Junta Médica do Serviço de Assistência Médico Social do Ministério dos Transportes, concluindo que aquela apresentava as doenças compreendidas nos seguintes códigos (CID): F00.0; F32.0; e S72.0. Os códigos elencados se referem, respectivamente, as seguintes doenças: F00.0 – Demência na doença de Alzheimer de início precoce. F32.0 – Episódio depressivo leve. F72.0 – Fratura do colo do fêmur. A impugnante carreou aos autos ainda a declaração de fls. 05, de 21/03/2005, e o Relatório Médico de fls. 06, de 10/06/2008, cada qual assinado por um médico do Lar Cecília Ferraz de Andrade e ambos atestando que a Sra. Clarinda Amélia Nogoceke é portadora de síndrome demencial de provável etiologia mista; osteoporose; intolerância à glicose; e dislipidemia. O relatório mais recente, de 2008, acrescenta infecções do trato urinário de repetição e hipertensão arterial sistêmica. Ambos os documentos concluem que a paciente é totalmente dependente para atividades da vida diária. Por fim, foi também trazido aos autos o Laudo Psiquiátrico de fls. 13/18, preparado pela médica psiquiatra Jussane Cabral Mendonça em 30/07/2010, com vistas à instruir o processo de interdição da contribuinte. A sentença do referido processo encontrase às fls. 19/20, com nomeação de sua filha como curadora. O Laudo de fls. 13/18 conclui que a contribuinte examinada é portadora de Demência na doença de Alzheimer, em fase grave, compatível com alienação mental que requer a interdição total e definitiva. No presente caso, nenhum dos documentos acostados aos autos preenche os requisitos legais necessários ao deferimento da isenção pretendida. Senão vejamos. O parecer de fls. 08, embora tenha sido emitido em 20/12/2002 por junta médica oficial do Ministério dos Transportes e da Comunicação, traz como diagnóstico da contribuinte Demência na doença de Alzheimer de início precoce. É cediço e notório que a Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e causa alienação mental, gênero daquela. O Laudo Médico de fls. 12/17, que conclui pelo agravamento da Doença de Alzheimer, com conseqüente instauração do quadro de Alienação Mental, robustece ainda mais a convicção deste julgador quanto ao direito à isenção Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10166.012821/200904 Acórdão n.º 2101001.996 S2C1T1 Fl. 67 5 pleiteada pela contribuinte. Por óbvio, o início da moléstia ocorreu em 20/12/2002 conforme reconheceu o laudo médico oficial à fl. 07. Os demais elementos e prova nos autos são convergentes e conclusivos quanto a alienação mental da contribuinte. De fato, a Declaração de fls. 04, de 21/03/2005, e o Relatório Médico de fls. 05, de 10/06/2008, corroboram o parecer da Junta Médica do Ministério das Comunicações e do Transporte, datado do ano de 2002. A culminância desta situação foi a decisão judicial de interdição da contribuinte, consoante Certidão à fl. 08: “Concedo a antecipação dos efeitos da tutela, decretando a interdição provisória da interditanda, nomeandose sua filha como curadora provisória. Lavrese o termo competente.”Em: 16.05.05 (as.) Juiz de Direito Substituto. Certifica, outrossim, que a requerente prestou o devido compromisso à fl. 37, do livro próprio, volume II, no dia 16.05.05, prometendo cumprir sem dolo, nem malícia o encargo. O referido é verdade e dou fé. Dada e passada nesta cidade de BrasíliaDF, aos 16 de maio de 2005 Com efeito, referida decisão foi posteriormente confirmada (fls. 18/19), com suporte no Laudo Psiquiátrico às fls. 12/17, que traz a seguinte conclusão: A senhora Clarinda Amélia Nogoceke, é portadora de doença ncuropsiquiátrica — Demência na doença de Alzheimer — compatível com alienação mental que determina indicação de Interdição total e definitiva. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para cancelar a exigência tributária em litígio. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/1 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10280.720980/2010-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
DESPACHO DECISÓRIO. REQUISITOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. NULIDADE.
Caracteriza o cerceamento do direito de defesa a falta de indicação do fundamento legal no despacho decisório proferido em face da apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. É nulo o despacho decisório proferido nestas circunstâncias.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório da DRF, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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REQUISITOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. NULIDADE. Caracteriza o cerceamento do direito de defesa a falta de indicação do fundamento legal no despacho decisório proferido em face da apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. É nulo o despacho decisório proferido nestas circunstâncias. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório da DRF, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 80 /2 01 0- 03 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720980/201003 Acórdão n.º 3302001.830 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 24/10/2008 a empresa MONTECARLO VEÍCULOS LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, previsto no art. 17 da Lei no 11.033/2004, relativo ao 4º trimestre de 2006. A DRF em BELÉM PA indeferiu o pedido da interessada porque entendeu que não gera direito de crédito as aquisições de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica), glosando tais créditos da apuração feita pela Recorrente. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida fls. 145/147. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0124.392, de 06/03/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Ciente desta decisão em 20/04/2012, a interessada ingressou, no dia 21/05/2012, com o recurso voluntário de fls. 155/174, no qual alega que: 1) é nulo o despacho decisório por não indicar o fundamento legal da decisão de não admitir crédito nas aquisições de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica); 2) o direito ao crédito na aquisição de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica) está confirmado pelo art. 17 da Lei nº 11.034/04. O Dacon permite tal aproveitamento; 3) a IN SRF nº 594/2005 impõe limitações ao direito de crédito não previstas em lei; 4) é patente o direito dos comerciantes atacadistas e varejista de produtos constantes da Lei nº 10.485/02 se apropriar dos créditos de PIS e Cofins calculados sobre a aquisição destes bens revendidos à alíquota zero; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720980/201003 Acórdão n.º 3302001.830 S3C3T2 Fl. 4 3 5) qualquer tentativa de impedir ou limitar a manutenção de créditos decorrentes da venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, no regime da não cumulatividade, é inconstitucional por violar o princípio da igualdade tributária. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando, com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o ressarcimento de crédito de Cofins e a Autoridade Administrativa competente da RFB indeferiu o pleito da Recorrente pelas razões e fundamentos a seguir transcritos: 1) Fundamentos consignados no Relatório Fiscal adotado pelos Despachos Decisórios (Fls. 33/34): LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA: Lei 10.833/2003 [...] OBJETIVO DO PROCEDIMENTO: análise dos Pedidos de Ressarcimento da Contribuição para a COFINS (verificações de créditos e ressarcimento indicados no PER/DCOMP), relativos aos seguintes períodos: 2º trimestre de 2006 (PROC: 10280 720.981/201040); 3° trimestre de 2006 (PROC: 10280 720.979/201071)e 4º trimestre de 2006 (PROC: 10280 720.980/201003). [...] CRÉDITOS DECORRENTES DE COMPRAS DE PEÇAS OBJETO DE GLOSA: a planilha denominada "Recomposição da contribuição nãocumulativa devida" demonstra que em nenhum dos meses dos trimestres objeto das PER/DCOMP’s relacionadas no item 5 o sujeito passivo apresentou saldo de crédito a ser ressarcido. A análise da relação de Notas Fiscais de compras apresentada resultou na exclusão de todas as aquisições de bens sujeitas à tributação concentrada ( incidência monofásica), as quais não são geradoras de crédito. 2) Fundamentos consignados no Despacho Decisório SEFIS/DRF/BEL nº 539/2011, que indeferiu o pedido de ressarcimento (Fl. 37): Com base nas informações e documentos constantes do processo acima identificado, ínsito no RELATÓRIO FISCAL de fls. 24 a Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720980/201003 Acórdão n.º 3302001.830 S3C3T2 Fl. 5 4 25, que aprovo, e no uso da competência estabelecida pelo inciso II do artigo 285 da Portaria MF n° 125/2009 e art. 57 da IN RFB n° 900/2008 e de acordo com a Delegação de competência prevista no inciso II do Art. 5° da Portaria DRF/BEL n° 39/2011, publicada no DOU de 3 de março de 2011, decido indeferir o pedido crédito atinente ao ressarcimento de Créditos da COFINS NãoCumulativa (4° trimestre/2006), no valor de R$ 31.543,67 (Trinta e um mil, quinhentos e quarenta e três reais e sessenta e sete centavos). 3) Fundamentos consignados no Parecer SEORT nº 848/2011, adotado pelo Despacho Decisório nº 830/2011 (Fl. 49): FUNDAMENTAÇÃO. Trata o processo de pedido de ressarcimento/compensação de COFINS no montante de R$ 31.543,67 (fl. 4). Fundamentouse o pedido na existência de crédito da COFINS Mercado Interno nos termos do art. 17 da Lei n° 11.033/2004. O Serviço de Fiscalização da DRF/Belém, por meio do Relatório acostado nas folhas 32 a 35 apurou a inexistência do direito creditório pleiteado. Com base no mencionado Relatório, o Chefe do Serviço de Fiscalização da DRF/Belém emitiu o Despacho Decisório n° 539/2011 indeferiu o Pedido de Ressarcimento (fl. 36). O indeferimento do Pedido de Ressarcimento implica no indeferimento do Pedido de Compensação, por força da inexistência de direito creditório. CONCLUSÃO. Diante do exposto, proponho: O deferimento da solicitação para retificação da DCOMP n° 14198.04154.20112008.1.3.116942. A não homologação dos débitos da Declarações de Compensação n° 28369.19622.241008.1.3.110904, 03536.77412.310111.1.7.116716, 36111.66799.281108.1.3.11 6886 e 21140.66514.231208.1.3.110034. 4) Fundamentos consignados no Despacho Decisório nº 830/2011, que não homologou as compensações declaradas (Fl. 50): Com base nas informações e documentos constantes deste processo, especialmente o Parecer SEORT n° 848/2011 e no uso da competência estabelecida com a delegação prevista no art. 3º, item IV, da Portaria DRF/BEL n° 47/2009, publicada no Diário Oficial da União de 07 de abril de 2009, resolvo NÃO HOMOLOGAR as declarações de compensação a seguir elencadas: 28369.19622.241008.1.3.110904, 03536.77412.310111.1.7.116716, 36111.66799.281108.1.3.11 6886 e 21140.66514.231208.1.3.110034. No caso de inconformidade do requerente, este poderá manifestarse à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém DRJ/BEL no prazo de 30 (trinta) dias a Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720980/201003 Acórdão n.º 3302001.830 S3C3T2 Fl. 6 5 partir da ciência deste Despacho Decisório, nos termos do disposto no art. 74, § 9º , da Lei n° 9.430/96. À EQRECC/SEORT/DRF/BEL, para dar ciência ao interessado deste Despacho Decisório e proceder as demais providências cabíveis. Em sua apelação a empresa levanta a preliminar de nulidade dos Despachos Decisórios proferidos pela DRF em Belém PA por falta de indicação da fundamentação legal da decisão proferida, caracterizando cerceamento do direito de defesa. Por seu turno, a decisão recorrida assim tratou a matéria: Da Nulidade do Despacho Decisório Dispõe o art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF) sobre a questão de nulidade, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso concreto, o Despacho Decisório foi lavrado e assinado por autoridade administrativa competente e contem todos os requisitos legais, restando plenamente válidos, não havendo que se falar em nulidade. No que concerne à alegação de cerceamento de defesa, a prova cabal de que a defesa não foi preterida consistiu na apresentação tempestiva da robusta manifestação de inconformidade que ora se conhece e analisa. É por demais sabido que a atividade administrativa tributária é plenamente vinculada, não possuindo o administrador tributário poder discricionário. Isto implica que, mais do que as outras decisões administrativas, a decisão do administrador tributário deve ser fundamentada, ou seja, além de estar conforme com a norma, precisar indicar para o administrado contribuinte qual a norma legal que o autoriza a tomar a decisão. No caso dos autos, a decisão foi tomada sem indicar seu fundamento legal, tomando como base a opinião (digo opinião porque não há indicação expressa do dispositivo legal que proíba a fruição do crédito pleiteado ou a informação de que não há dispositivo legal que autorize o crédito pleiteado) dos AFRFB, responsáveis pela apuração da veracidade das informações prestadas pela Recorrente no PER/DCOMP, de que “as aquisições de bens sujeitas à tributação concentrada (incidência monofásica), [...] não são geradoras de crédito”. Ora, para contrapor esta decisão, bastaria a Recorrente também expor a sua opinião (coisa que efetivamente fez) de que “as aquisições de bens sujeitas à tributação concentrada (incidência monofásica), [...] são geradoras de crédito”. É a opinião de um contra a opinião de outro. Qual vale mais? Não sei! Ao contrário do que diz a decisão recorrida, a falta de indicação da fundamentação legal no despacho decisório caracteriza, sim, cerceamento do direito de defesa, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720980/201003 Acórdão n.º 3302001.830 S3C3T2 Fl. 7 6 dando motivo à nulidade do mesmo, nos termos do inciso II, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Esclareçase que a indicação, no Relatório Fiscal, da Lei nº 10.833/03 como sendo a legislação de regência, não supre a necessidade da decisão administrativa indicar o dispositivo legal infringido (da própria Lei nº 10.833/03 ou de outras normas) que levou à decisão de não reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica). Deve, portanto, outro despacho decisório ser proferido pela DRF em Belém PA, com a necessária indicação da fundamentação legal do decidido. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para anular os Despachos Decisórios nºs 539/2011 e 830/2011, determinando que outro (ou outros) seja proferido com a necessária indicação da fundamentação legal. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 36580.000871/2004-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/03/2004
PREVIDENCIÁRIO. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Quando a empresa for devidamente excluída do SIMPLES com efeitos retroativos, deve cumprir com as obrigações tributárias em relação ao passado. Logo, caso haja contribuição previdenciária remanescente, não há que se falar em restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Quando a empresa for devidamente excluída do SIMPLES com efeitos retroativos, deve cumprir com as obrigações tributárias em relação ao passado. Logo, caso haja contribuição previdenciária remanescente, não há que se falar em restituição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 58 0. 00 08 71 /2 00 4- 29 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Sirvome do Relatório do então Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza constante nas fls. 88/90 da numeração digital, o qual converteu o julgamento em diligência, in verbis: “Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.258 a 282 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 251 a 254) que julgou improcedente o Requerimento de Restituição da Retenção, referente ao período de 05/2003 a 03/2004. Segundo a requerente, o pedido justificase em razão de ter havido retenções superiores às devidas sobre as Notas Fiscais de Prestação de Serviços em relação ao valor devido sobre a folha de pagamento. Às fls.116 e 117, há despacho da Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da DRF de Maringá/PR determinando o encaminhamento dos autos à Seção de Fiscalização, a qual encaminhou a análise do caso auditor fiscal competente que informou ser impossível prestar quaisquer esclarecimentos relativo ao período 05/2003 a 12/2003, tendo em vista que o período constante no requerimento diverge do que consta no procedimento fiscal. Com relação ao período 01/2004 a 09/2008, foi constatado que a empresa foi excluída do SIMPLES, e que por esse motivo foram lavrados autos de infração, decidindo ao final pelo indeferimento da restituição. Às fls.123 consta Ato Declaratório Executivo n 45, de 28 de outubro de 2004. Às fls.124, consta inteiro teor do acórdão n 0611.688 referente ao processo n 10950.003275/200451 cujo objeto de discussão é saber se a exclusão da empresa do SIMPLES é devida ou não. Referido processo (10950.003275/200451) discute a exclusão da empresa do SIMPLES, através do Ato Declaratório Executivo n 45 de 28/10/2004 produzindo os efeitos desta decisão a partir de 01/10/2002. Desta decisão de exclusão, foi apresentada manifestação de inconformidade junto à DRJ de Curitiba, a qual foi indeferida através do Acórdão 11.688, de 27/07/2006. Do pedido formulado pela recorrente referente à restituição dos valores (processo n 36580.000870/200484) retidos a maior no período 05/2003 a 03/2004, houve análise por parte do SAORT de Maringá/PR que, através do Despacho Decisório de 12/02/2009, acostado às fls. 158 a 162, indeferiu o pedido. Em sequência, às fls. 163, o Comunicado SAORT nº 107/2009 informou que o requerimento do contribuinte foi analisado. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36580.000871/200429 Acórdão n.º 2403001.734 S2C4T3 Fl. 3 3 Foi apresentado recurso administrativo às fls.165 a 171 contra a decisão da SAORT n 107/2009, no qual foram reiterados os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo ainda o deferimento integral de sua restituição. Assim, alegou: Que prestou serviços à COPEL e esta reteve 11% do valor total de cada nota fiscal de prestação de serviço e que esse montante deve ser compensado mensalmente, devendo ser restituído ao contribuinte o valor excedente; Arrazoou que os valores retidos foram superiores aos devidos e foi apurado em seu favor um crédito a ser restituído, porém teve seu pedido indeferido sob o fundamento de ter sido excluída do SIMPLES. Disse também que a desclassificação da recorrente do regime do Simples foi indevida, pois a atividade da recorrente é o ‘Comércio Varejista de Material Elétrico’, como consta na sexta alteração do contrato social; Acerca da atividade fiscalizatória, informou que foi submetido à fiscalização que lavrou os Autos de Infração 37.194.8711, 37.194.8657 e 37.194.8690, os quais foram impugnados, porém, não infringiu nenhum dispositivo legal e nem agiu de máfé no seu pedido de adesão ao SIMPLES; Salientou que os incentivos do SIMPLES têm como objetivo a redução da carga tributária, o que gera uma maior competitividade no mercado, dando oportunidade às micro e pequenas empresas que são as maiores geradoras de emprego no país. Por fim, informou que a grande celeuma está atrelada especificamente à questão da recorrente ser ou não ser beneficiária do regime SIMPLES e que a empresa acumula as atividades de comércio varejista de materiais elétricos e de instalação elétrica, devendo se considerar a atividade mercantil que permite a opção pelo SIMPLES, por ser mais benéfica ao contribuinte, segundo art.112 do Código Tributário Nacional DA DECISÃO DA DRJ Instada a manifestarse acerca da manifestação do contribuinte, a 5 turma da DRJ de Curitiba proferiu decisão (acórdão de nº 0624.512) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/03/2004 SIMPLES.ATIVIDADE IMPEDITIVA. CONTRIBUIÇÃO. A empresa que exerce atividade impeditiva de participar do Simples deve recolher as contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 os valores pagos a todos os segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. RESTITUIÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INDEFERIMENTO. Não estando demonstrada a existência dos fatos constitutivos do pedido de restituição, compete à autoridade administrativa julgadora de primeira instância indeferir a solicitação formulada na manifestação de inconformidade do requerente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada com a decisão supra, a recorrente apresentou recurso voluntário às fls. 258 a 282, onde, em síntese, reiterou os argumentos de defesa apresentados anteriormente, alegando: Quanto ao mérito: Que a atividade predominante da Recorrente é a exploração do ramo de compra e venda de materiais elétricos no varejo e a prestação de serviços de eletricidade de alta e baixa tensão, que não foram excluídas do Regime Simples, nos termos do artigo 9°, da Lei 9.317/96; Que a Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, denominada de o novo Estatuto das Micro e Pequenas Empresas, redefiniu o Regime Tributário Simples, ampliando os seus benefícios a um maior número de empresas, e não inclui no rol de exclusões do artigo 17, os ramos de atividades exploradas pela Recorrente, em especial a de comércio varejista; Que o propósito do SIMPLES NACIONAL é o de simplificar e reduzir a carga tributária das empresas, para melhorar as suas condições de competitividade, em especial as micro e pequenas empresas em face das grandes concorrentes; Que cumula as atividades de comércio varejista de materiais elétricos e de instalação elétrica, que há de se considerar a atividade mercantil a qual permite a opção pelo SIMPLES e o seu deferimento; Que a administração pública, inclusive a Receita Federal, pode revisar seus atos, caso seja necessário, para corrigir ou remeter ao órgão/setor competente para que assim o proceda; Que as decisões ilegais acerca do assunto, que contrariem a Constituição Federal, em seu artigo 170, caput, e incisos IV, VIII e IX, artigo 9°, da Lei 9.317/96, vigente à época, e o artigo 17, da Lei Complementar n° 123/2006, em vigência, são nulas de pleno direito; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36580.000871/200429 Acórdão n.º 2403001.734 S2C4T3 Fl. 4 5 Que as decisões que excluíram a Recorrente do Simples são nulas de pleno direito, pois contrariam as normas constitucionais e infraconstituicionais apontadas, eis que não está a mesma excluída dos benefícios conferidos por tal regime tributário, como amplamente demonstrado acima. Por fim, pede que seja conhecido e provido para reformar a r. decisão recorrida, para deferir integralmente a restituição do crédito a que faz jus, ante os excessivos recolhimentos realizados, dandolhe o tratamento que lhe é de direito, de empresa beneficiária do Regime Simples, declarando incidentalmente tal situação e, assim, anulando o ato administrativo que a excluiu do Regime SIMPLES e, de consequência, retroagindo os efeitos de tal maneira como se nunca tivesse sido revogado em desfavor da Recorrente.” DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA PELO CARF Em 29/09/2011 esta Turma converteu o julgamento em diligência para, in verbis: “Contudo, para que não haja um julgamento precipitado e entendendo que seja imprescindível saber a situação da recorrente perante o regime simplificado de tributação, solicito a realização de diligência que tenha como objetivo verificar a atual posição do processo 10950.003275/200451 (informação em anexo), inclusive se o mesmo já foi apreciado pelo CARF em sede de Recurso Voluntário.” DO ATENDIMENTO DA DILIGÊNCIA Em 14/12/2011, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAOR, assim concluiu a diligência, in verbis: “A interessada tomou ciência do comunicado em 10/08/2006 e durante o prazo de 30 dias não recorreu da decisão. Face o disposto nos artigos 15 e 21 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 foi lavrado Termo de Revelia e processo encontrase arquivado.” É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 257 e 258 da numeração de papel, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A Recorrente sofreu retenções de 11% no valor dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91 vigente à época, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Por, supostamente, estar enquadra no SIMPLES, entendeu que houve valor excedente nas retenções sofridas nas Notas Fiscais de prestação de serviços. Motivo pelo qual pleiteou a restituição da contribuição retida. Ocorre que, por meio do Ato Declaratório Executivo n. 45, de 28 de outubro de 2004 (fl. 123 da numeração de papel), a Recorrente foi excluída do SIMPLES, com efeitos retroativos a partir de 01/10/2002, pelas razões abaixo, in verbis: “Situação excludente (evento 306): Descrição Atividade vedada: CNAEFISCAL 4541101 Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive antenas. Data da ocorrência: 02/09/2002 Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9°, XIII; art. 12; art. 13; art. 14, inciso I; art. 15, inciso II. Medida Provisória n° 2.15834, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003 c/c IN/SRF n° 391/2004: art. 20, inciso XII; art. 21; art. 23, inciso I; art. 24, inciso II.” (sem destaques no original) Assim dispõe o art. 9º, XIII da Lei n. 9.317/96, vigente à época, in verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) Fl. 311DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36580.000871/200429 Acórdão n.º 2403001.734 S2C4T3 Fl. 5 7 XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Por desenvolver atividade assemelhada ao de engenharia, foi excluída do SIMPLES. Conforme consta na cláusula segunda da 6ª Alteração de Contrato Social constante na fl. 188, a Recorrente tem o seguinte objeto, in verbis: “A sociedade tem por objeto mercantil o ramo de COMÉRCIO VAREJISTA DE MATERIAIS ELÉTRICOS e PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ELETRICIDADE DE ALTA E BAIXA TENSÃO.” (sem destaque no original) Sustenta a Recorrente que a sua exclusão do SIMPLES foi indevida, tendo em vista que a sua atividade principal é de “comércio varejista de materiais elétricos”. Como a exclusão do SIMPLES estava sendo discutida nos autos do Proc. n. 10950.003275/200451, este processo foi baixado em diligência por este colegiado, para que a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT informasse seu andamento. Conforme fl. 303, da numeração digital, a SAORT informou que a Recorrente não apresentou Recurso em face do Acórdão que julgou correta a sua exclusão do SIMPLES. Logo, o processo se encontra arquivado. Nesse diapasão, coaduno com o entendimento de que a exclusão da Recorrente do SIMPLES foi correta, pois “a prestação de serviços de eletricidade de alta e baixa tensão” é executada por profissionais de atividade legalmente regulamentada. Entendimento esse corroborado pelo CARF em 03/08/2010, no julgamento do Proc. n. 10183.004428/200416, que originou no Acórdão n. 180200.594, cuja ementa e resultado seguem abaixo, in verbis: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE REDES ELÉTRICAS E LINHAS DE TRANSMISSÃO DE BAIXA E ALTA TENSÃO. LEITURA E ENTREGA DE FATURAS DE ENERGIA ELÉTRICA. A empresa que presta serviços de instalação de redes elétricas, linhas de transmissão, eletrificação rural, iluminação pública, leitura e entrega de fatura de energia elétrica, não pode optar Fl. 312DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 pelo Simples, por exercer atividades que requerem profissionais de atividade legalmente regulamentada. LEGISLAÇÃO DO SIMPLES. EXCLUSÃO RETROATIVA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Sendo, portanto, correta a exclusão da Recorrente do SIMPLES, deve a mesma cumprir com as suas obrigações tributárias em relação ao período abrangido pela exclusão, nos termos do art. 16 da Lei n. 9.317/96, vigente à época, in verbis: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Conforme destacado na fl. 162 da numeração de papel do Despacho Decisório havia débito remanescente de contribuição previdenciária da Recorrente, in verbis: “Comuniquem o contribuinte do indeferimento do pedido de restituição para as competências 05/2003 a 03/2004, e que existem débitos a serem quitados no valor de R$ 31.890,05 (Trinta e um mil, oitocentos e noventa reais e cinco centavos) — parte patronal para as competências 05/2003 a 12/2003 e de R$ 13.295,55 (Treze mil, duzentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos) — outras entidades para as competências 05/2003 a 12/2003, conforme planilha demonstrativa (coluna J e L), parte integrante deste relatório.” A Recorrente, por sua vez, não comprovou o pagamento das contribuições previdenciárias que lhe foram apontadas pela Receita Federal. Por esse motivo, não há que se falar em restituição, devendo o recurso ser julgado improcedente. CONCLUSÃO Do exposto, nego provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 313DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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