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Numero do processo: 10280.003892/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS. DIREITO A CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO.
Diante do enunciado prescritivo bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (Art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003), não cabe ao intérprete dimensionar a necessidade ou a essencialidade material dos bens e serviços adquiridos, mas tão somente verificar se foram ou não UTILIZADOS na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens e produtos inerentes à atividade submetida à não cumulatividade.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE.
Numero da decisão: 3101-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar parcialmente provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa relativa aos créditos referentes às aquisições de combustíveis, gases refrigerantes, cabos, lenhas, redes, iscas e armadilhas, bem como as aquisições de camarão não tributadas até 31/07/2014. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Rodrigo Mineiro Fernandes que mantinham a glosa de cabos, linhas, redes, iscas e armadilhas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Roberto Domingo.
LUIZ ROBERTO DOMINGO - Presidente em exercício
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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DIREITO A CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO. Diante do enunciado prescritivo “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (Art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003), não cabe ao intérprete dimensionar a necessidade ou a essencialidade material dos bens e serviços adquiridos, mas tão somente verificar se foram ou não UTILIZADOS “na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens e produtos” inerentes à atividade submetida à não cumulatividade. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PARCIALMENTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar parcialmente provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa relativa aos créditos referentes às aquisições de combustíveis, gases refrigerantes, cabos, lenhas, redes, iscas e armadilhas, bem como as aquisições de camarão não tributadas até 31/07/2014. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e Rodrigo Mineiro Fernandes que mantinham a glosa de cabos, linhas, redes, iscas e armadilhas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. LUIZ ROBERTO DOMINGO Presidente em exercício VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 38 92 /2 00 5- 78 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10280.003892/200578 Acórdão n.º 3101001.607 S3C1T1 Fl. 623 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de COFINS no valor de R$ 504.243,49, referente ao 4º trimestre de 2004, com fundamento no parágrafo 1º art. 6º da Lei nº 10.833/2003. Também constam do presente processo declaração de compensação (fls.36/63). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém – DRF/BEL, após procedimento fiscal que visou à comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, manifestouse pelo reconhecimento parcial de sua pretensão, no valor de R$301.630,60, constante dos Relatórios Fiscais de fls. 79/81, concluindo que: a) COMPRAS COM DIREITO AO CRÉDITO BÁSICO: foram aceitas, como geradoras de crédito, as compras relacionadas na planilha “COFINS NÃO CUMULATIVO COMPRAS DE PESSOAS JURÍDICAS GERADORAS DE CRÉDITO”, por terem sido, na fase anterior, tributadas pela COFINS e/ou por se enquadrarem no conceito de insumo. As notas fiscais referentes a essas compras correspondem basicamente, a: materiais de embalagem (caixas, sacos, fitas, etiquetas etc.); metabissulfito de sódio e tripolifosfato de sódio (aditivos alimentares); energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e serviços de beneficiamento. b) COMPRAS COM DIREITO A CRÉDITO PRESUMIDO (AGROINDÚSTRIAS): foram aceitas, como geradoras de crédito presumido decorrentes do exercício de atividades agroindustriais, as compras efetuadas pela empresa junto a pessoas físicas, conforme planilha denominada “COFINS NÃO CUMULATIVO – COMPRAS DE PESSOAS FÍSICAS GERADORAS DE CRÉDITO PRESUMIDO”. c) COMPRAS SEM DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO COMPRAS DE CAMARÃO: todas as notas fiscais alusivas a aquisição de camarão de pessoas jurídicas (quase que a totalidade delas apresentadas pelo estabelecimento 0002 – Camocim) trazem, no seu corpo, uma das seguintes informações: “REMESSA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO”, “MERCADORIA EXCLUSIVA PARA EXPORTAÇÃO –ISENTO DE PIS E COFINS”, “MERCADORIA DESTINADA COM FINS ESPECÍFICOS DE EXPORTAÇÃO”, “VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO”, “REMESSA PARA EXPORTAÇÃO”, etc. O certo é que, em todos os casos, os fornecedores julgaramse isentos e não calcularam nem recolheram a COFINS sobre as vendas. Observese que, de fato, as vendas efetuadas com o “fim específico de exportação” para o exterior são isentas da COFINS. Logo, essas aquisições não foram oneradas por esta contribuição na fase anterior, não havendo, por conseguinte, nenhum valor a ser ressarcido; AQUISIÇÕES QUE NÃO SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE INSUMO E/OU POR ESTAREM SUJEITAS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA, como por exemplo: óleo diesel marítimo, óleos lubrificantes, materiais destinados ao preparo (armação) de barcos para a pesca (cabos, redes, etc.), gases refrigerantes, energia elétrica, hipoclorito de Fl. 623DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10280.003892/200578 Acórdão n.º 3101001.607 S3C1T1 Fl. 624 3 sódio (desinfetante), iscas (cabeças de peixes), materiais e instrumentos de limpeza, peças para embarcações, etc. A planilha denominada “APURAÇÃO DO CRÉDITO DA NÃO CUMULATIVIDADE – COFINS”, em anexo, demonstra, a cada trimestre, os valores do ressarcimento a que contribuinte tem direito. A Delegacia da Receita Federal em Belém reconheceu parcialmente o direito creditório no valor total de R$ 301.630,90, homologando, assim, até o limite do direito creditório reconhecido a Declaração de Compensação. Cientificada do Despacho Decisório em 03/01/2012 (AR de fl. 183) a interessada apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade em 16/01/2012(fls184/202). A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0124.703 de fls. 631 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÕES COM O FIM ESP ECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Empresas exportadoras que efetuem aquisições com o fim específico de exportação não podem calcular créditos sobre tais aquisições. COFINS. DIREITO AO CRÉDITO. AÇÃO DIRETAMENTE EXERCIDA SOBRE O PRODUTO. Geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (Matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam ser incluídos no ativo permanente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. a) onde resumidamente, faz as mesmas alegações reforçando nos pontos não acolhidos pela DRJ de Belém/PA. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10280.003892/200578 Acórdão n.º 3101001.607 S3C1T1 Fl. 625 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. A decisão recorrida, evidentemente está consubstanciada no voto condutor que faz parte da decisão e o Recurso Voluntário que evidentemente o contrapõe nos seguintes itens que passo a me manifestar: Das Mercadorias Destinadas para o Fim Especifico de Exportação Em fls. 546 o autor do voto condutor da decisão recorrida cita toda a legislação pertinente e conclui: “Assim, no que diz respeito às operações de aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, aplicase o disposto no §4º do art. 6º da Lei nº10.833, de 2003, ou seja, é vedado, nesse caso, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” Os créditos do PIS/COFINS não cumulativo que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 instituíram, através de um sistema legal de abatimento de créditos que, diferentemente de outros tributos não cumulativos existentes no sistema tributário nacional, como o ICMS e o IPI, não permitem à vinculação direta dos créditos aos débitos da etapa anterior cobrados nos documentos fiscais. Portanto, o traço diferencial do PIS/COFINS é o de que o crédito não fica atrelado ao efetivo montante recolhido na etapa anterior da cadeia produtiva, pois, se trata de créditos presumidos por outorga legal, ou seja, o crédito será sempre de 9,25% ainda que o fornecedor esteja sujeito ao regime cumulativo, hipótese em que é tributado a 3,65%. Entretanto, em razão da EC 42/03, a Lei n 10.865 de 30/04/2004 alterou o disposto nos artigos 3 º § 2º, das Leis nº 10.637/02 e nº10.833/03, vedando o desconto de créditos para a apuração da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, relativos à aquisição de bens ou serviços não sujeitos à incidência dessas contribuições. Assim, os referidos dispositivos passaram a vigorar com a seguinte redação: “Art. 3º (...) § 2º. Não dará direito ao crédito o valor: (...) II – das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou Fl. 625DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10280.003892/200578 Acórdão n.º 3101001.607 S3C1T1 Fl. 626 5 utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. Nesse contexto, corroboro com a decisão recorrida, pois a sistemática da não cumulatividade da contribuição do PIS e COFINS, que veio se aproximar do ICMS e IPI, não cabe aproveitamento quanto as fases anteriores a quem não está sujeito ao tributo na fase atual. Assim, as alegações da Recorrente para justificar que as aquisições de camarão são aquisições de matériaprima básica do produto que fabrica e comercializa, não supera a não tributação do PIS/COFINS praticada por seus fornecedores. Contudo, a vigência da Lei nº 10.865/04 de que trata o artigo 21, cuja vigência foi dada pelo artigo 46, ou seja, no 1º dia do quarto mês subsequente a publicação da Lei nº 10.865/04 que se deu em 30.04.2004, admito o crédito das aquisições ocorridas até 31/07/2004. Demais, alegações nesse item por parte da Recorrente, foram superadas no meu modo de entender com as razões de fls. 546 a 550 dos autos. Das Demais Glosas As demais glosas que houveram e entendidas como indevidas pela Recorrente referemse a materiais chamados pelo autor da decisão recorrida como insumos diretos utilizados na pesca marítima – tais como linhas de pesca, redes, cabos, munzuás, combustíveis (óleo diesel) etc. – os quais seriam necessariamente consumidos durante o processo industrial de captura do pescado. Nessa seara entramos na controvertida noção do conceito de insumos para fins de PIS/COFINS não cumulativo. O voto condutor da decisão recorrida discorre a respeito em fls. 550 a 551, terminando por dizer: “...É que, para essa contribuição social, o conceito de “insumo” é jurídico, e não contábil ou econômico.” “Logo, assiste razão ao Fisco no nãoreconhecimento dos créditos solicitados pelo contribuinte, relativos a linhas de pesca, redes, cabos, munzás, combustível (óleo diesel) etc.” Evidentemente, que nesse item, não posso concordar com a decisão recorrida. No CARF existem muitas decisões de conselheiros defendendo diversos critérios para definir o que seja “insumos” o que pode ser considerado “credito” para fins de PIS/COFINS não cumulativo, seja, como todos os custos e despesas conforme legislação do IRPJ, seja, pelo critério da essencialidade ou pelo conceito de receita, ou seja, todos os custos e despesas necessários a aferição da receita sujeita as contribuições do PIS/COFINS. Pode ser mais trabalhoso, e até irreal, mas tenho decidido caso a caso, principalmente pelo critério da essencialidade/necessidade. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10280.003892/200578 Acórdão n.º 3101001.607 S3C1T1 Fl. 627 6 Assim, nunca pelo critério de insumo previsto na legislação do IPI, no caso pela atividade da empresa me parece indiscutível o consumo do insumo combustível (óleo diesel) para buscar o pescado diante das explicações dadas pela Recorrente de sua atividade no Recurso Voluntário, bem como de gases refrigerantes. Os demais créditos provenientes de linhas de pesca, redes, cabos e munzuás parecem ser mais insumos dos pescadores pessoas físicas ou dos fornecedores pessoas jurídicas no fornecimento do pescado ou camarão. Dos Juros Selic Nesse item a decisão recorrida se atem a legislação prevista no art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como ao § 5º do artigo 72 da IN SRF nº900, de 30 de dezembro de 2008 combinado com o artigo 7º da Portaria MF nº 341/2011, razões expostas em fls. 293. Também, a inteligência do artigo 6º e 13 º do parágrafo 2º da Lei 10.833. Porém, venho entendendo ser devida a incidência da taxa SELIC a partir da efetivação do pedido de ressarcimento, corroborando com o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais de que ressarcimento é uma espécie do gênero restituição. Diante do todo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa dos créditos referentes as aquisições de combustíveis e gases refrigerantes, bem como as aquisições de camarão não tributados ocorridos até 31/07/2004 apresentadas no pedido de ressarcimento do período, bem como admitir a correção pela SELIC a partir da data do protocolo do efetivo pedido de ressarcimento até a efetiva compensação ou ressarcimento. É como voto. Valdete Aparecida Marinheiro Relatora Voto Vencedor Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Como já mencionado, tratase de Pedido de Ressarcimento de saldo credor da COFINS não cumulativa, relativo ao 4o Trimestre de 2004, em relação ao qual houve diversas glosas por parte do Fisco inviabilizando o direito creditório requerido. Ouso descordar em parte do excelente voto da Ilustre Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, em especial no que se refere ao direito ao crédito escritural decorrente das despesas de aquisição de materiais que entendo serem insumos utilizados na atividade produtora da Recorrente. Senão Vejamos. A decisão recorrida, fundandose no disposto na IN SRF nº 404/2004, conclui que “somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Não pode, assim gerar crédito as despesas com insumos indiretos, como o custo Fl. 627DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10280.003892/200578 Acórdão n.º 3101001.607 S3C1T1 Fl. 628 7 da produção de seus insumos que servirão para a industrialização”. Aduz ainda que, “com base nessa sistemática, verificase que a condição imposta para o aproveitamento dos créditos das Contribuições – gerados por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda – é o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da sua ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Ou seja, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem utilizado no processo produtivo da empresa e não incorporado ao ativo imobilizado, mas tãosomente aquele que efetivamente teve ação sobre o produto fabricado. É que, para essa contribuição social, o conceito de “insumo” é jurídico, e não contábil ou econômico”. Portanto, a decisão recorrida condiciona o direito ao crédito escritural a condição de o insumo compor um dos conceitos exigidos pela norma do IPI: matériaprima, produto intermediário e/ou material de embalagem, não passíveis de registro em ativo imobilizado. Há muito o CARF afastou a similaridade entre o conceito de insumo para a contribuição ao PIS e para a COFINS e o conceito de “insumo” do IPI. É que o art. 3º, inciso II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, definem como elementos que podem ser levados à apuração do PIS e da COFINS nãocumulativos (registro escritural de crédito) nas atividades de indústria, produção e serviços, “os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Ora, quando a lei dispõe que o crédito advém da despesa com a aquisição de de bens e serviços utilizados como insumos, de plano, há de se afastar do conceito do IPI, haja vista que no regime jurídico da nãocumulatividade desse imposto os serviços não geram crédito em hipótese alguma; e os bens, da mesma forma, só geram créditos quando materiais que se agregam ao produto final ou se desgastam em contato direto com o produto industrializado, limites objetivos esses que não estão fixados pelas Leis do PIS e da COFINS. Ou melhor, justamente ao contrário, os limites objetivos dessas leis estão tão somente no disposto no§ 2º e nas hipóteses negativas do § 3º, ambos do art. 3º. Considerando que a interpretação da IN SRF nº 404/2004 traduzse em restrição ao direito assegurado pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, entendo que à autoridade administrativa não foi atribuída a competência para limitar o conteúdo material do conceito de “bens e direito utilizados como insumo”, devendo prevalecer uma interpretação que demonstre haver in concreto uma relação entre o bem ou serviços contratados e o produto obtido ou serviço prestado, origens da receita passível de tributação pelo PIS e pela COFINS. Assim tem caminhado de forma majoritária a jurisprudência deste Conselho, cujos precedentes que podemos citar são: Ac. 3102002.065, 14/05/2014, Ac. 3202001021, de 06/01/2014, Ac. 3301002.151, de 28/01/2014, Ac. 3401002.547, de 27/03/2014, Ac. 3403002.765, de 25/02/2014, e Ac. 3101001.109, 24/04/2012, desta Turma, Relator Conselheiro Tarásio Campelo Borges, cuja ementa consigna: COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis Fl. 628DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10280.003892/200578 Acórdão n.º 3101001.607 S3C1T1 Fl. 629 8 restringir o creditamento da Cofins às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. No presente feito, verificase que os bens descritos como “materiais destinados ao preparo (armação) de barcos para a pesca (cabos, redes, etc.), gases refrigerantes, hipoclorito de sódio (desinfetante), iscas (cabeças de peixes), materiais e instrumentos de limpeza, peças para embarcações” são materiais nitidamente integrantes da atividade da pesca e produção de pescados e são utilizados pela recorrente em sua produção. Não bastasse serem essenciais à atividade, os bens colacionados na lide são nela utilizados o que atende aos requisitos do art. 3º, inciso II, das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003. De modo que, diante do enunciado prescritivo “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, não cabe ao intérprete dimensionar a necessidade ou a essencialidade material dos bens e serviços adquiridos, mas tão somente verificar se foram ou não UTILIZADOS “na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens e produtos destinados à venda”. No presente feito, não há duvida de que “materiais destinados ao preparo (armação) de barcos para a pesca (cabos, redes, etc.), gases refrigerantes, hipoclorito de sódio (desinfetante), iscas (cabeças de peixes), materiais e instrumentos de limpeza, peças para embarcações” são utilizados na pesca que compõe o produto industrializado final. Diante do exposto DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, em maior extensão que a Eminente Relatora originária, para admitir o crédito de materiais destinados ao preparo (armação) de barcos para a pesca (cabos, redes, etc.), gases refrigerantes, hipoclorito de sódio (desinfetante), iscas (cabeças de peixes), materiais e instrumentos de limpeza, peças para embarcações. Luiz Roberto Domingo – Relator Designado Fl. 629DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 16004.000578/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRPJ. EXISTÊNCIA DE DOLO E FRAUDE . TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO.
Havendo dolo e fraude o termo inicial para contagem do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário é o previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Caracterizam-se como presunção de omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INAPLICABILIDADE NO CASO DE PRESUNÇÃO.
A reiterada omissão de receitas ao Fisco em valores significativos demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Tal conduta se amolda à figura da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
SOLIDARIEDADE PASSIVA.
O conjunto de fatos revelam a necessidade da manutenção da solidariedade passiva dos sócios que se beneficiaram diretamente das infrações tributárias praticadas, quando direcionaram injustificadamente, recursos da empresa para suas contas correntes pessoais e de parentes.
Numero da decisão: 1302-001.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(Assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
PAULO ROBERTO CORTEZ - Relator
(Assinado digitalmente)
GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA - Redator designado
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRPJ. EXISTÊNCIA DE DOLO E FRAUDE . TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. Havendo dolo e fraude o termo inicial para contagem do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário é o previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Caracterizamse como presunção de omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INAPLICABILIDADE NO CASO DE PRESUNÇÃO. A reiterada omissão de receitas ao Fisco em valores significativos demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Tal conduta se amolda à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 05 78 /2 00 9- 11 Fl. 894DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 2 figura da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. SOLIDARIEDADE PASSIVA. O conjunto de fatos revelam a necessidade da manutenção da solidariedade passiva dos sócios que se beneficiaram diretamente das infrações tributárias praticadas, quando direcionaram injustificadamente, recursos da empresa para suas contas correntes pessoais e de parentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (Assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) PAULO ROBERTO CORTEZ Relator (Assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Redator designado (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 894 3 Relatório DISCAR DISTRIBUIDORA DE CARNES CATANDUVA LTDA., já qualificada nos presentes autos, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 728/738, prolatada pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos das petições de fls. 788/808; 812/839; e 842/872. Em ação fiscal foi constatada a presunção de omissão de receitas nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, para os meses dos anoscalendário de 2003 e 2004. Tendo em vista que o contribuinte é optante pelo SIMPLES FEDERAL, as receitas omitidas, quando somadas às declaradas, acarretaram mudança da alíquota e a conseqüente insuficiência de recolhimento. Em conseqüência, foram lavrados autos de infração para constituição dos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS relativos a todos os meses dos anos de 2003 e 2004. Afirma a autoridade autuante, no Termo de Constatação (fls. 492500), que a ação fiscal se desenvolveu no âmbito da chamada operação “Grandes Lagos”, realizada pela Receita Federal por determinação da Justiça Federal. A ação fiscal teve início com a intimação do Sr. Ernesto Lúcio Calegari, sócio da recorrente para apresentação de livros e documentos, tendo ele informado que a empresa estava inativa desde o ano de 2006. Após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, os elementos referidos na intimação não foram apresentados. Em seguida, a DISCAR foi intimada, no endereço do sócio responsável junto ao CNPJ, Sr. Walter Lúcio Calegari, a apresentar os mesmos elementos. Mais uma vez, a intimação não foi atendida, razão pela qual, com base em autorização judicial, foi emitida Requisição de Movimentação Financeira – RMF, por meio da qual foram obtidos os extratos bancários das contas do contribuinte. Posteriormente, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários que ingressaram em suas contas nos anos de 2003 a 2006. Após sucessivas prorrogações de prazo, o contribuinte informou que “não foi possível localizar a documentação necessária a atender ao termo de intimação lavrado em 04/07/2008, na DRF/SJRIOPRETO, relativa ao IRPJ período de apuração 2003 a 2006, que efetivamente extraviouse, ficando, assim, impossibilitada de atender ao quanto solicitado pela fiscalização”. Tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários que ingressaram em suas contas nos anos de 2003 e 2004, tais valores foram reputados, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, receitas omitidas. A DISCAR, nesses anos, era optante do SIMPLES FEDERAL, razão pela qual os tributos foram apurados com base nessa sistemática de apuração. No cálculo da receita bruta foram computadas as receitas declaradas e as receitas omitidas. Entendeu a fiscalização que, pelo fato de o contribuinte ter declarado, reiteradamente, valores irrisórios em comparação com sua movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada, sendo que o proveito foi revertido a seus sócios, Sr. Walter Lúcio Calegari e Sr. Ernesto Lúcio Calegare, além do fato de não possuir livros e demais documentos Fl. 896DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 4 fiscais e contábeis, ficou caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, de modo que sobre os tributos lançados foi aplicada multa qualificada (150%). Os senhores Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegari, sócios da DISCAR, são também sócios de direito e/ou de fato da empresa FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA, investigada pelas mesmas práticas fraudulentas. Constatou a autoridade autuante, com base nos extratos bancários da DISCAR, intenso fluxo financeiro diretamente para as contas correntes dos sócios, cônjuge ou parentes próximos. Com base nesses fatos, conclui a autoridade autuante que os senhores Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegari tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, obtendo vantagens financeiras, razão pela qual lhes foi imputada responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CTN. Em sua impugnação, a contribuinte apresentou os argumentos abaixo: a) não foi dada à DISCAR a oportunidade de defesa no âmbito da representação criminal ou na ação penal que autorizou a quebra do sigilo bancário. Isso viola o direito ao contraditório e á ampla defesa, ficando prejudicado o devido processo legal, razão pela qual é nulo o processo administrativo, ficando defeso à fiscalização o acesso aos dados e informações relativas às operações bancárias da DISCAR. A ordem de quebra do sigilo bancário partiu de processo judicial no qual não foi assegurado o exercício do contraditório e da ampla defesa, acarretando a não convalidação da medida judicial porquanto o processo do qual partiu é eivado de nulidade absoluta. Houve quebra do sigilo bancário ao desabrigo de decisão judicial válida, deduzindose, por conseguinte que o procedimento é nulo por romper as garantias do devido processo legal; b) nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, o prazo decadencial para constituição de tributo sujeito a lançamento por homologação é de cinco anos, contado da data da ocorrência do fato gerador. Esta é a regra aplicável na situação versada no presente processo administrativo, pois há antecipação parcial dos tributos. Tendo em vista que o lançamento ocorreu em virtude da apuração de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, concluise, com base no art. 849, § 1º, I, do RIR/1999, que o fato gerador do IRPJ ocorreu no mês da disponibilização do crédito ao contribuinte, razão pela qual a contagem do prazo decadencial tem início na data dos depósitos bancários. Diante disso, e tendo em conta que os autos de infração foram lavrados em 07/08/2009, inferese que o lançamento somente poderia atingir fatos geradores ocorridos a partir de 07/08/2004, operandose a decadência para os débitos relativos aos fatos geradores ocorridos anteriormente; c) a simples constatação da existência de depósitos bancários sem origem comprovada não basta para caracterização de dolo, de modo que é inaplicável a regra prevista no art. 173, I, do CTN; d) a caracterização da omissão de receitas depende, inexoravelmente, da demonstração de nexo causal entre os depósitos e a suposta omissão, Fl. 897DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 895 5 requisito esse não atendido no lançamento de que trata o presente processo administrativo; e) as intimações recebidas no curso da ação fiscal foram atendidas, inclusive com requerimento de dilação de prazo quando necessário. Foram trazidos aos autos os documentos disponíveis. Não passa de conjectura a afirmação de que a movimentação financeira da empresa deuse em proveito dos sócios. A qualificação da multa, com base no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996 é medida excepcional, cabível apenas quando houver comprovação da fraude, conforme reconhece a jurisprudência administrativa, prova essa não produzida no presente processo administrativo; f) por fim, pede que seja reconhecida a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, a insubsistência da autuação, posto que os depósitos não dão fundamento a ela. Alternativamente, requer que a contagem do prazo decadencial observe a regra inscrita no art. 150, § 4º, do CTN e que a multa de ofício agravada seja excluída, reduzindoa aos padrões da normalidade. Na defesa apresentada por Walter Lúcio Calegari, são reproduzidas várias alegações constantes da impugnação protocolizada pela DISCAR, sendo acrescidos os argumentos a seguir resumidos: g) não houve termo de início de fiscalização para averiguar conduta praticada por Walter Lúcio Calegare. A ausência dessas formalidades viola o devido processo legal, já que ele sequer foi intimado a prestar informações. Não lhe foi dada oportunidade para manifestarse, no curso da ação fiscal, acerca das acusações levadas a efeito pelo fisco. O termo de sujeição passiva solidária não convalida esses vícios, já que foi lavrado quando do encerramento da ação fiscal. Esses vícios são causa de nulidade do processo administrativo; h) foram carreados aos autos extratos bancários e cópias de cheques sem o conhecimento ou o consentimento da DISCAR. O relatório de constatação e descrição dos fatos nada menciona acerca dos meios pelos quais tais documentos chegaram aos autos. O mesmo se passa com o termo de sujeição passiva solidária. Para que as provas fossem validamente juntadas aos autos, seria indispensável que a fiscalização certificasse a origem, data e forma pelos quais os documentos foram obtidos. A ausência de explicação acerca da origem demonstra a contaminação do processo administrativo, porquanto as provas nas quais se sustenta a fiscalização foram produzidas ilicitamente, motivo pelo qual impõese o reconhecimento de que o processo administrativo é nulo; i) o fato de sócio da DISCAR ser também sócio da empresa FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA não autoriza a atribuição a ele de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados contra a Fl. 898DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 6 DISCAR, mesmo que houvesse qualquer acusação contra a referida empresa, já que a condição de sócio em mais de uma empresa é admitida por lei. Dada a ilicitude das provas produzidas, devem elas ser desentranhadas dos autos ou, no limite, desconsideradas por ocasião do julgamento. A autoridade autuante pretendeu, por amostragem, demonstrar que a movimentação financeira da DISCAR aproveitou ao impugnante. Contudo, as inexpressivas cópias de cheques juntadas aos autos não comprovam a relação entre os fatos geradores e a atuação do sócio. Seria necessária uma investigação completa acerca dos lançamentos em todo o período investigado, sobretudo tendo em conta que o lançamento referese a período demasiadamente maior que aquele abrangido pela amostragem; j) fiscalização não se desincumbiu da carga da prova que lhe compete. Não foi comprovado o interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Nesse sentido, deveria a autoridade demonstrar que o impugnante participou diretamente dos fatos geradores, ou seja, que a movimentação financeira foi realizada em contas de sua titularidade. Porém, as contas bancárias eram de titularidade da própria DISCAR, de modo que não há que se falar em “interesse comum”, dicção legal para representar a colocação dos devedores em uma situação comum. A responsabilidade tributária pode basearse no art. 134, VII do CTN (responsabilidade dos sócios da sociedade) ou no art. 135, III, do CTN (responsabilidade dos administradores da sociedade), hipóteses essas não verificadas no presente processo administrativo. Não foi demonstrada a ocorrência de acréscimo patrimonial favorecendo o impugnante, razão pela qual inexiste interesse no fato gerador das obrigações tributárias apuradas. Na impugnação apresentada por Ernesto Lúcio Calegari são reproduzidos argumentos constantes dos recursos protocolizados pela DISCAR e pelo senhor Walter Lúcio Calegari, acrescidos da alegação de que não participou da administração da DISCAR, de modo que não pode ser responsabilizado pelos créditos tributários contra ela lançados. Ao apreciar a defesa apresentada, a Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP decidiu pelo provimento parcial, nos termos do acórdão mencionado, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 DECADÊNCIA OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 896 7 MULTAQUALIFICADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos casos em que houver prova de que o contribuinte agiu dolosamente ao praticar as infrações tributárias, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Presumese que correspondem a receitas omitidas os depósitos bancários de origem não comprovada. A declaração, reiterada, de valores irrisórios em comparação com a movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada e a falta de manutenção de livros e demais documentos fiscais e contábeis, dão fundamento à exasperação da multa de ofício. É correta a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tenham interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente da decisão de primeira instância em 18/10/2012 (fls. 779), a contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário em 16/11/2012, no qual reforça os argumentos expendidos na fase inicial, reforçando, em síntese, o seguinte: k) inobstante a fiscalização apeguese à ordem judicial que lhe credenciou a peticionar a quebra do sigilo bancário, referida decisão não passou pelo crivo do contraditório ou da ampla defesa, considerando que nos procedimentos referidos não houve oportunidade para manifestação ou impugnação; l) considerando que a ordem da qual partiu a determinação de quebra do sigilo bancário advém de processo judicial atravessado sem a observância do contraditório e da ampla defesa, de rigor reputarse que a determinação judicial considerase inocorrente na espécie; m) os débitos tratados no lançamento referemse imposto de renda que foram constituídos em 09 de agosto de 2009 e que compreendem os anoscalendário de 2003 e 2004. Consoante a norma legal, as receitas ou rendimentos omitidos serão considerados recebidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Significa isso, concretamente, que há uma clara alteração do momento de ocorrência do fato gerador do IR que passou de 31 de dezembro para o mês no qual há a disponibilizacão do crédito ao contribuinte; n) assim, considerando que o prazo decadencial é de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, o qual, nos casos previstos no artigo 849 do RIR, ocorre com a disponibilizacão econômica do crédito aos Fl. 900DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 8 contribuintes, concluise que o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos a partir da ocorrência dos depósitos bancários; o) levando em conta que o auto de infração foi lavrado em 07 de agosto de 2009 e que o prazo decadencial é de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador e ainda que a matéria é disciplinada pelo artigo 849 do RIR, indene de dúvidas que o lançamento somente poderia constituir débitos a partir de 07 de agosto de 2004, operando assim, a decadência para os débitos relativos aos períodos anteriores; p) extintos estão, no entanto, por força dos artigos 156, inciso V e 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional, por decorrência do decurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a constituição dos débitos, os débitos compreendidos nos cinco anos que antecederam o lançamento fiscal, ou seja, os anteriores a agosto de 2004; q) que é fundamental grifar a inexistência de simulação, fraude ou dolo para que se atribua a decadência prevista no artigo 173, inciso I do CTN. A simples ocorrência de depósitos bancários sem comprovação de origem não é suficiente para caracterização do dolo na sonegação do tributo. r) é que a caracterização da omissão de rendimentos depende, inexoravelmente, da demonstração do nexo causai entre os depósitos e a suposta omissão, requisito sem o qual a suposta omissão não resta configurada; s) considerando que a fiscalização em nenhum momento especificou ou tratou da ligação entre os depósitos bancários e a incidência tributária, de rigor considerarse, no mérito, a insubsistência do auto de infração para que, cancelandoo, reconheçase a inviabilidade da tributação; t) explícita, portanto, a orientação jurisprudencial consolidada no sentido de que a aplicação da multa qualificada, dado seu caráter excepcional, submetese á comprovação pormenorizada e inequívoca da ocorrência de fraude, condição esta que o lançamento não logrou demonstrar; u) as questões levantadas pelo auto de infração com o objetivo de comprovar a aludida fraude, não propiciam a certeza da presença de atos dolosos, necessária à incidência da multa agravada. Nenhum dos pontos mencionados na autuação consegue atribuir à conduta da impugnante a conotação dolosa e fraudulenta, razão porque se conclui apresentarse inaplicável a multa qualificada ao caso em tela, tendo em vista a não subsunção da conduta do contribuinte às hipóteses legais. Na mesma data, os sócios da recorrente, Srs. Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegari também apresentaram recurso voluntário, com os mesmos argumentos expendidos na fase inicial. É o relatório. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 897 9 Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Cortez Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. 1 DAS PRELIMINARES SUSCITADAS Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, sob o argumento que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais. Entendo que o procedimento fiscal foi levado a efeito de acordo com as normas que regem o processo administrativo, tendo sido efetuado dentro da legalidade, com observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Entendo que não existe qualquer irregularidade com relação à suscitada quebra de sigilo bancário, visto que a autoridade fiscal procedeu amparado por autorização judicial. A alegação de eventual nulidade de uma determinação judicial somente poderia ser questionada junto ao próprio Poder Judiciário, visto que a administração tributária sequer pode avaliar ou questionar a mesma. Com relação à preliminar de decadência suscitada pela recorrente, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado com a aplicação da multa qualificada de 150%, a apreciação se encontra ao final do presente voto. 2 – DO MÉRITO Fl. 902DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 10 Quanto ao mérito, o lançamento se fundamentou na omissão de receitas apurada com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, o estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos, caso o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Diz o mencionado o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que embasou o lançamento, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 40 da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1— os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). (...) Como visto acima, os depósitos bancários cujo titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem, tornamse sujeitos à tributação, por presunção legal de omissão de rendimentos. Assim, o contribuinte, devidamente intimado, não demonstrar a comprovação da a origem dos recursos, caberá a autoridade fiscal, constituir lançamento do tributo correspondente. A caracterização da ocorrência do fato gerador do tributo não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente, mas pela presunção legal de Fl. 903DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 898 11 omissão de rendimentos, ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme determina a lei. Não cabe razão à defesa quando argumenta que o fisco teria deixado de apreciar fatores que alteram a suposta base de cálculo de que se valeu para autuação. Diante disso, a autoridade fiscal elaborou o demonstrativo com os depósitos individualizados, em que indica, mensalmente, o valor creditado nas contas da empresa, tendo como resultado o valor mensal da receita omitida. Nessas condições, entendo que o lançamento deve ser mantido. 3 – QUANTO A APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150% No que diz respeito a multa de ofício, observase que os autos noticiam a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada de 150%, sob argumento de que esta ocorreu pelo motivo de a contribuinte ter deixado de comprovar a origem dos recursos creditados em contas correntes da empresa. Resta claro nos autos, que tal motivo levou a fiscalização a aplicar a multa qualificada de 150%, ao fundamento de que, com essa atitude, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou de suas circunstâncias materiais, situação fática que se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, resta nítido pela análise dos autos de que a autoridade fiscal lançadora resolveu qualificar a multa de ofício diante do fato de entender que ficou caracterizada a conduta dolosa da contribuinte de se eximir do imposto devido, quer pela movimentação dos valores por meio de suas contas bancárias, quer pela omissão de informações à Fiscalização, objetivando impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco. Desta conduta concluise, que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada na constatação de omissão de receitas, caracterizados pela existência de depósitos bancários sem devida contabilização, cuja legislação de regência prevê que esta atitude caracteriza uma presunção de omissão de receitas. Ou seja, a fiscalização amparou o lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de informar receitas auferidas fazendo declarações simuladas e apresentando provas materiais de conteúdo inexistente, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pela contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando receitas auferidas e não escrituradas/declaradas. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na escrituração contábil da empresa, de contas bancárias movimentadas representativas de receitas Fl. 904DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 12 tributáveis ocasionando a falta ou o retardamento do imposto a pagar, independentemente, da habitualidade e do montante utilizado, caracteriza falta simples de omissão de receitas, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que a contribuinte teria se utilizado de meios escusos para deixar de escriturar receitas auferidas (deixar de declarar receitas auferidas). Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que a contribuinte prestou informações ao fisco, em sua declaração de imposto de renda e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda. Ora, o máximo que poderia ter acontecido é o fato da autoridade lançadora desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova) e constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de receitas, o que a meu ver caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização, sem se levar em conta que o presente lançamento foi efetuado por presunção de omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados e não justificados). A multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida, que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Com a devida vênia, dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão na escrituração contábil e na declaração de rendimentos de depósitos bancários de Fl. 905DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 899 13 origem não justificada, não evidencia, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi realizado tendo em vista a apuração de omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários não justificados (presunção legal de omissão de receitas/rendimentos), o que, até prova em contrário, permite ao fisco a cobrança do imposto de renda sobre estes valores, porém, por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. No mesmo sentido, estaria a prestação de informações contrárias das que a fiscalização teria levantado, com o objetivo de reduzir a base de cálculo tributável (matéria de prova), motivo que poderia no máximo ser um indicativo de que sobre tais valores (depósitos bancários não justificados) deveria ser constituído o lançamento e cobrado o crédito tributário respectivo, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude. Nos casos de lançamentos tributários tendo por base presunção legal de omissão de receitas/rendimentos, vislumbrase um lamentável equívoco por parte da autoridade lançadora. Nestes lançamentos, acumulamse as premissas de que a omissão de receitas/rendimentos por presunção legal e a simples falta de inclusão de valores nas declarações de imposto de renda, em razão da forma e/ou expressividade, estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja, o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pelo contribuinte ou declaração inexata, jamais será motivo para qualificar a multa de ofício. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de omissão de rendimentos, detectável pela fiscalização através da confrontação e analise das declarações de imposto de renda, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de receitas/rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que no caso em discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre a omissão de rendimentos, já que o contribuinte esta pagando imposto a menor, ou seja, deixou de declarar rendimentos auferidos e não trouxe provas para ilidir a acusação ou as Fl. 906DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 14 provas apresentadas não convencem a autoridade lançadora. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos por presunção legal. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratarse de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n.º 10418.698, de 17 de abril de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Justificase a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada. Acórdão n.º 10418.640, de 19 de março de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além Fl. 907DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 900 15 disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10419.055, de 05 de novembro de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º. 10245584, de 09 de julho de 2002: MULTA AGRAVADA – INFRAÇÃO QUALIFICADA – APLICABILIDADE – A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizouse de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996 Acórdão n.º. 10193.919, de 22 de agosto de 2002: MULTA AGRAVADA – CUSTOS FICTÍCIOS – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizouse de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10419.534, de 10 de setembro de 2003: Fl. 908DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 16 DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos ” notas fiscais frias “, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980. Acórdão n.º.10419.386, de 11 de junho de 2003: MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º. 10612.858, de 23 de agosto de 2002: MULTA DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA – A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de ofício, implica em considerálas inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Acórdão n.º. 10193.251, de 08 de novembro de 2000: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 901 17 É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõese invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, nestes termos: Art. 957 – Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n.º 8.218/91, art. 4º) (...) II – de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” A Lei n.º 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 910DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 18 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) Fl. 911DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 902 19 I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d). Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios se esconde à ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o “intuito de fraude”. Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos / receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o “intuito de fraude”. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão CSRF/0104.917, 13 de abril de 2004: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO No caso de lançamento de ofício será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 20 Acórdão n.º. 10312.178, de 17 de março de 1993: CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA – Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10192.613, de 16 de fevereiro de 2000: DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS – Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º. 10414.960, de 17 de junho de 1998: DOCUMENTOS FISCAIS A TÍTULO GRACIOSO – Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º. 10307.115, de 1985: NOTAS CALÇADAS – FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA – A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo. Acórdão n.º. 10417.256, de 12 de julho de 2000: MULTA AGRAVADA – CONTA FRIA – O uso da chamada ”conta fria”, com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe, por parte da contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que o suplicante não logrou comprovar a escrituração e a origem dos valores depositados nas Fl. 913DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 903 21 contas bancárias movimentadas, bem como deixou de lançar receitas em suas declarações de imposto de renda em valores expressivos e de forma continuada, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal de 75%. 4 – DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em primeiro lugar é necessário um exame mais detalhado do lançamento, no sentido de determinar o dies a quo para a contagem do prazo decadencial, pois, conforme farta jurisprudência deste Colegiado, em caso de aplicação da multa qualificada por evidente intuito de fraude, aplicase a regra contida no § 4º do art. 150 do CTN, caso contrário e, tendo a pessoa jurídica efetuado recolhimento dos tributos durante os anoscalendário em que foram apuradas as irregularidades fiscais, a contagem do prazo é aquela estabelecida no art. 173 da mesma norma legal. Consta dos autos, às fls. 490 e 491, a consulta junto ao sistema SINAL, relativo aos anos de 2003 e 2004, onde consta que a pessoa jurídica efetuou recolhimentos de tributos durante os períodosbase em questão. A recorrente argúi a decadência do direito de a Fazenda Pública exigir o crédito tributário, tendo em vista que o mesmo foi constituído após transcorridos mais de cinco anos entre a data da ocorrência do fato gerador dos meses de janeiro a julho de 2004, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em 09 de agosto de 2009. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. A contagem do prazo decadencial é um destes temas. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 22 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 904 23 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Fl. 916DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 24 Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração impetrado pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte do embargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 905 25 RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, Fl. 918DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 26 revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de cobrança de Imposto de Renda pessoa Jurídica relativo aos meses novembro e dezembro do anocalendário de 2003 e janeiro a dezembro de 2004, tendo em vista que a decisão recorrida já acolheu a decadência em relação ao período de janeiro a novembro de 2003. Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 01/12/2003, já que o fato gerador ocorreu em 30/11/2003. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é a data do fato gerador da exigência tributária". O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 01/12/2008, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 09/08/2009, está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado para o período compreendido entre novembro de 2003 até julho de 2004. 5 – QUANTO A RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS WALTER LÚCIO CALEGARI E ERNESTO LÚCIO CALEGARI No Relatório de Trabalho Fiscal estão narrados os fatos que levaram a Fiscalização lavrar Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios da empresa os Srs. Srs. Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegari. Em sua peça recursal o contribuinte contesta que a aplicação do inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional esta condicionada a comprovação por parte do Fisco de que foram praticados atos que importem infração à lei. Ainda que infração à lei não pode ser entendida como simples descumprimento de obrigação tributária, principal ou acessória, mas sim o ato do particular praticado com evidente intuito de fraudar o fisco. Conclui afirmando que a impugnante não praticou ato fraudulento, apenas deixou de cumprir obrigações, sem, contudo, ter agido com intuito de fraudar o Fisco Federal. A decisão recorrida entendeu, que são suficientes os dados para concluir pelo correto procedimento da autuação, conforme exposto no voto condutor do acórdão recorrido: A alegação de que a atribuição de responsabilidade com base no art. 124, I, do CTN requer prova do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal é um truísmo. Com efeito, consta da redação do art. 124, I, do CTN que é responsável solidário aquele que tiver interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Portanto, a aplicação da regra exige a ocorrência no mundo fenomênico da hipótese nela contemplada. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 906 27 Esse conjunto de fatos revelam que os senhores Ernesto Lúcio Calegari e Walter Lúcio Calegari beneficiaramse, direta e indiretamente, das infrações tributárias praticadas pela DISCAR, já que esta direcionou, injustificadamente, recursos a eles e à empresa na qual são eles sócios. Ressaltese que nenhum dos dois apresentou, juntos dos respectivos recursos, documentação hábil a comprovar as razões pelas quais ocorreram as referidas transferências de recursos. Em conclusão, há nos autos prova bastante do interesse comum dos senhores Ernesto Lúcio Calegari e Walter Lúcio Calegari nos fatos geradores das obrigações tributárias apuradas contra a DISCAR.. O sujeito passivo solidário está definido no art. 121 do Código Tributário Nacional, como sendo a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. Os incisos do mesmo artigo definem duas possibilidades de sujeição passiva: a do contribuinte, como aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador e a do responsável, pessoa que apesar de não ser contribuinte tem obrigação de pagamento do tributo definida por lei. A BASA, é contribuinte do IRRF por substituição nos casos em que realiza pagamentos sujeitos a tal tributação e do IRPJ e CSLL em razão das glosas havidas. De início, entendo que a validade (ou não) da indicação de uma terceira pessoa como responsável solidário, em lançamento de ofício, em situações como a deste processo, comporta discussão no âmbito do Processo Administrativo. É que a identificação do sujeito passivo, e é disso que se trata neste caso, é parte do procedimento administrativo do lançamento, contra o qual é garantido ao apontado sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Notese que não se trata, no caso concreto em exame, de solidariedade atribuída a pessoa expressamente designada em lei, mas, como dito nos fundamentos da autuação, a pessoa que, de acordo com o entendimento da autoridade lançadora, teriam interesse comum no fato gerador do imposto, por ser administrador, com poderes de decisão sobre a gestão da empresa. Ora, o entendimento da autoridade administrativa quanto a esse aspecto da matéria tributária é passível de contestação, da mesma forma que os demais aspectos do lançamento, sendo legítimo para se opor às conclusões da autoridade lançadora o indigitado responsável solidário. Quanto ao mérito da questão, cumpre assinalar, de início, que a sujeição passiva tributária, sendo elemento essencial do lançamento, se subordina ao princípio da legalidade estrita. É dizer, as possibilidades de sujeição passiva se submetem aos limites e às condições definidas em lei. Pois bem, o Código Tributário Nacional – CTN, no seu artigo 121 assim delimita as possibilidades, em geral, da sujeição passiva tributária principal. Diz, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 28 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A doutrina caminha unida no entendimento que essa relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador corresponde à própria realização do fato gerador. Isso é particularmente claro quanto aos fatos geradores definidos em função de estado da pessoa, isto é, ser proprietário de imóvel, importar mercadoria, obter a disponibilidade de renda, etc. Assim, o sujeito passivo emerge da própria definição do fato gerador. Na peculiar expressão de Paulo de Barros Carvalho, “é no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência que colhemos elementos informadores para a determinação do sujeito passivo.” A mim me parece claro, portanto, que o artigo 121 do Código Tributário Nacional só deixa margem a duas possibilidades de sujeição passiva tributária, isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos acima referidos, ou ser expressamente apontadas pela lei. Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade solidária, o artigo 124, I. Passo ao exame desse dispositivo. Reza o art. 124, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Cuidase no caso, da hipótese referida no inciso I. A questão aqui é definir o alcance da expressão “interesse comum na situação que constitua o fato gerador do imposto”, tema controvertido dada a vagueza da expressão. Paulo de Barros Carvalho a reconhece quando diz que “o interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. I, o aparecimento da solidariedade entre os devedores”, mas exclui a simples participação nos acontecimentos envolvendo o fato gerador como critério definidor do vínculo de solidariedade. Diz Paulo de Barros, “aquilo que vemos repetirse com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade”. É dizer, não basta participar dos fatos envolvendo os acontecimentos caracterizadores do fato gerador. É como no exemplo mencionado por Paulo de Barros Carvalho de uma operação de compra e venda de mercadorias, onde ambos, comprador e vendedor, têm interesse comum na operação, porém não se cogita de responsabilidade solidária entre ambos. Concordando com essas ponderações, entendo que o “interesse comum” referido no inciso I do art. 124 deve ser interpretado em conformidade com o limite estabelecido no inciso I do art. 121. Isto é, se o art. 121 limita as possibilidades de sujeição passiva às pessoas expressamente apontadas pela lei e àquelas que têm relação pessoal e direta com o fato gerador, ao versar sobre a responsabilidade solidária, não pode o mesmo Código Fl. 921DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 907 29 Tributário Nacional referirse a situação que amplia essas possibilidades. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Assim, além das pessoas expressamente apontadas pela lei, seriam solidariamente obrigadas ao pagamento do tributo pessoas que tenham, em comum, relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador. Luciano Amaro propõe a seguinte solução para a interpretação do art. 124, I coerente com a regra do art. 121, I, a saber: O interesse comum no fato gerador põe o devedor solidário numa posição também comum. Se em dada situação (a co propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio como contribuinte, nenhum dos coproprietários seriam qualificados como terceiros, pois ambos ocupariam, no binômio Fiscocontribuinte, o lugar do segundo (ou seja, o lugar de contribuinte). Ocorre que cada qual só se poderia dizer contribuinte em relação à parcela de tributo que correspondesse à sua quota de interesse na situação. Como a obrigação tributária (sendo pecuniária) seria divisível, cada qual poderia, em princípio, ser obrigado apenas pela parte equivalente ao seu quinhão de interesse. O que determina o Código Tributário Nacional (art. 124, I) é a solidariedade de ambos como devedores da obrigação inteira, onde se poderia dizer que a condição de sujeito passivo assumiria forma híbrida em que cada codevedor seria contribuinte na parte que lhe toca e responsável pela porção que caiba ao outro. Penso que a grande virtude dessa construção é explicitar a vinculação do interesse comum do art. 124, I à condição de sujeito passivo como contribuinte, do art. 121, I. Isto é, para figurar como obrigado solidário com base no art. 124, I a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade solidária, sem interferir na divisão, entre os coobrigados da parcela de cada um. O exemplo geralmente mencionado pela doutrina e referido por Luciano Amaro é o da copropriedade de imóvel. Todos os co proprietários estariam na situação referida no art. 121, I e, portanto, poderiam ser considerados contribuintes, pelo menos em relação ao seu quinhão. Não basta, portanto, para ser apontado responsável solidário, nos termos do art. 124, I do Código Tributário Nacional, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc. No caso que se examina, tratase de lançamento para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica. A acusação, segundo se extrai da descrição dos fatos, é de que concorreram diretamente para o pretenso evidente intuito de fraude, ocultando os fatos geradores através de meios fraudulentos. Por tudo o que foi acima exposto, essa participação não está compreendida como hipótese de sujeição passiva tributária, com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 30 Razão pela qual é de se excluir os Srs . Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegari. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, acolher a preliminar de decadência para o período compreendido entre os meses de novembro de 2003 até julho de 2004 (inclusive) e excluir da autuação a responsabilidade solidária de Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegari. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 923DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 908 31 Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Redator Designado Tratase de voto de divergência, acolhido por maioria de votos, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão que afastava a aplicação da multa qualificada, acolhia a decadência e excluía da autuação a responsabilidade solidária de Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegar. Como a manutenção ou não da multa agravada afeta diretamente os argumentos suscitados na preliminar em relação a decadência passo a examinála como preliminar da decadência. Segundo o Relatório Fiscal a multa foi qualificada pelo fato do Contribuinte não possuir livros e demais documentos contábeis, ter se utilizado indevidamente do benefício do SIMPLES em 2004, mesmo sabendo que não se enquadrava, e ter reiteradamente declarado à Receita Federal nos anos fiscalizados de 2003 à 2006, valores irrisórios em comparação com sua movimentação bancária, revertendo os proveitos para os sócios Walter Lijcio Galeri e Ernesto Lijcio Galere. A recorrente alega que a multa aplicada ao caso é excepcional, cabível somente quando comprovada fraude, condição que o lançamento não logrou demonstrar. O relator do voto vencido agrega outros argumentos em seu voto que, no seu entender, seriam suficientes para afastar a multa qualificada entendendo que não ficou plenamente demonstrada a prática de ato doloso que configurasse ilícito fiscal. Em que pesem os respeitáveis argumentos do Relator, a exigência da multa qualificada no caso é plenamente justificada pelos elementos apurados e trazidos aos autos pela fiscalização. É importante destacar desde logo que a recorrente se limitou a argumentar que a multa de 150% aplicada é excepcional, não apresentando em sua defesa qualquer justificativa para ter declarado nos anos de 2003 à 2006, respectivamente receitas de R$ 35.564,90, R$ 36.106,89, R$ 13.032,65 e R$ 5.649,00, contra uma movimentação não comprovada de R$ 728.721,40, R$ 6.502.583,52, R$ 17.886.709,20 e R$ 12.003.524,93, além do fato de ter se utilizado do SIMPLES mesmo sabendo que não se enquadrava. Sobre tais argumentos, cumpre observar que a aplicação da multa de ofício sobre os lançamentos efetuados decorre de expressa disposição legal (art. 44, da Lei nº 9.430/1996) 1, pois o crédito tributário foi constituído por iniciativa da administração 1 Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 924DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 32 fazendária, resultando na aplicação de penalidade mais gravosa do que a simples multa moratória, que incide sobre os recolhimentos feitos com atraso, porém por iniciativa do próprio sujeito passivo, antes de iniciado o procedimento fiscal. No presente caso, entendeu ainda a fiscalização que seria aplicável a multa qualificada, nos termos do § 1º daquele mesmo diploma legal. Vale ressaltar também que a fiscalização se iniciou por ter o Recorrente apresentado o mesmo “modus operandi” de outras empresas fiscalizadas na “Operação Grandes Lagos”, apresentando movimentações financeiras totalmente incompatíveis com o declarado a Receita Federal. Assim, no que concerne às alegações da recorrente a multa qualificada não pode ser afastada. Não procede o argumento de que o fato do lançamento ter sido feito com base nos elementos apresentados pela recorrente seria, por si só, motivo para o afastamento da multa qualificada, na medida em que supriria eventuais falta de esclarecimento por parte da fiscalizada. Entendo que, no presente caso, restou configurada a intenção dolosa de omitir receitas ao Fisco federal, mediante a prática reiterada de prestar informações falsas à autoridade fiscal no que concerne à base tributável, definida como sonegação pelo art. 71 da Lei nº 4.502/19642. Nesse sentido têm se manifestado os colegiados desta corte, em especial os da Câmara Superior de Recurso Fiscais CSRF, in verbis: MULTA QUALIFICADA A conduta da empresa, consistente em reiteradamente declarar parcela da receita muito inferior à real, aliada ao não fornecimento de sua escrituração comercial e fiscal, justifica a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 10196.557, de 04/03/2008, 1a Câmara, 1º CC). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] 2 Lei 4.501/1964: rt . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Processo nº 16004.000578/200911 Acórdão n.º 1302001.051 S1C3T2 Fl. 909 33 A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007. (Acórdão nº 120100.079, de 14/05/2009, 1a Turma, 2ª Câmara, 1º Seção CARF). MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO INEXATA. A apresentação, reiterada durante vários exercícios, de declarações de rendimentos (IRPJ) e de tributos devidos (DCTF) com valores zerados e a ausência dos recolhimentos das contribuições devidas não podem ser consideradas como meras declarações inexatas, pois denotam a conduta dolosa do contribuinte de retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, restando configurada a prática de sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, pelo que se impõe a aplicação da multa qualificada prevista no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. (Acórdão nº 9101000.986, de 24/05/2011, 1a Turma CSRF). MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos declarados ao Fisco estadual demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Tal conduta se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. (Acórdão nº 9101001.029, de 25/05/2011, 1a Turma CSRF). Deste modo, entendo que deve ser mantida a aplicação da multa qualificada sobre os tributos lançados, e, portanto, também não posso acompanhar o ilustre relator no que se refere a decadência, como a seguir demonstrado. No presente caso há provas de que o Recorrente agiu dolosamente na pratica das infrações tributárias apuradas, sendo assim, a contagem do prazo decadencial deve obedecer a regra inscrita no art. 173, I, do CTN, de modo que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Como os autos de infração abrangem os fatos geradores dos tributos recolhidos pelo SIMPLES FEDERAL para 2003 e 2004, cujos fatos geradores são mensais, Fl. 926DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA 34 para os meses de janeiro a novembro de 2003, a contagem do prazo decadencial teve início em 1º de janeiro de 2004, enquanto a contagem relativa ao fato gerador de dezembro de 2003 principiou apenas em 1º de janeiro de 2005. Tendo em conta que a ciência dos autos de infração lavrados ocorreu em agosto de 2009, acompanho o entendimento da DRJ no sentido de que não há que se falar em decadência para os fatos geradores de dezembro de 2003 à dezembro de 2004. Em relação à solidariedade passiva dos sócios Ernesto Lúcio Calegari e Walter Lúcio Calegari, também não vejo como não acompanhar a DRJ. O Termo de Verificação Fiscal revela claramente que os “sócios” desviavam dinheiro da DISCAR diretamente para suas contas, dos seus cônjuges e parentes, obtendo vantagens financeiras e tendo assim participação direta nas situações que constituíram os fatos geradores, sendo portanto, solidariamente obrigados ao pagamento dos tributos e penalidades de acordo com os arts. 121 e 124, inciso I do CTN. Concluise assim que há nos autos suficientes provas do interesse comum dos senhores Ernesto Lúcio Calegari e Walter Lúcio Calegari nos fatos geradores das obrigações tributárias apuradas contra a DISCAR. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário mantendo a exigência nos moldes da decisão da DRJ, inclusive com a manutenção dos responsáveis solidários Walter Lúcio Calegari e Ernesto Lúcio Calegari. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva – Redator Designado Fl. 927DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Numero do processo: 15374.908700/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Victor de Sousa Soares, OAB /RJ nº. 184.151.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: Não se aplica
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Victor de Sousa Soares, OAB /RJ nº. 184.151. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório O presente processo trata de pedido de compensação (PER/Dcomp) n° 32439.32599.150906. 1.3.048600, onde a Recorrente informa a existência de crédito no valor de R$ 609.923,22 (valor original), decorrente suposto pagamento indevido ou a maior do IOF, a compensar com débitos da Cofins e da CIDE, relativo ao período de apuração de agosto/2006. Para tentar elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Tratase do Despacho Decisório nº 825048235, de 25.03.2009 (fls.7), emitido pela então Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de JaneiroDeinfRJO, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 08 70 0/ 20 09 -1 0 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15374.908700/200910 Resolução nº 3202000.267 S3C2T2 Fl. 472 2 que não homologou a compensação abaixo identificada, sob o fundamento de que o crédito alegado era inexistente: (quadro não reproduzido) 2. No corpo do sobredito Despacho Decisório, lêse que o valor apontado como sendo a fonte do crédito (R$ 609.923,22) já havia sido utilizado integralmente na quitação de débito de IOF, código de receita 3467, apurado em 02.08.2003. 3. Em Manifestação de Inconformidade – MI (fls.17/20), o interessado diz, textualmente: a) “em 08.09.2006, apresentou Per/dcomp inicial (04074.18871.080906.1.3.040276), informando a existência de crédito no valor de R$ 609.923,22, dos quais, R$ 92,40 foram compensados, naquele momento, com a CIDE apurada em julho de 2006, restando, ainda, um saldo de crédito disponível de R$ 609.830,82 (doc.03)”; b) “em 15.09.2006, apresentou Per/dcomp objeto do presente processo, compensando, daquele montante, R$ 512.387,19 com a Cofins e a Cide referentes ao período de apuração de agosto de 2006, restando, ainda, um saldo de crédito disponível de R$ 97.443,63 (doc.02)”; c) “em 11.10.2006, apresentou Per/dcomp (22003.58137.111006.1.3.040088), compensando o saldo remanescente, com a COFINS apurada em setembro de 2006 e o IRRF e a CIDE apurados em outubro de 2006 (doc.4)”. 4. O interessado afirma que, “todavia cometeu alguns equívocos no preenchimento da DCTF relativa ao terceiro trimestre de 2003, os quais foram devidamente sanados anteriormente à prolação do despacho em tela, conforme abaixo explicitado:” a) “em 12.11.2003, apresentou sua DCTF original, indicando o montante de R$ 609.923,33”; b) “verificando que aquele valor era indevido, apresentou DCTF retificadora em 19.07.2006, para que nela constassem apenas os valores devidos (doc.06)”. 5. Aduz que, “não obstante o erro de fato cometido no preenchimento da citada DCTF, a DEINF/RJ não examinou a DCTF Retificadora apresentada pela REQUERENTE em 19.07.2006, sendo certo que foi recolhido a maior o valor de R$ 609.923,22, o qual foi regularmente compensado nos termos acima expostos, não tendo sido utilizado para quitar quaisquer outros débitos”. 6. O interessado encerra dizendo: “à vista de todo o exposto, a Requerente espera e confia se digne essa Colenda Turma reformar o citado Despacho Decisório, reconhecendo o seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação efetuada”. 7. Com a MI, vieram os documentos de fls.21/104. Nesta Turma, juntadas as consultas de fls.109/148, o processo foi convertido em diligência (fls.149), em função da qual, vieram os autos de fls.150/158. Após, foram juntadas ainda, nesta Turma, as consultas de fls.159/166. 8. Este processo é de natureza digital processo eletrônico ou eprocesso. Por isso, as assinaturas serão definidas, automaticamente, quando da anexação deste acórdão ao processo. De natureza eletrônica, elas não serão visíveis em meio manual. Relatados. A 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I proferiu o Acórdão nº 1240.470, em 15 de setembro de 2011 (efls nº 167/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15374.908700/200910 Resolução nº 3202000.267 S3C2T2 Fl. 473 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVA. DCTF RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA. A Manifestação de Inconformidade deve ser instruída com as provas do direito creditório alegado. A DCTF Retificadora não configura prova suficiente de indébito tributário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse o Despacho Decisório recorrido se não comprovado o direito creditório alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada cientificada do Acórdão em 11/07/2012 (efl. 180), interpôs Recurso Voluntário em 10/08/2012 (efls. 183/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, além de solicitar a realização de diligência para esclarecimento dos fatos alegados. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. Compulsandose os autos verificase a existência de questões fáticas que precisam ser esclarecidas. O pedido de compensação efetuado pelo contribuinte foi denegado pela autoridade fiscal em face de “inexistência de crédito”, conforme Despacho Decisório eletrônico, emitido em 25/03/2009 pela DEINF Rio de Janeiro (efl. 11). Em seu recurso o contribuinte afirma ter apresentado DCTF retificadora em função de equívocos no recolhimento em duplicidade do IOF. Em síntese, alega que o “(...) funcionário responsável pela contabilidade da RECORRENTE (denominada internamente de Gerência de imposto – GERIM), acreditando, por razão ignorada, não estar o IOF devidamente provisionado pelo sistema, efetuou a provisão manual do tributo pela denominada Ficha Tipo Online de julho de 2003 (FT ONL), cometendo, ainda, o erro de calcular o valor do IOF sobre o total faturado/recebido e não sobre o valor do prêmio (vide FT e Relat. Lan IOF por Sucursal em anexo – doc. 07, bem como fls. 487 do livro diário – docs. 03 e 04, vide que no citado livro encontrase o valor de R$ 610.976,59, dentro do qual está contabilizado R$ 609.923,22), o que terminou por gerar um suposto IOF a recolher no valor de R$ 609.923,22.” Fl. 473DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15374.908700/200910 Resolução nº 3202000.267 S3C2T2 Fl. 474 4 Muito embora o contribuinte tenha retificado a DCTF em 19/07/2006, antes da ciência do despacho decisório, a decisão da DRJRio de Janeiro foi proferida no sentido de que o contribuinte não havia comprovado o seu direito à restituição/compensação. Entendo que deve ser propiciada ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à DEINF Rio de Janeiro em diligência, para que a fiscalização analise os documentos anexados aos autos pela Recorrente, intimandoa para prestar outras informações ou apresentar documentos que julgar necessários, com vistas a esclarecer se os valores informados na DCTF retificadora podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal do contribuinte, de modo a comprovar a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Ao término da diligência, a fiscalização deverá elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados e documentos apresentados. Encerrada a instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 474DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10875.903604/2011-35
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. INTIMAÇÃO POR AR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9).
É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressalte-se que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumir-se que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida.
A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo.
PIS-SIMPLES E COFINS-SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA.
A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada.
À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1802-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marciel Eder Costa.
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Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 NULIDADE. INTIMAÇÃO POR AR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9). É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressalte-se que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumir-se que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. PIS-SIMPLES E COFINS-SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação.
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INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9). É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 04 /2 01 1- 35 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 87 2 PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 88 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marciel Eder Costa. . Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 89 4 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 61/75 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (efls. 49/54) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 14/11/2007, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 04067.20197.141107.1.3.049489 (efls. 34/38), informando compensação tributária: débito informado no valor de R$ 910,87, assim especificado: a) – SIMPLES, código de receita 6106, período de apuração outubro/2007, data de vencimento 14/11/2007, valor R$ 910,87; crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 602,63: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido do Simples Federal (parcelas do PISSimples e da CofinsSimples) do período de apuração 30/11/2003, código de receita 6106, data de arrecadação 10/12/2003, valor original do recolhimento – DARF R$ 5.577,52. Em 01/11/2011, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 31, pela DRF/Guarulhos, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do crédito creditório está limitada ao valor do “crédito original na data da transmissão” informado no PER/DCOMP, correspondendo a R$ 602,63. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 90 5 (...) Ciente dessa decisão em 21/11/2011 – Aviso de Recebimento – AR (efl. 40), a Contribuinte, em 16/12/2011 (efls. 39 e 48), apresentou Manifestação de Inconformidade por via postal (efls.02/15), juntando ainda documentos de efls. 16/39, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão a quo e que, nessa parte, transcrevo (efl. 50), in verbis: (...) DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa; que conforme disciplinado no art. 215 do Código de Processo Civil as pessoas jurídicas devem ser citadas nas pessoas de seus representantes legais, indicadas em seus estatutos sociais; que o Despacho Decisório não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei e dessa forma traz consigo a nulidade do ato praticado e a nulidade do processo, sendo assim requer seja declarada a nulidade da notificação do DD, entregue sem a observância da lei, contrariando os arts. 214,215 e 247 do Código Processo Civil; que o fato gerador do PIS/COFINS é o faturamento; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da Manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser incluído na base de cálculo do PIS. Pede a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. (...) A 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, à luz dos fatos e da legislação de regência, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão, de 26/11/2013 (efls. 49/54), cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 50), in verbis: (...) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 91 6 Ciente desse decisum em 02/01/2014 (efls. 57), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls.61/75 em 22/01/2014 comprovante de postagem ECT (efls. 59/60), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao objeto social: que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, ramo de comércio varejista de materiais/produtos ou equipamentos elétricos e eletrônicos e materiais de construção; 2) – Preliminar de nulidade: que, apesar da pessoa jurídica Recorrente ter sido notificada do despacho decisório, a notificação não ocorreu conforme determina a lei, ou seja, não houve notificação na pessoa física dos sócios ou administradores, implicando nulidade do ato por prejuízo à defesa e ao contraditório (cerceamento do direito de defesa). que, se o endereço eleito pela pessoa jurídica, é o local para receber intimações e notificações, isso não autoriza que qualquer pessoa que esteja ocasionalmente no estabelecimento, por exemplo um cliente, seja pessoa capacitada juridicamente para receber notificação em nome da empresa. que, por conseguinte, deve ser declarada nula a ciência do despacho decisório, pois realizada em desconformidade com a lei. 3) – Quanto ao direito creditório: que é pessoa jurídica sujeita a pagamento de tributos federais; que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta, sem exclusão da parcela do ICMS; que a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, as receitas de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar a parcela do ICMS, que não é receita própria; que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; que na DCOMP não tem como esclarecer a origem do crédito (no caso de declaração expressa de inconstitucionalidade pelo STF) e não tem como usar o direito de peticionar, restando na manifestação de inconformiade o direito de peticionar, esclarecer e requerer; que efetuou o recolhimento do Simples sobre a receita bruta, em DARF; porém, isso implicou pagamento do PISSimples e Cofins –Simples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 92 7 que, consoante melhor doutrina pátria e decisão do STF, faz jus à restituição do PIS/Cofins incidente sobre o ICMS; que o crédito pleiteado do PISSimples e CofinsSimples decorreu, portanto, da exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). que, por fim, pediu deferimento do direito creditório pleiteado, mediante reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 93 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária. Nas decisões anteriores objeto deste processo, o crédito pleiteado foi denegado, por ser inexistente; faltou comprovar sua liquidez e certeza. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida, suscitando, primeiro, preliminar de nulidade e, no mérito, matéria de direito. NULIDADE. INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. Nas razões do recurso voluntário, a Recorrente sucitou preliminar de nulidade da intimação atinente ao Despacho Decisório da DRF/Guarulhos, por via postal, Aviso de RecebimentoAR, na pessoa física diversa da designada pela empresa. Na primeira instância de julgamento, a Contribuinte, também, suscitou esta preliminar de nulidade, conforme razões constantes da Manifestação de Inconformidade que, nessa parte, transcrevo no que pertinente (efls. 05/08), in verbis: PRELIMINARMENTE Em 20/07/2011 a manifestante recebeu o DESPACHO DECISÓRIO, (DOC 03) oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil, conforme AR em poder desta delegacia, (...) Senhor Delegado o despacho decisório foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa DOMINIUM MATERIAIS HIDRÁULICOS E FERRAGENS LTDA, (...) O representante legal da manifestante é seu sócio gerente (DOC 01) razão pela qual somente ele poderia ter recebido a correspondência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, máxime por tratarse de intimação para pagamento postada com aviso de recebimento. Da assinatura oposta no documento do correio, o assinante não é sócio, não é procurador, e nem legitimado e não representa legalmente a requerente. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 94 9 Portanto, quem recebeu e assinou o despacho decisório, não é sócio, não é procurador, nem legitimada, não representa legalmente a requerente, e nem tem vínculos com a Manifestante. (...) Entretanto para eficácia da intimação ou notificação, e para sua validade, deve a mesma ser revestida na forma da lei, e a lei dispõem que deve a mesma ser entregue na pessoa do sócio, procurador, ou legitimado, e não a um estranho que não tem relação processual (art. 222 do CPC). (...) A garantia da ampla defesa do "due process of law" deve impor que obrigatoriamente se faculte a parte o direito de produzir provas, argüir legitimidade, enfim, o amplo contraditório, tudo dento dos ditames da lei, evitando assim remeter a parte à via administrativa em toda a sua inteireza. A manifestante entende que o DESPACHO DECISÓRIO não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei, e trás a nulidade do processo. (...) Assim sendo, em preliminares requer que V.S. se digne determinar seja declarada a nulidade da notificação do despacho decisório, (...) Data venia, a preliminar suscitada não merece prosperar, pois carece de pressupostos fáticos e jurídicos. Diversamente do alegado pela Recorrente, a notificação por via postal, com Avisto de Recebimento – AR, deuse nos termos da lei. A propósito, estatui o art. 23 do Decreto 70.235/72, in v erbis: Art. 23. Farseá a intimação: I – (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 95 10 No caso, a Contribuinte foi notificada do Despacho Decisório por via postal – Aviso de Rececimento – AR em 21/11/2011 (efl. 40), assinado por André R. Cruz. A Recorrente confirma, em suas razões, que recebeu a correspondência no dia seguinte, ou seja, em 22/11/2011 e que, porém, a ciência do recebimento no AR foi dada por pessoa sem vículo funcional com a empresa; que apenas estariam aptos a receber correspondência e dar ciência no AR sócio da empresa ou representante legal. Não tem guarida a pretensão da Recorrente. Primeiro, André Ribeiro da Cruz é sócio da Recorrente, conforme cópia do Instrumento Particular de Alteração e Consolidação do Contrato Social, de 29/01/2002 (efl. 16/22), e consta assinatura de Andre R. Cruz no Aviso de RecebimentoAR (efl. 40). Ainda que não sejam a mesma pessoa, isso é irrelevante. A legislação processual administrativa não exige, não estabelece que a ciência do recebimento de correspondência por via postal, Aviso de Recebimento – AR, seja dada exclusivamente a sócio ou representante legal de empresa. Inclusive, para informação da Recorrente, porteiro do Prédio, onde funciona a empresa, pode receber a correspondência e assinar o AR. A matéria é pacífica neste CARF, inclusive, encontrase sumulada, conforme Súmula CARF nº Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A Recorrente não comprovou prejuízo algum à sua defesa. Pelo contrário, mencionou expressamente que recebeu a correspondência no dia 22/11/2011 (dia seguinte à data de assinatura constante do AR). E, conforme consta dos autos, exerceu plenamente o contraditório e a ampla defesa na instância a quo, em alentada defesa, suscitando preliminar e defesa de mérito, revelando conhecer plenamente a lide objeto do processo. Como visto, a intimação, entrega do Despacho Decisório por via postal, cumpriu plenamente sua função, sem prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Ademais, em observância do princípio da instrumentalidade das formas, ainda que o ato processual tenha sido realizado de outro modo ou forma, mas restou atingido, alcançado o seu objetivo sem prejuízo às partes, é plenamente válido, não existindo razão alguma para suscitar sua nulidade. Nesse sentido, são também os precedentes da jurisprudencia dos tribunais pátrios: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 96 11 TJSP Apelação : APL 491469820098260000 SP 0049146 98.2009.8.26.0000 NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. Relator(a):Roberto Mac Cracken. Julgamento:03/03/2011. Órgão Julgador:37ª Câmara de Direito Privado. Publicação:24/03/2011. Ementa NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa de grande porte a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. Recurso não provido TJRJ AGRAVO DE INSTRUMENTO: AI 00229201220138190000 RJ Relator(a):DES. CLAUDIO BRANDAO DE OLIVEIRA. Julgamento:16/10/2013. Órgão Julgador:SÉTIMA CAMARA CIVEL. Publicação:24/03/2014 11:09 Ementa: Agravo de Instrumento. Direito Processual Civil. Recurso no qual se alega nulidade da citação postal, por ter sido recebida por terceiro. Matéria de ordem pública que não é passível de preclusão, eis que ainda não foi apreciada. Citação via postal de Pessoa Jurídica recebida pelo porteiro do prédio. Citação válida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. Recurso a que se nega provimento. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 97 12 TRF2APELAÇÃO CIVEL: AC 388942 RJ 2006.51.01.0153937 TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. Relator(a):Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES. Julgamento:05/05/2009. Órgão Julgador:QUARTA TURMA ESPECIALIZADA. Publicação:DJU Data::01/07/2009 Página::99. Ementa TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. 1. Consoante os dispositivos acima citados, e mesmo em face do que dispõe o art.223, parágrafo único do CPC, convém ressaltar que em respeito ao princípio da aparência, bem como ao princípio da instrumentalidade do processo, a jurisprudência pátria, de longa data já possui entendimento que a citação/intimação realizada em pessoa que não possui poderes de gerência/administração da pessoa jurídica é válida, não lhe sendo exigido que possua poder de gerência ou que receba costumeiramente correspondências. 2. Segundo a jurisprudência dominante no STJ, e regular a citação de pessoa jurídica, por via postal, quando a correspondência é encaminhada ao estabelecimento da ré, sendo ali recebida por um seu funcionário. Desnecessário que o ato de comunicação processual recaia em pessoa ou pessoas que, instrumentalmente ou por delegação expressa, representem a sociedade (REsp 161167). 3. Consoante entendimento já consolidado nesta Corte Superior, adotase a teoria da aparência, considerando válida a citação de pessoa jurídica, por meio de funcionário que se apresenta a oficial de justiça sem mencionar qualquer ressalva quanto à inexistência de poderes para representação em juízo (AgRg no Ag 547864). 4. Apelação improvida. STJ EMBARGOS DE DIVERGENCIA NO RECURSO ESPECIAL : EREsp 156970 SP 1999/00158032. Ministro Vicente Leal. Julgamento 02/08/2000. CECorte Especial. Publicação: DJ 22.10.2001 p. 261RDR vol. 22 p. 164 Ementa PROCESSUAL CIVIL. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. RECEBIMENTO QUE SE APRESENTA COMO REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA. Em consonância com o moderno princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovida de efeitos prejudiciais, é de se aplicar Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 98 13 a teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada em quem, na sua sede, se apresenta como sua representante legal e recebe a citação sem qualquer ressalva quanto a inexistência de poderes para representála em Juízo. Embargos de Divergência conhecidos e acolhidos. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar suscitada. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO DO SIMPLES FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR DE PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Nas razões do recurso, a Recorrente informou que apurou direito creditório do Simples Federal do anocalendário 2003, da seguinte forma: a) que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta (faturamento), sem exclusão da parcela do ICMS; b) que, pela legislação de regência, a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, a receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; c) que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar, não deve compreender, a parcela do ICMS, pois não é receita própria; d) que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; e) que, pela decisão do STF, a base de cálculo da Contribuição para PIS e da Cofins é o faturamento bruto (receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços); f) que efetuou o recolhimento do Simples, em DARF, que implicou apuração e pagamento da Contribuição PIS – Simples e da CofinsSimples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; g) que tem direito de crédito sobre o pagamento do PISSimples e da Cofins –Simples sobre a parcela do ICMS, quanto ao anocalendário 2003; h) que, por iniciativa própria, recalculou o valor devido no Simples Federal, a título de PISSimples e CofinsSimples dos períodos mensais do anocalendário 2003, excluindo o ICMS da receita bruta, e apurou, assim, valor pago a maior dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 99 14 i) que pediu, por fim, o reconhecimento do crédito utilizado na DCOMP. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. O crédito demandado pela Recorrente não tem respaldo fáticojurídico. Na legislação do ICMS (Lei Complementar nº 87/96, art. 13, § 1º, I) e suas ulteriores atualizações, o ICMS é calculado “por dentro”, nos seguintes termos: Art. 13. (...) § 1º. Integra a base de cálculo do imposto, inclusive o inciso V da caput deste artigo: I O montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. (...). O ICMS integra a receita bruta, ou seja, o faturamento bruto. Ainda, quanto à legislação do ICMS, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) ratificou, recentemente (18/05/2011), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461SP (18/05/2011). A seguir trancrevo a Ementa do Acórdão do Pleno do STF, proferido nos autos do processo do RE 582461SP, sessão de 18/05/2011, Relator Min. Gilmar Mendes: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 100 15 ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Na legislação de regência da Cofins e da Contribuição para o PIS (Lei 9.718/1998, Lei 10.637/200, Lei 10.833/2003 e Lei nº 10.865/2004) também não há previsão legal de exclusão do ICMS da receita bruta (faturamento), em relação às operações de venda de mercadorias e prestação de serviços quando incide esse imposto. Diversamente do alegado pela Recorrente, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, como efeito erga omnes, não tratou da questão do ICMS, se cabível ou não sua exclusão da receita bruta =faturamento bruto. Vale dizer, em relação à legislação da Contribuição para o PIS e da CSLL, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 o STF fixou o entendimento de que a receita bruta = faturamento bruto corresponde a vendas de mercadorias, prestação de serviços ou vendas de mercadorias com prestação de serviços, não abarcando outras receitas, mormente receitas financeiras para as pessoas jurídicas cujo objeto social seja o comércio de mercadorias e prestação de serviços em geral; afastou, por conseguinte, o alargamento da base de cálculo desse dispositivo. Como demonstrado, a parcela do ICMS faz parte da receita bruta (faturamento), base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins.. Logo, enquanto não houver mudança da legislação de regência da Contribuição para o PIS e da Cofins para exclusão do ICMS da receita bruta ou decisão judicial erga omnes excluindo o ICMS da receita bruta, a base de cálculo dessas exações continua abarcando o ICMS. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 101 16 Ainda, não consta dos autos que a Recorrente tenha decisão transitada em julgado conferindolhe o direito de excluir a parcela do ICMS da apuração da base de cálculo da Cofins e da Contribuição do PIS. Quanto ao afastamento da exigência da Contribuição para o PIS e da Cofins nas operações de importação de mercadorias e serviços, a decisão do STF no Recurso Extraordinário 559.937RS tem efeito, apenas, inter partes, não beneficia a Recorrente, pois não é parte daquele processo. No citado RE, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 .O ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições PIS/Cofins no desembaraço de importação de bens e serviços, sessão de 20/03/2013. O citado dispositivo extrapolou o art. 149, § 2º, II, “a”, da CF que constitucionalizou o conceito técnicojurídico de valor aduaneiro, base de cálculo das contribuições PIS/Cofins incidentes na importação. A Fazenda Nacional, porém requereu a modulação dos efeitos dessa decisão do STF. Como visto, a Recorrente não tem respaldo legal para excluir o ICMS da receita bruta. E, também, não é beneficiária de decisão judicial nesse sentido. Logo, o crédito pleiteado não tem liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN. Além disso, apenas para argumentar, a Recorrente sequer demonstrou como apurou o suposto crédito (não juntou demonstrativo, planilha, memória de cálculo, nem cópia da escrituração contábil/fiscal). A arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação de regência dessas exações fiscais federais que não prevê a exclusão do ICMS da receita bruta, não pode ser enfrentada na órbita administrativa, por não ser a esfera competente. A matéria é da alçada do Poder Judiciário, e não da esfera administrativa. Esse entendimento, por ser pacífico, já está sumulado neste CARF, conforme Súmula CARF nº 02, que transcrevo a seguir, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como visto, a Recorrente não comprovou o direito creditório pleiteado. A Contribuinte é autora do pedido de crédito, no processo de compensação tributária. À luz do Código de Processo Civil Brasileiro, de aplicação subsidiária, o ônus probatório é do autor quanto ao fato constituitivo do direito creditório alegado contra o fisco (CPC, art. 333, I). O momento para a produção das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.903604/201135 Acórdão n.º 1802002.305 S1TE02 Fl. 102 17 Portanto, não restando comprovado o direito creditório pleiteado, pela falta de demonstração da liquidez e certeza, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11080.726986/2011-86
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE. HIPÓTESES DO ART. I E II DO DECRETO 70.235/72. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Lavrado o Auto de Infração por pessoa competente, e não se verificando prejuízo ao exercício do direito de defesa por parte do contribuinte, não há falar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM.
Incide o imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes da prestação de serviços médicos sem vínculo empregatício.
Não se confunde a multa de ofício isolada gravada sobre a fonte pagadora pela falta de retenção do imposto, com o tributo e respectivos consectários legais lançados sobre o beneficiário dos rendimentos não oferecidos à tributação, sendo os destinatários e respectivas fundamentações legais nitidamente diversos, descabendo, portanto, cogitar-se de bis in idem.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTENÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Irrelevante perquirir sobre a intenção do contribuinte na conduta infringente da norma tributária, salvo expressa previsão legal.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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HIPÓTESES DO ART. I E II DO DECRETO 70.235/72. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Lavrado o Auto de Infração por pessoa competente, e não se verificando prejuízo ao exercício do direito de defesa por parte do contribuinte, não há falar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. Incide o imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes da prestação de serviços médicos sem vínculo empregatício. Não se confunde a multa de ofício isolada gravada sobre a fonte pagadora pela falta de retenção do imposto, com o tributo e respectivos consectários legais lançados sobre o beneficiário dos rendimentos não oferecidos à tributação, sendo os destinatários e respectivas fundamentações legais nitidamente diversos, descabendo, portanto, cogitarse de bis in idem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTENÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Irrelevante perquirir sobre a intenção do contribuinte na conduta infringente da norma tributária, salvo expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, por força de lei e a partir de 1º de janeiro de 1995, incidem juros de mora à taxa Selic. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 69 86 /2 01 1- 86 Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 151.505,68, relativo aos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010, crédito esse originário da classificação indevida de rendimentos nas correspondentes Declarações de Ajuste Anual (DAA). Por bem resumir os fatos, peço vênia para reproduzir o relatório do acórdão recorrido: O lançamento no contribuinte Rodrigo Moro Palmeira foi decorrente de procedimento fiscal junto à Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus (AMEMD) Saúde Sociedade Simples Ltda., cujo resultado está no processo administrativo fiscal nº 11080.723.457/2010 40, no qual a autoridade fiscal procurou demonstrar que os objetivos da celebração do negócio jurídico na constituição da Sociedade em Conta de Participação visava proporcionar a supressão do imposto de renda na fonte incidente no pagamento de serviços prestados pelos profissionais médicos, de forma que esses rendimentos ingressassem como isentos na DIRPF, a título de distribuição de Lucros. A autoridade Fiscal concluiu pela inexistência concreta de uma Sociedade em Conta de Participação e a prestação de serviços não era pelo sócio ostensivo e, sim, pelos profissionais médicos que efetivamente atendiam os pacientes, sendolhes repassado o valor relativo ao seu atendimento e, não, distribuição de lucros equivalente e proporcional ao número de sócios; entendendo, pois, ter havido simulação no negócio jurídico, na qual fez parte o contribuinte com o intuito de, fraudulentamente, diminuir a carga tributária à qual estava sujeito. Face às conclusões pela simulação e intuito de fraude, a Autoridade Fiscal efetuou a Representação Fiscal para Fins Penais sob o processo nº 11080.727001/201130, com a respectiva qualificação da multa de ofício ao percentual de 150%. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.726986/201186 Acórdão n.º 2802003.063 S2TE02 Fl. 1.767 3 O contribuinte apresentou impugnação ao Auto de Infração, fls. 1.667 a 1.689, invocando preliminarmente a nulidade do Auto de Infração. O impugnante em sua manifestação aborda o procedimento fiscal contra a AMEMD, que teve exigida contra si a multa de ofício de 150% pela falta de retenção e recolhimento de imposto de renda sobre os pagamentos efetuados aos médicos e não tendo retido o imposto na fonte, foi exigido dos profissionais o imposto de renda sobre os valores recebidos mediante autuação individual dos sócios participantes. Salienta ainda que o Auto de Infração não consigna adequadamente os fatos que levaram à exigência em questão e solicita que sejam reconhecidos os valores da declaração de rendimentos da pessoa física do Impugnante, que foram tributados na pessoa jurídica sendo, portanto, inaceitável o enriquecimento ilícito da administração. Ressalta que não foram questionados a efetividade das atividades e os serviços prestados pela empresa AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA, e que a mesma recolheu os tributos incidentes na execução dos contratos que firmaram. Assim, havendo duplicidade por um mesmo fato, há a necessidade de exclusão da multa de ofício aplicada ao impugnante, em razão do “bis in idem”, pois já havia a penalização por ocasião do lançamento contra a Amemd. Opõese à multa de ofício no patamar de 150%, e mesmo à alíquota de 75%, qualificando com caráter confiscatório. Contrapõese, ainda, à aplicação dos juros moratórios lastreados na taxa referencial de juros SELIC. Da mesma forma não se pode falar em ocorrência de fraude, simulação ou conluio, pois jamais tentou forjar uma operação com vistas a impedir a ocorrência do fato gerador, assim como jamais planejou, com outras pessoas, simular negócio jurídico para evitar incidência de tributo. Consolida o impugnante o seu requerimento, à fl. 1689, pela improcedência do auto de infração, solicitando que seja cancelado o auto de infração. A instância recorrida manteve parcialmente a autuação, reduzindo a multa de ofício à alíquota de 75%, e consubstanciando seu entendimento no seguinte excerto da ementa: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DOS RENDIMENTOS PAGOS AOS SÓCIOS. VERDADE MATERIAL. Sendo que as atividades e os negócios jurídicos desenvolvidos possuem aspectos diversos da realidade formal, onde os sócios participantes da conta participação prestavam serviços ao sócio ostensivo, os valores pagos por este em decorrência desses contratos devem ser classificados segundo a sua efetiva natureza jurídica, como rendimentos tributáveis de prestação de serviços, que correspondem a verdade material dos fatos, e não lucros isentos do Imposto de Renda. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 28/3/2012, reiterando os argumentos e os pedidos formulados na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Nulidade. Cabe, de início, afastar a nulidade suscitada. O ato administrativo foi formalizado por pessoa competente, AuditorFiscal no exercício de suas funções, e a descrição dos fatos a que se refere o crédito tributário guerreado está devidamente consignada no Auto de Infração e respectivo Relatório Fiscal, permitindo ao autuado ampla e regular defesa quando da interposição da impugnação e do recurso voluntário. Afastadas dessa forma, as hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não se configurando qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade. Mérito A autuação ora analisada é decorrente de fiscalização levada a efeito em desfavor da AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda., CNPJ nº 02.729.862/000185, no bojo da qual se constatou que aquela constituíra Sociedade em Conta de Participação (doravante, SCP) na qual figurava como sócia ostensiva, e diversos profissionais médicos do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre/RS, como sócios participantes, dentre os quais o ora autuado. A AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda., na qualidade de sócia ostensiva, celebrava contratos para prestação de serviços médicos aos beneficiários de diversas instituições que administravam planos de saúde, contratos nos quais os autorizados à realização dos serviços eram sempre os médicos sócios participantes da SCP. Desse modo, após o recebimento pelo sócio ostensivo dos valores devidos pelos tomadores de serviços e retida a taxa de administração, pagavase diretamente aos médicos em proporção ao volume e modalidade de serviços prestados, a título de distribuição de lucros decorrentes da conta de participação, ou seja, como rendimento isento do imposto de renda. Com efeito, tal proceder dissimulava a natureza de rendimentos da prestação de serviços médicos que os pagamentos, efetuados pela AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda. aos sócios participantes da SCP, efetivamente possuíam. Rendimentos esses, destaquese, tributáveis, seja na fonte pela dita sociedade, seja na Declaração de Ajuste Anual (DAA) dos médicos. No que tange à pessoa jurídica em tela, merece registro o fato de que o recurso voluntário por ela interposto nos autos do processo nº 11080.723457/201040 foi julgado em 20/6/2012 pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção de julgamento, sendo mantida integralmente a autuação, inclusive no tocante à qualificação da multa, dado o procedimento simulatório. Colaciono o seguinte trecho da ementa do acórdão então prolatado: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SIMULAÇÃO. No direito tributário, o conteúdo prevalece sobre a forma. Se o conteúdo fático não guarda qualquer simetria com a relação societária que se tentou desenhar, é caso de simulação. As Sociedades em Conta de Participação estão regidas pelas Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.726986/201186 Acórdão n.º 2802003.063 S2TE02 Fl. 1.768 5 disposições específicas do Código Civil; dentre as quais há a proibição de os sócios participantes prestarem serviços em nome da Sociedade em Conta de Participação. Presente a simulação, é devida a multa agravada, em percentual de 150%. Não vejo motivos para destoar desse entendimento, inclusive no que diz respeito a suas consequências para o contribuinte ora inconformado. De fato, as SCP se aproximam bastante de uma parceria para investimento, na qual o sócio ostensivo recebe dos sócios participantes o capital, o administra e realiza o objeto social, se apresentando como único responsável por essas atividades perante terceiros. Apurado o correspondente resultado e pagos os tributos e demais encargos envolvidos, o lucro é distribuído aos sócios participantes, como investidores no empreendimento. Friso que o art. 991 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002) regra, sem margem para dúvidas, que nas SCP a atividade prevista no instrumento constitutivo é exercida somente pelo sócio ostensivo: Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. Compulsando os autos, no entanto, verificase que a atividade da SCP em referência a prestação de serviços médicos era realizada pelos sócios participantes de maneira pessoal, sendo que eles respondiam individualmente por erro médico, responsabilidade civil, ética e criminal decorrentes desses atos, o que pode ser constatado da leitura tanto dos termos do contrato de constituição da SCP (fls. 320/345), assim como dos contratos de prestação de serviços médicos avençados com os terceiros tomadores (fls. 532/546). Tal situação é incompatível com esse tipo de sociedade, de acordo com o entendimento do Poder Judiciário: COMERCIAL. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE PARA COM TERCEIROS. SÓCIO OSTENSIVO. Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata (STJ, 4ª T, Resp nº 168.028/SP, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJ 22/10/2001) Por conseguinte, o funcionamento da SCP estava em descompasso com a legislação de regência, consubstanciandose em mera "roupagem" por intermédio da qual se procurava revestir rendimentos tributáveis do caráter de isentos, como se fossem lucros distribuídos. Mesmo que se reconhecesse a efetiva existência da SCP, importa notar, a Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 remuneração dos serviços em nome dela prestados pelos sócios participantes se configuraria como rendimento tributável, à similaridade do pro labore. Por outro lado, também há que ser refutada a alegação de ter ocorrido bis in idem na espécie, pois não houve dupla ou múltipla tributação sequer sobre a mesma pessoa, quanto mais sobre os mesmos fatos. No lançamento referente à pessoa jurídica, foi imposto gravame pertinente à multa de ofício isolada e juros de mora pelo não cumprimento do seu dever, como responsável tributário, de realizar a retenção do imposto de renda na fonte, a título de antecipação do devido, sobre os rendimentos pagos aos médicos, tendose por base o disposto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, e no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Já com relação ao recorrente a autuação deuse com suporte no art. 3º, § 4º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dado o fato de não ter ele oferecido os indigitados rendimentos à tributação quando das respectivas DAA, classificando rendimentos tributáveis, posto que oriundos da prestação de serviços médicos sem vínculo empregatício, como rendimentos isentos. O lançamento, assim, não se traduz em "punição" ao contribuinte, consoante alegado na peça recursal, mas sim em consequência da verificação, pela fiscalização fazendária, da desconformidade de sua atuação com o disposto na legislação tributária supra mencionada, independentemente da fé subjetiva que tenha pautado sua conduta, ex vi do art. 136 do Código Tributário Nacional A alegação de caráter confiscatório da multa de ofício não prospera, tampouco, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF1: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que diz respeito à taxa Selic, cabe registrar que a referida tem expressa previsão legal nos arts. 13 da Lei nº 9.065, de 19 de junho de 1995, e 61, § 3º da Lei nº 9.430/1996; não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, incidindo na espécie o precitado art. 72 do RICARF. Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sem razão, portanto, o contribuinte em sua inconformidade com a multa de ofício e com a aplicação da taxa Selic. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.726986/201186 Acórdão n.º 2802003.063 S2TE02 Fl. 1.769 7 Ante o exposto, voto pela rejeição da preliminar suscitada, e, no mérito, no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10875.902795/2011-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. INTIMAÇÃO POR AR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9).
É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressalte-se que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa de grande porte a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumir-se que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida.
A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo.
PIS-SIMPLES E COFINS-SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA.
A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada.
À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1802-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. TEORIA DA APARÊNCIA . PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PRELIMINAR REJEITADA. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9). É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa de grande porte a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 27 95 /2 01 1- 18 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 88 2 PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDE DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins é a receita bruta, o faturamento, abarcando a parcela do ICMS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA . CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada. À luz do art. 333, I, do CPC, incumbe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o débito tributário na data de transmissão da DCOMP sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito pleiteado devem estar preenchidos ou atendidos na data de transmissão da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 89 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 90 4 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.61/75 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (efls. 49/54) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 14/09/2007, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 28956.78168.140907.1.3.049894 (efls. 34/38), informando compensação tributária: débito informado no valor de R$ 682,43, assim especificado: a) – SIMPLES, código de receita 6106, período de apuração agosto/2007, data de vencimento 14/09/2007, valor R$ 682,43; crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 427,23: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido do Simples Federal do período de apuração 30/06/2003 (parcelas do PISSimples e da CofinsSimples), código de receita 6106, data de arrecadação 10/07/2003, valor original do recolhimento – DARF R$ 2.659,89. Em 01/11/2011, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 31, pela DRF/Guarulhos, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do crédito creditório está limitada ao valor do “crédito original na data da transmissão” informado no PER/DCOMP, correspondendo a R$ 427,43. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 91 5 (...) Ciente dessa decisão em 21/11/2011 – Aviso de Recebimento – AR (efl.40), a Contribuinte, em 16/12/2011 (efl. 48), apresentou Manifestação de Inconformidade por via postal (efls.02/15), juntando ainda documentos de efls. 16/38, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão a quo e que, nessa parte, transcrevo (efl. 50), in verbis: (...) DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa; que conforme disciplinado no art. 215 do Código de Processo Civil as pessoas jurídicas devem ser citadas nas pessoas de seus representantes legais, indicadas em seus estatutos sociais; que o Despacho Decisório não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei e dessa forma traz consigo a nulidade do ato praticado e a nulidade do processo, sendo assim requer seja declarada a nulidade da notificação do DD, entregue sem a observância da lei, contrariando os arts. 214,215 e 247 do Código Processo Civil; que o fato gerador do PIS/COFINS é o faturamento; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da Manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser incluído na base de cálculo do PIS. Pede a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. (...) A 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, à luz dos fatos e da legislação de regência, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão, de 26/11/2013, cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 49), in verbis: (...) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 92 6 Ciente desse decisum em 06/01/2014 (efl. 57), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls.61/75 em 21/01/2014 comprovante de postagem ECT (efls. 59/60), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao objeto social: que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, ramo de comércio varejista de materiais/produtos ou equipamentos elétricos e eletrônicos e materiais de construção; 2) – Preliminar de nulidade: que, apesar da pessoa jurídica Recorrente ter sido notificada do despacho decisório, a notificação não ocorreu conforme determina a lei, ou seja, não houve notificação na pessoa física dos sócios ou administradores, implicando nulidade do ato por prejuízo à defesa e ao contraditório (cerceamento do direito de defesa). que, se o endereço eleito pela pessoa jurídica, é o local para receber intimações e notificações, isso não autoriza que qualquer pessoa que esteja ocasionalmente no estabelecimento, por exemplo um cliente, seja pessoa capacitada juridicamente para receber notificação em nome da empresa. que, por conseguinte, deve ser declarada nula a ciência do despacho decisório, pois realizada em desconformidade com a lei. 3) – Quanto ao direito creditório: que é pessoa jurídica sujeita a pagamento de tributos federais; que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta, sem exclusão da parcela do ICMS; que a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, as receitas de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar a parcela do ICMS, que não é receita própria; que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; que na DCOMP não tem como esclarecer a origem do crédito (no caso de declaração expressa de inconstitucionalidade pelo STF) e não tem como usar o direito de peticionar, restando na manifestação de inconformiade o direito de peticionar, esclarecer e requerer; que efetuou o recolhimento do Simples sobre a receita bruta, em DARF; porém, isso implicou pagamento do PISSimples e Cofins –Simples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 93 7 que, consoante melhor doutrina pátria e decisão do STF, faz jus à restituição do PIS/Cofins incidente sobre o ICMS; que o crédito pleiteado do PISSimples e CofinsSimples decorreu, portanto, da exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). que, por fim, pediu deferimento do direito creditório pleiteado, mediante reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 94 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária. Nas decisões anteriores objeto deste processo, o crédito pleiteado foi denegado, por ser inexistente; faltou comprovar sua liquidez e certeza. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida, suscitando, primeiro, preliminar de nulidade e, no mérito, matéria de direito. NULIDADE. INTIMAÇÃO POR “AR”. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. Nas razões do recurso voluntário, a Recorrente sucitou preliminar de nulidade da intimação atinente ao Despacho Decisório da DRF/Guarulhos, por via postal, Aviso de RecebimentoAR, na pessoa física diversa da designada pela empresa. Na primeira instância de julgamento, a Contribuinte, também, suscitou esta preliminar de nulidade, conforme razões constantes da Manifestação de Inconformidade que, nessa parte, transcrevo no que pertinente (efls. 05/08), in verbis: PRELIMINARMENTE Em 22/11/2011 a manifestante recebeu o DESPACHO DECISÓRIO, (DOC 03) oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil, conforme AR em poder desta delegacia, (...) Senhor Delegado o despacho decisório foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa DOMINIUM MATERIAIS HIDRÁULICOS E FERRAGENS LTDA, (...) O representante legal da manifestante é seu sócio gerente (DOC 01) razão pela qual somente ele poderia ter recebido a correspondência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, máxime por tratarse de intimação para pagamento postada com aviso de recebimento. Da assinatura oposta no documento do correio, o assinante não é sócio, não é procurador, e nem legitimado e não representa legalmente a requerente. Portanto, quem recebeu e assinou o despacho decisório, não é sócio, não é procurador, nem legitimada, não representa legalmente a requerente, e nem tem vínculos com a Manifestante. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 95 9 (...) Entretanto para eficácia da intimação ou notificação, e para sua validade, deve a mesma ser revestida na forma da lei, e a lei dispõem que deve a mesma ser entregue na pessoa do sócio, procurador, ou legitimado, e não a um estranho que não tem relação processual (art. 222 do CPC). (...) A garantia da ampla defesa do "due process of law" deve impor que obrigatoriamente se faculte a parte o direito de produzir provas, argüir legitimidade, enfim, o amplo contraditório, tudo dento dos ditames da lei, evitando assim remeter a parte à via administrativa em toda a sua inteireza. A manifestante entende que o DESPACHO DECISÓRIO não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei, e trás a nulidade do processo. (...) Assim sendo, em preliminares requer que V.S. se digne determinar seja declarada a nulidade da notificação do despacho decisório, (...) Data venia, a preliminar suscitada não merece prosperar, pois carece de pressupostos fáticos e jurídicos. Diversamente do alegado pela Recorrente, a notificação por via postal, com Avisto de Recebimento – AR, deuse nos termos da lei. A propósito, estatui o art. 23 do Decreto 70.235/72, in v erbis: Art. 23. Farseá a intimação: I – (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 96 10 No caso, a Contribuinte foi notificada do Despacho Decisório por via postal – Aviso de Rececimento – AR em 21/11/2011 (efl. 40), assinado por André R. Cruz. A Recorrente confirma, em suas razões, que recebeu a correspondência no dia seguinte, ou seja, em 22/11/2011 e que, porém, a ciência do recebimento no AR foi dada por pessoa sem vículo funcional com a empresa; que apenas estariam aptos a receber correspondência e dar ciência no AR sócio da empresa ou representante legal. Não tem guarida a pretensão da Recorrente. Primeiro, André Ribeiro da Cruz é sócio da Recorrente, conforme cópia do Instrumento Particular de Alteração e Consolidação do Contrato Social, de 29/01/2002 (efl. 16/22), e consta assinatura de Andre R. Cruz no Aviso de RecebimentoAR (efl. 40). Ainda que não sejam a mesma pessoa, isso é irrelevante. A legislação processual administrativa não exige, não estabelece que a ciência do recebimento de correspondência por via postal, Aviso de Recebimento – AR, seja dada exclusivamente a sócio ou representante legal de empresa. Inclusive, diversamente do alegado pela Recorrente, porteiro do Prédio, onde funciona a empresa, pode receber a correspondência e assinar o AR. A matéria é pacífica neste CARF, inclusive, encontrase sumulada, conforme Súmula CARF nº Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A Recorrente não comprovou prejuízo algum à sua defesa. Pelo contrário, mencionou expressamente que recebeu a correspondência no dia 22/11/2011 (dia seguinte à data de assinatura constante do AR). E, conforme consta dos autos, exerceu plenamente o contraditório e a ampla defesa na instância a quo, em alentada defesa, suscitando preliminar e defesa de mérito, revelando conhecer plenamente a lide objeto do processo. Como visto, a intimação, entrega do Despacho Decisório por via postal, cumpriu plenamente sua função, sem prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Ademais, em observância do princípio da instrumentalidade das formas, ainda que o ato processual tenha sido realizado de outro modo ou forma, mas restou atingido, alcançado o seu objetivo sem prejuízo às partes, é plenamente válido, não existindo razão alguma para suscitar sua nulidade. Nesse sentido, são também os precedentes da jurisprudencia dos tribunais pátrios: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 97 11 TJSP Apelação : APL 491469820098260000 SP 0049146 98.2009.8.26.0000 NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. Relator(a):Roberto Mac Cracken. Julgamento:03/03/2011. Órgão Julgador:37ª Câmara de Direito Privado. Publicação:24/03/2011. Ementa NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO PELO CORREIO COM "AR" INEXISTÊNCIA DE NULIDADE TEORIA DA APARÊNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS É válida a citação de pessoa jurídica por via postal, quando efetivada no endereço onde se encontra o estabelecimento sede do réu, sendo desnecessário que a carta citatória seja recebida e o aviso de recebimento assinado por seu representante legal. Em conformidade com o princípio da instrumentalidade das formas, que determina a não vinculação às formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais ao processo, é de rigor a aplicação da teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada. Ainda mais, ressaltese que, não é comum se dispor o diretor ou gerente de empresa de grande porte a receber os carteiros, sendo, por tal motivo, presumirse que o empregado colocado nessa função tenha a responsabilidade de promover o devido encaminhamento à correspondência recebida. Recurso não provido TJRJ AGRAVO DE INSTRUMENTO: AI 00229201220138190000 RJ Relator(a):DES. CLAUDIO BRANDAO DE OLIVEIRA. Julgamento:16/10/2013. Órgão Julgador:SÉTIMA CAMARA CIVEL. Publicação:24/03/2014 11:09 Ementa: Agravo de Instrumento. Direito Processual Civil. Recurso no qual se alega nulidade da citação postal, por ter sido recebida por terceiro. Matéria de ordem pública que não é passível de preclusão, eis que ainda não foi apreciada. Citação via postal de Pessoa Jurídica recebida pelo porteiro do prédio. Citação válida. A jurisprudência considera válida a citação feita na pessoa de porteiro do prédio comercial onde se localiza empresa ré, ainda que sem poderes específicos para representar a pessoa jurídica. Homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo, da teoria da aparência e da razoável duração do processo. Recurso a que se nega provimento. TRF2APELAÇÃO CIVEL: AC 388942 RJ 2006.51.01.0153937 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 98 12 TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. Relator(a):Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES. Julgamento:05/05/2009. Órgão Julgador:QUARTA TURMA ESPECIALIZADA. Publicação:DJU Data::01/07/2009 Página::99. Ementa TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. 1. Consoante os dispositivos acima citados, e mesmo em face do que dispõe o art.223, parágrafo único do CPC, convém ressaltar que em respeito ao princípio da aparência, bem como ao princípio da instrumentalidade do processo, a jurisprudência pátria, de longa data já possui entendimento que a citação/intimação realizada em pessoa que não possui poderes de gerência/administração da pessoa jurídica é válida, não lhe sendo exigido que possua poder de gerência ou que receba costumeiramente correspondências. 2. Segundo a jurisprudência dominante no STJ, e regular a citação de pessoa jurídica, por via postal, quando a correspondência é encaminhada ao estabelecimento da ré, sendo ali recebida por um seu funcionário. Desnecessário que o ato de comunicação processual recaia em pessoa ou pessoas que, instrumentalmente ou por delegação expressa, representem a sociedade (REsp 161167). 3. Consoante entendimento já consolidado nesta Corte Superior, adotase a teoria da aparência, considerando válida a citação de pessoa jurídica, por meio de funcionário que se apresenta a oficial de justiça sem mencionar qualquer ressalva quanto à inexistência de poderes para representação em juízo (AgRg no Ag 547864). 4. Apelação improvida. STJ EMBARGOS DE DIVERGENCIA NO RECURSO ESPECIAL : EREsp 156970 SP 1999/00158032. Ministro Vicente Leal. Julgamento 02/08/2000. CECorte Especial. Publicação: DJ 22.10.2001 p. 261RDR vol. 22 p. 164 Ementa PROCESSUAL CIVIL. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. RECEBIMENTO QUE SE APRESENTA COMO REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA. Em consonância com o moderno princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovida de efeitos prejudiciais, é de se aplicar a teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da Fl. 98DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 99 13 pessoa jurídica realizada em quem, na sua sede, se apresenta como sua representante legal e recebe a citação sem qualquer ressalva quanto a inexistência de poderes para representála em Juízo. Embargos de Divergência conhecidos e acolhidos. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar suscitada. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO DO SIMPLES FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR DE PISSIMPLES E COFINSSIMPLES. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Nas razões do recurso, a Recorrente informou que apurou direito creditório do Simples Federal do anocalendário 2003, da seguinte forma: a) que formalizou declaração de compensação tributária, utilizando crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins no âmbito do Simples Federal, pois recolhera essas exaçações fiscais no anocalendário 2003 apuradas sobre a receita bruta (faturamento), sem exclusão da parcela do ICMS; b) que, pela legislação de regência, a base de cálculo dessas exações fiscais é o faturamento, ou seja, a receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços; c) que na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não deve constar, não deve compreender, a parcela do ICMS, pois não é receita própria; d) que o Supremo Tribunal Federal – STF já declarou a inconstitucionalidade do do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 que previa o alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; e) que, pela decisão do STF, a base de cálculo da Contribuição para PIS e da Cofins é o faturamento bruto (receita bruta de vendas de mercadorias e de prestação de serviços); f) que efetuou o recolhimento do Simples, em DARF, que implicou apuração e pagamento da Contribuição PIS – Simples e da CofinsSimples sobre o faturamento bruto, sem exclusão da parcela do ICMS; g) que tem direito de crédito sobre o pagamento do PISSimples e da Cofins –Simples sobre a parcela do ICMS, quanto ao anocalendário 2003; h) que, por iniciativa própria, recalculou o valor devido no Simples Federal, a título de PISSimples e CofinsSimples dos períodos mensais do anocalendário 2003, excluindo o ICMS da receita bruta, e apurou, assim, valor pago a maior dessas exações fiscais (Obs: a Contribuinte não juntou aos autos planilha, memória de cálculo, do alegado crédito informado na DCOMP, nem documentos de sua escrituração contábil). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 100 14 i) que pediu, por fim, o reconhecimento do crédito utilizado na DCOMP. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. O crédito demandado pela Recorrente não tem respaldo fáticojurídico. Na legislação do ICMS (Lei Complementar nº 87/96, art. 13, § 1º, I) e suas ulteriores atualizações, o ICMS é calculado “por dentro”, nos seguintes termos: Art. 13. (...) § 1º. Integra a base de cálculo do imposto, inclusive o inciso V da caput deste artigo: I O montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. (...). O ICMS integra a receita bruta, ou seja, o faturamento bruto. Ainda, quanto à legislação do ICMS, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) ratificou, recentemente (18/05/2011), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461SP (18/05/2011). A seguir trancrevo a Ementa do Acórdão do Pleno do STF, proferido nos autos do processo do RE 582461SP, sessão de 18/05/2011, Relator Min. Gilmar Mendes: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 101 15 ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Na legislação de regência da Cofins e da Contribuição para o PIS (Lei 9.718/1998, Lei 10.637/200, Lei 10.833/2003 e Lei nº 10.865/2004) também não há previsão legal de exclusão do ICMS da receita bruta (faturamento), em relação às operações de venda de mercadorias e prestação de serviços quando incide esse imposto. Diversamente do alegado pela Recorrente, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, como efeito erga omnes, não tratou da questão do ICMS, se cabível ou não sua exclusão da receita bruta =faturamento bruto. Vale dizer, em relação à legislação da Contribuição para o PIS e da CSLL, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 o STF fixou o entendimento de que a receita bruta = faturamento bruto corresponde a vendas de mercadorias, prestação de serviços ou vendas de mercadorias com prestação de serviços, não abarcando outras receitas, mormente receitas financeiras para as pessoas jurídicas cujo objeto social seja o comércio de mercadorias e prestação de serviços em geral; afastou, por conseguinte, o alargamento da base de cálculo desse dispositivo. Como demonstrado, a parcela do ICMS faz parte da receita bruta (faturamento), base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins.. Logo, enquanto não houver mudança da legislação de regência da Contribuição para o PIS e da Cofins para exclusão do ICMS da receita bruta ou decisão judicial erga omnes excluindo o ICMS da receita bruta, a base de cálculo dessas exações continua abarcando o ICMS. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 102 16 Ainda, não consta dos autos que a Recorrente tenha decisão transitada em julgado conferindolhe o direito de excluir a parcela do ICMS da apuração da base de cálculo da Cofins e da Contribuição do PIS. Quanto ao afastamento da exigência da Contribuição para o PIS e da Cofins nas operações de importação de mercadorias e serviços, a decisão do STF no Recurso Extraordinário 559.937RS tem efeito, apenas, inter partes, não beneficia a Recorrente, pois não é parte daquele processo. No citado RE, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 .O ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições PIS/Cofins no desembaraço de importação de bens e serviços, sessão de 20/03/2013. O citado dispositivo extrapolou o art. 149, § 2º, II, “a”, da CF que constitucionalizou o conceito técnicojurídico de valor aduaneiro, base de cálculo das contribuições PIS/Cofins incidentes na importação. A Fazenda Nacional, porém requereu a modulação dos efeitos dessa decisão do STF. Como visto, a Recorrente não tem respaldo legal para excluir o ICMS da receita bruta. E, também, não é beneficiária de decisão judicial nesse sentido. Logo, o crédito pleiteado não tem liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN. Além disso, apenas para argumentar, a Recorrente sequer demonstrou como apurou o suposto crédito (não juntou demonstrativo, planilha, memória de cálculo, nem cópia da escrituração contábil/fiscal). A arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação de regência dessas exações fiscais federais que não prevê a exclusão do ICMS da receita bruta, não pode ser enfrentada na órbita administrativa, por não ser a esfera competente. A matéria é da alçada do Poder Judiciário, e não da esfera administrativa. Esse entendimento, por ser pacífico, já está sumulado neste CARF, conforme Súmula CARF nº 02, que transcrevo a seguir, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como visto, a Recorrente não comprovou o direito creditório pleiteado. A Contribuinte é autora do pedido de crédito, no processo de compensação tributária. À luz do Código de Processo Civil Brasileiro, de aplicação subsidiária, o ônus probatório é do autor quanto ao fato constituitivo do direito creditório alegado contra o fisco (CPC, art. 333, I). O momento para a produção das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.902795/201118 Acórdão n.º 1802002.251 S1TE02 Fl. 103 17 Portanto, não restando comprovado o direito creditório pleiteado, pela falta de demonstração da liquidez e certeza, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10120.001223/2004-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IRPJ CSLL E COFINS- DECADÊNCIA
Exercício: 2000
PRECLUSÃO.DECADÊNCIA. Sendo a decadência matéria de ordem pública, não se pode arguir preclusão para apreciação de um dos seus pressupostos.
DECADÊNCIA: Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-001.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitada a preliminar de preclusão. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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IRPJ CSLL E COFINS- DECADÊNCIA Exercício: 2000 PRECLUSÃO.DECADÊNCIA. Sendo a decadência matéria de ordem pública, não se pode arguir preclusão para apreciação de um dos seus pressupostos. DECADÊNCIA: Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitada a preliminar de preclusão. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire Fl. 358DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plinio Rodrigues de Lima. Relatório Adoto, por oportuno, o relatório da decisão recorrida, in verbis: “Contra FRIMAS FRIGORÍFICO LTDA., já qualificada, foi exigido o 111 imposto de renda das pessoas jurídicas e reflexos - SIMPLES, conforme fls.77/144, no valor total de R$ 1.071.189,06, referentes ao ano calendário de 1999.Enquadramento Legal às folhas 79, 81, 84, 86, 89, 91, 94, 100, 102, 105, 107, 108/110. Decorreu o lançamento da omissão de receitas detectada (diferença das bases de cálculo oferecidas a tributação — receitas escrituradas e não declaradas) e de insuficiência de recolhimento, ( valores declarados e pagos a menor). Impugnação de fls.162 a 163, alegou, em síntese, a preliminar de nulidade porque nos autos de infração não constou a forma detalhada da apuração do "valor tributável ou imposto". Imposições, gravames, sanções fiscais não poderiam atingir seu patrimônio. Sem o detalhamento necessário de como os valores cobrados foram encontrados não poderia exercitar seu direito à ampla defesa. Decisão às fls. 180/184, afastou a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, invocando os incisos I e II do artigo 59 do Decreto 70235/72. Nos autos os termos foram lavrados por pessoas competentes, o procedimento de intimação e ciência dessas peças estaria correto. A impugnação fora tempestiva sem qualquer tolhimento do direito conferido ao administrado para se defender. O processo apontou as peças indispensáveis, cujos requisitos correspondiam à perfeita descrição exigida no artigo 10 do Decreto 70.235/72, alterado através da Lei 8.748/93. A preterição do direito viria de despachos ou decisões, e não da lavratura de ato ou termo como se materializa na feitura do auto de infração. A alegação de cerceamento do direito de defesa e oportunidade para o contraditório há de elacionar-se diretamente com o processo correspondente, no caso o auto de infração. No processo estão presentes os elementos de prova necessários à solução do litígio. A infração esta perfeita e claramente descrita e demonstrada nos autos. A afirmação de que faltara detalhamento na apuração do valor tributável não procederia. O Simples apurado e devido no ano- calendário de 1999, com base nas receitas mensais de vendas, menos devoluções, constantes dos Livros de Registro de Apuração do ICMS e IPI apresentados pela empresa, cotejados também com o informado no demonstrativo denominado Informações Prestadas à SRF (fls. 79/80). Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.001223/2004-13 Acórdão n.º 9101-001.542 CSRF-T1 Fl. 2 3 A apuração das bases de cálculo, dos créditos da empresa, estão detalhados nos demonstrativos efetuados pela fiscalização e denominados Composição da Base de Cálculo-Apuração Sintética, Demonstrativo de Diferença entre a Receita Apurada e a Base de Cálculo Declarada, Demonstrativo da Partilha dos Valores Pagos no Simples e Pagamentos, conforme se verifica às folhas 46 a 76. Os percentuais aplicados sobre a receita bruta estão no Demonstrativo de folhas 108. Os valores declarados e não recolhidos se acham no Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos, folhas 111 a 117, enquanto que os valores omitidos, escriturados e não declarados e nem pagos, estão arrolados no Demonstrativo de Apuração do Imposto/Contribuição sobre Diferenças Apuradas, folhas 118 a 122. Transcreveu os dispositivos da Lei 9.317/1996 que suportaram o lançamento, concluindo que não procederiam as reclamações quanto à forma de apuração do imposto/contribuições e sua falta de detalhamento.Declarou não litigioso o agravamento da multa. Recurso interposto às fls. 198/213, onde iniciou comentando que os valores tidos como omitidos foram considerados em duplicidade. Por isto, o imposto fora cobrado duas vezes. Na 1' apuração como insuficiência no recolhimento, o autuante utilizou na base de cálculo o faturamento constante dos livros fiscais e não os valores declarados, como está escrito na planilha, apurando o valor devido como SIMPLES, diminuindo o que foi pago e apontando um valor a ser recolhido. Adiante, como diferença de base de cálculo, houve outra apuração de imposto devido SIMPLES, utilizando-se como base de cálculo "a suposta diferença entre as receitas declaradas e as escrituradas nos livros fiscais". Destacou, ainda, que o valor do imposto encontrado nas duas apurações é quase o mesmo. Esta cobrança dupla eivou o procedimento de vício, cujo remédio seria seu cancelamento total, ou, no mínimo, deveria ser cancelada a segunda apuração. Discorreu longamente sobre a multa aplicada dizendo-a abusiva. Os 4111 pressupostos de dolo, fraude ou simulação não restaram comprovados. Todo o lançamento teve como base a escrita contábil e as informações fornecidas pela própria empresa. Transcreveu decisões administrativas que secundariam sua conclusão. Mesmo caminho seguiu em relação aos juros, pediu acolhimento dessas razões e o cancelamento das exigências deste auto. Seguimento conforme despacho de fls. 226. A oitava Câmara do antigo Primeiro Contribuintes proferiu acórdão, ementado nos seguintes termos: “MULTA DE OFICIO QUALIFICADA — DESCABIMENTO - Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício só cabe a Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 exasperação da multa quando restar tipificada a hipótese de incidência do artigo 1 inciso I da Lei 8137/1990. No caso dos autos 411 se aplica a multa de ofício do inciso primeiro do artigo 44 da Lei 9430/1996. IRPJ CSLL E COFINS- DECADÊNCIA - Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa dec- 150°/0. para 75% em conseqüência, - RECONHECER a decadência de todos os tributos para os meses de janeiro e fevereiro de 1999,_pos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Relatora) que não acolhia a decadência para a CSL, COFINS e INSS. Designado o Conselheiro Margil Mourão GiI Nunes para redigir o voto vencedor. DF CARF MF Fl. 963” Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, admitido pelo despacho de fl. 1002, cuja conclusão segue transcrita adiante: “(...) A FAZENDA NACIONAL, em face da decisão consubstanciada no Acórdão n° 108- 09.209, fl. 241/249, interpõe, tempestivamente, RECURSO ESPECIAL. Quanto à redução da multa qualificada de 150% para 75%, a PFN trouxe paradigma sobre matéria preclusa, e de fato a matéria em que o acórdão guerreado se manifestou não constou na impugnação, ou seja, era preclusa. Resta clara a divergência. Para o IRPJ alega que o prazo da decadência seria contado pelo art. 173 e colaciona paradigma. A câmara entendeu que a decadência seria contada pelo art. 150 do CTN. Resta clara a divergência. A Procuradoria da Fazenda Nacional recorre, também, sob o argumento de que as contribuições, constituídas por lançamento reflexo, teriam como prazo de sua decadência 10 (dez) anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Quanto à decadência das contribuintes, a PFN entende haver esta Câmara decidido contrariamente ao art. 45, da Lei n° 8.212/91, contudo, o Supremo Tribunal Federal STF editou a Súmula Vinculante n° 8, in verbis: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.001223/2004-13 Acórdão n.º 9101-001.542 CSRF-T1 Fl. 3 5 "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, que tratam deprescrição e decadência de crédito tributário". Assim, nego seguimento ao recurso especial nesta parte. (..)”. Prevalece, pois, o recurso especial quanto a dois aspectos: a) Quanto à redução da multa qualificada de 150% para 75%, a PFN trouxe paradigma sobre matéria preclusa, e de fato a matéria em que o acórdão guerreado se manifestou não constou na impugnação, ou seja, era preclusa. b) Quanto à decadência, pelo artigo 173 ou 150 do Código Tributário Nacional. Não houve apresentação de contrarrazões.” É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, Relator. O recurso da Fazenda Nacional somente foi admitido quanto à preclusão e quanto ao prazo decadencial. Não foi admitiu quanto à qualificação ou não da multa. DA PRECLUSÃO: Rejeito a argumentação da preclusão pelo fato de que a apreciação da aplicação da penalidade agravada é imprescindível para aferição do prazo decadencial no sentido de aplicação dos artigos 173 ou 150 do CTN, conforme o caso. Ora, sendo a decadência matéria de ordem pública, não se pode arguir preclusão para apreciação de um dos seus pressupostos. DA DECADÊNCIA: Havendo a Câmara afastado a qualificação da multa, entendo que não se dá o caso de aplicação do artigo 173, mas sim do artigo 150, em vista de que a autuação se deu considerando-se na apuração da base de cálculo valores recolhidos a menor. Com relação à questão deveras conhecida desta turma sobre a necessidade de pagamento antecipado para aplicação do artigo 150, presto reverência ao eminente Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, adotando o seu entendimento, consubstanciado no julgamento do recurso de no. 143.870, o qual transcrevo a seguir, in verbis: “Com referência à contagem do prazo decadencial, duas são as regras estabelecidas mediante a participação do sujeito passivo, a saber: a primeira trata dos tributos lançados por homologação, onde o dies a quo é a data da ocorrência do fato Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, ainda que parcial, ou mesmo que o pagamento não tenha ocorrido, sob o entendimento de que se estaria homologando a atividade exercida pelo obrigado (CTN, art. 150, § 4º). A segunda regra corresponde à regra geral para os tributos por declaração, onde o dies a quo é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). A propósito, nos julgamentos que tenho participado neste Colegiado vinha me posicionando, acerca da contagem do prazo decadencial, nos casos dos tributos lançados por homologação, pela aplicação da regra nos moldes do artigo art. 150, § 4º, do CTN, mesmo que não houvesse recolhimento de tributo, mas desde que o sujeito passivo tivesse apurado e registrado a inexistência de valor a pagar, como, por exemplo, no caso de apuração de resultados negativos para o cálculo do IRPJ e da CSLL.” Entretanto, pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62-A, que assim dispõe: “Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Dessa forma, em cumprimento ao citado dispositivo regimental, minha posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha havido pagamento antecipado, haja vista essa matéria ter sido objeto de decisão do STJ, na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos. Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101-000.811, sessão de 21/02/2011, da qual também participei, por unanimidade de votos adotou a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, representativo de controvérsia relativa à Contribuição Previdenciária, de cuja decisão transcrevo excerto da sua ementa, reproduzido no seu voto condutor, a seguir: “3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ... (destaques acrescidos)” Pois bem. A acima referida decisão deste Colegiado, na sessão de 21/02/2011, tomou como base a definição de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, definição essa que suscitara a oposição de embargos declaratórios da Fazenda Nacional junto ao STJ, os quais foram julgados e acolhidos pela sua Segunda Turma, na sessão realizada em 09/02/2010, com a finalidade Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.001223/2004-13 Acórdão n.º 9101-001.542 CSRF-T1 Fl. 4 7 “... de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. (parte final do voto condutor da decisão dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 - PR (2004/0109978-2), transcrito mais adiante).” Saliente-se que esse entendimento externado em sede de embargos declaratórios está sendo corretamente reiterado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, que julgam matéria tributária, de cujas decisões merecem destaque a que foi proferida quando o próprio Ministro Luiz Fux, atualmente Ministro do STF, ainda fazia parte daquela Turma do STJ, assim ementada: “Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma Título: AgRg no REsp 1050278 / RS Data: 22/06/2010 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido.” Da 2ª Turma da 1ª Seção do STJ trago ementa de decisão mais recente, proferida em 07/04/2011, que consagra esse reiterado entendimento, a seguir: “Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma Título: AgRg no REsp 1219461 / PR Data: 07/04/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solidificado no STJ quando do julgamento do REsp 973.733/SC, julgado em 12.8.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 repetitivos (CPC, art. 543-C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei n. 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido. (destaques acrescidos) Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101-000.811, sessão de 21/02/2011, porém com o entendimento externado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 - PR (2004/0109978-2)”, julgado em 09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir: “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 - PR (2004/0109978-2) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando-se em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, tem-se por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. VOTO O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizando-se da sistemática prevista no art. 543-C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.001223/2004-13 Acórdão n.º 9101-001.542 CSRF-T1 Fl. 5 9 àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confira-se a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (destaques acrescidos) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Retomando os termos em que os declaratórios foram apreciados: Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando-se em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, tem-se por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestam-se efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. 1. "É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.001223/2004-13 Acórdão n.º 9101-001.542 CSRF-T1 Fl. 6 11 acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. 1. Excepcionalmente, pode-se emprestar efeito modificativo aos embargos declaratórios. 2. No caso em espécie, tendo em vista o descabido recurso especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a coisa julgada, impõe-se o acolhimento dos declaratórios para, dando-lhes efeito modificativo, não conhecer do recurso especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006). Na seqüência do seu voto condutor, o i. Ministro Relator sentencia que: Portanto, impõe-se o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria. Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, tão-somente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. ... É como voto. (destaques acrescidos) (...) ” Conforme consta do relatório, Decorreu o lançamento da omissão de receitas detectada (diferença das bases de cálculo oferecidas a tributação receitas escrituradas e não declaradas) e de insuficiência de recolhimento, ( valores declarados e pagos a menor. Assim, a própria fiscalização apurou pagamentos de tributos nos períodos envolvidos, o que me remete à aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150 do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, sem maiores delongas, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes - Relator Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10665.721659/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
ERRO NA NUMERAÇÃO DAS FOLHAS DO PROCESSO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se verificou no processo em tela a alegada incorreção na numeração das folhas. Todavia, mesmo que esse fato tivesse ocorrido, não seria motivo a nulificar as lavraturas.
CIENTIFICAÇÃO VIA POSTAL. MENÇÃO AO CONTEÚDO DA REMESSA. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Se o fisco remeteu por via postal as lavraturas, indicando a composição de cada um dos processos de débito, não há de se acolher a tese de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, mormente quando se percebe que foram enviadas todas as peças necessárias a perfeita compreensão dos lançamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. ERRO NA NUMERAÇÃO DAS FOLHAS DO PROCESSO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verificou no processo em tela a alegada incorreção na numeração das folhas. Todavia, mesmo que esse fato tivesse ocorrido, não seria motivo a nulificar as lavraturas. CIENTIFICAÇÃO VIA POSTAL. MENÇÃO AO CONTEÚDO DA REMESSA. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o fisco remeteu por via postal as lavraturas, indicando a composição de cada um dos processos de débito, não há de se acolher a tese de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, mormente quando se percebe que foram enviadas todas as peças necessárias a perfeita compreensão dos lançamentos. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 606 1 605 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.721659/201285 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.677 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES Recorrente COLEGIO DEL REY LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 A empresa, ao ser excluída do Simples, sujeitase ao recolhimentos das contribuições previdenciárias e para outras entidades ou fundos na sistemática aplicável às empresas em geral, a partir da data da produção de efeitos do Ato de Declaratório de Exclusão. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. PAGAMENTOS DE REMUNERAÇÃO A PROFESSORES. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência de pagamentos a pessoas físicas para exercício do magistério, com a presença dos elementos caracterizadores da relação empregatícia, deve exigir as contribuições sociais decorrente do enquadramento desses trabalhadores como segurados empregados. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. COMPETÊNCIA DA RFB. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB detêm competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 16 59 /2 01 2- 85 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. ERRO NA NUMERAÇÃO DAS FOLHAS DO PROCESSO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verificou no processo em tela a alegada incorreção na numeração das folhas. Todavia, mesmo que esse fato tivesse ocorrido, não seria motivo a nulificar as lavraturas. CIENTIFICAÇÃO VIA POSTAL. MENÇÃO AO CONTEÚDO DA REMESSA. PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o fisco remeteu por via postal as lavraturas, indicando a composição de cada um dos processos de débito, não há de se acolher a tese de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, mormente quando se percebe que foram enviadas todas as peças necessárias a perfeita compreensão dos lançamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.721659/201285 Acórdão n.º 2401003.677 S2C4T1 Fl. 607 3 Relatório Tratase de retorno de processo após cumprimento de diligência determinada pela Resolução n. 2401000.355, de 14/04/2014. O objeto da diligência requerida foi obter informações sobre o trâmite do Processo n. 10665.721212/201214, o qual se refere à Representação Administrativa para exclusão da empresa acima do Regime Especial de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). O processo de exclusão do Simples foi apensado ao que ora se aprecia e, da sua análise é possível concluir que, ao contrário do que ficou expresso na resolução, inexistiu recurso administrativo ao CARF para contestar a exclusão da empresa do regime simplificado. Nos termos da fl. 34 do Processo n. 10665.721212/201214 consta Termo de Revelia, assim lavrado: PROCESSO: 10665721212/201214 INTERESSADO: Colégio Del Rey Ltda TERMO DE REVELIA Transcorrido o prazo regulamentar, e não tendo o contribuinte apresentado impugnação em relação ao Ato Declaratório Executivo DRF/DIV nº 27, de 15 de junho de 2012, cuja ciência foi dada em 16/07/2012, declaroo revel, conforme prescrito no Decreto n.º 70.235/72, artigo 21. Prestados esses esclarecimentos pela Delegacia de origem, passo ao relatório do processo incluído na presente pauta: Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 04 33.578 de lavra da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 37.372.6384: exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; b) AI n.º 37.372.6392: contribuição dos segurados empregados; c) AI n.º 37.372.6406: contribuições para outras entidades ou fundos; d) AI n.º 37.372.6376:aplicação de multa em razão da entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissões e incorreções. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Conforme o relato da fiscalização, a empresa foi excluída do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007, por ter desenvolvido atividade vedada pelo regime simplificado de tributação. Afirmase que, em decorrência da opção indevida, o sujeito passivo deixou de recolher as contribuições patronais para a Seguridade Social e para os terceiros, deixando também de declarálas na GFIP. Além das remunerações declaradas na GFIP, foram também apuradas contribuições sobre pagamentos efetuados a professores que laboravam sem a devida anotação na Carteira de Trabalho. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Para as competências 12 e 13/2008 a multa foi aplicada no patamar de 150% das contribuições não recolhidas, por entender o fisco que estaria presente a hipótese de qualificação prevista no § 1. do art. 44 da Lei n. 9.430/1996. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, em tese, pela prática dos delitos de Sonegação de Contribuições Previdenciárias e Crime Contra a Ordem Tributária. Cientificada do lançamento em 16/07/2012, o sujeito passivo ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que entendeu ser procedente o lançamento. Inconformada, a empresa interpôs recurso, no qual, após fazer sinopse dos principais fatos do processo, alegou, em apertada síntese, o que se segue. O processo merece anulação, posto que: a) as lavraturas foram elaboradas sem a devida clareza, prejudicando o direito de defesa do sujeito passivo; b) a falta de organização na numeração das folhas do processo também atrapalha o exercício do seu direito de defesa; c) a cientificação das lavraturas foi efetuada de forma confusa, impedindo que a empresa concluísse acerca de qual processo deveria ser impugnado. Asseverou que a vedação de opção pelo Simples Nacional para as empresas que exercem atividade de ensino médio constitui violação ao princípio da isonomia e ao direito à educação, previsto na Carta Magna. Sustenta que inexistiu a infração relativa às informações prestadas em GFIP, uma vez que, quando enviou as declarações, estava regular perante o sistema simplificado de recolhimento de tributos. Da mesma forma, não há o que se falar em falta de recolhimento das contribuições patronais, posto que a empresa atuou em perfeita consonância com o enquadramento fiscal que detinha quando da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.721659/201285 Acórdão n.º 2401003.677 S2C4T1 Fl. 608 5 A imputação do fisco de falta de formalização do contrato de trabalho está fora de sua competência legal. Não podem os agentes da RFB interferir na forma de contratação escolhidas pelos particulares. Os professores apontados como não registrados prestaram serviço sem vínculo de emprego, uma vez que não eram subordinados, nem dependentes economicamente da autuada. Por outro lado, a RFB não detém atribuição legal para exigir contribuições para terceiros e aplicar multas decorrentes desses tributos. A recorrente cumpriu suas obrigações tributárias dentro da sistemática do Simples Nacional, não havendo possibilidade de se efetuar sua exclusão do regime com efeitos retroativos, posto que esse procedimento fere o princípio da segurança jurídica. A retroação da sua exclusão fere a consagrada cláusula de respeito ao ato jurídico perfeito. Assim prevalecendo a sua exclusão do Simples, que a mesma surta efeitos a partir do ato administrativo que lhe cassou o direito. Não há possibilidade legal e aplicação de multa, uma vez que a empresa não pode ser responsabilizada, posto que a RFB convalidou os seus atos declaratórios quando da inscrição no regime do Simples. Ao final, requer a nulidade ou declaração de improcedência das lavraturas. É o relatório. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade A admissibilidade já foi analisada quando da conversão do julgamento em diligência, tendose concluído que o processo merece conhecimento. Nulidade Não consigo vislumbrar qualquer mácula no processo sob apreciação que possa conduzilo à nulidade. A ação fiscal a que foi submetida a recorrente deu ensejo ao processo sob julgamento e ao de n. 10665.721660/201218, o qual contém lavratura para exigência de multa por descumprimento de diversas obrigações acessórias. Observase assim que não houve a confusão apontada pelo sujeito passivo, haja vista que as lavraturas foram reunidas por processo em obediência ao que dispõe o § 1. do art. 9. do Decreto n. 70.235/1972, que determina a reunião em um mesmo processo dos autos de infração que dependam dos mesmos elementos de prova. O fato do processo conter mais de uma lavratura em nada prejudicou o direito de defesa do sujeito passivo, uma vez que a autoridade lançadora explicitou com clareza os fatos geradores, que são comuns a todos os AI. Foram acostados ainda os elementos de prova, consistentes em recibos de pagamentos feitos a segurados empregados (professores) que deixaram de ser inscritos na Previdência Social, não foram lançados nas folhas de pagamento e nem tiveram o desconto das contribuições efetuados pela recorrente. Assim, se o sujeito passivo teve ao seu dispor todos os elementos necessários ao exercício do amplo direito de defesa, não deve ser reconhecido o alegado prejuízo, uma vez que sequer restou comprovado. Não observei qualquer anomalia na organização do processo quanto à numeração das folhas. Estas se encontram numeradas sequencialmente e em ordem cronológica. É bom que se diga que mesmo que houvesse algum equívoco nesse aspecto não seria motivo de declaração de nulidade do feito, uma vez que o sistema processual brasileiro é informado pela regra da instrumentalidade das formas (pas dês nullités sans grief), devendose nulificar os atos processuais, inclusive os lançamentos fiscais, apenas quando há sacrifício aos fins almejados pelo processo administrativo. O que não se daria pelo mero equívoco na numeração das folhas do processo. A cientificação dos lançamentos se deu de forma absolutamente regular. Cópias das lavraturas foram encaminhadas via postal, constando no Aviso de Recebimento o exato conteúdo remetido, com menção aos números dos processos e os DEBCAD´s das lavraturas que os compõem. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.721659/201285 Acórdão n.º 2401003.677 S2C4T1 Fl. 609 7 Afasto, por esses motivos, as alegações de nulidade suscitadas no recurso. Produção de efeitos do ato de exclusão do Simples De início, cabe estabelecer que não caberá a esse colegiado conhecer de matérias relativas à exclusão da empresa do Simples, posto que não faz parte de sua competência, nos termos do art. 3. do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009. De outra banda, verificase que o processo que trata da exclusão do Simples já teve o trânsito em julgado administrativo, conforme Termo de Revelia de fl. 34 do Processo n. 10665.721212/201214. Portanto, não há de se discutir no bojo do processo sob apreciação o mérito da exclusão da empresa do regime tributário simplificado. Conforme bem demonstrou a DRJ, os efeitos do ato de exclusão do Simples retroagem a data em que se verificou o impedimento, conforme previsto na Lei Complementar n.º 123/2006, na redação dada pela 11.196/2005: Da Exclusão do Simples Nacional Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. A regulamentação autorizada pela referida Lei Complementar foi assim disciplinada pela Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN nº 94, DOU de 01/12/2011, nos seguintes termos: Da Exclusão de Ofício Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, § 5 º ; art. 33) I da RFB;.... A hipótese de exclusão está prevista na mesma Resolução: Art. 73. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá: II obrigatoriamente, quando: c) incorrer nas hipóteses de vedação previstas nos incisos II a XIV e XVI a XXV do art. 15, hipótese em que a exclusão: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 30, inciso II) A situação descrita no lançamento e exarada no Ato Declaratório Executivo DRF/DIV n° 27, de 15 de junho de 2012 se amolda à previsão legal, cujos efeitos atendem ao seguinte comando normativo da citada Resolução do CGSN: Dos Efeitos da Exclusão de Ofício Fl. 612DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: ... II a partir da data dos efeitos da opção pelo Simples Nacional, nas hipóteses em que: a) for constatado que, quando do ingresso no Simples Nacional, a ME ou EPP incorria em alguma das hipóteses de vedação previstas no art. 15; (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 2 º , inciso I e § 6 º ; art. 16, caput ) ... § 3 º A ME ou EPP excluída do Simples Nacional sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art.32, caput ) A causa de exclusão do Simples para a Recorrente foi a prestação de atividade incompatível com o sistema (inciso XI do art. 17. da Lei Complementar n.º 123/2006), portanto, a retroação dos efeitos do ato de exclusão à data em que ocorreu a situação excludente é legítima, sendo cabível a exigência das contribuições lançadas. Demais disso, há de se ter em conta que o STJ se manifestou sobre essa questão na sistemática dos recursos repetitivos (art. 534C do CPC). Eis julgado que comprova essa assertiva: TRIBUTÁRIO. INSTITUIÇÃO DE ENSINO. OPÇÃO PELO SIMPLES À ÉPOCA DA VEDAÇÃO DA LEI N. 9.317/96. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N. 10.034/00. SÚMULA N. 448/STJ. ENTENDIMENTO ADOTADO EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. EFEITO RETROATIVO DO ATO DE EXCLUSÃO DO SISTEMA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência desta Corte já se manifestou, quando do julgamento do REsp n. 1.021.263/SP, na sistemática do art. 543 C, do CPC, no sentido de que a Lei n. 10.034/00, que possibilitou que instituições de ensino optassem pelo SIMPLES não pode ter efeitos retroativos, visto que ela não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 106 do CTN. 2. No caso, a dívida constante do título executivo é do período compreendido entre janeiro de 1997 e fevereiro de 1998, época em que a ora recorrida não poderia ter optado pelo SIMPLES, haja vista a vedação da Lei n. 9.317/99. Assim, é de se reconhecer a possibilidade de atribuição de efeito retroativo ao ato que exclui a sociedade do SIMPLES, visto que desde a época da opção ela não preencheu os requisitos para aderir ao sistema. Precedentes. 3. Recurso especial provido.(grifei) (REsp 1194524 / RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 01/09/2010). Fl. 613DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.721659/201285 Acórdão n.º 2401003.677 S2C4T1 Fl. 610 9 Essa decisão, por força do art. 62A do RI CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, vincula os julgamentos desse Tribunal, justificandose, mais uma vez, o não acolhimento da alegação recursal sobre esse ponto. Assim, tendose em conta a exclusão da empresa do Simples Nacional, com efeitos retroativos a 01/07/2007, devem ser exigidas, a partir de então, as contribuições patronais incidentes sobre as remunerações declaradas na GFIP e sobre aquelas pagas a professores não inscritos perante a Previdência Social, sobre as quais irei me deter no próximo tópico. Por outro lado, constatado o descumprimento da obrigação acessória de declarar todas as contribuições na GFIP, em razão da empresa informar incorretamente a sua opção pelo Simples, além de omitir remunerações de segurados empregados, é cabível a aplicação da multa decorrente deste ilícito administrativo. Caracterização do vínculo de emprego Outra tese que não merece sucesso, diz respeito ao suposto abuso de poder cometido pela Auditoria, que supostamente teria invadido a competência do Judiciário ao caracterizar relação empregatícia. Equivocase a recorrente. A Auditoria Fiscal, tendo inegavelmente a atribuição de aplicar a legislação previdenciária, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do liame de emprego Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, que no § 2.º do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Por outro lado, a constituição do crédito tributário sobre as parcelas em questão é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.º 11.457/2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Fl. 614DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 (...) Pois que, diante do surgimento da obrigação tributária, tem a Auditoria Fiscal autorização legal para constituir o crédito tributário, não se verificando na espécie qualquer indício de abuso de poder, o qual é caracterizado pelo desrespeito do agente público às barreiras legais de fixação de competência. É de se observar que os próprios documentos apresentados pela empresa (recibos de pagamento a pessoas físicas) dão conta de pagamento de remuneração a professores, cujas peculiaridades da prestação do serviço evidenciam a existência de vínculo de emprego, malgrado a empresa afirme que os contratos firmados com aqueles eram de trabalho autônomo. Nessas situações, inexiste dúvida que o serviço tem que ser prestado pessoalmente pelos docentes, mediante remuneração, para suprir uma necessidade permanente do empregador, que detém sobre os trabalhadores o poder de fixar as normas de prestação do serviço, tais como horário e regras de conduta. Assim, vejo que o fisco atuou dentro das balizas legais ao caracterizar os professores como empregados do Colégio Del Rey, eis que presentes os pressupostos normativos autorizadores de tal procedimento. Cabíveis, então, os lançamentos efetuados para exigência das contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos professores, os quais o sujeito passivo considerava como trabalhadores autônomos, além da aplicação de multa por falta de declaração desses fatos geradores na GFIP. Competência para arrecadação da contribuição devidas aos terceiros Enganase a empresa quando afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB não teria competência para arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Essa autorização encontrase expressa na Lei n. 11.457/2007, conforme se vê abaixo: Art. 1o A Secretaria da Receita Federal passa a denominarse Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão da administração direta subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda. Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). Fl. 615DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.721659/201285 Acórdão n.º 2401003.677 S2C4T1 Fl. 611 11 § 1o A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. § 2o O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. Como se vê a Lei que criou a chamada “Super Receita” previu expressamente a competência do órgão para executar as atividades de tributação das contribuições devidas aos terceiros, descabendo o inconformismo da recorrente. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000813/2008-93
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2004 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 08 13 /2 00 8- 93 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000813/200893 Acórdão n.º 2803003.224 S2TE03 Fl. 263 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de incidência de contribuições previdenciárias incidentes a valores levantados com base em fornecimento de alimentação mediante tíquete alimentação (Ticket Serv. S/A), que estariam desvinculados ao Programa de Alimentação do Trabalhador, logo em desordem ao disposto no art. 28, §9º, III, da Lei n. 8.212/1991, no período de 01/2004 a 12/2004. O lançamento foi cientificado em 26.11.2008. Do julgamento de primeira instância, foi realizada a ciência do contribuinte no dia 16 de junho de 2009, terçafeira (AR de fls. 235 dos autos digitais). O recurso foi protocolizado no dia 20 de julho de 2009, segundafeira (fls 240 dos autos digitais). Às fls. 239 dos autos digitais, foi declarada a intempestividade do protocolo. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000813/200893 Acórdão n.º 2803003.224 S2TE03 Fl. 264 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 16 de junho de 2009 e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 16 de julho 2009. Contudo, nos autos o comprovante protocolo do recurso demonstra a data como 20 de julho de 2009, cinco dias após o final do prazo, logo fora do prazo normativo (art. 33 do Decreto n° 70.235/72), preculindose o direito de apresentação do recurso voluntário. Isso posto, voto por NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestividade, mantendose o lançamento. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906254/2012-98
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/09/2008
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/09/2008 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 54 /2 01 2- 98 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/09/2008 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906254/201298 Acórdão n.º 1802003.221 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
