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Numero do processo: 10665.902844/2009-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não se conhece de recurso especial baseado em paradigma que contraria súmula deste Conselho, ainda que publicada em data posterior ao recurso.
Numero da decisão: 9101-003.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/2005-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA DO CARF. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece de recurso especial baseado em paradigma que contraria súmula deste Conselho, ainda que publicada em data posterior ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 19647.004637/200511, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 28 44 /2 00 9- 73 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10665.902844/200973 Acórdão n.º 9101003.798 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O processo cuida de PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte com o objetivo de quitar, via compensação, débitos de sua responsabilidade com direito creditório a título de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais de IRPJ/CSLL. É o suscinto relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 19647.004637/200511, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.797, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 19647.004637/200511. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.797: O recurso especial da Fazenda Nacional foi, inicialmente, admitido. Contudo, fazse necessário reanalisar sua admissibilidade neste momento. (...) O presente litígio diz respeito à possibilidade de aproveitamento de indébitos a título de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em declarações de compensação. Esse tema foi objeto de amplos debates neste órgão de julgamento colegiado e decisões reiteradas no mesmo sentido deram origem à Súmula CARF nº 84, de seguinte teor: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, considerase possível a formação e o aproveitamento em compensações de indébitos de estimativa, desde que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10665.902844/200973 Acórdão n.º 9101003.798 CSRFT1 Fl. 4 3 (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Verificase, assim, o acerto da decisão recorrida que reconheceu a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação no presente caso, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da contribuinte para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, será facultado ao contribuinte uma nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Nesse sentido, concluise que a decisão recorrida está em consonância com o disposto na Súmula CARF nº 84, enquanto o paradigma apontado, por sua vez, contraria o disposto na referida súmula, impedindo o conhecimento do recurso especial fazendário. (...) Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.721945/2011-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 19 45 /2 01 1- 16 Fl. 56DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.317,50, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Campos dos Goytacazes, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010, anocalendário 2009. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 4.317,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Dedução Indevida de Despesas Médicas. No caso em tela, foram glosados, e impugnados pelo contribuinte, os seguintes pagamentos informados na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas: Danielle Elias Miquilito R$ 10.000,00 Danielle Queiroz Bernardo R$ 4.840,00 Adriano Ferreira Pimentel R$ 860,00 Com relação às despesas médicas supracitadas, como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal (pagamentos efetuados), é exatamente o pagamento das despesas médicas. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. Mesmo que o contribuinte tenha apresentado os recibos ou notas fiscais dos serviços e declarações firmadas pelos profissionais, é licito Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.721945/201116 Acórdão n.º 2001000.742 S2C0T1 Fl. 57 3 à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Em sede de impugnação, o interessado somente apresentou os recibos emitidos pelos profissionais (fls. 10/16). Entretanto, tais documentos não são suficientes para comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, mas somente os serviços prestados. Caberia ao contribuinte trazer aos autos a comprovação da efetividade dos pagamentos das despesas médicas através das cópias de cheques nominativos e/ou extratos bancários que atestassem a coincidência das datas e valores com as despesas supostamente incorridas, conforme já mencionado na Notificação de Lançamento. Assim, fica mantida a glosa das despesas médicas (R$ 15.700,00). Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo a infração apurada pela autoridade lançadora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 4.317,50, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Ato contínuo, o contribuinte atendeu prontamente à solicitação do Fisco, e apresentou todos os recibos de pagamento, respectivos, devidamente autenticados pela autoridade que os recebeu. No entanto, surpreendentemente, a Receita passou a cobrar do contribuinte, ora recorrente, comprovantes de saques ou cheques emitidos para o pagamento de tais despesas, sob o argumento de que os recibos de pagamento, EMITIDOS PELOS PRÓPRIOS PROFISSIONAIS, não seriam suficientes para a comprovação do respectivo pagamento. Reiterando suas razões, o contribuinte observou que não utiliza cheques, e que promove seus pagamentos em moeda corrente, mas dificilmente conseguiria cotejar saques em datas e valores exatos aos pagamentos efetuados, posto que essas não são suas únicas despesas diárias ou mensais. Em que pese o entendimento adotado pelo E. Órgão Julgador, insta salientar que o mesmo CARECE DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL e não se sustenta. Fl. 58DF CARF MF 4 Isso porque, da simples leitura e consequente análise da normatização que trata do tema, podese concluir que o contribuinte concorreu com os meios de prova suficientes e bastantes a testarem o fato ensejador da dedução do Imposto de Renda de Pessoa Física, relativo às despesas médicas (Ano Base 2009). (...) Ora, o dispositivo é claro ao informar que os documentos inerentes à comprovação das despesas médicas são os respectivos recibos de prestação de serviços emitidos pelos correspondentes profissionais. APENAS NA FALTA (PERDA, EXTRAVIO, INEXISTÊNCIA) DE TAIS DOCUMENTOS, FRANQUEIASE AO CONTRIBUINTE FAZER TAL PROVA POR OUTROS MEIOS DITOS PRECÁRIOS. Dizemse PRECÁRIOS posto que, afora a emissão de um cheque nominativo no valor exato da despesa (que nem de perto é o único meio ou forma de pagamento), meros saques em conta não se prestam a comprovar com liquidez e certeza a respectiva relação jurídica, causa da dedução legalmente prevista. De fato, o contribuinte consultou extratos bancários da época (ano 2009, portanto há 5 anos atrás), mas encontrou INÚMEROS saques de valores diversos (superiores, inferiores e eventualmente semelhantes). No entanto, inegavelmente, nenhum meio de prova será tão robusto e irrefutável quanto os recibos emitidos para profissionais que prestaram os serviços de natureza médica. Reprisese: apenas na FALTA de tais documentos abrirseia ao contribuinte (e no interesse dele, de comprovar as despesas realizadas) a via da apresentação de outros documentos ditos COMPLEMENTARES e ALTERNATIVOS. O direito do Fisco em promover verificação esbarra no direito do contribuinte de, uma vez comprovado pelos meios jurídicos os respectivos pagamentos, de seremlhe operadas as devidas deduções. (...) Assim, temse que a comprovação das despesas é objetiva, e não se encontra na esfera de subjetividade do FISCO, em se dar por “convencido” ou não, cabendo, se muito, arguir falsidade dos documentos, o que não procede no caso em questão. Ante o exposto, REQUER: a) Seja o presente recurso recebido e conhecido em seu mérito, a fim de que sejam aceitas as deduções legais oriundas de despesas médicas; b) Em caso contrário, seja declinado o fundamento com base no qual se nega ao contribuinte esse direito, vez que já comprovou cabalmente as despesas, a fim de permitirlhe adequada defesa, eventualmente na via judicial. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.721945/201116 Acórdão n.º 2001000.742 S2C0T1 Fl. 58 5 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide se limita à glosa das despesas médicas com os profissionais Danielle Elias Miquilito R$ 10.000,00; Danielle Queiroz Bernardo R$ 4.840,00; e Adriano Ferreira Pimentel R$ 860,00, no total de R$ 15.700,00, tendo como paciente o Recorrente e sua dependente legal para efeitos fiscais. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 60DF CARF MF 6 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.721945/201116 Acórdão n.º 2001000.742 S2C0T1 Fl. 59 7 quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) Fl. 62DF CARF MF 8 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.721945/201116 Acórdão n.º 2001000.742 S2C0T1 Fl. 60 9 assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 64DF CARF MF 10 De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de recibo assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados por profissional habilitado. Assim que, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do profissional, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 15.700,00. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 15.700,00. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001921/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa:
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS E DISPÊNDIOS. DESTINAÇÃO DAS SOBRAS.
No caso de sociedades cooperativas que praticam atividades mistas (atos cooperativos e não cooperativos), a escrituração contábil da sociedade deve segregar as receitas e correspondentes dispêndios (custos e despesas) segundo sua origem (atos cooperativos e atos não cooperativos), onde serão excluídos
da tributação os resultados dos atos cooperativos.
Se a escrita contábil (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, ter-se-á
como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não
alcançada pela não incidência tributária.
É indevido o método de cálculo utilizado para proporcionalizar as receitas tributáveis e não tributáveis em razão dos dispêndios (custos ou despesas), em afronta ao item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80.
Numero da decisão: 1202-000.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, considerar definitiva a matéria não expressamente contestada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS E DISPÊNDIOS. DESTINAÇÃO DAS SOBRAS. No caso de sociedades cooperativas que praticam atividades mistas (atos cooperativos e não cooperativos), a escrituração contábil da sociedade deve segregar as receitas e correspondentes dispêndios (custos e despesas) segundo sua origem (atos cooperativos e atos não cooperativos), onde serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Se a escrita contábil (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, ter-se-á como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. É indevido o método de cálculo utilizado para proporcionalizar as receitas tributáveis e não tributáveis em razão dos dispêndios (custos ou despesas), em afronta ao item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS E DISPÊNDIOS. DESTINAÇÃO DAS SOBRAS. No caso de sociedades cooperativas que praticam atividades mistas (atos cooperativos e não cooperativos), a escrituração contábil da sociedade deve segregar as receitas e correspondentes dispêndios (custos e despesas) segundo sua origem (atos cooperativos e atos não cooperativos), onde serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Se a escrita contábil (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, terseá como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. É indevido o método de cálculo utilizado para proporcionalizar as receitas tributáveis e nãotributáveis em razão dos dispêndios (custos ou despesas), em afronta ao item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 999 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, considerar definitiva a matéria não expressamente contestada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Trata o processo da exigência do IRPJ e da CSLL de Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico, formalizada em Autos de Infração, relativos aos anos de 1999 e 2000, com a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, com base na Taxa Selic, fls. 660 e seguintes. O objeto da sociedade cooperativa, constante do art. 7º do seu Estatuto Social, tem a seguinte redação, fls. 16: “UNIMED VS objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus médicos cooperados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento progressivo e a defesa econômico social dos médicos cooperados, proporcionandolhes condições para o exercício de suas atividades e aprimoramento da assistência saúde; II o combate às diferentes formas de intermediação mercantil na prestação de serviços do médico ao paciente.” De acordo com resposta à intimação efetuada pela fiscalização, a autuada efetua a contabilização das receitas da seguinte forma, fls. 11: “Conta 311 — Receitas dos Atos Cooperativos Principais São contabilizadas nesta conta as receitas dos planos empresariais e familiares, tanto de prépagamento como de custo operacional, as receitas de intercâmbio estadual e nacional dos atos principais, ou seja, as receitas realizados Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1000 3 por médicos cooperados. Também contabilizamos neste grupo as receitas particulares, de consultas médicas, procedimentos, remoções realizados no nosso pronto atendimento por médicos da cooperativa, e as deduções da receita, que são os cancelamentos de alguns contratos. Conta 312 — Receitas dos Atos Cooperativos Auxiliares Nesta conta são contabilizadas as receitas dos planos empresarias e familiares, de pré pagamento ou de custo operacional, as receitas de intercâmbio estadual e nacional dos atos auxiliares, que são as receitas provenientes dos serviços credenciados (laboratórios, hospitais, fisioterapias, clínicas). Bem como as deduções destas receitas, ou seja, os contratos cancelados e os tributos, Pis e Cofins. Conta 313 — Receitas dos Atos Não Cooperativos Nesta conta contabilizase as receitas com os atos não cooperativos e seus respectivos cancelamentos. Para a Unimed Vale do Sinos receitas de atos não cooperativos são aquelas provenientes dos planos odontológicos. Conta 32 — Receitas Operacionais Indiretas Aqui são contabilizadas as receitas das aplicações financeiras, os juros recebidos, descontos obtidos, variações monetárias ativas, comissões e a reversão da provisão de crédito de liquidação duvidosa.” Segundo mencionado no Relatório de Trabalho Fiscal, de fls. 672 a 688, a autuada deveria ter tributado todo o resultado obtido nos anos de 1999 e 2000, face a distribuição (indevida) aos associados de lucros auferidos em atividades tributáveis. Os lucros foram distribuídos de forma indireta aos associados, de duas formas: i) dos lucros contabilizados (que a autuada chama de sobras), parte foi distribuída aos associados e parte foi capitalizada mediante integralização de capital com parcela do resultado obtido para, na sequência, distribuílos com a retirada do associado da sociedade; e ii) por ter sido considerado como “custo” os valores adiantados mensalmente aos médicos cooperados pela prestação dos serviços colocados à disposição da cooperativa., ao invés de contabilizar tais valores a débito de conta do Ativo Circulante a título de “adiantamento de sobras”. Efetuada a contabilização dessa forma, teria havido acréscimo indevido nesses “custos”, acarretando uma distorção no rateio utilizado para determinação do percentual das “receitas tributáveis” e das “receitas nãotributáveis”, fls. 684/685. O critério utilizado para definir as receitas tributáveis foi de acordo com o “custo”, utilizandose a proporcionalidade do custo entre os “Atos Cooperativos Principais” e aos “Atos Cooperativos Auxiliares”. Entendeu a fiscalização ser incorreta a utilização desse método para apuração das receitas tributáveis. A distribuição de “lucros” aos associados (chamado pela autuada de “distribuição de sobras”), devem ser tributados, posto que encontra expressa vedação legal (art. 24, § 3º da Lei n.º 5.764/71), configurando afronta à finalidade da sociedade cooperativa e a seu elemento essencial, que é o nãoobjetivo de lucro. Ao considerar todo o resultado apurado como tributável, a fiscalização procedeu à glosa, na apuração do Lucro Real e na base de cálculo da CSLL, dos valores excluídos no LALUR a título de “Resultados Não Tributáveis de Sociedades Cooperativas”, Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1001 4 nos valores de R$ 443.047,53 e de R$ 385.359,10, nos anos de 1999 e 2000, respectivamente, fls. 650/655. Em seguida, por bem resumir os fatos ocorridos, passo a adotar o relatório do Acórdão nº 1017.644 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 934 a 952, o qual transcrevo em parte: “A análise do Relatório do Trabalho Fiscal (fls. 672688) elucida que foi considerado na base de cálculo do IRPJ e da CSLL todo o resultado positivo nos anoscalendário de 1999 e 2000 (fl. 677), em razão da distribuição aos associados de lucros auferidos em atividades tributáveis. Os lucros foram distribuídos por meio de dois procedimentos: A) capitalização dos lucros — disponibilidade jurídica e econômica: 1. a autuada trata os lucros (que não podem ser distribuídos) como se fossem sobras (que são distribuíveis). 0 faz chamando os lucros de sobras, uma vez que não distingue os atos típicos de cooperativas, geradores de sobras, dos atos típicos empresariais, geradores de lucros, nominando ambos de "atos cooperativos" (ou seja, atos cooperativos principais e atos cooperativos auxiliares, ver fl. 11); 2. parte de tais lucros foi capitalizada na conta "Capital Subscrito" e foi distribuída a cooperados no momento em que estes se retiraram da sociedade; 3. além disso, para calcular os juros sobre o capital, a autuada utiliza como base de cálculo o montante do capital atualizado, isto é, incluindo a capitalização de lucros e de juros sobre o capital de períodos anteriores e, em seguida, capitaliza também os referidos juros, aumentando ainda mais a conta de capital, disponibilizando os lucros capitalizados (que são indisponíveis) jurídicamente (pela capitalização) e, em determinadas situações, economicamente (na retirada de sócios cooperados). B) superavaliação de custos do ato nãocooperativo intrínseco (chamado pela fiscalizada de atos cooperativos principais): 1. houve a contabilização dos pagamentos mensais efetuados a médicos cooperados como custos da cooperativa, o que é indevido, pois não há relação de mercado nos atos realizados entre a cooperativa e o cooperado (art. 79 da Lei n° 5.764/71), de tal sorte que os desembolsos efetuados pela cooperativa não poderiam ser considerados como custos, haja vista (1) que a finalidade da referida sociedade é justamente colocar à disposição dos sócioscooperados clientes dispostos a usufruírem seus serviços, e (2) em hipótese alguma pode ser considerado custo repasse feito pela cooperativa ao associado, pois este não presta serviço àquela, mas, ao contrário, é a cooperativa que presta serviços ao associado; 2. a autuada reconhece que a "complementação de honorários" pagos aos cooperados faz parte das sobras, conforme provam os "Relatórios de Gestão" (fls. 200 e 237) e "Ata de Assembléia" (fl. 358). Logo, os honorários pagos aos cooperados também compõem as sobras, que são adiantadas aos sócios. As sobras repassadas não compõem os custos da cooperativa. 3. a fiscalizada utiliza como critério de determinação das receitas tributáveis para fins de IRPJ e de CSLL os valores relativos: (1) aos custos dos atos não cooperativos intrínsecos (para a fiscalizada atos cooperativos principais), os quais não são tributáveis e (2) aos custos dos atos nãocooperativos extrínsecos (atos cooperativos auxiliares, no entender da fiscalizada), que são tributáveis. Deste Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1002 5 modo, ao contabilizar tais adiantamentos como custos dos nãoatos cooperativos intrínsecos, ocorreu distorção no rateio utilizado para determinação do percentual das receitas tributáveis e das nãotributáveis para fins de incidência do IRPJ e da CSLL, uma vez que tais pagamentos não devem ser computados como custos dos atos nãocooperativos intrínsecos, mas sim contabilizados a débito da conta do Ativo Circulante como adiantamento de sobras. Assim, procedendo, a fiscalizada auferiu, de fato, sobras em valores inferiores aos valores repassados aos médicoscooperados no decorrer do exercício (a titulo de adiantamento de sobras). Por conseguinte, existiu distribuição de lucros (que a atuada chama de sobras). DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou, em 12/06/2003, tempestivamente, impugnação conjunta ao IRPJ e à CSLL (fls. 691700), alegando, em síntese, que: 1. a autoridade administrativa conceituou de forma equivocada, como não cooperativos, os atos cooperativos principais e auxiliares que pratica; 2. oferece os resultados dos atos cooperativos auxiliares à tributação, e optou por capitalizar esses resultados, já descontados os valores pagos a titulo de IR e de CSLL e retendo na fonte os valores pagos a titulo de IRPJ e de CSLL; 3. a autoridade fiscal entendeu que não poderia ter havido tal capitalização e descaracterizou a cooperativa, excluindo, "como custo operacional direto, portanto dedutível da receita decorrente desses atos cooperativos, do valor correspondente ao repasse dos mesmos, tal como realizado pela cooperativa, aos seus médicos associados", sendo que "os atos mencionados retirados foram para a apuração da base de cálculo dos tributos exigidos, sem que houvesse correspondente retirada da receita". Assim, a receita decorrente dos atos cooperativos foi integralmente levada em conta para efeitos de cálculo de IRPJ e da CSLL, sem contrapartida nas correspondentes despesas. Em decorrência, foi aumentado "o resultado tributável da autuada, gerando uma distribuição de sobras aos cooperados em valor superior àquela efetivamente realizado pela cooperativa, para efeitos de ser declarado que a mesma distribuirá resultados de atos tributáveis, tidos pelo fisco como não cooperativos". No recálculo do imposto de renda, acabou sendo atingido todo o resultado da autuada, independente de advir de atos cooperativos ou não; 4. a autuação afronta o art. 3°, § 1º, do Decretolei n° 1.598/97, o art. 47 da Lei n° 4.506/64 (arts. 290 e 299 do RIR 99) e o art. 168 do RIR 99, bem como os Pareceres Normativos CST 73/75 e 38/80; 5. a legislação do IRPJ, no art. 279 do RIR/99, determina a contabilização de tais ingressos como receita operacional. Logo, ao desconsiderarse, para apuração das sobras, o custo dos atos cooperativos, há contrariedade à legislação. 0 erro está em considerar que os valores mensalmente percebidos por um cooperativado são sobras, ou seja, resultados de uma sociedade após o exercício, o que desmente o próprio nome de sobras, cujo cálculo advém de resultarem da diferença entre os valores arrecadados pela cooperativa e os valores pagos, ao longo do exercício, ao associado. Tais pagamentos são operação normal, não podendo ser considerado sobras importância pagas mensalmente ao trabalhador, pois são contrapartidas de produção a partir da qual nascem as sobras, o que é reconhecido pelo art. 628 do RIR/99 (art. 7° da Lei n° 7.713/88); 6. o regime tributário aplicado na autuação é de uma sociedade civil profissional, contrariando o disposto no PN CST 15/83.” Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1003 6 Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1017.644 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 934 a 952, com o seguinte ementário: COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DO LUCRO AUFERIDO. CAPITALIZAÇÃO DAS COTASPARTES COM 0 LUCRO AUFERIDO. IMPOSSIBILIDADES. FRAUDE AO REGIME JURÍDICOTRIBUTÁRIO COOPERATIVO. TRIBUTAÇÃO DO RESULTADO GLOBAL 1. A inexistência de lucro é princípio tão forte que caracteriza, enquanto sociedades, as cooperativas (Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3°, caput). 2. Sendo assim, como regra geral, as cooperativas praticam atos que não geram lucro. Se não há lucro, (1) não incidem os tributos cuja base de cálculo o tem como pressuposto (IR e CSLL) e (2) não há lucro para distribuir. 3. Como exceção, as cooperativas praticam atos que geram lucro, o que é permitido (1) explicitamente pelos arts. 85, 86 e 88 da Lei n 5.764/71 e (2) implicitamente pelo sistema normativo próprio a estas sociedades, na forma permissiva regulamentada pelo Regulamento do Imposto de Renda, art. 183, caput. Exemplo de ato gerador de lucro e implicitamente permitido é a aplicação de recursos da cooperativa junto ao mercado financeiro. 4. Uma vez que a ausência de lucro faz parte da essência das cooperativas, o sistema legal, ao permitido excepcionalmente, criou regras que impedem os membros de fruílo diretamente, determinando sua destinação ao Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social (FATES) (art. 87 da Lei nº 5.764/71). 5. Essa interpretação tomada em um contexto no qual se verifica que as permissões explícitas para o lucro estabelecidas pela Lei nº 5.764/71 são insuficientes para atender as atuais demandas associativas, sociais e de mercado não excepciona a regra que impossibilita as cooperativas distribuírem o lucro que porventura aufiram. Se a Lei nº 5.764/71 permite excepcionalmente às cooperativas auferirem lucro (arts. 85, 86 e 88), em nenhum momento permite que o lucro seja distribuído aos associados. Não haveria de ser diferente com outros atos geradores de lucro, que somente são permitidos às cooperativas em decorrência de depreensão hermenêutica. 6. A incorporação do lucro ao patrimônio da cooperativa (FATES) vai ao encontro dos ideais cooperativistas, uma vez que este fundo objetiva o fortalecimento da sociedade que o constitui (a qual poderá promover a capacitação técnica de seus associados) e do movimento cooperativista como um todo (através do fomento A educação cooperativista), além de viabilizar assistência social aos membros e empregados da sociedade. 7. Quando a cooperativa aufere de lucro, incidem os tributos cuja base de cálculo o tem como pressuposto (IRPJ e CSLL). Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1004 7 8. É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de beneficio às cotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada (Lei 5.764, art. 23, § 3 °). 9. A distribuição, por uma cooperativa, do lucro gerado, frauda o regime jurídico cooperativo. 10. A capitalização das cotaspartes com o lucro frauda o regime jurídico cooperativo. 11. Utilizarse, para cálculo dos juros sobre o capital próprio, das cotaspartes capitalizadas pelo lucro frauda o regime jurídico cooperativo. 12. A autuada: (1) capitaliza cotaspartes com lucros, (2) utiliza, para cálculo dos juros sobre o capital próprio, das cotaspartes capitalizadas pelo lucro, e (3) distribui os lucros integralizados nas cotaspartes na retirada dos associados, fraudando, com tais atos, o regime jurídicotributário cooperativo. 13. Resta ao Fisco, evidenciando tais situações, tributar o resultado global da cooperativa. (RIR 99, art. 182, § 2°) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO Quanto à Contribuição Social sobre o Lucro valem as mesmas ponderações tragadas em relação ao Imposto sobre a Renda, conforme parágrafo único do art. 6° da Lei no 7.689/88, considerada a necessária conformidade que deve existir da decisão do lançamento decorrente com o decidido no lançamento que lhe deu origem. Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido, podem ser assim resumidos, conforme transcrição que segue: “[...] Ocorre que a interessada atua no mercado oferecendo planos de saúde. Nestes, se obriga a ofertar aos seus beneficiários/consumidores: a) os serviços de seus membros cooperativados (médicos) e b) os serviços de terceiros, nãovinculados à cooperativa, como hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos. Esses últimos (hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos), contratados pela cooperativa, se obrigam, mediante contraprestação previamente ajustada, a prestar seus serviços aos beneficiários da cooperativa. 0 pagamento desta contraprestação acarreta um custo para a cooperativa. Em contrapartida, a autuada embute um valor para cobrir tais custos no preço dos contratos que firma com seus beneficiários/consumidores. É este o resultado positivo que redunda em lucro para a cooperativa (ganho de intermediação de serviços de terceiros). 0 lucro auferido, como visto, deve ser dirigido ao FATES. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1005 8 [...] A autuada, em afronta à determinação de dirigir o lucro para o FATES, misturou o lucro com as sobras, como admite expressamente à fl. 528 ("Em relação ao item 1 a resposta é sim, todos os resultados auferidos nos anos de 1999 e 2000, quer fossem de atos principais ou de atos auxiliares foram tratados como sobras"). Após, utilizou o lucro para capitalizar as cotaspartes, que são subscritas pelos associados no momento do ingresso na cooperativa, de acordo com o art. 24 da Lei no 5.764/71: Art. 24. 0 capital social será subdividido em cotaspartes, cujo valor unitário não poderá ser superior ao maior saláriomínimo vigente no pais. No entanto, há expressa disposição legal que não permite a capitalização do lucro às cotaspartes, ou ainda o estabelecimento de outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros (excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidem sobre a parte integralizada) (art. 24, § 3º da Lei n° 5.764/71): § 3°. É vedado ás cooperativas distribuírem qualquer espécie de beneficio ás cotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada. Não bastasse esse fato, a autuada distribuiu este lucro quando da retirada de associados, em nova afronta ao § 3° do art. 24 da Lei no 5.764/71 e ainda utilizou, para o cálculo dos juros sobre o capital próprio, do valor das cotaspartes capitalizadas pelo lucro. [...] 8°) é indevido o modo que a autuada utiliza para distinguir, para fins de cálculo dos tributos devidos, as receitas tributáveis das nãotributáveis, ou seja, "o critério utilizado já há muito tempo pela Unimed Vale dos Sinos para o rateio das receitas auferidas para definir a base de cálculo do IRPJ é de acordo com o custo. Encontrase a proporcionalidade do custo referente aos Atos Cooperativos Principais e aos Atos Cooperativos Auxiliares" (fl. 45). A utilização do custo (mais apropriadamente, dispêndio) proporcional entre os atos nãocooperativos intrínsecos (atos cooperativos principais, para a autuada) e os atos nãocooperativos extrínsecos (atos cooperativos auxiliares, para a autuada) como critério para o rateio das receitas auferidas (entre atividades próprias da cooperativa e aquelas de intermediação de negócios de terceiros, como hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos) afronta o item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80, item 5. Isto porque como visto, não há destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos (os ingressos não indicam individualizadamente a que espécie de prestação se destinam, porque recebidos a um único titulo e em pagamento de contraprestação múltipla e heterogênea), e, deste modo, devese tributar o resultado global da cooperativa. 9°) uma vez que é indevida a utilização do método de proporcionalizar as receitas tributáveis em razão dos dispêndios (custos ou despesas), o erro de critério nos parâmetros deste método (ou seja, a superavaliação dos custos por ter a cooperativa considerado, erroneamente, resultados — honorários médicos — como dispêndios ou custos), não é fundamento para o lançamento do resultado global da cooperativa. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1006 9 10°) é fundamento suficiente para o lançamento do resultado global da cooperativa (1) a capitalização das cotaspartes com o lucro e/ou (2) a utilização, para o cálculo dos juros sobre o capital próprio, do valor das cotaspartes capitalizadas pelo lucro, e/ou (3) a distribuição de seu lucro por via indireta, integralizadoo às cotaspartes do capital social e as distribuindo aos associados que se retiraram, passo a abordar a questão da superavaliação dos custos dos atos não cooperativos intrínsecos (item 5.1 do auto de infração) ou a falta de destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos. Passo agora a analisar a legislação citada pela impugnante, que não a socorre. A maior parte das alegações tenta provar a natureza jurídica de custo (mais apropriado seria dizer dispêndios) do repasse mensal de honorários aos médicos cooperados. No entanto, como visto — apesar de não ser correto tal posicionamento —, o montante dos dispêndios não possui qualquer influência neste lançamento, uma vez que ele não pode ser usado como critério de discriminação das receitas tributáveis, no estrito teor do PN CST 38/80. Em sua peça recursal, a recorrente praticamente repisa os mesmos argumentos trazidos com a impugnação. Argumenta, em síntese, que o lançamento foi feito em contrariedade à legislação que rege a contabilização das sociedades cooperativas, sendo indevida a desconsideração do custo dos atos cooperativos para apuração das sobras ao final do período. A seu favor, menciona doutrina a respeito das sociedades cooperativas, assim transcrita, fl. 972: “Assim, os gastos contabilizados pela sociedade cooperativa devem ser segregados nos livros contábeis segundo sua natureza; se incorridos para gerar receitas dos cooperados (atos cooperativos), tais gastos devem ser contabilizados em conta de apuração de sobras ou faltas. Ao contrário, se os gastos forem incorridos para gerar receitas decorrentes de atos não cooperativos , então devem registrados como despesa da sociedade, para a apuração do resultado(lucro ou prejuízo) tributável pelo imposto de renda e contribuição social”. Alega, ainda, que diferentemente do que foi dito na decisão recorrida, os valores arrecadados e repassados aos associados cooperados são tidos como ingressos e não receitas, transcrevendo a respeito, excerto da Norma Brasileira Contábil NBC –T 10. Aduz que as sobras são a devolução da retenção dos honorários médicos que ficaram com a cooperativa para fazer frente às despesas societárias, as quais são devolvidas ao final do exercício, fazendo incidir a tributação na pessoa física, jamais na pessoa jurídica. O pagamento mensal, em uma cooperativa, cujo objeto é angariar serviços aos cooperativados, é operação normal, não podendo ser consideradas como “sobras” importâncias mensalmente pagas aos trabalhadores/médicos. São contrapartidas de produção a partir das quais nascem as sobras. Protesta pela descaracterização da personalidade jurídica da cooperativa com a finalidade de se efetuar a exigência tributária. Menciona, ainda, que o acórdão recorrido deixou de considerar o pedido de parcelamento da CSLL, no âmbito do Paesparcelamento especial, de que trata a Lei n° 10.684, Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1007 10 de 30 de maio de 2003, conforme requerimento datado de 30/07/2003, fls. 979, requerendo a sua exclusão do presente litígio. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre registrar que efetivamente a autuada solicitou o parcelamento no âmbito do “Paes”, de que trata a Lei n° 10.684, de 2003, relativo à CSLL exigida na presente autuação, conforme requerimento da fl. 979. Dito parcelamento encontrase acompanhado no processo nº 11065.004778/200319, conforme Despacho exarado pela DRF/Novo Hamburgo, de fls. 992 a 994, razão pela qual os valores lançados a esse título devem ser excluídos do presente litígio. Dessa forma, resta no presente processo a discussão a respeito da exigência do IRPJ. A fiscalização constatou que a sociedade deveria ter tributado todo o resultado obtido nos anos de 1999 e 2000, face a distribuição (indevida) aos associados de lucros auferidos em atividades tributáveis. Conforme relatado neste acórdão, os lucros foram distribuídos, de forma indireta aos associados, de duas formas: i) dos lucros contabilizados (que a autuada chama de sobras), parte foi distribuída aos sócios, parte foi capitalizada com a integralização de capital com parte do resultado obtido para, na sequência, distribuílos com a retirada do associado da sociedade; e ii) pelo acréscimo indevido na rubrica “custos” dos “atos cooperativos principais”, acarretando uma distorção no rateio utilizado para determinação do percentual das “receitas tributáveis” e das “receitas nãotributáveis”. Inicialmente, cumpre esclarecer à recorrente que, em nenhum momento, seja no Relatório Fiscal, seja no Acórdão recorrido, foi defendida a tese de que se deveria descaracterizar a natureza jurídica da sociedade cooperativa para fins tributários. O que ocorreu, em síntese, foi a identificação da distribuição de lucros feita de forma indireta, bem como a majoração dos custos contrapostos às receitas auferidas nos “atos cooperativos principais”, o que ocasionou uma desproporção no rateio das receitas tributáveis e das não tributáveis, tendo sido tributado apenas o resultado positivo dos atos não cooperativos. Assim, é de se afastar, de imediato, todas as alegações trazidas na peça recursal em relação a alegada descaracterização, pois se trata de matéria não utilizada como fundamento no lançamento fiscal. Já em relação à distribuição dos lucros feitos de forma indireta aos associados, relativo às sobras contabilizadas, onde parte foi distribuída aos sócios, e parte foi capitalizada para, na sequência, distribuílos quando da retirada do associado da sociedade, (item i) da irregularidade apurada pela fiscalização), cumpre dizer que essas matérias não foram objeto de contestação expressa na peça recursal, reputandose definitivamente julgadas, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1008 11 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em que pese a constatação acima, julgo pertinente esclarecer que a própria autuada reconheceu, fl. 528, que todos os resultados auferidos nos anos de 1999 e 2000, quer sejam resultados de atos principais (sobras) ou resultados de atos auxiliares (lucros), foram tratados como sobras. As “sobras” podem ser distribuídas aos associados (art. 80, II da Lei nº 5.764, de 1971). No entanto, há expressa disposição legal que não permite a capitalização do lucro às cotaspartes, ou ainda o estabelecimento de outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros (excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidem sobre a parte integralizada), a teor do § 3° do art. 24, da Lei nº 5.764, de 1971. Art. 24. 0 capital social será subdividido em cotaspartes, cujo valor unitário não poderá ser superior ao maior saláriomínimo vigente no país. § 3°. É vedado ás cooperativas distribuírem qualquer espécie de beneficio ás cotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada. No presente caso, a interessada também incorreu em violação ao art. 87, da Lei nº 5.764, de 1971, que determina que os resultados apurados com não associados (lucros) deverão ser levados à conta do FATES: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Assim, concluise que a autuada, ao efetuar a destinação do resultado do período, incorreu na ilegal transferência, à conta capital, de parcela do “lucro” auferido, parcela esse que sofreu o acréscimo dos juros sobre o capital e que também foi distribuída aos associados quando da sua retirada, procedimentos esses feitos de forma contrária a legislação. A esse respeito, cabe registrar da existência de expressa disposição legal que não permite a capitalização do lucro às cotaspartes, ou ainda, estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, consoante § 3° do art. 24, da Lei nº 5.764, de 1971, acima transcrito. A seu turno, o art. 182, e parágrafos, do RIR/99, estabelece serem tributáveis os resultados quando as cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotas partes de capital: Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1009 12 sem objetivo de lucro (Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 69). § 1° É vedado ás cooperativas distribuírem qualquer espécie de beneficio ás quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n°5.764, de 1971, art. 24, § 3°). § 2° A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. (grifei) Com efeito, verifico dos autos, fls. 683, que a soma dos valores dos lucros distribuídos relativo a capitalização do resultado (da parte referente aos lucros auferidos) e dos juros aplicado sobre o capital integralizado, ultrapassa com folga os valores glosados pela fiscalização nos anos de 1999 (R$ 443.047,53) e de 2000 (R$ 385.359,10) (fl. 661), de modo que é razão suficiente para o lançamento ora examinado, o resultado integral (sem qualquer exclusão) apurado pela cooperativa nos anos de 1999 e 2000, face a constatação de ter sido indevida: (1) capitalização das cotaspartes com o lucro (fl.680 R$ 240.443,70 e R$ 360.084,64) e/ou (2) utilização, para o cálculo dos juros sobre o capital, do valor das cotas partes capitalizadas pelo lucro (fl. 680 – R$ 269.648,91 e 348.469,53), e/ou (3) a distribuição de seu lucro por via indireta, integralizadoo às cotaspartes do capital social, aos associados que se retiram da sociedade (valores exemplificativos às fls. 678/679). Dessa forma, concluo que mostrase suficientemente fundamentado, para o lançamento fiscal, as irregularidades apontadas no item anterior (item i) da irregularidade fiscal), que não foi contestada expressamente, devendo, portanto, ser mantida a exigência fiscal relativa ao IRPJ. Mesmo considerando a conclusão retro, considero pertinente, para que não se alegue cerceamento do direito de defesa, que este colegiado também se manifeste a respeito da irregularidade fiscal do item ii): acréscimo indevido na rubrica “custos” dos valores de honorários médicos relativos aos “atos cooperativos principais”. Este fato teria acarretado, segundo a fiscalização, a distorção no rateio utilizado para determinação do percentual das “receitas tributáveis” e das “receitas nãotributáveis”. Para melhor compreensão da matéria examinada, transcrevo, na sequência, parte do voto condutor do acórdão recorrido, que muito bem descreve as atividades desenvolvidas pela sociedade cooperativa: “Pois bem, a interessada é cooperativa médica, espécie de cooperativa de trabalho. Deste modo, exerce seu papel facilitando a colocação do trabalho de seus médicos associados no mercado. Assim, o resultado positivo da atuação médica (consultas, visitas a pacientes internados e procedimentos clínicos e cirúrgicos) irá gerar sobras (resultados positivos de sua atividade), as quais não são tributáveis pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e pela Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido. Ocorre que a interessada atua no mercado oferecendo planos de saúde. Nestes, se obriga a ofertar aos seus beneficiários/consumidores: a) os serviços de seus Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1010 13 membros cooperativados (médicos) e b) os serviços de terceiros, nãovinculados à cooperativa, como hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos. Esses últimos (hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos), contratados pela cooperativa, se obrigam, mediante contraprestação previamente ajustada, a prestar seus serviços aos beneficiários da cooperativa. 0 pagamento desta contraprestação acarreta um custo para a cooperativa. Em contrapartida, a autuada embute um valor para cobrir tais custos no preço dos contratos que firma com seus beneficiários/consumidores. E este o resultado positivo que redunda em lucro para a cooperativa (ganho de intermediação de serviços de terceiros).” Com relação à cooperativa de médicos, que ora se examina, assim se manifestou o Parecer Normativo CST nº 38, de 31/10/80 DOU 05/11/80, que muito bem elucida a matéria, abaixo transcrito: “3. DAS COOPERATIVAS DE MÉDICOS 3.1 Atos Cooperativos As cooperativas singulares de médicos, ao executarem as operações descritas em 2.3.1, estão plenamente abrigadas da incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional, tais como os que buscam a captação de clientela; a oferta pública ou particular dos serviços dos associados; a cobrança e recebimento de honorários; o registro, controle e distribuição periódica dos honorários recebidos; a apuração e cobrança das despesas da sociedade, mediante rateio na proporção direta da fruição dos serviços pelos associados; cobertura de eventuais prejuízos com recursos provenientes do Fundo de Reserva (art. 28, I) e, supletivamente, mediante rateio, entre os associados, na razão direta dos serviços usufruídos (art. 89). 3.2 Atos NãoCooperativos, Diversos dos Legalmente Permitidos Se, conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os nãocooperativos excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde. 3.3 Intermediação Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objeto social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na condição de prestadores de serviços médicos, tornase logicamente imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outras sociedades ou de outros profissionais, o que, evidentemente, é característica da mercancia, ou seja a intermediação. 3.4 Organização Mercantil Estas atividades, francamente irregulares para esse tipo societário, estão iniludivelmente contidas em contexto de modelo comercial, uma vez que seu perfil Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1011 14 operacional, neste particular, envolve (1) atividade econômica, (2) fins lucrativos, (3) habitualidade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de risco. Esta afirmação melhor estará corroborada se abstrairmos, dentre as obrigações assumidas entre a clientela, a de prestação de serviços médicos pelos próprios associados; percebese, então, que seria lógica e juridicamente insustentável considerarse como cooperativa a entidade que tivesse como único objetivo a revenda de bens e serviços. 3.5 Ainda por incabível qualquer alegação tendente a considerar tratarse de cooperativa mista (art. 10, § 2), c/c art. 7º, da lei citada), é fácil depreender que a diversificação das prestações de bens/serviços que dependem de intermediação, poderia ensejar a escalada a outras, sob alegação de afinidade, como por exemplo, fornecimento de refeições, locais de repouso e veraneio, tratamento dentário, assistência social e quiçá até serviço funerário. Já o item 5 do mesmo Parecer Normativo CST nº 38/80, existe a previsão da forma como deverão ser apurados os resultados tributáveis no caso dos ingressos (receitas das mensalidades) das cooperativas não indicarem individualizadamente a que espécie de prestação se destinam: “5. APURAÇÃO DOS RESULTADOS TRIBUTÁVEIS 5.1 Como foi dito inicialmente, deve o imposto de renda ter por base de cálculo o resultado determinado a partir da escrituração contábil, que apresente destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos, como explicitado no PN CST nº 73/75. Todavia, não houve tal destaque, como no caso em que os ingressos não indiquem individualizadamente a que espécie de prestação se destinam, porque recebidos a um único título e em pagamento de contraprestação múltipla e heterogênea, a escrita será imprestável para a apuração do lucro real. 5.2 Farseá mister, então, arbitrar o lucro, como determinado pelo artigo 7º, IV, do Decretolei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, e legislação regulamentar.” É exatamente o que ocorre no presente caso. A sociedade cooperada em exame, recebe ingressos originados das mensalidades pagas pelos seus clientes, pessoas físicas e pessoas jurídicas, destinados a cobrir os dispêndios da sociedade, seja em relação aos associados da cooperativa (médicos) seja em relação a terceiros não associados (hospitais, laboratórios, fisioterapeutas e odontólogos). É sabido que o resultado das operações com terceiros, não associados, sofrem a incidência tributária, devendo haver a segregação das receitas e das despesas entre os atos cooperativos e os não cooperativos (com não associados) a fim de possibilitar a correta apuração da base tributável, nos termos do citado Parecer: “Diversos atos normativos estabeleceram o entendimento de que as sociedades cooperativas tem a obrigação de destacar em sua escrituração contábil as receitas não compreendidas como típicas ou normais a esse tipo societário, bem como os correspondentes custos, despesas e encargos, a fim de ser apurado o lucro a ser oferecido à tributação (PN CST nº 73/75, D.O. de 04.08.75),” (...) Pois bem. No caso em análise não há a segregação das correspondentes receitas e custos, entre as atividades cooperativas e não cooperativas. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1012 15 O critério utilizado pela autuada para o rateio das receitas auferidas para definir a base de cálculo do IRPJ foi unicamente de acordo com o “custo”, utilizandose a proporcionalidade do “custo” referente aos “atos cooperativos” e do custo referente aos “atos não cooperativos”. A meu ver, entendeu corretamente a fiscalização que a utilização do método de proporcionalizar as receitas tributáveis em razão dos custos (dispêndios) não possui suporte na legislação tributária. Contudo, creio que o agente fiscal equivocouse na interpretação de que os honorários pagos aos médicos cooperados não teriam a natureza de custo, refazendo os cálculos das receitas tributáveis e nãotributáveis com o mesmo método (errôneo) de proporcionalizar as receitas tributáveis em razão dos custos (porém desconsiderando os honorários médicos como custos), fls. 684/685, de modo que deveria ser considerado como resultado tributável todo o resultado apurado pela autuada, e não somente parte dele. Já a requerente argumenta, em síntese, que o lançamento foi feito em contrariedade à legislação que rege a contabilização das sociedades cooperativas, no sentido de não ter se considerado para apuração das sobras, ao final do período, os custos (honorários médicos) dos atos cooperativos. Creio que a controvérsia em relação a considerar os honorários médicos como parcela dos custos das atividades cooperativas é irrelevante para a solução do caso. Os itens 5.1 e 5.2 do Parecer Normativo CST nº 38/80 acima transcritos, esclareceram de forma diferente a questão. Estabeleceu o referido parecer que, não havendo destaque, individualizadamente, a que espécie de prestação os ingressos se destinam, porque recebidos a um único título e em pagamento de contraprestação múltipla e heterogênea, a escrita será imprestável para a apuração do lucro real. Não havendo destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos, farseá mister, então, arbitrar o lucro como determinado pelo artigo 7º, IV, do Decretolei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, e legislação regulamentar.” No presente caso, inexiste apuração em separado das receitas das atividades próprias da cooperativa e das receitas derivadas das operações por ela realizadas com terceiros decorrentes de ganhos, por exemplo, com a revenda de diárias e serviços hospitalares, de laboratórios, de fisioterapeutas e odontológicos, que são vendidos em seus planos de saúde. A esse respeito, vejamos o que dispõe o item 6 do PN CST 73/75: Parecer Normativo 73/75: 6. Nessas condições, devem ser apuradas em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas das operações por ela realizadas com terceiros. Igualmente computados em separado os custos diretos e imputados as receitas com as quais guardam correlação. A partir daí, e desde que impossível destacar os custos e encargos indiretos de cada uma das duas espécies de receitas, devem eles ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas. Conseqüentemente, o lucro operacional a ser considerado para efeito de tributação corresponderá ao resultado da receita derivada das operações efetuadas com terceiros, diminuída dos custos diretos pertinentes, e, ainda, do valor dos custos e encargos, indiretos proporcionalmente relacionado com o percentual que as receitas oriundas das operações com terceiros representem sobre o total das Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1013 16 receitas operacionais. Feitos os cálculos nos termos descritos, ao lucro operacional que resultar sujeito à tributação serão acrescidos os resultado líquidos das transações eventuais. A autuada, ao contrário do que estabelece o PN CST 73/75 acima transcrito, não possui em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas das operações por ela realizadas com terceiros, mas busca diferenciar as receitas tributáveis e não tributáveis a partir de seu “custo conhecido”, sem nenhum suporte para aplicação desse método. Dessa forma, se a escrituração não segregar as receitas e as despesas/custos segundo a sua origem (atos tributáveis e nãotributáveis), o resultado da cooperativa será tributado de forma global, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela nãoincidência tributária. Neste sentido, decidiu o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme ementário que se transcreve: SOCIEDADE COOPERATIVA Não são alcançados pela incidência do imposto de renda os resultados dos atos cooperativos. 0 resultado positivo de operações praticadas com a intermediação de terceiros, ainda que não se incluam entre as expressamente previstas nos artigos 86 a 88, da Lei 5.764/71, é passível de tributação normal pelo imposto de renda. Se, todavia, a escrituração não segregar as receitas e as despesas/custos segundo a sua origem atos cooperativos e não cooperativos ou, ainda, se a segregação feita pela sociedade não se apoiar em documentação hábil que a legitime, o resultado global da cooperativa será tributado, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. (grifouse) (Número do Recurso: 146547. Terceira Câmara. Número do Processo: 10830.005877/200418. Tipo do Recurso:voluntario. Data da Sessão: 19/10/2006. Relator: Leonardo de Andrade Couto. Decisão: Acórdão 10322690) Dessa forma, concluise que o método adotado pela autuada para o rateio das receitas tributáveis e não tributáveis, utilizandose unicamente o custo proporcional a essas receitas, afronta o item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80, devendose, deste modo, tributar o resultado global da cooperativa. Haja vista os fundamentos acima expostos, voto que seja considerada definitiva, na esfera administrativa, a matéria não expressamente contestada no recurso e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 1202000684 S1C2T2 Fl. 1014 17 Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10855.902068/2009-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
null
Numero da decisão: 1002-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade do acórdão recorrido, com retorno dos autos para a DRJ, reconhecendo a possibilidade da primeira instância analisar a legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PER/DCOMP n.º 32128.20391.230805.1.3.04-5078.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. É nula a decisão da DRJ que deixa de analisar direito creditório fundada em dispositivo normativo revogado ao tempo de emissão do Despacho Decisório de não homologação da compensação e em argumento já superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de precedentes e de verbete sumular. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005 HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. O crédito informado no PER/DCOMP a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode ser objeto de compensação, não restringindose apenas à dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Exegese da Súmula CARF n.º 84. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 20 68 /2 00 9- 74 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 123 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade do acórdão recorrido, com retorno dos autos para a DRJ, reconhecendo a possibilidade da primeira instância analisar a legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PER/DCOMP n.º 32128.20391.230805.1.3.045078. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de n° 32128.20391.230805.1.3.045078, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL:2484). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período ". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 06/16, acompanhada dos documentos de fls. 17/46, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a PER/Dcomp sob alegação da improcedência do crédito por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) apesar de correta a fundamentação utilizada, a mesma não se aplica ao caso em tela; c) realizou uma primeira apuração baseado na estimativa mensal, no mês de fevereiro de 2005, recolhendo a quantia de R$ 4.469,36; d) constatou erro na apuração da CSLL, sendo o valor apurado para o mês de Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 124 3 fevereiro de 2005 revertido para R$ 1.970,31; e) de posse desse saldo credor, o contribuinte realizou as compensações devidas, mas não seria caso de preenchimento do PER/Dcomp, mas sim de compensação direta, conforme determina a legislação tributária; f) com base na IN SRF n° 21/97, em seu artigo 12, §1°, o contribuinte realizou a compensação dos tributos ora indeferida; g) dos lançamentos realizados pelo contribuinte nasce, em virtude do recolhimento a maior, o saldo credor e não da apuração normal como julgou o r. agente fazendário; h) os informes fiscais demonstram que toda a operação de compensação foi regularmente escriturada; i) o contribuinte apenas cometeu o equívoco quanto ao preenchimento de obrigação acessória (PER/Dcomp) não podendo ser penalizado com a perda de seu direito creditório previsto em lei; j) a independência entre as obrigações principais e acessórias podem ser extraídas da doutrina e da jurisprudência; k) o PER/Dcomp fora preenchido erroneamente, porém as operações foram efetuadas tempestiva e regularmente; 1) para fundamentar a decisão, o agente fiscalizador utilizase dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e essa mesma legislação reconhece o direito à compensação nos moldes em que o contribuinte procedeu; m) conforme se verifica do enunciado legal emitido pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte realizou suas compensações atendendo completamente o que prevê a norma legal, não incorrendo tais operações em quaisquer irregularidades. Ao final, em virtude de haver apresentado tempestivamente o pedido de compensação, ter realizado todos os registros da operação de compensação em seus livros contábeis e fiscais, haver declarado em suas obrigações acessórias as compensações realizadas, bem como o crédito compensado não ter nascido de regular procedimento de apuração, mas sim de erro de recolhimento a maior, requer a reforma total da decisão e deferimento da compensação realizada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1433.498, de 27 de abril de 2011 (efl. 50), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005 CSLL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais da CSLL, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 125 4 final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador da contribuição social sobre o lucro líquido da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de contribuição a pagar ou saldo negativo de CSLL, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de I o de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 61), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (destaques do original). Registra que procedeu a compensação na forma do parágrafo 1º do artigo 12 da IN SRF nº 21/97 e que "Com base na capitulação legal contida no dispositivo acima citado, o Contribuinte procedeu à compensação dos tributos ora indeferida" e que "Este é o entendimento desta Nobre Casa, PROFERIDA NO Recurso Voluntário n° 507.579, onde fora proferido o acórdão n° 140100.420 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária...". Afirma que "Conforme se pode extrair da documentação colacionada ao Pedido de Restituição apresentado, os livros fiscais e contábeis do Contribuinte, demonstram que toda a operação de compensação foi regularmente escriturada, utilizandose créditos sadios e afastando assim qualquer dolo relativo à evasão fiscal ou mesmo de sonegação por parte do Contribuinte." Destaca o fato de que "as DCTF's relativas aos períodos da compensação foram regularmente processadas e entregues pelo Contribuinte, que fez constar a operação de compensação em obrigação acessória". Diz que "realizou uma primeira apuração baseado na estimativa mensal onde restou, no mês de fevereiro de 2005, código 2484, um valor a recolher no montante de R$ 4.469,36 (quatro mil, quatrocentos e sessenta e nove reais e trinta e seis centavos)" e que "Após realizar este recolhimento, em verificação de auditoria interna promovida pelo Contribuinte, fora constatado erro na apuração, sendo que o saldo correto para o mês Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 126 5 02/2005, foi revertido para R$ 1.970,31 (Hum mil, novecentos e setenta reais e trinta e um centavos) (...) ". Justifica que " (...) tal erro deuse em função de equivoco na interpretação da legislação tributária, pois conforme será adiante demonstrado, não seria caso de preenchimento do PER/DECOMP, mas sim de compensação direta, conforme determina a mesma legislação tributária". Sustenta que "Conforme se pode extrair das obrigações acessórias regularmente apresentadas pelo Contribuinte, inclusive a DIPJ, todos os valores registrados apresentam a apuração correta, onde o saldo credor nasce em virtude do recolhimento a maior, realizado pelo Contribuinte e não da apuração normal como julgou o r. agente fazendário". Argumenta que " (...) apenas cometeu o equivoco quanto ao preenchimento de obrigação acessória (PER/DECOMP), não podendo ser penalizado por tal equivoco com a perda de seu direito creditório previsto em lei". Reitera que "Inobstante a brilhante fundamentação utilizada à embasar as razões pelas quais é negada a compensação realizada pelo contribuinte, notese que a mesma legislação dá ao Contribuinte o direito de haver realizado a compensação nos moldes em que o fez, pois conforme já demonstrado, o saldo credor compensado não nascera da apuração normal, mas de erro na apuração e recolhimento a maior do que o devido." Como forma de lastrear sua argüição, apresenta acórdãos de jurisprudência sobre o assunto e escólio de doutrina. Ao final requer a reforma total da decisão recorrida e o deferimento da compensação nos termos em que realizada. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado para apreciação da matéria na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329, de 2017. Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 32128.20391.230805.1.3.045078 transmitido em 23/08/2005 (efls. 5), sob a alegação de tratarse o crédito de R$ 2.499,05 (valor original) de pagamento a título de Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 127 6 estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, conforme excerto seguinte do Despacho Decisório de não homologação da compensação: Como se observa, a base normativa utilizada no despacho decisório é composta pelos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional (CTN), pelo artigo 74 da lei nº 9.430/96 e pelo artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Este último continha a seguinte redação: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. O dispositivo supra foi revogado pelo artigo 11 da IN RFB nº 900/2008, reproduzido abaixo: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 128 7 período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Vêse que a IN RFB nº 900/2008 retirou o impedimento normativo à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, que passou a ter tratamento jurídico de indébito tributário, sendo, portanto, passível de restituição ou compensação na forma dos artigos 165 e 170 do CTN. Considerando que o despacho decisório de não homologação da compensação foi emitido em 25/03/2009 (efls. 5) e que o artigo 11 da IN RFB nº 900/2008 teve vigência a partir de 31/12/2008 (data de sua publicação), impõese a aplicação deste dispositivo à situação do ora Recorrente, eis que o PER/DCOMP nº 32128.20391.230805.1.3.045078 encontravase pendente de análise na data de alteração da legislação citada, atraindo, por analogia, o inciso I do artigo 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Esta intelecção encontra amparo na Solução de Consulta Interna nº 19/2011 da CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB (COSIT), da qual extraemse os trechos seguintes (grifos nossos): (...) 12. Muitas vezes é difícil distinguir nos atos normativos a função complementar da função interpretativa. Em matéria de compensação tributária, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 11.051, de 2004, estabeleceu que a Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação (função complementar, de natureza procedimental). 12.1 Contudo, no presente caso, os arts. 10 das IN SRF nº 460, de 2004, e SRF nº 600, de 2005, e o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, têm nítido caráter interpretativo, pois visam dar o entendimento da administração tributária acerca das normas Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10855.902068/200974 Acórdão n.º 1002000.466 S1C0T2 Fl. 129 8 materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. 13. Assim, em face do caráter interpretativo do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, é de se responder à primeira questão da seguinte maneira: a alteração de entendimento constante do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (...) Ademais, há súmula do CARF sobre o assunto que corrobora com o entendimento aqui esposado: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Por todo o exposto, e consoante jurisprudência desta 2ª TE já manifestada em julgados anteriores sobre esse mesmo tema, voto por declarar a nulidade do acórdão n. 14 33.498 exarado pela DRJ/RPO e por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a possibilidade de análise da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PERD/COMP nº 32128.20391.230805.1.3.045078, devendo a DRJ/RPO proceder a análise do direito creditório postulado na boa e devida forma, inclusive determinando de ofício, se necessário, a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo sujeito passivo, independentemente de requerimento expresso, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.002349/2010-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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Numero do processo: 13888.906869/2012-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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COMPENSAÇÃO. Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 69 /2 01 2- 15 Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.142 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins no valor de R$ 30.725,80, relativo ao período de apuração julho/2008, para a quitação de débitos de IRPJ (fls. 43 a 47). Por meio do despacho decisório à fl. 48, a Delegacia da Receita Federal em Piracicaba decidiu pela não homologação da declaração porque o Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para a realização da compensação. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por tratarse de decisão genérica, sem a devida motivação, o que caracterizaria o cerceamento ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao mérito, informou que ao proceder à revisão dos créditos das contribuições sociais no período de agosto/2006 a junho/2011, na sistemática nãocumulativa, constatou que não havia descontado créditos relativos às aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda e relativos às despesas e custos incorridos com armazenagem e frete, decorrendo daí o pagamento indevido da Cofins para o qual pleiteava compensação. Instruiu sua peça recursal com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original (fls. 8 a 42). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0256.395 (fls. 54 a 58), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o despacho decisório não incidiu em nenhuma hipótese que possibilitasse a decretação de sua nulidade e, em relação ao mérito, que a divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afastavam a certeza do crédito. A decisão sustentouse, ainda, no fato de o contribuinte, a quem caberia o ônus da prova, não ter trazido aos autos documentação probatória, sendo insuficiente a retificação do Dacon, desacompanhada de documentos para suportar a alteração efetuada. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.143 3 Data do fato gerador: 31/07/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 28.07.2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 60, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 27.08.2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 61. Em seu recurso voluntário (fls. 62 a 72), o contribuinte retoma a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, agora tanto do despacho decisório quanto da decisão de primeira instância, configurado pela ausência de análise dos argumentos e da prova apresentada (Dacon retificador), bem como por não ter sido solicitada a realização de diligência ou de apresentação de novos documentos pela DRJ. Em relação ao mérito, repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, sobre não ter tomado crédito relativo a despesas na prestação de serviços de ferramentaria, usinagem de peças e manutenção de máquinas; nos serviços de frete; e nas aquisições de peças para manutenção de máquinas e equipamentos. Defende a adoção de um conceito de insumo que seja sinônimo de custos de produção, ou seja, os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda. Juntou ao recurso voluntário, a título de prova, o Dacon original, quatro notas fiscais, de prestação de serviços de manutenção e venda/substituição de peças, emitidas por empresas diversas em junho e julho/2008, e Livro Diário, referente aos meses de julho e agosto/2008 (fls. 73 a 1.136). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.144 4 O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.145 5 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento pré Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.146 6 estabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. Nestes autos, ocorre que, no momento da emissão do despacho decisório, a Receita Federal dispunha de uma declaração de débito de Cofins no valor de R$ 64.905,50 (DCTF), ao passo que na declaração de compensação o contribuinte afirmava ser o débito inferior, de apenas R$ 34.179,70, e que poderia utilizar a diferença para compensar débitos de IRPJ. Logo, a não homologação da compensação está plenamente justificada pela utilização integral do Darf para quitar os débitos de Cofins confessados em DCTF e não padece de nenhum vício que possa acarretar a sua nulidade. Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito. Para melhor ilustrar os fatos acima relatados, as verificações efetuadas nos sistemas da RFB e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.147 7 Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.148 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.149 9 É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, e o livro diário, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303006.241, pela pertinência no presente caso: Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 13888.906869/201215 Acórdão n.º 3002000.531 S3C0T2 Fl. 1.150 10 conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. (grifado) Pelo o exposto, uma vez não caracterizada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, concluo por precluso o direito de produzir provas e não conheço da documentação juntada aos autos. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 1150DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.728567/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. UTILIZAÇÃO DOS SALDOS DE PREJUÍZOS FICAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL PARA A QUITAÇÃO DE JUROS, MULTAS E ENCARGOS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE.
Não gera acréscimo patrimonial, não podendo ser considerada como receita tributável, a utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social na quitação de juros, multas e encargos de débitos parcelados no âmbito da Lei nº 11.941/2009, conforme a expressa dicção do art. 4º, parágrafo único da referida lei.
EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO.
A dedução do PIS/COFINS da base de cálculo do IRPJ/CSLL, enquanto pendente de julgamento o lançamento das referidas contribuições não é passível de apreciação no âmbito deste processo, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99.
EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. REVERSÃO DE PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GLOSA PROCEDENTE.
Apesar de cabível a baixa de provisão em face de conta de passivo, no caso de evento efetivamente consumado, caberia à Recorrente demonstrar de forma cabal os lançamentos contábeis correspondentes. Não havendo a comprovação do alegado pela Recorrente, perfeitamente cabível a manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
LANÇAMENTO CALCADO NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA.
Aplicam-se ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1401-002.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para cancelar a glosa da exclusão decorrente dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa de contribuição social utilizadas na liquidação de juros, multas e encargos legais, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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UTILIZAÇÃO DOS SALDOS DE PREJUÍZOS FICAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL PARA A QUITAÇÃO DE JUROS, MULTAS E ENCARGOS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Não gera acréscimo patrimonial, não podendo ser considerada como receita tributável, a utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social na quitação de juros, multas e encargos de débitos parcelados no âmbito da Lei nº 11.941/2009, conforme a expressa dicção do art. 4º, parágrafo único da referida lei. EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO. A dedução do PIS/COFINS da base de cálculo do IRPJ/CSLL, enquanto pendente de julgamento o lançamento das referidas contribuições não é passível de apreciação no âmbito deste processo, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. REVERSÃO DE PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GLOSA PROCEDENTE. Apesar de cabível a baixa de provisão em face de conta de passivo, no caso de evento efetivamente consumado, caberia à Recorrente demonstrar de forma cabal os lançamentos contábeis correspondentes. Não havendo a comprovação do alegado pela Recorrente, perfeitamente cabível a manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 85 67 /2 01 4- 78 Fl. 1088DF CARF MF 2 Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO CALCADO NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para cancelar a glosa da exclusão decorrente dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa de contribuição social utilizadas na liquidação de juros, multas e encargos legais, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº 11.941/2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Trata o presente processo de lançamentos relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, ambos relativos ao anocalendário de 2009, em decorrência da apuração das seguintes irregularidades: a) glosa da exclusão relativa a “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” haja vista a falta de comprovação de que tais valores Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.089 3 teriam transitado como receita de reversão de provisão no resultado contábil apurado em 31/12/2009 e; b) glosa da exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. Para bem descrever os fatos que circundam o presente processo, nos utilizaremos em grande medida do Relatório constante da decisão recorrida, do Termo de Verificação Fiscal, da Impugnação e do Recurso Voluntário. Relativamente à glosa de exclusão da “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009”, no importe de R$ 19.893.893,60, a contribuinte alegou à Fiscalização que teria adicionado os respectivos valores em anos anteriores e registrados na parte B do LALUR. Com a adesão do parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, a Contribuinte passou a considerar tais valores como dedutíveis, pois considerava que sua exigibilidade não estaria mais suspensa, ou seja, teria deixado de ser uma provisão. Neste ponto, a Fiscalização destaca que o sujeito passivo teria apresentado, a fim de comprovar tal alegação, as fichas das DIPJ bastantes para demonstrar a formação da reversão de R$ 19.893.893,60, valor este que seria referente a adições efetuadas a título de atualização monetária de impostos com exigibilidade suspensa nas DIPJs de 2003 a 2006. Ressalta a Fiscalização, a respeito da matéria sob exame, que as receitas efetivamente contabilizadas, decorrentes de reversão de provisões não dedutíveis, em períodos de apuração seguintes, podem ser excluídas na apuração do lucro real, evitandose a dupla incidência dos tributos IRPJ e CSLL, uma vez que tais provisões deveriam ter sido adicionadas ao lucro líquido de exercícios anteriores. Contudo, para viabilizar tal exclusão, a pessoa jurídica deveria controlar, na Parte B do LALUR, o valor da provisão adicionado ao lucro líquido (Parte A do LALUR). Entretanto, no presente caso, a Fiscalização concluiu que a empresa não teria escriturado a crédito de contas de resultado o montante das reversões de provisões não dedutíveis apropriado como exclusão na Ficha 09A, Linha 40, da demonstração do lucro real (DIPJ 2010), uma vez que não consta qualquer valor na Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ EM GERAL, linha 30 – Reversão dos Saldos das provisões Operacionais na referida DIPJ, bem como na escrituração contábil digital (ECD). Também ressalta a Fiscalização que o sujeito passivo não teria constituído contabilmente a conta de provisão de atualização monetária de impostos com exigibilidade suspensa, conforme recomendação do Manual de Contabilidade Societária – FIPECAFI, 2ª edição, ano de 2013, página 412, a seguir reproduzido: Fl. 1090DF CARF MF 4 Por não ter se desincumbido de provar que tais valores, considerados como exclusão a título de "Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009" teriam transitado como receita de reversão de provisão no resultado contábil apurado em 31/12/2009, o valor de R$ 19.893.893,60 foi objeto de glosa. A segunda infração diz respeito à glosa de exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. A Fiscalização glosou R$ 33.958.262,31 referente à parcela do valor apurado de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, utilizado para liquidar multas de mora ou de ofício e juros moratórios. Alegou a Contribuinte à Fiscalização que a exclusão dos referidos valores estaria amparada pelo disposto na Solução de Consulta nº 21, de 21 de fevereiro de 2001. De outro lado, a Fiscalização entendeu que a liquidação de juros e multas com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, corresponderia a uma receita da fiscalizada, que deveria ter sido tributada pelo IRPJ e CSLL, no período de apuração em que ocorreu a adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009. Isso porque não haveria previsão legal para tal exclusão. Traça um paralelo com a compensação de prejuízos autorizada pela Lei nº 9.065/95, em seus arts. 15 e 16, para concluir que tal compensação é, na realidade, um benefício fiscal. Assevera que tanto a Lei n° 9.065/95, quanto à jurisprudência do STF caracterizam o benefício fiscal em questão como uma compensação. A compensação seria justamente um confronto de direitos e deveres do mesmo gênero (no caso em tela, bases de cálculo negativas de IRPJ/CSLL de períodos anteriores com as bases de cálculo positivas de IRPJ/CSLL do período corrente). Sendo o benefício fiscal um mero encontro de direitos e deveres semelhantes, não há como considerálo sujeito à tributação. Acrescenta que, por definição, o benefício fiscal previsto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 atua para reduzir a própria base de cálculo dos tributos sobre o lucro, razão pela qual não há qualquer sentido em considerálo como sujeito à incidência desses mesmos tributos. Também discorre a Fiscalização que os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL representariam uma mera expectativa de direito para a pessoa jurídica, na medida em que o contribuinte poderá utilizálos se (e somente se) houver lucros tributáveis em períodos de apuração subsequentes. Nesse sentido, a Deliberação CVM nº 273/1998 (itens 19 e 31), a Instrução CVM nº 371/2002 (artigo 2°), a Resolução CFC n° 998/2004 (itens 19.2.3.8 e 19.2.3.23), a Deliberação CVM n° 599/2009 (itens 34 e 58) e a Resolução CFC nº 1.189/2009 (itens 34 e 58) dispuseram que as pessoas jurídicas que possuem a perspectiva de apurar lucros tributáveis em períodos de apuração futuros (e apenas tais pessoas jurídicas) devem reconhecer os ativos fiscais diferidos correspondentes aos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, com contrapartida em contas de receita. Também ressalta que os ativos fiscais diferidos, reconhecidos na forma prevista nas instruções e deliberações da CVM e resoluções do CFC, não representam um direito líquido e certo para o contribuinte. Eles dependem de um fato incerto, qual seja, auferir lucros tributáveis em períodos de apuração futuros. Conclui que haveriam três motivos para que os ativos fiscais diferidos não sejam oferecidos à tributação quando do seu reconhecimento contábil: (1) o benefício fiscal a que eles se referem caracterizarseia como uma compensação (encontro de direitos e deveres semelhantes); (2) o benefício atuaria para reduzir a própria base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (3) eles dependeriam de uma condição futura incerta para que se tornassem direitos efetivos. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.090 5 De outra face, assevera a Fiscalização que no momento da opção pela utilização dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, nasceria um novo direito que deveria ser reconhecido contabilmente. Como a Lei n° 11.941/2009 não teria criado uma nova hipótese de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, mas sim uma possibilidade de liquidação de débitos, tal norma ofereceria a possibilidade de que o contribuinte venha a abrir mão de um direito originalmente incerto (dependente de lucros tributáveis futuros), em troca de um direito líquido e certo (liquidação de juros/multas no parcelamento de débitos fiscais). Em consequência, esse novo direito certo nasceria por ato do contribuinte: adesão ao parcelamento estabelecido pela Lei nº 11.941/2009 e opção pela utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de dívidas tributárias (multas e juros), devendo ser reconhecido contabilmente nesse momento. A contrapartida do aumento patrimonial (reconhecimento do direito), segundo a Fiscalização, deveria ser registrada em conta de receita, impactando positivamente o resultado do período de apuração (o qual, ajustado pelas adições, exclusões e compensações, caso positivo, seria tributado pelo IRPJ e pela CSLL). Salienta a Autoridade Administrativa que o direito relacionado à utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas foi reconhecido contabilmente pelo sujeito passivo em 30/09/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado (conta contábil 35109001). Todavia, tais receitas foram excluídas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sem que houvesse previsão legal para tanto. Ainda assevera a Fiscalização que a própria Lei nº 11.941/2009, que permitiu tal utilização, também previu, conforme disposto em seu § 7º do art. 10, a redução de multas e juros para quem optasse pelo parcelamento especial. Em relação às receitas decorrentes dessa "redução de multas e juros", todavia, o artigo 4°, parágrafo único, da Lei n° 11.941/2009, de forma expressa, autoriza sua exclusão na apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS. Terseia, portanto, a seguinte situação: (a) a Lei n° 11.941/2009 previu dois benefícios para quem possuísse débitos tributários; (b) o legislador expressamente autorizou que as receitas decorrentes de um desses benefícios (redução de multas, juros e encargos para pagamento à vista ou parcelamento) fossem excluídas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL e das contribuições PIS/PASEP e COFINS; (c) o legislador não se manifestou a respeito das receitas decorrentes do outro benefício (liquidação de juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL). Assim, conclui que, havendo duas situações, e tendo o legislador se manifestado pelo tratamento tributário favorecido de apenas uma delas, é porque quis que a outra não tivesse o mesmo tratamento. Ou seja, se houvesse a intenção de que as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas também não fossem tributadas, certamente teria sido criado dispositivo legal neste sentido. Haja vista a alegação da Contribuinte de que seria aplicável o disposto na Solução de Consulta SRRF09 nº. 21/2001, assevera a Fiscalização que o disposto na referida norma não alcançaria o benefício fiscal veiculado nos §§ 7° e 8° do artigo 1º da Lei nº Fl. 1092DF CARF MF 6 11.941/2009, haja vista tratarse de benefício de natureza diferente daquele posto pela Lei nº 9.065/95, em seus arts. 15 e 16. Destarte, no caso em comento, as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas deveriam ser classificadas como “outras receitas” na estrutura da Demonstração dos Resultados do Exercício estabelecida pela Lei nº. 6.404/76 e, assim, incluídas no Resultado do Exercício Antes do IR, cujo valor, ajustado pelas adições, exclusões e compensações, caso positivo, é tributado pelo IRPJ e pela CSLL. No tocante à natureza jurídica da faculdade de o contribuinte compensar prejuízos, a fiscalização aponta que: “(...) não é apenas a RFB que classifica a compensação de prejuízos fiscais como um benefício fiscal, mas sim o Supremo Tribunal Federal, a quem incumbe, em última instância, a interpretação da legislação (RE 612.737, cuja ementa foi reproduzida no presente relatório). O STF decidiu ainda que prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum (RE 344.944, rel. p/ acórdão min. Eros Grau, Tribunal Pleno, Die de 28/08/2009). Assim, é absolutamente descabida a afirmação do sujeito passivo de que a receita decorrente da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros é neutra para fins fiscais. O lucro tributável é aquilo que o legislador define como tal, não tendo relação absoluta com a existência de acréscimo no patrimônio da empresa. Tanto é assim que a legislação estabelece adições ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as quais podem fazer até mesmo com que uma empresa que apure prejuízo contábil tenha que pagar IRPJ. (...) Observese que o STF afirma também que a ausência do benefício fiscal correspondente a compensação de prejuízos fiscais não viola os conceitos de renda e lucro (RE 612.737), ou seja, não há, como quer fazer crer o sujeito passivo, um direito absoluto a compensação de prejuízos fiscais com lucros tributáveis futuros. Tanto é assim que o STF expressou, ainda, que essa compensação é um instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado (RE 344.944)”. Após qualificar como benefícios fiscais tanto a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL com lucros vindouros quanto à faculdade de utilizarse de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para a liquidação de multas e juros, a fiscalização aponta que haveria "uma diferença significativa entre ambos os benefícios fiscais: na compensação de prejuízos fiscais/bases de cálculo negativas da CSLL com lucros tributáveis, o benefício age na própria base de cálculo dos tributos sobre o lucro, razão pela qual não há qualquer sentido em considerálo tributável. Diversamente, na utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de multas e juros, o benefício age para reduzir uma dívida da pessoa jurídica, promovendo um ganho que deve ser tributado a não ser que o legislador expressamente disponha em contrário. Tal diferença se vislumbra no fato de que o primeiro benefício é caracterizado como uma compensação (encontro de direitos e deveres do mesmo gênero), enquanto o segundo não. E complementa: "Salientese que não há direito prévio relativo aos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, conforme consagrou o ministro Menezes Direito no julgamento do RE 344.944: enquanto não houver a constatação do lucro, não existe Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.091 7 a possibilidade de compensação ... por esse motivo é que ao tempo em que se verificam as condições legais aplicáveis para a compensação é que pode existir essa compensação; daí porque não há direito a compensação antes da determinação específica do lucro. Assim, não é legítimo ao contribuinte alegar que as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL não podem ser tributadas porque elas se originam de um direito que não seria tributável (a possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais com lucros tributáveis), uma vez que o sujeito passivo sequer, efetivamente, possuía tal direito”. A fiscalização ainda aduz que seria inequívoco que o sujeito passivo teria auferido um ganho com o benefício fiscal previsto nos §§ 7º e 8º do artigo 1º da Lei nº 11.941/2009, deixando de pagar juros e multas ao renunciar a um direito incerto, que se concretizaria apenas caso apurasse lucros tributáveis e somente se na data em que tais lucros fossem auferidos o benefício de compensar prejuízos de anos anteriores não tivesse sido extinto. Contrariamente ao aventado pelo sujeito passivo, a fiscalização observa que “(1) houve a redução de uma obrigação do sujeito passivo (multas e juros) sem a redução de um direito de valor correspondente, logo, houve um acréscimo patrimonial; (2) não há norma que estabeleça a não incidência de IRPJ e CSLL sobre o acréscimo patrimonial ocorrido, logo, ele deve ser tributado pelo IRPJ e pela CSLL”. Destacase que o próprio Conselho Federal de Contabilidade apontaria que o ganho em foco seria uma receita, vez que estaria disposto que a diminuição de um passivo, que resultar em aumento do patrimônio, é uma receita. Para finalizar seu raciocínio neste ponto da autuação, a fiscalização aponta que: “Conforme estabelecem as Resoluções CFC n° 1.121/08 e nº 1.374/11, a receita deve ser reconhecida quando resultar em aumento nos benefícios econômicos futuros relacionados com aumento do ativo ou com diminuição de passivo e puder ser mensurada com confiabilidade. Portanto, a existência (ou não) de condição não influência o reconhecimento de uma receita. Para esse reconhecimento basta que a receita possa ser mensurada com confiabilidade, sendo que esse requisito está presente na situação sob análise, pois é perfeitamente mensurável a redução do passivo decorrente da liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL. Irresignado com a autuação, a Contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (v. efls. 612/640), requerendo seja declarada sua total improcedência, haja vista os argumentos expostos a seguir. Em relação à glosa da exclusão a título de "Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009", apontada no LALUR 2009, aduz a Impugnante que a Fiscalização teria incorrido em "erro" de interpretação a respeito do que se entende por Fl. 1094DF CARF MF 8 "reversão de provisão". Inicia o seu raciocínio tentando demonstrar que o termo "reversão" pode assumir dois sentidos, com efeitos fiscais diversos, mas fiscalmente equivalentes. Segundo a Recorrente, quando a causa que motivou a constituição da provisão deixa de existir, fazse necessário reconhecer a "receita" para se efetivar a baixa do passivo/provisão. Nesse caso, como a provisão foi adicionada ao Lucro Real quando de sua constituição, a "receita" deverá ser excluída para fins fiscais, mantendo, assim, a neutralidade fiscal. De outro lado, se a provisão transformarse em um "débito efetivo", neste caso, uma despesa dedutível fiscalmente, a única providência a ser tomada deve ser a exclusão dos valores que estavam sendo controlados na parte B do LALUR e que correspondem às adições que foram feitas em competências pretéritas. Esse seria o caso dos autos, pois, segundo a Contribuinte, os valores que até então correspondiam à provisão teriam sido incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Vale a pena reproduzir as alegações da recorrente quanto à sistemática adotada em relação à reversão das provisões objeto do lançamento: Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.092 9 A Impugnante esclarece que, ao adotar método diverso de contabilização da contrapartida de reversão de provisão (receita), teria feito com base no princípio contábil da competência, uma vez que teria entendido que o período em que as correções monetárias incidiram foram, efetivamente, no momento em que as provisões teriam sido constituídas. Assim, a adoção do procedimento contábil em foco teria se pautado na ausência de justificativa para se promover a reversão da provisão via conta de resultado, uma vez que tal procedimento lhe obrigaria, em seguida, a registrar o passivo tributário a pagar, tendo como contrapartida uma despesa que seria lançada no período corrente, ou seja, extemporaneamente ao momento em que a correção monetária efetivamente ocorreu. Reforçase que, apenas por este motivo (respeito ao princípio da competência) é que a Impugnante teria optado por realizar a baixa da conta de provisão sem que a contrapartida se desse no resultado (receita). A Impugnante aduz que, caso o método de contabilização seja entendido como incorreto, sob o ponto de vista fiscal, tal equívoco seria classificado como mero erro formal, ou seja, não seria bastante para fundar a autuação. Em relação à glosa de exclusão do lucro líquido das receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009, a Impugnante aponta que, ao aderir ao REFIS, teria efetuado a opção por liquidar parcela do saldo devedor (multas e juros) mediante a utilização de seu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL acumulados, conforme autorizaria o artigo 1º, §7º, da Lei nº. 11.941/2009. Com fulcro nas exigências da técnica contábil, ao estimar a utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, a Impugnante teria “ativado” (ativo fiscal diferido) o seu direito, que ordinariamente seria controlado de forma extra contábil, conforme previsto no parágrafo 34 do Pronunciamento Técnico CPC nº. 32. Logo, em razão do reconhecimento deste direito, até então controlado de forma extra contábil, a Impugnante teria lançado como contrapartida uma “receita” espelhada no prejuízo fiscal e base de cálculo negativa que seriam utilizados. No tocante a este ponto, a Impugnante aduz que “a contrapartida do ativo fiscal diferido (prejuízo fiscal e base negativa) não pode ser alcançada pela tributação, isto porque a inclusão de tais ativos na contabilidade da sociedade não implica real aumento de seu patrimônio, mas, simplesmente, a evidenciação contábil de um direito já existente (ativo fiscal concedido à medida em que é verificado resultado fiscal negativo), que só não fora registrado na contabilidade por razões estritamente técnicocontábeis”. Fl. 1096DF CARF MF 10 Prossegue a Impugnante apontando que “em suma, a ´receita´ reconhecida tratase de mera conveniência contábil, adotada em razão da inexistência de outra opção técnica possível para a documentação do evento, mas que, por suas características que lhe são únicas e diversas do que se entende por ´receita´, verdadeiramente ´receita´ não é”. A Impugnante relembra que, nas lições de Ricardo Mariz de Oliveira, o termo técnico receita seria definido como um ingresso que se incorporaria ao patrimônio da sociedade. Tal lição traria essencialmente a idéia de que receita seria um valor que adviria de fonte externa (ou seja, não haveria receita que se gerasse internamente). Logo, ingressos que não atendessem a este requisito (origem externa) não poderiam ser alcançados pela tributação, inclusive de PIS e COFINS. Com base em tais idéias, o Impugnante assevera que “a "receita" de ativação do prejuízo fiscal não é verdadeiramente uma receita no sentido técnico jurídico alcançável pela legislação tributária brasileira, mas apenas uma solução adotada por falta de outras opções técnicas mais adequadas para o registro de um “direito extra contábil” préexistente e de utilização condicionada, sendo ordinariamente autorizado o uso na forma dos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/1995, que dizem respeito à hipótese de compensação na base de cálculo positiva do IRPJ/CSLL, e excepcionalmente em parcelamentos especiais, tal qual é o caso do REFIS instituído pela Lei n° 11.941/2009”. Em decorrência de a fiscalização ter asseverado existir diverso regime de tratamento ao ativo fiscal diferido decorrente da compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, a Impugnante aponta que “ao contrário do que tentou sustentar o Auditor Fiscal, a legislação fiscal vigente não reconhece a possibilidade de exclusão das receitas decorrentes da ativação do prejuízo fiscal e base negativa somente no caso em que o seu uso se der em compensação de bases, mas para todo e qualquer "prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores", conforme podemos verificar no artigo 250, III, do RIR/99”. Com base neste raciocínio, a Impugnante aduz que: “A lei, em nenhum momento, estabeleceu que a possibilidade de exclusão das receitas de reconhecimento do prejuízo fiscal e da base negativa está limitada, exclusivamente, à utilização do benefício na compensação de bases. O que de fato verificamos são apenas os seguintes pontos: a) O prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores pode ser excluído da base de cálculo de apuração dos tributos; b) No caso da utilização do prejuízo fiscal em compensação de bases, a exclusão não será possível se houver utilização superior a 30% do lucro líquido ajustado. Desta forma, havendo outra lei que crie nova hipótese de utilização do prejuízo fiscal e da base negativa, a receita decorrente deverá ser excluída das bases de cálculo de qualquer tributo”. Ainda neste ponto, a Impugnante reforça que “sob um novo ângulo, também podemos considerar que a autorização legal (Lei n° 11.941/2009) para a utilização do prejuízo fiscal com a finalidade de liquidação de multas de mora ou ofício, ou juros moratórios não altera a natureza jurídica do direito à utilização do prejuízo fiscal. O que muda, efetivamente, é o momento em que este direito será usufruído”. Ademais, “se a natureza jurídica do prejuízo fiscal e da base negativa fosse alterada conforme a utilização admitida em lei, teríamos o absurdo cenário onde dois contribuintes, numa mesma situação, sofreriam carga tributária diferente, em razão da opção de utilizar o prejuízo fiscal acumulada para Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.093 11 pagamento do Imposto de Renda ou pagamento de saldo do parcelamento da Lei n° 11.941/2009”. A Impugnante ainda aponta que “sob outro prisma analítico, poderíamos ainda dizer que o direito à utilização do prejuízo fiscal e à base negativa são decorrentes do princípio contábil da continuidade, o qual estabelece que a vida da sociedade empresária não se limita a um só exercício, mas é contínua, devendo por isso também ser contínuos os registros das contas patrimoniais, donde se encaixam os lucros e prejuízos acumulados ao longo da história da empresa”. A Impugnante destaca que seu entendimento acerca da intributabilidade do ativo fiscal diferido, seja decorrente da compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, seja na modalidade da apuração de créditos em parcelamentos especiais, encontraria respaldo na Solução de Consulta SRRF09 nº. 21, de 01/02/2001 e nos Acórdãos nº. 087030, proferido pela DRJ Fortaleza em 10/11/2005, nº. 0329567, proferido pela DRJ Brasília em 20/02/2009, e nº. 1644579, proferido pela DRJ São Paulo em 06/03/2013. Corroborando o entendimento da Receita Federal relembrado no parágrafo anterior, a Impugnante relembra o quanto decidido pela 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, no acórdão nº. 1301001.471, que teria deixado bem claro o “entendimento no sentido de que a receita reconhecida na contabilidade como contrapartida da ativação do prejuízo fiscal, trata se de mera representação contábil com o objetivo de demonstrar aos acionistas e demais interessados a existência de um direito potencialmente realizável pela companhia em futuro próximo, sem qualquer repercussão sob o ponto de vista tributário”. Ademais, mesmo que se entenda que a utilização do prejuízo fiscal para amortização de juros e multas incluídos no parcelamento da Lei nº. 11.941/2009 seria bastante para alterar sua natureza jurídica, a autuação permaneceria insubsistente, pois “se o prejuízo fiscal de que trata a Lei n° 11.941/2009 é instituto diferente daquele que ordinariamente é utilizado para pagamento do IRPJ, imperioso reconhecer, para dar coerência ao raciocínio e por uma questão de lógica jurídica, que estamos a falar de um benefício novo. Uma possibilidade de redução de juros e multa proporcionada pela Lei n° 11.941/2009. E se assim é, ele o prejuízo fiscal deve ser colocado dentro do campo de incidência do artigo 4º, § único da Lei n° 11.941/2009, cuja redação é a seguinte: “Art. 4° Aos parcelamentos de que trata esta Lei não se aplica o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, no § 2º do art. 14 A da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e no § 10 do art. 1º da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003. Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3° desta Lei” (grifos no original). Apontase que a possibilidade de quitação das multas e juros mediante o registro de créditos fundados no saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas cumpriria os dois requisitos previstos no dispositivo legal acima relembrado (redução e multa e juros e previsão nos três primeiros artigos da lei). Ademais, nem se deveria cogitar “de que o texto normativo não se refere a "liquidação", mas sim a "redução", pois a norma, da forma Fl. 1098DF CARF MF 12 que se encontra redigida, permite afirmar que a redução do valor dos juros e multas pode se dar por todas as formas previstas na Lei n° 11.941/2009, ou seja, por desconto ou por liquidação”. Por fim, aduzse que a fiscalização não teria computado, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o lançamento reflexo de PIS e COFINS, mesmo diante da inequívoca dedutibilidade de tais despesas tributárias. A impugnação foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo DRJ/SPO, que em uma análise preliminar resolveu baixar os autos em diligência para esclarecer os seguintes pontos: Destarte, entendese imperioso o envio dos autos à Autoridade Lançadora, a fim de que sejam respondidos os seguintes questionamentos: 1) as importâncias excluídas a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis” (Linha 40 da Ficha 9A da DIPJ 2010) foram adicionadas à apuração do Lucro Real em anoscalendário anteriores, conforme indicado nas razões de defesa apresentadas pelo contribuinte (ano de 2002 – Linha 22 da Ficha 09A; ano de 2003 – Linha 21 da Ficha 09A; ano de 2004 – Linha 23 da Ficha 09A e ano de 2005 – Linha 20 da Ficha 09A) – fls. 622? 2) sendo positiva a resposta ao primeiro questionamento, solicitase indicar se a importância excluída a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis” Linha 40 da Ficha 9A da DIPJ 2010 (i) não foi computada como despesa na apuração do lucro líquido do anocalendário de 2009 e (ii) foi registrada contabilmente a débito da conta do passivo representativa do registro de provisão de tributos com exigibilidade suspensa e a crédito da conta do passivo relativa ao parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/2009, conforme indicado na impugnação – TRANSFERÊNCIA DE SALDOS ENTRE CONTAS DO PASSIVO (fls. 617)”. (g.n.) Intimada pela Autoridade Fiscal a esclarecer os pontos levantados acima, a Contribuinte apresentou a manifestação de efls. 818/822, na qual: a) esclarece quais seriam as contas contábeis que registrariam os valores excluídos nos anoscalendário de 2002 a 2005; b) aponta que o total das adições realizadas de 2002 a 2005 seria superior ao montante excluído em 2009, pois parte dos débitos adicionados anteriormente teriam sido parcelados em 2007; c) assevera que, em face da intenção de parcelar seus débitos tributários federais, teria empreendido a reunião, em uma única conta contábil do passivo, das dívidas em aberto e das disputas judiciais, sendo que uma parcela deste valor corresponderia às provisões anteriormente adicionadas; d) em setembro de 2009, quando da efetiva adesão ao parcelamento “Refis da Crise”, a Impugnante teria renomeado a conta do passivo e apropriado contabilmente apenas a diferença dos tributos federais não reconhecidos anteriormente, tendo revertido fiscalmente as adições de 2002 a 2005 (montante de R$ 19 milhões) por intermédio de exclusões na apuração do lucro real conforme DIPJ 2010. Não satisfeita com a resposta da Contiribuinte, a Fiscalização a intimou novamente, desta feita para requisitar a demonstração e a comprovação, com base em documentação comprobatória idônea, da composição dos saldos informados na parte B do Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.094 13 LALUR 2009, fl. 52, do valor de R$ 39.893,66; fl. 53, o valor de R$ 17.510.386,13 e fl. 54, o valor de R$ 2.343.613,81, bem como o tratamento contábil desses valores, uma vez que os mesmos foram excluídos na parte A do LALUR (fls. 878). Em resposta à intimação da Autoridade Fiscal, a Contribuinte apresentou os esclarecimentos de efls. 882/906, abaixo reproduzidos em apertadíssima síntese: a) O saldo informado na parte B do LALUR de 2009 nas fls. 52, 53 e 54, no total de R$ 19.893.893,601, teria sido composto das adições referentes às despesas de parte do PIS s/ faturamento (conta contábil n° 30.20.10.07 e 32107093.00003), parte da COFINS s/ faturamento (conta contábil n° 30.20.10.09) e das atualizações dos impostos federais (conta contábil n° 4190.040.00099); b) Quanto ao tratamento contábil, os valores adicionados teriam sido transferidos entre contas do passivo, das contas dos impostos federais para a conta do parcelamento (n° 22305041 — Impostos federais — Refis IV LP), quando da publicação do programa de parcelamento. Nova intimação foi feita à Contribuinte, desta feita solicitando a apresentação do “SPED CONTÁBIL do ano de 2008, a fim de comprovar os lançamentos informados na resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 07/03/2016, cuja ciência se deu em 10/03/2016” (e fls. 907). Em 01/07/2016, a Impugnante apontou, em petição, que estaria atendendo à intimação (efls. 911/912). Em 07/02/2017, a fiscalização intimou a Impugnante a “apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) – original dos anos 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008” (efls. 934). Após requisitar a dilação do prazo para o cumprimento desta intimação, a Impugnante acostou aos autos os documentos solicitados (cópias do LALUR e telas do sped contábil). Em 30/03/2017, a Fiscalização encerrou a diligência fiscal, prestando os seguintes esclarecimentos (v. efls. 959/964): “Quanto ao questionamento de número 1 “um”, ao se analisar os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR), constatouse que os valores correspondentes a soma de 19.893.893,60 excluído a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” no LALUR 2009 foram adicionados no LALUR nos anos de 2002 à 2005, totalizando uma adição de 29.758.335,07. No ano de 2007 ocorreu uma baixa de 9.864.441,47, a débito na Parte B do LALUR, valor este excluído na Parte A do LALUR, conforme consta da página 65, do Livro 05. O saldo remanescente em 2007 dos valores que foram adicionados no LALUR totalizou 19.893.893,60, conforme os valores constantes nas folhas números 64, 65 e 66 do Livro número 05 apresentado, cujas cópias foram autuadas no processo. Acerca do questionamento de número 2 “dois” acima reproduzido, constatouse: 1) Que o valor de 19.893.893,60 representa a soma da atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66 e que somente o valor de 17.510.386,13 foi comprovado a débito da conta contábil de despesa 4190504000099. Importante frisar que não foi comprovada as contrapartidas dos respectivos valores a título de provisão. 2) Que o sujeito passivo não comprovou contabilmente que as contrapartidas dos lançamentos das despesas, referente ao valor de 19.893.893,60, foram efetuadas a Fl. 1100DF CARF MF 14 crédito de contas de provisão, bem como das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015 cujos saldos foram baixados, em 2008, a débito das respectivas contas e a crédito da conta 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS, e em 2009 a conta contábil 22305041 foi renomeada para IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP. Assim, o montante lançado a título de “Exclusões”, ficha 09A, linha 40 (–) “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, no valor de R$ 19.893.893,60, DIPJ 2010, Anocalendário 2009, não teve comprovada contabilmente que os valores referentes à atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66, foram contabilizados a crédito de contas de provisão, bem como a créditos das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015, como contrapartidas das contas de despesas informadas pelo sujeito passivo e cujos saldos foram transferidos para a conta contábil 22305041. 3) Que a contrapartida do referido valor como receita de reversão de provisão no Resultado Contábil apurado em 31/12/2009, não atendeu os preceitos estabelecidos na legislação aplicável, uma vez que não ficou comprovado a constituição das respectivas provisões, bem como que as reversões dessas provisões transitaram pela apuração do resultado do exercício. 4) Que os valores referentes as receitas alcançadas pelo benefício previsto no § único do artigo 4º da Lei nº 11.941/2009 (a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º desta Lei) não trazem relação com provisão, pois provisão não representa despesa incorrida e sim expectativa de despesa, a qual não pode ser deduzida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ou seja, deve ocorrer uma adição de igual valor. Nesse sentido, as reversões das provisões constituídas, cuja contrapartida deve ser receita de reversão de provisão, pode ser excluída do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, conforme artigo 250, II, do RIR/99”; 5) Que ao efetuar a adesão ao REFIS IV e reconhecer como dedutível as despesas com exigibilidade suspensa, as provisões deveriam ser revertidas contra o resultado do exercício e a respectiva parcela excluída da PARTE A do LALUR e baixada da PARTE B, a fim de anular o efeito fiscal. Em seguida se utilizar dos benefícios previstos na Lei nº 11.941/2009 e efetuar as reduções permitidas a débito da conta contábil 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP e a crédito do resultado do exercício receitas, receitas a serem excluídas da base de cálculo do IRPL e da CSLL, conforme previsto no § único do artigo 4º da Lei nº 11.941/2009”. Cientificada do relatório de diligência, a Contribuinte apresentou suas manifestações acerca das conclusões da Fiscalização (v. efls. 972/981), e que, em apertadíssima síntese, poderíamos resumir conforme abaixo: a) Inexistiria controvérsia acerca das adições mencionadas na impugnação (ou seja, o questionamento 1 da diligência fiscal teria sido respondido afirmativamente); b) No tocante ao segundo quesito da diligência fiscal, o Autuante teria repetido seu equívoco interpretativo, ao asseverar que “a contrapartida do referido valor como receita de reversão de provisão no Resultado Contábil apurado em 31/12/2009, não atendeu os preceitos estabelecidos na legislação aplicável, uma vez que não ficou comprovado a constituição das respectivas provisões, bem como que as reversões dessas provisões transitarem pela apuração do resultado do exercício”. Em decorrência da manutenção deste equívoco interpretativo, a Impugnante entende que a diligência fiscal não foi atendida. c) Este segundo questionamento da diligência poderia ser subdividido em dois tópicos: a) confirmar se o valor da exclusão glosada não foi computado como despesa no Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.095 15 anocalendário autuado (2009); verificar se há prova do registro do lançamento a débito da conta contábil que controlava os tributos com exigibilidade suspensa em contrapartida e a crédito da conta do passivo relativa ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, conforme indicado na impugnação a crédito. d) A Impugnante aduz que, por ter a intenção de parcelar seus débitos tributários na sistemática estabelecida pela Lei nº. 11.941, “foi feita a reunião, em uma única conta contábil do passivo, do montante das dívidas tributárias já parceladas e das em disputas judiciais. O total reunido na nova conta foi de R$ 68.897.637,11, sendo uma parcela deste valor correspondente às provisões adicionadas anteriormente. Para comprovar tal alegação, a Impugnante apresenta os seguintes quadros, que teriam sido elaborados com base nos registros do SPEDContábil (fls. 902)” (...) e) Prossegue apontando que “em setembro de 2009, quando da efetiva adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, a Impugnante renomeou a conta do passivo e lançou a debito em conta de despesa apenas a diferença dos tributos federais não reconhecidos anteriormente. Assim, o montante de R$ 111.416.448,21 parcelado no Refis da Crise (Lei nº 11.941/09) foi composto por: i) transferências entre contas do passivo no total de R$ 68.897.637,71 (fls.902), dentro dos quais estão os valores que foram adicionados, conforme reconhecido pelo próprio Agente Fiscal no Primeiro Questionamento; ii) tributos federais reconhecidos como despesa R$ 20.501.646,34 (fl. 905); iii) transferências dos saldos de parcelamentos anteriores R$ 22.017.164,16 (fl. 905)”. Juntou à sua manifestação ao Relatório de Diligência alguns quadros que evidenciariam os movimentos contábeis que teriam sido realizados na conta dos débitos incluídos no parcelamento, conforme registros do SPEDContábil. Para concluir, manifestouse no seguinte sentido: “ o valor da exclusão realizada não foi objeto de lançamento a débito em resultado no anocalendário de 2009. Tratase, conforme reconhecimento na resposta ao primeiro questionamento, de valores que têm origem em despesas reconhecidas contabilmente em períodos pretéritos e que foram adicionadas ao Lucro Real; as contas de passivo que controlavam as despesas que foram acionadas em períodos pretéritos foram transferidas para a conta dos débitos incluídos no parcelamento da Lei n° 11.941/2009. Os documentos apresentados comprovam o lançamento a débito da conta dos débitos (adicionados ao Lucro Real no passado) e a crédito na conta do parcelamento da Lei n° 11.941/2009”. Retornando o processo à DRJ/SPO, a impugnação foi julgada em sessão realizada no dia 04 de outubro de 2017, resultando na prolação do Acórdão nº 1680.360 1ª Turma, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 Fl. 1102DF CARF MF 16 PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. RECEITA CORRESPONDENTE À PARCELA DA MULTA E JUROS MORATÓRIOS QUITADA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. É tributável a receita correspondente à parcela da multa, de mora ou de ofício, e dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários próprios incluídos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, e quitada mediante utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores, vez ser certa sua integração ao lucro líquido e ausente norma específica que permita sua exclusão na apuração do lucro real. EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO. Ainda que, via de regra, os valores apurados de Contribuição para o PIS e COFINS sejam dedutíveis das bases tributáveis da IRPJ e da CSLL, após a lavratura da autuação, havendo contencioso administrativo, sua exigibilidade resta suspensa, não sendo autorizada tal dedução, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99. EXCLUSÃO FUNDADA EM REVERSÃO DE PROVISÕES DE TRIBUTOS INDEDUTÍVEIS POR SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO REGISTRO DE RECEITA OU DA MERA TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO PASSIVO. PROCEDÊNCIA DA GLOSA. Quando se torna exigível um tributo anteriormente provisionado e devidamente adicionado na apuração da base de cálculo do imposto de renda, é permitido o registro de exclusão do lucro real, no valor do tributo agora exigível, quando (a) a reversão da provisão é contabilizada como receita do exercício corrente ou (b) restar comprovado que os valores anteriormente provisionados foram transferidos para conta do passivo representativa do dever de recolher o referido tributo. Não restando provadas quaisquer destas condições, tornase descabida a exclusão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2010 LANÇAMENTO CALCADO NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. RECEITA CORRESPONDENTE À PARCELA DA MULTA E JUROS MORATÓRIOS QUITADA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. Integrase à receita tributável o incremento, ao patrimônio do contribuinte, de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições que impeçam sua imediata fruição. Assim, ao optar pelo registro do crédito previsto no artigo Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.096 17 1º, § 8º, da Lei n°. 11.941/2009, e, por via de consequência, renunciar a um direito condicional (compensar futuramente o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL), é imperioso o registro de receita tributável pela COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. RECEITA CORRESPONDENTE À PARCELA DA MULTA E JUROS MORATÓRIOS QUITADA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. Integrase à receita tributável o incremento, ao patrimônio do contribuinte, de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições que impeçam sua imediata fruição. Assim, ao optar pelo registro do crédito previsto no artigo 1º, § 8º, da Lei n°. 11.941/2009, e, por via de consequência, renunciar a um direito condicional (compensar futuramente o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL), é imperioso o registro de receita tributável pelo PIS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não satisfeito com a decisão supra, que lhe foi cientificada em 09/10/2017 (v. efls. 1.035), a Contribuinte protocolou o Recurso Voluntário de efls. 1.038/1.080, em 07/11/2017 (v. efls. 1.037). Abaixo colaciono, em breve resumo, as alegações trazidas no corpo do recurso voluntário por parte da Recorrente: 1) Preliminarmente, propugna pela nulidade parcial da decisão recorrida no que diga respeito aos débitos de PIS e COFINS, haja vista que tais lançamentos teriam se dado em outro processo, à parte da exigência relativa ao IRPJ e CSLL. O processo administrativo a que faz alusão a Contribuinte seria o de nº 10314.728567/201478; 2) Com relação às glosas relativas às exclusões de reversão de provisões, inicialmente, propugna a Recorrente pela nulidade da decisão recorrida, que teria adotado critério jurídico diferenciado daquele que foi utilizado pela Fiscalização no Auto de Infração; 3) As provas carreadas aos autos seriam mais do que suficientes para denotar os lançamentos contábeis que constituíram as provisões revertidas, não sendo possível à Recorrente produzir prova negativa; 4) A tributação da ativação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa seria indevida, seja porque a sistemática dos institutos assim não o permitiriam, seja porque o parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 11.941/2009, expressamente prescreve o afastamento da tributação; 5) Também não teria sido considerado pelo Autuante, como dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL exigidos pelo presente Auto de Infração, os débitos de PIS/COFINS; Fl. 1104DF CARF MF 18 Afinal, vieram os presentes autos a este Conselheiro para relatar e votar. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como vimos no Relatório, a autuação centrouse em duas infrações, a saber: 1) Glosa da exclusão relativa a “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009”; 2) Glosa da exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. Tratemos, pois, de cada uma das referidas infrações de forma individualizada. 1) Reversão dos saldos das provisões não dedutíveis 2009 Neste ponto, o Auditor Fiscal lastreou a autuação no fato de não ter identificado na contabilidade da Recorrente, mais especificamente nas contas de resultado, nenhum lançamento que dissesse respeito à reversão dos saldos das provisões não dedutíveis decorrentes da atualização monetária de tributos com exigibilidade suspensa e que foram confessados no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Vejamos alguns trechos do TVF (v. efls. 569), que bem ilustram as razões da exigência fiscal: Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.097 19 A Recorrente entende que tal interpretação seria equivocada. Como se tratam de débitos ao final confessados pela adesão ao parcelamento, defende a Recorrente que a baixa da provisão deveria ser feita contra uma conta de passivo, agora considerado como definitivo. Já no LALUR, o procedimento correto a ser adotado seria a baixa dos valores controlados em sua parte B e a consequente exclusão desses mesmos valores na parte A. Entende a Recorrente que o raciocínio exposado pela Fiscalização se adequa ao caso de baixa de provisão cujo risco inicialmente identificado quando de sua constituição é afastado em definitivo (quando o débito se mostra improcedente, por exemplo). O que não se coadunaria com o caso concreto, em que esse risco (pagamento do tributo) efetivamente se concretizou com a confissão da dívida. Em relação à forma de contabilização da baixa dessa provisão, creio assistir razão à Recorrente. As provisões são constituídas em função da probabilidade da ocorrência de determinado evento. Assim, a “perda” objeto da provisão pode ou não se concretizar, a depender da consumação de fato incerto. Toda e qualquer análise a respeito da dedutibilidade de despesas provisionadas deve levar em conta, como ponto de partida, o histórico dos lançamentos Fl. 1106DF CARF MF 20 contábeis realizados. A partir daí, passase à aferição da dedutibilidade ou não das despesas que foram provisionadas. Devese verificar, portanto, inicialmente, se a provisão foi objeto de lançamento a crédito de conta redutora de ativo (por exemplo, uma conta de provisão para determinada despesa), e a débito em conta de resultado (despesas com provisões). Passo seguinte, seria verificar se tais lançamentos foram objeto de ajuste na apuração do Lucro Real, haja vista trataremse, como no presente caso, de provisão não dedutível para efeito de imposto de renda e contribuição social. Assim, revelase obrigatória a adição ao lucro líquido do valor correspondente à despesa objeto da provisão. Conseqüência da referida adição é a sua escrituração na parte B do LALUR para efeito de controle. No caso concreto, esta primeira etapa restou superada e comprovada após a realização da diligência requerida pela DRJ/SPO, que solicitou à Autoridade Administrativa que verificasse se as importâncias excluídas a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis” (Linha 40 da Ficha 9A da DIPJ 2010) teriam sido ou não adicionadas à apuração do Lucro Real em anoscalendário anteriores, conforme indicado nas razões de defesa apresentadas pela contribuinte (ano de 2002 – Linha 22 da Ficha 09A; ano de 2003 – Linha 21 da Ficha 09A; ano de 2004 – Linha 23 da Ficha 09A e ano de 2005 – Linha 20 da Ficha 09A) – v. efls. 612/640. O Relatório de diligência, às efls. 961, é bastante claro ao asseverar que tais valores foram adicionados na apuração do Lucro Real dos anos calendários de 2002 a 2005 (vide excerto do referido Relatório abaixo): Quanto ao questionamento de número 1 “um”, ao se analisar os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR), constatouse que os valores correspondentes a soma de 19.893.893,60 excluído a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” no LALUR 2009 foram adicionados no LALUR nos anos de 2002 à 2005, totalizando uma adição de 29.758.335,07. No ano de 2007 ocorreu uma baixa de 9.864.441,47, a débito na Parte B do LALUR, valor este excluído na Parte A do LALUR, conforme consta da página 65, do Livro 05. O saldo remanescente em 2007 dos valores que foram adicionados no LALUR totalizou 19.893.893,60, conforme os valores constantes nas folhas números 64, 65 e 66 do Livro número 05 apresentado, cujas cópias foram autuadas no processo. (grifos nossos) Assim, a primeira condição estaria satisfeita, qual seja, a adição das provisões na apuração do lucro real de períodos anteriores. O próximo passo a ser analisado diz respeito à implementação da condição que motivou a criação da provisão ou, em outras palavras, à verificação da ocorrência ou não do evento até então incerto que lhe deu origem. Verificandose que tal evento não ocorreu, caberia à Contribuinte promover à reversão da provisão, efetuando um lançamento a débito na conta redutora de ativo (conta de provisão para despesa) e outro a crédito em conta de resultado (conta de receita de reversão de provisão). Já no LALUR, caberia a exclusão da provisão na apuração do lucro real com a consequente baixa do mesmo valor na sua parte B, neutralizando, assim, o efeito contábil no resultado fiscal. Conclusão desses fatos é de que, não havendo a consumação do evento que motivou a constituição da provisão, a respectiva despesa não teria incorrido, sendo incabível, portanto, a sua dedução da base de cálculo do tributo. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.098 21 De outra sorte, em se verificando que referido evento efetivamente ocorreu, uma das providências contábeis a ser realizada poderia ser de registro a débito na conta redutora de ativo (conta de provisão para despesa), e a crédito da conta caixa (caso de pagamento da obrigação). Neste caso, não haveria nenhum registro a ser efetuado em conta de resultado. Ato contínuo, na apuração do lucro real, bastaria fazer a exclusão da provisão (que já fora adicionada em períodos anteriores), reduzindo, portanto, a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social e, conseqüentemente, baixando referido valor da parte B do LALUR. No caso concreto, tratase de provisão constituída tendo por objeto valores referentes à atualização monetária de tributos federais que estavam com sua exigibilidade suspensa. Com a adesão da Contribuinte ao parcelamento instituído pela lei nº 11.941/2009, tais valores teriam sido incluídos no referido programa, passando, portanto, a serem exigíveis pela Administração Tributária. No plano contábil, aduz a Recorrente que efetuou lançamento a débito da respectiva provisão e a crédito de conta de passivo, instituída no momento de sua adesão ao parcelamento. A referida conta de passivo agregaria todos os débitos até então com exigibilidade suspensa (conta de passivo nº 22305041 – Impostos Federais – Refis IV LP). Tal proceder é correto, não vejo nenhum óbice ao seu implemento. Essa também é a conclusão a que chegou o Acórdão nº 1103001.143, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste CARF, em sessão realizada no dia 25 de novembro de 2014, da lavra do Ilustre Conselheiro Marcos Shigueo Takata, que transcrevo abaixo: As contrapartidas de passivos (ou de contas redutoras de ativo) de provisão, a bem ver, caracterizamse como adições temporárias. Uma hora ou outra são objeto de exclusão, a neutralizar as adições anteriormente feitas. É que as provisões um dia se tornam passivo efetivo (obrigação certa e líquida), ou um dia deixam de representar obrigação estimada pela certeza de sua inexistência, i.e., a expectativa de se tornar um passivo efetivo falece, não se convolando em obrigação certa e líquida. A temporariedade ou precariedade é da gênese da provisão. Essa temporariedade é seu caráter. Daí as contrapartidas de constituição (ou aumento) de provisão caracterizarem adições temporárias. Quer dizer, um dia o passivo (ou conta redutora de ativo) de provisão será revertido – reversão lato sensu: convolase em passivo efetivo (obrigação certa e líquida) ou é baixado não se concretizar a obrigação expectada. Logo, a reversão lato sensu de provisão pode se dar a débito da conta de provisão em contrapartida a crédito de passivo (efetivo – obrigação certa e líquida), sem trânsito em conta de resultado, como se pode dar com trânsito em conta de resultado, mediante lançamento a débito da conta de provisão em contrapartida a crédito de receita de reversão de provisão ou a crédito de despesa de provisão (reduzindoa). Enfim, não causa espécie o fato de a reversão de provisão não transitar por conta de resultado – é a reversão em senso lato. Em senso estrito se pode dizer que reversão de provisão se dá a débito da conta de provisão em contrapartida a crédito em conta de resultado – receita de reversão de provisão ou a crédito em despesa de provisão. Rigorosamente, o resultado tributário é o mesmo. Portanto, o procedimento alegadamente adotado pela Contribuinte encontra amparo técnico para sua realização. Entretanto, não foi esse o entendimento da Fiscalização, Fl. 1108DF CARF MF 22 que fundamentou o lançamento na necessidade/obrigatoriedade de que tais valores, anteriormente provisionados, transitassem por contas de resultado. Vide excerto do Termo de Verificação Fiscal de efls. 561/587, que reproduzo abaixo: Pelo exposto, esta fiscalização entende que o sujeito passivo não logrou êxito em demonstrar que o valor de R$ 19.893.893,60 informado como exclusão a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” no LALUR 2009, transitou como receita de reversão de provisão no resultado contábil apurado em 31/12/2009. Assim, nesse sentido, a exclusão fiscal, no valor de R$19.893.893,60, será objeto de glosa, por meio da lavratura do competente Auto de Infração. Como vimos, no caso concreto, não haveria a necessidade de fazer transitar em contas de resultado os valores anteriormente provisionados e adicionados à apuração do lucro real de períodos pretéritos. Assim, restaria verificar se a Contribuinte realmente procedeu conforme o alegado em seu recurso ao Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, ao analisar a impugnação, decidiu, preliminarmente, em relação a este ponto, por converter o julgamento em diligência para verificar i) se os valores excluídos haviam sido objeto de adição em anos anteriores, ii) se tais valores teriam sido ou não computados na apuração do lucro líquido em 2009 e iii) se teria sido contabilizada a baixa da respectiva provisão via lançamento a débito da referida conta, representativa do registro de provisão de tributos com exigibilidade suspensa, e a crédito da conta do passivo relativa ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Tais questionamentos foram necessários, segundo a DRJ, para comprovar as alegações feitas pela Recorrente em sua peça impugnatória. A resposta da Autoridade Administrativa foi a seguinte (v. efls 961/962): Quanto ao questionamento de número 1 “um”, ao se analisar os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR), constatouse que os valores correspondentes a soma de 19.893.893,60 excluído a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 2009” no LALUR 2009 foram adicionados no LALUR nos anos de 2002 à 2005, totalizando uma adição de 29.758.335,07. No ano de 2007 ocorreu uma baixa de 9.864.441,47, a débito na Parte B do LALUR, valor este excluído na Parte A do LALUR, conforme consta da página 65, do Livro 05. O saldo remanescente em 2007 dos valores que foram adicionados no LALUR totalizou 19.893.893,60, conforme os valores constantes nas folhas números 64, 65 e 66 do Livro número 05 apresentado, cujas cópias foram autuadas no processo. Acerca do questionamento de número 2 “dois” acima reproduzido, constatouse: 1) Que o valor de 19.893.893,60 representa a soma da atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66 e que somente o valor de 17.510.386,13 foi comprovado a débito da conta contábil de despesa 4190504000099. Importante frisar que não foi comprovada as contrapartidas dos respectivos valores a título de provisão. 2) Que o sujeito passivo não comprovou contabilmente que as contrapartidas dos lançamentos das despesas, referente ao valor de 19.893.893,60, foram efetuadas a crédito de constas de provisão, bem como das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015 cujos saldos foram baixados, em 2008, a débito das respectivas contas e a crédito da conta 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS, e em Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.099 23 2009 a conta contábil 22305041 foi renomeada para IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP. Assim, o montante lançado a título de “Exclusões”, ficha 09A, linha 40 (–) “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, no valor de R$ 19.893.893,60, DIPJ 2010, Anocalendário 2009, não teve comprovada contabilmente que os valores referentes à atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66, foram contabilizados a crédito de contas de provisão, bem como a créditos das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015, como contrapartidas das contas de despesas informadas pelo sujeito passivo e cujos saldos foram transferidos para a conta contábil 22305041. 3) Que a contrapartida do referido valor como receita de reversão de provisão no Resultado Contábil apurado em 31/12/2009, não atendeu os preceitos estabelecidos na legislação aplicável, uma vez que não ficou comprovado a constituição das respectivas provisões, bem como que as reversões dessas provisões transitaram pela apuração do resultado do exercício. (...) 5) Que ao efetuar a adesão ao REFIS IV e reconhecer como dedutível as despesas com exigibilidade suspensa, as provisões deveriam ser revertidas contra o resultado do exercício e a respectiva parcela excluída da PARTE A do LALUR e baixada da PARTE B, a fim de anular o efeito fiscal. Em seguida se utilizar dos benefícios previstos na Lei nº 11.941/2009 e efetuar as reduções permitidas a débito da conta contábil 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP e a crédito do resultado do exercício receitas, receitas a serem excluídas da base de cálculo do IRPL e da CSLL, conforme previsto no § único do artigo 4º da Lei nº 11.941/2009. Com relação ao primeiro quesito, não há nenhuma dúvida de que a informação prestada pela Autoridade Fiscal foi no sentido de que os valores ora excluídos foram anteriormente adicionados, entre os anos calendário de 2002 a 2005. Já em relação aos demais quesitos é que emerge a dúvida, pois a Fiscalização apontou à DRJ/SPO que não obteve êxito em comprovar, através das informações prestadas pela Contribuinte, que os valores excluídos na apuração do lucro real i) não teriam transitado pelo resultado do ano calendário de 2009 e ii) teriam sido objeto de transferência entre contas do passivo (débito na conta que registrava a provisão e correspondente crédito em um passivo exigível afeto ao parcelamento instituído pela lei nº 11.941/2009), conforme as alegações da defesa. Por essa razão, ou seja, pelo fato de não terem restado comprovadas as alegações da Contribuinte acerca do tratamento contábil que teria sido dado à referida provisão, é que a DRJ/SPO não proveu o recurso neste ponto. Por conta desse entendimento da DRJ/SPO, a Recorrente argui em seu recurso que a decisão a quo teria inovado, dando outro fundamento jurídico às razões de autuação. Neste ponto não lhe assiste razão. A DRJ/SPO baixou os autos em diligência simplesmente para confirmar as alegações da Recorrente, constantes da impugnação, haja vista que ela não teria conseguido, com as informações constantes do processo até então, se certificar de que tais argumentos eram verossímeis. Ocorre, que o resultado da diligência apontou para a Turma Julgadora de piso que tais argumentos não se sustentavam, a partir dos elementos colacionados através do respectivo Fl. 1110DF CARF MF 24 procedimento. Em função disso (do resultado da diligência), sob o ponto de vista da DRJ/SPO, os argumentos trazidos na impugnação não foram aceitos pela Turma Julgadora. No entendimento deste Conselheiro, nada há de alteração no critério jurídico do lançamento o fato de a DRJ/SPO ter adotado essa posição (de ausência de comprovação daquilo que foi alegado). Restanos, então, decidir se o critério adotado pela DRJ/SPO para resolver a questão é adequado ou não ao caso em apreço. Já vimos que o tratamento que a Recorrente alega ter dado à baixa da provisão (ou sua reversão) é plenamente viável do ponto de vista técnico. Bastaria, então, comprovar que aquilo que foi dito ter sido realizado, efetivamente o foi da forma como alegado. Foi exatamente o que tentou fazer a DRJ/SPO, mas não obteve êxito. Assim, caberia à Recorrente, em seu recurso voluntário, ao dialogar com a decisão recorrida, desconstituir seus fundamentos, apontando as provas de que tudo o que foi alegado até então estaria cabalmente demonstrado no processo. No recurso voluntário, a Contribuinte argui que a baixa da provisão teria sido realizada com lançamentos a crédito em contas de passivo, aliados aos ajustes no LALUR (partes A e B). Os ajustes no LALUR estão bem delineados (v. efls. 950/954). Também é através do LALUR que identificamos a composição dos R$19.893.893,60 excluídos na apuração do lucro real de 2009: 1) Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa (ICMS, IPI, PIS e COFINS) R$ 17.510.386,13; 2) Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa COFINS 1% R$2.343.613,81; e 3) Provisão para PIS Indébito a Compensar R$39.893,66. Essas, portanto, são as contas que deveriam ter sido consideradas como ponto de partida para responder aos questionamentos formulados pela DRJ/SPO. Bastaria que a Contribuinte tivesse identificado em sua contabilidade as referidas contas e demonstrado o histórico de lançamentos que culminaram com a constituição da conta nº 22305041, denominada de Impostos Federais Refis IV LP. No entanto, no presente recurso voluntário, a Recorrente atevese a reproduzir o que já havia escrito na impugnação, na resposta à diligência fiscal (nas três intimações que recebeu) e na manifestação ao relatório de diligência. A sua resposta foi sempre a mesma: 27. Na época, como a Recorrente tinha a intenção de parcelar seus débitos tributários federais, foi feita a reunião, em uma única conta contábil do passivo, do montante das dívidas tributárias já parceladas e das em disputas judiciais. O total reunido na nova conta foi de R$ 68.897.637,11, sendo uma parcela deste valor correspondente às provisões adicionadas anteriormente. 28. Vejamos os lançamentos realizados à época, conforme registros do SPED contábil disponibilizados durante a diligência (fls. 902/903): Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.100 25 Débito e crédito de cada lançamento: 29. Em setembro de 2009, quando da efetiva adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, a Recorrente renomeou a conta do passivo e lançou a débito em conta de despesa apenas a diferença dos tributos federais não reconhecidos anteriormente. 30. Assim, o montante de R$ 111.416.448,21 parcelado no Refis da Crise (Lei nº 11.941/09) foi composto por: a) Transferências entre contas do passivo no total de R$ 68.897.637,71 (fl. 902), dentro dos quais estão os valores que foram adicionados, conforme reconhecido pelo próprio Agente Fiscal no Primeiro Questionamento; b) Tributos federais reconhecidos como despesa R$ 20.501.646,34 (fl. 905); c) Transferências dos saldos de parcelamentos anteriores R$ 22.017.164,16 (fl. 905). 31. Vejamos os movimentos contábeis realizados na conta dos débitos incluídos no parcelamento, conforme registros do SPEDcontábil disponibilizados durante a diligência (fls. 905/906): Fl. 1112DF CARF MF 26 Débito e crédito de cada lançamento: 32. Dito isso, podemos concluir que: a) O valor da exclusão realizada não foi objeto de lançamento a débito em resultado no anocalendário de 2009. Tratase, conforme reconhecimento na resposta ao primeiro questionamento, de valores que têm origem em despesas reconhecidas contabilmente em períodos pretéritos e que foram adicionadas ao Lucro Real; b) As contas de passivo que controlavam as despesas que foram acionadas em períodos pretéritos foram transferidas para a conta dos débitos incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Os documentos apresentados comprovam o lançamento a débito da conta dos débitos (adicionados ao Lucro Real no passado) e a crédito na conta do parcelamento da Lei nº 11.941/2009. 33. Portanto, diferentemente do que concluiu a 1ª Instância Julgadora, restou comprovado nos autos deste processo que a exclusão realizada pela Recorrente se deu em conformidade com a legislação de regência e, por isso, não pode ser anulada pela Administração Fiscal. 34. Ademais, se, conforme o Agente Fiscal responsável pela diligência e, também, a 1ª Instância Julgadora, não teria restado comprovado que o saldo de provisões tributárias teria sido baixado contra as contas de débitos tributários, então, como teria sido feito o lançamento contábil? A contrapartida a crédito desse lançamento (débito contra as contas de provisão) teria simplesmente desaparecido da contabilidade? 35. Vejam, Srs. Julgadores, que independentemente das alegações feitas pelos Agentes Fiscais e, também, pela DRJ, fato é que, tecnicamente, não haveriam outros meios para a realização da baixa das contas de provisão, senão por meio da contrapartida no resultado (receita de reversão) ou por meio da migração entre contas do passivo (conversão em efetivo débito). 36. E em quaisquer desses casos, a realização do lançamento de uma exclusão da base de cálculo do IRPJ/CSLL é devida, pois (a) no caso da contrapartida no resultado, a exclusão anula a tributação da receita de reversão e (b) no caso da contrapartida no passivo, a exclusão permite a apropriação da despesa dentro da competência em que ela é efetivamente incorrida. 37. Fica claro, neste ponto, que todas as questões trazidas pelo Sr. Agente Fiscal e as complicações daí decorrentes se prestaram, simplesmente, a maquilar uma situação Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.101 27 onde, independentemente do caminho tomado, não seria possível a autuação da Recorrente. Tiramos algumas conclusões dos parágrafos acima reproduzidos, constantes do recurso voluntário. No item 27, a Recorrente aduz que, em 2008, reuniu em uma única conta do passivo o montante das dívidas tributárias já parceladas e das em disputas judiciais. Em valor, o total reunido na conta nº 22305041, intitulada de Impostos Federais, foi de R$68.897.637,11. No item 28, demonstra os lançamentos efetuados nessa conta, que recebeu valores de outras 04, de nºs 22305004, 22305008, 22305010 e 22305015, intituladas de IPI a Recolher Parcelamento, PIS a Recolher Parcelamento, COFINS a Recolher Parcelamento e Crédito Prêmio Exportação, respectivamente. Informa que, incluído no valor de R$68.897.637,11, estariam os valores excluídos na apuração do lucro real de 2009, relativos às provisões adicionadas nos anos anteriores (R$19.893.893,60). Aqui uma primeira observação: primeiramente, as contas que compõem os valores excluídos (provisões), relembrando, intituladas de Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa (ICMS, IPI, PIS e COFINS), Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa COFINS 1% e Provisão para PIS Indébito a Compensar não guardam nenhuma correspondência com as contas que compuseram a conta nº 22305041, intitulada de Impostos Federais. Em segundo lugar, não restou efetivamente demonstrado que os R$19.893.893,60 excluídos estariam englobados pelos R$68.897.637,11, lançados na conta nº 22305041. A diligência solicitada pela DRJ/SPO, em relação a este ponto assim se manifestou: Que o sujeito passivo não comprovou contabilmente que as contrapartidas dos lançamentos das despesas, referente ao valor de 19.893.893,60, foram efetuadas a crédito de constas de provisão, bem como das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015 cujos saldos foram baixados, em 2008, a débito das respectivas contas e a crédito da conta 22305041, IMPOSTOS FEDERAIS, e em 2009 a conta contábil 22305041 foi renomeada para IMPOSTOS FEDERAIS REFIS IV LP. Assim, o montante lançado a título de “Exclusões”, ficha 09A, linha 40 (–) “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis, no valor de R$ 19.893.893,60, DIPJ 2010, Anocalendário 2009, não teve comprovada contabilmente que os valores referentes à atualização monetária sobre parcelamento de impostos contabilizado 17.510.386,13, da diferença de alíquota da COFINS 2,0% para 3,0% 2.343.613,81 e da provisão de PIS indébito a compensar 39.893,66, foram contabilizados a crédito de contas de provisão, bem como a créditos das contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015, como contrapartidas das contas de despesas informadas pelo sujeito passivo e cujos saldos foram transferidos para a conta contábil 22305041. Apesar da linguagem truncada, concluiu a diligência, em apertada síntese, que a Contribuinte não logrou comprovar a correspondência entre os R$19.893.893,60 excluídos e os valores lançados nas contas 22305004, 22305008, 223050010 e 22305015, cujos saldos foram transferidos para a conta nº 22305041 Impostos Federais. No item 29, a Recorrente informa que, ao aderir ao parcelamento, em 2009, renomeou a conta nº 22305041, que agora passaria a ser intitulada de Impostos Federais Refis Fl. 1114DF CARF MF 28 IV LP. Já de acordo com o item 30 acima, a referida conta, que agora manteria um saldo de R$111.416.448,21, seria composta pelos R$68.897.637,71 (onde estariam embutidos os valores das provisões excluídas), por R$20.501.646,34, relativos a tributos federais efetivamente reconhecidos como despesas e R$22.017.164,16 de parcelamentos anteriores. Entretanto, não é o que demonstra a fotografia da conta nº 22305041, relativa ao dia 30 de setembro de 2009, que reproduzo novamente abaixo: Em relação ao informado neste item 30, encontramos correspondência entre os lançamentos efetuados na conta nº 22305041, apenas no que diz respeito aos R$20.501.646,34 (tributos reconhecidos como despesa) e os R$22.017.164,16 (transferências de parcelamentos anteriores). Os demais lançamentos em nada se referem às parcelas que foram excluídas. A favor da Contribuinte trabalha o saldo da respectiva conta, de R$29.730.031,70, que em tese poderia abrigar os R$19.893.893,60 excluídos ao final do período. Entretanto, isso também não ficou demonstrado. No item 32, a Contribuinte conclui que o valor da exclusão realizada não foi objeto de lançamento a débito em resultado no anocalendário de 2009, respondendo, objetivamente, a um dos quesitos formulados pela DRJ/SPO quando da diligência solicitada. A bem da verdade, os demonstrativos apresentados não são capazes, por si só, para se chegar a essa conclusão. Entretanto, tem razão a Contribuinte, em ponto próprio de seu recurso, ao alegar que não poderia fazer prova negativa de tal fato, que caberia à Fiscalização, a partir dos elementos postos à sua disposição (escrituração contábil e fiscal) fazer as verificações devidas ou solicitar os esclarecimentos necessários. Como a Autoridade Fiscal não foi capaz de informar se os valores excluídos compuseram ou não a apuração do lucro líquido em 2009, a dúvida labora a favor da Recorrente neste ponto. Também conclui a Recorrente que as contas de passivo que controlavam as despesas que foram acionadas em períodos pretéritos foram transferidas para a conta dos débitos incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Os documentos apresentados comprovam o lançamento a débito da conta dos débitos (adicionados ao Lucro Real no passado) e a crédito na conta do parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Com a devida vênia, não consegui chegar à mesma conclusão da Recorrente a partir dos lançamentos mostrados. Permanece em aberto uma questão que se apresenta crucial e que foi o principal fundamento utilizado na decisão recorrida para negar provimento ao recurso de Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.102 29 impugnação: a Contribuinte não consegue demonstrar a correlação entre os valores lançados na conta nº 22305041 (Impostos Federais), cuja origem remonta às contas nºs 22305004, 22305008, 22305010 e 22305015, intituladas de IPI a Recolher Parcelamento, PIS a Recolher Parcelamento, COFINS a Recolher Parcelamento e Crédito Prêmio Exportação, respectivamente, e os valores excluídos na apuração do lucro real em 2009, que tem origem nas contas Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa (ICMS, IPI, PIS e COFINS), Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa COFINS 1% e Provisão para PIS Indébito a Compensar (designadas assim no LALUR). Sem esclarecer esse ponto, cai por terra toda a argumentação da defesa. Por mais que se concorde ser possível adotar a técnica alegada para o tratamento contábil das provisões que passaram a ser exigíveis, é preciso demonstrar que tal tratamento contábil foi efetivamente realizado, da forma como o alegado. E isso não está demonstrado nos autos. No item 34, a Recorrente faz o seguinte questionamento: se, conforme o Agente Fiscal responsável pela diligência e, também, a 1ª Instância Julgadora, não teria restado comprovado que o saldo de provisões tributárias teria sido baixado contra as contas de débitos tributários, então, como teria sido feito o lançamento contábil? A contrapartida a crédito desse lançamento (débito contra as contas de provisão) teria simplesmente desaparecido da contabilidade? Ora, é justamente essa questão que deveria ter sido respondida, através da demonstração dos lançamentos contábeis pertinentes, pela própria Contribuinte, intimada para tanto em três oportunidades (v. efls. 814/815, 878/879 e 934/936) durante a diligência fiscal. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso neste ponto. 2) Glosa da exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. No ponto anterior decidimos com base, essencialmente, em questões probatórias. Já neste segundo ponto, a discussão gira em torno de questões eminentemente de direito. A segunda infração diz respeito à glosa de exclusão de receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. A Fiscalização glosou R$ 33.958.262,31 referente à parcela do valor apurado de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, utilizado para liquidar multas de mora ou de ofício e juros moratórios. A Fiscalização entendeu que a liquidação de juros e multas com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, corresponderia a uma receita da fiscalizada, que deveria ter sido tributada pelo IRPJ e CSLL, no período de apuração em que Fl. 1116DF CARF MF 30 ocorreu a adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009. Dentre outros motivos, porque não haveria previsão legal para tal exclusão. A tese Fiscal escorase no entendimento de que o benefício instituído pela Lei nº 11.941/2009, em seu art. 1º, §§ 7º e 8º, tem natureza diferente daquele instituído pela Lei nº 9.065/95, em seus arts. 15 e 16 (compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL na apuração do imposto de renda e da contribuição social). Assevera a Fiscalização que no momento da opção pela utilização dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas, nasceria um novo direito que deveria ser reconhecido contabilmente. Como a Lei n° 11.941/2009 não teria criado uma nova hipótese de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, mas sim uma possibilidade de liquidação de débitos, tal norma ofereceria a possibilidade de que o contribuinte venha a abrir mão de um direito originalmente incerto (dependente de lucros tributáveis futuros), em troca de um direito líquido e certo (liquidação de juros/multas no parcelamento de débitos fiscais). Em consequência, esse novo direito certo nasceria por ato do contribuinte: adesão ao parcelamento estabelecido pela Lei nº 11.941/2009 e opção pela utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de dívidas tributárias (multas e juros), devendo ser reconhecido contabilmente nesse momento. A contrapartida do aumento patrimonial (reconhecimento do direito), segundo a Fiscalização, deveria ser registrada em conta de receita, impactando positivamente o resultado do período de apuração (o qual, ajustado pelas adições, exclusões e compensações, caso positivo, seria tributado pelo IRPJ e pela CSLL). Salienta a Autoridade Administrativa que o direito relacionado à utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas foi reconhecido contabilmente pelo sujeito passivo em 30/09/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado (conta contábil 35109001). Todavia, tais receitas foram excluídas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sem que houvesse previsão legal para tanto. Segundo a Autoridade Fiscal, o benefício instituído pela Lei nº 11.941/2009, que permitiu tal utilização, também previu, conforme disposto em seu § 7º do art. 10, a redução de multas e juros para quem optasse pelo parcelamento especial. Em relação às receitas decorrentes dessa "redução de multas e juros", todavia, o artigo 4°, parágrafo único, da Lei n° 11.941/2009, de forma expressa, autoriza sua exclusão na apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS. Terseia, portanto, a seguinte situação, segundo a Fiscalização: (a) a Lei n° 11.941/2009 previu dois benefícios para quem possuísse débitos tributários; (b) o legislador expressamente autorizou que as receitas decorrentes de um desses benefícios (redução de multas, juros e encargos para pagamento à vista ou parcelamento) fossem excluídas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL e das contribuições PIS/PASEP e COFINS; (c) o legislador não se manifestou a respeito das receitas decorrentes do outro benefício (liquidação de juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL). Assim, conclui que, havendo duas situações, e tendo o legislador se manifestado pelo tratamento tributário favorecido de apenas uma delas, é porque quis que a outra não tivesse o mesmo tratamento. Ou seja, se houvesse a intenção de que as receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL para liquidação de juros e multas também não fossem tributadas, certamente teria sido criado dispositivo legal neste sentido. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.103 31 Haja vista a alegação da Contribuinte de que seria aplicável o disposto na Solução de Consulta SRRF09 nº 21/2001, assevera a Fiscalização que o disposto na referida norma não alcançaria o benefício fiscal veiculado nos §§ 7° e 8° do artigo 1º da Lei nº 11.941/2009, haja vista tratarse de benefício de natureza diferente daquele posto pela Lei nº 9.065/95, em seus arts. 15 e 16. De outro lado, alega a Contribuinte em relação à essa glosa que, ao aderir ao REFIS, teria efetuado a opção por liquidar parcela do saldo devedor (multas e juros) mediante a utilização de seu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL acumulados, conforme autorizaria o artigo 1º, §7º, da Lei nº. 11.941/2009. Com fulcro nas exigências da técnica contábil, ao estimar a utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, a Impugnante teria “ativado” (ativo fiscal diferido) o seu direito, que ordinariamente seria controlado de forma extra contábil, conforme previsto no parágrafo 34 do Pronunciamento Técnico CPC nº. 32. Logo, em razão do reconhecimento deste direito, até então controlado de forma extra contábil, a Impugnante teria lançado como contrapartida uma “receita” espelhada no prejuízo fiscal e base de cálculo negativa que seriam utilizados. No tocante a este ponto, a Contribuinte aduz que “a contrapartida do ativo fiscal diferido (prejuízo fiscal e base negativa) não pode ser alcançada pela tributação, isto porque a inclusão de tais ativos na contabilidade da sociedade não implica real aumento de seu patrimônio, mas, simplesmente, a evidenciação contábil de um direito já existente (ativo fiscal concedido à medida em que é verificado resultado fiscal negativo), que só não fora registrado na contabilidade por razões estritamente técnicocontábeis”. Prossegue a Recorrente apontando que “em suma, a ´receita´ reconhecida tratase de mera conveniência contábil, adotada em razão da inexistência de outra opção técnica possível para a documentação do evento, mas que, por suas características que lhe são únicas e diversas do que se entende por ´receita´, verdadeiramente ´receita´ não é”. A Impugnante relembra que, nas lições de Ricardo Mariz de Oliveira, o termo técnico receita seria definido como um ingresso que se incorporaria ao patrimônio da sociedade. Tal lição traria essencialmente a idéia de que receita seria um valor que adviria de fonte externa (ou seja, não haveria receita que se gerasse internamente). Logo, ingressos que não atendessem a este requisito (origem externa) não poderiam ser alcançados pela tributação, inclusive de PIS e COFINS. Com base em tais idéias, o Impugnante assevera que “a "receita" de ativação do prejuízo fiscal não é verdadeiramente uma receita no sentido técnico jurídico alcançável pela legislação tributária brasileira, mas apenas uma solução adotada por falta de outras opções técnicas mais adequadas para o registro de um “direito extra contábil” préexistente e de utilização condicionada, sendo ordinariamente autorizado o uso na forma dos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/1995, que dizem respeito à hipótese de compensação na base de cálculo positiva do IRPJ/CSLL, e excepcionalmente em parcelamentos especiais, tal qual é o caso do REFIS instituído pela Lei n° 11.941/2009”. Em decorrência de a fiscalização ter asseverado existir diverso regime de tratamento ao ativo fiscal diferido decorrente da compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, a Recorrente aponta que “ao contrário do que tentou sustentar o Auditor Fiscal, a legislação fiscal vigente não reconhece a possibilidade de exclusão das Fl. 1118DF CARF MF 32 receitas decorrentes da ativação do prejuízo fiscal e base negativa somente no caso em que o seu uso se der em compensação de bases, mas para todo e qualquer "prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores", conforme podemos verificar no artigo 250, III, do RIR/99”. Ainda neste ponto, a Recorrente reforça que “sob um novo ângulo, também podemos considerar que a autorização legal (Lei n° 11.941/2009) para a utilização do prejuízo fiscal com a finalidade de liquidação de multas de mora ou ofício, ou juros moratórios não altera a natureza jurídica do direito à utilização do prejuízo fiscal. O que muda, efetivamente, é o momento em que este direito será usufruído”. Ademais, “se a natureza jurídica do prejuízo fiscal e da base negativa fosse alterada conforme a utilização admitida em lei, teríamos o absurdo cenário onde dois contribuintes, numa mesma situação, sofreriam carga tributária diferente, em razão da opção de utilizar o prejuízo fiscal acumulada para pagamento do Imposto de Renda ou pagamento de saldo do parcelamento da Lei n° 11.941/2009”. A Contribuinte ainda aponta que “sob outro prisma analítico, poderíamos ainda dizer que o direito à utilização do prejuízo fiscal e à base negativa são decorrentes do princípio contábil da continuidade, o qual estabelece que a vida da sociedade empresária não se limita a um só exercício, mas é contínua, devendo por isso também ser contínuos os registros das contas patrimoniais, donde se encaixam os lucros e prejuízos acumulados ao longo da história da empresa”. Ademais, mesmo que se entenda que a utilização do prejuízo fiscal para amortização de juros e multas incluídos no parcelamento da Lei nº. 11.941/2009 seria bastante para alterar sua natureza jurídica, a autuação permaneceria insubsistente, pois “se o prejuízo fiscal de que trata a Lei n° 11.941/2009 é instituto diferente daquele que ordinariamente é utilizado para pagamento do IRPJ, imperioso reconhecer, para dar coerência ao raciocínio e por uma questão de lógica jurídica, que estamos a falar de um benefício novo. Uma possibilidade de redução de juros e multa proporcionada pela Lei n° 11.941/2009. E se assim é, ele o prejuízo fiscal deve ser colocado dentro do campo de incidência do artigo 4º, § único da Lei n° 11.941/2009, cuja redação é a seguinte: “Art. 4° Aos parcelamentos de que trata esta Lei não se aplica o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, no § 2º do art. 14 A da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e no § 10 do art. 1º da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003. Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3° desta Lei” (grifos no original). Neste ponto, concordo inteiramente com a Contribuinte. Para fundamentar minha visão do assunto em tela, reproduzo excerto do voto do Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, constante do Acórdão nº 1301002.175, de 24 de janeiro de 2017: Filiome à tese apresentada pela recorrente, no sentido de entender que a natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.104 33 Assim, os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL, quando não utilizados nos períodos próprios, constituemse em crédito contra o Fisco para serem utilizados na compensação com lucros de períodos futuros, porém, de acordo com a legislação aplicável, serão excluídos do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Da mesma forma, quando utilizados para liquidar juros e multas de débitos inseridos no REFIS da Crise, devem ser excluídos da determinação do referido lucro. A Lei nº 11.941/09 em nada alterou a regulamentação deste crédito, apenas e tão somente ampliou as alternativas de utilização do crédito para liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS da Crise. Logo, não há fundamento legal para que os citados prejuízos e/ou bases negativas da CSLL utilizados para este fim, tenham tratamento diverso daquele previsto para compensação com lucros futuros. Por outro lado, entendo que inexiste, no caso, acréscimo patrimonial necessário à incidência dos tributos exigidos no presente feito. O que houve, a bem da verdade, foi uma redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), sem que tal fato represente qualquer incremento na situação patrimonial da recorrente, vez que está a ocorrer, no meu modo de ver, apenas um encontro de contas, uma compensação. Observese, por oportuno, que crédito contra o fisco não resulta apenas de indébito tributário, ao contrário do sustentado na decisão recorrida. Entendo que, embora o crédito não seja originado de indébito tributário, este fato não lhe retira sua titulação de crédito, vez que constituído, declarado na DIPJ, controlado por sistema específico da Receita Federal e utilizável na compensação de IRPJ e CSLL incidentes sobre lucros vindouros e, no caso dos autos, a Lei conferiu liquidez também para utilização na liquidação de multas e juros no âmbito do REFIS. Por outro lado, o argumento basilar adotado pela fiscalização, ratificado no acórdão recorrido, reside na alegação de falta de previsão legal a respeito da exclusão dos valores relativos à liquidação de juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. Logo, parte a fiscalização de uma premissa inexistente, qual seja, incremento patrimonial, pois, conforme visto, este inexiste, pois o que de fato ocorreu foi apenas uma compensação. Portanto, o fato da Lei 11.941/09 tratar expressamente da exclusão da redução de multa e juros e ser "omissa" com relação à liquidação de saldo remanescente de multas e juros com prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, não autoriza a conclusão de que o contribuinte deveria adicionar às respectivas bases de cálculos o montante de R$ 13.274.679,18. Assim, não havendo qualquer razão jurídica para tratar distintamente o crédito aqui mencionado (ativo fiscal diferido), seja quando empregado na compensação com lucros vindouros, seja na hipótese de ser utilizado para liquidação de multas e juros, resta evidente que a pretensão da fiscalização de exigir IRPJ e CSLL sobre o montante de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL não encontra amparo legal e, bem por isso, deve ser reformada a decisão recorrida, neste ponto. O voto acima citado serve como uma luva ao caso em apreço neste processo. São situações idênticas e que tiveram o mesmo tratamento por parte da Fiscalização. Como asseverado, a Lei nº 11.941/2009, a par do disposto na Lei nº 9.065/95, instituiu novo benefício fiscal incidente sobre o mesmo tipo de crédito, qual seja, o prejuízo Fl. 1120DF CARF MF 34 fiscal e a base de cálculo negativa da contribuição social. A partir de sua edição, os Contribuintes em geral passaram a dispor de duas opções para o aproveitamento de tais valores. Nada obstava ao Contribuinte utilizarse de um, de outro ou de ambos ao mesmo tempo. Pela sua própria natureza, o benefício fiscal constante da Lei nº 9.065/95 não se sujeita à tributação quando utilizado. Já a Lei nº 11.941/2009 estabelece, de forma expressa, em seu art. 4º, parágrafo único, que "não será computada na apuração da base de cálculo do imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3° desta Lei". Tal previsão é expressa e não admite a interpretação emprestada pela Fiscalização de que, ao falar em "redução do valor das multas, juros e encargo legal", não estaria abrangendo a liquidação dos mesmos valores. Ora, parece óbvio que, quando se fala em "redução", esta pode vir a ser total, o que equivaleria à "liquidação". Portanto, tal raciocínio não pode, de maneira alguma prosperar. Também não merece reparo a assertiva constante do voto acima reproduzido, de que a quitação de multas, juros e encargos com a utilização de prejuízos fiscais e bases negativas manteria inalterada a situação patrimonial da Contribuinte. Esse é outro pilar da Autuação Fiscal. Ora, o patrimônio não se altera ao debitarmos uma conta de passivo (débitos tributários) e creditarmos uma conta de ativo (ativo diferido prejuízos e bases negativas a compensar), razão pela qual entendemos como equivocada a visão da Autoridade Fiscal em relação a esta matéria. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso neste ponto. 3) Lançamentos relativos ao PIS/COFINS A Recorrente aduz, ainda, que a Fiscalização não teria computado, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o lançamento reflexo de PIS e COFINS, mesmo diante da inequívoca dedutibilidade de tais despesas tributárias. A decisão da DRJ/SPO foi vazada nos seguintes termos: A alegação de que os valores constituídos a título de PIS/PASEP e COFINS deveriam ser deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não merece provimento, em decorrência da ausência de exigibilidade de tais exações. De fato, quando da confecção da lavratura, não seria possível asseverarse que os tributos constituídos seriam imediatamente exigíveis, vez que o sujeito passivo dispõe da faculdade de suspender a exigibilidade de tais exações mediante a apresentação de impugnação (ou seja, no prazo legalmente estabelecido para a apresentação e impugnação, não seria escorreito entenderse que os créditos constituídos são exigíveis). Sobrevindo impugnação (como ocorreu no caso vertente) ou restando materializada quaisquer das demais hipóteses previstas no artigo 151 do CTN, a exigibilidade dos tributos constituídos permanece suspensa, o que impede sua dedutibilidade para fins de apuração do lucro real, conforme consignado no artigo 344 do Regulamento do Imposto de Renda, in verbis: Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10314.728567/201478 Acórdão n.º 1401002.961 S1C4T1 Fl. 1.105 35 “Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial”. Ademais, destaquese que há precedente do CARF em sintonia com o entendimento acima esposado, sendo relevante transcreverse o seguinte excerto do Acórdão nº. 1402002.603: “Alega a Recorrente, apenas por meio de argumentação abstrata e genérica, que a Contribuição para o PIS e a COFINS contra ela exigidos neste mesmo lançamento de ofício deveriam ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, vez que são valores dedutíveis. Não procede tal alegação, na medida que desde a lavratura das Autuações havendo o presente contencioso administrativo a exigibilidade de tais Contribuições está suspensa, nunca ganhando exigibilidade e, assim, não revestindose de dedutíveis, mesmo que atinentes ao mesmo período”. Assim, no atual momento, não é possível reconhecerse a dedutibilidade dos valores constituídos a título de PIS/PASEP e COFINS nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A decisão da DRJ/SPO é, no mínimo, contraditória. Ao mesmo tempo que reconhece não ser possível tratar da dedutibilidade dos valores lançados a título de PIS/COFINS na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, por força da suspensão da exigibilidade dos respectivos lançamentos (constantes do processo nº 10314.728567/201478), conclui que as supostas receitas, decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL para a quitação de multas e juros no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, devem compor a base de cálculo das Contribuições ao PIS e COFINS. Vejam o trecho que copiei abaixo do Acórdão recorrido (v. efls. 1.026): Com base nos dispositivos legais acima transcritos, pareceme evidente que, no regime não cumulativo de apuração, todas as receitas da pessoa jurídica submetem se à incidência do PIS/COFINS. Logo, sendo induvidoso que o crédito previsto no artigo 1º, § 8º, da Lei nº. 11.941/2009 é uma receita, vez que se materializa como um incremento, ao patrimônio do contribuinte, de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições que impeçam sua imediata fruição, penso ser evidente sua inclusão na base de cálculo do PIS/COFINS. Em relação à dedução do PIS/COFINS, exigido através do presente procedimento fiscal, da base de cálculo do IRPJ/CSLL, não tenho reparos à decisão recorrida. Não há como reconhecer o direito à dedução das referidas contribuições exigidas através de Auto de Infração próprio, no caso, o processo nº 10314.728567/201478, enquanto o mesmo estiver pendente de apreciação. Mesmo porque, não há nenhuma garantia acerca do resultado final do julgamento do recurso apresentado no âmbito do referido processo. Aliás, referido processo foi apensado a este e está pautado para julgamento na mesma sessão. Já não se pode dizer o mesmo em relação ao decidido nesse mesmo acórdão em relação à base de cálculo do PIS/COFINS vir a computar as supostas receitas decorrentes da utilização dos saldos de prejuízos e bases negativas na quitação de multas e juros. Tal matéria está afeta exclusivamente à apreciação no âmbito do processo nº 10314.728567/2014 Fl. 1122DF CARF MF 36 78, razão pela qual o decidido no acórdão recorrido em relação a esta matéria deve ser desconsiderado, eis que inaplicável ao caso em apreço nestes autos. Por todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso para cancelar a glosa da exclusão decorrente dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa de contribuição social utilizadas na liquidação de juros, multas e encargos legais, no âmbito do parcelamento veiculado pela Lei nº. 11.941/2009. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1123DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.014187/2001-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2001
PRAZO PRESCRICIONAL PARA COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por instauração de processo administrativo fiscal através da interposição de Manifestação de Incoformidade, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, atinge a contagem do prazo prescricional para cobrança dos crédito tributário informado em declaração de compensação. Incidência do artigo 151, inciso III e artigo 174 do Código Tributário Nacional.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3402-005.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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SUSPENSÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por instauração de processo administrativo fiscal através da interposição de Manifestação de Incoformidade, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, atinge a contagem do prazo prescricional para cobrança dos crédito tributário informado em declaração de compensação. Incidência do artigo 151, inciso III e artigo 174 do Código Tributário Nacional. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 41 87 /2 00 1- 60 Fl. 682DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Recorrente apresentou em 03/12/2001 o Pedido de Restituição sob o nº 10680.014187/200160, referente a valores recolhidos indevidamente a título de COFINS (Código da Receita 2172) no período de apuração de 28/02/1999 a 30/06/2001, anexando Documentos de Arrecadação de Receitas Fiscais (DARF) às fls. 12 a 22, no valor total de R$ 1.262.268,73 (Hum milhão, duzentos e sessenta e dois mil, duzentos e sessenta e oito reais e setenta e três centavos). Em manifestação de fls. 05 a 11, datada de 14 de Novembro de 2001, invoca o Princípio da Isonomia Tributária, esclarecendo que o pedido decorre de discordância pelo tratamento diferenciado na determinação da base de cálculo da COFINS, permitindolhes determinadas deduções e exclusões da Receita Bruta, as quais levam a concluir que na verdade, para tais entidades passouse a ter como base de cálculo o LUCRO BRUTO, diferente da maioria dos demais contribuintes, cuja Base de Cálculo da COFINS é a Receita Bruta. Igualmente argumenta que não incide multa de mora, uma vez que os débitos seriam levados à compensação antes de respectivos vencimentos, incidindo o instituto da denúncia espontânea previsto pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional. As guias de recolhimentos realizados a título de COFINS (Código da receita: 2172) foram anexados às fls. 12 a 22. Em resumo, os pedidos iniciais são os seguintes: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 683 3 i) restituição dos valores recolhidos a maior no que respeita ao diferencial da base de cálculo entre o LUCRO BRUTO e o FATURAMENTO BRUTO, tendo como termo "a quo" a competência 02/99; ii) compensação com débitos futuros, nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/96 e Decreto 2.138/97, considerando planilha de fls. 4. O PERD/COMP Nº 07260.91444.30120§.1.3.042014 foi apresentado às fls. 441499 para compensação com débitos de COFINS dos períodos de apuração referente s a junho de 2002 a janeiro de 2003 e maio de 2003 a setembro de 2005, bem como débitos de PIS dos períodos de apuração julho de 2002 a setembro de 2005, considerando as seguintes informações: Às fls. 500502 a Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/MG proferiu despacho decisório nº 1362/2008, negando a homologação do pedido de compensação com a seguinte Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de Apuração: 28/02/1999 a 30/06/2001 Ementa: BASE DE CÁLCULO DETERMINAÇÃO Somente a lei pode estabelecer a base de cálculo de tributos e contribuições. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não se encontra abrangida pela competência da autoridade administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das lei. Fundamentação Legal: Art. 97 do Código Tributário Nacional, art. 102 “a” da Constituição Federal e art. 2° e 3° da Lei 9.718/1998. Compensação não Homologada Foi fundamentado em despacho decisório que: A base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS é o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta da pessoa jurídica, a partir de fevereiro de 1999, com a Lei n° 9.718/1998, art. 3°, §l°, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo Fl. 684DF CARF MF 4 irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, excluise da receita bruta apenas o que está previsto na lei. Neste sentido, devese observar o disposto no parágrafo 6° do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993: “§ 6° Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou 0 correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2°, XII, g. " (grifei) No que atine ao mencionado tratamento isonômico, há de ser esclarecido que a Receita Federal do Brasil, como órgão da Administração Direta da União, não é competente para decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal, cabendolhe, mediante ação administrativa, aplicar a lei tributária. O foro competente para apreciar argüição de descumprimento de preceito constitucional é o Supremo Tribunal Federal, consoante dispõe o art. 102, parágrafo único da Constituição Federal. A Carta Magna em seu art. 2° estabelece o princípio da separação e independência dos Poderes, sendo, portanto, interditado ao Executivo avocar matéria de competência privativa do Poder Judiciário como é a de decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal. Requer a contribuinte, diante do princípio constitucional constante do art. 150, II, da CF, a isonomia de tratamento que é dada às instituições financeiras, para que sejam incluídas as exclusões e deduções, de modo que a base de cálculo da referida contribuição seja o lucro bruto. Nesse aspecto, tratandose de empresa que explora o comércio atacadista e varejista de acessórios, suprimentos e equipamentos de informática em geral, importação e exportação de mercadorias da linha comercial, além da prestação de serviços de desenvolvimento, manutenção, suporte e treinamento em sistemas e programas de processamento de dados, bem como a instalação de tais equipamentos e sistema e a locação de equipamentos de informática, não se enquadrando a contribuinte entre as instituições financeiras a que se refere o §l° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, correspondelhe a base de cálculo da referida contribuição tal como disposta nos art. 2° e 3° da Lei 9.718/1998. Às fls. 512518 foi interposta Reclamação em data de 05/09/2008, requerendo a homologação da compensação e extinção do crédito tributário em razão dos seguintes argumentos de defesa: * Prescrição dos períodos de julho de 2002 a agosto de 2003: Aplicase o artigo 174 do Código Tributário Nacional, com extinção do crédito tributário, nos termos do Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 684 5 artigo 156, inciso V do mesmo Diploma Legal, uma vez que o pedido de compensação junto a Receita não tem o condão de suspender o prazo prescricional; * Aplicação da Lei nº 9.718/1998: A inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do julgamento do REAgR nº 356280/PR, aplicandose a regra do parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 2.346/97. Às fls 522529 foi proferido o Acórdão nº 0219.832 pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, julgando improcedente a manifestação de inconformidade por unanimidade, nos termos do voto do Relator, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação é de competência exclusiva do Poder Judiciário. A extensão administrativa dos efeitos jurídicos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no exercício do controle difuso condicionase às hipóteses estabelecidas no Decreto n° 2.346, de 1997. AVISO DE COBRANÇA. De acordo com a legislação de regência, às Delegacias de Julgamento não compete apreciação das manifestações de inconformidade apresentadas contra os Avisos de Cobrança, mas apenas àquelas dirigidas contra o indeferimento, pelas Delegacias, Alfândegas e Inspetorias da SRF, dos pedidos de restituição e compensação. Solicitação Indeferida. Às fls. 660665 foi interposto Recurso Voluntário pugnando pela total reforma da decisão recorrida, o que se fez nos exatos termos apresentados em peça de Reclamação. Às fls. 676 e 679 foi proferido despacho esclarecendo a incompetência, respectivamente, da 1ª Turma Especial e 1ª Turma Extraordinária, ambas desta 3ª Seção, em razão do limite de alçada quanto ao valor do crédito tributário. Em razão da renúncia de mandato da anterior Conselheira, o processo foi distribuído para julgamento por esta 2ª Turma da 4ª Câmara, sob minha relatoria. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF 6 Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Cabe observar que não é possível averiguar neste processo a data exata da intimação da Recorrente sobre o Acórdão proferido pela DRJ de Belo Horizonte/MG, como se observa da intimação anexada às fls 648657 deste processo eletrônico. No entanto, considerando a data de 24/11/2008 constante na formalização de fls. 648 e postagem de fls. 657, bem como a postagem em data de 22/12/2008 (fls. 658659) e, por aplicação do artigo 23, inciso II e § 2º, inciso II do Decreto nº 70.235/1972, resta averiguada a tempestividade do Recurso Voluntário. Com isso, atendidos os pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Preliminar Com relação à preliminar, a 1ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG acompanhou o voto do Eminente Relator, que invocou a incidência do artigo. 23, inciso I da Portaria MF n° 259/ 2001, cumulado com artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, artigo 174 da Portaria MF n° 95/2007 e artigo 160 do Regimento Interno da RFB, concluindo que os atos preparatórios de cobrança não comportam manifestação de inconformidade e não formaliza lançamento passível de instaurar o contencioso administrativo fiscal, uma vez ausentes os pressupostos dos artigos 9°, 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Neste caso, entende o Julgador da DRJ pela competência para apreciar recursos contra ato de nãohomologação, o que não alcança providências ulteriores à sua liquidação, concernentes à cobrança ou suspensão do débito compensado. A Recorrente pugnou em peça recursal pela declaração de competência da DRJ de Belo Horizonte/MG para julgamento da defesa, uma vez que a Reclamação foi interposta contra decisão que não homologou o pedido de compensação, com intimação para cobrança dos débitos informados em PERD/COMP, resultando no atendimento aos pressupostos para apreciação. Com relação à preliminar suscitada em defesa, deixo de apreciar o argumento sobre nulidade da decisão recorrida, o que faço em razão dos fundamentos que serão abordados no mérito. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 685 7 Mérito Prescrição A Recorrente invoca igualmente a aplicação do artigo 174 do Código Tributário Nacional, pugnando pela extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso V do mesmo Diploma Legal, uma vez que o pedido de compensação junto a Receita não tem o condão de suspender o prazo prescricional. Na análise sobre a incidência do instituto da prescrição deve ser aplicada a previsão do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, insurgindo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, por sua vez, a suspensão do prazo prescricional para cobrança do débito informado em declaração de compensação, nos termos previstos pelo artigo 151, inciso III, cumulado com artigo 174, ambos do Código Tributário Nacional. Por este motivo, voto no sentido de afastar a prescrição invocada em Recurso Voluntário. Aplicação da Lei nº 9.718/1998. A Recorrente igualmente fundamentou pela inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do julgamento do REAgR nº 356280/PR, argumentando que deve ser aplicada a regra do parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 2.346/97. A 1ª Turma da DRJ de Belo Horizonte negou a homologação do Pedido de Compensação por concluir pela ausência de repercussão geral da decisão do Supremo Tribunal Federal, finalizando a decisão recorrida com a seguinte informação: Conseqüentemente, o acolhimento de sua pretensão resta condicionado a que as mencionadas decisões do STF venham a ter seus efeitos estendidos para os contribuintes que não são partes nas ações em que foram proferidas. Essa ampliação ou extensão depende de atos do Senado Federal ou do Presidente da República, ou ainda de ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, conforme artigos retro transcritos. No entanto, tais atos não existem e, assim, não existe base legal que permita o reconhecimento administrativo do direito creditório pleiteado. (sem destaque no original) Ocorre que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º a Lei nº 9.718/1998 através do julgamento do RE nº 585.235 (TEMA 110), conforme Ementa abaixo descrita: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Fl. 688DF CARF MF 8 Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Importa observar que o julgamento proferido pelo STF em repercussão geral ocorreu em data de 10/09/2008, com publicação do Acórdão em 28/11/2008 e trânsito em julgado em 12/12/2008, sendo que o julgamento da Reclamação pela 1ª Turma da DRJ/BHE ocorreu em 10/11/2008. Ao que pese a proximidade de tais datas, no momento em que foi proferida a decisão a quo já havia a decisão do STF por atribuir repercussão geral ao RE nº 585235. Deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecer o direito ao crédito informado em Declaração de Compensação ou, no mínimo, suspender o julgamento até trânsito em julgado e confirmação da repercussão geral que naquele momento já estava decidida. Por sua vez, este Tribunal Administrativo reconhece a aplicação do Tema 110 do STF. Neste caso, incide o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Neste sentido, colacionase precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/2001 03): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 686 9 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Por sua vez, importante observar que a Contribuinte instruiu o pedido com as DARF’s correspondentes, procuração, declaração sobre o objeto do pedido, cartão CNPJ, documentos de identificação dos sócios proprietários, contrato social e alterações, Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultados do Exercício referentes ao período de 31/12/1992 a 31/12/2000, Balancete em 30/06/2001, bem como DIPJ Exercícios 2000 e 2001, como pode ser constatado às fls. 12 a 206 do processo eletrônico. Outrossim, em nenhum momento foi colocado em dúvida a prova material (recolhimentos efetuados) trazida aos autos com relação aos pagamentos indicados como recolhidos a maior, tampouco sobre a comprovação dos valores demonstrados em planilha de fls 4. Portanto, diante da comprovação nos autos do recolhimento realizado sobre a base de cálculo apurada com fulcro em dispositivo de lei declarado inconstitucional, deve ser aplicada a decisão judicial, resultando em necessário retorno à Unidade de Origem para análise e apuração de tais créditos. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo PARCIALMENTE PROVIDO para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, o processo retorne à Unidade de Origem para apurar o quantum e eventual direito creditório da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 690DF CARF MF 10 Fl. 691DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.001065/2005-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO.
Mesmo se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 9202-007.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Mesmo se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 10 65 /2 00 5- 31 Fl. 212DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2802000.470 proferido pela Segunda Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 22 de setembro de 2010, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 148: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso provido Da mencionada decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 171 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 198 e seguintes, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à Decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) sujeitos ao regime de tributação na declaração de ajuste anual, o lançamento sobre rendimentos auferidos em 1999 somente poderia ser efetuado de ofício no ano seguinte, em 2000, após a entrega da declaração. Iniciandose o lustro no primeiro dia do exercício seguinte, em janeiro de 2001, o seu termo ocorreu em 31/12/2005, restando tempestivo o lançamento notificado ao contribuinte em 27/12/2005 (fls. 98); b) O STJ, em recurso especial representativo de controvérsia (REsp 973.733/SC) assentou que o prazo decadencial, na hipótese de não recolhimento prévio de tributos, é o do artigo 173, I, do CTN; c) deve ser reformado o acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância. Intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13558.001065/200531 Acórdão n.º 9202007.374 CSRFT2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, a controvérsia dos autos reside na definição do termo inicial da contagem do prazo de decadência: se seria de acordo com o art. 150, §4º, do CTN, ou de acordo com o art. 173, I, do mesmo diploma legal. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543¬C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta¬se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Fl. 214DF CARF MF 4 Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege¬se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando¬se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida¬se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu¬se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam¬se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543¬C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código tributário Nacional. No caso ora analisado, não houve pagamento antecipado do imposto de renda, motivo pelo qual a Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia a aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Considerando o disposto em sede de repetitivo, observase que assiste razão a Procuradoria da Fazenda Nacional, pois ausente a antecipação do pagamento, não se vislumbra a atração da norma contida no art. 150, §4º, do Código Tributário. Portanto, sobre rendimentos auferidos em 1999, somente poderia ser efetuado o lançamento de ofício no ano seguinte, em 2000, após a entrega da declaração. Assim o termo inicial da decadência ocorreu em no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, em janeiro de 2001, e o seu termo final ocorreu em 1/01/2006, restando tempestivo o lançamento notificado ao contribuinte em 27/12/2005 (fls. 98). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13558.001065/200531 Acórdão n.º 9202007.374 CSRFT2 Fl. 4 5 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial e, no mérito, dar lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 13857.720500/2013-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009
MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE.
Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-005.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente MASTER COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE COSMETICOS E SANEANTES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 72 05 00 /2 01 3- 65 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13857.720500/201365 Acórdão n.º 3302005.914 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual discutese a incidência de multa por atraso na entrega da DACON, prevista no art. 7º, da lei nº 10.426/2002, com redação dada pela Lei n. 11.051 de 2004. No caso concreto não há qualquer controvérsia acerca da ocorrência, no mundo fenomênico, do fato jurídico consistente no atraso da referida DACON. A Recorrente insurgese tão somente em relação ao montante exigido que, segundo ela seria excessivo e, por tal motivo violaria o postulado normativo da razoabilidade e da proporcionalidade, infringindo a norma constitucional que veda o confisco. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 14051.957. A Recorrente insurgiuse por meio de Recurso Voluntário no qual reitera os argumentos contidos na sua impugnação, merecendo destaque a razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, trazendo relevantes julgados e doutrinas que embasam o seus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.906, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.906): "O Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A Recorrente reconhece que descumpriu a legislação que estabelece o prazo para entrega da DACON de que trata o Auto de Infração, limitandose a discutir a razoabilidade, proporcionalidade e confiscatoriedade da norma que estabelece a multa que lhe foi aplicada. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13857.720500/201365 Acórdão n.º 3302005.914 S3C3T2 Fl. 4 3 Os argumentos trazido pela Recorrente remontam à discussão suscitada por Daniel Webster durante o julgamento do caso McCulloch v. Maryland, perante a Suprema Corte NorteAmericana no já distante ano de 1819, e que foi a razão de decidir de ninguém menos que o seu Presidente John Marshall, que praticamente duzentos anos atrás afirmou que o poder de tributar envolve o poder de destruir e que até hoje ecoa no Supremo Tribunal Brasileiro, como bem ilustram interessantes julgados trazidos pela própria Recorrente. Contudo, por força da Súmula CARF n. 02, este Colegiado não é o foro específico para a discussão acerca de eventual inconstitucionalidade de legislação em vigor, merecendo destaque o fato de que a referida Súmula é de observância obrigatória, o que veda a análise da matéria no âmbito do CARF. Por tal motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 88DF CARF MF
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