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Numero do processo: 13975.000495/2003-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO.
Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo,
de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO. É possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo, nem de financiamento, não sendo possível tal aproveitamento.
Numero da decisão: 3201-000.671
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO. Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO. É possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo, nem de financiamento, não sendo possível tal aproveitamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Relator Fl. 0DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 356 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS de que trata o art. 5° da Lei 10.637/2002, relativo ao terceiro trimestre de 2003. . A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 284 a 301 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$42.276,25, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada pela ordem judicial exarada nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.72.05.0043023/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada, acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; c) A partir de uma amostragem das notas fiscais de exportação, verificouse a comprovação da efetiva exportação nos sistemas internos da RFB; d) A interessada informou na linha 2 da ficha 4 do DACON (bens utilizados como insumos), as entradas de combustíveis e lubrificantes, sob o CFOP 1.653. Intimada, esclareceu que se trata de produto utilizado como combustível no transporte da produção. Resta claro que os combustíveis não se caracterizam como insumos, no conceito que lhes dá a legislação. Foi excluído da base de cálculo dos créditos o valor total de R$ 103.282,22 correspondente a aquisições de combustível; Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 357 3 e) Também foi excluído da base de cálculo dos créditos o valor de R$ 228.082,81, referente às aquisições de insumos de pessoa física, CPF 292.560.97915, Lino Rohden, sócio da empresa requerente; f) Em análise das notas fiscais amostradas, constatouse que as aquisições sob CFOP 1.151 (transferência para industrialização) na linha 2 da ficha 4 do DACON são insumos utilizados no processo produtivo erroneamente escriturados sob o CFOP 1.151. A interessada esclarece que se trata de florestas adquiridas de pessoas jurídicas por meio de contrato. Tal contrato se refere à venda de árvores em pé, firmado em 24/09/2002 entre a empresa Valorem Ind. e Com. De Madeiras e Acessória Florestal Ltda e a Rohden Artefatos de Madeira Ltda; g) Não obstante a falta de transcrição do contrato no registro público, a requerente comprovou parcialmente o pagamento da operação no valor de R$ 1.808.587,50 corroborando o direito ao crédito calculado até o limite desse valor. O pagamento inicial (arras) de R$ 602.862,50 foi registrado no Razão, não se constituindo em prova suficiente à comprovação aqui desejada; h) Constatouse que ao valor da fatura de energia elétrica está agregada a contribuição para a APAE — Salete (R$100,00). A requerente excluiu valores parciais referentes a essa contribuição. Dessa forma, serão considerados na base de cálculo apenas o valor pago pela energia elétrica efetivamente consumida no estabelecimento da pessoa jurídica ; i) Foram glosadas as despesas financeiras referentes a juros de contrato se câmbio (ACC — adiantamento de contrato de câmbio e ACE — adiantamento sobre cambiais entregues), conforme lançamentos no Livro Razão com a denominação "Juros pagos ACC/ACE", tendo em vista que a legislação só permite a utilização de créditos relativos a despesas de empréstimos e financiamentos; j) O demonstrativo de fl. 283, anexado ao despacho decisório reproduz as informações do DACON e os valores considerados no reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 42.276,25. Cientificada da decisão em 20/03/2006 (fl. 308), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/04/2006 (fls. 320 a 324), alegando, em síntese que a) A requerente concorda que as aquisições de combustíveis e lubrificantes usados para transporte do produto industrializado não geram direito a crédito. Todavia, não é este o caso da requerente, que utilizou estes insumos para transporte da sua matéria prima (madeira), do local da extração até o seu estabelecimento; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 358 4 b) Na verdade houve um equívoco da requerente ao informar que as aquisições se referiam a combustível utilizado no transporte da produção. Este equívoco originouse de uma interpretação incorreta do vocábulo produção; c) A legislação reconhece o direito do contribuinte em descontar créditos das aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; d) Convém frisar que o escoamento de toda a produção da requerente é terceirizado, não havendo razão para adquirir combustível e utilizálo no transporte do produto industrializado; e) O Contrato de Câmbio de Compra é, na verdade, uma espécie de empréstimo, realizado pela requerente junto a uma instituição bancária; f) Para efetuar o adiantamento do valor, o banco cobra da requerente uma bonificação. Esta bonificação tem caráter de despesa financeira adequandose perfeitamente ao disposto no art. 3°, V da Lei 10.637/02; g) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão proferida. O processo foi encaminhado a esta DRURJ02 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PIS/Pasep. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando seu uso seja como insumo do processo produtivo. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS FINANCEIRAS. As despesas financeiras sobre contratos de câmbio não geram direito a crédito para ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep apurada segundo o regime de incidência não cumulativa. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 359 5 Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Indeferida O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 360 6 Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 361 7 crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8102010.) Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 1782010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460 AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2362009, Segunda Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 362 8 Turma, DJE de 782009; AI 445.278AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 306 2006. Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 363 9 utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 364 10 Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. O recurso voluntário cuida somente de dois pontos da decisão recorrida, a saber: (1) combustíveis utilizados no transporte da madeira das plantações mantidas pela recorrente para seus estabelecimentos e (2) as despesas financeiras decorrentes de Contratos de Câmbio de Compra. Não há previsão legal para o aproveitamento de crédito dos combustíveis no transporte feito da madeira para o estabelecimento da recorrente, nem houve prova nos autos da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; nem da essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, portanto, não há possibilidade de dar provimento ao recurso voluntário neste ponto. No que se refere à despesa financeira, verificase que se trata de juros pagos ACC/ACE, ou seja, juros relativos a Contrato de Câmbio, que um contrato firmado entre uma instituição financeira autorizada a operar no mercado de câmbio e a recorrente, constituindo uma operação de compra e venda de moeda estrangeira. Originalmente, a Lei n° 10.637, de 2002 (oriunda da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002), em seu art. 3°, inciso V, assim dispunha: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); E, em 30 de maio de 2003, a Lei n° 10.684, alterou o texto normativo acima transcrito: V — despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES Tendo, a Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, novamente alterado o inciso V do artigo 3° da Lei 10.637/2002, que somente passou a vigorar, a partir de 1° de agosto de 2004, verbis: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000495/200352 Acórdão n.º 3201000.671 S3C2T1 Fl. 365 11 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Assim, também não como prover o recurso neste particular, logo, VOTO por conhecer do recurso para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN
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Numero do processo: 10930.004389/2004-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 28/02/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/01/2002 a 28/02/2002, 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002 FALTA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE.
Não presta para fundamentar recurso especial baseado no inciso I do art. 7 do antigo Regimento Interno da CSRF, lei que deixou de existir no mundo jurídico, sendo inaplicável ao caso em discussão. A admissibilidade negativa obsta que o recurso seja apreciado no seu mérito.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.503
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Não presta para fundamentar recurso especial baseado no inciso I do art. 7 do antigo Regimento Interno da CSRF, lei que deixou de existir no mundo jurídico, sendo inaplicável ao caso em discussão. A admissibilidade negativa obsta que o recurso seja apreciado no seu mérito. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 10.914/10.928, contra decisão do Acórdão nº 20217159 da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. É hígido o auto de infração elaborado pela autoridade competente e que observou todos os requisitos legais para sua feitura. AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. Se em ação própria o contribuinte obteve decisão desfavorável sujeitandoo ao recolhimento das contribuições sobre as receitas financeiras, a Administração Pública não pode elidir a coisa julgada com base em novas alegações (art. 474 do CPC). NORMAS PROCESSUAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos de julgamento não podem negar vigência à lei ordinária sob alegação de inconstitucionalidade. COFINS. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Aperfeiçoado o lançamento por homologação e sobrevindo o fato jurídico da homologação tácita, é inaplicável a regra do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional, em sua petição recursal, defende que a decisão recorrida não poderia afastar a incidência do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, diante da presunção de constitucionalidade das leis, corolário da supremacia que é deferida à Constituição, como vértice do ordenamento jurídico. Por intermédio do despacho nº 202507 de fl. 10.929/10.931, o recurso foi admitido. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 10.977/10.994 e recurso especial de divergência de fls. 11.018/11054, o qual não teve seguimento, nos termos do despacho nº 202066 de fls. 11.088/11090. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Fl. 595DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10930.004389/200457 Acórdão n.º 930301.503 CSRFT3 Fl. 11.151 3 O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário referente à contribuição para a COFINS. A recorrente defende a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91, uma vez que a COFINS classificase como uma contribuição para Seguridade Social, devendo ser regido pelo referido ditame legal. Não obstante, consoante noção cediça, o Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 20/06/2008, o enunciado da Súmula vinculante nº 08, in verbis: “Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Sobre o tema “súmula vinculante”, aduzo abordagem digna de aplausos do Ministro Gilmar Mendes: Outra situação decorre de adoção de súmula vinculante (art. 103A da CF, introduzido pela EC n. 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a lei objeto da declaração de inconstitucionalidade (nem a orientação que dela se dessume), sem eficácia erga omnes da declaração de inconstitucionalidade.(grifo meu) Com a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, a regra contida no dispositivo deixou de existir no mundo jurídico. Sabemos que o direito a recorrer está sujeito à observância de requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja, o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que “a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo”. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)” . Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Sabemos que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. O interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade devem ser observadas pelo julgador administrativo. Não vou discorrer sobre todos os pressupostos, apenas ao que nos interessa, no caso é o interesse recursal. Nos dizeres de Teresa Arruda Alvin Wambier “Configurase interesse de recorrer sempre que o recorrente possa esperar, em tese, do julgamento do recurso, situação mais vantajosa, do ponto de vista prático, do que aquela em que o haja posto a decisão impugnada, e quando seja preciso usar as vias recursais para alcançar esse objetivo”. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10930.004389/200457 Acórdão n.º 930301.503 CSRFT3 Fl. 11.152 5 Nessa mesma linha, Barbosa Moreira assim se pronuncia “a noção de interesse no processo repousa sempre, ao nosso ver, no binômio utilidade + necessidade: utilidade da providência judicial pleiteada, necessidade da via que se escolhe para obter essa providência”. Na seara recursal, o autor dá a seguinte dimensão aos termos que constituem esse binômio: “possibilidade de esperar com a interposição do recurso uma situação mais vantajosa do ponto de vista prático e indispensabilidade do uso do recurso para alcançar tal vantagem”. Após essa breve digressão, retornando aos autos, como dito alhures, o recurso apresentado pela Fazenda Nacional baseiase na contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91. Esse dispositivo foi defenestrado do regramento pátrio, fazendo com que o recurso deixe de vislumbrar uma eventual melhora na situação em que se encontra o recorrente. Sem essa perspectiva, na linha do raciocínio desenvolvido, desaparece o interesse recursal, condição imprescindível para o conhecimento do recurso. Com essas breves considerações, voto por não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 598DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11020.001326/2007-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004
REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A divergência ensejadora de conhecimento de recurso especial, nos termos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), necessita ser específica, demonstrando a divergência de interpretações sobre o mesmo dispositivo legal. O acórdão recorrido considerou fidedignas as provas apresentadas pelo contribuinte para a comprovação do empréstimo contraído, quais sejam, cópia do contrato de mútuo, cópia da nota promissória, comprovação da capacidade financeira da concedente, dentre outros.
Já os acórdãos paradigmas versam sobre situações fáticas distintas. Em ambos os julgados apresentados pela recorrente, não há qualquer elemento probatório das alegações feitas pelos contribuintes autuados.
Portanto, o acórdão e a divergência baseiam-se em situações fáticas distintas, assim, não há que se falar em divergência, pois para sua existência a interpretação deve se basear no mesmo dispositivo legal, sobre situações análogas.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.249
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A divergência ensejadora de conhecimento de recurso especial, nos termos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), necessita ser específica, demonstrando a divergência de interpretações sobre o mesmo dispositivo legal. O acórdão recorrido considerou fidedignas as provas apresentadas pelo contribuinte para a comprovação do empréstimo contraído, quais sejam, cópia do contrato de mútuo, cópia da nota promissória, comprovação da capacidade financeira da concedente, dentre outros. Já os acórdãos paradigmas versam sobre situações fáticas distintas. Em ambos os julgados apresentados pela recorrente, não há qualquer elemento probatório das alegações feitas pelos contribuintes autuados. Portanto, o acórdão e a divergência baseiamse em situações fáticas distintas, assim, não há que se falar em divergência, pois para sua existência a interpretação deve se basear no mesmo dispositivo legal, sobre situações análogas. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 220100.367 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, proferido em julho de 2009, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento para excluiria exigência,o acréscimo patrimonial a descoberto relativo a janeiro de 2002; novembro e dezembro de 2003, restabelecendo o valor R$ 1.998,00, correspondente à despesa de instrução e reduzir a multa de ofício de 150% para 75%. Em desfavor do sujeito passivo foi lavrado o auto de infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2002 e 2003. Tratase de exigência com valor total de R$ 279.393,13, já incluído os acréscimos legais cabíveis, calculados até 30 de maio de 2007. De acordo com a administração fazendária, a infração apurada em virtude de acréscimo patrimonial a descoberto e dedução indevida de despesas médicas. Em sua defesa, o contribuinte autuado apresentou, em síntese, as seguintes alegações: a) os valores de R$ 75.678,00 e R$ 19.224,48, informados nas declarações de 2001 e 2002, não foram considerados; b) o empréstimo de R$ 210.000,00 efetivamente ocorreu, justificandose assim os acréscimos patrimoniais apurados em 2003; c) cartão de crédito nem sempre é renda consumida; Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11020.001326/200717 Acórdão n.º 920202.249 CSRFT2 Fl. 2 3 d) não foi computado como origem o valor de R$ 2.283,00, referente ao desconto simplificado de sua esposa, no ano anterior; e) parte da dívida paga ao Banco do Brasil foi paga no ano seguinte, não podendo ser aplicação de recursos em 2003 (R$ 90.000,00 foram pagos em 2003); f) a multa qualificada foi mal aplicada, pois não ficou caracterizada a hipótese prevista em lei para tal (sonegação fraude ou conluio) e não houve omissão de receita; g) a glosa de despesas com instrução de R$ 3.000,00, informadas como despesas médicas, não foi correta. Em julho de 2007, a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento, localizada em Porto Alegre, julgou procedente em parte o lançamento, conforme o disposto no o acórdão n° 1012.707: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. COMPROVAÇÃO. Levantamento de acréscimo patrimonial deve estar acompanhado de documentação adequada, da mesma maneira que as alegações apresentadas na impugnação. Lançamento Procedente em Parte. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte arguiu, dentre outros, que o Fisco não demonstrou qualquer indício, mesmo que tênue, de sonegação, fraude ou conluio, necessários para a qualificação da multa e não houve qualquer omissão de receita. Alegou, ainda, que o empréstimo era efetivo e não simulado, pois há provas concretas nos autos da efetiva transferência dos recursos. Em análise ao recurso interposto pelo contribuinte, 1ª Turma Ordinária, em julho de 2009, resolveu, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência o acréscimo patrimonial a descoberto relativo a janeiro de 2002, novembro e dezembro de 2003; restabelecer o valor R$ 1.998,00, correspondente à despesa de instrução e reduzir a multa de ofício de 150% para 75%: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA F Í S ICA I R P F Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DESCONTO PADRÃO O desconto padrão, opção do contribuinte, se destina, exclusivamente à apuração da renda Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 líquida tributável, não traduzindo despesa efetiva do sujeito passivo, a qual não pode ser presumida, sim, comprovada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DISPONIBILIDADE. Na apuração de eventual variação patrimonial do contribuinte deve ser levado em conta a disponibilidade advinda de recursos previamente consignados na Declaração de Ajuste tempestivamente entregue. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO EMPRÉSTIMOS. Devese admitir como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais o valor de empréstimo celebrado, consignado nas declarações de ajuste anual entregue ao seu devido tempo por ambas as partes, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora, no sentido da não ocorrência do negócio. MULTA QUALIFICADA INOCORRÊNCIA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício deverá ser minuciosamente justificada e, principalmente, comprovada nos autos. Recurso parcialmente provido. Recurso Voluntário provido O relator, em seu voto condutor, sustentou que no caso dos autos o contribuinte logrou comprovar o empréstimo no valor de R$ 210.00,00, devendo ser considerado como origem de recurso no Demonstrativo da Evolução Patrimonial Origens dos Recursos /Dispêndios Aplicações do ano de 2003. Quanto à multa qualificada, a 2ª Seção de Julgamento entendeu pela desqualificação e virtude da ausência de elementos que configurem a intenção delitiva do contribuinte em simular o empréstimo declarado. De acordo com o órgão julgador, não há elemento nos autos capaz de demonstrar a intencionalidade de sua ação, não devendo, assim, ser considerada a qualificadora para os valores lançados, já que qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício deve ser minuciosamente justificada e, principalmente, comprovada nos autos. Inconformada, a PGFN interpôs Recurso Especial com o fundamento no art. 67 do Regimento Interno do Carf. Sustenta a recorrente, a existência de divergência jurisprudencial no âmbito do conselho, de modo que apresenta os Acórdãos n° 10246.559 e 10415.979 como paradigmas: EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte a comprovação mediante cópia do contrato de mútuo, cheque,comprovante de depósito bancário ou do extrato da conta corrente ou outro meio admitido em direito, da efetiva transferência dos recursos, tanto na concessão como por ocasião do recebimento do empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo consignado apenas na declaração de rendimentos apresentada tempestivamente pelo contribuinte, sem comprovação, com documentos hábeis e idôneos, da efetiva transferência do numerário, coincidentes em datas e valores. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11020.001326/200717 Acórdão n.º 920202.249 CSRFT2 Fl. 3 5 (10246.559) EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com declaração firmada pelo mutuante, sem qualquer outro meio, como comprovação da efetiva transferência de numerário e capacidade financeira do credor. (10415.979). Aponta a PGFN que nos casos ora confrontados são semelhantes, quais sejam, não se exige a demonstração da efetiva transferência do numerário via empréstimo no acórdão atacado, enquanto que os acórdãos paradigmas exigem essa demonstração para que se considere o empréstimo como elemento para desconsiderar o acréscimo patrimonial. Em Despacho exarado às fls. 551 e ss, o Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento deu seguimento ao Recurso Especial por entender que da leitura dos acórdãos recorrido e dos paradigmas permitem concluir que são acórdãos divergentes, pois tratam de matérias tributárias iguais, de fato e de direito, de forma diferente. Às fls. 556 e ss, Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul. A embargante requereu, em síntese, a revisão do teor do Acórdão combatido ou a revisão de ofício, total ou parcialmente, do teor do julgado. Os embargos foram rejeitados, conforme se observa da decisão de fls. 565. Em sede de contrarrazões, o contribuinte requer a improcedência do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda, face às provas irrefutáveis da comprovação do empréstimo contraído no valor de R$ 210.000,00. É o que tenho a relatar. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator No que toca à admissibilidade do recurso, quanto à comprovação da divergência, encontramos questão que deve ser analisada. Como se demonstra com clareza na decisão e no acórdão utilizado como paradigma, entendo tratarse de situações distintas. O acórdão recorrido considerou fidedignas as provas apresentadas pelo contribuinte para a comprovação do empréstimo contraído, quais sejam, cópia do contrato de mútuo, cópia da nota promissória, comprovação da capacidade financeira da concedente, dentre outros. Já os acórdãos paradigmas versam sobre situações fáticas distintas. Em ambos os julgados apresentados pela recorrente, não há qualquer elemento probatório das alegações feitas pelos contribuintes autuados. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Portanto, o acórdão e a divergência baseiamse em situações fáticas distintas, assim, não há que se falar em divergência, pois para sua existência a interpretação deve se basear no mesmo dispositivo legal, sobre situações análogas. Peço vênia para adotar, como razões de decidir, os fundamentos do Conselheiro Elias Sampaio Freire, manifestados em voto na CSRF, referente ao processo 11065.005916/200379 [Acórdão n. 920200.299]: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 a 2002 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes. Acórdão que trate de exigência de multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática refiraSe a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa fisica. Precedentes. Recurso especial não conhecido. [...] Como se vê, no acórdão paradigma, a aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96 decorre da aplicação do artigo 44, § 1, inciso IV do mesmo diploma legal, aplicável, no caso, pela falta de recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido. Por seu turno, no acórdão recorrido, a aplicação da multa isolada decorre da ausência pagamento mensal do imposto de renda de pessoa física (carnêleão), com fundamento no art. 44, § 1, inciso III da Lei nº 9.430/96. Inicialmente há de se salientar que a divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. FIXAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA. 1. A majoração do quantum indenizatório a título de dano moral é medida excepcional e sujeita a casos específicos em que for Fl. 620DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11020.001326/200717 Acórdão n.º 920202.249 CSRFT2 Fl. 4 7 constatada condenação ao pagamento de valor irrisório, o que não ocorre nos autos. Precedentes. 2. A divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram, o que não ocorre in casu. (GRIFEI) 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 1092014 / RSAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO2008/02006846, Relator Desembargador convocado do TJ/AP HONILDO AMARAL DE MELLO CASTRO, DJe 02/09/2009) DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONSTRIÇÃO PATRIMONIAL. REQUISITOS AUTORIZADORES DA MEDIDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I Hipótese em que os agravantes tiveram constrição patrimonial decretada em face de pedido do Ministério Público em Ação Civil Pública tendente a apurar irregularidades em certames licitatórios. II Alegam os recorrentes que existem discrepâncias entre o acórdão recorrido, que reconheceu a possibilidade da constrição patrimonial, e decisão deste Tribunal Superior sobre matéria similar. III A escorreita demonstração de dissídio jurisprudencial requer não apenas o apontamento de decisões díspares prolatadas por Tribunais diversos, mas antes de tudo que se verifique que as decisões conflitantes se deram ante a interpretação do mesmo dispositivo de lei federal. (GRIFEI) IV Se, como no caso dos autos, Tribunais diversos divergem apenas quanto a quais fatos configurariam o fumus boni iuris e o periculum in mora, não há interpretação divergente de dispositivos legais. V Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 1120568 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO2008/02422717, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJe 10/06/2009) Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: RECURSOS. ADMISSIBILIDADE. Só se configura a divergência entre julgados quando existem interpretações diferentes do mesmo dispositivo legal aplicado a situações semelhantes. Recurso especial não conhecido (GRIFEI) Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 (Acórdão CSRF/0202.128, Relator: conselheiro Antonio Carlos Atulim) Ademais, não se verifica, no precedentes citado, a perfeita similitude fática entre as hipóteses confrontadas, posto que o acórdão recorrido trata de ausência pagamento mensal do imposto de renda de pessoa física (carnêleão), enquanto o acórdão paradigma trata de falta de recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido. Portanto, acórdão que trate de exigência de multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática refirase a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de ofício, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Confirase, nesse sentido, o seguinte precedente desta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL – INEXISTÊNCIA – RECURSO NÃO CONHECIDO – É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da Lei nº 9.430, de 1996. (Rec. Especial nº 102151.750, acórdão nº 920200.136, Relator conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva) Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 22 de setembro de 2009 Elias Sampaio Freire Destarte, como está claro que a divergência e o acórdão não deram interpretação divergente a dispositivo legal idêntico, VOTO POR NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela nobre Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 622DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11020.001326/200717 Acórdão n.º 920202.249 CSRFT2 Fl. 5 9 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000130/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/08/2006
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Constitui falta passível de multa, deixar a
empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Lei 8212/91.
INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES.
Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias
administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência..
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.520
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/08/2006 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Constitui falta passível de multa, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Lei 8212/91. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17460.000130/200711 Acórdão n.º 2401002.520 S2C4T1 Fl. 113 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso I, que consiste em a empresa deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 46/51, a empresa deixou de informar diversos segurados empregados e contribuintes individuais (exautônomos) em suas folhas mensais de pagamento. no período de março de 2001 a outubro de 2005. Informa ainda o RF que, consoante teor do Ofício DRT/9 n° 391/2005, de 27/12/2005, encaminhado pela Delegacia Regional Tributária de Araçatuba à Receita Previdenciária em Araçatuba (cópia fls. 59/69), a empresa Teones Laurindo Fernandes Plásticos teve sua inscrição estadual cassada em 25/02/2002, junto ao Posto Fiscal de Penápolis, com efeitos a partir de 10/11/2000, tendo em vista a sua constituição ser considerada fraudulenta, cuja atividade era uma extensão da empresa Pevi Comercial Ltda e cuja administração da nova empresa era exercida exclusivamente pelos titulares da Pevi Comercial Ltda., figurando o titular apenas como um mero "presta nome". Inconformada com a decisão de fls. 125 a 87 que julgou procedente a autuação, a empresa recorre à este conselho alegando em síntese: Que deve ser aplicada a decadência qüinqüenal. Aduz que, nas contribuições previdenciária o lançamento é por homologação, se não haviam empregados registrados na empresa naquela ocasião, evidente que não havia como registrar as contribuições. Afirma.que a multa exigida em percentual tão elevado agride o patrimônio do contribuinte, residindo aí sua natureza confiscatória, algo que é vedado e repudiado pelo sistema constitucional em vigor, até porque se a mesma prevalecer estará havendo, em boa verdade, séria restrição ao exercício de atividade profissional e do comércio, algo que, conforme é de todos sabido, é muitíssimo estimado pela Constituição Federal. Afirma que para a mesma competência existem 5 (cinco) outras notificações pelo mesmo fato gerador, flagrantemente em "bis in idem" e ainda que outros 04(quatro) AI são aplicações de multas pelos mesmos fatos geradores. Continua alegando o seguinte: “Há que se ressaltar que a empresa passa por dificuldades financeiras, somente não foi baixada, mas não está em funcionamento, posto que, para dar baixa na mesma, existem valores a ser pagos e esta não os possui. Algumas irregularidades sem a vontade livre e consciente de causar prejuízo ao erário configuram inexigibilidade de conduta diversa, eis que de todas as formas tenta manter seu quadro de funcionários, sem ter de proceder demissões. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 (...) a indisponibilidade de recursos da empresa para honrar os compromissos fiscais da empresa no período correspondente ao vencimento das obrigações, torna impossível à ora Impugnante agir de outra forma. Não há dolo em não pagar, não há crime ou desejo de causar prejuízo ao erário. Há sim necessidade de manter a empresa e os empregos. Nunca os sócios buscaram causar prejuízo ao fisco, que Federal, Estadual ou Municipal. O que ocorre é que para manter a empresa funcionando e isto possui o lado social, pois esta empresa cumpre sua função social, às vezes necessário se faz deixar de pagar algumas coisas, neste caso foram os tributos. “ Conclui: “Assim, é lícito entender por inculpável o sujeito, ,diante da inexigibilidade de outra conduta que, por se tratar de hipótese não.descrita na lei, configurase em uma causa supralegal de exclusão da culpabilidade.” Por fim, sustenta a impossibilidade de cumulação da taxa SELIC com juros de mora, citando jurisprudência acerca do assunto. Requer o provimento do recurso, julgando improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17460.000130/200711 Acórdão n.º 2401002.520 S2C4T1 Fl. 114 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA A preliminar de decadência não merece ser acolhida. Como dos autos, as infrações ocorreram no período de março de 2001 a outubro de 2005, tendo o autuado tomado ciência do AI em abril de 2007. Com a edição da Súmula Vinculante n.º 08/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciária passou a ser regulado pelo CTN. O dispositivo aplicável nos casos de lançamento de ofício é o inciso I do art. 1731, que determina que a contagem do prazo tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Logo, mesmo haja na presente autuação competências alcançadas pela decadência, verificase que há infrações de cuja ocorrência não havia transcorrido o prazo decadencial. Como a multa para esse tipo de infração é aplicada em valor fixo, não dependendo do número de ocorrências verificadas, uma só infração verificada em período não decadente já justifica a aplicação da penalidade. DO MÉRITO Embora a recorrente afirme que no período do lançamento não haviam empregados registrados na empresa naquela ocasião, razão pela qual não havia como registrar as contribuições, temos que, conforme consta no relatório Fiscal, a presente autuação fora lavrada em nome da recorrente em face da empresa Teones Laurindo Fernandes Plástico em face a constatação de fraude. Vejamos o contido no Relatório: 1 . Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 “...consoante teor do Ofício DRT/9 n° 391/2005, de 27/12/2005, encaminhado pela Delegacia Regional Tributária de Araçatuba à Receita Previdenciária em Araçatuba (cópia fls. 59/69), a empresa Teones Laurindo Fernandes Plásticos teve sua inscrição estadual cassada em 25/02/2002, junto ao Posto Fiscal de Penápolis, com efeitos a partir de 10/11/2000, tendo em vista a sua constituição ser considerada fraudulenta, cuja atividade era uma extensão da empresa Pevi Comercial Ltda e cuja administração da nova empresa era exercida exclusivamente pelos titulares da Pevi Comercial Ltda., figurando o titular apenas como um mero "presta nome" Tal fato, em nenhum momento fora questionado pela recorrente, seja na defesa de primeira instância, seja no recurso ora sob análise, o que implica em aceitação tácita da imputação à ela feita pela fiscalização. Sobre as manifestações acerca da situação financeira da empresa, que justificaria a falta de recolhimentos das obrigações previdenciárias, este conselheiro não deve tecer maiores comentários sobre o assunto. Não cabe ao julgador administrativo adentrar em aspectos subjetivos sobre a situação financeira das empresas autuadas, mas sim, verificar a correta aplicação da Lei no lançamento fiscal, o que no presente caso, também não foi rebatido pela recorrente. As alegações acerca da do caráter confiscatório da multa e de que deva ser afastada a incidência de Juros e a Multa SELIC cumulativamente por ser ilegal e inconstitucional, cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade e legalidade de normas legais. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade e legalidade de normas legais. Desta forma, além das razões já expostas na decisão de primeira instância, temos que vários dispositivos legais vedam a análise do julgador administrativo para se manifestar acerca do assunto. Dentre eles temos o art. 62 da Portaria MF 256/2009, a Súmula 02 do então Segundo Conselhos de Contribuintes, o art. 72 § 4º do Regimento Interno do CARF e o art. 102, I da Constituição Federal: Portaria 256/2009 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17460.000130/200711 Acórdão n.º 2401002.520 S2C4T1 Fl. 115 7 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Sumula nº 02 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” Constituição Federal “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Sendo assim, as alegações acerca de inconstitucionalidades e ilegalidades não serão objeto de apreciação por esta turma de julgamento. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, rejeitar a preliminar de decadência e no mérito Negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10830.014215/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO.
O contratante de serviços mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-002.921
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento dos valores apropriados em cada levantamento para os quais tenha havido pagamento parcial e se refiram ao período
até 09/2005, inclusive.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 626 1 625 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.014215/201079 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240202.921 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2012 Matéria CESSÃO DE MÃO DE OBRA: RETENÇÃO. Recorrente MUNICÍPIO DE HORTOLANDIA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 626DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento dos valores apropriados em cada levantamento para os quais tenha havido pagamento parcial e se refiram ao período até 09/2005, inclusive. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.014215/201079 Acórdão n.º 240202.921 S2C4T2 Fl. 627 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal com base nos valores escriturados contabilmente, conforme relatório fiscal e discriminativo do débito. O lançamento foi realizado em 27/10/2010 e constitui crédito sobre serviços prestados ao recorrente mediante cessão de mãodeobra. Seguem trechos da acórdão recorrida: LANÇAMENTO FISCAL. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃODE OBRA/ EMPREITADA A empresa e equiparada é obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal de serviço quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra/ empreitada e recolher a importância retida em nome da empresa contratada. PROVAS. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS As provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções legais. DILIGÊNCIA. PERÍCIA O pedido de diligência e perícia deve ser motivado e acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, sob pena de seu indeferimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Tratase de crédito lançado contra o contribuinte identificado em epígrafe, no montante de R$ 613.427,07 (seiscentos e treze mil quatrocentos e vinte e sete reais e sete centavos) compreendendo o período de 01/2005 a 12/2005, relativo às contribuições devidas quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra empreitada, que a autuada na qualidade de contratante deveria ter retido e recolhido de acordo com o determinado no artigo 31, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. Destaca o Relatório Fiscal, fls. 86/92, que a Prefeitura Municipal de Hortolândia para atender as necessidades do Município realizou diversas obras na área de construção civil, contratando prestadoras de serviços nas áreas de pavimentação, construção, saneamento e terraplenagem, além de ter contratado empresas de transportes de passageiros, publicidade e limpeza. Segundo a fiscalização “os contratos firmados, na sua maioria, foram de empreitada com fornecimento de material, mão de obra e equipamentos necessários para a execução dos serviços”. ... Fl. 628DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Extraise da referida Ordem de Serviço que uma das finalidades do preenchimento correto da GPS é a apropriação correta da receita previdenciária, ainda porque sem os dados corretos não se comprova o efetivo recolhimento das contribuições devidas. Contudo, havendo comprovação do recolhimento em nome da prestadora dos serviços, em relação às notas fiscais discriminadas no Relatório de Lançamentos, e considerando o princípio da verdade material, as competências discriminadas no Demonstrativo Anexo devem ser excluídas do lançamento. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Em preliminar sustenta a nulidade da autuação por inexistência de justa causa e inocorrência de qualquer ilicitude, além de “os dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação”, devendo ser arquivado o processo. Afirma que não houve análise de toda a documentação, como se vê dos documentos juntados, o que macula o procedimento e oferece incertezas para se chegar a conclusão da suposta infração cometida, uma vez que os demonstrativos não tem validade jurídica . Reputa indevida a exigência por erros no lançamento de ofício e ainda por afronta ao disposto nos artigos 112 e 142, ambos do Código Tributário Nacional/CTN, sendo ilegal a autuação uma vez que efetuou os recolhimentos dos tributos ora questionados, conforme documentação anexa. E também que não pode ser obrigada a novo pagamento apenas por têlo feito em código distinto ao previsto no ato normativo. É o Relatório. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.014215/201079 Acórdão n.º 240202.921 S2C4T2 Fl. 628 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Uma vez cumpridos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 630DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios de procedimento capazes de tornarem nulos quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Fl. 631DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.014215/201079 Acórdão n.º 240202.921 S2C4T2 Fl. 629 7 Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Fl. 632DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando o presente caso, as competências até 09/2005 com comprovado pagamento parcial devem ser excluídas do lançamento. No mérito A recorrente não se insurge contra a forma de prestação de serviço, isto é, da presença de características da cessão de mão de obra (segurados colocados à disposição do contratante em suas dependências), apenas que teria realizado o pagamento em código diferente e por essa razão não deveria ser realizado o lançamento. Acontece que a decisão recorrida, embora tenha enfatizado a importância do código de pagamento para fins de identificação do cumprimento da obrigação, considerouos reduzindo o crédito constituído. As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade das exações discriminadas no lançamento; no entanto, o artigo 26A do Fl. 633DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.014215/201079 Acórdão n.º 240202.921 S2C4T2 Fl. 630 9 Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento dos valores apropriados em cada levantamento para os quais tenha havido pagamento parcial e se refiram ao período até 09/2005, inclusive. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 634DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10830.017181/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO EMPREGADOR. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRAPRESTAÇÃO DO TRABALHO. AUSÊNCIA.
O art. 22, I, da Lei n° 8.212/91 prevê que as contribuições previdenciárias a cargo do empregador devem incidir sobre as verbas pagas ou creditadas aos empregados segurados ou contribuintes individuais que se destinem a retribuir o trabalho prestado, com caráter exclusivamente salarial, de forma habitual e não indenizatória. O valor pago a título de vale transporte, seja ele dado em pecúnia ou obtido junto às empresas de transporte público, possuem caráter indenizatório e não se prestam a retribuir o trabalho. Com a Lei n° 7.619/87, tornou-se obrigatório aos empregadores custear o transporte residência-trabalho e vice-versa de seus funcionários. O artigo 2° da mesma Lei destacou a ausência de natureza salarial do vale-transporte concedido nos moldes da Lei. Em complemento, a Lei n° 8.212/91, assim como o Decreto n° 3.048/99, prevê a impossibilidade de incidência das contribuições sobre parcelas pagas a título de vale-transporte.A questão em análise, entretanto, gira em torno da incidência ou não da contribuição quando o benefício do vale-transporte for pago em dinheiro pelo empregador. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, em consonância com a Súmula de n° 60 da Advocacia Geral da União, tem decidido a favor da não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de vale transporte, ainda que em pecúnia. A não incidência se fundamenta na ausência de contraprestação pelo trabalho quando do pagamento da verba de vale-transporte, ainda que em dinheiro, uma vez que verba imposta legalmente ao empregador. Assim, em cumprimento ao artigo 26-A do Decreto n. 70.235/72, inclino à tese da Suprema Corte para que seja cancelado o auto de infração, vez que não incidente contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de vale-transporte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO EMPREGADOR. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRAPRESTAÇÃO DO TRABALHO. AUSÊNCIA. O art. 22, I, da Lei n° 8.212/91 prevê que as contribuições previdenciárias a cargo do empregador devem incidir sobre as verbas pagas ou creditadas aos empregados segurados ou contribuintes individuais que se destinem a retribuir o trabalho prestado, com caráter exclusivamente salarial, de forma habitual e não indenizatória. O valor pago a título de vale transporte, seja ele dado em pecúnia ou obtido junto às empresas de transporte público, possuem caráter indenizatório e não se prestam a retribuir o trabalho. Com a Lei n° 7.619/87, tornou-se obrigatório aos empregadores custear o transporte residência-trabalho e vice-versa de seus funcionários. O artigo 2° da mesma Lei destacou a ausência de natureza salarial do vale-transporte concedido nos moldes da Lei. Em complemento, a Lei n° 8.212/91, assim como o Decreto n° 3.048/99, prevê a impossibilidade de incidência das contribuições sobre parcelas pagas a título de vale-transporte.A questão em análise, entretanto, gira em torno da incidência ou não da contribuição quando o benefício do vale-transporte for pago em dinheiro pelo empregador. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, em consonância com a Súmula de n° 60 da Advocacia Geral da União, tem decidido a favor da não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de vale transporte, ainda que em pecúnia. A não incidência se fundamenta na ausência de contraprestação pelo trabalho quando do pagamento da verba de vale-transporte, ainda que em dinheiro, uma vez que verba imposta legalmente ao empregador. Assim, em cumprimento ao artigo 26-A do Decreto n. 70.235/72, inclino à tese da Suprema Corte para que seja cancelado o auto de infração, vez que não incidente contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de vale-transporte. Recurso Voluntário Provido.
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VALE TRANSPORTE Recorrente KARCHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO EMPREGADOR. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRAPRESTAÇÃO DO TRABALHO. AUSÊNCIA. O art. 22, I, da Lei n° 8.212/91 prevê que as contribuições previdenciárias a cargo do empregador devem incidir sobre as verbas pagas ou creditadas aos empregados segurados ou contribuintes individuais que se destinem a retribuir o trabalho prestado, com caráter exclusivamente salarial, de forma habitual e não indenizatória. O valor pago a título de vale transporte, seja ele dado em pecúnia ou obtido junto às empresas de transporte público, possuem caráter indenizatório e não se prestam a retribuir o trabalho. Com a Lei n° 7.619/87, tornouse obrigatório aos empregadores custear o transporte residênciatrabalho e viceversa de seus funcionários. O artigo 2° da mesma Lei destacou a ausência de natureza salarial do valetransporte concedido nos moldes da Lei. Em complemento, a Lei n° 8.212/91, assim como o Decreto n° 3.048/99, prevê a impossibilidade de incidência das contribuições sobre parcelas pagas a título de valetransporte.A questão em análise, entretanto, gira em torno da incidência ou não da contribuição quando o benefício do valetransporte for pago em dinheiro pelo empregador. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em consonância com a Súmula de n° 60 da Advocacia Geral da União, tem decidido a favor da não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de vale transporte, ainda que em pecúnia. A não incidência se fundamenta na ausência de contraprestação pelo trabalho quando do pagamento da verba de valetransporte, ainda que em dinheiro, uma vez que verba imposta legalmente ao empregador. Assim, em cumprimento ao artigo 26A do Decreto n. 70.235/72, inclino à tese da Suprema Corte para que seja cancelado o auto de infração, vez que não incidente contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 71 81 /2 01 0- 74 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 314 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado sob n° 37.222.4539, referente às contribuições sociais patronais, destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa aos trabalhadores empregados, a título de vale transporte, apuradas através das folhas de pagamentos no período de 01/2005 a 12/2008. Nos termos do relatório fiscal de fls. 22/25, a Autoridade Fiscalizadora justifica a autuação no fato de a Recorrente ter concedido Vale Transporte aos trabalhadores sem atender ao que prevê o art. 4° da Lei n° 7.418/85, que determina que cabe ao empregador a aquisição de valestransporte necessários ao deslocamento do trabalhador entre o trabalho e sua residência. Diferente disso, a empresa incluiu o valor que corresponderia à compra desses vales na folha de pagamentos. Ainda no relatório fiscal, a Autoridade Fiscal apresentou comparativo de multas, visando a aplicação de multa mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Inconformada com a autuação, a Recorrente apresentou tempestivamente, às fls. 110/119, impugnação ao Auto de Infração, cujos argumentos, em síntese, foram os seguintes: a) Ainda que a empresa Recorrente não tenha adquirido vale transporte diretamente das empresas de transportes urbanos ou interurbano e tenha procedido ao desconto abaixo do previsto, os pagamentos que ensejaram a autuação são referentes a vale transporte e sobre os mesmos não pode haver incidência das contribuições previdenciárias; b) A Recorrente, quando da fiscalização, apresentou planilhas demonstrando que a cada funcionário é pago apenas o valor equivalente ao vale transporte por ele utilizado, com base em seu endereço residencial, restando comprovado que os valores envolvidos tratavamse de pagamentos de vale transporte e não de aumento salarial; c) O vale transporte visa ressarcir o empregado pelos custos com transporte de ida e volta do trabalho, possuindo natureza indenizatória, sendo totalmente indevida a incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a esse título, mesmo quando se tratar de pagamentos realizados em espécie; d) Menciona o art. 28, § 9°, alínea ‘f’, da Lei n° 8.212/91 e os arts. 1° e 2° da Lei n° 7.418/85 para justificar a não incidência de contribuições previdenciárias e, ainda, o art. 2°, § 1°, IX, do Decreto n° 4.840/2003, que exclui do conceito de remuneração o auxílio transporte, mesmo que pago em dinheiro; e) Esclareceu que a parcela de 6% a que se refere o art. 4° da Lei n° 7.418/85 nada mais é do que um percentual limite para ser descontado do empregado, nos termos do parágrafo único do mesmo dispositivo. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Ao final, requereu a total improcedência da ação fiscal e o conseqüente cancelamento do auto de infração. Face a impugnação apresentada, a DRJ de Campinas proferiu acórdão, às fls. 330/332 (verso), decidindo pela improcedência da Impugnação, pautada na idéia de que para que o pagamento de vale transporte não sofra a incidência de contribuições necessita que sejam atendidos os requisitos previstos nos artigos 1° e 4° da Lei n° 7.418/85 e, ainda, sendo verificado o que dispõe o art. 5° da mesma lei, que prevê a possibilidade de pagamento de VT em pecúnia apenas em casos excepcionais. Face ao acórdão proferido, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 413/422), utilizando, em suma, os mesmos fundamentos apresentados em impugnação e mencionando julgados do CARF reconhecendo a não incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de vale transporte em pecúnia. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 315 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Preliminarmente O recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço. No mérito De acordo com o artigo 28 da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. O dispositivo indigitado prescreve a regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal. A mensuração do quantum debeatur é determinada pela conjugação de prescrições lógica e cronologicamente concatenadas, que ao final revelam o arquétipo do aspecto quantitativo previsto na norma geral e abstrata instituidora do tributo: a) a primeira parte do dispositivo determina que a base de cálculo é o valor da remuneração auferida, compreendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados. b) a segunda determina que apenas os valores destinados a retribuir o trabalho devem ser oferecidos à tributação. O primeiro comando tem espectro mais abrangente que o segundo. Em considerado isoladamente, interpretação que com frequência induz ao erro, representaria a tributação de quaisquer remunerações pagas aos segurados a serviço do empregador. Entretanto, a segunda determinação promove um corte no alcance normativo, prescrevendo expressamente que apenas a remuneração destinada à retribuição da atividade laborativa integra a base de cálculo do tributo. A necessária relação de inerência entre a materialidade do tipo e a base de cálculo impõe a harmonização dos critérios a fim de garantir a integridade normativa. De Fl. 449DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 acordo com as lições de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo afirma, confirma ou infirma a hipótese tributária. Afirma quando elucida. Confirma quando reflete. E infirma quando diverge e sobre a mesma prevalece. “Temos para nós que a base de cálculo é a grandeza instituída na consequência da regramatriz tributária, e que se destina, primordialmente, a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária. Paralelamente, tem a virtude de confirmar, infirmar ou afirmar o critério material expresso na composição do suposto normativo. A versatilidade categorial desse instrumento jurídico se apresenta em três funções distintas: a) medir as proporções reais do fato; b) compor a específica determinação da dívida; e c) confirmar, infirmar ou afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma. (...) A grandeza haverá de ser mensuradora adequada da materialidade do evento, constituindose, obrigatoriamente, de uma característica peculiar ao fato jurídico tributário. Eis a base de cálculo, na sua função comparativa, confirmando, infirmando ou afirmando o verdadeiro critério material da hipótese tributária. Confirmando, toda vez que houver perfeita sintonia entre o padrão de medida e o núcleo do fato dimensionado. Infirmando, quando for manifesta a incompatibilidade entre a grandeza eleita e o acontecimento que o legislador declara como a medula da previsão fática. Por fim, afirmando, na eventualidade de ser obscura a formulação legal, prevalecendo, então, como critério material da hipótese, a ação tipo que está sendo avaliada.”1 Tratase no caso em análise da base de cálculo em sua função infirmadora, na medida em que adiciona conteúdo de materialidade ao antecedente normativo, preenchendo o complemento do verbo previsto no descritor. 2 A hipotética dissonância interna não prejudica a apreensão do comando determinado, posição que sigo acompanhado de Alfredo Becker: “O critério de investigação da natureza jurídica do tributo, que se mostrará ser o único verdadeiramente objetivo e jurídico, parte da base de cálculo para chegar ao conceito de tributo. Este só poderá ter uma única base de cálculo.” 3 Não se trata de hipótese de não incidência legalmente qualificada, operada em momento subsequente à determinação da base (isenção), mas da instituição originária dos contornos mensurativos do tipo. A restrição à tomada da remuneração na completude de sua acepção linguística realiza corte intraconceitual que cria a definição legal de quais dinheiros integram a base imponível. Essa base é necessariamente composta pela relação binária indigitada. 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 20ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 363/364 2 Considerando a análise da acepção lógica da estrutura vazia da materialidade [verbo + complemento]. 3 Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, p. 339. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 316 7 Passo a analisar o conteúdo semântico dos termos empregados. O direito tributário é sobrelinguagem ou linguagem de sobrenível4, buscando o conteúdo de seus termos em outros tipos de linguagens, positivadas ou não. Essa proposição foi normativamente introduzida pelo art. 123 do Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. O conceito de remuneração é buscado da legislação trabalhista. Conforme art. 457 da CLT: Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Grifo nosso) Assim, ainda que a referência à necessidade de contraprestação não fosse veiculada pelo art. 28 da lei 8.212/91, sua observância é imperativa também por força do conceito trabalhista de remuneração. A dupla prescrição pode derivar de falha técnica legislativa. Prefiro entendêla como reforço a uma forte vontade do legislativo no sentido da realização do Valor vetorizado na norma, qual seja, o primado do trabalho. Reduzindo a proposição prescritiva à sua estrutura mínima de conteúdo semântico, é forçoso entender que: Dessa forma, independentemente do que se entenda por salário, o mesmo só integrará o conceito de remuneração se e somente se for pago em contraprestação pelo trabalho. A única exceção a essa regra são as gorjetas recebidas. 5 Tornase seguro afirmar que remuneração é qualquer valor pago ao segurado, desde que em contraprestação pelo trabalho. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3ª Edição. São Paulo: Noeses, 2009. p. 190/192. 5 Considerando as grandezas proporcionais envolvidas na relação jurídica tributária de custeio da Seguridade Social, desconsideramos a gorjeta com vistas a fundamentar um arquétipo normativo que permita a análise do caso concreto. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Resta determinar o conceito de contraprestação pelo trabalho. A contraprestação deriva da relação direta entre a paga e o exercício efetivo da atividade laborativa. Não ocorre de maneira genérica, mediata, mas específica e imediata. A presença do elemento trabalho é condição necessária para o nascimento da obrigação tributária. Todo exercício de competência tributária por via da criação de norma geral e abstrata tem um sentido positivo e um negativo6. O sentido positivo concede ao Sujeito Ativo da Relação Jurídica Tributária um poderdever de exigir o tributo exatamente pelos contornos normativamente traçados (princípio da tipicidade cerrada). Já o sentido negativo proíbe a invasão do patrimônio do contribuinte fora desses contornos, sob pena de ofensa à legalidade, representando de outra mão um direito do contribuinte. Acerca da legalidade e da estrita legalidade, ensina Roque Antonio Carrazza: “O tipo tributário (descrição material da exação) há de ser um conceito fechado, seguro, exato, rígido, preciso e reforçador da segurança jurídica. A lei deve, portanto, estruturálo em numerus clausus; ou, se preferirmos, há de ser uma lei qualificadora ou Lex stricta. Em síntese, tudo o que é importante em matéria tributária deve passar necessariamente pela lei da pessoa política competente. (...) Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abstratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do princípio da legalidade. Convém lembrar que são “elementos essenciais” do tributo os que, de algum modo, influem no na e no quantum da obrigação tributária. (...) Deve, pois, a base de cálculo harmonizarse com a hipótese de incidência do tributo. É que, como é sabido e consabido, o que distingue um tributo do outro é seu binômio hipótese de incidência/base de cálculo. (...) a manipulação da base de cálculo pelo Fisco, acaba fatalmente alterando sua regramatriz constitucional, deixando o contribuinte sob o guante da insegurança.” 7 Isso significa que o contribuinte tem o direito de não ser tributado sobre a remuneração que não depende do exercício do trabalho para sua fruição (inexistência de contraprestação). Hipótese contrária significa o alargamento da base de cálculo legal para alcançar valores fora da materialidade normativa. Nesse conceito incluemse as verbas de caráter indenizatório, argumento frequentemente empregado sobretudo na jurisprudência para qualificar a incidência tributária das contribuições sociais. O caráter, indenizatório, entretanto, não é o qualificativo primário da exclusão da incidência, nem constitui isenção. O caráter de não contraprestação da verba é que 6 Derivação das lições de Amílcar de Araújo Falcão. Direito Tributário Brasileiro. 7 Curso de Direito Constitucional Tributário. Saraiva. 2006. p. 249252. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 317 9 determina a não incidência, do qual a natureza indenizatória é subgrupo. A lógica de classes permite dizer que a inexistência de contraprestação é gênero do qual a verba indenizatória é espécie. Dessa forma, todas as verbas indenizatórias demandam a inexistência de contraprestação pelo trabalho, mas nem todas as verbas pagas sem contraprestação pelo trabalho são indenizatórias. E todas as duas categorias situamse no campo da não incidência. É o caso, por exemplo, dos valores pagos por mera liberalidade do empregador (abonos desvinculados de salário), que nada indenizam, mas não derivam do exercício do trabalho. Remuneração para o trabalho e pelo trabalho Um dos mecanismos para segregação das verbas que pertencem à base de cálculo das contribuições sociais reside na diferenciação entre os conceitos de remuneração pelo trabalho para o trabalho, que, embora próximos, não se confundem. Enquanto que o primeiro é o objetivo almejado pelo prestador de serviços na relação de emprego, o segundo consubstancia os meios e instrumentos necessários à realização do objeto principal. A origem da palavra salário remonta ao latim salarium, derivado de salis – sal, pela freqüência com que os legionários o recebiam como soldo. Essa paga, entretanto, não se confunde com salário in natura, pois era usado como moeda na Roma antiga. O sal era remuneração por contraprestação pelo trabalho. Já os elmos, gládios, armaduras e sandálias representavam remuneração para o desempenho da função. Hoje, os valores despendidos com vestimentas de uso obrigatório, transporte, alimentação, etc, não são o objeto nuclear do contrato do contrato de trabalho, nem o retribuem. São acessórios em relação ao objeto principal, razão esta pela qual o negócio jurídico foi firmado. O conceito de remuneração alberga os valores pagos pelo empregador como contraprestação pelo trabalho realizado. O exercício do trabalho, entretanto, é fato central em torno do qual orbitam outras relações apêndices, necessárias à manutenção das estruturas sociais que sustentam o sistema escolhido pela sociedade de contexto como o mais adequado à persecução de seus fins. O contínuo processo de racionalização e burocratização das estruturas produtivas tem como resultado, por exemplo, a normatização protecionista do empregado no que tange às condições ambientais do trabalho, à privatização de parcela da proteção social assistencialista (cujo ônus entregase aos empregadores) e a necessidade de investimentos no bemestar social genérico dos empregados, do que são reflexos as obrigações pactuadas nos instrumentos coletivos de trabalho. Nesse contexto, o custeio do transporte do empregado entre sua residência e o local de trabalho, o fornecimento de uniformes, equipamentos de proteção, as diárias de viagens, os reembolsos de despesas, entre outros, são investimentos necessários por força de lei ou instrumentos particulares. Esses investimentos têm como objetivo a proteção do empregado. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Entretanto, tais dispêndios não se enquadram no conceito de remuneração tal como o prescrito pela norma instituidora da contribuição patronal. Assim porque tais valores não consubstanciam contraprestação pelo trabalho realizado, mas fornecem as condições necessárias ao desempenho da função. Nesse contexto a remuneração é chamada para o trabalho. Com efeito, o acréscimo patrimonial auferido pelo empregado cedente de serviços em prol do empregador deve ser líquido dos ônus necessários à sua prestação em decorrência da normatização a que se sujeitam as partes. Por contrário, seu ganho seria dilapidado pelas despesas inerentes à persecução do objeto da relação jurídica por condições metacontratuais, quais sejam, as obrigações de proteção. Assim, a remuneração para o trabalho é ônus a ser suportado para auferimento da remuneração pelo trabalho, este o efetivo direito do empregado por decorrência do contrato laboral. Tributar a remuneração para o trabalho implica no desvio da intentio legis, afetando parcelas supostamente remuneratórias que não guardam relação de identidade com o conteúdo material da hipótese normativa. Extrapolao. Ultrapassa os contornos do campo de incidência para afetar eventos que não refletem o descritor normativo, fazendo tabula rasa do princípio da legalidade. De acordo com o magistério de Maurício Godinho Delgado8: “Não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido pelo empregador ao empregado como meio de tornar viável a própria prestação de serviços. (...). Também não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido como meio de aperfeiçoar a prestação de serviços. (...)” A questão é matéria da Súmula 367 do Tribunal Superior do Trabalho: UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. (exOJ nº 24 da SBDI1 inserida em 29.03.1996) 8 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 8ª Edição. São Paulo: LTR, 2009, p. 671. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 318 11 (TST. Súmula 367) Enfim, sempre que a atividade desempenhada tiver natureza instrumental, servindo de meio para a efetiva prestação de serviços (objeto principal do contrato de trabalho), os valores recebidos não refletirão o conceito de remuneração legalmente qualificada para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias. Isenção Isenção é hipótese de não incidência legalmente qualificada. A norma isentiva atinge a regramatriz de incidência, prejudicando sua integridade sistêmica e negando lhe o vigor. A norma tributária portanto, nem chega a incidir, pois carente da completude imposta pela tipicidade cerrada. De acordo com Paulo de Barros Carvalho, “a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência multilandoos, parcialmente” 9. Acompanha esta posição Roque Antonio Carrazza: “Isenção é uma limitação legal do âmbito de validade da norma jurídica tributária, que impede que o tributo nasça ou faz com que surja de modo mitigado (isenção parcial). Ou, se preferirmos, é a nova configuração que a lei dá à norma jurídica tributária, que passa a ter seu âmbito de abrangência restringido, impedindo, assim, que o tributo nasça in concreto.” 10 Isenção, portanto, é norma de estrutura que impede o nascimento da obrigação tributária na hipótese vinculada. Verificando o espectro da norma de isenção, positivado na Lei 8.212/1991: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28.” “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. 9 Curso de Direito Tributário, p. 33. 10 Curso de DT. P. 829. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;” A interpretação sistêmica dos dispositivos transcritos identifica norma que afeta o critério quantitativo da regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal, para excluir da base de cálculo: a) os abonos expressamente desvinculados de salário; b) os valores pagos a título de vale transporte. A isenção dos abonos desvinculados de salário é norma vazia, pois pretende afetar hipótese de não incidência. Tais verbas, justamente por serem desvinculadas do salário, carecem do elemento contraprestação, resultando no nãoser jurídico tributário11. Novamente, revelase a preocupação do legislador ao reiterar a pretensão de salvaguardar esta materialidade da incidência tributária. Em homenagem à boa hermenêutica, frisase que a norma de isenção é a constante no Art. 22, § 2º. A referência ao Art. 28, “e” e “f”, não demanda uma conjugação de normas, mas de norma com suporte físico (texto positivo). A primeira “toma de empréstimo” o conteúdo meramente linguístico da segunda para completarlhe o sentido, da mesma maneira como se transcrevesse no § 2º os grafemas contidos no item “7”. Essa observação é necessária para corroborar outra proposição: a de que a base de cálculo da contribuição patronal não se identifica com o salário de contribuição (base de cálculo das contribuições dos empregados e trabalhadores avulsos). O comando prescrito pela norma que positiva a instituição do tributo esgota se em si mesmo. Com isso queremos dizer que a norma geral e abstrata de tributação, bem como os contornos do seu conteúdo pecuniário potencial, estão encerrados na previsão hipotética legal, e podem ser conhecidos pela análise do binômio materialidade/base de cálculo. Incide novamente o princípio tributário da tipicidade cerrada ou numerus clausus, de acordo com o qual todos os elementos (critérios) determinantes da incidência devem constar pormenorizados no corpo do diploma normativo introdutor. Esses critérios determinam a condição necessária e suficiente para instaurar o liame jurídico obrigacional entre Sujeito Ativo (União) e Sujeito Passivo (contribuinte), cujo objeto é a obrigação tributária, devendo ser mensurado de acordo com a relação de refiribilidade materialidade/base de cálculo. Essa mensuração, portanto, esgotase no veículo introdutor (Art. 22), sendo descabido colher de suporte alheio (Art. 28) elementos supostamente capazes de mensurar o conteúdo financeiro do tipo. Assim sendo, concluo que: 11 A nãoincidência é simplesmente a explicação de uma situação que ontologicamente nunca esteve dentro da hipótese de incidência possível do tributo. Deveras, não há incidência quando ocorre um fato tributariamente irrelevante, isto é, que não se ajusta (subsume) a nenhuma hipótese de incidência tributária. (...) Fica claro, desse modo, que, enquanto a isenção depende de lei (lato sensu) para validamente surgir, a não incidência decorre da própria natureza das coisas, podendo – e devendo – ser deduzida por mero labor exegético. Ou, se preferirmos, enquanto a isenção deriva da lei, a nãoincidência deriva da falta de lei (em alguns casos) ou da impossibilidade jurídica de tributarse certos fatos, em face de a regramatriz constitucional do tributo a eles não se ajustar. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 319 13 Base de cálculo da contribuição social previdenciária Patronal Segurados e trabalhadores avulsos Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Da aparente identidade entre os conceitos decorre a imprecisão técnica de considerar os itens “a” a “x” do § 9º do Art. 28 como as únicas hipóteses de exclusão de valores da base de cálculo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 458DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 320 15 n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo Fl. 459DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A lógica proposicional determina, pelo princípio da identidade, que “uma cosa es uma cosa, y outra cosa es outra cosa” 12. A proposição é terminativa, ou seja, dizer que uma coisa é uma coisa não implica dizer que outra coisa também é, ou não é. Com isso, concluo que a lista prevista nos itens “a” a “x” do artigo 28 não é taxativa da não incidência, qualificada ou não. Os valores pagos sem contraprestação também delimitam os contornos do aspecto quantitativo da norma. Resumo no seguinte quadro sinótico: Isto posto, temos a regramatriz de incidência da contribuição social previdenciária patronal: 12 ECHAVE, Delia Teresa; URQUIJO, María Eugenia; GUIBOURG, Ricardo A.. Lógica, proposición y norma. Editora Astrea: Buenos Aires, 2008. p. 83. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 321 17 Critério Material Pagar remuneração (salário em contraprestação pelo trabalho) e gorjetas, com habitualidade Critério Espacial Antecedente Território Nacional Critério Temporal Momento do pagamento Sujeito Ativo União Critério Pessoal Sujeito Passivo Empregador, empresa ou entidade equiparada Consequente Base de Cálculo Remuneração habitual e gorjetas Critério Quantitativo Alíquota 20% Colocadas essas premissas, passo à análise do caso concreto. A matéria objeto de divergência resumese à tributação dos valores pagos a título de vale transporte, em pecúnia. Com a Lei n° 7.619/87, tornouse obrigatório aos empregadores custear o transporte residênciatrabalho e viceversa de seus funcionários. O artigo 2° da mesma Lei destacou a ausência de natureza salarial do valetransporte concedido nos moldes da Lei: “Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador”. No mesmo sentido, a Lei n° 8.212/91, assim como o Decreto n° 3.048/99, prevê a impossibilidade de incidência das contribuições sobre parcelas pagas a título de vale transporte. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 A questão em análise, entretanto, gira em torno da incidência ou não da contribuição quando o benefício do valetransporte for pago em dinheiro pelo empregador. O cerne da discussão se acirrou em razão de disposição contraditória trazida pelo artigo 5º do Decreto n° 95.247/87: “Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento”. Os Tribunais Regionais há muito estão atentos a esta realidade: “PROCESSO CIVIL MANDADO DE SEGURANÇA VALE TRANSPORTE NÃO INTEGRA A REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS – INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OU FGTS – INOCORRÊNCIA. A Lei nº 7.418/85, regulamentada pelo Decreto nº 95.247/87, de 17/11/87, instituiu o ValeTransporte que o empregador, pessoa física ou jurídica, antecipará ao empregado para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e vice versa. O ValeTransporte, no que se refere à contribuição do empregador, não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração do beneficiário para quaisquer efeitos. Não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, e tampouco é considerado para efeito de pagamento da Gratificação de Natal. Não configura rendimento tributável do beneficiário. Apelação provida”. (TRF 2ª Região Apelação em MS 16692;Relator Juiz Wanderley de Andrade Monteiro; votação unânime; DJU 04/10/2002) “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALETRANSPORTE. NATUREZA JURÍDICA. NÃO INCIDÊNCIA. 1) O valetransporte é uma ajuda de custo destinada ao custeio do deslocamento do empregado de casa ao trabalho e viceversa (Lei n º 7.418/85). 2) Ao regulamentar essa lei, o Decreto nº 95.247/87 restringiu a concessão do benefício ao fornecimento de passes, sendo proibido o seu pagamento em dinheiro ao empregado. 3) Ofensa ao princípio da legalidade, vez que decreto não pode alterar a abrangência da lei. 4) Remessa oficial improvida” (TRF3ª TERCEIRA REGIÃO; REO REMESSA EX OFFICIO – 179928; Processo: 97030310710 UF: SP Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA; Documento: TRF300054170 Fonte DJU ATA: 15/03/2001 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 322 19 PÁGINA: 494 Relator(a) JUIZ OLIVEIRA LIMA; Decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento à remessa oficial). O E. Supremo Tribunal Federal também se manifestou: “É benefício que, nos termos do que dispõe o artigo 2º da Lei n. 7.418/85 renumerado pela Lei n. 7.619/87 "a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. A contribuição previdenciária não incide sobre o montante a que corresponde o benefício se esse montante vier a ser, em cada caso, concedido ao trabalhador mediante a entrega, a ele, pelo empregador, de valestransporte. Quanto a isso não há dúvida alguma. Cumpre ver, destarte, se a substituição desse montante em valestransporte por montante de dinheiro teria o condão de conferir ao benefício caráter salarial, em razão do que esse mesmo montante passaria a constituir base de incidência de contribuição previdenciária. (...) Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. Pois é certo que, a admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. Para demonstrálo excedime na longa dissertação acima desenvolvida. Ela há de ter sido útil, no entanto, na medida em que me permite afirmar que qualquer ensaio de relativização do curso legal da moeda nacional afronta a Constituição enquanto totalidade normativa. Relativizálo, isso equivaleria a tornarmos relativo o poder do Estado, dado que como anotei linhas acima parte do poder do Estado é integrado a cada unidade monetária, de modo tal que à oposição de qualquer obstáculo ao curso legal da moeda estaria a corresponder indevido questionamento do poder do Estado. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Por estas razões, o artigo 5º do decreto n. 95.247/87 é absolutamente incompatível com o sistema tributário da Constituição de 1988. Dou provimento ao recurso extraordinário”. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 (STF, RE 478.410 / SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, j. 10/03/2010) Não obstante, ainda, este Conselho Administrativo, em consonância com a Súmula de n° 60 da Advocacia Geral da União, tem decidido, quase que de forma pacificada, a favor da não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de vale transporte, ainda que em pecúnia: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. O Supremo Tribunal Federal, no RE nº 478410 entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Adoção do mesmo entendimento pela AGU por meio da edição da Sumula nº 60. (...). MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente NFLD ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.” (CARF, Acórdão n° 2301003.086, Proc. n° 16327.720643/201191, Relator Adriano González Silvério, publ. 04/02/2013) “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui falta passível de multa, apresentar GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA N. 60 DA ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO. RE 478.410/SP. Nos termos da Súmula n. 60 da Advocacia Geral da União, não incide a contribuição previdenciária sobre os valores de valetransporte pagos em dinheiro. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM DINHEIRO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O fornecimento de alimentação em pecúnia paga junto com a folha de salários integra o salário de contribuição (...) Recurso Voluntário Provido em Parte.” (CARF, Acórdão n° 2401 002.511, Processo n° 10166.723058/201076, Relator Marcelo Freitas de Souza Costa, publ. 07/01/2013) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 464DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.017181/201074 Acórdão n.º 2402003.390 S2C4T2 Fl. 323 21 Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/1998 (...) VALE TRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. ALIMENTAÇÃO. CESTA BÁSICA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Tendo sido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 objeto de Ato Declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, urge serem observadas as disposições inscritas no art. 26A, §6º, II, “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte.” (CARF, Acórdão n° 2302001.758, Proc. n° 18186.000135/200794, Relator Liege Lacroix Thomasi, Sessão 19/04/2012) Assim, em cumprimento ao artigo 26A do Decreto n. 70.235/72, inclino à tese da Suprema Corte para que seja cancelado o auto de infração, vez que não incidente contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso a ele dou provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 465DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 08/04/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15586.000752/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam-se como omissão de receitas.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ
é aplicável aos autos de infração reflexos, em face da íntima relação de causa e efeito entre eles existente.
MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PERCENTUAL APLICÁVEL.
Não caracterizado pela fiscalização o evidente intuito de fraude, exigido pela redação do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, vigente à época dos fatos geradores, a multa de ofício deve ser reduzida ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Incide na espécie a Súmula CARF nº 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação
da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”).
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de
recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na
estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se
no recolhimento de tributo.
Numero da decisão: 1401-000.701
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Relator e Antonio Bezerra Neto. Designada a Conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receitas. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos, em face da íntima relação de causa e efeito entre eles existente. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PERCENTUAL APLICÁVEL. Não caracterizado pela fiscalização o evidente intuito de fraude, exigido pela redação do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, vigente à época dos fatos geradores, a multa de ofício deve ser reduzida ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Incide na espécie a Súmula CARF nº 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”). APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela Fl. 990DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.116 2 falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Relator e Antonio Bezerra Neto. Designada a Conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.117 3 Relatório Tratase de autos de infração referentes a exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fls.743/782), decorrentes de “omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários”, anocalendário 2003, sobre as quais incidem juros de mora e multa de ofício, aplicada no percentual de 150%. Também foram constituídos créditos tributários de multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas. A ciência do contribuinte efetivouse em 31/10/2007 (fl.783). No “Termo de Verificação de Infração” (fls.743/751) a autoridade fiscal consignou, em síntese: a) em atenção ao Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte apresentou livros fiscais e contábeis, bem como extratos de contas bancárias mantidas no Unibanco S/A, Banco do Brasil S/A e BicBanco S/A; b) devidamente intimado em mais de uma oportunidade a apresentar “documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos créditos individualizados”, o contribuinte não disponibilizou tais documentos; c) o montante dos depósitos bancários seria “muito acima do declarado”; d) constatada a recusa em comprovar a origem dos depósitos, incidiria o art.42 da Lei nº 9.430/96, de forma a se considerar como omissão de receitas a “diferença apurada entre os depósitos bancários e as receitas declaradas”; e) foram excluídas as transferências bancárias do mesmo titular; f) “Considerando os depósitos como não comprovados (omissão de receitas), verificase que o contribuinte deveria ter recolhido o Imposto de Renda e a Contribuição Social por Estimativa a partir da Base de Cálculo na tabela abaixo. Como o contribuinte não efetuou tais recolhimentos por estimativa, cabe a cobrança da multa isolada sobre os tributos (50% de multa sobre tributo apurado)”; g) mantevese a apuração com base no lucro real. A qualificação da multa de ofício foi assim fundamentada, in verbis: “Os fatos apurados caracterizam a intenção fraudulenta do contribuinte em se eximir dos tributos devidos. O contribuinte ESCRITUROU SEUS LIVROS COM INFORMAÇÕES FALSAS, isto é, escriturou registros contábeis inverídicos em seus Livros Diário e Razão, de modo a simular movimentação financeira compatível. O contribuinte também omitiu de forma contumaz suas receitas. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.118 4 Quanto à qualificação das multas de ofício, a Lei n° 9.430/96, alterada pela Lei n° 11.488/2007, que dispõe sobre a Legislação Tributária Federal, estabelece: "Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713/1988, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. (Grifouse). Os artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, definem sonegação e fraude fiscal: "Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente” (Grifouse). "Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” Fl. 993DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.119 5 Na seara penal, o artigo 1° da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, assim expressa: "Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributos, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal”. Considerando a presença de crime contra ordem tributária e ainda a figura da sonegação (falsidade de documentos fiscais e omissão reiterada de receitas), está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em se eximir do recolhimento tributário cabível, o que implicou a qualificação da multa em 150%, como previstos no art. 957, inciso II do RIR/99, Decreto 3.000/99, e no art. 13, da Lei n° 11.488/2007, incidente sobre o IRPJ, CSLL, COFINS e PIS.” A Quinta Turma da DRJ – Rio de Janeiro I considerou procedentes em parte os lançamentos (fls.1.017/1.030). Na ocasião, decidiuse pela redução do percentual da multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento) e da importância de R$11.500,00 (onze mil e quinhentos reais) das bases de cálculo tributárias, a título de transferência entre contas correntes do contribuinte, tendo havido interposição de recurso de ofício. Devidamente intimado da decisão de primeira instância em 17/06/09 (fl.1.090), o autuado apresentou Recurso Voluntário em 16/07/09 (fls.1.092/1.103), em que basicamente sustenta: a) “A decisão de primeira instância, não pode ser mantida, pois conforme esclarecido quando da auditoria contábil fiscal, no ano de 2004, a empresa foi vendida e os novos proprietários contrataram contador diferente da pessoa que vinha fazendo a escrita contábil. Devido à transição, não só do quadro societário como também do profissional responsável pela escrita contábil e fiscal, os documentos internos onde demonstram com clareza os lançamentos feitos, bem como a referida conciliação bancária, não foram localizados, e devido ao grande volume de transações e o longo período decorrido entre os anos da ocorrência do fato gerador (2003) e o da fiscalização (2007), tornouse quase impossível refazêla”; b) não foi possível atender à intimação realizada quando da diligência, “pois todos os documentos e livros que haviam sido entregues ao autuante, Sr. Luciano, foram furtados do interior do veículo do sócio Sr. Hermínio, na cidade do Rio de Janeiro, quando este voltava de Vitória para Barra Mansa, tão logo acabara o procedimento fiscal, levado a efeito na recorrente. O fato foi noticiado à Polícia, que lavrou o Boletim de Ocorrência anexo aos autos. Entretanto, o sócio Sr. Hermínio, ao entregar à fiscalização o Boletim de Ocorrência, Fl. 994DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.120 6 não atentou para a importância em discriminar detalhadamente todos os livros e documentos que transportava à autoridade policial”; c) não teria havido omissão de receitas, vez que uma mesma importância pode circular por diversas contas correntes bancárias, de forma que “Um único ingresso de numerário, pode se transformar em diversos ingressos, de valores menores, em datas diferentes e com isso, criar se moeda”; d) a integralidade da receita operacional fora escriturada e oferecida à tributação quando da entrega da DIPJ 2004; e) todos os documentos fiscais e contábeis teriam sido entregues à fiscalização; f) com relação valor de R$691.366,83, também deveria ser excluído da tributação, por se tratar de crédito oriundo da conta contábil “Clientes”, recebido no anocalendário 2003. “Na hipótese, caso permaneça a tributação sobre o saldo de clientes existente em 31/12/2002, recebido em 2003, haverá a dupla tributação sobre o mesmo fato gerador, uma vez que os valores representados pela conta clientes, já compuseram a base de cálculo do imposto de renda e contribuições sociais do ano de sua competência”; g) decisões do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais afirmariam que a existência de depósitos bancários em montante incompatível com as receitas declaradas não poderiam ser tomada como fato gerador; h) seria incabível, nos termos de julgados do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exigência concomitante, após o encerramento do ano calendário, da multa isolada com a multa de ofício proporcional, sob pena de evidenciar dupla penalidade, além de ferir os princípios da proporcionalidade, vedação ao confisco, propriedade e liberdade de exercício de atividade econômica. É o que importa relatar. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.121 7 Voto Vencido Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. DO RECURSO DE OFÍCIO Na decisão a quo foi excluído das bases de cálculo o depósito de R$11.500,00, relativo a valor transferido entre contas correntes do autuado. De fato, no extrato da conta mantida no Unibanco (fl.435) há um registro, no dia 07/01/2003, a título de “transferência para o mesmo titular” naquele mesmo valor, que, ao contrário do que indicou a fiscalização na planilha de fl.679, representa um débito, razão pela qual realmente não deveria ter sido levado em consideração pela fiscalização. Com relação à qualificação da multa de ofício, apesar de a fiscalização afirmar que “o contribuinte também omitiu de forma contumaz suas receitas”, é inegável, da leitura do “Termo de Verificação de Infração”, que foi essencialmente fundamentada, conforme antecipado no relatório supra, na conclusão de ter havido escrituração não condizente com a realidade fática. No dizer da fiscalização, in verbis: “Como exemplo da falsidade dos registros contábeis, reproduzimos os seguintes lançamentos e suas respectivas movimentações bancárias: Data Histórico Conta Débito Crédito Fls. 02/01/03 Transferência entre contas Caixa 14.000,00 82 Banco do Brasil 14.000,00 208 Data Histórico Documento Valor Fls. 02/01/03 Depósito Bloqueado 4 dias úteis 046900 14.000,00 296 Obs: Não existe a transferência entre bancos conforme histórico contábil, e sim um depósito bancário conforme extrato do Banco do Brasil. Data Histórico Conta Débito Crédito Fls. 07/01/03 Depósito em dinheiro Caixa 11.651,61 82 Banco do Brasil 11.651,61 209 Data Histórico Documento Valor Fls. 07/01/03 Depósito Compensado 850023 11.651,61 296 Obs: Não existe o depósito em dinheiro conforme histórico contábil, e sim um depósito compensado conforme extrato do banco do Brasil. Data Histórico Conta Débito Crédito Fls. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.122 8 23/01/03 Cheque n. 11001 p/suprim. caixa Caixa 48.900,00 84 Banco Bicbanco 48.900,00 247 Data Histórico Documento Valor Fls. 23/01/03 Compensação Local 0011001 48.900,00 297 Obs: Não existe o saque em dinheiro, relativo ao cheque n. 11001, para suprimento de caixa conforme histórico contábil, e sim uma compensação bancária conforme extrato do Bicbanco. Data Histórico Conta Débito Crédito Fls. 30/01/03 Saque para suprimento de caixa Caixa 35.000,00 85 Banco Bicbanco 35.000,00 247 Data Histórico Documento Valor Fls. 23/01/03 TEDE 08 Diferente titularidade 0103162 35.000,00 297 Obs: Não existe o saque em dinheiro para suprimento de caixa, conforme histórico contábil, e sim uma transferência eletrônica para outra titularidade, conforme extrato do Bicbanco. (...) Conforme exemplos acima descritos, verificamos que o contribuinte realizou uma ação dolosa (fraude) na escrituração de seus Livros Diário e Razão, de modo a justificar sua movimentação financeira. Diante do exposto, a multa regulamentar será qualificada (percentual de 150%), havendo Representação Fiscal para Fins Penais.” Na verdade, o que a autoridade fazendária caracteriza com tais exemplos é, no máximo, uma falsidade atinente a quatro lançamentos contábeis em janeiro, desprovida de força suficiente para levar a um juízo de certeza sobre a presença dos requisitos necessários à qualificação da multa de ofício, que, entendase, relacionase a valores apurados a título de omissão de receitas no decorrer de todo o anocalendário 2003. O evidente intuito de fraude, exigência do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, à época dos fatos geradores, deveria ter sido comprovado de maneira inconteste pela fiscalização, nos termos da Súmula CARF nº 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”). Acrescentese que tal requisito legal não pode simplesmente ser presumido da indicação, em tese, de uma conduta criminosa, constituindose o dolo em elemento a ser averiguado durante o processo penal. Por tais razões, à vista da acusação fiscal negase provimento ao recurso de ofício, devendo, portanto, ser mantida a decisão de primeira instância com relação a tais matérias. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inicialmente, esclareçase que a situação fática tratada nos autos não atrai a incidência do art.62A do Regimento Interno do CARF, que impõe o sobrestamento do julgamento sempre que houver o reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal de Fl. 997DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.123 9 repercussão geral de questão constitucional versada em recurso extraordinário (art.543A do Código de Processo Civil). No caso sob exame, os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte. Ao revés, no recurso extraordinário nº 601.314, discutese a constitucionalidade da possibilidade de o Fisco obter diretamente das instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, os dados bancários. A respectiva ementa é esclarecedora: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Como visto no relatório, o contribuinte, mesmo após te sido regularmente intimado, deixou de comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, fato que levou a fiscalização a concluir acertadamente pela omissão de receitas, haja vista a presunção estabelecida no art.42 da Lei nº 9.430/96: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 998DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.124 10 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Em se tratando desta presunção, ao Fisco basta identificar os depósitos bancários e intimar a pessoa sob fiscalização a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Apesar de o recorrente ter apontado decisões judiciais e administrativas que corroborariam a tese de que os valores depositados não poderiam ser considerados como omissão de receitas, a verdade é que a atual e firme jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aponta em outro sentido. Vejamos: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso especial negado. (CSRF, 3ª Turma, Acórdão nº 40400329, de 27/09/2006) “(...) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida no artigo 42 da lei n° 9.430, de 27/12/1996, os depósitos efetuados em conta bancária cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pela contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Subsistindo o lançamento principal, na seara do imposto sobre a renda de pessoa jurídica, igual sorte colhe os lançamentos que tenham sido formalizados em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele (CSLL) ou que define o evento comum, no caso a apuração de receita auferida pela pessoa Fl. 999DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.125 11 jurídica, como fato gerador das contribuições incidentes sobre o faturamento (Cofins e PIS) (1ªSJ, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 110200.334, de 11/11/2010) “OMISSÃO DE RECEITAS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (1ªSJ, 1ª Turma Especial, Acórdão nº 1801 00.115, de 03/11/2009) “OMISSÕES DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Aplicase a presunção legal estabelecida pelo artigo 42 da lei n° 9430/1996, ficando o contribuinte incumbido de comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ingressados em sua contacorrente bancária. Não logrando o contribuinte afastar a presunção legal levantada baseada em movimentação bancária à margem da escrituração contábil e em valores superiores à média das receitas declaradas nos períodos fiscalizados, remanescendo, assim, valores injustificados, consubstanciando válida e eficaz a imputação legal de omissão de receitas na conduta sobre os mesmos (...)” (1ª SJ, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 120200.379, de 31/08/2010) “(...) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO IRPJ SIMPLES. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (...) (1ªSJ, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 140100.370, de 12/11/2010) Enunciados da Súmula de jurisprudência dominante no CARF, abaixo transcritos, de obediência obrigatória por seus membros consoante art.72 do Anexo II do Regimento Interno, confirmam a validade desta presunção relativa, sendo desnecessário perquirirse, por exemplo, se tais valores subsumemse ao conceito de renda tributável: Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.126 12 nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O argumento de defesa, de que todos os comprovantes teriam sido furtados, não merece credibilidade. Primeiro, que o fato noticiado à autoridade policial (“furto no interior de veículo”), conforme “Registro de Ocorrência nº 04000364/2008” (fls.967/968) teria acontecido em 30/01/2008, quando já encerrada a ação fiscal. Segundo, que teriam sido furtados “dois sacos de laranja, um saco de roupa e documentos diversos”, não tendo o declarante especificado minimamente quais seriam aqueles documentos. Quanto à mudança do profissional de contabilidade, cabe dizer que não serve de escusa ao cumprimento de obrigações previstas na legislação tributária. É sabido por todos que cabe à pessoa jurídica manter em boa ordem e guarda os documentos contábeis e fiscais, conforme os seguintes dispositivos: Lei nº 9.430/96 Art.37.Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99 Art.264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.127 13 §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Percebese que relativamente ao que importa para que a autuação possa ser infirmada repitase, a comprovação da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias o recorrente valeuse de meras alegações, inclusive quanto ao suposto oferecimento integral de suas receitas à tributação, razão pela qual não podem ser acolhidas. Especificamente com relação ao valor de R$691.366,83, que no entender do recorrente já teria sido tributado ao final de 2002, igualmente deixou de comprovar tal informação. Em decorrência de diligência realizada por determinação da DRJ – Rio de Janeiro I, o AuditorFiscal assim observou: “(...) Os créditos alegados pelo contribuinte como sendo referentes à "cobrança oriunda de vendas a crédito, conforme consta do balanço levantado em 31/12/2002, representada pela conta clientes, no valor de R$ 691.366,83”, foram desconsiderados pois não foram apresentados documentos comprobatórios que discriminassem tais cobranças e respectivos créditos;” Mesmo diante de inúmeras oportunidades, o recorrente sequer se preocupou em comprovar que tal importância realmente foi recebida de seus clientes no anocalendário 2003, com relação a transações ocorridas em 2002, ou em apontar quais os correspondentes depósitos, tendo se limitado a embasar suas considerações em uma suposta “prática” comercial, como se depreende da seguinte passagem: “Quanto o saldo da conta clientes no valor de R$691.366,83, registrada na conta contábil "clientes”, que muito embora não tenham sido apresentados os documentos hábeis e idôneos para comprovação de seu recebimento, a prática adotada pela recorrente, era conceder aos clientes, prazo para pagamento de até 90 (noventa) dias.” A respeito da multa isolada por falta/insuficiência do pagamento de estimativas, a defesa assevera que o ordenamento jurídico, mormente alguns princípios constitucionais, vedaria a sua exigência com a multa de ofício proporcional. Em que pese tal argumento de defesa, e com a devida licença a fundamentados entendimentos contrários, há previsão legal expressa a albergar o lançamento das duas penalidades. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, reserva, à multa proporcional e à multa por insuficiência/falta de recolhimento de estimativas, hipóteses de incidência distintas, não excludentes. Vejamos: Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.128 14 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: .... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Há vários julgados administrativos neste sentido, inclusive já proferidos por colegiados do CARF, como por exemplo: “(...) MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL, CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas (...)” (1ª SJ, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 130200.083, de 29/09/09). “(...) MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFICIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro, além disso, não há no direito tributário algo semelhante ao principio da consunção (absorção) do direito penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas (...)” (1ª SJ, 2ª Turma Especial, Acórdão nº 180200.610, de 30/08/10) “(...) INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração” (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323510, Rel. Leonardo de Andrade Couto, Sessão de 26/06/08). “(...) CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA VINCULADA AO TRIBUTO Em virtude de se tratarem de infrações distintas, a multa de ofício aplicada isoladamente, Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.129 15 pela falta de recolhimento da CSLL apurada por estimativa, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício, aplicada sobre a contribuição devida sobre a base cálculo anual da CSLL”. (1º CC, 3ª Turma Especial, Acórdão nº 19300017, Rel. Ester Marques Lins de Souza, Sessão de 13/10/08). Mantémse portanto a exigência de tais multas nos moldes da decisão a quo. Se há agressão à Constituição Federal, em especial a alguns de seus princípios, não é demasiado reforçar que na atividade de julgamento administrativo a lei vigente deve ser prestigiada, não podendo ser afastada sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e de entendimento já sumulado: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Súmula CARF nº 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A respeito das decisões judiciais e administrativas mencionadas no recurso voluntário, até mesmo na hipótese de seus termos terem sido mantidos nas instâncias superiores, cabe dizer que seus efeitos restringemse às partes envolvidas nos respectivos litígios. Por fim, o que foi decidido com relação ao lançamento do IRPJ estendese aos lançamentos reflexos, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.130 16 Voto Vencedor Conselheira Karem Jureidini Dias, Redatora Designada. Inicialmente, esclareço que fui designada para redigir o voto vencedor apenas no tocante à alegada concomitância entre multa isolada e multa de ofício. Neste passo, para que se firme o adequado entendimento da questão que ora se coloca, fazse necessário ponderar a natureza das penalidades e os critérios para a aplicação da multa. ESTRUTURA E NATUREZA DA SANÇÃO A sanção é instrumento jurídico utilizado pelo Estado para desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe. Significa dizer que a desobediência de um dever estabelecido por uma norma jurídica corresponde a um ilícito – negativa da observância da relação jurídica prevista no consequente da norma primária dispositiva que, por sua vez, é a razão da imposição de sanção (consequência jurídica). Segundo Sacha Calmon Navarro Coelho “os ilícitos correspondem às hipóteses de incidência das sanções” (in Teoria Geral do Tributo e da Exoneração Tributária). A norma jurídica que estabelece a sanção contém no antecedente um fato jurídico correspondente ao evento ilícito que se pretende desestimular. No consequente da norma primária sancionadora está a própria sanção, com as indicações precisas dos sujeitos vinculados em razão do ilícito, e da forma de cálculo da penalidade a ser imputada ou, na hipótese de aplicação de sanção não pecuniária, a determinação do dever a que estará obrigado aquele que cometeu o ilícito. A natureza jurídica da sanção está diretamente relacionada com a natureza jurídica da norma de comportamento desobedecida, já que a sanção é consequência jurídica da desobediência da relação jurídica prevista na norma primária dispositiva. SANÇÕES EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.131 17 Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.132 18 excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis:1 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, 1 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.133 19 determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.134 20 “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.135 21 confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No consequente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do ano calendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.136 22 obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº l05l39.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.137 23 provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In: “Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Portanto, se a legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor do tributo até aquele momento apurado, então é evidente que a multa instituída pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida em casos de prejuízo fiscal ou base negativa, sendo aplicável, somente, se não houver a apresentação do referido balancete. Significa dizer que a multa isolada deve ser aplicada em casos de apuração negativa e prejuízo fiscal desde que, no próprio anocalendário, o contribuinte não faça prova de que, mensalmente, inexiste tributo devido, o que se realiza através da apresentação dos balancetes mensais e desde que, ainda, inexistente o balanço final do período. Se a multa é de natureza tributária e, portanto, tem por base o tributo devido, o balanço final do exercício é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.138 24 recolhimento da estimativa, no caso de apuração de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, bem como, para determinar o limite da multa – cuja base não pode ultrapassar o valor do tributo, quando devido sob pena de descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Por tudo quanto exposto na interpretação da norma que dispõe sobre a multa isolada em razão do não pagamento, ou pagamento a menor de antecipações, concluise que esta é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada. O mesmo ocorre com a multa de ofício que acompanha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do anocalendário. Verifico identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte sujeito passivo e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. Inevitável, portanto, concluirse que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário e impor sanção pelo não recolhimento ou recolhimento a menor das antecipações devidas, relativamente aos mesmos tributos, é penalizar o mesmo contribuinte duas vezes por ter deixado de recolher integralmente o tributo devido. Portanto, nestes casos, uma penalidade é excludente da outra. Se o que prevalece para fins de quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração final, consolidada e definitiva do tributo – justamente porque as antecipações são apurações provisórias do mesmo tributo – também assim deve ser em relação a aplicação das penalidades: prevalece a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. Além disso, é inegável que no caso em análise a aplicação da multa isolada é mera penalização de conduta meio de deixar de recolher tributo, uma vez que, por meio do mesmo lançamento, foi constituída, também, multa de ofício pelo não recolhimento de tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida no exercício e não constituída/recolhida pelo contribuinte. Neste ponto vale destacar outro trecho do bem elaborado voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, em julgamento já referido, realizado nesta mesma Turma, a respeito da matéria ora sob análise, tratando do princípio da consunção da condutameio pela condutafim, verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.139 25 No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. (Recurso do Procurador nº 105139.794 – Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Marcos Vinícius Neder de Lima – Sessão de 04/12/2006) Adicionalmente, vale notar que é possível valorar as duas penalidades e estabelecer qual delas deve ser aplicável porque, em casos como o ora analisado, senão em razão da identidade de critérios pessoal e material das duas penalidades, ou por força da impossibilidade de se apenar conduta meio e conduta fim, também porque a lei que estabelece as referidas multas não determina expressamente que deve haver concomitância. A lei não estabelece concomitância, não se tratando in casu de contradição. E como não há determinação legal de que ambas sejam aplicadas, o que vemos é um caso de aparente contrariedade. Ou seja, há aplicação normativa por excludência, segundo o que se determina a aplicação de uma ou de outra penalidade, a depender do caso, da valoração do bem maior a ser protegido, e das condutas incorridas pelo contribuinte. Se somente houve falta de recolhimento das antecipações esta é a conduta fim. Se, por outro lado, o contribuinte além de não recolher as antecipações, também deixou de constituir/recolher o tributo devido conforme a apuração definitiva, ocorrida após o encerramento do anocalendário, então aquela é conduta meio desta que é a condutafim. No mesmo sentido, é o entendimento outrora pacificado nesta Câmara Superior, conforme se demonstra por meio dos julgados abaixo transcritos: “PENALIDADE – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal.” (Recurso n.º : RD/101134.520 Sessão de : 18/09/2006, Acórdão n.º : CSRF/0105.503). “CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.140 26 que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA – Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação”. (Recurso nº: 105139794, Sessão: 04/12/2006, Acórdão nº : CSRF/0105.552). “PENALIDADE – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa.” (Recurso nº : 107139.896 Sessão : 11/06/2007. Acórdão nº : CSRF/01 05.675) Assim, no presente caso não pode prosperar a multa isolada em razão de insuficiência nos recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL, pois foi também imputada multa de ofício em razão do lançamento para a constituição do fato jurídico tributário. Se assim é, não subsiste qualquer multa isolada em razão da concomitância com a multa de ofício. São estes os fundamentos do voto vencedor que fui designada a redigir, PROVENDO PARCIALMENTE ao Recurso Voluntário, para excluir a multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15586.000752/200799 Acórdão n.º 140100.701 S1‐C4T1 Fl. 1.141 27 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assi nado digitalmente em 27/01/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720852/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RETIFICAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. É nula a decisão retificadora de primeira instância do processo já anteriormente julgado e cientificado ao contribuinte. Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.637
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RETIFICAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. É nula a decisão retificadora de primeira instância do processo já anteriormente julgado e cientificado ao contribuinte. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, FERNANDO DA SILVA MOTTA, pela notificação de lançamento n° 05104/000572009 (fls. 01), este foi intimado a recolher o crédito tributário no montante de R$ 66.268,01, correspondente ao lançamento do ITR/2004, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda Mira ou Quilombo" (NIRF 2.739.0780), com área total de 1.315,0 ha, localizado no município de Passa Vinte MO. A descrição dos fatos, os enquadramentos legais da infração e o demonstrativo da multa de oficio e dos juros de mora encontramse às fls. 02/05. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2004 (fls. 09/12), iniciouse com o termo de intimação de fls.13/14, não atendido, para o contribuinte apresentar laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 146533 da ABNT, com fundamentação/grau de precisão II e os elementos de pesquisa identificados. Na análise da DITR/2004 e com base nos valores constantes do SIPT (Os. 08), a autoridade fiscal desconsiderou o VTN declarado de R$ 8.670,97, arbitrandoo em R$ 328.750,00 (R$ 250,00/ha), com consequente aumento do VTN tributado, tendo apurado imposto suplementar de R$ 27.526,80, conforme demonstrado às fls. 04. Cientificado do lançamento em 27/08/2009 (fls.19), o contribuinte protocolou em 25/09/2009, por meio de representantes legais, a impugnação de fls, 20/27, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 28/37, alegando, em síntese: inconformado com o procedimento fiscal, por inobservância do princípio da verdade material e arbitramento indevido do VTN, incompatível com a realidade da região, requer seja cancelado o lançamento feito em desacordo com a legislação de regência; por ser o lançamento do ITR/2004 sujeito à homologação, o prazo para lançamento suplementar é de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, no teor do § 4° 10 art. 150 do CTN; assim esse direito decaiu em 31/12/2008, tendo o lançamento suplementar, efetuado em 28/08/2009 (sic), sido atingido pela decadência; o imóvel questionado não mais lhe pertence e, não tendo constado da escritura pública a prova de quitação do ITR, esse imposto deverá ser exigido da empresa adquirente do imóvel, no teor do art.130 do CTN; transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes e entendimentos doutrinários, para referendar seus argumentos . Os julgadores desta I a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiram considerar a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário formalizado por meio da referida Notificação (às fIs. 01/05), nos termos do Acórdão DRJIBSB n° 03 34.735, de 09/12/2009 (às fIs. 39/44). Fl. 178DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.720852/200981 Acórdão n.º 220201.637 S2C2T2 Fl. 2 3 Ocorre que depois de cientificado o contribuinte dessa decisão (às fls. 45/46), e iniciado o procedimento contra a adquirente do imóvel rural objeto desse lançamento, no caso, a sociedade empresária Globo Construções e Terraplanagem Ltda, inscrita no CNPJ sob o n° 33.854.563/000104 (às fIs. 50/53), os autos foram instruídos com os documentos de fls. 54/112. Depois de analisar os termos do referido Acórdão e os documentos apresentados pela sociedade empresária interessada, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de fls. 50, a autoridade fiscal constatou que, dentre outros documentos, a mesma apresentou o registro imobiliário constando expressamente que o ITR exercício de 2003 a 2007 foram devidamente quitados (fls. 74) e, com isso, embora anexado aos autos após o citado Acórdão, o mesmo atribui ao alienante FERNANDO DA SILVA MOTTA, CPF 037.260.10734, a responsabilidade pelo crédito tributário exigido nos autos, fazendo retomar o presente processo a esta DRJIBSB, por meio do Despacho de fls. 114/115, para nova análise. A DRJ ao apreciar novamente os argumentos do contribuinte, entendeu que o lançamento está correto, não reconhecendo a ilegitimidade passiva. Insatisfeito, o interessado interpõe recurso tempestivo, indicando: Ser inaceitável ao ato da administração pública que determinou a anulação da primeira decisão da DRJ. Aponta também que ocorreu um cerceamento do direito de defesa uma vez que o segundo julgamento ocorreu totalmente a revelia do recorrente, que aquela altura já tinha o assunto como encerrado. Que o crédito tributário já estava extinto pela decisão administrativa anterior É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Nesse processo destacase o fato de que a DRJ inicialmente julgou improcedente o lançamento, e depois de ciência da decisão ao recorrente, decide rever seu julgamento e alterar o seu entendimento, julgando o lançamento procedente. O recorrente alega entre outro pontos, ser inaceitável ao ato da administração pública que determinou a anulação da primeira decisão da DRJ. Aponta também que ocorreu um cerceamento do direito de defesa uma vez que o segundo julgamento ocorreu totalmente a revelia do recorrente, que aquela altura já tinha o assunto como encerrado. E finalmente que o crédito tributário já estava extinto pela decisão administrativa anterior. Não há dúvidas que o procedimento adotado pela DRJ não se coaduna com o que prescreve o PAF. No âmbito federal, o processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972 . Desta feita, as principais características do processo administrativo fiscal são: instrumento para o controle da legalidade dos atos da Administração Tributária, instrumento para outorga de direitos e para aplicação de sanções por descumprimento da obrigação tributária. O Processo Administrativo Fiscal (PAF) como instrumento para determinação do crédito fiscal é composto por duas fases, a não contenciosa e a contenciosa, a primeira se verifica com os procedimentos fiscalizatórios da administração tributária competente para fazer o lançamento e termina com o termo de encerramento de fiscalização, que será acompanhado de um auto de infração nos casos em que alguma infração da legislação tributária tenha sido constatada, a segunda, se inicia, necessariamente, com a impugnação do sujeito passivo ao mencionado auto de infração. A primeira fase constitui o lançamento do tributo, “assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” (Código Tributário Nacional, art. 142). Na segunda fase, o contribuinte pode buscar a alteração do lançamento daquele crédito tributário através da já mencionada impugnação, a fim de questionar a validade do crédito e o seu real montante, através de reclamações e recursos administrativos e, inclusive, buscar o reconhecimento de imunidade, isenção ou compensação, à luz do contraditório e da ampla defesa assegurados ao cidadão por norma constitucionalmente positivada (art. 5º, inciso LV). É de se ressaltar, que os recursos impetrados pelo contribuinte na esfera administrativa fiscal suspende a exigibilidade do crédito tributário nos exatos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.720852/200981 Acórdão n.º 220201.637 S2C2T2 Fl. 3 5 O crédito tributário, a princípio, se tornará imutável na esfera administrativa fiscal por ocasião da decisão final administrativa transitada em julgado, ou seja, fase em que não mais caberia nenhum recurso administrativo, restando, apenas, a possibilidade de discussão judicial, é o chamado lançamento definitivo, onde se conhece o valor do tributo a ser pago, se for o caso, restando caracterizado como tributo devido. Temos neste momento, portanto, o montante do tributo devido, se é que há tributo a ser pago. Desta feita, sempre que uma norma se refere a tributo devemos crer que se trata de tributo devido, aquele que foi devidamente constituído através de processo administrativo fiscal, onde são devidamente observados os princípios constitucionais (principalmente o do contraditório e o da ampla defesa) e infraconstitucionais. Uma vez iniciado e concluído o processo administrativo tributário sobre um fato tributário, não cabe reapreciação do mesmo na esfera administrativa. O PAF não prescreve essa possibilidade, e o agente administrativo está obrigado a realizar apenas aquilo que a lei lhe permite. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica e na impossibilidade de serem perenizados os conflitos, o processo administrativo, assim como o processo judicial, possui um número finito de recursos, e hipóteses específicas nas quais tais recursos são cabíveis. Deste modo, salvo melhor juízo, é nula a decisão retificadora de primeira instância do processo já anteriormente julgado e cientificado ao contribuinte. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13749.000490/2006-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF
Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. CABIMENTO. É válida a declaração
retificadora, nos termos do artigo 138 do CTN, se não há prova nos autos de que esta foi apresentada durante o procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. CABIMENTO. É válida a declaração retificadora, nos termos do artigo 138 do CTN, se não há prova nos autos de que esta foi apresentada durante o procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1318.582, proferido pela 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II (fl. 44), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, e manteve a exigência do imposto suplementar, no valor de R$790,54, conforme Acerto de Declaração à fl. 33, que incluiu para tributação rendimento excluído pela contribuinte na primeira declaração retificadora, em face do conceito de remuneração estampado na Lei nº 8.852/94, e por dedução indevida a título de imposto complementar, por não constar nos sistemas da Receita Federal pagamento sob tal rubrica. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO COMPLEMENTAR. Constatado que não houve recolhimentos a titulo de imposto complementar, correta a glosa. DIRPF RETIFICADORA O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa e essa declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFÍCIO A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. 0 fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF a recorrente, em preliminar, destaca que informou na declaração retificadora como imposto complementar o IRPF a pagar apurado na declaração original, em face de não haver outro campo próprio para esse tipo de lançamento, já que, no entender da recorrente, deveria haver a compensação do mesmo, se porventura houvesse o acolhimento da redução dos rendimentos, em face da exclusão dos adicionais por tempo de serviço, com base na Lei nº 8.852, de 1994. Tendo em vista que a redução de imposto pretendida não foi aceita, no mérito, entende que deve haver o mero indeferimento da declaração retificadora, já que o IRPF devido de acordo com a declaração original já havia sido quitado. Apresenta os seguintes os pontos de discordância: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13749.000490/200646 Acórdão n.º 210101.624 S2C1T1 Fl. 2 3 a) Não houve qualquer omissão de rendimentos nem sonegação de Imposto, o qual já se achava quitado; b) Considerando que o seu entendimento da Lei n.º 8.852, de 1994, não foi acolhido pela SRF, isto não é motivo para penalizála, devendo haver apenas o indeferimento do pedido de retificação da declaração; c) Não retificou a DIRPF para incluir imposto complementar (mensalão), apenas lançou o IR já pago (em face da redução dos rendimentos pela exclusão dos triênios) em campo indevido, já que não há campo próprio para esse lançamento. d) Todo esse mal entendido seria facilmente resolvido com uma nova retificadora, voltando os valores à declaração original, já que não houve qualquer redução do IR já pago e a restituição pretendida não foi acolhida. Sendo assim, não se justifica a cobrança de imposto já pago. Anexa documentos e, ao final, requer seja acolhido o Recurso para o fim de se cancelar a exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cumpre ressaltar que a recorrente não manifestou qualquer inconformidade quanto ao entendimento explicitado na decisão recorrida em relação à incidência do IRPF dos rendimentos excluídos da tributação em sua primeira declaração retificadora, com base na Lei nº 8.852, de 1994. Com efeito, a diferença incluída para tributação pela fiscalização corresponde a rendimentos considerados nãotributáveis pela contribuinte, nos termos da alínea “n”, do inciso III, do art. 1o da Lei nº 8.852, de 1994: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; (Vide Lei nº 9.367, de 1996) b) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31.8.2001) c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio público; II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço; (...) Em suma, a recorrente apresentou declaração retificadora por entender que o adicional por tempo de serviço é isento do imposto de renda, excluído que foi do conceito de remuneração pela Lei nº 8.852, de 1994. Entretanto, essa lei não trata de hipóteses de isenção ou de não incidência de imposto de renda, servindo apenas ao propósito de fixar os limites de remuneração dos servidores públicos, nos termos dos artigos 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. Assim, as verbas recebidas pela recorrente encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Esse entendimento encontrase consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula CARF n° 68: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Todavia, a recorrente alega não ter ocorrido qualquer omissão de rendimentos, e que o imposto de renda declarado já havia sido quitado, e pede que se considere apenas o indeferimento de sua solicitação de retificação de declaração. Examinandose os autos, constatase que na declaração original (fls. 12/16) a contribuinte ofereceu à tributação a integralidade dos rendimentos tributáveis auferidos (R$ 28.921,94). Posteriormente, solicitou uma retificação de declaração, com o fito de reduzir o valor tributável para R$ 24.848,30 (fls. 29/30), por entender que a Lei nº 8.852, de 1994, conferialhe isenção de parte daqueles rendimentos. Em 09/10/2006 apresentou uma segunda declaração retificadora tributando os mesmos valores indicados na declaração original (fls. 35/38) e sem compensar imposto complementar. Tal retificadora foi cancelada, consoante Notificação de NãoAceitação de Declaração Retificadora à fl. 19, tendo em vista não ser admitida a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Fisica durante o procedimento fiscal. Não se tem notícia nos autos deste processo que o início do procedimento de fiscalização ocorreu antes de 09/10/2006, razão pela qual tenho por válida tal retificadora, nos termos do artigo 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13749.000490/200646 Acórdão n.º 210101.624 S2C1T1 Fl. 3 5 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Seguindo igual vertente, o artigo 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) Ademais, o lançamento em exame foi efetuado com base na declaração original, sendo certo que o imposto apurado nesta e no lançamento são exatamente o mesmo (R$ 790,54), pois na declaração original não há omissão de rendimentos, nem houve dedução indevida a título de imposto complementar. Não caberia, portanto, a exigência do imposto suplementar nem dos acréscimos legais, pois a fiscalização se equivocou em não considerar as cotas pagas pela contribuinte durante o ano de 2003, sob o código 0211, relativo ao imposto apurado na DIRPF do exercício de 2003, anocalendário de 2002, conforme fotocópias às fls. 86/90, que devem ser confirmadas nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Se restar alguma parcela sem recolhimento, devese proceder à cobrança como imposto declarado e não pago. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000497/2002-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO- CSLL Ano-calendário: 1996, 1998
BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DIFERENÇA CORREÇÃO MONETÁRIA. IPC/BTNF DE 1990. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N° 55 DO CARF.
Súmula CARF n° 55: O saldo devedor da correção monetária complementar, correspondente à diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF, não pode ser deduzido na apuração da base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). NATUREZA JURÍDICA DE DESPESAS DIFERIDAS NA SUCEDIDA POR INCORPORAÇÃO, RELATIVAMENTE À DIFERENÇA DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO IPC/BTNF DE 1990. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não se conhece do recurso especial em face da ausência de similitude fática entre os acórdãos cotejados.
DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ENTENDIMENTO FIXADO PELO STJ, EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
Não havendo pagamento antecipado parcial, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o artigo 173, inciso I, do CTN. Decadência não configurada.
Numero da decisão: 9101-001.332
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso especial e, na parte conhecida, também por unanimidade, negar provimento.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO- CSLL Ano-calendário: 1996, 1998 BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DIFERENÇA CORREÇÃO MONETÁRIA. IPC/BTNF DE 1990. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N° 55 DO CARF. Súmula CARF n° 55: O saldo devedor da correção monetária complementar, correspondente à diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF, não pode ser deduzido na apuração da base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). NATUREZA JURÍDICA DE DESPESAS DIFERIDAS NA SUCEDIDA POR INCORPORAÇÃO, RELATIVAMENTE À DIFERENÇA DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO IPC/BTNF DE 1990. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se conhece do recurso especial em face da ausência de similitude fática entre os acórdãos cotejados. DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ENTENDIMENTO FIXADO PELO STJ, EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. Não havendo pagamento antecipado parcial, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o artigo 173, inciso I, do CTN. Decadência não configurada.
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DIFERENÇA CORREÇÃO MONETÁRIA. IPC/BTNF DE 1990. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N° 55 DO CARF. Súmula CARF n° 55: O saldo devedor da correção monetária complementar, correspondente à diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF, não pode ser deduzido na apuração da base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). NATUREZA JURÍDICA DE DESPESAS DIFERIDAS NA SUCEDIDA POR INCORPORAÇÃO, RELATIVAMENTE À DIFERENÇA DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO IPC/BTNF DE 1990. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se conhece do recurso especial em face da ausência de similitude fática entre os acórdãos cotejados. DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ENTENDIMENTO FIXADO PELO STJ, EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. Não havendo pagamento antecipado parcial, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o artigo 173, inciso I, do CTN. Decadência não configurada. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 11080.000497/200218 Acórdão n.º 910101.332 CSRFT1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso especial e, na parte conhecida, também por unanimidade, negar provimento. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte, com fundamento em divergência jurisprudencial. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, com base nos seguintes fatores, em síntese: a) redução indevida da base de cálculo da CSLL, no período encerrado em 1996, tendo em vista exclusão de valores referentes a despesas com depreciação diferença IPC/BTNF; b) “compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores”, no período de apuração encerrado em 1998. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 253/273 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 512DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 11080.000497/200218 Acórdão n.º 910101.332 CSRFT1 Fl. 3 3 Anocalendário: 1996, 1998 Ementa: CSLL. DECADÊNCIA. Face à protocolização em 10/10/2000 de DIRPJ retificadora, o termo de início do lapso decadencial é transferido para 01/01/2001, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme preceitua o art. 173, I, do CIN. CSLL. DIFERENÇA IPC/BTNF. O resultado da correção monetária decorrente do diferencial negativo apurado entre o LPC/BTNF não influirá na base de cálculo da contribuição social. IRPJ. DEPRECIAÇÃO. DIFERENÇA IPC/BTNF. A parcela de depreciação ou custo do bem baixado, relativa à diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF, somente poderá ser deduzida (para fins de apuração da base de cálculo do 1RPJ), a partir de 01/01/93. Não há prazo para sua utilização, devendo ser observado que a pessoa jurídica não poderá obter efeito diverso que seria obtido, caso a dedução tivesse sido realizada em 1993. CONSTITUCIONAL1DADE. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre legalidade ou inconstitucionalidade de atos emanados dos Poderes Legislativo e Executivo. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 321/359). A antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso do contribuinte (fls. 369/381): CSLL — DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO — EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — INOCORRÊNCIA — O lucro contábil não se confunde com o lucro real, tampouco com a base de cálculo da contribuição social. Assim, tendo a contribuinte procedido os ajustes correspondentes à baixa da diferença de correção monetária IPC/BTNF, tão somente por ocasião da apuração do lucro real, não há que se falar em erro na apuração da base de cálculo da CSLL, eis que não houve qualquer alteração em relação à sua base de cálculo, tampouco ao lucro liquido contábil. O contribuinte interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial (fls. 387/426). Segundo a recorrente: “A controvérsia em litígio, fundamentalmente, discute (i) a exclusão da base de cálculo da CSLL, no anobase de 1996 (exercício 1997), de encargos contábeis diferidos relativos à depreciação e/ou custo de bem baixado (diferença correção Fl. 513DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 11080.000497/200218 Acórdão n.º 910101.332 CSRFT1 Fl. 4 4 monetária IPC/BTNF — Lei n. 8.200/91), adicionados em 1991 e 1992 em empresa sucedida (SUPERMERCADOS REAL S.A.) pela Recorrente, que foi por esta incorporada no ano de 1995; e, (ii) a compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, na apuração do período de 1998, como reflexo da combatida exclusão do item (i) supra. Discute, ainda, se houve decadência quanto ao direito de lançar de ofício a obrigação tributária da CSLL, relativamente aos supostos fatos geradores ocorridos no períodobase de 1996, e também, se referida despesa diferida (diferença da correção monetária IPC/BTNF — Lei n. 8.200/91) tem natureza de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa, por ocasião da sucessão de direitos por incorporação societária, bem como se pode ser excluída do IRPJ e da CSLL até o anobase de 1998, no caso concreto. Originariamente, o fundamento da autuação girou, particularmente, em torno da indevida redução da base de cálculo da CSLL apurada pela Recorrente, no período encerrado em 1996, quanto aos valores correspondentes às aludidas despesas diferidas com depreciação e demais encargos derivados da majoração dos bens do ativo imobilizado pela correção monetária de 1990 com base no IPC, como determinou a Lei n. 8.200/91, adicionados ao lucro líquido em 1991 e 1992, pela empresa SUPERMERCADOS REAL S.A., sucedida por incorporação em 1995; bem como (ii) glosa da compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL no anobase de 1998, como reflexo do lançamento de ofício perpetrado no períodobase de 1996. O relatório da ação fiscal, não obstante defenda que o resultado da correção monetária pela diferença do IPC/BTNF em 1990 não influencia a base de cálculo da CSLL, em linha subsidiária, destacou, sobretudo o fato da empresa incorporada pela Recorrente não ter excluído, por si, os valores das despesas com depreciação, diferença correção monetária IPC/BTNF, da Lei n. 8.200/91, os anos de 1993 a 1995, até a data de sua incorporação pela Recorrente, deixando para que esta viesse a fazêlo em 1996, relevando que, se a exclusão em pauta houvesse ocorrido até 1995 (ano da incorporação), na sucedida, terse iam convertido os valores excluídos em base de cálculo negativa, não compensável na sucessora, ora Recorrente. Todavia, na ótica da Recorrente, o Decreto n. 332/91, extrapolou sua função regulamentar, pois o §2° do seu art. 41, além de destoar do caput que trata do resultado (credor ou devedor) da diferença da correção monetária entre o IPC/BTNF, e não da dedução de encargos eventualmente decorrentes deste acréscimo, colide com a escorreita interpretação da legislação tributária que lhe confere fundamento de validade, digase, a Lei n. 8.200/91, que jamais cogitou sobre não influenciarem a base de cálculo da CSLL, os encargos com depreciação, amortização, calculados sobre a correção monetária complementar IPC/BTNF acrescida aos bens do ativo permanente das empresas. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 11080.000497/200218 Acórdão n.º 910101.332 CSRFT1 Fl. 5 5 Além disso, a exegese correta da legislação tributária quanto ao art. 3°, inciso I da Lei n. 8.200/91, embora leve à conclusão de que o dispositivo legal mencionado trata exclusivamente de matéria tributável pelo imposto de renda, porquanto se refere apenas à postergação da parcela de correção monetária IPC/BTNF de 1990, na determinação do lucro real das empresas, ao contrário do julgamento a quo, não prescreve qualquer condição restritiva ou adiamento quanto aos efeitos da referida diferença de correção de 1990, na determinação da base de cálculo da CSLL, pois, a interpretação teleológica do art. 3°, inciso I da Lei n. 8.200/91 decorre de o artigo 111, II, do CTN, haver consagrado, particularmente, a interpretação restritiva/extensiva dos benefícios fiscais, de acordo com "a razão da lei, (...) os motivos que a determinaram, (...) o fim visado pelo legislador", tal como defendido no recurso voluntário. Por fim, a Recorrente repudia a interpretação do acórdão recorrido de que os encargos de depreciação, amortização, exaustão ou custo dos bens baixados a qualquer título, relativos à diferença da correção monetária complementar IPC/BTNF, têm natureza de prejuízos fiscais/base de cálculo negativa, com a pretensão de atingilos, pois qualquer interpretação que busque inviabilizar a transferência, por sucessão, da diferença da correção monetária do IPC/BTNF encontrará obstáculo no art. 36 do Decreto 332/91, que dispõe que, nas incorporações, fusões ou cisões efetuadas após a escrituração da correção monetária pelo IPC, as transferências de valores para as sucessoras deverão ser efetuadas nos termos da legislação tributária, expressamente admitindo tal sucessão de direitos. Estes valores diferidos, no momento da incorporação, com a extinção da sociedade incorporada, representam direito e obrigações que agregam ao patrimônio da incorporadora (ora Recorrente), à qual sucede a incorporada de forma universal nesses direitos e obrigações, nos termos do art. 227 da Lei das Sociedades Anônimas, pois as despesas e custos diferidos relacionados à correção monetária complementar do IPC/BTNF, adicionadas à determinação do Lucro Real e à base de cálculo da CSLL das empresas, à época em que incorridas, são "créditos" que o Decreto n. 332/91 reconhece serem transferíveis às empresas sucessoras por incorporação, cisão, fusão, seja àquele relativo à despesa diferida do próprio saldo devedor da correção monetária, seja o relativo à despesa diferida com encargos de depreciação e custo de bens baixados a qualquer titulo. Tais despesas contábeis diferidas (IPC/BTNF), quando fiscalmente apropriadas (mediante exclusão do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL) afetam o "resultado do exercício", enquanto os prejuízos (fiscais) já são em si o próprio resultado (positivo ou negativo), o que significa dizer que, as despesas contábeis diferidas, quando computadas ao resultado fiscal do período, assim como as receitas, participam da soma algébrica que produz esse resultado, e por isto a natureza das despesas e Fl. 515DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 11080.000497/200218 Acórdão n.º 910101.332 CSRFT1 Fl. 6 6 das receitas é distinta do produto que suas somas algébricas produzem (v.g. prejuízo; lucro). Assim, despesas e receitas, comparativamente a prejuízos e lucros, não têm a mesma natureza! A egrégia Câmara a quo, rejeitando a preliminar argüida, em votação unânime, no mérito, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, julgando procedente o lançamento de ofício combatido pela Recorrente quanto à CSLL, nos períodosbase de 1996 e 1998, nos termos da ementa que abaixo se reproduz: Sustentou a invalidade do acórdão recorrido, tendo em vista que não enfrentou a alegação da decadência realizada no âmbito do recurso voluntário. Segundo a recorrente, o prazo decadencial deveria ser regido pelo artigo 150, §4°, do CTN, de modo que, contado da data do fato gerador (31/12/1996), teria consumadose a decadência, já que a ciência do auto de infração deuse em 10/01/2002. Não se analisou item da decadência no despacho de seguimento do recurso especial (fls. 469/471), porque cuidase de “matéria não tratada no acórdão recorrido como ele mesmo reconhece, e não tendo sido objeto de Embargos, não pode ser objeto ser examinado eventual dissídio jurisprudencial por força do disposto no §5° do artigo 7° do RICSRF”. Alegou divergência jurisprudencial, relativamente aos efeitos na apuração na base de cálculo da CSLL, dos encargos contábeis diferidos quanto à depreciação e custo de bem baixado, oriundo da diferença de correção monetária do IPC/BTNF 1990. Suscitou dissídio jurisprudencial, por outro lado, em relação à natureza jurídica de despesas diferidas na sucedida por incorporação, relativamente à diferença da correção monetária do IPC/BTNF de 1990, aproveitadas pela sucessora. Expôs que: “O juízo supra, veiculado pelo Acórdão paradigma (Acórdão n. 10707.721) interpretando o verdadeiro sentido da norma jurídica veiculada no art. 36 do próprio Decreto n. 332/91, que assegura a integral transferência e aproveitamento da diferença de correção monetária do IPC/BTNF 1990, nos casos de sucessão por incorporação, motivou o afastamento de qualquer interpretação legal que pretenda inviabilizar, pois, na sucessão por incorporação/cisão, a transferência da diferença da correção monetária do IPC/BTNF, julgando assim a propósito, a inaplicabilidade do artigo 33 do Decretolei n° 2.341/87, ademais, autorizando a exclusão das despesas diferidas, com a diferença da correção monetária do IPC/BTNF 1990, até o períodobase de 1998, após, pois, o anobase em que consumada sucessão societária, tal como ocorre no caso concreto. A interpretação da legislação tributária, conduzida pelo Acórdão paradigma supra, possibilita a transferência de despesa diferida em face da correção monetária do IPC/BTNF, na sucessão por incorporação, e o seu aproveitamento até o ano base de 1998, repisese, entendendo inaplicável o artigo 33 do Decretolei n° 2.341/87, ao julgar que referidas despesas Fl. 516DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 11080.000497/200218 Acórdão n.º 910101.332 CSRFT1 Fl. 7 7 originárias da correção monetária do IPC 1990 não têm natureza de prejuízo fiscal (base de cálculo negativa) na sucedida, divergindo do acórdão recorrido de que se recorre, que censura o aproveitamento de despesas diferidas da correção monetária do IPC/BTNF (v.g. encargos com depreciação/custo de bem baixado) pela Recorrente (sucessora por incorporação), a pretexto de atuarem aumentando o prejuízo fiscal da incorporada, vedado transferir pelo art. 33 do Decretolei n° 2.341/87 (na ótica da Fiscalização e do Julgamento a quo). A seguir, excerto do voto condutor do indigitado acórdão paradigma, da lavra do eminente Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, que confirma a divergência de interpretação entre a egrégia Câmara a quo e a Sétima Câmara deste colendo Primeiro Conselho de Contribuintes” Dessa forma, verificada está, a divergência jurisprudencial, que, em última análise, consiste em saber se a despesa diferida decorrente da diferença de correção monetária do IPC/BTNF 1990, seja àquela do saldo devedor da correção monetária, seja àquela dos encargos com depreciação/custo de bens baixados calculados com base na atualização dos bens do ativo permanente pelo IPC/90, podem ser aproveitadas na base de cálculo da CSLL, mediante exclusão até o períodobase de 1998, na sucessora por incorporação, sem Qualquer identidade com base de cálculo negativa da CSLL, tal como julga o Acórdão paradigma que tais despesas diferidas são "créditos" da sucessora que não têm natureza de prejuízo fiscal (base de cálculo negativa da CSLL), acaso excluídas da base de cálculo da mencionada contribuição social, após a incorporação societária. Assim, estando préquestionada3° a matéria, e demonstrada, a divergência jurisprudencial entre Câmaras do colendo Primeiro Conselho de Contribuintes, também nesse aspecto, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial, nos termos do art. 7°, II, §5° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 473/479. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. As divergências jurisprudenciais referemse a dois pontos: a) aos efeitos fiscais na base de cálculo da CSLL de despesas contábeis diferidas quanto ao saldo devedor da correção monetária e aos encargos com depreciação e custo de bens baixados, relativamente à diferença de correção monetária do IPC/BTNF de Fl. 517DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 11080.000497/200218 Acórdão n.º 910101.332 CSRFT1 Fl. 8 8 1990. Neste ponto, a divergência jurisprudencial revelase presente, de sorte que tomo conhecimento do recurso especial do Contribuinte. A jurisprudência administrativa do CARF já se firmou no sentido de que a base de cálculo da CSLL não pode sofrer dedução, no que tange ao saldo devedor da correção monetária, concernente à diferença do IPC e BTNF. “Súmula CARF n° 55: O saldo devedor da correção monetária complementar, correspondente à diferença verificada em 1990 entre o IPC e o BTNF, não pode ser deduzido na apuração da base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).” Desta forma, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. b) divergência concernente à natureza jurídica de despesas diferidas na sucedida por incorporação, relativamente à diferença da correção monetária do IPC/BTNF de 1990. Não conheço, neste item, o recurso especial do contribuinte, pois que a divergência jurisprudencial não restou caracterizada. No acórdão recorrido, estabeleceuse que: “Diante disso, como muito bem exposto pelo ilustre relator do voto condutor do acórdão recorrido, caso a empresa incorporada Supermercado Real S/A houvesse respeitado o regime legal e registrado a exclusão no período correto de competência (1993), o efeito seria o aumento da base de cálculo negativa de CSLL a compensar daquela empresa. Nesse contexto, frente à operação de incorporação a que fora submetida em 1995, restaria inviável a compensação desse saldo pela autuada, face à norma que veda a compensação de prejuízos da incorporada pela incorporadora (art. 33 do Decretolei n° 2.341/87). Assim, concluise que a exclusão pretendida pela recorrente não poderia ser levada a termo na incorporadora, pois resultaria em efeito diferente daquele obtido caso a dedução tivesse ocorrido em 1993.” Vêse, destarte, que, no caso, entendeuse que a empresa incorporada deveria ter observado o regime legal e registrado a exclusão no período correto de competência:1993. Se isto tivesse de fato ocorrido, como deveria ter ocorrido, a pretensão da empresa autuada (incorporadora) não poderia ocorrer (em 1995), em face da proibição de compensação de prejuízos da incorporada pela incorporadora. No caso dos autos, o contribuinte inseriu uma exclusão, na Declaração apresentada, no valor de R$ 1.131.465,96, sob o título de outras exclusões, referentes a encargos e baixas, diferença IPC/BTNF. Tal exclusão correspondeu a depreciações (1991 e 1992), não computadas no resultado fiscal da empresa incorporada pela empresa autuada em 1995. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 11080.000497/200218 Acórdão n.º 910101.332 CSRFT1 Fl. 9 9 No julgado paradigma, a seu turno, a situação fática é diversa, conforme se depreende do respectivo relatório: “Segundo o Termo de Verificação n° 03 (fls. 365/370) em que se assenta o auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, a contribuinte utilizarase de prejuízos de empresa cindida e de empresa incorporada, em desacordo com o disposto no art. 33 do Decretolei n° 2.341/87, através de procedimentos que demonstravam o propósito de burlar o referido dispositivo, tais como retificar as declarações de rendimentos em que essas empresas já haviam compensado integralmente a diferença do IPC/BTNF/90 com prejuízos de anoscalendários seguintes, antes de adquiridas pela autuada, para, restabelecendo a referida diferença, proporcionar à autuada transferir para o seu LALUR o valor correspondente à diferença entre esses índices. O procedimento infringiu as regras do Decreto n° 332, de 04/11/91 (que regulamentou a Lei n°8.200, de 28/06/91, notadamente no que respeita ao disposto na letra "a" e "h" do artigo 33, do referido decreto. De acordo com o artigo 36, c/c os arts. 33 e 34, §§ 1° a 4°, todos do Decreto n°332/91, os bens que fazem parte do saldo devedor da diferença IPC90/BTNF deveriam estar no balanço da empresa cindida nos períodos de 1989 e/ou 1990. No entanto, a empresa cindida comprou o seu ativo um mês antes da cisão, que ocorreu em 31/07/95. Semelhante proceder também ditou a transferência para a beneficiada da diferença IPC90/BTNF, na incorporação da empresa F.L.S Administradora S/C Ltda., cuja denominação foi alterada para ORION STAR FARMA LTDA., mudando o seu objeto social de "exclusivamente prestadora de serviços" para "comércio e indústria". A empresa incorporada já havia aproveitado o saldo devedor da diferença IPC90/BTNF, antes da incorporação, e, quando já extinta pela incorporação, a incorporadora (ASTA MÉDICA) apresentou declaração retificadora para reverter esse aproveitamento e possibilitar a transferência do saldo devedor correspondente à diferença IPC 90/BTNF para a autuada. Vêse que a situação ocorrida no acórdão paradigma é realmente diversa, na medida em que, aqui, constatouse que as empresas cindidas e incorporadas já haviam compensado integralmente, em declarações posteriormente retificadas, a diferença do IPC/BTNF 90 com prejuízos de anoscalendários seguintes, ressaltese, antes de adquirida pela empresa autuada. Desta forma, por não haver similitude fática entre as situações fáticas ocorridas nos acórdãos cotejados, não conheço do recurso especial do contribuinte neste ponto. Finalmente, no que tange à alegação de decadência, cujo enfrentamento não se deu no acórdão recorrido, é de se estabelecer desde já que, ao contrário do pretendido pela recorrente, não houve mácula a ensejar a invalidade daquela decisão. Em face da omissão, o contribuinte dispunha de remédio próprio para ver suprida a omissão que ora alega. Não o fez, entretanto, a decadência em tese, matéria que se pode conhecer de ofício, mesmo no âmbito do recurso especial, mas desde que, neste, se tenha transposto positivamente a análise de sua Fl. 519DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 11080.000497/200218 Acórdão n.º 910101.332 CSRFT1 Fl. 10 10 admissibilidade e desde que não tenha sido matéria de julgamento anterior. Assim, não há como ser conhecida tal matéria. Entretanto, para bem esclarecer os fatos, sucede que, compulsando os autos, não se vislumbra a sua ocorrência. Isto porque, não havendo pagamento antecipado do tributo (como no presente caso), o prazo decadencial, conforme decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo (recurso especial n° 973.733SC), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, regese pelo artigo 173, inciso I, do CTN. Desta forma, de fato, não houve a decadência alegada pelo contribuinte. Diante de todo o exposto, a) não conheço do recurso especial do contribuinte, em relação às alegações de decadência e de invalidade da decisão recorrida; esclarecendo, entretanto, que a matéria não poderia ser conhecida de ofício porque já tratada em outras instâncias e porque, efetivamente, não ocorreu a aludida decadência; b) nego provimento ao recurso relativamente aos efeitos fiscais na base de cálculo da CSLL de despesas contábeis diferidas quanto ao saldo devedor da correção monetária e aos encargos com depreciação e custo de bens baixados, relativamente à diferença de correção monetária do IPC/BTNF de 1990, em vista do disposto na súmula n° 55 do CARF; c) não conheço do recurso especial, no que tange à natureza jurídica de despesas diferidas na sucedida por incorporação, relativamente à diferença da correção monetária do IPC/BTNF de 1990, por não caracterizada a divergência jurisprudencial. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 520DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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