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Numero do processo: 16327.000219/2006-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA QUE DEVE SER JULGADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. CRÉDITO DE TÍTULO PÚBLICO. ELETROBRÁS. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Nos termos do inciso VII, do art. 2º do Anexo II do RICARF, compete à Primeira Seção de Julgamento o julgamento de recursos relativos a matéria que trate de Empréstimo Compulsório e/ou matérias correlatas não incluídas na competência das demais Seções.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3402-002.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso para declinar a competência para a 1ª Seção do CARF.
(Assinado digitalmente)
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA QUE DEVE SER JULGADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. CRÉDITO DE TÍTULO PÚBLICO. ELETROBRÁS. RECURSO NÃO CONHECIDO. Nos termos do inciso VII, do art. 2º do Anexo II do RICARF, compete à Primeira Seção de Julgamento o julgamento de recursos relativos a matéria que trate de Empréstimo Compulsório e/ou matérias correlatas não incluídas na competência das demais Seções. Recurso Voluntário Não conhecido. Aguardando Nova Decisão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA QUE DEVE SER JULGADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. CRÉDITO DE TÍTULO PÚBLICO. ELETROBRÁS. RECURSO NÃO CONHECIDO. Nos termos do inciso VII, do art. 2º do Anexo II do RICARF, compete à Primeira Seção de Julgamento o julgamento de recursos relativos a matéria que trate de Empréstimo Compulsório e/ou matérias correlatas não incluídas na competência das demais Seções. Recurso Voluntário Não conhecido. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso para declinar a competência para a 1ª Seção do CARF. (Assinado digitalmente) SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 19 /2 00 6- 60 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 3402002.090 S3C4T2 Fl. 360 3 Relatório Versa o processo de auto de infração no valor total e originário de R$95.300,35 (noventa e cinco mil, trezentos reais e trinta e cinco centavos), lavrado a título de multa no percentual de 75%, exigida isoladamente em face de compensação realizada pelo contribuinte e considerada não declarada pela Receita Federal do Brasil. A compensação dita indevida foi realizada nos autos do PAF 16327.000075/200561, pelo valor de R$127.067,13 (cento e vinte e sete mil, sessenta e sete reais e treze centavos) e pretendia a quitação de débitos de COFINS com crédito oriundo de título público, decorrente, mais precisamente, de Obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás). Nos autos do PAF acima mencionado a Delegacia Especial de Instituições Financeiras – SPO proferiu despacho considerando a compensação realizada pelo ora Recorrente como não declarada, asseverando, resumidamente, “que a relação jurídica obrigacional vinculada ao título de crédito utilizado pelo contribuinte é estranha à Receita Federal do Brasil”, determinando finalmente o envio do processo à Autoridade preparadora para cobrança dos tributos não compensados, bem como, imposição de multa isolada (art. 25 da Lei 11.501/2004). Efetuado o lançamento a título de multa e impugnado pelo contribuinte ao argumento de que recorrera da decisão da Delegacia Especial de Instituições Financeiras, a DRJ/SPO1, no Acórdão nº. 1614.947 (de fls. 108 – numeração eletrônica), houve por bem em considerar procedente o lançamento, pautando seu entendimento no sentido de que o contribuinte não cumpriu os requisitos do artigo 74 da Lei 9.430/96 para realizar corretamente a compensação pretendida, e, não sendo líquidos nem certos os créditos utilizados, haveria a mesma de ser considerada como não declarada e, portanto, devida a multa isolada aplicada. Às fls. 154 o sujeito passivo apresentou seu recurso voluntário, que apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho, houve por bem em converter o julgamento em diligência para que fosse juntada cópia integral do PAF 16327.00075/200561, em vista de necessitar de melhores esclarecimentos acerca do débito compensado (se IRPJ ou COFINS) e dos valores representados. Cumprida a diligência realizada, foi juntado a estes autos a cópia integral do processo no qual foi discutida a compensação não declarada. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 volumes, numerados até a folha 358 (trezentos e cinqüenta e oito), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende ao pressuposto de tempestividade, apenas. Quanto a admissibilidade, no entanto, tenho que não merece conhecimento. Isso porque, conforme se infere do relatório supra, o processo em pauta discute a exigência de multa isolada, aplicada ao contribuinte em razão de compensação considerada não declarada pela Receita Federal do Brasil. A despeito da diligência realizada já neste Conselho buscar melhores esclarecimentos sobre os débitos compensados pelo sujeito passivo (se IRPJ ou COFINS), tenho que a competência para julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pela natureza do “crédito” alegado, nos termos do que prevê o artigo 7º, §1º, do Anexo II do RICARF, in verbis: “Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. [...]” – destaquei. Do que se pôde observar dos autos, a multa em questão foi aplicada em razão de a compensação realizada pelo contribuinte no PAF 16327.00075/200561, ter sido efetuada com créditos oriundo de título público, especificamente de Obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás), e, portanto, considerada não declarada pela Autoridade que a analisou. Assim, a origem ou natureza do crédito é o fator determinante para a delimitação da competência da Seção de Julgamento que analisará o processo. O débito, é certo, tratavase, de COFINS, mas o crédito é que delimita a competência. Também no RICARF, no artigo 4º do Anexo II, determina por matéria (tributo) a competência desta Terceira Seção de Julgamento: “Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); Fl. 363DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 16327.000219/200660 Acórdão n.º 3402002.090 S3C4T2 Fl. 361 5 IV Crédito Presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; V Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); VI Imposto Provisório sobre a Movimentação Financeira (IPMF); VII Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF); VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); IX Imposto sobre a Importação (II); X Imposto sobre a Exportação (IE); XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; XII classificação tarifária de mercadorias; XIII isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; XIV vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; XV omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XVI infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XVII trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e dos regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966; XVIII remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do DecretoLei n° 37, de 1966; XIX valor aduaneiro; XX bagagem; e XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Parágrafo único. Cabe, ainda, à Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância relativos aos lançamentos decorrentes do descumprimento de normas antidumping ou de medidas compensatórias. Como se observa, o crédito relativo a título público não é matéria de competência desta Seção, tendo o próprio RICARF trazido a solução de competência nestes casos, dispondo no inciso VII, do artigo 2º, que matéria relativo a empréstimos compulsórios, bem como outras não incluídas na competência das demais seções, devem ser atribuídas à Primeira Seção de Julgamento. Transcrevese: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 364DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA 6 III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União,dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES Nacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções.” Destacouse Assim sendo, por expressa previsão do regimento Interno deste Conselho, entendo que a competência para a análise deste processo deve ser atribuída à Primeira Seção de Julgamento, consoante dispositivos já citados. Desta forma, não conheço do recurso por incompetência desta Turma Julgadora, e proponho a remessa do processo à Primeira Seção nos termos do que acima ficou exposto. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904424/2012-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904424/201240 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.774 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 24 /2 01 2- 40 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904424/201240 Acórdão n.º 3803004.774 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904424/201240 Acórdão n.º 3803004.774 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904424/201240 Acórdão n.º 3803004.774 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10830.004451/2010-87
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luís Cláudio Farina Ventrilho..
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luís Cláudio Farina Ventrilho.. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Em revisão da declaração de rendimentos do contribuinte em epígrafe, referente ao anocalendário de 2006, foi emitida a Notificação de Lançamento (fls. 25 a 27) através da qual houve glosa de despesas médicas no total de R$ 18.157,44 e inclusão de rendimentos tributáveis omitidos da Caixa Econômica Federal de R$ 15.024,45, resultando crédito tributário de R$ 17.858,62, englobando imposto, multa de ofício e juros de mora. O contribuinte faleceu em 05/06/2008. O inventariante, Sra. Neusa Júlia Pansardi Pavani, viúva do contribuinte, tomando conhecimento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 04 45 1/ 20 10 -8 7 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.004451/201087 Resolução nº 2801000.213 S2TE01 Fl. 129 2 do lançamento apresenta impugnação de fls. 01 a 05, através de seus procuradores (procuração de fl. 10), argumentando que: a) se observado no item "rendimentos sujeitos a tributação exclusiva/definitiva" que o notificado declarou os rendimentos oriundos da Ação Judicial do INSS os quais foram recebidos pela Caixa Econômica Federal no valor de R$ 14.518,34, valor este correspondente ao montante recebido descontado o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 450,73 e descontado o valor correspondente à CPMF no valor de R$ 55,38. Assim, se somados os respectivos valores de R$ 15.024,45; b)dessa forma, não houve omissão de rendimentos, merecendo seja cancelado o lançamento fiscal e extinto o crédito tributário; c)"No caso em tela, a fiscalização não teria maior trabalho para descobrir que não houve o fato gerador para o lançamento em questão".” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 100/103, que restou assim ementado: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Considerase não impugnada a matéria não contestada pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ela correspondente. RENDIMENTOS OMITIDOS. TRATAMENTO FISCAL. Os rendimentos tributáveis serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de apuração do imposto devido no ano calendário em que tornaram disponíveis ao contribuinte. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 07/06/2011 (fl. 108), a inventariante do espólio, representada por seu advogado (fl. 10), interpôs o recurso de fls. 119/125, em 04/07/2011. Em sua defesa, alega, em síntese, que: · A Caixa Econômica Federal era a entidade que tinha a obrigação de promover a retenção do Imposto de Renda; · O contribuinte cumpriu seu dever de declarar o valor recebido na declaração de ajuste anual, porem, equivocouse de forma totalmente escusável em imputar os valores como rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte; · Não lhe pode ser imputada a penalidade de oficio, e sim, multa de mora. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.004451/201087 Resolução nº 2801000.213 S2TE01 Fl. 130 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.004451/201087 Resolução nº 2801000.213 S2TE01 Fl. 131 4 É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10111.000547/2004-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrada a omissão no acórdão embargado
Numero da decisão: 3102-01.514
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Ricardo Paula Rosa
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrada a omissão no acórdão embargado Embargos Rejeitados . Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, cm rej e itar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro — Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro. Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira. A lvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Conforme consta, contra a decisão proferida. a Unido interpôs embargos de declaração, por entender ter ocorrido omissão na falta de pronunciamento da Camara acerca "normas complementares estabelecidas no Sistema Harmonizado de Designactio e de C'odificaviio de Mercado rias". . • .,•:• '/.( 1 "!.? dP 24q.6i2)01 ; • 1. : . . •i• 1 . , 1...i PAU; KiP- 1762.::iiGokiiiV-2.4q.-Ang5101'420 : ;! i't " ; A:llerticado d:gd_alitietite dal 01;11;79M/12156-it tAll.Ct'At:IGOStd attAfe,(6-('` Impress° em -18107:2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO DF CARF MF 1)1 ( AR1 Process() n° 10111.000547/2004-43 S3 - t Acórdao n.° 3102-01.514 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento relatou a matéria de maneira adequada. Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir relacionados: I.Imposto sobre Produtos Industrializados, fls. 01/04, no Valor total de R$ 256.285,70, incluindo encargos legais. U. Multa Regulamentar, fls. 05/07, no valor total de R$ 51.257,14. 111. Pis/Pasep Importação e Cofins Importação, fls. 08, nos valores de R$ 353,44 e R$ 1.627,98. respectivamente. IV. Multas sobre o Pis/Pasep Importação c Cotins Importação, lis. 09. nos valores de R$ 265,08 e R$ 1.220,99, respectivamente. De acordo com a Descrição dos Fatos 'e Enquadramento Legal, lis. 02 e 06 os lançamentos decorreram da infração indicada a seguir. 1. Falta de Recolhimento. O Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI foi pago com base na aliquota de 15%, relativo a NCM 8525.20.13. Entretanto. considerando o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003 e, levando-se em consideração também o acórdão da turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJ, n° 6.607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00, a qual apresenta aliquota de 20% do WI. Portanto. cobra-se a diferença de IPI relativa à nova classi ficação NCM. Enquadramento legal: Arts. 2°, 15, 16, 17, 21, 24. 30, 32, 34, 122. 123. 125, 127, 130, 131, 138, 200, 201, 202, 465, 466, 467, 469, 470, 471, 472; 473, 474, 476, 478 e 488 do Decreto n°4.544/2002 - RIPI/2002. 2. Mercadoria Classificada Incorretamente na Norneclatura Comum do Mercosul 0 contribuinte, quando do registro da Declaração de Importação. DI. classificou a mercadoria em tela na NCM 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declaratório lnterpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003 e. levando -se cm consideração também o acórdão da turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJ, n° 6.607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00. Portanto, considerando-se o erro na classificação fiscal cobra-se a multa de I% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, de acordo com o art. 84 da Medida Provisória n° 2.458-35/2001. A essa multa não se aplica a redução prevista no art. 6° da Lei n°8.218/91, conforme art. 81. IV, da Lei n° 10.833/2003. Enquadramento legal: Arts. 2°, 97, 482 a 485, 489, 491, 504, 602, 603, inciso I e IV, 604, inciso IV, 636, inciso 1, e §§ 3° a 5 0, e 684 do Decreto h° 4.543/2002; art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.15812001. Inconformado com as exigéncias, das quais tomou ciência em 17/08/2004. lis. 27, apresentou o contribuinte impugnação em 16/09/2004, Ills. 30/51, contrapondo- se ao lançamento corn base nos argumentos a seguir sintetizados. Nulidade por Inépcia e no que tange à descrição fato, o auto de infração extremamente lacônico, limitando-se a afirmar que o IPI foi 4agoi7c2in base no h NCM 8525.20.13, mas que a correta classificação na Al, ,1„..:, f.; e:11 2:.■ 12 r: D(')1`:i ie.r1;':',Ii<1!-;Arii:,V1r5 42120-i). ; V:241%0,1aRh`.:6 '221 P`'( 2 0.1KitErkrotli (411 1P,)7,2014 pur IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO Fl. 636 11. ;DO Fl. 637 :;to S3-C1T2 FL 4. DI' CARL' ,MF 1)1 CAW- Ml• Processo n0 101111100547/2004-43 Acórdao n°3192-01.514 NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00, corn a aliquota de 20% de IP1. Não especifica. todavia, qual a mercadoria em tela, nem a razão explicita pela qual a NCM adotada pela impugnante seria incorreta. Quanto à disposição LEGAL infringida, de menção Obrigatória no auto de inf,-ação, cita o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003, que não tem força de disposição legal c o acórdão da ia turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJ, no 6607, de 23.04.2004, sem indicação do processo administrativo no qual foi proferido e igualmente sem força de lei; já os artigos do decreto n° 4.544/02, nos quais enquadra a exigência, cujo conteúdo é anexado a esta impugnação, não mostram qualquer relação com o fato descrito no auto dc infração, o mesmo ocorrendo corn os dispositivos legais citados para justificar a exigência dos acessórios com exceção do art.16, que ratifica os fundamentos de defesa da Impugnante, dispondo que será feita a classificação - DOS PRODUTOS - dc conformidade com as Regras Gerais para interpretação (RUI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decreto-lei n° 1.154. de 1° de março de 197), art. 3°), e não em conformidade com Atos Declaratórios Interpretativos ou com precedentes decisórios adotados no julgamento de casos específicos. Diante do exposto, requer a I mpugnante, em preliminar, que seja julgado nulo o auto de infração ora impugnado. No Mérito No mérito, que se discute por cautela, a exigência é totalmente improcedente; com eleito, a Impugnante importou, dos Estados Unidos da América do Norte, através da Declaração de Importação no 04/0721573-0, os equipamentos que nela assim descreveu: Descrição Detalhada da Mercadoria. Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos P/N do sistema 10-J1537-1, constituído por antena móvel de transmissão e recepção por satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS P/N 1041462-1 e acionador de veiculo corn tela de cristal (unidade de display) teclado P/N CV90-53152-2. e acessórios antenas move( de transmissão e recepção por satélite de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle, receptor GPS P/N 10-11537-1 cujos os NRS são: (. ..) De acordo com a seção XX do Manual de Instalação do MCI, ou IMCT abreviatura que designa a máquina móvel acima descrita, suas características são as seguintes: 0 Terminal de Comunicações Moveis (IMCT) é a parte móvel do sistema OminTRACS que é instalado no veiculo do cliente. Ela da ao motorista a habilidade de enviar mensagens para a central de despacho e recebê-las do mesmo. O IMCT também envia informação de localização para a central da Autotac (NMF). O 1MCT consiste nos seguintes componentes: Unidade de comunicação-antena (ACU) - contém a antena que se comunica corn o satélite e contém circuitos de operações e memória. ,.::! (ii) 2 (It- 24itg,21;01 ,11 PAU: Ass;:lev:o r.•;Jira: f'16,0 7+20 12 p D(Ic ii rrti tsifrockr di ■Iitz-rniferith o4..r I-,fICARD() PAULO R ■Yot■ Atnon!itat,o Impres ,o em 18/0712014 pot VANA CLAUDIA SILVA CASTRO 3 D17 CARFMF FL 638 1)1 CARI MI II. 308 Processo n° 10111.000547/2004-43 S3-C11 2 Acórdiio n.° 3102-01.514 H. 2. ,0292" Dispositivo de interface de usuário - Este pode ser um teclado (DU), teclado expandido (EDU) ou urn MVi.PC. MVPc Urn computador de bordo. om uma tecla sensitiva a toque, teclado integrado, microfone e alto-falante que pode rodar programas próprios ou e‘waerciais. Teclado (DU) - Consiste em um Teclado e um display que o motorista usa para se comunicar com o despachante. Teclado estendido (EDU) - A versão mais nova do DU que consiste em um teclado e um display que o motorista usa para se comunicar com o despachante. Cada 1MCT tem o seu próprio endereço de unidade que é o serial number do ACU. Esse endereço é usado pelo NMC para rotear as mensagens para o veiculo correto. 0 endereço de unidade de um caminhão em particular vai mudar se o ACU do caminhão for trocado. 0 operador do IMCT usa as telas do display para criar, mandar e ler mensagens, verificar o sistema e descobrir problemas. A máquina cuja importação se constituiria no fato gerador do imposto é utilizada exclusivamente integrada a um sistema denominado OminSat, cuja função é propiciar a comunicação de mensagens e textos entre um ponto fixo c um ponto móvel, basicamente entre a administração de urna empresa ou entidade e seus veiados. Informações do manual do fabricante transcritas às págs. 06/07 (fls. 35/36). Encontram-se enumeradas no manual as várias funções, desempenhadas polo Sistema, todas derivadas de Telecomunicação. Ora, é evidente que a "máquina móvel" tem destinação especifica definida, qual seja a de se integrar ao Sistema Ominisat em conjunto, com ele constituindo um corpo único, para realizar funções diferentes, mas complementares, entre as quais predomina (corno principal) a de telecomunicações que caracteriza e define o sistema. A 1mpugnante, ao buscar o correto enquadramento fiscal da máquina importada para efeito de recolhimento dos tributos devidos, seguiu a orientação constante da seção XVI e respectivas notas da tabela de incidência do II c do !PI aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26/12/2002, em especial as notas 3, 4 c 5, que definem os seguintes parâmetros para a identificação das posições e códigos da NCM: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies d ferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem corno as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam-se de acordo corn a função principal que caracteriza o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente urna função bem determinada, compreendida em urna das posições do Capitulo 84 ou do Capitulo 85, o conjunto classifica-se no posição correspondente 5 função que desempenha. 5. Para aplicação destas notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos • ,.,,,rcitados nas posições.:dos.Capitulos 84 a 85. i?,. lay A Q.n :73;() ?f;-:() 2 ¡ ,• ludo' d4faitll.tiht■ : :CO' ' 2 i'or i AkI)0 rAUi. 0 4 Adt ,, r^licado o f ¡.;'61tairrt»', ■ iliGafi:*6(kritf,k`k6\ impress() em 1B:07:20 - 4 pof IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO Fl. 639 I 1..i0t) 1+34:11 .2 l'1. a- ) DF CARF MF DI (Ali MI Process() n° 10111.000547/2004-43 Acórdão n.° 3102-01.514 Associadas as características técnicas e a destinação funcional da máquina irrportada com a orientação legal para a respectiva classi ficação, codificação e tributação de acordo com a NCM adotada para efeito de incidência do IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO e do IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSRIALIZADOS (JS, chega-se necessariamente ao Código 8525.20.13, que descreve aparelho corn •.;:flacteristicas rigorosamente iguais ao MCT, conforme se vê do respectivo texto: 8525 APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARA RADIOTELEFONIA, RADIOTELEGRAFIA;: RADIODIFUSÃO/OU TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO DE RECEPÇÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM: CÂMARAS DE TELEVISÃO; CÂMARAS DE VIDEO DE F IMAGENS FIXAS OUTRAS CÂMARAS ("CAMCORDERS"). 852520 — Aparelhos transmissores (emissores) corn aparelho receptor incorporado. 85.25.20.1 — De telecomunicações por satélite. 85.25.20.13 — Digital. para transmissão de 1/0z ou dados operando em banda C, Ku ou L(2). Repetindo-se que o equipamento importado é uma máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços moveis de processamento de texto com um acessório para posicionamento de veículos através do GPS. transmitindo e recebendo mensagens por satélite, não hi, data vénia, corno encontrar classificação mais adequada na NCM. A Impugnante já vem sendo constrangida hi algum tempo pelas autoridades fiscais a adotar a classificação do equipamento naNCM por elas definida arbitrária e aleatoriamente, assim se afirmando diante da necessidade de um exame técnico da mercadoria, necessário para subsidiar os parâmetros legais orientadores da correta classi ficação. Na falta do exame técnico do MCI por parte das Autoridades Alfandegárias do Aeroporto Internacional de Brasilia, procedimento elementar para a legalidade do ato e que seria necessário e imprescindível para a exigência da alteração da N.C.M. após 10 anos de desembaraços mensais regulares envolvendo valores significativamente elevados, a Impugnante procurou a Universidade de Brasilia- UnB, terceira parte independente e detentora de corpo técnico reconhecidamente com notório saber, para elaboração de laudo técnico do MCT e do Sistema OmniSAT, com vistas a esclarecer As Autoridades Alfandegárias a classificação correta do MCT, definitivamente, de forma clara, neutra, inconteste e documental. 0 laudo anexo não deixa dúvidas acerca da correção do entendimento da impugnante sobre a matéria. A defesa transcreveu As págs. 11/14 (fls. 40/43) trechos de alguns quesitos e respectivas respostas. Não bastasse o laudo, os serviços prestados pela Impugnante, através do Sistema OmniSAT, são objeto de outorga do Minicom/Anatel, nos termos da Portaria 904/93 (doc. de fl. 53 anexo) e processos complementares, classificados na Portaria como serviços de comunicação, recolhendo a lmpugnante todos os impostos de telecomunicações, tais corno ICMS, FUST, FUNTEL, TFF, TFI e outros. Ou seja, o próprio órgão máximo regulador das telecomunicações brasileiras definiu, através do ato da outorga, portaria 904/93, que os serviços prestados pela Irnpugnante são de comunicação. Ressalte-se que os serviços de comunicação são ;,30 Cf1:11(1 ■ Mt: M;- ' 110 2 200 2 2410t12001 • r. .!•1 , . •• •,.:-Ir• ,;¡ i':'3/0"..:<•;.12 pot HI: - ..̂ ..IRD(.` Pi..ji ROSA A.;s1m,c,t LItY07 ,2012 p fre0 fiIfsTI'lgaTif:PLa I LINVelM05.100/:20 1 2 -:. 10/'.:Cs :3 I 'AU'. FR' Alt ft ,2ilt.c -id0 dig tip:I'fil'AYE, 'd ,512bi. Im[_ ■ re,,:; . ) em 1810712014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO DF CARF MF Fl. 640 01 CAW MI• 11. ;10 Process° n" 10111.000547/2004-43 S3-(1T2 Acordao n.°3102-01.514 FL prestados através do Sistema OmniSAT, do qual o MCT é parte integrante, sendo. conseqüentemente, o MCI, um equipamento de comunicação. Ainda corn o objetivo dc não pairar dúvidas sobre a questão, solicitou Impugnante declarações do fabricante e fornecedor do MCT e da erriDreo , de Auditoria Externa Independente que subscreveu anualmente as Demonstrações Financeiras da Autotrac (does. de fls. 54 e 55), corn vistas a identificar e comprovar, respectivamente, o custo de importação do GPS embutido no prep FOB do MCT e a participação da receita gerada pelo uso do GPS na receita total dc comunicação. A defesa fez As pigs. 15/16 (fls. 44/45) transcrição de ambas as declarações. Está, pois, demonstrado e comprovado que, pelo critério de engenharia, com ase nas características, funções, aplicações e utilidades, conforme comprovado pelo laudo emitido pela Universidade de Brasil ia-UnB, a função principal do MCT ela de comunicação, sendo acessória a de posicionamento viabilizada pelo GPS. bem como que o GPS é opcional no MCT. Está igualmente demonstrado e comprovado que, 'pelo critério econômico e financeiro, conforme certificado pelas declarações do fornecedor externo do PACT, Qualcomm Incorporated, e da empresa de Auditoria Independente, Moore Stephens, a composição do GPS no custo e na receita da Autotrac é irrelevante, representando apenas 4% do custo FOB do MCI e 11,7% do total da receita de comunicação gerada, bem corno que a própria Anatel já classificou os serviços prestados pela Autotrac como de comunicação (doe. de fl. 53), sendo, conseqüentemente, o MCT, um equipamento de comunicação. Conclui-se, pois, que razão não assiste As Autoridades Alfandegárias do Aeroporto Internacional de Brasilia ao exigirem que o MCI seja classificado na N.C.M. 8526.91.00 e que a classificação correta é a que a Autotrac vem praticando há 10 anos, ou seja, a 8525.20.13. 0 agente fiscal, todavia, embora não explicitando a razão pela qual estaria incorreta a classificação do equipamento na NCM 8525.20.13, indicou corno correta a NCM 8526.91.00, também sem explicar porque esta seria a correta, menciona como justificativa o Ato Declaratório interpretativo SRF n° 014, fazendo presumir que. no 'seu entendimento, o equipamento seria caracterizado como de rádio navegação, uma vez que é esta a espécie descrita no Código 8526.9100. por ele reputada correta. Este entendimento, no entanto, é totalmente desprovido de suporte técnico e de amparo legal. Em 04 de setembro de 2003 foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 14, de 02 de setembro de 2003, que dispõe ern seu artigo único: "Artigo único: Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS), desempenhando a função de auto localização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificam-se como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul'", (doc. dc -fl. 01) anexo. 0 referido Ato Declaratório teve corno origem a "Nota n° 244 Coana/Cotac/Dinom", que dispõe, na segunda parte de seu parágrafo n° 2: "Por trinta votos (quorum de 32 votantes) o GPS foi classificado na posição 85.26, como aparelho de radionavegação, considerando que desempenha a única c bem determinada função de auto localização em coordenadas dc altitude, latitude e I: ( t.):!•'2 ■ • .• : :•::' • • :t Çr. ■7,2 . Po! Di!1,1In ,V.;.e'r.1(1,Ae 12 I ., Ric .4T. ; : >Au! (.; 6 t 1 'El) t;Iti;:tc:61i.,. ri T (N 1 012 ic.)71). it;H I l lniIr ■ ri 18 10712014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO Fl. 641 I- Li I I S3-C111 .2 l • 1. 272 DF CAW' MI' CARI. MI . Process() 110 10111.000547/2004-43 Acórdão n.° 3102-01.514 longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites" (does. de fls. 02 e 03) anexo. Pela simples leitura dos instrumentos normativos acima citados, ato declaratório n° 14 e nota número 244. constata-se de forma clara e inconteste que o aco declaratório ultrapassou a orientação contida na Nota, possuindo abrangência muito superior à nota que lhe deu origem, send() vejamos: Diz a Nota: "Por trinta votos, (quorum de 32 votantes) o GPS foi classificado na posição 85.26, como aparelho de radionavegagão, considerando que desempenha a única e bem determinada função de auto localização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de radio emitidos por uma constelação de satélites, (grifou-se). Diz o Ato: os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning Sustem — GPS), desempenhando a função de auto localização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificam-se como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul ". (grifou-se) A Nota n° 244 Coana/Cotac/Dinom concluiu, expressamente, que o GPS deve ser classificado na posição 85.26. Não trata a nota de aparelhos ou equipamentos que façam uso ou contenham o GPS. mas do GPS em si. Essa é a única conclusão que se pode extrair do claro texto da mencionada Nota. No entanto, o Ato Declaratório lnterpretativo combatido, fundamentando-se expressamente na Nota n° 244, conferiu a esta interpretação muito mais extensa. incluindo na posição 85.26 também os "aparelhos e equipamentos que fazem uso do GPS" que se trata, evidentemente, de conceito distinto. Ou seja, o ato interpretativo foi além do conteúdo da Nota, ao classificar na posição 8526.91.00 os aparelhos que fazem uso do GPS para o desempenho genérico da função de auto localização, quando só poderia fazê-lo para os aparelhos que desempenham a função especifica de auto localização, comp faz concluir expressão "única e bem determinada função de auto localização", contida na Nota. Esta demonstrada e comprovada, pois, urna inconsistência técnica relevante (erro material) entre o Ato Declaratório e a Nota que lhe deu origem, merecedora de imediata correção (retificação do ato), sob pena de elevados prejuízos ao contribuinte importador, como está ocorrendo com a Autotrac. Corrobora a necessidade da correção, o fato da interpretação literal do ato declaratório levar a situações inusitadas e absurdas, inclusive para abranger na classificação os aparelhos e máquinas dotados do GPS para funções acessórias e complementares das funções básicas, tais como veículos e colheitadeiras, telefones celulares (doc. de fl. 57 anexo) e outros aparelhos fabricados corn o GPS embutido para fazer uso dessa tecnologia já integrada no cotidiano das atividades empresariais e ate pessoais, que nem por isso são classificáveis na posição determinada pelo ato interpretativo. importante salientar que as gritantes incorreções no Ato Declaratório Interpretativo n° 14, conduziram-no a revogação pelo Ato Declaratorio lnterpretativo n° 22, de 20/08/2004, publicado no DOU de 23/08/2004. A ora Impugnante vem promovendo a importação 'dos MCT's desde o inicio de suas operações na década passada. Durante todo esse período, o desembaraço das .; • 2 "; 00 24/12001 • • -1.1 , 1;.1mr.r,o Pro Oro r./.:11'.:1 ., .1 1-:!! ALZDO A.,<;s: , 1•1:1r, Glg(i.r•::1)tit (•ii ,)712 ')I ,:: Doc:un'ir4t6 ; ..i rs61a .cto KA-1''''MO'2[11.'1. 1 E-Strlitegsty054: 1 :112 ;; ; ;.' oct PAU' LI kt 7 ten:ir.'acio r 01(0 ; imp,re,s0 em 18/07 12014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO Dl Ci\RFMF 1)1 CAR!. \-11. FL 642 FL 312 S3-C1T2 F l. Proccsso no 10111.000547/2004-43 Acórdão n.° 3102-01.514 importações da hnpugnante ocorreu sem nenhuma contestação por parte dos fiscais tia alfandega. Também importante notar que, por diversas vezes. o desembaraço da mercadoria importada se deu através do chamado canal vermelho. Coimo se sabe. nesses casos o produto importado e detidamente examinado pelos fiscais alfandegários. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve às págs. 141 (4is. 4,9 o art. 20 da Instrução Normativa n° 206/02. A titulo de exemplo , a impugnante, listou as págs. 20 (lis. 49) algumas das DI's da autuada que foram submetidas a essa detida análise (canais amarelo e, em especial, vermelho) e, posteriormente, liberadas sem qualquer restrição por parte da Receita. Desta forma, verifica-se que a Autoridade Alfandegária vem, reiteradamente, mormente nos casos de canal vermelho, em que obrigatoriamente há a vistoria aduaneira da mercadoria, confirmando como corretas as classificações utilindas pela Irnpugnante para a importação dos produtos em questão, tendo o presente auto sido lavrado tão somente em razão de evidente desconhecimento do Sr. Fiscal acerca do produto importado e suas características. Tamanha a incúria do Agente Fiscal, que não atentou para o fato de que, em casos de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, como a ora debatida, haveria que se afastar pelo menos as penalidades, os juros de mora e a atualização monetária dos tributos, de acordo com o parágrafo único do artigo IOU do CTN. Esse também é o entendimento do Eg. Conselho de Contribuintes c do C. STJ (ementas transcritas as págs. 21 - Us. 50). Do Pedido Em conclusão, nem o Ato Declaratório / Interpretativo SRF no 014, norma de qualificação hierárquica inferior, já revogado por inconsistência jurídica através do ADI número 22, de 20/08/2004, nem qualquer regra legal que sirva/de parãmetro para a classificação fiscal de mercadorias na NCM, apresenta-se corno apta para dar suporte ao auto de infração ora impugnado. pelo que requer: I. A declaração de NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ora impugnado. por s ausência dos requisitos legais e formais para sua subsistência; 2. Se ultrapassada a preliminar, no mérito, seja julgada improcedente exigência, por falta de amparo na legislação tributaria, já que os documentos anexos (laudo técnico, manual do equipamento, declaração do fabricante, declaração dos auditores da impugnante e a outorga MINICOM/ANATEL expressa na portaria N° 904/93) comprovam a inexistência do fato gerador da diferença do imposto e das contribuições (PIS/COFINS), por ser tratar, na espécie, de equipamento de comunicação e não de radionavegação, como entendeu a autoridade fiscal. 3. Para o caso de serem rejeitados os pedidos anteriores, hipótese aventada pela impugnante ern atenção ao principio da eventualidade, fica requerida a exclusão das penalidades, representadas pela atualização monetária, multas c juros. em obediência ao artigo 100, do CTN. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento assim sintetizou sua decisão na ementa correspondente. .t. fl (. t.0.1(.1(1 ,(! • 2 100 2 :le 24/CA;120/J1 • ill lit, t, , -, HICARLY.) PC-U! .:nacIn (1;g:wtinte n 1)6,07;2012 [, L) hiPtri"V2,030.1i;dfi'tr-RVLO:RNat ) ` 2 pc" :;/1.kt )C r'A'Y C; ROSA nip NE§i::1KIY,RR6 em 1i/]7!2014 pill IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO li DF ('ARF MF Fl. 643 1)1 CARI . FL 313 Processo n° 10 l 11.000547/2004-43 S3 -C1T2 Acórdão n.°3102-0I.514 Fl. LL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2004 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA DE MERCADORIAS. MCT. 'Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços 'novels de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de pro transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GI'S, unidade de controle receptor. acionador de veiculo com tela de cristal liquido" designado comercialmente como MCT -Terminal Móvel de Comunicação e que se 4 caracteriza como hardware transmissor com receptor incorporado, digital. de telecomunicação por satélite, cm banda C, o qual é integrante do Sistema OmniSAT e faz uso do sistema GPS, classifica-se no 411 código NCM 8526.91.00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Improcede a argüição de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando o peticionante, na impugnação, demonstra pleno conhecimento da infração apontada pelo fisco. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, o recurso voluntário analisado e votado por este colegiado, recebendo a seguinte ementa. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MCT. Máquina move] para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena !novel de transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veiculo corn tela de cristal, designada comercialmente como MCI - Terminal Move! de Comunicação, classi fica-se no código TEC 8525.20.13. Recurso Voluntário Provido. Agora, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta Embargos de Declaração ao Acórdão prolatado, acusando omissão no deciszon. É o relatório. Voto A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional considera ter havido omissão no acórdão embargado. A seguir os termos nos quais manifesta-se a i. Procuradora. Pois bem. Conforme se fará demonstrar, o acórdão embargado padece de ::•,. . 11 , • J .71[; 1, ,c coo .4 JO 2,trvwcpol omissão, no clue, concerne As normas complementares estabelecidas no Sistema :• ::".• • • II'. d•'; ! , !;f1,.1,1 (: 'JO an :1(,ARI.)(:. PAUL( 1 POSA. ASS•nii(.10 ;:lgitii1menZe en 06 ,07i2112 p 9 Drirui t.e:'',4;*si 1400 d,11„! -!.1,dolliaGlY511141::: 051C3/20 (2 poi. 1 ,..10ARDO pAl.), ,-*/,1,5)A AteO cprItyL! Imp ,eo em 18i07/2014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO Fl. 644 FL 314 DF CARF MF 1)1 - CAR1- S3-C1T2, Fl. Harmonizado de Designação e de Codi ficação de Mercadorias, assim conto na Nomenclatura Comum do Mercosul e na própria TEC — Tarifa Externa Comum e TIPI — Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. E de se lembrar que a NCM passou a vigorar no Brasil a partir da edição do Decreto n" 1343/94, e a TIPI a partir do Decreto n°2092/96. A leitura do inteiro teor do embargo de declaração apresentado revela tratar- se, segundo meu entendimento, de objeção à decisão tomada pelo colegiado e aos fundamentos que lhe deram suporte, restando não identificada a alegada omissão. Isso fica claro do excerto stguir transcrito, que contém a essência do protesto veiculado pela Douta Procuradoria. Com efeito o cerne da questão diz respeito à classificação fiscal por ele adotada quanto à mercadoria denominada MCT — Terminal de Comunicação Móvel, haja vista que entende a União estar ela em desconformidade com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, visto que o referido terminal tern a função de, uma vez instalado em veiculo e integrado no sistema OnmiSAT, via satélite, transmitir e recepcionar dados, ou seja, função de telecomunicação, inclusive com a finalidade de localização do veiculo. Assim sendo, acaba por desempenhar, entre outras funções, também a função que se caracteriza corno a de radionavegação, razão pela qual a Fiscalização a enquadrou como máquina móvel de telecomunicação ou MCT (Terminal Móvel de Comunicação) por fazer uso do sistema de posicionamento com base em satélites, de modo que a situação de ser parte integrante do sistema OniniSAT, ou não, foi considerada irrelevante para o deslinde da presente questão. lnduvidosa a característica principal da referida mercadoria, qual seja a de propiciar a localização do veiculo no qual ela é instalada, conforme se depreende das explicações acostadas aos autos, tanto pela impugnante, quanto pela Fiscalização. Assevera-se ainda que o Sistema Harmonizado de Designação c de Codificação de Mercadorias (...) é unia nomenclatura concebida com o objetivo de permitir a elaboração de tarifas aduaneiras, como também de admitir a sua utilização) por transportadores, estatísticos com fins dc unia maior facilitação do comércio internacional, aperfeiçoando a coleta e a análise de dados estatisticos e buscando unia diminuição de gastos e encargos. através da adoção de um sistema único dc designação e de codificação de mercadorias. Com advento do MERCOSUL, restou criada nomenclatura própria, baseada no citado Sistema Harmonizado, e que, no caso especifico trazido nos autos, a classificação deve-se reger pala RG1 n° 1, conforme Nota de Seção XVI nos 4 e 5 que nos remete quando unia máquina ou combinação de maquinas seja constituída de elementos distintos de forma a desempenhar conjuntamente unia função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capitulo 84 ou do Capitulo 85, o conjunto se classifica em uma posição correspondente à função que desempenha. Não por outra razão, andou bem a fiscalização ao entender que como o NICT tem a função de transmitir c recepcionar dados, sua função é a de telecomunicação com a final idade de localização do veiculo utilizando-se do sistema GPS. Portanto, incontestc que para efeito de classificação fiscal, "a existência do GPS deve ser considerada como função principal, desconsiderando-se aspectos comerciais ou financeiros e que a utilização do usuário é irrelevante, levando-se em consideração apenas o aspecto técnico." ; , .onIorrrie MP r:" 2 20()..2 e 24 i002001 ■-..111/5:0 ( .1201Z 01-:r HIGilk1)() PAULO P ()SA. iv,sinaur) thultatneIiI elo 06/27.'2012 p 1- ) ■ 70.1-ne• A;',W1P.:1!Idigtioirr.,IFteYwx 03A)51231 2 vo; Ft:CARD:1 PAULO It(,)SA Aill , tr it ca'do 9iq jrs f4Nr.:0 Inp m 1010712014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO Processo n° 10111.000547/2004-43 Acórdão n.° 3102-01.514 Fl. 645 11.. 1 15 S3-('1T2 H. Li DF CARF MF 1)1 CAR! MI. Processo n° 10111.000547/2004-43 Acórao n.° 3102-01.514 Em assim sendo, como a existência do GPS se faz imprescindível, e é este que localiza e monitora os veículos nos quais são instalados o MCT que processara a comunicação realizada pelos dados obtidos pelo citado GPS, correto o procedimento fiscal, haja vista que norteado pelas regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Nestes termos, resta inequivocamente passível de reforma o v. acórdão administrativo nos pontos aqui guerreados. Data máxima vênia, sequer reconheço o momento ou o ponto no qual o Acórdão ter-se-ia omitido. 0 que percebo são divergências em relação à função do GI'S e A fi.,rnia de considerar aspectos comerciais, técnicos e financeiros e de utilização dos bens importados na classificação do produto. Assim, VOTO POR REJEITAR os Embargos, tendo em vista não ter ocorrido a omissão acusada pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 24 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa . ,... • • ot:411.)1010.1.,.: conloolo ME' n" 2 200 2 de 2z/OB 1200 -, • -I v. 05105r2 ( 11r RICA111.:() PAU; C ROSA AssocIo cir,litaImente. et!! 06.'0712012 r Ii -ZqVdiil'itIrite ( fitii inii9e/As.litici!.',.!b9T.:61k1.2 .4?38P2raP6:2012 Poi RGARI--)c ) PAULO kusA Impr.-) em 1010712014 por IVANA CLAUDIA SILVA CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720143/2011-93
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008
APLICAÇÃO CONJUNTA DE MULTA E AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. EXISTÊNCIA AUTÔNOMA. DESCUMPRIMENTO DA LEI E DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA E VIOLAÇÃO A CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. MULTA NO PATAMAR DETERMINADO EM LEI E ADMITIDO PELO STF E STJ. APLICAÇÃO DA MULTA DE MORA ANTIGA, CASO MAIS BENÉFICA. O QUE DEVE SER VERIFICADO NA ÉPOCA DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. A multa a ser aplicada, no período suscitado, é a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 - A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser a mais benéfica, hipótese esta que deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 257 1 256 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.720143/201193 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.318 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria CP: REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO e SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO – SAT/GILRAT/ADICIONAL e CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Recorrente METROPOLITAN SERVIÇOS E LOCAÇÕES DE EQUIPAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008 APLICAÇÃO CONJUNTA DE MULTA E AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. EXISTÊNCIA AUTÔNOMA. DESCUMPRIMENTO DA LEI E DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA E VIOLAÇÃO A CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. MULTA NO PATAMAR DETERMINADO EM LEI E ADMITIDO PELO STF E STJ. APLICAÇÃO DA MULTA DE MORA ANTIGA, CASO MAIS BENÉFICA. O QUE DEVE SER VERIFICADO NA ÉPOCA DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. A multa a ser aplicada, no período suscitado, é a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser a mais benéfica, hipótese esta que deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 01 43 /2 01 1- 93 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 258 2 (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 259 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.329.1795, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, cota patronal e SAT/RAT e contribuintes individuais cota patronal, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 20 a 30, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 35 e 36. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 11/04/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 194 a 197, estando acompanhada dos documentos, de fls. 198 a 200. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1532.505 6ª, Turma DRJ/SDR, em 15/05/2013, fls. 223 a 228. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 14/08/2013, conforme AR, de fls. 233. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 238 e 243, recebida, em 09/09/2013, acompanhado dos documentos, de fls. 244 a 248, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Mérito · que foi aplicada multa e obrigação acessória, o que configura bis in idem, que somados aos demais autos revela o caráter confiscatório da multa, o que é vedado pela CF, sendo excessivo o montante em relação a infração tributária, pois não se coaduna com nosso sistema jurídico, ao prever incidência de juros moratórios e correção monetária; · que a multa deveria apenas penalizar o contribuinte por desrespeitar a legislação tributária e a imposição de multas elevadas e reiteradas configura verdadeiro confisco do patrimônio do contribuinte, havendo esse efeito sempre que afronta a liberdade de iniciativa, do trabalho, de ofício ou profissão, bem como pela inviabilização da atividade econômica; · que esta havendo confisco na imposição da multa, pois vultosos os valores, penalizando a atividade da empresa, não podendo esta ficar Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 260 4 sem seu capital de giro para satisfazer o Estado, adimplir essa obrigação seria o mesmo que condenar a propriedade privada a ser consumida por ato estatal, sendo que a CF/88 reprime o efeito confiscatório e que vise apreender ou adjudicar bens pertencentes ao particular, sem indenização, em favor do Estado, cita AB e BP, bem como Profº SD, citado por BP; · que os princípios da vedação do confisco e capacidade contributiva estão previsto na CF, embora a parcela impugnada não seja tributo, os paradigmas constitucionais atingem, também, as penas fiscais, volta a citar BP; · que apesar de previstas em lei a gradação das multas deveria ser efetuada, conforme a natureza e a importância da infração e não em percentual fixo sobre o montante do tributo em valores que extrapolam o bom senso jurídico, cita novamente AB, sendo recomendada pela equidade a exclusão do abuso pela aplicação de multa vultosas, pois são sanção confiscatória, ferindo de morte a razoabilidade e a proporcionalidade; · que o lançamento tributário se deu em razão de constar nos cadastros internos do fisco que a empresa foi excluída do SIMPLES “ex oficio”, contudo este depende de emissão de AD assinado pelo Delegado da RFB e cientificado ao contribuinte, o que não houve, sendo nulo o lançamento tributário, por ausência do requisito; · que as questões preliminares e prejudiciais devem ser decididas antes das de mérito, devendo ser decretada a nulidade do lançamento, pois este não contém elementos suficientes para determinar com segurança a infração e o infrator; · que a empresa refuta o relatório de vínculos, pois o artigo 13, da Lei 8.620/93 foi revogado pela Lei 11.941/2009, por não constar do REFISC comprovação dos requisitos do artigo 134 e 135, do CTN, além do que muitas das pessoas listadas no Relatório de Vínculos sequer atuaram na empresa no período de constituição do débito; · que os preceitos buscam assegurar a não intimidação dos representantes da empresa por um delegado federal, visando obter esclarecimentos em inquéritos abertos para investigar crimes contra a previdência social, sendo isso cada vez mais comum; · Do pedido e requerimento: a) acolhimento das razões, julgando nulo o auto de infração, com o respectivo arquivamento; b) produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial documental e pericial, em razão do princípio da verdade material. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 251. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despachos de fls. 255. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 261 5 Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/11/2013, fls. 256. É o Relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 262 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O lançamento conjunto em uma mesma ação ou procedimento fiscal de créditos em razão do inadimplemento do recolhimento das contribuições sociais previdenciária, obrigação principal ou tributo propriamente dito, bem como da lavratura de crédito em decorrência do descumprimento da legislação tributária, isto é, descumprimento de obrigação acessória ou dever instrumental, não caracteriza bis in idem, haja vista que os pressupostos de cada obrigação e os fundamentos legais são distintos, entre elas, basta ver o que diz a Lei 5.172/66. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A exigência dos créditos representados pelos cinco autos de infração lançados em uma única ação fiscal não representam confisco como alegado pelo contribuinte e a razão é simples, o sujeito passivo deixou de cumprir com sua obrigação fiscal tributária ao longo de seis meses e decorrente de várias rubricas tais como: cota patronal (empregado e contribuintes individuais) e o SAT/RAT; contribuição pessoal do contribuinte individual não descontada; outras entidades e fundos – terceiros; e dois autos de infração por descumprimento de dever instrumental, 1) deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB; 2) deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. A aplicação de juros moratórios são uma decorrência da lei e são devidos em razão do retardamento do cumprimento da obrigação principal pela utilização do capital do Estado pelo sujeito passivo além do prazo legal. Porém, o lançamento não encerra correção monetária, pois tal índice encontrase extinto e não é aplicado a contribuição que se exige no lançamento, basta ler o Fundamentos Legais do Débito – FLD, de fls. 11, rubrica Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais – 602 – Acréscimos Legais – Juros e 701 Falta de Pagamento, Falta de Declaração ou Declaração Inexata. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 263 7 As multas não são elevadas e reiteradas apenas aplicase a multa em cada competência em que há o inadimplemento, se algo foi reiterado foi justamente o inadimplemento, pois foi isso que deu origem ao lançamento. A liberdade de iniciativa, do trabalho, de ofício ou profissão, bem como da realização da atividade econômica, não pode servir de escudo para o não cumprimento das determinações e obrigações legais em prejuízo de toda uma sociedade em favor de um único beneficiário, haja vista que não há direitos fundamentais absolutos, assim já afirmou o Supremo Tribunal Federal – STF, veja a ementa. PROCESSO PENAL. PRISÃO CAUTELAR. EXCESSO DE PRAZO. CRITÉRIO DA RAZOABILIDADE. INÉPCIA DA DENÚNCIA. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INOCORRÊNCIA. INDIVIDUALIZAÇÃO DE CONDUTA. VALORAÇÃO DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE EM HABEAS CORPUS. 1. Caso a natureza da prisão dos pacientes fosse a de prisão preventiva, não haveria dúvida acerca do direito à liberdade em razão do reconhecimento do arbítrio na prisão hipótese clara de relaxamento da prisão em flagrante. Contudo, não foi o que ocorreu. 2. A jurisprudência é pacífica na admissão de relaxamento da prisão em flagrante e, simultaneamente, do decreto de prisão preventiva, situação que em tudo se assemelha à presente hipótese, motivo pelo qual improcede o argumento de que há ilegalidade da prisão dos pacientes. 3. Na denúncia, houve expressa narração dos fatos relacionados à prática de dois latrocínios (CP, art. 157, § 3°), duas ocultações de cadáveres (CP, art. 211), formação de quadrilha (CP, art. 288), adulteração de sinal identificador de veículo motor (CP, art. 311) e corrupção de menores (Lei n° 2.252/54, art. 1°). 4. Na via estreita do habeas corpus, não há fase de produção de prova, sendo defeso ao Supremo Tribunal Federal adentrar na valoração do material probante já realizado. A denúncia atende aos requisitos do art. 41, do Código de Processo Penal, não havendo a incidência de qualquer uma das hipóteses do art. 43, do CPP. 5. Somente admitese o trancamento da ação penal em razão de suposta inépcia da denúncia, em sede de habeas corpus, quando houver clara constatação de ausência de justa causa ou falta de descrição de conduta que, em tese, configura crime. Não é a hipótese, eis que houve individualização das condutas dos pacientes, bem como dos demais denunciados. 6. Na contemporaneidade, não se reconhece a presença de direitos absolutos, mesmo de estatura de direitos fundamentais previstos no art. 5º, da Constituição Federal, e em textos de Tratados e Convenções Internacionais em matéria de direitos humanos. Os critérios e métodos da razoabilidade e da proporcionalidade se afiguram fundamentais neste contexto, de modo a não permitir que haja prevalência de determinado direito ou interesse sobre outro de igual ou maior estatura jurídicovalorativa. 7. Ordem denegada. (HC 93250, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 10/06/2008, DJe117 DIVULG 26062008 PUBLIC 27062008 EMENT VOL0232504 PP00644) (o realce é meu). Fl. 263DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 264 8 As multas aplicadas pela conduta do contribuinte em não recolher a obrigação principal e deixar de cumprir com os deveres instrumentais não são vultosas como alega. As duas multas por descumprimento de dever instrumental tem um valor módico e educativo e parcimonioso de R$ 1.523,57 cada uma e não fazem parte deste PAF, pois estão lançados em outros autos. Tais multas estão previstas em lei, das quais os projetos passaram pelo processo legislativo e pela sanção presidencial, momento em que o legislativo entendeu quais seriam os patamares adequados de penalização dos contribuintes que desrespeitam a legislação tributária e não cumprem com o seu dever legal. O fisco só faz aplicar a legislação em vigor, nos termos do artigo, 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142, e seu parágrafo único, da Lei 5.172/66. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL DO CPC. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ENTREGA DA GFIP (LEI 8.212/91). DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ENQUADRAMENTO NA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 11, I, § 1º, DA MP 38/2002. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE APENAS DE MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONVOLAMENTO EM OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 113, § 3º, DO CTN. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. Os benefícios fiscais devem ser interpretados restritivamente, prevalecendo a máxima lex dixit quam voluit (art. 111 do CTN). Precedentes: REsp 989.193/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/11/2009, DJe 18/12/2009; REsp 1089202/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 20/08/2009. 2. O benefício previsto no art. 11, § 1º, I, da MP 38/2002 (dispensa de acréscimos legais), direcionase tãosomente àqueles acréscimos incidentes sobre débitos oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o que não inclui, obviamente, as multas impostas em virtude do inadimplemento de obrigação acessória, (in casu, a apresentação de GFIP/GRFP com informações errôneas acerca dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, conduta tipificada no art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91, que determina que a apresentação de documento, com dados não correspondentes aos fatos geradores, sujeita o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada). 3. É que a MP 38/2002 estabelece, verbis: "Art. 11. Poderão ser pagos ou parcelados, até o último dia útil do mês de julho de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e no art. 11 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, decorrentes de fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002, relativamente a ações ajuizadas até esta data. § 1o Para os fins do disposto neste Fl. 264DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 265 9 artigo, a dispensa de acréscimos legais alcança: I as multas, moratórias ou punitivas;" 4. Ressoa inequívoco, da dicção do referido dispositivo legal, que, para beneficiarse da dispensa das multas moratórias ou punitivas (§ 1º, I, art. 11), impõese a observância, de forma cumulativa, dos seguintes requisitos: (i) os débitos sobre os quais esses acréscimos incidem hão que ser oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; (ii) os fatos geradores da obrigação tributária devem ter ocorrido até 30 de abril de 2002; (iii) os referidos débitos devem ser objeto de discussão judicial até 30/04/2002. 5. Destarte, interpretandose finalisticamente a norma jurídica supratranscrita, forçoso concluir que a mens legis reside no incentivo ao pagamento ou parcelamento de tributos (por isso exclui as multas) e não na instituição de remissão irrestrita do inadimplemento de obrigação instrumental. 6. In casu, o auto de infração é constituído tãosomente pelo valor principal, sem acréscimos, decorrente de multa por descumprimento de dever instrumental que, nos termos do art. 113, § 3º, do CTN convolou se em obrigação principal. 7. O caput do art. 11 da MP 38/2002 prevê que os referidos débitos tributários podem ser pagos ou parcelados nas condições previstas nos arts. 17 da Lei 9.779/1999, e no art. 11 da Medida Provisória 2.15835/2001, os quais ostentam a seguinte redação, litteris: "Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. (vide Medida Provisória nº 2.15835, de 24.8.2001)" "Art. 11. Estendese o benefício da dispensa de acréscimos legais, de que trata o art. 17 da Lei no 9.779, de 1999, com a redação dada pelo art. 10, aos pagamentos realizados até o último dia útil do mês de setembro de 1999, em quota única, de débitos de qualquer natureza, junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, desde que até o dia 31 de dezembro de 1998 o contribuinte tenha ajuizado qualquer processo judicial onde o pedido abrangia a exoneração do débito, ainda que parcialmente e sob qualquer fundamento.(Vide Medida Provisória nº 38, de 13.5.2002) § 1o A dispensa de acréscimos legais, de que trata o caput deste artigo, não envolve multas moratórias ou punitivas e os juros de mora devidos a partir do mês de fevereiro de 1999." 8. Destarte, ao contrário do alegado pela recorrente, não se vislumbra o seu enquadramento em qualquer das condições previstas nos artigos supratranscritos, uma vez que: (i) o art. 17, da Lei 9.779/99, não faz qualquer alusão a débitos decorrentes de multa por descumprimento de obrigação acessória, tratando especificamente de valor relativo a tributo, cuja regra matriz de Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 266 10 incidência tenha sido declarada inconstitucional, e cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal; (ii) o art. 11 da MP 2.15835/2001, conquanto possibilite a dispensa dos acréscimos legais aos pagamentos de débitos de qualquer natureza, restringea a duas condições concomitantes, quais sejam: a) que a ação, objetivando a exoneração do débito, tenha sido ajuizada até o dia 31 de dezembro de 1998, o que não ocorreu no caso sub examine (o mandamus foi impetrado em 2001, consoante exposto pela própria recorrente às fls. eSTJ 5); b) conforme disposto no § 1º, as multas de qualquer natureza e juros de mora têm que ser anteriores a fevereiro de 1999, fato que, à míngua de menção nas instâncias ordinárias, atrai a incidência da Súmula 07 do STJ. 9. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial desprovido. ..EMEN: (RESP 200802699820, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:05/11/2010 ..DTPB:.) (o grifo é meu). Além, do que já disse o Superior Tribunal de Justiça – STJ o Supremo Tribunal Federal – STF, também, proclamou a constitucionalidade e legalidade de multa aplicada em valor de até cem por cento do tributo, veja a ementa. Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ICMS. MULTA MORATÓRIA APLICADA NO PERCENTUAL DE 40%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES DO TRIBUNAL PLENO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal já decidiu, em diversas ocasiões, serem abusivas multas tributárias que ultrapassem o percentual de 100% (ADI 1075 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, DJ de 24112006; ADI 551, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Tribunal Pleno, DJ de 14022003). 2. Assim, não possui caráter confiscatório multa moratória aplicada com base na legislação pertinente no percentual de 40% da obrigação tributária. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 400927 AgR, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em 04/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 115 DIVULG 17062013 PUBLIC 18062013. (destaquei o trecho). No presente caso o Discriminativo de Débito – DD, de fls. 07 a 09, dá conta de que a multa foi aplicada no patamar de setenta e cinco por cento, assim dentro do que nossas cortes superiores consideram possível, não havendo o confisco alegado. O adimplemento da obrigação seja principal ou acessória é dever do contribuinte em beneficio do Estado e da sociedade e não sendo efetivado tal adimplemento fica o contribuinte inadimplente sujeito as penas e imposições legais de cobrança do crédito. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 267 11 Esclarecida a inexistência do confisco, passo ao estudo da capacidade contributiva. Inicialmente, esclareço que esse princípio não se aplica a contribuição social previdenciária, pois o texto constitucional diz que: “ Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte,...” e contribuição previdenciária não é imposto. Além do mais, basta ver e analisar o lançamento para saber que não há tal violação, pois a expressão monetária mais alta da contribuição está na competência 05/2007, no levantamento CP1 – PAGTO CI E SE GFIP 01 A 062007 com o importe de R$ 8.484,43 (valor original) para uma base de cálculo total de RS 38.634,68, ou seja, aquilo que o legislador constitucional e ordinário em seus prudentes arbítrios entenderam adequados para suprir o sistema de seguridade social. Ficou demonstrada que as multas estão dentro do que se considera razoável e proporcional pelo poder legislativo, bem como por nossos tribunais superiores como Supremo Tribunal Federal – STF e Superior Tribunal de Justiça – STJ. Assiste razão ao contribuinte o lançamento se deu por conta de sua exclusão do SIMPLES FEDERAL, a partir de 01/01/2007, pois segundo consta dos autos o contribuinte ultrapassou no ano calendário 2006 o limite de receita bruta. Entretanto, também, consta dos autos que foi emitido Ato Declaratório Executivo, DRF/CCI nº 006/2010, de 09/07/2010, publicado no DOU, em 12/07/2010, e que a empresa recorreu do ato de exclusão, o que infirma a alegação do contribuinte recorrente, de que não houve a emissão do ADE e sua cientificação, transcrevo o trecho do REFISC, que traz a informação. A Empresa foi excluída de ofício do Simples Federal a partir de 0l/01/2007 em razão de ter extrapolado o limite de receita bruta em 2006, através do processo administrativo 13502.000761/201032 formalizado por meio de Ato Declaratório Executivo DRF/CCI nº 006/2010, de 09/0712010, publicado no D.O.U em 12/07/2010. A empresa recorreu da exclusão porém de forma intempestiva e o ato de exclusão tornouse definitivo. Ingressou no Simples Nacional em 01/07/2007. Destarte, como esses esclarecimentos não existe a nulidade alegada, pois o contribuinte perdeu o prazo para apresentar a devida reclamação administrativa de sua exclusão como consta do trecho acima transcrito. Consta do COMPROT que o processo de exclusão do SIMPLES está arquivado no SAMF – BA, arquivo geral, desde 01/10/2013, conforme, anexo, ao final deste. A infração está mais que esclarecida nos autos o não recolhimento das contribuições sociais previdenciárias do período de 01/2007 a 06/2007, uma simples leitura do REFISC não deixa dúvidas, veja a transcrição. 1.5 DOS FATOS GERADORES: A fim de identificar a possível ocorrência dos fatos geradores dos tributos investigados esta auditoria analisou as informações Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 268 12 constantes das GFIP apresentadas pela empresa, de suas folhas de pagamento(meio papel e digital) e sua contabilidade(meio papel e digital livros razão e diário. De uma forma geral, foram identificados os seguintes fatos geradores, não confessados em GFIP e nem recolhidos: a) Diferenças entre as bases de cálculo apuradas pela empresa na contabilidade( base empresa)e as confessadas em GFIP; b) Pagamento a Contribuinte individual prestadores de serviços e sem o desconto devido para recolhimento à Previdência Social, portanto, em desacordo com a legislação e não confessados em GFIP. Os valores previamente confessados em GFIP pela empresa (GFIPs apresentadas antes do inicio da ação fiscal) foram lançados com o fito principal de apropriar os créditos da empresa ( GPS, retenções, etc), não sendo a princípio objeto de apuração desta fiscalização. Os demais relatórios, provas e documentos componentes do processo levam a mesma conclusão do que supramencionado. O infrator só pode ser um aquela a quem a lei confere a obrigação de promover a arrecadação e o recolhimento da contribuição o sujeito passivo contribuinte no presente caso a empresa recorrente, como identificado nos autos. O relatório de Vínculos – Relação de Vínculos nos termos da Súmula 88, do CARF e que abaixo transcrevo é mero documento informativo. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Questões ligadas a possível ação de outras autoridades no campo de sua competência constitucional expressa como é o caso do Departamento de Polícia Federal – DPF, também, não é da alçada desse conselho, o CARF sumulou a matéria. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada nos levantamentos, entendo que esta não é adequada, uma vez que ela foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 11/04/2011, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 269 13 Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2007 a 06/2007, Discriminativo de Débito DD, de fls. 07 a 09. Desta forma, para o período de 01/2007 a 06/2007, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, conheço do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, pois a multa a ser aplicada, no período suscitado, e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser a mais benéfica, hipótese esta que deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. ANEXO AO ACÓRDÃO Dados do Processo Número : 13502.000761/201032 Data de Protocolo : 06/07/2010 Documento de Origem : REPRESENTACAO Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720143/201193 Acórdão n.º 2803003.318 S2TE03 Fl. 270 14 Procedência : Assunto : REPRESENTACAO FISCAL IMPOSTO SIMPLES Nome do Interessado : METROPOLITAN SERV. E LOCACOES DE EQUIP. CNPJ : 03.591.969/000172 Tipo: Papel Sistemas Profisc: Não EProcesso :Não SIEF:Não Controlado SIEF Localização Atual Órgão Origem : ARQUIVO GERAL DA SAMFBA Órgão : ARQUIVO GERAL DA SAMFBA Movimentado em : 01/10/2013 Sequencia : 0006 RM : 04595 Situação : ARQUIVADO POR 10 ANOS UF : BA Retornar Este documento não indica a existência de qualquer direito creditório Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11065.720956/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO-
Na ocorrência da simulação, é atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 35 e 35A da Lei 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES PAGAS PELA EMPRESA INTERPOSTA.
A parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela empresa interposta, correspondente à contribuição previdenciária patronal, deve ser apropriada para fins de abatimento no débito lançado, sob pena de ocorrência de bis in idem.
Numero da decisão: 2301-004.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a multa qualificada, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em desqualificar a multa de ofício; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão do vínculo dos segurados de outra organização ao sujeito passivo, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Marcelo Oliveira votaram pelas conclusões; b) em deduzir do valor lançado as contribuições previdenciárias recolhidas pela empresa em que os segurados estão equivocadamente vinculados, nos termos do voto da Relatora
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO Na ocorrência da simulação, é atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 35 e 35A da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PAGAS PELA EMPRESA INTERPOSTA. A parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela empresa interposta, correspondente à contribuição previdenciária patronal, deve ser apropriada para fins de abatimento no débito lançado, sob pena de ocorrência de bis in idem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a multa qualificada, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em desqualificar a multa de ofício; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão do vínculo dos segurados de outra organização ao sujeito passivo, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Marcelo Oliveira votaram pelas conclusões; b) em deduzir do valor lançado as contribuições previdenciárias recolhidas pela empresa em que os segurados estão equivocadamente vinculados, nos termos do voto da Relatora Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 09 56 /2 01 2- 35 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.720956/201235 Acórdão n.º 2301004.021 S2C3T1 Fl. 997 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (DEBCAD n° 51.014.9367), e aos Terceiros (DEBCAD n° 51.014.9375) Também integra o presente processo o AI DEBCAD nº 51.014.9383, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, por não incluir nas folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme Relatório Fiscal, o fato gerador da contribuição lançada, é o pagamento de remuneração dos empregados e contribuintes individuais da empresa VIASINOS CALÇADOS LTDA, considerados pela fiscalização como segurados da empresa autuada. A autoridade lançadora expõe os motivos pelos quais entende que a empresa VIASINOS foi criada com a finalidade de registrar empregados em seu nome, aderir ao regime tributário do SIMPLES, e se aproveitar indevidamente dos benefícios previstos no referido Sistema. Elabora quadros para demonstrar a transferência dos próprios empregados da CENTROPÉ para a empresa optante do SIMPLES, informando que, enquanto a empresa autuada manteve uma evolução ascendente de suas receitas, houve ao mesmo tempo um declínio gradual em seus custos com mão de obra, e elevação continua e expressiva de custos com mão de obra terceirizada. O agente autuante informa que a receita da VIASINOS é constituída exclusivamente de serviços de industrialização por encomenda prestada para a fiscalizada, em regime de exclusividade, sendo a emissão de notas fiscais de serviços seqüenciais e periódicas, emitidas exclusivamente para a Centropé. Relata, ainda, que o Livro Razão da Viasinos demonstra que o total da receita mensal é igual à soma das notas fiscais relativas à mãodeobra emitidas para a Centropé. Segundo a fiscalização, da análise dos contratos sociais, mapas e visita in loco, verificouse que o domicílio fiscal das duas empresas sempre esteve localizado no mesmo endereço/local, e observa que nas notas fiscais emitidas pela Vasinos consta impresso o número de telefone da Centropé.. Esclarece que as duas empresas eram comandadas por pessoas da mesma família, como irmãos e cônjuges, e que a Viasinos tinha forte dependência econômica e financeira em relação à Centropé, sendo que os aportes financeiros recebidos da fiscalizadas eram efetuados um dia antes do pagamento da folha, demonstrando que a Viasinos serviu para fornecer mãodeobra para a fiscalizada. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Conclui que as duas empresas constituem, de fato, uma única entidade empresarial, e que a Viasinos foi criada para simular uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições sociais relativas à empresa Centropé. A recorrente apresentou uma defesa para cada Debcad e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1039.565, da 7a Turma da DRJ/POA, julgou a impugnação improcedente, mantendo os créditos tributários. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Alega, preliminarmente, em síntese, que: Os autos são nulos por inobservância do princípio do devido processo legal, já que a empresa que teve sua personalidade jurídica desconsiderada pelo fisco não foi incluída nos autos para que exercesse seu direito de defesa. Não há vedação legal para a utilização de serviços terceirizados, que possui autorização nas Leis 6.019/74 e 7.102/83, bem como na própria Súmula 331, do TST, que prevê a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços; Ainda que houvesse ato dissimulatório, as partes envolvidas tem o direito de exercer sua defesa, devendo a Viasinos participar da autuação, uma vez que a desconsideração da personalidade jurídica da prestadora impõe que esta componha o pólo passivo dos autos, mesmo porque a agente fiscal realizou levantamento nos livros contábeis da suposta empresa interposta. Tendo a terceirizada recolhido as devidas contribuições, a recorrente tem o direito de compensar esses recolhimentos, para que não configure bis in idem. A desconsideração da pessoa jurídica prestadora e das relações de trabalho fere o princípio fundamental da livre iniciativa e impõe que ambas figurem no auto de infração para possibilitar um amplo contraditório sobre a questão. O acórdão hostilizado fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, na medida em que desconsidera os já efetuados recolhimentos das contribuições patronais e ao SAT, bem como a outros fundos e entidades, efetuadas pela Viasinos, comprovados por meio das DARFs SIMPLES e DAS, anexadas às impugnações. Os tributos lançados já foram pagos e está extinto, conforme art. 156, I do CTN, e exigir duplamente o crédito ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, impondo a reforma do acórdão recorrido, com a declaração de nulidade dos AIs por ele mantidos. É de competência exclusiva do M.T.E o reconhecimento da existência de relação de emprego e, além da falta de competência para a autuação pretendida, a fiscalização não comprovou a existência dos pressupostos legais da relação empregatícia entre os empregados da terceirizada com a recorrente, quais sejam, a pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e, principalmente, a subordinação, o que torna o lançamento nulo por vício material. Não resta dúvida que há vícios nas autuações, vez que não há indicação das circunstâncias em que foi praticada a infração e em que extensão, consoante determina o art. 10, III e 11, do Decreto 70.235/72, não foi demonstrado os nexos causais existentes entre as Fl. 999DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.720956/201235 Acórdão n.º 2301004.021 S2C3T1 Fl. 998 5 empresas, caracterizando falta de motivação, conforme art. 50, § 1, da Lei 9.784/99, além de ofensa por descrição imprecisa e obscura dos fatos geradores aos art. 37 da Lei 8.212/91 e arts. 243 e 293, ambos do Decreto 3.048/99. No mérito, alega, sinteticamente, que: Não poderia o fisco efetuar autuação seja pela desconsideração da personalidade jurídica, seja pela desconsideração da relação de emprego dos trabalhadores da Visianos, pois extrapolou os limites legais e de sua competência funcional, já que a competência administrativa para reconhecimento da relação de emprego é do auditor fiscal do trabalho, nos termos do art. 11, da Lei 10593/2002. A súmula 331 do TST não se presta a autorizar o agir fiscal procedido, eis que, desde sua criação, está direcionada à Justiça do Trabalho e às relações de emprego, e se destina apenas a respaldar créditos trabalhistas de empregados das prestadoras de serviço frente às tomadoras, não podendo ser estendida a qualquer outra responsabilidade, seja ela cível ou tributária. Houve terceirização lícita, posto que não há ingerência comprovada da tomadora na atividade da prestadora, além de o fato de que o serviço realizado é atividade meio e não atividade fim, não podendo, por simples presunção, já que não comprovou dolo, simulação ou fraude, malsinar a liberdade de constituição e colaboração entre empresas. Não há qualquer documento que dissocie a realidade fática em relação às empresas, ou que erija a recorrente à categoria de empregadora da mãodeobra pertencente efetivamente a sua terceirizada, sendo que o que se verifica são ponderações relacionadas em certa ordem, pelo Fisco, sem elementos que tenha o condão de arrazoar a decisão hostilizada. A recorrente possui quadro de funcionários próprio, e a alegada migração se deve à peculiaridade da Cidade de Dois Irmãos, município com apenas 27.572 habitantes, sendo óbvio que ocorrerá identidade de migrações, sendo comum a admissão e readmissão de empregados entre as empresas. A recorrente não era a única cliente da Viasinos, que prestava serviços para a empresa Schimdt Irmãos Calçados Ltda, além de possuir produção própria A Viasinos e a autuada Centropé não estão localizadas no mesmo endereço, sendo que a confusão feita pelo Fisco decorre do fato de as empresas, em determinado período, estarem instaladas no mesmo quarteirão, conforme certidões emitidas pelo Município, juntadas com a impugnação, que deixam claro que o prédio onde estava estabelecida a Viasinos é diverso do prédio onde está a empresa Centropé. Não foi apreciada a demonstração da recorrente acerca da incorreção do relatório fiscal, item 3.3.10, o que é essencial de ser esclarecida, pois se trata de grave equívoco que por si demonstra a fragilidade das autuações procedidas, tendo sido juntado aos autos o convite e a ata da Cerimônia de Inauguração da Câmara de Vereadores ocorrida em 09/12/2011. Não há ilegalidade em relação à composição societária, pois o fato de alguns sócios de ambas serem parentes não é empecilho legal, e nem motivo para desconsideração das atividades da empresa, eis que a CF, apregoa a livre iniciativa. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Se o fato gerador da contribuição previdenciária é a relação de emprego, isto é que deve ser provado no auto, o que não ocorreu. Os adiantamentos por conta da industrialização são legais e de praxe comercial, e em relação à quase exclusividade, isso também é comum, utilizado por redes comerciais/industriais como forma de evitar espionagem industrial, e que o acórdão recorrido ignorou o fato de a Viasinos ter prestado serviços também à empresa Shimidt. O fato de alguns empregados da terceirizada já terem trabalhado para a recorrente também não pode ser utilizado pelo fisco para fundamentar interposta contratação de mãodeobra, e quem já trabalhou na recorrente, quando se desvincula do quadro funcional, logo é admitido por empresa do ramo devido à experiência adquirida. O acórdão hostilizado não fundamenta qualquer vínculo de subordinação dos empregados das empresas terceirizadas com a recorrente, não havendo comprovação da existência dos pressupostos legais da relação empregatícia. As razões de decidir do acórdão recorrido ignoraram técnicas industriais e comerciais do mundo contemporâneo, sendo juridicamente distintas as empresas em questão, e com personalidade própria, restando claro que as empresas tidas com o fito de burlar o fisco são pessoas jurídicas inconfundíveis e legalmente constituídas. Pela doutrina pátria e pela legislação em vigor, o indivíduo pode escolher entre dois caminhos lícitos, aquele que fiscalmente seja menos oneroso, e ninguém é obrigado a escolher aqueles que resultem em maior ônus fiscal, sendo, no caso em tela, a terceirização lícita, pois não há ingerência da tomadora na atividade da prestadora, nem subordinação ou pessoalidade na relação dos empregados de uma com a outra. Houve recolhimento válido à Previdência Social e que não foi considerado pelo fisco, sendo que o julgador de primeira instância, ao utilizar o art. 44, § 6o, da IN 900/2008, inovou invocando motivo inexistente nos autos do lançamento, em flagrante violação ao devido processo legal e desrespeito ao art. 145, I, do CTN. O acórdão recorrido foi incoerente e contraditório, pois, se considerado que os funcionários da terceirizada não são empregados da Centropé, então o lançamento é nulo, mas se, conforme defendido pelos julgadores de primeira instância, os referidos funcionários são empregados da tomadora, então o valor recolhido deve ser considerado válido, uma vez que, no entendimento do Fisco, aquilo que fora recolhido pela Viasinos deveria, em verdade, ter sido recolhido pela recorrente. A aferição indireta não possui guarita diante da inexistência de identidade entre as empresas, e as diversas formas de tributação em relação às pessoas jurídicas são previstas em Lei, e a sistemática do SIMPLES adotado pela Viasinos preenche os requisitos legais, tanto que em nenhuma das autuações o fisco a excluiu do referido sistema de tributação. Impõese o reconhecimento do recolhimento integral das contribuições, cabendo a exclusão dos valores lançados, com a respectiva declaração de nulidade dos Autos, reformando o decisum hostilizado. É inaplicável ao caso o agravamento da penalidade de 75% para 150%, uma vez que não ocorreu as hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, devendo, no caso da manutenção do auto, ser retificado o lançamento. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.720956/201235 Acórdão n.º 2301004.021 S2C3T1 Fl. 999 7 A aplicação da taxa SELIC é ilegal e descabe a multa isolada porque a recorrente sempre cumpriu suas obrigações regularmente, inclusive as acessórias, e o fato para a imposição da presente multa já foi utilizado como fundamento para o agravamento da multa imposta nos outros AIs lavrados contra a recorrente e, admitir tal multa isolada sobre os mesmos fatos seria admitir o bis in idem, vedado no ordenamento pátrio. A multa isolada aplicada no presente auto, além de ofender o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, extrapola o limite de equivalência entre o suposto ato ilícito e a respectiva punição, não tendo havido prejuízo algum ao erário ante o total cumprimento de obrigações tributárias que cabiam à recorrente. O ato de o contribuinte firmar contrato de prestação de serviços com a terceirizada legalmente constituída não autoriza penalidade alguma, sendo a penalidade imposta indevida, eis que as sanções devem ser razoáveis e guardar relação com a gravidade do ilícito que visam coibir, e a legislação em nenhum momento apregoa que o simples fato de valerse do direito de escolher forma de produção, não vedada, configure ilícito, capaz de autorizar a aplicação da penalidade combatida. Sequer se cogita a presença de máfé, eis que, a própria fiscalização afirma, no item 8.3.2, do relatório fiscal, que não ficaram configuradas as circunstâncias agravante previstas no art. 290, do Decreto 3.048/99 Requer o conhecimento e provimento do recurso e reforça todos os fundamentos já veiculados na impugnação e resposta à diligência constante dos autos. É o relatório. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade dos Autos de Infração, por entender que a ausência da intimação da prestadora, cuja personalidade jurídica foi desconsiderada pela fiscalização, ofendeu os princípios da ampla defesa e devido processo legal Ocorre que a empresas prestadora, indicada no Relatório Fiscal, não é responsável solidária pelo débito. Os AIs em tela não foram lavrados com amparo no instituto da solidariedade, mas sim tendo em vista a constatação de que as pessoas físicas que prestaram serviços por intermédio de empresa interposta, são, na verdade, empregados da empresa autuada. Da mesma forma, não houve ofensa à Lei n.º 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal., ou ao Decreto 70.235/72. No processo administrativo fiscal, o interessado é o contribuinte em nome do qual foram lavrados os Autos de Infração. Constatase que, no caso dos presentes autos, o interessado é a CENTROPÉ, contra a qual foi lançado o débito discutido por meio do processo administrativo fiscal, e não a empresa interposta, VIASINOS, cujos trabalhadores foram caracterizados como segurados empregados da autuada. E o contencioso administrativo foi instaurado com a impugnação do débito pelo sujeito passivo, que, no caso, é a CENTROPÉ, interessado no processo em discussão Portanto, no presente processo administrativo fiscal, os ônus, as sanções e os deveres foram impostos à empresa notificada, que é quem deve pagar o débito lançado, e não aos seus empregados. Assim, não há que se falar em nulidade por ausência de intimação do interessado, que, no presente caso, é a própria empresa autuada, que foi regularmente intimada de todos os atos praticados no processo. Ainda em preliminar, a recorrente alega que há vícios nas autuações, vez que não há indicação das circunstâncias em que foi praticada a infração e em que extensão, consoante determina o art. 10, III e 11, do Decreto 70.235/72, não foi demonstrado os nexos causais existentes entre as empresas, caracterizando falta de motivação, conforme art. 50, § 1, da Lei 9.784/99, além de ofensa por descrição imprecisa e obscura dos fatos geradores aos art. 37 da Lei 8.212/91 e arts. 243 e 293, ambos do Decreto 3.048/99. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.720956/201235 Acórdão n.º 2301004.021 S2C3T1 Fl. 1000 9 Contudo, verificase que a autoridade autuante deixou muito claro, no Relatório Fiscal, que o crédito lançado se refere à contribuição devida pelos segurados que prestaram serviços à recorrente por intermédio de outra empresa, considerada como pertencente a uma única organização empresarial. A fiscalização expôs, com muita clareza e riqueza de detalhes, juntando, inclusive, farta documentação comprobatória de suas afirmações, os motivos pelos quais entendeu que houve a simulação de prestação de serviços entre pessoas jurídicas. Portanto, constatase que a autoridade lançadora identificou, de forma clara e precisa, as bases de cálculo da contribuição previdenciária, anexando ao processo documentos comprobatórios da ocorrência do fato gerador e apontando os dispositivos legais e normativos que disciplinam o lançamento. E como não é facultado ao agente fiscal deixar de cumprir a lei, ao constatar a ocorrência do fato gerador, lançou corretamente o presente débito, discriminando clara e precisamente os dispositivos legais aplicáveis ao caso, já que o relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, relaciona a legislação que fundamenta as contribuições que constituem o presente lançamento, além do dispositivo legal que confere a competência para fiscalizar e atuar. Observase, ainda, que os AIs atenderam o estabelecido pelo Decreto 70.235/72. O art. 59, do Decreto 70.235/72, dispõe que Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restou demonstrado nos autos que houve cerceamento de defesa do autuado, que demonstrou pleno conhecimento do que lhe está sendo imputado Dessa forma, reiterase, ao contrário do que afirma a recorrente, os AIs foram lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o processo administrativo fiscal, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura dos AIs e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Assim, não há que se falar em nulidade dos AIs, motivo pelo qual rejeito a preliminar suscitada. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 A recorrente sustenta, ainda, que não há vedação legal para a utilização de serviços terceirizados, que possui autorização nas Leis 6.019/74 e 7.102/83, bem como na própria Súmula 331, do TST, que prevê a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços; Porém, ressaltese que em nenhum momento a fiscalização negou a possibilidade de terceirização ou o direito à livre iniciativa da recorrente. Na verdade, o que a autoridade autuante constatou em ação fiscal desenvolvida na empresa e demonstrou, no relatório do AI, foi a existência de uma simulação na contratação da empresa VIASINOS CALÇADOS LTDA, optante do SIMPLES. Da análise dos fatos apresentados e dos documentos juntados aos autos pela fiscalização, verificase a existência de uma simulação no procedimento adotado pela autuada em relação à empresa prestadora dos serviços e os segurados que lhe prestaram serviços por meio dessa empresa interposta. Os argumentos trazidos pela autuada não são suficientes para se contrapor a realidade fática constatada e devidamente comprovada pela fiscalização. Quanto à alegação de que a fiscalização foi omissa quanto à caracterização da relação de emprego entre os empregados da empresa terceirizada e a recorrente, cumpre esclarecer que o que a fiscalização constatou, e comprovou por meio da farta documentação anexada aos auto, foi que a Centropé e a Viasinos formam um único empreendimento industrial. Verificase que a autoridade autuante deixou muito claro, no Relatório Fiscal, que o crédito lançado se refere à contribuição devida incidente sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviços à recorrente por intermédio de outra empresa, considerada como pertencentes a uma única organização empresarial. Ou seja, o que restou claro, nos autos, é que, de fato, as duas empresas operavam, na realidade, como uma única, mantendo uma relação de matrizfilial. Diante da realidade encontrada durante a ação fiscal, a autoridade autuante concluiu que houve um desmembramento de fato da empresa Mosmann, com a criação da Viasinos. Portanto, os empregados da empresa Viasinos eram empregados da Centropé, uma vez que as duas empresas formavam um único empreendimento, sendo que as contribuições lançadas incidiram sobre os pagamentos realizados por meio da empresa Viasinos aos segurados que lhe prestaram serviços. E em nenhum momento foi questionada a relação de emprego entre os segurados e a empresa Viasinos. Assim, ao se verificar a existência de simulação na contratação de empresa interposta, não há a necessidade de o fisco demonstrar a presença dos pressupostos da relação de emprego entre os empregados da empresa interposta e a contratante, uma vez que, sendo essa contratação ilegal, o vínculo já é entre aqueles empregados e a contratada.. No caso presente, entendo que o relatório está claro e devidamente motivado, e todos os elementos necessários à defesa do contribuinte encontramse nos autos, não havendo que se falar em nulidade por vício material, como quer a recorrente. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.720956/201235 Acórdão n.º 2301004.021 S2C3T1 Fl. 1001 11 Foi oportunizada à autuada se defender em duas instâncias administrativas, em respeito ao contraditório. Relativamente ao entendimento de que é de competência exclusiva do M.T.E o reconhecimento da existência de relação de emprego, cumpre observar que, conforme será amplamente demonstrado abaixo, quando da discussão do mérito, o AFRFB pode sim desconsiderar a contratação do segurado por meio de empresas terceirizadas para considerálo como empregado da contratante, exclusivamente para fins de recolhimento da contribuição previdenciária, pois houve a ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede preliminar, reafirmando que o fisco não poderia efetuar autuação seja pela desconsideração da personalidade jurídica, seja pela desconsideração da relação de emprego dos trabalhadores da Visianos, pois extrapolou os limites legais e de sua competência funcional, e que a súmula 331 do TST não se presta a autorizar o agir fiscal procedido. Contudo, tal entendimento não encontra respaldo na jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e de nossos tribunais, conforme julgados cujos trechos transcrevo abaixo: TRF 1ª Região Apelação Cível 94.01.136211/MG DJ 12/04/2002 “Salientase ainda que é desnecessária qualquer declaração judicial prévia para anular os atos jurídicos entre as partes, já que seus reflexos tributários existem independentemente da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, nos termos do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, a questão central dos autos cingese à repercussão para os efeitos tributários do ato simulado, ou seja, de sua ineficácia para fins de dedução de tais prejuízos. Uma vez comprovada que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação, como de fato o foi no caso em tela, a autoridade administrativa tem plenos poderes para efetuar a glosa da dedução de imposto ilegitimamente realizada pela Autora, nos termos do art. 149, inciso VII, do CTN...” TRF 4ª Região Apelação Em Mandado De Segurança nº 2003.04.01.0581274 – Data da Decisão: 31/08/2005 PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO ULTRA PETITA. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSTO DE RENDA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. (...) 3. A proposição de invalidade do procedimento fiscal não merece guarida, pois os elementos coligidos aos autos dão conta de que o Fisco procedeu à investigação e à fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 direito individual, garantindose à impetrante a ampla defesa e o contraditório, tanto na via administrativa, quanto na judicial. 4. Restando provados, à saciedade, os fatos que embasaram o lançamento tributário, bem como o dolo, a fraude e a simulação, é desnecessária a utilização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, aplicandose o art. 149, VII, do CTN. Acórdão 10708247– Sétima Câmara – 12/09/2005 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – OMISSÃO DE RECEITA – INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS – SIMULAÇÃO. Comprovado pela Fiscalização que a Recorrente utilizouse de terceiro para omitir receita, fato este que não foi descaracterizado em qualquer momento por aquela, é de ser mantido o Lançamento de Ofício. IRPJ – SIMULAÇÃO – MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa agravada se caracterizada a omissão de receita através de simulação. Nesse sentido, citase o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Restou demonstrado, pela fiscalização, que os expedientes utilizados pela recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.720956/201235 Acórdão n.º 2301004.021 S2C3T1 Fl. 1002 13 No caso, restou demonstrado que quem remunerava os empregados da empresa VIASINOS CALÇADOS LTDA era a CENTROPÉ INDÚSTRIA DE CALÇADOS LTDA. Portanto, a empresa Centropé é contribuinte em relação aos fatos geradores relativos à remuneração auferida pelos empregados da empresa Viasinos.. Ou seja, a VIASINOS CALÇADOS LTDA foi criada com o único objetivo de deixar de recolher as contribuições sociais, sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. O enunciado 331 do Tribunal Superior do Trabalho, citado pela recorrente, é no sentido de que “a contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços”: Ora, se a justiça do trabalho afirma que, na ocorrência da simulação, os empregados não são da prestadora, e sim da tomadora, e como a contribuição social incide sobre a folha de pagamentos, então a fiscalização da RFB pode, sim, lançar e cobrar, da empregadora de fato, as contribuições incidentes sobre a folha de salário elaborada pela prestadora. A recorrente insiste em afirmar que houve terceirização lícita, posto que não há ingerência comprovada da tomadora na atividade da prestadora, além de o fato de que o serviço realizado é atividade meio e não atividade fim, não podendo, por simples presunção, já que não comprovou dolo, simulação ou fraude, malsinar a liberdade de constituição e colaboração entre empresas. Contudo, da análise dos fatos apresentados, verificase a existência de uma simulação no procedimento de terceirização adotado pela autuada em relação à empresa terceirizada, Viasinos. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 14 E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. A fiscalização verificou a transferência dos próprios empregados da CENTROPÉ para a empresa optante do SIMPLES, informando que, enquanto a empresa autuada manteve uma evolução ascendente de suas receitas, houve ao mesmo tempo um declínio gradual em seus custos com mão de obra, e elevação continua e expressiva de custos com mão de obra terceirizada. O fato de a cidade de Dois Irmão possuir apenas 27.572 habitantes não justifica a migração de funcionários da empresa contratante à contratada, enquanto sua receita aumenta.. A recorrente afirma que ela não era a única cliente da Viasinos, que prestava serviços para a empresa Schimdt Irmãos Calçados Ltda, além de possuir produção própria Contudo, o agente autuante constatou que a receita da VIASINOS é constituída exclusivamente de serviços de industrialização por encomenda prestada para a fiscalizada, e a emissão de notas fiscais de serviços eram seqüenciais e periódicas, emitidas exclusivamente para a Centropé, afirmações não negadas pela recorrente em sua peça recursal.. Observase, ainda, da análise do Livro Razão da Viasinos, que o total da receita mensal é igual à soma das notas fiscais relativas à mãodeobra emitidas para a Centropé, o que também não foi negado pela recorrente. A recorrente afirma que as duas empresas não estão localizadas no mesmo endereço, sendo que a confusão feita pelo Fisco decorre do fato de as empresas, em determinado período, estarem instaladas no mesmo quarteirão, conforme certidões emitidas pelo Município, juntadas com a impugnação, que deixam claro que o prédio onde estava estabelecida a Viasinos é diverso do prédio onde está a empresa Centropé. Entretanto, a fiscalização constatou que, a despeito da Centropé ter o domicílio fiscal na Rua Novo Hamburgo e a Viasinos na Av. Irineu Becker, nº 724, Fundos, na realidade os dois endereços se refere ao mesmo local, conforme demonstrado no Mapa extraído do Google Map: E não houve “confusão” do fisco, uma vez que foi realizada uma verificação in loco, por meio da qual a fiscalização constatou que na Av Irineu Becker 724 há uma farmácia, cujos funcionários informaram que o nº 724 fundos se tratava da fábrica de calçados, Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.720956/201235 Acórdão n.º 2301004.021 S2C3T1 Fl. 1003 15 que ficava atrás do prédio da farmácia, mas que a entrada era pela rua Novo Hamburgo, ou seja, no local exato onde funcionava a fábrica da empresa fiscalizada. E, intimada a esclarecer o porquê do domicílio fiscal atual, rua Novo Hamburgo 690, ser somente um terreno baldio, a recorrente respondeu confirmando exatamente o que foi constatado pela fiscalização na visita in loco (resposta reproduzida no item 3.3.9, do relatório fiscal, às fls. 25). A recorrente alega que houve grave equivoco no item 3.3.10 do relatório fiscal, entendendo ser uma questão essencial a ser esclarecida, pois demonstra a fragilidade das autuações procedidas, e junta convite e ata da Cerimônia de Inauguração da Câmara de Vereadores ocorrida em 09/12/2011, na tentativa de comprovar que em 2009 o Poder Legislativo ainda não havia se instalado no local. No entanto, a fiscalização comprovou, por meio de documentos, que houve sessão solene em homenagem aos vereadores, prefeitos e viceprefeitos no local, em 30/09/2009. E a fiscalização constatou, também, que o número de telefone impresso nas notas fiscais emitidas pela Viasinos é o da Centropé. A autuada afirma que não foi apreciada a demonstração da recorrente acerca da incorreção do relatório fiscal, item 3.3.10. Entretanto, constatase que as questões relativas ao domicílio fiscal foram devidamente apreciadas pelo acórdão recorrido, em tópico próprio. Ocorre que os argumentos trazidos pela recorrente não foram acatados pelo julgador de primeira instância, uma vez que a recorrente não logrou comprovar que houve incorreção no item 3.3.10, do relatório fiscal. Entendo que o fato de existir ata da cerimônia de inauguração da Câmara dos Vereadores datada de 09/12/2011 não demonstra que não havia sessões do legislativo em 2009 naquele endereço, e o documento apresentado pela fiscalização mostra sessão realizada em 30/09/09. E, mesmo que o poder legislativo municipal não estivesse instalado naquele endereço em 2009, tal fato não se configura em “grave equívoco”, como quer fazer crer a recorrente, pois a fiscalização apenas apontou uma contradição entre a resposta dada pela empresa autuada e o documento que demonstra a realização de sessões da Câmara em 2009. Assim, esse fato em nada invalida o trabalho fiscal, nem configura vício do relatório fiscal. A autuada sustenta que não há ilegalidade em relação à composição societária, pois o fato de alguns sócios de ambas serem parentes não é empecilho legal, e nem motivo para desconsideração das atividades da empresa, eis que a CF, apregoa a livre iniciativa. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 16 Contudo, o fato de as empresas pertencerem a um mesmo grupo familiar, aliado aos demais fatos narrados pela fiscalização, reforça a convicção de que não existem vários, mas apenas um empreendimento industrial, A fiscalização constatou que a Viasinos tinha forte dependência econômica e financeira em relação à Centropé, sendo que os aportes financeiros recebidos da autuada eram efetuados um dia antes do pagamento da folha, demonstrando que a Viasinos serviu para fornecer mãodeobra para a fiscalizada. No caso em tela, a simulação está muito clara quando a empresa contratada pertence à mesma família da contratante, funciona no mesmo parque fabril desta última, prestando serviços exclusivos, e recebendo aportes financeiros da contratante. A auditoria concluiu, da análise das despesas com energia elétrica, que no estabelecimento da Viasinos houve muito mais atividade industrial do que as registradas na contabilidade, e que consta da contabilidade da contratada pagamento de plano de saúde pela empresa Centrope, tendo como sub´contrato a Viasinos. Dessa forma e por tudo que foi exposto no Relatório Fiscal e trazido aos autos, entendo que restou caracterizada a existência de uma única organização empresarial, envolvendo as duas empresas apontadas pela fiscalização, restando clara a relação de matriz filial entre a recorrente e a empresa terceirizada. É fato notório que a terceirização é um procedimento legal, com vistas a um planejamento tributário lícito. Entretanto, o que foi constatado na ação fiscal foi uma simulação nos serviços de terceirização, e isso não é lícito, não encontrando amparo legal. Relativamente ao argumento de que o acórdão hostilizado não fundamenta qualquer vínculo de subordinação dos empregados das empresas terceirizadas com a recorrente, não havendo comprovação da existência dos pressupostos legais da relação empregatícia, cumpre reiterar que, no caso em que a empresa simula a terceirização dos serviços, não há necessidade de comprovar a existência dos elementos caracterizadores da relação de empregos, pois a jurisprudência já firmou entendimento de que o vínculo é com o tomador dos serviços, nos termos do enunciado 331, do TST. Segundo a recorrente, as razões de decidir do acórdão recorrido ignoraram técnicas industriais e comerciais do mundo contemporâneo, sendo juridicamente distintas as empresas em questão, e com personalidade própria, restando claro que as empresas tidas com o fito de burlar o fisco são pessoas jurídicas inconfundíveis e legalmente constituídas. No entanto, como amplamente exposto acima, não foi isso que restou comprovado nos autos, e sim que as duas empresas constituem, de fato, uma única entidade empresarial, e que a Viasinos foi criada para simular uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições sociais relativas à empresa Centropé. Da mesma forma, em nenhum momento a fiscalização negou a possibilidade de o indivíduo escolher entre dois caminhos lícitos, aquele que fiscalmente seja menos oneroso, e nem o Fisco obriga o contribuinte a escolher aqueles que resultem em maior ônus fiscal. Se a intenção da empresa fosse, como ela insiste em afirmar, terceirizar alguns serviços, de forma lícita, ela poderia ter contratado, de fato, uma empresa que cedesse Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.720956/201235 Acórdão n.º 2301004.021 S2C3T1 Fl. 1004 17 mão de obra, ou realizasse serviços contratados, e que fosse totalmente independente da contratante. Entretanto, como visto acima, não foi essa a situação fática encontrada pela fiscalização, que verificou, e comprovou, que a Viasinos é uma empresa de fachada, dependente economicamente da contratante, sob a mesma gerência e funcionando em um mesmo parque fabril da tomadora, criada pela recorrente apenas com o intuito de contratar a mãodeobra para prestar serviços exclusivos à Centropé, aderir ao regime do SIMPLES, para que a tomadora se beneficie indevidamente dos benefícios do referido sistema de tributação. Ao contrário do que afirma a recorrente, no caso sob análise não houve uma operação lícita com o intuito de se evitar a ocorrência do fato gerador, mas sim o ocultamento de um fato gerador efetivamente ocorrido, com a utilização de um instrumento formal que não retrata a realidade fática encontrada. E a fiscalização, cuja atividade é vinculada, ao constatar a ocorrência do fato gerador e o não recolhimento das contribuições devidas, lavrou corretamente os Autos de Infração, em observância aos mandamentos legais. A recorrente alega, ainda, que o julgador de primeira instância, ao utilizar o art. 44, § 6o, da IN 900/2008, inovou invocando motivo inexistente nos autos do lançamento, em flagrante violação ao devido processo legal e desrespeito ao art. 145, I, do CTN. Contudo, a menção do dispositivo realizada pelo julgador de primeira instância, com o objetivo de se contrapor os argumentos das recorrentes, não representa qualquer inovação, pois o lançamento já se encontrava devidamente fundamentado. Entendo que só é possível dizer que houve uma inovação, no momento em que se comprove que o lançamento foi efetuado com vício em seus elementos essenciais não saneados até a decisão de primeira instância, e esta viesse tentar suprir a falta existente, o que não ocorreu no caso presente. Esse também é o entendimento do Conselho de Contribuinte, conforme Acórdão 1051338, cujo trecho da Ementa transcrevo a seguir: Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INOVAÇÃO DA EXIGÊNCIA INICIAL NA DECISÃO DE 1° GRAU MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS: A menção feita pelo julgador singular, de dispositivo legal não contido no enquadramento legal do feito, com o objetivo de se contrapor aos argumentos da impugnante, não configura inovação da exigência inicial, mormente se a acusação fiscal se acha apropriadamente fundamentada no Auto de Infração, a permitir o pleno exercício do direito de defesa. A autuada insurgese contra a multa aplicada e o agravamento da penalidade de 75% para 150%, entendendo que não ocorreu as hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, devendo, no caso da manutenção do auto, ser retificado o lançamento Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 18 Entretanto, a fiscalização fundamentou a aplicação da multa qualificada no art. 71, da Lei 4.502/64, uma vez que restou comprovada a simulação, já que a conduta adotada pela recorrente foi no sentido de ocultar a ocorrência do fato gerador. A afirmação, no item 8.3.2, do relatório fiscal, de que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes se refere ao auto de infração por descumprimento da obrigação acessória de incluir, nas folhas de pagamento, as remunerações pagas a todos os segurados a serviço da recorrente. Ou seja, a autoridade autuante deixou claro que, no caso do descumprimento da obrigação acessória, a penalidade não seria agravada por não terem ocorrido as hipóteses previstas no art. 290, do Decreto 3.048/99. No que concerne à aplicação da SELIC, há que se cumprir a determinação do art. 34 da Lei n°8.212/91 cuja regulamentação está no art. 239, II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Nesse sentido, a Lei 8.212/91, em seus art 35 e 35A, vigentes à época, autoriza a utilização das multas e juros aplicados aos débitos apurados. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio da Súmula 03/2007, transcrita a seguir: Súmula nº 03: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, entendo que deverá ser mantida a multa “moratória” tal como aplicada pela Autoridade Fiscal ao tempo do lançamento sob exame.. A autuada requer, ainda, que sejam aproveitadas as contribuições previdenciárias recolhidas pela empresa Viasinos pela sistemática do SIMPLES. De fato, entendo que, se a empresa Viasinos teve sua personalidades jurídica descaracterizada pelo fisco para fins tributários, que entendeu que a mesma foi criada apenas para fornecer mão de obra à Centropé, entendo que a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela citada empresa, correspondente à contribuição previdenciária patronal, deve ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado por meio do AI em tela. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.720956/201235 Acórdão n.º 2301004.021 S2C3T1 Fl. 1005 19 Voto por CONHECER DO RECURSO e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja abatido, do débito, os valores das contribuições previdenciárias recolhidas pelo SIMPLES. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 16095.000753/2007-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora ou a fiscalização informe se o seguro de vida em grupo contratado pela recorrente em favor do grupo de empregados continha ou não individualização do montante que beneficia a cada um deles. Após tal resposta, que a contribuinte seja intimada do teor e da resposta da diligência para, querendo, manifestar-se no prazo de 30(trinta) dias, para, assim retornarem os autos a apreciação.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora ou a fiscalização informe se o seguro de vida em grupo contratado pela recorrente em favor do grupo de empregados continha ou não individualização do montante que beneficia a cada um deles. Após tal resposta, que a contribuinte seja intimada do teor e da resposta da diligência para, querendo, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias, para, assim retornarem os autos a apreciação. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 75 3/ 20 07 -2 8 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000753/200728 Resolução nº 2803000.221 S2TE03 Fl. 159 2 RELATÓRIO O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 236 242 do processo digital), que manteve parcialmente o crédito tributário oriundo da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, § 3o, da Lei n. 8.2121991, por ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/03 a 12/05 (competências intercaladas). A ciência da peça inicial foi em 17.12.2007. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: que os presentes créditos estão com exigibilidade suspensa, por se tratarem de créditos oriundos de aplicação de multa acessória vinculado à obrigação principal discutida nos autos do processo n° 16095.000750/200794, NFLD n° 37.025.5127 que está sob apreciação do CARF/MF, que discute sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de seguro de vida em grupo, vinculando a presente discussão à aquele. Verificouse que o recurso voluntário apresentado nos autos do processo n° 16095.000750/200794 ( NFLD n° 37.025.5127) já fora julgado pela 2ª. Turma Ordinária da 3ª. Câmara da 2ª. Seção deste Conselho. Dessa forma, solicitouse cópia do mesmo acórdão. Em retorno da diligência, retro indicado acórdão foi juntado, bem como indicase que o mesmo negou provimento ao respectivo recurso, por não ter o seguro de vida em grupo atendido os requisitos do art. 214, §9º, Dec. 3048/1999, por ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva. Esse é o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000753/200728 Resolução nº 2803000.221 S2TE03 Fl. 160 3 VOTO Conselheiro Gustavo Vettorato Em que pese o julgamento do processo n. 16095.000750/200794, observase que a decisão naquele processo que não observou a possibilidade de enquadramento ou não do Ato Declaratório n. 12.2011, com manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que exclui do dever de contestação e recorrer para os casos “ ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles.” Situação essa que, segundo os art. 62 e 62A do Regimento Interno do CARF/MF, obrigaria o conselheiro em afastar a aplicação da contribuição previdenciária. Observase que nos autos, em todo momento, referese a seguro de vida em grupo, mas o Auto de Infração, que não trouxe maiores informações, se o mesmo era individualizado ou não por empregado. Fato esse escusável porque o Ato Declaratório n. 12.2011 ainda não era vigente para fins de melhor descrição do fato imponível, sendo fato superveniente o dever de observação a tal entendimento. Assim, em razão do principio da verdade material e oficialidade, como forma de sanear o processo, entendo necessário seja diligenciado para que seja informado pela fiscalização o seguro de vida em grupo contratado pela recorrente em favor do grupo de empregados, continha ou não individualização do montante que beneficia a cada um deles. Após tal resposta, que a contribuinte seja intimada da mesma para, querendo, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Isso posto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora ou a fiscalização informe se o seguro de vida em grupo contratado pela recorrente em favor do grupo de empregados continha ou não individualização do montante que beneficia a cada um deles. Após tal resposta, que a contribuinte seja intimada do teor da solicitação da diligência e respectiva diligência, querendo, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias, para, assim retornarem os autos a apreciação. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15374.920096/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em inovação de fundamentos na circunstância em que a autoridade julgadora, apreciando argumentos e documentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade, os rebate, especialmente na situação em que tais argumentos e documentos deveriam ter sido oferecidos em resposta às intimações formalizadas pela autoridade competente.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias alegadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito apontado para o encontro de contas, ex vi do disposto no art. 170 do CTN.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 1301-001.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em inovação de fundamentos na circunstância em que a autoridade julgadora, apreciando argumentos e documentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade, os rebate, especialmente na situação em que tais argumentos e documentos deveriam ter sido oferecidos em resposta às intimações formalizadas pela autoridade competente. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias alegadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito apontado para o encontro de contas, ex vi do disposto no art. 170 do CTN. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 00 96 /2 00 8- 19 Fl. 766DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 766 2 “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 767 3 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte indica direito creditório relativo a saldo negativo de Imposto de Renda – Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2005, visando extinguir débitos diversos . Por meio de Despacho Decisório, a Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (DEMAC/RJO) deixou de homologar a compensação declarada pela contribuinte, pois, ao promover a verificação das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP nº 14907.93381.100506.1.2.026218, não apurou valor suficiente para extinguir o IRPJ devido do período, concluindo, assim, pela inexistência de saldo negativo. Inconformada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 65/71), por meio da qual argumentou: a nulidade do Despacho Decisório, dizendo que: a) a Fiscalização partiu da premissa que o saldo negativo informado havia sido formalizado apenas por meio da Dcomp com demonstrativo de crédito (nº 14907.93381.100506.1.2.026218), “mesmo sabendo que havia outros pedidos referentes ao mesmo período de apuração, sem proceder a qualquer investigação, optou pelo caminho que lhe era mais cômodo, desconsiderando os valores constantes em outros pedidos de restituição referentes ao mesmo ano de 2005”; b) “vejase que, sem maiores explicações e, o que é pior, sem previamente intimar a requerente a apresentar documentos ou a se manifestar sobre as alegadas inconsistências, o Sr. Auditor Fiscal houve por bem indeferir o direito creditório, em sua totalidade, não homologando, por conseguinte as respectivas compensações”; c) “nunca foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a alegada inexistência do direito creditório em foco”; d) “ao contrário, verificando a existência de suposta divergência nas informações prestadas pela requerente no Per/dcomp acima mencionado e em sua DIPJ, preferiu a fiscalização optar pelo caminho mais cômodo e submeter a requerente diretamente à cobrança de valores constantes dos pedidos de compensação não homologados”; e) “tal postura, diga, contraria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/08, segundo o qual a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito”; f) “não é válido o lançamento, quando a fiscalização não aprofunda a investigação dos fatos ocorridos e pertinentes”; e g) “sendo assim, em decorrência da manifesta falta de aprofundamento da investigação dos fatos, deve ser reconhecida a nulidade do r.despacho decisório recorrido, por absoluta insuficiência de elementos que o justifiquem”. que, conforme fichas 11 e 12A da DIPJ, o IRPJ apurado, de R$ 21.856.939,23, “foi integralmente absorvido por créditos por ela detidos a título de imposto pago no exterior”, de forma que, “zerado o saldo do imposto a pagar, todas as retenções de IRPJ suportadas pela requerente no período (R$ 13.373.994,67) perfizeram o valor negativo a que a requerente faz jus”. que, “sendo certo que a totalidade das retenções sofridas pela requerente ao longo do ano de 2005 lhe deveriam ser restituídas, a requerente apresentou sete pedidos de Fl. 768DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 768 4 restituição diferentes, os quais totalizam R$ 11.660.811,96, valor este que, como visto, é até inferior ao saldo negativo a que a requerente faz jus”; que “vale registrar, apenas para que não reste qualquer dúvida a respeito, que essa divisão do crédito em sete pedidos não causou qualquer prejuízo ao Fisco, até porque, como visto, a soma dos sete pedidos perfaz valor até inferior ao crédito a que faz jus a requerente”, de modo que “não haveria qualquer motivo para a fiscalização considerar como crédito pleiteado apenas o valor constante do Pedido de restituição nº 14907.93381.100506.1.2.026218”; que os informes de rendimentos anexados comprovam as retenções que sofreu, e, que “suportam com folga as compensações realizadas”, sendo, assim, forçoso “reconhecer a procedência do crédito pleiteado nestes autos, bem como a idoneidade das compensações realizadas, o que impõe o integral cancelamento da decisão ora combatida e da exigência fiscal dela decorrente”; que “não houve análise aprofundada do conjunto fáticoprobatório que dá suporte ao crédito pleiteado pela requerente, o qual demonstra de forma clara e contundente a existência do direito creditório” e a inexistência de contradições em suas declarações, “a não ser aquela ocasionada pela apresentação de diversos pedidos diferentes de restituição para o mesmo saldo negativo”; que a divergência “teria sido facilmente contornada, caso o Sr. Auditor Fiscal tivesse intimado a requerente a prestar esclarecimentos, ou mesmo tivesse prestado maior atenção às informações de que já dispunha (os mesmos pedidos de restituição apresentados)”. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 1241.812, de 26 de outubro de 2011, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a alegação de nulidade se as disposições legais que regem a emissão do ato decisório recorrido foram observadas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação é instrumento suficiente para a cobrança de débitos indevidamente compensados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. ÔNUS. Ao declarante cabe a prova da liquidez e da certeza do direito creditório alegado. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 769 5 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PROVA PERICIAL. REJEIÇÃO. Indeferese o pedido para a realização de perícia se formulado sem a observância dos requisitos legais. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. ANO CALENDÁRIO 2005. ANTECIPAÇÕES. IRRF. ESTIMATIVAS MENSAIS. IRRF EXTERIOR. DIREITO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não comprovado o direito creditório alegado. Às fls. 405, identificase COMUNICAÇÃO, por meio da qual a Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (DEMAC/RJO) intimou a contribuinte a efetuar o pagamento dos débitos controlados por meio dos processos administrativos formalizados para tal. Em resposta à referida COMUNICAÇÃO, a contribuinte apresentou o documento de fls. 416/417, em que informa que interpôs, tempestivamente, recurso voluntário. Às fls. 439, consta INTIMAÇÃO, por meio da qual foi exigida da contribuinte a apresentação dos documentos originais comprobatórios da protocolização dos recursos relativos ao presente processo e ao de nº 15374.920095/200874. Em atendimento, foram trazidos aos autos os documentos de fls. 440/477. Às fls. 479/496, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 06 de fevereiro de 2012, em que a contribuinte sustenta: que, por ocasião do julgamento de primeira instância, a Turma Julgadora decidiu inovar na fundamentação processual relativa ao direito creditório, questionando inúmeros aspectos relacionados à composição do saldo negativo; que a autoridade julgadora de primeira instância não pode inovar na fundamentação processual, visto que isso implica violação ao princípio da segurança jurídica, bem como verdadeira alteração dos critérios jurídicos originariamente adotados na edição do despacho decisório que não homologou as compensações; que apurou no anocalendário de 2005 saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 13.373.994,66, derivado de retenções sofridas ao longo do ano e de imposto de renda recolhido sobre os lucros auferidos por controladas ou coligadas no exterior (apresenta demonstrativo, alegando que as informações nele registradas conferem com DIPJ retificadora transmitida em 19 de dezembro de 2008); que o valor total de IRPJ no anocalendário de 2005, no montante de R$ 21.856.939,23, foi integralmente absorvido por créditos remanescentes de imposto de renda pago sobre lucros do exterior, motivo pelo qual as retenções no referido ano, no valor de R$ 13.373.994,67, geraram saldo negativo em igual montante (adiante, a contribuinte analisa cada uma das parcelas que compuseram o saldo negativo em referência); Fl. 770DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 770 6 que é indiscutível que a divergência entre a DIPJ/2006 e a DCOMP constitui um simples equívoco formal cometido por ela, o que não impede o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ para fins de compensação. A contribuinte requer, em caráter subsidiário, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que sejam realizadas eventuais verificações adicionais que possibilitem comprovar o saldo negativo por ela apurado. É o Relatório. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 771 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO em que é apontado, para fins do encontro de contas, crédito relativo a SALDO NEGATIVO de IRPJ do anocalendário de 2005. Por meio de despacho decisório (“eletrônico”), a Delegacia Especial de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (Demac/RJO), tomando por base o PER/DCOMP que apresentara o demonstrativo do crédito (14907.93381.100506.1.2.026218), não homologou as compensações pleiteadas, visto que a soma das parcelas que compunham o citado crédito e que foram confirmadas (R$ 18.699,97) era inferior ao imposto devido no período (R$ 21.856.939,23). Apreciando a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a Turma Julgadora de primeiro grau decidiu pela sua improcedência, servindose, para tanto, dos seguintes fundamentos: i) contrariamente ao alegado, a contribuinte foi intimada em três ocasiões para prestar esclarecimentos acerca do saldo negativo apurado no anocalendário de 2005, vez que “o valor e a composição do direito creditório informados no Perd/comp foram diferentes daqueles informados em DIPJ”; ii) o encargo de comprovar a liquidez e certeza do direito creditório recai sobre o declarante da compensação; iii) o fato de o direito creditório constar em DIPJ por valor distinto do registrado no PER/DCOMP já seria suficiente para a denegação do pedido; iv) a realização de diligência para fins de verificação da exatidão das informações prestadas pelo contribuinte constitui mera faculdade, sendo que, no caso, o objetivo seria apenas o de confirmar os elementos trazidos pelo declarante; v) apesar de a contribuinte informar que o IRPJ pago por estimativa ter totalizado R$ 21.856.939,22, não foi identificado registro em DCTF de débito a esse título; vi) a contribuinte não apresentou comprovantes de pagamentos das estimativas mensais e, além disso, não existe registro das referidas antecipações na DIPJ, no período de janeiro a novembro de 2005; vii) a pessoa jurídica só pode, para um mesmo período de apuração, informar um único valor de saldo negativo; Fl. 772DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 772 8 viii) inexiste previsão legal para que o tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, seja, isoladamente, objeto de restituição ou compensação; ix) relativamente ao PER/DCOMP que apresentou o demonstrativo do crédito, foi informado que o saldo negativo apurado em 31/12/2005 era de R$ 2.727.282,10, composto de uma única retenção de IRRF no mesmo valor, sendo que a unidade de origem só confirmou o valor de R$ 18.699,97; x) o IRRF informado na ficha de apuração anual não deu causa à formação de saldo negativo de IRPJ em 31 de dezembro de 2005; xi) alguns comprovantes de retenção apresentados se referem a beneficiários cujo CNPJ não corresponde ao da contribuinte; xii) a juntada de comprovantes de retenção sem a prova de que os correspondentes rendimentos compuseram a receita oferecida à tributação, fere a legislação de regência; xiii) das retenções efetuadas sob os códigos 6147, 6190 e 5952, apenas parte corresponde ao IRPJ; xiv) a soma das retenções de IRPJ, considerada a sua participação percentual no total retido, é inferior ao necessário para a formação de saldo negativo; e xv) além de a DIPJ retificadora não trazer qualquer informação acerca de dedução a título de imposto pago no exterior, a contribuinte não aportou ao processo os elementos comprobatórios exigidos pela legislação de regência. De acordo com o extrato de fls. 242, a contribuinte apresentou declaração de informação relativa ao anocalendário de 2005 em 30 de junho de 2006, retificandoa em 19 de dezembro de 2008, após ter recebido duas intimações para prestar esclarecimentos (intimações nºs 672744588, de 28/02/2007 e 676021996, de 26/03/2007, recebidas em 09/03/2007 e 02/04/2007, respectivamente, conforme registro constante na decisão de primeira instância e nos extratos de fls. 235 e seguintes). Abaixo, reproduzo quadro apresentado na decisão recorrida, que traduz os valores consignados nas declarações acima referenciadas. Quadro 3 Ficha 12A da DIPJ – Apuração Anual DIPJ Original, de 30.06.2006, nº 1306244 DIPJ Retificadora, de 19.12.2008, nº 1441489 Linha 01 IRPJ – alíquota de 15% 4.937.503,16 13.128.563,54 Linha 03 IRPJ – alíquota de 10% 3.267.668,77 8.728.375,69 IRPJ 8.205.171,93 21.856.939,23 Linha 12 () Imposto pago no exterior s/lucros, rendimentos e ganhos de capital 21.775.013,97 0,00 Fl. 773DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 773 9 Linha 13 () Imposto de Renda Retido na Fonte 14.928.979,70 0,00 Linha 14 () Imposto de Renda retido na fonte por órgãos , autarquias e fundações federais 0,00 13.373.994,67 Linha 15 () Imposto de Renda retido na fonte pelas demais entidades da administração pública federal 0,00 0,00 Linha 17 () Imposto de Renda Mensal pago por estimativas 8.205.171,93 21.856.939,22 Linha 19 IR A PAGAR 36.703.993,67 13.373.994,66 Obs: Na DIPJ original , o IRRF das linhas 12 e 13 soma R$ 36.703.993,67 Na medida em que a autoridade julgadora de primeira instância desconsiderou o valor correspondente às estimativas, o resultado final passou de saldo negativo para IRPJ a pagar. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO Alega a Recorrente que teve a sua compensação indeferida em razão de divergência numérica entre o saldo negativo de CSLL indicado na DCOMP e o informado na DIPJ. Diz que, por ocasião do julgamento em primeira instância, houve inovação na fundamentação do indeferimento, eis que foram apresentados inúmeros questionamentos relacionados à composição do saldo negativo apurado no anocalendário de 2005. Não merece prosperar a argüição da Recorrente. Com efeito, o indeferimento do seu pleito não foi fundado única e exclusivamente em uma divergência numérica, mas, sim, na mais absoluta ausência de possibilidade de aferição da liquidez e certeza do crédito indicado para fins de compensação tributária. Embora a contribuinte faça menção a um “simples equívoco formal”, tal fato, qual seja, o erro no preenchimento no instrumento declaratório, somado a falta de apresentação de respostas às intimações formalizadas, inviabilizou uma análise mais completa do pedido por parte da autoridade competente. A autoridade julgadora de primeira instância, a partir da Manifestação de Inconformidade apresentada, tratou de analisar as informações ali contidas, fazendo, obviamente, uma apreciação mais aprofundada acerca dos elementos que compunham o direito creditório pleiteado. Revelase, pois, absolutamente improcedente a alegação de que, no caso, a autoridade julgadora inovou os fundamentos que serviram de suporte para o indeferimento inicial do pedido formulado pela Recorrente, motivo pelo qual rejeito a preliminar argüida. COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO Fl. 774DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 774 10 Sustenta a Recorrente que, encerrado o anocalendário de 2005 e adicionados ao lucro real os lucros auferidos no exterior, verificou que as retenções de IRRF sofridas somadas ao imposto de renda recolhido sobre os lucros auferidos por controladas ou coligadas no exterior superavam o valor total devido a título de IRPJ. Adiante, traz considerações no sentido de comprovar as parcelas que compuseram o saldo negativo apurado. Na peça recursal, diferentemente do que registrou na DIPJ retificadora, a contribuinte apresenta a seguinte composição do saldo negativo do anocalendário de 2005: Estimativas ...................................................................R$ 0,00 IRRF – retenções na fonte............................................R$ 13.373.994,67 Imposto de Renda – exterior..........................................R$ 21.856.939,22 Total de Antecipações....................................................R$ 35.230.933,69 IRPJ devido...................................................................(R$ 21.856.939,23) Saldo Negativo.................................................................R$ 13.373.994,66 Alega a Recorrente que a composição acima confere com a DIPJ retificadora transmitida em 19 de dezembro de 2008. Destaco que, antes da emissão do Despacho Decisório, foram direcionadas para a contribuinte três intimações que visavam obter esclarecimentos acerca das divergências detectadas entre as informações consignadas nos PER/DCOMP e na Declaração de Informações (DIPJ), porém, nenhuma resposta foi apresentada; Tal fato, qual seja, o encaminhamento de intimações prévias, foram devidamente comprovadas nos autos pela autoridade julgadora de primeira instância e não foram contraditadas em sede de recurso pela contribuinte. Não obstante a ausência de resposta às intimações, a contribuinte, em data posterior a duas dessas intimações, apresentou declaração retificadora cujas informações acerca do imposto devido e das deduções correspondentes, além de representarem substancial distinção em relação ao anteriormente declarado, não guardam inteira relação com a argumentação expendida na peça de defesa. A citada declaração retificadora que, como dito, foi apresentada após as intimações expedidas pela Receita Federal, traz, inclusive, substancial distinção entre o resultado fiscal anteriormente apurado (lucro real de R$ 32.916.687,73 – fls. 251) e o nela consignado (R$ 87.523.756,92 – fls. 261). A Recorrente não traz qualquer esclarecimento em relação à apresentação da declaração retificadora, e, o que é mais relevante, não tece qualquer consideração acerca das retificações empreendidas. À Manifestação de Inconformidade, a contribuinte limitouse a apresentar: documentos societários; cópia das páginas relativas à FICHA 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) e da FICHA 12 A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – PJ em Geral) da DIPJ/2006; cópia de PER/DCOMP com demonstrativo do crédito; e Fl. 775DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 775 11 comprovantes de retenção. Ou seja, naquela ocasião, embora tenha sustentado que todo o imposto devido (R$ 21.856.939,23) havia sido compensado com imposto pago no exterior, a Recorrente não juntou um único documento para comprovar os pagamentos efetuados no exterior. Não trouxe, também, esclarecimentos e comprovantes acerca do atendimento das condições previstas na legislação de regência para fins de aproveitamento de tais pagamentos. A contribuinte apresenta na peça recursal quadro relativo à composição das retenções efetuadas. Nele, observase a indicação de inúmeras retenções nos códigos 3426 e 1708, que dizem respeito à retenção de imposto de aplicações financeiras e em virtude de serviços prestados a entes privados. Ocorre que a declaração apresentada não consigna qualquer registro a título de retenção de imposto derivada de tais operações. O registro ali efetuado, no montante de R$ 13.373.994,67, aponta para IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ÓRGÃOS, AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES FEDERAIS, códigos 6190 e 6147; Relativamente ao imposto pago no exterior, que, como já dito, por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, nenhuma documentação foi trazida ao processo, a Recorrente, embora tenha anexado à peça recursal inúmeros documentos que se supõe sejam representativos da incidência no exterior, não comprova, documentalmente, que o montante de imposto pago no exterior referese aos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por meio de controladas ou coligadas no exterior que foram incluídos na base de cálculo do tributo. Não comprova, também, que foi observado o limite estampado no art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995 (caput e parágrafo 1º). Apesar de a Recorrente fazer referência a acordo internacional entre o Brasil e a Argentina para sustentar a inexigibilidade do reconhecimento previsto no parágrafo 2º do art. 26 da Lei nº 9.249/95, ao procurar comprovar a composição do valor pago no exterior, aponta seis participações, sendo uma única em empresa domiciliada na Argentina, em que o imposto pago, considerado o demonstrativo estampado na peça de defesa, é da ordem de 16% do total ali consignado (R$ 7.570.835,67 de R$ 47.300.676,74). O cenário retratado nos autos não deixa dúvida de que a Recorrente incorreu em inúmeros equívocos, seja na formalização dos pedidos de compensação, seja nas informações consignadas na declaração de informações, seja, também, na argumentação expendida nas peças de defesa. Tais equívocos poderiam ter sido sanados se a contribuinte, tendo sido intimada, tivesse prestado os esclarecimentos exigidos pela autoridade competente. Embora esta corte administrativa tenha emprestado enorme elasticidade à aplicação do denominado princípio da verdade material, penso que, no caso vertente, a ausência de resposta da contribuinte às intimações que lhe foram dirigidas, em um quadro de variada gama de incorreções, contamina a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, não se podendo admitir que a aferição de tais atributos possa ser feita no âmbito desta instância julgadora, eis que, nesta circunstância, estarseá suprimindose os pronunciamentos das autoridades administrativas precedentes. À evidência, por tudo que foi relatado, não estamos diante de mero erro no preenchimento de DCOMP, como quer crer a Recorrente. Tratase, na verdade, de um sem número de equívocos que, ainda que parcialmente explicados, em virtude da ausência de apresentação de adequada documentação comprobatória, impede o reconhecimento do direito creditório pleiteado Fl. 776DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.920096/200819 Acórdão n.º 1301001.512 S1C3T1 Fl. 776 12 Repiso que encontramse nos autos comprovação de que a contribuinte, antes mesmo da emissão do DESPACHO DECISÓRIO, foi reiteradamente instada a prestar esclarecimentos acerca das divergências detectadas pela unidade administrativa competente, fato não contraditado na peça de defesa. Tal circunstância, somada às oportunidades franqueadas pela norma processual de regência (Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário) desautorizam a realização de diligência pretendida pela Recorrente. Diante de tal contexto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 777DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10380.904903/2009-34
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA.
Confere-se eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários.
Numero da decisão: 1803-002.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA. Conferese eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 49 03 /2 00 9- 34 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 92 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 93 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 63verso): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que indeferiu a declaração de compensação informada por meio do PER/DCOMP nº 18212.01801.150206.1.3.046074. 2. O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto pagamento a maior de Cofins (sic), efetuado em 30/09/2005. O Despacho Decisório (fls. 06/07) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 38.862,93. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 03/04/2009 (fls. 08), o administrado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 09/12), requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, com as seguintes alegações: a) O pagamento a maior deveuse ao fato de que o requerente não deduziu corretamente, da base de cálculo do imposto, as receitas da atividade incentivada, nos termos do artigo 223, § 6°, do RIR/1999; b) O crédito que o requerente possui não diz respeito a uma eventual diferença no resultado anual, ou seja, não decorre do ajuste relativo à efetiva base de cálculo do imposto, mas sim ao valor excedente indevidamente recolhido aos cofres públicos; c) Trouxe decisões administrativas em seu favor. 5. Os processos n° 10380.905394/200967 e 10380.904903/200934 foram julgados em conjunto, por referiremse ao mesmo crédito pleiteado. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 63): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 94 4 INDÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO IRREGULAR. DEFERIMENTO PARCIAL. Não caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, surgido com a apresentação de Balancete de Suspensão/Redução irregular, deve ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. REGULARIDADE. PRAZO. É irregular o Balancete de Suspensão/Redução, original ou retificador, que houver sido elaborado ou transcrito, nos livros Diário e Lalur, depois do vencimento do débito de estimativa, cujo pagamento se pretenda suspender ou reduzir. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 06/05/2011 (fls. 68), a tempo, em 20/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 72 a 77, nele argumentando, em síntese: a) que, apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ/FOR reconheceu a legitimidade da compensação, mas acolheu apenas em parte o pedido, para excluir do crédito o valor relativo à sua atualização mensal, e determinar que tal atualização somente tivesse início em janeiro de 2006. Para tanto, entendeu que o pagamento da estimativa do IRPJ somente se tornou indevido (a maior) com a apuração do imposto, que ocorreu no dia 31 de dezembro de 2006 (sic), e que, depois de encerrado o exercício, não poderia mais haver a retificação dos Balancetes de Suspensão ou Redução BSR; b) que a decisão recorrida faz indevida referência ao Balancete de Suspensão ou Redução — BSR, que não foi o motivo da constatação do pagamento indevido das antecipações; c) que, na verdade — independentemente da apuração do resultado parcial que ocorre nos referidos balancetes — a Recorrente pagou a estimativa de forma incorreta e a maior. Isso porque deixou de deduzir da base de calculo da estimativa o valor correspondente às receitas da atividade incentivada (Benefício concedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste ADENE em 20.12.2005, com efeitos retroativos a janeiro de 2005), nos termos do § 6º do art. 223 do RIR/99); d) que, uma vez aplicada corretamente a legislação que trata da apuração da base de cálculo da estimativa de IRPJ, o valor a ser pago deveria ser bem menor. Assim, tratase de pagamento indevido cujo crédito dele decorrente poderia ser aproveitado no mês seguinte. Como tal, portanto, deve ser considerado para efeito de atualização pela SELIC; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 95 5 e) que, na verdade, a própria decisão recorrida reconhece que o pagamento indevido pode restar consumado no mesmo mês do recolhimento da estimativa, nos casos em que houver erro manifesto na apuração da base de cálculo sobre a receita bruta, como é precisamente o caso de que aqui se cuida. Os julgadores de primeiro grau deixaram de aplicar a SELIC a partir do mês seguinte ao recolhimento indevido apenas em razão do equívoco de considerar relevante o BSR, quando neste caso não o é; f) que, com a revogação do art. 10 da Instrução Normativa nº 600/2005, a Administração Tributária reconheceu o direito de os contribuintes utilizarem o crédito oriundo dos pagamentos indevidos de estimativa de IRPJ para compensar com débitos de outros tributos devidos dentro do mesmo ano, ou seja, antes da apuração feita em dezembro; e g) que não há a menor dúvida, portanto, de que os créditos da Recorrente devem ser atualizados pela SELIC a partir do mês subsequente àquele em que ocorreu o pagamento indevido. Em mesa para julgamento. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 96 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Estimativa paga indevidamente 2. O presente voto se reporta a diversos processos da Recorrente, atinentes a Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), cujos créditos pleiteados, decorrentes de pagamentos indevidos do IRPJ mensal por estimativa, são referentes aos meses de fevereiro, março, setembro, outubro e novembro de 2005 (meses de pagamento). 3. Os despachos decisórios de todos esses processos não homologaram as compensações declaradas mediante Per/DComp, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 4. Superada essa questão já nas próprias decisões recorridas, adentrouse ao mérito do pedido, manifestandose, essas decisões, em contrariedade parcial ao pleito da Recorrente, sob os seguintes fundamentos: a) que, no caso, se trata de pagamento a maior, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de pagamento indevido; b) que, tendo o Balancete de Suspensão ou Redução (BSR) a finalidade de suspender ou reduzir o pagamento da estimativa de determinado mês, tais efeitos se exaurem no vencimento da correspondente estimativa, de modo que eles não podem ser produzidos ou retificados posteriormente com eficácia retroativa; c) que o BSR apresentado altera a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos); e d) que o ato concessivo do incentivo fiscal possui caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 5. Dessa forma, as decisões recorridas negaram a caracterização de pagamento indevido de estimativa, mas o admitiram como pagamento a maior do imposto, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, considerandoo válido, para efeito de atualização monetária, a partir de janeiro de 2006. 6. Posta assim a questão, cumpre dizer, de início, que é fato incontroverso a existência de direito creditório por parte da Recorrente. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 97 7 7. A única discussão que remanesce nos autos é quanto ao termo inicial a ser considerado para a efetivação desse direito creditório, se da data de cada pagamento efetuado, no decorrer do anocalendário de 2005, ou se de janeiro de 2006, como entenderam as decisões recorridas. 8. Chamo a atenção para o fato de que não se está diante de pedido de retificação ou de elaboração de BSR, mas de pleito de restituição/compensação de valor pago indevidamente. 9. Assim, não procede a extensa argumentação da decisão recorrida, no sentido de ser impossível dita retificação ou elaboração e de que o BSR apresentado alteraria a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos). 10. Abrese, aqui, um parêntese para se destacar o que segue. 11. Por meio do Laudo Constitutivo nº 0334/2005, de 20 de dezembro de 2005, expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (ADENE), teve a Recorrente reconhecido o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda, nos termos do art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001 e Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002, sendo o início do prazo de fruição do benefício o anocalendário de 2005. 12. Posteriormente, pelo Ato Declaratório Executivo nº 016, de 13 de março de 2006, a Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE reconheceu que a Recorrente faz jus à redução do imposto de renda, e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, relativamente ao empreendimento de que trata o Laudo Constitutivo nº 0334/2005, expedido pelo Ministério da Integração Nacional, na forma ali discriminada (Percentual de redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveís: 75% (setenta e cinco por cento); Início do prazo de fruição do beneficio: anocalendário 2005; Prazo total de fruição: 10 anos; Término do prazo de fruição do beneficio: anocalendário de 2014). 13. Fechado o parêntese, observase que, na determinação do imposto devido mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período abrangido por esse mesmo balanço ou balancete, admitese a dedução dos incentivos fiscais Regionais de Redução e/ou Isenção do Imposto. 14. Logicamente, se o citado Laudo Constitutivo, e o respectivo Ato Declaratório Executivo, houvesse sido emitido antes do início do anocalendário de 2005, não teria feito uso, a Recorrente, da determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (o que se deu em alguns processos), mas, sim, daquela primeira (BSR). 15. Não é, pois, correto, se pretender equiparar a situação em análise a uma espécie de “mudança de opção” (em alguns processos), tomada ao livre arbítrio da Recorrente, para a situação excepcional ora analisada. 16. Tratase, como visto, de fato superveniente e relevante, com reflexos retroativos por força de lei, como segue (anocalendário em que o empreendimento entrou em operação 2002): Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 98 8 Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1º, a fruição do benefício darseá a partir do ano calendário da expedição do laudo. § 3º O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 17. Essa, aliás, a conclusão a que chegou a Informação Fiscal que instruiu a edição do mencionado Ato Declaratório Executivo: 4.4. De acordo com os parágrafos 1º a 3º do art. 73 da Instrução Normativa nº 267, de 23 de dezembro de 2002 c/c o § 3º do art. 1º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 11.196/2005, a fruição do benefício se dará, a partir do anocalendário 2005 até o anocalendário 2014, tendo em vista que o empreendimento entrou em operação no anocalendário 2002 e o Laudo Constitutivo foi expedido em 20 de dezembro de 2005 (fls. 24 a 28). 18. E se referido favor fiscal possui, inegavelmente, efeitos ex tunc, não se pode pretender limitar esses efeitos com fundamento em procedimentos adotados pela Recorrente, quando ainda não reconhecido a ela aquele benefício. 19. Portanto, é de se conferir eficácia plena ao Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 99 9 20. Afirma a decisão recorrida que, no caso, se trataria de “pagamento a maior”, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de “pagamento indevido”. 21. Se, por “pagamento devido” deve ser entendido aquele efetuado de acordo com a lei vigente ao tempo de sua realização – como, aliás, entende a própria decisão recorrida estáse diante de um pagamento indevido, já que a lei vigente àquela época era a que concedia o benefício fiscal à Recorrente, fato esse reconhecido posteriormente, de forma expressa, tanto pela ADENE, quanto pela RFB. 22. Afirma, ainda, a decisão recorrida que a utilização do BSR seria uma opção do contribuinte e se destinaria a suspender ou reduzir o pagamento do imposto/contribuição devido em cada mês (tendo por referência o que seria recolhido com base na receita bruta), uma vez demonstrado que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto/contribuição, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. 23. Sucede, porém, que, no presente caso, em face da retroação do benefício fiscal obtido pela Recorrente, o BSR terá outra função, que não a de simples redução ou suspensão de antecipação mensal, qual seja, apurar se e em que mês no período correspondente, efetuouse pagamento que, em face daquele benefício, não se teria procedido (“pagamento indevido”). 24. Não se trata, portanto, de “gerar pagamento indevido de estimativa”, mas, apenas, de reconhecer a sua inevitável existência no caso em análise. 25. Defende, ainda, a decisão recorrida, que o ato concessivo do incentivo fiscal possuiria caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 26. Considerando, porém, que a própria Delegacia da Receita Federal em Fortaleza reconheceu a redução de imposto de renda, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 16, de 13/03/2006, com início do prazo de fruição do beneficio no anocalendário 2005, não se sustenta o alegado “caráter constitutivo do ato concessivo do incentivo fiscal”, mas sim, a sua natureza meramente declaratória, com a inevitável retroação de seus efeitos ao início do anocalendário apontado. 27. Por fim, ainda que ultrapassado tudo o que se disse, devese ter presente o contido no § 3º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de seguinte teor (destacouse): Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. [...]. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 100 10 benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. 1 28. Considerandose que 100% (cem por cento) da receita da Recorrente é incentivada, apenas 25% dessa receita comporia a base de cálculo para determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (redução de 75%): 1 Perguntas e Respostas – DIPJ 2006: 604 Na determinação da base de cálculo estimada qual o tratamento aplicável às receitas provenientes de atividades incentivadas (isenção ou redução)? A pessoa jurídica que gozar de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração poderá excluir da receita bruta total, para fins de determinação da base de cálculo estimada, o valor da receita bruta ou redução a que tiver direito. O valor efetivo do benefício de isenção ou redução calculado com base no lucro da exploração será determinado em 31 de dezembro de cada ano. Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2006/PergRespDIPJ2006.pdf>. Acesso em: 30 mar. 2014. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.904903/200934 Acórdão n.º 1803002.118 S1TE03 Fl. 101 11 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, a título de pagamento a maior de estimativa, de R$ 38.862,93, relativo a setembro de 2005, na parte correspondente à Selic calculada até janeiro de 2006, e homologar a compensação pleiteada dos débitos que a ele façam referência até o limite do direito creditório reconhecido (processos nºs 10380.905394/200967 e 10380.904903/200934). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13851.001072/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
REVISÃO DE ATO ADMINISTRATIVO - LEI NO 9.784/99 - POSSIBILIDADE - SÚMULAS DO STF
Conforme disposto nos artigos 53 e 54 da Lei no 9.784/99 e determinam as súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal STF, a administração pública tem o poder de revisar seus próprios atos no prazo de 5 anos. Todavia, os efeitos definitivos do ato administrativo anulado não podem ser desconsiderados. In casu, tendo o débito tributário sido extinto, necessário novo lançamento.
COFINS NÃO CUMULATIVO - CONCEITO DE INSUMOS - APLICAÇÃO CASO A CASO
Não se aplica, para apuração do insumo de COFINS não cumulativo previsto no inciso II, artigo 3º, Lei nº 10.833/03, o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico de imposto de renda que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; for INDISPENSÁVEL para a formação do produto/serviço final e for RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso.
NÃO CUMULATIVIDADE - CRÉDITO - FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS - PÓS FASE DE PRODUÇÃO
Não gera direito a crédito o custo com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, pós fase de produção.
NÃO CUMULATIVIDADE - INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO - IMPEDIMENTO DE CRÉDITO PARA INSUMOS SEM TRIBUTAÇÃO - DIFERENCIAÇÃO
A alíquota zero é hipótese de sujeição de tributo, ainda que resulte em valor zero, ocorre a subsunção do fato à norma, assim como a sujeição à incidência tributária, diverso seria se o insumo fosse não tributado ou isento. Inaplicabilidade da restrição imposta pelo parágrafo 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03.
CRÉDITO PRESUMIDO AGRO-INDUSTRIA - IMPOSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO - ART 8º DA LEI N.10.925/2004 - ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05 - ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de produtos químicos, vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva; (ii) por maioria de votos, para negar provimento quanto ao crédito das despesas de fretes de produtos acabados, vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto; (iii) por unanimidade de votos, para negar provimento quanto às demais matérias.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REVISÃO DE ATO ADMINISTRATIVO - LEI NO 9.784/99 - POSSIBILIDADE - SÚMULAS DO STF Conforme disposto nos artigos 53 e 54 da Lei no 9.784/99 e determinam as súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal STF, a administração pública tem o poder de revisar seus próprios atos no prazo de 5 anos. Todavia, os efeitos definitivos do ato administrativo anulado não podem ser desconsiderados. In casu, tendo o débito tributário sido extinto, necessário novo lançamento. COFINS NÃO CUMULATIVO - CONCEITO DE INSUMOS - APLICAÇÃO CASO A CASO Não se aplica, para apuração do insumo de COFINS não cumulativo previsto no inciso II, artigo 3º, Lei nº 10.833/03, o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico de imposto de renda que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; for INDISPENSÁVEL para a formação do produto/serviço final e for RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso. NÃO CUMULATIVIDADE - CRÉDITO - FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS - PÓS FASE DE PRODUÇÃO Não gera direito a crédito o custo com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, pós fase de produção. NÃO CUMULATIVIDADE - INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO - IMPEDIMENTO DE CRÉDITO PARA INSUMOS SEM TRIBUTAÇÃO - DIFERENCIAÇÃO A alíquota zero é hipótese de sujeição de tributo, ainda que resulte em valor zero, ocorre a subsunção do fato à norma, assim como a sujeição à incidência tributária, diverso seria se o insumo fosse não tributado ou isento. Inaplicabilidade da restrição imposta pelo parágrafo 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITO PRESUMIDO AGRO-INDUSTRIA - IMPOSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO - ART 8º DA LEI N.10.925/2004 - ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05 - ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de produtos químicos, vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva; (ii) por maioria de votos, para negar provimento quanto ao crédito das despesas de fretes de produtos acabados, vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto; (iii) por unanimidade de votos, para negar provimento quanto às demais matérias. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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Todavia, os efeitos definitivos do ato administrativo anulado não podem ser desconsiderados. In casu, tendo o débito tributário sido extinto, necessário novo lançamento. COFINS NÃO CUMULATIVO CONCEITO DE INSUMOS APLICAÇÃO CASO A CASO Não se aplica, para apuração do insumo de COFINS não cumulativo previsto no inciso II, artigo 3º, Lei nº 10.833/03, o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico de imposto de renda que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; for INDISPENSÁVEL para a formação do produto/serviço final e for RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso. NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITO FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS PÓS FASE DE PRODUÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 10 72 /2 00 5- 18 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Não gera direito a crédito o custo com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, pós fase de produção. NÃO CUMULATIVIDADE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO IMPEDIMENTO DE CRÉDITO PARA INSUMOS SEM TRIBUTAÇÃO DIFERENCIAÇÃO A alíquota zero é hipótese de sujeição de tributo, ainda que resulte em valor zero, ocorre a subsunção do fato à norma, assim como a sujeição à incidência tributária, diverso seria se o insumo fosse não tributado ou isento. Inaplicabilidade da restrição imposta pelo parágrafo 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIA IMPOSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO ART 8º DA LEI N.10.925/2004 ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05 ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de produtos químicos, vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva; (ii) por maioria de votos, para negar provimento quanto ao crédito das despesas de fretes de produtos acabados, vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto; (iii) por unanimidade de votos, para negar provimento quanto às demais matérias. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 344DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 11 3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Cofins apurados pela sistemática não cumulativa, referente ao período de apuração do 4o trimestre de 2004, no valor de R$ 15.402.655,32 — fls. 2. Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório de primeira instância administrativa, a saber: “A Verificação fiscal efetuada junto ao interessado, fls. 67/79, constatou irregularidades na apuração do crédito passível de compensação e efetuou glosas referentes a créditos dos seguintes itens: a) Defensivos e adubos — que a partir de 01/08/2004 o art. 2° da Medida Provisória n° 183, de 2004, e posteriormente a Lei n° 10.825, de 2004, reduziu a zero as aliquotas desses produtos e, portanto, não geram mais crédito de PIS e Cofins a partir dessa data; b) Produtos químicos — constatou que o interessado incluiu na apuração de créditos produtos usados para limpeza, higienização e sanitização das instalações industriais, tubulações, centrifugas e tanques, ou seja, produtos que não entram em contato direto com o produto e, portanto, não podem ser considerados como insumos sujeitos ao creditamento do PIS. c) Fretes sobre compras — Nos termos da Solução de Divergência COSIT n° 11, de 27/09/2007, as despesas de frete sobre aquisições de matériasprimas não são consideradas como insumos por falta de previsão legal. d) Crédito Presumido da Agroindústria — efetuou a glosa dos valores pagos à pessoas fisicas, a titulo de fretes, por falta de previsão legal. Tais valores integraram a base de cálculo para apuração do crédito presumido. A partir das glosas efetuadas nos itens acima e de acordo com a planilha de fls. 78, apurouse o creditamento indevido do PIS no valor de R$ 622.399,50. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araraquara, através do Despacho Decisório de fls. 126/127 acatou as conclusões da verificação fiscal e reconheceu o direito creditório do interessado ao valor de R$ 14.780.255,81. Cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 146/155, cujas razões serão descritas abaixo, em função de revisão de oficio do Despacho Decisório promovido pela DRF, fls. 221/223, depois de constatado que na Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 decisão anterior não efetuou as glosas referentes ao aproveitamento do "Crédito Presumido /Atividades Agroindustriais" que devem ser subtraidas do saldo final passível de compensação, a partir de agosto de 2004. Após a revisão e, conforme tabela de fls. 222, verso, verificou a disponibilidade de saldo de crédito para compensações no valor de R$ 8.084.900,68 e, constatado que "após a operacionalização das compensações já homologadas, o saldo do crédito que estaria em R$ 6.265.279,50 se reduziria a R$ 430.075,63 negativo, ..". Feita a constatação, anulou parcialmente as compensações homologadas anteriormente no valor do saldo negativo apurado, assim como as novas compensações declaradas a partir de 23/jan/2009 (processo n° 12893.000016/200931). Assim, reconheceu o direito creditório do interessado ao valor de R$ 8.084.900,68 e anulou as compensações, nos termos descritos.no parágrafo anterior. Cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 236/248, onde, inicialmente, contesta a anulação das compensações anteriormente homologadas, pois elas foram efetuadas de acordo com a lei, e deve ser respeitado o direito adquirido do contribuinte estabelecido no art. 5°, XXXVI da Constituição Federal e confirmado no artigo 53 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Continua, alegando que a fiscalização glosou parte do crédito presumido e, posteriormente, no Despacho Decisório , foi glosado todo o crédito presumido. Assim, há duplicidade das glosas efetuadas nesse item,.devendo ser restabelecido o valor do crédito referente ao valor de R$ 151.399,50, subtraído em duplicidade. Após, repetindo as alegações constantes na manifestação de inconformidade original, de fls. 146/155, faz longa exposição sobre a instituição do regime de nãocumulatividade do PIS e da Cofins, destacando as diferenças entre estes e o do aplicado ao IPI e ICMS, relativamente ao conceito de insumos. Ressalta que a legislação do IRPJ é a fonte mais segura para a definição dos gastos que geram crédito para compensar com a receita, concluindo que todos os custos e despesas que contribuem para a formação das receita têm que gerar crédito para a apuração do PIS não cumulativo. Requer a reforma do Despacho Decisório , para que o pedido de ressarcimento seja analisado sob tal premissa, vindo da Constituição Federal. Referente às glosas efetuadas, com base nas premissas acima, afirma que os produtos químicos empregados nas instalações industriais, nas máquinas, nas linhas de produção, para limpeza, manutenção, tratamento de afluentes, são todos gastos incorridos para viabilizar a obtenção de receita, assim como os gastos com fretes. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 12 5 Sobre os fretes, transcreve ementas de Soluções de Consulta, de 2006, que destacam que os serviços de frete realizados por pessoa jurídica poderão ser descontados do PIS e da COFINS. Também contesta a glosa referente ao frete, contida no crédito presumido da agroindústria. Quanto às despesas de depreciação e exaustão, simplesmente alega que respeitaram os limites legais e têm origem válida nos bens a que se referiram. Conclui, requerendo a reforma do Despacho Decisório impugnado, para que seja cancelada a revisão de oficio que anulou parcialmente o direito creditório anteriormente reconhecido, ou que sejam aceitas as retificações da DACON, para que sejam canceladas as cobranças relativas a não homologação das compensações e, que ainda seja aumentado o direito creditório em R$ 151.901,92 referente ao crédito presumido relativo a atividade agroindustrial que foi subtraído em duplicidade do crédito relativo às exportações. Adicionalmente, visto que a divergência originouse em ato da própria DRF, requer seja concedida a opção de compensação do valor da inscrição perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGFN sob o n° 80 6 08 01163371, via PERDCOMP ou de oficio, em razão da contribuinte possuir créditos em outros processos. Requer a acolhido da manifestação de inconformidade, a reforma do Despacho Decisório para que sejam canceladas as glosas promovidas e o deferimento total do pedido. É o relatório.” Após analisar as razões trazidas pela Recorrente em sua impugnação, a 1a Turma da DRJ/RPO, proferiu o acórdão no 1435.438 (fls. 267/274 –dig. 294/301), que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 31/10/2004 a 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. OMISSÃO. ANULAÇÃO. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em tosos os casos, a apreciação judicial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A. venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. O custo do transporte (frete) pago a pessoa jurídica domiciliada no Pais, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática não cumulativa do PIS/Pasep e Cofins. DUPLICIDADE DE GLOSAS. COMPROVAÇÃO. CORREÇÃO. Comprovada a ocorrência de duplicidade de glosas em créditos do interessado, é de se efetuar a correção dos cálculos.” Em resumo, os julgadores de primeira instância administrativa reconheceram o direito da Recorrente ao crédito relativo aos fretes na aquisição de insumos e referente à duplicidade de glosas a titulo de crédito presumido da agroindústria. Registraram que a Recorrente deixou de recorrer contra a glosa do crédito decorrente do custo com defensivos e adubos. Irresignada, a Recorrente entendeu por bem apresentar recurso voluntário (fls. dig. 310/338), por meio do qual reiterou os termos de sua impugnação, defendendo a identidade entre o conceito utilizado pelo Imposto de Renda (custos e despesas) e o crédito da sistemática não cumulativa do PIS e COFINS; e a impossibilidade de aplicação da restrição trazida pela ADI 15/05 no que se refere ao crédito resumido da agroindústria, argumentando, também, que ao impossibilitar o ressarcimento deste tipo de crédito estáse ferindo direitos constitucionais (não surpresa/adquirido). Ainda, alegou, em sede de preliminar, a nulidade da decisão da DRJ em razão desta não ter analisado os argumentos referentes à sistemática de apuração de créditos no sistema do PIS e COFINS não cumulativo. É o relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 13 7 Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de crédito apurado na sistemática não cumulativa da COFINS, sendo que as matérias ainda em discussão podem ser assim resumidas: (i) em sede de preliminar – a nulidade da decisão recorrida em razão de supostamente não ter analisado determinados argumentos; (ii) no mérito – a impossibilidade de alterar o primeiro Despacho Decisório que homologou as compensações e a glosa indevida de créditos. Passo a análise dos pontos em discussão. (i) Da Nulidade da Decisão A primeira alegação da Recorrente referese à suposta nulidade da decisão recorrida. Argumenta a Recorrente em sua defesa que as autoridades administrativas deixaram de analisar seus argumentos acerca da dissociação dos sistema não cumulativo de PIS e COFINS com aquele aplicável ao IPI e ICMS. A ausência de análise desta premissa teria, a seu ver, levado à glosa dos créditos tributários pleiteados. Sem razão a Recorrente. As autoridades julgadoras não precisam analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para proferir uma determinada decisão se o quanto analisado foi suficiente para a formação da convicção. Fato é que a decisão deixa claro que, no que se refere ao conceito de insumos, a linha adotada pelos julgadores apresentase em concordância com aquela externada pela fiscalização (mesmo critério utilizado para o sistema do IPI e ICMS). Da mesma forma, a v. decisão recorrida demonstra, nos itens seguintes, que está procedendo à análise da legislação específica, o que, inclusive, gerou a concessão do crédito relativo ao frete sobre insumos, que havia sido negado pela fiscalização. Assim, não procede o pleito da Recorrente neste particular, inexistindo,a meu ver, a alegada nulidade de decisão de primeira instância. (ii) Da Anulação Parcial do Despacho Decisório Ao adentrar ao mérito passase à questão relativa à existência, nos autos, de dois despachos decisórios: (a) o primeiro proferido em 19/06/08, acostado às fls. 103/104 – Vol. I (Baseado no Parecer de fls. 67/70 dig. 79/82) e (b) o segundo proferido em 12/11/2009 (fls. 221/224 ou digital 246/249 – vol I); cientificado em 24/11/2009 (fls. 235 – dig. 262). A decisão recorrida entende aplicável ao caso o disposto na Lei no 9.784/991 e as súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal— STF2, dispositivos que permitem que a administração pública revise seus próprios atos no prazo de 5 anos. 1 "Art. 53 A administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de ilegalidade, e pode revogá los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Não tenho dúvidas acerca da possibilidade de a administração pública rever seus próprios atos, principalmente quando o faz dentro do prazo legal para esta revisão (5 anos). Minha dúvida cingese aos efeitos do ato anulado, porque a decisão administrativa que se pretende anular homologou expressamente as compensações realizadas pela Recorrente e gerou outra decisão administrativa que propôs e homologou expressamente, desta vez de ofício, outros débitos, diversos dos indicados pela contribuinte. Vejamos. A compensação, nos termos do inciso II, artigo156 do Código Tributário Nacional, é modalidade de extinção do crédito tributário. Neste diapasão, os despachos decisórios que expressamente homologaram as compensações por força de lei extinguiram o débito tributário da forma como constituído. Por outro giro, os despachos decisórios, a uma só vez, homologaram o auto lançamento realizado pelo contribuinte (posto que aceitaram os débitos da forma como lançados pelo contribuinte) e extinguiram expressamente o débito por meio do instituto da compensação. In casu, o que a autoridade pretende, via transversa, ao revogar parcialmente o primeiro Despacho Decisório proferido, é revisão o lançamento e extinção do crédito tributário da forma como realizado. Todavia, a revisão só seria possível caso houvesse a autoridade administrativa incorrido em erro de fato, o que não aconteceu. Ao analisar os autos percebo que houve nítida alteração de critério jurídico no procedimento fiscal. A autoridade administrativa interpretou diferentemente os termos legais e o próprio Ato Declaratório Interpretativo – ADI 15/95 – o que ocasionou a revisão do procedimento administrativo e a glosa dos créditos. Ocorre que os artigos 146 e 149 do CTN, não permitem a revisão do lançamento da forma como se pretende. Neste aspecto, a anulação do Ato Administrativo “Despacho Decisório” não tem o condão de anular o efeito extintivo da compensação. Claro que isso não impede que, uma vez revisto o crédito e constatada a sua insuficiência, se proceda à nova constituição do débito “reinstituído” em razão da glosa. Mas a exigência não é imediata, necessário se faz novo lançamento. Assim, a despeito de entender possível a redução do crédito tributário em análise por meio da revisão do ato administrativo, discordo da possibilidade de anulação da extinção já ocorrida, é preciso novo lançamento do débito, posto que o lançamento realizado pelo contribuinte foi devidamente extinto. Da Glosa “Indevida” dos Créditos Em relação aos créditos pleiteados a título de COFINS não cumulativo, aos itens glosados pela fiscalização e mantidos pela DRJ, a discussão permanece no que se refere às despesas com: (a) fretes; (b) defensivos e adubos; (c) produtos químicos; (d) depreciação e exaustão e (e) impossibilidade de ressarcimento do crédito presumido da agroindústria. Art. 54 0 direito da Administração de anular os atos administrativos que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé." 2 Súmula 346— A Administração pode declarar a nulidade de seus próprios atos. Súmula 476 — A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 14 9 Em relação aos insumos pleiteados, claro está que a DRJ manteve entendimento similar daquele apresentado pela fiscalização, identificando o conceito com aquele comumente aplicado para o cálculo do IPI e ICMS. A problemática inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a Recorrente. Determina a lei: “Lei 10.833/03 – COFINS Não Cumulativo Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei3 (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei4; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica5; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à 3 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei" Para vigência, vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008. 4 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei" Para vigência, vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008. 5 Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: "III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica" Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1º do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor6: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; 6 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "§1º Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor:" Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 15 11 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...)” – destaquei. A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e Cofins, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de custo e despesa aplicado no imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com o IPI, ICMS ou IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e PIS/Cofins, tenho defendido a total diferença entre os regimes7, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Foi exatamente o que ocorreu no caso em apreço, por entender que os insumos não foram utilizados diretamente na produção, os agentes administrativos glosaram os créditos ora objeto do presente recurso voluntário. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O 7 ARTIGO PUBLICADO in “Planejamento Fiscal – Aspectos Teóricos e Práticos”, Volume II, Quartier Latin, artigo entitulado “O Conceito de Insumos e a NãoCumulatividade do PIS e COFINS”, fls. 197/208 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ......................................................................................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita8 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se 8 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV – (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)." Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 16 13 encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco9: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário10. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica para as contribuições ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. 9 MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004 10 Lei nº 10.833/03, art. 3º, Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 Conforme este raciocínio cito Eduardo de Carvalho Borges11: “No caso do PIS e da COFINS, o legislador federal optou por um sistema misto: apesar de ter concedido ao contribuinte um crédito a ser abatido das contribuições a serem pagas, tal crédito não é apurado em função do tributo recolhido em fase anterior, mas mediante a aplicação, ao valor do bem ou serviço proveniente de etapa anterior, da alíquota à qual está sujeito o contribuinte ao qual o crédito é outorgado. Vejamos o seguinte exemplo: (i) um produto X é vendido por A a B por 100 reais; (ii) estando A sujeito ao regime cumulativo, recolhe 3,65 reais a título de PIS e COFINS; (iii) estando B sujeito ao regime nãocumulativo, apura crédito de PIS e COFINS no valor de 7,60 reais; e (iv) ao revender o produto X por 200 reais, B recolhe 7,60 reais (200 reais x 7,6% 7,60 reais = 7,60 reais) a título de PIS e COFINS. Em tal caso, o critério adotado propiciou o mesmo resultado da aplicação do método “base sobre base” (200 reais – 100 reais x 7,6% = 7,60 reais).” – destaquei. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplica, portanto, o critério de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 29012 e 29913 do RIR/99. 11 Eduardo de Carvalho Borges in “Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias”, Tributação no Agronegócio, Quartier Latin 12 Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). 13 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 17 15 Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e Cofins não cumulativos. Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e Cofins, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...” A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 14 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativo para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e Cofins não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. 14 Pedro Anan Jr, in "PIS e COFINS à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", em artigo entitulado "A Questão do Crédito de PIS e COFINS no Regime da Não Cumulatividade e a Jurisprudência do CARF", fls. 486, MP Editora destaquei Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita15, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita naquele específico mês. Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerado pela legislação do PIS/Cofins.Vejamos. Já de acordo com os termos do Recurso Voluntário, o objeto social da empresa está consubstanciado: “A sociedade tem a natureza de agroindústria sendo seu objeto a indústria, comércio, importação e exportação de produtos e sucos hortifruticolas em geral, seus derivados, subprodutos e residuos, a agricultura; a pecuária; a prestação de serviços correlatos as suas atividades; a exploração imobiliária e a atividade de operador portuário.” Como definiu a própria fiscalização em seu Parecer, verbis: Fls. 82 – eletrônica 84 “Cabe ressaltar que a empresa é constituída por fazendas destinadas à produção de laranja, e pelo parque industrial apto à produção do suco e derivados. Fezse então visita à unidade industrial de Araraquara.” Em princípio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não cumulatividade de PIS/COFINS difere daquele utilizado para ICMS/IPI16, bem assim não pode ser equiparado ao critério utilizado pelo Imposto de Renda. De acordo com a premissa admitida, entendo que para gerar crédito de PIS/COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo 15 No sentido de busca da "formação da receita" cito o doutrinador Marco Aurélio Grecco (in “Não Cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), a saber: “Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apóiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução.” 16 Neste sentido, segue ementa do Acórdão proferido no Processo Administrativo nº 11020.000607/201058: "COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos." Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 18 17 contribuinte como insumo na produção; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao seu objeto social. Analisemos cada item. (A) FRETES Neste item, discutese o frete realizado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, para transporte dos produtos acabados para o centro de distribuição/exportação. Conforme tenho defendido, sou da opinião de impossibilidade de crédito no caso de frete entre estabelecimentos da empresa. Isto porque não há hipótese legal expressa permitindo este creditamento, razão pela qual a hipótese de concessão seria a conclusão de que este gasto representaria um “serviço utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Assim, conforme premissa adotada, para ser considerado crédito o frete entre estabelecimentos deve ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte como insumo na produção; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final e estar RELACIONADO ao seu objeto social. In casu, a meu sentir, o frete entre estabelecimentos de produto já acabado não se refere à fase produtiva, que se findou com a formação do produto. Desta forma, entendo que falta a este insumo um dos três requisitos que considero indispensáveis para a concessão do crédito, qual seja, aquele que determina que o insumo deve ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte em sua produção. Lembro que afasto a alegação de que o crédito é devido porque equiparase ao conceito de custo do Imposto de Renda em função da premissa que adoto, de que o PIS e COFINS possuem seu próprio conceito de insumo, diverso daquela utilizado pelo ICMS/IPI/IRPJ. Ante o exposto, mantenho a glosa no que se refere ao frete entre estabelecimentos de produtos acabados. (B) DEFENSIVOS E ADUBOS Em relação aos defensivos e adubos, conforme relatado, restou registrado na decisão de primeira instância administrativa que esta matéria não constou da impugnação, razão pela qual não foi considerada pela Delegacia de Julgamento tornandose incontroversa. (C) PRODUTOS QUÍMICOS No que se refere aos produtos químicos, imperioso analisar motivo da glosa. Nos termos do Despacho Decisório, a glosa está justificada no fato a fiscalização ter aplicado, ao caso, o mesmo conceito aplicável ao IPI, isto é: o insumo tem que ser consumido no processo produtivo (MP, ME e PI) e entrar em contato direto com o produto. Vejamos o que disse o decisório, a saber: “Produtos químicos Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 Seguindo a determinação legal do que seja insumo aplicado na produção, em conceito idêntico ao aplicado a outro tributo não cumulativo, qual seja, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), os produtos que podem gerar direito a crédito são aqueles consumidos no processo produtivo, quais sejam, as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. Ainda admitiu a legislação infralegal retro citada que os outros bens, distintos da MP, PI e ME, que sofram alterações quando em ação diretamente exercida sobre o produto fabricado, não incluídos no ativo imobilizado, geram direito ao creditamento. Tais bens são aqueles que entram em contato com o produto final, sofrendo o desgaste por força deste contato. Pois bem. A fiscalizada incluiu entre os bens químicos aqueles usados para limpeza, higienização e sanitização das instalações industriais, tubulações, centrifugas e tanques. Não correspondem àqueles produtos como as lixas, e outros que sofrem o desgaste pelo contato direto com o produto que segue na linha produtiva. No caso destes produtos de limpeza o contrário acontece, pois que os insumos são retirados do processo produtivo para análise, sem que continuem a seguir o ciclo de produção. Estes não entram em contato diretamente com os bens a serem produzidos, mas com amostras retiradas da linha de produção, os quais não retornarão ao processo. Ainda creditouse dos produtos químicos usados para tratamento da água. Digase que a água tratada não entra em contato direto com o suco produzido, nem se trata de componente adicionado ao suco, mas sim da limpeza da água que servirá para 4111 desinfecção dos tanques de armazenamento. Portanto, incabível o direito creditório sofre referidos bens. Há produtos químicos que servem para a análise físicoquímica dos produtos fabricados. Tratase das análises laboratoriais realizadas antes, durante e após o processo produtivo. Neste caso, ainda que se desnaturem ao entrar em contato com os bens em produção, assim acontece porque saem da linha de produção. Não correspondem àqueles produtos como as lixas, e outros que sofrem o desgaste pelo contato direto com o produto que segue na linha produtiva. No caso laboratorial, os insumos são retirados do processo produtivo para análise, sem que continuem a seguir o ciclo de produção, tal qual ocorre com os produtos de limpeza.” Claro está, pela descrição realizada pela Recorrente nos autos, que os produtos químicos pleiteados pela Recorrente foram utilizados – e até consumidos – no processo produtivo. Também pareceme claro que estes produtos são indispensáveis para a formação do produto final da Recorrente e que está relacionado ao seu objeto social. Presentes, a meu sentir, os componentes necessários à conceituação dos produtos químicos como insumos para o a legislação de PIS eCofins. O óbice apresentado pela fiscalização referese, exatamente, à aplicação do conceito de insumo nos termos da legislação do IPI, o que afasto de prima, postas as premissas. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 19 19 Assim, concedo o crédito de produtos químicos da forma como pleiteada pela Recorrente. (D) DEPRECIAÇÃO E EXAUSTÃO Percebese que a Recorrente tratou, em sede de recurso, de supostas reduções de crédito com base em critérios de depreciação e exaustão. A despeito da análise fiscal realizada no Despacho Decisório deixar dúvidas quanto ao aceite do critério utilizado pela Recorrente, fato é que conforme se verifica das planilhas de glosas trazidas nos Despachos Decisórios, não houve qualquer glosa com este fundamento. Portanto, não há lide sobre o assunto, razão pela qual deixo de conhecer os argumentos apresentados. (E) DO CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA O último ponto em discussão referese ao crédito presumido da agroindústria. Importante esclarecer que esta matéria tornase relevante a partir do momento que admito a premissa de que é possível à administração pública anular seus próprios atos administrativos dentro do prazo de 5 anos, de acordo com os permissivos legais. É que foi por intermédio do Segundo Despacho Decisório proferido que a autoridade administrativa promoveu à glosa de valores anteriormente concedidos a título de ressarcimento por entender aplicável à espécie o Ato Declaratório Interpretativo n o 15/05. Já me posicionei em relação a este assunto, acompanhando o bem lançado voto do Conselheiro Alexandre Gomes,proferido nos autos do processo administrativo no 11686.000397/200850, in verbis: “(iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05 Entre os valores a serem utilizados nas compensações realizadas a recorrente incluiu a parcela excedente dos créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei 10.925/05. Assim prescreve citado dispositivo: ‘Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003.’ Neste ponto também não assiste razão a Recorrente. A leitura da legislação é clara ao afirmar que o crédito presumido poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração. Assim, me parece correto afirmar que os valores do crédito presumido não podem ser utilizados em pedidos de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. A propósito, esta também é a interpretação uníssona da Primeira Seção do STJ, senão vejamos: ‘TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954 / RS. Relator. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 21/06/2011) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 20 21 Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, Documento: 15843758 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO Site certificado Página 7 de 8 Superior Tribunal de Justiça efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 22 derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010). Assim, em que pese os argumentos e fundamentos lançados no Recurso Voluntário, entendo que em relação a este item está correta a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre.” De fato, a legislação não permitiu que os crédito presumido de PIS e Cofins fosse ressarcido, mas apenas compensado com valores devidos no corrente, razão pela qual a fiscalização está correta ao impedir o aproveitamento do crédito da forma pretendida pela Recorrente. Também não prospera a alegação de irretroatividade e “anterioridade de lei mais gravosa” porque, in casu, a questão é que não há previsão legal para o pretendido pela Recorrente. Ante o exposto, conheço do presente recurso voluntário para o fim de DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, reformando assim o v. acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13851.001072/200518 Acórdão n.º 3302002.262 S3C3T2 Fl. 21 23 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/0 2/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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