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Numero do processo: 11065.005639/2008-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. RITO ESPECIAL. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples não prescinde de ser processada em procedimento especial, uma vez que o indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submete-se ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IMPRESCINDIBILIDADE DE ENTREGA DA DCTF. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.105
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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RITO ESPECIAL. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples não prescinde de ser processada em procedimento especial, uma vez que o indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submetese ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IMPRESCINDIBILIDADE DE ENTREGA DA DCTF. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 92 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 06, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por falta na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) referente ao quarto trimestre do anocalendário de 2003, cujo prazo final era 13.02.2004. Ela foi intimada a apresentála em 02.09.2009. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113, art. 115 e art. 160 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) e incido II do art. 3º e incisos I e II do art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. Inconformada com a exigência fiscal, da qual teve ciência em 14.11.2008, fl. 66, a Recorrente apresentou a impugnação em 12.12.2008, fls. 0105, com as alegações a seguir sintetizadas. Suscita que foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 01.01.2002, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/NHO n° 453.441 de 07.08.2003. Este procedimento tem como motivo a ocorrência da situação excludente, qual seja, “sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 492.917.93000. CNPJ 72.353.618/000146”. Argui que a referida sócia Raquel Cristina Schierholt, CPF 492.917.93000, retirouse da pessoa jurídica Usefibra Indústria Comércio de Fibras de Vidro Ltda, CNPJ 72.353.618/000146, em 14.02.2000, cuja alteração contratual foi arquivada em 21.08.2001 na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul. Defende que não exerceu a atividade de representante comercial, tampouco qualquer outra atividade impeditiva e que cumpriu suas obrigações tributárias com regularidade inclusive procedendo aos recolhimentos mediante DarfSimples e à entrega das Declarações Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ Simples). Aduz, assim, que a exclusão foi imotivada. Neste sentido formaliza o Pedido de Inclusão Retroativa no Simples. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 93 3 Entende que não incorreu em circunstância que vedasse a opção pelo Simples e que por este motivo estava dispensada legalmente de apresentar DCTF. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, reativando a empresa no simples. Termos em que Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1021.517, de 22.10.2009, fls. 6872: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DCTF MULTA POR FALTA DE ENTREGA SIMPLES EXCLUSÃO OBRIGATORIEDADE. O contribuinte que foi excluído retroativamente do Simples, esta obrigado a apresentar a DCTF, sendo o inadimplemento desta obrigação passível de multa, na forma da lei. Notificada em 23.11.2009, fl. 76, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.12.2009, fls. 7783, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado e incluída no SIMPLES. Termos em que, Pede deferimento É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 94 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente discorda de sua exclusão de ofício do Simples. Esta matéria não é objeto do presente processo administrativo fiscal em que está formalizada a exigência de multa de ofício isolada por falta na entrega da DCTF. Consta no Voto condutor do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 21.517, de 22.10.2009, fls. 6872 O contribuinte, em 26/08/2003, foi cientificada do Ato Declaratório Executivo n° 0453441 emitido em 17/08/2003, que o excluía do Simples, tendo como situação excludente o fato de ter "sócio com mais de 10% e receita global acima do limite legal". A empresa ingressou com pedido de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS) em 23/09/2003, que levou o n° 10107000073 e suspendeu temporariamente a exclusão. Porém, após análise da SRS, a exclusão foi mantida com efeitos retroativos a 01/01/2002. A SRS foi declarada improcedente em 23/07/2004 e o contribuinte foi cientificado do fato, por AR, em 04/08/2004, conforme informação da DRF/Novo Hamburgo. Poderia o contribuinte, dentro do prazo, ter recorrido à. Delegacia da Receita Federal de Julgamento e, em última instância, ao Conselho de Contribuintes. Não localizamos nenhum desses procedimentos por parte dele, logo está sujeito aos efeitos da exclusão. A partir destas informações, não expressamente contestadas pela Recorrente, verificase que o procedimento de exclusão de ofício está findo na esfera administrativa, de sorte que esta questão não pode ser reexaminada nos presentes autos. A Recorrente afirma que pode ser incluída de ofício no Simples, nos termos legais. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação legal expressa. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. Comprovada a ocorrência de erro de fato, a autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão com efeito retroativo no Simples de pessoa jurídica inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). Para tanto é imprescindível identificar sua intenção inequívoca de aderir ao Simples, cujos instrumentos hábeis os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada (DSPJ) e ainda não incorra em circunstância objeto de vedação legal expressa. O indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submetese ao rito do processo Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 95 5 administrativo fiscal1. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples, todavia, não prescinde de ser processado no rito especial previsto no § 6º do art. 8º da Lei nº 9.317, de 1996 e em autos apartados. Logo, esta questão não pode ser examinada no presente processo. Assim, superadas as matérias prejudiciais referentes à exclusão de ofício e ao pedido de inclusão retroativa, ambas referentes ao Simples, tem cabimento a análise dos demais argumentos constantes na peça recursal. A Recorrente discorda, no mérito, da aplicação da multa de ofício isolada por falta na entrega da DCTF. A obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela RFB. Neste caso a pessoa jurídica fica sujeita multa de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento). Por via de regra, a multa mínima a ser aplicada é de R$500,00 ( quinhentos reais). Será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, deverão apresentar trimestralmente a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica excluída do Simples, a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos. A DCTF deve ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos2. Na presente situação fática, a Recorrente foi excluída do Simples a partir de 01.01.2002. O prazo final para entrega da DCTF relativa ao quarto trimestre do anocalendário de 2003 era 13.02.2004. A Recorrente foi intimada a apresentála em 02.09.2009. Por esta razão não cabem reparos ao crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2 de outubro de 2002. 2 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional, art.7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e art. 2º, art. 3º e art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 96 6 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face de o exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.012835/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. ÔNUS DA PROVA.
Restando configurado, através de documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo. Cabe ao interessado, não ao Fisco, provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir do pagamento do imposto de renda pessoa física, tendo em vista que são contribuintes todas as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. CARNÊ-LEÃO. RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta comprovação do recolhimento do valor informado na declaração de ajuste anual a titulo de carne-leão e imposto complementar, determina a manutenção do lançamento de crédito tributário. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de rendimentos isentos e não tributáveis lançados na Declaração de Ajuste Anual, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua reclassificação para rendimentos tributáveis e proceder a respectiva tributação de ofício. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever
da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.920
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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ÔNUS DA PROVA. Restando configurado, através de documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo. Cabe ao interessado, não ao Fisco, provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir do pagamento do imposto de renda pessoa física, tendo em vista que são contribuintes todas as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. CARNÊLEÃO. RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta comprovação do recolhimento do valor informado na declaração de ajuste anual a titulo de carneleão e imposto complementar, determina a manutenção do lançamento de crédito tributário. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de rendimentos isentos e não tributáveis lançados na Declaração de Ajuste Anual, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua reclassificação para rendimentos tributáveis e proceder a respectiva tributação de ofício. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 2 RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório MARCELO DELLA GIUSTINA, contribuinte inscrito no CPF/MF 442.682.62091, com domicílio fiscal na cidade de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, à Rua José Kanan Aranha, nº 173 – Bairro Ipanema, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre RS, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 112/116, prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 120/127. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 20/08/2007, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 81/85), com ciência, através de AR, em 23/10/2007 (fls. 87), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 12.433,91 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão da Declaração de Ajuste Anual relativo ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊLEÃO: Glosa do valor de R$ 684,68 pleiteado indevidamente a titulo de CarnêLeão, correspondente à diferença entre o valor declarado R$ 684,68 e os valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0190 R$ 0,00, conforme informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Infração capitulada no art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95; arts. 7°, §§ 1° e 2° e 87, inciso IV do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99 e art. 21 da Instrução Normativa SRF no 15/2001. 2 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 27.492,97, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 824,78. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, 8° e 9°, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 5°, 6º e 33, da Lei n° 9.250, de 1995 e arts. 1° e 15, da Lei n° 10.451, de 2002. Em sua peça impugnatória de fls. 01/06, instruída pelos documentos de fls. 07/80, apresentada, tempestivamente, em 22/11/2007, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o contribuinte, na condição de advogado militante e atuante perante a Justiça Federal, patrocina, há vários anos, uma série de demandas em favor de ex funcionários Fl. 135DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 4 da extinta Caixa Econômica Estadual contra a União Federal. Nessa demandas, é questionada a incidência de Imposto de Renda em decorrência da liquidação do patrimônio da igualmente extinta FUCAE Fundação dos Funcionários da Caixa Econômica Estadual, espécie de pecúlio mantido pelos ex funcionários da indigitada instituição financeira; que, com efeito, tendo logrado sucesso em muitas demandas de repetição de indébito tributário, o contribuinte viu reconhecido aos seus constituintes o direito de receberem da União, a devolução do imposto indevidamente retido na fonte. Tais valores, pagos pela União, na realidade eram recebidos mediante o levantamento de alvará judicial sacado pelo contribuinte junto à Caixa Econômica Federal, que figurava como entidade pagadora para todos os efeitos; que o alegado rendimento omitido, pois, que montava época em R$ 27.492,97, nada mais era do que o montante sacado pelo contribuinte em razão de o recebimento de um alvará judicial fruto do êxito de ação de repetição de indébito tributário movida contra a União; que, tais valores, importante, riçar, não tocaram ao contribuinte. Pelo contrário, foram alcançados aos verdadeiros titulares, seus constituintes, mediante oportuna prestação de contas. O contribuinte, na verdade, foi apenas o agente do saque, porém jamais o destinatário dos valores; que, em resumo, o contribuinte não percebeu quaisquer proventos, não teve qualquer acréscimo patrimonial em razão do recebimento de tais valores, porquanto não lhe pertenciam; que examinando a inteligência da indigitada decisão, verificase que o ônus que recai sobre o profissional é o de comprovar apenas o repasse aos efetivos titulares dos valores, agraciados com os proventos sacados. Desincumbindose desse ônus, como o faz o contribuinte através do documental em anexo, impende seja revisado o lançamento equivocado, a teor do que determina o artigo 149, do CTN; que, assim, demonstrado o efetivo repasse dos valores a terceiros, temse que improcede o lançamento efetuado, pois fruto de equivoco do agente fiscal, pelo que merece ser revisado por essa autoridade; que o montante de R$ 3.710,00 foi na verdade retido pela Caixa Econômica Federal no AnoCalendário de 2003, e é decorrente de incidência de IR sobre valores sacados a titulo de honorários advocatícios através de alvará judicial. Tal retenção, efetuada pela instituição financeira decorre de obrigação legal prevista na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; que, de forma equivocada, o contribuinte lançou tais valores como frutos de retenção do CarneLeão, presumindose, por conta desse erro material, que pretendia a compensação desse valor na verdade, o próprio IR retido com o imposto devido no exercício. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que o notificado alega que os valores informados pela Caixa Econômica Federal por intermédio de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF são Fl. 136DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 4 5 decorrentes de levantamento por alvará judicial fruto de ações diversas interpostas contra a União em favor de seus representados, ex funcionários da extinta Caixa Econômica Estadual; que do exame desses documentos, constatase que grande parte é de ano calendário diverso do lançado pela fiscalização qual seja, 2004. Os de fls. 09/18 e 62/65, são relativos aos anoscalendário 2005 e 2006; que quanto aos demais documentos, verificase que não há relação direta entre os valores constantes nos alvarás judiciais com as transferências e depósitos bancários efetuados pelo escritório de advocacia no qual o notificado participa — Della, Giustina, Hoffmann & Vianna de Souza — em favor de pessoas apontadas como seus clientes; que na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF emitida pela Caixa Econômica Federal consta que foram feitos os seguintespagamentos: Maio/2004 — R$ 4.342,82; Junho/2004 — R$ 7.503,02 e Outubro/2004 — 15.647,13; que às fls. 19/23 consta cópia de transferências bancárias efetuadas em 01/07/2004 que superam o valor informado pela CEF como pago nas competências maio e junho/2004. A CEF informou R$ 4.342,82 e R$ 7.503,02, relativamente a maio e junho de 2004, respectivamente, totalizando R$ 11.845,84, e o notificado apresentou cinco TED 's os quais totalizam R$ 16.026,25; que às fls. 24/41, foram anexadas cópias de 18 alvarás judiciais, emitidos em Maio/2004, autorizando levantamento dos valores depositados, totalizando R$ 107.007,05; que as cópias de TED's de fls. 42/50 são relativas A. movimentação no mês dezembro de 2004; que os recibos de quitação, de fls. 51 e 59, TED's de fls. 52/56 e comprovantes de depósitos bancários de fls. 57/58 e 61 são relativos 04/2004 (anteriores ao crédito informado pela CEF na DIRF); que o TED de fls. 66, efetuado em 01/06/2004, em favor de Rose Mari Mardini, corresponde ao valor de R$ 11.680,24; que os TED's de fls. 67/72, efetuados em Maio/2004, totalizam R$ 35.736,03; que as cópias dos depósitos bancários de fls. 73 e parte das folhas 74/79, não tem identificação da data. Partes das cópias das folhas 74/78 são do ano de 2003; que verificase que em nenhum momento há qualquer correspondência entre os valores levantados mediante alvará judicial ou transferidos mediante depósito ou transferência bancária com os valores informados pela CEF como pagos ao notificado; que em vista disso, e em razão da falta de prova efetiva do alegado pelo notificado no sentido de que os valores informados pela CEF foram por ele recebidos como fruto das ações judiciais interpostas em favor de seus representados, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 6 que melhor sorte não assiste ao notificado em relação à glosa do valor informado como pago a titulo carneledo. A fiscalização glosou o valor informado pelo notificado na declaração de ajuste anual — R$ 684,68 — e, para fins de cálculo do imposto devido, aproveitou o valor informado pela CEF na DIRF — R$ 824,78; que considerando que os argumentos apresentados pelo notificado são insuficientes para elidir o lançamento, deve ser mantido integralmente o crédito tributário apurado. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Exercício: 2005 RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE TRABALHO ASSALARIADO. Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada através de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora, deve ser mantido o lançamento. CARNÊLEÃO. RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta comprovação do recolhimento do valor informado na declaração de juste anual a titulo de carneleão e imposto complementar, determina a manutenção do lançamento de crédito tributário. Impugnação Improcedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/08/2010, conforme Termo constante às fls. 117/119, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (29/09/2010), o recurso voluntário de fls. 120/127, instruído pelos documentos de fls. 128/129, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que impende ponderar, que a pouco significativa divergência entre os valores sacados (informados como pagos pela CEF) e aqueles comprovadamente repassados aos seus constituintes, é fruto de pagamento, com o corolário abatimento, de honorários advocatícios, eventuais despesas periciais ou custas adiantadas pelo profissional, sendo impossível haver expressa correspondência entre valores. Tal fato não invalida a tese, notadamente quando comprovada; que a, assim, na pior hipótese, deve ser provido o recurso e determinada a revisão do lançamento ao efeito de se limitar o valor do crédito tributário ao montante da divergência entre o comprovadamente sacado e repassado a terceiros, clientes e constituintes do contribuinte; que no que tange A alegada compensação indevida de CarnêLeão, novamente, fazse necessário destacar o equivoco da autoridade fiscal; que o montante de R$ 3.710,00 foi na verdade retido pela Caixa Econômica Federal no AnoCalendário de 2003, e é decorrente de incidência de IR sobre valores sacados a Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 5 7 titulo de honorários advocatícios através de alvará judicial. Tal retenção, efetuada pela instituição financeira decorre de obrigação legal prevista na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; que, de forma equivocada, o contribuinte lançou tais valores como frutos de retenção do CarneLeão, restando presumido pela Receita, por conta desse erro material, que pretendia a compensação desse valor — na verdade, o próprio IR retido com o imposto devido no exercício. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 8 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o recorrente apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada em Primeira Instância, sendo que para tanto suscita, tãosomente, matéria de mérito. Da análise dos autos, observase que a exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade lançadora procedeu a glosa do valor de R$ 684,68 pleiteado indevidamente a titulo de CarnêLeão, correspondente à diferença entre o valor declarado R$ 684,68 e os valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0190 R$ 0,00, conforme informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Infração capitulada no art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95; arts. 7°, §§ 1° e 2° e 87, inciso IV do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99 e art. 21 da Instrução Normativa SRF no 15/2001. Da mesma forma, a autoridade fiscal lançadora, confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 27.492,97, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 824,78. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, 8° e 9°, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 5°, 6º e 33, da Lei n° 9.250, de 1995 e arts. 1° e 15, da Lei n° 10.451, de 2002. Resta claro, nos autos, que a fonte pagadora, declarou em sua Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF) como sendo rendimentos tributáveis pagos o valor de R$ 27.492,97, bem como que houve a glosa do valor de R$ 684,68 pleiteados indevidamente a título de carnêleão. Como se vê a questão em discussão é eminentemente de matéria de prova. Ou seja, à questão está restrita em se saber se o recorrente, à época do fato gerador, ostentava a condição de ter ou não recebido tais valores. Observase, que a autoridade julgadora de primeira instância concluiu, mediante a análise das provas apresentadas pelo recorrente, que os valores em discussão não foram em momento algum tributados, razão pela qual julgou improcedente a impugnação apresentada, cujo voto, com a devida vênia do relator, adoto e transcrevo como justificativa do presente voto: O notificado alega que os valores informados pela Caixa Econômica Federal por intermédio de Declaração do Imposto de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 6 9 Renda Retido na Fonte — DIRF são decorrentes de levantamento por alvará judicial fruto de ações diversas interpostas contra a União em favor de seus representados, ex funcionários da extinta Caixa Econômica Estadual. Do exame desses documentos, constatase que grande parte é de anocalendário diverso do lançado pela fiscalização qual seja, 2004. Os de fls. 09/18 e 62/65, são relativos aos anoscalendário 2005 e 2006. Quanto aos demais documentos, verificase que não há relação direta entre os valores constantes nos alvarás judiciais com as transferências e depósitos bancários efetuados pelo escritório de advocacia no qual o notificado participa — Della, Giustina, Hoffmann & Vianna de Souza — em favor de pessoas apontadas como seus clientes. Na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF emitida pela Caixa Econômica Federal consta que foram feitos os seguintespagamentos: Maio/2004 — R$ 4.342,82; Junho/2004 — R$ 7.503,02 e Outubro/2004 — 15.647,13. Às fls. 19/23 consta cópia de transferências bancárias efetuadas em 01/07/2004 que superam o valor informado pela CEF como pago nas competências maio e junho/2004. A CEF informou R$ 4.342,82 e R$ 7.503,02, relativamente a maio e junho de 2004, respectivamente, totalizando R$ 11.845,84, e o notificado apresentou cinco TED 's os quais totalizam R$ 16.026,25. Às fls. 24/41, foram anexadas cópias de 18 alvarás judiciais, emitidos em Maio/2004, autorizando levantamento dos valores depositados, totalizando R$ 107.007,05. As cópias de TED's de fls. 42/50 são relativas A. movimentação no mês dezembro de 2004. Os recibos de quitação, de fls. 51 e 59, TED's de fls. 52/56 e comprovantes de depósitos bancários de fls. 57/58 e 61 são relativos 04/2004 (anteriores ao crédito informado pela CEF na DIRF). O TED de fls. 66, efetuado em 01/06/2004, em favor de Rose Mari Mardini, corresponde ao valor de R$ 11.680,24. Os TED's de fls. 67/72, efetuados em Maio/2004, totalizam R$ 35.736,03. As cópias dos depósitos bancários de fls. 73 e parte das folhas 74/79, não tem identificação da data. Partes das cópias das folhas 74/78 são do ano de 2003. Verificase que em nenhum momento há qualquer correspondência entre os valores levantados mediante alvará judicial ou transferidos mediante depósito ou transferência bancária com os valores informados pela CEF como pagos ao notificado. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 10 Em vista disso, e em razão da falta de prova efetiva do alegado pelo notificado no sentido de que os valores informados pela CEF foram por ele recebidos como fruto das ações judiciais interpostas em favor de seus representados, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização. Melhor sorte não assiste ao notificado em relação à glosa do valor informado como pago a titulo carneledo. A fiscalização glosou o valor informado pelo notificado na declaração de ajuste anual — R$ 684,68 — e, para fins de cálculo do imposto devido, aproveitou o valor informado pela CEF na DIRF — R$ 824,78. Considerando que os argumentos apresentados pelo notificado são insuficientes para elidir o lançamento, deve ser mantido integralmente o crédito tributário apurado. Ora, nesta fase recursal, não foi acostado nenhum documento comprobatório que confrontasse a decisão de primeira instância. O que se vê são meras alegações reprisando a peça impugnatória. Não existe prova irrefutável de que o recorrente tem razão em suas alegações, nada foi apresentado que comprovasse que a fonte pagadora tivesse cometido algum erro na DIRF apresentada. Não é crível, que o recorrente não pudesse apresentar uma declaração da fonte pagadora assumido que houve um erro material na DIRF por ela apresentada, limitase a alegações vagas, sem a devida comprovação, de que todos os valores recebidos por ele foram tributados e informado em sua Declaração de Ajuste Anual, quando a própria fonte pagadora informa que o recorrente recebeu de fato os R$ 27.492,97 de rendimentos tributáveis. É bem verdade, mesmo que a autoridade lançadora não tivesse comprovado com total certeza, ainda, sim cabia a recorrente, que recebeu as quantias demonstrar e comprovar que tais rendimentos já foram tributados ou que são rendimentos isentos e não tributáveis. Assim, é de se deixar claro, que os agentes do Fisco têm, mais que direito, o dever de recorrer, quando for o caso, às declarações de rendimentos apresentadas pelos contribuintes, para analisar os rendimentos isentos e não tributáveis declarados, sempre que, por motivos mais diversos, entender que tais rendimentos são componentes da base de cálculo do imposto anual e as informações do contribuinte não se estribem em documentação hábil e idônea demonstrando o contrário. Por isso mesmo, as ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real intenção, e assim se beneficiar indevidamente do tratamento diferenciado, deve merecer a ação saneadora contrária, por parte da autoridade fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Dessa forma, não podia e não pode o fisco permanecer inerte diante de procedimentos dos contribuintes cujos objetivos são exclusivamente o de ocultar ou impedir o surgimento das obrigações tributárias definidas em lei. Detectado esse procedimento irregular, como no presente caso compete ao fisco proceder como fez. É óbvio, que o autuado tem que ter uma prova de que já submeteu estes rendimentos a tributação ou que não era passível de tributação por não ter recebido tais rendimentos. Assim, vêse o quão acertado foi o procedimento do Fisco, ao submeter os rendimentos questionados a tributação. Não haveria outra forma de se proceder senão essa, já que o contribuinte não apresentou nenhuma prova contundente que invalidasse o feito fiscal. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 7 11 A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação. Sendo assim, entendo que cabia ao recorrente comprovar o alegado, porque somente ele tinha condições de fazêlo, razão pela qual mantenho a decisão da autoridade julgadora de Primeira Instância. Por fim, cabe tecer alguns comentários sobre a aplicação da penalidade. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 12 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 8 13 princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto de Renda Pessoa Física é um tributo é calculado levandose em consideração os rendimentos auferidos, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ainda, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 14 Declaração de Voto Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 11516.002719/2006-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 16/07/2004 a 28/02/2005
IPI. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. ISENÇÃO. NÃO TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. DECISÃO JUDICIAL.
A impossibilidade de creditamento de IPI no caso de aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero restou pacificada judicial e administrativamente. Não bastasse isso, a decisão definitiva exarada no processo impetrado pela recorrente segue o mesmo caminho.
IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONCEITO.
O conceito de industrialização abarca as operações de transformação de polietileno granulado em plástico.
JURISPRUDÊNCIA. VINCULAÇÃO. HIPÓTESES.
São expressamente previstas na legislação as hipóteses em que a jurisprudência vincula o julgador administrativo (v.g. as tratadas no § 6o do art. 26-A do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009; e no art. 62-A do Regimento Interno do CARF). Mesmo diante de tais hipóteses, só há vinculação se as características do caso concreto permitirem enquadrá-lo estritamente no precedente.
Numero da decisão: 3403-001.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 16/07/2004 a 28/02/2005 IPI. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. ISENÇÃO. NÃO TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. DECISÃO JUDICIAL. A impossibilidade de creditamento de IPI no caso de aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero restou pacificada judicial e administrativamente. Não bastasse isso, a decisão definitiva exarada no processo impetrado pela recorrente segue o mesmo caminho. IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONCEITO. O conceito de industrialização abarca as operações de transformação de polietileno granulado em plástico. JURISPRUDÊNCIA. VINCULAÇÃO. HIPÓTESES. São expressamente previstas na legislação as hipóteses em que a jurisprudência vincula o julgador administrativo (v.g. as tratadas no § 6o do art. 26-A do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009; e no art. 62-A do Regimento Interno do CARF). Mesmo diante de tais hipóteses, só há vinculação se as características do caso concreto permitirem enquadrá-lo estritamente no precedente.
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INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. ISENÇÃO. NÃO TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. DECISÃO JUDICIAL. A impossibilidade de creditamento de IPI no caso de aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero restou pacificada judicial e administrativamente. Não bastasse isso, a decisão definitiva exarada no processo impetrado pela recorrente segue o mesmo caminho. IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONCEITO. O conceito de industrialização abarca as operações de transformação de polietileno granulado em plástico. JURISPRUDÊNCIA. VINCULAÇÃO. HIPÓTESES. São expressamente previstas na legislação as hipóteses em que a jurisprudência vincula o julgador administrativo (v.g. as tratadas no § 6o do art. 26A do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009; e no art. 62A do Regimento Interno do CARF). Mesmo diante de tais hipóteses, só há vinculação se as características do caso concreto permitirem enquadrálo estritamente no precedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 19 /2 00 6- 95 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 160 a 1651) lavrado em 16/11/2006 contra a recorrente, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (períodos de apuração de 07/2004 a 02/2005), acrescido de juros de mora, no valor consolidado de R$ 2.569.266,79, indicando estar o crédito com exigibilidade suspensa, em virtude de decisão proferida no Mandado de Segurança no 2004.72.00.0109083. No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 166 a 169), narrase que o estabelecimento da empresa, dedicado à fabricação de embalagens de plástico (tributadas à alíquota de 15% a título de IPI), creditouse indevidamente, no Livro de Registro de Apuração do IPI, dos valores referentes à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero especificados à fl. 168 (pela mesma alíquota do produto final), o que foi objeto de glosa, originando a autuação de que trata o presente processo. Assim, e tendo em vista o citado processo judicial, no qual foi concedida a segurança, reconhecendo o direito ao crédito do IPI referente à aquisição de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero com a mesma alíquota utilizada na operação de saída, o lançamento efetuado se refere a créditos com exigibilidade suspensa (cf. art. 151, IV do CTN), não se aplicando multa de ofício. O crédito tributário foi exigido em autuações distintas por estabelecimento (sendo o presente processo referente à filial, e o processo no 11516.002718/200641 relativo à matriz). Cientificada da autuação em 24/11/2006 (fl. 164), a empresa apresentou impugnação em 21/12/2006 (fls. 179 197), alegando que não pretende discutir na via administrativa a glosa dos créditos mencionados, pois a matéria se encontra sub judice, inclusive com deferimento de liminar no Mandado de Segurança no 2004.72.000109083, mas pretende sim discutir a não incidência do IPI sobre o resultado de sua atividade, que se enquadra no conceito de prestação de serviços (confecção sob encomenda de rótulos e embalagens personalizados), mais especificamente no item 13.05 da lista de serviços Anexa à Lei Complementar no 116/2003 (item 77 da lista do DecretoLei no 406/1968). Informa que confecciona: (a) rótulos para utilização em produtos (v.g. garrafas de “CocaCola”) cuja embalagem não fabrica nem fornece, limitandose a adquirir de terceiros o substrato em bobinas, e sobre ele executar os serviços de composição gráfica, entregando ao cliente o produto final, que são os rótulos; (b) embalagens com serviço de composição gráfica (em sua maior parte sacos plásticos), sendo que em alguns casos tais sacos são obtidos por extrusão pela própria recorrente, e em outros adquiridos de terceiros em forma de bobinas, sobre as quais executa a composição gráfica; e (c) embalagens sem composição gráfica, que constituem pequena parcela de seu faturamento, e se destinam em regra ao acondicionamento de bebidas (com características que fazem com que não tenha serventia para nais ninguém a não ser o próprio encomendante). Ascrescenta ainda jurisprudência (inclusive administrativa) em favor 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11516.002719/200695 Acórdão n.º 3403001.982 S3C4T3 Fl. 441 3 de seu entendimento de que a atividade de composição gráfica (que é efetivamente a atividade fim da recorrente) não se sujeita ao IPI, afirmando que procedeu ao lançamento do IPI por erro, e deve prevalecer no processo a verdade real (exigência exclusivamente de ISS). Anexa, por fim, Laudo (fls. 198 a 247) no qual se afirma que a atividade da impugnante consiste na elaboração de rótulos e embalagens “mediante prévia encomenda, mediante processo de composição gráfica, e são personalizados, à medida que se destinam apenas ao uso do encomendante”, protestando pela juntada posterior de laudo técnico complementar (que foi apresentado em 8/3/2007, pelo documento de fls. 265 a 268, passando a constar do presente processo fls. 269 a 348). A informação sobre o trânsito em julgado da ação judicial (Mandado de Segurança no 2004.72.00.0109083) chega ao processo em 28/4/2008, pelo documento de fl. 353, acompanhado de excertos das peças processuais às fls. 354 a 311. Em 4/10/2011 (fls. 379 a 393), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da impugnação, decidindose que: (a) as decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1a instância nas situações expressamente previstas na legislação; e (b) os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no art. 8o, § 1o do DecretoLei no 406/1968 estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS, não havendo norma que exclua tal incidência. A questão referida à medida judicial não foi objeto de análise pela DRJ. Cientificada da decisão em 10/11/2011 (AR à fl. 396), a empresa apresenta recurso voluntário em 7/12/2011 (fls. 397 a 417), basicamente reiterando a argumentação exposta na impugnação, cabendo destacar de seu texto considerações no sentdo de que: (a) o IPI foi destacado nas Notas Fiscais emitidas e escriturado no Livro de Registro de Apuração do IPI, onde também foram escriturados os créditos “presumidos” relativos a insumos não tributados, isentos e tributados à alíquota zero, enquanto a empresa discutia o tributo em quatro ações judiciais: processos no 1999.61.00.0580943 (crédito de IPI relativo a matériaprima adquirida com alíquota zero), no 2002.61.00.0197589 (créditoprêmio à exportação), no 2004.72.00.0109083 (crédito de IPI relativo a insumos não tributados) e no 2004.61.00.0012033 (crédito do IPI relativo a diferenças entre a alíquota do insumo e a alíquota do produto final); (b) a recorrente recolheu, no período em referência, apenas a diferença entre débitos e créditos (nestes incluídos os “presumidos”), o que foi considerado irregular pelo Fisco, que glosou os créditos, gerando a autuação aqui discutida; (c) ao impugnar a exigência, a recorrente não questionou a glosa dos créditos presumidos, haja vista que o direito a eles estava sub judice, em processos agora encerrados, na linha do que restou decidido pelo STF: não há direito a créditos “presumidos” de tal natureza; (d) limitouse a impugnação a discutir a não incidência do IPI sobre as operações realizadas, entendendo que sobre tais operações incidiria somente o ISS, conforme jurisprudência carreada aos autos; (e) o julgador a quo entendeu que a incidência do ISS não afasta o IPI, visto que uma das etapas de confecção envolve típica industrialização (“extrusão” transformação do propileno em plástico); (f) a tese do julgador a quo é lógica e coerente, mas esbarra em decisões do STF, do STJ e do próprio CARF; (g) a matéria já foi decidida na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.092.206/SP), vinculando o julgador do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno do tribunal administrativo; e (h) também já houve decisão com efeito erga omnes sobre a matéria no RE no 106.173 e na ADI no 4389. É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O presente processo acabou por seguir curso sui generis, pois a motivação da autuação (glosa de crédito de IPI referente a produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero) sequer foi impugnada, em função de acesso à via judicial (acesso esse que teve como resultado definitivo a denegação do pleito da recorrente, antes mesmo da decisão administrativa de primeira instância), passandose no processo a discutir se as operações efetuadas pela recorrente estão sujeitas ao IPI. Na impugnação administrativa, a recorrente afirma que apesar de ter, durante todo o período fiscalizado, escriturado o IPI e efetuado os correspondentes destaques, entende não ser a operação que executa tributada pelo IPI. Nas palavras da recorrente (fl. 184): “No caso presente, a Impugnante, por erro, procedeu ao lançamento do IPI. Agora, tendo constatado o seu erro, pretende desonerarse desse imposto, visto que o imposto devido é o ISS.” Assim, enquanto discutia na via judicial o cabimento do creditamento do IPI, solicitando aplicação aos insumos “da mesma alíquota empregada no respectivo produto final industrializado” (grifo nosso), obtendo provimento inicial para “compensar os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados referentes aos insumos isentos ou não tributados, utilizados no processo de industrialização nos últimos dez anos, com débitos do mesmo tributo” (fl. 362 grifo nosso), na via administrativa optava por não discutir a matéria, alegando que as operações que realizava não estavam sujeitas ao IPI, mas sim ao ISS, porque se tratavam de serviços de composição gráfica. Da matéria discutida judicialmente transitada em julgado A impossibilidade de creditamento de IPI no caso de aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero restou pacificada judicial (como expresso nos autos) e administrativamente (v.g. Súmula CARF no 18, para o caso de alíquota zero). E a decisão definitiva exarada no processo impetrado pela recorrente segue o mesmo caminho. Recordese que a matéria discutida em juízo abarca a plenitude do lançamento, pois tudo o que se está imputando à recorrente na autuação é a glosa do IPI em relação a tais créditos, cuja impossibilidade restou judicialmente sedimentada. Na própria autuação (fl. 160), alertase: “O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança – processo judicial no 2004.72.000109083 (art. 151, incisos II e IV do CTN). Afastada a suspensão da exigibilidade, seja por falta ou insuficiência do depósito, caducidade ou cassação desfavorável Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11516.002719/200695 Acórdão n.º 3403001.982 S3C4T3 Fl. 442 5 ao sujeito passivo, este deverá (conforme teor e extensão do julgado) recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição da dívida ativa, compensados, se for o caso, eventuais depósitos judiciais efetuados e a serem convertidos em renda da União.” Assim, resta indiscutivelmente hígido o lançamento efetuado. Da matéria discutida administrativamente incidência de IPI Como exposto de início, a argumentação da recorrente em sede administrativa, diametralmente distinta da empregada em juízo, foi no sentido de que não era contribuinte do IPI, mas do ISS. É certo que tal argumentação implicaria concordância com o fato de que toda a escrituração da empresa estava incorreta (como ela própria assume), de que suas ações judiciais em relação ao pagamento do IPI eram despropositadas, e de que desde o início ela deveria ter recolhido o ISS (o que não é matéria afeta ao presente processo, mas tema de interesse do fisco municipal). Mas isso não obstou a apreciação inaugural da matéria em primeira instância. Desafiante apreciar em sede de julgamento tal matéria, pois sobre isso não se versa na autuação. A fiscalização não teve por objeto demonstrar se a empresa efetuava ou não operações de industrialização. Ao tempo da autuação, o tema era incontroverso. A ausência de informações sobre o tema na autuação leva o julgador a quo a apreciar a matéria exclusivamente com base nos documentos colacionados pela recorrente (então impugnante). Na impugnação, a empresa apresenta um laudo técnico, no qual se afirma que a atividade da “PLASCPlásticos Santa Catarina LTDA” é “a produção de embalagens feitas exclusivamente sob encomenda e personalizada” (fl. 246). Contudo, informa a então impugnante que o laudo já havia sido produzido há algum tempo, e que “não destaca que a composição gráfica é a atividade fim e que a utilização de máquina extrusora para processar substrato de polietileno, em forma de bobina, visando darlhe a forma de saco ou outro tipo de embalagem, constitui apenas uma das etapas dessa atividade” (fl. 196). Nesse sentido, apresentase posteriormente laudo técnico complementar (de lavra do mesmo perito contratado), que atesta que a “PLASC está direcionada à IMPRESSÃO GRÁFICA” (fl. 340). Como já exposto no relatório, e afirmado em diversas ocasiões pela recorrente, sua atividade é a confecção de rótulos e embalagens (estas com ou sem serviço de composição gráfica). É, contudo, incontroverso que em tal “confecção” a empresa transforma o polietileno granulado em plástico (a DRJ destaca ainda outras formas pelas quais conclui que houve industrialização). Acrescentese o argumento do julgador de primeira instância, na forma trazida pela empresa em seu Recurso Voluntário (fl. 401): “A respeitável autoridade julgadora, no entanto, entendeu que o fato de incidir o ISS não afasta a incidência do IPI, haja vista que uma das etapas de confecção das embalagens envolve atividade típica de industrialização, que é a transformação do Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 polietileno granulado em plástico, denominada de ‘extrusão’. Em que pese o laudo técnico comprovar que a produção do plástico representou apenas 13,4% do custo final de uma embalagem com composição gráfica (...)” Em que pese a argumentação da recorrente, temse que é possível, a partir dos elementos por ela própria agregados ao processo, concluir que a empresa executa processo de industrialização. Como não se apresenta impugnação específica aos tópicos objetos da glosa (em decorrência de a matéria estar sendo discutida em juízo), inviável a vinculação à autuação por produto, para que se pudesse especificamente discutir em relação a um caso concreto se houve ou não subsunção aos precedentes narrados. Improcedente, assim, a argumentação da recorrente nesse aspecto. Dos precedentes administrativos e judiciais Como destacou o julgador de primeira instância, as decisões judiciais e administrativas não vinculam o julgador administrativo. São expressamente previstas na legislação as hipóteses em que a jurisprudência vincula o julgador administrativo (v.g. as tratadas no § 6o do art. 26A do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009; e no art. 62A do Regimento Interno do CARF). Mesmo diante de tais hipóteses, só há vinculação se as características do caso concreto permitirem enquadrálo estritamente no precedente. E é exatamente ao art. 62A do RICARF que a recorrente remete ao afirmar que a decisão exarada no REsp no 1.092.206/SP, na sistemática dos recursos repetitivos, seria de cumprimento obrigatório por este tribunal. Tal julgado trata da delimitação da competência tributária entre Estados e Municípios, aclarando que as operações de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, estão sujeitas ao ISS(QN), e não ao ICMS: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DELIMITAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ENTRE ESTADOS E MUNICÍPIOS. ICMS E ISSQN. CRITÉRIOS. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. SÚMULA 156 DO STJ. 1. Segundo decorre do sistema normativo específico (art. 155, II, § 2º, IX, b e 156, III da CF, art. 2º, IV, da LC 87/96 e art. 1º, § 2º, da LC 116/03), a delimitação dos campos de competência tributária entre Estados e Municípios, relativamente à incidência de ICMS e de ISSQN, está submetida aos seguintes critérios: (a) sobre operações de circulação de mercadoria e sobre serviços de transporte interestadual e internacional e de comunicações incide ICMS; (b) sobre operações de prestação de serviços compreendidos na lista de que trata a LC 116/03 (que sucedeu ao DL 406/68), incide ISSQN; e (c) sobre operações mistas, assim entendidas as que agregam mercadorias e serviços, incide o ISSQN sempre que o serviço agregado estiver compreendido na lista de que trata a LC 116/03 e incide ICMS sempre que o serviço agregado não estiver previsto na referida lista. 2. As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11516.002719/200695 Acórdão n.º 3403001.982 S3C4T3 Fl. 443 7 13.05). Consequentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção. 3. Recurso especial provido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifo nosso) 2 A decisão exarada pela DRJ não apresenta relação antagônica com o exposto no precedente, seja pelo fato de não versarem sobre os mesmos tributos, ou ainda por tratarem de situações fáticas distintas. Vejase que a decisão do STJ não trata de industrialização, mas simplesmente de composição gráfica, o que, como já se esclareceu aqui, não corresponde ao caso narrado nestes autos. Igualmente, os demais precedentes administrativos e judiciais apresentados pela recorrente, como já avaliou o julgador de primeira instância (o que se endossa), não guardam relação lógica com o caso analisado no presente processo, seja porque se referem à distinção entre mercadoria e serviço para efeito de ICMS/ISS(QN), porque versam sobre diplomas à luz da ordem constitucional anterior, ou mesmo porque tratam de situações de fato distintas da aqui apresentada. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan 2 STJ, Primeira Seção, REsp n. 1.092.206/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, j. 11/03/2009, p. DJe 23/03/2009. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 15504.000213/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA TÁCITA. NÃO CONHECIMENTO.
O acordo Judicial celebrado entre as partes ativa e passiva da relação jurídica tributária, em sede de Recurso Especial, devidamente homologado por Ministro do STJ, seguido por parcelamento administrativo do crédito tributário correspondente, implica desistência tácita do Recurso interposto, em decorrência da perda do objeto, circunstância que importa no não conhecimento do Recurso Voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário pela perda de seu objeto, em vista de acordo judicial.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrentes ESTADO DE MG SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DRJ BELO HORIZONTE MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA TÁCITA. NÃO CONHECIMENTO. O acordo Judicial celebrado entre as partes ativa e passiva da relação jurídica tributária, em sede de Recurso Especial, devidamente homologado por Ministro do STJ, seguido por parcelamento administrativo do crédito tributário correspondente, implica desistência tácita do Recurso interposto, em decorrência da perda do objeto, circunstância que importa no não conhecimento do Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário pela perda de seu objeto, em vista de acordo judicial. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva – Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 02 13 /2 00 8- 01 Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2002 Data da lavratura da NFLD: 20/12/2007. Data de ciência da NFLD: 02/01/2008. Tratase de Lançamento Tributário formalizado mediante a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, constituído em desfavor do Estado de Minas Gerais – Secretaria de Estado de Educação, consistente em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, bem como as contribuições patronais destinadas ao financiamento da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados não efetivos vinculados ao RGPS Regime Geral de Previdência Social – no período de 12/1998 a 12/2002, conforme descrito no relatório fiscal a fls. 171/176. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação a fls. 182/212. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito em diligência para que fossem analisados os pontos abordados pelo impugnante e a listagem de servidores apresentada, e elaboração de parecer conclusivo quanto às alegações do impugnante, principalmente, no que tange às inconsistências relatadas e às questões suscitadas no pedido de perícia, conforme despacho a fls. 1125/1130. A fiscalização manifestouse a fls. 1.200 a 1.212, sugerindo a retificação do lançamento. O Estado de Minas Gerais manifestouse a fls. 1.223. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte exarou a decisão a fls. 1.280/1.304, julgando procedente em parte o lançamento fiscal, para dele fazer excluir os valores referentes às aposentadorias concedidas e pagas pelo Estado de Minas Gerais – Secretaria de Estado de Educação, retificando o crédito tributário na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR a fls. 1312/1340, recorrendo de ofício de sua decisão. Inconformado com a decisão prolatada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1347/1361, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Decadência quinquenal do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário; · Que a produção de prova pericial é indispensável para se verificar os valores lançados; Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.000213/200801 Acórdão n.º 2302002.437 S2C3T2 Fl. 2.396 3 · Que os servidores objeto do presente lançamento são vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, estando excluídos do Regime Geral de Previdência Social. Aduz que, por tal razão, “falece competência ao INSS para cobrar contribuições previdenciárias dos servidores estaduais cedidos de outros órgãos, detentores de função pública e contratados administrativamente, máxime quando se encontram em vigor as leis e Constituição Estaduais tratando sobre a vinculação destes servidores a regime próprio estadual”; Ao fim, requer extinção do processo com seu arquivamento, em razão da transação havida entre as partes, ou, alternativamente, a reforma da decisão recorrida, para anular o lançamento efetuado e reconhecer a inexistência do débito nele representado. O Julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2302000.127, de 01 de dezembro de 2011, a fls. 1402/1403, para que fosse juntada cópia da petição inicial do mandado de segurança impetrado pelo Recorrente, bem como do acordo judicial, e que fosse informado, ainda, se o crédito tributário aviado na presente NFLD estaria incluído em Parcelamento Especial. Fruto do incidente processual mencionado no parágrafo anterior, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG emitiu Informação Fiscal a fl. 2385, em que consta, verbis: 1. Em cumprimento à diligência determinada pela 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Resolução nº 2302000.127, relativa à NFLD nº 37.062+8411, juntamos ao presente cópia do Mandado de Segurança – Proc. Nº 1999.38.00.0178182 e do Acordo Judicial celebrado entre a União e o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e o Estado de Minas Gerais. 2. Conforme planilha encaminhada pelo Estado, através do oficio nº101/2011, também juntada ao presente, a NFLD em referência, foi apenas parcialmente incluída no parcelamento. 3. Cópia deste despacho está sendo encaminhada ao contribuinte para ciência e manifestação no prazo de 30 dias a contar da data do recebimento. Promovida a ciência do sujeito passivo a respeito da Resolução acima referida, bem como da Informação Fiscal dela decorrente, conforme Termo de Intimação e Aviso de Recebimento a fls. 2386/2391, o Recorrente deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora assinalado, sem se manifestar nos autos do vertente Processo Administrativo Fiscal. Relatados, sumariamente, os fatos relevantes. Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc 1. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Devidamente intimado da decisão de 1ª Instância Administrativa, o Ente Federativo em tela ofereceu Recurso Voluntário requerendo, preliminarmente, a extinção do processo com seu arquivamento, nos termos do art. 52 da Lei Federal nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, tendo em vista a transação havida entre as partes. Com efeito, visando a por fim ao litígio, a União e o Instituto Social do Seguro Social – INSS e o Estado de Minas Gerais celebraram Acordo Judicial, nos autos do Recurso Especial nº 1.135.162/MG, a fls. 2373/2379, em que as partes acima identificadas renunciam a prazos recursais, uma vez integralmente homologado o acordo, a qual se deu aos 18 dias do mês de agosto de 2010, conforme decisão a fls. 2380/2381. Em consequência do Acordo firmado, o Estado de Minas Gerais aderiu ao parcelamento a que se refere a Lei nº 11.941/2009, conforme Ofício nº 101/2011 da AdvocaciaGeral do Estado de Minas Gerais a fl. 2383, nele estando incluídos o crédito tributário objeto na NFLD nº 37.062.8411, ora em julgamento, relativo, exclusivamente, às obrigações tributárias não alcançadas pelo decurso do prazo decadencial, nos termos do Ofício GS 001728/2010 do gabinete do Secretário de Estado de Educação do Estado de Minas Gerais, a fls. 2296/2301 e do Requerimento de Consolidação de Parcelamento da Secretaria de Estado de Educação do Estado de Minas Gerais, a fls. 2291/2294, de 30 de agosto de 2010. Nesse cenário, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário oferecido pelo Estado de Minas Gerais – Secretaria de Estado de Educação, em razão de desistência tácita decorrente do acordo judicial celebrado entre o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS, nos autos do Recurso Especial nº 1.135.162/MG, a fls. 2373/2379, com parecer favorável do Ministério Público Federal e Homologado pelo Min. Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça. 2. DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme consignado na Informação Fiscal a fls. 1200/1212, a Fiscalização verificou que, na época do levantamento do crédito tributário, havia indicação de servidores afastados e aguardando solução de pedidos de aposentadoria, na sua maioria por invalidez, feitos judicialmente. Tais pedidos, em sua maioria, tiveram como desfecho, principalmente a partir de meados de 2006, a concessão da aposentadoria e cujos pagamentos deveriam ser realizados pelos cofres do Estado de Minas Gerais. Concluiu a fiscalização que, nesses casos de aposentadorias de servidores não detentores de cargos efetivos, concedida judicialmente e cujo beneficio é arcado pelo Estado de Minas Gerais, os valores pagos pelo Ente Federativo não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e, por tal razão, deveriam ser excluídos do lançamento. Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.000213/200801 Acórdão n.º 2302002.437 S2C3T2 Fl. 2.397 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, corroborando o entendimento da Fiscalização, promoveu a exclusão dos valores ora em realce do lançamento em debate e recorreu de ofício de sua decisão. Não merece reparo, contudo, a decisão do Órgão Julgador de 1ª Instância. Com efeito, ao determinar a concessão da aposentadoria, e cujos pagamentos deveriam ser realizados pelos cofres do Estado de Minas Gerais, o Poder Judiciário reconheceu a vinculação dos servidores beneficiários ao RPPS do ente federativo em relevo. Tal circunstância exclui do campo de incidência das contribuições previdenciárias os montantes pagos pelo Estado em foco a seus servidores aposentados. Por tais razões, pautamos pela negativa de provimento ao recurso de ofício. 3. CONCLUSÃO Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento do recurso voluntário formulado a fls. 1347/1361, em razão da perda de seu objeto. Outrossim, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003833/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO
DO DIREITO DE DEFESA
A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância.
Anular Decisão de Primeira Instância
Numero da decisão: 2401-002.330
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Anular Decisão de Primeira Instância Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.253.3957, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados não recolhidos na época própria, levantadas por aferição indireta, no período de 01/2005 a 12/2006, inclusive 13. salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 71 a 86, o lançamento compreende os seguintes levantamentos: ABN – Abono – Rubrica 1045; ETD, ETP, Z3, Z4 – Estagiários caracterizados como empregados, P26, PA2, PM2 – remuneração de empregados paga em desacordo com a lei 10.101/00. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 09/11/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 16/11/2009. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 94 a 116 . Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 162 a 169. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 204 a 237, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Não foi respeitado o limite máximo do salário de contribuição em relação a contribuição dos segurado empregados. 2. Ainda que o teto tenha sido respeitado não houve a abertura dos valores por segurado, o que inviabiliza a defesa da recorrente. Assim, resta comprovado que os limites legais e as regras que norteiam a atividade fiscal, além dos princípios da verdade material e da legalidade não foram respeitados. 3. Assim, caso não se entenda pela nulidade, requer seja realizada diligência, para que e apure os valores corretos da contribuição. 4. Ao contrário do entendimento adotado pela autoridade fiscal o valor dos abonos pagos aos segurados empregados não consiste em salário de contribuição, primeiramente porque não se trata de pagamento habitual, pelo contrário é paga uma única vez ao ano; ademais, existe expressa previsão em convenção coletiva para o pagamento. 5. Demonstrado que os valores dos abonos não constituem remuneração deve ser reformada a decisão. 6. Os pagamento feitos à título de bolsa para o estagiário não constituem salário de contribuição, sendo equivacado o entendimento que caracterizou os estagiários como segurados empregados, basenadose primeiramente no fato de que a Resolução CNE/CEB n. 1 de 2004, não pode ultrapassar os ditames legais, fixando jornada de trabalho do estagiário. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 2401002.330 S2C4T1 Fl. 2 3 7. Quanto a alegação de que o estágio encontravase irregular, posto que não eram exercidas atividades vinculadas estritamente a grade curricular do curso que o estagiário estava cursando, ressaltase que nada impede que uma aluno de radicalismo não poderia exercer a profissão bancária, tão antiga quanto o capitalismo, mais antiga que a previdência social. Ademais, a simples leitura do acordão observase que a autoridade fiscal atribuiu a quase totalidade dos estagiários as mesmas funções sem observar as peculiaridades de cada contrato celebrado. 8. Mesmo para os estagiários de agência, que em regra tem a pretensão de tornaremse bancários, senão não teriam buscado estágio nessa área, queda clara a aquisição de conhecimento. 9. Todos os compromissos de estágio foram submetidos as instituições de ensino que chancelaram integralmente os termos firmados. 10. Resta absurda a pretensão da decisão ora recorrida de formar vínculo face a existência dos requisitos do vínculo de emprego, atribuindose a condição de juiz do trabalho. 11. Ademais, para ingressar nos quadros do banco necessária a realização de concurso público, não se admitindo que se determine vínculo de emprego com os estagiários. 12. Quanto ao pagamento de PLR, ressaltese que os critérios encontramse detalhadamente previstos nos programas das moedas, descritos pela Resolução 000218/2002 e ratificado pelo acordo coletivo 2005/2006. Assim, não obstante que os critérios estejam claras e plenamente disponíveis, já que o programa de moedas está anexo ao AC. 13. O papel da autoridade julgadora, no processo administrativo é a de atuar com imparcialidade, buscando por todos os meios atuar com imparcialidade, na busca da verdade material. 14. Em tempo algum as regras chanceladas no respectivo acordo ou os valores distribuídos à título da verba em questão foram questionados pela autoridade administrativa, a qual preferiu restringirse a ausência de transcrição das respectivas regras (plenamente conhecidas no acordo coletivo. 15. Além disso, a referida lei exige apenas que os instrumentos de negociação contem regras claras e objetivas para distribuição dos resultados, o que efetivamente ocorreu. Observa se que a lei não exige que as regras constem “no” dispositivo, mas tão somente “do” dispositivo. 16. Assim, como a distribuição dos valores inequivocadamente obedeceu todos os requisitos previstos em lei, não há como se alterar a natureza jurídica do pagamento. 17. Por fim, quanto ao suposto pagamento em mais de duas parcelas anuais, cumpre verificar que estes recolhimentos não refletem novas distribuições, mas apenas complementação da parcela antecipada em montante menor que o firmado na Conveção Coletiva de Trabalho, fato este que não é capaz por si só de desvirtuar a natureza jurídica do pagamento. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 18. O maior exemplo de que o plano encontrase correto é que a empresa nunca foi demandada judicial na esfera trabalhista, para que se questione a natureza dos pagamentos. 19. Face o exposto, requer a nulidade da autuação, tendo em vista que ao desconsiderar o limite do salário de contribuição do segurado ofendeu o art. 142 do CTN. 20. Caso assim, não entenda, seja reformada a decisão posto que não incidem contribuições sobre os valores pagos a título de abono, participação no lucros e bola estágio. 21. Caso, seja mantida qualquer contribuição, requer seja determinada a realização de diligência para o recálculo pela fiscalização, a fim de adequála a legislação em vigor. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10510.003833/200972 Acórdão n.º 2401002.330 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 505. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições referente a parcela dos segurados empregados não descontada, sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados à título de abonos, participação nos lucros em desconformidade com a lei, bem como bolsas de estagiários. Contudo, ao analisar os termos do recurso e da Decisão de Primeira Instância verifiquei uma irregularidade. O recorrente procedeu a alegações quanto ao fato de não ter sido respeitado o limite máximo do salário de contribuição em relação a contribuição dos segurado empregados. Ainda que o teto tenha sido respeitado não houve a abertura dos valores por segurado, o que inviabiliza a defesa da recorrente. Assim, resta comprovado que os limites legais e as regras que norteiam a atividade fiscal, além dos princípios da verdade material e da legalidade não foram respeitados. Assim, caso não se entenda pela nulidade, requer seja realizada diligência, para que e apure os valores corretos da contribuição. Ou seja, apesar de entender que o julgador de primeira instância não é obrigado a enfrentar pontualmente todos os pontos trazidos na impugnação, entendo que devem ser rebatidas as teses apresentadas, bem como os pontos que poderiam ensejar a diminuição do crédito face a constatação de equívocos no lançamento. Não identifiquei na decisão de primeira instância o enfrentamento da questão inerente a não ter o auditor observado o limite do salário de contribuição dos segurados empregados, para fins de lançamento da contribuição do segurado sobre os salários indiretos apurados no lançamento. Assim, entendo que o recorrente teve o seu direito de defesa cerceado, razão porque deve ser anulada a decisão de primeira instância, para que sejam enfrentadas as questões fáticas e de direito apresentadas na impugnação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, nos termos acima expostos. É como voto. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 545DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 10665.001073/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/08/2007
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado
na legislação de regência.
PREVIDENCIÁRIO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA.
Constitui crédito previdenciário as contribuições sociais dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração paga ou creditada e não repassadas integralmente à Seguridade Social.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à
legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.345
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/08/2007 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. Constitui crédito previdenciário as contribuições sociais dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração paga ou creditada e não repassadas integralmente à Seguridade Social. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/08/2007 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. Constitui crédito previdenciário as contribuições sociais dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração paga ou creditada e não repassadas integralmente à Seguridade Social. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10665.001073/200903 Acórdão n.º 2401002.345 S2C4T1 Fl. 104 3 Relatório PADARIA E CONFEITARIA DIVINÓPOLIS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0226.434/2010, às fls. 72/75, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos empregados e contribuintes individuais, arrecadadas pela empresa mediante desconto nos respectivos salários/remunerações e não repassadas integralmente à Seguridade Social na época própria, em relação ao período de 06/2005 a 08/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 18/19. Tratase de Auto de Infração (antiga NFLD), lavrado em 03/09/2009, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 61.712,67 (Sessenta e um mil, setecentos e doze reais e sessenta e sete centavos). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 80/101, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções. Contrapõese ao arbitramento levado a efeito pelo fiscal autuante, alegando que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável ou ausência de apresentação de documentos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte sempre colocou a disposição a contabilidade demonstrando sua regularidade, sobretudo quando o lançamento fora apurado nos documentos ofertados pela autuada, quais sejam, “Folhas de pagamento, recibos de rescisões e férias; GFIP's, emitidas no período de apuração". Acrescenta que a ausência da análise detida da documentação apresentada pela contribuinte, especialmente seu Livro Diário, ensejou a tributação de verbas inseridas no § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, que contempla as hipóteses de não incidência, isenção e/ou imunidade de contribuições previdenciárias, notadamente ValesTransporte concedidos aos funcionários da empresa. Insurgese contra a multa de ofício de 75% aplicada, aduzindo para tanto que a contribuinte vem acumulando prejuízos nos últimos anos, razão pela qual declarou mas não recolheu os tributos ora lançados, sob pena de encerramento de suas atividades, não se cogitando, portanto, na conduta dolosa da autuada de suprimir contribuições previdenciárias. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Defende não ser possível, neste momento processual, a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, sobretudo quando não se comprovou a ocorrência de qualquer crime contra a ordem tributária. Opõese, ainda, à multa de ofício aplicada, por considerála confiscatória, sendo, por conseguinte, ilegal a sua exigência. Traz à colação jurisprudência e doutrina em defesa de seu entendimento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10665.001073/200903 Acórdão n.º 2401002.345 S2C4T1 Fl. 105 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Em suas razões recursais, pretende a recorrente seja declarada a nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório, amparando o lançamento em meras presunções em face de arbitramento levado a efeito de maneira totalmente imotivada. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, às fls. 14/15, e Relatório do Auto de Infração, às fls. 18/19, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento, mormente se tratando de apropriação indébita, onde a contribuinte reteve as contribuições previdenciárias dos segurados empregados, mas não as repassou ao INSS, em total afronta ao disposto no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, que assim dispõe: “Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)” Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das Folhas de Pagamento de Salários, GFIP’s, e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, não deixando margem a qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar a notificada. Dessa forma, não há se falar em arbitramento, irregularidade e/ou ilegalidade, ou mesmo em presunções no procedimento adotado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. MÉRITO No mérito, repisa a contribuinte os argumentos suscitados em sua defesa inaugural, requerendo a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, sustentando que os tributos ora lançados incidiram sobre as verbas inseridas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, que contempla as hipóteses de não incidência, isenção e/ou imunidades das contribuições previdenciárias, especialmente concedidas a título de Vales Transporte. Pretende, ainda, seja afastada a multa de ofício de 75%, aduzindo que a contribuinte vem acumulando prejuízos nos últimos anos, razão pela qual declarou mas não recolheu os tributos ora lançados, sob pena de encerramento de suas atividades, não se cogitando, portanto, na conduta dolosa da autuada de suprimir contribuições previdenciárias. Mais uma vez, inobstante o esforço da recorrente, suas alegações não merecem acolhimento, não sendo capazes de rechaçar a exigência fiscal formalizada no presente lançamento. De início, impende registrar que a apuração das contribuições previdenciárias ora guerreadas se deu a partir da arrecadação das mesmas pela contribuinte e a falta do respectivo recolhimento, como a própria recorrente reconhece ao requerer a inaplicabilidade da multa de ofício, não havendo se falar em lançamento de tributos incidentes sobre verbas não incluídas na base de cálculo dos tributos lançados. Mais a mais, tratandose de questão de fato, incumbe à contribuinte provar o alegado de maneira hábil e idônea, o que não se vislumbra na hipótese vertente, onde a sua pretensão encontrase escorada em simples alegações desprovidas de qualquer elemento de prova. Igualmente, melhor sorte não está reservada à contribuinte relativamente ao seu insurgimento à multa de ofício aplicada. Isto porque, o fato de a empresa vir pretensamente acumulando prejuízos nos últimos anos não oferece sustentáculo a desoneração da multa de ofício, atribuída nas hipóteses de lavratura de autuações, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, aplicado retroativamente em observância ao princípio da retroatividade benigna, conforme restou devidamente explicitado no Relatório Fiscal. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10665.001073/200903 Acórdão n.º 2401002.345 S2C4T1 Fl. 106 7 DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos e multa aplicada, encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Com efeito, além da exigência dos tributos ora lançados, com os respectivos acréscimos legais, encontrar respaldo na legislação previdenciária/tributária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10665.001073/200903 Acórdão n.º 2401002.345 S2C4T1 Fl. 107 9 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10480.909505/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.909505/200986 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.173 – 2ª Turma Especial Data 06 de março de 2013 Assunto Diligência Recorrente PLASTICOR BRINDES IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 09 50 5/ 20 09 -8 6 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909505/200986 Resolução nº 1802000.173 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife PE, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Consta do presente processo que a Recorrente no anobase de 2003, a época optante do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos através do DARFSimples (extrato de fl. 23), e transmitiu, via internet, a Declaração PJ Simplificada 2004 do anobase 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal. Em setembro de 2004 a Recorrente recebeu uma notificação de exclusão do Simples, retroativa a 01/01/2003, determinando que a mesma entregasse as DCTF's do ano base 2003 e a DIPJ do exercício 2004 para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto à Receita Federal do Brasil (“RFB”) e pudesse, assim, retornar ao Simples. Em 16/05/2005, foi recepcionadas as DCTF’s dos 1º, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003 (fls. 23 a 26v) e em 20/05/2005, foi recepcionada a DIPJ com alteração na forma de tributação para Lucro Presumido (fl. 24v a 29v). Vale salientar que essa entrega feita após o prazo limite estipulado na legislação gerou débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL, bem como multa por atraso na entrega das declarações. Para a extinção da obrigação tributária, a Recorrente transmitiu em 16/05/2005, ou seja, na data da entrega das DCTF’s, PER/DCOMP eletrônica (fls. 01/05) visando compensar DARFSIMPLES recolhido pela sistemática do Simples (Código de Receita 6106), relativo a período de apuração junho de 2003, no valor de R$ 3.501,72 (fls. 02). A este processo coube o valor de R$ 320,58 (fl. 02), na compensação com débito de sua responsabilidade no valor original de R$ 320,58, período de apuração setembro de 2003, correspondente ao PIS (fls. 04, 24 e 30v). A DRF/RecifePE emitiu Despacho Decisório eletrônico, com ciência em 02/06/2009 (fls. 06 a 10), HOMOLOGANDO PARCIALMENTE a compensação declarada, eis que constatou a procedência do crédito original informado, reconhecendose o valor do crédito pretendido, mas o considerou insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, restando um saldo devedor de: R$ 42,89 (principal), R$ 35,34 (multa) e R$ 130,32 (juros). Inconformada com a parte não homologada pela DRF, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 01/07/2009 (fls. 11 a 20), pelos motivos que vão abaixo informados: 01 A requerente sendo optante pelo regime de recolhimento do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos pelo DARF Simples no ano base de 2003, e entregando via intemet a Declaração PJ Simplificada 2004 Ano Base 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal, sendo surpreendida em Setembro/2004 com o recebimento de Notificação de Exclusão do Simples retroativo a 01/01/2003, obrigando a requerente a entregar as DCTF's e a DIPJ do Fl. 84DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909505/200986 Resolução nº 1802000.173 S1TE02 Fl. 4 3 ano base 2003 exercício 2004 fora do prazo legal de entrega, para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto a RF e pudesse, assim, retornar ao regime do Simples, o que veio a gerar Multas p/Atraso na entrega, bem como débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL do ano base 2003, todos gerados após vencimentos, pela exclusão retroativa, e sendo orientada por técnicos da RF a proceder a transmissão de PER/DCOMP para poder fazer a compensação dos débitos gerados dos impostos , acima, pelos pagamentos.do Simples recolhidos em 2003, conforme procedeu, tendo em vista que os pagamentos do Simples eram de valor maior que os débitos gerados nas DCTF's e DIPJ que totalizavam em seu valor original R$ 70.524,64 e os pagamentos do Imposto Simples pagos indevidamente no ano base de 2003 representam o valor total de R$ 89.346,84, conforme poderá ser constatado nas cópias dos documentos em anexo. 02 "Conforme poderá constatar na cópia da PER/DCOMP e nas cópias das declarações que originaram todos os dados acima, os valores gerados pela exclusão do Simples, foram devidamente compensados em seu valor original e ainda houve um saldo remanescente em favor da requerente relativo aos pagamentos do Simples, o que liquida qualquer valor residual que possa vir a ocorrer nas referidas cobranças do Despacho Decisório, ficando a requerente desobrigada do recolhimento de tributos concernentes ao período do ano base de 2003, visto que ainda tem um crédito de recolhimentos a maior de tributos. Finalmente, requer a Recorrente: "Diante do exposto acima, vem mui respeitosamente ratificar sua manifestação de inconformidade com as cobranças geradas, pelo que requer a essa Delegacia de Julgamento que se digne em fazer e/ou mandar fazer uma melhor análise dos valores compensados na PER/DCOMP pelos pagamentos do Simples, bem como requer que, caso os valores cobrados no Despacho Decisório estejam corretos, o saldo residual dos pagamentos do Simples, existente em favor da requerente sejam apropriados nos valores cobrados através do despacho decisório, mesmo que tenham sido pagos no ano base de 2003, visto que, apesar da Per/Dcomp ter sido enviada em 16/05/2005, só em 20/04/2009 é que a mesma foi analisada, impossibilitando assim, que a requerente possa pedir restituição dos valores pagos a maior em 2003, e não é justo que seja penalizada com cobranças de tributos intempestivamente, quando tem um saldo residual em seu favor, por ter a RFB se pronunciado quanto a PER/DCOMP após o período de carência para o pedido de restituição. A DRJ de Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909505/200986 Resolução nº 1802000.173 S1TE02 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE JUROS E DE MULTA DE MORA. Na compensação espontânea efetuada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais (multa de mora e juros), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PROCEDIMENTO DE IMPUTAÇÃO. A compensação de tributo ou contribuição sell acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou pericias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as quais considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Reconhecido” Ciente dessa decisão, em 11/01/2012, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/02/2012, o qual reitera as razões aduzidas na Manifestação de Inconformidade, acrescentando ainda a questão da decadência do crédito em questão. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909505/200986 Resolução nº 1802000.173 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE que manteve o despacho decisório eletrônico da DRF que não homologou integralmente a compensação pleiteada pela Recorrente, eis que entendeu que os créditos ofertados na PER/DCOMP não eram suficientes para a extinção dos débitos correspondentes. A Recorrente no anocalendário de 2003 procedeu regularmente com a sua apuração de tributos pela sistemática do Simples, tendo recolhido os DARF’sSIMPLES mês a mês e, posteriormente, procedido com a entrega tempestiva da Declaração PJ Simplificada 2004. Constatase que no momento em que tais fatos ocorreram não havia qualquer ato que determinasse a exlusão da empresa do regime de apuração, ato este que só ocorreu em setembro de 2004. Neste caso entendo que deve prosperar o princípio da verdade material. Neste sentido James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” Fl. 87DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909505/200986 Resolução nº 1802000.173 S1TE02 Fl. 7 6 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Vale registrar que nos casos de lançamento de ofício para exigência de diferenças de tributos apuradas em decorrência de exclusão do Simples com efeitos retroativos, o aproveitamento dos pagamentos feitos sob o regime simplificado pode se dar até mesmo de ofício, independentemente de apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS e COFINS, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. No caso aqui examinado, a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do Simples, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos, apurados, de acordo com o regime do lucro presumido. A solução dessa lide depende de uma instrução complementar, a ser realizada pela delegacia de origem. Assim, o exame do encontro de contas depende: 1 da decomposição do pagamento no código 6106, para identificação das parcelas referentes a cada um dos tributos englobados neste pagamento unificado; 2 da confrontação destas parcelas com os débitos relativos ao regime de tributação que substituiu o Simples (Lucro Presumido), identificando eventuais excessos, caso existam. Só depois disso é que se poderá verificar em que medida os débitos informados no PER/DCOMP objeto destes autos podem ser quitados pelo alegado crédito. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Recife atenda ao acima solicitado. (documento assinado digitalmente) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909505/200986 Resolução nº 1802000.173 S1TE02 Fl. 8 7 Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 89DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10073.720432/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
Ementa:
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO.
EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação
permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITO. Para efeito de
sua exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas
básicas e a proibição de supressão de sua vegetação.
DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para alteração do VTN/ha arbitrado
pela autoridade fiscal, com base no “Laudo de Avaliação” apresentado pelo próprio contribuinte, exige-se a apresentação de novo laudo que demonstre, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado e justifique a divergência de valor.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.778
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de Preservação Permanente de 228,0 hectares. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, que negou provimento ao recurso.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITO. Para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para alteração do VTN/ha arbitrado pela autoridade fiscal, com base no “Laudo de Avaliação” apresentado pelo próprio contribuinte, exige-se a apresentação de novo laudo que demonstre, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado e justifique a divergência de valor. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITO. Para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para alteração do VTN/ha arbitrado pela autoridade fiscal, com base no “Laudo de Avaliação” apresentado pelo próprio contribuinte, exigese a apresentação de novo laudo que demonstre, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado e justifique a divergência de valor. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de Preservação Permanente de 228,0 hectares. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 19/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 01/05) para exigir crédito tributário de ITR, exercício de 2005, no montante total de R$13.465,18, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/10/2008. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.04) foi elevado, com base em Laudo apresentado pelo próprio contribuinte (fls.44/56), o valor declarado do VTN do imóvel de R$14.979,07 para R$191.000,00 e glosadas integralmente a área de Preservação Permanente de 228,0ha e a área de utilização limitada/reserva legal de 50,0ha, do imóvel “Sítio São Gerônimo” (NIRF n° 3.365.3780), cuja área total declarada de 380,0ha, está localizada no Município de Angra dos Reis/RJ. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls.02), consta como Complemento da Descrição dos Fatos, a seguinte informação: “O contribuição apresentou laudos técnicos e de avaliação onde se apurou VTN de R$191.000,00; O ato declaratório ambiente foi protocolado no Ibama em 21/12/2007, portanto fora do prazo fixado pela legislação; não foi apresentada cópia da matrícula no registro imobiliário com averbação da área de reserva legal.” DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente, impugnação, fls.79/83, acompanhada dos documentos de fls.78/83, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: no imóvel existe ampla área florestal, com topografia formada por morros de 300 a 1.112 metros de altitude, recursos hídricos representados por nascente, riachos e córregos, totalizando como área de preservação permanente (recursos naturais) 228,0ha, devidamente comprovada por laudos técnicos, Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720432/200804 Acórdão n.º 2201001.778 S2C2T1 Fl. 2 3 conforme demonstrado na impugnação à Notificação de Lançamento nº 07105/000061/2007, referente ao ITR/2003 como fato novo e relevante temos a desapropriação da área em pauta, considerada inquestionavelmente como área de Mata Atlântica, preservada conforme Decreto nº 41.358/2008, criando o Parque Estadual de Cunhambebe, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 16/06/2008, doc. anexo; esse Decreto inclusive torna a área praticamente sem valor comercial para desapropriação, principalmente por ser uma POSSE sem escritura pública válida; por um lapso anterior, não tinha ainda sido apresentado que a terra em pauta está sendo disputada pelos antigos proprietários da mesma, Espólio de José Maria Coutinho Nevares (Processo nº 2001.003.0045954 da 2ª Vara Civil da Comarca de Angra dos Reis, o qual inclusive também recolhe ITR para a mesma área); dentro desta nova realidade, o valor da terra nua para cálculo do ITR deverá ser considerado após a desapropriação, ficando seu valor como apenas uma posse contestada, insignificante; pondera que o ADA é um formulário fornecido pelo IBAMA, preenchido pelo proprietário da terra; procura justificar a não protocolização, dentro do prazo estabelecido, do ADA no IBAMA (desconhecimento total dessa exigência); conforme relatado na impugnação ao processo nº 10073/000006/200842, “ainda que o ADA não tenha sido apresentado à época da intimação recebida, há que se considerar o Princípio da Verdade Material, que garante ao Contribuinte o direito de apresentar documentos comprobatórios no momento da impugnação, conforme art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72”; a favor da sua tese (Verdade Material), cita julgados do antigo Conselho de Contribuintes (Acórdão 20312338 e 10318789); justifica a não apresentação da matrícula do imóvel, tratase de área de posse, agora pertencente ao Parque Estadual Cunhambebe e desapropriada; por ter adquirido a referida área com fins de ser preservada ecologicamente, sente aliviado de a referida área terse tornado agora parte do citado Parque Estadual, solicitando a procedência da presente impugnação.” DA DECISÃO DA DRJ Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSB n° 0343.658, de 22 de junho de 2011, fls.91/99, em decisão assim ementada: DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do cálculo do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel ou, no caso de posse, a existência de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado em data anterior à do fato gerador do imposto. Lançamento Procedente.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão da DRJ em 01/12/2011 (“AR” fls. 104 do PDF), o contribuinte apresentou na data de 16/12/2011, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 109/133, em que ratifica os termos da impugnação apresentada, insurgindose preponderantemente sobre os seguintes pontos: • É possuidor da área desde 1989, cuja posse estava sendo pleiteada através do Processo de Usucapião, que tramitou Comarca Cível de Angra dos Reis/RJ e foi julgado improcedente, sendo portanto indevida a cobrança de diferença de imposto sobre terras que não possuía. • Os antigos proprietários também pagavam ITR sobre essa área. • As autoridades julgadoras “teriam duas alternativas para discordar do cálculo, processar o avaliador e este contribuinte por tentar levar V.Sas. a erro ou verificar in loco a veracidade do que está sendo afirmado e poderem ter uma opinião Real e não aleatória.” • Discorda ainda da indispensabilidade do ADA; • Informa que o imóvel foi vendido por R$200.000,00 • Aduz que as áreas já foram comprovadas, através de diversos laudos e avaliações, emitidos por profissionais devidamente habilitados. • Em sua defesa, utiliza dos mesmos fundamentos de Fato e de Direito, do Recurso Voluntário Apresentado 11/03/2010. • A autoridade fiscal desconsiderou os valores atribuídos ao terreno declarados pelo contribuinte na DITR, especialmente em relação a parte integrante de reserva de preservação permanente, se valendo de critérios próprios e desconhecidos, utilizando programa próprio (SIPT) para o arbitramento de sua avaliação. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720432/200804 Acórdão n.º 2201001.778 S2C2T1 Fl. 3 5 É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. No mérito, a controvérsia versa sobre a imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA no IBAMA, para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, bem como o arbitramento do valor do VTN do imóvel. Assim, passemos a análise individualizada desses pontos. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA Tenho entendimento similar ao recorrente que para excluir da base de cálculo do ITR, a área de Preservação Permanente e Reserva Legal seja imprescindível a apresentação tempestiva do ADA, sendo esse mais um elemento do prova a pretensão do contribuinte. Analisando a legislação, concluo que a finalidade precípua do ADA foi a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo portanto o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. A obrigatoriedade do ADA está prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima, verificase que o §1º instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art.2º e 16 da Lei n.4.771/65 da base de cálculo do ITR que assim dispõe: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720432/200804 Acórdão n.º 2201001.778 S2C2T1 Fl. 4 7 §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) §9oA averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) §10.Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) §11.Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) PRESERVAÇÃO PERMANENTE Da análise dos dispositivos legais acima, verificase que a lei define, objetivamente, a área de preservação permanente, independente de qualquer determinação do poder público. Assim, a comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. No processo o contribuinte apresentou Laudo Técnico devidamente acompanhado de ART, comprovando a área de preservação permanente de 228,0ha e detalhando in fine (fls.39): “CONCLUSÃO Considerando a Legislação Ambiental Vigente em que na propriedade temos 60% de mata ativa – (Mata Atlântica), contabilizando a margem do Córrego, 1/3 superior de topo de morro, declividade entre 17” (dezessete graus) e 45” (quarenta e cinco graus) no mínimo 50 metros no entorno de nascente; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 8 segundo a análise expedida, constatei o valor total da área de preservação permanente como sendo 228,0 hectares.”. Por todo o exposto, entendo que a área declarada de 228,0ha de Preservação Permanente, estando devidamente comprovada, deve ser restabelecida para ser acolhida como área não tributável. ÁREA DE RESERVA LEGAL Entretanto, outro é meu julgamento sobre a área de Reserva Legal, apesar de reconhecer a pressimbilidade do ADA, entendo que para a área de Reserva Legal ser excluída da área tributável, é necessária a averbação na matrícula do imóvel, nos termos do §8o, do art.16 do Código Florestal, acima transcrito. A averbação da área de reserva legal, não visa, tão somente, vedar a alteração de sua destinação em caso de transmissão do imóvel a qualquer título ou de desmembramento da área, mais de definir qual área deve ser considerada de reserva legal, para atingir a finalidade da lei de defesa e preservação do meio ambiente. No caso de posse, como no presente caso, a averbação na matrícula do imóvel deve ser substituída por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as características ecológicas e a proibição da supressão da vegetação, conforme expressa previsão do §10o mesmo artigo acima citado. Na falta da respectiva averbação ou do Termo de Ajustamento de Conduta, não há como restabelecer a área de reserva legal declarada. Ademais analisando atentamente o Laudo apresentado pelo contribuinte, acostados às fls.35/39, o mesmo se refere apenas ao “Quantitativo da Área de Preservação Permanente”, não havendo qualquer menção a área declarada de Reserva Legal. Tampouco no Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel e Anexo, acostado às fls. 44/56, não consta qualquer menção a área declarada de Reserva Legal. Assim no que se refere a glosa da Área de Reserva Legal, não há qualquer reparo a fazer ao lançamento. VTN Quanto ao VTN, o valor utilizado para arbitramento foi o trazido pelo próprio contribuinte no Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel, no montante de R$191.000,00 (fls.56). Assim não é compreensível sua irresignação. Se quisesse ver diminuído ainda mais esse valor, deveria ter trazido novo Laudo, nos mesmos moldes do anteriormente apresentado e que justificasse a divergência de valor. Por fim, cabe ainda destacar que a discussão do presente processo referese a anocalendário anterior a mencionada desapropriação do imóvel e apesar da posse contestada, o lançamento combatido é decorrente de DIAT apresentada pelo próprio contribuinte. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10073.720432/200804 Acórdão n.º 2201001.778 S2C2T1 Fl. 5 9 Quanto a duplicidade de pagamento alegada pelo contribuinte, que afirma que os antigos proprietários do imóvel também pagaram ITR relativo a esse mesmo período, essa informação não restou devidamente comprovada nos autos. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial para restabelecer a área de preservação permanente equivalente a 228,0ha. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 19/09/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10120.000806/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.294
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos propostos pela relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos propostos pela relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.000806/201075 Resolução n.º 3201000.294 S3C2T1 Fl. 2 2 RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de pedido de restituição, formalizado em formulário, no qual a contribuinte acima identificada pretende recuperar valores pagos a título de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Combustível, na aquisição de combustíveis efetuada no período de janeiro a dezembro de 2005, no total de R$ 657.849,31, sob o argumento de desvio de finalidade de aplicação dos recursos da referida contribuição. Ao examinar a questão, a autoridade fiscal competente no despacho decisório (fls. 41 a 47), resolveu indeferir o pedido de restituição, por ausência do pagamento indevido ou a maior; crédito líquido e certo, e falta de legitimidade para pleitear a restituição. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 02/03/2010 (AR – fl. 50). Inconformada apresentou em 30/03/2010, a manifestação de inconformidade (fls. 51 a 70), na qual transcreve os fatos, discorre sobre o recolhido indevido da CIDECombustível incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico, instituída pelo artigo 1° da Lei n° 10.336, de 2001, em função dos arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda nº 33, de 2001, e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos: 1.1 DA POSSIBILIDADE DO PEDIDO. considerar não formulado o pedido de restituição não se aplica a ela, haja vista a existência de previsão normativa, para o procedimento adotado à época, qual seja a IN da SRF n° 900/08, pois o pedido foi feito em formulário, por ausência de previsão para pleitear a restituição mediante o PER/DCOMP; a impossibilidade de utilizar PER/DCOMP se verifica logo no início do preenchimento, quando é exigido a data de arrecadação do DARF, informação esta impossível, já que a origem do crédito são as notas fiscais de aquisição do produto e não os DARF e, assim, justifica o pedido de restituição em formulário previsto no Anexo I da IN 900/08; 1.2 DA LEGITIMIDADE. embora não sendo contribuinte da CIDE, a possibilidade jurídica do pedido, caracterizase pela sua atividade, consumidora final do produto que sofreu a incidência dessa contribuição, quando da compra de combustíveis, assumindo inteiramente o ônus e/ou suportando o encargo financeiro respectivo; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.000806/201075 Resolução n.º 3201000.294 S3C2T1 Fl. 3 3 o direito ao crédito da CIDE não se restringe ao contribuinte de direito, mas da condição prevista no artigo 166 do CTN, ou seja, contribuinte de fato, tendo em vista que adquiriu os produtos inerentes à sua atividade na qualidade de sujeito final da operação tributável da CIDE–Combustível; ao adquirir os produtos do contribuinte de direito suportou a incidência e repercussão final da referida contribuição lançada em toda a cadeia tributária. Assim, embasada no artigo 166 do CTN, é a parte ativa, afastandose a afirmação de que somente seria possível ao Produtor, Formulador e Importador dos combustíveis, ingressar contra o Fisco para pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de CIDE – Combustível; 1.3 INEXISTÊNCIA DE DARF. a ausência de DARF justificase, por ser contribuinte de fato, não estando seu ônus representado em guia DARF, mas pelas notas fiscais comprobatórias de aquisição dos combustíveis. A emissão de DARF para recolhimento é ato acessório, cuja obrigação é atribuída ao contribuinte de direito da contribuição; a planilha acostada aos autos demonstra que seu crédito não se baseou nos DARF, mas, nas Notas Fiscais de aquisição de combustível junto ao Produtor, no período de janeiro a dezembro de 2005, que resultou crédito no montante de R$ 657.849,31; 1.4 DO DIREITO a Constituição Federal, nos artigos 149 e 177, visou garantir a atuação da União quanto à instituição das contribuições sociais e intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, especialmente as incidentes nas atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível; a CIDECombustível será revertida ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás; e ao financiamento de programas de infra estrutura de transportes; a contribuição nasceu com a Emenda Constitucional n° 33, de 2001, que inseriu o parágrafo 4º ao art. 177 da Carta Magna, e instituída pela Lei n° 10.336/2001, alterada pela Lei 10.363/2002, que estabeleceu novas alíquotas e a destinação e objetivos essenciais; 1.5 DESVIO DE FINALIDADE com arrimo na doutrina, o traço marcante e distintivo da contribuição de intervenção no domínio econômico é a obediência às finalidades que Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.000806/201075 Resolução n.º 3201000.294 S3C2T1 Fl. 4 4 justificam a sua criação. Assim também está a jurisprudência do STF (RE n° 209.3653/SP); o desvio de finalidade dos recursos da CideCombustível foi reconhecido por decisão do TCU. Assim, constado desvio de finalidade, ocorre o indevido pagamento da CIDE e, por conseqüência, o direito líquido e certo de pleitear a sua restituição; 1.6 DA INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. a Constituição Federal determinou ser obrigatória a vinculação entre os valores arrecadados com a CIDE e a sua aplicação, o que em nenhum momento diverge do texto legal. A CIDECombustível passou a ser devida a partir de janeiro de 2002 para garantir investimentos na infraestrutura de transportes e recuperar o meio ambiente danificado pelo uso do petróleo, gás e álcool; o produto da arrecadação da Cidecombustível seria destinado, na forma da lei orçamentária, ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, de gás natural e seus derivados e de derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás e financiamento de programas de infra estrutura de transportes; para Cretella Júnior (Tratado de Direito Administrativo. RJ. Forense, 1966. V. 2.) desvio de finalidade consiste no afastamento do espírito da lei, ou seja, "desvirtuando o fim, desvirtuase o ato, eivase de vício irreparável, configurase denominado desvio do fim, desvio de finalidade ou desvio de poder"; o Conselho de Contribuintes, em análise de aplicação e interpretação de legislação, firmou entendimento quanto à necessária observância e convergência entre lei e finalidade, posicionandose no sentido de que "não atender ao fim legal é desatender à própria lei"; não restam dúvidas quanto à possibilidade de restituição dos valores por ela recolhidos da CIDECobustíveis, nos moldes da legislação vigente, que comprovadamente sofreram desvinculação entre lei e sua finalidade, não atendendo, assim, ao preceito constitucional; demonstrada regularidade de sua pretensão, resta incontestável seu direito de pleitear/repetir a restituição dos valores da CIDE–Combustível, relacionados na planilha anexada ao pedido inicial, recolhidos indevidamente no período de R$ 657.849,31, com as atualizações monetárias correspondentes. No pedido, requer seja acolhida a sua manifestação de inconformidade para reformar o despacho decisório; deferir o pedido de restituição; reconhecer o seu direito à restituição dos valores pagos a título de CIDECombustível, corrigidos por índices que reflitam a real variação inflacionária do período ou sejam ainda homologadas compensações porventura realizadas com Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.000806/201075 Resolução n.º 3201000.294 S3C2T1 Fl. 5 5 créditos objeto do Pedido de Restituição e finalmente a suspensão de quaisquer cobranças de débitos tributários, por ser da mais colimada ordem de direito e lídima Justiça.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BSB n° 0337.390, de 09/06/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 LEGITIMIDADE RESTITUIÇÃO CIDECOMBUSTÍVEL . COMPETÊNCIA PARA AFASTAR NORMA LEGAL. A legitimidade para pleitear a restituição de valores da CIDECombustível pagos indevidamente somente cabe ao contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição, estabelecida pela norma tributária. A contribuinte de fato (consumidora final) não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária pessoal e direta com o fato gerador da CIDECombustível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, tendo em vista que a empresa não tem legitimidade para pleitear a restituição de valores da CIDECombustível pagos indevidamente, pois somente cabe ao contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição, estabelecida pela norma tributária. A contribuinte de fato (consumidora final) não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária pessoal e direta com o fato gerador da CIDECombustível. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim Não obstante o despacho, (com numeração a punho de fl. 113) do SEORT da Delegacia da Receita Federal em Goiânia/GO, onde consta que a contribuinte foi cientificada em 16/07/2010 (fls. 89/90), do teor do Acórdão n° 0337.390 da 4ª Turma da DRJ/BSB de 10.06.2010 (fls. 82/88) e apresentou, tempestivamente, em 17.08.2010, recurso voluntário, cujo documento foi juntado As fls. 91/112 numerado e rubricado. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.000806/201075 Resolução n.º 3201000.294 S3C2T1 Fl. 6 6 Apesar da declaração de tempestividade do recurso voluntário acima, para que fique bem claro para fins de possibilitar a análise do mérito, dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para: que o órgão de origem, verifique, de fato, a tempestividade ou não do recurso voluntário, a despeito do despacho mencionado acima, tendo em vista, AR à fl. 90, com recebimento em 16/07/2010 e o RV apresentado, consta carimbo, em sua primeira folha, com data de 18/06/2010, à fl. 91, contrariando a data aludida. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para prosseguimento por este Conselho. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13011.000281/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS REJEITADOS POR MOTIVOS FORMAIS. REQUISITOS IMPLEMENTADOS NA VIA RECURSAL.
Tendo sido os recibos rejeitados apenas por motivos formais, estes superados na via recursal, deve-se deferir o direito a dedução das despesas médicas consubstanciadas nos recibos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.030
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer as despesas odontológicas com os profissionais José Luiz de Macedo Vieira (R$ 3.000,00), Thatiana Cristina V. de Rezende (R$ 8.000,00) e Thiago F. de Oliveira (R$ 2.450,00).
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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RECIBOS REJEITADOS POR MOTIVOS FORMAIS. REQUISITOS IMPLEMENTADOS NA VIA RECURSAL. Tendo sido os recibos rejeitados apenas por motivos formais, estes superados na via recursal, devese deferir o direito a dedução das despesas médicas consubstanciadas nos recibos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer as despesas odontológicas com os profissionais José Luiz de Macedo Vieira (R$ 3.000,00), Thatiana Cristina V. de Rezende (R$ 8.000,00) e Thiago F. de Oliveira (R$ 2.450,00). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte JOSE LUIZ VIEIRA DA SILVA, CPF/MF nº 147.766.936 15, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 23/07/2007, auto de infração, a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual do exercício 2004. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 5.348,20 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.011,15 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: 1. glosa de despesa com instrução, em decorrência da falta de apresentação de documentação hábil e idônea capaz de comprovar as despesas com instrução com a Unifenas; 2. glosa das despesas médicas com os profissionais Thiago Fernando Oliveira (R$ 2.450,00), José Luiz de Macedo Vieira (R$ 3.000,00), Thatiana Cristina Vieira Rezende (R$ 8.000,00) e Maria Olímpia da C. Lázaro (R$ 4.000,00). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O julgamento foi convertido em diligência, sendo o incidente assim descrito pela autoridade julgadora: Quanto às despesas médicas, observase que foram glosadas aquelas havidas com os profissionais Thiago Fernando Oliveira (R$ 2.450,00), José Luiz de Macedo Vieira (R$ 3.000,00), Thatiana Cristina Vieira Rezende (R$ 8.000,00) e Maria Olímpia da C. Lázaro (R$ 4.000,00). Na complementação da descrição dos fatos, à fl. 04verso, a autoridade autuante justificou a glosa alegando que houve "falta de apresentação de documentação hábil e idônea capaz de comprovar despesas médicas declaradas e/ou o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas...". Entretanto, em pesquisas realizadas nos sistemas informatizados da RFB, foi possível localizar apenas o Termo de Intimação Fiscal n° 2004/606228185931028, colacionado à fl. 72. Neste termo, com relação as despesas médicas, fora solicitado tão somente que o contribuinte apresentasse comprovantes de tais despesas. Dessa forma, para a correta instrução do presente processo, este foi encaminhado à ARF/Alfenas/MG, através do Despacho n° 77 (fl. 73), restando confirmado, pelo documento de fl. 74, não haver outro termo de intimação enviado ao contribuinte, além daquele de n°2004/606228185931028. Uma vez que não houve intimação especifica para comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas pleiteadas como Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13011.000281/200706 Acórdão n.º 210202.030 S2C1T2 Fl. 2 3 dedução, entende esta relatora que a motivação utilizada restringese à "falta de apresentação de documentação hábil e idônea capaz de comprovar despesas médicas declaradas”. (...) A 4ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0927.793, de 15 de janeiro de 2010. A decisão acima restabeleceu a glosa de despesa com instrução, mantendo, entretanto, a glosa com 03 dos profissionais, com a motivação que segue: 1 Os recibos emitidos supostamente por José Luiz de Macedo Vieira (identificado pelo n° do CPF, pois sequer consta dos recibos o nome do emitente), as fls. 08/09, não contêm o endereço nem o número de registro de habilitação no Conselho Regional de Classe do profissional. Além disso, não identificam o beneficiário dos serviços, impossibilitando saber se o tratamento foi realizado no próprio interessado ou em terceiros; o impugnante figura como responsável pelo pagamento. Notese, inclusive, que um dos recibos está praticamente ilegível (fl. 09 canto superior direito). Mantémse a glosa de R$ 3.000,00; 2 Os recibos emitidos por Thatiana Cristina V. de Rezende, dentista, as fls. 10 a 12, não contêm o endereço da profissional e não identificam o beneficiário dos tratamentos. Mantémse a glosa de R$ 8.000,00; 3 O recibo emitido por Thiago F. de Oliveira, dentista, à fl. 13, apresenta as mesmas falhas do item 2. Mantémse a glosa de R$ 2.450,00; 4 A declaração fornecida por Maria Olímpia da C. Lázaro, psicóloga, à fl. 14, satisfaz os requisitos previstos na legislação. Restabelecese a dedução no valor de R$ 4.000,00. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 26/01/2010. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 24/02/2010. No voluntário, o recorrente junta novos recibos (fls. 82 a 92), emitidos pelos profissionais não acatados na decisão recorrida, cumprindo as formalidades outrora ausentes. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 26/01/2010, terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 24/02/2010, Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 25/02/2010, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Apesar de ser incomum que um contribuinte, auferindo os montantes de R$ 67.906,73, R$ 63,78 e R$ 4.539,66 a título de rendimentos tributáveis, isentos/NT e sujeitos à tributação exclusiva/definitiva, respectivamente, sem rendimentos do cônjuge ou decréscimo patrimonial, com IRRF de R$ 5.445,27 e contribuição previdenciária de R$ 3.071,17 (fl. 64), possa ter despendido R$ 13.450,00 em despesas odontológicas consigo próprio, por incompatibilidade da renda em face da despesa (a despesa representou 21% dos rendimentos declarados menos o IRRF e contribuição previdenciária), como se viu nestes autos, forçoso reconhecer que o fiscalizado não foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas, tendo o lançamento se assentado em requisitos formais, como também apontado na decisão aqui recorrida. No cenário acima, devese reconhecer que os recibos de fls. 82 a 92 cumprem os requisitos formais da legislação, devendo as despesas glosadas serem restabelecidas, pois o óbice apontado pelo lançamento foi superado na via recursal. Ante o exposto, voto no sentido de restabelecer as despesas odontológicas com os profissionais José Luiz de Macedo Vieira (R$ 3.000,00), Thatiana Cristina V. de Rezende (R$ 8.000,00) e Thiago F. de Oliveira (R$ 2.450,00). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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