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Numero do processo: 10830.720470/2011-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/01/2006 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. O lançamento por homologação, para atrair a regulação da decadência estatuída no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, exige a antecipação do pagamento ou, ao menos, existência de declaração dotado do efeito de confissão de dívida, de maneira que, se ausentes, a contagem do prazo decadencial passa à regra geral do art. 173, I do mesmo diploma, cujo termo inicial é o primeiro dia exercício seguinte àquele em que poderia ter se efetuado o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 04/01/2006 a 31/12/2007 CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Por expressa disposição do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, em caso de falta de retenção da CPMF, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, disposição esta que reflete o regramento do art. 128 do Código Tributário Nacional. CPMF. LANÇAMENTO. INCONSISTÊNCIAS. DEMONSTRAÇÃO. As alegações de inconsistências no lançamento, para que admitidas, devem vir acompanhadas de elementos de provas que demonstrem cabalmente a existência de indigitados defeitos e que influam na apuração do valor exigido, não servindo para tal objetivo simples conjecturas ou mesmo documentos que não apontam claramente o vício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/01/2006 a 31/12/2007
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. PREVISÃO
LEGAL. INEXISTÊNCIA.
Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Recurso de ofício negado e recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.623
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: 1) por unanimidade de votos, dar provimento para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e negar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Maria Inês Murgel, que votou por excluir também a multa de ofício; 2) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencido nesta parte o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões. A Conselheira Maria Inês Murgel participou do julgamento em substituição à Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, que se declarou impedida de votar. Sustentou pela recorrente, na sessão do mês abril de 2012, a Dra. Isabella Bariani Tralli. OAB/SP nº 198.772.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/01/2006 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. O lançamento por homologação, para atrair a regulação da decadência estatuída no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, exige a antecipação do pagamento ou, ao menos, existência de declaração dotado do efeito de confissão de dívida, de maneira que, se ausentes, a contagem do prazo decadencial passa à regra geral do art. 173, I do mesmo diploma, cujo termo inicial é o primeiro dia exercício seguinte àquele em que poderia ter se efetuado o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 04/01/2006 a 31/12/2007 CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Por expressa disposição do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, em caso de falta de retenção da CPMF, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, disposição esta que reflete o regramento do art. 128 do Código Tributário Nacional. CPMF. LANÇAMENTO. INCONSISTÊNCIAS. DEMONSTRAÇÃO. As alegações de inconsistências no lançamento, para que admitidas, devem vir acompanhadas de elementos de provas que demonstrem cabalmente a existência de indigitados defeitos e que influam na apuração do valor exigido, não servindo para tal objetivo simples conjecturas ou mesmo documentos que não apontam claramente o vício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 5123DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Período de apuração: 04/01/2006 a 31/12/2007 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Recurso de ofício negado e recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: 1) por unanimidade de votos, dar provimento para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e negar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Maria Inês Murgel, que votou por excluir também a multa de ofício; 2) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencido nesta parte o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões. A Conselheira Maria Inês Murgel participou do julgamento em substituição à Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, que se declarou impedida de votar. Sustentou pela recorrente, na sessão do mês abril de 2012, a Dra. Isabella Bariani Tralli. OAB/SP nº 198.772. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz e Maria Inês Murgel. Relatório Tratase, na espécie, de auto de infração de CPMF para exigência de valores não recolhidos nos anoscalendário 2006 e 2007. Narra a autoridade fiscal, em riqueza de detalhes, que a ação teve por mote a verificação do cumprimento das obrigações tributárias referentes à CPMF e IRPJ, descrevendo minuciosamente a ação fiscal, as operações realizadas pelo contribuinte, a situação fiscal e as infrações verificadas, valendo destacar os seguintes pontos: que o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação necessária à realização dos trabalhos; que, em reposta, informou que aderira a parcelamento especial e requereu a suspensão do procedimento; que, reintimado, solicitou novo prazo para sua apresentação e, após, informou que os livros e documentos exigidos foram alvo de roubo; que se negou a apresentar os extratos bancários invocando o direito à inviolabilidade de dados; que, após reiteradas intimações, apresentou os extratos bancários de diversas contas; que, a partir dos arquivos digitais, novos livros foram Fl. 5124DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.720470/201135 Acórdão n.º 340301.623 S3C4T3 Fl. 2 3 confeccionados; que do confronto entre a escrituração e os extratos bancários verificouse a incompatibilidade entre os valores registrados; que os Bancos Bradesco e Itaú foram intimados a justificar a falta de retenção e recolhimento de CPMF devidos pelo fiscalizado e, em resposta, indicaram a existência de provimento judicial no MS 1999.61.00.0304381; que aludidas instituições encaminharam demonstrativos de apuração da CPMF não retida; que o trânsito em julgado do mandamus, desfavorável ao contribuinte, se deu em 29/10/2001; que foram confeccionados demonstrativos de apuração do crédito tributário, conforme anexos; que a ação do contribuinte de prestar informações falsas à autoridade fiscal caracterizaria sonegação fiscal e, como tal, implicaria na incidência da multa qualificada. Em impugnação o contribuinte argumentou a inexistência de falsa declaração a configurar o dolo, pelo que, indevida seria a aplicação da multa qualificada; que houve decadência do direito à constituição do crédito para os meses de janeiro a março/2006, tendo em conta a data da ciência e as disposições do art. 150, § 4º do CTN; que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois a sujeição passiva deveria recair sobre a instituição financeira, que deixou de reter o tributo quando já não havia medida judicial que o determinasse; que toda a sistemática de recolhimento da CPMF é voltada a este tipo de estabelecimento, não havendo possibilidade de seu recolhimento pelo próprio contribuinte; que a exigência fiscal não é líquida e certa, apontando exemplificativamente, supostas inconsistências dos demonstrativos de apuração colacionados pela fiscalização; que houve tributação de operações sujeitas a alíquota zero; e, que não seria possível a incidência da taxa selic sobre a multa de ofício. A DRJ Campinas/SP julgou o lançamento procedente em parte, descaracterizando a qualificação da multa, mediante acórdão assim redigido: “CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Constatada a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZADO. A qualificação da multa de ofício exige a demonstração de que o procedimento adotado pelo sujeito passivo tinha a natureza fraudulenta, sem o que a apuração de falta de recolhimento não caracteriza a fraude, não justificando a aplicação da multa de ofício com alíquota majorada. Impugnação procedente em parte.” Da parcela exonerada pela decisão de primeiro grau administrativo houve encaminhamento para reexame necessário. Fl. 5125DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Em recurso voluntário o contribuinte sustentou a imprestabilidade da autuação por ausência de liquidez e certeza da exigência fiscal; decadência do lançamento com fulcro no art. 150, § 4º do CTN; erro na identificação do sujeito passivo; e, impossibilidade da incidência da selic sobre multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Nesta assentada será submetido à apreciação o reexame necessário da parcela exonerada pela decisão recorrida, referente à desqualificação da multa de ofício aplicada, bem assim, o recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 1. Do recurso de ofício O recurso de ofício alcança o limite mínimo fixado pela Portaria MF nº 03/2008, motivo pelo qual deve ser conhecido. Nesta toada, revendo os argumentos expendidos pela decisão recorrida no desiderato de exonerar parcela da multa de ofício aplicada, reduzindoa ao patamar ordinário (setenta e cinco por cento), concluí que não merece qualquer reparo, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Destarte, a alegação de falsa declaração atribuída à resposta encaminhada pelo contribuinte atinente à existência de decisão judicial a respeito da CPMF não é procedente, porquanto, de fato, à época dos fatos geradores ora exigidos não existia qualquer demanda judicial que amparasse a falta de recolhimento verificada, de maneira que, ao revés de falsa, era verdadeira a afirmação feita. Tocante à falta de recolhimento do tributo exigido no período, não houve a adoção, por parte do contribuinte, de qualquer artifício visando a sua evasão, consistindo a situação em mera situação de inadimplemento. A falta de pagamento da exação se coaduna com a própria argumentação deduzida nas peças impugnatórias, consoante as quais, no entender do contribuinte, os responsáveis pelo recolhimento do tributo seriam as instituições financeiras que deixaram de efetuar a retenção devida quando não mais existente qualquer determinação judicial neste sentido. Portanto, a desqualificação da multa de ofício é medida acertada, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. 2. Do recurso voluntário Fl. 5126DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.720470/201135 Acórdão n.º 340301.623 S3C4T3 Fl. 3 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Preambularmente, examino a sustentada ilegitimidade do sujeito passivo. Rezam os arts. 121 e 128 do Código Tributário Nacional: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...) Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Já o art. 5º da Lei nº 9.311/96 trata do instituto da responsabilidade tributária no âmbito da CPMF da seguinte forma: “Art. 5° É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2° ; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2° ; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2° . § 1° A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2° , valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7° sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2° Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento.” Pela leitura conjunta dos dispositivos em epígrafe concluise que as instituições financeiras são responsáveis pela retenção e repasse à Fazenda Nacional da exação Fl. 5127DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 devida pelo contribuinte que, por seu turno, permanece responsável, em caráter supletivo, pelo pagamento do tributo porventura não realizado. O art. 5º da Lei nº 9.311/96 está em perfeita sintonia com o art. 128 do Código Tributário Nacional. Na lição de Luiz Emygdio Franco da Rosa Júnior1, ao referenciar aludido dispositivo (art. 128 do CTN): “(...), a lei, ao designar terceiro como responsável tributário, pode excluir a responsabilidade tributária do contribuinte, através da figura da substituição tributária, ou atribuíla ao mesmo contribuinte em caráter supletivo do cumprimento da obrigação tributária, caso de responsabilidade tributária propriamente dita.” Mais adiante referido autor faz alusão aos ensinamentos de Ricardo Lobo Torres2: “a) o substituto, que é aquele que fica no lugar do contribuinte, afastando a responsabilidade deste; b) os responsáveis solidários ou subsidiários (sucessores e terceiros), que ficam junto ao contribuinte, o qual conserva a responsabilidade em caráter supletivo” (destaques no original) No caso vertente, o lançamento recaiu sobre o contribuinte em função de o mesmo ser beneficiário de medida judicial que afastava a incidência do tributo em comento sobre suas movimentações financeiras, o que impediu as casas bancárias de realizarem as retenções devidas. O fato de ter havido o trânsito em julgado da ação em 29/10/2001 e, desde então, inocorrer a retenção cabível da contribuição, mormente para os anoscalendário 2006 e 2007, objeto do lançamento, não tem o condão de transferir a sujeição passiva para as instituições financeiras, como pretende o recorrente. Destarte, a uma, porque a responsabilidade pelo pagamento permanece em relação ao contribuinte, como deixa claro o art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96, não sendo caso de substituição tributária, onde o substituído passa a não ter relação jurídica qualquer com o ente tributante; a duas, porque não há prova nos autos que os bancos tenham tomado ciência da cassação das decisões proferidas no Mandado de Segurança 1999.61.00.0304381, pelo que não há como lhes imputar esta responsabilidade; a três, porque o preceptivo alhures referido não exige qualquer condição para seu implemento, isto é, não há qualquer determinação na lei que impute um suposto “benefício de ordem” entre contribuinte e responsável a impor que aquele só deva ser cobrado se, antes, o for este último – dito de outra forma – a lei estabelece como única exigência para imposição da responsabilidade supletiva a falta de recolhimento. Neste ponto, oportuno o escólio de Sacha Calmon Navarro Coelho3 acerca da natureza do “responsável” pelo dever de reter tributo alheio: 1 Manual de direito financeiro & direito tributário. 16ª edição atualizada com as alterações no CTN e as Emendas Constitucionais 32 e 33 de 2001, e ampliada. Rio de Janeiro: Renovar, 2002. pág. 497. 2 Op. cit. pág. 509. 3 Curso de direito tributário brasileiro: (comentários à Constituição e ao Código tributário nacional, artigo por artigo). Rio de Janeiro: Forense, 2001. págs. 613/614. Fl. 5128DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.720470/201135 Acórdão n.º 340301.623 S3C4T3 Fl. 4 7 “Quanto aos ‘retentores de tributos’ (desconto na fonte), estes são pessoas obrigadas pelo Estado a um ato material de fazer (fazer a retenção de imposto devido por terceiros). Devem, assim, reter e recolher ao Estado o tributo devido. Não são sujeitos passivos de obrigação tributária, mas antes sujeitados a uma potestade administrativa. (...) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA O responsável pelo pagamento da dívida tributária é sempre partícipe de uma relação jurídica de débito, primária ou secundária. • Porque praticou o fato gerador (sujeito passivo por fato gerador próprio). • Porque, embora não tenha praticado o fato gerador, o dever de pagar migra ex lege do praticante do fato gerador para ele (sujeito passivo por transferência do dever de pagar) – o sucessor inter vivos ou causa mortis, v.g. • Porque, embora não tenha praticado o fato gerador, deve pagar o tributo por força de lei (sujeito passivo por substituição daquele que deveria ser o contribuinte). RETENÇÃO DA FONTE O que retém tributo devido por terceiro não é partícipe de uma relação jurídicotributária. Quando entra, tornase responsável (caso da lei que atribui ao retentor o dever de pagar, se não retiver). Ele simplesmente age como agente de arrecadação, por ter à sua disposição o dinheiro de terceiros obrigados, em razão de relações extratributárias. No mesmo sentido Marco Aurélio Grecco: ‘... o substituto é agente de percepção do Estado. Não é agente de retenção, porque não tem acesso a um patrimônio ... do qual deve reter uma parte. (...) Há uma relação de direito público bem definida entre estado e substituto.’ Algumas conseqüências podem ser extratadas. • Só ao retentor pode ser imputado o delito de apropriação indébita. Os responsáveis só podem ser inadimplentes, nada mais. • O dever de retentor é de fazer (facere) – fazer a retenção e fazer a entrega do tributo retido. O dos responsáveis é de dar (dare). Fl. 5129DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 • O retentor jamais tem legitimidade para pedir a repetição, porque nada pagou, só reteve e entregou. Tampouco tem legitimidade para impugnar a exigência, por falta de interesse econômico ou moral. O responsável, seja qual for a modalidade, pode impugnar a exigência.(...)” Ou seja, o responsável pela retenção do tributo, por determinação legal, é verdadeiro longa manus do Estado, mero facilitador ou intermediário da atividade de arrecadação, de modo que o descumprimento da sua atribuição não enseja a responsabilidade pelo pagamento do tributo que deveria ser retido, mas sim abre espaço à sanção pela inobservância de um dever legal. A meu sentir, a referência à responsabilidade supletiva, constante do art. 5º, § 3º da Lei nº 9.311/96 tem por mote acentuar, na esteira da redação do art. 128 do CTN, que a falta de retenção não ilide a obrigação do contribuinte pelo imposto devido, afastandoo da figura do substituído tributário, também albergado neste último dispositivo, que, como o próprio nome indica, deixa de figurar na relação jurídica tributária e cede lugar ao substituto tributário, que passa a responder por débito próprio. Em síntese, na falta de retenção do tributo, como no caso destes autos, a obrigação pelo crédito tributário permanece na titularidade do contribuinte. De outra banda, não se nega que o contribuinte tenha se beneficiado do erro cometido por outrem, pois, verificando que não havia razão legal ou judicial para a falta de retenção, quedouse silente, no intuito de se subtrair ao cumprimento da obrigação tributária, mediante o transcurso do lapso decadencial, não servindo como escudo a sustentação no sentido que não havia como efetuar o recolhimento por falta de orientação normativa. Não estou aqui afirmando que cabia ao contribuinte, ora recorrente, a obrigação por tal medida, qual seja, a comunicação do trânsito em julgado da decisão judicial que lhe foi desfavorável, no entanto, ressalto que a boafé objetiva que deve imperar nas relações jurídicas de natureza tributária não foi observada no episódio. Também não procede a alegação que a União tenha ficado inerte ante à situação, pois tão logo tomou conhecimento da falta de recolhimento providenciou a constituição do crédito tributário pertinente, procedimento este com pleno amparo nas disposições legais de regência. Por estas razões, não vislumbro qualquer erro na identificação do sujeito passivo que possa contaminar de nulidade o lançamento fustigado. Respeitante à preliminar de mérito arguida, a decadência do direito da Fazenda Nacional à constituição do crédito tributário em testilha, examinoa na sequência. O acórdão vergastado não vislumbrou indigitada decadência por entender que, no caso vertente, não se aplicariam as disposições do art. 150, § 4º do CTN, por ausência de antecipação do pagamento, mas sim, o art. 173, I do mesmo diploma, motivo pelo qual, tendo a ciência da autuação se verificado em 29/03/2011, não teria havido extrapolação do prazo decadencial. O recorrente, por seu turno, defende a aplicação do art. 150, § 4º porque, nada obstante a inexistência de recolhimento, o que é inconteste, teria havido “declaração Fl. 5130DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.720470/201135 Acórdão n.º 340301.623 S3C4T3 Fl. 5 9 prévia do débito da CPMF pelas instituições financeiras”, declaração esta que deflagraria o mesmo efeito do pagamento, para fins de aplicação da regra em comento. O raciocínio estampado pelo contribuinte, ora recorrente, não é de todo infundado, porquanto este colegiado administrativo tem entendido que a declaração firmada pelo sujeito passivo possui o condão de dispensar a constituição do crédito tributário, afastar a imposição da multa de ofício e firmar a contagem da decadência pelo referido art. 150, § 4º; todavia, não é qualquer declaração que irrompe tais consequências, mas exclusivamente aquelas que possuem a eficácia de confissão de dívida. Nos termos do art. 5º, § 1º do DecretoLei nº 2.124/84, “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Como se extrai do texto coligido, não é toda a declaração entregue à RFB que atende a estes requisitos, existindo aquelas que possuem mero caráter informativo e, como tal, não comunicam a existência de crédito tributário algum e muito menos consubstancia termo de confissão de dívida. Para a situação retratada nestes autos é de se concluir que a pretensa declaração entregue pelas instituições bancárias não poderia, em hipótese alguma, ostentar a natureza pretendida pelo recorrente, primeiro, porque os bancos não prestaram declaração à RFB, mas sim, em atendimento à fiscalização, já durante o procedimento fiscal, informaram apenas os dados requeridos para viabilização do lançamento; segundo, porque se cuidam de meros demonstrativos de apuração elaborados pelas instituições financeiras; e, terceiro, porque não seria possível haver declaração da existência de crédito tributário, justamente em função do provimento judicial que impedia seu nascimento. Outrossim, o termo de constatação lavrado pela autoridade fiscal relata que a contabilidade do contribuinte não indicava qualquer valor, relativo à contribuição em tela, como obrigação a pagar. Logo, inexistindo declaração e tampouco recolhimento, tenho que o termo inicial do lapso decadencial não é a data da ocorrência do fato gerador, como prevê o art. 150, § 4º do CTN, haja vista que, para sua aplicação, há necessidade da “antecipação” do pagamento, não bastando o simples procedimento de apuração desacompanhado da liquidação dos valores devidos, como entendem alguns. A homologação do lançamento realizada pela autoridade administrativa é instituto que alberga tanto a apuração realizada pelo contribuinte, nos moldes determinados em lei, como também, o recolhimento dos valores levantados, o que, se inocorrente afastase aquela figura e, em seu lugar, surge o lançamento de ofício, cuidandose, portanto, de realidades distintas e mutuamente excludentes. Por estes fundamentos, afastada a incidência do art. 150, impõese a regra geral de contagem decadencial, o art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional, pelo que, não há qualquer fato jurídico tributário constante da autuação que tenha sido colhido pela decadência. Vencidas as questões antecedentes, adentro o mérito da discussão. Fl. 5131DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Tocante às inconsistências aventadas pelo recorrente, constatei que são verberações da impugnação e, neste sentido, já foram examinadas pela decisão atacada, além de não ter vislumbrado qualquer fato novo que levasse à modificação das conclusões lá espelhadas. Com efeito, diversamente do que afirma o recorrente, verifiquei que todos os débitos de CPMF por ele arrolados como inexistentes nos extratos das contascorrentes nºs 61.6605 e 64.4200, ambas do Banco Bradesco, constam, sim, do anexo IV do Termo de Verificação Fiscal, na planilha denominada “Relação de valores de CPMF não recolhidos, na condição sub judice”, apresentada pela própria instituição financeira. Quanto à inclusão no lançamento de valores sujeitos à alíquota zero, referentes às transferências entre contas de mesma titularidade, observei que todos os valores foram expressamente excluídos da apuração, como atesta o anexo II do Termo de Verificação Fiscal. Acentuo, ainda, que tais operações já foram desconsideradas pelas próprias instituições financeiras quando da elaboração das planilhas entregues à fiscalização, ao passo que os valores indicados, a titulo de movimentação financeira e CPMF, somente contempla as operações que deveriam sofrer a incidência da exação. Em meu entendimento, o recorrente se limitou a asseverar que certas quantias não deveriam compor a base de cálculo da contribuição, contudo, não demonstrou claramente que efetivamente a compuseram, como afirma. Quanto à alegação de tributação de valores destinados a depósitos para investimento, em conta específica para tal desiderato, tanto o recurso como o acórdão combatido, são unânimes em reconhecer que a base legal para tal redução de alíquota é o art. 8º, VII da Lei nº 9.311/96, que exibe a seguinte redação: “Art. 8° A alíquota fica reduzida a zero: (...) VII nos lançamentos a débito em conta corrente de depósito para investimento, aberta e utilizada exclusivamente para realização de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, de qualquer natureza, inclusive em contas de depósito de poupança. (Incluído pela Lei nº 10.892, de 2004)” (destaquei) Pois bem, o recorrente aduz que valores destinados à aplicação, debitados em sua contacorrente nº 61.6605, no Banco Bradesco, foram objeto de tributação pela alíquota integral, o que se mostraria indevido, uma vez que transferidos para uma conta de investimento aberta exclusivamente para tal fim. Todavia, além de não demonstrar que tais valores efetivamente formaram a base de cálculo da contribuição indicada pelas instituições financeiras, também não logrou provar que havia uma conta investimento de sua titularidade, sendo muito pouco, como prova do alegado, a assertiva que o singelo histórico “transf. Automática CCDI” seria suficiente para demonstrála, mormente quando desacompanhada de qualquer esclarecimento do banco responsável pela movimentação. Em vista disso, dessumo que não há no lançamento qualquer inconsistência que o torne ilíquido ou incerto, como prega o recorrente. Quanto à inaplicabilidade da multa de ofício, sustenta que, a teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96 e da sistemática de retenção e recolhimento previsto na Lei nº 9.311/96, que Fl. 5132DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.720470/201135 Acórdão n.º 340301.623 S3C4T3 Fl. 6 11 atribui toda a responsabilidade aos bancos, se alguém deve sofrer o ônus pela falta de recolhimento devem ser estes e não o recorrente, porque não teria concorrido para a falta de retenção e recolhimento do tributo ora exigido. Em que pese a inteligência desenvolvida pela defesa, o concurso para a falta de retenção e recolhimento da CPMF é decorrência natural da demanda judicial patrocinada, ainda que se configure em exercício de direito constitucionalmente garantido à jurisdição, tendo em conta que, sem o provimento judicial conquistado, infalivelmente as instituições financeiras realizariam os débitos devidos. A demora ou mesmo o desconhecimento da cassação das decisões que abrigavam o recorrente, como já afirmado alhures, não tem como efeito a alteração da sujeição passiva, como pretendido. Contribuinte da exação, nos termos da Lei nº 9.311/96, são as pessoas elencadas no seu art. 4º, que realizam as operações definidas no art. 2º como hipótese de incidência, constituindo a instituição financeira como simples responsável pela retenção e recolhimento, não sendo outra a razão que a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento não é excluída, permanecendo de forma supletiva. O art. 63 da Lei nº 9.430/96, citado, interrompe a incidência da multa de mora, e logicamente da multa de ofício, durante os 30 (trinta) dias seguintes à publicação da decisão que considerou devido o tributo. Ora, ao tomar conhecimento da decisão que lhe foi desfavorável, cabia ao recorrente, como todo contribuinte diligente, procurar uma unidade da RFB e inteirarse sobre o procedimento para quitação ou parcelamento do débito existente, a fim de elidir a cobrança de tal penalidade. É certo que o contribuinte pode simplesmente aguardar a cobrança do débito, pois compete ao ente tributante a exigência do crédito tributário enquanto não extinto seu direito, contudo, ao assim agir o devedor arcará com todas as conseqüências advindas da inadimplência, inclusive o acréscimo dos consectários legais. Por derradeiro, no que toca à não incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, valhome, nesta parte, do entendimento externado pelo Cons. Antônio Zomer, no acórdão nº 20216.397, de 14 de junho de 2005, cujo excerto reproduzo e adoto como fundamento da presente decisão: “A questão da cobrança de juros sobre a multa proporcional, lançada conjuntamente com o tributo ou contribuição foi objeto de estudo por parte da Secretaria da Receita Federal, que exarou o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, em que se concluiu o seguinte: “3. (...) Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, desde que estejam associadas a: Fl. 5133DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95”. A conclusão acima foi extraída da interpretação dada ao art. 61 e § 3º da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória nº 1.62131, de 13/01/98, que deu origem à Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Esses dispositivos têm a seguinte redação: Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. .........................................” (g.n.) Lei nº 10.522/2002 (MP nº 162131/98): “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (g.n.) Fl. 5134DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.720470/201135 Acórdão n.º 340301.623 S3C4T3 Fl. 7 13 Não me parece que a palavra “débitos” utilizada pelo caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96 está a contemplar o principal e a multa de ofício. Com efeito, se assim fosse, esse dispositivo estaria a amparar a cobrança da multa de mora sobre a multa de ofício, pois que, taxativamente, prega que “Os débitos para com a União, [...] serão acrescidos de multa de mora. Assim, não vejo como o § 3º do referido artigo possa embasar a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, porque não é dado à autoridade administrativa aplicar um dispositivo legal apenas em parte. A se entender que o termo “débitos” encampa o principal e a multa de ofício, não se pode fazer incidir a multa de mora, disposta no caput, sobre o principal e os juros de mora, tratados no § 3º sobre o principal e a multa de ofício. Como ensina o mestre Gilberto Ulhôa Canto, em trecho já transcrito neste voto, um erro grave que se comete com lastimável freqüência no trato das questões tributárias é buscar na Lei uma amplitude de aplicação que do seu teor não se infere. Esta é a situação do Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, que buscou dar ao caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96 uma abrangência que ele não tem. Por outro lado, o art. 29 da MP nº 162131/98, embora utilize a expressão “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições”, que abarca o principal e a multa de ofício, restringe a sua aplicação ao acrescentar: “constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994”. De fato, esta restrição à aplicabilidade desse dispositivo é extraída do próprio Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, conforme consta do seu item 3, b, quanto assevera: “Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, [...] desde que estejam associadas a [...] fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94.” Como se vê, o caput do art. 29 da MP nº 1.62131/98 não prescreveu a incidência dos juros de mora, pela Taxa Selic, sobre as multas de ofício decorrentes de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997. Esta abrangência tampouco pode ser encontrada no parágrafo 1º do referido dispositivo legal, que apenas regula a constituição dos créditos tributários tratados no caput a partir de 01/01/1997, ou seja, trata do lançamento tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/12/1994. Reforça este entendimento a expressão “constituídos ou não” inserida no caput do art. 29, quando determina a conversão de UFIR para Real. De igual forma, os demais parágrafos do art. 29 não trataram dos fatos geradores posteriores a 01/01/1997, até porque, como esclarece o Manual de Redação da Presidência da República (2ª edição, revista e atualizada. Brasília, 2002): “Os parágrafos constituem, na técnica legislativa, a imediata divisão de um artigo, ou, como anotado por Arthur Marinho, “(...) parágrafo sempre foi, Fl. 5135DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 numa lei, disposição secundária de um artigo em que se explica ou modifica a disposição principal”.4 Assim, o art. 30 da Lei nº 10.522/2002 (originada da MP nº 1.621), ao determinar a incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic sobre os débitos de qualquer natureza tratados no art. 29 da mesma lei, não pode alcançar as multas de ofício proporcionais a tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01/01/1997. O entendimento de que os artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002 prescrevem a cobrança de juros de mora, calculados com base na Taxa Selic, sobre as multas de ofício decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram até 31/12/1994 pode ser conferido no Acórdão nº 10194.931, de 14/04/2005, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, sintetizado na seguinte ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – Compete aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância. CSLL – ANISTIA – EFEITOS DE PAGAMENTO A MENOR – O pagamento insuficiente, na hipótese de opção pelo pagamento integral, implicará na exigibilidade da parcela não paga com os acréscimos legais incidentes na sua totalidade. CSLL ANISTIA. MULTA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA NORMAS TRIBUTÁRIAS. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e regese pela legislação então vigente sujeitandose à incidência de juros de mora o recolhimento, fora do prazo legal, de multa por lançamento de ofício referente a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994. Nos termos do artigo 106, inciso II, “c”, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, sendo devidos os juros de mora previstos pela legislação de regência em razão de sua natureza remuneratória.” (grifei) Cabe aqui investigar, então, qual o fundamento legal do Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, para concluir, no seu item 3, a, que: “[...] desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, [...] desde que estejam associadas a [...] fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97.” Da leitura dos dispositivos legais que disciplinaram a cobrança dos juros de mora de forma diferente do estatuído no art. 161 do CTN, depreendese claramente que os legisladores definiram, como base de incidência desse encargo, primeiramente, os “tributos e contribuições”, conforme se pode conferir nas Leis nºs 8.383/1991, art. 59 e 8.981/1995, art. 84. Posteriormente, a Lei nº 9.430, de 1996, utilizou a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” e a MP nº 1.62131, de 13/01/1998, ampliou a expressão para “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União”. 4 MARINHO, Arthur de Sousa. Sentença de 29 de setembro de 1944, in Revista de direito administrativo, vol. I, p. 227 (229). Cf. também PINHEIRO, Hesio Fernandes. Técnica legislativa, 1962. p. 100. Fl. 5136DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.720470/201135 Acórdão n.º 340301.623 S3C4T3 Fl. 8 15 Da análise mais acurada do citado parecer, constatase que ele decorre do pedido de homologação do Parecer nº 01, de 16/02/98, elaborado pela DISIT/SRRF/10ª RF que, a par da expressão utilizada pela Lei nº 9.430/96, assim se manifestou em seu item 4: “4. Vale acrescentar, ainda, que a Lei n° 9.430, de 27/12/96, ao tratar de multas e juros, prescreve em seu art. 61: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 4.1 Entendendose “débitos decorrentes de tributos e contribuições” como “débitos vinculados a tributos e contribuições”, as multas de ofício estariam sendo consideradas, e não somente os “débitos correspondentes a tributos e contribuições”. Tal entendimento é reforçado pelo art. 43 da mesma Lei, que permite a formalização da exigência de crédito tributário referente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente, e autoriza, em seu parágrafo único, a incidência de juros de mora – calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, SELIC, para títulos federais – sobre o crédito, assim constituído, e não pago no respectivo vencimento, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Vejase que o parecerista da DISIT/SRRF/10ª RF não afirmou, taxativamente, que os juros de mora incidem sobre as multas de ofício lançadas sobre fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, apenas levantada a hipótese de que elas “estariam sendo consideradas” no termo “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, se se entendesse esta expressão como “débitos vinculados a tributos e contribuições”. Tanto é assim, que a ementa desse parecer prescreve a incidência dos juros somente sobre as multas decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, estando redigida nos seguintes termos: “A partir de 01/01/1997, incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, sobre tributos, contribuições e multas de ofício, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/94, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31/08/95 (art. 29 da atual Medida Provisória n° 1.62131, de 13/01/98).” Fl. 5137DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 O Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, ao homologar o Parecer da DISIT/SRRF/10ª RF, afirma, em seu item 2: “2. O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n° 1.62131, de 13.01.98, no art. 84 da Lei n° 8.981/95 e no art. 13 da Lei n° 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 31.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.08.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3°, da Lei n° 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições – inclusive, pois, os relativos às multas de ofício não pagos nos respectivos vencimentos.” Com a devida vênia, não encontro no Parecer nº 01, de 16/02/98, exarado pela DISIT/SRRF/10ª RF, a conclusão homologada pelo Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de que os juros de mora, calculados com base na Taxa SELIC, incidem sobre as multas de ofício associadas a fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997. Não há dúvida, porém, que aquele Parecer reconhece que esses juros são aplicáveis nos casos de constituição de crédito tributário relativo à multa de ofício ou de mora, ou a juros de mora, de forma isolada ou conjuntamente, nos termos da expressa previsão legal disposta no art. 43 da Lei nº 9.430/96 da seguinte forma: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Entretanto, esta previsão não pode justificar a interpretação ampliada dos demais dispositivos, com o fim de incluir na previsão legal aquilo que a lei não regulou. Assim, após acurada análise dos dispositivos legais que trataram da incidência de juros de mora sobre os débitos para com a União de maneira diferente do disposto no art. 161 do CTN, concluo pela improcedência da cobrança deste encargo, com base na Taxa Selic, sobre as multas de ofício lançadas sobre tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01/01/1997. Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de ofício não pagas no vencimento, dos juros previstos no art. 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o Fl. 5138DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.720470/201135 Acórdão n.º 340301.623 S3C4T3 Fl. 9 17 termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de ofício, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de ofício está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. (...)” (destaques no original) Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Robson José Bayerl Fl. 5139DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/05/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13770.000004/2004-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 - SP, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, com o advento da Lei Complementar no 118, de 2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito do ponto de vista prático, deve ser contado da seguinte forma: 5 anos da data do pagamento para pedidos formulados a partir de 09/06/2005; e, nos demais casos, 10 anos do seu fato gerador.
Numero da decisão: 2202-002.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência do direito de pleitear a restituição e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para análise das demais questões.
Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta e Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, com o advento da Lei Complementar no 118, de 2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito do ponto de vista prático, deve ser contado da seguinte forma: 5 anos da data do pagamento para pedidos formulados a partir de 09/06/2005; e, nos demais casos, 10 anos do seu fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência do direito de pleitear a restituição e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para análise das demais questões. Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta e Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 00 04 /2 00 4- 51 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13770.000004/200451 Acórdão n.º 2202002.286 S2C2T2 Fl. 83 2 Relatório O presente processo originouse do Pedido de Restituição de fl. 1, protocolizado em 02/01/2004, por meio do qual o contribuinte pleiteou uma restituição no valor total de R$1.051,91, referente à diferença a maior do saldo de imposto a restituir apurado na declaração retificadora transmitida em 2002, objetivando a restituição do imposto de renda incidente sobre verbas recebidos a título de Programa de Demissão Voluntária – PDV. DA ANÁLISE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO O Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Brasília/DF, à vista dos documentos apresentados pelo contribuinte, proferiu o Despacho Decisório de fls. 26 a 29, indeferindo o pedido de restituição, fazendoo com base na afirmação de que à época do pedido já havia transcorrido o prazo decadencial previsto para a repetição do indébito. Com fulcro nos arts. 150, 156, 165 e 168 do Código Tributário Nacional – CTN, a autoridade tributária concluiu que o direito a restituição do imposto retido no anocalendário 1996 extinguise em 31/12/2001 e, portanto, o pedido formulado pelo contribuinte por meio de declaração retificadora transmitida em 31/12/2002 foi indeferido. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignado, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 31 e 32, instruída com os documentos de fls. 33 a 43, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fl. 46): Regularmente cientificado do indeferimento do seu pedido, o interessado apresenta manifestação de inconformidade às fls. 31/32. Reportase à decisão denegatória e assevera carecer de fundamentação o marco inicial (31/12/1996) utilizado pela autoridade tributária para a contagem do prazo cinco para pleitear a restituição. Menciona que a Receita Federal do Brasil reconheceu a não incidência de imposto de renda na fonte sobre verbas indenizatórias decorrentes de PDV por meio da Instrução Normativa SRF n° 165, de 1998. Assim, entende que o marco inicial para contagem do prazo de cinco anos para pleitear restituição de imposto retido em 1996 teve início somente em 31/12/1998, ou seja, no ano em que foi publicada referida Instrução Normativa. Requer seja julgado procedente o seu pedido de restituição. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF), manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0331.139 (fls. 45 a 48), de 27/05/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13770.000004/200451 Acórdão n.º 2202002.286 S2C2T2 Fl. 84 3 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de imposto retido na fonte finda com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 16/02/2011 (vide ciência pessoal à fl. 70), o contribuinte interpôs, em 14/03/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 72 a 76, no qual, após breve relato dos fatos, reitera, basicamente, os termos de sua impugnação. DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012, veio digitalizado até à fl. 811. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 76 (fl. 80 da digitalização). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13770.000004/200451 Acórdão n.º 2202002.286 S2C2T2 Fl. 85 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de pedido de restituição, relativo ao imposto de renda incidente sobre verbas de pagas a título de Programa de Demissão Voluntária – PDV, no anocalendário 1996, formalizado por meio de declaração retificadora, transmitida em 31/12/2002, conforme recibo de entrega anexado à fl. 8. Posteriormente, o recorrente apresentou o pedido de restituição de fl. 1, protocolizado em 02/01/2004, reiterando seu pleito. A decisão recorrida indeferiu o pleito do interessado, assim se manifestando (fl. 48): Portanto, no caso concreto, uma vez se tratar de lançamento por homologação com antecipação do pagamento do imposto consubstanciado pela retenção na fonte, evidenciase que foi extinto, em 31 de dezembro de 2001, o direito de o contribuinte solicitar a restituição do imposto retido pela fonte pagadora no decorrer do ano calendário 1996, tendo em vista que o marco inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos deuse em 31 de dezembro de 1996. Não prospera o entendimento do sujeito passivo de que a Instrução Normativa SRF n° 165/1998 teve o condão de deslocar o marco inicial para contagem do prazo decadencial para data diferente daquela definida pelas normas de regência, qual seja, 31 de dezembro do anocalendário da ocorrência do fato gerador. De se analisar a questão. Ao tratar do direito à restituição, o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) assim dispõe em seus artigos 165, 168 e 169: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II – erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13770.000004/200451 Acórdão n.º 2202002.286 S2C2T2 Fl. 86 5 [...] Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art. 3º da LC nº 118, de 2005) II – na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. Desta forma, em regra, tem o contribuinte o direito à restituição do tributo pago indevidamente ou maior, no prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (que em regra se dá com o pagamento). Existem ainda outras formas de extinção do crédito tributário, como, por exemplo, a compensação e a conversão do depósito em renda, que podem também dar ensejo à repetição. Destaquese, ainda, a hipótese prevista no art. 168, inciso II, que prevê, no caso de a de valores recolhidos em virtude de alguma decisão administrativa ou judicial impositiva de pagamento, que o prazo para o pedido de restituição seja contado a partir da anulação, reforma, revogação ou rescisão de referida decisão. É notório que a questão da contagem do prazo de cinco anos, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, foi objeto de grande controvérsia na jurisprudência e na doutrina, vindo a ser pacificando com a edição da Lei Complementar no 118, de 9 de fevereiro de 2005, que assim dispôs em seu art. 3o: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. No que diz respeito a possibilidade de aplicação retroativa dos efeitos da Lei Complementar 118, de 2005, tratase de maneira que não demanda maiores discussões. Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13770.000004/200451 Acórdão n.º 2202002.286 S2C2T2 Fl. 87 6 na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial, em 25/11/2009, no julgamento do REsp 1.002.932/SP (Relator Ministro Luiz Fux), submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: RECURSO ESPECIAL Nº 1.002.932 SP (2007/02600019) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13770.000004/200451 Acórdão n.º 2202002.286 S2C2T2 Fl. 88 7 Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). (...) 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (Data do Julgamento: 25 de novembro de 2009). Em 12/03/2010, o Ministro Ari Pargendler, determinou o sobrestamento do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional nos autos do REsp 1.002.932/SP, nos termos do artigo 543B, § 1o, do Código de Processo Civil, até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do RE no 561.9087, RS. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13770.000004/200451 Acórdão n.º 2202002.286 S2C2T2 Fl. 89 8 Em 30/04/2012, o Ministro Felix Fischer, proferiu a seguinte decisão: No julgamento do RE n.º 566.621/RS (Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11/10/2011), submetido ao regime da repercussão geral, o e. Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/05, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, nos termos da seguinte ementa: "DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA –APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 –DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA –NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS –APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13770.000004/200451 Acórdão n.º 2202002.286 S2C2T2 Fl. 90 9 Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido." In casu, o v. acórdão recorrido está em conformidade com o entendimento firmado pela e. Corte Suprema, razão pela qual julgo prejudicado o recurso extraordinário, nos termos do art. 543B, § 3º, do CPC. Concluise, assim, que o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento no sentido de que, com o advento da Lei Complementar no 118, de 2005, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: o novo prazo de 5 anos contados da data do pagamento aplicase tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005; nos demais casos, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador. Na presente solicitação, a restituição foi formalizada por meio da declaração retificadora entregue em 31/12/2002, na qual o contribuinte apurou os valores que deveriam ser devolvidos (indébitos tributários), relativos ao anocalendário 1996. Visto que o pedido foi formulado antes de 09/06/2006 e referese ao anocalendário 1996 (fato gerador anual: 31/12/1996), o recorrente poderia solicitar a restituição até 31/12/2006 (10 anos da data do fato gerador). Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso para afastar a decadência do direito de pleitear restituição e determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para a análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 06/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10845.001799/2010-53
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$20.000,00 (vinte mil reais). nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$20.000,00 (vinte mil reais). nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 17 99 /2 01 0- 53 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006, decorrente de glosa de despesas médicas no valor de R$22.328,51, por falta de comprovação ou de previsão legal, uma vez que em relação a parte das deduções a efetividade da prestação dos serviços e do pagamento não foi comprovada nos termos em que indicado na intimação fiscal, documentos exigidos na forma do art. 11 §3º e §4º do DecretoLei 5.844/43 e nos art. 73 e 80, incisos II e II (sic) do §1º, ambos do RIR1999. A glosa referiuse a (a) parte da despesas com Plano de Saúde Unimed e (b) integralidade das despesas (R$20.000,00 ) com as profissionais Claudiane Dias de Assis Lima, , Marília Belloc de Saraiva e Loiva Correa Cutrin. Primeiramente houve a intimação de às fls. 61, onde se verifica que o contribuinte foi intimado a apresentar: “Comprovantes originais e cópias das despesas médicas, com a identificação do paciente” e de “despesas médicas com planos de saúde co valores discriminados por beneficiário”. Depois por meio da intimação de fls. 99 exigiuse outros elemento de prova da efetividade dos serviços (relatório médico, orçamento, ficha do paciente, exames, Raio X) e de desembolso dos recursos (cópia de cheques, boletos bancários, extratos bancários, comprovantes de saques). Indicou que declarações das mesmas profissionais não serviriam de prova e que os documentos apresentados deveriam conter nome, endereço, número de inscrição no CPF e dos números de inscrição nos respectivos Conselhos de Classe. Na impugnação foram apresentados recibos e relatórios emitidos pelas profissionais e extratos bancários . Com base em entendimento de que os recibos são prova relativa e ancorada em precedentes deste Conselho, a DRJ reputou não comprovados os pagamentos, uma vez que não há vinculação entre os registros nos extratos bancários e cada um dos recibos apresentados, e há inconsistência entre a alegação feita na impugnação (de pagamentos ora por sessão, ora semanal, ora quinzenal, por cheque ou dinheiro) com a informação prestada em 1702/2010 (pagos após cada sessão em dinheiro). A DRJ apontou que os recibos de Claudiane Dias de Assis Lima, Loiva Corres Cutrim e Marília Belloc de Saraiva não apresentam os endereços das profissionais, em contrariedade ao inciso III do §2º do art. 8º da Lei 9.250/1995, além de conterem descrição genérica e não indicarem a quantas sessões se referem, e terem sido emitidos em dias não úteis. Ciência em 25/04/2011. Recurso voluntário interposto em 23/05/2011. Em síntese, a peça recursal amparase nas seguintes alegações: 1. foram apresentados os recibos de pagamento de fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e psicóloga, contendo histórico da paciente, prescrição e justificativa do tratamento e número de sessão, assinados pela profissionais e autenticados em cartórios; 2. foram anexados extratos bancários que demonstram a disponibilidade financeira para arcar com os pagamentos dos referidos recibos, ora por sessão, ora semanal, ora quinzenal, ora em dinheiro, ora em cheque; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10845.001799/201053 Acórdão n.º 2802002.320 S2TE02 Fl. 145 3 3. a natureza dos serviços não é daquelas em que existe exames, radiografias ou receitas, pois os profissionais contratados não se utilizam desses recursos; 4. as profissionais colocaram em seus relatórios o que a ética profissional permite e que não viola a privacidade do paciente; 5. quanto ao fato de as declarações somente teria sido feitas em 2010, isto justificase porque somente nessa época foi intimada a fazer provas adicionais; 6. é normal a existência de recibos datado em feriados e finais de semana, pois fazia tratamento domiciliar; 7. quanto à afirmação de que as descrições dos serviços era genérica, isto justificase porque a finalidade dos recibos é provar pagamento e não descrever o tratamento; 8. não pode ser penalizada pelo fato de as profissionais não declararem rendimentos de pessoas físicas, pois os serviços foram prestados e os pagamentos realizados; 9. os tratamentos embora caros foram necessários para sua recuperação, notadamente por ser uma mulher de quase 65 anos; 10. concorda com a glosa em relação à diferença de valor da Unimed. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Não integra o litígio a glosa de parte do valor deduzido em relação ao Plano de Saúde Unimed. O litígio referese exclusivamente à glosa das despesas declaradas em relação às profissionais Claudiane Dias de Assis Lima, Marília Belloc de Saraiva e Loiva Correa Cutrin, que totaliza R$20.000,00. A autoridade fiscal faz várias exigências na intimação fiscal, mas não aponta indícios que desabonem os recibos apresentados, nem as declarações das profissionais que similares a relatórios médicos indicam o quadro clínico que justificou o tratamento, bem como os tratamentos realizados ( fls. 105, 110, 115). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Não ficou demonstrado porque os recibos apresentados não são suficientes ainda que atendam as formalidades legais, nem o que desqualificaria as declarações. Em casos desta natureza, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito dever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e a prestação do serviço. A dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte e o ponto de partida é a imputação feita no lançamento, se nele não há apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, não há elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Os documentos comprobatórios estão acostados aos autos e não foram objeto de ressalvas pela autoridade fiscal. Na primeira instância de julgamento a ressalva ficou por conta da falta de indicação de endereço dos emitentes. Não obstante, os recibos emitidos pelas profissionais Marília (fls. 116), Claudiane Dias de Assis Lima (fls. 95 e ss.), Loiva Corres Cutrim (fls. 111) contém indicação dos respectivos endereços, bem como houve tentativa de indicar o endereço tanto com menção na peça recursal como por anotação às fls. 87, 91 com RG. Não havendo um conjunto forte de indícios em desfavor dos recibos e das declarações dos profissionais e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$20.000,00 (vinte mil reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10675.906642/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/06/2004
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.085
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906642/200981 Acórdão n.º 380101.085 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.003966/2004-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
Preliminar de preterição do direito de defesa acatada. Participação de julgador impedido, pois, participou da ação fiscal direta ou indiretamente do julgador monocrático. Nulidade de decisão recorrida pelo impedimento da autoridade julgadora.
Embargos de Declaração Providos.
Numero da decisão: 3101-001.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em Dar aos Embargos Declaratórios na forma do voto da relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Numero do processo: 10166.722950/2009-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA.
Trata-se o presente lançamento decorrente do descumprimento de obrigação principal, no qual, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449, de 2008, houve, por ocasião do lançamento, que já vigiam as alterações introduzidas na Lei nº 8.212, de 1991 pela Lei 11.941, de 2009, fruto da conversão da MP MP nº 449, de 2008, a aplicação da multa de ofício 75%.
Os acórdãos paradigmas tratam da aplicação retroativa das regras inseridas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em lançamento efetuado antes da vigência da referida medida provisória, em que se nega a aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por força do que dispõe a atual redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Redator Designado
EDITADO EM: 04/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. Tratase o presente lançamento decorrente do descumprimento de obrigação principal, no qual, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449, de 2008, houve, por ocasião do lançamento, que já vigiam as alterações introduzidas na Lei nº 8.212, de 1991 pela Lei 11.941, de 2009, fruto da conversão da MP MP nº 449, de 2008, a aplicação da multa de ofício 75%. Os acórdãos paradigmas tratam da aplicação retroativa das regras inseridas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em lançamento efetuado antes da vigência da referida medida provisória, em que se nega a aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por força do que dispõe a atual redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 29 50 /2 00 9- 04 Fl. 5164DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 9202002.470 CSRFT2 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Redator Designado EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 240202.106, da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado na sessão plenária de 29 de setembro de 2011, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar para afastar a responsabilidade subsidiária da empresa LPS BrasíliaConsultoria de Imóveis Ltda e deu provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, e, por maioria de votos, reconheceu a existência de vício material insanável no levantamento SP Serviços Prestados por Contribuintes Individuais. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 NULIDADE LANÇAMENTO. LEVANTAMENTOS “VA1” E “VT1”. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, bem como os fundamentos legais, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação da obrigação tributária principal e da aplicação da multa. Fl. 5165DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 9202002.470 CSRFT2 Fl. 4 3 LANÇAMENTO. LEVANTAMENTO “SP”. OCORRÊNCIA FALTA DE CLAREZA. FATO GERADOR E BASE CÁLCULO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus valores, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se a base de cálculo do fato gerador da obrigação principal não for devidamente delineada de forma clara e precisa nos autos. SUCESSÃO COMERCIAL. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA ADQUIRENTE. PREVISTA ART. 133 DO CTN. NÃO DEVIDAMENTE DEMONSTRADA. NÃO OCORRÊNCIA. Da leitura do Relatório Fiscal e dos demais documentos que constam nos autos, constatase que os elementos fáticos, isoladamente, sem outros elementos probatórios, são insuficientes para caracterizar a sucessão empresarial da responsabilidade tributária do art. 133 do CTN. Os elementos fáticos não demonstram que houve a efetiva alienação de estabelecimento comercial ou do fundo de comércio. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada dessa decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência, insurgindose apenas contra a redução da multa de ofício. Para comprovar a divergência jurisprudencial, foram apresentados, como paradigmas, os Acórdãos nos 230100.283 e 240100.120. Afirma a recorrente que o acórdão recorrido entendeu que, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009, deveria se aplicar a retroatividade benigna e se limitar a multa ao percentual de 20%. Por outro lado, os paradigmas teriam entendido que, ao caso, aplicamse as multas do art. 44, da Lei nº 9.430/96. O recurso foi admitido pelo Despacho nº 2400539/2011 – 4ª Câmara, de 05 de dezembro de 2011. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 8/3/2012, o contribuinte apresentou, em 19/3/2012, contrarrazões. Fl. 5166DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 9202002.470 CSRFT2 Fl. 5 4 Preliminarmente, defende que o recurso não pode ser conhecido, pois (a) a matéria não foi prequestionada, (b) não é possível o conhecimento de recurso especial com divergência com instrução normativa, (c) a instrução normativa em comento é posterior a lavratura do auto de infração, (d) o paradigma trata de multa da GFIP enquanto o acórdão recorrido de contribuições sociais sobre corretores autônomos, e (e) o acórdão recorrido foi proferido antes da edição da instrução normativa. No mérito, diz não ser possível cumular a multa de mora com a de ofício, por se tratarem de institutos completamente diversos, e que, somente após a MP no 449, de 2008, é que passou a existir a multa de ofício nas contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Preliminarmente, há que se averiguar o pedido de não conhecimento do recurso, efetuado em sede de contrarrazões. O primeiro argumento da preliminar é o de que a matéria não foi prequestionada. Nesse aspecto, há que se esclarecer que o prequestionamento é apenas pré requisito do recurso especial do contribuinte, nos termos do §3o do art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Isso ocorre porque a Fazenda Nacional somente se manifesta no processo após o recurso voluntário, não sendo possível se exigir que ela tenha discutido a matéria anteriormente nos autos. Há também que se rejeitar os argumentos que se relacionam com a instrução normativa editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre a matéria, utilizada como um dos fundamentos do recurso. Isso porque a divergência apontada não levou em consideração esse ato normativo, e assim sua menção no apelo não tem qualquer relação com o conhecimento do recurso. Finalmente, também improcedente a argumentação quanto às diferenças entre os fatos subjacentes aos acórdãos recorrido e paradigma, pois o paradigma trataria de multa da GFIP enquanto o acórdão recorrido de contribuições sociais sobre corretores autônomos. Como bem assentado no despacho de admissibilidade do Sr. Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF: De fato, em situações semelhantes, em que houve lançamento de ofício, os paradigmas aplicaram o art. 35A, enquanto que a decisão recorrida aplicou o disposto no art. 35, caput, ambos da Lei nº 8212/91. Fl. 5167DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 9202002.470 CSRFT2 Fl. 6 5 E a divergência jurisprudencial é patente no que tange à possibilidade de aplicação retroativa das penalidades previstas na Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, bem como na forma como se deve dar esse retroatividade. Nesse sentido, cabe referência ao Acórdão paradigma n° 230100.283, que textualmente afirma: A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de ofício a situação gerada por meio da Medida Provisória n° 449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75% [...]. O fato de ser classificada como multa moratória ou de ofício é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação. Nesses termos, concordando com o entendimento do Sr. Presidente da 4ª Câmara, conheço do recurso. O presente processo trata de lançamento de contribuições previdenciárias ocorrido após as alterações da Medida Provisória nº 449, 2008, mas referente a fatos geradores ocorridos anteriormente. Como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, nos termos da legislação anterior, seriam aplicadas duas multas distintas: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei no 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Contudo, essa sistemática foi alterada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, resultado da conversão da citada Medida Provisória nº 449, de 2008, que alterou os arts. 35 e incluiu o art. 35A na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Assim, a partir de dezembro de 2008: a) as contribuições previdenciárias pagas em atraso, mas não lançadas de ofício, são acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 35); b) as contribuições previdenciárias lançadas de ofício são acompanhadas das penalidades do art. 44 da Lei no 9.430, 1996 (art. 35A). O acórdão recorrido entende que não há que se aplicar a nova legislação para os fatos geradores anteriores, pois há uma diferença essencial de critérios entre as normas: Fl. 5168DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 9202002.470 CSRFT2 Fl. 7 6 enquanto a antiga punia o atraso no pagamento, a nova penaliza a falta de espontaneidade. Assim, devese entender que a norma especial (antiga) deve prevalecer sobre a geral (nova). A decisão atacada então conclui que não se pode aplicar aos fatos geradores sob análise a multa de ofício do art. 35A da na Lei nº 8.212, de 1991, mas apenas a multa de mora anteriormente prevista no art. 35, inciso II, da mesma lei. Contudo, penso que a decisão foi contraditória com seus fundamentos. Se não era possível se aplicar a multa da nova legislação, mas apenas as do ordenamento anterior, então seria necessário se restabelecer as duas multas anteriormente aplicadas, e não apenas uma delas. De modo contrário, entendo que as novas penalidades devem se aplicar a fatos geradores anteriores quando forem menos gravosas que as da legislação anterior, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. E foi exatamente esse o procedimento adotado pela autoridade lançadora, conforme descrito no item 11 do Relatório do Auto de Infração, abaixo transcrito: 11. Tendo em vista o disposto anteriormente, a multa calculada no presente Auto de Infração, (multa de ofício de 75% sobre os valores das contribuições devidas), foi confrontada com a multa originada pelo descumprimento da obrigação acessória prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3° e 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com inc. IV e § 4° do art. 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, (Auto de Infração Código de Fundamentação Legal 68, AI CFL 68 , que diz: apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias), mais a multa de mora de 24% aplicada sobre as contribuições previdenciárias apuradas, de acordo com o previsto no art. 35 da Lei 8.212/91, (com redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009). Do confronto, por competência, da multa de ofício de 75% com o AI CFL 68 + multa de mora de 24% calculados com base nos valores das contribuições previdenciárias apuradas a partir das bases de cálculo informadas nos levantamentos VA e VT, foi aplicada, em cada caso, a penalidade mais benéfica ao contribuinte, conforme pode ser verificado no arquivo AI 68 X Multa 75% em anexo e na planilha abaixo (grifamos): [...] (destaques do original) Fl. 5169DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 9202002.470 CSRFT2 Fl. 8 7 Observese que a Secretaria da Receita Federal do Brasil adotou essa mesma orientação na Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010, como abaixo se transcreve: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (...)” Entendo que essa orientação está de acordo com o determinado no Código Tributário Nacional, devendose comparar a multa da legislação atual com as penalidades previstas no ordenamento anterior, prevalecendo a de menor valor. Como foi esse o procedimento adotado pelo lançamento, devese restabelecer as penalidades por ele aplicadas. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 5170DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 9202002.470 CSRFT2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado No que diz respeito à admissibilidade, peço vênia ao ilustre conselheiro relator para divergir de seu entendimento, posto que entendo não restar demonstrada a divergência, pelos fundamentos a seguir delineados. Há de se salientar que, por ocasião do lançamento já vigiam as alterações introduzidas na Lei nº 8.212, de 1991 pela Lei 11.941, de 2009, fruto da conversão da MP MP nº 449, de 2008. Portanto, tratase o presente lançamento decorrente do descumprimento de obrigação principal, no qual, para fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449, de 2008, houve, por ocasião do lançamento, que já vigiam as alterações introduzidas na Lei nº 8.212, de 1991 pela Lei 11.941, de 2009, fruto da conversão da MP MP nº 449, de 2008, a aplicação da multa de ofício 75%. Nesse diapasão a decisão recorrida afastou a aplicação da regra do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991 e aplicou a regra do art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991 Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum) o lançamento reporta se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991) e não a multa de ofício fixada no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Por seu turno, os acórdãos paradigmas tratam da aplicação retroativa das regras inseridas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em lançamento efetuado antes da vigência da referida medida provisória, em que se nega a aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por força do que dispõe a atual redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Portanto, há de se concluir que não resta configurada a divergência. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 5171DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.722950/200904 Acórdão n.º 9202002.470 CSRFT2 Fl. 10 9 Fl. 5172DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO S, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.001352/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
OMISSÃO NO RELATÓRIO FISCAL. SANEAMENTO MEDIANTE RELATÓRIO COMPLEMENTAR. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE.
Havendo omissões/erros no relatório fiscal, é válido, antes da decisão de primeira instância, o saneamento, mediante a emissão de relatório complementar, desde que deste seja dada ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO.
Respeitado o direito adquirido, na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, as entidades beneficentes de assistência social deveriam, além de comprovar o cumprimento de todos os requisitos da referida norma, requerer a Administração Tributária o reconhecimento da isenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.503
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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SANEAMENTO MEDIANTE RELATÓRIO COMPLEMENTAR. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. Havendo omissões/erros no relatório fiscal, é válido, antes da decisão de primeira instância, o saneamento, mediante a emissão de relatório complementar, desde que deste seja dada ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Respeitado o direito adquirido, na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, as entidades beneficentes de assistência social deveriam, além de comprovar o cumprimento de todos os requisitos da referida norma, requerer a Administração Tributária o reconhecimento da isenção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001352/201091 Acórdão n.º 2401002.503 S2C4T1 Fl. 269 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.221.6528, para exigência das contribuições patronais para outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores incluídos no lançamento foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Acrescenta que a autuada se declarava isenta do recolhimento das contribuições apuradas. A Auditoria explicita que o lançamento teve origem em fiscalização específica, conforme determinada por judicial, para verificação da regularidade das entidades que tiveram o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS renovado pela Medida Provisória MP n.º 446/2008. Cientificada do lançamento a entidade apresentou impugnação, alegando em síntese cerceamento ao seu direito de defesa pela falta de apresentação no Relatório Fiscal dos motivos que teriam levado ao cancelamento da sua imunidade relativa ao recolhimento das contribuições lançadas. Afirma que o lançamento não poderia ter sido efetuado sem que antes houvesse um ato cancelando a imunidade. Defende que outra causa de nulidade foi a falta de assinatura do Chefe da Unidade de Administração Tributária, conforme exige a norma de regência. Advoga que, desde sua constituição, é imune ao recolhimento das contribuições sociais, sempre atendendo na íntegra os ditames da Constituição e da legislação infraconstitucional. Segundo a autuada, os certificados que possui cobrem o período de 2004 a 2009, não sendo admissível lançamento fiscal para competências ali abrangidas. Assevera que os efeitos da MP n.º 446/2008, conforme entendimento da própria Advocacia Geral da União, garantem a renovação dos CEAS produzindo todos as consequências tributárias em benefício das entidades que requereram os certificados e foram amparadas pelo referido ato legal. O processo foi baixado em diligência para que o Fisco se pronunciasse acerca da decisão judicial mencionada no seu relato, bem como sobre o ato cancelatório de isenção, que daria guarida à exigência das contribuições lançadas. Em atendimento à solicitação de diligência, a Auditoria lançou as seguintes considerações em Relatório Fiscal Complementar: a) que a entidade possui certificados de utilidade pública federal, estadual e municipal; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 b) que sofreu cancelamento da isenção das contribuições previdenciárias com efeitos a partir de 29/11/1999, tendo após esse marco sido fiscalizada duas vezes, sob a qualidade de empresa sem benefícios fiscais quanto ao recolhimento das contribuições lançadas. Assevera que não há, depois desses fatos, nenhum requerimento de isenção das contribuições sociais protocolizado pela autuada junto à Administração Tributária; c) que a entidade apresentou Certidão do CNAS de 03/04/2009 atestando o deferimento da renovação do CEAS pelo art. 37 da MP 446/2008, para os processos 71010.001.943/200330 para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 e processo 71010.004.067/200646 para o período de 01/01/2007 a 31/12/2009. Apresentou ainda Atestado de Registro no Conselho de Assistência Social de 01/06/2000, processo 56.289/1965; d) que a autuada figura no polo passivo da Ação Civil Pública n° 2008.34.00.038.3144, proposta pelo Ministério Público Federal, para a qual foi prolatada a decisão judicial n° 70 de 03/04/2009, que determina fiscalização nas entidades favorecidas pela Medida Provisória n° 446 de 07/11/2008; e) que a multa foi aplicada no presente lançamento no patamar de 24%, por ter se mostrado mais benéfica ao sujeito passivo; f) que, em tese, foi verificada a existência do crime de sonegação fiscal, fato que motivou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais. A empresa se contrapôs as afirmações do Fisco, acrescentando que: a) conforme de depreende da Lei n.º 12.101/2009, não subsiste a obrigatoriedade das empresas requerem ao órgão fazendário o benefício da imunidade; b) o Fisco é contraditório, pois afirma que a empresa cumpria os requisitos para o gozo da imunidade, todavia, entende exigíveis às contribuições, sem que, ao menos, indique quais os ditames legais que a autuada descumpriu; c) continua sem justificativa a constituição do crédito; d) teve reconhecido o cumprimento de todos os requisitos para gozo da imunidade desde janeiro de 2004, antes mesmo da emissão do citado ato cancelatório; e) o ato declaratório não tem função constitutiva do direito, mas apenas declaratória; f) quanto a ação civil pública nº 2008.34.00.0383144, em que supostamente o Instituto Presbiteriano Mackenzie figurava como réu, a fiscalização olvidouse de destacar que tal ação já foi extinta por pedido de desistência do próprio Ministério Público, além de que não consta da ação que a autuada não seria entidade de assistência social; g) há no relato fiscal a errônea afirmação de que a entidade seria ré no processo citado, todavia, a mesma jamais foi citada nesta ação; h) requer a redução da multa no Auto de Infração relativo ao descumprimento da obrigação acessória de declarar as contribuições patronais na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I declarou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Na decisão, Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001352/201091 Acórdão n.º 2401002.503 S2C4T1 Fl. 270 5 foram afastadas as preliminares, principalmente por ter entendido o órgão de primeira instância que não se configurou o cerceamento ao direito de defesa da autuada, uma vez que possíveis lacunas do relatório fiscal foram supridas após a realização da diligência. Sustentase que a empresa, pelos termos da defesa e do seu aditivo, pode compreender os motivos que levaram à lavratura. No mérito, a DRJ manifestou o entendimento de que tendo sido cancelada a isenção a empresa teria que formular novo pedido, conforme previa o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, vigente no período da autuação. Inconformada a autuada apresentou recurso, no qual em síntese apertada, alegou que: a) mantémse irresignada com o não acolhimento da preliminar de nulidade, posto que, se houve vícios no relatório, o lançamento deveria ter sido anulado e não emendado, além de que, o relatório complementar continua a não esclarecer as perguntas lançadas na diligência fiscal; b) o cancelamento da imunidade não tem justificativa, sendo arbitrário e incompreensível, conforme se pode ver da transcrição de excerto da peça do Fisco. A falta de motivação do ato administrativo prejudicou irremediavelmente o seu direito de defesa, sendo induvidosa a nulidade suscitada; c) o relato da Auditoria fere o art. 142 do CTN, bem como o art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972 e as instruções normativas exaradas pela Administração Tributária; d) não há procedimento relativo ao cancelamento da imunidade, a qual foi chancelada pela MP n.º 446/2008; e) aplicase ao caso o art. 32 da Lei n.º 9.430/1996, segundo o qual somente após o cancelamento da imunidade pode ser efetivado lançamento dos tributos devidos por conta da suspensão do benefício fiscal. A própria Lei 12.101/2009 também prevê essa exigência, na medida que remete às regras processuais vigentes qualquer ato de cancelamento de imunidade; f) a ação civil pública referida pelo Fisco foi extinta por desistência do Ministério Público, além de que a decisão liminar que determinava a fiscalização das entidades beneficiadas pela MP n.º 446/2008 foi cassada pelo Tribunal Federal da 1.ª Região, permanecendo incólumes os efeitos da referida MP. Assim, seria ilegítima a ação fiscal que deu ensejo aos lançamento efetuados contra a recorrente; g) o próprio CARF, seguindo a Súmula 405/STF, reconhece que os efeitos de uma decisão que cassa medida liminar devem retroagir para afastar os efeitos do provimento precário; h) a AGU reconheceu todos os benefícios dados pela MP n.º 446 às entidades beneficentes de Assistência Social; i) conforme se verifica dos documentos da entidade, tanto a época dos fatos geradores apontados como agora, são preenchidos todos os requisitos para o gozo da imunidade, não podendo subsistir o lançamento; Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 j) os certificados concedidos com base na MP n.º 449/2008 compreendem o período de 01/2004 a 12/2009, conforme evidenciado nas Resoluções n.º 03 e 07 do CNAS. Portanto, não podem ser mantidas exigências de contribuições para o mesmo período, posto que há ato do Poder Público em sentido diametralmente oposto. Ao final, requer a reforma da decisão da DRJ para que o crédito, por consequência, seja anulado. É relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001352/201091 Acórdão n.º 2401002.503 S2C4T1 Fl. 271 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Cerceamento ao direito de defesa De fato, não se pode deixar de reconhecer que o Relatório Fiscal apresentou se omisso e lacunoso quando tratou de descrever as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, mormente quanto à condição de isenta da entidade autuada. Tal situação revelase muito claramente quando o órgão de primeira instância, ao requerer a diligência lança vários questionamentos sobre fatos narrados no relato da Auditoria e pugna pela emissão de relatório complementar necessário ao saneamento das lacunas presentes na descrição inicial. Com o novo pronunciamento fiscal, todavia, verifico que foram apresentados todos os elementos necessários a boa compreensão dos motivos que deram ensejo ao lançamento. Senão vejamos. Os fatos geradores já haviam sido suficientemente descritos desde a peça acusatória inicial, na qual se indica que os mesmos foram as remunerações pagas a segurados empregados, as quais foram declaradas pelo sujeito passivo na GFIP. As bases de cálculo constam do Discriminativo do Débito, onde também estão demonstradas as contribuições devidas e os acréscimos legais decorrentes. O relato também indica que a autuação teve por motivo o auto enquadramento da recorrente como entidade isenta do recolhimento das contribuições, sem que a mesma cumprisse os requisitos legais necessários à fruição do benefício, gerando declarações que suprimiram as contribuições lançadas. Sem dúvida, com essas informações a empresa passou a dispor de todos os elementos necessários à preparação de sua defesa, o que efetivamente ocorreu, posto que os autos estão a demonstrar que foram apresentadas, na manifestação contra o relatório complementar e no recurso, diversos argumentos, os quais atacaram pontos diversos do lançamento, ficando claro que a empresa teve pleno entendimento da acusação que lhe foi feita pela Autoridade Fiscal. Entendo ser perfeitamente cabível a emissão de relatório complementar quando o órgão julgador, percebendo algum ponto controverso na elaboração da peça inaugural do processo administrativo tributário, baixa o processo em diligência com os questionamentos que entende necessários a boa compreensão do lançamento. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 É de se ressaltar que, após a emissão do relatório adicional, o sujeito passivo teve a oportunidade de novamente apresentar o seu inconformismo, não se configurando qualquer prejuízo ao direito de defesa ou ao contraditório, posto que todas as vezes em que o Fisco se pronunciou foi facultada a parte adversa possibilidade de contraatacar. Não seria exagero dizer que a realização da diligência foi uma forma de homenagear o princípio da ampla defesa, na medida em que foram trazidos ao processo elementos que propiciaram ao sujeito passivo uma melhor compreensão da exigência que lhe foi dirigida. Assim, entendo que devo enveredar pelo mérito da contenda, não sendo razoável impor ao Fisco o castigo do cancelamento do crédito já nesse momento, posto que, digo mais uma vez, embora a princípio houvesse falhas na descrição de fatos relevantes necessários ao entendimento da lavratura, após a realização da diligência determinada pelo órgão a quo, os pontos nebulosos foram elucidados, afastandose qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Essa própria Turma de Julgamento tem afastado a tese da nulidade por falta de motivação quando o Fisco, em relatório complementar, elimina alguma omissão/equívoco cometido quando da emissão do relato original e o contribuinte é cientificado do pronunciamento fiscal, podendo contraditar o mesmo. Vejamos a ementa abaixo, em que, acerca da nulidade, negouse provimento ao recurso voluntário por unanimidade: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/2004 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD NULIDADE DO LANÇAMENTO FALTA DE MOTIVAÇÃO AFASTADO A emissão de relatório fiscal complementar, com a descrição dos motivos que ensejaram a autuação, com a devida cientificação para apresentação de nova defesa afasta a falta de motivação. (...) (Acórdão n.º 240101.150 — 4' Câmara / 1' Turma Ordinária, de 24/03/2010, Rel. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). Quanto à perda de autorização judicial para execução do procedimento fiscal que deu ensejo à lavratura, por força da cassação de medida liminar, é de se ter em conta que não há necessidade da existência de provimento judicial para que a RFB execute sua programação de fiscalização. Na verdade, a seleção de empresas para serem auditadas encontrase no campo da discricionariedade e no caso em tela poderia ser feita a qualquer tempo, independentemente de decisão do Poder Judiciário. Diante do exposto, voto por afastar a suscitada nulidade, eis que não vislumbrei o prejuízo à defesa da recorrente. Da suposta condição de isenta da entidade autuada no período do débito Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7.º do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade/isenção: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001352/201091 Acórdão n.º 2401002.503 S2C4T1 Fl. 272 9 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (...) Para regulamentar esse preceptivo da Carta Magna foi inserido no ordenamento o hoje revogado art. 55 da Lei n. 8.212/1991, o qual regulou a matéria na época da ocorrência dos fatos geradores, 12/2007 a 12/2007. Eis o texto: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (...) É cediço que nos termos do CTN, art. 105, as consequências tributárias dos fatos sociais são regidas pela legislação vigente no momento da ocorrência dos mesmos. Eis o texto: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Diante dessa regra, para fins de verificação da isenção das contribuições sociais é de se aplicar o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 até o dia 30/11/2009, data em que este foi revogado pela Lei n.º 12.101/2009. Os autos revelam que a empresa possuía o CEAS para o período objeto do lançamento, conforme pronunciamento da própria Auditoria, em que o Conselho Nacional de Assistência Social atesta que foram deferidos, por força do art. 37 da MP n.º 446/2008, o processo n.° 71010.001943/200330, período de validade da renovação:01/01/2004 a 31/12/2006, e o processo n.º 71010.004067/200646, período de validade da renovação: 01/01/2007 a 31/12/2009. Quanto aos demais requisitos necessários à isenção, previstos no art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, o Fisco e a decisão recorrida tiveram como descumprido tão somente o § 1.º, posto que não consta dos autos qualquer requerimento de isenção à Administração Tributária. Há um aspecto registrado pela Autoridade Fiscal em seu relatório complementar que merece transcrição: O Instituto Presbiteriano Mackenzie teve a isenção de contribuições previdenciárias cancelada em 20/09/2004, com efeitos a partir de 29/11/1999, através do processo 21.401.1/0003/2004. Esse fato é incontroverso, posto que não foi contestado pela recorrente. Assim, considerando que, desde 1999, a entidade houvera perdido o direito a isenção por ato do INSS, para que voltasse a fazer jus ao benefício teria que comprovar o cumprimento de todos os requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, além de ser necessário o requerimento previsto no seu § 1.º. Também é fato que não existe nos autos qualquer prova de que, sob a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, houve algum pedido de reconhecimento do direito à isenção, fato que me leva a concluir que, no período da autuação (12/2006 a 12/2007), a entidade autuada não gozava desse benefício fiscal, sendo por isso, legítima a autuação guerreada. É de se notar que toda a argumentação da recorrente quanto à obtenção dos CEAS por força da MP n.º 446 é em vão, uma vez que a certificação do CNAS era apenas um dos elementos necessários ao reconhecimento da isenção, dentre os quais destacavase a necessidade de requerimento ao INSS. Vejase que no presente caso não há o que se falar e direito adquirido à isenção, uma vez que a Administração já havia cassado da autuada, mediante ato cancelatório, o direito de não recolher a cota patronal, que inclui as contribuições para os terceiros. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001352/201091 Acórdão n.º 2401002.503 S2C4T1 Fl. 273 11 Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 41310.052638/89-23
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 1993
Ementa: ITR - NORMAS PROCESSUAIS - Recurso contra decisão que reconheceu como de "preservação permanente" uma área inferior à pretendida pelo contribuinte não afeta os créditos tributários já constituídos, por se tratar de assunto encerrado na via administrativa, e nem os porventura em exame nessa esfera, eis que sua discussão só é cabível no âmbito do respectivo processo administrativo fiscal. A atual sistemática de lançamento do ITR se fundamenta no declarado pelo contribuinte na "Declaração Anual de Informações - DITR", conforme instruções constantes de seu manual de procedimento. Recurso não conhecido por falta de objeto.
Numero da decisão: 202-06.177
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso por falta de objeto. Ausentes os Conselheiros TERESA CRISTINA GONÇALVES PANTOJA, OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA (justificadamente) e J0SE ANTONIO AROCHA DA CUNHA.
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
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(?Lj4-k ttr.:0- , SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE S f;)• - 1 .-- e A t .... ,, . ........ ,.... ....... ,_,.... ....... . . Processo no 41310.052638/89-23 Sessão de : 16 de novembro de 1993 ACORDn0 No 202-06.177 Recurso no: 85.742 Recorrente: WILSON RAMOS Recorrida 2 INCRA/SR(09)/PR ITR - NORMAS PROCESSUAIS - Recurso contra decisao que reconheceu como de "pn2servaçao permanente" uma área inferior à pretendida pelo contribuinte nao afeta os créditos tributários já constituídos, por se tratar de assunto encerrado na via administrativa, e nem os porventura em exame nessa esfera, eis que sua discussao só é cabível no ãmbito do respectivo processo administrativo fiscal. A atual sistemática de lançamento do ITR Ise fund.~ta no declarado pelo contribuinte na "Deciaraçao Anual de Informaçbbs - DITR", conforme instruçffes constantes de seu manual de procedimento. Recurso não conhecido por falta de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos CIE? recurso interposto por WILSON RAMOS. I ACORDAM 05 Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votosm CO) não conhecer do recurso por falta de objeto. Ausentes os Conselheiros TESdESA CRISTINA GONÇALVES RANTWA, OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA ( .:iustificadamente) e 00SE ANTONIO AROCHA )A CUNHA. Sala das Sessffes, em :L6 te novembro de 1993. ill . .ifAr der, , r /7 1 HELVIO ESC' 'O BARCELLOS - Presidente I1I AN .°31,j," ."." :1L,D BUEM° RIBEIRO - Relator lifn -,,r áfr. 19/GUSTA O D3 AMARAL MARTINS - Procurador-Represen- tante da Fazenda Na- cional VISTA EM SESSMO DE: 1 O DE7 1993 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROLHE, TARASIO CAMELO BORGES e jOSE CABRAL GAROEM°. hr/mas/cf-gb 1 N.,: tNTM:: MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO Nr,- SEGUNDO CONSELHO DE coramawwns Processo no 41310.052638/89-23 Recurso no g S5.742 AcórdWo no 202-06.177 Recorreu te WILSON RAMOS ,,RELATORIO 1 O Recorrente, pela Petição de fls. 01, requereu a isenção do ITR em cobrança judicial correspondente ao exercício de 1981 em diante, relativamente ao imóvel rural denominado Fazenda Sereno, área total de 392,4ha, situado no Município de Campina Grande do Sul, PR, inscrito no INCRA sob o código ,701050008656-5, alegando que sua propriedade encontra-se Cr!) zona de preservação permanente, nos termos do art. 22, alíneas a, c e h da Lei no 4.771, de 15/11/65, conforme documentação que anexou. Através da Decisão de fls. 25, o Superintendente , Estadual. INCRA/PR, em 31/08/90, reconheceu a isenção do ITR para 1 o exercício de 1990 relativamente a área de 192,7ha do imóvel em tela, por considera-ia de preservação permanente nos termos do 'art. 3g, alíneas a, c e h da Lei n2 4.771/65g e indeferiu o pedido de isenção do ITR quanto aos exercícios de 1981 a 1989 em virtude do art. 52 da Instrução Especial n2 08/75 do INCRA. 1 Cientificado dessa decisão, o Recorrente, 1 , ,tempestivamente, apresentou a este Conselho o recurso de fls. 29/33 e documentos. anexos As fls. 34/52, alegando, em síntese, queg a) da área total de 383,00 ha de seu imóvel, a éna de 283,79ha é de preservação permanenteg b) a partir de 1978, com a edição dos Decretos nos 5590/78 e 5591/76 do Governo do Estado do Paraná, todo o imóvel passou a sofrer restriç6es por estar localizado na área destinada ao Parque Morumbi, declarada de utilidade pblica para fins de desapropriaç(o; c) a Lei Estadual no 7.919/84 considerou tais àreas rurais de "Especial Interesse Turístico", impondo uma série de restriOes ao pleno uso de direito de propriedade, que levou o Recorrente a manter intocável o seu imóvel desde 1978g cp inobstante todas essas restriçffes, em 25/07/86, o seu imóvel foi abrangido totalmente pelo tombamento com base nos artigos 12, 62, 72 e 82, item 1 da Lei Estadual n2 1.211/53g e) o indeferimento da isenção para a área de op___ 91,091)a, sobre a qual incidem todas as restriç6es acima, fere os mais comezinhos princípios de direitog ,-',. MV àdfr*. MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO viela,* "i4-'nnW SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . Processo non 41310.052638/69-23 Ac6rdWo no n 202-06.177 f) da mesma forma o indeferimento do pedido de redução dos débitos anteriores referentes aos exercícios de 1981 a 1986, objetos de açbes de execu0o fiscal, ao %eu real valor, OU seja, sobre apenas 99,71ha (área total:: 383,50ha, menos as ,áreas cobertas por florestas intocáveis, 283,79ha) e , i i g) seía considerado isento do ITR o remanescente do imóvel e, com fulcro no art. 2o, parag. Op, c/c o art. 26 e 3g da Lei ng 6.830/80, também canceladas as execuOes fiscais referidas por serem incertas e ilíquidas, atribuindo-se-lbes ,corretos valores. , i , 1 1 E o relatório. , , , , , 1 • 91, inr MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 41310.052630/89-23 Acórdão npn 202-06.177 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO De pronto não vejo como apreciar o pleito . do recorrente de redução dos débitos relativos aos exercícios de 1901 a 1986, em fase de execução fiscal, por se tratar de assunto ,encerrado na via administrativa e sob exame na esfera judícial. , Quanto aos demais débitos, referentes a exercícios I porventura ainda submetidos â esfera administrativa, entendo que o exame do mérito da questão colocada neste processo, ou soja, a I área da prop riedade em focci„ caracterizada como de preservação i permanente, ser superior à reconhecida pelo INCRA nãb os afeta, eis que por subordinados aos ditames do Decreto np 70.235/72, sua discussão só é cabível no 2mbita do processo administrativo-. fiscal. Assim sendo, o pronunciamento deste Colegiada sobre essa matéria, pelos seus efeitos cadastrais, só afetariam os lançamentos a ele pos.t.eri(~ , 1Todavia, tendo em vista que, no lapso de tempo decorrido até o presente momento desde a interposição da presente i petição, pode ter ocorrido alteraçbes na caracterização da área I em foco e que a sistemática atual adotada pela SRE para o lançamento do ITR se fundamenta no declarado pela crantriN.t~? na "Declaração Anual de Informaçffes - DITR", conforme instruçffes •constantes de seu "Manual de Preenchimento", considero prejudicado o exame da matéria nos termos colocados neste processo. Daí por que não omilub do nocurso por falta de objeto. Sala das Sessóbs, em 16 de novembro de 1993. ------ T .,4 -- .. ANTSO -11(., b—C., BUENO R_MEIRO , 1
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Numero do processo: 10980.722279/2010-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
Ementa:
IMPUGNAÇÃO PARCIAL. INOCORRÊNCIA.
O pedido para que parcela do crédito tributário constituído seja excluído da peça de autuação não pode ser confundido com ausência de contestação. No caso vertente, em que, de forma expressa, o autuado requer, por meio da peça impugnatória, a retificação do lançamento para fins de exclusão de parte da matéria tributável, a autoridade administrativa julgadora deve, necessariamente, pronunciar-se sobre a procedência do pedido, ainda que ele, o pedido, esteja desacompanhado de argumentos de suporte.
Numero da decisão: 1301-001.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernades Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 Ementa: IMPUGNAÇÃO PARCIAL. INOCORRÊNCIA. O pedido para que parcela do crédito tributário constituído seja excluído da peça de autuação não pode ser confundido com ausência de contestação. No caso vertente, em que, de forma expressa, o autuado requer, por meio da peça impugnatória, a retificação do lançamento para fins de exclusão de parte da matéria tributável, a autoridade administrativa julgadora deve, necessariamente, pronunciar-se sobre a procedência do pedido, ainda que ele, o pedido, esteja desacompanhado de argumentos de suporte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Plínio Rodrigues Lima Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernades Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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INOCORRÊNCIA. O pedido para que parcela do crédito tributário constituído seja excluído da peça de autuação não pode ser confundido com ausência de contestação. No caso vertente, em que, de forma expressa, o autuado requer, por meio da peça impugnatória, a retificação do lançamento para fins de exclusão de parte da matéria tributável, a autoridade administrativa julgadora deve, necessariamente, pronunciarse sobre a procedência do pedido, ainda que ele, o pedido, esteja desacompanhado de argumentos de suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 22 79 /2 01 0- 23 Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.256 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernades Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.257 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2004 a 2008. Por bem sintetizar os fatos apurados, reproduzo, a seguir, Relatório constante na decisão exarada em primeira instância, que, releva destacar, seja em razão da forma adotada, seja em virtude do conteúdo, é merecedor de elogio. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento FiscalDiligência nº 09.1.01.002009016267 (fl. 06) e Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 09.1.01.002010000813 (fls. 574575), foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o Programa de Integração Social, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Auto de Infração de IRPJ 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1435 1451), exige o recolhimento de R$ 153.120.629,93 de imposto, R$ 133.860.829,67 a título de multas de lançamento de ofício de 75% e 150%, previstas no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em sua redação original, e no inciso I e § 1º desse mesmo artigo, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 38.763.785,52 de juros de mora, além de R$ 85.576.753,86 de multa de ofício isolada. 3. O lançamento fiscal, com base no lucro real anual, nos termos do art. 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), decorre das seguintes infrações: 3.1. falta de reconhecimento da receita auferida em operações de swap, conforme descrito no subitem 3.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393), com infração ao disposto nos arts. 251, parágrafo único, 288 e 373 c/c 375, parágrafo único, do RIR de 1999, com aplicação da multa de ofício de 150%: . anocalendário de 2007 ............................................. R$ 95.965.358,87 . anocalendário de 2008 ............................................. R$ 147.800.825,76 3.2. glosa de despesas operacionais não necessárias e não usuais à atividade da empresa, correspondentes a encargos financeiros sobre três operações de empréstimos em moeda estrangeira cujos recursos foram integralmente utilizados na aquisição de títulos da dívida pública da Áustria e commercial papers emitidos pelo ICO (agência vinculada ao Ministério da Economia e Finanças da Espanha), conforme descrito no subitem 3.1 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393), com infração ao disposto no art. 249, I, 299 e 374 do RIR de 1999, com aplicação da multa de ofício de 75%: Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.258 4 . anocalendário de 2005 ............................................. R$ 50.881.617,86 . anocalendário de 2006 ............................................. R$ 70.489.231,02 . anocalendário de 2007 ............................................. R$ 89.374.540,02 . anocalendário de 2008 ............................................. R$ 49.806.453,13 3.3. omissão de receitas financeiras produzidas por títulos da dívida pública da Áustria e commercial papers emitidos pelo ICO, pagas pelos Bancos Credit Suisse First Boston (com sede de direção nas Bahamas) e ING Bank NV (com sede de direção na Holanda), respectivamente, mas não oferecidas à tributação com base em tratados para evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre a renda e sobre o capital, conforme descrito no subitem 3.2 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393), com infração ao disposto nos arts. 251, parágrafo único, e 373 c/c 375, parágrafo único, do RIR de 1999, com aplicação da multa de ofício de 75%: . anocalendário de 2007 ............................................. R$ 49.932.456,99 . anocalendário de 2008 ............................................. R$ 138.711.628,45 3.4. exclusão indevida, na apuração do lucro real, de valores correspondentes a créditos de PIS e Cofins, conforme descrito no subitem 4.1 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393), com infração ao disposto no art. 250, I, do RIR de 1999, com aplicação da multa de ofício de 75%: . anocalendário de 2006 ............................................. R$ 79.844.225,89 3.5. glosa de exclusão indevida, na apuração do lucro líquido, de valores a título de CSLL diferida, conforme descrito no subitem 4.2 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393), com infração ao disposto no art. 250, I, do RIR de 1999, com aplicação da multa de ofício de 75%: . anocalendário de 2007 ............................................. R$ 2.277.281,06 . anocalendário de 2008 ............................................. R$ 10.110.009,31 3.6. multa de ofício isolada de 50% sobre o valor do IRPJ não recolhido sobre base de cálculo estimada, em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução do pagamento, conforme descrito no item 5 Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393), com infração ao disposto nos arts. 222 e 957, IV, do RIR de 1999: . 31/03/2005................................................................. R$ 618.958,74 . 30/04/2005................................................................. R$ 1.268.189,50 . 31/05/2005................................................................. R$ 1.421.550,91 . 30/06/2005................................................................. R$ 1.624.746,72 . 31/07/2005................................................................. R$ 2.513.467,41 . 31/08/2005................................................................. R$ 2.988.397,81 . 30/09/2005................................................................. R$ 1.141.494,82 . 30/11/2005................................................................. R$ 186.739,53 Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.259 5 . 30/04/2006................................................................. R$ 11.921.058,56 . 30/06/2006................................................................. R$ 1.179.517,86 . 31/07/2006................................................................. R$ 2.447.434,16 . 31/08/2005................................................................. R$ 1.282.210,04 . 31/10/2006................................................................. R$ 1.776.203,51 . 30/06/2007................................................................. R$ 3.223.152,18 . 31/07/2007................................................................. R$ 1.285.983,57 . 31/08/2007................................................................. R$ 744.255,58 . 30/09/2007................................................................. R$ 118.699,24 . 31/10/2007................................................................. R$ 683.365,99 . 31/12/2007................................................................. R$ 20.971.283,97 . 31/08/2008................................................................. R$ 5.618.853,63 . 30/09/2008................................................................. R$ 2.697.248,83 Autos de Infração de PIS 2. O auto de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS de fls. 14521456 exige o recolhimento de R$ 4.022.142,04 de contribuição e R$ 6.033.213,06 a título de multa de lançamento de ofício de 150%, prevista no art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, além de R$ 733.257,16 de juros de mora. O lançamento decorre da falta de reconhecimento da receita auferida em operações de swap, conforme descrito no subitem 3.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393), e tem como fundamento legal os arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 3. O auto de infração de PIS de fls. 14111415 exige o recolhimento de R$ 224.347,20 de contribuição e R$ 168.260,40 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 86, § 1º, da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 2º da Lei nº 7.683, de 2 de dezembro de 1988, e art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, além de R$ 101.898,49 de juros de mora. O lançamento decorre da apuração indevida de créditos de PIS sobre insumos, no valor de R$ 13.596.800,00, utilizados no reparo de locomotivas de propriedade de terceiros (ALL Intermodal S/A), conforme descrito no item 2 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393), e tem como fundamento legal os arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637, de 2002. Autos de Infração de Cofins 4. O auto de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins de fls. 14571461 exige o recolhimento de R$ 18.526.230,02 a título de contribuição e R$ 27.789.345,02 de multa de lançamento de ofício de 150%, prevista no art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, além de R$ 3.377.426,97 de juros de mora. Tem como fundamento os arts. 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, refere Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.260 6 se à receita auferida em operações de swap, conforme descrito no subitem 3.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls.13531393). 5. O auto de infração de Cofins de fls. 14181422 exige o recolhimento de R$ 1.033.356,80 a título de contribuição e R$ 775.017,60 de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, além de R$ 469.350,65 de juros de mora. Esse lançamento também tem como fundamento os arts. 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.833, de 2003, e decorre da apuração indevida de créditos de Cofins sobre insumos, no montante de R$ 13.596.800,00, utilizados no reparo de locomotivas de propriedade de terceiros, conforme descrito no item 2 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393). Autos de Infração de CSLL 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL de fls. 14621473 exige o recolhimento de R$ 55.318.479,97 de contribuição e R$ 48.319.223,21 a título de multas de lançamento de ofício de 75% e 150%, previstas no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de 1996, em sua redação original, e no inciso I e § 1º desse mesmo artigo, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, além de R$ 14.032.146,51 de juros de mora. 5. O lançamento decorre das infrações descritas nos subitens 3.1, 3.2, 3.3, 4.1 e 4.2 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393) e tem como fundamento o disposto nos arts. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 36 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 6. O auto de infração de CSLL de fls. 14251432 exige o recolhimento de R$ 28.137.724,47 de multa de ofício isolada aplicada em decorrência da falta de recolhimento da CSLL devida sobre base de cálculo estimada, com infração ao disposto nos arts. 222 e 957, IV, do RIR de 1999. Termos de Sujeição Passiva Solidária 7. A autoridade fiscal considerou que a captação de recursos junto aos Bancos Credit Suisse First Boston e Ing Bank NV e sua imediata aplicação na aquisição de títulos de renda fixa no exterior, nas mesmas instituições financeiras, e no mesmo dia dos empréstimos, em operações casadas, caracteriza desvio de finalidade para os quais esses recursos foram captados e não asseguram a gestão permanente dos negócios sociais da empresa, razão pela qual a Diretoria, ao dar um destinação diferente ao descrito no objeto social constante do art. 2º do seu Estatuto Social (prestar serviços de transporte ferroviária nos Estados da Região Sul do Brasil), colocou em risco, inclusive, a solvência da Companhia, assumindo a responsabilidade pessoal desses atos praticados com excesso de poderes ao Estatuto Social. 8. Portanto, conforme descrito no item 7 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 13531393), foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária a seguir relacionados, com fundamento no art. 124 combinado com o art. 135, III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN): . Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 (fls. 14761477), em nome de Bernardo Vieira Hees (CPF nº 014.274.97702), cientificado por via postal em 09/09/2010 (AR à fl. 1499) Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.261 7 . Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 02 (fls. 14781479), em nome de Pedro Roberto Oliveira Almeida (CPF nº 072.101.32520); . Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 03 (fls. 14801481), em nome de Alexandre de Moraes Zanelatto (CPF nº 016.330.379750), cientificado por via postal em 09/09/2010 (AR à fl. 1500); . Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 04 (fls. 14821483), em nome de Eduardo Machado de Carvalho Pelleisone (CPF nº 271.675.94805), cientificado por via postal em 10/09/2010 (AR à fl. 1501) . Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 05 (fls. 14841485), em nome de Paulo Luiz Araújo Basílio (CPF nº 665.169.51187), cientificado por via postal em 13/09/2010 (AR à fl. 1502); . Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 06 (fls. 14861487), em nome de Rodrigo Barros de Moura Campos (CPF nº 146.606.48893), cientificado por via postal em 13/09/2010 (AR à fl. 1503); . Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 07 (fls. 14881489), em nome de Sérgio Luiz Nahuz (CPF nº 076.718.92726), cientificado por via postal em 09/09/2010 (AR à fl. 1504); . Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 08 (fls. 14901491), em nome de ALL – América Latina Logística S/A (CNPJ nº 02.387.241/000160), cientificado por via postal em 09/09/2010 (AR à fl. 1505). Impugnação 9. Regularmente intimada em 31/08/2010, a interessada, por intermédio de seu representante legal (Ulhôa Canto, Rezende e Guerra Advogados, mandato às fls. 15661570), apresentou, em 29/09/2010, a tempestiva impugnação de fls. 1508 1564, instruída com os documentos de fls. 15711643, cujo teor é sintetizado a seguir: a) com relação à glosa de encargos financeiros sobre operações de captação de recursos (subitem 3.1 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal), argúi que celebrou em 13/12/2004, 14/07/2006 e 23/05/2008 contratos de empréstimos com instituições financeiras a ela não vinculadas, nos valores de, respectivamente, R$ 241.810.400,00, R$ 331.711.530,00 e R$ 247.140.000,00; os dois primeiros empréstimos foram obtidos de Credit Suisse First Boston (CSFB), em Bahamas e no Brasil, respectivamente, enquanto o último foi obtido de ING Bank NV (ING), com sede na Holanda; em todos eles, a controladora figurou como garantidora e avalista; que as despesas financeiras correspondentes (R$ 260.551.842,03) foram apropriadas e deduzidas do lucro real e da base de cálculo da CSLL ao longo dos anoscalendário de 2005 a 2008; b) que a maior parte dos recursos obtidos foi aplicada na aquisição de títulos da dívida pública da Áustria e da Espanha, por intermédio da CSFB e da ING, respectivamente; que esses títulos, com alta liquidez e baixo risco, geraram receitas financeiras devidamente reconhecidas na escrituração contábil e fiscal (e excluídas do lucro real e da base de cálculo da CSLL); c) que esclareceu no curso da ação fiscal que sua atividade exige elevados níveis de caixa, o que o fiscalização considerou ser prática anormal e não usual; que a fiscalização também teceu uma série de críticas à forma de contabilização dos Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.262 8 empréstimos e dos títulos da dívida pública, mas tais questionamentos, além de incorretos, são inteiramente irrelevantes para fins fiscais; d) por considerar que os empréstimos eram desnecessários e desvinculados das atividades da contribuinte, a fiscalização entendeu que consubstanciaram ato celebrado em infração ao estatuto da empresa, o que, nos termos do art. 135, III, do CTN, ensejaria a responsabilização solidária dos diretores pelo crédito tributário apurado sobre a glosa dos encargos financeiros; que a controladora também foi responsabilizada solidariamente pelo crédito tributário com base no art. 124, I, do CTN; e) no que diz respeito à receitas financeiras com títulos da dívida ativa emitidos pelo Governo da Áustria e pelo ICO, entidade pública vinculada ao Governo da Espanha (subitem 3.2 do Termo de Verificação), aduz que as considerou isentas em face das Convenções previstas nos Decretos nºs 72.542, de 30/07/1973 (Convenção Áustria) e 76.975, de 02/01/1976 (Convenção Espanha); que os títulos adquiridos por intermédio do ING foram emitidos pelo Governo da Espanha, por meio do ICO, conforme comprova o extrato da operação de aquisição emitido pela Euroclear Bank SA/NV (fls. 1021 e 1023); f) quanto à falta de reconhecimento da receita auferida em operações de swap (subitem 3.3 do Termo de Verificação), relata que a fiscalização argumentou que não teria havido hedge no caso concreto porque o objeto dos contratos de swap não estaria relacionado com a atividade operacional da interessada, porquanto realizadas para se proteger das variações cambiais dos empréstimos; que a própria fiscalização afirmou que, embora não tenha reconhecido os ganhos, a contribuinte igualmente não reconheceu as perdas de variações cambiais, as quais entendeu serem indedutíveis;. g) que a autoridade fiscal considerou que a contribuinte omitiu o registro contábil de operações financeiras dos anoscalendário de 2007 e 2008 em seus livros fiscais, e que tal prática constituise em fraude, pois impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador, o que ensejou a qualificação da multa de ofício; h) com relação à exclusão indevida, na apuração do lucro real, de valores a título de créditos de PIS e Cofins (subitem 4.1 do Termo de Verificação), concorda com a autuação correspondente e informa que a exigência correspondente foi incluída no parcelamento instituído pelos arts. 1º e seguintes da Lei nº 11.941, de 2009; i) quanto à exclusão, na apuração do lucro real, de valores a título de CSLL diferida (subitem 4.2 do Termo de Verificação), alega que se refere ao benefício econômico da compensação de bases negativas de CSLL; j) no que se refere à multa de ofício isolada (item 5 Termo de Verificação), aduz que como as infrações descritas nos itens anteriores também resultaram no recolhimento a menor das antecipações mensais de IRPJ e CSLL, também são comuns as razões de defesa; k) acrescenta, com relação aos encargos financeiros decorrentes da celebração de empréstimos com o CSFB e o ING, que as operações envolveram atividade absolutamente normal e usual para qualquer empresa, e podem ser resumidas da seguinte forma: a) obtenção de três empréstimos em moeda estrangeira, dois com o CSFB e um com o ING; b) aplicação financeira dos recursos obtidos com os empréstimos em títulos da dívida pública dos governos da Áustria e Espanha; c) celebração de contratos de swap (para troca de fluxos financeiros de denominação Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.263 9 cambial diversa) com o objetivo de se proteger (hedge) de eventual variação cambial passiva; l) esclarece que detém a concessão de ferrovias nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; que a atividade ferroviária e logística caracterizase por necessidade de investimentos significativos (malha, trens, armazéns, pátios, caminhões, pessoal, promoção do desenvolvimento sócioeconômico das áreas de influência, etc.) e, consequentemente, demanda capital intensivo; que, como é comum em concessões desse porte, o retorno do investimento se dá em longo prazo; que os custos de captação e a disponibilidade de recursos no mercado variam demasiadamente e que não pode correr o risco de deixar de fazer investimentos ou cumprir suas obrigações em virtude da escassez ou do custo de captação de recursos, motivo pelo qual adota a política de sempre manter um nível de caixa compatível com suas atividades; que identificou que as condições para contratação de empréstimos com a CSFB e o ING representavam custo de financiamento bastante inferiores às taxas de mercado; que os empréstimos eram necessários, sob pena de levar a impugnante à insolvência, e se justificam como estratégia de não ficar exposta à volatilidade do mercado financeiro; m) contesta a alegação da autoridade fiscal de que os empréstimos não seriam usuais e normais e que as operações seriam casadas e, portanto, as despesas indedutíveis (IN SRF nº 48, de 1971); assevera que anormal e pouco usual é deixar recursos (sejam próprios ou decorrentes de empréstimos) parados em conta corrente quando há opções de aplicação financeira de baixo risco que propiciam melhor retorno; que a jurisprudência administrativa é pacífica no sentido de que são dedutíveis os juros decorrentes de empréstimos cujos recursos tenham sido repassados a terceiros e geraram receitas financeiras, ainda que não tributáveis por força de Convenção para evitar a dupla tributação; n) acrescenta que na definição da dedutibilidade das despesas relacionadas aos empréstimos, a fiscalização não deveria levar em consideração elementos subjetivos, relacionados à política de gestão de caixa da impugnante; em relação à alegação de que as despesas seriam indedutíveis por força da IN SRF nº 48/71, aduz que esse diploma legal teve por exclusiva e expressa finalidade combater estruturas que visavam permitir a remuneração de depósitos à vista, o que era vedado pela Resolução Bacen nº 114/69, que foi revogada pela Resolução CMN nº 225/72; que a IN SRF nº 48/71 sequer tem aplicação prática e não poderia fundamentar questionamentos relativos à dedutibilidade dos juros pagos nos empréstimos; o) quanto à alegação fiscal de incorreta classificação no ativo circulante de títulos emitidos pelo Governo da Áustria com vencimento em longo prazo, e em seu passivo de longo prazo de obrigações com vencimento no curto prazo, destaca que a data do vencimento dos títulos da dívida pública é totalmente irrelevante, pois representam apenas o prazo máximo de resgate, o que não significa que não poderiam ser alienados antes desse prazo, conforme informou em nota explicativa das demonstrações financeiras; que o erro na classificação de empréstimo no passivo de longo prazo em nada prejudicou a análise da situação patrimonial, pois o vencimento do empréstimo também constou de nota explicativa; p) ainda que as despesas financeiras em causa fossem consideradas indedutíveis para fins de IRPJ por não atenderem aos requisitos do art. 299 do RIR de 1999, sua dedução deveria ser aceita para fins de CSLL, cuja dedutibilidade não está condicionada à comprovação de sua necessidade, bastando que as despesas tenham sido pagas ou incorridas; Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.264 10 q) acrescenta, com relação à exclusão das receitas financeiras, que a fiscalização não questiona a natureza e a existência dos títulos emitidos pelo Governo da Áustria, mas pretende afastar a aplicação da Convenção com base na alegação de que a operação teria sido realizada entre a impugnante e o CSFB, com sede de direção em Bahamas; em relação aos títulos emitidos pelo Governo da Espanha, por meio do ICO, a fiscalização sustenta que não teria apresentado nenhum documento comprovando tratarse de título da dívida pública da Áustria; que, de fato, os títulos emitidos pelo ICO não guardam relação com a Áustria, pois foram emitidos por entidade vinculada ao Governo da Espanha; r) que a fiscalização demonstra desconhecer a natureza dos investimentos em títulos públicos, cuja emissão é forma corriqueira de financiamento adotado pelos governos; que esses títulos podem ser adquiridos diretamente do emitente, por intermédio de instituições financeiras, ou mesmo de terceiros, no mercado secundário; que qualquer que seja a forma de aquisição, os rendimentos produzidos continuarão a ser juros pagos pelos emitentes (Governos da Áustria e da Espanha) ao adquirente dos títulos; s) que a Convenção Áustria e a Convenção Espanha dispõem que os “os juros serão considerados provenientes de um estado contratante quando o devedor for esse próprio estado, uma subdivisão política ou um residente desse estado” e que “os juros da dívida pública, de títulos ou debêntures emitidos pelo governo de um estado contratante ou qualquer agência (inclusive uma instituição financeira) de propriedade daquele governo e pagos a um residente de outro estado contratante só são tributáveis no primeiro estado”. t) alega (que) a Convenção Áustria alcança a tributação da CSLL (criada pela Lei nº 7.689, de 1988, com amparo no art. 195, I, da Constituição Federal), que é imposto idêntico ou substancialmente semelhante ao imposto de renda; que o fato de o direito brasileiro prever diversas espécies de tributos (impostos, taxas, contribuições de melhoria, de seguridade social, corporativas e de intervenção no domínio econômico) não é bastante para se adotar uma interpretação literal dos dispositivos da Convenções para restringilos aos impostos, no sentido estrito; u) que a Convenção de Viena, considerada internacionalmente como regra de interpretação das convenções internacionais, determina que “um tratado deve ser interpretado de boa fé, de conformidade com o sentido comum que deve ser atribuído aos termos do tratado em seu contexto e à luz do seu objetivo e finalidade” (art. 31); que no direito brasileiro, o Código Civil impõe a observância dos princípios da boa fé contratual e da prevalência da intenção das partes sobre a sua expressão literal (arts. 422 e 112, respectivamente); assim, interpretada de “boa fé, de conformidade com o sentido comum que deve ser atribuído aos termos do tratado em seu contexto e à luz do seu objetivo e finalidade”, a menção da Convenção a “impostos” somente pode ser entendida como feita a “tributos”; v) que é inegável que a CSLL é substancialmente semelhante ao IRPJ, tanto que o caput do art. 21 da Medida Provisória nº 2.15834, de 2001, que disciplina a tributação de lucros oriundos do exterior pela CSLL, reportase à legislação do IRPJ e o seu parágrafo admite a compensação, contra a CSLL, de eventual saldo de crédito de imposto de renda pago no exterior que não seja compensado no Brasil contra o IRPJ; que a melhor doutrina e a jurisprudência administrativa são pacíficas em reconhecer a aplicação das Convenções à CSLL; w) acrescenta quanto à não tributação dos ganhos auferidos nas operações de swap (subitem 3.3 do Termo de Verificação), que não teriam sido incluídos no lucro real e na base de cálculo da CSLL por terem sido equivocadamente contabilizados Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.265 11 pelos valores líquidos, que a forma dessa contabilização não é vedada pelas normas contábeis vigentes à época dos fatos; que efetuar a contraposição das despesas de swap que ajustam os valores das despesas financeiras não só não está vedada como é até exigida para fins de divulgação; já para fins de escrituração, não havia, nas regras contábeis, de qualquer nível, qualquer vedação para tal compensação à época; x) ainda que assim não fosse, o procedimento adotado não resultou em reconhecimento de tributo a menor, porque o nãoreconhecimento dos ganhos/perdas nas operações de swap foi neutralizado pelo nãoreconhecimento de receitas/despesas de variação cambial no mesmo montante; que, aliás, esse fato não deveria causar qualquer estranheza, na medida em que, esse é justamente o propósito de operações de swap realizadas com fins de proteção; y) que na operação descrita pelo item 3.3, “a”, do Termo de Verificação houve perda de swap em função de uma receita anterior de variação cambial na liquidação de um dos empréstimos; já na operação descrita pelo item 3.3, “b” desse Termo de Verificação houve um ganho de swap em função de uma despesa anterior de variação cambial na liquidação de outro dos empréstimos, cuja perda incorrida se qualifica como dedutíveis; z) esclarece que swap é o contrato pelo qual as partes trocam fluxos financeiros, que se compensam no momento do pagamento, fazendo com que a liquidação das obrigação se dê pela diferença; que dada a volatilidade dos fluxos trocados em função das conjunturas de mercado, não se de pode garantir, até o momento da liquidação, qual parte terá que efetivamente pagar à outra; que no Brasil o contrato de swap não é definido em lei e nem é contrato típico de permuta; que é um contrato atípico que não encerra necessariamente uma especulação e tem finalidade precípua de proteção em face de suas obrigações vincendas; que o swap é um contrato, enquanto hedge é um propósito, uma finalidade, um objetivo, uma estratégia; que não existe um contrato de hedge, mas sim vários negócios jurídicos que, individual ou conjuntamente, se prestam à satisfação de tal propósito, tais como as compras e vendas a termo, as opções e os próprios contratos de swap; que pode haver um swap com propósito de hedge, como também pode haver um swap especulativo; aa) que o hedge tem propósito de cobertura de um risco, o de estabilização, de limitação, de proteção de um ativo ou passivo da pessoa que o realiza; enquanto o hedge objetiva eliminar ou reduzir o risco de uma perda, a especulação procura potencializar um ganho possível, ainda que também se potencialize a perda decorrente da nãorealização desse ganho possível; no Brasil, o hedge, tal como o swap, não foi definido em lei civil ou comercial, mas há referências ao hedge na legislação fiscal e cambial brasileira; o art. 77 da Lei nº 8.981, de 1995, determina que somente se qualificam como operações de hedge aquelas que sejam: i) relacionadas às atividades operacionais da pessoa jurídica ou; ii) se destinem à proteção de direitos ou obrigações dessa pessoa jurídica; que, conforme interpretação adotada no art. 32 da IN SRF nº 123, de 1999, e art. 35, § 2º, da IN SRF nº 25, de 2001, as duas condições não são cumulativas; bb) que no caso concreto, a fiscalização procurou demonstrar que as operações de swap não eram relacionadas às atividades da impugnante para justificar a indedutibilidade das perdas a elas referentes (requisito “i”), mas em nenhum momento afirmou que os swap não se destinavam à proteção de direitos ou obrigações da impugnante (requisito “ii”), e nem se poderia têlo feito, já que é evidente e incontroverso que os swaps em causa não têm caráter especulativo; Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.266 12 cc) acrescenta que o fato é que essas operações de swap atenderam ao requisito constante do art. 77, § 1º, “a”, da Lei nº 8.981, de 1995, de serem relacionados a sua atividade operacional; que, com efeito, administrar recursos e estabelecer políticas de proteção contra riscos fazem parte da realidade de qualquer empresa, uma vez que são inerentes à atividade econômica; que agir de forma prudente (fazendo hedge) e contratar swaps que reduziram o risco cambial não poderia jamais ser consideradas providências estranhas ou desvinculadas da atividade da impugnante; que as perdas decorrentes dos swaps celebrados se qualificam como dedutíveis e que a forma utilizada para contabilizálas e tributálas não provocou qualquer prejuízo ao fisco; dd) relata que em junho/2006 contratou empréstimo com o Banco CSFB no montante de 17.310.000.000,00 ienes (R$ 331.711.530,00), com taxa de juros de 1,42% ao ano; para afastar os riscos inerentes à contratação de um passivo em moeda estrangeira, efetuou contrato de swap de iene, com taxa de juros de 1,42% ao ano, para real, com taxa de juros de R$ 107,8% do CDI; que contabilizou mensalmente apenas as despesas de juros do contrato de swap efetuado (R$ 65.923.417,84) – já que os resultados decorrentes da variação cambial do iene e da taxa de juros previstas no contrato de empréstimo estavam cobertos pelo contrato de swap – totalizando uma obrigação de R$ 397.634.947,84 em 18/12/2007; ee) como o empréstimo foi liquidado por R$ 282.909.936,18, a não contabilização da receita de variação cambial de R$ 114.725.011,66, vinculada à redução do valor de empréstimo, foi compensada em uma perda na operação de cobertura (swap) no mesmo valor, que também deixou de ser contabilizada; que esse procedimento não provocou qualquer distorção na quantificação do lucro real; que o Termo de Verificação indica a existência de uma omissão de receita no valor de R$ 95.965.358,87, cujo valor não corresponde a qualquer receita, mas referese à parcela dos recursos utilizados para quitar a perda na operação de swap; ff) afirma que em maio/2008 contratou um terceiro empréstimo com o ING Bank NV no montante de 15.518.269.500,00 ienes (R$ 247.140.000,00), com uma taxa de juros de 1,15% ao ano; que contratou operação de swap em iene, com taxa de juros de 1,42% ao ano, para real, com taxa de juros de 14,30% ao ano; que, como contabilizou mensalmente apenas as despesas de juros do contrato de swap efetuado (R$ 20.607.060,85), o saldo da obrigação registrada em 22/12/2008 (data da liquidação do empréstimo) era de R$ 267.747.060,85; que o empréstimo foi liquidado por R$ 415.547.761,65, pois o iene havia valorizado frente ao real e a não contabilização da despesa de variação cambial de R$ 147.795.706,30 foi neutralizada por um ganho na operação de cobertura de (swap) no mesmo valor; que a fiscalização trata o acréscimo do valor do empréstimo em razão a variação cambial passiva como perda na operação de swap, o que não é verdade; gg) que é absurda a pretensão fiscal de tratar como indedutível a despesa de variação cambial pelo simples fato de estar vinculada à captação de empréstimo, na medida em que tal decréscimo foi neutralizado por uma ganho secundário, qual seja, o ganho na operação de swap; mesmo que a fiscalização pudesse demonstrar que o procedimento adotado pela impugnante não tenha sido o mais apropriado em termos contábeis, ele não causou qualquer distorção na quantificação de seu lucro real pois, se de um lado não tributou a ganho na operação de swap, de outro ela não deduziu a despesa com a variação cambial; hh) argumenta que é descabida a pretensão fiscal de exigir PIS e COFINS sobre as receitas financeiras decorrentes dos contratos de swap, pois o art. 1º do Decreto nº 5.442, de 2005, reduziu a zero as alíquotas incidentes sobre as receitas Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.267 13 financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa; ii) o Termo de Verificação indica ainda que a impugnante teria pleiteado a restituição do valor do IRRF sem que o respectivo ganho de swap tivesse composto o seu lucro real; que, entretanto, o procedimento contábil adotado pela impugnante estava correto e, mesmo que não estivesse, não importou em qualquer prejuízo para o fisco, na medida em que a quantificação do lucro real seria a mesma caso os resultados de variação cambial e swap em contas de resultado tivessem sido efetuados; que, assim, não há nenhuma irregularidade no pedido de restituição do IRRF, uma vez que tais valores lhe eram devidos; jj) quanto à exclusão indevida de R$ 79.844.225,89 do lucro real e da base de cálculo de CSLL a título de créditos de PIS e Cofins (subitem 4.1 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal), alega que já havia informado no curso da ação fiscal que referido débito seria incluído no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009; tanto é assim que, de fato, em 17/11/2009, efetuou requerimento de adesão ao referido parcelamento, o qual foi deferido pela autoridade fiscal; que a descrição dos fatos, o enquadramento legal e mesmo a indicação da data de ocorrência do fato gerador foram efetuados de forma incorreta no auto de infração, incluídos no subitem 4.2 do Termo de Verificação, o que já seria suficiente para determinar o cancelamento da exigência correspondente; kk) acrescenta, no que diz respeito à exclusão indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL a título de CSLL diferida (subitem 4.2 do Termo de Verificação), que, embora conste do Termo de Verificação que não teria atendido solicitação de esclarecimento, demonstrou que os valores excluídos referemse a ativos fiscais diferidos, correspondentes aos valores dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL a recuperar em períodos futuros (fl. 1254); que o valor do ativo fiscal referente à base de cálculo negativa de CSLL foi informado em valor inferior ao correto; ll) que a escrituração do ativo diferido é determinada pelo IBRACON, conforme se extrai do pronunciamento veiculado por meio da Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários CVM nº 273/98; que o reconhecimento do ativo fiscal diferido nas demonstrações financeiras teve como contrapartida um lançamento em conta de receita, que não se sujeita à tributação do IRPJ e da CSLL, conforme Solução de Consulta nº 21, de 2001, da SRRF da 9ª RF; mm) com relação às multas pela insuficiência no recolhimento de antecipações mensais (item 5 do Termo de Verificação), aduz que a fiscalização aplicou a multa isolada, de uma lado, e as multas de ofício e qualificada, de outro, sobre as mesmas infrações; que a exigência de multa de ofício isolada somente se sustenta na hipótese de o rendimento sujeito à sistemática de estimativa mensal ter sido incluído no montante dos rendimentos tributáveis declarados no final do períodobase e o IRPJ incidente sobre o mesmo já ter sido pago; em outras palavras, isolada ou conjuntamente (com o tributo não pago) são apenas formas pelas quais podem ser exigidas as penalidades, mas não indicam hipóteses autônomas da aplicação da multa; que, além disso, a imposição de multa isolada na hipótese de não cumprimento de obrigação principal (no caso, de recolher IRPJ por estimativa) ofende o art. 97, V. combinado com o art. 113, ambos do CTN, que somente autorizam a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória; nn) no que diz respeito à multa qualificada de 150% sobre a falta de tributação dos ganhos de swap ((item 6 do Termo de Verificação), argumenta que sua Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.268 14 aplicação se justifica quando restar comprovada a existência de dolo do contribuinte em fraudar a Fazenda Pública; que é descabida sua aplicação quando a fraude é apenas presumida, e não provada; que a definição das situações que autorizam a qualificação da multa deve ser buscada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964; que as figuras da sonegação e fraude previstas nesses arts. 71 e 72 correspondem a tipos penais dolosos, previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990; que a Lei nº 9.430, de 1996, ao determinar a aplicação da multa qualificada nessas hipóteses, faz referência à imposição de outras “penalidades (...) criminais cabíveis”; oo) que nas hipóteses previstas na Lei nº 8.137, de 1990, a conduta criminosa e, portanto, também a fraude, têm como pressuposto a existência de um elemento doloso de falsidade, inexatidão ou omissão; é por essa razão que a jurisprudência administrativa vem entendendo ser cabível a aplicação da multa qualificada de 150% apenas nos casos em que fica provada a existência daqueles pressupostos; pp) que o auto de infração exige multa agravada (sic) por entender que a forma de contabilização dos swaps teria a finalidade de ocultar despesas não dedutíveis, e conseqüentemente acarretar o nãooferecimento à tributação dos ganhos nesses contratos, o que caracterizaria “vontade consciente do agente em provocar dano ou violar a lei”; conforme já relatado, a impugnante demonstrou que os empréstimos eram usuais e necessários a sua atividade; que os swaps tinham efetivamente função de proteção (hedge), estavam relacionados à sua atividade e foram contabilizados de acordo com as normas contábeis, mais restritivas do que as fiscais; qq) que, ao inferir que a impugnante agiu dolosamente ao supostamente contabilizar equivocadamente suas operações de swap por mais de um exercício, a fiscalização presumiu que teria havido intenção de fraudar a lei, mas em nenhum momento trouxe evidências que comprovassem o dolo; que respondeu, tempestivamente, a todas as intimações da fiscalização e jamais faltou com a verdade e que conduta adota foi totalmente regular e, portanto, não há que se falar em dolo, e a repetição do procedimento em dois anoscalendário seguidos, se pudesse ser considerada equivocada, jamais poderia ser entendida como indício de que se tratou de vontade consciente de ocultar fato gerador, já que fato gerador não houve; rr) ao final conclui: i) em relação ao subitem 3.1 do Termo de Verificação: a) as despesas incorridas com os empréstimos foram usuais, normais e necessárias para a obtenção de receitas financeiras, de forma que tais despesas são legítimas e dedutíveis para fins de apuração da base do cálculo do IRPJ e da CSLL; b) é absurda a alegação feita pela fiscalização de que a impugnante teria, intencionalmente, contabilizado de forma incorreta as receitas decorrentes dos títulos da divida pública e as obrigações decorrentes do empréstimo celebrado com o CSFB em junho/2006, com o objetivo de aparentar uma situação financeira mais favorável do que a real; c) a dedutibilidade de despesas para fins de CSLL não se subordina aos requisitos do art. 299 do RIR de 1999, bastando, para tanto, que elas tenham sido pagas ou incorridas; ii) em relação ao subitem 3.2 do Termo de Verificação: a) os rendimentos produzidos pelos títulos da dívida pública se enquadram no disposto no art. 11.3.b da Convenção Áustria e no art. 11.4.b da Convenção Espanha, de forma que devem ser excluídos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; b) a CSLL é “substancialmente semelhante” ao IRPJ, de forma que a ela se aplicam os dispositivos constantes da Convenção Áustria e da Convenção Espanha; Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.269 15 iii) em relação ao subitem 3.3 do Termo de Verificação: a) os contratos de swap celebrados pela impugnante atendem o requisito constante do art. 77, § 1º, “b”, da Lei nº 8.981, de 1995, de forma que as perdas decorrentes desses contratos se qualificam como dedutíveis; b) ainda que o procedimento contábil adotado pela impugnante para o registro dos contratos de swap estivesse incorreto, dele não decorre qualquer distorção na quantificação de seu lucro real, pois se de um lado não foi tributado o ganho na operação de swap, de outro não foi deduzida a despesa com a variação cambial incidente sobre o empréstimo; c) não há que se falar em tributação pelo PIS e pela Cofins das receitas financeiras decorrentes dos contratos de swap, em virtude do art. 1º do Decreto nº 5.442, de 2005; iv) em relação ao subitem 4.1 do Termo de Verificação: a) a impugnante já reconheceu o débito referente a este item e o incluiu no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, de maneira que o auto de infração deve ser retificado para excluir o valor referente aos créditos de PIS e Cofins deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; v) em relação ao subitem 4.2 do Termo de Verificação: a) os valores mencionados neste item referemse a ativos fiscais diferidos, correspondentes aos valores de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL a recuperar em períodos futuros; b) o reconhecimento contábil desse ativo diferido obedece a uma orientação do IBRACON, adotada pela CVM como procedimento a ser observado pelas companhias; c) a contrapartida contábil do registro do ativo diferido é uma receita, a qual deve ser excluída da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme orientação da própria Receita Federal e do CARF; vi) em relação ao item 5 do Termo de Verificação: a) a cobrança de multa isolada não é admitida quando o fato que lhe deu origem já foi considerada na base de cálculo da multa de ofício, pois, se assim fosse, terseia uma penalidade sobre a fração de um “todo”, e outra penalidade sobre esse mesmo “todo”, configurando evidente duplicidade; b) a imposição de multa isolada na hipótese de não cumprimento de obrigação principal (no caso, de recolher o IRPJ por estimativa) ofende o art. 97, V, c/c art. 113, ambos do CTN, que somente autorizam a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória, conforme já reconheceu o 1º CC; vii) em relação ao item 6 do Termo de Verificação: a) não há fundamento para exigência de multa agravada (sic) da impugnante, pois não havia nenhuma norma contábil que impedisse o registro contábil dos contratos de swap tal como realizado pela impugnante; b) ainda que a conduta da impugnante implicasse recolhimento a menor de tributo, a cobrança da multa agravada (sic) está condicionada à demonstração de evidente intuito de fraude (conforme entendimento sumulado do 1º CC), que, no caso, dependeria da comprovação de que o procedimento adotado pela impugnante foi propositalmente equivocado; todavia, a existência de Parecer validandoo afasta essa possibilidade; c) a fiscalização se baseou em presunções para justificar a aplicação da multa de 150%, o que é rejeitado pela jurisprudência pacífica do 1º CC; ss) requer sejam julgados improcedentes os autos de infração, com a conseqüente extinção do crédito tributário deles decorrentes. 10. Os responsáveis solidários Bernardo Vieira Hees (fls. 16861696), Pedro Roberto Oliveira Almeida (fls. 17021712), Alexandre de Moraes Zanelatto (fls. 17181728), Eduardo Machado de Carvalho Pelleisone (fls. 17341744), Paulo Luiz Araújo Basílio (fls. 17501760), Rodrigo Barros de Moura Campos (fls. 17661776) e Sérgio Luiz Nahuz (fls. 17821792), por intermédio de seus representantes legais Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.270 16 (mandatos às fls. 1698 e 1701, 1713 e 1717, 1730 e 1733, 1746 e 1749, 1762 e 1765, 1778 e 1781, 1794 e 1797), apresentaram, em 29/09/2010, impugnação contra a atribuição de responsabilidade solidária, nos seguintes termos: a) argúem que, de acordo com o subitem 7.1 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, a responsabilidade em causa abrangeria apenas o crédito tributário decorrente da glosa de despesas financeiras descrita no subitem 3.1 do mesmo Termo de Verificação, mas nos Termos de Sujeição Passiva Solidária constam que a responsabilidade pelo crédito tributário incluem também os créditos tributários calculados sobre as receitas auferidas no exterior (subitem 3.2) e sobre ganhos de swap (subitem 3.3); b) esclarece que a fiscalização só apresentou argumentos para justificar a responsabilização dos diretores pelo crédito tributário relacionado à glosa das despesas dos empréstimos (subitem 3.1); como nenhuma justificativa foi dada para fundamentar a atribuição de responsabilidade sobre o crédito relacionado às infrações descritas no subitem 3.2 e 3.3 do Termo de Verificação, resta demonstrada a improcedência de sua responsabilização pelos mesmos; c) aduz que a fiscalização considerou que, por serem desvinculados de sua atividade, os empréstimos foram celebrados em infração ao objeto social da autuada, o que, nos termos do art. 135, III, do CTN, ensejaria a responsabilização solidária dos diretores pelo crédito apurado; d) que para chegar a tal conclusão, a fiscalização limitouse a analisar o art. 2º do Estatuto Social, que dispõe que a autuada tem por objeto a prestação de serviços ferroviários, de transporte, e a execução de “todas as atividades fins ou correlatas”, e cotejouo com o art. 21 desse Estatuto, que dispõe que a gestão dos negócios sociais da autuada compete à diretoria; como o referido art. 2º não cita expressamente a aplicação financeira em títulos de renda fixa como atividade integrante do objeto da autuada, a fiscalização, de forma bastante simplista, concluiu que a aquisição de títulos da dívida pública não era permitida pelo Estatuto e constituiu infração praticada pelos diretores; que, em determinado momento, a fiscalização chegou a afirmar que, ao celebrálos, os diretores colocaram “em risco, inclusive, a solvência da Companhia”; e) adicionalmente, a fiscalização considerou que a contabilização dos contratos de swap foi propositalmente realizada de forma incorreta, pois, ao reconhecer apenas os resultados líquidos, a autuada teria deduzido perdas que não seriam dedutíveis por não serem relacionadas à atividade da empresa; a fiscalização ainda fez referência aos supostos equívocos cometidos na contabilização de aplicações financeiras para reforçar a pretensa responsabilidade dos diretores pelo crédito fiscal; f) com relação ao disposto no art. 135, III, do CTN, no qual a fiscalização se baseou para atribuir responsabilidade aos diretores, o STJ já decidiu diversas vezes que é necessários que se comprove, além da infração à lei ou ao estatuto em si, que o agente agiu com dolo; que, exceto em hipóteses muito específicas (como a dissolução irregular de empresa), o ônus da prova do dolo do diretor ou gerente compete ao fisco; que, ao comentar o art. 135 do CTN, Aliomar Baleeiro reitera que sua aplicação depende da comprovação do dolo e esclarece, ainda, que o ato deve ter sido praticado contrariando o interesse da pessoa jurídica; g) argumenta que a contratação de empréstimos e a aplicação de recursos financeiros estão implicitamente relacionadas ao objeto de qualquer pessoa jurídica; que cada ramo de atividade em suas especialidades, e ninguém melhor do que o Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.271 17 próprio contribuinte para decidir como aplicar seus recursos e otimizar o retorno por eles produzido; que esclareceu mais de uma vez, no curso da ação fiscal, que sua atividade requer elevados níveis de caixa, afirmação esta empírica e decorrente de sua experiência na atividade, não cabendo à fiscalização questionála; h) que cabia aos diretores administrar as disponibilidades da empresa de forma que eles entendessem rentável e adequada; que, por razões diversas, optou pelos empréstimos e por aplicar os recursos a eles referentes na aquisição dos títulos da dívida pública, que são ativos de baixo risco e de alta liquidez, que poderiam ser resgatados a qualquer momento, se assim fosse necessário; que a celebração dos empréstimos e a posterior aquisição dos títulos da dívida pública não passou de transação realizada com o objetivo de atender as necessidades financeiras da autuada, as quais decorrem justamente da natureza de sua atividade; i) que a celebração dos swaps inserese nesse mesmo contexto, na medida em que os mesmos não passam de instrumento de proteção patrimonial, destinados justamente a preservar a saúde financeira da empresa; que nenhum dos swaps teve característica especulativa, isto é, nenhum neles foi contratado por valor superior ao do patrimônio que visavam proteger; que, mesmo que a celebração dos empréstimos fosse ato totalmente estranho ao objeto da autuada, nem assim os diretores poderiam ser pessoalmente responsabilizados pelo crédito tributário decorrente da glosa das despesas a eles referentes; j) aduz que a fiscalização não demonstrou nem o dolo dos diretores em violar o Estatuto e nem a contrariedade dos empréstimos aos interesses da autuada; que, muito pelo contrário, a intenção por trás da celebração dos empréstimos e consequente aquisição dos títulos era beneficiála mediante o fortalecimento de seu caixa; que as críticas feitas pela fiscalização à eficiência dos atos praticados pela autuada não implicam, por si só, a conclusão de que tais atos tenham sido dolosamente praticados pelos diretores em infração ao Estatuto; k) que a prevalecer a tese da fiscalização, de que os empréstimos não trouxeram qualquer benefício à autuada, terseia, tãosomente, a constatação de que os objetivos visados pela autuada, com a celebração dos mesmos (elevação dos níveis de caixa) não foram atingidos; que, todavia, essa conclusão é evidentemente insuficiente à aplicação do art. 135, III, do CTN; l) que a suposta “maquiagem” no balanço jamais ocorreu, e ainda que assim não fosse, ela também seria totalmente irrelevante em termos fiscais; m) que os fatos que levaram a fiscalização a entender que a autuada deduziu indevidamente despesas financeiras e deixou de oferecer à tributação receitas financeiras e ganhos de swap, bem como as razões pelas quais esses itens do auto de infração são improcedentes estão descritos na impugnação apresentada pela autuada, à qual os responsabilizados se reportam; n) que, sendo improcedente o auto de infração lavrado contra a autuada, não restariam nenhum débito cuja responsabilidade pudesse ser atribuída aos responsabilizados; ainda que o auto de infração lavrado contra a autuada fosse procedente, continuaria a ser descabida a atribuição de responsabilidade aos diretores. 11. A controladora ALL – América Latina Logística S/A, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 1808 e 18111812), também apresentou, em 29/09/2010, a impugnação de fls. 17981806, na qual reitera os argumentos de defesa apresentados pelos diretores da autuada e acrescenta: Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.272 18 a) argúi que foi responsabilizada pela exigência correspondente apenas ao subitem 3.1 do Termo de Encerramento com fundamento no art. 124, I, do CTN; que o Primeiro Conselho de Contribuintes, atual Primeira Seção do CARF, tem decidido que o interesse comum a que esse diploma legal se refere corresponde à própria realização do fato gerador; b) que as situações abrangidas pelo art. 124, I, do CTN são aquelas em que outra pessoa, além do próprio contribuinte, também pratica a ação que integra o fato gerador, podendo ser a ele equiparado; c) que a responsabilizada simplesmente figurou como garantidora e avalista nos empréstimos contratados pela autuada; que a inclusão de pessoas do mesmo grupo societário como avalistas ou garantidoras de contratos celebrados pelos contribuintes é fato muito comum na vida empresarial e não tem qualquer repercussão fiscal; d) que não pode ser responsabilizada pela forma como a autuada utilizou os recursos decorrentes dos empréstimos, ou seja, a responsabilização de uma pessoa (a responsabilizada) não pode depender de um ato praticado por outra pessoa (a autuada) após sua ação, sobre o qual não tinha qualquer ingerência; e) que não participou do fato gerador do IRPJ, pois não foi ela que auferiu acréscimo patrimonial e não foi ela que deduziu as despesas, motivo pelo qual não poderia jamais ser equiparada ao próprio contribuinte (a autuada); que nenhum dos atos praticados pela responsabilizada integra o fato gerador do IRPJ; f) que a fiscalização citou uma série de fatos para tentar justificar a aplicação do art. 124, I, do CTN: a) que a responsabilizada era titular de ações representativas de 100% do capital da autuada e elegeu a diretoria que teria agido de forma irregular; b) a responsabilizada figurou como avalista e/ou garantidora nos empréstimos; c) que a responsabilizada renunciou ao benefício de ordem, que lhe seria garantido pelo Código Civil; g) contudo, entende que: a) os diretores não atuaram de forma irregular e, ainda que fosse o caso, eles sãos pessoas distintas da responsabilizada; b) que os empréstimos foram operações totalmente regulares e figurar como avalista e/ou garantidora não é suficiente para qualificar a responsabilizada como responsável solidária; c) que o fato de renunciar ao benefício de ordem não tem qualquer repercussão fiscal e a menção a ele é totalmente irrelevante. 12. Às fls. 18611863 consta correspondência enviada pela interessada, em 08/10/2010, na qual reitera que o crédito tributário objeto do subitem 4.1 do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal foi incluído no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009; informa que os valores não contestados correspondem a: a) R$ 19.961.056,47 de IRPJ, acrescidos de R$ 14.970.792,35 de multa de ofício e R$ 7.299.758,35 de juros de mora, além de R$ 9.980.528,24 de multa de ofício isolada de IRPJ, totalizando R$ 52.212.135,41 de crédito tributário não impugnado de IRPJ; b) R$ 7.185.980,33 de CSLL, acrescidos de R$ 5.389.485,25 de multa de ofício e R$ 2.627.913,01 de juros de mora, além de R$ 3.592.990,17 de multa isolada de CSLL, totalizando R$ 18.796.368,76 de crédito tributário não impugnando de CSLL. 13. À fl. 1864 o Termo de Transferência de Crédito Tributário para o processo nº 10980.724187/201088. Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.273 19 14. Às fls. 18781879, o despacho desta DRJ devolvendo o processo ao Sefis da DRF/Curitiba para que sejam apartados, em processo distinto, os valores de PIS (fls. 14111415) e de Cofins (fls. 14181422) não decorrentes da exigência de IRPJ e relativos ao aproveitamento indevido de créditos no regime nãocumulativo sobre insumos utilizados no reparo de locomotivas de propriedade de terceiros (ALL – América Latina Logística Intermodal S/A), conforme descrito no item 2 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação fiscal. 15. Às fls. 18811882, os Termos de Transferência de Crédito Tributário relativos aos lançamentos não reflexos de PIS e Cofins para os processos nºs 10980.724790/201060 e 10980.724791/201012. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, Paraná, apreciando as razões trazidas pelas impugnações interpostas, decidiu, por meio do acórdão nº 0630.406, de 17 de fevereiro de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: ENCARGOS FINANCEIROS SOBRE EMPRÉSTIMOS EM MOEDA ESTRANGEIRA. RECURSOS CAPTADOS NÃO APLICADOS NA ATIVIDADE DA EMPRESA. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. São indedutíveis, porquanto decorrentes de operações atípicas, não usuais e não necessárias à manutenção da fonte produtora, os encargos financeiros sobre empréstimos em moeda estrangeira cujos recursos não foram aplicados na atividade da empresa, porquanto integralmente utilizados na aquisição de títulos da dívida pública e commercial papers. JUROS RECEBIDOS DO EXTERIOR. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. Os juros recebidos no resgate de títulos da dívida pública emitidos pelo governo da Áustria e de commercial papers emitidos por agência do governo da Espanha, países com os quais o Brasil assinou Convenções para evitar a dupla tributação, somente são isentos do imposto de renda no Brasil se for comprovado que os remetentes dos rendimentos são residentes naqueles países. OPERAÇÃO DE SWAP. PROTEÇÃO CONTRA A VARIAÇÃO CAMBIAL SOBRE EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. TROCA DE INDEXADORES DE OPERAÇÕES ATIVAS E PASSIVAS. TRIBUTAÇÃO DO GANHO NA OPERAÇÃO DE SWAP. DEDUÇÃO DA VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. Sendo a operação de swap com finalidade de hedge um contrato derivativo no qual as partes trocam indexadores de operações ativas e passivas, sem trocar o principal, o ganho apurado na operação de swap contratada para proteção contra a variação cambial incidente sobre empréstimo em moeda estrangeira deve ser tributado, assim como a variação cambial passiva sobre o empréstimo deve ser reconhecida, mas a dedução desta na apuração do resultado tributável depende da comprovação de ser despesa necessária, usual e normal à atividade explorada pela empresa. CSLL DIFERIDA. CRÉDITO FISCAL RECUPERÁVEL EM PERÍODOS FUTUROS. LUCRO LÍQUIDO NÃO REDUZIDO NA SUA CONSTITUIÇÃO. Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.274 20 Considerando que o reconhecimento contábil da CSLL diferida, relativa ao do crédito fiscal recuperável em períodos futuros mediante compensação de 30% da base de cálculo negativa, não provocou redução do lucro líquido do período, é de se cancelar a exigência correspondente. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 75%. Tendo a autoridade fiscal deixado de apontar de forma objetiva as razões determinantes para imposição da multa de ofício qualificada, é de se reduzir a penalidade para o percentual não qualificado de 75%. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. CSLL. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. INAPLICABILIDADE. As disposições contidas nas Convenções firmadas pelo Brasil com a Áustria e a Espanha, para evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre a renda, não se aplicam à CSLL por esta ter sido instituída posteriormente (Lei nº 7.689, de 1988), ser uma contribuição com fim específico e não se enquadrar na definição de imposto idêntico ou substancialmente semelhante ao imposto de renda. PIS. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. OPERAÇÕES DE HEDGE. ALÍQUOTAS ZERADAS. Tendo o Decreto nº 5.442, de 2006, reduzido a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, é de se cancelar a exigência correspondente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODER OU INFRAÇÃO A LEI OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Inexistindo nos autos comprovação efetiva de prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei ou estatuto, assim como de vínculo com a situação que Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.275 21 constitui o fato gerador da obrigação principal, descabe a atribuição de responsabilidade solidária aos diretores e à controladora da fiscalizada. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1.995/2.044, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita: Relativamente à dedução de despesas financeiras decorrentes de empréstimos: que, embora a decisão de primeira instância tenha reconhecido que na definição da dedutibilidade das despesas relacionados aos empréstimos não se deve levar em consideração elementos subjetivos, contraditoriamente, a Turma Julgadora avaliou os elementos subjetivos relacionados à política de gestão de seu CAIXA, vez que afirmou que não teria havido redução de custos financeiros, pois os recursos captados foram utilizados em aplicações financeiras cujos rendimentos são inferiores aos encargos financeiros pagos no empréstimo; que, por óbvio, é normal que empresas, com exceção às instituições financeiras e assemelhadas, possuam um custo de captação de recursos superior ao retorno de suas aplicações financeiras, o que não afeta a dedutibilidade das despesas decorrentes da respectiva captação; que não cabe à Fiscalização, que não conhece as particularidades de sua atividade, decidir se a gestão do seu CAIXA é ou não adequada; que o fato de a empresa dispor de recursos em CAIXA não impede que ela contraia empréstimos para o desenvolvimento de outras atividades relacionadas ao seu objeto social, visto que a forma de subvenção de seus investimentos depende de atos gerenciais próprios, que nada dizem respeito ao Fisco. Relativamente à exclusão das receitas financeiras produzidas por títulos: que, para confirmar que o ING atuou como mero custodiante e agente de colocação, sendo responsável apenas pelo repasse dos valores referentes aos juros pagos pelo Governo da Espanha, anexa declaração, emitida pelo próprio ING, que, nesse sentido, efetuou a retificação do Contrato de Câmbio nº 08/000882, para fazer constar o ICO como fonte pagadora dos juros, bem como a Espanha como PAÍS PAGADOR; que, da mesma forma, os DOCUMENTOS DE CONFIRMAÇÃO emitidos pelo Credit Suisse demonstram que ela adquiriu, em 13.12.2004 e em 24.07.2006, por meio de, respectivamente, CREDIT SUISSE FIRST BOSTON (BAHAMAS) LIMITED e CREDIT SUISSE BRAZIL (BAHAMAS) LIMITED, títulos da dívida pública da Áustria; que é incorreta a afirmação da decisão recorrida no sentido de que haveria duas relações jurídicas (uma entre os emitentes dos TÍTULOS e CSFB e ING; e outra entre CSFB e ING e ela); que a alegação da decisão recorrida de que as disposições contidas nas CONVENÇÕES não impediriam a tributação pela CSLL é improcedente. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.276 22 Relativamente a não tributação dos ganhos auferidos nas operações de swap: que não há qualquer dúvida de que a decisão recorrida desconsiderou as alegações trazidas pela Fiscalização acerca da verdadeira natureza das operações (HEDGE – cobertura de riscos), porém, deixou de reconhecer os efeitos do contrato de swap sobre o ganho verificado na operação referente ao empréstimo contratado em 23.05.2008; que a decisão recorrida confirmou o entendimento de que a forma de contabilização dos contratos de swap não trouxe qualquer prejuízo ao Fisco, mas, por outro lado, entendeu que a variação cambial passiva decorrente do empréstimo contratado ao ING é uma despesa não necessária à sua atividade, e, portanto, indedutível. Relativamente à exclusão de créditos de PIS e de COFINS do lucro real e da base de cálculo da CSLL: que em momento algum concordou com o lançamento de créditos tributários relativos à infração descrita no item 4.1 do Termo, tampouco com as multas isoladas decorrentes dessa infração; que a adesão ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 2009, ocorreu em 17 de novembro de 2009, antes, portanto, do início do Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) que embasou o presente processo administrativo, e por conseqüência, antes do lançamentos tributários em questão; que, relativamente às multas isoladas, tãosomente pediu suas exclusões dos autos de infração por serem relativas a débitos anteriormente incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, não tendo desistido do direito de questionálas no presente processo1. Exigência de juros sobre multa de ofício A Recorrente traz ainda considerações acerca da incidência de juros sobre a multa de ofício. Alega que não existe fundamento legal para a exigência do referido encargo, seja com base na taxa selic, seja por meio da utilização do percentual de 1%. Em que pese o fato de a Turma Julgadora de primeira instância os terem excluídos do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas, ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, controladora da ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA SUL S/A, e os demais indicados como sujeitos passivos solidários, apresentam “recursos voluntários”, fls. 2.216/2.2.239, por meio dos quais reiteram as razões expendidas na peça recursal apresentada por ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA SUL S/A, requerendo a reforma da decisão exarada em primeira instância na parte em que foi desfavorável à citada empresa e a sua manutenção no que tange à improcedência das responsabilidades tributárias imputadas. 1 Esclarece a Recorrente que, para averiguar a inclusão do crédito tributário referente ao item 4.1 do Termo e das respectivas multas isoladas no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, foi formalizado o processo nº 10980.724187/201088. Constatado que as multas isoladas não poderiam ser incluídas no parcelamento, vez que os seus vencimentos são posteriores a 30.11.2008, foi formalizado o processo nº 10980.724840/201017 e emitida CARTA DE COBRANÇA. A Recorrente informa que apresentou petição contestando cobrança, porém, recepcionada como impugnação, ela foi considerada intempestiva. Diante de tal fato, apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO que, segundo afirma, encontrase pendente de apreciação. A Recorrente, alegando identidade de objeto, requer que o processo nº 10980.724840/201017 seja juntado ao presente, para julgamento concomitante. Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.277 23 Ao presente processo, em virtude de Resolução da 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara (Resolução nº 1302000.158, de 14 de março de 2012), foi juntado (apensado) o processo administrativo nº. 10980.724840/201017. O referido processo nº. 10980.724840/201017, conforme INFORMAÇÃO ali contida (fls. 02), foi formalizado para recepcionar créditos tributários constituídos por meio de autos de infração constantes deste processo administrativo que supostamente não foram objeto de contestação. Extraise, ainda, da referida INFORMAÇÃO, que os créditos tributários relativos às matérias consideradas não questionadas foram objeto de pedido de parcelamento (processo nº 10980.724187/201088). Contudo, os créditos tributários incluídos no presente processo, relativos a multas isoladas, por terem vencimento posterior a 30 de novembro de 2008, não poderiam ser incluídos no referido parcelamento, ex vi do disposto no parágrafo 2º do art. 1º da Lei nº 11.941, de 2009. Às fls. 03 do processo nº. 10980.724840/201017, consta documento dirigido à Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, cujo inteiro teor reproduzo abaixo. CNPJ nº 01.258.944/000126 Processo nº 10980.722279/201023 Autos de Infração MPF nº 0910100/00081/10, de 31.08.2010 Períodobase: 01.01.2006 a 31.12.2006 ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA SUL S.A., com sede na Rua Emílio Bertolini, nº 100, Sala nº 2, Vila Oficinas, na Cidade de Curitiba, Estado do Paraná, inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (“CNPJ”) sob o nº 01.258.944/000126 (“REQUERENTE”), em função da lavratura dos autos de infração em epígrafe, vem, tempestivamente, por seus advogados infraassinados (procuração nos autos), requerer o quanto segue: Os AUTOS em epígrafe compreendem valores que a IMPUGNANTE excluiu da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL a título de PIS e COFINS. Considerando que a IMPUGNANTE incluiu tais valores no programa de regularização fiscal estabelecido pela Lei nº 11.941/09, pede a REQUERENTE seja essa parcela do crédito tributário (incluindo as multas a ela relacionadas) excluída do valor em discussão nos AUTOS. São Paulo, 29 de setembro de 2010 Às fls. 04 do processo em referência (10980.724840/201017), consta documento emitido pela contribuinte, também dirigido à Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, em que ela presta os seguintes os esclarecimentos, in verbis: [...] Conforme demonstrado em petição protocolizada em 29.09.2010, o crédito tributário objeto do item 4.1 do Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal que integra os AUTOS foi incluído no parcelamento instituído pela Lei nº Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.278 24 11.941, de 27.05.2009 (PARCELAMENTO), e, portanto, deve ser excluído da discussão referente ao processo em epígrafe. Dessa forma, a REQUERENTE informa abaixo os valores relativos ao referido crédito, e reitera a solicitação de que tais valores sejam excluídos do processo em epígrafe: IRPJ R$ Base de Cálculo (fls. 1.381) 79.844.225,89 IRPJ 19.961.056,47 Juros SELIC (36,57%) 7.299.758,35 Multa (75%) 14.970.792,35 Multa de Ofício (50% fls. 1.395) 9.980.528,24 Valor Total 52.212.135,41 CSLL R$ Base de Cálculo (fls. 1.381) 79.844.225,89 CSLL 7.185.980,33 Juros SELIC (36,57%) 2.627.913,01 Multa (75%) 5.389.485,25 Multa de Ofício (50% fls. 1.399) 3.592.990,17 Valor Total 71.008.504,17 Às fls. 110, ainda do referido do processo nº. 10980.724840/201017, consta CARTA DE COBRANÇA, na qual são prestados os seguintes esclarecimentos: i) a contribuinte requereu exclusão de parte dos débitos que se encontravam controlados por meio do processo administrativo nº 10980.722279/201023, sob a alegação de que tais valores haviam sido incluídos no Programa de Regularização Fiscal instituído pela Lei nº 11.941, de 2009; ii) em virtude do pedido de exclusão, os débitos foram apartados do processo nº 10980.722279/201023 e incluídos no processo nº 10980.724187/201088; iii) em virtude do disposto no parágrafo 2º do art. 1º da Lei nº 11.941, de 2009, os débitos referentes às multas isoladas, com vencimento em 30 de setembro de 2010, Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.279 25 não puderam integrar o parcelamento, o que levou à transferência deles para o presente processo, para fins de prosseguimento da cobrança. Inconformada, a contribuinte apresentou contestação, por meio da qual requereu o cancelamento da CARTA DE COBRANÇA, argumentando: que as multas isoladas não poderiam ser objeto de cobrança, independentemente da data de vencimento; que o art. 4º da IN/RFB 1.049, de 2010, permitiu às empresas que aderiram ao parcelamento e que tivessem contra si iniciado procedimento de fiscalização até 30 de julho de 2010, a inclusão no parcelamento dos eventuais débitos dos tributos objeto dessa fiscalização, vencidos até 30 de novembro de 2008; que teve procedimento de fiscalização iniciado antes de 30 de julho de 2010, e ainda no curso da fiscalização informou ao agente fiscal que iria parcelar os débitos oriundos da exclusão de PIS e COFINS das bases de cálculo do IRPJ e CSLL; que o art. 832 do RIR/99 proíbe a retificação de declarações depois de iniciado qualquer procedimento de fiscalização; que, se não podia retificar sua DIPJ, mas, antes do término do procedimento de fiscalização, informou ao agente fiscal a existência dos débitos e a sua inclusão no parcelamento, jamais poderia sofrer a imposição de multa isolada; que, se o art. 4º da referida Instrução Normativa permitiu a inclusão de débitos no parcelamento sem a retificação de declarações, a multa isolada não pode ser exigida; que entendimento contrário levaria à conclusão de que ela poderia ser obrigada a pagar multa isolada sobre débitos incluídos no parcelamento antes da lavratura do auto de infração, tão somente porque a consolidação de seus débitos ainda não aconteceu. A contribuinte, além de requerer o cancelamento da Carta de Cobrança, solicitou, caso se entendesse pela procedência das multas isoladas, que os valores em questão fossem computados no crédito tributário discutido no presente processo, com a conseqüente suspensão da sua exigibilidade. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, apreciando a contestação apresentada pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 0630.639, de 03 de março de 2011, não conhecêla por considerála intempestiva. O referido julgado restou assim ementado: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não se toma conhecimento de petição que pretende reabrir discussão de matéria objeto de lançamento fiscal cujo prazo se (de) impugnação já se encontra esgotado. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em que, historiando os fatos, assinalou: Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.280 26 que a decisão recorrida, ao partir da premissa de que ela não contestou o crédito tributário referente ao item 4.1 do TERMO, bem como as multas isoladas decorrentes dessa infração, está equivocada, pois demonstrou com clareza na impugnação interposta que: a) aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, no dia 17 de novembro de 2009, para incluir os débitos referentes ao item 4.1 do TERMO; b) para tanto, desistiu, no dia 26 de fevereiro de 2010, do Mandado de Segurança nº 2007.70.00.0131061, ajuizado para discutir a matéria em questão; c) os débitos de IRPJ e CSLL deveriam ser excluídos dos Autos de Infração, com a conseqüente retificação do lançamento, uma vez que foram confessados em momento anterior ao lançamento; e d) tendo havido a confissão dos referidos débitos de IRPJ e de CSLL antes do lançamento, não é cabível a aplicação de multas de ofício isoladas (transcreveu fragmentos da impugnação interposta nos autos do processo nº 10980.722279/201023); que, ao contrário do que alega a decisão recorrida, as petições apresentadas por ela não se referiram a pedidos de desistência de impugnação para inclusão de débitos no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, mas, sim, de esclarecimentos a respeito dos valores que deviam ser excluídos dos Autos de Infração em virtude de terem sido indevidamente lançados; que, como os débitos de IRPJ e CSLL referentes ao item 4.1 do TERMO foram incluídos no parcelamento no dia 17.11.2009, antes, portanto, da formalização do processo administrativo nº 10980.722279/201023, ela não teria sequer obrigação de desistir da impugnação administrativa. Como já dito, em virtude do decidido pela 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara, o processo nº 10980.724840/201017 foi juntado (apensado) ao presente. É o Relatório. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.281 27 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Depreendese do relato que a primeira questão a ser enfrentada no presente processo diz respeito ao fato de a contribuinte ter solicitado para que parte da matéria tributável que serviu de base para os lançamentos tributários fosse excluída, vez que os créditos tributários dela decorrentes integraram pedido de parcelamento. A autoridade julgadora de primeira instância interpretou o requerimento formalizado pela autuada como desistência do direito de impugnar a matéria, motivo pelo qual não tratou das questões a ela relacionadas no ato decisório. Visando, pois, dirimir tal controvérsia, passo a historiar os fatos refletidos nos autos que com ela guardam relação. De acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 06, o procedimento administrativo instaurado contra a contribuinte visou coletar informações para subsidiar diligência já instaurada em outra empresa do mesmo Grupo econômico. Referido procedimento foi iniciado em 28 de agosto de 2009 (fls. 07). Em 20 de novembro de 2009, ainda no curso do procedimento de diligência, a contribuinte foi intimada a prestar esclarecimentos acerca de exclusões (FICHA 09 A – LINHA 39 DA DIPJ) efetuadas nos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, nos valores de R$ 74.046.983,79, R$ 169.452.864,52, R$ 65.854.694,16 e R$ 140.708.594,14, respectivamente (fls. 245). Em virtude da expedição de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (fls. 574), foi lavrado Termo de Início de Fiscalização em 19 de fevereiro de 2010, por meio do qual a contribuinte foi intimada, entre outras exigências, a justificar a exclusão do lucro líquido, na determinação do lucro real relativo ao anocalendário de 2006, do montante de R$ 79.844.255,89, feita a título de CRÉDITOS DE PIS E COFINS (fls. 576/578). A contribuinte, inicialmente, solicitou prorrogação do prazo para atendimento (fls. 581). Posteriormente, em 10 de março de 2010, relativamente à exclusão dos créditos de PIS e COFINS, informou (fls. 586/592): Relativamente a este item informamos que a ALL Malha Sul aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 e, quando da consolidação dos valores, efetuará requerimento para que sejam incluídos no referido parcelamento, conforme previsões insertas no artigo 4º da IN/RFB nº 968/2009 e no artigo 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009, que assim determinam: IN/RFB nº 968/2009 Art. 4º O sujeito passivo que aderiu aos parcelamentos de que trata a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009 , e pretende parcelar débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da RFB, iniciada até 30 de novembro de 2009 e não concluída Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.282 28 até o momento da consolidação, deverá prestar informações relativas aos respectivos débitos, independentemente de estar ou não obrigado à entrega de declaração específica. Parágrafo único. As informações de que trata o caput deverão ser prestadas na forma e no prazo de que trata o art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009 . Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009 Art. 15. Após a formalização do requerimento de adesão aos parcelamentos, será divulgado, por meio de ato conjunto e nos sítios da PGFN e da RFB na Internet, o prazo para que o sujeito passivo apresente as informações necessárias à consolidação do parcelamento. No Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1.353/1.393), a autoridade fiscal, relativamente à matéria que ora se aprecia, assinalou: [...] Conforme se verifica, a fiscalizada não justificou a dedução indevida da base de cálculo conforme solicitado no termo. Admitindo erro, reconheceu expressamente a exclusão indevida do lucro líquido do exercício na apuração das bases de cálculo, afirmando seu interesse em parcelar o valor da infração, apesar de não ter juntado qualquer documento comprobatório do que alega. Assim sendo, tornase dispensável maiores comentários a respeito aguardandose o cumprimento da proposta formulada pela fiscalizada após a lavratura do auto de infração. (GRIFEI) Os Autos de Infração lavrados foram cientificados à contribuinte em 31 de agosto de 2010 (fls. 1.414, 1.421, 1.430 e 1.446). Em documento datado de 29 de setembro de 2010 e recepcionado nesta mesma data, a contribuinte, esclarecendo que os Autos de Infração lavrados tinham considerado os valores relativos à exclusão na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL dos créditos de PIS e de COFINS, requereu que a parcela do crédito tributário correspondente, inclusive as multas a ela relacionadas, fosse excluída do valor em discussão (fls. 1.507). Na impugnação, a contribuinte consignou: [...] 2.32 No que se refere ao item 4.1 do TERMO (letra “e” do item 2.1, acima), a IMPUGNANTE reconheceu que excluiu indevidamente do lucro real importância a título de créditos de PIS e COFINS; o crédito tributário decorrente dessa exclusão indevida é incontroverso e foi incluído pela IMPUGNANTE no parcelamento instituído pelos arts. 1º e seguintes da Lei nº 11.941, de 27.05.2009. Adiante, às fls. 1.551, ainda na peça impugnatória, a contribuinte oferece argumentos contra a exigência de multas isoladas decorrentes do recolhimento insuficiente das estimativas devidas. Ao elencar suas conclusões e pedido, a contribuinte assinala (fls. 1.563): Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.283 29 [...] (iv) em relação ao item 4.1 do TERMO (seção 6, acima) (iv.1) a IMPUGNANTE já reconheceu o débito referente a esse item e o incluiu no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, de maneira que o AUTO deve ser retificado para excluir o valor referente aos créditos de PIS e COFINS deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSL. (GRIFEI) Às fls. 1.859, consta DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO, elaborado pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, nos seguintes termos: Preparado o processo e sendo tempestiva a apresentação da impugnação, com alegações e termos genéricos com relação à parte não impugnada do lançamento (solicitação de fls. 1507), deixamos de analisar a parcialidade da impugnação a fim de evitar eventual cerceamento de defesa. Movimentamos para apreciação da DRJ/CuritibaPR e devido seguimento do litígio administrativo. (GRIFEI) Em que pese o despacho acima, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba encaminhou o processo à Delegacia da Receita Federal em Curitiba para que fossem apartados os débitos considerados não impugnados (fls. 1.860). Em 08 de outubro de 2010, a contribuinte protocolizou documento esclarecendo que havia demonstrado, em petição apresentada em 29 de setembro de 2010, que o item 4.1 do Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal que integra os AUTOS havia sido incluído no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27.05.2009 (PARCELAMENTO), motivo pelo qual ele deveria ser excluído da discussão. Em 14 de outubro de 2010, os créditos tributários relativos ao citado item 4.1 do Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, inclusive as multas isoladas, foram transferidos para o processo administrativo nº 10980.724187/201088 (parcelamento) – fls. 1.864. Na decisão de primeira instância, restou assinalado (fls. 1.920): [...] 17. O crédito tributário correspondente à exclusão indevida de valores a título de créditos de PIS e Cofins (subitem 4.1 do Termo de Verificação) não foi contestado pela impugnante, conforme consta do item 6 da impugnação apresentada em 29/09/2010 (fls. 1508/1564) e da correspondência encaminhada em 08/10/2010 (fls. 1861/1862), tendo a exigência sido incluída no pedido de parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 2009, nos autos do processo nº 10980.724187/201088. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte argumentou que em momento algum concordou com o lançamento de créditos tributários relativos à infração descrita no item 4.1 do Termo, tampouco com as multas isoladas decorrentes dessa infração. Disse que a adesão ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 2009, ocorreu em 17 de novembro de 2009, antes, portanto, do início do Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) que embasou o presente processo administrativo, e por conseqüência, antes do lançamentos tributários em questão. Alegou, ainda, que, relativamente às multas isoladas, tãosomente pediu suas exclusões dos autos de infração por serem relativas a débitos anteriormente incluídos no Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.284 30 parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, não tendo desistido do direito de questionálas no presente processo. Com o devido respeito ao pronunciamento feito em primeira instância, penso que os fatos acima descritos não autorizam concluir que a Recorrente tenha de forma efetiva desistido de contestar os lançamentos tributários, na parte que teve como suporte a exclusão de créditos de PIS e de COFINS na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Salvo melhor juízo, não se pode confundir pedido de retificação do lançamento para exclusão de créditos tributários, como assinalado pela contribuinte na sua peça impugnatória (fls. 1.563), com desistência do direito de contestar. Ressalvada a alegação de que havia incluído os débitos em pedido de parcelamento, é certo que não se encontra na peça impugnatória os fundamentos que a contribuinte julgou válidos para suscitar a improcedência dos lançamentos tributários decorrentes das deduções dos créditos de PIS e de COFINS das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, porém, entendo que, ainda que fosse para decretar a sua improcedência face a inépcia da peça de contestação, a autoridade julgadora deveria pronunciarse sobre o pedido de retificação dos referidos lançamentos tributários. Destaco que o que ora se observa foi percebido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, eis que, ao encaminhar o processo para autoridade julgadora de primeira instância, como já visto, assinalou que deixava “de analisar a parcialidade da impugnação a fim de evitar eventual cerceamento de defesa” (fls. 1.859). Pelas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de decretar a nulidade da decisão exarada em primeira instância, para que, a partir da apreciação do pedido formulado na peça impugnatória no sentido de que os autos de infração sejam retificados “para excluir o valor referente aos créditos de PIS e COFINS deduzidos da base do IRPJ e da CSL, nova decisão seja prolatada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10980.722279/201023 Acórdão n.º 1301001.204 S1C3T1 Fl. 2.285 31 Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 19515.003190/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/11/2008
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL.
Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração.
PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - RAIS
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Sendo constatado que o lançamento refere-se a diferença de contribuições apuradas por meio de aferição indireta pela não entrega de documentos, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN.
EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Dessa forma, não há motivos para que os mesmos sejam excluídos do relatório de Vínculos ou Corresponsáveis.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
A multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, também não afasta a multa imposta, pelo fato que a sua aplicação independe da intenção do agente.
Numero da decisão: 2401-002.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de exclusão dos corresponsáveis; II) rejeitar a preliminar de nulidade; III) declarar a decadência até a competência 09/2005; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A RAIS e documento informado pelo próprio recorrente, dessa forma, em constatando qualquer inconsistência competiria a empresa apresentar documentos para que se identifique a correta base de cálculo. ENCAMINHAMENTO DO TEAF E AI POR AR POSSIBILIDADE LEGAL É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. COMPENSAÇÃO ALEGAÇÃO DE VALORES RETIDOS POR TOMADORA AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Para que seja demonstrada a prestação de serviços não basta a apresentação de contrato de formação de consórcio para prestação de serviços, devendo a recorrente comprovar a efetiva prestação de serviços e retenção por meio da apresentação de registros contábeis. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUINTE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 90 /2 01 0- 25 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 INDIVIDUAL CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA ÔNUS DO EMPREGADOR O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, também não afasta a multa imposta, pelo fato que a sua aplicação independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/11/2008 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o Fl. 319DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 3 3 descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES RAIS O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Sendo constatado que o lançamento referese a diferença de contribuições apuradas por meio de aferição indireta pela não entrega de documentos, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Dessa forma, não há motivos para que os mesmos sejam excluídos do relatório de Vínculos ou Corresponsáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de exclusão dos corresponsáveis; II) rejeitar a preliminar de nulidade; III) declarar a decadência até a competência 09/2005; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.171.5474, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a parcela a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais não retida pela empresa, no período de 06/2005 a 11/2008. O lançamento compreende competências entre o período de 06/2005 a 05/2009, sendo que conforme relatório fiscal fl. 40 a 44, a empresa embora tenha sido intimada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, dos Termos de Intimação Fiscal de 13/04/2010, 26/06/2010, 24/08/2010 e 06/09/2010 e Reintimada através do Termo de Reintimação de 24/09/2010 a apresentar documentação fiscal, não o fez; o que motivou a lavratura do Auto de Infração n°. 19515.003188/201056. Em virtude da não apresentação de documentação fiscal, utilizouse das informações referentes a RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais) e GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social) constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil para constituir o crédito tributário relativo ao descumprimento de obrigação tributária principal. A contribuição dos empregados foi calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, de acordo com o artigo 20 da Lei 8.212/91 e observado o disposto no artigo 28 do mesmo dispositivo legal. Já a contribuição dos contribuintes individuais foi calculada mediante a aplicação de 1 1 % conforme Lei n. 8.212/91 e alterações posteriores. Face às alterações promovidas na Lei n° 8.212/91 pela Medida Provisória n° 449 de 03/12/2008 (D.O.U. de 04/12/2008, posteriormente convertida em lei ordinária n° 11.491 de 27 de maio de 2009), as multas aplicáveis relativas a competências até 10/2008 e relacionadas a GFIP entregue até 03/12/2008 devem ser aplicadas segundo o principio da retroatividade benéfica (artigo 106, inciso II, alínea c, CTN). Quer seja, as multas segundo a legislação anterior serão comparadas com as multas aplicadas nas determinações da legislação posterior a fim de se definir e de se adotar a situação menos onerosa ao contribuinte. Para fins de comparação, as contribuições destinadas a Outras Entidades ou Fundos serão desconsideradas tanto do calculo da multa de mora quanto da multa de lançamento de oficio. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 07/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 08/10/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 50 a 69. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 180 a 205. A S S U N T O : C O N T R I B U I Ç Õ E S S O C I A I S P R E V I D E N C I Á R I AS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/11/2008 Ementa: CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e Fl. 321DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 4 5 contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. BASEDECÁLCULO. ARBITRAMENTO. RAIS. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição com base nas informações prestadas na RAIS, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. ATIVIDADE SUJEITA À RETENÇÃO. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO POR EMPRESA TOMADORA. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A retenção e o recolhimento por parte da empresa tomadora, bem como a compensação exercida pela empresa prestadora devem ser comprovados para sua aceitação. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. INEFICÁCIA. As alegações desacompanhadas de prova não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal, sendo insuficientes para ilidir o lançamento de ofício. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. E lícita a aplicação mora nos percentuais previstos no inciso II do art. 35 da Lei vigente à época dos fatos geradores. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. FINALIDADE. O Relatório de Vínculos tem por finalidade tão somente listar as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. JULGAMENTO SIMULTÂNEO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste mandamento legal determinando julgamento simultâneo das impugnações, devendo a decisão de primeira Fl. 322DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 instância ser fundada com observância do princípio da celeridade do julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 237 a 290. Em síntese, a recorrente alega: 1. Preliminarmente a documentação fiscal folhas de pagamento e livros Diário e Razão sempre esteve à disposição do Auditor Fiscal a partir da emissão do termo de intimação. Entretanto, o recorrente foi surpreendida com o arbitramento de contribuições por não apresentação de documentos A ação fiscal foi concluída com o envio do Auto de Infração por via postalbaseando que sequer houve a comunicação de encerramento da mesma. 2. Parte do lançamento foi alcançado pela decadência. 3. Após descrição dos fatos, afirma que o Auto de Infração foi elaborado com vícios e equívocos que pretende demonstrar. 4. Da Notificação Fiscal O Relatório Fiscal informa que o lançamento referese à remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declarada integralmente em GFIP, tendo como elementos de base os valores informados na RAIS e deduzidos os valores informados em GFIP do período fiscalizado. Informa ainda que foram considerados como crédito os valores recolhidos pela empresa através de GPS com códigos de recolhimento 2100, obtidos do conta corrente da empresa, e que não foram considerados valores informados em GFIP como compensação ou retenção de valores retidos, por não ter sido possível a validação dos valores. 5. Levantamentos Cl e CI1 Contribuinte Individual Não existe pagamento de autônomos. Os valores informados em DIRF dizem respeito a pagamento de aluguéis, com incidência apenas de IRPF Fonte, não se tratando de serviços prestados. 6. Levantamentos GL1 e GL2 Glosa de valores compensados que dizem respeito a créditos advindos de atuação da Impugnante junto a São Paulo Transportes S/A, empresa pública municipal detentora da gestão de transporte coletivo da capital, e que procede a retenção de valores juntos aos seus prestadores de serviços. 7. Levantamento MI Multa isolada período de 02/2009 a 05/2009, por compensação supostamente indevida. Multa acessória vinculada aos levantamentos GL1 e GL2. Ausente o principal, não há que se falar em acessório. As multas não estão devidamente lançadas, tendo sido feito inversão de valores nas competências. 8. Levantamentos RA e RA1 O Auditor Fiscal informa que fez um cruzamento entre a massa salarial informada na RAIS e aquela informada em GFIP, sendo possível identificar, por NIT e competência, os empregados que foram declarados em RAIS e deixaram de ser informados em GFIP. No entanto, o relatório não aponta se foram arbitrados os valores das diferenças entre RAIS e GFIP ou somente os segurados não informados em GFIP. 9. A Impugnante está juntando cópias do protocolo de entrega de GFIP e resumo com bases de cálculo de remuneração informadas, que não estão de acordo com o noticiado no relatório fiscal. Em todas as competências informadas como não remetidas ou como Fl. 323DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 5 7 diferentes da RAIS, demonstra a remessa regular da GFIP, inclusive com o depósito fundiário de todos os segurados empregados. 10. Levantamento SA Os valores devidos a título de SAT também foram objeto de compensação já informada em GFIP e não consideradas 11. Discorre sobre a chamada Regra Matriz de Incidência RMI para concluir que não estão presentes nesta Autuação os fatos jurídicos indispensáveis à existência da contribuição do art. 31 da Lei n.° 8212/91. 12. No Mérito o recorrente já havia informado em GFIP todos os segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços. O lançamento diz respeito a diferenças não vinculadas, pelo Auditor Fiscal, a nenhuma rubrica determinada (participação nos lucros, prêmios, horas extras, insalubridade, vale transporte, alimentação etc). 13. O Auditor Fiscal arbitrou o saláriodecontribuição pela suposta massa salarial informada em RAIS, sem deduzir as verbas rescisórias nem atentar para o pagamento adiantado de parcelas do décimoterceiro salário. 14. A autuação é totalmente improcedente, vez que a Autuada recolheu todas as contribuições previdenciárias de forma correta, conforme comprovam as folhas de pagamento e as guias de recolhimento juntadas, utilizandose da compensação de valores retidos nos moldes do art. 31 da Lei n.° 8.212/91. 15. Inexistem diferenças a serem recolhidas, a não ser que se queiram exigir os pagamentos em duplicidade, com o que ocorreria o "bis in idem", ou excesso de exação fiscal. A pretensão do Auditor Fiscal em exigir que sejam reconhecidos como saláriode contribuição valores apontados nos sistemas próprios do INSS, com fundamento em Ordens de Serviço e Instruções Normativas, afronta o princípio da legalidade e diversos dispositivos da Constituição Federal. 16. Não há suporte legal para a exigência de diferença de contribuições previdenciárias além daquelas previstas no inciso I, "a", do art. 195 da Constituição Federal. 17. Discorre sobre presunções legais, concluindo que diante de eventuais indícios de omissão de remuneração é obrigação da fiscalização a comprovação da irregularidade. 18. A Instrução Normativa 100/2003 vem consolidar os procedimentos fiscais. Referida IN foi substituída pela IN n° 03/2005, que basicamente com a mesma redação, estabelece o procedimento de aferição indireta em seu artigo 614 e seguintes. 19. O Auditor Fiscal ignorou o fato de ser a Autuada prestadora de serviços com contabilidade regular, formalizada e apuração de imposto por lucro real, pelo que o arbitramento de contribuições previdenciárias com base em RAIS pressupõe a desconsideração da contabilidade. 20. O arbitramento representa bis in idem e excesso de exação, porque as contribuições foram quitadas por meio da compensação de valores retidos. 21. A não discriminação mensal dos segurados empregados e de sua remuneração impede o exercício do contraditório. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 22. O arbitramento no caso presente violou os princípios constitucionais, informadores da função administrativa: finalidade, razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva. 23. Invoca o art. 620 do Código de Processo Civil e os art. 112, II e IV, e 108 do CTN para pedir a interpretação benévola na esfera da ilicitude tributária. 24. A recorrente opera junto à São Paulo Transportes, sendo que a Procuradoria Geral Federal entende que este serviço se enquadra no art. 31 da lei 8212/91 e cabe a São Pulo Transportes proceder a retenção e recolhimento. 25. A autuação é nula, por ter sido utilizado o arbitramento mesmo com existência de contabilidade regular, que foi examinada anteriormente, sem que fosse comprovado registro indevido nem falsidade, erro, dolo, fraude, simulação, conforme exigência do art. 149 do CTN, que trata da revisão de lançamento. 26. A base de RAIS e FGTS apontada como saláriodecontribuição não foi informada naqueles termos pela recorrente que não pode ser intimada a apresentar os relatórios nos termos de intimação recebidos. 27. O recorrente já havia entregue tempestivamente todas as GFIP's do período fiscalizado, com informação de todos os segurados e compensação de todas as contribuições, dado o crédito que dispunha em relação a seu tomador de serviços com cessão de mãodeobra. No entanto, em atendimento a determinação do Judiciário trabalhista, foi obrigada a informar GFIP de reclamantes de dissídios individuais, com recolhimento de verbas determinadas em sentença, ocasionando a substituição da GFIP com todos os segurados pela GFIP com segurado único. 28. Não houve intenção de sonegar informações, o que ocorreu foi somente o cumprimento da decisão judicial, pelo que improcede o lançamento por arbitramento de contribuições pela RAIS, posto que a GFIP foi entregue a tempo e modo, na forma do Manual da mesma. 29. O recorrente é coparticipante de um Consórcio junto com a empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda., prestando serviços à Secretaria Municipal de Transportes do Município de São Paulo, gerenciados pela São Paulo Transportes S/A. 30. Entretanto, o contrato não é de verdadeira concessão porque não atende ao disposto na Lei n.° 8666/93, tratandose de verdadeira prestação de serviços nas condições previstas no art. 31 da Lei n.° 8.212/91. Aponta que esse é o entendimento exarado pela Procuradoria Federal Especializada do INSS. 31. A Prova Relativa aos Créditos da Retenção pela São Paulo Transportes S/A Remete aos documentos extraídos do processo Mandado de Segurança n.° 2007.61.00.0199560 para afirmar que as empresas cedentes de mão de obra não se sujeitam à contribuição patronal e sim à retenção dos 11% sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviço. ^ 32. Conforme se verifica no anexo ao Relatório Fiscal, o Auditor deixou de apropriar como crédito da Impugnante no presente lançamento os valores retidos sobre as notas fiscais, independente de estabelecimento, com fundamento no art. 31 da Lei n.° 8212/91 na redação dada pela Lei n.° 11.941/09. 33. O Contrato de Concessão entre a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e empresa líder do Consórcio já prevê na Cláusula 19.1.25 o desconto da parcela da Fl. 325DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 6 9 remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS. O Valor das Retenções Mensais Informa que o valor do faturamento das prestadoras de serviço à SPTRANS é público e pode ser obtido no endereço eletrônico que indica. 34. Com base na tabela do item anterior, conclui que somente no período de 08/2005 a 12/2007 tem um crédito a compensar de R$ 11.073.255,33, em valor histórico, e que os lançamentos de créditos previdenciários no mês a mês são inferiores aos valores que a Impugnante tem o direito de compensar, sendo que sempre existe sobra de créditos para utilização no pagamento de 13° salário e inclusive Terceiros. 35. Do descabimento na aplicação da multa de mora Afirma que caracteriza confisco a multa e os juros aplicados. 36. Requer a redução da multa para 2%, e ainda caso a contribuição que está sendo lançada esteja declarada em GFIP, a multa de mora deverá ser reduzida em 50%, conforme disposto no art. 35, §4o, da Lei n.° 8.212/91. 37. Da Incorreta Identificação dos Responsáveis pelo Pagamento do Eventual Credito Tributário Inexistência de Responsabilidade Tributária Requer a exclusão da responsabilidade dos sócios e procuradores, alegando a não ocorrência das hipóteses dos art. 134 e 135 do CTN e a revogação, pela Lei n.° 11.941/09, do art. 13 da Lei n.° 8.620/93. 38. Considerações Finais Deverão ser considerados como créditos da Impugnante os valores demonstrados como relativos à retenção que não foram considerados pelo Auditor, apesar de informados em GFIP, e ser consideradas inclusive aquelas GFIP's que foram substituídas por GFIP's emitidas com base em decisão judicial, restabelecendo a GFIP anterior com todos os segurados empregados. 39. A nulidade do lançamento deve ser declarada ainda pela ausência de fundamentos legais do débito relativo a arbitramento de contribuições previdenciárias, informações do fato gerador de contribuições descontadas dos segurados. 40. O fato gerador dos lançamentos não foi obtido por informações em GFIP da recorrente, mas buscado em informações processadas pela Previdência Social, através de seus sistemas corporativos. Requerse a apresentação nominal dos segurados e valores de remuneração e desconto de segurados. 41. A Impugnante tem créditos a compensar decorrentes da retenção de 11 % do tomador de serviços conforme demonstrado. 42. O INSS, através da Procuradora Geral Federal já vem procedendo a cobrança da São Paulo Transportes S/A dos valores de retenção de 11% incidente sobre o faturamento das prestadoras de serviço. 43. Diante do exposto, requer: 44. o não reconhecimento do arbitramento com base na RAIS porque todos os fatos geradores de contribuições foram declarados em GFIP, conforme documentos em anexo; Fl. 326DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 45. o reconhecimento do direito à compensação de créditos decorrentes da retenção de 11% do valor do faturamento pela tomadora de serviço, independente de declaração em GFIP, com base em declaração da Procuradoria; 46. ajuntada, nos termos do art. 36 da Lei n° 9.784/99, do processo integral de apuração de débitos na SPTRANS, com fundamento nos princípios do contraditório e da ampla defesa previstos no art. 5 o da Constituição Federal; 47. a apresentação da relação nominal dos segurados constantes da massa salarial apontada na RAIS e FGTS, mês a mês; 48. a compensação com créditos relativos aos Terceiros, caso não sejam os créditos previdenciários inteiramente absorvidos pelas retenções de 11%, em vista do disposto no art. 3 o e parágrafos da Lei n° 11.457/07. 49. o julgamento em conjunto, por conexão, dos lançamentos formalizados na mesma ação fiscal, com os seguintes Autos de Infração: 37.171.5415, 37.171.5423, 37.171.5431, 37.171.5458, 37.171.5466, 37.171.5474 e 37.171.5482. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 306. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO VALIDADE DO PROCEDIMENTO Destacase, preliminarmente, que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, desobediência aos principaios basilares do direito, ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal do arbitramento, conforme descrito pelo recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Notese que o contribuinte foi reiteradamente intimado a apresentar os documentos para comprovação não só das compensações realizadas, bem como do recolhimento das contribuições pertinentes a sua folha de pagamento seja referente aos segurados empregados ou mesmo das pessoas físicas (contribuintes individuais) que lhe prestaram serviços. Contudo, nem durante o procedimento fiscal, nem tampouco na fase impugnatória, ou mesmo no recurso, apresentou o recorrente os documentos pertinentes a comprovação de suas alegações. Compete ao fisco realmente, o dever de fundamentar seus atos e oportunizar ao recorrente durante o procedimento fiscal, ser intimado a apresentar todos os documentos que serviram para comprovar sua regularidade fiscal. Conforme descrito acima, e claramente identificado no relatório fiscal, procedeu a autoridade fiscal o cumprimento do seu dever, intimando o contribuinte de forma reiterada a apresentar os documentos que a legislação lhe obriga a manter a disposição das autoridades fiscais dentro do prazo decadencial. Optou o contribuinte por não apresentalos alegando que já haviam sido vistos em outra fiscalização. Ora, se o próprio contribuinte, não entrega os documentos para comprovar o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, que se utilizou dos documentos constantes dos seus sistemas informatizados para apurar os fatos geradores da obrigação, bem como a base de cálculo. Neste caso, invertese o ônus da prova competindo ao recorrente comprovar sua alegações com documentos que possibilitem aos órgãos julgadores determinar a improcedência do lançamento. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Porém simplesmente alegar ser indevida a contribuição, ou mesmo que procedeu as devidas compensações, face retenções sofridas pela prestação de serviços não tem o condão de desconstituir o lançamento, muito menos provocar sua nulidade. No relatório fiscal, detalhou o recorrente, inclusive o procedimento adotado para cada fato gerador, com o fornecimento inclusive da relação dos segurados apurados entre o cruzamento da RAIS e da GFIP, o que permitiria ao recorrente impugnar todos os fatos geradores apurados. Ainda com relação a nulidade arguida, importante observar que a autuação ocorreu dentro do prazo autorizado pelo referido MPF, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AIOP ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade cumprido os requisitos legais, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal foi suficientemente fundamentado, como também o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição do lançamento, bem como o relatório DAD – descreve mensalmente e por competência os fatos geradores, e ainda o relatório de Documentos Apresentados – descreve todos os recolhimentos apropriados. Quanto a alegação de que o procedimento não foi devidamente encerrado pela fiscalização, entendo que a autoridade julgadora já afastou referido argumento, esclarecendo ao recorrente que o encaminhamento do Termo de Encerramento do procedimento fiscal junto com o AI via postal não fere a legislação. Não existe qualquer irregularidade no encaminhamento dos documentos pelos correios, nem tampouco no fato de a autoridade fiscal, ter se baseado na RAIS para apuração da massa salarial para os meses em que não houve por parte da empresa a apresentação de folhas de pagamento. Dessa forma, o procedimento adotado pela autoridade fiscal seguiu o tramite correto, não existindo nulidade a ser declarada. Ao contrário do que argumentou o recorrente, o mesmo teria plena condição de indicar erros nas bases de cálculo por competência, guias não apropriadas, tendo em vista restar claro o procedimento adotado.. Dessa forma, bastaria a apresentação das folhas e contabilidade para descrever erros na base de cálculo apurada. Contudo, não identifiquei nos presentes autos, documentos hábeis a desconstituir o lançamento. Aliás, mesmo após ter a autoridade julgadora enfatizado o fato de inexistir cerceamento do direito de defesa, ou mesmo a inexistência de comprovação das alegações, não trouxe o recorrente qualquer fato novo, capaz de alterar aquele julgado: Vejamos trecho Conforme se observa na planilha RAIS X GFIP1, com 1567 páginas e constante do CD recebido pela Impugnante, o Auditor Fiscal discriminou por competência, todos os segurados incluídos nos levantamentos RA e RAl, com a identificação do NIT, nome do trabalhador, base de cálculo da GFIP, base de cálculo da RAIS, base de cálculo total e diferença entre a base de cálculo da RAIS e da GFIP, sendo possível, portanto, identificar quais foram os segurados empregados envolvidos no lançamento, e o procedimento utilizado pelo Auditor Fiscal para apurar a base de cálculo arbitrada para cada um dos segurados. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 8 13 Também em relação aos contribuintes individuais envolvidos nos levantamentos Cl e CI1 consta do CD recebido pela empresa cópias das telas extraídas dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, informando por competência, o nome do prestador de serviço, o CPF e a remuneração recebida (LEVCIDIRF). Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, insculpido no art. 5o , inciso LV da Constituição Federal de 1988, tem por finalidade possibilitar aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa e ao contraditório. Portanto, quando a Administração, antes de decidir o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, em hipótese alguma, pode ser acusada de negar ao contribuinte o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, concluise que não houve qualquer tipo de cerceamento do direito de defesa, sendo o presente Auto de Infração lavrado em obediência ao princípio da estrita legalidade, informando com objetividade e clareza a origem do lançamento de crédito, sua composição, bem como os dispositivos legais e os documentos que o fundamentaram, atendendo a todas as normatizações sobre a matéria, permitindo assim, o exercício do direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. NULIDADE PELO ENCAMINHAMENTO do TEAF POR AR Ainda no que pertine a nulidade, por ter o Termo de Encerramento da Ação Fiscal sido encaminhado pelo correio juntamente com o AI, sem que o recorrente tivesse ciência pessoal, razão também não confiro ao recorrente. Tendo a o AI sido encaminhada por via postal, junto com o TEAF não há qualquer nulidade. No mesmo sentido, posicionase o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. SÚMULA NO 6 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato o auto de infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 330DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. QUANTO A DECADÊNCIA Já quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste AIOP (apesar de não ter sido arguida em sede de impugnação), entendo cabível a sua apreciação face a possibilidade de arguição de ofício. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 9 15 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo Fl. 332DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento Fl. 333DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 10 17 antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência Fl. 334DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 335DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 11 19 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que ao proceder a autoridade fiscal o lançamento por arbitramento, citando em diversas situações que ocorreu declaração em GFIP, e que foram apurado os fatos geradores em relação a diferença entre as bases, acaba por reconhecer tratarse de diferença de contribuições com recolhimentos parciais. Assim, em se verificando recolhimentos, entendo aplicável a regra do art. 150, § 4º. No lançamento em questão a lavratura da NFLD deuse em 07/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 08/10/2010, os fatos geradores ocorreram entre as competências 06/2005 e 11/2008, dessa forma em aplicandose o art. 150, § 4º do CTN, encontramse decadentes as contribuições até 09/2005. Superadas as preliminares, passo a análise do mérito. DO MÉRITO No recurso apresentado pelo recorrente, apesar de extenso, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal (em especial quanto ao arbitramento), Fl. 336DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 argumentando que procedeu ao regular recolhimento de todas as contribuições devidas, tendo informado em GFIP todos os fatos geradores e que não foram considerados todos os créditos , tendo em vista ter prestado serviços de cessão de mão de obra, sujeita a retenção de 11%. Primeiramente, simplesmente alegar, ou mesmo repetir os argumentos já afastados pela autoridade julgadora não desconstitui o lançamento. Analisando detidamente o recurso apresentado, podemos dizer que o mesmo repete 95% das alegações da impugnação e digase, sem considerar que alguns parágrafos estão repetidos dentro do próprio recurso, apenas em tópicos diferentes trazidos pelo recorrente. O que de pronto de destaca, como já trazido nas preliminares é que o recorrente traz vasta argumentação, mas sem trazer registros contábeis ou quaisquer outras provas de seus argumentos. Para que possamos, identificar erros em lançamentos fiscais, precisamos apreciar documentos que sejam condizentes com os argumentos trazidos no recurso, o que tenho por impossível no caso em questão. DOS LANÇAMENTOS REALIZADOS POR MEIO DA RAIS Quanto a utilização da aferição indireta, tratase de AI que tomou por base documentos do próprio recorrente, documentos estes informados por meio da RAIS, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Alega o recorrente que não foram excluídas da massa da RAIS verbas indenizatórias. Ora, ao não apresentar os documentos folha e contabilidade assumiu o recorrente o ônus de ter os valores lançados por arbitramento. Assim, ao entender que os valores lançados não correspondem ao real, ou mesmo que na base de cálculo existem verbas indenizatórias, deveria o recorrente apresentar seu plano de contas com as rubricas pagas, suas folhas de pagamento e principalmente a contabilidade, para demonstrar a contabilização desses valores. Dessa forma, não há como atribuir razão ao recorrente se o mesmo não apresenta os documentos para que pudéssemos confrontar o lançamento e suas alegações, considerando corretos as bases de cálculo indicadas pela autoridade fiscal. No que pertine a entrega das GFIP, a autoridade fiscal deixou claro em seu relatório que a partir da versão 8.0 da GFIP a entrega de novos documentos apaga os documentos anteriores, só permanecendo no sistema a última GFIP encaminhada. Dessa forma, a autoridade fiscal não dispunha dos valores declarados anteriormente quando os fatos geradores foram apurados em documentos do próprio recorrente. Porém de posse da mesma, em confronto com a folha de pagamento e da RAIS (já que não apresentou documentos durante o procedimento fiscal), poderia o recorrente planilhar segurado a segurado, apontado erros seja da base de cálculo ou na própria indicação do fato gerador, o que não o fez. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG, ou RAIS deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. DOS PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Alega o recorrente que os pagamentos feitos a pessoas físicas referemse a pagamento de aluguéis, apenas fazendo incidir IRPF. Contudo, novamente o recorrente só repete o argumento já rebatido pelo julgador de primeira instância. Ora, na DIRF está descrito que se trata de prestação de serviços (argumento não rebatido) pelo recorrente. Se realmente são aluguéis, bastaria apresentar os contratos, os recibos de pagamentos devidamente Fl. 337DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 12 21 contabilizados, mas como nos demais fatos geradores não apresentou o recorrente os fatos concretos para provar suas alegações. Transcrevo o trecho do voto que aprecia a questão: Dos levantamentos CI e CI1 Contribuinte Individual Conforme consta do Relatório Fiscal, a empresa não declarou as remunerações de contribuintes individuais nas GFIP's, no entanto informou pagamentos relativos a referidos trabalhadores nas DIRF — Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte. Alega a Impugnante que os valores informados em DIRF dizem respeito/ ao pagamento de aluguéis, com incidência apenas de IRPF Fonte, não se tratando de serviços prestados. No entanto, nas cópias das DIRF's anexadas pelo Auditor Fiscal às fls. 78/82, verificase que o código de receita informado para os beneficiários foi o 0588, que se refere a Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício. Assim, não há que se falar que os valores informados referemse a pagamento de aluguéis, que corresponde ao código de receita 3208 (Aluguéis e Royalties pagos a pessoa física). Desta forma, encontrase correto o procedimento fiscal em considerar, com base no §3° do art. 33 da Lei n° 8.212/91 os valores em referência como pagamento a contribuintes individuais, e lançar a contribuição devida nos termos do inciso III do art. 22 da mesma lei, que obriga a empresa ao recolhimento de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. QUANTO A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Acredito ser esse o principal argumento trazido pelo recorrente. O mesmo alega ter realizado compensações, face a retenção sofrida pela prestação de serviços para SP TRans. No caso, entende que competiria aquele órgão proceder a retenção, desobrigando a recorrente a efetuar o recolhimento da parcela patronal. Vejamos como enfrentou o julgador a quo a questão: Dos levantamentos GL1 e GL2 A empresa alega que os valores compensados dizem respeito a créditos advindos de sua autuação junto a São Paulo Transportes S/A, que procede a retenção de valores junto aos seus prestadores de serviços. Conforme visto, a glosa de compensação referese ao período de 01/2007 a 10/2008 (levantamento GL1) e 12/2008 a 05/2009 (levantamento GL2), para o qual a empresa informou em GFIP valor devido de compensação referente ao período de 02/1999 a 10/2004. Para o exercício do direito à compensação de valores retidos, não basta a alegada existência desses valores. A compensação das contribuições retidas com base no art. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 31 da Lei n° 8.212/91, direito da prestadora de serviços, é normatizada conforme segue: Lei n° 8.212/91. na redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia vinte do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 .(Alterado pela Medida Provisória n" 447, de 14 de novembro de 2008, DOU de 17/11/2008) Redação anterior: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5a do art. 33 desta Lei (Alterad opela Lei n° 11.488, de 15/06/2007) Redação anterior: ^ Art. 31 A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância relida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 20/11/98) §1. ° O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998). §2. ° Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei n°9.711, de 1998). (...) §5. ° O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluídopela Lei n°9.711, de 1998). (...) Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze Fl. 339DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 13 23 por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5o do art. 216. (Redação dada pelo Decreto n" 4.729, de 2003) (...) §4° O valor retido de que trata este artigo deverei ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §5° O contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. (...) §9° Na impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina, ou ser objeto de restituição, não Instrução Normativa MPS/SRP n° 3. de 14/07/2005. que dispunha à época Art. 203. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arls. 140 e 172, poderá compensar o valor relido quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. § Io Se a retenção não tiver sido destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a empresa contratada poderá efetuar a compensação do valor retido, desde que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. §3° Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela que corresponder à data da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. § 4° Poderá ser efetuada a compensação de valores retidos com as contribuições devidas em decorrência do pagamento do décimoterceiro salário. §5° Caberá a compensação dos valores retidos em recolhimento efetuado em atraso, desde que o valor retido seja de competência anterior à qual está sendo realizada a compensação. § 6o A compensação do valor retido deverá ser feita no documento de arrecadação do estabelecimento da empresa que Fl. 340DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 sofreu a retenção, sendo vedada a compensação em documento de arrecadação referente a outro estabelecimento. Art. 204. Na impossibilidade de haver compensação integral da retenção ou não ter sido efetuada a compensação na própria competência, o crédito em favor da empresa prestadora de serviços poderá ser compensado nas competências subseqüentes, ou ser objeto de pedido de restituição. § 1° Caso a opção seja pela compensação em competências subseqüentes, o crédito em favor da empresa prestadora de serviços, acrescido de juros, calculados na forma do art. 221, não está sujeito ao limite de trinta por cento estabelecido no art. 194, observadas as condições previstas no art. 203. § 2o O disposto no § Io é aplicável à compensação de valores retidos a partir de 1" de fevereiro de 1999, data da vigência do art. 31 da Lei n" 8.212, de 1991, com a redação da Lei n° 9.711, de 1998, observado o disposto no inciso Vdo art. 193. Art. 223. Os valores referentes à dedução ou à compensação deverão setj declarados na GFIP relativa à competência em que foi pago o saláriofamília ou o saláriomaternidade ou realizada a compensação. (...) Conforme exposto no Relatório Fiscal, as compensações declaradas em GFIP nas competências 01/2007 a 10/2008 e 12/2008 a 05/2009 não puderam ser validadas em razão de a Autuada não ter apresentado nenhum dos documentos que a legislação exige para a comprovação do direito à compensação de valores retidos, tais como contabilidade, notas fiscais com o devido destaque e outros, sendo, portanto, glosados estes valores. Embora intimado através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, e Termos de Intimação Fiscal de 13/04/2010, 26/06/2010, 24/08/2010 e 06/09/2010, e Termo de Reintimação de 24/09/2010, o contribuinte não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização, impossibilitando a comprovação dos dados de compensação informados em GFIP. A Impugnante tampouco traz aos autos comprovação de ter cumprido com todas as obrigações que devem acompanhar o exercício do direito à compensação de valores retidos. Como consequência, os valores de compensação declarados em GFIP nas competências citadas não puderam ser aceitos e foram glosados pelo Auditor Fiscal Autuante, através dos levantamentos GL1 e GL2 Glosa de Compensação. Do contrato de prestação de serviços com São Paulo Transportes S/A Da Retenção. A Impugnante alega ser coparticipante de um Consórcio junto com a empresa Via Sul Transportes Urbanos, prestando serviços à Secretaria Municipal de Transportes do Município de São Paulo, gerenciados pela São Paulo Transportes S/A, que se trata Fl. 341DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 14 25 de verdadeira prestação de serviços nas condições previstas no art. 31 da Lei n° 8.212/91. No entanto, não podem ser aceitas as alegadas retenções demonstradas na tabela apresentada no item XI da Impugnação, fls. 102/103. Não há prova de que as retenções foram de fato efetuadas. Sem a comprovação de terem sido efetuadas as retenções, não existe crédito em favor da Autuada. Não foram apresentadas as Notas Fiscais com o devido destaque do valor a ser retido nem os respectivos registros contábeis. Não há comprovação de recolhimento, em nome da Autuada, por parte da tomadora de serviços. O alegado crédito não tem, portanto, sua existência comprovada. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, não consta nenhuma guia de recolhimento com o código 2631 no período do levantamento, ou seja, não consta recolhimento relativo a retenção de valor por empresa tomadora de serviços em favor da Autuada. A Impugnante tampouco traz aos autos comprovação de ter sofrido a retenção que alega. Diante do exposto, os valores que a Impugnante alega terem sido retidos não podem ser aproveitados para retificação do lançamento, nem há que se falar em direito a compensação porque não comprovadas nem a retenção nem o recolhimento em favor da Autuada. Ou seja, mesmo depois de todos os argumentos trazidos pelo julgador, não identifiquei no recurso prova alguma da efetiva prestação dos serviços, por exemplo com a apresentação das faturas e notas fiscais emitidas. Qualquer contabilização quanto aos valores recebidos pela dita prestação de serviços, indicando inclusive em conta própria a retenção sofrida. O recorrente apresentou um contrato do consórcio, mas isso não indica a efetiva prestação de serviços, quanto tempo durou a efetiva prestação, os repasses realizados pelo consórcio mensalmente, os valores efetivamente retidos, já que caso, se considerasse devida a retenção, existe a diminuição da base de cálculo, pelo custo da utilização do ônibus, combustível, manutenção. Podemos concluir que se realmente tivesse ocorrido a prestação de serviços e a retenção, poderia o recorrente facilmente demonstrar suas alegações. E mesmo que se considerasse que houve a omissão na NF quanto ao valor retido, existiria a contabilização dos valores retidos, ou mesma as guias com código específico. Conforme demonstrou a autoridade fiscal e o julgador a quo, não há qualquer guia com recolhimento nessa condição. Assim, em não demonstrando a efetiva prestação de serviços, sujeita a retenção, ou mesmo a ocorrência desta, não pode valerse o recorrente para refutar o lançamento. Ao contrário do que pensa o recorrente, ou pelo menos demonstrou em seu recurso, não e porque prestou serviços, que a obrigação de efetivar o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os segurados empregados e contribuintes individuais que contratou passaria a responsabilidade do tomador. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 A retenção caso estivesse comprovada, o que não é o caso, é sim responsabilidade do tomador de serviços, mas ela corresponde apenas a uma antecipação de um percentual da contribuição devida. A contribuição patronal continua a ser devida, devendo a empresa cumprir com todas as suas obrigações legais, seja preparando a folha de pagamento, emitindo NF e destacando a retenção (se for o caso), preparando GFIP (e observando as regras quanto a entrega desse documento) e contabilizar todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, é fato que, não pode o SIMPLES argumento de ser de terceiro a responsabilidade pelo recolhimento, servir de argumento para desconstituir um lançamento devidamente constituído. QUANTO A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS Sendo válida a base de cálculo dos segurados, surge a obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30, I da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/01/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Fl. 343DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 15 27 Ademais, a própria autoridade fiscal em seu relatório esclarece como foi calculada a contribuição dos segurados empregados, não devendo ser realizado qualquer reparo no lançamento. Vejamos: “A contribuição dos empregados foi calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, de acordo com o artigo 20 da Lei 8.212/91 e observado o disposto no artigo 28 do mesmo dispositivo legal. Já a contribuição dos contribuintes individuais foi calculada mediante a aplicação de 1 1 % conforme Lei n. 8.212/91 e alterações posteriores.” QUANTO A TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” QUANTO A MANIFESTAÇÃO DA PROCURADORIA Também não serve para refutar o lançamento, o argumento que em caso semelhante, onde ocorreu a contratação de serviços de transporte pela SPTRANS a procuradoria manifestouse no sentido da impossibilidade de cobrança em duplicidade na tomadora e na prestação, o que entende ser correto. Mas, esse não é o caso ora tratado. NO presente caso, não conseguiu o recorrente demonstrar a ocorrência da retenção e o montante da efetiva prestação de serviços. A planilha descrita na impugnação e no recurso, como suficiente (segundo o recorrente) para demonstrar possuir mais de 11 milhões de valores retidos, não vem acompanhada de qualquer registro contábil, ou mesmo outro documento contábil razão porque entendo correto o procedimento do julgador que entende que a manifestação da procuradoria não se presta a comprovar a inexistência do fato gerador ou mesmo desobrigar a empresa a cumprir suas obrigações. QUANTO A MULTA IMPOSTA A multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias, assim, como a multa de ofício pela não comprovação do direito de compensação em GFIP. . Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Não há como reduzir a multa considerando os valores informados em GFIP, pois se assim os considerássemos não procederíamos nem mesmo ao lançamento, considerando que os valores declarados em GFIP, quando inexiste recolhimento integral geram uma cobrança automática. A autoridade fiscal não aplicou simplesmente multa mais gravosa em relação aos fatos geradores, posto que procedeu a comparativo da multa em relação a obrigação acessória e a principal nos termos da lei 11.941. Vejamos, como apreciou a autoridade julgadora os argumento quanto ao efeito confiscatório da multa. A multa foi corretamente aplicada, de acordo com o previsto no artigo 32, parágrafo 5o da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, acima transcrito, combinado com os artigos 284, inciso II e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com o valor mínimo atualizado pelo art. 8o , inciso V, da Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010, publicada no DOU em 30/06/2010, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea " c " do CTN, conforme demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 29/32 e Planilha Cálculo AI 68, fls. 33/36: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 16 29 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 2003) (...) Art. 3 73. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, Portaria Interministerial MPS/MF n° 333/2010 Art. 8° A partir de Io de janeiro de 2010: (...) VI o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do RPS é de R$ 14.317,78 (quatorze mil trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos); Da Multa de Mora Não aplicabilidade Não podem ser conhecidas as alegações da Impugnante referentes a multa de mora aplicada no presente lançamento. Conforme exposto no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, foi aplicada penalidade prevista no art. 32, §5° da Lei n° 8.212/91 e art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, não se tratando de multa de mora. Da mesma forma, quando identificamos no relatório fiscal a aplicação da multa, podemos verificar que procedeu a autoridade fiscal ao comparativo, aplicando nção apenas no auto de infração de obrigação principal a multa mais benéfica, bem como procedendo a aplicação dos autos de infração pela omissão em GFIP – COD 68, 69 e 78, considerando competência a competência o cálculo da multa mais benéfica. A comparação se fará por competência nos seguintes termos: Legislação anteriora MP Multa CFL 68 (declarar GFIP com omissão e fatos geradores) e Multa de Mora de 24% (pelo não recolhimento) Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 Legislação atual Multa de Oficio de 75% (art. 32 A da Lei no. 8.212/91, com redação alterada pela MP no.449/2009, convertida na Lei no. 11.941/2009, e artigo 44, inciso I, da Lei no. 9.430 de 27/12/1996) Segue anexo a este Auto de Infração CD contendo as seguintes planilhas que subsidiaram os levantamentos constantes deste Auto de Infração e dos demais que resultaram da fiscalização: "Comparativo Multa mais benéfica"(CompMulta1) e "Comparativo Multa mais benéfica Discriminado por Levantamento(CompMulta2)" , nas quais são demonstradas a multa mais benéfica a ser aplicada em cada competência. "Cálculo do Al 68"(CalcAI681 e CalcAI682), onde foram demonstrados de forma detalhada os valores correspondentes ao cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória pela omissão de fatos geradores em GFIP, sendo indicadas na planilha as competências em que esta multa foi aplicada. "Cálculo do Al 69(CalcAI69)", onde foram demonstrados de forma detalhada os valores correspondentes ao cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória pela informação inexata em GFIP não relacionada a fatos geradores de contribuições previdenciárias", sendo indicadas na planilha as competências em que esta multa foi aplicada. "Planilhas Levantamento RAIS(LEVRAI1 e LEVRAI2)", onde é possível verificar as bases de calculo levantadas e o respectivo desconto do segurado empregado, este último utilizado como base para levantamento no Auto de Infração relativo a parte descontada dos segurados; Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 17 31 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Contudo, também como enfatizado pelo auditor, não só a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, mas a ausência de informação em GFIP ensejava aplicação de multa, pelo descumprimento de obrigação acessória. Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 349DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 18 33 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Contudo, ao observar o auditor a ausência de pagamento e ausência de informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte. Assim, na planilha as fls. 35, o auditor detalha competência a competência qual a multa seria mais favorável ao recorrente, pois que a aplicação da multa pela ausência e GFIP e a multa de ofício ensejariam bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, também não afasta a multa imposta, pelo fato que a sua aplicação independe da intenção do agente. Ademais, mesmo tange a argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, ou mesmo descumprimento dos princípios basilares do direito ao aplicalas na forma como fez o auditor, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja legalidade ou mesmo constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os dispositivos da Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade na multa imposta, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência ou mesmo multa acessória pela não informação em GFIP, conforme o fez a autoridade fiscal. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 34 pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SOBRE EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS Quanto a exclusão dos corresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de AI pelo descumprimento de obrigações acessórias, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de Corresponsáveis – CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de Corresponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento, posto que a indicação dos sócios e diretores não é realizada em função de dolo, fraude ou mesmo simulação, razão porque não se aprecia a administração dos mesmos, mas, conforme descrito Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003190/201025 Acórdão n.º 2401002.933 S2C4T1 Fl. 19 35 Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de Primeira Instância, (exceto em relação a decadência) haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento, excluir do lançamento as contribuições até 09/2005 face a decadência quinquenal, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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