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Numero do processo: 10825.000453/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece da irresignação do contribuinte contra acórdão da DRJ ofertada a destempo.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece da irresignação do contribuinte contra acórdão da DRJ ofertada a destempo. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 14/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 04 53 /2 00 8- 51 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.05 e ss., relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2004, exercício 2005, em razão da suposta dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal, conforme o caso (fl.07). O Contribuinte foi cientificado. Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 01 e ss., alegando o seguinte: que recebeu e atendeu ao Termo de Intimação para apresentação de documentos; que recebeu nova intimação e procurando colaborar com a fiscalização solicitou dos prestadores declaração confirmando o recebimento e prestação dos serviços; que por ser professora necessita de acompanhamento de fonoaudiólogo e fisioterapeuta para correção postural; que o fisco desconsiderou todas as despesas médicas declaradas, principalmente pelo fato de não ter juntado os cheques, já que todas as despesas foram pagas em espécie; que com relação a profissional Elidiane houve falha no preenchimento do recibo; com relação à UNIMED, para obter um custo menor, alega que sempre fez os pagamentos “junto à empresa do marido”, assim os recibos não estão em seu nome. Em julgamento, a 11 Turma da DRJ/SP2, em sessão realizada no dia 24/02/2010, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que o contribuinte reconhece que não estão em seu nome os recibos expedidos por UNIMED e que houve suposto erro de preenchimento no recibo emitido pela profissional de nome Elidiane F. de Souza, que não podem ser acatados por encontraremse em desconformidade com a legislação de regência; que os demais recibos não apresentam indicação do endereço do emitente ou do beneficiário dos serviços prestados; que não comprovouse o efetivo desembolso das despesas médicas. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 69, em 17.03.2010, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl.75 e ss,, em 17.08.2010. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10825.000453/200851 Acórdão n.º 2802002.000 S2TE02 Fl. 112 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello – Relator. Em sede preliminar, o recurso deve não deve ser conhecido por intempestivo, eis que interposto no dia 17 de agosto de 2010, tendo o prazo para tanto decorrido no dia 16 de abril do mesmo ano, n0s termos da legislação de regência. Isto posto, sou pelo não conhecimento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000118/2007-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E REMESSA AO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou remessa de recursos ao exterior, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E REMESSA AO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou remessa de recursos ao exterior, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 18 /2 00 7- 41 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório ESCOVAS ROGER COMERCIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 19/01/2007, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, apurado a partir da ocorrência/constatação de pagamento sem causa/operação não comprovada no exterior, em relação aos anoscalendário 2002 a 2004, conforme peça inaugural do feito, às fls. 293/298, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento contra Decisão da 4a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, consubstanciada no Acórdão nº 1613.876/2007, às fls. 582/605, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª TO da 2a Câmara, em 02/12/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2201 00.484, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Termo de Verificação Fiscal e que o contribuinte demonstra ter perfeita compreensão dos fatos relatados, exercendo plenamente seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento, por conta do suposto cerceamento do direito de defesa. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.000118/200741 Acórdão n.º 9202002.569 CSRFT2 Fl. 9 3 PAGAMENTO SEM CAUSA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF. Não tendo sido comprovada a causa e/ou beneficiário da operação que deu origem aos pagamentos efetuados, correta a ação fiscal ao cobrar o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre a base de cálculo ajustada, conforme determinado pela legislação. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula 1°CC n°14) DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Recurso provido parcialmente.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 756/760, com arrimo no artigo 7o, inciso II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 10708.022 e 10195.759, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, assevera que as infrações apuradas se apresentam como típico caso de dolo reiterado, caracterizado pela prática do mesmo ilícito por reiteradas vezes, no sentido de burlar o legítimo pagamento do imposto de renda, justificando, portanto, a aplicação da multa qualificada, na linha do decidido nos Acórdãos ora adotados como paradigmas. Transcreve doutrina, legislação e jurisprudência contemplando a matéria, corroborando o entendimento de que a conduta reiterada de apresentar declarações inexatas de forma sucessiva, agindo a contribuinte manifestamente com o intuito de dificultar a atuação fiscal é capaz de ensejar a qualificação da multa aplicada. Contrapõese ao entendimento levado a efeito no Acórdão guerreado, inferindo inexistir qualquer mácula na majoração da multa qualificada imposta a contribuinte, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, bem Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 demonstrando a materialidade da conduta dolosa do sujeito passivo, representada pela conduta reiterada, sistemática, de sonegar informações que aumentariam sua carga tributária, representando a nítida intenção fraudulenta do contribuinte. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas, Acórdãos nºs 10708.022 e 10195.759, conforme Despacho nº 220100.149/2010, às fls. 762/765. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 818/835, corroborando os fundamentos do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Igualmente, a contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 846/893, com arrimo no artigo 67 do RICARF, repisando parte das razões de fato e de direito lançadas em seu recurso voluntário, pugnando pela decretação da improcedência do lançamento e/ou nulidade do feito em virtude de cerceamento direito de defesa, não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada, uma vez não comprovada a divergência arguida, como se extrai do Despacho n° 220000.912/2012, às fls. 979/985, ratificado pelo Despacho n° 9202 00.912/2012, da lavra do ilustre Presidente da CSRF, em face de reexame necessário. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com arrimo no artigo 674, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, apurado a partir da ocorrência/constatação de pagamento sem causa/operação não comprovada no exterior. Mais precisamente, a autoridade lançadora promoveu o lançamento diante da constatação da existência de remessas de recursos da autuada ao exterior, de forma ilegal, que transitaram em conta e subconta bancária no exterior, cuja causa não foi comprovada e o beneficiário não identificado. Por sua vez, ao analisar o caso, a Turma recorrida achou por bem rechaçar em parte a pretensão fiscal, afastando a qualificação da multa com base nos seguintes fundamentos, in verbis: “[...] Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.000118/200741 Acórdão n.º 9202002.569 CSRFT2 Fl. 10 5 Todavia, peço venia para discordar deste entendimento. Tenho defendido que, para que a multa seja qualificada e, consequentemente, elevada para 150% é imprescindível que se configure o intuito de fraude, demonstrado inequivocamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. A autuação concluiu pela omissão de rendimentos. Entendo que a lei autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos, todavia, não pelo “evidente intuito de fraude”. Nessa linha de raciocínio, podese concluir que a omissão de rendimentos, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, não dá causa para a qualificação da penalidade. Assim, para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova, pressupondo dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. [...] Cumpre ainda ressaltar que a realização de remessa de recursos ao exterior, sem a devida comunicação ao Banco Central do Brasil, constitui infração penal de ordem econômica e não tributária. Portanto, a referida remessa não é fato suficiente para garantir a intenção do contribuinte de reduzir ou suprimir tributo. [...]” Em suas razões recursais, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 10708.022 e 10195.759, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. A fazer prevalecer seu entendimento, aduz que as infrações apuradas se apresentam como típico caso de dolo reiterado, caracterizado pela prática do mesmo ilícito por reiteradas vezes, no sentido de burlar o legítimo pagamento do imposto de renda, justificando, portanto, a aplicação da multa qualificada, na linha do decidido nos Acórdãos ora adotados como paradigmas. Arremata, defendendo inexistir qualquer mácula na majoração da multa qualificada imposta a contribuinte, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, bem demonstrando a materialidade da conduta dolosa do sujeito passivo, representada pela conduta reiterada, sistemática, de sonegar informações que aumentariam sua carga tributária, representando a nítida intenção fraudulenta do contribuinte. Não obstante o esforço da recorrente, seu insurgimento, contudo, não é capaz de macular o voto condutor do Acórdão recorrido, como restará devidamente demonstrado adiante. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.000118/200741 Acórdão n.º 9202002.569 CSRFT2 Fl. 11 7 “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “ Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Na hipótese dos autos, inobstante o esforço do fiscal autuante, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos. Com efeito, como muito bem delineado no voto condutor do Acórdão recorrido, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pela contribuinte tendente sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150%, não se prestando à sua aplicabilidade a simples reiteração da conduta da autuada por 03 (três) anos consecutivos ou mesmo a remessa de recursos ao exterior. Destarte, consoante demonstrado no excerto do Termo de Verificação Fiscal acima transcrito, o fundamento fulcral da fiscalização ao aplicar a multa qualificada de 150% se fixa na remessa de recursos/rendimentos ao exterior ao longo dos anos reiteradamente. Entrementes, este Egrégio Colegiado em recentes decisões vem afastando a qualificação da multa quando sua adoção repousa exclusivamente na simples conduta reiterada e/ou em razão do volume da movimentação bancária do contribuinte, sem que haja um aprofundamento na questão pela autoridade fiscal, senão vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Exercício: 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.” (Processo n° 12571.000050/200786 – Acórdão n° 920201.742 – 2ª Turma – Sessão de 27/09/2011 – Relator: Marcelo Oliveira) Como se observa, caberia à autoridade lançadora demonstrar de maneira pormenorizada suas razões no sentido de que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela autuada. No caso vertente, em que pese os argumentos da recorrente, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter a contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos, mesmo porque o fiscal autuante e, bem assim, a Procuradoria, arrimaram sua tese simplesmente na conduta reiterada da autuada, fundamento insuficiente para a qualificação da multa, como acima delineado. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1a TO da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11070.001754/2009-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
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Recorrente REDEMAQ REAL DISTRIBUIDORA DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de COFINS referente ao primeiro trimestre/2006. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 54 /2 00 9- 16 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 237/238 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pelo art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 241/242, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 254/256 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3562ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001754/200916 Acórdão n.º 3803003.671 S3TE03 Fl. 257 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade do art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003, que vedou a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001754/200916 Acórdão n.º 3803003.671 S3TE03 Fl. 258 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 322DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10183.721800/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
ITR. DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA. Como não há qualquer divergência entre o valor arbitrado pela fiscalização e o apurado pelo recorrente, conforme “Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel”, deve ser mantido o VTN apurado pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preços de Terra – SIPT.
Numero da decisão: 2201-001.506
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. ITR. DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA. Como não há qualquer divergência entre o valor arbitrado pela fiscalização e o apurado pelo recorrente, conforme “Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel”, deve ser mantido o VTN apurado pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preços de Terra – SIPT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/08), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 900.786,65, calculados até 27/11/2009, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Terezinha”, localizado no município de Porto dos Gaúchos MT. A fiscalização apurou dedução indevida de 839,0 ha de área de preservação permanente, dedução indevida de 6.714,4 ha de área de reserva legal e subavaliação do Valor da Terra Nua – VTN. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 7.1. Dos Fatos. Aduziu que, mesmo informando quando em atendimento à intimação que o imóvel não mais lhe pertencia na época da apuração do imposto, o Fisco efetuou o lançamento, procedendo a glosa da APP e da ARL e arbitrando o VTN declarado. 7.2. Em Preliminar. Da Ilegitimidade Passiva do Impugnante ratificou ser parte ilegítima para responder pelas áreas que são de propriedade de outrem, como se verifica pela análise da Escritura Pública de Compra e Venda apresentada, lavrada em 16/09/2003, evidenciando a inexistência de qualquer vínculo do interessado, juntamente com os condôminos, com o imóvel em comento, uma vez que sua totalidade foi transferida para os novos proprietários. 7.2.1. Explanou sobre a obrigação propter rem para, em seguida, afirmar que mesmo estando os adquirentes do imóvel na condição de possuidores e, ainda, que não ocorrida a transferência da propriedade junto ao serviço notarial, os mesmos configuram como contribuintes do ITR, consoante prevê o art. 31, do Código Tributário Nacional CTN, que atribui a responsabilidade tributária mesmo ao possuidor do imóvel rural a qualquer título. Transcreveu jurisprudências administrativas e dos Tribunais que vão ao encontro de suas argumentações. 7.3. Em Mérito. Da Apuração do Crédito Tributário relatou sobre as alterações realizadas na área tributável, no Grau de Utilização GU e na alíquota, devido a glosa das áreas isentas efetuada no lançamento e, embasado em jurisprudência do Conselho de Contribuintes que trata da questão das áreas isentas, afirmou que, independentemente do fato de não ser o sujeito passivou ou mesmo responsável pelo imposto em tela, será demonstrada, tópico a tópico, a insubsistência da lavratura. Na seqüência reproduziu decisão administrativa relativa ao tema. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721800/200967 Acórdão n.º 220101.506 S2C2T1 Fl. 2 3 7.4. Em Do Valor da Terra Nua argumentou que na apuração do VTN/ha médio não foram obedecidos os ditames legais, posto que foi utilizado o SIPT sem efetuar uma pesquisa para obtenção de valores mais próximos a realidade do imóvel. Sabese que existe a possibilidade de revisão do VTN na existência de fatores que dificultam a utilização econômica do imóvel, caso em que se iguala o presente imóvel, diante disso, se não foi acatado o VTN declarado, se deve proceder a essa revisão, através de um perito nomeado pela Receita Federal, com observância as exigências da NBR 8.799. 7.5. Em Da Comprovação da Área de Reserva Legal, mencionou os motivos da glosa da ARL expostos no lançamento, quais sejam, a não apresentação do ADA e da averbação dessa área na matrícula do imóvel, argumentando ser indevida tal glosa, mediante a apresentação de jurisprudência dos Tribunais Federais e transcrição de voto proferido no Conselho de Contribuintes. 7.6. Em Da Comprovação da Área de Preservação Permanente, argüiu que as informações presentes no ADA servem para instruir o IBAMA e, apesar da sua entrega ser importante na apuração do ITR, a sua ausência não altera a situação fática da área tributada. Afirmou ter procedido corretamente a DITR, considerando verdadeiramente a APP e ARL, e discordou haver sido surpreendido com a lavratura da NL. Tratou da Medida Provisória n° 2.166/01 ao modificar o art. 10, da Lei n° 9.393/1996 determinou que a declaração do contribuinte não depende de prévia comprovação, das áreas isentas do tributo presentes em seu imóvel, assim, não pode o ADA, um instrumento infralegal, efetivar tal comprovação. Com observância ao princípio da verdade material, se conclui que a glosa efetuada foi indevida. Transcreveu decisões de nossos tribunais para ilustrar seu entendimento. 7.7. Em da Prova Pericial, requereu a realização de diligências para confirmar a posse, domínio ou exploração do imóvel por parte dos adquirentes do imóvel referidos na Escritura Pública de Compra e Venda e as perícias de modo a comprovar a existência de APP, ARL, bem como avaliar o VTN. 7.8. Em Do Pedido, requereu seja: 7.8.1. Recebida e autuada impugnação. 7.8.2. Atribuídos os efeitos suspensivos da exigibilidade total do crédito tributário apurado na NL impugnada. 7.8.3. Julgada procedente a preliminar arguida na presente impugnação, para considerar a ilegitimidade passiva do impugnante, cancelando a NL e extinguindo o crédito tributário apurado. 7.8.4. Em caráter subsidiário, seja, no mérito, julgada procedente a presente impugnação, visto estar demonstrada a insubsistência da ação fiscal, de modo a cancelar totalmente a Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 NL e, por conseqüência, seja extinta, totalmente, o crédito tributário nela apurado. 7.8.5. Sejam deferidas as diligências e perícias requeridas. 8. Instruiu a impugnação com a documentação de fls. 75 a 85, composta por: procuração, cópias do documento de identificação do contribuinte, da NL e da Escritura Pública de Compra e Venda. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Transferência de Propriedade Escritura Pública Sem Registro De acordo com a legislação, se transfere entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. Enquanto não se proceder ao registro, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 04/07/2011 (fl. 114), Carlos Vian apresenta Recurso Voluntário em 03/08/2011 (fls. 117 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721800/200967 Acórdão n.º 220101.506 S2C2T1 Fl. 3 5 É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal glosou a área de preservação permanente (839,0 ha) e a área de utilização limitada (6.714,4 0 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 680.000,00 (R$ 81,01/ha) para R$ 2.143.404,34 (R$ 255,38/ha), com base no SIPT Sistema de Preços de Terra. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, fls. 02/03, entendeu a autoridade lançadora que “... para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário... ato declaratório ambiental ADA... Exigese ainda, para as áreas de preservação permanente... a) laudo técnico... b) Certidão do Órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente nos termos do art. 3 ° da Lei n° 4.771/65. E, relativamente à área de reserva legal ... sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel....”. Em relação ao VTN asseverou a autoridade fiscal que “... O documento hábil a comprovar o valor da terra nua informado na DITR/2006 é o laudo técnico... até a presente data ... não acusamos o recebimento de qualquer manifestação de sua parte...”. Em sua peça recursal alega o recorrente, preliminarmente, ilegitimidade passiva, pois alienou a propriedade em 16/09/2003, conforme escritura pública apresentada. Quanto ao mérito argumenta o suplicante que é descabida à exigência do ADA, bem como desnecessária a averbação da reserva legal a margem da matrícula do imóvel, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. Além do mais, junta ao recurso laudo técnico de avaliação com fito de confirmar todas as informações prestadas a autoridade fiscal. Ilegitimidade Passiva Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar a preliminar aventada pelo recorrente e que diz respeito à ilegitimidade passiva, pois, segundo argumenta, transferiu a propriedade em 16/09/2003, evidenciando, assim, “... a inexistência de qualquer vínculo do interessado, juntamente com os condôminos, com o imóvel em comento”. Em relação ao tema, cumpre trazer à baila as observações da autoridade lançadora, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 03: Assim, considerando que o Sr. Carlos Vian apresentou tão somente cópia da escritura pública de compra e venda, sem demonstrar que esta tenha sido registrada à margem da matrícula do imóvel rural, eis que não colacionou a seu requerimento cópia da matrícula n° 5.559 do RGI de Porto dos Gaúchos/MT, não restou comprovado que não mais seria o proprietário do imóvel rural. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Ademais, cabe observar que, o Sr. Carlos Vian e outros apresentaram as declarações de ITR, para o NIRF 0.312.2352, dos exercícios de 2004 a 2008, ou seja, após a data de lavratura da escritura pública de compra e venda (16/09/2003), não tendo sido apresentada justificativa para tal fato. Ressaltese que nas DITRs dos exercícios de 2004 a 2008, o Sr. Carlos Vian e condôminos prestaram informação quanto à área utilizada, referente a produtos vegetais e pastagens (DITR/2008), demonstrando a exploração da atividade rural nesse imóvel. Destarte, não restou caracterizado que os Srs. Valdir Antonio Orsi, Dario José Micharski e Cristiano Marin seriam os verdadeiros detentores da posse e/ou domínio do imóvel rural em lide. Necessário se faz ainda mencionar que o NIRF 0.312.2352 e o código INCRA n° 901199.1046202 encontramse em situação ativa e em nome dos Srs. Carlos Vian e Emilio Divino Rodrigues, conforme extratos em anexo. Assim, considerando que não restou comprovado que os Srs. Valdir Antonio Orsi, Dario José Micharski e Cristiano Marin são os atuais proprietários e que o Sr. Carlos Vian e condôminos promoveram a entrega das DITRs dos exercícios de 2004 a 2008, tendo inclusive informado a utilização da área (produtos vegetais e pastagens ), resta caracterizado que os Sr. Carlos Vian e condôminos são contribuintes do ITR, nos termos do art. 4o da Lei n° 9.393/1996. Depreendese do excerto transcrito que o proprietário do imóvel é de fato o ora recorrente. Corrobora com este entendimento o fato de o contribuinte ter apresentado declaração de ITR para o NIRF 0.312.2352 dos exercícios de 2004 a 2008, além do que, regulamente intimado, não ter apresentado o registro na matrícula do imóvel da suposta venda efetuada. Destarte, afastase, pois, a suscitada preliminar. Área de Preservação Permanente De início, deve ser registrado que sempre me posicionei no sentido de que antes do exercício de 2000, não havia previsão legal para a apresentação do Ato de Declaração Ambiental – ADA para fins de exclusão da tributação do ITR de áreas declaradas como preservacionistas. Esse entendimento está arrimado ao fato de que a redução da área tributável do ITR, por falta de previsão legal, não estava condicionada a obtenção do ADA, podendo ser fundada em quaisquer outros meios probatórios idôneos. Todavia, a Lei nº 10.165/2000 alterou a Lei n° 6.938/1981 ao incluir letras ao art. 17, verbis: Art. 1o Os arts. 17B, 17C, 17D, 17F, 17G, 17H, 17I e 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721800/200967 Acórdão n.º 220101.506 S2C2T1 Fl. 4 7 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) (...) Pelo que se vê, para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é necessário o reconhecimento específico pelo Ibama ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA. Quanto ao § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, mencionado pela defesa, registrese que sua redação apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Assim, a partir do exercício 2001 a utilização do ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR, não importando se são as áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico) ou as de Preservação Permanente. Em se tratando do exercício de 2006 o art. 10 de IN SRF nº 659/2006 determina a entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938/1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000, na forma legislação pertinente. Ressaltese que a posição majoritária deste Colegiado é no sentido de não exigir o ADA para as áreas de preservação permanente, todavia, a Turma Julgadora condiciona a comprovação efetiva da referida área à apresentação de laudo técnico acompanhado de ART. Contudo, o laudo técnico apresentado às fls. 148/158 limitase a informar a existência de áreas de preservação permanente, sem, entretanto, delimitálas e discriminálas, de modo a tornar possível a subsunção às alíneas dos 2º e 3º da Lei n° 4771/1965 Código Florestal. Portanto, como não se encontra nos autos documento que comprove a entrega tempestiva do ADA, bem como laudo técnico discriminando as áreas de preservação permanente na forma dos arts. 2º e 3º do Código Florestal, o contribuinte não poderá se beneficiar da isenção do imposto. Área de Reserva Legal Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 De acordo com o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996, o sujeito passivo poderá suprimir da base de cálculo da apuração do ITR a área de reserva legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Todavia, para fazer jus à redução deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Assim, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Neste sentido, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Portanto, a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721800/200967 Acórdão n.º 220101.506 S2C2T1 Fl. 5 9 Valor da Terra Nua VTN Quanto ao VTN a autoridade fiscal alterou o valor informado na DITR/2006 de R$ 680.000,00 (R$ 81,01/ha) para R$ 2.143.404,34 (R$ 255,38/ha). Por sua vez, o valor encontrado pelo recorrente, conforme nova DIAT preenchida de fl.191 representou o montante de R$ 2.143.404,34 (R$ 255,38/ha), ou seja, o mesmo valor do VTN apurado pela autoridade fiscal com base no SIPT Sistema de Preços de Terra (fl. 09). Destarte, como não há divergência entre o valor arbitrado pela fiscalização e o apurado pelo recorrente, conforme “Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel”, fls. 147/157, mantémse, pois, o VTN de R$ 2.143.404,34 (R$ 255,38/ha) apurado pela autoridade fiscal. Por fim, a realização de perícias e diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, não podendo ser utilizada para a produção de provas que o contribuinte deveria trazer à colação junto com a Impugnação. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 235DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10680.011156/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2000 a 31/03/2006/
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 02.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3202-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 02. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 11 56 /2 00 6- 61 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Restituição (fls. 01/ss), protocolado em 11/10/2006, no valor de R$ 845.580,66, cumulado com diversas Declarações de Compensação (fls. 32 a 99), por meio do qual a interessada pretende compensar supostos créditos da COFINS, decorrentes da aquisição de óleo diesel como consumidor final efetuadas entre 10/11/2000 e 31/03/2006. Por bem sintetizar os fatos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 845.580,66, pertinente aos períodos de apuração de 11/2000 a 03/2006, apresentado em 11/10/2006 (fl.01/18), sendo posteriormente vinculado às Declarações de Compensação cujas consultas no SIEFBRASIL encontramse acostadas às fls.32/99, transmitidas de 18/04/2008 a 24/09/2009. A DRF Volta Redonda, por meio do despacho decisório de fls. 100/107, indeferiu totalmente a solicitação da contribuinte, sendo que em relação aos recolhimentos realizados entre 10/11/2000 a 11/10/2001, face ao prazo superior a 5(cinco) anos entre o pagamento que extingue o crédito tributário e a data de protocolização do pedido, e em relação aos demais períodos, o indeferimento teve como base o fato de a partir de 01/07/2000, "... a alíquota da Cofins incidente nas etapas de comercialização do óleo diesel realizadas pelos distribuidores e comerciantes varejistas foi reduzida a zero, falar em ressarcimento dos valores correspondentes à incidência na venda a varejo pelo consumidor final pessoa jurídica, seria pleitear a restituição de quantia inexistente." A interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 124/140, alegando em síntese que: 1. Merece ser afastado de plano o entendimento de que o direito do contribuinte se encontraria parcialmente prescrito em face do prazo decadencial qüinqüenal; 2. Não se pode olvidar que o prazo prescricional para a repetição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cujos fatos geradores tenham ocorrido antes da Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.011156/200661 Acórdão n.º 3202000.647 S3C2T2 Fl. 213 3 LC 118/2005, se sujeitam ao prazo de 10 anos, conforme entendimento jurisprudencial cristalizado; 3. Segundo o Código Tributário Nacional, o pagamento de tributo sujeito ao lançamento por homologação somente provoca a extinção do crédito tributário sob condição resolutória (de posterior homologação). Sabese que a referida homologação pode ocorrer de forma expressa ou tácita, sendo esta última considerada quando o fisco quedarse silente/inerte frente aos recolhimentos efetivados pelo contribuinte ex vi do § 4o , do art. 150, do CTN; 4. Assim, sabendose que a extinção do crédito tributário para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação forçosamente somente ocorre em definitivo com a homologação expressa ou tácita, sendo esta última decorrente da inércia do fisco por 05 (cinco) anos contados do fato gerador, temse que o referido prazo quinquenal do citado art. 168, I, do CTN, somente se inicia após o término desse prazo de 05(cinco) anos que o fisco possui para homologar os recolhimentos; 5. Daí que o contribuinte possui prazo de 10(dez) anos para buscar a restituição dos valores pagos a maior ou indevidamente quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação; 6. E esse entendimento predominou nos tribunais desde 1995 quando o Colendo STJ decidiu acerca do empréstimo compulsório, firmando o prazo decenal de prescrição; 7. Depreendese, destarte, que a redução do prazo prescricional emanado da LC 118/2005 não se aplicará às situações pretéritas, alcançando exclusivamente os fatos geradores posteriores à sua edição; 8. A referida LC 118/2005 não poderá ser aplicada retroativamente ao caso vertente por duas razões básicas (e fundamentais) : a) não se trata de lei interpretativa que pudesse atrair a aplicação do preceito contido no art. 106, do CTN; e b) a Lex Fundamentalis expressamente protege o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito (art.5°, inciso XXXVI); 9. Quanto ao direito de restituição em si, cumpre asseverar que há de se reconhecer o direito de restituição na medida em que as leis editadas fizeram tabula rasa do preceito contido no citado art. 150, § 7o, da Constituição Federal; 10. Melhor explicando, as distribuidoras de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes recolhiam as contribuições como substitutas tributárias das operações subseqüentes praticadas pelos comerciantes varejistas desde a MP 1.212/95 até a edição da Lei 9.718/98, quando então, além de unificação das regras da COFINS e do PIS, se elegeu como substitutas as refinarias; 11. Após várias alterações legislativas ocorreu a extinção do instituto da substituição tributária da COFINS e do PIS pelas refinarias. Todas essas mudanças no cenário legislativo trouxeram para os contribuintes um sério prejuízo na medida em que, conquanto nem as distribuidoras e tampouco as refinarias Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 se submetessem mais às regras da substituição tributária do PIS e da COFINS, o certo é que a carga tributária foi mantida inalterada; 12. Em outras palavras, a partir do momento em que se extinguiu o regime da substituição tributária da COFINS e do PIS pelas distribuidoras e refinarias de petróleo, e se manteve a mesma carga tributária cobrada pelas refinarias, tornase óbvio que o único prejudicado foi o contribuinte porque no preço dos combustíveis adquiridos diretamente das distribuidoras se encontra embutido o mesmo encargo tributário que antes existia sob a roupagem da substituição tributária; 13. Com isso, o contribuinte não pode mais se valer da regra disposta pela INSRF 06/99 que permitia a imediata restituição dos valores de PIS e COFINS pagos em substituição tributária pela ausência da operação no varejo ex vi do art. 150, § 7o , da CF/88; 14. A partir do momento que o fisco extingue com a substituição tributária do PIS e da COFINS das distribuidoras e refinarias, mas mantém a mesma carga tributária para as refinarias, fica patente que, na verdade, os recolhimentos de PIS e da COFINS pelas refinarias não são decorrentes de operação própria, já que é óbvio que as refinarias passaram a embutir no preço dos combustíveis praticados por essa nova carga tributária majorada; 15. Podese dizer, pois, que o fisco fez com que o preceito contido no § 7o, do art. 150, do Texto Constitucional, fosse revogado já que deu nova roupagem à natureza das incidências de PIS e COFINS nas operações de compra de combustíveis; 16. Além do mais, sabendose que a Lei 9.718/98, bem ou mal, certo ou errado, encontrou arrimo no art. 195 da CF/88 em face da EC n° 20/98, temse que a extinção da substituição tributária pelas citadas MP's (1.99115/2000 e 2.15835/2001) não encontra o menor amparo legal porque afronta o disposto no art.246, da CF/88, que, por sua vez, impede que medidas provisórias regulamentem texto da Constituição cuja redação tenha sido alterada por emendas constitucionais datadas a partir de janeiro de 1995 até setembro de 1991; 17. Portanto, é direito da contribuinte a restituição dos valores pagos a título de PIS/COFINS quando das aquisições de combustíveis realizadas diretamente junto dos distribuidores; 18. Sobre os valores requeridos há de ser acrescida a devida atualização porque a mesma não representa um plus, apenas e tãosomente visa recompor a perda aquisitiva da moeda, corroída pela inflação do período. Além do mais, a partir do momento que a Receita Federal opõe impedimento à restituição, uma vez superados esses impedimentos, temse que proceder à correção dos valores inicialmente pleiteados; 19. Portanto, o crédito da Contribuinte deverá ser corrigido pela aplicação da Taxa Selic porque, em face do primado da isonomia, uma vez sendo válida a aplicação da referida Taxa Selic para fins de atualização dos débitos fazendários, igualmente deverá ser convalidada a aplicação da mesma forma de atualização para os créditos dos contribuintes; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.011156/200661 Acórdão n.º 3202000.647 S3C2T2 Fl. 214 5 20. Requer julgar procedente a presente Manifestação de Inconformidade, reconhecendo, ao final, o direito à restituição perquirida (e conseqüentemente se fazendo a homologação da compensação porventura realizada), acrescido da devida atualização, por medida de pura justiça. Junto com a presente manifestação de inconformidade o contribuinte carreou aos autos documentos de identidade e Décima Alteração do Contrato Social. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão n.º 1334.640 de 11 de maio de 2011 (folhas 153/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2000 a 31/03/2006 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TERMO INICIAL O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art. 150, § 1º do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – Rio de Janeiro em 14/06/2011 (folhas 179/180) e interpôs Recurso Voluntário (fls. 181/ss), em 08/07/2011, onde repisa os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Não assiste razão à Recorrente. Vejamos. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Do prazo prescricional A primeira controvérsia que precisa ser resolvida nesse litígio referese à prescrição do direito de pleitear a restituição da parcela dos recolhimentos efetuados entre 01/11/2000 e 11/10/2001. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, ambos do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Esclareçase, ainda, que o prazo previsto no art. 168, I, do CTN, representa prazo prescricional, mas que se aplica, também, ao pedido administrativo, de forma que, esgotado o prazo para apresentação da ação de repetição de indébito, também se esgota o prazo do pedido administrativo. Neste diapasão, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, o próprio legislador, na tentativa de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Entretanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatado pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN”. Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos relativos a esta matéria. Em consequência da decisão proferida no RE 566.621, resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.011156/200661 Acórdão n.º 3202000.647 S3C2T2 Fl. 215 7 No caso em tela, o Pedido de Restituição foi protocolado em 11/10/2006, para o período de apuração de 01/11/2000 a 31/03/2006, portanto, temos que para os recolhimentos efetuados entre 01/11/2000 a 11/10/2001 já ocorreu a prescrição do direito do contribuinte para solicitar a restituição de tributos, considerandose o prazo de 5 anos estipulado pelo STF para os pedidos formulados após 09/06/2005. Do direito à restituição do PIS e Cofins – aquisição de óleo diesel por consumidor final Pela mera leitura da peça recursal verificase que o contribuinte manifestou sua inconformidade com a extinção do regime de “substituição tributária”, trazida pela Medida Provisória n° 1.99115, de 2000 (artigo 43), para o PIS/COFINS nas operações de aquisição de combustíveis. A Recorrente, na verdade, pretende discutir constitucionalidade das Medidas Provisórias n° 1.99115, de 2000 e n° 2.15835, de 2001 em relação ao disposto no parágrafo 7º, do artigo 150, da Constituição Federal, assim como a suposta ilegalidade dessas Medidas Provisórias em confronto com o artigo 110 do CTN. Esta discussão não é possível de se fazer no Contencioso Administrativo por expressa vedação legal contida no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido dispõe o artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes (aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009), ao vedar aos membros do Tribunal Administrativo a discussão sobre inconstitucionalidades de normas, verbis: Art. 62 Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ademais, essa matéria – a incompetência do CARF para se pronunciar sobre inconstitucionalidades já se encontra, inclusive, sumulada no CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na esfera administrativa se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária nos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis ou medidas provisórias regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 Destarte, fica prejudicada a análise das supostas ilegalidades e inconstitucionalidades arguidas pela Recorrente nesta esfera de julgamento administrativo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e, por conseguinte, pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação das compensações efetuadas. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 219DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13876.000254/00-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000 COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO VALOR. A legislação estabelece limitação valorativa de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) para fins de restrição da competência de turma especial para o julgamento de recursos voluntários interpostos nos processos administrativos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1801-000.844
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Declinada a competência do julgamento para as turmas ordinárias em razão do valor do litígio.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A legislação estabelece limitação valorativa de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) para fins de restrição da competência de turma especial para o julgamento de recursos voluntários interpostos nos processos administrativos no âmbito do CARF. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Declinada a competência do julgamento para as turmas ordinárias em razão do valor do litígio. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 274DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000254/0026 Acórdão n.º 180100.844 S1TE01 Fl. 260 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Restituição, fl. 01, e os Pedidos de Compensação, fls. 101102, ambos em 17.07.2000, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2000 no valor total de R$1.067.182,47 decorrente de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre receitas financeiras, em conformidade com a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 31100. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 124, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento do pedido. A Recorrente foi cientificada em 14.06.2006, fl. 130 e permaneceu silente. Posteriormente em 22.08.2008 foi intimada a apresentar o relatório discriminando os débitos a serem compensados, fls. 133134. Em 03.09.2008 apresentou solicitação de prorrogação de prazo, fl. 135. Em 26.09.2008, fl. 142, junta as cópias dos Pedidos de Compensação originalmente entregues em 17.07.2000, fls. 164165. Nesta oportunidade é proferido o Despacho Decisório Complementar, fls. 171172, em que houve o não reconhecimento do direito creditório pleiteado no valor de R$1.067.182,47 em 31.12.1999 considerando que a totalidade deste crédito foi utilizado nos Pedidos de Compensação e nas compensações efetuadas na própria contabilidade. Cientificada em 14.10.2008, fl. 174, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 13.11.2008, fls. 188194, argumentando, em síntese, que tem direito ao reconhecimento do direito creditório R$1.067.182,47 em 31.12.1999 que utilizou nas compensação dos débitos do anocalendário de 2000 indicados no Livro Diário às fls. 160165 e nos Pedidos de Compensação apresentados em 17.07.2000, fls. 101102. Conclui De tudo o que se expôs, a requerente servese da presente para pugnar seja reformada do Despacho Decisório Complementar, para que se reconheça o direito ao crédito no valor de R$1.067.182,47, informe que a totalidade do referido crédito foi utilizado nas compensações realizadas nestes autos e em sua própria contabilidade, durante o ano de 2000, e, por fim, homologue as referidas compensações. Nestes termos, Pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1426.398, de 09.10.2009, fls. 219223: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em análise de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000254/0026 Acórdão n.º 180100.844 S1TE01 Fl. 261 3 Notificada em 04.01.2010, fl. 228, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.02.2010, fls. 230236, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Isto posto, a recorrente pede o cancelamento da cobrança face a compensação dos débitos descritos às fls.101/102, correspondente a CSLL, períodos de apuração abril e maio de 2000, e a homologação das demais compensações declaradas no presente processo. Esclarece ao final, que reconhece que a totalidade do crédito solicitado nestes autos foi utilizada para a liquidação das compensações de fls. 101/102, 160/165, não restando saldo a ser restituído 'em espécie'. Requer ainda, que o seu procurador, Dr. Gustavo Almeida e Dias de Souza, OAB/SP n° 154.074, com endereço profissional A Rua Conde Francisco Matarazzo, n° 54, Jardim Vergueiro, Sorocaba/SP, CEP 18030010, também seja intimado, por correspondência, de todas as decisões proferidas no presente processo. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo. A Recorrente, em síntese, requer o reconhecimento do direito creditório no valor de R$1.067.182,47. Em relação à previsão legal para julgar esta matéria, a Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 2° Ficam criadas no CARF 21 (vinte e uma) turmas especiais temporárias. § 1° As turmas especiais de que trata o caput serão instaladas no ato de designação dos respectivos conselheiros. § 2° A competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância. Por seu turno, a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 , prevê Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do Fl. 276DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000254/0026 Acórdão n.º 180100.844 S1TE01 Fl. 262 4 pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. A norma de regência estabelece limitação valorativa de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) para fins de restrição da competência de turma especial para o julgamento de recursos voluntários interpostos nos processos administrativos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O valor do direito creditório referente ao litígio instaurado no presente processo ultrapassa o limite de alçada normativo e por esta razão verificase a ausência de competência desta 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento para exame do recurso voluntário. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário e declinar a competência do julgamento para as turmas ordinárias em razão do valor do litígio. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 277DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13855.722723/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/08/2008 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELO EMPREGADOR, PESSOA JURÍDICA, QUE SE DEDIQUE À PRODUÇÃO RURAL. A contribuição devida pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural é regida pelo art. 25 da Lei 8.870/94, norma válida e vigente no ordenamento jurídico que teve sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apenas em relação ao seu §2º, dispositivo que não se relaciona com tal sujeito passivo. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. DA MULTA MORA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.773
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto do Relator; Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a).
Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em
manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso,
nos termos do voto do(a) Relator(a) Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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EMPREGADOR PRODUTOR RURAL Recorrente AGNESINI AGROPECUÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/08/2008 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELO EMPREGADOR, PESSOA JURÍDICA, QUE SE DEDIQUE À PRODUÇÃO RURAL. A contribuição devida pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural é regida pelo art. 25 da Lei 8.870/94, norma válida e vigente no ordenamento jurídico que teve sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apenas em relação ao seu §2º, dispositivo que não se relaciona com tal sujeito passivo. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. DA MULTA MORA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto do Relator; Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, Fl. 595DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) Redator: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Redator designado Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13855.722723/201115 Acórdão n.º 230102.773 S2C3T1 Fl. 596 3 Relatório Conforme relato constante do Acórdão a quo, tratase de crédito lançado pela fiscalização, em relação ao contribuinte acima identificado, incluindo os seguintes debcads: • 37.361.4373 – destinado ao lançamento da contribuição devida pelo produtor rural pessoa jurídica à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, no montante de R$33.663,15 (valor consolidado na data do lançamento); Período 10/2007 a 08/2008 • 37.361.4381 – destinado ao lançamento da contribuição devida pelo produtor rural pessoa jurídica ao SENAR, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, no montante de R$3.236,86 (valor consolidado na data do lançamento); Período 10/2007 a 08/2008 • 37.361.3725 – destinado ao lançamento da multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, IV e §5o da Lei nº 8.212/91, no montante de R$4.573,29. Período 10/2007 a 08/2008 De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, após analisar as informações e documentos apresentados pelo contribuinte, bem como aqueles coletados junto a terceiros (notas fiscais e comprovantes de pagamento) e efetuar o confronto desses dados com as informações declaradas em GFIP, constatouse que a empresa exerce atividade rural e, de acordo com as informações extraídas dos livros fiscais, contábeis e junto aos terceiros, obtevese a receita bruta correspondente à comercialização de produtos rurais no período de 01/2007 a 12/2009, cujos valores encontramse relacionados no Anexo B e documentos que o acompanham. O fundamento legal para a contribuição do empregador pessoa jurídica sobre a produção rural foi art. 25, §§ 3 e 4º da Lei 8.212/91 e a Lei 8.870/94 , art. 25, inciso I e §3º. Após tomar ciência postal da autuação em 18/10/2011, fls. 19, a recorrente apresentou impugnação, fls. 545/556, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 561/566, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 28/02/2012, fls. 574. O recurso voluntário, protocolizado em 28/03/2011, fls. 577/588, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Argumenta que a contribuição prevista no art. 25 da Lei 8.212/91 é inconstitucional, não tendo sido tal vício afastado pela Lei 11.256/2001. O Supremo Tribunal Federal (STF) já teria declarado a inconstitucionalidade de tal exação. Suscita a aplicação das conclusões da ADI 1103 ao caso, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) teria concluído que a contribuição criada pela Lei 8.870/94 seria inconstitucional. Haveria ofensa ao art. 195, §8º da Constituição Federal (CF). Reclama da Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) por entender não haver motivação para sua existência. É o relatório. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13855.722723/201115 Acórdão n.º 230102.773 S2C3T1 Fl. 597 5 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Contribuição do empregador pessoa jurídica que se dedique à produção rural. Art. 25 da Lei 8.870/94 com redação dada pela Lei 10.256/2001. A incidência da contribuição do empregador pessoa jurídica que se dedique à produção rural é regida pelo art. 25 da Lei 8.870/94, in verbis: Art. 25. A contribuição prevista no art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, passa a ser a seguinte: Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. § 1º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de um décimo por cento da receita bruta, proveniente da venda de mercadorias de produção própria, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). § 1o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria, destinado ao Serviço Fl. 599DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) § 2º O disposto neste artigo se estende às pessoas jurídicas que se dediquem à produção agroindustrial, quanto à folha de salários de sua parte agrícola, mediante o pagamento da contribuição prevista neste artigo, a ser calculada sobre o valor estimado da produção agrícola própria, considerado seu preço de mercado. (Revogado pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) § 3º Para os efeitos deste artigo, será observado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992. § 3º Para os efeitos deste artigo, será observado o disposto no § 3º do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997). § 4º O adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do empregador pelo recolhimento das contribuições devidas nos termos deste artigo, salvo no caso do § 2º e de comercialização da produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor. (Revogado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 5o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) O dispositivo acima foi objeto da ADI 1103 com as seguintes ementa e decisão: EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA À SEGURIDADE SOCIAL POR EMPREGADOR, PESSOA JURÍDICA, QUE SE DEDICA À PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL (§ 2º DO ART. 25 DA LEI Nº 8.870, DE 15.04.94, QUE ALTEROU O ART. 22 DA LEI Nº 8.212, DE 24.07.91): CRIAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO QUANTO À PARTE AGRÍCOLA DA EMPRESA, TENDO POR BASE DE CÁLCULO O VALOR ESTIMADO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA PRÓPRIA, CONSIDERADO O SEU PREÇO DE MERCADO. DUPLA INCONSTITUCIONALIDADE (CF, art. 195, I E SEU § 4º) PRELIMINAR: PERTINÊNCIA TEMÁTICA. 1. Preliminar: ação direta conhecida em parte, quanto ao § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870/94; não conhecida quanto ao caput do mesmo artigo, por falta de pertinência temática entre os objetivos da requerente e a matéria impugnada. 2. Mérito. O art. 195, I, da Constituição prevê a cobrança de contribuição social dos empregadores, incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; desta forma, quando o § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870/94 cria contribuição social sobre o valor estimado da produção agrícola própria, considerado o seu preço de mercado, é ele inconstitucional porque usa uma base de cálculo não prevista na Lei Maior. 3. O § 4º do art. 195 da Constituição Fl. 600DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13855.722723/201115 Acórdão n.º 230102.773 S2C3T1 Fl. 598 7 prevê que a lei complementar pode instituir outras fontes de receita para a seguridade social; desta forma, quando a Lei nº 8.870/94 servese de outras fontes, criando contribuição nova, além das expressamente previstas, é ela inconstitucional, porque é lei ordinária, insuscetível de veicular tal matéria. 4. Ação direta julgada procedente, por maioria, para declarar a inconstitucionalidade do § 2º da Lei nº 88.870/94. Decisão Pediu vista dos autos o Ministro Ilmar Galvão, depois do voto do Ministro Néri da Silveira (Relator), julgando improcedente a ação, e dos votos dos Ministro Maurício Corrêa, Francisco Rezek, Marco Aurélio e Carlos Velloso, julgandoa procedente, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870/94. Falou pela requerente o Dr. Plínio Paulo Bing, Plenário, 13.11.96. Decisão: Por maioria de votos, o Tribunal julgou procedente, em parte, a ação para declarar a inconstitucionalidade do § 2º do art. 25 da Lei 8.870/94, vencidos os Ministros Néri da Silveira, Relator, Ilmar Galvão e Octávio Gallotti. Votou o Presidente. Relator para o acórdão o Ministro Maurício Corrêa. Plenário, 18.12.96. Como se vê, portanto, o §2º do art. 25 da Lei 8.870/94 foi extirpado do mundo jurídico com o transito em julgado da ADI 1103 em 07/05/1997, o que afastou a aplicação daquele dispositivo para as pessoas jurídicas que se dedicam à produção agroindustrial, mas em nada afetou a situação das pessoas jurídicas que se dedique à produção rural. Salientamos que a contribuição do empregador pessoa jurídica que se dedique à produção rural não está relacionada com o RE 363.852 ou com o RE 596.177, pois tais ações tratam da inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8540/92, ou seja, da inconstitucionalidade da contribuição da pessoa física (art. 25 da Lei 8.212/91) e da subrogação do respectivo adquirente. (art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91). Estando a contribuição do empregador pessoa jurídica que se dedique à produção rural prevista em lei não foi afastada do mundo jurídico por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), cumprenos aplicála. Com relação aos argumentos fundados em inconstitucionalidade, temos Súmula deste Colegiado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No caso em análise, a ADI 4395 ainda está tramitando, o que não afeta o resultado do presente julgamento. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 A recorrente não apresentou quaisquer outros argumentos além daqueles centrados na inconstitucionalidade da exação. No que concerne a RFFP, como muito bem salientou a decisão a quo, , a menção neste processo quanto à elaboração de representação fiscal para fins penais tem caráter meramente informativo. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; • Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei Fl. 602DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13855.722723/201115 Acórdão n.º 230102.773 S2C3T1 Fl. 599 9 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: • A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada; • A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; Fl. 604DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13855.722723/201115 Acórdão n.º 230102.773 S2C3T1 Fl. 600 11 • A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008: • A multa de mora, se aplicada, deve ser afastada; • As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Tal posição é Fl. 606DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13855.722723/201115 Acórdão n.º 230102.773 S2C3T1 Fl. 601 13 aplicável inclusive para situações nas quais a fiscalização tenha feito sua análise de retroatividade benéfica, com a qual não concordamos, e aplicado a multa de 75% do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 607DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério Redator designado: A divergência vencedora no presente processo diz respeito apenas à multa aplicada em face da retroatividade benigna da Lei nº 11.941/09, permanecendo o voto do Relator intacto em relação às demais questões. Há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, CONHEÇO o recurso voluntário para, NO MÉRITO, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para aplicar a multa prevista no artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 608DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/07/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 17515.000544/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/06/2008
Ementa:
Diante da imunidade em relação aos Imposto de Importação, Cofins e PIS/PASEP e a validade da expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social ter sido reconhecida no âmbito do Poder Judiciário, essa deve ser reconhecida em sede administrativa.
Numero da decisão: 3801-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que não conhecia do Recurso Voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria do objeto do processo.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordingnon, Sidney Eduardo Stahl, Adriana Oliveira e Ribeiro, Fábio Miranda Coradini, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente)
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que não conhecia do Recurso Voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria do objeto do processo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordingnon, Sidney Eduardo Stahl, Adriana Oliveira e Ribeiro, Fábio Miranda Coradini, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 51 5. 00 05 44 /2 00 8- 30 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ – Florianópolis/SC, abaixo transcrito: “O presente processo referese aos autos de infração de fls. 20/38, lavrados para as exigências de Imposto de Importação, Cofins e PIS/PASEP, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, totalizando um crédito tributário no valor de R$64.515,25. Segundo relato da fiscalização, a interessada registrou a DI. n.° 08/09075380 em 17/06/2008, alegando isenção de impostos conforme a Lei n.° 8.032/90 e não incidência de PIS e Cofins, conforme Lei n.° 10.865/2004. Referido beneficio não foi concedido haja vista a expiração da validade do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. A importadora, então, impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.70.00.0103781/PR, onde discute a imunidade quanto aos tributos e a validade do Certificado tendo em vista pedido de renovação já protocolizado junto ao CNAS . O pedido de liminar foi deferido para liberação das mercadorias importadas em 02/07/2008 (fls. 03/05). Por estas razões foram lavrados os autos de infração com os tributos devidos e não recolhidos, bem como juros de mora e multa de oficio de 75% prevista na Lei n.° 9,430/96, art. 44, com a redação da Lei n.° 11.488/2007. A constituição do crédito se deu para prevenir a decadência e encontrase com a exigibilidade suspensa. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 46/49, alegando o que segue: Haja vista o indeferimento da isenção requerida no registro da DI n. 08/05566419 pela autoridade fiscal, a autuada impetrou Mandado de Segurança: nº 2008.70.00.010378/PR para ser julgado seu pedido, obtendo liminar para liberação das mercadorias. Mesmo com a apresentação da guia de depósito nos autos do mandado de segurança, a fiscalização constituiu o auto de infração em tela cobrando os tributos e a exorbitante multa de oficio de 75%, mais juros de mora. É sabido que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por força do art. 151, V, do CTN, no entanto está sendo exigida a multa de oficio com base no argumento de que a liminar foi deferida após o registro da DI. Ora a impugnante sempre teve a isenção dos tributos nas importações e somente porque seu pedido formulado em 16/08/2008 foi indeferido é que impetrou o mandado de segurança em 23/06/2008. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 17515.000544/200830 Acórdão n.º 3801001.401 S3TE01 Fl. 112 3 Ademais o art. 44 é claro ao dispor que a multa será aplicada quando houver "diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Não houve qualquer das hipóteses previstas pois a impugnante teve a isenção declarada judicialmente. Desta forma o auto de infração está descumprindo sentença judicial e não há que se falar em cobrança de multa por falta de pagamento ou recolhimento considerando, também, que o acessório segue o principal. Por estas razões deve ser cancelado o débito fiscal reclamado no auto de Infração”. Analisando o litígio, a DRJ – Florianópolis/SC decidiu pela procedência do auto de infração consubstanciado no presente processo administrativo, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/06/2008 MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. Aplicase a multa de oficio em lançamento tendente a prevenir decadência de crédito cuja exigibilidade esteja suspensa face a concessão de medida liminar em mandado de segurança impetrado contra exigência formulada no curso do despacho aduaneiro de importação, tendo em vista a. exclusão da espontaneidade do importador em conseqüência do inicio do despacho aduaneiro por meio do registro da Declaração de Importação. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. Medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não afasta a constituição do mesmo através de auto de infração ou lançamento, tendo em vista a prevenção da decadência. Impugnação improcedente”. Consta nos autos recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: · A medida liminar concedida à Recorrente nos autos do Mandado de Segurança nº. 2008.70.00.010378/PR suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, circunstância que impediria a lavratura da autuação fiscal em debate; · A Recorrente é imune ao recolhimento de impostos e contribuições em importações; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 · A superveniente expedição do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social em nome da Recorrente, compreendendo os períodos de 28.09.2005 a 27.09.2008 e 10.11.2008 a 09.11.2011; e · por fim, a exorbitância da multa aplicada aos autos de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como bem destacado no Relatório Fiscal, as exigências consubstanciadas no Autos de Infração em debate estavam sendo discutidas pela Recorrente perante o Poder Judiciário, por meio do Mandado de Segurança nº. 2008.70.00.0103781 (PR), proposto perante a Terceira Vara Federal de Curitiba – Seção Judiciária do Paraná. Nos autos da referida ação mandamental, a sentença que concedeu a segurança pleiteada pela Recorrente foi confirmada pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, para fins de reconhecimento de sua condição de entidade imune, confirase: “TRIBUTÁRIO. ART. 195, § 7º, DA CARTA POLÍTICA. IMUNIDADE. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUISITOS. 1. O art. 195, § 7º, da CF, cuida de hipótese de imunidade, passível de esmiuçamento por lei ordinária, desnecessária a via complementar para tal desiderato. 2. A Lei 9.732/98, que deu nova feição aos requisitos insculpidos no art. 55 da Lei 8.212/91, foi objeto de ADIn, já havendo pronunciamento do e. Supremo Tribunal Federal a respeito do tema, tendo o Plenário daquela Corte suspendido a eficácia do artigo 1º, na parte que alterou a redação do artigo 55, inciso III, da Lei nº 8.212/91, e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, bem como dos artigos 4º, 5º e 7º do citado diploma legal (ADIn Medida Liminar 2.0285, Rel. Min. Moreira Alves, DJ de 16/06/2000). 3. A e.Corte Especial deste Tribunal, em julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nº 2002.71.00.0056456, em sessão realizada na data de 22 de fevereiro de 2007 (DJU de 29/03/2007), sob a relatoria da Desª. Federal Marga Inge Barth Tessler, entendeu pela constitucionalidade da exigência dos requisitos específicos quanto à constituição e ao funcionamento das entidades beneficentes de assistência social previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e alterações dadas pelos arts.5º da Lei nº 9.429/96, 1º da Lei nº 9.528/97 e 3º da MP nº 2.187/01, para que a entidade assistencial faça jus à imunidade conferida pelo art. 195, §7º, da CF/88. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 17515.000544/200830 Acórdão n.º 3801001.401 S3TE01 Fl. 113 5 4. A demandante demonstrou atender, integralmente, as exigências trazidas pelo art. 55 da Lei 8.212/91, fazendo jus, portanto, ao benefício imunizatório. 5. Embora a validade do último CEAS tenha expirado, o pedido de renovação do Certificado encontrase pendente de apreciação perante o Conselho Nacional de Assistência Social. A perda de validade do certificado não pode ser erigida como óbice ao reconhecimento da imunidade, pois a demora na apreciação do pleito decorre do procedimento da administração”. (http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/visualizar_documento_ged pro.php?local=trf4&documento=3408267&hash=6f2a5832ef46 cb03337c1049756e4049) Em consulta realizada junto ao sítio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, verificase que o acórdão transitou em julgado em sentido favorável à Recorrente e que, atualmente, o mencionado Mandado de Segurança encontrase baixado. Diante destas circunstâncias, corroboradas pela expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social, informada pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, o presente Auto de Infração não merece subsistir, devendo ser cancelado. Neste sentido, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003492/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.159
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por
unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 30/11/2009 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da cooperativa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao FNDE, INCRA, SEBRAE E SESCOOP, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, e as contribuições de segurados contribuintes individuais destinadas ao SEST e SENAT conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 29/31. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003492/201079 Resolução n.º 2302000.159 S2C3T2 Fl. 115 2 Informa a Autoridade Lançadora que os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias objeto do presente lançamento foram apurados a partir da comparação das bases de cálculo e contribuições por segurado constantes nas folhas de pagamento, GFIP e RAIS e planilha de cálculos trabalhistas. Aduz que os cooperados e dirigentes não constam das GFIP e que, também, não foi apresentada qualquer relação ou folha de pagamento que individualize suas remunerações. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 35/50. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 63/68, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 14/04/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl.. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls., respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que a fiscalização deixou de considerar os valores pagos em razão de parcelamento de contribuições previdenciárias. Alega que, através do anexo 7, juntado ao Auto de Infração nº 37.270.8498, a cooperativa fez a juntada de comprovantes de pagamento de prestações do parcelamento, referentes aos meses de agosto/2009 a setembro/2010, assim como informações pertinentes ao parcelamento em foco, a fim de que os valores recolhidos sejam considerados e abatidos das exações ora lançadas. Relatados sumariamente os fatos relevantes. VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 14/04/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 13 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003492/201079 Resolução n.º 2302000.159 S2C3T2 Fl. 116 3 Ante a ausência de questões preliminares, passamos à análise do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre assentar inicialmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras, assim como as matérias decididas pelo órgão de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 2.1. DO ALEGADO PARCELAMENTO Alega o Recorrente que a fiscalização deixou de considerar os valores pagos em razão de parcelamento de contribuições previdenciárias. Alega que, através do anexo 7, juntado ao Auto de Infração nº 37.270.8498, a cooperativa fez a juntada de comprovantes de pagamento de prestações do parcelamento, referentes aos meses de agosto/2009 a setembro/2010, assim como informações pertinentes ao parcelamento em foco, a fim de que os valores recolhidos sejam considerados e abatidos das exações ora lançadas. Com efeito, compulsando os autos, verificamos haverem sido considerados pela fiscalização os créditos decorrentes de LDC nas competências de julho/2005 a abril/2009, conforme registrado no Relatório de Documentos Apresentados – RDA a fls. 10/12, assim como no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA a fls. 13/16. A cooperativa alega ter efetuado o pagamento das parcelas referentes às competências agosto/2009 a setembro/2010, mas não honrou instruir os presentes autos com as cópias autenticadas dos comprovantes de recolhimento, fazendo apenas remissão ao Processo Administrativo Fiscal referente ao Auto de Infração nº 37.270.8498, a cujos autos este relator não teve nem tem acesso. Diante da impossibilidade de se apurar a consistência das alegações acima formuladas, pugnamos pela conversão do julgamento em diligência, para que a Fiscalização se manifeste, de maneira conclusiva, a respeito do aludido pagamento das prestações relativas aos meses de agosto/2009 a setembro/2010 e a influência de tal recolhimento, caso comprovado, no crédito tributário objeto do vertente Auto de Infração, em razão da apropriação dos valores recolhidos pelos diversos lançamentos efetuados na mesma ação fiscal. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, pautamos pela conversão do julgamento em diligência, nos termos assentados no parágrafo a este precedente. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, concedase vista ao Recorrente, para que este, desejando, possa se manifestar no processo no prazo normativo. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003492/201079 Resolução n.º 2302000.159 S2C3T2 Fl. 117 4 É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13816.000847/2003-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE A MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. INEXISTÊNCIA Apenas implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Sendo diversos os objetos, não há que se falar em concomitância Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-001.586
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos a Relatora e os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1942; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 92 1 91 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13816.000847/200301 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.586 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2012 Matéria COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. Recorrente SIEMENS DEMATIC LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE A MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. INEXISTÊNCIA Apenas implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Sendo diversos os objetos, não há que se falar em concomitância Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos a Relatora e os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Campinas que deixou de apreciar o mérito do lançamento na parte em que entendeu haver identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, e, no mais, manteve em parte o Auto de Infração e Imposição de Multa, para manter os valores principais lançados e exonerar a multa de ofício sobre eles aplicada. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, em 18/07/2003 (fls. 175), para exigir o crédito tributário no valor total de R$ 329.076,37 (fls. 17), em virtude da não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação sem DARF dos débitos declarados nos períodos de junho a setembro de 1998. Inconformada com a exigência fiscal, a ora Recorrente apresentou impugnação, alegando, em estreita síntese: (i) que a compensação foi efetivamente deferida através de decisão judicial transitada em julgada, permitindo a compensação de Finsocial com Cofins, nos autos do processo de origem n° 94.258747 (não informado na DCTF), o qual, em grau de recurso junto ao TRF, recebeu o número 97.03.0164870 (indicado incorretamente na DCTF com o dígito " 3 " ao invés de "0"). Acrescentou que a compensação é direito subjetivo que decorre da própria Constituição e das Leis 8.383/91 combinada com a Lei 9.250/95. Questionou, ainda, o termo inicial da correção monetária, alegando que deve ser considerada a data em que for apurada a atitude equivocada do contribuinte. Discordou também da aplicação da taxa SELIC, que entende inconstitucional, e que os juros teriam sido calculados em percentuais cumulativos e extorsivos, muito superior ao admitido em nosso ordenamento jurídico, sobretudo no artigo 192, §3°, da Constituição Federal. Opõese à multa de ofício aplicada no percentual de 75%, por ser excessiva e totalmente incompatível com a realidade da atual economia, requerendo a sua exclusão ou que seja minorada. Em vista da incorporação da autuada pela empresa Siemens Ltda, com domicílio fiscal no município de São Paulo, foi o processo encaminhado a DERAT/SPO (fls. 199), que, após intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos acerca do precatório recebido nos autos vinculados à Ação 94.00258747 (fls. 202), informou às fls. 308: Conforme decisão judicial, transitada em julgado em 08/05/1998, (...) foi reconhecido o direito à compensação dos valores recolhidos a maior de FINSOCIAL com débitos da COFINS, com observância do que dispõe a lei 8383/91, sem as limitações da IN n° 67/92, corrigidas monetariamente desde o indevido recolhimento, com incidência do IPC e do INPC (fls. 281307). Cumpre ressaltar que o precatório pago no valor de R$ 207.777,31 diz respeito apenas aos honorários e custas, conforme documentação apresentada pelo contribuinte (fls. 205 280). A DRJ em Campinas julgou parcialmente improcedente impugnação apresentada, nos seguintes termos: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13816.000847/200301 Acórdão n.º 3301001.586 S3C3T1 Fl. 93 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente autuação decorreu, exclusivamente, da suposta falta de comprovação da existência dos processos judiciais nºs. 97.03.0164873 e nºs 97.03.0164870, informados pelo contribuinte em DCTF. Ocorre que tal alegação não procede. Com efeito, a decisão recorrida confirma expressamente a existência das referidos processos judiciais. Tanto é verdade que foi exatamente este o pressuposto fixado no acórdão para concluir que a propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A despeito da apresentação pelo contribuinte de provas que afastam a fundamentação legal do AI (proc jud não comprovado), a DRJ preferiu manter a exigência com base em fatos diversos. Ao assim proceder, incorreu em flagrante nulidade, na medida em que realizou autuação nova, vez que baseada em fundamento legal igualmente novo, o que extrapola a sua competência. Afinal, como o fundamento da autuação foi apenas a não confirmação da existência de medida judicial válida, a apresentação de provas em sentido contrário (ou seja, que demonstram que existem as ações judiciais indicadas em DCTF, que a ora Recorrente figura em seu polo ativo e que a matéria que nela se discute é a exigência em questão) é suficiente para afastar a autuação, nos termos prescritos pelo art. 53 da Lei nº 9.784/99 c/c o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. Por outro lado, entendo que a indicação do dígito errado de uma das ações relacionadas em DCTF configura de mero erro formal, que não pode servir como fundamento para afastar a presente conclusão, no sentido de que houve erro na fundamentação legal do AI. Nesse sentido já decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais como se verifica do trecho do voto da Relatora no Ac. 930301.287: Ora, tendo o Fisco motivado seu ato na não comprovação do processo judicial e a realidade demonstrada no processo desmentir o motivo indicado, claro está que o auto de infração deve ser anulado pela própria Administração, a teor do que determina o art. 53 da Lei nº 9.784/99, combinado com o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. Da mesma forma, como exposto na decisão recorrida, o lançamento de ofício deveria ter considerado decisão transitada em julgado favorável ao contribuinte. No mais, o recurso interposto, deveria trazer contestação a todos os itens expostos na decisão guerreada, e não somente quanto à liquidez dos créditos utilizados pela contribuinte na compensação, matéria, inclusive afeta à fiscalização, se tivessem sido observados todos os requisitos legais do lançamento. Pelo exposto, suscitei, de ofício, a nulidade do presente processo, em face de ter o contribuinte apresentado provas que afastam a veracidade da fundamentação fática que o originou (“ocorrência: Proc jud não comprovado"), a qual, todavia, foi rejeitada por este colegiado, por voto de qualidade. Superada a presente nulidade, passo à análise dos fundamentos apresentados pela Recorrente para a reforma da decisão recorrida, começando pela alegação de que a impugnação deveria ser totalmente conhecida uma vez que não estaria configurada a concomitância. Com efeito, restou consignado na decisão recorrida o seguinte: Do exposto, vêse que, quando do lançamento, o contribuinte estava amparado por decisão judicial autorizando a compensação de Finsocial com Cofins, no limite do direito creditório reconhecido. Todavia, a discussão judicial acerca da possibilidade de compensação e correspondente amparo à falta de recolhimento dos valores questionados não são obstáculo à formalização do Fl. 377DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13816.000847/200301 Acórdão n.º 3301001.586 S3C3T1 Fl. 94 5 crédito tributário pelo lançamento de ofício decorrente de revisão de DCTF em que informado n° do processo judicial não foi confirmado nos sistemas informatizados. O lançamento, consoante o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, mesmo estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Sobre o assunto, no sentido de ilustrar tal posicionamento, podemos citar trecho do voto do Ex.mo. Sr. Juiz Relator Ari Pargendler, em decisão proferida pelo Egrégio Tribunal Federal da 4a Região, em sede de Agravo de Instrumento Processo n.° 91.04.033981: (...) Por outro lado, embora não obstaculizado o lançamento, incabível apreciação das razões de mérito da exigência relativamente ao reconhecimento do direito creditório e à admissibilidade da compensação, pois, como visto, foram objeto de discussão na ação judicial. Nesse sentido são as disposições do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/96), que, em face do art. 38 da Lei n°. 6.830, de 22 de setembro de 1980, definiu: "a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto " (grifos do original). Ocorre que no caso concreto não se vislumbra a identidade de objetos. Com efeito, como bem colocado pela própria decisão recorrida o objeto da ação judicial indicado pelo contribuinte foi o reconhecimento da possibilidade de compensar a COFINS com o FINSOCIAL. Por outro lado, o que se discute no presente processo é a extinção ou não do crédito ora exigido por compensação. Pelo exposto, entendo que a impugnação deveria ser integralmente conhecida por ausência de identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo e, como conseqüência, deveriam ser analisados os argumentos de mérito. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para afastar a concomitância. Entretanto, para que esta decisão não implique supressão de instância e, por conseguinte, violação ao princípio do devido processo legal, determino o retorno desses autos à DRJ para que julgue os argumentos de mérito, em especial quanto à compensação dos débitos fiscais efetuada pelo contribuinte e glosada pela fiscalização, verificando se o crédito financeiro utilizado era suficiente para extinguir os débitos ora exigidos por compensação. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 378DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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