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Numero do processo: 10882.000312/2003-40
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2801-000.043
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1537; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 130 1 129 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.000312/200340 Recurso nº 179.296 Resolução nº 2801000.043 – 1ª Turma Especial Data 7 de fevereiro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente JOSE BRUNO CARBONE Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Edgar Silva Vidal e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 41 a 46, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1995, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$53.395,43, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 96): Fl. 137DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 2 Segundo a descrição dos fatos de fl. 45, a exigência decorreu de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica, no anocalendário 1994, no valor de R$ 110.851,07. (...) Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fl. 47, tratase de crédito tributário apurado para suprir lançamento anterior declarado nulo pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, em 21/11/1997, por não conter os requisitos do art.142 da Lei n.° 5.172/66 e do art. 11 do Decreto 70.235/72. Observase que a autoridade lançadora, no Termo de verificação Fiscal de fls. 47, considerou que os rendimentos recebidos da pessoa jurídica Datachek Informática Ltda., sujeitos ao ajuste anual, totalizam 319.992,58, aí já incluído o valor declarado (15.998,52 UFIR, fls. 32 a 36). IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 53), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 96): (...) ter sido elaborado o auto de infração com base em DIRF da empresa DATACHECK INFORMÁTICA LTDA, CNPJ n.° 54.763.081/000100 entregue em 17/02/1995, posteriormente retificada em 05/06/1995, enquanto que a declaração de ajuste anual foi elaborada com os rendimentos tributáveis informados na DIRF retificadora. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 4ª Turma DRJ São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 95 a 100, julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que calculou rendimentos tributáveis recebidos de Datachek Informática Ltda. omitidos no ajuste anual, no valor de 164.397,82 UFIR, correspondentes ao montante excedente ao lucro presumido isento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1994 RENDIMENTOS ISENTOS E NÃOTRIBUTÁVEIS. Os lucros efetivamente recebidos pelos sócios, ou pelo titular de empresa individual, até o montante do lucro presumido, diminuído do imposto de renda da pessoa jurídica sobre ele incidente, proporcional à sua participação no capital social, ou no resultado, se houver previsão contratual, apurados no anocalendário 1994, constituem rendimentos isentos e nãotributáveis. Lançamento Procedente em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 14/01/2009 (fls. 106), o contribuinte apresentou, em 10/02/2009, o Recurso de fls. 112 a 115, argumentando, em Fl. 138DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10882.000312/200340 Resolução n.º 2801000.043 S2TE01 Fl. 131 3 apertada síntese, que, considerados 50% os rendimentos de Fundo de Aplicação Financeira – FAF percebidos pela Pessoa Jurídica Datachek Informática Ltda., devidamente declarados na DIPJ, Quadro 18, somados aos 50% dos lucros presumidos passíveis de serem distribuídos ao interessado, obtémse um lucro que poderia ser distribuído ao recorrente de 882.552,86 UFIR, valor, portanto, muito superior aos 401.626,64 efetivamente recebidos. Além disso, a retenção na fonte sofrida e aceita no lançamento foi de 29.419,31 UFIR e não as 29.374,24 UFIR consideradas no demonstrativo elaborado pelas autoridades julgadoras de primeira instância. Instruindo o recurso foram juntados os documentos de fls. 116 a 128, a saber, cópias: do acórdão recorrido e da correspondência que o acompanhou, bem como da DIPJ/1995 da Datachek Informática Ltda.. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 129, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o contribuinte foi autuado por omissão de rendimentos auferidos de pessoa jurídica da qual era sócio à época do fato gerador. Em sede de impugnação argumentou que a DIPJ que embasou o lançamento havia sido retificada. A autoridade julgadora de primeira instância, analisando a DIPJ retificadora, constatou que havia lucro presumido passível de ser distribuído sem incidência de imposto, porém em valor inferior ao efetivamente recebido. Acerca da informação contida na DIPJ sobre rendimentos de FAF, não se pronunciou. Em sede de recurso, o contribuinte aduz que os rendimentos de FAF, descontados o IRRF também deveriam ser considerados para fins de cálculo do montante passível a ser distribuído aos sócios, sem incidência de imposto, invocando o disposto no Manual de Imposto de Renda Pessoa Jurídica MAJUR, anocalendário 1994, no item que trata dos Lucros Distribuídos, item 5.13: "5.13 Serão tratados na fonte e na declaração de ajuste anual os rendimentos efetivamente pagos às pessoas físicas, sócios, acionistas, ou a titular de empresa individual, escriturados no Livro Caixa ou nos Livros de Escrituração Contábil, que ultrapassarem a soma: a) do lucro presumido, deduzido do imposto de renda sobre ele incidente; b) das demais receitas e ganhos de capital, deduzido do imposto sobre a renda mensal sobre ele incidente; c) dos ganhos líquidos em operações de renda variável, deduzido do imposto sobre a renda mensal sobre ele incidente; d) dos rendimentos reais de aplicações financeiras, de renda fixa, deduzido do imposto sobre a renda incidente exclusivamente na fonte." Fl. 139DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 4 Diante disso, se faz necessário aferir se as informações prestadas na DIPJ acerca dos rendimentos de FAF podem ser corroboradas por DIRF. Assim, os autos devem retornar à DRF Barueri/SP, a fim de que se verifique se a pessoa jurídica Datachek Informática Ltda., CNPJ 054.763.081/000100, foi beneficiária de rendimentos de FAF no anocalendário 1994. Em caso afirmativo, juntar a(s) cópia(s) da(s) DIRF(s) correspondente(s). Posteriormente, dar ciência ao interessado desse pedido de diligência bem como do resultado obtido, reabrindose prazo para a sua manifestação. Findo o prazo, os autos devem retornar a esse Conselho para prosseguimento. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 140DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 18/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 04/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721670/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jun 01 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF.
Quando do julgamento do Recurso Extraordinário 595838, afetado pela repercussão geral (Tema 166), o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Portanto, é inconstitucional a contribuição previdenciária de 15% que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2201-008.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Quando do julgamento do Recurso Extraordinário 595838, afetado pela repercussão geral (Tema 166), o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Portanto, é inconstitucional a contribuição previdenciária de 15% que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
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CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Quando do julgamento do Recurso Extraordinário 595838, afetado pela repercussão geral (Tema 166), o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Portanto, é inconstitucional a contribuição previdenciária de 15% que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 16 70 /2 01 1- 31 Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-008.784 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721670/2011-31 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 200/212, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA de fls. 187/194, a qual julgou procedente o lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor das notas fiscais/faturas de Cooperativas de Trabalho, conforme descrito no auto de infração nº 51.007.869-9, de fls. 05/27, lavrado em 31/08/2011, referente ao período de 01/01/2009 a 31/12/2010, com ciência da RECORRENTE em 19/09/2011, conforme assinatura no próprio auto de infração. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi lavrado no montante de R$ 952.643,69, já acrescido de juros de mora (até a lavratura) e multa de ofício no percentual de 75%. De acordo com o relatório fiscal (fls. 54/58), o presente lançamento se refere à contribuição incidente sobre Notas Fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91, relativas ao período de 01/2009 a 12/2010. Segue, adiante, transcrito o trecho do relatório fiscal que discrimina o modus operandi da RECORRENTE: 7. O sindicato firmou contratos de prestação de serviços com a UNIMED DE FLORIANÓPOLIS - Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 77.858.611/0001-08. Preliminarmente foi verificada, a modalidade de prestação de serviços, por custo operacional, onde é estipulado de comum acordo uma tabela de serviços cujo pagamento é feito após o atendimento, e a base de cálculo da contribuição Social previdenciária é o valor dos serviços efetivamente realizados pelos cooperados. 7.1. Nesta modalidade está o "Plano 3390" firmado com a UNIMED, cujas faturas estão discriminadas na planilha do " ANEXO I - UNIMED CUSTO OPERACIONAL 2009". Foi considerado assim o valor total das faturas emitidas como base para o cálculo da contribuição. 8. Na segunda modalidade de prestação de serviços, contratada com a UNIMED, constatou-se que os mesmos depreendem grande risco ou risco global, sendo assim classificados os planos que asseguram atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares. Assim, foi aplicado o percentual de 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, como base de cálculo para a contribuição previdenciária. 8.1. Nesta modalidade enquadram-se o "PLANO 632" e o "PLANO 0026", cujas faturas estão discriminadas respectivamente na planilha do "ANEXO II – UNIMED MENSALIDADE 2009". 9. Nos contratos firmados com a UNIODONTO DE SC - Cooperativa Administradora de Contratos CNPJ 02.338.268/0001-63, cópias em anexo, os serviços prestados se referem a procedimentos odontológicos. Foi aplicado o percentual de 60% (sessenta por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, como base de cálculo para a contribuição, cujas notas fiscais estão relacionadas na planilha do "ANEXO III - UNIODONTO 2009". 10. O procedimento utilizado nos itens acima tem por imperativo o estabelecido nos art. 219 e 220 da Instrução Normativa - IN n° 971 de 13/11/2009. Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-008.784 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721670/2011-31 (...) Alerta-se, por fim, que a fiscalização entendeu que a condição de sindicato da RECORRENTE não a dispensa do pagamento das contribuições previdenciárias, posto que o SINDICATO equipara-se a empresa, conforme preceitua o art. 15 da Lei nº 8.212/1991. Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 153/164 em 17/10/2011. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Salvador/BA, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: 4.1. A Associação possui natureza jurídica de associação civil, regida pelo art. 53 e seguintes do Código Civil Brasileiro, caracterizando-se por não possuir fins lucrativos e, portanto, não assumir o risco da atividade econômica, sendo que cada associado constitui uma individualidade passível de direitos e obrigações e a associação outra distinta. E, de acordo com o artigo 110 do Código Tributário Nacional (CTN), não é permitido à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, de forma expressa ou implícita, pela Constituição Federal para definir ou limitar as competências tributárias. 4.2. Assim sendo, sob pena de ofensa ao princípio da tipicidade, não pode o legislador alterar a definição dada pelo Direito Civil ao instituto da associação civil, imprimindo- lhe efeitos econômicos e fins lucrativos, a fim de caracterizá-la como contribuinte da contribuição social incidente sobre os valores pagos às cooperativas de serviços médicos e odontológicos que prestam serviços para seus associados, sendo portanto indevida tal exação pelo Impugnante. 4.3. Nos termos do artigo 1° da Lei nº 9.876/99, o inciso IV, do artigo 22, da Lei n° 8.212/91 passa a instituir para as empresas uma contribuição destinada à Seguridade Social, de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, em relação a serviços que lhe são prestados por cooperadores por intermédio de cooperativas de trabalho. Com isso, citado dispositivo legal insere no ordenamento jurídico uma nova base de cálculo para contribuição social, absolutamente estranha àquelas previstas, em caráter exaustivo, no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, revelando-se, de forma irrefutável, inconstitucional. 4.4. A relação jurídica formada a partir da contratação de uma cooperativa para a prestação de serviços a um determinado tomador apresenta como sujeitos, exclusivamente, o tomador e a cooperativa, sendo a figura dos cooperados absolutamente estranha a esta relação. Dessa forma, por instituir como base de cálculo o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços prestados pelas cooperativas, à luz do ordenamento constitucional vigente, não pode o dispositivo impugnado prosperar, sendo assim indevida a contribuição social incidente sobre os valores pagos às cooperativas de serviços médicos e odontológicos. 4.5. Além do vício material já apontado, a Lei n° 9.876/99, que se revela uma lei ordinária, contraria por completo o texto constitucional consolidada nos art. 195, § 4° e 154, I, que traçam as condições a serem observadas caso se pretenda instituir, em favor da Seguridade Social, uma fonte de custeio diversa daquelas já mencionadas no caput do art. 195. Não foi observada, na introdução ao mundo jurídico da contribuição questionada, a qual não se amolda a qualquer das exações previstas no art. 195, caput, Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-008.784 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721670/2011-31 da Lei Maior, que somente por Lei Complementar poderia ser implementada, jamais por Lei Ordinária. Transcreve jurisprudência. 4.6. Assim, ao instituir por Lei Ordinária, uma contribuição que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura expedida e paga à pessoa jurídica (como são as cooperativas), revela-se, também sob aspecto formal, a inconstitucionalidade do dispositivo legal em questão, sendo assim indevida a contribuição social incidente sobre os valores pagos às cooperativas de serviços médicos. 4.7. Argúi o caráter confiscatório e desproporcional da multa. Qualquer aplicação de penalidade não pode ultrapassar o razoável para dissuadir ações ilícitas e para punir transgressões. Do contrário, caracterizar-se-ia como confisco indireto e, por isso, inconstitucional. 4.8. Diante do exposto, requer: seja julgada procedente a Impugnação, cancelando-se o Auto de Infração em sua totalidade, inclusive no tocante à multa e juros; caso assim não entenda, seja reduzida a multa de ofício; produção de todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente a documental e pericial. Por fim, requer que todas as intimações relativas ao presente processo administrativo sejam encaminhadas para a sede da Impugnante, no Campus Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina, Blocos Modulados, Bairro Trindade, Florianópolis/SC, CEP 88.045-108, Caixa Postal 5011, sob pena de nulidade das mesmas. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 187/194): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Ementa: EMPRESA. EQUIPARAÇÃO. Equipara-se a empresa, para os efeitos da Lei n° 8.212, de 1991, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. COOPERATIVA. CONTRATAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa está obrigada a recolher a contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-008.784 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721670/2011-31 Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 14/05/2014, conforme AR de fl. 198, apresentou o recurso voluntário de fls. 200/212 em 05/06/2014. Preliminarmente, informa que o STF, no julgamento do RE 595.838, declarou a inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, com repercussão geral reconhecida, motivo pelo qual requer o reconhecimento da inconstitucionalidade do tributo ora atacado, acolhendo o respectivo Recurso Voluntário e cancelando o Auto de Infração n° 51.007.869-9. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Valores pagos às cooperativas de trabalho Quanto às contribuições previdenciárias referente aos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, assiste razão à RECORRENTE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade de tal cobrança conforme decisão proferida nos autos do RE nº 595838 (repercussão geral – Tema 166), inclusive com resolução do Senado nº 10, de30/03/2016, suspendendo a execução do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Segue abaixo ementado o RE nº 595838: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº9.876/99. SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN I IDEM. NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. 1 Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-008.784 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721670/2011-31 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 Por ter sido proferido com a repercussão geral reconhecida, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do já citado art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Note-se que quando do julgamento do caso pela DRJ de origem em 08/06/2014, o STF não havia proferido a sua decisão sobre o tema (acórdão transitou em julgado no dia 11/03/2015) e, consequentemente, não havia a Resolução do Senado nº 10, de 30/03/2016. Desta forma, imperioso concluir pelo afastamento das contribuições, ante a inconstitucionalidade do fundamento legal do presente auto de infração (art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/1991). CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima expostas. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13839.003698/2009-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jun 10 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2003, 2004, 2005
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
É obrigatória a entrega da DAA para o caso de contribuinte sócio de empresa, e sua transmissão fora do prazo sujeita o declarante a multa por atraso. A comprovação de sua retirada do quadro societário da empresa, por meio de apresentação da alteração contratual registrada na Junta Comercial em período anterior ao dos fatos autuados, afasta a aplicação da multa.
Numero da decisão: 2001-004.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para exonerar as multas por atraso na entrega das DIRPF 2004 e 2005 e manter a multa por atraso na entrega da DIRPF/2003.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura e André Luis Ulrich Pinto.
Nome do relator: honorio a brito
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É obrigatória a entrega da DAA para o caso de contribuinte sócio de empresa, e sua transmissão fora do prazo sujeita o declarante a multa por atraso. A comprovação de sua retirada do quadro societário da empresa, por meio de apresentação da alteração contratual registrada na Junta Comercial em período anterior ao dos fatos autuados, afasta a aplicação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para exonerar as multas por atraso na entrega das DIRPF 2004 e 2005 e manter a multa por atraso na entrega da DIRPF/2003. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura e André Luis Ulrich Pinto. Relatório Trata-se de Notificação(ções) de Lançamento em que foi lançada multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física, para contribuinte obrigado à entrega em razão de ser sócio de empresa, referente aos exercícios 2003, 2004 e 2005. O contribuinte apresentou impugnação na qual em síntese alega que à época dos fatos já não mais fazia parte do quadro societário da empresa. Após análise, a DRJ em São Paulo/SP considerou a impugnação improcedente. Transcrito do voto do acórdão nº 17-42.326, da 8ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 25 e segs.) : AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 36 98 /2 00 9- 51 Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-004.237 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.003698/2009-51 “(...) O artigo 7° da Lei 9.250. de I995 determina que a entrega da declaração de rendimentos da pessoa física deve ser feita até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário subseqüente ao da percepção dos rendimentos. Os Manuais de Preenchimento das Declarações de Ajuste Anual determinam que são obrigadas à entrega da declaração de rendimentos as pessoas físicas que tenham participado de quadro societário de empresa como sócio ou titular de firma individual. no ano- calendário correspondente. Confirmam estas exigências as Instruções Normativas SRF 290 de 30/01/2003, 393 de 02/02/2004 e 507, de 11/02/2005 art. l°. inciso III. Em que pese a alegação do impugnante, verifica-se em cognição direta das Declarações apresentadas que o contribuinte, de fato. participou nos referidos anos calendários do quadro societário da empresa FINAM()RE E CUNHA LTDA. tanto que incluiu o valor econômico no quadro de DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. fls. 11 e 19. Informação divergente da prestada na impugnação onde menciona a empresa FINAMORE E ALVES LTDA. Desse modo. o contribuinte estava obrigado a apresentar declaração de Ajuste Anual no período. esta obrigatoriedade independe do valor dos rendimentos tributáveis recebidos no ano-calendário e de a empresa encontrar-se na condição de inativa. não ter tido faturamento ou deter sido posteriormente cancelada. Como revelado pelos dispositivos mencionados, a legislação não prevê exclusões a esta regra. Tendo sido a declaração apresentada com atraso e sendo o contribuinte obrigado a fazê-lo. a multa deve ser aplicada. (...)” A turma julgadora da DRJ concluiu então pela improcedência da impugnação e consequente manutenção da multa lançada. Cientificada, a interessada entregou recurso voluntário de fls. 33 e segs. onde reitera a não obrigação da entrega das declarações e ao qual anexa instrumento de alteração contratual da empresa Finamore & Zanetti Ltda-ME, que passou à denominação de Zanetti & Cunha Ltda ME, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo - JUCESP em 11/04/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. Em apertada síntese do já relatado, o contribuinte entregou com atraso as DIRPF exercícios de 2003, 2004 e 2005, às quais estaria supostamente obrigado por ser titular de empresa, tendo-lhe em razão disso sido aplicada pelo Fisco as respectiva multas por atraso no cumprimento da obrigação acessória. Em sua defesa, o recorrente alega que á época dos fatos já não mais participava do quadro societário de empresa, e anexa na impugnação a alteração contratual da empresa Finamore & Alves Ltda – ME, registrada na Junta Comercial em 01/10/1998 (fls. 6 e segs) e no Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-004.237 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.003698/2009-51 Recurso Voluntário a alteração contratual da empresa Finamore & Zanetti Ltda-ME, que passou à denominação de Zanetti & Cunha Ltda ME, registrada na Junta Comercial em 11/04/2002, fls. 35 e segs. Em ambos os documentos consta a saída do recorrente da sociedade. Da documentação analisada, constata-se que de fato o recorrente não se encontrava, nos anos-calendário de 2003 e 2004 no quadro societário das empresas em questão. Entretanto, o desligamento do interessado como sócio da empresa Finamore & Zanetti Ltda-ME (posteriormente Zanetti & Cunha Ltda ME) somente se deu em 11/03/2002, com registro na JUCESP em 11/04/2002. Das instruções normativas da Receita Federal citadas no voto da DRJ aqui transcrito, uma vez que participou do quadro societário de empresa, mesmo que somente em parte do ano-base da declaração, fica o contribuinte obrigado à apresentação da DIRPF do exercício correspondente. Assim sendo, o recorrente realmente não esteve obrigado à apresentação das DIRPF 2004 e 2005, mas sim à DIRPF/2003, referente ao ano-base 2002. Concluo então por exonerar as multas por atraso na entrega das DIRPF 2004 e 2005 e manter a multa por atraso na entrega da DIRPF/2003. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito, para exonerar as multas por atraso na entrega das DIRPF 2004 e 2005 e manter a multa por atraso na entrega da DIRPF/2003. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10909.720200/2017-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA .
É nula a decisão de primeira instância que trata de fatos e fundamentos estranhos ao processo analisado, não se manifestando sobre as questões suscitadas pelo impugnante, o que caracteriza claro cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3402-008.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular o acórdão da DRJ, retornando o processo para novo julgamento.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata da Silveira Bilhim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Jorge Luis Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Mariel Orsi Gameiro (suplente convocado(a)), Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Thais de Laurentiis Galkowicz, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mariel Orsi Gameiro.
Nome do relator: RENATA DA SILVEIRA BILHIM
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA . É nula a decisão de primeira instância que trata de fatos e fundamentos estranhos ao processo analisado, não se manifestando sobre as questões suscitadas pelo impugnante, o que caracteriza claro cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular o acórdão da DRJ, retornando o processo para novo julgamento. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Jorge Luis Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Mariel Orsi Gameiro (suplente convocado(a)), Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Thais de Laurentiis Galkowicz, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mariel Orsi Gameiro. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 12-95.258, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 02 00 /2 01 7- 69 Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-008.456 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.720200/2017-69 A decisão recorrida possui a seguinte ementa, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 Ementa: DISPENSA DE EMENTA Estão dispensados de ementa os acórdãos resultantes de julgamento de processos fiscais de valor inferior a R$ 100.000,00 (cem mil reais), na forma da Portaria RFB nº 2724/2017. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem retratar os fatos que gravitam em torno da presente demanda, reproduzo o relatório desenvolvido pela DRJ e retratado no Acórdão recorrido, o que passo a fazer nos seguintes termos: DO LANÇAMENTO Tratam os autos acerca da controvérsia instaurada em razão da lavratura, pelo fisco, de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966 (2185 – multa aplicada pelo setor aduaneiro sem redução), com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: A interessada, em epígrafe, responsável pela desconsolidação da carga lançou a destempo o conhecimento eletrônico “house mercante”, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do “conhecimento genérico”. Assim, quando extrapolado o referido prazo é passível a aplicação da multa prevista para tal situação. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente cientificada, do feito fiscal, a interessada trouze as seguintes alegações, ora sumarizadas (fls.19/31): acerca do comércio marítimo interenacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas; informação pelo transportador e sobre a importância para o controle aduaneiro desses dados serem correta e tempestivamente por ele informados; Lei nº 37/1966, pelo fato de termos concluído a destempo a desconsolidação referente ao conhecimento eletrônico, tendo ocorrido, assim, “embaraço à fiscalização”; caracteriza o fundamento legal da infração tida como ocorrida, e não se deixou de Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-008.456 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.720200/2017-69 prestar as informações necessárias a SRFB e na forma xigida, e as informações foram tempestivas e não foram alteradas; multa, limitando-se a tecer considerações acerca da legalidade de sua aplicação; o consubstancia, em nenhum momento, conduta que tivesse por escopo impedir, estorvar ou mesmo obstaculizar o exercício da fiscalização aduaneira; prestada em tempo; o o exposto, pedimos o provimento da nossa impugnação para anular e assim cancelar o feito fiscal. O Contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância em 14/09/2018, conforme Aviso de Recebimento de fls. 49, apresentando o Recurso Voluntário na data de 19/09/2018, pugnando pelo provimento do recurso e o cancelando da exigência fiscal. Em síntese, a Recorrente refuta os argumentos da decisão recorrida e alega o seguinte: (a) preliminarmente, a nulidade da decisão da DRJ, tendo em vista que não analisou toda a argumentação trazida na impugnação e, (b) no mérito, ao reconhecimento da denúncia espontânea com o afastamento da multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Renata da Silveira Bilhim, Relator. 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verifica-se a tempestividade do Recurso Voluntário, bem como o preenchimento dos requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Mérito Trata-se de Auto de Infração à legislação tributária, visando à cobrança de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) pela não prestação de informação dentro dos prazos regulamentares sobre veículo ou carga transportada, nos termos da alínea “e”, do inciso IV do art. 107, do Decreto-Lei n° 37, de 18/11/1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, in verbis: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-008.456 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.720200/2017-69 Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. Em regra, o prazo que deveria ser observado é o do art. 22, inciso II, alínea ‘d’, da IN SRF nº 800/07, vigente ao tempo da ocorrência dos fatos geradores, em 2011, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: (...) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; A Fiscalização apurou que a Recorrente, responsável pela desconsolidação da carga, lançou a destempo o conhecimento eletrônico “mercante agregados”, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (art. 22, II, d), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do “conhecimento genérico”. Assim, quando extrapolado o referido prazo é passível a aplicação da multa prevista para tal situação. De acordo com planilha que acompanha o AI, tem-se que o registro conhecimento eletrônico agregado que fora registrado em 10/04/2015, às 17h 22m, prazo inferior às 48h da data da atracação da embarcação, em 10/04/2015, às 07h 39m, confira (fl. 9): A Contribuinte apresentou Impugnação pedindo o cancelamento da exigência fiscal, tendo em vista que o Auto de Infração não descreveu dos fatos supostamente praticados, mas apenas transcreveu dispositivos legais, sem explicitar a conduta efetivamente praticada. A DRJ manteve a autuação e pontuou que a multa aplicada pelo registro do conhecimento eletrônico fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantida, ainda que conste no sistema o CE máster, pois o controle da importação deve ser realizado por inteiro e se há falta de uma parte da carga, desconsolidada após a atracação, tal fato interfere diretamente no controle aduaneiro. A Recorrente, em Recurso Voluntário, alega o seguinte: (a) preliminarmente, (i) a nulidade da decisão da DRJ, tendo em vista que não analisou a argumentação trazida na impugnação; e (b) no mérito, pede o reconhecimento da incidência da denúncia espontânea, sendo afastada a aplicação da multa pela entrega a destempo da obrigação acessória aduaneira, mas antes de qualquer início de procedimento fiscal. Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-008.456 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.720200/2017-69 Vejamos: (a) Nulidade da decisão da DRJ A Recorrente alega, em poucas palavras, que apresentou impugnação na qual discorre sobre inúmeros argumentos imprescindíveis ao julgamento. Notou-se coma ciência do v. acórdão que este Julgador utilizou de decisão padronizada para todos os casos referentes a esta contribuinte, na medida em que mesmo que se prestigie a celeridade processual e o julgamento, não houve análise deste feito, sendo de rigor a cassação da decisão com o retorno dos autos para regular processamento (outra decisão seja proferida”(fl. 113). A Recorrente não diz o que, exatamente, a DRJ deixou de analisar. Como ventilado acima, da análise dos autos, colhe-se que foram estes, em resumo, os argumentos da impugnação: - cancelamento da exigência fiscal, tendo em vista que o Auto de Infração não descreveu dos fatos supostamente praticados, mas apenas transcreveu dispositivos legais, sem explicitar a conduta efetivamente praticada. Assim, conclui que a falha na descrição dos fatos (art. 10, III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente”, conforme art. 50, § 1º, da Lei nº 9784/99, que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de infração tipificada no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei n° 37, de 18/11/1966, o que viola o devido processo legal. Por outro lado, da leitura da decisão, percebe-se que a DRJ enfrentou diversos argumentos não alegados pela Impugnante, o que me faz crer que a decisão segue um padrão, como perquiriu a Recorrente. O decisum combatido, embora trate de matéria semelhante a do caso ora estudado, não parece que se ateve às alegações específicas trazidas na peça de impugnação, realizando argumentação genérica, mas não específica ao caso concreto propriamente dito. Por exemplo, a Impugnante não alegou o instituto da denúncia espontânea, a ilegitimidade passiva, a relevação da pena, apesar desses pontos terem sido abordados; sendo certo que a única alegação – a nulidade do AI, por vício formal – não foi sequer tangenciada pelo decisum guerreado. Desta forma, por não enfrentar os argumentos da impugnação da Autuada, resta caracterizado o cerceamento de defesa à Recorrente. Assim, imperioso reconhecer a nulidade do acórdão nº 12-95.258 prolatado pela 4ª Turma da DRJ/RJ, na forma do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 1 . 1 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-008.456 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.720200/2017-69 Assim, acatada a nulidade pleiteada, resta prejudicada a análise dos demais argumentos. 3. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e lhe dou parcial provimento para anular o acórdão nº 12-95.258 prolatado pela 4ª Turma da DRJ/RJ, retornando o processo para novo julgamento com a análise da Impugnação apresentada pela Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10972.000223/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.140
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter em converte o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora (DRF Uberaba/MG): I analise os argumentos trazidos no recurso voluntário do contribuinte, fazendo as correções necessárias, se devidas, e esclarecendo todas as dúvidas do contribuinte em razão do lançamento fiscal; II – dar ciência ao contribuinte para se pronunciar sobre o parecer da diligência fiscal; III – apresentar contrarrazões ao pronunciamento do contribuinte, se entender necessário, e ao final encaminhar os autos para julgamento no CARF.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter em converte o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora (DRF Uberaba/MG): I analise os argumentos trazidos no recurso voluntário do contribuinte, fazendo as correções necessárias, se devidas, e esclarecendo todas as dúvidas do contribuinte em razão do lançamento fiscal; II – dar ciência ao contribuinte para se pronunciar sobre o parecer da diligência fiscal; III – apresentar contrarrazões ao pronunciamento do contribuinte, se entender necessário, e ao final encaminhar os autos para julgamento no CARF. (Assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Jhonatas Ribeiro da Silva, Bianca Delgado Pinheiro, Andre Luis Marsico Lombardi. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.000223/201013 Error! Reference source not found. n.º 2803000.140 S2TE03 Fl. 161 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.293.710 1/2010, Código de Fundamento Legal 68. A Auditoria Fiscal informa no Relatório Fiscal da Infração, fls. 05, em síntese, que a empresa efetuou compensação de contribuições previdenciárias, nas competências discriminadas no "Anexo C" (período de 01/1999 a 04/2010), conforme verificado nas GFIP entregues. Essas compensações referemse às contribuições recolhidas a título de remuneração de autônomos e prólabore (contribuições previdenciárias recolhidas nas guias de recolhimento DARP/GRPS, no período de 09/1989 a 04/1995, consideradas inconstitucionais). Todavia, de acordo com o apurado no "'Quadro I", houve compensação a maior do que o contribuinte tinha direito, e os valores excedentes foram apurados através do "Quadro II", e foram glosados. Desta forma, a empresa apresentou no período de 04/2005 a 10/2005, as declarações: "Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP", previstas no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, visto que neste período, mesmo não tendo direito continuou a efetuar compensação conforme claramente demonstrado no "Quadro demonstrativo da apuração da multa (CFL 68)". Assim sendo, estas contribuições deixaram de ser declaradas em GFIP, o que constitui infração prevista no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5o da Lei n° 8.212 de 24/07/91. Não houve circunstâncias atenuantes nem agravantes. Consta no relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 06, que em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa cabível nos termos do art. 284, II, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e art. 32, IV, §5o da Lei n° 8.212/91, que corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada por competência, em função do número de segurados da empresa, observado o limite mensal previsto no § 4o do art. 32 da Lei n° 8.212/91, calculada conforme "Quadro demonstrativo da apuração da multa (CFL 68)", em anexo. Informa ainda que a aplicação desta multa ocorreu apenas no período de 04/2005 a 10/2005, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106. inciso II. alínea "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional – CTN, conforme demonstrado no "Quadro comparativo de apuração das multas", em anexo. A ação fiscal iniciouse em 18/10/2010 com a ciência pelo sujeito passivo do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 33/34. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Fl. 325DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.000223/201013 Error! Reference source not found. n.º 2803000.140 S2TE03 Fl. 162 3 O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 29/11/2010, apresentando defesa. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento. O contribuinte foi cientificado da decisão em 10/11/2011, apresentando recurso voluntário em 12/12/2011, alegando em síntese: a tabela de conversão e atualização dos cálculos utilizados no processo da ACIU (1998.38.02.0016040), obedece aos parâmetros estabelecidos no Manual de Orientação e Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, disponível no site: www.jfmg.jus.br, de onde se extraiu os índices de conversão e atualização do crédito do contribuinte, devidamente esclarecida; para conversão da moeda, no período compreendido entre o pagamento indevido (setembro/1989 a março/1995) até o início da compensação (fevereiro/1999), foi utilizada a Tabela disponibilizada pelo Conselho de Justiça Federal, acima citada, na qual foram apontadas pelo Sr. Fiscal a utilização dos mesmos índices utilizados pelo contribuinte, entretanto, com pequena diferença a maior por parte do Fisco, ou seja, o Fisco contabilizou valor maior de crédito do que o apurado pelo Contribuinte, tendo o fisco apurado o valor de R$41.694,87 (conforme doc. 06 do anexo I) e o Contribuinte apurado o valor de R$36.688,52; outro fator importante a considerar, leva em conta o fato de que o valor apurado pelo Sr. Fiscal de R$41.694,87, às fls. 6 de 6 do A.I. DEBCAD 37.293.7071, tem sua atualização cessada em fevereiro de 1999, quando do início da compensação, sendo que o período compreendido entre Fevereiro de 1999 à Fevereiro de 2004, não foi atualizado; apresenta notas sobre as tabelas 1, 2, 3 e 4; quanto às contribuições incidentes ao período sobre serviços prestados por segurados empregados e contribuintes individuais, parte segurados, período de 01/2006 a 04/2010, cumpre salientar que a Autuada não só possuía como ainda possui crédito a ser compensado de acordo com os cálculos da Tabela 1 e 2, com observância rigorosa da Sentença proferida nos autos de Mandado de Segurança Coletivo (autuado sob o nº: 1998.38.02.001.604 0), em que foi reconhecido o crédito, delimitado os parâmetros para o cálculo, bem como, pelo Manual de Orientação e Procedimentos para Cálculo disponibilizado pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região; quanto à apresentação de GFIP com campos referentes à compensação a maior, ou seja, incorretas, no período de 02/2005 a 03/2005 e 01/2006 a 04/2010, insta salientar que igualmente a Autuada possuía como ainda possui crédito a ser compensado (Tabela 1 e 2), portanto, não há que se falar em compensação a maior e apresentação incorreta de GFIP. Consequentemente, não há que se falar em aplicação de multa por não ter a Autuada praticado infração alguma, tendo em vista que possuía crédito a ser compensado, portanto, correto o preenchimento de GFIP; quanto à imputação de apresentação incorreta de GFIP referentes à compensação a maior, em que foi considerado pelo Sr. Fiscal que as contribuições deixassem de ser declaradas em GFIP no período de 04/2005 a 10/2005, não merecem prosperar tendo em vista que os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições Fl. 326DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.000223/201013 Error! Reference source not found. n.º 2803000.140 S2TE03 Fl. 163 4 previdenciárias foram corretamente declarados em GFIP, pois quando de sua apresentação a Autuada possuía crédito a ser compensado, como ainda hoje possui, conforme comprovado pelas Tabelas 1 e 2 em anexo. Em consequência não há que se falar em aplicação de multa primeiro porque a Autuada havia crédito a compensar e, portanto, procedeu corretamente, e segundo porque a fundamentação Legal invocada pelo Sr. Fiscal (art. 32 da Lei 8.212/91) está revogada pela Lei 11.941/09; a decisão de primeira instância não fez menção a aplicação da OTN a ser aplicado no período de setembro a dezembro de 88, nem tão pouco aduziu a aplicação do expurgo inflacionário relativo a janeiro/89 (42,72%) e fevereiro/89 (10,14%) e aplicação do IPC nos meses em que se aplicam os expurgos inflacionários em razão da desconsideração da BTN no mesmo período; tais omissões são inegavelmente justificadas pela ausência nos cálculos do Sr. Fiscal, reclamando prova pericial contábil ante da complexidade dos cálculos, o que pode ser determinado pela administração fazendária em homenagem aos princípios da verdade real, vedação ao enriquecimento sem causa e revisão dos próprios atos; por fim, requer diligência fiscal tem em vista a divergência sobre os cálculos aplicados pelas partes e o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.000223/201013 Error! Reference source not found. n.º 2803000.140 S2TE03 Fl. 164 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, pressuposto de admissibilidade cumprido, passo ao exame das questões suscitadas. O contribuinte alega divergência entre seus cálculos e os apresentados pela fiscalização. Que não houve atualização do período compreendido entre Fevereiro de 1999 à Fevereiro de 2004. Que possuía como ainda possui crédito a ser compensado de acordo com os cálculos da Tabela 1 e 2, com observância rigorosa da Sentença proferida nos autos de Mandado de Segurança Coletivo (autuado sob o nº: 1998.38.02.001.6040). Que as GFIPs apresentadas estão corretas, inclusive o campo “compensação”. Que a decisão de primeira instância não fez menção a OTN a ser aplicada no período de setembro a dezembro de 88, nem tão pouco aduziu a aplicação do expurgo inflacionário relativo a janeiro/89 (42,72%) e fevereiro/89 (10,14%) e aplicação do IPC nos meses em que se aplicam os expurgos inflacionários em razão da desconsideração da BTN no mesmo período. É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil, bem como, determinar a produção de provas indispensáveis à comprovação do fato (artigos 9º e 18, 29, todos do Decreto nº 70.235/72). CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em converte o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora (DRF Uberaba/MG): I analise os argumentos trazidos no recurso voluntário do contribuinte, fazendo as correções necessárias, se devidas, e esclarecendo todas as dúvidas do contribuinte em razão do lançamento fiscal; II – dar ciência ao contribuinte para se pronunciar sobre o parecer da diligência fiscal; III – apresentar contrarrazões ao pronunciamento do contribuinte, se entender necessário, e ao final encaminhar os autos para julgamento no CARF. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 328DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16327.001614/2002-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jul 07 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 1997
ÔNUS DA PROVA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. COMPENSAÇÕES. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA.
Cabe a impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante.
FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea não afasta o recolhimento da multa de mora, que em caso de recolhimento de tributo ou contribuição a destempo, exceto quando lançada multa de oficio, é sempre devida.
Numero da decisão: 1401-005.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Leticia Domingues Costa Braga, André Severo Chaves, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 1997 ÔNUS DA PROVA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. COMPENSAÇÕES. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. Cabe a impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não afasta o recolhimento da multa de mora, que em caso de recolhimento de tributo ou contribuição a destempo, exceto quando lançada multa de oficio, é sempre devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Leticia Domingues Costa Braga, André Severo Chaves, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do v. Acórdão, que, por unanimidade de votos, manteve a autuação de IRRF, por ausência de recolhimento do tributo em face de declaração inexata, pagamento a menor, acrescidos de multa de mora, decorrente de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 14 /2 00 2- 36 Fl. 506DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001614/2002-36 Auditoria Interna nas DCTF dos 2° e 4° trimestres de 1997 entregues pela contribuinte e relacionadas no quadro 3 de fls.281 (Dados das DTCF — Ano Calendário — 1997). A autuada apresentou a impugnação de fls.01/09, protocolizada em 18/04/2002, expondo em síntese que: 1. Os valores apontados como devidos no lançamento ora impugnado foram objeto de compensação com valores recolhidos a mais em períodos anteriores, como se demonstrará a seguir. 1.1. Para facilitar a identificação e comprovação das compensações efetuadas e dos créditos utilizados, foram juntadas as planilhas 1 (fls.15) e 2 (fls.16/18), nas quais cada débito foi numerado, relacionado com a página em que consta no auto de infração e com o DARF que deu origem ao crédito utilizado na compensação. Em cada documento comprobatório das alegações ora apresentadas foi indicado o número de um item, ou seja, cada um se refere a um débito, conforme indicado nas planilhas. 1.2. Os débitos apontados nos itens 1 a 5 da planilha 1 foram objeto de lançamento sob alegação de falta de comprovação das compensações efetuadas. A fim de comprovar a origem dos créditos compensados, seguem os DARF e/ou páginas das DCTF em que constam os créditos. 1.3. As diferenças entre o crédito a compensar e os valores compensados são relativos à atualização pela taxa SELIC, conforme demonstrado na planilha 1 anexa. Verifica-se que nos itens 2, 3.1, 3.4, 3.5, 3.7 e 3.8 existem diferenças entre o credito no valor compensado, mesmo após a atualização pela SELIC. Esses valores serão recolhidos pela impugnante. 1.4. Quanto aos débitos numerados como 34, 36, 38, 46, 47, 53, 87, 95, 100 e 125 da planilha 2, esses foram pagos, no entanto, sem os devidos acréscimos legais , os quais serão recolhidos pela impugnante. 1.5. Quanto aos débitos lançados apontados nos itens 13, 30 e 33 da planilha, esses tiveram origem em erro no preenchimento da DCTF do período. Os valores lançados correspondem aos valores declarados em duplicidade na DCTF. Os valores efetivamente devidos foram recolhidos, conforme comprovam os documentos anexos. Tendo em vista que, de fato, tais débitos não existem, pois decorrem de mero erro na declaração, não deve prosperar o lançamento no tocante a esses supostos débitos. 1.6. Os demais débitos foram devidamente quitados, conforme indicado nas planilhas anexas e comprovado por intermédio dos documentos ora juntados. 1.7. A impugnante reitera que efetuará o pagamento dos valores devidos e declara que providenciará a retificação das DTCF em que houve erro de preenchimento, assim como elaborará os REDARF necessários. 2. Da análise do auto de infração, Anexo II.a, observa-se que alguns valores pagos pela impugnante a titulo de multa e de juros foram compensados com valores supostamente devidos a esses títulos. 2.1. A impugnante esclarece que alguns dos pagamentos realizados após o vencimento foram feitos sob o abrigo do art.138, do CTN, ou seja, trata-se de denúncias espontâneas e, portanto, estão sujeitos apenas aos acréscimos relativos aos juros de mora. 2.2. Para a configuração da denúncia espontânea, é exigido tão somente o pagamento do valor principal acrescido dos juros de mora, inexistindo qualquer referência multa. Fl. 507DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001614/2002-36 3. Resta evidente a ilegalidade da compensação da multa com valores pagos a maior sob esse mesmo titulo. Os créditos referentes As multas pagas a mais devem ser mantidos para posterior compensação, de acordo com a conveniência da impugnante. 3.1. Requer a impugnante que sejam revertidas as compensações de créditos de multas pagas a mais com multas supostamente devidas, calculadas sobre débitos objeto de denúncia espontânea. DA REVISÃO DE OFICIO Por intermédio do Despacho de fls.418/424, a DICAT/DEINF/SP efetuou em 26/02/2010 a revisão de oficio do auto de infração do presente processo administrativo, tendo concluído que: - pagamentos Com relação aos pagamentos não localizados ou que foram efetuados com o CNPJ de filiais, todos estão registrados nos sistemas da Receita Federal. Porém, cabe observar que: - o pagamento de R$4.080,00, da 4 0 semana de 04/1997, está totalmente alocado ao débito desse período de apuração, não havendo saldo remanescente para extinção do saldo devedor de RS159,83. - o pagamento de R536,24, da 2" semana de 07/1997, foi efetuado com o código de receita 0561, e não com o código 5600. 0 pagamento está alocado ao débito de IRRF a que se refere. Portanto, os débitos de R8159, 83 e R836, 24 serão mantidos. Todos os demais listados [na planilha de fls.419-verso e 420] serão cancelados por revisão de oficio. - Compensações Na planilha 01, anexada na folha 15, fica demonstrada a sistemática do contribuinte quanto à apuração de créditos para compensação com débitos. contribuinte declarou débitos de IRRF menores que o total de pagamentos vinculados, demonstrando que houve recolhimentos indevidos ou a maior. Por exemplo, na 4" semana de 07/1997, foi declarado o débito de RS4.899.299,04, COM pagamentos vinculados no total de RS4.905,027,50. A diferença é de RS5.728,46, que o contribuinte identifica como crédito. A DCTF com as informações desse exemplo está anexada nas folhas 37 a 41. Após declarar dessa forma por alguns períodos, o contribuinte se utilizou da eventual sobra de pagamentos de IRRF para compensar débitos vincendos da mesma espécie, conforme autorizaria o art.66 da Lei n° 8.383/1991. Nos tributos retidos pelo Banco Itaú SA, quem assume o encargo financeiro é um terceiro que tem vínculos com o banco. Para restituição de pagamentos a maior dos quais o banco não assumiu o encargo financeiro, é necessário que o banco prove à administração tributária que assumiu o encargo. Alternativamente, é necessário que esteja autorizado a receber a restituição por quem assumiu o referido encargo. A documentação apresentada na impugnação, que são cópias de DCTFs e planilhas demonstrativas de débitos e créditos, não comprova que os pagamentos são indevidos e quem assume o encargo financeiro de pagamentos eventualmente indevidos ou a maior. Portanto, não são atendidas as exigências legais para restituição e compensação de pagamentos de IRRF com débitos vencidos ou vincendos. - duplicidade no lançamento Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001614/2002-36 A alegação de que houve duplicidade na declaração de três débitos, já mencionados no relatório, não procede. A mera alegação de duplicidade não conduz à evidência de que houve erro material no lançamento, devendo o contribuinte provar com documentos e esclarecimentos o erro eventualmente cometido. - denúncia espontânea Sobre a denúncia espontânea alegada pelo contribuinte, é entendimento da Receita Federal do Brasil que o acréscimo legal da multa de mora não configura multa punitiva, tendo caráter meramente indenizatório. O entendimento está emitido em consonância com o informativo 340 do Superior Tribunal de Justiça. Portanto, os recolhimentos em atraso deverão ser acrescidos da multa de mora. - multa isolada de 75% - retroatividade da lei mais benéfica Na época do lançamento, o embasamento legal para a multa de 75% sobre a totalidade do tributo em decorrência do pagamento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, foi o art.44 da lei 9.430/1996. Posteriormente, a lei 11.488/2007 modificou o dispositivo legal, extinguindo multa isolada de 75% por "pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória". Conforme o artigo 106, inciso II, alínea do Código Tributário Nacional, "a lei aplica-se ao ato ou fato pretérito, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". Nesse entendimento, a Procuradoria da Fazenda Nacional editou o Parecer PGFN/CAT/CDA 196/2008, que trata da nova redação do artigo 44, inciso I da Lei 9430/1996, estabelecendo que a retroatividade benigna supramencionada se aplica a todos créditos tributários ainda não extintos, devendo a RFB a alterar os valores em cobrança administrativa, quer haja impugnação administrativa definitivamente julgada ou não. Sendo assim, a multa isolada motivada pelo recolhimento em atraso de tributo sem nenhuma inclusão de multa de mora deverá ser cancelada. Despacho Tendo em vista que há fatos novos não conhecidos ou não provados por ocasião do lançamento anterior, DECIDO que o auto de infração DCTF 1435/2005 seja revisto de oficio com base nos arts. 145, inciso III, c/c 149, inciso VIII, da lei 5.172, de 25 de outubro de 1966, a fim de se cancelar parte da exigência conforme segue [na planilha de fls.421-verso e 422]. Fica mantida a cobrança dos saldos devedores cujos pagamentos não foram suficientes para sua total amortização. Havendo saldos devedores, está correto o lançamento com multa de 75%, conforme autoriza o art.44 da lei 9-130/1996, cujas modificações posteriores em nada alteram os fundamentos do lançamento. DA CIÊNCIA DA REVISÃO DE OFÍCIO A contribuinte tomou ciência da revisão de lançamento em 07/06/2010, conforme o AR de fls.430 e, de acordo com o despacho da DICAT/DEINF/SP de fls.431, de 19/07/2010, a empresa não se manifestou sobre a revisão em comento. É o relatório. Apreciados os argumentos da Impugnação e a revisão de oficio promovida pela DEINF, quando alçada a presente questão à DRJ, esta logrou julgar improcedente a impugnação Fl. 509DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001614/2002-36 apresentada mantendo-se a cobrança da multa de mora em questão, bem como o IRRF mantido após revisão de oficio, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - I RRF Ano-calendário: 1997 ÔNUS DA PROVA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. COMPENSAÇÕES. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. Cabe a impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não afasta o recolhimento da multa de mora, que em caso de recolhimento de tributo ou contribuição a destempo, exceto quando lançada multa de oficio, é sempre devida. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário pleiteando a reforma do julgado para que seja afastada a exigência do tributo lançado e a aplicação da multa moratória pela aplicação do art. 138 do CTN, uma vez que o pagamento efetuado pelo contribuinte foi espontâneo, antecedendo-se a qualquer procedimento fiscalizatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Discute-se a manutenção da autuação lavrada em decorrência de Auditoria Interna nas DCTF dos 2° e 4° trimestres de 1997, exigindo do Recorrente suposto não recolhimento de IRRF e a correspondente multa de mora. Irresignado, o Recorrente apresentou impugnação administrativa, alegando a regularidade dos recolhimentos das diferenças apuradas pela fiscalização a título de IRRF que foi objeto de revisão de oficio pela DEINF/SP e a exclusão da multa moratória pela presença da figura da denúncia espontânea. Na análise dos itens impugnados pela Recorrente em cotejo com as informações trazidas pela revisão de ofício, a DRJ promoveu as seguintes verificações: i) Item 1: conforme a primeira tabela de fls.423, o saldo remanescente de R$159,83 é decorrente da diferença entre o valor do crédito declarado em DCTF, no montante de R$3.398.137,58, e o valor confirmado de R$3.397.977,75; i.1) Cabe destacar que o despacho da DICAT/DEINF/SP constatou que o pagamento de R$4.080,00, da 4a semana de 04/1997, está totalmente alocado ao débito desse período de apuração, não havendo saldo remanescente para extinção do saldo devedor de R$159,83. Portanto, improcede a alegação de que crédito tributário ora em análise teria sido objeto de pagamento ou compensação. Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001614/2002-36 ii) Item 5: conforme a primeira tabela de fls.423, o saldo remanescente de R$36,06 é decorrente da diferença entre o valor do crédito declarado em DCTF, no montante de R$2.635,93, e o valor confirmado de R$2.599,87; ii.1) Cumpre observar que o despacho da DICAT/DEINF/SP constatou que \ o pagamento de R$36,24, da 2a semana de 07/1997, foi efetuado com o código de receita 0561, e não com o código 5600. 0 pagamento está alocado ao débito de IRRF a que se refere. Portanto, improcede a alegação de que crédito tributário ora em análise teria sido objeto de pagamento ou compensação. iii) Itens 8, 23 e 32: conforme a primeira tabela de fis.423, os saldos remanescentes em questão de R$27.070,70, R$59.415,33 e R$232,20 são decorrentes das diferenças entre os valores dos créditos declarados em DCTF, nos montantes de R$71.870,92, R$390.007,96 e R$232,20, e os valores confirmados de R$44.800,22 e R$330.592,63; iii.1) E necessário ressaltar que o despacho da DICAT/DEINF/SP constatou que a alegação de que haveria duplicidade na declaração dos três débitos supracitados não procede. A mera alegação de duplicidade não conduz à evidência de que houve erro material no lançamento, devendo a contribuinte provar com documentos e esclarecimentos o erro eventualmente cometido. Portanto, improcede a alegação de duplicidade de lançamento. iv) Itens 6, 11, 15, 22, 24, 34 a 47, 50, 53, 54 e 59: no que tange aos saldos remanescentes dos itens em questão, a contribuinte efetuou duas alegações em sede de impugnação, a saber, (1) existência de compensações e (2) denúncia espontânea; iv.1) Quanto à existência de compensações, a matéria foi analisada de forma minuciosa pela DICAT/DEINF/SP, que verificou que a contribuinte declarou débitos de IRRF menores que o total de pagamentos vinculados, demonstrando que houve recolhimentos indevidos ou a maior. Após declarar dessa forma por alguns períodos, a contribuinte teria utilizado da eventual sobra de pagamentos de IRRF para compensar débitos vincendos da mesma espécie, conforme autorizaria o art.66 da Lei n°8.383/1991; iv.2) A DICAT/DEINF/SP observou ainda que nos tributos retidos pela contribuinte, quem assume o encargo financeiro é um terceiro que tem vínculos com o banco. Para restituição de pagamentos a maior dos quais o banco não assumiu o encargo financeiro, é necessário que o banco prove à administração tributária que assumiu o encargo. Alternativamente, é necessário que esteja autorizado a receber a restituição por quem assumiu o referido encargo; iv.3) No caso em tela, a documentação apresentada na impugnação, que são cópias de DCTFs e planilhas demonstrativas de débitos e créditos, não comprova que os pagamentos são indevidos e quem teria assumido o encargo financeiro de pagamentos eventualmente indevidos ou a maior; iv.4) Portanto, não são atendidas as exigências legais para restituição e compensação de pagamentos de IRRF com débitos vencidos ou vincendos; Sendo assim, verificou-se que a autoridade administrativa efetuou a imputação conforme a previsão legal dos arts. 163 e 167 do CTN, e julgou incabível a tese da contribuinte de que eventuais créditos referentes as multas pagas deveriam ser mantidos para posterior compensação, segundo a conveniência da empresa. Fl. 511DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001614/2002-36 Por ocasião do Recurso Voluntário, a recorrente insiste na regularidade dos recolhimento do IRRF, mas sem acrescentar qualquer elemento apto a justificar a reforma do acórdão de origem, tendo se limitado apenas a desenvolver a tese de as multas moratórias restariam afastadas pela presença da denúncia espontânea, daquilo que fora reconhecido por revisão de ofício. Contudo, conforme demonstrado na origem uma vez que foi demonstrada a procedência da exigência da multa de mora no caso concreto, posto que, em virtude do afastamento da alegação de denúncia espontânea, pela presença de débitos em aberto, também resta claro que não assiste razão ao argumento da Recorrente, contrário imputação da multa de mora com valores pagos a maior sob esse mesmo titulo. Assim, em tendo restado mantida a cobrança dos saldos devedores cujos pagamentos não foram suficientes para sua total amortização, não há que se falar na presença de denuncia espontânea, ou tampouco suas consequências em relação às multas aplicadas, seja de mora ou de ofício. Por essas razões, não subsistem motivos para reforma da decisão piso, a qual mantenho por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 512DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10909.004278/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2403-000.025
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 RELATÓRIO Compulsei o relatório do voto de primeira instância e, tendo corroborado, o reproduzo: “ Por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 37.060.2897, às folhas 01, e anexos, foi exigido do contribuinte, acima qualificado, a importância de R$ 1.349.456,26 (um milhão e trezentos e quarenta e nove mil e quatrocentos e cinqüenta e seis reais e vinte e seis centavos), consolidado em 10 de outubro de 2007, que, de acordo com o Relatório Fiscal e anexos de fls. 243/335, referese às contribuições sociais correspondente à retenção de onze por cento sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, prevista no art. 31 e parágrafos da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n°9.711, de 20 de novembro de 1998, c/c o art. 219, §§ 2° e 3° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto IV 3.048, de 06 de maio de 1999, não retidas ou parcialmente retidas pela notificada quando da quitação das respectivas notas fiscais, no período de 07/99 a 0812007. A base de cálculo para retenção foi apurada com base: (a) valor bruto das NF relativas exclusivamente à mão de obra; (b) valor bruto das NF em que constam destacados valores referentes a reembolsos não contemplados pelo art. 219, §§ 7° e 80 do RPS e art. 152 da IN SRP IV 3/2005, art. 161 da IN 1NSS/DC n° 100/2003 e art, 105 da IN INSS/DC n°71/2002; (c) valor declarado nas NF como relativo à mãodeobra nos casos em que a empresa apresentou contrato conforme previsto no art. 219, §§ 7" e 8° do RPS e art. 158 da IN INSS/DC 100/2003; (d) 50% do valor bruto das NF em que consta o destaque de reembolso referente à utilização desgaste de equipamento utilizados para os quais a empresa apresentou contrato conforme previsto pelo art. 219, §§ 7° e 8' do RPS e art. 150 da IN SRP n°3/2005, art. 159 da 1N INSS/DC n° 100/2003 e art. 105, inciso III, e art. 106 da IN INSS/DC n°71/2002; (e) 50% do valor bruto das NF de locação de equipamentos (empilhadeira) com operador conforme estabelecido em contrato na forma do art. 219, §§ 7" e 8° do RPS e art. 146, inciso XVI combinado com o art. 150, inciso 1, combinado com o art. 170, inciso XV, da IN SRP n°3/2005, art. 155, inciso XVI, combinado com o art. 159, inciso I, combinado com o art. 179, inciso XII, da IN INSS/DC n° 100/2003. Esclarece, ainda, o REFISC que nas notas fiscais relacionadas no Anexo IV, o prestador de serviços não efetuou o destaque da retenção e, no Anexo V, o destaque foi parcialmente efetuado. No caso de ter havido destaque, retenção e recolhimento a menor, o crédito lançado corresponde ao total da retenção devida menos a recolhida, conforme demonstrado no Anexo 111, na coluna "recolhido". Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 2 3 Os valores das notas fiscais foram verificados na contabilidade, exceto no período de 04/2002 a 12/2003, em razão da falta de apresentação dos livros Diário e Razão. No campo "fonte", dos anexos, estão relacionados onde foram obtidos os valores de base de cálculo de cada nota fiscal de prestação de serviços. Anexo ao REFISC encontramse os seguintes documentos: (a) Anexo 1 fls. 248, contém a relação nominal e CNPJ dos prestadores de serviços, em ordem alfabética; (b) Anexo II fls. 249, contém a relação dos prestadores de serviços, em ordem pelo if do CNPJ; (c) Anexo III fls. 250/291, contêm o demonstrativo das notas fiscais e correspondentes bases de cálculo; (d) Anexo IV — fls. 292/319, contém o demonstrativo das notas fiscais sem destaque da retenção; (e) Anexo V — fls. 320/335, contém o demonstrativo das notas fiscais com destaque e retenção. (O Anexo VI — fls. 337/366, contém cópias dos contratos de prestação de serviços celebrados com as empresas: Maria Assunta IVIainardi ME; Rocape Transporte e Beneficiamento de Madeiras Ltda; Tropical Locação e Manutenção de Empilhadeiras; Antonio Carlos Isá de Souza — ME; Valdir Vieira Portilho; Rodrigo Neto dos Santos; Jackson Luiz Piovezan; e Reni Moraes Pereira ME. Inconformado com o lançamento, o sujeito passivo, por intermédio de procuradora constituída, fls. 418, apresentou a impugnação de folhas 382/393, requerendo a improcedência da notificação. Alega, em síntese, que: (a) decaiu o direito do INSS lançar as contribuições relativas às competências anteriores a outubro de 2002, conforme reza o art. 173 do CTN; (b) não se aplica ao caso o art. 45 da Lei n°8.212/91, com o prazo decadencial de dez anos e não de cinco, porque tal dispositivo é inconstitucional; (c) o artigo 146 da Constituição Federal estabelece que compete à Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre, dentre outras matérias, prescrição e decadência; (d) o Código Tributário Nacional foi recepcionado como lei complementar porque trata de matéria hoje reservada a essa espécie normativa, já a Lei n° 8.212/91, não se presta a regular tal matéria por ser lei ordinária; (e) a jurisprudência em âmbito judicial é farta no reconhecimento do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento de contribuições previdenciárias; Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 (1) também a jurisprudência em âmbito administrativo, notadamente a do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, vem de há muito reconhecendo que as autoridades administrativas não só podem como devem observar as decisões judiciais reiteradas em seus julgamentos, notadamente quando digam respeito à inconstitucionalidade de normas; (g) é indiscutível a obrigatoriedade da empresa contratante de reter 11% do valor bruto das notas fiscais. Todavia, discorda do entendimento do Auditor Fiscal que desconsiderou os percentuais pactuados entre as partes, referentes ao fornecimento de material e utilização de meios mecânicos e o da mãodeobra, aplicando percentuais diferentes; (h) mesmo que nem a impugnante, nem os terceiros tivessem pago os valores devidos, como há contrato estipulando os percentuais de 70 e 30%, não poderiam ter sido desconsiderados os percentuais pactuados, devendo observar os §§ 70 e rdo art. 219 do RPS; (i) houve o recolhimento por parte dos terceiros conforme comprovam guias de recolhimento anexadas a impugnação; (j) são anexados aos autos contratos que não haviam sido apresenta os à fiscalização e que pactuam o percentual de 70 % para os materiais. Ao final requer que lhe seja oportunizada a juntada de novos documentos que venham ser localizados, e prova pericial para comprovar o efetivo recolhimento das contribuições objeto dos documentos anexo. Indica perito e formula o seguinte quesito: "diga a pericia se os documentos anexados a esta impugnação, e demais documentos que sejam apresentados pela Impugnante até a data da realização dos trabalhos, correspondem e fazem prova do recolhimento de valores lançados de oficio na NFLD ora impugnada" É o relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 5 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Florianópolis ( SC) DRJ/FNS, em 30/05/2008, emitiu o Acórdão n ° 0712.714 mantendo procedente em parte o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls1007/1040, onde em preliminar argüiu decadência das competências anteriores a outubro de 2002 e em seguida reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” enfatizando, no mérito, que é indiscutível a obrigatoriedade da empresa Recorrente reter 11% do valor bruto da fatura ou nota fiscal. E que, entretanto, o ponto crucial da questão trata dos percentuais relativos à dedução da base de cálculo na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 3 5 VOTO Ivacir Júlio de Souza ConselheiroRelator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls.1041, o recurso é tempestivo. Portanto dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA De plano, cumpre destacar que esta prejudicial foi analisada em consonância com o determinado no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Aduz que ocorreram “pagamentos antecipados” na forma do documento denominados RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, de fls. 158 a 167. DO PODER POTESTATIVO Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: Súmula Vinculante do STF n° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Da Contribuição Social Previdenciária É cediço que as contribuições sociais, inclusive as de seguridade social, dentre essas as previdenciárias, com o advento da Constituição Federal de 1988, ganharam tratamento constitucional tributário, aplicandolhes toda a sistemática reservada aos tributos pela Carta Magna (CF, art. 145 e seguintes combinado com o art. 195 e seguintes). Dos Tributos Com Lançamento Por Homologação A Lei n° 5.172/66, que vem a ser o Código Tributário Nacional CTN, define em seu artigo 150 o lançamento por homologação : “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Da contribuição previdenciária enquanto tributo com lançamento por homologação É pacífico que a jurisprudência entende que a natureza jurídica da contribuição previdenciária é um tributo de lançamento por homologação. Então, referindome ao artigo 150 do CTN, é relevante notar o legislador ao classificar o que seria o lançamento por homologação não se referiu a fatos geradores mas sim aos tributos : “ lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento...” Das guias de recolhimento do fundo de garantia por tempo de serviço e informações à previdência social – gfip Assume grande importância saber que a partir da Lei nº 9.528/97 é que se introduziu a obrigatoriedade de os sujeitos passivos das contribuições previdenciárias apresentarem a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP , porque somente da competência janeiro de 1999 em diante, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, na forma do disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. Na referida GFIP, deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. As empresas estão obrigadas à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Desse modo, com a introdução da GFIP na legislação previdenciária, se institui para os contribuintes o dever que não existia antes de janeiro de 1999 de declarar, e , Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 4 7 espontaneamente, antes de eventual ação fiscal que lhe exija, antecipar os pagamentos, os valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a demais obrigações acessórias. Do dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Obrigado a isso, a legislação das contribuições previdenciárias submeteu o sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação, logo, inserido na dicção do artigo 150. Segundo leciona Hugo Brito Machado, em Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas, Editora Saraiva, Edição exclusiva ANFIP, pg. 847: “ Por homologação é o lançamento feito quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação. Operase pelo ato em que a autoridade, tomando conhecimento da determinação feita pelo sujeito passivo, expressamente a homologa( CTN, art. 150), ou então, mediante homologação tácita, que se opera pelo decurso de prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário, pelo lançamento.(CTN, art. 150, § 4°) ”. Nestas condições as contribuições para a Previdência Social e suas obrigações principais e acessórias se subsumem à lançamentos por homologação expressa ou tácita. Da forma difusa dos recolhimentos Também é relevante saber que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. Do não condicionamento da homologação à antecipações de pagamentos É muito relevante notar que, isto posto, de forma alguma o legislador condicionou a homologação, nos termos do artigo 150, à antecipações de pagamento. Quando quis se manifestar sobre antecipações , stricto sensu, efetivamente o fez na dicção do artigo 160, parágrafo único, onde destacou que em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Entendo, ainda, que a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 5 9 restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações. O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Dos fatos geradores Antes que se alegue que o pagamento antecipado referese ao fato gerador levantado, entendo que o legislador ao exortar o pagamento, referiuse ao tributo como um todo, incluso, por lógico, o fato ou fatos geradores que o compõe, até porque o que se extingue com o instituto da decadência é a obrigação tributária e não o fato gerador. Do Pagamento Antecipado Restando provado em eventual processo administrativo que ocorrera qualquer pagamento, em face da circunstância de este contemplar os inúmeros fatos geradores que o contribuinte esteja obrigado a recolher em razão do dever de antecipar na forma da inteligência do artigo 150 em comento, entendo que faz caracterizar pagamento antecipado. Aduz que o citado artigo 150 do CTN não fala de quitação antecipada da obrigação e assim, tendo havido pagamentos anteriores à ação fiscal, a lavratura do lançamento de crédito quer significar diferenças a pagar do tributo como um todo. Desse modo, se ao final de uma ação fiscal tendo restado parcialmente adimplidas as obrigações de recolher valores resultado da incidência tributária sobre diversos outros fatos geradores não vejo como dar tratamento isolado a eventual fato gerador inadimplido para considerálo individualmente como se fosse um tributo isolado e não parte de uma obrigação tributária previdenciária total de empresa. Da forma mais ou menos gravosa do reconhecimento da decadência em razão de eventuais antecipações Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa em razão de eventuais “antecipações de pagamentos”. Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto, aplicandose forma menos severa, tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência. Do lançamento por homologação Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, o legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN : (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN, a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput, se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 6 11 lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite ,sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Da hermenêutica Buscando socorro na hermenêutica e nas regras gramaticais, concordando o sujeito com o verbo da oração contida no caput do artigo 150 supra, se conclui que o objeto expresso da homologação não é o pagamento antecipado mas sim a ATIVIDADE posto que está escrito : “...expressamente a homologa”. Outro ponto de relevo que entendo deva ser destacado da leitura do § 4º do artigo 150 é que na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica explícito que não se aplicará o referido artigo para o reconhecimento da decadência. Entretanto, sem o trânsito em julgado de eventual representação fiscal para fins penais não se pode concluir comprovado o delito. Nos casos do gênero convém proceder de forma conservadora e suspender o julgamento administrativo até o trânsito da ação penal. A meu juízo, a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação importa conduta criminosa e a decadência ou a prescrição devem ser analisadas em foro próprio não comportando benefício tributário. Da regra específica e da geral Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Por outro aspecto, o artigo 173 não faz referência à homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 7 13 Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma covenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório, termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB , a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, pela inércia do seu detentor, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Assim considerando que a Recorrente fora notificada em 15/10/2007, na forma do preceituado no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional – CTN, as competências anteriores a 09/2002, inclusive, foram alcançadas pelo instituto da decadência cabendo reforma à decisão “ad quod”. DO MÉRITO O Relatório Fiscal às fls.169, no documento denominado FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, item 226.01, consta enquadramento legal na forma do art. 219, parágrafos 1, 2, 3, 4 e 7 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Então, em face disto, adianto que o que faremos é verificar se é pertinente o enquadramento em assim sendo, verificar se tais premissas foram consideradas. De plano, percebese mitigado o enquadramento na medida em que o citado artigo é composto, também, do § 8° deixado de fora no rol das fundamentações parágrafo este, como adiante veremos, fundamental para por termo à questão. “226 RETENÇÃO PELA TOMADORA DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA OU EMPREITADA 226.01 Competências : 07/1999 a 08/1999,11/1999 a 12/1999, 12/2000, 03/2001 a 06/2001, 08/2001 a 12/2001, 01/2002 a 12/2002, 01/2003 a 12/2003, 01/2004 a 12/2004, 01/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006,01/2007 a 02/2007 Lei n. 8212, de 24.07.91, art. 31, parágrafos 1. e 2., (com as alterações da MP n. 1.66315, de 23.10.98, convertida na Lei n. 9.711, de 21.11.98); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 219, parágrafos 1, 2, 3, 4 e 7. ” Em breve retrospectiva se observa que às fls. 990 a I. Relatora transcreveu na íntegra o item 4 do Relatório Fiscal de fls 245 e analisou a autuação na forma dos seguintes dispositivos descritos para a obtenção das bases de cálculos : “(a) valor bruto das NF relativas exclusivamente à mão de obra; (b) valor bruto das NF em que constam destacados valores referentes a reembolsos não contemplados pelo art. 219, §§ 7° e 8° do RPS e art. 152 da IN SRP IV 3/2005, art. 161 da IN 1NSS/DC n° 100/2003 e art, 105 da IN INSS/DC n°71/2002;( grifei) (c) valor declarado nas NF como relativo à mãodeobra nos casos em que a empresa apresentou contrato conforme previsto no art. 219, §§ 7° e 8° do RPS e art. 158 da IN INSS/DC 100/2003; ( grifei) Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 8 15 (d) 50% do valor bruto das NF em que consta o destaque de reembolso referente à utilização e desgaste de equipamento utilizados para os quais a empresa apresentou contrato conforme previsto pelo art. 219, §§ 7° e 8° do RPS e art. 150 da IN SRP n°3/2005, art. 159 da IN INSS/DC n° 100/2003 e art. 105, inciso III, e art. 106 da IN INSS/DC n°71/2002; ( grifei ) (e) 50% do valor bruto das NF de locação de equipamentos (empilhadeira) com operador conforme estabelecido em contrato na forma do art. 219, §§ 7° e 8° do RPS e art. 146, inciso XVI combinado com o art. 150, inciso 1, combinado com o art. 170, inciso XV, da IN SRP n°3/2005, art. 155, inciso XVI, combinado com o art. 159, inciso I, combinado com o art. 179, inciso XII, da IN INSS/DC n° 100/2003. ( grifei)” Como se nota, mediante grifos, destaquei a inserção de Instruções Normativas não capituladas no Relatório de Fundamentos Legais entretanto introduzidas no Relatório Fiscal e assimiladas pela instância “ad quod” para formar seu convencimento. O destaque pretende ainda sublinhar que se confirma o enquadramento sob os auspícios do artigo 219 do RPS. Cumpre notar que nesta oportunidade o 8° do RPS exortado porém, como adiante será visto, não observado. Em seu Recurso a Recorrente, basicamente, centra suas alegações sobre os valores que estariam definidos contratualmente de modo que 70 % situação que deveria ter sido considerada nos lançamentos reduzindo o valor das bases de cálculo para efeito de retenção mesmo não estando registrado nas notas fiscais. Quanto a isso, é relevante notar que também em primeiro grau tal apertada síntese foi notada. Na condução do voto de primeira instância, às fls 996 a Autoridade Julgadora resume o que seria enfrentado exortando na parte final que a impugnante centraliza sua atenção sobre a existência, ou não, de contrato, para fixação do percentual da base de cálculo, enquanto a premissa básica contida nos §§ 7" e 8" do art. 219 do RPS, para exclusão de valores de materiais e equipamentos da base de cálculo, é que estes valores estejam discriminados nas notas fiscais : “Quanto à base de cálculo, as alegações apresentadas pela impugnante, podem ser assim sintetizadas: (a) Caso em que há contrato, mas não houve a retenção junta algumas GPS recolhidas por empresas contratadas. Alega que mesmo não tendo ocorrido a retenção e o recolhimento, o contrato existente não pode ser simplesmente ignorado, devendo a exigência da contribuição se dar nos termos da lei mediante a aplicação do que consta nos §§ 7° 8° do art. 219 do RPS. Se insurge contra a aplicação de percentual de 100%, quando há contrato estipulando os percentuais de 70% para materiais e equipamentos e 30% para mãodeobra; (b) Caso em que há contrato e houve a retenção — a empresa fez as retenções baseada no que foi pactuado com seus fornecedores, sendo que a Autoridade Fiscal, da mesma forma, desrespeitou os percentuais constantes do contrato (70 e 30%) e lançou indevidamente o percentual de 50% sobre o valor bruto das notas; Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 (c) Caso em que não foi apresentado o contrato durante a fiscalização alega não ter tido tempo suficiente para localizar a documentação durante o período da fiscalização. Juntos aos autos vários contratos demonstrando que foi pactuado o percentual de 70% para os materiais, contestando o percentual de 100% aplicado no lançamento; (d) Caso em que não houve contrato nem retenção — não foi feito contrato entre as partes, nem a retenção, entretanto, houve o pagamento pelos terceiros, conforme comprova com a documentação acostada; (e) Lançamento sobre valores não relativos ao pagamento de serviços – alega que foram lançadas contribuições sobre valores que não se referem à prestação de serviços, relativas a outras operações, inclusive de crédito (meramente financeiras) em razão de terem sido verificadas apenas no contacorrente do fornecedor. Assim vêse que a impugnante centraliza sua atenção sobre a existência, ou não, de contrato, para fixação do percentual da base de cálculo, enquanto a premissa básica contida nos §§ 7" e 8" do art. 219 do RPS, para exclusão de valores de materiais e equipamentos da base de cálculo, é que estes valores estejam discriminados nas notas fiscais.Vejamos, novamente, o conteúdo desses dispositivos:” Cumpre registrar que às fls 992 no item “ j ” do Relatório “ad quod”consta confirmada a juntada dos contratos: “(j) são anexados aos autos contratos que não haviam sido apresentados à fiscalização e que pactuam o percentual de 70 % para os materiais ” Então à luz dos contratos baseandose nas Instruções Normativas referidas e colacionadas pela Relatora as reclamações da Recorrente foram enfrentadas. Aduz que analisando aquelas Instruções procedi certas observações na forma do abaixo: “INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC IV. 0100 DE 18/12/2003 Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, se os valores de material ou equipamento estiverem estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor dos serviços estabelecidos em contrato, conforme previsto no § 7° do art. 219 do RPS (Redação Original) ( grifei) Destacandose a parte final da Instrução supra, não resta dúvida de que ainda que não discriminados nas notas ficais, a base de cálculo será o valor dos serviços estabelecidos em contrato: “ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor dos serviços estabelecidos em contrato, conforme previsto no § 7° do art. 219 do RPS (Redação Original)” ( grifei) Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 9 17 Logo em seguida a redação do mesmo artigo na forma da IN105, de 24/03/2004, introduz condição estranha ao texto legal para condicionar a exceção impondo que os valores devam ser descriminados nas Notas fiscais: “Art 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7° do art. 219 do RPS. (Redação dada pela IN 105, de 24/03/2004)” ( grifei) No mesmo sentido a IN INSS/DC n° 100/2003 : “ IN INSS/DC n° 100/2003 Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no §7° do art. 219 do RPS (Modificado pela INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC N° 105, DE 24 DE MARÇO DE 2004 DOU DE 2610312004).” Também na mesma linha o artigo 151 da IN MPS/SRP n° 3/2005 fez leitura ainda mais diferente e restritiva do dispositivo legal determinando que ainda que existisse previsão contratual para o fornecimento de material ou utilização, a base de cálculo da retenção seria o seu valor bruto : “ IN MPS/SRP n° 3/2005 Art. 151. (..) Parágrafo único. Na falta de discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o seu valor bruto, ainda que exista previsão contratual para o fornecin2ento de material ou utilização de equipamento, com ou sem discriminação de valores em contrato.” Reiterando o comentado acima, restou destacado às fls. 997, que para a I. Relatora a questão de fundo era os pagamentos sob contrato. Neste sentido, já antecipando o mérito, manifestou que estes valores deveriam estar discriminados nas notas fiscais : “Assim vêse que a impugnante centraliza sua atenção sobre a existência, ou não, de contrato, para fixação do percentual da base de cálculo, enquanto a premissa básica contida nos §§ 7° e 8°do art. 219 do RPS, para exclusão de valores de materiais e equipamentos da base de cálculo, é que estes valores estejam discriminados nas notas fiscais. Vejamos, novamente, o conteúdo desses dispositivos: ” A este respeito, seguramente premida pelos ditames do art. 7º da revogada Portaria MF n° 58, de março de 2006, onde se determinava que o julgador a quo devesse observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos, a Relatora já houvera se pronunciado às fls. 995 conforme abaixo. Aduz que as Instruções Normativas pilar da decisão exarada introduziram condicionantes extras não verificadas na norma cogente : Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 “Além disto, nos §§ 7° e 8° do mesmo artigo, impõe a condição irrenunciável de que para a contratada se utilizar da faculdade de deduzir valores correspondentes ao uso e equipamentos, deve relacionálos em nota fiscal, fatura ou recibo além da previsão contratual. Coube ao Fisco, então, somente a hipótese de normatizar situações em que não exista a previsão contratual dos valores correspondentes ao uso de material ou equipamentos.” De plano a afirmação de que “ nos §§ 7° e 8° do mesmo artigo, impõe a condição irrenunciável de que para a contratada se utilizar da faculdade de deduzir valores correspondentes ao uso e equipamentos ”, contém certo ruído na medida em que a faculdade preceituada no artigo não é para deduzir valores mas sim para fazer ou não fazer a discriminação nas notas fiscais: “ § 7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos,...” Da análise dos §§ 7° e 8° acima se percebe a versão da I.Relatora se sustenta na forma da condição imposta: “além da previsão contratual se deva também fazer os registros nas Notas Fiscais. A exegese do §§ 7° 8° citados exige conclusão diversa . Senão vejamos: “ § 7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. § 8º Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos”( grifei ) Assim, decodificando o § 7º, a contratada registra em nota fiscal, se quiser, o que tiver sido pactuado contratualmente quanto ao fornecimento de material e equipamentos. Se o fizer, por óbvio, ainda que registrado na notas fiscais, para não sofrer as retenções, tal fato terá que ser comprovado mediante a exibição dos contratos. Não poderia ser diferente. O que garante o afastamento da retenção não é o simples fato de constar discriminado nas notas fiscais mas sim o registro das previsões nos contratos. Ainda sobre o §7°, além de ser facultado discriminar – lhe, se nos detivermos para o aspecto da concordância, discriminado ou não, restará compreendido que a referência nuclear é o valor correspondente ao material ou equipamentos que será excluído da retenção se estiver contratualmente previsto e devidamente comprovado : “ Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado.” Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 10 19 Na seqüência, corroborando o entendimento supra, analisandose o contido no § 8º, aplicandose a voz passiva, entendese que se acontecer a hipótese do § 7°, ou seja a contratada, usando da faculdade de fazer ou não fazer, não fez os destaques nas notas fiscais porque não quis, somente se não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos, caberia ao fisco, na época representado pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, “normatizar” a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo. Em razão das conclusões acima, se nos contratos da Recorrente, de fato, houver previsão pactuada, há que lhe ser concedido o direito. Muito embora o mérito antecipado o enfrentamento da questão não produziu desfecho claro ficando subtendido que o provimento foi negado pelos termos da decisão na conclusão final: “Em síntese, se o contratante apresenta notas fiscais discriminando o valor da mãodeobra e dos materiais/equipamentos, e apresenta contrato com previsão de seu fornecimento pela contratada e respectivos valores, a retenção se dará exclusivamente sobre o valor da mãodeobra. No caso de não haver previsão contratual dos valores mas somente a previsão de seu fornecimento, e os valores estiverem discriminados na nota fiscal, aplicase à forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço normalizado pelo órgão arrecadador.” CONCLUSÃO Isto posto, em face da análise das situações de fato e de direito, corroborada pelos documentos trazidos aos autos, tudo conforme demonstrado neste acórdão, manifestome pela retificação do lançamento, conforme Demonstrativo Analítico do Débito Retificado DADR anexado, fls. 937/989, cujo valor retificado, consolidado em 10/10/2007, é demonstrado no quadro a seguir.” Aludindo à decisão, cumpre observar que esta se apresenta confusa na medida em que decide retificar o lançamento que já houvera sido retificado traduzindo a obrigação de se rever as exclusões efetuadas na forma dos anexos de fls. 937/989. Isto precisa ser esclarecido: “ CONCLUSÃO Isto posto, em face da análise das situações de fato e de direito, corroborada pelos documentos trazidos aos autos, tudo conforme demonstrado neste acórdão, manifestome pela retificação do lançamento, conforme Demonstrativo Analítico do Débito Retificado DADR anexado, fls. 937/989, cujo valor retificado, consolidado em 10/10/2007, é demonstrado no quadro a seguir.” DA SOLIDARIEDADE Às fls 1041, consta que no presente processo a recorrente fora cadastrada no sistema como DEVEDOR SOLIDÁRIO: Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 “ PROCESSO: 370602897 ORIGEM: NFLD 10/10/2007 GEXAPS: 20025010 PERIODO: 07/1999 A: 08/2007 ULTIMO EVENTO: APRES. RECURSO TEMPESTIVO 14/07/2008 SITUACAD: AGUARD. ANALISE PARA RECURSO 14/07/2008 DEVEDOR: CGC 01.133.600/000190 SOLIDÁRIO: NOME: ITAPINUS INDUSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA DATAS DEFESA PRINC.ATLZ. 747.114,23 VALORES ATUALIZADOS EM CIENCIA:15/10/2007 T.R 0,00 01/07/2008 EXPIR. :14/11/2007 JUROS 0,00 DATAS RECURSO SELIC 348.181,15 CIENCIA:20/06/2008 MULTA 149.348,23 EXPIA, :22/07/2008 DATAS ACORDA() CIENCIA: TOTAL 1.244.643,61 EXPIR. Finalizar Principal Módulo Anterior ” No item 2. às fls. 244, O Auditor Fiscal, corretamente, registrou que o contribuinte estava sendo autuado na condição de substituo tributário: “2. O contribuinte identificado em epígrafe está sendo notificado através da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD a recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na condição de substituto tributário, o débito correspondente onze por cento (11%) especificado na Lei n° 8.212/91 e art 31 e Lei n°9.711/98, art. 23, e incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços pagas ou creditadas as empresas que prestaram serviços mediante cessão de 411 mão de obra.” A substituição tributária é um mecanismo de arrecadação de tributos utilizado pelos governos federais e estaduais. Ele atribui ao contribuinte a responsabilidade pelo pagamento do imposto devido pelo seu cliente. Os valores serão retidos pelo contribuinte e posteriormente repassados aos cofres do governo. Responsabilidade solidária se consolida caracterizada quando há mais de um sujeito passivo responsável pela obrigação tributária. A solidariedade nasce da vontade das partes ou decorre da lei, quando há interesses comuns. Então, não sendo caso de responsabilidade solidária, isto também deve ser revisto pela jurisdição “ad quod”. DEVIDO PROCESSO LEGAL Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Resolução n.º 2403000.025 S2C2T3 Fl. 11 21 Compulsado, não posso me abster o comando do art. 41 do Regimento Interno deste Egrégio Conselho do Conselho como , também, o preceituado na Lei 9.784/99, artigo 37, onde se determina que : “ Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”. Tal circunstância implica obrigatório que se verifique nos sistemas da Receita Federal do Brasil as informações sobre as alegações da Recorrente se as contratadas sofreram fiscalização abrangendo o mesmo período levantado na contratante. Em caso positivo, qual o resultado da ação fiscal desenvolvida de modo a evitar duplicidade de cobrança ou até mesmo cobrança indevida se ao término das eventuais ações fiscais restar constatado que as prestadoras nomeadas nas notas fiscais estavam adimplente com suas obrigações. Bom exemplo dessa prática que por isso mesmo deva ser reiterado no presente, foi produzido neste mesmo processo quando na oportunidade, de ofício a Autoridade Administrativa pesquisou o sistema informatizado e decidiu excluir dos autos créditos referidos às fls. 994. Na condução do seu voto, a Relatora também deu destaque a isso informando às fls. 994 que : “ Conforme verificado nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, e extratos juntados às fls. 791/807, constatouse que as empresas: Alves Corte de Madeiras e Prest. de Serviços S/C Ltda. ME, José de Andrade Leandro ME e Maria Aparecida Tavares Calazans, eram optantes do SIMPLES em período compreendido entre 01/2000 a 08/2002. A fiscalização, na diligência, pronunciouse pela exclusão dos valores lançados sobre as notas fiscais emitidas por estas empresas, no período citado, conforme consta do despacho às fls. 904 ” O artigo 3 °, II da Portaria SRF 4.066/2007 e o artigo 29 do Decreto 70.235/72 contêm previsão de solicitação de diligência para atender exigência de instrução processual. “Portaria SRF 4.066/2007 Art. 3º (..) II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual.” “Decreto 70.235/72 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” CONCLUSÃO Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Diante de tudo que foi exposto, na forma do art. 29 do Decreto 70/235/72, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que se procedam às providências sobre a retificação do cadastramento do débito na questão da solidariedade; verificar as informações disponíveis relativas ao contratado, se houve ou não ação fiscal com exame de contabilidade contra este e se os créditos referentes a prestação de serviço ora tributada não foram objeto de lançamento contra a contratada; confrontar os contratos à luz dos parágrafos 7° e 8 °do RPS e conceder o direito estritamente na forma daqueles comandos; Reexaminar a decisão do Acórdão 0712.714 exarado pela da 5° Turma da DRJ/FNS/FLORIANÓPOLIS (SC) quanto a retificar as exclusões dos créditos já retificados. Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13657.000469/2009-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jul 12 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA.
São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados.
A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, sendo ônus do contribuinte, que pretende se aproveitar da redução da base de cálculo do imposto, tal comprovação.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS JUDICIAIS E DOUTRINA. EFEITOS.
As decisões judiciais e administrativas, além de citações doutrinárias, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS PELA AUTORIDADE JULGADORA. LEGALIDADE.
O Decreto 70.235/72 - Processo Administrativo Fiscal - PAF ao dispor sobre a apreciação da prova pela autoridade julgadora indica que a Autoridade Administrativa formará livremente sua convicção.
Numero da decisão: 2003-003.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, sendo ônus do contribuinte, que pretende se aproveitar da redução da base de cálculo do imposto, tal comprovação. DECISÕES ADMINISTRATIVAS JUDICIAIS E DOUTRINA. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas, além de citações doutrinárias, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS PELA AUTORIDADE JULGADORA. LEGALIDADE. O Decreto 70.235/72 - Processo Administrativo Fiscal - PAF ao dispor sobre a apreciação da prova pela autoridade julgadora indica que a Autoridade Administrativa formará livremente sua convicção.
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IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, sendo ônus do contribuinte, que pretende se aproveitar da redução da base de cálculo do imposto, tal comprovação. DECISÕES ADMINISTRATIVAS JUDICIAIS E DOUTRINA. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas, além de citações doutrinárias, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS PELA AUTORIDADE JULGADORA. LEGALIDADE. O Decreto 70.235/72 - Processo Administrativo Fiscal - PAF ao dispor sobre a apreciação da prova pela autoridade julgadora indica que a Autoridade Administrativa formará livremente sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 04 69 /2 00 9- 12 Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-003.300 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13657.000469/2009-12 (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 86/102), interposto contra o Acórdão 09- 37.229 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG - DRJ/JFA (e-fls. 76/82) que considerou, por maioria de votos, improcedente a Impugnação da contribuinte (e-fls. 2/8), apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 65/68) relativa a Dedução Indevida de Despesas Médicas, com data de lavratura 06/04/2009, Exercício 2007, Ano-Calendário 2006, que constatou Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 7.906,25, a sofrer incidência de Multa de Ofício e Juros de Mora. 2. Adoto o Relatório do Acórdão da DRJ/JFA, exposto em sua síntese, por esclarecer os fatos ocorridos: Relatório (...) Conforme manifestação da própria contribuinte, em resposta a intimação, a mesma diz não ter como comprovar o efetivo pagamento das despesas medicas abaixo: R$ 3.000,00 Maysa M Rosa R$ 7.000,00 Jose Oliveira Rosa R$ 1.000,00 José Oliveira Rosa R$ 2.000,00 Polyana A S Cantuaria R$ 4.600.00 Everton Reno Correa R$ 150,00 Deborah C F de Campos R$ 720,00 Ticiane C Campos R$ 2.280,00 Jose Dias da Silva Neto R$ 5.000.00 Keila de S Savini. Não houve apresentação de comprovantes das despesas médicas abaixo R$ 3.000,00 Edmundo Silva Júnior. ... impugnação ...: 1. todas as despesas medicas e odontológicas desconsideradas pelo fisco estão devidamente demonstradas pelos documentos em anexo; 2. os serviços foram prestados e pagos conforme os recibos; 3. somente quando o contribuinte não possuir recibo, poderá o contribuinte comprovar por cópia de cheque nominal, 4. não parece ser lícito exigir do contribuinte que no recibo haja descrição do beneficiário do recibo prestado; 5. só é licito exigir comprovante de pagamento quando a Receita Federal demonstrar a inidoneidade dos recibos, Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-003.300 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13657.000469/2009-12 6. no caso em comento, a inidoneidade dos recibos somente foi demonstrada para alguns. Para outros, está jungido aos autos não apenas o recibo, como também declaração com indicação dos beneficiários dos serviços prestados; 7. não descumpriu a legislação. Por fim, requer todos os meio de prova em direito admitidas, juntada de documentos, oitiva de testemunhas e prova pericial. (...). 3. Diante de tais argumentos impugnatórios, a DRJ proferiu o Acórdão que manteve integralmente o lançamento e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESAS MÉDICAS. Considera-se não impugnada a matéria para a qual a contribuinte concorda tacitamente, não tendo trazido à colação qualquer documento comprobatório. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculá-los ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. DESFECHO POR PRODUÇÃO DE PROVAS. Não deve ser acolhido o protesto no desfecho da impugnação, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas, nos termos da legislação tributária, que prescreve a preclusão consumativa para apresentação de provas com a interposição da petição contestatória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário 4. Inconformada após cientificada por via Postal da Decisão a quo, em 09/01/2012 (Aviso de Recebimento – AR de e-fl. 85), a ora Recorrente postou seu Recurso Voluntário em 30/01/2012 (envelope de e-fl. 104, c/c histórico do objeto de e-fl. 105), de onde se extraem seus argumentos, apresentados em sua essência a seguir: - traz apertada síntese dos fatos e repisa todos os seus argumentos impugnatórios; - aponta nesta sede recursal que (i) o Fisco não questionou a autenticidade e/ou a veracidade dos recibos apresentados; (ii) há necessidade do Fisco desqualificar também as receitas dos emitentes abarcadas pelos mesmos recibos; e (iii) que a presunção não e fato gerador de tributo, portanto não há que ser falar em suspeita de exagero na dedução; - apresenta Decisões Administrativas que entende a si favoráveis. 5. Seu pedido final é pelo provimento de seu Recurso para reforma da Decisão recorrida, julgando improcedente o lançamento fiscal. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-003.300 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13657.000469/2009-12 7. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. 8. De antemão, verifica-se que os argumentos preliminares fundem-se claramente aos meritórios, estes são amplificadores daqueles, e todos tendo sido apresentados de forma amplamente correlacionada. Desta forma, serão todos analisados em conjunto. 9. Inicie-se apontando que, em relação à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que “a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos Acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. E mais, Decisões Administrativas e Judiciais, ou mesmo a Doutrina pátria, não são normas complementares como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. 10. Quanto à dedução despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. 11. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). 12. Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. 13. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas. Ou seja, com isso o legislador deslocou para o contribuinte o ônus probatório, uma vez que ele pode ser instado a comprovar ou justificar suas deduções. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). 14. E impende indicar que a valoração das provas pelas Autoridades Julgadoras Administrativas é livre, com base no Decreto 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Senão, veja-se o Artigo 29 do citado Decreto: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (grifei) Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-003.300 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13657.000469/2009-12 15. Nos presentes autos, verifica-se que os recibos apresentados (e-fls. 13/36) não cumprem todas as exigências necessárias determinadas no art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995), e ainda apresentam falta de comprovação do efetivo dispêndio. 16. Como característica peculiar do presente caso, verifica-se que foi atestado nos autos a impossibilidade da comprovação da efetiva dos dispêndios realizados. Isso porque, como resposta ao Termo de Intimação Fiscal 2007/606115892601051, de 19/12/2008 (e- fl. 44/45), a própria contribuinte indica tal impossibilidade, o que foi atestado também no Relatório Final de Trabalho de Malha Fiscal – Pessoa Física (e-fl. 39) e na Complementação da Descrição dos Fatos da Notificação de Lançamento (e-fl. 66). 17. Se, por um lado, a legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de deduzir da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos de despesas médicas próprias e dos dependentes, incorridos durante o ano calendário, por outro, exige que o contribuinte, quando intimado pelo Fisco, apresente a comprovação nos termos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. 18. O ônus da prova é do contribuinte, que é quem se aproveita da redução da base de cálculo do imposto, devendo ele apresentar as provas para demonstrar que faz jus ao benefício. Incabível a pretensão da contribuinte em transferir esse ônus ao Fisco, ou seja, não há necessidade do Fisco desqualificar também as receitas dos emitentes abarcadas pelos mesmos recibos. 19. Dessa forma, sem sucesso as alegações recursais de que a simples apresentação de recibos bastaria para a comprovação das deduções pretendidas, ou que teria apresentado todos os documentos necessários à fiscalização que comprovariam a possibilidade de tais deduções. 20. Note-se que a DRJ não inova ao citar a possibilidade de solicitação de complementação de provas no caso de deduções exageradas, assim consideradas a juízo da autoridade lançadora, pois apenas esclareceu em seu voto o disposto no artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, que legalmente fundamenta tal possibilidade, legislação esta corretamente já citada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento (e-fl. 66). 21. Portanto, todos os argumentos apresentados pela interessada restam afastados, sendo descabidos o provimento de seu Recurso, a reforma da Decisão recorrida ou mesmo a indicação de improcedência do lançamento fiscal. Dispositivo 22. Isso posto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-003.300 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13657.000469/2009-12 Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10860.901740/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jun 22 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.723
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães e Gilson Macedo Rosenburg Filho não convertiam o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.720, de 26 de maio de 2021, prolatada no julgamento do processo 10860.902472/2012-74, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães e Gilson Macedo Rosenburg Filho não convertiam o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.720, de 26 de maio de 2021, prolatada no julgamento do processo 10860.902472/2012-74, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente) Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata o presente processo de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo crédito provém do saldo credor da CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS), relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência não- cumulativa, referente ao 3º trimestre/2009. A DRF, por meio do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 01 74 0/ 20 12 -3 1 Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.723 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10860.901740/2012-31 Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em resumo, que apresentou os arquivos digitais, como solicitado, e requer a homologação da compensação. A interessada ingressou na Justiça para obter os valores indeferidos administrativamente, com pedido de antecipação de tutela. Conforme pesquisa no sítio da Justiça Federal na internet, o pedido de antecipação de tutela foi indeferido. A Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP NÃO CONHECEU a Manifestação de Inconformidade. A empresa foi intimada do Acórdão, via Aviso de Recebimento e ingressou com Recurso Voluntário. Em síntese, foi alegado: A Empresa, então ativa, com o passar do tempo, devido ao sucesso alcançado no mercado brasileiro, expandiu as suas atividades comerciais, passando a exportar as mais variadas espécies de produtos à América do Norte. Em decorrência das exportações de produtos alimentícios para a América do Norte, houve geração em benefício da empresa do Autor, com substancioso crédito acumulado dos tributos "PIS/COFINS.", decorrentes destas exportações de mercadorias. Contudo, com a crise que assolou os Estados Unidos da América, repercutindo em nosso País, aumentou as dificuldades financeiras da Empresa do Autor, não lhe restando alternativa, senão paralisar as suas atividades industriais/comerciais e, com isso necessitando arcar com o ônus de empregados, impostos e financiamentos efetuados em instituições bancárias para suprir os encargos do encerramento da empresa, estando passando por dificuldades face ao seu trabalho assalariado. Deste modo, o processo administrativo em pauta trata de pedido de ressarcimento de crédito tributário (PERD/COMP) devidamente requerido, conforme o decorrer de todo processo até aqui. Destarte, restou que, mesmo após requerimento (pedido) de restituição, docs., a Receita Federal do Brasil não prestou a obrigação que lhe cabia, no prazo legal de devolver os créditos acumulados dos tributos “PIS/COFINS” os quais tem o Autor direito à restituição. Com efeito, a própria RFB, após proceder minuciosa fiscalização na contabilidade da Empresa do Autor, acabou reconhecendo expressamente que, no período de 2008 a 2013, devido ao crédito acumulado dos referidos tributos (PIS/COFINS), decorrentes de exportação de mercadorias, a mesma fazia jus à devolução (ressarcimento). Foi postulado perante o poder judiciário um novo pedido face à RECEITA FEDERAL DO BRASIL no sentido de CUMPRIR com o pagamento dos valores correspondentes ao aludido crédito acumulado, referente aos tributos PIS/COFINS Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.723 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10860.901740/2012-31 indevidamente retidos, até o presente momento, visto que deixou de adimplir a maior parte desses créditos, numa flagrante violação ao disposto no art. 24, da Lei Federal n° 11.457/2007. Assim, é absurda a alegação da Receita Federal do Brasil proferida no acordão em questão de que a ação existência de ação judicial, em nome da interessada, importa em renúncia às instâncias administrativas quanto à matéria objeto da ação, visto que a EXCLUSIVA intenção da contribuinte foi utilizar vias judiciais para movimentar o processo administrativo que há mais de 360 (trezentos e sessenta) dias estava em ABSOLUTA PARALIZAÇÃO. A ação judicial não trata do mérito da questão em pauta, basta uma análise aprofundada na petição, no pedido da ação, e no seu objeto. Nessa ação, esse tipo de obrigação se materializa no dever de exercer determinada conduta, ou seja, desenvolver determinado trabalho físico ou intelectual, prestar um tipo de serviço, etc. - DO REQUERIMENTO Por todo o exposto, por tudo mais que dos autos constam e ainda demonstrada a insubsistência e improcedência da decisão proferida, pelos doutos e valiosos subsídios que V. Ex a s, certamente trarão à espécie, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelando-se a decisão proferida, oferecer resposta ao feito, para, finalmente, provado o alegado, julgados procedentes os pedidos, ser compelida a proceder ao Ressarcimento dos valores apontados do crédito acumulado dos tributos "PIS/COFINS", decorrente da exportação de mercadorias. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, ressalvando o meu entendimento pessoal expresso na decisão paradigma, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir. 1 Com os cumprimentos dos quais o Ilustríssimo Relator é credor em razão do contumaz brilhantismo com que elabora os seus votos, não sendo o presente aresto uma exceção, este Colegiado dele respeitosamente diverge do seu entendimento no que diz respeito ao provimento parcial do recurso voluntário, determinando o retorno dos à DRJ para análise dos argumentos trazidos em manifestação de inconformidade. Podemos observar dos documentos juntados aos autos, além das razões expostas no voto vencido, a existência de ações judiciais promovidas pela contribuinte (processos nºs. 0003067-30.2014.4.03.6121 e 5000936-55.2018.4.03.6121). Aliás, a existência de mencionadas ações judiciais foi o motivo pelo qual levou a DRJ não conhecer da manifestação de inconformidade, por entender estar presente a concomitância entre os processos administrativo e judicial, pois, em tese, discutiriam o mesmo objeto. Entretanto, compulsando os autos verifica-se que frágil o conjunto probatório utilizado para a decretação da concomitância. 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado na resolução paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.723 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10860.901740/2012-31 Para se saber ao certo a identidade entre as ações, imprescindível a vinda ao presente processo peças das ações judiciais, para que se possa apurar e delimitar seus objetos e alcance. Desta forma, voto por converte o julgamento em diligência para o retorno do processo à unidade preparadora, que deve intimar o contribuinte para que junto ao processo as seguintes peças processuais referentes às ações judiciais anteriormente mencionadas: a) Inicial; b) Sentença; c) Recursos; d) Acórdãos; e e) Certidões de inteiro teor dos processo. Acostados aos autos os documentos acima, proceda o setor jurídico (EQIJU) da Unidade de Origem a análise dos mesmos e elabore parecer sobre o objeto das ações judicias. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10730.004419/2008-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. AUSÊNCIA DOS ENDEREÇOS DOS PRESTADORES DOS SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE.
A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais.
A falta da indicação do endereço no recibo trazido para comprovar despesas médicas, autoriza à autoridade fiscal a promover a glosa, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, deixando de ser admitida a despesa declarada por não atender à legislação de regência.
Numero da decisão: 2003-003.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Ricardo Chiavegatto de Lima, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. AUSÊNCIA DOS ENDEREÇOS DOS PRESTADORES DOS SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. A falta da indicação do endereço no recibo trazido para comprovar despesas médicas, autoriza à autoridade fiscal a promover a glosa, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, deixando de ser admitida a despesa declarada por não atender à legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Ricardo Chiavegatto de Lima, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 44 19 /2 00 8- 13 Fl. 40DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-003.213 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.004419/2008-13 Trata o presente processo de exigência de IRPF referente ao ano-calendário de 2004, exercício de 2005, no valor de R$ 5.894,07, já incluído multa de ofício e juros de mora, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 10.000,00, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução, conforme se depreende da notificação de lançamento constante dos autos, importando na apuração do imposto suplementar no valor de R$ 2.750,00 (fls. 6/10). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 13-35.921, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II - DRJ/RJ2 (fls. 22/24): O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2005, ano-calendário 2004, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 5.894,07. De acordo com demonstrativo, foi glosado o valor de R$10.000,00, declarado a título de despesas médicas. Consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, os documentos apresentados não preenchem os requisitos formais previstos no art. 80 do RIR/99, pois falta endereço do consultório/estabelecimento do profissional. Cientificada do lançamento em 04/04/2008 (fl. 16), ingressou contribuinte, em 30/04/2008, com a impugnação de fl. 01, na qual informa que contratou a Dra. Sara Paiva de Oliveira que prestou serviços em sua residência. Na época, a profissional prestava serviço no Hospital e Clinica São Gonçalo situado a Alameda Pio XII nº 138 - Centro - São Gonçalo. Diz que a profissional lhe forneceu nºs de telefone, mas não conseguiu contactá-la. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo-se incólume o crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Cientificada da decisão, em 13/10/2011 (fls. 25/26), a contribuinte, em 07/11/2011, interpôs recurso voluntário (fls. 32/36), alegando que houve omissão no julgamento por não restar observado o recibo constante dos autos, cujo rigorismo excessivo não coaduna com a legislação de regência, oportunidade em que no caso de declaração ilícita contida no recibo, caberia à autoridade lançadora apurar os fatos mediante diligência a pessoa física que emitiu o recibo a fim de certificar a verossimilhança dos documentos. Ao não assim proceder, tal fato prejudica a Recorrente que tempestivamente declara de boa-fé suas obrigações tributárias. Requer, ao final, o restabelecimento da despesa médica declarada, mediante o acatamento do recibo constante dos autos. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Fl. 41DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-003.213 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.004419/2008-13 Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa mantida sobre a despesa médica em litígio: Insurge-se, a Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/RJ2, que manteve a glosa das despesas médica paga à fisioterapeuta Sara Paiva de Oliveira, no valor de R$ 10.000,00, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do todo processado, ancorada nas razões suscitadas na peça recursal, no sentido do acatamento da aludida despesa declarada na DAA/2005. A fiscalização, por seu turno, não acatou o recibo apresentado diante do vício apurado – falta de indicação do endereço profissional da prestadora dos serviços contratados – qualificando-o como não hábeis para comprovar a despesa declarada. Pois bem. Em que pese as alegações recursais, do cotejo dos documentos constantes dos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 22/24) e atendo-se às informações contidas na notificação de lançamento (fls. 6/10), não há como prosperar a pretensão recursal. Pode-se constatar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre a despesa médica declarada, não tendo sido demonstrado pela Recorrente o cumprimento integral dos requisitos legais a motivar as respectivas deduções, consubstanciado nos arts. 73 e 80, § 1º, III, do RIR/99. Vale salientar, que o art. 73, por si só, autoriza expressamente ao Fisco, para formar sua convicção, solicitar documentos subsidiários aos recibos, para efeito de confirmá-los, especialmente nos casos em que as despesas sejam consideradas elevadas ou os documentos fornecidos não estejam corretamente preenchidos ou desprovidos de todos os requisitos legais exigidos. Não se pode olvidar que na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade suscitada pela fiscalização. Conclui-se, portanto, que a indicação do endereço profissional do prestador dos serviços, quando exigidos e não apresentados, além de vulnerar o inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, autoriza a glosa da dedução pleiteada e a consequente tributação dos valores correspondentes. A própria lei estabelece a quem cabe provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-lei nº 5.844/43, por seu turno, reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida justificação ou comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades nas deduções, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Assim, considerando que a Recorrente, nesta fase recursal, não trouxe elementos hábeis e contundentes a modificar o julgado – diga-se de passagem, mediante a retificação do Fl. 42DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-003.213 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.004419/2008-13 recibo já apresentado ou trazendo novo recibo emitido pela profissional contendo os requisitos exigidos pela legislação vigente à época dos fatos, dentre os quais a indicação expressa do seu endereço profissional (art. 80, § 1º, III, do RIR/99), não sendo suficiente a simples menção do endereço na peça recursal – me convenço do acerto da decisão recorrida, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto condutor (fls. 24), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF: Assim, conclui-se que as despesas médicas somente são dedutíveis se os comprovantes de pagamentos possuírem determinadas informações, quais sejam: nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Como se vê, existe uma determinação legal que condiciona a dedutibilidade das despesas médicas à comprovação mediante documentos que devem preencher determinados requisitos. O endereço do emitente é requisito legal, previsto expressamente pelo art. 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250/95, que condiciona a dedutibilidade das despesas médicas. A responsabilidade pela apresentação dos documentos de acordo com as formalidades legais é do contribuinte que pretende se beneficiar da dedução. Não se trata de simplesmente indicar na impugnação o endereço da profissional. Para ter sua pretensão atendida, caberia à contribuinte providenciar junto ao profissional envolvido a segunda via desse documento ou uma declaração da profissional a fim de sanar as irregularidades apontadas no lançamento. Destarte, restando desatendidos os requisitos para dedutibilidade, correta é manutenção parcial do lançamento, tudo em sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho subsistente o crédito tributário lançado, por falta de cumprimento de requisito mínimo contido no art. 80, § 1º, III, do RIR/99, que importou no imposto suplementar ajustado no valor de R$ 2.750,00, mais acréscimos legais. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para manter o lançamento e as alterações realizadas na base de cálculo do imposto de renda do ano-calendário de 2004, exercício de 2005. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital
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