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Numero do processo: 19679.005336/2003-75
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1986
VERBAS PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO.
As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindo-se aí Programas de Demissão Voluntária - PDV e os Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda, já que não possuem natureza indenizatória.
Os Programas de Demissão Voluntária - PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja, a resilição ou o distrato do contrato de trabalho no caso de relação jurídica regida pela CLT. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador.
Inteligência daquilo que foi decidido no Recurso Especial 1.112.745/SP, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC (Recurso Repetitivo).
Hipótese em foram pagas duas indenizações: uma que tem natureza de verba sujeita à incidência do imposto de renda e que foi tributada na rescisão do contrato de trabalho. Outra paga no contexto de PDV, não sujeita à incidência do imposto de renda, e que não foi tributada na rescisão do contrato de trabalho.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e os Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda, já que não possuem natureza indenizatória. Os Programas de Demissão Voluntária PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja, a resilição ou o distrato do contrato de trabalho no caso de relação jurídica regida pela CLT. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. Inteligência daquilo que foi decidido no Recurso Especial 1.112.745/SP, julgado sob o rito do art. 543C do CPC (Recurso Repetitivo). Hipótese em foram pagas duas indenizações: uma que tem natureza de verba sujeita à incidência do imposto de renda e que foi tributada na rescisão do contrato de trabalho. Outra paga no contexto de PDV, não sujeita à incidência do imposto de renda, e que não foi tributada na rescisão do contrato de trabalho. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 53 36 /2 00 3- 75 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 239 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo “Demonstrativo do Cálculo” (fl. 2 deste processo digital) apresentado pelo contribuinte aponta “Total a Restituir” no valor de R$ 768.554,21. O pedido foi protocolado em 04/09/2003 e referese a valores retidos a título de imposto de renda na fonte sobre verbas recebidas em decorrência de rescisão do contrato de trabalho, no anocalendário de 1985. O Requerente anexou ao pedido cópia da “Rescisão de Contrato de Trabalho” (fl. 15) que discrimina as verbas que lhe foram pagas, bem como carta assinada pelo Diretor de Recursos Humanos da empresa (fl. 16), datada de 07 de julho de 2003, na qual constam as seguintes informações: a empresa vem, ao longo dos anos, oferecendo a seus funcionários um Programa de Desligamento, mediante pagamento de incentivo; esse incentivo recebeu os seguintes títulos: a) Indenização Espontânea Pessoal; b) Indenização Pessoal Espontânea; c) Indenização Espontânea Especial; d) Gratificação Incentivo Aposentadoria; e e) Contribuição Extraordinária; para os funcionários elegíveis ao Plano de Aposentadoria da empresa, a carta oferta fazia referência a esta condição, mas só poderiam se aposentar após a demissão. Assim, o incentivo foi pago pelo desligamento da Empresa, e não pela condição de aposentado; o Sr. Antonio Carlos Rego Gil, portador do CPF 006.130.02768, foi desligado em 04/06/1985 e recebeu um incentivo a título de Indenização Complementar, no valor de CR$ 1.483.040.238,00; o valor total de IRRF foi de CR$ 720.677.988,00. O pedido foi indeferido na Unidade de origem por intermédio do Despacho Decisório nº 1057/2004 (fls. 22/23), com fundamento no art. 168, I, do Código Tributário Nacional CTN, uma vez que, na data do protocolo do pedido, já havia decorrido o prazo de 5 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 240 3 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito (a data de desligamento da empresa ocorreu em 04/06/1985). O contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 27/34, pleiteando a restituição dos valores retidos na fonte, com a correção prevista na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27 de junho de 1997, acrescidos da variação da taxa SELIC a partir de 01 de janeiro de 1996 e dos expurgos inflacionários aceitos pelo Conselho de Contribuintes, nos moldes do acórdão 10706.113. Alegou que participou de Programa de Demissão Voluntária PDV no ano de 1985 e que a retenção de imposto de renda sobre as verbas pagas no PDV foi objeto de ampla discussão judicial, tendo o Superior Tribunal de Justiça decidido, em inúmeros julgados, pela não incidência da exação, pacificando a matéria. Acrescentou que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, em seu Parecer PGFN/CRJ nº 1278/1998, recomendou a desistência de ações versando sobre o tema em discussão e que a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31 de dezembro de 1998, passou a dispensar a constituição de crédito tributário oriundo da cobrança do imposto de renda sobre verbas indenizatórias relativas ao PDV. Por derradeiro, ressaltou que as decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes vinham reconhecendo o direito àqueles que não puderam exercer a repetição do indébito em data anterior à IN n° 165/1998. A manifestação do contribuinte foi indeferida pela DRJ/SPOII em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1985 Ementa: RESTITUIÇÃO. PDV. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Regulamente intimado o Interessado apresentou o recurso de fls. 53/63, por meio do qual reiterou integralmente os argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade. Acordaram os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão às fls. 78/87), por maioria de votos, em afastar a decadência e determinar o retorno dos autos a 5ª Turma da DRJ/SPOII, para o enfrentamento do mérito, nos termos do voto vencedor, cuja parte dispositiva está assim descrita: Diante do exposto, voto no sentido de AFASTAR a decadência e determinar a remessa dos autos à DRJ de origem para apreciação do mérito da demanda. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 241 4 A decisão considerou que o termo a quo para o pedido de restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário PDV é a data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido, no caso, a data da publicação Instrução Normativa SRF n° 165/1998, que ocorreu em 06/01/1999. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 90/93) sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à lei tributária, especificamente ao artigo 168, I, do CTN e ao Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, no concernente ao prazo para se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição ou compensação. Após ser intimado da decisão do Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: Parecer SRRF 7ª RF Disit nº 31/2005 (fls.99/106); Anexo à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27 de junho de 1997 (fl. 107); Carta de oferecimento do PDV para os funcionários elegíveis, datada de 8 de abril de 1985, em papel timbrado da empresa (fls. 108/109 deste processo digital); Carta endereçada aos gerentes da empresa comunicando o oferecimento de um Programa de Acordos para Rescisão de Contrato de Trabalho para funcionários com 25 ou mais anos de serviços, ou que vierem a completálos até 31 de dezembro de 1985; Perguntas e Respostas elaboradas pela empresa acerca do programa oferecido (fls. 111/116). Além dos documentos apresentados, o contribuinte ofertou Contra Razões ao Recurso Especial (fls. 118/122) na qual pleiteou a manutenção da decisão recorrida, uma vez que, comprovadamente, requereu a restituição antes do termo fixado na Instrução Normativa nº 165/1998, isto é, antes do fim do mês de dezembro de 2003. A Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional (acórdão às fls. 124/134), nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1986 IRPF VERBAS INDENIZATÓRIAS PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 242 5 Recurso especial negado. Acordaram os membros da CSRF, por maioria de votos “em negar provimento ao recurso, retornando os autos à Unidade Local da RFB para analisar as demais questões relacionadas ao mérito”. O processo foi encaminhado à DRF de origem, para as providências cabíveis. A DRF de origem intimou o contribuinte a apresentar os seguintes documentos (fl. 141): a) comprovantes de rendimento relativos ao anocalendário da retenção (1985); cópia da DIRPF/1986 e respectivo recibo de entrega; e c) notificação do Ministério da Fazenda informando o processamento da DIRPF/1986. O interessado requereu a juntada de cópia do Acórdão nº 210100.337 ao presente processo, haja vista que, em seu entender, o mesmo é fundamental para a formação do juízo probatório e por servir de paradigma à defesa de seu direito. Porém, deixou de colacionar aos autos os documentos solicitados pela DRF de origem. A DRF de origem (DERAT/SP) emitiu Despacho Decisório (fls. 156/158) indeferindo novamente o pleito do contribuinte. O entendimento exposto no despacho encontrase consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Restituição do IRPF incidente sobre indenização do PDV Anocalendário: 1985 Ementa: Programa de Demissão Voluntária. Restituição do IRRF sobre verba indenizatória. A formalização de processo objetivando pedidos de restituição sobre verba indenizatória recebida a título de PDV requer a apresentação de documentação mínima prevista em norma de execução, sob pena de indeferimento do pleito. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA Irresignado, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, às fls. 161/167 deste processo digital, por meio da qual alegou, em síntese, o que se segue: O STJ editou o verbete 215 da Súmula do STJ, pondo fim à eventual discussão sobre a incidência de imposto de renda sobre verba recebida em decorrência de PDV: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. Igualmente, o Parecer PGFN/CRJ nº 1.278/1998, da lavra do Procurador Geral da Fazenda Nacional, in verbis: “Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os parcos recursos colocados à disposição da Procuradoria da Fazenda Nacional e causas nas quais, previsivelmente, não se terá êxito”. Ajuizou seu pedido de restituição com base na IN SRF nº 165/1998, pela qual a própria Receita Federal reconheceu, anos após o recolhimento, o dever de repetir o indébito aos contribuintes participantes de Programa de Demissão Voluntária, que tivessem Fl. 242DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 243 6 sido tributados em suas verbas rescisórias. Disso resulta que o presente pedido de restituição é cabível e está devidamente amparado na legislação tributária. Diferente do afirmado na decisão recorrida, já trouxe aos autos documentos suficientes à comprovação material de que recebeu uma indenização identificada pela empresa, exempregadora, como um típico Programa de Desligamento. O fato constitutivo do seu direito, isto é, a situação motivadora do pedido, geradora do direito creditório aqui debatido, está no simples reconhecimento de que o Interessado participou de um PDV, tendo recolhido, por conta desse fato, tributação na fonte em valor já especificado. Assim, foi devidamente comprovada não só a existência de um PDV, mas também a extensão do direito do Interessado. A decisão recorrida, por sua vez, embasa a negativa ao pedido de restituição no suposto desatendimento das exigências elencadas na Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02/1999. Tal norma foi editada pela própria devedora e estabelece a necessária vinculação do direito de crédito à exibição de certos documentos, em afronta clara ao Princípio da Legalidade. Nesse contexto, embora o artigo 100 do CTN confira força normativa aos atos expedidos pela autoridade administrativa, isso de forma alguma autoriza a criação de obrigações por esses atos, já que conservam seu inegável caráter meramente regulamentar das verdadeiras Leis. Não podem, assim, inovar na previsão de direitos e, principalmente, de obrigações. Disso se depreende que a Administração jamais poderia editar um ato genérico, abstrato, tal e qual a citada Norma de Execução funciona em seu conteúdo, com vistas a justificar a negativa de restituição pelo simples não atendimento desse texto normativo. Prova do excesso verificado na apontada Norma de Execução é que a decisão recorrida a usa como base para ignorar as provas trazidas aos autos pelo Interessado, no que se inclui a declaração do próprio empregador responsável pelo PDV, no sentido de que implementou, periodicamente, planos de natureza demissionária. Houve um erro material cometido pela exempregadora ao não listar a Gratificação recebida pelo Interessado e que a ele não deve ser imputado, pois que do conjunto do documento pode facilmente concluirse que houve sucessivos programas de desligamento e que em um deles o ora recorrente foi inserido. Por isso, no que toca à aferição do direito, deve haver uma análise casuística e fundamentada a fim de ser constatado, caso a caso, se os documentos, na forma apresentada, comprovam materialmente a situação descrita pelo contribuinte. A declaração da exempregadora sequer foi considerada válida pela instância recorrida, bem demonstrando o prejuízo que o excessivo apego à Norma de Execução n° 02/1999, aliada a outras temerárias suposições, vem trazendo ao direito dos contribuintes. Até porque, se o declarado pela empresa não fosse a mais pura expressão da verdade, aquela empresa certamente estaria ciente do cometimento do crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 299 Código Penal. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 244 7 Portanto, há uma presunção relativa de veracidade sobre o conteúdo da declaração emitida pela empresa, inclusive porque no direito Pátrio, em regra, presumese a boafé do signatário de um ato até seja provado o contrário. Disso decorre que a correspondência somente poderia ser refutada pela Receita como meio de prova se houvesse, ao menos, fundada suspeita de fraude, o que não acontece no presente caso. Entretanto, caso paire alguma dúvida acerca do ora declarado, a melhor solução não é mero indeferimento do pedido de restituição, mas sim a realização de diligência junto à exempregadora, de acordo com o artigo 18 do Decreto 70.235/1972, a fim de seja ratificado o aqui aduzido, o que, desde já, se requer. No que se refere à impossibilidade de se apurar o valor de sua restituição, constam documentos nos autos que evidenciam claramente o valor retido de IRRF sobre as verbas rescisórias advindas do PDV. Logo, bastaria utilizar tal valor para a apuração de sua restituição. É verdade que o Interessado não mais possui a declaração de ajuste do ano de 1985, mesmo porque, como é sabido, a Receita Federal instrui os contribuintes a guardar a mesma por um período máximo de 5 (cinco) anos contados daquele em que a mesma foi entregue. De toda forma, protesta o interessado pela posterior juntada de documentos que possam dar a autoridade julgadora condições de firmar juízo em seu favor de forma definitiva e favorável. Ao fim, requereu o Interessado o acolhimento da manifestação e o deferimento da restituição com seus acréscimos legais, que incluem os expurgos inflacionários previstos no Manual de Cálculo da Justiça Federal e o acréscimo da taxa SELIC, conforme determinado pela Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08 de 1997. Em conjunto com a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a juntada dos seguintes documentos: Declaração simulada de imposto de renda do anobase 1985, elaborada com base em RAIS emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (fl. 170); Declaração retificadora do mesmo anobase (171); Demonstrativo de Rendimentos e Retenções na Fonte do anobase 1985 (172); Relação Anual de Informações Sociais, emitida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que serviu de base para a elaboração das declarações de Imposto de Renda do ano base 1985 (fls. 173/174); Acórdão 210100.325, sessão de 29 de outubro de 2009, da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processo idêntico cujo mérito foi julgado em caráter definitivo, tendo o interessado apresentado as declarações de IR com base na RAIS (fls. 175/180); Parecer DISIT nº 31/2005 que esclarece como deve ser aplicada a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, onde se enfatiza que a database de Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 245 8 incidência da correção do tributo é a data do seu recolhimento e não a data de sua declaração (fls. 181/189). A DRJ/SP2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1985 IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE SOBRE ILEGALIDADE DE LEIS E DE NORMAS COMPLEMENTARES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Arguição de ilegalidade de leis e de normas complementares não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento de tais matérias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. A diligência requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que nos autos constam todos os elementos necessários ao julgamento. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A juntada posterior de documentos não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. O §4° do mesmo artigo prevê que provas podem ser apresentadas em outro momento processual nos casos em que especifica. Caso que não se enquadra em quaisquer das hipóteses e impede o deferimento da juntada posterior de provas. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. NA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO A QUE TÍTULO A INDENIZAÇÃO COMPLEMENTAR FOI PAGA OS RENDIMENTOS SÃO TRIBUTÁVEIS. Integram o rendimento tributável qualquer remuneração especial, mormente quando há ausência de comprovação a que título as verbas rescisórias foram pagas por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Cientificado da decisão de primeira instância em 29/04/2011 (fl. 199), o interessado interpôs, em 23/05/2011, o recurso de fls. 200/210. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A indenização em comento é fruto de um acordo entre as partes quanto ao término do vínculo empregatício, pelo que é lícito deduzir que o direito à referida verba somente resulta da dispensa do empregado de sua atividade laboral. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 246 9 Os valores oferecidos espontaneamente pelo empregador possuem natureza de indenização, por não resultar qualquer enriquecimento, mas apenas uma compensação, em que o empregado privado do trabalho recebe em troca determinado valor monetário. Fácil constatar, portanto, que indenização dessa natureza não constitui renda, por não advir nem do capital, nem do trabalho, e, do mesmo modo, não pode ser caracterizada como provento, por não gerar acréscimo patrimonial, estando tão somente a recompor o patrimônio do trabalhador. A verba recebida pelo funcionário quando da adesão ao PDV é insuscetível de tributação pelo imposto de renda, por se tratar de vantagem em pecúnia paga somente sob a condição do desligamento voluntário, conforme entendimento da própria RFB, da PGFN (IN SRF nº 168/1998 e Parecer PGFN nº 1.278/1998) e do STJ (Súmula nº 215). Segundo o acórdão recorrido, a demissão do recorrente decorreu de acordo entre as partes, o que descaracterizaria as premissas básicas dos Planos de Demissão Voluntária. Ora, o fato de a verba ter sido designada como "Gratificação por Tempo de Serviço" não desnatura, de modo algum, as características do PDV. O que configura tal programa é o desligamento voluntário da empresa mediante pagamento de indenização. A nomenclatura dada pela empregadora à verba paga ao Recorrente foi de “Indenização Complementar”. Se apresenta totalmente absurda e descabida a argumentação de que o programa configuraria uma mera liberalidade por parte da empresa, na medida em que, por ocasião da adesão ao PDV, houve um término do contrato de trabalho. Portanto, obrigatório caracterizar a verba paga ao Recorrente como uma indenização pela dispensa dos seus serviços. E isto por um simples motivo: o Recorrente deixou de ser funcionário da empresa. A Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS nº 2/1999 não possui qualquer fundamento jurídico/legal para ser oponível ao contribuinte, especialmente pelo fato de a mesma jamais ter sido publicado no Diário Oficial da União. As normas de execução são atos administrativos normativos dirigidos às autoridades subordinadas que, traçando diretrizes, orientam o desempenho de suas funções. Não são, de forma alguma, oponíveis ao contribuinte. A principal razão para que tais atos não tenham natureza obrigatória para os contribuintes está embasado no fato de os mesmos não estarem submetidos às regras de publicidade. A documentação acostada aos autos é mais do que necessária para comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. No entanto, objetivando eliminar quaisquer dúvidas sobre a adesão do interessado ao PDV de 1985, solicitou à empresa a confirmação formal dessa adesão (pedido em anexo), a qual será juntada posteriormente, quando de seu recebimento. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 247 10 O Recorrente cumpriu com todas as exigências legais vigentes à época em que protocolizou seu Pedido de Restituição, quais sejam, aquelas previstas na IN/SRF nº 21/1997. No que se refere à atualização do crédito, a aplicação da Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007, se faz absolutamente necessária. Tal matéria não é mais suscetível de debate, após a publicação do Ato Declaratório/PGFN nº 10, de 01/12/2008. Por fim, espera o Recorrente que esta Colenda Turma de Julgamento conheça e dê provimento ao presente Processo de Restituição, nos exatos termos do requerimento efetuado. Após a apresentação do recurso, o patrono do Interessado (procuração à fl. 12) requereu a juntada dos documentos de fls. 215/237 deste processo digital, informando tratarse das declarações do imposto de renda pessoa física do Recorrente, referentes ao ano base 1985, original e retificadora. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. DOS EQUÍVOCOS OCORRIDOS NO TRÂMITE DO PRESENTE PROCESSO (ENTENDIMENTO DO RELATOR) E DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO RECORRENTE Registro, preliminarmente, que tanto o pedido de restituição, quanto a manifestação de inconformidade inicialmente apresentados pelo contribuinte foram indeferidos com fundamento no art. 168, I, do Código Tributário Nacional CTN, uma vez que, na data do protocolo do pedido (04/09/2003), já havia transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito (a data de desligamento da empresa ocorreu em 04/06/1985). Nada obstante, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão às fls. 78/87), por maioria de votos, afastou a decadência (entendo que o correto é prescrição, por se tratar de questão relacionada a direito patrimonial) e determinou o retorno dos autos a 5ª Turma da DRJ/SPOII, para o enfrentamento do mérito, nos termos do voto vencedor, cuja parte dispositiva está assim descrita: Diante do exposto, voto no sentido de AFASTAR a decadência e determinar a remessa dos autos à DRJ de origem para apreciação do mérito da demanda. De seguida, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 90/93) sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à lei tributária (CTN, artigo 168, I), no concernente ao prazo para se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição ou compensação. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 248 11 A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional e determinou o retorno dos autos à “Unidade Local da RFB”, para análise das demais questões de mérito suscitadas na primeva manifestação de inconformidade. É o que consta do acórdão da Câmara Superior, verbis: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, retornando os autos à Unidade Local da RFB para analisar as demais questões relacionadas ao mérito. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Julio César Vieira Gomes, Francisco de Assis Oliveira Júnior e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage para redigir o voto vencedor. Verificase, assim, que o acórdão da Câmara Superior determinou o retorno dos autos à Unidade Local da RFB, ou seja, à DRF de origem, diferentemente do acórdão da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 78/87), que determinara o retorno a 5ª Turma da DRJ/SPOII, também para o enfrentamento das questões de mérito. Apesar de o pedido de restituição ser da competência originária do Delegado da DRF de origem, penso que houve um erro material no acórdão da CSRF, porquanto a apreciação das demais questões de mérito, em meu entendimento, era de competência da DRJ que proferiu a decisão recorrida, e não a cargo da “Unidade Local da RFB”, haja vista que o contencioso administrativo já havia se instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade. No entanto, nenhum dos legitimados (RICARF, art. 66) propôs a retificação da inexatidão material acima mencionada. É certo que o erro material não preclui, nos termos da jurisprudência do STJ (Recurso em Mandado de Segurança nº 31.875/SC, julgado em 26/04/2011), e não deve contaminar os demais atos do processo se não houver prejuízo à parte (no caso em análise, penso não houve prejuízo à parte, conforme será demonstrado adiante). A DRF de origem, por seu turno, entendeu, a meu ver de forma equivocada, que a decisão da CSRF era definitiva e, “com a finalidade de completar a instrução do pedido de restituição”, intimou o contribuinte a apresentar alguns documentos (fl. 141), consoante estabelecido na Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02/1999. O equívoco da Unidade de Origem pode ser constatado pela leitura dos itens 10 a 13 do segundo Despacho Decisório (fls.156/158) emitido, a ver: 10. Cabe salientar que para se calcular o valor da restituição relativa ao PDV é necessário excluir, do total de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica do respectivo ano calendário, o valor pago a título de PDV, obtendose então nova base de cálculo do Imposto de Renda Devido. 11. Ocorre que a Secretaria da Receita Federal não mais possui em seus arquivos a DIRPF do exercício 1986. Também não possui a(s) Dirf(s) do anocalendário 1985 nem tampouco o espelho de lançamento feito à época. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 249 12 12. Desta forma, o não atendimento à intimação impossibilita a reconstituição do valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica no anocalendário em questão, ponto de partida para o cálculo do valor do Imposto Devido e, caso exista, do valor da restituição, conforme explicitado no parágrafo 9º, acima. 13 Pelo exposto, com base na Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02, de 07/06/1999, PROPONHO, s.m.j., o indeferimento deste pedido de restituição. Veja que o Despacho Decisório indeferiu o pedido de restituição em face da impossibilidade de se calcular o valor a ser restituído (principal e sua atualização de acordo com a Norma de Execução citada), ou seja, a providência adotada pela DRF de origem estava em descompasso com a determinação da CSRF (“analisar as demais questões relacionadas ao mérito”). Em face disso, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, desta feita abarcando tanto as questões de mérito suscitadas anteriormente, quanto as questões que motivaram a Unidade de origem a indeferir o pedido de restituição por intermédio do segundo Despacho Decisório (DD nº 506/2010, às fls. 156/158). Assim, ainda que por via transversa, o processo tornou a DRJ competente para apreciar o mérito e, em consequência do acima exposto, também as demais questões suscitadas pelo Interessado em face do DD nº 506/2010 emitido pela DRF de origem, ocasionando a emissão do Acórdão 1748.950 da 5ª Turma da DRJ/SP2 (decisão recorrida). Inobstante os equívocos acima relatados, não restou evidenciado nos autos, a meu ver, nenhum prejuízo ao Recorrente, porquanto a este foi oportunizado o contraditório e a ampla defesa em quatro oportunidades (duas “Manifestações de Inconformidade” e dois “Recursos”). Acrescento, por relevante, que o Interessado sequer se insurgiu quanto ao ato que, em meu entendimento, poderia ter sido impugnado em momento oportuno (incompetência da DRF de origem para se calcular o valor a ser restituído naquele momento processual, ou seja, antes da apreciação das demais questões de mérito), de modo que não há que se falar em nulidade de qualquer ato praticado no presente processo. Isto porque a decretação de nulidade de um ato processual (exceto em raríssimas exceções, como, por exemplo, vício de competência) depende da necessidade da efetiva demonstração de prejuízo pela parte interessada, por prevalência do princípio pas de nulitte sans grief. Se o próprio Interessado não contesta a existência do vício, descabe falar em nulidade do ato processual viciado. VERBAS TRIBUTADAS E NÃO TRIBUTADAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO DO RECORRENTE Após a apresentação do recurso, o patrono do Interessado requereu a juntada dos documentos de fls. 215/237 deste processo digital. Dentre os documentos apresentados encontrase a declaração do imposto de renda do Recorrente, referente ao anobase 1985. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 250 13 O Anexo 2 da Declaração apresentada em 1986 (fl. 227 deste processo digital) mostra que o Interessado declarou como “Rendimentos não Tributáveis” (campo “Aviso Prévio e Indenizações por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS”) o montante de Cr$ 2.515.240.000. A discriminação das verbas pagas na “Rescisão de Contrato de Trabalho” (fl. 15) revela que o montante não tributado é a soma das verbas denominadas “Indenização” e “Prejulgado 20/66” (Cr$ 2.321.760.000 + Cr$ 193.480.000 = Cr$ 2.515.240.000). Significa dizer que a indenização tributada na rescisão foi aquela intitulada “Indenização Complementar”, no valor de CR$ 1.483.040.238, que o Recorrente alega que foi paga no âmbito do PDV. A oferta pública acostada aos autos em fls. 108/109 demonstra que seria paga aos “funcionários elegíveis”, entre eles o Recorrente, além da indenização prevista na CLT, outra indenização correspondente a 2 (dois) saláriosbase por ano de serviço na empresa, que, inobstante constar da oferta como sendo liberalidade, encontra previsão na “Carta de Oferecimento do PDV”, sendo, portanto, não tributável. Eis o teor desta parte da oferta (primeiro parágrafo da fl. 109 deste processo digital): Além da indenização acima, prevista em lei, o funcionário receberá, a título de liberalidade, 2 saláriosbase por ano de serviço na Companhia. Na “Rescisão do Contrato de Trabalho” (fl. 15) foram pagas férias proporcionais de 5/12, no valor de Cr$ 20.154.167. Através de uma regra de três verificase que o salário mensal do Recorrente era Cr$ 48.370.000,80: Cr$ 20.154.167 5 X = 241.850.004 / 5 X = Cr$ 48.370.000,80 X 12 Consta da “Rescisão do Contrato de Trabalho” (fl. 15) que a admissão do Recorrente ocorreu em 01/01/1961. O seu desligamento se deu em 04/06/1985, conforme correspondência da empresa endereçada à RFB (fl. 16). Assim, o Recorrente contava, na data do desligamento, com 24 anos de trabalho (1985 – 1961 = 24). A indenização paga no âmbito do PDV era de 2 (dois) saláriosbase por ano de trabalho na empresa, o que totaliza o seguinte montante: Cr$ 48.370.000,80 x 2 x 24 = Cr$ 2.321.760.038,40. Observo que na “Rescisão do Contrato de Trabalho” este valor foi arredondado para Cr$ 2.321.760.000 e corresponde à indenização não tributada que foi lançada na declaração de ajuste anual do Recorrente, exercício 1986, na ficha de “Rendimentos não Tributáveis”. O total lançado na referida ficha foi de Cr$ 2.515.240.000, que é a soma das verbas denominadas “Indenização” e “Prejulgado 20/66”, respectivamente nos valores de Cr$ 2.321.760.000 e Cr$ 193.480.000. Em outras palavras: na “Rescisão do Contrato de Trabalho” constam uma indenização de Cr$ 2.321.760.000, denominada “Indenização”, que não foi tributada e que estava inserida no PDV; e outra de Cr$ 1.483.040.238, batizada de “Indenização Complementar”, que foi tributada e que não estava inserida no PDV. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 251 14 O conteúdo do documento acostado à fl. 16 deste processo digital, (carta da empresa instituidora do “Programa” dirigida à RFB, datada de 7 de julho de 2003) comprova que a “Indenização Complementar” não estava contemplada no PDV. Oportuna é a transcrição da correspondência, na parte que interessa: A empresa X, com sede na cidade do Rio de Janeiro, (...): “vem informar, que esta empresa vem, ao longo dos anos, oferecendo a seus funcionários um Programa de Desligamento, que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento”. “Esse incentivo recebeu os seguintes títulos: • Indenização Espontânea Pessoal • Indenização Pessoal Espontânea • Indenização Espontânea Especial • Gratificação Incentivo Aposentadoria • Contribuição Extraordinária” “Para os funcionários que na época fossem elegíveis ao Plano de Aposentadoria IBM, a carta oferta fazia referência a esta condição, mas só poderiam se aposentar após a demissão. Ratificando dessa forma que o incentivo foi pago pelo desligamento da Empresa, e não pela condição de aposentado”. “O Sr. Antonio Carlos Rego Gil, portador do CPF 006.130.027 68, foi desligado em 04/06/85 e recebeu um incentivo a título de Indenização Complementar, no valor de CR$ 1.483.040.238,00”. A carta da empresa não deixa nenhuma dúvida de que a intitulada “Indenização Complementar” não estava contemplada no Programa de Desligamento, haja vista que os incentivos do Programa foram batizados, de acordo com o próprio documento da empresa dirigido à RFB, com as seguintes nomenclaturas: a) Indenização Espontânea Pessoal; b) Indenização Pessoal Espontânea; c) Indenização Espontânea Especial; d) Gratificação Incentivo Aposentadoria; e e) Contribuição Extraordinária. Noutros termos: se a empresa informa que está oferecendo um Programa de Desligamento que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento denominados “A”, “B”, “C”, “D” e “E” e, no mesmo documento, relata que pagou um incentivo intitulado de “F”, resta comprovado que o incentivo “F” não estava contemplado no PDV, por declaração da própria instituidora do Programa. Anoto, para encerrar este tópico, que o quantum da “Indenização Complementar (Cr$ 1.483.040.238) não encontra correspondência em nenhuma das duas indenizações prevista na “Carta de Oferecimento do PDV (“Indenização Integral prevista na CLT” e Indenização a Titulo de Liberalidade”) e na Pergunta 07 (Em que consiste a oferta?) constante do “Perguntas e Respostas” elaborado pela empresa (fls. 111/116 deste processo digital), o que reforça o entendimento de que a “Indenização Complementar” não foi paga por força do PDV. NATUREZA DA VERBA DENOMINADA “INDENIZAÇÃO COMPLEMENTAR” No REsp nº 1.112.745/SP, julgado sob o regime do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, o eminente Relator partiu da premissa de que nas rescisões de contrato Fl. 251DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 252 15 de trabalho é imprescindível verificar a exata natureza jurídica da verba paga para se saber se a mesma se sujeita ou não à tributação do imposto sobre a renda da pessoa física, haja vista a diversidade de denominações utilizadas para classificação de tais verbas. São deles as palavras abaixo: “Sabese que nas rescisões de contratos de trabalho são dadas diversas denominações às mais variadas verbas, o que enseja, em alguns casos, confusão na aplicação da já consolidada jurisprudência do STJ. Nessas situações, é imperioso verificar qual a natureza jurídica de determinada verba a fim de classificála como sujeita ao imposto de renda ou não”. Em seguida, o Relator estabeleceu um parâmetro para diferenciar as verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho das verbas em relação às quais, para por fim à relação empregatícia, inexiste liberalidade por parte do empregador. Confira: “Acertadamente, a verba paga por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho é aquela que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, é paga sem decorrer de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tal verba a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda”. Por outro lado, consta do acórdão que estão fora do campo de incidência do imposto de renda os valores recebidos em PDV decorrentes de uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, no qual existe um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador, hipótese em que se aplica a Súmula 215 do STJ. A tese repetitiva restou consubstanciada na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO PAGA POR LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. INDENIZAÇÃO PAGA NO CONTEXTO DE PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 215/STJ. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1. Nas rescisões de contratos de trabalho são dadas diversas denominações às mais variadas verbas. Nessas situações, é imperioso verificar qual a natureza jurídica de determinada verba a fim de, aplicando a jurisprudência desta Corte, classificála como sujeita ao imposto de renda ou não. 2. As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do Fl. 252DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 253 16 empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda já que não possuem natureza indenizatória. Precedentes: EAg Embargos de Divergência em Agravo 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, DJ 12.06.2006; EREsp 769.118 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ de 15.10.2007, p. 221; REsp n.º 706.817/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 28/11/2005; EAg 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, v.u., julgado em 24.5.2006, DJ 12.6.2006 p. 421; EREsp 775.701/SP, Relator Ministro Castro Meira, Relator p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 26/4/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 1.8.2006 p. 364; EREsp 515.148/RS, Relator Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 8/2/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 20.2.2006 p. 190 RET vol. 48 p. 28; AgRg nos EREsp. Nº 860.888 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 26.11.2008, entre outros. 3. "Os Programas de Demissão Voluntária PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja a resilição ou distrato do contrato de trabalho no caso das relações regidas pela CLT, ou a exoneração, no caso dos servidores estatutários. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. [...] Inexiste liberalidade em acordo de vontades no qual uma das partes renuncia ao cargo e a outra a indeniza [...]" (REsp Nº 940.759 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.3.2009). "A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda". Enunciado n. 215 da Súmula do STJ. 4. Situação em que a verba denominada "gratificação não eventual" foi paga por liberalidade do empregador e a chamada "compensação espontânea" foi paga em contexto de PDV. 5. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. A diferenciação perpetrada pelo STJ pode ser assim sintetizada: QUADRO RESUMO VERBAS PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO VERBAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA VERBAS NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA 1) Pagas por liberalidade (depende unicamente da vontade do empregador) 5) Existência de uma oferta pública para realização de um negócio jurídico 2) Demissão com ou sem justa causa 6) Acordo de vontades para por fim à relação de trabalho Fl. 253DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 254 17 3) Verbas pagas que não decorram de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, inclusive PDV e Acordos Coletivos 7) Inexistência de liberalidade por parte do empregador 4) Verbas que excedem as indenizações legalmente previstas Na espécie, verificouse que a "Indenização Complementar" foi paga pelo empregador ao empregado fora do contexto do PDV (tópico anterior). Acrescento que não consta dos autos menção a qualquer acordo coletivo que determine a obrigatoriedade do pagamento da referida verba por ocasião do desligamento do empregado da empresa. Tampouco há na legislação brasileira a determinação para o pagamento da verba intitulada “Indenização Complementar”. Logo, a verba foi paga por liberalidade do empregador, o que a afasta, a meu ver, das “Verbas não Sujeitas à Incidência” do “Quadro Resumo”. Os requisitos fixados no REsp nº 1.112.745/SP, para caracterizar a verba como sujeita à incidência do imposto de renda, foram os seguintes: a) Demissão com ou sem justa causa: na pergunta de nº 07 do “Perguntas e Respostas” formulado pela empresa para dirimir dúvidas do público alvo do programa por ela instituído (fl. 113) consta que “Será ainda autorizado o levantamento do saldo depositado no FGTS, acrescido dos 10% previstos em lei”. Esta cláusula da resposta à Pergunta nº 07 revela que os contemplados no PDV foram demitidos sem justa causa (condição 2 do “Quadro Resumo”), haja vista que o levantamento do saldo depositado no FGTS (Lei nº 8.036/1990, art. 20, I), acrescido dos 10% previstos em lei, não é possível quando ocorre o pedido de demissão pelo empregado. b) pagamento de verbas que não decorram da imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, inclusive os PDV e os acordos coletivos: consoante visto acima, o quantum da “Indenização Complementar (Cr$ 1.483.040.238) não encontra correspondência em nenhuma das duas indenizações prevista na “Carta de Oferecimento do PDV”. Não consta dos autos menção a qualquer acordo coletivo que determine a obrigatoriedade do pagamento da referida verba por ocasião do desligamento do empregado da empresa. Tampouco há na legislação brasileira a determinação para o pagamento da verba intitulada “Indenização Complementar”. Logo, o seu pagamento não decorreu de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (condição 3 do “Quadro Resumo”). c) liberalidade (dependência da vontade única empregador): se o pagamento da verba não decorreu de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, aí incluídos os PDV e os Acordos Coletivos, é porque decorreu de mera liberalidade do empregador (condição 1 do “Quadro Resumo”). d) exceder as indenizações legalmente instituídas: a “Rescisão de Contrato de Trabalho” (fl. 15) evidencia que foram pagas duas indenizações ao Recorrente: uma decorrente de fonte normativa (PDV), denominada “Indenização” (Cr$ 2.321.760.000), não tributada, e outra não decorrente de fonte normativa, intitulada de “Indenização Complementar” (Cr$ 1.483.040.238), tributada (condição 1 do “Quadro Resumo”). O valor pago ao Recorrente, intitulados “Indenização Complementar”, se amolda, a meu ver, ao item 2 da ementa do Recurso Especial 1.112.745/SP, caracterizandose como “Verba Sujeita à Incidência” do imposto de renda. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19679.005336/200375 Acórdão n.º 2801002.847 S2TE01 Fl. 255 18 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 255DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 13975.000244/96-04
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
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IMPORTADORA E EXPORTADORA Recorrid o BANCO CENTRAL DO BRASIL IOF - OPERACDES DE CÂMBIO - NULIDADE - ERRO NA INDENTI FICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - O contribuinte, comprado? de cambio, não integra a relação tributãria entre o es tado (credor) e o :devedor do imposto que é- a institui ção autorizada a operar em cambio, como responsãvel (cor-ri tribuinte-substituto). Anula-se o processo ''ab initio'r; em virtude de erro na identificação do sújeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA. ACORDAM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conse lho de Contribuintes, por maioria de votos, preliminarmente, em anu lar o processo "ab initio", por erro na identificação do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA, AL DE DA COSTA SANTOS JUNIOR e JOSE ALVES DA FONSECA. Sala das Sessiies, em 8 de julho de 1988 r fre e It JOSE AL ES DA FONSE A - PRESIDENTE N g° tr. .4 ib. MARI , • AAIME - ' n e' I____:1) OL 0 S I .11 R , V. DO ANJOS - PROCURADOR-REPRESENTANTE DA til FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃo DE 8 S E T 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTEIE, CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO FILHO, JOSE LOPES FERNANDES e SEBASTIÃO BORGES TAQUARY. fl202., a 41..)nrf-.: .»C.c-,'>, MINISTÉRIO DADA FAZENDA SEG UM DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.° 10.168-002.054/88-84 Recurso 11.°: 79.755 Acorda° n.°: 202-01.942 Recorrente: CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA RELATÓRI O Pela notificação de lançamento de fls. 01, a ora recor rente foi intimada a recolher o IOF incidente sobre operações de- câmbio, atualizado monetariamente. O referido imposto não foi pago na liquidação de con_ tratos de câmbio, em razão de a empresa haver impetrado mandado de segurança contra a sua cobrança, tendo sido deferida aliminar, mediante depósito judicial ou fiança bancãria. Como foi apresenta da a fiança exigida, ficou legitimada a não-exigência do tributo na liquidação dos contratos de câmbio. O Banco Central apelou da sentença, cuja apelação foi provida, com a conseqüente reforma da decisão e cassação da segu rança. Em decorrência, uma vez cancelada a liminar, tornou- se devido o pagamento do tributo, o que, porém, não ocorreu, ra_ zão pela qual foi instaurada a ação fiscal. Impugnando tempestivamente a exigência fiscal (fls. 05/07 ), a empresa alega, em sua defesa, que: a) por força do Decreto-lei n9 1.783, de 1980, foi compelida ao recolhimento do I0F, incidente sobre as importa ções verificadas no exercicio de 1980, ã aliquota de 15%, e, nos) CS\-\6(1 egue - O2-'5 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.054/88-84 02- Acórdão n9 202-01.942 exercícios posteriores, ã base de 20% e 25%, conforme o Pais de origem da mercadoria importada; b) os mais altos tribunais consideram ilegal a cobrança do IOF no mesmo exercício de sua criação (1980), em vir tude do principio da anualidade, sendo considerado devido nos exer cicios seguintes, ainda que pese a ilegalidade de sua instituição através de decreto-lei; c) não deve pagar o I0F, com os acréscimos le gais, como deseja o Banco Central, tendo em vista que a legisla çío instituidora do aludido imposto, bem como a legislação comple mentar, deixou de fazer constar, em artigo especifico, a obriga toriedade de pagamento de acréscimos legais incidentes sobre o va lor originãrio do tributo, quando em atraso; d) a lei especifica não pode ser omissa no parti cular e, se o foi, nada deve ser cobrado a titulo de acréscimos legais; e) impetrou diversos mandados de segurança con tra a cobrança do imposto e, agora, estã sendo compelida pelo Banco Central a pagã-lo com os acréscimos legais. A autoridade de primeira instãncia, com base no pare cer de fls.48/55, e manifestaçOes posteriores, não acolheu a im pugnação, mantendo a exigência em todos os seus termos C fls.57 ). O parecer de fls.48/55, que fundamenta a decisão sin gular, ressalta que: a) o aludido imposto não foi pago na liquidação do cãmbio, em razão de a empresa haver impetrado mandado de segu rança contra sua cobrança pelo Banco Central, tendo a liminar si do deferida mediante depOsito judicial ou fiança bancária. Como foi apresentada a fiança exigida, ficou legitimada a não-exigencia do tributo na liquidação do contrato de câmbio; b) o Banco Central apelou da sentença, e, em re ksegue r2 3 0 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.054/88-84 03- Acórdão n9 202-01.942 sultado, tendo sido dado provimento ã apelação, foi a sentença re formada e cassada a segurança pelo Egrégio Tribunal Federal de Recursos. Em decorrência, uma vez cancelada a liminar, tornou-se devido o pagamento do imposto pela empresa, o que, porém, só se verificou pelo depósito judicial levado a efeito; c) a em p resa, apesar de contestar a exigência do imposto, mais os acréscimos legais, refuta, em sua defesa, apenas a cobrança dos encargos legais; d) a impugnante labora em erro, uma vez que, pe los artigos 99 e 149 da Lei n9 5.143, de 1966, a regulamentação da matéria ficou atribuida ao Conselho Monetário Nacional, oqual, ao fazer baixar a Resolução n9 619, de 1980, tratou, em seu Titu lo 4, Capitulo 4, Seção 8, especificamente, em seus itens 10/12 e 14/16, da exigência de juros de mora e de correção monetária; e) ao contrário do que pensa a impugnante, um tributo não é regido apenas pelas leis que lhe são especificas, mas, sim, por toda a legislação tributária, conforme dispõe o ar tigo 96 do Código Tributário Nacional; f) a incidência de correção monetária está pre vista no artigo 79, e seu § 29,da Lei n9 4.357, de 1964, ratifica do pelo artigo 59 do Decreto-lei n9 1.704, de 1979, e, ainda, no artigo 59 do Decreto-lei n9 1.736, de 1979; g) quanto aos juros de mora, sua exigência está prevista tanto no artigo 161 do Cê- gigo Tributário Nacional, como nos artigos 29 e 59 do Decreto-lei n9 1.736, de 1979; h) os juros de mora e a correção monetária são devidos desde o dia seguinte ao do vencimento da obrigação tribu tãria, considerando, inclusive, o caráter declaratório do lança mento, retroagindo ã data do fato gerador. O aludido parecer cita, também, decisões do Tribunal Federal de Recursos sobre a cobrança de juros e correção monetã ria. Em seguida, a empresa recorre tempestivamente a este b/ Wegue- n -23 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.054/88-84 04- Acórdão n9 202-01.942 Conselho (fls. 59/63), oferecendo as seguintes razões de recurso: a) tendo importado mercadorias de procedência es trangeira, tornou-se necessário o fechamento de contrato de cãm bio para o respectivo pagamento; b) insurgiu-se, pois, contra a exigência do IOF sobre operações de cãmbio, nos termós do Decreto-lei n9 1.783, de 1980, o que motivou a impetração do mandado de segurança; c) o artigo 153, §§ 29 e 99, da Constituição Fe deral, prescreve que o tributo, em geral, deve obedecera um prin cipio fundamental, o da reserva da lei. Em face desse principio, os tributos só podem ser exigidos através de lei, não o podená0 por • intermédio de decreto-lei, com amparo no artigo 55, inciso II, da Carta Magna. E o relatório. VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA, MARIA HELENA JAIME A matéria de que trata o presente recurso não é nova nesta Caiara, havendo inúmeros precedentes sobre a mesma, a exem plos dos Acórdãos nQs 202-01.534, 202-01.535, 202-01.542, 202-01.543, 202-01.604, 202-01.605, 202-01.612, 202-01.613, 202-01.670 a 202-01.673, , 202-01.676 a 202-01.679. No Recurso n9 78.710 (Acórdão n9 202-01.604), seu re lator, o ilustre Conselheiro ELIO ROTHE, assim asseverou em seu voto: "Em preliminar ao exame do mérito, enten do ter havido erro na identificação do sujeito passivo que, perante o Fisco, responde pelo reco lhimento do IOF incidente sobre as operações di cãmbto. Com efeito, dispõe o regulamento do im posto, baixado com a Resolução n9 816/83, do Baii co Central do Brasil, em seú item 4.4.3, ao tri tar dos contribuintes e responsãveis, que, no c-à- so, são contribuintes "os compradores de moeda estrangeira pa ra pagamento de importação de •ens e \NV ‘b-gue SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.054/88-84 05- Acórdão n9 202-01.942 serviços". L4.4.3.1) enquanto que "OS responsáveis pela cobrança e recolhi mento ao Banco Central são: b) nas operações de câmbio, as institui çaes autorizadas a operar em câmbio." — (4.4.3.3.b). As referidas disposições regulamentares tem sua base nos artigos 29 e 39 do Decreto-lei n9 1.783/80, dos quais são meras reproduções. Como se verifica, a instituição finan ceira autorizada a operar em câmbio é a responsi vel pela cobrança e recolhimento do imposto. — A legislação criou, na hipótese, a figu ra da substituição tributãria, pela qual o cum primento da obrigação atribuído a pessoa qu'é não o contribuinte natural ou legal. O substituto, que cobra crecolhe tributo alheio, passa a ser o devedor perante o Estado, inexistindo relação tributaria entre este e o substituído, o qual, portanto, não é devedor de nada. No caso dos autos, o contrato de câmbio foi firmado pela recorrente como compradora da moeda estrangeira e, pelo banco, como vendedor, figurando, assim, na operação, a recorrente como contribuinte e o banco como responsãvel pela co brança e recolhimento do imposto. Cessados os efeitos da medida judicial que sustara a cobrança do imposto, caberia ao banco proceder ã sua cobrança e recolhimento, co mo responsavél pelo mesmo, todavia, não o fazeW do. Por isso que, a Notificação de Lançamen to, equivocadamente apontou a recorrente como sU jeito passivo da obrigação tributária, exigindo lhe o imposto e os acréscimos de correção monet-ã ria e de juros de mora, quando da responsabilidi de do banco vendedor do cambio. Pelo exposto, em p reliminar, entendoque não procede a exigência contra a recorrente uma vez que, na operação tributada, não participa da relação tributária, que se verifica entre o esta _ segue - NY
score : 1.0
Numero do processo: 10880.015602/00-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1994
IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - ILL. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. DISPONIBILIDADE DO LUCRO LÍQUIDO. CONTRATO SOCIAL.
É indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando inexistir no contrato social cláusula específica de sua distribuição automática no encerramento do período-base.
Numero da decisão: 2201-001.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Denis Vieira Gomes, OAB 283.183/SP.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. DISPONIBILIDADE DO LUCRO LÍQUIDO. CONTRATO SOCIAL. É indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando inexistir no contrato social cláusula específica de sua distribuição automática no encerramento do períodobase. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Denis Vieira Gomes, OAB 283.183/SP. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 56 02 /0 0- 11 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de ILL, protocolizado pela empresa HAARMANN & REIMER LTDA., CNPJ 33.018.771/000165, em 13/10/2000, em relação a pagamentos efetuados por sua incorporada, Fermenta Ltda., CNPJ 46.548.947/0001 32, em 29/01/1993, 26/02/1993 e 31/03/1993 (cópias de DARF às fls. 09 e 10), no valor total equivalente a R$ 236.198,08 (fl. 01). Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Em 14/11/2000, 08/12/2000 e 14/12/2000, foram apresentados pedidos de compensação (fls. 82, 85 e 87, respectivamente), vinculados ao presente processo, que foram convertidos em Declarações de Compensação, uma vez que o Despacho Decisório foi cientificado em 04/11/2002, após o início da vigência da Medida Provisória nº 66, de 2002, que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. A autoridade administrativa competente proferiu o Despacho Decisório de fls. 89 a 91, deixando de tomar conhecimento do Pedido de Restituição, por considerar decaído o direito de efetuar o pedido, e indeferiu os Pedidos de Compensação. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou, tempestivamente, em 25/11/2002, a manifestação de inconformidade anexada às fls. 95 a 117, requerendo a reforma da decisão para que o pleito de restituição/compensação fosse deferido e homologado. Às fls. 137 a 142 consta o Acórdão nº 07.611, da 2ª Turma desta Delegacia de Julgamento, em que foi indeferida a manifestação de inconformidade. A interessada, identificandose como “SYMRISE AROMAS E FRAGRÂNCIAS LTDA., atual denominação de HAARMANN E REIMER LTDA.”, ingressou com o recurso voluntário de fls. 146 a 167, junto ao 1º Conselho de Contribuintes, sendo que o Acórdão nº 10247.535, fls. 172 a 180, afastou a decadência e determinou o retorno dos autos para o enfrentamento do mérito. O SECOJ (Serviço de Controle do Julgamento) desta DRJ, considerando que a competência originária para analisar os pedidos de restituição é do Delegado/Inspetor da Receita Federal, encaminhou o processo à EQPIR/DIORT/DERAT/SPO, para apreciação do mérito do pedido formulado na inicial, ressalvando que a análise direta pela DRJ implicaria supressão de instância administrativa (fl. 220). Pelo Despacho Decisório de fls. 224 a 236, analisado o mérito, foi indeferido o pedido de restituição do ILL bem como indeferidos/não homologados todos os pedidos de compensação/PERDCOMP que lhes foram vinculados. Tratandose de Pedido de Restituição de Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL) recolhido, a Autoridade Administrativa competente analisou primeiramente se a interessada detinha a legitimidade ativa para pleitear a restituição, e em seguida, se o recolhimento teria sido indevido. Concluiu pela legitimidade do pleiteante para postular a restituição do ILL recolhido pela sua incorporada, Fermenta Ltda., com o seguinte arrazoado: Haarmann & Reimer Indústria e Comércio de Essências – CNPJ 33.018.771/000165 – empresa que originalmente protocolou o pedido de restituição deste processo – possuindo 4.483.195.530 das 4.483.196.488 cotas (ou seja, Fl. 432DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.015602/0011 Acórdão n.º 2201001.827 S2C2T1 Fl. 3 3 99,9999% do capital social), estando distribuídas 958 cotas entre outros dois sócios pessoa física, incumbindo, pela cláusula décima, a administração e gerência à citada empresa. Neste sentido, fica demonstrada a legitimidade do pleiteante para postular a restituição – caso devida. Quanto à questão seguinte se a empresa Fermenta Ltda. não estaria obrigada a efetuar a retenção e o recolhimento do ILL, ao apurar o lucro líquido no encerramento do período de apuração , a DIORT/DERAT/SPO concluiu que: da leitura das cláusulas sexta, oitava, vigésima, vigésimaprimeira e vigésimasegunda, do contrato social da empresa Fermenta Ltda., fl. 13, constatase que, apurado o resultado do exercício, este está disponível aos sócios, na proporção de sua participação no capital social da empresa; a destinação/utilização dos lucros passa ser uma decisão dos sócios, independentemente de decisão coletiva, sendo que no caso em particular as deliberações sobre a destinação dos lucros poderiam ser tomadas individualmente – por conta da explícita previsão no contrato social (cláusula oitava) – pelo sócio quotista majoritário, detentor de 99,9999% das cotas, e responsável pela Direção/Administração e Gerência, o mesmo que vem, pela sua sucessora, pleitear a restituição; não se configura a situação de pagamento indevido, caracterizada pela indisponibilidade imediata, econômica ou jurídica, do lucro líquido apurado, ressaltandose que a disponibilidade econômica ocorreu com o levantamento do balanço e apuração do lucro líquido do exercício, uma vez que, ainda que não fosse distribuído, o lucro, como produto do capital, já ingressou na esfera jurídica de seu sócioquotista pessoa jurídica, incondicionalmente e, como tal, enquadrase no artigo 43, inciso I, do CTN; houve, ademais, efetiva distribuição dos lucros ao peticionário, no valor de CR$ 26.616.900.000,00, sobre o qual incidiu o ILL. Tendo tomado ciência do novo Despacho Decisório em 20/04/2009 (fls. 237, verso, e 327), a SYMRISE AROMAS E FRAGRÂNCIAS LTDA., CNPJ 43.940.758/000112, como sucessora legal de HAARMANN E REIMER LTDA., apresenta, por intermédio de seu procurador (documentos de fls. 271 a 315), a manifestação de inconformidade de fls. 256 a 269, em 20/05/2009, aduzindo em sua defesa, em síntese: após promulgação da Resolução nº 82, de 1996, do Senado Federal, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 63, de 1997, regulamentando a não incidência do ILL quanto às sociedades por ações, e para as demais sociedades em que o contrato social não previsse, à época do encerramento do período de apuração, a disponibilização, econômica ou jurídica, imediata ao sócioquotista, do lucro líquido apurado; para comprovar o direito de restituir/compensar importâncias de ILL indevidamente recolhidas deve–se analisar o contrato social da empresa Fermenta Ltda. (fl. 13) para identificar a inexistência de cláusula prevendo expressamente a disponibilidade imediata dos lucros ao final do períodobase de apuração, e a existência de cláusulas impeditivas da distribuição imediata de lucros aos sócios, tão logo encerrado o períodobase de apuração; vêse nas cláusulas sétima e oitava que cabe aos sócios, em reunião convocada por qualquer deles, realizar todas as deliberações sociais, que devem ser Fl. 433DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 aprovadas por todos os sócios ou pelos sócios que representem a maioria do capital social, para serem tidas por válidas; as deliberações sociais são tomadas pelo método colegial, resultando da análise, exame e discussão prévia por um conjunto de pessoas incumbidas dessa tarefa pelo contrato social; as cláusulas vigésima e vigésimaprimeira deixam claro que, previamente à destinação dos lucros apurados pela Fermenta Ltda., em 31 de dezembro de cada ano, era necessária a reunião dos sócios para deliberarem sobre o tema, sendo proferido, ao fim, a decisão única da sociedade sobre a questão; por imposição do contrato social todos os sócios participam da reunião em que se delibera a destinação do lucro líquido do exercício, implicando a existência de decisão coletiva sobre a matéria; o documento de fls. 14 a 18 torna inquestionável a existência de reunião dos sócios para deliberarem sobre o destino do lucro líquido da empresa e, da mesma forma, no documento de fls. 19/20, todos os seus sócios decidiram distribuir os lucros acumulados referentes ao exercício de 1991; é indiferente a quantidade de quotas que cada um dos sócios possui na composição do capital social da empresa, inexistindo previsão legal ou entendimento jurisprudencial que determine não se aplicarem a Resolução do Senado nº 82, de 1996, e a IN nº 63, de 1997, nos casos em que um dos sócios detenha maioria do capital social; refutamse os dizeres do fisco, de que os demais sóciosquotistas da empresa possuíam participação meramente simbólica no quadro social, o que, no seu entender, seria razão para justificar a inaplicabilidade das mencionadas Resolução e IN; destaca a necessidade de todos os sócios da empresa comporem o quorum de instalação para a realização da reunião de sócios a que se referem as cláusulas oitava e vigésimaprimeira do contrato social; quando a cláusula vigésimaprimeira faz menção aos termos da cláusula oitava, somente está a se referir ao quorum necessário para a deliberação da matéria, de modo que, para que se alcance esta deliberação, prevalecerá a maioria do capital social; o fato de a recorrente deter a maioria do capital social da Fermenta não significa que estaria dispensada a reunião de sócios, expressamente prevista na cláusula vigésimaprimeira, e da mesma forma, o fato de possuir mais votos não impede a incidência na espécie do parágrafo único do artigo 1º da IN SRF nº 63, de 1997; a interpretação isolada da cláusula vigésimasegunda que apenas reproduz uma imposição da lei que determina que cada sócio participará nos lucros na proporção de suas participações sociais contraria a interpretação teleológica das normas, vez que somente há que se falar na partilha do lucro após a realização da reunião dos sócios a que alude a cláusula anterior; há ainda expressa previsão acerca da necessidade de o Conselho Consultivo pronunciarse sobre o tema, na cláusula décimasétima, que prevê que “A Gerência solicitará o pronunciamento do Conselho Consultivo nos seguintes casos: a) ...; b) de propostas de distribuição de lucros ou de criação de fundos de reservas especiais”; Fl. 434DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.015602/0011 Acórdão n.º 2201001.827 S2C2T1 Fl. 4 5 requer o recebimento da manifestação nos efeitos que lhe são inerentes, inclusive com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário no que respeita aos débitos tratados nos autos, com fundamento nos §§ 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e do artigo 151, III, do CTN, bem como a reforma do despacho decisório para reconhecimento do direito à restituição do ILL discutido nos autos, homologando todos os pedidos de compensação vinculados. Observase que, não obstante tenha sido anexada, às fls. 285 a 306, a alteração do contrato social da Dragoco Perfumes e Aromas Ltda., CNPJ nº 43.940.758/0001 12, registrado na JUCESP em 14/01/2004, que incorporou a SYMRISE AROMAS E FRAGRÂNCIAS LTDA., CNPJ 33.018.771/000165, passando a incorporadora a denominarse SYMRISE AROMAS E FRAGRÂNCIAS LTDA., em pesquisa efetuada no sistema CNPJ, acostada às fls. 134/136, ainda não constava a atualização cadastral nos sistemas da Receita Federal. A 3ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme se observa das ementas abaixo transcritas: ILL. APLICABILIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. É devido o ILL se o contrato social da empresa por quotas de responsabilidade limitada confere ao sócio quotista majoritário a faculdade de deliberar sobre a distribuição, bem como a disponibilidade imediata dos lucros pelos sócios. Indeferese o pedido de restituição. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 01/10/2002, data em que passou a produzir efeitos o artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, foram convertidos em declarações de compensação. Não se homologam as compensações declaradas, por inexistência de crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão de primeira instância em 01/10/2009 (fl. 337), a interessada apresenta Recurso Voluntário em 29/10/2009 (fls. 338 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Como visto do relatório, tratase de pedido de restituição efetuado pela recorrente, pleiteando a devolução do ILL recolhido em 29/01/1993, 26/02/1993 e 31/03/1993, no valor total de R$ 236.198,08. Ultrapassada a questão concernente à decadência do direito à restituição, visto que o Acórdão nº 10247.535, fls. 172/180, proferido pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte afastou a decadência e determinou o retorno dos autos para o enfrentamento do mérito, a decisão recorrida indeferiu o pedido da suplicante sob o argumento de que o contrato social da empresa por quotas de responsabilidade limitada confere ao sócio quotista majoritário a faculdade de deliberar sobre a distribuição, além da disponibilidade imediata dos lucros pelos sócios. De pronto, impende reproduzir parte do contrato social da empresa Fermenta Ltda., relativa à matéria em comento (fl. 13): Cláusula Sétima: Todas as deliberações sociais serão tomadas pelos sócios em reunião convocada por qualquer um deles, com 15 (quinze) dias de antecedência, através de telegrama ou por carta, dispensandose esse prazo quando a reunião contar com a presença da totalidade dos sócios. As resoluções também poderão ser tomadas por escrito, independentemente, nesse caso, de reunião dos sócios. Cláusula Oitava: As deliberações a que se referem o item anterior somente serão válidas quando aprovadas por sócio ou sócios representando a maioria do capital social. (...) Cláusula VigésimaPrimeira: Os lucros apurados no balanço a que se refere o número anterior terão o destino que for deliberado pelos sócios, em reunião, de acordo com a “Cláusula Oitava”. Cláusula VigésimaSegunda: Os lucros serão partilhados aos sócios na proporção de suas quotas no capital social, e os prejuízos acaso verificados serão transferidos para os exercícios subseqüentes, observadas as prescrições legais. (grifei) Em análise ao caso concreto, tratandose a recorrente de sociedade de responsabilidade limitada, depreendese da leitura de seu contrato social, em especial de sua cláusula VigésimaPrimeira, que inexistia àquele tempo previsão de distribuição imediata e automática de seus lucros. Sendo assim, é indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando inexistir no contrato social cláusula específica de sua distribuição automática no encerramento do períodobase (STF RE n° 172.0581/SC). Ante a todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.015602/0011 Acórdão n.º 2201001.827 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10880.015602/0011 Recurso nº: 148.394 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.827. Brasília/DF, 19 de setembro de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10314.004644/96-21
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Competência para julgamento declinada em favor do Segundo Conselho de Contribuintes.
Numero da decisão: 302-33874
Decisão: Por unanimidade de votos, acordam em declinar da competência, para encaminhar o processo ao Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto da conselheira relatora.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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SÃO PAULO RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Competência para julgamento declinada em favor do Segundo Conselho de Contribuintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos em declinar da Competência para encaminhar o processo ao Segundo Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 10 de novembro de 1998 HENRIQUE P • 11 O MEGDA PROC"ItA0CMA-C" *At PA rigart4cA •- •c • AI Presidente Cor don"8.-Gart; I • • eptnerneçeo t ~..;*•euclat tffi jafft Aad6V3e:MS Wr LUCIANA CORTEZ RORIZ PONTES elements de f man libulatal lesjaL„..Q._ a.1/4.kr9- JMARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora O 5 JAN lqa° Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros . ELIZABETH EMILIO DE MORAES CHIEREGATTO, ELIZABETH MARIA VIOLATTO e PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES Ausentes os Conselheiros UBALDO CAMPELLO NETO e RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO nisns MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N' : 119.516 ACÓRDÃO N' : 302-33.874 RECORRENTE : SOCIEDADE PAULISTA PARA DESENVOLVIMENTO DA MEDICINA - HOSP. SÃO PAULO RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : MARIA HELENA COTTA CARDOZO RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento • em São Paulo — SP. DA AUTUAÇÃO Contra a SOCIEDADE PAULISTA PARA DESENVOLVIMENTO DA MEDICINA — HOSPITAL SÃO PAULO foi lavrado, em 29/11/96, pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — SP, em 29/11/96, o Auto de Infração de fls. 01 a 29, no valor de 6.730.903,01 UFIR mais R$ 897.235,72, a titulo de multa regulamentar. Os fatos foram assim descritos no Auto de Infração: "DESCUMI'REVIENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA EM RELAÇÃO A PRODUTO ESTRANGEIRO O contribuinte, em relação a produto estrangeiro legalmente importado, adquiriu mercadorias através da Lei 8.010/90 e não registrou nos livros ou fichas de controle quantitativo próprios: • Registro de Entradas Modelo I, Registro de Saídas Modelo 2, Registro de Impressão de Documentos Fiscais Modelo 5, e Registro de Inventário Modelo 7, vide cópias xerográficas das DIs anexas, e expediente comprobatório da instituição anexo aos autos. É sabido que o estabelecimento que importa produtos tributados de procedência estrangeira é contribuinte do IP!, sujeito à obrigação principal (pagamento do tributo), e às acessórias, tais como a emissão de notas fiscais, escrituração de livros, etc. Isto porque o importador é equiparado a industrial de forma ampla, para todos os efeitos legais. Assim, aplica-se a multa de 30 por cento do valor comercial a todo aquele que receber, conservar, entregar a consumo ou consumir o produto sem registro nos livros ou fichas de controle quantitativo próprios, quando entrar no estabelecimento ou dele sair. Artigo 366, inciso!, do RIPU82, aprovado pelo Decreto 87.981/82." 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 119.516 ACÓRDÃO N° : 302-33.874 Subsidiando o Auto de Infração encontram-se os documentos de fls. 30 a 35 (Resumo dos dados relativos às importações realizadas pela autuada de janeiro de 1991 a dezembro de 1995), fls. 36 e 39 (Termo de Intimação Fiscal, solicitando da contribuinte a apresentação das notas fiscais de entrada, modelo 3, série "E", Termo de Apreensão e recibo de entrega das referidas notas e solicitação de liberação dos talonários apreendidos pela Fiscalização). Às fls. 40 a 1.153 constam as Declarações de Importação relativas às operações em tela. DA IMPUGNAÇÃO Ciente da autuação em 04/12/96 (fls. 02) a interessada, por sua • advogada, apresentou impugnação tempestiva (fls. 1.157 a 1.162), acompanhada dos documentos de fls. 1163 a 1.196, com os seguintes argumentos, em resumo: QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - O auto de infração foi lavrado em 29/11/96, tendo a autuada recebido a intimação em 04/12/96; - As operações que serviram de base para a autuação são do período de 12/03/91 a 26/12/95 (as datas que constam do Auto de Infração correspondem ao desembaraço aduaneiro, e não ao registro das DIs); - As multas relativas às DIs registradas no período de janeiro de 1991 (desembaraço em 12/03/91) a 28/11/91 (desembaraço em 10/12/91) são caducas e incobráveis, pela falta de regular constituição do crédito tributário, no prazo de cinco anos, a contar dos respectivos fatos geradores; 411 - O fato gerador do Imposto de Importação é a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, e seu aspecto temporal é marcado pelo registro da Declaração de Importação (arts. 86 e 87 do Regulamento Aduaneiro). Assim, a autoridade administrativa pode efetuar o lançamento da obrigação principal e acessória no prazo de cinco anos, a contar da data do registro da DI. Não constituído o crédito tributário no prazo legal, que tem como "dies a quo" a data do registro da DI, não há como cogitar-se de sua exigibilidade, posto que operada a decadência do direito de lançar; - O art. 456 do Regulamento Aduaneiro determina que a revisão aduaneira somente pode ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. No caso, tendo já decorrido cinco anos dos fatos geradores das operações do período datado pela Fiscalização de 12/03/91 a 10/12/91, e correspondentes às DI registradas de 31/01/91 a 28/11/91, a decadência se 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 119.516 ACÓRDÃO N° : 302-33.874 operou tanto para a eventual exigência da obrigação principal, quanto para a exigência de correspondente obrigação acessória; Face ao exposto, deve ser decretada, em preliminar, a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do período de 1991. QUANTO AO MÉRITO - A autuada possui e já possuía, por ocasião da autuação, os livros que a Fiscalização aduz que ela não teria (Livro de Registro de Impressão de Documentos Fiscais, Modelo 5, Livro de Registro de Inventário, Modelo 7, Livro • Modelo 2 e Livros de Entradas, no período de 1991 a 1995); - Quando da lavratura do Auto de Infração, a autuada estava somente em atraso na escrituração do Livro Registro de Entrada Modelo 1, a partir de abril de 1992, mas estava, como está, também, em exaustivo trabalho de regularização. Houve, em verdade, precipitação do AFTN na autuação, pois sequer concedeu à autuada prazo razoável para a regularização de um único livro, conforme comprovam os documentos ora acostados; - A multa aplicada deve ser cancelada, pois a defendente possui devidamente escriturados os livros Registro de Saída — Modelo 2, Registro de Impressão de Documentos Fiscais — Modelo 5 e Registro de Inventário — Modelo 7, além do Livro Registro de Entradas — Modelo 1 do ano de 1991, que coloca à disposição da Fiscalização para serem examinados, uma vez que o volume de material impede a sua juntada ao processo. 411 Finalmente, a autuada requer a concessão de, pelo menos, 120 dias para a apresentação dos livros Registro de Entradas — Modelo 1, do período de 1992 a 1996, pois está trabalhando arduamente para regularizar, no menor tempo possível, a escrituração destes livros, para o cancelamento integral da multa aplicada. A impugnante aguarda o acolhimento de suas razões e a declaração da total insubsistência do Auto de Infração, com o consequente cancelamento da exigência. Solicita também que as intimações sejam encaminhadas ao escritório de seus patronos, na Rua Santo Amaro, n° 524/526, 1° andar, no bairro da Bela Vista, São Paulo - SP, CEP 01315-000. À impugnação foram anexadas cópias dos seguintes documentos: - capa e Termo de Abertura do livro "Registro de Saídas", Modelo 2-A (fls. 1.164 e 1.165); 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 119.516 ACÓRDÃO N° : 302-33.874 - capa, Termo de Abertura e folhas do livro "Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências", Modelo 6 (fls. 1.166 a 1.172); - Termo de Abertura, folhas e Termo de Encerramento do livro "Registro de Entradas", processado eletronicamente (fls. 1.173 a 1.176). Em 15/01/97 vem a autuada, às fls. 1.184, solicitar a inclusão de cópias dos Termos de Abertura e folhas dos livros "Posição do Estoque", relativos aos anos de 1991 (fls. 1.194 a 1.196) , 1993 (fls. 1.185 a 1.187), 1994 (fls. 1.191 a 1.193) e 1995 (fls. 1.188 a 1.190). • DO INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO CONTRA A AUTUADA Às fls. 1.177 a 1.180 constam documentos relativos ao Inquérito Civil Público tf 15/96, instaurado contra a interessada, a saber: - Portaria rf 15/96, de 22.11.96, do Ministério Público Federal, instaurando o referido inquérito (fls. 1.180); - Oficio if 9.898/96, de 22/11/96, do Ministério Público Federal, encaminhado ao Superintendente da Receita Federal da 8' Região Fiscal, comunicando a instauração do inquérito e solicitando informações para instrução dos respectivos autos (fls. 1.178 e 1.179); - Memorando GAB/0800/N° 1.223/96, de 11/12/96, do Superintendente da Receita Federal na 8' Região Fiscal ao Inspetor da Receita Federal em São Paulo, no sentido de atendimento ao oficio acima citado (fls. 1.177). • DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 15/09/97, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo — SP exarou a Decisão n° 013556/97.31.473, com o seguinte teor, em resumo: 'Discorre a interessada preliminarmente, em sua peça impugnatória, que o auto ora em litígio é passível de nulidade em razão do instituto da decadência, pois já haviam decorridos cinco anos dos fatos geradores das operações do período datado pela fiscalização de 12/03/91 a 10/12/91, correspondente as DI registradas em 31/01/91 a 28/11/91. O constatado na auditoria foi que fatos geradores ocorridos entre 12/03/91 a 10/12/91 não foram devidamente escriturados naquela época. Nessa circunstância, a lei assegura ao fisco o direito de MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 119.516 ACÓRDÃO Isr : 302-33.874 constituir o crédito tributário até cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo já poderia ter tomado a iniciativa do lançamento (Lei n° 5.172/66, art. 173, I). Destarte, o instituto da decadência requerido pela interessada para o período supra citado é descabido, pois como vimos à luz dos textos legais o auto para o período mencionado poderia ter sido lavrado até 31/12/96. Quanto ao mérito, a Requerente informa que não são verdadeiras as assertivas constantes no trabalho fiscal quanto à falta de escrita • fiscal, informando que o único livro irregular era o Livro Registro de Entrada Modelo 1, cuja escrituração encontrava-se em atraso a partir de abril de 1992, ocorrendo precipitação por parte do AFTN que não lhe concedeu prazo razoável para regularização de um único livro. O CTN nos parágrafos 2° e 3° do art. 113, discorre sobre a obrigação acessória, informando que estas têm por objeto prestações no interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, estando o simples fato da sua inobservância, sua conversão em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A auditoria realizada detectou que a Requerente deixou de cumprir a obrigação acessória de manter sua escrituração conforme a legislação tributária, convertendo-se tal infração na multa regulamentada pelo art. 366, I, do FtIPI182. • O pedido de prazo proposto pela Requerente ao fisco para regularização de sua escrita fiscal em nada a elide da infração apurada, pois como consta no CTN parágrafo único, art. 138, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Em sua peça defensória a interessada argumenta que o Livro de Registro de Entrada Modelo 1 encontra-se irregular a partir de abril de 1992, anexando xerox às fls. 1.173 a 1.176, nas quais procedemos criterioso exame a fim de que fossem encontrados os registros das DI referentes ao período de desembaraço compreendido de 12/03/91 a 30/03/92, que foram objeto do auto ora em lide, sem que obtivéssemos sucesso." 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N' : 119.516 ACÓRDÃO N° : 302-33.874 Finalmente, a autoridade decidiu indeferir a impugnação, determinando a continuidade da cobrança do crédito tributário lançado, informando à interessada sobre a faculdade de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes. DO RECURSO AO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Em 05/11/97, tempestivamente, vem a interessada, por sua advogada, apresentar recurso ao Terceiro Conselho de Contribuintes, "por se tratar de obrigação acessória de IPI vinculado à Importação" (fls. 1.224). • A peça recursal traz as seguintes razões, em resumo: - a decisão recorrida deve ser reformada, em razão de, à época da fiscalização, estar a recorrente atualizando todos os livros fiscais, acabando por fazê- lo, conforme comprovam os documentos anexos a este recurso; - a fiscali7ação, em ação precipitada, apesar de verificar que a recorrente estava em trabalho de atualização de seus livros, procedeu à autuação, onerando a recorrente, que é entidade de filantropia e assistência médico-social. A aplicação da multa não é justa nem legitima, porque a autuada estava, à época da fiscalização, em processo de atualização de seus livros, e porque os atualizou completamente, inexistindo irregularidade a sanar; - a decisão recorrida rejeitou a defesa apresentada, alegando que não poderia mais ocorrer a denúncia espontânea, em razão de a fiscalização ter constatado a suposta irregularidade. Entretanto, à época da fiscalização a escrita da recorrente já • estava em processo de atualização. A recorrente já estava atendendo às exigências legais, quando foi surpreendida pela autuação, precipitada e despicienda, já que a escrita fiscal foi regularizada por completo. A recorrente, neste ponto, reprisa o argumento, constante da impugnação, de que, à época da fiscalização, possuía parte dos livros solicitados devidamente escriturados, estando em atraso somente a escrituração do livro "Registro de Entradas", Modelo 1, a partir de 1992. Relembra também que à época se encontrava em exaustivo trabalho de atualização, tanto que conseguiu completá-lo, citando os documentos de fls. 1.230 a 4.663 como elementos de prova. Em seguida, apenas para argumentar, caso se mantenha a decisão recorrida, reprisa os aspectos referentes à alegada decadência, já trazidos na impugnação, reforçando que o lançamento das obrigações principal e acessória pode ser efetuado no prazo de cinco anos, a contar da data de registro da DI, e não na forma do art. 173 do CTN, como entendeu a decisão recorrida. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 119.516 ACÓRDÃO : 302-33.874 Finalmente, aguarda seja dado provimento integral ao recurso, cancelando-se as exigências impostas no Auto de Infração. Espera também, alternativamente, se mantida a decisão recorrida, seja declarada a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário no período de 1991. Esclarece que seus patronos têm escritório na Rua Santo Amaro, n° 524/526, 1° andar, Bairro da Bela Vista, São Paulo — SP, CEP 01315-000. DA MANIFESTAÇÃO DA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL • Às fls. 4.666 a Procuradoria da Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao presente recurso. DO ENVIO DO PROCESSO AO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES A despeito do expediente da interessada, solicitando o envio do recurso ao Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 1224), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo encaminhou os autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 4.667), que finalmente os redirecionou ao Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 4.668). É o relatório. • MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N' : 119.516 ACÓRDÃO N' : 302-33.874 VOTO Trata o presente processo da aplicação de multa pelo não cumprimento de obrigação acessória, relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI (artigo 366, inciso I, do Regulamento do II'!, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82). Conforme a autuação, a interessada adquiriu produtos estrangeiros e não registrou nos livros ou fichas de controle quantitativo próprios. • A autuada recorre ao Terceiro Conselho de Contribuintes, "por se tratar de obrigação acessória de IPI vinculado à Importação" (fls. 1.224). Não obstante, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo enviou os autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes, que entendeu tratar-se de assunto afeto ao Terceiro Conselho de Contribuintes, efetuando assim o redirecionamento do processo. Diante do exposto, faz-se necessária a análise sobre a competência para julgamento dos presentes autos. A Portaria MF n° 55, de 16/03/98, estabelece, em seus artigos 8° e 9°, verbis: "Art. 8°. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisões de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: I — Imposto Sobre Produtos Industrializados, inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados; Art. 9°. Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisões de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: II — Imposto sobre Produtos Industrializados nos casos de importação." 9 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 119.516 ACÓRDÃO N' : 302-33.874 No caso presente, embora os produtos em questão tenham sido importados, o processo não enfoca o TPI devido no momento da importação, ainda na zona primária, e sim obrigação acessória exigível após o desembaraço aduaneiro, já na zona secundária. Sobre este tipo de ocorrência, a competência para o julgamento dos respectivos recursos é do Segundo Conselho de Contribuintes. Confirmando tal entendimento, temos os seguintes fatos: - ao chegarem à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - SP, os autos foram encaminhados para o SEP1N - Serviço de Julgamento de Processos de 1PI, e não para o SECEX - Serviço de Julgamento de Processos de Tributos sobre o Comércio Exterior (fls. 1.181); • - o julgador de primeira instância, ao final de sua decisão, registrou que dela cabia recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes, e não ao Terceiro Conselho (fls. 1.202); - inúmeros são os acórdãos já emitidos pelo Segundo Conselho de Contribuintes, versando sobre as obrigações acessórias vinculadas ao IPI, no caso de produtos importados, citando-se como exemplo o de n° 202-03.290/90, cuja ementa consta inclusive de nota ao artigo do RUI que serviu de base para a autuação no presente processo (RIPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82 - Edição atualizada com anotações até 26/09/95, art. 366, I, Nota n° 755 - pág. 460 - do RIPI195 - Editora Resenha Tributária). Assim sendo, seguindo a jurisprudência já adotada, declino da competência para julgamento do presente processo em favor do Segundo Conselho de Contribuintes. • Sala das Sessões, em 10 de novembro de 1998. A t-0-A-L-OL ist-Atte-epas1/4491-0- MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora to Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10314.006025/95-07
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue May 18 00:00:00 UTC 1999
Ementa: IOF - NORMAS PROCESSUAIS - ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO - A instituição financeira, autorizada a realizar a operação de câmbio, por falta de disposição expressa de lei, não é responsável pelo recolhimento do IOF devido, quando do descumprimento de condição suspensiva da cobrança do tributo, pela empresa beneficiária do regime especial de drawback, não podendo, assim, figurar como sujeito passivo da obrigação tributária principal (art. 121, II, do CTN). Recurso a que se dá provimento para declarar a nulidade do lançamento, por ilegitimidade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 202-11189
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Maria Teresa Martínez López
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O. U. 2 9 De Q C1 1 4J 7 19.59 c c MINISTÉRIO DA FAZENDA Rubrica Itr4cLT SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10314.006025/95-07 Acórdão : 202-11.189 Sessão 18 de maio de 1999 Recurso : 107.866 Recorrente : BANCO FRANCÊS E BRASILEIRO S/A Recorrida : DEU em São Paulo — SP IOF — NORMAS PROCESSUAIS — ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO — A instituição financeira, autorizada a realizar a operação de câmbio, por falta de disposição expressa de lei, não é responsável pelo recolhimento do 10F devido, quando do descumprimento de condição suspensiva da cobrança do tributo, pela empresa beneficiária do regime especial de drcnrback, não podendo, assim, figurar como sujeito passivo da obrigação tributária principal (art. 121, II, do CTN). Recurso a que se dá provimento para declarar a nulidade do lançamento, por ilegitimidade do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: BANCO FRANCÊS E BRASILEIRO S/A ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento, por ilegitimidade do sujeito passivo. Sala das Se- õ , Iem 18 de maio de 1999 Mar,. icius Neder de Lima Pr 'si ente ----- Maria Te a Martinez López Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Helvio Escovedo Barcellos, Tarásio Campeio Borges, Luiz Roberto Domingo, Ricardo Leite Rodrigues e Oswaldo Tancredo de Oliveira. sbp/cf 1 \4n4144 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES0.cEERity Processo : 10314.006025/95-07 Acórdão : 202-11.189 Recurso : 107.866 Recorrente : BANCO FRANCÊS E BRASILEIRO S/A RELATÓRIO Contra a instituição financeira, nos autos qualificada, foi lavrado auto de infração, sob alegação de ter ocorrido falta de cobrança e recolhimento do I0F, incidente sobre operações de câmbio, para pagamento de mercadorias importadas sob regime especial de drawback, em decorrência de inadimplemento da obrigação de exportar, por parte da empresa AUTO LATINA BRASIL S/A, conforme Relatório de comprovação de drmvback n° 1963-92/082-0 (fls. 68), emitido pela CACEX — Banco do Brasil, órgão administrador dos beneficios do regime, nas modalidades "suspensão e isenção". Inconformada, a autuada apresenta, tempestivamente, Impugnação de fls. 146/153, requerendo, entre outras coisas, a anulação do auto de infração, por ter o agente fiscal indicado, indevidamente, a autuada como sujeito passivo da obrigação principal. Através da Decisão DRESP n° 006271/9632.112/96, a autoridade singular manifestou-se pelo indeferimento da impugnação, cuja ementa está assim redigida: "EMENTA: A contagem do prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que se verifique o inadimplemento da obrigação de exportar, relativamente às importações em Regime Especial de Importação "drawback". As Instituições autorizadas a operar em câmbio são as responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento conforme item 3, "b" da seção 3 da Resolução BACEN 1.301/87. A notificação Fiscal, emitida anteriormente à lavratura do Auto de Infração, dá cumprimento ao item 2, "a", da seção 6 da Resolução 1.301/87. IMPUGNAÇÃO ENDEFERIDA Às fls. 195/208, a autuada apresenta, tempestivamente, Recurso, reforçando as alegações iniciais. É o relatório. 2 1 . L5- MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTESOS* Processo : 10314.006025/95-07 Acórdão : 202-11.189 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA TERESA MARTiNEZ LOPEZ Presentes os pressupostos genéricos de tempestividade e regularidade formal, passo, primeiramente, ao exame das preliminares. A priori, entendo que, para que o Colegiado possa aferir a quem cabe a razão em determinado processo, deve examinar, primeiramente, questões preliminares que antecedem, lógica e cronologicamente, a questão principal: o mérito. As questões preliminares dizem respeito ao próprio exercício do direito de ação (condições da ação) e à existência e regularidade da relação jurídica processual (pressupostos processuais). As condições da ação são três: legitimidade das partes, interesse processual e possibilidade jurídica. Ausente uma delas, ou mais de uma, como conseqüência, ocorre o fenômeno da carência de ação, ou seja, extinção do processo, sem julgamento do mérito, conforme dispõem os artigos 267 e 301 do Código de Processo Civil, a seguir reproduzidos (v. Código de Processo Civil comentado — Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery - Ed. rev. dos Tribunais — pág. 581): "Art. 267. Extingue-se o processo, sem julgamento do mérito: VI - quando não ocorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; Art. 301. Compete-lhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: VIH - incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização." Parte, em sentido processual, é aquela que pede (parte ativa) e aquela em face de quem se pede (parte passiva) a tutela jurisdicional. Em se tratando de drawback, a jurisprudência desta Câmara é pacifica no sentido de exonerar o responsável legal pela cobrança de tributo e seu respectivo recolhimento ao Tesouro Nacional, quando aquele se vê impedido de exercer tais atribuições, no momento da ocorrência do fato gerador, por razões a que não deu causa. 3 ‘5". MINISTÉRIO DA FAZENDA atal.„ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1/40,WE, Processo : 10314.006025195-07 Acórdão : 202-11.189 Teresa Arruda Alvim Wambier, em seu livro intitulado "Nulidades do Processo e da Sentença" (4° edição - Ed. Revista dos Tribunais, p. 44), ao se referir à "legitimidade" (item 1.22.2), assim se posiciona: "O conceito de legitimidade pertence à teoria geral do direito. Tem penetração em todas os ramos do direito, tanto material como processual. Trata-se de uma qualidade que resulta da relação entre o sujeito e um objeto: essa qualidade é inferida em .fiinção de ato jurídico realizado ou a ser praticado, ou, mais e.specijicadamente, da relação entre o sujeito e a relação jurídica." A conclusão a que se chega é que, se o lançamento é nulo, por falta de urna das condições da ação (legitimidade de parte), todos os atos posteriores serão absolutamente nulos, de que fazem parte a intimação, a impugnação, a decisão singular e o recurso apresentado pelo interessado. Tem-se que não há nada mais grave do que a extinção do processo ah Mulo, por ilegitimidade ad causam. Assim, por exemplo, teríamos, em decorrência, a ofensa de outro pressuposto processual de existência, o da "intimação". Deve ser intimado aquele que, segundo o Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, artigo 23, "seja" o sujeito passivo. Por outro lado, uma das funções deste órgão julgador é a do reexame, primeiro, dos atos da administração, sujeitos à aplicação das leis, como um todo, partindo-se, portanto, do ato primordial que é o próprio lançamento. Havendo vícios, ligados às condições da ação, aos pressupostos processuais de existência e de validade, há de não se adentrar em outras questões, em face de que as "nulidades absolutas" invalidam o próprio processo. A continuação de uma controvérsia inexistente seria despicienda e contrária ao principio da economia processual. Nesta matéria, oportuno transcrever parte do voto condutor do Acórdão n° 201-70.645, da lavra do ilustre Conselheiro Expedito Terceiro Jorge Filho. "Nas operações de câmbio são contribuintes do 10F, conforme art 66 do C7W c/c o art. 2° do Decreto-Lei n° 1.783/80, os compradores de moeda estrangeira, que no caso dos autos foi a Autolatina Brasil S/A. O parágrafo único do art. 121 do CTN e.specifica quem é sujeito passivo da obrigação iributarici principal, e em seu inciso II, estipula que o responsável será sujeito passivo, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 4 SgO Tal MINISTÉRIO DA FAZENDA :Tfrfrr -GMTZ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10314.006025/95-07 Acórdão : 202-11.189 O Código Tributário Nacional em seu art. 128 determina que a lei poderá, de modo expresso, atribuir a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador, a responsabilidade pelo crédito tributário. Para atender o preceito da lei complementar, no tocante ao IOD foi baixado o Decreto-Lei n° 1.783/80 que em seu art. 3°, inciso III, atribui às instituições financeiras autorizadas a operar com câmbio, a responsabilidade pela cobrança e recolhimento do imposto nas operações de câmbio. Por sua vez a Resolução BACEN n° 1.301/87, em seu item 4.4.3.3, alíneas a e b, também impõe às instituições financeiras autorizadas a operar com câmbio a condição de responsável. O fato gerador do 10F quando das operações de câmbio, segundo o art. 63, II, do CIX se dá pela efetiva entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado, em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue aposta á disposição por este. A Resolução BACEN n°1.301/87 indica no seu item 4.4.2.1, climas a e b, que o jato gerador do 10F, nas operações de câmbio relativas as importações de bens e serviços, se dá com a liquidação do contrato de câmbio. No caso dos autos o Recorrente, como ele próprio reconhece, era responsável pela cobrança e recolhimento do 10F. Porém, como se trata de importação realizada sob o regime especial de drawback, a aliquota do 101; é O% (zero por cento), conforme item 4.4.5.5, alínea h, da Resolução BACEN n° 1.301/87. Portanto, houve fato gerado mas não havia imposto a cobrar da Autolatina Brasil SIA e, consequentemente, o Recorrente não podia ser considerado sujeito passivo da obrigação tributária principal, na condição de responsável, porque não havia tributo OU penalidade pecuniária a ser paga Com o descumprimento por parte da A utolatina Brasil S/A do programa de exportação, vinculado ao Ato Concessário, o 101 7 passou a ser devido. Entendeu a repartição fiscal que caberia ao Recorrente, na condição de sujeito passivo (responsável) proceder junto àquela empresa a cobrança do imposto e proceder o recolhimento, face ao disposto no item 4.4.6.2, alínea a, da Resolução BACEN n° 1.301/87. 5 • . 52.1 rakt. MINISTÉRIO DA FAZENDA Stn, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES aS.,,e1IMS Processo : 10314.006025/95-07 Acórdão : 202-11.189 Aqui também não há como imputar ao Recorrente a condição de responsável e, consequentemente, de sujeito passivo. Não há dispositivo legal que determine que o autuado seja responsável pela cobrança e recolhimento do 10E no caso de descumprimento do regime especial de drawback por empresa beneficiária. Equivoca-se quem afirma que o item 4.4.6.2. alínea a, da Resolução BACEN n" 1.301/87, impõe ás instituições .financeiras que operam com câmbio a condição de responsável quando ocorrer a situação acima descrita. Como poderia a instituição financeira cobrar o imposto? Qual o instrumento legal que dá poderes a instituição financeira para exigir este imposto? Não há dispositivo legal que permita a uma instituição financeira que opera com câmbio exigir da empresa descumpridora do regime especial de drawback o imposto devido, como também não há dispositivo legal ou normativo que discipline a forma de cobrança desse imposto. Portanto, si) o Fisco poderia proceder a cobrança do 10E junto à empresa beneficiária do regime especial de drawback quando do descumprimento do mesmo. A autuação deveria ser efetuada contra a Auto/atina Brasil Sh4, na condição de contribuinte, e não contra o ora Recorrente pois o mesmo não reveste a condição de responsável e, consequentemente, de sujeito passivo, quando do descumprimento do regime especial de drmvback por parte da empresa beneficiária." Também, oportuno trazer a manifestação unânime da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em questão similar ao presente estudo, Recurso n° 105.102, envolvendo, também, a Autolatina do Brasil S.A., da ilustre Relatora Ana Neyle Olímpio Holanda, cuja ementa está assim redigida; "10F -- NORMAS PROCESSUAIS — ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO - A instituição financeira autorizada a realizar a operação de câmbio, por falta de disposição expressa de lei, não é responsável pelo recolhimento do IOF devido quando do descumprimento de condição suspensiva da cobrança do tributo pela empresa beneficiária do regime especial de drawback, não podendo, assim, figurar como sujeito passivo da obrigação tributária principal (art. 121, 11, CD!,). Recurso a que se dá 6 go2. MINISTER° DA FAZENDA 4raliE SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10314.006025/95-07 Acórdão : 202-11.189 provimento, para, no mérito, declarar a nulidade do lançamento por ilegitimidade do sujeito passivo." Claro está não palrarem dúvidas de que o sujeito passivo da obrigação tributária, neste caso, é a pessoa beneficiária do regime especial (Autolatma do Brasil S A ), que descumpriu a condição suspensiva da cobrança do tributo Contra ela, exclusivamente, é que deveria ter sido lavrado o presente auto de infração Com essas considerações, dou provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento ab initio, por erro de eleição do sujeito passivo É como voto. Sala das Sessões, em 18 de maio de 1999 MARTA TERES IARTTNEZ LÓPEZ 7
score : 1.0
Numero do processo: 10314.005483/00-87
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2003
Ementa: TRÂNSITO ADUANEIRO.
FALTA DE MERCADORIA.
Na falta de comprovação, pelo importador, de ocorrência de caso fortuito ou força maior, sua responsabilidade pela falta da mercadoria não pode ser excluída (art. 480 do Regulamento Aduaneiro).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
A responsabilidade solidária do transportador não exclui a do beneficíário do trânsito aduaneiro, que no caso é o importador (art. 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional).
Negado provimento por unanimidade.
Numero da decisão: 302-35422
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, nos termos do voto da Conselheira relatora.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP TRÂNsrro ADUANEIRO. FALTA DE MERCADORIA. Na falta de comprovação, pelo importador, de ocorrência de caso fortuito ou força maior, sua responsabilidade pela falta da mercadoria não pode ser excluída (art. 480 do Regulamento Aduaneiro). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Ar. A responsabilidade solidária do transportador não exclui a do beneficiário do trânsito aduaneiro, que no caso é o importador (art. 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 27 de fevereiro de 2003 ler HENRIQUE PRADO MEGDA Presidente A/41-15tRIA IliC:12-1EIVCOTTA CegAll'gP&I; Relatora 25 MAR 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMILIO DE MORAES CHIEREGATTO, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, ADOLFO MONTELO (Suplente), SIIVIONE CRISTINA BIS SOTO e PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES. Ausente o Conselheiro LUIS ANTONIO FLORA. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 124.955 ACÓRDÃO N° : 302-35.422 RECORRENTE : AOC DO BRASIL MONITORES LTDA. RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RELATORA : MARIA HELENA COTTA CARDOZO RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo — SP. DO REQUERIMENTO DE VISTORIA ADUANEIRA 4I Em 19/12/2000, a empresa importadora AOC DO BRASIL MONITORES LTDA. apresentou à Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — SP, requerimento de Vistoria Aduaneira (fls. 01), relativamente ao contêiner TTNU 975623-4, contendo "Scanners mod. Spectrum F-610". DA FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA Em 05/03/2001 foi emitida a Notificação de Lançamento n° 0815500/03763/01, formalizando a exigência no valor de R$ 8.571,18, relativa ao Imposto de Importação (R$ 5.714,12) e multa (R$ 2.857,06 — 50% — art. 521, inciso II, alínea "d", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85), cuja ciência por parte da autuada em 02/05/2001 está registrada às fls. 23/verso. A Notificação de Lançamento assim descreve os fatos: 11, "A empresa AOC do Brasil Monitores Ltda. teve a mercadoria discriminada no conhecimento de carga n° FF9SAN3341, removida no regime de trânsito aduaneiro da Alf/Porto de Santos para a EADI-CRAGEA, através da DTA I n° 0083969, pela empresa Senas Transportes e Serviços Ltda. No percurso determinado ocorreu o furto desta mercadoria, tendo o importador anexado cópias do boletim de ocorrência emitido pela Policia Civil do Estado de São Paulo. A responsabilidade do extravio é do importador que deve assumir o ônus pela desistência nos termos do artigo 473 do RA/85. Na DTA I citada consta o Termo de Desistência de Vistoria e as circunstâncias que produziram o extravio não estão qualificadas no artigo 480 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 91.030/85)." )k., 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 124.955 ACÓRDÃO N° : 302-35.422 Às fls. 02 a 12 encontram-se os documentos relativos à importação em questão. DA IMPUGNAÇÃO Em 07/05/2001, tempestivamente, a interessada apresentou, por meio de seus advogados (instrumento de fls. 31), a impugnação de fls. 24 a 30 (acompanhada dos documentos de fls. 32 a 42), com os seguintes argumentos, em resumo: - as mercadorias em questão foram objeto de roubo, e não de furto, como equivocadamente constou no histórico dos fatos (Boletim de Ocorrência de fls. 40 a 42); - nos termos do art. 478, caput, do Regulamento Aduaneiro, a responsabilidade tributária é de quem der causa ao extravio da mercadoria; - no caso, como as mercadorias foram objeto de roubo, a responsabilidade deve ser imputada aos autores do crime; - - o mesmo dispositivo legal, em seu parágrafo primeiro, estabelece que o responsável seria o transportador; - em momento algum se indica como responsável o importador, dividindo a responsabilidade entre quem der causa e o transportador; - a importadora em nada concorreu para o extravio das mercadorias, sendo as mesmas objeto de roubo, não participando nem mesmo do seu transporte; - ainda que a interessada pudesse ser responsabilizada, o que se admite apenas para argumentar, o fato de as mercadorias terem sido roubadas excluiria sua responsabilidade, já que, nos termos do art. 480 do Regulamento Aduaneiro, caberia ao indicado como responsável a prova do caso fortuito ou força maior, excludente de responsabilidade; - a simples ocorrência do roubo, evento superior contra o qual não pode a impugnante resistir, caracterizaria a existência de força maior e, nos termos do artigo acima citado, restaria excluída a responsabilidade pelo extravio da mercadoria; - é pacífico o entendimento de nossos tribunais, tanto no sentido de a responsabilidade pelo extravio ser exclusiva do transportador, como no sentido de que roubo é tido como circunstância de força maior (cita jurisprudência); 9,1. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 124.955 ACÓRDÃO N° : 302-35.422 - por qualquer ângulo que se analise, verifica-se que a impugnante em hipótese alguma poderia ser responsabilizada pelo ônus tributário decorrente do extravio das mercadorias. Ao final, a impugnante pede que se considere insubsistente o Auto de Infração, determinando-se o seu arquivamento. DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 11/04/2002, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo — SP exarou o Acórdão DRJ/SPOII n° 567 (fls. 44 a 51), com o seguinte teor, em resumo: • - o presente processo trata de Trânsito Aduaneiro, onde o beneficiário do regime é a autuada, e o transportador é Senas Transportes; - de acordo com o art. 275 do Regulamento Aduaneiro, beneficiário e transportador são responsáveis solidários pelo trânsito; - o art. 124 do Código Tributário Nacional, por sua vez, estabelece que a solidariedade não comporta benefício de ordem; - conforme o Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor; - no caso, à fiscalização incumbe provar a quem cabe a responsabilização, e isto foi feito por meio da comprovação de que a operação de Trânsito Aduaneiro não foi completada e que, então, a suspensão da exigibilidade do 4in crédito tributário foi afastada; - quanto à excludente de responsabilidade por caso fortuito ou força maior, cabe à impugnante o ônus de provar a sua ocorrência (cita de Plácido e Silva e Paulo Celso Bonilha); - de acordo com o art. 1.058 do Código Civil, a excludente por caso fortuito (acontecimento imprevisível) ou força maior (acontecimento previsível) pressupõe a comprovação de que o fato ocorreu; de que o fato era inevitável, irresistível ou invencível, mais forte que a vontade ou ação do homem; de que a ocorrência do fato não pode ser atribuída à culpa do agente (transportador), caso contrário o fato não pode ser considerado necessário nem inevitável; - no caso em tela, não há comprovação de que o fato efetivamente ocorreu, pois não há testemunhas, além do que, conforme reportagem do jornal "O 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • RECURSO N° : 124.955 ACÓRDÃO N° : 302-35.422 Estado de São Paulo" em 20/06/99, 40% dos roubos de carga ocorridos no Estado contam com a conivência dos motoristas; - o Boletim de Ocorrência prova apenas a comunicação de um crime, e não a sua efetiva ocorrência; - não consta dos autos que tenha havido a instauração de inquérito policial, ou de confirmação da ocorrência do crime, por qualquer meio, nem a apuração de sua autoria, nem sequer o levantamento de suspeitos, muito menos o encerramento do inquérito e envio ao Ministério Público para oferecimento de denúncia para início de ação penal; - se o inquérito não foi iniciado, caberia à vítima requerer a sua • abertura (art. 50 do Código de Processo Penal), porém não consta dos autos que isso tenha sido feito; - ainda que a ocorrência do fato estivesse comprovada, restaria comprovar a configuração do caso fortuito ou da força maior, mediante a prova da ausência de culpa do transportador; - para efeito de responsabilização tributária, é irrelevante saber quem deverá arcar com o ônus pelo desaparecimento da mercadoria, pois interessa apenas saber quem deverá responder pelo crédito tributário suspenso; - os riscos do Trânsito Aduaneiro são ônus do importador e do transportador, que devem assegurar-se da forma que lhes for conveniente, levando-se em conta a situação do transporte rodoviário no trecho em questão, e também o custo pelo crédito suspenso, que pode passar a ser devido, caso a carga não chegue ao destino;• - quanto à culpa, esta não se restringe à provocação do desaparecimento da carga por dolo, fraude simulação, imprudência, imperícia ou negligência, mas abrangeria também as hipóteses de concurso para a ocorrência do extravio, mediante falha no dever de vigiar diligentemente a carga (culpa in vigilando) ou de escolher cuidadosamente o preposto que deveria fazê-lo (culpa in eligendo). - assim, não havendo prova da ocorrência do fato, e não se comprovando a ausência de culpa pelos solidários, a excludente de responsabilidade por caso fortuito ou força maior não ficou caracterizada; - acrescente-se que o representante do importador e o transportador desistiram da Vistoria Aduaneira antes do Trânsito Aduaneiro, assumindo a responsabilidade por todo e qualquer ônus decorrente da desistência. rt MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 124.955 ACÓRDÃO N° : 302-35.422 Destarte, o lançamento foi julgado procedente. DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Em 11/06/2002, a interessada apresentou o recurso de fls. 54 a 65, acompanhado do comprovante de depósito recursal de fls. 66 (fls. 68). Embora não conste dos autos o AR — Aviso de Recebimento comprovando a data de ciência, por parte da interessada, da decisão recorrida, a tempestividade do recurso é evidente, já que a respectiva Intimação está datada de 10/05/2002 (fls. 52). A peça recursal reprisa as razões da impugnação, adicionando • apenas jurisprudência deste Conselho de Contribuintes (processos 10880.035546/90- 51 e 10845.000044/93-24). Os autos foram distribuídos a esta Conselheira, numerados até as fls. 70 (última), que trata do trâmite do processo no âmbito deste Conselho. É o relatório. Vn • 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 124.955 ACÓRDÃO N° : 302-35.422 VOTO O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo, de extravio de mercadoria importada, sob o regime especial de Trânsito Aduaneiro, em que foi responsabilizado o importador. O assunto não é novo neste Conselho, que sobre ele já se 111, manifestou por ocasião do julgamento do Recurso n° 119.988, originando-se o Acórdão n° 301-30.232. Por concordar inteiramente com o seu teor, adoto o voto prolatado pela Ilustre Conselheira Roberta Maria Ribeiro Aragão, acolhido por unanimidade pelo Colegiado, adiante transcrito, com as adaptações cabíveis. "Por se tratar de responsabilidade solidária firmada em Termo de Responsabilidade (fls. 05) pelo importador e pelo transportador, em razão do não encerramento da operação do regime especial de trânsito aduaneiro, não cabe razão à recorrente, senão vejamos. Inicialmente, concordo com a decisão da autoridade de Primeira Instância, no sentido de que a responsabilidade é solidária, isto é, não exclui a responsabilidade do importador, no caso, o beneficiário do regime. Senão vejamos: 'Art. 275 — Em qualquer caso, os beneficiários a que se refere o art. 257 e o transportador serão solidários, perante a Fazenda Nacional, nas responsabilidades decorrentes da operação de trânsito aduaneiro. Parágrafo único — Ao firmar termo de responsabilidade, o beneficiário assumirá a condição de fiel depositário da mercadoria, enquanto subsistir a operação de trânsito aduaneiro.' (grifo nosso). Pelo presente artigo vê-se que o legislador optou por determinar a condição de fiel depositário ao beneficiário do regime, no caso o importador. Importa observar que, o importador estava ciente das suas obrigações ao ter assinado Termo de Responsabilidade com o seguinte teor: tr 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • RECURSO N° : 124.955 ACÓRDÃO N° : 302-35.422 'Nos termos dos arts. 274, 275 e 276 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, assumimos as responsabilidades pelas obrigações fiscais, cambiais e outras estabelecidas na legislação pertinente, em especial no mencionado Decreto e nas normas que o complementam, obrigações essas suspensas em razão da aplicação do regime de trânsito aduaneiro às mercadorias objeto da presente declaração e respectivos anexos. Para esse fim, o valor declarado nesta DTA poderá ser impugnado a vista de outros elementos apurados pela fiscalização.' (grifo nosso). Claro está que, o beneficiário do trânsito, no caso o importador, assumiu as responsabilidades descritas no referido termo de responsabilidade. • Ainda sobre esta questão de responsabilidade solidária, é válido observar os comentários de Bernardo Ribeiro de Moraes no livro Compêndio de Direito Tributário, r edição da editora Forense: 'No direito tributário toda divida será solidária, desde que alcance duas ou mais pessoas, como conseqüência do pressuposto de fato que dá origem à respectiva obrigação. Isto resulta da própria natureza ex lege da obrigação tributária. Esta solidariedade se estabelece sem necessidade de que a lei o diga expressamente. Mesmo inexistindo lei que disponha em contrário, todas as pessoas envolvidas no pressuposto de fato que dá origem à obrigação tributária são devedoras da prestação. Assim, no direito tributário não vige a regra de que a solidariedade não se presume. No direito tributário toda divida que alcança duas ou mais pessoas é solidária, salvo disposição de lei em contrário. A regra que predomina na AL obrigação tributária, em relação à solidariedade, é inversa: presume- se a solidariedade, caso a lei a silencie. Dispondo sobre a matéria, assim se expressa o Código Tributário Nacional: Art. 124 - são solidariamente obrigados: as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II- as pessoas expressamente designadas por lei. O Código tributário Nacional, conforme se verifica, admite duas modalidades de solidariedade passiva, assim especificadas: 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 124.955 ACÓRDÃO N° : 302-35.422 a) solidariedade de fato (CTN, art. 124 inciso I), quando há uma pluralidade de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal... A solidariedade nasce em razão da própria natureza do fato gerador da respectiva obrigação, pela própria natureza do imposto em causa. Se várias pessoas participam de fato de determinada obrigação tributária, os efeitos jurídicos abrangerão todas elas, que passam a ser solidárias diante do cumprimento da prestação tributária.' Conforme se verifica nos bons ensinamentos acima citados, existe uma pluralidade de pessoas, ou seja, no caso em questão, o importador e o transportador participaram de fato da obrigação • tributária constituída em termo de responsabilidade, o que configura o interesse comum na situação e que constitui o fato gerador da obrigação principal, de acordo com o previsto no inciso I, do art. 124, do CTN. Por sua vez, a solidariedade não comporta beneficio de ordem, conforme previsto no parágrafo único do art. 124, do CIN. Assim, está correta a exigência do crédito tributário ao importador, pois o crédito tributário pode ser exigido de qualquer um dos co- devedores indistintamente, de acordo com o parágrafo único do art. 124 do CIN. Quanto à interrupção do trânsito: Como bem analisou a autoridade monocrática não há nenhuma 4e. previsão de exclusão de responsabilidade como decorrência denu, interrupção do trânsito, o que existe, e que está previsto no art. 277 do Regulamento Aduaneiro, são hipóteses que asseguram ao transportador a não aplicação de sanções. Quanto ao caso fortuito ou força maior: Da análise dos fatos juntados ao processo, fica claro que o Boletim Policial não é prova suficiente e necessária para que se configure caso fortuito ou força maior. É seguramente um mero depoimento sem comprovação. E elementar que não basta uma queixa policial para que se comprove a ocorrência de um roubo, isto é, um caso fortuito ou força maior. 5stil 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • RECURSO N° : 124.955 ACÓRDÃO N° : 302-35.422 Ademais, o recurso nada acrescenta com relação à falta de provas alegada pela autoridade de Primeira Instância, ou seja, se de fato este roubo ocorreu e existem dois prejudicados, o importador porque perdeu a carga, e o transportador porque perdeu o veículo, nenhum procedimento foi realizado para compensar este prejuízo, ou mesmo responsabilizar os assaltantes, como por exemplo, abertura de um inquérito policial. Carece portanto, o caso em questão, de respaldo legal para que haja exclusão da responsabilidade pelo recorrente. Assim é que, na falta de comprovação, pelo interessado, de ocorrência de caso fortuito ou força maior, sua responsabilidade não • pode ser excluída, conforme disposto no art. 480 do Regulamento Aduaneiro. E é com base no disposto no parágrafo único, do art.124 do Código Tributário Nacional, que a responsabilidade solidária do Transportador não exclui a do Beneficiário, no caso o importador. Diante do exposto, e como bem decidido pela autoridade julgadora de Primeira Instância, nego provimento ao recurso." Destarte, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2003 -etiàtc-eo ANIL /MARIA HELENA COTTA CARalick-- Relatora 10 .f • MINISTÉRIO DA FAZENDA •TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES gr!_i SEGUNDA CÂMARA Recurso n.° : 124.955 Processo n°: 10314.005483/00-87 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à r Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 302-35.422. Brasília- DF /03 lates ----- Henri e Prado life9da Presidenta da Câmara n••n ,9 j3 ,2,0b 3JCiente em: •"IP 1 Lem\)of ret i PC ç3'I Pks Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10425.000257/2002-02
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IRPF - EX. 1998 - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - A participação no capital social de empresa é uma das condições que obrigam a pessoa física detentora do direito à conduta de entregar a declaração de ajuste anual.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-46.463
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Ezio Giobatta Bernardinis e Geraldo Mascarenhas Lopes Cançado Diniz.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Naury Fragoso Tanaka
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARTINS FERNANDES BEZERRA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Ezio Giobatta Bernardinis e Geraldo Mascarenhas Lopes Cançado Diniz. ANTONIO DE F - EITAS DUTRA P. SIDENTE NAURY FRA9AÏÍANA RELATOR FORMALIZADO EM: 22 OUT 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ OLESKOVICZ e JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS. Ausente, justificadamente, a Conselheira MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10425.000257/2002-02 Acórdão n°. : 102-46.463 Recurso n°. : 135.427 Recorrente : MARTINS FERNANDES BEZERRA RELATÓRIO Exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da pessoa física, relativa ao exercício de 1.998, mediante Auto de Infração, de 21 de janeiro de 2.002, fl. 2. A referida obrigação foi cumprida a destempo, em 27 de dezembro de 2.001, independente da solicitação da Administração Tributária, considerando a inexistência de qualquer documento no processo nesse sentido. Não consta cópia da referida declaração no processo. O contribuinte não contestou o feito na fase impugnatória, apenas, alegou sua incapacidade financeira para pagar o crédito tributário. Informou que foi representante legal da Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores de Remígio — PB em 1995 e que a mesma está desativada. Em primeira instância, o lançamento foi mantido com suporte na condição de sócio da empresa "Sócrates Costa da Silva ME", inscrita no CNPJ sob n.° 09.629.668/0001-77, que incluiu o contribuinte no rol daqueles sujeitos a cumprir a dita obrigação, na forma do Item III da Instrução Normativa SRF n.° 157, de 22 de dezembro de 1.999. Essa decisão foi consubstanciada no Acórdão DRJ/RCE n.° 03.407, de 20 de dezembro de 2002, fls. 16 a 18, no qual, por unanimidade de votos, a 1.a Turma de Julgamento considerou o feito procedente. O referido acórdão não contém indicação do local onde se encontra a tela do sistema da SRF comprovadora da dita participação do contribuinte. Da 2 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUNDA CÂMARA - Processo n°. : 10425.000257/2002-02 Acórdão n°. : 102-46.463 mesma forma, verificando os documentos que instruem o processo constata-se inexistência desse dado. Consta, apenas, tela do Sistema Guia — VIC relativa à Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores de Rernigio, na qual não está evidenciado o CPF do responsável, fl. 15. Não conformado com o resultado do referido julgamento, o contribuinte ingressou com peça recursal na qual reiterou os termos da impugnação e aditou que exerceu o cargo de presidente da Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores de Remígio até fevereiro de 1.996, conforme cópia da Ata que junta ao recurso. A partir dessa data, não teria sido eleita nova diretoria, permanecendo a cooperativa desativada. Partindo dessa premissa, entendeu não se encontrar sujeito à dita obrigação. A apresentação do recurso observou o prazo legal para esse fim, uma vez que recepcionado em 2 de abril de 2003, enquanto a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 11 de março do mesmo ano, fls. 21 e 22. Submetido a julgamento nesta E. Câmara, em 19 de março de 2004, decidiu o respeitável colegiado pela conversão em diligência para que a unidade de origem juntasse cópia de telas dos sistemas informatizados da SRF, na qual ficassem evidenciados os dados da empresa Sócrates Costa da Silva ME, CNPJ 09.629.668/0001-77, citada no voto de primeira instância. Cumprida a determinação, foram juntadas telas contendo dados da referida empresa as fls. 40 a 42, nas quais informado que a mesma não possui quadro societário registrado, o que permite concluir pela empresa individual em nome do próprio, inscrito no CPF sob n.° 061.626.224-87, fl. 40. Foi juntada, ainda, tela do sistema CPF, que consta este contribuinte como responsável pela Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores, CNPJ 41.209.008/0001-40, fl. 43. 3 `,.-• MINISTÉRIO DA FAZENDA s.w. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA NtS'i Processo n°. : 10425.000257/2002-02 Acórdão n°. : 102-46.463 Não consta o arrolamento de bens, mas dispensado em face do pequeno valor do crédito tributário, na forma do artigo 2.°, § 7.° da IN SRF n.° 264/2002. É o Relatório. 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CAMARA W.1,10 Processo n°. : 10425.000257/2002-02 Acórdão n°. : 102-46.463 VOTO Conselheiro NAURY FRAGOSO TANAKA, Relator O litígio decorre da exigência de multa de mora pela apresentação da declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 1998, a destempo, alegando o contribuinte não se encontrar subsumido às condições que determinariam a dita obrigação acessória, mais precisamente, aquela que decorre da participação em capital social de empresa(1). A busca por maiores esclarecimentos foi necessária em razão de o processo não se encontrar devidamente instruído e a decisão de primeira instância ter tomado como referência para a manutenção do feito a responsabilidade do contribuinte pela empresa Sócrates Costa da Silva ME, inscrita no CNPJ sob n.° 09.629.668/0001-77(2). IN SRF n.° 90, de 1997 - Art. 10 Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual a pessoa física, residente ou domiciliada no Brasil, que no ano-calendário: I - recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 10.800,00; II - recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis e tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40.000,00; III - participou do quadro societário de empresa como titular ou sócio; IV - realizou, em qualquer mês do ano-calendário, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas; V - relativamente à atividade rural: a) obteve receita bruta em valor superior a R$ 54.000,00; b) deseja compensar prejuízos de anos-calendários anteriores ou do próprio ano-calendário a que se referir a declaração; VI - teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro do ano-calendário a que se referir a declaração, de bens ou direitos, inclusive terra nua, cujo valor total foi superior a R$ 80.000,00. 2 "De acordo com extratos do Sistema da Secretaria da Receita Federal — Visão Integrada Contribuinte, o contribuinte é responsável pela empresa Sócrates Costa da Silva ME, inscrita no CNPJ sob n.° 09.629.668/0001-77". Acórdão DRJ/REC n.° 03.407, de 20 de dezembro de 2002, 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . "-----<t` - SEGUNDA CÂMARA ',,k(1110 Processo n°. :10425.000257/2002-02 Acórdão n°. : 102-46.463 Realizada a verificação solicitada, constatou-se que a empresa Sócrates Costa da Silva ME é individual, em nome do próprio, e com responsabilidade perante a SRF, para o contribuinte portador do CPF n.° 061.626.224-87, que, presumo, deve ser o próprio dono da empresa, pois não consta tela indicadora da referida pessoa. Como este contribuinte possui CPF distinto, houve engano na decisão a quo quanto a esta referência. No entanto, esse engano não invalida a posição tomada naquela oportunidade, como se verifica a seguir. As condições que determinavam a apresentação da DAA relativa ao exercício de 1.998, encontravam-se na Instrução Normativa SRF n.° 90, de 24 de dezembro de 1.997, e nelas presente aquela inerente à participação do quadro societário de empresa como sócio ou titular, em seu artigo 1. 0 , inciso III (ver nota 1). Realmente o contribuinte não participava da empresa Sócrates Costa da Silva ME, mas era cooperado da Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores de Remígio, conforme documentos que juntou ao processo às fls. 24 a 26. Destaque-se que os fatos relativos ao não exercício do cargo de presidente, ou a paralisação das atividades da referida cooperativa não interferem na condição que torna obrigatória o cumprimento da obrigação acessória. Assim, considerando que na oportunidade em que julgado em primeira instância a condição era idêntica a deste julgamento, o erro material na dita decisão não prejudicou o andamento processual e permitiu ao sujeito passivo a ampla defesa. Ad argumentandum tantum, cabe esclarecer que a Administração Tributária mantém orientação aos contribuintes no informativo "Perguntas e 6 (ffl , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ''. ,p-,;:- n',P- - ) SEGUNDA CÂMARA N.NXV'- : Processo n°. : 10425.000257/2002-02 Acórdão n°. : 102-46.463 Respostas", exercício 2002, que trilha na mesma linha de interpretação deste Relator(3). Observo que a condição contida na IN SRF n.° 110, de 2001, é a mesma vigente em 1.998, contida na IN SRF n.° 90, de 1997. Então, somente resta a este Relator votar no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 13 de agosto de 2004. NAURY FRAGOSO TAN KA , , 1 , i , , 3 "004 — Contribuinte que participou de quadro societário de sociedade anônima ou que foi associado de cooperativa em 2001, sem preencher as demais condições de obrigatoriedade, deve apresentar a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002? Sim. É condição de obrigatoriedade para a apresentação da declara a participação do quadro societário de empresa como titular ou sócio, inclusive de cooperativas. (IN SRF n.° 110, de 2001, art. 1 .0)" Perguntas e Respostas Pessoa Física — Imposto de Renda Pessoa Física 2002, Ministério da Fazenda, Secretaria da Receita Federal, p.030. 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10314.000114/95-12
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IOF - SUJEIÇÃO PASSIVA - Quando o responsável legal pela cobrança e recolhimento do imposto se vê impedido de exercer essas atribuições no momento da ocorrência do fato gerador, por razões a que não deu causa, a exigência deve ser endereçada a contribuinte originário. Recurso provido.
Numero da decisão: 202-10651
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
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O. U. 33j - a 2 2 i .s --4. L0 5 , 19 2 SrliZiMGCÁAdet# 1.• 1 F.ubrIca MINISTÉRIO DA FAZENDA • "ry jf ] SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . 41;41, • Processo : 10314.000114/95-12 Acórdão : 202-10.651 , Sessão -. 10 de novembro de 1998 Recurso : 104.727 Recorrente : BANCO BMD S.A. 1 Recorrida : DRJ em São Paulo - SP i I IOF - SUJEIÇÃO PASSIVA - Quando o responsável legal pela cobrança e recolhimento do imposto se vê impedido de exercer essas atribuições no momento da ocorrência do fato gerador, por razões a que não deu causa, a exigência deve ser endereçada ao contribuinte originário. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANCO BMD SÃ. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das S. sies, em 10 de novembro de 1998 Áll c9 d' rvi; cos Vinícius Neder de Lima residente ---- 7A ). e .- -a ; - o ' i. eiroé ator '1 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Helvio Escovedo Barcellos, José de Almeida Coelho, Tarásio Campeio Borges, Oswaldo Tancredo de Oliveira, Maria Teresa Martinez López e Ricardo Leite Rodrigues. eaal/cf/gb 1 3 9q MINISTÉRIO DA FAZENDA ji SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Processo : 10314.000114/95-12 Acórdão : 202-10.651 Recurso : 104.727 Recorrente : BANCO BMD S.A. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a Decisão Recorrida de fls. 66/70: "Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, apurou- se o crédito tributário na importância correspondente a 1.182,15 UFIR relativo 1 ao imposto, multa e encargos legais em conformidade com arts. 1°, IV e 3 0, III do DL 1.783/80 alterado pelos arts. 1°, do DL 1844/80 e 7° do DL 2471/88; itens 3, "b", da seção 3, 2, "d", da seção 4, 4, "a", da seção 5, e 2, "a", da seção 6 da Resolução BACEN 1301/87, convalidada pelo art. 8° do DL 2.471/88 e art. 6° do D 68.904/71, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 38 a 42. A infração referida encontra-se relatada às fls. 39 e nos dá conta de que a matéria tributada versa sobre a falta de cobrança e recolhimento do 10F incidente sobre operações de câmbio para pagamento de mercadorias importadas sob regimento especial "drawback", em que se verificou o inadimplemento da obrigação de exportar, por parte da empresa AUTOLATINA BRASIL S/A. Ressalte-se, ainda, que nos termos do item 2, "a", da seção 6 do regulamento do IOF (Resolução 1.301/87), foi emitida a Notificação 04/94 (fls. 34). Inconformado, o autuado ingressou tempestivamente com a impugnação de fls. 45 a 54, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação, alegando, em resumo, o seguinte: 1 - Que a obrigação que está sendo impingida carece de fundamentos legais e fáticos, que não foram demonstrados no Auto de Infração; 2 — Houve equivoco ao atribuir ao impugnante a qualidade de contribuinte obrigado pelo recolhimento do tributo, pois o impugnante poderia até ser o responsável pela cobrança e recolhimento do tributo caso o regime do "drawback" não fosse concedido diretamente pela CACEX sem qualquer interveniência de terceiros, mas jamais poderia ser qualificado como contribuinte; 3 - Alega que ao banco competiu operacionalizar a importação, dentro 2 395 , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -t-,111/q• - -,+•./r4-/ Processo : 10314.000114/95-12 Acórdão : 202-10.651 moldes colocados na Guia de Importação onde está previsto a não incidência de tributos em razão do regime de "drawback"; após a operacionalização financeira, cessou, por completo, qualquer participação do banco na segunda fase de processo; 9 — Não se constitui em obrigação e também o impugnante não tem condições de averiguar se o importador (Autolatina Brasil S/A) exportou ou não os produtos comprometidos;". A Autoridade Singular julgou procedente a exigência do crédito tributário em foco, mediante a dita decisão, assim ementada: "A hipótese de inicidência do tributo encontra-se expressa nas Leis 5.172/66 e 5.143/66 c/c Resolução BACEN 1.301/87. As Instituições autorizadas a operar em câmbio são as responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento conforme item 3, "b" da seção 3 da Resolução BACEN 1.301/87). IMPUGNAÇÃO INDEFERIDA". Tempestivamente, a Recorrente interpôs o Recurso de fls. 78/110, onde, suma, reedita os argumentos de sua impugnação. É o relatório. 3 1P- 313G , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Processo : 10314.000114/95-12 Acórdão : 202-10.651 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO Quanto à preliminar de ilegitimidade passiva, a matéria em exame é bastante conhecida deste Conselho, onde é firme a jurisprudência de que, no 10F, a exigência deve ser endereçada ao contribuinte originário, quando o responsável legal pela cobrança e recolhimento do imposto se vê impedido de exercer essas atribuições no momento da ocorrência do fato gerador, por razões a que não deu causa. Em situação semelhante à presente, esse entendimento foi defendido, com o costumeiro brilho, pelo ilustre Conselheiro Expedito Terceiro Jorge Filho, nas razões de decidir do Acórdão tf 201-70.645, que aqui adoto e abaixo transcrevo: "Nas operações de câmbio são contribuintes do 10F, conforme art. 66 do CTN c/c o art. 2° do Decreto-Lei n° 1.783/80, os compradores de moeda estrangeira, que no caso dos autos foi a Autolatina Brasil S/A. O parágrafo único do art. 121 do CTN especifica quem é sujeito passivo da obrigação tributária principal, e em seu inciso 11, estipula que o responsável será sujeito passivo, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O Código Tributário Nacional em seu art. 128 determina que a lei poderá, de modo expresso, atribuir a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador, a responsabilidade pelo crédito tributário Para atender o preceito da lei complementar, no tocante ao I0F, foi baixado o Decreto-Lei n° 1.783/80 que em seu art. 3 0, inciso III, atribui às instituições financeiras autorizadas a operar com câmbio, a responsabilidade pela cobrança e recolhimento do imposto nas operações de câmbio. Por sua vez, a Resolução BACEN n° 1301/87, em seu item 4.4,3.3, alíneas a e b, também impõe às instituições financeiras autorizadas a operar com câmbio a condição de responsável. O fato gerador do IOF quando das operações de câmbio, segundo o art. 63, II, do CTN, se dá pela efetiva entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição 4 <e 39 7- MINISTÉRIO DA FAZENDA ' .• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , -- Processo : 10314.000114/95-12 Acórdão : 202-10.651 interessado, em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue oposta à disposição por este. A Resolução BACEN n° 1.301/87 indica no seu item 4.4.2.1, alíneas a e b, que o fato gerador do 10F, nas operações de câmbio relativas as importações de bens e serviços, se dá com a liquidação do contrato de câmbio. No caso dos autos o Recorrente, como ele próprio reconhece, era responsável pela cobrança e recolhimento do 10F. Porém, como se trata de importação realizada sob o regime especial de drawback, a aliquota do 10F é 0% (zero por cento), conforme item 4.4.5.5, alínea h, da Resolução BACEN n° 1.301/87. Portanto, houve fato gerado mas não havia imposto a cobrar da Autolatina Brasil S/A e, conseqüentemente, o Recorrente não podia ser considerado sujeito passivo da obrigação tributária principal, na condição de responsável, porque não havia tributo ou penalidade pecuniária a ser paga. Com o descumprimento por parte da Autolatina Brasil S/A do programa de exportação, vinculado ao Ato Concessório, o IOF passou a ser devido. Entendeu a repartição fiscal que caberia ao Recorrente, na condição de sujeito passivo (responsável) proceder junto àquela empresa a cobrança do imposto e proceder o recolhimento, face ao disposto no item 4.4.6.2, alínea a, da Resolução BACEN n° 1.301/87. Aqui também não há como imputar ao Recorrente a condição de responsável e, conseqüentemente, de sujeito passivo. Não há dispositivo legal que determine que o autuado seja responsável pela cobrança e recolhimento do IOF no caso de descumprimento do regimen especial de drawback por empresa beneficiária. Equivoca-se quem afirma que o item 4.4.6.2, alínea a, da Resolução BACEN n° 1.301/87, impõe às instituições financeiras que operam com câmbio a condição de responsável quando ocorrer a situação acima descrita. Como poderia a instituição financeira cobrar o imposto? Qual o instrumento legal que dá poderes à instituição financeira para exigir este imposto? Não há dispositivo legal que permita a uma instituição financeira que opera com câmbio exigir da empresa descumpridora do regime especial de drawback o imposto devido, como também não há dispositivo legal o normativo que discipline a forma de cobrança desse imposto. 5 3eg , MINISTÉRIO DA FAZENDA S jff ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Z".14144 , Processo : 10314.000114/95-12 Acórdão : 202-10.651 Portanto, só o Fisco poderia proceder a cobrança do IOF junto à empresa beneficiária do regime especial de drawback quando do descumprimento do mesmo A autuação deveria ser efetuada contra a Autolatina Brasil S/A, na condição de contribuinte, e não contra o ora Recorrente, pois o mesmo não reveste a condição de responsável e, conseqüentemente, de sujeito passivo, quando do descumprimento do regime especial de drawback por parte da empresa beneficiária." Isto posto, dou provimento ao recurso Sala das Sessões, em 10 de novembro de 1998 • y e • : UENO RIBEIRO 6 •
score : 1.0
Numero do processo: 10280.005683/2002-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2005
Ementa: MULTA - DIRPF - INTEMPESTIVIDADE - Estando o contribuinte sujeito à obrigação acessória de entregar a declaração de ajuste anual do imposto de renda e comprovado o cumprimento a destempo, aplicável a penalidade prevista no artigo 88 da Lei n° 8.981, de 1995.
REMISSÃO - DISPENSA OU REDUÇÃO DE PENALIDADES - Os referidos benefícios somente podem ser viabilizados se existente lei de amparo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-46.956
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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REMISSÃO - DISPENSA OU REDUÇÃO DE PENALIDADES - Os referidos benefícios somente podem ser viabilizados se existente lei de amparo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PAULO LESSA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEILA MARIA SC - RER LEITÃO PRESIDENT - IPA JOSÉ -' 19S • TA SANTOSP.4 RELAT• FORMALIZADO EM: 1 2 AGO 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, JOSÉ OLESKOVICZ, ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, SILVANA MANCINI KARAM e ROMEU BUENO DE CAMARGO. prirp '7 - ;4Tr'. MINISTÉRIO DA FAZENDA: .t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -;:t1_,t0:r SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 10280.005683/2002-16 Acórdão n° : 102-46.956 Recurso n° : 142.564 Recorrente : PAULO LESSA RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário que pretende a reforma do Acórdão DRJ/BEL n° 2.466, de 17/05/2004 (fls. 15/17), que julgou, por unanimidade de votos, procedente a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual do exercício financeiro de 2001, no valor de R$ 165,74 (fl. 04), sob o fundamento de que o contribuinte é titular da firma individual Paulo Lessa Comercial, CNPJ n° 00.970.440/0001-71 (extrato à fl. 06), estando obrigado à apresentação da referida declaração, nos termos do inciso III do artigo 1° da Instrução Normativa SRF n° 123, de 28/12/2000. Em sua peça recursal, à fl. 22, o Recorrente alega que desconhecia a obrigatoriedade de apresentação da declaração de rendimentos, por ser titular de uma firma individual; que ocorreu falta de responsabilidade do profissional contratado para fazer o cancelamento da firma; que até este ano fazia a declaração de isento sem qualquer objeção da Receita Federal; e que não possui recursos para pagamento da multa. O Interessado está desobrigado de realizar a garantia de instância, nos termos do § 7° do artigo 2° da IN 264, de 2002. É o Relatório. 2 e 4.4 MINISTÉRIO DA FAZENDA kat .:;:•,:.,.?? . 4,3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4%trai-e-r> SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 10280.005683/2002-16 Acórdão n° : 102-46.956 VOTO Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O lançamento e a decisão de primeira instância, pelos seus fundamentos legais, não merecem reparos. Consoante dispõe o artigo 7°, da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, deve o contribuinte apresentar sua declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário subseqüente. Este prazo e os meios colocados à disposição do contribuinte (via intemet, repartição pública e bancos) são amplamente divulgados pelos meios de comunicação. A Instrução Normativa SRF n° 123 de 28/12/2000, em seu artigo 1°, inciso III, dispõe que está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual a pessoa física que participou do quadro societário de empresa como titular ou sócio. Compulsando-se os autos, verifica-se que o Contribuinte estava obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2001, pois figura como titular da firma individual Paulo Lessa Comercial, CNPJ n° 00.970.440/0001-71 consoante faz prova o extrato à fl. 06. O fato de ter sido processada a Declaração de Isento, em anos anteriores, por uma falha no sistema de Receita Federal que não detectou a existência da firma individual, não desautoriza a cobrança em exame. (3, 3 "ta1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 10280.005683/2002-16 Acórdão n° : 102-46.956 No que tange à omissão cometida pelo profissional contratado para cancelar a inscrição da firma individual, logo após a sua abertura, na legislação tributária a responsabilidade por infrações é objetiva, não se questionando sobre a vontade ou intenção do agente. Não se exige a presença do dolo como elemento subjetivo para caracterizar se houve ou não uma infração, sendo irrelevante também que o contribuinte tenha confiado a terceiros a responsabilidade pelo cancelamento da firma individual. Nesse sentido dispõe o artigo 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136 — Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.2 Quanto ao pedido implícito de dispensa da multa, devido a dificuldades financeiras, não há lei que autorize atender o pleito do Recorrente. Por força do art. 97 do Código Tributário Nacional, somente a lei poderia conceder a dispensa ou a redução de penalidades: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer VI — as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades." Já a remissão, também chamada de perdão da divida, depende da existência de lei autorizadora da concessão. Assim é que o artigo 172 do CTN dispõe claramente no início de seu caput. Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: 1- à situação econômica do sujeito passivo; II- ao erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto à matéria de fato; III - à diminuta importância do crédito tributário; 4 _4t MINISTÉRIO DA FAZENDA ;t4t/4.-a PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4",_031> SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 10280.005683/2002-16 Acórdão n° : 102-46.956 IV - a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso; V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante. Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. (Grifei) Na situação, não há lei que autorize a dispensa, redução de penalidade ou remissão do crédito tributário em litígio, nem a peça recursal conteve qualquer ato legal para o pretendido beneficio. Enfim, não há amparo legal à solicitação do Recorrente. Assim, voto por NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - em 08 de julho de 2005. JOSÉ RAIM Ao STA SANTOS Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.012333/98-59
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2003
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - IPI - SUSPENSÃO: A suspensão do tributo somente se efetiva com o implemento da condição a que está subordinada (art. 34 do RIPI/82). FALTA DE CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIA PELOS ADQUIRENTES - A falta de comunicação das irregularidades descritas no art. 173 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados - RIPI/82, vigente à época dos respectivos fatos, sujeita o adquirente às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente das mercadorias, pela falta apurada. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-14696
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Ana Neyle Olímpio Holanda, Gustavo kelly Alencar, Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres votam pelas conclusões.
Nome do relator: Raimar da Silva Aguiar
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Segundo Conselho de Contribuintes De-221—i JR." c21,ó4 •n ,:„.r‘r2a • 12».") Processo : 10380.012333/98-59 VISTO Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 Recorrente : IRMÃOS FONTENELE S/A — COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGRICULTURA Recorrida : DRJ em Fortaleza - CE NORMAS PROCESSUAIS — IPI - SUSPENSÃO: A suspensão do tributo somente se efetiva com o implemento da condição a que está subordinada (art. 34 do RIPI/82). FALTA DE CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIA PELOS ADQUIRENTES — A falta de comunicação das irregularidades descritas no art. 173 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados - RIP1/82, vigente à época dos respectivos fatos, sujeita o adquirente às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente das mercadorias, pela falta apurada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: IRMÃOS FONTENELE S/A — COMÉRCIO, INDUSTRIA E AGRICULTURA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Nayra Bastos Manatta, Ana Neyle Olímpio Holanda, Gustavo Kelly Alencar e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. Sala das Sessões, em 15 de abril de 2003 /P--{ môo '411ana.-, nennque Pinheiro ores Presidente á ir el Raimar i. uva Aguiar Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Eduardo da Rocha Sclunidt e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr 'n Jn 22 CC-MF ..f. `‘f .fá Ministério da Fazenda i- 14) :;:w Segundo Conselho de Contribuintes Fl. :r Processo : 10380.012333/98-59 Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 Recorrente : IRMÃOS FONTENELE S/A — COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGRICULTURA RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a Decisão Recorrida de fls. 200/21 1 : "Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados, fls. 07 a 17, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor de R$ 30.963,63, incluindo encargos legais. A infração apurada pela fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de _fls. 10/13 foi, em síntese: Descumprimento das condições da suspensão pelo recebedor do produto • o estabelecimento deu destinação diversa a produtos recebidos com suspensão do imposto, quando promoveu a saída de produtos classificados na TIPI no código 1106.30.01 00 - farinhas, sêmolas e pós de castanha de caju, não discriminados na formalização dos Planos de Exportação, constante dos processos n.° 10380.008790/98-03 e n.° 1 0 380.004824/95-92, aprovados pelo Atos Declaratórios n's 1 3/9 5 e 2 1 /9 6, não atendendo ao que dispõe o art. 3°, II, da IN/SRF n.° 84/92; Falta de cumprimento de obrigação acessória pelos adquirentes ou depositários • o estabelecimento adquiriu produtos (latas litografadas e sacos de polietileno laminados), com suspensão do IPI, sem observar as exigências contidas no art. I 73, parágrafos 1°, 3°e 4° do RIPI/82, fato que motivou a cobrança da multa por responsabilidade. Em decorrência dessa infração também foram lavradas notificações de lançamento nas empresas fornecedoras. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 18/09/98 (fls. 07), apresentou o contribuinte impugnação em 20/10/98, fls. 182/187, com as seguintes razões de defesa. Descumprimento das condições de suspensão do imposto * Afirma que tem como atividade a produção de amêndoas de sastanha de caju e seus derivados, destinando gra de parte da 2 22 CC-MF ••••':.---.Iii-; Ministério da Fazenda Fl. 't7;,-4,,,r, • Segundo Conselho de Contribuintes • --elta-?* Gsi-t!,.•,'9.:.%:- Processo : 10380.012333/98-59 Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 produção ao exterior; nesse mister amparado pelo beneficio do art. 3° da Lei n.° 8.402/92, recebe dos fornecedores, materiais de embalagens beneficiados com a suspensão, comprometendo-se a exportar os produtos de sua industrialização, tal como previsto nos respectivos Planos de Exportação; •:. Reconhece que os Atos Declaratórios n os 13/95 e 21/96, aprovam a aquisição de embalagens - "caixas de papelão para latas", "latas litografadas ", "caixas de papelão para sacos", "sacos aluminizaclos" e "fitas gomadas", com suspensão do imposto, para serem utilizados na exportação de "amêndoas de castanha de caju"; + Esclarece que durante a vigência dos Planos de Exportação, tentou reformular os respectivos Planos de Exportação, junto à Receita Federal, porque verificou discrepáncia no quantitativo de embalagens efetivamente empregadas nos produtos exportados com a quantidade discriminada nos Planos respectivos, bem como possibilidade de exportação dos derivados de amêndoa de caju; + Informa que não conseguiu a reformulação dos planos porque a Receita Federal não acatou seus pedidos alegando que a reformulação das quantidades convalidaria a situação de não exportação dos produtos no prazo estabelecido, situação não prevista no Decreto 541192 e na IN 84/92; • Alega que como o "drawback verde-amarelo", instituído pelo art. 30 da Lei n.° 8.402/92, é um incentivo à exportação, tal como o "drawback" previsto no Decreto n.° 91.030/85, deve ser um agente facilitador do comércio exterior, sendo descabida a glosa da fiscalização, uma vez que efetivamente a empresa exportou as embalagens, ainda que não as tenha utilizado somente para a amêndoa de caju, mas também seus derivados; + Destaca que utilizar embalagens em produtos exportados não previstos no Plano de Exportação difere de dar destinação diversa ao produto, afirmando que o descumprimento ocorreria se as embalagens _fossem utilizados no mercado interno, o que de fato não ocorreu, até porque a própria fiscalização constatou a utilização das embalagens em produtos exportados; 4 Reitera que "Muito embora o Plano de Exportação não contemple os derivados da 'amêndoa de castanha de caju', não pode a IMPUGIVA1VIE ser apenada por descumprimento do compromisso estabelecido, uma vez que a única irregularidade consistiu não exportar integralmente aquele produto, mas sim também seus ticrivados. Além disso, consoante já afirmado, a receit e ral não 3 -É C 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. ,n-31..:4' Segundo Conselho de Contribuintes » Processo : 10380.012333/98-59 Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 aprovou o pedido de reformulação do plano de exportação, prejudicando sobremaneira a regularidade do procedimento"; e Alega que a fiscalização ao se ater à literalidade da Instrução normativa o.° 84/92, que exige a discriminação dos insumos e dos produtos a serem exportados, desvirtuou o objetivo da Lei n.° 8.402/92, que é o de incentivar as exportações e, conseqüentemente, alargar as divisas brasileiras; Descumprimento de obrigações acessórias •. Argüi que a fiscalização está exigindo imposto de produtos que foram efetivamente exportados, logo a constituição do crédito tributário que ora se discute é indevida, porque afronta a Lei n.° 8.402/92, que garante a desoneração dos produtos utilizados na produção a ser destinada ao exterior; • Destaca que notificou os fornecedores quando recebeu as notas fiscais que indicaram, como fundamento da suspensão do imposto, o Ato Declarató rio anterior, e embora não tenham eles apresentado a via protocolada, a empresa cumpriu os preceitos regulamentares; • Ressalta ainda que a presente exação não tem supedáneo legal na Lei n.° 4.502/64, uma vez que a mesma não preceitua a penalidade prevista no regulamento o qual contraria frontalmente o princípio da hierarquia das normas; • Traz à colação jurisprudência administrativa, corroborando a tese definida de que o Regulamento inovou ao estabelecer a penalidade prevista para o caso em tela; e Entende que tendo exportado efetivamente os produtos recebidos para integrar o processo produtivo, não podem ser negados os benefícios fiscais glosados no presente processo, sendo inclusive descabida a multa aplicada pela fiscalização "(inciso II, do artigo 264, do RIPI, vigente à época dos fatos)". Ao final requer a improcedência do auto de infração, protestando ainda pela juntada posterior de documentos, perícia e diligência eventualmente necessárias. Às fls. 168, estão elencados os produtos efetivamente exportados, porém não constantes no Plano de Exportação retroaludido, com a indicação dos números das notas fiscais, cujas cópias encontram-se às fls. 170/176, bem como das datas de embarque e quantidades exportadas. 4 r CC-ME -0-2=-...-;" Ministério da Fazenda rt: : Fl ...2"K Segundo Conselho de Contribuintes Processo : 10380.012333/98-59 Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 Os demonstrativos de fls. 36, 99, 123 e 151 elencam a relação de notas _fiscais de entrada das latas litografadas e sacos aluminizados, com inobservância dos requisitos e condições previstos nos Planos de Exportação, aprovados pelos Atos Declarató rios n's 13/95 e 21/96." A Autoridade Singular manteve o indeferimento do pedido de restituição em tela, mediante a Decisão DRJ/FLA n.° 820/99, de fls. 200/211, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - !PI Período de apuração: 01/12/1996 a 10/12/1996, 2 I /03/1997 a 31/03/1997, 01/06/1997 a 1 0/0 6/1 997, 11/09/1997 a 20/09/1997, 2 1/11/1997 a 30/11/1997, 21/11/1997 a 30/11/1997, 11/07/1997 a 31/07/1997. (sic) Ementa: Suspensão A suspensão do tributo somente se efetiva com o implemento da condição a que está subordinada (art. 34 do RIP1/82). Falta de cumprimento de obrigações acessória pelo adquirentes. A falta de comunicação das irregularidades descritas no art. 173 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados - RIP1/82, vigente época dos respectivos fatos, sujeita o adquirente às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente das mercadorias, pela falta apurada. LANÇAMENTO PROCEDENTE". Inconformada, a contribuinte apresenta, tempestivamente, o Recurso de 238/248, no qual, em suma, reedita os argumentos da impugnação. fisk. É o relatório, 5 22 CC-MF t.--1:-.1 fr.s Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes /n 4,74-.M..; I' Processo : 10380.012333/98-59 Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RAIMAR DA SILVA AGUIAR O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento, passando à sua apreciação, nos termos do que dispõe o Decreto n° 70.235/72. PRELIMINARMENTE A recorrente pleiteia a juntada do seu processo ao de outra contribuinte, fornecedora de insumos para sua indústria, para fins de julgamento, por entender que, somente desta forma, haveria uma completa avaliação do caso. No entanto, não há previsão legal para tal procedimento, razão por que, de pronto, voto pelo indeferimento de tal pretensão. Quanto a identificação do contribuinte. Está flagrante o erro da autoridade preparadora quando comete o equívoco de trocar no nome da contribuinte o termo "AGRICULTURA" por "AGROPECUÁRIA", ainda que tenha se utilizado de outros elementos no escopo de identificar a EMPRESA, quais sejam, o número de CNPJ e o seu endereço. O nome correto da empresa é: IRMÃOS FONTENELE S/A —COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGRICULTURA, e não AGROPECUÁRIA, como consta no auto de infração e no parecer da DRJ. Tal atitude demonstra uma falta de zelo da autoridade administrativa, preparadora do auto de infração, quando exige, sob pena de multa, o mesmo zelo da contribuinte na classificação fiscal - TIPI - no seu programa de Exportação, que resultou no presente litígio. A identificação é elemento importante e imprescindível no lançamento por auto de infração e em todo trânsito do processo, haja vista a recomendação da Instrução Normativa SRF n.° 94, de 24/12/97, conforme abaixo: Instrução Normativa SRF n.° 94, de 24/12/97. "Art. 50 - Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CM) o Auto de Infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá obrigatoriamente: 1- a identificação do sujeito passivo; II - a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; III - a norma legal infringida; kIV - o montante do tributo ou contribuição; V- a penalidade aplicável; , 6 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes '4c.fát- Processo : 10380.012333/98-59 Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTIV autuante; VII - o local, a data e a hora da lavratura; VIII - a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência do prazo de trina (30) dias contados a partir da data da ciência do lançamento. Art. 6° - Sem prejuízo do disposto no art. 173, inciso II, da Lei n.° 5.172/66 será declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no ar t 5"." Não há porque minimizar o fato, pois é conhecido o comportamento e o tratamento do Fisco em relação aos contribuintes, na situação inversa, quando diz respeito a Restituição de Impostos, comumente na Restituição do Imposto de Renda Pessoa Física, que os contribuintes são levados à "malha fina", pelo órgão da Receita Federal, apenas por divergência de uma letra em seu nome, mesmo estando identificado por endereço, ou CPF. Geralmente, são obrigados a fazer uma declaração de RETIFICADORA. Quanto a este aspecto preliminar, sobram razões para a contestação da contribuinte, posto que esse engano injustificável e despropositado da fiscalização fazendária, nunca deveria acontecer na lavratura do Auto de Infração, que poderia causar a anulação do auto. Entretanto, no caso em foco, a contribuinte não argüiu na sua contestação no momento certo de sua defesa no processo, só o fez, posteriormente, na dimensão do seu recurso a este Conselho. Por essa razão está preclusa a sua alegação, pela extinção de seu direito, por não ter sido praticado no momento certo e no tempo hábil do processo, portanto, não podendo ser objeto de anulação do processo. DO MÉRITO: Afastada a hipótese de nulidade do Auto de Infração, por vicio na identificação do sujeito passivo, vamos ao mérito. Aqui a questão resume-se apenas na análise dos fatos a seguir expostos. A empresa exportou produtos não relacionados no seu plano de exportação, nos termos do artigo 30, de que trata a Lei n° 8.402/92, o que não contesta, e ao contrário, afirma que: • pelo artigo 153 da Constituição, os produtos destinados ao exterior são imunes de IPI, não fazendo sentido, então, a cobrança do tributo sobre produtos que foram exportados; • mesmo tendo exportado produtos diferentes dos discriminados no plano de exportação, não é devido, por este motivo, o tributo. Cabe-nos, então, a avaliação apenas da hipótese suscitada de que a tributação contida nos autos está indo de encontro à imunidade estabelecida pelo artigo 153 da nossa Ttla 1(2 Ministério da Fazenda 22 CC-MF Fl. Yytii:or, Segundo Conselho de Contribuintes ..;.,. Processo : 10380.012333/98-59 Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 Magna; imunidade esta indubitavelmente estabelecida e acerca da qual não se vislumbra nenhuma dúvida. O que se deve observar, porém, é que a Legislação de regência estabelece parâmetros para o regime especial de suspensão de IPI destinados a produtos a serem exportados, com requisitos a serem observados tanto pelo fornecedor como pelo exportador, entre as quais se incluem a obrigatoriedade de um Plano de Exportação, ficando o exportador restrito ao plano apresentado, para efeito de gozar do beneficio da suspensão do imposto, para posterior exportação desonerada de IPI. Tal é a disposição prevista na Lei n° 8.402/92, em virtude de que foi editado o Decreto n° 541/92, em seu artigo 30, cuja regulamentação está contida na IN/DpRF n° 84/92. Estes dispositivos legais garantem a saída de insumos de estabelecimentos industriais e equiparados a industriais com suspensão de IPI, quando destinados à industrialização de produtos destinados à exportação. A IN/DpRF n° 84/92, em seus artigos 7" e 16, dispõe que: "Art. 70 - O Plano de Exportação poderá ser reformulado a qualquer tempo, respeitado, entretanto, o seu prazo de realização e integral utilização, nos produtos exportados, dos insumos adquiridos com suspensão do 'PI (4 Art. 16 — O inadimplemento, total ou parcial, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos previstos no Plano de Exportação obriga ao imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos (art. 35 do RIP1/82) ." O descumprimento das condições estabelecidas no Plano de Exportação é admitido pela própria requerente. Ora, partindo-se do pressuposto de que houve descumprimento dos requisitos necessários ao gozo do beneficio fiscal de suspensão do IPI, é forçoso se concluir que, nesta hipótese, o tributo toma-se imediatamente exigível, conforme as disposições dos artigos 35 e 23 do RIPI /82, transcritos a na Decisão recorrida, à fl. 205. Logo, corretamente agiu a autoridade autuante, por força da sua vinculação legal, sob pena de responsabilidade funcional, contida no artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao proceder à exigência do tributo. Por oportuno, há de se considerar, que a Contribuinte desenvolve atividades de exportações, de elevada importância para o país, posto que a maior das prioridades nacionais é exportar. O ex-presidente da República deste país, Fernando Henrique Cardoso, chefe do governo, em apelo à nação, assim se expressou quanto aos nossos objetivos: "Exportar ou Morrer". A prioridade maior não é escrever formulários de Programas de Exportação sem erros, e sem equívocos, tanto quanto autos de infração com identificação correta de um contribuinte, principalmente um exportador, mas EXPORTAR. v 8 Ministério da Fazenda r CC-MF $.) --, 4.:$"-- Segundo Conselho de Contribuintes ..;k49)>';#. Processo : 10380.012333/98-59 Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 Exportar é, neste País, a prioridade das prioridades, e a isto todos os funcionários do governo e da sociedade devem estar antenados e conscientes. Este fato, torna-se ainda mais relevante quando se trata de exportar em uma região, pobre, deprimida, subdesenvolvida, no caso do nordeste, área de atuação da empresa, com dificuldades extremas de infra-estrutura e constrangimentos enormes para realizar tão elevados objetivos, considerando-se, por acréscimo, o ambiente por demais adverso, inclusive, de pessoal qualificado, com sérias dificuldades de especialização, para atender à burocracia institucional estabelecida e condenada por toda a sociedade. Um auditor fiscal, representante do governo, não pode deixar de considerar a realidade nacional, como esta que se apresenta. Neste quadro não há como evitar de respirar o ar que todos respiramos neste país. Estes fatos trazidos no julgamento deste processo é pouco comum na instância administrativa, em todos os seus níveis, porém verdadeiro, quando se busca fazer justiça. É importante considerar que a justiça nem sempre é conseguida na letra fria da Lei e dos regulamentos. O regulamento continua prevalecendo nos julgamentos, ainda que se fale em nome da justiça. E este Colendo Conselho existe para se fazer JUSTIÇA, não apenas para cumprir regulamentos. Trago de forma ousada, argumentos estes, pouco convencionais, como considerações neste ato de julgar, pela sua oportunidade presente. Em outra esfera de julgamento, no STF, recentemente, por ocasião das discussões sobre o crédito de IPI com relação à alíquota zero e insumos não tributados, a Procuradora da Fazenda Nacional, Luciana Moreira Gomes, valeu-se não só de argumentos de cunho jurídico, defendendo o Erário Público, contrariando a tese oposta, mas, também, de alegações e fundamentos econômicos, com o objetivo de sensibilizar aquele COLEGIADO, sobres os riscos de prejuízos ameaçadores ao equilíbrio da governança e da solvabilidade do orçamento da União. Em circunstâncias como essas, admite-se discutir fora do ordenamento jurídico também. No presente caso a situação não é diferente. Em vista de tais situações, toma-se lícito e recomendável trazer a este Conselho elementos outros, de outras ciências, que não apenas jurídicos para legitimar decisões que visem, não apenas enquadramentos legais, ao governo e a contribuintes, à guisa de se fazer justiça. Entretanto, neste processo, por razões da autoridade fiscal, estar instrumentada de todo um acervo legal e institucional que lhe confere competência e poder, no cumprimento de seu dever de oficio, apesar de seu excessivo rigor na observância da classificação da TIPI, que, aliás, não teve para consigo o mesmo cuidado na elaboração do seu instrumento de trabalho, o auto de infração, inafortunadamente, no caso em tela, está amparado pelos regulamentos, não se podendo deixar de lhe conferir esta razão na consideração e fundamentação do presente lançamento de oficio. Cabe ainda observar que não se traduz saudável a atitude, pelo seu rigor apenas, de se demonstrar como se trata um exportador, num país que precisa exportar urgentemente e suficientemente. A empresa foi além de suas metas propostas e está sendo punida pela sua própria eficiência, e pelas inobserváncias de regras regulamentares, acessórias, de valor inferior ao objetivo maior de gerar divisas para o país, renda e emprego para a pop la ão de estado pobre, isto é, vista sobre outro ângulo, não regulamentar e fiscalista.if — — - 9 CC-MF • Ministério da Fazenda - Segundo Conselho de Contribuintes Fl. 4;2--zeit)e Processo : 10380.012333/98-59 Recurso : 113.433 Acórdão : 202-14.696 Neste cenário pode-se questionar quem estaria mais servindo ao pais e aos interesses públicos: o cumprimento do regulamento com constrangimentos ao exportador ou o ato de exportar, ainda que descumprindo uma obrigação acessória? As obrigações acessórias ou burocráticas, que irritam a todos, pessoas fisicas ou jurídicas, quando cumpridas à risca, numa situação como esta, da exportação, podem beneficiar apenas as hostes da legalidade, mas não faz justiça, nem traz beneficios para a sociedade, em função de quem a lei existe. As obrigações acessórias, legais regulamentares, acabam por se tornarem perversas num caso como este da exportação. Há de se modificar tais regulamentos. Entretanto, até estas serem revogadas terão de ser forçosamente cumpridas por aqueles que estão com essa obrigação por oficio. Considerando-se que o auto de infração está amparado e enquadrado em base legal, não há porque negar, impossível de se evitar a punição pela infração da contribuinte, restringindo o acolhimento do recurso, com base nos elementos apresentados neste processo. Esclareça-se, por fim, que a incidência do tributo não se deu na exportação de produtos industrializados destinados ao exterior, mas, em uma etapa anterior, ou seja, na saídas de insumos para futura industrialização, razão por que a Legislação estabelece requisitos para a suspensão do IPI. A imunidade estabelecida pela Carta Magna não se refere a etapas anteriores ao processo de industrialização, e o ente tributante, no intuito de facilitar as exportações, estabeleceu o regime especial de suspensão para estas fases anteriores. Sendo, pois, um favor fiscal, está subordinado a determinadas condições que, em não sendo obedecidas, implicam a exigência do tributo correspondente, que, justamente por estar apenas "suspenso", pode ser imediatamente exigido. Não há, então, nenhum choque entre a imunidade prevista no artigo 153 da Constituição Federal e a tributação decorrente do descumprimento de condições para suspensão do imposto, visto que as duas hipóteses se referem a fatos geradores distintos, a momentos distintos da tributação. Improcede, desta forma, a argumentação da defesa, no que se refere à fundamentação legal contra o lançamento, com vistas a se eximir da exigência consubstanciada no auto de infração de fl. 07, razão por que sou levado a negar provimento ao recurso. Este é o voto. Sala das Sessões, em 5 de abril de 2003 Ãu j ezikcedir RAIMAR D • : VA AGUIAR i( 10
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