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Numero do processo: 13881.000287/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Os embargos de declaração são cabíveis nas hipóteses de obscuridade, omissão ou contradição.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2101-002.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão 2101-002.516, mantendo-lhe o resultado, apenas e tão somente para fazer constar seu correto dispositivo: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 14.950,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis nas hipóteses de obscuridade, omissão ou contradição. Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão 2101-002.516, mantendo-lhe o resultado, apenas e tão somente para fazer constar seu correto dispositivo: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 14.950,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis nas hipóteses de obscuridade, omissão ou contradição. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão 2101002.516, mantendolhe o resultado, apenas e tão somente para fazer constar seu correto dispositivo: “ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 14.950,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso.” (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 02 87 /2 00 9- 98 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13881.000287/200998 Acórdão n.º 2101002.606 S2C1T1 Fl. 179 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 176/177) interposto em face do acórdão de efls. 170/174, que teve o seguinte dispositivo: “ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do auto por inexistência da comprovação documental da acusação, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva e (b) por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 14.950,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. Designada para redação do voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade, a Conselheira Maria Cleci Coti Martins.” Vislumbrando possível omissão, obscuridade ou contradição, este relator opôs embargos de declaração, admitidos por meio da decisão de efls. 176/177. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O texto do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, mais especificamente em seu art. 65, caput, admite a interposição do referido recurso, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” No presente caso, existe obscuridade, omissão ou contradição, motivo pelo qual o recurso foi processado, com a conseqüente inclusão em pauta para julgamento. De fato, na última sessão de julho, constou da ata, por equívoco meu, o seguinte: “ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do auto por inexistência da comprovação documental da acusação, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva e (b) por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 14.950,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13881.000287/200998 Acórdão n.º 2101002.606 S2C1T1 Fl. 180 3 de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso. Designada para redação do voto vencedor, quanto à preliminar de nulidade, a Conselheira Maria Cleci Coti Martins.” Na realidade, não houve, no presente caso, qualquer discussão quanto a preliminares, discussão essa adstrita ao Processo 13881.000285/200907, instaurado em face do mesmo contribuinte e julgado na mesma sessão. Assim, o resultado correto seria o seguinte: “ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 14.950,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos, para rerratificar o Acórdão 2101002.516, mantendolhe o resultado, apenas e tão somente para fazer constar seu correto dispositivo: “ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso para considerar comprovada a despesa médica no valor de R$ 14.950,00, vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negavam provimento ao recurso.” (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908007/2011-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 21/11/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 21/11/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 80 07 /2 01 1- 16 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908007/201116 Acórdão n.º 3801003.733 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908007/201116 Acórdão n.º 3801003.733 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908007/201116 Acórdão n.º 3801003.733 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908007/201116 Acórdão n.º 3801003.733 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908007/201116 Acórdão n.º 3801003.733 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908007/201116 Acórdão n.º 3801003.733 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13851.721545/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ÁREAS OCUPADAS COM PRODUTOS VEGETAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Não comprovada a área declarada como de produção vegetal, é lícita a sua glosa pelo Fisco e a consequente exigência de eventual diferença de imposto.
VTN ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). APTIDÃO AGRÍCOLA CONSIDERADA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS.
O Valor da Terra Nua - VTN constante do SIPT, considerando a aptidão agrícola, é válido para fins de arbitramento quando o contribuinte não apresenta qualquer documento que confirme os valores lançados na sua DITR.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 12/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGÊNIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ITR. ÁREAS OCUPADAS COM PRODUTOS VEGETAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a área declarada como de produção vegetal, é lícita a sua glosa pelo Fisco e a consequente exigência de eventual diferença de imposto. VTN ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). APTIDÃO AGRÍCOLA CONSIDERADA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS. O Valor da Terra Nua VTN constante do SIPT, considerando a aptidão agrícola, é válido para fins de arbitramento quando o contribuinte não apresenta qualquer documento que confirme os valores lançados na sua DITR. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 15 45 /2 01 1- 45 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 12/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGÊNIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde a Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 0429.129 da 1ª Turma da DRJ/CGE (fls. 85/91), que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de diligências e julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Em 10/01/2011 a interessada, por meio de por meio de procurador qualificado nos autos, apresentou impugnação, f. 5461, e após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Sustenta que no período do lançamento a área de 1.176,4 hectares do imóvel fiscalizado foi destinada à produção de laranja, conforme demonstram os relatórios apresentados à fiscalização contendo as notas fiscais de transferência de fruta, bem como relatórios das notas fiscais de fornecedores, relativos à compra de insumos. Esclarece que as operações da Fazenda Santa Maria da Figueira eram realizadas por intermédio da Fazenda Santo Antônio, CNPJ 61.649.810/009890, pois as duas áreas estão interligadas, e a Fazenda Santo Antônio é uma filial da impugnante, enquanto a Fazenda Santa Maria da Figueira é apenas uma propriedade produtiva, sem CNPJ próprio, e que, por este motivo, as notas fiscais de entradas e saídas são emitidas pela Fazenda Santo Antônio. Segundo a impugnante, a situação narrada e a exploração agrícola na propriedade são comprovadas também pelos seguintes documentos em anexo, com base nos fundamentos abaixo transcritos: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721545/201145 Acórdão n.º 2101002.585 S2C1T1 Fl. 3 3 1) Mapa da Fazenda Santo Antônio, onde destacamos especialmente a área da Fazenda Santa Maria da Figueira, pois, conforme anteriormente informado as áreas são anexas, neste mapa temos a separação por quadras da fazenda toda, onde podemos observar que as quadras 221, 224, 225, 226, 228, 229, 230, 231, 232, 235, 236, 247, 252, 253, 414, 415, 416, 418, 419, 420, 422, 423, 424, 427, 433, 434 e 446 estão localizadas na área da Fazenda Santa Maria da Figueira, objeto desta Notificação de Lançamento; 2) Relatório de Produção por Unidade — Variedade denominado AGPA2240 da Fazenda Santo Antônio, onde destacamos todas as quadras pertencentes à área da Fazenda Santa Maria da Figueira, podendo observar por exemplo que no período de 01/01/2006 a 31/12/2006 na quadra 247 temos 13.312 árvores de laranja plantadas e produziram um total de 81.888,90 caixas de 40,8KG, e ao final do ano somando todas as quadras da Fazenda Santa Maria da Figueira chegamos à uma produção total de 673.787,90 caixas de 40,8KG de laranja, ou seja, 27.490.546,32KG de laranja. 3 Planta do Imóvel Planialtimétrica que está sendo utilizada no processo de georreferenciamento, como mais uma forma de demonstrar e comprovar que área da Fazenda Santa Maria da Figueira, está e sempre esteve anexa à Fazenda Santo Antônio, por tal motivo, conforme artigo 19 Instrução Normativa n.° 256/2002, utilizamos os dados da Fazenda Santo Antônio para comprovarmos a referida produção. Requer que seja realizada diligência e/ou emissão de laudo, indicando, para tanto, responsável técnico e perito. Apresenta cálculo do ITR suplementar que considera devido, no valor de R$ 8.350,55, apurado com base no grau de utilização do imóvel de 99,5% e na alíquota de 0,30. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado, ou, subsidiariamente, a retificação do lançamento mediante restabelecimento da área glosada a titulo de produtos vegetais. (...)” (fls. 88/89). A decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande (MS), restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2007 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 NIRF: 2.380.7806 Fazenda Santa Maria da Figueira PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. A diligência e a perícia não servem para suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas ao fato que, por sua natureza, provase por meio documental. VALOR DA TERRA NUA. FALTA DE PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. RELATÓRIO DE PRODUÇÃO. PROVA INEFICAZ. A dedução da área explorada com produtos vegetais depende da prova da compra de insumos e/ou da venda ou transferência da produção agrícola, atestada pelas correspondentes notas fiscais, as quais não são supridas por relatórios de produção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A decisão manteve a exigência do ITR cobrado na Notificação de Lançamento, em face do contribuinte não ter apresentado documentos que confirmassem o Valor da Terra Nua e a existência de Áreas ocupadas com Produtos Vegetais no imóvel de sua propriedade, declaradas na DITR. No Recurso Voluntário, a Recorrente insiste nos argumentos anteriormente suscitados, certo da força de convicção dos documentos apresentados. Persevera na alegativa de suficiência dos relatórios contendo as notas fiscais de transferência de fruta, assim como relatórios de notas fiscais de fornecedores, fazendo juntar ao Recurso um Mapa da Fazenda Santo Antônio, destacando a área da Fazenda Santa Maria Figueira, um Relatório de Produção por Unidade, e uma Planta do Imóvel Planialtimétrica que está sendo utilizada no processo de georreferenciamento. Apesar de pretender a improcedência do lançamento, curiosamente apresenta uma planilha que considera o Valor da Terra Nua apurado pela fiscalização, para concluir como Imposto devido o montante de RS 14.795,45, ou seja, R$ 8.350,55 a menor do que o valor pago. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721545/201145 Acórdão n.º 2101002.585 S2C1T1 Fl. 4 5 Ao final, requer o provimento do Recurso para que seja decretada a total improcedência do lançamento, ou, “secundariamente”, o cancelamento da glosa sobre as áreas ocupadas por produtos vegetais, de forma que seja recalculada a base e aplicada alíquota adequada do ITR. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O presente feito trata do Imposto Territorial Rural ITR, cuja sistemática de apuração é definida na Lei nº 9.393/96, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;(revogado) Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) d) sob regime de servidão ambiental; (Redação atual dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (...)” Avulta da norma transcrita que, na apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. E para efeitos da definição da base de cálculo do tributo, a norma descrimina o Valor da Terra Nua – VTN, como o valor econômico do imóvel, excluídos os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; além de florestas plantadas. No caso em debate, diante das informações prestadas na Declaração de ITR, o sujeito passivo foi intimado a comprovar a Área de Produção Vegetal (culturas permanentes e temporárias) indicada na DITR/2007, com a apresentação de documentos, tais como: Notas Fiscais do Produtor ou de insumos, certificados de depósitos, contratos de cédulas de crédito rural, entre outros. Entretanto, de forma singular, eis que a Contribuinte/Recorrente diligenciou em apresentar vários documentos, referentes a sua identificação, certidão de matrícula do imóvel, Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR, além de diversos relatórios contendo números que supostamente seriam de notas fiscais de transferências de frutas e de Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721545/201145 Acórdão n.º 2101002.585 S2C1T1 Fl. 5 7 fornecedores, deixando de comprovar efetivamente a utilização da área declarada de cultivo de vegetais na sua atividade rural. Nesses termos, foi promovido o lançamento fiscal em questão, com a glosa das áreas declaradas de produção vegetal e demais consequências tributárias, em virtude do contribuinte não ter provado a veracidade das afirmações prestadas à Receita Federal. A bem da verdade, não obstante a previsão legal de obrigatoriedade da Declaração do ITR, figura inexigível a prévia comprovação dos dados disponibilizados pelo Contribuinte. No entanto, competindo ao Fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na DITR, sendo os meios utilizados para tal aferição determinados por lei, cabe ao contribuinte, quando solicitado, apresentar os documentos de suporte aos elementos declarados. No caso, apesar de todo esforço da Contribuinte em defender a legitimidade e força probatória dos mapas e relatórios de notas apresentados, e, ainda no seu Recurso, um relatório que supostamente informa a produtividade por área, eis que tais elementos não fazem prova do alegado pela Recorrente na DITR, que assume as responsabilidades decorrentes de sua declaração. De fato, a notícia da existência de uma área de produção vegetal não pode ser confirmada por meras relações confeccionadas pelo Contribuinte, contendo diversos números que seriam atribuídos a Notas Fiscais de transferência e de fornecedores, sem que seja apresentada uma única nota que confirme tais dados. Ora, tais relações contendo números atribuídos a notas fiscais, assim como o suposto relatório de produtividade anexado ao Recurso Voluntário, podem até servir de controle interno da administração da Empresa/Recorrente, mas jamais para confirmação da produção agrícola (atividade rural) da mesma. Por outro lado, as Notas Fiscais que comprovam efetivamente a existência de negócios jurídicos de compra e venda da produção vegetal existente, dos insumos empregados na atividade rural, ou mesmo a anexação de contratos envolvendo expressamente as culturas realizadas, podem aferir veracidade às alegações. Tanto assim que este Colendo Conselho já se manifestou no sentido de que constituem provas eficazes da existência de área com produtos vegetais, a apresentação de cópias de notas fiscais referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola, Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 vinculadas ao imóvel fiscalizado. Vejamos algumas ementas de julgados neste sentido, só a título de exemplo: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2009 ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA EFICAZ. Constituem provas eficazes da área utilizada com produtos vegetais as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola. Recurso Provido.” (Acórdão nº 2202002.589, Processo nº 13830.722240/201280, Relator Cons. ANTÔNIO LOPO MARTINEZ, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 16/05/2014 mesmo entendimento nos Acórdãos 2202002.588, 2202002.590, 2201002.304 e 2201002.305); “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2007 ÁREA UTILIZADA. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área utilizada no cultivo de produtos vegetais (cana de açúcar) pode ser realizada com relatórios de produção acompanhados de notas fiscais de entrada que atestem uma produção compatível com a área declarada.” (Acórdão nº 2201001.885, Processo nº 13888.721754/201171, Relator Cons. MARCIO DE LACERDA MARTINS, 1ª TO / 2ª CÂMARA /2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 05/02/2013). No presente feito, embora a Contribuinte/Recorrente tenha aludido em sua Impugnação assim como no Recurso Voluntário, uma relação de números atribuídos a notas fiscais, a verdade é que não promoveu a juntada de uma única sequer. Na verdade, a autoridade fiscal deve observar a área destinada à produção vegetal, desde que comprovada por laudo técnico, notas fiscais ou contratos. Inexistindo documentação que comprove o alegado, prevalece a tributação, conforme recentes manifestações deste Conselho: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2007 ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721545/201145 Acórdão n.º 2101002.585 S2C1T1 Fl. 6 9 Não comprovada a área declarada como de produção vegetal, é lícita a sua glosa pelo Fisco e a consequente exigência de eventual diferença de imposto, mediante lançamento de ofício. ITR. ÁREA INCORPORADA AO PERÍMETRO URBANO. COMPROVAÇÃO. A incorporação de imóvel ao perímetro urbano e a consequente exclusão do mesmo da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR deve ser comprovada, de forma inequívoca, com documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. Recurso negado.” (Acórdão nº 2201002.070, Processo nº 10830.720004/201079, Relator Cons. PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 1ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 03/06/2013 grifamos); “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). COMPROVAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Comprovado o VTN declarado mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBRABNT 146533, incabível o arbitramento apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT). ÁREA PLANTADA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO. Para fins de cálculo do ITR, a área plantada com produtos vegetais deve ser devidamente comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Acórdão nº 2102001.905, Processo nº 10675.002717/200619, Relatora Conselheira NUBIA MATOS MOURA, 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL / CARF/MF/DF, Data de Publicação: 02/08/2012 grifamos); “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Exercício: 2000 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). SÚMULA CARF n° 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. REDUÇÃO. À míngua de documentação hábil para retificar a área total do imóvel, incabível a redução da aludida área. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Cabe excluir da tributação do ITR a área de preservação permanente reconhecida pela autoridade ambiental competente. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Cabe excluir da tributação do ITR a área de utilização limitada/reserva legal reconhecida pela autoridade ambiental competente e averbada à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. ÁREA DE PASTAGEM. A nota fiscal de aquisição de vacinas contra febre aftosa é documento hábil a comprovar o quantitativo de bovino apascentado no imóvel rural. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. É necessária a comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da utilização de área com plantio de produtos vegetais. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, independentemente da intenção do agente (art. 136 do CTN). Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Acórdão nº 2801002.268, Processo nº 13116.000960/200456, Relatora Conselheira TANIA MARA PASCHOALIN, 1ª TE / 2ª SEJUL / CARF/MF, Data de Publicação: 19/06/2012 grifamos). Portanto, não pode haver dúvidas quanto a imprescindibilidade de comprovação da Área de Produção Vegetal para autorizar a exclusão dos respectivos valores no cálculo do VTN, providência inalcançada com os parcos documentos juntados pela Recorrente. Por outro lado, vale salientar que a Recorrente também foi intimada a apresentar laudo de avaliação do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, ou uma avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais, de forma a confirmar os valores lançados na sua DITR, quanto ao Valor da Terra Nua. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13851.721545/201145 Acórdão n.º 2101002.585 S2C1T1 Fl. 7 11 Contudo, apesar das diversas informações e dados juntados aos autos, anteriormente relatados, deixou de apresentar provas que justificassem o VTN declarado. Nestes termos a Fiscalização não teve remédio senão desconsiderar o VTN informado na DITR/2007, com fundamento no artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, restando adotado o valor indicado pelo Sistema de Preços de Terras – SIPT para a Região, no montante de R$ 4.132,23/ha, correspondendo ao menor valor em função da aptidão agrícola para “campos” (fls. 15). É que, não tendo a Contribuinte/Recorrente trazido aos autos provas insofismáveis de suas alegações, não compete a Administração Tributária promover tais providências, realizar perícias e/ou diligências, muito menos em afronta ao ordenamento jurídico em vigor. Aliás, ao considerar correto o Valor da Terra Nua apurado pela fiscalização no seu Recurso Voluntário, reconhecendo que existe uma diferença a recolher, no valor de R$ 8.350,55, a Contribuinte termina por admitir expressamente o equívoco dos valores fornecidos em sua Declaração de ITR. De todo modo, este colendo Conselho tem ponderado que o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, observando as formalidades mínimas exigidas pela legislação de regência, contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas – ABNT, é prova suficiente tanto para validar o VTN indicado pelo contribuinte na DITR, como para afastar o valor disposto no SIPT. E no tocante à utilização do SIPT, da leitura da art. 14 da Lei 9.393/96, entendo que a Fiscalização somente poderá dele se socorrer nos casos (i) de não entrega do DIAT, (ii) de subavaliação, ou (iii) de prestação de informações equivocadas ou fraudulentas, não podendo ser aplicado quando o contribuinte comprovar que o valor arbitrado é superior ao valor correto e adequado conforme características do imóvel, nos termos de Laudo Técnico apresentado. Ou seja, admito ser legítima a utilização dos dados do SIPT para fins de arbitramento de VTN, desde que, para tanto, os parâmetros adotados estejam baseados na aptidão agrícola das terras, contemplando as características intrínsecas e extrínsecas que determinam o potencial de uso da terra. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Tendo em vista que, in casu, o contribuinte não apresentou Laudo Técnico, e o lançamento fiscal arbitrou valor considerando os dados do SIPT da Região, atentando para a aptidão agrícola da área em questão, entendo que esta é a grandeza que deve prevalecer. Ora, sabese que a validação do VTN e da Área de Produção Vegetal ocorre por meio de provas, que é ônus do contribuinte declarante, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Destarte, compulsando os autos verificase que a Recorrente carreou os autos dados que não fazem prova das alegativas trazidas na DITR, razão pela qual não pode prevalecer o valor atribuído de VTN, assim como a exclusão pleiteada quanto a Área de Produção Vegetal. Ante todo o exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10660.001028/2004-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
ROBSON JOSE BAYERL- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI e JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ÂNGELA SARTORI, ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTA BRANDÃO MINATEL, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, CLÁUDIO MONROE MASSETTI e JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA. RELATÓRIO Versa este processo sobre o Auto de Infração de fls. 6/20 (que tem como parte integrante o Termo de Verificação Fiscal), lavrado pela DRF/Varginha, com ciência do interessado em 25/06/2004 (fl. 6), para a exigência de crédito tributário de Cofins, no valor de R$441.846,37, com multa de 75% e juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$939.490,45 (fl. 5). O lançamento foi efetuado por ter a fiscalização apurado: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. Valores apurados conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .0 01 02 8/ 20 04 -8 6 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401000.828 S3C4T1 Fl. 6 2 O interessado apresentou, em 27/07/2004, a impugnação de fls. 142/165. Em sua defesa, alega, em síntese, que: impetrou mandado de segurança contra a exigência de Cofins sobre receitas originadas de ato cooperativo; a MP 1.858/1999 feriu princípios e normas constitucionais, conforme expõe; a base de cálculo deveria ter sido calculada com as exclusões previstas na legislação – requer perícia para apurar se a fiscalização efetuou as deduções da Lei 10.676/2003 e as do § 9º, art. 3º, da Lei 9.718/1998; a taxa Selic é inaplicável. Solicita a suspensão do processo administrativo até o julgamento final da ação judicial. A DRJ decidiu em síntese: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PERÍCIA. A impugnação deve, necessariamente, mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O contribuinte não pode se eximir do ônus da prova mediante solicitação de perícia. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA SOBRE TODAS AS RECEITAS. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. A propositura de ação judicial importa renúncia às instâncias administrativas. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Deve ser mantido o lançamento quando o interessado não aponta os valores que deveriam ser excluídos da base de cálculo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Não compete à Autoridade Administrativa declarar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei. Lançamento procedente. O Recorrente apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos acima. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401000.828 S3C4T1 Fl. 7 3 VOTO Conselheiro Angela Sartori O Recurso segue os requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. Cumpre esclarecer que houve uma inovação legal perpetrada pela Lei no. 12.873 que, por seu art. 19, fez introduzir ao art. 3º. da Lei n. 9.718/98, o § 9ºA. Tal dispositivo, como é sabido, trata exatamente das hipóteses de exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins relativas às operadoras de planos de assistência à saúde e passou a ter a seguinte redação, in verbis: Art. 19. A Lei no9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3o. .........………………….................................... ...................................................................................…..... § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Como se verifica, a nova norma acabou com a discussão travada nesses autos que, em síntese, envolve a possibilidade de se deduzir da base de cálculo do PIS e da COFINS o valor correspondente aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades(...) com os próprios associados. Nessa toada, tenho presente o que determina o art. 106, inc. I do CTN, que determina a aplicação da nova lei a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa, como parece ser o caso. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (grifei) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401000.828 S3C4T1 Fl. 8 4 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Não houve, nesse contexto, uma inovação legislativa, mas a introdução de norma que, segundo o próprio dispositivo esclarece, tem por objeto “efeito de interpretação”. Diante do exposto proponho a conversão do julgamento em diligência para (í) se pertinentes as referidas deduções, que seja elaborado demonstrativo de calculo e relatório conclusivo acerca dos valores que deveriam ter sido deduzidos e, não tenham sido considerados; planilha mês a mês com as rubricas contábeis que formou a base de calculo lançada (ii) se considerou as exclusões do inciso I e II do parágrafo 9 do artigo 3, da Lei n. 9.718/98. A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30 dias. Após, o processo deverá retornar a este Colegiado. Diante do exposto, converto o julgamento em diligência nos termos do voto acima. Angela Sartori Relator Fl. 402DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 13154.000253/2005-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DECRETO Nº 70.235/72
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 12/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DECRETO Nº 70.235/72 Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 12/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 00 02 53 /2 00 5- 94 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 04 14.109 da 3ª Turma da DRJ/CGE (fls. 22/24), que, por unanimidade de votos, julgou procedente Lançamento Fiscal lavrado para incluir na tributação valores omitidos pelo Contribuinte, referentes a rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em razão de trabalho com vínculo empregatício, além dos valores glosados decorrentes da não comprovação de despesas médicas e da dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte, resultando em crédito tributário no montante total de R$ 50.285,22. Os argumentos de Impugnação arguidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Foi apresentada impugnação, f. 0102, em 3/8/2005 através da qual a interessada, em síntese, argumenta que, na apuração do imposto devido, não foram consideradas as retenções por órgãos oficiais; admite que realmente foram omitidos os rendimentos recebidos da CONSTRUTORA OAS LTDA; e que foram indevidamente informadas despesas médicas de outro contribuinte. Junta declaração retificadora demonstrando o valor de imposto de R$ 3.846,67 (três mil oitocentos e quarenta e seis reais e sessenta e sete centavos).” A decisão proferida pela da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande (MS), restou assim ementada: “ÔNUS DA PROVA. As provas dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, que correspondam às alegações da defesa, devem ser oferecidas pelo sujeito passivo com a impugnação, e a não desincumbência desse ônus impõe a manutenção do lançamento. Lançamento Procedente” Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13154.000253/200594 Acórdão n.º 2101002.501 S2C1T1 Fl. 3 3 No Recurso disposto nas fls. 29, o Recorrente informa que recebeu a Comunicação nº 64 referente ao acórdão da DRJ no dia 14/08/2008, reitera os argumentos de impugnação e acrescenta que protocolou requerimento na Prefeitura Municipal de Itiquira – Mato Grosso, solicitando cópias autênticas dos documentos que comprovam os vencimentos e as retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte, mas até o momento não teriam sido disponibilizados pelo Departamento de Recursos Humanos da referida Prefeitura, razão pela qual estaria impossibilitado de apresentar tal documentação. O Recorrente tentou ainda explicar que a Prefeitura Municipal de Itiquira – MT, efetuou pagamento referente a honorários médicos no valor de R$ 59.200,00 (cinquenta e move mil e duzentos reais), montante informado à Receita Federal, com exceção dos valores retidos. Contudo, uma vez que foram deduzidos do pagamento efetuado, o Contribuinte entendeu por direito lançálos na declaração de ajuste anual. Pede, ao final, que seja julgada improcedente a Notificação, e que se intime a Prefeitura Municipal de Itiquira – MT, para se pronunciar a respeito do assunto em discussão. No entendimento de que a ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 11/07/2008, conforme comprova o AR juntado aos autos (fls. 28), e a interposição de recurso a este Conselho só ocorreu no dia 15/08/2008, após o prazo de 30 (trinta) dias estipulado pelo art. 33 do Decreto n° 70.235 de 1972, a Presidência da 2ª Seção do CARF na época, Conselheiro Caio Marcos Candido, emitiu Despacho de fls. 38, em 1º de outubro de 2010, declarando intempestivo o recurso, dele não conhecendo, e encaminhando os autos à repartição de origem para as providências necessárias. Ocorre que, intimado o Contribuinte/Recorrente do referido Despacho no dia 20/04/2011, conforme AR juntado aos autos (fls. 48), enviado para o mesmo endereço, eis que protocolou nova petição (fls. 50), argumentando desta feita, que no dia 16/07/2008, o Sr. RONALDO LUIZ VIEIRA CAMPOS esteve nas dependências da Secretaria da Receita Federal em Rondonópolis – MT, e tomou conhecimento verbal e extrajudicial da comunicação nº 064/08, referente ao Acórdão nº 0414109 da DRJ, tendo posteriormente lhe informado do prazo para Recurso. Assim, alega que o Recurso protocolado no dia 15/08/2008 seria tempestivo. Em preliminar nesta mesma peça, argumenta ainda que o AR juntado aos autos anteriormente, com data de recebimento no dia 11/07/2008, traz assinatura ilegível e sem identificação, postada por pessoa desconhecida, razão pela qual não poderia ser penalizado, Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 arguindo que deveria ser notificada a Agência dos Correios em Itiquira – MT, para se pronunciar a respeito. Quanto ao mérito, insiste na promoção de diligências junto a Agência dos Correios na Cidade de Itiquira – MT, para apuração dos fatos e esclarecer a quem foi entregue a correspondência referente ao AR, datado 11/07/2008, obviamente contendo o conteúdo da comunicação n° 064/08; como também requer diligências junto a Prefeitura Municipal de Itiquira – MT, para esclarecer a confusão gerada pelas informações contraditórias fornecidas a respeito dos valores pagos e retidos, relativo aos recebimentos do ano calendário 2000. Caso deferida a realização das diligências, entende que certamente será constatada a veracidade das alegações, esperando haja reconsideração que acolha o pedido de impugnação favorável ao recorrente. Retornando os autos a este Egrégio Conselho, houve novo pronunciamento da Presidência da 2ª Seção de Julgamento do CARF que, considerando o questionamento quanto a tempestividade, determinou sua distribuição para julgamento. Deste modo, coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso não atende o requisito de tempestividade para sua admissão. De fato, uma melhor observação do feito aponta que existe questão prejudicial à análise de mérito do Recurso, tendo em vista a flagrante preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ora, o prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13154.000253/200594 Acórdão n.º 2101002.501 S2C1T1 Fl. 4 5 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. No presente caso, temse que o contribuinte foi induvidosamente cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 11/07/2008, uma sextafeira, conforme comprova Aviso de Recebimento – AR, de fls. 28, sendo certo que o prazo para a apresentação do recurso se encerrou no dia 12/08/2008, restando totalmente intempestivo o Recurso de fls. 29, protocolado apenas em 15/08/2008. Quanto a insinuação de ciência verbal no dia 16/08/2008, além de inexistir qualquer prova de tal declaração, contradiz com a própria afirmação trazida no texto do Recurso, admitindo, literalmente, “Que no dia 14 de julho de 2008, recebeu COMUNICAÇÃO de nº 64/2008, referente ao processo acima identificado ...” Importa destacar que, mesmo que a Comunicação nº 64/2008 referente ao acórdão da DRJ tivesse sido recebida no dia 14/08/2008, e não no dia 11/08/2008, como comprova documento acostado aos autos (AR de fls. 28), o recurso continuaria tendo sido interposto de forma extemporânea. Por outro lado, não cabe, desta feita e nesta instância administrativa, qualquer discussão quanto a identificação da pessoa que recebeu o documento no endereço indicado pelo Contribuinte, inclusive porque, deve ser ressaltado, é o mesmo endereço onde o Recorrente foi comunicado do Despacho sobre a intempestividade do Recurso. Encerrando o debate, o CARF já editou a Súmula 09, no seguinte sentido: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Não há, portanto, o que se falar em qualquer tipo de nulidade no ato notificatório, ou questionamentos perante a agência dos Correios no Município de Itiquira – MT, já que o contribuinte entrou com Recurso tendo em vista que foi notificado regularmente, conforme previsto no art. 23, inciso II do Decreto nº 70.235/72, assim disposto: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Art. 23. Farseá a intimação: I – omissis. II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Inexistem nos autos quaisquer razões ou fundamentos para estimular alguma dúvida na legalidade da intimação, ou da regularidade do documento acostado aos autos (fls. 28) apenas em face de alegativa de uma suposta ciência verbal em dia posterior, contrariando até mesmo a própria confissão trazida no Recurso interposto. Em consequência, nos termos do art. 42, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito, a decisão de primeira instância é definitiva na esfera administrativa, não havendo razões de debate quanto a pretensão do Recorrente/Contribuinte: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Considerando que no presente caso é incontestável a interposição de Recurso apenas depois do prazo legal, e inexistindo um mínimo de prova em sentido diverso, não se revela admissível acolher contestação quanto a validade de intimação enviada pelos Correios e a ocorrência ou não de uma suposta ciência verbal, muito menos para reconsiderar e/ou alterar a conclusão ofertada pela Delegacia de Julgamento. Em face ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, em razão da sua intempestividade. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13154.000253/200594 Acórdão n.º 2101002.501 S2C1T1 Fl. 5 7 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10675.002749/2005-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 102-02.392
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. MARIAMARIA CHERRER LEITÃO Presidente ANTONIO JOSE PAGA D SOUZA Relator FORMALIZADO EM: 2 4 SE1-2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, LUIZA HELENA GALANTE DE MORAES (Suplente convocada) e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros SILVANA MANCINI ICARAM e MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA. 1 Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 Relatório GILMAR ALVES CAMPOS recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela Lla TURMA/DRJ — JUIZ DE FORA/MG , pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n°70.235 de 1972 (PAF). Em face da exoneração de crédito tributário em valor superior à sua alçada, a Turma Julgadora também recorre, ex-officio. Trata-se de exigência de IRPF no valor original de R$ 16.964.635,91 (inclusos os consectários legais até a data da lavratura do auto de infração). Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever o relatório da decisão recorrida (verbis): "(...) Decorreu o citado lançamento da fiscalização levada a efeito junto ao contribuinte, referente aos anos-calendário de 2000 a 2003, quando foram constatadas as seguintes irregularidades: 1) omissão de rendimentos recebidos a título de resgates de Fundo de Aposentadoria Programada (FAPI) e Previdência Privada; 2) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem a comprovação da origem. Tudo conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 517/520 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 526/528, nos quais estão indicados os períodos envolvidos e os valores lançados. O interessado, representado por procuradores habilitados (docs. fis. 37 e 547), apresenta a peça impugnatória de fls. 535/545, instruída pelos elementos de fls. 562/572, afirmando, de início, não ser litigiosa a matéria constante do item 01 do AI (omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI) referente a novembro/2000 e fevereiro/2002. Quanto à parcela litigiosa do lançamento, sustenta-se o impugnante nos argumentos a seguir sintetizados. I) Em preliminar: 1.1) Da irretroatividade das leis tributárias: supostamente amparada no art. 60 da Lei Complementar n° 105/01 e no Decreto n° 3.724/01, a Fiscalização requisitou às instituições financeiras informações sobre movimentação financeira do impugnante; ocorre que o pedido de informações dos anos-calendário de 2000 e 2001 refere-se a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei Complementar, assim, o procedimento fere o principio constitucional da irretroatividade (arts. 5°, XXXVI, e 150,111, "a", da CF); 1.2) Da decadência: o AI foi lavrado em 11/10/2005, tendo o impugnante tomado ciência em 18/10/2005 e nele foram lançados fatos geradores de janeiro a setembro de 2000; ora, nos termos do 4° do art. 150 do C7'N operou-se a preclusão total, decaindo o direito de a Fazenda Nacional constituir o suposto crédito tributário; 2) Quanto ao mérito: 2.1) Os extratos bancários como caracterizadores da renda tributável - impossibilidade: o depósito bancário, embora possa demonstrar movimentação de riqueza em nome do contribuinte, não pode ser aceito, por si só, como produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e nem como acréscimo patrimonial; e foi exatamente por reconhecer a inexistência da obrigação tributária que, à luz da 2 /L7 Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 reiterada jurisprudência do antigo TRF (Súmula 182), o legislador ordinário, por intermédio do Decreto-lei n° 2.471/88, determinou o cancelamento de débitos tributários constituídos exclusivamente com base em depósitos bancários não comprovados; não há como eleger o total dos depósitos como se renda líquida fosse, por afrontar os arts. 3 0 e 43 do CTN; a lei autoriza tributar a renda real, presumida ou arbitrada, mas ela nunca será igual à própria movimentação bancária; demais disso, o impugnante não está obrigado por lei a manter escrituração de sua movimentação financeira; 2.2) Os documentos apresentados e a comprovação da origem dos recursos movimentados. Exclusão da matéria tributável: durante a auditoria fiscal o impugnante apresentou farta movimentação capaz de comprovar a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias; contudo, a Fiscalização desprezou a prova ao argumento de que não há 'nenhum documento bancário que comprove a efetiva transferência dos valores decorrentes dessas operações e que 'referidos documentos não são, por si só, hábeis para a comprovação pretendida'; o impugnante foi intimado a comprovar a origem dos recursos depositados e, para isto, basta a indicação da fonte, da procedência dos recursos, sem perquirir acerca do documento de transferência que ensejou o crédito na conta bancária; este documento pertence a terceiros e o impugnante não pode ser penalizado por não possuí-lo; a receita decorrente da atividade rural constituía prova da origem dos recursos creditados na conta bancária; não se discute aqui o regime de tributação da atividade rural, mas a origem dos recursos; nem se alegue que o resultado dessa atividade seria insuficiente para justificar os depósitos; o resultado da atividade rural só tem relevância para fins de tributação; por esta razão, as importâncias de R$ 115.246,00, R$ 632.725,06, R$ 1.511.300,32 e R$ 897.373,22 (fls. 10, 16, 23 e 32) devem ser excluídas da matéria tributável dos anos-calendário de 2000 a 2003, respectivamente; os recursos obtidos da Brazil Exports Gems Ltda. referentes à venda de pedras em bruto também devem ser excluídos da matéria tributável pelo valor total das respectivas notas fiscais por constituir prova da origem dos recursos (lis. 486 a 496), que no ano-calendário de 2000 perfazem a importância de R$ 352.433,87; 2.3) Da distribuição dos lucros apurados na_pessoa jurídica. A isenção do art. 10 da Lei n° 9.249/95: os lucros e/ou dividendos distribuídos pelas pessoas jurídicas, a partir . do mês de janeiro de 1996, não se sujeitam à tributação do imposto de renda, quer na fonte, quer na declaração de seus beneficiários; caso contrário, estar-se-ia tributando duplamente o mesmo fato ("bis in idem"), o que é vedado, eis que já houve a tributação do resultado apurado pela pessoa jurídica; como sócio da empresa Giacampos Diamond Ltda., parte do lucro era depositada diretamente na conta- corrente do impugnante, numa distribuição automática de lucros; dessa forma, os lucros recebidos da R$ 170.000,00, R$ 720.000,00 e R$ 2.328.000,00, nos anos- calendário de 2001, 2002 e 2003, respectivamente, justificam, plenamente, a movimentação financeira do período, devendo ser excluídos da matéria tributável; às fls. 307 a 312, consta cópia de parte do Livro Razão da empresa, demonstrando a efetiva distribuição dos lucros, 2.4) Dos recursos decorrentes da exploração do zarimoo: o impugnante, além de ser sócio da empresa Giacampos Diamond Ltda., exerce pessoalmente a atividade de garimpo, categoria "diamantário", como prova o Cartão de Adquirente de Substâncias Minerais (ll. 313) e o expediente emitido pelo Departamento Nacional de Produto Mineral, por meio do qual obteve a Guia de Utilização com autorização para alienar 36.000 m3 de cascalho diamant(ero (fl• 314); o impugnante comercializou diversas pedras preciosas e semipreciosas no mercado internacional, cujos recursos foram depositados em instituição financeira no exterior; essa é a origem da maioria dos recursos movimentados; trata-se de receita de garimpo tributável na forma do art. 48 do RIR/99; solicitou cópia dos documentos emitidos pelas empres mpradoras no exterior, mas até o momento não conseguiu obter a docu taç o completa das 3 Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 operações descritas; a despeito disso, protesta pela oportuna juntada desta aos autos tão-logo a obtenha; 2.5) Tributação sobre bases acumuladas. Rendimentos tributados em um mês justificam e comprovam os depósitos do mês subseqüente; pretende a Fiscalização exigir tributo sobre bases acumuladas, ou seja, tributa os depósitos mês a mês, sem atentar para o fato de que os depósitos tributados como omissão de rendimentos em um mês são suficientes para comprovar e justificar os depósitos do(s) mês(es) seguinte(s); dessa forma, considerando que a tributação em depósitos bancários não presume o consumo de renda, necessário novo levantamento da matéria tributável; tomando-se por base os valores inseridos no AL excluídas as importâncias comprovadas (itens 3.3 e 3.4), têm- se ainda valores capazes de justificar os depósitos bancários, conforme planilhas que instruem sua defesa. (grifos do original) Em seu socorro, o impugnante cita pronunciamentos do Poder Judiciário e do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e requer, ao final, a procedência de sua impugnação. Foi, então, proferido por esta 40 Turma de Julgamento o Acórdão DRJ/JFA n° 12.480, de 10 de fevereiro de 2006, anexado às fls. 578/602, que considerou procedente em parte o lançamento efetuado. Após ser cientificado, o autuado apresentou recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes, asp. 608/624, conforme lhe fora facultado. Mediante o Despacho de fl. 636 da Presidência da 2° Câmara do 1° CCIMF, observou-se um lapso manifesto no citado Acórdão desta DRJ, eis que tendo exonerado o sujeito passivo do pagamento da parcela de R$ 480.892,49, não houve a interposição do recurso de oficio, haja vista que esse 'alcança não só o valor do imposto, mas também a multa de oficio'. Por essa razão os presentes autos foram devolvidos a esta DRJ para análise e, se for o caso, a necessária correção." A DRJ proferiu em 16 de novembro de 2006 o Acórdão n° 14.954, do qual se extrai as seguintes ementas e decisão (verbis): "CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo de cinco anos, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. Os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, em face da inexistência de previsão constitucional para tanto. OMISSSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n" 9.430/96, a partir de 1/1/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa Pica ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Contudo, hão que ser excluídos do lançamento aqueles depósitos bancários, cuja origem dos recursos ficar devidamente comprovada, mediante documentação hábil e idônea para tanto. REQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar n" 4 477 Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 105/2001, constitui simples transferência à SRF, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. LVAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE OU DO DIREITO ADQUIRIDO. Incabível falar-se em irretroatividade ou no desrespeito ao instituto constitucional do direito adquirido, em face da utilização, pela autoridade (ributária, de lei que amplia os meios de fiscalização, uma vez que tais princípios atingem somente os aspectos materiais do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO ANUAL. Os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos a tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. TRIBUTAÇÃO ANUAL Os rendimentos tributáveis recebidos a esse título comporão a base de cálculo do imposto, na declaração de ajuste anual, e o IRRF correspondente será compensado com o imposto devido apurado. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. RECURSO DE OFICIO. Haverá interposição de recurso de oficio ao Conselho de Contribuintes sempre que se exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total superior a R$ 500.000,00. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Acordam os membros da 40 Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo impugnante e, no mérito, considerar procedente em parte a parcela litigiosa do lançamento formalizado pelo Auto de Infração de fl. 516/525 para: a) eximir o contribuinte do recolhimento da parcela de Ri 480.892,49 do imposto de renda pessoa física; b) exigir do interessado o recolhimento da parcela do imposto de renda pessoa física no valor de Ri 7.248.654,27 (sete milhões, duzentos e quarenta e oito mil, seiscentos e cinqüenta e quatro reais e vinte e sete centavos), sujeito à multa proporcional (passível de redução) de 75%, além dos juros de mora devidos no ato do efetivo pagamento. Ressalte-se que as parcelas restantes do imposto nos valores de Ri 247,50 (IRPF/2001) e Ri 2.277,17 (IRPF/2003), correspondentes à parcela não litigiosa do lançamento, deverão ser objeto de cobrança imediata, juntamente com acréscimos legais pertinentes. Intime-se para pagamento, no prazo de 30 dias da ciência, do crédito tributário mantido, salvo interposição de recurso voluntário, em igual prazo, ao Primeiro Conselho de Contribuintes, a quem recorro de oficio da parte favorável ao contribuinte." Aludida decisão foi cientificada em 08/12/2006(AR fl. 666), sendo que o recurso voluntário, interposto em 26/12/06 (fls. 667-683), apresenta as seguintes alegações (verbis): "DA PRELIMINAR: Irretroatividade das leis tributárias. 5 • Processo n° 10675.00274912005-25 Resolução n° 102-02.392 Ressaltando que não cabe à autoridade julgadora, por falta de permissão legal, a manifestação acerca da constitucionalidade ou não da legislação tributária, a rdecisão tece comentários de natureza técnica quanto ao uso retroativo da legislação e da quebra do sigilo bancário. Sustenta que não há ofensa dos princípios constitucionais ou de comandos infraconstitucionais no lançamento. Aduz que o ,sç I° do art. 144 do CTN ampara o procedimento da Fiscalização e que a alteração na redação do art. 11 da Lei n° 9.311196 constitui mera ampliação dos poderes de investigação à disposição do Fisco por se tratar apenas de aspectos procedimentais do lançamento. Ao final, com base nas conclusões do Parecer do Procurador da Fazenda Nacional, rejeita as preliminares. r. decisão não merece prosperar. Se não, vejamos. Supostamente amparada no art. 6° da Lei Complementar n° 105/01 e no Decreto n° 3.724/01, a Fiscalização requisitou às instituições financeiras informações sobre movimentação financeira do Recorrente. Ocorre que o pedido de informações dos anos-calendários de 2000 e 2001 refere-se a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei Complementar, assim, o procedimento fere o princípio constitucional da irretroatividade (arts. 5°, XXXVI e 150, III, 'a 2. (.) Ora, a Fiscalização não poderia requisitar informações às instituições financeiras sobre a movimentação bancária do Recorrente de 2000 e 2001 para fundamentar o presente Auto de Infração porque á época da ocorrência dos fatos geradores lhe era • vedado o acesso a tais informações. Com efeito, durante o período fiscalizado vigia a Lei n° 9.311/96, que instituiu a CPMF e vedou a utilização de informações bancárias para constituição do crédito tributário relativo a contribuições ou impostos. (.) Isto posto, sendo à época dos fatos geradores vedado à autoridade administrativa requisitar informações sigilosas às instituições financeiras para lançamentos de outros tributos que não a CPMF, fica o crédito ora impugnado eivado de vício insanável, devendo ser julgado insubsistente. (.) 4. DA DECADÊNCIA. Quanto a este tópico, sustenta a rdecisão que a regra do art. 150, § 4° do CTN não é aplicável à espécie dos autos porque 'não sendo as omissões de receitas (..) rendimentos sujeitos à tributação definitiva ou exclusiva na fonte, tais omissões devem, por determinação legal, integrar a base de cálculo do ajuste anual no ano em que forem considerados recebidos os rendimentos'. Ledo engano. (.) Portanto, não há que se exigir do Recorrente pagamento do imposto de renda relativo aos fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 2000 porque atingidos pela decadência. No mérito, melhor sorte não socorre a pretensão da fazenda Nacional, como se passa a demonstrar. (.) 5. DO MÉRITO. 5.1. Os extratos bancários como caracterizadores da renda tributável: impossibilidade. Sustenta a rdecisão que o legislador, a partir do art. 42 da Lei n° 9.430/96, 'não estabeleceu uma nova hipótese de incidência do imposto de renda, não equiparou (.) depósito bancário incomprovado à renda. Simplesmente (.) institui um outro tipo de norma legal: aquela que prevê um novo tipo de presunção legal de omissão de rendimentos.' 6 Processo n° 10675.00274912005-25 • Resolução n° 102-02.392 De se notar que a própria autoridade administrativa admite que a Lei n° 9.430/96 'instituiu outro tipo de norma legal'. Vale dizer, estabeleceu-se outra hipótese de incidência tributária. (.) 5.2. Os documentos apresentados e a comprovação da origem dos recursos movimentados. Exclusão da matéria tributável. O argumento da r. decisão de que os documentos apresentados pelo Recorrente carecem de confiabilidade e que não há, em nenhum deles, coincidência de datas de valores com os depósitos bancários não pode prosperar... (..) Ora, o Recorrente apresentou farta documentação capaz de comprovar a origem dos " recursos ingressados nas contas bancárias (lls. 207 a 312; 327 a 404, e 407 a 496), mas a Fiscalização desprezou a prova ao argumento de que não há 'nenhum documento bancário que comprove a efetiva transferência dos valores decorrentes dessas operações' e que 'referidos documentos não são, por si só, hábeis para a comprovação pretendida'. Registre-se que o Recorrente foi intimado a comprovar a origem dos recursos depositados (fis. 187). E para comprovar a origem, basta a indicação da fonte, da procedência dos recursos, sem perquirir o documento de transferência que ensejou o crédito na conta bancária. As pessoas fisicas, por estarem desobrigadas de escrituração, não possuem 'documentos de transferências' até porque, muitas vezes, são terceiros que efetuam tais créditos. Na atividade rural, v.g., a venda do gado constitui a prova da origem do recurso. Embora o Recorrente tenha apresentado a nota fiscal de venda e localizado o depósito na listagem anexa aos autos, a Fiscalização não aceitou a prova por falta de 'documento bancário de transferência da operação'. Ora, este documento pertence a terceiros e o Recorrente não pode ser penalizado por não possui-lo. (..) Ainda a respeito da atividade rural, é necessário esclarecer que a receita decorrente da atividade constituí prova da origem dos recursos creditados na conta bancária do Recorrente. Não se discute aqui o regime de tributação da atividade rural, mas a origem dos recursos. Nem se alegue que o resultado da atividade seria insuficiente para justificar os depósitos. O resultado da atividade rural só tem relevância para fins de tributação. Por esta razão, as importâncias de R$ 115.246,00, R$ 632.725,06, R$ 1.511.300,32 e R$ 897.373,22 (11s. 10, 16, 13 e 32) devem ser excluídas da matéria tributável dos anos-calendários de 2000 a 2003, respectivamente. Os recursos obtidos da Brazil Exports Gems Lida referente à venda de pedras em bruto também devem ser excluídos da matéria tributável pelo valor total das respectivas notas fiscais por constituir prova da origem dos recursos (fls. 486 a 496), que no ano- calendário perfazem a importância de R$ 352.433,81 5.3. Da distribuição dos lucros apurados na pessoa jurídica. A isenção do art. 10 da Lei n°9.249/95. Como é sabido, os lucros e/ou dividendos distribuídos pelas pessoas jurídicas, a partir do mês de janeiro de 1996, não se sujeitam à tributação do imposto de renda, quer na fonte, quer na declaração de seus beneficiários. Uma vez tributado o lucro altero real) ou a receita na pessoa jurídica (lucro presumido ou arbitrado), a sua distribuição aos sócios beneficiários há de serfeita com os benefkios da isenção. É o que dispõe o art. 10 da Lei n°9.249/95: (.) Desta forma, a totalidade dos lucros recebidos nos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003 (R$ 170.000,00, R$ 720.000,00 e R$ 2.328.000,00, respectivamente, - doe. 03 da 7 • Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 impugnação) justifica, plenamente, a movimentação financeira do período, devendo ser excluídos da matéria tributável. Às ft 307 a 312, consta cópia de parte do Livro Razão da empresa, demonstrando a efetiva distribuição dos lucros, além de planilha (doe. 04 da impugnação) contendo as conciliações e explicações para alguns depósitos. (..) 5.4. Dos recursos decorrentes da exploração do garimpo. O Recorrente, além de ser sócio da empresa Gacampos Diamond Ltda., exerce pessoalmente a atividade de garimpo, categoria Viamantário t, como prova o Cartão de Adquirente de Substâncias Minerais (fls. 313) e o expediente emitido pelo Departamento Nacional de Produto Mineral, por meio do qual obteve a Guia de Utilização com autorização para alienar 36.000 metros cúbicos de cascalho diamantifero (fls. 314). (.) 5.5. Tributação sobre bases acumuladas: os rendimentos tributados em uni mês justificam os depósitos do mês subsequente. Como não bastasse, pretende a Fiscalização exigir tributo sobre bases acumuladas, ou seja, tributa os depósitos mês a mês sem atentar para o fato de que os depósitos tributados como omissão de rendimentos em um mês são suficientes para comprovar e justificar os depósitos do(s) mês(es) seguin-te(s). Desta forma, considerando que a tributação em depósitos bancários não presume o consumo de renda, necessário novo levantamento da matéria tributável, conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda no Acórdão n° 104-19.393, de 12.06.2003, da lavra do Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL (.) 6. DO PEDIDO Pelo exposto, pede o Recorrente a procedência deste Recurso Voluntário para, reformando a r. decisão, extinguir o crédito tributário objeto do auto de infração em referência, nos termos das razões acima expostas. Protesta pela juntada posterior dos documentos referentes às operações descritas no item 5.4." A unidade da Receita Federal responsável pelo preparo do processo, efetuou o encaminhamento dos autos a este Conselho em 29/12/2006 (fl. 690). Registre-se, por fim, que o sócio do contribuinte, Sr. Geraldo Magela Campos, também sofreu autuação do IRPF no mesmo período, sendo que foi objeto de recurso voluntário, recurso Recurso: 151906 Câmara: SEXTA CÂMARA Processo: 10675.002742/2005-11 Tipo Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: 1RPF Recorrente: GERALDO MAGELA CAMPOS Recorrida: 40 TURMA/DRJ-JUIZ DE FORA/MG Data Sessão: 08/11/2006 8 . Processo n0 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 Relator: Gonçalo Bonn Ai/age Decisão: Acórdão 106-15952 Resultado: DPPM - DAR PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA Texto da Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de irretroatividade da Lei n°10.174, de 2001. Decisão: Vencido o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage (Relator), José Carlos da Malta Rivitti e Roberto de Azeredo Ferreira Pagetti. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a origem comprovada dos depósitos bancários até o limite das importâncias informadas na Declaração de Ajuste Anual, vencidos os Conselheiros Luiz Antonio de Paula e José Ribamar Barros Penha; e, ainda, reconhecer a decadência quanto à • omissão de rendimentos por depósitos bancários e à exigência de multa isolada no período de janeiro a setembro de 2000. Vencidos os Conselheiros Luiz Antonio de Paula, Ana Neyle Olímpio Holanda e José Ribamar Barros Penha. Designado para redigir o voto vencedor quanto à preliminar o Conselheiro Luiz Antonio de Paula. -Ementa: LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇA0 - INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE - Incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. IRPF - DECADÊNCIA - DEPOSITOS BANCARIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre no mês dos créditos, a teor do artigo 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de oficio opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do - artigo 156, inciso V, ambos do CTN. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPOSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, sendo que não se pode admitir a transferência do montante tributado em um mês como origem de recursos para o mês seguinte, por ausência de amparo legal e, ainda, pela falta de comprovação de que tais valores foram sacados e novamente depositados no mês subseqüente. MULTA ISOLADA - IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNE-LEAO. A regra decadencial aplicável ao imposto de renda devido a título de carnê-leão estende-se à penalidade isolada incidente sobre a falta de recolhimento do referido tributo, em função do princípio de que o acessório segue a sorte do principal. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. É o Relatório. l7 9 • Processo n° 10675.002749/2005-25• Resolução n° 102-02.392 Voto Conselheiro ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Relator • O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Conforme relatado o crédito tributário que remanesce em litígio refere-se a omissão de rendimentos com base em depósito bancário. No julgamento em primeira instância, realizado pela 4'. Turma da DRJ Juiz de Fora, parte da exigência foi excluída (R$ 480.892,49 e respectiva multa proporcional de 75%), ou seja, exoneração superior a R$ 500.000,00, cabendo o recurso de oficio. Vejamos, novamente,os fundamentos daquela decisão nessa parte (verbis): "2.2.2- Distribuição de lucros Primeiramente, o peticionário discorre sobre a isenção de tributação dos lucros distribuídos pelas pessoas jurídicas a partir de janeiro/1996. Considero desnecessário debater o assunto, pois, o que se cogita no presente lançamento é a comprovação da origem dos recursos depositados em conta-corrente mantida pelo contribuinte em instituição financeira. Na hipótese de parte dos depósitos ter sido efetuada pela empresa Giacampos Diamond Ltda. (na qual o autuado tem participação), por conta de distribuição de lucros, conforme por ele alegado, tal fato há que ser comprovado. Além disso, os rendimentos em pauta hão que estar informados nas respectivas declarações de rendimentos. Em seu socorro o interessado trouxe, na fase de fiscalização, às fls. 307/312, cópias do livro Razão daquela empresa. Tal escrituração não foi posta em dúvida pelos autuantes. A par disso, entendo que os valores ali lançados a titulo de distribuição de lucros são hábeis para comprovar a origem dos depósitos bancários, quando coincidentes em datas e valores, conforme a seguir demonstrado: Fólios Data do depósito Data da distribuição Valor (R$) 309 e 507 18/11/2002 18/11/2002 100.000,00 Total comprovado p/ o AC2002 100.000,00 Fólios Data do depósito Data da distribuição Valor (R$) 310 e 508 10/1/2003 10/1/2003 58.100,00 13/1/2003 13/1/2003 37.000,00 17/1/2003 1711/2003 49.000,00 10/2/2003 10/2/2003 80.000,00 310 e 509 6/3/2003 6/3/2003 46.600,00 311 e 509 27/3/2003 27/3/2003 140.000,00 15/4/2003 15/4/2003 63.000,00 16/4/2003 16/4/2003 124.000,00 2/5/2003 2/5/2003 63.000,00• 9/5/2003 9/5/2003 44.000,00 311 e 509 16/5/2003 16/5/2003 60.000,00 20/5/2003 20/5/2003 60.000,00 311 e 510 27/5/2003 27/5/2003 45.000,00 2/6/2003 1/6/2003 25.000,00 10 11/ • Processo n° 10675.002749/2005-25 • Resolução n° 102-02.392 311 e 511 7/7/2003 7/7/2003 60.000,00 23/7/2003 23/7/2003 40.000,00 1/8/2003 1/8/2003 50.000,00 28/8/2003 28/8/2003 20.000,00 29/9/2003 29/9/2003 115.000,00 10/10/2003 10/10/2003 85.000,00 311 e 512 16/10/2003 16/10/2003 20.000,00 312 e 512 24/10/2003 24/10/2003 26.000,00 27/10/2003 27/10/2003 75.000,00 29/10/2003 29/10/2003 71.000,00 6/11/2003 6/11/2003 56.000,00 14/11/2003 14/11/2003 72.000,00 18/11/2003 18/11/2003 40.000,00 24/12/2003 24/12/2003 18.000,00 30/12/2003 30/12/2003 6.000,00 Total comprovado p/ o AC2003 Observa-se nas DIRPFs dos exercícios financeiros de 2003 e 2004, anos-calendário de 2002 e 2003, às fls. 18/23 e 26/33, que os valores informados pelo contribuinte como rendimentos isentos e não-tributáveis (lucros e dividendos recebidos: AC2002 => R$ 725.000,00 e AC2003 => R$ 2.150.000,00) comportam as importâncias anteriormente discriminadas. Dessa forma, considero que devam ser excluídos do presente lançamento os depósitos bancários nos valores de R$ 100.000,00 e R$ 1.648.700,00, nos EF2003/AC2002 e EF2004/AC2003, respectivamente, cuja origem de recursos restou devidamente comprovada." Como se vê, a autoridade julgadora de primeira instância cotejou os valores contabilizados pela empresa Giacampos Diamond Ltda. (na qual o autuado tem participação), a título de distribuição de lucro para o contribuinte, com os depósitos, considerando essa parte comprovada. Foram apresentadas cópias de livros contábeis da empresa durante a auditoria, contendo registros dessas distribuições de lucros, fls. 307-312, os quais não foram questionados ou verificados pelo Fisco. Dai, a decisão de primeira instância considerou tal contabilidade prova hábil para esse fim. Uma vez que o Colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência é de bom alvitre que seja verificada a autenticidade desses documentos contábeis e, • principalmente, verificado se a empresa possuía disponibilidades de Caixa para efetuar os pagamentos relativos a essas distribuições. Quanto ao recurso voluntário, observa-se que os ilustre representantes do contribuinte repisaram as preliminares da peça impugnatória, que foram devidamente • enfrentadas na decisão recorrida. Passo a reapreciar tais preliminares 1) Preliminar de decadência e erro no critério temporal (fato gerador mensal ao invés de anual O recorrente alega nulidade do lançamento e decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário (parcial., meses do ano de 2000). Isso porque o fato gerador do IRPF no caso de depósitos bancários seria mensal. Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 Compulsando os autos, verifica-se que a apuração e tributação dos rendimentos omitidos observou rigorosamente o disposto no art. 42 da Lei 9.430/1996, pois: - os depósitos cuja origem não foi comprovada foram identificados individualmente, conforme discriminado no termo de fls. 208 a 234; - durante a auditoria, o contribuinte foi intimado, e re-intimado, para comprovar a origem dos recursos utilizados nesses depósitos (fls. 199); - os valores não comprovados foram totalizados mensalmente, para fins de tributação, conforme termo de descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração à fl. 236 (transcritos no relatório acima).. Observa-se que, para cada fato gerador mensal, encontra-se grafado o valor tributável, em absoluta atenção ao §3° do art. 42 da Lei 9.430 de 1996. Também está grafado distintamente, para cada fato gerador, o percentual da multa de oficio. Veja-se também que no demonstrativo de apuração e consolidação do ajuste anual do imposto de renda devido pelo contribuinte, as infrações tributadas foram mais uma vez totalizadas mensalmente. Ocorre que o artigo 42 da Lei 9.430 de 1996, e suas alterações posteriores, não estabeleceu que esta tributação mensal seria definitiva, muito menos em separado Ao contrário da tributação do Ganho de Capital na pessoa fisica, por exemplo, que é efetuada em separado, e definitiva, conforme estabelece o artigo 21 da Lei. 8.981 de 1995: "Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa _física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeita-se à incidência do imposto de renda, à aliquota de quinze por cento. § 1° O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2° Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração." (grifei). E mais, para alguns tipos de rendimentos, a legislação do IRPF detennina sejam realizados recolhimento mensais, a título de antecipação, consoante art. 106 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199): "Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa fisica que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no Pais, tais como (Lei n°7.713, de 1988, art. 8°, e Lei n°9.430, de 1996, art. 24, § 2°, inciso IV): Também não é esse o caso dos rendimentos apurados com base na presunção legal do artigo 42 da Lei 9.430/1996. Certo é que tais rendimentos, tal qual ocorre, com àqueles apurados pela aplicação da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto (Lei n°7.713, de 1988, art. 3°, § 1°), devem ser submetidos ao ajuste anual de que trata o artigo 2° da Lei 8.134 de 1990 e art. 70 da Lei 9.250 de 1996, que dispõem: "Lei 8.134/1990 a('12 • Processo n° 10675.002749/2005-25• Resolução n° 102-02.392 • Art. 20 O Imposto de Renda das pessoas fisicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (artigo 9°) será determinado com observância das seguintes normas: 1— será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (artigo 12) sobre a base de cálculo (artigo 10); II — será deduzido o valor original, excluída a correção monetária, do imposto pago ou retido na fonte durante o ano-base, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo (artigo 10); (.)" "Lei 9.250/1996 Art. 7°A pessoa _tísica deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal;' É no ajuste anual que são incluídas as deduções da base de cálculo, autorizadas em lei (despesas médicas, despesas com instrução, previdência privada), e também as reduções do imposto. Além disso, os rendimentos, as deduções e os recolhimentos mensais são totalizados, permitindo ao contribuinte restituir o imposto eventualmente pago a maior. O ajuste anual é a regra geral de tributação dos rendimentos recebidos pelas pessoas fisicas; as tributações em definitivo, bem assim as exclusivas na fonte, são exceções, e devem estar expressa em lei. Logo, a consolidação e apuração do imposto devido, mediante o • ajuste anual, não implica em mudança do critério temporal do fato gerador, pelo contrário, trata-se de estrita observância do comando legal (princípio da legalidade). Frise-se que, caso o ajuste anual deixe de ser realizado, a autoridade tributária ou julgadora deve determinar sua realização, conforme estabelecido na Instrução Normativa SRF n° 46 de 1997. Aliás, tal ajuste, não implica em alteração do critério jurídico do lançamento, muito menos do critério temporal do fato gerador. As diversas Câmaras deste Conselho já decidiram nesse sentido, inclusive determinando a realização do ajuste, a exemplo dos seguintes julgados: Sessão: 27/01/1999 Decisão: Acórdão 106-10.636 Resultado: NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Ementa: IRPF - LANÇAMEIVTO - APLICAÇÃO DA IN SRF N°46/97 - O crédito tributário continua a ser apurado em bases mensais, não obstante seja computado na determinação da base de cálculo anual do tributo, em atenção ao disposto na IN SRF n°46/97. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NOVO PRAZO PARA DEFESA - DESNECESSIDADE - A abertura de novo prazo para defesa é determinada pela lei processual administrativa tão-só quando a exigência resultar agravada pela decisão da Delegacia de Julgamento. Sessão: 15/10/1998 Decisão: Acórdão 102-43421 Ementa: IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Classifica-se 13 Processo n0 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 como omissão de rendimentos, a variação positiva no património do contribuinte, sem justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Em obediência a alínea "a", inciso Ido art. P da IN - SRF n° 46/97, reduz-se o valor do imposto devido. Sessão: 14/07/1998 Decisão: Acórdão 106-10282 Ementa: IRPF - RENDIMENTOS - OMISSÃO - ACRESCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - E tributável o acréscimo patrimonial apurado pelo fisco, cuja origem não seja comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou sujeitos à tributação definitiva. IRPF - ACRESCIMO PATRIMONIAL - APURAÇÃO MENSAL - O• acréscimo patrimonial deve ser apurado mensalmente, devendo os valores lançados serem computados na determinação da base de cálculo anual do tributo, nos termos da IN SRF n° 46/97. O entendimento majoritário desta Câmara, recente, é no sentido de que a tributação com base em depósito bancário também se sujeita ao ajuste anual. Cite-se, nessa linha, os seguintes julgados: Sessão: 30/03/2007 Decisão: Acórdão 102-48372 Resultado: NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Ementa: IRPF - DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A tributação das pessoas físicas sujeita-se a • ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, lançamento é por homologação, regra que também se aplica aos rendimentos arbitrados com base na presunção legal do art. 42 da lei 9.430/1996 (depósitos bancários de origem não comprovada). Sendo assim, o direito de a Fazenda nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano calendário questionado. Salvo se comprovado dolo, fraude ou simulação, hipótese que desloca o inicio da contagem do prazo para o primeiro dia do ano seguinte, ou seja, nessa hipótese, a contagem do prazo e aumentada em um ano. (grifei) Sessão: 22/03/2006 Decisão: Acórdão 102-47451 Ementa: (.) • DEPÓSITO BANCÁRIO - DECADÊNCIA - A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada embora apurada em base mensal sujeita-se à incidência do imposto apenas no ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro. Quanto a decadência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais também já firmou entendimento no sentido de que a contagem nos casos de rendimentos sujeitos ao ajuste anual tem por marco o dia 31 de dezembro de cada ano-calendário (fato gerador complexivo). Vejamos a ementa de um dos acórdãos sobre a matéria, proferido pela 4 a. Turma da CSRF: 14 • Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 Sessão: 22/09/2005 Acórdão: CSRF/04-00.092 Ementa: IRPF DECADÊNCIA - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 40. do CTIV), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro. A jurisprudência predominante nesta Câmara e também da Câmara Superior de • Recursos Fiscais, vem se consolidando no sentido de que o prazo decadencial do IRPF - no que tange aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual - é de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, que se dá em 31 de dezembro do ano da percepção dos rendimentos. Salvo se comprovado dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, temos como exemplo os seguintes julgados: Câmara: Câmara Superior de Recursos Fiscais Data Sessão: 16/02/2004 Acórdão: CSRF/01-04.860 Ementa: "IRPF - DECADÊNCIA - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4" do C77‘), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro. Recurso especial negado." Câmara: 2*. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Data Sessão: 12/09/2005 Acórdão: 102-47.078 Ementa: DECADÊNCIA — AJUSTE ANUAL — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — Sendo a tributação das pessoas Picas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano calendário questionado." Ressalvo aqui, meu entendimento pessoal, no sentido de que decadência sempre é contada na forma do art. 173 do CTN. No presente caso, tem-se que o impugnante tomou ciência do Auto de Infração quando ainda não havia se expirado o interstício decadencial relativo ao ano-calendário de 2000, exercício financeiro de 2001. Isso em qualquer das hipóteses de lançamento, seja por homologação (art. 150 do CTN) ou por declaração (art. 173, parágrafo único, do CTN), razão pela qual considero despiciendo se estender o debate acerca da modalidade de lançamento do IRPF. Na primeira hipótese, a data limite do prazo qüinqüenal de decadência ocorreu em 31/12/2005 (contada do fato gerador anual, 31/12/2000) e na segunda hipótese, a data limite ocorreria em 1/8/2006 (contada da entrega da DIRPF/2001, 2/8/2001, fl. 6 — embora com • atraso, mas dentro do próprio exercício financeiro). Portanto, tais datas antecedem a ciência pelo contribuinte do Auto de Infração em pauta, o que se deu em 18/10/2005 (AR, fl. 534). 2) Sigilo bancário. Aplicação retroativa da lei n° 10.174 de 2001. 15 (27 Processo n° 10675.00274912005-25 Resolução n° 102-02.392 A fiscalização teve inicio após a edição do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001, que mais uma vez promoveu substancial alteração naquela matéria, dispondo, ipsis litteris: 'Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela • autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.' A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável na nova lei do sigilo bancário, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de um julgado de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, de 1994, no qual ficou assentado que o termo "processo", empregado no art. 38, § 50, da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não a processo administrativo; que a expressão autoridade competente se referia a autoridade judiciária, não a autoridade administrativo-fiscal. Cuidou, assim, o preceptivo legal em comento - que revogou expressamente, em seu art. 13, o art. 38 da Lei n° 4.595/1964 -, de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário, já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para os fins da lei, é a administrativa. Certamente, ao sopesar interesses opostos (públicos e privados), continuou a preponderar na tomada de decisão do legislador a preocupação com o interesse público e da coletividade. Deveras, se é a própria Constituição que confere competência aos entes da federação para instituir tributos, se é a própria Lei Maior que faculta à administração tributária identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, não seria razoável admitir que uma norma infraconstitucional viesse para aniquilar os meios mediante os quais poderão ser viabilizados os recursos financeiros dos entes federativos, provenientes de tributos, tão necessários à satisfação e ao atendimento de reclamos da coletividade, nas diversas áreas de atuação do Poder Público. O art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 foi regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, que estabeleceu uma série de procedimentos a serem observados pelo fisco, quando da obtenção dos dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes. Cabe esclarecer que o disposto no art. 60 da Lei Complementar n° 105/2001 aplica-se aos fatos geradores ocorridos antes de sua edição. Isso porque a matéria atinente à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada pelo art. 144, e parágrafos, do CTN, na forma abaixo transcrita: 'Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, 16 Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.' Consoante ensinamento ministrado por ilustres tributaristas, na obra "Comentários ao Código Tributário Nacional " (Editora Forense), o caput do art. 144 põe regra de direito material, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto os seus parágrafos contêm uma solução aplicável ao procedimento, processo ou aspecto formal do lançamento. O § 1° do art. 144, regulando matéria diferente de seu caput, consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Este Conselho de Contribuintes vem se manifestando no mesmo sentido, conforme se depreende do seguinte Acórdão: IRPF - PRELIMINAR - NULIDADE - PROVA ILÍCITA - SIGILO BANCÁRIO - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, entrando em vigor a Lei Complementar n° 105/01, a fiscalização passa a ser autorizada a examinar os registros referentes a contas de depósitos e aplicações de contribuintes submetidos a procedimento fiscal a partir da data de sua publicação, contudo tendo a possibilidade de investigar fatos e atos anteriores à sua vigência, desde que obedecidos os prazos decadenciais e prescricionais.' (C Câmara, Ac. 106-13144, sessão de 28/01/2003) O mesmo raciocínio se aplica ao disposto no art. 11, § 3°, da Lei n°9.311, de 24/10/1996, que instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF, cuja redação original assim estabelecia: 'Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (..) ,f 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos.' Contudo, com a edição da Lei n° 10.174, de 09/01/2001, em seu art. 1°, foi dada nova redação ao propalado § 3 0, facultando a utilização das informações relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo e efetuar lançamento de outros tributos, conforme se depreende de sua simples leitura: '§ 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores.' Logo, ao autorizar a instauração de procedimento de fiscalização referente a qualquer outro imposto ou contribuição, com base nas informações decorrentes da CPMF, a Lei n° 10.174/2001, inquestionavelmente, estabeleceu novos procedimentos de fiscalização, 17 II • Processo n° 10675.002749/2005-25 • Resolução n° 102-02.392 que ampliaram o poder de investigação das autoridades administrativas. Sua aplicação rege-se, pois, pelo § 1°, e não pelo caput ou pelo § 2° do art. 144 do CTN. Por oportuno, cabe transcrever posicionamentos recentes emanados do Poder Judiciário, que confirmam a tese acima: 'TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n° 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. I. A Lei n° 10.174/01, que deu nova redação ao § 3' do art 11 da Lei n° 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CT1V, art. 144, § 19. Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 1. O art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensáveis à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao principio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n°105/01 e pelo Decreto n°3.724/01' (Ac. da I° Turma do TRF da 4° Região — mv — ag 2002.04.01.003040-0/PR — Rel. Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria — j 02.05.02 — Agte.: Joaquim Costa; Agdas.: União Federal/Fazenda Nacional — DJU 2 05.06.02, p 164) (grifei) O Superior Tribunal de Justiça, por sua Primeira Turma, confirmou o entendimento acima, quando do julgamento da Medida Cautelar n° 6.2571RS (2003/0039117- 0), conforme ementa a seguir transcrita: 'AÇÃO CAUTELAR. TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, 1° DO CTN. I. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que compõem a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o 3 0 da art 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6° dispõe: "Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito 18 Processo n° 10675.00274912005-25 Resolução n° 102-02.392 Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente". 5.A teor do que dispõe o art. 144, I° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançado pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário, a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9.Processo cautelar acessório ao processo principal. 10.Juízo prévio de admissibilidade do recurso especial. 11.Ausência de fumus boni juris ante à impossibilidade de êxito do recurso especial. 12.Ação Cautelar improcedente. Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça.' (Ac. da Primeira Turma do ST.1, Rel. Ministro Luiz Flux — Decisão de 03/02/2004 — DJU 25/02/2004, Seção I, pág. 095) As l', 2', 4'. e 6' Câmaras do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, em recentes julgados, se pronunciaram no mesmo sentido, conforme se depreende dos Acórdãos a seguir: 'PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. EXTRATOS BANCÁRIOS. PROVAS ILÍCITAS. DESVIO DE PODER. Os extratos bancários regularmente requisitados pela autoridade administrativa, com fundamento no artigo 11 da Lei Complementar n° 105/01, artigo 38 da Lei n° 4.595/64 e artigo 8° da Lei n° 7.021/90, não podem ser taxados como provas obtidas de forma ilícita e nem com desvio de poder. A Lei Complementar n° 105/01 e Lei n° 10.174/01 tem aplicação retroativa face ao comando expresso no § único, do artigo 144, do Código Tributário Nacional.' (Ia Câmara, Ac. 101-94196, sessão de 14/05/2003) IRPF - UTILIZAÇÃO DOS DADOS DA CPMF EM PROCEDIME1VTO ADMINISTRATIVO FISCAL - INOCORRENCIA DE RETROATIVIDADE DA LEI N" 10.174/2001 - APLICAÇÃO IMEDIATA DA LEI NOVA AOS EFEITOS PENDENTES DE ATO JURÍDICO CONSTITUÍDO SOB A ÉGIDE DA LEI ANTERIOR - LEI IV" 9.311/96 - O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogado, aplicando-se-lhe, no entanto, a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador, institua novos critérios de apuração ou processos de fiscalização ou amplie os 19 Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 poderes de investigação das autoridades administrativas (CTN, art. 144). A Lei n°• 10.174, de 2001, ao facultar a utilização das informações da CPMF em procedimentos administrativos para fins de verificação da existência de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, apenas ampliou os poderes das autoridades fiscais, sem afetar situações constituídas e consolidadas sob a égide da lei anterior, respeitando o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada, razão pela qual pode ser aplicada imediatamente aos efeitos ainda pendentes das obrigações tributárias surgidas sob a vigência da lei anterior, que se prolongam no tempo para além da data de entrada em vigor da lei nova, que passa então a regulá-los, desde que não abrangidos pela decadência, com amparo no art. 6° da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro e no sç 1°, do art. 144, do CTN.' (2° Câmara, Ac. 102-46185, sessão de 05/11/2003) 'IRPF - UTILIZAÇÃO DOS DADOS DA CPMF COMO INDICIO DE SONEGAÇÃO FISCAL - RETROATIVIDADE - O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem- se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, entrando em vigor a Lei n° 10.174/01, a fiscalização passa a ser autorizada a utilizar as prerrogativas concedidas pela lei a partir daquela data, contudo tendo a possibilidade de investigar fatos e atos anteriores à sua vigência, desde que obedecidos os prazos decadenciais e prescricionais, ou seja, passa a dispor de um instrumento de fiscalização que anteriormente não possuía, podendo utilizá-lo conforme o interesse público que o ato administrativo pressupõe." (6° Câmara, Ac. 106-13485, sessão de 09/09/2003) 'APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N" 10.174, de 2001 - Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n°9.311, de 1996, a Lei n" 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, aplicando-se, no caso, a hipótese prevista no ,f 1° do art. 144 do Código Tributário Nacional.' (4° Câmara, Ac. 104-20031, sessão de 17/06/2004) • Logo, resta sobejamente demonstrado que a redação outorgada pela Lei n° 10.174/2001 não disciplina os fatos econômicos evidenciados pelo movimento financeiro, mas apenas e tão-somente o procedimento de fiscalização em si, ou seja, instituiu norma que tratam de "novos critérios de apuração ou processo de fiscalização", possuindo, assim, aplicação imediata. No que tange à possibilidade de se exigir o imposto de renda, com base exclusivamente em depósitos bancários, deve-se esclarecer que parte dos argumentos do recorrente são compatíveis com os lançamentos de depósitos bancários sem origem comprovada antes de 01/01/1997; haja vista que o artigo 6° da Lei n°8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais exteriores de riqueza. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/1997, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando a contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira-se: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 20 4,-- Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica,. II - no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais)." Verifica-se, então, que o diploma legal acima citado passa a caracterizar omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se inquire o titular da conta bancária sobre o destino dos saques, cheques emitidos e outros débitos, ou se foram utilizados para consumo, aquisição de patrimônio, viagens etc. A presunção de omissão de rendimentos decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada. Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento simples - que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza), entendimento também consagrado à época pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes - para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI N° 9.430/96 - Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no ,§* 3°, do art. 42, do citado diploma legal." (Ac 106-13329). "TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁMOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." "ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direito:. "(Ac 106-13188)." 21 Processo n° 10675.00274912005-25 Resolução n° 102-02.392 Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o artigo 43 do CTN, artigo 50 da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 50 da Lei de Introdução ao Código Civil, isso porque "não cabe em sede administrativa discutir-se sobre a constitucionalidade ou legalidade de uma lei em vigor", consoante Sumula n°. 1 deste Conselho. Uma vez que o diploma legal tenha sido formalmente sancionado, promulgado e publicado, encontrando-se em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao principio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal. O lançamento tributário, conforme estabelece o art. 142 do crN, é atividade vinculada e obrigatória, na qual a discricionariedade da autoridade administrativa é afastada em prol do principio da legalidade e da subordinação hierárquica a que estão submetidos os órgãos e agentes da Administração Pública. Frise-se: o ônus da prova, quanto a essa origem, é do contribuinte e não do fisco. Corroborando com o que foi até aqui exposto, transcrevo as ementas e o acórdão de recente julgado unânime da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial N°792.812 - RJ (2005/0180117-9), proferido em 13/03/2007: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICA_BILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. I. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: 'a exegese do art. 144, § I° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e I° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência' e que 'inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal' (REsp 685.708/ES, I° Turma, MM Luiz Fwc, DJ de 20/06/2005). 3. A teor do que dispõe o art. 144, § I°, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, pelo que a LC n° 105/2001, art. 6°, por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a sua vigência. 4. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurá-la. 5. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 6. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. Ele deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal 22 P(// Processo n° 10675.00274912005-25 Resolução n° 102-02.392 como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. 7. Outrossim, é cediço que 'É possível a aplicação imediata do art. 6° da LC n° 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental, sendo certo que, a teor do que dispõe o art. 144, § I°, do CTIV, revela-se possível o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal' (REsp 685.708/ES, 1° Turma, Min. Luiz Fut, DJ de 20/06/2005). 8. Precedentes: REsp 701.996/R.I, Rel. MM. Teori Albino Zavascki, DJ 06/03/06; REsp 691.60I/SC, 2° Turma, Min. Diana Calmon, DJ de 21/11/2005; AgRgREsp 558.633/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 07/11/05; REsp 628.527/PR, Rel. Min. Lhana Calmon, DJ 03/10/05. 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): 'uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fis. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário.' 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornou-se inoperante, sendo certo que, in casu: 'houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua movimentação bancária, em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares (fls. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (fls. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5 , em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de 'um amigo estrangeiro residente no Líbano' (fls. 40). Na justificativa do Fisco (fls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: 'Inicialmente, deve-se chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, deve-se observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles.' 3. Recurso especial provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Denise Arruda, José Delgado e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 13 de março de 2007(Data do Julgamento)" Em síntese: - no presente caso, não há que se falar em nulidade do lançamento, por erro no critério temporal; - não ocorreu a decadência, haja vista que o fato gerador do IRPF, quanto aos• rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se completa em 31/12 de cada ano; - não há ilegalidade na aplicação retroativa da Lei ri° 10.174/2001. Isso porque, instituiu norma que tratam de "novos critérios de apuração ou processo de fiscalização", 23 Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 possuindo, assim, aplicação imediata. No caso concreto, os extratos bancários foram obtidos mediante regular emissão de Requisições de Informações Sobre Movimentação Financeira, sob a égide da nova norma legal, de modo que o fiscal poderia ter investigado todos os anos calendários não atingidos pela decadência do direito de lançar; - o sigilo bancário do contribuinte pode ser estendido à SRF, na forma da Lei Complementar n° 105/2001 - é cabivel a exigência do IRPF arbitrando-se os rendimentos com base exclusivamente nos depósitos bancários, cuja a origem dos recusos não seja efetiva e objetivamente comprovada, a partir de 1997, com amparo na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei 9.430 de 1996. Afasto assim, todas as preliminares argüidas pelo recorrente. No que tange ao mérito, tanto do recurso de oficio quanto do recurso voluntário, considerei, em princípio, que os elementos trazidos aos autos seriam suficientes para a decisão do litígio. Todavia, os debates realizados em plenário conduziram à conclusão de que faz necessária a realização de diligências fiscais para robustecer o convencimento do Colegiado, pelas razões a seguir aduzidas. Cabe verificar se as disponibilidades declaradas e comprovadas pelo contribuinte foram mesmo vertidas em depósitos na conta-corrente objeto da tributação. Do contrário, tais valores não podem ser aceitos para comprovar os depósitos. Afinal, o contribuinte poderia ter destinado esses recursos para outros fins sem transitar por suas contas bancárias. Ora, da mesma forma que os cheques recebidos pela empresa Giacampos Diamond Ltda. eram depositados diretamente na conta contribuinte, conforme aduzido durante a auditoria fiscal, fl. 325, o contribuinte poderia ter repassado parte desses valores diretamente a outros. Daí a necessidade da prova. Pois bem; conforme relatório fiscal de fl. 497-515, que discrimina os depósitos cujas origens foram consideradas não comprovadas (conta corrente 6.774 na agencia 1501 do Bradesco), a grande maioria dos valores são oriundos de "Transferências entre Agencias", "DOCs — Credito Automático" ou "TED - Transferência Eletrônica Disponível". Ocorre que Banco Bradesco deve possuir registros eletrônicos com a identificação do remetente (depositante ou conta corrente bancária de origem). A partir da identificação dos remetentes dos recursos (depositantes), é significativa a possibilidade de identificar-se também a proveniência e origem dos valores depositados. Sendo assim, cumpre a Fiscalização da DRF Uberaba proceder as seguintes diligências: 1) Oficiar o Bradesco para que identifique as contas bancárias de origem e os depositantes (remetentes) de todos os valores creditados para o contribuinte a titulo de Transferências entre Agencias", "DOCs — Credito Automático" ou "TEU - Transferência Eletrônica Disponível", bem como fornecer cópia dos documentos, se disponíveis. Solicitar, ainda, cópias frente e verso dos cheques emitidos pelo contribuinte de valores acima de R$ 10.000,00 (dez mil reais); 24 Processo n° 10675.002749/2005-25 Resolução n° 102-02.392 2) Identificados os remetentes (depositantes ou titulares das contas-bancárias de origem), intimá-los a justificar finalidade (motivação) dessas transferências para o contribuinte; 3) Efetuar diligência in locu na contabilidade da empresa Gilcampos Diamonds Ltda, para verificar a autenticidade/regularidade das cópias de livros às fls. 307-312, e, principalmente, verificar se a empresa possuía disponibilidades de Caixa para efetuar os pagamentos relativos a essas distribuições, bem assim se foram informadas na DIPJ. 4) Determinar os montantes mensais dos valores que foram creditados na conta bancaria do contribuinte via Transferências, DOC e TED. Caso seja possível apurar a proveniência desses valores, confrontar os valores restantes com os passíveis de comprovação pelos lucros recebidos do contribuinte da empresa Giacampos Diamonds. 5) Intimar os principais compradores da produção agropecuária do contribuinte, aqueles cujo total das aquisições sejam superior a R$ 20.000,00 - conforme notas fiscais de produtor juntadas aos autos - solicitando esclarecimentos quanto a forma de pagamento, especialmente se efetuaram Transferências Bancárias, DOCs ou TEDs para pagamentos dessas aquisições; 6) Intimar o recorrente para que colabore nas apurações acima, fornecendo as informações e cópia de documentos que porventura possuir. A Fiscalização deverá envidar esforços, bem assim empreender outros procedimentos que entender cabíveis na busca da verdade material (determinar ao menos a proveniência das transferências bancárias); pois, cumpre à Receita Federal do Brasil cobrar o crédito tributário devido - nem mais, nem menos - na forma da lei. A meu ver, a presunção legal ora aplicada (art. 42 da Lei 9.430/1996), em que pese sua indiscutível aplicabilidade, pode ser robustecida com outros elementos. Ao invés de agir apenas de forma passiva, esperando que o contribuinte apresente provas para elidir sua aplicação, o fisco pode ser pró- ativo, analisando os extratos bancários, especialmente o tipo de depósito (haja vista que alguns como os TED e DOC podem ser identificados os remetentes e, quiçá, a finalidade), os cheques de valores mais expressivos emitidos pelo fiscalizado, cujas cópias podem ser obtidas junto • (intimando os favorecidos a prestar esclarecimentos), enfim: fazer algo mais em busca da apuração dos rendimentos tributáveis que verdadeiramente foram omitidos. Ao final dos trabalhos, a Fiscalização deverá lavrar termo consubstanciado das verificações efetuadas, cientificando o recorrente, que poderá manifestar-se nos autos, no prazo de 30 dias. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares de decadência, nulidade do lançamento por erro no critério temporal (ocorrência do fato gerador), nulidade do lançamento em face da irretroatividade da Lei, e no mérito CONVERTER o julgamento em diligência, a cargo da Fiscalização da DRF Uberaba (MG). Sala das Sessões— DF, em 08 de agosto de 2007. ANTONIO JOS RAGA DE S UZA 25 Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13808.000202/00-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1991
IRPF - DECADÊNCIA.
A regra do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional - CTN, somente se aplica aos casos de decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Assim, a decisão que anula lançamento anterior por vício material não tem o condão de restabelecer prazo para novo lançamento. Neste caso, o lançamento somente pode ser efetuado enquanto não ocorrido o termo decadencial.
Numero da decisão: 2102-000.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para extinguir o crédito tributário lançado, visto que atingido pela decadência.
Assinado digitalmente
José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator
(Acórdão reapresentado em meio magnético.)
EDITADO EM 07/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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A regra do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, somente se aplica aos casos de decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Assim, a decisão que anula lançamento anterior por vício material não tem o condão de restabelecer prazo para novo lançamento. Neste caso, o lançamento somente pode ser efetuado enquanto não ocorrido o termo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para extinguir o crédito tributário lançado, visto que atingido pela decadência. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 02 02 /0 0- 45 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.000202/0045 Acórdão n.º 2102000.974 S2‐C1T2 Fl. 147 2 (Acórdão reapresentado em meio magnético.) EDITADO EM 07/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 106 a 110, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 93 a 9, que julgou procedente em parte o lançamento do IRPF de fls. 62 a 64, relativo ao anocalendário 1991, lavrado em 09/02/2000, do qual o RECORRENTE tomou ciência em 09/02/2000 (fl. 62 dos autos). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 3.449,59, já inclusos juros de mora e multa de ofício de 75%. O lançamento teve origem na glosa de deduções escrituradas em livro caixa, com base no art. 6º e parágrafos da Lei nº 8.134/90. O procedimento teve início com a emissão de Notificação de Lançamento, em 19/08/1992, que apurou imposto a pagar diferente do informado pelo RECORRENTE em sua declaração de rendimentos referente ao anocalendário 1991, e procedeu à cobrança do saldo de 1.075,71 UFIR (vide fl. 03 do processo nº 13804.001469/9226, apenso a este). Quando da apresentação de sua impugnação nos autos do processo nº 13804.001469/9226, o RECORRENTE anexou aos autos cópia da declaração retificadora apresentada, reconhecidamente, após a ciência da notificação de lançamento. Tal declaração reduziu os rendimentos tributáveis de Cr$ 8.977.350,00 para Cr$ 6.690.395,00, sem, contudo, alterar o saldo do imposto a pagar apurado pelo contribuinte, no valor de Cr$ 70.527, como se pode observar através das fls. 04 e 06 do processo apenso (processo nº 13804.001469/9226). Posteriormente, em 20/05/1998, o lançamento foi declarado nulo, de ofício, visto que a notificação de lançamento não havia observado os requisitos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN e no art. 11 do Decreto 70.235/72, conforme fls. 25 e 26 do processo nº 13804.001469/9226, apenso. A decisão proferida na ocasião possui a seguinte ementa: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. É nulo o lançamento cuja notificação não contém todos os pressupostos legais contidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional (Aplicação do disposto no art. 6°, I, da IN SRF n° 94/97).” Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.000202/0045 Acórdão n.º 2102000.974 S2‐C1T2 Fl. 148 3 Na oportunidade, a autoridade julgadora esclareceu que, “por manifesta deficiência de instrução dos autos”, inexistiam condições de modo a permitir, de plano, a apreciação do mérito. Desta forma, a autoridade lançadora submeteu a declaração do RECORRENTE à nova revisão, o que resultou na lavratura, em 09/02/2000, do auto de infração ora analisado, de fls. 62 a 64. De acordo com o relatório fiscal de fls. 57 e 58, a autoridade lançadora constatou que a declaração retificadora, tinha por objetivo, agregar despesas, que fatalmente reduziriam os rendimentos oferecidos à tributação. Assim, observou que o RECORRENTE havia informado no livro caixa despesas efetuadas com terceiros sem vínculo empregatício, despesas a maior, bem como despesas diversas desnecessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos tributáveis, tais como: despesas com condução de funcionários, aposentadoria, taxi, gorjetas, gratificações, refeições (bolo, salgados e etc), carimbos de terceiros e de consumo de energia elétrica, o que contraria a art. 75, I e II, parágrafo único, II, do RIR/99. Desta forma, ao efetuar a glosa de tais despesas informadas em livro caixa, no valor total de Cr$ 3.025.588,00 (fl. 56), o que resultou na alteração da base de cálculo de Cr$ 6.690.395,00 para Cr$ 9.715.983,00, a fiscalização apurou saldo final de imposto a pagar de Cr$ 756.397,00. DA IMPUGNAÇÃO Em 01/03/2000, o RECORRENTE apresentou a impugnação de fls. 67 a 72, alegando o seguinte: Em Decisão DRJ/SPO/SP N. 20220/98 12.11923 datada de 20 de maio de 1998, a autoridade julgadora anulou o lançamento visto que a notificação não continha todos os pressupostos legais contidos no art. 142 do CTN, afirmando que “a declaração de nulidade, quando for o caso, não impede a emissão de novo lançamento, mediante auto de infração, enquanto não ocorrido o termo decadencial; Ocorreu a decadência por inércia da Delegacia da Receita Federal, uma vez que foi apresentada impugnação do lançamento em 11/09/92 pedindo retificação de declaração, por mero erro de datilografia, que ficou paralisado sem pronunciamento dessa Delegacia até 18.06.1999; Que da data da impugnação em 11/09/1992 até a intimação da decisão de nulidade do lançamento, em 18/06/1999, extinguiuse o direito de proceder o lançamento do crédito tributário visto que decorridos mais de 5 anos, conforme artigo 898 do RIR/99; Sobre a glosa de despesas em livro caixa, esclareceu que foram efetuados vários pagamentos a Arnaldo Morandi, contador, a título de prestação de assistência técnica necessária à percepção da receita, na forma do art. 75, III, do Decreto nº 3.000/99, na forma de contrato prevista no Código Civil; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.000202/0045 Acórdão n.º 2102000.974 S2‐C1T2 Fl. 149 4 Consequentemente, uma vez recolhido aos cofres públicos o imposto correspondente aos honorários que o RECORRENTE pagou ao Sr. Arnaldo Morandi, não poderia prosperar a glosa dos mesmos valores, transformando despesas necessárias e legais em nova base de cálculo de imposto. Se o poder público já recebeu o que lhe é devido, não pode criar nova base imponível sobre o mesmo fato, o que configuraria bitributação; Atinente as demais despesas glosadas, incorreu em erro o autuante visto que deixou de considerar que contribuinte (que percebe trabalho não assalariado) pode deduzir da receita decorrente de suas atividades, as despesas necessárias a percepção da sua receita, na forma preceituada pelo art. 75, inciso III, do Decreto nº 3000/99, justificandoas como segue: (i) Conduções de funcionários: necessárias para se locomoverem no trânsito com papeis entre clientes, repartições públicas e pequenas compras; (ii) Previdência: pelo fato de ser prestador de serviços, o impugnante era obrigado a recolher a previdência social através de carnês, que não foram juntados aos autos pelo imenso volume. Porém propôs a fazêlo se requisitado; (iii) Despesas com táxis: necessárias à locomoção de funcionários nos casos de urgência solicitada pelos clientes; para transporte de quantidades maiores de livros e documentos, ida a repartições em diversas partes da cidade para atender serviços de aberturas, de alterações, certidões de imposto de renda, certidões do Fórum estadual e Federal, Cartórios de protesto, etc.; (iv) Gratificações: pagas em função da diversidade de serviços, conforme detalhado no item anterior, a gorjeta é instituição nacional, portanto pública e notória; (v) Alimentos diversos: em razão da comemoração de aniversários dos seus colaboradores. As refeições eram pagas aos funcionários em trânsito por repartições que não poderiam interromper suas tarefas para retornar ao escritório, aos boys sem poder aquisitivo, e nas reuniões de negócios com clientes; (vi) Carimbos de terceiros: as encomendas de carimbos de CGC e de assinatura de terceiros eram realizadas para elaboração de documentos exigidos, pagos pelo escritório a título de cortesia; (vii) Aluguel: despesa indispensável a atividade e que não foi indicado por lapso do impugnante, cujo valor certamente seria superior a todas as despesas antes mencionadas. Por tais razões, o RECORRENTEE requereu a improcedência do auto de infração. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 93 a 99 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento. Nas razões do voto que compõe o julgamento, a autoridade julgadora destacou que, nos termos do art. 173, inciso II, do CTN, o prazo decadencial passa a ser contado da data em que se Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.000202/0045 Acórdão n.º 2102000.974 S2‐C1T2 Fl. 150 5 tornou definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Por entender que a decisão que anulou o lançamento anterior ocorreu por vício formal, a DRJ afastou a decadência pleiteada, visto que tal decisão tornouse definitiva em 22/06/1999 (fl. 26 do processo nº 13804.001469/9226, apenso), sendo o presente auto de infração lavrado em 09/02/2000, ou seja, antes de decorridos os 5 anos previstos pelo art. 173, II, do CTN. Contudo, observou que o novo lançamento aponta um valor de imposto superior àquele constante do lançamento original, e explicou que tal divergência ocorreu pela diferença entre os valores de rendimentos tributáveis utilizados nas duas oportunidades, conforme demonstram a Notificação de Lançamento (fl. 03 do processo apenso) e o Relatório Fiscal de fls. 57 e 58, parte integrante do auto de infração de fls. 62 a 64. Afirmou que o lançamento da parte do crédito tributário não incluída no lançamento original não está abrangido pela regra contida no art. 173, II, do CTN, submetendo se à regra geral de decadência, visto que a norma que restabelece o prazo decadencial não pode ser aplicada extensivamente a fatos geradores não abrangidos pelo lançamento anulado. Assim, por se tratar de retificação de declaração referente ao anocalendário 1991, o novo lançamento deveria limitarse a corrigir os vícios formais que determinaram o cancelamento do lançamento anterior, mantendo os valores originalmente exigidos sem ampliar a ação fiscal, visto que expirou o prazo decadencial para apurar novas ocorrências. A autoridade julgadora entendeu também que a declaração de rendimentos do anocalendário 1991, que deu origem à notificação de lançamento posteriormente declarada nula, foi objeto de alteração, mediante a apresentação de declaração retificadora a qual, muito embora possua carimbo de recepção com data de 09/09/1992 (fls. 02 do processo apenso), não consta dos sistemas da Receita Federal. Ademais, afirmou que tal declaração retificadora não poderia ser aceita, visto que, nos termos do artigo 147, § 1º, do CTN, a retificação da declaração somente é admissível antes da notificação do lançamento ao contribuinte, o que não ocorreu no presente caso, pois o próprio RECORRENTE informou que procedeu à retificação de sua declaração após ser notificado do primeiro lançamento, em 28/08/1992, conforme impugnação do processo do processo nº 13804.001469/9226. Portanto, a DRJ considerou procedente em parte o lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 62 a 64, para considerar como imposto a pagar o valor de Cr$ 642.265,00 (conforme primeira notificação emitida, localizada à fl. 03 do processo nº 13804.001469/9226, apenso), o que equivale à quantia de R$ 979,75. Assim, exonerou parte do crédito tributário lançado, por exceder este valor. Após a retificação do lançamento, a DRJ elaborou o seguinte demonstrativo: Lançado Exonerado Mantido Imposto de Renda Pessoa Física R$ 1.153,87 R$ 174,12 R$ 979,75 Multa de Ofício R$ 865,40 R$ 130,59 R$ 734,81 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.000202/0045 Acórdão n.º 2102000.974 S2‐C1T2 Fl. 151 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 28/03/2008 (fl. 101v. dos autos), apresentou recurso voluntário de fls. 106 a 110, em 24/04/2008, reiterando os argumentos de sua impugnação. Afirmou também que a alegação da autoridade fiscal, de que o RECORRENTE teria agregado novas despesas com o intuito de reduzir a tributação, seria infundada, pois, apesar de ter alterado o valor da base de cálculo do imposto em sua declaração retificadora, atentou para o fato de que o valor do imposto devido não foi alterado, permanecendo Cr$ 673.431,00. Desta forma, alegou que houve simples erro de preenchimento de sua declaração, ao indicar no item 03 despesas de Cr$ 11.073.352,00 ao invés de Cr$ 13.358.307,00. Apontou que a declaração já havia sido elaborada anteriormente com apuração de imposto de R$ 673.431,00, que não foi alterado pela retificadora. O RECORRENTE juntou aos autos cópia do Livro Caixa referente ao ano calendário 1991, bem como cópia da última declaração de ajuste anual apresentada (referente ao anocalendário 2007) Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em princípio, passo a analisar a decadência dos créditos tributários lançados. O crédito de imposto de renda exigido através do presente processo referese ao anocalendário 1991, conforme exposto no auto de infração de fls. 62 a 64 e nos demonstrativos de fls. 59 a 61. O presente lançamento é proveniente de lançamento anterior, referente ao processo nº 13804.001469/9226 (apenso), o qual foi anulado em 20/05/1998 por não conter todos os pressupostos legais do art. 142 do CTN, conforme Decisão DRJ/SPO/SP/Nº 20.220/9812.11923 de fls. 25 e 26 do processo anexo. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.000202/0045 Acórdão n.º 2102000.974 S2‐C1T2 Fl. 152 7 Ao proferir a referida decisão que anulou o lançamento anterior, a autoridade julgadora chegou a afirmar o seguinte: “Considerando que, por manifesta deficiência de instrução dos autos, inexistem condições que permitam, de plano, a apreciação do mérito, prejudicando o cumprimento do disposto no § 3° do art. 59 do Decreto n° 70,235/72, acrescentado pela Lei n° 8.748/93;” Por entender que o lançamento anterior havia sido anulado por vício formal, o que lhe daria mais cinco anos para efetuar novo lançamento, nos termos do art. 173, II do CTN, a autoridade fiscal lavrou o auto de infração objeto do presente processo para cobrança de créditos tributários referentes ao anocalendário 1991. Contudo, entendo que foi equivocada a segunda ação fiscal, visto que o lançamento anterior foi anulado por vício material, e não por vício formal como apontou a autoridade lançadora. Analisando a notificação de lançamento do processo apenso (fl. 03 dos autos anexos), percebese claramente que a mesma não continha: (i) a descrição dos fatos; (ii) nem a disposição legal infringida e (iii) a penalidade aplicável, o que se caracteriza por vício material do lançamento, uma vez que não foi possível identificar a matéria tributável. Sobre o tema, importante citar o julgado abaixo transcrito: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. LANÇAMENTO. ERRO DESCRIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. A descrição clara e precisa do fato gerador, bem como da base de cálculo (matéria tributável) do tributo lançado, in casu, contribuições previdenciárias, é condição sine qua non à validade do lançamento, e a sua ausência e/ou equívoco importa na nulidade material do ato, configurando afronta aos preceitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.000202/0045 Acórdão n.º 2102000.974 S2‐C1T2 Fl. 153 8 contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA. Tratandose de matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de ofício a decadência do crédito previdenciário lançado. Processo Anulado. (recurso voluntário nº 250714; 6ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes; julgamento em 04/02/2009)” E nesse passo, o art. 173, II, do CTN dispõe que: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Desta forma, devese esclarecer que os termos do art. 173, II, do CTN não se aplicam ao presente caso para justificar uma interrupção do prazo decadencial, porquanto resta demonstrado que o lançamento anterior foi anulado por vício material, e não por vício formal. Assim, após a anulação do lançamento anterior, a autoridade fiscal somente poderia efetuar novo lançamento enquanto não ocorrido o termo decadencial para tanto. Como os créditos tributários em cobrança referemse ao anocalendário 1991, ou seja, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/1991, a Fazenda Pública estava obrigada a lançar o crédito tributário até o final do prazo de cinco anos. Assim, o termo final do prazo decadencial foi o dia 31/12/1996. Como o presente auto de infração foi lavrado apenas em 09/02/2000, resta nítido que tal lançamento ocorreu quando o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência, nos termos do art. 156, V, do CTN, verbis: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência;” Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13808.000202/0045 Acórdão n.º 2102000.974 S2‐C1T2 Fl. 154 9 E não é só. O lançamento anterior foi lavrado para cobrança de imposto de renda visto que o RECORRENTE havia indicado em sua declaração a base de cálculo de Cr$ 8.028.331,00 e apurou o imposto de Cr$ 673.431,00, enquanto o valor correto, segundo a primeira ação fiscal, seria o de Cr$ 1.245.169,00 (vide fl. 06 do processo apenso): (Cr$ 8.028.331,00 x 25%) – Cr$ 761.913,00 (parcela a deduzir) = Cr$ 1.245.169,00 Desta forma, por ter apurado erro de cálculo do RECORRENTE, a autoridade fiscal efetuou o primeiro lançamento para cobrança do valor do imposto de renda tido como correto (fl. 03 do processo apenso). Após a anulação do primeiro lançamento, pela impossibilidade de identificação da matéria tributável, a autoridade fiscal efetuou novo lançamento, desta vez com base na glosa de deduções em Livro Caixa, o que implicou em alteração total dos termos do primeiro lançamento, o que não se admite quando o lançamento é anulado por vício formal. O lançamento objeto do presente processo não possui qualquer relação com o primeiro lançamento, o qual foi anulado em 20/05/1998. Em se tratando de novo lançamento, como nova matéria tributável, devese observar o prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Portanto, entendo que não margeia dúvida sobre quanto à anulação do primeiro lançamento por vício formal, mas sim por vício material. Desta forma, não se aplica ao presente caso o disposto no art. 173, II, do CTN, estando os créditos tributários ora exigidos extintos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para extinguir os créditos tributários visto que atingidos pela decadência. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11444.000398/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Constitui infração, punível com multa, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme determina o art. 30, I, a da Lei nº 8.212/91 e art. 4º, caput, da Lei nº 10.666/03, respectivamente.
ATUALIZAÇÃO DA MULTA. OBEDIÊNCIA AO ATO NORMATIVO EM VIGOR À ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES.
A atualização dos valores da multa deve obedecer o momento da ocorrência do fato gerador, sendo aplicável tão somente o ato normativo em vigor, nos termos do art. 144 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se proceda a atualização do valor disposto na art. 283, I, "g", do RPS conforme a Portaria Interministerial em vigor à época da ocorrência do fato gerador. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DEIXAR DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constitui infração, punível com multa, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme determina o art. 30, I, “a” da Lei nº 8.212/91 e art. 4º, “caput”, da Lei nº 10.666/03, respectivamente. ATUALIZAÇÃO DA MULTA. OBEDIÊNCIA AO ATO NORMATIVO EM VIGOR À ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. A atualização dos valores da multa deve obedecer o momento da ocorrência do fato gerador, sendo aplicável tão somente o ato normativo em vigor, nos termos do art. 144 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 03 98 /2 01 0- 61 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se proceda a atualização do valor disposto na art. 283, I, "g", do RPS conforme a Portaria Interministerial em vigor à época da ocorrência do fato gerador. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11444.000398/201061 Acórdão n.º 2403002.663 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo o lançamento consubstanciado no DEBCAD nº 37.236.3350, no importe de R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos), referente ao período de 01/2006 a 12/2006. A autuação resulta do descumprimento de obrigação acessória consistente em ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos contribuintes individuais pela prestação de serviços no perodo de 01/2006 a 12/2006, e também aos segurados empregados, denominados estagiários bolsistas, no período de 02/2006 a 12/2006, infringindo assim, o art. 30, I, alínea “a” da Lei nº 8.212/91. O Relatório Fiscal, fls. 06/08, ainda relata que a autuada não é reincidente e que não foram verificados circunstâncias agravantes. O valor imputado foi atualizado através da Portaria Interministerial MF/MPS nº 350 – D.O.U de 31/12/2009. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Municipalidade apresentou defesa por meio de instrumento de fls. 48/76. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão nº 14 32.924, fls. 444/459, o qual julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/04/2010 AUTODEINFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, mediante desconto das suas remunerações. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, preenchidos os Fl. 558DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 requisitos previstos na legislação, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. CND. CONTECIOSO ADMINISTRATIVO. O contencioso administrativo instaurado no âmbito do processo fiscal não se presta à análise de requerimento de Certidão Negativa de Débito – CND. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM MANUTENÇÃO DA MULTA APLICADA. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 463/484, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, debruçando, entretanto, em argumentos referentes tão somente às obrigações principais cuja autuação em epígrafe encontrase vinculada. É o relatório. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11444.000398/201061 Acórdão n.º 2403002.663 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. MÉRITO A autuação em epígrafe resulta do descumprimento de obrigação acessória por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias relativas aos contribuintes individuais pela prestação dos correlatos serviços, assim como dos segurados empregados, denominados pela Municipalidade como estagiários bolsistas. O Relatório Fiscal consigna que no mesmo procedimento fiscal também foram lavrados outros tantos Autos de Infração, referentes a obrigações principais, das quais se destacam os processos nº. 11444.000396/201072 e nº 11444.000401/201047. Neles se discutem as contribuições previdenciárias relativas aos estagiários bolsistas enquadrados como segurados empregados pela fiscalização, exigindose os valores atinentes à cota patronal e à cota segurado, respectivamente. Ambos os processos administrativos já foram analisados por este Conselho, perante a 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 2ª Seção de Julgamento, na sessão de 11 de julho de 2012, pela relatoria da Conselheira Liege Lacroix Thomasi, na qual se decidiu pela negativa de provimento dos Recursos Voluntários, mantendo incólumes os créditos tributários ali contidos. Uma vez que foi reconhecido o enquadramento dos estagiários bolsistas como segurados empregados, efetivamente a empresa, ao não realizar o desconto das contribuições previdenciárias devidas em suas remunerações, ensejarando a adequação ao disposto na Lei 8.212/91, art. 30, I, “a”, art. 92, art. 102, c/c Decreto 3.048/99 – RPS, art. 216, I, ‘a’, e art. 283, I, ‘g’, assim como art. 4º da Lei 10.666/2003, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o Fl. 560DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). § 1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). **************************************************** Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) **************************************************** Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: Fl. 561DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11444.000398/201061 Acórdão n.º 2403002.663 S2C4T3 Fl. 5 7 (...) g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) **************************************************** Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). Em virtude de o presente processo guardar conexão com os demais referentes às obrigações principais do presente, inclusive os processos administrativos citados, que já foram julgados no sentido de confirmar a autuação, tal fato, por si só, já é apto à caracterizar a procedência da presente autuação quanto à incidência da multa, ante sua natureza. No entanto, ainda merece ajuste a questão da sua atualização, conforme se verá no tópico à seguir. ATUALIZAÇÃO DO VALOR DA MULTA O valor correspondente à imputação da presente multa, se deu pela Portaria MF/MPS nº 350, de 31.12.2009, vigente à época da lavratura do auto de infração em epígrafe. Entretanto, conforme pode ser verificado, a inscrição dos segurados empregados elencados no Relatório Fiscal deveria ter sido procedida durante o período 01/2006 a 12/2006, lapso temporal da efetiva ocorrência dos fatos geradores. Portanto, a atualização do valor da multa deve ser feita nos termos da portaria ou outro ato normativo vigente à época dos fatos, em consonância com o disposto no art. 144 do CTN, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o referido artigo fazer referência à lei, temse que o conteúdo ali contido também se estende às demais espécies normativas que compõem a legislação tributária, claramente definidos no art. 96, a seguir transcrito: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Portanto, deve ser verificada a Portaria Interministerial, que determinou a atualização do valor constante no art. 283, I, “g”, do RPS, em vigor à época da ocorrência do fato gerador, para que se proceda à autuação do devido valor a ser exigido. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário para que se proceda a atualização do valor disposto no art. 283, I, “g”, do RPS conforme a portaria ou outro ato normativo em vigor à época da ocorrência do fato gerador. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10675.906646/2009-60
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 64 6/ 20 09 -6 0 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906646/200960 Resolução nº 9303000.058 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906646/200960 Resolução nº 9303000.058 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906646/200960 Resolução nº 9303000.058 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 18471.000701/2005-81
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.083
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Cláudio Duarte Cardoso que votaram
pelo julgamento do processo.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Cláudio Duarte Cardoso que votaram pelo julgamento do processo. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 03/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canário da Silva, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Tratam os presentes autos de Auto de Infração de fls. 441/451, relativo à constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, ano calendário de 2000, no valor de R$ 54.533,48, acrescido dos juros de mora, multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorre da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (fl. 442), cujos extratos foram apresentados pelo contribuinte após intimação fiscal. Apresentada Impugnação (fls. 453/467), a ação fiscal foi julgada procedente, por não ter o Recorrente comprovado, mediante documentação hábil e idônea a origem dos Fl. 670DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000701/200581 Resolução n.º 2802000.083 S2TE02 Fl. 571 2 recursos e mantida a multa isolada por ausência de impugnação específica (507/512), sob os seguintes fundamentos: “O contribuinte aduz, em relação ao depósito no valor de R$ 180.000,00, de 05/04/00, que o Fisco desconsiderou a escritura (doc. 2) que foi parte a Caixa Econômica Federal como agente financeiro da operação. Nesta transação a empresa foi representada por outro procurador, a Sra. Patricia Felix Tassara. Conforme (doc. 1), a empresa Aida Finance Corporation teria recebido o cheque administrativo da CEF no valor de R$ 180.000,00. O sujeito passivo juntou a guia autenticada de depósito do Bradesco (doc. 3), onde se confirmaria o crédito na conta do requerente. Como prova entende que poderia se observar a ordem sequencial de datas, escritura de 13/03/00, cheque de 15/03/00 e comprovante de depósito de 05/04/00. Com isso, segundo o interessado, estaria comprovada a origem do citado depósito. Entretanto, não pode ser acatada a argumentação do contribuinte. Observandose a documentação juntada aos autos, concluise que não há como vincular a referida operação imobiliária ao impugnante. Cabe frisar que na mencionada operação de compra e venda de imóvel, o autuado não foi sequer o representante da firma Aida Finance Corporation, ou seja, empresa vendedora do imóvel em questão. Além disso, não existe no presente processo qualquer documento que porventura pudesse demonstrar que o impugnante teria repassado a quantia recebida à supracitada empresa vendedora. Sendo assim, não restou justificada a origem do depósito de R$ 180.000,00, devendo permanecer no rol dos depósitos de origem não comprovada sujeitos a tributação. O interessado também alega que os demais depósitos listados na peça defensória (fls. 458 e 459) e no Termo de Verificação Fiscal seriam provenientes de operações imobiliárias, tendo o contribuinte atuado apenas como procurador. Diz que os depósitos de R$ 4.000,00 e R$ 6.000,00 também teriam como origem as citadas operações imobiliárias. Cita como exemplo os cheques de R$ 500,00 e R$ 1.000,00 (docs. 06 e 07), que teriam sido emitidos por adquirentes de unidades imobiliárias e tais valores seriam reembolsos de escrituras à conta corrente do HSBC. Todavia, mais uma vez não há como se acatar a alegação do contribuinte. A documentação anexada aos autos pelo impugnante junto com a sua peça defensória, não logrou êxito em demonstrar que tais depósitos teriam algum vinculo com as operações imobiliárias suscitadas pelo interessado. Inconformada, o Recorrente interpôs Voluntário (fls. 515/532) com vistas a obter a reforma do julgado. Reitera os argumentos apresentados por ocasião da Impugnação e junta documentos já analisados durante o processo de fiscalização. Era o de essencial a ser relatado. No caso presente, os extratos bancários foram apresentados “espontaneamente” pelo Recorrente, após intimação fiscal. Constatada a omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000701/200581 Resolução n.º 2802000.083 S2TE02 Fl. 572 3 Irrelevante a entrega “espontânea” dos extratos bancários pelo sujeito passivo, sem a necessidade de obtenção das informações financeiras por ordem administrativa, diante da possibilidade da criação de situação desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente. Isso porque, a obtenção dos dados bancários após regular intimação da fiscalização, não pode ser chamada de “espontânea”, por decorrente de enunciado legal provido de presunção de validade, portanto, cogente para todos os contribuintes. Logo, a aplicação de futuro precedente do Sumo Pretório sobre a obtenção dados bancários sem autorização judicial deve ser isonômica tanto para os contribuintes que confiaram na presunção de validade da legislação vigente, quanto para aqueles que simplesmente decidiram por sua conta e risco não colaborar com a fiscalização, após regular intimação. As intimações fiscais, por se tratarem de atos administrativos, se revestem de presunção de legalidade, bem como a lei que fundamenta o acesso às informações bancárias (LC 105/2001), possui presunção relativa de constitucionalidade. Daí a colaboração do contribuinte na colheita de provas na fase fiscalizatória, não pode ser chamada de “espontânea”. A negativa na entrega dos extratos bancários, de acordo com a legislação vigente e válida por ocasião da realização dos atos preparatórios do lançamento, implicaria na inevitável, por vinculada, expedição de RMF. Logo, a não entrega dos dados bancários solicitados, se tornaria medida apenas protelatória. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral pelo pleno STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa naqueles autos pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que em tese, impõe o julgamento do feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n. 1/2012. Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) Fl. 672DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000701/200581 Resolução n.º 2802000.083 S2TE02 Fl. 573 4 DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a Fl. 673DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000701/200581 Resolução n.º 2802000.083 S2TE02 Fl. 574 5 decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente) (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao disposto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 (RICARF), ratificado pelas decisões acima transcritas, que impedem a apreciação do mérito do feito. Nesses termos, proponho o sobrestamento do processo, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314, pelo STF. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 674DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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