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Numero do processo: 11080.728949/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora efetue imputação proporcional dos depósitos judiciais, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora efetue imputação proporcional dos depósitos judiciais, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0131.938, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Belém (efls. 507 a 517). Os autos de infração (AI) abaixo relacionados são relativos a contribuições previdenciárias da empresa, para outras entidades e fundos e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (Gilrat), incidentes sobre a comercialização da produção rural do segurado especial e do produtor rural pessoa física, não declaradas em Gfip: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 28 94 9/ 20 14 -5 5 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 3 2 · AI debcad 51.060.4129, R$3.616.169,67 – contribuição da empresa e Gilrat. Levantamentos PRRural e SARat. · AI debcad 51.060.4137, R$344.397,09 (incluído: valor atualizado, juros e multa de ofício), contribuição destinada ao Senar. Levantamento PR Rural. Consta do relatório fiscal (efls. 31 a 34), em síntese, que: (a) a recorrente ajuizou a Ação Ordinária 200871000289386/RS (SJRS do TRF4) contra o recolhimento do Funrural; no curso da ação, depositou judicialmente valores deduzidos dos produtores associados; (b) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, art. 151, II, do CTN, não impede a realização do lançamento para prevenir a decadência, apenas a sua cobrança; (c) o depósito realizado não é o previsto no art. 151, II, CTN, já que não é do montante integral, pois inexiste crédito definitivamente constituído na esfera administrativa susceptível de ter sua exigibilidade suspensa; (d) o fato gerador da obrigação tributária é a aquisição pela entidade da produção rural de produtor rural segurado especial e produtor rural pessoa física; a base de cálculo é o valor das notas fiscais dos produtores rurais e segurado especial registrado nas notas fiscais de entrada de mercadorias emitidas pelo adquirente. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e seu acórdão recebeu as seguintes ementas: DEPÓSITO JUDICIAL. INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA. REQUISITOS LEGAIS. Posicionamentos jurisprudenciais sobre a desnecessidade da realização de lançamento tributário na hipótese de eventual depósito do montante integral não têm o condão de revogar norma que versa sobre o lançamento para prevenir a decadência. Nesta mesma norma, contida no art. 63 da Lei 9.430/96, não está incluído o depósito judicial como hipóteses de exclusão da multa, ainda mais quando o depósito não é no montante integral, não ensejando, nessas condições, nem mesmo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Tampouco cabe a utilização da analogia ou outro método integrativo, uma vez que tais matérias, nos termos do Código Tributário Nacional, somente podem ser estabelecidas por lei. IDENTIDADE DE MATÉRIA. PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITOS DA CONCOMITÂNCIA. Em obséquio ao princípio da unicidade de jurisdição, não se toma conhecimento da parte da impugnação que tenha o mesmo objeto de ação judicial. A constatação da concomitância deve ser seguida da declaração da definitividade da exigência discutida, ou seja, mantém se a parte do lançamento concomitante e atrela seu destino a futura decisão judicial transitada em julgado. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 4 3 PAF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITAÇÃO. O julgador de litígios administrativos fiscais, no âmbito da Administração Tributária Federal, não recebeu autorização de nenhuma norma jurídica brasileira para decidir sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis que, eventualmente, fundamentaram a confecção de determinado lançamento tributário. Pelo contrário, a opção do sistema jurídico pátrio foi pela unicidade da jurisdição, portanto, é vedado ao julgador administrativo negar vigência a determinado dispositivo normativo sob a alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Esta atribuição foi reservada ao poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 29/06/2015 (efl. 526). Em 22/07/2015, foi apresentado recurso voluntário, na qual é alegado, em apertada síntese (efl. 529 a 581): EM PRELIMINAR, (a) a nulidade dos autos de infração, que incluíram, no mesmo lançamento, situações jurídicas distintas, com efeitos jurídicos distintos, quais sejam: (a.1) R$1.110.031,15 referese às contribuições retidas dos associados nãoempregadores e depositados na Justiça; (a.2) R$677.202,08 referese às contribuições NÃO retidas dos associados empregadores; a impossibilidade de suspender apenas uma parte do lançamento em face do depósito judicial integral, uma vez que as limitações do sistema de cadastro e registro dos lançamentos fiscais impõem que sejam dissociados débitos que 1) ficarão com exigibilidade suspensa automática e sem cobrança de multas daqueles que 2) estão em situação diversa; NO MÉRITO, (b) violação à decisão do STF em repercussão geral nos RE 363.852MG e RE 596.177/RS, já transitados em julgado, que declararam inconstitucional a contribuição social sobre comercialização rural prevista no art. 25 da Lei 8.212, de 1991 e exigida dos adquirentes da produção por força do art. 30 da referida lei, das quais faz minuciosa abordagem; (c) violação ao art. 151, II, do CTN, já que promoveu o depósito integral do crédito tributário, e a decisão recorrida “considerou que a existência de decisão judicial para não haver retenção e conseqüente não realização de depósito judicial de operações com alguns associados (empregadores) tornaria o depósito de outras operações com outros associados (nãoempregadores), parcial”; não possui amparo legal entender que se uma operação específica com associado (empregador) não teve retenção e não foi depositado, teria o efeito jurídico de desnaturar toda a natureza das demais obrigações tributárias existentes; assim, deve ser determinado que todo o valor depositado em Juízo, R$1.110.031,15, tenha sua exigibilidade suspensa; Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 5 4 (c) violação ao art. 151, V, do CTN, ao desconsiderar decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na qual foi declarado expressamente a inconstitucionalidade da cobrança do tributo; dessa forma, o valor de R$677.202,08 também deve ter sua exigibilidade suspensa, eis que protegido pela decisão judicial; (d) verificada a hipótese de inexigibilidade do crédito tributário não pode a administração constituir a autuada em mora, impondolhe a cobrança de juros e multa, nem mesmo exigir e cobrar o débito com exigibilidade suspensa. Foram feitos os seguintes pedidos: (a) nulidade do lançamento; (b) seja determinado o retorno para a Delegacia de origem, a fim de desmembrar o lançamento para que os valores objeto de depósito judicial figurem em um lançamento, enquanto que os valores que deixaram de ser retidos e recolhidos por força de decisão judicial sejam apostos em outro lançamento; (c) a extinção do lançamento porque seu objeto diz respeito a tributo declarado inconstitucional pelo STF; (d) seja determinada a suspensão da exigibilidade dos valores contidos nas autuações, (e) sejam excluídas as multas aplicadas sobre valores depositados em Juízo. É o relatório. Conselheiro relator João Bellini Júnior Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. DA INCIDÊNCIA DE MULTA E JUROS A recorrente alega violação ao art. 151, II e V do CTN, já que: (a) promoveu o depósito integral do crédito tributário e não possui amparo legal entender que se uma operação específica com associado (empregador) não teve retenção e não foi depositado, teria o efeito jurídico de desnaturar toda a natureza das demais obrigações tributárias existentes; assim, deve ser determinado que todo o valor depositado em Juízo, R$1.110.031,15, tenha sua exigibilidade suspensa, em face do art. 151, II, do CTN e que o valor de R$677.202,08 também deve ter sua exigibilidade suspensa, eis que protegido por decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região; (b) verificada a hipótese de inexigibilidade do crédito tributário não pode a administração constituir a autuada em mora, impondolhe a cobrança de juros e multa, nem mesmo exigir e cobrar o débito com exigibilidade suspensa. Convém fazer uma síntese do desenvolvimento da Ação Ordinária (Procedimento Comum Ordinário) nº 2008.71.00.0289386/RS, promovida pela atuada contra a União (efls. 398 a 415, 447 a 487 e consulta ao sítio eletrônico do TRF4 e do STF). A ação foi proposta em 19/11/2008, tendo como objeto o reconhecimento da “ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, prevista no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, e alterações promovidas pelas Leis nºs. 8.540/92, 8.861/94, 9.528/97 e 10.256/01 e alterações posteriores, com a consequente repetição ou compensação do indébito”: Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 6 5 SENTENÇA I Relatório A COOPERATIVA ARROZEIRA PALMARES LTDA., devidamente qualificada na inicial, atuando em Juízo em nome de seus associados, propôs a presente Ação Declaratória de Inconstitucionalidade cumulada com Pedido de Restituição, em face da União Federal. Informa ter como objeto social a prestação de serviços e comércio de produção agrícola, em razão do que está obrigada à retenção da Contribuição sobre a Comercialização de Produto Rural pessoa física prevista no art. 25 c/c arts. 28 e 30 da Lei n.º 8.212/91. Alinhou argumentos acerca da legitimidade para propor a presente ação em nome de seus associados, colacionando julgados. Pediu seja reconhecida a interrupção da prescrição em razão de citação válida em ação extinta sem julgamento do mérito. Alegou que com a publicação da Lei nº 8.213/91 as contribuições devidas sobre a comercialização da produção rural foram extintas, sendo reinstituída a contribuição sobre a comercialização do produtor rural pessoa física segurado especial com a edição da Lei 8.212/91 e do produtor rural pessoa jurídica a partir da Lei n.º 8.870/94. A contribuição para o produtor rural pessoa física empregador somente restou devida a partir da Lei n.º 8.540/92. Portanto, a Lei n.º 8.212/91 importou na extinção das contribuições do produtor rural pessoa física empregador e pessoa jurídica, na medida em que não arrolou tais contribuições, que só foram previstas nas Leis nºs. 8.540/92 e 8.870/94, respectivamente. Discorreu acerca da inconstitucionalidade na instituição da sobredita contribuição a partir das Leis n° 8.212/91 e nº 8.870/94 e alterações promovidas pelas Leis n° 8.540/92, n° 8.861/94, n° 9.528/97 e n° 10.256/2001, pois referidas normas carecem de descrição do fato gerador, a base de cálculo não está prevista no art. 195 da Constituição Federal, exigindose lei complementar para contribuições novas, além do que, há bitributação pois a base imponível já é objeto de outros tributos, como a COFINS. Diante de tal situação requereu seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, prevista no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, e alterações promovidas pelas Leis nºs. 8.540/92, 8.861/94, 9.528/97 e 10.256/01 e alterações posteriores, com a consequente repetição ou compensação do indébito. Requereu condenação da parte ré nos ônus de sucumbência. Juntou documentos às fls. 35211. (Grifouse.) A sentença, de 15/06/2009, foi denegatória: III – Dispositivo Ante o exposto julgo improcedente a demanda. Condeno a parte autora ao pagamento de honorários advocatícios à parte ex adversa, os quais, considerando o disposto no § 4.° do art. 20 do Código de Processo Civil, fixo em R$ 2.000,00 (dois mil reais), e nas custas processuais, atualizáveis essas verbas monetariamente até a data do efetivo pagamento pelo IPCAE. Publiquese. Registrese. Intimemse. Interposta apelação ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em 21/07/2010, a apelação foi julgada (parcialmente) procedente, para declarar indevido “o Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 7 6 recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização de produtos de produtor rural empregador, previsto no artigo 25 da Lei 8.212/91 e condenar a União à restituição dos valores indevidamente recolhidos àquele título, conforme fundamentado” (Grifouse.): VOTO (vencedor) Contribuição previdenciária sobre a produção rural (...) Pois bem, não há dúvidas de que a decisão proferida no RE n.° 363.852 declarou a inconstitucionalidade da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural em relação aos produtores rurais que não se amoldem à categoria dos segurados especiais, visto que o aludido recurso extraordinário foi interposto por pessoa jurídica adquirente de produtos cujos fornecedores eram pessoas físicas empregadoras. (Grifos no original.) (...) Em suma, a contribuição social sobre o resultado da comercialização da produção rural é legítima relativamente ao segurado especial (inciso VII do artigo 12 da Lei 8.212/1991). (Grifos no original.) Assim, tem razão a parte autora, não se podendo dela exigir o recolhimento de contribuição previdenciária prevista no artigo 25, I, da Lei 8.212/1991, relativamente aos produtos que comercializa, sendo devida a restituição dos valores recolhidos àquele título. (...) Conclusão Merece ser provido o apelo autoral, para julgar procedente o pedido inicial, no sentido de reconhecer indevido o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização de produtos de produtor rural empregador, previsto no artigo 25 da Lei 8.212/91 e condenar a União à restituição dos valores indevidamente recolhidos àquele título, conforme fundamentado. (Grifouse.) Em 17/11/2010 foram acolhidos os embargos da União, tão somente para fins de prequestinamento: 17/11/2010 16:00 Julgamento do incidente (JUIZ P/ ACORDÃO: JOEL ILAN PACIORNIK) A TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA PARTE AUTORA E ACOLHER PARCIALMENTE OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS DA UNIÃO, APENAS PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. Em 28/09/2011 foram rejeitados novos embargos declaratórios da União: 28/09/2011 16:35 Julgamento do incidente (JUIZ P/ ACÓRDÃO: JOEL ILAN PACIORNIK) A TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU REJEITAR OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 8 7 Em 25/01/2012 foram rejeitados outros embargos declaratórios da União: 25/01/2012 15:00 Julgamento do incidente (JUIZ P/ ACORDÃO: JOEL ILAN PACIORNIK) A TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.. Em 02/04/2012 o recurso extraordinário (RE) da União foi inadmitido pelo VicePresidente do TRF4, que, na mesma data, admitiu o RE da recorrente. Em 07/05/2012 a União interpôs agravo de decisão denegatória de RE. No Supremo Tribunal Federal (STF) o RE da recorrente foi autuado em 30/04/2013 sob o nº 747.833 e reautuado em 09/05/2013 para RE com Agravo (ARE) 749.569. Neste: (a) o RE da contribuinte teve o seguimento negado em 05/09/2013, (b) o agravo da União, solicitando o seguimento do RE, foi denegado em 17/10/2014; (c) em 09/08/2016, em face dos agravos regimentais no RE com agravo interpostos pela União e pela recorrente, ficou decidido reconsiderar “a decisão recorrida para aplicar os paradigmas da repercussão geral. Devolvamse os autos ao Tribunal a quo para os fins previstos no art. 543B do CPC/1973”. (Grifouse.) Data Andamento Órgão Julgador Observação Documento 18/02/2017 Processo recebido na origem TRF4 Tribunal Regional Federal da 4ª Regiao 15/02/2017 Remessa externa dos autos, Guia nº Guia: 5999/2017 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO Termo de remessa 14/02/2017 Decorrido o prazo CERTIDÃO DE DECURSO DE PRAZO 17/11/2016 Juntada do mandado cumprido Mandado 2591/2016 PGFN 21/09/2016 Expedido(a) MANDADO DE INTIMAÇÃO DJE 20/09/2016 Comunicação assinada MANDADO DE INTIMAÇÃO DJE 20/09/2016 Certidão Certifico que elaborei 1 mandado de intimação com 2 decisões. 16/08/2016 Publicação, DJE DJE nº 171, divulgado em 15/08/2016 Decisão monocrática 16/08/2016 Publicação, DJE DJE nº 171, divulgado em 15/08/2016 Decisão monocrática 12/08/2016 Reconsidero e devolvo pelo art. 543B do CPC MIN. ROSA WEBER RE/363852.Em 09.08.2016: "(...) Contra a decisão monocrática na qual negado seguimento ao recurso extraordinário com fulcro no art. 557, caput, do CPC , maneja agravo regimental Cooperativa Arrozeira Palmares Ltda. (doc. 80). Ante o exposto, reconsidero a decisão recorrida para aplicar os Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 9 8 paradigmas da repercussão geral. Devolvamse os autos ao Tribunal a quo para os fins previstos no art. 543B do CPC/1973." (Grifouse.) 12/08/2016 Reconsidero e devolvo pelo art. 543B do CPC MIN. ROSA WEBER RE/566621.Em 09.08.2016: "(...)Contra a decisão monocrática na qual negado seguimento ao agravo em recurso extraordinário com fulcro no art. 21, § 1º, do RISTF , maneja agravo regimental a União (doc. 87). Ante o exposto, reconsidero a decisão recorrida para aplicar o paradigma da repercussão geral." Devolvamse os autos ao Tribunal a quo para os fins previstos no art. 543B do CPC/1973. (Grifouse.) Os paradigmas da repercussão geral a que se referem os despachos retro são: O Recurso Extraordinário 596.177 (tema 202), cuja tese de repercussão geral é: É inconstitucional a contribuição, a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pelo art. 1º da Lei 8.540/1992. (Grifouse.) O Recurso Extraordinário 718.874 (tema 609), cuja tese de repercussão geral é: É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (Grifouse.) Neste processo administrativo estão constituídos créditos tributários dos anos de 2010 a 2012, já sob a incidência da Lei 10.256/2001, sendo aplicável, por conseguinte, apenas o tema 609/ Recurso Extraordinário 718.874. Quanto aos valores depositados, a fiscalização considerou não existir depósitos do montante integral, com base nos seguintes fundamentos: 1 O instituto do "Depósito do Montante Integral" previsto no art. 151, II do CTN somente se aplica na estrita hipótese da existência de um crédito tributário exigível pela Fazenda Pública, ou seja, definitivamente constituído na instância administrativa. O contribuinte realiza um depósito judicial o qual é vinculado a um crédito tributário exigível e no valor exato do montante integral deste, assim entendido o principal mais os acréscimos legais até a data da efetivação do depósito. Nesta hipótese, tal depósito tem como efeito jurídico a suspensão da exigibilidade do crédito até que o mérito definitivo transite em julgado na instância judicial. 2 Porém, no caso em tela, além de o depósito não ser valor exato do tributo sob discussão, tal depósito NÃO se consubstancia no "Depósito do Montante Integral" previsto no art. 151, II do CTN. Isto porque não Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 10 9 há, ainda, crédito tributário definitivamente constituído na esfera administrativa susceptível de ter sua exigibilidade suspensa. Em anexo, planilha " Depósito Produto Rural", onde está demonstrado o valor depositado pela Cooperativa. O total da contribuição previdenciária é de R$ 1.787.233,23 (Hum milhão setencentos e oitenta e sete mil, duzentos e trinta e três reais e vinte e três centavos) e o valor depositado é de R$ 1.110.031,15 ( Hum milhão, cento e dez mil, trinta e um reais e quinze centavos). (Grifos no original.) Ou seja, são dois os fundamentos das fiscalização para considerar inexistente depósito do montante integral: 1) o depósito não ser do valor exato do tributo sob discussão; 2) inexistir crédito tributário definitivamente constituído na esfera administrativa susceptível de ter sua exigibilidade suspensa. Considerando as bases de cálculo do lançamento do lançamento relativo aos AI debcad 51.060.4129 (contribuição da empresa e Gilrat) (efls. 04 a 15) e AI debcad 51.060.4137 (efls. 19 a 27) e a relação dos depósitos judiciais relativos aos períodos lançados (efls. 259 a 265), e tendo em conta que o vencimento da obrigação se dá no dia vinte do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção (art. 30, III, da Lei 8.212, de 1991), verifico que há depósito judicial nos seguintes meses (efls. 437 a 443): PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR AI DEBCAD 51.060.4129 VALOR AI DEBCAD 51.060.4137 TOTAL LANÇAMENTO VALOR DEPÓSITO jan/10 153.767,03 14.644,48 168.411,51 91.091,42 fev/10 50.516,10 4.811,06 55.327,16 55.327,15 mar/10 15.672,86 1.492,65 17.165,51 6.899,98 abr/10 0,00 0,00 mai/10 5.793,25 551,74 6.344,99 6.345,01 jun/10 56.323,41 5.364,13 61.687,54 188.562,81 jul/10 53.500,48 5.095,28 58.595,76 71.418,66 ago/10 55.412,05 5.277,34 60.689,39 74.547,30 set/10 64.579,20 6.150,40 70.729,60 20.806,47 out/10 37.646,78 3.585,41 41.232,19 7.756,60 nov/10 29.726,38 2.831,08 32.557,46 9.839,53 dez/10 93.653,17 8.919,35 102.572,52 44.718,39 jan/11 9.162,28 872,60 10.034,88 10.084,38 fev/11 2.365,90 225,32 2.591,22 mar/11 29.650,36 2.823,84 32.474,20 6.717,30 abr/11 12.682,68 1.207,87 13.890,55 2.875,23 mai/11 31.190,70 2.970,54 34.161,24 23.634,97 jun/11 34.751,92 3.309,71 38.061,63 147.376,89 jul/11 36.910,11 3.515,25 40.425,36 91.555,12 ago/11 56.581,61 5.388,73 61.970,34 76.392,81 set/11 16.629,50 1.583,76 18.213,26 1.141,21 out/11 3.549,58 338,05 3.887,63 nov/11 118.614,62 11.296,63 129.911,25 dez/11 101.919,98 9.706,66 111.626,64 2.008,95 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 11 10 jan/12 106.738,85 10.165,60 116.904,45 25.719,66 fev/12 28.609,68 2.724,73 31.334,41 21.043,28 mar/12 37.460,90 3.567,70 41.028,60 1.623,40 abr/12 46.320,91 4.411,51 50.732,42 5.231,31 mai/12 50.934,96 4.850,95 55.785,91 3.408,45 jun/12 53.566,99 5.101,62 58.668,61 59.972,02 jul/12 50.538,40 4.813,18 55.351,58 20.147,91 ago/12 83.899,46 7.990,43 91.889,89 27.263,85 set/12 79.949,99 7.614,29 87.564,28 486,51 out/12 78.919,09 7.516,10 86.435,19 6.134,58 nov/12 51.676,32 4.921,55 56.597,87 dez/12 48.017,73 4.573,12 52.590,85 TOTAL DEPÓSITOS 1.110.131,15 Tal tabela, no respeitante ao valor dos depósitos judiciais, está plenamente de acordo com a elaborada pela recorrente à efl. 107. Verificase que, em relação ao valor apurado pela fiscalização, há meses em que (a) o depósito judicial foi menor (por exemplo, períodos 01/2010, 03/2010 e 09/2010 a 12/2010), (b) o depósito judicial foi maior (por exemplo, períodos 06/2010 a 08/2010) e (c) o depósito judicial foi equivalente (por exemplo, períodos 02/2010 e 05/2010); além disso, há períodos em que (d) a data do depósito está ilegível, não sendo possível atestar sua tempestividade (depósitos realizados em 07/2010, 05/2011, 08/2011, 04/2012, 09/2012) e há (e) um depósito manifestamente intempestivo (realizado em 24/06/2011, no valor de R$20.249,97). Na avaliação da incidência, ou não, da multa e de juros moratórios na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, entendo que deve ser levado em consideração se há ou não mora em relação a cada período de apuração do tributo em questão. Ademais, diferentemente do que entende a fiscalização, para a qual depósito do montante integral é o depósito integral do crédito tributário lançado (definitivamente constituído na esfera administrativa), entendo que por “depósito do montante integral” deve ser considerado o depósito integral do tributo devido e, caso incidentes, acréscimos moratórios, na data do depósito. Assim, é integral o depósito tempestivo da totalidade do tributo devido no período de apuração em questão, independentemente de existir, ou não, lançamento. Caso intempestivo o depósito judicial, será do montante integral se, adicionado ao valor do tributo devido, forem depositados os correspondentes juros e multa moratórios. Nesses termos, caso houver depósito do montante integral, não serão devidos, por ocasião do lançamento para prevenir a decadência, acréscimos moratórios (multa e juros) – embora, como visto, se o depósito é feito a destempo, deve ser acompanhado dos respectivos acréscimos moratórios para ser considerado integral. Nesse sentido: A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão do lançamento de juros de mora e de multa de ofício quando o sujeito passivo efetuou depósitos do montante integral do tributo em Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 12 11 litígio. A meu sentir, são incabíveis, posto que o depósito do montante integral ilide qualquer penalidade ao sujeito passivo, no pertinente à falta de pagamento do crédito tributário questionado, já que, na hipótese de o Fisco sair vencedor do litígio, a conversão dos depósitos em renda da Fazenda Nacional é considerada pagamento à vista, na data em que efetuados, conforme esclarece o item 23, nota 05, da Norma de Execução CSAr/CST/CSF nº 002/1992. Ora, se os depósitos são considerados pagamentos à vista na data em que efetuados, quando realizados dentro do prazo de vencimento do tributo sub judice, não vislumbro qualquer mora a justificar a inclusão de acréscimos legais ao auto de infração. Demais disso, a finalidade do depósito, é, justamente, permitir ao sujeito passivo contestar determinado tributo sem se sujeitar a qualquer penalidade. Para tanto, basta fazer como o fez a autuada, deposite em juízo o montante do crédito devido e nenhuma punição advirá se, eventualmente, a decisão judicial forlhe desfavorável. Aliás, outro não é o entendimento da Receita Federal, pois o Parecer COSIT nº 2, de 05 de janeiro de 1999, diz textualmente não caber a inclusão de juros moratórios no lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência de crédito tributário cuja exigibilidade se encontre suspensa por força de depósito prévio de seu montante integral. Com mais razão ainda, devese excluir a multa de ofício nos casos de o crédito tributário litigado encontrarse garantido por depósito judicial de seu montante integral. (Ac. 9303001.283, de 07/12/2010, Relator Henrique Pinheiro Torres.) (Grifouse.) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.(Grifouse.) Súmula CARF n° 17 (VINCULANTE): Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. COMPATIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48), tampouco é nulo o lançamento que tem por objeto crédito tributário depositado judicialmente. (9202004.303, de 20/07/2016) Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 13 12 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008 01/02/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, havendo lançamento para prevenir decadência, incabível a exigência de multa de ofício. Art. 63 da Lei n. 9.430/96 e Súmula Vinculante CARF n° 17. (Ac. 2401004.306, de 14/04/2016) AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL. Não cabe a exigência de multa de oficio nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa, inclusive nos casos do inciso II do artigo 150 do Código Tributário Nacional, a teor do que dispõe o Parecer Cosit n°02/99. (20312.528, de 19/10/2007) Além disso, se há depósito a maior do tributo em determinado mês, a diferença deve ser considerada no cálculo das parcelas seguintes, nas quais é possível se compensar do valor depositado a maior. Assim, para que seja definido, em cada período de apuração, se há ou depósito do montante integral, entendo que se deve converter os julgamento em diligência, para que a unidade preparadora efetue imputação proporcional dos depósitos judiciais que correspondem aos períodos lançados. No cálculo, devem ser excluídos os períodos de apuração fevereiro de 2010 e maio de 2010, meses que há coincidência do depósito com o montante lançado (com diferença de R$0,01 a menor no primeiro depósito e R$0,02 a maior no segundo). Conclusão Pelo exposto, voto, portanto, por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora efetue imputação proporcional dos depósitos judiciais que correspondem aos períodos lançados. No cálculo, devem ser excluídos os períodos de apuração fevereiro de 2010 e maio de 2010, meses que há coincidência do depósito com o montante lançado (com uma diferença de R$0,01 a menor no primeiro depósito e R$0,02 a maior no segundo). A recorrente deve ser intimada da imputação, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 613DF CARF MF
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Numero do processo: 13784.000058/2011-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA.
Incabível a incidência do Imposto de Renda sobres rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
Numero da decisão: 9202-005.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA. Incabível a incidência do Imposto de Renda sobres rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA. Incabível a incidência do Imposto de Renda sobres rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 4. 00 00 58 /2 01 1- 96 Fl. 163DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 14/03/2012, foi dado provimento ao Recurso Voluntário s/n, exarandose o Acórdão nº 220201.707 (efls. 105 a 118), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. ALIENAÇÃO MENTAL ISENÇÃO. Os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, auferidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992, combinado com o artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1955. Nos casos de alienação mental é possível considerarse como laudo pericial emitido por serviço médico oficial o laudo do médico perito designado pelo Juízo no curso de ação judicial de interdição, desde que conste a data inicial da doença. Havendo nos autos laudos médicos confirmando de que o contribuinte é portador do chamado Mal de Alzheimer e que o quadro clínico apresentado caracteriza sua alienação mental, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992. Recurso provido." O processo foi encaminhado à PGFN em 17/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 119). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreria em 17/05/2012, e, em 14/05/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 151), foi interposto o Recurso Especial de efls. 120 a 130. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a isenção por moléstia grave, relativamente a portador do Mal de Alzheimer. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/n de 27/05/2013 (efls. 152 a 155). Em seu apelo a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, nos termos abaixo: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13784.000058/201196 Acórdão n.º 9202005.544 CSRFT2 Fl. 164 3 "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançados da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sidocontraída depois da aposentadoria ou reforma; XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)" a partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei nº 9.250, de 1995: "Art. 30 A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n.) o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, incisos XXXI e XXXIII, bem como no §4º também trata da matéria: Fl. 165DF CARF MF 4 CAPÍTULO II RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Seção I Rendimentos Diversos Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Pensionistas com Doença Grave XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: "Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13784.000058/201196 Acórdão n.º 9202005.544 CSRFT2 Fl. 165 5 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(g.n.) § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial." (g.n.) de acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção, um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro relaciona se com a existência da moléstia tipificada no texto legal; quanto ao requisito indispensável à concessão da isenção objeto da controvérsia neste feito, frisese que a doença discriminada nos documentos apresentados trata se de demência senil do tipo ALZHEIMER, ou doença de Alzheimer, moléstia esta que não se encontra discriminada na Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004; sabese que, de acordo com o estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Não há como interpretar de modo diferente o assunto; concluise, então, que a interessada não faz jus à isenção regulamentada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004; registrese ademais, no esteio da decisão administrativa de primeira instância, que não foi coligido aos autos laudo emitido por serviço médico oficial: "Da exegese dos dispositivos, deduzse que a isenção deve ser concedida se comprovados, concomitantemente: a) ser portador de moléstia grave prevista em lei; b) que os rendimentos auferidos pelo seu portador sejam decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma; c) que a enfermidade contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão , esteja devidamente comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 167DF CARF MF 6 A interessada anexa o laudo pericial de fl..6 expedido pela Santa Casa de Misericórdia de Resende e documentos referentes ao convênio com o SUS. Em pesquisa efetuada nos sistemas da RFB verificase que a natureza da unidade é Associação Privada e portanto, tal documento não pode ser aceito como laudo emitido por serviço médico oficial. Não há como contornar a clareza do dispositivo legal transcrito acima: a enfermidade somente é comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Não há qualquer excepcionalidade ou menção de que documentos não oficiais, no que tange à concessão dessa espécie de isenção, têm o mesmo ou superior valor probante. Não custa lembrar o disposto no art. 111, do CTN, interpretase literalmente, no que tange à outorga de isenções, a legislação tributária. Além do laudo de fl. 6, foi juntada a declaração de fl. 23 expedida em março de 2008 pelo Fundo Municipal de Saúde,na qual não menciona doença expressamente prevista na lei isentiva. CID G30( Doença de Alzheimer) O artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, é bem claro quando determina que a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. O laudo pericial oficial consiste num instrumento que, devido ao seu grau de detalhamento e especificidade, visa fornecer elementos suficientes para formar a convicção do seu destinatário. Dessa forma, concluise que os documentos apresentados são inábeis para comprovação do estado clínico da paciente, e, em conseqüência, para formar a convicção do seu destinatário, no caso, a Receita Federal do Brasil, de que a contribuinte é portador de moléstia grave". o mesmo raciocínio merece ser aplicado ao laudo pericial emitido em juízo, tendo em vista que: a) não há comprovação de que a perícia foi realizada por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; b) ainda que sob o aval de decisão do Poder Judiciário, tal como elencou a DRJ de origem, "O laudo pericial oficial consiste num instrumento que, devido ao seu grau de detalhamento e especificidade, visa fornecer elementos suficientes para formar a convicção do seu destinatário", logo, cabe a conclusão de que os juízes não são dotados, em regra dos conhecimentos necessários requeridos pela norma; e c) aquela decisão judicial não vincula a administração tributária para fins de isenção de imposto de renda; desse modo, concluise que acórdão hostilizado merece reforma. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido e restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (efls. 160/161). Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13784.000058/201196 Acórdão n.º 9202005.544 CSRFT2 Fl. 166 7 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de discussão acerca da isenção por moléstia grave, relativamente a portadora do Mal de Alzheimer. Além de argumentar que tal moléstia não se encontra relacionada no dispositivo legal de regência, a Fazenda Nacional questiona as provas colacionadas aos autos. O art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei) A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No presente caso, tratase de rendimentos de pensão, referentes ao exercício de 2007, recebidos por portadora de Mal de Alzheimer desde 2001, o que foi comprovado por laudo pericial emitido pela Santa Casa de Misericórdia de Resende (fls. 06), integrante do SUS, conforme convênio de fls. 08 a 30. O laudo assim atesta: "Declaro, sob as penas da Lei, que Nely Meira Menandro é portadora, desde fevereiro de 2001 até a presente data, de Mal de Alzheimer, CID 10 Nº F002, moléstia referida no art.6º, inciso XIV, da lei nº 7.713/88, com a nova redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541/92, sob a rubrica de Alienação Mental. Fl. 169DF CARF MF 8 A referida paciente iniciou o quadro de Erosão Cognitiva, diagnosticada como portadora de Mal de Alzheimer, em fevereiro de 2001. Atualmente, ao exame físico, apresentase pouco cooperativa, parcialmente orientada quanto ao tempo e espaço, psicomotricidade danificada, memória de fixação e evocação danificada, pensamento de curso lento. A paciente é definitivamente incapaz para os atos da vida civil. A demência na Doença de Alzheimer é atualmente irreversível." Acrescentese que o profissional que firmou o laudo acima corroborou o quadro clínico de demência, por meio da declaração de fls. 23, emitida pelo Fundo Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Resende. Assim, avaliandose e valorandose o conjunto probatório constante dos autos, concluise que a Contribuinte logrou comprovar que, no exercício em questão, encontravase efetivamente acometida de doença grave que, embora não relacionada na legislação concessiva de isenção, está associada a sintoma de alienação mental (demência), esta sim incluída no rol de moléstias cujo portador é passível de isenção. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721261/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
COMPENSAÇÃO DE IRRF. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
O imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual, quando comprovada a retenção por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2202-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual, quando comprovada a retenção por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Por meio de Notificação de Lançamento de fls. 136 a 141, foi efetuado lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, código 2904, no valor de R$ 4.386,70, acrescido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 61 /2 01 0- 84 Fl. 214DF CARF MF 2 da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, relativo ao ano calendário de 2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal contidos no feito, o lançamento foi efetuado com base nas seguintes constatações: a) Omissão de rendimentos do trabalho, no valor de R$ 30.766,09, pagos pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA (CNPJ n.º 83.845.701/000159), conforme informação contida na DIRF apresentada pela fonte pagadora e documentos apresentados pelo contribuinte em resposta a intimação fiscal; b) Omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 7.551,82, pagos pelo BANCO DO BRASIL S/A (CNPJ n.º 00.000.000/000191), conforme informação contida na DIRF apresentada pela fonte pagadora; c) Omissão de rendimentos decorrentes de ação na Justiça Federal, no valor de R$ 7.400,18, pagos pela CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (CNPJ n.º 00.360.305/000104), conforme informação contida na DIRF apresentada pela fonte pagadora; Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 e 3, onde, em síntese: Preliminarmente, alega ser nulo o lançamento atacado em face da inexistência de justa causa para a exigência fiscal, ao que aduz não ter violado os dispositivos legais citados no feito, não podendo prosperar a pretensão fazendária; No mérito, alega que não omitiu os rendimentos recebidos e que, de acordo com o comprovante apresentado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o valor recebido em decorrência da ação judicial n.º 005.91.0016334 (precatório n.º 11867/2006), que tramitou na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Balneário Camboriú (SC), tratase de indenização por desapropriação, ao que aduz que tais rendimentos, no valor de R$ 30.766,09, foram informados na declaração de ajuste como rendimentos sujeito à tributação exclusiva/definitiva e que a retenção do valor de R$ 7.363,03 a título de imposto de renda na fonte é indevido, ao argumento de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela Justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado, segundo entendimento colhido em decisão prolatada pelo STJ; Na seqüência, referese ao rendimento de R$ 9.394,20 que foi informado na declaração de ajuste, no campo destinado à informação de rendimentos isentos e nãotributáveis, identificando referido valor como decorrente da soma de “Sobras Unicred” com “Recebimento de Ação Judicial”, sendo que do Tribunal foram recebidos R$ 9.107,40, conforme comprovante de rendimento; Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10983.721261/201084 Acórdão n.º 2202004.061 S2C2T2 Fl. 215 3 Alega que o lançamento combatido foi efetuado com base na documentação expedida pelo TJSC e que, se houve algum erro, este foi involuntário, já que o rendimento não é proveniente de trabalho assalariado, não sendo, pois, tributável; Finalmente, em face do exposto, requer o cancelamento da Notificação de Lançamento hostilizada. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS julgou procedente a impugnação, em relação à matéria litigiosa, tendo excluído da tributação o valor de R$ 30.766,09, referente ao pagamento de uma indenização por desapropriação. Cientificado da decisão em 08/07/2013 (fl. 183), o Contribuinte apresentou a petição de fls. 184/186 em 12/07/2013, onde se insurge contra o cálculo apresentado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido. Ressalva que, em caso de não ser acatada a manifestação sobre o erro de cálculo, a petição seja recebida como Recurso Voluntário ao CARF. Em seu requerimento, o Contribuinte alega que não foi considerado no cálculo da decisão da DRJ o valor de R$ 7.363,03, retido na fonte sobre a desapropriação, embora tenha constado na linha 13 da Notificação de Lançamento. Apresenta em anexo a seguinte tabela de cálculos: Em 11/09/2013, o Contribuinte apresentou uma nova petição (fls. 196/209) em que afirma que não concorda com o despacho exarado pela Presidente da 6ª Turma da DRJ/FNS, a qual indeferiu seu requerimento sob a alegação de que o IRRF não estava sob litígio. O Recorrente repisa os argumentos da petição anterior. É o relatório. Voto Fl. 216DF CARF MF 4 Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Inicialmente, cabe destacar que acolho a petição do Contribuinte de fls. 184/186 como recurso voluntário. Considerando que a ciência da decisão da DRJ ocorreu em 08/07/2013 (fl. 183) e a referida petição foi apresentada em 12/07/2013, consideroa tempestiva. Como o recurso atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. O Contribuinte alega que não foi considerado no cálculo da decisão da DRJ o valor de R$ 7.363,03, retido na fonte sobre a desapropriação, embora tenha constado na linha 13 da Notificação de Lançamento. Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois na Notificação de Lançamento consta na linha 13 o valor de R$ 7.363,03 como IRRF sobre os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (fl. 137), não havendo razão para considerálo fora do litígio. Também se observa, pela tabela abaixo, constante da decisão da DRJ (fl. 178), que esse valor não foi considerado no cálculo do imposto de renda devido. Descrição Valores em Reais 1) Total de Rendimentos Tributáveis Declarados 159.681,50 2) Omissão de Rendimentos Não Impugnada 14.952,00 3) Total das Deduções Declaradas 13.099,46 4) Glosa da Deduções Indevidas 0,00 5) Previdência Oficial Sobre Rendimento Omitido 0,00 6) Base de Cálculo Apurada (1+23+45) 161.534,04 7) Imposto apurado após Alterações (Tabela Progressiva Anual) 37.835,93 8) Contrib. Prev. a Emp. Doméstico Declarado 0,00 9) Dedução de Incentivo Declarada 0,00 10) Glosa de Dedução de Incentivo 0,00 11) Total de Imposto Pago Declarado 14.910,42 12) Glosa de Imposto Pago 0,00 13) IRRF sobre Infração ou Carne Leão Pago 822,74 14) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após Alterações (789+1011+1213) 22.102,77 15) Saldo do Imposto a Pagar Declarado 18.813,71 16) Imposto já Restituído 0,00 17) Imposto Suplementar Não Impugnado 3.289,06 Somente foi considerado como IRRF os valores de R$ 600,73 (fl. 138) e R$ 222,01 (fl. 139), totalizando R$ 822,74. Assim, tendo em vista que o valor de R$ 7.363,03 foi retido na fonte, em relação aos rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, conforme Notificação de Lançamento (fl. 137), entendo que o Contribuinte tem direito a uma restituição de R$ 4.073,97 (R$ 7,363,03 menos R$ 3.289,06). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10983.721261/201084 Acórdão n.º 2202004.061 S2C2T2 Fl. 216 5 Fl. 218DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.001746/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 07/01/2004 a 20/11/2007
REMISSÃO. MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO.
Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
Numero da decisão: 3201-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 17 46 /2 00 8- 01 Fl. 138DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0540.237, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), que assim relatou o feito: Tratase de auto de infração relativo à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira –CPMF, lavrado em 05/12/2008, relativo a fatos geradores ocorridos em 07/01/2004 a 20/11/2007, constituindo crédito tributário total no montante de R$ 1.941,47. No corpo do auto de infração relata a autoridade fiscal: O Sujeito Passivo, com base em ações judiciais interpostas por ele ou por terceiros, não sofreu a retenção, pelas instituições financeiras nas quais era correntista, de valores referentes à Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Qualquer Natureza Financeira (CPMF). Tais medidas judiciais foram posteriormente revogadas tornandose, então, exigível a contribuição que deixou de ser retida e/ou recolhida. A Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, em seu art. 45, abaixo reproduzido, determinou os procedimentos a serem adotados pelas instituições responsáveis pela retenção da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Qualquer Natureza Financeira (CPMF), em relação aos valores que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial, posteriormente revogada: ... A Instrução Normativa SRF 450/2004, em seus artigos 23 a 25, disciplina a cobrança da CPMF não retida e não recolhida pelas instituições financeiras por força de medidas judiciais posteriormente revogadas, cujos valores não puderam ser cobrados conforme o disposto no art° 45 da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001. A referida IN SRF, dispõe em seu artigo 25: ... Em cumprimento ao disposto no inciso IV do art° 45 da Medida Provisória n ° 2.158/35 de 24/08/2001, as instituições Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11444.001746/200801 Acórdão n.º 3201002.870 S3C2T1 Fl. 139 3 apresentaram à RFB as informações necessárias para o lançamento de oficio da CPMF. O sujeito passivo foi intimado a apresentar comprovantes de pagamento (DARF), depósitos judiciais ou documentos/informações que modifiquem, completem ou ilidam o lançamento dos valores de CPMF. 0 Sujeito Passivo não respondeu à intimação. Ante o exposto, efetuamos o lançamento para constituição do crédito tributário da CPMF nos termos do art. 25 da Instrução Normativa SRF 450/2004. Cientificado do lançamento em 19/12/2008, o contribuinte interpôs impugnação em 14/01/2009, argumentando, em síntese o que segue: • foi beneficiário de medida liminar obtida em ação de Mandado de Segurança Coletivo impetrado por sindicato representativo de sua categoria profissional que determinou que as instituições financeiras suspendessem a retenção da CPMF nas movimentações financeiras dos representados; a liminar foi confirmada em decisão de primeiro grau; • a decisão foi reformada pelo TRF da 3ª Região no julgamento do Recurso de Apelação interposto pela União Federal, após o que as instituições bancárias retomaram a retenção da CPMF nas movimentações financeiras, inclusive as praticadas pela impugnante; • o crédito exigido foi remitido em face da edição da Medida Provisória nº 449, de 2008 que concedeu anistia aos débitos de até R$ 10.000,00; • a responsabilidade pela retenção da CPMF cabia às instituições financeiras, não havendo voluntariamente contribuído para o não recolhimento do tributo, não havendo motivo para a imposição da multa de 75%. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/01/2004 a 20/11/2007 REMISSÃO. MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em Fl. 140DF CARF MF 4 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pela análise dos fatos, tratase de auto de infração visando à cobrança de crédito tributário de CPMF que deixou de ser recolhido por força de decisão judicial, vindo, ao final, ser reconhecido como devido por sentença transitada em julgado. Inicialmente, aduz o contribuinte que o referido crédito tributário teria sido extinto por força da remissão instituída pela Medida Provisória nº 449 de 3 de dezembro de 2008. Todavia, conforme dispositivo transcrito pelo próprio Recorrente, a citada remissão, prevista no art. 14 da MP 449/08, apenas alcançava os créditos tributários que "em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há cinco anos ou mais", ou seja, créditos vencidos até 31 de dezembro de 2002. Na hipótese dos autos, contudo, os fatos geradores ocorreram entre 07/01/2004 a 20/11/2007, portanto, com vencimento posterior a 31 de dezembro de 2002, estando, à toda evidência, excluídos da norma de remissão. No mérito, alega o Recorrente que a cobrança não pode prevalecer uma vez que o desconto e recolhimento do tributo deveria ter sido efetuado pela instituição financeira. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11444.001746/200801 Acórdão n.º 3201002.870 S3C2T1 Fl. 140 5 Também não assiste razão nesse ponto. Anda que a norma imponha a terceiros a obrigação de calcular e recolher a CPMF, tal norma não altera a caracterização do sujeito passivo. Nesse sentido, a Lei nº 9.311/96: Lei nº 9.311, de 1996: Art. 5º É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2º; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2º; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2º. § 1º A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7º sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2º Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3º Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Ademais, a responsabilidade supletiva prevista no supra citado §3º se faz legítima e razoável, na medida em que a instituição financeira apenas deixou de recolher a CPMG por força de decisão judicial requerida pelo próprio contribuinte Recorrente. Desse modo, legítima a cobrança da CPMF do sujeito passivo da obrigação tributária. Quanto à cobrança da multa de ofício de 75%, aduz o Recorrente que esta deveria ser afastada, uma vez que não houve qualquer ato voluntário que pudesse ser considerado como fraude ou simulação. Contudo, conforme ressaltado pelo acórdão recorrido, a cobrança da referida multa independe da existência ou não de vontade do agente, possuindo caráter objetivo. Caso o contribuinte quisesse se liberar da referida multa, deveria ter efetuado o recolhimento do tributo antes que a Fiscalização iniciasse os procedimentos de lançamento de ofício. Por fim, o recorrente postula pelo reconhecimento da decadência do direito do Fisco em efetuar o lançamento dos valores apurados entre janeiro de 2004 e novembro de 2004, nos termos do art. 150, §4º do CTN, uma vez que o contribuinte só foi cientificado da autuação em 01 de dezembro de 2009. Fl. 142DF CARF MF 6 Muito embora a matéria não tenha sido aventada em sede de Impugnação e, conseqüentemente, pelo acórdão recorrido, passo ao seu exame uma vez tratarse de questão de ordem pública. Na presente hipótese, fazse necessário trazer ressalva quanto ao meu entendimento pessoal no sentido de que, caso tenha ocorrido declaração, pelo contribuinte (ou, no caso, terceiro obrigado) indicando a apuração do tributo, ainda que não recolhido, deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN. Esclareçase que tal entendimento está em perfeita concordância com a decisão proferida pela STJ em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973.733). Explicase. Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11444.001746/200801 Acórdão n.º 3201002.870 S3C2T1 Fl. 141 7 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Conforme se verifica pelo julgado do STJ acima transcrito, a regra do art. 173, I do CTN é aplicável, basicamente, em três hipóteses: (i) constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte e (ii) nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, (iii) a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Estas duas últimas situações estão condicionadas à inexistência de declaração prévia do débito pelo contribuinte. É o que se extrai da Súmula/STJ nº 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) Com efeito, é cediço que o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para exigir os tributos devidos é de 5 (cinco) anos. O que o legislador ordinário diferencia é, apenas, o termo inicial para a contagem do referido prazo. O art. 150, §4º, que dispõe ser tal prazo contado a partir da ocorrência do fato gerador, pressupõe a prévia ciência do Fisco acerca do nascimento da obrigação tributária. Isso Fl. 144DF CARF MF 8 ocorre naquelas situações em que o tributo é lançado de ofício ou quando o contribuinte efetua a competente declaração do tributo apurado. Ou seja, em ambas as hipóteses o Fisco teve a ciência da ocorrência do fato gerador, houve, verdadeiramente, o lançamento do tributo devido, seja de ofício, ou por meio do chamado "autolançamento". Nessas situações, por óbvio, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco não precisa ser alargado, já que, repisese, ele já tem ciência da ocorrência do fato gerador no momento da sua ocorrência. É exatamente o que ocorre quando o contribuinte apresenta a competente declaração do tributo, dando exata e inequívoca ciência ao Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Na hipótese dos autos, notase que não consta nos autos qualquer informação acerca do fato de a CPMF lançada ter sido ou não declarada pela Instituição Financeira. Assim, seria necessária diligência fiscal para a competente verificação. Não obstante, conhecedora do entendimento desta Turma, no sentido de que, não tendo ocorrido qualquer recolhimento do tributo, ainda que declarado, a regra decadencial a ser aplicada é aquela do art. 173 do CTN, sendo esta também a posição majoritária deste CARF, afasto a decadência arguida pelo Recorrente por preceito de economia processual. Diante de todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO nos termos do voto supra. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.003162/2004-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PIS/Pasep devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebida, sendo possível a exclusão das rubricas previstas em lei.
FUNDEF. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 9.424/1996 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Não cabe a esse Tribunal afastar lei ou tratado por vício de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 e artigo 62, do RICARF.
AÇÃO JUDICIAL PENDENTE. A mera existência de ação judicial discutindo a constitucionalidade de tributo não suspende sua exigibilidade, devendo haver o enquadramento em uma das hipóteses previstas no artigo 151, do CTN.
Numero da decisão: 3401-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oiveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
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PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PIS/Pasep devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebida, sendo possível a exclusão das rubricas previstas em lei. FUNDEF. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 9.424/1996 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Não cabe a esse Tribunal afastar lei ou tratado por vício de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 e artigo 62, do RICARF. AÇÃO JUDICIAL PENDENTE. A mera existência de ação judicial discutindo a constitucionalidade de tributo não suspende sua exigibilidade, devendo haver o enquadramento em uma das hipóteses previstas no artigo 151, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 31 62 /2 00 4- 44 Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 479 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oiveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 442 e seguintes) contra decisão da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração referente à ausência de pagamento da Contribuição para o PASEP, durante o período compreendido entre 1999 e 2004. Do Lançamento de Ofício Em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, foi verificada a ausência de recolhimento da contribuição social ao PASEP. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 7 e seguintes), foi constatada ausência do recolhimento do PASEP entre maio de 1999 e junho de 2004, razão pela qual o auditorfiscal reconstituiu – a seu modo – a apuração da referida contribuição baseado nos balanços da Recorrente. Da Impugnação Irresignada, a Recorrente ofereceu impugnação (fls. 349 e seguintes), que, em síntese, assim afirmava: Em sede preliminar, alegou que o órgão autuante (à época, o INSS – Instituto Nacional da Seguridade Social) seria autarquia criada pela União Federal, inferior hierarquicamente aos entes políticos da Federação (União, Estado e Municípios), não sendo possível lançar multa de ofício contra a impugnante: “(...) somente poderá impor multa que detém superioridade sobre outrem e só poderá sofrêla quem padeça de inferioridade em relação ao impositor dela”. No mérito: (a) Inicialmente discorreu sobre o caráter confiscatório da multa de 75%, prevista na Lei Federal 9.430/1996 citando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (sem repercussão geral) relativa a penalidades no campo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que não poderia ser superior a Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 480 3 20%, e concluindo pela inconstitucionalidade da multa lançada pelo auditor fiscal. (b) Argumentou que o artigo 11, do Decreto Federal 70.235/1972, preveria a necessidade de ser notificado de maneira anterior à lavratura do auto de infração de modo a estabelecer uma fase de defesa prévia. (c) Sobre a incidência da contribuição social, arguiu que sobre determinadas receitas nunca houve retenção na fonte, e que, por isso mesmo, sobre elas não incidiria a contribuição ao Pasep: (i) Fundef; (ii) Convênios; (iii) Recursos da Saúde; (iv) Programa de Alimentação Escolar; (v) Programa de Manutenção de Creche; (vi) Salario Educação; (vii) Transporte Escolar; (viii) Taxas Municipais; (ix) Contribuições de Melhorias; (x) Subsídios de Sementes ao Produtor Rural; (xi) Serviços de Hora Máquina subsidiados pelo Executivo Municipal; (xii) Restituição de Pagamento Indevido; e (xii) Ressarcimento de Salários Pagos. (d) Disse, ainda, que sobre tais receitas não se justificaria a incidência do Pasep, pois teriam o caráter de transferências vinculadas a gastos préexistentes dentro do orçamento, não sujeitas à tributação. (e) Ademais, questionou que teria deixado de ser vincular ao regime do PASEP por ocasião de publicação de lei municipal e que, ainda o PASEP seria eivado de inconstitucionalidade, haja vista: (i) desrespeito ao princípio constitucional da isonomia entre os entes federativos, no caso, entre a União e os Municípios; (ii) ofensa ao princípio constitucional da autonomia municipal; (iii) violação à imunidade recíproca entre as entidades federativas; (f) Questionou a constitucionalidade da Medida Provisória n° 1495/1996. (g) A fim de ressaltar a questão constitucional envolvida, informa que está questionando a exigência do PASEP em sede judicial e admitiu que a ação proposta, ainda não tinha tido transitado em julgado e que, por isso, pelo que não poderia acatar exigências administrativas de pagamentos do tributo, menos ainda das respectivas multas. Ressaltese que naquela oportunidade a Recorrente informara que não havia decisão liminar válida, tampouco foi informado qualquer depósito judicial ou outra medida suspensiva da exigibilidade do tributo, nos termos do artigo 151, do CTN. Da Decisão de Primeiro Grau Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 481 4 Sobrevindo o julgamento de primeira instância, a Delegacia de Julgamento manteve parcialmente o crédito lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1999 a 31/07/1999 DECADENCIA. DECLARAÇAO DE OFICIO. Tratandose de matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada de ofício, em qualquer fase processual, ainda que não alegada pelas partes envolvidas no litígio. PASEP. LANÇAMENTQ. DECADENCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, por meio da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF, e por haver recolhimento antecipado de contribuições ao PASEP em nome da interessada, para o lançamento de ofício deve ser observado o prazo qüinqüenal de decadência, estabelecido no art. 150 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1999 a 30/06/2004 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASEDE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. PASEP. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. MULTA DE OFÍCIO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. MOMENTO DE APLICAÇÃO. ENTENDIMENTQ DA COSIT E DA PGFN. Descabe a aplicação de multa de ofício, em razão do posicionamento da COSIT e da PGFN, de que o entendimento firmado no Parecer AGU nº AC 16/2004 aplicase apenas aos fatos geradores ocorridos a partir da data de publicação do referido parecer, que se deu em 15/07/2004. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento, para que: (a) seja exonerado o montante de R$ 204.445,36 de multa de ofício; (b) seja exonerado o montante de R$ 6.691,94 de contribuição para o PASEP, além dos respectivos encargos legais, em face da decadência; e (c) seja mantido o montante de R$ 265.903,02 de contribuição para o Pasep, além dos respectivos encargos legais. Em síntese, as razões da decisão foram as seguintes: (a) Sobre a decadência do crédito lançado até julho de 1999 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 482 5 “Afastada, portanto, a aplicação do artigo 45 da Lei 8.2l2/91 e tratandose de contribuição sujeita à sistemática do lançamento por homologação, aplicase a regra decadencial do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, que determina que após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. No caso, conforme os demonstrativos DAF (distribuição da arrecadação federal) de fls. 270/347, constatase que houve retenção na fonte pelo Banco do Brasil de valores do PASEP, relativamente aos períodos de apuração maio/ l999 a julho de 1999. Assim, considerandose que a ciência ao Auto de infração deuse em 31 de agosto de 2004 (fl. 06) encontravase decaído o direito a constituição dos créditos referentes aos períodos de apuração de maio a julho de 1999, devendose anular, por conseguinte, o lançamento correspondente.” (b) Quanto à incidência e à base de cálculo do PASEP: No caso, vêse que os valores que serviram de base para o presente lançamento foram todos obtidos diretamente dos balancetes financeiros de fls. 27/58, 60/107, 109/156, 158/205, 209/256 e 258/269, relativos aos períodos de apuração 08/1999 a O6/2004, elaborados e fornecidos pela própria interessada, nos quais há a indicação daquelas receitas passíveis de compor a base de cálculo do Pasep. Com fundamento em tais peças o fisco elaborou os demonstrativos da base de cálculo do Pasep de fls. 26, 59, 108, 157, 208 e 257, relativos aos mesmos períodos de apuração. Dessa forma, devese reafirmar que a discriminação dos itens que compuseram as bases de cálculo da autuação, no tocante às receitas correntes e às transferências correntes e de capital, se deu com base em elementos fornecidos pela própria interessada, extraídos de sua escrituração contábil/fiscal. Assim, são descabidas as alegações de que a composição de tais bases é inadequada, posto que foram feitas a partir das peças fornecidas pela interessada (fls. 26/269), e aceitas pelo fisco, sem restrições. Vejase que tal composição está plenamente de acordo com a previsão legal (receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas). Dessa maneira, consoante disposto no art. 7° da Lei n° 9.715, de 1998, somente podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição ao PASEP as transferências efetuadas a outras entidades públicas. O FUNDEF não é considerado entidade pública, portanto, apesar do procedimento adotado pelo Banco do Brasil S/A. quando da retenção da contribuição, os valores que foram repassados ao fundo não deveriam ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida pelo Município (Parecer da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação Cosit n° 46, de 24 de junho de 1999). Por seu turno, na medida em que a própria fiscalização, no trabalho desenvolvido, adotou a mesma providência (demonstrativos de fls. 26, 59, 108, 157, 208 e 257), fica ressalvado o direito de o Fisco efetuar o devido lançamento (art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional), enquanto não decaído. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 483 6 (c) Quanto à opção pelo regime do PASEP e aos argumentos de linde constitucional Em decorrência, não se toma conhecimento de alegações relativas à desvinculação do Município das contribuições ao PASEP, bem como de alegações de eventual negativa no fornecimento de certidão negativa e de bloqueio de repasses do FPM, já que qualquer posicionamento implicaria decisão administrativa acerca de matéria apresentada ao Poder Judiciário, que, conforme ficou explicitado, ainda se encontra pendente de decisão final. Da mesma forma, especificamente, quanto às alegações de inconstitucionalidade da MP n.° 1.495, de 1996 (posteriormente, convertida na Lei n.° 9.715, de 1.998), cumpre reafirmar que a competência do referido exame é dada em nível constitucional exclusivamente ao Judiciário, pelo que este órgão julgador colegiado fica impedido de o fazer. (d) Quanto ao cabimento da multa de ofício Vêse, assim, que tanto a administração hierarquicamente superior desta Secretaria (COSIT), quanto o órgão encarregado de prestar assessoria jurídica no âmbito do Ministério da Fazenda (PGFN) pelos fundamentos expostos nos documentos transcritos, posicionaramse por se poder apliar multas a outras pessoas jurídicas de direito público somente no tocante a infrações ocorridas em data posterior a 15 de julho de 2004, entendimento que aqui se adota. Assim. sem entrar no mérito das questões levantadas pela contribuinte, mas pelas razões antes expostas, no presente lançamento, que diz respeito aos períodos de apuração maio de 1999 a junho de 2004 (cujos fatos geradores consideramse concluídos entre 31/05/1999 e 30/06/2004) entendese que descabe a aplicação de multa de ofício. Desse modo, ao fim, mantevese o lançamento quanto ao crédito tributário, excluindose a multa de ofício e a parcela do crédito já extinta por decadência. Do Recurso Voluntário Como decorrência da decisão da DRJ, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em que veio a reprisar os argumentos da impugnação. É o relatório. . Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 484 7 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Da Preliminar Sobre a ilegitimidade da Receita Federal do Brasil em aplicar penalidade sobre outros entes da Federação (item II.1, do Recurso Voluntário), é forçoso mencionar que a decisão ora recorrida reconheceu sua inaplicabilidade, por motivação diversa das apontadas pela Recorrente, tanto na impugnação quanto no presente Recurso, razão pela qual não reside contencioso nesse particular. Nesse sentido, nego provimento à preliminar de nulidade apresentada. Do Mérito Entendo que o cerne do presente Recurso se divide nas seguintes partes: (a) Quais rubricas devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição ao Pasep (item II.2.2, do Recurso Voluntário); (b) Inconstitucionalidades na exigência do PASEP aos entes municipais (itens II.2.1 e II.2.3, do Recurso Voluntário) (c) A Recorrente estaria desobrigada de efetuar o recolhimento do Pasep em vista de haver discussão judicial pendente (item II.2.4, do Recurso Voluntário); (d) Obrigatoriedade de se excluir da base de cálculo os valores retidos pelo Banco do Brasil (item II.2.5, do Recurso Voluntário) Passo às minhas considerações. (a) Quanto à base de cálculo do PASEP A base de cálculo do PASEP está prevista na Lei Federal 9.715/1998, em seu artigo 2º: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ressaltese, ainda, que, à época dos fatos geradores sob análise, o parágrafo sétimo1, do mesmo artigo, não havia sido inserido ao texto original, de modo que não havia 1 §7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 485 8 previsão de exclusões da base de cálculo que não as referenciadas no artigo 7º, da mesma Lei, abaixo transcrito. Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. De tal sorte que é irrelevante que as receitas correntes do município estivessem “vinculadas a gastos préexistentes dentro do orçamento, que não estão sujeitas a tributação”. Da mesma forma, com relação à inteligência do artigo 7º, supramencionado, somente é possível a exclusão das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”, sendo certo que deve se entender como “entidade pública” outra pessoa jurídica de direito público interno, de modo a ser evitar a incidência “em cascata” da contribuição, fazendoa incidir uma única vez, da origem do recurso à aplicação final do valor transferido. Contudo, a Recorrente deseja, ainda, ter os recursos destinados ao FUNDEF excluídos da base de cálculo. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) foi instituído pela Emenda Constitucional 14/ 1996, e regulamentado pela Lei Federal 9.424/1996. O FUNDEF foi implantado, nacionalmente, em 1° de janeiro de 1998, quando, a nova sistemática de redistribuição dos recursos destinados ao Ensino Fundamental passou a vigorar. O FUNDEF, semelhante ao seu sucessor, o FUNDEB, é caracterizado como um fundo de natureza meramente contábil, com o mesmo tratamento dispensado ao Fundo de Participação dos Estados (FPE) e ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Seus recursos são repassados automaticamente aos Estados e Municípios, de acordo com coeficientes de distribuição estabelecidos e publicados previamente. Portanto, o FUNDEF, é um fundo especial composto por recursos da União e dos Estados que não possui personalidade jurídica, não fazendo jus à sua inclusão no rol das deduções previstas no aludido artigo 7º. Nem se diga que a existência de registro perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) seria indício de que há personalidade jurídica de tais fundos, já que a legislação regulamentar do CNPJ prevê a obrigatoriedade de registro de entidades que, por sua vez, não possuem, indubitavelmente, personalidade jurídica, como os consórcios de empresas. Isto posto, somente poderão ser excluídas as rubricas expressamente previstas em lei, quais sejam, as transferências efetuadas a outras entidades públicas, de modo que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar que a autoridade fazendária teria deixado de efetuar tal dedução. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 486 9 Nesse sentido, entendo não haver razão para reduzir o lançamento impugnado, haja vista não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo preconizadas pela Recorrente. (b) Quanto às inconstitucionalidades apontadas pela Recorrente Quanto aos argumentos de linde constitucional, recorrome da Súmula CARF nº 2 e do artigo 62, do Regulamento do CARF, que vedam esse tribunal administrativo de exercer controle de constitucionalidade, de modo que inadmitindo tais argumentos, não é possível afastar o lançamento efetuado. (c) Quanto à discussão judicial pendente Conforme informado pela própria Recorrente, ainda não houve trânsito em julgado de ação judicial em que se discute a inconstitucionalidade da contribuição em virtude de lei municipal que veio a desvincular o Recorrente do PASEP. Porém, a Recorrente mesmo já reconheceu que não há amparo em medida liminar na referida ação. Nesse sentido, lembramos as hipóteses de suspensão da exigibilidade do tributo, previstas no Código Tributário Nacional: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Vêse que a Recorrente, não se enquadrando em nenhum caso acima, estará sujeita ao pagamento das contribuições, de maneira que igualmente não assiste razão à Recorrente. De fato, se vier a obter decisão final favorável, poderá reaver os recolhimentos indevidos mediante processo administrativo próprio. (d) Da exclusão das retenções efetuadas pelo Banco do Brasil A decisão recorrida já tinha admitido a possibilidade da exclusão os valores retidos pelo Banco do Brasil quando dos repasses financeiros provenientes de suas fontes de Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 487 10 custeio municipal; porém, não só isso, naquela oportunidade, verificouse que tais retenções ocorreram em períodos de apuração em que a DRJ reconhecera, de ofício, sua decadência. Dessa forma, reside também inoportuna essa pretensão da Recorrente. Das Conclusões Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, porém negolhe provimento, mantendo integralmente o lançamento de ofício. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000814/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO.
Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica na condição de micro empresa, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite estabelecido em lei.
Numero da decisão: 1201-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica na condição de micro empresa, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite estabelecido em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 08 14 /2 00 8- 74 Fl. 116DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em razão da exclusão do Simples conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/UBE/MG n° 02/2008 (fl. 25), em face de a recorrente ter ultrapassado o limite de receita bruta permitido, de acordo com artigo 9°, inciso I, c/c o artigo 2°, inciso I, da Lei 9.317/1996, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2005, conforme determina o art. 15, Inciso IV, da Lei 9.317/96. A manifestação de inconformidade foi considerada improcedente, mantendo se a exclusão. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou o recurso de fls. 105 a 113, em que alega, em síntese: a) "a exclusão teve sustentação no Auto de Infração lavrado com fundamento em depósitos realizados em instituições financeiras para os quais o Recorrente não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos (art. 42 da Lei n° 9.430196). A partir dos valores de depósitos apurados, a Fiscalização procedeu ao lançamento das diferenças do imposto de renda pessoa jurídica resultante das diferenças apuradas (receita apurada x receita declarada)"; b) "... a exclusão do Recorrente no SIMPLES é totalmente improcedente porque o lançamento consubstanciado no Auto de Infração objeto do processo n° 13629.000135/200803 é descabida. Com efeito, além do Auto de Infração desconsiderar a atividade do Recorrente — origem dos recursos movimentados nas contas bancárias , não comporta a majoração da multa aplicada e elege base de cálculo incompatível com a realidade dos fatos". Feitas essas considerações, a recorrente aduz: Assim, por se tratar de matéria conexa, o Recorrente reproduz os argumentos tecidos no Recurso Voluntário apresentado no processo n° 13629.000135/200803, demonstrando que a base de cálculo eleita pela fiscalização é incompatível com a realidade dos fatos e com as provas ali juntadas. [...] Os documentos comprobatórios e o demonstrativo elaborado pelo Recorrente referente ao movimento financeiro no Banco do Brasil S/A encontramse acostados no processo n° 13629.000135/200803, apensado a este nos termos do art. 3º da Portaria RFB 666/2008. Da análise de todo material probante, resta claro que a base de cálculo eleita pela fiscalização está equivocada porque não excluiu os financiamentos obtidos iunto aos parceiros. as transferências da conta 1.5903 do Banco do Brasil SIA, os descontos de cheques recebidos de clientes, os recursos movimentados no Unibanco e HSBC de titularidade do Sr. Carlos Maurício da Silva e os depósitos estornados. A remuneração do Recorrente restringiase às comissões por serviços prestados e esta sempre se manteve dentro dos limites estabelecidos em lei para permanência no SIMPLES. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13629.000814/200874 Acórdão n.º 1201001.886 S1C2T1 Fl. 3 3 Ao final, requer seja declarada a procedência "do recurso para, reformandose a decisão de piso, determinarse a reinclusão do Recorrente no SIMPLES". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admisibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos da legislação, dele devendose conhecer. Exclusão. Excesso de receita. Todas as razões aduzidas no recurso já foram analisadas no processo relativo aos autos de infração: nº 13629.000135/200803. Naquele processo, o recurso foi considerado procedente em parte, exonerandose pequena parcela do crédito tributário lançado, em face da exclusão de valores da base de cálculo dos tributos lançados. Todavia, a receita considerada omitida remanescente é superior ao limite estatuído pela legislação para as microempresas, vigente à época dos fatos. Dessa forma, correta a exclusão do recorrente do Simples, nos termos do artigo 9°, inciso I, c/c o artigo 2°, inciso I, da Lei 9.317/1996, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2005, conforme determina o art. 15, inciso IV, da Lei 9.317/96. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento, mantendo a exclusão do recorrente do Simples. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 118DF CARF MF 4 Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000622/2004-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO RELATIVA AO TRIBUTO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE.
"A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" (Súmula CARF nº 105). Por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de estimativas de IRPJ que está sendo exigida nos presentes autos, em relação aos meses de janeiro a outubro de 1998.
Numero da decisão: 9101-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO RELATIVA AO TRIBUTO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" (Súmula CARF nº 105). Por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de estimativas de IRPJ que está sendo exigida nos presentes autos, em relação aos meses de janeiro a outubro de 1998.
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(NOME ATUAL DA MG MASTER LTDA., SUCESSORA DA BAINORTE ESPORTES LTDA.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO RELATIVA AO TRIBUTO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" (Súmula CARF nº 105). Por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de estimativas de IRPJ que está sendo exigida nos presentes autos, em relação aos meses de janeiro a outubro de 1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 06 22 /2 00 4- 11 Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de petição apresentada pela contribuinte acima identificada, recebida como recurso especial de divergência contra o Acórdão nº 10808.592, de 11/11/2005, por meio do qual a Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, entre outras questões, admitiu a possibilidade de concomitância entre a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal e a multa de ofício que acompanha o tributo apurado no ajuste anual. Apesar do entendimento acima sobre a possibilidade de concomitância das multas, a referida decisão acabou cancelando a multa isolada por falta de estimativa, com o fundamento de que, tratandose de responsabilidade tributária por sucessão, "a incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. O que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN." O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA IRPJ DECADÊNCIA CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO O Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4° do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como inicio de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2003, é incabível a preliminar de decadência suscitada para a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa lançada no anocalendário de 1998. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Caracteriza a ocorrência de omissão de receitas a diferença apurada pela fiscalização no confronto entre as receitas escrituradas/declaradas com aquelas constantes dos boletins de Caixa da loja, principalmente quando a empresa não contesta a infração detectada e efetua parcelamento desses débitos fiscais no PAES. IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 4 3 emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A falta de recolhimento do Imposto de Renda, calculado por estimativa com base na receita bruta, sujeita a contribuinte à imposição da multa prevista no art. 44 § 1° inciso IV da Lei n° 9.430/96. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO — COMPATIBILIDADE — A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96. O lançamento é compatível com a exigência do imposto apurado em procedimento fiscal, acompanhado da correspondente multa de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC — JUROS DE MORA — PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. MULTA DE OFICIO — CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO — A multa de oficio constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. O que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MG MASTER LTDA. (SUCESSORA DA BAINORTE ESPORTES LTDA.). ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho (Relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e José Carlos Teixeira da Fonseca, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado o Conselheiro Margil Mourâo Gil Nunes para redigir o voto vencedor. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 5 4 Num primeiro momento (no julgamento do recurso voluntário), a multa isolada foi totalmente cancelada, mas apenas em razão de uma das teses defendidas pela contribuinte, ou seja, de que a sucessora não deve responder pelas penalidades devidas pelo sucedido Embora tenha cancelado a multa isolada por falta de estimativas, o Acórdão nº 10808.592, da Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, admitiu a possibilidade de concomitância entre a multa isolada por falta de estimativa mensal e a multa de ofício que acompanha o tributo apurado no ajuste anual, refutando a outra tese defendida pela contribuinte. Na seqüência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao julgar recurso especial apresentado pela PGFN (a única parte que restou vencida na 2ª instância administrativa), deu provimento a esse recurso, para fins de restabelecer a responsabilidade da sucessora em relação à multa/penalidade, e determinou o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu, para a análise das demais questões tratadas no recurso voluntário (Acórdão CSRF nº 910100.062, de 10/03/2009). Houve embargos de declaração por parte do Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, manifestando o entendimento de que não havia mais nenhuma questão a ser enfrentada naquele nível de instância, inclusive no que dizia respeito à concomitância das multas. Esses embargos foram acolhidos pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que editou um segundo acórdão (Acórdão nº 910100.735, de 09/11/2010), para fins de suprimir da decisão anterior aquela determinação de retorno dos autos à Câmara de origem. Após tomar ciência desse segundo acórdão da CSRF, a contribuinte apresentou petição intitulada como "embargos", petição que, conforme já mencionado acima, foi recepcionada como recurso especial de divergência contra o Acórdão nº 10808.592, nos termos do despacho exarado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em 06/09/2016, às efls. 465/471. Na referida petição, a contribuinte traz as informações e os argumentos descritos a seguir: DA SÍNTESE DOS AUTOS tratamse os autos de multa isolada pela ausência de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ em casos em que o Contribuinte, ora Embargante, também foi autuado ao final do exercício pela suposta constatação de omissão de receitas, sendolhe exigido o imposto, acrescido da multa de ofício e acréscimos moratórios; o processo em comento é uma das 46 (quarenta e seis) autuações fiscais lavradas contra a Recorrente exatamente sobre o mesmo tema; seguindo o ocorrido com os demais processos, a decisão de 1ª instância administrativa foi desfavorável ao contribuinte, levandoo a interpor o competente recurso voluntário. Tal recurso foi totalmente provido pela antiga 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que afastou a multa isolada; Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 6 5 cumpre ressaltar que dois são os principais argumentos defendidos pela Recorrente para comprovar a impossibilidade de aplicação da multa isolada em casos como o presente: (i) a vedação à sucessão de penalidade, nos termos do art. 132, do CTN; e (ii) a impossibilidade jurídica de cumulação da multa isolada por ausência de recolhimento por estimativa com a multa de oficio por omissão de receitas no final do exercício. em todos os demais processos idênticos ao presente, a multa isolada foi cancelada pela antiga 8ª Câmara unicamente em razão da primeira tese acima, ou seja, a de que a sucessora não responde pelas penalidades devidas pelo sucedido; assim, como a multa foi totalmente cancelada, a ora Recorrente não tinha interesse de agir para interposição de Recursos Especial. Apesar disso, deixou claro nas Contrarrazões aos Recursos Especiais Fazendários que a sua segunda tese (da cumulação de penalidades) não havia sido analisada em momento algum, cerceando a sua oportunidade de discussão perante a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais; em razão dessa particularidade, do total de 46 (quarenta e seis) processos, todos aqueles que foram julgados pela CSRF, tiveram idêntica decisão. O colegiado, nesses casos, entendeu por bem em julgar procedente os Recursos Especiais da Fazenda Nacional quanto à primeira tese mencionada acima (sucessão da penalidade), mas determinou o retorno dos autos à Câmara de origem para a análise da segunda tese (cumulação das sanções); o presente processo teve exatamente essa mesma tramitação dos demais até esse momento (Acórdão n° 910100.062 1ª turma da CSRF); contudo, a partir desse momento o processo tomou outro caminho que, concessa venia, culminou no lapso manifesto que se pretende corrigir, sob pena de cerceamento ao direito de defesa da Recorrente; tal fato ocorre porque os Embargos de Declaração interpostos pelo eminente Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção foram acolhidos para retificar o Acórdão n° 910100.062, da 1ª Turma da CSRF, apenas para retirar a determinação de retorno dos autos à Câmara de Origem para analisar a tese do contribuinte sobre a impossibilidade da cumulação de penalidades; o problema está justamente na ausência de retorno dos autos à Câmara recorrida, mesmo que todas as matérias tenham sido ventiladas nessa instância de julgamento. isso porque a ora recorrente, da forma como ocorrido, ficou sem qualquer possibilidade processual de levar a sua segunda tese citada acima (concomitância das penalidades) para julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais no caso em comento; a situação é ainda mais teratológica quando se verifica que todos os seus outros processos de matéria idêntica estão seguindo tramitação diferente, com a análise do caso pela CSRF. Inclusive, há casos com decisão definitiva da CSRF em que foi afastada a penalidade exatamente no mesmo caso; Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 7 6 dessa forma, pretendem os presentes Embargos a retificação do julgamento apenas para possibilitar à Recorrente a análise de sua tese sobre a impossibilidade da aplicação concomitante da multa isolada por recolhimento do IRPJ por estimativa e da multa de ofício por não recolhimento do IRPJ que teria sido efetivamente recolhido; DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO a função do presente Recurso, como mencionado acima, não é a de rediscussão da matéria, muito pelo contrário, pretendese apenas que seja oportunizado ao Contribuinte/ Recorrente o acesso à Câmara Superior de Recursos Fiscais de sua tese sobre a impossibilidade de aplicação concomitante das sanções discutidas; não há dúvidas sobre o cabimento dos presentes Embargos a fim de sanar, concessa venia, equívoco que cerceou o direito de defesa do contribuinte, sem que qualquer questão de mérito seja reanalisada; é exatamente nesse sentido que determina o art. 66 da Portaria MF 256/2009; cabe tornar claro que, como se pretende apenas o julgamento da tese da cumulação das multas pela CSRF, efetivamente não há necessidade de novo julgamento na Câmara recorrida, eis que essa matéria já foi analisada; entretanto, dois caminhos devem ser tomados a fim de possibilitar a ampla defesa do contribuinte: (i) ou se possibilita expressamente a interposição de Recurso Especial por parte da ora Recorrente, mediante a abertura de prazo específico em razão das particularidades do caso em comento; ou (ii) se determina diretamente a análise da tese da cumulação das multas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo em vista que tal matéria consta expressamente das contrarrazões apresentadas pelo contribuinte, sendo também parte integrante do julgamento a ser realizado na CSRF; inclusive, cumpre registrar, a titulo informativo, que o i. Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, quando do julgamento do Recurso Especial Fazendário, sugeriu o julgamento, de pronto, da matéria, já prevendo possibilidades na tramitação dos 46 (quarenta e seis) processos que versam sobre a mesma matéria; entretanto, tal proposição não foi acatada, preferindose o retorno à Câmara recorrida o que, especificamente no caso em comento, gerou prejuízo irreparável à Contribuinte; desse modo, tendo em vista, data venia, o equívoco apenas quanto ao cerceamento do direito de defesa da Recorrente, que ficou impossibilitada de ter sua tese da invalidade da cumulação das penalidades (isolada por estimativa e de ofício) aplicadas, não há dúvidas sobre o cabimento dos presentes Embargos; DA IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO DECISÃO TERMINATIVA PROFERIDA PELA COLENDA Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 8 7 CSRF EM PROCESSO DA RECORRENTE DE MATÉRIA IDÊNTICA (ACÓRDÃO N° 910100.457 1ª TURMA) como mencionado acima, a situação é ainda mais grave quando se verifica que a colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu em favor da ora Recorrente, em caso idêntico, no julgamento de Recurso Especial apresentado em 22/08/2008 pela Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 10809.562, proferido pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho, que também deu provimento a Recurso Voluntário da Recorrente, sedimentando ainda mais a questão ora discutida (decisão administrativa definitiva cópia anexa). Vejamos: Acórdão: 910100.457 Texto da Decisão: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso para excluir a multa de ofício isolada em face de concomitância, vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Praga. Ementa: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual, ou inexistência de saldo de tributo a recolher. no presente caso, resta claro que a multa de oficio isolada é indevida, sendo exigida em concomitância com multa de oficio proporcional, calculada sobre a mesma base de cálculo, qual seja, o tributo devido no encerramento do período de apuração; resta claro que uma vez que não acolhida a hipótese de inaplicabilidade das multas pecuniárias por força da dicção do art. 132 do CTN, deve agora se apreciar a matéria, a fim de consolidar o decisum segundo o majoritário posicionamento desta corte quanto à impossibilidade de cumulação da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento por estimativa; cumpre reiterar: o mesmo Contribuinte já obteve decisão definitiva na esfera administrativa sobre a mesma questão, restando inequívoca a impossibilidade de desfecho distinto para exatamente o mesmo caso; REDUÇÃO DA MULTA ISOLADA LEI N° 11.488/07 RETROATIVIDADE BENÉFICA não obstante os argumentos acima colacionados, que buscam apenas a possibilidade de discussão da cumulação das penalidades, cabe aqui inferir, alternativamente, sobre o percentual da multa isolada, após as modificações impostas pela Lei n° 11.488/07; a nova redação dada pelo artigo 18 da Lei n° 11.488/07 ao art. 44 da Lei 9.430/96, altera o percentual da multa isolada, que passa a ser 50%, e não mais 75%, e ainda, não prevê mais a possibilidade de aplicação de multa qualificada; desse modo, com a alteração promovida pela Lei n° 11.488/07, cabe à autoridade fiscal a obrigação de aplicar ao lançamento da multa isolada o percentual de 50%, e não mais o de 75%, devendo, portanto, no caso em tela, ser o lançamento revisto de ofício, com o fito de atualização do montante supostamente devido; Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 9 8 nos casos em que a lide ainda não está definitivamente julgada, sobrevindo lei prescrevendo penalidade menos severa que a prevista na lei então vigente ao tempo do fato gerador, aplicarseá a nova regra; DA JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA UNIFICAÇÃO DE DECISÕES DIVERGENTES EM CASOS IDÊNTICOS FUNÇÃO PRECÍPUA DA CSRF não há dúvidas de que a função das instâncias superiores de julgamento é justamente unificar as decisões de instâncias inferiores, conferindo maior segurança e efetividade ao processo administrativofiscal. É justamente essa a principal função do Recurso Especial, sendo por esse motivo necessária a comprovação de divergência por parte do Contribuinte/Recorrente; no caso em tela, a jurisprudência da Colenda CSRF em caso idêntico da Recorrente deve, portanto, ser seguida de forma a unificar as decisões na esfera administrativa, conforme a própria função desse órgão superior, tudo em homenagem ao basilar Princípio da Segurança Jurídica; DO PEDIDO espera a ora Embargante que sejam providos os embargos, para que seja sanado o lapso referente ao impedimento do Contribuinte de levar à CSRF a sua tese sobre a impossibilidade de aplicação cumulativa das multas isolada de IRPJ e de oficio no caso em comento, abrindolhe prazo para interposição de Recurso Especial, o que não foi realizado nos autos; caso V. Sa. entenda por bem a impossibilidade/desnecessidade de abertura de prazo para interposição de Recurso Especial, requer a Embargante que a matéria da cumulação indevida das multas seja diretamente levada à julgamento na Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo em vista que já foi devidamente abordada nas Contrarrazões ao Recurso Especial Fazendário apresentadas pelo Contribuinte na época do seu julgamento; alternativamente, caso não seja realizado julgamento da C. CSRF sobre a matéria da cumulação das penalidades ora questionada, fato que se admite apenas para argumentar, pugna a Embargante para que, ao menos, seja aplicada a retroatividade benéfica e reduzida a multa isolada para 50% (cinqüenta por cento), nos termos das razões acima explicitadas; por fim, em última hipótese, caso V. Sa. decida pelo não cabimento dos presentes Embargos, mesmo tendo sido demonstrados os equívocos citados acima, o que se admite apenas para fins de debate, requer que a presente peça seja recebida como Pedido de Reconsideração, sendo possibilitada a análise da concomitância da penalidade pela CSRF. Quando do exame de admissibilidade do recurso da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 10/11/2016, deu seguimento a ele, encampando as seguintes considerações acerca de sua admissibilidade: [...] Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 10 9 Vêse que num primeiro momento (no julgamento do recurso voluntário), a multa isolada foi totalmente cancelada, mas apenas em razão de uma das teses defendidas pela contribuinte, ou seja, de que a sucessora não deve responder pelas penalidades devidas pelo sucedido Embora tenha cancelado a multa isolada por falta de estimativas, o Acórdão nº 10808.592, da Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, admitiu a possibilidade de concomitância entre a multa isolada por falta de estimativa mensal e a multa de ofício que acompanha o tributo apurado no ajuste anual, refutando a outra tese defendida pela contribuinte. Na seqüência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao julgar recurso especial apresentado pela PGFN (a única parte que restou vencida na 2ª instância administrativa), deu provimento a esse recurso, para fins de restabelecer a responsabilidade da sucessora em relação à multa/penalidade, e determinou o retorno dos autos à Câmara de origem ou àquela que a sucedeu, para a análise das demais questões tratadas no recurso voluntário (Acórdão CSRF nº 910100.062, de 10/03/2009). Houve embargos de declaração por parte do Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, manifestando o entendimento de que não havia mais nenhuma questão a ser enfrentada naquele nível de instância, inclusive no que dizia respeito à concomitância das multas. Apesar de a manifestação sobre a possibilidade de concomitância das multas não ter sido fundamento para aquilo que efetivamente restou decidido na segunda instância administrativa (obiter dictum), até porque a multa isolada foi cancelada naquela instância, esses embargos foram acolhidos pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que editou um segundo acórdão (Acórdão nº 910100.735, de 09/11/2010), para fins de suprimir da decisão anterior aquela determinação de retorno dos autos à Câmara de origem. Foi com essa segunda decisão da CSRF que o entendimento sobre a possibilidade de concomitância das multas se somou ao entendimento sobre a manutenção da responsabilidade da sucessora em relação às multas, para que a multa isolada por falta de estimativas fosse considerada efetivamente restabelecida. Com efeito, a decisão de segunda instância administrativa em relação à possibilidade de concomitância das multas não produziu qualquer conseqüência processual prática até a segunda decisão da CSRF, no que toca ao interesse de agir da contribuinte. Isto porque, num primeiro momento, a multa isolada havia sido cancelada (ainda que por outro motivo), e num segundo momento, a CSRF havia determinado o retorno dos autos à Turma Ordinária para apreciação das demais questões tratadas no recurso voluntário. É apenas a partir da segunda decisão da CSRF que a contribuinte pode ser efetivamente considerada derrotada na 2ª instância administrativa. A ciência do segundo acórdão da CSRF ocorreu 13/04/2011, e a petição intitulada como "embargos" foi remetida, por via postal, em Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 11 10 28/04/2011, portanto, dentro do prazo de 15 dias previstos para a apresentação de recurso especial de divergência. Nessa petição, a contribuinte traz as informações e os argumentos descritos a seguir: [...] A petição da contribuinte cumpre os requisitos para que seja admitida como recurso especial de divergência, uma vez que: a) ela é tempestiva; b) a matéria objeto do recurso foi préquestionada; c) não foi adotado pela Turma recorrida entendimento constante de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF; d) na decisão recorrida não se decidiu, em apreciação de matéria preliminar, pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999; e e) a divergência foi adequadamente demonstrada por meio de decisões paradigmas, que, até a presente data, não contrariam: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); ou III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Vêse que as ementas das decisões cotejadas (acima transcritas), por si só, são suficientes para a comprovação da alegada divergência. Enquanto o acórdão recorrido (Acórdão nº 10808.592) admitiu a possibilidade de concomitância entre a multa isolada por falta de estimativa mensal e a multa de ofício que acompanha o tributo apurado no ajuste anual, o acórdão paradigma (Acórdão nº 910100.457) entendeu ser inaplicável a mesma multa isolada quando há concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual, ou inexistência de saldo de tributo a recolher. Desse modo, entendo que se deva DAR SEGUIMENTO ao recurso especial da contribuinte. Em 21/02/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso da contribuinte, e o referido órgão não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para exigência de multa isolada por falta de recolhimentos de estimativas de IRPJ em relação aos meses de janeiro a outubro/1998. O início do relatório constante do acórdão recorrido sintetiza bem as razões do lançamento: Contra a empresa MG Master Ltda., sucessora por incorporação de Bainorte Esportes Ltda., foi lavrado auto de infração do IRPJ, fls. 05/08, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade nos meses de janeiro a outubro do anocalendário de 1998, descrita às fls. 06/07 e no Termo de Verificação de Infração de fls. 09/21: "MULTAS /SOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, em decorrência de omissões de receitas, no período de janeiro a outubro de 1998, caracterizadas pela falta de contabilização de receitas de vendas, constatadas pelo confronto entre as vendas reais apuradas nos boletins de caixa da loja, retidos por ocasião do cumprimento dos Mandados Judiciais de Busca e Apreensão números 018/2002 e 019/2002, da 4ª. Vara Federal/MG, e os valores escriturados/declarados pelo contribuinte na DIRPJ/1998. Considerando as receitas omitidas, apuramos os valores reais devidos do IRPJ com base na estimativa mensal e como o contribuinte havia apurado prejuízo fiscal em todos seus balanços/balancetes de suspensão/redução, conforme DIRPJ/98, não recolhendo ou declarando nenhum valor a título de IRPJ estimado, configurouse a infração de falta de recolhimento do IRPJ estimado, nos meses de janeiro a outubro de 1998, sendolhe imputado a multa isolada de 150% sobre a falta de recolhimento apurada, tudo conforme Arts. 2, 43, 44, inciso II e §1°, IV da Lei 9430/96 e Art. 24 da Lei 9.249/95. [...] A mesma infração de omissão de receita ensejou lançamento do próprio IRPJ em relação ao ajuste anual de 1998, e de tributos reflexos, exigências que são objeto de outros autos (Processo nº 10680.000531/200486). Nestes outros autos, a infração de omissão de receitas foi mantida. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 13 12 A controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial diz respeito à possibilidade de concomitância de multas (multa isolada por falta de estimativa mensal e multa relativa ao tributo no ajuste anual). O voto que orientou o acórdão recorrido, ao defender a possibilidade da concomitância das multas, consignou as seguintes informações (vol 1, efls. 288): [...] No que tange à dupla tributação sobre uma mesma base de cálculo, vejo que foram impostas sanções sobre fatos ou irregularidades tributárias distintas. Apesar de a base ser idêntica, a multa de oficio foi aplicada em virtude da omissão de receitas e exigida junto com os tributos no processo n° 10680.000531/200486. Já neste processo está sendo exigida a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa mensal a que a empresa estaria sujeita, caso tivesse reconhecido corretamente a receita omitida. Esta Câmara, por maioria de votos, alterando seu entendimento anterior, deliberou pela possibilidade da incidência sobre uma mesma base da multa isolada e da multa de oficio acompanhada do tributo. Os Acórdãos n°: 10807.697 e 10807.660 da sessão de 18 de fevereiro de 2004, da lavra do ilustre Relator José Carlos Teixeira da Fonseca, cuja ementa a seguir transcrevo, traduzem claramente este posicionamento. [...] Assim sendo, são perfeitamente compatíveis a multa de ofício, acompanhada de tributo, e a multa isolada, tendo por base de cálculo a receita omitida. (grifos acrescidos) Para o anocalendário 1998, não há mais controvérsia quanto à questão da concomitância das referidas multas. O CARF, inclusive, já editou súmula a respeito do assunto: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Assim, por aplicação direta da Súmula CARF nº 105, cabe afastar a multa isolada por falta de estimativas de IRPJ, que está sendo exigida nos presentes autos. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10680.000622/200411 Acórdão n.º 9101003.014 CSRFT1 Fl. 14 13 Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001136/2004-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano calendário: 2004
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de
declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado
Numero da decisão: 1802-001.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores) sob alegação de omissão no Acórdão nº 1802000.993 de 04/10/2011 que negou provimento ao recurso voluntário e possui a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Ementa: CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – A ciência ao contribuinte do despacho decisório e da decisão de primeira instância que descrevem claramente os motivos que justificam o indeferimento do pleito e a apresentação plena da defesa demonstram que o direito do interessado não foi preterido e afastam a alegada ofensa aos princípios constitucionais do devido processo, contraditório e ampla defesa. Assim, não há nulidade a ser declarada se incomprovado prejuízo ao contribuinte. RETENÇÃO NA FONTE. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. BASE DE CÁLCULO. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela locação de mãode obra estão sujeitos a retenção de 1% na fonte de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, sem permissão legal para excluir da base de cálculo os valores referentes ao pagamento de salários e respectivos encargos sociais pagos pela empresa tomadora do serviço. ANTECIPAÇÃO DA CSLL DEVIDA. COMPENSAÇÃO. Em conformidade com o artigo 36 da mencionada Lei nº 10.833/2003 o valor retido da CSLL será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação a CSLL devida no período de apuração adotado pelo contribuinte (trimestral ou anual). A pessoa jurídica não adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação da CSLL em decorrência da retenção do tributo como antecipação do devido. Após o período de apuração (trimestral ou anual), momento da ocorrência do fato gerador da CSLL, conforme se depreende dos artigos, 1º, 6º e 28 da Lei nº 9.430/96 é que poderá ser restituído o pagamento a maior configurado como saldo negativo com a possibilidade da compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a teor do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ÔNUS DA PROVA. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001136/200441 Acórdão n.º 1802001.168 S1TE02 Fl. 2 3 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o artigo 170 do Código Tributário Nacional. À mingua de tal comprovação não se reconhece o direito creditório e por conseqüência a não homologação da compensação efetuada pelo contribuinte. O mencionado acórdão foi recepcionado pela empresa em 28/11/2011 (Aviso de Recebimento – AR), e, os embargos foram protocolizados em 05/12/2011. A Embargante diz que conforme esclarecido nos autos, presta serviços através da cessão de mãodeobra, disponibilização e alocação à terceiros, de trabalhadores que realizam serviços contínuos. E assim, por essa razão recebe o reembolso de salários e encargos sociais e trabalhistas dos trabalhadores, e também, a taxa administrativa preço do serviço e por conseqüência, sua autêntica receita ou faturamento. Alega que, tal matéria foi analisada e julgada em demanda própria, e que, dos autos 2003.72.01.0019840 (processo judicial) ficou assentado que a receita da Embargante, decorrente do preço do serviço prestado, é apenas a taxa administrativa. Essencialmente, a Embargante alega que a decisão embargada, além de desconsiderar os efeitos declaratórios da decisão judicial, igualmente foi omissa ao desprezar e negar vigência aos comandos normativos do art. 30 e 36 da Lei 10.833/03, que obrigam a retenção exclusivamente sobre "pagamentos pela prestação de serviços". E no caso, os reembolsos e encargos não são pagamentos, mas sim, reembolsos, e portanto, não podem sofrer a retenção da CSLL. Finalmente a Embargante requer que os presentes Embargos de Declaração sejam conhecidos e providos para que, com efeitos infringentes, provoquem a manifestação sobre os pontos omissos anteriormente mencionados e reformem a decisão. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 05/12/2011, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos, deles conheço. Conforme relatado a Embargante alega, essencialmente, que a decisão embargada, além de desconsiderar os efeitos declaratórios da decisão judicial, igualmente foi omissa ao desprezar e negar vigência aos comandos normativos do art. 30 e 36 da Lei 10.833/03, que obrigam a retenção exclusivamente sobre "pagamentos pela prestação de serviços". E no caso, os reembolsos e encargos não são pagamentos, mas sim, reembolsos, e portanto, não podem sofrer a retenção da CSLL. Ora, pelos próprios fundamentos da Embargante não há omissão na decisão embargada e sim, a alegada desconsideração dos efeitos declaratórios da decisão judicial e negação aos comandos normativos do art. 30 e 36 da Lei 10.833/03. Sobre o assunto, consta do voto condutor do acórdão embargado o seguinte: (...) Como se vê, o processo judicial acima, cingese à determinação da base de cálculo da Cofins a ser retida e sua compensação, razão pela qual não se pode dar elastério à decisão judicial para abranger à CSLL e concluir pela existência de ação judicial com o mesmo objeto e conseqüente renúncia ao presente processo administrativo. Dessarte, cabível a apreciação do processo administrativo em pauta, por esse colegiado administrativo, por se tratar de matéria distinta da constante do mencionado processo judicial. O pleito do contribuinte nos presentes autos fundamentase, em síntese, no fato de alegada retenção na fonte da CSLL incidente sobre o total da Nota Fiscal de Prestação de Serviços (Taxa de Administração + Reembolso de Salários e Encargos) enquanto entende a recorrente que somente deveria incidir sobre a taxa de administração, sendo a diferença considerada pela interessada como pagamento indevido de CSLL, razão pela qual requer a restituição a partir do mês de retenção para compensação com o IRPJ devido. Para comprovar o alegado a recorrente junta as planilhas de fls.13 e 14. Conforme a quarta alteração contratual datada de 15/04/2003, juntada às fls.03/07, o objetivo social da empresa é "a terceirização de prestação de serviços e locação de mão de obra". Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001136/200441 Acórdão n.º 1802001.168 S1TE02 Fl. 3 5 O ponto nodal da lide é a determinação da base de cálculo da CSLL a ser retida à luz da Lei 10.833/2003 e a compensação com o IRPJ. Sabese que, além do artigo 55 da Lei nº 7.713/88 que trata da retenção de 1% (IRRF) aplicável às importâncias pagas ou creditadas a pessoas jurídicas, civis ou mercantis, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, segurança, vigilância e por locação de mãodeobra de que trata o art. 3º do DecretoLei nº 2.462, de 30 de agosto de 1988, o artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 instituiu a retenção na fonte de PIS, Cofins e CSLL, nos seguintes termos: Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valor e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (...) § 3º As retenções de que trata o caput serão efetuadas sem prejuízo da retenção do imposto de renda na fonte das pessoas jurídicas sujeitas a alíquotas específicas previstas na legislação do imposto de renda (...) Art. 31. O valor da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, de que trata o art. 30, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0.65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente. (...) Art. 36. Os valores retidos na forma dos arts. 30, 33 e 34 serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação ao imposto de renda e as respectivas contribuições. Gizese que, conforme quarta alteração contratual juntada às fls.03/07, o objetivo social da empresa é "a terceirização de prestação de serviços e locação de mão de obra", atividade relacionada no art. 30 da Lei n° 10.833/2003 como sujeita à retenção da CSLL o que permite concluir ser a retenção devida sobre o montante pago à locadora da mãodeobra, relativo à Nota Fiscal de Prestação de Serviços (Taxa de Administração + Reembolso de Salários e Encargos), nos moldes do artigo 31, sem a exclusão da base de cálculo como pretende a recorrente. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Enfim, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela locação de mãode obra estão sujeitos a retenção de 1% na fonte de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, sem permissão legal para excluir da base de cálculo os valores referentes ao pagamento de salários e respectivos encargos sociais pagos pela empresa tomadora do serviço. É pertinente esclarecer que em conformidade com o artigo 36 da mencionada Lei nº 10.833/2003 o valor retido da CSLL será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação a CSLL devida no período de apuração adotado pelo contribuinte (trimestral ou anual). A pessoa jurídica não adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação da CSLL em decorrência da retenção do tributo como antecipação do devido. Após o período de apuração (trimestral ou anual), momento da ocorrência do fato gerador da CSLL, conforme se depreende dos artigos, 1º, 6º e 28 da Lei nº 9.430/96 é que poderá ser restituído o pagamento a maior configurado como saldo negativo com a possibilidade da compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a teor do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Além do mais, apesar de intimada a interessada (intimação n° 162/2004 fls.08/09) a apresentar comprovante de retenção de CSLL no valor de R$ 3.345,39, o contribuinte não apresentou os comprovantes de retenção, limitandose a fornecer mero demonstrativo do crédito, mediante as planilhas de fls.13 e 14. Com efeito, incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o artigo 170 do Código Tributário Nacional. À mingua de tal comprovação não se reconhece o direito creditório e por conseqüência a não homologação da compensação efetuada pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada de cerceamento ao direito de defesa, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Como se vê, a Embargante pretende rediscutir a matéria litigada insistindo em que a retenção na fonte da CSLL incida somente sobre a “Taxa de Administração” e não sobre o total da Nota Fiscal de Prestação de Serviços (Taxa de Administração + Reembolso de Salários e Encargos), sendo a diferença considerada pela interessada como pagamento indevido de CSLL. Nos termos do art. 65 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10920.001136/200441 Acórdão n.º 1802001.168 S1TE02 Fl. 4 7 A Embargante não demonstra a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos no que resta improcedente a alegação suscitada pela Embargante Com as considerações acima, entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721218/2013-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. ATO NÃO COOPERATIVO.
Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. Recurso Especial do contribuinte conhecido e negado.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e provido.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL.
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araujo (relator) e André Mendes de Moura, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. Designada para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento do recurso do contribuinte, a conselheira Cristiane Silva Costa. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento do recurso fazendário, as conselheiras Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. ATO NÃO COOPERATIVO. Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. Recurso Especial do contribuinte conhecido e negado. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e provido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL. Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. ATO NÃO COOPERATIVO. Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. Recurso Especial do contribuinte conhecido e negado. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e provido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL. Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 18 /2 01 3- 32 Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araujo (relator) e André Mendes de Moura, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. Designada para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento do recurso do contribuinte, a conselheira Cristiane Silva Costa. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento do recurso fazendário, as conselheiras Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão na sessão anterior. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, fundamentados no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Os recorrentes insurgemse contra o Acórdão nº 1402002.089, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF em 18 de janeiro de 2016 (efls. 1114 e ss.), cujas ementa e decisão abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SÁUDE. ATO NÃO COOPERATIVO. Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 4 3 Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. CSLL. DECORRÊNCIA. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada, parcialmente em relação ao IRPJ e integralmente em relação à CSLL, nos termos do voto do redator designado. Vencido em primeira votação o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por dar provimento ao recurso. Vencidos em segunda votação os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento integralmente ao recurso. Vencidos em terceira votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a multa isolada. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada . O Conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. A exigência versa sobre exclusão indevida de resultados não tributados de sociedades cooperativas, do que resultou diferenças de IRPJ e CSLL no ajuste anual de 2008, bem como a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais neste Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 5 4 período. O Colegiado recorrido decidiu manter integralmente o IRPJ e a CSLL devidos no ajuste anual por considerar irrelevante a discussão acerca do rateio das receitas, na medida em que a cooperativa atua como operadora de plano de saúde e pretendia, indevidamente, a aplicação de benefícios direcionados às cooperativas a atividades de natureza mercantil, sem ter segregado em sua contabilidade a parte do valor contratado destinado à remuneração dos serviços médicos prestados pelos cooperados. Com referência à multa isolada, a exigência correspondente às estimativas de CSLL foi integralmente cancelada, porque concomitante com a multa de ofício aplicada no ajuste anual, e a parcela referente às estimativas de IRPJ foi mantida na parte em que a sua base de cálculo excedia a base de cálculo da multa de ofício proporcional. Inconformada com a parcela da exigência afastada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando, em síntese, que a decisão recorrida emprestou à lei tributária interpretação divergente da acolhida por outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, no que toca à concomitância das multas de ofício proporcional e isolada por falta de recolhimento de estimativa (efl. 1139 e ss) Referido recurso foi admitido por despacho exarado pelo Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF (efl. 1164 e ss). Por sua vez o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda Nacional defendendo o não conhecimento do recurso porque os paradigmas apresentados contrariariam a Súmula CARF nº 105, e apontando a ausência de prequestionamento, bem como de demonstração analítica da divergência. No mérito, argumentou que a melhor interpretação da legislação conduz à impossibilidade de exigência concomitante das penalidades em tela (efl. 1177 e ss.). Ademais, inconformado com a parcela da exigência mantida pelo acórdão nº 1402002.089, o sujeito passivo também contra ela interpôs recurso especial tendo como objeto divergência interpretativa emprestada à lei tributária por outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, sobre os seguintes temas (efl. 1177 e ss.): a) dever da fiscalização em promover a segregação entre os resultados dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos; e b) imposição da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa mensal relativa ao mês de dezembro de 2008, em concomitância com a multa de ofício imposta em razão da falta de pagamento do imposto devido ao final do respectivo anocalendário. O recurso do sujeito passivo foi admitido parcialmente por despacho do Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, apenas em relação à primeira divergência (efl. 1305 e ss.). A interessada apresentou agravo (efls. 1320 e ss.), mas o Presidente da CSRF o rejeitou, mantendo o seguimento parcial do recurso especial (efls. 1343 e ss.) Por fim, apresentou a Fazenda Nacional contrarrazões ao especial do sujeito passivo, observando que a recorrente foi regularmente intimada pela autoridade fiscal para apresentar sua contabilidade nos termos da legislação vigente, mas não apresentou documentação compatível, além de adotar entendimento, ao arrepio da lei, que os atos praticados por ela seriam atos cooperados (não merecendo, assim, qualquer segregação). Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Voto vencido quanto ao conhecimento do recurso do contribuinte 1) CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo apontou divergências acerca da necessidade de segregação, pela fiscalização, entre os resultados dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos, bem como a respeito da multa isolada parcialmente mantida no acórdão recorrido. Todavia, em exame de admissibilidade somente a primeira teve seguimento, sob os seguintes fundamentos: A primeira divergência interpretativa, suscitada no item III.2 do recurso, referese ao alegado dever da fiscalização em promover a segregação entre os resultados dos atos cooperativos e os dos atos não cooperativos, com vistas a promover o lançamento de ofício. A recorrente demonstrou que matéria foi prequestionada, mediante a precisa indicação do trecho do acórdão recorrido em que foi apreciada a matéria objeto da divergência, conforme excerto do voto presente na peça recursal, e a seguir transcrito (efl. 1209): No momento em que essa segregação deixa de ser efetuada ou é executada irregularmente pela premissa equivocada de tratar as receitas de planos de saúde integralmente como derivadas de atos próprios da cooperativa, não há como exigir que esse procedimento seja efetuado pela Fiscalização. Além do que, como já mencionado, não há qualquer indicativo de auferimento de outro tipo de receita em valor digno de menção. (g.n.) (...) Ressaltese que embora o trecho acima transcrito esteja contido no voto "vencido" do acórdão recorrido, a posição da Turma sobre essa matéria não foi objeto de reforma pelo voto "vencedor", o qual tratou apenas da multa isolada. A recorrente também demonstrou analiticamente a alegada divergência interpretativa emprestada à lei tributária pela Turma recorrida frente àquela acolhida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Referida divergência pode ser verificada mediante o cotejo entre o trecho do acórdão recorrido acima transcrito, e os seguintes trechos contidos nos acórdãos paradigmas nos 910100.339 e 180300.187, indicados na peça recursal (efls. 1209/1210), acórdãos esses que foram juntados pela recorrente em seu inteiro teor (fl. 1225 e ss.): Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 8 7 Acórdão Paradigma CSRF nº 910100.339: "(...) É entendimento assente nesse Colegiado o de que não prospera o lançamento de IRPJ sobre a totalidade das receitas da cooperativa (que sabidamente pratica atos cooperativos) nas hipóteses em que a Fiscalização deixa de intimála para promover a segregação entre receitas e despesas provenientes de atos realizados com cooperados/outras cooperativas e terceiros, especificandose nesta intimação o que se entende (pela Fiscalização) por ato cooperado ou não cooperado. De fato, nas hipóteses em que não há separação de resultados (receitas e despesas) pela cooperativa relativos a atos cooperados e a atos não cooperativos, incumbe à Fiscalização identificar a efetiva base de cálculo do tributo ao invés de tributar o resultado global da cooperativa. (...) Não houve determinação específica no sentido de solicitar ao Contribuinte que segregasse o resultado das operações que a Fiscalização considerava decorrentes de atos não cooperativos. Houve tributação pelo valor global das receitas, quando se sabe que o Contribuinte deveria ter ser autuado apenas pelos lucros provenientes de atos não cooperados, tais quais os assim considerados pela fiscalização. (...) a meu ver, à míngua de presunção legal a respeito, ao invés de tributar resultados globalizados da cooperativa, incumbiria à Fiscalização investigar a efetiva ocorrência do fato gerador e especificar seu aspecto quantitativo (base de cálculo). (...)” Acórdão Paradigma nº 180300.187: “(...) se a cooperativa pratica atos, sem visar ao lucro e na busca de seu objetivo social, independentemente de estarse diante de uma relação efetivada entre cooperativa e cooperados ou entre estas e terceiros, a toda evidência estarseá diante de um ato tipicamente cooperativo abrigado de qualquer pretensão fiscal, especialmente no tocante ao Imposto de Renda e seus reflexos. Nos presentes autos, a autoridade fiscal não discriminou de forma pormenorizada a diferenciação entre atos cooperativos e atos não cooperativo. Como já colocado, em razão do peculiar regime jurídico aplicável às cooperativas, a CSLL não incide sobre os resultados dos atos cooperativos. As sociedades cooperativas podem praticar atos não cooperativos, sem que desse fato decorra sua convolação em sociedade mercantil para fins de tributação da totalidade de seus rendimentos. No caso em questão, o lançamento foi efetuado sobre todas as receitas obtidas pela cooperativa na venda de planos de saúde. Entretanto, como parte destas receitas é oriunda da prática de atos cooperativos (intermediação da relação negocial entre o médico cooperado e o paciente não cooperado), devese decotá las do montante passível de tributação. A falta dessa Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 9 8 segregação por parte da autoridade fiscal torna insubsistente o lançamento efetuado. (...)” (g.n.) Isso posto, entendendo que a recorrente demonstrou tanto o prequestionamento da matéria quanto a divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas nos 9101 00.339 e 180300.187 no que concerne à interpretação da lei tributária, minha opinião é que se deva dar seguimento ao recurso especial do sujeito passivo quanto à essa primeira matéria. Ocorre que no referido exame de admissibilidade não foi observada a existência de óbice ao seguimento do recurso especial, vez que os paradigmas apresentados contrariam decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543C da Lei nº 5.689, de 1973, e assim não se prestam à demonstração de divergência na forma do art. 67, §12, inciso II do Anexo II do RICARF. Isso porque os paradigmas, partindo do pressuposto de que as receitas de cooperativa de serviços médicos com a venda de planos de saúde poderiam não ser passíveis de tributação se oriundas da prática de atos cooperativos, demandaram a prévia segregação dos resultados correspondentes a atos cooperativos e não cooperativos. Contudo, depois da edição destes paradigmas, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse no sentido de que se sujeitam à tributação todos os atos praticados por cooperativas com terceiros não associados (inclusive clientes não cooperados). Inicialmente, no âmbito do REsp nº 58.265/SP, apreciando a possibilidade de tributação sobre resultado positivo decorrente de aplicações financeiras realizadas por cooperativas, o Superior Tribunal de Justiça firmou que: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 3. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99). 4. As sociedades cooperativas, quando da determinação do lucro real, apenas podem excluir do lucro líquido os resultados positivos decorrente da prática de "atos cooperativos típicos", assim considerados aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 10 9 si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71). 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas rendas tributáveis os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos 85 e 86) e de participação em sociedades não cooperativas (artigo 88), assim dispondo os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original): "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social'." 6. Outrossim, o Decreto 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época) preceituava que: "Art. 129 As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, pagarão o imposto calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou atividades: I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111); II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111). III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, desde que prévia e expressamente autorizadas pelo órgão executivo federal competente (Lei n. 5.764/71, artigos 88 e 111). § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 11 10 vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n. 5.764/71, art. 24, § 3º, e DecretoLei n. 1.598/77, art. 39, I, b). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Regulamento." 7. Destarte, a interpretação conjunta dos artigos 111, da Lei das Cooperativas, e do artigo 129, do RIR/80, evidencia a mens legislatoris de que sejam tributados os resultados positivos decorrentes de atos não cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais. 8. Deveras, a caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. 9. Ademais, o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71. 10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos não cooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009 destaquei) Posteriormente, no voto condutor do AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.221.603 – SP, o Ministro Mauro Campbell Marques esclareceu que, embora no REsp nº 58.265/SP se estivesse apreciando no caso hipótese de "resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas", nas suas razões de decidir firmouse que: [...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos não cooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). Por esta razão, a Segunda Turma do STJ decidiu que: “a questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros diz respeito a tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, não havendo mais dúvidas quanto Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 12 11 ao seu julgamento, sejam terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde, sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados, motivo pelo qual a tributação do IRPJ e CSLL deverá ocorrer normalmente sobre tais atos negociais”. A ementa do referido julgado evidencia, claramente, o entendimento de que a matéria em debate nestes autos foi decidida pela sistemática de recursos repetitivos: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTAÇÃO DE DESPESAS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. 2. Na hipótese dos autos, a contratação, pela Cooperativa, de serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas, atos objeto da controvérsia interpretativa, não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros. 3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), os sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas), deve haver a tributação do IRPJ e CSLL normalmente sobre tais atos negociais. 4. Consoante o julgado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, “[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda” (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF. 6. Agravo regimental não provido.” (destaquei) Há, ainda, no mesmo sentido, os seguintes julgados: Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 13 12 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada assim a sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados caracterizase como ato nãocooperativo, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. Precedentes: REsp. Nº 237.348 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 17 de fevereiro de 2004; REsp 418.352/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 23.09.02; REsp 215.311 / MA, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 10/10/2000; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006. 3. Agravo regimental nãoprovido.” (AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009 – destaques acrescidos) TRIBUTÁRIO COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO E ASSEMELHADOS PIS E COFINS ATOS PRATICADOS COM NÃOASSOCIADOS: INCIDÊNCIA PRECEDENTES. 1. É legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF e mais recentemente, dos Recursos Extraordinários 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, dentre outros. 2. De igual maneira, na linha da jurisprudência da Suprema Corte, o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, a que se refere o art. 146, III, “c”, da Carta Magna e o tratamento constitucional privilegiado a ser concedido ao ato cooperativo não significam ausência de tributação. 3. Reformulação do entendimento da Relatora nesse particular. 4. A partir dessas premissas, e das expressas disposições das Leis 5.764/71 e LC 70/91, e ainda do art. 111 do CTN, não pode o Poder Judiciário atuar como legislador positivo, criando isenção sobre os valores que ingressam na contabilidade da pessoa jurídica e que, posteriormente, serão repassados a seus associados, relativamente às operações praticadas com terceiros. 5. Apenas sobre os atos cooperativos típicos, assim entendidos como aqueles praticados na forma do art. 79 da Lei 5.764/71 não ocorre a incidência de tributos, consoante a jurisprudência consolidada do STJ. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 14 13 6. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 635.986/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008 – destaques acrescidos) COFINS. COOPERATIVAS MÉDICAS. CARACTERIZAÇÃO OU NÃO DE ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. CARÁTER EMPRESARIAL. I É assente o entendimento nesta Corte, no sentido de não ser cabível a isenção da COFINS sobre os atos das sociedades cooperativas médicas, relacionados à intermediação entre cooperados e terceiros, estes adquirentes de Plano de Saúde, visto que a prestação de tais serviços não se configura como ato tipicamente cooperativo, mas mercantil, sendo, portanto, cabível a incidência da referida exação. Precedentes: AgRg no REsp nº 788904/RJ, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 15/09/2008; REsp nº 729.947/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 24/05/07; REsp nº 807.690/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 01/02/2007; e REsp nº 778.135/MG, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJ de 13/02/2006. II Agravo regimental improvido”. (AgRg no AgRg no Resp 1033732/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, Dje 1.12.2008 destaques acrescidos) TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. ATOS COOPERATIVOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CONCEITO DE FATURAMENTO MATÉRIA CONSTITUCIONAL. EXAME NA VIA DO RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os atos que não são tipicamente cooperativos, tais como os serviços prestados por sociedades cooperativas médicas a terceiros (nãoassociados), são passíveis de incidência do PIS. [...] 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido.” (REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 9.10.2006) Assim sendo, como os paradigmas apresentados pelo sujeito passivo não admitem a tributação do resultado global da cooperativa, sob o pressuposto de que parte das receitas auferidas com a venda de planos de saúde poderia corresponder a atos não cooperativos, concluo que eles contrariam decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, recorrente (REsp. n. 58.265/SP), no qual restou definido que as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Por tal razão, penso que o recurso especial do sujeito passivo não deveria ter sido conhecido. Voto vencedor quanto ao mérito do recurso do contribuinte Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 15 14 1) MÉRITO DO RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO Como fiquei vencido no não conhecimento do recurso, sigo com o exame de seu mérito. A controvérsia se dá em torno da tributação das receitas que a recorrente aufere em decorrência da comercialização de planos de saúde. Cotejando os argumentos apresentados, constato que o acórdão recorrido, da relatoria do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, deve ser mantido por seus próprios fundamentos: "[...] A principal questão sob exame consiste em definir a natureza da receita decorrente da venda de planos de saúde realizada por instituições como a interessada, operadora de planos de saúde organizada como cooperativa. Preliminarmente, o tema que merece discussão é se, em função das atividades exercidas, caberia definir a interessada como cooperativa. Na verdade, anuindo com a recorrente quando reclama seu reconhecimento como operadora de saúde, penso que as atividades que a identificam como tal estão perfeitamente delineadas ao contrário da realização de atos cooperativos, prática essa não vislumbrada no procedimento fiscal. A fiscalizada entende que se o ato é praticado em benefício da cooperativa só haveria distinção entre atos cooperativos principais e auxiliares. Essa tese parte de uma interpretação extensiva da definição do ato cooperativo prevista no art. 79 da Lei nº 5.764/71. Nos termos desse dispositivo, ato cooperativo é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si. Com base nessa definição, o Parecer Normativo CST nº 38/80 exemplificou várias atividades que seriam tipicamente enquadradas como ato cooperativo e outras que estariam excluídas desse campo. Não vislumbrei qualquer irregularidade no Parecer, até porque discordo de qualquer tipo de ampliação do conceito estabelecido no art. 79 da Lei nº 5.764/71. Os dispositivos da Lei em comento regulamentam a atividade cooperativa em sua essência, inclusive estabelecendo mecanismos de incentivo ao cooperativismo tendo como escopo, seja qual for o objeto social da organização, a prestação de serviços diretamente aos associados. Sob esse prisma, a tentativa de ampliação do conceito de ato cooperativo revela a dificuldade encontrada por uma organização do tipo Unimed para enquadrar suas atividades nos termos da Lei do cooperativismo. Isso porque a recorrente, muito mais do que uma cooperativa de trabalho, é uma operadora de planos de saúde atuando num mercado competitivo que a obriga a transacionar com terceiros sob regras absolutamente estranhas ao espírito do cooperativismo. Assim, pleiteia a recorrente que benefícios tributários direcionados às cooperativas sejam aplicados em atividades de natureza mercantil, o que se constituiria em privilégio injusto com as demais empresas que atuam no ramo, absolutamente contrário à isonomia. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 16 15 O Fisco constatou que o faturamento da empresa provém fundamentalmente da comercialização de planos de saúde. Não resta dúvida, portanto, de que a recorrente considerou como ato cooperado a atividade tipicamente mercantil exercida como operadora de planos de saúde junto a terceiros. Em função da premissa equivocada por ela assumida, as discussões quanto à regularidade do rateio efetuado tornamse irrelevantes. Caberia à interessada ter especificado na escrituração a parcela correspondente a atos cooperativos e não cooperativos de modo a que ficasse destacado a parte do valor contratado destinado à remuneração dos serviços médicos prestados pelos cooperados. No momento em que essa segregação deixa de ser efetuada ou é executada irregularmente pela premissa equivocada de tratar as receitas de planos de saúde integralmente como derivadas de atos próprios da cooperativa, não há como exigir que esse procedimento seja efetuado pela Fiscalização. Além do que, como já mencionado, não há qualquer indicativo de auferimento de outro tipo de receita em valor digno de menção. Quanto à natureza da atividade de venda de planos de saúde a jurisprudência administrativa caminha na mesma linha do entendimento aqui esposado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Exercício: 2007, 2008 IRPJ. CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE A TERCEIROS (PACIENTES). ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos nãocooperativos, caracterizados pelo fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, não estão abrigados pela nãoincidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Precedentes do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob a sistemática do art. 543C do CPC.(Acórdão 1102000.936). COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. COMERCIALIZAÇÃO, EM NOME PRÓPRIO, DE PLANOS DE SAÚDE (SEGURO SAÚDE) PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA E LUCRO. NATUREZA MERCANTIL. NECESSIDADE DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS, DESPESAS E RESULTADOS DO ATO COOPERATIVO E DO ATO NÃO COOPERADO. [...] No caso, a Unimed, que comercializa planos de saúde, que tem traços de seguro saúde, presta serviços privados de saúde, caracterizando se assim sua natureza mercantil na relação entre seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados.(Acórdão1802001.354) Salientese que o Acórdão 1102000.936, de ementa acima transcrita, refere se à interessada. Se ainda restasse alguma dúvida, o STJ manifestouse no mesmo sentido em relação às Unimeds, como reconheceu a recorrente, eis que a decisão abaixo transcrita foi por ela mencionada na peça de defesa: RECURSO ESPECIAL Nº 237.348 SC (1999/01003660) RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 17 16 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA E OUTROS RECORRIDO : UNIMED DE FLORIANÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO LTDA ADVOGADO : LECYAN MENDES SLOVINSKI E OUTROS EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada,assim sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados, caracterizase como atos nãocooperativos, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. 3. Recurso especial provido. Curiosamente, a recorrente ousou afirmar que o Acórdão estaria “equivocado” como se, numa total inversão de valores, tivesse condições de criticar uma decisão do Tribunal Superior fora do âmbito processual. A jurisprudência apresentada pela interessada não lhe socorre, ao contrário, fortalece o entendimento do Fisco. O Acórdão 3403001.916 foi trazido para fortalecer a tese de que a prática de atos cooperativos e não cooperativos não descaracterizariam a cooperativa, Essa circunstância não está em discussão no presente caso pois não houve tal descaracterização. Por outro lado, ao tratar da receita com a venda de planos de saúde o acórdão em questão manifestase na mesma linha da Fiscalização e da decisão recorrida (destaques acrescidos): "[...] As entradas de recursos nas cooperativas médicas correspondem, basicamente, aos pagamentos de planos de saúde realizados pelos clientes que contratam os serviços da cooperativa e de seus cooperados. Como as receitas são originadas dos pagamentos que são realizados pelo usuários dos planos de saúde, que não são cooperados, tais atos não configuram ato cooperativo, de modo que a receita originada destas vendas deve ser submetida à incidência de PIS/Cofins.; [...]" O acórdão 3403001.884 ao afirmar que as cooperativas podem adotar qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, apenas explicita a previsto na Lei nº 5.764/71. Esse fato também não está em discussão pois o que se aventou não foi eventual proibição, mas sim a inadequação prática da Unimed ao cooperativismo previsto na lei. Da Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 18 17 mesma forma que o exposto no parágrafo anterior, aqui também o acórdão vai na mesma linha da Fiscalização e da decisão recorrida: "[...] Assim, é evidente que a recorrente não age em nome dos associados como mera repassadora de recursos. A recorrente pratica atos jurídicos com não cooperados e figura como contratante dos planos privados de assistência à saúde que comercializa, prestando serviço em caráter oneroso, definido no art. 1º, I, da Lei nº 9.656/98. Portanto, as receitas provenientes da comercialização dos planos de saúde são decorrentes da prestação de serviço (art.1º, I, da Lei nº 9.656/98) a não cooperados, sujeitandose à incidência das contribuições ao PIS e Cofins. [...]" Os Acórdãos 180300.187, 910100.339 e 0105.828 tratam da necessidade de segregação das receitas quando demonstrado pela correta segregação contábil que a cooperativa aufere receitas de atos cooperados e não cooperados. No presente caso não foi comprovada a existência de qualquer receita que não aquela decorrente da venda de planos de saúde considerada, como já explicitado nesse voto, atividade com terceiros caracterizando ato não cooperado. O acórdão 1801001.206 e aquele referente ao recurso 237.603 tratam de diferenciação entre atos fim, meio e auxiliares, matéria essa estranha ao presente feito principalmente por não tratarem de organizações como a Unimed muito menos da natureza da receita oriunda da venda de planos de saúde. Por fim, para dirimir qualquer dúvida que ainda possa persistir, transcrevese abaixo trecho do Acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região, por sua vez extraído da transcrição contida no Acórdão proferido na análise do Resp nº 903.699 interposto pela Fazenda Nacional onde, segundo pronunciamento da própria interessada, a Relatora Ministra Eliana Calmon deu ao ato cooperativo sua correta interpretação. O recurso foi negado e o Acórdão foi mantido em sua integralidade. Ressaltese a importante diferenciação em destaque na texto: "[...] Não assiste razão ao Il. Representante do Ministério Público Federal. Com efeito, a cooperativa Impetrante tem como objeto a prestação de serviços na área de saúde, e como tal procura colocar à disposição do mercado a utilização desses serviços, promovendo a necessária aproximação dos usuários com os cooperados que os prestam, a quem devem ser repassadas as vantagens advindas da operação. In casu, a Impetrante age em nome dos associados, como simples mandatária, sendo certo que a atividade exercida está compreendida no objeto para a qual foi a mesma idealizada, restando caracterizada como ato cooperativo próprio de suas finalidades a relação jurídica praticada. Diferentemente é a hipótese em que a entidade oferece serviços profissionais médicos mediante adesão a determinado plano de saúde. Neste caso, há nítida finalidade mercantil no ato praticado, posto que a cooperativa paga diretamente o profissional pelo serviço prestado, exercendo em favor dos adquirentes do plano a coordenação e supervisão das atividades desenvolvidas pelos cooperados, mediante retribuição mensal de uma quantia previamente fixada. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 19 18 [...]" " Em seu recurso especial, o contribuinte não conseguiu refutar os argumentos transcritos acima, pelo que os adoto também neste voto. As decisões do STJ que foram apresentadas anteriormente para sustentar a preliminar de não conhecimento do recurso especial do contribuinte também endossam plenamente o que foi decidido pelo acórdão recorrido, em relação ao mérito da divergência suscitada. Tanto é assim que estas foram as razões de decidir do Acórdão nº 1102 000.936, da relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, relativo ao mesmo contribuinte e tratando apenas de período diferente, para negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte; ademais o recurso especial interposto neste processo teve seu seguimento negado pelo respectivo Presidente de Câmara em virtude do repetitivo apontado aqui para não se conhecer do recurso. Por fim, requereuse, em sede de sustentação e memoriais, que as "Receitas de Intercâmbio", constantes das planilhas das efls. 657 a 670, sejam deduzidas da base de cálculo por serem ingressos relativos a transferências entre cooperativas (devidos em razão de recuperação de custos/despesas; não seriam receitas de fato) e, sob esta ótica, não estariam alcançadas pelo repetitivo, nem esta dedução estaria em confronto com o repetitivo. Esse pedido, entretanto, foge ao escopo da matéria que subiu em sede de recurso especial: para que a possibilidade de dedução da base de cálculo de valores relativos a transferências entre cooperativas pudesse ser julgada com base no alegado direito de que essas transferências seriam recuperação de custos/despesas e de que não poderiam ser consideradas como receitas (a despeito de a própria contribuinte tratálas como receitas nos seus registros), então deveria a matéria, para chegar a esta turma da Câmara Superior, estar impugnada desde o início do contencioso fiscal (conforme o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972), ter sido prequestionada e estar acompanhada de paradigmas hábeis que tratassem desta discussão jurídica. "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" Não é possível superar os obstáculos formais acima apontados e este tema não deve ser debatido por esta turma; mas, apenas a título de refletir um pouco o que ocorreu na sessão, faço as considerações a seguir. Foi alegado que essas "Receitas de Intercâmbio" se tratam de transferências entre cooperativas. Ao questionamento quanto à prova desses valores corresponderem realmente a transferências entre cooperativas, foi oposto que não haveria de se exigir essa prova neste momento, pois estarseia cobrando uma prova "negativa", prova esta que o contribuinte não foi solicitado a fazer em nenhum momento do contencioso até agora. Ou seja, na visão da recorrente, não poderia o julgador exigir essa prova e, frente a impossibilidade de esta prova ser produzida imediatamente, deveria o julgador tomar a alegação como prova. Ora, o ônus de provar um direito é de quem o alega, conforme bem determina o inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Se o Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 20 19 julgador entende que a alegação é insuficiente, supera o indício e questiona sobre uma prova válida, isso não quer dizer que esteja impondo uma exigência absurda a quem alega o direito. Pensar assim é desprezar a lógica do ônus da prova e do livre convencimento, é criar uma presunção relativa do direito com base na alegação e transferir ao julgador o ônus de desconstituir esta presunção, algo inconcebível em qualquer ordem jurídica. "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;" Essa forma de pensar é semelhante ao juízo que se tentou fazer valer durante este contencioso: o de que não cabe ao contribuinte o ônus de provar o seu direito e sim à fiscalização de provar a inexistência do pretenso direito alegado pelo contribuinte. O que evidentemente, é improcedente. Verificase que o contribuinte não fez essa prova porque, além da matéria sequer ter sido impugnada, eventual prova documental também já estaria preclusa, conforme prevê o parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, e tampouco ocorreram algumas das hipóteses de situações que autorizam a mitigação da preclusão, dispostas nas alíneas do mesmo dispositivo: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Desse modo, o pedido subsidiário não deve ser conhecido. Retornando ao tema objeto da divergência e por tudo que se disse quanto a esta, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Voto vencedor quanto ao recurso da Fazenda Nacional 2) DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Alega a Fazenda Nacional que inexiste óbice na legislação tributária à aplicação ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo. Isso porque a base de calculo é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, não se confundindo com os fatos/atos que lhe dão origem. Assim, a penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade. Por sua vez, analisandose os autos, vêse que a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, inc. I, da Lei 9.430/96, resultou falta de recolhimento de tributo (IRPJ e CSLL) por parte da empresa. A denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, ‘b’ da Lei 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento da Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 21 20 sistemática de recolhimento por estimativa mensal da CSLL. Logo, nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas. Em suas contrarrazões ao recurso o sujeito passivo arrola os seguintes argumentos: a) os paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional seriam contrários à Súmula CARF nº 105, porque corresponderiam a exigências de 2005, 2006, 2007 e 2008, e aos três primeiros seria aplicável a referida Súmula; b) não houve demonstração de prequestionamento do objeto recursal, pois não se vislumbra na peça recursal a precisa indicação do debate da matéria recorrido pelo órgão julgador e a mera transcrição de excertos do acórdão recorrido não demonstra, de forma detalhada, o debate e a posição assumida pelo órgão julgador. c) não houve demonstração analítica da divergência porque a Recorrente se limitou a transcrever as ementas dos Recursos paradigmas, e sequer transcreveu o acórdão recorrido. d) a interpretação finalística do comando do artigo 44 revela que não são multas distintas, mas apenas formas diferentes de aplicação da multa do art. 44, em consequência de porventura não haver qualquer montante a ser cobrado a título de obrigação tributária principal, consoante já firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.496.354/PR; e) não há razão para que esta Súmula não seja mais aplicada por este E. CARF uma vez que a alteração legislativa trazida pela Lei nº Lei nº 11.488, de 2007 não teve o condão de trazer um “cheque em branco” para que a multa isolada pudesse ser exigida juntamente com a multa de ofício; f) não cabe a aplicação concomitante da multa de ofício e multa isolada, sob pena de violação ao princípio do nãoconfisco e enriquecimento sem causa, bem como ao art. 112, do CTN; Pois bem, não há reparos a fazer no despacho decisório que deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional, pois: a) conforme exposto no exame de admissibilidade, os paradigmas indicados não contrariaram a Súmula CARF nº 105 porque abrangiam períodos em que a nova redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 já se encontrava vigendo e, em face de tais circunstâncias, a conclusão foi no sentido da possibilidade da aplicação concomitante dessas multas; b) a exigência de prequestionamento e de sua demonstração com precisa indicação nas peças processuais, contida no art. 67, §5º do Anexo II do RICARF, é dirigida ao sujeito passivo, vez que a Fazenda Nacional tem seu interesse recursal limitado à matéria em que foi vencida, cumprindolhe evidenciar, apenas, esta ocorrência na demonstração da divergência; e c) a divergência foi regularmente demonstrada porque a Fazenda Nacional relata a matéria em que foi vencida e confronta esta decisão com o entendimento exposto nos paradigmas e, para tanto, basta a transcrição das ementas que são explicitamente favorávels à Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 22 21 exigência concomitante das multas de ofício proporcional e isolada em períodos de apuração posteriores aos alcançados pela Súmula CARF nº 105. Portanto, voto por conhecer do recurso. No mérito, há que se reconhecer a procedência da pretensão da Fazenda Nacional. O objeto da contestação se refere ao entendimento exposto no acórdão recorrido no sentido de que a multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício devida por conta da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual. O acórdão recorrido adotou tal entendimento em relação ao anocalendário 2008, sob o entendimento de que a Súmula CARF nº 105 somente se aplica aos fatos geradores anteriores a 2007. O voto que prevaleceu no acórdão recorrido em relação a este tema considerou ser impossível a cobrança simultânea da multa de ofício estabelecida no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, independentemente de esta última ter sua previsão retirada do revogado inciso IV do §1º do art. 44 ou da alínea "b" do inciso II do art. 44, ambos da mesma Lei nº 9.430/1996. A mudança do dispositivo legal que prevê a multa isolada foi operado pela MP nº 351/2007, que veio a ser convertida na Lei nº 11.488/2007. A conclusão do voto vencedor do acórdão recorrido foi fundamentada no voto condutor do REsp nº 1.496.354/PR, no sentido de que as multa isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido, sendo que, em caso de concomitância, a exigência de multa isolada é absorvida pela multa de ofício. Considerando que o Superior Tribunal de Justiça não proferiu tal julgado na sistemática dos recursos repetitivos, divirjo de tal entendimento pelas razões que passo a expor. Até o advento da MP nº 351/2007 e da Lei nº 11.488/2007, a multa isolada devida por ausência de pagamento das estimativa mensais de IRPJ e de CSLL tinha a seguinte previsão: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 23 22 (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano calendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"; passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser pago na forma prevista no art. 2º da mesma lei; (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do §1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editou se a multicitada Súmula CARF nº 105: Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 24 23 Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Friso que a Súmula CARF nº 105 é explícita ao mencionar a impossibilidade de cobrança concomitante da "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996" com a "multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual". Tendo sido a Súmula editada pela 1ª Turma da CSRF apenas em 08/12/2014, muito tempo após a revogação do inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o início da vigência da Lei nº 11.488/1997, seria esperado que ela fizesse alguma referência genérica como "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida (...)" caso não desejasse se referir especificamente à multa isolada prevista no dispositivo revogado em 2007. Neste mesmo sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 25 24 em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (Grifou se) Interpretando a contrario sensu a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. Esclareço, ainda que não vislumbro identidade entre as previsões contidas no inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (vigente até o final de 2006) e na alínea "b" do inciso II do art. 44 da mesma Lei (vigente a partir do início de 2007). Na redação anterior, previase a exigência de multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no caso de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento do IRPJ e da CSLL, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, deixar de fazêlo, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no ano calendário correspondente. O percentual da multa aplicável era de 75%. Já na redação introduzida pela MP nº 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007, prevêse a cobrança de multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. Logo, houve alterações expressas na base de cálculo e nos percentuais aplicáveis. Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007. Portanto, relativamente ao pedido de restabelecimento da exigência das multas isoladas lançadas em vista do não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas ao longo do anocalendário 2008, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. 3) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto: a) por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional; e b) por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 26 25 Voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso do contribuinte Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Designada O recurso especial, por decisão da maioria deste Colegiado, é conhecido, diante da similitude fática com o acórdão paradigma 910100.339. O Ilustre Relator votou por não conhecer o recurso especial, considerando decisão do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento submetido ao artigo 543C, do CPC/1973. Em síntese, extraise do voto do Conselheiro Relator: Assim sendo, como os paradigmas apresentados pelo sujeito passivo não admitem a tributação do resultado global da cooperativa, sob o pressuposto de que parte das receitas auferidas com a venda de planos de saúde poderia corresponder a atos não cooperativos, concluo que eles contrariam decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, recorrente (REsp. n. 58.265/SP), no qual restou definido que as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Lembro, também, que o recurso especial fundamentase em divergência na interpretação da lei tributária, tendo sido indicados como paradigmas os acórdãos 910100.339 e 180300.187 relativamente ao tema admitido pelo Presidente de Câmara (segregação dos atos cooperativos pela fiscalização). O primeiro acórdão indicado como paradigma (910100.339) tem a seguinte ementa: IRPJ. COOPERATIVA. NÃO SEGREGAÇÃO DOS ATOS NÃO COOPERATIVOS. BASE DE CÁLCULO. O resultado decorrente de atos não cooperativos deve ser tributado pelo imposto de renda. Na situação em que a cooperativa praticou atos não cooperativos mas não promoveu a segregação, deve a fiscalização intimála para que apresente os resultados segregados, relativos a atos cooperativos e a atos não cooperativos. A tributação pelo resultado global, sem o trabalho da fiscalização para identificar a verdadeira base de cálculo (lucro real), é precipitada. Precedentes da Câmara Superior. A situação fática relatada em tal acórdão paradigma (910100.339) é bastante similar à que originou o recurso especial ora analisado: No que interessa a esta instância recursal, nos limites do despacho de admissibilidade infracitado, o acórdão recorrido afastou a tributação aplicada á Interessada em virtude de a fiscalização ter tributado a totalidade de suas receitas como se estas fossem decorrentes de atos cooperados, mesmo sabendo que esta, reconhecidamente, pratica atos cooperados. De acordo Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 27 26 com o acórdão, a fiscalização deveria ter intimado o Contribuinte a segregar a receita decorrente de atos cooperados da receita decorrente de atos não cooperados, tributandose apenas a segunda. Diante de tal quadro fático, decidiu a Turma Julgadora do acórdão paradigma (910100.339): É entendimento assente nesse Colegiado o de que não prospera o lançamento de IRPJ sobre a totalidade das receitas da cooperativa (que sabidamente pratica atos cooperativos) nas hipóteses em que a Fiscalização deixa de intimála para promover a segregação entre receitas e despesas provenientes de atos realizados com cooperados / outras cooperativas e terceiros, especificandose nesta intimação o que se entende (pela Fiscalização) por ato cooperado ou não cooperado. De fato, nas hipóteses em que não há separação de resultados (receitas e despesas) pela cooperativa relativos aos atos cooperados e a atos não cooperativos, incumbe à Fiscalização identificar a efetiva base de cálculo do tributo ao invés de tributar o resultado global da cooperativa. A despeito da similitude com os fatos narrados pelo acórdão recorrido, a solução jurídica adotada pelo acórdão paradigma (910100.339) é distinta do resultado do acórdão recorrido. Com efeito, decidiu a Turma prolatora do acórdão recorrido: Com base nessa definição, o Parecer Normativo CST nº 38/80 exemplificou várias atividades que seriam tipicamente enquadradas como ato cooperativo e outras que estariam excluídas desse campo. Não vislumbrei qualquer irregularidade no Parecer, até porque discordo de qualquer tipo de ampliação do conceito estabelecido no art. 79 da Lei nº 5.764/71. (...) O Fisco constatou que o faturamento da empresa provém fundamentalmente da comercialização de planos de saúde. Não resta dúvida, portanto, de que a recorrente considerou como ato cooperado a atividade tipicamente mercantil exercida como operadora de planos de saúde junto a terceiros. Em função da premissa equivocada por ela assumida, as discussões quanto à regularidade do rateio efetuado tornamse irrelevantes. Caberia à interessada ter especificado na escrituração a parcela correspondente a atos cooperativos e não cooperativos de modo a que ficasse destacado a parte do valor contratado destinado à remuneração dos serviços médicos prestados pelos cooperados. Ambos os acórdãos, portanto, tratam da segregação de receitas entre atos cooperativos e atos nãocooperativos, como também do ônus da prova de tal segregação. Assim, autorizam a análise do tema do recurso especial devidamente admitido: a existência (ou não) de dever da fiscalização promover a segregação entre os resultados dos atos cooperativos e não cooperativos. Assim, analisandose o primeiro acórdão indicado como paradigma já se conclui pela similitude fática que justifica o conhecimento do recurso especial, confirmandose a decisão do Presidente de Câmara. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 28 27 Ressalto, ainda, que não há impedimento ao conhecimento do recurso especial ora analisado por força da decisão do E. Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 58.265. Em tal julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, concluiuse que as aplicações financeiras seriam operações realizadas com terceiros não associados constituindo em atos nãocooperativos. Não obstante, o Superior Tribunal de Justiça não tratou do dever da fiscalização em promover a segregação entre os resultados dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos, para fins de lançamento tributário, tema admitido pelo Presidente de Câmara para análise por este Colegiado. Por tais razões, voto pelo conhecimento do recurso especial do contribuinte com relação ao tema admitido pelo Presidente de Câmara. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 9101003.018 CSRFT1 Fl. 29 28 Declaração de Voto Não houve apresentação de declaração de voto no prazo regimental de 15 (quinze) dias, contados da data de julgamento do processo. Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, Anexo II: Art. 63. ... § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 1396DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.904338/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO REVISIONAL. OBSERVÂNCIA.
O despacho decisório eletrônico, como espécie de ato administrativo vinculado, deve ser revisado e anulado quando constatados vícios de legalidade que o invalidem, mormente aqueles decorrentes de prestação de informações inverídicas ou equivocadas em declarações obrigatórias - base dos procedimentos automáticos -, desde que observado o prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, não representando qualquer vilipêndio a direito adquirido do sujeito passivo, porque dos atos nulos não irradiam quaisquer efeitos, como sedimentado na Súmula STF nº 473.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica.
SISTEMA EQUIVALENTE AO REGISTRO DE ENTRADAS E REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. ARTIGO 388 DO RIPI/2002. LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLESA). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO À PERFEITA APURAÇÃO DO ESTOQUE PERMANENTE.
Pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos.
Não merece prosperar a acusação genérica de que o sistema de controle alternativo utilizado pelo contribuinte não é adequado e hábil ao controle de mercadorias, em razão de adotar língua estrangeira, devendo haver demonstração concreta de dificuldades na fiscalização.
Numero da decisão: 3401-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para reconhecer não ter havido homologação expressa, no caso, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por maioria de votos, para (b1) manter as glosas, no que se refere a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) afastar as glosas de créditos por Devolução ou Retorno de produtos, em razão do sistema de controle alternativo ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque adotado pela recorrente, vencidos o Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO REVISIONAL. OBSERVÂNCIA. O despacho decisório eletrônico, como espécie de ato administrativo vinculado, deve ser revisado e anulado quando constatados vícios de legalidade que o invalidem, mormente aqueles decorrentes de prestação de informações inverídicas ou equivocadas em declarações obrigatórias base dos procedimentos automáticos , desde que observado o prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, não representando qualquer vilipêndio a direito adquirido do sujeito passivo, porque dos atos nulos não irradiam quaisquer efeitos, como sedimentado na Súmula STF nº 473. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica. SISTEMA EQUIVALENTE AO REGISTRO DE ENTRADAS E REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. ARTIGO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 43 38 /2 01 1- 27 Fl. 1467DF CARF MF 2 388 DO RIPI/2002. LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLESA). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO À PERFEITA APURAÇÃO DO ESTOQUE PERMANENTE. Pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos. Não merece prosperar a acusação genérica de que o sistema de controle alternativo utilizado pelo contribuinte não é adequado e hábil ao controle de mercadorias, em razão de adotar língua estrangeira, devendo haver demonstração concreta de dificuldades na fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para reconhecer não ter havido homologação expressa, no caso, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por maioria de votos, para (b1) manter as glosas, no que se refere a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) afastar as glosas de créditos por Devolução ou Retorno de produtos, em razão do sistema de controle alternativo ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque adotado pela recorrente, vencidos o Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.468 3 Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre de Pedido de Ressarcimento de Saldo Credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”) relativo ao 1º Trimestre do ano de 2008, no valor de 16.303.618,04. Conforme despacho decisório de fls. 978 e seguintes, foi anulado o ato decisório anterior, resultante tratamento eletrônico no âmbito do Sistema de Controle de Créditos e Compensações, com fundamento na Lei nº 9.784/1999, e deferido parcialmente o pedido do contribuinte, para reconhecer direito creditório no valor de 13.981.864,19 e glosar o valor de R$ 2.321.753,85. Os motivos da glosa constam no Relatório Fiscal de fls. 905 e seguintes e estão colocados abaixo: a) créditos indevidos decorrentes da aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus; b) créditos indevidos ante a ausência de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou seu equivalente, relativos a inúmeras operações de retorno de mercadorias (devolução de vendas/revendas, devolução de mercadorias para substituição em garantia etc); Após ter sido cientificada dessa decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, em 26/03/2014, pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP ("DRJ”), em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DESONERADAS. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. Fl. 1469DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. ATO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO. Um ato decisório exarado ao arrepio de ditames legais quanto a direito creditório é passível de anulação, com a prolação de novo ato decisório antes do transcurso do prazo decadencial e o conseqüente saneamento da ilegalidade. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa". O contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado dessa decisão em 12/05/2014, conforme documento de fls. 1166, apresentando tempestivo Recurso Voluntário, em 11/06/2014 (fls. 1168), no qual requer a reforma ou a nulidade da decisão recorrida, pelas seguintes alegações: (i) impossibilidade de retificação do ato decisório anterior que havia homologado todas as declarações de compensação da Recorrente; (ii) haveria decadência do direito do Fisco de reclamar alegadas irregularidades referentes a fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2008, tendo em vista que a Recorrente foi cientificada do despacho decisório que não reconheceu o crédito por ela pleiteado no dia 16/07/2012; (iii) não haveria restrições ao crédito de IPI decorrente de aquisições de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus; e (iv) a Recorrente alega que possuiria sistema permanente de controle de estoques alternativo ao Registro de Controle da Produção e Estoque apto a demonstrar de forma quantitativa a movimentação de estoques; nesse tópico, ainda pede que seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida, pois ao apreciar a matéria, justifica o manutenção do indeferimento do pedido por motivos adicionais e estranhos ao que teria sido apontado no despacho decisório. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.469 5 Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, para que o Colegiado aprecie as matérias a seguir. Da anulação do despacho decisório e da alegada decadência A Recorrente defende a impossibilidade de retificação do ato decisório anterior que havia homologado todas as declarações de compensação da Recorrente e que haveria decadência do direito do Fisco de reclamar alegadas irregularidades referentes a fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2008, tendo em vista que a Recorrente foi cientificada do despacho decisório apenas no dia 16/07/2012. Quanto à primeira alegação, a Administração Pública poderá desfazer seus atos por revogação, por uma reavaliação de conveniência e oportunidade do ato, ou por anulação/invalidação, quando detectar alguma ilegalidade. Já o Poder Judiciário só poderá extinguir o ato administrativo quando constatar alguma ilegalidade. O ato decisório que trata de um pedido de ressarcimento com uma declaração de compensação é um dos tipos de ato administrativo, descrito na doutrina de Themístocles Brandão Cavalcanti, conforme a seguir: "[Decisões administrativas] são atos de autoridades administrativas sobre matéria sujeita à sua apreciação, geralmente matéria controvertida em processo administrativo. É o mesmo que despacho. Por esse meio, em questões administrativas e em quaisquer papéis, se concede ou nega um pedido. É a forma de manifestação da vontade do Estado, mas sobre matéria específica, sujeito ao seu conhecimento. É precedida geralmente da apuração de fatos e circunstâncias que orientem o pronunciamento da autoridade e delas pode caber recurso hierárquico para instância administrativa superior. Devem as decisões administrativas ser motivadas e fundadas em lei e para a sua eficácia e execução publicadas ou notificadas aos interessados".1 (grifos nossos) Pelas próprias características do ato decisório, não é um ato motivado por questões de conveniência e oportunidade, devendo a Administração Pública aceitar ou rejeitar o direito de crédito, à luz do ordenamento jurídico. Logo, o despacho decisório que retificou o ato decisório anterior, na realidade, promoveu a sua anulação, o que teria sido feito com fundamento no disposto na primeira parte do Súmula STF nº 473 e artigo 53, da Lei nº 1 Teoria dos Atos Administrativos. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo. 1973. p. 137. Fl. 1471DF CARF MF 6 9.784/1999, que determinam: "A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". Essa hipótese, de anulação de um ato administrativo dito vinculado, como expõe Diego de Figueiredo Moreira Neto, ocorre "quando inexistem os elementos essenciais dos atos administrativos competência, finalidade, forma, motivo e objeto como quando não se apresentam conforme as prescrições paradigmais definidas pela ordem jurídica"2. Portanto, a ilegalidade que se busca corrigir diz respeito aos elementos do ato administrativo, como eventual inexistência de determinado elemento ou a sua desconformidade com a Lei. Por esse motivo, impedese ressalvar que, muito embora a Administração tenha o dever de invalidar os atos praticados de forma contrária ao ordenamento jurídico, é vedada a ela a invalidade de atos, no curso do processo administrativo, por mera mudança de orientação ou entendimento jurídico a respeito de determinada matéria, tendo em conta o disposto no artigo 2º, parágrafo único, XIII, da Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação". Nesse sentido, é a doutrina de Alexandre Santos de Aragão, que afirma: "A simples mudança na interpretação jurídica eventualmente adotada pela Administração Pública não pode levar à invalidação de atos administrativos já praticados. Notese, entretanto, que estamos tratando, aqui, de simples mudanças de orientação a partir de pontos de vista plausíveis, mas diferentes, tão comuns no Direito, mas não de mudanças de interpretação que signifiquem, na verdade, correções de ilegalidades"3. No caso ora em análise, a decisão recorrida parece afastar a hipótese de aplicação retroativa de nova interpretação, expondo a forma como tal ato decisório é exarado, sem que exista intervenção humana, o que levou o pedido a ser efetivamente examinado em momento posterior, conforme abaixo: "O tratamento de PER/DCOMP, no âmbito do SCC, é eletrônico e automático e segue alguns parâmetros. Foi exarada decisão, em 03/01/2012, com o reconhecimento parcial do direito creditório e a homologação das compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. Em ação fiscal encetada posteriormente, conforme o relatório fiscal constante do processo, foi constatado que parte dos créditos reconhecidos é indevida, segundo as provas dos autos. Assim, foi proferido o Despacho Decisório de 12/07/2013, com a anulação do ato decisório anterior (a revisão de ofício é aludida no novo ato decisório, com base na Lei nº 9.784, de 1999, art. 56)". Esse tipo de procedimento já foi objeto de análise no âmbito da Receita Federal e foi por ela validado, ao expor entendimento no sentido de ser possível a retificação 2 Curso de Direito Administrativo. Parte Introdutória, Parte Geral e Parte Especial. Editora Forense. Rio de Janeiro. 2009. 15ª Edição. p. 224. 3 Curso de Direito Administrativo. Editora Forense. Rio de Janeiro. 2012. p. 166. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.470 7 de despacho decisório, mesmo que em prejuízo do contribuinte, salvaguardando apenas o direito do contribuinte de se opor a tal revisão, mediante o manejo dos recurso cabíveis. É o que prevê o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014: "57. Este posicionamento, todavia, não deve ser aplicado para os casos de reconhecimento de direito creditório e de homologação de compensação alterados em virtude de revisão de ofício do despacho decisório que, mais do que simplesmente afastar a possibilidade de alterar ato primeiro já emitido, tenha implicado prejuízo ao contribuinte. Aí, em atenção ao princípio constitucional do devido processo legal e seus corolários – do contraditório e da ampla defesa –, deve ser concedido o prazo de trinta dias para o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade e, sendo o caso, recurso voluntário, no rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, enquadrandose o débito objeto da compensação no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. 58. O prejuízo aqui tratado abarca, inclusive, a inovação ou alteração dos fundamentos que embasaram a decisão anterior, devolvendose ao sujeito passivo, com a ciência da decisão revisora, o prazo para interpor manifestação de inconformidade no concernente à matéria modificada". Sobre o tema, há que se observar que o despacho decisório que trata da homologação de crédito tributário é lavrado, nos dias de hoje, a partir de um trabalho substancialmente eletrônico, com pouca ou nenhuma intervenção humana, tendo em vista que "atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP", como exposto no Acórdão n. 1453.004, da Segunda Turma da DRJ/RPO. É dizer. A análise que no passado era feita exclusivamente por ação humana, nos dias de hoje, é realizada com o auxílio de computadores e sistemas que permitem uma maior eficiência e produtividade nas tarefas da Administração Fiscal. Tal fato leva os contribuintes a questionarem a validade de tais despachos decisórios, argumentando que são nulos, por violação ao direito de defesa, já tendo esse Colegiado a oportunidade de reconhecer a validade de tais despachos decisórios eletrônicos, pois, apesar de sucintos e objetivos, eles se revestem de todos os elementos prescritos na Lei para um ato decisório ou decisão administrativa, sendo devidamente fundamentados e expondo a base legal que ampara o seu exame e conclusão. (Acórdão n. 3401003.340, de 25.01.2017; decisão unânime) Assim, do mesmo modo que ao despacho decisório eletrônico é reconhecido o status de uma decisão administrativa que bem examina o direito de crédito do contribuinte e denega fundamentadamente uma não homologação, não havendo que se falar em sua nulidade, entendo que não cabe à Receita diminuir o exame e conclusão performados por atos dessa natureza em situação oposta, quando homologam uma declaração de compensação, para justificar uma posterior revisão. Então, dúvidas não podem existir que, de fato, a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte foi examinada à luz da legislação aplicável e das informações Fl. 1473DF CARF MF 8 que a Receita entendeu como necessárias e suficientes para emitir uma decisão, no caso, pela homologação da compensação. Além disso, uma decisão que reconhece o direito de crédito e homologa a declaração de compensação realizada, extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, e artigo 74, parágrafo 2, da Lei nº 9.430/1996, devendo essa decisão ser considerada perfeita e acabada, introduzida no ordenamento jurídico e apta a produzir efeitos no ordenamento jurídico, a partir de sua publicação ou ciência da parte interessada. Sobre a vigência do ato administrativo, a exteriorização do ato administrativo pela sua publicação ou notificação ao interessado decorre da prevalência da teoria da publicidade frente à teoria da assinatura, como explica Odete Medauar: "De acordo com a primeira, os atos administrativos entram em vigor na data de assinatura. Para a segunda, o início de vigência depende da publicidade do ato, no sentido de divulgação publicação, notificação, intimação, ciência e não da assinatura, geralmente anterior. Na realidade, antes da divulgação o texto aparece como simples projeto, pronto para entrar em vigor se o agente assim o decidir, pois em princípio não é obrigado a ordenar a publicação de ato já assinado, podendo mesmo sustála, no caso de mudança de circunstâncias ou de nova apreciação do assunto. A teoria da publicidade revelase mais adequada à características do ato administrativo, de modo geral. Para provocar repercussão no mundo jurídico a decisão da Administração deve ser exteriorizada mediante os meios de publicidade. A publicidade do ato, ponto relevante da forma, tem por finalidade introduzilo na ordem jurídica. A entrada em vigor, a partir da qual podem decorrer direitos, obrigações, faculdades, subordinase a condições de publicidade posteriores à assinatura, como, por exemplo: a inserção no jornal oficial, afixação em local de fácil acesso, notificação pessoal, ciência no próprio expediente".4 Com isso, com a publicação ou intimação do contribuinte de um ato decisório que expressamente homologa uma compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a extinção do crédito tributário e a inexistência de relação jurídica entre contribuinte e Fazenda em relação ao crédito tributário compensado, há um esgotamento dos efeitos jurídicos produzidos pelo ato decisório, que se revela um ato consumado, assim como é uma desapropriação já paga pelo Poder Público e que se encerrou por completo, ambos não passíveis de revisão. Isso porque a extinção do crédito tributário e a inexistência de relação jurídica não mais dependem de qualquer condição resolutória ou de uma revisão de ofício mediante recurso voluntário, como ocorre em decisões administrativas em processos que decorrem de lançamento. Dessa maneira, entendo incabível uma nova avaliação da Administração para, a partir de um novo entendimento ou nova leitura da legislação de regência sobre o direito de crédito aplicado aos fatos que lhe foram colocados, dentro de um mesmo processo administrativo, fazer ressurgir um crédito tributário já extinto pela compensação. Nesse sentido, já decidiu a Primeira Seção de Julgamento do CARF, em acórdão que possui a seguinte ementa: "Uma vez publicado um Despacho Decisório que 4 Direito Administrativo Moderno. 8ª Edição. Editora Revista do Tribunais. São Paulo. 2004. p. 165. Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.471 9 homologa totalmente a compensação, extinguindo, portanto, o crédito tributário por inteiro, não é possível voltar atrás para publicar um novo Despacho Decisório que homologa apenas parte da compensação e extingue, então, apenas parcialmente o crédito tributário. Havendo publicação de homologação de compensação, extinto está o crédito e preclusa qualquer nova tentativa de examinálo, salvo no caso de nulidade do primeiro Despacho Decisório. É, portanto, nulo o segundo Despacho Decisório". (Acórdão n. 1401001.487; Data da sessão: 19/01/2016; Relator: Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes; Voto Vencedor: Marcos de Aguiar Villas Boas) No Poder Judiciário, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por decisão unânime, afastou a possibilidade de revisão de decisão que homologa declaração de compensação, o que só poderia ser realizado pela Receita Federal em hipóteses de erro de fato, falsidade e omissão, como ocorre em hipóteses de fraude, pois, em tais casos, penso eu, já não se estaria diante de uma mera mudança de entendimento, mas de uma ilegalidade que afeta os próprios elementos do ato administrativo. A seguir, a ementa do acórdão, de relatoria do Desembargador Paulo Roberto de Oliveira Lima: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA PELO FISCO. REVISÃO DE LANÇAMENTO EX OFFICIO. ERRO DE FATO. ÔNUS DA PROVA. IMPROVIMENTO DO APELO E DO REEXAME. 1. Caso em que a empresa requerera e obtivera, em 2.10.2008, compensação de débitos tributários com créditos que possuía, originários do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, direito reconhecido pelo Despacho Decisório nº 460/2008. Não obstante, findou surpreendida, já em 16.4.2013, por novo Despacho Decisório (nº 49/2013), que anulou, de ofício, a decisão anterior, afastando a compensação e formalizando a inscrição em dívida ativa do crédito anteriormente extinto. 2. Não pode o Fisco, depois de homologada a compensação promovida pelo contribuinte, vir a promover revisão ex offício do ato, anulandoo, se não comprovado o alegado erro de fato. 3. Sabese que a homologação expressa do pedido de compensação equivale ao lançamento; logo, em consonância com o art. 149 do CTN, sua revisão somente é autorizada se presente na declaração do contribuinte, v.g., erro de fato, falsidade e omissão. Contudo, no caso, a Fazenda Nacional não se desincumbiu de comprovar nos autos qualquer equívoco nos dados informados pela demandante, capaz de alterar/anular o Despacho Decisório que homologara a compensação. 4. Apelação e remessa oficial improvidas". (Processo: 08031184720134058300, Desembargador Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima, Segunda Turma, Julgamento: 03/03/2015) Ante o exposto, considerando que a Recorrente foi devidamente cientificada, inclusive, apresentando Manifestação de Inconformidade, o despacho decisório ingressou no ordenamento jurídico e estabeleceu uma relação jurídica entre as partes, pela extinção do crédito tributário, entendo que o segundo despacho decisório que anulou o primeiro deve ser considerado nulo, motivo pelo qual acolho a preliminar suscitada pela Recorrente. Fl. 1475DF CARF MF 10 Ultrapassada a nulidade do segundo despacho decisório e assumindoo como válido, quanto à segunda alegação, no sentido de que teria ocorrido decadência, em razão do transcurso de prazo superior a 5 (cinco) anos entre os fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2008 e ciência da Recorrente, que se deu em 16/07/2012, na realidade, em se tratando de um pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação, a Recorrente parece querer que se reconheça a homologação tácita das compensações declaradas. Segundo o artigo 74, parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/1996: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". (grifos nossos) Portanto, em compensações declaradas, o termo inicial da contagem do prazo qüinqüenal da homologação tácita é a data de transmissão ou apresentação da declaração de compensação e não a data de ocorrência de referência do saldo credor de IPI. A decisão recorrida rejeitou essa alegação da Recorrente, expondo o que segue: "O Despacho Decisório fora proferido em 12/07/2013 e a respectiva ciência ocorreu em 16/07/2013. O primeiro PER/DCOMP com compensação declarada (nº 39921.18805.300608.1.3.014419) fora transmitido em 30/06/2008. A ciência do novo ato decisório se deu mais de cinco anos após a transmissão do primeiro PER/DCOMP; todavia, as compensações deste são abrangidas pelo direito creditório reconhecido: R$ 13.981.864,19. As demais declarações foram transmitidas em 18/07/2008, 31/07/2008 e 10/10/2010. Por conseguinte, o novel ato decisório veio a lume antes do transcurso do prazo qüinqüenal de homologação tácita (decadência) relativamente à transmissão da declaração homologada parcialmente (PER/DCOMP nº 19654.49660.310708.1.3.012061), ou seja, com compensações acima do limite do direito creditório reconhecido, consoante o demonstrativo de compensações às fls. 972/977". Assim, a Receita Federal teria até o dia 18/07/2013, 31/07/2013 e 10/10/2015 para cientificar a Recorrente da não homologação das declarações de compensação em referência, o que, de fato, ocorreu, pois a Recorrente foi cientificada da última decisão no dia 16/07/2012, não havendo que se falar em reconhecimento de homologação tácita das compensações declaradas. Direito de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus A questão que se coloca nesses autos é se, à luz do ordenamento jurídico vigente, a Recorrente faz jus ao direito de crédito de IPI decorrente de operações de aquisição de insumos oriundos da Zona Franca de Manaus. Impende esclarecer que não há qualquer questionamento quanto à isenção fruída pelos fornecedores da Recorrente, tendo a Fiscalização se voltado apenas contra o direito de crédito de IPI escriturado pela Recorrente. Também, apesar de a Recorrente mencionar, em Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.472 11 seu Recurso Voluntário, o artigo 237 do Regulamento do IPI, em nenhum momento a Recorrente afirma, muito menos, apresenta notas fiscais e outros documentos comprobatórios, no sentido de que as aquisições se deram com amparo no artigo 6º, parágrafo 1º, do Decreto Lei nº 1.435/1975, dispositivo que prevê o direito de crédito em operações específicas. Desse modo, a discussão se cinge à análise do direito de crédito em aquisições de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, considerando a isenção na saída do fornecedor como válida e diferente da isenção prevista no artigo 6º, do DecretoLei nº 1.435/1975. A Constituição da República prevê, em seu artigo 153, parágrafo 3, inciso II, que o IPI será "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores" (grifos nossos). Já com relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre prestações de Serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação ("ICMS"), a não cumulatividade encontra assento constitucional no artigo 155, parágrafo 2º, inciso I, da Constituição da República, que determina que o ICMS "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal" (grifos nossos). Porém, em relação ao ICMS, de forma diversa do que ocorre com o IPI, há uma ressalva expressa ao direito de crédito em relação à isenção, pois, de acordo com o artigo 155, parágrafo 2º, inciso II, da Constituição da República, "II a isenção ou nãoincidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores". Essa ressalva vem de antes da Constituição de 1988, mais precisamente, decorre da Emenda Constitucional nº 23/1983, conhecida como "Emenda Passos Porto", e alterou unicamente a disciplina de créditos e débitos do ICMS, para transformar o que era regra direito de crédito nas aquisições isentas em exceção, mantendo incólume a disciplina de créditos e débitos referente ao IPI. Nas palavras do Ministro Marco Aurélio: "Deuse a transformação da regra em exceção, como disse: a isenção ou a não incidência implicará crédito e estou modificando a ordem das expressões "não implicará" é a regra "crédito de imposto para abatimento daquele incidente nas operações seguintes, salvo determinação em contrário da legislação". O crédito, portanto, tãosomente no tocante ao ICM, só poderia decorrer de disposição legal. Houve modificação, em si, quanto ao IPI? Não. O IPI continuou com o mesmo tratamento que conduziu esta Corte a assentar uma jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito. Não houve mudança. A Emenda Constitucional nº 23 apenas alterou o preceito da Carta então em vigor que regulava o ICM"5. Como se verifica, existia uma jurisprudência firme, no sentido de que a aquisição de insumo isento gerava direito de crédito de IPI, com fundamento direto no princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, previsto no artigo 153, parágrafo 3º 5 RE 212.4842. Data de Julgamento: 05/03/98. Fl. 1477DF CARF MF 12 inciso II, da Constituição da República, considerando ainda que o legislador constituinte quando pretendeu ressalvar esse direito em relação à isenção, o teria feito de forma expressa, como se deu em relação ao ICMS. Entretanto, no ano de 2007, houve uma guinada no entendimento do Supremo Tribunal Federal ("STF"), por ocasião dos Recursos Extraordinários nº 353.657/PR e nº 370.682/SC, passando o STF a não reconhecer o direito de crédito de IPI não somente nas aquisições isentas, mas também nas aquisições sujeitas à alíquota zero e não tributadas, conforme ementas de julgados a seguir: "IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. (...) (RE 353.657, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, DJe 7.3.2008) ***** "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido". (RE 370682, Rel. Min. Ilmar Galvão, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 19.12.2007) Essa jurisprudência foi reafirmada no ano de 2015, em processo de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, em que foi reconhecida a repercussão geral do tema, em decisão que possui a ementa a seguir: "Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência". (RE 398365 RG, Relator: Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/08/2015) Com base nesse entendimento do STF, a Fazenda Nacional defende a impossibilidade de os contribuintes escriturarem crédito de IPI em decorrência de aquisições isentas de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Segundo a Fazenda, tal como decidido pelo STF, o princípio constitucional da não cumulatividade não albergaria o direito de crédito em aquisições isentas, sendo necessário para o surgimento do direito de crédito que a operação anterior esteja sujeita ao efetivo pagamento do IPI. Portanto, a ausência de direito de crédito nas aquisições isentas da Zona Franca de Manaus teria como fundamento o artigo 153, parágrafo 3, inciso II, da Constituição da República. Além disso, os defensores dessa corrente, muitas vezes, apontam o artigo 150, parágrafo 6ª, da Constituição da República6, como um fundamento adicional para não se 6 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.473 13 reconhecer o direito de crédito em tais situações, pois esse dispositivo constitucional exigiria lei específica para a concessão do direito de crédito. No CARF, o entendimento quanto à matéria também vacilou, ao longo dos anos, seguindo as oscilações ocorridas no âmbito do Poder Judiciário. No ano passado, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais teve a oportunidade de apreciar novamente a matéria, firmando o entendimento, por maioria de votos, favorável à tese da Fazenda Nacional, em decisão que possui a seguinte ementa: Ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. ZFM. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF, o que não acontece no caso dos produtos adquiridos da ZFM e da Amazônia Ocidental, uma vez que não satisfizeram as condições estabelecidas no art. 82, inc. III do RIPI/2002". (Acórdão nº 9303004.205; Sessão de 09/08/2016; Relatora: Vanessa Marini Cecconello; Redator Designado: Andrada Márcio Canuto) Trecho do Voto Vencedor: "Como a sistemática da nãocumulatividade não dá direito à apropriação de crédito de IPI em entradas de insumos não tributados por tal imposto, este creditamento só poderá ser admitido quando autorizado por lei específica, pois a Constituição Federal proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da CF, situação que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da nãocumulatividade. (...) Desta forma, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados, a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. Por esta razão que, o Regulamento de IPI de 2002, em seu art. 175, estabeleceu o benefício de creditamento ficto de IPI, como se devido fosse, nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus, apenas quando da ocorrência de isenção prevista no inciso III do art. 82 do RIPI/2002". de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Fl. 1479DF CARF MF 14 Contudo, a situação jurídica da Zona Franca de Manaus é peculiar, de modo que não se pode olhar para as aquisições de insumos isentos daquela região do país e de seus efeitos, no que dizem respeito à tributação do IPI, da mesmo forma que se olha para as demais aquisições isentas de insumos. Tanto é assim que o Ministro Marco Aurélio deixou claro, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário nº 566.819 que naquele recurso não se estava em jogo situação jurídica regida "por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus", a indicar que, não se poderia aplicar diretamente, sem um detido exame de todos os nuances envolvidos, a tese firmada pelo STF quanto à generalidade dos casos de aquisições isentas às aquisições isentas da Zona Franca de Manaus. Como bem observado em seu Voto, nos debates ocorridos em sessão de julgamento, após o Ministro Marco Aurélio fazer essa ressalva, também a Ministra Cármen Lúcia admitiu, dizendo "o caso da Zona Franca, por exemplo, que aí é outra coisa". Aliás, os precedentes do STF que firmaram a tese pela ausência de direito à crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos não tinham como origem fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus. Portanto, é inegável a particularidade existente quanto ao regime jurídico das aquisições de insumos isentos daquela região, para efeito de direito de crédito de IPI, o que decorre da realidade histórica, geográfica, econômica e social da Região Norte do país, que desde a Constituição de 1946 (artigo 199) merece atenção especial dos Poderes Legislativo e Executivo, com vistas ao seu desenvolvimento, proteção e integração ao território nacional. Em 1953, foi editada a Lei nº 1.806/1953, que dispôs sobre o Plano de Valorização Econômica da Amazônia, criou a superintendência da sua execução e deu outras providências. Após, veio a Lei nº 3.173/1957, que cria uma zona franca na cidade de Manaus. Em seguida, a Lei nº 5.173/1966, que tratou do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, extinguiu a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Finalmente, foi editado o DecretoLei nº 288/1967, que regula a Zona Franca de Manaus e, em seu artigo 9º, confere a isenção de IPI da qual se discute a possibilidade de gerar direito de crédito para o adquirente, nos seguintes termos: "Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional". Essa isenção, e aqui começa a distinção que é necessária ser feita, não é uma isenção de natureza fiscal, portanto, não é regida diretamente pelo artigo 176 e seguintes do Código Tributário Nacional. É uma isenção de natureza extrafiscal que tem como fundamento de validade o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, in verbis: "Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. § 1º Lei complementar disporá sobre: I as condições para integração de regiões em desenvolvimento; Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.474 15 II a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com estes. § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: (...) III isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas". (grifos nossos) Na realidade, tratase de uma isenção de incentivo regional que tem matriz na própria Constituição, não se sujeitando, portanto, ao requisito de estar prevista em lei específica, tal como determina o artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República. É da própria Constituição que essa isenção emana, com o objetivo de efetivar os objetivos fundamentais da República, listados no artigo 3º, da Constituição7. Além disso, o regime jurídico aplicável à Zona Franca de Manaus foi expressamente recepcionado pela Constituição de 1988, que no artigo 40 do ADCT afirma: "Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus". E, depois, as Emendas Constitucionais de nº 42/2003 e 83/2014, incluíram os artigos 92 e 92A, para ampliar o prazo previsto no artigo 40 do ADCT, primeiro, por mais 10 (dez) anos, e depois, por mais 50 (cinquenta) anos, o que resulta na manutenção da Zona Franca até o ano de 2073. Sobre esse ponto, a Ministra Carmen Lúcia já teve a oportunidade de afirmar: "Para preservar o projeto desenvolvimentista concebido sob a vigência da ordem de 1967 para a região setentrional do país, o poder constituinte originário tornou expressa a manutenção, por tempo determinado, da disciplina jurídica existente, afirmando a finalidade de apoio ou fomento para a criação de um centro industrial, comercial e agropecuário na região da Zona Franca de Manaus. O quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à Zona Franca de Manaus foi alçada à estatura constitucional pelo art. 40 do ADCT, adquirindo, por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária". (ADI nº 310; julgada em 19/02/2014) Portanto, a isenção e demais benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus possuem estatura constitucional, com fundamento de validade nos artigos 43, parágrafo 2º, III, da Constituição da República e artigos 40, 92 e 92A, do ADCT. Agora, com relação à isenção de IPI, a sua particularidade reside justamente na necessidade de estar acompanhada do direito de crédito do adquirente para que tenha 7 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I construir uma sociedade livre, justa e solidária; II garantir o desenvolvimento nacional; III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Fl. 1481DF CARF MF 16 efetividade, devendose, portanto, fazer a distinção e afastar a aplicação da jurisprudência que se firmou para a generalidade dos casos. Como mencionado, o objetivo da isenção é extrafiscal, no sentido de estimular a instalação de um pólo industrial na região, ocupála para garantir a segurança nacional e a proteção da Floresta Amazônica e de toda a sua biodiversidade, gerar desenvolvimento econômico e social na região, diminuir a pobreza e fazer a integração dessa região com o restante do país. Porém, nesse caso, se a isenção não andar junta, de mãos dadas, com o direito de crédito, perdese o benefício almejado. A única forma da isenção ser efetiva é acompanhada do direito de crédito. Para ilustrar, peço vênia para tomar emprestado o exemplo singelo, porém, interessante, levantado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, que será novamente mencionado adiante. A situação hipotética colocada é a seguinte: uma indústria em São Paulo, capital, tem a opção de comprar ordinariamente um determinado insumo que custa sem o IPI $100. De um fornecedor localizado em Santo André, SP, incide IPI no valor de $20, o que resulta em um custo total de R$120, com a possibilidade de crédito de $20. Portanto, um custo efetivo de $100. Já o fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus está beneficiado pela isenção, portanto, $0 (zero) a título de IPI. Admitindose que a isenção não gera direito de crédito ao adquirente, os dois fornecedores ofertariam o insumo a um mesmo custo à indústria de São Paulo, capital, pelo valor de $100, sendo a única vantagem de se comprar na Zona Franca de Manaus um diferimento no desembolso do IPI. Enquanto ao se comprar do fornecedor de Santo André, SP, a indústria deverá desembolsar o IPI de forma imediata, na compra de fornecedor da Zona Franca de Manaus, a indústria só teria que fazer o desembolso na operação seguinte. A pergunta que deve ser feita é se esse mero diferimento seria incentivo suficiente para que se adquira insumos na Zona Franca de Manaus ou para que determinada empresa se instale na Zona Franca e tenha condições de oferecer com competitividade seus produtos no mercado. A resposta é não. Nesse cenário, as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus perdem, por completo, qualquer atratividade, levando em consideração que elas já largam em desvantagem e nunca conseguiriam ter o mesmo preço sem IPI de uma empresa localizada, por exemplo, em Santo André, SP, em razão de custos de logística, como frete e seguros no transporte. Enquanto a distância entre Manaus e São Paulo, capital, gira em torno de 4.000km, a depender do trajeto, a distância entre Santo André e São Paulo, capital, é de 20km. Mas não é só. A distância do mercado consumidor é apenas uma entre as diversas dificuldades enfrentadas por aqueles que empreendem naquela região, existindo inúmeros desafios a serem enfrentados na instalação e desenvolvimento de um projeto industrial naquela parte do país, como dificuldades para obtenção de mãodeobra especializada, de fornecedores de bens e serviços etc. Por todas essas dificuldades e tendo em vista os objetivos fundamentais da República, arrolados no artigo 3º, da Constituição, é que um plano de desenvolvimento para a região foi concebido, vem sendo pensado, aprimorado e implementado por todas essas décadas. Portanto, a isenção sem que venha acompanhada do direito de crédito, perde se, por completo, e o direito de crédito existe justamente para, em conjunto com outros incentivos, anular esse custo de logística e tentar colocar as empresas lá localizadas em grau de Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.475 17 competitividade com empresas localizadas em outros lugares do país. Não por outro motivo, o Ministro Marco Aurélio, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 212.4842, afirmou: “não podemos confundir isenção com diferimento, nem agasalhar uma óptica que importe reconhecerse a possibilidade de o Estado dar com uma das mãos e retirar com a outra”. Nessa linha de entendimento, oportuno citar o alentado voto do Juiz Federal Roberto Jeuken, no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.61.00.014490 0, pela 3ª Turma do Tribunal Regional da 3ª Região: “De fato, as isenções de produtos oriundos das chamadas zonas livre de comércio, qualificamse como um incentivo regional assegurado diretamente no corpo da lei maior, conforme se depreende da análise do art. 43 e § 2º, não obstante a necessidade da lei instituidora, inclusive porque a opção poderá se dar em face dos outros benefícios assegurados no mesmo preceptivo, esmaecendose, portanto as objeções que pudessem ser opostas em face do art. 150, § 6° da mesma, na redação conferida pela EC. 03, de 17.03.93. Não se cuida portanto de desoneração emergida da vontade discricionária do legislador ordinário, com fundamento direto nas raias do art. 176 do CTN, onde a previsão do art. 150 § 6º opera seus efeitos e sim de outorga derivada daquele assento constitucional, desde a promulgação do vigente ordenamento, revestindose assim de igual estatura e de maior antigüidade em relação a exigência contida neste outro cânone magno.(...) Portanto, poderá ser afirmado que a migração destas isenções para o âmbito da lei maior, confere as mesmas, relevo superior ao já desfrutado no âmbito do parágrafo único do artigo 176 do CTN, onde dotada de características especiais, frente as demais normas isentivas, fundadas no seu caput.. Tal peculiaridade coloca estas desonerações de caráter regional, por força daquele preceito, no mesmo patamar constitucional da incumulatividade, em ordem a que a desconsideração dos créditos dela advindos, substanciaria a prática de dar com uma mão e tirar com a outra (voto do Ministro Marco Aurélio no RE 212.484), não admitida no Excelso Pretório. (...) Contudo, naqueles casos onde a outorga deita lastro no art. 43 da lei maior, a atuação legislativa processase no patamar da própria Constituição, e em sede privativa da União, a qual tem dentre suas elevadas funções, a de promover a unidade nacional através do desenvolvimento regional. Portanto, neste contexto, o direito ao crédito emerge das próprias finalidades que estão subjacentes a este especial atuar, proporcionando a efetividade do benefício. De sorte que, no caso, o direito ao crédito é o discrímen que qualifica a utilização destes créditos e não aquele direito fundado tão somente na primeira parte do inciso II do art. 153, §3º (será nãocumulativo) então erigido ao patamar de um princípio absoluto, intocável e balizador da compensação que efetivarseá ao em olvido a técnica indicada na mesma sede e no mesmo dispositivo, porém considerada como de uma categoria, mera regra de aplicação de um princípio maior, a ser ajustada consoante farto Fl. 1483DF CARF MF 18 entendimento doutrinário pátrio, para contemplar crédito de imposto e não imposto pago. Portanto, no caso daquelas isenções concedidas as empresas situadas na Zona Franca de Manaus, a exemplo do que também ocorreria nas chamadas Zonas Livres de Comércio, é preciso ter presente que a desoneração tem objetivos de desenvolvimento regional, colaborando de molde a baratear a aquisição dos insumos, e a obtenção de preço final mais competitivo, nos produtos resultantes do processo de industrialização, na medida em que o adquirente não precisa pagar o valor do imposto. De fato, se as empresas, adquirindo o produto intermediário a preços mais vantajosos, não pudessem creditarse do montante que seria devido à título de IPI, que se erigia no diferencial que motivara a aquisição de empresa situada em local distante, se tomado em conta as regiões sul e sudeste, por certo ela acabaria mudando de fornecedor, tendo em vista outras indústrias do mesmo ramo, situadas na mesma região, barateando o transporte. Portanto, a finalidade buscada com a isenção, barateamento do custo de produção, restaria frustrado e aquelas empresas lá situadas, que fizeram elevados investimentos para iniciar a produção em locais que no muito das vezes, além de distantes, são inóspitos e não possuem mão de obra qualificada, não iriam adiante”. (grifos nossos) Verificase, por conseguinte, que a isenção deve estar acompanhada do direito de crédito, sob pena de se tornar inócua, não atingindo as finalidades para as quais foi instituída, tornando letra morta todo o regime jurídico cuidadosamente editado com esse objetivo e os dispositivos constitucionais que o recepcionaram e lhe deram vida longa até 2076. Além disso, nesse caso, a não aceitação do direito de crédito implica a transformação da figura da isenção e uma figura de mero diferimento que, muito embora seja uma espécie de benefício fiscal, não foi aquele escolhido pelo legislador para o atingimento do fim por ele pretendido. Observem que o legislador possui, nos termos do artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, três instrumentos para atingir o desenvolvimento e reduzir as desigualdades regionais: a isenção, a redução de tributos e o diferimento de tributos. Ao ter escolhido a isenção, que é o maior incentivo possível e adequado ao atingimento dos fins almejados, não se pode interpretar a sua aplicação, de um modo que a torne ineficaz, esvaziada, com a mesma força de um benefício de diferimento que é uma mera alteração no prazo de pagamento do tributo ou na data de ocorrência do fato gerador , justamente o menor incentivo, a arma de menor calibre, dentre os que poderia o legislador se utilizar. E o único modo de a isenção ser plena, na sistemática própria do IPI, é que venha acompanhada do respectivo direito de crédito. Portanto, ante o exposto, podese concluir que: (i) a isenção do artigo 9º DecretoLei nº 288/1967 se qualifica como uma isenção para incentivo regional e tem fundamento direto no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, sendo recepcionada na ordem constitucional vigente, conforme artigos 40, 92 e 92A, do ADCT; (ii) não tem como fundamento legal, dessa forma, no artigo 176 e seguintes do CTN, não se sujeitando, assim, ao disposto no artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República; (iii) nesse caso, a outorga de isenção para incentivo regional só é eficaz e produzirá os efeitos pretendidos, atingindo os fins para os quais foi concebida, se acompanhada do direito de crédito, que não tem como fundamento o princípio da não cumulatividade previsto no artigo Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.476 19 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, mas encontra fundamento de validade de igual estatura, qual seja, o no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, considerandose ainda a especial posição que ocupa a Zona Franca de Manaus e seu regimento jurídico no ordenamento jurídico pátrio. Por fim, cabe ressaltar que esse entendimento está em linha com as manifestações do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.819, no qual a Ministra Relatora Rosa Weber já proferiu seu voto, reconhecendo o direito de crédito nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus, sendo seguida pelos Ministros Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. Todavia, o julgamento foi interrompido com um pedido de vistas do Ministro Teori Zavascki, que expôs que seu entendimento até o início do julgamento era pelo não reconhecimento do direito de crédito, mas que, diante dos debates, havia pensado ser mais prudente pedir vistas para aprofundar seus estudos sobre a matéria. A grande preocupação que o Ministro Teori Zavascki externou dizia respeito ao fundamento para amparar o direito de crédito, já que o direito de crédito no caso não possuía assento no princípio da não cumulatividade, artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, sendo certo que o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, prevê apenas a isenção e não a isenção acompanhada pelo direito de crédito. Com relação a esse ponto, na linha do que já se expôs, acredito que o direito de crédito tenha fundamento no próprio artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República e artigo 9º, do DecretoLei nº 288/1967, pois essa isenção, para ser efetiva e atingir o seu objetivo de incentivo regional, deve obrigatoriamente estar acompanhada do direito de crédito. Por esse motivo, quando, anos mais tarde, o legislador tratou de projetos específicos para produção de “produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária” e outorgou a isenção na saída dos produtos da Zona Franca de Manaus, ele deixou claro que aquela isenção era acompanhada do direito de crédito (artigo 6, caput, e parágrafo 1º, do Decreto nº 1.435/1975), não havendo razões para se impor tratamento diferenciado para um e outro caso. Além disso, à época da edição da legislação que inseriu a isenção que está a se tratar, o entendimento era firme no sentido de que, ao determinar a isenção em uma operação, a operação seguinte fruiria direito de crédito de IPI, pois, como lembrado pelo Ministro Marco Aurélio no julgamento do RE nº 212.4842, até determinado momento, a "jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito". Assim, o emprego de uma interpretação histórica, levando em conta a intenção original do legislador e a norma que se extraía da legislação à época e que foi considerada por aqueles que se instalaram na região setentrional, também levaria a essa conclusão. Ademais, o direito de crédito guarda ainda fundamento nos artigos que alçaram o regime jurídico da Zona Franca de Manaus à estatura constitucional, artigos 40, 92 e 92A do ADCT, que indicam e garantem uma proteção e irredutibilidade de direitos que visem o desenvolvimento e proteção da Zona Franca de Manaus. Pelo exposto, entendo que o Recorrente tem direito de crédito de IPI sobre as aquisições de insumos isentas oriundas da Zona Franca de Manaus, motivo pelo qual o pedido de ressarcimento formulado merece ser deferido, homologandose as compensações correspondentes. Fl. 1485DF CARF MF 20 Créditos por Devolução ou Retorno de produtos e sistema equivalente ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque Nesse tópico, a Fiscalização reconhece que há direito de crédito relativo a produtos tributados recebidos em devolução, porém, "condicionado à comprovação inequívoca de que a mercadoria retornou entrou nos estoques do Contribuinte e, teve, posteriormente, saída tributada", na esteira do procedimento e requisitos previstos no artigo 167 e seguintes do Regulamento do IPI de 2002. Porém, a Fiscalização glosou tais créditos, sob o entendimento de que a Recorrente não teria atendido a um dos requisitos desse procedimento, o previsto no artigo 169, inciso II, b, do Regulamento do IPI de 2002, abaixo transcrito: “Art. 169. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências ( Lei nº 4.502, de 1964, art. 27, § 4º): (...) II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: (...) b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388”; (grifos nossos) De acordo com a Fiscalização, a Recorrente não disporia de sistema alternativo ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque que fosse adequado e hábil ao controle de mercadorias, tal como determina o artigo 388 do Regulamento do IPI, in verbis: “Art. 388. O estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista, que possuir controle quantitativo de produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente, poderá optar pela utilização desse controle, em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, observado o seguinte: I o estabelecimento fica obrigado a apresentar, quando solicitado, aos Fiscos Federal e Estadual, o controle substitutivo; II para a obtenção de dados destinados ao preenchimento do documento de prestação de informações, o estabelecimento industrial, ou a ele equiparado, poderá adaptar, aos seus modelos, colunas para indicação do valor do produto e do imposto, tanto na entrada quanto na saída; e III o formulário adotado fica dispensado de prévia autenticação”. (grifos nossos) Isso porque o sistema de controle da Recorrente adotava o inglês e não o português como língua. Ressaltese que esse foi o único motivo apontado pela Fiscalização para não aceitar o sistema adotado pela Recorrente e, por consequência, glosar os créditos escriturados, como se verifica do trecho do Termo de Verificação Fiscal, já transcrito linhas acima, no relatório deste Acórdão. Por sua vez, o acórdão recorrido manteve o lançamento nessa parte, pelos seguintes fundamentos: “Logo, o direito ao creditamento em questão não decorre imediatamente do registro isolado, no Livro de Registro de Entradas, do retorno dos produtos ao estabelecimento industrial. E, quanto ao documento em língua inglesa Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.477 21 denominado “Stock History”, mesmo quando afastados os óbices normativos e a perplexidade diante da manutenção e exibição à Administração Tributária Brasileira, pelo contribuinte, de registros que não se encontram grafados em vernáculo, verificase que o referido documento não exibe, induvidosamente, os mesmos elementos do livro a que pretende substituir e nem representa um controle quantitativo de produtos que permita a perfeita apuração do estoque permanente e de seu fluxo, o mesmo se dando em relação às folhas avulsas (“fichas”) cujos exemplares acompanham a impugnação, as quais não são impressas com os mesmos elementos do livro substituído, não são numeradas tipograficamente e muito menos exibem autenticação do Fisco Estadual ou da Junta Comercial (...), não podendo ser reputadas, à evidência, como “sistema de controle” do fluxo de envio e retorno de mercadorias”. Diante dos termos da decisão recorrida, a Recorrente pede que seja reconhecida a sua nulidade, pois ao apreciar a matéria, mantém o lançamento apresentando motivos adicionais e estranhos ao que teria sido apontado no Auto de Infração. Além disso, a Recorrente defende que possuiria sistema permanente de controle de estoques alternativo ao Registro de Controle da Produção e Estoque apto a demonstrar de forma quantitativa a movimentação de estoques. Para tanto, acosta aos autos documento intitulado “Termo de Constatação” elaborado por firma de auditoria independente que atesta que examinou minuciosamente o sistema utilizado pela Recorrente no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2009 e que tal sistema “possibilita a apuração quantitativa permanente do estoque e de seu fluxo, bem como possibilitam o rastreamento e controle quantitativo das suas saídas (vendas e/ou revenda de mercadoria e devoluções de venda de mercadoria”. Além disso, aduz a Recorrente que as informações em “língua inglesa” são mínimas e não são fundamentais para a compreensão das informações apresentadas, tendo em vista que o objeto de análise consiste na correlação entre números, datas e códigos de identificação de cada produto. Quanto ao pedido de nulidade, há que se concordar com a Recorrente quando alega que a decisão recorrida acaba mantendo a autuação por outros fundamentos que não os expostos para fundamentar o lançamento. Se acusação do lançamento é que o controle alternativo utilizado pela Recorrente é imprestável, pois o sistema de controle quantitativo de produtos adota como idioma o inglês, deve a autoridade julgadora decidir nos limites da acusação, a partir da qual a lide foi instaurada. Desse modo, não pode a autoridade julgadora manter o lançamento, sob o argumento de que aceita o idioma inglês no controle alternativo, porém, o sistema ainda assim é imprestável, não atende ao artigo 388 do Regulamento do IPI, pois os registros nele feitos não têm como observar os requisitos previstos para o Registro de Controle da Produção e do Estoque que pretende substituir, em violação ao disposto nos artigos 383 a 386, do Regulamento do IPI. Tal julgamento levaria a uma alteração no critério jurídico do lançamento, vedada pelo artigo 146, do CTN. Entretanto, o pedido deve ser rejeitado, tendo em vista que, diferente do que alega a Recorrente, a decisão recorrida não tangencia a apreciação quanto à possibilidade de utilização de idioma estrangeiro no sistema de controle alternativo, mas, a meu ver, afasta essa hipótese, apesar de dar mais ênfase na manutenção do lançamento a fundamentos inovadores e adicionais ao que foi apresentado na autuação. Fl. 1487DF CARF MF 22 Com relação à utilização de língua estrangeira em sistemas do contribuinte que devem atender também aos propósitos de fiscalização da Receita Federal, o CARF já decidiu que "a forma de apresentação dos registros e arquivos em meio magnético a que estão obrigadas as pessoas jurídicas por força do disposto no artigo 11 da Lei 8.218/91 é aquela definida no ADE COFIS nº 15/2001, que, como se viu, não faz qualquer referência à língua em que as mercadorias devem ser descritas", em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 ARQUIVOS DIGITAIS. DADOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. CONTEÚDO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. INFRAÇÃO QUANTO À FORMA. INOCORRÊNCIA. Os arquivos digitais e sistemas das pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados devem observar, quanto à forma, as disposições contidas no ADE COFIS nº 15/2001. O fato de as informações estarem em língua estrangeira não constitui infração pelo não atendimento da forma de apresentação dos registros e respectivos arquivos. Recurso de Ofício Negado" (Acórdão nº 3102001.641; 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 23/10/2012; Relator: Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Relator; decisão unânime) No caso específico do sistema de controle alternativo aqui discutido, o CARF também já teve a oportunidade de examinar a sua adequação às normas de regência, em processo da própria Recorrente que tratava de pedido de ressarcimento de IPI do período de apuração relativo ao quarto trimestre de 2006, quando, conforme “Termo de Constatação” acostado pela Recorrente, o sistema adotado era o mesmo que o adotado no período do lançamento ora em julgamento. Na sessão de julgamento do dia 14/10/2014, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara afastou a glosa de créditos em razão de o sistema utilizar a língua inglesa, pelas seguintes razões, expostas no voto do Conselheiro Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto: “A recorrente apresenta inúmeros elementos, com telas do sistema e descrições do funcionamento do mesmo, que demonstram que o seu sistema de controle estaria apto para comprovar o seu direito creditório. A fiscalização, contudo, não aceitou o sistema pois o mesmo utilizaria o idioma inglês, o que o tornaria inábil para este fim. Neste ponto, verificando os documentos trazidos aos autos, constatase que o sistema foi desenvolvido na língua inglesa. Não se trata, contudo, de um documento complexo, redigido em uma língua obscura, mas sim de um software que, assim como tantos outros, utiliza o idioma inglês. Verificase ainda que as informações dos documentos fiscais são apresentadas conforme constam nestes documentos, e que por meio dele é possível a apuração do estoque permanente, o que permite a análise da veracidade dos créditos pleiteados. Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.478 23 Desta forma, constatado que a recorrente possui sistema de controle quantitativo de produtos que permite a apuração do seu estoque permanente, não se mostra correta a glosa de seus créditos referentes a estornos de saídas em razão de retorno à produção própria e revendas referentes aos CFOPs 1.201/2.201/2/1.202/2.202/1.949/2.949, devendo a autoridade fiscal verificar a regularidade dos créditos pleiteados pela recorrente por meio da análise dos dados contidos no sistema por ela utilizado”. (grifos nossos) (Acórdão nº 3201001.767; decisão unânime) Ao se examinar as telas do sistema juntadas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, verificase que são pertinentes as conclusões a que chegou a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, no Acórdão nº 3201001.767: não se trata de um documento complexo, mas sim de um software que possui sua versão na língua inglesa. Além disso, pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos. Nesse sentido, impende destacar que a Fiscalização em nenhum momento apresenta uma dificuldade concreta na leitura do sistema da Recorrente, fazendo uma acusação genérica de impossibilidade de aceitação do sistema, por utilizar a língua inglesa, deixando, portanto, de apontar, de forma direta de que modo a língua inglesa impede a "perfeita apuração do estoque permanente". Ante o exposto, considerando que a glosa do direito de crédito tem como fundamento exclusivo a adoção da língua inglesa e que não restou demonstrado pela Fiscalização que tal particularidade impede que o sistema “permita perfeita apuração do estoque permanente”, proponho ao Colegiado superar esse óbice e determinar que a autoridade fiscal verifique a regularidade dos créditos pleiteados pela Recorrente pelo exame dos dados contidos no sistema da Recorrente. Conclusão Pelo exposto, proponho ao Colegiado conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a preliminar de nulidade do segundo despacho decisório exarado e, no mérito, para superar os motivos da glosa dos créditos e determinar que a autoridade fiscal verifique a regularidade dos créditos pleiteados pela Recorrente, quantificandoos e homologandose as compensações correspondentes. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 1489DF CARF MF 24 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado A designação para redigir o voto vencedor abarca a possibilidade de revisão do despacho decisório de homologação de compensação, dentro do prazo qüinqüenal estabelecido no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e o direito ao crédito presumido (ficto) de IPI pelas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem da Zona Franca de Manaus ZFM. Concernente à possibilidade de revisão de despacho decisório homologatório de compensação, apesar de concordar com boa parte das premissas adotados pelo i. Relator, divirjo, principalmente, quanto à conclusão apresentada e passo a justificar o posicionamento. Indubitável que o despacho decisório em comento classificase como espécie do gênero ato administrativo, cuja natureza é de ato vinculado, como se extrai do art. 3º do Código Tributário Nacional. Qualificandose como ato administrativo vinculado, afastase a possibilidade de revisão por razões de conveniência e/ou oportunidade, típicos dos atos discricionários, de maneira que o desfazimento do ato eivado de vício configura anulação, ou, nas palavras de José dos Santos Carvalho Filho8, “invalidação”, termo que, a meu ver, melhor se amolda à situação. Como aduzido no voto vencido, a Administração Pública pode rever seus atos quando inquinados de vício de legalidade, ex vi do art. 53 da Lei nº 9.784/99, também pacífico na jurisprudência pátria, consoante Súmula STF nº 473. Da mesma forma, entende José dos Santos Carvalho Filho que esses defeitos são verificáveis nos elementos do ato administrativo – competência, finalidade, forma, motivo e objeto. No caso vertente, a falha constatada residiria no fato que, tratandose de despacho decisório eletrônico, resultado de verificações automáticas realizadas nos sistemas da RFB, a partir do cruzamento de informações prestadas pelo próprio contribuinte, sem qualquer intervenção humana, verificouse, após sua prolação, em procedimento fiscal, a improcedência de determinados direitos de crédito lançados na escrita fiscal do sujeito passivo e indicados nas declarações enviadas. A inserção de dados inconsistentes culminou com a prolação de um despacho decisório claramente insubsistente. O vício de legalidade está no elemento “motivo”, em virtude de uma razão equivocada para sua prolação, consubstanciada na homologação de uma compensação cujo direito creditório, em procedimento fiscal, mostrouse indevido. Ou seja, qualificase como um erro de fato e que, nessa condição, sem maiores debates, admite sua revisão, como demonstrado no precedente judicial citado pelo próprio voto vencido. 8 Manual de direito administrativo. 19ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. Lumen Juris: Rio de Janeiro, 2008. Págs. 140/149 Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.479 25 A medida encontraria amparo, ainda, analogicamente, aos casos de revisão de ofício do lançamento catalogados no Código Tributário Nacional, quando comprovado erro na prestação de informações constantes de declarações obrigatórios – art. 149, IV e VIII. A declaração de invalidade do ato administrativo defeituoso é dever da Administração Pública, encontrando seu limite no decurso do prazo, a teor do art. 54 da Lei nº 9.784/99. No caso dos autos, o prazo para homologação da compensação, coincidentemente também de 05 (cinco) anos, consoante art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, foi plenamente observado. O ato administrativo ilegal, ainda que formalmente acabado, dentro do prazo revisional, deve ser anulado, não gerando qualquer efeito jurídico, como assentado na predita Súmula STF nº 473: “A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial” (destacado) Por essa razão, o fato da homologação da compensação extinguir o crédito tributário não é circunstância especialíssima que impeça a revisão do despacho decisório inválido, isso porque dos atos administrativos nulos não se originam quaisquer direitos em favor do administrado. Em face de todo o exposto, obedecidos os requisitos revisionais, não vislumbro qualquer falha ou vedação no ato de anulação no despacho decisório defeituoso, como se verifica nesses autos. Na seqüência, passo ao exame do direito de crédito de IPI pelas aquisições isentas de matériasprimas, materiais intermediários e de embalagem da Zona Franca de Manaus – ZFM. Nesse diapasão, temse que a não cumulatividade do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vem fixada no art. 153, § 3º, II da CF/88, como princípio vetor do tributo, nos seguintes termos: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. Fl. 1491DF CARF MF 26 § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (destaquei) Como se observa do preceptivo em destaque, a apuração não cumulativa do IPI, que ora interessa, se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições e o valor devido pela saída do produto tributado, de modo que é pressuposto inarredável para o direito ao creditamento, na etapa seguinte do ciclo produtivo, que tenha havido cobrança de imposto na etapa imediatamente anterior e não a mera incidência tributária. Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.” A própria norma legal impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64, de maneira transversa, sinaliza nessa direção, quando determina que seja estornado o crédito do imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nestes termos: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 2º (Revogado pelo DecretoLei nº 2.433, de 1988) Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.480 27 § 3º. O Regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação, ressalvados os casos expressamente contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)” Com efeito, se se deveria estornar o crédito efetivo pela aquisição tributada de matériaprima, produto intermediário e material embalagem aplicados na industrialização de produtos que não sofriam a incidência do tributo, lato senso, com mais razão ainda na hipótese em que a própria aquisição do insumo já ocorresse de forma desonerada do imposto, raciocínio não prejudicado pelo advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Como se observa dos textos legais, é condição sine qua non para aproveitamento dos créditos de IPI, pela sistemática de apuração não cumulativa, a efetiva cobrança do imposto na aquisição, aqui entendida na acepção de exigir, fazer com que seja pago, e não simplesmente que incida a norma tributária, de modo que a isenção, a não tributação ou a sujeição à alíquota zero, não garantem direito de crédito pela sistemática não cumulativa de apuração do IPI. Essa é a orientação contemporânea do Supremo Tribunal Federal, fixada no RE 398.365/RS, e também no CARF, como exposto no voto vencido, a partir da análise histórica da jurisprudência pátria acerca do tema. Abro um parêntese apenas para dissentir da afirmação que era firme a jurisprudência do STF, desde a promulgação da CF/88, no sentido de admitir o crédito presumido pelas aquisições isentas de IPI, ante a inexistência de vedação constitucional semelhante àquela prevista para o ICMS (art. 155, § 2º, II, “a”), ao passo que esse entendimento somente se sedimentou com a decisão prolatada no RE 212.484/RS, em 05/03/98. Tocante à apropriação do crédito presumido de IPI pelas aquisições de insumos, isentas, provenientes da ZFM, especificamente, a questão está afetada à sistemática da repercussão geral no RE 592.891/SP, porém, pendente de decisão de mérito. Portanto, inexiste qualquer precedente judicial, com força vinculante, que submeta este tribunal administrativo a conferir o direito de crédito em debate, a teor do art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015) e 26A do Decreto nº 70.235/72. Respeitante ao exame históricoeconômico da criação da ZFM engendrado pelo i. Relator, como fundamento para o reconhecimento do direito de crédito, entendo que as razões ali arroladas não são suficientes para garantir o pretendido creditamento, uma vez que não há, na legislação de regência daquela área, qualquer dispositivo que estipule o direito vindicado. Consoante art. 150, § 6º da CF/88, qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só pode ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias taxativamente enumeradas ou o Fl. 1493DF CARF MF 28 correspondente tributo ou contribuição, de sorte que o reconhecimento do crédito ficto pelas aquisições de insumos isentas da ZFM, a meu sentir, viola o texto constitucional. Mesmo a alegação de pretensa extrafiscalidade da isenção sub examine não se apresenta como fundamento ao deferimento do crédito, isto porque a envergadura constitucional da ZFM, como elemento catalisador do desenvolvimento econômico e social da região amazônica, não arrima essa conclusão, porquanto os incentivos fiscais criados pelo DL 288/67 e legislação correlata, como instrumentos para alcance daquele objetivo, não elencam esse crédito presumido (ou ficto, como preferem alguns) dentre eles. Com efeito, quando assim o quis, o legislador textualmente implementou crédito dessa natureza, como ocorreu no art. 6º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75, verbis: “Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o ‘caput’ deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA.” Outrossim, não se pode olvidar que os benefícios fiscais da ZFM não se limitam à isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados para outros ponto do território nacional, mas se estendem à isenção pelas aquisições de insumos, por parte de empresas localizadas na ZFM, de qualquer parte do território nacional ou mesmo do exterior, com garantia de isenção, também, do Imposto de Importação respectivo. Essas medidas necessariamente redundam em desoneração tributária de toda a cadeia produtiva, com claros ganhos de produtividade para empresas instaladas na área de abrangência da ZFM, daí porque a análise de cunho econômico não pode ser, com o devido respeito, simplista, como no exemplo proposto pelo voto vencido, sem considerar todas as demais variáveis. Outrossim, aspectos de natureza econômica, ao menos em sede contenciosa administrativa, não servem de sustentáculo à concessão do crédito postulado. Mesmo porque, se enveredarmos por essa trilha, algumas situações reais constatadas causariam espécie e obnubilariam o pretenso direito creditório arguido, como se verifica, p.e., nesse mesmo processo, relativo a pedido de ressarcimento, onde a apropriação de créditos pelas aquisições isentas da ZFM resultou em elevação do saldo credor apurado e requerido, de maneira que a União foi instada a devolver, sob forma de ressarcimento, valores que nunca adentraram os cofres públicos. Ou seja, pretendese o ressarcimento ou devolução do que nunca foi pago, por força da isenção, o que, a meu sentir, carece de lógica jurídica. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10860.904338/201127 Acórdão n.º 3401003.878 S3C4T1 Fl. 1.481 29 Demais disso, os ganhos decorrentes desses incentivos regionais poderiam ser qualificados também como financeiros, pela ótica da ausência de desembolso por parte dos adquirentes, acarretada pela desoneração, dos tributos incidentes diretamente sobre as aquisições. Por esse ângulo, perde força o argumento de necessidade de reconhecimento do direito de crédito como forma de não equiparálo a mero diferimento, como anotado no voto vencido, isso porque, a análise conjuntural exige a avaliação de todas as variantes econômicas, aí incluída a integralidade dos incentivos da ZFM, e não apenas a isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados, isoladamente. Não se pode perder de vista, ainda, que o princípio da seletividade interfere nessa equação, ao estabelecer alíquotas distintas para os produtos, em função da sua essencialidade, ao invés de uma alíquota linear ou única, o que resulta na possibilidade de, em certa etapa do ciclo produtivo, posterior àquela beneficiada com isenção, que incida uma alíquota menor que as etapas anteriores ou até mesmo uma alíquota zero, profligando qualquer possibilidade de se verificar diferimento do tributo. Noutro giro, reconhecer o crédito presumido/ficto pelas aquisições isentas de matériaprima, produto intermediário e embalagens da ZFM equivale, por via oblíqua, a investir o julgador administrativo em legislador ordinário, ao passo que, como enfadonhamente repetido, não existe qualquer dispositivo que, explícita ou implicitamente, confira o direito de crédito ora altercado, seja pela leitura do art. 43, § 2º da CF/88, seja pelos arts. 40, 92 e 92A do ADCT. Por esse motivo, compartilho a mesma perspectiva do saudoso Min. Teori Albino Zavascki, citado pelo i. Relator, segundo o qual, mesmo tomando o art. 43, § 2º da CF/88 como lastro constitucional para as vantagens fiscais atribuídas à ZFM, de modo a pretensamente afastar o art. 153, § 3º e sua regulação ordinária do princípio da não cumulatividade, o seu texto prevê tãosomente que os incentivos regionais compreenderão, dentre outros, isenções, reduções ou diferimento de tributos, nada mencionando sobre créditos presumidos ou fictos. Notese que a própria dicção do sobredito artigo, consubstanciado na expressão “dentre outros”, conduziria à possibilidade de criação do indigitado direito de crédito, ao estabelecer que os incentivos regionais não se limitam àqueles catalogados, todavia é mister do legislador ordinário a sua implementação, não do julgador administrativo. Em apertada síntese: a apropriação de créditos pelas aquisições isentas de insumos da Zona Franca de Manaus carece de respaldo legal, devendo ser mantida a glosa realizada pelas autoridades fiscais. Com essas considerações, voto por negar provimento à impossibilidade de anulação do despacho decisório eletrônico e ao direito de creditamento de IPI por aquisições isentas, mesmo que originárias da Zona Franca de Manaus – ZFM. Robson José Bayerl Fl. 1495DF CARF MF 30 Fl. 1496DF CARF MF
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