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Numero do processo: 13052.000159/2005-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 9.718. CRÉDITO
PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
Consoante decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o conceito de faturamento válido para a definição da base de cálculo do PIS anteriormente à aprovação da Emenda Constitucional nº 20 não inclui receitas não decorrentes da atividade empresarial. Como tal se enquadra o acréscimo patrimonial decorrente do incentivo fiscal deferido pela Lei 9.363, o qual,
receita embora, não resulta diretamente da atividade exercida pela sociedade empresária.
PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 10.637. CRÉDITO
PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO.
A partir do período de apuração correspondente ao mês de dezembro de 2002, quando entram em vigor as disposições da Lei 10.637, que restabelece como base de cálculo da contribuição PIS a totalidade das receitas auferidas, o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, receita que é, inclui-se
naquela base.
Numero da decisão: 9303-001.712
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 9.718. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. Consoante decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o conceito de faturamento válido para a definição da base de cálculo do PIS anteriormente à aprovação da Emenda Constitucional nº 20 não inclui receitas não decorrentes da atividade empresarial. Como tal se enquadra o acréscimo patrimonial decorrente do incentivo fiscal deferido pela Lei 9.363, o qual, receita embora, não resulta diretamente da atividade exercida pela sociedade empresária. PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 10.637. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO. A partir do período de apuração correspondente ao mês de dezembro de 2002, quando entram em vigor as disposições da Lei 10.637, que restabelece como base de cálculo da contribuição PIS a totalidade das receitas auferidas, o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, receita que é, incluise naquela base. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 EDITADO EM: 16/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio PereiraValadão, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra acórdão que entendeu indevida a tributação pela contribuição PIS da receita decorrente do aproveitamento do crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363. Segundo os demonstrativos dos valores exigidos (fl. 20), o contribuinte deixou de incluir tal parcela na base de cálculo da contribuição entre os meses de janeiro de 2001 e janeiro de 2004. Ou seja, tanto em períodos em que a base legal para fixação do valor tributável era a Lei 9.718 (até novembro de 2002) quanto em períodos em que já vigia a Lei 10.637, que instituiu a sistemática de apuração nãocumulativa. Como paradigma de divergência, apresentou a ementa do acórdão n° 201 79.962, à fl. 419, impressa diretamente da página na internet dos antigos Conselhos de Contribuintes. O acórdão guerreado, prolatado pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, restou assim ementado: "CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3 0 DA LEI N°9.718/98. DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas a redução de custos e não a obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços O recurso (fls. 411/419) combatia também o afastamento do “crédito presumido de ICMS”, mas quanto a ele não foi admitido, consoante despacho às fls. 423/424, ratificado pelo Presidente do CARF (fl. 425). Nele, aduz a PFN que “o conceito de receita vem sendo reformulado a cada dia, e não se pode negar que há forte tendência de adequálo à dinâmica que impera nas atividades empresariais”. E, citando o professor Ricardo Mariz,: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 2 3 "...por conseguinte, receita é um plus jurídico que se agrega ao patrimônio, ainda que o ato do qual ela seja parte não acarrete aumento patrimonial, ou mesmo que acarrete redução patrimonial; por isso, é mais apropriado dizer que receita agrega um elemento positivo ao patrimônio" complementa: Ora, parece que a intenção da doutrina moderna vem sendo a de entender a palavra receita como aquele ingresso que represente um plus jurídico em favor do contribuinte, esteja ou não sua origem relacionada à atividade fim da empresa, ou ainda, seja ou não decorrente de esforço do contribuinte e voltado estritamente ao cumprimento de seu objeto social. Em contrarazões (fls. 429/454) a recorrida cita decisão desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relatora a Conselheira Maria Teresa, em que, por maioria, afastouse a tributação. Vale o registro de que, como fundamento de seu voto, a Conselheira relatora utilizou, à larga, obra do mesmo professor Ricardo Mariz. A conclusão da CSRF, então, foi a de que tal parcela se caracteriza como subvenção e não poderia ser tributada pela contribuição na vigência da restrição imposta pela decisão do STF. Igualmente importante ressaltar que o acórdão da CSRF citado foi prolatado depois (fevereiro de 2009) da data de ingresso do recurso da PFN. Não tem, por isso, aplicação o parágrafo 10 do art. 67 do Regimento. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A divergência jurisprudencial foi adequadamente demonstrada e o recurso deve, por isso, ser admitido. A complexidade da definição da natureza jurídica da parcela objeto da autuação ressalta do fato que procurei demonstrar no relatório: tanto a PFN, recorrente, quando a recorrida valemse dos ensinamentos do mesmo consagrado doutrinador para chegar a conclusões diametralmente opostas quanto à tributação da parcela. A que veio a prevalecer nesta instância especial afirmaa subvenção e conclui que “como tal” receita não é. Ouso, no entanto, divergir dessa conclusão, valendome de considerações expendidas quando do julgamento de caso específico de subvenção. Ainda que ali se tratasse da COFINS, são elas inteiramente aplicáveis ao PIS na regência da Lei 9.718, pelo que peço licença para transcrevêlas: Quanto à segunda matéria, se refere ao correto enquadramento contábil das subvenções e, por decorrência, à incidência da Cofins. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 O primeiro registro do tema pode ser encontrado na norma legal que tratava dos lançamentos contábeis para efeito de exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, antes da edição da Lei nº 6.404/76 (Lei das SA), ou seja, a Lei nº 4.506/64. Assim dispunha ela: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Mesmo tendo sido adaptada, pelo Decretolei nº 1.598/77, às disposições da lei das S.A., neste particular não sofreu alteração. Vale dizer que o segundo não revogou a norma anterior. Ele dispôs: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 36 e seus parágrafos; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Examinando o assunto, a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF expediu o Parecer Normativo (PN CST) nº 112/78, que esclareceu os requisitos para que as subvenções recebidas possam ser tratadas como para investimento, permitindose o seu lançamento direto em conta de reserva de capital sem transitar pelo resultado do período. Assim, tomando como referência o PN CST nº 02/78, adotou o seguinte entendimento: 2.12 – Observase que a subvenção para investimento apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o” animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Mais adiante em seu item 2.14: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 3 5 ... As SUBVENÇÕES, em princípio, serão todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as subvenções para custeio ou operação, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as subvenções para investimento, como parcelas do resultado não operacional. Resta ainda definir se essa inclusão das subvenções no resultado operacional, se de custeio, e nãooperacional, se para investimento, implica sua tributação pela COFINS, após a edição da Lei nº 9.718/98. É que entendem alguns que, mesmo integrando o resultado operacional, não se conformariam a um conceito de receitas, mais restritivo, que exigiria uma efetiva contraprestação em bens ou serviços por parte da recebedora dos recursos. Essa linha de raciocínio pretende estabelecer uma distinção entre acréscimo patrimonial, o gênero, e receitas, definindoas como espécie daquele, que incluiria ainda as recuperações de despesas, as subvenções e as doações. Podese encontrar na literatura contábil exemplo (embora aparentemente isolado) de tal definição, na seguinte conceituação 3 Receita é a expressão monetária, validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em determinado período de tempo e que provoca um acréscimo concomitante no ativo e no patrimônio líquido, considerado separadamente da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do patrimônio líquido provocados pelo esforço em produzir tal receita. Entretanto, tal definição (ou, melhor dizendo, a interpretação que nela pretenda ver a possibilidade de excluir alguns tipos de acréscimo patrimonial) não encontra guarida nas normas técnicas de contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), órgão legalmente habilitado a disciplinar o exercício da profissão. Com efeito, a Norma Técnica NBT 10, subitem 10.16, aprovada pela Resolução CFC nº 922, de 13 de dezembro de 2001 estabelece: 10.16.2 REGISTRO CONTÁBIL 10.16.2.1 As transferências a título de subvenção que correspondam ou não a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.2 As transferências a título de contribuição, mesmo que não correspondam a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.3 Os auxílios ou contribuições para despesas de capital devem ser contabilizados diretamente em conta específica de Reserva de Capital, no Patrimônio Líquido. De igual modo, os auxílios ou contribuições devem ser contabilizados em conta específica, _________________ 3 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1986. p.127 designativa da operação, no Patrimônio Social das entidades que se sujeitam às normas contábeis mencionadas no item 10.16.1.4. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 10.16.2.4 As doações financeiras para custeio devem ser contabilizadas em contas específicas de receita. As doações para investimentos e imobilizações, que são consideradas patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, devem ser contabilizadas no Patrimônio Líquido ou Social, conforme seja o caso específico da pessoa jurídica beneficiária da transferência. Essa determinação do órgão responsável pelo disciplinamento do exercício da contabilidade no nosso País, ratifica, como não poderia deixar de ser, o que já vem expresso na norma legal específica do assunto, qual seja a Lei nº 6.404/76: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto nãocapitalizado. § 3° Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do artigo 8º, aprovado pela assembléiageral. § 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. § 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. Guarda, além disso, e igualmente como não poderia deixar de ser, inteira coerência com as resoluções do mesmo Conselho que definem e explicam os princípios de contabilidade geralmente aceitos. São elas a Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, que diz SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 4 7 § 3º As receitas consideramse realizadas: I – nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III – pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV – no recebimento efetivo de doações e subvenções. e a de nº 774, de 16 de dezembro de 1994 (DOU de 18.01.1995) que, aprofundando a anterior, menciona: 1.4 Dos objetivos da Contabilidade O objetivo científico da Contabilidade manifestase na correta apresentação do Patrimônio e na apreensão e análise das causas das suas mutações. Já sob ótica pragmática, a aplicação da Contabilidade a uma Entidade particularizada, busca prover os usuários com informações sobre aspectos de natureza econômica, financeira e física do Patrimônio da Entidade e suas mutações, o que compreende registros, demonstrações, análises, diagnósticos e prognósticos, expressos sob a forma de relatos, pareceres, tabelas, planilhas e outros meios. O tema, tão claro no quadrante científico, comporta comentários mais minuciosos quando direcionado aos objetivos concretos perseguidos na aplicação da Contabilidade a uma Entidade em particular. Adentramos, no caso, o terreno operacional, regulado pelas normas. Assim, ouvese com freqüência dizer que um dos objetivos da Contabilidade é o acompanhamento da evolução econômica e financeira de uma Entidade. No caso, o adjetivo “econômico” é empregado para designar o processo de formação de resultado, isto é, as mutações quantitativoqualitativas do patrimônio, as que alteram o valor do Patrimônio Líquido, para mais ou para menos, correntemente conhecidas como “receitas” e “despesas”. Já os aspectos qualificados como “financeiros” concernem, em última instância, aos fluxos de caixa. E mais adiante: 2.6.1 As variações patrimoniais e o Princípio da Competência A compreensão do cerne do Princípio da COMPETÊNCIA está diretamente ligada ao entendimento das variações patrimoniais e sua natureza. Nestas encontramos duas grandes classes: a daquelas que somente modificam a qualidade ou a natureza dos componentes patrimoniais, sem repercutirem no montante do Patrimônio Líquido, e a das que o modificam. As primeiras são denominadas de “qualitativas”, ou “permutativas”, enquanto as segundas são chamadas de “quantitativas”, ou “modificativas”. Cumpre salientar que estas últimas sempre implicam a existência de alterações qualitativas no patrimônio, a fim de que permaneça inalterado o equilíbrio patrimonial. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 A COMPETÊNCIA é o Princípio que estabelece quando um determinado componente deixa de integrar o patrimônio, para transformarse em elemento modificador do Patrimônio Líquido. Da confrontação entre o valor final dos aumentos do Patrimônio Líquido – usualmente denominados “receitas” – e das suas diminuições – normalmente chamadas de “despesas” –, emerge o conceito de “resultado do período”: positivo, se as receitas forem maiores do que as despesas; ou negativo, quando ocorrer o contrário. Observase que o Princípio da Competência não está relacionado com recebimentos ou pagamentos, mas com o reconhecimento das receitas geradas e das despesas incorridas no período. Mesmo com desvinculação temporal das receitas e despesas, respectivamente do recebimento e do desembolso, a longo prazo ocorre a equalização entre os valores do resultado contábil e o fluxo de caixa derivado das receitas e despesas, em razão dos princípios referentes à avaliação dos componentes patrimoniais. Quando existem receitas e despesas pertencentes a um exercício anterior, que nele deixarem de ser consideradas por qualquer razão, os competentes ajustes devem ser realizados no exercício em que se evidenciou a omissão. Por tudo quanto exposto, não parece haver dúvida de que, sendo as subvenções para custeio, RECEITAS integrantes do subgrupo dos Resultados Operacionais, estão englobadas no conjunto de elementos contábeis sujeitos à tributação pela COFINS após o advento da Lei nº 9.718/98. Diante do que está dito, é de se concluir que mesmo que se entenda que o crédito presumido deva ser visto como uma subvenção estatal aos exportadores, não deixa, só por isso, de ser contabilmente enquadrado como receita. Seria necessário que tal subvenção pudesse se enquadrar como “subvenção para investimento”, nos termos acima expostos, o que só muita imaginação pode conceber... Por outro lado, as transcrições da Lei 6.404 e 4.506 deixam claro, ainda, que o mesmo se dá caso seja ele considerado “recuperação de custos ou de despesas”, dado que ambas integram a receita bruta operacional. Inescapável, por isso, a conclusão: o crédito presumido do IPI instituído pela Lei 9.363 é receita e teria de ser incluído na base de cálculo do PIS se mantida a vigência plena da Lei 9.718, isto é, se a sua base de cálculo fosse mesmo a “totalidade das receitas auferidas”. Ocorre que, como é sabido por todos, aquela vigência plena foi obstada pelo e. STF. Com efeito, no julgamento dos recursos extraordinários nº 346.084 e nº 357.950, a Corte Maior, em sua composição plena, deu o entendimento de que o faturamento a que se refere aquela lei não pode ser confundido com a totalidade das receitas auferidas, como pretendia o inconstitucional parágrafo. Para as empresas comerciais e de prestação de serviços, as decisões não deixam dúvida de que o primeiro restringese ao somatório das receitas provenientes da venda de bens ou da prestação de serviços, que corresponde ao resultado das atividades empresariais típicas de tais entidades. Não remanescem dúvidas, por conseguinte, de que até o período de apuração novembro de 2002 não se incluem no faturamento, base de cálculo do PIS segundo o caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, receitas que extrapolem o restritivo conceito de faturamento acima destacado. Esse é, sem sombra de dúvidas, o caso do reconhecimento contábil do direito ao Fl. 489DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 5 9 benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/96, o qual, ainda que deva ser registrado como receita, não integra o faturamento da empresa. Ao lado disso, a Portaria MF 256/2008, que criou o CARF, trouxe autorização aos seus conselheiros para afastar a aplicação de lei já declarada inconstitucional pelo Plenário do STF. Refirome, como é bem sabido, ao seu art. 62, § 2º, inciso I. Após a sua edição, essa norma ganhou status regulamentar, ao ser inserida no Decreto 70.235/72 (art. 26 A, introduzido pelo art. 25 da Lei 11.941/2009). Destarte, é o meu voto no sentido de que o crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363 somente pode ser tributado pela contribuição em tela se e quando sua base de cálculo for a “totalidade das receitas auferidas”. Tendo a autuação englobado períodos de apuração em que vigia a Lei 9.718, para eles, e apenas para eles, a exigência não pode prosperar, resultando acertada a decisão que a douta PFN procura combater. Já no que concerne aos períodos de apuração iniciados em dezembro de 2002, entendo merecer acolhida a contestação fazendária dado que a Lei 10.637/2002 voltou a considerar tributável a totalidade das receitas auferidas e não há decisão judicial aplicável ao contribuinte que considere isso igualmente inconstitucional. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a tributação relativamente aos períodos de apuração compreendidos entre dezembro de 2002 (inclusive) e janeiro de 2004. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 490DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10380.005040/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PAGAMENTO DE VERBA A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Malgrado terem sido denominadas Juros Sobre Capital Próprio, as verbas, que foram pagas em desproporção a participação de cada sócio no capital social da empresa, possuem natureza jurídica diversa, sendo suscetíveis de incidência de contribuições previdenciárias, quando o beneficiário seja pessoa física com atuação na administração da empresa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
CONVENÇÕES PARTICULARES. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA.
INADMISSIBILIDADE.
Salvo disposição em contrário, não tem validade as convenções particulares firmadas para afastar o pagamento de tributos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.151
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Malgrado terem sido denominadas Juros Sobre Capital Próprio, as verbas, que foram pagas em desproporção a participação de cada sócio no capital social da empresa, possuem natureza jurídica diversa, sendo suscetíveis de incidência de contribuições previdenciárias, quando o beneficiário seja pessoa física com atuação na administração da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 CONVENÇÕES PARTICULARES. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. INADMISSIBILIDADE. Salvo disposição em contrário, não tem validade as convenções particulares firmadas para afastar o pagamento de tributos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 291DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.005040/200759 Acórdão n.º 240102.151 S2C4T1 Fl. 287 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa acima identificada contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza (CE), fls. 218/223, a qual declarou procedente o crédito consignado na NFLD n.º 35.785.5043. O crédito em questão engloba a contribuição da empresa incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 153/157, os fatos geradores presentes no lançamento foram os pagamentos, na competência 12/2002, de Juros Sobre Capital Próprio JSCP em atropelo à legislação aplicável. Afirma a Auditoria que o pagamento dos “juros” se deu sem respeitar a proporcionalidade da participação de cada sócio no capital social. Afirmase que a composição societária da empresa notificada tinha, na época da distribuição dos JSCP, a seguinte configuração: PRL Participações e Empreendimentos S/A 99,97%; Vicente de Paula Rego de Lima 0,01%; Paulo de Tarso Régo de Lima 0,01%; Pedro Alcântara Rego de Lima 0,01%. A despeito disso, afirma o Fisco, a empresa efetuou o creditamento dos JSCP na seguinte proporção: PRL Participações e Empreendimentos S/A R$ 1.000.00: Vicente de Paula Rêgo de Lima R$ 443.000,00;Paulo de Tarso Rêgo de Lima RS 443.000,00; Pedro Alcântara Rêgo de Lima R$ 443.000,00; No recurso apresentado, fls. 233/240, a empresa alega, em síntese, que: a) a contribuição patronal prevista na alínea "a" do inciso I do art. 195 da Constituição Federal e no inciso III do art 22 da Lei n.° 8.212/1991 somente pode incidir sobre pagamento que configure contraprestação por um trabalho executado; b) prólabore e dividendos são conceitos distintos, não cabendo ao legislador ou aplicador da lei confundilos para efeito de exigência fiscal; c) apresenta texto doutrinário que traz a conclusão de que os juros sobre o capital próprio não visam à remuneração do investimento no capital social da empresa, mas à distribuição do resultado da atividade econômica, ou seja, o lucro, não podendo integrar a base de cálculo, nem das contribuições que incidem sobre a receita bruta, tampouco daquelas incidentes sobre folha de salário ou remuneração; d) o caput do art. 9.° da Lei n.° 9.249/1995, ao dispor que a empresa poderá deduzir na apuração do lucro real os valores repassados aos sócios a titulo JSCP, não deixa dúvidas que essa rubrica não tem relação com rendimento do trabalho, mas consiste em remuneração vinculada ao capital investido; e) quando o § 10 do mesmo dispositivo prevê que o valor da referida parcela deve ser adicionada ao lucro liquido para determinação da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL, afasta a incidência da contribuição prevista no art. 22, Fl. 293DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 III, da Lei n.° 8.212/1991, haja vista que o lucro liquido já é base para financiamento da Seguridade Social, por meio da CSSL; f) ao contrário do que afirma a DRJ, o Código Civil, seja o revogado ou o atual, permite a distribuição de lucros de forma desproporcional A. participação de cada sócio no capital social; g) houve deliberação societária, conforme ata de reunião de sócios cotistas realizada em 31/12/2002, de que não haveria obediência proporcionalidade do capital social para atribuição de parcela relativa A. distribuição de JSCP, deliberação que foi referendada a posteriori; h) colaciona decisão proferida pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que corrobora a sua tese de que não há legislação que vede a distribuição da parcela em questão de forma desproporcional a participação de cada sócio no capital social. Ao final, pede a reforma da decisão da DRJ de maneira que seja reconhecida a insubsistência do lançamento. A 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF resolveu converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Notificante se pronunciasse sobre suposta duplicidade de cobrança do presente crédito com a NFLD de n.º 35.785.4047, a qual foi lançada contra a mesma empresa, para a mesma competência e tratando dos mesmos fatos geradores. Em resposta à diligência requerida, a Delegacia da RFB em Fortaleza, assim se pronunciou: 2. Informamos que não há bis in idem. 0 processo relativo ao DEBCAD 35.785.5043 tem por fato gerador o pagamento de juros sobre o capital próprio em desacordo com a legislação aplicável realizado pela empresa Santa Clara Indústria e Comercio de Alimentos Ltda, CNPJ 63.310.411/000101, consoante destacaram os Auditores no Relatório Fiscal, fls. 153 a 157; enquanto que o fato gerador do processo relativo ao DEBCAD 35.969.4047 é o pagamento de juros sobre o capital próprio em desacordo com a legislação aplicável realizado pela empresa SC Indústria e Comercio Ltda, CNPJ 02.643.206/0001 65, consoante Relatório Fiscal fls. 151 a 156, cuja responsabilidade foi imputada Santa Clara Indústria e Comercio de Alimentos Ltda, em razão de incorporação havida em 31/08/2003. Dessa informação prestada pelo Fisco foi dada ciência a empresa notificada, contra a qual foram apresentados os mesmos argumentos presentes no recurso, ver fls. 258/265. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.005040/200759 Acórdão n.º 240102.151 S2C4T1 Fl. 288 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da natureza jurídica dos juros sobre capital próprio O Fisco descaracterizou os pagamentos efetuados a título JSCP em razão da verba haver sido distribuída aos sócios sem respeitar a proporcionalidade da participação dos mesmos no capital social. Portanto, para a solução da presente lide, esse órgão de julgamento terá que dizer se tal procedimento efetivamente transmuda a natureza jurídica da verba paga a título JSCP em remuneração pelo trabalho. Considerandose que o motivo tomado pela auditoria para considerar os JSCP como remuneração decorreu de seu pagamento sem respeitar a participação de cada sócio no capital da empresa, a pesquisa sobre a natureza jurídica da verba ganha relevo, uma vez que caso se conclua que a verba corresponde a dividendo não haveria tributação, haja vista que o Código Civil1 permite a distribuição de resultados das empresas em proporção diferente daquela verificada na composição do capital social. Todavia, caso se considere que os JSCP como despesa financeira da entidade empresarial e receita para o beneficiário, o seu pagamento obrigatoriamente teria que se dar na proporção direta da participação de cada sócio. Os JSCP foram introduzidos na Legislação Brasileira pela Lei n. 9.249/1996, como forma alternativa de remuneração pelo capital investido, os quais poderiam ser deduzidos como custo ou despesa operacional para fins de apuração do lucro real. Eis os termos do normativo citado: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual 1 Art. 1007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. (...) Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. À empresa, então, caberia verificar qual a forma de pagamento seria mais vantajosa do ponto de vista de economia tributária, pagar dividendos aos sócios sem incidência de imposto de renda, ou remunerálos mediante os JSCP, dedutíveis como despesas operacionais para fins de apuração do lucro real. Vejo que os JSCP, ao contrário do que afirma a recorrente, diferenciamse dos dividendos, posto que, embora ambos sejam rendimentos do capital, o tratamento fiscal é diversos em relação aos dois tipos de distribuição dos resultados. Os JSCP são considerados despesas financeiras para a empresa e receitas para o beneficiário, que tem como teto para fins de cálculo a variação da TJLP. O seu pagamento decorre da compensação aos sócios/acionistas pela decisão de optar por aplicar os seus recursos na empresa. Como bem se afirmou na decisão recorrida, esse entendimento é corroborado pela Administração Tributária, que, ao tratar do tema na Instrução Normativa n.º 11/1996, dá aos JSCP o tratamento contábil de despesa financeira, nos seguintes termos: Art.. 30. O valor dos juros pago, ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n" 6.404. de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que traía o § 1 do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. De fato, não há como se acolher a tese de que alguém aplique na empresa um determinado capital e receba juros em valor superior a outro que investiu um montante maior. Da possibilidade de distribuição dos juros sobre capital próprio em desproporção ao capital social Partindose, assim, da premissa de que os JSCP são despesas financeiras para entidade, decorrentes de retribuição pelos aportes realizados pelos sócios/acionistas, não se justifica que a sua distribuição não obedeça a proporção existente no seu capital social. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.005040/200759 Acórdão n.º 240102.151 S2C4T1 Fl. 289 7 Não há de se considerar o argumento de que haveria deliberação da sociedade prevendo a distribuição dos JSCP em percentual diverso da participação dos sócios no capital social, haja vista que, embora seja prevista pelo Código Civil a possibilidade de participação dos sócios nos lucros sem respeitar a proporcionalidade presente na composição das quotas, no caso em tela cuidase de pagamento de parcela de natureza jurídica diversa. Nesse sentido, a deliberação adotada não tem poder de contrariar a legislação tributária, nos termos do art. 123 do CTN2. Assim, há de se concluir que, embora o sujeito passivo tenha adotado a denominação de Juros Sobre Capital Próprio – JSCP para a verba em destaque, a mesma possui outra natureza jurídica de remuneração uma vez que paga a administradores da empresa sem que se considerasse a participação de cada um no capital social. Da incidência de contribuição sobre a parcela Não há dúvida que nos termos do inciso III do art. 22 da Lei n. 8.212/19913 a contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais, categoria da qual faz parte os sócios, como veremos, somente pode alcançar os valores decorrentes do trabalho prestado ao sujeito passivo, não sendo legítima a exação sobre valores decorrentes do retorno do capital investido. Portanto, tendo a empresa efetuado pagamento dos JSCP aos sócios Vicente de Paula Rêgo de Lima, Paulo de Tarso Rêgo de Lima e Pedro Alcântara Rêgo de Lima em percentual que extrapola a sua participação societária, o excesso deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social, haja vista que os mesmos participavam da gestão da empresa e a distribuição da verba se deu de forma contrária ao que prescreve a legislação. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem 2 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes 3 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) Fl. 297DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (...) Nesse sentido, considerando a existência de trabalho prestados por essas pessoas físicas na gestão da empresa, o que se verifica ainda hoje da cláusula 7.ª do Contrato Social acostado, fl. 206, há de se concluir que os valores pagos de JSCP que excederam o que lhes seria devido pela participação de cada um no capital social, deve ser considerado salário decontribuição. Conclusão De todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para lhe negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 298DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002501/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2008
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo definido na legislação e o contribuinte não comprova estar desobrigado da entrega.
Numero da decisão: 1202-000.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Recorrente BONET MADEIRAS E PAPEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo definido na legislação e o contribuinte não comprova estar desobrigado da entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 92 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que manteve o lançamento de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, no valor de R$ 9.112,24, referente ao mês de fevereiro de 2007, cujo prazo fatal para a entrega ocorreu em 09/04/2007, tendo se dado a entrega efetiva apenas em 11/04/2007. O auto de infração (fl. 37) apontou como enquadramento legal: arts. 155 e 160 da Lei nº 5172/66; art. 1º da Lei nº 9249/95; art 7º, inciso II e §3º, inciso II da Lei nº 10.426/02 e alterações posteriores. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as seguintes razões para desconstituir o auto de infração: (i) cerceamento do direito de defesa por falta de acesso aos documentos de cobrança; (ii) vício de intimação, por falta de ciência pessoal de seu representante legal; (iii) excesso ilegal e inconstitucional do valor da multa imposta, a qual deve ser reduzida diante da previsão do art. 7º, §§2º e 3º, da Lei nº 10.426/2002, em interpretação mais favorável ao contribuinte; (iv) utilização da taxa de juros Selic na cobrança do débito. A DRJ/Curitiba julgou procedente o lançamento pelos fundamentos a seguir resumidos: afastou as preliminares de nulidade por cerceamento do direito de defesa e de invalidade da intimação via postal não pessoal, citando, inclusive, a Súmula CARF nº 9; no mérito, considerou que a penalidade corresponde exatamente àquela determinada pela legislação aplicável; não se manifestou sobre os juros Selic, uma vez que o auto de infração não se refere ao tema; não apreciou a alegação de inconstitucionalidade da multa em face da limitação da competência do julgador administrativo, citando o Parecer Normativo CST n° 329 de 1970 e art. 4º do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/05/2011 (AR de fl. 51), o contribuinte apresentou, em 02/06/2011, recurso voluntário em que reforça as mesmas razões da impugnação, em especial quanto ao cerceamento do direito de defesa. Alega, ainda, ter havido denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN, e que a exigência da entrega de DCTF pelo contribuinte, por parte do Fisco, viola o princípio da legalidade. Sobre os juros Selic aduz que (i) não teve acesso ao auto de infração, (ii) no demonstrativo de débito, anexado Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 93 3 à intimaçao do Acórdão ora recorrido, consta expressamente: "o pagamento deverá ser efetuado com os acréscimos legais cabíveis" e (iii) a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) decidiu que é ilegal a incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas em autuações lavradas pela Receita Federal. Sustenta que não pode prevalecer o entendimento da legalidade da exigência da taxa SELIC como juros moratórios sobre os valores exigidos, devendo ser excluído do cálculo o excedente a 1% (um por cento) ao mês. Tratandose de autos de infração de multa por atraso na entrega de DCTF do mesmo ano calendário de 2004 e tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos nºs 10909.002498/200911 (janeiro/2004), 10909.002501/200905 (fevereiro/2004) e 10909.002502/200941 (abril/2004), nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 94 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. Preliminarmente, a alegação de nulidade do lançamento por cerceamento de direito de defesa em razão da falta de acesso aos autos deve ser afastada pelo simples motivo de que a autuação decorre do cumprimento extemporâneo de obrigação acessória prevista na legislação. Não houve procedimento prévio de fiscalização nem foram carreados aos autos quaisquer elementos de prova de conduta irregular. A infração objeto de autuação é objetiva e de apuração sistemática, a partir da constatação, pelos sistemas eletrônicos da RFB, da entrega de declaração de forma extemporânea. Em outras palavras, a multa lançada foi calculada automaticamente sobre valores declarados pelo próprio contribuinte, na forma da legislação. Assim, a falta de acesso aos autos, se houve, não causou qualquer prejuízo à defesa. Outra nulidade apontada decorre da falta de ciência pessoal do responsável legal, o que teria viciado a intimação. Nesse passo, o processo administrativo tributário é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe expressamente sobre as formas de intimação, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) ......................................................................................................... [destaquei] Como inexiste ordem de preferência entre as formas previstas na legislação, tendo sido o contribuinte intimado por via postal, conforme atesta o Aviso de Recebimento – AR juntado à fl. 38 dos autos, que contém o número de rastreamento indicado no cabeçalho do auto de infração (fl.37), não há qualquer irregularidade a ser reconhecida. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 95 5 O tema é pacífico no âmbito do CARF, eis que editada a Súmula CARF nº 9, com o seguinte teor: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em suas razões meritórias, o contribuinte traz argumentos de cunho finalístico e não questiona a entrega extemporânea da DCTF. A legislação é absolutamente clara quanto à penalidade em razão do descumprimento de obrigação acessória. Com lastro no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, as multas pelo atraso na entrega da DCTF são calculadas proporcionalmente à quantidade de meses ou fração de mês de atraso, contados entre o dia seguinte ao término do prazo para entrega da declaração e o dia da efetiva entrega. O prazo fatal para a apresentação da DCTF referente a cada período encontrase previsto na legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal, sob delegação de competência do legislador ordinário. Após o prazo definido na legislação, para cada mês ou fração de atraso, deverá incidir a multa no percentual de 2% (dois por cento) calculado sobre o montante dos tributos e contribuições informados em DCTF, limitada a 20% (vinte por cento) desse montante. A multa é reduzida em 50% (cinquenta por cento) quando a DCTF é apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, como se deu no presente caso. O cálculo da multa objeto do recurso sob análise está expresso no auto de infração (fl.37), de maneira cristalina: 2% x 1 x 491.821,55 = R$ 9.836,43 x 50% = 4.918,21, onde o montante de R$ 491.821,55 corresponde ao total de tributos e contribuições informados pelo contribuinte em DCTF. Nesse sentido, não resta dúvida de que a autuação ora contestada apresentase formalmente exata, consoante os ditames legais, inclusive com a redução de 50% do seu montante. Por se tratar de obrigação acessória, a entrega da DCTF, ainda que anterior a qualquer procedimento fiscalizatório, não atrai a incidência do art. 138 do CTN, como vem reiteradamente decidindo as turmas do CARF. A pacificação da jurisprudência nesse sentido deu ensejo, em dezembro de 2010, à edição da Súmula CARF nº 49, que reza que “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Cabe referir, ainda, que a discussão sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade da multa aplicada foge à alçada deste tribunal administrativo, especialmente a partir da publicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 96 6 Por fim, no âmbito do CARF, temse admitido a discussão sobre a taxa de juros incidente sobre o crédito tributário quando o contribuinte traz o questionamento expresso no recurso voluntário, como é o caso. Ocorre que a cobrança de juros de mora à taxa Selic decorre de expressa previsão legal, incidindo sobre créditos tributários da União decorrentes de fatos geradores posteriores a 1º de abril de 1995, acumulados mensalmente a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e um por cento no mês do pagamento (art. 953 do RIR/99). A discussão encontrase esvaziada desde que o entendimento de que a taxa de juros Selic deve incidir sobre os débitos tributários administrados pela RFB foi pacificado com a edição da Súmula CARF n° 4, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Isso posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 36266.011903/2006-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE POSICIONAMENTO FAVORÁVEL À RECORRENTE NA POSIÇÃO DA MINORIA.
Não deve ser conhecido recurso por maioria quando a posição veiculada pela minoria vencida do acórdão recorrido não é favorável à recorrente ou esta nela não se apoia na formulação da pretensão recursal.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE POSICIONAMENTO FAVORÁVEL À RECORRENTE NA POSIÇÃO DA MINORIA. Não deve ser conhecido recurso por maioria quando a posição veiculada pela minoria vencida do acórdão recorrido não é favorável à recorrente ou esta nela não se apoia na formulação da pretensão recursal. Recurso especial não conhecido.
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AUSENCIA DE POSICIONAMENTO FAVORÁVEL À RECORRENTE NA POSIÇÃO DA MINORIA. Não deve ser conhecido recurso por maioria quando a posição veiculada pela minoria vencida do acórdão recorrido não é favorável à recorrente ou esta nela não se apóia na formulação da pretensão recursal. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Creações Danello Ltda foi lavrado o auto de infração de fls. 01/06, objetivando a constituição de crédito decorrente da aplicação de multa por haver a contribuinte, estando em débito com a Seguridade Social, atribuído participação nos lucros a sócios, em alegada infração ao disposto no art. 52, Inciso II da Lei 8212/91. A Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20500.204, que se encontra às fls. 70/81 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração 01/07/1996 a 31/12/2005 Ementa: MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DAS AUTUAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal — MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. Processo anulado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, anulou o Auto de Infração, vencidos o Relator e Conselheiro Manoel Coelho Arruda, que votaram pelo provimento do recurso no mérito, e o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, que proferiu voto pela conversão do julgamento em diligência. Intimada pessoalmente do acórdão em 23/07/2008 (fls. 82) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 85/89, em que sustenta contrariedade à legislação em vigor na medida em que não haveria razão para ser declarada a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 203 79/2009 (fls. 92/95). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 99/103. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 36266.011903/200646 Acórdão n.º 920201.652 CSRFT2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O caso comporta peculiar análise quanto à admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, previa expressamente a interposição de recurso especial na hipótese de decisão não unanime que contrariasse a lei ou a evidência da prova. No entendimento deste relator, a necessidade de que a decisão contrária a Fazenda Nacional não seja unânime pressuõe, necessariamente, a existência nos autos de uma tese favorável à Recorrente que restou vencida no julgamento efetuado pela Câmara a quo. Fazse necessária, assim, a existência de posição divergente consagrada em voto vencido cuja aplicação ao caso fundamentasse o interesse de agir da Fazenda Nacional enquanto recorrente. Ocorre que esta não é a situação dos autos. De fato, nenhum dos votos vencidos ventilou entendimento que, caso prevalecesse sobre os demais, levaria a uma reversão do resultado do julgamento em favor da Fazenda Nacional. Vejamos. Os votos vencidos do Relator e do Conselheiro Manoel Coelho de Arruda reconheceram o pleito do contribuinte quiça em maior extensão que a maioria vencedora, dando provimento ao recurso no mérito e não apenas quanto à nulidade do auto de infração. Claramente nele não pode se amparar a Fazenda Nacional para demonstrar o interesse de agir relacionado ao recurso. Por outro lado, em relação ao voto divergente do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, que propugnava pela conversão do julgamento em diligência, a Fazenda não fez qualquer consideração no recurso especial, pelo que nele também não pode se apoiar por não ter demonstrado linha de raciocínio e razão de insurgência neste sentido. Logo não foram comprovados os pressupostos para o conhecimento do recurso, notadamente a existência de minoria vencida favorável à Fazenda Nacional. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10620.001093/2006-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002, 2003
EXIGÊNCIAS NÃO CONTESTADAS.
Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada (art. 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 PAF).
RECOLHIMENTOS PREVIAMENTE EFETUADOS PELO SUJEITO PASSIVO.
Devem ser abatidos dos valores exigidos em auto de infração, aqueles tempestiva e comprovadamente efetuados e declarados pelo sujeito passivo, antes do início da ação fiscal.
Numero da decisão: 1801-000.812
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em primeira instância.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 EXIGÊNCIAS NÃO CONTESTADAS. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada (art. 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 PAF). RECOLHIMENTOS PREVIAMENTE EFETUADOS PELO SUJEITO PASSIVO. Devem ser abatidos dos valores exigidos em auto de infração, aqueles tempestiva e comprovadamente efetuados e declarados pelo sujeito passivo, antes do início da ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Declarouse impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em primeira instância. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 490DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 469.739,32, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas nos anoscalendário 2002 e 2003, relativas a insuficiência de recolhimento de tributos e que ensejaram o arbitramento dos lucros (fls. 04/36). As irregularidades foram assim descritas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 35 e demonstrativos às fls. 36/43: O contribuinte apresentou em 07/04/2006 os Livros Registro de Entradas, Saídas e de Apuração de ICMS e Livro de Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, relativo ao período de 01/2002 a 12/2003 (doc. fls. 47 a 56). Apresentou também os balancetes mensais de apuração de PIS e COFINS em relação ao mesmo período anteriormente mencionado. Não apresentou os livros diário e razão, também solicitados. Em 23/08/06 apresentou documento no qual declara não ter os livros diário e razão, relativamente aos anos de 2002 e 2003 (doc. fl. 61). Além desses fatos, em 29/06/04 apresentou DIPJ's 03/04 zeradas (doc. fls. 62 .a 141). Após o inicio do procedimento fiscal, apresentou em 01/04/06, DIPJ retificadora (doc. fls. 142 a 188) , confirmando a tentativa de lesão aos cofres públicos. Diante dos fatos acima transcritos, procedemos ao arbitramento do lucro, considerando as planilhas apresentadas pelo contribuinte (doc. fls. 49 a 56), os valores constantes dos livros de ICMS e os valores das DIPJ's retificadoras, lançando os tributos devidos com as multas cabíveis, conforme planilhas anexas a este termo (doc. fls. 36 a 43). Cientificada das exigências por via postal, em 21/09/2006, conforme AR à fl. 190, apresentou a contribuinte impugnação em 25/09/2006 (fl. 192/) na qual solicita sejam considerados determinados pagamentos efetuados com DARF, conforme demonstrativos às fls. 193 a 196 e cópias dos DARFs às fls. 197 a 229. A 4a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG proferiu o Acórdão 0220.559 e julgou os lançamentos procedentes em parte (fls. 344/348). No julgamento foram exonerados os valores exigidos a título de PIS e COFINS de janeiro a novembro de 2002 pois a contribuinte os teria declarado como confissão de dívida em DCTF apresentada extemporaneamente, porém antes do início do procedimento fiscal. Fl. 491DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10620.001093/200640 Acórdão n.º 180100.812 S1TE01 Fl. 486 3 Foram mantidos integralmente os valores exigidos a título de IRPJ e de CSLL pois a contribuinte, optante pelo lucro real, não teria apresentado escrituração comercial e fiscal, nos termos da legislação em vigor, tendo sido declarado válido o arbitramento dos lucros. De acordo com aquela autoridade os valores pagos a título de IRPJ e de CSLL deveriam ser pleiteados em rito próprio de restituição/compensação. Notificada da decisão a empresa apresentou, em 19/02/2008 o recurso voluntário de fl. 351, no qual informa que “...no dia 22092006, recebeu desta Agência a CARTA COMUNICAÇÃO ARF / DTA / MG N° 009/2009, a qual encaminha cópia do Acórdão da DRJ BHE n° 0220.559...” e solicita sejam considerados os pagamentos efetuados no prazo conforme planilha e cópias de DARFs que anexa às fls. 353 a 371. Consta dos autos que os débitos teriam sido enviados para a Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (fls. 373 a 420), assim como um esclarecimento da pessoa jurídica (421) informando a respeito da indevida inscrição em dívida da União e de sua impossibilidade de formalização de DCOMPs para os pagamentos efetuados a título de IRPJ e de CSLL não considerados pela decisão de 1a. instância em virtude da prescrição. À fl. 477 encontrase quota da Procuradoria da Fazenda Nacional de Sete Lagoas/MG solicitando da Receita Federal manifestação conclusiva sobre a ocorrência ou não dos recolhimentos estampados nas guias DARF apresentadas pela defesa e se tais valores teriam sido alocados aos débitos lançados. À fl. 478 encontrase despacho do SECAT da DRF em Sete Lagoas/MG, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ, CSSL, PIS e COFINS, período de apuração 2002 e 2003 (fls. 04 a 32), lavrado em 18/06/2006 e com ciência do contribuinte em 21/09/2006, conforme Aviso de Recebimento de fl. 190. O contribuinte entrou com impugnação tempestiva em 25/09/2006 (fl. 192) e o processo foi encaminhado à DRJ/BHT/MG, com resultado através do Acórdão n° 0220.559, de 23/12/2008 (fls. 344 a 348). O contribuinte tomou ciência da decisão em 06/02/09 (AR de fl. 372) e em 19/02/2008, manifestouse contra a mesma, apresentando nova peça impugnatória (fl. 351) juntamente com as cópias dos comprovantes dos recolhimentos efetuados, de fls. 351 a 371. Tal fato não foi analisado; foi enviada cartacobrança ao contribuinte, com recebimento em 08/05/2009 (fl. 374), e, em 04/06/2009, o contribuinte efetuou novo pedido de revisão dos débitos (fls. 421 a 464). Em 15/06/2009, o processo foi enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional para Inscrição na Divida Ativa (DAU), efetuada na mesma data sob o número 60 2 09 00160702 (Termo e anexos de fls. 384 a 400). Em 15/07/2009, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (SACAT) da DRF/STL/MG, na análise do pedido de revisão dos débitos (naquela época já inscritos na Divida Ativa da União), verificou que os pagamentos efetuados pelo contribuinte estavam alocados aos débitos declarados em DCTF, estando, assim, indisponíveis. Propôs, pois, a manutenção da inscrição e prosseguimento da cobrança (fl. 470). Em 07/10/2010, a Procuradoria da Fazenda Nacional, em despacho de fl. 477, retornou o presente processo a DRF/STL/MG para manifestação da Receita Federal Fl. 492DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 frente aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte. Na análise dos autos, observouse que o requerimento apresentado pelo contribuinte, em 19/02/2008 (fl. 351), havia sido tempestivo, conforme o art. 33 do Decreto n º 70.235/72, abaixo transcrito: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Concluise que a inscrição em DAU foi indevida e que o processo deve seguir para julgamento em 2a. instancia. Proponho, pois, que o presente processo seja encaminhado à PFN/SETE LAGOAS/MG, para cancelamento da Inscrição em Divida Ativa da União, com posterior devolução à SACAT/DRF/STL/MG para encaminhamento ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As inscrições em Dívida Ativa foram canceladas e o processo remetido para julgamento neste CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Não é possível saber a data em que a empresa contribuinte foi notificada da decisão da DRJ em Belo Horizonte/MG. Não consta dos autos o AR da referida intimação. A empresa alega a tempestividade do Recurso, em que pese afirmar ter sido notificada da decisão em 22/09/2006, e ter apresentado o Recurso Voluntário em 19/02/2008, ou seja, passado mais de um ano da ciência. O despacho do SECAT da DRF em Sete Lagoas/MG, à fl. 478, também é confuso, pois afirma que a contribuinte teria tomado ciência da decisão em 06/02/09 (AR de fl. 372) e teria protocolizado o Recurso Voluntário em 19/02/2008, ou seja, um ano antes de ser cientificada. Assim, para que não haja mais prejuízos à defesa, considero tempestivo o Recurso Voluntário e dele tomo conhecimento. Mérito A recorrente não contesta o mérito da autuação e, nos termos do artigo 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 – PAF, “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Entretanto, como visto no relatório que precede o presente voto, a DRJ em Belo Horizonte/MG já havia exonerado a empresa recorrente dos lançamentos atinentes às Fl. 493DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10620.001093/200640 Acórdão n.º 180100.812 S1TE01 Fl. 487 5 contribuições ao PIS e a COFINS, em vista dos pagamentos comprovadamente efetuados e declarados em DCTF, antes do início do procedimento fiscal. Em que pese a exoneração taxativa, a unidade de origem enviou, indevidamente, carta de cobrança ao sujeito passivo e, posteriormente, todos os débitos lançados neste processo para inscrição em Dívida Ativa da União, inclusive os de PIS e COFINS. Os valores exigidos de PIS e COFINS são indevidos, como já havia sido decidido pela DRJ em Belo Horizonte. Portanto, diante da EXONERAÇÃO dos lançamentos de PIS e COFINS, nada mais deverá ser cobrado da contribuinte a esse título. Qualquer cobrança ou inscrição em dívida dos valores de PIS e COFINS constantes do presente processo devem sumariamente ser consideradas indevidas. No que toca ao IRPJ e a CSLL é fato inconteste que a empresa não possui escrituração nas formas das leis comerciais e fiscais. Nesse ponto não houve sequer impugnação por parte da empresa, como consignei anteriormente. Dessa forma, o arbitramento é devido, assim como os valores exigidos a título de IRPJ e de CSLL. Contudo, também é fato inconteste que a empresa declarou em DCTF valores devidos a título de IRPJ e de CSLL para todos os meses dos anoscalendário 2002 e 2003, assim como providenciou, TEMPESTIVAMENTE, os recolhimentos desses débitos, conforme comprovam os DARFs anexados às fls. 197 a 228, confirmados pelas pesquisas realizadas nos sistemas internos da Receita Federal, cujas telas foram inseridas às fls. 230 a 279 e solicitou que esses pagamentos também fossem abatidos dos montantes exigidos a título de IRPJ e de CSLL. Na decisão da DRJ em Belo Horizonte o relator do voto consignou que não poderiam ser abatidos os valores pleiteados e que a empresa deveria apresentar Declaração de Compensação/Restituição, nos termos do artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, para se aproveitar desses pagamentos em compensação com outros tributos ou para solicitar a restituição desses valores. Ocorre que, como bem lembrou a defesa, há prazo fatal estabelecido na mesma legislação citada pela autoridade da DRJ, para apresentação de pedidos ou declarações de compensação/restituição e quando a empresa recebeu a notificação da decisão da DRJ, esse prazo já havia se esgotado. Observese que a ação fiscal teve início em 22/03/2006, com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização às fls. 44/45 (ciência à fl. 46) quando a contribuinte já havia apresentado as DCTF (2004) e já havia providenciado os recolhimentos (2002). Naquele momento o agente fiscal já dispunha dessas informações. Portanto, a auditoria, sob esse aspecto, foi falha, pois o agente não tomou o cuidado de checar se a pessoa jurídica havia apresentado DCTF ou se havia recolhido algum valor a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2002 e 2003. A DRJ em Belo Horizonte/MG percebeu a falha e constatou a entrega pela contribuinte de DCTFs, de forma extemporânea, mas antes do início da ação fiscal. (fls. 329/342). Por essa razão os valores exigidos de PIS e de COFINS foram considerados indevidos. Todavia, as dificuldades operacionais dos sistemas internos da Receita Federal, somadas à inércia da administração não podem prejudicar o direito da contribuinte. Fl. 494DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Na época em que lavrou os autos de infração a auditoria já poderia ter orientado corretamente a empresa a apresentar pedido de restituição ou DCOMP para reaver ou utilizar em compensações os pagamentos efetuados a título de IRPJ e de CSLL, que passaram a ser indevidos em face dos valores exigidos nos moldes do arbitramento dos lucros nos anos calendário 2002 e 2003, pois ainda não haviam se passado os cinco anos a contar do primeiro recolhimento indevido. Portanto, os recolhimentos tempestiva e comprovadamente efetuados a título de IRPJ e de CSLL dos anoscalendário 2002 e 2003 e declarados em DCTF deverão ser utilizados em imputação de pagamento e alocados aos débitos de IRPJ e de CSLL exigidos nos respectivos autos de infração, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para determinar a alocação dos pagamentos de IRPJ e de CSLL ao crédito tributário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 495DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18050.008714/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA.
O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação.
MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA
Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Cabível a aplicação de juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso para excluir a multa de ofício.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Cabível a aplicação de juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Cabível a aplicação de juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa de ofício. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18050.008714/200800 Acórdão n.º 210201.700 S2C1T2 Fl. 157 2 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 16/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 140 a 141 da instância a quo, in verbis: A interessada contesta o imposto lançado sobre rendimentos que havia declarado como isentos por ser portadora de moléstia grave, recebidos em 2003, 2004, 2005 e 2006. Durante a fiscalização a interessada, intimada a comprovar a sua condição de portadora de moléstia que lhe daria direito à isenção, apresentara documentos para comprovar que recebia rendimentos de pensão pelo falecimento de seu cônjuge, o qual gozava de isenção por este motivo. Não apresentara, porém, laudo pericial oficial comprovando que ela própria tivesse direito a este benefício. A impugnante argumenta, em síntese, que o lançamento seria nulo por erro na identificação do sujeito passivo, já que o imposto deveria ser exigido da fonte pagadora, que deixara de efetuara retenção do tributo, obrigada como estava a efetuar a reclassificação dos rendimentos isentos do seu cônjuge para rendimentos tributáveis da pensionista. Afirma que ela própria em sua declaração não agira com máfé, pois apenas transcrevera os dados do seu comprovante de rendimentos. Não caberia, assim, a aplicação de multa e juros de mora sobre o imposto lançado, pois fora induzida a erro. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente de que a fonte pagadora é que seria a responsável pelo recolhimento do IR não tem fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 RENDIMENTOS. IMPOSTO NA FONTE NÃO RETIDO. Sujeitamse à tributação na declaração de ajuste anual os rendimentos tributáveis, ainda que não tenham sofrido retenção de imposto de renda na fonte. RENDIMENTOS OMITIDOS. RESPONSABILIDADE. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18050.008714/200800 Acórdão n.º 210201.700 S2C1T2 Fl. 158 3 A responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva e independe da intenção do agente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 145 a 149, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, insistindo que a fonte pagadora deveria ter reclassificado os rendimentos e ao não fazêlo induziu o contribuinte ao erro que jamais agiu de máfé. Requer que seja cancelado o lançamento ou que, pelo menos sejam cancelados a multa e juros aplicados. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A contribuinte atesta que se equivocou ao incluir rendimentos tributáveis como isentos em suas declarações do IRPF, alegando ter sido induzida por erro da fonte pagadora. Nesse caso, a legislação tributária estabelece que o ônus do pagamento do imposto recai sobre aquele que efetivamente percebeu o rendimento. Desta forma, não pode, portanto, prevalecer a tese do contribuinte de que a fonte deveria ser responsabilizada. Aliás, essa matéria não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações recursais. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Por outro lado, vejo que o contribuinte foi induzido a erro pela fonte pagadora, que fez constar no informe de rendimentos, como isentos, os valores relativos à pensão recebida. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18050.008714/200800 Acórdão n.º 210201.700 S2C1T2 Fl. 159 4 A respeito da questão, a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou através do Acórdão CSRF/010.217, produzindo a seguinte ementa: IRPF REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO DE OFÍCIO OU POR DECLARAÇÃO Desde que o contribuinte declarou os rendimentos, embora erroneamente, os considerasse intributáveis, não cabia considerar tais rendimentos como omitidos e inexata a declaração, efetuandose o conseqüente lançamento de ofício. A hipótese ensejava a retificação de erro, em simples revisão interna, procedendose ao lançamento por declaração. Assim, deve ser exigido do contribuinte tão somente o imposto e os encargos da mora aplicados em consequências pelo não recolhimento do tributo tempestivamente, cuja base legal para os juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração, dispensandoo do recolhimento da multa de oficio, considerando não ter ele agido de forma dolosa ou mesmo culposa na presente omissão, mesmo porque informou o rendimento, ainda que de forma equivocada. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, cancelando o lançamento da multa de ofício. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000272/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputase
não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha
sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o
pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito
fiscal omitido e que não configure matéria de ordem pública, restando, pois,
definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS.
A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em
agravantes, corrigir a falta e requerer a relevação durante o prazo para
impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência
Social.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos
geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração,
violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa
prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A
MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO
INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de
lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a
aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Quando no
mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração
relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo
período, devemos nos basear no art. 35A.
Assim, comparamos a multa de
75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas
dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao
contribuinte é aquela que deve prevalecer.
Numero da decisão: 2301-002.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja recalculada, caso seja mais benéfica, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei
8.212/1999. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para manter a aplicação da multa de ofício mais benéfica quando comparada à
penalidade do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das penalidades dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo
Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal omitido e que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes, corrigir a falta e requerer a relevação durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja recalculada, caso seja mais benéfica, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1999. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para manter a aplicação da multa de ofício mais benéfica quando comparada à penalidade do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das penalidades dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal omitido e que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes, corrigir a falta e requerer a relevação durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 694 2 dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja recalculada, caso seja mais benéfica, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1999. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para manter a aplicação da multa de ofício mais benéfica quando comparada à penalidade do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das penalidades dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA Presidente. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator. MAURO JOSÉ SILVA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 695 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/12/2007, em desfavor de TRC – CONSULTORIA & COBRANÇA S/C LTDA, sob o fundamento de que esta apresentou as GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social do período abarcado entre abril/2005 a dezembro/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, infringindo o art. 32, inciso IV e §5° da Lei n° 8.212/91, dispositivos acrescidos pela Lei n° 9.528/97, combinados com o art. 225, inciso IV e §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu art. 284, caput e inciso II, e em seu art. 373. No Relatório Fiscal de fls. 10/11, o AFRFB narra uma sucessão de fatos, dos quais os fatos geradores não declarados referemse ao pagamento de remunerações na forma de prêmios a segurados empregados e a contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada. Os aludidos prêmios foram pagos através dos cartões magnéticos Spirit Card, disponibilizados pela prestadora de serviços Spirit Marketing Promocional Ltda., que puderam ser utilizados para obtenção de produtos e serviços na Rede Conveniada. Ademais, tais valores foram extraídos da escrituração contábil da empresa, conta de resultado Custos dos Serviços Vendidos / Gratificação Spirit, e das notas fiscais ou faturas emitidas contra a empresa. Foram excluídos, outrossim, dos valores totais das notas fiscais de prestação de serviços, para efeitos da constituição da base de cálculo das contribuições previdenciárias, os honorários da contratada, calculados à base de 6% (seis por cento). Foram anexadas ao relatório fiscal, planilhas discriminando os segurados e as remunerações pagas ou creditadas, de acordo com as notas fiscais ou faturas emitidas pela Spirit e não declaradas nas GFIP. Constam nas referidas planilhas, inclusive, as contribuições que deveriam ter sido arrecadadas dos contribuintes individuais, cuja responsabilidade do recolhimento à RFB cabe à empresa, haja vista o disposto na Lei n° 10.666/03. Em seguida, foilhe aplicada multa com base nos dispositivos supramencionados, consoante se depreende do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 12/14), tendo o valor para tal aplicação sido calculado de acordo com o previsto no art. 102, da Lei 8.212/91, e atualizado pela Portaria MPS/GM n° 142, de 11/04/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação de fls. 662/665, tendo o acórdão de fls. 671/675 julgado procedente o lançamento e mantido o crédito tributário exigido, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2007 AI 37.135.9015 GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP com dados não Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 696 4 correspondentes aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social constitui infração à legislação previdenciária. PROCEDÊNCIA DA INFRAÇÃO. Estando estabelecida a materialidade da infração, e por conseqüência a sua procedência, não há que se falar em insubsistência do correspondente auto ou em improcedência da aplicação da penalidade. Lançamento Procedente Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 679/683, alegando, em síntese que, em virtude da Recorrente ter preenchido os requisitos do disposto no art. 291, §1°, do Regulamento da Previdência Social, esta faz jus a relevação da multa, haja vista que segundo a redação do referido dispositivo legal, a multa somente é relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta até a data da decisão da autoridade que julgar o auto de infração. Sem Contrarazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 697 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas O Auto de Infração em comento versa sobre a apresentação de GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, no período abarcado entre abril/2005 a dezembro/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, o que teria infringido o art. 32, inciso IV e §5° da Lei n° 8.212/91, dispositivos acrescidos pela Lei n° 9.528/97, combinados com o art. 225, inciso IV e §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu art. 284, caput e inciso II, e em seu art. 373. Nas razões recursais ora em apreço, a empresa sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, tendo em vista que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 698 6 de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Do pedido de relevação da multa Primeiramente, cumpre esclarecer que a multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação, em obediência ao disposto no art. 32, §5°, da Lei 8.212/91, acrescentados pela Lei n° 9.528/97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, art. 284, inciso II, com a redação dada pelo Decreto n. 4.729/03 e art. 373. No caso dos autos, verificase que o contribuinte guerreia pela relevação da referida multa. Contudo, a mesma não poderá ser relevada, tendo em vista não estarem presentes os requisitos do artigo 291, §1º do RPS, in verbis: Art. 291 – Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Neste diapasão, embora a Recorrente seja primária, não tenha incorrido em circunstâncias agravantes, a mesma não requereu a relevação da multa dentro do prazo destinado à defesa, bem como não comprovou a efetiva correção da falta cometida (retificações nas guias do FGTS e nas GFIP’s) até a presente data, não sendo cabível, portanto, a relevação da multa. Corroborando com o acima exposto, segue abaixo decisões prolatadas em sede de Recurso Voluntário acerca da questão, literris: Nº Recurso 243869 Número do Processo 12045.000074/200793 Órgão Julgador Quinta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes Contribuinte: ESC 90 TELECOMUNICAÇÕES LTDA Tipo do Recurso: Recurso Voluntário Dado Provimento Parcial Por Unanimidade Data da Sessão: 05/11/2008 Relator: Marco André Ramos Vieira Nº Acórdão: 20501317 Tributo / Matéria Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 20/06/2006 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 699 7 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de aplicação de penalidade pecuniária sempre se observa o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. PEDIDO NÃO REALIZADO NO PRAZO DE DEFESA. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessita dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; Sem ocorrência de circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que não houve o pedido de relevação dentro do prazo de defesa. Assim, fica demonstrada a necessidade de ser identificada de maneira correta cada etapa processual, para fins de definição dos direitos que assistem aos contribuintes. Caso não seja exercido no tempo correto há a preclusão do direito. A fase de recurso não se confunde com a de impugnação. Corroborando esse entendimento foi publicado o Parecer CJ/MPS n ° 3.194/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. *** Nº Recurso: 244947 Número do Processo: 11073.000207/200721 Órgão Julgador Sexta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes Contribuinte: HERMES IENERICH Tipo do Recurso: Recurso Voluntário Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão: 07/10/2008 Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Nº Acórdão: 20601373 Tributo / Matéria Decisão Por unanimidade de votos converteuse o julgamento do recurso em diligência. Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 14/08/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 50 LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de encaminhar mensalmente ao INSS todos os alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos, de acordo com critérios estabelecidos por referido Instituto, conforme preceitos contidos no dispositivo legal supra, c/c artigo 226, § 1º, do RPS. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO PARCIAL INFRAÇÃO. Com fulcro no artigo 291, § 1º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (redação original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 700 8 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, nos termos do artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso V, do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Deste modo, não pode ser acolhido o pedido da recorrente de relevação da multa. Da Aplicação de Penalidade Mais Benéfica Da aplicação de penalidade benéfica No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 35, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada, legalmente embasada no art. 32, § 5º da Lei 8.212/91. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 701 9 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 702 10 introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para determinar a aplicação da multa prevista no art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, caso esta seja mais benéfica à contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de agosto de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 703 11 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado: Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009 Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, seja aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de três situações: 1 lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta. 2 lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Fl. 11DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 704 12 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP: o art. 32A e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Para tanto, nossa análise percorre o seguinte caminho: primeiro verificamos a existência de diferença de contribuição constada no mesmo procedimento de ofício, depois determinamos a multa de ofício aplicável e, por último, na ausência de diferença de tributo, verificamos a multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Logo, apurada diferença de contribuição, a falta de apresentação da GFIP e a declaração inexata da GFIP, hipótese antes punidas pelos §§4º e 5º do art. 32 da Lei 8.212/981, são puníveis pela multa de 75% sobre a diferença do tributo, com base no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Por fim, se não foi apurada diferença de contribuição, hipótese antes punida pelo §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a MP 449 previu a aplicação da multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida em na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável às outras duas situações. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. 106: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 705 13 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de Fl. 13DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 706 14 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. No tocante às penalidades que se relacionam com a GFIP, o novo regime das infrações relativas às contribuições previdenciárias prevê que separemos duas situações: quando houver diferença de tributo e quando não houver tal diferença. Nas competências em que houver tal diferença, ou seja, quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Se o caso restringese a declaração inexata de GFIP, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Nas competências em que não houver tal diferença, ou seja, quando a multa for fundamentada no §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a comparação há de ser feita com o art. 32 A da Lei 8.212/91, prevalecendo a multa mais benéfica. Assim, votamos por dar provimento ao recurso para a aplicação da multa mais benéfica quando comparamos, no mesmo procedimento de ofício, a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 14DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 15563.000175/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. MOTIVAÇÃO.
Não sendo declinado com precisão no ato declaratório de exclusão o fundamento da exclusão, nem sendo possível aferi-lo com certeza, deve o ato ser anulado.
SIMPLES. APURAÇÃO. REGIME GERAL.
O auto de infração lavrado contra optante do Simples, com fundamento na legislação de apuração do lucro arbitrado deve ser anulado por vício no fundamento legal da autuação.
Numero da decisão: 1302-000.744
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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DE PRODUTOS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MOTIVAÇÃO. Não sendo declinado com precisão no ato declaratório de exclusão o fundamento da exclusão, nem sendo possível aferilo com certeza, deve o ato ser anulado. SIMPLES. APURAÇÃO. REGIME GERAL. O auto de infração lavrado contra optante do Simples, com fundamento na legislação de apuração do lucro arbitrado deve ser anulado por vício no fundamento legal da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.676 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.677 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 7ª Turma da DRJ/RJO1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade: 1) indeferir a solicitação da interessada, não reconhecendo o seu direito de permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. 2) julgar procedente o lançamento, permanecendo o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.226.542,09, a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 343.563,39, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 1.585.677,62 e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de 570.843,94, todos acrescidos de multa de 150% e demais acréscimos legais, de acordo com a legislação de regência. O julgado seguiu assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES A prática reiterada de infração à legislação tributária é motivo legal para a exclusão de ofício da pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES . Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.678 4 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. LEI Nº 105/2001. PREVISÃO LEGAL. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Aplicase a multa qualificada de 150% nas infrações em que ficar caracterizado o evidente intuito de fraude. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. É pessoalmente responsável pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, o sócio ou representante que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: PIS. COFINS. CSLL. Na ausência de argumentos diferenciados, aplicase ao lançamento decorrente aquilo que restou decidido em relação ao IRPJ. Mantido o lançamento principal igual sorte assiste aos lançamentos reflexos. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004, 2005 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 1 º de janeiro de 1995, serão acrescidos de juros de mora, equivalentes, a partir de 1 º de abril de 1995, à taxa referencial do SELIC para títulos federais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.679 5 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade observa os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação tributária. Solicitação Indeferida. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 1251/1281, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu/RJ, por meio dos quais estão sendo exigidos da interessada acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.226.542,09 (fls. 1251/1258), a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 343.563,39 (fls. 1259/1266), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 1.585.677,62 (fls. 1267/1274) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de 570.843,94 (fls. 1275/1281), todos acrescidos de multa de 150% e juros de mora calculados até 29/02/2008. O total do crédito tributário constituído perfaz o valor de R$ 10.661,926,86, conforme demonstrativo de fl. 05. Como parte integrante do auto de infração veio o Termo de Verificação de Infração, fls. 1243/1250, que se resume a seguir: o Fisco verificou do exame de documentos referentes a operações realizadas nos anoscalendário de 2004 e 2005, que o contribuinte promoveu atividades mercantis, que deram origem a fatos geradores de tributos, não calculados, não declarados e não recolhidos; a caracterização da matéria substantiva do lançamento e os demais elementos de prova estão a seguir descritos e apresentados: Breve histórico e cronologia dos fatos: o presente procedimento teve origem em atenção ao Oficio MPF/PRM/SJMG/GAB/APRR n° 133/06, do Ministério Público Federal, que requisitou instauração de ação fiscal para verificação do objeto de denúncia efetuada pela Receita Previdenciária (fls. 1242); quanto ao ano calendário de 2004 o contribuinte apresentou Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica PJSI 2005 SIMPLES (fls. 06 a 23), sem ser optante do SIMPLES, declarando Receita Bruta de R$ 24.200,62, porém com movimentação financeira de R$ 13.568,241,66; quanto ao ano calendário de 2005 o contribuinte apresentou DSPJ como INATIVA, (fl. 24) embora tenha tido movimentação financeira cm diversos bancos no valor de R$ 49.842.293,12; ao iniciarse a ação fiscal, constatouse, em diligências, que a empresa não mais se localizava no endereço constante dos cadastros da SRF, fato que acarretou a lavratura, em 22/08/2006, de Termo de Constatação Fiscal (fls. 25); Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.680 6 tendo em vista a inexistência da empresa no endereço informado a SRF, os sócios Anderson de Carvalho Cussate e Luís Limeira Leite foram intimados a apresentar os documentos constantes das respectivas intimações, via Correios com AR (fls. 26/29); face ao não atendimento as intimações acima, os sócios foram reintimados em 27/12/2006, via correio com AR, sendo que desta vez a intimação para o sócio Anderson de Carvalho Cussate (fls. 30 e 31) retomou com seguinte informação: "mudouse"; a intimação para o sócio Luís Limeira Leite foi recebida em 03/01/2007 (fls. 32 e 33); em 23/03/2007, o Sr. Wesley Gonçalves da Silva, na condição de sócio da fiscalizada, conforme segunda alteração contratual (fls. 46 a 49), respondeu à intimação datada de 20/09/2006, solicitando mais 30 dias de prazo para poder reunir todos os documentos (fls. 34 a 49); no entanto, decorrido o prazo pedido, não houve a apresentação de qualquer livro ou documento; examinandose o contrato social, fornecido pelo Sr. Wesley Gonçalves da Silva, verificase que a empresa e os sócios informaram os mesmos endereços constantes dos cadastros da SRF; apesar de todas as tentativas acima, no sentido de localizar a empresa e obter, de seus sócios de direito, conforme Contrato Social e suas Alterações, os livros e documentos necessários ao procedimento fiscal, tais documentos não foram fornecidos; com o intuito de se obter informações acerca da fiscalizada, em 10/04/2007, foram emitidas 14 Requisições de Movimentação Financeira RMF para diferentes bancos onde a fiscalizada manteve contas correntes; juntamente com os extratos da movimentação financeiras, documentos da empresa e dos sócios, todos os bancos enviaram cópias de procurações.(fls. 50 a 866); em 06/08/2007, o Sr. Arinaldo Alves Ferraz, CPF 581.419.87704, na condição de procurador da fiscalizada, com base em MPF extensivo (fls. 867), foi intimado através Termo n°. 158703/0850/2007 (fls. 868 a 870), a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais, tendo em vista que nas procurações enviadas pelos bancos Itaú (fls. 195 e 196, 216 e 217), Real (fls. 255 e 255/verso), Rural (fls. 403 a 405) e HSBC (fls. 697 a 700) destacase que o mesmo tem poderes para representar a fiscalizada perante qualquer órgão do Imposto de Renda; em 31/08/2007 foi feita nova solicitação ao Sr. Arinaldo Alves Ferraz, desta vez através do Termo de Reintimação Fiscal n°. 158703/1084/2007 (fls. 871 a 873); em resposta ao Termo acima citado, em 02/10/2007, o Sr. Arinaldo Alves Ferraz informou que os documentos solicitados encontravamse na posse dos sócios Gerson da Silva e Wesley Gonçalves da Silva e também que a empresa fiscalizada havia mudado de endereço (fls. 875 e 876); em 31/08/2007, os sócios Anderson de Carvalho Cussate (fls. 877 e 878) e Luís Limeira Leite (fls. 879 e 880) foram novamente, intimados a apresentar os livros fiscais e comerciais e demais documentação contábil; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.681 7 na mesma data foram, também, intimados os atuais sócios da fiscalizada, Gerson da Silva (fls. 881 e 882) e Wesley Gonçalves da Silva (fls. 883 e 884); dentre os quatro intimados apenas o Sr, Luís Limeira Leite recebeu a intimação, sendo as demais devolvidas pelo correio, pelos seguintes motivos: Anderson de Carvalho Cussate "número não existe" (fls. 877); Gerson da Silva – “mudouse” “desconhecido” (fl. 881) e Wesley Gonçalves da Silva "endereço insuficiente" – “faltou o apartamento” (fl.883); com base nos extratos bancários foram relacionados vários cheques de valores diferentes e solicitado às instituições financeiras cópias dos mesmos, através de ofícios (fls. 885, 920, 961 e 973); em atendimento aos ofícios citados, o HSBC, REAL, ITAÚ e RURAL forneceram cópias de cheques e autorizações para débitos em conta, sendo que todos os cheques (fls. 889 a 919, 925 a 960 e 977 a 982), como também as autorizações para débitos em conta (fls. 965 a 972) foram assinados pelo procurador da empresa, Arinaldo Alves Ferraz; em seguida, os extratos bancários foram planilhados e consolidados, resultando no demonstrativo denominado "Demonstrativo de Valores Creditados Extratos Bancários Analíticos" (fls. 993 a 1211); este demonstrativo relaciona os créditos efetivados nas contascorrente mantida por conta e ordem da empresa, já desconsideradas as transferências interbancárias, os créditos oriundos de resgate de aplicações financeiras e outros que não representariam efetivas receitas; em 08/11/2007 foram lavrados os Termos de Intimação Fiscal n°s 1587 03/1267/2007, 158703/1268/2007 e 158703/1269/2007, respectivamente para os sócios Gerson da Silva, Wecsley Gonçalves da Silva e para o procurador Sr. Arinaldo Alves Ferraz (fls. 983 a 992), nos quais se exigia comprovar,com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias, discriminados no "Demonstrativo de Valores Creditados Extratos Bancários Analíticos" (fls. 993 a 1211), do qual cada um recebeu cópia correspondente; nos mesmos termos os intimados foram alertados que a não manifestação implicaria no lançamento de oficio, a titulo de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do artigo 849 do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que coubessem; posteriormente, foram novamente intimados os sócios Wesley Gonçalves da Silva e Gerson da Silva e o procurador Sr. Arinaldo Alves Ferraz (fls. 1212 a 1221), para comprovarem com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias para o mês de setembro de 2005 (fls. 1222 a 1240), mês este, erroneamente não incluído no "Demonstrativo de Valores Creditados Extratos Bancários Analíticos" (fls. 993 a 1211); em virtude de restarem incomprovadas as origens dos depósitos bancários, permitiuse a presunção de omissão de receitas, nos períodos de apuração de JAN/2004 a DEZ/2005; Outros fatos relevantes. a) Quanto ao Procurador Arinaldo Alves Ferraz. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.682 8 em atendimento às RPMF juntamente com os extratos da movimentação financeira, documentos da empresa e dos sócios, todos os bancos enviaram copias de procurações, constando como outorgado o Sr. Arinaldo Alves Ferraz, com poderes amplos, especiais e ilimitados para gerir e administrar todos os negócios dos outorgantes, inclusive com poderes para representação perante a Receita Federal; desde sua constituição em 01/09/1998 até 01/11/2006, data da segunda alteração contratual, a sociedade teve 6 (seis) diferentes sócios, no entanto, o Sr. Arinaldo Alves Ferraz foi ao longo de todo esse período, seu único procurador com poderes amplos e ilimitados; através do exame da documentação fornecida pelas diversas instituições bancárias, se vê que todas as contas foram abertas e movimentadas pelo procurado, que prestava as informações cadastrais, assinava as fichas de aberturas de contas, assinava contratos de contas especiais, contratos de cobrança, assinava cheques, enfim, praticava todos os atos necessários para abertura, movimentação e encerramento de contas bancárias; como comprovantes de aberturas de contas forma juntados os seguintes documentos fornecidos pelos bancos a seguir relacionados: Itaú (fls. 189 a 217), Real (fls. 246 a 272), Rural (fls. 387 a 405), Bank Boston (fls. 625 a 660), HSBC (fls. 666 a 715), Unibanco (fls. 723 a 736); como comprovantes complementares foram juntadas cópias de cheques dos seguintes bancos: Itaú (fls. 889 a 919), Real (fls. 925 a 960), HSBC (fls. 977 a 982) e autorizações de débitos em conta do Banco Rural (fls. 965 a 972); b) Da Constituição da Sociedade e suas alterações. a sociedade foi constituída em 01/09/1998, sendo sócios Maurício Paulino Leite e Maria Antonia Ferreira de Assis, ambos residentes à Rua Dr. Silvio e Silva n° 48, Bairro 25 de Agosto, Município de Duque de CaxiasRJ, sendo o valor total do capital subscrito de R$180.000,00, sendo R$ 40.000,00 integralizados e R$ 140.000,00 a integralizar (fls. 37/40); em 11/06/1999, através de instrumento público (fls. 72), o Sr. Arinaldo Alves Ferraz, foi nomeado procurador com poderes amplos e ilimitados; em 22/04/2004, retiraramse da sociedade os sócios constituintes e são admitidos Anderson de Carvalho Cussate e Luís Limeira Leite (1ª alteração contratual – fls. 41/45); a sociedade foi transferida com o mesmo capital social, isto é, R$ 40.000,00 integralizados e R$ 140.000,00 a integralizar; importante observar que pela forma de aquisição fica evidente que embora decorridos quase 6 anos, não houve integralização do capital comprometido na constituição da sociedade; logo após a alteração contratual, em 11/05/2004, através de instrumento público (fl. 73), os novos sócios nomeiam o Sr, Arinaldo Alves Ferraz como procurador com poderes amplos e ilimitados; na segunda alteração contratual, em 01/11/2006, Anderson de Carvalho Cussate e Luís Limeira Leite, retiramse da sociedade, transferindo suas cotas, totalmente integralizadas, respectivamente para: Gerson da Silva e Wesley Gonçalves da Silva (fls. 46/49); Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.683 9 entre 22/04/2004 e 01/11/2006, o autuante destaca três fatos: a grande movimentação financeira nos anoscalendário de 2004 e 2005; a integralização total do capital social e a transferências de cotas foram feitas, por ambos os sócios, pelo preço de aquisição em abril de 2004, com o recebimento de uma parcela no ato da assinatura da alteração contratual e o restante em 20 (vinte) prestações fixas, sem acréscimo de qualquer espécie; c) Análise das declarações de IRPF dos sócios: Anderson de Carvalho Cussate. Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2005. analisando a declaração, verificase que o sócio declarou ter recebido durante o anocalendário de 2004, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 15.500,00 (quinze mil e quinhentos reais), não sendo declarado qualquer rendimento recebido de pessoa jurídica; em dezembro de 2003, Anderson não tinha nenhum bem ou direito declarado, e em dezembro de 2004, declarou ter adquirido cotas de capital da empresa fiscalizada no valor de 17.100,00; em maio de 2004, ao adquirir a empresa Riviera do Brasil, pagou R$ 4.000,00 em moeda corrente, na forma de sinal e parcelou o restante em 20 vezes fixas de R$ 1.700,00; mesmo tendo declarado não ter recebido quaisquer rendimentos de pessoa jurídica, a autuada, como já informado anteriormente, teve uma movimentação financeira no ano de 2004, no valor total de R$ 13.568.241,66; não foi declarou nenhum valor a titulo de Dividas e ônus Reais, apesar da obrigação assumida com Maurício Paulino Leite e com a empresa Riviera, conforme alteração contratual (fls. 41); Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2006 analisando a declaração verificase que Anderson de Carvalho Cussate, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2005, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 7.500,00, não sendo declarado qualquer rendimento recebido de pessoa jurídica. não houve alteração quanto à declaração de bens e direitos, o que evidencia o não pagamento de qualquer obrigação, seja para Maurício Paulino Leite ou para a autuada, a título de integralização do capital social; no ano de 2005, embora sócio da fiscalizada desde 22/04/2004, o contribuinte não declarou quaisquer rendimentos recebidos de pessoa jurídica, apesar da empresa ter tido uma movimentação financeira no ano de 2005, no valor total de R$ 49.842.293,12; não foi declarado nenhum valor a titulo de Dividas e Ônus Reais, apesar da obrigação assumida com Maurício Paulino Leite e com a empresa Riviera, conforme alteração contratual (fls. 41); Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.684 10 Luís Limeira Leite. Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2005. da analise da declaração verificase que Luís Limeira Leite, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2004, rendimentos de Pessoa Física e Pessoa Jurídica, no valor total de R$ 14.340,00 ; além de se declarar sócio da empresa Riviera do Brasil, o Sr. LUÍS também declarou ser sócio da empresa MADUPLAST COMERCIO DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 03.901.8/000181 de quem declarou ter recebido a titulo de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a quantia de R$ 1.040,00; em dezembro de 2003, Luís não tinha nenhum bem ou direito declarado, e em dezembro de 2004, declarou ter adquirido cotas de capital da empresa fiscalizada no valor de 9.000,00e cotas da empresa MADUPLAST, no valor de R$ 800,00; em maio de 2004, ao adquirir a empresa Riviera do Brasil, pagou R$ 2.000,00 em moeda corrente; não foi declarado nenhum valor a titulo de Dividas e Ônus Reais, apesar da obrigação assumida com a empresa Riviera, conforme alteração contratual (fls. 42); Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2006. da análise da declaração verificase que Luís Limeira Leite, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2005, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 11.500,00; no ano de 2005, LUÍS adquiriu cotas de mais uma empresa, VN 77 COMERCIO DEAVIAMENTOS LTDA, no valor de R$ 5.000,00; embora sócio de três empresas, o contribuinte não declarou quaisquer rendimentos recebidos de pessoa jurídica; não foi declarado nenhum valor a titulo de Dividas e Ônus Reais, apesar da obrigação assumida com a empresa Riviera, conforme alteração contratual (fls. 42); Arinaldo Alves Ferraz Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2005. da análise da declaração verificase que Arinaldo Alves Ferraz, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2004, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 36.000,00, não sendo declarado qualquer rendimento recebido de pessoa jurídica; em dezembro de 2003, Arinaldo declarou a posse de vários bens imóveis, várias linhas telefônicas e numerários no total de R$ 771.446,87 e em dezembro de 2004, para os mesmos bens, declarou valor total de R$ 790.846,87; o único bem que sofreu alteração foi o de item 15 (numerários do Brasil), que aumentou de R$ 101.900,00 para R$ 121.300,00; embora tenha exercido efetivamente os poderes de procurador da empresa autuada, o contribuinte não declarou qualquer rendimento recebido da pessoa jurídica em lide Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.685 11 Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2006. da análise da declaração verificase que Arinaldo Alves Ferraz, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2005, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 42.000,00, não sendo declarado qualquer rendimento recebido de pessoa jurídica; em dezembro de 2005, Arinaldo declarou para os mesmos bens declarados em 2004, o total de R$ 814.846,87; como no ano anterior, o único bem que sofreu alteração foi o de item 15 (numerários do Brasil), que aumentou de R$ 121.300,00 para R$ 145.300,00; como no ano de 2004, também em 2005, embora tenha exercido efetivamente os poderes de procurador da empresa autuada, o contribuinte não declarou qualquer rendimento recebido da pessoa jurídica em lide; Da legislação e do enquadramento legal o autuante enquadrou a infração nos artigos 27, inciso I e 42, ambos da Lei 9.430/96 e nos artigos 532 e 537 do RIR/99. Do arbitramento por terem sido frustradas todas as seguidas tentativas de obtenção dos livros obrigatórios ou dos documentos fiscais e comerciais que permitissem a reconstituição das operações mercantis perpetradas pela empresa, restou evidenciada a recusa na entrega ou a possível inexistência dos elementos contábeis e fiscais que amparariam sua opção de tributação, sendo assim necessário o arbitramento do lucro, com base no art. 47, inciso III, da Lei 8.981/9 e no art. 1° da Lei 9.430/96, regulamentada pelo inciso III, do art. 530 do RIR/99. Da metodologia. segundo o autuante foram estritamente obedecidos os pressupostos legais, em especial a desconsideração dos créditos decorrentes de transferências interbancárias, e demais estornos, conforme metodologia abaixo descrita, tudo de acordo com o art. 27, em seu inciso I, e 42 da Lei 9430/96 e, ainda: os extratos bancários apresentados foram planilhados dia a dia; foram excluídas as operações de débito, tais como, cheques emitidos, tarifas, pagamentos diversos, CPMF, compras, e outros; dos créditos resultantes foram desconsiderados os estornos de depósitos e os valores creditados em retomo de aplicações financeiras e outros que não representam receitas; após a desconsideração dos créditos que não constituem receitas foram elaborados os Demonstrativos de Valores Creditados Extratos Bancários Analítico (fls. 993 a 1211 e 1222 a 1240; os créditos relacionados nas planilhas acima, foram objetos de Termos de Intimação, enviados aos sócios Gerson da Silva e Wesley Gonçalves da Silva e o procurador Sr. Arinaldo Alves Ferraz (fls. 983 a 992 e 1212 a 1221); Das Bases de cálculo Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.686 12 as bases de cálculo para apuração do lucro arbitrado por trimestre, estão evidenciadas na planilha denominada Demonstrativo Sintético de Valores Creditados Créditos em Conta de Deposito ou de Investimento com Origens não Comprovadas, (fls. 1241); o contribuinte não apresentou as DCTF relativas ao período autuado. Em conseqüência dos fatos apurados restou configurada a prática reiterada de infrações à legislação tributária, sendo o contribuinte excluído do SIMPLES, através do Ato Declaratório nº21, de 30 de junho de 2.008 (fl. 1293). Conforme relatado à fl. 1289, tendo em vista a ciência dos auto de infração de fls. 1251/1281, em 09/06/08, 11/06/2.008 e 06/06/2008 (fls.1283, 1285 e 1287, respectivamente aos sócios e ao procurador) e a exclusão do SIMPLES em 30/06/2008, o prazo para impugnação dos autos de infração foi reaberto, sendo também aberto o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade quanto à exclusão do SIMPLES. Inconformada com a exclusão do SIMPLES e com a autuação, a empresa apresentou, em 04/08/2008: manifestação de inconformidade quanto à exclusão do SIMPLES, às fls. 1298/1303, instruída com os documentos de fls. 1304/1332; impugnação ao lançamento de fls. 1351/1372, instruída com os documentos de fls. 1373/1404. O procurador da empresa, Arinaldo Alves Ferraz, também apresentou a impugnação de fls. 1411/1416, instruída com os documentos de fls. 1417/1445. A seguir o seu resumo. Da manifestação de inconformidade quanto à exclusão do SIMPLES Resumidamente a empresa alega que: não teve acesso ao processo original prejudicando o contraditório e a ampla defesa, uma vez que requereu cópia do processo, em 18/07/2008, sendo marcado prazo para entrega das mesmas somente em 18/08/2008, ou seja, após o prazo final para apresentação da impugnação – 05/08/2008; por tal razão requer que seja reaberto novo prazo para impugnação, por mais 30 dias, após o dia 18/08/2008, fazendo referência aos artigos 37 e 5º, inciso LV da Constituição Federal de 1.988; no mérito sustenta que a empresa foi excluída do SIMPLES com fundamento nos artigos 14 e 15 da Lei 9317/96, mas que seu direito de defesa foi preterido, posto o artigo 14 possuir sete hipóteses de exclusão sem que fosse especificado em qual delas o contribuinte incorreu, carecendo a exclusão de motivação; além disso entende que a empresa não tem como saber se haverá pagamento de diferença de imposto, uma vez que no artigo 15 existem 06 incisos e 05 parágrafos que disciplinam a forma de pagamento para cada inciso do artigo 13 e 14 de exclusão; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.687 13 o motivo da exclusão deve constar especificamente do ADE, para possibilitar que o contribuinte desenvolva sua defesa sob pena de sua não observância dar causa a violação do princípio do contraditório, da ampla defesa e da legalidade, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto 70235/72; no ADE não restou capitulado taxativamente a atividade vedada ao optante pelo regime de tributação pelo SIMPLES, fato que viola os princípios da legalidade, da ampla defesa e da motivação prévia ao ato administrativo, nos termos de parte do artigo 50, parágrafo primeiro da Lei de Processo Administrativo Tributário 9784/99, que transcreve; por tais razões postula a nulidade “ab initio” do processo por ausência de indicação quanto à atividade vedada motivadora da exclusão no ADE; cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes para alegar que somente se vier a ser confirmada a exclusão da empresa do SIMPLES em decisão administrativa definitiva, é que poderia ser autuada quanto aos tributos devidos; no seu pedido final requer: 1 Abertura do prazo tratado como preliminar, para que a impugnante exerça o principio constitucional do contraditório e da ampla defesa; 2 — Anulação “ab initio” do ADE de Exclusão por erro insanável na forma e 3 Suspensão do processo n° 15563.000175/200884, até o julgamento de sua manifestação de inconformidade quanto à exclusão. Da impugnação ao lançamento. Em resumo a empresa alega que: reitera ao seu pedido de reabertura de prazo para impugnação, por mais 30 dias, após o dia 18/08/2008, data prevista para entrega das cópias solicitadas em 18/07/2008 (fl. 1377); para o auditor enviar as 14 RMFs para os bancos onde a fiscalizada manteve contas correntes as RMFs, ele teve acesso a documentação da empresa, portanto não cabe a alegação que não houve exame dos livros fiscais, descabendo a presunção de omissão de receitas, com fundamento no artigo 849 do RIR/1999; é de fácil verificação pelos extratos bancários que a empresa comercializava cheques, duplicatas através de empréstimos, agindo como uma empresa de factoring de fato; resta provado que a empresa não possuiu receitas provenientes de movimentação bancaria, mas sim de fomento mercantil; por ser uma empresa de fomento mercantil impugna a listagem anexada ao auto de infração créditos em conta de depósitos ou de investimento com origem não comprovado (fl. 1241); ressalta ainda, em função de não ter obtido as cópias requeridas cópias do processo em tempo hábil, conforme pedido de fl. 1377, que restou preterida a ampla defesa, pois não foi possível checar o valor lançado no auto de infração com toda a movimentação da empresa nos bancos (REAL, HSBC, ITAU, CÉDULA, RURAL e BANCO DO BRASIL); quanto ao sigilo bancário sustenta que de acordo com o artigo 6° da Lei Complementar 105/2001, que as autoridades e os agentes fiscais tributários, só poderão, examinar livros, documentos e registros de instituições financeiras, Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.688 14 inclusive contas de depósitos e aplicações financeiras, se tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, o que não se observa no presente lançamento; se a Lei Complementar n° 105/01, dispõe expressamente que o sigilo bancário somente poderá ser quebrado se tais exames forem considerados indispensáveis, então, para que haja um juízo de valor do que a autoridade administrativa entende como indispensáveis tais argumentos deveriam estar perfeitamente descritos no auto, como motivação para o ato, o que não se observa na presente autuação, restando o auto do vicio de ilicitude e conseqüentemente de nulidade; o discricionarismo da administração não vai a ponto de encobrir arbitrariedade, capricho, máfé ou imoralidade administrativa; a utilização desproporcional do poder constitui forma abusiva do uso do poder estatal, não toleradas no direito e nulificadoras dos atos que as encerram; o representante da administração publica, por não estar cumprindo com legalidade o ato praticado, descumpriu principio constitucional, quando teve acesso a dados bancários sigilosos da empresa, como, procuração e extratos bancários, restando o lançamento inquinado pela nulidade; por tais razões impugna todo o levantamento tributário, e quaisquer conseqüências do mesmo sobre os sócios e funcionários procuradores, pois foi baseado em ato ilícito, portanto nulo; sustenta que o titular da procuração para representação em órgãos públicos e bancos foi considerado coresponsável pelo crédito tributário, mas que o autuante não descreveu a razão de tal imputação, ficando sem condições de apreciar o mérito da questão, restando preterido o seu direito ao contraditório e à ampla defesa; em relação à coresponsabilidade, como não há uma tipificação, não há que se falar em defesa, pois estaria trabalhando com suposições e isso não existe no direito tributário; como o ato administrativo para ser válido tem que estar motivado todo o item 02 da autuação deve ser anulado, pois não há uma conclusão, deixando o impugnante sem condições de exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa; de acordo com o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, compete às Delegacias de Julgamento julgar processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, faltandolhe competência para manifestarse quanto à matéria relativa à responsabilidade solidária, matéria afeta a quem é responsável por uma possível execução posterior dos valores discutidos nos autos; por ausência de motivação da coresponsabilidade o ato do lançamento da coresponsabilidade do crédito tributário deve ser anulado, pois quebrou os princípios constitucionais, da reserva legal, da legalidade, da motivação e da publicidade, e, em conseqüência e como norma de justiça, do contraditório e da ampla defesa; a coresponsabilidade está disposta no artigo 135 inciso III do CTN, e para ocorrer a responsabilidade dos terceiros enumerados no artigo e especificamente no inciso, é imprescindível que o ato cometido seja com excesso de poderes ou com infração de Lei, contrato social ou estatutos tratandose, portanto, de Fl. 14DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.689 15 responsabilidade subjetiva, mas o auto de infração não discriminou o que motivou a coresponsabilidade; traz jurisprudência aos autos para postular que “ a responsabilidade do gerente ou diretor de pessoa jurídica de direito privado, pelo não pagamento de tributo no prazo estipulado, decorre da atuação dolosa que deve ser cabalmente provada”; entende que todo e qualquer juízo advindo do artigo 135, III, deve ser interpretado em harmonia com o art. 112; cita jurisprudência para sustentar que “o CTN não alberga a responsabilidade objetiva, impondose seja interpretado em harmonia com o artigo 112 e seus incisos”; no ano de 2004, a empresa foi tributada de fato pelo SIMPLES, pois, mesmo não tendo apresentado pedido de opção de Declaração no SIMPLES, efetuou os pagamentos durante o ano no código 6106SIMPLES; estando sob a égide da legislação do SIMPLES não estava obrigada à escrituração contábil; quanto ao levantamento efetuado que o fiscal não excluiu as seguintes operações: transferências entre contasTED, entradas de cheques devolvidos, entradas de liberação de duplicatas em cobrança, entradas de empréstimos, entradas de cheques prédatados, estornos, entradas SPB (um tipo de empréstimo) e empréstimos consignados; reitera o seu pedido de anulação do Ato Declaratório de Exclusão por falta de motivação e fundamentação legal; com base em jurisprudência do Conselho de Contribuintes requer que a discussão sobre o auto de infração seja adiada até a decisão da manifestação de inconformidade quanto à sua exclusão; cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes para requerer autorização de oficio para retificação da Declaração de Inativa referente ao ano de 2005, por erro material; quanto ao arbitramento sustenta que por ser optante pelo SIMPLES estava desobrigada da utilização dos livros diário, razão e balancetes, não podendo prosperar o arbitramento; mais uma vez destaca que não teve acesso os autos, ficando assim sua defesa obstaculizada; sustenta que os artigos 532 e 537 do RIR/1999 não se aplicam às empresas optantes pelo lucro presumido; verificou toda a movimentação da empresa no ano de 2.004, mas não encontrou o valor indicado na planilha anexa ao auto de infração; pela falta de entrega da documentação requerida em 18/07/2008 restou prejudicada a compreensão da base de cálculo utilizada para fins de apuração dos tributos lançados, devendo assim ser anulada a autuação; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.690 16 quanto à multa de 150% sustenta que o dolo não foi comprovado, devendo ser a mesma afastada em definitivo; a multa de 150% foi aplicada incorretamente, sendo devida em lugar desta a multa de 50% (multa isolada), conforme dispõe o artigo 44, II, da Lei 9430/96; ilegalidade e inconstitucionalidade dos juros SELIC; no seu pedido final requer: I Acatamento da Preliminar de suspensão do credito tributário, por ilegalidade, por não contemplar, no todo, as condições da impugnante do contraditório e da ampla defesa.; II Reabertura de prazo para impugnação, para mais 30 dias , após a retirada da copia do processo na Delegacia da Receita Federal de Duque de Caxias; III Anulação do ADE de Exclusão da empresa no SIMPLES e suspensão do processo 15563.000175/200884, até o julgamento da impugnação do ADE de Exclusão; IV Impugnação da forma do lançamento da receita por presunção de omissão, e acatamento da forma de fato da atividade de fomento mercantil, e suspensão do processo até o julgamento do ADE e do levantamento da base de calculo pela impugnante. V Impugnação do enquadramento legal para a presunção de omissão de receitas e da apuração do lucro arbitrado, PIS e COFINS, uma vez que a empresa era tributada na sistemática do SIMPLES; VI Impugnação da metodologia aplicada ao levantamento da receita e da forma de apuração, anulando o credito tributário lançado; VII Acatamento da quebra do sigilo bancário e anulação do ato administrativo do lançamento; VIII Impugnação da caracterização da coresponsabilidade do procurador, por estar eivado de erro insanável o relato do auditor e por não ser de competência das delegacias em processo administrativo e sim em fase de execução fiscal. IX Impugnação / alteração do calculo da multa, por erro, de 150% para 50%, de acordo com a capitulação levada aos autos que foi o artigo 44 inciso II da Lei 9430/96. X Afastamento da presunção de fraude, com multa de 150% por não restar demonstrado nos autos quaisquer pronunciamento nesse sentido, não restando a impugnante o direito ao contraditório e ampla defesa; XI Inconstitucionalidade da utilização da Taxa SELIC para atualização de tributos e pedido impossível, para atualização dos tributos com juros compensatórios pois não há que se falar em lucros cessantes em matéria tributaria. Da impugnação da coresponsabilidade pelo procurador. Em síntese repisa os argumentos já expendidos, quais sejam: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.691 17 o autuante não descreveu a razão de ter considerado o procurador co responsável, ficando assim o mesmo sem condições de apreciar o mérito da questão, restando preterido o seu direito ao contraditório e à ampla defesa; como não houve tipificação legal quanto à coresponsabilidade, não há que se falar em defesa, pois tal se daria no campo das suposições, o que não condiz com o direito tributário; como o ato administrativo para ser válido tem que estar motivado, todo o item 02 da autuação deve ser anulado, pois não há uma conclusão, deixando o impugnante sem condições de exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa; de acordo com o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, compete às Delegacias de Julgamento julgar processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, faltandolhe competência para manifestarse quanto à matéria relativa à responsabilidade solidária, matéria afeta a quem é responsável por uma possível execução posterior dos valores discutidos nos autos; por ausência de motivação da coresponsabilidade o ato do lançamento da coresponsabilidade do crédito tributário deve ser anulado, pois quebrou os princípios constitucionais, a reserva legal, da legalidade, da motivação e da publicidade em conseqüência e como norma de justiça, do contraditório e da ampla defesa; a coresponsabilidade está disposta no artigo 135 inciso III do CTN, e para ocorrer a responsabilidade dos terceiros enumerados no artigo e especificamente no inciso, é imprescindível que o ato cometido seja com excesso de poderes ou com infração de Lei, contrato social ou estatutos tratandose, portanto, de responsabilidade subjetiva, mas o auto de infração não discriminou o que motivou a coresponsabilidade; traz jurisprudência aos autos para postular que “ a responsabilidade do gerente ou diretor de pessoa jurídica de direito privado, pelo não pagamento de tributo no prazo estipulado, decorre da atuação dolosa que deve ser cabalmente provada”; entende que todo e qualquer juízo advindo do artigo 135, III, deve ser interpretado em harmonia com o art. 112; cita jurisprudência para sustentar que “o CTN não alberga a responsabilidade objetiva, impondose seja interpretado em harmonia com o artigo 112 e seus incisos”; A recorrente, na peça recursal de fls. 1531/1536, em que se defende da exclusão do Simples, alegou, em síntese, que: o embasamento legal do ADE nº 21, de 30/06/2008, para exclusão foi o art. 14 e por conseqüência penalidade do art. 15 da Lei nº 9.317/96. Existem sete hipóteses de exclusão no art. 14. Pergunta em qual delas foi enquadrada a empresa. Aduz que se não há como saber qual o inciso que determinou a exclusão, também não é possível saber se haverá diferença de imposto, em virtude da imprecisão na data de exclusão, pois o art. 15 ostenta 6 Fl. 17DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.692 18 incisos e 5 parágrafos que disciplinam a forma de pagamento para cada inciso do art. 13 e 14 que versam sobre exclusão. a falta com o dever de definir o motivo da exclusão fere o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, bem como o direito ao contraditório e à ampla defesa. aduz, ainda, que a falta de motivação fere o princípio da legalidade e o princípio da motivação prévia ao ato administrativo (art. 50 da Lei nº 9.784/99), devendo ser anulado; requer a suspensão da discussão relativa ao auto de infração enquanto não for decidida a matéria relativa à exclusão, bem como a reabertura do prazo para defesa, tendo em vista que o mandado de segurança nº 2008.51.10.0047527, interposto para que tivesse acesso aos autos ainda não foi julgado pela 4ª Vara Federal de São João do Meriti. Na peça recursal de fls. 1596/1615, em que se defende do auto de infração, alega, em síntese, que: a fiscalização não excluiu transferências entre contas, cheques devolvidos, liberação de duplicatas em cobrança, empréstimos, cheques prédatados, estornos, entradas SPB e empréstimos consignados; como a autoridade a excluiu do Simples com base na lei nº 9.317/96, não poderia ter utilizado a base legal para omissão de receitas do art. 42 e 27, I, da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.693 19 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Os recurso da recorrente e de Arinaldo Alves Ferraz são tempestivos, e portanto, deles conheço. Em alegação preliminar argúi a recorrente que foi excluída do Simples por meio do ADE nº 21, de 30/06/2008, que para excluílo do regime se baseou no art. 14, e por conseqüência, na penalidade do art. 15 da Lei nº 9.317/96. Segundo afirma, existem sete hipóteses de exclusão no art. 14. Pergunta em qual delas foi enquadrada. Aduz que se não há como saber qual o inciso que determinou a exclusão, também não é possível saber se haverá diferença de imposto, em virtude da imprecisão na data de exclusão, pois o art. 15 ostenta 6 incisos e 5 parágrafos que disciplinam a forma de pagamento para cada inciso do art. 13 e 14 que versam sobre exclusão. Analisando o referido ato administrativo, verifico que a alegação procede. De fato, no inciso IV do art. 1º do ADE é dito que fica assim, caracterizado (sic) infração, a (sic) legislação de regência e vigente, artigos 14 e 15 da Lei nº 9.317/96. Vejamos seus art. 1º e 2º, que tratam da matéria controversa: Há razão na assertiva da recorrente quando afirma que o art. 14 possui sete diferentes hipóteses que motivam a exclusão. Assim também quando menciona que o art. 15 leva a mais hipóteses, posto que trata também dos efeitos da exclusão do art. 13 e do art. 9º. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.694 20 Todavia, sendo que a infração que motiva a exclusão produz efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência dos fatos mencionados, e sendo este mês o primeiro mês fiscalizado, janeiro de 2004, a análise se restringe ao inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317/96, in verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. E tal remissão feita pelo dispositivo nos leva aos incisos II a VII do art. 14, abaixo reproduzidos: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); III resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domícilio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades da pessoa jurídica ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; V prática reiterada de infração à legislação tributária; VI comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva. Da análise dos incisos com o procedimento fiscal, verifico serem, em tese, inicialmente aptas ao enquadramento apenas as hipóteses de embaraço à fiscalização, a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas. Mas a autoridade administrativa sequer lavrou termo de embaraço à fiscalização, de forma a caracterizála. Também, embora tenha responsabilizado o procurador Arinaldo Alves Ferraz, não avançou nas investigações a ponto de concluir pela interposição de pessoa, chegando, tão somente, à coresponsabilidade. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.695 21 Além disso, embora os ilícitos apontados sejam graves, a autoridade em nenhum momento menciona a existência de crimes contra a ordem tributária, nem se tem notícia de decisão definitiva acerca deles. O acórdão recorrido conclui pela prática reiterada de infração à legislação tributária. Vejamolo: Das informações constantes do Ato Declaratório, que no ano de 2004 a empresa teve uma receita bruta em muito excedente ao limite permitido para as empresas optantes pelo SIMPLES. Quanto ao ano de 2.005 a empresa além de exceder os limites de receita bruta previstos na legislação declarouse ainda inativa, claramente omitindo a receita percebida no período. Além de ter excedido os limites de receita bruta anuais, a empresa em 2.004 e 2.005 não fez constar na Declaração Simplificada 2005, ano base 2.004 (fls. 06/23) e na Declaração Simplificada de pessoa Jurídica Inativa 2006, ano base 2005 (fl.24), os rendimentos omitidos referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada, ficando caracterizada a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme disposto no artigo 14, inciso V da Lei 9.317/1996. Uma vez caracterizada a prática reiterada à legislação tributária, a exclusão surte efeito a partir do mês da ocorrência da situação excludente, em conformidade com o artigo 15, V, da Lei 9.317/1996. Então, o artigo 1º do Ato Declaratório de Exclusão nº 21, de 30/06/2008 (fl. 1293), a seguir, foi corretamente aplicado: “Art. 2° Esta exclusão surtirá efeito a partir, inclusive, do mês de ocorrência dos fatos mencionados, isto é, 01/01/2004;” Todavia, o fato relevante mencionado no ADE é o divórcio entre os valores de movimentação financeira da recorrente e os valores por ela declarados. E tal situação é meramente indiciária de infração, merecendo apuração para que esta se caracterize e seja formalizada em auto de infração, o que somente vem a ocorrer ao final do procedimento. Mas, no procedimento, o ADE – de forma incorreta, frisese – acaba sendo cronologicamente posterior ao encerramento da ação fiscal (a ciência do termo de encerramento é de 09/06/2008 e 11/06/2008 e a ciência do ADE é de 30/06/2008). Tal fato mereceu a lavratura do Termo de intimação Fiscal de 03/07/2008, para ratificar os autos de infração e notificar o ato declaratório de exclusão do simples, fazendoos contemporâneos. Por outras palavras, caso o ADE tivesse efetuado o confronto das receitas omitidas com as declaradas ao invés de confrontar a movimentação financeira com as receitas declaradas, talvez estivéssemos diante de uma infração à legislação tributária. Mas não foi o que se viu. Assim, caso tivesse sido esta a motivação da autoridade administrativa para a exclusão, estaríamos diante de um problema de incongruência entre o motivo legal e o motivo do ato. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.696 22 Neste sentido, sirvome da lição de Celso Antônio Bandeira de Mello1, para quem Cumpre distinguir motivo do ato de motivo legal. Enquanto este último é a previsão abstrata de uma situação fática, empírica, o motivo do ato é a própria situação material, empírica, que efetivamente serviu de suporte real e objetivo para a prática do ato. É evidente que o ato será viciado toda vez que o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal. Além disso, caso o motivo da exclusão fosse a prática reiterada de infração à legislação tributária os dispositivos da legislação violados deveriam ser declinados, de forma a garantir o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório. Mas, vejase que continuamos num juízo de probabilidade, porquanto, mesmo após esta análise não é possível afirmarse com certeza qual o motivo legal que inspirou a autoridade administrativa a lavrar o ADE de exclusão. Desta forma, o ADE nº21/2008 possui vício insanável, seja quanto ao motivo legal, porquanto, não declinado e insusceptível de ser aferido com certeza, seja quanto ao motivo do ato, caso a motivação seja a prática reiterada de infração à legislação tributária, porque não demonstrada cabalmente. Pois bem. Analisando os efeitos de tal decisão, verificase que como decorrência da anulação do ato de exclusão do Simples, devem também ser cancelados os autos de infração, porque foram apurados na sistemática do lucro arbitrado, incompatível com a manutenção da recorrente no regime do Simples. Demais disso, ressalto que a cronologia do procedimento está viciada. Os lançamentos dos anoscalendário de 2004 e 2005 são feitos pelo critério do lucro arbitrado. Todavia, para tanto, deveria o contribuinte – optante do Simples ter sido primeiramente intimado da exclusão, e assim, ser notificado a apresentar contabilidade escrita nos termos do regime geral de apuração, e não mais sob o pálio do regime simplificado. Assim deveriase iniciar a apuração. Isto não ocorreu, tendo, inclusive, a exclusão somente ocorrido após o final do procedimento momento em que o contribuinte já havia sido autuado sob o regime do lucro arbitrado, o que mereceu, como já mencionado, a lavratura de um termo de reratificação (fls. 1289/1291), para tornar o auto de infração contemporâneo ao ato de exclusão. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o ADE nº 21, de 30 de junho de 2008 e os autos de infração lavrados. Sala das Sessões, 19 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator 1 Celso Antônio Bandeira de Mello, Curso de Direito Administrativo, 28ªed., Malheiros, São Paulo, p.398. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.697 23 Fl. 23DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10882.002151/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTOS. OMISSÃO DO ACORDÃO EMBARGADO QUANTO À QUESTÃO DA EMPRESA OFFSHORE.
ESCLARECIMENTO PARA EXPUNGIR OMISSÃO.
A mera menção inadvertida ou acidental no resumo do relatório no intróito do voto, antes da fundamentação da multa qualificada, de uma razão não deduzida pela contribuinte, no seu rol de razões, contra a exasperação da multa, configurou mero alto falho de citação, sem consequência alguma, pois tal fato (empresa offshore), por não constar da acusação fiscal, não foi
utilizado como fundamento para manutenção da multa qualificada.
As alegações de violação ao duplo grau de jurisdição, ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, ademais, são totalmente infundadas, fora de propósito, sem fundamento fático-jurídico, uma vez que, na fundamentação do voto condutor, a manutenção da qualificação da multa decorreu tão somente dos fatos constantes da acusação fiscal.
Numero da decisão: 1802-001.024
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER
os embargos nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTOS. OMISSÃO DO ACORDÃO EMBARGADO QUANTO À QUESTÃO DA EMPRESA OFFSHORE. ESCLARECIMENTO PARA EXPUNGIR OMISSÃO. A mera menção inadvertida ou acidental no resumo do relatório no intróito do voto, antes da fundamentação da multa qualificada, de uma razão não deduzida pela contribuinte, no seu rol de razões, contra a exasperação da multa, configurou mero alto falho de citação, sem consequência alguma, pois tal fato (empresa offshore), por não constar da acusação fiscal, não foi utilizado como fundamento para manutenção da multa qualificada. As alegações de violação ao duplo grau de jurisdição, ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, ademais, são totalmente infundadas, fora de propósito, sem fundamento fático-jurídico, uma vez que, na fundamentação do voto condutor, a manutenção da qualificação da multa decorreu tão somente dos fatos constantes da acusação fiscal.
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MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTOS. OMISSÃO DO ACORDÃO EMBARGADO QUANTO À QUESTÃO DA EMPRESA OFFSHORE. ESCLARECIMENTO PARA EXPUNGIR OMISSÃO. A mera menção inadvertida ou acidental no resumo do relatório no intróito do voto, antes da fundamentação da multa qualificada, de uma razão não deduzida pela contribuinte, no seu rol de razões, contra a exasperação da multa, configurou mero alto falho de citação, sem consequência alguma, pois tal fato (empresa offshore), por não constar da acusação fiscal, não foi utilizado como fundamento para manutenção da multa qualificada. As alegações de violação ao duplo grau de jurisdição, ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, ademais, são totalmente infundadas, fora de propósito, sem fundamento fáticojurídico, uma vez que, na fundamentação do voto condutor, a manutenção da qualificação da multa decorreu tãosomente dos fatos constantes da acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos nos termos do voto do Relator. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório A contribuinte, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 1802000.835, de 29/03/2011, opôs os Embargos de Declaração de fls. 941/946 com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº. 256/2009. O Acórdão embargado tem a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Configura omissão de receita, por presunção legal, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO AOS DADOS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DAS CONTAS CORRENTES. TRANSFERÊNCIA DIRETA DE DADOS AO FISCO. DESNECESSIDADE DE ORDEM JUDICIAL. As autoridades fiscais somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo tributário instaurado ou procedimento fiscal em curso contra o contribuinte e os dados de movimentação financeira bancária sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, cujo acesso será mediante Requisição de Movimentação Financeira dirigida ao dirigente da instituição financeira, na forma da legislação de regência. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 2 3 O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. FRAUDE. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Restando comprovada o dolo de fraude contra o fisco pela falta reiterada de escrituração contábil e fiscal da movimentação financeira bancária, é cábivel a exigência dos tributos e contribuições com aplicação da multa qualificada. JUROS DE MORA.FLUÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 04). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 05). DILIGÊNCIA FISCAL E PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. DESNECESSIDADE PARA RESOLUÇÃO DA LIDE. PEDIDOS MERAMENTE PROTELATÓRIOS. Indeferese os pedidos de diligência e protesto genérico pela produção de provas quando desnecessários à resolução da lide. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO DIRETO SEM ORDEM JUDICIAL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS, COFINS, IPI E INSS. Os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ), em face da conexão dos fatos e das provas. Recurso Voluntário Negado A embargante tomou ciência do Acórdão recorrido em 18/08/2011 quinta feira (fl. 940). Os embargos foram protocolizados em 23/08/2011 (fls. 941/946), portanto, dentro do prazo de 05 (cinco) dias fixado no § 1º do artigo 65 do RICARF. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A embargante interpôs os embargos, invocando o art. 65 do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), cujo caput do citado dispositivo legal transcrevo: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A contribuinte aduziu as seguintes razões contra o acórdão embargado (fls.942/946), in verbis: (...) Às fls. 927 dos autos, ao tratar da multa qualificada, restou assentado que: No que concerne à multa qualificada, a recorrente alegou que a fiscalização imputou tal gravame de 150% sem qualquer justificativa plausível ou fundamentada; que a fiscalização presumiu existir conduta dolosa (fraude); que é defeso à autoridade fazendária presumir a existência de um crime, devendo o fato delituoso estar provado de forma contundente, insofismável e inatacável; que, no caso, não estaria caracterizado o dolo de fraude; que a presunção de omissão de receitas decorrente de movimentação bancária de origem não comprovada não é motivo caracterizador da existência de crime contra a ordem tributária; que a motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa offshore com sede no Uruguai em seus atos constitutivos, não implicou a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; que não haveria no ordenamento jurídico pátrio norma que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional. (grifei) Como se verifica, o voto faz referência à existência de uma empresa "offshore", com sede no Uruguai, para, com isso, justificar a imposição da multa qualificada, estando, portanto, frontalmente contrária as provas dos autos. Ora, mas em momento algum, seja no curso da auditoria fiscal que deu origem ao auto de infração alvo deste feito, seja na impugnação interposta, nem a Autoridade Fiscal autuante, nem a impugnante, ora Embargante, fizeram qualquer referência a existência de um empresa "offshore" com sede no Uruguai e, muito menos consta, em qualquer oportunidade, a presença dos atos constitutivos dessa empresa. (...) 3.Culto Julgador, conforme atestam os seus atos constitutivos, a Embargante nunca teve sócio ou empresa com sede no exterior. Essa manifestação, unilateral e gratuita, extraída não se sabe de onde, e que deu sustentação a decisão de 1ª Instância, partiu exclusivamente da Julgadora Relatora do Acórdão n. 1427.252, Fl. 984DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 3 5 da 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto vide fls. 832. Registrese, por oportuno, que em sua impugnação a Embargante jamais fez qualquer referência a existência do off shore com sede no Uruguai. 4.Em outro quadrante, ainda para justificar a aplicação da multa qualificada em razão de conduta dolosa, sustentou o venerando acórdão a omissão de receita da Embargante. Ora, Nobre Julgador, não há nos autos qualquer prova material da conduta dolosa do Embargante. A mera alegação de que tal conduta tenha ocorrido não pode prevalecer. 5.Em razão do exposto nos itens precedentes, afigurase evidente acontradição, entre os elementos de prova dos autos e a r. decisão sob crítica. (...) 6. Mas isso não é tudo. Como se sabe, mesmo a simples omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada – presunção legal , não autoriza a imputação da multa qualificada. Aliás, neste particular, são inúmeros os acórdãos prolatados por este Egrégio Órgão Colegiado, conforme explicitado na exordial impugnatória e recursal interpostas, todos a reafirmar esse posicionamento. Acresçase, ainda que a própria Súmula CARF 14, estabelece textualmente, que a simples omissão de receitas ou rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Admitirse, genericamente, que a simples omissão de receitas ou rendimentos, caracteriza intuito de fraude do sujeito passivo, implica em aplicarse a multa qualificada em toda e qualquer autuação que tivesse origem em omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, o que não é admissível. Ademais, Súmula CARF n° 25 prescreve: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." 7.Finalmente, Culto Julgador, a autuação fiscal teve por base a caracterização de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada presunção legal. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Ocorre que a Embargante comprovou, tanto na impugnação, quanto no recurso interpostos, a existência de empréstimos havidos entre as empresas AVP e THOR. Ora, parte destes depósitos tiveram origem em empréstimos tomados pela Embargante junto a THOR. O fato de os empréstimos terem e/ou não sido levados a registro contábil, no caso presente é irrelevante, pois o que se está objetivando provar é a origem dos depósitos bancários e não se os mesmos foram ou não contabilizados. 8.Resta claro que neste quadrante o venerando acórdão é omisso. Isto porque, além de ignorar o teor das Súmulas CARF 14 e Súmula CARF n° 25, a respeito dos mesmos nenhuma referência há, de maneira que neste ponto, a r. decisão colegiada, com a devida vênia, comete flagrante injustiça, o que também não se pode admitir. 9. Em razão de todo o exposto, afigurase incontroversa a violação dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, eis que o venerando acórdão contém matéria a respeito da qual não foi dado à Embargante o direito de se manifestar. Outrossim, o venerando acórdão também violou o princípio do duplo grau de jurisdição, porquanto, ao tratar das matérias em destaque apenas em grau de recurso, deixou de cumprir o Decreto n° 70.235/72, prejudicando, com isso, o direito à ampla defesa. 10. A r. decisão, da forma como proferida, não pode prevalecer, principalmente tomandose em conta que os Nobres Conselheiros desta Corte podem ter sido induzidos a erro quando da citação de existência de empresa offshore no Paraguai. (...) É o relatório. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator Os Embargos de Declaração foram protocolizados tempestivamente. Portanto, deles conheço. Diversamente do alegado pela embargante, não há contradição no Acordão embargado entre a fundamentação e as provas constantes dos autos quanto à manutenção da multa qualificada. Na verdade, a recorrente pretende rediscutir o mérito da qualificação da multa, o que é vedado em sede de embargos de declaração. Entretanto, reconheço que há uma omissão no Acórdão embargado, pois, nas razões do recurso voluntário, a recorrente alegou que a decisão de primeira instância de julgamento teria trazido aos autos matéria estranha para justificar a manutenção da multa qualificada, e o acordão embargado, realmente, não enfrentou essa alegação da recorrente. Nessa parte, transcrevo a irresignação da recorrente contra a decisão a quo, constante do recurso voluntário (fls. 886/887), in verbis: (...) 18. Afirmou a digna JulgadoraRelatora às fls. 832 dos autos: A impugnante contestou a multa qualificada aplicada, de 150%, dos tributos devidos, sob a alegação de inexistência de motivação idônea a demonstrar a ocorrência de conduta típica infracional, afirmando que a motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa of shore com sede no Uruguai em seus atos constitutivos, não refletiria a prática de\qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato Gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Acrescentou que não haveria no ordenamento jurídico pátrio norma que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional." Fl. 987DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Esta manifestação da digna JulgadoraRelatora do Acórdão recorrido, inserindo em seu julgamento matéria totalmente estranha aos autos, a fim de sustentar a manutenção da indevida e inaceitável imputação da multa qualificada, é motivo bastante e suficiente para desconsiderar suas conclusões a respeito da manutenção da referida penalidade. Por conseguinte, esta questão da empresa offshore merece, em sede embargos de declaração, o devido esclarecimento, pois a contribuinte utilizou essa omissão, como pretexto para interposição dos Embargos de Declaração. Multa Qualificada. Fundamentos da Exasperação da Penalidade Primeiro, não consta dos autos de infração e do respectivo Termo de Verificação Fiscal (parte integrante do lançamento), objeto deste processo, qualquer alusão a empresa offshore como fundamento para qualificação da multa de ofício. Ainda, tanto na decisão de primeira instância, quanto no acordão ora embargado, em momento algum esta questão da empresa offshore foi utilizada como fundamento para manutenção da exasperação ou qualificação da multa. No caso, a embargante, data venia, pretende criar celeuma, dar importância ao irrelevante, encontrar um pretexto para justificar os embargos, suscitando uma colocação equivocada, inadvertida, fora de contexto (mero ato falho), constante, inicialmente, da decisão de primeira instância de julgamento, como será demonstrado a seguir. Na decisão a quo, a Relatoria do voto condutor, antes de iniciar a fundamentação do seu voto em relação à qualificação da multa, mencionou, resumidamente, como intróito (breve resumo do relatório), as razões deduzidas pela contribuinte contra a exasperação da multa e citou (arrolou) uma razão não aduzida, não elencada, pela impugnante, ou seja, que a impugnante estaria repelindo a qualificação da multa efetuada com base na existência de empresa offshore, com sede no Uruguai, no seu quadro societário (fls. 831/832), in verbis: (...) No mérito, a impugnante iniciou seus protestos combatendo a multa qualificada aplicada, (...) A impugnante contestou a multa qualificada aplicada de 150% dos tributos devidos, sob alegação de inexistência de motivação idônea a demonstrar a ocorrência da conduta típica infracional, afirmando que a motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa off shore com sede no Uruguai em seus atos constitutivos, não refletiria a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Acrescentou que não haveria no ordenamento jurídico pátrio norma que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional. (...) (grifei) Fl. 988DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 5 9 Como demonstrado nessa transcrição acima, a menção de empresa offshore aparece elencada nas razões contra a qualificação da multa. Na seqüência, na fundamentação do voto condutor da decisão a quo, pela manutenção da multa qualificada, essa questão da empresa offshore não aparece, não consta, em momento algum, confirmando o entendimento que se tratou de mera citação equivocada (mero ato falho), daquela Relatoria, ao arrolar – como razão contra a multa qualificada – matéria não ventilada pela impugnante. Logo, expungindo a omissão do acordão embargado, diversamente do alegado pela recorrente no seu recurso voluntário, a decisão a quo não utilizou matéria estranha aos autos para manutenção da multa qualificada. Já, nesta instância recursal de julgamento, a Relatoria do voto condutor do Acórdão ora embargado também, antes de iniciar a fundamentação do seu voto em relação à multa qualificada, repetiu no intróito (aquele resumo do relatório) da decisão a quo contendo as razões deduzidas pela contribuinte contra a exasperação da multa de ofício e, inadvertidamente, reprisou a tal razão não aduzida, não elencada, pela recorrente (empresa offshore, com sede no Uruguai, no seu quadro societário), in verbis: (...) FRAUDE. DOLO. MULTA QUALIFICADA No que concerne à multa qualificada, a recorrente alegou que a fiscalização imputou tal gravame de 150% sem qualquer justificativa plausível ou fundamentada; que a fiscalização presumiu existir conduta dolosa (fraude); que é defeso à autoridade fazendária presumir a existência de um crime, devendo o fato delituoso estar provado de forma contundente, insofismável e inatacável; que, no caso, não estaria caracterizado o dolo de fraude; que a presunção de omissão de receitas decorrente de movimentação bancária de origem não comprovada não é motivo caracterizador da existência de crime contra a ordem tributária; que a motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa off shore com sede no Uruguai em seus atos constitutivos, não implicou a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; que não haveria no ordenamento jurídico pátrio norma que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional. (grifei) Como demonstrado, na fundamentação do voto condutor do acórdão embargado, essa questão da empresa offshore não aparece, não consta, em momento algum, confirmando o entendimento, novamente, que se tratou de citação equivocada (mero ato falho) do Relator ao arrolar razão não declinada, não ventilada pela recorrente no seu recurso voluntário. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Na verdade, em consoância com os fatos descritos no auto de infração e no Termo de Veficação fiscal (parte integrante do lançamento fiscal), na decisão embargada a multa qualificada foi mantida pelo dolo de fraude fiscal (sonegação fiscal), em face de reiteração, durante todos os meses do anocalendário 2004, da conduta de omissão de receitas, depósitos bancários de origem não comprovada e não registrados na escrituração contábil (livro Caixa) e, também, não registrados na escrituração fiscal (a contribuinte na época estava enquadrado no regime do Simples, porém estava obrigado a registrar toda a movimentação financeira e bancária no livro Caixa, porém não o fez). A propósito, no anocalendário 2004, a autuada auferiu receita bruta no montante de R$ 3.330.236,79, porém somente registrou em sua escrituração contábil e fiscal receita bruta de R$ 765.363,00, ou seja, deixou de escriturar na contabilidade e de infromar ao 77% de sua receita bruta (omissão de receitas). Esse modus operandi, confome consta do Termo de Verificação Fiscal (parte integrante do auto de infração), repetiuse em 2005, ou seja, a recorrente auferiu receita bruta no valor de R$ 6.691.419,58, mas registrou contabilmente apenas R$ 1.289.110,95, ou seja, deixou de registrar contabilmente e de informar ao fisco 81,74% da receita bruta (omissão de receitas). Além disso, nesse período objeto dos autos, a empresa teve problemas graves de gestão atribuídos ao sóciogerente (mazelas que foram reveladas no inquérito policial aberto pelo sócio prejudicado, cujas peças constam destes autos), cujos fatos comprovam, reforçam, ainda mais a existência de dolo de fraude fiscal, e não mera omissão de receitas, conforme sobejamente demonstrado no voto condutor do Acórdão recorrido. As Súmulas Administrativas invocadas pela embargante, por conseguinte, não se amoldam à situação dos autos, pois o dolo de fraude fiscal é forte, não se tratando de mera presunção legal de omissão de receitas. Como demonstrado, na fundamentação da multa qualificada, em momento algum, foi mencionado, suscitado a existência de “empresa offshore” no quadro social da autuada. E, ainda que tivesse, que não é caso, não seria motivo para qualificação da multa de ofício. Por conseguinte, a alegação da embargante de que houve violação ao duplo grau de jurisdição, ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, ao tratar de matéria apenas em grau de recurso (empresa offshore), é totalmente fora de propósito, sem fundamento fáticojurídico, pois, como demonstrado, a manutenção da qualificação da multa decorreu dos fatos imputados pela fiscalização e constantes da acusação fiscal (do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal). Empréstimos Supostamente Contraídos da Empresa Thor pela AVP: A embargante alega que, parte dos recursos – depósitos a crédito em suas contas bancários no anocalendário 2004 – especificamente no valor de R$ 505.66654,95 seriam decorrentes de mútuos contraídos junto à empresa Thor Industrial e que teria, então, comprovado a origem. Alega, ainda, que o fato de os empréstimos terem e/ou não sido levados a registro contábil, no caso presente, é irrelevante, pois o que se está objetivando provar é a origem dos depósitos bancários e não se os mesmos foram ou não contabilizados. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 6 11 A questão já foi enfrentada, no mérito, no voto condutor do Acórdão embargado. Não cabe, aqui, em sede de embargos, rediscutir a mátéria. Apenas para argumentar, conforme consta da fundamentação do voto condutor do Acórdão embargado, a autuada não juntou aos autos os instrumentos dos supostos contratos de mútuo que pudessem justificar a origem desses recursos movimentados à revelia da escrituração contábil e fiscal. Pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, o ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da contribuinte. A recorrente quer que se aceite, como elemento de prova das supostas operações de mútuo com a empresa Thor Industrial Ltda, o Termo de Declarações prestadas pelo sóciogerente daquela empresa à Delegacia de Polícia de Cotia, no qual ele afirma que efetivamente teria promovido diversos empréstimos à AVP, no curso dos anoscalendário de 2004 a 2007. Inadmissível aceitar essa declaração como prova de operações de mútuo que sequer foram registradas na contabilidade da embargante e cujas notas promissórias só foram emitidas em 2007, ainda mais quando o próprio responsável pela autuada (Rodrigo Lopes de Almeida) contesta a existência dos referidos empréstimos, em declaração prestada à mesma Delegacia de Polícia (fls. 774/786), chegando a afirmar que "a THOR estava usando a AVP como 'caixa 2' para 'esquentar dinheiro', sob a concordância total do ANDRE". Como demonstrado, além da falta de escrituração contábil e fiscal dos recursos movimentados a crédito em suas contas correntes bancárias no anocalendário 2004, a contribuinte não comprovou a origem desses depósitos a crédito em sua contas correntes bancárias (não juntou aos autos os instrumentos dos contratos de mútuo). Assim, a alegação da embargante de que houve violação ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, pela não consideração dos pretensos empréstimos (mútos) pelo Acordão embargado, é totalmente infundada e fora de propósito, pois não comprovou, com documentos hábeis e idôneos, as operações dos alegados empréstimos contraídos (mútuos). Por tudo que foi exposto, voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração (para elucidação da questão relativa à “empresa offshore”) e, no mais, ratificar o que decidido pelo Acordão embargado. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 991DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.100034/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2005
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Não caracteriza cerceamento ao direito de defesa quando o lançamento de forma clara e objetiva expressa a origem do valor exigido, possibilitando ao contribuinte o pleno exercício do seu direito de sua defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIRF E O CONSTANTE NA DIRPF – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
Todas as receitas devem ser informadas na DIRPF. No caso, onde a fonte pagadora é um ente federativo, e informou na DIRF valor superior ao declarado pelo recorrente, o imposto devido deve ser complementado pelo contribuinte, exigível através de lançamento de ofício, cuja pretensão só poderá ser afastada quando evidenciado equívoco da fonte pagadora.
Numero da decisão: 2102-001.648
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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Não caracteriza cerceamento ao direito de defesa quando o lançamento de forma clara e objetiva expressa a origem do valor exigido, possibilitando ao contribuinte o pleno exercício do seu direito de sua defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIRF E O CONSTANTE NA DIRPF – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Todas as receitas devem ser informadas na DIRPF. No caso, onde a fonte pagadora é um ente federativo, e informou na DIRF valor superior ao declarado pelo recorrente, o imposto devido deve ser complementado pelo contribuinte, exigível através de lançamento de ofício, cuja pretensão só poderá ser afastada quando evidenciado equívoco da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Fl. 85DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11543.100034/200848 Acórdão n.º 2102001.648 S2C1T2 Fl. 85 2 Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 7a. Turma da DRJ/RJ2, de 25 de fevereiro de 2.010 (fls. 53/58), que por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação, mantendo assim, a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 3.575,01, a ser acrescido de multa de oficio e juros de mora. De acordo com o Auto de Infração (fls. 11/14), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre das divergências de valores apurados pela fiscalização entre os rendimentos constantes na DIRPF e da DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, conforme discriminado à fl. 12: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.539,89, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Do Ministério Público do Estado do Espírito Santo consta como omitida uma diferença no valor de R$ 539,89, uma vez que ofereceu à tributação na DIRPF o valor de R$ 28.833,00, quando na DIRF apresentada pela fonte pagadora constou R$ 29.372,89 e da Associação Educacional de Vitória, na DIRPF constou R$ 10.608,82 e na DIRF o valor de R$ 23.808,62, portanto, uma diferença de R$ 13.000,00, conforme descrito à fl, 12. Após afastar as preliminares argüidas na impugnação, de cerceamento ao direito de defesa, ao apreciar o mérito, conforme acima assinalado, a decisão recorrida lhe deu provimento parcial, para afastar a exigência sobre o valor de R$ 539,89, atribuída sobre os Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11543.100034/200848 Acórdão n.º 2102001.648 S2C1T2 Fl. 86 3 rendimentos obtidos junto ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo, mantendo porém, a exigência sobre a diferença dos rendimentos obtidos junto à Associação Educacional de Vitória, que acabou sendo corroborada pelo documento juntado pelo próprio Recorrente, à fl. 33. Através de Recurso Voluntário (fls. 61/75), a este colegiado, aduz em preliminar ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o auto de infração não menciona a origem e a natureza do crédito tributário, tal como determina os arts. 10 e 11 do decreto 70.235/72; a multa de oficio é inconsistente, pois o fisco não pode exigir multa por falta de recolhimento do carnê leão em concomitância com multa de ofício por redução indevida, citando precedentes e tecendo extensos argumentos sobre aplicação de multas, inclusive de impostos de outra natureza. No que denomina de mérito, simplesmente alega que os rendimentos percebidos da Associação Educacional de Vitória foram devidamente comprovados, para em seguida, informar que recebeu o informe de rendimentos em data posterior ao da entrega da DIRPF. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Portanto, dele conheço. A decisão recorrida está devidamente fundamentada e não merece qualquer reparo, devendo ser mantida integralmente. As alegações preliminares são descabidas e não merecem guarida, pois não especificam qualquer vício aplicável ao lançamento, citando dispositivos de lei que amparam o trabalho fiscal, como os arts. 10 e 11 do decreto 70.235/72, ao invés de comprometêlo, pois nele constam todos os elementos exigidos pela legislação e possibilitam o exercício da ampla defesa, tanto é que foi regularmente exercida pelo Recorrente. No lançamento, de forma clara e objetiva estão descriminadas as diferenças omitidas com as respectivas fontes pagadoras, que originaram este processo, sendo que de uma delas, a Recorrente conseguiu que fosse afastada a exigência de imposto pela decisão recorrida, que acolheu a sua argumentação. Portanto, não prospera qualquer alegação de cerceamento ao direito de defesa ou vício ao devido processo legal, pois ao Recorrente foram assegurados todos os meios e informações necessárias para o seu exercício. Relativamente às extensas considerações sobre multa, também inaplicáveis ao caso, pois este não trata de carnêleão ou dos impostos nela referidos, e menos ainda, nos Fl. 87DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11543.100034/200848 Acórdão n.º 2102001.648 S2C1T2 Fl. 87 4 percentuais destacados, previstos para situações outras e em diplomas impertinentes ao aplicável ao lançamento objeto deste processo, onde a multa aplicada no percentual de 75% sobre o valor do imposto encontra respaldo no art. 44, I da lei 9.430/96, tal como mencionado à fl. 14. No tocante ao que o Recorrente denominou de mérito, na peça recursal consta apenas um único parágrafo, à fl. 74, que mais ratifica a procedência do trabalho fiscal, ao afirmar que “Os rendimentos recebidos pela Associação Educacional de Vitória foram devidamente comprovados posteriormente neste processo sendo que ratificase aqui que a aludida omissão não ocorreu em razão desta Pessoa jurídica só terlhe encaminhado a declaração de Rendimentos em abril de 2006, ou seja, após o prazo para a entrega da Declaração de imposto de renda.” Destarte, acabou por reconhecer que efetivamente omitiu rendimento da Associação Educacional de Vitória, no valor de R$ 13.000,00, objeto do lançamento, notadamente, quando confrontado com o informe de rendimentos de fl. 33, onde consta como total dos rendimentos R$ 23.808,62 com a DIRPF fl. 16, quando ofereceu à tributação como rendimento o valor de R$ 10.808,62. Nenhum outro argumento ou documento foi apresentado que justificasse o afastamento da pretensão fiscal, razão pela qual, a decisão recorrida deve ser mantida. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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