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Numero do processo: 10925.904093/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/04/2005
Ementa:
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 1802-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 29/04/2005 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 40 93 /2 00 9- 11 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.37) que a seguir transcrevo: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda.da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n 5.172, de 265 de outubro de 1966 (CTN) e art: 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei n?9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega: em primeiro lugar, que não apura IRPJ e CSLL sob a forma de estimativa mensal, mas sim sob a forma de balancetes de suspensão ou redução, fato que já seria suficiente para tornar insustentável o despacho decisório; que em momento algum a Lei nº 9.430/96 vedava, à época de transmissão da DComp, a compensação nos moldes do que alega o despacho decisório; que a lista contida no § 3º do art. 74 da Lei n2 9.430/96 é taxativa, não se podendo admitir a criação de novas hipóteses restritivas pela via infralegal; que a vedação à compensação em questão somente veio a ser implementada quando da edição da Medida Provisória nº 449, de 2008; que a vedação contida na MP n 449, de 2008, não consta na Lei n2 11.491/2009. que resultou da conversão daquela MP; que, em vista do que dispõe o inciso VI do art. 97 c/c inciso II do art. 156 do CTC, somente mediante lei se admite a imposição de hipóteses restritivas à extinção do crédito tributário; que o art. 170 do CTN também prestigia o princípio da legalidade em matéria de compensação; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.904093/200911 Acórdão n.º 1802001.798 S1TE02 Fl. 3 3 que é inequívoca a conclusão pela ausência de previsão legal dessa natureza, e qualquer restrição imposta constitui ilegalidade. Por fim, requer a reforma do despacho decisório e a conseqüente homologação das compensações efetuadas. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0724.587, de 27 de maio de 2011 (fls.37/40). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 19/07/2011 (Aviso de RecebimentoAR, fl.42), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 12/08/2011 (fls.43/49). As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer seja provido o presente Recurso, com a reforma do despacho decisório, e da decisão da DRJ, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço por não preencher todos os requisitos de admissibilidade. Com efeito, o presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 42028.84409.251006.1.3.048907 (fls.01/05), transmitido em 25/10/2006, em que a contribuinte pretende compensar débitos de CSLL com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2484, Período de Apuração:31/03/2005, Data de Arrecadação: 29/04/2005, Valor: R$ 4.825,65). Segundo o Despacho Decisório de fl.06, emitido em 11/05/2009, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em sede de primeira instância, a pessoa jurídica apresentou a manifestação de inconformidade em 19/06/2009 (fls.10/14), julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0724.587, de 27 de maio de 2011 (fls.37/40) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Inconformado com a mencionada decisão, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 12/08/2011 (fls.43/49) no qual repisa as mesmas alegações da manifestação de inconformidade sintetizadas no relatório acima. Ocorre que, posteriormente, a Recorrente ajuizou ação anulatória de débito fiscal, processada sob o rito ordinário, em face da UNIÃO FAZENDA NACIONAL, objetivando provimento jurisdicional que declare a extinção, por compensação, dos créditos tributários que são objeto dos processos administrativos n. 10925904.091/200922, 10925 904.083/200986, 10925904.092/200977, 10925904.093/200911, 10925904.094/200966, 10925904.085/200975 e 10925 904.084/200921, conforme informado no “Despacho de Encaminhamento” da DRF JOAÇABA / SC de 23/10/2012, constante dos autos, vejamos: Por meio de correio eletrônico datado de 19/10/2012, a DRFJoaçaba tomou conhecimento da ação judicial 5004209 17.2011.404.7202.s.m.j., objeto da referida ação é idêntico ao que se discute no âmbito dos processos administrativos 10925 904.091/200922,10925904.083/200986, 10925904.092/2009 77, 10925904.093/200911,10925904.094/200966, 10925 904.085/200975 e 10925 904.084/200921, os quais encontramse tramitando neste CARF.Desta forma, nos termos do ADN Nº 03 de 14/02/1996, dou ciência da ação judicial ao CARF para que proceda às medidas necessárias. (Grifei) Nos presentes autos a discussão gira em torno da extinção, por compensação, dos créditos tributários que são objeto do processo administrativo nº 10925904.093/200911, incluso na demanda judicial. Desse modo, por se tratar de concomitância de discussão no âmbito administrativo e na esfera judicial há de se aplicar o entendimento desse Conselho Administrativo esboçado na súmula Carf nº 1, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há como apreciar a questão submetida ao Judiciário, devendo ser declarada a definitividade da não homologação da compensação na esfera administrativa. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.904093/200911 Acórdão n.º 1802001.798 S1TE02 Fl. 4 5 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900942/2009-23
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 09 42 /2 00 9- 23 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900942/200923 Acórdão n.º 1803001.679 S1TE03 Fl. 76 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900942/200923 Acórdão n.º 1803001.679 S1TE03 Fl. 77 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 35verso): Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 31.10.2005, mediante o qual foi pedida restituição no valor original de R$ 44,99 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada. A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico (fl. 06), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/06/2009 (fl. 07) a interessada apresentou, tempestivamente, em 23/06/2009, manifestação de inconformidade (fls. 08/09) na qual, em síntese que: a) “Após revisão em nossos arquivos, constamos(sic) que nos exercício (sic) de 2003 e 2004, a empresa teve apuração de IRPJ e da CSLL Anual, tendo pago por estimativa mensal, desta forma o recolhimento mensal foi superior ao apurado anual, daí a existência do crédito suficiente para pagar os demais débitos os quais foram compensados nos anos calendários subseqüentes, através de PER/DCOMP. Entretanto, antes mesmo da emissão deste despacho decisório, revisando nossos arquivos e, em análise mais apurada, constatamos que nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, foram informados os valores pagos mensalmente por estimativa, sendo assim no dia 01 de Abril de 2009 procedemos a retificação das referidas DCTF’s (...)” ; b) “Diante de todas as análises, entendemos que a retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários – DCTF, irá sanar todas as divergências entre créditos e débitos, ou seja, mediante o procedimento de declaração retificadora, os débitos serão extintos.” Ao final, requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a conseqüente homologação da compensação declarada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 35): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900942/200923 Acórdão n.º 1803001.679 S1TE03 Fl. 78 4 3. Cientificada da referida decisão em 23/03/2011 (fls. 42 – numeração digital ND), a tempo, em 18/04/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 43 a 47 (ND), instruído com os documentos de fls. 48 a 72 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e informando estar encaminhando cópias de registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, de balanço transcrito no livro Diário e de Darf utilizado como referência de crédito na compensação, documentos, estes, necessários à demonstração do crédito pleiteado. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900942/200923 Acórdão n.º 1803001.679 S1TE03 Fl. 79 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Pedido de compensação 5. De início, convém observar que a decisão recorrida corretamente concluiu no seguinte sentido (fls. 36 e verso – destaques e notas do original): Por outro lado, tomandose em conta que o crédito apontado pelo sujeito passivo em sua declaração de compensação refere se a recolhimento de estimativas mensais, impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19961, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Notese que, ao final do anocalendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19962. 1 "Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior." 2 “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.” Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900942/200923 Acórdão n.º 1803001.679 S1TE03 Fl. 80 6 Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). 6. Por outro lado, conforme se observa da Planilha 1, constante do Recurso Voluntário (fls. 45 e 46 – ND), em que se comparam os valores de estimativas pagos no decorrer do anocalendário de 2002 e o valor total apurado (devido) no mesmo anocalendário, está a Recorrente, na realidade, pleiteando “crédito resultante da apuração final do exercício”. 7. Por conseguinte, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001866/2008-47
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PRECLUSÃO.
Não se instaura o litígio em relação à matéria que não foi objeto de impugnação.
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA.
Mantém-se o lançamento da glosa da compensação a maior imposto de renda retido na fonte, quando o contribuinte não comprova a exatidão do respectivo valor informado em sua declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-002.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Não se instaura o litígio em relação à matéria que não foi objeto de impugnação. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. Mantémse o lançamento da glosa da compensação a maior imposto de renda retido na fonte, quando o contribuinte não comprova a exatidão do respectivo valor informado em sua declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 18 66 /2 00 8- 47 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, do anocalendário de 2004, formalizada para cobrança de crédito tributário decorrente de: I) Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e FAPI, da fonte pagadora Itaú Vida e Previdência S/A, no valor de R$ 5.290,00, e; II) glosa da compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF pela fonte pagadora Johnson & Johnson do Brasil Ind. e Com. de Produtos, no valor de R$ 3.796,39. O contribuinte apresentou impugnação alegado, em resumo, que os valores informados em sua Declaração de Ajuste Anual estão de acordo com os comprovantes de rendimentos anexados (fls. 25, 26, 28 e 29), devendo ser cancelado o débito fiscal reclamado. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), considerou não impugnada a matéria relativa à omissão de rendimentos e, por outro lado, manteve a glosa da compensação de IRRF, uma vez que o comprovante apresentado pelo contribuinte confirma o lançamento realizado. Cientificado em 06/05/2011, sextafeira, fls. 46 (52, digital), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 07/06/2011, fls. 54 (60 digital), argumentando que apresenta os comprovantes originais dos demonstrativos de pagamentos da fonte pagadora Johnson & Johnson dos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e maio de 2003, nos quais constam as retenções de IRRF. Apresenta também o histórico de evolução das reservas que indica que no ano de 2003 não houve resgate de previdência privada no Banco Itaú. Solicita os ajustes desses valores e correção das cobranças indevidas. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A leitura da impugnação revela que, de fato, o contribuinte não contestou expressamente o lançamento referente à constatação de omissão de rendimentos no valor de R$5.290,00. Diante disso, fica evidenciado que a decisão de primeira instância em considerar não impugnada tal matéria está em consonância com o disposto no art 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que impõe a não instauração de litígio e a conseqüente preclusão do direito de argüir em segunda instância. Agora, na fase recursal, a contribuinte junta cópia do demonstrativo intitulado “Histórico de Evolução de Reservas, timbrado pela instituição financeira, fls. 60/61 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13884.001866/200847 Acórdão n.º 2802002.352 S2TE02 Fl. 76 3 (66/67 digital), na tentativa de demonstrar que inexistiu resgates de valores no anocalendário de 2003. Nesse aspecto, convém observar que mesmo que se leve em consideração a prevalência dos princípios da verdade material e da formalidade moderada dos processos administrativos fiscais, constatase que referido demonstrativo relaciona a provisão matemática de benefícios a conceder com base no valor de R$ 51.000,00 que teve entrada somente em 17/07/2003. Como os rendimentos informados pela fonte pagadora às fls. 43 (digital) faz referência também a meses anteriores a essa entrada (janeiro, abril e junho de 2003), fica evidenciado que o demonstrativo ora apresentado pelo recorrente não corresponde à operação que ensejou os resgates informados pela fonte pagadora, considerados omitidos pela notificação de lançamento. Também correta a decisão proferida em primeira instância quanto à manutenção do lançamento relativo à glosa do valor de R$ 3.796,39, em face da constatação de compensação a maior do IRRF na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. De acordo com os demonstrativos de pagamentos relativos aos meses de janeiro de 2003 a maio de 2003, apresentados pelo recorrente às fls. 68 a 72 (62 a 66, digital), o valor acumulado de IRRF atingiu o montante de R$ 6.264,22. Este montante somado ao valor de R$ 3.402,78, referente ao IRRF informado pela fonte pagadora às fls. 44 (digital) totaliza R$ 9.667,00. Como o contribuinte compensou o valor de R$ 13.463,39, correto o lançamento da glosa do valor de R$ 3.769,39 pelo lançamento. Uma vez que o contribuinte não comprovou o valor do imposto de renda retido na fonte informado em sua declaração de ajuste anual, prevalece a glosa do valor compensado a maior. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005328/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A dedução de despesas médicas que o contribuinte sabe não ter realizado, com o propósito de reduzir o montante do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude e legitima a qualificação da multa de oficio.
JUROS MORATÓRIOS - SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.368
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A dedução de despesas médicas que o contribuinte sabe não ter realizado, com o propósito de reduzir o montante do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude e legitima a qualificação da multa de oficio. JUROS MORATÓRIOS - SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). Recurso negado.
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JUROS MORATÓRIOS - SELIC - A partir de 1° de abiil de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplencia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. MOISÉS GIACOMEL • • • LVA - Presidente n !"--) -)1)rtgiá-l'AKLO PEREIRA BARBOSA — Relator FORMALIZADO EM: 7 7 OUT 2009 Processo n° 10120.005328/2006-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.368 Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Edgar Silva Vidal (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente convocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em exercício). 2 Processo n° 10120.005328/2006-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.368 Fl. 3 Relatório MANOEL TERRA DIAS JÚNIOR interpôs recurso voluntário contra acórdão da 3 a TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 426/438. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 36.739,04, acrescido de multa de oficio vinculada de 150% (qualificada) e multa isolada de 50% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 137,500,71. As infrações apontadas na autuação e que estão detalhadamente descritas no instrumento de autuação, foram: 1) Dedução indevida de despesas de livro-caixa, relativamente a rendimento sujeito ao ajuste anual; 2) dedução indevida de despesa de livro-caixa relativamente a rendimento sujeito ao pagamento antecipado do camê-leão. 3) Falta de recolhimento antecipado do imposto do camê-leão, sendo aplicada a multa isolada de 50%. O Contribuinte impugnou o lançamento, questionando a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, defendendo a aplicação do art. 112 do CTN que preconiza aplicação de interpretação mais favorável ao autuado. Argumenta que a autuação não levou em conta parâmetros de razoabilidade, impondo uma exação em montante que inviabiliza o seu pagamento. Questiona também a incidência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic e defende que deveria ser aplicada taxa de juros de 12% ao ano, conforme preceito constitucional insculpido no art. 192, parágrafo 3° da Constituição Federal. A 3a TURMA/DRJ-BRASILIA/DF julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a decisão de primeira instância ressalta que a impugnação não contesta a glosa das deduções de livro-caixa nem a aplicação da multa isolada, delimitando a matéria em litígio à qualificação da multa de oficio e aos juros de mora. Sobre a qualificação da multa de oficio, manifesta-se pela não aplicação ao caso do art. 112 do CTN, invocado pelo Contribuinte, pois não há dúvidas sobre a capitulação legal ou à natureza e circunstâncias materiais do fato, conforme prevê o dispositivo referido; que a exigência da multa está baseada em disposição de lei a qual deve ser observada pelos julgadores. Quanto aos juros de mora, destaca, da mesma forma, que se trata de exigência baseada em disposição de lei e que uma suposta inconstitucionalidade desta é matéria alheia à competência dos órgãos julgadores administrativos. Processo n° 10120.005328/2006-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.368 Fl. 4 O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 27/06/2007 (fls. 472) e, em 25/07/2007, interpôs o recurso de fls. 482/485, que ora se examina e no qual reitera sua manifestação contrária a qualificação da multa de oficio. Afirma que não incorreu em dolo, pois não preencheu pessoalmente sua declaração, que foi preenchida por seu contador, e que foi pego de surpresa com a intimação para prestar esclarecimentos sobre as deduções. Reafirma ponderações sobre a razoabilidade que não teria sido observada na autuação. Repete, também, as manifestações contrárias à incidência dos juros, cobrados com base na taxa Selic. É o relatório. 4 Processo n° 10120.005328/2006-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.368 Fl. 5 Voto Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se vê, resta em litígio apenas a qualificação da multa de oficio e os juros. As demais matérias não foram impugnadas e, inclusive, o crédito tributário a elas correspondentes foram apartados em outro processo. Sobre a qualificação da multa de oficio, no que se refere à aplicação do art. 112 do CTN e à razoabilidade, referidos pelo Recorrente, nem uma, nem a outra ponderação socorrem a defesa. O art. 112 do CTN aplica-se nas hipóteses de dúvidas quanto à capitulação ou a circunstâncias materiais do fato, o que não é o caso. A tipificação legal é clara sobre a aplicação da multa qualificada e sobre ter ocorrido ou não o evidente intuito de fraude, é matéria de mérito a ser examinada neste julgamento. Assim, só se aplicaria o dispositivo referido na hipótese de não se firmar convicção sobre a ocorrência ou não da circunstância material definida na norma ensej adora da qualificação da penalidade, o que, vale repetir, não é o caso. Conforme descrito na autuação, o Contribuinte deduziu despesas de livro- caixa lastreada em documentos inidôneos, fato que o Recorrente não contesta, limitando-se a dizer que não elaborou pessoalmente sua declaração. Ora, o fato de a declaração ter sido elaborada por uma terceira pessoa, o que também não está comprovado, é irrelevante, pois esse suposto terceiro o fez em nome do Contribuinte que, certamente, sabia ou deveria saber que não incorreu nas despesas cujas deduções pleiteou na declaração. O fato, então, configura claramente a hipótese definida no art. 44, da lei n° 9.430, de 1996, c/c os artigos 71 a 73 da lei n°4.502, de 1966, a saber: Lei n" 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1— II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (.) 1 Processo n° 10120.005328/2006-11 S2-C2T1 Acórdão n." 2201-00.368 Fl. 6 ,sÇ 2" Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. (Alterado pela Lei n° 9.532, de 10.12.97). Lei n°4.502, de 1964: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A utilização de documentos inidôneos para lastrear dedução de despesa na qual o Contribuinte não incorreu com o propósito de reduzir o valor do imposto devido configura com perfeição a hipótese definida na lei como fraude. Portanto, é o caso de aplicação da multa qualificada. Sobre os juros calculados com base na taxa Selic, trata-se de exigência baseada em disposição expressa de lei, a qual os órgãos julgadores administrativos não podem negar validade com base em juízo de inconstitucionalidade. A este propósito, o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes já consolidou entendimento no sentido de sua regularidade, vejamos: Súmula 1° CC te 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Não merece reparos o lançamento também quanto a esse item. V(-63 Processo n° 10120.005328/2006-11 S2-C2T 1 1 Acórdão n.° 2201-00.368 Fl. 7 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. a das Sessões, em 31 de julho de 20097i , nick,./0‘,./v. pila-t-tikk_. D O P ULO PER IRA BARBOSA - Relator , i, 7 1
score : 1.0
Numero do processo: 12448.734343/2011-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.
É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas.
MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS.
Em toda infração esta presente a culpa ou dolo genérico, sujeito a multa de oficio de 75%. Na imposição da multa qualificada de 150% também se exige o dolo, mas o dolo específico, a vontade livre, consciente e deliberada de sonegar, de cometer a infração ou assumir o risco consciente da conduta.
Incabível assim a imposição da multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico, aspecto subjetivo do infrator, na vontade deliberada ou assunção consciente da sonegação.
Numero da decisão: 2201-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencida a Conselheira Nathália Mesquita Ceia, que deu provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Rodrigo Brunelli Machado, OAB/SP 154.354 e pela Fazenda Nacional a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra. O Advogado do Contribuinte requereu a retirada de pauta do processo, com fundamento na ausência de paridade, o que foi indeferido pela Presidência da Turma, por falta de previsão regimental.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Nathália Mesquita Ceia, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente) e Odmir Fernandes. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. Em toda infração esta presente a culpa ou dolo genérico, sujeito a multa de oficio de 75%. Na imposição da multa qualificada de 150% também se exige o dolo, mas o dolo específico, a vontade livre, consciente e deliberada de sonegar, de cometer a infração ou assumir o risco consciente da conduta. Incabível assim a imposição da multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico, aspecto subjetivo do infrator, na vontade deliberada ou assunção consciente da sonegação.
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ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. Em toda infração esta presente a culpa ou dolo genérico, sujeito a multa de oficio de 75%. Na imposição da multa qualificada de 150% também se exige o dolo, mas o dolo específico, a vontade livre, consciente e deliberada de sonegar, de cometer a infração ou assumir o risco consciente da conduta. Incabível assim a imposição da multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico, aspecto subjetivo do infrator, na vontade deliberada ou assunção consciente da sonegação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencida a Conselheira Nathália Mesquita Ceia, que deu provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Rodrigo Brunelli Machado, OAB/SP 154.354 e pela Fazenda Nacional a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra. O Advogado do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 43 43 /2 01 1- 62 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Contribuinte requereu a retirada de pauta do processo, com fundamento na ausência de paridade, o que foi indeferido pela Presidência da Turma, por falta de previsão regimental. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Nathália Mesquita Ceia, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente) e Odmir Fernandes. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador/BA, que manteve parte da autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, sobre apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de ações ou quotas não negociadas em bolsa de valores. Auto de infração (fls. 03 a 08) com ciência em 30.09.2011 (AR fls. 545) teve origem após constatações das irregularidades apontadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 09 a 50). Impugnação (fls. 556 a 586). A decisão recorrida (fls. 594 a 600 ) com ciência em 03.04.2012 (fls. 607), manteve em parte da autuação em razão de o custo de aquisição das novas ações deve corresponder ao valor das antigas ações subtraído dos lucros e reservas de lucros a distribuir ou a capitalizar existentes na incorporadora no momento da incorporação. A exigência inicial de R$ 707.698,69, teve exoneração de R$ 69.914,90. A decisão esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente da majoração do custo de aquisição das ações alienadas na apuração do ganho de capital. LANÇAMENTO. MULTA QUALIFICADA. É cabível o lançamento da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) quando for verificada a majoração indevida do custo de aquisição das ações vendidas na apuração do ganho de capital com o claro intuito de reduzir o imposto devido. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 12448.734343/201162 Acórdão n.º 2201002.153 S2C2T1 Fl. 3 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No Recurso Voluntário (fls. 612 a 645), protocolado em 25.04.2012 sustenta em síntese: a) Os lucros da investida não são os lucros da investidora, sendo uma holding pura ou não; b) As cisões com as incorporações reversas foram adotadas por representarem a forma mais rápida, prática e eficiente de se fazer com que as ações da SOTEP chegassem aos compradores; c) A opção pela capitalização de lucros, antes das incorporações (ou cisões com incorporações com o mesmo tratamento) era irrelevante em termos fiscais, é só ocorreu para identificar com clareza o montante dos lucros e reservas convertidos em capital e afastar dúvidas quanto à existência da capitalização; d) A bonificação de R$ 3.382.873,22 não foi propiciada pelas operações de reestruturação (incorporações e cisões com incorporações inversas), pois são resultados da distribuição e/ou capitalização de lucros da empresa que participava antes da reestruturação; e) Não cabe aplicação da multa qualificada de 150%. É o breve relatório. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Cuidase de autuação do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF mantida pela decisão recorrida, com a multa qualificada de 150%, sobre ganho de capital na apuração do custo de aquisição das ações alienadas, após a reorganização societária de incorporações inversas e extinção das sociedades investidoras (holdings) detentoras das ações alienadas. O Relatório de Fiscalização e a decisão recorrida dão conta que os lucros e reservas de lucros foram capitalizados nas investidoras (holdings) e na investida com a incorporação e utilização dos mesmos lucros ou reservas causado pelo efeito reflexo nas sociedades incorporadas. Entendeu a autuação e a decisão recorrida que houve majoração artificial do custo da participação societária alienada com a apropriação indevida dos mesmos lucros e reservas de lucros refletidos da sociedade da investida (geradora dos lucros) e nas sociedades investidoras holdings na apuração dos resultados pelo método da equivalência patrimonial. A autuação não admitiu os acréscimos artificiais do duplo custo de aquisição causado pela incorporação dos mesmos lucros e/ou reserva de lucros da sociedade investida e investidora, reajustou a base de calculo e tributou o efetivo ganho de capital na alienação ações pelo Recorrente. Sustenta o Recorrente que o art. 135, do RIR/99, que regulamentou o Parágrafo Único art.10, da Lei nº 9.249, de 1995, ampara seu procedimento tributário. Vejamos: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). De fato, o dispositivo autoriza computar no custo de aquisição, para efeito da apuração do ganho de capital, os lucros ou reservas de lucros em razão do aumento de capital ou incorporação dos resultados apurados pela sociedade. A conduta do Recorrente estaria perfeita se a qualificação do fato – que é único – os lucros ou reservas de lucros – gerados pela sociedade operacional, pudesse existir de forma isolada nas sociedades. O efeito contábil de os mesmos resultados da investida, geradora dos lucros, refletir nas sociedades investidoras existe apenas para fins contábeis da apuração dos resultados, pelo método da equivalência patrimonial e demonstração dos resultados exigidos pela legislação societária, mas isso não significa existir lucros isolados nas investidoras se elas não geram resultado próprio para compor o custo de aquisição na alienação da participação societária como entendeu o Recorrente na leitura do art. 135, do RIR/99. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 12448.734343/201162 Acórdão n.º 2201002.153 S2C2T1 Fl. 4 5 A independência e a autonomia patrimonial das sociedades que são distintas da investida, investidoras, sócios, acionistas e controladores, não socorre o Recorrente para permitir a dupla ou tripla utilização dos mesmos lucros e reservas de lucros no custo de aquisição, se eles apenas refletem na demonstração dos resultados das sociedades coligadas, advindos da investida. Necessário destacar, o efeito da dupla ou tripla capitalização dos mesmos lucros somente se tornou possível no imaginário do autuado em razão da incorporação. Não houvesse essa incorporação não apareceria a possibilidade da dupla utilização, diante da autonomia e independência patrimonial de bens, embora reflexo. Não há equivoco na lei e nem na sua interpretação. O detalhe é qualificação do fato único – os lucros ou reservas de lucros da sociedade operacional da investida refletir nas holdings, mas isto, repetimos, não permite artificialmente – computar duplo ou triplo custo de aquisição, caudado pela incorporação das sociedades como se pudesse existir lucro autônomo nas sociedades investidoras e na investida. O duplo ou triplo efeito é mera ficção, necessária para apuração da demonstração dos resultados na participação acionária em cada sociedade. No Balanço Patrimonial Consolidado, se houvesse, seria estaria espelhada a total impropriedade da tese do Recorrente, que não se sustenta ao menor argumento com o conhecimento dos fatos. A decisão recorrida com inteira propriedade fixou exatamente esse entendimento que temos sustentado em diversos votos com a mesma natureza da autuação. Pela importância didática do tema passamos a reproduzir a decisão da DRJ de Salvador/BA, da Relatoria do julgador a quo, José Lacerda Valadão Neto: O art. 135 do RIR/1999 prevê que o custo de aquisição de ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros ou reservas de lucros será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio. O impugnante entende que não há restrição na aplicação do referido dispositivo quando o lucro capitalizado decorrer da avaliação de investimento em empresa controlada pelo método da equivalência patrimonial, mesmo nos casos em que os lucros não tenham sido distribuídos pela empresa controlada. Apesar de não haver qualquer restrição legal neste sentido, é importante identificar corretamente qual é o custo de aquisição das ações recebidas em decorrência da incorporação inversa da investidora/controladora pela investida/controlada, quando ainda existam lucros a distribuir e reservas de lucros na investida/controlada no momento da incorporação. Nos termos do art. 227 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades Anônimas), na incorporação a incorporadora deve aumentar seu capital no valor equivalente ao acervo líquido da incorporada, sendo que as ações representativas desse aumento são entregues aos acionistas da incorporada. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES 6 Na incorporação inversa, devese perceber que, caso ainda existam lucros a distribuir e reservas de lucros na investida/controlada no momento da incorporação, o investidor troca as antigas ações da incorporada pelas novas ações da incorporadora, juntamente com o direito de receber ou capitalizar os lucros e reservas de lucros existentes nesta última. Ou seja, o custo de aquisição das antigas ações se desdobrará em dois valores: o valor de aquisição das novas ações e o valor correspondente ao direito que o investidor passa a ter de receber ou capitalizar os lucros e reservas de lucros existentes na incorporadora. Diante do exposto, concluise que o valor de aquisição das novas ações é o valor das antigas ações subtraído do valor dos lucros e reservas de lucros a distribuir ou capitalizar existentes na incorporadora no momento da incorporação. Caso tais lucros e reservas de lucros venham a ser futuramente capitalizados, constituirão o custo de aquisição das novas ações, caso sejam distribuídos aos sócios não haverá que se falar em acréscimo no custo das ações. Percebase que no lançamento o fiscal buscou eliminar as distorções no custo de aquisição das ações, apurado pelo contribuinte, que capitalizou sucessivamente lucros apurados com base na avaliação de investimentos mediante a aplicação do método de equivalência patrimonial, e que ao mesmo tempo recebeu dividendos distribuídos. A distorção decorre da falta de segregação entre o custo de aquisição das ações recebidas nas sucessivas incorporações inversas e o direito aos lucros que passou a ter em decorrência de cada uma destas alterações societárias. A decisão recorrida após fazer diversos cálculos aumentou o custo de aquisição e cancelou parte da autuação. O Recorrente sustenta ainda em memórias e na tribuna, em sustentação oral não no recurso, erro e defeito no critério da apuração do custo de aquisição do ganho de capital, diz que em várias autuações com a mesma natureza a fiscalização utilizou formas diferentes de apuração do custo de aquisição, buscando com isso a nulidade da autuação. Contudo, são alegações com cálculos matemáticos, sem se demonstrar e comprovar, no devido contraditório, onde estaria defeito, o erro ou o possível prejuízo ao autuado no critério de cada situação. Alguns critérios de apuração podem ser apontados, sem que um ou outro possa desqualificado na ausência de prova técnica firme e segura do acerto ou desacerto, com o devido contraditório. São elas sem exclusão de outros: (a) Custo inicial de aquisição da participação societária, com as incorporações dos lucros e reservas de lucros capitalizados; (b) Exclusão do custo artificial (indevido); ou (c) Participação societária do autuado, após a incorporação e a extinção das holdings, em relação ao PL Patrimônio Liquido, da sociedade investida (operacional). Fl. 660DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 12448.734343/201162 Acórdão n.º 2201002.153 S2C2T1 Fl. 5 7 Erro ou defeito do critério da apuração do custo de aquisição pode até existir, mas é necessário demonstrar e comprovar a sua existência e o prejuízo para o autuado. Comprovado prejuízo, podase o excesso, sem que isso seja causa de nulidade da autuação. Ademais, nesse critério pode existir também prejuízo à Fazenda, em beneficio e vantagem ao autuado, com a apuração e a constituição do crédito tributário do possível, sem existir qualquer reparo na autuação, apenas lamento justo do jus esperniandi. Multa qualificada. A decisão recorrida manteve a qualificadora por entender que houve dolo do autuado ao majorar artificialmente o custo de aquisição das ações alienadas. Confirase: Multa qualificada O documento intitulado "reestruturação 2007/2008" mostra que os atos foram praticados seguindo um plano prévio, orquestrado com o claro propósito de reduzir o imposto de renda a pagar sobre ganho de capital. A conduta das pessoas físicas mostra a disposição de, deliberadamente, buscar reduzir o ganho de capital e a base de cálculo do imposto de renda. O resultado dessa conduta foi a declaração de ganho de capital com o custo de aquisição majorado artificialmente, e o recolhimento do imposto de renda calculado sobre uma base de cálculo indevida, resultando em um recolhimento inferior ao efetivamente devido. A Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, define a fraude tributária: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Por sua vez, a lei n° 9.430/96 trata das multas de ofício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ........ § 7e O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei ns 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Desta forma, a multa de ofício será aplicada no percentual de 150% Fl. 661DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES 8 Houve de fato majoração artificial do custo de aquisição, mas daí a qualificar a existência de dolo nesse fato, isto é, a vontade livre e consciente de sonegar, com a duplicação da penalidade, vai uma distancia longe pela falta de elemento objetivo e seguro para aferir esse comportamento subjetivo do agente sujeito da infração. O negócio existiu; as incorporações e a extinção das empresas holdings existiram. Observando os resultados de forma individualizada, na figura da autonomia patrimonial das sociedades investida e holdings eles existem, a diferença é de serem os mesmos resultados de uma ou de outra sociedade, face à incorporação realizada. Portanto, os resultados aparentes existem e possuem representação necessária nas sociedades investidas e investidoras por decorrência da contábil da equivalência patrimonial, da legislação societária e fiscal. Não há falsidade nos resultados refletidos, a lei exige que sejam assim, mas são apenas resultados aparentes, reflexos de uma em outra. Também não houve fraude ou simulação no negócio realizado, qualificase a penalidade apenas pelo dolo, conforme se lê no relatório de relatório de fiscalização, situação que exige, pela natural subjetividade, maiores elementos da intenção ou do concurso deliberado e consciente de sonegar. Sem isso, permeando dúvida entre o elemento subjetivo, intencional do agente de aproveitar a brecha da lei, levar vantagem da interpretação do art. 135, do RIR/99, e o dolo a vontade livre, deliberada e consciente de sonegar, a qualificadora deve ser cancelada. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para excluir a multa qualificada, mantendo a multa de ofício de 75%. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 662DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 12448.734343/201162 Acórdão n.º 2201002.153 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 13116.901988/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/01/2006
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 19 88 /2 00 9- 17 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Brasília (fls. 33/35 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido de COFINS efetuado em 16/01/2006. A compensação não foi homologada sob o argumento de que o pagamento aduzido como indevido (no montante de R$ 11.652,43) teria sido utilizado na quitação integral de débito do contribuinte declarado em DCTF (data de apuração 31/12/2005), não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde defende que o departamento jurídico do órgão que representa sua classe (OCBGO) foi favorável ao aproveitamento do crédito por haver casos de entidades de mesma natureza em Goiás que já haviam usufruído de tal direito. Ressalta, ainda, que em análise dos PER/DCOMP glosados, constatou existir sim o crédito reclamado, aos quais se refere em tabelas demonstrativas. Os argumentos aduzidos pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, sob o argumento de que a recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito tributário alegado, a teor do disposto no art. 170 do CTN. Ainda segundo os fundamentos em que se alicerçou referida decisão, a reclamante, [...] para ter direito a pagamento vinculado a débito confessado em DCTF, mediante a comprovação do erro em que se funde, antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo (CTN, Arts. 147, § 1º, e 139, § único), deveria ter retificado suas declarações (DCTF e DIPJ) ou ter trazido aos autos sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99 [...] Assim, como a suplicante não retificou a DCTF e não apresentou comprovação escritural do crédito, foi indeferido o pedido de homologação da compensação desejada. Cientificada da referida decisão em 10/04/2012 (vide AR de fls. 38), a interessada, em 10/05/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 39/42, onde reitera ter direito ao crédito decorrente do pagamento da COFINS sob o argumento de que as entidades cooperativas são isentas da referida contribuição em relação a atos com cooperados, conforme disposto no artigo 74 da Lei no 5.764/71, assim como nas Leis 9.718/98 e 10.865/2004. Em vista do alegado equívoco no preenchimento das declarações DCTF e DIPJ, alega, num primeiro momento, haver retificado e transmitido citadas declarações à RFB; posteriormente, informa não ter sido possível retificálas. A título de comprovação a recorrente anexa cópias de comprovante de pagamento (DARF) e impresso de demonstração de resultados do período de 01/10/2005 a 31/12/2005, os quais, alega, seriam suficientes para demonstrar o direito reclamado. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13116.901988/200917 Acórdão n.º 3802001.791 S3TE02 Fl. 51 3 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Conforme relatado, a primeira instância de julgamento indeferiu o pedido em vista da não comprovação do direito creditório aduzido pelo sujeito passivo. De acordo com o estatuto social da entidade, acostado aos autos, a natureza jurídica da reclamante é sim a de uma sociedade cooperativa de transporte, que tem, dentre os seus objetivos sociais, o de “organizar, em comum e em maior escala, os serviços de transportes rodoviários de cargas, municipal, intermunicipal e interestadual, bem como, o transporte de passageiros e escolar, grão, insumos agrícolas (adubo, calcário) [...]”, etc. De acordo com o artigo 10, inciso VI, bem como artigo 15, inciso V, ambos da Lei nº 10.833/2003, as sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária e as de consumo, estão sujeitas ao regime cumulativo das contribuições para o PISPASEP e para a COFINS. Contudo, as atividades das cooperativas de transporte, quando prestadas a associados, poderão ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme artigo 16 da IN SRF no 635, de 24/03/2006, abaixo transcrito: Art. 16º A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; II exclusão das receitas de venda de bens a associados, vinculados às atividades destes. III exclusão das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados aplicáveis na atividade de transporte rodoviário de cargas, relativos a assistência técnica, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, para a aquisição de bens vinculados à atividade de transporte rodoviário de cargas, até o limite dos encargos devidos às instituições financeiras; e V dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Fl. 52DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º A sociedade cooperativa de transporte rodoviário de cargas, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. § 2º Para efeito do inciso I do caput, entendese como ingresso decorrente de ato cooperativo a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa. § 3º As disposições dos incisos I a V do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2005. De acordo com a referida instrução normativa, a sociedade cooperativa de transporte rodoviário de cargas, nos meses em que fizer uso de quaisquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput do referido artigo, deverá também efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários (§ 1o, artigo 16). Ademais, nos termos do § 3o do preceito em evidência, as disposições relativas às exclusões em tela são válidas para os fatos geradores ocorridos a partir de 1o de dezembro de 2005. Portanto, o período em exame encontrase regido pela citada norma. Como se vê, a tributação dos ingressos decorrentes de atos cooperativos depende do exame da circunstância de o respectivo ato por ela praticado ser ou não qualificável como ato cooperativo tendente à consecução dos fins estatutários, sujeito à correspondente comprovação nos registros da entidade da legitimidade das exclusões da base de cálculo da contribuição. No caso presente, a título de comprovação, além da cópia dos DARF de recolhimento, a recorrente acostou aos autos unicamente impresso de demonstração de resultados do período de 01/10/2005 a 31/12/2005, onde, como receitas operacionais, está consignado apenas o montante total das receitas de serviços de transporte (ver fls. 45/47). Além disso, dentre as despesas elencadas, muito embora conste referência a “DESPESAS COM PIS”, não está demonstrado que tal “lançamento” seria relativo ao PIS incidente sobre a folha de salários, ao qual a recorrente estaria obrigada acaso tivesse feito uso de quaisquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput do artigo 16 da IN SRF no 635, de 24/03/2006. Vale ressaltar que a comprovação do recolhimento do PIS sobre a folha de salários teria valor unicamente subsidiário para demonstrar que houve registro de exclusões ou deduções legalmente previstas, nada dizendo a respeito da apuração dos montantes excluídos, que deveria ter sido comprovada, não se prestando para tal fim o impresso acostado pela recorrente, pois este não comprova que a receita seria integralmente decorrente de atos com cooperados. Não há, no demonstrativo das receitas, nenhuma alusão a esse fato. O motivo do indeferimento da manifestação de inconformidade pela instância recorrida foi a não comprovação da liquidez e certeza do crédito destinado a compensação na DCOMP. A interessada, portanto, ficou inteiramente ciente das razões que levaram ao indeferimento de seu pedido e comparece agora, novamente, sem apresentar a prova do crédito alegado, cujo ônus é da própria recorrente. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13116.901988/200917 Acórdão n.º 3802001.791 S3TE02 Fl. 52 5 relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 22 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10925.903012/2009-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2002
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Não se reconhece como pagamento de tributo passível de restituição/compensação, para compor o saldo negativo de CSLL, valor que se baseia apenas em declarações (DIPJ e DCOMP). A efetividade da realização da compensação há que ser comprovada mediante a prova do lançamento contábil a crédito do ativo circulante que registra o tributo a recuperar e a débito da conta do passivo que registra a obrigação da estimativa a recolher.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
FALTA DE PROVAS - A impugnação/recurso deve estar acompanhada de provas, de forma a comprovar o alegado, em obediência ao comando contido no inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/93.
Numero da decisão: 1802-001.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Não se reconhece como pagamento de tributo passível de restituição/compensação, para compor o saldo negativo de CSLL, valor que se baseia apenas em declarações (DIPJ e DCOMP). A efetividade da realização da compensação há que ser comprovada mediante a prova do lançamento contábil a crédito do ativo circulante que registra o tributo a recuperar e a débito da conta do passivo que registra a obrigação da estimativa a recolher. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). FALTA DE PROVAS A impugnação/recurso deve estar acompanhada de provas, de forma a comprovar o alegado, em obediência ao comando contido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 30 12 /2 00 9- 66 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 no inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/93. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto parte do Relatório da decisão recorrida (fls.60/61) que transcrevo a seguir: Por meio do Despacho Decisório de folhas 5 a 7 foi homologada parcialmente a compensação informada na Declaração de Compensação Dcomp n° 11274.57846.190307.1.7.031840 e não homologada a compensação informada na Dcomp no 26362.29969.160906.1.7.030991, resultando no valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados no montante de R$ 479.782,04 (quatrocentos e Setenta e nove mil, seiscentos e oitenta e dois reais e quatro centavos), acrescido de multa de mora e juros de mora. ... Irresignada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de f. 1 a 4, na qual alega que: No PER/DCOMP com demonstrativo de crédito 11274.57846.190307. 1.7.03 1840 a empresa consignou que a origem do seu crédito era saldo negativo de CSLL no importe de R$ 607.652,60. Esse era um PER/DCOMP retificador entregue em 19.03.2007 atendendo solicitações da Receita Federal. Na mesma data (19.03.2007), a empresa protocolou junto a Agência da Receita Federal em CaçadorSC uma missiva — cuja cópia segue anexa — informando que este PER/DCOMP 11274.57846.190307.1.7.031840 estava sendo entregue para complementar o crédito que consta da DIPJ do exercício de 2003, ano calendário de 2002. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.903012/200966 Acórdão n.º 1802001.791 S1TE02 Fl. 3 3 Informou, ainda, nesta missiva, que mesmo discriminando todos os pagamentos efetuados durante o ano de 2002 (R$ 1.112.144,34), estes não foram suficientes para atingir o crédito constante da DIPJ (exercício 2003, anocalendário 2002) no montante de R$ 1.537.613,03, pois no PER/DCOMP não havia campo para informar o saldo negativo oriundo da DIPJ ref. ao exercício de 2002, ano calendário de 2001, no importe de R$ 425.468,80. Eis a razão para o protocolo da missiva em 19.03.2007 — ausência de campo, no PER/DCOMP para informar o saldo negativo de R$ 425.468,70 — oriundo do exercício de 2002, repitase, anocalendário de 2001. (...) O despacho decisório, no entanto, simplesmente ignorou a informação da empresa devidamente entregue à Receita Federal em 19.04.2007. Merece reforma, portanto, tal decisão aqui objurgada. Não bastasse isso, é incompreensível o porquê do valor lançado como principal alcançar a cifra de R$ 479.782,04 (quando deveria ser de R$ 425.468,70), tampouco o porquê do aproveitamento de apenas R$ 161.583,79 no período de apuração de janeiro de 2003 (197.785,38 — 36.201,59), quando deveria ser de R$ 182.183,91 (saldo negativo de CSLL tido como disponível). Tais incongruências também apontam para a ausência de precisão do ato administrativo exarado, o que fere o art. 142 do CTN. Após a apresentação da manifestação de inconformidade, a interessada requereu a anexação de documentos relativos ao alegado na manifestação de inconformidade (f. 32 a 45). Estes documentos referemse a termo de intimação feita pela autoridade preparadora, resposta e declaração de compensação em papel que teria sido apresentada à época. Consta no Despacho Decisório em relação aos PERDCOMP nº 11274.57846. 190307. 1.7.031840 e 26362.29969.160906.1.7.030991: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP no valor de R$ 1.112.144,34; Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 607.652,60 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.537.613,03 CSLL devida: R$ 929.960,43 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) Valor do saldo negativo disponível: R$ 182.183,91 0 crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo [...] Análise das Parcelas de Crédito Pagamentos O valor confirmado da parcela de pagamento esta limitado ao valor informado no PER/DCOMP no campo Valor do Principal Utilizado para Compor o SN do PA do PER/DCOMP “ Parcelas Confirmadas 76.507,94 recolhido em 30/04/2002 62.535,22 recolhido em 29/08/2002; 180.751,76 recolhido em 30/09/2002; 180.216,60 recolhida em 31/10/2002; 204.517,84 recolhido em 29/11/2002; 194.446.70recolhido em 30/12/2002; 213.168,28 recolhido em 31/01/2003; ... A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 07 27.419, de 10 de fevereiro de 2012 (fls.60/62), cientificado ao interessado em 17/04/2012 (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.60): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.903012/200966 Acórdão n.º 1802001.791 S1TE02 Fl. 4 5 A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 09/05/2012 narrando, essencialmente, os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados. A Recorrente insiste que o saldo negativo da CSLL no ano calendário de 2002 importa em R$ 607.652,60 e não em R$ 182.183,91 conforme o Despacho Decisório e mantido pela decisão recorrida. Repete que, mesmo discriminando no PERDCOMP todos os pagamentos efetuados durante o ano de 2002 no total de R$ 1.112.144,34, estes não foram suficientes para atingir o crédito constante da DIPJ (exercício 2003, anocalendário 2002) no montante de R$ 1.537.613,03, pois no PER/DCOMP não havia campo para informar o saldo negativo oriundo da DIPJ ref. ao exercício de 2002. anocalendário de 2001. no importe de R$ 425.468,70, cujo saldo se encontra na DIPJ/2002,fl.9. Diz que, o crédito existe e não pode ser desconsiderado, conforme descreve (Descrição da origem do crédito utilizado nesta declaração: Pagamentos: código 2484): 76.507,94 recolhido em 30/04/2002 62.535,22 recolhido em 29/08/2002; 180.751,76 recolhido em 30/09/2002; 180.216,60 recolhida em 31/10/2002; 204.517,84 recolhido em 29/11/2002; 194.446.70recolhido em 30/12/2002; 213.168,28 recolhido em 31/01/2003; Saldo negativo da CSLL do exercicio 2002, ano calendário 2001, no valor de R$ 425.468,70, recolhido pelo código 2464 117.488,34 em 30/01/2002 127.709,55 em 28/1212001; 131.619.67 em 29/11/2001; 114.934,96 em 31/10/2001 cujo valor foi utilizado 48.651,24. Este crédito totaliza o valor de R$1.537.613,04. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam consideradas integralmente válidas e homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 11274.57846.190307.1.7.031840 e no PER/DCOMP 26361.29969.160906.1.7.030991. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado, por meio do Despacho Decisório de folhas 5 a 7 foi homologada parcialmente a compensação informada na Declaração de Compensação Dcomp n° 11274.57846.190307.1.7.031840, fls.10/19, e não homologada a compensação informada na Dcomp no 26362.29969.160906.1.7.030991, fls.20/24, resultando no valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados no montante de R$ 479.782,04 (quatrocentos e Setenta e nove mil, seiscentos e oitenta e dois reais e quatro centavos), acrescido de multa de mora e juros de mora. O mencionado decisório foi mantido em sede de primeira instância. Consta do despacho decisório que, o valor confirmado da parcela de pagamento esta limitado ao valor informado no PER/DCOMP no campo “Valor do Principal Utilizado para Compor o SN do PA do PER/DCOMP ”, a seguir: 76.507,94 recolhido em 30/04/2002 62.535,22 recolhido em 29/08/2002; 180.751,76 recolhido em 30/09/2002; 180.216,60 recolhida em 31/10/2002; 204.517,84 recolhido em 29/11/2002; 194.446.70 recolhido em 30/12/2002; 213.168,28 recolhido em 31/01/2003; Total: R$ 1.112.144,34 E, considerando a CSLL devida: R$ 929.960,43, restou o saldo negativo disponível: R$ 182.183,91, relativo ao ano calendário de 2002. A recorrente contesta tal decisão e insiste que o saldo negativo correto é o valor declarado no PERDCOMP no montante de R$ 607.652,60. A Recorrente alega que, mesmo discriminando no PERDCOMP todos os pagamentos por estimativa efetuados durante o ano de 2002 no total de R$ 1.112.144,34, estes não foram suficientes para atingir o crédito constante da DIPJ (exercício 2003, anocalendário 2002) no montante de R$ 1.537.613,03, pois no PER/DCOMP não havia campo para informar o saldo negativo oriundo da DIPJ ref. ao exercício de 2002. anocalendário de 2001. no importe de R$ 425.468,70, cujo saldo se encontra na DIPJ/2002,fl.9. Explica que o Saldo Negativo da CSLL do exercício 2002, ano calendário 2001, no valor de R$ 425.468,70, recolhido pelo código 2464, são os seguintes: 117.488,34 em 30/01/2002 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.903012/200966 Acórdão n.º 1802001.791 S1TE02 Fl. 5 7 127.709,55 em 28/1212001; 131.619.67 em 29/11/2001; 114.934,96 em 31/10/2001 cujo valor foi utilizado 48.651,24. Desse modo, afirma que os pagamentos totalizam o valor de R$ 1.537.613,04 (R$ 1.112.144,34 + R$ 425.468,70). Dúvida não há quanto ao valor das parcelas de pagamento por estimativa no total de R$ 1.112.144,34 informado no PER/DCOMP. Assim, a discussão gira em torno da diferença de R$ 425.468,70 (R$ 607.652,60 R$ 182.183,91). Como se vê, toda a polêmica decorre de haver o contribuinte informado nos PERDCOMPs, em comento, o saldo negativo de 31/12/2002, no valor de R$ 607.652,60, porém vinculado aos pagamentos efetuados em 2002 que totalizam o valor de R$ 1.112.144,34 e não R$ 1.537.613,04, no qual inclui o saldo negativo do ano calendário de 2001, na ordem de R$ 425.468,70. A questão é saber se de fato o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2002 está composto por estimativas compensadas com o saldo negativo do ano calendário de 2001. Observandose os valores mensais calculados por estimativa constantes na DIPJ/2003, constatase que nos períodos de apuração de: janeiro a março/2002, a CSLL foi calculada com base na receita bruta; abril a julho/2002 com base em balanço ou balancete de suspensão/redução; e, de agosto a dezembro/2002, com base na receita bruta. Os valores demonstrados na FICHA 16 CALCULO DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA, item 07, CSLL A PAGAR, fls.47/58, são os seguintes: JANEIRO: CSLL A PAGAR 130.101,60 (com base na receita bruta) FEVEREIRO: CSLL A PAGAR 124.871,28 (com base na receita bruta) MARÇO: CSLL A PAGAR 129.515,41 (com base na receita bruta) ABRIL (com base em balanço ou balancete de suspensão/redução) 02.CSLL APURADA 282.982,20 DEDUÇÕES 04.()CSLL DEVIDA EM MESES ANTERIORES 501.976,63 07.CSLL A PAGAR 218.994,43 MAIO (com base em balanço ou balancete de suspensão/redução) 02.CSLL APURADA 378.027,97 DEDUÇÕES 04.()CSLL DEVIDA EM MESES ANTERIORES 501.976,63 07.CSLL A PAGAR 123.948,66 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 JUNHO (com base em balanço ou balancete de suspensão/redução) 02.CSLL APURADA 452.341,57 DEDUCOES 04.()CSLL DEVIDA EM MESES ANTERIORES 501.976,63 07.CSLL A PAGAR 49.635,06 JULHO (com base em balanço ou balancete de suspensão/redução) 02.CSLL APURADA 564.511,85 DEDUCOES 04.()CSLL DEVIDA EM MESES ANTERIORES 501.976,63 07.CSLL A PAGAR 62.535,22 AGOSTO: CSLL A PAGAR 180.751,76 (com base na receita bruta) SETEMBRO: CSLL A PAGAR 180.216,60 (com base na receita bruta) OUTUBRO: CSLL A PAGAR 204.517,84 (com base na receita bruta) NOVEMBRO: CSLL A PAGAR 194.446,70 (com base na receita bruta) DEZEMBRO: CSLL A PAGAR 213.168,28 (com base na receita bruta) O Recorrente não alega pagamentos efetuados em relação aos mencionados períodos de apuração (janeiro a março de 2002), exceto o valor de R$ 76.507,94, data de arrecadação: 30/04/2002, o qual compôs àquele total de R$ 1.112.144,34. Tampouco há manifestação explícita sobre a suspensão/redução do recolhimento da CSLL apurada nos meses de abril a julho/2002. Consta da DIPJ/2003, FICHA 16 CALCULO DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA, item 04, o valor de R$ 501.976,63, a título de “()CSLL DEVIDA EM MESES ANTERIORES” como dedução da CSLL mensal devida, a partir do mês de abril até julho/2002, como explicitado acima. Depreendese que tal valor de R$ 501.976,63 resulta do recolhimento de R$ 76.507,94 relativo ao período de apuração de março/2002, efetuado em 30/04/2002 (+) mais R$ 425.468,70 relativo ao saldo negativo de 2001. Passemos a análise do valor de R$ R$ 425.468,70, referente à compensação de saldo negativo de IRPJ (DIPJ 2002 – ano calendário:2001), a compor o saldo negativo de 2002, alegado pela recorrente. O Código Tributário Nacional (CTN) dispõe em seu artigo 170 que “A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Dessa forma, o CTN não deixa dúvidas de que a compensação dever ser expressamente autorizada por lei, a qual fixará as suas condições e garantias para sua efetivação ou irá transferir esta responsabilidade para a autoridade administrativa. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.903012/200966 Acórdão n.º 1802001.791 S1TE02 Fl. 6 9 O artigo 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, previa a auto compensação de tributos da mesma espécie, que consiste na compensação onde o contribuinte faz por conta própria, sem fazer qualquer requisição ou comunicação à Fazenda Pública. Assim, a compensação seria feita na escrituração do contribuinte e passível de verificação pela autoridade administrativa no seu poderdever de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias do sujeito passivo. Com a edição da Lei nº 9.430/96, a teor do artigo 74, a Secretaria da Receita Federal, após a análise de cada caso, “atendendo a requerimento do contribuinte”, poderia autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração, e, por óbvio os tributos da mesma espécie, desse modo, com o advento da mencionada lei ocorreu a revogação tácita do artigo 66 da Lei nº 8.383/81. Não há nos autos qualquer prova da existência de Pedido de Restituição/Compensação no sentido de compensar suposto saldo negativo de CSLL (DIPJ 2002 – ano calendário:2001), para quitação de CSLL por estimativa nos meses de janeiro a julho de 2002. Desse modo, faltam requisitos essenciais para dar validade a compensação efetuada pelo contribuinte sem qualquer requerimento à competente autorização prevista em lei. Ainda que se admitisse a nãorevogação tácita do artigo 66 da Lei nº 8.383/81, portanto, admitindose a autocompensação até a alteração da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 10.637/2002, o contribuinte não juntou aos autos registros da sua escrituração contábil da suposta compensação ocorrida capaz de comprovar a redução do ativo circulante a recuperar – Saldo da CSLL/2001 – em contrapartida da CSLL a recolher por estimativa de janeiro a julho/2002, de modo a demonstrar a compensação (encontro de contas) a que alude a recorrente. Sabendose que tal documentação é de fácil compreensão e independe de diligência ou perícia a ser produzida. As Declarações (DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Pelas razões acima aduzidas, entendo que não deve ser reconhecido como pagamento de tributo passível de restituição/compensação, para compor o saldo negativo da CSLL de 2002 valor que se baseia apenas em declarações (DIPJ/2002 e DIPJ/2003) por lhe faltar liquidez e certeza. A efetividade da realização da compensação há que ser comprovada mediante a prova do lançamento a crédito do ativo circulante (líquido e certo) e a débito da conta do passivo que registra a obrigação da estimativa a recolher. O contribuinte teria à sua disposição todos os meios para provar a quitação das aludidas estimativas (de janeiro a julho de 2002), via compensação. Não o fez. A simples DIPJ é insuficiente para provar a existência da compensação do saldo de 2001 como forma de Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 quitação da obrigação por estimativa para compor o saldo credor de 2002. A comprovação dos lançamentos com documentação idônea são alguns dos elementos que alcançariam o objetivo. É cediço que, os balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto devem compreender o período entre 1º de janeiro e a data da apuração do lucro real em que se pretende reduzir ou suspender a CSLL. No presente caso, o contribuinte não trouxe aos autos balanços ou balancetes, transcritos no Diário ou Lalur, que compreendam o período de 1º de janeiro a julho/2002 a comprovar que a CSLL paga referente ao período de janeiro a julho de 2002 foi suficiente para quitar a CSLL por estimativa até julho de 2002, somados aos valores recolhidos no montante de R$ 1.112.144,34. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis da conta de ativo da CSLL a recuperar e a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros "Diário" ou "Lalur", principalmente porque, para não ter que recolher a CSLL de abril a julho/2002, o contribuinte deveria ter levantado balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução no mencionado período. A impugnação/recurso deve estar acompanhada de provas, de forma a comprovar aquilo que alega, em obediência ao comando contido no inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Portanto, não vislumbro como, diante desse quadro, reconhecer o direito da recorrente para aumentar o saldo credor a ser compensado com os Pedidos de Compensação além do limite de R$ 182.183,91. Diante do exposto voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11330.001305/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 05 /2 00 7- 06 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11330.001305/200706 Acórdão n.º 2402003.318 S2C4T2 Fl. 97 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 19/09/2007 (fl. 03), decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição dos segurados, no período de 01/08/1997 a 31/12/1998. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 39/71) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ, ao analisar o presente caso (fls. 76/79), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) o prazo decadencial extinguese após 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido constituído; e (ii) não compete à instância administrativa manifestarse sobre a legalidade ou constitucionalidade das leis. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 87/92) argumentando que deve ser aplicado o prazo decadencial quinquenal. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende ver cancelado o lançamento, pois teria ocorrido a decadência dos valores exigidos. Analisando os argumentos apresentados, verificase que lhe assiste razão, pois, seja na modalidade prevista no art. 150, § 4º, ou naquela prevista no art. 173, inc. I, do CTN, todos os períodos contidos na presente autuação foram atingidos pela decadência. Isto porque, o presente crédito tributário foi constituído em 19/09/2007 (fl. 03) para exigir contribuições relativas ao período de 08/1997 a 13/1998, ou seja, após aproximadamente 10 anos da ocorrência dos fatos geradores. Vale considerar que havia na época da lavratura da notificação a previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11330.001305/200706 Acórdão n.º 2402003.318 S2C4T2 Fl. 98 5 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, reconhecendo a extinção dos créditos tributários pela decadência. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725982/2009-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
São pressupostos de admissibilidade dos embargos de declaração a existência de obscuridade, omissão ou contradição entre a parte dispositiva e os fundamentos do acórdão ou omissão do colegiado quanto ao enfrentamento de tema a ele submetido.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2802-001.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora .
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 12/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. São pressupostos de admissibilidade dos embargos de declaração a existência de obscuridade, omissão ou contradição entre a parte dispositiva e os fundamentos do acórdão ou omissão do colegiado quanto ao enfrentamento de tema a ele submetido. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora . (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 12/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 82 /2 00 9- 62 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 257/259), em face do Acórdão 2802.001.182, de 27 de outubro de 2011, fls. 81/89. de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “Com a devida vênia, o v. acórdão embargado incide em omissão e obscuridade ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie. Primeiramente, é preciso esclarecer, que a verba em discussão nestes autos –URV – não foi paga em razão de sentença judicial, mas sim em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. A autuada recebeu os valores ao longo de 36 (trinta e seis) meses, durante os anos de 2004, 2005 e 2006, por força da referida norma. Portanto, a validade da incidência do IRPF deve levar em consideração que os valores foram espontaneamente pelo Estado da Bahia, não se tratando de verba decorrente de condenação judicial. É relevante também mencionar que a verba recebida pela autuada não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Aliás, é preciso levar em consideração que o próprio o STJ esclareceu recentemente que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória. Ou seja, só não incidirá imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. Com efeito, a Primeira Seção do STJ, em julgamento proferido no dia 14.03.2012, nos autos do RESP 1.163.490/SC, esclareceu, a bom termo, o teor do precedente firmado em sede de recurso repetitivo acerca da incidência do IRPF sobre os juros de mora (RESP 1.227.133/RS). A ementa restou assim redigida: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ Fl. 262DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725982/200962 Acórdão n.º 2802001.860 S2TE02 Fl. 3 3 PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. .Agravo regimental não provido.” É bem verdade que esse novo acórdão ainda não foi publicado, podendo sofrer modificações. Porém, sua utilidade está em demonstrar a tese verdadeiramente firmada no Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, qual seja: o imposto de renda não incide sobre os juros quando a verba trabalhista possui natureza indenizatória, de modo que, a contrario senso, em sendo de natureza remuneratória, seria possível a incidência do tributo. Na hipótese em análise, a verba principal recebida pela autuada não tem natureza trabalhista e/ou indenizatória nem foi recebida em virtude de sentença judicial, o que leva à conclusão de que não se aplicam a ela os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis.O acórdão embargado excluiu da tributação os valores de R$32.074,88 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 em cada um dos três exercícios, recebidos, pelo contribuinte, a título de juros das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Inferese, nos autos que os rendimentos foram pagos, ao contribuinte, pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Vêse claramente que as quantias foram recebidas em decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial. O acórdão embargado foi proferido em 27 de outubro de 2011, com o fundamento de não incidência de IR sobre os juros moratórios/ compensatórios recebidos pela contribuinte em virtude de decisão judicial, adotando o entendimento do STJ (REsp 1072609/SC), no sentido de que os juros de mora possuem caráter acessório e devem seguir a mesma sorte da importância principal, de sorte a se tratar de matéria a ser decidida por ocasião da análise da natureza jurídica dos valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%). Planilha de fls. 19 da conta de que do valor total R$231.704,01, percebido pelo contribuinte , relativo aos período 2004/2006, R$96.224,64 referemse a juros moratórios (R$32.074,88 em cada período). Ademais, no acórdão embargado, foi reproduzido o entendimento vigente a data em que foi proferido e segundo o qual o caráter indenizatório dos juros de mora não estava atrelado à condenação em ação judicial trabalhista, enquanto a embargante amparase no entendimento firmado pelo STJ posteriormente quando dos EDCL no RESP 1.227.133/RS. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado acerca da adoção do entendimento do STJ exposto no RESP 1.227.133/RS, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 2802.001.182, de 27 de outubro de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, devendo ser dado ciência à PGFN, tudo com fulcro no art. 65, §§ 3º e 4º, do Anexo II, do RICARF. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 264DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.004089/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO.
Para fins do disposto no art. 15, § 1º, III, a, da Lei nº 9.249/95, consideram-se serviços hospitalares os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, ainda que a pessoa jurídica prestadora não se constitua em hospital. Todavia, não são considerados serviços hospitalares as simples consultas médicas, ainda que realizadas no interior de hospitais.
Numero da decisão: 1201-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir da tributação o valor dos demais procedimentos médicos hospitalares, sendo que os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e André Almeida Blanco excluíam também o valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas, assim como os juros de mora sobre a multa de ofício. Fará declaração de voto o Conselheiro André Almeida Blanco.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. Para fins do disposto no art. 15, § 1º, III, a, da Lei nº 9.249/95, consideram-se serviços hospitalares os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, ainda que a pessoa jurídica prestadora não se constitua em hospital. Todavia, não são considerados serviços hospitalares as simples consultas médicas, ainda que realizadas no interior de hospitais.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. Para fins do disposto no art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, consideram se serviços hospitalares os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, ainda que a pessoa jurídica prestadora não se constitua em hospital. Todavia, não são considerados serviços hospitalares as simples consultas médicas, ainda que realizadas no interior de hospitais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir da tributação o “valor dos demais procedimentos médicos hospitalares”, sendo que os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e André Almeida Blanco excluíam também o “valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas”, assim como os juros de mora sobre a multa de ofício. Fará declaração de voto o Conselheiro André Almeida Blanco. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 40 89 /2 00 8- 22 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme descrito no termo de verificação de irregularidade fiscal (fl. 9), a autoridade acusa a contribuinte, optante pela apuração do IRPJ do ano de 2005 com base no lucro presumido, de não haver comprovado a prestação de serviços hospitalares que justificasse a adoção do coeficiente de presunção de 8%, razão pela qual lavrou auto de infração (fls. 2/8) mediante utilização do coeficiente de 32%, a teor do disposto no art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95. Impugnada a exigência (fls. 40/62), a DRJ de origem decidiu pela procedência do lançamento (fls. 121/129). Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 132/152) pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeiro grau, sob as seguintes alegações, em síntese: a) nulidade do lançamento, por ausência de motivação; b) nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, pois a autoridade não expôs as razões pelas quais desconsiderou os documentos e esclarecimentos apresentados pela empresa durante a fiscalização; c) a autoridade não se desincumbiu do ônus de comprovar a acusação por ela perpetrada, tendo sido o lançamento realizado em curto espaço de tempo e com base em mera presunção de que a empresa não prestava serviços hospitalares; d) a empresa presta serviços de medicina auxiliar de diagnóstico, atividade que se enquadra no conceito de “serviços hospitalares” de que cuida o art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, fazendo jus, portanto, à adoção do coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido; e) incabível a exigência de juros de mora calculados com base da taxa Selic; f) a multa aplicada, de 75%, possui efeito confiscatório; g) não procede a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Apreciadas as razões de defesa, esta Turma, em atenção à decisão do STJ proferida nos autos do Resp nº 1.116.399/BA, que estabeleceu o alcance da expressão “serviços hospitalares” contida no art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que o autor do feito, ou outro AuditorFiscal designado para tanto, intime a contribuinte para que esta: a) esclareça o significado de cada um dos códigos de serviços constantes das planilhas juntadas ao feito e comprove este Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 4 3 significado por meio, por exemplo, de documentação fornecida pelo agente emissor das planilhas; b) destaque os códigos atinentes ao serviço de consulta médica daqueles atinentes aos serviços tipicamente hospitalares segundo o entendimento fixado nesta resolução; e c) elabore demonstrativo trimestral, por médico prestador, em que se discriminem os valores relativos aos serviços tipicamente hospitalares daqueles de consulta médica. Por fim, solicitase à autoridade fiscal que verifique se os valores constantes dos esclarecimentos e demonstrativos apresentados pelo contribuinte correspondem àqueles que serviram de base à presente autuação e, ao final, elabore relatório circunstanciado do resultado da diligência em que deve constar a discriminação de eventuais divergências. Encerrada a instrução processual, deverá ser novamente intimada a recorrente para que, se assim lhe convier, apresentar contrarazões ao relatório de diligência no prazo de trinta dias de sua ciência. Cumprida a diligência, a autoridade fiscal elaborou relatório a partir das informações prestadas pela contribuinte. Intimada a se manifestar sobre o relatório de diligência no prazo de 30 dias, a interessada solicitou prorrogação do prazo, não tendo sido atendida. Os autos, então, retornaram a esta Turma para julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Das Alegações de Nulidade do Lançamento Não assiste razão à recorrente quando aponta ausência de motivação do ato de lançamento. De fato, como se verifica no auto de infração, a exigência foi motivada por força da “[a]plicação incorreta do coeficiente de 8% sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, quando o correto seria 32% (...)”. Quanto à alegação de cerceamento do direito de defesa, é de se dizer que a auditoria fiscal regese pelo princípio inquisitório, não possuindo o sujeito passivo, naquela fase do procedimento, direito à defesa, motivo pelo qual é incabível falarse em seu cerceamento. O direito à ampla defesa e ao contraditório surge apenas com a fase de impugnação ao lançamento, quando o procedimento passa a ser regido pelo princípio Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 5 4 dispositivo. Somente os atos processuais praticados a partir de então podem propriamente ser declarados nulos por cerceamento do direito de defesa, a teor dos arts. 14 e 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72. 3) Da Atividade de Prestação de Serviços Hospitalares Sobre a determinação da base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, o art. 15 da Lei nº 9.249/95 e o art. 25 da Lei nº 9.430/96 assim estabelecem: Lei nº 9.249/95 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...) Lei nº 9.430/96 Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Isso posto, não há dúvida de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares que optarem pelo lucro presumido deverão adotar o coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ, enquanto as pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral ficam obrigadas a empregar o coeficiente de 32%. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 6 5 A questão, entretanto, é identificar o significado e o alcance da expressão “serviços hospitalares”, contida no citado art. 15 da Lei nº 9.249/95. Ao se debruçar sobre o problema a Primeira Seção do STJ, no âmbito do Resp nº 1.116.399/BA, o qual foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), assim estabeleceu: 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 7 6 demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). Em síntese, segundo o STJ, qualificamse como hospitalares, para fins do disposto no art. 15 da Lei nº 9.249/95, os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, ainda que a pessoa jurídica prestadora não se constitua em hospital. Não se caracterizam como serviços hospitalares, todavia, as simples consultas médicas, ainda que realizadas no interior de estabelecimentos hospitalares. Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do CARF estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Em assim sendo, estabelecida pelo STJ, em sede de recurso especial submetido ao regime de que trata o art. 543C do CPC, a interpretação que se deve emprestar ao art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, deverá este órgão administrativo adotála em seus julgados. No presente feito foram apresentadas junto à peça impugnatória planilhas relativas a valores supostamente recebidos pela pessoa jurídica em razão de serviços prestados por seus sócios atinentes ao período objeto do lançamento. No entanto, uma vez que nas referidas planilhas não há uma clara distinção entre as receitas oriundas de consultas médicas e as receitas provenientes da prestação de “serviços hospitalares”, o processo foi baixado em diligência a fim de que fosse elucidada essa questão. No relatório de diligência constam os seguintes demonstrativos, elaborados a partir das informações prestadas pela própria contribuinte em resposta a intimação fiscal a ela dirigida: 1° Trimestre/2005 Valor R$ 1 Valor da Receita Bruta (Auto de Infração e DIPJ) 133.281,51 a) Valor não discriminado nas planilhas apresentadas 36.949,00 b) Valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas 54.931,50 c) Valor dos demais procedimentos médicos hospitalares 41.401,01 2TOTAL: (a+b + c) 133.281,51 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 8 7 2° Trimestre/2005 ValorR$ 1 Valor da Receita Bruta (Auto de Infração e DIPJ) 124.909,30 a) Valor não discriminado nas planilhas apresentadas 38.055,28 b) Valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas 52.573,30 c) Valor dos demais procedimentos médicos hospitalares 34.280,72 2 TOTAL: (a + b + c) 124.909,30 3a Trimestre/2005 ValorR$ 1 Valor da Receita Bruta (Auto de Infração e DIPJ) 142.754,30 a) Valor não discriminado nas planilhas apresentadas 35.527,37 b) Valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas 60.706,90 c) Valor dos demais procedimentos médicos hospitalares 46.520,03 2 TOTAL: (a+b + c) 142.754,30 4o Trimestre/2005 ValorR$ 1 Valor da Receita Bruta (Auto de Infração e DIPJ) 140.335,57 a) Valor não discriminado nas planilhas apresentadas 38.944,25 b) Valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas 58.032,00 c) Valor dos demais procedimentos médicos hospitalares 43.359,32 2 TOTAL: (a + b + c) 140.335,57 Verificase nos demonstrativos acima reproduzidos que, do total da receita bruta lançada de ofício, apenas os valores indicados no item “c” de cada um dos trimestres devem ser afastados, haja vista que enquadramse no conceito de “serviços hospitalares” definido pelo STJ. Por outro lado, devem ser mantidos os valores indicados no item “b”, já que as consultas médicas não são conceituadas como “serviços hospitalares”. Também devem ser mantidos os valores indicados no item “a”, pois, como a contribuinte não comprovou a natureza daqueles serviços, devem ser eles tributados pelo maior coeficiente de presunção. 4) Taxa Selic, Multa Confiscatória e Juros sobre a Multa de Ofício Alega a recorrente ser incabível a incidência da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Ocorre que este Conselho já pacificou a questão por meio da publicação de sua súmula nº 4, que assim estabelece: Súmula CARF nº 4: (DOU de 09/12/2010) A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que concerne à alegação de que a multa de ofício possui caráter confiscatório, violando assim o disposto no art. 150, IV, da Constituição, é de se dizer que tanto o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, quanto a súmula CARF nº 2, abaixo transcritos, vedam a este Conselho deixar de aplicar lei sob o argumento de inconstitucionalidade: Decreto nº 70.235/72: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 9 8 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Súmula CARF nº 2: (DOU de 09/12/2010) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, afirma a recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Também aqui não assiste razão à defesa. Isso porque a multa de ofício é parte do crédito tributário sobre o qual incidirão os juros de mora. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme de observa na abaixo transcrita ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ lançado de ofício os seguintes valores: 1° Trimestre 2° Trimestre 3° Trimestre 4° Trimestre 41.401,01 34.280,72 46.520,03 43.359,32 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 187DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 10 9 Declaração de Voto Conselheiro André Almeida Blanco Cumprimento o I. Relator pelo seu voto, mas ouso divergir de seu entendimento sobre os dois pontos a seguir tratados. I – Consultas médicas ambulatoriais O presente Processo Administrativo teve origem na autuação da Recorrente pela suposta aplicação indevida do coeficiente de presunção de 8%, sob alegação de que o correto seria o de 32%. Entendeu o ilustre Relator que no caso das “Consultas Médicas” realizadas pela Recorrente não seria cabível a aplicação do coeficiente de 8%, vez que não tratarseiam as mesmas de “Serviços Hospitalares”, nos termos da lei. Ouso divergir de seu posicionamento, haja vista que há que se segregar as “Consultas Médicas” vinculadas aos procedimentos hospitalares e aquelas prestadas pelos médicos, profissionais liberais, em seus consultórios. Isso porque existem consultas vinculadas aos procedimentos hospitalares e cirúrgicos, podendo as mesmas seremlhes antecedentes ou decorrentes, mas que estão intimamente ligadas ao procedimento hospitalar. Diferentes são as consultas prestadas em consultórios médicos, muitas vezes apenas de rotina, e que estão desvinculada de qualquer procedimento hospitalar. Essas sim estão sujeitas à aplicação do coeficiente de 32%, conforme sustentou o ilustre Relator. Por outro lado, a fiscalização não demonstrou nos autos que a Recorrente não teria prestado serviços vinculados à atividade hospitalar, motivo pelo qual lhe deve ser aplicado o coeficiente de 8%. Veja que não se está falando aqui de um consultório médico, mas sim de uma clínica especializada, com custos muito superiores aos dos consultórios médicos, bem como com infraestrutura bem superior. O Superior Tribunal de Justiça, analisando situação similar, já decidiu que: TRIBUTÁRIO – IRPJ E CSLL – ALÍQUOTA REDUZIDA – ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI N. 9.249/95 – LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES – NOVEL ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Concluiu a Primeira Seção que, "por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade Fl. 188DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 11 10 não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos." (REsp 951251/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 22.4.2009, DJe 3.6.2009). 2. Para fazer jus à concessão do benefício fiscal previsto nos artigos 15, § 1º, III, "a" e 20 da Lei n. 9.249/95, é necessário que a prestação de serviços hospitalares seja realizada por contribuinte que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, e não apenas a capacidade de internação de pacientes. 3. Merece reforma o entendimento firmado pela Primeira Turma, para reconhecer a incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços laboratoriais de análises clínicas. Embargos de divergência providos (EREsp 956.122/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe 01/10/2009 Dessa forma, entendo que correta a aplicação do coeficiente de 8% às Consultas Médicas em questão nos presentes autos. II – Incidência de juros de mora sobre a multa Entendo não poder prosperar também a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Dispõe o art. 161 do Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O caput do art. 161 realiza uma clara distinção entre o crédito tributário e as penalidades, dispondo de forma expressa que àquele são acrescidos os juros de mora. A norma não prevê a incidência dos juros de mora sobre a penalidade aplicada. Ao tratar do assunto, Gabriel Lacerda Troianelli ensina afirma que: Com efeito, se o trecho do caput do artigo 161 acima transcrito pudesse ser lido como”o tributo e a penalidade pecuniária não integralmente pagos no vencimento são acrescidos de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”, a consequência disso seria absurda, pois tal redação permitiria não apenas que sobe a penalidade pecuniária não paga no vencimento incidisse juros, mas também que sobre essa penalidade pecuniária não paga no vencimento (trinta dias contados do lançamento, no caso dos Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 12 11 tributos federais) fosse imposta nova “penalidade cabível”, e assim por diante, em uma seqüência infinita de multas sobre multas impostas a cada trinta dias. Assim, se a fiscalização constatasse que o sujeito passivo não pagou R$ 100,00 no vencimento, aplicaria multa de R% 75,00, que, não paga no respectivo vencimento (trinta dias), demandaria (além da incidência dos juros) a imposição de nova multa, agora no valor de R$ 5,25, que, não paga nos trinta dias subseqüentes à sua imposição, geraria nova multa no valor de R$ 42,19, até que, no limite dessa seqüência infinita, a multa tendesse a zero. Ora, o absurdo dessa conclusão demonstra o equívoco da sua premissa, de que o “crédito” de que trata o caput do artigo 161 refirase não só ao tributo como também à penalidade1. Em voto vencido muito bem fundamentado, o Conselheiro Valmir Sandri, no julgamento do Recurso nº. 147.759, tratou muito bem a questão ora discutida, traçando um histórico legislativo que corrobora a tese ora sustentada e que tomolhe de empréstimo: Por seu turno, o legislador ordinário editou uma série de normas que modificou inúmeras vezes o regime em relação à aplicação dos juros, e para uma melhor análise da exigência acima, faz se necessário uma digressão dos diversos dispositivos legais que trataram e trata da incidência e cobrança de juros de mora, vejamos: Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1º A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2º A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro d e1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º e janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: 1 TROIANELLI, Gabriel Lacerda. A não incidência de juros moratórios sobre multa não paga no vencimento. Revista Dialética de Direito Tributário n. 174. Março 2010. P. 51. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 13 12 I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Da leitura dos dispositivos legais acima transcritos, vê se claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, exclusivamente sobre os “tributos e contribuições” e, sobre os “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” administrados pela Secretaria da Receita Federal. Posteriormente, o Governo Federal emitiu a Medida Provisória nº. 1.54218, de 16 de janeiro de 1997, que foi sendo reeditada, até sua conversão na Lei nº 10.522/2002, a qual tratou acerca da incidência dos juros moratórios nos arts. 29 e 30, vejamos: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. § 1º A partir de 1º de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2º Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004089/200822 Acórdão n.º 1201000.793 S1‐C2T1 Fl. 14 13 moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3º Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n.) Da simples leitura da norma acima transcrita, vê se que a mesma tratou da incidência de juros de mora sobre “débitos de qualquer natureza”, tão somente para os débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995. Assim, temse que a regra vigente no momento da constituição do crédito tributário no presente caso é a determinada pelo art. 61 nº 9.430/9, a qual regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997, não contemplando, portanto, os débitos decorrentes da multa. Da exegese dos dispositivos acima transcritos, resta clara a inaplicabilidade da taxa Selic sobre a multa de ofício, uma vez que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, e sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Dessa forma, concluise que não há autorização legal para a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, com a exclusão das parcelas referidas às Consultas Médicas do total do crédito tributário exigido, bem como com a exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. (documento assinado digitalmente) André Almeida Blanco Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO
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