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Numero do processo: 15374.908466/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.437
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n° 825048258, de 25.03.2009, que não homologou a compensação declarada – Dcomp 22990.59143.111006.1.3.040344, de 11.10.2006, sob o fundamento de que o crédito alegado (DARF no código de receita 3467IOF; período de apuração: 12.07.2003; arrecadação: 16.07.2003; valor: R$ 185.195,98) havia sido integralmente utilizado no pagamento de IOF 3467 apurado em 12.07.2003, no valor de R$ 185.195,98. Contra o despacho decisório, a empresa arguiu que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 08 46 6/ 20 09 -2 1 Fl. 3699DF CARF MF Processo nº 15374.908466/200921 Resolução nº 3301000.437 S3C3T1 Fl. 3.700 2 a) Em 12.11.2003, apresentou sua DCTF original, indicando o montante de R$ 185.195,98, como valor total devido a título de IOF; b) Em 19.07.2006, verificando o erro cometido no preenchimento da mencionada DCTF, apresentou DCTF retificadora para indicar apenas a quantia efetivamente devida naquele período, qual seja, R$ 1.456,53, restando, portanto, o valor de R$ 183.739,45, como montante recolhido a maior. c) A DEINF/RJ não examinou a DCTF Retificadora apresentada em 19.07.2006, sendo certo que foi recolhido incorretamente o valor de R$ 183.739,45, passível de compensação. A decisão de piso sintetizou a divergência entre os valores: Segundo o Despacho Decisório, o DARF crédito teve o seu valor integralmente alocado a débito de IOF (código de receita 3467) apurado no terceiro trimestre do anocalendário de 2003: 12.07.2003. Relativamente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2003, o interessado entregou 3 (três) Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, nas quais o débito da segunda semana de julho de 2003 foi confessado assim (fls.133/146): 11. Na DCTF Original, de 12.11.2003, o débito de IOF relativo à primeira semana de agosto de 2003 foi declarado pelo valor total de R$ 433.528,44 e foi vinculado a 17 (dezessete) DARFs, entre eles, o DARF crédito indicado na Dcomp em tela (fls.59/63). 12. Quase um ano e dois meses depois da entrega da mencionada DCTF original, o interessado entregou, em 10.01.2005, DCTF Retificadora (nº 61888821), na qual o sobredito débito de IOF passou de R$ 433.528,44 para R$ 433.538,65 (isto é, foi aumentado em R$ 10,21), tendo sido vinculado aos mesmos DARFs referidos no item anterior (fls.64/68). 13. Às fls.78, este processo foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora: “informe (adotando, caso algum erro se revele, as providências que reputar cabíveis) o motivo por que o DARF acima referido (fls.66) consta vinculado ao débito de IOF informado na DCTF Retificadora processada em 10.01.2005 (2ª linha do quadro acima), cancelada em face de nova DCTF Retificadora, processada em 19.07.2006”. 14. Em resposta (fls.79/87), a autoridade lançadora informou que, por força de auditoria eletrônica nas DCTFs dos anoscalendário de 1999 a 2003, emitiu cobranças de multas relativas a débitos de IRRF, PIS e IOF contra o Fl. 3700DF CARF MF Processo nº 15374.908466/200921 Resolução nº 3301000.437 S3C3T1 Fl. 3.701 3 interessado, que, no entanto, apresentou petição (fls.82), solicitando a baixa de 240 (duzentos e quarenta) débitos de multa, por ter obtido liminar em Mandado de Segurança (nº 2000.61.00.0026350), que o desobrigou do “recolhimento da multa moratória sobre débitos confessados espontaneamente”. 15. À referida petição, datada de 13 de dezembro de 2004 (fls.82), o interessado juntou rol de débitos (fls.83), no qual se vê débito de IOF com vencimento em 16.07.2003 (numerado manualmente como sendo o de nº 378, e que é o débito referido no corpo do Despacho Decisório em comento), no valor de R$ 433.528,44, e acerca do qual se lê que a multa de mora devida era de R$ 5.247,80. 16. Observese que, na data da sobredita petição, 13.12.2004, o débito de IOF confessado perante esta Secretaria era aquele que constou da DCTF original (única DCTF que, até então, havia sido entregue pelo interessado): R$ 433.528,44 (ver nosso item 11). 17. Na consulta Sief (fls. 94), o DARF crédito (R$ 185.195,98) consta integralmente utilizado. Na consulta Sief Fiscel, às fls.90/93, que contém os débitos de IOF da primeira semana de agosto de 2003 e os pagamentos a eles vinculados, lêse: “suspensão processo de representação nº 19740.000490/200441”. 18. O sobredito processo, de acordo com a autoridade lançadora, “encontrase atualmente na equipe de cobrança da Demac/RJ/Dicat”, e “foi criado para acompanhar as consequências do mandado de segurança 2000.61.00.0026350 impetrado pela contribuinte, para não ser cobrada de multa de mora, no caso de denúncia espontânea” (fls.80). 19. Não obstante o fato de já ter pago o débito em tela (IOF apurado na segunda semana de julho de 2003, no valor de R$ 433.538,65 e sobre o qual não há registro de saldo devedor, conforme consulta Sief às fls.90), de ter ajuizado ação direcionada apenas à multa de mora sobre tal débito, e, de ter apresentado, em 10.01.2005, DCTF retificando o valor deste (de R$ 433.538,65, para R$ 249.799,20), o interessado apresentou, em 19.07.2006 (quase três anos após a entrega da DCTF Original, e um ano e seis meses após a entrega da primeira DCTF Retificadora), uma segunda DCTF Retificadora: a de nº 51993494 (ver item 11). 20. Nessa segunda DCTF Retificadora, o dito débito foi declarado pelo valor de R$ 249.799,20, isto é, foi reduzido em R$ 183.739,45, gerando o valor do crédito cuja titularidade o interessado pleiteia na Dcomp em julgamento (fls.58 e 69/73). 22. Não há qualquer saldo disponível no DARF de R$ 185.195,98 (fls. 94). Embora a última DCTF Retificadora conste, na consulta ao rol de DCTFs (fls. 58), como tendo substituído a primeira, os DARFs de pagamentos do débito se mantiveram vinculados aos valores da DCTF Retificadora substituída, entregue em 10.01.2005. E, de acordo com a consulta Sief, às fls. 90/93, constam na situação: “Suspenso – Processo de Representação nº 19740.000490/200441”. A 3ª Turma da DRJ/RJ1 indeferiu a manifestação de inconformidade sob os seguintes argumentos: 1) Não foram juntadas na Manifestação de Inconformidade as provas (escrituração comercial e fiscal e documentos que a embasam) do direito creditório alegado, limitandose o contribuinte a afirmar que cometeu erro de fato no preenchimento da DCTF; 2) Fl. 3701DF CARF MF Processo nº 15374.908466/200921 Resolução nº 3301000.437 S3C3T1 Fl. 3.702 4 a DCTF Retificadora não faz prova de indébito tributário por si só e 3) não houve provas do disposto no art. 166 do CTN, segundo o qual a restituição do IOF só pode ser feita a quem suportou tal encargo, ou a quem este houver autorizado. O acórdão nº 1240.472 foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVA. DCTF RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA. A Manifestação de Inconformidade deve ser instruída com as provas do direito creditório alegado. A DCTF Retificadora não configura prova suficiente de indébito tributário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse o Despacho Decisório recorrido se não comprovado o direito creditório alegado. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alegou que o que determinou a necessidade de retificar a informação anteriormente prestada foi o fato de que o funcionário responsável por sua contabilidade, acreditando, por razão ignorada, não estar o IOF devidamente provisionado pelo sistema contábil, efetuou, de forma manual, nova provisão do imposto incidente sobre os fatos geradores relacionados às apólices de nº 37754, 33298, 33785, 33313, 31407, 38630, 33306, 38702 e 32394, cometendo, ainda, o erro de calcular o valor do IOF sobre o total faturado/recebido e não sobre o valor do prêmio. Juntou documentos em seu recurso. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, por meio da Resolução nº 3202000.266, converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização analisasse os documentos anexados aos autos pela Recorrente, intimandoa para prestar outras informações, com vistas a esclarecer se os valores informados na DCTF retificadora podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal do contribuinte, de modo a comprovar a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. O resultado da diligência foi o seguinte: “esclareço que os valores informados na DCTF retificadora, relativamente ao Imposto sobre Operações Financeiras – IOF incidente sobre operações de seguro ocorridas na 2ª semana do mês de julho de 2003 (R$ 249.799,20 – fls. 46) não podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal do contribuinte. O valor total escriturado é de R$ 379.130,56, conforme consignado na tabela anexada no item “14” do presente relatório fiscal.” A Recorrente manifestouse contra o resultado dessa diligência, anexando novos documentos. É o relatório. Fl. 3702DF CARF MF Processo nº 15374.908466/200921 Resolução nº 3301000.437 S3C3T1 Fl. 3.703 5 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Remanesce controvertida nestes autos a existência do indébito afirmado pela Recorrente, como se demonstra a seguir. A metodologia dos cálculos efetuados na diligência foi assim executada: 5. A metodologia a ser utilizada na condução da presente diligência consiste em certificar, por meio dos lançamentos contábeis efetuados no Livro Razão da conta contábil “21122400002 IOF S / Prêmios Cobrados” (conta de obrigações – passivo circulante, fls. 290/332) e no “Livro Diário Geral nº 00123” (fls. 243/288), os valores contabilizados no período compreendido entre os dias 07/07/2003 e 11/07/2003 (2ª semana do mês de julho de 2003, período objeto da retificação). 6. A partir das informações prestadas pelo recorrente no item 3.6 do recurso voluntário apresentado (fls. 118) e compulsando os lançamentos contábeis registrados no Livro Razão da conta contábil “21122400002 IOF S / Prêmios Cobrados” (fls. 304) e no Livro Diário (fls. 287) podese verificar que o lançamento contábil do alegado equívoco cometido pelo funcionário responsável pela contabilidade do contribuinte deuse no dia 11/07/2003 (vejase o lançamento a crédito, no valor de R$ 185.195,98 efetuado na conta “21122400002 IOF S / Prêmios Cobrados” (fls. 304). Dessa forma, visando comprovar a duplicidade de lançamento, fazse necessário identificar aqueles efetuados em relação aos fatos geradores representados pelas apólices de nº 37754, 33298, 33785, 33313, 31407, 38630, 33306, 38702 e 32394, conforme relatado no item “4” do presente relatório fiscal, os quais, somados, devem perfazer o total de R$ 180.060,81, conforme discriminado na tabela acostada às fls. 227. Importante frisar que a diferença entre R$ 180.060,81 e R$ 185.195,98 devese ao fato de o funcionário responsável pela contabilidade ter calculado o valor do IOF sobre o total faturado/recebido e não sobre o valor do prêmio, conforme também registrado no mencionado item “4” do presente relatório. 7. As informações trazidas pelos documentos condensados sob o título “DOC. 5” (fls. 188/221) permitem concluir que os lançamentos contábeis dos valores de IOF relacionados às apólices acima mencionadas haviam sido realizados nos dias 09/07/2003, 10/07/2003 e 11/07/2003. Tais lançamentos foram realizados de forma automatizada a partir do sistema informatizado denominado “CNNR” (Contas a Receber) da recorrente, conforme consignado no item “3.8” do recurso voluntário (fls. 118). 8. Os lançamentos contábeis realizados no dia 09/07/2003 totalizam o montante de R$ 24.159,87, sendo este total originário do acima mencionado sistema “CNNR”. É possível verificar que este total, resumido no demonstrativo acostado às fls. 189, encontrase discriminado por sucursal no demonstrativo acostado às fls. 190/191 e este encontrase detalhado no relatório juntado às fls. 192/197. Encontrase às fls. 193 a discriminação do valor de R$ 1.102,41 Fl. 3703DF CARF MF Processo nº 15374.908466/200921 Resolução nº 3301000.437 S3C3T1 Fl. 3.704 6 correspondente ao IOF incidente sobre a operação a que se refere a apólice nº 37754. 9. Já em relação aos lançamentos contábeis realizados no dia 10/07/2003, do total de R$ 14.215,04, apenas R$ 10.136,06 tiveram origem no citado sistema “CNNR”. É possível verificar que este total, resumido no demonstrativo acostado às fls. 198, encontrase discriminado por sucursal no demonstrativo acostado às fls. 199/202 e este encontrase detalhado no relatório juntado às fls. 203/206. Encontrase às fls. 204 a discriminação dos valores de R$ 12,20 (apólice nº 33298), R$ 13,57 (apólice nº 35313), R$ 54,32 (apólice nº 33785), R$ 13,60 (apólice nº 33298) e R$ 2.224,51 (apólice 31407). 10. Por último, relativamente aos lançamentos contábeis realizados no dia 11/07/2003, do total de R$ 391.903,72, apenas R$ 204.045,81 tiveram origem no citado sistema “CNNR”. É possível verificar que este total, resumido no demonstrativo acostado às fls. 207, encontrase discriminado por sucursal no demonstrativo acostado às fls. 208/211 e este encontrase detalhado no relatório juntado às fls. 212/221. Encontrase às fls. 213 a discriminação do valor de R$ 15,87 correspondente ao IOF incidente sobre a operação a que se refere a apólice nº 33306, assim como encontrase às fls. 219 a discriminação dos valores de R$ 47.625,04 (apólice nº 38630), R$ 2.479,81 (apólice nº 38630), R$ 5.764,61 (apólice nº 38630), R$ 119.081,40 (apólice 38702) e R$ 706,47 (apólice 38702). Também encontrase registrado às fls. 220 o valor de R$ 1.076,90 correspondente ao IOF incidente sobre a operação a que se refere a apólice nº 32394. 11. As informações contidas no relato dos itens “8”, “9” e “10”, acima, são melhor compreendidas por meio dos quadros a seguir anexados (...). 12. Fica evidente, então, que, de fato, os lançamentos contábeis relativos ao IOF incidente sobre as operações representadas pelas apólices de nº 37754, 33298, 33785, 33313, 31407, 38630, 33306, 38702 e 32394, no valor total de R$ 180.060,81, já haviam sido automatizadamente registrados anteriormente ao registro manual efetuado no dia 11/07/2003, no valor de R$ 185.195,98, mencionado no item “6” do presente relatório fiscal. Frisese que somente pode ser considerado “duplicidade” o valor de R$ 183.739,45, haja vista o recorrente não ter localizado os documentos relativos ao valor de R$ 1.456,53, conforme observação consignada no rodapé do demonstrativo acostado às fls. 227. 13. Aqui cabe o registro de que, buscando fazer prova da duplicidade na contabilização do IOF incidente nas operações representadas pelas apólices citadas linhas acima, o contribuinte concentrouse nos lançamentos contábeis realizados nos dias 09/07/2003, 10/07/2003 e 11/07/2003. Ocorre que a 2ª semana do mês de julho de 2003 (período em que estão inseridas as retificações objeto da presente diligência) abrange os fatos geradores acorridos entre os dias 07/07/2003 e 11/07/2003. Dessa forma, para que se possa ter convicção acerca da conformidade da retificação pretendida, é necessário recompor os valores registrados na contabilidade do recorrente durante todo o período, e não somente nos dias 09/07/2003, 10/07/2003 e 11/07/2003. Com base nos valores lançados a crédito na conta “21122400002 IOF S / Prêmios Cobrados” (fls. 296/304), procedi a totalização dos mesmos, segregandoos por cada dia da semana, os quais estão discriminados na tabela abaixo anexada. 14. Registrese que o valor relativo ao dia 11/07/2003 corresponde ao total dos lançamentos (R$ 391.903,72, conforme consignado nas duas primeiras Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 15374.908466/200921 Resolução nº 3301000.437 S3C3T1 Fl. 3.705 7 tabelas do item “11” do presente relatório fiscal) menos o valor em duplicidade (R$ 183.739,45, mencionado ao final do item “12” do mesmo relatório). 15. Em conclusão, objetivamente respondendo ao questionamento feito pelo órgão julgador, esclareço que os valores informados na DCTF retificadora, relativamente ao Imposto sobre Operações Financeiras – IOF incidente sobre operações de seguro ocorridas na 2ª semana do mês de julho de 2003 (R$ 249.799,20 – fls. 46) não podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal do contribuinte. O valor total escriturado é de R$ 379.130,56, conforme consignado na tabela anexada no item “14” do presente relatório fiscal. Em manifestação sobre a diligência, a empresa afirma que recolheu efetivamente “o IOF devido em relação ao citado valor de R$ 379.103,56 (na ocorrência do fato gerador ou quando extemporaneamente, com inclusão de multa e juros de mora) e que, em relação à 2º semana de julho de 2003 ocorreu o recolhimento em duplicidade do valor de IOF relativo às apólices nºs 37754, 33298, 33785, 33313, 31407, 38630, 33306, 38702 e 32394 (quer no valor de 185.195,98 como alegado pela RECORRENTE, quer no valor de R$ 183.739,45, como asseverado pelo D. Fiscal)”. Dessa forma, haveria indébito, pois: Pelo acima transcrito, verificase que o D. Fiscal Diligenciante, apesar de ter confirmado a alegação feita pela RECORRENTE em sua Manifestação de Inconformidade e em seu Recurso Voluntário de ter havido uma recolhimento em duplicidade de IOF no valor R$ 183.739,45 para a 2ª semana de julho/2003 relativo às apólices nºs 37754, 33298, 33785, 33313, 31407, 38630, 33306, 38702 e 32394 (em verdade a Recorrente alegou um recolhimento a maior de R$ 185.195,98, mas o D. Fiscal acatou o valor de R$ 183.739,45, restando uma pequena diferença de R$ 1.456,53), atesta que o valor declarado na DCTF retificadora do período de R$ 249.799,20 não pode ser confirmado na escrituração contábilfiscal da RECORRENTE, sendo o valor efetivamente confirmado de R$ 379.130,56. O Ilmo. Fiscal ainda ressalta que essa diferença advém da desconsideração, por parte da Recorrente, dos valores de 26.664,91 (07.07.2003) e R$ 105.926,47 (08.07.2003). 4. Destarte, sobre o alegado, vale esclarecer que a RECORRENTE cobra os prêmios que lhes são devidos mediante envio aos clientes de fichas de compensação para cobrança bancária. 4.1. Apesar dessa iniciativa, inúmeros são os casos em que os segurados extraviam essas fichas e, em lugar de requerer emissão de segunda via, depositam os valores que supõem devidos nas contas correntes das seguradoras, impedindo a identificação imediata do depositante e da apólice a que se relaciona o depósito, ainda mais quando: a) o depósito é efetuado no valor indicado na ficha de compensação e no prazo contratualmente previsto para o pagamento do prêmio, mas a tesouraria não identifica a apólice a que ele corresponde antes do vencimento do prazo de recolhimento do IOF; b) o depósito é efetuado em valor inferior ao indicado na ficha de compensação e no prazo contratualmente previsto para o pagamento do prêmio, mas a tesouraria não identifica a apólice a que ele corresponde antes do vencimento do prazo de recolhimento do IOF; Fl. 3705DF CARF MF Processo nº 15374.908466/200921 Resolução nº 3301000.437 S3C3T1 Fl. 3.706 8 c) o depósito é efetuado em valor inferior ao indicado na ficha de compensação, após o prazo contratualmente previsto para o pagamento do prêmio e a tesouraria não identifica a apólice a que ele corresponde antes do vencimento do prazo de recolhimento do IOF. 4.2. Nesses casos, a RECORRENTE entende, com respaldo na legislação de regência, que o fato gerador do IOF incidente sobre operações de seguro se materializa nas datas dos depósitos e assim procede efetuando o recolhimento do imposto no prazo de vencimento, não obstante as pesquisas necessárias à vinculação de cada valor à apólice correspondente demandam geralmente tempo superior a esse prazo de vencimento da obrigação tributária correspondente. 4.3. Todavia, a contabilização desse IOF somente ocorre após a conclusão das referidas pesquisas, momento no qual ocorre a baixa da dívida do segurado, ou seja, na baixa das respectivas apólices. Com efeito, nessas situações, a baixa da apólice ocorre em período posterior ao fato gerador do IOF (recebimento do prêmio pertinente). 4.3.1. Foi exatamente o que ocorreu no presente caso. Como V.Sas poderão certificar do Razão Auxiliar – IOF dos meses de julho a novembro de 2003 (doc. 01), bem como dos Razões Contábeis também de julho a novembro de 2003 (doc. 02), os valores que compõem o total de R$ 249.799,20 de IOF declarado na DCTF retificadora da 2ª semana de julho de 2003 está contabilizado parte em julho de 2003 e parte em diversos outros períodos subsequentes de 2003, pois foi nesses momentos que a RECORRENTE logrou êxito em vincular os pagamentos realizados pelos segurados às respectivas apólices, dando baixa nas dívidas. 4.4. Todavia, em alguns poucos casos o tributo somente era recolhido quando a RECORRENTE conseguia vincular os pagamentos realizados pelos segurados às respectivas apólices, dando baixa nas dívidas. Tal situação fica evidenciada e comprovada quando se recorre aos valores que compõem o total de R$ 379.103,56 citado pelo Ilmo. Fiscal Diligenciante como montante constante na escrituração contábilfiscal da RECORRENTE a título de IOF (incidente sobre operações de seguro) na mencionada 2ª semana do mês de julho de 2003. Isso porque, como atesta o arquivo “Razão Auxiliar Composição Semana 07 a 11 de Julho” (doc. 03), grande parte desse valor, embora contabilizado nessa semana (pelas razões acima expostas) referiase a recebimento de prêmio de período anterior, cujo IOF correspondente foi recolhido extemporaneamente com inclusão de multa de juros de mora. 4.4.1. Com efeito, no referido arquivo, V.Sas poderão verificar, além de outras informações, na coluna “k” o DARF no qual foi recolhido o valor do IOF (vide DARFS em anexo – doc. 04) e na coluna “L” o período de apuração a que se refere esse recolhimento. A Recorrente trouxe aos autos os seus livros razão analítico e razão geral, de julho a novembro de 2003. O DecretoLei nº 1.783/80, que instituiu o IOF, em seu art. 1º, II, prescreve: Art.1º. O Imposto sobre Operações Financeiras incide nas operações de crédito e seguro, realizadas por instituições financeiras e seguradoras, e tem como fato gerador; Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 15374.908466/200921 Resolução nº 3301000.437 S3C3T1 Fl. 3.707 9 II no caso de operações de seguro, o recebimento do prêmio. Por sua vez, o art. 19 do Decreto nº 4.494/2002 (vigente à época) dispunha: Art. 19. O fato gerador do IOF é o recebimento do prêmio. E, relativamente à cobrança e recolhimento do IOFSeguro, o art. 24 do referido Decreto é preciso: Art. 24. O IOF será cobrado na data do recebimento total ou parcial do prêmio. Paragrafo único. O IOF deve ser recolhido ao Tesouro Nacional até o terceiro dia útil da semana subsequente à de sua cobrança. Das prescrições acima, temse que o critério temporal, da regramatriz de incidência tributária é momento do recebimento total ou parcial do prêmio. Com efeito, o prêmio corresponde à remuneração da seguradora pela cobertura de risco oferecida, consistindo, portanto, na base de cálculo do IOF. Dessa forma, entendo que os argumentos da Recorrente devem ser investigados, motivo pelo qual o julgamento deve novamente ser convertido em diligência. Conclusão Voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitada à unidade de origem que confirme se o valor de R$ 249.799,20 de IOF declarado na DCTF retificadora da 2ª semana de julho de 2003 está contabilizado parte em julho de 2003 e parte em períodos subsequentes de 2003 (cf. a manifestação do contribuinte nas efls. 356361), através da análise da escrituração trazida aos autos, de julho a novembro de 2003, de modo a esclarecer a existência do direito ao crédito pleiteado em PER/DCOMP. Ademais, requerse da unidade de origem que elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Em seguida, dar vista à empresa recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. Sala de sessões, 28 de junho de 2017. Semíramis de Oliveira Duro (assinado digitalmente) Fl. 3707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720181/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS. OMISSÃO / CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. REJEIÇÃO.
Quando não verificada a ocorrência de omissão ou contradição no acórdão embargado, os aclaratórios devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 2402-005.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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OMISSÃO / CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. REJEIÇÃO. Quando não verificada a ocorrência de omissão ou contradição no acórdão embargado, os aclaratórios devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 01 81 /2 01 1- 28 Fl. 756DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 17437.720181/201128 Acórdão n.º 2402005.912 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo (fls. 715/731), fundamentado no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, em face de contradição/omissão alegadamente existente no Acórdão nº 2403002.985, julgado em 11/02/2015 pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento (fls. 692/704), assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. Possuindo o Auto de Infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, e não sendo verificadas as hipóteses enumeradas no artigo 59, o lançamento não é nulo. ÔNUS DA PROVA. A impugnante tem o ônus da prova acerca daquilo que alega. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRAZO. É de nenhum efeito o protesto genericamente formulado no tocante à produção de provas. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. SIMPLES. COMPENSAÇÃO. Fl. 758DF CARF MF 4 É vedada, pelas normas que regem a matéria, a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. Recurso Voluntário Negado. No intuito de contextualizar a apreciação dos presentes embargos, transcrevo partes do relatório do acórdão embargado, relativo à impugnação, a qual é repisada no recurso voluntário: Da impugnação [...] Aponta máculas ao lançamento, começando pelos aspectos formais: a) “INEXISTÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICOPOSITIVO PARA O EXERCÍCIO DA COMPETÊNCIA PARA DESCONSIDERAR ATOS, NEGÓCIOS E PERSONALIDADES JURÍDICAS”, afirmando que “não tendo havido no corpo do auto de infração impugnado a indicação expressa da norma jurídica que autoriza ao agente fiscal a desconsideração de atos, negócios e personalidades jurídicas, devesse declarar a nulidade do documento fiscal e, por decorrência, considerase nula também a autuação realizada.”; b) “INEXISTÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA DESCONSIDERAR ATOS, NEGÓCIOS JURÍDICOS E PERSONALIDADES JURÍDICAS PARA FINS TRIBUTÁRIOS EM DECORRÊNCIA DA AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 DO CTN”, identificada como “a única norma jurídica existente e válida com aptidão para subsidiar juridicamente o exercício pela fiscalização tributária da competência para desconsiderar atos, negócios e personalidades jurídicas”, ressaltando não ter sido, tal dispositivo legal, mencionado no Auto de Infração impugnado. Afirma que “o agente fiscal que formalizou o auto de infração impugnado desbordou do âmbito de atuação que lhe é outorgado pela ordem jurídica, devendo, pois, ser reconhecida a inaptidão do ato de desconsideração”, com a declaração de nulidade do lançamento; e c) “INEXISTÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DO MOTIVO JURÍDICO E DA MOTIVAÇÃO FÁTICA SUFICIENTE PARA A FORMAÇÃO JURÍDICA DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO”, afirmando que a função específica do “ato administrativo é exatamente a identificação e descrição pormenorizada do fato ocorrido, para que, com isso, seja possível, na hipótese de identidade conceitual entre tal fato e o evento previsto no antecedente da norma de tributação, a realização da subsunção particular, quando então é realizada a incidência específica, com todas as repercussões daí decorrentes: mensuração do fato, aplicação da alíquota, identificação do sujeito passivo e mensuração final do crédito tributário.” Entendem que o Auto de Infração sob ataque “Restringiuse indicar alguns fatos que considerou indiciários de evasão fiscal e, com base nisso, sem conectálos logicamente e desconsiderando os verdadeiros fundamentos econômicos das Fl. 759DF CARF MF Processo nº 17437.720181/201128 Acórdão n.º 2402005.912 S2C4T2 Fl. 4 5 operações realizadas entre a impugnante e a São João Comercial de Cereais Ltda., lavrou a autuação.” “Sendo assim, o auto de infração impugnado, por não ter trazido, expressa, clara e minuciosamente, a identificação e descrição concreta: (i) dos fatos que, conectados entre si e não relacionados com qualquer fundamento econômico negocial, justificassem a desconsideração dos negócios jurídicos e da personalidade jurídica, (ii) do fato acontecido, (iii) a identificação do momento de ocorrência de tal fato, (iv) do local de ocorrência do fato em não preencheu o pressuposto de validade que exige a motivação dos atos administrativos, motivo pelo qual deve ser reconhecida a nulidade absoluta de seus termos.” Na parte dois, as impugnações tratam da inocorrência do suporte fático para a desconsideração dos negócio e da personalidade jurídica, posto que inexistente qualquer ato simulado a justificar a autuação, já que “Os fatos mais relevantes mencionados pelo agente fiscal no relatório de fiscalização foram os seguintes: (i) a impugnante e a São João Comercial de Cereais Ltda. teriam sido constituídas e instaladas no mesmo imóvel, com a mesma atividade sob uma única administração e de propriedade de um mesmo núcleo familiar; (ii) o imóvel em que se desenvolve o beneficiamento de arroz pela São João Comercial de Cereais Ltda. e os equipamentos industriais utilizados para tal desiderato teriam sido cedidos gratuitamente pela impugnante; (iii) os pagamentos de despesas de água, energia elétrica, telefone e aluguel de todos os prédios que compõem o imóvel em que as empresas desenvolvem as suas atividades não foram segregados e foram assumidos integralmente pela impugnante; e (iv) houve migração dos empregados da impugnante para a São João Comercial de Cereais Ltda.” Afirma que essas circunstâncias, ainda que “combinadas, não têm o condão de confirmar o indício de evasão fiscal e, com isso, servir de subsídio para a desconsideração dos negócios e da personalidade jurídica mantidos por ambas as empresas em questão.” Afirma que o fato das duas empresas “terem sido constituídas e instaladas no mesmo imóvel, com a mesma atividade, sob uma única administração e sob propriedade de um mesmo núcleo familiar não predica qualquer fraude ou simulação não servindo nem mesmo para tornálas integrantes de um mesmo grupo empresarial.” Alegam não ser verdade que dividam o “mesmo imóvel: embora o terreno e a propriedade sobre os prédios sejam unos, há mais de um prédio e o desenvolvimento da atividade operacional da impugnante e da São João Comercial de Cereais Ltda. ocorrem de modo nitidamente separado e em imóveis distintos.” Informa que as duas empresas “têm atuação distinta: a impugnante atua como indústria tomadora e de caráter preponderantemente comercial, com pouca produção em linhas industriais próprias e atuação concentrada na área comercial de venda a terceiros, e a São João Comercial de Cereais Ltda. atua como indústria prestadora, com muita produção em linha de produção própria e atuação quase inexistente na área comercial.” Quanto ao mesmo administrador, afirmam tratarse de razão de “ordem prática envolvendo o mercado de arroz e a própria origem do negócio relacionado a São João Comercial e Cereais Ltda.: como a intenção, ao criar tal empresa, era especializála na transformação e beneficiamento, sem marca própria, de arroz, e, com isso, conseguir atuar sobre parcela da produção de outras empresas situadas no Estado, com destaque para atacadistas ou varejistas, e sendo o Sr. Cláudio Brandeburski bastante conhecido pelo potencial mercado consumidor do produto, possuindo atuação comercial destacada, a ideia foi exatamente apresentálo como Fl. 760DF CARF MF 6 administrador, embora não sócio, apto a assinar eventuais contratos de beneficiamento, para dar mais credibilidade para a sociedade recém iniciada.” E, antes de um “desejo de burlar o pagamento de tributos, significou a sincera tentativa de apoiar o início do negócio próprio de membros da família.” Expõem que o fato de ambas as empresas serem propriedade de um mesmo núcleo familiar, antes de indicar qualquer intenção dolosa, evidencia a falta de malícia na “conformação dos negócios”, deixando de adotar “estruturas sociais e operacionais bem mais complexas, que dificultassem qualquer fiscalização.” Quanto ao imóvel e equipamentos de beneficiamento do arroz terem sido cedidos gratuitamente pela impugnante, não pode ser considerado como evasão fiscal, já que o comodato gratuito “guarda nexo direto com o contrato de industrialização por encomenda mantido pelas duas empresas. Para além da questão familiar representada pelo interesse de que o novo negócio fosse exitoso, era fundamental, sob o aspecto de custos operacionais, que a São João Comercial de Cereais Ltda. estivesse fisicamente perto da impugnante e que pudesse realizar a industrialização por encomenda do arroz adquirido por esta sem custos de transporte e com preferência sobre eventuais outras sociedades do mesmo ramo. Por essa razão, nada mais natural que oferecer espaço físico, estrutura tecnológica e outras facilidades para garantir um custo operacional mais baixo na terceirização da industrialização.” Mesmo raciocínio para os pagamentos das despesas de água, energia elétrica, telefone e aluguel de todos os prédios que “compõem o imóvel em que as empresas desenvolvem as suas atividades não terem sido segregados e tenham sido assumidos integralmente pela impugnante”, pois “a Arrozeira Bom Jesus tornouse naturalmente a principal encomendante da São João Comercial de Cereais Ltda., então era interesse direto daquela não apenas que esta se mantivesse próxima, como também que os custos industriais não se elevassem a ponto de repercutir sobre o preço do serviço de industrialização contratado.” Afirmam que a migração de empregados da Arrozeira Bom Jesus Ltda. para a São João Comercial de Cereais Ltda. não serve para fundamentar qualquer desconsideração dos negócios e da personalidade jurídica das empresas, pois “com o passar do tempo e o aprofundamento do relacionamento comercial entre as empresas, optouse, por uma questão de racionalização das atividades como forma de otimização dos resultados a partir da atuação especializada, por dividir atividade das referidas sociedades de forma a complementálas: (i) a impugnante passou a atuar como indústria tomadora e de caráter preponderantemente comercial, com pouca produção em linhas industriais próprias e atuação concentrada na área comercial de venda a terceiros; e (ii) a São João Comercial de Cereais Ltda. passou a atuar como indústria prestadora, com muita produção em linha de produção própria e atuação quase inexistente na área comercial. Nesse contexto, criouse uma dinâmica de relação jurídica que pode ser assim descrita: (i) a Arrozeira Bom Jesus Ltda. adquiria o arroz diretamente do produtor rural; (ii) a seguir, remetia o produto para beneficiamento pela São João Comercial de Cereais Ltda.; (iii) após tal processo, a beneficiadora transferia as mercadorias industrializadas para a encomendante, remunerandose das sobras; (iv) quando necessário, a Arrozeira Bom Jesus Ltda. complementava o processo industrial, e, quando desnecessário, realizava a venda para terceiros.” Frisam que “nenhuma norma jurídica existente, válida e eficaz, dentro da ordem jurídica pátria, impede que sociedades empresárias dividam parcialmente estruturas físicas ou de pessoal, tenham atividades correlatas, pertençam a parentes e mantenham relação comercial. Talvez se possa concluir que, mais preocupadas com o ritmo das atividades empresariais do que com a formatação jurídica das operações, as empresas tenham errado por não haverem, eventualmente, formalizado tais ajustes comerciais, porém não se pode afirmar que desbordaram da realidade cotidiana Fl. 761DF CARF MF Processo nº 17437.720181/201128 Acórdão n.º 2402005.912 S2C4T2 Fl. 5 7 dos relacionamentos empresariais. Todas as operações são claras e nunca houve a tentativa, ainda que mínima, de sonegálas ao conhecimento e controle do Fisco, o que infirma o próprio caráter malicioso que buscou ser identificado pelo auto de infração.” Entendem que, a partir dos dados fornecidos à Auditoria Fiscal pela Arrozeira Bom Jesus Ltda., deve ser aplicada, pela proporcionalidade, razoabilidade e pela regra do artigo 112 do Código Tributário Nacional – CTN, a presunção de boafé e a interpretação mais favorável ao contribuinte. Invocam, citando o artigo 2º, parágrafo único e inciso VI, da Lei nº 9.784/1999, a adequação entre os meios e os fins, no procedimento e no processo administrativo. Expõem extenso arrazoado acerca da proporcionalidade e da razoabilidade aplicadas “à interpretação das normas jurídicas, dos fatos e da relação entre ambos, no seio da atividade administrativa, é condição para a validade dos atos específicos.” Afirmam que “é desproporcional e irrazoável a interpretação positivada no auto de infração impugnado, no sentido de que, a partir dos fatos mencionados, teria havido evasão fiscal por parte do impugnante: não se deve ignorar que o indício é fundamento para o instauramento de procedimento de fiscalização, porém não serve de única causa para a autuação, sobretudo nas hipóteses em que envolve sanção grave. Na hipótese, porém, a Fiscalização tornou o indício fato concreto e, invertendo a lógica própria das interpretações dos fatos e atos jurídicos, presumiu a máfé e o dolo, quando, em termos efetivos, a ordem da equação é inversa, isto é, devesse sempre presumir a boafé.” Entendem que deve ser reconhecida a inexistência de qualquer simulação e ser considerada nula a autuação sob ataque. Na terceira parte, as impugnações, elencam “diversos equívocos na identificação dos valores levantados pela Fiscalização, razão pela qual devesse revisar a mensuração da dívida, alegando ilegalidade da tributação das verbas pagas a título de indenização para empregados e administradores, quando pagas como auxíliocondução, auxíliocreche, auxíliotransporte, auxílioalimentação, auxíliodoença, férias não gozadas, licençaprêmio não gozada, aviso prévio indenizado, abono assiduidade, terço constitucional de férias gozadas e não gozadas e adicional por horaextra.” A por fim as impugnações trazem a inconformidade com a aplicação da multa qualificada, com a explanação da “inexistência de suporte fático para a qualificação da multa em vista da previsão do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/99 e ausência de motivação suficiente para a formação jurídica do fato ilícito.” Afirmam que as autuações não cumpriram as exigências da legislação, não trazendo comprovação de dolo, fraude ou sonegação “para justificar a imposição da multa de mora de 150% (cento e cinquenta por cento).” Ainda, que o artigo 112 do CTN determina que “a lei tributária que define a infração, ou lhe comine penalidades, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte.” “E é exatamente nesse contexto que agiu equivocadamente a Fiscalização: embora os indícios tenham servido para instaurar validamente o procedimento de fiscalização, não deram ensejo a qualquer comprovação inequívoca no sentido de que a impetrante agiu com dolo, de modo que, forte no postulado da razoabilidade e Fl. 762DF CARF MF 8 na regra do art. 112 do CTN, se deve aplicar, na compreensão do fato e das demais circunstâncias que o envolvem, a presunção de boafé e a interpretação mais favorável da situação do impetrante.” Considera deva ser reformado o Auto de Infração para a anulação da multa agravada, por falta de subsídio fático e jurídico. Requerem: “(i) invalidar o auto de infração impugnado, reconhecendo, sucessivamente, a ocorrência dos seguintes vícios formais: (a) inexistência de especificação do fundamento jurídico positivo para o exercício da competência administrativa para desconsiderar atos, negócios e personalidades jurídicas; (b) inexistência de competência administrativa para desconsiderar atos, negócios jurídicos e personalidades jurídicas para fins tributários em decorrência da ausência de regulamentação por lei ordinária do parágrafo único do art. 116 do CTN; (c) inexistência de fundamentação por intermédio da especificação do motivo jurídico e da motivação fática suficiente para a formação jurídica do fato jurídico tributário; (ii) na hipótese de não ser admitido o pedido anterior e quaisquer dos seus subitens, invalidar o auto de infração impugnado, reconhecendo o vício material da inexistência de qualquer ato simulado a justificar a desconsideração de atos, negócios e personalidade jurídica que geraram a presente autuação; (iii) na hipótese de não serem admitidos os pedido dos itens (i) e (ii), invalidar parcialmente o auto de infração impugnado, reconhecendo a obrigatoriedade de excluirse da base de cálculo do principal e da multa as contribuições calculadas sobre as remunerações pagas as verbas de natureza indenizatória (auxíliocondução, auxíliocreche, auxiliatransporte, auxílio alimentação, primeiros quinze dias de auxíliodoença, férias não gozadas, licença prêmio não gozada, aviso prévio indenizado, abono assiduidade não gozado, um terço de férias gozadas e não gozadas e adicional relativo às horasextras (...) (iv) também na hipótese de não serem admitidos os pedidos dos itens (i) e (ii), invalidar parcialmente o auto de infração impugnado, reconhecendo a inexistência de suporte fático para a qualificação da multa em vista da previsão do § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96 e a ausência de motivação suficiente para a formação do fato ilícito. A impugnante protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas.” A impugnação ao Auto de Infração DEBCAD nº 51.000.5373 traz como argumento, ainda, a “necessidade de abatimento dos valores pagos a título de contribuição previdenciária pela São João Comercial de Cereais Ltda.”, posto que, “Se o raciocínio empregado é no sentido de que o eventual ônus tributário deve ser transferido para a impugnante, então, por decorrência lógica, o possível bônus tributário também o deve, razão pela qual deve ser abatido do valor apurado, além dos valores indicados no item ‘a’, da Parte III, supra, também as parcelas pagas a título de CPP pela São João Comercial de Cereais Ltda. Em virtude da relação de emprego com os mesmos empregados cuja prestação de serviços serve de hipótese de incidência para a autuação levada a efeito e cuja folha de salários serve de base de cálculo para a apuração do montante devido.” Assim, entende que “a exigência de pagamento das contribuições em questão em duplicidade (na sistemática do SIMPLES NACIONAL e na sistemática geral) deve ser considerado inválida, com a consequente apuração de novo montante de tributo e a alteração da base de cálculo da multa fixada.” Fl. 763DF CARF MF Processo nº 17437.720181/201128 Acórdão n.º 2402005.912 S2C4T2 Fl. 6 9 Requer “abaterse do montante apurado também as parcelas pagas a título de CPP pela São João Comercial de Cereais Ltda. em virtude da relação de emprego com os mesmos empregados cuja prestação de serviços serve de hipótese de incidência para a autuação levada a efeito e cuja folha de salários serve de base de cálculo para a apuração do montante devido”. Em síntese, os aclaratórios apontam as seguintes omissões / contradições: a) a decisão embargada teria se contradito, pois, embora tenha afirmado que não houve desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas, menciona que ocorreu a utilização de interposta pessoa para a contratação da mãodeobra; b) por ter ignorado a indiscutível desconsideração da personalidade jurídica, deixou de se manifestar i) sobre a inexistência de especificação do fundamento jurídicopositivo para o exercício da competência para desconsiderar atos, negócios e personalidades jurídicas, e ii) sobre a inexistência de competência para desconsiderar atos, negócios jurídicos e personalidades jurídicas para fins tributários em decorrência da ausência de regulamentação do parágrafo único do art. 116 do CTN; c) a aludida decisão deixou de se manifestar ainda sobre os seguintes argumentos: não ter sido veiculada, nos autos de infração impugnados, especificação do motivo jurídico e da motivação fática suficiente para a formação jurídica do fato jurídico tributário; não ter ocorrido, na hipótese tratada, o suporte fático suficiente à desconsideração dos negócios jurídicos e da personalidade jurídica; ter ocorrido equívoco na mensuração do crédito tributário, por não terem sido excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas de caráter indenizatório, especificamente o auxíliocondução, auxíliocreche, auxiliatransporte, auxílioalimentação, primeiros quinze dias de auxílio doença, férias não gozadas, licença prêmio não gozada, aviso prévio indenizado, abono assiduidade não gozado, um terço de férias gozadas e não gozadas e adicional relativo às horasextras; ter ocorrido equívoco na mensuração do crédito tributário, por não ter havido a compensação dos valores pagos pela empresa que teve a personalidade jurídica desconsiderada dentro do Simples Nacional; não existir suporte fático para a qualificação da multa em vista da previsão do § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96 e ausência de motivação suficiente para a formação jurídica do fato ilícito. É o relatório. Fl. 764DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Os embargos são tempestivos, entretanto não atendem a requisitos essenciais ao sua acolhimento, conforme se verá adiante. Consta dos aclaratórios interpostos pela contribuinte que a decisão embargada seria contraditória, pois, embora tenha afirmado que não houve desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas, menciona que ocorreu a utilização de interposta pessoa para a contratação da mãodeobra. Além disso, teria deixado de se manifestar sobre a inexistência de especificação do fundamento jurídicopositivo, em decorrência da ausência de regulamentação do parágrafo único do art. 116 do CTN, para o exercício da competência para desconsiderar i) atos, negócios e personalidades jurídicas; e ii) personalidades jurídicas para fins tributários. Neste ponto, não merecem prosperar as alegações da embargante. Extraise do voto condutor do aresto hostilizado: A Lei Complementar n.º 104, de 10 de janeiro de 2001 – que, dentre outras alterações, incluiu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN –, nada há a examinar, posto que foram os fundamentos legais para o lançamento, conforme exposto nos Fundamentos Legais do Débito – FLD, bem assim como confirmado por alegação do autuado em suas razões. [...] (i) inocorrência do suporte fático suficiente à desconsideração dos negócios jurídicos e da personalidade jurídica; Deve ficar absolutamente claro que não houve a desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas. O que houve foi a constatação, pela Fiscalização, conforme o Relatório Fiscal e o conjunto probatório, de que a recorrente utilizouse da mãodeobra declarada pela São João Comercial de Cereais Ltda. – empresa optante pelo Simples – com a finalidade específica de evitar o pagamento das contribuições previdenciárias patronais e para outras entidades e fundos, devidas e incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores por ela contratados. Considerando que a atividade de lançamento é vinculada, constatado o não recolhimento das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos, a autoridade fiscal tem o dever de lançar as exações, com base na legislação vigente, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 17437.720181/201128 Acórdão n.º 2402005.912 S2C4T2 Fl. 7 11 Concorde ou não o contribuinte com as conclusões aduzidas, o fato é que essas questões foram enfrentadas satisfatoriamente no acórdão atacado e não se vislumbra nenhuma contradição no decisum. Vejase que, com relação à desconsideração de negócios jurídicos, a decisão é suficientemente clara ao afirmar que o art. 116 do CTN sequer fora utilizado como fundamento para a lavratura do auto de infração, não havendo o que se examinar relativamente a esse assunto. Do mesmo modo, inferese do acórdão atacado que não houve a desconsideração da personalidade jurídica de quaisquer das empresas mencionadas no relatório fiscal, mas tãosomente a constatação de que, embora tenhase utilizado da mãodeobra declarada pela São João Comercial de Cereais Ltda. (empresa optante pelo Simples Nacional), com a finalidade específica de evitar o pagamento das contribuições sociais, o fato é que era a embargante o sujeito passivo da relação tributária, eis que responsável pela contratação dos trabalhadores os quais lhe prestavam os serviços necessários para a consecução de seu objeto social. Quanto à alegação de que a decisão vergastada teria deixado de se manifestar sobre especificação do motivo jurídico e da motivação fática suficiente para a formação jurídica do fato jurídico tributário, também verificamse equivocados os argumentos trazidos pela embargante. Da simples leitura do voto condutor do acórdão constatase que tais matérias também foram objeto de análise por ocasião do julgamento. Vejamos a abordagem trazida no voto: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO [...] No presente caso, o Auto de Infração foi lavrado por autoridade administrativa competente, com a correta identificação do sujeito passivo, do cálculo do tributo devido, da matéria tributável e do fato gerador dos lançamentos em tela. Os Autos de Infração permitiram ao autuado entender as infrações que lhe estão sendo imputadas. Os fatos vêm suficientemente descritos no Relatório Fiscal, permitindo verificarse não só quais as contribuições objeto do lançamento, mas também o porquê de tais exações haverem sido lançadas. Identifica, além das contribuições objeto do lançamento, os procedimentos iniciais adotados e bem assim as verificações efetuadas a partir dos dados fornecidos pela autuada; os levantamentos que compõem o auto de infração; os fatos geradores do crédito; e os documentos anexados ao auto de infração. Nesse contexto, cabe examinar o Relatório Discriminativo do Débito – DD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, que possibilitam verificar todos os elementos exigidos para que o lançamento seja válido. O DD identifica, por competência, as bases de cálculo e as alíquotas consideradas no lançamento; as contribuições apuradas em relação a essas bases de cálculo. Fl. 766DF CARF MF 12 Aponta, ainda, para cada competência, as contribuições devidas, objeto do lançamento, os percentuais e valores das multas incidentes e os juros aplicados. Ao final do DD consta o total do débito, com a discriminação das contribuições, juros e multa devidos. O FLD informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, inclusive no que pertine à sujeição passiva da autuada em relação à contribuição lançada, identificando os atos legais aplicados no lançamento, por tipo de contribuição lançada e acréscimos legais correspondentes (Fundamentos Legais do Débito, Fundamentos Legais das Rubricas e Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais). Temse, dessa maneira, como suficientemente identificados, nas peças de autuação, o sujeito passivo, a matéria tributável, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, o débito consolidado, as bases de cálculo utilizadas, os critérios utilizados para calcular o montante do tributo devido, o período lançado, e a origem dos valores considerados devidos pela autoridade lançadora. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, a nulidade apontada. (Grifos nossos) Pelas razões expostas alhures e considerandose os trechos da decisão acima reproduzidos, rejeito os embargos também nesta parte. No que se refere à ausência de manifestação acerca de suposto equívoco ocorrido na mensuração do crédito tributário, por não terem sido excluídas determinadas rubricas da base de cálculo das contribuições previdenciárias ou ainda por não ter havido a compensação dos valores pagos no âmbito do Simples Nacional pela empresa cuja personalidade jurídica teria sido desconsiderada, ao revés do que do que se aduz nos aclaratórios, também não se fez silente o colegiado embargado, visto que foi dedicado tópico específico para discutir o assunto. Confirase: (ii) equívoco na mensuração do crédito; A recorrente alega o equivoco mas não consegue se contrapor e superar as informações trazidas no Relatório Fiscal, vejamos: [...] Temse, pois, que não tendo trazido aos autos qualquer início de prova da alegação de equívoco na mensuração do crédito tributário lançado, a empresa não se desincumbiu do ônus, que lhe competia, de fazer prova de que os valores lançados incidiram sobre os pagamentos em questão. Assim, não podem ser aceitos os argumentos da recorrente. (Grifos nossos) Especificamente com relação à compensação de valores na sistemática do Simples Nacional, consta da ementa da decisão: Fl. 767DF CARF MF Processo nº 17437.720181/201128 Acórdão n.º 2402005.912 S2C4T2 Fl. 8 13 SIMPLES. COMPENSAÇÃO. É vedada, pelas normas que regem a matéria, a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Quanto à falta de referência à inexistência de suporte fático para a qualificação da multa de ofício, por virtude da previsão contida no § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, essa questão foi abordada nos seguintes termos: (iii) inaplicabilidade da multa qualificada; Ficando configurada a utilização de interposta pessoa, não se pode dar outro tratamento que não a aplicação da penalidade de 150%. Houve, no caso, a verificação pela Auditoria Fiscal, nos termos do Relatório Fiscal e demais elementos de prova carreados aos autos, de que a recorrente utilizouse da mãodeobra declarada pela São João Comercial de Cereais Ltda. – empresa optante pelo Simples – com a finalidade específica de evitar o pagamento das contribuições previdenciárias patronais e para outras entidades e fundos, devidas e incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores por ela contratados. Assim, não podem ser aceitos os argumentos da recorrente. Constatase também em relação a esse tema que não houve a omissão ou a contradição suscitada nos embargos que aqui se analisa. De mais a mais, o sujeito passivo prossegue em seus aclaratórios repisando os mesmos argumentos apresentados na impugnação e no recurso voluntário com o evidente intuito de ver reapreciados argumentos refutados em primeira e segunda instâncias administrativas. Em face disso, importa reproduzir o dispositivo regimental que dispõe sobre os embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Convém esclarecer que, nos termos do art. 65 do anexo II do RICARF, os embargos de declaração não constituem uma terceira instância recursal posta a disposição dos contribuintes para rediscutir matérias já decididas por ocasião da análise de recurso voluntário. Tratase de instrumento destinado exclusivamente à resolução de questões relacionadas a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, podendo ainda ser utilizado quando for omitido, em determinado acórdão, ponto sobre o qual a turma recorrida deveria pronunciarse e assim não o fez. Ao se analisar o inteiro teor do voto condutor do acórdão embargado, constata se que a negativa de provimento ao recurso voluntário teve por fundamento a falta de comprovação das alegações apresentadas, ou seja, inexiste omissão ou contradição com relação às matérias abordadas. Fl. 768DF CARF MF 14 Por fim, face a leitura atenta da contestação apresentada e da integralidade do voto condutor da decisão atacada, resta clara a inexistência de omissão, obscuridade ou contradição, razão pela qual voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 769DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726916/2011-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO
A verba paga a título de auxílio educação em desconformidade com o disposto no art. 28, §9º, alínea t" da Lei n.º 8.212/91, compõe o salário de contribuição, sendo objeto de incidência das contribuições previdenciárias.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas com relação à bolsa de estudo. Votou pelas conclusões do voto vencedor, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008 AUXÍLIO-EDUCAÇÃO A verba paga a título de auxílio educação em desconformidade com o disposto no art. 28, §9º, alínea t" da Lei n.º 8.212/91, compõe o salário de contribuição, sendo objeto de incidência das contribuições previdenciárias. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas com relação à bolsa de estudo. Votou pelas conclusões do voto vencedor, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento parcial apenas com relação à bolsa de estudo. Votou pelas conclusões do voto vencedor, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 69 16 /2 01 1- 04 Fl. 792DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09 de junho de 2015, interposto pelo contribuinte em face da decisão da 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, consubstanciada do Acórdão n° 280303.015, sessão de 18/02/2014. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008 VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO SALARIAL E BOLSA DE ESTUDO.CONTROVÉRSIA SOBRE O CAMPO DE INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. O ABONO SALARIAL, NOS TERMOS DE PARECER E ATO DECLARATÓRIO DA PGFN REALMENTE ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA. ENTRETANTO A BOLSA DE ESTUDO DEVE OBEDECER OS CRITÉRIOS DA LEI, ESTANDO AUSENTE A OFERTA DESTA BOLSA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES, POR MEIO DA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE, ESTA DEVE SOFRER A INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. A MULTA FOI APLICADA NOS TERMOS DA LEI. DESNECESSIDADE DE SUSPENSÃO DO JULGAMENTO DESTE FEITO EM FUNÇÃO DE OUTRO PROCESSO QUE TEM TRÂMITE EM OUTRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do levantamento denominado AB ABONO SALARIAL, período de 01/2007 a 12/2007. Vencido o Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos quanto ao levantamento bolsa de estudo. Sustentação Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10680.726916/201104 Acórdão n.º 9202005.574 CSRFT2 Fl. 793 3 oral Advogado Dr. Alessandro Mendes Cardoso, OAB/MG 76.714. HISTÓRICO Em 23 de dezembro de 2011 a recorrente recebeu auto de infração referente ao DEBCAD n.º 37.339.5671 alegando que a empresa teria cometido uma série de irregularidades, como o não lançamento em GFIP de verbas que a autoridade fiscalizadora entendeu fazer parte do Salário de Contribuição para fins de incidência para as contribuições destinadas a outras entidades e fundos, referentes às verbas pagas (i) a segurados empregados, lançados em folha de pagamento a título de ABONO ACORDO COLETIVO e (ii) referente a BOLSA ESTUDO concedido aos empregados. A DRJ manteve seu lançamento e, o acórdão recorrido entendeu aplicável o Ato Declaratório Nº 16/2011 – da PGFN é plenamente aplicável e a parcela relacionada ao ABONO foi excluída do lançamento. A Fazenda Nacional PFN foi cientificada do resultado do acórdão e não apresentou recurso especial (fl. 675). Cientificado do acórdão do recurso voluntário, em 22/04/2014, fls. 683/684, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 06/05/2014 (fl. 685), o recurso especial em análise (fls. 685 a 735). O recorrente aponta divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e outros julgados em relação as matérias: a) valores pagos a título de bolsa de estudo (auxílioeducação); b) multa de mora. Em contrarrazões a Fazenda Nacional, apesar de em seu pedido final fazer referência ao não conhecimento parcial, não alegou ou pugnou por este, o que entendo mero equívoco, fundamentando sim, pela manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. A) valores pagos a título de bolsa de estudo (auxílioeducação) Da bolsa de estudos: Quanto ao mérito do recurso do contribuinte que discute a incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo ofertadas aos empregados, me posiciono do Fl. 794DF CARF MF 4 sentido de não estarmos diante de fato gerador do tributo. Isso porque tais vantagens não assumem caráter de remuneração sendo impossível classificálas como salário utilidade. Utilizarei para fundamentação excerto clarividente da lavra da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, no processo n.º 15582.000114/200716: Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10680.726916/201104 Acórdão n.º 9202005.574 CSRFT2 Fl. 794 5 ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça tratase de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Observamos que no caso concreto sob qualquer prisma de análise não é possível classificar as bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos empregados como prestação de caráter remuneratório. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao pagamento da parcela da mensalidade devida, e salvo na hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Destacamos que conforme consta do Relatório Fiscal, no caso concreto, foram apenas 07 (sete) empregados que se utilizaram dos descontos correspondentes às bolsas ofertadas e essas possuíam variados períodos de duração. Vale citar que a Recorrente é uma associação de caráter educativo, técnico e cultural, que tem por finalidade exatamente o desenvolvimento de atividades relacionadas ao ensino em seus vários graus, especialmente o ensino superior. Assim, as bolsas em questão são ofertadas em cumprimento a exata finalidade da instituição educacional. Embora decorram do contrato de trabalho as mesmas não existem com a finalidade de remunerar o empregado pelo serviço efetivamente ou potencialmente prestado, tratase de prestação ofertada em cumprimento do dever constitucional de promover a educação e ainda, no caso, é obrigação decorrente de convenções coletivas de trabalho firmadas com as respectivas entidades de classe representantes das categorias o qual também possui força normativa por expressa disposição do art. 611 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Fl. 796DF CARF MF 6 Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... Em contrapartida o art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10680.726916/201104 Acórdão n.º 9202005.574 CSRFT2 Fl. 795 7 Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 Fl. 798DF CARF MF 8 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos empregados e seus respectivos dependentes não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado. b) multa de mora Neste caso a controvérsia é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10680.726916/201104 Acórdão n.º 9202005.574 CSRFT2 Fl. 796 9 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no Fl. 800DF CARF MF 10 caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10680.726916/201104 Acórdão n.º 9202005.574 CSRFT2 Fl. 797 11 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 802DF CARF MF 12 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10680.726916/201104 Acórdão n.º 9202005.574 CSRFT2 Fl. 798 13 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 804DF CARF MF 14 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento manifestado pela Relatora no que diz respeito ao provimento parcial dado quanto à não incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica de bolsas de estudo objeto de lançamento, ouso discordar. Rezava a Lei no. 8.212, de 24 de junho de 1991, na redação vigente à época dos fatos geradores sob análise, em seu art. 28, §9o., alínea "t": "Art. 28. (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10680.726916/201104 Acórdão n.º 9202005.574 CSRFT2 Fl. 799 15 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).”(grifei) Conforme já me posicionei em outros feitos no âmbito desta Turma, com a devida vênia aos Conselheiros desta Casa que possuem posicionamento diverso, não vislumbro, no âmbito do § 9º, "t", do artigo 28, da Lei no. 8.212, de 1991, possibilidade de elastério hermenêutico tal que levasse a concluir que estivessem ali abrangidos planos onde a instituidora estabelecesse uma sistemática de extensão 'formal' a todos os funcionários, mas sujeita a determinados critérios de concessão (aqui denominados pela empresa como 'critérios de elegibilidade'), tais como, no caso se nota no Regulamento da empresa autuada, reproduzido em sua impugnação às efls. 558/559, verbis: 41. A Gerdau Açominas não exclui parte dos empregados da disponibilidade do benefício, mas sim utiliza de critério de elegibilidade. 42. O Regulamento da Empresa versa que: "Bolsa de Estudo para o 3o. Grau Objetiva promover o crescimento profissional do colaborador e contribuir para a melhoria educacional do próprio país. Beneficiários: Colaboradores cursando Ensino fundamental, médio e graduação (cursos específicos). Critérios para inscrição: Primeiro curso superior; Colaborador com, no mínimo, 3 anos de admissão; Curso relacionado ao negócio da Empresa; Disponibilidade de orçamento; Aprovação do gestor." 43. Em que pese, todos os empregados tenham acesso ao benefício oferecido, a empresa criou critérios de elegibilidade, como intuito de que o benefício fosse distribuído a todos os empregados ao longo do tempo. 44. Outrossim, caso o benefício fosse disponibilizado a todos os empregados numa mesma fração de tempo, com certeza, a execução deste benefício se tornaria economicamente inviável. (...) Noto que adotar a tese de possibilidade de criação de critérios pela instituidora permitiria que, sempre que necessário, se transmudasse uma possível exclusão desejada de parcela dos funcionários em "critério concessivo" destinado a realizar tal exclusão, sendo, em meu entendimento, o norte a ser seguido para aplicação da exclusão estabelecida pelo texto legal o acesso indistinto ao benefício, disponível a todos empregados e dirigentes da Fl. 806DF CARF MF 16 empresa, independentemente de critérios, conclusão plenamente consistente com uma interpretação literal do dispositivo, prevista no art. 111, do CTN e aplicável nos casos de redução de base de cálculo de tributo. No caso em questão, as restrições estabelecidas (exemplificativamente, a limitação a colaboradores admitidos há pelo menos 3 anos), assim, violaram o estabelecido no dispositivo em análise, vedada a exclusão tencionada. Ainda a propósito, escorreito, em meu entendimento, o posicionamento do recorrido em se privilegiar o disposto no art. 144 do CTN, em detrimento da sugerida aplicação do art. 106, II do CTN, uma vez que o que se está a tratar, aqui, é da incorreta definição da base de cálculo, pelo autuado, quando da ocorrência do fato gerador, implicando em não pagamento de tributo, ou seja, em não se tratando, aqui, de hipótese de qualquer dispensa de infração ou de penalidade. Assim, em linha com o referido artigo 144, devese aplicar aqui, a lei vigente à época do fato gerador em questão, não havendo que se cogitar de aplicação retroativa da eventual modificação introduzida pela Lei no. 12.513, de 2011. Finalmente, quanto à argumentação de natureza não remuneratória da referida parcela de auxílioeducação, entendo que a própria exclusão expressa, pelo legislador, de valores pagos a título alguns tipos de "bolsa de estudo", desde que necessariamente respeitados aos critérios previstos na alínea "t" acima (o que não se observou no presente caso), remete à interpretação mais correta, qual seja, de inclusão dos demais tipos de auxílio educação no conceito de salário de contribuição estabelecido no caput e inciso I do art. 28, o que se referenda, de forma plena, ao se consular o teor do referidos dispositivos, que, em meu entendimento, abarcam de forma plena os pagamentos aqui em litígio, que, notese, inexistiriam na hipótese de não se tratarem os beneficiários de trabalhadores vinculados à autuada, expressis verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifei). Assim, uma vez legalmente prevista a incidência para a hipótese em questão, escorreito o lançamento realizado pela autoridade fiscal quanto aos valores não oferecidos à tributação sob a rubrica de Bolsa de Estudo, sendo de se negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte quanto à matéria. Finalmente, quanto à matéria de retroatividade benigna da multa aplicável, alinhome aqui integralmente ao posicionamento da Relatora, no sentido de necessidade de aplicação do disposto na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, sendo também de se negar provimento ao Recurso Especial da autuada. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10680.726916/201104 Acórdão n.º 9202005.574 CSRFT2 Fl. 800 17 Destarte, diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 808DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.001147/91-43
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 24 00:00:00 UTC 1992
Numero da decisão: 301-008-43
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes; por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de origem, vencido o cons. Ronaldo Lindimar José Marton, relator. Designado para redigir a Resolução o cons. João Baptista Moreira, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
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Numero do processo: 10166.901907/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal.
PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.
Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 19 07 /2 00 8- 14 Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Acórdão n.º 9303005.071 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.954, de 28/10/2008, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que, acolhidos, mas sem modificação do julgamento, resultou em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Acórdão n.º 9303005.071 CSRFT3 Fl. 4 3 A contribuinte, então, apresentou novos embargos, aos quais, todavia, foi negado seguimento. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão, à luz do que reza o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 902001.634. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065): Da Admissibilidade "Com a devida vênia ao bem fundamento voto do Ilustre Conselheiro Relator, a maioria dos membros do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, prevalecendo o entendimento pelo prosseguimento do apelo especial. O presente processo administrativo originouse de pedido de compensação transmitido pela Contribuinte, em 11/03/2004, de créditos de COFINS decorrentes de pagamento indevido ou a maior, para liquidação de débitos próprios. Sobreveio despacho decisório não homologando o pedido de compensação, sob o fundamento de inexistência de crédito disponível para compensação com os débitos informados. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Acórdão n.º 9303005.071 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendose insurgido a Contribuinte por meio de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por manter a não homologação da compensação em razão do saldo insuficiente para compensar e, ainda, acrescentou os seguintes argumentos: a Contribuinte não trouxe aos autos elemento de prova de erro material no preenchimento da DCTF; e a simples apresentação das cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pelo Sujeito Passivo, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar as suas alegações. Em sede de julgamento de recurso voluntário, sobreveio o acórdão nº 380300.949, ora recorrido, que lhe negou provimento em razão da ausência de provas nos autos, consistente na escrituração contábil e fiscal da empresa, que justificassem a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, conforme trecho destacado acima pelo nobre Relator, in verbis: [...] No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". [...] Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, a decisão de negativa de provimento ao recurso voluntário foi complementada, nos termos do acórdão nº xxx, para acrescentar considerações quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos sobre o equívoco das informações prestadas em DCTF, in verbis: [...] Compulsando o voto condutor da decisão embargada, há que se dar razão à Embargante, já que, aparentemente, o relator limitou se a refutar o poder probante das provas acostadas aos autos até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, sem nada acrescentar quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos no recurso voluntário, no sentido de evidenciar o erro cometido nas informações prestadas em DCTF. [...] Talvez tal omissão expliquese pela preclusão temporal que se operou. É que, de acordo com as normas processuais, é na manifestação de inconformidade que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Acórdão n.º 9303005.071 CSRFT3 Fl. 6 5 As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. [...] Este colegiado já teve oportunidade de manifestarse nesse sentido, por meio do Acórdão nº 380302.042, de 6 de outubro de 2011: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Ainda que, por liberalidade injustificada, se conhecesse dos documentos aportados aos autos intempestivamente, o recorrente o recorrente não se preocupou em identificar, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, limitandose a apresentar planilha de demonstração do valor recolhido a maior de cálculo e demonstrativos outros, sem resguardo de qualquer formalidade e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. [...] Conforme se depreende da fundamentação do acórdão que acolheu os embargos de declaração, não houve alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, nem mesmo acréscimo de argumentos à decisão, mas sim restou esmiuçado e detalhado o entendimento de que a não apresentação das provas do crédito tributário em momento oportuno implica na preclusão de o contribuinte fazêlo. Além disso, no acórdão de embargos de declaração não houve a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário, conforme pretendia o Recorrente, mas simplesmente foram listados e concluiu o julgador, nos mesmos termos do acórdão então embargado, ser imprescindível a juntada de escrita fiscal e contábil para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar. A Contribuinte interpôs, ainda, novos embargos de declaração por entender que permanecia a omissão no julgado quanto à documentação apresentada, e a existência de contradição e obscuridade, tendo sido os mesmos rejeitados consoante despacho nº 3803000.154, de 21/09/2012 (fls. 581 a 584), de cujo inteiro teor extraise que: Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Acórdão n.º 9303005.071 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. [...] Portanto, com a devida vênia ao entendimento contrário, um único fundamento prevaleceu para negar provimento ao recurso voluntário: a não apresentação de documentos hábeis a comprovar a pretensão compensatória da empresa quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nesses compreendidos a escrita fiscal e contábil, acarreta a preclusão e impede o julgador de formar convicção quanto ao direito creditório. Não há de se falar, assim, em fundamentos autônomos e suficientes, cada um por si só, para manutenção da decisão recorrida. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte face à negativa de provimento ao recurso voluntário, atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e reproduzido na Portaria MF nº 343/2015, devendo ter prosseguimento. Ao invocar a existência de dissenso jurisprudencial quanto à "inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão", colacionou o acórdão paradigma nº 902001.634, comprovando a divergência de entendimentos, conforme se extrai da ementa do julgado paradigmático: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10166.901907/200814 Acórdão n.º 9303005.071 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Diante do exposto, entendeu a maioria do Colegiado por conhecer do recurso especial da Contribuinte, nos termos do voto que me coube redigir apenas quanto à admissibilidade do recurso." Do Mérito (...) Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 645DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.001497/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
EMBARGOS INOMINADOS POR INEXATIDÃO MATERIAL NO ACÓRDÃO. ACOLHIMENTO PARA CORREÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO. RICARF, ART. 66.
Constatada inexatidão material no Acórdão, acolhem-se os Embargos Inominados para que seja sanado o vício apontado e proferido novo Acórdão. Inteligência do artigo 66 do RICARF.
Numero da decisão: 2201-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material apontada no dispositivo do Acórdão 2802-003.126, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 31/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Marcelo Milton da Silva Risso
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 EMBARGOS INOMINADOS POR INEXATIDÃO MATERIAL NO ACÓRDÃO. ACOLHIMENTO PARA CORREÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO. RICARF, ART. 66. Constatada inexatidão material no Acórdão, acolhem-se os Embargos Inominados para que seja sanado o vício apontado e proferido novo Acórdão. Inteligência do artigo 66 do RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material apontada no dispositivo do Acórdão 2802-003.126, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ACOLHIMENTO PARA CORREÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO. RICARF, ART. 66. Constatada inexatidão material no Acórdão, acolhemse os Embargos Inominados para que seja sanado o vício apontado e proferido novo Acórdão. Inteligência do artigo 66 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material apontada no dispositivo do Acórdão 2802003.126, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 14 97 /2 01 1- 89 Fl. 199DF CARF MF 2 EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Embargos de Declaração de fls. 161 opostos pelo I. Presidente da extinta 2ª Turma Especial da 2ª Cam 2ª Sec deste Egrégio Sodalício com o fito de corrigir erro material ocorrido no dispositivo do V. Acórdão de nº 2802003.126 de fls. 150/160 dos autos assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. O julgador administrativo pode utilizar qualquer fundamento que entenda necessário para resolver a causa, mesmo que não alegado pelas partes, desde que a decisão venha suficientemente fundamentada. VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Provido. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 18186.001497/201189 Acórdão n.º 2201003.766 S2C2T1 Fl. 200 3 2 Os embargos foram assim opostos às fls. 161: Nos termos dos art. 65/66 do RICARF, oponho embargos de declaração em face do acórdão 2802003.126, por ter constado na parte dispositiva que a decisão se deu "nos termos do voto do relator", quando deveria ter constado "nos termos do voto do redator designado".Visando a atribuir maior transparência à correção do equívoco, submeto à apreciação da 2ª Turma Especial.Como o redator designado para o acórdão não exerce mais mandato nesta Turma Julgadora, designo a Conselheira Julianna Bandeira Toscano como relatora ad hoc para os embargos. 3 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso 4 – Os Embargos Inominados preenchem os requisitos de tempestividade (Art. 65, § 1º e fls. 161) e admissibilidade (RICARF, Art. 65, § 1º, IV e Art. 66) e, portanto, deles conheço. Embargos Inominados – Previsão Normativa 5 Conforme dispõe o artigo 66 caput, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, havendo inexatidão material nas decisões, deverão ser recebidos embargos, na forma “inominada”, e acolhidos para a simples correção da inexatidão apontada, segundo o mencionado artigo transcrito adiante: “Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos Fl. 201DF CARF MF 4 legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.” Inexatidão Material 6 Com razão o ex Conselheiro e Presidente JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO embargante, pois, com, efeito verificase que houve realmente divergência no dispositivo do V. Acórdão embargado. 7 Em sede de julgamento por este E. Conselho, conforme se denota da leitura do dispositivo do V. Acórdão (fls. 153) na sequência da ementa, ao recurso do contribuinte que foi provido por maioria de votos, sendo voto vencedor o do ex Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, e não o relator do V. Acórdão Conselheiro Ronnie Soares Anderson, conforme abaixo: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON (relator) e JACI DE ASSIS JÚNIOR que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ” (grifei) 8 Dessa forma, constato ter ocorrido inexatidão material no dispositivo do V. Acórdão (Fls. 153) no trecho destacado acima e com base nessas razões acolho os Embargos Inominados corrigindo a inexatidão material acima apontada, devendo o mencionado trecho ser grafado conforme abaixo transcrito, o qual passará a ser parte integrante do V. Acórdão embargado: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 18186.001497/201189 Acórdão n.º 2201003.766 S2C2T1 Fl. 201 5 “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON (relator) e JACI DE ASSIS JÚNIOR que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ” Conclusão 9 Diante de todo o exposto, voto por admitir, conhecer e ACOLHER OS EMBARGOS INOMINADOS, sem efeitos infringentes para, corrigir a inexatidão material apontada no dispositivo do V. Acórdão nº 2802003.126 conforme fundamentação. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.722983/2014-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
SUJEITO PASSIVO INSCRITO NO SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DO IRPJ PELO LUCRO ARBITRADO. INSUBSISTÊNCIA.
É insubsistente o lançamento do IRPJ pelo Lucro Arbitrado contra sujeito passivo regularmente inscrito no Simples Nacional.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010, 2011
SUJEITO PASSIVO INSCRITO NO SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DA CSLL PELO LUCRO ARBITRADO. INSUBSISTÊNCIA.
É insubsistente o lançamento da CSLL pelo Lucro Arbitrado contra sujeito passivo regularmente inscrito no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1301-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild. e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 SUJEITO PASSIVO INSCRITO NO SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DO IRPJ PELO LUCRO ARBITRADO. INSUBSISTÊNCIA. É insubsistente o lançamento do IRPJ pelo Lucro Arbitrado contra sujeito passivo regularmente inscrito no Simples Nacional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010, 2011 SUJEITO PASSIVO INSCRITO NO SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DA CSLL PELO LUCRO ARBITRADO. INSUBSISTÊNCIA. É insubsistente o lançamento da CSLL pelo Lucro Arbitrado contra sujeito passivo regularmente inscrito no Simples Nacional.
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EXIGÊNCIA DO IRPJ PELO LUCRO ARBITRADO. INSUBSISTÊNCIA. É insubsistente o lançamento do IRPJ pelo Lucro Arbitrado contra sujeito passivo regularmente inscrito no Simples Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 SUJEITO PASSIVO INSCRITO NO SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DA CSLL PELO LUCRO ARBITRADO. INSUBSISTÊNCIA. É insubsistente o lançamento da CSLL pelo Lucro Arbitrado contra sujeito passivo regularmente inscrito no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 29 83 /2 01 4- 77 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10283.722983/201477 Acórdão n.º 1301002.536 S1C3T1 Fl. 160 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild. e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso de Ofício contra o acórdão nº 1150.944, proferido pela 3ª Turma da DRJ/REC, na sessão de 27 de agosto de 2015, que, por unanimidade de votos, entendeu julgar procedente a impugnação do sujeito passivo para exonerar o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 06/45, através dos quais é exigido o crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 24.697.727,07, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 8.927.499,58. O crédito tributário total importa em R$ 33.625.226,65, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. 2. De acordo com os autos de infração, o sujeito passivo não atendeu a intimação para apresentar os livros e documentos de sua escrituração, razão pela qual a fiscalização arbitrou o lucro para os trimestres dos anoscalendário 2010 e 2011. Por não ser conhecida a receita bruta, o lucro foi arbitrado com base no valor das compras de mercadorias. 3. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 105/131), alegando, em síntese: a) nulidade do MPF por vício formal, por não observar preceitos contidos na Portaria SRF nº 3007, de 2001; b) nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, por falta de fundamentação, por erro na base de cálculo e por inexistência de justa causa; c) que não procede a afirmação de que a documentação por ela entregue não permitiu a apuração da receita; d) que a fiscalização não deduziu os valores do IRPJ e da CSLL apurados e declarados, conforme DCTFs que diz anexar “por amostragem”; e) que a fiscalização recebeu os livros e documentos da escrituração, conforme informa no Termo de Encerramento da Ação Fiscal; f) que não infringiu o dispositivo legal consignado no auto de infração e que não ficou demonstrada a ocorrência do fato gerador, que ocorre na saída da mercadoria; g) que a fiscalização não levantou o estoque final de suas mercadorias como determina a legislação estadual; h) que os arts. 2º, 3º e 7º da Lei nº 9.317, de 1996 (Lei do Simples Federal), foram revogados por normas hierarquicamente superiores; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10283.722983/201477 Acórdão n.º 1301002.536 S1C3T1 Fl. 161 3 i) que dever ser aplicada a interpretação benigna; j) que a fiscalização não demonstrou os erros que supostamente a impediram de apurar a receita e que a apuração do tributo deveria se dar a partir da forma de tributação escolhida pela empresa, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, c/c o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; k) que não estão presentes os requisitos para o arbitramento, pois toda a receita encontrase contabilizada, permitindo a aferição do lucro real; l) que não foram observados os princípios da legalidade, da proporcionalidade, da proibição de confisco e da capacidade contributiva. 4. Requereu, ao final, a realização de diligências para respostas às questões que propôs e a anulação do lançamento. 5. Por meio do Despacho nº 3.608, de 6 de abril de 2015 (fls. 140/141), solicitei diligência à unidade de origem nos seguintes termos: (...) 4. Em consulta aos sistemas da Receita Federal, constatei que o sujeito passivo era optante do Simples Nacional nos anoscalendário da autuação, bem assim que entregou declarações DASN com informação de receitas e efetuou pagamentos também pelo Simples Nacional. As DASN têm número 041598422010002 (2010) e 041598422011001 (2011). 5. À vista desses fatos, solicito diligência por parte da DRF/Manaus, de sorte a que sejam adotadas as seguintes providências: a) informar se o sujeito passivo foi excluído do Simples Nacional nos períodos da autuação, bem como se houve ato declaratório de exclusão e impugnação ao ato. Nessa hipótese, informar o andamento do processo e juntar aos autos os documentos atinentes à exclusão; b) acrescentar outras informações e/ou documentos julgados relevantes para a solução da lide. (...) 6. Mediante Informação Fiscal de fl. 145, a autoridade lançadora consignou que (...) o sujeito passivo não foi excluído do Simples Nacional nos anos 2010 e 2011, conseqüentemente inexiste ato declaratório de exclusão. (...) Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 1150.944, pela 3ª Turma da DRJ/REC, julgando procedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10283.722983/201477 Acórdão n.º 1301002.536 S1C3T1 Fl. 162 4 SUJEITO PASSIVO INSCRITO NO SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DO IRPJ PELO LUCRO ARBITRADO. INSUBSISTÊNCIA. É insubsistente o lançamento do IRPJ pelo Lucro Arbitrado contra sujeito passivo regularmente inscrito no Simples Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 SUJEITO PASSIVO INSCRITO NO SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DA CSLL PELO LUCRO ARBITRADO. INSUBSISTÊNCIA. É insubsistente o lançamento da CSLL pelo Lucro Arbitrado contra sujeito passivo regularmente inscrito no Simples Nacional. Ciente do acórdão recorrido, o contribuinte não apresentou Recurso Voluntário, sendo objeto de apreciação unicamente o Recurso de Ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar que a Portaria MF nº 63, de 2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Confirase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, somandose os valores exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício. Assim, passo ao exame do mérito da questão em apreciação: Conforme se infere dos autos, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, entre outros aspectos: I) que a fiscalização não deduziu o IRPJ e a CSLL declarados e pagos, II) que foram revogados os artigos 2º, 3º e 7º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (Lei do Simples Federal), III) que a apuração do tributo deveria se dar a partir da forma de tributação escolhida pela empresa e IV) que o fato gerador do Simples ocorre na saída da mercadoria. Em consulta aos sistemas da Receita Federal, a autoridade julgadora relatora do acórdão recorrido constatou que o sujeito passivo era optante do SIMPLES Nacional nos autoscalendário da autuação (2010 e 2011), bem assim entregou declarações DASN com informação de receitas e efetuou pagamentos também pelo SIMPLES Nacional. De posse Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10283.722983/201477 Acórdão n.º 1301002.536 S1C3T1 Fl. 163 5 dessas informações, entendeu solicitar diligência para que a DRF/Manaus informasse eventual exclusão nos períodos da autuação. A referida diligência foi cumprida nos seguintes termos (fls. 145 dos autos): Vejamos os fundamentos adotados pela DRJ em sua decisão: Como se verifica nas normas transcritas, a pessoa jurídica inscrita no Simples Nacional somente se sujeitará às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas se houver sua exclusão do regime e a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. Observase também que, para exclusão do regime, fazse necessária a expedição de termo específico, do qual se dará ciência ao sujeito passivo, que poderá impugnálo, instaurandose o contencioso administrativo. 15. Assim sendo, se a ora impugnante não havia sido excluída do Simples Nacional, vez que, consoante restou comprovado, sequer houve expedição de ato nesse sentido, não poderia a fiscalização ter efetuado o lançamento na forma dos autos, em que são exigidos o IRPJ e a CSLL calculados com base no Lucro Arbitrado. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10283.722983/201477 Acórdão n.º 1301002.536 S1C3T1 Fl. 164 6 16. A propósito do tema, trago ementa exarada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no Acórdão nº 1801001.678, de 8 de outubro de 2013: ARBITRAMENTO DO LUCRO POR DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES. NECESSIDADE DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. É insubsistente o lançamento por arbitramento do lucro promovido de ofício, se não foi formalizado o competente ADE de exclusão do SIMPLES. 17. Reproduzo excertos do voto condutor no citado acórdão: (...) Como se constata nos autos, conforme posto na informação fiscal vinda com a diligência, não foi editado o competente ato declaratório executivo de exclusão do SIMPLES. (...) Assim, o lançamento formalizado nos presentes autos é insubsistente, por pretender exigir tributo sob regime tributário estranho àquele ao qual a recorrente encontravase submetida no período fiscalizado. A transposição para o regime geral, com o subseqüente arbitramento do lucro, carece do ato administrativo definido na norma legal como sendo hábil a tal mister. Digase, por fim, que não se trata de mero vício formal do ato de lançamento destes autos. O defeito extrínseco ora apontado esvazia materialmente a autuação em comento. É insubsistente a base de cálculo e a tributação promovida, por não guardarem relação com a forma de apuração de tributos atrelada à recorrente no anobase 2004. (g.n.) Como se vê, nos períodos autuados, o contribuinte detinha, validamente, o direito de apurar os tributos no âmbito da legislação do Simples Nacional, e não pelo regime de tributação aplicado de ofício pelo fisco. Se o procedimento de exclusão não foi realizado, continuaria a valer a opção do sujeito passivo e a autoridade, ao promover a fiscalização, ficaria obrigada a respeitar o regime escolhido pelo administrado. Assim, impõese reconhecer insubsistente a base de cálculo e a tributação promovida, por não guardarem relação com a forma de apuração de tributos escolhida pelo contribuinte, no período autuado, bem assim, erro material irreparável no lançamento fiscal. CONCLUSÃO Portanto, diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício, mantendose os termos da decisão recorrida, que considerou procedente a impugnação e exonerou o crédito tributário exigido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10283.722983/201477 Acórdão n.º 1301002.536 S1C3T1 Fl. 165 7 Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000245/2007-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2004 Ementa: ESTIMATIVA – MULTA DE MORA. Não se tornando exigível o IRPJ por estimativa, após o ano calendário, por uma questão de íntima relação, a multa de mora também não será devida.
Numero da decisão: 1802-000.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2004 Ementa: ESTIMATIVA – MULTA DE MORA. Não se tornando exigível o IRPJ por estimativa, após o ano calendário, por uma questão de íntima relação, a multa de mora também não será devida.
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PRODUTOS QUÍMICOS E VEGETAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2004 Ementa: ESTIMATIVA – MULTA DE MORA. Não se tornando exigível o IRPJ por estimativa, após o ano calendário, por uma questão de íntima relação, a multa de mora também não será devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento Assinado Digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, André Almeida Blanco e Gilberto Baptista. Fl. 45DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (fl.30) que a seguir transcrevo: Tratase do Auto de Infração n° 10105119/2007 (fls. 14 e 16), lavrado em 26/03/2007, relativo anocalendário de 2004, que pretende a cobrança de um crédito tributário no montante de R$ 65.387,84 (sessenta e cinco mil, trezentos e oitenta e sete reais e oitenta e quatro centavos), referente a multa de mora paga a menor. De acordo com a descrição dos fatos, o lançamento originouse da realização de Auditoria Interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), relativa ao 4° trimestre de 2004, tendo sido constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados na DCTF, conforme indicado no Demonstrativo de Pagamentos Efetuados após o Vencimento (Anexo II b, fl. 18) e no Demonstrativo de Multa e Juros a Pagar — Não Pagos ou Pagos a Menor (Anexo IV, fl. 20). Informa que contribuinte efetuou pagamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, após o vencimento, com insuficiência dos acréscimos moratórios devidos. O contribuinte tomou ciência do lançamento, via correio, em 17/04/2007 (fl. 28 cópia do AR), e, em 15/05/2007, apresentou a impugnação de fls. 01 a 08, alegando, em síntese: • revisando seus cálculos no mês de dezembro de 2004, no tocante à apuração do IRPJ, relativa à competência novembro de 2004, constatou a existência de diferença a ser recolhida na ordem de R$ 683.258,56, quando já esgotado o prazo pata o recolhimento, mas, visando cumprir a obrigação, promoveu o recolhimento espontâneo no dia 31/01/2005, com a devida inclusão dos acréscimos moratórios e juros de mora, totalizando R$690.091,14, consoante o DARF de fl. 13; • a questão reside no ponto basilar que é exatamente a não inclusão da multa de mora no multicitado recolhimento; • a multa de mora tem natureza jurídica de penalidade e o pagamento espontâneo da exação pelo sujeito passivo conduz à exclusão da possibilidade de sua incidência, pela força vis atractiva do art. 138 do CTN. Discorre o contribuinte sobre a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, citando na sua exposição trechos de doutrina e julgados que entende embasar o seu entendimento sobre a não aplicação da multa de mora no caso em tela, e requer, ao final o integral acolhimento da sua impugnação, a fim de anularse o presente auto de infração, reconhecendose a inexigibilidade e a exclusão da multa de Fl. 46DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10508.000245/200764 Acórdão n.º 1802000.924 S1TE02 Fl. 42 3 mora, e determinandose o arquivamento do processo de cobrança. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 1518.865 de 08 de abril de 2009 (DRJ/Salvador/BA), fls.30/31, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. A recorrente foi cientificada do referido acórdão, em 13/05/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR), (fl.131), e, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em 25/05/2009, (fl.134/139) alegando, no essencial, as mesmas razões expendidas na impugnação acima relatadas e ainda que, à época da lavratura do Auto de Infração, o lançamento de multa isolada em face do recolhimento em atraso sem o acréscimo da multa de mora teve como fundamentação legal o art. 44 da Lei n° 9.430/96, cuja redação foi alterada pelo art. 14 da Lei n° 11.488 de 15 de junho de 2007. Aduz que, a nova redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430/96, extinguiu a multa isolada nos casos de pagamentos de tributos após seu vencimento de forma voluntária pelo contribuinte.E conforme já interpretado pelo STJ, a denuncia espontânea exclui a incidência de qualquer espécie de multa punitiva, isolada, compensatória, etc — pela força vis atractiva do art. 138 do CTN, o qual, não ressalva a exclusão de qualquer penalidade na observância dos seus efeitos. O entendimento da recorrente é que o procedimento acima do pagamento espontâneo antes do início do procedimento fiscal, após o vencimento, nos termos do art.138 do CTN, vem sendo admitido pelo Conselho de Contribuintes como indevida a multa de mora. Ao final requer o provimento integral do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Compulsandose os autos, notadamente, o Demonstrativo de Pagamentos Efetuados após o Vencimento (Anexo II b, fl. 18) e o Demonstrativo de Multa e Juros a Pagar — Não Pagos ou Pagos a Menor (Anexo IV, fl. 20), constatase que o lançamento decorre de haver o contribuinte apresentado a DCTF em que declarou o IRPJ apurado no valor de R$ 683.258,56 com base na estimativa mensal, código 2362, referente ao mês de novembro de 2004, porém, após o vencimento – 31/12/2004, efetuou o pagamento em 31/01/2005 sem a multa de mora, conforme DARF (fl.13), ou seja, com insuficiência dos acréscimos moratórios devidos. O artigo art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 alterado pelo art.14 da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), tem a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifado) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 48DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10508.000245/200764 Acórdão n.º 1802000.924 S1TE02 Fl. 43 5 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº,11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. O art. 2º acima referenciado, no inciso II, alínea “b” do caput, trata da obrigatoriedade do recolhimento mensal por estimativa, das empresas optantes pelo lucro real anual. No caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, fica sujeita à multa isolada tal como disposto no inciso II, b, do Art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A IN SRF 093 de 24/12/97, é clara, no sentido de que verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício sobre os valores não recolhidos por estimativa, restringirseá à multa de ofício. Esta é a interpretação literal contida nos artigos 15 e 16 do referido ato normativo, senão vejamos: Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.(Grifado) § 1º As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do Fl. 49DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. § 2º Na falta de atendimento à intimação de que trata o § 2º do artigo anterior, no prazo nela consignado, o AuditorFiscal do Tesouro Nacional procederá à aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º, ressalvado o disposto no § 3º do artigo anterior. § 3º A não escrituração do livro Diário e do LALUR, até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução de que trata o art. 10, aplicandose o disposto no § 1º. Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.(Grifado) Ora, no dizer do art.15 “restringirseá” à multa de ofício sobre os valores não recolhidos, significa, quando for o caso, aplicar, tãosó, isoladamente, a multa de ofício. Despiciendo, pois, dizer: não a estimativa, não a multa de mora e nem os juros de mora. É a multa de oficio, isolada, de que trata o inciso II, b, do Art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Nada mais do que isto. Após o ano calendário fica explícito que não pode exigir, por lançamento de ofício, o IRPJ ou a CSLL por estimativa. É ilógico e ilegal, exigir também os seus consectários. É falar de acessório sem que exista o principal. Com efeito, havendo o pagamento da estimativa com os acréscimos (juros e multa de mora) será indevida a multa isolada. Para as pessoas jurídicas que optarem pelo balanço anual, o fato gerador do imposto ocorre em 31 de dezembro de cada ano, data da apuração do lucro real. Assim, o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, deverá ser exigido acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. O recolhimento mensal por estimativa se reveste, na hipótese, de uma característica de provisoriedade, onde encerrado o ano calendário é calculado o montante do tributo efetivamente devido. Dentro de tal contexto, concluise que, encerrado o período de apuração anual do imposto de renda e da CSLL, a exigência de recolhimentos por estimativa e seus consectários deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece o tributo efetivamente devido com base na apuração do lucro real. Descabe a exigência de pagamento relativo a estimativa após o ano calendário,e, nesse passo, não se tornando exigível o IRPJ por estimativa, código 2362, referente ao mês de novembro de 2004, com o vencimento em 31/12/2004 após o ano calendário, por uma questão de íntima relação, a multa de mora também não será exigida. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10508.000245/200764 Acórdão n.º 1802000.924 S1TE02 Fl. 44 7 Isto posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 51DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 06/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934349/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.591
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 43 49 /2 00 9- 51 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.934349/200951 Acórdão n.º 3302004.591 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A questão tem início em Declaração de Compensação em que se objetivava quitar débitos tributários utilizandose de créditos de COFINS. A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação foi que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em decorrência da não homologação, as autoridades competentes formalizaram a cobrança dos valores indicados na DCOMP, acrescidos ainda de multa e juros. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade na qual alega que a decretação de inexistência do crédito se deu porque não foram apresentadas as retificadoras das DCTFs, DIPJs e DACONs, que se prestariam a notificar as autoridades sobre o recolhimento à maior realizado. Na manifestação de inconformidade a contribuinte informa que ao solicitar a Certidão Negativa de Débitos foi surpreendida com a informação sobre a existência de um novo processo administrativo fiscal, onde foi lavrada a exigência do exato valor que constava no despacho decisório, e que teria como documento de origem a mesma DCOMP motivadora do processo cuja cobrança acreditava que tivesse sido baixada. A contribuinte esclareceu, ainda, que apresentou manifestação de inconformidade naqueles autos, requerendo que os processos fossem unificados, posto que tratam sobre os mesmos fatos, e que fossem apreciadas as razões que fundamentam a existência de seu direito ao crédito, que é, essencialmente, a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da COFINS. Noticia, também, que procedeu à retificação dos DCTF, DACON e DIPJ relativamente ao período de apuração em debate, indicando o valor do ICMS que deveria ser destacado da base de cálculo da COFINS, o que geraria o saldo credor a seu favor a ser utilizado na compensação declarada. A instância de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade acima descrita, nos termos do Acórdão 06037.278. O fundamento adotado, em síntese, foi a intempestividade da impugnação/manifestação de inconformidade apresentada. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.934349/200951 Acórdão n.º 3302004.591 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.583, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.932718/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.583) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Com efeito, a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade por considerar: i) intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19722 c/c §2º, do artigo 56, da Lei nº. 7574/20113; e ii) que a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade ofertada pela Recorrente, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida, seja na revisão de ofício, seja em ulterior recurso voluntário eventualmente interposto pela impetrante. Neste contexto, entendo inexistir omissão no julgamento de primeira instância e desrespeito aos princípios do contraditório e ampla da defesa, posto que diante da apresentação de defesa fora do prazo previsto nas normas 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. 2 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 3 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.934349/200951 Acórdão n.º 3302004.591 S3C3T2 Fl. 5 4 anteriormente citada, não houve instauração de fase litigiosa, afastando, assim, o dever/obrigação da autoridade julgadora analisar os argumentos suscitados pelo contribuinte. Não bastasse isso, e ao contrário do que restou defendido neste processo, a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida. Portanto, entendo não ser o caso de nulidade do julgamento de primeira instância, considerando que o julgadores aplicaram ao presente caso as determinações contidas no Decreto 70.235/72 e na Lei nº 7.574/2011. Diante do exposto, considerando que não houve instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, por intempestividade da manifestação de inconformidade, voto por não conhecer do recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, em razão de sua intempestividade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.101417/2008-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.338
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente CALCADOS MALU LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 17 /2 00 8- 16 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 9303005.338 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330101.375, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 9303005.338 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 9303005.338 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 9303005.338 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 238DF CARF MF
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